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Fortalecendo Laços: Guia para Pais

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PROPAIS—USP

fortalecendo laços
Programa de Orientação de Pais da USP

Realização:

Lembretes de apoio: os principais pontos


aprendidos que não devemos esquecer.
Apoio:
Autores: Nívea Passos Maehara
Dayane Rattis Theodozio
Carmen Beatriz Neufeld
Ilustração: Natália Santos
Apresentação

É com muito orgulho que entregamos este livreto para vocês.


Orgulho porque mostra o quanto pudemos aprender durante esse tempo e,
o mais importante: evidencia o esforço de vocês de tentar, a cada dia, ser
um(a) pai/mãe melhor para seus filhos.
Esperamos ter ajudado, capacitando, orientando e dando instru-
mentos para que fique mais fácil para vocês lidarem com as dificuldades
que seus filhos apresentam e assim tornar mais harmoniosa e prazerosa a
relação entre vocês. O nosso intuit é ajudar no desafio de ser pai/mãe,
favorecendo uma relação de maior proximidade, respeito e compreensão,
fortalecendo os laços com seus filhos.
Reunimos aqui algumas informações importantes sobre a educa-
ção de seus filhos. Mas incentivamos que vocês continuem se aprimo-
rando. Sugerimos a leitura de alguns livros que podem ajudar. A lista
com os nomes dos livros está no final deste livreto.

Nívea Passos Maehara


Dayane Rattis Theodozio
Profa Dra Carmen Beatriz Neufeld
Os principais livros que recomendamos a vocês são:
O difícil ofício de ser pai
Livro: Conhecendo-se para educar: uma visão comportamental-
cognitiva da orientação de pais
Ser pai e mãe é um grande desafio. Filho não vem com manual
Autores: Renata Ferrares Fernandes Lopes e Ederaldo José Lopes
de instrução, nenhum lugar ensina como agir e, então o que fazer?
Editora: Legis Summa
Como fazer? Sabemos que, muitas vezes, vem aquele sentimento de
impotência e frustração: “o que estou fazendo está certo?”. Esse senti-
mento fica ainda mais forte em situações nas quais a criança apresenta Livro: Pais presentes, pais ausentes: regras e limites
alguma dificuldade que o faz buscar ajuda. Autores: Paula Ines Cunha Gomide
Saibam que só o fato de vocês terem buscado ajuda, de terem Editora: Vozes
participado do grupo já mostra que vocês estão fazendo algo. Porém,
lembrem-se que vocês podem ajudar no processo terapêutico de seus Livro: Eduque com carinho: equilíbrio entre amor e limites (para pais e
filhos. Ao agir adequadamente logo que o comportamento indesejado filhos), vol 2.
da criança se manifesta, ao tentar entender como seus filhos se sentem, Autores: Lídia Natalia Dobrianskyj Weber
ao ouvi-los e percebendo como vocês agem, vocês são capazes de gerar Editora: Juruá
transformações positivas na vida de seus filhos.
É importante pensar que a dificuldade da criança é influenciada Outros livros que podem auxiliar são:
por vários fatores: características pessoais da criança; fatores do am-
Livro: Criando Filhos - Para Pais e
biente e, além disso, a própria relação entre vocês. Assim, aquilo que
Mães de Verdade!
vocês fazem e o modo como vocês fazem influencia a maneira como Autores: Shaaron Biddulph e Livro: O segredo das crianças
seus filhos reagem. Steve Biddulph felizes
Editora: Fundamento Autores: Steve Biddulph
Editora: Fundamento
O modelo ABC Livro: Criando meninas
Autores: Gisela Preuschoff Livro: Momentos mágicos com
Editora: Fundamento seus filhos
Autores: Steve Biddulph
Livro: Criando meninos Editora: Fundamento
Autores: Steve Biddulph
Editora: Fundamento Livro: Disciplina - limite na
medida certa: novos paradigmas
Livro: Criando adolescentes Autores: Içami Tiba
A idéia é a de que todo comportamento (o que a pessoa faz) pro- Autores: Michel Carr-Greg Editora: Integrare
duz consequências e é mantido ou não por essas consequências. Editora: Fundamento
8. Leitura mental: Você acha que sabe o que os outros estão pensando,
falhando assim ao considerar outras possibilidades mais prováveis.
Você imagina que sabe o que as pessoas pensam sem ter evidências O comportamento de seus filhos (o “B”) pode ser modificado através
suficientes. Ex: Ele está fazendo isso porque sabe que eu não vou fazer de mudanças no A (o que acontece antes) e mudanças no C (consequências
nada. / Ele pensa que não tenho coragem para castigá-lo. que vêm depois que seu filho faz algo). Algumas dessas conseqüências au-
mentam a probabilidade do comportamento voltar a ocorrer. Por exemplo, se
você vai sair para passear e escolhe vestir uma determinada blusa, e então
9. Supergeneralização: Você tira uma conclusão negativa radical que
recebe elogios de que esta blusa é bonita, aí você vai querer usar esta blusa
vai muito além da situação atual. Ex: Meu filho está bravo comigo
mais vezes. Com relação a seus filhso também ocorre da mesma forma, se
agora, o que mostra que ele não gosta mais de mim.
eles recebem ou não atenção diferenciada por um comportamento, este com-
portamento tem uma tendência maior de ocorrer novamente.
10. Personalização: Você acredita que os outros estão se comportando
negativamente devido a você, sem considerar explicações mais
plausíveis para o seu comportamento. Você atribui a si mesmo culpa
desproporcional por eventos negativos e não consegue ver que certos O que fazer quando meu filho age certo?
eventos também são provocados pelos outros. Ex: Ele faz isso pra me
irritar. / Meu filho vai mal na escola porque eu sou burra. É comum deixar passar a situa-
ção que a criança obedeceu e pensar que Educar é incentivar o compor-
11. Declarações do tipo “eu deveria” e “eu devo”: Você tem uma idéia tamento correto e não somente
“ele não fez mais que a obrigação”, mas
exata estabelecida de como você ou os outros deveriam comportar-se e corrigir o comportamento
você superestima quão ruim é que essas expectativas não sejam isso pode ser um erro! É preciso re- inadequado!!!
preenchidas. Ex: Eu deveria sempre dar o melhor de mim. / Ela deveria forçar o comportamento correto da cri-
me obedecer porque eu é que sei o que é melhor para ela. ança.

Por fim, gostaríamos novamente de parabenizá-los por participar Reforço é um tipo de conseqüência do comportamento que aumenta a
do grupo de orientação de pais. Esperamos que vocês lembrem do que chance dele acontecer mais vezes e que também pode ser usado para que um
trabalhamos durante as sessões e sugerimos a leitura desta cartilha sem- comportamento deixe de acontecer, diminuendo sua ocorrência. Além disso,
pre que vocês estiverem em situaçoes difíceis com seu filho. Porém, outro aspecto do reforço é que se um comportamento é reforçado, a chance de
lembrem-se que este não é um “manual mágico” e com certeza não traz que outros comportamentos diferentes daquele reforçado apareçam também
todas as respostas. Para aprofundar seus conhecimentos e continuar se diminui. Por exemplo: se vocês elogiam seus filhos sempre que eles arrumam
aprimorando na educação de seus filhos, indicamos alguns livros que o quarto, a chance deles fazererm isso mais vezes aumenta e a de que eles não
podem contribuir na última folha deste livreto. Esperamos ter con- arrumem diminui, pois eles sabem que receberão algo agradável se arru-
tribuído para o desenvolvimento de vocês como pais e colocamo-nos à marem.
disposição para futuros contatos. Desejamos sinceramente que
tenhamos “fortalecido laços”.
Alguns exemplos de reforçadores:
2. Catastrofizando: Você prevê o futuro negativamente, sem considerar
- dar atenção; outros resultados mais prováveis. Você acredita que o que aconteceu ou vai
- possibilitar escolhas; acontecer é tão terrível e insustentável que não será capaz de suportar. Ex: Eu
- tempo de brincadeira ou tempo de qualidade (aquele que vocês nunca vou conseguir fazer ele me obedecer. / Seria horrível se eu fracas-
dedicam exclusivamente ao seus filhos para fazerem juntos atividades sasse.
que eles desejarem – 10 a 30 min);
- elogios (eles devem ser específicos àquilo que vocês querem reforçar.
3. Desqualificando ou desconsiderando o positivo: você diz para si mesmo
Não devem ser dados elogios juntamente com críticas);
- oferecer passeios ou prêmios quando a criança obedecerr (algo rela- que experiências, atos ou qualidades positivas não contam. Ex: Meu filho fez
isso certo, mas isso não significa que ele esteja me obedecendo, ele só estava
cionado a fortalecer a relação entre vocês ao invés de presentes. Vocês
de bom humor naquele dia.
podem usar a idéia de juntar pontos).
4. Argumentação emocional : Você pensa que algo deve ser verdade porque
Lembrem-se que a quantidade de elogios deve ser sempre você “sente” isso de maneira tão convincente que acaba ignorando ou des-
MAIOR ou no mínimo igual à quantidade de críticas. considerando evidências contrárias. Você deixa seus sentimentos guiarem
sua interpretação da realidade. Ex: Se eu brigar com ele, eu sinto que ele vai
deixar de gostar de mim.

O que fazer quando meu filho não age da forma como eu gostaria? 5. Rotulando: Você coloca um rótulo global e fixo sobre si mesmo ou sobre
O que fazer quando ele desobedece? Como corrigir um os outros sem considerar que as evidências poderiam ser mais razoavelmente
comportamento inadequado? conduzidas a uma conclusão menos desastrosa. Ex: Ele não sabe pensar nos
outros / Eu sou um fracasso.
Normalmente, quando a criança se comporta mal, a primeira
6. Maximização/ minimização: Quando você avalia a si mesmo, outra pessoa
reação dos pais é ficar com raiva, perder a paciência e, nesses momen- ou uma situação, você aumenta muito o negativo e/ou diminui muito o posi-
tos, a opção que mais aparece é bater na criança. CUIDADO! Lem- tivo. Ex: O que ele fez foi um absurdo e mostra o quanto ele não me dá
brem-se do que discutimos. Bater faz, geralmente, com que as crianças valor / Eu me esforcei muito para conseguir isso, mas não fiz mais que minha
sintam raiva de vocês, e que vocês sintam culpa por ter batido. É obrigação.
muito comum também que a criança que apanha do pai ou da mãe
7. Abstração seletiva ou filtro mental: Você presta atenção indevida a um de-
sinta medo deles. Vale a pena pensar: será que compensa bater na
talhe negativo em vez de considerar o quadro geral. Ex: Meu filho é muito
criança e trazer esses prejuízos? Por que estou batendo: porque real- desorganizado. Arrumou a mochila da escola e esqueceu o estojo.
mente quero corrigir meu filho ou porque estou com raiva? Bater
nunca é a melhor opção!
Na maioria das vezes, não estamos atentos a um tipo especial de
pensamento, o Pensamento Automático, que é aquele que passa pela Existem formas mais eficazes de corrigir um comportamento
nossa cabeça rapidamente, sem que tenhamos consciência, mas que guia indesejado e que não trazem essas conseqüências ruins:
nossa interpretação da situação e nos ajuda a decidir o que fazer e como
sentir. É interessante como muitas vezes, sabemos como agir em deter-  Remover recompensas e privilégios: a remoção deve ter uma
lógica com o mau comportamento (ex: se os filhos não obedece-
minada situação, mas “fica na teoria”, na “hora H”, fazemos outra coisa.
ram porque estavam no computador, a remoção deve ser de ficar
É muito comum que os nossos pensamentos automáticos estejam rela- sem o computador por um determinado tempo. Especificar por
cionados a isso de alguma forma. Por isso, é fundamental que vocês quanto tempo o privilégio vai ser retirado. Lembrem-se que perder
prestem atenção neles. uma coisa por muito tempo raramente é efetivo porque as crianças
esquecem o motivo e acabam se acostumando).
O que eu penso interfere no meu sentimento e no meu comportamento.  Time-out: suspensão de reforços de forma geral (ex: colocar em
uma cadeira, em um local da casa com o mínimo de atrativos). A
remoção é temporária, planejada e visa aprendizagem. Após a
Façam então o trabalho de detetive para investigar seu breve remoção, a criança tem a oportunidade de voltar à sua
pensamento. Lembrem-se que um pensamento pode ser muito adequado tarefa. Em geral, deve durar 1 minuto por idade (então uma cri-
a algumas situações e não a outras, ou seja, o problema ocorre quando ança de 8 anos deve ficar 8 minutos). Não abram mão do que foi
ele é generalizado, rígido, inflexível. combinado, por mais que os filhos peçam. Expliquem sempre à
Para isso, vocês podem levantar as evidências: ver se existem criança os motivos e a duração.
evidências a favor desse pensamento em determinada situação, e se há
evidências contrárias, que indiquem que esse pensamento pode não ser  Extinção: Tirar os reforçadores. Quando se suspende ou encerra o
tão verdadeiro naquela situação. reforçador, a chance de que o comportamento volte a ocorrer di-
Outro ponto que pode ajudar vocês a avaliar seu pensamento é a minui. Um importante reforçador que pode ser retirado é a atenção
idéia das distorções cognitivas que discutimos. Vocês podem consultar que vocês dão a seu filho. Isso deve ser utilizado apenas em situa-
essa lista e identificar se naquele momento os pensamentos podem ser ções nas quais elea fazem coisas para chamar a atenção de vocês.
enquadrados em alguma dessas distorções:
Vocês podem tirar a atenção, desviar o olhar. Porém, certifiquem-
se de que é um comportamento que pode ser ignorado e que não
1. Pensamento tudo-ou-nada : Você vê uma situação em apenas duas dar atenção não leve risco às crianças.
categorias em vez de um contínuo, então ou é uma coisa ou outra Ex: Se
ele não faz 100% do que eu peço, significa que ele é desobediente.
1.
Estabelecendo regras  Evite dizer “vamos”, se vocês não estiverem dispostos a realizar a
tarefa toda com a criança. Esse tipo de afirmação pode deixar seus
As regras devem ser estabelecidas de forma clara. Vocês só filhos desorientados e vocês não estarão cumprindo com o que fa-
podem cobrar algo de seus filhos que tenha sido combinado previa- laram.
mente, ou seja, vocês não podem cobrar dele algo que eles não saibam
que devem fazer. Por isso, deixem sempre as regras bem claras: o que  Os comandos dever ser específicos e incluir uma estrutura de tempo
para o término esperado (Ex: “Você precisa arrumar sua cama antes
eles podem e não podem fazer, o que é permitido, como, onde, de que
de ir para a escola”). Neste caso, vocês precisam conseguir esperar o
maneira. De preferência, combinem as regras em um momento de tempo que vocês mesmos estipularam para a criança fazer a tarefa.
tranqüilidade na casa.
 Dar um comando de cada vez aumenta a chance de que a criança
cumpra. Se não for possível, usem listas de tarefas. Além disso, fazer
um pedido em meio a uma longa explicação é um erro comum. Ao
Dando ordens eficazes final da fala, seus filhos estarão desinteressados, desatendos e já terão
esquecido aquilo que foi pedido a eles.
Lembrem-se de que a forma como vocês dão uma ordem à cri-
ança influencia se ela vai ou não cumprir. Por isso, ai vão algumas
dicas na hora de falar para seus filhos fazer algo:
O Modelo Cognitivo
 Dar apenas ordens que estejam dispostos a fazer cumprir. Se
não, a criança vai aprender que não vale a pena obedecer (Ex: Se
vocês dizem que se seus filhos não arrumarem o quarto eles não A idéia do modelo
vão sair com os amigos, estejam dispostos a impedir que eles cognitivo é simples: o nosso
saiam, mesmo que eles chorem, peçam insistentemente ou que os pensamento interfere nos
amiguinhos apareçam em casa para chamá-los). nossos sentimentos e nos
 Dar ordens não é fazer pedidos. Quando se faz pedidos, a pessoa nossos comportamentos. Isso
pode recusar. Se vocês não querem um “não” como resposta, or- significa que a forma como a
denem ao invés de pedir (Ex:Você não quer ir dormir? Já está gente pensa sobre as coisas
tarde/ Você quer arrumar essa bagunça, por favor? versus Vá interfere naquilo que a gente
dormir porque está tarde/ arrume agora a bagunça do seu quarto,
por favor). Evite súplicas. Isso não significa ser tirano e desre- sente e naquilo que a gente
speitoso com seus filhos! faz.

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