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Texto literário e não literário

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DO TEXTO NÃO LITERÁRIO AO TEXTO LITERÁRIO

Texto 1

Texto 2

Texto 1
Receita para fazer um herói Tome-se um homem Feito de nada, como nós E em tamanho natural. Embeba-se-lhe a carne, Lentamente, Duma certeza aguda, irracional, Intensa como o ódio ou como a fome. Receita

Texto 2

Esta receita, de origem irlandesa, é feita com restos de couve e puré de batata. Tempo de preparação: 10 minutos. Tempo de cozedura: 20 minutos. Ingredientes (para 4 pessoas): l cebola, finamente picada

Depois, perto do fim, agite-se um pendão e toque-se um clarim. Serve-se morto. Reinaldo Ferreira, Poemas

4 couratos de bacon, em quadrados 45g de banha 500g de puré de batata 225g de couve cozida e picada Sal e pimenta Frite a cebola e o courato na banha, até aquela estar macia. Retire-os e misture-os com a couve e o puré de batata. Tempere. Molde o reparado em 4 bolas achatadas (v. gravura). Frite na banha até alourar um pouco. Sirva com ovos estrelados ou com uma salada de vegetais com carnes frias. in Doze Meses de Cozinha

1. Qual dos textos tem, como principal objectivo, informar? 2. Qual deles parece mais original, mais sugestivo, mais poético? 3. Qual deles está mais próximo da maneira corrente como usamos a língua, no dia a dia? 4. Compara os dois textos tendo em conta as características de cada um. Baseia-te nas oposições: conotação / denotação; polissemia / monossemia; subjectividade / objectividade; função estética / função informativa; desvio / norma.

PARA SABER Podemos distinguir os textos não literários (TNL) dos textos literários (TL) tendo em conta que: nos textos não literários predominam: — a objectividade — a denotação — a função informativa

— o respeito pela «norma» — o carácter utilitário nos textos literários predominam: — a subjectividade — a conotação — as funções expressiva e poética — o desvio da «norma» — o carácter estético Os textos paraliterários apresentam simultaneamente características dos TL e dos TNL.

PARA SABER MAIS TEXTO NÃO LITERÁRIO/TEXTO LITERÁRIO Quando deparamos com diversos tipos de textos, notamos entre eles diferenças (marcas, traços distintivos), umas mais nítidas, outras mais diluídas, sobretudo a três grandes níveis: 1° DA SINTAXE: Combinatória de sinais linguísticos (signos linguísticos). 2° DA SEMÂNTICA: Significação da mensagem. 3° DA PRAGMÁTICA: Utilização da mensagem; efeitos práticos pretendidos sobre o receptor.

Assim, a) Encontramos textos que contêm uma informação inconfundível, precisamente porque é artística (cheia de sugestão, de riqueza, de encanto), resultante da combinação de diferentes códigos e técnicas de produção e de expressão, e da utilização das linguagens de conotação e de recursos

específicos como: as figuras de estilo, de retórica, etc.: são os textos que designamos de textos literários. b) Encontramos textos que ainda têm alguns traços, algumas características que, aqui e ali, ainda os aproximam dos textos identificados em a): são textos que designamos de textos paraliterários. c) Encontramos textos que já não têm qualquer marca típica, característica dos textos que encontramos em a), e em b): são os textos que designamos, genericamente, de textos não literários. Fernando Paulo Baptista n Pretextos (adaptado) 1. Quando respondes às perguntas de um teste de História, procuras

construir um texto literário ou um texto não literário? 2. Quando te pedem um poema, num teste de Português, procuras construir um texto literário ou um texto não literário? 3. Lê os seguintes textos:

Texto 1 Pastoral Não há, não, duas folhas iguais em toda a criação. Ou nervura a menos, ou célula a mais, não há de certeza, duas folhas iguais.

Texto 2 Morte no avião […] entre placas estelares B remotos sopros de terra, sinto-me natural a milhares de metros de altura, nem ave nem mito,

Limbo todas têm, que é próprio das folhas; pecíolo algumas; bainha nem todas. Umas são fendidas, crenadas, lobadas, inteiras, partidas, singelas, dobradas. Outras acerosas, redondas, agudas, macias, viscosas, fibrosas, carnudas. Nas formas presentes, nos actos distantes, mesmo semelhantes são sempre diferentes. Umas vão e caem no charco cinzento, e lançam apelos nas ondas que fazem; outras vão e jazem sem mais movimento. Mas outras não jazem, nem caem, nem gritam, apenas volitam nas dobras do vento. É dessas que eu sou. António Gedeão in Poesias Completas

guardo consciência de meus poderes, e sem mistificação eu voo, sou um corpo voante e conservo bolsos, relógios, unhas, ligado à terra pela memória e pelo costume dos músculos, Ó brancura, serenidade sob a violência da morte sem aviso prévio, cautelosa, não obstante irreprimívei aproximação de um perigo atmosférico, golpe vibrado no ar, lâmina de vento no pescoço, raio choque estrondo fulguração rolamos pulverizados caio verticalmente e me transformo em notícia. Carlos Drummond de Andrade in Morte no Avião

3.1. Dados os dois textos anteriores, como os classificas? Justifica. 4. Procura um texto relacionado com o estudo das «folhas» que tenha características diferentes do de António Gedeão. 5. Faz um pequeno texto sobre um acidente aéreo, de modo a que o mesmo apresente características diferentes do de Carlos Drummond de Andrade.

6. Tens aqui dois textos: um TL e um TNL. Continua-os, mantendo as características de cada um.

Desaparecido Sempre que leio nos jornais: «De casa dos seus pais desapareceu...» Embora sejam outros os sinais, Suponho sempre que sou eu. Eu, verdadeiramente jovem, Que por caminhos meus e naturais Do meu veleiro, que ora os outros movem, Pudesse ser o próprio arrais. […] Carlos Queirós

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