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Escola Secundária/ 3 Padre Alberto Neto

2009/2010

1º TESTE DE AVALIAÇÃO FORMATIVA DE PORTUGUÊS – versão A

Todas as respostas tem de ser dadas na folha de teste

I
Escolha a opção correcta:

 Qual o nome com que o Homem baptizou D O primeiro-ajudante


o barco?
 Em que porta passava o Rei mais tempo?
A Ilha Desconhecida
ADecisões
B Mulher da Limpeza
B Fortuna
C Reino dos Sonhos
C Obséquios
D Barco das petições
D Petições
 No sonho do Homem como era a vela do
barco?  A que porta se dirigiu o Homem para pedir
o barco?
A Uma árvore
A Decisões
B Um pano remendado
B Obséquios
C Uma rede de pesca
C Navegadores
D Uma vela nova e brilhante
D Petições
 Onde fica a ilha desconhecida?
 Por que porta a mulher da limpeza saiu do
A No reino castelo?

B No barco A Petições

C No mar B Obséquios

D No porto C Liberdade

 Onde é que o Rei se sentou para falar com D Decisões


o Homem?
 Quantos marinheiros o Homem conseguiu
A No degrau da porta para a sua tripulação?

B No chão A Dois

C No banquinho da mulher da limpeza B Vinte

D No seu trono C Incontáveis

 Quem recebia os súbditos na porta das D Nenhum


petições?
 Que tipo de barco o Homem recebeu do
A O primeiro-secretário reino?

B O rei A Galeão

C A mulher da limpeza B Caravela


C Barco à vela D Veleiro

II
Leia o texto atentamente

“Em menos de um quarto de hora tinham acabado a volta pelo barco, uma caravela,
mesmo transformada, não dá para grandes passeios. É bonita, disse o homem, mas
se eu não conseguir arranjar tripulantes suficientes para a manobra, terei de ir dizer ao
rei que já não a quero, Perdes o ânimo logo à primeira contrariedade, A primeira
contrariedade foi estar à espera do rei três dias, e não desisti, Se não encontrares
marinheiros que queiram vir, cá nos arranjaremos os dois, Estás doida, duas pessoas
sozinhas não seriam capazes de governar um barco destes, eu teria de estar sempre
ao leme, e tu, nem vale a pena estar a explicar-te, é uma loucura, Depois veremos,
agora vamos mas é comer. Subiram para o castelo de popa, o homem ainda a
protestar contra o que chamara loucura, e, ali, a mulher da limpeza abriu o farnel que
ele tinha trazido, um pão, queijo duro, de cabra, azeitonas, uma garrafa de vinho. A lua
já estava meio palmo sobre o mar, as sombras da verga e do mastro grande vieram
deita-se-lhes aos pés. É realmente bonita a nossa caravela, disse a mulher, e
emendou logo, A tua, a tua caravela, Desconfio que não o será por muito tempo,
Navegues ou não navegues com ela, é tua, deu-ta o rei, Pedi-lha para ir procurar uma
ilha desconhecida, Mas estas coisas não se fazem do pé para a mão, levam o seu
tempo, já o meu avô dizia que quem vai ao mar avia-se em terra, e mais não era ele
marinheiro, Sem tripulantes não poderemos navegar, Já o tinhas dito, E há que
abastecer o barco das mil coisas necessárias a uma viagem como esta, que não se
sabe aonde nos levará, Evidentemente, e depois teremos de esperar que seja a boa
estação, e sair com a boa maré, e vir gente ao cais a desejar-nos boa viagem, Estás a
rir-te de mim, Nunca me riria de quem me fez sair pela porta das decisões, Desculpa-
me, E não tornarei a passar por ela, suceda o que suceder. O luar iluminava em cheio
a cara da mulher da limpeza, É bonita, realmente é bonita, pensou o homem, que
desta vez não estava a referir-se à caravela. A mulher, essa, não pensou nada, devia
ter pensado tudo durante aqueles três dias, quando entreabrira de vez em quando a
porta para ver se aquele ainda continuava lá fora, à espera. Não sobrou migalha de
pão ou de queijo, nem gota de vinho, os caroços das azeitonas foram atirados para a
água, o chão está tão limpo como ficara quando a mulher da limpeza lhe passou por
cima o último esfregão. A sereia de um paquete que saía para o mar soltou um ronco
potente, como deviam ter sido os do leviatã, e a mulher disse, Quando for a nossa vez
fará menos barulho. Apesar de estarem no interior da doca, a água ondulou um pouco
à passagem do paquete, e o homem disse, Mas baloiçaremos muito mais. Riram os
dois, depois ficaram calados, passado um bocado um deles opinou que o melhor seria
irem dormir, Não é que eu tenha muito sono, e o outro concordou, Nem eu, depois
calaram-se outra vez, a lua subiu e continuou a subir, em certa altura a mulher disse,
Há beliches lá em baixo, o homem disse, Sim, e foi então que se levantaram, que
desceram à coberta, aí a mulher disse, Até amanhã, eu vou para este lado, e o
homem respondeu, E eu vou para este, até amanhã, não disseram bombordo nem
estibordo(…) Acordou abraçado à mulher da limpeza, e ela a ele, confundidos os
corpos, confundidos os beliches, que não se sabe se este é o de bombordo ou o de
estibordo. Depois, mal o sol acabou de nascer, o homem e a mulher foram pintar na
proa do barco, de um lado e do outro, em letras brancas, o nome que ainda faltava dar
à caravela. Pela hora do meio-dia, com a maré, A Ilha Desconhecida fez-se enfim ao
mar, à procura de si mesma.”
José Saramago, excerto de O Conto da Ilha Desconhecida
Responda de forma completa às seguintes questões:

1. A mulher da limpeza imprime um tom acusatório quando diz ao Homem “Perdes o


ânimo logo à primeira contrariedade”. A que se refere ela?

2. “É realmente bonita a nossa caravela, disse a mulher, e emendou logo, A tua, a tua
caravela”. Por que motivo terá ela emendado a sua afirmação inicial?

3. Para poder navegar o Homem cria uma “lista de necessidades”. Enumera-as.

4. O desfecho de O conto da ilha desconhecida, de José Saramago, revela que na


relação entre o homem do barco e a mulher da limpeza há:
a) complementaridade entre ambos.
b) desequilíbrio entre ambos.
c) superioridade da mulher.
d) aspereza do homem.
e) dependência da mulher.

4.1. Escolha a opção que considere correcta e justifique.

5. Com base na sua leitura do conto caracterize o Rei, o Homem e a Mulher da


limpeza usando, para tal, o mínimo de três adjectivos.

6. A lua é a “condutora do tempo” neste excerto. Explique porquê recorrendo à


transcrição.

7. O conto da ilha desconhecida, de José Saramago, é uma narrativa de ficção cujo


objectivo principal é discutir questões como liberdade e poder político, amor e procura
de identidade.

7.1. Explique de que forma se pode validar esta afirmação dando exemplos
concretos do texto (não apenas do excerto)

8. O discurso de José Saramago é um discurso oralizante. Explique esta afirmação.

III
1. Classifique quanto ao processo de formação as seguintes palavras:
Adjunto; Crueldade; Mil-folhas; Altivez; Malmequer; Monsanto; Bocarra;
Dente-de-leão

2. Substitua as expressões destacadas por pronomes pessoais:

a. Nós encontramos O Homem e a mulher das limpeza no barco.


b. O Homem traz a esperança consigo.
c. O Homem contou os seus desejos à mulher das limpezas.
d. O Homem não vai devolver a caravela ao rei.
e. Eles ajudaram as pessoas a encontrar a porta da felicidade.
f. Procurem a ilha por toda a parte.
g. A mulher pôs-se a consolar o Homem.
h. O Homem quer ver a ilha desconhecida.

3. Identifique os pronomes presentes nas frases abaixo transcritas e diga a que


subclasses pertencem:

a. A mulher da limpeza deu-lhe dois cotos de vela.

b. Aquele só sonhava viajar!

c. Hoje passeamos no meu barco… amanhã será no teu.

4. Caça ao erro!
Reescreva as frases corrigindo o que achar estar errado (ortografia, pontuação, acentuação…)

a. Fui ligar o PC e fui jogar os meus pais, foram passear.


b. Vi-me ao espelho mas tava tudo bem.
c. Foi ai que me apercebi derrepente que me faltava a carteira.
d. E se o efeito passa-se?
e. Eu sempre quiz ter aquele livro.
f. Logo que amanhece-se, apanha-va um avião.
g. O tio estava muito contente por velas.
h. Alugá-mos o filme, e comprá-mos pipocas.
i. Os meus colegas, estão sempre contra mim.
j. Ontem falamos ao telemóvel...
IV
Este Homem e esta Mulher da Limpeza sonharam com um futuro de liberdade e
de paz interior.

Como sonha o seu futuro? Que aventuras se imagina a ter? Quem gostaria de
ter a seu lado nessa viagem?

Escreva um texto cuidado de 30 a 50 linhas.

Bom trabalho!!! A Professora: Sofia Leitão

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