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Guia Completo sobre Parto Normal

O documento aborda o parto normal, definindo-o como um nascimento natural que ocorre entre 37 e 42 semanas de gestação, e descreve como calcular a data provável do parto. Também discute o trabalho de parto, os tipos de parto (eutócico e distócico), cuidados antes e após o parto, controle da dor, e as vantagens do parto normal em comparação com a cesariana. Além disso, menciona a recuperação pós-parto e recomendações para a saúde da mãe e do recém-nascido.

Enviado por

Esther Lanis
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Guia Completo sobre Parto Normal

O documento aborda o parto normal, definindo-o como um nascimento natural que ocorre entre 37 e 42 semanas de gestação, e descreve como calcular a data provável do parto. Também discute o trabalho de parto, os tipos de parto (eutócico e distócico), cuidados antes e após o parto, controle da dor, e as vantagens do parto normal em comparação com a cesariana. Além disso, menciona a recuperação pós-parto e recomendações para a saúde da mãe e do recém-nascido.

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Parto normal

A organização mundial de saúde (OMS) define parto normal como se


tratando do momento do nascimento do bebé de forma natural, ou seja,
aquele que começa espontaneamente, de baixo risco e assim se mantém
até terminar. O recém-nascido nasce espontaneamente, de cabeça para
baixo e normalmente entre as 37 e as 42 semanas de gestação.
Como calcular a data provável do parto?
A data provável do parto pode ser calculada da seguinte forma:
Idade gestacional cronológica: definida a partir da data da última
menstruação; quando a menstruação é regular (certa) começamos a datar
a gravidez a partir do primeiro dia da última menstruação (DUM). A data
provável do parto é calculada somando 40 semanas (280 dias) a partir
desta data (DUM).
Pode-se usar a regra de Naegele para fazer a datação do parto (DPP).
Soma-se 7 dias ao dia da última menstruação e tira-se 3 meses. Exemplo:
DUM 7/5/2018 DPP 14/2/2019
Depois, a data provável do parto deve ser revista com os dados
da ecografia do 1º trimestre (11-13 semanas e 6 dias):
 Idade gestacional efetiva: definida pelo comprimento craniocaudal
(CRL) na ecografia do 1º trimestre. A partir daqui mantém-se
inalterável ao longo da gravidez.
 Quando a gravidez resulta de técnicas de procriação medicamente
assistidas (PMA), a idade gestacional é calculada utilizando a idade
do embrião no dia da transferência (2 semanas).
 Quando o início da vigilância é tardio, devem ser usados dados da
história clínica (padrão menstrual e altura uterina) e dados
ecográficos (biometrias fetais) para cálculo aproximado da idade
gestacional.
Trabalho de parto
O trabalho de parto é uma combinação de fenómenos fisiológicos que uma
vez postos em marcha conduzem à dilatação e extinção do colo do útero, à
progressão do feto através do canal de parto e à sua expulsão para o
exterior, culminando com a expulsão da placenta.

É possível identificar alguns sinais e sintomas de que o trabalho de parto se


aproxima, a saber:

 Contrações uterinas inicialmente indolores (contrações de Braxton-


Hicks) que vão ficando cada vez mais frequentes e fortes;
 Dores e pressão nas virilhas que são devidas à descida do feto na
pélvis;
 Aumento da secreção vaginal (muco vaginal em maior quantidade e
mais espesso);
 Saída do rolhão mucoso;
 Diminuição dos movimentos do feto.

Tipos de parto: eutócico, distócico


Podemos identificar dois tipos de parto:
 Parto eutócico – designa-se por parto eutócico quando o
nascimento do bebé ocorre por via vaginal sem qualquer
intervenção instrumental durante o parto (veja o tipo de
instrumentais abaixo). Este tipo de parto divide-se em 3 estadios:
o 1º estadio: vai desde a instalação das contrações uterinas
regulares à dilatação completa do colo. Há extinção e
dilatação do colo uterino.
o 2º estadio: vai desde a dilatação completa do colo à expulsão
do feto. É denominado de período expulsivo.
o 3º estadio: inicia-se após a expulsão do feto e termina após a
expulsão da placenta e membranas fetais. É o período da
dequitadura.
 Parto distócico – designa-se por parto distócico quando é realizado,
em algum momento, uso de instrumentos para facilitar o parto.
o Parto vaginal instrumentado (ventosa, fórceps ou espátula);
o Parto por cesariana.
Durante o período expulsivo (2º estadio) o parto pode ser auxiliado por
instrumentos (ventosa, fórceps ou espátula). A sua utilização pode ser
necessária quando queremos abreviar o parto por estado fetal não
tranquilizador ou temos um período expulsivo arrastado, ausência de
progressão do feto no canal de parto ou porque a mãe tem patologia que
contra-indica as manobras expulsivas.
Existem condições mínimas necessárias para a sua aplicação e só quando
reunidas é que o parto pode ser instrumentado.
Muitas vezes, o parto vaginal (normal ou instrumentado) não é possível e
temos de recorrer a uma cesariana.
Cuidados antes do parto
Para avaliar se a grávida está a entrar em trabalho de parto, normalmente,
faz-se o toque vaginal para avaliar se existe dilatação ou extinção do colo
do útero.
É realizada uma cardiotocografia (traçado). Esta avalia se a grávida tem
contrações uterinas e simultaneamente observa o bem estar fetal através
do registo da frequência cardíaca do feto.
A ecografia obstétrica complementa a avaliação do bem estar fetal (ABEF)
através da avaliação do peso e dinâmica fetal, quantidade de líquido
amniótico e doppler fetal.
O que são contrações?
As contrações uterinas resultam do encurtamento e relaxamento do
músculo do útero e que levam ao endurecimento do ventre materno.
Elas normalmente são dolorosas provavelmente por hipóxia do músculo
ou estiramento do colo do útero durante a dilatação. São involuntárias
pois pace-makers iniciam a contração e o impulso é propagado através de
gap junctions. E são rítmicas, de intervalos variáveis e intercaladas por
períodos de relaxamento.
O intervalo entre as contrações diminui gradualmente desde cerca de 10
minutos no início do parto até cerca de 1 minuto durante a expulsão do
feto.
Controlo da dor, analgesias de parto
A dor do parto é bastante variável de mulher para mulher. A dor de parto
pode ser ligeira a moderada para algumas mulheres, enquanto que para
outras pode ser uma dor muito forte, intensa e por vezes insuportável.
O uso da anestesia no parto vaginal é possível de ser realizada, reduzindo
muito a quantidade de dor no trabalho de parto. O uso de anestesia não
provoca qualquer efeito no feto e ajuda a manter a grávida tranquila, sem
dor e colaborante durante todo o parto.
No parto normal a mulher pode escolher se quer ou não receber a
anestesia, basta que ela apresente o desejo ao seu médico.
A anestesia pode ser ministrada em qualquer fase do trabalho de parto. O
uso da anestesia em qualquer fase depende da vontade da grávida e da
disponibilidade do Médico Anestesiologista.
No parto vaginal, a anestesia mais usada é a epidural. A anestesia epidural
tira a sensibilidade da dor apenas da cintura para baixo e por isso
desaparecem as dores das contrações. O desaparecimento da dor não
interrompe as contrações, ou seja, elas continuam a ocorrer normalmente
durante o trabalho de parto. Os médicos podem aumentar ou diminuir a
intensidade, para permitir que você se movimente ou sinta mais as
contrações na hora de fazer força.
A anestesia é aplicada entre a 3ª e a 4ª vertebra da coluna lombar através
de uma agulha fina e injetam o líquido (fármaco anestésico) no espaço
peridural.
O uso da anestesia em certas doses acaba por condicionar mais a grávida à
cama. Contudo, a mulher pode receber uma dose que alivie a dor e ao
mesmo tempo permita que a grávida se levante e caminhe para ajudar na
evolução do parto.
Algumas mulheres não querem fazer anestesia epidural no parto e
preferem controlar a dor de forma mais natural através de exercícios de
respiração, exercícios e massagens corporais, banhos em água quente,
acunpuntura ou medicação apenas endovenosa.
Como acelerar o trabalho de parto?
O parto normal poderá ser induzido quando o trabalho de parto não se
iniciou sozinho e é necessário intervir, pelo bem-estar da saúde da mãe e
do bebé. O parto vaginal induzido não deixa de ser um parto natural!
Normalmente, a intervenção é realizada quando a gravidez ultrapassou as
41 semanas, houve rotura de membranas e as contrações não começaram
em 24 horas, a Mãe é hipertensa ou diabética, ou ainda quando há
diminuição de líquido amniótico (oligoâmnios).
O método utilizado para induzir o parto depende das condições do colo do
útero. Quando o colo do útero é favorável utiliza-se a perfusão
endovenosa com ocitocina. Quando é desfavorável usam-se dispositivos
com prostaglandinas que podem ser vaginais ou orais.
Vantagens do parto normal
O parto normal ou natural tem mais vantagens em relação aos outros
tipos de parto. E quanto mais natural for, com o menor número de toques
vaginais, manobras ou episiotomia (corte do períneo para evitar
lacerações vaginais), melhor! Mas nem sempre é possível e todos os
trabalhos de parto são diferentes! O ideal é ter um parto o mais
humanizado possível!
O parto normal ou natural tem muitas vantagens em relação ao parto por
cesariana, a saber:
 Menor risco de infecção;
 Menor tempo de internamento (normalmente 48 horas);
 Tempo de recuperação menor;
 Os riscos com complicações anestésicas são menores;
 O útero volta ao tamanho natural mais rapidamente;
 Aumenta os hormônios responsáveis pelo bem estar;
 Os laços afetivos ocorrem de maneira mais intensa e rápida.
Entretanto, não é apenas para as mães que o parto normal oferece
diversos benefícios, mas para o bebê também, alguns deles são:
 Mais tranquilidade;
 Maior recetividade ao toque;
 Maior facilidade para respirar (ao passar pelo canal de parto, o
tórax é comprimido, fazendo com que os líquidos de dentro do
pulmão sejam naturalmente expelidos);
 Mais atividade ao nascer (antes de ter o cordão umbilical cortado, o
bebé consegue achar a mama da mãe sem auxílio de terceiros).
Peso e tamanho do recém-nascido
Habitualmente, no momento do nascimento o peso do bebé oscila entre
2,2Kg (2200 gramas) e 4,5kg (4500 gramas). Nas gravidezes múltiplas o
tamanho de cada recém-nascido é vulgarmente menor.
O comprimento corporal é de aproximadamente 50 centímetros e a
circunferência da cabeça (perímetro cefálico) é de cerca de 33
Centímetros.
Recuperação após o parto
A recuperação após o parto normal é muito rápida. Nas primeiras 2 horas
após o parto é necessário fazer repouso e uma vigilância mais rigorosa,
mas se estiver tudo bem após esse período já pode iniciar o levante e
fazer uma vida normal.
Durante o internamento a involução uterina é avaliada pela consistência e
pelo tamanho do útero. Os lóquios (sangramento no pós parto) devem ser
observados, no sentido de despistar perdas hemáticas abundantes ou
cheiro fétido.
A mobilização precoce (nas primeiras 6 a 8 horas após o parto) deve ser
promovida, uma vez que diminuiu a incidência de fenómenos
tromboembólicos e melhora o transito intestinal.
A episiotomia condiciona, geralmente, desconforto e dor. Deve ser
aplicado precocemente gelo, o que diminui o edema e tem efeito
analgésico Se a dor for muito intensa, a sutura deve ser cuidadosamente
examinada, pois podem ocorrer hematomas ou outras complicações
locais. Por volta da 3ª semana, está completamente cicatrizada e é
assintomática.
Quanto ao ingurgitamento mamário, a vulgarmente chamada “subida do
leite” ocorre geralmente entre as 24-72 horas após o parto e pode
acompanhar-se de desconforto significativo. Habitualmente, resolve-se
em poucos dias sem necessidade de medicação.
A hemorroides são muito frequentes no pós parto. Se forem sintomáticas,
devem ser devidamente tratadas: gelo local, venotrópicos e
antihemorroidários tópicos e analgésicos.
Às puérperas RH negativas com recém-nascido RH positivo deve ser
administrada imunoglobulina anti-D. Nas mulheres não imunizadas contra
a rubéola o pós parto é a altura ideal para se proceder à respetiva
vacinação.
A alta hospitalar deve ser dada, regra geral, 48 horas após o parto.
Recomendações na alta
As principais recomendações após a alta são:
 A mãe deve manter uma dieta rica em cálcio (principalmente
aquelas que amamentam);
 Toma de ferro oral pode ser útil para compensar as perdas
hemáticas após o parto;
 A atividade física deve ser retomada de forma gradual;
 O uso de uma cinta pós parto pode dar algum conforto mais, se o
parto for por cesariana;
 As relações sexuais podem ser reiniciadas após a cessação do
lóquios, desde que não provoquem desconforto ou dor e tenham
decorrido, pelo menos 2 a 3 semanas após o parto;
 É normal no primeiro mês após o parto haver alterações de humor,
irritabilidade, labilidade emocional, ansiedade, insónia, crises de
choro (pospartum blues). Normalmente, é uma situação transitória
que normalmente desaparece ao final de 2 semanas. Se se
prolongar por muito mais tempo o melhor é procurar ajuda pois
podemos estar perante uma depressão pós-parto;
 É habitual haver uma queda de cabelo mais exuberante até aos 6
meses após o parto;
 Importância de não esquecer a consulta do puerpério, que deve ser
realizada entre a 4ª a 6ª semana após o parto;
 Importância do teste do pezinho que é realizado no recém nascido
no 3º dia de vida e da primeira consulta que deve ser feita aos 15
dias de vida.
Contracetivos, menstruação no pós parto
A mulher que amamenta normalmente tem ciclos anovulatórios e por isso
normalmente não menstrua. De qualquer forma a amamentação é um
método de contracepção muito falível e por isso devem ser usados
métodos contraceptivos eficazes no pós-parto:
 Métodos de barreira;
 Métodos hormonais apenas com progestativo: progestagénio oral
contínuo (chamada pílula da amamentação) ou implante
subcutâneo. Devem ser iniciados na 3º a 4º semana após o parto;
 Métodos hormonais estroprogestativos: só devem ser iniciados em
mulheres que não amamentam e apenas na 4º semana após o
parto;
 Dispositivos intrauterinos: podem ser colocados imediatamente
após o parto mas as taxas de expulsão são maiores. A altura ideal de
colocação é entre a 4ª a 6ª semana após o parto.

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