Célestin Freinet - O mestre do trabalho e
do bom senso
O educador francês desenvolveu atividades hoje
comuns, como as aulas-passeio e o jornal de classe, e
criou um projeto de escola popular, moderna e
democrática
Márcio Ferrari (Márcio Ferrari)
Foto: divulgação/Editions du Seuil/Jean Marquis
Muitos dos conceitos e atividades escolares idealizados pelo pedagogo francês Célestin
Freinet (1896-1966) se tornaram tão difundidos que há educadores que os utilizam sem
nunca ter ouvido falar no autor. É o caso das aulas-passeio (ou estudos de campo), dos
cantinhos pedagógicos e da troca de correspondência entre escolas. Não é necessário
conhecer a fundo a obra de Freinet para fazer bom uso desses recursos, mas entender a
teoria que motivou sua criação deverá possibilitar sua aplicação integrada e torná-los
mais férteis.
Freinet se inscreve, historicamente, entre os educadores identificados com a corrente da
Escola Nova, que, nas primeiras décadas do século 20, se insurgiu contra o ensino
tradicionalista, centrado no professor e na cultura enciclopédica, propondo em seu lugar
uma educação ativa em torno do aluno. O pedagogo francês somou ao ideário dos
escolanovistas uma visão marxista e popular tanto da organização da rede de ensino
como do aprendizado em si. "Freinet sempre acreditou que é preciso transformar a
escola por dentro, pois é exatamente ali que se manifestam as contradições sociais", diz
Rosa Maria Whitaker Sampaio, coordenadora do pólo São Paulo da Federação
Internacional dos Movimentos da Escola Moderna (Fimem), que congrega seguidores
de Freinet.
Na teoria do educador francês, o trabalho e a cooperação vêm em primeiro plano, a
ponto de ele defender, em contraste com outros pedagogos, incluindo os da Escola
Nova, que "não é o jogo que é natural da criança, mas sim o trabalho". Seu objetivo
declarado é criar uma "escola do povo".
Biografia
Célestin Freinet nasceu em 1896 em Gars, povoado na região da Provença, sul da
França. Foi pastor de rebanhos antes de começar a cursar o magistério. Lutou na
Primeira Guerra Mundial em 1914, quando os gases tóxicos do campo de batalha
afetaram seus pulmões para o resto da vida. Em 1920, começou a lecionar na aldeia de
Bar-sur-Loup, onde pôs em prática alguns de seus principais experimentos, como a
aula-passeio e o livro da vida. Em 1925, filiou-se ao Partido Comunista Francês. Dois
anos depois, fundou a Cooperativa do Ensino Leigo, para desenvolvimento e
intercâmbio de novos instrumentos pedagógicos. Em 1928, já casado com Élise Freinet
(que se tornaria sua parceira e divulgadora), mudou-se para Saint-Paul de Vence,
iniciando intensa atividade. Cinco anos depois, foi exonerado do cargo de professor. Em
1935, o casal Freinet construiu uma escola própria em Vence. Durante a Segunda
Guerra, o educador foi preso e adoeceu num campo de concentração alemão. Libertado
depois de um ano, aderiu à resistência francesa ao nazismo. Recobrada a paz, Freinet
reorganizou a escola e a cooperativa em Vence. Em 1956, liderou a vitoriosa campanha
25 Alunos por Classe. No ano seguinte, os seguidores de Freinet fundaram a Federação
Internacional dos Movimentos da Escola Moderna (Fimem), que hoje reúne educadores
de cerca de 40 países. Freinet morreu em 1966.
Importância do êxito
Não foi por acaso que Freinet criou uma pedagogia do trabalho. Para ele, a atividade é o
que orienta a prática escolar e o objetivo final da educação é formar cidadãos para o
trabalho livre e criativo, capaz de dominar e transformar o meio e emancipar quem o
exerce. Um dos deveres do professor, segundo Freinet, é criar uma atmosfera laboriosa
na escola, de modo a estimular as crianças a fazer experiências, procurar respostas para
suas necessidades e inquietações, ajudando e sendo ajudadas por seus colegas e
buscando no professor alguém que organize o trabalho.
Outra função primordial do professor, segundo Freinet, é colaborar ao máximo para o
êxito de todos os alunos. Diferentemente da maioria dos pedagogos modernos, o
educador francês não via valor didático no erro. Ele acreditava que o fracasso
desequilibra e desmotiva o aluno, por isso o professor deve ajudá-lo a superar o erro.
"Freinet descobriu que a forma mais profunda de aprendizado é o envolvimento
afetivo", diz Rosa Sampaio.
Coerência num tempo de extremos
Crianças na Paris ocupada, em
1940, lêem instruções sobre o uso
de máscaras de gás: tempo de
perseguições ideológicas.
Foto: HULTON ARCHIVE/
Getty Images
A medida da independência do pensamento de Freinet pode ser deduzida do fato de ele
ter sido perseguido, ao longo da vida, por forças políticas de tendências totalmente
opostas. Embora pacifista, o educador envolveu-se nas duas grandes guerras mundiais
(1914-1918 e 1939-1945). O primeiro conflito ideológico de que participou, no entanto,
se deu na cidade de Saint-Paul de Vence, habitada por uma comunidade conservadora,
que reprovou seus métodos didáticos e conseguiu que fosse exonerado do cargo de
professor, em 1933. Durante a Segunda Guerra Mundial, em 1940, com a França
ocupada pela Alemanha nazista, foi preso como subversivo, tanto por sua filiação ao
Partido Comunista como por suas atividades inovadoras no campo pedagógico. Depois
do fim da guerra, passou a ser chamado freqüentemente a colaborar com políticas
oficiais e foi tachado de pensador burguês pela cúpula do PC, do qual se desligou na
década de 1950. Pessoalmente, Freinet nunca abandonou sua crença no socialismo nem
seus planos de colaborar para a criação de um ensino de caráter popular na França e em
outros países.
Ao lado da pedagogia do trabalho e da pedagogia do êxito, Freinet propôs, finalmente,
uma pedagogia do bom senso, pela qual a aprendizagem resulta de uma relação dialética
entre ação e pensamento, ou teoria e prática. O professor se pauta por uma atitude
orientada tanto pela psicologia quanto pela pedagogia – assim, o histórico pessoal do
aluno interage com os conhecimentos novos e essa relação constrói seu futuro na
sociedade.
Livre expressão
Esse aspecto muito particular que atribuía ao aprendizado de cada criança é a razão de
Freinet não ter criado um método pedagógico rígido, nem uma teoria propriamente
científica. Mesmo assim, seu entendimento sobre os mecanismos do aprendizado
mereceu elogios do biólogo suíço Jean Piaget (1896-1980), cuja teoria do conhecimento
se baseou em minuciosa observação científica.
Freinet dedicou a vida a elaborar técnicas de ensino que funcionam como canais da livre
expressão e da atividade cooperativa, com o objetivo de criar uma nova educação.
Lançou-se a essa tarefa por considerar a escola de seu tempo uma instituição alienada da
vida e da família, feita de dogmas e de acumulação estéril de informação – e, além
disso, em geral a serviço apenas das elites. "Freinet colocou professor e alunos no
mesmo nível de igualdade e camaradagem", diz Rosa Sampaio. O educador não se
opunha, porém, às aulas teóricas.
Cooperação sim, manuais não
Com a intenção de propor uma reforma geral no ensino francês, Freinet reuniu suas
experiências didáticas num sistema que denominou Escola Moderna. Entre as principais
"técnicas Freinet" estão a correspondência entre escolas (para que os alunos possam não
apenas escrever, mas ser lidos), os jornais de classe (mural, falado e impresso), o texto
livre (nascido do estímulo para que os alunos registrem por escrito suas idéias, vivências
e histórias), a cooperativa escolar, o contato freqüente com os pais (Freinet defendia que
a escola deveria ser extensão da família) e os planos de trabalho. O pedagogo era
contrário ao uso de manuais em sala de aula, sobretudo as cartilhas, por considerá-los
genéricos e alheios às necessidades de expressão das crianças. Defendia que os alunos
fossem em busca do conhecimento de que necessitassem em bibliotecas (que deveriam
existir na própria escola) e que confeccionassem fichários de consulta e de autocorreção
(para exercícios de Matemática, por exemplo). Para Freinet, todo conhecimento é fruto
do que chamou de tateamento experimental – a atividade de formular hipóteses e testar
sua validade – e cabe à escola proporcionar essa possibilidade a toda criança.
A primeira das novas técnicas didáticas desenvolvidas por Freinet foi a aula-passeio,
que nasceu justamente da observação de que as crianças para quem lecionava, que se
comportavam tão vividamente quando ao ar livre, pareciam desinteressadas dentro da
escola. Uma segunda criação célebre, a imprensa na escola, respondeu à necessidade de
eliminar a distância entre alunos e professores e de trazer para a classe a vida "lá fora".
"É necessário fazer nossos filhos viver em república desde a escola", escreveu Freinet.
A pedagogia de Freinet se fundamenta em quatro eixos: a cooperação (para construir o
conhecimento comunitariamente), a comunicação (para formalizá-lo, transmiti-lo e
divulgá-lo), a documentação, com o chamado livro da vida (para registro diário dos
fatos históricos), e a afetividade (como vínculo entre as pessoas e delas com o
conhecimento).
Para pensar
A utilização de técnicas desenvolvidas por Freinet, em particular as aulas-passeio e os
cantinhos temáticos na sala de aula, não significam por si só que o professor adotou uma
prática freinetiana. É preciso lembrar que o educador francês criou tais recursos para
atingir um objetivo maior, que é o despertar, nas crianças, de uma consciência de seu
meio, incluindo os aspectos sociais, e de sua história. Quando você promove atividades
em sua escola, costuma ter consciência de como elas se inserem num plano pedagógico
mais amplo?
Quer saber mais?
Nova escola
CÉLESTIN FREINET
Freinet nasceu no dia 15 de outubro de 1896, na
vila de Gaves, nos Alpes Franceses. Teve uma
infância e juventude rural, em meio das paisagens,
modo de produção artesanal, comportamentos e
valores de homem do campo. Sua condição de vida
veio mais tarde influenciar sua pedagogia.
Com o início da guerra, em 1914, alistou-se e
devido a ações de gases tóxicos, comprometeu seu
pulmão. Após ter retornado da guerra, decidido,
sabia o que seria: “Professor primário”.
Freinet mesmo sem a experiência pedagógica, trazia consigo um profundo
respeito à criança.
Freinet criou várias técnicas pedagógicas, uma delas seria a “aula passeio”,
pois acreditava que o interesse da criança não estava na escola e sim no que
acontecia fora dela, Freinet idealizava esta atividade com o objetivo de trazer
motivação, ação e vida para a escola.
Para Freinet:
- A criança é de mesma natureza que o adulto;
- Ser maior não significa, necessariamente, estar acima dos outros;
- É preciso ter esperanças otimistas na vida;
- A criança e o adulto não gostam de uma disciplina rígida, quando
isto significa obedecer passivamente uma ordem externa.
Freinet possuía um sonho: transformar a educação. Sua pedagogia tinha
em mira, formar um homem mais livre, mais autônomo e mais responsável. Um
homem que tenha condições de contribuir na transformação da sociedade.
Assim sendo, objetiva essa pedagogia, conhecer a natureza e dar consciência
ao homem do que ele é e do que ele quer, e procura dar-lhe os instrumentos
necessários que o auxilie no desenvolvimento eficiente de suas tarefas sociais.
Para tanto, precisa-se conhecer bem o aluno e o seu meio social,
condição sem a qual não se pode desenvolver bem a ação educativa, ou seja,
não se pode dar ao aluno as orientações necessárias para que ele possa
superar, por si mesmo, suas dificuldades e resolver o seu problema.
As idéias de Freinet começaram a incomodar os conservadores
franceses, e Freinet é afastado da escola em que lecionava (Saint Paul), após
esta ruptura ele cria uma escola privada e laica, trabalhando arduamente na
escola, criando novas pedagogias, porém, o Ministério da educação recusa-se
a reconhecê-la.
Durante a Segunda guerra mundial, a escola é desativada, Freinet é
preso e fica seriamente doente. Enquanto se estabelecia, escreveu a maior
parte de sua obra. Com todos os obstáculos, nos anos 50 a pedagogia de
Freinet se espalha pelo mundo.
O que distingue Freinet dos demais pensadores do movimento da
escola nova é que ele cria um movimento em prol da escola popular, defendia
a livre expressão como um princípio pedagógico, além da educação pelo
trabalho e a cooperação e o tateamento experimental. Para Freinet, o trabalho
é uma necessidade para o homem, não se devendo fazer distinção entre
trabalho manual e intelectual.
Célestin Freinet morreu em Vence, na França, no dia 8 de outubro de 1966.
Cronologia da vida de Célestin Freinet
· 1896 - Nasce Célestin Freinet, em uma cidadezinha chamada Gars,
que fica situada no sul da França, no dia 15 de outubro. Ainda adolescente mudou-se
para a cidade de Nice, onde começou a cursar o Magistério.
· 1914\1918 - Com o início da primeira guerra mundial Célestin Freinet
tem que interromper os seus estudos e se alistar no exército. Período
em que sofreu muito com o uso dos gases tóxicos, prejudicando para
sempre a saúde de seus pulmões, teve que dar baixa no exército,
pois ficou muito doente e até sem esperança de cura.
· 1920 - Em Bar-Surloup Célestin Freinet dá início as suas atividades
como educador, antes mesmo de terminar o Curso Normal.
· 1921\1924 - Em contato com seus alunos na prática, da início
as suas descobertas embazadas somente nos interesses dos seus
alunos. Cria uma Cooperativa de Trabalho com aldeões com quem
também trabalhava e dá origem as primeiras correspondência escolares.
· 1926\1928 - Fica conhecendo Elise, uma artista plástica que
começa a trabalhar como sua ajudante. Depois, de algum tempo
Célestin Freinet casa-se com Elise e escreve o livro "A Imprensa
na Escola", cria também a revista "La Gerbe" (O Ramalhete) com vários
poemas infantis. Funda também a Cooperativa de Ensino Leigo
e os dois vão trabalhar na cidade de Saint Paul.
· 1933\1939 - Começam a receber muitas correspondências por
causa das atividades desenvolvidas na Escola e na Cooperativa, isso
iniciou um certa hostilidade e desconfiança de alguns. E Célestin
Freinet é exonerado do cargo de professor na cidade de Sant Paul. Mas
Célestin Freinet e Elise Freinet dão continuidade ao seus trabalhos
na Cooperativa, e a escola de Célestin Freinet é oficialmente inaugurada.
Logo após começa a segunda guerra mundial.
· 1940 - Célestin Freinet vai preso e encaminhado ao campo de
concentração de Var, lá ele fica seriamente doente, mas enquanto
é mantido preso dá aula para os seus companheiros. Sua esposa Elise
Freinet luta pela sua libertação e consegue. Logo após a sua liberdade
Célestin Freinet se alia ao Movimento da Resistência Francesa.
· 1947\1948 - Célestin Freinet cria o ICEM, na qual a cooperativa já
reunia mais de 20 mil participantes.
· 1956 - Começam a se preocupar com o excesso de alunos em sala
de aula e dão origem a uma campanha de âmbito nacional com o objetivo
de se conseguir ter 25 alunos por sala de aula.
· 1966 - Morre na cidade de Vence, na França, Célestin Freinet.
[Link]
A Pedagogia Freinet é centrada na criança e baseada sobre alguns princípios. Freinet
lança uma proposta pedagógica com o objetivo de modernizar a Escola, através de
valores alicerçados no bom senso. A escola que Freinet quer modernizar é a Escola
Pública, que ele considera como a escola do povo e, portanto, deve atender, na sua
essência, às necessidades do povo. Sua proposta pedagógica revoluciona o processo de
ensino–aprendizagem, humanizando-o através de uma relação professor–aluno baseada
na verdade. Para isso, ele põe em evidência meios que revolucionaram tanto a educação,
de um modo geral, quanto a escola, em particular, estabelecendo uma verdadeira relação
professor–aluno lastreada no bom senso.
Freinet, nessa proposta, reage contra o ensino tradicional. A sala de aula, segundo
Freinet, deverá ser um local onde professor e alunos, conjuntamente, em clima de
harmonia e disciplina, discutam tanto os conhecimentos básicos da aprendizagem como
os problemas da vida cotidiana.
Segundo a Profa. Djanira Brasilino de Souza (Natal/RN):
“.... a educação que Freinet propõe é uma educação que respeita o indivíduo e a
diversidade e reencontra a identidade própria do ser humano através da individualidade
de cada um; que respeita as crianças tais quais elas são, sem submetê-las a modelos pré-
estabelecidos, e que as ajuda na formação de sua personalidade. É uma pedagogia real e
concreta, que procura oferecer às crianças e aos adolescentes uma educação condizente
com as suas necessidades e mediante as práticas cotidianas.”
A Pedagogia de Freinet objetiva elevar o homem à mais alta dignidade do seu ser e,
através do exercício da cidadania, promover a realização da sua personalidade. Porém,
não é uma ação educativa sem rumos concretos, utópica. A pedagogia freinetiana
baseia-se em princípios. São eles: o princípio da cooperação, da comunicação e da
expressão livre; o da educação do trabalho e o do tateamento experimental.
Esses princípios estão centrados na criança e se explicitam através da prática educativa
nos seguintes pontos:
* Senso de responsabilidade.
* Senso cooperativo.
* Sociabilidade.
* Julgamento pessoal.
* Autonomia.
* Expressão.
* Criatividade.
* Comunicação.
* Reflexão individual e coletiva.
* Afetividade.
As técnicas de ensino propostas na pedagogia freinetiana são as seguintes:
* Imprensa escolar.
* Aula-passeio.
* Texto livre.
* Correção.
* Livro da vida.
* Fichário de consulta.
* Plano de Trabalho.
* Correspondência interescolar.
* Auto-avaliação.
Para saber mais sobre a Pedagogia de Freinet, consulte o site da Associação Brasileira
para Divulgação, Estudos e Pesquisas de Pedagogia Freinet – ABDEPPF.
Fonte: [Link]
A PEDAGOGIA DE
CÉLESTIN FREINET
José Luiz de Paiva Bello
Rio de Janeiro - 1999
Cronologia de Célestin Freinet:
1896
- Célestin Freinet nasce em Gars, no sul da França, na região de Provença,
em 15 de outubro.
- Na adolescência mudou-se para Nice onde iniciou o Curso de
Magistério
1914\1918
- Na I Guerra Mundial Freinet interrompe seus estudos e alista-se no
exército.
- Sofrendo ações dos gases tóxicos, que prejudicaram seus pulmões para o
resto da vida, teve baixa do exército e perambulou por diversos hospitais sem
esperança de cura.
1920
- Freinet inicia em Bar-Surloup suas atividades como professor-adjunto
sem ainda ter concluído o Curso Normal.
1921\1924
- Através do sensível contato com os alunos começa as descobertas
essencialmente práticas que originaram as atividades voltadas para o interesse
das crianças.
- Também trabalha com os aldeões e forma uma Cooperativa de Trabalho.
- Começam as primeiras correspondências entre as escolas.
1926\1928
- Conhece Elise, artista plástica, que chega para trabalhar como sua
colaboradora.
- Casa-se com Elise e edita o livro A Imprensa na Escola. Criou a
revista "La Gerbe" (O Ramalhete), com poemas infantis.
- Fundou a Cooperativa de Ensino Leigo.
- Elise e Freinet passam a trabalhar em Saint Paul.
1933\1939
- Em função da intensa correspondência decorrente das atividades
realizadas na Escola e na Cooperativa acabaram por gerar desconfiança e
hostilidades.
- Freinet é exonerado do cargo de professor em Sant Paul de Vence.
- Freinet e Elise continuam trabalhando na Cooperativa.
- A escola de Freinet é oficialmente aberta.
- Freinet e Romain Roland lançam a idéia do movimento Frente da
Infância.
- Começa a II Guerra Mundial.
1940
- Freinet é preso no campo de concentração de Var.
- Fica gravemente doente e na prisão dá aula para os seus companheiros.
- Enquanto isso Elise luta pela sua libertação.
- Após ser solto Freinet se integra ao Movimento da Resistência Francesa.
1947\1948
- É criado o ICEM. A Cooperativa já reunia 20 mil participantes.
1956
- Preocupados com o excesso de crianças em sala de aula lançam uma
campanha nacional por 25 alunos por classe.
1966
- Freinet morre na cidade de Vence, na França.
A pedagogia Freinet é centralizada na criança e baseada sobre alguns
princípios:
- senso de responsbilidade
- senso cooperativo
- sociabilidade
- julgamento pessoal
- autonomia
- expressão
- criatividade
- comunicação
- reflexão individual e coletiva
- afetividade
Invariantes Pedagógicas:
1. A criança é da mesma natureza que o adulto.
2. Ser maior não significa necessariamente estar acima dos outros.
3. O comportamento escolar de uma criança depende do seu estado
fisiológico, orgânico e constitucional.
4. A criança e o adulto não gostam de imposições autoritárias.
5. A criança e o adulto não gostam de uma disciplina rígida, quando isto
siginifica obedecer passivamente uma ordem externa.
6. Ninguém gosta de fazer determinado trabalho por coerção, mesmo que,
em particular, ele não o desagrade. Toda atitude imposta é paralisante.
7. Todos gostam de escolher o seu trabalho mesmo que essa escolha não
seja a mais vantajosa.
8. Nnguém gosta de trabalhar sem objetivo, atuar como máquina,
sujeitando-se a rotinas nas quais não participa.
9. É fundamental a motivação para o trabalho.
10. É preciso abolir a escolástica.
10- a. Todos querem ser bem-sucedidos. O fracasso inibe, destrói o ânimo
e o entusiasmo.
10- b. Não é o jogo que é natural na criança, mas sim o trabalho.
11. Não são a observação, a explicação e a demonstração - processos
essenciais da escola - as únicas vias normais de aquisição de conhecimento,
mas a experência tateante,que é uma conduta natural e universal.
12. A memória, tão preconizada pela escola, não é válida, nem preciosa, a
não ser quando está integrada no tateamento experimental,onde se encontra
verdadeiramente a serviço da vida.
13. As aquisições não são obtidas pelo estudo de regras e leis, como às
vezes se crê, mas sim pela experîencia. Estudar primeiro regras e leis é
colocar o carro na frente dos bois.
14. A inteligência não é uma faculdade específica, que funciona como um
circuito fechado, independente dos demais elementos vitais do indivíduo,
como ensina a escolástica.
15. A escola cultiva apenas uma forma abstrata de inteligência, que atua
fora da realidade fica fixada na memória por meio de palavras e idéias.
16. A criança não gosta de receber lições autoritárias.
17. A criança não se cansa de um trabalho funcional, ou seja, que atende
aos rumos de sua vida.
18. A criança e o adulto não gostam de ser controlados e receber sanções.
Isso carcteriza uma ofensa à dignidade humana, sobretudo se exercida
publicamente.
19. As notas e classificações constituem sempre um erro.
20. Fale o menos possível.
21. A criança não gosta de sujeitar-se a um trabalho em rebanho. Ela
prefere o trabalho individual ou de equipe numa comunidade cooperativa.
22. A ordem e a disciplina são necessárias na aula.
23. Os castigos são sempre um erro. São humilhantes, não conduzem ao
fim desejado e não passam de paliativo.
24. A nova vida da escola supõe a cooperação escolar, isto é, a gestão da
vida pelo trabalho escolar pelos que a praticam, incluindo o educador.
25. A sobrecarga das classes constitui sempre um erro pedagógico.
26. A concepção atual das grandes escolas conduz professores e alunos ao
anonimato, o que é sempre um erro e cria barreiras.
27. A democracia de amanhã prepara-se pela democracia na escola. Um
regime autoritário na escola não seria capaz de formar cidadãos democratas.
28. Uma das primeiras condições da renovação da escola é o respeito à
criança e, por sua vez, a criança ter respeito aos seus professores; só assim é
possível educar dentro da dignidade.
29. A reação social e política, que manifesta uma reação pedagógica, é
uma oposição com o qual temos que contar, sem que se possa evitá-la ou
modificá-la.
30. É preciso ter esperança otimista na vida. (Sampaio, 1989: 81-99)
Técnicas Freinet
- Aula passeio
- Texto livre
- Imprensa escolar
- Correção
- Livro da vida
- Fichário de consulta
- Plano de Trabalho
- Correspondência interescolar
- Auto-avaliação
Aula Passeio
Por acreditar que o interesse da criança não estava na escola e sim fora
dela, Freinet idealizou esta atividade com o objetivo de trazer motivação, ação
e vida para a escola.
Texto Livre
É a base da livre expressão, pode ser um desenho, um poema ou pintura.
A criança determina a forma, o tema e o tempo para sua realização. Porém se
a criança desejar que seu texto seja divulgado deverá passar pela correção
coletiva.
Imprensa Escolar
Seu ponto de partida são as entrevistas, pesquisas, vivências e aulas-
passeio. Freinet usava o tipógrafo. Todo processo de construção e impressão é
coletivo.
Correção
Para o texto ser divulgado é necessário que esteja perfeito e a correção é
fundamental. Ela pode ser feita coletivamente, ou em auto-correção. Freinet
acredita que o "erro" deva ser trabalhado com a criança para que ela perceba e
faça o acerto.
Livro da Vida
Funciona como um diário da classe, registrando a livre expressão (texto,
desenho e pintura). Esta atividade permite que as crianças exponham seus
diferentes modos de ver a aula e a vida.
Fichário de Consulta
Põe a disposição da criança exercícios destinados à aquisição dos
mecanismos do cálculo, ortografia, gramática, história, ciências etc. São
construídas em sala de aula pelos professores na interação com a turma.
Freinet criticava duramente os livros didáticos fora da realidade da criança.
Plano de Trabalho
Tendo o currículo escolar como ponto de partida, os grupos de alunos se
organizavam para escolher as estratégias de desenvolvimento das atividades
que podiam ser realizadas em grupos, duplas, ou individualmente. Para
registro do plano são elaboradas fichas onde são anotadas as realizações da
semana.
Correspondência Interescolar
É uma atividade em que a criança faz a aprendizagem da vida
coooperativa, uma classe se corresponde com a outra. Depois dos professores
terem se comunicado e organizado a forma. Podem enviar: cartas, textos, fitas,
vídeos, desenhos e e-mail.
Auto-Avaliação
A criança registra o resultado do seu trabalho em fichas de auto-avaliação
que permitem constantes comparações entre os trabalhos realizados. Segundo
Freinet o aluno e o professor devem se avaliar regularmente.
Célestin Freinet
Indicações Bibliográficas:
BERNARD, Eliade. A escola aberta: Freinet no secundário. Lisboa:
Horizonte, 1978.
[Link]
[Link]
powerpoint/
Célestin Freinet (1896-1966) :
Célestin Freinet (1896-1966) O mestre do trabalho e do bom senso. Freinet foi criador, na
França, do movimento da escola moderna.
OBJETIVO :
OBJETIVO Tinha como objetivo básico desenvolver um projeto de escola popular(“escola do
povo”), moderna e democrática. SUA PROPOSTA A educação ativa em torno do aluno. “Freinet
sempre acreditou que é preciso transformar a escola por dentro, pois é exatamente ali que se
manifestam as contradições sociais”
A pedagogia Freinet é centralizada na criança e baseada sobre alguns
princípios: :
A pedagogia Freinet é centralizada na criança e baseada sobre alguns princípios: - senso de
responsbilidade- senso cooperativo- sociabilidade- julgamento pessoal- autonomia- expressão-
criatividade- comunicação- reflexão individual e coletiva- afetividade Crianças na Paris
ocupada, em 1940, lêem instruções sobre o uso de máscaras de gás: tempo de perseguições
ideológicas. Foto: HULTON ARCHIVE/Getty Images
Técnicas Freinet :
Técnicas Freinet -Aula passeio(ou estudos de campo) - Texto livre- Imprensa escolar- Correção-
Livro da vida- Fichário de consulta- Plano de Trabalho- Correspondência interescolar(troca de
correspondência entre escolas). - Auto-avaliação
Aula Passeio :
Aula Passeio Por acreditar que o interesse da criança não estava na escola e sim fora dela,
Freinet idealizou esta atividade com o objetivo de trazer motivação, ação e vida para a escola.
Texto Livre :
Texto Livre É a base da livre expressão, pode ser um desenho, um poema ou pintura. A criança
determina a forma, o tema e o tempo para sua realização. Porém se a criança desejar que seu
texto seja divulgado deverá passar pela correção coletiva. É nascido do estímulo para que os
alunos registrem por escrito suas ideias, vivências e histórias.
Imprensa Escolar :
Imprensa Escolar Seu ponto de partida são as entrevistas, pesquisas, vivências e aulas-passeio.
Freinet usava o tipógrafo. Todo processo de construção e impressão é coletivo. os jornais de
classe (mural, falado e impresso).
Correção :
Correção Para o texto ser divulgado é necessário que esteja perfeito e a correção é
fundamental. Ela pode ser feita coletivamente, ou em auto-correção. Freinet acredita que o
"erro" deva ser trabalhado com a criança para que ela perceba e faça o acerto.
Livro da Vida :
Livro da Vida Funciona como um diário da classe, registrando a livre expressão (texto, desenho
e pintura). Esta atividade permite que as crianças exponham seus diferentes modos de ver a
aula e a vida.
Fichário de Consulta :
Fichário de Consulta Põe a disposição da criança exercícios destinados à aquisição dos
mecanismos do cálculo, ortografia, gramática, história, ciências etc. São construídas em sala de
aula pelos professores na interação com a turma. Freinet criticava duramente os livros
didáticos fora da realidade da criança. Defendia que os alunos fossem em busca do
conhecimento de que necessitassem em bibliotecas (que deveriam existir na própria escola).
Plano de Trabalho :
Plano de Trabalho Tendo o currículo escolar como ponto de partida, os grupos de alunos se
organizavam para escolher as estratégias de desenvolvimento das atividades que podiam ser
realizadas em grupos, duplas, ou individualmente. Para registro do plano são elaboradas fichas
onde são anotadas as realizações da semana.
Correspondência Interescolar :
Correspondência Interescolar É uma atividade em que a criança faz a aprendizagem da vida
coooperativa, uma classe se corresponde com a outra. Depois dos professores terem se
comunicado e organizado a forma. Hoje podem enviar: cartas, textos, fitas, vídeos, desenhos e
e-mail,mensagens pelo celular,etc. É uma atividade para que os alunos possam não apenas
escrever, mas ser lidos.
Auto-Avaliação :
Auto-Avaliação A criança registra o resultado do seu trabalho em fichas de auto-avaliação que
permitem constantes comparações entre os trabalhos realizados. Segundo Freinet o aluno e o
professor devem se avaliar regularmente.
COOPERATIVA ESCOLAR :
COOPERATIVA ESCOLAR O contato frequente com os pais (Freinet defendia que a escola
deveria ser extensão da família).
A pedagogia de Freinet se fundamenta em quatro eixos: :
A pedagogia de Freinet se fundamenta em quatro eixos: a cooperação (para construir o
conhecimento comunitariamente), a comunicação (para formalizá-lo, transmiti-lo e divulgá-lo),
a documentação, com o chamado livro da vida (para registro diário dos fatos históricos), e a
afetividade (como vínculo entre as pessoas e delas com o conhecimento).
Cronologia de Célestin Freinet: :
Cronologia de Célestin Freinet: Na adolescência mudou-se para Nice onde iniciou o Curso de
Magistério 1914\1918 -Na I Guerra Mundial Freinet interrompe seus estudos e alista-se no
exército e é nessa época que seus pulmões ficam prejudicados para o resto da vida. 1920-
Freinet inicia em Bar-Surloup suas atividades como professor-adjunto sem ainda ter concluído
o Curso Normal. 1921\1924- Através do sensível contato com os alunos começa as descobertas
essencialmente práticas que originaram as atividades voltadas para o interesse das crianças.-
Também trabalha com os aldeões e forma uma Cooperativa de Trabalho.- Começam as
primeiras correspondências entre as escolas.
Slide 17:
1926\1928- Conhece Elise, artista plástica, que chega para trabalhar como sua colaboradora.-
Casa-se com Elise e edita o livro A Imprensa na Escola. Criou a revista "La Gerbe" (O
Ramalhete), com poemas infantis.- Fundou a Cooperativa de Ensino Leigo.- Elise e Freinet
passam a trabalhar em Saint Paul. 1940- Freinet é preso no campo de concentração de Var.-
Fica gravemente doente e na prisão dá aula para os seus companheiros.- Enquanto isso Elise
luta pela sua libertação.- Após ser solto Freinet se integra ao Movimento da Resistência
Francesa. 1947\1948- É criado o ICEM. A Cooperativa já reunia 20 mil participantes.1956-
Preocupados com o excesso de crianças em sala de aula lançam uma campanha nacional por
25 alunos por classe.1966- Freinet morre na cidade de Vence, na França.
SEGUNDO FREINET :
SEGUNDO FREINET *a atividade é o que orienta a prática escolar e o objetivo final da educação
é formar cidadãos para o trabalho livre e criativo, capaz de dominar e transformar o meio e
emancipar quem o exerce. *Um dos deveres do professor, é criar uma atmosfera laboriosa na
escola,de modo a estimular as crianças a fazer experiências, procurar respostas para suas
necessidades e inquietações, ajudando e sendo ajudadas por seus colegas e buscando no
professor alguém que organize o trabalho. * Outra função primordial do professor,é colaborar
ao máximo para o êxito de todos os alunos. * A forma mais profunda de aprendizado é o
envolvimento afetivo.
O LIVRO DA VIDA: DIÁLOGOS COM A INTERDISCIPLINARIDADE
Maria Inês Moron Pannunzio 1
(1. Instituto Manchester Paulista de Ensino Superior - IMAPES)
INTRODUÇÃO:
Este trabalho investiga a importância do Livro da Vida, uma das técnicas da Pedagogia Freinet,
no processo de educação a partir de uma perspectiva interdisciplinar.
No Livro da Vida, os alunos, ao relatarem experiências do seu dia-a-dia, expressam suas
memórias e retratam diferentes formas de perceber a aula e a vida. Através desse instrumento de
expressão da escrita, lhes é possível: reter idéias, resumir uma atividade e relatar informações.
Consolidam, assim, uma pequena ligação de coerência entre a vida dentro da escola e fora dela.
Do ponto de vista do professor, o Livro da Vida fornece elementos para que esse planeje suas
ações e intervenções na prática cotidiana, possibilitando, ainda, avaliação integrada do
conhecimento.
A contribuição deste estudo, portanto, consiste em conscientizar e sensibilizar os professores
quanto à importância do Livro da Vida numa proposta de educação interdisciplinar. Assim, são
explicitados os fundamentos da interdisciplinaridade como opção para uma nova atitude
educacional no mundo contemporâneo. São novos princípios epistemológicos em busca de algo
mais do que a mera justaposição das disciplinas sobre um mesmo assunto, estabelecendo um
diálogo entre as diversas áreas. Defende a educação integral e valoriza as verdades diretamente
relacionadas com o cotidiano das pessoas, bem como os saberes apreendidos com o corpo e com
o sentimento, conciliando afetividade e efetividade na formação de sujeitos competentes e
solidários.
METODOLOGIA:
A pesquisa de campo compôs-se de estudo de caso elaborado a partir de uma abordagem
metodológica qualitativa. O estudo de caso revelou-se adequado, pois viabilizou a interpretação
de determinados atributos, sem que fosse necessário enfatizar dados estatísticos e numerar ou
medir categorias.
O método utilizado foi o fenomenológico, estratégia de pesquisa qualitativa, cujo ponto de
partida é a realidade; e o objetivo, a sua compreensão. A partir da problemática pesquisada,
procedemos à análise de conteúdo como método de tratamento e análise de informações.
Entrevistamos a professora Rosa Maria Witaker Sampaio, especialista na Pedagogia Freinet e
uma das maiores envolvidas na efetivação e divulgação dessa pedagogia no Brasil; a professora
Ivana Macedo Paschoal, da Escola Mamãe Natureza de Caruaru (PE); a professora Gláucia de
Melo Ferreira, Diretora da Escola Curumim em Campinas (SP); e as professoras Marli
Aparecida Billato de Oliveira e Margareth Soffiatti Ruberto, Diretoras e Rafael de Oliveira,
aluno do Colégio Portinari de Limeira (SP). Os entrevistados são identificados pelos
respectivos nomes, pelo fato de os mesmos validarem as informações.
RESULTADOS:
A proposta de educação interdisciplinar pressupõe contextualizar, globalizar e concretizar.
Nesse sentido, a Pedagogia Freinet reforça sua extemporaneidade, uma vez que, além de sua
abrangência, propõe uma educação prazerosa e criativa, características que devem ser inerentes
ao ambiente escolar. Assim, durante todo o processo de elaboração do Livro da Vida, nos
diálogos, nas trocas, nas pesquisas e no incentivo à expressão livre e à criatividade, constatamos
que efetivamente acontece a “tomada de consciência” tão importante no processo de
aprendizagem na escola e na vida.
As respostas das entrevistas sugerem que o Livro da Vida pode ser utilizado, de forma
intencional, por viabilizar a articulação de racionalidade e sensibilidade e possibilitar que a
criança seja autônoma no processo de construção da sua aprendizagem, pois sugere, critica e
resolve problemas. Essa poderá ser a resposta para um ensino de qualidade, aberto a todas as
possibilidades, sem preconceitos, que conviva com as diferenças, que respeite a diversidade de
buscas e de percursos, de construções e realizações.
CONCLUSÕES:
O Livro da Vida, além de ser inerente a todo o processo de aprendizagem, viabiliza o aprender-
fazendo com arte e criatividade e deve ser utilizado como proposta de avaliação formativa, pois
acompanha os diversos caminhos que o aluno percorre para realizar suas diferentes
aprendizagens. Sendo assim, é uma avaliação processual, inclusiva e acolhedora; portanto, uma
avaliação formativa, que ajuda o aluno a aprender e a se desenvolver a partir de um projeto
educativo com o qual há comprometimento efetivo.
Por possibilitar ao aluno experiências de aprendizagens e ser pertinente aos novos valores
educacionais, o Livro da Vida, uma nova perspectiva em educação, qualifica-se como
importante instrumento no processo de aprendizagem e de avaliação, principalmente no
contexto de uma proposta educacional permeada pela interdisciplinaridade.
Palavras-chave: Livro da Vida; Interdisciplinaridade; Aprendizagem e Avaliação.
[Link]
A pedagogia Freinet preconiza um processo educativo para uma escola viva, feliz em
que as crianças trabalhem e construam sua aprendizagem, dando verdadeira significação ao
trabalho. Para Freinet nenhuma das grandes aquisições vitais da criança é feita apenas por
processos aparentemente científicos, visto que a criança aprende a andar, a falar, a desenhar de
modo natural, ou seja, experienciando na prática.
A criança tem em sua própria natureza a essência humana da de seu desenvolvimento e
realização. Apenas se faz necessário que o educador dê a ela a palavra e lhe proporcione os
meios para se manifestar, desta forma ela vai querer se expressar. Para tanto se faz necessário
que ela tenha em seu entorno um clima de confiança e aceitação.
Livro da vida: uma ideia de Célestin Freinet
13.12.2009
Autor e Co-autor(es)
Autor Maria Teresa Lopes da Cruz
RIO DE JANEIRO - RJ COL DE APLIC DA UNIV FED DO RIO DE JANEIRO
Estrutura Curricular
Modalidade / Nível de Componente
Tema
Ensino Curricular
Língua escrita: prática de produção de
Ensino Fundamental Inicial Língua Portuguesa
textos
Ensino Fundamental Inicial Língua Portuguesa Língua escrita: prática de leitura
Ensino Fundamental Inicial Língua Portuguesa Língua escrita: usos e formas
Ensino Fundamental Inicial Língua Portuguesa Análise e reflexão sobre a língua
Ensino Fundamental Inicial Língua Portuguesa Língua oral: usos e formas
Dados da Aula
O que o aluno poderá aprender com esta aula
• Aumentar o vocabulário.
• Desenvolver a escrita.
• Relembrar fatos interessantes que aconteceram no colégio no dia [Link]
a temporalidade.
• Trabalhar com a livre expressão, texto, desenho e pintura.
• Socializar os acontecimentos das diferentes disciplinas da turma.
• Desenvolver a oralidade.
• Expor e discutir diferentes modos de ver a aula e a vida.
Obs: Esse livro pode ser utilizado desde que a criança já saiba escrever.
Poderá ser trabalhado em todas as séries do Ensino Fundamental Inicial.
Duração das atividades
50min
Conhecimentos prévios trabalhados pelo professor com o aluno
Não há necessidade de conhecimentos prévios.
Estratégias e recursos da aula
• Um pacote de 100 folhas de papel A4 para ser encadernado com capa de plástico
transparente.
• Tiras de papel para serem escritas para o concurso do nome do livro da vida.
Atividade 1
A professora explica para os alunos o que é o Livro da Vida no contexto do objetivo da
aula.
Será um livro cuja autoria será de todos os alunos da turma. Assim, diariamente, um
aluno leva o livro da vida para casa e vai escrevendo sobre os acontecimentos daquele
dia na escola. No final do ano, no último dia de aula, uma comissão de alunos entregará
o livro da vida à biblioteca, onde eles vão poder, ao longo dos anos, relembrar
momentos, sentimentos, atividades, enfim o dia-a-dia na escola.
Evidencia-se que esta atividade forma uma sequência de ideias, novidades, registros e
experiências que vão constituir um livro com as memórias da turma.
Atividade 2
A professora propõe um concurso para escolha do título do Livro da Vida. Distribui
tiras de papel para que os alunos, em dupla, discutam e depois escrevam um nome para
o título do livro. Após as duplas terminarem, irão formar um círculo na sala de aula para
que cada dupla possa apresentar e defender sua ideia quanto ao título do livro. Assim,
(sugerindo um título para o livro) cada dupla estará desenvolvendo a capacidade de
exposição, argumentação e convencimento. Cada dupla apresenta o título que criou para
turma. Após todos apresentarem os títulos criados, a professora inicia a votação. A
professora pedirá que os alunos levantem o dedo para o título que mais gostaram
eliminando os títulos pouco votados até chegar ao vencedor.
A ilustração da capa será feita por cada aluno que fará o autorretrato e colocará seu
nome abaixo ou acima do desenho.
Atividade 3
O aluno que levou o Livro da Vida para casa, no dia seguinte, vai ler o que escreveu
para turma e mostrar a ilustração.
Os textos escritos pelos alunos não serão corrigidos pelo professor, o livro é da turma,
uma forma de cada aluno se expressar livremente, sem correções ou interferências. Um
olhar do aluno para as diversas disciplinas, diferentes formas de perceber a aula e a
vida.
Atividade 4
O aluno sobe numa cadeira de maneira que seja visto e ouvido por toda turma, assim ele
expressa as suas memórias. Ele aprende fazendo, contando as histórias da turma com
arte e criatividade. Depois há colocações dos alunos da turma, uma conversa sobre o
que os alunos ouviram com o que eles vivenciaram e por último a criança que leu é
vendada para sortear a próxima criança que levará o Livro da Vida para casa.
É importante salientar que os alunos demonstram um imenso prazer em escrever no o
Livro da Vida, torcem para serem sorteados e capricham no texto e na ilustração.
Avaliação
A avaliação é processual, acolhedora, o relato do aluno acompanha o processo de sua
aprendizagem, do que foi mais significativo para ele. Nesse processo de escrita livre e o
prazer de narrar o dia-a-dia da escola cada aluno torna-se autor e busca ser fiel ao que
ocorreu na sala de aula, com o seu aprendizado.