TUTORIA DE DIREITO
FISCAL
2ª SESSÃO
JOSÉ CARLOS DOS SANTOS BAPTISTA
2024
IMPOSTOS
«O imposto é uma prestação pecuniária, singular ou reiterada, que não apresenta conexão com
qualquer contra-prestação retributiva e de que é titular uma entidade pública que utiliza as
receitas assim obtidas para a cobertura das suas despesas. Tem como conteúdo um dever de
prestar que surge pela verificação de facto previsto na lei que faz nascer uma relação jurídica
tributária entre um ente público e uma outra entidade que constitui o sujeito passivo»
Saldanha Sanches, Manual de Direito Fiscal, 2ª edição, pp. 9
«Imposto é a prestação patrimonial, não reembolsável, unilateral, exigida por força da lei, devida
a uma pessoa coletiva de direito público e exigida para a obtenção de receitas (fim fiscal ou
financeiro) ou para a prossecução de politica de intervenção económica e ou social dessa pessoa
coletiva (fim extra-fiscal ou de ordenação)»
Rita Pires e Manuel Pires, Manual de Direito Fiscal, 5ª edição, pp.38
Assim, os impostos:
Têm caráter unilateral: não lhe está associada qualquer tipo de contraprestação pública direta e
imediata;
Prosseguem finalidades públicas não sancionatórias;
Estão sujeitos ao princípio orçamental da universalidade: o montante serve para financiar todas
as despesas;
Estão sujeitos a reserva de lei – art. 165.º/1, alínea i) Constituição da República Portuguesa;
Nos termos do art. 4.º/1 da Lei Geral Tributária, os impostos assentam, essencialmente, na
capacidade contributiva: o montante de imposto pago por cada contribuinte deve ter por base
indicadores pessoais, que permitam tributar segundo a capacidade contributiva real e efetiva.
É assim necessário personalizar os elementos do imposto de modo a perceber a força económica do
contribuinte, e tributá-lo segundo essa medida.
Quem tem maior força económica deve suportar um imposto mais elevado. Em sentido inverso,
quem revela menor força económica deve suportar um imposto mais reduzido;
CLASSIFICAÇÕES DOS IMPOSTOS
IMPOSTOS SOBRE O IMPOSTOS SOBRE O IMPOSTOS SOBRE O
RENDIMENTO CONSUMO PATRIMÓNIO
Incidem sobre o rendimento aquando da sua Está em causa a utilização do rendimento e do Nos termos do art. 104.º/3 da Constituição,
formação, constituição ou aquisição património na aquisição de bens e serviços a tributação sobre o património deve
Assentam, essencialmente, na tributação dos Incidem sobre: contribuir para a igualdade entre os
rendimentos obtidos no território; cidadãos;
Consumo Geral de Bens e Serviços: IVA;
MAS, p. ex. quanto às pessoas singulares,
São ad valorem, isto é, em função do valor
há tributação do rendimento universal dos Consumo específico de certos bens:
patrimonial do bem
residentes em território português – art. impostos especial sobre o consumo, tal
15.º/1 CIRS; como o tabaco, álcool e produtos
petrolíferos;
No IRS, a capacidade contributiva é revelada
através de dois fatores: o sujeito deve ser Atingem todos os sujeitos na mesma medida,
tributado pelo valor liquido (ou seja, deduz-se independentemente da capacidade económica
o montantes das despesas inerentes à obtenção de cada um;
do rendimento sujeito a imposto), e são
O art. 104.º/4 da Constituição faz referência a
deduzidas despesas pessoais e/ou familiares
essenciais à subsistência do sujeito passivo; uma função redistributiva dos impostos sobre
o consumo;
No IRC, tributa-se o rendimento real, ou seja:
proveitos – gastos = Rendimento tributável
IMPOSTOS REAIS IMPOSTOS PESSOAIS
Aqueles que atingem a matéria coletável sem Têm em conta elementos diferenciadores
atenderem a circunstâncias pessoais, relacionados com a capacidade contributiva do
económicas ou sociais daquele que está sujeito
obrigado ao pagamento do imposto;
O art. 104.º/1 da Constituição define e
Ou seja, são impostos centrados na caracteriza o imposto pessoal;
manifestação de riqueza, sem considerar
Exclui-se de tributação o mínimo de existência.
elementos diferenciadores ligados à capacidade
Ou seja, até um determinado montante, não há
económica do sujeito;
sujeição a imposto sobre o rendimento
São irrelevantes a situação conjugal ou familiar
A consideração das necessidades e rendimentos
do sujeito ou as despesas com a saúde,
do agregado familiar, exigida pelo artigo
educação, etc.
104.º/1 da Constituição, deve ser entendida
|EX.: IVA, IMI, IMT como referente aos encargos familiares. Esses
encargos diminuem a capacidade económica do
sujeito e devem contribuir para a redução do
imposto a pagar;
IMPOSTOS IMPOSTOS IMPOSTOS
PROPORCIONAIS PROGRESSIVOS REGRESSIVOS
De taxa ou alíquota fixa, sob a forma de As taxas ou alíquotas são variáveis; A taxa decresce à medida que a matéria
percentagem;
O art. 104.º/1 da Constituição impõe a coletável aumenta, o que levará a uma
progressividade no IRS; tributação mais elevada de uma menor
capacidade contributiva ou tributações
A progressividade implica um aumento da
iguais de diferentes capacidades
taxa à medida que aumenta o rendimento
contributivas.
tributável;
Podem assim traduzir-se em prestações
Concretizam-se pela existência de escalões:
quanto maior o número de escalões e taxas, fixas ou prestações tributárias iguais;
maior a progressividade; São inconstitucionais porque contrários ao
É a progressividade garantida com a princípio da igualdade;
existência, por exemplo, de apenas duas
taxas?
IMPOSTOS DIRETOS IMPOSTOS INDIRETOS
Atingem manifestações diretas ou imediatas de Incidem sobre manifestações indiretas ou
riqueza e da capacidade contributiva; mediatas da riqueza e da capacidade
contributiva;
O artigo 6.º/1 da Lei Geral Tributária
estabelece uma relação entre a tributação direta O artigo 6.º/2 da Lei Geral Tributária
e o mínimo de existência, encargos do estabelece uma certa relação entre tributação
agregado, etc.; indireta e bens de consumo de 1ª necessidade;
|EX.: IRS, IRC, etc. São impostos sobre o consumo e a despesa;
IMPOSTOS DE OBRIGAÇÃO ÚNICA IMPOSTOS PERIÓDICOS
O facto tributário nasce e extingue-se com um O facto tributário renova-se por diferentes
ato ou negócio jurídico: consumo, importação, períodos fiscais, originando obrigações
aquisição; declarativas;
Ou seja, está em causa a tributação de um ato O facto tributário nasce e extingue-se ao fim de
ou facto isolado um determinado período fiscal (ano fiscal ou
período mais curto), mas a continuidade da
relação jurídica tributária faz nascer relações
jurídicas que adquirem um caráter de
permanência até que se verifique alguma
alteração ou a cessação da situação;
BIBLIOGRAFIA DA SESSÃO
Direito Fiscal, Ana Paula Dourado, 7ª edição, Almedina;
Direito Fiscal, Manuel Pires e Rita Pires, 5ª edição, Almedina;
Manual de Direito Fiscal, Saldanha Sanches, 2ª edição, Coimbra editora;
Lei Geral Tributária: comentada e anotada, coordenação de José Maria Fernandes, 2015, Almedina;
* Apresentação elaborada no âmbito das tutorias de Direito Fiscal – Ano Letivo 2024/2025