Ética e valores morais na formação de profissionais da educação

Felipe Bragagnolo, Graduando de Licenciatura Plena em Filosofia (BIC-UCS)
Orientador Dr. Evaldo Antonio Kuiava, UCS
“A educação, portanto, é o maior e o mais árduo
problema que pode ser proposto aos homens”
(Kant, 2002, AK446).
A ética e os valores morais estão ligados diretamente a uma cultura,
independentes de como sejam seus costumes ou tradições, a ética começa a existir a
partir de um pilar central, o ser humano e suas relações entre o meio em que vive. Para
avançarmos na busca de esclarecimentos sobre o tema aqui sugerido, a ética e valores
morais na formação de profissionais da educação, teríamos que iniciar analisando o
período em que vivemos dentro da história de nossa cidade, quais são suas
características, quais foram os rompimentos com as estruturas passadas e o que tem
influenciado a formação humana de nossa sociedade.
Sendo o objetivo desta pesquisa, identificar como a ética está sendo trabalhada
nos cursos de formação de professores, que metodologias são utilizadas pelos docentes
ao abordar este conteúdo em suas disciplinas e apresentar um diagnóstico do estado
atual da questão no que se concerne na prática pedagógica quando o tema é reflexão e
formação ética e de valores morais no processo de ensino aprendizagem, não
exemplificaremos tais dados históricos e culturais. Mas reforçamos que seriam de
grande auxílio e nos dariam mais subsídios para concluirmos com clareza e
profundidade o que verdadeiramente nos faz sermos o que somos em nosso contexto.
Compreender por completo esta sociedade é quase impossível, na maioria das
vezes, é um desafio tentar entender o modo de raciocínio do qual se utiliza para
planejar, criar ou progredir. Tamanha dificuldade esta, que pode ser comparada há um
problema de caráter natural e existencial, que talvez, poderá ser solucionado por um
físico quântico. Recordamos aqui a frase do ilustre Albert Einstein que diz: “Os

respondidos pelos alunos concluintes dos cursos de licenciatura da UCS. somos diferentes? Somos vistos como uma sociedade de massificação. terrenos sólidos ou fadados ao fracasso? Sair do comodismo. que quase todos praticamos ou vivenciamos em nossa vida. faz parte da cultura existente. até onde esta idéia é verdade em nossas vidas. auxiliando-nos a compreender de forma coerente as respostas encontradas em nossos questionários. que instiga os sentidos humanos.problemas que existem no mundo não podem ser resolvidos a partir dos modos de raciocínio que deram origem aos mesmos”. Muitas vezes nos colocamos numa posição do ser diferente. necessário para posicionarmos perante tais assuntos. quase iguais. tem características pluralistas. tentaremos encontrar premissas consideradas universais. como perceber o “diferente”? Buscaremos explicar tal fato. Projetamos nossas vidas em que tipo de moldes. É difícil compreender como alguma determinada premissa pode influenciar todo um povo e sua cultura. Sabendo que a sociedade do século XXI. com características. realizaremos uma breve análise contemporânea de nosso cotidiano. descrever sobre tais temas acaba sendo um desafio. opiniões. quais são os terrenos de sua edificação. único. como: A educação ainda consegue estimular o processo de humanização na criatura humana? Como a ética pode vencer a mídia e suas super produções? Como estimular a formação intelectual numa sociedade que tem priorizado os prazeres sexuais e afetivos? Neste momento. Para qualquer escritor torna-se tarefa árdua opinar sobre temas como sociedade. de opiniões. tentando mostrar o que guia a nossa forma de pensar. dando origem a um movimento considerado raro em nossa vida. educação. a visão viciada do universo e suas características. Premissas universais de nossa sociedade. Para o autor. mas que possibilita alcançarmos um patamar crítico reflexivo do mundo. só que. ver e agir neste mundo. o autor. entre outras. visões e pensamentos distintos. tendo por consciência que este. torna-se uma obrigação libertar-se da “doxa” que o envolve. e esta. formas de pensar tão semelhantes. foi criada com sua participação. relativistas e capitalistas. do obvio e comum é a nossa meta neste momento! . na busca de respostas que parecem inatingíveis. moral e ética. mas muitas vezes assim o fizemos.

pois estamos tão inseridos nesta forma de ver o mundo que tudo isso se tornou “normal” aos nossos “olhos”. recordando aqui o auge da Globalização. a tiragem somada dos principais jornais não alcançava 1 milhão de exemplares. que foi criada em meados de 70 e 80. e que se desenvolveu a partir da Revolução Industrial (séc. capitalista. calculava-se que havia um televisor para cada 5. que ao fim dará origem a resposta que buscamos. nem percebemos tal fato. inicia o processo de desenvolvimento do meio de comunicação chamado televisão. agir. A liberdade de ir e vir nos foi roupada. viver. ocasionando maior integração econômica. desejar. junto com a internet. . 247). isto é. entretendo a sociedade brasileira com atrações diversas. divulgando notícias diariamente. Hebert Eugene Ives. influenciando diretamente nossas vidas. cultural. podemos disser que a televisão e a internet.Em 1920. consumista. a televisão já atingia potencialmente 94% da população do país (Rubim 1989). são totalmente influenciados por este meio de comunicação. índice comparável ao alguns países da Europa Ocidental. nossas vidas nunca mais seriam as mesmas. XVIII). Não conseguimos mais viver sem se relacionar com a mídia. um dos maiores meio de comunicação de nossa sociedade. social. No ano de 1929. a partir deste momento. onde foi recebida com aprovação. equivalia a menos de 1% da população (Conti 1999. Observamos um grande avanço nas redes de comunicação e tecnológicas. chegando à população em geral em 1990. através do sistema mecânico baseado no invento de Nipkow. Já em 1926. A televisão acabou substituindo a maioria dos jornais. nossa forma de pensar. um sistema político corrupto. política entre os países. uma sociedade “sem” valores morais. e acabamos por dizer que liberdade é estar condicionado.8 habitantes. No final dos anos 80. XV até o XVII). começa a apresentar as primeiras imagens coloridas. acelerado na época dos Descobrimentos (séc. tornando-se nesta década. Este grande invento teve origem graças ao inglês John Logie Baird. Portanto. revistas e o próprio rádio. são a dupla “explosiva” de nossa sociedade. Por outro lado. Baird fez a primeira demonstração no Royal Institution em Londres para a comunidade científica. impulsionado pelo barateamento dos meios de transportes e comunicações dos países do mundo no final do século XX e início do XXI. em meados da década seguinte. e vivendo conforme o monstro mídia nos manda! Aqui reconhecemos mais uma premissa universal. que não luta pela população. O século XX foi marcado por diversos acontecimentos como já citados anteriormente. sendo conseqüências deste suposto “avanço”.

e continuar desejando um povo verdadeiramente autônomo. como muitos de nossas espécies o fazem. ao mesmo tempo na característica fundamental da ação humana de poder sempre iniciar por si mesma um novo estado. precisando ser educada para os valores morais e para as virtudes de sua sociedade” (CHAUÌ. 2005. controladora de impulsos meramente animalescos. A481). justificando sua origem na capacidade e. Permanecemos na animalidade originada pelos nossos instintos. perder nossas esperanças. Estamos vivendo num tempo que . 310). não questionamos ou interrogamos as nossas formas de vida. a fuga das vias fáceis. premissas reais. verdadeiras e perturbadoras. 2002). composição Meriti e Eri do Cais. apenas “deixo a vida me levar” (música interpretada pelo cantor Zeca Pagodinho. falta de uma identidade cultural. pessoas que almejam objetivos nobres como a ética e moral. podemos alimentar nossos sonhos. a educação é um “ideal muito nobre e não faz mal que não possamos realizá-lo” (KANT. A “arma” para lutar contra tamanha “gangue” que se formou em nosso meio é a educação. estaremos nos rendendo ao “crime organizado”. ou. p. 8). cobiçando a evolução humana. sendo a alegria de suas vidas. p. chamadas de guardiãs da educação integral do ser humano. o livre arbítrio. dando-lhes o que temos de mais precioso em nosso ser. AK444. pois continua sendo uma prática de louvor. 2008. cômodas e tranqüilas oferecidas pela mídia. permitindo-lhe ir além do mecanismo casual” (DALBOSCO. A vida clama por homens e mulheres dispostos a lutar para vencer “a preguiça e a covardia” (AUFKLÄRUNG. ocasionada pela falta de leituras que ajudem na formação de uma humanidade autônoma. Podíamos aqui. pois “a pessoa moral não existe como um fato dado. o mais próximo da liberdade. Será que podemos sonhar com um sistema de educação formal que sobreviva e realize sua função neste meio em que vivemos? Quais são os objetivos destas premissas? Buscamos concluir em nosso argumento lógico. mas é criada pela vida intersubjetiva e social. gratificante exercício a ser realizado neste período histórico. mesmo parecendo uma ideologia inatingível.famílias desestruturadas por não saberem lidar com as transições ocorridas. Se não lutarmos por uma formação digna em nossas academias. a seguinte frase de Emmanuel Kant. que tenha “coragem de pensar por conta própria. 2002). sem medo da coação externa. devemos perseverar neste propósito.

11% de Artes Plásticas. e quão exaustivo é atingir a meta mínima de dados coletados para concluir algo condizente. 11% de História. Chamamos a atenção para o curso . que foram abordados nesta pesquisa. Licenciatura: que profissionais estão se formando? Quando conversamos entre os pesquisadores universitários. nem restringe ou amedronta os jovens. Totalizando dezoito questionários respondidos. AK448). mostrando que o dito merece ser vivido. Cada resposta que nos chegava era uma comemoração. 2002. Apresentaremos aqui o que prevaleceu e se repediu com maior freqüência nas respostas obtidas. 11% de Biologia. tentando chegar ao maior número de alunos(as) possíveis que estavam concluindo seus cursos de licenciaturas. e percebemos que normalmente este tema é abordado em disciplinas que possuem em sua ementa tal assunto. O tópico da ética acabava sendo levado a sala de aula de uma forma mais geral. pode se colocar a caminho da estrada chamada docência. mas evidenciam as capacidades de superação que possuem por serem racionais. mas o resultado encontrado não foi o esperado. Encaminhamos via e-mail. 17% de Química e 28% de Educação Física. 11% de Letras. são convidados a se inserirem neste mundo e tornarem-se precursores de um novo método de ensino. sendo as posturas dos professores os grandes exemplos a serem seguidos. Os futuros professores de Caxias do Sul e região. Quem estiver preparado para enfrentar firmemente o seu homem primitivo. pois “uma boa educação é justamente a fonte de todo bem neste mundo” (KANT. encará-lo de frente. o método que não oprime. na maioria das situações os professores focavam-se no conteúdo pertinente a matéria. foram enviados duzentos e cinqüenta e nove formulários e dezoito respondidos (7%). quem sabe amanhã poderia vir mais uma. escutamos o quanto é sofrido depender da colaboração dos acadêmicos. na maioria das vezes. e já alimentava a esperança de que. assim ficaram divididas as respostas por cursos: 6% alunos de Pedagogia. vencê-lo e superá-lo. 6% de Matemática. um questionário com cinco perguntas descritivas. e nesta pesquisa assim o foi. Na primeira pergunta tentamos descobrir como estava sendo o ensino da ética nas diversas disciplinas dos cursos. num total de 100%.somos desafiados a colocar nossos pensamentos em prática.

estes são os motores que fazem a engrenagem movimentar. sendo “contrários a educação que se restringe ao treinamento. sendo exposto num salão de artes modernas. analisar. com sua colaboração e permissão. ninguém? Precisamos de professores que tenham consciência de suas importâncias. não nos proporcionar tal emancipação. 11). Todos que estão envolvidos de alguma forma nesta obra de arte. que “grande segredo da perfeição humana se esconde no próprio problema da educação” (KANT. um quadro magnífico em meio a corrupção. momentos problemáticos ocorridos nas disciplinas de estágios. aonde os alunos relataram que não existe nenhuma abordagem direta sobre este assunto. encontradas em nossas regiões do Brasil. assim também nós acadêmicos devemos nos posicionar. que saibam primeiramente se valorizar. se a guardiã do conhecimento. Na segunda pergunta foi solicitado para os alunos descreverem situações de aula em que foram provocados/convidados a estudar. como Paulo Freire e Emmanuel Kant o fizeram. a posição e comportamentos dos . 35). de 2005. afinal de contas.de Licenciatura em Química. que diz: “Ser um profissional da educação significa participar da emancipação das pessoas” (p. quem o fará? As emissoras de tevê. 2005. debater. que nos capacite a enfrentar os obstáculos a nós apresentados de forma ética e moral. mas. que cuidadosamente irá ser pintada por seus mestres. AK446). eles entendem educação como processo de formação da totalidade humana” (HERMAN. sermos encharcados com a tinta do conhecimento e finalizando como o quadro. 2002. Temos que exigir de nossas instituições mais do que uma formação para o mercado de trabalho. que é a nossa vida. devem ter claro em suas mentes. Neste período em que vivemos. AK444). os governos. mesmo que. a maioria recordou as vivências diárias. precisamos ter uma postura crítica perante a forma de educação que nos é dada e oferecida. Por isso se queremos mergulhar na perfeição humana. formada pelo seu corpo docente. de sermos seres humanos e não animais. discutir fatos da realidade relacionados à ética. 2002. pois “a educação é uma arte” (KANT. e precisa ser conduzida como uma bela obra. fazendo valer nossa potencialidade de pensar. violência. nossas universidades. É bom recordarmos um grifo dos autores do livro Docência: uma construção ética-profissional. temos que nos deixar pintar. p. pornografia. a política não o faça. pelo pincel do professor. Cada aluno deve ter consciência que está introduzido numa “tela”. nossos familiares. a vocação de lecionar foi dada aos artistas. que é o mínimo. ou no fim das contas.

Sei o que é ético. podemos pensar que. sou um cidadão moral. 2002.educadores perante seus alunos. para que então optarei pela ética? Um grande equívoco acontece aqui. vale à pena. é pensar se hoje podemos roubar e amanha matar. é pensar que ser corrupto. a ética não é uma sugestão ou um modelo de vida. As discussões aconteciam de forma espontânea. a ética não é a conclusão de um argumento. pois “uma idéia não é outra coisa senão o conceito de uma perfeição que ainda não se encontra na experiência” (KANT. Pensar que podemos escolher entre ser éticos ou não. então. com isso temos que buscar sempre reavaliar a nossa didática. se for para um futuro melhor. se eu decidir ser ético. mesmo que mínima. temos que fazer de nossa sala de aula um local de despertar a fome pelo conhecimento. que colocam a ética como uma opção de vida. e que muitas vezes o exemplo da família é decisivo por optar pela escolha a ser seguida. se minha família tem uma postura ética. sendo quase uma característica inata de seu ser. ver quais são os resultados que temos obtidos e se estes são satisfatórios. tem que haver uma decisão do acadêmico por colocá-la em prática. a formação recebida foi satisfatória. Seguindo esta mesma linha de pensamento. enquanto que a educação deve seguir uma idéia. Muitas vezes as maneiras que utilizamos para apresentar e debater alguns assuntos não são as mais eficazes. Nós somos frutos destes pensamentos falaciosos. o que estamos apresentando aos nossos alunos? O que temos ensinado? . isso definitivamente não é correto. Se a universidade me apresentou o básico. a instituição forneceu uma base. AK444). mas não capacitou o aluno a se decidir por uma postura ética. pois 39% consideram que sim. mas está intrinsecamente ligada ao ser e a sua existência. normalmente não eram baseadas em textos ou artigos. Caso não objetivarmos as metas que desejamos encontrar com o método didático que utilizamos ao lecionar. um objetivo a ser encontrado. mas ela é a essência de toda e qualquer premissa em nossas vidas. estaremos simplesmente cumprindo normas. mas se não estiver estimulado e se minha família não for exemplar. e esta perfeição deve ser cobiçada constantemente pelo professor. Nestas perguntas encontramos respostas preocupantes. A terceira questão solicitava a realização de uma avaliação se a formação ética recebida nos cursos de licenciaturas foram adequadas/suficientes para uma prática profissional ética. mas que somente ela não basta. Não temos que somente seguir padrões ou obrigações.

Duas respostas nos chamaram a atenção. AK492). justamente por não terem sido apresentados ou orientados em aulas para este tipo de leitura. eram alunos do curso de Química. justificando sua origem na capacidade e. foi inexistente”. 2002. na característica fundamental da ação humana de poder sempre iniciar por si mesma um novo estado. pois se destacaram das outras. de Alyson Noëli. seriam: A Cabana. 310). Para Sempre – Os Imortais. os demais. muito básica. permitindo-lhe ir além do mecanismo casual” (DALBOSCO. não nos assustamos com tais dados. relataram que a formação ética recebida foi insuficiente.O homem “não é bom nem mau por natureza. “A pessoa moral não existe como um fato dado. sendo esta a “coragem de pensar por conta própria. algumas disciplinas abordavam outras não. Esta se destinava a interrogar quais textos e autores foram lidos ou estudados na esfera da ética pelos formandos. foi menos que insatisfatória. Não esquecendo os outros 61% de resposta da mesma questão. precária. mais um rascunho de uma sociedade injusta e quase sem valores humanos. p. estaremos fazendo da obra de arte que é a educação. que relatavam não poderem citar nomes de autores. através das respostas à pergunta número quatro alguns fatores que tem ocasionado opiniões destes níveis. três alunos se recordaram de nomes de autores. O que encontramos não nos surpreendeu. mas é criada pela vida intersubjetiva e social. Num esquema social que não incentiva a raça humana a buscar sua maioridade. p. Respostas assim. ao mesmo tempo. 8). Torna-se moral apenas quando eleva a sua razão até os conceitos do dever e da lei” (KANT. da Stephenie Meyer. no dia 3 de março de 2010. Estas obras possuem características de . 2008. Lua Nova. se não realizarmos nossa parte neste processo. Os livros mais vendidos. inadequada. 2005. nos remetem novamente ao questionamento anteriormente dito: o que temos ensinado? Podemos diagnosticar de forma plausível. pois não manteve um ensino continuado. Eclipse e Amanhecer). responderam que eram levados textos pelos professores para discutirem em sala de aula. precisando ser educada para os valores morais e para as virtudes de sua sociedade” (CHAUÍ. Uma acadêmica do curso de matemática chegou a dizer da seguinte forma: “Eu diria que a formação ética recebida durante o curso. segundo a relação divulgada na revista Veja. a série Twilight (Crepúsculo. de William P. Young.

2006. Tendo conhecimento deste fenômeno. 264). pela defesa da indiferença tem pouco ou nenhum compromisso com a reflexão” (BOMBASSARO. levando em consideração o nível de instrução e educação que possuem? . ações e atitudes adequadas. vivendo num estado de indiferença. inviabilizando uma sociedade moralmente correta e virtuosa. excluir alunos. citar exemplos de alunos considerados “melhores”. Na última pergunta foi pedido para listarem condutas consideradas éticas e antiéticas no exercício da docência. se interessando por assuntos que não confrontam as suas vidas e seu modo de pensar. p. encontramos respostas que vão ao encontro da realidade deles. Ambos são discursos fechados sobre si mesmo e carecem de provas racionais capazes de mostrar a validade das proposições que apresentam e defendem. são expressões que designam. respectivamente assim pontuadas: • Ser um bom profissional. ser preconceituoso. um pensamento muito egoísta. apreciar um relacionamento ético entre aluno/professor/direção/família e zelar pela verdade do conhecimento e das relações humanas. respectivamente. achar que é detentor do conhecimento. expô-los a situações constrangedoras. sempre atualizado. podemos concluir que nossa espécie caminha numa estrada muito problemática. porque combinam com posições dogmáticas e autoritárias ou porque. tomar posição política. respeitar e tratar com igualdade os alunos. saber valorizar. Poderíamos arriscar a dizer que ambos são potencialmente perigosos. desconhecer a realidade do aluno. ter um comportamento reto.“cientificismo e beletrismo. influenciar os acadêmicos em escolhas pessoais. um discurso dogmático e vazio que não trazem nenhuma contribuição para o campo da educação. oferecendo o melhor para seus alunos. ser prepotente. Pela pesquisa ter sido feita junto aos acadêmicos que estavam concluindo a licenciatura. se omitir perante um comportamento/atitude considerada errada. Mas será que estas respostas são convincentes? Será que realmente são colocadas em prática? Este tipo de resposta não é muito “vaga”. maltratar qualquer ser vivo ou a natureza. aceitar suborno dos pais/alunos ou direção. • Falar mal dos colegas ou alunos. propiciar oportunidades de crescimento humano. saber respeitar as diferenças de credo e culturas.

poderá se tornar moralmente bom apenas graças à virtude. é preciso que desejemos crescer. ou seja. a alteridade. Kant buscou o seu esclarecimento. Nada do que ensinamos tem valor nem sentido se não nos levar ao encontro do outro. sempre como um fim e nunca como um meio. AK492). Age como se a máxima de tua ação devesse servir de lei universal para todos os seres racionais. sem estar alicerçada na ética. O Imperativo nada mais é do que ações máximas. que podem e devem ser aplicadas por qualquer ser humano. sem dúvidas. Os estudantes não permanecem em média 5 anos em um curso de licenciatura ou graduação para sair como entraram. A força aqui descrita. A ética como papel de fundo da educação. da animalidade e heteronomia. por isso criou o Imperativo Categórico. que elevem a razão do homem. graças a uma força exercida sobre si mesmo. A educação não pode ser pensada ou planejada sem este papel de fundo. o outro faz parte de mim. portanto. Quanto mais nos fechamos em nossa redoma. mais nos tornamos presos a conceitos. Pelo homem trazer dentro de si tendências “originárias para todos os vícios. Não devemos medir esforços para que de fato este fenômeno aconteça. pois tem inclinações e instintos que o impulsionam para um lado. buscamos posicionamentos convincentes e embasados em teorias. ela fará com que as diversas capacidades que estão no mais profundo do espírito humano seja revelada e colocada em prática. teorias e fantasias que morem nelas mesmas. pois nada somos sem o outro. 2002. ainda que possa ser inocente na ausência dos estímulos” (KANT. Aqui temos alguns exemplos de respostas claras e objetivas quando tratamos do tema ética e moral que ultrapassam o senso comum. ambicionar o esclarecimento da mente e de tudo o que a envolve. saindo do pensamento comum.Esperamos dos acadêmicos mais do que “achismos” ou “opiniões”. partiu para um pensamento autônomo e humano. Ele. tanto na tua pessoa como na pessoa de outrem. a sua “evolução”. estas são: Age como se a máxima de tua ação devesse ser erigida por tua vontade em lei universal da natureza. enquanto sua razão o impulsiona para o contrário. pode e deve ser estimulada pela educação. tentando ir ao encontro da consciência axiológica e transcendental. pois “o homem é tão sujeito ao relaxamento e mesmo a mudança que lhe são necessárias regras . o outro é parte criadora do eu. Age de ta maneira que trates a humanidade.

Elisete M. 1993. Hans-Georg Flickinger. Convite à Filosofia. Sobre a pedagogia. colocar em prática e progredir na meta de chegarmos a nossa destinação. Educação e maioridade: dimensões da racionalidade pedagógica. da Universidade de Passo Fundo. Claudio Almir Dalbosco. Valdemir. GUZZO. DALBOSCO. a perfeição da espécie humana. 2005. 2004. temos que saber valorizar o que já nos foi ensinado. p. 3ª ed. . 2008. Claudio Almir. Ilma Passos Alencastro. BOMBASSARO. 13ª Ed.por escrito para mantê-lo em seu dever. 2007. RJ: Vozez. 2002. Marilena. Bernd. 597). Docência: Uma construção ético-profissional / Ilma Passos Alencastro Veiga. Immanuel. Desejamos aflorar todo o potencial que temos. Tradução de Francisco Cock Fontanella. Luiz Carlos. 2006. Tomazetti. Campinas: Papirus. 2005. Caxias do Sul. PINHEIRO. RS Educs. Passo Fundo: Ed. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS CHAUÍ. e para impedi-lo de introduzir alguma coisa de novo e de destruir o que foi sabiamente estabelecido” (LA SALLE. José Carlos Souza Araújo e Célia Kapuziniak. São Paulo: Cortez. Unijuí. 2008. Tradução de Edgar Orth – Petrópolis. A formação do sujeito autônomo: uma resposta da Escola Cidadã. NIQUET. -444 p. Kant: a força do pensamento autônomo. RS: Educs. Cultura e alteridade: confluências / Org. VEIGA. – Ijuí : Ed. Amarildo Luiz Trevisan. e para que de fato isto aconteça. Ática. Kant e a Educação: reflexões filosóficas – Caxias do Sul. Piracicaba: Editora UNIMEP. São Paulo: Freguesia do Ó: Ed. Celso de Moraes. KANT.