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LUCIANE GUMZ DE ARAÚJO

COMPARATIVO ENTRE REVESTIMENTOS DE ARGAMASSA E PASTA DE GESSO

Trabalho de Conclusão de Curso apresentado ao Curso de Engenharia Civil do Centro de Ciências Tecnológicas da Universidade do Estado de Santa Catarina como requisito parcial para obtenção do título de bacharel em Engenheira Civil.

Orientador: Prof. Msc. Robison Negri

JOINVILLE

2011

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LUCIANE GUMZ DE ARAÚJO

COMPARATIVO ENTRE REVESTIMENTOS DE ARGAMASSA E PASTA DE GESSO

Trabalho de conclusão de curso aprovado como requisito parcial para obtenção do

grau de Engenheira Civil do Centro de Ciências Tecnológicas da Universidade do

Estado de Santa Catarina.

Banca Examinadora:

Orientador:

 

Prof. Msc. Robison Negri UDESC Joinville

Membro:

 

Profa. Dra. Carmeane Effting UDESC Joinville

Membro:

Prof. Msc. João Miguel Rodrigues dos Santos UDESC Joinville

JOINVILLE, 09/11/2011

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Ao meu filho Vinícius, por ser o melhor presente proporcionado por Deus neste fim de curso, e ao meu marido Bérenson, que me acompanhou desde o início de minha trajetória acadêmica.

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AGRADECIMENTOS

Agradeço a Deus pela saúde a mim concedida possibilitando minha chegada até aqui. Ao Bérenson, que ao longo desta caminhada deixou de ser só meu namorado, companheiro e amigo, para se tornar em 2010 meu marido, trazendo para minha vida em 2011 a maior alegria que já senti: a de ser mãe. A mãe do Vinícius. Ao meu filho Vinícius que, mesmo bebezinho, já se tornou a razão do meu

viver.

À minha mãe Leontina, por se dedicar à conclusão de meu curso cuidando

com todo carinho de seu neto.

A meu pai Heinz, que não mediu esforços para acomodar a mim e minha

família nesta fase final do curso. Ao meu orientador, professor Robison, pela fundamental ajuda e

compreensão ao longo do desenvolvimento de trabalho.

RESUMO

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Nos dias atuais, agilidade e economia são buscadas pelo empreendedor durante a execução de uma obra a fim de garantir maior lucratividade. Este trabalho tem por objetivo estudar a utilização de gesso como alternativa de material no revestimento de tetos e paredes internas comparando-o ao revestimento de argamassa convencional constituído por cimento, cal e areia. Foram estudadas as características, propriedades e técnicas de aplicação de ambos os métodos a fim de verificar limitações e vantagens no uso. A viabilidade financeira em substituir-se o reboco convencional por gesso com acabamento desempenado é observada através de orçamentos realizados para ambos os processos t endo como referência uma obra executada com estrutura em concreto armado e fechamento de alvenaria com tijolos cerâmicos. Verificou-se que o uso do gesso como revestimento proporciona redução de custo com material e mão de obra sendo viável sua utilização na etapa de revestimentos internos de tetos e paredes, porém, é necessário que se tomem devidos cuidados na sua execução bem como seja feito um bom planejamento através da verificação de disponibilidade de mão de obra e material.

PALAVRAS CHAVE: Revestimento. Argamassa. Gesso.

ABSTRACT

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Nowadays, agility and economy are sought by the contractor during the execution of a work to ensure greater profitability. This study aims to investigate the use of gypsum as an alternative material in the roof and interior walls as compared to that of conventional mortar coating consisting of cement, lime and sand. We studied the characteristics, properties and application techniques of both methods to verify the use limitations and advantages. The financial viability is to replace the stucco plaster finish by conventional smoothed is observed through budgets for both processes carried out with reference to a work executed with structure in reinforced concrete and masonry closing with ceramic bricks. It was found that the use of gypsum as coating provides cost savings in materials and workmanship is feasible to use in step coating internal ceilings and walls, however, it is necessary to take due care in its execution and be done good planning by checking avai lability of labor and material.

KEYWORDS: Coating. Mortar. Gypsum.

LISTA DE FIGURAS

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Figura 1 Alternativas de revestimentos de parede: a) emboço + reboco + pintura; b) camada única + pintura; c) revestimento decorativo monocamada

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Figura 2 Fissuração da argamassa por retração na secagem: argamassa forte x

argamassa

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Figura 3 Ensaio de

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Figura 4 Execução de gesso desempenado: a) Aplicação de chapisco rolado sobre

a laje; b) Limpeza do substrato (base); c) Preparação do gesso após 72

horas; d) Início do trabalho pelo teto utilizando desempenadeira de PVC com movimentos de vai-e-vem; e) Início nas paredes pela metade superior, deslizando de baixo para cima; f) Regularização da espessura da camada

aplicando a pasta com a desempenadeira no sentido horizontal. Cada faixa sobrepõe a anterior e a camada deve ser de 1 mm a 3 mm; g) Retirada dos excessos limpando paredes e tetos com régua de alumínio; h) Limpeza da superfície com o canto da desempenadeira de aço eliminando imperfeições

e aplicação de nova camada de gesso para preencher vazios assegurando

a espessura final do revestimento; i) Desempenar cuidadosamente os excessos de rebarbas exercendo certa pressão para obter a superfície

 

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Figura 5 Preparação das mestras para aplicação do gesso

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Figura 6 Sarrafeamento com régua de alumínio em

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Figura 7 Sarrafeamento com régua de alumínio em

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Figura 8 Sarrafeamento com régua de alumínio em parede. O referencial é dado

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pelas

Figura 9 Nível de precisão dos cálculos de custos nas diversas fases do projeto,

com e sem gestão de

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Figura 10 Implantação do empreendimento

41

Figura 11 Planta baixa do apartamento Tipo 1

42

Figura 12 Planta baixa do apartamento Tipo 2

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Figura 13 Planta baixa do apartamento Tipo 3

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LISTA DE TABELAS

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Tabela 1. Propriedades relacionadas com a trabalhabilidade das

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Tabela 2. Retração aos 7 e 28 dias

19

Tabela 3. Limites da resistência de aderência à tração (ABNT, 1996)

20

Tabela 4. Critérios gerais de classificação dos revestimentos de argamassa segundo

23

Sabbatini (1990)

Tabela 5. Critérios gerais de classificação dos revestimentos de argamassa segundo

23

Silva (1991)

Tabela 6. Levantamento de áreas de paredes e tetos a serem revestidas para um

44

Tabela 7. Levantamento de áreas de paredes e tetos a serem revestidas para quatro

44

Tabela 8. Argamassa convencional (parede interna) Composição para chapisco 45

Tabela 9. Argamassa convencional (parede interna) Composição para emboço

46

Tabela 10. Argamassa convencional (teto) Composição para chapisco

46

Tabela 11. Argamassa convencional (teto) Composição para emboço

46

Tabela 12. Gesso (parede interna) Composição para acabamento desempenado47

Tabela 13. Gesso (teto) Composição para acabamento desempenado

47

Tabela 14. Orçamento para revestimento com argamassa

48

Tabela 15. Orçamento para revestimento com pasta de

48

SUMÁRIO

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1 INTRODUÇÃO

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2 REVISÃO BIBLIOGRÁFICA

11

2.1 DEFINIÇÕES

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2.2 REVESTIMENTOS DE ARGAMASSA

14

2.2.1 Funções do revestimento de argamassa

15

2.2.2 Características

15

2.2.3 Propriedades

16

2.2.3.1 Trabalhabilidade

17

2.2.3.2 Retração

17

2.2.3.3 Aderência

19

2.2.3.4 Permeabilidade à água

20

2.2.3.5 Capacidade de absorver deformações

21

2.2.3.6 Resistência mecânica

22

2.2.4 Classificação das argamassas

23

2.2.5 Procedimento de execução de serviço

24

2.2.5.1 Equipamentos utilizados

24

2.2.5.2 Execução do serviço

25

 

2.3

REVESTIMENTOS DE PASTA DE GESSO

27

2.3.1 Características

29

2.3.2 Propriedades

29

2.3.3 Classificação

30

2.3.4 Procedimento de execução de serviço

31

2.3.4.1 Condições para o início dos serviços

31

2.3.4.2 Execução do serviço

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2.4

COMPOSIÇÃO DE CUSTO E ORÇAMENTO

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3

ESTUDO DE CASO

40

3.1 O empreendimento

40

3.2 Levantamento de quantidades de áreas

43

3.3 Custo unitário

44

3.4 Orçamentos

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CONSIDERAÇÕES FINAIS

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1 INTRODUÇÃO

No atual cenário competitivo do setor da construção civil, construtoras oferecem ao mercado apartamentos semelhantes no que diz respeito a valores e layout.

O estudo do tema foi realizado a fim de apresentar ao mercado uma alternativa de material viável no revestimento interno de tetos e paredes diferente da argamassa convencional constituída de cimento, cal e areia, objetivando a redução de custos na etapa de revestimentos, oferecendo ao cliente um diferencial no produto final sem perder a qualidade esperada. O gesso é um material massivamente empregado na construção civil. Com uma só camada, o revestimento de gesso substitui o chapisco, emboço e reboco realizado com a argamassa convencional, proporcionando rapidez e redução de custo através da geração de economia de mão de obra e de material, desde que bem planejado e executado. São estudadas as propriedades, classificação e modo de execução do revestimento de gesso e de argamassa convencional, fazendo-se um comparativo entre ambos. São ainda apresentados os tipos de acabamentos possíveis com gesso e suas respectivas características. Para verificar as vantagens do reboco com pasta de gesso em relação ao convencional e se o uso do mesmo traz economia à obra, é apresentado um estudo de caso onde o objeto em estudo é uma obra participante do Programa Minha Casa Minha Vida. São realizados dois orçamentos para a obra, sendo no primeiro, utilizada argamassa convencional, composta de chapisco e camada única para o revestimento de tetos e paredes, e no segundo, é utilizada a pasta de gesso com acabamento desempenado.

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2 REVISÃO BIBLIOGRÁFICA

Neste capítulo são apresentadas definições importantes para o entendimento do trabalho, seguidas de um estudo sobre o revestimento de argamassa convencional e outro sobre o revestimento de pasta de gesso, a fim de possibilitar a realização do comparativo entre ambos os tipos de revestimentos e ainda é discorrido a cerca da composição de custo e orçamento, estudo necessário para a realização do estudo de caso.

2.1 DEFINIÇÕES

A NBR 13529 (ABNT, 1995) apresenta as seguintes definições referentes ao revestimento de tetos e paredes:

a) sistema de revestimento: constituído por revestimentos de argamassa e acabamento decorativo. Deve ser compatível com a natureza da base, condições de exposição, acabamento final e desempenho, conforme especificações de projeto;

b) revestimento de argamassa: uma ou mais camadas de argamassa superpostas com a finalidade de cobrir uma superfície deixando-a apta a receber acabamento decorativo ou constituir-se em acabamento final;

c) base ou substrato: superfície constituída por material inorgânico, não metálico a qual será aplicado o revestimento. Ex: teto ou parede;

d) revestimento de camada única: aplicação em uma ou mais demãos, de um único tipo de argamassa sobre a base de revestimento;

e) revestimento de duas camadas: aplicação de revestimento constituído de emboço e reboco sobre a base de revestimento;

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f) demão: cada uma das vezes em que se aplica a mesma argamassa em uma camada;

g) revestimento em contato com o solo: aquele exposto à ação do solo;

h) revestimento externo: revestimento de elementos da edificação expostos ao meio externo. Ex: fachadas e muros;

i) revestimento interno: revestimento de ambientes internos da edificação;

j) chapisco: preparo da base através de uma camada aplicada de forma contínua ou descontínua a fim de uniformizar a superfície com relação

à absorção de água e melhorar a aderência do revestimento;

k) emboço: executado sobre a base ou chapisco, é uma camada de revestimento destinada a propiciar uma superfície que permita receber outra camada, de reboco ou de revestimento decorativo ou ainda, pode

constituir-se no acabamento final;

l) reboco: executado sobre o emboço, é uma camada de revestimento destinada a propiciar uma superfície apta a receber revestimento decorativo ou que se constitua no acabamento final;

m) acabamento decorativo: executado sobre revestimento de argamassa,

o revestimento decorativo pode ser pintura, material cerâmico, pedras naturais, placas laminadas, têxteis e papel;

n) acabamento da superfície camurçado (feltrado): para obtenção deste acabamento, a argamassa é sarrafeada, desempenada e em seguida alisada com esponja ou desempenadeira apropriada de feltro ou similar;

o) acabamento da superfície chapiscado: para obtenção deste acabamento rústico, a argamassa é lançada sobre a base através de peneira;

p) acabamento da superfície desempenado: a obtenção deste acabamento liso é alcançado através do sarrafeamento e alisamento com desempenadeira da argamassa;

q) acabamento da superfície sarrafeado: é a obtenção de acabamento áspero através da regularização da argamassa com réguas.

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r) argamassa de revestimento: mistura homogênea de agregados miúdos, aglomerantes inorgânicos e água, contend o ou não aditivos ou adições, com propriedades de aderência e endurecimento.

s) argamassa comum: argamassa simples ou mista, cujas propriedades dependem, em princípio, da proporção e do tipo dos aglomerantes e agregados empregados.

t) argamassa aditivada: emprego de aditivos na argamassa com a finalidade de melhorar as propriedades no estado fresco ou endurecido;

u) argamassa preparada em obra: quando os materiais constituintes da argamassa simples ou mista, são medidos em volume ou massa e misturados na obra;

v) argamassa industrializada: é obtida adicionando somente água na quantidade requerida ao produto proveniente de dosagem controlada constituído de aglomerantes de origem mineral, agregados miúdos e, eventualmente aditivos e adições em estado seco e homogêneo;

w) mistura semipronta para argamassa: fornecida ensacada ou a granel, é uma mistura cujo preparo é concluído em obra através da adição de aglomerantes, água e aditivos, eventualmente;

x) aditivo: com a finalidade de melhorar as propriedades no estado fresco ou endurecido da argamassa, o produto deve ser adicionado em pequena quantidade.

Tratando-se de revestimentos internos de tetos e paredes executados com pasta de gesso, a NBR 13867 (ABNT, 1997) apresenta as seguintes definições:

a) pasta de gesso: pasta com capacidade de aderência e endurecimento constituída de mistura pastosa de gesso e água;

b) revestimento com pasta de gesso: cobrimento ou recobrimento de uma superfície com pasta de gesso;

c) aditivos: com o objetivo de modificar algumas propriedades da pasta de gesso, são materiais que podem ser adicionados no preparo da pasta de gesso em pequenas proporções.

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2.2 REVESTIMENTOS DE ARGAMASSA

A norma NBR 13529 (ABNT, 1995) define o revestimento de argamassa como a aplicação de uma ou mais camadas de argamassa sobrepostas sobre uma superfície. O revestimento pode ser utilizado como acabamento final da superfície ou receber uma camada decorativa sendo esta, pintura, material cerâmico, pedra natural, placa laminada, têxtil ou papel. Yazigi (2009) cita que o revestimento de uma superfície pode ser feito em camadas contínuas, superpostas e uniformes sendo elas: chapisco, emboço e reboco, ou em camada única, quando uma única camada de argamassa é aplicada sobre a base e esta recebe o acabamento como a pintura. Esta alternativa é conhecida como reboco paulista e atualmente é a mais utilizada no Brasil. O revestimento decorativo monocamada (RDM ou monocapa) é outra opção de revestimento muito utilizada na Europa e consiste em um revestimento de uma única camada com funções simultâneas de regularização e decoração. A argamassa de RDM é pouco industrializada e ainda não é normalizada no Brasil. É composta geralmente por: cimento branco, cal hidratada, agregados de várias naturezas, pigmentos inorgânicos, fungicidas e outros aditivos como plastificantes, retentores de água, incorporadores de ar, etc (CASAREK, 2007).

de água, incorporadores de ar, etc (CASAREK, 2007). Fonte: CASAREK, 2007. Figura 1 – Alternativas de

Fonte: CASAREK, 2007.

Figura 1 Alternativas de revestimentos de parede: a) emboço + reboco + pintura; b) camada única + pintura; c) revestimento decorativo monocamada (RDM).

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Segundo a NBR 7200 (ABNT, 1998), argamassa é uma mistura entre aglomerantes e agregados miúdos com água, apresentando propriedades de endurecimento e aderência. Os aglomerantes comumente utilizados são o cimento Portland e a cal hidratada, de acordo com a finalidade na qual a argamassa se destina. Para assentamento de alvenaria de vedação, emboço e reboco utilizam-se argamassas de cal por apresentarem plasticidade, elasticidade, condições favoráveis de endurecimento e resultarem num ac abamento plano e regular. Um exemplo de utilização de argamassa de cimento é para chapisco, pois apresenta resistência a curto prazo (FIORITO, 1994).

2.2.1 Funções do revestimento de argamassa

Maciel (1998) apresenta as seguintes funções do revestimento de argamassa:

a) proteção dos elementos de vedação, os quais estão expostos a ação de agentes agressivos;

b) complemento às vedações no que diz respeito a isolamento termo- acústico e estanqueidade à água e gases;

c) regularização dos elementos de vedação servindo como base para a execução de outros revestimentos ou servindo como acabamento final;

d) elemento contribuinte para a estética da fachada.

O autor acima citado ressalta o uso incorreto do revestimento de argamassa na correção de imperfeições decorrentes da má execução da estrutura, apresentando desalinhamentos e desaprumos. Este fato é muito comum em obras e compromete o cumprimento adequado das reais funções do revestimento.

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As argamassas podem ser usadas como revestimento de pisos, tetos e paredes (emboço e reboco), ou no assentamento de tijolos, blocos, azulejos e ladrilhos, reparos de obras de concretos, injeções, etc.” (SILVA, 1991, p. 36) Segundo a NBR 13749 (ABNT, 1996), revestimentos de argamassa devem atender aos seguintes requisitos:

a) compatibilidade com o tipo de acabamento decorativo (pintura, papel de parede, revestimento cerâmico e outros);

b) a partir da base, as camadas devem apresentar resistência mecânica decrescente ou uniforme, preservando sua durabilidade ou acabamento final;

c) ser constituído por uma ou mais camadas superpostas de argamassas contínuas e uniformes;

d) ao ser utilizado como revestimento externo de argamassa aparente, sem pintura e base porosa, deverá ter propriedade hidrofugante. Uma pintura específica para este fim deverá ser realizada caso a argamassa não apresente tal propriedade;

e) para revestimentos externos em contato com o solo, deverá ter característica impermeabilizante;

f) ainda para uso externo, deverá resistir às ações de variações de temperatura e umidade do meio.

2.2.3 Propriedades

Os principais requisitos e propriedades que as argamassas para revestimento devem apresentar são: trabalhabilidade (em especial consistência, plasticidade e adesão inicial), retração, aderência, permeabilidade à água, capacidade de absorver deformações e resistência mecânica (principalmente a superficial).

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2.2.3.1 Trabalhabilidade

Para ser considerada trabalhável, a argamassa não deve ser fluida deixando penetrar a colher de pedreiro com facilidade, deve-se manter coesa durante o transporte e não pode aderir à colher durante o lançamento, deve-se distribuir com facilidade e preencher as reentrâncias da base e não pode endurecer facilmente quando aplicada. A adição de cal e aditivos incorporadores de ar podem melhor ar a trabalhabilidade da argamassa até certo limite. Além destes, as características dos materiais constituintes e seu proporcionamento interferem nessa propriedade da argamassa (MACIEL, 1998). Casarek (2007) cita que a argamassa é considerada trabalhável quando seu aplicador consegue executar o serviço com boa produtividade, garantindo a adesão do revestimento à base e apresentando bom acabamento superficial. A tabela 1 relaciona as propriedades à trabalhabilidade das argamassas.

Tabela 1. Propriedades relacionadas com a trabalhabilidade das argamassas.

Propriedade

Definição

Consistência

É

a maior ou menor facilidade da argamassa deformar-se sob a ação de

cargas.

Plasticidade

É

a propriedade pela qual a argamassa tende a conservar-se deformada

após a retirada das tensões de deformação.

Retenção de água e de consistência

É

a capacidade de a argamassa fresca manter sua trabalhabilidade

quando sujeita a solicitações que provocam a perda de água.

Coesão

Refere-se às forças físicas de atração existentes entre as partículas sólidas da argamassa e as ligações químicas da pasta aglomerante.

 

É

a tendência de separação da água (pasta) da argamassa, de modo

Exsudação

que a água sobe e os agregados descem pelo efeito da gravidade. Argamassas de consistência fluida apresentam maior tendência à exsudação.

Densidade de

 

massa

Relação entre a massa e o volume do material.

Adesão inicial

União inicial da argamassa no estado fresco ao substrato.

Fonte: CASAREK (2007)

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“É o resultado de um mecanismo complexo, associado com a variação de volume da pasta aglomerante e apresenta papel fundamental no desempenho das argamassas aplicadas, especialmente quanto à estanqueidade e à durabilidade”. (CASAREK, 2007, p. 73) Para Maciel (1998), a retração das argamassas pode formar fissuras não prejudiciais (microfissuras), ou prejudiciais, onde se observa a percolação da água pelo revestimento no estado endurecido prejudicando a estanqueidade. A retração é causada pela evaporação da água de amassamento e pelas reações de hidratação e carbonatação dos aglomerantes. Argamassas denominadas fortes (com alto teor de cimento) estão mais sujeitas às tensões apresentando com maior freqüência fissuras, trincas e descolamento de argamassa, enquanto argamassas fracas têm menor teor de cimento, logo, menos sujeitas às tensões, portanto, menos fissuras prejudiciais. A Figura 2 ilustra o comparativo entre argamassa forte e fraca.

2 ilustra o comparativo entre argamassa forte e fraca. Fonte: MACIEL, 1998. Figura 2 – Fissuração

Fonte: MACIEL, 1998.

Figura 2 Fissuração da argamassa por retração na secagem: argamassa forte x argamassa fraca.

Segundo Casarek (2007) a retração tem início no estado fresco prosseguindo após o endurecimento do material. O clima quente, seco e com ventos acelera a perda de água gerando fissuras, enquanto a cura lenta propicia tempo suficiente para atingir a resistência a tração que resistirá às tensões internas que surgem. Na Tabela 2 são apresentadas algumas argamassas e uma pasta com seus valores de retração.

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Tabela 2. Retração aos 7 e 28 dias.

Material

Relação

Retração aos 28 dias (%)

Retração aos 7 dias

a/aglomerante

%

% aos 28 dias

Argamassa

1:0:3

0,47

0,607

0,396

65%

cimento:cal:areia

1:0:5

0,64

0,649

0,379

58%

(volume)

1:3:12

0,88

0,642

0,489

76%

Pasta de cimento

0,30

1,416

1,018

72%

Fonte: adaptado de FIORITO (1994)

A Tabela 2 mostra que a retração das argamassas é menos da metade da

pasta e que aos 7 dias de secagem ao ar, a retração já atinge 60% a 80% do valor

total aos 28 dias. Por este motivo recomenda-se aguardar 7 dias para a execução de

uma segunda camada de revestimento, quando necessário, evitando fissuras. Do

mesmo modo é necessário aguardar um período de tempo para sarrafeamento e

desempeno a fim de garantir a perda de parte da água de amassamento, evitando

assim, desde fissuras até deslocamento da argamassa (MACIEL, 1998).

2.2.3.3 Aderência

“Conceitua-se aderência como a propriedade que possibilita à camada de

revestimento resistir às tensões normais e tangenciais atuantes na interface com a

base.”(SABBATINI, 2006, p. 7)

Os fatores que influenciam a aderência são as propriedades da argamassa no

estado fresco, os procedimentos de execução do revestimento, a natureza e

característica da base e sua limpeza superficial (MACIEL, 1998).

Segundo Maciel (1998), o ensaio de arrancamento por tração é utilizado para

medir a resistência de aderência à tração do revestimento. A NBR 13749 (ABNT,

1996) apresenta o limite de resistência de aderência à tração (Ra) para o

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revestimento de argamassa, sendo emboço e massa única, de acordo com o local de aplicação e o tipo de acabamento (Tabela 3).

Tabela 3. Limites da resistência de aderência à tração (ABNT, 1996)

Local

Acabamento

Ra (MPa)

 

Interna

Pintura ou base para reboco

0,20

Parede

Cerâmica ou laminado

≥ 0,30

Externa

Pintura ou base para reboco

≥ 0,30

 

Cerâmica ou laminado

≥ 0,30

Teto

 

≥ 0,20

Fonte: NBR 13749 (ABNT, 1996)

2.2.3.4 Permeabilidade à água

Segundo Maciel (1998), a permeabilidade está relacionada à passagem de água pela camada de revestimento, constituída de argamassa, que é um material poroso e permite a percolação da água tanto no estado líquido como de vapor. É uma propriedade bastante relacionada ao conjunto base-revestimento. O revestimento deve ser estanque à água, impedindo a sua percolação. Mas, é recomendável que o revestimento seja permeável ao vapor para favorecer a secagem de umidade de infiltração (como a água da chuva, por exemplo) ou decorrente da ação direta do vapor de água, principalmente nos banheiros. Quando existem fissuras no revestimento, o caminho para percolação da água é direto até a base e, com isso, a estanqueidade da vedação fica comprometida. A permeabilidade pode ser influenciada por diversos fatores, tais como: o traço e a natureza dos materiais constituintes da argamassa, a técnica de execução, a espessura da camada, a natureza da base e a quantidade e o tipo de fissuras existentes. A porosidade e a capacidade de absorção de água capilar do revestimento de argamassa são influenciadas por es tes fatores. Pouco ainda se sabe sobre como varia esta propriedade e o nível de influência da técnica de execução, natureza da base e demais fatores. A permeabilidade ao vapor d’água é uma propriedade sempre recomendável nos revestimentos argamassados, por

21

favorecer a secagem de umidade acidental ou de infiltração. Evita também os riscos de umidade de condensação interna em regiões de clima mais frio (SABBATINI,

1990).

Existe um ensaio para a determinação da permeabilidade do revestimento de argamassa proposto pelo Centro de Pesquisa e Desenvolvimento em Construção Civil da Escola Politécnica da Universidade de São Paulo (CPqDCC-EPUSP), ilustrado esquematicamente na Figura 3. O critério para avaliação da permeabilidade do revestimento de argamassa é o de não surgir manchas de umidade na parede durante o período de 8 horas de ensaio (MACIEL, 1998).

durante o período de 8 horas de ensaio (MACIEL, 1998). Fonte: MACIEL, 1998. Figura 3 –

Fonte: MACIEL, 1998.

Figura 3 Ensaio de permeabilidade.

2.2.3.5 Capacidade de absorver deformações

Casarek (2007) afirma que o revestimento deve apresentar capacidade de absorver pequenas deformações se deformando sem ruptura ou por meio de microfissuras, não comprometendo sua aderência, estanqueidade e durabilidade. Esta propriedade é complexa e está associada ao módulo de elasticidade e à resistência mecânica das argamassas influenciando tanto na fissuração quanto na aderência dos revestimentos. Segundo Maciel (1998), as deformações podem ser de grande ou de pequena amplitude. Deformações de pequena amplitude oriundas da ação da umidade ou da

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temperatura são absorvidas pelo revestimento, porém, deformações de grande amplitude provenientes de outros fatores, como recalques estruturais, não são absorvidas pelo revestimento, resultando em fissuras. Para o autor, a capacidade de absorver deformações depende:

a) do módulo de deformação da argamassa: a capacidade de absorver deformações aumenta quanto menor for o módulo de deformação, pois há menor teor de cimento;

b) da espessura das camadas: quanto maior a espessura, melhor a absorção de deformações, porém, espessuras excessivas podem comprometer a aderência;

c) das juntas de trabalho do revestimento: um revestimento sem fissuras prejudiciais pode ser obtido através do emprego de juntas que delimitam os panos em dimensões menores, compatíveis com as deformações;

d) da técnica de execução: a realização de compressão após a aplicação da argamassa e durante o acabamento superficial, desde que iniciada no momento correto, ajuda a evitar o aparecimento de fissuras.

2.2.3.6 Resistência mecânica

É a propriedade dos revestimentos suportarem as ações mecânicas de diferentes naturezas, devidas à abrasão superficial, ao impacto e à contração termohigroscópica.” (MACIEL, 1998, p. 08) A resistência mecânica das argamassas varia com os seguintes fatores:

atividade do cimento e relação água cimento (SILVA, 1991). A resistência mecânica varia com o consumo e natureza dos agregados e aglomerantes da argamassa empregada e com a técnica de execução que busca a compactação da argamassa durante a sua aplicação e acabamento. Com a redução da proporção de agregado na argamassa ocorre o aumento da resistência que varia inversamente com a relação água/cimento da argamassa (MACIEL, 1998).

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2.2.4 Classificação das argamassas

Sabbatini (1990) classifica os revestimentos de argamassa d e acordo com os

seguintes critérios:

Tabela 4. Critérios gerais de classificação dos revestimentos de argamassa segundo Sabbatini (1990)

Critério de classificação

Tipo

Número de camadas que constituem

Uma camada Múltiplas camadas

Condições de exposição

Revestimentos de paredes internas Revestimentos de paredes externas

Plano de aplicação

Vertical (paredes) Horizontal (tetos)

Fonte: Adaptado de Sabbatini (1990)

Silva (1991) classifica as argamassas de outra maneira, conforme T abela 5:

Tabela 5. Critérios gerais de classificação dos revestimentos de argamassa segundo Silva (1991)

Critério de

Tipo

classificação

Emprego

Comum (para rejuntamento, revestimento, piso) Refratária

Tipo de aglomerante

Aérea (cal aérea, gesso) Hidráulica (cal hidráulica, cimento) Mista (cimento e cal aérea)

Número de elementos ativos

Simples (um aglomerante) Composta (mais de um aglomerante)

Dosagem

Pobre ou magra (volume de pasta insuficiente para preencher os vazios) Rica ou gorda (excesso de pasta) Cheia (quantidade suficiente de pasta)

 

Seca

Consistência

Plástica

Fluida

24

2.2.5 Procedimento de execução de serviço

O procedimento de execução de serviço apresentado a seguir descreve os equipamentos utilizados para a execução do revestimento de argamassa convencional e o passo a passo para a realização do serviço.

2.2.5.1 Equipamentos utilizados

Maciel (1998) cita o emprego dos seguintes equipamentos na execução de revestimentos:

a) andaimes provisórios: utilizados na execução de revestimentos de

paredes internas, tetos e fachadas. Nas fachadas, facilita a introdução das etapas de mapeamento e taliscamento, não sendo necessários deslocamentos adicionais. O uso deste facilita a observação das etapas de execução e intervalos entre atividades; b) balancim movimentado manualmente: utilizado para revestimentos de

fachadas. Apresenta alto custo com aluguel sendo necessário reduzir ao máximo o número de subidas e descidas devido a dificuldade em realizar tais movimentações. Seu emprego pode comprometer o desempenho dos revestimentos quando não observadas etapas importantes de execução ou não respeitados os intervalos entre atividades;

c) balancim motorizado: utilizado para revestimentos de fachadas. A eliminação de etapas na execução do revestimento não é justificada no uso do balancim motorizado, devido a facilidade e agilidade de movimentação ao longo da fachada, já que o equipamento não apresenta restrições no uso. Apresenta maior viabilidade na aplicação

25

de argamassa por projeção mecânica, tendo em vista a velocidade de movimentação do balancim e do lançamento da argamassa.

2.2.5.2 Execução do serviço

Para dar início aos serviços é necessário que a alvenaria esteja concluída e encunhada há pelo menos 15 dias. Peitoris, marcos e contra-marcos devem estar chumbados e as instalações hidráulicas devem estar concluídas e testadas. As principais etapas da execução do revestimento interno em argamassa única, são descritas por Yazigi (2009):

a) Preparação do substrato (base): visa preparar a base para o recebimento da argamassa através de escovação, lavagem ou jateamento de areia. A limpeza da base é realizada a fim de eliminar pó, barro, fuligem, graxas, óleos desmoldantes, fungos e eflorescências facilitando assim, a aderência do chapisco. Também devem ser eliminadas irregularidades superficiais como rebarbas de concretagem, excessos de argamassa nas juntas e incrustações metálicas, além do enchimento de furos, rasgos e depressões com argamassa apropriada. Em caso de rasgos maiores para embutimento de instalações, deve-se fazer uso de tela de aço zincada fio 1,65 mm malha 15 mm x 15 mm ou similar. b) Chapisco: com a finalidade de melhorar a aderência entre a base e o revestimento, o chapisco deve ser realizado em geral três dias antes de iniciar a demão de revestimento. É aplicado nas superfícies a serem revestidas, como estruturas de concreto armado e alvenarias, sendo uma argamassa fluida de cimento e areia no traço 1:3 (em volume) com adição de aditivo adesivo à água de amassamento na proporção indicada pelo fabricante. Deve ser projetado energicamente, de baixo para cima, contra a base e sua espessura não deve exceder 0,5 cm. O substrato a receber o chapisco deve ser previamente molhado com

26

broxa, o suficiente para que não ocorra a absorção de água necessária

à cura da argamassa. As superfícies em concreto armado poderão

receber a aplicação de chapisco rolado (com argamassa específica) ou

com desempenadeira dentada (com chapisco industrializado). c) Revestimento de argamassa única: deve ter espessura entre 1,5 cm

e 2,5 cm, sendo necessária a aplicação em duas camadas quando

exceder a 2,5 cm. Para ser considerada de boa trabalhabilidade, a argamassa deve: manter-se coesa ao ser transportada sem se aderir a colher de pedreiro quando projetada; permitir a penetração da colher de pedreiro sem ser fluida; preencher todas as reentrâncias da base e se distribuir facilmente; ao ser aplicada, não endurecer facilmente. A

execução do serviço é feita a partir do uso de esquadro e prumo para identificação dos pontos de maior e menor espessura do revestimento. Na sequência, assentam-se taliscas de cerâmica de preferência nos pontos de menor espessura encontrados, com a mesma argamassa para revestimento. As taliscas assentadas definirão um plano que deve ser transferido para o resto do ambiente assentando as demais

taliscas. Para o taliscamento de tetos utiliza-se o nível de mangueira ou

a laser, considerando 5 mm a espessura mínima do revestimento no

ponto mais crítico da laje. Para o acabamento de cantos vivos em argamassa, posicionar e chumbar cantoneiras metálicas. Esse acabamento é dispensado em conjuntos habitacionais onde é objetivada a economia. Entre as taliscas verticais executam-se as mestras, e entre as mestras é feito o preenchimento com argamas sa de revestimento em chapadas ou com desempenadeira de madeira espalhando-a até a obtenção da espessura desejada e comprimindo-a fortemente com a colher de pedreiro. Aguarda-se o puxamento da massa, que é o momento em que se pressiona com os dedos na argamassa e eles não conseguem penetrá-la, permanecendo limpos, e em seguida faz-se o sarrafeamento apoiando a régua de alumínio sobre as mestras, de baixo para cima a fim de recobrir todas as falhas. Para o acabamento utiliza-se desempenadeira de madeira e/ou feltrada (ou espuma densa). No revestimento de argamassa única a textura final é a do reboco. Melhores resultados em cantos são obtidos

27

utilizando desempenadeira de canto interna e de quina. Revestimentos de argamassa podem ser em camada única (argamassa única) ou de duas camadas, sendo emboço e reboco. A argamassa a ser utilizada pode ser preparada no canteiro ou ser industrializada. Para prepará-la no canteiro deve-se determinar seu traço racionalmente e testá-lo no canteiro antes de seu emprego, a fim de não adotar somente um traço empírico. Sugere-se para o preparo manual da argamassa: molhar o masseiro onde será virada a argamassa; adicionar cerca de 8 litros de água limpa para cada saco de 40 kg de massa industrializada (ou outra proporção, atendendo às recomendações do fabricante). É importante obedecer à dosagem de água, pois o seu excesso ou a sua insuficiência altera a resistência da argamassa; misturar bem até conseguir uma argamassa homogênea e pastosa; deixar a argamassa em repouso por 10 minutos; remisturar a argamassa sem adicionar água. As argamassas de revestimento podem ter os seguintes acabamentos: grosso (para aplicação de cerâmica, por exemplo, sendo realizado somente um desempeno leve com madeira, onde a superfície de acabamento não é muito lisa, sendo regular e compacta); fino (para pintura diretamente sobre a argamassa, por exemplo, sendo realizado desempeno com madeira, em seguida desempeno com aço ou camurçado, gera uma textura final homogênea, lisa e compacta); feltrado ou camurçado (acabamento que serve de base para massa corrida, por exemplo, sendo executado desempeno com madeira, em seguida desempeno com feltro ou espuma de densidade 26 ou 28, resultando em textura final homogênea, lisa e compacta, não admitindo fissuras).

2.3 REVESTIMENTOS DE PASTA DE GESSO

28

Silva (1991) define o gesso como resultante da calcinação da gipsita, encontrada em depósitos sedimentares naturais, sendo de maior ocorrência no Brasil na região nordeste e no estado de Mato Grosso. Pode-se obter o gesso para estucador, de alta resistência ou para reboco, de acordo com a temperatura e condições de execução da calcinação. De 120°C a 180°C obtém-se o gesso para estucador, também conhecido como gesso Paris. O gesso de alta resistência ou gesso anidro é obtido de 800°C a 1000°C. Por fim, de 150°C a 700°C, obtém-se o gesso para reboco de simples ou duplo cozimento, que substitui a cal aérea. Segundo Yazigi (2009) é necessário no mínimo 60% de gesso calcinado no gesso a ser utilizado como revestimento. O gesso é fornecido sob a forma de pó branco, muito fino, tendo densidade aparente entre 0,7 g/cm³ e 1,0 g/cm³. O tempo de pega do gesso é de 3 minutos e 45 segundos a 16 minutos e quarenta segundos para o início, e de 5 minutos e 25 segundos a 24 minutos e 45 segund os para o fim, sendo acompanhado de uma elevação de temperatura já que a hidratação é uma reação exotérmica. A NBR 13207 (ABNT, 1994) determina que o armazenamento dos sacos de gesso deve ser feito em locais secos e protegidos a fim de preservar sua qualid ade, sobre trados não excedendo 20 sacos superpostos. Para Sabbattini et al (2006), o revestimento com pasta de gesso apresenta vantagens em relação ao revestimento de argamassa tais como: pode dispensar o uso de massa corrida ou reduzir muito o seu uso por apresentar uma superfície de rugosidade lisa e branca; é de maior produtividade global por ser aplicado em monocamada; pode antecipar o início dos serviços de pintura, pois geralmente, apresenta tempo de cura menor. Apesar das vantagens, o revestimento de gesso apresenta limitações, entre elas: por ser de espessura reduzida, necessita de base com boa regularidade superficial e precisão geométrica, não auxilia no comportamento mecânico da parede, não suporta deformações intensas da base e choques contra o revestimento, não auxilia na fixação de cargas suspensas, não auxilia no isolamento acústico, requer habilidades especiais para a aplicação, mão de obra em quantidade reduzida não atendendo a demanda do mercado, o padrão desempenado é de acabamento inferior apresentando superfície ondulada, é suscetível à água sofrendo deterioração e à umidade excessiva podendo desenvolver microorganismos, é considerado um serviço muito sujo por gerar elevada quantidade de resíduos, propicia a corrosão de peças em aço-carbono

29

comum (por exemplo: batentes quando o revestimento for de gesso devem ser de

aço galvanizado ou protegidos com pintura anticorrosiva).

2.3.1 Características

Sabbatini et al. (2006) relaciona as seguintes características do revestimento de tetos e paredes com pasta de gesso:

a) proporciona acabamento final fino e liso;

b) deve ser aplicado somente em áreas internas;

c) suporta temperaturas de até 50 °C;

d) pode ser aplicado sobre alvenaria de bloco cerâmico e de concreto, concreto celular, concreto estrutural e revestimento de argamassa, dispensando chapisco, emboço e reboco;

e) sua espessura final depende da regularização do substrato tendo como espessura tecnicamente recomendável de 5 ± 2mm;

f) os fatores que definem a qualidade do revestimento são: o prumo nível,

a planeza do substrato, o material em si e a habilidade do operário. Entre as características necessárias das paredes que receberão gesso ressalta-se a planicidade da superfície, sem saliências ou desalinhamentos de argamassa de assentamento ou outros. As caixas de luz devem ser assentadas 2

mm salientes da face das paredes de blocos silicocalcários (YAZIGI, 2009).

2.3.2 Propriedades

Segundo Bauer (2008) o gesso apresenta endurecimento rápido, é bom isolante térmico e acústico, possui plasticidade da pasta fresca e lisura da superfície

30

endurecida. Após endurecidas, as pastas de gesso atingem resistência à tração entre 0,7 MPa 3,5 MPa e à compressão entre 5,0 MPa e 15,0 MPa. As argamassas com proporção exagerada de areia alcançam resistência à tração e compressão bem menores. A aderência das pastas e argamassas de gesso é muito boa ao tijolo e mal às superfícies de madeira. Semelhante à argamassa armada de cimento pode-se executar o gesso armado, porém, deve-se utilizar ferro galvanizado como armadura. O gesso ainda proporciona considerável resistência ao fogo quando utilizado como revestimento. No mercado, o gesso se encontra em forma de pó branco, de elevada finura, com densidade aparente variando entre 0,70 g/cm³ e 1,00 g/cm³, diminuindo com o grau de finura, com densidade absoluta em torno de 2,7 g/cm³.

2.3.3 Classificação

Sabbatini et al. (2006) classifica os revestimentos de gesso das seguintes formas:

a) quanto ao material: o revestimento em gesso pode ser feito em pasta (gesso + água), conhecido como gesso liso, ou em argamassa (gesso + calcário em pó + cal + aditivos retardadores e incorporadores de ar). O mais utilizado é o gesso liso, por apresentar vantagens com relação à rapidez de execução e custo; b) quanto a técnica de aplicação: pode ser manual com acabamento desempenado ou sarrafeado, ou por projeção mecânica. O gesso desempenado é de execução mais fácil, porém, pode apresentar qualidade do acabamento inferior por acompanhar irregularidades de parede ou teto. O gesso sarrafeado esconde as irregularidades de tetos e paredes resultando em qualidade de acabamento superior. O gesso projetado é pouco utilizado no Brasil por não apresentar vantagens econômicas em relação à argamassa.

31

2.3.4 Procedimento de execução de serviço

Para Yazigi (2009), de forma semelhante à argamassa de areia, cimento e cal, o revestimento de gesso em pasta ou em argamassa pode ser aplicad o em única camada ou em duas, observando a espessura média que não deve ultrapassar 5 mm evitando que se torne antieconômica e apresente trincas. O acabamento da superfície é obtido por alisamento final com desempenadeira ou após o material ter adquirido dureza suficiente através de raspagem e/ou lixamento. O pó de gesso é misturado à água e aplicado antes que a pasta homogeneizada endureça. Por se deteriorar em conseqüência da solubilização na água, não deve ser aplicado em ambientes externos. Para aplicação da pasta de gesso direta em lajes de concreto armado sem chapisco, é necessário que a superfície lisa receba uma demão de pintura com solução de aditivo adesivo (emulsão branca viscosa de resina sintética) e água, no traço 1:2 ou 1:4 a fim de garantir a aderência da pasta à superfície. A pintura deve ser tingida com cimento comum, de modo a diferenciar as áreas já pintadas. Além disso, o rendimento é de até 15 m² por trabalhador por dia, e quando aplicado sobre alvenaria de blocos silicocalcários, o consumo de gesso em pó é de 5 kg/m² sendo fornecido em sacos de 50 kg e 60 kg com o nome de gesso estuque.

2.3.4.1 Condições para o início dos serviços

Sabbatini et al. (2006) afirma que a superfície à base de cimento a ser revestida pela pasta de gesso, necessita estar concluída há pelo menos um mês devendo estar isenta de quaisquer contaminantes e sujeiras. A alvenaria deve estar concluída e fixada (encunhada) há pelo menos 15 dias e os peitoris, marcos e/ou contra-marcos precisam estar chumbados. Devem estar conferidos o prumo e a planeza das paredes e os esquadros de paredes e tetos. Instalações hidráulicas

32

embutidas nas paredes devem s er testadas anteriormente não podendo existir pontos de umidade. As superfícies em concreto armado não devem ser chapiscadas, porém, deve-se aplicar com rolo tipo lã de carneiro, uma fina camada de mistura de cimento, areia grossa lavada e aditivo adesivo para chapisco, a fim de garantir a aderência do gesso à estrutura (Figura 4a). A proteção de esquadrias já com pintura final deve ser feita com a aplicação de vaselina líquida.

2.3.4.2 Execução do serviço

Yazigi (2009) descreve a execução do serviço da seguinte forma:

a) Preparo do substrato (base): o preparo da base inicia-se com a remoção de sujeiras ou incrustações como óleos, desmoldantes e eflorescências, utilizando vassoura de piaçaba, escova de aço ou equipamento portátil de água pressurizada, bem como retirando pregos, arames, pedaços de madeira e outros materiais inerentes (Figura 4b). É necessário que tubulações hidráulicas e elétricas e caixas de derivação estejam chumbadas e protegidas com bucha de papel amassado. Defeitos e vazios como rasgos provenientes de quebra acidental de blocos e depressões localizadas (acima de 1 cm) devem ser preenchidos com argamassa industrializada para revestimento. Em caso de rasgos maiores provenientes de embutimento de instalações, faz-se necessário o uso de tela de aço zincada fio 1,65 mm malha 15 mm x 15 mm ou similar. b) Revestimento desempenado: o revestimento desempenado oferece um acabamento mais rústico. Para este tipo de revestimento a pasta é feita adicionando-se para cada saco de 40 kg de gesso, 36 a 40 litr os de água, verificando se recipiente e água estão limpos. Polvilha-se o gesso em pó sobre toda a extensão de água (Figura 4c). Após cerca de 15 minutos (período de embebição), a pasta está pronta para homogeneização. O tempo de pega é de 30 a 35 minutos e a pasta não

33

pode ser remisturada. O trabalho deve ser iniciado pelo teto (Figura 4d)

e na sequência, cada parede deve ser revestida em sua metade

superior (Figura 4e). Com a ajuda de colher de pedreiro, coloca-se a pasta de gesso sobre desempenadeira. Para que ocorra a aderência inicial da pasta, é necessário pressionar e deslizar a desempenadeira

sobre a superfície, em faixas determinadas pela desempenadeira. O deslizamento deve ser realizado de baixo para cima nas paredes, e em movimento de vai-e-vem no teto. A regularização da espessura da camada é obtida mudando a direção da desempenadeira, girando-a até 90° durante a aplicação da pasta. Cada faixa deve ter espessura entre 1 mm e 3 mm e deve ser iniciada com uma pequena superposição sobre a faixa anterior (Figura 4f). A pasta deve ser aplicada em até quatro camadas. Após o endurecimento do revestimento, aplica-se,

com colher de pedreiro e desempenadeira de aço, a pasta (que já está em início de pega no caixote) nos vazios e imperfeições da superfície,

a fim de eliminar ondulações e rebarbas (Figura 4g e Figura 4h).

Realiza-se o acabamento da superfície com a aplicação de uma camada de 1 mm a 10 mm de espessura de pasta fluida, utilizando desempenadeira de aço e aplicando certa pressão (Figura 4i). Para proteção de cantos vivos contra choques acidentais, é indicada a colocação de cantoneiras de alumínio após execução do revestimento. Realiza-se a limpeza da área de trabalho, aguarda-se de uma a duas semanas a secagem do revestimento para iniciar os serviços de pintura.

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34 Fonte: QUINALIA, 2005. Figura 4 – Execução de gesso desempenado: a) Aplicação de chapisco rolado
34 Fonte: QUINALIA, 2005. Figura 4 – Execução de gesso desempenado: a) Aplicação de chapisco rolado
34 Fonte: QUINALIA, 2005. Figura 4 – Execução de gesso desempenado: a) Aplicação de chapisco rolado

Fonte: QUINALIA, 2005.

Figura 4 Execução de gesso desempenado: a) Aplicação de chapisco rolado sobre a laje; b) Limpeza do substrato (base); c) Preparação do gesso após 72 horas; d) Início do trabalho pelo teto utilizando desempenadeira de PVC com movimentos de vai-e-vem; e) Início nas paredes pela metade superior, deslizando de baixo para cima; f) Regularização da espessura da camada aplicando a pasta com a desempenadeira no sentido horizontal. Cada faixa sobrepõe a anterior e a camada deve ser de 1 mm a 3 mm; g) Retirada dos excessos limpando paredes e tetos com régua de alumínio; h) Limpeza da superfície com o canto da desempenadeira de aço eliminando imperfeições e aplicação de nova camada de gesso para preencher vazios assegurando a espessura final do revestimento; i) Desempenar cuidadosamente os excessos de rebarbas exercendo certa pressão para obter a superfície final.

c) Revestimento sarrafeado: é realizado quando se deseja uma superfície com planeza mais rigorosa. O procedimento de execução é semelhante ao revestimento desempenado, porém, no sarrafeado são executadas inicialmente faixas mestras de argamassa industrializada entre as taliscas aplicando-se posteriormente a pasta de gesso entre estas (Figura 5). Concluído o espalhamento da pasta de gesso e antes de sua pega estar muito avançada, faz-se o sarrafeamento com régua

35

de alumínio, cortando os excessos de pasta (Figuras 6, 7 e 8). Com o revestimento endurecido, aplica-se pasta nos vazios e imperfeições de superfície a fim de eliminar ondulações e rebarbas. O acabamento da superfície é realizado com a aplicação de uma camada de 1 mm a 10 mm de espessura de pasta fluida, tudo como descrito no item anterior.

de pasta fluida, tudo como descrito no item anterior. Fonte: SABBATINI et al, 2006. Figura 5

Fonte: SABBATINI et al, 2006.

Figura 5 Preparação das mestras para aplicação do gesso sarrafeado.

das mestras para aplicação do gesso sarrafeado. Fonte: SABBATINI et al, 2006. Figura 6 – Sarrafeamento

Fonte: SABBATINI et al, 2006.

Figura 6 Sarrafeamento com régua de alumínio em parede.

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36 Fonte: SABBATINI et al, 2006. Figura 7 – Sarrafeamento com régua de alumínio em teto.

Fonte: SABBATINI et al, 2006.

Figura 7 Sarrafeamento com régua de alumínio em teto.

7 – Sarrafeamento com régua de alumínio em teto. Fonte: SABBATINI et al, 2006. Figura 8

Fonte: SABBATINI et al, 2006.

Figura 8 Sarrafeamento com régua de alumínio em parede. O referencial é dado pelas mestras.

37

2.4 COMPOSIÇÃO DE CUSTO E ORÇAMENTO

“De modo simplista, podemos dizer que orçamento é o cálculo dos custos

para executar uma obra ou um empreendimento.” (SAMPAIO, 1993, p. 27) O orçamento pode ser definido como a soma de três fatores: custos diretos (mão-de-obra de operários, material, equipamentos), custos indiretos (equipes de supervisão e apoio, despesas gerais do canteiro de obras) e adição de impostos e lucro. Um orçamento apresenta uma estimativa de custos sem muita precisão. É através deste que o construtor atribui seu preço de venda, este sim, preciso (MATTOS, 2006). Para Sampaio (1993), o orçamento possibilita:

a) analisar a viabilidade econômico-financeira do empreendimento;

b) levantar os materiais e serviços;

c) levantar o número de operários para cada etapa de serviço;

d) fazer o cronograma físico ou de execução da obra, bem como o cronograma físico-financeiro;

e) acompanhar sistematicamente a aplicação de mão-de-obra e materiais

para cada etapa de serviço, etc. Ainda segundo Sampaio (1993), é possível fazer o orçamento de uma obra

mesmo que seu projeto não esteja completo. O custo pode ser avaliado das seguintes formas:

a) estimativa de custo: realizada na fase de estudo preliminar do projeto. É obtida pela estimativa de quantidade de materiais e serviços, pesquisa de preços médios e aplicação de porcentagens estimativas ou coeficientes de correlação;

b) orçamento preliminar: realizado na etapa de anteprojeto, baseia-se no levantamento de quantidade de materiais e serviços pesquisando preços médios;

c) orçamento analítico ou detalhado: realizado na etapa de projeto executivo, é obtido através do levantamento de quantidades de materiais e serviços e da composição de preços unitários.

38

Gehbauer (2002) recomenda que seja feita uma nova estimativa de custos ao final de cada etapa, tendo em vista o aumento do volume de informações mais precisas com o decorrer da obra, possibilitando cálculos mais detalhados resultando

o mais próximo do custo real. Os valores apontados na Figura 9 mostram a grande

diferença existente entre a previsão de custos no início e no fim da obra sendo feito

o gerenciamento de custos em todas as fases de projeto e a situação contrária, se aproximando muito mais do custo real no primeiro caso.

se aproximando muito mais do custo real no primeiro caso. Fonte: GEHBAUER, 2002. Figura 9 –

Fonte: GEHBAUER, 2002.

Figura 9 Nível de precisão dos cálculos de custos nas diversas fases do projeto, com e sem gestão de custos.

Mattos (2006) define composição de custos como o estabelecimento de

custos necessários à execução de certo serviço ou atividade, utilizando requisitos pré-estabelecidos e individualizado por insumo. Deve conter todos os insumos necessários para a execução do serviço, suas quantidades, seus custos unitários e

o custo total. A tabela de composição de custos unitários é constituída por:

a) insumo: cada material, mão-de-obra e equipamento necessários para a execução direta do serviço; b) unidade: unidade utilizada para medir o insumo. Por exemplo: kg, m³, m², m, un (para materiais); hora ou homem-hora (para mão-de-obra) e hora (para equipamento);

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c) índice: é a quantidade necessária de cada insumo para a execução de uma unidade de serviço;

d) custo unitário: custo de aquisição de uma unidade de insumo;

e) custo total: é obtido multiplicando-se o índice de cada insumo por seu

custo unitário e representa o custo total do insumo na composição de custos unitários. Para levantar a quantidade de serviços a serem executados é necessário utilizar projetos e especificações que indicam o que será utilizado e onde. São utilizadas as medidas e dimensões de plantas e desenhos para levantar as quantidades de serviços de aplicação de materiais (SAMPAIO, 1993). O critério utilizado por Sampaio (1993) para levantar a quantidade de revestimento é a medição pelas quantidades, comprimentos e áreas reais. Para argamassas e chapiscos, descontam-se áreas de vazios ou interferências maiores que 2,00m², sendo descontado só o excedente a 2,00m².

40

3 ESTUDO DE CASO

A fim de estudar a utilização de gesso como alternativa de material no

revestimento interno de tetos e paredes e verificar que seu uso traz economia à obra, realizou-se um estudo de caso utilizando uma obra participante do Programa Minha Casa Minha Vida localizada no município de Joinville e executada por uma construtora da mesma localidade.

3.1 O empreendimento

O projeto (Figura 10) é composto por quatro blocos de apartamentos sendo

que em cada bloco têm-se, 01 (um) pavimento térreo, 05 (cinco) pavimentos denominados pavimento tipo e 01 (um) pavimento de cobertura, totalizando 34 (trinta

e quatro) unidades residenciais por bloco e 171 (cento e setenta e uma) vagas para estacionamento assim distribuídos:

a) Pavimento Térreo: composto por hall de entrada, circulação, elevador, 1 (uma) unidade residencial com jardim privativo, salão de festas, 14 (quatorze) vagas de garagem (em cada bloco); depósito de lixo, central de GLP, 3 (três) playgrounds, pista de caminhada e pista de skate;

b) Pavimento Tipo: hall de circulação, escada, elevador e um total de 06 (seis) unidades residenciais;

c) Pavimento Cobertura: hall de circulação, escada, elevador e um total de 03 (três) unidades residenciais;

d) Pavimento Barrilete e Caixa d’água: barrilete e caixa d’água.

Os apartamentos que compõe cada bloco são descritos a seguir:

a) Apartamentos tipo 01 (Figura 11): compostos de 02 (dois) dormitórios, sala de estar/jantar, bwc, cozinha, área de serviço e sacada;

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b) Apartamentos tipo 02 (Figura 12): compostos de 02 (dois) dormitórios, sala de estar/jantar, bwc, cozinha e área de serviço;

c) Apartamentos tipo 03 (Figura 13): compostos de 01 (um) dormitório, sala de estar/jantar, bwc, cozinha e área de serviço;

d) Apartamentos tipo 04 (térreo): compostos de 02 (dois) dormitórios, sala de estar/jantar, bwc, cozinha, área de serviço e jardim privativo;

e) Apartamentos Cobertura: compostos de 02 (dois) dormitórios, sala de estar/jantar, bwc, cozinha, área de serviço e terraço.

sala de estar/jantar, bwc, cozinha, área de serviço e terraço. Figura 10 – Implantação do empreendimento

Figura 10 Implantação do empreendimento

42

42 Figura 11 – Planta baixa do apartamento Tipo 1 Figura 12 – Planta baixa do

Figura 11 Planta baixa do apartamento Tipo 1

42 Figura 11 – Planta baixa do apartamento Tipo 1 Figura 12 – Planta baixa do

Figura 12 Planta baixa do apartamento Tipo 2

43

43 Figura 13 – Planta baixa do apartamento Tipo 3 3.2 Levantamento de quantidades de áreas

Figura 13 Planta baixa do apartamento Tipo 3

3.2 Levantamento de quantidades de áreas

A tabela 6 apresenta o levantamento de áreas de tetos e paredes internas a serem revestidos para cada bloco do empreendimento. Para o cálculo de áreas de paredes revestidas, é realizada a multiplicação entre as colunas da tabela: perímetro (perímetro de cada pavimento a ser revestido; obtido do projeto arquitetônico) pela altura (altura de cada pavimento), descontando a coluna desconto (vãos, como portas e janelas; f oram descontados somente vãos excedentes a 2,00 m² e somente o excedente a 2,00 m²). As áreas de tetos foram obtidas através do projeto arquitetônico. As garagens do pavimento térreo não estão inclusas no levantamento de tetos, pois as mesmas foram apenas regularizadas somente com pasta niveladora.

44

Tabela 6. Levantamento de áreas de paredes e tetos a serem revestidas para um bloco.

 

Áreas a serem revestidas para 1 Bloco

 
 

Parede

Teto

 

Perímetro

Altura

Desconto

Área Total

Área Total

Pavimento

(m)

(m)

(m²)

(m²)

(m²)

Térreo

117,60

2,60

7,67

298,09

141,53

Tipo (5X)

1.886,30

2,60

63,00

4.841,38

1.438,05

Cobertura

209,00

2,60

6,30

537,10

165,36

36,33

1,00

0,00

36,33

 

TOTAL (m²)

 

5.712,90

1.744,94

Como o empreendimento é constituído por quatro blocos, multiplicou-se a

tabela 6 por 4 resultando na tabela 7 que apresenta as áreas totais do projeto a

serem revestidas.

Tabela 7. Levantamento de áreas de paredes e tetos a serem revestidas para quatro blocos.

 

Áreas a serem revestidas para 4 Blocos

 
 

Parede

Teto

 

Perímetro

Altura

Desconto

Área Total

Área Total

Pavimento

(m)

(m)

(m²)

(m²)

(m²)

Térreo

470,40

2,60

30,68

1.192,36

566,12

Tipo (5X)

7.545,20

2,60

252,00

19.365,52

5.752,20

Cobertura

836,00

2,60

25,20

2.148,40

661,44

145,32

1,00

0,00

145,32

 

TOTAL (m²)

22.851,60

6.979,76

3.3 Custo unitário

O revestimento convencional de paredes e tetos do empreendimento é

composto de duas etapas: chapisco e argamassa única, com acabamento feltrado

ou camurçado. As Tabelas 8 a 11 apresentam o custo unitário e o custo total para

argamassa convencional constituída de cimento, cal e areia para tetos e paredes. Já

as Tabelas 12 e 13 apresentam o mesmo para revestimento com gesso liso e

acabamento desempenado. As tabelas 8 a 13 apresentam as seguintes colunas:

a) descrição: é cada insumo, ou seja, material, mão-de-obra e

equipamento necessário para a execução direta do serviço. Os

45

insumos foram obtidos da TCPO (Tabelas de Composição de Preços para Orçamentos);

b) unid.: é a unidade utilizada para medir o insumo. As unidades foram obtidas da TCPO;

c) índice: é a quantidade necessária de cada insumo para a execução de uma unidade de serviço. Os índices foram obtidos da TCPO;

d) valor unit.: é o custo de aquisição de uma unidade de insumo. Os valores unitários foram obtidos através de valores médios praticados pelo mercado em outubro de 2011;

e) valor do item: é obtido multiplicando-se o índice pelo valor unitário;

f) índice total: é obtido multiplicando-se o índice pela área total a ser revestida;

g) valor total item: é obtido multiplicando-se o valor unitário pelo índice total.

As tabelas ainda apresentam o total unitário, que é o custo para a execução de 1 m² e o total geral, que é o custo de toda a área a ser revestida.

Tabela 8. Argamassa convencional (parede interna) Composição para chapisco

Chapisco em parede interna com argamassa de cimento e areia traço 1:3, e = 5

Quantidade (m²)

mm

   

22.851,60

 

Descrição

Unid. Índice

Valor Unit.

Valor do Item

Índice Total

Valor Total Item

Areia média lavada

0,0061

50,00

0,3050

139,39

6.969,74

Cimento Portland CP II

kg

2,4300

0,42

1,0206

55.529,39

23.322,34

Pedreiro

h

0,1000

13,00

1,3000

2.285,16

29.707,08

Servente

h

0,1500

8,50

1,2750

3.427,74

29.135,79

Total Unitário:

3,90

Total Geral:

89.134,95

46

Tabela 9. Argamassa convencional (parede interna) Composição para emboço

(parede interna) – Composição para emboço Emboço em parede interna com argamassa de cimento, cal e

Emboço em parede interna com argamassa de cimento, cal e areia traço 1:2:9, e = 20 mm

argamassa de cimento, cal e areia traço 1:2:9, e = 20 mm Quantidade (m²) 22.851,60 Descrição

Quantidade (m²)

cal e areia traço 1:2:9, e = 20 mm Quantidade (m²) 22.851,60 Descrição Unid. Índice Valor

22.851,60

Descrição

Unid. Índice

Valor Unit.

Valor do Item

Índice Total

Valor Total Item

Areia média lavada

0,0243

50,00

1,2150

555,29

27.764,69

Cimento Portland CP II

kg

3,2400

0,42

1,3608

74.039,18

31.096,46

Cal Hidratada CH III

kg

3,2400

0,30

0,9720

74.039,18

22.211,76

Pedreiro

h

0,6000

13,00

7,8000

13.710,96

178.242,48

Servente

h

0,8000

8,50

6,8000

18.281,28

155.390,88

Total Unitário:

18,15

Total Geral:

414.706,27

Tabela 10. Argamassa convencional (teto) Composição para chapisco

convencional (teto) – Composição para chapisco Chapisco em teto com argamassa de cimento e areia traço

Chapisco em teto com argamassa de cimento e areia traço 1:3, com adição de adesivo à base de resina sintética, e = 5 mm

adição de adesivo à base de resina sintética, e = 5 mm Quantidade (m²) 6.979,76 Descrição

Quantidade (m²)

à base de resina sintética, e = 5 mm Quantidade (m²) 6.979,76 Descrição Unid. Índice Valor

6.979,76

Descrição

Unid. Índice

Valor Unit.

Valor do Item

Índice Total

Valor Total Item

Adesivo à base de resina sintética

l

0,3000

7,76

2,3280

2.093,93

16.248,88

Areia média lavada

0,0073

50,00

0,3650

50,95

2.547,61

Cimento Portland CP II

kg

2,9200

0,42

1,2264

20.380,90

8.559,98

Pedreiro

h

0,2500

13,00

3,2500

1.744,94

22.684,22

Servente

h

0,3100

8,50

2,6350

2.163,73

18.391,67

Total Unitário:

7,48

Total Geral:

68.432,36

Tabela 11. Argamassa convencional (teto) Composição para emboço

convencional (teto) – Composição para emboço Emboço em teto com argamassa de cimento, cal e areia

Emboço em teto com argamassa de cimento, cal e areia traço 1:2:9, e = 20 mm

argamassa de cimento, cal e areia traço 1:2:9, e = 20 mm Quantidade (m²) 6.979,76 Descrição

Quantidade (m²)

cal e areia traço 1:2:9, e = 20 mm Quantidade (m²) 6.979,76 Descrição Unid. Índice Valor

6.979,76

Descrição

Unid. Índice

Valor Unit. Valor do Item

Índice Total

Valor Total Item

Areia média lavada

0,0243

50,00

1,2150

169,61

8.480,41

Cimento Portland CP II

kg

3,2400

0,42

1,3608

22.614,42

9.498,06

Cal Hidratada CH III

kg

3,2400

0,30

0,9720

22.614,42

6.784,33

Pedreiro

h

0,7000

13,00

9,1000

4.885,83

63.515,82

Servente

h

0,9000

8,50

7,6500

6.281,78

53.395,16

 

Total Unitário:

20,30

Total Geral:

141.673,77

47

Tabela 12. Gesso (parede interna) Composição para acabamento desempenado

interna) – Composição para acabamento desempenado Gesso desempenado sobre parede interna Quantidade (m²)

Gesso desempenado sobre parede interna

desempenado Gesso desempenado sobre parede interna Quantidade (m²) 22.851,60 Descrição Unid. Índice

Quantidade (m²)

Gesso desempenado sobre parede interna Quantidade (m²) 22.851,60 Descrição Unid. Índice Valor Unitário

22.851,60

Descrição

Unid. Índice

Valor Unitário

Valor do Item

Índice Total

Valor Total do Item

Gesso

kg

6,2000

0,40

2,4800

141.679,92

56.671,97

Gesseiro

h

0,3900

13,60

5,3040

8.912,12

121.204,89

Servente

h

0,1000

8,50

0,8500

2.285,16

19.423,86

 

Total Unitário:

8,63

Total Geral:

197.300,71

Tabela 13. Gesso (teto) Composição para acabamento desempenado

Gesso (teto) – Composição para acabamento desempenado Gesso desempenado sobre teto Quantidade (m²) 6.979,76

Gesso desempenado sobre teto

para acabamento desempenado Gesso desempenado sobre teto Quantidade (m²) 6.979,76 Descrição Unid. Índice

Quantidade (m²)

desempenado Gesso desempenado sobre teto Quantidade (m²) 6.979,76 Descrição Unid. Índice Valor Unitário

6.979,76

Descrição

Unid. Índice

Valor Unitário

Valor do Item

Índice Total

Valor Total do Item

Gesso

kg

6,2000

0,40

2,4800

43.274,51

17.309,80

Gesseiro

h

0,3900

13,60

5,3040

2.722,11

37.020,65

Servente

h

0,1000

8,50

0,8500

697,98

5.932,80

 

Total Unitário:

8,63

Total Geral:

60.263,25

3.4 Orçamentos

As tabelas 14 e 15 apresentam os orçamentos realizados para o revestimento convencional executado em camada única constituída de cimento, cal e areia e revestimento com pasta de gesso com acabamento desempenado. Nas tabelas 14 e 15 são visualizadas as seguintes colunas:

a) Descrição da atividade: é a descrição de cada atividade necessária para a execução do revestimento; b) Unidade: é a unidade utilizada para medir cada atividade do revestimento; c) Quantidade: é a área a ser revestida. É obtida da tabela 7;

48

d) Valores unitários: são obtidos das tabelas 8 a 13. Apresenta valores separados para material e mão de obra e em seguida, a soma dos dois para a execução de 1 m² de revestimento; e) Valor Unitário Final: de material, obtido pela multiplicação do valor unitário de material pela área total a ser revestida; de mão de obra, obtido pela multiplicação do valor unitário de mão de obra pela área total a ser revestida.

As tabelas 14 e 15 ainda apresentam o custo total para revestir tetos e paredes separadamente e sua somatória.

Tabela 14. Orçamento para revestimento com argamassa convencional.

14. Orçamento para revestimento com argamassa convencional. Tabela 15. Orçamento para revestimento com pasta de gesso.

Tabela 15. Orçamento para revestimento com pasta de gesso.

Descrição da atividade

Unidade

Quantidade

Valor Unitário

Valor

Valor Unitário Final

Valor do Serviço

 

Material

Mão de Obra

Unitário

Material

Mão de Obra

REVESTIMENTO COM PASTA DE GESSO

 

257.563,96

Revestimento de paredes internas

197.300,71

Gesso desempenado

22.851,60

2,48

6,15

8,63

56.671,97

140.628,75

197.300,71

Revestimento de tetos

60.263,25

Gesso desempenado

6.979,76

2,48

6,15

8,63

17.309,80

42.953,44

60.263,25

49

4 CONSIDERAÇÕES FINAIS

Este trabalho foi desenvolvido em vista da necessidade de se obter redução de custos na obra, por esta pertencer ao Programa Minha Casa Minha Vida e assim, tendo um custo limitado. Esta redução de custos foi obtida na etapa de revestimento interno de paredes e tetos. Diante do estudo das propriedades de ambos os revestimentos, constatou-se a vantagem no uso do gesso por apresentar: menor quantidade de camadas de aplicação gerando maior produtividade, custar em torno de 1/3 em relação ao revestimento convencional, apresentar aderência em tempo menor, ser de qualidade superior em se tratando de lisura de superfície, possui densidade aparente baixa deixando a estrutura da edificação com menor peso, resultando em custos reduzidos na fundação, desde que seja definido seu uso na fase de projeto da obra. Apesar das vantagens apresentadas na aplicação do gesso, vale ressaltar as seguintes limitações: por ser suscetível à água a presença de umidade na superfície revestida com gesso pode causar deterioração e/ou desenvolver microorganismos, não podendo ser aplicado em áreas externas, a mão de obra apresenta número limitado de aplicadores não atendendo a demanda, no Brasil há escassez desse material localizando no nordeste o maior número de jazidas. A utilização da pasta de gesso como revestimento de tetos e paredes gerou uma economia sem haver perda da qualidade diante das expectativas do cliente. O custo para a execução de tetos e paredes em gesso desempenado é de R$ 257.563,96, cerca de 1/3 em relação ao revestimento convencional de argamassa com cimento, cal e areia que custou R$ 713.947,35. No estudo de caso comprovou- se esta situação, onde o revestimento de gesso gerou uma economia de 63,92% em relação ao revestimento convencional, considerando-se tetos e paredes. Devido às limitações do gesso, na obra utilizada para estudo de caso, a empresa executora optou por revestir paredes com argamassa convencional e somente tetos com gesso desempenado, fato este que gerou uma economia de 71,32% no revestimento de tetos.

50

O estudo realizado constatou a viabilidade do uso do gesso para revestimento de tetos e paredes, desde que sejam tomados os devidos cuidados na sua execução bem como haja um bom planejamento através da verificação de disponibilidade de mão de obra e material.

51

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

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52

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