Poder Judiciário de Pernambuco
PJe - Processo Judicial Eletrônico
23/09/2024
Número: 0047270-98.2024.8.17.9000
Classe: Habeas Corpus Criminal
Órgão julgador colegiado: 4ª Câmara Criminal - Recife
Órgão julgador: Gabinete do Des. Eduardo Guilliod Maranhão 4ª CCRIM
Última distribuição : 06/09/2024
Valor da causa: R$ 0,00
Assuntos: Prisão Preventiva
Nível de Sigilo: 0 (Público)
Justiça gratuita? NÃO
Pedido de liminar ou antecipação de tutela? SIM
Partes Advogados
DARWIN HENRIQUE DA SILVA FILHO (PACIENTE)
ADEMAR RIGUEIRA NETO (ADVOGADO(A))
12ª vara criminal de Recife/PE (AUTORIDADE COATORA)
Outros participantes
Coordenação da Central de Recursos Criminais (FISCAL
DA ORDEM JURÍDICA)
Coordenação das Procuradorias Criminais (FISCAL DA
ORDEM JURÍDICA)
Documentos
Id. Data da Documento Tipo
Assinatura
41628534 23/09/2024 Decisão Decisão
18:58
Tribunal de Justiça de Pernambuco
Poder Judiciário
Gabinete do Des. Eduardo Guilliod Maranhão 4ª CCRIM
4ª CÂMARA CRIMINAL
Habeas Corpus nº 0047270-98.2024.8.17.9000
Impetrante: Ademar Rigueira Neto e outros
Paciente: Darwin Henrique da Silva Filho
DECISÃO INTERLOCUTÓRIA/Ofício de Comunicação nº 230/24
Trata-se de petição de aditamento à inicial do presente Habeas Corpus ofertada pela defesa do
paciente Darwin Henrique da Silva Filho onde foi indicado como autoridade coatora o Exmo. Juízo de
Direito da 12ª Vara Criminal da Comarca do Recife/PE, em razão do decreto prisional expedidos nos autos
do Proc. 0022884-49.2024.8.17.2001.
Em estrita síntese, defendem os requerentes:
a) Que após o oferecimento do relatório pela autoridade policial, a Promotoria de Justiça não ofereceu
denúncia e devolveu os autos do inquérito para mais diligências.
b) Que o Parquet ainda “opinou favoravelmente à substituição da prisão preventiva por cautelares
diversas da prisão”, tendo entendido que “a prisão preventiva seria fulminada pelo excesso de prazo, pois a
realização das diligencias complementares levaria à violação ao prazo definido no art. 10 do Código de
Processo Penal”.
c) Que “o Superior Tribunal de Justiça já se manifestou sobre a necessidade de se dar especial atenção e
relevância à manifestação favorável do MP pela revogação da prisão preventiva de pessoas investigadas”.
É o relatório, passo a decidir.
De início, registro que fui designado como responsável pelas decisões de urgência em recursos e
impugnações contra decisões do magistrado singular nos autos do Proc. 0022884-49.2024.8.17.2001 por
designação do Exmo. Des. Presidente deste TJPE, nos autos do Conflito de Competência nº 0047428-
56.2024.8.17.9000, o qual pende de julgamento pela egrégia Seção Criminal desta Corte de Justiça.
Os impetrantes acostaram ao presente feito uma cópia do parecer do Rep. do Parquet ofertado na ação
originária (ID 41618511) onde se constata pedido expresso para revogação das prisões preventivas
decretadas contra os indiciados, in verbis:
“Trata-se de inquérito policial instaurado com a finalidade de apurar crime de lavagem de
capitais, que resultou no indiciamento das seguintes pessoas: DARWIN HENRIQUE DA SILVA
FILHO, DARWIN HENRIQUE DA SILVA, EDUARDO PEDROSA CAMPOS, FLAVIO
CRISTIANO BEZERRA FABRICIO, MARCELA TAVARES HENRIQUE DA SILVA CAMPOS,
MARIA APARECIDA TAVARES DE MELO, MARIA BERNADETE PEDROSA CAMPOS, MARIA
CARMEN PENNA PEDROSA, MARIA EDUARDA QUINTO FILIZOLA, RAYSSA FERREIRA
SANTANA ROCHA, RUY CONOLLY PEIXOTO, THIAGO LIMA ROCHA, EDSON ANTONIO
LENZI FILHO, THIAGO HEITOR PRESSER, JOSÉ ANDRÉ DA ROCHA NETO, AISLLA
SABRINA TRUTA HENRIQUES ROCHA, GIORGIA DUARTE EMERENCIANO, DAYSE
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Num. 41628534 - Pág. 1
HENRIQUE DA SILVA, DEOLANE BEZERRA SANTOS, SOLANGE ALVES BEZERRA
SANTOS, BORIS MACIEL PADILHA e NIVALDO BATISTA LIMA.
(...)
Da minuciosa análise dos autos, verificou-se a necessidade da realização de diligências
complementares indispensáveis à formação da opinio delict, razão pela qual fora expedido ofício
requisitório à Autoridade Policial.
Assim, considerando que o lapso temporal necessário ao cumprimento das diligências,
imprescindíveis ao oferecimento da denúncia, implicará, inevitavelmente, em constrangimento
ilegal, o Ministério Público de Pernambuco se manifesta pela substituição das prisões,
aplicando-se a todos os investigados as medidas cautelares indicadas no id. 40954440 do NPU
0047297-81.2024.8.17.9000 e id. 181431595 do NPU 0022884-49.2024.8.17.2001, mantidas as
demais medidas cautelares constritivas de natureza patrimonial”.
Ou seja, da leitura do aludido parecer, constata-se que o titular da ação penal constatou inexistirem
elementos para o oferecimento da denúncia razão pela qual requereu a realização de diligência, o que,
indubitavelmente, implicará em constrangimento ilegal no que tange à prisão preventiva dos pacientes.
Em verdade, a partir do momento em que o Órgão Ministerial não se mostra convicto no oferecimento da
denúncia, mostram-se frágeis a autoria e a própria materialidade delitiva, situação esta que depõe contra o
próprio instituto da prisão preventiva prevista na norma adjetiva penal.
Tanto é assim que o art. 312, do CPP, exige como requisito para decretação da prisão preventiva: a
existência de prova do crime, indícios suficientes de autoria e perigo ocasionado pela liberdade dos
imputados, a saber:
“Art. 312. A prisão preventiva poderá ser decretada como garantia da ordem pública, da ordem
econômica, por conveniência da instrução criminal ou para assegurar a aplicação da lei penal,
quando houver prova da existência do crime e indício suficiente de autoria e de perigo gerado
pelo estado de liberdade do imputado”.
Destarte, a ausência de convicção manifestada pelo requerimento de diligências para identificação da autoria
delitiva, de fato, impõe a revogação das prisões preventivas determinadas pelo Juízo a quo.
Neste sentido, trago à colação:
“HABEAS CORPUS. HOMICÍDIO TENTADO. REVOGAÇÃO DECRETO DE PRISÃO
PREVENTIVA. AUSÊNCIA DOS PRESSUPOSTOS. INQUÉRITO DEVOLVIDO PARA NOVAS
DILIGÊNCIAS. DE OFÍCIO. EXCESSO DE PRAZO PARA OFERECIMENTO DA DENÚNCIA.
CONSTRANGIMENTO CARACTERIZADO. Segundo orientação doutrinária e jurisprudencial, a
devolução dos autos do inquérito à autoridade policial para a realização de diligências
complementares essenciais ao oferecimento de Denúncia é incompatível com a manutenção do
decreto da prisão preventiva do paciente, por evidenciado a ausência dos pressupostos da
materialidade e indícios suficientes de autoria, sobretudo se ultrapassados os prazos previstos
nos artigos 10 e 46, ambos do CPP, sem a conclusão do Inquérito, tornando imperiosa a
concessão da ordem, de ofício, para a finalidade de restituir a liberdade do paciente, mediante a
imposição de medidas cautelares. ORDEM CONHECIDA E CONCEDIDA. (TJ-GO - HC:
01192805320208090000, Relator: Avelirdes Almeida Pinheiro de Lemos, Data de Julgamento:
20/05/2020, 1ª Câmara Criminal, Data de Publicação: DJ de 20/05/2020)
“PROCESSO PENAL. PENAL. HABEAS CORPUS. HOMICÍDIOS QUALIFICADOS TENTADO
E CONSUMADO. PRISÃO PREVENTIVA. AUSÊNCIA DE DENÚNCIA. PEDIDO DE
DILIGÊNCIAS. CONSTRANGIMENTO ILEGAL CONFIGURADO. MEDIDAS CAUTELARES
DIVERSAS DA PRISÃO SUFICIENTEMENTE SATISFATÓRIAS. ORDEM CONCEDIDA. 1. O
prazo para oferecimento da denúncia, estando o réu preso, será de 05 (cinco) dias, contado da
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data em que o órgão do Ministério Público receber os autos do Inquérito Policial, nos termos do
disposto no art. 46, caput, do Código de Processo Penal. 2.Adevolução dos autos à polícia para
outras diligências somente se faz possível quando o indiciado estiver solto, sob pena de
configurar constrangimento ilegal. 3.Plenamente possível a imposição das medidas cautelares
previstas no art. 319 do Código de Processo Penal, uma vez que tais medidas mostram-se
suficientemente satisfatórias. 4. Ordem concedida. Unanimidade. (TJ-MA - HC: 0547252014 MA
0010092-96.2014.8.10.0000, Relator: JOSE DE RIBAMAR FROZ SOBRINHO, Data de
Julgamento: 26/01/2015, TERCEIRA CÂMARA CRIMINAL, Data de Publicação: 04/02/2015)
“HABEAS CORPUS. TENTATIVA DE HOMICÍDIO. PRISÃO PREVENTIVA. ALEGAÇÃO DE
AUSÊNCIA DOS PRESSUPOSTOS DA PRISÃO PREVENTIVA. INQUÉRITO RELATADO.
AUSÊNCIA DE DENÚNCIA. PEDIDO DO MINISTÉRIO PÚBLICO POR NOVAS
DILIGÊNCIAS. EXCESSO DE PRAZO PARA CONCLUSÃO DO INQUÉRITO POLICIAL.
CONSTRANGIMENTO ILEGAL EVIDENCIADO. LIBERDADE PROVISÓRIA MEDIANTE
APLICAÇÃO DE MEDIDAS CAUTELARES DIVERSAS DA PRISÃO. 1. O Art. 10 do Código de
Processo Penal dispõe que o prazo para encerramento do inquérito policial, nos casos de
indiciado preso é de 10 dias. Além disso, nos termos do § 3º do mesmo dispositivo, a devolução
dos autos para outras diligências somente pode ser realizada estando o indiciado solto. 2. A
devolução do caderno investigativo para a autoridade policial proceder novas diligências se
justificam apenas no caso do Ministério Público não ter elementos mínimos para a formação de
sua convicção com relação aos indícios de autoria e materialidade delitiva, uma vez que, a
simples oitiva de testemunhas para efeitos de provas, caso necessária, deve ser feita no momento
oportuno, durante a fase da instrução criminal. 3. A hipótese dos autos ultrapassa os limites do
razoável, porquanto passados mais de três meses da prisão do investigado, a persecução
encontra-se em fase de investigação e a autoridade policial ainda não concluiu sequer as
diligências para o término do inquérito. 4. Se o próprio Ministério Público, titular da ação penal,
não tem segurança para afirmar a existência de indícios suficientes de autoria e materialidade do
crime imputado ao Paciente, com maior razão se pode afirmar que estão ausentes os pontos
basilares, essenciais à manutenção da prisão preventiva, motivo pelo qual deve ser garantida
liberdade provisória do Paciente para aguardar em liberdade o encerramento do inquérito
policial, mediante aplicação de medidas cautelares a serem fixadas pelo magistrado singular, e
sem prejuízo de nova decretação da prisão, havendo fundamentos para tanto. ORDEM
CONCEDIDA. (TJTO, Habeas Corpus Criminal, 0008561-39.2020.8.27.2700, Rel. EURÍPEDES
DO CARMO LAMOUNIER, 1ª CÂMARA CRIMINAL , julgado em 04/08/2020, DJe 17/08/2020
14:05:15)
No que tange ao âmbito doutrinário, o renomado jurista Guilherme de Souza Nucci elucida bem o
entendimento sobre a matéria em apreço ao destacar que a devolução dos autos à Delegacia de Polícia para
diligências somente deve ocorrer quando o indiciado estiver solto, já que, caso contrário, “haverá nítido
constrangimento ilegal, postergando o Estado-acusação, indevidamente, a prisão. A defesa, conforme o
caso pode se valer do habeas corpus para colocar o investigado em liberdade” (in Código de Processo
Penal Comentado, 6ª edição, p. 165).
Destarte, se inexistem elementos para o oferecimento da denúncia, a prisão dos acusados deve ser
imediatamente relaxada sob pena de configuração de constrangimento ilegal.
Isto posto, defiro o pedido formulado na petição de ID 41618509 do presente feito para conceder ao
paciente DARWIN HENRIQUE DA SILVA FILHO o relaxamento da prisão preventiva decretada pela
autoridade coatora nos autos do Proc. 0022884-49.2024.8.17.2001, ficando, contudo, aplicadas as seguintes
cautelares alternativas:
a) não mudar de endereço sem prévia autorização judicial;
b) não se ausentar da Comarca onde reside, sem prévia autorização judicial;
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c) não praticar outra infração penal dolosa;
d) necessidade de comparecimento em até 24 horas, pessoalmente, no Juízo da 12ª Vara Criminal da Capital,
para assinatura de Termo de Compromisso, em que tomará ciência de todas as cautelares aqui estabelecidas
e ainda declinará seu endereço atualizado;
e) fica o paciente proibido de frequentar qualquer empresa que esteja correlacionada com o objeto da
investigação da operação “INTEGRATION”, ou ainda de participar de qualquer tomada de decisão, ainda
que remotamente, acerca da atividade econômica de qualquer empresa que faça parte do objeto de
investigação da operação “INTEGRATION”, bem como fazer publicidade ou menção a qualquer plataforma
de jogos.
No mais, considerando que fui designado pelo Presidente deste TJPE para resolver em caráter provisório
acerca de eventuais medidas urgentes nos Habeas Corpus impetrados em razão do processo acima referido
(que atacam o mesmo ato do Juízo da 12ª Vara Criminal da Capital) determino, ainda, ex offício, a extensão
do presente decisório aos pacientes dos seguintes writs que possuem a mesma causa de pedir:
- 0047229-34.2024.8.17.9000 (Paciente: Maria Eduarda Quinto Filizola)
- 0047349-77.2024.8.17.9000 (Paciente: Dayse Henrique Da Silva)
- 0047231-04.2024.8.17.9000 (Pacientes: Marcela Tavares Henrique da Silva e Eduardo Pedrosa
Campos)
- 0047264-91.2024.8.17.9000 (Paciente: Maria Aparecida Tavares de Melo)
- 0047325-49.2024.8.17.9000 (Pacientes: Darwin Henrique da Silva e Giorgia Duarte
Emerenciano)
- 0047232-86.2024.8.17.9000 (Pacientes: Maria Bernadette Pedrosa Campos e Maria Carmen
Penna Pedrosa)
- 0047263-09.2024.8.17.9000 (Pacientes: Edson Antonio Lenzi)
- 0047297-81.2024.8.17.9000 (Pacientes: Deolane Bezerra Santos e Solange Alves Bezerra)
- 0047503-95.2024.8.17.9000 (Pacientes: Jose André da Rocha Neto e Aislla Sabrina Trutta
Henriques Rocha)
- 0047543-77.2024.8.17.9000 (Paciente: Rayssa Ferreira Santana Rocha)
- 0047471-90.2024.8.17.9000 (Paciente: Ruy Conolly Peixoto)
- 0048499-93.2024.8.17.9000 (Paciente: Thiago Heitor Presser)
Acoste-se cópia da presente decisão em cada um dos habeas corpus acima referidos, bem como encaminhe-
se uma cópia ao magistrado singular para o devido conhecimento.
Por fim, registro que ficam mantidas as ordens de bloqueio de valores e sequestros de bens determinadas
pela autoridade coatora na medida em que a ação de Habeas Corpus não se presta para discutir tais medidas
(vide STJ - AgRg no HC: 807602, Relator: Ministro SEBASTIÃO REIS JÚNIOR, 24/04/2023)
Recife, data da assinatura digital.
Des. Eduardo Guilliod Maranhão
Relator
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Assinado eletronicamente por: EDUARDO GUILLIOD MARANHAO - 23/09/2024 18:58:17
Num. 41628534 - Pág. 4