HomoTaganus

(Africanos em Portugal) CONCHEIROS DE MUGE

O AUTOR DR. CORRÊA MENDES

… não é nem neandertaliano, nem cromagnoniano, nem de raça Chancelade, nem do tipo de Baumes-Chaudes, nem idêntico ao mediterrâneo ou ao tipo médio português actual. É um tipo que tem caracteres negróides (...), alguns australóides (...) e mesmo uma estatura baixa, aproximando-os dos pigmeus africanos. Dos tipos quaternários da Europa, seria o protoetiópico Homo aurignacensis o que com ele mais semelhanças possuiria ... ( MENDES CORRÊA) 1924:

A PROPÓSITO DO “HOMO TAGANUS”
(AFRICANOS EM PORTUGAL)

(António Augusto Esteves Mendes Corrêa) * 1888-1960 *

Pelo Doutor A. A. Mendes Corrêa

* Prof. da Faculdade de Ciências da Universidade do Porto, director do Instituto de Antropologia * Fundador do Museu Antropológico do Instituto de Antropologia da Universidade do Porto 1936

Cópia do Artigo Original publicado no Boletim da Junta Geral do Distrito de Santarém – Ano 6º Nº 43 – Ano de 1943

Copiado por: JOSÉ GAMEIRO (José Rodrigues Gameiro)

Dezembro de 2010 *Publicado em PDF – Online http://historiadesalvaterra.blogs.sapo.pt

INTRODUÇÃO
Um dia, na minha juventude, sendo colaborador no semanário “Aurora do Ribatejo”, com sede na vizinha vila de Benavente, pretendi escrever um artigo sobre o antigo boticário, Albano Gonçalves, pois ouvia a população mais antiga, falar dele com muito carinho. Fiz as necessárias pesquisas, e entre algumas publicações, encontrei no livro “ANAIS DE SALVATERRA” uma transcrição de um trabalho jornalístico, assinado por Alberto Caldeiron. Este, era um pseudónimo de Albano Gonçalves, que além de boticário, tinha tido alguma actividade social, indo ao desempenho da função de vereador municipal. Na sua actividade de cronista, descreveu a recepção em Salvaterra de Magos, dos Congressistas, ao XI Congresso de Antropologia, quando visitaram as estações dos “Concheiros em Muge”. O primeiro destes achados, foi no Arneiro do Roquette, seguindo-se dois outros; um na Quinta da Sardinha, e um outro no Paul de Magos, quando ali se arroteavam os terrenos. Qualquer destes achados, foram dados como perdidos. Em 1863, com os achados, em Muge, começa o registo da sua cronologia histórica, iniciada pelo Arqueólogo, Carlos Ribeiro, quando estudou os terrenos terciários, do Vale do Tejo. Mais tarde, nos anos 30, do século XX, uma outra equipa, chefiada pelo Dr. A. A. Mendes Corrêa, deu-lhe continuidade. Este distinto antropólogo, da Faculdade do Porto, no século XX, estudou muitos achados antropológicos nos pais, destacando-se nas

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décadas de 50 e 60, as suas deslocações a Muge, onde trabalhou na identificação das ossadas encontradas nas “Estações dos Concheiros”. Mendes Corrêa, deixou muitos trabalhos escritos sobre as suas investigações, como é o caso “HOMO TANGANUS” – Africanos em Portugal, texto publicado no Boletim da Junta Geral do Distrito de Santarém, editado em 1936. Desde Mendes Corrêa, outras equipas, com assiduidade, têm dedicado aos “Concheiros de Muge”, e a outras parcelas de terreno ali próximas, atenções especiais, na identificação de pedras – a pedra lascada (sílex), usada pelo homem no período paleolítico. Tendo em meu poder um exemplar daquela edição da Junta Distrital, desde 1970, achei por bem aqui transcrever aquele artigo, para que não se perca, tão importante legado, tentando deixar ficar uma cópia fiel das intenções do autor, nas suas palavras usadas na primeira metade do séc. XX.

José Gameiro
(José Rodrigues Gameiro)

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Por várias vezes, na bibliografia antropológica, se tem falado na existência de elementos de caracteres «negróides» na população pré-histórica de Portugal. Essas referências dizem especialmente respeito aos humildes núcleos de pescadores e caçadores que na época «mesolítica» (1), (ou seja numa época intermediária entre a idade da pedra lascada ou «paleolítica” e a idade da pedra polida ou «neolítica») levavam uma existência sedentária, pobre e atrasada, nas margens da Ribeira de Muge e o Paul do Duque (2). Essas alusões a negróides pré-históricos do país têm suscitado discussões no campo científico por um legítimo e indispensável cuidado de averiguação da verdade, embora reflectindo-se em tais debates, mais ou menos, critérios e orientações gerais, diversos de autor para autor, em matéria de sistemática antropologia. As divergências existem, porém, menos quanto aos «factos» do que em relação à «interpretação» destes. É o que não compreendem ou não querem compreender alguns indivíduos deficientemente informados sobre o estado actual da ciência antropológica e sobre as possibilidades desta na análise étnica, ou mesmo guiados por intuitos de simpatia ou animosidade pessoal, estranhos ao domínio puro e sereno da objectividade científica. Por menos importância que, perante os cientistas idóneos, tenham – como têm – as opiniões

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«opiniões» desses indivíduos, o público de boa-fé, ser devidamente esclarecido, tanto mais que os debates chegaram a ultrapassar os limites das publicações estritamente científicas e a encontrar ecos, nem sempre felizes, na imprensa noticiosa. Além disso, há uma susceptilidade especial dos portugueses perante tudo o que possa dar a impressão de que na sua etnogenia entraram, em forte contingente elementos nigríticos. A verdade é que, com frequência, surge esta afirmação, da parte de certos estrangeiros tendenciosos ou mal informados. Do século XVIII para o século XIX dois alemães, visitantes do nosso país, LINK e HOFFMANSEG, surpreendiam-se por encontrarem em Portugal apenas negros, mas, ainda com exagero, atribuíam a estes uma parte importante na demografia portuguesa. Em 1900, RIPLEY, no seu livro «Races of Europe», admitia na «raça mediterrânea» (na qual incluía os Portugueses) «uma distinta embora distante afinidade», em certos caracteres (3), com o negro! O ilustre iberólogo de Erlangen, A. SHULTEN, no 1º volume da sua obra monumental sobre Numância (4), afirma a existência de afinidades físicas entre os antigos Iberos (de que os Lusitanos seriam na sua opinião, um ramo) e os Líbios, antepassados dos actuais Berberes. Sem que considere uns e outros como verdadeiros negros, retrata-os de cabelos pretos retintos e encrespados. Lábios espessos e nariz

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achatado e diz que estes caracteres, «alguma coisa directamente de negróide», aparecem ainda hoje na Península, sobretudo nas regiões montanhosas, «onde se conservam os restos das antigas raças». Conservamos uma carta de PAPILLAULT, em que o saudoso antropólogo francês nos dizia que durante a Grande Guerra, os Portugueses passavam na «entourage» do Imperador Guilherme II, como negros ou mestiços. Num estudo sobre a mancha azul congénita, publicado em 1927, NILS LARSEN e STWART GRADFREY (5) sem incluírem os Portugueses do Hawai entre os negros, separavam-nos, entretanto dos Brancos (Whites)… Algumas cartas antropológicas publicadas na Alemanha indicam no nosso território localizações negríticas ou negróides. Mas com maior desenvoltura procedeu o antropólogo oficial do hitlerianismo, GUNTHER, escrevendo passagens como esta(6): «Portugal apresenta, em consequência da importação antiga de escravos africanos, uma influência especialmente significativa. Hoje uma política feita principalmente pela França constitui pata toda a Terra um aumento do perigo negro. Pela concessão de direitos civis e de postos de oficiais aos negros, a França trá-los para a sua influência. Ainda não se podem prever as consequências duma tal política. «Portugal – continua GUNTHER – possui, como a Espanha, uma população de tipo acentuadamente ocidental (GUTHER, designa deste modo a raça

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mediterrânea ou Ibero-insular doutros antropologistas)… Pelo contrário, parece separar os Portugueses da Espanhóis ocidentais uma influência forte de sangue de negros, já reconhecível em Espanha…» E, como se achasse pouco o que fica transcrito, o autor alemão, em nota, acrescenta ainda que a influência negra em Portugal é tão forte que os indígenas da África ocidental consideram os Portugueses quase como seus iguais e os respeitam muito menos do que outros Europeus. Assim, os Suacheli, por exemplo, quando querem indicar a totalidade dos Europeus, dizem: os Europeus e os Portugueses. Como já escrevi a tal respeito, este professor alemão ignora que os Portugueses ocupam para esses povos um lugar especial por terem sido, dos Europeus, os primeiros a entrar em relações com eles. Já o explorador LIVINGSTONE, querendo impor a prioridade das suas explorações sobre os Lusitanos, dizia que os Portugueses com que ia deparando no seu caminho, tinham escurecido tanto que se não distinguem dos negros… Os antropologistas portugueses têm debatido com factos incontestáveis, estas e outras asserções. Os índices e ângulos do prognatismo, a coloração cutânea, a forma dos cabelos, o índice nasal, várias proporções do corpo (entre as quais os índices antebraquial e tibiofemoral) alguns índices do sacro, do osso inominado, do fémur, etc., as percentagens dos diferentes grupos sanguíneos e outros factos (7), não autorizam uma especial aproximação

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antropológica dos Portugueses com os negros, antes o conjunto dos caracteres os inclui sem hesitação no bloco dos Europeus em geral. Decerto aparecem no território metropolitano, mas esporadicamente, alguns mulatos, alguns negróides, mesmo um ou outro negro. Seria de admirar que tal não sucedesse, tratando-se dum país que possui um império colonial como o nosso e tão estreitas relações com o Brasil, para onde os Portugueses transportaram um numeroso contingente de negros africanos e onde ainda hoje existe uma tão grande proporção de negros e mulatos (8). Mas o que é efectivamente de surpreender é que, tendo havido também uma grande importação de negros para Portugal, eles não tivessem exercido aqui papel demo-génico muito mais importante do que exerceram. Ao querer reconstituir o passado etnológico do país, mais uma vez se verifica o que dizíamos em 1922 (9); A Antropologia e a História auxiliam-se mutuamente; aquela requere muitas vezes o concurso desta. Precisamente a propósito da etnografia Ibérica, o ilustre antropólogo suíço Prof. PITTARD, escrevia dois anos depois no seu belo volume «Les races et L´histoire»10); «A colaboração da Antropologia e de História aparece necessariamente na Ibérica». Cada vez se torna mais evidente a ingenuidade dos antropólogos de há cinquenta anos que, de compasso em punho, supunham poder resolver com

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algumas dezenas de mensurações complicados problemas etnogénicos… ***

os

mais

Sem falarmos por agora em relações préhistóricas entre a África e a Península e em possíveis infiltrações negróides dessas épocas remotas na população peninsular, notemos a multiplicidade de oportunidades históricas em que essas infiltrações podiam ser-se dadas, e se deram mesmo muitas vezes. Nos exércitos cartagineses que vieram à Península, e acompanhando porventura aqui os mercantes púnicos, não faltariam, por entre os norte-africanos brancos. Alguns exemplares mais ou menos negróides, ou mesmo caracterizada mente negros. Di-lo TITO LÍVIO, falando das tropas de ASDRÚBAL (11). As relações dos Lusitanos com o norte de África durante as guerras viria tinas são conhecidas. As hostes lusas levaram os seus «raids» não apenas à Bética, mas além do estreito(12). SERTÓRIO, mais tarde, vem de África, chamado pelos Lusitanos (13). Não é de estranhar que nas duas ocasiões houvesse importações interessantes no nosso ponto de vista. O estudo, a que há anos procedemos, da iconografia das moedas mais antigas da Península, não forneceu um tão grande número de figuras peninsulares de cabelos crespos que possa generalizar-se a todos os Hispanos, como se tem feito, esse carácter, evocando-se os trechos em que

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Marcial, hispano, se dizia de cabelo encrespado e TÁCITO falava em «torti crines» nos Iberos. É mesmo uma pequena minoria a dessas figuras, aliás naturalmente definidas com reserva no ponto de vista antropológico(14). Desde o começo do século II regista a história invasões de Moiros no território peninsular, algumas delas, como no tempo de MARCO AURELIO, atingindo a Lusitânia (15). É ocioso recordar o papel etnográfico que teria tido a ocupação árabe-berbere, a partir do século VIII. A amplitude das conquistas muçulmanas introduziu, sem dúvidas, entre os elementos que vieram à Península, alguns de origem mais ou menos nigrítica. Quem sabe se muitos escravos mouros, de que há notícia no nosso país já no tempo da monarquia não seriam somatologicamente, negros ou afins destes!? Note-se que os antigos autores portugueses não chamavam mouros apenas a indivíduos de raça árabe ou berbere, mas também a indivíduos não caucasóides, mesmo a negros mais ou menos caracterizados, que professavam o islamismo. Do líbio branco ao negro retinto havia e há, uma série de gradações intermediárias. Mas seguramente, a mais intensa e notória penetração de elementos nigríticos em Portugal inicia-se com os descobrimentos e as conquistas portuguesas do século XV e seguintes. AZURARA, dá-nos a emocionante descrição da partilha da primeira leva de escravos aprisionados pelos emissários do Infante na terra dos Azenegues,

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portanto, possivelmente, ainda não todos negros, visto que os Azenegues eram Berberes (16). Mas já anteriormente os Portugueses haviam aprisionado negros, entre os Mouros. Em 1425, segundo AZURARA, a tomada duma barca de Mouros, à vista de Larache havia-lhes proporcionado a captura de 53 Mouros e 3 Mouras «negros» (17). CADAMOSTO, também se refere ao tráfico de escravos negros no porto de Arguim, onde os Árabes os vendiam aos Portugueses, como noutros pontos os vendiam a outros povos da Europa (18). Com o avanço das nossas explorações na costa africana, a importação de negros, naturalmente, aumenta. CADAMOSTO, calculava em 700 a 800 os escravos trazidos de Arguim em cada ano, mas AZURARA avaliava apenas em 927 os vendidos desde o inicio das explorações do Infante até 1448 (19). Entretanto, o número sobe e só João do Porto, almoxarife dos escravos vindos da Guiné, recebeu de 1486 a 1493, nada menos de 3.589 escravos daquela procedência(20). O país vai-se enchendo de indígenas das colónias. Em 1535, NICOLAU CLENARDO escreve «Os escravos pululam por toda a parte. Todo o serviço é feito por negros e mouros cativos. Portugal está a abarrotar com essa raça de gente. Estou quase em crer que só em Lisboa há mais escravos e escravas que Portugueses livres de condição. Raro se encontrará uma casa onde não haja pelo menos uma escrava destas…» e noutro lugar: «Mal pus pé em Évora, julguei-me transportado a uma cidade do inferno, por toda a

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parte topava com negros, raça por que tenho uma tal aversão que eles só por si bastariam para me fazer abalar daqui». Esta repugnância não o impediu de tomar também três escravos…(21). Da «Miscelânea, de GARCIA DE RESENDE, é bem conhecida a passagem seguinte, muito significativa: «Vemos no Reyno meter Tantos captivos crescer, E irense hos naturaes, Que se assi for, seraõ mais Eles que nós, a meu ver».
GIL VICENTE, não se esquece dos escravos negros e mouros, ao retratar os tipos sociais do seu tempo. O fidalgo enriquecido da Índia passeava faustosamente na rua Nova, regista OLIVEIRA MARTINS(22), sendo acompanhado por oito escravos negros, dois que serviam de batedores, um terceiro que levava o chapéu de plumas e fivelas de brilhantes, um quarto que era portador do capote, um quinto que segurava a rédea da mula, um sexto ao estribo, um sétimo de escova em punho para afastar as moscas e varrer o pó, um oitavo que levava a toalha para limpar o suor da besta… O admirável escritor que OLIVEIRA MARTINS, recorda também o depoimento de Clerardo sobre a depravação dos costumes, para a qual concorriam as «manadas de escravos», cuja criação era mesmo fomentada inteiramente pelos donos e cuja proliferação era grande, em contraste com a diminuição da população livre (23) .

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Poderiam reproduzir–se outras passagens de vários autores sobre a abundância de africanos em Portugal nos séculos XVI e XVII. Mas ainda no século XVIII essa abundância era sensível. Sobre um fundo inegável de verdade OLIVEIRA MARTINS, fala assim desta época: «Os escravos, repugnante legado da descoberta da África e do domínio ultramarino, punham na sociedade uma mancha torpe, e na fisionomia das massas borrões de cor negra, pelas ruas e praças da capital. Tinham-se e tratavam-se como gado. Criavam-se rebanhos de mulheres para crias, porque um pretinho novo, desmamado apenas, já valia 30 a 40 escudos. As negras saiam ser fecundas e inchavam as casas de negrinhos e mulatinhos, como diabos, chocadeiros, ladinos: quem não gostaria deles? E depois não eram bem gente, não havia receios com esses animalinhos»(24). Surgiam, por intermédio dos escravos, os contactos das famílias com «as curiosidades picantes da plebe das ruas», com os namorados, com as ciganas ledoras da «buenadicha», com contrabandistas, benzedeiros, adivinhos, com todo um mundo vago e impuro em que o interesse, a luxúria, o beatério, a mentira, o vício a aventura se enovelam e confundem, com os seus perigos e enredos. Das intimidades com os jovens negros ou mulatos não raro provinham em famílias ilustres, comprometedoras nódoas pigmentares, estranhos cabelos encrespados, que em vez de atavismos remotos da raça, denunciavam cruelmente inquinações recentes de respeitáveis estirpes fidalgas… (25).

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****** O que nos surpreende como já dissemos, é que apesar de tantas infiltrações, historicamente averiguadas, de sangue africano na população portuguesa, esta se encontra hoje quase absolutamente isenta de sinais de que tais contaminações tenham perdurado na somatologia respectiva. Decerto ainda alguns africanistas trazem hoje das colónias proles suas, reveladoras de ligações mestiças. Alguns crioulos e negros vêem até Portugal. Subsistem, entre nós, em raras famílias ou mesmo nalguns lugares (como, segundo Leite de Vasconcelos (26), em S. Romão do Sado e noutros pontos do concelho de Alcácer do Sal) alguns espécimes de mulatos, de cor mais ou menos carregada, cabelo encarapinhado (27), nariz platírrinico. Mas nem a antropologia metódica, nem a simples observação superficial, conduzem a admitir uma apreciável influência negróide na etnogenia portuguesa. A nossa população é, em conjunto, de tipo físico caracterizadamente europeu. A proporção de negróides, mulatos ou negros que – esporadicamente - se registam entre nós, está muito longe de se aproximar da que se verifica, por exemplo, no Brasil. Em 1914, D. G.DELGADO (28) baseava-se nos resultados obtidos nos Portugueses por MASCARENHAS de MELO e FELISMINO GOMES, relativamente aos índices nasal e do prognatismo

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para evidenciar a ausência, na nossa gente, duma forte dosagem de sangue negro. Mostramos, mais tarde, pela nossa parte, que o mesmo se dava relativamente a outros caracteres antropológicos (30), e explicámos a ausência de vestígios profundos das sabidas mestiçagens por várias razões,: regresso ao tipo numericamente predominante, excessiva diluição neste, a maior proporção de mulheres brancas em relação aos homens brancos, e até a resistência natural ao cruzamento (31). Poderíamos admitir ainda uma certa disgenesia dos mestiços (32), a acção duma selecção social sobre estes e sobre os negros, e até que a prolificidade dos escravos tenha sido exagerada pelos autores. Não nos ocuparemos agora de averiguar até que ponto caberá considerar efectiva qualquer das razões expostas. Limitar-nos-emos à última. Como nas prostitutas, os excessos sexuais de que eram vitimas muitas escravas, não seriam propícias à sua fecundidade. No Brasil tem-se verificado o aumento rápido da população branca em relação à de cor, mas, como notou OLIVEIRA VIANNA, o facto pode ser também atribuído à imigração constante de novos elementos brancos (33). O mesmo eminente antropolosociólogo brasileiro, sobre uma estatística de 1825, fornecida por ESCHWEGE, a respeito da população de Minas Gerais, punha em evidência a grande diminuição de natalidade dos negros escravos (2,91%) e o considerável aumento da mortalidade dos negros e
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mulatos escravos em relação aos livres. É uma das formas da selecção social a que nos referimos. Outra forma desta selecção é a resultante dos chamados preconceitos psico-sociais que visam a população de cor, e das más condições morais e educativas em que geralmente esta vive, quando imersa no seio de populações brancas, que tantas vezes são hostis (34).

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Ao falar na pretensa influência «forte» de sangue de negros em Portugal, o já citado GUNTER pergunta se ela vem da invasão árabe, dos escravos ou da remota idade paleolítica. Vimos que, por mais repetidas e importantes que tenham sido as infiltrações africanas na Península nos tempos históricos, elas não deram à nossa população uma fisionomia da dos Europeus em geral. Não há, portanto motivo para as susceptilidades a que nos referimos no inicio deste artigo, ao falarmos também da existência de análogas infiltrações nos tempos ante-históricos. A verdade é que nem umas nem outras deixaram sinais profundos na morfologia da população actual. Cuidados agora apenas da morfologia. Naturalmente nos pontos de vista psicológico, religioso, etnográfico, social, linguístico, etc., haveria largas considerações a fazer, mas elas não cabem nos limites dum breve artigo como este. Na verdade, porém, até o Brasil moderno é intermediário na transmissão à nossa gente de certas tendências psico-sociais, que, assim são menos relíquias das antigas penetrações africanas no país ou os vestígios de remota comunidade racial, do que os resultados de importações indirectas por via sul-americana. No antroponomástico, na toponímia, na língua, na música (execrável fado!...), em superstições, nalgumas atitudes psicológicas, aparecem em Portugal, aqui e ali, influências africana, directas ou

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indirectas. Mas, embora julgando legítimo continuar a adoptar, em vez da formula antipeninsular de que a África começa nos Pirenéus, a que a Europa acaba no Saará, e embora reconhecendo que as afinidades étnicas dos povos da Europa meridional com os do Norte de África não implicam a sua separação antropológica e etnográfica do grupo europeu, devemos reconhecer que algumas das referidas influências são manifestamente negróides ou nigrítícas – e relativamente modernas. Recuemos, entretanto, à pré-história e procuremos na antropologia portuguesa documentos que possam relacionar-se com o assunto. Eles são escassos e, dificilmente, se poderão amplificar de modo a estabelecer com segurança identificações definitivas. O esqueleto fornece caracteres antropológicos interessantes, mas já vai longe a época em que se supunha possível ir com segurança além da definição de meia dúzia de formas mais marcantes. Grandes séries actuais proporcionam–nos inúmeros casos individuais em que essa definição seria impossível… se não se conhecessem de antemão a proveniência das séries. Que dizer dos documentos osteológicos de remotas eras, tantas vezes, quase sempre, reduzidos a escassos fragmentos, relativamente aos quais as minúcias técnicas e dedicadas do estudo antropológico contrastam com a penúria flagrante das conclusões positivas desse estudo, interessantes para uma rigorosa identificação étnica?!

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Com estas necessárias reservas, esbocemos uma sumária resenha retrospectiva dos documentos préhistóricos que têm sido ou podem invocar a propósito do assunto. Já falámos da nossa tentativa de reconstituição antropológica da população do território português na idade do ferro, tentativa baseada em elementos iconográficos, como figurações humanas em moedas, esculturas, etc.. As relações com o sul e levante espanhol e com o norte de África nessa época são documentadas por achados arqueológicos numerosos, sobretudo do sul do pais e de entrepostos costeiros. Nalguns documentos iconográficos referidos notam-se esporadicamente caracteres somáticos mais ou menos negróides, mas a quase totalidade das figurações susceptíveis de estudo (porque muitas são tão rudes e imperfeitas que não permitem qualquer identificação étnica) são caucasóides, europeias. O recurso àquela iconografia tão precária tornara-se necessário pela falta de restos osteológicos – destruídos pela incineração, prática corrente naquela época. Na necrópole de Alcácer do Sal, as belas explorações de VIRGILIO CORREIA alcançaram, porém, isolar alguns escassos fragmentos ósseos, que haviam escapado à cremação e à acção destruidora do tempo. Ora, nesses fragmentos, entregues pelo eminente arqueólogo ao nosso exame, havia, em um ou dois exemplares, prognatismo.

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Este não é um carácter necessariamente demonstrativo de parentesco negróide, mas pode sê-lo. É mais segura a origem africana de alguns objectos arqueológicos daquela importante necrópole. Não faltam documentos arqueológicos que permitem para épocas anteriores relacionar de certo modo a Península com o norte de África. A cultura de Almería, do eneolítico(35), denunciaria, por exemplo, segundo o autorizado parecer de BOCH GIMPERA, penetrações étnicas do N. de África na Península Ibérica. Os poucos restos osteológicos neo-eneoliticos portugueses até hoje estudados não autorizam a presumir que essas penetrações se tenham traduzido na população daquela época no nosso território por uma marcada tendência negróide. Verifica-se, aqui e ali, um ou outro caso de prognatismo, alguns índices nasais não leptorrínicos, mas a maioria dos exemplares susceptíveis de estudo é ortognata e o índice nasal não sobe até à platirrinia dos negros (36). Infelizmente, repetimos, os restos estudados são muito escassos e fragmentares, para conclusões definitivas. **** O estudo dos restos esqueléticos mesolíticos de Muge que, sem serem tão numerosos e tão bem conservados como seria para desejar, representam, no entanto, já uma importante série de antropologia pré-histórica, forneceram elementos que permitiram distingui-los, antropologicamente do

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tipo médio português actual – distinção que nenhum antropólogo pode objectivamente deixar de fazer, embora sem que isso signifique o estabelecimento formal da impossibilidade duma evolução dum tipo para outro. Ora, entre esses elementos, registam-se sobretudo a ausência, até agora verificada, de leptorrínicos, a presença apenas de um ortognata em 4 exemplares cujos índices e ângulos de prognatismo poderam ser determinados, a existência de proporções dos membros (sobretudo do importante índice ante braquial) que afastam os mesolíticos de Muge do bloco europeu e dos Portugueses actuais por nós estudados em tal ponto de vista. QUATREFACES falara duma «raça de Mugem» ou «raça de cão» a propósito do tipo humano predominante em Muge. É que na fauna destas estações encontrava-se o cão, embora talvez não no estado doméstico. HERVÉ, chegara a falar em neandertaloidismo, o que é, porém, inaceitável. ANTÓN, incluía os crânios dolicocéfalos (estritos e alongados) de Muge na raça fóssil de Alhama, que dizia quarternária e construir a transição entre o tipo de Neandertal e o de Cro-Magnon. PAULO e OLIVEIRA assimilava o dolicóide de Muge a este último, opinião que recentemente seria retomada por VALLOIS. Também foi feita a aproximação com a «raça de Laugerrie-Chancelade» - associação discutível esta raça» - pelo citado e saudoso HERVÉ. Mas, FONSECA CARDOSO, unia antes o tipo dolicocéfalo dominante de Muge à raça neolítica francesa de Baumes–Chaudes, e fazia dessa

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heterogénea «raça de Baumes Chaudes-Muge» a estirpe da moderna raça mediterrânea. que entroncava também o português actual no homem dos concheiros mesolíticos do vale do Tejo, fora convidado por HERVÉ, a examinar de novo a série
AURELIO DA COSTA FERREIRA,

craniológica destas estações, já sob a influência da descoberta, por VERNEAU, dos «negróides» de Grimaldi (descoberta que intensificou a pesquiza de negróides pré-históricos). Logo isola um exemplar «negróide» em Muge, opinião que Hervé adoptou, generalizando-a por último, mais ou menos

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categoricamente, à forma humana ali dominante (37). Há cerca de 20 anos, iniciamos a revisão, perante os achados osteológicos de Muge, das variadas opiniões emitidas a seu respeito, e desde logo assentamos, quanto ao tipo dominante – único de que nos ocupamos neste artigo (38) – na sua diversidade em relação aos tipos de Neandertal, Cro-Magnon, Chancelade, Baumes-Chaudes, e mediterrâneo e português actual. Aproximámo-lo, «sem o identificar», dum grupo de raças australóides de origem presumivelmente equatorial, e sobretudo dum tipo protoetiópico, que GIUFFRIDA-RUGGERI, definira sobre o chamado «H.aurignocensis» de Cambe-Capelle»(39). Sucessivamente, fomos precisando as nossas ideias a tal respeito. Em 1923 publicamos na «Revue Anthropologique» um artigo(40), em que apresentávamos os resultados das nossas observações as quais iam ampliar as de Paula e Oliveira. Demos alguns caracteres descritivos e métricos de exemplares a que este, quando muito apenas se referira de passagem, e juntamos as descrições de outros espécimes feitas por Paula e Oliveira alguns novos elementos, como o índice facial de Kollmann, o índice de prognatismo, e o ângulo facial de Rivet, que o antropólogo português não determinara nos seus estudos de há quase meio século, mas hoje são correntemente adoptados. Confirmamos nesse trabalho, como noutros subsequentes (41), a separação feita do dolicóide de Muge em relação às formas já indicadas e a sua aproximação--não identificação (acentuamos

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sempre este pormenor) — com o tipo paleolítico de Combe-Capelle («H.aurignacensis» de Klaatsch ou «protoetiópico» de Giuffrida-Ruggeri) e com um bloco de raças por este último autor consideradas de origem equatorial e como compreendendo, além do tipo de Combe-Caplle, a raça negróide de Grimaldi, também paleolítica, etc. O tipo predominante em Muge possuía – escrevemos nos «Povos primitivos» (42)– caracteres Negróides (meso-platirrinia, tendências prognatas de muitos exemplares, etc.), australóides, fraca capacidade araneana, índice ante-braquial alto, nalguns exemplares fronte oblíqua, etc.) e uma estatura baixa – não pigmêa, mas um tanto pigmoide. Os pontos de vista expostos foram admitidos e aceites por muitos especialistas autorizados. O venerando mestre Prof. BOULE acolheu em termos muito lisonjeiros a nossa primeira memória sobre o assunto (43), mas, em «Les hommes fossiles» (44), continuou exprimindo o parecer de que se tratava de muito antigos representantes da raça mediterrânea, embora com alguns caracteres etiópicos. concordou plenamente com a distinção do homem de Muge em relação ao de Cro-Magnon e com a aproximação com o de Combe-Capelle e com o bloco referido, suposto de origem equatorial. No seu livro «Su L`origine del expos largamente a nossa L`Uomo»(46) concordância de vistas. Outros autores se ocupam
GIUFFRIDA-RUGGERI(45)

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do assunto, devendo notar-se que OBERMAIER (47) e sobretudo BOSCH GIMPERA (48), atribuem manifestamente grande significado ao paralelismo impressivo por nós sugerido entre as afinidades antropológicas equatoriais do «Homo taganus» e a origem africana atribuída por Breuil, por aqueles e por outros autores à cultura pré-historica representada nos concheiros de Muge. Esta cultura seria o prolongamento epipaleolítico da cultura paleolítica norte-africana chamada «capsense». É certo que SALLER e SCHEIDT tinham mostrado alguma discordância da aproximação do «H. taganus» com o bloco acima indicado. Mas foi VALLOIS, o ilustre antropólogo de Toulouse, quem em 1930 (49), depois dum estudo desenvolvido dos restos esqueléticos de Muge, veio marcar sobre o assunto uma atitude a que intencional e erroneamente foi dada por alguns a significação duma divergência profunda. Afinal VALLOIS, confirmou expressamente dum modo geral (50) as nossas mensurações e apenas divergiu na classificação de alguns caracteres (nem sempre uniformemente classificados pelos autores) e na interpretação de alguns resultados gerais, sendo, porém, esta divergência mais aparente do que real, como vamos ver. De facto, VALLOIS concordou em que o tipo predominante de Muge não é susceptível de identificação com os Mediterrâneos actuais e com a raça neolítica de Baumes-Chaudes nem com o tipo esquimoide paleolítico de Chancelade.

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Simplesmente, em vez de nele reconhecer afinidades com melanodermes actuais, como os Negros ou os Australianos, Vallois prefere relacioná-lo com o paleolítico de Cro-Magnon, talvez com os chamados Cro-Magnons orientais. Primeiro numa comunicação ao Congresso Antropológico de Paris, de 1931(51), depois em 1933, numa comunicação à Academia das Ciências de Lisboa sobre o esqueleto de Come-Capelle(52), que pudemos ver em Berlim, respondemos a vários pontos do estudo de Vallois, mostrando que nenhum dos factos de observação que apresentamos , foi destruído , e que, quanto às interpretações , a nossa maior divergência resultava do facto de Vallois e outros autores franceses entenderem dum modo diferente do nosso (que é o de muitos outros autores) o âmbito da chamada «raça de Cro-Magnon». Esta é, Vallois, muito ampla, nela cabendo o homem de Cambe-Capelle e todo o referido bloco oriental, quando, para Guiffrida-Ruggeri, Haddon, Barros e Cunha, Keith, Pucioni, Werth, Weinert e outros, a raça de CronMagnon se restringia apenas a alguns esqueletos de morfologia muito análoga à forma típica, de alta estatura, desarmonia craniofacial e outros caracteres que se verificam no cérebro velho do abrigo de Cro-Magnon e nalguns esqueletos das grutas de Menton(53). Não renovaremos aqui a longa exposição que fizemos, na segunda comunicação referida, sobre a independência do homem de Cambe-Capelle – e igualmente do tipo de Muge – em relação ao bloco de Cro-Magnon.

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Transcrevemos apenas desse trabalho as linhas seguintes relativas ao grupo de raças primitivas supostas equatoriais: «Apesar disso não parece que devamos considerar os homens de Cambe-Capelle, Muge e Grimaldi como formando uma só raça. Já mostramos as diferenças do primeiro em relação a Grimaldi. Quanto ao «H. taganus», ele difere do Homem de Cambe-Capelle na menor capacidade craniana, na menor dolicocefalia, num menor desenvolvimento vertical do crânio, etc., e da raça de Grimaldi difere também nesses caracteres, num menor prognatismo, num maior alongamento da face. «Em relação às raças actuais, as proporções do corpo, o índice nasal, a maior ou menor hipsicefalia, a tendência mais ou menos prognata, levam a estabelecer para o bloco C. Capelle-Grimaldi-Muge, afinidades predominantes com as raças equatoriais (poderia apresentar um argumento baseado nas relações conhecidas do índice nasal com o clima). O negroidismo de Grimaldi é geralmente aceite; os caracteres etiópicos de Combe-Capelle também o são. O «H. taganus» não é identificável com Negros ou Etiópes (a sua individualidade antropológica não permite mesmo identifica-lo com outra raça fóssil ou actual), mas, embora, como diz Vallois, lhe faltem certos caracteres negróides como um prognatismo constante, o aspecto da base da abertura nasal, etc., outros apresenta, entretanto, não só na sua mesorrinia e platirrinia quase constantes, como em algumas proporções do corpo, mesmo no seu meso-prognatismo dominante.

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Antes de mim, já HERVÉ e AURELIO DA COSTA tinham, com razão, estabelecido essas aproximações negróides, que, nos justos limites em que foram enunciados, também mereceram a concordância do prof. BARROS E CUNHA e do prof. GEORGE MONTANDON, havendo pois, ignara leviandade ou imprudente propósito de especulação ao apresentarem-se-me, em jornais, como «erróneas» tais aproximações, aliás sempre prudentemente feitas, com têm de ser estes trabalhos», que a divergência entre nós e Vallois é menor do que se supõe(54) ou se fingiu supor. Vallois expressamente o declarou. Numa análise ao nosso estudo sobre a posição sistemática do esqueleto de Combe-Capelle (55), conclui: «Quant à la position des dolichocéphales de Mugem… les divergences entre son opinion et la mienne me paraissent en grande partie «quoique pas em totalité) une question de mots».
FERREIRA

****** Contra o que, nem sempre de boa-fé, nos tem sido atribuído, nunca dessemos que o «Homo taganus» era inteiramente negróide, e muito menos identificável antropologicamente com os Negros actuais. Do mesmo modo que lhe atribuímos alguns caracteres australoides e etiópicos, também nele mencionamos alguns caracteres negróides. Isto não é considerá-lo pura e simplesmente negróide, expressão bastante vaga, e, muito menos

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negro ou nigrítico, palavras que não são sinónimas de negróide, como antropóide não é sinónimo de homem, embora haja homens que, às vezes, são ou parecem ser menos inteligentes do que os antropóides… O ilustre etnólogo prof. GEORGE MONTANDON (56), em face da nossa discussão com Vallois, achou legitimo chamar ao tipo de Muge negróide ou apenas sub-negroide. A associação platirrinia-prognatismo não é, de resto, exclusiva dos Negros. O que levou talvez alguns a supor que atribuímos ao «H.taganus» mais vincado negroidismo do que, de facto, nele encontramos e indicamos, foi o termos adoptado para ele a designação «in extenso» de Homo afertaganus». Aceitando correntemente, como tipos antropológicos principais, apenas o «Homo europeus» o «H.asaticus»(57), não nos pareceu legitimo optar pelo primeiro e pelo último para a escolha da subespécie ou da espécie elementar a que deveria anexar-se – como variedade autónoma – a raça de Muge. Esta não tem afinidades estreitas com os Brancos actuais nem com os Mongois actuais. Não seria legitimo aproximá-la da actual raça nórdica, dos Alpes, dos Mediterrâneos, dos Táttaros ou dos Chineses… O «Homo afer» correspondia ao negro africano típico, podem admitir-se variedades do «Homo afer», distintas dos negros africanos: Australianos, Melanésios, Etíopes, Drávidas, Vedas, etc., constituem outros tantos ramos mais ou menos independentes do negro africano característico. Do mesmo modoque

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se poderia admitir um «Homo afer australianus» ou um «Homo afer aethiopicus» (58), porque não falar dum «Homo afer taganus»? Isto não é identificar o dolicocéfalo de Muge, de baixa estatura e às vezes pouco ou nada prognata, com um negro do Sudão ou da África do Sul, de alta estatura e de prognatismo massiço. Só quem não soubesse NADA destas coisas é que poderia ter-nos julgado capaz de tal intenção. Mas continuamos convictos de que o «H.taganus» pertence ao bloco de raças equatoriais, imaginado por Giuffrida-Ruggeri com restos esqueléticos paleolíticos, e de que conjecturalmente se fazem derivar as raças actuais. Boule e Vallois imaginaram recentemente(59) – fazendo reviver a tese de Bean e Giuffrida-Ruggeri, do homem primitivo do tipo indiferenciado, - que os negros actuais, os europeus actuais, etc., representariam porventura formas acentuadas, relativamente recentes, derivadas dum «stock» de formas primitivas mistas, menos marcadas, mais atenuadas. Notemos que o paleontologia humana na África nos fornece várias formas que não são marcadamente nigríticas. Os negros típicos seriam uma forma tardia, desconhecida no estado fóssil. O paleolítico superior e o mesolítico africano apresentariam sobretudo formas colectivas ou mistas, de acordo com as leis paleontológicas gerais. Não sabemos se a tese é exacta. Dissemos já porque hesitamos em lhe dar adesão: «O paleolítico superior e o mesolítico – escrevemos(60)---não representam um lapso de tempo suficientemente

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extenso para que seja pouco verosímil que todo ele tenha decorrido em ensaios evolutivos inacabados? Temos de considerar (como sugerem Boule e Vallois) como constituindo, na realidade, um bloco unitário indiferenciado a multiplicidade de formas heterogéneas que nos acusa a paleantropologia do paleolítico superior? «Por enquanto, mantenho a crença de que, se essa heterogeneidade traduz, sem dúvida, em muitos casos, variações individuais de grande amplitude, não é justo, noutros, deixar de a atribuir a pluralidade de raças. Convenho em que é difícil, no estado actual dos métodos antropológicos, com materiais esqueléticos reduzidos, às vezes com achados singulares (o que, em paleontologia, não impede o estabelecimento de tipos distintos, quando a morfologia a impõe) averiguar quando se trata de diferenças raciais ou apenas de diferenças. Faltam, naturalmente, para a paleantropologia, indicações sobre a morfologia externa, as partes moles, as reacções bioquímicas, etc.». Mais adiante escrevíamos: «Pode perguntar-se, admitindo-se a tese exposta…, se será conveniente tomar as raças actuais como padrões de confronto para a sistematização taxonómica dos restos fósseis. Mas quais então os padrões a tomar? Note-se que precisamente a craniologia e a osteologia não permitem, em geral, definir com segurança senão os tipos bem marcados. Mas porque não assinalar, nos tipos menos acentuados, a existência duma ou outra direcção ou tendência para aqueles? Afinal Boule e Vallois admitem, por exemplo, a evolução

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do Cro-Magnon no sentido dos actuais Europeus, e, do mesmo modo, não prescindem dos termos «negróide», «australoíde»,etc. É que não possuímos por enquanto, outra linguagem inteligível, outro meio de nos orientarmos no labirinto das caracterizações raciais». E, depois de perguntarmos se não surgirão ainda descobertas que permitam admitir uma antiguidade dos Negros típicos tão remota como a das referidas formas mistas ou indiferenciadas,concluímos: «Embora os elementos hoje conhecidos da Paleantropologia, para muitas regiões, nos revelem habitantes fósseis de tipo diverso dos actuais das mesmas regiões, não é possível ainda traçar com segurança da origem e distribuição primitiva destes últimos. É cedo talvez para abandonar, por exemplo, a crença da origem meridional…, equatorial, das raças melanodermes. Mas por «bloco de raças equatoriais», entendo apenas no caso presente um bloco de raças afins das que têm hoje uma predominante localização equatorial». **** A diferença antropológica entre o «Homo taganus» e o tipo mediterrâneo ou português actual, a obliteração na população portuguesa de hoje de sinais marcados de infiltrações negróides, as próprias reservas a adoptar nestas sistematizações, não dão ao debate da posição sistemática do tipo predominante em Muge tal significado que de qualquer modo possa ferir a sensibilidade e a

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inteligência dos portugueses do nosso tempo o facto de se falar em negroidísmo a propósito do homem mesolítico ribatejano. Vimos, porém como este negroidísmo é atenuado, se restringe apenas a alguns caracteres, coexiste com outras tendências antropológicas, e não significa necessariamente laços de estrito parentesco com os actuais Negros de África. A tese principal que temos sustentado e – apesar do que há de provisório em tantas concepções etnológicas que têm tido grande voga – julgamos ainda poder sustentar, é a de que o «Homo taganus» se aproxima, sem se identificar com ele, do homem de Combre-Capelle (distinto do CroMagnon «strcto sensu»), e que um e outro parecem pertencer a um bloco de raças de provável origem equatorial, a que um e outro parecem pertencer a um bloco de raças de provável origem equatorial, a que pertenceriam também o negróide pré-histórico de Grimaldi e os actuais Etíopes, Australianos, Negros, etc.. Mas, depois do que dissemos, nenhum interesse tem estas ideias para a classificação antropológica da população portuguesa actual, nitidamente europeia, marcadamente distinta dos Negros, e onde só esporadicamente aparecem figuras negróides, por importações recentes ou por revivências de remotas infiltrações africanas ou mesolíticas «Homo taganus». Entre o Ribatejano do mesolítico e o Ribatejano de hoje há diferenças marcadas do tipo físico, cultura, psicologia, etc..

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Talvez nem haja comunidade de sangue já dissemos, noutro artigo (61), que – apesar do que se tem escrito sobre as suas afinidades berberes e sarracenas – o Ribatejano médio de hoje, muito vizinho do Português médio contemporâneo, se identifica somatologicamente mas com o elemento «Ibero-insular», de DENIKER, do que com o «eurafricano», de HADDON, cuja influencia parece mais sensível nas regiões montanhosas do norte do país.(62). Assim, embora na toponímia, no folclore, etc., haja no Ribatejo evidentes vestígios da ocupação árabe-berbere, não é possível reconhecer idêntica influência na composição antropológica da população.. Os traços sematológicos dos africanos brancos não são facilmente discerníveis dos das populações da Europa meridional e mediterrânea. Mesmo, eurafricano não é sinónimo de negróide, e muito menos de negro. Ora estas últimas influências são praticamente nulas na população portuguesa de hoje. Acrescentemos, ainda a propósito da origem do «Homo taganus», que recentemente alguns autores, como VAUFREY e sobre tudo LAURENT COULONGES(63), se manifestaram contra a doutrina de BREUIL,OBRMAIER, BOCH, etc., da ascendência capsense, africana, da cultura tardenoisense, como é a que se encontra nos concheiros de Muge. Desapareceria, deste modo, o paralelismo antropológico-etnográfico que concebemos entre a origem meridional do «H.taganus» e da cultura. Coulonges fala numa verdadeira «miragem africana» que teria dominado até agora esses pré-

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históriadores. Caber-lhe-á, sem dúvida, razão em considerar prematuras as generalizações feitas. Várias vezes temos demonstrado as dificuldades, não raro invencíveis, na reconstrução das migrações pré-históricas (64). É possível que, de facto, à «miragem oriental», que ainda deslumbra tantos autores, haja sucedido a «miragem africana», mesmo uma miragem negra…» Mas nem se pode considerar destruída a hipótese de Breuil, Obermaier e Boch, nem, se o estivesse, isso bastaria para invalidar a da origem meridional (mais verosímil do que a boreal) do bloco de que fazem parte, sem dúvida, os tipos de CombeCapelle e de Muge. Raça e cultura não se sobrepõem necessariamente, e entre a Europa meridional e o norte de África não teria havido na pré-história, uma ausência total de conexões démicas. Mas também não são inverosímeis factos de convergência. Quando alguns autores, como OLIVEIRA MARTINS, XAVIER DA CUNHA, etc., falam de sangue norte-africano no campino, e comparam o Tejo com o Nilo, a lezíria ribatejana à Numídia, não serão influenciados pela impressão quase dum mesmo sol, dum mesmo céu, duma mesma paisagem, actuando uniformizadoramente por perístase sobre uma mesma velha estirpe mediterrânea? Este mar não separou povos, aproximou-os. Como ele contrasta com o Saará. isolador! E a faixa marítima atlântica que margina a África do Norte e a Europa Ocidental, também não foi, na pré-história, um deserto, antes permitiu importantes e averiguados contactos démicos e

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culturais entre a África menor, e Península Ibérica, a Bretanha, a Irlanda e outras regiões do norte da Europa. Ao mito platónico da Atlântida não corresponde qualquer demonstração científica da existência do pretenso continente já dentro da era humana, e duma civilização atlantidiana que se tivesse espraiado para leste. Cientificamente, apenas é lícito admitir que alguns factos geológicos, etnográficos, etc., realmente desenrolados no ocidente da Europa e da África setentrional, tivessem fornecido sugestões à imaginária construção do filósofo ateniense. Mostrámos mesmo já, noutro trabalho(65), que nos arredores de Lisboa e no Ribatejo se poderiam talvez localizar algumas dessas sugestões. Mas se o continente desaparecido em plena era humana, com um povo e uma civilização, está no puro domínio inventivo, é apenas fábula, uma Atlântida pré-histórica, meio terrestre, meio marítima, feita das paragens europeias e norteafricanas já citadas e de zonas marítimas que se uniram, pode simbolizar, sobretudo no eneolítico, as relações estreitas de população e de cultura que ali se teriam estabelecido. É um império préhistórico atlântico, diferente do concebido por Platão, mas assente com grande probabilidade em elementos científicos dignos de crédito (66). Não esqueçamos, porém, os pontos essenciais de que nos propusemos tratar sumariamente. Vimos que, embora entre enormes dificuldades e incertezas e sob as indispensáveis reservas, é lícito

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admitir relações étnicas ante-históricas entre o nosso território e a África. Vimos, porém, que estas relações não significam nem os primitivos habitantes do país tenham sido verdadeiros negros ou dum negroidismo intenso e exclusivo, nem que deles se mantenham no tipo médio da população actual os caracteres ditos inferiores. Vimos também que, através da história, essas relações continuaram, sendo possível reconhecer, desde o século XV, não já apenas a infiltração do «africano branco» (67), mas, com certa intensidade, a de verdadeiros negros. A pesar, porém, do que se escreveu tanto em Portugal como fora de Portugal, sobre a importância demo génica destes últimos no nosso país, a sua acção revela-se insignificante, desprezível, na população portuguesa actual. Enumerámos as razões que se nos oferecem, para explicação de tão reduzida influência. Caberia ainda atentar em que as importações de escravos negros não se traduziram em contingentes tão notáveis que eles viessem a submergir no seu seio a população branca – numérica, social e biologicamente predominante Os receios de Garcia de Rezende e de Clenardo não se verificaram. Notemos que as observações deste último se referiam sobretudo a centros urbanos como Lisboa e Évora, embora ele falasse da abundancia dos negros dos negros em toda «toda a parte» como Garcia de Rezende e Damião de Gois dessa abundancia no «Reyno» em geral.

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Ora, computou-se, em 1551, a proporção dos negros africanos em Lisboa, em 9,95% da população da capital, e, em 1620, em 6,3%. Admitindo naturalmente a existência, então, de muitos negros no resto do território, verificamos, entretanto ainda assim, que se aquelas percentagens chegavam quase à décima parte da população de Lisboa, elas seria uma fracção muito menor, mesmo mínima, da população total do país. Finalizemos com estas palavras justas e insuspeitas dum ilustre cientista alemão, o prof. H. LAUTENSACH, autor de uma importante monografia geográfica sobre o nosso país: «as influências negróides sobre o tipo de raça em Portugal têm sido muitas vezes exageradas» (68). Assim é.

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INDICE DE APOIO:
__________ Pág. 3 (1)– A curiosidade vulgar que pede a indicação da indicação da antiguidade das épocas pré-históricas segundo a cronologia ordinária, não se pode dar cientificamente satisfação senão dum modo muito hipotético e vago. Faltam, como é natural, cronómetros seguros e referências absolutas para esses cômputos. Para o mesolítico pode, muito conjectural e imprecisamente, falar-se em cerca de 10.000 anos a.C. (2)- A primeira estação deste género encontrada no vale do Tejo foi a da Quinta da Sardinha, entre Muge e Salvaterra. Seguiram-se as de Muge. Recentemente, graças às meritórias explorações do sr. Hipólito Cabaço, foi reencontrada a da Quinta da Sardinha e foram descobertas outras novas no Ribatejo. __________ Pág. 4 (3)– “Numâmtia – I – Munchen, 1914 – p. 49 (4)– No «American Journal of Physical Antropology» Washington, 1927 _________ Pág. 5 (5)– Hans Gunther - « Rassenkunde Europas – Munchen, 1929 (6)– Mendes Corrêa - «Os povos primitivos da Lusitânia», Porto, 1924, p. 318 e 329 e segs: «Introdução à Antropobiogia» - Acad. das Ciências de Lisboa, Biblioteca de Altos Estudos, Lisboa, 1933, p. 36 e segs. _________ Pág. 7 (7)- Roquette Pinto calcula em 14% da população total do Brasil o contingente negro e em 22% o número dos mulatos. Sôbre os negros no Brasil vd., os trabalhos de Nina Rodrigues, Roquette Pinto, Arthur Ramos, Gilberto Freire, Renato Mendonça, Oliveira Vianna, etc. (8)- «Os problemas da análise etnológica» - Revista da Faculdade de Letras do Porto» - I Porto, 1922, págs 16 a 19 extr.; «L´hérédité mendélienne et I´anályse ethnologique «Natur und mensach», II, Berne, 1922.

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(9)– Da biblioteca «L´´evolution de L´humanité – V – Paris, 1924, pág. 140. (10) - Liv. XXI, cap. XXII (cit. Leite de Vasconcelos - «De terra em terra» - II, Lisboa, 1927, p. 21) _________ Pág. 8 (11) – Segundo Apiano (cit. Em A. Schulten – Viriato – trad. Portug. De A. Ataíde, Porto, p. 30) (12) – Plutarco - «Vies des hom mês ilustres», trad. Pierron, 2ª ed. t. III, Paris, 1854, pag. 39 (13) - «Os povos primitivos da Lusitânia» ap. Cit. Págs 307 e segs. __________ Pág. 9 (14)-Th Mommsen – «História Romana» (cit. Leite de Vasconcelos - «De terra em terra» - pp. Cit., p. 22) (15) – Oliveira Martins – Os filhos de D. João I – 5ª ed. – Lisboa, 1926, p.p.244 e 245 ________ Pág. 10 (16) - Cit. Fortunato de Almeida - «História de Portugal» III – Coimbra, 1925, pág. 215 (17) – Ibid., págs 214 e 215 (18) – Ibid., pág. 215 (19) – Anselmo Braamcamp Freire - «Cartas de quitação de El-Rei D. Manuel» - «Arquichivo Histórico Português», vol. III, pág. 477 (cit. em Fortunato de Almeida – ap. cit., pág. 216 (20) - M. Gonçalves Cerejeira - «O Humanismo em Portugal – Clenardo» - 2ª ed. Coimbra, 1926, pág.152 e 153 __________ Pág. 11 (21) - «História de Portugal» - t. II, Lisboa, 1879, pág.21 (22) – Op. cit., pág. 20. __________ Pág. 12 (23) – Oliveira Martins – Op. cit., pág. 1 (24) – O mal estendeu-se a outros países europeus

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___________ Pág. 13 (25) - « De terra em terra», op. cit., pág.21 (26) - «Ibid» Segundo o mesmo autor, os habitantes do concelho de Grândola chamam aos indivíduos desta raça «Carapinhas da Ribeira do Sado=. Tive ocasião de evocar estes informes a propósito de alguns restos osteológicos duma necrópole, da idade do ferro, de Alcácer do Sal, aos quais adiante me refiro no texto (Mendes Corrêa «Contribuições para a Antropologia da idade do ferro em Portugal» - Trabalhos da Soc. Port. D`Antropologia e Etnog.», t. V, Porto, 1931, pág. 29 do ext.) (27) – Fhe Climate of Portugal and Notes on its Health Resorts – Lisboa, 1914, pág.224. (28) - Uns e outros foram depois estudados também por Alfredo Ataíde, Miguel C. Costa Santos e autor, que confirmaram as diferenças craniológicas entre Portugueses e Negros. _________ Pág. 14 (29) – Nos «Povos primitivos da Lusitânia», já citados. (30) – Mendes Corrêa – «Raça e Nacionalidade» - Porto, 1919, pág. 80 (31) – Id. - «Homo» - 2ª ed. – Coimbra, 1926, pás. 211 e segs. (32) – F.J. Oliveira Vianna -»Evolução do povo brasileiro» S. Paulo, 1923, pág. 148, etc. (33) – Sobre «Mestiços das Colónias Portuguesas» vd. Comunicação nossa, assim intitulada, no vol. I das actas do I Congresso Nacional de Antropologia Colonial, Porto,1934. _________ Pág. 15 (34) – Ou calcolítico, ou idade do cobre – período que, segundo de Schmitdt, é anterior a 2.500 a.C. _________ Pág. 16 (35) – Vd. Pormenores nos «Povos primitivos da Lusitânia», cit., págs. 206 e 207 (36) – Dr. Georges Hervé - «De L`existence d`un type humain a caracteres vraisemblablement négroídes dans les depots coquilliers mésolithiques e la vallés du Tage» (Lettre

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à M. le Professeur A. A. Mendes Corrêa) - « Revue Antropologique », XL, année Paris, 1930 __________ Pág. 22 (37) – Nos concheiros de Muge, Paula e Oliveira registou algumas espécimes de tendência Oraquicéfala (crâneo curto e largo, mais ou menos arredondado). Seriam dos mais antigos braquióides da Europa, com os de Ofnet (Baviera). Vallois, em trabalho adiante citado, atribuiu a essa escassa minoria de exemplares, quando muito, a mesaticefalia (forma intermédia entre a alongada e a braquicéfala). Teria havido exagero na observação de Paula e Oliveira, depois adoptada pela generalidade dos autores. Haveria – e há de facto- exemplares deformados. Em trabalhos adiante citados, mostramos , porém, certa divergência em relação à contestação, feita por Vallois da braquicefalia em Muge. Mas este debate não interessa directamenteao assunto do presente artigo. (38) – Mendes Corrêa - « à propôs des caracteres inférieurs de quelques crâneo pré-históriques du Portugal» - «Archivo de Anatomia e Antharopologia», vol. III, Lisboa, 1917; « Sobre uma forma craniana arcaica» - Anais Scientif. Da Faculdade de Medicina do Porto», vol. IV, Porto 1917, « Sulla pluralitá dei tipi ipsistenocefali e sopra alcuni crani portoghesi» - «Revista di Antropologia», t. XXI, Roma, 19161917, « Novos subsídios para a Antropologia portuguesa», «Assoc. Españ. Para el Prog. De las Ciências» Congresso de Sevilla, Madrid, 1917, «Estudos da etnogenia portuguesa – Os habitantes primitivos do território»- «Terra Portuguesa», Lisboa, 1918; «Origins of the Portuguese»-« American Journ. of Physical Anthropology», t. II, Washington, 1919; «Raça e Nacionalidade», Porto, 1919, págs 45 e segs; «Etnologia Ibérica»-«Anais da Academia Plotecnica do Porto», t. XIV, Coimbra, 1921, págs 8 e segs do extracto. (39) - «Nouvelles observations sur L`Homo taganus nob.»revista cit.t. XXXIII, Paris, 1923. (40) - «Essaí sur Lèthnologie pre-romani de Portugal» «Revue Anthropologique», t. XXXV, Paris, 1925, pág. 4 do ext., «Os povos primitivos da Lusitânia», cit. p.175; «Homo» 2ª ed. Coimbra, 1926, pags 152 e segs.; «A Lusitânia pre-

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romoana», in «História de Portugal», do prof. Damião Peres, f.I, Barcelos, 1928, págs.110 e 111. __________ Pág. 23 (41) – Cit., pág. 175 (42) – «Análise em «L`Anthropologie», t. XXXI, Paris, 1921, pág. 536 (43) – 2ª ed., Paris, 1923, pág. 340 (44)–Análise no «Archivo per L`Antropologia e la Etnologia», vol.XLVI, Firenze, 1916, pág. 186; «La pozision antropológica del L`Uomo fossile di Combe-Caplle,etc» -Revista di Antropologia», Roma, 1916-1917 (45) – Bologna, 1921, pág. 142 ________ Pág. 24 (46)–H. Obermaier – Fóssil mani n Spain – New Haven,1924, pág326, «El nombrefosil» -- 2ª ed., Madrid, 1925 «El hombre prehistorico Y los origins de la humanidade»--Madrid, 1932, pág. 114 (47) – P. Boch Gimpera – Ensayo de uma reconstrucion de la Etnologia Prehistorica de la Península Ibérica – Bol. De Bib. Menendez Pelayo», Santader, 1922, pág. 15 e 19, e ainda em muitas outras publicações do mesmo autor, entre as quais ultimamente a sua bela «Etnologia de la Península Ibérica», Barcelona», 1932, págs 7 e 34 e segs. Bochexpressamente escreveu que fôramos «quien por primeira vez há valorado justamente la importância de los restos dos Kioekkenmoeddings de Portugal» (« Ensaio de uma reconstracion», etc., pág.19, nota 5. Estes «Kioekknmoeddings» são os concheiros mesolíticos de Muge. (48) – Henri V. Vallois -- «Recherches nur les ossements méosolithiques de Mugem» - «L`Anthrpologie», t. XL, Paris, 1930. (49) - «Ibid», págs.343,346, 348, etc. (50) - «Les nouvelles foulles à Muge (Portugal)» - Congès de Paris de L`Institut Inter. D`Antropologie (V. session, 1931, Paris, 1933.

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_________ Pág. 25 (51) - «A posição sistemática do esqueleto de Combe Capelle» -- «Trabalho da Sociedade Port. De Antropol. E Etno.» T.VI, Porto, 1933. (52) – Ultimamente Mattiegka num belo estudo dos restos esqueléticos de Predmost, restos dos cérebros «caçadores de mumetes» daquela estação paleolítica da Morávia, (J.Matiegka --«Homo Predmostensis –I – Les crâneos» -Prague, 1934; vd. Nossa análise deste vol. em «Trabalhos da Soc. Port. D`Antropol. E Etnologia», t. VIII, Porto, 1936, pág.107), relacionou o homem de Predmost com a raça de Cro-Magnon. Deste modo esta raça teria maior amplitude do que a suposta por Giufrida, mas não alteramos o nosso juízo sobre a dificuldade de aproximar deste grupo CambeCapelle e Muge. (53) – No seu livro «L`Homme des Chés Lacustres» (II, Paris, 1932, pág.899) G.Goury manifesta-se a esse respeito, como noutras passagens e assuntos, sem critica e sem o necessário conhecimento do problema (vd. Nosso estudo «A posição sistemática do esq. De Cambe-Capelle, cit.», pág.24 do extr.; e «Novos elementos para a cronologia dos concheiros de Muge» - «Anais da Fac. de Ciências do Porto», t.XVIII, Porto, 1934, págs. 7 e 8 do extr.) Neste último trabalho aludimos ao interesse do confronto dos restos humanos de Muge com os mesolíticos de Téviec (França) descobertos por Mr. E Mme Saint-Just Pécquart, e com os capsenses de Afalou-bou-Rhomel (África do Norte), descobertos por Arambourg. O recente estudo antropológico destes últimos por Boule, Verneau e Vallois não deixa duvidas sobre as suas afinidades com a raça de Cro-Magnon, na estatura elevada, desarmonia crânio-facial, abóboda craniana baixa – outros tantos caracteres diversos dos de Muge. ________ Pág. 27 (54) - «L`Anthropoligie», t. XLV, Paris, 1935, pág. 618 (55) - «La Race, Les Races» - Paris, 1933, pág.108. É interessante ler o que o mesmo auto rem « L`Ologenèse humaine» (Paris, 1928, pág. 187) sobre o emprego da desinência – «oide» nestes casos. Esta terminação, diz,

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designa em geral os caracteres correspondentes ao radical da palavra, mas atenuadas – seja porque motivo for. Para Montandon, ela designa não só o tipo puro mas os sub-tipos atenuados. «O negro-escreve-é um caso especial do negróide» __________ Pág. 28 (56) – Mendes Corrêa - «Ensaio duma classificação natural dos Hominidios actuais» - «Anais da Acad. Politec. Do Porto», t.X, Coimbra, 1915. (57) – Sergi, por exemplo, elevando o «Homo afer» à categoria de género («Nortanthropus»), inclui nele eurafricanos, etiopes, drávidas, polinésios, australianos, negros da África, melanésios, pigmeus, e até…mediterrâneos e nórdicos («H.europeus»)!... Porquê os reparos à aproximação dum tipo manifestamente inferior, como o «H. taganus», com o grande grupo «H. afer»? __________ Pág. 29 (58) – L`homem possile d´Asselar (Sahara)» - Archives de L`Inst.de Paléontol. Humaine» mém. 9, Paris 1932, págs.76, 84 e seg. (59) - « A posição sistemática», etc., op. cit.,pág.98 do ext. _________ Pág. 30 (60) – Mendes Corrêa -- «Ribatejanos» --Ext. dos nºs 37 a 42 do «Boletim da Junta Distrital de Santarém», Sanatrém 1934, pág.16 _________ Pág. 33 (61) – Vd. Sobretudo nosso artigo «Estatura e índice cefálico em Portugal» -- «Arquivo da Repartição de Antropologia Criminal do Porto», II, Vila do Conde, 1932 (62) – L. Coulonges -- «Les gisements pré-históriques de Salveterre-a-Lémance» -- «Atchives de L`Inst. De Paleomtol. Humanaine.» mém,14, Paris, 1935. (63) – Vd. Especialmente nossos trabalhos «Les migrations preshistóriques» (Conferencia, em 1931, em Toulouse, Lyon, Grenoble ,Paris, Lille e Berlim), «Revue Antropologique»,XLIII, anné, Paris 1933, págs. 3 e 25 do

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exte.,» La dispension de L`homem sur la surfasse terrestre» - «Scientia», Milano, 1927, pág.201; «Vargeschichfliche Wanderungen durach die Iberische Halbinsen » -«Forschungen und Fortschritte», I. Iahrg., Berlim, 1931, pág, 321. Última versão castelhana deste ultimo saiu em «Investigación t Progreso», ano VI, Madrid, 1932, pág. 17. A importante monografia da Coulonges foi por nós analisada nos «Trabalhos da Sociedade Portuguesa de Antropologia e Etnogragia», vol.VIII, Porto, 1936, pág. 109. Ali fazemos notar o desconhecimento por Coulonges, dos nossos artigos recentes sobre Muge, «Les nouvelles builles à Muge» (cit) e «Novos elementos para a cronologia dos concheiros de Muge» (Comunicação à Acad. das Ciências de Lisboa, em 6 de Julho de 1933, public. nos «Anais da Faculdade de Ciências do Porto», t. XVIII, Porto, 1934). Coulonges baseou-se nalguns nossos escritos anteriores, dos mais gerais. Não achamos provável a sua hipótese de serem as braquiolides de Muge de data diversa dos dolicoides predominantes, e, pela nossa parte, contestamos a sua suposição de que não haja inobservância da «porventura muito difícil estrafigrafia dum concheiro». Nas nossas escavações, tem sido cuidadosamente analisada a estratigrafia, aliás sempre ali mais ou menos irregular. ________ Pág. 34 (64) - «As novas ideiam sobre a Atlântida» -- «A Terra», Coimbra, 1934; «Da Biologia à História», Porto 1934, pág. 93. Um resumo em castelhano foi publicado na «Investigación y Progreso», VIII, Madrid, 1934, pág.221, sob o título «La Atlândida y los origenes de Lisboa». ________ Pág. 35 (65) – Dele falamos em: «História de Portugal», de Damião Peres, op. cit.,t. I, pág.156; «Da Biologia à História», ap.cit., pág.206 e 294; «Les migrations préhoriques», etc.,op. cit., págs 23 e seg. ________ Pág. 36 (66) – Sobre a antropologia em geral, deste ver, por exemplo, H. Weisgrerber -- «Les Blans d`Áfrique» -- Paris, 1910.

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Pág.37 (68) - «Portugal auf Grund eigener Reisen und der Literatur» - I - «Das Land als Ganzes» - «Petermanns Mitteilungen», nº 213, Gotha, 1932, pág. 158.

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AS PRIMEIRAS DESCOBERTAS NO VALE DO TEJO Em 1863, Carlos Ribeiro, inicia os seus estudos préhistóricos com a descoberta dos concheiros (kjökkenmöddinger) de Muge — aglomerados de conchas e outros restos de alimentação humana datados do período do Mesolítico — quando estudava os terrenos terciários do vale do Tejo. Durante o curso das suas pesquisas, foram ainda identificados esqueletos humanos, ossos de animais fossilizados e objectos talhados em pedra e osso, que permitiram a recolha de informações importantes sobre o estilo de vida das populações que habitaram nas margens do Tejo. Em 1880, mercê do interesse da comunidade científica internacional sobre a discussão que remetia para o Terciário a existência do Homem e, em particular, do empenho de Carlos Ribeiro, tem lugar em Lisboa, o IX Congresso Internacional de Antropologia e Arqueologia Pré-Históricas. Alguns dos exemplares recolhidos por Ribeiro encontram-se depositadas no Museu do Instituto Geológico e Mineiro, mas o espólio da Comissão Geológica recolhido até 1869, foi transferido em 1869 para o Museu Geológico e Mineralógico da Escola Politécnica de Lisboa.

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********* *** VISITA/ OU EXCURSÃO A MUGE
“No ano de 1880, os delegados ao Congresso de Arqueologia Pré-histórica, efectuado em Lisboa, fizeram uma excursão a Muge, em 24 de Setembro, onde foram recebidos com magnificência. As povoações vizinhas determinaram juntarem-se aos festejos da chegada dos ilustres visitantes. Nas extremas do concelho de Salvaterra, erguia-se um arco triunfal, com a bandeira nacional no topo, circundada por muitas bandeiras de diferentes nações; e o caminho do percurso achava-se abrilhantado por outras inúmeras bandeiras. As girândolas de foguetes anunciaram a todo o concelho aquele dia festivo Pelas dez horas da manhã, chegaram os membros do Congresso, em trens tirados a duas parelhas, na frente dos quais vinha o governador civil e o presidente do Congresso, Júlio Lermina. Junto ao arco triunfal, estava a câmara municipal, com seu estandarte; e detrás da câmara postara-se uma força de cavalaria de espadas desembainhadas. De um a outro lado do campo, enfileirava longa enfiada de cavaleiros e de campinos a cavalo, com seus trajes regionais, e não menos de 500 pessoas constituíam as alas, da recepção. Chegados ao arco, os trens pararam, e então a câmara de Salvaterra, composta: por: Vicente Lucas de Aguiar, Presidente, os Vereadores: Albano Gonçalves, António da Silva, Ezequiel Pacheco, Joaquim Menezes, Joaquim Guilherme, e o Administrador do concelho, Marcelino Monteiro, todos de pé, descobriram-se e cumprimentaram o governador civil e o presidente do congresso. Em frases concisas e respeitosas, deram as boas-vindas que terminaram com vivas à ciência e ao

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Congresso Mundial. Os visitantes, apearam-se e corresponderam às saudações, e em breve elocução, agradeceu as felicitações da câmara, o congressista português, Andrade Corvo. Por sua vez, o presidente do Congresso,também discursando em língua francesa, exaltou de modo lisonjeiro os sentimentos do povo local, que acabara de ouvir do presidente da câmara municipal, a consideração que lhe merecia. Depois ouviu-se a filarmónica, e ao longe o imenso estalejar dos foguetes. Os excursionistas seguiram para os Montículos de Arruda, onde estavam as escavações, feitas havia pouco tempo; e ali tiveram ensejo de observar os esqueletos humanos antiquíssimos e alguns sílexes manufacturados. Os esqueletos apresentavam-se de costas com as pernas curvas sobre as coxas, e alguns estavam confusamente amontoados, e outros em posições diferentes; todos tinham belos dentes chatos e rijos. Acabada a festa, numerosas famílias estenderam no chão as toalhas para as refeições e espalharam-se em grupos pelo campo, comendo e bebendo em alegre convívio.” a) Alberto Calderon

*********** Jornal Diário de Notícias “Na primeira página deste jornal, do dia 25 de Setembro de 1880, noticiava que, uns cinquenta congressistas haviam chegado a Muge, freguesia doconcelho de Salvaterra de Magos, no dia antecedente, uma sextafeira. A pedido do governador do distrito, fora exibida uma parada de trabalhadores dos campos e campinos de pampilhos em punho, e um congressista estrangeiro, entusiasmado, exclamou: Que pena não podermos levar um destes campinos para o nosso museu ! “

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