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O COGITO CARTESIANO

O COGITO CARTESIANO

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Retirado de: Apostila Eureka: Filosofia, Geografia e História. SEED-PR: Curitiba, [2008]. pp. 13-4.
Retirado de: Apostila Eureka: Filosofia, Geografia e História. SEED-PR: Curitiba, [2008]. pp. 13-4.

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Published by: kid_ota1218 on Feb 16, 2011
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O Cogito Cartesiano

Retirado de: Apostila Eureka: Filosofia, Geografia e História. SEED-PR: Curitiba, [2008]. pp. 13-4. Descartes e seu tempo O racionalismo no século XVII inaugura uma oposição ao ceticismo, atribuindo a razão humana a capacidade exclusiva de entender e estabelecer a verdade, em oposição ao empirismo, considerando a razão como independente da experiência sensível, pois a razão é a priori, imutável e igual a todos os homens, sendo a única autoridade no domínio do conhecimento. Entender, portanto, o pensamento de Descartes é entender o sentido da modernidade, que ele bem caracteriza e da qual somos herdeiros. A idéia de modernidade esta associada estreitamente com a ruptura com a tradição, ao novo, à oposição a autoridade da fé pela razão humana e a valorização do individuo, livre e autônomo em oposição as instituições. Outros chegam a considerar o pensamento de Descartes como a "reforma da filosofia". O sujeito pensante entra em cena, a autoridade da obra impondo-se não mais pela escola a que pertence ou pela tradição a que se filia, mas pelo testemunho do seu autor. Descartes no discurso do método diz; "terei a satisfação de mostrar nesse discurso os caminhos que segui, e de apresentar a minha vida como em um quadro." Descartes nasceu na França em 1596, de família pertencente a nobreza. Aos 8 anos órfão de mãe é enviado ao colégio Real de La Fleche, colégio jesuíta em Paris, onde se revela aluno brilhante. Após sair do colégio freqüentou a sociedade da época e viajou a diversos países da Europa. Finalmente em 1619 Descartes tem a revelação que narra no Discurso, descobrindo assim sua vocação filosófica e científica. Para evitar problemas com a inquisição, vai para a Holanda em 1629. A partir de 1637, retoma seus estudos de filosofia. Escreve muitos livros e inúmeras cartas. São famosas as cartas filosóficas a princesa Elisabeth da Alemanha e a rainha Cristina da Suécia. Sua fama fez com que a rainha Cristina da Suécia o convidasse para a corte de Estocolmo,onde após alguns meses veio falecer de pneumonia em 1650. O Cogito cartesiano ou "Penso logo existo" "Penso logo existo" é umas das mais celebres expressões filosóficas. Mas qual o seu significado? Trata-se da conclusão do "argumento do cogito" (do latim cogito, "penso"), por meio do qual Descartes pretende encontrar o fundamento seguro para a construção do conhecimento. Descartes afirma que devemos rejeitar tudo aquilo no qual não podemos duvidar. Só devemos aceitar as co isas indubitáveis, mas não devemos usar a dúvida pela dúvida como queriam os céticos. O objetivo cartesiano é encontrar uma primeira verdade impondo-se como incontestável certeza. Trata-se de uma dúvida provisória, metódica, voluntária, organizada e sistematizada. Não atingiremos a verdade se antes não pusermos todas as coisas em dúvida. São falsas todas as coisas das quais não podemos duvidar, por isso Descartes rejeita todos os dados dos sentidos, pois eles nos enganam, regeita também os dados da razão, pois nos induzem ao erro. E após duvidar de tudo, descobre a primeira certeza; o pensamento, o qual a existência não pode ser negada, daí a famosa frase de Descartes; "cogito ergo sum" - "penso logo existo". "E, notando que essa verdade, eu penso, logo existo, era tão firme e tão certa que todas as demais extravagantes suposições dos céticos não seriam capazes de abalá-la, julguei que podia aceitá-la, sem escrúpulo, como o primeiro princípio da filosofia que procurava." (Discurso do Método, IV parte) O argumento do cogito o coloca diante do solipsismo, um idealismo radical que significa o isolamento da consciência (interioridade) em relação ao mundo exterior, eis o sentido do solipsismo cartesiano, o isolamento do eu, em relação a tudo mais: ao mundo exterior e ao próprio corpo, que também é um elemento externo. O solipsismo é resultado da evidência do cogito, uma certeza tão forte que exige critérios tais que não são aplicados a mais nada. O projeto cartesiano: O discurso do método Descartes critica tudo aquilo que aprendeu na escola. Por que não repousa em princípios sólidos. Pelo contrário limitava-se a conhecimentos aparentes, não fornecendo nem uma certeza, o conhecimento deve se fundar na busca de princípios seguros. Podemos considerar o projeto
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filosófico de Descartes como uma defesa do novo modelo de ciência inaugurado por Copérnico, Kepler e Galileu contra a concepção escolástica. Segundo Descartes na primeira parte do Discurso do método, não existe nada mais bem distribuído que o bom senso. "O bom senso é o que existe de bem mais distribuído no mundo. Por que cada um se julga tão bem-dotado dele que mesmo aqueles que são mais difíceis de se contentar com qualquer outra coisa não costumam desejar possuí-lo mais do que já tem. E não é verossímil que todos se enganem a esse respeito. Pelo contrário, isso testemunha que o poder de bem julgar e de distinguir o verdadeiro do falso, que é propriamente o que denomina bom senso ou razão, é naturalmente igual em todos os homens e que por isso a diversidade de nossas opiniões não provem de fato de uns serem mais racionais que os outros, mas somente do fato de conduzirmos nossos pensamentos por vias diversas e de não considerarmos as mesmas coisas." (Discurso do Método, I parte) Entretanto, o uso do bom senso é o principal motivo do erro, engano e da falsidade. O erro resulta no mau uso da razão, de sua aplicação incorreta em nosso conhecimento do mundo. O objetivo e a utilidade do método consistem, para o homem em "fazer um bom uso da razão" e em "procurar a verdade na ciência". Se queremos procurar a verdade não podemos andar ao acaso, sem clareza. Devemos seguir o caminho correto, certo, seguro, seguir uma ordem, um método. A finalidade do método é portanto por a razão, no

bom caminho, evitando assim o erro. As regras de Descartes, inspiradas na geometria, são simples, mas devem ser efetivamente postas em prática, seguidas a risca "Assim no lugar do grande número de preceitos de que se compõe a lógica, julguei que me bastariam os quatro a seguir, desde que eu toma-se a firme resolução de jamais deixar de observá-los." Descartes elabora assim quatro regras básicas e fundamentais: 1. regra da evidência: "jamais aceitar uma coisa como verdadeira se eu não a conheço evidentemente como tal". Assim devemos evitar toda precipitação e todos os preceitos. Só é possível aceitar aquilo que não se pode duvidar. 2. regra da análise: "dividir cada uma das dificuldades que eu analisa-se em tantas partes quanto possíveis e quantas necessárias para melhor resolvê-las". 3. regra da síntese: "concluir por ordem dos meus pensamentos, começando pelos objetos mais simples e mais fáceis de serem conhecidos para, aos poucos, como que por degrau» chegar aos mais complexos". 4. regra do desmembramento: "para cada caso fazer enumerações o mais exatas possíveis, a ponto de estar certo de nada ter omitido" (Discurso do método, II Parte).

O método cartesiano. No preceito ou passo 1, as coisas indubitáveis (círculos marcados com i) passam por um "funil", que impede a passagem de coisas que tragam dúvidas (d). No segundo, as coisas são analisadas, ou seja, divididas para melhor compreensão; no terceiro, procede-se a síntese, ou agrupamento em graus de complexidade crescente. No último passo, as conclusões são ordenadas e classificadas.

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