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Trabalho de Linguística Descritivaiii

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Universidade Católica de Moçambique

Instituto de Educação a Distância

VARIEDADES E VARIAÇÃO DA LÍNGUA PORTUGUESA

Nome de Estudante: Maria Francisco


Codigo: 708223854

Curso: Licenciatura em Ensino de Língua Portuguesa


Disciplina: Linguística Descritiva do Português III
4º Ano

Cumba, Abril de 2025

1
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Conteúdo 2,0
(expressão escrita cuidada,
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11. Revisão bibliográfica
nacional e internacionais 2,0
relevantes na área e estudo
12. Exploração dos dados 2,0
13. Contributos teóricos
Conclusão 2,0
práticos
14. Paginação, tipo e tamanho
Aspectos gerais Formatação de letra, paragrafo, 1,0
espaçamento entre linhas
Normas APA 6ª
15. Rigor e coerência das
Referências edição em
citações/referencias 4,0
bibliográficas citações e
bibliográficas
bibliografia

2
ÍNDICE
Introdução ------------------------------------------------------------------------------------------ 04
Língua e linguagem como referência inicial -------------------------------------------------- 05
Mudança da Linguística ------------------------------------------------------------------------- 07
Mudança Linguística vs Variação Linguística ------------------------------------------------ 10
Características peculiares do PE e PB---------------------------------------------------------- 11
Língua Portuguesa e os seus dialectos --------------------------------------------------------- 11
Variação sociolinguística e situacional: sociolectos e registos ----------------------------- 13
Considerações Finais ----------------------------------------------------------------------------- 14
Referências Bibliográficas ----------------------------------------------------------------------- 15

3
INTRODUÇÃO
No presente trabalho iremos reflectir a cerca de níveis de língua, desvio e padrão e o nosso
posicionamento corrobora com a ideia de que os desvios linguísticos são situações em
que o falante foge da norma culta da língua portuguesa estes desvios linguísticos
acontecem tanto na fala quanto na escrita. Para que você consiga identificar melhor os
desvios linguísticos na fala, aprimore os seus conhecimentos em gramática.
A língua, como todos nós, quer palpitar, crescer, tornar-se flexível e colorida, expandir-
se, enfim, viver. E isso só acontece porque usamos a língua para comunicar com os outros
e connosco mesmos. O mais admirável é que, com poucas dezenas de sons, todas as
pessoas podem construir, em qualquer língua do mundo, uma infinidade de expressões
que revelam aos outros o que pensam, o que imaginam e o que sentem. Neste Aspecto,
todas as línguas têm o mesmo estatuto e a mesma grandeza. Como diz Pinker (1995):
“As invenções culturais variam imenso na sua sofisticação de sociedade
para sociedade (…) Alguns grupos contam pelos nos dos ossos, e
cozinham em fogos acendidos com paus afiados, enquanto outros usam
computadores e fornos de microondas. A linguagem, no entanto, destrói
esta correlação. Há sociedades que estão na idade da pedra, mas não
existe uma língua que esteja na idade da pedra”(p. 27).
A linguagem, concretizada nas línguas, e a “maravilhosa invenção” de que nos falam
Galileu, Descartes, Chomsky. E a língua portuguesa é uma das suas concretizações. Ela
reflecte, também, a excepcionalidade dessa maravilhosa invenção.
Metodologia usada para a realização deste trabalho, foi a revisão bibliográfica, isto
porque, ela busca obras já publicadas relevantes para conhecer e analisar o tema problema
da pesquisa a ser realizada.
Por tanto para a realização deste trabalho, a autora baseou-se nas referências
bibliográficas, leitura do módulo. Escolheu a pesquisa bibliográfica porque permite
realizar a revisão de obras publicadas sobre a teoria que irá direccionar o trabalho
científico o que necessita uma dedicação, estudo e análise pelo pesquisador que irá
executar o trabalho científico e tem como objectivo reunir e analisar textos publicados,
para apoiar o trabalho.
Quanto a sua estruturação, o trabalho apresenta a introdução, desenvolvimento e
considerações finais.

4
1. Variação linguística
1.1.Língua e linguagem como referência inicial

Antes de tratarmos sobre a variação linguística, iremos reflectir sobre a língua e


linguagem por serem dois conceitos que se realizam de forma social e individual
respectivamente e tornaremos como ponto de referência a ideia de Mutsuque (2017) que
diz:

Uma língua só existe dentro de uma colectividade, independente da


vontade do falante. Ela é a soma de tudo o que as pessoas dizem e
envolve dois aspectos importantes: as combinações individuais e
voluntárias e os actos de fonação, responsáveis pela execução de tais
combinações. Por isso, nada há de colectivo na fala, não sendo
possível, assim, reunir, no mesmo ponto de vista, língua e fala. Por
essas razões, Saussure concebe a existência de duas Linguísticas: a da
língua, que estuda a colectividade; e a da fala, que estuda a
individualidade (p. 124).

Estudos linguísticos se verificam desde a Antiguidade, no entanto, como área científica,


com objectivo, unidade e método próprios, tenham sido propostos somente no início do
século XX (1916),com o advento do Curso de Linguística Geral, ministrado por
Ferdinand de Saussure, conferindo, então, à Linguística o status de autonomia em meio
às ciências sócio-humanas. As afinidades da recém ciência com estas (Filosofia,
Sociologia, História, Psicologia, Antropologia, entre outras) só mais tarde alavancaram
interesse e desenvolvimento.

É lugar-comum na história da humanidade a existência das línguas naturais como resposta


às necessidades de o homem viver em sociedade, compartilhando e transmitindo
experiências, práticas e pensamentos aos seus pares. Essa experiência compartilhada e
configurada no seu sistema vocabular unifica-os e singulariza-os, distinguindo-os dos
outros. Assim, à medida que a língua institui-se forma específica de intercomunicação,
entre os indivíduos de uma determinada sociedade, fortalece os laços internos de tal grupo
e torna-se património colectivo de seus membros, embora, cada indivíduo use essa língua
de modo peculiar.

Mas o homem nos processos intercomunicativos não se utiliza apenas de signos verbais,
(as palavras); recorre a outras tipologias de signos, também convencionados socialmente.

5
Uma e outra forma de representação e comunicação entre os indivíduos por meio de
signos constituem a linguagem humana, que garante ao homem supremacia em relação
aos outros animais. Em outros termos, a linguagem é toda forma de expressão do homem
mediada por signos; e a língua é uma destas formas.

Para Mutsuque (2017) os estudiosos detectam entre tais fenómenos que a linguagem é
uma habilidade humana determinada biologicamente; e a língua é um conjunto de signos
e regras que se combinam entre eles, cujos significados são socialmente convencionados;
e que a exposição do indivíduo, ainda na tenra idade, a um ambiente linguístico é essencial
para o pleno desenvolvimento da linguagem (p.124).

Desta forma, língua e linguagem são fenómenos que fazem do homem um ser de
interacção sociocultural.

Sobre tais fenómenos, influenciado pelas teorias sociológicas de J. A Herder e de W. Von


Humboldt,Saussure (1988) afirma:

Tomada em seu todo, a linguagem é multiforme e heteróclita; a


cavaleiro de diferentes domínios, ao mesmo tempo física, fisiológica e
psíquica, ela pertence, além disso, ao domínio individual e ao domínio
social; não se deixa classificar em nenhuma categoria de fatos humanos
pois não se sabe como inferir sua unidade.

A língua é somente uma parte determinada, essencial dela [da


linguagem], indubitavelmente. É, ao mesmo tempo, um produto social
da faculdade de linguagem e um conjunto de convenções necessárias,
adoptadas pelo corpo social para permitir o exercício dessa faculdade
nos indivíduos (p. 17)

Vista dessa forma, a língua é social por ser uma convenção adquirida no seio da
sociedade, e não no sentido de interacção social sob seus aspectos mais gerais. Ainda
sobre língua, Saussure assegura que de um lado, os costumes de uma nação têm
repercussão na língua, e, de outro, a língua em grande parte constitui a nação, anunciando
dessa forma a interrelação língua / sociedade / cultura muito antes do progresso dos
estudos sócio-etno-linguísticos, desenvolvidos, posteriormente.

O espaço desse trabalho não nos permite comentar tantos trabalhos desenvolvidos em
torno da questão da língua e da linguagem, bem como da inter-relação

6
língua/sociedade/cultura. No intuito de explicar mais claramente essa interface, e
entendendo que todo grupo social implica cultura, construímos a próxima secção, a partir
de alguns conceitos socio-culturais, sem nos atermos detalhadamente a nenhum dos
diversos caminhos trilhados por linguistas e estudiosos de outras áreas do conhecimento
que têm interesse nesta temática.

1.2.Mudança da Linguística
Sabemos que o português provém do latim vulgar falado no noroeste da Península Ibérica,
que foi modulado pela influência de certas características dos primitivos habitantes da
região. Essa influência motivou a supressão do –l– e do –n– latinos entre vogais,
produzindo assim uma das grandes diferenças entre o português e o espanhol, língua em
que essas consoantes se mantiveram (p.ex. port. só, mau, cor, mão; esp. solo; malo; color;
mano). Outro aspecto diferenciador, decorrente da mesma influencia, levou a manutenção
das vogais breves latinas como abertas, sem a ditongação que sofreram em espanhol (p.ex.
sete, medo, porta, sorte, diferindo de siete, miedo, puerta, suerte). Mais tarde, o português
recebeu larga contribuição do árabe, sobretudo no campo do léxico e em algumas
pronúncias particulares (são arabismos açorda, albufeira, algodão, faquir, harém, etc., e
a pronuncia da consoante inicial de palavras como xaile ou xarope). Evidentemente, como
todas as línguas, o português foi enriquecendo e mudando ao longo da sua história em
contacto com outras línguas próximas e afastadas.

Mutsuque (2017) diz que:

Não se pode estudar uma língua sem considerarem-se seus elementos externos.
Estes são muito importantes nos estudos linguísticos. Consideram-se como
elementos externos a história e os costumes de uma nação, pois esta é constituída
pela língua. Há de se ressaltarem asrelações existentes entre a língua e a história
política. Grandes acontecimentos históricos, com as conquistas e as
colonizações, têm importância incalculável nos estudos dos fatos de uma língua,
uma vez que acarretam transformações nela (p.125).

Nesse sentido, Vivian Schelling (1991) sugere que um dos caminhos para se chegar a
algum resultado é seguir, atentamente, a história da cultura, desde que se conheçam as
diversas experiências vinculadas à formação dessa cultura como um todo.

Segundo Morin, (1991)

7
A cultura, que é característica da sociedade humana, é organizada /
organizadora via veículo cognitivo que é a linguagem, a partir do
capital cognitivo colectivo dos conhecimentos adquiridos, das aptidões
aprendidas, das experiências vividas, da memória histórica, das crenças
míticas de uma sociedade. Assim, se manifestam representações
colectivas,’imaginário colectivo. E, dispondo do seu capital cognitivo,
a cultura institui as regras/normas que organizam a sociedade, dirigem
os comportamentos individuais. As regras / normas culturais geram
processos sociais e regeneram globalmente a complexidade social
adquirida por essa mesma cultura (p. 17).

As ideias contidas neste conceito já estavam delineadas por ele (1975, p. 170) quando
dizia que indivíduo, ao nascer, começa a receber a herança cultural, que lhe vem garantir
a formação, orientação desenvolvimento como ser social. A herança cultural, não apenas,
vai sobrepor-se à hereditariedade genética, mas também vai combinar-se com esta. Morin
(1986, p. 21) complementa esta concepção ao asseverar que o conhecimento é
simultaneamente biológico, cerebral, espiritual, lógico, linguístico, cultural, social,
histórico, e não pode ser desvinculado da vida humana e da relação social.
Retomando Schelling (1991), vejamos sua concepção sobre o termo cultura:
[...] pode-se dizer que o termo cultura é ele próprio cultural, na medida em que como
produto de desenvolvimento histórico de um diálogo da sociedade consigo mesma ela
traz a marca de sua formação. Partes desse diálogo social podem ser retraçadas até suas
origens e fixadas dentro de diferentes discursos e tradições cognitivas ( p. 21).

O termo cultura, porém, tanto para Schelling como para outros estudiosos dessa área
parece bastante controverso pelo fato de haver surgido como necessidade de uma resposta
ao industrialismo e à política europeia dos séculos XVIII e XIX.

A essa época os termos cultura e civilização tinham um mesmo significado, pois ambos
comportavam o ideal humanista acatado pelo poder da razão, desde o aparecimento da
ordem natural e racional de um mundo civilizado, que se opunha à ordem teocrática da
Idade Média.

Essa qualidade de representação da cultura pela língua, segundo Chiavegatto (1999),


causou muita polémica e motivou questionamentos bastante fortes no que se referem às
relações de pensamento e organização das línguas.

8
Nestes questionamentos encontra-se a teoria do relativismo linguístico apresentado por
EdwardSapir e em seguida somado às ideias de B. LeeWhorf resultam na conhecida
Hipótese Sapir/Whorf, em cuja versão fraca apoiaram-se os adeptos dessa Hipótese e, por
conseguinte, parece que aversão forte não atendeu aos anseios dos seus seguidores.

Com referência à versão fraca da Hipótese possível reconhecer-se que a existência de um


produto social e de um sistema linguístico definido possibilita o usuário a pensar e a falar;
este é o pensamento de Sapir.

Dentre os linguistas que se envolveram com os estudos da inter-relação língua / cultura /


sociedade,

Nesta perspectiva seus estudos mostraram que o social é o factor que condiciona a
ocorrência das variações.

Vários estudos surgiram no decorrer da evolução da Linguística que se dedicaram a essa


vertente para que se chegasse ao reconhecimento daí dissociabilidade língua / cultura /
sociedade.

A interacção entre os falantes de uma língua dá-se sob o suporte da sociedade e da


respectiva cultura que envolve esses falantes.

É também de grande importância as relações da língua com as instituições, como a Igreja


e a escola. Nesta última, estuda-se, por exemplo, a língua literária, fenómeno histórico,
que ultrapassa os limites estabelecidos pela própria literatura. Um linguista deve estudar
as relações entre a língua literária e a língua corrente, pois a primeira, produto de uma
cultura, separa-se naturalmente da segunda.

Fica claro, assim, que os factores históricos e geográficos estão directamente ligados à
língua, embora na realidade não afectam seu organismo interno, sendo, portanto,
impossível separar os elementos externos dos internos nos estudos linguísticos. Só se
conhecem os factores internos de uma língua, conhecendo-se os externos. Como exemplo
desse facto, Saussure cita os empréstimos linguísticos, chamados de estrangeirismo.
Estes, ao se incorporarem a um determinado idioma, não devem ser considerados como
estrangeirismos, desde que sejam estudados dentro do idioma.
Como resultados dessas interacções sociais resulta a variação linguística que é o modo
pelo qual ela diferencia-se, sistemática e coerentemente, de acordo com o contexto

9
histórico, geográfico esócio-cultural no qual os falantes dessa língua manifestam-se
verbalmente.

1.3.Mudança Linguística vs Variação Linguística


As variações (variantes ou variedades) linguísticas são as ramificações naturais de uma
língua, as quais se diferenciam da norma-padrão em razão de fatores como convenções
sociais, momento histórico, contexto ou região em que um falante ou grupo social
insere-se. Trata-se, pois, de objeto de estudo da Sociolinguística, ramo que estuda como
a divisão da sociedade em grupos – com diferentes culturas e costumes – dá origem a
diferentes formas de expressão da língua, as quais, embora se baseiem nas normas
impostas pela gramática prescritiva, adquirem regras e características próprias. As
variações linguísticas diferenciam-se em quatros grupos: sociais (diastráticas),
regionais (diatópicas), históricas (diacrônicas) e estilísticas (diafásicas).
Variedade é um conceito maior do que estilo de prosa ou estilo de linguagem. Alguns
escritores de sociolinguística usam o termo lecto, aparentemente um processo de criação
de palavras para termos específicos, são exemplos dessas variações:
 Dialectos (variação diatópica), isto é, variações faladas por comunidades
geograficamente definidas.
 Idioma é um termo intermediário na distinção dialecto linguagem e é usado para
se referir ao sistema comunicativo estudado (que poderia ser chamado tanto de
um dialecto ou uma linguagem) quando sua condição em relação a esta distinção
é irrelevante (sendo, portanto, um sinónimo para linguagem num sentido mais
geral);
 Sociolectos, isto é, variações faladas por comunidades socialmente definidas.
 Linguagem padrão ou norma padrão, padronizada em função da comunicação
pública e da educação.
 Idiolectos, isto é, uma variação particular a uma certa pessoa.
 Registos (ou diátipos), isto é, o vocabulário especializado e/ou a gramática de
certas actividades ou profissões.
 Etnolectos, para um grupo étnico.
 Ecoletes, um idiolecto adotado por uma casa.

Atribulações históricas têm feito com que numerosos povos mudem de língua no decurso
dos tempos. A adopção de um idioma novo acarreta o esquecimento, a morte do antigo,

10
que as novas gerações vão progressivamente desprezando. São, de fato, os povos que,
seduzidos pelo superior prestígio de uma outra língua, adoptam-na em prejuízo daquela
que haviam recebido dos antepassados.

As mudanças linguísticas são exclusivamente funcionais e culturais. Essas mudanças só


ocorrem porque apresentam maior eficácia nas funções que são próprias à língua. São,
nesse sentido, utilitárias e práticas, e podem ser comprovadas em qualquer aspecto da
língua. Por oposição a outros elementos, ocorre uma eliminação do acessório (ou
acidental), ficando apenas o que distingue ou apresenta traço distintivo.

Além disso, aquilo que é cultural cria mais condições para que a mudança ocorra. A
normatividade, que caracteriza o sistema linguístico, e a adesão dos falantes à sua própria
tradição linguística fazem com que a língua apresente condições de relativa estabilidade
e, portanto, de resistência à mudança. Nenhum elemento se insere ao sistema se não tiver
existido antes na fala e, por extensão, na norma.

As circunstâncias históricas não são causas determinantes da mudança. Esses factores que
se constituem no conjunto de modos e princípios de comportamento, conhecimentos,
crenças, costumes, valores intelectuais, morais e espirituais afectam, mas não se reflectem
de forma paralela ou automática na estrutura interna da língua.

A mudança da língua é um fenómeno muito complexo. A morte de uma delas é precedida


de um período de bilinguismo – presença de duas línguas, mais ou menos longo, em que
se trava árdua luta pela supremacia. O que decide a vitória é o prestígio que decorre de:
valor utilitário, glória literária e situação social dos falantes (cf. SILVA NETO, 1957).
Pouco a pouco, o que menos satisfaz essas condições vai sendo falada por um número
cada vez menor de pessoas e acaba por ser relegada ao uso das camadas sociais inferiores.
Logo, a língua é totalmente esquecida nos centros urbanos e o seu emprego se limita a
círculos rurais cada vez mais afastados.

1.4. Características peculiares do PE e PB


É inegável que o PE e o PB apresentam actualmente inúmeros factores de variação
sintáctica. Um dos principais contributos para o estudo da variação sintáctica no quadro
da Teoria dos Princípios e Parâmetros deve-se a Duarte (1993), que mostrou a tendência
do PB para uma redução significativa na percentagem de sujeitos nulos referenciais e um
aumento correspondente na produção de pronomes referenciais plenos. Contudo, não é

11
possível dizer-se que o PB se tenha transformado numa língua de sujeito pleno como o
inglês ou o francês,
uma vez que ainda admite sujeitos nulos em vários contextos, como no caso de sujeitos
expletivos ou de sujeitos controlados por um tópico discursivo (Figueiredo Silva, 1996).
Pontes (1987) observa que, em PB, ao contrário do que acontece em PE, são possíveis
construções como (1), em que um tópico desencadeia concordância com o verbo:
(1) Essas casas batem sol.
Esta observação de que a concordância verbal pode afectar tópicos leva esta autora a
sugerir que o PB tenha evoluído no sentido de se tornar uma língua de proeminência de
tópico, no sentido de Li e Thompson (1976). De acordo com estes autores, uma língua de
proeminência de tópico distingue-se de uma língua de proeminência de sujeito por as
operações sintácticas serem sensíveis a funções discursivas (como tópico) e não a funções
argumentais (como sujeito).
A mudança que se observa numa língua no decorrer do tempo tem paralelo na mudança
dos conceitos de vida de uma sociedade, na mudança das artes, da filosofia e da ciência
e, até, na mudança da própria natureza. Essa evolução temporal, essa mudança diacrónica
ou histórica e um dos aspectos mais evidentes da variação inerente a qualquer língua.
Mas também a língua varia no espaço, razão por que o português apresenta as variedades
nacionais de Portugal e do Brasil, países em que e considerado língua nacional, e as de
Angola, Moçambique, Cabo Verde, Guine-Bissau, São Tome e Príncipe e Timor Loro
Sae, em que foi adoptado como língua oficial.

1.5.Língua Portuguesa e os seus dialectos


As variedades nacionais de uma língua não apresentam uma uniformidade interna, mas
são constituídas por variantes geográficas que denominamos dialectos. Os dialectos do
português europeu não são muito distintos entre si, talvez por razoes de carácter histórico
nas quais ressalta o facto de Portugal ser o pais europeu com as fronteiras mais antigas.
Essa aparente uniformidade fez com que, durante muito tempo se considerasse o mirandês
como o único dialecto do português, dada a estranheza que as pessoas sentiam nessa
forma de falar. Afinal, essa estranheza era devida ao facto de o
mirandês ser um dialecto de uma língua diferente, o asturiano ou asturo-leonês, que tem
características distintas do português.

12
1.6. Variação sociolinguística e situacional: sociolectos e registos
Além da variação dialectal, as línguas também apresentam variantes decorrentes dos
diferentes grupos sociais a que pertencem os falantes (etários, socio-culturais, socio-
profissionais14) e que são denominadas sociolectos. Quando se iniciou o estudo de
variantes marcadas por factores sociais, foi convicção generalizada durante anos que as
variantes utilizadas por classes não escolarizadas eram linguisticamente mais pobres e
insuficientes para servir a expressão e comunicação de conceitos abstractos e sentimentos
elaborados.
A questão centra-se nas necessidades e nos interesses socio-culturais, que exigem da
língua usada determinada especialização. Estamos, portanto, diante de um conceito
sociocultural aplicado as línguas e não diante de uma perspectiva linguística. Hoje e facto
assente que todos os falantes usam um determinado sociolectos correspondente ao
contexto socio-cultural em que estão integrados.
Um dos aspectos mais evidentes da diferença sociolectal reside no vocabulário utilizado
pelos falantes. Quando se trata de um léxico específico, a sua apresentação como
linguagem de especialidade denomina-se uma terminologia. Mas também os sociolectos
se diferenciam na pronúncia (há uma pronuncia snob, uma pronuncia popular, p.ex.), ou
na morfologia e na sintaxe (faltas de concordância entre o sujeito e o predicado podem
concorrer para caracterizar certos sociolectos1.

13
3. Considerações Finais
Na língua portuguesa existem diferentes registos, variações diafásicas que resultam da
adequação de seu uso nas diferentes situações comunicacionais, fenómeno que possibilita
que um mesmo falante adopte diferentes registos em um mesmo dia. Alguns factores
serão determinantes para a escolha do registo a ser empregado, entre eles o grau de
familiaridade que temos como nossos interlocutores. Estes factores fazem com que haja
pelo menos cinco níveis de língua portuguesa a saber: nível popular, nível familiar, nível
corrente, nível cuidado e nível literário.
Face à norma, qualquer variação linguística começa por ser um desvio de linguagem. O
que acontece é que alguns desvios, por serem “cometidos” em obras literárias logo, acima
do nível zero, logo, considerados positivos, são de imediato associados a um estilo próprio
e, potencialmente, identificados como traço estilístico a respeitar e, até, a imitar. É como
se fosse uma variação por via erudita, a par da variação comum que gradualmente se vai
impondo qual variação por via popular. Este conceito de caracterização da norma –
vitalidade e capacidade de fazer adeptos – pode ser discutível mas e aliciante. Parece
evidente que o discurso dos meios de comunicação e o que apresenta mais vitalidade:
rodeia-nos, entra na nossa casa, e inovador, exibe uma constante mudança. E passível das
nossas critica mas influencia o nosso falar quotidiano. Não podemos aceita-lo sem critério
e não podemos, igualmente, desconhece-lo.
O interesse que incide sobre o discurso utilizado nos meios de comunicação social levou
a criação de um projecto com o objectivo de analisar o carácter inovador desse discurso
em vários domínios da língua. O trabalho centra-se na reflexão de variações em relação
a norma-padrão, variações que poderão ser interpretadas como mudanças em curso na
variedade europeia do português. Esperemos que estas reflexões contribuam para a
consciencialização de que a língua, como organismo vivo, manifesta simultaneamente
uma constante mudança e uma necessária estabilidade.

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REFERENCIAS BIBLIOGRÁFICAS
1. Bechara, E.(1991). As fases da lingua portuguesa escrita. Actes du XVIIIe.
Congrès International de Linguistique et Philologie Romanes, Ed. Dieter Kremer,
vol. III, Tubingen, Max Niemeyer: 68-76.
2. Bechara, E. (2009). Moderna Gramática Portuguesa. Editoras Nova Froteira e
Lucerna. 37ª
3. Cunha, C & Cintra, L. (1985). Breve Gramatica do Portugues
Contemporaneo.Edições João Sá da Costa. Lisboa (impresso em 2006). Edição,
Rio de Janeiro.
4. Mateus, M. H. M.(2002) Ensino da Língua e Desenvolvimento Educativo.
Universidade de Lisboa /ILTEC, Lisboa.
5. Muhate, S. Mourana, S, Massango, C & Macie, F. (2004). Regras de
Comunicação Língua Portuguesa-7ª Classe, Livro do Aluno. Longman
Moçambique,Maputo
6. Preuss, L. J.(2017) Universidade Federal De Santa Maria. Santa Maria | RS
7. Silva, G. M. de Oliveira e & Marta M. S. (orgs.), 1996. Padrões
sociolinguísticos. Rio de Janeiro: Tempo Brasileiro.
8. Mutsuque, J.A. (s/a). Manual do Curso de Licenciatura em Ensino de Língua
Portuguesa - Linguística Geral, UCM/CED, Beira-Moçambique.
9. Morin, E.(1975)O Enigma do Homem. Para umaAntropologia. Rio de Janeiro: Zahar
Editores.
10. Mutsuque,J.A.(2017).Manual do Curso de Licenciatura em Ensino da Língua
Portuguesa-Linguística Geral. Beira. UNIVERSIDADE CATÓLICA DE
MOÇAMBIQUE-CED.
11. Sapir, E.(1969). Linguística como Ciência, Rio de Janeiro Livraria Acadêmica.
12. Schelling, V.(1990)A Presença do povo na culturabrasileira: ensaios sobre o
pensamento de Mário deAndrade e Paulo Freire. Campinas, SP: Editora da UNICAMP.

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