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O Discurso do Método de René Descartes, publicado em 1637, é fundamental para a filosofia moderna, propondo um método baseado na razão e na dúvida metódica para alcançar verdades claras e distintas. A obra estabelece a distinção entre corpo e alma, fundamenta a existência de Deus e valoriza a ciência como meio de investigação racional. Descartes introduz um novo paradigma epistemológico que influencia o pensamento científico e filosófico subsequente.
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O Discurso do Método de René Descartes, publicado em 1637, é fundamental para a filosofia moderna, propondo um método baseado na razão e na dúvida metódica para alcançar verdades claras e distintas. A obra estabelece a distinção entre corpo e alma, fundamenta a existência de Deus e valoriza a ciência como meio de investigação racional. Descartes introduz um novo paradigma epistemológico que influencia o pensamento científico e filosófico subsequente.
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Introdução - Discurso do Método de René Descartes

O Discurso do Método, escrito por René Descartes em 1637, é uma das obras mais influentes da

filosofia moderna. Nela, o autor propõe um novo caminho para o conhecimento baseado na razão,

na dúvida metódica e na busca por verdades claras e distintas. A obra inaugura o racionalismo

moderno e estabelece os princípios fundamentais que orientaram o pensamento científico nos

séculos seguintes. Este trabalho tem como objetivo apresentar os principais conceitos da filosofia

cartesiana, como o dualismo entre corpo e alma, a relação entre razão e conhecimento, e a

valorização da ciência como meio de investigação racional da realidade.

Página 1
1
DISCURSO DO MÉTODO EM RENÉ DESCARTES

O Discurso do Método é uma das obras mais importantes de René Descartes, publicada em 1637.

É considerada um marco do pensamento moderno e da filosofia racionalista. A obra tem como

objetivo apresentar um método para orientar corretamente o uso da razão e buscar a verdade nas

ciências.

A dúvida metódica

A dúvida metódica é uma ferramenta criada por Descartes para alcançar um conhecimento

absolutamente seguro. Ele propõe a dúvida sobre tudo aquilo que possa ser questionado, mesmo

que pareça certo, para descobrir uma verdade firme e indubitável que sirva de base para todo o

conhecimento.

"Penso, logo existo" (Cogito, ergo sum): a primeira verdade indubitável.

Objetivo da dúvida:

Não é duvidar por duvidar (como um cético), mas usar a dúvida como método para encontrar a

certeza.

- Eliminar todos os conhecimentos que não são absolutamente seguros.

- Fundar a filosofia (e as ciências) em bases sólidas.

Características da Dúvida Metódica

Metódica

2
Não é uma dúvida por hábito ou desespero, mas sim um método para alcançar a certeza.

Provisória

É temporária: serve apenas até encontrar uma verdade indubitável (o cogito).

Universal

Aplica-se a todos os conhecimentos, inclusive aos sentidos, à experiência e à razão.

Radical

É profunda e extrema: duvida até mesmo das verdades matemáticas e da existência do mundo

externo.

Fundacional

Visa estabelecer uma base sólida e segura para todo conhecimento.

Individual

Parte do sujeito pensante: o ponto de partida é o eu que pensa e duvida.

Racional

A dúvida é guiada pela razão, e não por sentimentos, crenças ou tradições.

O Método Cartesiano

O método proposto por Descartes é composto por quatro regras:

1. Evidência: aceitar apenas o que for claro e distinto.

2. Análise: dividir os problemas em partes menores.

3
3. Síntese: organizar os pensamentos do mais simples ao mais complexo.

4. Enumeração: revisar cuidadosamente tudo, para assegurar que nada foi deixado de lado.

Objetivo:

Encontrar verdades sólidas e seguras, evitando erros e enganos, por meio de um uso disciplinado

da razão.

As quatro regras do método cartesiano

Regra da Evidência:

"Não aceitar nada como verdadeiro se não for claro e distinto."

Só se deve aceitar como verdadeiro aquilo que é evidente para a razão.

Regra da Análise:

"Dividir cada problema em tantas partes quanto possível."

Separar o problema em partes menores para entendê-lo melhor.

Regra da Síntese:

"Conduzir os pensamentos do mais simples ao mais complexo."

Organizar o raciocínio de forma lógica e progressiva.

Regra da Enumeração (ou verificação):

"Fazer revisões completas para ter certeza de que nada foi omitido."

Verificar cuidadosamente todos os passos para evitar erros.

Características do Método Cartesiano:

4
- Racionalista: fundamentado na razão como fonte de conhecimento.

- Dedutivo: parte de princípios certos para chegar a conclusões seguras.

- Universal: aplicável a todas as áreas do conhecimento.

- Matemático: inspirado na clareza e exatidão da matemática.

Importância:

O método cartesiano marca o início da filosofia moderna, por sua proposta racional e sistemática de

alcançar o conhecimento seguro.

A Moral Provisória

Enquanto reformulava seu pensamento, Descartes adotou uma "moral provisória" baseada em:

- Obedecer às leis e costumes do país em que se vive.

- Manter firmeza e decisão nas ações.

- Mudar a si mesmo antes de tentar mudar o mundo.

- Dedicar-se à razão como caminho para a verdade.

Deus e a Alma

Descartes defende a existência de Deus e a imortalidade da alma como verdades que a razão pode

alcançar.

Ele argumenta que a ideia de um ser perfeito não pode vir de um ser imperfeito como o homem,

portanto, deve ter sido colocada em nós por um ser realmente perfeito: Deus.

Deus em Descartes

5
Prova da existência de Deus

Depois de aplicar a dúvida metódica e concluir que a única certeza é o "penso, logo existo",

Descartes busca algo ainda mais firme: Deus.

Ele propõe duas provas principais da existência de Deus:

1. Ideia inata de perfeição:

A ideia de um ser perfeito não pode ter sido criada por um ser imperfeito como o homem. Logo,

essa ideia só pode ter vindo de um ser realmente perfeito: Deus.

Deus como causa de si mesmo

Se somos imperfeitos, de onde provém a ideia de um ser perfeito?

Como seres imperfeitos, não podemos gerar sozinhos a ideia de perfeição; ela só pode ter sido

implantada em nós por um ser absolutamente perfeito: Deus.

Deus como causa de si mesmo:

Deus é um ser que existe por sua própria essência, necessariamente.

A ideia de um ser cuja essência é existir prova a existência desse ser.

Características de Deus em Descartes:

- Perfeito, infinito e eterno.

- Criador do mundo e das leis da natureza.

- Garantia da verdade: sendo perfeito, Deus não é enganador.

- Portanto, tudo que é claro e distinto (evidente) é verdadeiro graças a Deus.

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A Alma em Descartes - dualismo cartesiano

Descartes divide o ser humano em duas substâncias:

1. Res cogitans (coisa pensante - a alma)

É a essência do ser humano; pensar, duvidar, querer, imaginar e sentir são funções da alma.

2. Res extensa (coisa extensa - o corpo)

É o corpo físico, mensurável e estudável pela ciência.

A alma é imortal: não depende do corpo para existir.

7
Como é uma substância pensante, imaterial, ela pode continuar existindo mesmo sem o corpo.
Relação entre Deus, alma e conhecimento
Deus garante a verdade do conhecimento racional.
A alma é o que pensa e raciocina; é por meio dela que acessamos o conhecimento.
A razão, identificada com a alma, é capaz de alcançar verdades, pois foi criada por um Deus
perfeito.

A valorização da ciência
O Discurso do Método acompanha três ensaios científicos escritos por Descartes (sobre óptica,
meteorologia e geometria), mostrando a aplicação de seu método à ciência e a importância da
razão na investigação do mundo natural.

8
CONCLUSÃO

O Discurso do Método, de René Descartes, representa um dos pilares da filosofia moderna, ao

estabelecer a razão como fundamento último do conhecimento. Através da formulação da dúvida

metódica, Descartes promove uma ruptura com o saber baseado na autoridade e na tradição,

propondo uma investigação filosófica assentada em princípios claros, distintos e indubitáveis. Seu

método racional, composto por regras sistemáticas, oferece não apenas um critério para o

conhecimento verdadeiro, mas também inaugura uma nova epistemologia, marcada pela

centralidade do sujeito e da autonomia do pensamento.

A distinção entre res cogitans e res extensa, bem como a fundamentação racional da existência de

Deus e da alma, consolidam uma metafísica que articula ontologia, teologia e epistemologia. Dessa

forma, a obra cartesiana não apenas reconfigura o horizonte filosófico de seu tempo, mas

permanece como referência essencial para a compreensão das transformações que definem a

modernidade no pensamento ocidental. Como afirma o próprio Descartes: "Penso, logo existo"

(Cogito, ergo sum), expressão que sintetiza a virada subjetiva e racional que alicerça toda a filosofia

moderna.

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