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O MÉTODO GENEALÓGICO

o 2º método da Antropologia, formulado na 1ª


década do século XX, para o estudo das relações
de parentesco nas sociedades “primitivas”
FORJADOR: MORGAN

• EUA, direito 1842


• A liga dos Iroqueses (1851)
• “estranha” forma de denominar os parentes
que “confunde” os consanguíneos e os
colaterais
• 1959-1962: questionários pelo mundo (+ 4 viagens
curtas a reservas indígenas)
• Sistemas de consanguinidade e afinidade da
família humana (1871)
• Sociedade Antiga (1877)
Nosso
Sistema
(“descritivo”)
Sistema dos “outros” : “CLASSIFICATÓRIO”
Morgan: nomenclatura do parentesco

O método comparativo/evolucionista de
Morgan:
1 pergunta • Juntar informações (terminologia de
“como você chama teus parentes?”
parentesco)
• Classificar informações
(classificatório/descritivo)
• Hierarquizar informações (atrasados
/evoluídos)
• Deduzir: ausência de distinções = ausência de
papéis = promiscuidade sexual

ANTROPOLOGIA:
formuladora das LEIS DA EVOLUÇÃO DAS SOCIEDADES HUMANAS
O método genealógico em Rivers
Muitas outras perguntas (para além de “como você chama teus
parentes?”):
• Qual o nome que você dá à mulher que te pariu?
• Com quem ela mora?
• O que é essa pessoa de você?
• Como você chama aos outro/as que tua mãe pariu?
• Onde esse grupo mora?
• Como esse grupo se chama?
• Quem mais faz parte desse grupo?
• Por que os outros/as moram em outros casas?
• Quem pode casar com quem?
• Aonde o jovem casal deve morar?
• Quem herda o quê?
• ...... • PARENTE é um conceito que deve ser preenchido em cada caso
• O PARENTESCO é um conjunto de relações que ORGANIZAM diversos
aspectos da vida social de um grupo
Sociedades SEM Sociedades COM
MORGAN Estado ESTADO

Organizadas “reconhecendo o quão grande é a importância para a ciência da


sociologia de todo o corpo de fatos que MORGAN foi o primeiro
pelo
a coletar e estudar” (RIVERS, 1913, p.148)
PARENTESCO

ANTROPOLOGIA: estudo do parentesco em


RIVERS sociedades primitivas

Método genealógico:
Exposição cronológica das origens de um indivíduo
(ego)
Na forma de diagrama: “árvore genealógica”
Dá informações sobre:
– Papéis sociais das pessoas (nome especial para irmão mais velho...)
– as regras de casamento sem sequer perguntar
– Tipo de sociedade (matrilineares ou não)
– as migrações
– Quem ocupa cargos religiosos
– A demografia: proporção de sexos, tamanho de famílias, filhos que
sobrevivem....
– A antropologia física: as características físicas de um povo
– A transmissão de nomes
COMO RIVERS CRIA UM NOVO MÉTODO?
1. EXPEDIÇÕES
2. PRESTÍGIO
Expedições
– Viagens de meses, equipes multidisciplinares
– Muitos lugares em pouco tempo
– “Coletar” era a palavra-chave -> tradutores nativos
– Recebidos por administradores coloniais
Diversas no XIX:
– expedição La Condamine,
– expedições de Humboldt,
– Spix e Martius,
– Langsdorf;
– no Brasil: marechal Rondon (que forma Roquette-Pinto)
EXPEDIÇÕES DE RIVERS

• médico, psicólogo, psiquiatra


• viajou para o Japão e EUA como médico
de bordo, depois fez doutorado em
medicina na Alemanha
• Como psicólogo, participou da 1ª
expedição ao Estreito de Torres
• 1898-1915: 4 expedições para Oceania
• Artigos, conferências

EXPEDIÇÕES VÃO PERMITIR O SURGIMENTO DE OUTRO MÉTODO


Como? Pelo material empírico (tipo de informação) + in loco (não dedução),
que elas fornecem:

1. Permite criticar alguns postulados evolucionistas => explicação pela observação e não
pelo raciocínio ou a especulação
– o “sistema classificatório” advém de uma época de promiscuidade
– terminologia classificatória é um resultado lógico de uma forma específica de
casamento -> entre “primos cruzados” -> uma única pessoa pode exercer diversos
papéis (avô e sogro; tia e sogra...)

2. Permite admitir o etnocentrismo ao perceber “lógicas” outras


... quando se lida com culturas tão diferentes da nossa própria o perigo é de qualificar de
“absurdas” ou “impossíveis” instituições ou termos... (“O sistema classificatório e formas de
organização social”, 1913)
.../ por outro lado, AS EXPEDIÇÕES não fazem milagres!
– “cultura simples”, “primitiva”
– “povo selvagem”, “bárbaro”, “filho da natureza”
– (europeia) “civilização mais complexa” tem mente mais treinada
e mais clareza para formular suas próprias leis
– o selvagem é falso = “ele lhe contará o que vc quiser saber”
– Antropologia aplicada:
“Homens de estado começaram a reconhecer a importância
prática de conhecer as instituições daqueles que têm que
governar e sociedades missionárias estão começando a ver o que
todo missionário sensato sabe há muito tempo – que é necessário
entender as idéias e costumes daqueles cujas vidas estão
tentando reformar.” (“A análise etnológica da cultura”,
1911.cit.p.175)
1ª geração antropólogos britânicos: TYLOR, GABINETE Método comparativo
FAZER

2ª geração de antropólogos britânicos: Método


EXPEDIÇÕES
HADDON, SELIGMAN, RIVERS genealógico

3ª geração (Ing): Radcliffe-Brown

TRABALHO DE
CAMPO
4ª geração (Ing): Evans-Pritchard, Meyer
ETNOGRÁFICO
Fortes.... Método etnográfico
2. Prestígio

• diversos artigos sobre parentesco na Polinésia e Melanésia


• 1914: 3 conferências publicadas no pequeno livro “Kinship and
Social organization”
• 1915: Convidado a ensinar Antropologia em Cambridge
• 1922 (ano de sua morte) se torna presidente do Royal
Anthropological Institute.
Como Rivers justifica seu método de
apreender a realidade a partir
das relações de parentesco

• Método “objetivo”
• Método que torna possível entender sem ter de formular perguntas abstratas -> perguntas simples
• Método prático, ideal para as expedições
• Método que distingue o que se diz do que é
• Consiste em fazer perguntas:
– nome de pai e mãe, dos filhos e seus descendentes, irmão da mãe..... +
– condição social das pessoas, localidade de origem, aldeia, clã, totem
• Dicas:
– dificuldades: falar dos mortos; mudança de nomes
– Preferência por trabalhar com velhos
– Conferir genealogias com outras