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IGREJA PRESBITERIANA DO BRASIL SÍNODO RIO DOCE PRESBITÉRIO RIO DOCE

ADORAÇÃO TEOCÊNTRICA:

UM PANORAMA BÍBLICO, EXEGÉTICO, HISTÓRICO E TEOLÓGICO DO TRIBUTO A DEUS EM CONTRASTE COM OS DIAS ATUAIS.

CLEBER PIMENTEL ALVES

GOVERNADOR VALADARES

2006

2

CLEBER PIMENTEL ALVES

ADORAÇÃO TEOCÊNTRICA:

UM PANORAMA BÍBLICO, EXEGÉTICO, HISTÓRICO E TEOLÓGICO DO TRIBUTO A DEUS EM CONTRASTE COM OS DIAS ATUAIS.

Monografia apresentada ao Presbitério Rio Doce – PRDC Em cumprimento ás exigências do artigo 120, Alínea B, CI-IPB

Tutor: Rev. André L. Boechat

GOVERNADOR VALADARES

2006

3

EXAMINADORES

Observações:

4

Mas vem a hora e já chegou, em que os verdadeiros adoradores adorarão o Pai em espírito e em verdade; porque são estes que o Pai procura para seus adoradores”. (João 4:23)

5

Este trabalho foi confeccionado nos padrões utilizados pelo Seminário Teológico Presbiteriano Rev. Denoel Nicodemos Eller em conformidade com a ABNT (Associação Brasileira de Normas Técnicas)

6

DEDICATÓRIA

Dedico este trabalho a uma pessoa muito especial para a minha vida, sem a qual não teria tido paz para a conclusão deste. A você Mariângela minha amada esposa dedico com todo carinho e amor esta monografia, você é um presente de Deus para minha vida.

7

AGRADECIMENTOS

Agradeço a Deus, meu criador! Toda a honra, toda glória pertencem a Ti. Todos os dias me sustentou para que estivesse sendo preparado para a mais maravilhosa obra que alguém possa almejar. As suas misericórdias foram e continuam sendo sem fim. Nada sou, mas ainda assim me amou. Minha gratidão quero transformar em obediência a Ti. A Mariângela minha amada esposa, que desde o início esteve ao meu lado nessa caminhada preparatória e continuará trazendo-me paz e carinho, como sempre fez, ao longo da vida ministerial. Você, minha linda, é um presente que Deus me deu; você é alguém que jamais conseguiria escolher, de fato foi Deus quem escolheu você para mim. Te amo! Aos meus pais, Sr Jaime e Dona Clélia, obrigado por sempre me apoiarem e pela confiança depositada em mim. Obrigado pelas orações, por ajudarem no sustento financeiro e também pelo carinho. Esta vitória também é de vocês. Amo vocês.

Aos meus irmãos pelo carinho e respeito que sempre tiveram por mim, Deus os abençoe a cada dia mais. Ao Presb. Fábio que foi decisivo para meu envio ao Seminário ao tomar a frente e permitir que tudo isso fosse possível, foi um instrumento de Deus no momento certo. Obrigado! Ao conselho da Sexta Igreja Presbiteriana de Governador Valadares, pelo

sustento e confiança depositada em mim. Pelos conselhos valorosos após cada sermão pregado, que sempre foram oportunos. Meu muito obrigado aos presbíteros João Dutra, Guanair, João Paulo, Samuel, Wilson, Helton e Beneir.

A junta diaconal, obrigado pela experiência passada nos momentos que

estivemos juntos. Aos irmãos da Sexta Igreja, a igreja que Deus escolheu para que meu caráter fosse moldado nos moldes cristão. A vitória também é de vocês.

A SAF que sempre orou por mim, e também sempre me presenteou nos

momentos em que mais precisava.

A mocidade da Sexta Igreja que foram as minhas primeiras ovelhas, obrigado.

8

A dona Mirta Cardoso, instrumento de Deus para o resgate da minha vida,

pela coragem de santamente me enfrentar e pregar o evangelho, e toda a sua família, obrigado. Ao meu tutor eclesiástico durante esses quatro anos de Seminário, Rev. André Boechat. Ao Pastor Alexandro Barbosa, por ser o primeiro a acreditar no meu chamado

e me apoiar do início ao fim, juntamente com a sua esposa Juliana. Ao Presbitério Rio Doce, por todo o investimento e confiança depositada. Louvo a Deus pela visão de reino que vi no PRDC nesta caminhada preparatória. Ao Pastor Jairo que me deu a visão de ministério sem usar palavras, e a toda

a sua família pela acolhida que sempre nos deram, primeiro a mim depois a minha esposa.

A Igreja Presbiteriana do Jardim Vitória de Belo Horizonte que num momento

impar foi colocada por Deus na minha vida para o meu crescimento. Ao Conselho da IPB Jardim Vitória que me deu a oportunidade de colocar em prática as teorias aprendidas no Seminário. Ao Seminário Teológico Presbiteriano Rev Denoel Nicodemos Eller, responsável pela minha formação teológica, a todos os professores da casa o meu muito obrigado. Ao Rev. Renê Sttofel pela contribuição na execução deste trabalho. Ao Rev. Ulisses Horta por me mostrar que ainda existem ícones para serem seguidos e pelo seu senso de justiça Aos funcionários que no silêncio fazem tudo acontecer. A Odilma, as Tias Du

Carmo e Éster, obrigado pelo carinho que sempre demonstraram por mim. As minhas eternas véias de quarto, Rodrigo que começamos e terminamos juntos a nossa caminhada; ao Thiago (violeiro) valeu cara foi boa a convivência! Aos colegas de república Régis, Sotero e Max, bons tempos.

O meu muito obrigado ao cara que foi mais do que companheiro de quarto,

mais que um amigo um verdadeiro irmão! Não sei se um dia vou conseguir retribuir

tudo o que você vez por mim, valeu mesmo Wenderson! Aos amigos de sala, obrigado pela convivência pelos momentos que jamais sairão de minhas lembranças. Ao “Conselho da Turma”, Teodomiro Vaqueiro, Clóvis Cruscredim, Lucas Tchuk, Wellington Gabiru, Tiago Cabeça, Dalmo Mestre e Jônatas Pé de Pato, valeu pela diversão.

9

Ao meu amigo Daniel pelas caronas até a rodoviária, que foram muito importantes, valeu Cegões Eternamente! A Escola de Enfermagem Friederike Fliedner pelos anos que me proporcionou um bem estar no tempo de Seminário. O meu muito obrigado a Diretora Regina Helena de Morais e a Gerente Morgana Aragão Cotrim e ao demais funcionários.

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ÍNDICE

INTRODUÇÃO 12 CAPÍTULO 1 – CARÁTER EXEGÉTICO DO ATO ADORADOR 14 1.1 Palavras Hebraicas 14
INTRODUÇÃO
12
CAPÍTULO 1 – CARÁTER EXEGÉTICO DO ATO ADORADOR
14
1.1 Palavras Hebraicas
14
1.2 Palavras Gregas
15
CAPÍTULO 2 – CARÁTER HISTÓRICO DO ATO ADORADOR
21
2.1 A Adoração no Antigo Testamento
21
2.1.1 A Adoração no registro da Criação
21
2.1.2 Os Patriarcas
22
2.1.3 O Período Mosaico
26
2.1.4 Os Profetas
28
2.2 A Adoração no Novo Testamento e as repercussões futuras
29
2.2.1 O Período Intertestamentário
29
2.2.2 Os Registros no Novo Testamento propriamente dito
30
2.2.3 A Igreja Primitiva
33
2.2.4 A Adoração vista pelos reformadores e pelas confissões
36
a) Confissão de Westminster
37
b) Segunda Confissão Helvética
38
c) Confissão Escocesa
38
d) Confissão Belga
38
CAPÍTULO 3 – AS DISTORÇÕES ATUAIS NA ADORAÇÃO EM CONTRASTE
COM A TEOLOGIA REFORMADA
40
3.1 Suficiência das Escrituras
40
3.2 O Culto
42
3.3 A Música
45
3.4 O consumismo Cristão
47
CAPÍTULO 4 – A ADORAÇÃO TEOCÊNTRICA E OS BENFÍCIOS PARA O
ADORADOR
50
4.1 Santificação
51
4.2 Comunhão
52
4.3 Alegria
54
CAPÍTULO 5 – CONCLUSÃO
BIBLIOGRAFIA
56
58

11

12

INTRODUÇÃO

O povo de Deus tem como objetivo de vida principal louvar e glorificá-lo para

sempre 1 . Isto é de certa forma conhecido pelo povo que se compromete a ter uma vida na presença do Deus-Todo-Poderoso, principalmente às igrejas que têm como

Símbolos de Fé os Catecismos Maior e Menor, O Breve Catecismo e a Confissão de Fé de Westminster, que desde cedo transmite este ensino as crianças e em suas classes doutrinárias para novos membros. Mas, o ensinamento da primeira pergunta do Breve Catecismo tem ficado nos últimos tempos somente em suas páginas. Tendo visto que as práticas do chamado povo de Deus são contrárias a este ensinamento. Muito se tem feito no intuito de adorar a Deus; este é um tempo de muito ativismo religioso seja de forma coletiva ou individual. Inúmeros métodos e

programações têm preenchido o tempo devocional e até mesmo a vida de muitas pessoas na intenção de se alcançar o desejo satisfatório no tocante a adoração ao Criador. É justamente este o ponto crucial que tem feito muitos se distanciarem de uma adoração conforme o desejo de Deus e prosseguindo segundo o desejo pessoal. Pois somente adorando conforme o desejo de Deus e que se pode obter a adoração satisfatória.

O Dr. Russell P. Shedd, em seu livro Adoração Bíblica, chama a atenção

sobre as muitas atividades que são feitas com o desejo de adorar, que acabam na verdade ficando distante do objetivo desejado. Ele diz o seguinte: ”o mesmo

acontece com a adoração; os atos externos mais notáveis podem facilmente enganar” 2 . Este comentário foi feito em cima de 1Co 13.1-3, e mostra que Paulo já tinha uma preocupação com respeito a este assunto, tendo em vista que os crentes da cidade de Corinto estavam vivendo, na época que a epístola foi escrita, de maneira contrária aos ensinamentos por ele transmitido anteriormente, quando esteve “entre eles por um ano e meio” 3 .

O que vemos, na verdade, nos dias atuais são pessoas “correndo atrás do

vento” literalmente, preconizado por Salomão em seu livro Eclesiastes. Tudo não

1 O Breve Catecismo, pergunta de n°1.

2 SHEDD, Russell P. Adoração Bíblica. (1° edição, São Paulo: Edições Vida Nova, 1987), p. 11. 3 HALLEY, H.H. Manual Bíblico. (4° edição, São Paulo: Edições Vida Nova, 1994), pág. 523.

13

passando de caprichos de egos inflamados, seguindo suas preferências. Trazendo

todo o tipo de elementos possíveis para o seu alcance no objetivo de oferecê-los em

adoração.

O apóstolo Paulo quando escreveu aos cristãos da cidade de Roma, no

capítulo doze verso um fala da responsabilidade de se cultuar de uma forma

consciente, “racional”, orientando que todos os atos adoradores dos cristãos

romanos fossem cuidadosamente arquitetados para que não sofressem

interferências do presente século. Isso nos leva a conclusão de que, é necessário

não simplesmente ser um ativista adorador e sim, antes de ofertar o louvor, ser um

conhecedor dos atos de adoração. Com respeito a este assunto Shedd expressou

da seguinte maneira.

Definir um termo como “cultuar” ou “adorar” não deixa de ser um desafio a todos que se preocupam com uma verdadeira adoração. Por um lado, num sentido mais restrito, significa uma atribuição de honra e glória a quem ou ao que o adorador considera de valor supremo. Seria veneração ou devoção expressa a Deus em público ou pessoalmente. Por outro lado, pensa-se, popularmente, que adoração requer uma expressão visível, a prática de ritos religiosos que identificam a sua forma. 4

É possível ainda aprofundar no conhecimento do conceito de adoração, para

que o crente no exercício de sua devoção não perca o seu valioso tempo ajuntando

muitos elementos de oferta e no final vê-los espalhados pelo chão sem nenhuma

valia diante do Deus Altíssimo. Para isso pode-se avaliar o caráter exegético do

termo adoração, bem como o caráter adorador ao longo da história do povo de Deus

e também seu aspecto teológico.

14

CAPÍTULO 1 CARÁTER EXEGÉTICO DO ATO ADORADOR

Qual será o significado da palavra adoração? A palavra em si traz uma

compreensão deste que é um ato primordial na vida do homem adorador? Adiante

alguns dos termos que são utilizados para expressar o significado de adoração tanto

no Velho quanto no Novo Testamento.

1.1 Palavras Hebraicas

No Velho Testamento o verbo sãhãh (hxv), que significa “curvar-se”, “inclinar-

se” aparece mais de 170 vezes. É visto a sua ocorrência em primeiro lugar em

Gêneses 18:2. No texto é narrado que Abraão “inclinou-se a terra”. Embora não

tenha o significado completo do termo adoração, aponta para um significado dentro

da cultura hebraica. Na cultura hebraica o “ato de se curvar em homenagem é feito

diante de um superior ou soberano”. 5

No Dicionário Vine, é encontrado ainda uma complementação sobre termo

sãhãh, encontrado no Velho Testamento:

Davi ´se curvou´ perante Saul (1Sm 24.8). Às vezes, é um superior social ou econômico diante de quem a pessoa se curva, como quando Rute se “inclinou-se” à terra diante de Boaz (Rt2.10). Num sonho, José viu os molhos dos irmãos “inclinado-se” diante de seu molho (Gn37.5,7,8). A palavra sãhãh é usada como termo comum para se referir a ir diante de Deus em adoração (ou seja, adorar), como em 1Sm 15.25 e Jr 7.2. Às vezes está junto com outro verbo hebraico que designa curvar-se fisicamente, seguido por “adorar”, como em Êx 34.8: “e Moisés apressou-se , e inclinou a cabeça à terra, e encurvou- ARA]”. Outros deuses e ídolos também são o objeto de tal adoração mediante a ação de se prostrar diante deles (Is 2.20; 44.15,17). 6

Andrew Foutain, em seu artigo “O que significa adoração”, faz um comentário

relevante acerca dos termos que indicam o ato de se curvar e inclinar perante a um

ser superior:

As expressões “encurvaram com o rosto em terra” ou “curvar-se para a terra” está freqüentemente associada à adoração a Deus. Isto não

5 VINE, W.E. & UNGER, Merril F. & WHITE JR., William. Dicionário Vine. (Rio de Janeiro: Casa Publicadora das Assembléias de Deus, 2002), p.1115 6 Ibid

15

significa que devemos encurvar-nos como o rosto em terra cada vez que adoramos a Deus ou mesmo que isto sempre acontecia em todos atos de adoração mencionados na Bíblia. Essa é uma atitude simbólica; por esta razão, é importante indagarmos o que significa e qual seu propósito. 7

Ele, Andrew, ainda exemplifica com uma analogia muito interessante a sua

conceituação sobre o ato de encurvar-se:

Essa atitude expressa mais do que uma demonstração de amor por alguém. Se você ama seu esposo ou sua esposa, não se prostra diante dele ou dela ou curvando-se com o rosto em terra. Ora, a atitude de prostrar-se significa mais do que respeito. Entretanto, por mais que respeite seus superiores no trabalho, você não se lança ao chão diante deles. Prostrar-se diante de alguém significa reconhece-lo como seu senhor. 8

Outra palavra encontrada no Velho Testamento, que pode servir como auxílio

para uma melhor compreensão do termo adoração é ãbad (dbe), que significa

servir. Walter Kaiser, em seu livro “Teologia do Antigo Testamento”, declara o

seguinte sobre este termo:

É um termo aplicado ao escravo caseiro e o súdito ou vassalo de um suserano. Entretanto a ênfase não é tanto na condição servil do adorador como na função de executar a vontade do senhor. O vassalo habita a casa ou o reino do senhor. No contexto de adoração, a palavra se refere à condição humilde e o desempenho fiel do trabalhador dado ao adorador. 9

1.2 Palavras gregas

O Novo Testamento apresenta formas mais variadas, em relação ao Velho

testamento. No Novo Testamento vamos encontrar a palavra proskunein

(proskunei=n)) como tradução da palavra hebraica sãhãh, sendo uma derivação da

palavra proskuneo (proskune/w)))), que em conjunto com suas derivações aparecem

aproximadamente cinqüenta e oito vezes no NT, sempre relacionada com o ato de

cultuar. Originalmente proskuneo tem o significado de beijar dobrando os joelhos ou

prostrando-se em terra, e era utilizado pelos povos helênicos tendo a conotação de

7 Foutain, Andrew. Revista Fé para Hoje n°12. (São José dos Campos – Sp. Editora Fiel), p. 21 8 Ibid 9 KAISER. Walter C. Teologia do Antigo Testamento. (São Paulo: Vida Nova, 1980), p. 302

16

adoração aos seus deuses. Esta forma de se compreender esse termo comunica a

idéia básica de submissão àquele que era superior.

Este foi o termo que Jesus utilizou para mostrar, a mulher samaritana de

Sicar, a verdadeira validade da adoração a Deus, em contraste à forma tradicional

utilizada pelos samaritanos, que se preocupavam mais com o local e com a forma do

que com a real intenção do ato de adorar a Deus. Os samaritanos eram o que

restavam do reino israelita do norte e haviam se misturado com estrangeiros depois

que a elite do país fora levada para o exílio no ano 722 a.c. chegaram a construir

um lugar de culto próprio no seu monte Gerizim. Rejeitavam o Antigo Testamento,

com exceção da sua própria versão dos primeiros cinco livros de Moisés. Sua

animosidade em ralação aos judeus (como Jesus) existia havia séculos. Para

Shedd, o termo é crucial na abordagem de Jesus para com a mulher samaritana

afim de dá-la o entendimento de adoração. Ele explanou da seguinte forma esta

contradição de Jesus frente à mulher samaritana (Jô 4.23):

Com este termo, Jesus anulou a validade do culto tradicional da mulher de Sicar e seus conterrâneos samaritanos. Tanto o local como a preocupação com o tempo não tinha mais importância alguma. Enquanto a mulher argumentava que era o monte Gerezim (local perto de Sicar onde durante séculos passados os samaritanos adoravam e ofereciam seus sacrifícios), Jesus declarou que somente em espírito e em verdade os verdadeiros adoradores adorarão o Pai. 10

Na Bíblia On-line versão 3.0, encontra-se também uma explicação plausível

sobre o termo proskuneo))). Ela dá os seguintes significados para o entendimento

deste termo: beijar a mão de alguém em sinal de reverência; entre os orientais,

especialmente os persas, cair de joelhos e tocar o chão com a testa como uma

expressão de profunda reverência; ajoelhar-se ou prostrar-se, prestar homenagem

ou reverência a alguém, seja para expressar respeito ou para suplicar; usado para

reverência a pessoas e seres de posição superior aos sumo sacerdotes judeus, a

Deus, a Cristo, a seres celestes, a demônios.

Este termo tem sido mal compreendido nos últimos tempos, ou até mesmo

completamente descartado no meio das pessoas. Ele tem sido compreendido de

uma forma que coloca a pessoa num status de derrota, isto por causa do seu

sentido de rendição. A última coisa que as pessoas desejam atualmente em suas

vidas é se sentir derrotados. Rick Warren escrevendo sobre os propósitos da vida

17

reserva um capítulo para tratar do assunto adoração. Neste capítulo ele faz uma

abordagem centrada na palavra proskuneo . Warren chega mesmo a dizer que a

essência da adoração está centrada nesta palavra, mas ela não vem sendo bem

compreendida. Ele diz o seguinte:

Rendição não é uma palavra popular, quase tão malvista quanto a palavra submissão. Ela alude à perda, e ninguém quer ser um perdedor. Rendição evoca a degradável idéia de admitir a derrota em uma batalha, perder uma competição ou capitular perante um adversário mais forte. A palavra é quase sempre utilizada em um contexto negativo; criminosos capturados se rendem as autoridades. Na civilização competitiva de hoje, somos ensinados a nunca desistir ou ceder – logo, não ouvimos falar muito de rendição. Se vencer é tudo, rendição é inconcebível. Preferimos contar sobre vitórias, sucessos, triunfos e conquistas, a falar de complacência, submissão, obediência e rendição. 11

Mas ele não apenas levanta a problemática em torno da conotação

contemporânea sobre proskuneo. Ele entende e direciona qual o verdadeiro sentido

e recoloca em ordem o sentido desvirtuado do termo. Para ele o termo tem o

seguinte significado:

Render-se a Deus não é resignação passiva, fatalismo ou desculpa para a preguiça. Não é resignar-se com a situação, mas significa

exatamente o oposto; sacrificar a vida ou sofrer, afim de mudar o que precisa ser mudado, Deus freqüentemente chama pessoas que se entregaram a ele, para batalhar em seu nome; reder-se não é para covardes ou subservientes. Do mesmo modo, não significa desistir do raciocínio lógico; Deus não desperdiçaria a mente que lhe concedeu! Deus não quer ser servido por robôs. Render-se não é suprimir a própria personalidade; Deus quer utilizar sua personalidade singular.

Em vez de diminuí-la, render-se a aproxima mais claramente na obediência. 12

A rendição se manifesta

Um outro termo que foi utilizado no Velho Testamento que é substituído por

outro no Novo Testamento é o ãbad, que é substituído por latreia (latreuw), que

significa serviço. Este termo é encontrado por diversas vezes na Septuaginta, e é

encontrado agora também no Novo Testamento. Este foi o termo utilizado por

Moisés quando comissionado por Deus a ir diante de faraó exigindo a libertação do

povo hebreu para servir ao Senhor, cultuando e oferecendo atos de adoração.

O dicionário Vine define da seguinte forma latreuw:

11 Warren, Rick. Uma vida com propósitos. (São Paulo, Editora Vida Nova, 2002), p. 69 12 Ibid. 71.

18

Primariamente trabalhar por aluguel, empregado contratado; significa também: adorar; servir, nesse último sentido é usado acerca do serviço: a) a Deus, b) a Deus e a Cristo, c) no tabernáculo d) à criatura (em referência a idolatria). 13

Para Champlin esta palavra nos leva a um sentido completamente diferente

do entendimento que proskuneo nos dá. Ele diz o seguinte:

O sentido básico desse novo vocábulo grego é o de salário, ou de um serviço mais geral prestado a alguém, embora sem a idéia conseqüente de recompensa, no entanto, abarcando um conceito muito mais amplo do que o de escravidão. Devemos pensar em algum serviço fisicamente prestado, como por exemplo, o ofício de um copeiro. 14

Champlin ainda discorrendo sobre este vocábulo na tentativa de trazer um

bom entendimento sobre ele, reporta a atenção para a Septuaginta:

Na tradução da LXX, esse verbo grego ocorre principalmente nos livros de Êxodo, Deuteronômio, Josué e Juízes, onde tem o sentido religioso como ocorre por todo Antigo Testamento, porém tendo sempre em visto o ato de sacrifício cultual. Também foi a palavra livremente usada para indicar o serviço prestado a deuses falsos, ainda que a todo tempo as Escrituras insistam que Israel deveria servir ao único Deus vivo e verdadeiro. Isto empresta um elemento mais profundo ao ato de culto. Servir ao Senhor por meio de oferendas alicerça-se sobre uma decisão ou dedicação do coração. 15

Ainda na tentativa de uma compreensão acerca do ato de adoração, a palavra

sebein (sebein), que significa reverenciar. Por muito tempo esta palavra ficou

desvinculada com o ato de adoração ao Deus vivo, por ser utilizada principalmente

pelo povo grego na adoração de seus deuses pagãos com o medo de sofrerem

punições.

A palavra sebein deriva do radical seb (seb), muito embora não seja uma

palavra tão comum no Novo Testamento, pode-se encontrá-la nos evangelhos de

Mateus e Marcos. Seus autores utilizaram uma derivação desta palavra para

demonstrar que reverenciar a Deus está ligado diretamente com o ato de adoração,

quando citam o profeta Isaías repreendendo o povo por adorá-lo somente com os

lábios, “Em vão me adoram, ensinando doutrinas que são preceitos de homens”,

13 VINE, W.E. & UNGER, Merril F. & WHITE JR., William. Dicionário Vine. (Rio de Janeiro: Casa Publicadora das Assembléias de Deus, 2002), p.991 14 CHAMPLIN. R. N. Enciclopédia de Bíblia Teologia e Filosofia Vol 1(São Paulo, Hagnos, 2002), p.51,52. 15 Ibid

19

(Mt15.9; Mc 7.7). Também o apóstolo Paulo na sua carta aos romanos chama a

atenção para o fato dos homens reverenciarem a criatura e não o Criador. Isso

acontece de igual modo nas chamadas Epistolas Pastorais e 2 Pedro é feito o uso

das derivações de seb (seb). O Dr. Shedd diz o seguinte acerca de Paulo, das

Pastorais e 2 Pedro:

Em Romanos, tanto sebomai quanto latreuo, são empregados paralelamente para apontar a religiosidade dos pagãos, “adorando e servindo a criatura em lugar do Criador”. Nas Epístolas Pastorais e em 2 Pedro, encontramos uma freqüência bem maiou desta palavras, anteriormente evitadas por causa do seu contexto pagão. Sem dúvida, elas já não tinham a idéia de religião popular, mas traziam um novo conteúdo. 16

Ainda na tentativa de uma compreensão satisfatória do ato de adoração por

meio de uma exegese das principais palavras que giram em torno do tema, é de

notável importância o termo leitourgia (leitourgia). Esta palavra é a junção de duas

palavras gregas povo e trabalho (laos + ergon) que significa executar um trabalho

público. Seu uso a princípio era fora de um contexto religioso, mas “passou de

origem secular para o religioso, de modo que os tradutores do Antigo Testamento

também usaram frequentemente esse termo, para indicar o ministério sagrados dos

sacerdotes”. 17

O evangelista Lucas utiliza o substantivo leitourgia para se referir ao

ministério exercido por Zacarias, pai de João Batista, em seu Evangelho: “Sucedeu

que, terminados os dias de seu ministério, voltou para casa”, Lucas 1.23.

Champlin analisado esse vocábulo traz o seguinte esclarecimento:

Esse substantivo e o verbo leitourgeo relacionam-se, etimologicamente, ao serviço prestado em favor de um povo ou nação, isto é, o corpo político. Desde seus mais antigos exemplos, essas palavras têm um certo sentido técnico no mundo grego. Aludem aos serviços específicos que os ricos, de modo voluntário ou compulsório, prestavam à cidade ou comunidade, de seu próprio bolso.

Diante da explanação dos termos citados acima que servem de orientação

para uma compreensão do que de fato significa o ato de adorar, analisando-os em

suas origens, suas formas de uso, chega-se ao entendimento de que o ato não é

controlado por emoções humanas, embora cause no adorador emoções reais, a

centralidade está naquele que é objeto e fonte da adoração.

16 SHEDD, Op., cit, p.19. 17 NDITNT, v. IV, p.455

20

Champlin definindo os princípios básicos da adoração diz ser muito

importante entender corretamente a relação entre o homem e seu Criador, no que

diz respeito ao ato de adorar, transmitido pelas palavras que denotam o ato:

O estudo das palavras gregas associadas à adoração mostra-nos que se certos conceitos, como ajoelhar-se ou prestar submissão, envolvem o aspecto humano, as raízes da adoração bíblica devem ser procuradas não nas emoções humanas, mas no relacionamento divinamente estabelecido entre Deus e o homem. Isso é importante porque significa que a base da adoração é teológica e não antropológica.

18

21

CAPÍTULO 2 CARÁTER HISTÓRICO DO ATO DE ADORADOR

Assim como é de grande relevância, para se entender nos dias atuais o ato

de adoração ao Deus criador, estudar o caráter exegético das palavras que denotam

o tema, também é de grande relevância olhar para a história e observar como os

adoradores que antecederam a geração atual se portavam como adoradores do

Senhor. Principalmente observando os grandes destaques do Velho Testamento, do

Novo Testamento, da Igreja Primitiva e da época da Reforma e Confissões.

2.1 Adoração no Antigo Testamento

2.1.1 A adoração no registro da criação

O homem não foi criado por Deus e deixado a deriva sobre a face da terra.

Quando na eternidade Deus decidiu criar o homem, estabeleceu que a criatura

criada por ele no sexto dia, seria diferente em relação a todas as criaturas até então

criadas. Ele se diferenciaria em muitos aspectos, e um destes aspectos seria na

forma como ela se relacionaria com o criador.

Gerard van Groningen escrevendo acerca da criação destacou desta forma a

relação diferenciada do homem criado e o restante da criação:

Deus estabeleceu um relacionamento ímpar entre si mesmo e os seres humanos quando os criou à sua imagem e semelhança. Deve ser observado de imediato que Deus estabeleceu um relacionamento com tudo o que ele criou: o relacionamento Criador-criacão. Ele, o Criador, Construtor, Modelador, Diretor e Produtor, trouxe a existência o vínculo entre a fonte e o produto, entre a causa e o efeito. Destes modos abrangentes, os seres humanos também são relacionados ao Criador. Mas o texto bíblico é especifico em enfatizar um relacionamento impar entre Deus e o homem. Duas vezes é declarado: “fez/criou à imagem de Deus”. Isto não é dito de nenhuma outra parte da criação.

19

Este relacionamento diferenciado pode ser visto desde o princípio das Santas

Escrituras. Este é um relacionamento de adoração da criatura para o seu Criador.

19 GRONINGEN, van Gerard. Criação e Consumação: O Reino, a Aliança e o Mediador. (1° edição, Editora Cultura Cristã. São Paulo, 2002), p. 83.

22

Ralph L. Smith destaca o seguinte deste relacionamento adorador da criatura para

com o seu Criador:

A adoração parece ser tão antiga quanto a raça humana. Os primeiros

capítulos de Gênesis narram sacrifícios oferecidos por Caim, Abel e Noé. Nenhuma explicação é dada para esses sacrifícios. E parece que isso não era necessário. Os sacrifícios de Caim e Abel provavelmente foram a resposta de gratidão a Deus pela dádiva da fertilidade dos animais e da terra (primogênitos e primícias), acompanhada de petição implícita por mais bênçãos. O sacrifício de Noé (Gn 8.20-22) foi uma oferta para Deus por salva-lo de um perigo mortal.

20

Há uma conformidade entre os estudiosos da Bíblia que existe no homem o

desejo nato para ser adorador. Muito embora o pecado tenha desvirtuado este

desejo nato, fazendo com que o homem passasse a adorar também seres criados

como ele, e também frutos de sua imaginação. Para Champlin a adoração é uma

reação a um chamado de Deus. Ele a equipara com uma estrada de mão dupla,

sendo a adoração inspirado por Deus e correspondida pelo homem 21 .

O pensamento de Champlin está em conformidade com o pensamento de

Claus Westermann que diz o seguinte acerca desta reação por parte do homem ao

chamado de Deus para ser um adorador:

A resposta é parte integrante das relações entre Deus e o homem. No

Antigo Testamento, oração e sacrifício são mais reações do que propriamente ações de iniciativa exclusiva humana. Se Deus não agisse e nos falasse, não haveria nem culto nem oração, ou seja, reações indispensáveis à atuação e ao falar divinos. 22

Smith admite não ser fácil escrever uma história acerca a adoração no Antigo

Testamento, porque houve diversas mudanças que foram marcantes ao longo dos

tempos, principalmente nos procedimentos que dizem respeito a local, hora e

forma 23 .

2.1.2 Os Patriarcas

A história da adoração no período patriarcal que vai de Gn 12.1 até Gn 50.26,

sendo um tema vital nas narrativas sobre os patriarcas. Começando por Abraão que

20 SMITH, Ralph L. Teologia do Antigo Testamento: História, Método e Mensagem. (1° edição, Editora Vida Nova. São Paulo. 2001), p. 299

21

CHAMPLIN. Op. Cit, p. 48

22 WESTERMANN, Claus. Fundamentos da Teologia do Antigo Testamento. (Editora Academia Cristã. São Paulo, 2005), p. 173.

23

SMITH. Op. cit, p. 305

23

originalmente pertencia a uma região que estava imersa no politeísmo, segundo é

encontrado em Josué 24.2, a família de Abraão servia a outros deuses. Mas nada é

descrito acerca de Abraão servindo a esses deuses, pelo contrário na história que é

relatada acerca dos atos adoradores de Abraão sempre são voltados ao Altíssimo.

É possível através da vida de Abraão ver que ele estava sempre em contato

íntimo com Deus. Deus disse que ele seria uma benção e pai de uma grande nação,

período em que foi instituída a circuncisão como selo das promessas que lhe foram

feitas. Palmer Robertson destacou o seguinte sobre o selo da circuncisão:

Algum sinal durável deve ser dado que permaneça além do estagio visionário da experiência. A circuncisão como o selo da aliança abraâmica permanece permanentemente com o patriarca para lembra- lhe a certeza das promessas. 24

Isto significa que além da observação que pode ser feita na vida de Abraão

para ver sua atitude adoradora, tem-se prova que foi transmita para as gerações

futuras como resultado desta íntima relação de Abraão com Deus.

Mais adiante, quando na destruição de Sodoma e Gomorra ele intercedeu

intensamente em favor dos homens que lá estavam, inclusive seu sobrinho Ló,

fortalecendo a idéia de que Abraão tinha sim uma comunhão íntima com Deus: “E,

aproximando-se a ele, disse: Destruirás o justo com o ímpio?” (Gn 18.23).

Mas o fato mais marcante, e também o mais conhecido acerca da devoção

adoradora de Abraão para com Deus, está na entrega de seu único filho em

sacrifício, mostrando todo o seu temor diante de Deus.

Para Samuel J. Schultz, este fato miraculoso ocorrido com Abraão revela todo

temor, toda reverência, toda obediência deste servo para com seu Senhor, ele diz o

seguinte:

O pacto desempenhou importante papel na experiência de Abraão. Notemos as sucessivas revelações de Deus, depois da promessa inicial à qual Abraão respondeu obedientemente. À medida em que Deus foi ampliando essa promessa, Abraão foi exercendo fé, o que lhe era lançado na conta como justiça. Nesse pacto, a terra de Canaã foi especificamente prometida à descendência de Abraão. Com a promessa de um filho, a circuncisão se tornou o sinal do pacto. Esse pacto-promessa foi finalmente selado quando do ato de obediência de

24 ROBERTSON. O Palmer. Cristo dos Pactos. (1° edição, Editora Luz para o Caminho. Campinas – SP. 1997), p. 133.

24

Abraão, ao mostrar ele sua disposição em sacrificar seu filho único, Isaque. 25

Sobre Isaque o segundo patriarca a Bíblia não traz muitas informações sobre

sua vida de adorador. Schultz dá um direcionamento para seus leitores de como se

portou Isaque, o filho da promessa de Deus com Abraão:

O caráter de Isaque, retratado no livro de Gênesis, e um tanto obscurecido pelas vidas movimentadas tanto de seu pai quanto de seu filho. Depois da notícia da morte de Abraão o leitor é imediatamente apresentado a Jacó o qual emerge como o elo da sucessão patriarcal. Talvez muitas das experiências de isaque fossem similares às de Abraão, pelo que relativamente pouco da narrativa é devotado ao primeiro. 26

Conforme dito acima por Schultz, Jacó aparece como elo da sucessão

patriarcal. Sobre este personagem a Bíblia oferece mais detalhes de sua vida de

adorador. Personagem bem conhecido nas Escrituras por ser muito capacitado na

arte de barganhar, sendo astuto a ponto de conseguir do irmão o direito de

primogenitura por um prato de lentilhas. Conseguiu também a benção final quando

Isaque seu pai estava na iminência de morte. Estilo de vida este que faz jus ao

significado de seu nome, que é enganador. Este episódio rendeu a Jacó uma fuga

para Padã-Arã. Já a caminho de Padã Deus começa a se relacionar com Jacó de

uma forma mais íntima. Por intermédio de sonho Deus leva Jacó a um compromisso

de condicional de servir a Deus.

Jacó foi de tal forma abençoado por Deus que suas posses foram se

multiplicando mais e mais, mesmo seu sogro tentando impedir que isso

acontecesse, mas ele não consegue êxito, até que Deus encoraja Jacó a voltar para

sua terra natal. Foi no seu retorno que toda a vida de Jacó tem uma reviravolta, este

foi o ápice do relacionamento de Jacó com Deus. Schultz narrou da seguinte forma

este momento que foi um divisor de águas para a vida de Jacó:

Continuando na direção de Canaã, Jacó antecipava o temível encontro com Esaú. O temor o assaltou, embora cada crise houvesse terminado em seu favor no passado. No ponto de onde não mais podia recuar, Jacó enfrentou uma experiência crucial. Tendo dividido todas as suas possessões às margens do rio Jaboque, ao preparar-se para enfrentar Esaú, ele se voltou para Deus em oração. Humildemente reconheceu que era indigno de todas as bênçãos que Deus havia lhe conferido.

25 SCHULTZ. Samuel J. A história de Israel no Antigo Testamento. (1° edição, Edições Vida Nova. São Paulo. 1995), p. 33

26

SCHULTZ. Op. Cit, p. 34.

25

Porém, diante do perigo, ele solicitou livramento. Durante a solidão da noite, lutou contra um certo homem. Nessa estranha experiência, que ele reconheceu como um encontro divino, o seu nome foi mudado de “Jacó” para “Israel”. Dali por diante, Jacó não seria mais o enganador; pelo contrário, ficou sujeito ao ludíbrio e as tristezas, da parte de seus próprios filhos. 27

Passados esses acontecimentos, da luta que teve com Deus, do encontro

com seu irmão, em que ele temia ser um encontro belicoso, mas não foi, pelo

contrário foi um encontro de reconciliação, Jacó erigiu um altar ao Senhor: “E

levantou ali um altar e lhe chamou Deus, o Deus de Israel”. Gn 33.20. Com este ato

adorador Jacó mostra aos leitores do Antigo Testamento que uma relação de

intimidade com Deus é feita em todos os instantes da vida, nos momentos de

tristeza, mas também nos momentos em que tudo vai bem e que está presente

trazendo força, consolo, alegria a todos que se voltam para busca-lo.

Dos doze filhos de Jacó, José se tornou o destaque no que diz respeito a

adoração ao Senhor. Desde moço seu pai mostrava que José era dentre os filhos o

mais querido; ele era o orgulho e alegria de Jacó, e isso causou em seus irmãos

revolta e ciúmes que os levaram ao ódio mais profundo. Um sonho foi a gota d’agua

para que os irmãos de José desse um aparente fim em sua vida. Vendido a

traficantes midianitas e ismaelistas foi parar no Egito e vendido a Potifar como

escravo. E é justamente na casa de Potifar que José começa a dar provas de seu

intimo relacionamento de adoração com Deus, ao não satisfazer os desejos

libidinosos da esposa de Potifar que o levaram a prisão.

Schultz diz que todo o sofrimento que esteve sobre José, mostra o coração o

seu coração de adorador:

Por todos esses anos de adversidade, sofrimento e sucesso, fica evidenciada perfeitamente o relacionamento divino-humano. Tentado pela esposa Potifar, José não cedeu. Ele não quis pecar contra Deus. Na prisão José confessou abertamente que a interpretação dos sonhos pertencia a Deus. Quando se apresentou diante de Faraó, José reconheceu que Deus se utiliza de sonhos para revelar o futuro. Até ao dar nome a seu filho, Manasses, reconheceu que Deus era o originador de sua promoção e de seu livramento. Ele também levava Deus em conta quando de sua interpretação da história: ao revelar a sua identidade a seus irmãos, ele humildemente deu crédito a Deus pro havê-lo conduzido ao Egito. De forma alguma ele os chamou à responsabilidade por terem-no vendido como escravo. Após o

26

falecimento de Jacó, José assegurou uma vez mais a seus irmãos de que não se vingaria. Deus havia determinado os eventos da história com vistas ao bem de todos. 28

Schultz finaliza sua análise sobre José dizendo que todos os seus atos

magnificaram a Deus, em meio às muitas adversidades e foi recompensado por tudo

quanto fez.

Para William S. LaSor, o resumo de todos os atos adoradores dos patriarcas,

que são narrados no Antigo Testamento, é basicamente um relacionamento pessoal

com Deus. Ele diz o seguinte:

Os textos fornecem informações apenas esparsas acerca do culto dos patriarcas. Eles oravam, muitas vezes prostrados como era costume no Oriente Próximo. Construíam altares e faziam sacrifícios. Entretanto, não havia lugares especiais para tais ritos nem sacerdócio oficial. A adoração era entendida fundamentalmente não como uma cerimônia mas como um relacionamento entre Deus e os seres humanos. A peculiaridade da fé dos patriarcas residia em sua concepção de Deus e em seu íntimo relacionamento pessoal com ele. 29

2.1.3 O período Mosaico

O período patriarcal se encerra com a ida da família de Jacó para o Egito,

fugindo da fome que assolava a sua região. José era o governador e providenciou

tudo para que seus familiares vivessem tranqüilos na nova terra. Os anos se passam

e junto com eles toda a geração de Jacó. Mas o povo de Israel crescia e se

multiplicava em terra estranha dando início ao chamado período mosaico, mais ou

menos quatrocentos anos depois da partida de Jacó para a terra do Egito.

Durante esse tempo em que esteve escravizado no Egito, o povo de Israel

absorveu muito das crenças dos egípcios, fazendo com que descendência de

Abraão perdesse o relacionamento íntimo que havia entre Deus e seu patriarca. Por

isso Deus quando levanta Moisés para resgatar o povo da aliança dá a ele diretrizes

para que os judeus retomassem o caminho de intimidade com ele.

Schultz chama a atenção para como era a religião dos egípcios, no contexto

em que o povo judeu esteve escravizado:

28 SCHULTZ. Op. cit, p. 38. 29 LaSor, William S. Introdução ao Antigo Testamento. (2° edição, São Paulo: Edições Vida Nova, 2002), p. 50.

27

O Egito era uma terra de muitos deuses. Visto que as divindades locais eram base da religião, os deuses egípcios tornaram-se extremamente numerosos. Deuses da natureza eram comumente representados por animais e pássaros. Eventualmente, divindades cósmicas, que eram personificadas pelas forças da natureza foram elevadas acima dos deuses locais, passando a ser teoricamente reputadas divindades nacionais ou universais. Essas tornaram-se tão numerosas que chegaram a ser agrupadas em famílias de tríades ou mesmo de nove figuras.

30

Sendo assim Deus tinha plena consciência de qual era o estado em que o

povo judeu se encontrava, e da necessidade de sua intervenção para que este

quadro fosse mudado e o povo retornasse a ter condições de ser relacionar com ele.

Sendo esta intervenção primeiramente uma libertação e no decorrer da jornada com

o decálogo e as leis que direcionavam para uma vida santa.

R. K. Harrison comentando o livro de Levítico entende que esta intervenção

de Deus, capacitou o homem a novamente ter a condições de se relacionar com

Deus. Ele comenta o seguinte:

A razão porque os sacerdotes israelitas recém consagrados receberam

instruções tão detalhadas acerca do cuidado do santuário de Deus era para garantir sua continuada presença com seu povo. No relacionamento segundo a aliança Deus aproximou-se de Israel e fez promessas especificas aos israelitas, dependendo da sua obediência às condições do acordo de Sinai. Uma destas condições foi a exigência de que os israelitas vivessem de um modo tal que demonstraria às nações do Oriente Próximo contemporâneo a verdadeira natureza da santidade. Este atributo era de um caráter moral e ético adiantado, e era fundamentalmente diferente das conotações sexuais e orgásticas que o termo possuía entre as nações vizinhas de Israel. Somente à medida em que o povo escolhido mantivesse a santidade cerimonial e moral é que poderia esperar que Deus o honrasse com sua presença e tornasse eficazes as bênçãos prometidas na aliança. 31

Estes ensinamentos para Schultz era uma expansão do pacto ou aliança que

Deus havia feito a Abraão:

O pacto se expandiu na forma do decálogo e de preceitos que visavam

a uma vida santa, a construção do Tabernáculo, a organização do

sacerdócio, a instituição das oferendas e a observância de festividade e épocas – isso capacitou Israel a servir a Deus eficazmente. 32

30 SCHULTZ. Op. cit, p. 55. 31 HARRISON. R. K. Levítico Introdução e Comentário. (1º edição, São Paulo Edições Vida Nova, 1983), p.23,24.

32

SCHULTZ. Op. cit, p. 55.

28

2.1.4 Os Profetas

Estes ensinamentos deixados por Deus, ao seu povo da aliança que estava

no cativeiro egípcio, tiveram uma amplitude maior. Eles foram a base no período em

que Deus utilizou seus profetas. Sendo esse também, um período marcante na

história da adoração do povo de Deus, no qual é o propósito deste trabalho analisar

os fatos mais marcantes do Antigo Testamento no que diz respeito ao ato da

adoração.

Schwarz defende exatamente este pensamento, sendo as leis e

ensinamentos a base para as exortações proféticas:

Durante o período da monarquia e da divisão dos reinos, Israel tornou- se cada vez mais idolatra e desobediente a Deus. O Senhor, então, mandou profetas para que alertassem e exortassem o povo a guardar a aliança feita no monte Sinai. Ordenou que profetizassem conseqüências desastrosas se eles ignorassem os mandamentos divinos. 33

De forma semelhante, Westermann, entendeu que os princípios dados por

Deus na saída de seu povo da escravidão egípcia influenciavam os profetas, tanto

que para ele os salmos que foram produzidos neste período são repletos de

chamamentos para o povo retomar uma comunhão íntima com Deus:

Exprime-se

nos vários gêneros de salmos que são a manifestação

mais eloqüente do diálogo entre o homem e Deus no Antigo Testamento. Reside nos Salmos uma vitalidade assombrosa e tão forte que nunca degeneram em meras convenções, pelo contrario, continuam combinando com qualquer época, sendo até integrados na liturgia cristã. Ao lado dos salmos conhecemos ainda formulas fixas que acompanhavam o oferecimento das primícias e dos dízimos, confissões de pecados, saudações, cumprimentos de promessas etc. 34

Smith segue a mesma linha de pensamento:

O conceito de adoração dos salmistas era “teocêntrico”, não “antropocêntrico”, eles sustentavam que nada na terra era digno se não estivesse na relação apropriada com o criador do universo, o doador da vida, mestre, juiz e salvador. Mas eles não se perdiam na divindade, e sua preocupação com as coisas divinas e eternas não fazia com que deixassem de ser de carne e osso, vivendo na terra, preocupados com o mundo da vida humana e suas multiformes realidades. Não havia

33 SCHWARZ. John. Manual da Fé Cristã. Informações essenciais para o cristão hoje. (1º edição, Belo Horizonte, Editora Betânia, 2002), p. 55

34

WESTERMANN. Op. cit, p.221.

29

neles nenhum traço do panteísmo hindu, nenhum misticismo ilusório do tipo que tenta fugir de si mesmo e das responsabilidades da existência social. 35

O fato de se preocuparem em escrever Salmos sejam eles de que

características for, mostra para os seus leitores que suas fundamentações seguiam

as prescrições divinas. Prescrições estas, que foram deixadas para o povo de Israel

no monte Sinai, de teor puramente teocêntrico, mostrando como se dá o

relacionamento adorador do homem com seu Criador em todas as épocas.

2.2 A Adoração no Novo Testamento e as repercussões futuras.

2.2.1 O período intertestamentário.

Após toda narrativa que é empregada no Antigo Testamento, houve um

considerável período de silêncio com respeito a todo e qualquer tipo de

manifestação religiosa, no que diz respeito de obras inspiradas por Deus que

servem de elemento para uma pesquisa dos atos adoradores do homem, até que se

desse a plenitude dos tempos, com a vinda do Messias esperado, Jesus, para que

então voltassem os registros inspirados que orientam a forma adoradora do homem

para com seu Deus, denominado Novo Testamento.

Mas alguns registros que foram feitos nesse período dão uma idéia para um

entendimento dos fatos ocorridos no chamado “período do silêncio”. Período que

compreende o retorno dos judeus do exílio babilônico até o nascimento de Jesus.

Esses registros de caráter basicamente histórico mostram basicamente o seguinte:

primeiro narra a história do imperador Alexandre o Grande seus feitos, até o findar

de sua vida, não tendo herdeiros deixou seu reino nas mãos de quatro generais.

Nesta ocasião se deu a tradução do Antigo Testamento para a língua grega, a

chamada Septuaginta, fruto da influência helenística sofrida pelos judeus no período

que Alexandre foi imperador.

Segundo com a subida de Antíoco IV ao trono sobreveio grande perseguição

aos judeus.

35 SMITH. Op. cit, p. 300

30

Antíoco IV, que adotou o título de Epifânio, termo cujo significado é “deus manifesto”, tornou-se rei do império selêucida ou sírio em 175 a c. Esse monarca tentou exterminar o judaísmo. Aboliu os sacrifícios no templo, cancelou a observância do sábado, proibiu os ensinos das Escrituras e também a circuncisão dos recém-nascidos, sob ameaças de pena de morte para quem não cumprisse seus decretos. Além disso profanou o templo ao oferecer porcos em sacrifício a Zeus, o principal deus grego. 36

As atrocidades cometidas por Antíoco IV, causaram grande revolta no povo

judeu, e sendo liderados pelo sacerdote Matatias e seus filhos, dos quais o mais

novo tinha o nome de Judas, recebendo do apelido de Macabeu, que deu origem a

Revolta dos Macabeus, por terem batalhado contra o exército sírio e vencido

restabelecendo a tradição judaica.

Mas futuramente o povo judaico se envolveria em outra disputa bélica, desta

vez contra os romanos, e sairiam derrotados, perdendo suas terras, sendo muitos

deles mortos e outros tantos vendidos como escravos. O direito de voltar a adorar ao

Deus de Israel só foi restabelecido quando César passou a governar a região, isto

em 47 a.c.

Neste período os grupos religiosos que mais se destacavam eram: os

saduceus que faziam parte da hierarquia dominante. Os fariseus e os essênios eram

os religiosos de Israel, com os quais os escribas se relacionavam, e os zelotes eram

os soldados da liberdade.

O que se pode observar deste período da história é que mesmo não tendo

relatos bíblicos propriamente dito do povo adorando, tem-se como referência os

relatos históricos de que as leis sinaíticas ainda era a fonte para o ato de adoração,

mesmo que houvesse distorções entres os grupos religiosos da época. Depois

destes fatos históricos deu-se a plenitude dos tempos e a partir de então novos

registros religiosos inspirados permitem observar os atos adoradores do homem no

período da história correspondente.

2.2.2 Os registros no Novo Testamento propriamente dito

Os registros no Novo Testamento podem ser divididos em duas vertentes. A

primeira antes dos relatos do ministério de Jesus ter sido colocado em prática. Dos

36 SCHWARZ. Op. cit, p. 66, 67.

31

livros do Novo Testamento poucos tiveram a preocupação de narrar o que se passava nesse período. O evangelista Lucas, dentre os escritores do NT, foi o que mais se destacou neste aspecto, até mesmo em relação com os outros evangelistas Mateus, Marcos e João. Logo no início do seu evangelho ele demonstra que depois de “acurada investigação de tudo desde sua origem, dar-te por escrito, excelentíssimo Teófilo, uma exposição em ordem, para que tenhas plena certeza das verdades em que foste instruído” (Lc 1.3-4). O que serve de fato para a observação de como o povo se comportava na adoração ao Senhor, é a narrativa de Lucas acerca das atividades realizadas por Zacarias pai de João Batista. Neste contexto quando Lucas destaca que Zacarias era sacerdote que servia no templo, ele se refere exatamente aos sacerdotes que são conhecidos no Velho Testamento. Os sacerdotes do Antigo Testamento são conhecidos por serem descendentes de Arão separados para servir como oficiantes no culto realizado primeiro no tabernáculo e depois no templo. O sacerdote era mediador entre Deus e o povo, oferecendo sacrifícios e orando em seu favor. 37 Diante desse fato conclui-se que nos tempos que antecediam a chegada do messias ainda se praticava atos adoradores conforme prescritos e guardados no Antigo Testamento. A segunda vertente, e esta muito mais ampla e rica de textos que a comprova, dos atos adoradores no Novo Testamento inicia-se quando Jesus dá inicio ao seu ministério. Há provas suficientes de que Jesus assim como todo judeu seguia a lei mosaica, inclusive no ato de adorar a Deus. Nos evangelhos é narrado que Jesus guardava a lei: “e lhe disse: Olha, não digas nada a ninguém; mas vai, mostra-te ao sacerdote e oferece pela tua purificação o que Moisés determinou, para servir de testemunho ao povo” (Mc1.44). Guardava o sábado e lia as Escrituras:

“Indo para Nazaré, onde fora criado, entrou, num sábado, na sinagoga, segundo o seu costume, e levantou-se para ler” (Lc 4.21). Todos esse fatos comprovam que Jesus assim como todo judeu comum direcionava seus atos adoradores pela lei dada por Deus a Moisés. Jesus mesmo afirma que ele não veio revogar a lei, mas cumpri-la. O que acontece, depois que seu ministério toma proporções maiores, é que ele é julgado ser um perturbador que distorce as mesmas leis que eram seguidos por todos. O

37 Bíblia On-line versão 3.0. Dicionário da Bíblia de Almeida

32

que não passa de uma calúnia. O que Jesus muda na verdade é o foco legalista de

observação da lei, passando para um ato de fé e prática sincera por meio de Jesus,

e isso não era compreendido por aqueles que guardavam a lei anteriormente.

Josef Schreiner em “Formas e Exigências do Novo Testamento” diz que:

O Senhor, como se depreende dos evangelhos, considerou e valorizou a Escritura, e a Lei nela contida, como manifestação da vontade de Deus. De fato, ele veio para cumprir a Lei e os Profetas (Mt 5.17). Ele pode inserir expressamente os mandamentos do decálogo no estilo de vida por ele pregado (Mc 10.17ss) ou compendiá-los em duas palavras da Lei. Mas ele reivindica o direito de revelar novamente e de tornar vinculante a vontade de Deus em suas originalidade e profundidade, por isso Jesus não só rejeita a interpretação judaica como também se volta contra a interpretação abusiva ou literal de uma prescrição. 38

Esta nova maneira, que era desconhecida na teoria e na prática até então,

seria um divisor de águas na história da adoração. Deste período em diante todo o

povo que serviria o Senhor sinceramente, começa a seguir os ensinamentos do

mestre e ele começa a fazer discípulos com os pensamentos direcionados pelo seus

ensinamentos da Escritura.

É possível ver impregnado nos apóstolos que os ensinamentos dados por

eles eram direcionados pela Santas Escrituras livres do legalismo dos religiosos da

época. E dentre os apóstolos quem mais se destaca neste fundamento sem dúvida é

o apóstolo Paulo, ele que fora educado aos pés de Gamaliel mestre da Lei.

Mediante ao que aprendera quando fariseu. Perseguia Paulo os que seguiam a Lei

conforme Jesus ensinava e não da forma legalista farisaica. Mas depois de seu

encontro com Cristo, Paulo então compreende a real forma de entendimento e

cumprimento da Lei, tanto que se torna o maior missionário de sua época e também

o maior escritor do Novo Testamento, sendo seus escritos totalmente baseados na

Lei, em conformidade com o real ensinamento que foi outorgado por Jesus.

No livro de Atos pode-se nitidamente observar que Paulo depois de sua

conversão não abandonou os ensinamentos que obteve. Um exemplo pode ser visto

em Atos 21.26; “Então, Paulo tomando aqueles homens, no dia seguinte, tendo-se

purificado com ele, entrou no templo, acertando o cumprimento do dia da

purificação, até que se fizesse a oferta e favor de cada um deles”. E mais adiante no

capítulo 22, ele quando preso na cidade de Jerusalém apresentou como defesa

38 SCHREINER, Josef. Forma de Exigências do Novo Testamento. (São Paulo, Editora Teológica, 2004), p.34.

33

frente às acusações de ir contra a Lei, toda a sua história desde quando era

discípulo de Gamaliel passando por perseguidor de cristãos, até o momento que

passou a ser perseguido por ser um propagador dos ensinamentos de Jesus acerca

da mesma Escritura de outrora.

George Ladd entendeu o seguinte sobre esta visão de Paulo:

O ensinamento de Paulo sobre a Lei é sempre abordado a partir da perspectiva da experiência histórica, tanto do próprio Paulo, como rabino judeu, como de um típico judeu do primeiro século, sujeito à Lei. Contudo, o pensamento de Paulo não tem que ser visto nem como uma confissão de sua auto biografia espiritual, nem como uma descrição do caráter legalista do farisaísmo do primeiro século, mas como uma interpretação teológica, feita por um pensador cristão, de duas maneiras de justiça: o legalismo e a fé. Isto fica claro em Romanos 10, onde Paulo deplora o destino de Israel, ao falhar em reconhecer Jesus como seu messias e em não abraçar a dádiva divina de uma salvação graciosa. Por que estava Israel cego aos apelos de Cristo? A resposta de Paulo é que há dois modos de justiça, e, porque Israel perseguia um deles, perdeu o outro. Israel buscou a lei da justiça i.é, a Lei que revelou a vontade de Deus e mostrou o que era um relacionamento justo com Deus; mas Israel fracassou em atingir esta meta, porque fez mau uso da lei, ao fazer dela um meio de obter a justiça através de seus próprios feitos, em vez de através da fé. Assim, mostraram-se ignorantes da justiça que vem de Deus e é recebida pela fé; pelo contrário, tentaram estabelecer sua própria justiça pelas obras, então se sujeitaram à justiça de Deus através da fé.

39

A verdade é que a função do Novo Testamento com respeito a indicar a forma

de adoração, trata-se reiterar a que sempre foi preconizada no Antigo Testamento,

ou seja seguir os princípios divinos que foram dados mediante a Lei.

2.2.3 A igreja Primitiva

Muitos se voltam para os registros históricos da igreja primitiva quando

querem entender a forma de adorar. Alguns chegam até mesmo a ponto de

pensarem que a igreja primitiva era perfeita. Embora seja de fato um ícone

diferenciado dentro do cristianismo, não se pode dar a ela o titulo de imaculada. As

falhas também estão presentes também na igreja primitiva. No relato de Lucas nos

Atos dos Apóstolos se vê Ananias e Safira tentando manchar um período de ouro

39 LADD, George Eldon. Teologia do Novo Testamento. (2° ediçãom, Rio de Janeiro, Editora Juerp. 1984), p. 461, 462

34

em que estavam vivendo os discípulos de Jesus. Paulo também corrige falhas na

igreja de Corinto. Mas sem dúvida é necessário voltar-se para o início da igreja a fim

de poder entender como se deve adorar.

As igrejas foram crescendo à medida que os cristãos iam pregando o

evangelho que ouviam, principalmente após o evento do Pentecostes. Em várias

cidades foram se formando igrejas dentre as quais as mais conhecidas são as de

Jerusalém, Antioquia, Galácia, Éfeso, Colossos, Filipos, Tessalônica, Corinto, Roma

e outras.

Cada uma das igrejas citadas possui sua característica particular, mas todas

eram ligadas por um direcionador que era os ensinamentos de Jesus por meio dos

apóstolos, presbíteros e outros mais. Uma igreja que serve de exemplo para mostrar

que não permitiam ensinamentos contrários aos que eram ensinados mediante as

Escrituras é a igreja de Jerusalém:

A igreja reunida em sessão solene, desautorou aqueles que, em seu nome, pregavam a circuncisão como essencial também ao novo pacto, escusou-se a impor aos gentios qualquer exigência desnecessária. Uma igreja que conservou, em tão grande numero de membros, de todas as classes, o espírito de fraternidade e união; uma igreja que escolheu sabiamente os seus oficiais e dirigiu os seus negócios de uma maneira judiciosa e ordeira; uma igreja que levou milhares á conversão no curto período de três ano; uma igreja que continuamente celebrava em o seu culto publico, o seu culto de contribuição, a ceia do Senhor e a reunião de oração; uma igreja cuja filantropia não tem sido igualada na história; uma igreja cujos membros foram dispersos , foram pro toda parte pregando a palavra; uma igreja que triunfou sobre a perseguição dos saduceus céticos, dos fariseu orgulhosos e do Estado intolerante

40

Os reflexos destes atos registrados da igreja em Jerusalém são vistos nas

demais igrejas, claro que cada uma mantendo sua característica. Mas o fato de

serem comprometidas com os ensinamentos a elas transmitidas, tornavam as

pessoas que com esta causa se engajavam diferentes em relação aos demais da

sociedade. Lázaro Arruda chega a dizer que as influências cristãs se fazem sentir,

por causa da sua lealdade, especialmente no exército. Mesmo que sendo uma

conquista penosa. 41

40 MaCDANIE, Geo. W. As Igrejas do Novo Testamento. (5°edição, Rio de Janeiro. Editora Juerp. 1989), p.31

41 ARRUDA, Lázaro Lopes de. Anotações da História da Igreja. (1° edição , São Paulo, Casa Editora Presbiteriana,. 1990), p. 51

35

Os atos adoradores propriamente ditos feito pelos cristãos da igreja primitiva

eram contidos de muita simplicidade, isto porque a igreja era formada na sua maioria

por pessoas simples, sendo até mesmo acusadas em determinado momento de

serem pessoas ignorantes, cuja propaganda tinha lugar, não nas escolas nem nos

fóruns, mas nas cozinha, nas oficinas e nas selarias 42 . Esta acusação feita por Celso

fez com que Justino, Clemente e Orígenes se levantassem a favor dos cristãos

combatendo as infâmias.

Os cristãos deste período vieram, na sua maioria, do proletariado, que é

sempre o elemento mais acessível nos campos missionários. Houve alguns das

classes mais elevadas tanto na sociedade como na política. Na ilha de Chipre,

converteu-se um governador; em Roma, membros da Casa de César faziam parte

da igreja; em vários lugares homens e mulheres da alta sociedade aceitaram o

evangelho. Quanto a raça, eram principalmente judeus e gregos; outras nações

também fizeram representar. Nos cultos e na correspondência geralmente se

empregava o grego, mas o aramaico, o siríaco e outros idiomas foram também

usados. 43

O que se sabe do culto cristão dá uma idéia do modo como aqueles

adoradores do primeiro século percebiam e experimentava sua fé. Gonzalez diz o

seguinte:

Desde o próprio principio, a igreja cristã costumava se reunir no primeiro dia da semana para partir o pão. A razão pela quão o culto tinha lugar no primeiro dia da semana era que nesse dia se comemorava a ressurreição do Senhor. Logo, o propósito principal do culto não era chamar os fiéis à penitência, nem faze-los sentio o peso de seus pecados, mas celebrar a ressurreição do Senhor e as promessas das quais essa ressurreição era a garantia. 44

Basicamente os atos adoradores destes cristãos foram firmados nas

promessas da lei. Eles criam que tudo que estava ocorrendo naqueles dias, fazia

parte do cumprimento daquilo que as promessas da lei apregoava, caso contrário o

que eles estariam fazendo seria simplesmente uma revolta. Este entendimento foi

possível mediante a operação do Espírito Santo derramado sobre a vida deles à

medida que iam se convertendo ao Senhor Jesus por meio da pregação do

42 GONZÁLEZ. Justo L. Uma História Ilustrada do Cristianismo Vol. 1 (A Era dos Mártires; São Paulo; Ed. Vida Nova, 2003), p. 147

43 ARRUDA. Op. cit. p. 51 44 GONZÁLEZ. Op. cit p. 150, 151

36

Evangelho. Podiam participar do culto na época da igreja primitiva, somente aqueles

que se comprometiam com a igreja por meio do batismo, dando sinais de sua

conversão para toda da igreja.

2.2.4 A adoração vista pelos reformadores e pelas confissões.

A reforma foi o nome dado à tentativa de alguns indivíduos de restaurar o

cristianismo tendo como conseqüência a divisão da igreja entre católicos e

protestantes. Os principais motivos contra o sistema eclesiástico vigente na época

foram basicamente contra o papado, a corrupção e a imoralidade, a opressão

fomentada pela igreja, a venda de indulgências por par te da igreja que

supostamente serviam para abreviar o tempo da pessoa no purgatório.

Dentre muitos que lutavam pela reforma da igreja, dois tiveram um destaque

maior foram Lutero e Calvino. Lutero teve em seu auge quando afixou as noventa e

cinco teses na porta da igreja de Wittenberg, na Alemanha, em 31 de outubro de

1517. Muito embora nunca havia passado pela sua cabeça dividir a igreja, sua

intenção era simplesmente convidar a igreja a rever os abusos de longa data a

respeito da venda de indulgências.

O ponto crucial para Lutero estava ligado à justificação. Schwarz fazendo

uma pequena biografia de Lutero destacou os pontos que ele lutava para que

fossem mudados: Seus ensinos declaravam a doutrina da supremacia das

Escrituras (sola scriptura), da justificação pela fé (sola fide), da posição de Cristo

como centro do Cristianismo e do sacerdócio comum a todos os cristãos. 45

Todos esses pontos retomam os princípios que já estão sendo levantados

desde o inicio deste trabalho, ou seja, os princípios de relacionamento do homem

adorador como o Deus criador partem sempre do Criador para a criatura. Somente

as palavras de Deus devem nortear, somente pela fé é possível alcançar a

justificação, somente por meio do Messias esperado os pecados seriam perdoados

e o livre acesso dado pela intervenção do Messias. Tudo isto foi apregoado nas

Santas Escrituras e tem o seu reconhecimento ao longo da história dos povos que

se relacionaram com Deus.

45 SCHWARZ. Op. cit. p. 163

37

João Calvino foi outra personalidade de destaque neste período da reforma.

Sua grande contribuição na reforma foi a obra intitulada de “Institutas da Religião

Cristã”, que é uma descrição completa e sistemática da teologia daquele movimento.

Ele tratou de diversos assuntos com respeito a vida cristã e dentre os diversos

assuntos o relacionamento do homem com Deus também foi abordado. E de forma

semelhante a Lutero ele disse:

O primeiro passo é, pois, que nos afastemos de nós mesmos a fim de aplicarmos todas as forças da nossa mente ao serviço de Deus. Chamo serviço não somente o que consiste na obediência à Palavra de Deus, mas também aquele pelo qual o entendimento do homem, despojado dos seus próprios sentimentos, converte-se inteiramente e se sujeita ao Espírito de Deus. 46

Passado a era dos reformadores dá-se na história um outro período de

destaque para uma análise que contribua para um entendimento sobre o ato

adorador. Este período na história ficou conhecido como a era das confissões. É de

grade relevância observar que o aspecto adorador do homem foi observado nos

textos produzidos, principalmente das que receberam maior destaque.

a) Confissão de Fé de Westminster - Capítulo XXI do Culto religioso e do

Domingo:

I. A luz da natureza mostra que há um Deus que tem domínio e soberania sobre tudo, que é bom e faz bem a todos, e que, portanto, deve ser temido, amado, louvado, invocado, crido e servido de todo o coração, de toda a alma e de toda a força; mas o modo aceitável de adorar o verdadeiro Deus é instituído por ele mesmo e tão limitado pela sua vontade revelada, que não deve ser adorado segundo as imaginações e invenções dos homens ou sugestões de Satanás nem sob qualquer representação visível ou de qualquer outro modo não prescrito nas Santas Escrituras. Rom. 1:20; Sal. 119:68, e 31:33; At. 14:17; Deut. 12:32; Mat. I5:9, e 4:9, 10; João 4:3, 24; Exo. 20:4-6.

II. O culto religioso deve ser prestado a Deus o Pai, o Filho e o Espírito Santo - e só a ele; não deve ser prestado nem aos anjos, nem aos santos, nem a qualquer outra criatura; nem, depois da queda, deve ser prestado a Deus pela mediação de qualquer outro senão Cristo. João 5:23; Mat. 28:19; II Cor. 13:14; Col. 2:18; Apoc 19:10; Rom. l:25; João 14:6; I Tim. 2:5; Ef. 2:18; Col. 3:17.

46 Calvino, João. As Institutas da Religião Cristã Vol. 4, (1° edição. São Paulo. Editora Cultura Cristã, 2006), p.184

38

III. A oração com ações de graças, sendo uma parte especial do culto religioso, é por Deus exigida de todos os homens; e, para que seja aceita, deve ser feita em o nome do Filho, pelo auxílio do seu Espírito, segundo a sua vontade, e isto com inteligência, reverência, humildade, fervor, fé, amor e perseverança. Se for vocal, deve ser proferida em uma língua conhecida dos circunstantes. Fil. 4:6; I Tim. 2:1; Col. 4:2; Sal. 65:2, e 67:3; I Tess. 5:17-18; João 14:13-14; I Ped. 2:5; Rom. 8:26; Ef. 6:8; João 5:14; Sal. 47:7; Heb. 12:28; Gen. 18:27; Tiago 5:16; Ef. 6:18; I Cor. 14:14.

b) Segunda Confissão Helvética - Capítulo V ”Da Adoração do Culto e da

Invocação de Deus por Jesus, único mediador”.

Somente Deus deve ser adorado e cultuado. Ensinamos que somente

o verdadeiro Deus deve ser adorado e cultuado. Esta honra não

concedemos a nenhum outro, segundo o mandamento do Senhor: “Ao

Ensinamos

que Deus deve ser adorado e cultuado como Ele mesmo nos ensinou a

cultua-lo, a saber, ‘em espírito e em verdade’

Senhor teu Deus adorarás, e só a Ele dará culto (Mt 4:10)

Já no Manual para o Culto a Deus da Confissão Helvética encontra-se a

seguinte orientação para o ato adorador para o homem:

Capítulo ll – 4 : “os cristãos podem adorar a Deus em qualquer tempo,

porque todo o tempo foi por Ele remido

Deus em qualquer lugar, pois Deus não está confinado a templos feitos

por mãos humanas”.

Os cristãos podem adorar a

c) Da confissão Escocesa extrai-se os seguintes ensinamento em relação ao

ato adorador do homem para com o seu Criador:

Capítulo l – De Deus: confessamos e reconhecemos em um só Deus,

a quem só devemos apegar-nos, a quem , só,devemos servir, a quem, só, devemos adorar e em quem, só devemos depositar a nossa confiança.

Capítulo XVl – Da Igreja: Assim como cremos em um só Deus, Pai, Filho e Espírito Santo, assim também firmemente cremos que houve

desde o princípio, há agora e haverá até o fim do mundo uma só Igreja, isto é, uma sociedade e multidão de homens escolhidos por Deus, que corretamente o adoram e aceitam, pela verdadeira fé em Jesus Cristo, 1

o qual, só, é a Cabeça da Igreja, assim como é ela o corpo e a esposa de Jesus Cristo.

39

Artigo 1 – O único Deus :Todos nós cremos com o coração e confessamos com a boca l que há um só Deus 2 , um único e simples ser espiritual 3 . Ele é eterno 4 , incompreensível 5 invisível 6 , imutável 7 , infinito 8 , todo-poderoso 9 ; totalmente sábio l0 , justo l1 e bom 12 , e uma fonte muito abundante de todo bem 7 .

1 Rm 10:10. 2 Dt 6:4; 1Co 8:4,6; 1Tm 2:5. 3 Jo 4:24. 4 S1 90:2. 5 Rm 11:33. 6 Cl 1:15; 1Tm 6:16. 7 Tg 1:17. 8 1Rs 8:27; Jr 23:24. 9 Gn 17:1; Mt 19:26; Ap 1:8. 10 Rm 16:27. 11 Rm 3:25,26; Rm 9:14; Ap 16:5,7. 12 Mt 19:17. Veja também Is 40, 44 e 46.

Artigo 2 – Como conhecemos a Deus: Nós O conhecemos por dois meios. Primeiro: pela criação, manutenção e governo do mundo inteiro, visto que o mundo, perante nossos olhos, é como um livro formoso 1 , em que todas as criaturas, grandes e pequenas, servem de letras que nos fazem contemplar "os atributos invisíveis de Deus", isto é, "o seu eterno poder e a sua divindade", como diz o apóstolo Paulo (Romanos 1:20. Todos estes atributos são suficientes para convencer os homens e torná-los indesculpáveis. Segundo: Deus se fez conhecer, ainda mais clara e plenamente, por sua sagrada e divina Palavra, isto é, tanto quanto nos é necessário nesta vida, para sua glória e para a salvação dos que Lhe pertencem.

1

Sl 19:1-4. 2 Sl 19:7,8; 1Co 1:18-21.

Artigo 3 – A palavra de Deus: Confessamos que a palavra de Deus não foi enviada nem produzida "por vontade humana, mas homens falaram da parte de Deus, movidos pelo Espírito Santo", como diz o apóstolo Pedro (2 Pedro 1:21). Depois, Deus, por seu cuidado especial para conosco e para com a nossa salvação, mandou seus servos, os profetas e os apóstolos, escreverem sua palavra revelada 1 . Ele mesmo escreveu com o próprio dedo as duas tábuas da lei 2 . Por isso, chamamos estas escritas: sagradas e divinas Escrituras 3 .

1

Êx 34:27; Sl 102:18; Ap 1:11,19. 2 Êx 31:18. 3 2Tm 3:16.

O Dr. Heber Campos sintetiza de forma brilhante a importância das

confissões na vida de todo aquele que deseja sinceramente adorar o seu Criador:

Em todas as épocas os crentes foram chamados a expressar a sua fé de uma forma confessional. É importante nos lembrarmos de que não é necessária a adesão a um credo para que uma pessoa se torne cristã, mas, uma vez cristã, a pessoa tem que confessar a sua fé. Essa confissão é, em algum grau, um credo. 47

40

Capítulo 3 As distorções atuais na adoração em contraste com a Teologia Reformada

Possivelmente pessoas que ainda não tiveram uma experiência marcante

com Deus, e uma entrega total ao Seu Filho Jesus Cristo, estejam procurando a real

motivação para adorar o Deus Criador. Talvez não entendem o motivo pelo qual

devem ouvir sermões acerca do Deus Trino, acerca da ação mortal do pecado, e da

obra redentora do Messias. O principal motivo para que o homem pratique em todo o

instante a adoração a Deus é que ele próprio estabeleceu que assim fosse. Foi para

isso que o homem foi criado, “Porque dele, e por meio dele, e para ele são todas as

coisas. A ele, pois, a glória eternamente. Amém!”, (Rm 11.36).

O ponto de partida para se criar uma distorção no tocante ao Deus Criador

está justamente ligado nesta questão. A partir do momento que o homem não

reconhece esse fato em sua vida, todos os seus conceitos acerca da adoração não

passarão de meros desejos de seu coração. Calvino visualiza da seguinte forma

essa questão:

Porém, vivendo de um modo desordenado e rejeitando toda a honestidade, exibem um grande senso de segurança e a despeito do julgamento de Deus. Além disso, se afastam do verdadeiro Deus porque julgam a Deus, não por sua infinita majestade, mas pela vaidade tola e volúvel de suas próprias mentes. Conseqüentemente, embora possam mais tarde esforça-se por servir a Deus com grande cuidado, isto não lhes traz benefício algum porque não adoram o Deus eterno, mas os sonhos e fantasias de seus próprios corações no lugar de Deus. 48

A partir deste desinteresse em se conhecer os fundamentos da adoração é

que começam a surgir às distorções mais gritantes nos dias atuais com relação ao

ato adorador.

3.1 Suficiência das Escrituras

O apostolo Paulo quando escreve ao jovem pastor Timóteo ele diz que “Toda

a Escritura é inspirada por Deus e útil para o ensino, para a repreensão, para a

48 CALVINO, João. Instrução na Fé. Princípios para a vida Cristã. (1° edição, Goiânia. Editora Logos, 2003), p.12

41

correção, para a educação na justiça, a fim de que o homem de Deus seja perfeito e

perfeitamente habilitado para toda boa obra”, (Tm 3.16-17). A igreja Romana

acredita que a suficiência da Escritura seja uma invenção dos teólogos da reforma

principalmente Lutero por isso não possui nenhuma validade, pois não encontra

respaldo nem na própria Bíblia. Contrariando o pensamento da igreja Romana, a

formulação pode até ter vindo na época da reforma, mas essa já era uma prática na

igreja primitiva.

Dentre as muitas distorções talvez a não crença na suficiência das Escrituras,

alguns por convicção outros por desconhecimento, seja a que agrave as demais

distorções no tocante a adoração.

É muito comum nos dias atuais cristãos determinando e declarando alguma

“profecia” 49 sobre a vida de algum outro irmão, sejam elas no tocante a coisas

materiais, curas de doenças ou mesmo ministérios dentro da igreja. Esta prática não

se relaciona com as Escrituras porque dentro do plano de salvação que foi

estabelecido por Deus as revelações se encerram nas próprias Escrituras. Os

teólogos que se reuniram na Abadia de Westminster concluíram da seguinte forma

acerca da suficiência das Escrituras:

I. Ainda que a luz da natureza e as obras da criação e da providência de tal modo manifestem a bondade, a sabedoria e o poder de Deus, que os homens ficam inescusáveis, contudo não são suficientes para dar aquele conhecimento de Deus e da sua vontade necessário para a salvação; por isso foi o Senhor servido, em diversos tempos e diferentes modos, revelar-se e declarar à sua Igreja aquela sua vontade; e depois, para melhor preservação e propagação da verdade, para o mais seguro estabelecimento e conforto da Igreja contra a corrupção da carne e malícia de Satanás e do mundo, foi igualmente servido fazê-la escrever toda. Isto torna indispensável a Escritura Sagrada, tendo cessado aqueles antigos modos de revelar Deus a sua vontade ao seu povo. Sal. 19: 1-4; Rom. 1: 32, e 2: 1, e 1: 19-20, e 2: 14-15; I Cor. 1:21, e 2:13-14; Heb. 1:1-2; Luc. 1:3-4; Rom. 15:4; Mat. 4:4, 7, 10; Isa. 8: 20; I Tim. 3: I5; II Pedro 1: 19. 50

A.A. Hodge comentando sobre este sobre essa seção diz o seguinte:

, aprouve a Deus , por sua soberana graça, de varias foram e

diferentes épocas, fazer de seu mesmo e de seu propósito uma revelação supernatural a uma porção escolhida da família humana. E que, subsequentemente, aprouve a Deis fazer que essa revelação

49 Profecia neste caso não se trata do dom espiritual, mas segundo a crença de quem pratica o recebimento de uma mensagem diretamente de Deus.

50

Confissão de Fé de Westminster, Capítulo l Da Escritura Sagrada

42

fosse escrita e ser exclusivamente confinada nas Sagradas Escrituras.
51

Seguindo esta linha de pensamento diversos teólogos de linha reformada

endossam este pensamento sobre a suficiência das Escrituras. Por exemplo

Grudem defende piamente a inerrância das Escrituras, indagando que se não assim

o fizermos correremos o risco de confrontar com um erro moral sério,

questionaremos se de fato podemos confiar em tudo que Deus nos diz, a mente

humana passa a ser o padrão da verdade. 52

Na verdade o que se encontra nos dias atuais é uma igreja sem padrão, uns

se enredam pelo racionalismo, que produz um coração seco e descrente, por outro

lado o misticismo tem crescido assustadoramente tomando proporções até então

não vistas no meio a igreja, sendo contrário ao lema da Sola Scriptura como regra

de fé e de prática somente as Escrituras, o que torna extremamente frágil e até

mesmo sem propósito a adoração feita por qualquer lado extremista.

3.2 O Culto

Que não há nada novo embaixo do sol não é nenhuma novidade. O profeta

Malaquias já em sua época preconizava acerca de um culto que era fruto do

entendimento maculado do homem, deixando de lado as instruções que eram dadas

por Deus:

O filho honra o pai, e o servo, ao seu senhor. Se eu sou pai, onde está

a minha honra? E, se eu sou senhor, onde está o respeito para

comigo? — diz o SENHOR dos Exércitos a vós outros, ó sacerdotes que desprezais o meu nome. Vós dizeis: Em que desprezamos nós o teu nome? Ofereceis sobre o meu altar pão imundo e ainda perguntais:

Em que te havemos profanado? Nisto, que pensais: A mesa do SENHOR é desprezível. Quando trazeis animal cego para o sacrificardes, não é isso mal? E, quando trazeis o coxo ou o enfermo, não é isso mal? Ora, apresenta-o ao teu governador; acaso, terá ele agrado em ti e te será favorável? — diz o SENHOR dos Exércitos. Agora, pois, suplicai o favor de Deus, que nos conceda a sua graça; mas, com tais ofertas nas vossas mãos, aceitará ele a vossa pessoa? — diz o SENHOR dos Exércitos. Tomara houvesse entre vós quem

51 HODGE, A.A. Confissão de Fé de Westminster. Comentada por A.A Hodge. (1° edição. Editora Os Puritanos,1999), p. 50.

52

GRUDEM, Wayne. Teologia Sistemática. (1° edição. Edições Vida Nova, São Paulo, 1999), p. 67

43

feche as portas, para que não acendêsseis, debalde, o fogo do meu altar. Eu não tenho prazer em vós, diz o SENHOR dos Exércitos, nem aceitarei da vossa mão a oferta. 53

Uma das distorções mais gritantes dos últimos tempos tem se relacionado

com o culto do adorador para com o seu criador. Muitos sustentam que não existem

prescrições claras de como se deve cultuar a Deus nos dias atuais, e que

prescrições claras só existiram na época do Velho Testamento, quando o culto era

feito exclusivamente por sacerdotes instituídos para esta função. As demais pessoas

só cabiam lhes entregar as ofertas.

A morte de Jesus na cruz capacitou ao homem a entrar diante da presença de

Deus para entregar seu sacrifício vivo, que é o que Deus exige de seus adoradores

que o adoram em espírito e em verdade, mas não segundo seu próprio

entendimento. Embora não haja prescrições claras para a realização de um culto a

Deus os princípios ficaram de forma clara.

O Rev. Onésimo Figueiredo se preocupou em definir a palavra culto para um

melhor entendimento da prática:

Culto é serviço prestado a Deus pelo salvo e pela comunidade em todas as atividades vitais e existenciais. Servir é a condição essencial do servo. No primeiro caso, trata-se da atividade constante do real servidor de Deus, que o serve de dia e de noite com sua vida, testemunho, profissão e adoração. No segundo, tem-se em vista a liturgia comunitária, a adoração dos irmãos congregados, o ser e a voz da Igreja.

A parte final da explicação do Rev. Onésimo Figueiredo expressa a um dos

princípios. Mas nem todos chamados “cristãos” têm em mente essa certeza de que a

congregação em uníssono representa a igreja num todo e não apenas uma voz

solitária. Toda essa egocentricidade se explica pelo fato de a maioria dos que

querem buscar a Deus não tem utilizado com veemência o seu principal instrumento

de revelação, as Santas Escrituras, pois é através do seu conhecimento é que se

chegará a um entendimento de como se deve de fato adorar a Deus de forma que

lhe agrade não cometendo erros semelhantes aos do israelitas e recebendo assim a

reprovação por parte de Deus. O pastor José Santana Dória em seu artigo escrito

para o site monergismo.com contribui com uma bela explanação acerca de não se

conhecer as Escrituras para cultuar:

44

Por vezes pensamos que não há nenhuma dificuldade ou problema com respeito à liturgia utilizada nos cultos dos nossos dias, pois achamos que tudo aquilo que se está oferecendo a Deus, Ele aceitará, desde que seja feito com sinceridade e zelo. Este falso entendimento mostra que somos uma geração ignorante quanto a forma bíblica de cultuar a Deus. Não nos ocorre que Deus estabeleceu para o culto coisas que lhe agradam, e explicitou outras que não lhe agradam. Portanto, se quisermos que nosso culto seja aceitável precisamos submetê-lo a revelação divina. Se a Palavra de Deus aprovar, podemos ficar tranqüilos e perseverar em nossa atitude. No entanto, se ela desaprovar, humildemente devemos reconhecer diante de Deus o nosso erro e retornar ao princípio bíblico que Deus estabeleceu. Ele espera isso de todos nós. 54

Muitos atos passíveis de reprovação vêm sendo cometido por algumas

igrejas, que na verdade vêm se transformando em casa de entretenimentos ao invés

de reverenciarem o Deus Santo. Ouve uma preocupação por parte de Calvino com

relação a este fato:

E se Deus só é corretamente adorado pelo prisma de seus mandamentos, então de nada nos valerão todas as demais formas de culto que porventura engendramos, as quais ele com toda razão abomina, visto que põe a obediência acima de qualquer sacrifício. O ser humano deleita-se com suas próprias invenções e (como diz o apóstolo alhures) com suas vãs exibições de sabedoria; mas aprendemos o que o juiz celestial declara em oposição a tudo isso, quando nos fala por boca do apóstolo. Ao denominar o culto que Deus ordena de racional, ele repudia tudo quanto contrarie as normas de sua Palavra, como sendo mero esforço insensato, insípido e inconseqüente. 55

Na verdade ouve uma profunda preocupação por parte de João Calvino em

oferecer a Deus um culto que o agradava, deixando de lado toda a pompa que

existia na época praticada pela Igreja Católica Romana. Tamanha foi a sua intenção

de oferecer um culto simples, mas que fosse da vontade de Deus, que chegou até

mesmo escrever sobre o assunto em sua obra A Forma das Orações e Maneira de

Ministrar os Sacramentos de Acordo com o Uso da Igreja Primitiva”.

Muito poderia ser dito neste trabalho sobre o culto, mas as colocações feitas

aqui são suficientes para mostrar que o culto que é oferecido a Deus não deve partir

da vontade decaída do homem e sim da teocentricidade em sua finalidade.

54 www.monergismo.com/O Culto que Não Cultua a Deus - Pr_ José Santana Dória.htm
55

CALVINO, João, Exposição de Romanos, (1° edição São Paulo: Parácletos, 1997), p. 424, 425

45

3.3 A Música

A música exerce um papel relevante dentro da adoração a Deus. No livro do

Apocalipse, João relatando a visão que teve diz a respeito de anciãos cantando ao

Senhor, Apocalipse 4.9-11. Martinho Lutero era um amante da música ele dizia o

seguinte:

A música é filha do céu, e o homem que verdadeiramente a ama não

pode ter senão bons sentimentos. Eu não tenho consideração alguma por um povo que não saiba cantar. Aqueles que ficam insensíveis à música são corações secos que só posso comparar com pedaços de

rocha ou de madeira. 56

A música além de ser definida como uma arte, com sua capacidade de

combinar sons variados, ela também é reconhecida pela sua capacidade de

comunicação. É muito comum quando se quer transmitir uma mensagem fazer uso

da música para fixar na mente do ouvinte o conteúdo da mesma. Na época da

reforma a música eclodiu em adoração a Deus, isso porque os reformadores

entendiam seu valou artístico tanto quanto o didático.

A música tem sido a maneira mais popular nos últimos dias para divulgar

distorções acerca da adoração a Deus. Não é necessário temer em dizer que o

conteúdo de tais canções tem trazido um prejuízo enorme para o homem que deseja

adorar o Senhor de forma sincera, e até mesmo coloca-las na categoria de heresias.

Canções que em suas letras tem invertido os papéis, colocando sempre Deus

a serviço dos homens como se fosse o homem o soberano e Deus o seu servo.

Anulando assim um entendimento da teologia reformada que compreende que Deus

é soberano e o homem o servo. Berkhof explica o seguinte sobre a soberania de

Deus:

A soberania de Deus recebe forte ênfase na Escritura. Ele é

apresentado como o Criador, e Sua vontade como a causa de todas as coisas. Em virtude de sua obra criadora, o céu, a terra e tudo o que ele contém lhe pertencem. Ele está revestido de autoridade absoluta sobre as hostes celestiais e sobre os moradores da terra. Ele sustenta todas as coisas como a sua onipotência, e determina os fins que elas estão destinadas a cumprir. Ele governam como rei no sentido mais absoluto da palavra, e todas as coisas dependem de, e lhe são subservientes. 57

56 LUTERO, Martinho. Apostila da APEC – Educação Música da Criança – Congresso Nacional em

1980.

57 BERKHOF, Louis. Teologia Sistemática. (2° edição, São Paulo. Editora Cultura Cristã, 2001), p. 73

46

A música deveria enaltecer a soberania divina, e não inverter como tem sido

nos últimos tempos. Para agravar ainda mais este problema muitos interpretes

destas canções têm se auto denominado pastores, dando aos desentendidos uma

conotação ainda mais forte de que de fato aquelas palavras utilizadas nas letras de

tais músicas são parte da Palavra de Deus ou foram enviadas por ele.

Algumas composições recentes têm acompanhado essa tendência e se

revelado igualmente superficiais em suas respectivas letras. Portanto, na função

musical de subsidiar o texto das Santas Escrituras, deixam a desejar. Fala-se muito

em poder, apela-se para emoções, declara-se coisas, ordena-se, mas não se fala da

Pessoa de Cristo e de sua obra redentora, dos atributos de Deus, muito menos das

doutrinas da graça. Parece que os ideais da Reforma, que incluem a necessidade de

cantarmos a nossa fé, foram abandonados. É difícil encontrar profundidade no

conhecimento de Deus e de sua vontade através das letras. Não se fala em

mudança de vida, em verdadeiro arrependimento, em obediência, em fazer a

vontade do Pai. O importante é sentir-se bem. Assim caminham as igrejas

secularizadas onde os membros se sentem bem. 58

Calvino preconizou este perigo da secularização da igreja por influência da

música:

Há sempre a considerar-se que o canto na seja frívolo e leviano; pelo contrário, tenha pesos e majestade, como diz Santo Agostinho. E, assim, haja grande diferença entre música fita para alegrar os homem à mesa ou em casa e os salmos que se cantam na igreja, na presença de Deus e de seus anjos. 59

Esta distorção na adoração tem trazido uma problemática na liturgia da igreja

contemporânea, em que o que se sobressai são os gostos pessoais e não o real

motivo de ser, a teocentricidade. É necessário buscar um equilíbrio entre as

melodias e as letras para que sejam de caráter que louve ao Senhor na sua

essência e agradáveis para quem ouve e canta. Despertando nos músicos

contemporâneos o real desejo de louvar a Deus por meio da música.

58 Anotações da aula de Teologia do Culto ministrada pelo Rev René Stofel, STPRDNE

CALVIN, John. Opera Calvini, volume VI. Apud André Biéler. (O Pensamento Econômico e Social de Calvino. São Paulo , Casa Editora Presbiteriana,1990), p. 167

59

47

3.4 O Consumismo Cristão

A humanidade sofreu sensível mudança a partir da chama Revolução

Industrial ocorrida no século 18 na Inglaterra. Todo o sistema de produção que até

então era manual passou por grande mudança com a chegada da tecnologia

mecânica. Todos os materiais eram produzidos em pequena escala, quase que uma

cultura de subsistência. Com a mecanização dos sistemas de produção houve uma

explosão de produção dos produtos. Com isso o comércio ficou favorecido pela

grande quantidade de mercadorias a baixo preço, dando a população a capacidade

de escolher os produtos que eram do seu interesse, o que antes não podiam por

causa da baixa quantia de variedades de produtos.

Muitos foram os problemas sociais pós Revolução industrial. Com o aumento

na oferta de emprego houve um êxodo rural que superlotou as cidades dando inícios

as favelas, as condições de moradias não eram boas e outros mais.

Com a chamada Revolução Industrial a igreja também sofreu com as

influências proporcionadas. A população que até então não viviam com o chamado

direito de escolha, passa a usufruir desse direito em todas as áreas de sua vida. O

que aparentemente era benéfico trouxe muitos prejuízos para o homem adorador.

Ele começou a sofrer o mau do consumismo. Já que ele agora possuía o direito de

escolher o que adquirir, inconscientemente passa a querer exercer este mesmo

direito dentro da igreja. Deixando de lado o papel que de fato lhe é devido como um

ser criado para adorar o seu Criador. Este pensamento que se originou na época da

Revolução Industrial foi se estendendo ao longo dos tempos que iam se passando.

O que não é diferente nos dias atuais, ou melhor, está mais aguçado e aprimorado.

John Benton preocupado com este culto ao deus escolha nos dias atuais

escreve:

O mundo moderno tornou-se uma sociedade materialista há muito tempo, provavelmente ao longo do século passado temos estado seguindo nesta direção. Podemos dizer, por exemplo, que o comunismo foi uma forma de materialismo. Prometia uma distribuição justa para todos. Concentrava-se nas teorias econômicas de Karl Marx. Negava a existência de Deus, e seu único interesse estava no bem estar material da comunidade. 60

60 BENTON, John. Cristãos em uma sociedade de Consumo. Para não cultuarmos o deus “escolha" da nossa época. (1° edição, São Paulo. Editora Cultura Cristã. 2002), p. 13

48

Ele ainda define o como se compreende consumismo:

Definimos consumismo como um tipo de evangelho secular que oferece felicidade por meio de bens materiais e atividades da escolha pessoal de cada individuo. O principal objetivo do consumismo tem a ver como proporcionar felicidade ao individuo. Outra consideração como obrigações para com a sociedade ou padrões morais antiquados são postos de lado. O consumismo ostenta o ideal de satisfação pessoal. O consumidor deve sempre sair com a sensação de bem- estar, seja lá o que tenha comprado. Esta preocupação primaria se enquadra exatamente na cultura de terapia pós-modernismo. Na realidade, a idéia de que se alguém estiver se sentido deprimido e chateado, este alguém pode melhorar saindo e comprando algo novo é bastante comum nas camadas populares. 61

Os homens criados para adorar agora estão condicionados a escolher o que

lhes agrada, e isto fatalmente os levará para a auto adoração. A idéia de fincar raiz e

dar fruto já está ultrapassada em muitas mentes de homens que deveriam adorar

conforme o desejo de Deus.

A partir do momento que alguém tem a possibilidade de escolher num âmbito

fora da igreja, começa a querer aplicar também dentro da igreja, deixa o que é

fundamental de lado e parte em busca da satisfação pessoal. Começa a escolher

qual é a igreja que lhe serve, qual a pregação que quer ouvir, qual pregador que

satisfaz, passando assim a ser um mero consumidor das coisas sagradas.

Uma passagem bastante conhecida no meio cristão que serve para se opor a

tal pensamento de que buscar no culto o que lhe agrada é a de Levítico 10. Nadabe

e Abiú tinham sido escolhidos para servirem ao Senhor na entrega das ofertas.

Aparentemente algo chamou a atenção dos dois irmãos no intuito de adorar o

Senhor , levando os dois a deixarem de lado as prescrições para a adoração que

Deus havia dado quando na preparação do Tabernáculo. No entendimento deles o

que era agradável aos seus olhos também agradaria a Deus, mas o final da história

o povo soube que quase sempre o que agrada a homens não agrada a Deus.

Um outro agravante provocado pelo consumismo é levar a pessoa a pensar

somente nesta vida. Esta também foi uma preocupação para Benton:

As pessoas são levadas a definir suas prioridades levando em consideração apenas esta vida. Assuntos sobre a eternidade e a espiritualidade de cada individuo não soa tão importantes para as pessoas quando elas são massacradas pelas propagandas materialistas do consumismo. Esta atitude pode afetar, até certo ponto,

61 Ibid

49

os cristãos. Servir ao Senhor é importante, mas não já tão importante como o era para as gerações anteriores, que tinham uma visão muito mais clara da eternidade.

62

Há uma vida no porvir que deve ser o alvo de todo aquele que adora o

Senhor, e que os atos adoradores terrenos devem refletir a expectativa do desejo de

adorar a Deus na eternidade.

Grudem chama a atenção para o fato de se preocupar somente com esta vida

na terra:

Quando consideramos o fato de que a presente criação é temporária e que nossa vida na nova criação durará por toda a eternidade, tomo uma forte motivação para viver de maneira piedosa, acumulando tesouros no céu. 63

O próprio Senhor Jesus ensina para os seus seguidores o que de fato deve

motivar a adoração a Deus quando ainda estiverem sobe a face da terra:

“Não acumuleis para vós outros tesouros sobre a terra, onde a traça e a ferrugem corroem e onde ladrões escavam e roubam; mas ajuntai para vós outros tesouros no céu, onde traça nem ferrugem corrói, e onde ladrões não escavam, nem roubam; porque, onde está o teu tesouro, aí estará também o teu coração.” (Mt 6. 19-21).

Esta deve ser a motivação do coração de um adorador, motivação que foi

deixada pelo próprio Jesus aos seus adoradores. Ser motivado por uma ação que

vem do desejo de consumir vai impedir qualquer quem quer que seja adorar aquele

que deseja ser adorado em espírito e em verdade.

62 Ibid

63 GRUDEM. Op. cit. p. 992

50

Capítulo 4 A ADORAÇÃO TEOCÊNTRICA E OS BENEFÍCIOS PARA ADORADOR

O homem naturalmente busca a todo momento benefícios em tudo que

realiza. Mas a partir do momento que ele aparentemente perde o controle da

situação, ou se os meios para alcançar o desejado não são aqueles que estão de

sua posse, ele se vê em uma situação melancólica. Devido a este fato, aumenta a

cada dia o número de teologias que se fundamentam principalmente nesses tais

benefícios, para tentarem justificar a busca da satisfação segundo o seu próprio

entendimento, não passando de invenção humanas sem base que a sustente.

A adoração teocêntrica, do ponto de vista do homem que assim busca os

benefícios para sua vida, é incapaz de trazer ao homem o que eles buscam. Isto

porque anula qualquer esforço humano para alcançar os objetivos, já que tudo parte

e depende de Deus. O que deve ficar bem claro é o entendimento e motivações

corretas para se prestar uma adoração a Deus.

Para Shedd a motivação é esta;

A gratidão dos filhos de Deus pela adoção e co-heranca dom Cristo não permite medir esforços. Adoramos a Deus porque o amamos e cremos firmemente que Ele deseja receber nossas fracas tentativas de expressar nossas ações de graça e dedicação. 64

Nas páginas de seu livro Adoração Bíblica ele cita uma frase de um autor

desconhecido e que traz uma grande luz para exercitarmos a adoração teocêntrica,

“Adoração transforma o adorador na imagem do Deus diante do qual ele se curva”.

Esta máxima se faz valer também de forma contrária já que muitos têm se curvado

diante do que lhes agrada tornando-se parecidos com o seu “deus” ego.

Mas as Escrituras não mentem, e em todos que reconheceram esta verdade,

reconheceram que os moldes da adoração partem de Deus, tiveram sim muitos

benefícios.

64 SHEDD. Op. cit. p. 105

51

4.1 Santificação

Todos que se colocam diante do Deus Santo e poderoso é impelido a buscar

algo diferente em sua vida. Sua situação pecaminosa já não será aceita por si

próprio. Algo semelhante para ilustrar o que foi dito, só que guardada as devidas

proporções, é comparar o que aconteceu com o profeta Isaías:

No ano da morte do rei Uzias, eu vi o Senhor assentado sobre um alto e sublime trono, e as abas de suas vestes enchiam o templo. Serafins estavam por cima dele; cada um tinha seis asas: com duas cobria o rosto, com duas cobria os seus pés e com duas voava. E clamavam uns para os outros, dizendo: Santo, santo, santo é o SENHOR dos Exércitos; toda a terra está cheia da sua glória. As bases do limiar se moveram à voz do que clamava, e a casa se encheu de fumaça. Então, disse eu: ai de mim! Estou perdido! Porque sou homem de lábios impuros, habito no meio de um povo de impuros lábios, e os meus olhos viram o Rei, o SENHOR dos Exércitos! Então, um dos serafins voou para mim, trazendo na mão uma brasa viva, que tirara do altar com uma tenaz; com a brasa tocou a minha boca e disse: Eis que ela tocou os teus lábios; a tua iniqüidade foi tirada, e perdoado, o teu pecado. 65

Tudo o que aconteceu com o profeta é legítimo porque foi uma ação que

partiu do próprio Deus. Este encontro que Deus proporcionou com o profeta Isaías

fez com que ele reconhecesse a sua pecaminosidade, levando-o ao desespero.

Esse encontro embora tenha causado apriori um certo pânico, resultou em graça e

misericórdia por parte de Deus para com o seu profeta. O resultado final foi a

consagração da vida por parte do profeta sendo um dos instrumentos fundamental

para um reencontro do povo de sua época com o seu Deus, sem contar a magnífica

obra literária.

A medida em que o relacionamento com Deus vai se aprofundando, o

adorador vai tornando cada vez mais a imagem do Salvador Jesus Cristo, pois o

processo da santificação tem essa finalidade a mortificação do velho homem e o

crescer no novo homem que foi dado na cruz por Jesus. Mediante a adoração

teocêntrica as características de Cristo foi se moldando na vida do adorador. Por

exemplo, pode-se citar a humildade que é implantada no homem, após a chamada

eficaz que lhe é feita em aceitação do evangelho. É o mover do homem do seu

centro egoísta para o reconhecimento humilde do seu estado debilitado. C. S. Lewis

52

por meio de seus personagens dá uma compreensão do significado de humildade,

usando de uma forma contrária ao sentido real, pois os personagens tramam para

enganar os seres humanos com este tipo falso de humildade. O diálogo dos

personagens é este:

Você deve, portanto, omitir do paciente o verdadeiro sentido da humildade. Deixe que pense dela, não como um auto-esqucimento, mas como um certo tipo de opinião (a saber pobre união) como respeito a seus talento e caráter. Alguns talentos, eu deduzo, ele

realmente tem. Ponha na cabeça dele a idéia de que humildade consiste em tentar acreditar que esses talentos são menos valiosos do

que ele crê que sejam

opinião cujo teor seja outro que não a verdade, introduzindo assim um elemento de desonestidade no coração daquilo que de outra maneira ameaça tornar-se uma virtude. Através deste método, milhares de humanos tem sido levados a pensar que a humildade significa garotas bonitas tentando crer que são feias e homens inteligentes tentando crer que são tolos. E, uma vez que aquilo que estão tentando acreditar pode , em alguns casos, soar absurdo, eles acabem não conseguindo acreditar, e nós temos a oportunidade de manter suas mentes incessantemente girando em volta de si mesmos num esforço de alcançar o impossível.

um grande trunfo é faze-lo valorizar uma

66

Este reconhecimento do que de fato é ser humilde leva o adorador se

aproximar de Deus com a motivação correta para adorá-lo. Foi assim que João

Batista agiu, com humildade desejou que Cristo crescesse e que ele diminuísse

cada vez mais.

Somente a santificação é capaz de produzir, no coração do homem adorador

dia após dia, este desejo de diminuir para que o nosso Mestre apareça. A

santificação mostra que a adoração deve ser totalmente divorciada dos desejos

próprios, trazendo assim benefícios inesperados para quem deseja ter como meta

de vida a adoração ao Criador.

4.2 Comunhão

Viver em sociedade tem se tornado um grande desafio a cada dia vivido.

Muitos órgãos sociológicos buscam a todo custo prover um meio que viabilize este

convívio. Muitos métodos têm sido empregados na tentativa de pacificar o convívio

entre as pessoas. Concertos musicais, peças teatrais, entretenimento esportivo tem

53

sido usados na tentativa de socializar as pessoas para que haja uma comunhão. O

máximo que estes eventos podem proporcionar são emoções passageiras que não

traz uma transformação.

Quando um homem é alcançado pela graça redentora de Cristo, ele recebe o

selo que será o penhor na vinda de Cristo para o resgate da sua igreja. Este selo é o

Espírito Santo.

Tendo como ponto de partida o conhecimento de um grupo de pessoas que

entendem a maravilhosa graça de Deus e como ela age a adoração teocêntrica, traz

um consenso mútuo, ainda que haja imperfeições, e haverão, no grupo que se

relaciona, o pressuposto de viverem em comunhão é a glória de Deus.

Dizer que existe uma comunhão pessoal com Deus, sem que haja uma

comunhão com os demais filhos do Criador é desprezar a comunhão com os irmãos

como um valioso meio de graça.

Grudem contribui de forma magistral quando fala da comunhão dos irmãos na

igreja:

Na comunhão dos crentes, crescem a amizade e o afeto naturais uns pelos outros, e assim se cumpre o mandamento de Jesus, que nos amemos uns aos outros. Alem disso, quando os crentes se importam

uns com os outros, seguem o conselho de Paulo. “levai as cargas uns

dos outros e, assim, cumprireis a lei de Cristo” (Gl 6.2)

saudável que os cristão reconhecesse que se prova certa medida da graça de Deus os cristãos conversam e comem juntos, quando vivem juntos momentos de trabalho e lazer, desfrutando da comunhão uns com os outros. 67

Também seria

Para Berkhof a comunhão entre os irmãos tem um caráter muito mais

profundo:

Os protestantes asseveram que a unidade da igreja não e primariamente de caráter externo, mas, sim de caráter interno e espiritual. É unidade o corpo místico de Jesus Cristo, do qual todos os crentes são membros. Este corpo é dirigido por uma Cabeça, Jesus Cristo, que é também o Rei da Igreja, e é vivificado por Espírito, o Espírito de Cristo. Esta unidade implica que todos os que pertencem à Igreja participam da mesma fé, são solidamente interligados pelo comum laço do amor, e tem a mesma perspectiva gloriosa do futuro, essa unidade interior busca e também adquire expressão na profissão e conduta cristã dos crentes, em sua pública adoração do mesmo Deus em Cristo, e em sua participação nos mesmo sacramentos. Não pode

67 GRUDEM. Op. cit. p. 808, 809

54

haver dúvida quanto ao fato de que a Bíblia afirma a unidade, não só da Igreja invisível. 68

Mas a comunhão entre os irmãos além das relevâncias apontadas por

Grudem e Berkhof é de grande valia até mesmo no tocante a evangelização e

apologia. A comunhão municia o crente para a obra de propagar o evangelho, e é

Francis Schaffer quem levanta esta bandeira:

A menos que o povo veja em nossas igrejas não somente a pregação da verdade, ma a prática da verdade, do amor, do que é belo; a menos que veja que o que os humanistas certamente querem, mas não podem alcançar em uma base humanista – a comunicação e a afinidade humana - pelo ser praticado em nossas comunidades

69

Não resta dúvida de que só é possível experimentar os benefícios de uma

vida em comunhão com outros irmãos, quando se entende que toda a adoração

parte de Deus, e que a vida em comunhão é uma forma de demonstrar que a igreja

compreende tal fato de forma madura. Isto só é possível quando a igreja age como

uma igreja que adora o seu Deus da forma que ele deseja, quando ele é o Centro de

tudo e não os desejos pessoais.

4.3 A Alegria

Nos últimos tempos, algo que tem sido um produto de intensa procura é a

alegria. Muitos reclamam a falta dela em suas vidas, e até mesmo pagam caro para

obtê-la. Nesta busca exaustiva muitos dos valores morais tem ficado de lado. Esta

numa visão panorâmica de todos os homens. Mas os que professam pertencer

alguma entidade religiosa têm caído na mesma armadilha. Mesmo em meio às

igrejas chamadas reformadas tradicionais têm sofrido com membros que buscam

meios ilícitos para se alegrarem.

Esta busca pela alegria tem levado na verdade a muita frustração. Isso

porque a busca teve seu ângulo invertido. Na tentativa de se alegrarem, o

compromisso com a igreja tem ficado em segundo plano, já que o que realmente

importa é a alegria. Para sustentar este estigma de alegria, muitos produtos

chamados evangélicos têm sido colocados a disposição do deleite daquele que

busca a alegria.

68 BERKHOF. Op. cit. p. 525, 526 69 SCHAEFFER. Francis A. A igreja no ano 2001. (Casa Editora Aplic. Goiânia, 1975), p. 56

55

Mas a alegria produzida por estes produtos é na verdade um poço raso. O

que eles causam na verdade é uma momentânea sensação de bem-estar que a

mais leve brisa de crise pode levá-la consigo. Como se fosse uma casa edificada em

terreno arenoso que a água da chuva derruba com facilidade.

Desta forma tem agido e sofrido quem entende que a adoração a Deus tem

como único objetivo sentir-se alegre. Não que ter prazer em adorar a Deus seja algo

que não traga alegria. O problema está no foco. Se a finalidade última for se sentir

alegre, aí então há um erro.

Isto porque a verdadeira e douradora alegria não é provinda desses meios e

sim do trono de Deus. Quando Deus alcança o pecador com a sua graça levando-o

a reconhecer seu estado letárgico em que se encontrava para uma nova vida, uma

verdadeira vida com Cristo.

John Piper de uma forma apaixonada escreve:

Em outras palavras, enquanto o Espírito Santo não avivar nosso espírito com a chama da vida, nosso espírito está morto e sem reação que nem mesmo merece ser chamado de espírito. Somente o que é nascido do Espírito é espírito. Assim, quando Jesus diz que os verdadeiros adoradores adoram o Pai em espírito o sentido de ser que a verdadeira adoração vem apenas de espíritos vivificados e sensibilizados pelo Espírito de Deus. 70

Somente um coração alcançado pela graça pode de fato se alegrar perante

Deus, porque ele sabe que todo o fardo que estava em suas costas, até mesmo o

fardo da busca incessante da alegria está sobre os ombros de Jesus. Jesus disse

que todo aquele que fosse até ele, daria o seu fardo que é muito mais leve do que

os fardos que são oferecidos pela vida.

O reconhecimento de que a verdadeira alegria na adoração é adorar a Deus,

como ele deseja, dá ao coração do homem um sentimento real da alegria que um

dia todo aquele que pertence ao Senhor experimentará, um pouco da alegria

celeste. Não baseada em objetos, mas na plenitude da alegria da presença do

Altíssimo.

70 PIPER, John. Teologia da Alegria. A plenitude da satisfação em Deus. (1° edição, São Paulo, Shedd Publicações, 2001), p. 67

56

CAPÍTULO 5 CONCLUSÃO

Este trabalho teve como objetivo mostrar que a verdadeira adoração, a adoração que Deus requer de seus adoradores provém dele mesmo. As áreas pesquisadas como a exegese de palavras, o panorama histórico e a teologia reformada todas elas apontam para esta verdade. Na exegese das palavras relacionadas com o ato de adoração ao nosso Deus

Criador, todas elas apontam um papel definido por Deus para o homem de como adorá-lo. Mostrando que ao homem cabe a reverência, a submissão, a anulação de sua vida para que Deus fosse glorificado.

A história nos mostra que muitos servos entenderam a sua posição de

adorador segundo a vontade de Deus. E que suas vidas foram pautadas conforme este entendimento de seus papéis como adoradores de seu Criador.

Já a teologia reformada ensina os dogmas que servem para orientar o adorador em seu papel de forma correta. Levando-o novamente aos caminhos

ensinados pelas Santas Escrituras, que é a fonte do conhecimento para o homem adorar a Deus.

A conclusão que se chega é que sempre Deus foi adorado. Deus já recebia a

adoração de Seus anjos, que desde o Édem quando foi criado, o homem já adorava a Deus. Deus sempre mostrou a maneira simples que ele queria ser adorado. Deus nunca exigiu do homem algo que lhe fosse impossível fazer, isto porque o próprio Deus sempre providenciou tudo que o homem necessitava para adorá-lo. Infelizmente o que temos visto no cenário de nossas igrejas nos dias atuais está distorcido do que as ferramentas da exegese, da história e teologia ensinam. Pior é saber que não condizem com as Escrituras Sagradas e conseqüentemente com a vontade de Deus. Todo o ativismo que vemos em torno da adoração se torna em vão para Deus. Cabe ao homem voltar-se para as Escrituras reconhecendo que ele existe para adorar a Deus, e buscar nela as formas de adoração que agradem a Deus deixando de lado todo o seu ego e servindo segundo a vontade do Criador, para evitar os erros que tão comuns são nos nossos dias no tocante a adoração e assim repousar seguro nos braços do Criador.

57

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