OS TEMAS CULTURAIS NA INVESTIGAÇÃO GEOGRÁFICA: BREVE RETROSPECTIVA E PONTO DA SITUAÇÃO Eduardo Brito Henriques

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1. A tradição dos estudos culturais em Geografia Existem para o termo cultura várias acepções. Cultura pode ser empregue, primeiro, como sinónimo de cultivo, designando o acto de fazer crescer e multiplicar seres vivos. A palavra cultura pode reportar-se, numa acepção mais erudita, às obras do génio humano – a música, a pintura, a literatura, a filosofia,... E cultura pode ainda, finalmente, aparecer com um sentido assimilável ao de modo de vida, acepção esta muito mais lata que qualquer das anteriores e que remete para o conjunto dos valores, crenças, conhecimentos e costumes que caracterizam e diferenciam os vários grupos humanos ou povos, bem como para as formas materiais em que aqueles valores, crenças e conhecimentos se exprimem. A temática cultural, entendida sob este último ponto de vista, marca desde há longa data presença nos estudos geográficos. Compreender como a cultura interage com a natureza, ou como as populações, por intermédio da civilização, modificam o meio, dando colorido e variedade à superfície terrestre, constituiu desde o início da ciência geográfica moderna o grande objectivo da geografia humana, ramo ao qual aliás se continua a chamar na língua alemã, não por acaso, Kulturgeographie. A noção de paisagem cultural (Kulturlandschaft), que os geógrafos alemães desenvolvem no século XIX para descrever o resultado dessa combinação de elementos da natureza e da civilização, permaneceria como tema central da investigação geográfica por muitos decénios, quer na Europa, onde pesou sobretudo a influência da geografia regional francesa, que veio a incorporar o conceito e o traduziu para paisagem humanizada, quer nos EUA (cf. Sauer, 1925; Ribeiro, 1934). A centralidade que o conceito de civilização assume nos trabalhos da geografia alemã do século XIX, e, depois, nos que se desenvolvem sob a perspectiva possibilista e o paradigma da geografia regional, mostra bem o quanto a temática cultural é antiga e está enraizada na investigação geográfi*

Geógrafo. Faculdade de Letras e Centro de Estudos Geográficos da Universidade de Lisboa.

Inforgeo, 16/17, Lisboa, Edições Colibri, 2001/02, pp. 153-165

A área de certa espécie cultivada. 1952). dedicou não menos atenção à problemática da difusão de inovações e aos mecanismos de formação de áreas culturais. A cultura. Os dois termos passaram depois a designar aspectos complementares da vida dos povos: o de civilização. com traba- . e o de cultura para as sociedades mais “primitivas” (cf. instrumentos e rotinas que se lhe associam. entre estudiosos portugueses. a cada um destes focos teria correspondido uma especialização no cultivo de diferentes espécies vegetais. ou produzidos na fronteira da etnografia com a geografia. Orlando Ribeiro afirmava que “Todo o estudo geográfico deve conduzir a delimitar áreas e exprimi-las por meio de mapas” (Ribeiro. de André Haudricourt e Mariel Brunhes-Delamarre (1955) em França. Inscreve-se nessa visão da geografia e do seu projecto científico o interesse pela identificação dos limites das culturas humanas. objecto da atenção dos geógrafos. desenvolvendo-se com isso. embora aplicados a realidades diferentes: o termo civilização para as sociedades complexas e avançadas. assim. usá-los-ão como sinónimos. Mostra-o bem a teoria que desenvolveu sobre as origens da agricultura no Mundo. e. Braudel. conceitos próximos. Área designa em geografia o espaço abrangido pela distribuição de um dado fenómeno. na mesma tradição. ou como conjunto dos elementos materiais e imateriais que dão diversidade às sociedades humanas. material ou imaterial. como o milho ou a oliveira. Ao seu contorno aplica-se o termo limite. onde identifica onze focos regionais de domesticação de plantas em pontos diversos do Globo (cultural hearths). essencialmente a componente técnica e material das culturas. A difusão de instrumentos como o arado e a charrua foi objecto de famosos trabalhos de natureza geográfica. Pode-se tentar delimitar de igual modo a área de dada religião. 1987). Hegel tê-los-á empregue indiscriminadamente numa primeira fase. ou mesmo apenas de determinado termo lexical. e o de cultura propriamente dito. à escala mundial. é. Não é aliás menos longa na geografia a tradição deste tipo de pesquisa que a dos estudos morfogenéticos da paisagem. de que são exemplo os de Eduard Hahn (1914) na Alemanha.158 Inforgeo 16/17 ca. Civilização e cultura são. 1987: 40). com efeito. influenciados pela antropologia anglo-saxã. está também desde há muito presente nos estudos geográficos através do tema da difusão de inovações e da formação de áreas culturais. Num manual de iniciação à geografia regional escrito em princípio dos anos 60. Também aspectos mais imateriais da cultura foram. aparentemente autónomos e surgidos em épocas diferentes. mas que só duas décadas mais tarde seria publicado. assim como procurar definir os limites de certo dialecto. quer ele seja natural ou humano. que introduziu na geografia norte-americana o estudo da paisagem cultural. distintas áreas civilizacionais e paisagens culturais (Sauer. Outros autores. vista ainda nesta última acepção de modo de vida. A essa preocupação se consagraram ao longo do tempo numerosas obras por parte de geógrafos. Carl Sauer. os de Jorge Dias (1948). os aspectos mais imateriais. a porção de espaço abrangida pelo seu cultivo e por todo o conjunto de técnicas.

1976. Os lugares evocam memórias e isso permite.Os Temas Culturais na Investigação Geográfica 159 lhos produzidos sobre temas tão variados como as áreas dialectais e os limites linguísticos (cf. que Yi-Fu Tuan (1983) elege como questão central da Geografia Humanista. constitui em si mesmo um processo de natureza eminentemente cultural. que ganhara nesse decénio considerável peso no pensamento geográfico. 1965. 1973). É a própria consciência do sujeito como indivíduo que daqui decorre: “Reconhecer-se supõe uma apropriação do espaço pelos sentidos”. e. Essa influência do neopositivismo levara a uma crescente focalização nas temáticas económicas e a uma evidente hegemonia das abordagens locativas. os estudos a que antes fizemos menção começaram a suscitar nos geógrafos um cada vez menor interesse. É em reacção e como crítica ao neopositivismo. viria a Geografia Humanista contrapor um projecto que consistia em compreender o Mundo olhado a partir do sujeito que o sente e vive.. A esta nova geografia preocupada com a descoberta de regularidades nas distribuições espaciais. A tónica cultural é bem patente nos trabalhos que se produzem sob a perspectiva humanista. Tuan. Krantz. Depende da possibilidade dos indivíduos reconhecerem no espaço geográfico diferenças e particularidades.. p.: Planhol. p. ou ajuda. recorda-nos Paul Claval (1995: 158). A Geografia Humanista e os estudos do espaço vivido A partir da década de 1960. se bem que adoptando uma abordagem cultural. 1968. 1983). Ley. Há entre aqueles primeiros e estes últimos uma clara ruptura: o enfoque ecológico dá lugar ao enfoque simbólico. na óptica do espaço vivido (cf. ex. 1974. a sua capacidade de orientação espácio-temporal. de identificar nele lugares. das preocupações nomotéticas e dos métodos quantitativos na investigação dos geógrafos. 2. ou seja. não se inscrevem já nessa antiga tradição. que a Geografia Humanista aparece. O projecto da Geografia Humanista dificilmente se percebe desenquadrado do que foi a evolução do pensamento geográfico nos anos 1960. Os trabalhos que depois de 1970 se produzem no seio da entretanto chamada Geografia Humanista. ex. ou a geografia das religiões (cf. A existência humana é indissociável desta codificação do espaço e do processo da sua transmutação em lugar.: Ribeiro. porquanto assenta na atribuição ao espaço de valores que o tornam portador de sentido. 1988). Bhardwaj. A conversão do espaço (abstracto) em lugar (concreto e vivido). e empenhada em determinar modelos gerais e abstractos capazes de sintetizarem e predizerem a realidade. logo. Nesse mesmo espaço carregado de símbolos encontram ainda os indivíduos balizas ou referenciais de carácter mais profundo para a sua existência. Fremont. o historicismo ao subjectivismo. ou culturalista. ao enraizamento das . Toda a sua atenção se centra nas relações emocionais e simbólicas que se estabelecem entre o sujeito – o sujeito pensante e ‘sentinte’ – e o espaço geográfico no qual se move.

que aparece como crítica à geografia cultural mais tradicional.: 159). Collignon. foi a ruptura introduzida nos anos 1980 pela chamada Nova Geografia Cultural. os teólogos consideraram a igreja como a imagem do universo: a abóboda era o céu e o chão a terra paradisíaca”. muito mais importante para a renovação dos estudos culturais do que a perspectiva humanista. contribuindo para a construção de uma certa mundividência e para dar sentido à vida: “Durante todo o período bizantino até fins do século quinze. no cristianismo ocidental. razão pela qual revestem uma ainda mais óbvia dimensão cultural (cf. 1999). A fonte no meio do jardim. polarizada pela escola de Berkeley (cf. ensaiada pela Geografia Humanista. 1992. de natureza mais qualitativa. A abordagem humanista. reflectiu esse desafio (cf.. 1994. James Duncan (1980) inaugurou esse movimento. lembra-nos Yi-Fu Tuan (1980: 196). Brousseau. do enraizamento afectivo dos indivíduos no espaço geográfico e da formação das identidades territoriais. enquanto projecto de apreensão do território a partir da perspectiva existencialista. a integração na investigação geográfica da pintura e da literatura. 1997). partindo da psique humana e da emotividade. 1975). Claval. tanto individuais como colectivas (Lowenthal. Price e Lewis. Num artigo polémico que viria a ter grande ressonância nos meios científicos. partilhados pelo conjunto da comunidade.. Caldo. que viria a ser especialmente frutuosa na geografia francesa (cf. A aproximação à Geografia Social e a renovação dos estudos da paisagem No espaço anglo-saxão. Debarbieux. 3. se o território se encontra em toda a sua extensão potencialmente investido de significados. ou de produto do génio humano. funcionando no seu todo como um sistema de significação. simbolizava a geografia do Éden” (ibid. os claustros e os jardins dos mosteiros: “O termo técnico para os jardins fechados ou claustros era ‘paraíso’. 1998). gerando sentimentos de pertença que se sabe serem essenciais para a formação das identidades. 1997.160 Inforgeo 16/17 pessoas no território. 1995). obrigou a que se experimentassem novas fontes de informação e metodologias de pesquisa. Os lugares – especialmente estes últimos – acabam assim por ter também uma função ética e moral. para além de ter trazido para a geografia esta nova reflexão em torno da simbólica e do significado dos lugares. 1989. mais ligadas à ideia de cultivo do espírito. 1993. teve ainda como novidade que outras dimensões da cultura. – estão imbuídos de valores intersubjectivos. Lévy. denuncia. fossem integradas na investigação geográfica. em função da sua biografia ou experiência de vida concreta. Crang. alguns lugares representam algo apenas para alguns indivíduos. como princípio teórico subjacente a toda a produção científica da escola de Berke- . De resto. Kong. O estudo do espaço vivido. enquanto outros – os lugares sagrados. os lugares-monumento. Jackson. . função algo semelhante teriam tido. 1996. com seus jactos de água.

a tradição da geografia cultural norte-americana reificava a cultura. que estudara com Kroeber. entendia assim a cultura não como algo socialmente produzido. numa renovação. nascido das relações entre os indivíduos. nível esse onde se situava a cultura. inaceitável que se não admitisse naquela tese espaço de manobra para a acção dos indivíduos na sociedade. um terceiro nível – o nível inorgânico – constituído pelas condicionantes materiais. Era. depois. Esta tese. mas como uma força superior. entre os geógrafos britânicos. No trabalho do Centre for Contemporary Cultural Studies de Birmingham. já se advogava a necessidade de perspectivar a cultura em articulação com as relações sociais e no quadro dos seus processos específicos de produção. a prevalência de uma concepção supra-organicista da cultura. A tese do supra-organicismo cultural foi enunciada por Alfred Kroeber nos primeiros decénios do século XX. reflectiram-se na maior proximidade. seria inadequada e carecia de revisão. dos estudos da paisagem. Defendia este autor a ideia de que as sociedades se organizavam em três níveis ontológicos. seria entre os geógrafos britânicos que se dariam os passos mais significativos nesse sentido. Fulcral para isso foi a influência da teoria cultural neo-marxista. em sua opinião. assumindo-a erradamente como ‘coisa’ acima das relações sociais. em seu entender. e não como processo ou produto dessas mesmas relações sociais. e mesmo numa certa fusão. porém. distintos mas inter-relacionados: um primeiro – o nível supra-orgânico –.Os Temas Culturais na Investigação Geográfica 161 ley. Ao adoptar o princípio do supra-organicismo – argumentava –. Mais do que nos EUA. A crítica de James Duncan centrou-se neste ponto. e que deixou lastro entre os académicos das ciências sociais. e finalmente. independente. transposta para a geografia por Carl Sauer. composto por forças e leis superiores aos indivíduos e orientadoras das suas opções. prevalecente à vontade dos sujeitos e às relações sociais. encarando-os como meros peões conduzidos por leis externas e superiores à sua vontade. do pós-colonialismo e dos media. Os efeitos de tudo isto na renovação dos temas e das formas de abordar a cultura nos estudos geográficos sentiram-se sobretudo a dois níveis: primeiro. que. pugnava por uma nova perspectiva em que a cultura fosse vista simultaneamente como produto e contexto da interacção social. donde não tivesse sido difícil ganhar. depois um nível intermédio – o nível orgânico –. muito evidente. ao qual está ligado esta perspectiva. A aproximação à geografia social é bem perceptível quando se olha ao destaque que passaram a merecer na geografia cultural temas como o género . A Nova Geografia Cultural enriqueceu-se e foi ganhando consistência ao longo do decénio de 1980. e até. Em alternativa. muito desenvolvida no Reino Unido entre meados do século e os anos 70. aderentes para o projecto da Nova Geografia Cultural. que passou a existir entre a geografia cultural e a geografia social. que correspondia aos indivíduos propriamente ditos e às suas acções. e que nos anos 60 e 70 fora pioneiro nos estudos do género. de certa forma.

Pickles. onde se produziram interessantes trabalhos com um enfoque cultural. Num artigo que foi precursor.162 Inforgeo 16/17 e a sexualidade. Duncan e Ley. por um lado. Crang. também como instrumento de poder (cf. 1992. Nigel Thrift (1983) foi dos primeiros geógrafos a trabalhar. a economia e o território: novas intersecções Se a grande novidade dos anos 1980. 1996-b). do ponto de vista da geografia cultural. impõe-se uma referência ao influente estudo de James Duncan (1990. sociedade e política passaram a merecer. Jackson e Thrift. e à resistência por parte dos grupos dominados. Os trabalhos sobre a iconografia da paisagem multiplicar-se-iam sobretudo a partir de finais dos anos 1980. da importância do território na construção cultural da masculinidade e feminilidade. 1982). Duncan e Duncan. como instrumento de reprodução ideológica. na linha do que havia feito Edward Said (1978) no seu influente estudo sobre o orientalismo e a representação do exótico no Ocidente. residiu na súbita atenção que as relações entre cultura. p. A cultura. 1993). A renovação dos estudos da paisagem fez-se por duas vias. numa perspectiva desconstrucionista. 1989. do controlo da cultura popular pelo poder e das estratégias territoriais empregues nesse processo. da propaganda política (Hepple. 2000). o pós-colonialismo e o multiculturalismo. ex. 1992. Cosgrove e Jackson. 1993. e. no Sri Lanka. 1995. o tema da representação da paisagem. Mort.. mas sim política e ideologicamente modelada. 1993) sobre o reino histórico de Kandy.. como são os casos da territorialidade gay e lésbica. por outro lado. Mitchell. 1995. Daniels e Cosgrove. Stock. e. Brito Henriques. passando pela pintura (Daniels. 1989. foi o da relação entre geografia e consumo (cf. o último decénio do século ficaria essencial- . que é dos que melhor representa esta perspectiva. de modo mais geral. pela abordagem da paisagem em si mesma como texto. 1996). por outro (Cf. mostrou que a representação dos lugares não é isenta. logo. 1987). Por um lado. 1993) e pelo próprio discurso da geografia e dos mapas (Gregory. Outra área de estudo fértil. ou ainda aspectos relacionados com a geografia de sub-culturas como a punk e rap (cf. através da desconstrução das suas representações e da denúncia das lógicas que a elas presidiam. 1996. cobrindo diversas formas de representação. Quanto à abordagem da paisagem como texto e da organização do espaço como instrumento de reprodução ideológica. Pred. 1996-a). 4. 1992) aos guias turísticos (Brito Henriques. ou Roland Barthes nos seus trabalhos sobre as mitologias da sociedade de consumo (cf. 1993. Cosgrove. antecipando em quase uma década trabalhos similares. Nas obras de síntese e manuais de geografia cultural que se produzem sob esta nova perspectiva consagram-se capítulos a temas inéditos nas abordagens mais tradicionais. o estudo das estratégias territoriais associadas às lutas de dominação e hegemonia cultural. Jackson.

1995. De que criam riqueza. economia e território a que antes nos referimos. Considerando que as empresas não são alheias ao meio onde estão mergulhadas. A grande conclusão a reter dos vários estudos que. A outra abordagem das relações entre cultura. desenvolvida na fronteira entre a economia regional e a geografia económica.]”. procura compreender o papel das culturas locais na criação de condições diferenciadas para o desenvolvimento das regiões. Esta temática tem conhecido no essencial duas formas de abordagem.. Featherstone. desenvolvida a partir do ponto de vista da economia da cultura. em suma. 1972.. Brito Henriques e Thiel. como corolário do que vários autores têm admitido ser a pós-modernidade e a emergência de um novo estádio do capitalismo muito mais centrado na produção e no consumo de signos do que de mercadorias (Baudrillard. 1991). a comunidade ou a escola [. As instituições – da escola aos sindicatos. Sayer. 1989. A outra. da Igreja aos movimentos associativos – tornam-se assim elementos fulcrais para compreender a capacidade de reacção diferenciada dos territórios aos mesmos imperativos económicos. combinando-se na criação de formas de governação específicas e distintas. emergindo a espessura institucional dos locais e das regiões como um novo conceito central nas teorias do desenvolvimento. Harvey. 1997). e não como modo de vida – aparece. parte da perspectiva da economia da cultura e olha para as actividades culturais como recurso e instrumento da valorização dos territórios. Em todos eles se salienta a importância das variáveis socioculturais na configuração de sistemas produtivos locais coesos. que enformam os trabalhos desenvolvidos sob aquele primeiro tipo de abordagem (cf. defende esta perspectiva que as tradições e o tipo de arranjo institucional existente em cada local influenciam as decisões dos empresários e dos trabalhadores. Uma. insistem na pertinência de variáveis exteriores à economia. São conceitos como os de distrito industrial. de natureza sociológica e cultural. fortes e competitivos. mais pragmática. de meio inovador e. para a criação de ambientes diversamente propícios à ocorrência de inovações (cf. Não se limitando a assinalar as externalidades positivas que resultam da mera aglomeração ou proximidade dos agentes económicos. Este crescimento das oportunidades de negócio no sector da cultura – a cultura na sua acepção de produto do espírito e da criatividade humana. têm sido desenvolvidos desde os anos 1990 é. em certa medida complementares. seja a família. 1997). sob esta perspectiva. por sua vez.Os Temas Culturais na Investigação Geográfica 163 mente marcado pela novidade do estudo das conexões entre cultura e economia. surge do reconhecimento de que as actividades ligadas à provisão de bens e serviços culturais tendem a desempenhar um papel cada vez mais relevante nas economias desenvolvidas. de embeddedness. . e de que criam emprego. a que Andrew Sayer (1997: 17) sintetiza nos seguintes termos: “A economia é um sítio tão cultural quanto qualquer outra parte da sociedade. mais recentemente. Storper.

1986. Michel Storper e Susan Christopherson foram dos autores que mais cedo se dedicaram à análise destas problemáticas. fizemos para a Área Metropolitana de Lisboa exercício similar. A aposta nas actividades culturais como estratégia para a valorização dos territórios e para o seu desenvolvimento económico sustenta-se em ob- . 1999). a um peso do emprego cultural de 2. tendo-se concluído que os activos no sector cultural ascendiam em meados dos anos 90 a cerca de 160 000 indivíduos. na multiplicação de estudos de geógrafos (ou de geógrafos e economistas) com o intuito de avaliar o peso das actividades culturais na economia. 2000). e ainda os efeitos que estas têm na formação de novas vocações territoriais. mas também o papel que no desenvolvimento dessa especialização joga o efeito de meio. Estes não foram porém. avaliando consequências na forma de organização do trabalho e na localização das actividades. e que o sector contribuía para quase 4% do PIB. é – logo – um aspecto crucial da competitividade dos lugares (Dziembowska-Kowalska e Funck. Storper e Christopherson. especialmente de elevada qualificação.8% no conjunto da cidade e a um contributo de 2. mesmo numa região como esta. Scott pode demonstrar não só a importância que as actividades intensivas em criatividade e design têm nas economias urbanas mais avançadas. valor equiparável ao da indústria química ou alimentar. estudos desenvolvidos na óptica da economia da cultura. que é dos mais completos e abrangentes que se produziram dentro do seu género (Kunzman. em primeiro lugar. interessados em compreender o funcionamento da indústria cinematográfica e o seu peso na economia local. para o ano de referência de 1987. Finalmente. são apreciáveis os números. no estado de Baden-Vurtemberga – permitiu chegar. a reestruturação da indústria cinematográfica dos EUA (Christopherson e Storper. ainda nos anos 80. Baseando-se nos exemplos de Los Angeles e Paris. Diferente foi já o sentido das investigações sobre a economia cultural das cidades levadas a cabo por Allan Scott (1996. de estudar as razões geográficas do seu desenvolvimento em certos locais particulares. O estudo de um outro caso alemão – o de Karlsruhe. 2.7% do emprego oficial no estado. estudando detalhadamente.. ou seja. A investigação mostrou que. como seriam mais tarde. tendo para além disso mostrado que a presença de actividades culturais funciona como um atractivo para a localização de outras actividades económicas.164 Inforgeo 16/17 O interesse por esta temática traduziu-se. A.7% no VAB. 1999). 1987). com um passado ligado à indústria pesada e sem tradição que justifique uma especialização neste sector. 1997). utilizando o mesmo conceito de sector cultural e um elenco de actividades próximo do usado nos estudos alemães citados. coord. O verdadeiro objectivo consistia em usar o sector cinematográfico para ilustrar os efeitos da passagem do fordismo para a produção flexível. Dentro da mesma linha de pesquisa. merece menção o estudo sobre o sector cultural no estado alemão da Renânia do Norte-Vestefália. procurando avaliar o peso deste sector no conjunto do emprego da região e compreender as preferências locativas das diversas actividades que nele se incluem (Brito Henriques.

Essa incorporação de medidas de natureza cultural nas políticas territoriais pode assumir várias formas. com efeitos que se percebem quer nos locais de destino – na ‘crioulização’ de comunidades imigrantes e hospedeiras. Noutros casos. podendo integrar-se quer em operações de renovação e reconversão de frentes portuárias ou de áreas industriais. actividades que. publicidade. têm implicações culturais que se não podem descurar. Brown. na esperança de que por essa via se promova e melhore a imagem dos lugares e a sua competitividade. pela valorização do património cultural com vista ao fomento do turismo. que é por tudo isto um dos grandes desafios com que se defrontam no presente as sociedades desenvolvidas. aparece assim como um novo campo de reflexão a explorar pelos geógrafos. como o das migrações e o das minorias. Hudson. no aparecimento de novos focos de conflito rácico. 2000. 1995. – quer nos de origem. 5. começam a ser vistas como uma possibilidade para o relançamento de territórios em crise. Uma das mais comuns consiste no investimento em grandes equipamentos culturais. construídos de raiz ou reutilizando edifícios com usos inadequados. da geografia política aos estudos ambientais. Temas hoje fundamentais na geografia social.). etc. A integração da cultura nas políticas de desenvolvimento pode passar ainda. Aquilo a que se assistiu foi sim a uma maior sensibilização dos geógrafos para as questões da cultura e à formação de um novo olhar. Significa isto que a cultura passou a ser vista como variável pertinente para a compreensão dos mais variados aspectos da realidade e a marcar presença em diferentes domínios da investigação geográfica. apresentando ritmos de crescimento do emprego e do volume de negócios superiores à média da economia. O enfoque cultural na geografia: perspectivas de futuro É impossível não considerar a súbita atenção dos geógrafos pelas temáticas culturais como uma das grandes novidades da investigação geográfica do último decénio. finalmente. da geografia social à geografia económica. Vimos que é no estudo dos temas sociais e na intersecção da geografia com a economia e com os estudos do desenvolvimento que este novo enfoque cultural tem estado mais visível. design. Tudo aponta para que essa tendência prossiga e se aprofunde no futuro próximo. ou de estudos desenvolvidos nos seus moldes tradicionais. culturalmente enformado. etc. documentadas também em estudos de geógrafos (cf. Newman e Smith. a decisão de investir na cultura terá sido determinada mais por uma vontade de reanimar a economia local e/ou revitalizar certas áreas específicas do tecido urbano. O’Connor e Cohen. . 2000). e pela aposta nas chamadas ‘indústrias culturais’ (media. de novas formas de segregação espacial. sobre o território e os fenómenos que nele se processam. audiovisual. Não que tal se tenha traduzido num retomar dos temas clássicos da geografia cultural. quer em intervenções sobre bairros históricos.Os Temas Culturais na Investigação Geográfica 165 servações como as que anteriormente citámos. O multiculturalismo.

em grande medida. com potencial para desencadear dinâmicas de regeneração de áreas em crise. BRITO HENRIQUES. BROSSEAU. «A problemática da representação no pensamento geográfico contemporâneo». E. E. (1996-a).. Percebe-se. Gallimard. e. (1996-b). assim sendo. A. in Inforgeo. sobretudo. (1987). S. BRITO HENRIQUES. 45-70. turistas. (2000). A construção de um lugar turístico urbano. Lisboa. quadros em viagens de negócios. refugiados) e de informação em sentido lato (notícias. mas também de pessoas (imigrantes. e na identidade dos lugares –. (1972). imagens. Gramática das Civilizações. Pour une critique de l’économie politique du signe. (1996). BRITO HENRIQUES. sejam imensas e não possam (nem devam) passar despercebidas ao olhar do geógrafo. traduzidas nas tradições locais e nas formas específicas de governação de cada território. THIEL. pelas suas articulações com o turismo. innovation and periphery: a theoretical sketch and some evidence from different portuguese contexts». sob influência da economia institucionalista. seja em contextos urbanos. J. E. Ela diz respeito à intensificação e ao aprofundamento de interdependências globais que se traduzem em fluxos de capitais e mercadorias. etc. BHARDWAJ. «Culture. BRAUDEL. BRITO HENRIQUES. 43-54. S. «O sector económico da cultura na Área Metropolitana de Lisboa. Edições Colibri. seja em regiões rurais. J. e COHEN. com efeito. F. Teorema.. O’CONNOR. Referências Bibliográficas BAUDRILLARD. (1997). XXXV (69). in Finisterra – Revista Portuguesa de Geografia. A Lisboa Turística. pela esfera cultural. J. Finalmente. na sua dimensão económica. Paris. Ed. A study in cultural Geography. há cada vez mais a percepção de que as variáveis socioculturais. 109-136. Lisboa. XXXII (64). os quais passam. Aspectos locativos e implicações nas políticas urbanas». entre o Imaginário e a Cidade. O património. A globalização não se esgota. L’Harmattan. Berkeley. afigura-se também como um recurso valioso para o desenvolvimento dos territórios. (2000). E. University of California Press. há a considerar ainda todo o imenso campo de pesquisa que o estudo da globalização e dos seus efeitos abre à geografia.166 Inforgeo 16/17 Nas áreas mais próximas da economia e no tratamento das questões relacionadas com o desenvolvimento. que as suas implicações na esfera cultural. (1973). Des Romans-Géographes. Desde logo. «Local music policies within a global . publicações científicas. M. interferem no seu desempenho económico e no modelo de desenvolvimento prosseguido. faz também todo o sentido que se mantenha e aprofunde esse recente enfoque cultural. in Finisterra – Revista Portuguesa de Geografia. porque as actividades da fileira da cultura se assumem cada vez mais como um sector promissor das economias urbanas.). O aprofundamento do referido enfoque cultural explica-se ainda depois porquanto. 11. Hindu Places of Pilgrimage in India. no plano identitário – na identidade dos indivíduos. Paris. BROWN. na identidade dos grupos humanos.

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