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JoãoCunhaprovocapolémicas

O HUMORISTA QUE FOI À CADEIA DE SÓCRATES

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a JoãoCunhaprovocapolémicas O HUMORISTA QUE FOI À CADEIA DE SÓCRATES q Advogadodenegócios emBelém? VITORINO, O PEQUENO

Advogadodenegócios emBelém?

VITORINO, O PEQUENO GRANDE FACILITADOR

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AshistóriasdeRuiMendes eGullit

NETO DE SPORTINGUISTA MORTO É DO BENFICA

+

www.sabado.pt N.º 564 – 19 A 25 DE FEVEREIRO DE 2015 – €3 (CONT.)

Um maçon fotografado na antiga sede da Grande Loja Legal de Portugal, em Alvalade, Lisboa

 

D.R.

CORBIS/VMI

Sumário 19 FEVEREIRO 2015 www.sabado.pt Entrevista Sociedade CarlosUrroz Director da ARCO fala da arte portuguesa 26
Sumário
19 FEVEREIRO 2015
www.sabado.pt
Entrevista
Sociedade
CarlosUrroz
Director da ARCO fala da arte portuguesa
26
Destaque
Investigação
As guerras internas na maçonaria
32
Portugal
Vitorino
As ligações ao mundo dos negócios
O Porto está zangado com o Governo
44
Turismo
49
Nomeações Afinal, o CDS também gosta de nomear boys
50
Mundo
68
Crise
O que aconteceria se a Grécia saísse do Euro
52
Dinamarca Omar el-Hussein, o responsável pelos atentados 54
UM DIA A ACOMPANHAR
OS CONCERTOS DOS D.A.M.A.
Dinheiro
SwissLeaks
No rasto do dinheiro dos portugueses
56
Segurança
Têm um disco de ouro, mas comem hambúrgueres no café. A
banda-sensação esgota salas e até tem fãs que tatuam o seu símbolo
Sequestro
Mulher torturada na passagem de ano
58
Sociedade
Destaque
Tentações
Perfil Quem é o Humorista que queria visitar Sócrates? 60
Sexo As Sombras de Grey e O Último Tango em Paris 66
Fenómeno Um dia com a boy band do momento, os D.A.M.A. 68
Diabetes Pâncreas biónico deve estar disponível em 2017
71
32
Tudo sobre o gin
Site
A maior base de dados sobre a escravatura
72
As receitas dos barmen, sítios
para ir e sugestões de acessó-
rios. E ainda: sumos detox no
Inverno;
cinco escri-
tores por-
tugueses;
novo filme
de Paul
Thomas
Anderson
Livro 100 mil japoneses desaparecem todos os anos
73
Documentário
A vida do padre das prisões
74
Família
Relações
Como lidar com os filhos do namorado?
78
Desporto
Sporting-Benfica Os insultos que causaram a guerra das claques 80
AS LUTAS SECRETAS
ENTRE OS MAÇONS
Artes
GonçaloJordão Ele pintou os cenários de Grand Budapest Hotel
83
São poderosos na sociedade,
mas dentro dos templos per-
dem-se em guerras e intrigas
Social
Inglaterra William Tallon, o mordomo da Rainha-mãe
86
Opinião
Foto de capa: Fotomontagem Sábado
Emais ...
José
Nuno
Alberto
4
Bastidores
12
Nuno Costa Santos
59
Eduardo Dâmaso
Pacheco
Rogeiro
Gonçalves
6
Editorial
17
Pedro Marta Santos
79
Dulce Garcia
Pereira
30
90
10
Do Leitor
24
Obituário
82
Ricardo Adolfo
8
11
A Abrir
57
Helena Garrido
88
Alexandre Pais
D.R. CORBIS/VMI Sumário 19 FEVEREIRO 2015 www.sabado.pt Entrevista Sociedade CarlosUrroz Director da ARCO fala da arte

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Fotogaleria

Estes são os mais belos Ferraris, mas aceitam-se outras opiniões

Há 117 anos nasceu En- zo Ferrari. Depois nasce- ram estas obras-primas.

Parlamento

Eusébio deve ir para o Panteão Nacional?

A questão é votada pe- los deputados no dia 20.

Eurico:defutebolista campeãoacantor
Eurico:defutebolista
campeãoacantor
03. ESTE MIÚDO ACABOU COM A CARNE Em blogue 01.RAZÕESPARADESPREZAR DEGREYEisseteargumentos ASCINQUENTA SOMBRAS CONTANOHSBC Uma desco-
03. ESTE MIÚDO ACABOU
COM A CARNE Em blogue
01.RAZÕESPARADESPREZAR
DEGREYEisseteargumentos
ASCINQUENTA SOMBRAS
CONTANOHSBC Uma desco-
02.OSPORTUGUESESCOM
nhecida tinha 223milhões
+ LIDAS
9 A 15 DE
FEVEREIRO

Do director

Do director 19 FEVEREIRO 2015 www.sabado.pt

19 FEVEREIRO 2015

Do director 19 FEVEREIRO 2015 www.sabado.pt

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Do director 19 FEVEREIRO 2015 www.sabado.pt

BASTIDORES

B Os caricatos conflitos da maçonaria A investigação sobre as guerras internas que estão a abalar
B
Os caricatos
conflitos
da maçonaria
A investigação sobre as guerras
internas que estão a abalar
a maçonaria levou a SÁBADO
até à Mealhada, local onde está um
dos mais importantes templos da
Grande Loja Legal de Portugal
(GLLP/GLRP). O jornalistaAntónio Jo-
sé Vilela levava algumas indicações,
mas quando chegou à terradosleitões
a tarefa revelou-se mais complicada
do que parecia.Depois de voltase vol-
tas, sem conseguir encontrar o que
g
É esta antiga tipo-
grafia, na Mealha-
da, que tem acolhi-
do as sessões
maçónicas
procurava, teve de recorrer-se a uma
fonte jáantes consultadaparasolicitar
detalhes mais concretos sobre o local.
Só assim foi possívelchegaràcasaque
tem acolhido as reuniões daRespeitá-
vel Loja de S. João Baptistae daBrasí-
lia, muito perto do restaurante Meta
dos Leitões, onde os irmãos – muitos
comligações àpolítica– costumavam
jantar. Agora, o clima de tensão entre
eles jánão permite grandes convívios.
Pelo contrário. Os choques e proble-
mas vividos, ao longo dos anos, nestas
lojas são apenas um exemplo dos vá-
rios que a SÁBADO encontrou neste
trabalho, paralernas págs. 32 a42.
B
Umhumoristaa tempo inteiro
O primeiro contacto com João Cunha
foi pelo Facebook. O jornalistaAndré
Rito deixou-lhe umamensagem com
o seu contacto e a explicar que pre-

Foi difícil chegar à vivenda que tem acolhido as reuniões da Respeitável Loja de S. João Baptista, muito perto do restaurante Meta dos Leitões, onde os irmãos costumavam jantar. Agora, a tensão entre eles já não permite grandes convívios. Pelo contrário

Do director 19 FEVEREIRO 2015 www.sabado.pt BASTIDORES B Os caricatos conflitos da maçonaria A investigação sobre

B

Director

RuiHortelão

Do director 19 FEVEREIRO 2015 www.sabado.pt BASTIDORES B Os caricatos conflitos da maçonaria A investigação sobre

tendia fazer um perfil a propósito do que ele tinha feito à porta do Estabe- lecimento Prisional de Évora, em que acabou detido pela polícia. O humo- rista ligou pouco depois mas apre- sentou-se como “assessor de João Cunha”. A seguir, colocou a chamada em espera com a música Simply the Best, de Tina Turner, enquanto su- postamente “transferia achamada”. Um diadepois, jornalistae humoris- taencontraram-se numcafé emAlva- lade. O telemóvel de João Cunha to- cou, quando estavapousado em cima da mesa. No visor, estrategicamente virado paracima, uma frase e uma fo- tografia que não deixava dúvidas:

“Cristiano: Atender?”, lia-se, sobre uma foto domelhordomundo. “Outra vez este gajo…”, reagiu o humorista. Durante três dias, a SÁBADO acompa- nhou as gravações do que vai sero seu novo programa de televisão. Filmado como um documentário, mistura fic- ção e realidade, tal como aconteceu no seu primeiro programa. É nessadú- vida que João Cunha faz o seu humor. Como quando foi aÉvoraprovocaros que se manifestavam em apoio a José Sócrates. Paralernas págs. 60 a64.

B

D.A.M.A.,abanda-sensação Todos queriam fazer uma selfie com os D.A.M.A., a banda-sensação dos mais novos. Com stick, sem stick, com braço, com artista sem artista. Até os próprios artistas faziam selfies

em palco e fora do palco, sozinhos,

acompanhados

....

todos a viver o

momento através das redes. E essa é a condição: após a entrevista a SÁ-

BADO foi impedida de fazer retratos em pose. Argumento: “Temos uma política de concentração de imagem, por isso tem de ser tudo espontâ- neo.” Nada que tire brilho à reporta- gem das págs. 68 a 70. W

j

Esta semana expli- camos-lhe tudo so- bre gin e ainda lhe damos 6 receitas exclusivas, sugeri- das pelos princi- pais barmen de Lisboa e do Porto

Do director 19 FEVEREIRO 2015 www.sabado.pt BASTIDORES B Os caricatos conflitos da maçonaria A investigação sobre

!

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Opinião

Opinião 19 FEVEREIRO 2015 www.sabado.pt

19 FEVEREIRO 2015

Opinião 19 FEVEREIRO 2015 www.sabado.pt

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EDITORIAL

“Dos bancos espera-se que façam coisas duvidosas, mas as agências de notação de crédito deviam ser aquelas em que confiávamos para nos orientarmos.” Neste caso, só precisamos substituir agências de notação por banco central

E

O papel comercialdo GES e outros papéis

Q uanto mais sabemos, maiores

são as dúvidas sobre onde ter-

mina amá-fé dos que levaram

o Banco Espírito Santo(BES) àruínae a cumplicidade dos reguladores – Ban- co de Portugal e CMVM – que foram sendo enganados ou dando cobertura ao queiasendo feito.Não háinocentes e a defesa que Carlos Costa fez naCo- missão Parlamentar de Inquérito à gestão doBESe doGrupo Espírito San- to confirmou-o. “Se pudesse, tirava a idoneidade a Ricardo Salgado. Mas não tinhapoderes”, disse o governador doBanco de Portugal.Noentanto, bas- tavaque tivesse tido acoragem parao enfrentar, não quando o mal todo es- tava feito, mas antes, por exemplo, de milhares de investidores trocarem quase dois mil milhões de euros por papelcomercial daESI e daRioforte.A taxadejuroeraatractivae ocapital ga- rantido tornava o investimento ainda mais aliciante. Adocumentação apro- vada pela CMVM, apesar das contas estarem– sabe-se hoje– adulteradas, em nada contrariava o discurso entu- siasmado com que todaamáquinado BES vendia o produto. Os que o com- praram eram os únicos que não sa- biam da armadilha em que estavam a entrar. O BdP tinha pelo menos uma ideiae provadissoé que, fazemMarço um ano, obrigou a Espírito Santo Fi- nantial Group a provisionar 700 mi- lhões de euros, que garantiam a pro- tecção dos que tinham comprado o papelcomercial aos balcões do BES. Entretanto, veio a resolução, a cria- ção do Novo Banco, meses de pro- messas de que tudo haveria de se re- solver e, agora, afinal, ninguém vai receber nada. Até os 700 milhões de segurança desapareceram ou foram aplicados noutracoisa que não aque- la para que foram provisionados. O presidente doNovo Banco, Eduar- do StockdaCunha, foi claro aassumir

a dificuldade de encontrar uma solu- ção para o problema: “O Banco de Portugal determinou que essa com- pensação tem pelomenos de serneu- tra em termos de liquidez, capital e rentabilidade do banco. O que émuito difícil de atingir.”

Uma afirmação desagradável de ouvir, mas que os lesados do papel comercial certamente agradecem, pois foi ela que acabou por forçar o esclarecimento definitivo do BdP. Em comunicado, este lavou as mãos do assunto e remeteu a decisão para o Novo Banco, que, ironicamente, está limitado pelas regras que o próprio BdP lhe impôs. “Sentimos que fomos usados para financiar um grupo económico fali- do, com conhecimento e autorização do BdP. Sobretudo, quando, como resulta de cartas do regulador, o mes- mo conhecia todos os factos desde o exercício da auditoria ETTRIC2”, rea- giu a associação de subscritores de papel comercial do GES, numa sínte- se elucidativa.

Comasdevidasdistâncias,éimpossí-

vel assistirao que se passaemPortugal e não recordar as recentes palavras do procurador-geraldoestado doMis- sissípi sobre a condenação da Stan- dard&Poor’s a pagar 1500 milhões de dólares aos governos central e esta- duais dos EUA, por ter inflacionado a notação de obrigações subprime, que originaram acrise financeira de 2008:

“Dos bancosespera-se que façamcoi- sas duvidosas, mas as agências de no- tação de crédito deviam ser aquelas em que confiávamos para nos orien- tarmos.” No caso do papel comercial doGES, só precisamos substituiragên- cias de notação porbancocentral.

E

AscertezassobreoSwissLeaks Aparentemente, e ao contrário do que aconteceucomoutros países,ninguém em Portugal com responsabilidades teveconhecimentodoescândalo Swiss Leaks antes das recentes notícias. Es- peremosque osmembrosdo anteriore do actualGoverno tenhamcertezaab- soluta disso e que, a bem de todos, o assumamde umaforma tãoconcretae frontal como Pedro Silva Reis, presi- dente daReal CompanhiaVelha, con- firmou ter tidocontanoHSBC. W

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Opinião

ALAGARTIXA EO JACARÉ

Grite-se Sócrates, Costa, Boaventura, Syriza, Bagão, Louçã, Manuela, eupróprio, os gregos, Varoufakis e logo umapequenamultidão começaasalivarnas redes sociais, nos blogues, nos “porta-vozes” oficiais e oficiosos do PSD e doCDS. Muitadestaraivavemdo desespero. Osmelhores dias jáestão no passado e as perspectivas são sombrias

Opinião ALAGARTIXA EO JACARÉ Grite-se Sócrates, Costa, Boaventura, Syriza, Bagão, Louçã, Manuela, eupróprio, os gregos, Varoufakis

O

Professor

JoséPachecoPereira

O

Portugal,

2015

(1)

Portugal em 2015 está um país muito esquisito, amorfo e ao mesmo tempo zangado; cansado e ao mesmo tem- po agitado, cheio de “criadores cul- turais” e ao mesmo tempo ignorante como nunca; egoísta, mas incomo- dado pelo seu egoísmo, com má consciência. O Portugal urbano, precise-se. O rural move-se por outros mecanis- mos, mas não tem visibilidade a não ser na televisão aos domingos. O Portugal urbano de Lisboa, e, como o mal é contagioso, o do Porto vai a caminho. Coimbra continua muito solidamente provinciana e tem estu- dantes a mais. Muitos estudantes si- gnificam um deserto cultural exten- so. Praxes, copos e Rosinha. A Rosi- nha ainda é o melhor. W

O

Portugal,

  • 2015 (2)

Olhe-se em volta. Nos cinemas dos centros comerciais (não há outros), a parte da Humanidade que é do sexo feminino faz fila para com- prar bilhetes para ver um vago fil- me erótico, com chicotes e alge- mas, mas onde tudo é bonito, mi- lionário, com gosto e controlado, asséptico. Parece que o sadomaso- quismo chique está na moda entre as mulheres. Na verdade, não é uma grande novidade, mas presu- mo que os homens se interrogam sobre o que é que não tinham per- cebido nas suas mulheres, compa- nheiras, namoradas, amantes e seja lá o que for. Vão continuar sem saber nada.W

O

Portugal,

2015

(3)

A crise grega entra nas redes sociais por via da roupa do ministro Varou- fakis. Discute-se o blusão de couro, o cachecol, as camisas de fora ou de dentro. Não admira. Muita da nossa inteligência feminina, metrossexual e gay gosta muito de discutir roupas e ocasionalmente gatinhos. Sendo as- sim, não admira que tenham passado dos sapatos Prada, dos fatos Armani e Boss do nosso ex-primeiro-ministro caído em desgraça, para a discussão contínua das gravatas e terminar na mais imbecil crítica feita alguma vez a Passos Coelho, a dos fatos suburba- nos de segunda. Essa gente não se enxerga mesmo. É isto segredo para alguém, indiscrição, boato, oumálín- gua? Não, não é. É o conteúdo habi- tual desse ruído moderno do Twitter e do Facebook, feito por gente que diz abominar a Caras e a Lux e faz muito pior. W

O

Portugal,

  • 2015 (4)

O que tem mais graça, aliás o que é mais ridículo, é que esta gente que discute roupas, restaurantes e outros ademanes da cultura urbana, que fa- zem a Time Out ganhar a sua vida (honestamente), é toda muito de es- querda, muito de causa dos costu- mes, muito do social, muito moder- naça. Seja dito, no entanto, que há também uma fauna de direita, muito “ajustadora”, que é exactamente igual. Aliás dão-se bem e exercem activamente a boa prática do fishing for compliments, ajudando-se uns aos outros naluta pela vida. W

19 FEVEREIRO 2015 www.sabado.pt
19 FEVEREIRO 2015
www.sabado.pt

O

Portugal, 2015 (5)

A comunicação social continua a en- ganar-se no remédio para a suacrise, com excepção do CorreiodaManhã. O nosso velho semanário de referên- cia é cada vez mais escrito por qua- rentões (e acima) que pensam que fa- zem um jornal para os jovens de 18 anos. Valia a pena, passados um ou dois anos, fazer uma lista dos jovens prometedores que todas as semanas promovem e saber o que é que lhes aconteceu. Para onde foram todos esses talentos que “descobriram” no seu culto da novidade e da juventude perdida? Valia a pena acrescentar também o que é que aconteceu às prometedoras start-ups nos “ninhos de empresa”, que têm sido neste últi- mos anos o “Portugal positivo”, para dar corpo às teses governamentais sobre o “empreendedorismo”.

O CorreiodaManhã não quer saber destas coisas, nem de modas urbanas dos glitterati. O seu negócio é outro. Fornece todos os dias umas postas de carne crua aos leões de café, que pre- cisam de muitas proteínas para rugir alto e bom som. E prospera. W

O

Portugal, 2015 (6)

Em política, Pavlov reina como mes- tre de cãezinhos. É tudo tão previsí- vel, tão fácil de identificar, tão rudi- mentar, tão… pavloviano. Grite-se Sócrates, Costa, Boaventura, Syriza, Bagão, Louçã, Manuela, eu próprio, os gregos, Varoufakis e logo uma pe- quenamultidão começa a salivar nas redes sociais, nos blogues, nos “por- ta-vozes” oficiais e oficiosos do PSD e do CDS. Muita desta raiva vem do desespero. Os melhores dias já estão no passado e as perspectivas são sombrias. É verdade que muitos

aproveitaram estes anos de ouro para se incrustar em lugares de no- meação ou influência governamen- tal. E vão continuarlá. Claro que há de vez em quando uns pequenos grãos na engrenagem. Jar- dim, por exemplo, do “je suis Syriza”, ou Marcelo que dá uma no cravo e outra na ferradura. Mas para estes pequenos propagandistas não pode haver hesitações. É o combate final e não há “mas”, nem meio “mas”, é tudo a preto e branco. Ou se é grego ou alemão. W

O

Portugal, 2015 (7)

Animam-se com o facto de as mani- festações pró-gregas terem pouca gente, mas ignoram as sondagens que mostram que muita gente ultra- passou os argumentos mesquinhos de Cavaco e Passos e tem simpatia pelos gregos. À direita e à esquerda, porque toda a gente precisava de um assomo qualquer de dignidade na- cional numa União Europeiamanie- tada pela elite políticamais autoritá- ria e escassamente democrática que chegou ao poder nestes últimos anos. Enganam-se se pensam que são os esquerdismos do programa do Syri- za que mobilizam as simpatias. É por isso que há pouca gente nas mani- festações, porque elas são miméticas desse esquerdismo. Mas o que faz as sondagens maioritárias pró-gregos, a “maioria silenciosa”, é a afirmação nacional, aindependência, a sobera- nia, a honra perdida das nações res- gatada por um povo. É uma gigan- tesca bofetada nos patriotas de boca e empáfia que aceitaram tudo, assi- naram tudo, geriram o “protectora- do” com zelo e colaboração, e termi- nam o seu tempo útil servindo para fazer o saleboulot alemão. W

19 FEVEREIRO 2015 www.sabado.pt O Portugal, 2015 (5) A comunicação social continua a en- ganar-se no

SUSANA VILLAR

10

Do leitor

Do leitor
 
Do leitor
 
Do leitor
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Cristina Ferreira: aquela máquina de fazer dinheiro

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Director Rui Hortelão (ruihortelao@sabado.cofina.pt) Subdirectoras Dulce Garcia (dgarcia@sabado.cofina.pt) e Dulce Neto (dulceneto@sabado.cofina.pt) Editor ExecutivoJoão Carlos Silva (joaosilva@sabado.cofina.pt) Directora Criativa e de Operações Joana Pais Vieira (jpaisvieira@sabado.cofina.pt) Redactor Principal Pedro Jorge Castro (pedrocastro@sabado.cofina.pt) Editores Ana Taborda (anataborda@sabado.cofina.pt) Ângela Marques (angelamarques@sabado.cofina.pt) Carlos Torres (cstorres@sabado.cofina.pt) Fernando Esteves (fernandoesteves@sabado.cofina.pt) Guilherme Venâncio (gvenancio@sabado.cofina.pt) Luís Silvestre (luissilvestre@sabado.cofina.pt) Nuno Paixão Louro (nunolouro@sabado.cofina.pt) Patrícia Cascão (patriciacascao@sabado.cofina.pt) Sónia Bento (soniabento@sabado.cofina.pt) Subeditores Alexandre Azevedo (alexandreazevedo@sabado.cofina.pt) Nuno Tiago Pinto (nunopinto@sabado.cofina.pt) Maria Henrique Espada (mespada@sabado.cofina.pt) Vanda Marques (vandamarques@sabado.cofina.pt) Grande Repórter António José Vilela (antoniovilela@sabado.cofina.pt) Redacção Ana Catarina André (anaandre@sabado.cofina.pt) André Rito (andrerito@sabado.cofina.pt) Joana Carvalho Fernandes (joanafernandes@sabado.cofina.pt) Leonor Riso (lriso@sabado.cofina.pt) Lucília Galha (luciliagalha@sabado.cofina.pt) Marco Alves (marcoalves@sabado.cofina.pt) Myriam Gaspar (myriamgaspar@sabado.cofina.pt) Raquel Lito (raquellito@sabado.cofina.pt) Rita Bertrand (ritabertrand@sabado.cofina.pt) Rita Garcia (ritagarcia@sabado.cofina.pt) Sara Capelo (saracapelo@sabado.cofina.pt) Susana Lúcio (slucio@sabado.cofina.pt) Tânia Pereirinha (tpereirinha@sabado.cofina.pt) Vera Moura (veramoura@sabado.cofina.pt) Vítor Matos (vmatos@sabado.cofina.pt)

HugoCardoso

 

Cronistas Alberto Gonçalves (alberto.goncalves69@gmail.com), Alexandre Pais (www.alexandrepais.pt), Eduardo Dâmaso

 

Proença-a-Nova

(eduardodamaso@cmjornal.pt), Helena Garrido (hgarrido@negocios.pt), João

Numa sociedade onde as mulheres são inferiorizadas em relação aos ho- mens, surge um exemplo de como contrariar essa posição. Cristina Ferreira é uma mulher de armas, que luta pelos seus objectivos e que não desiste à primeira adversidade. É uma comunicadora nata, não se envolve em polé- micas. Um exemplo para muita gente. Precisamos de mais mulheres como ela, que sigam os seus sonhos e que não vivam na sombra dos homens.

Costa (joaocosta@yap.pt), José Pacheco Pereira (jppereira@ gmail.com), Nuno Costa Santos (falarparadentro@sapo.pt), Nuno Rogeiro (nrogeiro@gmail.com), Pedro Marta Santos (pedromartasantos@sapo.pt) e Ricardo Adolfo Secretária da Direcção Catarina Gonçalves (catarina@sabado.cofina.pt) Ilustração Luis Grañena, Rui Ricardo, Susana Villar Infografia Filipe Raminhos Grafismo Nuno Silva (coordenador), Afonso Marques, Daniel Neves, Marta Cristiano, Marta Luz, Ricardo Milagres, Tiago Martinho (gráfico sénior) Tratamento de Imagem João Cruz e Ricardo Coelho Consultoria Linguística Manuela Gonzaga (manuelagonzaga@sabado.cofina.pt) Documentalista Anabela Meneses (anabelameneses@sabado.cofina.pt)

Assinaturas Telefone 210 494 999 Email assine@cofina.pt

 

Correio Remessa Livre 11258 – Loja da 5 de Outubro – 1059-962 LISBOA

 

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nal grego em solidariedade com o

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não pagamos”. A falta de responsa- bilidade de um governante conse-

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mento, é um exemplo de que essa é

Produção

a atitude. Não podemos calar-nos

Há dias foi divulgada a carta de

mente nesta idade é trocar de clu-

Avelino Soares (director-adjunto), Carlos Dias (coordenador), Paulo Bernardino, José Carlos Freitas e Fátima Mesquita (assistente)

 

porque é a vida que está em causa.

uma criança de apenas 6 anos, Ju-

Circulação

Quantos mais medicamentos para

de Branson, que, triste por o seu

Madalena Carreira (coordenadora) e Jorge Gonçalves

 

outras doenças estão na mesma si- tuação? E as farmacêuticas que ga-

clube não ganhar há bastante tem- po, escreveu ao seu treinador favo-

Redacção Rua Luciana Stegagno Picchio nº 3, São Domingos de Benfica, 1549–023 LISBOA Telefone +351 213 185 200 – Fax +351 210 493 144

 

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JoaquimCunha

be. Ora o que acontece normal-

be. No entanto, este grande miúdo

Propriedade/Editora Cofina Media SA Capital Social 22.523.420,40 Euros

Estrada Consigliéri Pedroso, 90 Casal de Santa Leopoldina 2745-553 Queluz de Baixo

Almada

optou pelo caminho mais difícil ou

CRC Lx n.º 502 801 034

Tel. 214 345 400 Pré-impressão

mesmo improvável desafiando o

Contribuinte 502 801 034 Principal Accionista Cofina SGPS, SA (99.90%)

GRAPHEXPERTS Av. Infante Santo,

 

N.º Registo ERC 124436

42 1350-179 Lisboa .

 

seu ídolo a mudar-se. Que grande

Distribuição

 

Jardim e a sua ilimitada falta de responsabilidade

Este Carnaval, o presidente cessan- te do Governo Regional da Madeira desfilou com um chapéu tradicio-

lição aos vira-casacas adultos que todos os dias vemos a saltar de partido logo que lhes cheira tacho. Jude, obrigado pelo teu exemplo. W

Depósito Legal 210999/04 Tiragem média no mês de Janeiro

100 mil exemplares Impressão LISGRÁFICA Impressão e Artes Gráficas, SA

VASP – Distribuidora de Publicações, Lda. MLP: Media Logistics Park Quinta do Grajal – Venda Seca, 2739-511 Agualva, Cacém

Eleita pelo quinto ano consecutivo newsmagazine do ano pela Meios & Publicidade

10 Do leitor www.sabado.pt Cristina Ferreira: aquela máquina de fazer dinheiro Conselho de Administração Paulo Fernandes
10 Do leitor www.sabado.pt Cristina Ferreira: aquela máquina de fazer dinheiro Conselho de Administração Paulo Fernandes
10 Do leitor www.sabado.pt Cristina Ferreira: aquela máquina de fazer dinheiro Conselho de Administração Paulo Fernandes

JORNAL TORREJANO

19 FEVEREIRO 2015 www.sabado.pt
19 FEVEREIRO 2015
www.sabado.pt
j A abrir Em cima (da esq.ª para a dir.ª): Cristiano Ronaldo (Real Madrid), Fer- nando
j
A abrir
Em cima (da
esq.ª para a
dir.ª): Cristiano
Ronaldo (Real
Madrid), Fer-
nando Alexan-
dre (Académi-
ca), André Car-
valho (Tirsen-
se), Diogo An-
drade (sem clu-
be), Filipe Duar-
te (Benfica de
Macau), Chris-
topher
(Ribeirão).
Em baixo (da
esq. para a dir.):
Hugo Monteiro
(Leixões), Ste-
ven (Salguei-
ros), Costinha
(Palmelense),
Ricardo Costa
(Lixa), Pedro
Araújo
(Tondela)

O DIAEM QUE CRISTIANO RONALDO SE ESTREOU PELA SELECÇÃO

FOI A 24 DE FEVEREIRO DE 2001, contra a África do Sul, num jogo de preparação da selecção sub-15, disputado em Torres No- vas. Portugal ganhou 2-1 e Ronaldo marcou um dos golos. Já dizia que ia triunfar no Sporting e ambicionava estar no Euro 2004

André Carvalho, hoje no Tirsense, e que também se estreou na selecção frente à África do Sul em 2001, re- corda que Ronaldo se destacou nesse jogo: “Ele ganhava os troféus de melhor jogador em todos os tor- neios da selecção ou dos clubes.” Na altura no FC Porto (Ronaldo estava no Sporting), André adianta:

“Ele tinha uma característica pouco comum nos jogadores daquela ida- de, porque aliava a força à técnica. Era rápido e explosivo, mas tam- bém muito habilidoso. Se calhar

até usava a técnica mais do que faz hoje, porque ele no Real Madrid é mais objectivo”, conta à SÁBADO. Outra característica era a sua am- bição. “Lembro-me que quando fo- mos ao Europeu sub-17, em 2002, na Dinamarca, a certa altura estáva- mos a conversar no quarto e surgiu na TV uma referência ao Euro 2004. E o Ronaldo disse logo: ‘Eu vou estar ali.’ Nós começámos a gozar, a dizer:

‘Tens é sorte se estiveres a jogar da- qui a dois anos.’ Mas a verdade é que ele esteve mesmo lá.”

RONALDO GANHAVA SEMPRE OS TROFÉUS PARA ME- LHOR JOGA- DOR, NA SE- LECÇÃO OU NO CLUBE

Entre os 17 convocados para a par- tida frente à África do Sul, além de Ronaldo só Fernando Alexandre (era da formação no Benfica) fez carreira em clubes da I Liga – está na Acadé- mica e já jogou no Est. Amadora, Sp. Braga e Olhanense. Quanto aos ou- tros, há quatro na II Liga, cinco na III e quatro nos distritais. Há ainda os casos de Filipe Duarte (no Benfica de Macau) e de Luís Frangão, que na úl- tima época jogou no Uster, de uma liga regional suíça, e este ano está

sem clube. CARLOSTORRES

ELES QUEREM TER PATENTES PARA A SUAS PALAVRAS

TENDÊNCIA. A cantora Taylor Swift pediu agora o registo legal sobre frases e termos da sua autoria. Mas não é um caso isolado

TaylorSwift A cantora pediu para registar comercialmente frases do álbum 1989, como a letra da canção
TaylorSwift
A cantora pediu
para registar
comercialmente
frases do álbum
1989, como a
letra da canção
This SickBeat
JORNAL TORREJANO 19 FEVEREIRO 2015 www.sabado.pt j A abrir Em cima (da esq.ª para a dir.ª):

DonaldTrump

Registou

“You’re fired”

(estás despedi- do/a), que usa- va no reality show The Apprentice

JORNAL TORREJANO 19 FEVEREIRO 2015 www.sabado.pt j A abrir Em cima (da esq.ª para a dir.ª):

ParisHilton

JORNAL TORREJANO 19 FEVEREIRO 2015 www.sabado.pt j A abrir Em cima (da esq.ª para a dir.ª):

A milionária é dona da expres- são “simple life” (vida simples). Em 2007, pro- cessou a Hall- mark por a usar

JORNAL TORREJANO 19 FEVEREIRO 2015 www.sabado.pt j A abrir Em cima (da esq.ª para a dir.ª):

Snooki

JORNAL TORREJANO 19 FEVEREIRO 2015 www.sabado.pt j A abrir Em cima (da esq.ª para a dir.ª):

A estrela de JerseyShore foi a tribunal para registar o seu nome (igual a uma personagem de livros infantis)

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A abrir

BRUNO COLAÇO/CM

 

Omarginal ameno

Omarginal ameno O NunoCostaSantos Escritor Sem sombra de dúvida 1. Os bombeiros de Londres es- tão

O

NunoCostaSantos

Escritor

Sem sombra de dúvida

1. Os bombeiros de Londres es- tão alerta para o arrojo sexual

dos cidadãos inspirado pelo fil- me As Cinquenta Sombras de Grey. Exemplos: uso de algemas sem ter a chave ao pé, anéis pre- sos em zonas perigosas, intimida- des capturadas por aspiradores e utilização daquelas máquinas para fazer torradas – ainda co- nhecidas por torradeiras – com o objectivo de recriação erótica. Sim, em relações pífias é neces- sário apagar os incêndios artifi- ciais. Resta saber o que vai acon- tecer por cá, o País das “Cartas de Amor de uma Freira Portuguesa”. (Temos umaAna Steele. A nossa é a Ana Zanatti). 57 mil lusitanos seres compra- ram por antecipação bilhetes para a obra. As opiniões, segundo o Correio da Manhã, vão muito num sentido: a grande falha é a ausência de passagens da histó- ria. Há quem comente a película assim: “As cenas de sexo não são muitas nem há muita violência. Adorei.” Queridas pessoas, para o chamado êxtase intelectual o melhor é ler uns livros do Eduar- do Lourenço.

2. Uma mãe solteira de 49 anos colocou-se amorosamente à venda no eBay. Apresenta-se como “tendo sido usada” mas en- contrando-se ainda em “bom es- tado”. Já recebeu licitações no va- lor de 272 euros. Qual é o target desta mamã? Um grego “lindo” e “simples”. A senhora devia colo- car um anúncio nas reuniões do Eurogrupo. W

 

Para ti (lha)

JOÃO COSTA, activador de marcas

h

O SIM que não paga roaming

Este cartão SIM custa €10 e possibilita a troca demensagens gratuitamente. É útil para quem viaja para fora do País e se preocupa com a poupança de tarifas internacionais

www.sabado.pt A abrir BRUNO COLAÇO/CM Omarginal ameno O NunoCostaSantos Escritor Sem sombra de dúvida 1. Os

M anuel Zanella, CEO da Zero-

mobile, (operadora de tele-

comunicações italiana), lan-

www.sabado.pt A abrir BRUNO COLAÇO/CM Omarginal ameno O NunoCostaSantos Escritor Sem sombra de dúvida 1. Os

çou o WhatSim, um cartão SIM (Subs- criber Identity Module) que permite enviar mensagens de texto sem liga- ção à Internet, através de várias apli- cações de mensagens, entre as mais conhecidas e populares, a whatsapp. É também possível enviar imagens, áudios e vídeos, mas para isso, é ne- cessário efectuar um carregamento mínimo de €5 no site da organização whatsim.com. Está disponível em 150 países, entre eles, Albânia, Malásia ou Zimbabwe, através de 400 operado- ras de telecomunicações. É compatí- vel com todos os smartphones livres ou desbloqueados, idealmente, com dispositivos equipados com dual sim. Este cartão (nano, micro ou normal), tem um custo de €10 + despesas de envio e sem mensalidades fixas.

joaocosta@yap.pt

OMAIS JOVEM DO

CIÊNCIA

q

MUNDO ASER

Três coisas sobre ...

TRANSPLANTADO

Adelaide Ferreira. A cantora vai regressar ao Festival da Canção, 30 anos depois de ter ganho com o tema Penso em Ti (Eu Sei)

Com apenas seis dias, Oliver Crawford tornou-se o bebé

ção de bombear o sangue.

  • 1. É UMA DAS CONVIDADAS

mais novo da História a ser

DA RTP PARA O GRUPO

submetido a um transplante cardíaco. O recém-nascido

DE 12 COMPOSITORES DO CONCURSO

norte-americano foi operado na semana passada no Hos- pital Infantil de Phoenix, no

  • 2. TORNOU-SE BUDISTA

Arizona, EUA. Tinha miocar- diopatia, malformação que

  • 3. FORMOU-SE NAÁREA

reduz a capacidade do cora-

DAREPRESENTAÇÃO

19 FEVEREIRO 2015 www.sabado.pt
19 FEVEREIRO 2015
www.sabado.pt

!

A DIVA NETANYAHU

A DIVA NETANYAHU

Cruzados na batalha de Lisboa Vieram de França, Inglaterra, Alema- nha, Itália. Na con- quista da
Cruzados
na batalha
de Lisboa
Vieram de França,
Inglaterra, Alema-
nha, Itália. Na con-
quista da Península
Ibérica aos mouros
entraram mais es-
trangeiros do que se
supunha, talvez de-
zenas de milhares. A
tese é do historiador
espanhol Francisco
García Fitz. Eram
tantos, diz, que sem
os cruzados não te-
ria sido possível a
reconquista de Lis-
boa, em 1147.

Saúde

Quantas horas de sono são precisas por noite?

  • 1. Um novo estudo da Natio- nal Sleep Foundation, dos Estados Unidos, ajustou os

tempos ideais para dormir por várias faixas etárias.

  • 2. Recém-nascidos Desde

o nascimento até aos 3 me-

ses devem dormir entre 14 e 17 horas por dia.

  • 3. Bebés Dos 4 aos 11 meses

o sono deve oscilar entre

 
  • 12 a 14 horas por noite.

ISRAEL

euros. E em 2013, Sara Ne-

  • 4. Entre 1 e 2 anos O tempo

A polémica que envolve Sara

tanyahu exigiu uma cama

ideal é de 11 a 14 horas.

Netanyahu, a mulher do pri-

no avião na viagem a Lon-

  • 5. Entre 3 e 5 anos O horário

meiro-ministro israelita, está

dres, um capricho que terá

de sono deve ser entre 10 e

a marcar a campanha eleito-

custado 112 mil euros. O ma-

  • 13 horas.

ral no país. O antigo mordo-

rido defende-a e diz que de-

  • 6. Dos 6 aos 13 anos Por noi-

mo, Meni Naftalí, acusa-a de

viam centrar-se nas propos-

te, devem dormir de nove

desvio de dinheiro da reci-

tas dele. “É um assunto de

a 11 horas.

clagem das embalagens dos

Estado. Benjamin Netanyahu

  • 7. Adolescentes Oito a 10

produtos consumidos na re-

não faz nada sem a autoriza-

horas de sono por noite.

sidência oficial, pagos com

ção da mulher, mesmo na

  • 8. Adultos Sete a nove horas.

fundos públicos, num valor

política”, diz o jornalista Ben

  • 9. Idosos Sete a oito horas.

que ascende a mais de 4 mil

Caspit ao El Mundo.

PUB

19 FEVEREIRO 2015 www.sabado.pt ! A DIVA NETANYAHU Cruzados na batalha de Lisboa Vieram de França,
19 FEVEREIRO 2015 A abrir www.sabado.pt A criadamalcriada Iniciativas SÁBADO FACEBOOK.COM/ACRIADAMALCRIADA E SÁBADO.PT Winter Break UMA
19 FEVEREIRO 2015
A abrir
www.sabado.pt
A criadamalcriada
Iniciativas SÁBADO
FACEBOOK.COM/ACRIADAMALCRIADA E SÁBADO.PT
Winter Break
UMA HORTA GRÁTIS
LÁ PARA CASA
NOVIDADE
Salsa, manjericão, tomilho,
hortelã e tomate-cherry. São
estas as ervas aromáticas e
frutos que fazem parte da ini-
ciativa da SÁBADO Canteiros
da Cidade. Nas próximas se-
manas, oferecemos-lhe um
pack composto por dois vasos
biodegradáveis, duas etique-
tas e um livro explicativo,
onde poderá aprender mais
sobre plantação de hortas. Na
primeira semana, leve para
casa sementes de salsa.
Salsa
A SÁBADO
oferece-lhe
sementespara
asemana
2.875
títulospor
milhãode
Sobe
Desce
habitantes
põem a Inglaterra
D
MargaridaMartins
Pres. da J. F. de Arroios
no nº 1 da lista de
países com o
maior rácio de
livros impressos
(no total são 184
mil), diz a Interna-
tional Publishers
Association
OIÇA SHERLOCK NA
PRÓXIMAEDIÇÃO
S
MariaLuísAlbuquerque
Ministra das Finanças
Aquela que, nos loucos
anos 80, como porteira da
discoteca Frágil, era co-
nhecida por “Guida Gor-
da”, é agora acusada de
empregar amigos na junta
de freguesia de Arroios,
que lidera. Os autarcas do
PSD requereram as actas
do executivo para o con-
firmar. A ex-presidente da
Abraço, eleita pelo PS, re-
cusou. Uma ilegalidade
lamentável .
LITERATURA
A colecção de clássicos que
tem saído com a SÁBADO nas
444
Sim, é verdade que as
condições de vida dos
portugueses desceram a
níveis preocupantes nos
últimos três anos. E tam-
bém não é falso que o
Governo tem responsabi-
lidades no desastre. Mas,
sejamos justos, é igual-
mente verdade que o
Executivo tem mérito no
facto de, pela primeira vez
desde há muito, a econo-
mia nacional crescer:
mil livros
foram editados
e reeditados na
China em 2014.
Nos Estados
Unidos, o núme-
ro ultrapassou
os 304 mil
últimas semanas não deixou
de fora SherlockHolmes, um
dos mais populares detectives
da literatura. Para a semana,
leve por €4,95 A Aventura da
Fita Manchada, disponível em
edição bilingue e em duplo
formato (CD e livro).
25
mil livros
0,9% em 2014.
foram publicados
em Portugal em
2014, de acordo
com a Associação
Portuguesa de
Editores
e Livreiros
SherlockHolmes.AAventuradaFitaManchada
ArthurConanDoyle
26 de Fevereiro €4,95
FERNANDO ESTEVES

ATÉ
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ATÉ ADIRA JÁ 1696 | meo.pt
ATÉ ADIRA JÁ 1696 | meo.pt
ADIRA JÁ 1696 | meo.pt
ADIRA JÁ
1696 | meo.pt

A abrir

As frasesda semana

A abrir As frasesda semana F VascoPulidoValente, comentador, Público “O couro preto e o pormenormoderno da

F

VascoPulidoValente, comentador, Público

“O couro preto e o pormenormoderno da fralda de fora indicam agressivamente o macho-alfa, a sua virilidade e a sua vontade de domínio. Características que, se não comovem a sra. Merkel, intimidam os burocratas da economia”

F F F F FranciscoLouçã UmaThurman PedroBritoeCunha NaomiKlein “Portugal tem pela primeira vez um governo que
F
F
F
F
FranciscoLouçã
UmaThurman
PedroBritoeCunha
NaomiKlein
“Portugal tem pela primeira
vez um governo que nos
representa na Europa, o grego”
actriz, que pareceu
ter feito uma plásti-
ca e desmentiu,
“Quem era a Tranquilidade para
dizer que não quando o principal
parceiro era o BES?”
Today
Ex-líder do BE, Observador
Ex-presidente da seguradora,
“Eu sei que
pareço
estranha!
Acho que
ninguém
gostou da
minha
Jornalde Negócios
F
“A desregulamentação climática
tornou-se uma crise existencial
para a Humanidade. O único
precedente remonta à Guerra
Fria, quando havia a convicção
de um holocausto nuclear”
AnaDrago
F
“O PS tem que decidir.
Costa não pode discutir
às segundas com Catarina
Martins e às terças com Rui Rio”
JosédeMatos
Activista canadiana contra a globalização
e autora do livro This Changes
Everything, Actes Sud
“Quanto é que a GCD perdeu
com o GES?Foi muito dinheiro,
mas não vou dizer o número”
F
Ex-deputada do BE e um dos rostos do
Tempo de Avançar, i
Presidente do banco, que teve 348 milhões
de euros de prejuízos, Diário de Notícias
PanosKammenos
maquilha-
gem. Mas
F
F
faço isto
RuiRio
EduardoStockdaCunha
há anos
“Quando um partido está no
poder, particularmente em
situação económica difícil,
não é patriótico alguém
vir criar instabilidade”
“Se virmos que a Alemanha
continua intransigente e que
quer rebentar com a Europa,
então teremos a obrigação
de passar para o Plano B”
e anos”
“Estamos a sair dos cuidados
intensivos, mas ainda estamos
na sala de observação”
Ministro da Defesa da Grécia, segundo o qual
o plano B é pedir ajuda fora da UE, BBC News
Presidente do Novo Banco,
Jornalde Negócios
F
Ex-presidente da Câmara Municipal
do Porto, justificando porque não concorrerá
contra Passos Coelho, Diário de Notícias
GilbertCollard
F
MarinhoePinto
“Ganharemos tranquilamente
[as presidenciais] em 2017”
Advogado francês e deputado da Frente
Nacional, ParisMatch
F
JoséGil
“Como não saudar a irrupção
do Syriza na cena-político-
-existencial da Europa auto-
-anestesiada pela sua moral
niilista do ‘bom senso’, do
‘justo meio’, da ‘via única’?”
“O caso do BESprovou que o
Presidente da República sabia que
o banco era uma porcaria (...).
Em vezde pedirdesculpa
ou calar-se, anda agora
a culparterceiros”
F
CavacoSilva, Presidente da República, RTP
Líder do Partido Democrático
Republicano, Correio da Manhã
Ensaísta, Visão
F
MiguelPoiaresMaduro
F
CarlosCruz
“Quando me tiraram a
condecoração, os outros
presos disseram-me: ‘Não
ligue, é um pedaço de lata’”
“Nunca sugeri, nem discuti
qualquer nome do conselho de
Administração [da RTP], nada”
Ministro Adjunto e do Desenvolvimento
Regional, Observador
Ex-apresentador, i
F
“Portugal está a transferir
[para a Grécia]muitos
milhões que são
tirados dos bolsos
dos contribuintes
(…). Os gregos não
podem fazer
aquilo que
muito bem
entendem”
GentilMartins
“Este SNS foi um feito histórico
irresponsável”
Cirurgião pediátrico, Jornalde Negócios
GETTYIMAGES

GONÇALO CLARO/VOGUE

F

VitóriaGuerra, actriz, Vogue

“Eu comecei a trabalhar por ser bonita. Aceito isso. Epá, hei-de envelhecer e deixar de ser bonita. É chato…”

F

InêsPedrosa

MYRIAM GASPAR

“Não tenciono ver o filme [50 Sombras de Grey]. Já ia morrendo de tédio com o trailer

Escritora, Sol

F

JoãoGabriel

“Acabou o blackout do Sporting, começou o folclore”

Director de comunicação do Benfica, Record

F

DominiqueStrauss-Kahn

“Devo ser um pouco mais bruto no sexo quando comparado com a média dos homens. Estas práticas, embora minoritárias, estão extremamente divulgadas”

Ex-presidente do FMI, durante o seu julgamen- to por acusação de proxenetismo,

Libération

F

HelenMirren

“Na família real [inglesa] são, de certa forma, extraterrestres”

Actriz, The Independent

F

GiseleBündchen

“Se pudesse escolher, viveria descalça, com animais à volta e uma casa construída numa árvore. Como Tarzan e Jane”

Modelo, Vogue

F

JoãoPauloRodrigues

“Não tenho piada nenhuma

(...).

Tenho saudades

do tempo em que era só o Quim Roscas”

Humorista e apresentador, Notícias TV

19 FEVEREIRO 2015 www.sabado.pt
19 FEVEREIRO 2015
www.sabado.pt
 

Omoralista

Omoralista O PedroMartaSantos Jornalista e argumentista As 50 trombas de Grey Éhabitualdizer-sequeoshomens emulheres de direitaolham para

O

PedroMartaSantos

Jornalista e argumentista

As 50 trombas de Grey

Éhabitualdizer-sequeoshomens

emulheres de direitaolham para

o mundo como ele é e os de esquer-

dacomo gostariamqueele fosse. Pe- las declarações públicas das últimas semanas, os líderes portugueses não são sonhadores de esquerdaou rea- listas de direita, são fãs de BDSM (Bondage, Disciplina, Dominação, Submissão, SadismoeMasoquismo). Cavaco Silva, o dungeonmasterde Belém, defende o spanking (açoita- mento) dos gregos por nos surripia- rem milhões (só ele sabe do que fala e poderá esquecer-se daqui a três

dias). Passos Coelho, o submisso fã

de shibari (técnica japonesa que es- teve na origem do bondage), apre- senta-se à Europa de pés e mãos atadas, parecendo apreciaro chicote austeritário da dominatrix Merkel e insurgindo-se contraqualquer fugaà disciplina da masmorra em que nos enfiaram.

António Costa, cujaespecialidade é fazer de morto, arte muito apre- ciadaentre osmasoquistas, dáuma no cravo e outra na ferradura, a ver se escapa às sevícias eleitorais de umacolagem à ruptura grega. Aes- tética bondagechic jácontagiou os grandes palcos: os milhares de arti- gos sobre o cachecol e calças pretas

de Varoufakis ou o blusão de cabe- dal de Christine Lagarde colocaram a discussão ao nível dos livros (des- culpem o eufemismo) de E. L. Ja- mes. Esta tendência S&M não é es- tranha à natureza lusitana: estar quietinho; não fazer barulho; apa- nhar porrada quando é preciso; obedecer. Fizemo-lo durante 41 anos no século XX. Podemos fazê- -lo pormais 41 já neste século. De- pois queixem-se. W

 
19 FEVEREIRO 2015 A abrir www.sabado.pt
19 FEVEREIRO 2015
A abrir
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Indiscretos

k

k k

k

O fim do eixo Lisboa-Cascais

O que une o PSD a Sequeade, Creixo- mil, Roriz e Gamil, no Minho? Os depu- tados do partido visitaram por lá em- presas no âmbito do Roteiro da Agri- cultura. É o fim do eixo Lisboa-Cascais, que supostamente domina o PSD. M.H.E.

Luís Suspiro e os pastéis gourmet

Inesperado encontro, dia 12, no Pingo Doce das Torres da Luz: “Quer ex- perimentar um pastel de massa tenra? É de vitela nacional e está cinco ho-

k

ras ao lume!”, convidou o chef, numa acção promo-

PSD BATE PS EM MEDALHAS

cional da cadeia de super-

SETE PARA O PSD, SEIS PARA

k

mercados. N.P.L.

O PS E UM PARA A CDU. O PRESIDENTE DA REPÚBLI-

SILVA, CON-

Fátima pendurada

O PS E UM PARA A CDU. O PRESIDENTE DA REPÚBLI- SILVA, CON- Fátima pendurada

CA, CAVACO

A jornalista da RTP Fátima Campos Fer- reira tinha uma entrevista agendada

DECOROU 15 ANTIGOS

com Cristiano Ronaldo, em Madrid, na semana passada. O jogador português

PRESIDEN-

passou dias agitados, com a derrota da

TES DE CÂ- MARA COM O GRAU DE COMENDADOR DA ORDEM DE MÉRITO. FOI NA

sua equipa, o Real Madrid, frente ao ri- val Atlético, a que se somou a polémica festa do seu 30º aniversário, alvo de fe- rozes críticas dos adeptos. Não se sabe qual terá sido o motivo, mas o certo é

SEXTA-FEIRA, DIA 13, AZAR

que o jogador português resolveu can- celar a entrevista à última hora, deixan-

k

PARA O PS, QUE TEVE MENOS CONDECORAÇÕES DO QUE O PSD. V.M.

do a apresentadora do Prós e Contras pendurada. L.S.

Uma ex-ministra da Saúde popular

Rui Nunes, presidente da Associação de Bioética,

k

k

k

k k teve Maria de Belém na apresentação do seu livro

teve Maria de Belém na apresentação do seu livro

A Sara Sampaio não é brasileira!

Regulação da Saúde. O médico desejou felicida-

A modelo portuguesa Sara Sampaio continua em desta- que nas principais revistas de moda internacionais. Na vés- pera do Dia dos

des à ex-ministra, em “qualquer cargo que ve- nha a ocupar”. A simpatia foi mútua. Maria de Belém contou que quando Nunes

O cachecol Burberrys

O deputado do CDSMichael

Namorados, foi

k

lhe disse que fora nomea-

à esquerda e àdireita

Seufert saiu assim àruanasex-

até uma das protagonistas da fotogaleria Las Chicas de la

Fãs da política de ficção

A série da RTP 2 Borgen

do para a Entidade Regu- ladora da Saúde lhe res- pondeu que lhe devia ter dito que desejava o cargo:

ta-feirapassada: de cachecol Burberrys. Exibiu apeçaao mundo nas redes sociais, com o comentário: “Hoje, amanifestar aminhasolidariedade com o governo de Louçã.” Yanis Va- roufakis, o novoministro das Finanças grego com que o BE simpatiza, tinhadado nas vis- tas ao surgirno Eurogrupo com um idêntico. No site da

Semana, no site da revista GQ (edição em castelhano). Até aqui, tudo bem. O pro- blema é que o texto diz que Sara Sampaio é ...

(castelo em português), sobre uma primeira- -ministra dinamarquesa e com muita intriga po- lítica, tem dois fãs in- condicionais: o socialis- ta João Soares e a euro- deputada do PSD Regi- na Bastos não falham um episódio. Talvez re- conheçam algumas es-

assim em vez de ser no- meado pelo PSD, ela pró- pria o teria nomeado. V.M.

assim em vez de ser no- meado pelo PSD, ela pró- pria o teria nomeado. V.M.

marca, custa395 euros. M.H.E.

brasileira. L.S.

tratégias. M.H.E.

 

Veja

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19 FEVEREIRO 2015
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Acordo arrancado a ferros

IIIIIIIIIIIIIIIIIIIII

Foram 16 horas de nego- ciações nacapitalda Bielorrússia, Minsk, até seralcançado, no dia12, o acordo de cessar-fogo entre aRússiae aUcrânia, com iníciomarcado para dia15. Arrancado aferros, foi anunciado pelo próprio Presidente russo, Vladimir Putin, triunfante. Antes, o Presidente daUcrânia, Petro Poroshenko, tinha dito que “aRússiafaz exi- gências inaceitáveis”,mas assinou o documento em nome dapaz. Achanceler alemã, AngelaMerkel, e o Presidente francês, FrançoisHollande, respi- raramde alívio. Mas, menos de 24 horas depois, nasexta-feira13, os Esta- dos Unidos acusaram os russos de estarem a descarregararmamento pesado paraos rebeldes.

FOTO GRIGORY DUKOR / REUTERS

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Insólito

NUNO PAIXÃO LOURO

19 FEVEREIRO 2015 A abrir www.sabado.pt Insólito NUNO PAIXÃO LOURO ! Uma ópera de citrinos Um

!

Uma ópera de citrinos

Um trabalhador dá os retoques finais na réplica de uma máscara da Ópera de Pequim, feita com limões e laranjas, para o 82º Festival do Limão de Menton, na região francesa dos Alpes Maríti- mos, na Provença, que se realiza até dia 4 de Março. Foram gastas mais de 20.000 horas de trabalho para criar várias peças decorativas com 145 toneladas de citrinos para o festival, cujo tema é: As Tribulações de um Limão na China.

!

!

!

Laranja mecânica

Salvou o assassino

NOCASAMENTODAEX-NAMORADA,UMHOMEM

tatuado na testa

O americano Edwin Ja- mes Ross, de 33 anos, foi preso durante um assalto a uma casa em Eugene, no Oregon, e ficou conhecido por ter tatuado na testa o nome original do filme de Stanley Kubrick:

A australiana Casey Veal, revelou na semana passa- da que o assaltante que em 2012 matou o seu filho de 10 meses, Zayden, num caso que chocou a Austrá- lia, foi um antigo colega de escola que ela salvou de cometer suicídio. Harley Hicks cumpre pena de 32

FALHOUOTIRO EMATOUOCONVIDADO QUE ES- TAVAAO LADODO NOIVO,QUE SERIAO ALVO. FOIEM NEWTOWNBUTLER, IRLANDA DO NORTE, EO HOMEM, EMBRIA- GADO, BALEOUOUTRAPESSOAE ESFAQUEOUUMATERCEIRA, AN- TESDE SERPRESO PELAPOLÍCIA.

ClockworkOrange.

anos de prisão.

 

3.800

!

!

Ladrão de saltos altos

Diamantes em

  • 1. Dean Filppula, ame-

Número de anos con-

Um homem com peruca loira e sal- tos altos assaltou, na semana passa-

cratera vulcânica

firmado pelo teste do carbono 14 que tem o

da, umMcDonald’s, emMelbourne, Austrália, dizendo que levavauma

ricano natural do Loui- siana, encontrou um

casal pré-histórico des-

bomba. Ao fugir perdeu um sapato.

diamante de dois quila-

coberto por arqueólo-

tes no Parque Crater of

gos na gruta de Diros,

 

Diamonds, no Arkansas.

na costa da península

!

  • 2. Com 900 hectares, o

do Peloponeso. O mi-

Dinossauros tomavam LSD

parque é lugar habitual

  • 3. Do tamanho de

!

Gata recordista

nistério da Cultura gre- go revelou, dia 12, a ra-

Estudo da Universidade do Oregon, nos EUA, revela que os dinossauros comiam

para quem procura dia- mantes naquela antiga

Chama-se Tiffany Two e, no próximo dia 13 de Mar- ço, vai completar 27 anos. Nasceu em San Diego, na

ridade do caso: o casal estava abraçado no in- terior da sepultura.

um fungo que continha um componen- te alucinogénio do LSD. A amostra foi feita a uma erva preservada em âmbar.

cratera vulcânica com 100 milhões de anos.

Califórnia, e foi reconheci- da pelo Guinness Bookof

!

Califórnia, e foi reconheci- da pelo Guinness Bookof ! uma ervilha, o diaman- te é o

uma ervilha, o diaman- te é o terceiro maior já encontrado no local e

  • 4. Em 1924 foi encon-

Records como “o gato

Lei para banir calças de ioga

recebeu o nome

vivo mais velho do mun- do”. A dona, Sharon Voor- hees, comprou-a com seis

David Moore, deputado estadual do Montana, EUA, apresentou uma pro- posta de lei na semana passada para

MERF, iniciais da mãe de Filppula.

semanas numa loja por 10 dólares (cerca de 8 euros). A idade de Tiffany Two equivale a 121 anos nos humanos.

alargar a actual lei da exposição inde- cente às roupas “que deixam ver ou si- mulam” mamilos, rabos, área genital ou pélvica. Moore defende que “usar calças de ioga em público devia ser ilegal”.

trado naquela cratera o maior de sempre, com 40 quilates; há um par de anos foi descoberto outro com 3,8 quilates.

19 FEVEREIRO 2015 A abrir www.sabado.pt Insólito NUNO PAIXÃO LOURO ! Uma ópera de citrinos Um
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Obituários

LUÍS SILVESTRE

Michele Ferrero (1925-2015)

Era o homem mais rico de Itália, dono das fábricas de Nutella e Ferrero Rocher. Vivia no Mónaco e deslocava-se de helicóptero para as suas fábricas, mas ficou conhe- cido como um milionário discreto

A sede do império da família

Ferrero fica na pequena ci-

dade de Alba, no Norte de

Itália. Era aí que Michele Ferrero costumava testar novos produtos e sabores, no complexo de fábricas de onde se produzem guloseimas famosas em todo o mundo, como o creme para barrar Nutella, as pasti- nhas Tic Tac, ou os chocolates Fer- rero Rocher, Mon Chéri e Kinder. O milionário italiano tomava as prin- cipais decisões estratégicas numa pequena divisão, por cima do bloco de escritórios, conhecida como la saletta, onde se realizavam os tes- tes de novos sabores, equipada com bancadas e recipientes para cuspir. “Fazemos aqui provas todos os dias, das 8h até às 19h”, contou um dos executivos da empresa ao jornal britânico The Guardian, numa das poucas reportagens au- torizadas pela família no local. Michele Ferrero era dono da maior fortuna de Itália e, segundo a revista Forbes, ocupava a trigésima posição na tabela dos mais ricos do mundo, com um património ava- liado em 20,5 mil milhões de euros. Sempre foi um homem discreto, nunca deu conferências de im- prensa e raramente aparecia em

festas e acontecimentos sociais. Vi- via numa luxuosa villa no Mónaco e deslocava-se habitualmente de helicóptero todos os dias úteis para a sede da empresa em Alba. Usava habitualmente óculos escuros e era um católico fervoroso, devoto de Nossa Senhora de Lourdes, tendo até o hábito de ir em peregrinação ao santuário na zona montanhosa do Sul de França, pelo menos uma vez por ano. Diz-se que a forma e o nome dos bombons Ferrero Rocher foram inspi- rados precisamente na co- lina Rocher de Massa- bielle, onde ocorreram as aparições no século XIX. O certo é que todas as fábricas e escritórios da empresa espalhados pelo mundo têm uma imagem da santa. A empresa da família começou como uma modes- ta fábrica de chocolates em 1946. Logo a seguir à II Guerra Mundial, o cacau foi racionado e os preços dispa- raram. Para contornar o pro- blema Pietro Ferrero, pai de Michele, decidiu fazer um creme de chocolate adicio- nando à receita uma dose de avelãs, muito mais bara- tas e abundantes na região. Assim surgia Nutella, um dos doces mais famosos do mundo mas que só começaria a ser produzi-

ERA DEVOTO DE Nª Sª DE LOURDES E TODOS OS ANOS SE DESLOCAVA AO SANTUÁRIO EM FRANÇA

do em larga escala em 1964, já quando Michele Ferrero estava à frente dos negócios. Actualmente, 15% da produção mundial de ave- lãs destina-se às 11 fábricas da fa- mília Ferrero espalhadas por todo o planeta. Apesar do carácter reser- vado, o milionário era um grande benemérito, tendo apoiado várias obras sociais, sobretudo na sua re- gião natal. Orgulhava-se de nunca ter tido uma greve nas suas empresas e era muito es- timado pelos emprega- dos. Um dos momen- tos mais duros na sua vida foi a morte do fi- lho mais velho, Pie- tro, vítima de um ata- que cardíaco em 2011 quando fazia ciclis- mo na África do Sul. A gestão da empre- sa passou então para o seu outro filho, Gio- vani, mas o milionário manteve-se a par dos ne- gócios, apesar de a sua saúde se ter deteriorado muito nos últimos meses. Michele Ferrero mor- reu, aos 89 anos, no passado dia 14 de Fe- vereiro. Pouco depois, as contas de Twitter encheram-se de milha- res de mensagens de consumidores, agradecendo os doces momentos que ele lhes tinha proporcionado. W

LUIS GRAÑENA
LUIS GRAÑENA

Louis Jourdan

(1921-2015)

Interpretou vários papéis de galã no início da carreira mas com a idade especiali- zou-se em vilões. Foi um dos poucos actores franceses a conquistar Hollywood, depois da II GuerraMundial

19 FEVEREIRO 2015 A abrir www.sabado.pt Obituários LUÍS SILVESTRE Michele Ferrero (1925-2015) Era o homem mais

Nasceu em Marselha e foi estu- dar teatro em Paris, sendo logo escolhido para O Corsário, filme que acabaria por nunca estrear devido ao início da II Guerra Mundial. Juntou-se à resistência francesa contra os nazis, depois de o pai ter sido preso pela Gestapo. Fez vários filmes na Europa e chamou a atenção de Hollywood, onde o produtor

David O. Selznick o contratou para O Caso Paradine (1947) contra a vontade do realizador, Alfred Hichcock. Foi o galã de Gigi (1958), que conquistou nove óscares, mas no fim da carreira ficou célebre em papéis de vilão, como em 007– Operação Ten- táculo. Morreu no passado dia 13 de Fevereiro, na sua casa em Beverly Hills. Tinha 93 anos. W

Entrevista

Estudou Gestão, mas nunca quis trabalhar em empresas sem ligação à arte, o seumercado preferido. É director da ARCO, a feira de Madrid, desde 2011, que hoje é um êxito e na altura estava em risco de acabar. Por Rita Bertrand

CARLOS URROZ

“Omelhor écomprarartistas donosso tempo”

N a semana em que abre a 34ª edição da ARCO, a feira de arte de Madrid, onde qualquer pessoa

pode apreciar e comprar obras de mais de mil artistas, falámos com Carlos Urroz, que a dirige há três anos e que a tornou num evento de referência ao nível mundial.

Este ano, aARCO Madrid reforçou o orçamento paraapromoção in- ternacional, em que investiu 1,5 milhões de euros, de um total de 5 milhões. Qual é objectivo?

A ARCO sempre lutou pela inter- nacionalização. Tem muito êxito no mercado espanhol, mas a maior parte do nosso investimen- to destina-se a trazer galerias de qualidade, coleccionadores inte- ressantes e directores de museus. Apostamos nisso e dedicamos muito tempo e recursos a fazê-lo, para termos uma feira melhor, que seja, de forma ampla, um espelho do mercado.

Com 12 galerias, Portugal tem a presençamais forte da feira?

A participação portuguesa é uma das mais importantes, ao lado das de Alemanha, França e Brasil. As

galerias portuguesas sempre apos- taram na ARCO e são importantes.

F

“A feira foia peça-chave deuma geração e impulsionou muitas galeriase

colecciona-

dores”

Entrevista Estudou Gestão, mas nunca quis trabalhar em empresas sem ligação à arte, o seumercado preferido.

Mínimo5mil

Um pequeno es- paço na ARCO custa, no mínimo, 5 mil euros; stands maiores, de gran- des galerias, che- gam aos 40 mil

Como se articulam as galerias de diferentes países, lado a lado, com linguagens tão diferentes?

São 218 galerias de 29 países e con- vivem de forma estupenda, nos pa- vilhões 7 e 9 da Ifema (a FIL madri- lena), graças ao desenho espacial do arquitecto Andrés Jaque. Haverá

muitas linguagens distintas, de facto:

ao todo deverão ser mostradas obras de mais de mil artistas.

A ARCO Madrid é mais um espa- ço de descoberta para leigos cu- riosos ou uma oportunidade de negócio para coleccionadores experientes?

É uma feira de descoberta de novos talentos e de aprofundamento das

obras dos próprios artistas – para todos. Para os coleccionadores em particular, é uma oportunidade de ampliarem as suas colecções com novos artistas.

É directorda feiradesde 2011, mas está ligado a ela, noutras funções, desde 1994. E também a conhece desde que começou, nos anos 80. O quemudou desde então?

Nestes 34 anos, o mercado espanhol mudou muito. Na década de 80, a feira tinha um cariz mais festivaleiro. Na de 90, quando se formou o nú-

cleo forte dos galeristas actuais, tor- nou-se mais académica. Actualmen- te, é uma plataforma de mercado. Esta feira foi a peça-chave de uma geração e impulsionou o desenvolvi- mento de muitas galerias e coleccio- nadores, além de ser uma ferramen- ta fundamental para a difusão, pro-

moção e gestão da arte em Espanha.

Como estáomercado daarte? De quemodo a crise o afectou?

A crise afectou o mercado da arte, tal como afectou todos os outros. Po- rém, este ano estou a aperceber-me de sinais evidentes de recuperação e acredito que isso se traduzirá em grandes volumes de negócios na fei- ra. De facto, ainda antes de abrir, já

recebemos confirmações de com- promissos de compra por parte de empresas e colecções importantes.

AARCO é uma feirade sucesso, mas nem sempre foi assim. Aque se deve este êxito recente?

Sempre quisemos aproximar a arte contemporânea de todo o tipo de públicos. Nos últimos anos, tivemos a capacidade de tornar isso uma realidade, chamar pessoas de todo os lados, de diferentes áreas, mas não gosto que me vejam como sal-

vador da ARCO. Atravessou uma fase difícil, sim, mas é um evento

D.R.

j

Carlos Urroz fará 50 anos em 2016, quando a ARCO completar 35. A preparação dos festejos já está em marcha. Tudo em segredo

F

“Nãogosto

quemevejam

como

salvadorda

ARCO. Teve

uma fase

difícilmas

éimportante

hámaisde

30anos”

F

“Háartistas

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tecnologias,

masestá

longede ser

o suporte

dominante”

19 FEVEREIRO 2015 www.sabado.pt
19 FEVEREIRO 2015
www.sabado.pt

importante há mais de 30 anos e interessa a muita gente, incluindo ao Governo, e que assim continue, comigo ou com outro.

Aparticipação dosmuseus tam- bém aumentou. Porquê? São os melhores clientes?

Se são! Este ano, em que o número

de convidados cresceu cerca de 30%, há uma grande predominân- cia de directores de museus. A feira acolherá o IV Encontro de Museus da Europa e da América Latina, à qual se soma uma sessão de traba- lho exclusiva, que terá cerca de 50 directores e representantes de mu- seus. Não só da Europa: temos con- firmada a presença de directores e comissários, acompanhados de co- mitivas dos seus mecenas, de 19 de- legações de museus norte-america- nos e canadianos. Teremos mece- nas da Tate (Londres), do Centre Pompidou (Paris) e do Bonniers Konsthall (Estocolmo).

No total, quantos coleccionadores esperarecebernesta edição?

Cerca de 300, de 33 países, mais de metade pela primeira vez.

Que artistas vale apena coleccio- narhoje?

Acredito que o melhor é comprar artistas do nosso tempo. Defendo um coleccionismo mais passional, mais baseado na ideia do que re- flecte o nosso tempo do que em va- lores de mercado. O meu conselho, para os coleccionadores principian- tes, é que prefiram os artistas mais jovens e os que são representados pelas galerias da sua própria cidade. Depois, se a carreira correr bem ao artista escolhido, fantástico! Se não, a obra nunca deixará de ser um tes- temunho do seu tempo e da sua biografia – além de que, desse

modo, terá ajudado um jovem cria- dor a continuar o seu trabalho.

Ao longo dos anos, aARCO reve- lou artistas completamente des- conhecidos que hoje têm cotação elevadanomercado?

Claro. Por exemplo, Secundino Her- nández e dois vencedores de edi- ções passadas do prémio Aude-

Q

Entrevista
Entrevista

19 FEVEREIRO 2015

Entrevista 19 FEVEREIRO 2015 www.sabado.pt

www.sabado.pt

Entrevista 19 FEVEREIRO 2015 www.sabado.pt

D.R.

Q mars Piguet, que todos os anos patrocina a produção de uma obra inédita. Guillermo Mora, que venceu em 2014, e Juan Luis Moraza, que ganhou em 2013, este ano já estão a expor no museu Reina Sofía.

Também há espaço paraaperfor- mance naARCO Madrid. O que destacaria este ano?

Precisamente a aposta de uma gale-

ria portuguesa, a Cristina Guerra, que trará uma performance da artis- ta brasileira Adriana Barreto.

Háuma tendênciadominante na arte actual?

Está de volta a pintura de artistas jo- vens e há uma atenção cada vez maior em torno da escultura, um tipo de escultura que desemboca na instalação. Há artistas que usam as novas tecnologias, mas estão longe

de ser o suporte dominante.

São sempre as galerias que con- tactam a feira, a fim de partici- par? Ou aARCO faz convites?

Passamos o ano inteiro a viajar e a

visitar galerias e feiras de arte, para promover a ARCO. Damo-nos a co- nhecer e depois são as galerias que enviam a sua candidatura, que é apreciada pelo comité organizador, que as selecciona, segundo critérios rigorosos. Este ano, certamente por termos investido mais na promoção, recebemos mais 25% de candidatu- ras do que é costume.

Dedicam a feiraàColômbia, mas todaaAméricaLatina tem forte representação. Porquê?

Este ano a participação latino-ame- ricana cresceu 52%, com um total de 47 galerias de 10 países, o que vem consolidar o papel já tradicional da ARCO enquanto ponte para o mer- cado europeu e o asiático. Isso é re-

forçado por termos a Colômbia como país de honra e por dedicar- mos o programa Solo Projects à in- vestigação da produção artística la- tino-americana.

Quem são osmaiores artistas co- lombianos? Estarão na feira?

A Colômbia tem muitos artistas com reconhecimento internacional,

Entrevista 19 FEVEREIRO 2015 www.sabado.pt D.R. Q mars Piguet, que todos os anos patrocina a produção

g

A feira é exclusiva para profissionais da arte nos dias 25 e 26 de Fevereiro; de 27 a 1 de Março, é para todos. Espe- ram-se mais de 100 mil visitantes

Entrevista 19 FEVEREIRO 2015 www.sabado.pt D.R. Q mars Piguet, que todos os anos patrocina a produção

Prémios

A ARCO dá nove:

um à melhor expo- sição, cinco a artis- tas e três a colec- cionadores (priva- dos, corporativos, internacionais):

são os prémios “A” de Coleccionismo. O BES Arte rece- beu um em 2011

como Oscar Murillo, Oscar Muñoz e Doris Salcedo. Interessa-nos mais divulgar artistas superinteressantes, mas quase desconhecidos. O comis- sário Juan Andrés Gaitán, crítico de arte, fez uma selecção, que decerto será uma boa surpresa.

Asua formação é em Gestão de Empresas. Como se tornou espe- cialista em arte?

É a minha vocação. Não tirei um curso de História de Arte, mas entre 1994 e 1997 trabalhei com Rosina Gómez-Baeza, que foi directora da ARCO durante mais de 20 anos. Com ela aprendi a adaptar os prin- cípios da gestão ao mundo da arte. E na Galería Helga de Alvear, que diri- gi até 2005, aprendi a trabalhar com artistas, a montar exposições, a apreciar arte. Foi a melhor universi- dade que podia frequentar.

Montou exposições, em Espanha, de artistasmuito famosos, como Thomas Ruffe JeffWall. Como foi conhecê-los?

Todos os artistas são pessoas espe- ciais, mas um jovem talento mere- ce-me o mesmo respeito que um artista de grande projecção. Foram trabalhos excelentes.

Osmais famosos não são osmais procurados?

Há dois tipos de arte contemporâ- nea: a muito visível, orientada pelo

dinheiro e a que já nem os museus têm acesso por ser demasiado cara, e a dos artistas emergentes, que são quem faz evoluir a arte e o mercado, e que só têm visibilidade entre os profissionais mas acabam por ser mais interessantes. A ARCO é maio- ritariamente deles, embora por ve- zes também apareçam obras de Pi- casso, Miró e Warhol.

Quantos portugueses, emmédia, costumam visitar a feira?

Não podemos saber exactamente quantos, mas é um público numero- so, pois a ARCO é a grande feira de arte de referência em Portugal.

E profissionais portugueses? Nos Encontros Profissionais, um dos grandes marcos da feira, estará João Fernandes, que é português e actual subdirector artístico do Mu- seu Reina Sofía. Será ele também a co-dirigir o Encontro de Museus da Europa e da América Latina. Conta- remos com a presença de Isabel Carlos, directora do Centro de Arte Moderna, da Gulbenkian, de João Laia, fundador da plataforma (sem fins lucrativos, sediada em Espa- nha) The Green Parrot, de João Mourão e Luís Silva, da Kunsthalle Lissabon, de Margarida Mendes, di- rectora do espaço The Barber Shop, em Lisboa, e de Miguel Amado, co- missário independente, como nosso convidado especial. W

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Opinião

RELATÓRIO

MINORITÁRIO

No desenlace da Ucrânia está o futuro da Europa. E o seu passado, com todas as sombras e luzes. A nação retalhada dorme um sono sangrento. O despertar pode ser doloroso, mas virá

Opinião RELATÓRIO MINORITÁRIO No desenlace da Ucrânia está o futuro da Europa. E o seu passado,

O

Politólogo

NunoRogeiro

nrogeiro@gmail.com

O

A Bela adormecida

  • D evemos dar graças pelo pe- riclitante cessar-fogo na Ucrânia?

Sim, mas sem ignorar que naque- las paragens pode habitar a maior ameaça a uma sociedade decente de nações. Ameaça às nossas vidas, mas so- bretudo àexistência daqueles a quem legarmos a terra. Falando claro, o problema não é o dos acontecimentos internos – de Kiev àCrimeia– verificados háexac- tamente um ano. As interpretações sobre a “revolu- ção” de Maidan são imensas, no que tocaarazões próximas e remotas.Mas averdadeé que se tratade um proces- so que só aos ucranianos diz respeito, e que só estes podem sarare resolver. A não ser assim, teríamos também

O

Verdade e consequências

No fim do dia, por todaaluminosape- nínsula grega, há que ter tempo para pensar, emediras consequências. No fundo, mesmo que o Syriza fe- chasse fronteiras provisoriamente, denunciasse tratados e acordos, re- volucionasse a lei interna, cobrasse 100% de impostos sobre as fortunas que restam, voltasse à dracma, re- construísse a agricultura e aindústria para um mercado interno mirífico, não haveria outra solução a não ser mais trabalho, trabalho mais intenso, trabalho mais prolongado, sem refor- ma, para todos os cidadãos. Da austeridade mandatada pelo ex- terioriríamos paraaausteridade deci- didapelos próprios.AGréciaviveriaos mesmos apertos, mas sob o consolo da“soberania”. Quem o quer? W

de discutir a política doméstica russa desde 1991, com a ascensão de Ieltsin, protegido por um colete à prova de bala, os sucessivos pronun- ciamentos militares, a ameaça de guerra civil, a destruição por tanques da “Casa Branca”, o Vietname san- grento na Chechénia, as discussões

sobre o controlo dacomunicação so- cial e os vícios do processo eleitoral, a eclosão dos oligarcas e a desconside- ração de outras línguas nacionais, num estado com 20% de não russos. A únicacoisa a debateré alegalida- de internacional. Gostando ou não do Governo de Kiev, Moscovo conti- nuou a reconhecer o Estado ucrania- no, as suas embaixadas e consulados, e jurou respeitar as suas fronteiras. Sentou-se com ele naONU, naOSCE, no Conselho da Europa (de onde en- tretanto foi suspenso). A que título apoia assim a Rússia uma partilha territorial do vizinho, com armas, munições, “voluntários”, treino, enquadramento, e a ocupação militar de dezenas de quilómetros de

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RICARDO PEREIRA

REUTERS RICARDO PEREIRA Q Potência em potência, rica em história, talentoe tecnologia, aUcrânia dorme. O seu

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Potência em potência, rica em

história, talentoe tecnologia, aUcrânia dorme. O seu passado está ligado ao da Rússia, o que mereceria mais res- peito. Lembremos um nome imortal, como exemplo. Sergei Prokofiev foi um dos mais brilhantes compositores ucranianos, que progrediu no fim da Rússia cza- ristae daURSS. Em 1927, regressado de 10 anos de vida no estrangeiro, foi interrogado pela Associação Russa de Músicos Proletários (ARMP), acerca do seu bailado O Passo de Aço, a estrear no Bolshoi. Perguntaram-lhe: “A fábrica aqui representada é uma empresa

capitalista, onde o trabalhador é es- cravo, ou uma companhia soviética, onde o operário é senhor?” Prokofiev recusou-se a retorquir:

“Isso é política, não é música. Com músicos, só respondo a questões mu- sicais.” Resultado: a ARMP sentenciou que o ballet era um “insípido e ordinário episódio anti-soviético, umacompo- sição contra-revolucionária a roçar o fascismo”. Claro que, poucos anos depois, Es- taline e Hitlermandavam assinar um pacto maldito, dividiam a Europa e faziam reinar a sua mundividência totalitária. Mas o “quase-fascismo” de Prokofiev fez com que a obra ti- vesse de ser rejeitada pelo magnífico teatro de Moscovo. O músico morreria no mesmo dia do anúncio do falecimento de Estali- ne. O principal boletim musical so- viético (SovetskayaMusica) dedicou a pequena secção de uma página ao compositor, e 115 ao tirano. Sessentae dois anos depois, o ultra- moderno e modelar aeroporto de

19 FEVEREIRO 2015 www.sabado.pt
19 FEVEREIRO 2015
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Donetsk, que fora rebaptizado com o nome de Prokofiev, transformou-se nummonte de ruínas. Mais uma vez a força das armas ca- lou o poder do espírito. Mas não para sempre. A Bela há-de voltar à vida, desper- tada do sono trágico, algures nas pro- fundezas da Europa.

PS – Os acontecimentos em Cope- nhaga, ou na Líbia, provammais uma vez que se pode matar o Dito Estado Dito Islâmico no berço, algures entre o Tigre e o Eufrates, mas as metásta- ses do cancro autonomizaram-se, e viverão connosco. São uma forma aparentemente “ideológica” e con- certada de velhas raivas e manias, marcação de território porgangues de marginais, guerra assimétrica de de- senquadrados a tudo o que se mova, além do horizonte das suas fantasias. Não há nenhuma solução lógica que não passe por firmeza, paciência, bom senso, solidariedade, civismo militante (sem “mas” de desculpa) e superioridade de informações. W

O

A sonda

Em apropriado “fundo” (no Público), Vasco Pulido Valente reflecte sobre as últimas sondagens, e vê no Portu- gal de 2015 o de 1976. É verdade, se olharmos para as posições relativas dos partidos tradicionais, adiciona- das aos restos “revoltados”. Salvo se forem cometidas grandes asneiras pelo comedido António Cos- ta (o que não é crível), e grandes ma- ravilhas pelo objectivamente sacrifi- cado Passos Coelho (não acredito em milagres de origem humana), é muito possível que o próximo governo seja PS, sozinho ou acompanhado. O que coloca a questão das presi- denciais. Iria o pêndulo compensarcom uma maré de votos num candidato dife- rente, de equilíbrio, ou num apêndice (sem ofensa) de Costa? W

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O

Fora do comum

A minha filha canta muito melhor o Autumn Leaves. Mas não é esse o ponto. Ancião de voz roufenha e frá- gil, Bob Dylan decidiu gravar Frank Sinatra, o mestre do timbre. Sha- dows in the Night (Columbia), pode parecer uma bizarra brincadeira, mas vem do coração. Experimental, também, é OsAcon- tecimentos, de David Greig, no Tea- tro da Politécnica. Inspirado pelo massacre de Oslo de 2011, pergunta sobre o absurdo, a humanidade e o seu inverso. E há uma grande mostra de origi- nais de Almada Negreiros, o nosso pai dainvenção, no Museu da Electri- cidade, em Lisboa. Por fim, espera-se outro inspirado concerto do genial LST, no CCB, em Belém. Eis o trio de cordas mais sur- preendente do mundo. W

ALEXANDRE AZEVEDO

Destaque

INVESTIGAÇÃO. AS LUTAS INTERNAS DA MAÇONARIA PORTUGUESA

MAÇONS

EMGUERRA

Uns ameaçam com greve de fome, outros com tribunais. Uns insultam, outros andam à bofetadana rua. Háqueixas de roubos, juras de vingança e agentes infiltrados. Os quatro mil irmãos estão (quase) sempre em conflito. Com elesmesmos. Por AntónioJoséVilela

O email deixou os maçons à beira da guerra total. Era dirigido a António Justino Ribeiro, um dos candidatos a grão-mestre adjunto na lista do his- toriador e ex-secretário de Estado socialista da Cultura António Reis. “Caro amigo Justino, na sequência

da nossa conversa de ontem confirmei que o comunica- do que fiz sobre o [Filipe] Frade [o outro candidato a grão-mestre] está a circular. Já pus os meus homens a di- zerem (…), como o combinado, que o Frade é paneleiro. Vamos estar alerta. Com um abraço amigo e fraterno, Vasco Lourenço”, dizia a mensagem alegadamente escri- ta por um dos mais conhecidos militares do 25 de Abril. Em causa ficava outro militar, um coronel na reserva que

participara na luta armada contra o Estado Novo e inte- grara a Liga de Unidade e Acção Revolucionária. A confusão instalou-se e houve quem se oferecesse para resolver o assunto com as próprias mãos. O Conse- lho da Ordem – a estrutura que manda no Grande Oriente Lusitano (GOL) – decidiu intervir até porque se temia, a qualquer momento, a “divulgação pública não controlada” do episódio. Os maçons Vasco Lourenço, da Loja 25 de Abril, e António Justino, da Loja Montanha, negavam a toda a irmandade qualquer envolvimento na história. Segundo Justino, que garantiu não ter endereço de email ou sequer saber como “funcionava tal coisa”, tratava-se de uma armadilha concebida por maçons “peritos” em “contra-informação” e que estavam a utili-

VASCO LOURENÇO FEZ QUEIXA À PJ POR CAUSA DE UM EMAIL ONDE SE CHAMAVA “PANELEIRO” A UM IRMÃO

ALEXANDRE AZEVEDO Destaque INVESTIGAÇÃO. AS LUTAS INTERNAS DA MAÇONARIA PORTUGUESA MAÇONS EMGUERRA Uns ameaçam com greve

O cadastro

As leis internas das maçonarias obrigam os novos maçons a apresentarem o registo criminal

zar a “mentira” a “difamação” e a “vilania” para “desviar o foco das atenções da campanha”. Vasco Lourenço foi mais longe e, depois de anunciar que tinha feito queixa à Polícia Judiciária, acusou a lista de Filipe Frade de estar por trás do que se estava a pas- sar. “Já previa situações desta natureza (…). Confesso, no entanto que nunca imaginei que alguém, no seio da NAO [Nossa Augusta Ordem] pudesse descer tão baixo!” Este episódio, de Maio de 2008, não está isolado na história da maçonaria portuguesa. Hoje, os cerca de qua- tro mil maçons activos que fazem parte da Grande Loja Legal de Portugal/Grande Loja Regular de Portugal (GLLP/GLRP) e do GOL – as duas maiores correntes na- cionais – são um exército de influência política, econó- mica e social, mas também um corpo de rivalidades es- condidas que podem explodir a qualquer momento. Numa sociedade iniciática como a maçonaria, o segre- do organiza as relações entre profanos e iniciados e é um meio poderoso de coesão e acção do segundo grupo. Mas o ambiente fechado, exclusivo e secreto das lojas e

das sessões nocturnas também facilita as conspirações avulsas internas e guerras que esquecem a apregoada solidariedade da irmandade. Nessas alturas, os maçons, cujo dia mundial se assinala no domingo, 22, tornam-se nos piores inimigos e juram vinganças para sempre. Duas semanas antes do explosivo email, Vasco Lou- renço e 22 outros mestres maçons (um deles o histórico Edmundo Pedro) das lojas 25 de Abril, Romã, Estrela

do Norte e Utopia, tinham subscrito e divulgado uma

Q

www.sabado.pt j Nos templos da maçonaria há guerras pelos cargos da loja que são quase incom-

www.sabado.pt

www.sabado.pt j Nos templos da maçonaria há guerras pelos cargos da loja que são quase incom-

j

Nos templos da maçonaria há guerras pelos cargos da loja que são quase incom- preensíveis para os não iniciados

Destaque
Destaque

Q declaração em que defendiam que a hipotética eleição do adversário de António Reis “abriria as portas (…) à destruição” do GOL. A poucos dias das eleições, a comis- são da candidatura opositora queixou-se que as “torpes acusações” representavam um “autêntico assassínio de carácter” de Filipe Frade e dos seus apoiantes. Entre os sete subscritores da longa queixa ao conservador geral de Justiça do GOL, o juiz conselheiro Artur Costa, esta- vam as assinaturas do socialista Luís Grave Rodrigues e do jornalista Inácio Ludgero. Filipe Frade perdeu a eleição. A investidura do novo grão-mestre aconteceu a 27 de Setembro de 2008, na sede do GOL, em Lisboa, onde estiveram maçons de todo o País e irmãos das mais importantes maçonarias mundiais. Numa rua do Bairro Alto, logo após o almo- ço, vários irmãos perceberam que o fim das eleições não pacificara a irmandade. Depois de uma troca aze- da de palavras em que Frade criticara o “majestático trono” de soberano grande comendador dos altos graus, em que se sentara durante a cerimónia o pro- fessor universitário João Alves Dias, este deu-lhe uma bofetada e os óculos do velho coronel partiram-se no chão. Foi um prenúncio. Passado pouco tempo, Filipe Frade foi suspenso do GOL por causa de mais uma zanga com António Reis, mas o processo disciplinar arrastou-se durante anos até se concluir que o coronel não tinha culpa. Para o ajudar na defesa jurídica maçónica Frade contou nos bastidores com os conselhos de um maçon de peso, o juiz desem- bargador Ricardo Cardoso, conhecido por julgar o pro- cesso de corrupção que envolveu o antigo governador de Macau, Carlos Melancia. O juiz está hoje encarregue de decidir na Relação de Lisboa o recurso da prisão pre- ventiva do ex-motorista de José Sócrates.

AntónioAleixoealojadospolíticos

O ambiente estava cada vez pior na moradia alugada de dois pisos, que já fora tipografia, na Mealhada. Na saída esconsa do IC2, por trás da estação de combustível da Galp, o nº 6 da Rua do Cabeço do Coito transformara-se no palco de mais uma guerra entre maçons. E já nem os jantares mensais no restaurante Meta dos Leitões, ali ao lado, ajudavam a aliviar a tensão na Respeitável Loja (RL) de S. João Baptista. Entre as colunas do templo nº 82 da GLLP/GLRP, os 31 homens perceberam que os insultos e as ameaças fí- sicas, até a familiares, tinham vindo para ficar e cres- ciam de tom. Na origem da violenta zanga estavam in-

compatibilidades pessoais e quezílias internas por cau- sa de questões que aos não maçons parecem comezi- nhas: as nomeações para os cargos da loja e as subidas de grau – estas últimas são uma espécie de promoções internas que levam os irmãos da condição inicial de aprendiz à de companheiro, depois à de mestre e mes- tre instalado (o chefe da loja). Um dos irmãos mais revoltados era o empresário An- tónio Cruz Martins, mestre e tesoureiro com o nome simbólico Chopin. Antigo membro de outra corrente maçónica regular, a GLNP (Grande Loja Nacional Por-

NA

MEALHADA

HOUVE UMA

GUERRA DE

MAÇONS NA

LOJA DO

PRESI-

DENTE DA

CAIXA DE

CRÉDITO

AGRÍCOLA

Destaque Q declaração em que defendiam que a hipotética eleição do adversário de António Reis “abriria

Miguel

Relvas

A forma como o ex-ministro do PSD (membro da loja Universalis) conseguiu a licenciatura provocou enorme indignação no GOL. Houve maçons que já só o queriam ver longe e até uma loja- -fantasma, a Pátria, surgiu a criticá-lo de forma violenta

tuguesa), Cruz Martins tinha saído da loja David de Tábua e sido integrado na primeira oficina da GLLP/GLRP, a Fernando Teixeira, que reunia no Chia- do, em Lisboa, e que antes das últimas eleições legisla- tivas recebeu Pedro Passos Coelho e António José Se- guro em sessões abertas a não iniciados. Pouco tempo depois, Cruz Martins saiu da loja Fer- nando Teixeira para integrar os fundadores da nova oficina que abriu a 1 de Junho de 2011 na Mealhada, onde o empresário vivia. Um dos outros mestres ma- çons da nova loja era João Peres, presidente da Caixa de Crédito Agrícola da Bairrada e Aguieira e do Hospital da Misericórdia da Mealhada, que foi o principal bene- mérito do templo: pagou as contas das obras de recon- versão da casa degradada. Não demorou muito até os dois se incompatibilizarem. A guerra alastrou a outros maçons como o director fi- nanceiro Paulo Rola e o advogado Bruno Loureiro, que desempenhavam as funções de chefes da loja frequenta-

A LOJA

BRASÍLIA

ABATEU

COLUNAS

PORQUE OS

MAÇONS

NÃO SE

ENTENDIAM.

REABRIU

COM VÁRIOS

POLÍTICOS

da por gestores, médicos, arquitectos, professores uni- versitários, administradores judiciais, um poeta e até po- líticos como o deputado do PSD Pedro Campilho e o en- tão secretário-geral da Comissão Política Nacional da JSD, Bruno Coimbra. Num ápice, até as mães dos ma- çons foram chamadas à contenda verbal. Na documen- tação interna da GLLP/GLRP, a que a SÁBADO teve acesso, garante-se que teve de ser nomeada uma comis- são para avaliar o conflito. A decisão final, ratificada pelo Tribunal da Apelação da GLLP/GLRP, concluiu pela expulsão de Cruz Martins da loja da Mealhada e da Grande Loja. Mas o rebuliço pro- longou-se durante mais de um ano, até meados de 2013. Aborrecidos com a confusão e a decisão final, vista como um saneamento, vários membros deixaram de ir às ses- sões maçónicas. O próprio Cruz Martins não ajudou, pois andou meses a escrever mensagens de email a dezenas de maçons, incluindo aqueles com quem estava em con- flito. Citava António Aleixo – “Sei que pareço um la-

A LOJA BRASÍLIA ABATEU COLUNAS PORQUE OS MAÇONS NÃO SE ENTENDIAM. REABRIU COM VÁRIOS POLÍTICOS da

Miguel

Albuquerque

Acusado de “conduta antimaçónica”, um irmão da loja João Gonçalves Zarco, n.º 71 (GLLP), colocou em polvorosa os maçons da Madeira. Fernando Teodoro ameaçava expor toda a gente e um dos visados era o actual líder do PSD Madeira

19 FEVEREIRO 2015 www.sabado.pt
19 FEVEREIRO 2015
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drão…/Mas há muitos que eu conheço/Que não parecen- do o que são/São aquilo que eu pareço” – e ameaçava queixar-se “à Polícia e ao Ministério Público”. Na GLLP temeu-se então o pior, pois os maçons não gostam de guerras na praça pública, sobretudo quando, em templos como os da Mealhada, reúnem outras lojas bem mais poderosas que se querem manter discretas. O Mosteiro de Santa Cruz, dos altos graus maçónicos do Rito de York, é uma delas. A outra chama-se Brasília, a loja reerguida em 2006 pelo antigo espião Jorge Silva Carvalho, pelo ex-líder da Juventude Socialista (JS) Duar- te Cordeiro e pelo actual deputado socialista Rui Paulo Figueiredo, entre outros mestres maçons. Ecléctica em termos políticos, teve entre os seus membros o hoje vice-presidente do PSD, Marco António Costa (que en- trou depois na loja Camilo Castelo Branco), os deputados do PS João Portugal, António Calvete, Vítor Salgado e Jo- sé Cruz. Em 2013, o venerável da loja era o social-demo- crata e já secretário de Estado do Desporto e Juventude, Emídio Guerreiro. A primeira sessão da Loja Brasília, nº 11, ocorreu a 22 de Setembro de 2006, e o objectivo era recrutar profa- nos influentes, ou que pudessem vir a sê-lo, no Norte e no Centro do País (no eixo Coimbra, Porto e Viseu), uma mudança radical em relação ao que acontecera anos an- tes quando a oficina foi fundada e os maçons se envol- veram numa guerra interna com insultos, acusações de roubos e pancadaria. Em 2001, a Brasília estava sediada em Lisboa e era vista por muitos maçons regulares, e pelo então grão-mestre José Manuel Anes, como uma das mais promissoras porque recebia candidaturas pela Internet. No entanto, uma zanga acabou com todos os sonhos de grandeza e a loja abateu colunas (fechou). Um dos seus membros, Mário Parra da Silva, até saiu da GLLP/GLRP para fundar uma corrente maçónica autó- noma, a Grande Loja Tradicional de Portugal.

Ogeneral eomaçondosóvnis

Por estranho que possa parecer a quem vê a maçonaria apenas como um grupo de poder e influência até o criar

uma loja pode nada ter de espírito maçónico. Muitas ve- zes as novas oficinas são abertas (ou reabertas) porque os maçons simplesmente já não se suportam nas que frequentam. “As lojas são autênticos covis de cobras

onde reinam as invejas, a maledicência e as brigas por dá cá aquela palha”, confidencia à SÁBADO um velho maçon, sob anonimato, antes de rematar com ironia:

“Quem quiser amigos não deve vir para a maçonaria.” O general Carlos Chaves, que já assessorou Passos Coelho no Governo, sentiu isso mesmo. Quando foi iniciado em 1999 na loja Marquês de Pom- bal, a convite de um amigo, acreditava nos princípios dos maçons: liberdade, igualdade e fraternidade, mas desiludiu-se rapidamente. “Fui (…) maçon durante cerca de dois minutos e frequentei o templo maçónico durante aproximadamente quatro horas, pois, na verdade, após a cerimónia de iniciação (mais ou menos quatro horas) quando recuperei a visão [os futuros aprendizes são

vendados na iniciação], verifiquei que estava em má

Q

Destaque
Destaque

19 FEVEREIRO 2015

Destaque 19 FEVEREIRO 2015 www.sabado.pt

www.sabado.pt

Destaque 19 FEVEREIRO 2015 www.sabado.pt

VASCO NEVES/CM

LUSA

j

Vasco Lourenço já considerou que há lojas maçónicas que não são respeitáveis. Isaltino Morais entrou e saiu da cadeia sem deixar de ser maçon

Destaque 19 FEVEREIRO 2015 www.sabado.pt VASCO NEVES/CM LUSA j Vasco Lourenço já considerou que há lojas

Q companhia e, desde logo, decidi desligar-me”, recor-

dou por escrito à SÁBADO.

As guerras assumem diversos contornos.Na loja V Im-

pério, da GLLP/GLRP, 2013 e 2014 foram anos bastante

conturbados. Diversos documentos internos a que a SÁ-

BADO teve acesso revelam que a guerra incluiu saídas

da loja, atestados de quite (adormecimento de maçons,

em que o irmão se auto-exclui da oficina), processos in-

ternos que qualificaram membros como persona non

grata e acusações de roubos de dinheiro e objectos ma-

çónicos da loja. Houve também tentativas de expulsões

devido ao não pagamento das quotas e devido a insultos

nas sessões e no Facebook recorrendo a “expressões de

vernáculo jocoso”. Os exemplos? “El taberneiro”, “intru-

ja”, “plagiador” e “falhado da vida”.

Um dos envolvidos na briga (quase) colectiva foi Paulo

Cosmelli, maçon há cerca de 20 anos e o autor do livro

Ovnilogia. Desafio para a Ciência do Século XXI, tendo

também escrito e apresentado na V Império várias pran-

chas (comunicações) sobre a relação dos óvnis e a ma-

çonaria. Já com a confusão instalada há muito, Cosmelli

chegou a ser criticado por não pagar mais de um ano de

quotas apesar de ser visto a guiar um Jaguar.

Outro maçon da mesma loja implicado na guerra,

Henrique Tigo, já vinha marcado da anterior oficina a

que pertencera. Numa moção aprovada a 14 de Março

de 2013, os responsáveis da loja Lusitânia nº 14 escre-

veram que as “acções perturbadoras da harmonia” ti-

nham sido “inúmeros telefonemas, mensagens e mes-

mo abordagens a irmãos ( visando fomentar a intriga

...

)

e a discórdia”.

Por vezes, basta um pormenor para lançar o caos nos

templos maçónicos. Entre 2009 e 2011, José Forte (o

procurador do Ministério Público nomeado pelo gover-

no de José Sócrates em 2010 para presidir à Autoridade

para as Condições do Trabalho), mestre da loja Ociden-

te, instruiu o processo de suspensão decretado pelo

grão-mestre António Reis ao alegado mau comporta-

mento maçónico de António Pereira, o venerável mestre

“Platão” da Sympatia e União, uma loja com cerca de

150 anos. O maçon foi acusado de utilizar “termos e ex-

pressões que ofendem a honra e a consideração dos ór-

gãos do poder executivo da NAO”.

Os delitos maçónicos invocados por António Reis es-

Destaque 19 FEVEREIRO 2015 www.sabado.pt VASCO NEVES/CM LUSA j Vasco Lourenço já considerou que há lojas

Tomás

Taveira

O arquitecto que desenhou as Amoreiras, e ficou conhecido pelas cassetes eróticas que gravava, esteve para entrar no GOL, mas os maçons anunciaram que o iam vetar. Acabou por ser iniciado na Grande Loja Legal de Portugal

NA LOJA V NINGUÉM SE ENTEN- DIA E HAVIA INSULTOS COMO “PLA- GIADOR” E “FALHADO DA VIDA”

tavam relacionados com emails que o advogado envia-

ra a muita gente queixando-se de censura no GOL. No

centro da polémica estava sobretudo o pré-escrutínio

dos conteúdos das lojas que quisessem utilizar o novo

portal da Internet da maçonaria do Bairro Alto. Depois

de uma acalorada discussão na loja, os maçons da

Sympathia e União colocaram a sua própria página da

Internet toda de negro e anunciaram ao grão-mestrado

que, se não os recebesse no prazo máximo de cinco

dias, havia voluntários para, trajados a rigor, iniciarem

“uma greve de fome frente ao Palácio Maçónico, por

tempo indeterminado”.

Na maior parte das vezes, as guerras maçónicas tra-

vam-se durante os períodos eleitorais internos, como a

disputa do cargo de grão-mestre. Por exemplo, nos anos

90, uma contenda começou no Grande Tribunal Maçó-

nico, que excluiu uma das duas candidaturas a grão-

mestre do GOL, liderada pelo médico legista Santinho da

Cunha e o seu adjunto, o advogado Nuno Godinho de

Matos. O outro concorrente era o médico Ramon La Fé-

ria, ex-preso político e membro do mais alto patamar da

maçonaria, o grau 33.

Em plena campanha, a decisão dos órgãos superiores

do GOL incendiou os maçons: uma loja inteira, a Rebel-

dia, cujo venerável era o historiador Oliveira Marques,

assumiu a insólita decisão de suspender a actividade

maçónica durante um ano. Meses depois, já com Ra-

mon La Féria eleito, Santinho da Cunha abandonou o

GOL, juntamente com alguns apoiantes, entre eles Vas-

co Franco, então vereador socialista na Câmara de Lis-

boa (depois regressou). O médico derrotado entrou na

maçonaria regular, na Loja Fraternidade, mas ao fim de

seis meses, saiu com um grupo de apoiantes e criou a

Associação de Lojas Independentes Maçónicas de Por-

tugal (ALIMP).

IsaltinoMoraiseTorquemada

As eleições maçónicas costumam deixar marcas profun-

das. Já depois do fim da campanha eleitoral para grão-

mestre da GLLP/GLRP, entre 1 e 20 de Junho de 2010, o

candidato e ex-dirigente do CDS Paulo Miranda quei-

xou-se aos seus apoiantes de que tinha sido “caluniado”

e que não lhe tinham deixado apresentar o compro-

misso eleitoral em 25 lojas, porque os respectivos ve-

Q

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MANUEL MOREIRA/CM

Q neráveis nem sequer lhe haviam respondido ao pedi-

do para visitar as lojas.

A confusão também se instalara na própria loja do can-

didato que defrontava José Moreno, um advogado so-

cial-democrata que tinha assessorado Manuela Ferreira

Leite. “Venho por este meio informar que a loja Excali-

bur nada tem a ver com a candidatura do irmão Paulo

Miranda.” O curto email do venerável mestre da loja, Jo-

sé Godinho, seguiu a 28 de Maio para o grande secretá-

rio da GLLP/GLRP Victor Duarte, dizendo que a decisão

tinha ficado até registada na acta da reunião da loja

ocorrida no dia anterior. Quando acabou a campanha, a

desilusão do ex-dirigente do CDS/PP era evidente. Aos

apoiantes anunciou que já enviara, a 22 de Junho, o pe-

dido de atestado de quite para se afastar da Excalibur.

Poucos anos depois, Miranda foi expulso da maçonaria

apesar de insistir que não era ele que divulgava, através

de um email identificado como “ML (Maçons Livres)”,

várias criticas ferozes à hierarquia da GLLP.

Internamente, um dos maçons que interveio no pro-

cesso de expulsão de Paulo Miranda foi o advogado que

desempenhava as funções de porta-gládio (uma espécie

de procurador-geral) e que integrava a loja Anderson, nº

17. Por causa do cargo que exercia na maçonaria, José

Motta Veiga chegou a ser alcunhado por alguns irmãos

como “Torquemada do Santo-Ofício”. O maçon tinha

sido ex-deputado do PSD entre 1987/95, era irmão de

Ana Cristina Veiga, a primeira mulher de Marcelo Rebelo

de Sousa, e filho de um eminente universitário e antigo

ministro de Oliveira Salazar.

Até há poucos anos, as expulsões (e respectivos recur-

sos) de maçons da GLLP/GLRP eram sempre votadas

em Assembleia de Grande Loja, como sucedeu a 17 de

Março de 2012, quando se encerrou mais uma guerra

interna. Entre os 21 pontos da magna reunião do equi-

nócio da Primavera da GLLP/GLRP constava a “votação

do recurso do irmão João dos Santos Fernandes…”,

membro da loja de São Miguel, nº 17, que entretanto

abatera colunas depois de várias deserções e guerras

internas. Em várias pranchas, lidas durante anos na loja

(e que depois chegaram pela Internet a não iniciados na

maçonaria), Santos Fernandes criticou de forma violen-

ta quem mandava na maçonaria regular e também os

g

Quando foi grão- -mestre do GOL, An- tónio Reis foi acusa- do de fazer censura e vários maçons ameaçaram com greve de fome

alegados métodos que estariam a ser usados: “Parece

que estamos condenados ao jantarismo e a ser agên-

cias de empregos, com a remessa de emails pelo Res-

peitável Grande Secretário às Respeitáveis Lojas, para

empresas de luxo”, escreveu dizendo que se recusava a

“participar em tais corrupções”.

Nesta mensagem, dirigida em primeiro lugar ao grão-

mestre José Moreno, Santos Fernandes manifestou-se

revoltado: “(…) O que nos interessa é gente influente,

19 FEVEREIRO 2015 www.sabado.pt MANUEL MOREIRA/CM Q neráveis nem sequer lhe haviam respondido ao pedi- do

RuiGomes

daSilva

O então ministro dos Assuntos Parlamentares provocou, em 2004, a saída de Marcelo Rebelo de Sousa da TVI. Vários maçons ficaram possessos e quiseram expulsar Gomes da Silva do GOL. Mesmo sabendo que já tinha saído há anos por opção

importante e figuras públicas que nos venham dar em-

pregos ( ).”

...

E acrescentou: “Trocar cargos e admissões

rápidas por favores parece-me não ser Iniciático, cha-

mando-se, profanamente, tráfico de influências.” Ma-

çon há mais de 17 anos, Santos Fernandes acabou ex-

pulso, sem surpresa: dois anos antes, a 2 de Outubro de

2010, o Conselho de Jurisdição da GLLP/GLRP tinha-

lhe instaurado o processo disciplinar e o advogado ma-

çon encarregue do relatório preliminar, Esteves de Al-

meida, defendera que tinha de se aplicar a pena máxi-

ma e “sem atenuantes”.

De nada valeu a Santos Fernandes invocar nos recur-

sos que a maçonaria era sinónimo de liberdade e que

não seria ele que teria de mudar o comportamento

que sempre tivera: “Tudo talvez fosse de ‘bons costu-

mes’ se a primeira prancha do ‘participado’, no grau de

Aprendiz, não arrolasse o espavento e o luxo desne-

cessário de milhares de contos feitos pela GLRP no ho-

tel Estoril-Sol, hoje já implodido. (…) Tudo talvez fosse

de ‘bons costumes’ se o ‘participado’ nada tivesse dito

sobre a ilegal entrada maçónica do Sr. Dr. Isaltino de

Morais na GLRP…”

A iniciação maçónica do ex-ministro e antigo presi-

dente da Câmara de Oeiras tinha ocorrido em 2005, na

fase final do grão-mestrado de Trovão do Rosário, um

sexagenário que fora director-geral do Ministério da

Educação. Na altura, muitos irmãos queixaram-se que Q

19 FEVEREIRO 2015 www.sabado.pt MANUEL MOREIRA/CM Q neráveis nem sequer lhe haviam respondido ao pedi- do

Oquevaleamaçonariaportuguesa?

As duas maiores grandes lojas têm cada vez mais gente e mais dinheiro

1.400.000

Oorçamento total

anual das duas maiores correntes maçónicas portuguesas já tem al- gum peso. O dinheiro vem quase todo das quotas pagas e da inicia- ção de novos maçons

4.000

Osmaçons que inte-

gram a Grande Loja Le- gal de Portugal (GLLP) e o Grande Oriente Lusitano (GOL) são cada vez mais, mas a GLLP diz que já se tornou a maior maçonaria

190

As lojas das duas ma- çonarias estão em fun- cionamento em todos os distritos de Portugal. Os maçons reúnem em discretos templos montados em aparta- mentos e moradias

400

Ainiciação de um

maçon na GLLP não é barata, mas o preço já inclui avental, luvas, gravata e um exemplar dos regulamentos internos. Os estudantes só pagam 250 euros

54

Asquotas na maço-

naria regular são pagas trimestralmente. Se os maçons se atrasarem no pagamento de um semestre é a própria loja que tem de pagar os valores em falta

Destaque
Destaque

19 FEVEREIRO 2015

Destaque 19 FEVEREIRO 2015 www.sabado.pt

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Destaque 19 FEVEREIRO 2015 www.sabado.pt

NUNO PINTO FERNANDES/GLOBAL IMAGENS

Q a entrada de Isaltino Morais na loja Mercúrio, alegada-

mente por indicação directa do grão-mestre e do seu

porta-voz maçónico, o socialista Paulo Noguês, fora feita

sem informação prévia às outras lojas. Nas oficinas e

fora delas, as discussões foram muitas e as ondas de

choque também porque Isaltino já então estava envolvi-

do no longo processo judicial em que foi condenado em

primeira instância, em Agosto de 2009, por crimes de

fraude fiscal, abuso de poder, branqueamento de capi-

tais e corrupção passiva para acto ilícito.

Nessa altura, Isaltino desempenhava as funções de

mestre-de-cerimónias da Mercúrio. Em Outubro de

2012 – meses antes de ser preso para cumprir dois

anos de prisão – o autarca foi promovido a “grande

superintendente de honra” pelo grão-mestre José Mo-

reno. A razão? “A sua permanente disponibilidade e os

serviços prestados à GLLP/GLRP”, referia o decreto

287 da maçonaria regular.

Neste caso, o comportamento interno da hierarquia

não destoou: Isaltino era um amigo da Ordem e foi trata-

do como tal. Os regulamentos internos da GLLP/GLRP

estabelecem uma particularidade que permite várias in-

terpretações no caso de um tribunal comum condenar

um maçon: os irmãos só poderão ser expulsos quando o

crime “comprometa o bom nome da Grande Loja”.

Em termos estatísticos, também não são seguramente

os problemas com a justiça profana que preocupam as

duas principais maçonarias portuguesas, já que as penas

de suspensão, exclusão ou expulsão de maçons são qua-

se sempre justificadas não pelo que os maçons fazem lá

fora, mas por brigas antigas, faltas injustificadas às ses-

sões das lojas e o não pagamento das quotas.

Atentadoàbomba elutasnostribunais

Os escândalos e as guerras internas têm sido tantas

nas duas maçonarias que, em Janeiro do ano passado,

260 mestres maçons fecharam-se discretamente em

dois templos do palácio do GOL para discutir, durante

Destaque 19 FEVEREIRO 2015 www.sabado.pt NUNO PINTO FERNANDES/GLOBAL IMAGENS Q a entrada de Isaltino Morais na

JoãoTocha

Na campanha para a liderança do PS, foram muitas as críticas deste consultor a António Costa. Maçon do GOL, Tocha usou as redes sociais para afrontar o “Alcaide” e isso incomodou vários irmãos, que o acusaram de ajudar o maçon João Proença, apoiante de António José Seguro

ISALTINO MORAIS FOI PROMOVIDO NA MAÇO- NARIA, MAS A SUA PRE- SENÇA NUN- CA FOI CON- SENSUAL NA GLLP/GLRP

h Fernando Lima, grão-mestre do GOL, diz que já está habituado às brigas internas dos maçons
h
Fernando Lima,
grão-mestre do
GOL, diz que já
está habituado
às brigas internas
dos maçons

dois dias, os problemas da maçonaria portuguesa.

Nesse encontro, Vasco Lourenço defendeu que tinha

de ser travada a “proliferação da entrada de indesejáveis

no GOL” e que deviam ser expulsos os muitos que já lá

estavam entretidos em jogos de “influências e conspira-

ções”, segundo é referido na comunicação escrita a que

a SÁBADO teve acesso.

Para o militar, a tarefa de limpeza caberia às dezenas

de lojas espalhadas pelo País: “São as Respeitáveis Lo-

jas que têm de assumir as suas responsabilidades! Co-

meçando, precisamente, por serem Respeitáveis!” Opi-

nião semelhante tinha Manuel Pinto dos Santos, mes-

tre na loja Transparência também presente na sigilosa

reunião e para quem o problema estava no facto de as

lojas estarem há anos a recrutar um autêntico “exérci-

to invasor” com base em “interesses socioprofissionais,

económicos, de estatuto social, políticos e partidários”

que se sobrepunham “aos critérios tradicionais de ho-

mens livres e de bons costumes”.

As críticas aos comportamentos internos seguiam o

que já dissera o antigo grão-mestre adjunto António Jus-

tino Ribeiro num longo desabafo escrito. Para o maçon,

havia até períodos-chave para os ataques de irmãos “in-

filtrados”: “Nas lojas, sobretudo em momentos eleitorais,

lançam mão de expedientes administrativos e de tesou-

raria para desprestigiar ou mesmo inviabilizar a eleição

de pessoas honestas.”

Muitos anos antes, em 2000, José Manuel Anes tam-

bém tinha defendido que a GLLP/GLRP só conseguiria

recuperar a “boa imagem pública” se os irmãos se

mantivessem bem comportados e evitassem as “dispu-

tas fratricidas”, lê-se num documento interno da ma-

çonaria. No entanto, caso a guerra se tornasse inevitá-

vel, o maçon dava um conselho: “Será necessário que

as disputas internas não cheguem aos media, para evi-

tar que a imagem da desunião volte a manchar o nome

da nossa obediência.” E assim impedir o contínuo re-

crutamento de políticos, gestores, sindicalistas, juízes,

jornalistas e até padres.

O receio da divulgação dos conflitos é permanente

porque a maçonaria só subsiste pela via do segredo e,

por isso, o grupo vive sempre sob ameaça e pela amea-

ça. O juramento maçónico, feito na iniciação e repetido

na elevação aos graus seguintes, tem tido na base os

compromissos da preservação da solidariedade e dos

segredos através da teatralização dramática dos rituais,

um psicodrama que serve, em teoria, para tornar mais

forte o grupo – em termos simbólicos, a iniciação com-

porta sempre a morte e o renascimento de um novo

membro, uma experiência que deve ser compartilhada

por toda a irmandade.

Com tantas emoções misturadas percebem-se cer-

tos episódios que marcaram a história recente da ma-

çonaria regular portuguesa: um dos mais emblemáti-

cos foi a cisão maçónica da célebre Casa do Sino,

ocorrida em 1996/97. Durante essa luta pelo poder,

quase tudo aconteceu: um atentado à bomba à porta

da sede em Cascais e várias agressões, a destruição

e a divulgação pública de ficheiros maçónicos e até Q

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www.sabado.pt EM 2015 ÁFRICA DESTACA-SE NO MUNDO. ESTA SEMANA DESTACA-SE NA SÁBADO. A SÁBADO lançou, em

EM 2015 ÁFRICA DESTACA-SE NO MUNDO.

ESTA SEMANA DESTACA-SE NA SÁBADO.

A SÁBADO lançou, em parceria com o New York Times, uma edição extra dedicada a África. Uma visão global sobre este continente para o ano de 2015 em áreas como a economia, os negócios, as artes, a moda e a arquitectura.

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JOSÉ PAULO/FPF

Q a destituição do grão-mestre Nandin de Carvalho.

Depois da detenção de José Braga Gonçalves no caso

da gigantesca burla da Universidade Moderna, os ma-

çons ficaram divididos em dois grandes grupos que

continuaram a travar uma intensa luta judicial no Tri-

bunal de Cascais.

Ambos reivindicavam ser os legítimos donos dos ar-

quivos, dos artefactos maçónicos, mas sobretudo do

próprio nome da maçonaria herdeira da Casa do Sino.

Nos tribunais, um grupo minoritário de maçons man-

teve a posse legal da original Grande Loja Regular de

Portugal (GLRP), mas a maior parte dos maçons teve

de criar uma nova associação que começou por ser li-

derada, respectivamente, pelos grão-mestres Nandin

de Carvalho e José Manuel Anes: a GLLP/GLRP-Asso-

ciação. Há cerca de seis anos juntaram-se todos outra

vez. Nandim de Carvalho ficou de fora e não quer ain-

da hoje falar disso à SÁBADO. Já sobre as constantes

guerras entre maçons tem um curto desabafo: “Nas lo-

jas há coxos, cegos e surdos também a nível espiritual.

É normal e não existe uma varinha de condão para

transformar as pessoas.”

Há maçons que nunca farão as pazes. E percebe-se

19 FEVEREIRO 2015 www.sabado.pt JOSÉ PAULO/FPF Q a destituição do grão-mestre Nandin de Carvalho. Depois da

Osmaçons, asdívidas eos carros

Amaçonaria regular quer pagarmais cedo o empréstimo que fez ao banco Montepio

AsededeTelheiras

Os maçons regulares pediram um total de 1.068.500 euros ao Montepio Geral para terem uma sede pró- pria. O imóvel ocupa uma área de 1.070 m 2 e fica no n.º 102 da Estrada de Telheiras, em Lisboa. O negócio, que foi feito em 2013 com a Empresa Pública de Urbanização de Lisboa, implica um forte peso para a tesouraria dos maçons: cerca de 8.200 euros/mês, durante 15 anos, e um pagamento final ao banco de 250 mil euros. Mas os maçons já querem amortizar mais cedo o empréstimo. Em 2014 contavam gastar cerca de 250 mil euros. Só não se en- tendiam por causa dos poucos lu- gares de estacionamento no lo- cal e das queixas dos vizinhos, que os acusavam de deixar os carros em qualquer lugar.

19 FEVEREIRO 2015 www.sabado.pt JOSÉ PAULO/FPF Q a destituição do grão-mestre Nandin de Carvalho. Depois da

porquê quando se lê um email como o enviado a deze-

nas de irmãos do GOL pelo presidente dos Inválidos do

Comércio, Vítor Damião. Depois de garantir que estava

arrependido de ter nomeado, desde 2008, maçons

“para todos os órgãos sociais” da associação de solida-

riedade que geria um património imobiliário avaliado

em mais de 70 milhões de euros, o maçon acusava dois

irmãos de o estarem a tentar destruir acusando-o de ir-

g

O secretário de Es- tado do Desporto e Juventude, Emí- dio Guerreiro, inte- gra uma das mais poderosas lojas:

a Brasília

regularidades na gestão da instituição.

Asvingançaseosbichos carpinteiros

No pedido de auxílio maçónico a que a SÁBADO teve

acesso, Vítor Damião identificou até os conspiradores:

“Estes maçons têm nome e loja, Álvaro Ricardo Nunes

[ex-gestor] e Joaquim Pedro Canas Mendes [médico],

ambos da loja Liberdade.” Para Damião, o que estava

19 FEVEREIRO 2015 www.sabado.pt JOSÉ PAULO/FPF Q a destituição do grão-mestre Nandin de Carvalho. Depois da

Adolfo

Luxúria

Canibal

O último vídeo do músico (Horas de Matar) tem a participação de

um mestre maçon de Guimarães no papel de um banqueiro que leva um tiro. Isso provocou polémica entre os maçons do GOL que viram no caso um incentivo à violência

em causa era a “mais vil atitude de um maçon, a vin-

gança”, e também o controlo do valioso património

imobiliário dos Inválidos do Comércio.

Por isso, o maçon pediu ajuda à sua própria loja, a

Montanha, mas o auxílio estava a tardar. E Damião não

gostou. “No passado dia 7 de Março [2012], enviei-vos

um email (…). Contudo uma semana depois reparo que

dos 30 e muitos irmãos da minha loja, apenas três me

responderam dando-me o seu apoio e solidariedade,

afirmando que acreditavam no meu comportamento

(…). Os inimigos da Maçonaria não estão no exterior do

templo, mas no nosso seio.”

Um mestre e colega de loja, Albano Pires, respondeu

ao pedido incitando outros maçons: “A nossa oficina

tem vindo a ser atacada por bichos carpinteiros que se

introduziram num dos seus pilares de sustentação, cla-

ro que se não actuarmos de imediato, com o seu fraco

poder mas com a determinação com que estes bichos

actuam, acabam por atingir o seu objectivo que passa

pela destruição.”

O episódio passou as portas dos templos do GOL por-

que os maçons intentaram mútuas queixas-crime que

ainda hoje estão a ser apreciadas nos tribunais. Um dos

advogados maçons que tratou da defesa dos dois ho-

mens da loja Liberdade foi Ricardo Sá Fernandes. No

meio da contenta maçónica até o grão-mestre Fernan-

do Lima foi arrastado para a confusão. Num documen-

to interno dirigido ao chefe do GOL, que depois circu-

lou na Irmandade do Bairro Alto, o médico Canas Men-

des acusou-o de não intervir e de proteger o maçon

Damião. “O silêncio é criminoso e a protecção do in-

fractor faz lembrar a quinta em que todos os animais

 

eram iguais, mas alguns eram mais iguais que outros.” E

“HÁ SEMPRE

concluiu: “Façam justiça como é vosso dever ou assu-

PEQUENOS

mam que o templo está tomado por um tumor.”

PODERES,

O grão-mestre do GOL recusou sempre pronunciar-se

PEQUENAS

à SÁBADO sobre o caso concreto, mas diz que encara

FRUSTRA-

com naturalidade as brigas internas entre os maçons.

ÇÕES, ENFIM,

Até porque conhece a longa história da maçonaria e as

ACONTECE”,

suas inúmeras cisões. “Há sempre pequenos poderes,

LAMENTA O

pequenas frustrações, enfim, acontece, mas acredito

GRÃO-MES-

que a maioria dos maçons não é assim”, conclui Fer-

TRE DO GOL

nando Lima. W

MALO CLINIC

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