CLEITON FARIA DE OLIVEIRA – ADVOGADO OAB/MG nº 64.

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EXCELENTÍSSIMO SENHOR DOUTOR JUIZ DE DIREITO DA XXX VARA DA COMARCA DE XXXX-XX.

Inicial de Embargos a Execução por Título Extrajudicial Distribuição por dependência aos autos de nº : XXXXXXX Embargante : XXXXXXXXXXXXX Embargado : XXXXXXXXXXXXX XXXXXXXXXXXXXXX, brasileiro, casado, desempregado, portador do CPF nº XXXXXXX e do RG nº XXXXXXXXX SSP/MG, com endereço na Rua XXXXXXXXXXX, por seu advogado e procurador que esta subscreve (XXXXXXXXXXX – instrumento de procuração já anexado aos autos de execução), vem mui respeitosamente à presença de V.Exa., interpor os presentes EMBARGOS POR TÍTULO EXTRAJUDIAL na forma e no prazo legal, a execução que lhes move AGROCREDI, pelos motivos de fato é de direito a seguir expostos: I = DO CABIMENTOS DOS EMBARGOS Verificando o processo de execução de execução em apenso, verifica-se que o embargante foi citado para a ação executiva em 17 de XXX de 200X, vencendo-se o prazo para embargos em XX de agosto de 20XX, razão pela qual, tempestivo a presente ação incidental. Desnecessário a segurança do juízo, tendo em vista as novas disposições processuais referente aos embargos à execução por título extrajudicial. II = DOS FUNDAMENTOS DOS EMBARGOS QUESTÃO DE ORDEM PÚBLICA NULIDADE DO TÍTULO EXECUTADO

CLEITON FARIA DE OLIVEIRA – ADVOGADO OAB/MG nº 64.681 _________________________________________________________________________

ORIGEM ILÍCITA OS FATOS ORIGINÁRIOS DO TÍTULO De acordo com a regra processual do artigo 745, inciso V do CPC, nos embargos o Embargante poderá alegar qualquer matéria que lhe seria lícito deduzir como defesa em processo de conhecimento. Assim o Embargante vem ao Judiciário requerer a declaração de nulidade do título executado, pois a origem da suposta dívida é ilícita, conforme demonstraremos abaixo. As operações envolvendo o Embargante é o embargado são de longas datas iniciando desde o ano de 2000. O Embargante possuía junto ao embargado uma conta corrente que possuía o número XXXXXXXX, da qual era co-titular seu irmão XXXXXXX, conforme se verifica nos extratos bancários anexos. Tendo em vista que o embargado efetuou a cobrança de encargos indevidos na mencionada conta corrente, tais como juros sobre juros sem previsão contratual, débitos de tarifas e lançamentos de débitos sem origem, o Embargante acabou ficando com saldo devedor na conta corrente noticiada, sendo que por imposição do embargado acabou-se efetuando um suposto financiamento rural para cobrir o saldo negativo da conta corrente. Conforme se verifica no extrato bancário anexo, foi apresentado unilateralmente pelo embargado um saldo devedor em XX de março de 20XX na importância de R$XXXXXXXX, no qual estava inserido juros abusivos de cheque especial da conta corrente nº XXXXXXXXX bem como uma cédula rural que foi firmada para cobrir referido saldo devedor. O Embargante não consegui quitar a dívida originaria da conta corrente nº XXXXXX, razão pela qual, em virtude do Embargante e seu irmão não possuírem bens penhoráveis para quitar as dívidas anteriores, o embargado exigiu que a mãe destes assumisse como avalista no título ora executado.

uma nova conta corrente junto ao embargado. Em data de XX de abril de 2. Doc. para cobrir os saldos devedores das contas nº XXXX e XXXXXXXXX.0XX.0XX.0XX. foi efetuado entre as partes um “Aditivo de Titulo de Crédito Rural”. no dia XX de março de 2. ocorrido em XX de agosto de 2. o Embargante celebrou com o embargado uma “Cédula Rural Pignoratícia e Hipotecária” no valor de R$XXXXXX (XXXXXXX).0XX. a família do autor acabou vendendo uma parte de terras.0XX e que tomaria providências “judiciais” para regularização. Nesta conta nº XXXX. Contudo. e para quitação total da dívida. nº Bacen XXXX. nº XXX. referente ao financiamento. Posteriormente em data de XX de setembro de 2. efetuou o pagamento da importância de R$XXXXXXXX (XXXXXXX). Em XX de janeiro de 2. para quitação da dívida junto ao requerido.0XX.CLEITON FARIA DE OLIVEIRA – ADVOGADO OAB/MG nº 64. Antes do vencimento da cédula em XX de janeiro de 2. a qual foi debitado em sua conta corrente conforme extrato anexo. os quais originaram uma cédula rural para quitar as operações anteriores. inúmeros lançamentos indevidos e sem previsão contratual.0XX.0XX.681 _________________________________________________________________________ Foi aberto. o Embargante recebeu carta cobrança do embargado o qual alegou que existia uma dívida vencida desde XX de janeiro de 2. anexo. prorrogando o vencimento da cédula acima para a data de XX de janeiro de 2. a qual recebeu o número XXXXXX. assim. . o autor recebeu correspondência do SERASA informando que o requerido havia pedido a inclusão de seu nome e CPF de um débito na importância de R$XXXXXX. com vencimento para XX de XXX de 2. na qual aparece como avalista sua mãe XXXXXXX. tendo a dívida naquela oportunidade apresentado o saldo devedor de R$XXXXXXX. O Embargante procurou o embargado expondo sua situação financeira/econômica.0XX. foram incluídas além de dívidas indevidas referente às operações da conta nº XXXXX.

que no processo executivo não consta qualquer documento que comprove a liberação da importância de R$XXXXXX. foi cadastrado junto ao SERASA na importância de R$XXXX. não foi juntado nos autos de execução A CONTA GRÁFICA QUE DEVE SER MANTIDA JUNTO A OPERAÇÃO DE CRÉDITO RURAL. sendo que na data de ocorrência que consta na correspondência do SERASA. à ordem pública ou aos bons costumes. a chamada operação mata-mata. ou o sujeitarem ao puro arbítrio de uma das partes” . Porém. Do mesmo modo. Preceitua o artigo 122 do Código Civil que : “São lícitas em geral. A cédula rural foi firmada para cobrir dívidas já existentes. onde nenhum tostão foi liberado em favor do mutuário. entre as condições defesa se incluem as que privarem de todo efeito o negócio jurídico. o crédito rural possui regras próprias.0XX.0XX. ou seja.0XX. A dívida executada no processo em apenso não é oriunda de crédito rural. Na verdade o que houve foi uma mera operação contábil. conforme documento em anexo. Necessário observar que o Embargante nunca teve acesso ao dinheiro da cédula rural pignoratícia e hipotecária executada na importância de R$XXXXXXXXXX(XXXXXXXXX). Tanto isto é verdade. XX de agosto de 2. O Embargante não é devedor do requerido. a dívida havia sido prorrogada para XX de janeiro de 2. conforme “Aditivo de Título de Credito Rural” anexo.681 _________________________________________________________________________ O autor assim. todas as condições que não contrárias à lei. pois em nenhum momento fomentou qualquer operação agropecuária do Embargante.CLEITON FARIA DE OLIVEIRA – ADVOGADO OAB/MG nº 64. firmado em XX de setembro de 2. não sendo admitido no direito pátrio à simulação deste tipo de operação.

1996. conforme RT 711/187: “53. assim como frustação da finalidade essencial do empréstimo. posto mera operação contábil. Créditos Rural e Industrial CÉDULA DE CRÉDITO RURAL – Execução – Desvio de finalidade provocado pelo banco credor – Quitação de cédulas anteriores englobando parcelas abusivas – Devedor que não dispôs do numerário – Responsabilidade integral do banco pela fraude à lei – Título descaracterizado.C. pois implicou a quitação de cédulas anteriores. como e cediço. O que houve no caso presente foi uma SIMULAÇÃO DE EMPRÉSTIMO RURAL. deixando-o sem recursos para financiar a safra. o que é público e notório e independe de qualquer prova – artigo 334. literalmente. haja vista sua condição de supremacia conferida pela sua posição econômica.P. Ementa oficial : Desvio de finalidade provocado pelo Banco do Brasil e em seu integral favor. 1ª edição. VILSON RODRIGUES ALVES. .CLEITON FARIA DE OLIVEIRA – ADVOGADO OAB/MG nº 64. inciso I do C. Numerário do qual não dispôs o devedor. De acordo com o que preceitua o artigo 167 do Código Civil são nulos os atos jurídicos quando praticados em simulação. onde somente o bancoembargado se beneficiou.681 _________________________________________________________________________ No caso presente. englobanco parcelas abusivas. cita o entendimento de nossos Tribunais. o mutuário (Embargante) se encontra completamente a mercê da entidade bancária que dita as regras e impede. na obra “Responsabilidade Civil dos Estabelecimentos Bancários”. Responsabilidade integral do Banco pela fraude à lei. qualquer discussão a respeito do serviço da dívida. página 859.

como se apresenta a do inadimplemento. Juiz Breno Moreira Mussi) Ao longo do Acórdão acima citado.Na lição de Pontes. 745. no caso concreto. o restante da matéria discutida no apelo.” .007 CC impede a manobra. nº 193. certo e exigível (art. 1. não se pode validá-la mediante o artifício da novação.94 – Rel. 104 e 105 CCv) – é desconhecer normas elementares em relações desse tipo.C.P. Sendo assim. Nesta linha de raciocínio.4.. pois o art. impossibilitar defesa (arts.221. 741. estes do CPC” De acordo com o preceito do artigo 618 do C. acredito que a circunstância precede. – j.. Se é nula a cláusula absolutamente potestativa. acolho os embargos. 5. Diante do exposto. E o que o Banco quis.681 _________________________________________________________________________ Título descaracterizado. por ordem lógica. Embargos procedentes. Pelo contrário. e sim malícia provocada pela supremacia do Banco em relação à figura dos mutuários. Breno Moreira Mussi: “. e que não apareceu. 103 CC -. se destaca o voto proferido pelo Ilustre Relator Dr. como quis o Banco. (Ap. dando-os por procedentes na sua integridade. com isto.se o título executivo não for líquido. como a nulidade do título é prejudicial em relação aos demais pontos focados.447 – 9ª C.CLEITON FARIA DE OLIVEIRA – ADVOGADO OAB/MG nº 64. aliados aos arts. nos termos dos dispositivos já mencionados. na simulação “quer-se o que não aparece: não se quer o que aparece”. não se pode cogitar de simulação inocente – art. abusando da supremacia conferida pela sua posição econômica. que é nula a execução: I .. Pretender acoimar torpeza na submissão do mutuário – e. O que não existiu foi inocência. 586). foi burla a lei. II. 618 I e 586.

comportamento esse que fere a Súmula 121 do Supremo Tribunal Federal e artigo 253 do Código Comercial. tendo como supedâneo os contratos mencionados na execução que possuem cláusulas leoninas e de adesão.CLEITON FARIA DE OLIVEIRA – ADVOGADO OAB/MG nº 64. O Poder Judiciário não pode dar guarida ao enriquecimento ilícito pretendido pelas instituições financeiras. Imperiosa é a aplicação do disposto no artigo 406 do Código Civil sobre o contrato existente entre as partes. cobram IOF ( também inexigível). cobram acessórios sem explicar como se chegou ao montante. pelo princípio da eventualidade. 2 . aduz o Embargante. caso não acolhida a nulidade do título executado. ainda o seguinte: COBRANÇA ABUSIVA ILIQUIDEZ DO TÍTULO Os juros e encargos exigidos pelo embargado nas operações realizadas com o Embargante são abusivos . O Decreto 22.636/1933. lembrando-se sempre do brocado “NULLA EXECUTIO SINE TITULO”. . art. Veja Excelência a situação privilegiada vivenciada pelas instituições financeiras no país sob o aparente manto da legalidade exigem juros acima da Lei de Usura. estipularem quaisquer contratos taxas de juros superiores ao dobro da taxa legal ( Código Civil.681 _________________________________________________________________________ Assim. capitalizam juros. são exigidos de forma capitalizada (e sempre foram). denominado Lei de Usura e em seu artigo 1º dispõe : “É vedado e será punido nos termos desta lei.062)”. tendo em vista a simulação ocorrida. pois além de estarem fora dos parâmetros legais. deverá ser julgado procedente os embargos para anular o título executado.OUTRAS RAZÕES DE DEFESA “Ad argumentum”. 1.

certo e exigível e não vemos no processo de execução. .681 _________________________________________________________________________ Como e sabido. nem mesmo na Lei nº 4. acrescentando o legislador que a cobrança de crédito fundar-se-á sempre em título líquido. visto ser a especificação minuciosa das parcelas cobradas. apresentado de modo sucinto. ainda que expressamente O Egrégio Tribunal de Alçada deste Estado de Minas Gerais. Vejamos o que diz a SÚMULA 30 DO STJ: “A comissão de permanência e a correção monetária são inacumuláveis” Já a SÚMULA 121 DO STF: “É vedada a convencionada” capitalização de juros. o título executivo e o inadimplemento do devedor. no julgamento da Apelação nº 50.283/86. qualquer certeza e liquidez. ele se contenta com o título executório” São pressupostos específicos da execução. não tem representativade formal para embasar execução. conforme artigos 580 e 583 do CPC. em sua obra “Processo de Execução”. fls.CLEITON FARIA DE OLIVEIRA – ADVOGADO OAB/MG nº 64. a comissão de permanência não encontra amparo na legislação. afetando assim os pressupostos exigidos por lei. condição indispensável para o exame da legitimidade da execução” Conforme ensinamento do mestre HUMBERTO THEODORO JÚNIOR. sendo vedada expressamente pelo Decreto 2. assim se manifestou: “Quadro demonstrativo de débito do mutuário..360-1 da Comarca de Juiz de Fora.595/64. em que foi relator o iminente juiz Páris Pena.11. temos que : “O processo de execução não é predisposto para a discussão do mérito.

pois existe norma legal que determina a capitalização anual.10% mensais equivalente a 28.681 _________________________________________________________________________ O embargado não sabe o valor que pretende receber dos executados. devendo ser reduzida o percentual de 2. através do SERASA efetuou a cobrança do Embargante da importância de R$XXXX. Considerando pelo fato do título tratar. Deste modo. tendo sua previsão no Decreto. a taxa de juros constante da cédula será elevável de 1% (um por cento) ao ano” (g. 5º. a taxa de juros remuneratórios é claramente abusiva. do referido Decreto.lei nº 167/67. sendo que tratando-se de crédito rural os juros moratórios devem ser de 1%(um por cento) ano conforme determina o artigo 5º do Decreto-Lei nº 167/67 e não conforme constou na cédula executada. mister que se verifique a disposição contida no parágrafo único.se de cédula de crédito rural. pois fere frontalmente os objetivos do crédito rural que é o fomento da atividade agrícola. Exa : Qual o valor líquido supostamente devido? Além do mais. c) efetuou a negativação do CPF do Embargante junto aos órgãos restritivo ao crédito na importância de R$XXXXXXXXX com data de ocorrência de XX/XX/XX. se . d) posteriormente ajuíza uma execução na importância de R$XXXX em XX de junho de 20XX. pois: a) no dia XX de abril de 20XX. do art. não pode o exeqüente efetuar a capitalização mensal dos juros. Por outro lado. b) na mesma correspondência declarou que a ocorrência seria do dia XX/XX/XX. bem como não sabe a data de vencimento da obrigação.324% ao ano. conforme documentos anexos. que assim preceitua: “Em caso de mora.n).CLEITON FARIA DE OLIVEIRA – ADVOGADO OAB/MG nº 64.

Mim. constantes da cédula. Decreto. 10. artigo 5º. na decisão de nº 3/111538: “CÉDULA DE CRÉDITO RURAL – MORATAXA DE JUROS – ELEVAÇÃO – LIMITE LEGAL – OBSERVÂNCIA.11. de elevação de juros. A disposição legal acima é bem clara quando limita os juros no caso de mora.591 – ementa oficial).lei 167/67.681 _________________________________________________________________________ algum encargo de inadimplência fosse possível cobrar. 80. Eduardo Ribeiro – j. Observação IOB Íntegra do voto do Relator: .95. em mais de um por cento ao ano. já entendeu o Egrégio Tribunal de justiça pela limitação de juros de mora em 1% ao ano. 383. Agdo: Despacho de fls. Da 3ª T. Todo e qualquer juros cobrados por força do suposto inadimplemento representam os juros de mora e não podem ser cobrados acima de limite definido em lei. pág. parágrafo único” (Ac. do STJ – AgRg no Ag. nº 24/95.529-Mg – Rel. “Crédito rural – Juros – Impossibilidade em virtude da mora. A melhor tradução dos juros de mora é justamente aqueles que são cobrados após o vencimento da obrigação.. Neste sentido. 153 DJU 1 20. posto que a remuneração do capital já teve o seu período verificado quando ainda vigente e regular a relação pactuada. Un. Banco do Brasil S/A. estaria este restrito a elevação da taxa de juros remuneratórios. p 39.CLEITON FARIA DE OLIVEIRA – ADVOGADO OAB/MG nº 64. não podendo ser cobrado acima do percentual de 1% AO ANO. como se colhe do Repertório da IOB de Jurisprudência.10.95 – Agte.

CLEITON FARIA DE OLIVEIRA – ADVOGADO OAB/MG nº 64. aplicados na planinha contida na petição inicial executória. inclusive com o reconhecimento da iliquidez e incerteza desta. Preceitua o artigo 591 do CC/2002: “Destinando-se o mútuo a fins econômicos. (g. contida no parágrafo único do Decreto.lei 167. não poderão exceder a taxa a que se refere . o que é suficiente para determinar a ineficácia da referida disposição contratual. tal disposição transgride normal legal e expressa. em vista dos termos da lei. portanto. ou seja. sob pena de redução.n) Portanto. mas continuam com a natureza de remuneratórios. estabelece que será elevável de um por cento a taxa de juros constante da cédula. a elevação não ultrapassaria um por cento AO ANO. devendo ser expurgados da quantificação da pretensão creditícia.lei 167/67. O Agravante insiste em que as taxas pactuadas. Ainda que o embargado venha alegar que existia cláusula permitindo a cobrança de juros à taxa contratada ACRESCIDA de um por cento ao ano mais correção monetária. para o caso de inadimplemento. Inevitável. E a lei estabeleceu que. em caso de mora.681 _________________________________________________________________________ “O parágrafo único do artigo 5º do Decreto. o reconhecimento da nulidade de pleno direito dos juros de mora. isso ocorrendo. Creio que essa discussão é despicienda. Nego provimento”. não representam juros moratórios. em caso de mora. O certo. indevidos os juros de mora superiores a 1% AO ANO. os quais. presumen-se devidos juros. Não me preocupa o nome que se queira dar. é que as novas taxas seriam devidas quando não houvesse o adimplemento. que cuida dos títulos de crédito rural. absolutamente certo.

de forma a assegurar o princípio da vida digna (artigo 1°. mas sim de relativização. 406. impondo condições que ferem os mais comezinhos princípios de direito. sendo que o equilíbrio contratual visa o chamado princípio da justiça. basta que se abra uma página de caderno econômico ou revista de economia e o assunto em destaque é sempre o mesmo : os fabulosos resultados. que premidos pela liberação de empréstimos. o exeqüente não é detentor de título executivo. 4° caput do CDC). deve ocorrer o equilíbrio entre as partes. do qual decorre o princípio da função social do contrato.CLEITON FARIA DE OLIVEIRA – ADVOGADO OAB/MG nº 64. assinando contratos de adesão. O princípio da boa-fé objetiva encontra-se no artigo 4° e 51. se curvam de toda uma sorte de abusos. pela aplicação do princípio da proporcionalidade. pois a dívida cobrada não é liquida. REVISÃO CONTRATUAL A revisão contratual aqui pretendida não se trata de violação ao principio pacta sunt servanda.681 _________________________________________________________________________ o art. enfim. segundo o qual o contrato deve servir de instrumento sobretudo para a satisfação dos interesses da sociedade. manietando os clientes. os estabelecimentos bancários vêm impondo situações de desvantagem aos mesmos. . Para constatar os extraordinários lucros que os bancos vêm tendo à custa disso. 1°. PERMITIDA A CAPITALIZAÇÃO ANUAL” Portanto. III todos do Código de Defesa do Consumidor. impedindo. Com isso. os bancos abusam do poder de barganha que detêm. o que implica em limitações ao princípio da intangibilidade dos contratos. com a solução de tratamento eqüitativo (artigo 3°. I da CF 1988). Na maioria das vezes. IV e p. cedendo a toda uma sorte de pressões para que possam obter recursos financeiros.lhes de sua livre escolha. Nos termos do que preceitua os artigos 478 e 480 do novo Código Civil é observando o princípio da boa fé objetiva. fazendo seguros sem necessidade. assegurando-se igualdade na avença. pelas condições de dependência de créditos de seus clientes. III da CF 1988 e art.

dentre eles. são contratos de adesão. empréstimos pessoais e abertura de crédito. E. além de outros. e vários tipos de operações de crédito. comumente. o Embargante apenas assinavam os contratos. através do Sistema Financeiro Nacional.681 _________________________________________________________________________ A preponderância dos bancos sobre clientes está implícita. É que. pois sequer tem meios de conferir os lançamentos. sem qualquer aviso aos correntistas. instala. é vedado aos bancos à realização de qualquer débito sem uma autorização específica. é contestado. mesmo que autorizados fossem determinados débitos. reconhecidamente ilegais – Todo e qualquer débito que não tenha uma autorização especial para ele. temos em que. Em todas as operações. não sendo destinadas quaisquer cópias aos executados.. em decorrência da falta de recursos gerados com a recessão. E a Justiça tem entendido serem irregulares tais lançamentos. inclusive o de conta corrente. tendo ficado a mercê dos lançamentos efetuados na conta corrente. e por assim ser. e para que sejam debitadas as contas de energia elétrica. tais autorizações são de validade restrita. são exigidas autorizações por escrito. Como já mencionado. usam e abusam de seus clientes. pois. muito mais exigível e até mesmo por questão de moralidade administrativa. E aumentam. se para efetuar saques é necessário à utilização de cheques. consumo de água etc.CLEITON FARIA DE OLIVEIRA – ADVOGADO OAB/MG nº 64. evidentemente. Tais contratos. com indiscriminada e desautorizada utilização dos saldos. Basta que os bancos entrem em recessão para que as taxas de juros sejam aumentadas. por interdependência. Usa e abusa. os quais são posteriormente preenchidos. o Embargante ficava mais vulnerável. o embargado da conta corrente dos embargantes. Por lógico raciocínio. os bancos alteram o valor das tarifas. detendo o monopólio do crédito. inclusive taxas aplicada. o Embargantes mantinha com o embargado. Dessa forma. pois. como pela dependência dos clientes às suas exigências. quanto ao Embargante se vem obrigado a efetuarem transferências bancárias para socorrerem o saldo de sua conta .se uma continuidade forçada de operações. Com isso. duas contas corrente nºs XXXXXXXXXXXX. ou mesmo o conteúdo dos contratos. não só pelo fato de serem eles os gerenciadores do fluxo nacional de recursos.

pois. até os contratos de abertura de conta corrente utilizados pelo embargado estão enquadrados como tal. e/ou abertura de crédito de emergência). de 11/09/1990 Código de Proteção e Defesa do Consumidor. Vejamos o que diz a Lei nº 8. 54 e 18.CLEITON FARIA DE OLIVEIRA – ADVOGADO OAB/MG nº 64. ante a limitação de sua vontade. obviamente. impostas pelo mais forte. Em se tratando de relações pessoais. Tais contratos são vedados pelo Código de Defesa do Consumidor (arts. por cláusulas previamente estabelecidas. ao definir no art. através da adesão. subtrai a uma das partes contratantes. o que são contratos de adesão: Art. uma vez que a mesma foi dilapidado por débitos não autorizados. com isso. sem que o consumidor possa discutir ou modificar substancialmente seu conteúdo.078. tarifas. com as cláusulas e condições preestabelecidas pelo embargado. que não permitem à parte aderente discordar. no mínimo o pagamento do CPMF. A doutrina e a jurisprudência têm reconhecido como contrato de adesão por excelência todos aqueles já com cláusulas impressas. somente tem restado ao Embargante apenas concordar. § 2º).se o infrator a severas penas e trazendo para a injustiçado a benesse de prescrição vintenária. Contrato de adesão é aquele cujas cláusulas tenham sido aprovadas pela autoridade ou estabelecidas unilateralmente pelo fornecedor de produtos ou serviços. a livre autonomia e escolha das cláusulas. 54. 54. A parte aderente.681 _________________________________________________________________________ corrente. tem merecido especial proteção do Direito. etc. o Código Civil contém diversas regras na direção da proteção da livre vontade do agente na prática de atos jurídicos. A própria vedação contida nos . e portanto. fazendo com que tenha que aceitar sem qualquer questionamentos taxas de juros. Assim. No presente caso. já não mais suficiente para acolher cheques emitidos sobre saldo disponível. o embargado.. (gerando. imprestáveis para acobertar todos os excessos cometidos. sempre a mais fraca. Essa modalidade de contrato. sujeitando.

tarifas das mais diversas. 8ª ed. Pretende o embargante. excesso vedado em lei. as cláusulas duvidosas interpretam. a estipulação deve ser interpretada sempre da maneira menos onerosa para o devedor ( in dublis minimum est sequimur). com o que. 360/361): O princípio norteador da interpretação nesses contratos (de adesão) é o equilíbrio efetivo de poderes contratuais.fé. não pode ser questionada.se o indevido enriquecimento sem justa causa por parte do embargado. onde a adesão parece ser o fator de prejuízo para a parte debilitada. fato típico e caracterizador de abuso do poder econômico.se um contrato ou uma cláusula neste inserida sempre contra o beneficiário da estimulação: interpreta.fé. sem autorização expressa ou vinculadas a contratos de adesão. igualmente. da legalidade e do equilíbrio contratual. 194/709 e 237/654). débitos de taxas unilateralmente estipuladas. Esse princípio. permitindo. Objetivase sempre. ao máximo a equalização jurídica dos poderes desigualados pela natureza e circunstâncias da atividade envolvida.681 _________________________________________________________________________ contratos.. a intervenção judicial nas cláusulas contratuais. pg. de se questionar a multiplicidade de garantias. Relativamente às obrigações oriundas de contratos de adesão. O cotejo entre o enunciado de diversos artigos esparsos no Código Civil e as peculiaridades atinentes aos contratos sub judice conduzem à hermenêutica precisa. assim preleciona CARLOS MAXIMILIANO (Hermenêutica e Aplicação do Direito..se. seguros pagos superior ao devido. tendo sua rigidez atenuada pelos princípios da boa. reconhecendo..se sempre a favor de quem se obriga ( ver RT 142/620. Atribui. com a revisão judicial de toda a movimentação bancária com o embargado. correção monetária aplicada incorretamente. . quando houver desequilíbrio entre as partes.se. Ed. pautada na boa. assim.CLEITON FARIA DE OLIVEIRA – ADVOGADO OAB/MG nº 64. (. via de conseqüência seja o mesmo condenado a repetir aos embargantes as importâncias cobradas a maior.lhe a relatividade que a doutrina do indivíduo recusava. nas necessidades do crédito e nos princípios de equidade. A respeito da hermenêutica em contratos.) São de grande valia três regras básicas. interpreta. pelo qual o contrato faz lei entre as partes. não tem mais o sentido absoluto de outrora. 1976. seja constatada e declarada a cobrança de juros sobre juros (anatocismo). sendo inatingível. Forense. como se verifica.

este decorrente da cobrança a maior de juros. enfim. pois existe norma legal que determina a capitalização anual. anatocismo.se também no art.. com os devidos acréscimos de juros legais. 122. respalda. taxas tarifas. correção monetária. e consequentemente. falta de autorização. Não busca os embargantes com o presente acionamento judicial se subtrair ao cumprimento da obrigação de devolver ao embargado o que lhe foi emprestado. taxas. afetando a manifestação de vontade. Nas declarações de vontade se atenderá mais à sua intenção nelas consubstanciada do que ao sentido literal da linguagem. etc. pois. para que lhe seja reconhecido o direito à repetição de indébito. do Código Civil. acreditou que o embargado estava cobrando de forma correta e legal os encargos financeiros. expostos na contratação. tarifas. inclusive reflexivos decorrentes de débitos indevidos no seguimento de saldos. e toda a sorte de excessos. do Código Civil. pela autorização que a própria lei lhes confere. o qual apresenta uma regra geral de interpretação dos negócios jurídicos: Art.se em vício de consentimento. A revisão integral da relação contratual pretendida pelos embargantes. evidente que a manifestação de vontade dos embargantes limitou. que compreendem juros compostos (anatocismo). contra quem redigiu e impôs o contrato. seguro. O apego à ficção nemo jus ignore licet só deve ser mantido quando indispensável à ordem pública e à utilidade social (grifamos). 112. seguros exigidos pelo embargado. Não pode o embargado efetuar a capitalização mensal dos juros. inserido no título que disciplina as modalidades os negócios jurídicos. Quando o embargante celebrou tais contatos. Nos contratos em tela.681 _________________________________________________________________________ sempre em favor daquele que se obriga o devedor ou promitente: e finalmente. pois. toda a sorte de desvios.CLEITON FARIA DE OLIVEIRA – ADVOGADO OAB/MG nº 64. É este. em decorrência de supressão de sua autonomia volitiva. Em razão disso a sua interpretação deve ser realizada com observância estreita da norma contida no art. .se a adesão. 112. que. um caso típico de error juris. busca apenas corrigir tanto excesso quanto ao desvio da finalidade contratual perpetrados pelo mesmo. traduz. conforme ensina SILVIO RODRIGUES.

em que teve como Relator o Ministro Aldir Passarinho Júnior : DA QUITAÇÃO DA DÍVIDA EXECUTADA Conforme já relatado. visando à revisão contratual. . inciso V da Lei nº 8. A partir do momento que as embargantes são a parte mais fraca nos contratos celebrados. A dívida foi quitada em XX de janeiro de 20XX. uma vez tratar-se de norma de ordem pública. deverá ser aplicado o preceito do artigo 39.CLEITON FARIA DE OLIVEIRA – ADVOGADO OAB/MG nº 64.565 – RS. vejamos o que o Egrégio Superior Tribunal de Justiça sumulou: Súmula 286 do STJ: “A RENEGOCIAÇÃO DE CONTRATO BANCÁRIO OU A CONFISSÃO DA DÍVIDA NÃO IMPEDE A POSSIBILIDADE DE DISCUSSÃO SOBRE EVENTUAIS ILEGALIDADES DOS CONTRATOS ANTERIORES” Aplicável ao presente processo o precedente do STJ no Recurso Especial nº 132. tendo efetuado o pagamento da importância de R$XXXXXXXX. pelo débito ocorrido na conta corrente nº XXXXXXX.078/90. Tanto isto é verdade.681 _________________________________________________________________________ Portanto. Código Civil e Código de Proteção e Defesa do Consumidor – deve o Judiciário intervir no presente contrato. não existindo qualquer saldo devedor. que não foi apresentado na execução a conta gráfica que poderia embasar a alegação da existência de saldo devedor em favor do embargado. o Embargante efetuou o pagamento total da cédula rural executada. por imperativo legal – Constituição Federal. haja vista o que diz a Súmula 297 do STJ. no dia XX de janeiro de 20XX. haja vista a ocorrência da onerosidade excessiva imposta aos embargantes. Quanto a possibilidade de efetuar a revisão contratual de todos os contratos.

PEDIDOS: Diante do acima exposto. 3 . c) a IMPROCEDÊNCIA DA EXECUÇÃO pela nulidade do título executado. para querendo. b) a intimação do embargado. d) IMPROCEDÊNCIA DA EXECUÇÃO.681 _________________________________________________________________________ DA APLICAÇÃO DO ARTIGO 940 DO CC Tendo em vista que a dívida foi quitada em XX de janeiro de 20XX. a PROCEDÊNCIA DOS PRESENTES EMBARGOS. pelos motivos alegados com a revisão contratual de todas as operações ocorridas entre as partes. pela quitação da dívida ocorrida em XX de janeiro de 20XX.CLEITON FARIA DE OLIVEIRA – ADVOGADO OAB/MG nº 64. haja vista a ocorrência da simulação do título de crédito rural. com sua condenação em devolver em dobro a quantia executada. no prazo legal. e) aplicação do disposto no artigo 940 do Código Civil com a condenação do embargado em devolver em dobro a quantia executada de R$XXXXXXX. requer a Vossa Excelência o seguinte: a) o recebimento dos presentes embargos com a suspensão da execução. f) em caso de julgamento de mérito da execução. proibição da cobrança de juros superiores . com a aplicação do Código de Defesa e Proteção ao Consumidor. notadamente das contas correntes noticiadas. impugnar os presentes embargos. deve ser aplicado ao embargado as sanções do artigo 940 do Código Civil.

provar o alegado por todos os meios de provas em direito admitidas. Juízo sobre o valor executado nos termos do artigo 20 do CPC.CLEITON FARIA DE OLIVEIRA – ADVOGADO OAB/MG nº 64. abatimento dos valores pagos. redução da multa contratual. Xª Secretaria. especialmente por prova documental. Nestes termos. inciso VIII do CODECON. g) protesta e requer.. j) os benefícios da assistência judiciária gratuita. em sendo necessário. h) a inversão do ônus da prova. OAB/MG. testemunhas.681 _________________________________________________________________________ ao patamar legal. dá-se aos embargos o valor de R$XXXXXXXXX (valor da negativação junto ao SERASA). perícia e depoimento pessoal do embargado sob pena de confissão. nos termos do dispositivo do artigo 6º. nº 64.R. XX de julho de 20XX Cleiton Faria de Oliveira – adv.. i) o envio de ofício ao Banco Central do Brasil e Receita Federal para informar qual o valor que o exequente declarou como sendo o valor devido pelas embargantes. por dependência aos autos de nº XXXXXXX Xª Vara. com a conseqüente condenação do exequente-embargado ao pagamento das custas.681 DOCUMENTAÇÃO REFERNTE . aplicação do INPC ou do índice do TJMG como indexador da correção monetária. Pede deferimento Guaxupé. D. despesas processuais e honorários advocatícios a serem arbitrados por este r. conforme declaração e pedido anexo.A.

654-1 TITULARES : ADEMAR DE MELO FILHO E O EMBARGANTE DOCUMENTAÇÃO REFERENTE A CONTA CORRENTE Nº 4.462-4 .CLEITON FARIA DE OLIVEIRA – ADVOGADO OAB/MG nº 64.932.681 _________________________________________________________________________ A CONTA CORRENTE Nº 810.

08.681 _________________________________________________________________________ TITULAR : DJALMA CORREA CASTRO MELO DOCUMENTOS DO PROCESSO DE EXECUÇÃO EXECUÇÃO Nº 0287.CLEITON FARIA DE OLIVEIRA – ADVOGADO OAB/MG nº 64.041205-2 Exeqüente : AGROCREDI .

CLEITON FARIA DE OLIVEIRA – ADVOGADO OAB/MG nº 64.681 _________________________________________________________________________ Executado : DJALMA CORREA CASTRO MELO .

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