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A Escola Sagarana

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Escola Sagarana

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ESCOLA SAGARANA

Educação para a vida com dignidade e esperança

Escola Sagarana -

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julho de 2001 Edição revista e ampliada Governo de Minas Gerais Secretaria da Educação Governador: Itamar Franco Vice-Governador: Newton Cardoso Secretário da Educação: Murílio Hingel Secretário-Adjunto da Educação: Agamenon José Siqueira Subsecretária de Desenvolvimento Educacional: Maria Stela Nascimento Subsecretário de Administração do Sistema de Ensino: Gilberto José Rezende dos Santos Chefe de Gabinete: Lucy Maria Brandão Coleção Lições de Minas Volume II – 2ª edição – julho de 2001 Escola Sagarana: Educação para a vida com dignidade e esperança Edição revista e ampliada Coordenação editorial: José Eustáquio de Freitas Organização: José Eustáquio de Freitas Capa: Paulo Valério Ilustração de capa: “Bem-te-vi”, de Arlindo Daibert Revisão da 2ª edição: Maria Helena Gonçalves de Toledo Editoração: Marcos Aurélio Maia Fotolitos, impressão e acabamento: Imprensa Oficial de Minas Gerais Edição: Assessoria de Comunicação Social - SEE-MG

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Apresentação Educação para a vida com dignidade e esperança Murílio de Avellar Hingel Secretário da Educação de Minas Gerais Escola Sagarana - 4 .

Este é um documento aberto e que tomará forma mais elaborada depois de praticados os procedimentos que permitam a construção coletiva do Plano Mineiro de Educação. exigência inarredável da sociedade brasileira neste limiar do século XXI. aos pais e à sociedade em geral uma primeira proposta de diretrizes e prioridades elaborada a partir da carta supramencionada. Completado o primeiro semestre à frente da Secretaria de Estado da Educação. de caráter decenal. A construção do Sistema Mineiro de Educação supõe consulta às bases envolvidas com as demandas por mais e melhores serviços educativos.1998). subscrita pelo Governador Itamar Franco. com amplo espaço ao debate construtivo. mas detalhada pelo diagnóstico realizado. Essa consulta. em termos de políticas públicas para Minas Gerais. e ampliada pelo exercício do dia-a-dia pedagógico e administrativo. tal como aprovado na Carta dos Educadores Mineiros (2. O primeiro semestre foi destinado ao levantamento da real situação do Estado na área educacional. à vista do quadro administrativo.9. o estabelecimento de parâmetros básicos. será instrumentalizada pela transformação do Fórum Mineiro de Educação em ação permanente de governo. enriquecida pela contribuição de comissões especiais e grupos de trabalho que foram constituídos e elaboraram relatórios ricos em sugestões. privilegiando o conceito da Educação para todos durante toda a vida. em parte conhecida como decorrência do Fórum Mineiro de Educação. financeiro e pedagógico encontrado em 1º de janeiro de 1999. penso ter chegado o momento de apresentar aos educadores. Os resultados Escola Sagarana - 5 . Também permitiu. então candidato às eleições que o conduziram ao cargo máximo do Estado de Minas Gerais (quadriênio 1999-2002). a fixação de objetivos gerais e de diretrizes operacionais que asseguraram o desenvolvimento de ações voltadas à correção de rumos e a adoção de medidas indispensáveis ao reajustamento da Secretaria e da rede escolar estadual.

apresenta evoluções e alterações trazidas pela crítica e pela prática. estudado e debatido. preocupada com o desenvolvimento humano e com a cidadania. Este documento é uma referência do trabalho desenvolvido pela Secretaria da Educação em sua dimensão de reflexão para debates a serem promovidos desde a escola até os encontros regionais e estaduais. mas em contínuo processo de acompanhamento. com a forma de fórum e de base ao Plano Decenal de Educação. reforça a idéia de que este documento é ponto de partida e. médio e longo prazo. O sentido dinâmico do planejamento a partir da realidade. revista e ampliada quase dois anos após a primeira publicação. e integra a primeira edição deste livro e constitui o passo inicial do governo Itamar Franco na área da Educação. isto é: a educação a serviço da coesão social e da participação democrática.alcançados são expressivos. privilegiando o conceito da Educação para todos durante toda a vida. cujo norte será a Educação para a vida com dignidade e esperança. a base deste documento foi elaborada em 1999. dentro dos princípios que regem o planejamento aplicado à Educação de curto. contém avaliações dos programas e projetos inspirados pela nova política educacional de Minas Gerais. É evidente que os programas e projetos que o constituem estão e estarão sendo executados. assim. em consonância com o Plano Mineiro de Desenvolvimento Integrado – PMDI – preparado pela Secretaria de Planejamento e Coordenação-Geral. retificações e aprofundamentos em função da metodologia adotada. Portanto. tomará forma mais elaborada depois de praticados os procedimentos que permitam a construção coletiva do Plano Estadual de Educação. cumprindo-se assim o ciclo processual do planejamento da Educação. de caráter decenal. a Escola Sagarana. redefinições. Esta edição. deve ser conhecido. Escola Sagarana - 6 . como se pode constatar nos diversos setores das Subsecretarias de Desenvolvimento Educacional e de Administração do Sistema de Ensino. sofrendo alterações. resultando em aperfeiçoamentos e avanços muito significativos para a educação em Minas Gerais. Permanece como documento aberto e que. que conduz necessariamente ao replanejamento. controle e avaliação.

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fica definida a estratégia de construção de um Sistema Mineiro de Educação identificado com os interesses do Estado. Sendo prioridade absoluta. tais como saúde. os professores. popular – e abranger a escola. comunitária.1. Que dê atenção à diversidade criadora Escola Sagarana - 8 . meio ambiente. somente alcançada pelo tratamento diferenciado aos desiguais. trabalho. os especialistas.” A educação é um processo que requer planejamento estratégico. segurança alimentar. deve estar voltada para a formação integral do ser humano – sujeito de direitos – e não se confunde com a noção de mero serviço. consumo. entre outras. a família e a comunidade. Identificada com as necessidades essenciais do ser humano. em agosto/setembro de 1998. da mundialização da economia. corporalidade. que consubstancia os compromissos do governo Itamar Franco para esse setor. da cidadania e da formação integral do ser humano. devendo ser desenvolvida a partir de conceitos amplos – a exemplo da educação integral. fiel aos compromissos assumidos pelo Brasil em 1990. ao final. Tais características e vocações estão identificadas com a cultura e o comportamento do povo mineiro e foram referendadas pelos educadores de Minas Gerais que se reuniram. para realizar o Fórum Mineiro de Educação e formular. ação comunitária. sempre assentada no humanismo e voltada para o desenvolvimento harmônico do Estado. “Um Sistema que promova a nucleação da ação pedagógica a partir da identidade regional. com a cultura e com as exigências do mercado de trabalho. Introdução “Um Sistema que promova a nucleação da ação pedagógica a partir da identidade regional. atuando nas mais diversas áreas. sempre assentada no Humanismo e voltada para o desenvolvimento harmônico do Estado. na Tailândia. a educação verdadeiramente comprometida com a cidadania responderá aos desafios contemporâneos. durante a Conferência Mundial de Educação para Todos. das novas e complexas tecnologias. Ali. como em outros documentos posteriormente produzidos. realizada em Jomtien. a Carta dos Educadores Mineiros. tem como objetivo primordial a universalização da educação e crê que o processo educacional deve contemplar a democratização. segurança. os profissionais da educação em geral e organismos oficiais e forças comunitárias. O Governo de Minas Gerais. sexualidade. atuação integrada e ações permanentes envolvendo todo o escalão dirigente.

envolvendo a participação das famílias. Metas e Objetivos Gerais “A bem montada estrutura de educação superior existente no Estado deverá ser incentivada a envolver-se com o Sistema Mineiro de Educação. que seja capaz de organizar conteúdos curriculares inteligentes e atraentes. das empresas e de organizações não governamentais. estimule as diferenças e as contribuições do rico universo cultural mineiro. 2.. opondo-se à padronização técnica de viés autoritário. que articule as atividades educacionais com o setor produtivo. aprender a viver e a conviver. de instituições sociais e comunitárias. especialmente na formação e capacitação dos profissionais da educação. aprender a ser” . voltados para “aprender a aprender. aprender a fazer..de modo que.” Escola Sagarana - 9 .

 incentivar os programas de educação de jovens e adultos e  garantir às populações rurais serviços educacionais identificados com suas necessidades e expectativas.defender a integração estado-município sem imposições autoritárias. na perspectiva de que a democratização da oferta educacional requer tratamento diferenciado às populações carentes. adotar a filosofia da atenção integral. estar atento à realidade do mundo contemporâneo de modo que. especialmente na formação e capacitação dos profissionais da educação. as populações mais carentes. caminhando progressivamente para sua universalização e contemplando. A bem montada estrutura de educação superior existente no Estado deverá ser incentivada a envolver-se com o Sistema Mineiro de Educação.  reconhecer a importância das parcerias. com especial atenção às áreas urbanas periféricas e ao meio rural. entendido em suas vertentes empresarial e trabalhista. estimulando-as.  ampliar e democratizar a oferta de educação infantil. no âmbito da educação básica. garantir a matrícula a todas as crianças em idade escolar. em que a negociação seja o caminho natural que leva à fixação de responsabilidades recíprocas. na produção e divulgação de livros e outros meios indispensáveis ao trabalho na escola. na expansão da pesquisa e dos trabalhos de extensão. no que se refere ao ensino médio. O Sistema Mineiro de Educação deverá. para sua necessária articulação com a denominada educação técnica/tecnológica que. os esforços deverão estar voltados para sua progressiva universalização e democratização. oferecendo tratamento diferenciado aos que dele necessitam – especialmente aos que se encontram em situação social de risco . por sua vez. deverá contar com a estrita participação do setor produtivo. prioritariamente. O Sistema Mineiro de Educação deve ter como pressuposto filosófico o pluralismo humanista.  no ensino fundamental. no apoio ao desenvolvimento do subsistema de educação a distância e na definição das políticas públicas vinculadas à educação.Como indica a Carta dos Educadores Mineiros.e fazendo da educação um dos meios facilitadores da cidadania e da superação das desigualdades sociais. com prestação de serviços escolares de Escola Sagarana - 10 . o Sistema Mineiro de Educação deverá:  ampliar o conceito e a escolarização obrigatória até o ensino médio. ainda. estar comprometido com os princípios democráticos e a melhoria dos padrões da educação – atuando sobre as causas dos problemas e não sobre os efeitos .

dentro da unidade de princípios e de objetivos da educação. desporto.qualidade e atendimento a suas necessidades de saúde. contém um pouco de cada rincão nacional. Que respeite as diversidades regionais. Sobretudo. de produtividade. 3. prevenção contra a violência. segurança. etc. lazer. atendendo todos os mineiros. geração e uso de tecnologias modernas. como lhe pode ser prejudicial. 1956. com área de 587.172 km2 e cerca 18 milhões de habitantes distribuídos em 853 municípios. é vital na busca da felicidade. entre outras ações. habitação. à formação e preservação dos valores. que são os professores. EM RESUMO. o Sistema Mineiro de Educação haverá de. seja nos aspectos culturais. as drogas. os especialistas da educação. Propõe-se o governo de Minas Gerais a construir um Sistema Mineiro de Educação que tenha identidade própria. seja na realidade socioeconômica ou de desenvolvimento humano. Essa valorização supõe. as doenças sexualmente transmissíveis. a dignificação da atividade profissional pelo respeito e diálogo permanentes. implementação de sistemáticos programas de treinamento e aperfeiçoamento continuado dos profissionais da educação. valorizar os profissionais que nele atuam. A educação está intimamente ligada às questões do ambiente. de competitividade. Editora Nacional) O estado de Minas Gerais.” (Anísio Teixeira. socialmente justo e que seja discutido com a base do sistema educacional. nas relações de emprego. na promoção do Humanismo. nas relações humanas. com a correspondente formulação de planos de cargos e salários e outros instrumentos. os diretores. alimentação. necessariamente. in A Educação e a Crise Brasileira. a Educação é vital. do bem comum. Diagnóstico “A educação limitadamente humanística dada na velha escola de elite não só não se presta a toda essa população escolar. a instituição de nova carreira. Para a consecução de seus objetivos. a comunidade em geral. cultura. é definido como um estadomosaico: em sua diversidade regional. Cia. sempre mediante ampla participação de todos os setores envolvidos. Escola Sagarana - 11 . considerando-se suas correlações com diversos setores e áreas. enfim. alunos e pais de alunos. que democratize as oportunidades.

a redução das matrículas na rede estadual foi acompanhada do aumento de matrículas nas escolas municipais. premidas. atendidos em mais de 3. no mínimo. permitida a atuação em outros níveis de ensino somente quando estiverem atendidas plenamente as necessidades de sua área de competência. Só a rede estadual tem perto de 2. a um planejamento rigoroso e provocava distorções e prejuízos ao Estado. mas esse indicador altamente positivo não pode esconder outra realidade: segundo dados da Fundação João Pinheiro. na última década. A matrícula efetiva na rede estadual foi influenciada também pela municipalização do ensino fundamental.394. Esse movimento contribuiu. A evolução das matrículas no ensino fundamental vem indicando uma redução da demanda. Assim. pelas condições sociais e econômicas adversas e pela necessidade de ingressarem cedo no mercado de trabalho. Tem regiões altamente desenvolvidas no setor industrial e de serviços.4 milhões de alunos (5. Em Minas. praticada com intensidade entre os anos 1992 e 1998. o ensino fundamental. Minas tem mais de 5. devem investir em educação. de 23 de dezembro de 1996. que não obedeceu. foi alterada a partir de 1999 com a suspensão das municipalizações. como os vales dos rios Jequitinhonha e Mucuri. compete oferecer a educação infantil em creches e préescolas e. principalmente. para o sucesso da política de universalização do ensino. na época. reservas indígenas e territórios onde afloram problemas e conflitos agrários.Contém zonas de alta concentração urbana.900 escolas. imensas áreas de expansão agrícola e zonas onde a exploração mineral se destaca por seus aspectos positivos e seus impactos sobre o meio ambiente. índice superior à média nacional (97%). Aos municípios. O quadro de atribuições da união.500 escolas. determinada pela queda das taxas de natalidade no Brasil. estados e municípios. Essa linha de ação. 98% das crianças em idade escolar estão estudando. e extensos vazios populacionais. com prioridade.440. cabe aos estados assegurar o ensino fundamental e oferecer. 25% de suas receitas. como a região metropolitana de Belo Horizonte. ensino fundamental e ensino médio. o ensino médio. dos estados e municípios em relação à educação é definido pela Lei 9. Assim. cerca de 400 mil crianças em todo o Estado continuam fora da escola. que estabelece as Diretrizes e Bases da Educação Nacional (LDB). com prioridade. Todo esse contexto e a complexidade dessa síntese tem que ser considerada nos planos de ação educacional. conforme o Censo Educacional/2000) matriculados em mais de 18. por determinação das constituições federal e estaduais. Escola Sagarana - 12 . União.794. de certa forma.9 milhões de alunos na educação infantil.

Também foi excluída a educação infantil. A par de transferir escolas. intensificou processo de municipalização. a engenharia financeira do FUNDEF contém distorções graves. inexeqüíveis no aspecto econômico-financeiro e legalmente insustentáveis. no mínimo.A criação do FUNDEF (Fundo de Desenvolvimento e Manutenção do Ensino Fundamental e Valorização do Magistério). de Escola Sagarana - 13 . levando a Secretaria de Estado da Educação a firmar uma série de convênios inadequados do ponto de vista pedagógico. séries e turmas para a responsabilidade dos municípios. ao criar um sistema eficiente de financiamento da educação. quanto à sua formalização. compromissos de obras. O resultado é que. mesmo representando um razoável avanço. O ensino médio foi excluído dessa fonte de financiamento. O estado e os municípios devem aplicar. sempre em favor do ensino fundamental. essencial para a preparação das crianças para o processo de ensino e aprendizagem. o Estado assumira. O ponto de partida para isso é uma distorção grave do mecanismo proposto pelo FUNDEF: como os recursos do Fundo são distribuídos com base no número de matrículas registradas nas redes estadual e municipais. que levou ao fechamento de inúmeras escolas rurais e à quase extinção de importantes e produtivas experiências pedagógicas. 60% dos recursos do FUNDEF em pagamento do pessoal de magistério e o restante em manutenção e investimento. provocando o fechamento de inúmeras escolas e criando grandes dificuldades para estados e municípios retomarem essa modalidade de ensino. em 1996. Em várias oportunidades. a mesma legislação determina à administração pública um patamar mínimo de investimento no ensino fundamental. As municipalizações realizadas de 1992 a 1998 não seguiram qualquer projeto racional. como a utilização do número de matrículas do ano anterior para definição dos índices de cada estado e município. De outro lado. embora a demanda de vagas. naquela ocasião. o aluno foi “transformado” em unidade monetária: quanto mais alunos na rede de ensino. maior o volume de recursos recebidos. Esses fatores estão na origem da política de nucleação. dirigentes municipais e estaduais e de entidades representativas da educação no país têm manifestado restrições ao regulamento do FUNDEF e sugerido alterações de forma a ampliar as possibilidades de investimento no setor. escolas e professores venha registrando crescimento elevado e permanente – em Minas a quantidade de alunos nesse nível duplicou nos últimos cinco anos. impede o aporte de recursos novos para a Educação nos estados e municípios. com isto. além de permanecer atrelado a uma política econômica que promove o achatamento do custo-aluno calculado pelo MEC e.

N o E n s i n o F u n d a m e n t a l . o Estado reduziu drasticamente sua participação. A partir de 1999. promover o melhor aproveitamento do pessoal de magistério e resguardar as condições necessárias à manutenção da qualidade da educação. Essa modalidade de educação não é beneficiada por mecanismos oficiais de financiamento. de pessoal e a possibilidade de estabelecer parcerias com os municípios. considerando as peculiaridades locais. pois uma boa parte de seus professores era mantida pelo Estado. a ponto de manter apenas 11 mil crianças matriculadas no final de 1998. custeio e pessoal que não teve condições de cumprir. O instrumento para isso foram os fóruns regionais. empresas. situação que se pretende corrigir ao longo do tempo e conforme a disponibilidade de recursos. entidades e organizações da comunidade.207 alunos na rede estadual e 324 mil na municipal. O Censo Escolar 2000 registrou nessa modalidade de ensino 12. reavaliar a política e definir novos critérios de parceria entre o Estado e os municípios. Foi preciso interromper essa política e abrir uma ampla discussão sobre a forma mais adequada de organização do tempo escolar e formulação da proposta pedagógica de cada escola. com servidores efetivos colocados em adjunção ao município. o que desestimulou os municípios a assumirem responsabilidades nesse campo e tornou muito difícil ao Estado retomar. de forma a preservar o patrimônio público. Como conseqüência. o interesse da comunidade escolar.245 milhões de alunos matriculados (dados do Censo Escolar 2000). A Secretaria da Educação vem estudando programas alternativos e buscando formas para seu financiamento. reduzir as adjunções.916. realizados em todo o estado e destinados a subsidiar as discussões para que cada escola decidisse sobre o sistema de organização do tempo escolar mais adequado às suas condições. elevação de custos e criou-se um paradoxo: muitos municípios recebiam recursos do FUNDEF para pagamento de pessoal e não conseguiam aplicá-los integralmente. a adoção apressada do sistema de ciclos nas quatro séries iniciais criou uma espécie de promoção automática que comprometia a qualidade e criava dificuldades para o sucesso no processo de ensino e de aprendizagem. além das perdas de caráter pedagógico. Escola Sagarana - 14 . foi preciso suspender o processo de municipalização no ensino fundamental. parcerias com as prefeituras.manutenção. a antiga atribuição. como seria recomendável. N a E d u c a ç ã o I n f a n t i l . houve prejuízos financeiros para o Estado. coordenados pelas superintendências regionais de ensino. que teve sua autonomia reconhecida e afirmada a partir de 1999. os recursos humanos disponíveis. com 1.

Teófilo Otoni e Unaí. Inúmeras escolas de ensino médio foram reabertas. o Ministério da Educação vem promovendo uma ampla reforma do ensino médio. nova regulamentação visando a preparação de alunos tanto para a continuidade dos estudos em nível superior.018 no ano seguinte. havia 736 mil alunos matriculados. principalmente. subiu para 843. a demanda continuará elevada. número que. já que esse nível não dispõe de fontes de financiamento específicas e é mantido. agora parceiras do Estado nessa modalidade. foi elaborado um programa de apoio visando o aperfeiçoamento dos métodos de ensino. Itajubá. Também foram retomados os programas de implantação de dez centros de Educação Profissional. intermediário e avançado. N a E d u c a ç ã o P r o f i s s i o n a l . N o E n s i n o M é d i o . O ponto crucial do ensino médio é a questão da escassez de recursos. com novos parâmetros curriculares. como para o ingresso no mercado de trabalho por meio da profissionalização de nível técnico e tecnológico. Ao mesmo tempo. a pressão do mercado de trabalho e os programas de aceleração de estudos levaram a uma forte expansão da demanda. Em 1999. quando o governo anterior adotou uma política de nucleação nas zonas urbanas e rurais. recuperação e promoção. Caxambu. com recursos do Tesouro Estadual. 69% das escolas da rede estadual optaram por adotar o regime de ciclos. no início de 2000. o que exigirá um grande esforço na organização do atendimento escolar.inclusive de Magistério – vários deles reabertos pela atual gestão para atender à reivindicação e ao esforço demonstrado pelas comunidades.Após um longo processo de debates. foram abertas 3 mil novas turmas de alunos e o total de matriculados aproximava-se de 1 milhão. E para essas. Para os próximos anos. Essas escolas foram autorizadas a criar os Núcleos de Aprendizagem Interativa (NAIs) destinados a proporcionar atendimento específico aos alunos com dificuldades. alguns desses cursos foram reativados e 184 deles já funcionam em todo o Estado. Para as que optaram pelo regime seriado. sendo os dois primeiros de três anos e o último de dois anos de duração. sendo os cinco primeiros em Brazópolis (em funcionamento desde o início de 2001). Gradativamente. deslocando os alunos para longe de suas comunidades e deixando às prefeituras graves e insolúveis problemas de transporte de estudantes. o governo anterior também impôs a política de desativação dos cursos técnicos . estimando-se que haja uma estabilização a partir de 2005. evitando-se os erros registrados em 1998. No início de 2001. de avaliação de desempenho. a Secretaria de Estado da Educação instituiu uma nova organização do tempo escolar em três ciclos – o inicial. segundo o Censo Escolar 2000. Escola Sagarana - 15 .

viram-se forçados a abandonar os estudos. Trata-se de ferramentas úteis no processo de aceleração de estudos e correção da defasagem idade/ciclo ou série. A e d u c a ç ã o d e j o v e n s e a d u l t o s mereceu avaliações específicas. Esse índice é maior que em 1999 (4. levando-se em conta o interesse social e a eficácia desses projetos. provavelmente devido às pressões de ordem econômica e social e devido ao aprendizado ineficaz dos jovens que freqüentaram os projetos de aceleração de estudos e não continuaram na escola. Quanto à repetência. A linha de ação adotada na atual gestão é pela inclusão. ou seja. Em todos os níveis de ensino há índices negativos que precisam ser combatidos.3% dos alunos do ensino fundamental deixaram a escola.N a E d u c a ç ã o E s p e c i a l. em Minas Gerais 6. por vários motivos. alcançando pouco mais da metade dos pontos e colocando-se nos primeiros lugares no cenário nacional. O Programa de Avaliação da Educação Básica (Proeb) constatou. principalmente as Associações de Pais e Amigos dos Excepcionais (APAEs). a integração de alunos portadores de necessidades especiais às turmas de ensino regular. A outra linha de ação é de apoio às instituições especializadas. as taxas estão caindo. apesar do relativo sucesso dos estudantes mineiros nos programas nacionais de avaliação de desempenho. do Ministério Público e especialmente dos professores e dirigentes escolares para trazerem de volta à escola os alunos evadidos. As taxas de evasão continuam elevadas: de acordo com o Censo Escolar 2000. dotando-se as escolas de profissionais habilitados para lidar com eles. Da mesma forma. Programas como o “Acertando o Passo” – destinado a alunos em defasagem no ensino fundamental – e “A Caminho da Cidadania”. cumpriram sua finalidade estatística. programas de combate ao trabalho infantil e à promoção de renda mínima vinculada às necessidades educativas podem contribuir muito para que famílias carentes mantenham seus filhos na escola (Bolsa-Escola). Tal situação justifica uma ampla política de envolvimento dos pais. que têm até 60% de seus professores mantidos pelo Estado. que os alunos desses projetos Escola Sagarana - 16 .3%). Minas Gerais atende pouco mais de 10 mil alunos em 90 escolas e classes especiais. em 2000. importantes para a inclusão social de jovens e adultos que interromperam os estudos e para aqueles que. E v a s ã o e r e p e t ê n c i a continuam como grandes desafios da educação em Minas. incluindo a suplência no ensino fundamental e no ensino médio e os projetos de aceleração de estudos. mas há grande insegurança quanto à sua eficácia. principalmente devido à adoção crescente do regime de cliclos no ensino fundamental e à crescente capacitação e treinamento dos professores da rede pública. que atende à demanda semelhante no ensino médio.

sendo adaptados à linha de ação estabelecida pela Escola Sagarana. em 1999. A criação do Sistema de Ação Pedagógica (Siape) é um poderoso mecanismo de apoio e de atuação direta nas escolas para permitir uma evolução adequada na avaliação.5 milhões. A f o r m a ç ã o e c a p a c i t a ç ã o de recursos humanos para a Educação contou com financiamentos do Banco Mundial. outros não tinham desempenho adequado que lhes permitisse prosseguir estudos no ensino regular. Por tais razões. assim como a formação continuada e o incentivo à inovação educacional. Estudos feitos pela Secretaria da Educação indicam que a melhor alternativa é encaminhar as demandas remanescentes para a educação supletiva e continuada. chegando a ter certificados rejeitados. após uma avaliação de conteúdos. restava para execução. Escola Sagarana - 17 .não apresentam rendimento suficiente para retornarem ao ensino regular nem adquirem as competências básicas para prosseguirem nos estudos. desempenho e aproveitamento de estudos para que se mantenha movimentação e fluxo adequados. Esses recursos estão sendo utilizados nos programas de capacitação de professores e dirigentes. através do programa Pró-Qualidade. agora revistos e com nova orientação baseada nos princípios da Escola Sagarana. filosofia e métodos.PROCAP e o Programa de Capacitação de Dirigentes – PROCAD tiveram continuidade na gestão 1999-2002. A capacitação de professores e de dirigentes é tarefa essencial da Secretaria de Educação e será permanente. o Programa de Capacitação de Professores . Essa alternativa vem sendo viabilizada com a instalação de novos Centros de Educação Supletiva e Continuada (CESECs). visando a melhoria da qualidade do ensino e a valorização dos profissionais do magistério. objetivos que serão perseguidos por meio de parcerias com as universidades e instituições de ensino superior instaladas em Minas Gerais. na capital e no interior do estado. uma última etapa que prevê investimento de US$ 20. Mais de 105 mil professores e 6 mil dirigentes foram integrados à nova fase. utilizando metodologias de educação a distância. Desse programa. muitos que concluíram estudos dentro de tais projetos encontraram dificuldades no mercado de trabalho. Assim. garantindo-se o retorno e a continuidade dos estudos para adolescentes e jovens que abandonaram a escola e querem voltar a estudar. Visando habilitar professores das redes municipais e estadual que não têm curso superior e atuam da primeira à quarta série do ensino fundamental. que beneficiará 15 mil profissionais. com base em convênio firmado em 1995 prevendo empréstimo de US$ 150 milhões e igual contrapartida do Estado. a Secretaria lançou o Veredas – programa de formação superior de professores.

Além disso. universalizado.A q u e s t ã o d o f i n a n c i a m e n t o da Educação é crucial. e devido à atuação organizada de empresas e entidades empresariais na proposição de ações judiciais contra o pagamento do salário-educação. Em relação ao ensino fundamental. e pequeno decréscimo na rede estadual.768 matrículas). A grande maioria dos alunos do ensino Escola Sagarana - 18 . apesar do grande incremento no atendimento. encontrando-se matriculada menos da metade da população escolarizável na faixa de 15 a 19 anos. O ensino médio. provocadas pela recessão econômica. atingindo 98. a secretaria apresentou estudos sobre a reformulação desse fundo que proporcionaria ao Estado e aos municípios um reforço orçamentário significativo. as quotas depositadas em juízo reverteram para o Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação (FNDE). de forma a atender às reais necessidades de investimento no setor.04%. a Secretaria da Educação está integrada aos movimentos organizados pelo Conselho Nacional de Secretários Estaduais de Educação (CONSED) pela reformulação do FUNDEF. os mecanismos de financiamento da educação nacional. E apóia todos os movimentos que visam à inclusão do ensino médio e da educação infantil como beneficiários dos recursos do FUNDEF. acentua-se o aumento do atendimento ao ensino fundamental nas redes municipais (até 1999 foram transferidos para as redes municipais 562. e por esta razão. refletiu-se no volume de impostos arrecadados. conforme é compromisso do atual governo. e pela preservação do salário-educação como uma das principais fontes de financiamento à Educação nos estados e municípios. a totalidade dos recursos repassados ao Estado é utilizada no pagamento de pessoal – rubrica que ainda depende de complementação financeira proveniente do Tesouro Estadual para que seja mantido em dia. resultando numa lenta evolução positiva da receita proveniente do FUNDEF. A relativa estabilidade da economia. Além de apresentar seus pleitos com relação à reformulação do FUNDEF. reagindo lentamente devido à retomada da contribuição por centenas de empresas derrotadas nas ações judiciais que propuseram. o atendimento encontra-se. em nome do CONSED (Conselho Nacional dos Secretários de Educação). contudo. com dotação de novos recursos para investimento. O comportamento dessas duas fontes vinha sendo errático. Quanto ao FUNDEF. com oscilações no valor dos repasses. as receitas representadas pela Quota Estadual do Salário-Educação em Minas Gerais tiveram uma queda da ordem de 5%. está bem longe da universalização. Q u a n t o à d e m a n d a d e v a g a s. A Secretaria da Educação participa da comissão nacional que estuda. Nos primeiros seis meses de 1999. praticamente.

médio está sob a responsabilidade do Estado – as redes municipais. indica que a taxa de repetência está em declínio. conforme o Censo Escolar 2000.444 escolas. A mobilidade de alunos no ensino fundamental em Minas Gerais. enquanto as de evasão e de promoção subiram em relação ao ano de 1999. Escola Sagarana - 19 . medida pelo Ministério da Educação através do Censo Escolar 2000. têm apenas 393 unidades escolares atendendo nesse nível de ensino. enquanto a rede estadual tem 1.

realimentando e atualizando o planejamento da educação em Minas Gerais.Políticas Públicas para a Educação “Definir o aluno como centro das atenções educacionais e fortalecer o compromisso da política estadual de educação com a obtenção do sucesso do aluno no processo de ensino e de aprendizagem e de sua formação como cidadão. como parte de uma estratégia democrática de educação de qualidade para todos.  “A participação da sociedade será valorizada. em 2 de setembro de 1998.4 . Conforme estabelece a Carta dos Educadores Mineiros.”  “Na condução da política educacional. são os seguintes os Parâmetros básicos da Política Estadual de Educação  “A educação mineira resguarda. Itamar Franco.” Escola Sagarana - 20 . na herança histórica e cultural do Estado. numa pedagogia de qualidade sintetizada no conceito segundo o qual “a melhor educação para os melhores é a melhor educação para todos”. conforme compromisso assumido pelo então candidato a governador. uma filosofia humanista. em Belo Horizonte. a heterogeneidade e a diversidade. a transparência e a ética são requisitos fundamentais e insubstituíveis. na solenidade de encerramento daquele encontro.”  “O processo educativo respeitará as diferenças. comprometida com o desenvolvimento integral do educando e a serviço da cidadania e da competitividade que contempla simultaneamente a eficiência tecnológica e a equidade social. O Fórum Mineiro de Educação constituir-se-á em ação permanente do governo. pressupostos e diretrizes definidas pelo Fórum Mineiro de Educação.” A atuação do governo de Minas pautar-se-á pelos princípios.

”  “As políticas e diretrizes setoriais terão como pressuposto a participação social e a democratização de oportunidades. mediante exames do rendimento dos alunos. Escola Sagarana - 21 .  Avaliar a qualidade do ensino em todos os níveis e modalidades.1. necessariamente. especialmente no Ensino fundamental. desenvolver e valorizar os profissionais do magistério em todos os níveis e modalidades do ensino.  Desenvolver metodologias e estabelecer normas para garantir a participação de toda a comunidade escolar na gestão das escolas da rede pública.  Capacitar.  Universalizar progressivamente a educação infantil por meio de parcerias com os municípios e organizações não-governamentais.  Definir o aluno como centro das atenções educacionais e fortalecer o compromisso da política estadual de educação com a obtenção do sucesso do aluno no processo de ensino e de aprendizagem e de sua formação como cidadão. “Educação e cultura são termos indissociáveis de uma mesma equação cuja solução aproveitará. e promovendo o retorno à escola daqueles que dela se afastarem sem justificativa. programas e ações com vistas a garantir educação de qualidade para todos os mineiros. à cidadania.  Assegurar educação de qualidade para alunos portadores de necessidades especiais.  Ampliar a possibilidade de acesso ao ensino aos que não tiveram oportunidade em idade própria.” 4. metodologias de controle e acompanhamento. estudos e pesquisas.  Garantir o ingresso e permanência do aluno na escola. desenvolvendo ações amplas de combate à evasão escolar e à exclusão social.  Ampliar progressivamente o atendimento à demanda do ensino médio tendo em vista a sua universalização no prazo mais curto possível. à eficiência profissional e à equidade social. Objetivos São objetivos da política educacional do governo de Minas Gerais:  Desenvolver planos. opondo-se decisivamente à elitização e à exclusão.

ampliando seu espaço de decisão. nele inserindo o Fórum Mineiro de Educação e seus fóruns regionais como instâncias públicas de debates e promoção de políticas e ações de governo compatíveis com a visão democrática e solidária do setor educacional.2 Diretrizes Operacionais 4.  Promoção da cooperação técnica estado-municípios.  Repasse direto de recursos às escolas.  Incentivar a defesa e prática dos direitos humanos.  Elaboração de plano decenal para a educação em Minas Gerais. a ação plural e a diversidade criadora. fortalecendo sua autonomia pedagógica.2. administrativa e financeira. de acompanhamento das interrelações dos componentes do Sistema. no âmbito do Sistema Mineiro de Educação.  Criação. e a observância dos princípios da convivência harmônica e solidária. de mecanismos definidores do regime de cooperação entre estado e municípios. contemplando necessariamente atividades de avaliação. Escola Sagarana - 22 . 4. visando garantir investimento por aluno compatível com a qualidade do processo educativo.Administração e financiamento  Estruturação do Sistema Mineiro de Educação. para que definam e implementem seus próprios projetos político-pedagógicos. para que implemente proposta pedagógica comprometida com o sucesso do aluno. voltado para o humanismo. em especial da criança e do adolescente. Desenvolver ações articuladas entre os diversos setores para favorecer o pleno desenvolvimento da criança e do adolescente.  Realização de estudos sobre as alternativas de financiamento. decorrente do Plano Nacional de Educação e definido por fórum permanente.  Definição de política de supervisão pedagógica. visando a profissionalização de todas as instâncias de formulação e execução da política educacional. dentro do princípio da democratização da gestão do sistema educacional. a eqüidade e o equilíbrio inter-regional.  Valorização da escola.1 . orientação educacional e inspeção escolar no âmbito do Sistema Mineiro de Educação.

4. em parceria com sistema universitário sediado em Minas. mediante adoção de políticas voltadas para sua efetiva valorização.Ensino fundamental Escola Sagarana - 23 . 4.Magistério e Recursos Humanos  Reconhecimento do papel social do educador.2 .Educação infantil  Universalização progressiva da pré-escola. de política de formação e aperfeiçoamento do magistério. com participação da comunidade escolar.2. adotando-se mecanismos que reduzam ou eliminem as categorias do “designado” e do “convocado”.4 . com prioridade para os segmentos mais pobres da população.3 . Garantia de critérios democráticos para escolha de diretores de escolas estaduais.2. em ação integrada com os municípios e a comunidade. continuadamente.  Ampliação da oferta de creches nas regiões e áreas carentes. com ampla participação social.  Realização de concursos públicos periódicos. com valorização do colegiado e respeito ao interesse da comunidade escolar e dos que vivem em torno da escola. prevendo cooperação entre o Estado e seus municípios e a participação de iniciativas comunitárias e particulares.  Estabelecimento de plano de carreira.  Retomada da proposta da atenção integral à criança. o desenvolvimento de competências nas áreas de informática e novas tecnologias aplicadas à Educação. 4.  Definição e implementação. O eixo norteador será o de abrir à carreira perspectivas profissionais que incentivem a permanência no magistério e motivem o educador a aperfeiçoar-se. especialmente dos profissionais da educação. Essa política enfatizará. cargos e salários. entre outros itens. articulada com as realidades regionais de Minas Gerais.  Garantia da prática da gestão democrática das escolas.2.

Ensino Médio  Garantia de matrícula no ensino médio.  Reformulação da sistemática de correção do fluxo escolar e atendimento à população com defasagem idade-série. 4.6 .2. bem como da promoção automática. pela cultura do sucesso escolar.  Elaboração e implementação do Plano Estadual de Ensino Médio. Reexame dos procedimentos de avaliação vigentes no Estado. em especial na área de ciências. buscando conformar modelos centrados na avaliação qualitativa cuja ênfase recaia no desenvolvimento progressivo do processo ensinoaprendizagem.  Provimento das carências de professores qualificados. visando ações comuns que permitam disseminar em todo o Estado a estratégia da atenção integral à criança e ao adolescente.5 . a pelo menos 80% dos egressos do ensino fundamental. especialmente junto às populações mais necessitadas. de forma a atender ao aumento da demanda por vagas e ao interesse maior da juventude mineira. predominantemente em escolas públicas.  Estímulo à criação de escolas comunitárias e fomento ao cooperativismo no ensino médio. até 2003. mediante programas emergenciais e não Escola Sagarana - 24 .Atenção integral à criança e ao adolescente  Mobilização das universidades visando fórmulas de cooperação para o resgate da filosofia e da programação de atenção integral à criança e ao adolescente.  Ação conjunta das secretarias e entidades da área social do governo.  Apoio aos municípios que implementam ou já implementaram programas de atenção integral. visando convertêlas em mecanismo pedagógico que privilegie a formação integral do aluno.  Implantação do Programa Familiar para a Educação – BolsaEscola  4.2.  Substituição da cultura da reprovação e da repetência.

clubes de serviços. que definiu as metas do “Decênio Paulo Freire da Alfabetização”.  Instituição de processo permanente de educação para todos. com ênfase na educação básica geral. universidades). no prazo máximo de cinco anos.  Concessão de créditos curriculares aos estudantes do subsistema universitário estadual que participarem de programas de alfabetização.  Desenvolvimento e estímulo a metodologias para serem utilizadas no ensino noturno de forma a aproveitar e certificar.Educação de jovens e adultos  Elaboração e execução de plano de educação de jovens e adultos. educação do campo. 4.  Reforma e diversificação do ensino médio.2. Escola Sagarana - 25 . na forma dos princípios sintetizados na Declaração de Hamburgo. 4. de maneira compatível com as realidades regionais. dos atuais 14. inclusive no que se refere ao denominado “Pós-Médio”. tendo sempre em consideração sua especificidade e relevância.  Redução do analfabetismo em Minas. igrejas. para fins curriculares.  Promoção de entrosamento do ensino médio com a educação profissional. mediante aproveitamento da capacidade ociosa de agências educativas públicas e privadas e formação de parcerias com a sociedade civil (empresários. com apoio das instituições de ensino superior.7 .5% para não mais que 7% da população com 15 anos ou mais. estudos e conhecimentos apropriados pelo aluno no mundo do trabalho. sindicatos.convencionais de qualificação.  Retomada das concepções pedagógicas originais da educação rural formuladas pela professora Helena Antipoff.Educação do campo  Estabelecimento de novo desenho conceitual para a educação no meio rural. com base nos conhecimentos e experiências do passado e em curso.2.8 . organizações nãogovernamentais. perseguindo-se a meta de sua gradativa eliminação.

 Definição. Maxacali.2. articulada com a política de emprego. visando assegurar amplas possibilidades de inserção social e no mercado de trabalho.2.  Criação de mecanismos de certificação de competência e definição de formas de aproveitamento desses conhecimentos no Escola Sagarana - 26 .  Estímulo à utilização de recursos e técnicas informacionais.10 .Educação indígena  Garantia aos povos indígenas de Minas (Xacriabá.9 . para preservação da cultura nativa. em convênio com o Ministério da Educação e parcerias com prefeituras e instituições da comunidade.4. dentro do Programa Estadual de Educação Profissional.Educação a Distância  Instituição do Subsistema Mineiro de Educação a Distância. compatibilizando os esforços das agências que trabalham com essa modalidade. adotando-se o bilingüismo na alfabetização. de televisão e rádio nos programas de formação de recursos humanos. destinados ao ensino formal e não-formal. 4. aceleração de estudos e alfabetização de jovens e adultos  Estímulo ao uso de metodologias de monitoramento a distância nos programas de formação e capacitação de recursos humanos.2.Educação profissional  Estabelecimento de nova política de educação profissional integrada aos objetivos do desenvolvimento regional de Minas Gerais  Implantação de centros de educação profissional. juntamente com as Secretarias de Estado ligadas a políticas de formação profissional do trabalhador. 4.  Estímulo ao subsistema universitário estadual para que produza. Krenak e Pataxó) de educação de qualidade compatível com suas características e valores culturais. atendendo aos princípios contidos na “Carta de Cuiabá” (resultante da Conferência Ameríndia de Educação e Encontro dos Professores Indígenas do Brasil).  Utilização pela rede escolar do acervo de recursos audiovisuais produzidos ou custeados com recursos públicos.11 . veicule e avalie programas de educação a distância.

visando à promoção conjunta de projetos educativos e culturais. 4. do papel da escola como agência de promoção cultural.13 . sobretudo nas regiões menos desenvolvidas.Ensino superior  Fortalecimento da Universidade do Estado de Minas Gerais (UEMG) e da Universidade de Montes Claros (UNIMONTES) em sua função de apoio às políticas de desenvolvimento do Estado. bibliotecas. arquivos e outras instâncias de referências.  Definição de políticas para o ensino superior em Minas. atentando para as especificidades regionais. em articulação com as instituições federais.14 . à luz das tradições histórico-culturais de Minas.2. tendo o educador como o principal agente dessa política.  Incentivo permanente à inovação e à criatividade.  Estabelecimento de parcerias entre a escola e os museus.  Definição do compromisso das instituições de ensino superior com a educação básica.2.Escola. comunitárias e privadas. Escola Sagarana - 27 .  Revisão dos currículos e projetos pedagógicos. 4.Inovação e criatividade  Respeito à heterogeneidade e à diversidade criadora. em articulação com as sSecretarias de Estado e outras entidades ligadas à educação e à cultura. permitindo agregar conhecimentos originados de diversos setores da sociedade.12 .  Incentivo às universidades para que produzam materiais didáticos baseados na cultura mineira.2. 4.subsistema regular e supletivo de educação. cultura e currículo  Redefinição.  Implementação de rede regionalizada de centros públicos de educação profissional.

e à observância dos princípios da convivência harmônica e solidária. em cooperação com as universidades instaladas em Minas Gerais.Segurança e violência  Atenção especial à segurança nas escolas.  Incentivo à realização de estudos e pesquisas acadêmicas para avaliação de programas implementados pela Secretaria da Educação.  Incentivo. ao combate à violência e à disseminação e uso de drogas. bem como da qualidade do ensino e o desempenho dos profissionais do Magistério. 4.15 .2. à defesa e prática dos direitos humanos. de programas de avaliação do desempenho de alunos da rede estadual.4. em articulação com as universidades e instituições de pesquisa em geral.  Implantação. de programação sistemática de estudos e pesquisas em apoio à educação mineira. em todas as escolas.Estudos e pesquisas em educação  Desenvolvimento. em especial da criança e do adolescente.16 . Escola Sagarana - 28 . definição de programas educativos que busquem abrir perspectivas de vida digna para os meninos de rua.2.  Em articulação com as secretarias de estado e demais entidades que atuam na área.

A partir dessas premissas. à vista da complexidade do mundo atual. criadores ou decisores de renome internacional.5 – Tendências da Educação para o século XXI Murílio de Avellar Hingel “Não esperemos nada do século XXI. na educação.“Eu quero que ele aprenda a viver” (Rousseau). detenho-me nos textos que tratam da Educação para o século XXI – as novas fronteiras da Educação. por si só. Refere-se à necessidade de se pensar o mundo globalmente e nas suas partes.O cidadão do mundo deve estar consciente de sua dupla relação: nacional e planetária. A antologia foi publicada sob o título “Les Clés du XXIe Siècle” (edição Seuil/Unesco-maio 2000). Os próprios movimentos das bolsas de valores assumem. . (Gabriel Garcia Marquez) A Divisão de Análise e Previsão da Unesco. promoveu sessões com cientistas. incluindo as universidades. A leitura da antologia é atual e fascinante. com vistas a todos os horizontes em um espírito prospectivo e interdisciplinar. embora tenhamos uma ciência econômica altamente sofisticada. é incapaz de explicar. intelectuais. Escola Sagarana - 29 . O sociólogo Edgar Morin fala da reforma do pensamento e da educação.“Mais vale uma cabeça bem feita que uma cabeça bem cheia” (Montaigne). por vezes. Reportando-me ao capítulo III. Morin afirma que a reforma do pensamento não é um luxo intelectual. é indispensável que haja uma reforma no modo de pensar e. a partir de 1997. o sistema econômico foi incapaz de prever perturbações como as que ocorreram no sudeste asiático. Assim. portanto. Os pensamentos etnocêntricos dificultam o entendimento das identidades particulares. É o século XXI que espera tudo de nós”. mas responde a uma necessidade vital para que a humanidade consiga regular as forças desagregadoras que ela mesma ensejou. aspectos irracionais que a ciência econômica. . O resultado foi a edição de antologia contendo reflexões apresentadas em encontros prospectivos até 29 de junho de 1999.“Eu quero ensinar-lhe a condição humana” (Rousseau). Em conclusão. Lembra que. . nacionais ou religiosas. Morin trata dos quatro objetivos fundamentais do ensino: .

direitos e obrigações. hoje. Por isso. O autor diz que essas missões parecem extremamente simples em sua formulação.O físico Goéry Delacôte afirma que. marcada fortemente por um estatuto social. • aprender a fazer. um tesouro a descobrir/Unesco) voltados para o futuro: • aprender a aprender (ou aprender a conhecer). O terceiro intelectual que contribui para as novas fronteiras da educação é o português Roberto Carneiro que. é urgente a evolução do sistema educacional. . Delacôte afirma. a formação da cidadania vinculada a uma comunidade. compreendendo a que se aplica ao final de cada ciclo de estudos e a que contribui à formação do educando no curso da aprendizagem – isto é.os quatro pilares da aprendizagem são retomados do relatório da Comissão Delors (Educação. que ao saber puramente formal devem suceder os saberes de aplicação e os meta-saberes. um sucesso em termos de amplitude. que conduz à exclusão. • aprender a viver e a conviver e • aprender a ser. mas são de aplicação delicada em um mundo fragmentado em que diferenças culturais. o tempo de aprendizagem será continuamente mais longo. sintetiza algumas das colocações anteriores ao falar da “educação para todos durante toda a vida”.a compatibilização entre as exigências da mundialização e a busca das raízes nacionais e locais será resolvida pela busca de uma coesão social fundada no fortalecimento da democracia e em crescimento econômico mais equânime. enquanto o sistema financeiro funciona na ordem de alguns microssegundos e o sistema produtivo trabalha com algumas semanas. a avaliação continuada. particularmente quanto ao papel dos professores. a saber: . porém identificada com a Escola Sagarana - 30 . a educação. lingüísticas e étnicas alimentam conflitos. de certa forma. embora a educação seja. o reconhecimento da importância crescente da educação a distância e das novas tecnologias e o desenvolvimento dos sistemas de avaliação. deverá preocupar-se com nova forma de conhecimento de natureza inclusiva que favoreça o desenvolvimento pessoal e cultural. ainda. Carneiro também coloca o seu pensamento quanto às grandes perspectivas da dimensão social da aprendizagem. precisam ser combinadas com os pilares do desenvolvimento em que uma nova sociedade do conhecimento deverá conciliar. Os espaços da aprendizagem serão também mais variados e a própria cultura da aprendizagem será afetada pela interatividade. harmoniosamente. Enfim.

pois não há consenso entre historiadores. mesmo fora do sistema escolar. Em outros termos: o que os estudantes de hoje precisam aprender para se tornarem cidadãos bem sucedidos no século XXI? E o que os professores devem ensinar para tornar possível essa missão? Não deveriam os professores. com as mudanças econômicas. primeiro. em última análise. A partir dessas convicções e conceitos. sociais e culturais por que passa a sociedade há que ser considerado um conjunto de fatores de grande complexidade. por exemplo. atendendo aos novos paradigmas criados por esta mesma sociedade em nível local. que o ritmo da mundialização da economia continue tão frenético a ponto de suplantar os nacionalismos recorrentes? Que mundo e que condições sociais e culturais existirão nas próximas décadas? Que habilidades e que capacidades serão exigidas ao trabalhador do futuro? Que profissões de hoje continuarão existindo e que novas profissões o mercado exigirá? Como compatibilizar os ideais e harmonizar os interesses de forma a construir essa nova cidadania comprometida com a ética. consideradas as diversidades de toda ordem. a busca da felicidade e do bem comum. pesquisadores ou futurólogos acerca dos paradigmas do novo século. o dilema principal do planejador é. articulados entre si e com as circunstâncias impostas pelos novos tempos. aprender e assim se qualificar para construir os conhecimentos necessários à próxima geração? Aí estão três grandes desafios para a educação dos tempos atuais. Pois a tarefa de educar envolve compromisso e responsabilidade com a construção do futuro. Assim. em síntese. no mundo atual. encontrar o perfil do cidadão que se pretende formar. na verdade grandes desafios a serem explorados. só é possível definir uma política educacional se for mantida perfeita sintonia com os anseios da sociedade.humanidade e o exercício da educação continuada ao longo da existência de cada ser humano. 5. sociólogos. nacional e universal.1 – Os novos tempos da educação em Minas Todo planejamento de ações educativas é feito com foco na criança e no adolescente e visa. Decifrar essas dúvidas constitui outra grande tarefa. regional. Mas . e sem abrir mão de apontar caminhos e alternativas para alimentar um processo permanente de transformação que. É possível pensar. visa um ideal. com a Escola Sagarana - 31 . a sucesso do aluno.

com grandeza de propósitos e cercada de humanismo por todos os lados. por si só. em nosso estado. com a comunidade e. entender e superar obstáculos. Esta é a porta para a qual só existe uma chave: é pela educação que se pode abrir o caminho para que cada um busque a felicidade a seu modo. de agir e de interagir. se descobre. A educação.cultura. Por tal ordem de razões. a volatilidade dos conceitos éticos e morais são circunstâncias que nos exigem uma capacidade extrema de observação. é torná-los consistentes. é construir esperanças. sim. têm horizonte limitado no tempo e na história. o melhor critério é o comedimento. É por tais circunstâncias que é inconcebível a instituição de sistemas educacionais que tendam a reproduzir a perversidade inata dos modelos de Escola Sagarana - 32 . É. com a nação e a própria humanidade? Na falta de definições mais objetivas. mas lentos. por exemplo. para que todos tenham a oportunidade e os instrumentos necessários à busca da felicidade. da espécie humana. Mas é preciso estar atento a tudo o tempo todo. social e cultural. a primeira opção de qualquer sistema educacional deve ser pela consistência ética. em nossas comunidades. Educar é alimentar sonhos. qualquer plano que se limite a propor o adestramento de operadores de máquinas. disseminados por todos os segmentos e comunidades. que fornece as bases da vida social. mesmo estando em permanente processo de mutação e diretamente influenciados pelo grau de contextualização política. em qualquer atividade. para criar condições de prosperidade em nosso país. da ética. fundamento da vida política moderna. transformar realidades. de assimilação e de adaptação. efetivo. do meio em que vivemos. a versatilidade das comunicações. que pense o ser humano apenas por uma de suas facetas. a de agente econômico a serviço de modelos que. A rapidez do mundo moderno. E o bom senso recomenda refletir sobre que características gerais seriam importantes para sustentar o desenvolvimento humano e a sociedade moderna. Cada uma dessas enormes tarefas envolve conceitos sobre os quais há consenso quanto à importância de serem praticados a cada momento. ferramenta primordial da sensatez. Exigem de todos. intervir na realidade e torná-la melhor a cada dia. ao mesmo tempo. É desprovido de ética. fundamentais para a preservação da vida. de resultados duradouros. não opera milagres nem muda realidades. uma velocidade quase meteórica de reagir. de responder aos estímulos do meio em que se vive. É o caso da cidadania. conforme suas habilidades e o seu contexto social e cultural. mais dia menos dia. da solidariedade e da fraternidade. um processo contínuo.

portanto. que hoje é do governo e que deve ser de toda a comunidade: a defesa e a valorização da escola pública. da tecnologia. das culturas local. da indústria do vestibular. regional e nacional. como a leitura. as escolas mineiras são de boa qualidade. à formação de meros operadores de máquinas. obrigações do Estado. versáteis. capacitar recursos humanos e elevar a qualidade do ensino têm sido metas permanentes em nossa gestão na Secretaria da Educação de Minas Gerais. supremacia da produção sobre a inventividade. repletas de informações e caracteres típicos da diversidade humana. Foram vítimas.desenvolvimento que privilegiam conceitos como competitividade. E que leve em conta que somos todos cidadãos do mundo. da organização da comunidade. lógico e funcional. mas há também ilhas de excelência – na média. deveres da sociedade. a mobilidade das estruturas sociais. É preciso romper com as propostas que se atêm apenas ao mundo do trabalho. Essa formação perpassa a vida toda do estudante. o respeito à multiplicidade de feitios e interesses humanos. do progresso. desenvolver a capacidade de raciocínio matemático. a formação do homem na sua integralidade e o aperfeiçoamento da vida social. A formação geral deve tomar por base o desenvolvimento de habilidades elementares. individualismo. a escrita e a interpretação. Para contrapor esses modelos é preciso propor a construção de mentalidades novas. E essas tarefas passam por um esforço especial. A longo prazo. buscar fórmulas criativas e aperfeiçoar mecanismos de captação e distribuição de recursos para financiamento da educação. Esse é o melhor e o mais permanente dos antídotos contra os desajustamentos provocados pela excessiva especialização. da democracia. mas suas bases se erguem diretamente sobre os alicerces do ensino fundamental e do ensino médio. mas é somente por meio da rede pública que o país terá a possibilidade Escola Sagarana - 33 . da pré-escola até a vida universitária e pósuniversitária. Articular as ações educativas de forma a aumentar a oferta de serviços educacionais. das transformações econômicas. sim. É claro que há escolas de baixo rendimento. que procurou desqualificá-las além do limite. e sobre ela construir os fundamentos da ciência. mercado. da ascensão social. só a educação geral é capaz de dar à maioria dos cidadãos os instrumentos para enfrentar as realidades do próximo milênio. Qualquer proposta educacional tem que levar em conta a pluralidade. E ela deve estar voltada para a construção do conhecimento. que pulveriza métodos e tecnologias e tolhe a articulação de conjuntos e de ações sistêmicas. autômatos habilitados para entender manuais de instruções e códigos e atalhos dos sistemas operacionais.

que levaria à eficiência. tecnologias e serviços para todos. desenvolvimento de novas experiências. a começar por uma redefinição do perfil dos professores que forma a cada ano. verdade única e absoluta. que têm contribuição importante a dar nas áreas de planejamento. arrojo e disposição para a cooperação. comprar e vender. acompanhamento pedagógico. Um dos caminhos mais promissores é a adoção de mecanismo de compartilhamento de responsabilidades com as instituições de ensino superior. acima de tudo. na política e no campo social ainda tem sido a internacionalização. formação inicial. disponibilidade total de bens. avaliação. 5. uniformizar preferências. mudanças curriculares. pesquisa e extensão. sintonizado com as realidades do novo mundo que se abre neste terceiro milênio. Genericamente definido como neo-liberal. gestão. mas nada se produzirá nesse campo se não houver. Cabe à universidade dedicar esforço especial à valorização do ensino fundamental e do ensino médio. pensar e agir criaria ambiente propício à competição. capacitação e educação continuada. como se não houvesse outros caminhos que não os de globalizar mercados. tendência muitas vezes apresentada de forma determinística. de ambas as partes. adequando-se à realidade do país e aos desejos da sociedade. certamente. esse movimento vive de vender a ilusão de que a liberdade ampla de ir e vir. Tais princípios têm sido válidos para indivíduos.2 – Escola Sagarana: o compromisso de Minas “Nós não podemos prever o futuro. Cabe ao Estado coordenar essas ações de forma a encontrar espaços para a necessária integração. mas nós podemos prepará-lo” (Ilya Prigogine) O movimento histórico preponderante na economia. à evolução permanente. grupos. Escola Sagarana - 34 . neutralizar governos. com a responsabilidade social. empresas. Esse novo professor há de ser. superar fronteiras em nome de uma convivência pretensamente global.de realizar o ideal de democratizar e universalizar o direito e o acesso à educação de qualidade. com cidadania. introdução de novas metodologias. vontade política. Isso implica. um cidadão comprometido com a ética.

Os blocos e zonas de livre comércio formam-se conforme a vontade dos países poderosos. ao privatismo. com dignidade e com responsabilidade cidadã. especialmente. revitalização do sentimento nativista. só a Educação pode reconstruir valores permanentes e bases sólidas para o desenvolvimento sustentado nas potencialidades do País. trazendo consigo a cultura ao individualismo. incapazes de acompanhar a marcha para o futuro. A educação será peça de resistência. Nesses levantamentos. O professor tem um papel fundamental nesse processo. fortalecimento de laços culturais e comunitários. da democracia. encontrar alternativas e resolver problemas. podendo tornar-se agente transformador na medida em que contribuir para a formação de uma nova consciência. base para a reconstrução dos valores locais e regionais. ao Estado mínimo. capazes de assimilar a realidade e agir sobre ela com espírito transformador. Nesse ambiente e a longo prazo. pois o mundo do trabalho é apenas uma das faces da inserção das gerações no plano dos desafios do novo milênio. A opção feita por Minas Gerais – exposta no slogan “Educação para a vida com dignidade e esperança” – é pela construção de mentalidades novas e versáteis. Porque soberania nacional não se constrói com discursos nem com decretos. e dos brasileiros. capitais.partidos e. mas pela conscientização. fica evidente que a sociedade atual espera que os futuros cidadãos sejam capazes de analisar situações. repletas de informações. Cabe à educação disseminar e ampliar essa capacidade de resistência – e esta é a proposta da Escola Sagarana – fortalecer as convicções e construir a adesão das novas gerações a um projeto de vida e de desenvolvimento econômico e social que leve em conta o interesse dos mineiros. adaptados para o trabalho em Escola Sagarana - 35 . por conseqüência. A conseqüência é dramática. Essas definições de ordem estratégica são ainda baseadas em estudos e pesquisas recentes acerca do perfil do estudante e da escola no próximo século. Significa ir muito além do papel de formar pessoas habilitadas para disputar espaço no mercado de trabalho (capazes de ler manuais de operação de sistemas e repetir operações). que sejam participativos. A evolução é cada vez mais rápida e encontra a grande maioria dos países despreparados. em primeiro plano. sem perder de vista a inserção na comunidade internacional. sufocando as possibilidades das alianças políticas e econômicas regionais. pelo exercício pleno e amplo da liberdade. Alarga-se a cada dia o fosso entre os países que criam e dominam as tecnologias e aqueles que se utilizam delas ou as adquirem em produtos ou materiais acabados.

conhecer suas habilidades e suas circunstâncias para ter condições de proporcionar uma educação de qualidade. assegurando-se a manutenção de suas conquistas e criando-lhes novas perspectivas. universidades. dos meios e das propostas pedagógicas a serem aplicadas. valorizando e preservando suas manifestações e as relações comunitárias. Fora do plano das individualidades. Cabe ao Estado proporcionar aos profissionais da educação os instrumentos necessários ao desempenho de missões tão ambiciosas. coordenação. O regime de cooperação que a Secretaria de Educação de Minas Gerais vem desenvolvendo coloca em destaque o estabelecimento de alianças com organizações comunitárias. Não há mais a escola detentora e transmissora de conhecimento. estejam prontos para o exercício da cidadania. também. solidariedade. órgãos de classe dos trabalhadores e dos empresários. a cada dia. que faz com que cada geração seja melhor. que tenham formação multidisciplinar. o Sistema Mineiro de Educação deve contemplar a diversidade cultural e respeitar a identidade de cada região. justiça social. sintonizados com os problemas do mundo e sejam membros participantes da vida comunitária. Da mesma forma. a comunidade e a cidadania. da parte dos educadores. estimulando e desenvolvendo valores sociais e humanos que contribuam para a harmonia e a paz social. impositiva. E precisa preparar-se para essa missão.equipe e com espírito de liderança. criando-se condições para o seu permanente aperfeiçoamento. E apontar a perspectiva do bem estar e da esperança como ingredientes para a busca da felicidade. organismos nacionais e internacionais. E dessa troca virão. mantendo-se em permanente aprendizado. Como se vê. É esta integração que garantirá a sintonia entre a escola. autoritária. acompanhamento e controle. cabe ao Estado criar os estímulos e mecanismos de controle social para que a gestão democrática da escola abra caminhos para a participação da comunidade na definição dos objetivos. E isso se fará pela valorização do pessoal do magistério. ética. em constante aperfeiçoamento. ensimesmada. numa perspectiva duradoura e capaz de transformar a realidade. comprometendo-se com os objetivos sociais da educação. É essa utopia que impulsiona a mobilidade social. desenvolvimento pessoal e profissional. O desenvolvimento dessa política educacional de fundo humanista e democrático exige uma postura nova. generosidade. O educador precisa entender o ritmo de seus alunos. preservação da vida e do ambiente. não é tarefa para um governo só nem é exclusiva dos poderes públicos. como fraternidade. os procedimentos de planejamento. dignidade do trabalho. atento a todas as mudanças. mais digna e mais feliz do que a anterior. num círculo virtuoso de cooperação capaz de Escola Sagarana - 36 .

definisse a identidade e as raízes do povo mineiro. atos e convicções. o humanismo enquanto conjunto filosófico. como sempre. definitivamente. (João Guimarães Rosa) A escolha do termo Sagarana para denominar a política educacional que se pretende implantar em Minas Gerais a partir deste ano teve várias motivações. em 1934. A Escola Sagarana. Colômbia e França e estava em serviço na Alemanha quando eclodiu a Segunda Guerra Mundial. em 27 de junho de 1908. e ingressou. sânscrito. estratégias. que nasceu em Cordisburgo. sendo a principal delas a busca de uma expressão que representasse o regionalismo típico das montanhas mineiras. na carreira diplomática. Reconhecido no mundo inteiro como das maiores expressões da literatura universal. 5. planos e ações. O criador do termo é João Guimarães Rosa. “mas só por divertimento. num processo permanente e dinâmico. define o compromisso de Minas Gerais com a Educação. permeável à participação e à contribuição de toda a sociedade. gosto e distração”. no coração e na consciência dos mineiros de hoje e do futuro.3 – Por que Escola Sagarana? “Minas principia de dentro para fora e do céu para o chão”. e tornou-se então. controlar e realimentar o sistema. “No sertãomundo criado por Rosa. três dias após ter assumido sua cadeira na Academia Brasileira de Letras (para a qual foi eleito por unanimidade em 1963). o sertanejo não é apenas o homem de uma região ou Escola Sagarana - 37 . Adorava estudar línguas. árabe. prisioneiro do nazismo. É citado por inúmeros especialistas como o mais universal dos escritores regionalistas.avaliar. em 1930. embora tenha se dedicado a várias. em 19 de novembro de 1967. finlandês e alguns dialetos. passando pelo grego. e morreu no Rio de Janeiro. Serviu na Alemanha. de pensamentos. confirmando ou reorientando políticas. Essa é a verdadeira construção da nossa soberania e o caminho para plantá-la. A esse interesse é creditada parte de seu virtuosismo como experimentador lingüístico. É proposta aberta e democrática. Rosa formou-se pela Faculdade de Medicina de Belo Horizonte. como conjunto de princípios. planos. sem perder os vínculos com a universalidade do ser humano.

projetos e atitudes baseadas no compromisso social com as futuras gerações. a um só tempo. em toda a sua complexidade. e pressupõe a justiça social e a criação de oportunidades iguais para todos. humana. diretrizes e metas da política educacional de Minas Gerais. A Escola Sagarana é isto: Educação a serviço da construção de uma vida com dignidade e esperança. programas. resulta da união do radical germânico SAGA – que significa narrativa épica em prosa. lançado em 1946.de uma época específicas. regionalista. É mais que uma logomarca para o Plano Mineiro de Educação. típico ou próprio de”. para todos os mineiros. estratégias e objetivos da política educacional de Minas Gerais e sua identidade com a cultura e o povo mineiro. além de uma inovação lingüística. Escola Sagarana - 38 . visando ações que possam refletir e viabilizar as estratégias. da dignidade humana e da esperança sempre renovada. defrontando-se com problemas eternos. cultural. define-se pelo conjunto de planos. perseguindo sempre a qualidade. a promoção da liberdade e o respeito à diversidade social. a mineiridade que nos faz singulares na medida em que sintetiza características de vários rincões brasileiros. É definida ainda pelo compromisso de atuar na busca. tome por base os sentimentos e a cultura dos mineiros.” A palavra Sagarana. É um plano de educação para a vida. como diz o crítico literário Sami Sirihal. com o neologismo Sagarana. mas o homem universal. tão voltados para o sentimento nativista. ressaltam a preservação da vida. que é de origem tupi e representa a idéia de “à maneira de. Ou seja. E esta seria a síntese radical para o sentido da Escola Sagarana e os objetivos que se pretende atingir com ela: uma educação que. Rosa também quis deixar “a sugestão de histórias em que o elemento local. ou história rica em acontecimentos marcantes ou heróicos – com o elemento RANA. e os valores universais que. hibridismo cunhado pelo mais mineiro e universalista dos escritores brasileiros para denominar seu primeiro livro. É objetivo da Escola Sagarana: Promover a estruturação e a articulação entre programas e projetos setoriais da Secretaria da Educação e de outros órgãos do governo estadual. se associa a uma dimensão maior de interesse universal”. construção e transmissão de conhecimentos que contribuam para a preparação dos jovens para a vida. Sob a denominação de Escola Sagarana reúnem-se todos os princípios.

do estado e da nação. com fortalecimento da mineiridade a partir da atuação das escolas nos campos pedagógico. por todos os meios possíveis. a valorização da cultura mineira. de esperança e de amor” (Paulo Freire) Escola Sagarana - 39 . social e econômico. Para atingir seus objetivos e metas a Escola Sagarana vai: Desenvolver. idéias. cultural. implementar e divulgar. profissional do cidadão. contribuir para a formação do cidadão do próximo milênio com educação integral voltada para o exercício da cidadania e o desenvolvimento pessoal. 5. são prioridades da Escola Sagarana: Implantar o Sistema Mineiro de Educação Implantar o Sistema Mineiro de Avaliação da Educação Pública Implantar o Sistema de Formação Inicial e Continuada de Pessoal da Educação Implantar o Instituto Superior de Educação Implantar a Bolsa Familiar para Educação – Bolsa-escola. propostas e ações que visam o fortalecimento da escola pública em Minas Gerais. da comunidade. No plano estratégico.São metas da Escola Sagarana: Implantar e desenvolver a política de educação de qualidade para todos os mineiros. científico.3 – A Escola Sagarana e a proposta educacional de Minas Gerais Maria José Vieira Féres* “Educar é um ato de coragem.

Uma política educacional comprometida com a democracia e a justiça social. se associa a uma dimensão maior de interesse universal”. Rosa quis deixar a sugestão “de histórias em que o elemento local.com o elemento RANA. ou história rica em acontecimentos marcantes ou heróicos . Escola Sagarana - 40 . a partir de 1999. a riqueza da cultura regional. que só se consolidarão pela prática diuturna. brilhantemente. sociais e culturais.O SIGNIFICADO DO TERMO “SAGARANA” Minas Gerais é um estado com muitas diferenças econômicas. ao mesmo tempo em que sua obra expressa. ditada de cima para baixo por meio de resoluções ou portarias. sem perder a perspectiva dos inúmeros laços comuns que unem todos os mineiros e o sentimento de brasilidade e universalidade. a Secretaria da Educação de Minas Gerais buscou em Guimarães Rosa a inspiração do termo Sagarana para a denominar a política educacional adotada no Estado. Por isso não é uma proposta terminada. Permanece em discussão um conjunto de pressupostos. A proposta da Escola Sagarana parte do princípio da participação e da construção coletiva. O processo de internacionalização da economia e as políticas de cunho neoliberal alteram de forma substantiva as relações sociais e a vida das pessoas. ocasionado pela mudança de governo. Com o neologismo Sagarana. “típico ou próprio de”.que significa narrativa épica em prosa. Não se trata de apenas um nome novo. com participação efetiva dos profissionais da educação. A ESCOLA SAGARANA NO MUNDO ATUAL O mundo em que vivemos passa por profundas transformações. particularmente. dos estudantes e dos pais. Trata-se de uma concepção de Escola e processo educativo que se está discutindo em Minas Gerais. regionalista. precisa levar em conta a diversidade regional. A inspiração em Guimarães Rosa e. Rosa é reconhecido como um grande escritor da literatura universal. É a união do radical germânico SAGA . a busca da palavra “Sagarana” para denominar a política de educação em Minas. Não se trata simplesmente de uma nova marca. de origem tupi e representa a idéia de “à maneira de”. A palavra Sagarana é um hibridismo cunhado por Guimarães para denominar o seu primeiro livro. contém uma simbologia muito forte. Por esta razão.

nunca tenha sido tão arriscado. orientada pela lógica do mercado. E. Entretanto. Cada vez um número maior de seres humanos não tem acesso aos recursos básicos para a sobrevivência. A escola convive com situações novas que. realimentando o modelo e criando o círculo vicioso da pobreza criando pobreza. porque fazem parte da vida das crianças e dos adolescentes. Como “lócus” privilegiado do processo educativo. o combate à violência. estão na agenda da escola pública hoje. na educação. Ao mesmo tempo. Os meios de comunicação de massa divulgam valores e influenciam na formação de mentalidades.Cresce a exclusão social. eram impensáveis no cotidiano do trabalho pedagógico. obrigatoriamente. Vivemos. cresce a competição inescrupulosa. A educação no mundo de hoje assume um papel fundamental. por outro lado. mas como alternativa para a construção de uma modernidade que seja ética e humanista. alguns valores se estabelecem como se fossem verdades absolutas e acabam por ditar as normas de convivência entre as pessoas. as políticas adotadas até aqui simplesmente reproduzem o quadro perverso das desigualdades sociais. em tempos tão conturbados. não apenas como uma opção técnica voltada para as mudanças radicais que se processam no mundo do trabalho. a escola pode e deve ser também um espaço de transformações. competitiva e individualista estão presentes no universo escolar. a discussão sobre a gravidez na adolescência. Sob a capa da pretensa liberdade para a concorrência. concentração de renda. a escola deve trabalhar na Escola Sagarana - 41 . de fato. A escola pública trabalha com milhares de crianças e adolescentes que convivem cotidianamente com as contradições da sociedade. as transformações em curso no mundo e no Brasil são incontestes. transforma todos em mercadoria. há algum tempo atrás. Os padrões de consumo acabam por desenvolver na consciência das pessoas a convicção de que ter é mais importante do que ser. Perde-se a perspectiva da importância do coletivo e a prática da solidariedade é cada vez mais restrita. cresce o individualismo egoísta. desigualdade. as conseqüências de uma sociedade injusta. Este é um tempo difícil. mas. A questão do uso de drogas. De fato. a escola de hoje também passa por grandes mudanças. Sob o rótulo do respeito à individualidade. e viver talvez. A EDUCAÇÃO TRANSFORMAÇÃO E A ESCOLA NO MUNDO EM Se. por outro. por um lado. a desestruturação familiar são alguns dos vários temas que. nunca foi tão desafiante. exclusão. numa sociedade profundamente injusta que.

Para assumir este desafio. afirmando e ou reafirmando valores como: solidariedade. Não existe democracia sem eleição. exclusivamente. democrática e solidária. é perpassada por uma série de contradições e incoerências. pluralismo. Isto pode ser constatado no nosso comportamento cotidiano: nos relacionamentos familiares. compromisso com o coletivo e outros. equidade. Trata-se de um desafio: o desafio de se apropriar da democracia em toda a sua radicalidade. de cima para baixo. É importante lembrar que as práticas clientelistas e fisiológicas têm profundas raízes na nossa cultura e influenciam o nosso cotidiano. Ainda parece “natural” a predominância do “favor” e do “jeitinho” sobre o mérito e o direito. É nesta perspectiva que está desenhada a proposta da Escola Sagarana. pode apontar para a construção de uma sociedade justa. Ao se consolidar pela via do Estado. participação. com a eleição de seus dirigentes pela comunidade escolar. ainda é muito frágil. não existe democracia só com eleição. por meio do processo educativo. o capitalismo brasileiro impôs à sociedade. por isso mesmo. mas não é suficiente para garantir o caráter democrático da ação educativa. liberdade. profissionais e de amizade. é também cultural. O autoritarismo. A cultura democrática no Brasil. mas como a possibilidade concreta do vir a ser. A construção da cultura democrática no Brasil e em Minas Gerais é muito recente e. particularmente em Minas Gerais.formação do ser humano. por outro lado. não como uma ilusão. justiça. Escola Sagarana - 42 . divisão do poder. inclusão. Isto é fundamental. A ESCOLA SAGARANA É A ESCOLA DEMOCRÁTICA A proposta da Escola Sagarana tem um compromisso explícito com a necessidade de mudanças sociais profundas. A escola. além de ser uma marca política. econômicas e culturais produzidas pelas elites. as concepções políticas. o processo de democratização da Escola é identificado. resgatando a esperança e o potencial de cada ser humano para revolucionar a sua existência e a vida social. entendendo que ser radical “é tomar as coisas pela sua própria raiz”. Para alguns. É fundamental recuperar a utopia. A nossa História sempre foi marcada pelo autoritarismo político e cultural. a Escola deve ser essencialmente democrática. mas. Democracia supõe liberdade.

as condições socioeconômicas a que as famílias estão submetidas. a Constituição brasileira garante a todas as crianças e adolescentes este direito. embora esta seja uma conquista muito importante. que o Programa Bolsa Escola é parte integrante da proposta da Escola Sagarana. Hoje. como a que vivemos. combatendo o trabalho e a prostituição infantil. mas também impede a criança de ser criança. Nesta perspectiva. Para se cadastrar no Programa. que são fundamentais para garantir a sua credibilidade e a sua eficácia. a lei pode se tornar inócua. Muitos fatores contribuem para incentivar a evasão escolar. O que é Bolsa-escola? A Bolsa-escola tem o objetivo de garantir a permanência da criança na escola. inclusiva.A proposta da Escola Sagarana supõe uma escola essencialmente democrática e. o Programa está sendo implantado gradualmente. começando pelos Escola Sagarana - 43 . caso não sejam oferecidas às crianças condições objetivas. que não só ocasiona o abandono da escola. necessariamente. pode-se dizer que a Escola Sagarana tem a sua proposta político-pedagógica alicerçada nos seguintes eixos: Garantia de acesso e permanência dos estudantes na escola. que garantam a sua permanência na escola. É com esta perspectiva. constituem um obstáculo real ao processo de escolarização da criança. por isso mesmo. Todos sabemos da realidade perversa do trabalho infantil. Feito o cadastramento. todos os seus filhos na faixa etária de sete a quatorze anos. ter renda per capita familiar igual ou inferior a meio salário mínimo e ter residência comprovada no município por pelo menos três anos. inclusiva. Em uma sociedade socialmente injusta. Todas as crianças têm direito ao acesso à escola e têm direito de nela permanecer. Como a Escola democrática é um espaço privilegiado para a busca da liberdade e da equidade. Considerando a complexidade e as dimensões do Estado de Minas de Gerais. as famílias são selecionadas conforme as condições socioeconômicas devidamente apuradas pelos cadastradores. A escola democrática tem que ser. bem como a conclusão com sucesso do tempo de escolaridade necessário. exigem-se das famílias os seguintes requisitos: ter filhos na faixa etária de sete a quatorze anos matriculados na escola pública. As famílias carentes recebem um benefício para que possam manter na escola. Entretanto. O Programa se estrutura de acordo com uma série de critérios rígidos. ela é também um instrumento de combate à injustiça social.

A manutenção do benefício exige que todas as crianças tenham uma freqüência mínima de 90% às atividades escolares. O Programa Bolsa-escola enquanto proposta político-pedagógica O Bolsa-escola não é uma ação assistencialista ou uma política compensatória. ela é. isto é com a participação democrática da comunidade escolar. uma escola democrática e inclusiva deve elaborar e executar um projeto políticopedagógico de qualidade para TODOS. ao aumento da freqüência escolar. Na concepção da Escola Sagarana. Entretanto. O valor do benefício também pode variar.municípios do Vale do Jequitinhonha e tendo como critério de prioridade os indicadores socioeconômicos de cada cidade da região. ou seja. A meta é atingir toda a região. Escola Sagarana - 44 . os processos de monitoramento e avaliação realizados apontam resultados altamente positivos. Em vários locais do Brasil onde o Programa foi implantado. Trata-se de uma política de educação: combate a evasão. uma Bolsa-escola. No ano de 2000. além dos reflexos sobre a economia local e a auto-estima dos beneficiados. de acordo com os mesmos critérios. O projeto político-pedagógico de qualidade para todos A Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional diz que “as escolas deverão elaborar e executar a sua proposta pedagógica” e que “os professores deverão participar desta elaboração”. é importante refletir também sobre as inúmeras crianças que são excluídas da escola por razões essencialmente pedagógicas. para que a concessão do benefício possa vir a ser desnecessária. o projeto político-pedagógico deve ser construído coletivamente. no ano seguinte. independente do número de filhos. Por isso.500 famílias em 19 municípios do Vale e. foi estendido para mais 11 municípios e 6. à integração das famílias às escolas. qualquer proposta políticopedagógica. sem nenhuma dúvida. incentiva o sucesso escolar e resgata a cidadania. com o desenvolvimento de um conjunto de ações sociais integradas visando melhorar as condições de vida.500 famílias. em relação ao aproveitamento escolar dos alunos. É importante destacar que cada família selecionada recebe um benefício. à melhoria das condições de vida das famílias. um antídoto poderoso. Por ser uma política garantidora da inclusão. a partir de 2002. O Programa prevê também o acompanhamento sistemático das famílias. pensando na exclusão motivada pela miséria social e econômica. o programa beneficiou 10. Afinal. que tenha este objetivo deve investir na Bolsa-escola como programa prioritário.

a construção coletiva de um projeto político-pedagógico passa. praticamente. por várias razões. democrática e solidária. onde está incluída a dimensão política da opção e da ação coletiva. os que defendem a participação desprovida de conflitos. como o caráter participativo do planejamento significa que o projeto pedagógico tem o compromisso de contribuir com a transformação da sociedade. participar significa apoiar. O conhecimento das técnicas de planejamento é muito importante. existem formas variadas de se entender o significado da participação. pelo planejamento participativo. é apenas uma questão de nomenclatura. em “harmonia”. dentre as quais é importante destacar: . sem perder de vista as especificidades do trabalho escolar. Há os que argumentam que a diferença que se estabelece entre projeto pedagógico ou projeto políticopedagógico. mas também sobre “o que fazer” e “para que fazer”. Neste caso. Entretanto. É preciso. visando uma escola democrática e inclusiva. quando se trata de proposta ou projeto pedagógico.o planejamento participativo numa escola democrática tem como ponto de partida o marco referencial. especialistas e servidores não devem se preocupar apenas sobre o “como fazer” ou o “com que fazer”. Isto significa que a participação dos profissionais da educação e de outros segmentos da comunidade deve se efetivar em todas as etapas de elaboração e execução do projeto. Escola Sagarana - 45 . Não é verdade. portanto. . bem.Há uma grande discussão sobre a pertinência ou não de se incluir a palavra política. São concepções diferentes de escola e de processo educativo. do ponto de vista da teoria como da prática. Hoje. sustenta a necessidade de se trabalhar na perspectiva do projeto político-pedagógico. todas as correntes de pensamento presentes na área da educação defendem a importância da participação. Os professores. por exemplo. mas para contribuir com o projeto político.a construção do projeto político-pedagógico não se restringe a uma questão de técnica de planejamento. . necessariamente. Cabe ainda discutir o significado do processo de participação para a proposta da Escola Sagarana. A concepção da Escola Sagarana. Há. A concepção de educação presente na proposta da Escola Sagarana entende que a escola pode e deve contribuir para a construção de uma sociedade justa. na perspectiva da justiça social. romper com os preconceitos e não ter medo de se discutir a dimensão política do projeto pedagógico. .a necessidade de se partir de um marco referencial. trabalhar.

com a ética. A escola pública. É assim que a proposta da Escola Sagarana entende que deve se dar a participação. trabalha com o pressuposto de que todos podem aprender. É claro que nenhum educador será contrário à paz e à harmonia. é essencial trabalhar com as crianças e adolescentes os aspectos relacionados com a afetividade. Para responder a todos os desafios que lhe são impostos. transformando o direito de divergir em insubordinação. Além dos processos cognitivos. o autoritarismo presente em nossa formação cultural e política sempre valorizou o “culto” à obediência. A construção coletiva de um projeto político-pedagógico de qualidade tem como um de seus eixos fundamentais a equidade. Ao assumir esta função. com o conflito e a garantia do poder de decisão. com todas as dimensões do ser humano. é fundamental fazer uma revisão da teoria e da prática pedagógica. com a sexualidade. assim. A escola de hoje tem como função formar o ser humano. atualmente.O desafio de fazer aprender A Escola Sagarana. quando se discute o projeto político-pedagógico da escola: 1 . 2 . a construção dos consensos que são fundamentais para que a paz se participação que escamoteia as divergências é o mesmo que descarta qualquer possibilidade de divisão do poder. O processo de ensino e aprendizagem assume. As pessoas participam. algumas questões devem ser destacadas. democrática e inclusiva. desde que não decidam. a escola se coloca diante da sociedade. A participação efetiva supõe a convivência com a pluralidade das idéias. para que o discurso da construção coletiva se transforme em prática permanente. fazer o que está previsto que se faça. Isto significa que as oportunidades educacionais devem ser garantidas a todos. Ensinar é um componente importante do processo educativo. com a discordância. Entretanto. Escola Sagarana - 46 . passa por profundas mudanças e convive no seu dia-a-dia com inúmeras situações novas. como agente de mudanças. Nesta perspectiva. capaz de interferir no processo histórico de forma positiva. uma outra perspectiva: mais importante do que ensinar é fazer aprender. com a formação da cidadania.colaborar. quase que exclusivamente. com o processo de ensino.A função da escola Tradicionalmente. mas não é a sua única dimensão. a escola incorporou a concepção de que o ato de educar estava relacionado.

Neste sentido. Isto significa que o conhecimento não é algo pronto e acabado e os livros didáticos não são portadores de verdades imutáveis. 6 . É fundamental considerar sempre a importância da pesquisa.Os seres humanos são diferentes O compromisso com a formação do ser humano e com o desafio de fazer aprender tem que levar em conta as diferenças individuais dos alunos. é essencial que se compreenda a importância de se trabalhar a interdisciplinaridade. portanto. a sua aplicação prática na realidade vivida pelos alunos. integradores do projeto político-pedagógico. Temas como cidadania. A ruptura com a visão estanque do conhecimento como algo pronto e acabado exige uma nova visão sobre a estrutura e dinâmica dos currículos na escola. A aquisição de competências e habilidades passa pelo processo de interação entre as diversas disciplinas o que favorece. respeitando os ritmos e as características de cada um. pode ser o mecanismo operacional para garantir a discussão desses temas em todas as atividades curriculares. com interação permanente para necessária aquisição de competências e habilidades e para a formação de valores e procedimentos. sexualidade e outros devem estar presentes em todo o currículo.A contextualização dos currículos: a relação da Escola com a vida Para formar seres humanos. habilidades e procedimentos interferem de forma decisiva na estruturação dos currículos.A definição de competências. 4 . influenciada pelos diversos contextos históricos.3 . ecologia. o currículo implementado pela escola deve estar em permanente sintonia com a vida.O conhecimento é uma construção histórica e social A produção do conhecimento é um processo social e. Escola Sagarana - 47 . 7 . além de uma visão integrada do conhecimento. bem como os conhecimentos e experiências que os alunos possuem. ética. São sujeitos ativos do processo educacional.Os alunos são sujeitos do processo do conhecimento As crianças e os adolescentes não são meros depositários do conhecimento acumulado pela humanidade ao longo dos anos. A definição de eixos temáticos. 5 .

nem classificatória. A escola de qualidade para todos. por isso. identificar problemas e redirecionar os rumos do processo educativo. construindo junto às crianças e aos adolescentes. Cabe destacar que progressão continuada não é promoção automática. inclui também a aprendizagem. É preciso garantir o espaço e o tempo necessários para que os profissionais possam realizar reuniões periódicas de planejamento e acompanhamento do processo educativo. nem punitiva. com outra concepção de avaliação. permanente e contínuo. de forma progressiva e em ritmos diferentes. A avaliação deve investir no sucesso escolar e. faz da avaliação um processo formativo e. O compromisso da escola democrática e inclusiva é com o sucesso e. exige que a escola redimensione a organização de seus tempos e espaços. que tem como meta fazer aprender. a avaliação não é acumulativa. o que. O desafio é formar uma outra cultura de avaliação. esta falsa relação. que tem compromisso com a educação de qualidade para todos. muitas vezes. da forma como é tratada. Isto implica mudanças radicais.A organização dos tempos e espaços escolares O projeto político-pedagógico. qualitativo. A escola tradicional e excludente faz. Não se trata mais da ação individual de cada professor ou de cada especialista. portanto. A promoção automática. a noção de que este é um processo importante e estará presente em todos os momentos de suas vidas.O trabalho pedagógico é coletivo Na escola democrática e inclusiva. Longe de ser um instrumento de coerção e angústia. evidentemente. é importante garantir o mecanismo da progressão continuada. por isso mesmo. que passam pela concepção do trabalho pedagógico e transformam substantivamente a rotina da escola. A progressão continuada supõe a aprendizagem concebida na referência de que todos podem aprender.A avaliação e o compromisso com o sucesso escolar A avaliação deve ser compreendida como uma estratégia para realizar diagnósticos. Nesta perspectiva. deve ser visto como uma forma permanente de aprimoramento. O seu objetivo é detectar os avanços e as necessidades de correção no processo pedagógico de formação dos alunos. 9 . o trabalho dos profissionais da educação deve ser coletivo. se identifica com a ausência de aprendizagem. 10 . Esta reorganização deverá levar em conta a necessária Escola Sagarana - 48 .8 . mas do trabalho integrado de todos os profissionais da escola.

A concentração do poder seja na figura do dirigente ou até no controle de um determinado segmento da Escola Sagarana - 49 . No ensino fundamental. A autonomia deve garantir à Escola a construção de uma identidade própria. É importante destacar que a autonomia não se restringe apenas ao aspecto financeiro ou administrativo da escola. merece uma profunda reflexão por parte dos dirigentes escolares. enquanto instâncias de flexibilização e divisão efetiva do poder. é verdade que não existe escola democrática e inclusiva sem autonomia. A gestão democrática da escola A escola democrática e inclusiva tem que ter uma gestão democrática. A estrutura de poder tem que ser democratizada e. os colegiados escolares desempenham um papel fundamental. entretanto. ou seja. a execução do currículo interdisciplinar e a avaliação com progressão continuada. a organização em ciclos garante aos profissionais da educação a liberdade pedagógica e a flexibilidade indispensável para implementar o processo educativo. democrática e inclusiva. Por outro lado. bem como por toda a comunidade. levando em consideração as suas especificidades e as diferenças regionais. o seu caráter público. Este tipo de organização favorece o acompanhamento das diferenças individuais dos alunos. É preciso. é preciso ter clareza da complexidade e das dimensões possíveis da autonomia. A Autonomia e a gestão democrática da Escola A proposta político-pedagógica da Escola Sagarana investe na autonomia e na gestão democrática da unidade escolar. pela construção do projeto político-pedagógico. A capacidade de inter-relacionar as particularidades próprias de cada unidade escolar com os aspectos gerais do sistema é o que pode assegurar uma política educacional fundamentada no coletivo e com a necessária visão de organicidade do todo. neste caso. necessariamente. Ela passa. A escolha dos dirigentes pela comunidade escolar é fundamental nesse processo. mas não é suficiente para se consolidar uma gestão democrática. entretanto. de acordo com as referências já citadas. quando se trata de um Sistema Público de Educação. preservando a sua identidade coletiva. O tema da autonomia da escola pública. Por um lado.flexibilidade para se ajustar à concepção da escola formadora de seres humanos. manter a articulação sistêmica entre as várias e diferentes escolas de Minas Gerais. o trabalho coletivo do professor.

A valorização dos profissionais da educação não se restringe apenas ao desenvolvimento das políticas abordadas anteriormente e não pode ser atribuído exclusivamente às ações de responsabilidade do poder público. a escola e os próprios educadores. acaba por favorecer a reprodução de vícios típicos de uma cultura autoritária: fisiologismo. Neste sentido. acumularam-se distorções. 2 . O investimento em carreira. porque afeta diretamente o núcleo do poder.A implantação de um novo plano de carreira é essencial para o processo de valorização dos profissionais e para consolidar a escola democrática. Escola Sagarana - 50 . A escola democrática. A Escola Sagarana tem nos seus profissionais os grandes agentes da mudança no processo educacional. o que dificulta o trabalho pedagógico e o avanço de projetos consistentes. essa tarefa é ainda mais desafiante. bem como outros processos de capacitação fazem parte do esforço para valorizar o trabalho de professores e especialistas. além da ação do poder público para viabilizar tais projetos. etc. concurso público e nomeações de profissionais efetivos é imprescindível para o êxito da Escola Sagarana. O poder público responsável por tais iniciativas já tem consenso sobre esta necessidade e tem implementado as providências pertinentes. como processo social e permanentemente construído. que envolvem o poder público. A educação continuada. resultantes da política de pessoal implementada pelo Estado na área da educação. especialistas e servidores. manipulação. o trabalho que se desenvolve no interior da escola é fundamental. de fato.comunidade escolar. em Minas Gerais. deve considerar que este processo tem várias dimensões e diversos atores envolvidos. É fundamental compreender que valorizar os profissionais da educação exige um conjunto articulado de políticas. ao refletir sobre um projeto político-pedagógico compromissado com a valorização de seus profissionais. é importante compreender que. do desafio de investir em novos comportamentos diante da importância do conhecimento. clientelismo.A valorização dos profissionais da educação. Generalizou-se de forma acentuada a figura do profissional designado. Trata-se. cabe destacar os seguintes pontos: 1 . D . por conseqüência qualquer projeto político-pedagógico só será viabilizado com a valorização permanente de professores. No caso específico da gestão da escola. Nesta perspectiva. Ao longo dos anos. O nosso desafio é construir uma cultura democrática.

das diferentes estratégias que podem ser utilizadas pela escola. a valorização dos profissionais da educação é um processo que envolve a participação de diferentes atores. Escola Sagarana - 51 . A mesma concepção do conhecimento e de desenvolvimento curricular prevista no projeto políticopedagógico da escola. deve permear a formação permanente de professores e especialistas. Sem desconhecer a pertinência desse tipo de incentivo. é preciso trabalhar junto aos profissionais da educação. neste caso. A escola democrática investe na educação continuada como processo permanente de construção do conhecimento. A compreensão da função da Escola. este seja o maior desafio da escola democrática. em cada unidade escolar.A relação da escola com a comunidade A proposta da Escola Sagarana . Talvez. O investimento em educação continuada deve ser uma exigência dos profissionais não só pelos benefícios salariais que dela possam decorrer. Incentivar o resgate da auto-estima dos profissionais da educação. além da ação do poder público.Durante muito tempo. porque interfere de forma direta em comportamentos já cristalizados no cotidiano de professores e especialistas. uma outra cultura sobre a importância do conhecimento. Por isso. como também para garantir "acesso” a melhores níveis salariais. ampliando cada vez mais a sua participação no projeto políticopedagógico da escola. é importante deixar claro que esta é uma visão pragmática e reducionista dos processos de capacitação. E . é o próprio educador. Como foi dito anteriormente. Alem das ações do poder público. enquanto instituição. o ator decisivo para consolidar este processo. os processos de capacitação foram compreendidos pelos professores e especialistas como instrumentos para corrigir defasagens de formação. 3 . por todas as suas características já apontadas neste texto. mas como uma necessidade para a realização do trabalho pedagógico coletivo. Esta é uma tarefa complexa. exige que a Unidade Escolar esteja compromissada com a sociedade e inserida concretamente em sua comunidade. A escola democrática e inclusiva deve ser contemporânea de seu próprio tempo e a sua relação com a sociedade e com a vida está presente em seu projeto políticopedagógico.Uma nova compreensão sobre o significado da educação continuada está diretamente relacionada com o processo de auto-valorização. dos seus desafios no mundo de hoje e seu compromisso com as mudanças sociais leva o educador a valorizar o seu trabalho.

Este é um processo de grande complexidade. para o seu pleno funcionamento. A comunidade precisa identificar na Unidade Escolar e no processo educativo. É nesta perspectiva que se coloca a proposta de Gestão Consorciada. é possível dizer que todas as políticas sociais ficam comprometidas em sua essência . Mesmo Escola Sagarana - 52 . A Escola Sagarana e a integração com as políticas sociais públicas As grandes mudanças que ocorrem no mundo. qualquer dicotomia que se estabeleça entre educação básica e educação superior é artificial.É preciso ir além das relações artificiais. saúde. o esforço de integração das diversas políticas sociais. da mesma forma que exigem uma redefinição do papel da Escola . É preciso construir um relacionamento sólido. agentes permanentes de integração com os seus problemas e suas necessidades.permeando toda a proposta da Escola Sagarana. uma integração sólida das várias políticas sociais. exigem também por parte do setor público. a Escola manteve com a comunidade: relacionamentos esporádicos. Tradicionalmente. capaz de garantir a sua integração com as políticas educacionais em geral. é fundamental que se estabeleça um relacionamento com as Instituições de Ensino Superior. esta necessidade está presente no dia a dia da Escola . caracterizados por comemorações festivas de determinadas datas ou acontecimentos. trabalho e promoção social. envolvendo as áreas de educação. Hoje. bem como um espaço privilegiado de luta pelos ideais de justiça. por isso mesmo. vários projetos que exigem esta integração poderiam ser citados. mas não é o caso. envolvendo os mais variados atores e. O êxito de grande parte dos projetos educacionais depende dessa integração. Na área educacional..A proposta da Escola Sagarana e seu relacionamento com as Instituições de Ensino Superior Partindo-se do pressuposto de que a educação é um processo global. sem um entrosamento permanente com a educação. Outros vários exemplos poderiam ser citados. a relação do ensino superior com as políticas de educação básica assumiu a perspectiva da prestação de serviços. que exigem. humanismo e solidariedade. Da mesma forma. cultura. Resguardadas as especificidades dos objetivos institucionais e de cada nível de ensino. cabe destaque para os Centros de Atenção Integral à Criança e ao Adolescente. . deve ser construído com a compreensão necessária sobre a grandeza de seu significado. Neste aspecto. Trata-se de formar uma nova cultura política na administração pública. que tradicionalmente.

indispensáveis. é importante destacar novamente que a proposta da Escola Sagarana não é um projeto terminado. evidentemente. parceiras efetivas e. 7 . iniciado no ano 2000. que . portanto. É uma outra concepção de sociedade. hoje ela é insuficiente. O Sistema Mineiro de Avaliação da Educação Pública (Simave). este também é um processo a ser construído. para o êxito da proposta da Escola Sagarana e a consolidação das diretrizes de seu projeto político. Trata-se de uma construção coletiva que depende da participação da comunidade escolar e de todos os atores sociais compromissados com a educação.pedagógico. A concepção da “Escola Sagarana” não é apenas uma nova marca para caracterizar uma mudança de governo. _______ * Professora de História. É muito mais que isso. já trabalha com uma rede de Instituições de Ensino Superior.reconhecendo a validade dessa dimensão. que implica outra concepção de Escola e processo educacional. Por esta razão . A proposta de gestão consorciada transcende a prestação de serviços e identifica nas Instituições de Ensino Superior.Conclusão Embora já tenha sido enfatizado. apresenta uma série de dificuldades para a sua operacionalização. com a concepção de gestão consorciada. Trata-se de uma nova perspectiva. ex-secretária-adjunta da Educação de Minas Gerais Escola Sagarana - 53 .

A seguir. Em Minas Gerais. Uma das principais ações foi a implantação do Sistema Mineiro de Avaliação da Educação Pública (Simave). tendo em vista as dimensões do estado e as profundas diferenças regionais existentes. em discussão a questão do financiamento da educação. particularmente. o destaque é para ações e políticas públicas integradas que perseguem a equidade como critério e a justiça social como meta da política educacional. deve ser permanente e transformadora. de longo prazo.6 – A Educação em Minas no século XXI O plano de ação da Secretaria da Educação de Minas Gerais obedece a diretrizes contidas em três eixos estratégicos. No campo pedagógico. convertendo as ações estratégicas de governo em políticas de Estado. 6. Escola Sagarana - 54 . buscou-se a definição de um perfil de atuação baseado em critérios de qualidade e eficiência. os programas foram definidos com o objetivo geral de promover uma correção de rumos e ajustes. ao mesmo tempo em que eram aprofundadas as discussões para a formulação de uma política educacional consistente e coerente com os objetivos maiores do estado de Minas Gerais e do desenvolvimento da comunidade mineira. que supõe persistência e participação. após a avaliação inicial. de forma a reduzir os efeitos da descontinuidade administrativa. Com esse objetivo.1 – Fórum Mineiro de Educação A construção coletiva de um sistema de educação é uma tarefa complexa. as principais ações desenvolvidos foram o programa Bolsa Familiar para Educação – Bolsa-escola e o Programa Mineiro de Atenção Integral à Criança e ao Adolescente (EducAção). com estruturas adequadas e ajustadas às metas e objetivos. contudo. No âmbito social. já que todos os especialistas concordam com a necessidade de identificar novas fontes de recursos e criação de mecanismos para a manutenção e desenvolvimento do ensino médio e da educação infantil. O objetivo geral dessas diretrizes e planos é definir políticas permanentes para a Educação em Minas Gerais. Permanece. é um desafio. uma descrição sintética dos principais programas e projetos propostos ou em desenvolvimento na Secretaria da Educação de Minas Gerais. além do Programa de Alimentação Escolar. Foram adotadas ainda ações destinadas a promover a desoneração do Estado e a cooperação com os municípios. No plano administrativo e financeiro. dentro das condições gerais e do momento histórico do Estado. sempre tomando por base os princípios da Escola Sagarana.

negociação. bem como os documentos e declarações produzidos nos fóruns internacionais e reafirmados pelo Brasil. Com tais pressupostos. a Secretaria da Educação de Minas Gerais vem propondo aos educadores mineiros. especialmente os contidos nas legislações federal. então. esse debate deve alimentar-se de um ideal de inovação e de transformação. estadual e municipais. que busca a todo tempo avançar e conquistar novos espaços para o desenvolvimento da sociedade e da comunidade mineira. instituir na forma de lei uma política de estado para a educação em Minas Gerais. Por isso a Secretaria da Educação convocou a Segunda edição evento – iniciada em junho de 2001 e com encerramento programado para outubro de 2001 – com a tarefa primordial de fornecer subsídios para a formulação de proposta de uma Lei de diretrizes e bases da educação mineira. contendo princípios e objetivos gerais compostos a partir da consulta à sociedade e aos agentes da educação. Escola Sagarana - 55 . primordialmente. conforme o desejo expresso no documento final do 1º Fórum Mineiro de Educação. a instituição de uma instância permanente de avaliação.O debate para a construção do Sistema Mineiro de Educação precisa. Na convocação do 2º Fórum Mineiro de Educação também pretendeu-se gerar subsídios para a formulação de um Plano Decenal para educação no estado. capaz de gerar e alimentar uma espécie de compromisso em torno questões cruciais para as próximas gerações e para o futuro do estado e do país. levar em consideração os instrumentos legais já existentes. Sobretudo. realizado em agosto e setembro de 1998. capaz de suplantar os entraves da descontinuidade administrativa provocada pela sucessão e alternância de governos mais ou menos comprometidos com os princípios da educação de qualidade para todos. construção e renovação do Sistema Mineiro de Educação. O objetivo é. necessária para o sucesso do processo educacional.

reserva de vagas e matrículas nas escolas mineiras. cada vez mais. Esta é uma definição de caráter estratégico. democratizar a ação governamental no campo da educação.1 – Programa de Modernização Tecnológica Para manter-se sintonizada como o futuro. às solicitações do cidadão e dos servidores públicos da área de educação. levando em conta a proposição de nova estrutura administrativa para a Secretaria da Educação. O programa conta com a consultoria da Prodemge. para dar visibilidade e transparência aos atos do governo. a educação de Minas no XXI terá na informática um de seus mais fortes aliados. para serem exeqüíveis. OBJETIVO: Promover a modernização administrativa do órgão central e sua interligação por infovias com as superintendências regionais de ensino e as escolas. análise. uma vez que todas as atividades previstas pela política pública de educação. implantação e atualização de sistemas e equipamentos. das entidades públicas e particulares e dos órgãos de comunicação social às informações. dinamizar o andamento de projetos e ações. modernizar a administração escolar e o Sistema Mineiro de Educação. adaptação de normas e procedimentos e reestruturação setorial. O plano tem duas vertentes .do planejamento à didática nas salas de aula. própria da Educação. atender. desenvolvimento. ESTRATÉGIA: o programa é dividido em projetos tecnológicos que contemplam as fases de diagnóstico. METAS: facilitar o acesso do cidadão. seja no campo pedagógico ou da democratização das ações. destinada a integrar as ações setoriais e a ser um banco de dados aberto ao público. informatizar o sistema de registro. automatizar os processos administrativos internos no órgão central da Secretaria da Educação. terão que contar com o suporte da computação . Escola Sagarana - 56 .7 – Programas estratégicos 7. participando da rede informacional do governo de Minas Gerais e outra. via rede de informática. colocar-se ao alcance do cidadão em todas as suas demandas. a Secretaria da Educação elaborou o seu Plano Setorial de Informática. seja no campo administrativo e financeiro. criar canais de comunicação direta entre o governo e o cidadão.uma de integração das ações governamentais. Para alcançar esse patamar e.

assegurar o princípio da equidade. foram implantados sistemas de controle para as áreas administrativa e financeira. pretendeu-se substituir formas antigas e burocratizadas por estilos modernos e recursos técnicos e gerenciais inovadores. As avaliações internas sobre o desempenho geral dos diversos órgãos e entidades apontaram para a necessidade de implantação de novas formas de gestão. a racionalização administrativa e a reorganização estrutural da Secretaria.2 – Programa de Modernização Administrativa e Valorização do Pessoal da Educação A missão da Secretaria da Educação consiste em desenvolver. Para cumprir esses pressupostos com eficácia e eficiência.SITUAÇÃO: Iniciado em 1999. inscrições para exames supletivos. integrando toda a administração local e regionais via internet. Foram estudadas novas formas de agrupamento das atividades e distribuição dos recursos humanos. Com isso. sítio na Internet. gestão de projetos e orçamentos. com a redução dos trâmites internos. a necessidade de promover ajustes estruturais e redirecionamento orgânico e funcional. como também as Superintendências Regionais de Ensino. de planejamento e de execução com base nos critérios e princípios da política educacional definida pelo governo mineiro. promover a autonomia da escola. política e social. OBJETIVO: Tornar mais dinâmica e transparente a estrutura organizacional da Secretaria da Educação de Minas Gerais. 7. coordenar e implementar a política educacional. valorizar os Escola Sagarana - 57 . controle de transferência de recursos para as escolas. de controle de despesas com viagens. gestão de pessoal. de gerenciamento de recursos humanos(EDAB). bem como a criação de mecanismos atualizados de assessoramento. Verificou-se. o programa está em andamento e com várias etapas executadas. cadastro de escolas e prédios escolares. ofertar educação de qualidade para todos e valorizar o profissional da educação. Foram implantadas redes de comunicação no campus da Secretaria. despesas com energia elétrica e água. garantir a descentralização das ações. bem como com as peculiaridades regionais do Estado. custo aluno(SICA). promover a gestão participativa e democrática. ainda. Tais mudanças devem atingir não só o órgão central e as entidades vinculadas. convênios com prefeituras. a estrutura organazional deve ter sintonia com as mudanças de ordem econômica.

O projeto foi aprovado e encaminhada à sanção do governador Itamar Franco. valorizando sua formação e aperfeiçoamento. METAS: reorganizar as superintendências regionais de ensino quanto às suas jurisdições. melhorar a qualidade da educação. garantir eficácia e eficiência às ações do governo no campo da educação. planos de ações e metas de governo. A nova estrutura da Secretaria da Educação foi objeto de estudos e propostas encaminhadas à Secretaria de Estado do Planejamento e Coordenação Geral. o governador Itamar Franco determinou. várias medidas foram adotadas para ajustar a administração da Secretaria às condições atuais. Em abril de 2001. ESTRATÉGIA: fortalecer a adoção de critérios técnicos na administração da Secretaria. estabelecer programas de treinamento e formação continuada para todos os profissionais da educação. Como resultado. criar e aperfeiçoar instâncias.profissionais da educação. cargos e salários compatível com a missão de educar e com as funções exercidas. Escola Sagarana - 58 . estabelecer um plano de carreira. superintendências regionais e administração central da Educação. competências e mecanismos de atuação. fortalecer os concursos públicos como forma de ingresso de servidores. por meio de decreto. profissionalizar o servidores. sistemas e procedimentos de forma a dar mais eficiência à administração. AÇÕES: Desde o início de 1999. o poder executivo enviou projeto de lei à Assembléia Legislativa propondo a reestruturação da Secretaria. O Plano de Carreira do Pessoal do Magistério foi debatido e elaborado por uma comissão paritária formada por técnicos da Secretaria e representantes do Sindicato Único dos Trabalhadores em Educação (Sind-UTE). democratizar as ações da Secretaria pelo acesso público às informações. A proposta foi encaminhada ao governo para avaliação de impacto funcional e financeiro. a realização de concursos públicos para preenchimento de mais de 53 mil vagas nas escolas.

Um acordo assinado com o Ministério da Educação Nacional. A formação de uma rede de instituições de ensino superior. realizado em 1999 para discutir estratégias. parcerias e cooperação entre e a sociedade. O Simave foi implantado no ano 2000. Alguns municípios já aderiram ao sistema para terem suas redes de ensino também avaliadas. Afinal. por mais bem intencionadas e bem formuladas que sejam. foi instituído o Sistema de Apoio Pedagógico (SIAPE) destinado a orientar as escolas e desenvolver em cada uma ações de apoio aos professores e aos alunos. quando cerca de 650 mil alunos da rede pública em todo o estado foram avaliados quanto ao nível de proficiência em Língua Portuguesa e Matemática. públicas e privadas. Como resultado da avaliação. Uma construção coletiva Os princípios gerais.3 Sistema de Avaliação da Educação Pública (Simave) O Simave é um mecanismo estratégico de diagnóstico e planejamento da política educacional de Minas Gerais. O Simave é o executor do Programa de Avaliação da Educação Básica (Proeb). através do Centro de Políticas Públicas e Avaliação da Educação. Ciência e Tecnologia. dependem do trabalho pedagógico cotidiano de cada professor. metodologias de avaliação qualitativa e formativa e de progressão continuada. as políticas educacionais.7. a estrutura organizacional e as características de execução do Sistema Mineiro de Avaliação da Educação Pública evidenciam que todos os atores sociais envolvidos no processo educativo têm participação decisiva no SIMAVE. Ele é um dos resultados mais importantes da política de gestão consorciada do Sistema Mineiro de Educação. é coordenado pela Faculdade de Educação da Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF). a gestão. do qual participam outras 27 instituições regionais de ensino superior e todas as superintendências regionais de ensino. o governo e as instituições de ensino instaladas em Minas Gerais. aproveitando a experiência francesa de avaliação educacional praticada naquele país há 25 anos. proposta pela Secretaria da Educação no “Seminário Travessia para o Futuro”. trabalhando em conjunto com as Superintendências Regionais de Escola Sagarana - 59 . da França vem possibilitando o intercâmbio técnico e científico. a formação de pessoal especializado em nível de pós-graduação e o aperfeiçoamento do sistema no Brasil. A primeira etapa da avaliação ocorreu em outubro/novembro de 2000. Seu objetivo final é a valorização da escola pública e a melhoria da qualidade da educação. para obterem sucesso.

esta situação vem se modificando. Enfim. os profissionais da educação são comprometidos com o sucesso do processo educacional. com representantes dos municípios. Os diretores das escolas são escolhidos por suas comunidades e têm a consciência da importância da gestão democrática e eficiente. Nos últimos 40 anos. em conjunto com a comunidade educacional. Existem inúmeros fatores que contribuem para o fracasso escolar. evidencia que a avaliação passa a ser compreendida na sua dimensão social. há algum tempo. explícita. a história da educação brasileira tem sido marcada pela exclusão. Tudo isto confere à escola de Minas as credenciais necessárias para continuar avançando na busca da Escola em que todos acreditam: autônoma. o dramático perfil de escolaridade da população brasileira pouco tenha mudado. É claro que transformações deste porte não acontecem de uma hora para outra. mas de formular democraticamente. Primeiro. quando o acesso à educação já era garantido a todos do ponto de vista jurídico-formal. Entretanto. já que o acesso à educação era restringido por lei aos "homens livres". as políticas do setor. de trabalho permanente e de luta pela qualidade do ensino. Isso explica. as estatísticas confirmavam a permanência do caráter excludente. Exclusão X Inclusão Ao longo de seus quase cinco séculos. Sobretudo. apesar do crescimento experimentado. E o SIMAVE é um instrumento fundamental para se repensar. democrática e de qualidade. Construir uma nova cultura de avaliação implica ruptura com as práticas tradicionais ainda em vigor no cotidiano da escola. Investir no Sistema de Avaliação da Educação Pública. o trabalho pedagógico na escola. as escolas de Minas Gerais têm uma história reconhecida. o fato de que.Ensino. mais que o sistema educacional como um todo. a garantia do acesso à escola não estava resultando numa melhoria do perfil de escolaridade da população brasileira. Não se trata apenas de aplicar testes. registrando-se extraordinária expansão da rede de ensino público. Escola Sagarana - 60 . A rede de ensino. em Minas Gerais. que privilegiava as regiões mais desenvolvidas e as populações abastadas. em parte. é acreditar que o melhor instrumento para se atingir a eqüidade e a justiça social é a oferta de uma escola de qualidade para todos. apesar da ampliação da rede física. pela exclusão direta. posteriormente. dos professores e dos alunos. mais que apostar. vem discutindo a sua prática e implementando transformações de forma competente. Apesar das dificuldades. que já nos anos 80 garantia vagas suficientes para o atendimento a cerca de 90% da população urbana de 7 a 14 anos. a exclusão ocorria pela insuficiência de vagas na rede de ensino público.

a própria estratégia de avaliação costumeiramente adotada. que habilite seus alunos a uma participação efetiva na vida política. A educação de qualidade. portanto. Com efeito. da avaliação do desempenho escolar. tenham a oportunidade de acesso e permanência na escola. Ou seja. como um instrumento de legitimação das desigualdades sociais. é preciso garantir que todos. No contexto dos esforços pela democratização da escola pública no Brasil. a avaliação deve diagnosticar e apontar os fatores técnicopedagógicos que dificultam à maioria das crianças brasileiras o domínio dos conhecimentos e habilidades considerados necessários ao êxito nas suas trajetórias escolares e em suas vidas. a questão da avaliação educacional e. Para tanto. política e economicamente. Ao invés de premiar ou punir. é indispensável repensar as práticas de avaliação tendo em vista fazer com que elas percam o histórico caráter de certificação da desigualdade. ou seria aquele que reprovasse a maioria – esse era tido como um professor sério. foi mantida em segundo plano. intransigente. é preciso que se transforme a avaliação em instrumento de identificação dos problemas do sistema educacional e do processo ensino e aprendizagem. a avaliação pode e deve ser um instrumento que favoreça os objetivos democráticos da eqüidade e da igualdade na área da educação. quando a maioria dos profissionais da educação denunciava incessantemente o uso da educação. criando ainda uma imagem de que o bom professor seria aquele que identificasse melhor esses dois segmentos. e outros que dizem respeito à situação socioeconômica do país. O sistema de avaliação Escola Sagarana - 61 . também é verdade que alguns aspectos do trabalho pedagógico concorrem efetivamente para aqueles maus resultados. Esse instrumento apontava os "competentes" e os "incompetentes". racial ou étnica. Mas. no Brasil. Por muito tempo a avaliação foi utilizada como instrumento de seleção daqueles que passariam a integrar o seleto grupo dos "incluídos". mesmo durante os anos 70. é bom destacar. exigente. os "capazes" e os "incapazes". tais como. econômica. aqueles que seriam premiados e aqueles que seriam punidos. Não basta garantir para todos o acesso à escola. social e econômica do país. mais especificamente.entre eles alguns que são externos à escola. social. cultural. de predestinação ao fracasso escolar quando se trata das crianças que vêm dos segmentos de menor renda. independente de sua origem ou condição social. deve desenvolver-se numa perspectiva inclusiva.

O grande desafio que se coloca para a educação é construir essa nova cultura de avaliação. o Programa de Avaliação da Rede Pública de Educação Básica . levar em conta as diferenças regionais. a cada dois anos. sem medos e sem angústias. o SIMAVE é descentralizado. mas fornecer as informações básicas para a tomada de decisões na área da política educacional. angústia e tensão.Os mecanismos para se fazer avaliações do sistema educacional são muitas vezes vistos com desconfiança pela comunidade escolar. quando for o caso. integrado por representantes da Secretaria de Estado da Educação. que participarão do sistema como parceiras efetivas na implementação das políticas públicas de educação e. independente e centrado na escola. A Escola Sagarana e o SIMAVE Em fevereiro de 2000. foi constituído o Conselho Deliberativo. Isto significa que avaliar não tem como objetivo punir ou classificar. provocando insegurança. Escola Sagarana - 62 . A criação de um verdadeiro sistema de avaliação. no sentido de se garantir a permanência do processo e fazer da avaliação parte integrante do cotidiano escolar. as perspectivas global e universal. sem perder de vista. de acordo com os princípios da Escola Sagarana. não tomaram conhecimento dos resultados e não conseguiram perceber com clareza nem os objetivos nem os desdobramentos dessas avaliações. numa perspectiva positiva. é um avanço qualitativo. identificação de problemas e. do Conselho Estadual de Educação. portanto. A gestão do Sistema Mineiro de Avaliação da Educação Pública será participativa e democrática. em todas as instâncias e momentos da vida escolar. A ênfase na criação de um Sistema Mineiro de Avaliação significa. Em nível central. como mera prestadoras de serviços. Um de seus pressupostos é a gestão consorciada com as instituições de ensino superior. devem ser compreendidos como uma estratégia de realização de diagnósticos. dos Municípios.SIMAVE. em sua maior parte. mas as unidades escolares. a complexidade cultural que caracteriza o estado de Minas Gerais. das instituições públicas de ensino superior e dos profissionais da educação. participativo. a Secretaria de Estado de Educação instituiu o Sistema Mineiro de Avaliação da Educação Pública . Fundamentado nos princípios da Escola Sagarana. Várias avaliações já foram realizadas na rede escolar do estado de Minas Gerais. não mais. entretanto.PROEB. Os processos avaliativos. com a principal atribuição de implementar. de redimensionamento dos rumos do processo educativo.

Gestão consorciada: a participação de instituições de ensino superior. Essa comissão é responsável pelo programa de avaliação na jurisdição da Superintendência Regional de Ensino e pelo processo de avaliação continuada. uma vez que conduz à formulação de políticas que contribuem para a valorização do profissional da Escola Sagarana - 63 . dos profissionais da educação e dos alunos. Participação: os programas de avaliação serão implementados com a participação dos profissionais que atuam na Educação Básica. permite desenvolver um padrão consorciado e inovador de gestão da educação pública. Democracia. deverá estar associada a instituições locais de ensino superior. Este princípio está diretamente relacionado à gestão consorciada. participação e equidade São princípios fundamentais do Simave: Descentralização: os programas de avaliação serão implementados de forma descentralizada. em políticas de formação inicial e continuada de professores para a rede pública de educação básica. em sua área de jurisdição. É claro que um Sistema de Avaliação exige a contribuição técnica indispensável dos especialistas. será integrada também pelo representante da Instituição Regional de Ensino Superior responsável pelo PROEB. no sentido de torná-los cada vez mais identificados com as reais necessidades do magistério da rede de ensino público. esta associação favorece e estimula a discussão de possíveis mudanças nos cursos de formação de professores. É fundamental para a rede de educação básica. por representantes dos municípios.Em cada Superintendência Regional de Ensino foi constituída a Comissão Regional de Avaliação da Educação Pública que. A descentralização resulta da convicção de que as políticas educacionais não devem ser formuladas sem que se leve em conta a diversidade das situações vividas nas diferentes regiões do Estado. Isto significa que cada Superintendência Regional de Ensino. além de viabilizar a descentralização e a regionalização. normalmente responsáveis pela formação de professores para a rede de educação básica. à rede de escolas de educação básica e às Secretarias Municipais de Educação. além da Superintendência Regional. Por outro lado. mas a sua legitimidade passa necessariamente pela participação dos profissionais que desenvolvem o trabalho pedagógico nas escolas. Formação do professor: os programas de avaliação deverão se traduzir. porque permite vivenciar o trabalho pedagógico básico em todas as suas dimensões – da universidade às salas de aulas do ensino fundamental. As Comissões Regionais de Avaliação da Educação Pública visam ainda garantir o caráter permanente ou continuado do processo avaliativo. possibilitam o entrosamento com as instituições locais de ensino superior. dentre outras iniciativas. Além disso.

Isto não significa expor indevidamente a escola. criar instrumentos de participação da sociedade e dos profissionais da educação na gestão da escola pública. democratizar o acesso à informação sobre a educação pública. principalmente quando essa informação diz respeito às ações de órgãos públicos e quando a maior ou menor possibilidade de melhoria da qualidade de vida do cidadão depende da qualidade dessas ações. desenvolver procedimentos de gestão de avaliação das políticas públicas educacionais com base em princípios de equidade. nível socioeconômico ou região de moradia. fortalecer a escola como instituição de promoção de igualdade de oportunidades para todos os mineiros. Perfil do Simave OBJETIVOS: Promover a avaliação sistemática da rede pública de educação básica. Eqüidade: O Estado verdadeiramente democrático deve garantir a oferta de uma educação de qualidade para todas as crianças e jovens em idade escolar. discutindo a qualidade e a pertinência dos cursos de formação inicial e de formação continuada atualmente oferecidos aos professores. sexo. independentemente de fatores tais como raça. Escola Sagarana - 64 .educação. Pelo contrário! É fundamental garantir a todo e qualquer cidadão o acesso à informação. Esconder resultados ou sonegar informações faz parte de uma cultura autoritária e clientelista que os profissionais da educação combatem e que só tem contribuído para o retrocesso e o atraso do processo educacional. Publicidade: os resultados do programa de avaliação serão públicos. etnia. O processo também contribui para a definição de políticas que garantam que todas as escolas tenham condições de oferecer uma educação de qualidade.

7. produzindo-se indicadores necessários à formulação e redefinição das políticas educacionais do Estado. de caráter universal e execução em parceria com instituições de ensino superior. questionários destinados aos alunos. com o objetivo de levantar dados sobre o processo de gestão das unidades escolares.METAS: Desenvolver parâmetros e métodos de aferição do desempenho e da qualidade nas redes estadual e municipais de educação básica. diretores de unidades escolares. adequação e aperfeiçoamento de recursos humanos para atender às necessidades da rede pública de educação básica e os objetivos da política educacional de Minas Gerais. estabelecer mecanismos e sistemáticas de gestão consorciada da rede pública de educação com base na cooperação e na parceria entre o governo.4 . controle e acompanhamento para a permanente busca da elevação da qualidade da educação básica. Matemática. Escola Sagarana - 65 . em 2001.Programa de Avaliação da Educação Básica O Programa de Avaliação da Educação Básica (Proeb) é parte do Simave e se situa no conjunto de ações do Sistema Mineiro de Avaliação da Educação Pública. sociedade. professores e especialistas. promover a formação. por meio de testes respondidos por todos os alunos do primeiro ano do ciclo intermediário e o último ano do ciclo avançado (4ª e 8ª séries) do ensino fundamental e por todos os alunos da 3ª série do ensino médio. foram aplicados testes de Língua Portuguesa e Matemática. a cultura e o desenvolvimento de Minas Gerais. num ciclo que se complementa a cada dois anos: assim. compatíveis com a realidade. recursos e serviços disponíveis nas unidades escolares. o perfil dos profissionais da educação e dos estudantes. os testes abrangem História. O programa avalia as escolas da rede estadual de ensino e das redes municipais que aderirem ao Simave. Esse conjunto de testes permite a avaliação e análise do sistema educacional mineiro como um todo. no ano de 2000. Os testes avaliam as competências desenvolvidas pelos alunos em Língua Portuguesa. ESTRATÉGIA: o SIMAVE está estruturado em programas setoriais destinados à avaliação da educação básica em Minas Gerais. observadas as peculiaridades regionais. universidades e instituições de ensino superior instaladas em Minas Gerais. Geografia e Ciências. Ciências Humanas e Ciências da Natureza. O Proeb inclui. criar instrumentos de avaliação. ainda. criar parâmetros diferenciados de avaliação da rede pública de educação básica.

organização. Além disso. após seleção. por meio do Centro de Políticas Públicas e Avaliação da Educação . com base em amostragens e apresentando os seus resultados por unidade da Federação. que é a Universidade Federal de Juiz de Fora . das comissões regionais de apoio pedagógico e do sistema de avaliação continuada.INEP. impressão e distribuição dos testes. O PROEB e o Sistema de Avaliação da Educação Básica do INEP SAEB O Sistema Nacional de Avaliação da Educação Básica . por intermédio do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais .A organização do PROEB no Estado Para viabilizar sua realização. Deles resulta a formação de equipes e estudos para análise dos boletins de avaliação da escola e adoção das medidas necessárias à correção de rumos e superação de eventuais deficiências. da Faculdade de Educação. supervisão e acompanhamento do trabalho das instituições regionais junto às 41 superintendências regionais de ensino. divulgação dos resultados e apoio pedagógico às unidades escolares. que é a gestão consorciada da educação básica. sem que se percam de vista as características comuns à população e à educação do estado de Minas Gerais. atuam no âmbito regional apoiando as atividades programadas pela instituição coordenadora e as ações das superintendências de ensino. A UFJF é responsável pela elaboração.SAEB é um sistema implementado pelo Ministério da Educação. com atuação direta e permanente nas escolas. planejamento e acompanhamento da implantação do programa. devidamente articulada com a rede de educação básica. processamento e análise dos resultados dos testes. o Proeb conta com uma Instituição Coordenadora. Os primeiros resultados do Proeb surgiram em 2001 com a implantação do Sistema de Ação Pedagógica (Siape). Este tipo de organização confirma um dos princípios básicos do Simave. São mecanismos propostos pelo Proeb.CAEd. esta forma de organização garante ainda o princípio da descentralização e da regionalização. Também participam da implementação do programa 27 instituições de ensino superior que. indicadas pela Secretaria de Estado da Educação de Minas Gerais.UFJF. com a formação de uma rede de instituições de ensino superior. para avaliar a educação básica em todo o Brasil. Escola Sagarana - 66 . com apoio das instituições regionais de ensino superior integradas ao programa.

deve ter ampliados seus horizontes quanto ao uso de tecnologias modernas a serviço da educação. na modalidade de educação a distância. já que são imensas as tarefas e compromissos exigidos à educação. cuidar do que é específico de Minas significa distanciamento da perspectiva nacional. Deve-se levar em conta o tipo e perfil de profissional que a escola exige nos tempos atuais. executado no contexto do Programa Anchieta de Cooperação Interuniversitária. entre outras razões. nos anos iniciais. O Projeto Veredas de Formação Superior de Professores. atuam nas salas do ensino fundamental. profissional e humana. 7. mesmo sem a formação superior necessária. tendo em vista a formulação de políticas educacionais próprias.uma medida referente às habilidades e competências desenvolvidas pelos alunos em cada área do conhecimento – são os mesmos produzidos na escala nacional pelo Inep e utilizada pelo Saeb. ainda hoje.A institucionalização do Sistema Mineiro de Avaliação da Educação Pública é um salto qualitativo importante. respeitando as peculiaridades locais e os objetivos de Minas Gerais. Esse é o perfil do professor que o Projeto Veredas procurará desenvolver e. regional e comunitário. O professor. a Secretaria da Educação de Minas Gerais utilizará uma metodologia que abrange a sistemática de formação e de implantação do curso normal superior. Por esta razão. Entretanto. para isso. é imprescindível a utilização de instrumentos de análise que permitam a necessária comparação entre o Proeb e o Saeb. os indicadores de proficiência . O curso vai terá módulos semestrais e poderá ser concluído em três anos e meio Escola Sagarana - 67 . terá que passar pela habilitação e qualificação do professor. Assim. destina-se a habilitar os professores que. aos direitos sociais e ao exercício da cidadania: deve comprometer-se com a transformação social e ser um agente do desenvolvimento nacional.5 . com participação das instituições de ensino superior em âmbito regional. porque trabalha com a perspectiva de resguardar a especificidade de Minas Gerais.Veredas – Formação Superior de Professores Toda política de valorização do pessoal da educação e que tenha por objetivo final o sucesso do aluno em seu processo de formação pessoal. além de ser universal – para toda a rede pública de ensino e para todos os alunos das séries escolhidas – e apresentar resultado individualizado por escola. além de sua qualificação técnica. necessariamente.

O projeto prevê a realização de provas para seleção dos candidatos. BENEFICIÁRIOS: professores que atuam da primeira a quarta série do ensino fundamental. habilitar 55 mil profissionais que atuam nas escolas mineiras sem habilitação superior. São quase 60 mil profissionais que atuam nas redes de ensino estadual e municipais de Minas Gerais sem a necessária habilitação. integrar as universidades ao processo formativo e promover adequação curricular. com material didático (textos e vídeos) preparados por especialistas e distribuídos gratuitamente. preparação e elaboração de material didático adequado às novas metodologias educacionais. o Veredas vai atender 12 mil professores estaduais e 3 mil municipais. obter o apoio e reconhecimento do curso pelo Ministério da Educação. SITUAÇÃO: o projeto está finalizado e aprovado. promover a cooperação entre estado e municípios no campo da formação de educadores. Essa habilitação será gratuita e obtida em serviço. atrair profissionais de alto nível para o estudo . OBJETIVO: melhorar a qualidade do ensino nas redes estadual e municipais. todos devem ter curso superior até 2005. organizadas pelas universidades consorciadas. desenvolver metodologias de educação a distância. com recursos definidos. METAS: habilitar em serviço 12 mil professores da redes estadual e 3 mil das redes municipais na primeira etapa e. INÌCIO: os cursos devem começar em fevereiro de 2202. vídeos e internet. sem formação superior. Na primeira etapa. 7. estimular o uso de tecnologias avançadas de informática e comunicação. de forma que a prática do professor sirva como parte de suas atividades de curso.6 Programa Bolsa Familiar para Educação – Bolsa-escola Escola Sagarana - 68 . contribuir para a redefinição o perfil dos cursos de formação de pessoal para área de educação. com acompanhamento e orientação dos tutores. buscar novas definições quanto ao perfil e currículo das faculdades de educação. e registro dos diplomas no Ministério da Educação. ESTRATÉGIA: articular com as universidades e instituições de ensino superior sistemáticas de gestão consorciada e de cooperação na formação de recursos humanos para a educação. com início previsto para fevereiro de 2002. a médio prazo. com apoio de material impresso.combinando métodos de educação a distância e presenciais. Foram divulgados os editais para seleção dos profissionais responsáveis pela elaboração dos textos didáticos – a grande maioria deles é formada por doutores em educação e mestres com doutorado em andamento. das redes municipais e estadual. e. conforme previsto na LDB.

A preocupação com a renda mínima é histórica entre filósofos e economistas e em vários países do mundo já estão em vigor programas dessa natureza: Estados Unidos. Ao lado do princípio de “universalização” tem de ser colocado o da “eqüidade”. 400 mil crianças estão fora da escola. o que é inaceitável. a democratização das oportunidades educacionais.3%. Segundo a Fundação João Pinheiro. condenando à miséria milhões de brasileiros. isto é. geradoras de uma desigualdade perversa.As desigualdades sociais vêm se acumulando no Brasil ao longo de sua história. por conseqüência. A partir da década de 1990. Entretanto. O capitalismo brasileiro se consolidou pela via do Estado (de cima para baixo). França. no ensino fundamental. mas a educação como questão de direito e de cidadania. segundo o Censo Escolar 2000. Nos últimos anos. Bélgica. a política tem revelado que há uma enorme distância entre “intenção e gesto”. o Programa Bolsa Familiar para a Educação – Bolsa-escola adotado em Minas Gerais é mais do que um programa de renda mínima. O Programa Bolsa Familiar para a Educação – Bolsa-escola. Grã-Bretanha. estudiosos trabalham esta proposta desde a década de 1970. No Brasil. o discurso da prioridade para a educação passou a fazer parte da agenda nacional. É nesta perspectiva que se coloca o Programa Bolsa Familiar para a Educação – Bolsa-escola. pois o seu enfoque principal não é apenas a distribuição de renda. impondo à sociedade sucessivas políticas econômicas concentradas de renda e. Pois além de dar condições a que toda criança tenha ingresso garantido na escola. a evasão escolar média é da ordem de 6. que vivem em situação de rua. proposta pelo Governador Itamar Franco em sua campanha eleitoral. é preciso garantir as condições objetivas para que ela permaneça e tenha bom desempenho na escola. é superior a 20% (da 5ª à 8ª série). Suécia. Minas Gerais e o Programa Bolsa-escola Em Minas Gerais. Em algumas regiões. A importância do Bolsa-escola. convivem com a vergonha do trabalho infantil e com a tragédia de meninos e meninas. as transformações que afetaram o mundo alteram substancialmente as relações entre os seres humanos e exacerbam o quadro de exclusão social. busca garantir às Escola Sagarana - 69 . Espanha e Portugal. Alemanha. Entretanto.

é o trabalho sistemático com as famílias para que possam ter acesso à profissionalização e outras formas geradoras de emprego e renda. Daí a escolha do Vale do Jequitinhonha.crianças mineiras. regulamentado com critérios rígidos de seleção e acompanhamento das famílias selecionadas. o programa incentiva a participação das famílias na vida escolar da criança e do adolescente. região considerada como das mais pobres do mundo. deve. além de contribuir com a queda da evasão escolar. complexidade e diferenças socioculturais de Minas Gerais. Uma iniciativa deste porte. A manutenção do benefício exige a comprovação pessoal de freqüência do estudante em pelo menos 90% das atividades escolares. precisam ser mantidos no programa. Tal integração se justifica pelo fato de que. Anualmente. trabalho e cultura. tendo como prioridade as regiões que apresentam condições socioeconômicas mais desfavoráveis. Escola Sagarana - 70 . d – passar pelo processo de avaliação familiar e seleção de beneficiários. desenvolver-se em processo de integração com outras políticas públicas. Organização e operacionalização da Bolsa-Escola Em um estado com a dimensão. O Bolsa-escola e a política educacional É importante destacar que o Bolsa-escola é um programa de educação. Cabe ressaltar que. b – ter renda per capita familiar igual ou inferior a meio salário mínimo. assistência social. o Programa deverá ser implantado de forma articulada com os municípios e gradualmente. com baixos índices de desenvolvimento humano e de desenvolvimento infantil. como: segurança. além da participação de entidades não-governamentais compromissadas com a criança e o adolescente. c – ter residência comprovada no município por pelo menos 3 anos. saúde. tão ou mais importante do que a concessão do benefício. Critérios para cadastro no Programa a – ter filhos na faixa etária de 7 a 14 anos matriculados na escola pública. coordenada e gerida pela Secretaria de Estado da Educação. necessariamente. de fato. será feita a avaliação pertinente para verificar aqueles que. justiça e direitos humanos. em especial das regiões mais carentes. não sendo mais necessária a concessão do benefício. o direito de acesso à educação de boa qualidade e permanência na escola. As famílias são acompanhadas do ponto de vista social para que alcancem melhores condições de vida.

SITUAÇÃO: implantado no final de 1999. META: implantar o Programa em todo o Vale do Jequitinhonha durante o atual governo. Nesta perspectiva. assistência e promoção social e encaminhamento para cursos profissionalizantes e atividades de complementação de renda familiar. com ampliação gradativa da região abrangida e do número de famílias atendidas. começando por projeto piloto para atendimento inicial a 6 mil famílias na região do Vale do Jequitinhonha. estabelecendo a necessária ruptura com a cultura “do favor” e resgatando a dignidade e a esperança. BENEFICIÁRIOS: famílias carentes. assistência e promoção social junto às famílias beneficiadas. o Bolsa-escola chegou a 2001 atendendo a 17 mil famílias em 30 cidades do Vale do Jequitinhonha. proporcionar formas de complementação de renda para famílias carentes com filhos matriculados nas escolas da rede pública. subiu para 14 milhões em 2001 e deverá atingir R$ 21 milhões em 2002. está programada a extensão do Bolsa-escola a todas as 51 cidades que compõem o médio Vale do Jequitinhonha. AÇÕES: cadastramento de famílias. segundo levantamento da Fundação João Pinheiro. o Bolsa-escola incentivará o desenvolvimento da cidadania e a consciência necessária dos direitos e deveres das pessoas em relação à sociedade e ao Estado. desenvolver ações integradas de saúde. a de mais baixo Índice de Desenvolvimento Humano. ESTRATÉGIA: destinar às famílias carentes renda mínima da ordem de R$ 70. RECURSOS: o Programa começou com investimento de R$ 7 milhões em 2000. com renda inferior a meio salário mínimo per capita. com filhos entre 7 e 14 anos matriculados no ensino fundamental regular. o trabalho infantil e a exclusão social através de projetos e ações de promoção social. atendendo cerca de 30 mil famílias. orientação familiar e encaminhamento profissional.00 (setenta reais). de meio a um salário mínimo mensal para manutenção de seus filhos na escola. trata-se de um Programa formador de consciências. Escola Sagarana - 71 . beneficiando cerca de cem mil pessoas.Longe de ser uma ação paternalista. Para 2002. OBJETIVO: combater a evasão escolar. combatendo todas as possibilidades de fisiologismo ou clientelismo. acompanhamento da freqüência escolar das crianças beneficiadas e da atuação dos pais.

A escola recebe todas as influências e deve tratar o problema de forma pedagógica. tem reflexos na vida escolar. de representantes do poder legislativo e judiciário. As crianças e adolescentes são atingidos cotidianamente pelas contradições impostas pela própria sociedade. enfrentando a crise ética com a formação de valores como: solidariedade. consciência moral. pais e até dirigentes escolares clamam por ação policial nas proximidades das escolas. justiça. apresenta-se o individualismo exacerbado como indicador para sucesso na vida. Ao mesmo tempo em que se incentiva o consumo. dirigentes e da própria família. senso de coletivo. cresce o desemprego. Questiona-se a autoridade dos professores. governos chegaram a lançar mão de detetor de metais na porta das escolas. desenvolvendo a solidariedade. Trata-se de um Programa coordenado pela Secretaria de Educação. representantes de pais e de alunos e organizações não-governamentais. desenvolve-se o sentimento de competição. A Secretaria da Educação em Minas Gerais optou por discutir e enfrentar a chamada “violência” na escola por meio do reforço do processo educativo. conseqüentemente. Logo. solidariedade. Em Minas Gerais. Acrescente-se a tudo isto a violência permanente da fome a que muitos estão submetidos. éticos e morais voltados para o respeito à vida. Escola Sagarana - 72 .1 – Programa Agenda da Paz O início dos períodos letivos costumam ser marcados por persistentes notícias da imprensa nacional sobre a violência entre crianças e adolescentes nas escolas públicas. META: Tornar a escola um espaço crítico em relação aos valores impostos pela sociedade e de formação do ser humano. convivência fraterna. a escola também é vítima do processo de disseminação e até banalização da violência. mas que conta com a participação de outros órgãos do governo. A escola tem sido citada como cenário de medo e de falta de segurança. cidadania e senso do coletivo. Com esta concepção foi criado o “Programa Agenda da Paz”. paz. na tentativa de impedir a entrada de armas. mas cada vez mais é reduzido o número dos “bem-sucedidos”. investindo na dignidade e na esperança. Em alguns lugares do Brasil. Em algumas declarações. Polícia Militar. a Secretaria da Educação crê que a violência não está na escola. mas não há garantia de igualdade de oportunidades.8 – Programa permanentes 8. cidadania. mas na sociedade e. OBJETIVO: Promover nas escolas mineiras a cultura da paz e a construção de valores culturais.

um sentimento e uma ação permanentes. incentivar a participação da comunidade nas decisões da escola. publicada pela Secretaria da Educação.2Programa de Democratização da Gestão Escolar OBJETIVO: democratizar a gestão das escolas públicas. Polícia Militar. alunos. METAS: fortalecer a atuação do colegiado da escola. BENEFICIÁRIOS: alunos e escolas da rede pública. a escola deve se concretizar como um espaço de harmonia. secretarias estaduais que atuam no campo social. escolas. Polícia Civil. AÇÕES: atividades pedagógicas. ESTRATÉGIA: atuação pedagógica através da discussão de temas relacionados à forma de valores. enquanto valores próprios da humanidade. desenhos e textos sobre temas relacionados à paz. garantir a autonomia administrativa. PARTICIPANTES: comunidade escolar e especialistas. criar mecanismos de controle social da atividade pública no setor educacional. articulação com a comunidade. de forma a fazer da PAZ e da FRATERNIDADE. Ministério Público. Para tal. Incentivar a formação de grêmios estudantis que fortalecem o sentimento de grupo e desenvolvem a noção de cidadania e participação política. lideranças comunitárias. 8. concursos e incentivo à formação da cidadania. Curadoria da Infância e da Juventude. reuniões. realização de concurso de frases. organizações nãogovernamentais. palestras. incentivar práticas de acompanhamento e controle de contas e das Caixas Escolares e definição participativa dos orçamentos e programação de investimentos.a cidadania e o sentimento de justiça social. PARTICIPANTES: professores. Escola Sagarana - 73 . de alegria e de prazer. resguardar direitos e conquistas da comunidade escolar e preservar o caráter democrático do processo de escolha de dirigentes escolares ESTRATÉGIA: incentivar a participação da comunidade em todas as decisões. dar transparência aos atos dos dirigentes. aperfeiçoar os processos de escolha de dirigentes. Os melhores trabalhos foram reunidos em uma agenda para o ano 2000 – A AGENDA DA PAZ. financeira e pedagógica das escolas. ABRANGÊNCIA: todas as escolas das redes públicas e particulares.

Pontifícia Universidade Católica de Minas Gerais. visando a melhoria da qualidade da educação. No ano 2000. profissionais do magistério. fortalecer a política de inclusão social pela ampliação das oportunidades de ingresso de alunos da rede pública nos cursos superiores. PARTICIPANTES: Fórum das Instituições Federais de Ensino Superior de Minas Gerais. realizada em 1999. com a nomeação pelo governador Itamar Franco de todos os diretores e vice-diretores escolhidos. estudantes. Também foi intensificada a integração com a Rede Nacional de Referência em Gestão Educacional (Renageste) e aperfeiçoados os critérios de organização. foram eleitos os novos componentes dos colegiados escolares na grande maioria das escolas estaduais. participação e avaliação dos trabalhos inscritos para o Prêmio Nacional de Referência em Gestão Escolar. promover estudos sobre a reformulação de currículos nos cursos superiores de licenciatura. visando a formação e capacitação de pessoal docente e criar novas alternativas de seleção de candidatos ao ingresso nos cursos superiores. escolas públicas e particulares de ensino superior. O regulamento do processo de escolha foi aperfeiçoado para contemplar maior participação da comunidade. METAS: implantar os Institutos Superiores de Educação. estabelecer mecanismos de cooperação com as universidades instaladas em Minas Gerais. com fortalecimento da rede estadual do Renageste. intensificados os trabalhos de orientação às escolas sobre as atribuições e funcionamento dos colegiados. especialmente a de ensino médio. Escola Sagarana - 74 . Esses dirigentes passaram ainda pelos cursos de capacitação. projetos e alternativas de formação e aperfeiçoamento de recursos humanos. 8.AÇÕES: consulta à comunidade para escolha dos diretores das escolas estaduais. Universidade Estadual de Montes Claros (Unimontes). promover avaliações de desempenho dos alunos do ensino médio e incluí-las nos critérios de seleção de candidatos aos cursos superiores. entidades representativas.3 Programa Travessia para o Futuro OBJETIVO: Valorização da escola pública. Universidade do Estado de Minas Gerais (UEMG). AÇÕES: realização do Seminário de Valorização da Escola Pública – Travessia para o Futuro e programação de atividades visando a interação com as instituições de ensino superior de Minas Gerais. ESTRATÉGIA: organizar seminários para apresentação de estudos.

ABRANGÊNCIA: todas as escolas do estado. ESTRATÉGIA: realização de etapas locais. METAS: Aumentar o atendimento às crianças com menos de seis anos de idade visando a gradativa universalização. Escola Sagarana - 75 . implementação dos Planos de Desenvolvimento da Escola. assegurar melhoria constante da qualidade e a busca permanente do sucesso do aluno. federais ou municipais disponíveis e adequados à educação infantil. aquisição de material didático e livros para atualização do acervo das bibliotecas das escolas estaduais. AÇÕES: Identificar espaços disponíveis em escolas estaduais. ESTRATÉGIA: Desenvolvimento de estudos e projetos que levem em conta o caráter indissociável da educação infantil em relação ao ensino fundamental.4 Programa de Educação Infantil OBJETIVO: Resgatar a educação infantil como uma das prioridades do poder público em Minas Gerais.5 Programa de Fortalecimento do Ensino Fundamental OBJETIVO: garantir a universalização do ensino fundamental. estabelecimento de mecanismos que permitam a cooperação entre o Estado. ampliar o atendimento e as taxas de escolarização. promover a atualização das metodologias de ensino adequando-as aos padrões de qualidade necessários à educação em Minas Gerais METAS: incentivar a discussão e definição de propostas pedagógicas e sistemas de organização do tempo escolar por escolas. sob coordenação das superintendências regionais de ensino. regionais e estadual com seminários para discussão de propostas. relatórios. combater a exclusão social. prefeituras e organizações comunitárias para o desenvolvimento do Programa. disponibilizar professores excedentes para atuarem em escolas municipais ou comunitárias. 8. a partir de experiências. PARTICIPANTES: comunidade escolar e especialistas convidados. visando o estabelecimento de parcerias. promover a integração de cheches e pré-escolas ao Sistema Mineiro de Educação. avaliações e textos conceituais fornecidos pela Secretaria da Educação como subsídio. adequar os recursos pedagógicos às necessidades do ensino e da aprendizagem.8. promover a capacitação de profissionais da educação e habilitá-los para a educação infantil. promover a melhoria da qualidade do ensino e do processo de ensino e de aprendizagem. respeitados a diversidade regional e o interesse da comunidade local.

Minas adotou três ciclos no ensino fundamental: ciclo básico (nos três primeiros anos).6 . superar os entraves representados pela ausência de fontes de financiamento público para esse nível de ensino. manter o nível e a prática de ensino atualizada em relação à demanda com currículos modernos e práticas pedagógicas inovadoras. realizar simpósios e debates. promover a adequação do ensino à nova realidade. promover a integração entre as escolas de ensino médio e a universidades e instituições de ensino superior em Minas Gerais. Nas escolas que optaram pelo ciclo. Como resultado. articular ações junto aos fóruns nacionais para a criação de mecanismos formais de financiamento público do ensino médio. inserção no mercado de trabalho e exercício da cidadania. ciclo intermediário (do 4º ao 6º ano) e ciclo avançado (7º e 8º ano). METAS: melhorar o rendimento dos alunos da rede pública e prepará-los para a vida universitária. AÇÕES: buscar e propor novas fontes de financiamento. combater a exclusão e contribuir para a mobilidade social. Minas também participa dos estudos visando a preparação de material didático adequado ao regime de ciclos.Programa Estadual do Ensino Médio OBJETIVO: Valorizar o ensino médio na rede pública estadual. FASE ATUAL: Firmado convênio com o Ministério da Educação visando a obtenção de recursos necessários à implantação da reforma do ensino médio. 68% das escolas estaduais já optaram pelo regime de ciclos.AÇÕES: Após vários meses de discussão. Escola Sagarana - 76 . elevar a qualidade do ensino. garantir vagas para todos os alunos egressos da rede pública do ensino fundamental. organizar cursos de formação e capacitação de recursos humanos. ESTRATÉGIA: Estabelecer parcerias com as universidades para avaliação permanente do desempenho de professores. fortalecer os mecanismos de financiamento à educação nesse nível de ensino. 8. alunos e escolas. a Secretaria da Educação abriu a possibilidade de cada escola escolher o regime de organização do tempo escolar melhor adequado às suas condições e ao perfil de seus profissionais. foi adotada a avaliação continuada do desempenho escolar. ampliar as oportunidades educacionais. instituir o novo Plano do Ensino Médio com base nos padrões curriculares nacionais. com ênfase na avaliação formativa. avaliar os programas de aceleração de estudos e de integração dos alunos egressos dessa modalidade de ensino.

ampliar as oportunidades e os investimentos no desenvolvimento de recursos humanos adequados à demanda dos setores primário. aquisição de equipamentos e composição dos quadros de pessoal. reforma e construção de prédios.Centro de Educação Profissional de Brazópolis – com atuação em eletrônica industrial. . desenvolvimento e elaboração de material didático.Centro de Educação Profissional de Itajubá – com atuação em eletrônica e telecomunicações. implementar novos padrões e currículos da educação profissional. desenvolver parcerias com prefeituras e instituições comunitárias. METAS: democratizar o atendimento à demanda.Centro de Educação Profissional de Teófilo Otoni – com atuação em gemologia e jóias. .Centro de Educação Profissional de Caxambu – com atuação em hotelaria e turismo. controle e acompanhamento dos cursos e da gestão administrativa e pedagógica. 8.7 Programa de Educação Profissional OBJETIVO: Implantar em Minas Gerais dez Centros de Educação Profissional em parceria com prefeituras e o Ministério da Educação. 8. implantar centros de educação profissional definidos conforme o perfil socioeconômico das regiões e interesse do desenvolvimento estadual. ESTRATÉGIA: desenvolver metodologias técnico-pedagógicas de gestão compartilhada. . UNIDADES CONVENIADAS: . criar sistemas de supervisão. . AÇÕES: implantação imediata de cinco centros de educação profissional no estado a partir de convênios já firmados com o MEC. levando em conta critérios de eqüidade com vistas à inclusão social e ao desenvolvimento regional.Centro de Educação Profissional de Unaí .reforma ou construção e equipamento de escolas.com atuação em técnicas agroindustriais. secundário e terciário. desenvolver metodologias técnico-pedagógicas de gestão compartilhada e integração com a comunidade.8 Programa de Educação Especial Escola Sagarana - 77 . avaliação. destinados à formação de jovens com habilidades técnicas adequadas às exigências do mercado de trabalho local e regional.

instituições especializadas e comunitárias para ampliar a capacidade de atendimento. ou através de parcerias com instituições comunitárias as crianças e adolescentes portadores de necessidades educativas especiais. recomendações e critérios para a adoção da política de integração. entidades estudantis. ESTRATÉGIA: Aperfeiçoar e ampliar as possibilidades de uso de técnicas de educação a distância. 8. METAS: atender. buscar parcerias com prefeituras. de atenção integral às crianças e adolescentes.9 . desenvolver parcerias com outras secretarias de estado e municípios para o atendimento especializado. manutenção dos convênios com instituições especializadas no atendimento a portadores de necessidades educativas especiais e acordos operacionais para cessão de professores. proporcionar condições para que essa parte da população construa sua cidadania e possa ter acesso à qualificação profissional. universidades. promover a formação e aperfeiçoamento de recursos humanos. melhorar a qualidade do ensino. implantar novos Centros de Educação Supletiva (CESECs) na capital e no interior do Estado visando ampliar a oferta de oportunidades. diretamente. técnicos e especialistas. desenvolvimento de projetos e experiências nas escolas para facilitar a integração. promover a gradativa integração das crianças e adolescentes especiais no ensino regular. organizações não-governamentais e representativas de classes produtoras e de trabalhadoras para organização de mutirões de alfabetização. META: Promover a gradativa erradicação do analfabetismo em Minas Gerais. preparar e treinar recursos humanos. ESTRATÉGIA: estabelecer parcerias com prefeituras. adotar de novas metodologias visando a preparação de jovens e adultos para os exames supletivos de massa promovidos pela Secretaria da Educação. intensificar as políticas de inclusão e integração social. AÇÃO: divulgação dos princípios.Programa de Educação de Jovens e Adultos OBJETIVO: Promover a inclusão social e a inserção no mercado de trabalho de jovens e adultos que não tiveram acesso à educação na idade própria. Escola Sagarana - 78 .OBJETIVO: ampliar as oportunidades educacionais. orientação às escolas e profissionais. aumentar as taxas de escolarização. criar oportunidade para jovens e adultos retornarem aos estudos preparando-os para o encaminhamento à educação supletiva continuada.

8. em cooperação com universidades. beneficiando uma população total de 7. esportes e todos os demais necessários ao desenvolvimento da criança e do adolescente. comunitárias e outras envolvidas. avaliar cursos existentes e programar ampliação do atendimento.11 Programa de Atenção Integral à Criança e ao Adolescente – EducAção OBJETIVO: Atender crianças e adolescentes dos estratos sociais de baixa renda. Maxakali e Xacriabá. utilizar a rede de telessalas.200 habitantes. garantindo-lhes acesso aos serviços sociais indispensáveis a seu pleno desenvolvimento. mediante coordenação e aperfeiçoamento da prestação desses serviços pelas entidades públicas. saúde. BENEFICIÁRIOS: jovens e adultos com mais de 15 anos de idade com baixa escolarização ou analfabetos. realização de vários cursos de capacitação de formadores de professores indígenas. avaliação contínua do desempenho de professores e alunos. AÇÕES: construção de prédios escolares nas aldeias. voluntários e alunos. ESTRATÉGIA: Capacitar equipes para a formação de professores indígenas habilitados para o ensino bilíngüe. privadas. respeitando as diferenças culturais de cada comunidade. construir escolas nas comunidades indígenas respeitando as características locais e a cultura desses povos. METAS: dotar de escolas de ensino fundamental as comunidades residentes em reservas indígenas das nações Krenak. Instituto Estadual de Florestas e Funai. auxiliando-os no que for necessário Escola Sagarana - 79 . 8. Pataxó.AÇÕES: qualificar grupos de voluntários. incentiva estudos e promoção de intercâmbio com entidades afins. ESTRATÉGIA: Apoiar os Centros de Atenção Integral à Criança e ao Adolescente (CAICs) existentes no Estado. METAS: Ampliar a cobertura e melhorar os serviços de educação (1º grau e pré-escolar). assistência social.10 Programa de Educação Indígena OBJETIVO: implantar escolas interculturais e bilíngües nas áreas indígenas de Minas Gerais visando proporcionar educação para todos e melhoria da qualidade de vida. cultura. criar mecanismos de avaliação de desempenho dos professores.

ESTRATÉGIA: Aplicar metodologias de educação a distância para aceleração de aprendizagem. Associação dos Dirigentes dos CAICs. entidades e instituições públicas e privadas envolvidas. Januária. avaliação de desempenho e nivelamento de conhecimentos. com reuniões nas cidades de Belo Horizonte. Muriaé e Poços de Caldas visando debates e coleta de subsídios para explorar e ampliar as possibilidades de cooperação entre o Estado e as prefeituras na retomada da política de atenção integral à criança e ao adolescente. Escola Sagarana - 80 . Estabelecimento de formas permanentes de cooperação entre os órgãos. Articular regimes de cooperação com o Ministério da Educação (TV Escola. capacitação de recursos humanos em geral. formação continuada de professores. PARTICIPANTES: Grupo de Trabalho constituído pela Secretaria da Educação. desenvolvimento de novas metodologias pedagógicas.Programa de Educação a Distância OBJETIVO: Incentivar e desenvolver metodologias para uso de técnicas e recursos de monitoramento a distância e ensino semi-presencial aplicáveis nos vários programas educacionais de Minas Gerais. alfabetização de jovens e adultos. no âmbito da Secretaria da Educação. secretarias da área social. encarregado de coordenar as atividades. Cooperação com a Associação dos Dirigentes dos CAICs do Estado.12 . Promover a cooperação e integração entre os órgãos e entidades responsáveis pela prestação dos serviços sociais. Retomar ou intensificar a cooperação com as universidades e outras instituições interessadas na implementação da atenção integral. desenvolver técnicas de uso dos recursos da televisão e da informática para a educação com monitoramento a distância. disseminar esses princípios e estratégias a outros municípios. META: formar recursos humanos. Realizado em 2001. 8. A partir dessas unidades. outras instituições públicas e privadas com as quais se estabeleçam parcerias. Ituiutaba. demais entidades do Governo do Estado interessadas.para que aperfeiçoem e intensifiquem a aplicação dos princípios e estratégias da atenção integral. o Seminário sobre Educação Integral. AÇÕES: Instituição de grupo de trabalho. no marco do 2º Fórum Mineiro de Educação. bairros e localidades não atendidos diretamente pelos CAICs. Salto para o futuro) e com as universidades e outras instituições que adotam ou desenvolvem a modalidade da educação a distância.

permitir aumento constante da eficiência profissional e tecnológica no desempenho das tarefas na Secretaria da Educação. nacionais e estrangeiras. formação de grupos de facilitadores e atualização de equipamentos.13 Programa de Avaliação de Desempenho OBJETIVO: Promover a constante melhoria da qualidade do ensino. BENEFICIÁRIOS: professores das redes públicas estadual e municipal. extensão. PARCERIAS: Universidade Federal de Juiz de Fora e mais 27 instituições de ensino superior de Minas Gerais. profissionais e alunos para apuração da qualidade e dos resultados educacionais. ESTRATÉGIA: Estabelecer regimes de cooperação e convênios com universidades. ESTRATÉGIA: Desenvolvimento de projetos e parcerias com instituições especializadas. 8. bem como para capacitação de pessoal. AÇÕES: Implantado o Sistema Mineiro de Avaliação da Educação Pública (Simave) e dos programas que o integram. METAS: Introduzir no Sistema Mineiro de Educação mecanismos permanentes e modernos de avaliação do desempenho de escolas. preferencialmente as instaladas em Minas Gerais para realização de pesquisas. METAS: dotar a Secretaria da Educação de pessoal habilitado. principalmente universidades para cursos e treinamentos em nível de graduação. 8. treinado e atualizado com as mais modernas técnicas de administração e prestação de serviços educacionais. estudos e projetos. permitir a continuidade e o aprofundamento das ações da secretaria e prestação de serviços educacionais em Minas Gerais. aperfeiçoamento das técnicas e métodos pedagógicos.AÇÕES: Estabelecer convênios e parcerias com universidades e organizações nacionais e internacionais para programas de cooperação e formação de recursos humanos.14 Programa de Capacitação de Recursos Humanos OBJETIVO: Ampliar oportunidades de avanço e desenvolvimento pessoal e profissional dos trabalhadores em educação. pós-graduação e Escola Sagarana - 81 . a qualificação crescente dos profissionais da educação e a obtenção de padrões elevados de sucesso no processo de ensino e aprendizagem.

cargos e salários para garantir direitos e meios dignos de trabalho para os profissionais da educação. especialistas e pessoal administrativo em serviço na Secretaria da Educação visando a melhoria da qualidade do ensino. realizado entre os meses de junho e outubro de 2002. Associação dos Professores Públicos de Minas Gerais. Também determinada pelo governador a convocação de concursos públicos para preenchimento de vagas na Educação. 8. treinamento de pessoal de apoio e desenvolvimento das relações interpessoais e interinstitucionais. cursos de capacitação de técnicos. implantação de um banco de recursos humanos com pessoal habilitado. AÇÕES: comissão composta por técnicos da Secretaria e do Sindicato Único dos Trabalhadores em Educação (Sind-UTE) elaborou proposta de Plano de Carreira do Pessoal da Educação. Também foi convocado o 2º Fórum Mineiro de Educação. AÇÕES: Firmados protocolos de cooperação com a França e com Cuba.especialização. ESTRATÉGIA: elaboração de estudos da legislação pertinente e estudos conjuntos com as entidades representativas dos profissionais da educação. adoção de políticas de reconhecimento do papel social do profissional da educação e sua efetiva valorização. ampliados os projetos de formação e capacitação de recursos humanos em serviço. Sindicato Unificado dos Trabalhadores em Educação. que foi encaminhada ao governador Itamar Franco e é objeto de estudos de impacto financeiro visando futura adoção. METAS: Estabelecer novo plano de carreira. PARTICIPANTES: técnicos da Secretaria da Educação. 8. atualização de profissionais e conscientização para a qualidade na prestação de serviços públicos.16 Programa de Capacitação de Dirigentes Escola Sagarana - 82 .15 Programa de Valorização do Magistério OBJETIVOS: valorizar a carreira e os profissionais do magistério. Edital publicado em junho de 2001 estabeleceu a realização de concursos para contratação de mais de 53 mil servidores a serem nomeados no início de 2002. Secretaria de Estado dos Recursos Humanos e Administração. visando a elaboração de projeto de lei a ser proposto ao governo estadual e submetido à Assembléia Legislativa. especialistas. implantação de cursos de integração e reintegração de pessoal.

AÇÕES: Realizados estudos para adaptação do Programa à política educacional definida pela Escola Sagarana. aperfeiçoar os sistemas e métodos de inspeção escolar. 8. utilizando metodologias e recursos técnicos da educação a distância . diretores. mediante aperfeiçoamento de professores e pedagogos. obter parceria. introduzir e intensificar o uso de tecnologias e práticas pedagógicas modernas e inovadoras. inspetores e supervisores escolares através de cursos seqüenciais. capacitação e treinamento de dirigentes educacionais. melhoria da qualidade do ensino. financiamento.OBJETIVO: Melhoria da qualidade da gestão administrativa. racionalizar a aplicação dos recursos públicos e qualificar dirigentes de unidades e sistemas educacionais. tornar transparente a administração. presenciais ou semi-presenciais. ESTRATÉGIA: Estabelecer acordos de cooperação com organizações nacionais e estrangeiras para intercâmbio permanente. consultoria ou assessoria de universidades e outras instituições afins. educação especial. financeira e pedagógica do Sistema Mineiro de Educação e das escolas públicas. aperfeiçoar professores em conteúdos específicos e conteúdos transversais. METAS: Aumentar a eficiência da administração pública na prestação de serviços educacionais. ensino fundamental e ensino médio. ESTRATÉGIA: Intensificar a formação de agentes facilitadores. aperfeiçoar o processo de escolha de dirigentes escolares. METAS: capacitar e habilitar professores para atuação em educação infantil. contratação de instituições de Escola Sagarana - 83 . melhorar os padrões de sucesso escolar. aperfeiçoamento da gestão democrática. combater a repetência e a evasão. capacitação e treinamento de profissionais. criar cursos para treinamento em práticas administrativas e contábeis. e a valorização dos profissionais da educação. pedagogos. desenvolvimento e elaboração de material didático impresso em fitas de vídeo. vicediretores.17 Programa de Capacitação de Professores OBJETIVO: Melhorar a qualidade do ensino. AÇÕES: ampliar a capacitação de administradores. explorar a metodologia de formação de agentes multiplicadores e facilitadores. intensificar as atividades de capacitação e treinamento em serviço de dirigentes da Secretaria da Educação por meio de convênios e acordos de cooperação com instituições nacionais e estrangeiras para obter financiamento. implantar a cultura da educação continuada.

descentralizando as ações. debates. 8.ensino superior para a coordenação e a execução do Programa visando o treinamento de facilitadores estaduais e municipais. O Procap – Fase Escola Sagarana começou suas atividades de capacitação em junho de 2001. melhorar a qualidade do ensino. promover o intercâmbio cultural e científico com universidades. divulgação de teses e experiências pedagógicas. META: Atender às demandas regionais de cursos e atividades de capacitação e aperfeiçoamento de docentes. PARTICIPANTES: profissionais do magistério estadual e municipal.18 Programa de Formação Continuada de Professores OBJETIVO: Estimular e promover a formação continuada de professores visando a melhoria da qualidade do ensino. com apoio e cooperação das universidades. METAS: promover a correção do fluxo escolar e reduzir a incidência de defasagem idade-série dos alunos do ensino fundamental e do ensino médio. escolas da rede pública municipal e particular e instituições nacionais e internacionais voltadas para o desenvolvimento e aperfeiçoamento de recursos humanos em educação. ESTRATÉGIA: Reavaliar os programas de aceleração de estudos e educação supletiva em andamento. reduzir e combater em caráter permanente a evasão escolar e a repetência. instalar no interior agências ou laboratórios do Centro de Referência do Professor junto às superintendências regionais de ensino. aumentar as taxas de escolarização. palestras. beneficiando 105 mil professores das redes de ensino estadual e municipais. criar mecanismos de acompanhamento Escola Sagarana - 84 .19 Programa de Educação Inclusiva OBJETIVO: promover a equidade na oferta de educação pública e gratuita. organização de cursos. regularizar a oferta de vagas em todos os níveis de ensino. desenvolver novas metodologias educacionais. ESTRATÉGIA: Fortalecer as ações do Centro de Referência do Professor. seminários. promover a inclusão de crianças e jovens no ensino regular e supletivo. preservação da memória da educação em Minas Gerais. ampliar as oportunidades educacionais. valorização e progressão dos profissionais do Magistério. capacitar profissionais da Educação para tais modalidades de ensino. AÇÕES: identificação e cadastramento de formadores. 8.

abrir espaço para a participação de alunos como monitores e estimuladores. professores.educacional e equipes de professores recuperadores para reintegração de alunos em defasem idade-série. AÇÕES: capacitar docentes para a escolha e julgamento dos projetos apresentados. a integração e a participação dos alunos ESTRATÉGIA: selecionar por concurso os projetos a serem financiados e as escolas beneficiárias. alunos. AÇÕES: Utilização permanente do programa Canal Educativo. METAS: incentivar a adoção de projetos inovadores que facilitem a aprendizagem. 8. melhorar a qualidade da educação. metodologias e recursos destinados a desenvolver e enriquecer os currículos. bem como a descentralização de recursos pedagógicos. divulgar amplamente os resultados. pais de alunos e comunidades. formar facilitadores. contribuir para a formação da cidadania.20 Programa de Apoio às Inovações Educacionais OBJETIVO: estimular os professores e as escolas a adotarem técnicas. estimular a implantação de novas metodologias de ensino e a formação técnica e tecnológica de alunos e professores com uso de recursos informacionais. criar mecanismos de atendimento à demanda residual. publicação de livros da coleção Lições de Minas tratando dos temas ligados à inclusão social e temas transversais a serem explorados nas salas de aulas. incluindo a de educação a distância. edição de livros da coleção Lições de Minas relatando as melhores experiências. com edição semanal.21 Programa de Informática na Educação OBJETIVO: introduzir e desenvolver o uso de tecnologias informacionais nas escolas da rede pública. estimulando a criatividade e o aperfeiçoamento dos professores. transmitido via satélite e captado nas escolas por antena parabólica. 8. Escola Sagarana - 85 . utilização da rede de telessalas e recursos da TV Interativa para formação de recursos humanos e atendimento à demanda educacional. PARTICIPANTES: escolas. estudar a viabilidade de expansão do ensino supletivo em suas várias modalidades. estabelecer parcerias com o Ministério Público e organizações não-governamentais para atuação conjunta no combate à evasão escolar. promover formação continuada e aperfeiçoamento de docentes.

reforma e construção de escolas. manutenção e montagem de sistemas operacionais e equipamentos. estabelecer parcerias com entidades comunitárias e órgãos governamentais para produção. profissionais da educação e membros da comunidade. ampliar a abrangência do Programa. informatizar as escolas propiciando sua modernização administrativa e proporcionar a formação técnica de estudantes e membros da comunidade para uso. obter maior rendimento e baixa relação custo/benefício. ESTRATÉGIA: parceria com o Ministério da Educação. priorizando as regiões mais carentes do estado. funcionais e econômicas AÇÕES: promover estudos e avaliações sobre técnicas construtivas. 8. aumentar as taxas de escolarização. elaborar projetos de ampliação. 8. melhorar a qualidade do ensino. estabelecer novos padrões arquitetônicos para as instalações escolares no Estado. PARTICIPANTES: escolas estaduais e municipais.METAS: Implantar 2 mil novas centrais de informática e laboratórios de informática nas escolas estaduais e municipais. fornecimento e recuperação de equipamentos e mobiliários escolares.Programa do Livro Didático Escola Sagarana - 86 . aumentar a oferta de vaga visando universalizar o ensino fundamental e o ensino médio. visando torná-las confortáveis.23 . programação. prefeituras municipais e entidades comunitárias para o equipamento das escolas e a qualificação de professores-mutiplicadores. capacitar professores para uso da informática na educação. dar condições de conforto de forma a facilitar o processo de ensino e de aprendizagem. buscar tecnologias novas e alternativas de construção e equipamento de escolas.22 Programa de Equipamento e Expansão da Rede Escolar OBJETIVO: ampliar a oferta de vagas na rede escolar de Minas Gerais. priorizando o atendimento àquelas escolas localizadas em regiões periféricas e que atendam populações mais pobres. ampliar as oportunidades educacionais. proporcionar melhores condições de conforto aos alunos. reforma e ampliação de escolas estaduais e municipais. AÇÕES: ampliar e dinamizar a atuação dos Núcleos de Tecnologia Educacional. METAS: reduzir o custo das obras públicas. ESTRATÉGIA: promover a racionalização do uso de recursos públicos na construção.

ESTRATÉGIA: Apoiar o programa desenvolvido pelo Ministério da Educação fiscalizando sua execução.24 Programa de Alimentação e Nutrição Escolar OBJETIVO: elevar os padrões de alimentação e nutrição dos alunos da rede pública visando melhorar suas condições de saúde e o seu desempenho escolar. AÇÕES: estimular através de campanhas a conservação dos livro didático e para-didáticos. fornecer aos professores manuais atualizados e orientações sobre sua utilização. desde a escolha dos alimentos e cardápios até a utilização dos recursos financeiros. desenvolver estudos visando o desenvolvimento e elaboração de livros. META: monitorar e apoiar o sistema de escolha e distribuição de livros didáticos a todas as escolas públicas de ensino fundamental no estado. BENEFICIÁRIOS: 3. e obtendo ganhos e redução de custos. garantindo a cada um pelo menos uma refeição diária com o mínimo de 9 gramas de proteínas e 350 kilocalorias.7 milhões de alunos das redes públicas 8. melhorar os padrões alimentares pelo processo educativo. estimular o controle social através dos colegiados da escolas. Introduzir práticas e conceitos da segurança alimentar como base para ações do Programa.OBJETIVO: universalizar o direito ao livro didático no ensino fundamental. respeitando a cultura e os costumes regionais. estimular o hábito da leitura e da pesquisa. promover a renovação dos acervos. formulação de Escola Sagarana - 87 . AÇÕES: Repasse de recursos próprios e federais diretamente às escolas para aquisição de alimentos. manuais e outras publicações de orientação aos professores. adquirir e fornecer material didático para escolas da rede estadual. disseminar conhecimentos sobre a segurança alimentar e suas conexões com política estadual de desenvolvimento econômico e social. com apoio das universidades. ESTRATÉGIA: Aperfeiçoar o sistema de aquisição de alimentos e a elaboração de cardápios. promover a avaliação permanente da qualidade dos livros utilizados pelas escolas públicas para mantê-los compatíveis com a qualidade do ensino e a política educacional de Minas Gerais. META: atendimento a todas as crianças matriculadas no ensino fundamental e na educação infantil. nas redes municipais e estadual. planejamento alimentar. assessorar tecnicamente as SREs e escolas no gerenciamento dos recursos. distribuir anualmente livros com conteúdos de todas as disciplinas.

cardápios, controle de qualidade, saúde, higiene, conservação, estocagem e manipulação de alimentos, cardápios alternativos e organização de hortas. Implantado em cem escolas da capital o projeto piloto de aquisição de gêneros da merenda escolar não perecíveis por meio do registro de preços, para aumentar a eficiência do processo. Firmado convênio com o Centro Tecnológico de Minas Gerais (CETEC) para realização de restes de qualidade e de aceitabilidade de produtos selecionados para a merenda escolar. RECURSOS: Secretaria da Educação e MEC BENEFICIÁRIOS: 2,1 milhões de alunos das redes estadual e municipais de todo o Estado. 8.25 Programa Dinheiro na Caixa da Escola OBJETIVO: disponibilizar recursos financeiros para fazer face a despesas de manutenção das escolas, aquisição de materiais de consumo, equipamentos e outros bens no mercado local. META: descentralizar o processo de compra de bens e serviços, visando favorecer o mercado local, a redução dos custos de manutenção das escolas e a redução de custos e agilização da administração pública; dotar as escolas de infra-estrutura básica para seu funcionamento. ESTRATÉGIA: repassar recursos diretamente às Caixas Escolares, duas vezes por ano e criar mecanismos de controle através da prestação de contas anual como condição para renovação dos repasses. AÇÕES: capacitar administradores escolares para a o controle das finanças, realização de tomadas de preços, cotações de mercado e prestação de contas; estimular o controle social das Caixas Escolares e o método participativo de definição do orçamento da escola e planos de investimento. ABRANGÊNCIA: todas as escolas estaduais. RECURSOS: do Tesouro Estadual e Ministério da Educação. 8.26 Projeto de Educação Afetivo-Sexual OBJETIVO: Desenvolver metodologias e abordagens ligadas à educação sexual visando a formação integral dos jovens e adolescentes METAS: formação de valores e padrões comportamentais que levem em conta a preservação da vida, da saúde e da integridade física, moral e intelectual.

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AÇÕES: estimular o uso de novas metodologias e dinâmicas de grupo para abordagem de temas da sexualidade e da afetividade nas escolas, com capacitação de docentes e de agentes facilitadores entre os alunos. ABRANGÊNCIA: 300 escolas da rede estadual da capital e do interior PARCERIA: Fundação Odebrecht 8.27 - Projeto Lições de Minas Como, em que bases e com que resultados está sendo construído o Sistema Mineiro de Educação O Projeto Lições de Minas se destina a criar novos canais de comunicação entre a Secretaria de Estado da Educação, as escolas, a comunidade atendida por elas e os setores que produzem o conhecimento pedagógico em Minas Gerais. Seu objetivo geral é difundir idéias, avaliações de projetos, ensaios, teses, orientações, legislações, experiências e inovações no campo da Educação em geral e, em especial, nas esferas de competência do Estado. É coordenado pela Assessoria de Comunicação Social da Secretaria da Educação, com execução descentralizada, conforme o conteúdo, pelas diretorias competentes. Público alvo: professores das escolas da rede estadual, professores das escolas das redes municipais, pesquisadores da área de educação, universidades, centros pedagógicos, associações profissionais ligadas à educação, comunidade escolar, imprensa, interessados em geral na área educacional. Modalidades: para atingir seus objetivos e todo o público alvo, o Projeto Lições de Minas contemplará três subprojetos, conforme a modalidade em que será produzido: versão impressa, versão eletrônica (via Internet), versão em vídeo. 1. Coleção Lições de Minas (versão impressa) – livros com até 200 páginas, editados em parceria com organizações privadas e nãogovernamentais, identificados como produção culturais e não como livro didático (o que permite a utilização de mecanismos fiscais de incentivo através de desconto no imposto de renda de pessoas jurídicas). Características da coleção - Identificação: Lições de Minas

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- Elaboração: Secretaria da Educação, com a coordenação editorial da Assessoria de Comunicação Social e, em alguns casos, executados em parceria com organizações governamentais e não governamentais. - Distribuição: para todas as escolas, órgãos públicos estaduais, prefeituras, universidades, instituições e entidades ligadas à educação. - Edição: em séries temáticas identificadas por inscrição na capa e cor específica, a saber: A) Idéias & Debates: artigos, ensaios, experiências e pesquisas sobre temas culturais, históricos, e outros de interesse da Educação. B) Inovações & Tendências: divulgação de experiências, novas tecnologias, teses, ensaios, reportagens, artigos com temas pedagógicos. C) Ações & Projetos: propostas institucionais, programas e projetos da Secretaria da Educação, bem como suas avaliações e resultados. - Formato: livro (15cm x 21,5cm) com lombada quadrada - 100 a 200 páginas em papel apergaminhado 90g - Capa: 4 cores, papel cartão 250g, verniz ou plastificada - Fotos e ilustrações ou gráficos: capa (cor) e páginas internas (P/B) Livros Publicados:  I – Tiradentes, O herói que inventou a Pátria – diversos autores II – Escola Sagarana; Educação para a vida com dignidade e esperança – 1ª edição III – Tempo escolar: hora de refletir, planejar e construir a Escola Sagarana – diversos autores IV - Merenda: Alimentação também se aprende na escola – diversos autores V – Dignidade, harmonia e paz: novo milênio sem exclusões – Campanha da Fraternidade 2000. VI – Escola Indígena: Índios de Minas Gerais recriam a sua educação – diversos autores VII – Lições de Minas – 70 anos da Secretaria da Educação – diversos autores VIII – Português: Língua Pátria, fator de identidade e resistência – diversos autores IX – Inovação Educacional: Escolas de Minas estão aprendendo a aprender X – Prevenção às drogas: um desafio à comunidade escolar – diversos autores 2 - Versão eletrônica, via Internet (http\www.educação.mg.gov.br)

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É recebido em mais de 2. .Público alvo: público em geral. informações..Formato: programa produzido pela Assessoria de Comunicação Social. perfis. . quadros. utilizando o provedor e a consultoria da Prodemge. artigos sobre a Educação em Minas Gerais. dar transparência aos atos da Secretaria. bem como experiências bem sucedidas e inovações pedagógicas em uso ou propostas por especialistas.Conteúdo: conceitos. . prefeituras. empresas interessadas no setor educacional. ao vivo. imprensa. gráficos.Conteúdo: debates.Formato: Portal da Secretaria de Estado da Educação. idéias. apresentado diretamente dos estúdios da Rede Minas de Televisão. fax ou correio eletrônico. universidades. em VHS. via satélite em canal alugado da Embratel para esta única finalidade e captado nas escolas e superintendências regionais de ensino por antena parabólica. independente mas integrada àquelas mantidas pelo governo estadual no portal oficial. hipertextos e links relacionados aos parceiros e seus projetos voltados para o campo da educação. democratizar as informações e o acesso público à Secretaria da Educação. 3 . com uma hora de duração.Parceiros: ONGs.Versão para a TV – Canal Educativo . projetos e ações da Secretaria da Educação de Minas Gerais. projetos e políticas educacionais desenvolvidos em Minas Gerais. É transmitido todas as quintas-feiras. seus investimentos e sua atuação.Objetivo: disseminar informações. escolas. com a gravação de cada programa são distribuídas semanalmente para todas as superintendências regionais de ensino e escolas núcleo.500 telessalas. escolas.Reprodução: fitas de vídeo. permitir a interatividade e ampliar as possibilidade de participação da comunidade na condução da política educacional em Minas Gerais. sendo parte na forma exposições e entrevistas e parte com interatvidade – o público participa enviando perguntas pelo telefone. comunidade. governos. estatísticas. exploração de temas transversais. . . . universidades. Escola Sagarana - 91 .

458. Os recursos são creditados mensalmente em contas específicas e aplicados em ações voltadas ao ensino fundamental. transporte. Para que Estado e Municípios façam jus ao repasse é necessário que. As fontes de financiamento da Educação em Minas Gerais são as seguintes: 1. basicamente.1 A questão do financiamento da Educação Gilberto José Rezende dos Santos Subsecretário de Administração do Sistema de Ensino A execução orçamentária da Secretaria de Estado da Educação. etc. pequenas alterações na participação de cada uma na arrecadação. O montante destes recursos vai depender. Recursos Ordinários do Tesouro do Estado – São recursos que o Governo do estado arrecada ou lhe são transferidos por determinação constitucional e são utilizados para o financiamento de toda a atividade estatal: educação. tenham sido aplicados corretamente todos os percentuais constitucionais na área da educação: 25% das receitas do município em educação. saúde. nos últimos quatro anos. em especial o Imposto Sobre Escola Sagarana - 92 . apenas. no exercício anterior. proporcionalmente ao número de alunos matriculados no ensino fundamental de cada município e do Estado. pois a sua maioria é proveniente de impostos. vem apresentando uma performance que evidencia o aumento da aplicação de recursos na área educacional. sofrendo. a base de receita e suas fontes são as mesmas a financiar a manutenção e o desenvolvimento do ensino. 60% no ensino fundamental e o mínimo de 60% do FUNDEF no pagamento de pessoal. segurança. foram provenientes das seguintes fontes:  Recursos Ordinários do Tesouro do Estado  Recursos do Fundo de Manutenção e Desenvolvimento do Ensino Fundamental e de Valorização do Magistério – FUNDEF  Quota Estadual do Salário Educação – QESE  Convênios com o FNDE  Operação de Crédito Banco Mundial Nesses últimos anos. excluindo-se as despesas com pessoal e alimentação escolar. Os recursos de que a Secretaria da Educação dispôs para financiamento de suas ações. de 12 de janeiro de 2000. destes. Tal procedimento foi deflagrado através da lei Estadual nº 13. da atividade econômica. a Secretaria da Educação vem repassando aos municípios 50% da cota recebida mensalmente do Salário-Educação. A partir do exercício de 2000.9. ANEXOS 9. justiça.

15% das receitas.000. que tem sua previsão de término em 2002. e estão financiando. menor arrecadação do Salário-Educação. sendo direcionado para ações de desenvolvimento do ensino fundamental. previa um montante de $150. Estes recursos dependem também da Contribuição Social do Salário-Educação. ou seja. 5. Como esta receita tem como base de cálculo o volume de salários que são pagos pelas empresas. sendo recolhidos 15% das Receitas de FPM. IPI – Exportação.000. na medida em que há retração. portanto. Convênios com o FNDE – São recursos obtidos por meio de acordos realizados com o Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação (FNDE). Operações de Crédito do Banco Mundial – Estes recursos foram obtidos através de um contrato de financiamento com o Banco Mundial. basicamente. e seu montante está vinculado à necessidade de recursos para fazer face a estas despesas. pois os recursos são repassados com base no número de alunos. 2/3 distribuídos aos Estados. ICMS. Portanto. de acordo com índices de arrecadação. base do montante de recursos que compõem o FUNDEF. ela vai depender diretamente da atividade econômica. Construção. Lei 87/96. O contrato. e distribuídos entre os Estado e seus Municípios. o segundo. Recursos do Fundo de Manutenção e Desenvolvimento do Ensino Fundamental e de Valorização do Magistério – FUNDEF . os programas de : Livro Didático. de competência estadual. A sua Escola Sagarana - 93 .00 (cento e cinqüenta milhões de dólares) do Banco Mundial e o mesmo valor como contrapartida do Estado.ICMS. sendo sua utilização assim definida: 1/3 para a União. projetos e ações voltadas para o ensino fundamental. de acordo com o número de matrículas do ensino fundamental constante nas redes. quanto maior a captação do Salário-Educação.2. pois. Circulação de Mercadorias e Serviços . cuja arrecadação vai depender da atividade econômica. e. inicialmente. Reforma e Ampliação de prédios escolares. Merenda Escolar. Quota Estadual do Salário Educação – Estes recursos são obtidos através de contribuição social de empresas que recolhem um percentual de 2.Estes recursos são obtidos através de transferências da União e do Estado. 3. há menos postos de trabalho. FPE. e os impostos de competência federal. na função redistributiva. Esta receita depende basicamente de dois componentes: o primeiro. 4. maior a capacidade do FNDE de financiar as citadas ações. destinados ao financiamento de programas. Basicamente estes recursos estão direcionados para o pagamento do pessoal e custeio operacional da Secretaria da Educação. do número de matrículas existentes no ensino fundamental regular.5% sobre a folha de pagamento de seus funcionários. os quais irão compor a transferência federal no tocante ao Fundo de Participação do estado.

saúde. Por outro lado. A primeira trata da situação mundial da infância e contém textos e indicadores sobre 191 países. Veja. ordenando as unidades federadas e os municípios por unidade federada.4% entre 1990/99.2 . a TMM5 evoluiu de 177 para 40 por mil crianças até 5 anos de idade. alterações nos investimentos educacionais.443 habitantes. A classificação por mortalidade de menores de 5 anos deixa o Brasil em posição incômoda.63%. 6. Esses elementos são Escola Sagarana - 94 . Essa redução no ritmo e crescimento da população refletiu-se nos dados preliminares do Censo Nacional de 2000. a taxa de crescimento anual da população do Brasil passou de 2.A situação da infância no mundo e no Brasil. tabelas sobre demografia. A segunda focaliza a situação da infância brasileira. que aponta para um total de 169. a seguir. educação e trabalho infantil. na Visão do Unicef Murílio de Avellar Hingel Secretário da Educação de Minas Gerais Recebi duas importantes publicações do Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF). Contém textos sobre experiências bem-sucedidas. Isso não significa dizer que o Brasil não tenha melhorado alguns de seus indicadores – entre 1960 e 1999. Conclusão Como se pode verificar.5% dos servidores públicos estaduais.programação na vigência do contrato depende do cronograma e andamento dos projetos por ele financiados. eventualmente.2% entre 1970/90 para 1. ou seja. o Brasil encontra-se ao lado do Vietnã.544. de 1. renda e saneamento básico. além do Índice de Desenvolvimento Infantil (IDI). Outros Recursos Vinculados – referem-se à arrecadação do percentual de 3. como contribuição para aposentadoria e são integralmente utilizados no pagamento de proventos dos aposentados da Educação. um crescimento anual. quadro e gráficos explicativos da composição de recursos de 1998 a 2000. as receitas que financiam a área educacional do Estado são basicamente as mesmas de ano para ano. na ordem decrescente de taxa de mortalidade (TMM5) estimada para 1999. a partir de 1991. As reformas fiscais e tributárias podem representar. bem como a projeção para o exercício de 2001. pois. no 89º lugar. 9.

Escola Sagarana - 95 . pois significam uma demanda menor para o ensino fundamental com os reflexos daí resultantes. Por exemplo: calcula-se que a matrícula nas redes municipais de Minas Gerais sofrerá de 2000 para 2001 um decréscimo de 1.438. enquanto em Minas Gerais.018 para 953. hoje.718 Itaú de Minas IDI 0.705 Piores Índices Pai Pedro IDI 0. notamos que.02% em pré-escola. encontramos: Melhores Índices Poços de Caldas IDI 0. entre os 853 municípios de Minas Gerais. de 2000 para 2001. Significa dizer que as crianças mais carentes chegam à escola – ensino fundamental – sem o necessário desenvolvimento de suas atividades físicas. Não é uma situação confortável.568 (escala de 0 a 1). os dados disponíveis apontam para o crescimento da matrícula na rede estadual de ensino médio. especialmente porque existem grandes disparidades regionais. Se acrescentarmos o fato de que a maior parte das crianças com acesso à préescola pertence às classes sociais melhor situadas.44% de crianças estão matriculadas em creche e 21.508. no que se refere à educação básica.202 Montezuma IDI 0.214 Como o desenvolvimento infantil é essencial à melhoria do quadro social do Estado de Minas Gerais. psíquicas e motoras.708 Bicas IDI 0.705 Timóteo IDI 0. o ponto crítico no atendimento está na educação infantil.740 Itanhandu IDI 0.fundamentais para o planejamento da educação a longo e médio prazos.467 para 1. Haja vista que.197 Santo Antônio do Retiro IDI 0.60% de crianças estão matriculadas em pré-escola. 3. e de todo o Brasil.602 alunos. Em contraposição.182 Serranópolis de Minas IDI 0.01% de crianças estão matriculadas em creche e 44. Basta apresentar os índices de desenvolvimento quanto aos serviços de educação nessa faixa etária: no Brasil.644 alunos.185 Ninheira IDI 0. temos condições de enfatizar a gravidade do problema. 5. de 0 a 6 anos. de 843. O Estado de Minas Gerais classifica-se em 12º lugar entre as unidades federadas com o IDI 0.

722 alunos em 1998.br UNICEF .Brasília . 11. A educação infantil. apenas. Bloco A – Ed.org. devido às aperturas financeiras por que passam os estados e os municípios. Ao mesmo tempo. E a responsabilidade social torna-se mais aguda na medida em que faltam meios indispensáveis ao desenvolvimento da infância brasileira.Brasil na Internet: www. a União amplia sua participação na receita nacional por intermédio de contribuições. _______________________________________________________________ _____ FONTES: Situação Mundial da Infância 2001 – UNICEF Situação da Infância do Brasil 2001 – UNICEF Lei nº 9. além de ser considerada a mais dispendiosa.684 alunos em sua rede de pré-escolar.A Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (art.org.11 item 5) atribui aos municípios a oferta da educação infantil. É claro que. no mesmo período.br Escola Sagarana - 96 . INAN – 2º andar 70750-530 . não tem nenhuma fonte segura de financiamento.DF Endereço eletrônico: brasilia@unicef.937 para 316.394/96 – LDBEN Evolução da Matrícula Efetiva em Minas Gerais – 1991 a 2000 – SEE/MG UNICEF – Escritório da Representação no Brasil SEPN 510. Vemo-nos diante de um quadro em que avultam transferências de responsabilidades para estados e municípios sem os correspondentes recursos financeiros. diante dos números e da realidade do IDI do Brasil e de Minas Gerais.569 alunos. como a Contribuição Provisória sobre Movimentação Financeira – CPMF. que chegou a ter 242. que não entram na composição do Fundo de Participação do Estado – FPE e do Fundo de Participação dos Municípios – FPM. os municípios mineiros passaram de 120. Um dos efeitos mais dramáticos desse dispositivo encontra-se no fato de que o Estado de Minas Gerais. estamos frente a um desafio difícil de ser superado. reduziu esse atendimento para.unicef.

3 – Educação em números Escola Sagarana - 97 .9.

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