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Sistema de Cotas Raciais para o Ingresso nas Universidades Públicas

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Sistema de Cotas Raciais para o Ingresso nas Universidades Públicas

Por Rafael Macêdo

Atualmente no Brasil,diversas faculdades adotaram o Sistema de Cotas,ponderando nos quesitos raciais ou renda familiar.Por sistema de cotas entende-se uma medida governamental que cria uma reserva de vagas em instituições públicas ou privadas para determinados segmentos sociais. É considerada uma forma de ação afirmativa, segundo conceito surgido nos Estados Unidos na década de 1960. Agora analisando nossa realidade jurídica,nossa Constituição Federal afirma em seu artigo 5˚ que todos são iguais perante a lei,sem distinção de qualquer natureza; por que aplicariamos um sistema de segregação racial para o ingresso nas Universidades Públicas? Estáriamos seguindo a teoria de que tratar os desiguais de forma diferenciada para que possamos, enfim, alcançar a almejada isonomia? Os Movimentos Pró-Cotas se se baseiam na idéia de que que durante um período da história brasileira, os negros foram excluídos e marginalizados, assim como os povos indígenas, a moral e a identidade dos povos africanos foi pisoteada na história do Brasil e as cotas raciais são uma forma de suprir essa barreira, essa dívida histórica,e assim essa herança da escravidão precisa ser reparada. Os negros brasileiros de hoje seriam descendentes dos escravos e, por isso, estariam muito atrás na corrida pelas oportunidades do mercado de trabalho. “As cotas têm de ser criadas porque os negros foram injustiçados”, diz Frei David Raimundo dos Santos, da ONG Educafro, um dos mais ativos militantes pró-cotas. Esses movimentos, juridicamente falando, se atentam ao que diz a definição jurídica objetiva e racional da desigualdade dos desiguais, histórica e culturalmente discriminados, que é concebida como uma forma para se promover a igualdade daqueles que foram e são marginalizados por preconceitos encravados na cultura dominante. Essa Ação Afirmativa é, então, uma forma jurídica para se superar o isolamento ou a diminuição social a que se acham sujeitas as minorias. Ações Afirmativas vem são definidas como um conjuto de políticas públicas e privadas de caráter compulsório, facultativo ou voluntário, concebidas com vistas ao combate à discriminação racial, de gênero e de origem nacional, bem como para corrigir os efeitos presentes da discriminação praticada no passado, tendo por objetivo a concretização do ideal de efetiva igualdade de acesso a bens fundamentais como a educação e o emprego. De contra partida nesse caso das cotas, existem os movimentos anti-cotas afirmando que essa distinção de cor é errada e inconstitucional. Pelo fato do Brasil ser um país miscigenado, onde nossa matriz é Luza,Indígena e Africana, seria difícil determinar uma única etnia para um indivíduo. O maior alicerce jurídico desse movimento é o caput do artigo 5˚ da Constituição Federal, que afirma a isonomia jurídica dentre os indivíduos. Também podemos notar o artigo 3˚,inciso IV: ‘’Promover o Bem de todos, sem preconceitos de origem, raça, sexo,cor,idade e quaisquer outras formas de discriminação’’.

Notamos que a base principal da defesa dos movimentos contra as cotas é a discriminação,que pode ser vista de dois lados: 1) No ponto de vista dos ‘’brancos’’, estaram sendo discriminados não estando inclusos nas cotas; 2) Os negros mesmo estão se discriminando, porque lutando por esse direito das cotas,estão recebendo benefícios e ainda estão sendo abssolvidos de uma análise do ensino geral, ou seja, estão se considerando incapacitados perante os brancos. Claro que essas realidades sociais são bem relativas quando materializadas. Analisando ambos os movimentos, podemos ver que mesmo acreditando em verdades contrárias, os dois não estão felizes com a realidade brasileira no âmbito do ingresso nas Universidades Públicas. O problema não se situa no ensino superior e sim na base,no ensino fundamental. Se a Educação fosse foco principal das políticas públicas, o ensino público seria equivalente ao ensino particular,não havendo o porquê de se criar as tão famigeradas cotas. Que Brasil queremos? Um país no qual as escolas eduquem as crianças pobres, independentemente da cor ou raça, dando-lhes oportunidade de ascensão social e econômica; no qual as universidades se preocupem em usar bem os recursos e formar bem os alunos. No caso do ensino superior, o melhor caminho é aumentar o número de vagas nas instituições públicas, ampliar os cursos noturnos, difundir os cursos de pré-vestibular para alunos carentes, implantar câmpus em áreas mais pobres, entre outras medidas. Devemos almejar um Brasil no qual ninguém seja discriminado, de forma positiva ou negativa, pela cor ou raça: que se valorize a diversidade como um processo vivaz que deve permanecer livre de normas impostas pelo Estado a indivíduos que não necessariamente querem se definir segundo critérios raciais. Abrir espaço para cotas raciais dá margem para que outros grupos minoritários queiram os mesmos benefícios e,além de combater a separação de classes e cores, a sociedade estará mais segregada. Temos que fazer valer a isonomia defendida na Constituição Federal e fazer com que o Brasil tenha igualdade não apenas formal,mas em si,material.

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