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Produção de Documentos em Psicologia - 6 - 12

O documento aborda a produção de relatórios psicológicos, enfatizando a importância das resoluções do CFP, especialmente a n. 06/2019, que distingue entre relatórios e laudos psicológicos. Discute aspectos éticos, normativos e a estrutura dos relatórios, além de destacar a necessidade de alinhamento entre a demanda do documento e o objetivo do tratamento. Também explora a terminologia e a função dos pareceres psicológicos no contexto legal, diferenciando-os dos laudos e ressaltando a importância da ética na elaboração desses documentos.

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Produção de Documentos em Psicologia - 6 - 12

O documento aborda a produção de relatórios psicológicos, enfatizando a importância das resoluções do CFP, especialmente a n. 06/2019, que distingue entre relatórios e laudos psicológicos. Discute aspectos éticos, normativos e a estrutura dos relatórios, além de destacar a necessidade de alinhamento entre a demanda do documento e o objetivo do tratamento. Também explora a terminologia e a função dos pareceres psicológicos no contexto legal, diferenciando-os dos laudos e ressaltando a importância da ética na elaboração desses documentos.

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GETUSSP – Curso preparatório concurso psicólogo judiciário - TJSP

PRODUÇÃO DE DOCUMENTOS EM PSICOLOGIA - PRÁTICAS E REFLEXÕES TEÓRICO


CRÍTICAS
LOURENÇO, A. S.; SHINE, S.; ORTIZ, M. C. M. Produção de documentos em psicologia:
práticas e reflexões teórico-críticas. São Paulo: Vetor, 2021.

Resumo para revisão (capítulos 6 e 12)

Capítulo 6 - Elaboração do relatório psicológico: Aspectos éticos e normativos


Cássia Regina de Souza Preto

▪ Contexto Normativo: Importância da Resolução CFP n. 06/2019, que ajustou as


demandas profissionais relacionadas a documentos psicológicos.
▪ Aplicação Profissional: Os relatórios são comumente gerados durante processos
psicoterapêuticos, acompanhamento e desenvolvimento de ações psicológicas.
▪ Resoluções do CFP: Preocupação crescente dos Conselhos de Psicologia,
especialmente após os Congressos Nacionais da Psicologia a partir da década de
1990.
▪ Evolução: O texto descreve a evolução das resoluções, começando pela Resolução
CFP n. 007/94, que regulamentou atestados psicológicos para licença-saúde após o I
Congresso Nacional da Psicologia. Menciona a Resolução CFP n. 015/1996, que
reafirmou a atribuição do psicólogo na emissão de atestados psicológicos para
tratamento de saúde por problemas psicológicos, após o II Congresso Nacional da
Psicologia.
▪ As duas primeiras versões do manual, contempladas, respectivamente, pela
Resolução CFP n. 030/2001 e pela Resolução CFP n. 017/2002 (CFP2001, 2002),
apresentavam conceitos diferentes para laudo e para relatório, com pequenas
diferenças entre ambos, sendo difícil a distinção entre eles (PRETO, 2016)
▪ Resolução CFP n. 007/2003: tratou como sinônimos o laudo e o relatório, indicando-
os como um único documento, "laudo psicológico ou relatório psicológico"
(CFP,2003).
▪ Posteriormente: Resolução CFP n. 06/2019 - Esta resolução distinguiu o relatório
psicológico como um documento que comunica a atuação profissional em diferentes
processos de trabalho, enquanto o laudo psicológico e o atestado psicológico ficaram
restritos à avaliação psicológica.
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▪ O relatório psicológico é produzido para demandas associadas a processos de


tratamentos psicológicos clínicos, acompanhamentos e intervenções psicológicas em
diversos campos de atuação.
▪ A resolução introduz dois tipos de relatórios - o relatório psicológico, focado na
comunicação da atuação profissional, e o relatório multiprofissional, destinado a
intervenções interprofissionais, produzido em conjunto com profissionais de outras
áreas.
▪ Para os relatórios multiprofissionais, a Resolução CFP n. 06/2019 especifica que a
descrição dos procedimentos e/ou técnicas privativas da psicologia devem ser
separadas daquelas descritas pelos demais profissionais, bem como a análise, a qual
se recomenda que cada profissional apresente separadamente. Porém, o item
conclusão é flexibilizado, para que esta possa ser realizada em conjunto.
▪ Vale ressaltar uma contradição: quando se trata de documento multiprofissional, o
Código de Ética Profissional do Psicólogo reco- menda que tais observações éticas
constem no documento[2 51; no entanto, a Resolução CFP n. 06/2019 explicita seu
carâter facultativo.
▪ Competências e Autonomia: A decisão de elaborar relatórios sozinho ou em conjunto
em equipes multiprofissionais deve ser baseada na autonomia profissional,
respeitando compromissos éticos, competência teórico-metodológica e técnica.
▪ Estrutura do Relatório: A Resolução CFP n. 06/2019 estabelece uma estrutura para o
relatório psicológico, incluindo identificação, descrição da demanda, procedimento,
análise e conclusão.
▪ Aspectos Éticos Opcionais: A inclusão de aspectos éticos, como a natureza sigilosa
do documento, é opcional ao final dos relatórios, de acordo com a resolução.
▪ Finalidades do Relatório: O documento pode ter finalidades variadas, como
acompanhamentos, informativos e circunstanciados, dependendo da demanda
profissional.
▪ Alerta: Psicólogos necessitam ter cuidado com o uso pretendido do seu trabalho
escrito, especialmente em casos de litígio, para evitar manipulações de partes
envolvidas.
▪ Entrega do Documento: O documento elaborado por um psicoterapeuta de criança
deve ser entregue a "quem de direito" em entrevista devolutiva, conforme o Código de
Ética Profissional do Psicólogo.
▪ Solicitação dos Pais: Ao receber pedidos de documentos dos pais, os psicoterapeutas
devem concentrar-se em dados essenciais do tratamento. Isso inclui direcionamento,
evolução do caso, dificuldades encontradas, pontos positivos e indicações do
tratamento. Essa ênfase deve estar alinhada com a demanda específica do documento
solicitado, que muitas vezes restringe os focos a serem apresentados.
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▪ Objetivo do Trabalho e Demanda do Documento: A relação entre o objetivo do


tratamento e a demanda específica do documento é fundamental. O profissional
precisa associar o propósito do tratamento com a solicitação do documento, ajustando
o conteúdo de acordo com o foco desejado pelo solicitante.
▪ Demanda de Relatório em Intervenção Psicológica: A demanda de relatório na
intervenção psicológica, conforme esquematizada por Preto (2016), enfatiza que o
objetivo do documento deve delimitar o conteúdo apresentado.
▪ Trabalho na Assistência Social: Psicólogos que atuam na assistência social
frequentemente precisam fornecer documentos a instâncias jurídicas e serviços
sociais. Esses documentos podem envolver casos específicos, como situações de
acolhimento de crianças, idosos em situação de risco ou adolescentes em
cumprimento de medidas socioeducativas.
▪ Responsabilidades e Limitações: Ao lidar com casos graves e/ou emergenciais na
assistência social, o psicólogo deve ter cautela para não se posicionar como perito
judicial.
▪ Responsabilidades dos Profissionais do SUAS: A Nota Técnica do MDS destaca as
responsabilidades dos profissionais do SUAS, indicando situações que extrapolam
suas funções, como realização de perícia, inquirição de vítimas, produção de provas,
entre outras. Recomendações visam estabelecer protocolos e fluxos entre SUAS e
Sistema de Justiça.
▪ Elaboração do Relatório e Sigilo Profissional: O relatório psicológico deve focar no
trabalho desenvolvido pelo psicólogo, alinhando-se com suas atribuições e
competências, e considerando a demanda específica. A identificação de violação de
direitos requer a comunicação às autoridades competentes, podendo envolver a
quebra do sigilo profissional, conforme estabelecido em legislação.
▪ Os relatórios de acompanhamento envolvem a intervenção profissional direta e o
contato regular e assíduo com o usuário. Sua finalidade é registrar a intervenção
realizada e os resultados positivos ou negativos dessa intervenção, podendo
apresentar, também, informações concernentes ao processo de trabalho. Pode ter
objetivo de follow-up
▪ Na clínica psicológica, é comum que pais e mães solicitem relatórios do tratamento
de seus filhos crianças, podendo alegar que precisam de um laudo; no entanto,
quando o psicólogo tiver ultrapassado a fase inicial de avaliação psicológica, o
documento indicado é o relatório psicológico.
▪ O psicólogo clínico que atende a criança em psicoterapia, ao produzir um relatório
psicológico, deve ter como objetivo apresentar elementos do tratamento realizado
(vedado ser Assistente Técnico ou Perito). Deve ser solicitado consentimento formal.
▪ Relatórios Informativos e Circunstanciados: Relatórios informativos têm como objetivo
expor dados relevantes sobre atendimentos, situações emergenciais ou
encaminhamentos, sendo utilizados para proteção das pessoas atendidas. São
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empregados em situações de emergência, como em casos de risco para crianças e


adolescentes, descrevendo medidas de proteção adotadas pelo psicólogo.
▪ Diferentes Fontes de Demanda de Relatórios: Relatórios podem ser originados de
diversas fontes, como iniciativa do psicólogo, solicitação do usuário, instituições ou
autoridades. A avaliação cuidadosa dessas demandas deve ser feita à luz do Código
de Ética Profissional do Psicólogo.
▪ Respeito ao Sigilo e Consulta Ética: O sigilo profissional é de extrema importância,
sendo que a quebra desse sigilo deve ser justificada em situações previstas em lei.
▪ Processo de Elaboração do Relatório: A elaboração do relatório psicológico envolve a
inserção do profissional no contexto de trabalho, atendendo aos objetivos específicos
do solicitante e delimitando o conteúdo de acordo com a abordagem teórico-
metodológica adotada. O ato de elaboração de relatório psicológico envolve pensar
sobre o limite do objetivo do documento, pois esse limite é o balizador do conteúdo
desse documento para seu fim específico.
▪ Objetivo do Documento: Antes de começar a redigir um relatório psicológico, é
fundamental compreender claramente qual é o objetivo do documento. Esse objetivo
será o guia para determinar o conteúdo específico e garantir que o relatório atenda às
necessidades específicas, seja no contexto institucional, jurídico ou social.
▪ Atuação Socioassistencial: Quando atuamos em instituições de acolhimento, como
psicólogos, temos diversas responsabilidades, incluindo o acompanhamento
psicossocial de usuários e a organização de informações. O prontuário individual é
uma ferramenta essencial para manter registros organizados sobre crianças,
adolescentes e suas famílias.
▪ Metodologia de Trabalho: É importante adotar uma metodologia que permita dar voz
às crianças e adolescentes. Isso envolve criar espaços para que eles possam falar
sobre sua história, família, perdas e razões para estarem em um serviço de
acolhimento. Isso contribui para uma compreensão mais completa e sensível do caso.
▪ Relatório para o Poder Judiciário: Quando de uma demanda de relatório psicológico
pelo Poder Judiciário, tendo em vista as determinações do ECA de reavaliações do
caso a cada três meses (Brasil, 1990, 2017), o psicólogo pode apresentar focos de
análise relacionados ao relacionamento familiar, superação de situações de risco,
vivência da criança/adolescente relacionada ao acolhimento e contexto de vida atual
da criança.
▪ Demanda por Escrito: Ao receber uma solicitação por escrito, é importante analisar
cuidadosamente a ética da demanda. Caso haja dúvidas ou questionamentos éticos,
é apropriado questionar o solicitante e, se necessário, buscar orientação profissional
para garantir uma abordagem ética e adequada.
▪ Delimitação Clara do Objetivo: Em situações em que a demanda não está claramente
definida, é responsabilidade do psicólogo questionar e esclarecer o objetivo do
documento. Isso pode envolver apresentar uma descrição clara da demanda e
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explicitar como o relatório atenderá aos objetivos, alinhados com o papel do


profissional.
▪ Exemplo de Descrição de Demanda: Imagine que um juiz solicita um relatório após
três meses de acolhimento institucional. Neste caso, a descrição da demanda poderia
incluir informações sobre o pedido judicial, os objetivos do psicólogo institucional e a
visão sobre a evolução do caso, incluindo impactos emocionais, relacionamentos e
necessidades específicas da criança.
▪ Considerações Finais: A elaboração de relatórios psicológicos demanda não apenas
habilidades técnicas, mas também uma sólida compreensão ética. É essencial receber
supervisão técnica e, durante a formação profissional, dar atenção especial ao
desenvolvimento dessas habilidades. Ao receber uma demanda, questionar-se sobre
ética, competência e conhecimento normativo é uma prática fundamental para
garantir a qualidade dos documentos produzidos.

O parecer psicológico: Distinções terminológicas a partir da resolução CFP n. 06/2019


Martha Maria Guida Fernandes / Sidney Shine

▪ Psicanálise e Fala do Paciente - Na prática psicanalítica, a importância atribuída à fala


do paciente é fundamental. Inspirados por Freud, reconhecemos que a atenção
meticulosa às palavras ditas, especialmente pelas histéricas, molda a função do
psicanalista. Aqui, a palavra é central para oferecer continência e acolhimento ao
sujeito em análise.
▪ Uso da Palavra em Documentos Legais - No contexto legal, a dinâmica difere. Ao
contrário da relação transferencial com o paciente, a legitimidade no sistema jurídico
deriva da filiação ao órgão de classe. Documentos psicológicos têm o propósito de
resolver disputas e contribuir para decisões judiciais, assumindo uma função técnica
essencial.
▪ Terminologia: "Parecer" - A palavra "parecer" possui diversas acepções, desde forma
de pensar até a opinião jurídica de um especialista. Neste contexto, adotamos a
convenção de usar "parecer" com inicial minúscula para a acepção comum e com
inicial maiúscula conforme definido pela Resolução CFP n. 06/2019 (indica um
pronunciamento técnico por escrito).
▪ Natureza do Parecer Psicológico - O Parecer não resulta do processo de avaliação ou
intervenção psicológica. Ele foca em questões de natureza teórica.
▪ Caráter Teórico e Geral do Parecer - A resposta à consulta geral e teórica é a
manifestação mais reconhecível de um Parecer. Um exemplo é um Parecer Técnico
elaborado em resposta à solicitação do Ministério Público sobre sintomas e
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consequências psíquicas de transtorno de estresse pós-traumático. Este tipo de


Parecer busca fornecer informações úteis para os promotores de justiça, sem
constituir um diagnóstico, conforme delineado na Resolução CFP n. 6/2019.
▪ Exemplo de Parecer Técnico: Uma colega do Paraná, Erica A. C. M. Eiglmeier,
respondeu à solicitação da Procuradora de Justiça. Seu Parecer técnico abordou a
sintomatologia e consequências psíquicas do transtorno de estresse pós-traumático,
proporcionando clareza aos promotores sobre sinais de psicopatologia sem realizar
um psicodiagnóstico. O documento destaca a importância da linguagem utilizada e
orienta sobre projetos psicoterapêuticos.
▪ Distinção entre Laudo e Parecer - A distinção entre laudo e Parecer reside no contato
direto com a pessoa avaliada. O laudo implica uma avaliação direta, enquanto o
Parecer baseia-se em documentos, podendo abranger uma ou mais pessoas. A
Resolução CFP n. 06/2019 e o Código do Processo Civil (CPC) clarificam que o perito
produz um laudo pericial, enquanto o assistente técnico elabora um parecer crítico.
▪ Expectativas nos Pedidos de Parecer - Os leigos que solicitam Pareceres em casos
de varas de família muitas vezes não têm conhecimento técnico em psicologia. Suas
expectativas podem não estar claras, especialmente quando o contato inicial é
motivado por uma provocação externa, geralmente vinda de advogados.
▪ Transformação em Assistente Técnico - Quando um psicólogo ou psicanalista é
procurado em seu consultório para uma consulta, inicialmente não tem como prever
se o cliente buscará um Parecer por escrito. No contexto judicial, a demanda por um
Parecer muitas vezes é iniciada pela parte interessada (pai ou mãe) sob a orientação
de seu advogado.
▪ O Papel do "Cliente Oculto" - O Advogado - No cenário de varas de família, o
advogado, aqui referido como o "cliente oculto", desempenha um papel central.
Embora raramente apareça no consultório, é quem sugere ao cliente a necessidade
de um Parecer. Essa pessoa busca uma opinião especializada favorável à demanda
legal de seu cliente.
▪ Dois Clientes na Mesma Demanda - No contexto judicial, há dois clientes envolvidos
em uma mesma demanda: a parte interessada (cliente direto) e o advogado (cliente
oculto). O advogado procura uma opinião técnica que respalde a estratégia legal
adotada.
▪ Desafios Éticos e Representações - Shine (2009) destaca que a produção de
Pareceres em casos de varas de família pode resultar em desafios éticos e até em
processos éticos no Conselho Regional de Psicologia de São Paulo. O profissional
deve ser especialista em sua área e compreender os limites e alcances de sua atuação
legal.
▪ Atividades Clínica e de Perícia - As atividades clínica e de perícia têm naturezas
distintas, com objetivos e relações diferentes entre as partes envolvidas. Seguir as
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orientações do Conselho é necessário, mas não suficiente, pois o profissional deve


compreender as nuances legais e éticas específicas ao contexto dos Pareceres.
▪ Recomendações e Dificuldades de Encontrar Material Nacional - Recomendações do
Conselho Regional de Psicologia são essenciais, mas a busca por material nacional
específico sobre Pareceres pode ser desafiadora. O documento "Referências Técnicas
para Atuação de Psicólogas(os) em Varas de Família" menciona a demanda por
Pareceres, mas pode ser limitado em detalhes sobre essa prática específica.
▪ Desafios Éticos em Consultórios Clínicos - É comum encontrar psicólogos em
consultórios clínicos sendo convidados ou solicitados a emitir Pareceres para
processos judiciais. No entanto, isso exige extrema atenção ética devido à
possibilidade de quebra de sigilo. Os profissionais devem compreender claramente o
papel que desempenharão nesse contexto específico (CFP, 2010b).
▪ Importância do Papel do Psicólogo - O psicólogo que emite um Parecer para varas de
família não desempenha o papel de um perito que esclarece dúvidas judiciais. Ao
contrário, esses profissionais, geralmente da prática privada, são solicitados pelas
partes envolvidas no conflito familiar para fornecer um Parecer por escrito.
▪ Atuação como Assistente Técnico - Resposta Negativa - Tecnicamente, esses
psicólogos clínicos não atuam como assistentes técnicos, pois não são indicados
oficialmente nos autos, seus nomes não são aceitos pelo juiz e não elaboram
Pareceres com base em uma análise crítica de laudos periciais. Em vez disso,
oferecem opiniões fundamentadas em suas avaliações técnicas.
▪ Relatório Psicológico como Formato Adequado - O trabalho do psicólogo clínico,
quando demandado para produzir um Parecer escrito, se enquadra tecnicamente
como um relatório. O relatório psicológico, conforme definido pelo CFP, consiste em
um documento descritivo e circunstanciado que considera os condicionantes
históricos e sociais da pessoa, grupo ou instituição atendida. Seu propósito é
comunicar a atuação profissional, fornecendo orientações, recomendações e
intervenções pertinentes à situação, sem buscar diagnosticar psicologicamente (CFP,
2019).
▪ Orientação Frente a Demandas Alheias às Atribuições - Caso haja determinação para
abordar questões que pareçam alheias às atribuições dos psicólogos no Parecer, é
recomendável que o profissional explique, no documento, por que não respondeu à
solicitação. Essa explicação deve ser embasada em razões éticas e/ou teóricas.
▪ A evolução nas referências técnicas destaca a importância do papel do assistente
técnico, mas ainda há nuances na compreensão do termo "parecer," especialmente
quando comparado com a definição específica na Resolução CFP n. 06/2019. A
abordagem ética e teórica continua sendo vital, especialmente quando enfrentando
demandas que podem desviar das atribuições típicas dos psicólogos.
▪ Relações de Poder e o Sétimo Princípio Ético - O sétimo Princípio Fundamental do
Código de Ética (CFP, 2019) destaca a necessidade de o psicólogo considerar as
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relações de poder nos contextos em que atua, avaliando o impacto dessas relações
sobre suas atividades profissionais. Isso requer uma postura crítica em consonância
com os demais princípios éticos do código.
▪ Equívocos na Compreensão da Avaliação Psicológica: Muitas vezes associada apenas
à aplicação de testes. Confusão conceitual, fragilidades na formação/capacitação e
preconceitos mantidos na profissão.
▪ Ampliando o Conceito de Avaliação - A avaliação envolve a escuta da demanda, a
compreensão da dinâmica intrapsíquica do demandante e suas expectativas. Dessa
forma, o psicanalista, ao escutar o que o outro busca na consulta, está realizando uma
forma de avaliação.
▪ Deve-se compreender a avaliação psicológica para além da simples aplicação de
testes, reconhecendo a importância de considerar as relações de poder

Considerações sobre os exemplos abordados no texto:

1. Parecer Técnico sobre Transtorno de Estresse Pós-Traumático:


Nesse exemplo, a psicóloga é solicitada pelo Ministério Público para elaborar um Parecer
Técnico sobre um caso de transtorno de estresse pós-traumático. Busca esclarecimentos
sobre a sintomatologia e as consequências psíquicas desse transtorno específico. O objetivo
do Parecer é fornecer subsídios aos promotores de justiça para que possam aplicar os
preceitos descritos no Código Penal Brasileiro sobre a valoração das consequências do
crime.
A psicóloga, Erica A. C. M. Eiglmeier, realiza uma análise técnica embasada em referencial
teórico identificado nas referências bibliográficas. Seu Parecer aborda de maneira detalhada
as manifestações comportamentais associadas ao transtorno de estresse pós-traumático,
fornecendo uma análise que busca esclarecer os sintomas e as possíveis repercussões na
vida da vítima. Além disso, o Parecer destaca a importância de uma abordagem mais informal
e acolhedora na comunicação com as vítimas, considerando a sensibilidade do contexto.
Destaca-se a relevância desse tipo de Parecer em contextos judiciais, especialmente em
Varas de Família, onde questões sensíveis, como transtornos pós-traumáticos, podem
influenciar decisões legais.
A abordagem mais informal e acolhedora recomendada para o Parecer demonstra a
necessidade de adaptação do discurso técnico ao contexto judicial, considerando a interação
entre psicologia e processo legal.
A profissional destaca que o Parecer não visa diagnosticar, respeitando os limites éticos. Ele
oferece informações relevantes para os promotores de justiça, contribuindo de maneira
técnica para o entendimento das consequências psíquicas do crime.
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2. Parecer de Freud no Caso de Phillip Halsmann:


No segundo exemplo, Freud é solicitado a emitir um Parecer no caso de Phillip Halsmann,
um estudante acusado de parricídio. O advogado de defesa busca a ajuda de Freud para
inocentar seu cliente, utilizando uma perspectiva psicanalítica. O objetivo é contestar o laudo
pericial existente e reabilitar completamente Halsmann.
O Parecer de Freud não é uma avaliação direta do paciente, mas uma análise crítica do laudo
pericial existente. Freud questiona a aplicação do complexo de Édipo no caso, destacando a
falta de provas objetivas que justifiquem tal interpretação. Ele aponta a incongruência no
raciocínio do perito e ressalta que o complexo de Édipo não é adequado para fundamentar
uma conclusão sobre a autoria de um crime. Freud, assim, oferece uma contribuição crítica
e teórica ao caso, evidenciando a diferença entre avaliação psicológica direta e análise de
documentos periciais.
O caso de Freud ilustra como um Parecer pode se concentrar na análise crítica de laudos
periciais, indo além da avaliação direta do paciente.
O Parecer de Freud demonstra que o papel do psicólogo não se limita à avaliação clínica
convencional. Ele oferece uma contribuição teórica e crítica, evidenciando a complexidade
da relação entre a psicologia e o sistema legal.
Distinção entre Avaliação Direta e Análise Documental: Esse exemplo ressalta a distinção
entre avaliação psicológica direta e análise de documentos periciais. Um Parecer, conforme
entendido aqui, pode agregar valor ao processo legal por meio de contribuições teóricas.

3. Dr. Byrne:
Dr. Byrne relata um pedido de um advogado que representa uma cliente envolvida em um
litígio pela guarda dos filhos. A queixa era de que a cliente era inadequada como mãe,
desencadeando a montagem de um processo judicial. O advogado solicitou a Dr. Byrne que
examinasse o novo companheiro da cliente. O advogado enfatizou que não havia problemas
financeiros para pagar pelos serviços. Dr. Byrne questionou se o pai das crianças seria
incluído na avaliação, e o advogado inicialmente recusou, mas eventualmente concordou,
desde que fosse após a avaliação da cliente e seu companheiro.
A queixa inicial é de inadequação como mãe, indicando a natureza delicada do conflito
familiar em questão.
Dr. Byrne destaca a importância de uma escuta atenta à demanda, questionando a exclusão
do pai na avaliação. Sua abordagem reflete uma consideração ética, buscando uma avaliação
mais abrangente e imparcial da situação.
A negociação entre Dr. Byrne e o advogado ilustra o processo de tomada de decisões éticas
e transparentes. A inclusão do pai na avaliação é acordada, destacando a importância de
uma abordagem justa e equitativa na avaliação psicológica.
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Dr. Byrne reconhece a necessidade de avaliar todos os membros da família, entendendo a


dinâmica sistêmica. Sua proposta ressalta a interconexão dos membros da família em um
sistema e a importância de compreender essa complexidade.
Dr. Byrne enfatiza que a escuta atenta já implica um "trabalho de cunho avaliativo". Isso
destaca a natureza intrínseca da avaliação na prática psicanalítica, mesmo sem métodos
formais, ressaltando a importância da interpretação clínica.

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