CLEITON FARIA DE OLIVEIRA – ADVOGADO OAB/MG nº 64.

681 _________________________________________________________________________

EXCELENTÍSSIMO SENHOR DOUTOR JUIZ DE DIREITO DA XXX VARA DA COMARCA DE XXXX-XX.

Inicial de Embargos a Execução por Título Extrajudicial Distribuição por dependência aos autos de nº : XXXXXXX Embargante : XXXXXXXXXXXXX Embargado : XXXXXXXXXXXXX XXXXXXXXXXXXXXX, brasileiro, casado, desempregado, portador do CPF nº XXXXXXX e do RG nº XXXXXXXXX SSP/MG, com endereço na Rua XXXXXXXXXXX, por seu advogado e procurador que esta subscreve (XXXXXXXXXXX – instrumento de procuração já anexado aos autos de execução), vem mui respeitosamente à presença de V.Exa., interpor os presentes EMBARGOS POR TÍTULO EXTRAJUDIAL na forma e no prazo legal, a execução que lhes move AGROCREDI, pelos motivos de fato é de direito a seguir expostos: I = DO CABIMENTOS DOS EMBARGOS Verificando o processo de execução de execução em apenso, verifica-se que o embargante foi citado para a ação executiva em 17 de XXX de 200X, vencendo-se o prazo para embargos em XX de agosto de 20XX, razão pela qual, tempestivo a presente ação incidental. Desnecessário a segurança do juízo, tendo em vista as novas disposições processuais referente aos embargos à execução por título extrajudicial. II = DOS FUNDAMENTOS DOS EMBARGOS QUESTÃO DE ORDEM PÚBLICA NULIDADE DO TÍTULO EXECUTADO

CLEITON FARIA DE OLIVEIRA – ADVOGADO OAB/MG nº 64.681 _________________________________________________________________________

ORIGEM ILÍCITA OS FATOS ORIGINÁRIOS DO TÍTULO De acordo com a regra processual do artigo 745, inciso V do CPC, nos embargos o Embargante poderá alegar qualquer matéria que lhe seria lícito deduzir como defesa em processo de conhecimento. Assim o Embargante vem ao Judiciário requerer a declaração de nulidade do título executado, pois a origem da suposta dívida é ilícita, conforme demonstraremos abaixo. As operações envolvendo o Embargante é o embargado são de longas datas iniciando desde o ano de 2000. O Embargante possuía junto ao embargado uma conta corrente que possuía o número XXXXXXXX, da qual era co-titular seu irmão XXXXXXX, conforme se verifica nos extratos bancários anexos. Tendo em vista que o embargado efetuou a cobrança de encargos indevidos na mencionada conta corrente, tais como juros sobre juros sem previsão contratual, débitos de tarifas e lançamentos de débitos sem origem, o Embargante acabou ficando com saldo devedor na conta corrente noticiada, sendo que por imposição do embargado acabou-se efetuando um suposto financiamento rural para cobrir o saldo negativo da conta corrente. Conforme se verifica no extrato bancário anexo, foi apresentado unilateralmente pelo embargado um saldo devedor em XX de março de 20XX na importância de R$XXXXXXXX, no qual estava inserido juros abusivos de cheque especial da conta corrente nº XXXXXXXXX bem como uma cédula rural que foi firmada para cobrir referido saldo devedor. O Embargante não consegui quitar a dívida originaria da conta corrente nº XXXXXX, razão pela qual, em virtude do Embargante e seu irmão não possuírem bens penhoráveis para quitar as dívidas anteriores, o embargado exigiu que a mãe destes assumisse como avalista no título ora executado.

nº Bacen XXXX. ocorrido em XX de agosto de 2. Doc. uma nova conta corrente junto ao embargado. referente ao financiamento. a qual recebeu o número XXXXXX. e para quitação total da dívida.0XX. com vencimento para XX de XXX de 2. na qual aparece como avalista sua mãe XXXXXXX. prorrogando o vencimento da cédula acima para a data de XX de janeiro de 2. para cobrir os saldos devedores das contas nº XXXX e XXXXXXXXX. para quitação da dívida junto ao requerido. inúmeros lançamentos indevidos e sem previsão contratual. Em XX de janeiro de 2.0XX. o Embargante recebeu carta cobrança do embargado o qual alegou que existia uma dívida vencida desde XX de janeiro de 2. . efetuou o pagamento da importância de R$XXXXXXXX (XXXXXXX). assim.0XX. Posteriormente em data de XX de setembro de 2.681 _________________________________________________________________________ Foi aberto. O Embargante procurou o embargado expondo sua situação financeira/econômica.0XX. Contudo. os quais originaram uma cédula rural para quitar as operações anteriores. foram incluídas além de dívidas indevidas referente às operações da conta nº XXXXX. tendo a dívida naquela oportunidade apresentado o saldo devedor de R$XXXXXXX. o Embargante celebrou com o embargado uma “Cédula Rural Pignoratícia e Hipotecária” no valor de R$XXXXXX (XXXXXXX).0XX. Nesta conta nº XXXX.0XX. anexo. Antes do vencimento da cédula em XX de janeiro de 2. nº XXX. a família do autor acabou vendendo uma parte de terras.0XX.0XX.0XX e que tomaria providências “judiciais” para regularização. foi efetuado entre as partes um “Aditivo de Titulo de Crédito Rural”. no dia XX de março de 2.CLEITON FARIA DE OLIVEIRA – ADVOGADO OAB/MG nº 64. o autor recebeu correspondência do SERASA informando que o requerido havia pedido a inclusão de seu nome e CPF de um débito na importância de R$XXXXXX. a qual foi debitado em sua conta corrente conforme extrato anexo. Em data de XX de abril de 2.

sendo que na data de ocorrência que consta na correspondência do SERASA. não sendo admitido no direito pátrio à simulação deste tipo de operação.CLEITON FARIA DE OLIVEIRA – ADVOGADO OAB/MG nº 64. não foi juntado nos autos de execução A CONTA GRÁFICA QUE DEVE SER MANTIDA JUNTO A OPERAÇÃO DE CRÉDITO RURAL. A cédula rural foi firmada para cobrir dívidas já existentes. O Embargante não é devedor do requerido. onde nenhum tostão foi liberado em favor do mutuário. foi cadastrado junto ao SERASA na importância de R$XXXX. que no processo executivo não consta qualquer documento que comprove a liberação da importância de R$XXXXXX. a dívida havia sido prorrogada para XX de janeiro de 2. o crédito rural possui regras próprias. Necessário observar que o Embargante nunca teve acesso ao dinheiro da cédula rural pignoratícia e hipotecária executada na importância de R$XXXXXXXXXX(XXXXXXXXX). firmado em XX de setembro de 2. Do mesmo modo. a chamada operação mata-mata. A dívida executada no processo em apenso não é oriunda de crédito rural.0XX. entre as condições defesa se incluem as que privarem de todo efeito o negócio jurídico. Porém.0XX.681 _________________________________________________________________________ O autor assim. todas as condições que não contrárias à lei.0XX. Na verdade o que houve foi uma mera operação contábil. pois em nenhum momento fomentou qualquer operação agropecuária do Embargante. à ordem pública ou aos bons costumes. conforme documento em anexo. ou o sujeitarem ao puro arbítrio de uma das partes” . conforme “Aditivo de Título de Credito Rural” anexo. Tanto isto é verdade. ou seja. XX de agosto de 2. Preceitua o artigo 122 do Código Civil que : “São lícitas em geral.

VILSON RODRIGUES ALVES. inciso I do C. como e cediço. O que houve no caso presente foi uma SIMULAÇÃO DE EMPRÉSTIMO RURAL. 1996. página 859. Créditos Rural e Industrial CÉDULA DE CRÉDITO RURAL – Execução – Desvio de finalidade provocado pelo banco credor – Quitação de cédulas anteriores englobando parcelas abusivas – Devedor que não dispôs do numerário – Responsabilidade integral do banco pela fraude à lei – Título descaracterizado. De acordo com o que preceitua o artigo 167 do Código Civil são nulos os atos jurídicos quando praticados em simulação. Numerário do qual não dispôs o devedor. assim como frustação da finalidade essencial do empréstimo.CLEITON FARIA DE OLIVEIRA – ADVOGADO OAB/MG nº 64. pois implicou a quitação de cédulas anteriores. . o que é público e notório e independe de qualquer prova – artigo 334. qualquer discussão a respeito do serviço da dívida. englobanco parcelas abusivas. deixando-o sem recursos para financiar a safra.681 _________________________________________________________________________ No caso presente. Ementa oficial : Desvio de finalidade provocado pelo Banco do Brasil e em seu integral favor. 1ª edição. literalmente. cita o entendimento de nossos Tribunais. posto mera operação contábil. na obra “Responsabilidade Civil dos Estabelecimentos Bancários”.C. conforme RT 711/187: “53.P. haja vista sua condição de supremacia conferida pela sua posição econômica. onde somente o bancoembargado se beneficiou. Responsabilidade integral do Banco pela fraude à lei. o mutuário (Embargante) se encontra completamente a mercê da entidade bancária que dita as regras e impede.

o restante da matéria discutida no apelo.. se destaca o voto proferido pelo Ilustre Relator Dr.P. 104 e 105 CCv) – é desconhecer normas elementares em relações desse tipo. 618 I e 586. Embargos procedentes.CLEITON FARIA DE OLIVEIRA – ADVOGADO OAB/MG nº 64. acolho os embargos. não se pode validá-la mediante o artifício da novação. – j. Pretender acoimar torpeza na submissão do mutuário – e. 5. 586). dando-os por procedentes na sua integridade. Juiz Breno Moreira Mussi) Ao longo do Acórdão acima citado. e que não apareceu. nº 193. 741.94 – Rel. 1. impossibilitar defesa (arts. que é nula a execução: I .221. Sendo assim. aliados aos arts. Diante do exposto. não se pode cogitar de simulação inocente – art. Breno Moreira Mussi: “. II. como a nulidade do título é prejudicial em relação aos demais pontos focados. estes do CPC” De acordo com o preceito do artigo 618 do C.447 – 9ª C.681 _________________________________________________________________________ Título descaracterizado. no caso concreto. 745.007 CC impede a manobra. nos termos dos dispositivos já mencionados. E o que o Banco quis. como se apresenta a do inadimplemento. acredito que a circunstância precede. Se é nula a cláusula absolutamente potestativa. na simulação “quer-se o que não aparece: não se quer o que aparece”. abusando da supremacia conferida pela sua posição econômica.4. Nesta linha de raciocínio. certo e exigível (art..” . Pelo contrário. (Ap. pois o art. 103 CC -.se o título executivo não for líquido. e sim malícia provocada pela supremacia do Banco em relação à figura dos mutuários. com isto.C. como quis o Banco. O que não existiu foi inocência.Na lição de Pontes. por ordem lógica. foi burla a lei..

são exigidos de forma capitalizada (e sempre foram). pelo princípio da eventualidade. pois além de estarem fora dos parâmetros legais. O Poder Judiciário não pode dar guarida ao enriquecimento ilícito pretendido pelas instituições financeiras.CLEITON FARIA DE OLIVEIRA – ADVOGADO OAB/MG nº 64. Veja Excelência a situação privilegiada vivenciada pelas instituições financeiras no país sob o aparente manto da legalidade exigem juros acima da Lei de Usura. O Decreto 22. cobram acessórios sem explicar como se chegou ao montante. ainda o seguinte: COBRANÇA ABUSIVA ILIQUIDEZ DO TÍTULO Os juros e encargos exigidos pelo embargado nas operações realizadas com o Embargante são abusivos .OUTRAS RAZÕES DE DEFESA “Ad argumentum”. 1. 2 . cobram IOF ( também inexigível). Imperiosa é a aplicação do disposto no artigo 406 do Código Civil sobre o contrato existente entre as partes. denominado Lei de Usura e em seu artigo 1º dispõe : “É vedado e será punido nos termos desta lei. deverá ser julgado procedente os embargos para anular o título executado. aduz o Embargante.681 _________________________________________________________________________ Assim. art. tendo como supedâneo os contratos mencionados na execução que possuem cláusulas leoninas e de adesão.062)”. lembrando-se sempre do brocado “NULLA EXECUTIO SINE TITULO”. tendo em vista a simulação ocorrida. comportamento esse que fere a Súmula 121 do Supremo Tribunal Federal e artigo 253 do Código Comercial. . capitalizam juros. estipularem quaisquer contratos taxas de juros superiores ao dobro da taxa legal ( Código Civil.636/1933. caso não acolhida a nulidade do título executado.

certo e exigível e não vemos no processo de execução. temos que : “O processo de execução não é predisposto para a discussão do mérito. ele se contenta com o título executório” São pressupostos específicos da execução. sendo vedada expressamente pelo Decreto 2. não tem representativade formal para embasar execução. acrescentando o legislador que a cobrança de crédito fundar-se-á sempre em título líquido. em sua obra “Processo de Execução”. a comissão de permanência não encontra amparo na legislação. qualquer certeza e liquidez. Vejamos o que diz a SÚMULA 30 DO STJ: “A comissão de permanência e a correção monetária são inacumuláveis” Já a SÚMULA 121 DO STF: “É vedada a convencionada” capitalização de juros. ainda que expressamente O Egrégio Tribunal de Alçada deste Estado de Minas Gerais. fls. condição indispensável para o exame da legitimidade da execução” Conforme ensinamento do mestre HUMBERTO THEODORO JÚNIOR. o título executivo e o inadimplemento do devedor.. afetando assim os pressupostos exigidos por lei.283/86.595/64.360-1 da Comarca de Juiz de Fora. assim se manifestou: “Quadro demonstrativo de débito do mutuário. nem mesmo na Lei nº 4.11. apresentado de modo sucinto. . no julgamento da Apelação nº 50.681 _________________________________________________________________________ Como e sabido. em que foi relator o iminente juiz Páris Pena.CLEITON FARIA DE OLIVEIRA – ADVOGADO OAB/MG nº 64. conforme artigos 580 e 583 do CPC. visto ser a especificação minuciosa das parcelas cobradas.

se de cédula de crédito rural. do referido Decreto. c) efetuou a negativação do CPF do Embargante junto aos órgãos restritivo ao crédito na importância de R$XXXXXXXXX com data de ocorrência de XX/XX/XX. se .324% ao ano. pois existe norma legal que determina a capitalização anual. pois: a) no dia XX de abril de 20XX. sendo que tratando-se de crédito rural os juros moratórios devem ser de 1%(um por cento) ano conforme determina o artigo 5º do Decreto-Lei nº 167/67 e não conforme constou na cédula executada. Exa : Qual o valor líquido supostamente devido? Além do mais. bem como não sabe a data de vencimento da obrigação. Considerando pelo fato do título tratar. a taxa de juros remuneratórios é claramente abusiva. d) posteriormente ajuíza uma execução na importância de R$XXXX em XX de junho de 20XX. mister que se verifique a disposição contida no parágrafo único. pois fere frontalmente os objetivos do crédito rural que é o fomento da atividade agrícola. tendo sua previsão no Decreto.681 _________________________________________________________________________ O embargado não sabe o valor que pretende receber dos executados. não pode o exeqüente efetuar a capitalização mensal dos juros. conforme documentos anexos. Por outro lado. que assim preceitua: “Em caso de mora.lei nº 167/67.n). b) na mesma correspondência declarou que a ocorrência seria do dia XX/XX/XX. do art. através do SERASA efetuou a cobrança do Embargante da importância de R$XXXX. devendo ser reduzida o percentual de 2. Deste modo.CLEITON FARIA DE OLIVEIRA – ADVOGADO OAB/MG nº 64. a taxa de juros constante da cédula será elevável de 1% (um por cento) ao ano” (g.10% mensais equivalente a 28. 5º.

383. A disposição legal acima é bem clara quando limita os juros no caso de mora.95 – Agte. Observação IOB Íntegra do voto do Relator: . Agdo: Despacho de fls. na decisão de nº 3/111538: “CÉDULA DE CRÉDITO RURAL – MORATAXA DE JUROS – ELEVAÇÃO – LIMITE LEGAL – OBSERVÂNCIA. parágrafo único” (Ac. p 39. estaria este restrito a elevação da taxa de juros remuneratórios. posto que a remuneração do capital já teve o seu período verificado quando ainda vigente e regular a relação pactuada. Neste sentido. Decreto. nº 24/95. Da 3ª T. 10. Todo e qualquer juros cobrados por força do suposto inadimplemento representam os juros de mora e não podem ser cobrados acima de limite definido em lei. em mais de um por cento ao ano. Banco do Brasil S/A. artigo 5º. “Crédito rural – Juros – Impossibilidade em virtude da mora. já entendeu o Egrégio Tribunal de justiça pela limitação de juros de mora em 1% ao ano. pág. do STJ – AgRg no Ag. 153 DJU 1 20. como se colhe do Repertório da IOB de Jurisprudência.11. Mim.10. Eduardo Ribeiro – j. constantes da cédula. não podendo ser cobrado acima do percentual de 1% AO ANO. A melhor tradução dos juros de mora é justamente aqueles que são cobrados após o vencimento da obrigação.681 _________________________________________________________________________ algum encargo de inadimplência fosse possível cobrar.95.529-Mg – Rel. de elevação de juros.CLEITON FARIA DE OLIVEIRA – ADVOGADO OAB/MG nº 64.lei 167/67.591 – ementa oficial). Un. 80..

a elevação não ultrapassaria um por cento AO ANO. Inevitável. presumen-se devidos juros. E a lei estabeleceu que. Nego provimento”. mas continuam com a natureza de remuneratórios. Ainda que o embargado venha alegar que existia cláusula permitindo a cobrança de juros à taxa contratada ACRESCIDA de um por cento ao ano mais correção monetária. devendo ser expurgados da quantificação da pretensão creditícia. para o caso de inadimplemento. indevidos os juros de mora superiores a 1% AO ANO.n) Portanto. estabelece que será elevável de um por cento a taxa de juros constante da cédula.CLEITON FARIA DE OLIVEIRA – ADVOGADO OAB/MG nº 64. portanto. em caso de mora. o que é suficiente para determinar a ineficácia da referida disposição contratual. isso ocorrendo. os quais. O certo. não poderão exceder a taxa a que se refere . Creio que essa discussão é despicienda.lei 167. é que as novas taxas seriam devidas quando não houvesse o adimplemento. que cuida dos títulos de crédito rural. tal disposição transgride normal legal e expressa. sob pena de redução. em caso de mora. absolutamente certo. Não me preocupa o nome que se queira dar. aplicados na planinha contida na petição inicial executória. inclusive com o reconhecimento da iliquidez e incerteza desta. não representam juros moratórios. Preceitua o artigo 591 do CC/2002: “Destinando-se o mútuo a fins econômicos. ou seja. contida no parágrafo único do Decreto.lei 167/67.681 _________________________________________________________________________ “O parágrafo único do artigo 5º do Decreto. o reconhecimento da nulidade de pleno direito dos juros de mora. em vista dos termos da lei. O Agravante insiste em que as taxas pactuadas. (g.

segundo o qual o contrato deve servir de instrumento sobretudo para a satisfação dos interesses da sociedade. impondo condições que ferem os mais comezinhos princípios de direito. enfim. basta que se abra uma página de caderno econômico ou revista de economia e o assunto em destaque é sempre o mesmo : os fabulosos resultados. pela aplicação do princípio da proporcionalidade. III da CF 1988 e art. O princípio da boa-fé objetiva encontra-se no artigo 4° e 51. Na maioria das vezes. cedendo a toda uma sorte de pressões para que possam obter recursos financeiros. 4° caput do CDC). PERMITIDA A CAPITALIZAÇÃO ANUAL” Portanto. III todos do Código de Defesa do Consumidor. se curvam de toda uma sorte de abusos. mas sim de relativização. do qual decorre o princípio da função social do contrato. pois a dívida cobrada não é liquida. REVISÃO CONTRATUAL A revisão contratual aqui pretendida não se trata de violação ao principio pacta sunt servanda. deve ocorrer o equilíbrio entre as partes. Para constatar os extraordinários lucros que os bancos vêm tendo à custa disso. os estabelecimentos bancários vêm impondo situações de desvantagem aos mesmos. . pelas condições de dependência de créditos de seus clientes. os bancos abusam do poder de barganha que detêm.681 _________________________________________________________________________ o art. que premidos pela liberação de empréstimos. o exeqüente não é detentor de título executivo. 1°. assinando contratos de adesão. Com isso. de forma a assegurar o princípio da vida digna (artigo 1°. IV e p. assegurando-se igualdade na avença. o que implica em limitações ao princípio da intangibilidade dos contratos. 406. fazendo seguros sem necessidade. manietando os clientes. sendo que o equilíbrio contratual visa o chamado princípio da justiça. impedindo.CLEITON FARIA DE OLIVEIRA – ADVOGADO OAB/MG nº 64. com a solução de tratamento eqüitativo (artigo 3°.lhes de sua livre escolha. Nos termos do que preceitua os artigos 478 e 480 do novo Código Civil é observando o princípio da boa fé objetiva. I da CF 1988).

E. o Embargante apenas assinavam os contratos. e vários tipos de operações de crédito. ou mesmo o conteúdo dos contratos.se uma continuidade forçada de operações. Tais contratos. os quais são posteriormente preenchidos. Com isso. pois. usam e abusam de seus clientes.CLEITON FARIA DE OLIVEIRA – ADVOGADO OAB/MG nº 64. o embargado da conta corrente dos embargantes. duas contas corrente nºs XXXXXXXXXXXX. evidentemente. Como já mencionado. o Embargantes mantinha com o embargado. e para que sejam debitadas as contas de energia elétrica. se para efetuar saques é necessário à utilização de cheques. em decorrência da falta de recursos gerados com a recessão. é vedado aos bancos à realização de qualquer débito sem uma autorização específica. inclusive o de conta corrente. Por lógico raciocínio. o Embargante ficava mais vulnerável. é contestado. comumente. E aumentam. pois. E a Justiça tem entendido serem irregulares tais lançamentos. por interdependência. são exigidas autorizações por escrito. não só pelo fato de serem eles os gerenciadores do fluxo nacional de recursos. não sendo destinadas quaisquer cópias aos executados. detendo o monopólio do crédito.681 _________________________________________________________________________ A preponderância dos bancos sobre clientes está implícita. É que.. empréstimos pessoais e abertura de crédito. dentre eles. como pela dependência dos clientes às suas exigências. os bancos alteram o valor das tarifas. através do Sistema Financeiro Nacional. Em todas as operações. são contratos de adesão. pois sequer tem meios de conferir os lançamentos. temos em que. reconhecidamente ilegais – Todo e qualquer débito que não tenha uma autorização especial para ele. e por assim ser. tais autorizações são de validade restrita. quanto ao Embargante se vem obrigado a efetuarem transferências bancárias para socorrerem o saldo de sua conta . inclusive taxas aplicada. instala. Usa e abusa. Dessa forma. tendo ficado a mercê dos lançamentos efetuados na conta corrente. sem qualquer aviso aos correntistas. muito mais exigível e até mesmo por questão de moralidade administrativa. Basta que os bancos entrem em recessão para que as taxas de juros sejam aumentadas. mesmo que autorizados fossem determinados débitos. além de outros. com indiscriminada e desautorizada utilização dos saldos. consumo de água etc.

etc. Assim.CLEITON FARIA DE OLIVEIRA – ADVOGADO OAB/MG nº 64. de 11/09/1990 Código de Proteção e Defesa do Consumidor. e/ou abertura de crédito de emergência).078. no mínimo o pagamento do CPMF. 54. 54. sujeitando. obviamente. tem merecido especial proteção do Direito. No presente caso. com isso. a livre autonomia e escolha das cláusulas. por cláusulas previamente estabelecidas. A doutrina e a jurisprudência têm reconhecido como contrato de adesão por excelência todos aqueles já com cláusulas impressas. sempre a mais fraca.681 _________________________________________________________________________ corrente. tarifas. o Código Civil contém diversas regras na direção da proteção da livre vontade do agente na prática de atos jurídicos. (gerando. até os contratos de abertura de conta corrente utilizados pelo embargado estão enquadrados como tal. sem que o consumidor possa discutir ou modificar substancialmente seu conteúdo. o que são contratos de adesão: Art. o embargado. A parte aderente. § 2º). 54 e 18. Contrato de adesão é aquele cujas cláusulas tenham sido aprovadas pela autoridade ou estabelecidas unilateralmente pelo fornecedor de produtos ou serviços. subtrai a uma das partes contratantes. Tais contratos são vedados pelo Código de Defesa do Consumidor (arts. A própria vedação contida nos .se o infrator a severas penas e trazendo para a injustiçado a benesse de prescrição vintenária. e portanto. já não mais suficiente para acolher cheques emitidos sobre saldo disponível. ao definir no art.. impostas pelo mais forte. com as cláusulas e condições preestabelecidas pelo embargado. que não permitem à parte aderente discordar. somente tem restado ao Embargante apenas concordar. uma vez que a mesma foi dilapidado por débitos não autorizados. pois. através da adesão. fazendo com que tenha que aceitar sem qualquer questionamentos taxas de juros. Essa modalidade de contrato. imprestáveis para acobertar todos os excessos cometidos. Em se tratando de relações pessoais. ante a limitação de sua vontade. Vejamos o que diz a Lei nº 8.

Atribui. seja constatada e declarada a cobrança de juros sobre juros (anatocismo). Pretende o embargante. (. tarifas das mais diversas.se. 1976.se um contrato ou uma cláusula neste inserida sempre contra o beneficiário da estimulação: interpreta. não pode ser questionada. como se verifica. pg. onde a adesão parece ser o fator de prejuízo para a parte debilitada. de se questionar a multiplicidade de garantias. a estipulação deve ser interpretada sempre da maneira menos onerosa para o devedor ( in dublis minimum est sequimur). não tem mais o sentido absoluto de outrora.. assim. Objetivase sempre. quando houver desequilíbrio entre as partes. Esse princípio.se o indevido enriquecimento sem justa causa por parte do embargado. seguros pagos superior ao devido. pautada na boa. correção monetária aplicada incorretamente.) São de grande valia três regras básicas.se sempre a favor de quem se obriga ( ver RT 142/620. excesso vedado em lei. tendo sua rigidez atenuada pelos princípios da boa. ao máximo a equalização jurídica dos poderes desigualados pela natureza e circunstâncias da atividade envolvida. via de conseqüência seja o mesmo condenado a repetir aos embargantes as importâncias cobradas a maior. sendo inatingível.fé.. . Relativamente às obrigações oriundas de contratos de adesão. O cotejo entre o enunciado de diversos artigos esparsos no Código Civil e as peculiaridades atinentes aos contratos sub judice conduzem à hermenêutica precisa.lhe a relatividade que a doutrina do indivíduo recusava.681 _________________________________________________________________________ contratos. nas necessidades do crédito e nos princípios de equidade. permitindo. pelo qual o contrato faz lei entre as partes. A respeito da hermenêutica em contratos. com o que. interpreta. débitos de taxas unilateralmente estipuladas.. da legalidade e do equilíbrio contratual. com a revisão judicial de toda a movimentação bancária com o embargado. 360/361): O princípio norteador da interpretação nesses contratos (de adesão) é o equilíbrio efetivo de poderes contratuais. reconhecendo.se. as cláusulas duvidosas interpretam. igualmente. 194/709 e 237/654). fato típico e caracterizador de abuso do poder econômico. assim preleciona CARLOS MAXIMILIANO (Hermenêutica e Aplicação do Direito. Ed. Forense. a intervenção judicial nas cláusulas contratuais. 8ª ed.CLEITON FARIA DE OLIVEIRA – ADVOGADO OAB/MG nº 64. sem autorização expressa ou vinculadas a contratos de adesão.fé.

681 _________________________________________________________________________ sempre em favor daquele que se obriga o devedor ou promitente: e finalmente. enfim. inclusive reflexivos decorrentes de débitos indevidos no seguimento de saldos. seguros exigidos pelo embargado. taxas tarifas. correção monetária.CLEITON FARIA DE OLIVEIRA – ADVOGADO OAB/MG nº 64. 112. com os devidos acréscimos de juros legais. um caso típico de error juris. do Código Civil. É este. e toda a sorte de excessos. etc. o qual apresenta uma regra geral de interpretação dos negócios jurídicos: Art. contra quem redigiu e impôs o contrato. afetando a manifestação de vontade. Nas declarações de vontade se atenderá mais à sua intenção nelas consubstanciada do que ao sentido literal da linguagem. toda a sorte de desvios. evidente que a manifestação de vontade dos embargantes limitou. Nos contratos em tela. tarifas.. expostos na contratação. . traduz. Não pode o embargado efetuar a capitalização mensal dos juros. conforme ensina SILVIO RODRIGUES. pois. pois existe norma legal que determina a capitalização anual. anatocismo. Em razão disso a sua interpretação deve ser realizada com observância estreita da norma contida no art. do Código Civil. que. respalda. A revisão integral da relação contratual pretendida pelos embargantes. Quando o embargante celebrou tais contatos. seguro.se em vício de consentimento. acreditou que o embargado estava cobrando de forma correta e legal os encargos financeiros. O apego à ficção nemo jus ignore licet só deve ser mantido quando indispensável à ordem pública e à utilidade social (grifamos). busca apenas corrigir tanto excesso quanto ao desvio da finalidade contratual perpetrados pelo mesmo. 112. Não busca os embargantes com o presente acionamento judicial se subtrair ao cumprimento da obrigação de devolver ao embargado o que lhe foi emprestado. que compreendem juros compostos (anatocismo). 122. pois. em decorrência de supressão de sua autonomia volitiva. inserido no título que disciplina as modalidades os negócios jurídicos.se também no art. falta de autorização. e consequentemente.se a adesão. taxas. para que lhe seja reconhecido o direito à repetição de indébito. pela autorização que a própria lei lhes confere. este decorrente da cobrança a maior de juros.

por imperativo legal – Constituição Federal. inciso V da Lei nº 8. visando à revisão contratual. A partir do momento que as embargantes são a parte mais fraca nos contratos celebrados. o Embargante efetuou o pagamento total da cédula rural executada. . uma vez tratar-se de norma de ordem pública. no dia XX de janeiro de 20XX. Código Civil e Código de Proteção e Defesa do Consumidor – deve o Judiciário intervir no presente contrato.565 – RS.681 _________________________________________________________________________ Portanto. Tanto isto é verdade. tendo efetuado o pagamento da importância de R$XXXXXXXX.078/90. que não foi apresentado na execução a conta gráfica que poderia embasar a alegação da existência de saldo devedor em favor do embargado. Quanto a possibilidade de efetuar a revisão contratual de todos os contratos.CLEITON FARIA DE OLIVEIRA – ADVOGADO OAB/MG nº 64. não existindo qualquer saldo devedor. haja vista o que diz a Súmula 297 do STJ. pelo débito ocorrido na conta corrente nº XXXXXXX. vejamos o que o Egrégio Superior Tribunal de Justiça sumulou: Súmula 286 do STJ: “A RENEGOCIAÇÃO DE CONTRATO BANCÁRIO OU A CONFISSÃO DA DÍVIDA NÃO IMPEDE A POSSIBILIDADE DE DISCUSSÃO SOBRE EVENTUAIS ILEGALIDADES DOS CONTRATOS ANTERIORES” Aplicável ao presente processo o precedente do STJ no Recurso Especial nº 132. deverá ser aplicado o preceito do artigo 39. em que teve como Relator o Ministro Aldir Passarinho Júnior : DA QUITAÇÃO DA DÍVIDA EXECUTADA Conforme já relatado. haja vista a ocorrência da onerosidade excessiva imposta aos embargantes. A dívida foi quitada em XX de janeiro de 20XX.

e) aplicação do disposto no artigo 940 do Código Civil com a condenação do embargado em devolver em dobro a quantia executada de R$XXXXXXX. d) IMPROCEDÊNCIA DA EXECUÇÃO. com sua condenação em devolver em dobro a quantia executada. deve ser aplicado ao embargado as sanções do artigo 940 do Código Civil. a PROCEDÊNCIA DOS PRESENTES EMBARGOS. b) a intimação do embargado. f) em caso de julgamento de mérito da execução. pelos motivos alegados com a revisão contratual de todas as operações ocorridas entre as partes. proibição da cobrança de juros superiores . haja vista a ocorrência da simulação do título de crédito rural. notadamente das contas correntes noticiadas.PEDIDOS: Diante do acima exposto. no prazo legal. com a aplicação do Código de Defesa e Proteção ao Consumidor. c) a IMPROCEDÊNCIA DA EXECUÇÃO pela nulidade do título executado. impugnar os presentes embargos.CLEITON FARIA DE OLIVEIRA – ADVOGADO OAB/MG nº 64.681 _________________________________________________________________________ DA APLICAÇÃO DO ARTIGO 940 DO CC Tendo em vista que a dívida foi quitada em XX de janeiro de 20XX. pela quitação da dívida ocorrida em XX de janeiro de 20XX. 3 . para querendo. requer a Vossa Excelência o seguinte: a) o recebimento dos presentes embargos com a suspensão da execução.

D. inciso VIII do CODECON. provar o alegado por todos os meios de provas em direito admitidas. g) protesta e requer. redução da multa contratual. nº 64. testemunhas. OAB/MG. abatimento dos valores pagos. Juízo sobre o valor executado nos termos do artigo 20 do CPC. especialmente por prova documental. Xª Secretaria. perícia e depoimento pessoal do embargado sob pena de confissão. por dependência aos autos de nº XXXXXXX Xª Vara. nos termos do dispositivo do artigo 6º. h) a inversão do ônus da prova. dá-se aos embargos o valor de R$XXXXXXXXX (valor da negativação junto ao SERASA).R.681 DOCUMENTAÇÃO REFERNTE . aplicação do INPC ou do índice do TJMG como indexador da correção monetária. despesas processuais e honorários advocatícios a serem arbitrados por este r.. Nestes termos. Pede deferimento Guaxupé.A. com a conseqüente condenação do exequente-embargado ao pagamento das custas. j) os benefícios da assistência judiciária gratuita.CLEITON FARIA DE OLIVEIRA – ADVOGADO OAB/MG nº 64. XX de julho de 20XX Cleiton Faria de Oliveira – adv. conforme declaração e pedido anexo. em sendo necessário. i) o envio de ofício ao Banco Central do Brasil e Receita Federal para informar qual o valor que o exequente declarou como sendo o valor devido pelas embargantes.681 _________________________________________________________________________ ao patamar legal..

CLEITON FARIA DE OLIVEIRA – ADVOGADO OAB/MG nº 64.462-4 .932.681 _________________________________________________________________________ A CONTA CORRENTE Nº 810.654-1 TITULARES : ADEMAR DE MELO FILHO E O EMBARGANTE DOCUMENTAÇÃO REFERENTE A CONTA CORRENTE Nº 4.

041205-2 Exeqüente : AGROCREDI .681 _________________________________________________________________________ TITULAR : DJALMA CORREA CASTRO MELO DOCUMENTOS DO PROCESSO DE EXECUÇÃO EXECUÇÃO Nº 0287.CLEITON FARIA DE OLIVEIRA – ADVOGADO OAB/MG nº 64.08.

CLEITON FARIA DE OLIVEIRA – ADVOGADO OAB/MG nº 64.681 _________________________________________________________________________ Executado : DJALMA CORREA CASTRO MELO .

Sign up to vote on this title
UsefulNot useful