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UNIVERSIDADE da MADEIRA

Departamento de Química

Electroquímica

ESTUDO
DA
CORROSÃO DO FERRO

TRABALHO ELABORADO POR:

DUARTE CORREIA
LÚCIA NASCIMENTO GRUPO 3
JOÃO MARQUES P1

DOCENTE: DR. JOSÉ MESQUITA

Realizado a 12 de Dezembro de 2000


ÍNDICE
LÚCIA NASCIMENTO GRUPO 3........................................................................................
........................1

JOÃO MARQUES P 1......................................................................................................................


................1
DOCENTE: DR. JOSÉ MESQUITA.......................................................................................................................1
ÍNDICE...............................................................................................................................................................
.2

RESUMO.........................................................................................................................................
...................3

INTRODUÇÃO...............................................................................................................................................
...4

PARTE EXPERIMENTAL..............................................................................................................
................6
PARTE A....................................................................................................................................................6
PARTE B....................................................................................................................................................6
MATERIAL.............................................................................................................................................
...........6

REAGENTES............................................................................................................................................
.........7

PROCEDIMENTO EXPERIMENTAL..............................................................................................
...........7
PARTE A – FERRO EM PRESENÇA DE DIFERENTES SOLUÇÕES AQUOSAS..................................................................7
PARTE B – FERRO EM CONTACTO COM DIFERENTES METAIS................................................................................8
RESULTADOS EXPERIMENTAIS.................................................................................................
..............9
PARTE A....................................................................................................................................................9
ÁGUA DE DISTRIBUIÇÃO DA CIDADE DO FUNCHAL................................................................................................9
Registo...................................................................................................................................................9
Após 1 semana.......................................................................................................................................9
Registo.................................................................................................................................................10
Após 1 semana.....................................................................................................................................10
PARTE B..................................................................................................................................................10
Metais...................................................................................................................................................11
FERRO LIVRE EM SOLUÇÃO.............................................................................................................................11
TRATAMENTO DE RESULTADOS EXPERIMENTAIS..................................................................
......11

CONCLUSÃO.........................................................................................................................................
.........16

BIBLIOGRAFIA...........................................................................................................................
..................18
RESUMO

A realização deste trabalho experimental, tem por objectivo o estudo da corrosão


do ferro. Para tal estudou-se os fenómenos associados à corrosão do ferro em duas
etapas. Na primeira etapa estudou-se o comportamento do ferro na presença de
diferentes soluções aquosas e na segunda etapa estudou-se o efeito do contacto do ferro
com diferentes metais numa mesma solução.

3
INTRODUÇÃO

A corrosão é a palavra geralmente usada para designarmos a deterioração de


metais através de um processo electroquímico. Encontramos à nossa volta muitos
exemplos de corrosão – ferrugem, escurecimento de prata, película verde formada sobre
o cobre e o bronze.[chang]
Os fenómenos de corrosão são conhecidos não só pela sua importância económica
e técnica como também pela sua complexidade.
Exemplo mais familiar de corrosão é sem dúvida o da formação de ferrugem
sobre o ferro. Para que o ferro enferruge é necessário a presença de oxigénio gasoso e
água.
Uma região da superfície do metal funciona como eléctrodo negativo – ânodo –
onde ocorre a oxidação:

Fe (s) → Fe 2 + (aq) + 2 e −

os electrões que se formam fluem através do metal para uma região que funciona
como eléctrodo positivo – cátodo – onde dá-se a redução do oxigénio atmosférico a
água:

O 2 (g) + 4 H + (aq) + 4 e − → 2 H 2O (l)

a reacção redox global é:

2 Fe (s) + O 2 (g) + 4 H + (aq) → 2 Fe 2 + (aq) + 2 H 2O (l)

ε = ε 00 xi + ε red
0
= 0,44 + 1,23 = 1,67 V

os iões Fe2+ formados no ânodo são oxidados pelo oxigénio o hidrato de oxido de
ferro (III) por reacção química directa quando migram para a superfície da água, onde
existe oxigénio disponível.[chang + N Glincka]

4 Fe 2 + (aq) + O 2 (g) + (4 + 2x) H 2O (l) → 2 Fe2O3 .xH 2O (s) + 8 H + (aq)


Fe 2O3 → ferrugem

A composição da ferrugem obtida vai depender não só da composição da


atmosfera como também da própria composição do material metálico. Deste modo de
entre os vários elementos conhecidos que são comuns ao material ferroso como o
fósforo, o silício, carbono, enxofre têm efeito activo na composição da ferrugem.
Assim, quando o fenómeno de corrosão é eminente, isto é, no inicio do processo,
apenas a composição da atmosfera é significativa para avaliar a velocidade de corrosão.
Porém à medida que o processo se desenrola e se forma a ferrugem, o material passa
então a se corroer seguindo uma velocidade que vai depender da composição do
material metálico.[2 deles] Contudo verifica-se que a corrosão perante condições de
oxigénio livre é lenta por duas razões. Primeiro, a redução do H2O é lento; segundo, a
formação de uma camada de Fe(OH)2 a partir dos produtos da reacção de transferência
de electrões inibe reacções posteriores.

4
Se ambos o oxigénio e a água estão presentes, a química da corrosão do ferro é
algo diferente e a reacção de corrosão é cerca de 100 vezes mais rápida do que sem
oxigénio.[chemistry & chemistry reactante]
Existem vários métodos para proteger os metais da corrosão. A maioria deles tem
como objectivo, impedir a formação de ferrugem. O procedimento mais evidente
consiste em pintar a superfície do metal com uma tinta. No entanto, se a tinta estiver
esfolada, picada ou amolgada de forma que deixe em exposição uma área, mesmo que
pequena, do metal, haverá formação de ferrugem sob a camada de tinta. A superfíicie do
ferro metálico pode ser tornada inactiva através de um processo chamado passivação.
Quando o metal é tratado com um agente oxidante forte como o ácido nitrico
concentrado, forma-se uma fina camada de óxido. Uma solução de cromato de sódio é
frequentemente acrescentado aos sistemas de arrefecimento para evitar a formação de
ferrugem.
A tendência do ferro para se oxidar é fortemente reduzida quando ele forma ligas
com alguns metais, tais como ligas de ferro com crómio e níquel – aço inoxidável.
Um outro processo que evita o fenómeno de corrosão é a protecção catódica onde
o metal é tornado cátodo numa pilha electroquímica.

5
PARTE EXPERIMENTAL

Esquema de montagem

PARTE A

Figura 1

PARTE B

Figura 2

MATERIAL

 Gobelets
 Tubos de ensaio
 Suporte para tubos de ensaio
 Parafilme
 Pinça
 Balança analítica
 Fios

6
REAGENTES

 Água destilada
 Solução de cloreto de sódio (1 g/l)
 Solução de ácido sulfúrico (2 g/l)
 Solução de bissulfito de sódio (2 g/l)
 Solução de hidróxido de sódio (1 g/l)
 Solução de hidróxido de sódio (40 g/l)
 Solução de cromato de potássio e cloreto de sódio
 Solução de permanganato de potássio (0,2 g/l)
 Solução de permanganato de potássio (1 g/l)
 Solução de peróxido de hidrogénio (0,2 g/l)
 Solução de peróxido de hidrogénio (1 g/l)
 Água de distribuição da cidade do Funchal
 Placa de cobre
 Placa de zinco
 Magnésio
 Platina

PROCEDIMENTO EXPERIMENTAL

PARTE A – Ferro em presença de diferentes soluções aquosas.

Nesta etapa, introduziu-se os pregos em tubos de ensaio, como mostra a figura 1 ,


contendo cada um deles diferentes soluções aquosas, amostras 1 a 12 respectivamente.
As amostras utilizadas para:

1. Água destilada
2. Solução de cloreto de sódio (1 g/l)
3. Solução de ácido sulfúrico (2 g/l)
4. Solução de bissulfito de sódio (2 g/l)
5. Solução de hidróxido de sódio (1 g/l)
6. Solução de hidróxido de sódio (40 g/l)
7. Solução de cromato de potássio e cloreto de sódio
8. Solução de permanganato de potássio (0,2 g/l)
9. Solução de permanganato de potássio (1 g/l)
10. Solução de peróxido de hidrogénio (0,2 g/l)
11. Solução de peróxido de hidrogénio (1 g/l)
12. Água de distribuição da cidade do Funchal

Registou-se as observações 2 horas e 1 semana após a execução do trabalho e


pesou-se cada um dos pregos.

7
PARTE B – Ferro em contacto com diferentes metais

Nesta etapa, introduziu-se numa série de quatro gobelets contendo água de


distribuição urbana, um prego ligado por uma ligação simples, a um outro metal,
nomeadamente cobre, zinco, magnésio e platina como mostra a figura 2 e simplesmente
livre em solução.
Registou-se as observações cerca de 2 horas depois de se iniciar o processo
experimental.

8
RESULTADOS EXPERIMENTAIS

PARTE A

Efectuada a experiência, observou-se atentamente o comportamento do ferro –


pregos – no decurso desta, tendo-se registado o aspecto daí a 2 horas e após 1 semana
de cada uma das experiências bem como as respectivas massas obtidas.

Tabela 1 – Valores de massa obtida para os vários antes de entrar em contacto com
a respectiva solução e após uma semana em contacto.
Tubos solução minicial (g) mfinal (g)
1 Água destilada 6,5097 6,5070
2 Solução de cloreto de sódio (1 g/l) 6,6325 6,6317
3 Solução de ácido sulfúrico (2 g/l) 6,6253 6,6081
4 Solução de bissulfito de sódio (2 g/l) 6,6216 6,6199
5 Solução de hidróxido de sódio (1 g/l) 6,5672 6,5686
6 Solução de hidróxido de sódio (40 g/l) 6,6190 6,6179
7 Solução de cromato de potássio e cloreto de sódio 6,6483 6,6472
8 Solução de permanganato de potássio (0,2 g/l) 6,6024 6,6000
9 Solução de permanganato de potássio (1 g/l) 6,6394 6,6402
10 Solução de peróxido de hidrogénio (0,2 g/l) 6,4972 6,4927
11 Solução de peróxido de hidrogénio (1 g/l) 6,5820 6,5812
12 Água de distribuição da cidade do Funchal 6,6088 6,6057

Tabela 2 – Registo das alterações sofridas pelo prego após duas horas e após uma
semana de contacto com as respectivas soluções.
Registo
Tubos
Após 2 hora Após 1 semana
Formação de depósito
Formação de um depósito acastanhado de finas
amarelo;
1 partículas. Prego apresentando uma ferrugem –
Prego apresenta pequenas
manchas pretas.
manchas castanhas.
Cabeça do prego ligeiramente mais alaranjado,
Aparecimento de pequenas depósito verde escuro e fino no tubo. Prego
2
manchas castanhas. com uma coloração mais escura e homogénea –
ferrugem.
Muito pouco depósito. Cabeça do prego
Vê-se libertação de bolhas e
3 bastante alaranjado. Solução ligeiramente
escurecimento do prego.
alaranjada. Prego acizentado.
Prego ligeiramente acizentado – não muito
Aparecimento de mancha
homogéneo – depósito escuro não tão fino
4 cinzenta;
quanto os outros. Cabeça do prego ligeiramente
Libertação de pó amarelo.
mais escuro.
5 Sem alterações. Não se verificou qualquer alteração.

9
Tabela 3 – Continuação da tabela 2.
Registo
Tubos
Após 2 hora Após 1 semana
6 Sem alteração. Não se verificou qualquer alteração.
Solução amarelada. Depósito amarelo, bem
Formação de uma mancha
definido, no prego. Pequenas partículas em
7 castanha, grande e
suspensão com resíduos castanho no fundo do
localizada.
tubo.
Manchas castanhas e
Prego ligeiramente escuro. Depósito fino
8 libertação de “pó” da
acastanhado no tubo.
mesma cor.
Partículas em suspensão,
Depósito amarelo acastanhado fino. Prego
9 vêm-se algumas blhas
ficou com um tom dourado.
grandes.
Formação de camada Prego escureceu, apresentando manchas pretas.
10 castanha; libertação de Depósito acastanhado fino cabeça do prego
bolhas; depósito na ponta. avermelhada. Solução ligeiramente castanha.
Solução incolor. Prego apresenta-se apenas com
Formação de camada de pequena ponta onde se observa um aglomerado
11 óxido e pequeno depósito; vermelho. Cabeça do prego avermelhado com
libertação de bolhas. libertação de bolhas. Pequeno depósito também
avermelhado.
Formação de camada de Depósito acastanhado muito fino. Prego
12 óxido e bastante depósito escureceu apresentando manchas negras.
em suspensão. Cabeça do prego com depósito acastanhado.

PARTE B

Feito a experiência demonstrativa do efeito do ferro perante o contacto com diferentes


metais, registou-se as seguintes observações que se encontram resumidas na seguinte
tabela.

10
Tabela 4 – Registo das observações efectuadas aos pregos quando em contacto durante
2 horas com diferentes metais.
Copo Metais Observações
Solução ficou ligeiramente amarelada. Prego
1 Ferro livre em solução oxidado com pequenas manchas amarelas –
ferrugem .
Solução ficou ligeiramente amarela. Prego com
2 Ferro – Cobre
depósito castanho esverdeado de ferrugem.
Solução ficou incolor. O zinco apresentava um
3 Ferro –Zinco
depósito ligeiramente cinzento escuro.
Solução ligeiramente amarelada prego com um
4 Ferro – Magnésio
depósito fino e ligeiramente verde acastanhado.
Solução ligeiramente amarelada. Prego com
5 Ferro – Platina manchas ligeiramente acastanhadas de
ferrugem.

TRATAMENTO DE RESULTADOS EXPERIMENTAIS

Obtidos os resultados experimentais, vamos tentar os compreender, tendo em conta as


possíveis reacções redox envolvida para cada caso experimental.
Deste modo para o estudo efectuado ao ferro na presença de diferentes soluções temos:

Tubo 1

A formação do depósito acastanhado no fundo do tubo de ensaio bem como as manchas


pretas observadas no prego, são consequência directa da corrosão lenta do prego quando
este está em contacto com a água e oxigénio. Químicamente este processo pode ser
descrito pela seguinte equação:

3
2 Fe (s) + O 2 (g) + xH 2O (l) → Fe 2O3 .xH 2O (s)
2

Assim, verificou-se que o depósito acastanhado é nada mais do que um óxido de ferro
hidratado Fe2O3.xH2O.

Tubo 2

Nesta situação verificou-se demais a corrosão lenta do ferro e envolve a dissociação do


NaCl em água. Assim as semi-reacções envolvidas são:

Oxid Fe (s) → Fe 2 + (aq) + 2 e −


Red 2 NaCl (aq) + 2 H 2O (l) + 2 e − → 2 NaOH (aq) + 2 Cl − (aq) + H 2 (g)
Reacção global Fe (s) + 2 NaCl (aq) + 2 H 2O (l) → FeCl2 (s) + 2 NaOH (aq) + H 2 (g)

11
Deste modo o depósito observado possivelmente deve-se à presença de FeCl2.

Tubo 3

Na presença do ácido sulfúrico ocorre a passivação do ferro com libertação de


hidrogénio como facilmente se verifica na reacção que se processa:

Oxid Fe (s) → Fe 2 + (aq) + 2 e −


Red H 2SO 4 (aq) + 2 e − → SO 24 − (aq) + H 2 (g)
Reacção global Fe (s) + H 2SO 4 (aq) → FeSO4 (s) + H 2 (g)

A camada que se forma que torna o ferro passivante é de FeSO4.

Tubo 4

Nesta situação verificou-se a formação de manchas negras sobre o prego, resultante da


magnetite negra (Fe3O4) como se pode verificar nas seguintes reacções:

3 Fe2 + (aq) + H 2O (l) → Fe3O 4 (s) + 8 H + (aq) + 2 e −


ou
3 Fe(OH)3 (aq) → Fe3O 4 (s) + 2 H 2O + 2 H + (aq) + 2 e −

em que as reacções complementares são:

2 H + + 2 e − → H 2 ou O 2 + 4 H + + 4e − → 2 H 2O

Tubos 5 e 6

Uma vez que não ocorre qualquer reacção entre o ferro e o hidróxido de sódio, então
obviamente não ocorre o fenómeno de corrosão.

Tubo 7

O facto de verificar-se que o prego apresenta um depósito contraria o pressuposto que


nesta solução era de esperar que ocorresse o fenómeno de passivação, possivelmente
resultante da formação de uma camada de óxido de crómio. Contudo a existência de
iões Cl- em solução deveria originar a espécie FeCl2 de cor verde, como já se verificou
para o tubo 2, não sendo porém visível.

Tubo 8

O ferro na presença de permanganato de potássio diluído sofre corrosão lente como se


pode ver no produto final das reacções químicas envolvidas:

Oxid Fe (s) → Fe 2 + (aq) + 2 e − ε = 0,447 V


− + − 2+
Red 2 × (MnO (aq) + 8 H (aq) + 5 e → Mn
4 (aq) + 4H 2O (l)) ε = 1,507 V
Reacção global 5Fe (s) + 2MnO −4 (aq) + 16H + (aq) → 5Fe 2 + (aq) + 2Mn 2 + (aq) + 8H 2O(l )

12
Em que a oxidação dos iões Fe2+ pelo oxigénio resulta:

4 Fe 2 + (aq) + O 2 (g) + (4 + 2 x) H 2O (l) → 2 Fe 2O3 .xH 2O (s) + 8 H + (aq)

Assim se verifica que o depósito é provavelmente do óxido de ferro hidratado formado.

Tubo 9

Na presença de permanganato de potássio concentrado, é possível a formação de


ferrugem como mostra as reacções descritas:

Oxid Fe (s) + 3 H 2O(l) → Fe 2O3 (s) + 6 H + (aq) + 2 e −


Red 2 × (MnO−4 (aq) + 4 H + (aq) + 3 e − → MnO 2 (aq) + 2 H 2O (l))
− +
Reacção global 2 Fe (s) + 2 MnO 4 (aq) + 2H (aq) → Fe2O3 (s) + 2 MnO 2 (aq) + H 2O(l)

Contudo o facto de se obter tão pouca quantidade de depósito e de se ter observado que
o prego ficou completamente dourado leva-nos a crer que possivelmente ocorreu a
formação de um filme passivante.

Tubo 10

Neste caso, estamos perante condições de ocorrência de corrosão de uma certa forma
intensa, tal como se verificou pelo estado do prego e pela quantidade de depósito, e que
pode ser descrito pelas seguintes reacções:

Oxid Fe (s) → Fe 2 + (aq) + 2 e − ε = 0,447 V


+ −
Red H 2O 2 (aq) + 2 H (aq) + 2 e → 2 H 2O (l) ε = 1,776 V
Reacção global Fe (s) + H 2O 2 (aq) + 2H + (aq) → Fe 2 + (aq) + 2H 2O(l )

Como já, se verificou, dá-se então a formação do óxido de ferro hidratado – ferrugem.

Tubo 11

Mediante a concentração de peróxido de hidrogénio superiores, verifica-se um efeito


passivante. De facto apenas numa pequena extensão do prego ocorreu corrosão,
formando um aglomerado decorrente da corrosão.
Por outro lado foi perfeitamente visível a libertação de bolhas que pode ser justificada
se atendermos a que o peróxido de hidrogénio pode sofrer facilmente dismutação como
mostra as seguintes reacções:

Oxid H 2O 2 + 2 H + 2 e − → 2 H 2 O ε = 1,776 V
Red H 2O 2 → O 2 + 2 H + 2 e − ε = 0,695 V

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Tubo 12

Nesta situação estamos perante um conjunto de reacções diversificadas pois estamos na


presença de uma enorme complexidade de iões. Contudo mediante a base de resultados
obtidos, facilmente se pode deduzir que o depósito acastanhado é decorrente da
oxidação do ferro com a formação do óxido de ferro hidratado e a possível existência de
pequenas manchas verdes detectadas seja devido à presença de iões cloreto.

Relativamente ao estudo efectuado com ferro em contacto com diferentes metais, temos:

Para o ensaio 1, temos apenas uma simples reacção redox em que se forma o óxido de
ferro hidratado – ferrugem e que por objectivo se torna no ponto de referência
relativamente aos outros ensaios.

Relativamente ao ensaio 2, verificou-se que ocorreu a corrosão do ferro e as reacções


que descrevem este fenómeno são as seguintes:

Ânodo Fe (s) → Fe 2 + (aq) + 2 e − ε º Fe 2 + Fe


= −0,447 V
Cátodo Cu 2 + (aq) + 2 e − → Cu (s) ε º Cu 2 + Cu
= −0,3419 V
Reacção global Fe (s) + Cu 2 + (aq) → Fe 2 + (aq) + Cu (s)

Para o ensaio 3, em que estamos perante o ferro e o zinco apesar de ter-se observado o
que parecia uma espécie de uma fina película formada sob o zinco, esta ocorrência não
vai de encontro com o esperado, pois de acordo com as reacção:

Ânodo Zn (s) → Zn 2 + (aq) + 2 e − ε º Zn 2 + Zn


= −0,7618 V
Cátodo Fe2 + (aq) + 2 e − → Fe (s) ε º Fe 2 + Fe
= −0,447 V
Reacção global Zn (s) + Fe 2 + (aq) → Zn 2 + (aq) + Fe (s)

Era de esperar que ocorre-se a corrosão doo zinco, isto é, verifica-se que o ferro não se
oxida.

Para o ensaio 4, em que os metais intervenientes são o ferro e o magnésio, chega-se a


uma conclusão em todo semelhante, pois de acordo com os potenciais normais de
redução e tendo em conta as respectivas reacções:

Ânodo Mn (s) → n 2 + (aq) + 2 e − ε º Mn 2 + Mn


= −2,372 V
Cátodo Fe2 + (aq) + 2 e − → Fe (s) ε º Fe 2 + Fe
= −0,447 V
Reacção global Mn (s) + Fe 2 + (aq) → Mn 2 + (aq) + Fe (s)

Verifica-se que o ferro não é possível sofrer corrosão.

14
Finalmente para o ensaio 5 em que os metais que estavam em contacto numa solução de
água da torneira, eram o ferro e a platina, verificou-se tal como para o ensaio 2 que
ocorre a corrosão do ferro. As reacções que descrevem este fenómeno são as seguintes:

Ânodo Fe2 + (aq) + 2 e − → Fe (s) ε º Fe 2 + Fe


= −0,447 V
Cátodo Pt (s) → Pt 2 + (aq) + 2 e − ε º Zn 2 + Zn
= −0,7618 V
Reacção global Pt (s) + Fe 2 + (aq) → Pt 2 + (aq) + Fe (s)

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CONCLUSÃO

Com a realização deste trabalho experimental pretendeu-se estudar o


comportamento do ferro face a diferentes soluções aquosas e em contacto com
diferentes metais, tendo-se recorrido para o efeito a pregos.
Assim, analisando os resultados obtidos para a reacção do ferro com diferentes
soluções aquosas, verifica-se que o ferro é corroído quando está em contacto quer com a
água destilada quer com a água da rede de distribuição. Esta corrosão que era de
esperar, é produto do contacto do ferro com a água e o oxigénio originando o óxido de
ferro hidratado – ferrugem.
Por outro lado, verificou-se que essa mesma corrosão sofrida pelo ferro é também
consequência da presença de iões cloreto como se pode constatar quando se observou
que o ferro na presença de cloreto de sódio sofreu corrosão. Esta situação é de facto real
e pode-se verificar facilmente ao recordarmos do efeito corrosivo que a água do mar
tem sobre o ferro (devido aos iões cloreto).
Pelo contrário, a solução de ácido sulfúrico possui um efeito um tanto ou quanto
contrário sobre o prego relativamente às soluções anteriores, porque apesar de se
verificar que ocorreu corrosão no ferro, esta é minimizada pelaexistência de um filme
passivante que se forma contudo não é suficiente para cobrir todo o ferro. Daí que se
tenha verificado algumas manchas pretas no ferro.
Relativamente à solução de bissulfito de sódio, como para as primeiras soluções
também se verificou que ocorreu a corrosão do ferro o que visivelmente se pode
constatarpela existência de pequenas manchas negras no prego decorrentes da formação
da magnetite negra Fe3O4.
Quanto a ambas as soluções de hidróxido de sódio, pode-se verificar que estas não
provocam qualquer efeito corrosivo sobre o ferro, não se observando desta forma
qualquer alteração no prego.
Para a solução de cromato de potássio e cloreto de sódio verificou-se que a
presença de cloreto de sódio, activou o efeito corrosivo sobre o ferro, uma vez que
apenas em cromato de potássio o efeito seria o da formação de um filme passivante.
Desta forma assim se justifica a presença de um depósito no fundo do tubo.
No caso das soluções de permanganato de potássio a concentrações diferentes
verificou-se que para ambos os casos o efeito corrosivo sobre o ferro é uma realidade.
Contudo esse efeito é mais significativo para a solução mais diluída pois para a solução
mais concentrada o menor valor obtido de massa de depósito pode ficar a dever-se à
formação de um filme passivante.
Finalmente verificou-se uma situação um tanto ou quanto idêntica relativamente
às soluções anteriores, pois para a solução menos concentrada é que se verifica que a
corrosão é mais intensa, enquanto que para a solução mais concentrada a formação de
um filme passivante impedia de uma certa forma a corrosão intensa.
Assim se verifica não só para estes últimos casos como para algumas situações
anteriores que o facto do ferro ser por vezes corroído quando não se esperava pode ficar
a dever-se não só à influência do filme passivante que pode não ser homogéneo como
também o facto de todas as soluções serem aquosas.
Relativamente ao comportamento do ferro face ao contacto com diferentes metais,
pode-se verificar que quando estamos perante dois metais com potenciais diferentes
ocorre uma diferença de potencial, isto é, uma transferência de electrões. Assim estamos
diante um tipo de corrosão designado por corrosão galvânica, em que vulgarmente
ocorre perfurações no material metálico que funciona como ânodo.

16
Deste modo e analisando os resultados pode-se constatar que o ferro deve-se
comportar como ânodo, isto é, sofrer corrosão, quando está em contacto com cobre e
platina e como cátodo quando em contacto com o zinco e o magnésio.

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BIBLIOGRAFIA

[1] – CHANG. Raymond, “Química”, 5ª Edição, McGraw Hill, 1994.

[2] – GLINKA. N, “Química Geral”, Volume 2, editora MIR, Moscovo, 1984.

[3] – GENTIL, Vicente, “Corrosão”, Editora Guanabara, Rio de Janeiro, 1987.

[4] – KOTZ. John C., PURCELL. Kerth F., “Chemistry & Chemical Reactivity”,
Second edition, Sounders college Publiishing, Ft. Worth, 1987.

18