A coleção dos principais documentos, recomendações e cartas conclusivas das reuniões relativas à proteção do patrimônio cultural, ocorridas em diversas

épocas e partes do mundo, sempre foi uma aspiração dos que trabalham com o tema. Seu conteúdo interessa a todos os que lidam na área patrimonial: proprietários e moradores de bens tombados, advogados, professores, estudantes, detentores do poder local nos sítios históricos, organizações governamentais ou não, afins ao Iphan e até mesmo meros curiosos. Clique para ter acesso a alguns desses documentos:
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Carta de Atenas - Sociedade das Nações- outubro de 1931; Carta de Atenas - CIAM - novembro 1933; Recomendação de Nova Delhi - Arqueologia - dezembro de 1956; Recomendação de Paris - Paisagens e Sítios - dezembro de 1962; Carta de Veneza - Monumentos e Sítios - maio 1964; Recomendação de Paris - Propriedade Ilícita de Bens Culturais - novembro 1964; Normas de Quito - novembro/dezembro 1967; Recomendação de Paris - Obras Públicas ou Privadas - novembro 1968; Compromisso de Brasília - abril 1970; Compromisso de Salvador - II Encontro de Governadores - outubro de 1971; Convenção de Paris - Patrimônio Mundial - novembro de 1972; Carta do Restauro - Governo da Itália - abril 1972; Declaração de Estocolmo - Ambiente Humano - junho 1972; Resolução de São Domingos - O.E.A. - dezembro 1974; Declaração de Amsterdã - Conselho da Europa - outubro 1975; Manifesto de Amsterdã - Carta Européia - outubro 1975; Recomendação de Nairóbi - Unesco - novembro 1976; Carta de Machu Picchu - Encontro Internacional de Arquitetos - dezembro 1977; Carta de Burra - Icomos - Austrália 1980; Carta de Florença - Icomos - maio 1981; Declaração de Nairóbi - Assembléia Mundial dos Estados - maio 1982; Declaração de Tlaxcala/México - Icomos - outubro 1982; Declaração do México - Icomos - Políticas culturais - 1985; Carta de Washington - Icomos - Cidades históricas - 1986; Carta de Petrópolis - Centros históricos - 1987; Carta de Cabo Frio - Encontro de Civilizações nas Américas - outubro de 1989; Carta do Rio - Conferência Geral das Nações Unidas - junho 1992; Carta de Fortaleza - 1997 - elaboração de diretrizes e a criação de instrumentos legais e administrativos visando a identificar, proteger, promover e fomentar os processos e bens, considerados em toda a sua complexidade, diversidade e dinâmica, particularmente, "as formas de expressão; os modos de criar, fazer e viver; as criações científicas, artística e tecnológicas", com especial atenção àquelas referentes à cultura popular.

Carta de Atenas
de outubro de 1931 Escritório Internacional dos Museus Sociedade das Nações A - Conclusões Gerais I - Doutrinas. Princípios Gerais. A conferência assistiu à exposição dos princípios gerais e das doutrinas concernentes à proteção dos monumentos. Qualquer que seja a diversidade dos casos específicos - e cada caso pode comportar uma solução própria - , a conferência constatou que nos diversos Estados representados predomina uma tendência geral a abandonar as reconstituições integrais, evitando assim seus riscos, pela adoção de uma manutenção regular e permanente, apropriada para assegurar a conservação dos edifícios. Nos casos em que uma restauração pareça indispensável devido a deterioração ou destruição, a conferência recomenda que se respeite a obra histórica e artística do passado, sem prejudicar o estilo de nenhuma época. A conferência recomenda que se mantenha uma utilização dos monumentos, que assegure a continuidade de sua vida, destinando-os sempre a finalidades que o seu caráter histórico ou artístico. II - Administração e legislação dos monumentos históricos. A conferência assistiu à exposição das legislações cujo objetivo é proteger os monumentos de interesse histórico, artístico ou científico, pertencentes às diferentes nações. A conferência aprovou unanimemente a tendência geral que consagrou nessa matéria um certo direito da coletividade em relação à propriedade privada. A conferência constatou que as diferenças entre essas legislações provinham das dificuldades de conciliar o direito público com o particular. Em conseqüência, aprovada a tendência geral dessas legislações, a conferência espera que elas sejam adaptadas às circunstâncias locais e à opinião pública, de modo que se encontre a menor oposição possível, tendo em conta os sacrifícios a que estão sujeitos os proprietários, em beneficio do interesse geral. Votou-se que em cada Estado a autoridade pública seja investida do poder do tomar, em caso de urgência, medidas de conservação. A conferência evidenciou o desejo de que o Escritório Internacional dos Museus publique uma resenha e um quadro comparativo das legislações em vigor nos diferentes Estados e os mantenha atualizados. III - A valorização dos monumentos. A conferência recomenda respeitar, na construção dos edifícios, o caráter e a fisionomia das cidades, sobretudo na vizinhança dos monumentos antigos, cuja proximidade deve ser objeto de cuidados especiais. Em certos conjuntos, algumas perspectivas particularmente pitorescas devem ser preservadas. Deve-se também estudar as plantações e ornamentações vegetais convenientes a determinados conjuntos de monumentos para lhes conservar a caráter antigo. Recomenda-se, sobretudo, a supressão de toda publicidade, de toda presença abusiva de

postes ou fios telegráficos, de toda indústria ruidosa, mesmo de altas chaminés, na vizinhança ou na proximidade dos monumentos, de arte ou de história. IV - Os materiais de restauração. Os técnicos receberam diversas comunicações relativas ao emprego de materiais modernos para a consolidação de edifícios antigos. Eles aprovaram o emprego adequado de todos os recursos da técnica moderna e especialmente, do cimento armado. Especificam, porém, que esses meios de reforço devem ser dissimulados, salvo impossibilidade, a fim de não alterar o aspecto e o caráter do edifício a ser restaurado. Recomendam os técnicos esses procedimentos especialmente nos casos em que permitam evitar os riscos de desagregação dos elementos a serem conservados. V - A deterioração dos monumentos. A conferência constata que, nas condições da vida moderna, os monumentos do mundo inteiro se acham cada vez mais ameaçados pelos agentes atmosféricos. Afora as preocupações habituais e as soluções felizes obtidas na conservação da estatuária monumental pelos métodos correntes, não se saberia, dada a complexidade dos casos no estado atual dos conhecimentos, formular regras gerais. A conferência recomenda: 1o - A colaboração em cada país dos conservadores de monumentos e dos arquitetos com os representantes das ciências físicas, químicas e naturais para a obtenção de métodos aplicáveis em casos diferentes. 2o - Que o Escritório Internacional de Museus se mantenha a par dos trabalhos empreendidos em cada país sobre essas matérias e lhes conceda espaço em suas publicações. A conferência, no que concerne à conservação da escultura monumental, considera que retirar a obra do lugar para o qual ela havia sido criada é, em princípio, lamentável. Recomenda, a título de precaução, conservar, quando existem, os modelos originais e, na falta deles, a execução de moldes. VI - Técnica da conservação A conferência constata com satisfação que os princípios e as técnicas expostas nas diversas comunicações se inspiram numa tendência comum, a saber: Quando se trata de ruínas, uma conservação escrupulosa se impõe, com a recolocação em seus lugares dos elementos originais encontrados (anastilose), cada vez que o caso o permita; os materiais novos necessários a esse trabalho deverão ser sempre reconhecíveis. Quando for impossível a conservação de ruínas descobertas durante uma escavação, é aconselhável sepultá-las de novo depois de haver sido feito um estudo minucioso. Não é preciso dizer que a técnica e a conservação de uma escavação impõem a colaboração estreita do arqueólogo e do arquiteto. Quanto aos outros monumentos, os técnicos unanimemente aconselharam, antes de toda consolidação ou restauração parcial, análise escrupulosa das moléstias que os afetam, reconhecendo, de fato, que cada caso contribui um caso especial.

publique um inventário dos monumentos históricos nacionais. há muitos anos. Nessa ocasião viram um exemplo que contribuiu para a realização das metas de cooperação intelectual. quaisquer que eles sejam. muitos dos principais campos de escavações e dos monumentos antigos da Grécia. quando submetidas à organização. ao mesmo tempo em que executava ele mesmo trabalhos consideráveis. convencida de que a conservação do patrimônio artístico e arqueológico da humanidade interessa à comunidade dos Estados. após haverem visitado. a) Cooperação técnica e moral A conferência. foram unânimes em prestar homenagem ao governo grego que. . A conferência. cada vez mais concretamente para favorecer a conservação dos monumentos de arte e de história. sem causar o menor prejuízo ao Direito Internacional Público. após sindicância do Escritório Internacional Museus e depois de haverem sido recolhidas todas as informações úteis. pronunciar-se sobre a oportunidade das providências a serem empreendidas e sobre o procedimento a ser seguido em cada caso particular. guardiã da civilização. de cooperação intelectual da Sociedade das Nações. ou as instituições criadas ou reconhecidamente competentes para esse trabalho.O escritório estude a melhor utilização das informações assim centralizadas. manifestar seu interesse pela salvaguarda das obras-primas nas quais a civilização se tenha expressado em seu nível mais alto e que se apresentem ameaçadas. possam ser recomendadas à favorável atenção dos Estados.A conservação dos monumentos e a colaboração internacional. Os membros da conferência. colaborem entre si. Caberia à Comissão Internacional de Cooperação Intelectual.VII . emite o voto de que os educadores habituem a infância e a juventude a se absterem de danificar os monumentos. agindo no espírito do Pacto da Sociedade das Nações. considerando que esses sentimentos podem ser grandemente favorecidos por uma ação apropriada dos poderes públicos. cuja necessidade foi aparecendo no curso dos trabalhos. notadamente junto à Comissão Nacional de Cooperação Intelectual interessada. c) Utilidade de uma documentação internacional A conferência emite o voto de que: 1o .O escritório consagre em suas publicações artigos relativos aos procedimentos e ao métodos gerais de conservação dos monumentos históricos. 2 o . Considera altamente desejável que instituições e grupos qualificados possam. 3 o .Cada Estado deposite no Escritório Nacional de Museus suas publicações. 5 o . pela proteção dos testemunhos de toda a civilização. b) O papel da educação e o respeito aos monumentos. e lhes façam aumentar o interesse. aceitou a colaboração de arqueólogos e especialistas de todos os países. deseja que os Estados. profundamente convencida de que a melhor garantia de conservação de monumentos e obras de arte vem do respeito e do interesse dos próprios povos.Cada Estado constitua arquivos onde serão reunidos todos os documentos relativos a seus monumentos históricos. de uma maneira geral. no curso de seus trabalhos e no correr dos estudos desenvolvidos nessa ocasião.Cada Estado. Emite o voto de que as proposições a esse respeito. acompanhado de fotografia e de informações. 4o .

exprimiu o desejo de ouvir dos membros da conferência. Balanos assinalou que o emprego do ferro não apresentava inconveniente no caso da Acrópole. certos técnicos recomendaram muita prudência e sublinharam a utilidade de testes preliminares. Balanos. que aproveitaram essa ocasião para expor suas experiências sobre o assunto. Na segunda parte de sua exposição M. que se pôs à disposição para prestar quaisquer explicações sobre os trabalhos em curso. Karo. permitindo-lhes pedir detalhes e emitir opiniões. que consiste em proteger esse friso com uma cobertura apropriada. Balanos nesse caso especial. Sobre a proteção do friso contra as intempéries. Essa sessão. Sob a orientação de M. No que concerne ao quarto problema colocado por M. os técnicos sublinharam o caráter particular dos trabalhos do Partenon e. 25 de outubro. b) Emprego de cimento como revestimento dos tambores de substituição. os membros da conferência procederam a uma longa troca de opiniões. Sobre o primeiro ponto. considerando as precauções tomadas e as condições climáticas peculiares no país. lembraram conseqüências às vezes desagradáveis desse emprego para a conservação das pedras e manifestaram sua preferência por metais menos susceptíveis de deterioração.B – Deliberação da conferência sobre a anastilose dos monumentos da Acrópole Havia sido previsto que uma das sessões da Conferência do EIM se detivesse na acrópole. M. assim como a recuperação parcial do peristilo sul. sob a presidência de M. c) Escala dos metais a serem empregados para os grampos. especialmente sobre os seguintes pontos: a) Recuperação da colunata norte do Partenon e recuperação do peristilo sul. alguns técnicos. segundo o projeto de M. Durante a primeira parte da sessão os membros da conferência ouviram a exposição de M. Por outro lado. diretor dos trabalhos dos monumentos da Acrópole. Balanos forneceu detalhes sobre o programa ulterior dos trabalhos. Balanos. Karo. os membros da conferência acolheram o projeto preconizado por M. . se abstiveram de opinar de um modo geral sobre essa questão. mesmo reconhecendo que as razões invocadas por M. se realizou na manhã de domingo. que não prevê qualquer restauração além da simples anastilose. A escolha do metal a ser empregado para os grampos prendeu a atenção dos técnicos. constatando os resultados satisfatórios dos primeiros ensaios feitos por M. relativo ao emprego de moldes como complemento da anastilose. tanto nos Propileus como no Partenon. os membros da conferência aprovaram unanimemente os trabalhos de recuperação da colunata norte do Partenon. e) Proteção do friso contra as intempéries. Balanos justificam o emprego do ferro no que diz respeito aos trabalhos da Acrópole. A propósito do emprego do cimento como revestimento dos tambores de substituição. individualmente. Balanos sobre os trabalhos de anastilose já executados. sua opinião sobre esse programa. e os membros da conferência usufruíssem das facilidades que lhes haviam sido oferecidos por M. Balanos. d) Oportunidade do emprego de moldes como complemento da anastilose. Ao terminar. Balanos.

Carta de Atenas
de novembro de 1933 Assembléia do CIAM CIAM – Congresso Internacional de Arquitetura Moderna – 1933 Primeira Parte Genera1idades A Cidade e sua Região 1 - A Cidade é só uma parte de um conjunto econômico, social e político que constitui a região. Raramente a unidade administrativa coincide com a unidade geográfica, ou seja, com a região. O recorte territorial administrativo das cidades pode ter sido arbitrário desde o início ou pode ter vindo a sê-lo posteriormente, quando, em decorrência de seu crescimento, a aglomeração principal uniu-se a outras comunidades e depois as englobou. Esse recorte artificial se opõe a uma boa gestão do novo conjunto. De fato, certas comunidades suburbanas puderam adquirir inopinadamente um valor imprevisível, positivo ou negativo, seja tornandose sede de residências luxuosas, seja acolhendo centros industriais dinâmicos, seja reunindo miseráveis populações operárias. Os limites administrativos aço que compartimentam o complexo urbano tornam-se então paralisantes. Uma aglomeração constitui o núcleo vital de uma extensão geográfica cujo limite é constituído pela zona de influência de uma outra aglomeração. Suas condições vitais são determinadas pelas vias de comunicação que asseguram suas trocas e ligam-se intimamente à sua zona particular. Só se pode enfrentar um problema de urbanismo referenciando-se constantemente aos elementos constitutivos da região e, principalmente, a sua geografia, chamada a desempenhar um papel determinante nessa questão: linhas de divisão de águas, morros vizinhos desenhando um contorno natural confirmado pelas vias de circulação, naturalmente inscritas no solo. Nenhuma atuação, pode ser considerada se não se liga ao destino harmonioso da região. O plano da cidade é só um dos elementos do todo constituído pelo plano regional. 2 - Justapostos ao econômico, ao social e ao político, os valores de ordem psicológica e fisiológica próprios ao ser humano introduzem no debate preocupações de ordem individual e de ordem coletiva. A vida só se desenvolve na medida em que são conciliados os dois princípios contraditórios que regem a personalidade humana: o individual e o coletivo. Isolado, o homem sente-se desarmado; por isso liga-se espontaneamente a um grupo. Entregue somente a suas forças, ele nada construiria além de sua choça e levaria, na insegurança, uma vida submetida a perigos e a fadigas agravados por todas as angústias da solidão. Incorporado ao grupo, ele sente pesar sobre si o constrangimento de disciplinas inevitáveis, mas, em troca, fica protegido em certa medida contra a violência, a doença, a fome: pode aspirar a melhorar sua moradia e satisfazer também sua profunda necessidade de vida social. Transformado em elemento constitutivo de uma sociedade que o mantém, ele colabora direta ou indiretamente nas mil atividades que asseguram sua vida fisica e desenvolvem sua vida espiritual. Suas iniciativas tornam-se mais frutíferas, e sua liberdade, melhor defendida, só se detém onde ameace a de outrem. Se os empreendimentos do grupo são sábios, a vida do indivíduo é ampliada e enobrecida. Se a preguiça, a estupidez e o egoísmo o assolam, o grupo, enfraquecido e entregue à desordem, só traz a cada um de seus

membros rivalidades, rancor e desencanto. Um plano é sábio quando permite uma colaboração frutífera, propiciando ao máximo a liberdade individual. Irradiação da pessoa no quadro do civismo. 3 - Essas constantes psicológicas e biológicas sofrerão a influência do meio: situação geográfica e topográfica, situação econômica e política. Primeiramente, da situação geográfica e topográfica, o caráter dos elementos água e terra, da natureza. do solo, do clima. A geografia e a topografia desempenham um papel considerável no destino dos homens. Não se pode esquecer jamais que o sol comanda, impondo sua lei a todo empreendimento cujo objetivo seja a salvaguarda do ser humano. Planícies, colinas e montanhas contribuem também para modelar uma sensibilidade e colinas e determinar uma mentalidade. Se o montanhês desce voluntariamente para a planície, o homem da planície raramente sobe os vales e dificilmente transpõe os desfiladeiros. Foram os cumes dos montes que delimitaram as áreas de aglomeração onde, pouco a pouco, reunidos por costumes e usos comuns, os homens se constituíram em povoações. A proporção dos elementos água e terra, quer atue na superfície, opondo as regiões lacustres ou fluviais às extensões de estepes, quer se expresse em densidade, produzindo aqui gordos pastos e, ali, pântanos ou desertos, conforma, ela também, atitudes mentais que se inscreverão nos empreendimentos e encontrarão sua expressão na casa, na aldeia ou na cidade. Conforme a incidência do sol na curva meridiana, as estações se contrapõem brutalmente ou se sucedem em passagens imperceptíveis e, ainda que em sua esfericidade contínua, de parcela em parcela, a Terra não experimente ruptura, surgem inúmeras combinações, cada uma das quais com seus caracteres particulares. Enfim as raças, com suas religiões ou suas filosofias variadas, multiplicam a diversidade dos empreendimentos e cada uma propõe seu modo de ver e sua razão de viver pessoais. 4 - Em segundo lugar, da situação econômica. Os recursos da região, contatos naturais ou artificiais com o exterior... A situação econômica, riqueza ou pobreza, é uma das grandes forças da vida, determinandolhe o movimento na direção do progresso ou da regressão. Ela desempenha o papel de um motor que, de acordo com a força de sua pulsações, introduz a, prodigalidade, aconselha a prudência ou impõe a sobriedade; ela condiciona as variações que traçam a história da aldeia, da cidade ou do país. A cidade cercada por uma região coberta de cultivos tem seu abastecimento assegurado. Aquela que dispõe de um subsolo precioso se enriquece com matérias que lhe servirão como moeda de troca, sobretudo se ela é dotada de uma rede de circulação suficientemente abundante para permitir-lhe entrar em contato útil com seus vizinhos próximos ou distantes. A tensão da engrenagem econômica, embora dependa em parte de circunstâncias invariáveis, pode ser modificada a cada momento pelo aparecimento de forças imprevistas, que o acaso ou a iniciativa humana podem tornar produtivas ou deixar inoperantes. Nem as riquezas latentes, que é preciso querer explorar, nem a energia individual têm caráter absoluto. Tudo é movimento, e o econômico, afinal, é sempre um valor momentâneo. 5 - Em terceiro lugar, da situação política, sistema administrativo. Fenômeno mais variável do que qualquer outro, sinal da vitalidade do país, expressão de uma sabedoria que atinge seu apogeu ou já toca seu declínio. Se a política é de natureza essencialmente variável, seu, fruto, o sistema administrativo, possui uma estabilidade natural que lhe permite, ao longo do tempo, uma permanência maior e não autoriza modificações

muito freqüentes. Expressão da dinâmica política, sua duração é assegurada por sua própria natureza e pela própria força das coisas. É um sistema que, dentro de limites bastante rígidos, rege uniformemente o território e a sociedade, impõe-lhes seus regulamentos e, atuando regularmente sobre todos os meios de comando, determina modalidades uniformes de ação em todo o país. Esse quadro econômico e político, cujo valor embora tenha sido confirmado pelo uso durante um certo período, pode ser alterado a qualquer instante em uma de suas partes, ou em seu conjunto. Algumas vezes, basta uma descoberta científica para provocar uma ruptura de equilíbrio, para fazer surgir a incompatibilidade entre o sistema administrativo de ontem e as imperiosas realidades de hoje. Pode ocorrer que algumas comunidades, que souberam renovar seu quadro particular, sejam afixidas pelo quadro geral do país. Este último pode, por sua vez, sofrer diretamente a investida das grandes correntes mundiais. Não há quadro administrativo que possa pretender a imutabilidade. 6 - No decorrer da História, circunstâncias particulares determinaram as características da cidade: defesa militar, descobertas científicas, administrações sucessivas, desenvolvimento progressivo das comunicações e dos meios de transporte (rotas terrestres, fluviais e marítimas, ferroviárias e aéreas). A história está inscrita no traçado e na arquitetura das cidades. Aquilo que deles subsiste forma o fio condutor que, juntamente com os textos e os documentos gráficos, permite a representação de imagens sucessivas do passado. Os motivos que deram origem às cidades foram de natureza diversa. Por vezes era o valor defensivo. E o alto de um rochedo ou a curva de um rio viam nascer um pequeno burgo fortificado. Ás vezes, era o cruzamento de duas rotas, unia cabeça de ponte ou uma baía do litoral que determinava a localização do primeiro estabelecimento. A cidade era de formato incerto, mais freqüentemente em círculo ou semicírculo. Quando era uma cidade de colonização, organizavam-na como um acampamento, com eixos de ângulos retos e cercada de palíçadas retilíneas. Tudo nela era ordenado segundo a proporção, a hierarquia e a conveniência. Os caminhos partiam dos portões da muralha e estendiam-se obliquamente na direção de alvos distantes. Podemos encontrar ainda no desenho das cidades o primeiro núcleo compacto do burgo, as muralhas sucessivas e o traçado dos caminhos divergentes. As pessoas aí se aglomeravam e encontravam, conforme o grau de civilização, uma dose variável de bem-estar. Aqui, regras profundamente humanas ditavam a escolha dos dispositivos; ali, constrangimentos arbitrários davam origem a injustiças flagrantes. Sobreveio a era do maquinismo. A uma medida milenar, que se poderia crer imutável, a velocidade do passo humano, somou-se uma medida em plena evolução, a velocidade dos veículos mecânicos. 7 - As razões que presidem o desenvolvimento das cidades estão, portanto, submetidas a mudanças contínuas. Aumento ou redução de uma população, prosperidade ou decadência da cidade, demolição de muralhas que se tornaram asfixiantes, novos meios de transporte ampliando a zona de trocas, benefícios ou malefícios de uma política escolhida ou suportada, aparecimento do maquinismo, tudo é movimento. À medida que o tempo passa, os valores indubitavelmente se inscrevem no patrimônio de um grupo, seja ele cidade, país ou humanidade; a vetustez, não obstante, atinge um dia todo conjunto de construções ou de caminhos. A morte atinge tanto as obras como os seres. Quem fará a discriminação entre aquilo que deve subsistir e aquilo que deve desaparecer? O espírito da cidade formou-se no decorrer dos anos; simples construções adquiriram um valor eterno na medida em que simbolizam a alma coletiva; constituem o

dando às proximidades um ar de qualidade. Ao longo dos séculos. ao desprezar harmonias seculares.Promiscuidade proveniente das disposições internas da moradia. expresso. corrompem sua vida íntima. entupindo as cidades e. 6 . 4 . O emprego da máquina subverteu condições de trabalho. a técnica de construção tinha limitado a altura das casas a aproximadamente seis pavimentos.arcabouço de uma tradição que.Insuficiência de superfície habitável por pessoa. esvaziando o campo. revolta. seus empreendimentos.Ausência de sol (orientação para o norte ou conseqüência da sombra projetada na rua ou no pátio). movimento desenfreado de concentração nas cidades a favor das velocidades mecânicas. foram sendo acrescentados anéis urbanos. 2 . Por ser uma pequena pátria. da presença de vizinhanças desagradáveis. decadência. em sua distribuição sobre a terra. traz seus frutos envenenados: doença. tem-se o cortiço. 600. a cidade comporta um valor moral que pesa e que lhe está indissoluvelmente ligado. por um congestionamento que as encurrala na desordem e. O caos entrou nas cidades. tanto físicas quanto morais. o costume. assim como em determinadas zonas de expansão industrial do século XIX. condiciona a formação do indivíduo. Até então. era em geral cheio de construções comprimidas e privadas de espaço. O mal é universal. 5 . A densidade admissível para as construções dessa natureza é de 250 a 300 habitantes por hectare. pode ser totalmente modificada pela altura dos edifícios. os espaços verdes eram imediatamente acessíveis. relação entre as cifras da população. O núcleo das cidades antigas.Mediocridade das aberturas para o exterior.Ausência ou insuficiência de instalações sanitárias. 3 . caracterizado pelos seguintes sinais: 1 . Segunda Parte Estado Atual Crítico das Cidades Habitação Observações 9 . Quando essa densidade atinge.O advento da era da máquina provocou imensas perturbações no comportamento dos homens. porém. no campo. em compensação. opondo-se ao ajuste das necessidades fundamentais. 800 e até 1000 habitantes. a região. e a superfície que ela ocupa. perturbando as relações naturais que existiam entre a casa e o locais de trabalho. assim como o clima. Rompeu um equilíbrio milenar. ultrapassada a porta da muralha. a população é muito densa (chega a mil e até mil e quinhentos habitantes por hectare). As moradias abrigam mal as famílias. e o desconhecimento das necessidades vitais. da má orientação do imóvel. como em vários bairros. nas cidades. em. a raça.Vetustez e presença permanente de germes mórbidos (tuberculose). sem querer limitar a amplitude dos progressos futuros.No interior do núcleo histórico das cidades. substituindo a . 8 . Um ritmo furioso associado a uma precariedade desencorajante desorganiza as condições de vida. Mas. A densidade. cerceado pelas muralhas militares. evolução brutal e universal sem precedentes na História. pelo abandono de numerosas terras. aplicando um golpe fatal no artesanato.

pela falta. Estado de coisas ainda agravado pela presença de uma população com padrão de vida muito baixo. mas a legislação permite impor habitações podres às populações pobres. em grande parte. A adesão a esse postulado permite julgar as coisas existentes e apreciar as novas propostas de um ponto de vista verdadeiramente humano. A despesa comprometida numa construção erguida há seculos foi amortizada há muito tempo.Nos setores urbanos congestionados. chegou ao seguinte postulado: o sol. ela continua a fornecer. sem os quais a vida se estiola. de conservação das construções (exploração baseada na especulação). em proporção suficiente. Para o enriquecimento de alguns egoístas. menos as "condições naturais" são nela respeitadas. todavia que aquele que a explora possa considerá-la ainda. para espalhar seus raios. Esse afastamento cada vez maior dos elementos naturais aumenta proporcionalmente a desordem higiênica. O primeiro dever do urbanismo é pôr-se de acordo com as necessidades fundamentais dos homens. é prolongada no exterior pela estreiteza das ruas sombrias e total falta de espaços verdes. Ainda que seu valor de habitabilidade seja nulo. 10 . de ordem tanto psicológica quanto fisiológica. Por "condições naturais" entende-se a presença. realizado em Atenas. o espaço são as três matérias-primas do urbanismo. deveria ser distribuído com liberalidade.O crescimento da cidade devora progressivamente as superfícies verdes limítrofes. O ar. tolera-se. impunemente e às expensas da espécie. tolera-se que uma mortalidade assustadora e todo tipo de doenças façam pesar sobre a coletividade uma carga esmagadora. O espaço. as condições de habitação são nefastas pela falta de espaço suficiente destinado à moradia. e essa não é a causa menor da penúria pela qual o mundo se encontra presentemente oprimido. entretanto. por si mesma. de certos elementos indispensáveis aos seres vivos: sol. incapaz de adotar. pulmões da cidade. A saúde de cada um depende. de sua submissão às "condições naturais". a medida foi ultrapassada no decorrer dos últimos cem anos. livre da poeira em suspensão e dos gases nocivos. . cuja miséria. deveria penetrar no interior de cada moradia. uma ruptura que enfraquece seu corpo e arruína sua sensibilidade. O sol. 11 . Uma expansão sem controle privou as cidades desses alimentos fundamentais. enfim. com a doença e a decadência. vegetação. que comanda todo crescimento. Quanto mais a cidade cresce. O 4o Congresso CIAM. medidas defensivas (a mortalidade atinge até vinte por cento). Nessa ordem de idéias. Não nos esqueçamos de que a sensação de espaço é de ordem psicofisiológica e que a estreiteza das ruas e o estrangulamento dos pátios criam uma atmosfera tão insalubre para o corpo quanto deprimente para o espírito. enfim. a vegetação. O indivíduo que perde contato com a natureza é diminuído e paga caro. as altas densidades significam o mal-estar e a doença em estado permanente. espaço. sobre as quais se debruçavam as sucessivas muralhas. uma mercadoria negociável. criadores de oxigênio e que seriam tão propícios aos folguedos das crianças. deveria ser puro. sob forma de moradia. Nessas condições.vegetação pela pedra e destruindo as superficies verdes. uma renda importante. corrompida pelas alegrias ilusórias da cidade.As construções destinadas à habitação são distribuídas pela superfície da cidade em contradição com os requisitos da higiene. É o estado interior da moradia que constitui o cortiço. Condenar-se-ia um açougueiro que vendesse carne podre. 12 . pela falta de superfícies verdes disponíveis. cuja qualidade é assegurada pela presença da vegetação.

zonas independentes à habitação e à circulação. o solo urbano. infelizmente. salas ou terrenos destinados ao lazer. A circulação se desdobrará por meio de vias de percurso lento para o uso de pedestres. 15 . Um geômetra municipal não hesitará em traçar uma rua que privará de sol milhares de casas. Assim. por meio de uma legislação implacável. setores invadidos por nevoeiros. cada uma das quais reclama seu espaço particular: locais de habitação. 16 . Cada uma dessas vias desempenhará sua função.As construções arejadas (habitações ricas) ocupam as zonas favorecidas. Ele tem por base a discriminação necessária entre as diversas atividades humanas. montes. lagos. será sempre bom o bastante para acomodar as populações desenraizadas e sem vínculos sólidos. porque a umidade é excessiva ou porque os mosquitos nela pululam. reservando só para alguns favorecidos da sorte o benefício das condições necessárias para uma vida sadia e ordenada. mar. Se se quiser levar em consideração esta interdição... doravante. provase assim que as aspirações instintivas do homem o induzem.13 . Certos edis. A casa. atribuir-se-á.Essa distribuição parcial da habitação é sancionada pelo uso e por disposições edílicas que se consideram justificadas: o zoneamento. que famílias inteiras sejam privadas de luz. É urgente e necessário modificar certos usos. então não estará mais unida à rua por sua calçada. mais baixos. É preciso impedir. de ar puro e de silêncio. só se aproximando ocasionalmente da habitação. independente de qualquer questão de dinheiro. não se tem o direito de transgredir regras que deveriam ser sagradas.As construções edificadas ao longo das vias de ao redor dos cruzamentos são prejudiciais à habitação: barulhos. para sempre. por gases industriais passíveis de inundações etc). O zoneamento é a operação feita sobre um plano de cidade com o objetivo de atribuir a cada função e a cada indivíduo seu justo lugar. As zonas favorecidas são geralmente ocupadas pelas habitações de luxo. de ar e de espaço. a que chamamos de mão-de-obra comum. poeiras e gases nocivos. A habitação se erguerá em seu meio próprio. É preciso tornar acessível para todos. uma certa qualidade de bem-estar. Mas se a força das coisas diferencia a habitação rica da habitação modesta. a procurar condições de vida e uma qualidade de bem estar cujas raízes se encontram na própria natureza. ao abrigo dos ventos hostis. centros industriais ou comerciais. pelos gases. acharão natural destinar à instalação de um bairro operário uma zona até então negligenciada porque as névoas a invadem. com vista e espaços graciosos dando para perspectivas paisagísticas. por uma rigorosa regulamentação urbana. pela fumaça de carvão. Ele considerará que uma encosta voltada para o norte. nunca atraiu ninguém. em decorrência de sua orientação. onde gozará de sol. 14 . . ao sabor dos interesses mais inesperados e. etc. às vezes. que. às vezes ruidosa. que um terreno envenenado pela fuligem. os bairros residenciais as moradias são distribuídos segundo a circunstância.Os bairros mais densos se localizam nas zonas menos favorecidas (encontas mal orientadas. e de vias de percurso rápido para o uso de veículos. sempre que seus recursos lhe permitem. e com uma insolação abundante. Nenhuma legislação interveio ainda para fixar as condições habitação moderna. que devem não somente assegurar a proteção da pessoa humana mas também dar-lhe meios para um aperfeiçoamento crescente. deletérios de alguma indústria.

àqueles que buscam o lucro. está orientada para o norte e não conhece o sol. ao lado da instrução. tanto físico quanto moral. depois dos treze. O alinhamento tradicional dos imóveis ao longo das ruas acarreta urna disposição obrigatória do volume construído. não raro estão situadas nas vias de circulação e muito afastadas das habitações. feliz – está hoje entregue. A necessidade de iluminar o centro desses blocos engendra pátios internos de dimensões variadas. da maneira mais fragmentária e desvinculada das necessidades gerais das habitações. 19 . ruas paralelas ou oblíquas desenham superfícies quadradas ou retangulares. . os "equipamentos de saúde". escolas. essa proporção é ainda mais desastrosa.Os subúrbios estão organizados sem plano e sem ligação normal com a cidade. fora da moradia e em suas proximidades. de capacidades diversas que. 18 . bom ou mau grado. era o escoadouro da população excedente que. constituem os "blocos". trapezoidais ou triangulares. As escolas. ainda.É arbitrária a distribuição das construções de uso coletivo dependente da habitação.As escolas. Sua realização está apenas esboçada. é freqüente que nelas só se dispense a instrução propriamente dita. limitando-se o julgamento a seu programa e a sua disposição arquitetônica. antes dos seis anos. A moradia abriga a família. Em certos casos. Chega-se então a este triste resultado: uma fachada em quatro. a liberdade de restringir esses pátios a dimensões verdadeiramente escandalosas. jardins de infância. em consequência da estreiteza das ruas. elas colocam a criança em contato com os perigos da rua. em geral. seja ela voltada para a rua ou para o pátio. muito particularmente. enquanto as outras três. capaz de lhes assegurar. Mas a família reclama ainda a presença de instituições que. ou o adolescente. Muito longe da moradia. para completar. dos pátios e da sombra projetada disso resultante. serviços médicos. colocadas nas únicas condições que permitem uma formação séria.17 – O alinhamento tradicional das habitações à beira das ruas só garante insolação a uma parcela mínima das moradias. a proporção de fachadas não ensolaradas varia entre a metade e três quarto total. às quais se somarão organizações intelectuais e esportivas destinadas a proparcionar aos adolescentes a possibilidade de trabalhos ou de jogos adequados à satisfação das aspirações próprias dessa idade e. O burgo era outrora uma unidade organizada no interior de uma muralha militar. Os subúrbios são descendentes degenerados dos arrabaldes. São elas: centros de abastecimento. A análise revela que nas cidades. uma vez edificadas. O benefício dessas instituições coletivas é evidentes. por vezes. Ao serem cortadas. creches. ao acaso. mas sua necessidade é ainda mal compreendida pela massa. O estado atual e a distribuição do domínio edificado prestam-se mal às inovações por meio das quais a infância e a juventude seriam não somente protegidas de inúmeros perigos. são regularmente privados de organizações pré ou pós-escolares que responderiam às necessidades mais imperiosas de sua idade. infelizmente. construído ao longo de uma via de acesso desprovido de proteção. 20 . sejam seus verdadeiros prolongamentos. devia acomodar-se em sua insegurança. função que constitui por si só todo um programa e coloca um problema cuja solução – que outrora já foi. as áreas próprias à cultura fisica e ao esporte cotidiano de cada um. são também parcialmente privadas de sol. As regulamentações edilícias deixam. um pleno desenvolvimento. Além disso. mas. O falso burgo contíguo a ele pelo lado de fora. estão em geral mal situadas no interior do complexo urbano. e a criança.

que obriga a malbaratar o dinheiro público sem a contraparte de recursos fiscais suficientes. Quando a administração intervém para corrigir a situação. Desse subúrbio doente. essa onda tornou-se maré. domínio dos pobres diabos que oscilam nos turbilhões de uma vida sem disciplina. vistos de avião. algumas das quais. porém. observando-se o clima. cem vezes. É antes do nascimento dos subúrbios que a administração deve apro riar-se da gestão do solo que. em toda sua extensão. enganchados às grandes vias de acesso por suas ruelas. Paraísos ilusórios. O subúrbio é o símbolo. ocorria uma primeira alteração na regra normal dos traçados. mais extenso do que a cidade. conhecerão um crescimento gigantesco. É chocante a desproporção entre as despesas ruinosas causadas por tantas obrigações e a pequena contribuição que pode dar uma população dispersa. entretanto. O proprietário de um terreno vago onde tenha surgido algum barraco. para o viajante atraído pela reputação da cidade. ao mesmo tempo. com seu trecho de via. a circulação aí se torna perigosa. onde se arriscam todas as tentativas. eis o subúrbio! Sua feiúra e sua tristeza são a vergonha da cidade que ele circunda. eles são. barracos de madeira. área sem traçado definido. o subúrbio é com freqüência. alguns procuram fazer cidades-jardins. No decorrer dos séculos XIX e XX. cortados por ferrovias. dispondo-se da insolação mais favorável e de superfícies verdes adequadas. canalização. choca-se com obstáculos insuperáveis e se arruína em vão. galpões onde se misturam bem ou mal os materiais mais imprevistos. . expõe aos olhos menos avisados a desordem e a incoerência de sua distribuição. é uma carga sufocante para a coletividade. solução irracional. Sua densidade populacional é muito baixa e o solo dificilmente explorado. Muito tarde! O subúrbio foi incorporado tardiamente ao domínio administrativo. A era do maquinismo é caracterizado pelo subúrbio. Sede de uma população incerta.Procurou-se incorporar os subúrbios ao domínio administrativivo. Sua miséria. A legislação imprevidente deixou que se estabelecessem. iluminação e limpeza pública serviços hospitalares ou escolares. do fracasso e da tentativa. 22 . no seio da cidade.Freqüentemente os subúrbios nada mais são do que uma aglomeração de barracos onde a infra-estrutura indispensável dificilmente é rentável. onde se instalam em geral os artesanatos mais modestos. Casinhas mal construídas. É uma espécie de onda batendo nos muros da cidade. O subúrbio é um erro urbanístico. e depois inundação. polícia. etc. Os subúrbios são a sórdida antecâmara das cidades.Doravante os bairros habitacionais devem ocupar no espaço urbano as melhores localizações. com as indústrias julgadas de antemão provisórias. onde são jogados todos os resíduos. caldo de cultura de revoltas. galpão ou oficina não pode ser desapropriado sem inúmeras dificuldades. uma penosa desilusão! É preciso exigir 23 . 21 . destinada a suportar inúmeras misérias.Quando a criação de uma nova muralha encerrava um dia o falso burgo. dez vezes. disseminado por todo o universo e levado a suas conseqüências extremas na América. onde a função distância-tempo suscita uma difícil questão que continua sem solução. cerca a cidade para assegurar-lhe os meios para um desenvolvimento harmonioso. meios transporte rápidos. a cidade é obrigada a prover a área dos subúrbios dos serviços necessários: vias públicas. direitos de propriedade por ela declarados imprescritíveis. Ele se constitui em um dos grandes males do século. aproveitando-se a topografia. Ela comprometeu seriamente o destino da cidade e suas possibilidades de crescer conforme uma regra.

ou recuperá-las. estão construídas em condições contrárias ao bem público e privado. levou-as ao caos. Poder-se-á pressupor uma certa cifra de população. de acordo com seu índice. criá-las. Nossa tarefa atual é arrancá-las de sua desordem por meio de planos nos quais será previsto o escalonamento dos empreendimentos ao longo do tempo. Tanto para nascer como para crescer. Elas poderão variar segundo a destinação do solo urbano e resultar. destruindo implacavelmente aquilo que constitui um perigo. inserindo. prevalece sobre todos. as cidades têm razões particulares. prever qual "tempo-distância" será seu quinhão cotidiano.Densidades razoáveis devem ser impostas. superpostas ao longo do tempo. as cidades se desenvolveram sem controle e sem freio. criar e administrar seus prolongamentos exteriores. A medicina demonstrou que a tuberculose se instala onde o sol não penetra. estudando as radiações solares. se não existem. tanto quanto possível. em função das memórias históricas ou dos elementos de valor artístico que contêm. em certos casos. no plano geral. fruto de uma especulação prematura. mas freqüentemente se renovaram no decorrer dos séculos. ela exige que o indivíduo seja recolocado. que devem ser estudadas e que levarão a previsões que abarquem um certo espaço de tempo: cinqüenta anos. Não basta. fixar a superfície e a capacidade necessárias à realização desse programa de cinqüenta anos. se foram destruídas. Não basta sanear a moradia. é preciso. por exemplo. 24 . e se eles foram devastados pela indiferença ou pela concupiscência. as áreas que lhes serão reservadas. Muitos fatores concorrem para a quantidade da moradia. É preciso buscar ao mesmo tempo as mais belas paisagens. 26 . a "densidade" é determinada. numa cidade ou muito extensa ou concentrada sobre si mesma. A história mostra que sua criação e seu desenvolvimento obedeceram a razões profundas. O sol é o senhor da vida. ainda. Bairros inteiros deveriam ser condenados em nome da saúde pública. Quando a cifra da população e as dimensões do terreno são fixadas. e que elas não apenas cresceram. 25 .As cidades. e. ainda. A era da máquina. e sobre o mesmo solo. O sol deve penetrar em toda moradia algumas horas por dia. O problema da moradia. há modos de preservar o que merece ser preservado. As densidades populacionais de uma cidade devem ser ditadas pelas autoridades. antecipadamente. A ciência. sabendo-se em que área útil. ao modificar brutalmente determinadas condições centenárias. locais de educação física e espaços diversos para esporte. da habitação.A determinação dos setores habitacionais deve ser ditada por razões de higiene. porém. Os melhores locais da cidade devem-lhe ser reservados. Alguns. mas é preciso. Será necessário alojá-la. o ar mais saudável. deverão ser parcialmente respeitados. As leis de higiene universalmente reconhecidas fazem uma grave acusação contra as condições sanitárias das cidades. Quando surgiu a era da máquina. enfim. poderiam ser-lhe nocivas. detectou aquelas que são indispensáveis á saúde humana e também aquelas que. utilizar as superficies verdes existentes. formular um diagnóstico e nem sequer encontrar uma solução. que ela seja imposta pelas autoridades responsáveis. outros. tudo deve ser feito para recuperá-los. . só merecem a picareta. tal como existem hoje. os declives melhor expostos. A displicência é a única explicação válida para esse crescimento desmesurado e absolutamente irracional.Um número mínimo de horas de insolação deve ser fixado para cada moradia. de acordo com as formas de habitação postas pela própria natureza do terreno. nas "condições naturais". Fixar as densidades urbanas é realizar um ato de gestão pleno de conseqüências. mesmo durante a estação menos favorecida. levando em consideração os ventos e a neblina. que é uma das causas de seus males.

criadas no tempo dos cavalos e só após a introdução dos coches. As calçadas. interrompido por paradas intermitentes. a arte de construir casas só conhecia paredes constituídas de pedras. e as velocidades. resultantes de uma intensa circulação mecânica. A cidade atual abre as inumeráveis portas de suas casas para essa ameaça e suas inumeráveis janelas para os ruídos. Esse estado de coisas exige uma modificação radical: as velocidades do pedestre. 28 . Resta determinar. para evitar os atropelamentos. ônibus ou bondes. A densidade de sua população deve ser elevada o bastante para validar a organização das instalações coletivas. terrenos para jogos. centros de assistência. ainda. Todo projeto de casa no qual um único alojamento seja orientado exclusivamente para o norte. a busca do ar mais puro e da insolação mais completa. todas em aço ou cimento armado. os construtores não podiam erguer um imóvel que ultrapassasse seis pavimentos. assim. A construção de uma cidade não pode ser abandonada. as construções homogêneas. 4km horários. tijolos ou tabiques de madeira e tetos constituídos por vigas de madeira. Apenas construções de uma certa altura poderão satisfazer a contento essas legítimas exigências. Elas recebem as mais variadas cargas e devem servir tanto para a caminhada dos pedestres. que elas estejam situadas as distâncias bem grandes umas das outras. condenadas ao definhamento. As construções atingem sessenta e cinco pavimentos ou mais. longe de construir um melhoramento. sem programa. que serão os . Na falta disso será negada a autorização para construir.A sociedade não tolerará mais que famílias inteiras sejam privadas de sol e. devem ser separadas. O presente não é mais tão limitado. enfim. Até o século XIX. a serem canalizadas para um leito particular. 50 a 100km horários. um período intermediário fez uso dos ferros perfilados. que serão seus prolongamentos. no século XX. No século XIX. Antes dessa inovação absolutamente revolucionária na história da construção de casas. só agravaria o mal existente. dos caminhões ou dos automóveis particulares. No que concerne à habitação. a possibilidade de criar nas proximidades imediatas da moradia instalações coletivas. É preciso exigir dos construtores uma planta demonstrado que no solstício de inverno o sol penetrará em cada moradia. têm finalidades díspares. quanto para o trânsito. por um exame criterioso dos problemas urbanos. de veículos rápidos de transporte coletivo. áreas escolares. 29 . à iniciativa privada. Cada época utilizou em suas construções a técnica que lhe era imposta por seus recursos particulares. ou privado de sol devido às sombras projetadas. É preciso. enquanto o pedestre disporá de caminhos diretos ou de caminhos de passeio para ele reservados.Os modernos recursos técnicos devem ser levados em conta para erguer construções elevadas. As habitações serão afastadas das velocidades mecânicas. no mínimo 2 horas por dia.0 alinhamento das habitações ao longo das vias de comunicação deve ser proibido.As construções elevadas erguidas a grande distância umas das outras devem liberar o solo para amplas superfícies verdes. As vias de comunicação. será rigorosamente condenado. as poeiras e os gases nocivos. 27 . são um remédio irrisório desde que as velocidades mecânicas introduziram nas ruas uma verdadeira ameaça de morte. é o grave erro cometido nas cidades das duas Américas. isto é. mecânicas. as razões que postulam a favor de uma determinada decisão são: a escolha da vista mais agradável. a altura que mais convém a cada caso particular. caso contrário sua altura. depois vieram. as ruas do nossas cidades. ou para aquele ainda mais rápido. enfim. Introduzir o sol é o novo e o mais imperioso dever do arquiteto.

ainda. passeios sombreados ocupando a área de uma muralha militar derrubada. diretos. autênticos pulmões da cidade. será admitida uma cifra de população presumível. tais áreas estão situadas ou na periferia ou no coração de uma zona residencial particularmente luxuosa. da qual a autoridade está incumbida: a promulgação do "estatuto do solo". não raro estão mal destinadas e. Eles podem ser os prolongamentos diretos ou indiretos da moradia. por um número suficiente de horas livres. Seja como for. também. indiretos.As superfícies livres são. sem que desempenhem seu papel de prolongamentos úteis da moradia. de fato. Quando as cidades modernas possuem algumas superfícies livres e de uma extensão suficiente. Decidir sobre a maneira como o solo será ocupado. No segundo. sua saúde moral e a alegria de viver delas decorrente. que continuará a se desenrolar em condições deploráveis. As horas dê trabalho. Existem. A manutenção ou a criação de espaços livres são. portanto. Outrora os espaços livres não tinham outra razão de ser que o deleite de alguns privilegiados. sendo sua função reduzida ao embelezamento. que o maquinismo infalivelmente ampliará. cobrindo-os de imóveis. dentro dos limites das regras estabelecidas por esse. em geral muscular e nervosamente extenuantes. 31 . por isso. No primeiro caso. aos passeios ou aos jogos das horas de lazer. se estão concentrados em algumas grandes superfícies. o grave problema da higiene popular permanecem ainda sem melhoria. 32 . elas só servirão aos citadinos no domingo e não terão influência alguma sobre a vida cotidiana. estatuto.Quando as superfícies livres têm uma extensão suficiente. O urbanismo é chamado para conceber as regras necessárias a assegurar aos citadinos as condições de vida que salvaguardem não somente sua saúde física mas. Elas são a sobrevivência. de reservas constituídas no passado: parques rodeando residências principescas. propiciar um espaço favorável às distrações. sua destinação será a mesma: acolher as atividades coletivas da juventude. Lazer Observações 30 . será dada toda a liberdade à iniciativa privada e à imaginação do artista. dividir o terreno necessário tanto para as moradias particulares quanto para seus diversos prolongamentos. distantes dos locais de habitação popular. se cercam a própria habitação. Os dois últimos séculos consumiram com voracidade essas reservas. miraculosa em nossa época. uma necessidade e constituem uma questão de saúde pública para . insuficientes. fixar uma superfície para a cidade que não poderá ser ultrapassada durante um período determinado. devem ser seguidas. jardins adjacentes a casas burguesas. que permita calcular a superfície reservada à cidade. Não interviera ainda o ponto de vista social. não tão próximas. estabelecer a relação entre a superfície construída e aquela deixada livre ou plantada. são pouco utilizáveis pela massa dos habitantes. Uma vez fixada essa densidade. proibidas às multidões. constituir essa grave operação. a cada dia. em geral. que dá hoje um sentido novo a sua destinação.A situação excêntrica das superficies livres não se presta à melhoria das condições de habitação nas zonas congestionadas da cidade. Essas horas livres. elas serão. superfícies livres no interior de algumas cidades. Assim se construirá a cidade daqui para diante com toda segurança e. colocando alvenaria no lugar da relva e das árvores. serão consagradas a uma reconfortante permanência no seio de elementos naturais.prolongamentos da moradia. Em ambos os casos.

As horas de liberdade cotidiana devem ser passadas nas proximidades da moradia. 2 . Justa proporção entre volumes edifícados e espaços livres. Esse estatuto terá a diversidade correspondente às necessidades a satisfazer. Algumas associações esportivas. eis a única fórmula que resolve o problema da habitação. Esta decisão só terá resultado se estiver sustentada por uma verdadeira legislação: o "estatuto do solo".Doravante todo bairro residencial deve compreender a superfície verde necessária à organizacão racional dos jogos e esportes das crianças. o principal argumento a favor das cidades jardins.Os terrenos que poderiam ser destinados ao lazer semanal estão frequentemente mal articulados à cidade. colocar-se-á o problema dos transportes de massa. as aglomerações tenderão a tornar-se cidades verdes. É preciso exigir 35 . Precariedade e transtornos incessantes. De qualquer modo. poderá muito bem ser levado em consideração aqui. isto é. não oficialmente reconhecidas é. fora da cidade e da região. As horas de liberdade anual. Esse é um tema que constitui parte integrante dos postulados do urbanismo e ao qual os edis deveriam ser obrigados a dedicar toda a sua atenção.ao redor das moradias. a textura do tecido urbano deverá mudar. em geral. mas sua existência. Os volumes edificados serão intimamente amalgamados às superfícies verdes que os cercam.a espécie. como a aragem eventual e a irrigação ou a rega. As zonas edificadas e as zonas plantadas serão distribuídas levando-se em consideração um tempo razoável para ir de umas às outras. desejosas de utilizar seu lazer semanal. O problema assim exposto implica a criação de reservas verdes: 1. Uma vez escolhidos os locais situados nos arredores imediatos da cidade e próprios para se tomarem centros úteis de lazer semanal. os locais ou os climas. Pode-se classificar as horas livres ou de lazer em três categorias: cotidianas. uma porcentagem do solo disponível lhe será destinada.na região 3 . eram em geral instaladas provisioriamente: em terrenos destinados a receber futuros bairros residências ou industriais. dividida em múltiplas parcelas individuais. para serem colocadas nas proximidades dos usuários. permitem verdadeiras viagens. 34 . as férias.no país.As raras instalações esportivas. . mas certos empreendimentos coletivos. cuja utilidade constitui. semanais ou anuais. ele implica o estudo de diversos meios de transporte possíveis: estradas. ferrovias ou rios. As horas de liberdade semanal permitem a saída da cidade e os deslocamentos regionais. das mais precárias. poderão aliviar os encargos e aumentar o rendimento. O cultivo de hortas. mas consagradas ao desenvolvimento das diversas atividades comuns que formam o prolongamento da moradia. a densidade da população ou a porcentagem de superficie livre e de superfície edificada poderão variar segundo as funções. de fato. 33 . as superficies verdes não serão compartimentadas em pequenos elementos de uso privado. Contrariamente ao que ocorre nas cidades-jardins. Esse problema deve ser considerado desde o instante em que se esboça o plano da região. Assim. encontraram na periferia das cidades um abrigo provisório. dos adolescentes e dos adultos.

e as instalações de caráter coletivo ocuparão seus gramados: creches. salas de leitura ou de jogos. Dever-se-á aproveitar essa ocasião para substituí-los por parques que serão. centros de entretenimento intelectual ou de cultura física. com uma ou outra árvore plantada. atletismo. 39 .As novas superfícies verdes devem servir a objetivos claramente definidos: acolher jardins de infância. vales. locais para alojamento. Nada ou quase nada foi ainda previsto para o lazer semanal. basquete. montanhas. não por função única o de embelezamento da cidade. etc. saberá dar-lhes a destinação que o plano geral da região e o da cidade tenham antecipadamente considerado a mais útil. Elas serão o prolongamento da habitação e. um urbanismo inteligente. Estes quarteirões deverão ser demolidos. futebol. Elas deverão. Toda cidade possui em sua periferia locais capazes de corresponder a esse programa e que através de uma organização bem estudada dos meios de transporte. teatros ao ar livre. de bosques. etc. etc. todavia. concertos. oferecendo mil oportunidades de atividades saudáveis ou de entretenimento útil ao habitante da cidade. Pode acontecer. estádios. áreas de esporte. 38 ... o primeiro passo no caminho do saneamento.Os quarteirões insalubres devem ser demolidos e substituídos por superfícies verdes: os bairros limítrofes serão saneados. Não se trata mais de simples gramado cercando a casa. Nesse caso. mar. estádios.. ter um papel útil. os espetáculos. antes de mais nada. . pelo menos nos bairros limítrofes. jogos de quadra e torneios diversos. 40 .Parques. escolas. praias.36 . os esportes de toda natureza: tênis. Na região que cerca a cidade. em meio à beleza dos lugares. como tal. pistas de corrida ou piscina ao ar livre. Um conhecimento elementar das principais noções de higiene basta para discernir os cortiços e discriminar os quarteirões notoriamente insalubres. solitário ou coletivo. 37 .Os elementos existentes devem ser considerados: rios. lago. círculos juvenis. áreas de esporte.. morros. que se terá intimamente amalgamado aos volumes construídos e inserido nos setores habitacionais. natação. organizações pré ou pós-escolares. amplos espaços deverão ser reservados e organizados. hotéis. albergues ou acampamentos e. enfim. mas de verdadeiros prados. florestas. não menos importante. que alguns desses quarteirões ocupem um local particularmente conveniente à construção de certos edifícios indispensáveis à vida da cidade. centros juvenis ou todas as construções de uso comunitário ligadas intimamente à habitação. tornar-se-ão facilmente acessíveis. florestas.As horas livres semanais devem transcorrer em locais adequadamente preparados: parques. praias. As superfícies verdes. Deve ser estabelecido um programa de entretenimento abrangendo atividades de todo tipo: o passeio. deverão estar o subordinadas ao estatuto do solo. um abastecimento de água potável e víveres. de praias naturais ou artificiais constituindo uma imensa reserva cuidadosamente protegida. e o acesso a eles deverá ser assegurado por meios de transporte suficientemente numerosos e cômodos. que deverá ser cuidadosamente assegurado em toda parte. Enfim. são previstos equipamentos precisos: meios de transporte que demandem uma organização racional.

A ruptura com a antiga organização do trabalho criou uma desordem indizível e colocou um problema para o qual. aproveitando as disponibilidades imediatas de habitações e de abastecimento das cidades existentes. para os subúrbios. portanto. suporta de manhã. vastos e compactos blocos de caixotes para alugar ou loteamentos intermináveis. A mão-de-obra intercambiável. a despeito do mal que disso poderia resultar. as fábricas aí espalham suas poeiras e seus ruídos. e às margens das vias fluviais. não mais abandonar a população às múltiplas desgraças da rua. comércio. 43 . estavam situadas uma perto da outra. é empurrada para fora. à tarde e à noite. Desde então foram rompidas as relações normais entre essas duas funções essenciais da vida: habitar. cuja responsabilidade está nas mãos dos edis: encontrar uma contrapartida para o trabalho estafante da semana. sem poder acolher novos habitantes.Graças ao aperfeiçoamento dos meios mecânicos de transporte. quebrou as tradições seculares do artesanato e deu origem a uma nova mão-de-obra anônima e instável. tornar o dia de repouso verdadeiramente revitalizante para a saúde fisica e moral. que continua seu desenvolvimento sem limites. Saturada a cidade. elas condenam os trabalhadores a percorrer diariamente longas distâncias em condições cansativas de pressa e de agitação. Horas inteiras se dissolvem nesses deslocamentos desordenados. trabalhar. Trata-se não só de preservar as belezas naturais ainda intactas. no caso. ao longo das vias férreas introduzidas pelo século XIX.As horas de pico dos transportes acusam um estado crítico. Outrora. a questão da distância não desempenha mais. O desenvolvimento industrial depende essencialmente dos meios de abastecimento de matériasprimas e das facilidades de escoamento dos produtos manufaturados. Esse é um outro problema social muito importante. fez-se surgir apressadamente cidades suburbanas. Os arrabaldes se enchem de oficinas e manufaturas e a grande indústria. Implantadas no coração dos bairros habitacionais. Trabalho Observações 41 . Instaladas na periferia e longe desses bairros. que a indústria do homem crie. em parte. em menos de um século. ela transformou a fisionomia das cidades. ainda que se tenha que procurar um pouco mais longe. negócios. 42 . sítios e paisagens que correspondam ao programa. que absolutamente não está ligada por um vínculo estável à indústria.Os locais de trabalho não estão mais dispostos racionalmente no complexo urbano: indústria. até o presente. Mas. os fundadores das indústrias instalaram suas empresas na cidade ou em seus arredores. artesanato. a perpétua movimentação e a deprimente confusão dos transportes coletivos. enfim. mas também de reparar as agressões que algumas delas tenham sofrido. só foram dadas soluções paliativas. Derivou disso o grande mal dá época atual: nomadismo das populações operárias. a que as indústrias verdadeiramente se precipitaram. a moradia e a oficina. unidas por vínculos estreitos e permanentes. no verão e no inverno. administração. fazendo-os perder inutilmente uma parte de suas horas de lazer. Mais vale escolher bem. um papel preponderante.A ligação entre a habitação e os locais de trabalho não é mais normal: ela impõe percursos desmesurados. A expansão inesperada do maquinismo rompeu essas condições de harmonia. Uma destinação fecunda das horas livres forjará uma saúde e um coração para os habitantes das cidades. Foi. . cujo tráfego a navegação a vapor multiplicava.

sempre oprime a coletividade. 45 . mas é preciso denuciar as deploráveis condições de vida que disso resultaram para a massa. lineares. sujeitas a todo tipo de crises e cuja situação é ás vezes instável. A exploração desses transportes é ao mesmo tempo minuciosa e cara. administração privada e comércio. Um lugar de passagem é um elemento linear. Tais equipamentos. foi seriamente medido e previsto. indispensável ao andamento dos negócios. falta organização propícia para seu desenvolvimento natural. 44 . são caros. ausência de previsões. ao invés de serem concêntricas. estabelecer contatos entre a fábrica ou a oficina. sensível. A duração das idas e vindas não tem relação com a trajetória cotidiana do sol. uma fonte de prosperidade. dotados da mais completa circulação. sendo a cota dos passageiros insuficiente para cobrir sua despesa. se às vezes favorece o indivíduo. Nada. Essa disposição arbitrária criou uma promiscuidade insuportável. a agitação é frenética. ônibus e metrôs só funcionam verdadeiramente em quatro momentos do dia. nesse domínio. o fornecedor e o cliente. centros postal e telefônico. não obedecendo a regra alguma. que asseguraria a cada um deles as melhores condições de funcionamento: circulação desembaraçada.Nas cidades. trens de subúrbio. Nas horas de pico. É preciso comprar e vender. diariamente.Pela falta de qualquer programa . ao contrário. rádio etc. instalado nos locais privilegiados da cidade. As indústrias devem ser transferidas para locais de passagem das matérias-primas. silêncio. É preciso exigir 46 . horas de sacolejo somadas às fadigas do trabalho. tornar-se-ão. os escritórios se concentraram em centros de negócios. terrestres ou férreas. O desenvolvimento industrial tem por corolário o aumento dos negócios. Os centros de negócio. Esses escritórios são locais que requerem uma instalação particularizada. A própria indústria está nas mãos de sociedades privadas. eles se tomam um pesado encargo público.As distâncias entre os locais de trabalho e os locais de habitação devem ser reduzidas ao mínimo. As cidades industriais. . para certas empresas. tudo foi deixado à improvisação que. etc – a indústria se instala ao acaso.crescimento descontrolado das cidades. uma organização que lhes proporciona. iluminação. boa qualidade do ar. A concentração das indústrias em anéis em tomo das grandes cidades pode ter sido. O solo das cidades e o das regiões vizinhas pertencem quase inteiramente a particulares. e os usuários pagam caro. portanto. Como são negócios privados. comunicações fáceis com o exterior. instalações de aquecimento e de refrigeração. Estas transações precisam de escritórios. de seu próprio bolso.Os transportes coletivos. Para remediar semelhante estado de coisas foram sustentadas teses contraditórias: fazer viver os transportes ou fazer viver bem os usuários dos transportes? É preciso escolher! Umas supõem a redução e as outras o aumento do diâmetro das cidades. de todos os lugares destinados ao trabalho. ao longo das grandes vias fluviais. conforme um plano cuidadosamente elaborado. Tudo aconselha um agrupamento. isoladamente. Isto supõe uma nova distribuição. Nada foi feito para submeter o surto industrial a regras lógicas. são logo presa da especulação. especulação com os terrenos.

as administrações públicas. difere da indústria e requer disposições apropriadas. deve ser garantida boa comunicação. estará completamente protegida dos ruídos e das poeiras. dessas três vias conjugadas. que utilizam a rodovia. tanto com os bairros habitacionais quanto com as indústrias ou artesanato instalados na cidade ou em suas proximidades. costura ou moda encontra na concentração intelectual da cidade a excitação criadora que lhe é necessária. nessa muralha . da qual procede diretamente. ela poderá alinhar. alguns hotéis e diversas (estações ferroviária.Ao centro de negócios. estrada ou via férrea ou. O centro de negócios deve encontrar-se na confluência das vias de circulação que servem ao mesmo tempo os setores de habitação. portanto. O artesanato. 49 .A rede atual das vias urbanas é um conjunto de ramificações desenvolvidas em torno das grandes vias de comunicação. Os negócios assumiram uma importância tão grande que a escolha da localização que lhes será reservada exige um estudo muito particular. exige a criação de novas vias ou a transformação das já existentes. deve poder ocupar locais claramente designados no interior da cidade.Os setores industriais devem ser independentes dos setores habitacionais e separados uns dos outros por uma zona de vegetação. a casa individual acoplada a uma pequena exploração rural e. seu próprio setor habitacional. de um plano deliberado. A cidade industrial se estenderá ao longo do canal. os setores de indústria e de artesanato. Certas cidades militares ou de colonização beneficiaram-se. Na Europa. melhor ainda. poderão ficar situados nos pontos mais intensos da cidade. A velocidade inteiramente nova dos transportes mecânicos. a ferrovia. rodoviária. essas últimas remontam a um tempo bem anterior à idade média. desde o seu nascimento. 48 . Primeiro foi traçada uma muralha de forma regular. os locais de trabalho. ao canal e à rodovia. O artesanato de livros. que lhe será paralelo. Três tipos de habitação estarão disponíveis para escolha dos habitantes: a casa individual da cidade-jardim. o imóvel coletivo provido de todos os serviços necessários ao bemestar de seus ocupantes. marítima.As zonas industriais devem ser contíguas à estrada de ferro. Circulação Observações 51 . ela voltará a ser um organismo familiar normal. Ele emana diretamente do potencial acumulado nos centros urbanos. o rio ou o canal. à medida em que se desenvolve. enfim. Tornando-se linear e não mais anelar.O artesanato. consagrado à administração privada ou pública. É um programa de coordenação que deve levar em conta a nova distribuição dos estabelecimentos industriais e das moradias operárias que os acompanham. mantendo-se a uma proximidade que suprimirá os longos trajetos diários. por sua natureza. Uma zona verde separará este último das construções industriais.47 . aérea). 50 . A moradia inserida desde então em pleno campo. joalheria. intimamente ligado à vida urbana. São atividades essencialmente urbanas e. ou às vezes até mesmo à antiguidade. As "condições naturais" assim reencontradas contribuirão para fazer cessar o nomadismo das populações operárias.

que conservava sua estrutura primitiva. no decorrer do crescimento da cidade. Procurar alargá-las é quase sempre uma operação onerosa e.As grandes vias de comunicação foram. É sempre o bloco edificado. assim tiveram origem as ruas principais a partir das quais vieram ramificar-se. situados a 100. ficam paralisados. mas sempre conservarão sua determinação fundamental. Espaços de 200 a 400 metros deveriam separá-los. Era preciso agir com economia para fazer o terreno render o máximo de superfície habitável. ruas e ruelas foram prolongadas em avenidas e alamedas além do primeiro núcleo. As cidades antigas eram. O pedestre circula em uma insegurança perpétua. As vias principais sempre foram filhas da geografia. A rede circulatória que o contém tem dimensões e intersecções múltiplas. Essas vias de comunicação estão intimamente ligadas à topografia da região. 52 . prever uma unidade de extensão razoável entre o local do arranque e aquele em que a freada torna-se necessária. As primeiras casas se instalaram à beira delas. essa rede não pôde adaptarse às novas velocidades dos veículos mecânicos. que não corresponde mais.terminavam as grandes vias de comunicação. com a mesma finalidade. 53 . a nenhuma necessidade. portanto. Dever-se-ia. É isso que explica sua disposição em ruas e ruelas estreitas que permitiam servir ao maior número possível de portas de habitação. . não convêm à boa progressão dos veículos mecânicos. por razões de segurança. Esse sistema de construção. caminhões ou ônibus. ou mesmo 10 metros de distância uns dos outros. concebidas para receber pedestres ou coches. portanto. desde então inadequado. 54 . cercadas por muralhas. Não podiam. além disso. os veículos mecânicos precisam do arranque e da aceleração gradual. 20. O problema é criado pela impossibilidade de conciliar as velocidades naturais. se opõe à utilização das novas velocidades mecânicas e à expansão regular da cidade.O dimensionamento das ruas. tem ainda hoje força de lei. essa organização das cidades teve como conseqüência o sistema de blocos edificados a prumo sobre a rua. muitas delas puderam ser corrigidas ou retificadas. de onde eles recebiam luz. mais numerosas. inoperante. Outras cidades. Sua mistura é fonte de mil conflitos. Prevista para outros tempos. hoje elas não correspondem aos meios de transporte mecânicos. que freqüentemente lhes impõe um traçado sinuoso. do pedestre ou do cavalo. Os cruzamentos das ruas atuais. A disposição interna tinha uma útil regularidade. artérias secundárias cada vez mais numerosas.As distâncias entre os cruzamentos das ruas são muito pequenas. e perfurados. nasceram na intersecção de duas grandes rotas que atravessavam a região ou no ponto de cruzamento de vários caminhos radiais que partiam de um centro comum. Para atingir sua marcha normal. bondes. Mas tarde. Suas fachadas dão para ruas ou para pátios internos mais ou menos estreitos. estender-se proporcionalmente ao crescimento de sua população. obrigados a frear com freqüência. por pátios internos. quando as muralhas fortificadas foram sendo afastadas. o que não os impede de serem um perigo permanente de morte. A freada não pode intervir brutalmente sem causar um desgaste rápido de suas principais órgãos. com as velocidades mecânicas dos automóveis. há muito tempo.A largura das ruas é insuficiente. 50. 55 . Além disso. enquanto os veículos mecânicos. subproduto direto da rede viária.

Aquilo que era admissível e até mesmo admirável no tempo dos pedestres e dos coches pode ter-se tomado. ir de um extremo a outro. em número e natureza dos veículos. ao mesmo tempo: aos automóveis. As antigas vias principais. mas seu alargamento não é sempre uma solução fácil e nem sequer eficaz. 56 .Traçados de natureza suntuária. que saiba prever tudo o que é preciso para regularizar os fluxos. para os quais não foram feitas e à cuja velocidade nunca poderão ser adaptadas. Certas avenidas concebidas para assegurar uma perspectiva monumental coroada por um monumento ou um edificio.Não há uma largura-tipo uniforme para as ruas. Ela pede um programa cuidadosamente estudado. a situação é grave para a economia geral e o urbanismo é chamado para considerar o remanejamento e o deslocamento de certas redes. de perigo. criar os escoadouros indispensáveis e chegar. a determinados veículos. É preciso exigir . Também aqui o tempo andou muito depressa. aos ônibus e bondes. assim. faltando precisão. A circulação tornou-se hoje uma função primordial da vida urbana. uma fonte de problemas constantes. de modo a fazê-las inserir-se na harmonia de um plano geral. portanto. e. Ao penetrarem nas cidades. atravessar a cidade em simples trânsito. uma causa de engarrafamento. Tudo depende de seu tráfego. atualmente. a malha das ruas apresenta-se irracional. puderam ou podem constituir pesados entraves à circulação. são. aos pedestres. A circulação moderna é uma operação das mais complexas. viram-se privados de contatos para eles indispensáveis. As vias destinadas a múltiplos usos devem permitir. aos caminhões. buscando objetivos representativos. conservaram quase sempre um tráfego intenso. impostas desde o início da cidade pela topografia e pela geografia. A estrada de ferro é uma via que não se atravessa. por ocasião da extensão da cidade. Ela isola os bairros habitacionais. Essas composições de ordem arquitetônica deveriam ser preservadas da invasão de veículos mecânicos. 57 . Cada uma dessas atividades exigiria uma pista particular. É preciso que o problema seja retomado bem mais de cima. a suprimir os engarrafamentos e o malestar constante de que são a causa. As estradas de ferro foram construídas antes da prodigiosa expansão industrial que elas mesmas provocaram. de atraso. ir de um extremo a outro. diversidade e adequação. elas seccionam arbitrariamente zonas inteiras. considerar seu estado atual e procurar soluções que respondam de fato a necessidades estritamente definidas. tendo-se coberto pouco a pouco de habitações.Diante das velocidades mecânicas. às vezes. flexibilidade. preciso dedicar-se a um estudo profundo da questão. ir dos centros de abastecimento a locais de distribuição infinitamente variados. e que formam o tronco da inumerável ramificação de ruas. É.Em inúmeros casos. Elas são geralmente muito estreitas. a rede das vias férreas tornou-se. privando-os de contatos úteis com os elementos vitais da cidade. condicionada para satisfazer necessidades claramente e caracterizadas. percorrer itinerários prescritos. no presente. Em certas cidades. 58 . ela isola uns dos outros setores que. um grave obstáculo à urbanização.

Devem ser feitas análises úteis. 62 . legada pelos séculos. Já é tempo de remediar. 61 . As causas determinantes e os efeitos de suas diferentes intensidades aparecerão então claramente e será mais fácil discernir os pontos críticos. destinadas somente à pequena circulação. seja os automóveis. e construídas em função dos veículos e de suas velocidades.As vias de circulação devem ser classificadas conforme sua natureza. provocou um fluxo inimaginável de veículos em certos pontos determinados. A circulação é uma função vital cujo estado atual deve ser expresso em gráficos. largura da calçada. As ruas residenciais e as áreas destinadas aos usos coletivos exigem uma atmosfera particular. seja as cargas pesadas ou os veículos em trânsito. Para permitir às moradias e a seus "prolongamentos" usufruir da calma e . que será receber seja os pedestres. nas artérias congestionadas. são o melhor meio de assegurar-lhes uma marcha contínua. dimensões e características especiais: natureza do leito. o caminho dos pedestres e o dos veículos mecânicos. recebia outrora pedestres e cavaleiros indistintamente e só no final do século XVIII o emprego generalizado de coches provocou a criação das calçadas. de acordo com a função para a qual forem destinadas. ao invés de serem liberadas a tudo e a todos. A primeira medida útil seria separar radicalmente. caminhões. trabalho que revelará os leitos de circulação e a qualidade de seus tráficos.59 . serão estabelecidas interligações unindo-as às vias destinadas à circulação miúda. dar depois a essas vias. considerar. 60 . Mudanças de nível.As ruas devem ser diferenciadas de acordo com suas destinações: ruas de residências. Nas grandes vias de circulação e a distâncias calculadas para obter o melhor rendimento. ruas de trânsito. O crescimento fulminante de algumas cidades como Nova York por exemplo. ruas de passeio. vias principais. Somente uma visão clara da situação permitirá realizar dois progressos indispensáveis: dar a cada uma das vias de circulação uma destinação precisa. A terceira. Não haveria nada mais sensato nem que abrisse uma era de urbanismo mais nova e mais fértil. para a grande circulação. abateu-se como um cataclisma a massa de veículos mecânicos .com suas velocidades inesperadas. condena toda orientação da moradia para o norte. bondes . com base em estatísticas rigorosas do conjunto da circulação na cidade e sua região. 63 . no domínio da habitação. ter regimes diferentes. em cada via transversal. locais e natureza dos cruzamentos ou das interligações. Os veículos em trânsito não deveriam ser submetidos ao regime de paradas obrigatórias a cada cruzamento. A rua única.bicicletas. automóveis. que torna inutilmente lento seu percurso. deverão. No século XX. dar às cargas pesadas um leito de circulação particular.O pedestre deve poder seguir caminhos diferentes do automóvel Isso constituiria uma reforma fundamental da circulação nas cidades. vias de trânsito independentes das vias usuais. motocicletas. As ruas. A segunda. conforme sua categoria.Os cruzamentos de tráfego interno serão organizados em circulação contínua por meio de mudanças de níveis. Essa exigência concernente à circulação pode ser considerada tão rigorosa quanto aquela que. por meio de medidas apropriadas. uma situação que caminha para ao desastre.

não terão nenhuma razão para se aproximarem das construções públicas ou privadas. 64 .Serão salvaguardados se constituem a expressão de uma cultura anterior e se correspondem a um interesse geral.. os leitos de grande circulação. A vida de uma cidade é um acontecimento contínuo. Eles fazem parte do patrimônio humano. salvo nos pontos de interligação. Sendo as vias de trânsito ou de grande circulação bem diferenciadas das vias de circulação miúda. Se os interesses da cidade são lesados pela persistência de determinadas presenças insignes. Um culto estrito do passado não pode levar a desconhecer as regras da justiça social. mas que merecem ser conservados por seu alto significado estético ou histórico.Os valores arquitetônicos devem ser salvaguardados (edifícios isolados ou conjuntos urbanos). em princípio. Espíritos mais ciosos do estetismo do que da solidariedade militam a favor da conservação de certos velhos bairros pitorescos. sendo rigorosamente imposta uma velocidade reduzida a todos os tipos de veículos. que não poupa nenhum ser vivo. os veículos mecânicos serão canalizados para circuitos especiais. depois. porque alguns trazem uma virtude plástica na qual se incorporou o mais alto grau de intensidade do gênio humano. algumas serão conservadas a título de documentário. sua mistura com os pedestres não oferecerá mais inconvenientes. majestosas. sua prioridade. É assumir uma grave responsabilidade. Nem tudo que é passado tem. convém escolher com sabedoria o que deve ser respeitado. Patrimônio Histórico das Cidades 65 . atinge também as obras dos homens. As avenidas de trânsito não terão nenhum contato com as ruas de circulação miúda. nas quais. em certos excepcionais. direito à perenidade. por definição. a promiscuidade e a doença que eles abrigam. e aqueles que os detêm ou são encarregados de sua proteção. Será bom que elas sejam ladeadas por espessas cortinas de vegetação. será procurada a solução capaz de conciliar dois pontos de vista opostos: nos casos em que se esteja diante de construções repetidas em numerosos exemplares.Se sua conservação não acarreta o sacrifício de populações mantidas em condições insalubres. É necessário saber reconhecer e discriminar nos testemunhos do passado aquelas que ainda estão bem vivas. que se manifesta ao longo dos séculos por obras materiais. Mas serão também levadas em consideração as ruas de passeio.da paz que lhes são necessárias. naturalmente. as outras demolidas. o resto será modificado de maneira útil. O problema deve ser estudado e pode às . 66 . em outros casos poderá ser isolada a única parte que constitua uma lembrança ou um valor real.. sem se preocupar com a miséria. Enfim.. São testemunhos preciosos do passado que serão respeitados. têm a responsabilidade e a obrigação de fazer tudo o que é lícito para transmitir intacta para os séculos futuros essa nobre herança. a princípio por seu valor histórico ou sentimental. 67 . de uma era já encerrada.. traçados ou contruções que lhe conferem sua personalidade própria e dos quais emana pouco a pouco a sua alma.As zonas de vegetação devem isolar. A morte. poderá ser aventada a transplantação de elementos incômodos por sua situação. As grandes vias principais que estão relacionadas a todo o conjunto da região afirmarão.

mudar inteiramente o regime circulatório da zona congestionada. mas. chega-se somente a uma reconstituição fictícia. pois as antigas condições de trabalho não poderiam ser reconstituídas e a aplicação da técnica moderna a um ideal ultrapassado sempre leva a um simulacro desprovido de qualquer vida. Tais métodos são contrários à grande lição da história. Terceira Parte Conclusões Pontos de doutrina . em todo caso. têm conseqüências nefastas. inesperada talvez. capaz apenas de desacreditar os testemunhos autênticos. nas construções novas erigidas nas zonas históricas. em nenhum caso. procurar uma outra solução. pode-se também deslocar um centro de atividade intensa e. sob pretextos estéticos. a demolição de casas insalubres e de cortiços ao redor de algum monumento de valor histórico destrua uma ambiência secular.Se é possível remediar sua presença prejudicial com medidas radicais: por exemplo. A manutenção de tais usos ou a introdução de tais iniciativas não serão toleradas de forma alguma. mas certamente tolerável. As obras-primas do passado nos mostram que cada geração teve sua maneira de pensar. à totalidade de recursos técnicos de sua época. transplantando-o para outra parte. A imaginação. 68 . mais vale. o destino de elementos vitais de circulação ou mesmo o deslocamento de centros considerados até então imutáveis. suas concepções. 69 .A destruição de cortiços ao redor dos monumentos históricos dará a ocasião para criar superfícies verdes. nunca o homem voltou sobre seus passos. O crescimento excepcional de uma cidade pode criar uma situação perigosa. Misturando o "falso" ao "verdadeiro". longe de se alcançar uma impressão de conjunto e dar a sensação de pureza de estilo. O obstáculo só poderá ser suprimido pela demolição. sua estética. o culto do pitoresco e da história deve ter primazia sobre a salubridade da moradia da qual dependem tão estreitamente o bem-estar e à saúde moral do indivíduo. Enfim. se as condições o permitirem impor-se-lhe-á uma passagem sob um túnel. a invenção e os recursos técnicos devem combinar-se para chegar a desfazer os nós que parecem mais inextrincáveis. históricos ou espirituais. É uma coisa lamentável mas inevitável. recorrendo. os bairros vizinhos se beneficiarão amplamente. Os vestígios do passado mergulharão em uma ambiência nova. Mas. Nunca foi constatado um retrocesso. É possível que. e da qual. Aproveitar-se-á a situação para introduzir superfícies verdes. levando a um impasse do qual só se sairá mediante alguns sacrifícios. 70 . quando esta medida acarreta a destruição de verdadeiros valores arquitetônicos.vezes ser resolvido por uma solução engenhosa. Ao invés de suprimir o obstáculo à circulação desviar-se-á a própria circulação ou. que mais se tinha empenho em preservar.O emprego de estilos do passado. é erigir o "falso" como princípio. sem dúvida. Copiar servilmente o passado é condenar-se à mentira. em certos casos. como trampolim para sua imaginação.

e abrigá-los bem. e a imensa desordem material e moral da cidade moderna terá talvez como resultado fazer surgir enfim o estatuto da cidade. Budapeste. por diligência dos grupos nacionais dos Congressos Internacionais de Arquitetura Moderna: Amsterdã. o bem. primordiais. Genebra. A base desse lamentável estado de coisas está na preeminência das iniciativas privadas inspiradas pelo interesse pessoals pelo atrativo do ganho. Elas ilustram a história da raça branca sob os mais diversos climas e latitudes. Litoria. Baltimore. Como. Tudo que o cerca sufoca-o e esmaga-o. quando uma ataca. As empresas estiveram. seu desenvolvimento é conduzido sem precisão nem controle e sem que sejam levados em consideração os princípios do urbanismo contemporâneo atualizados aos meios técnicos qualificados. e. Colônia.Embora as cidades esteja em estado de permanente transformação. o crescimento incessante dos interesses privados. do próprio excesso do mal surge. Nenhuma autoridade consciente da natureza e da importância do movimento do maquinismo interveio. a fraqueza do controle administrativo e a impotente solidariedade social. que é a de abrigar os homens. Zagreb e Zurique. Barcelona. Frankfurt. Trinta e três cidades foram analisadas. 72 . durante cem anos. a organização das rodovias. de modo algum a sua destinação. Detroit. e também a ausência de qualquer esforço sério de adaptação. de outro.Esta situação revela. entregues ao acaso.A maioria das cidades estudadas oferece hoje a imagem do caos. Essa cidades não correspondem. às vezes. de um lado. . para evitar os danos pelos quais ninguém pode ser efetivamente responsabilizado. 73 . Haia. Praga. Paris. e da ferocidade de alguns interesses privados nasceu a infelicidade de inúmeras pessoas.Varsóvia. Londres. hidrovias ou ferrovias. As cidades são desumanas. Berlim. assegurando o sucesso dos mais fortes em detrimento dos fracos. Uma crise-de humanidade assola as grandes cidades e repercute em toda a extensão dos territórios. que seria satisfazer as necessidades. Todas testemunham o mesmo fenômeno: a desordem instituída pelo maquinismo em uma situação que comportava até então uma relativa harmonia. Hoje. o mal está feito. que. Verona. 74 . Bandoeng. A cidade não corresponde mais a sua função. apoiado em uma forte responsabilidade administatriva. Nada do que é necessário a sua saúde física e moral foi salvaguardado ou organizado. Charieroi. instaurará as regras indispensáveis à proteção da saúde e da dignidade humana. até o presente. Essas diversas fontes de energia estão em perpétua contradição. o interesse privado triunfa o mais das vezes. O sentimento de responsabilidade administrativa e o da solidariedade social são derrotados diariamente pela força viva e incessantemente renovada do interesse privado. Mas. A construção de habitações ou de fábricas.71 . Utrecht. Roterdã. Estocolmo. Roma. Madri. biológicas e psicológicas de sua população. Dalat. por ocasião do Congresso de Atenas. Em todas essas cidades o homem é molestado. Oslo. infelizmente desigual. a outra se defende. Nessa luta. da qual estavam excluídos qualquer plano preconcebido e qualquer reflexão prévia. Dessau.A violência dos interesses privados provoca um desastroso desequilíbrio entre o ímpeto das forças econômicas. Gênova. tudo se multiplicou numa pressa e numa violência individual. desde o começo da era do maquinismo. Los Angeles. Bruxelas. e. Atenas.

que ela aja. Desde o congresso dos CIAM.Os princípios do urbanismo moderno foram produzidos pelo trabalho de inúmeros técnicos: técnicos da arte de construir. para manifestar-se em toda a sua plenitude e trazer ordem e classificação às . técnicos de saúde. 78 . são hostis às grandes transformações propostas por esses dados novos. condena-se a um inevitável fracasso. 77 . Ele se contentou em abrir avenidas ou traçar ruas. Todo empreendimento cujo objetivo é a melhoria do destino humano deve levar em consideração esses dois fatores. Clarividência e energia podem vir a restaurar a situação comprometida. estabelecer o contato entre essas diversas organizações mediante uma rede circulatória que assegure as trocas. cobrem um domínio imenso. recrear-se (nas horas livres). um programa cuidadosamente estudado e que nada deixe ao acaso. que serão consideradas em sua relação com o ritmo natural do homem.O dimensionamento de todas as coisas no dispositivo urbano só pode ser regido pela escala humana. as quatro funções-chave do urbanismo reivindicam. em Atenas. assegurar aos homens moradias saudáveis. livros. escala das distâncias. condições essenciais da natureza. Se ele não chega a satisfazer suas exigências. essas três. O urbanismo exprime a maneira de ser de uma época. Essa é uma visão estreita e insuficiente da missão que lhe está destinada. prever as instalações necessárias à boa utilização das horas livres. a liberdade individual e o benefício da açao coletiva. Até agora. depois. em todo caso. ele só atacou um único problema.A cidade deve assegurar. É necessário. o ar puro e o sol. Essas quatro funções. A medida natural do homem deve servir de base a todas as escalas que estarão relacionadas à vida e às diversas funções do ser. sendo o urbanismo a conseqüência de uma maneira de pensar levada à vida pública por uma técnica de ação. congressos. Mas é preciso fazer com que sejam admitidos pelos órgãos administrativos encarregados de velar pelo destino das cidades e que. locais onde o espaço. que são: primeiramente. em segundo lugar. nos planos espiritual e material. Liberdade individual e ação coletiva são os dois polos entre os quais se desenrola o jogo da vida. O urbanismo tem quatro funções principais. em quarto lugar. e eles fixarão suas respectivas localizações no conjunto. 76 . ao invés de serem uma sujeição penosa. respeitando as prerrogativas de cada uma. frequentemente contraditórias. organizar os locais de trabalho. técnicos da organização social. Escala das medidas. isto é. trabalhar.Os planos determinarão a estrutura de cada um dos setores atribuídos às quatro funçõeschave. o da circulação. que se aplicarão às superfícies ou às distâncias. escala dos horários. de antemão. É impossível. não raro. tornando-as benéficas e fecundas. Eles foram objeto de artigos. de tal modo que. eles retomem seu caráter de atividade humana natural. circular. que devem ser determinados considerando-se o trajeto cotidiano do sol.As chaves do urbanismo estão nas quatro funções: habitar. que a autoridade seja esclarecida e. debates públicos ou privados. antes de mais nada. coordená-los de maneira harmoniosa se não se elabora. em terceiro lugar. 75 . que são as quatro chaves do urbanismo. constituindo assim quarteirões edificados cuja destinação é abandonada à aventura das iniciativas privadas. lhe sejam largamente asseguradas.

elas serão consideradas entidades às quais serão atribuídos territórios e locais para cujo equipamento e instalação serão acionados todos os prodigiosos recursos das técnicas modernas. trabalhar. esta quarta função. recrear-se (recuperação) .condições habituais de vida. disposições particulares que ofereçam a cada uma delas as condições mais favoráveis ao desenvolvimento de sua atividade própria. sendo a habitação considerada o próprio centro das preocupações urbanísticas e o ponto de articulação de todas as medidas. doravante utilizáveis. instaurando o perigo permanente. 80 .As novas velocidades mecânicas convulsionaram o meio urbano. O urbanismo. uma dificuldade para a circulação e a ocasião de perigos permanentes. para longe. 79 . criará entre elas vínculos naturais para cujo fortalecimento será prevista uma rede racional de grandes artérias. recrear-se ordenará o território urbano. Essas velocidades. O zoneamento. cujo inconveniente é impor distâncias que não têm relação com o tempo disponível. É a habitação que está no centro das preocupações do urbanista e o jogo das distâncias será regulamentado de acordo com a sua posição no planejamento. O desejo de reintroduzir na vida cotidiana as condições naturais parece. Os veículos mecânicos deveriam ser agentes liberadores e. A circulação. a prática da mais saudável e natural de todas as funções: a caminhada. harmonizando as funções-chave da cidade. difundem o gosto por uma mobilidade sem freio nem medida e favorecem modos de vida que deslocando a família. levando em consideração as funções-chave . ao mesmo tempo. trabalhar. São inevitáveis grandes . mas a necessidade de regulamentar as diversas atividades segundo a duração do trajeto solar se opõe a essa concepção. eles introduziram na vida citadina inúmeros fatores prejudiciais à saúde. A reforma do zoneamento. 81 . transformará o aspecto das cidades. trazer um ganho apreciável de tempo. Elas condenam os homens a passar horas cansativas em todo tipo de veículos e a perder. apoiada nos dados fornecidos pelo clima. Cada uma das funções-chave terá sua autonomia.habitar. que ritma a atividades dos homens e dá a justa medida a todos os seus empreendimentos. trabalho e cultura.O ciclo das funções cotidianas . levando em consideração essa necessidade. serão consideradas as necessidades vitais do indivíduo e não o interesse ou o lucro de um grupo particular. Mas sua acumulação e concentração em certos pontos tomaramse. por sua velocidade.O princípio da circulação urbana e suburbana deve ser revisto. à primeira vista. favorecer e se aproveitar dos benefícios da ação coletiva. estabelecer uma comumcação proveitosa entre as outras três. comprometendo a higiene.será regulamentado pelo urbanismo dentro da mais rigorosa economia de tempo. O urbanismo deve assegurar a liberdade individual e. só deve ter um objetivo. na natureza.habitar. pelos costumes. aconselhar uma maior extensão horizontal das cidades. Seus gases de combustão difundidos no ar são nocivos aos pulmões e seu barulho determina no homem um estado de nervosismo permanente. provocando o engarrafamento e a paralisia dos transportes. romperá a opressão esmagadora de usos que perderam sua razao de ser e abrirá aos criadores um campo de ação inesgotável. a um só tempo. Nessa distribuição. em conformidade com a jornada solar de vinte e quatro horas. Deve ser feita uma classificação das velocidades disponíveis. pouco a pouco. Além disso. perturbam profundamente a estabilidade da sociedade. despertam a tentação de evasão cotidiana. pela topografia.

E o crescimento das cifras de sua população não conduzirá mais a essa confusão desumana que é um dos fiagelos das grandes cidades. descrito seu caráter. 85 . será um coroarnento. Um plano de região substituirá o simples pla no municipal. A razão de ser da cidade dever ser procurada e expressada em cifras que permitirão prever. destinada a enquadrar as quatro funções-chave.É da mais urgente necessidade que cada cidade estabeleça seu programa. Assim. assim como para os lazeres.das funções de circulação. para as quais a altura só intervém excepcionalmente e em pequena escala. Será preciso classificar e diferenciar os meios de transporte e estabelecer para cada um deles um leito adequado à própria natureza dos veículos utilizados. as quais. Resultará disso uma delimitação clara dos limites da região.transformações. deverá crescer harmoniosamente em cada uma de suas partes. promulgando leis que permitam sua realização. Os dados de um problema de urbanismo são fornecidos pelo conjunto das atividades que se desenvolvem não somente na cidade. a altura. É preciso distinguir as funções sedentárias.O urbanismo é uma ciência de três dimensões e não apenas de duas. Subordinada às necessidades da região. as etapas de um desenvolvimento plausível. 83 . previsto a amplitude de seus desenvolvimentos e limitado. e que constituirá a técnica moderna da circulação. 82 . utilizando apenasduas dimensões. no caso. Seu desenvolvimento. estão ligadas ao solo. trabalhar e recrear-se desenvolvem-se no interior de volumes edificados submetidos a três imperiosas necessidades: espaço suficiente. O limite da aglomeração será função do raio de sua ação econômica. para o futuro. As funções-chave habitar. de mudanças de nível destinadas a regularizar certos fluxos intensos de veículos. Sábias previsões terão esboçado seu futuro. que se desenvolvem no interior de volumes .A cidade. Esses volumes não dependem apenas do solo e de suas duas dimensões. a cidade não será mais o resultado desordenado de iniciativas acidentais. A circulação assim regulamentada torna-se uma função regular e que não impõe nenhum incômodo à estrutura da habitação ou a dos locais de trabalho. 84 . sol e aeração. O mesmo trabalho aplicado às aglomerações que fixarão para cada cidade envolvida por sua região um caráter e um destino próprios. dispondo de espaços e ligações onde poderão se inscrever equlilibradamente as etapas de seu desenvolvimento. Este é o urbanismo total.onde a terceira dimensão desempenha o papel mais importante . mediante a exploração dos espaços livres assim criados. definida desde então como uma unidade funcional. seu excesso. . por exemplo. mas sobretudo de uma terceira. A cidade adquirirá o caráter de uma empresa estudada de antemão e submetida ao rigor de um planejamento geral. ao invés de produzir uma catástrofe. cada uma tomará seu lugar e sua classificação na economia geral do país. É fazendo intervir o elemento altura que será dada uma solução para as circulações modernas. A cidade e sua região devem ser munidas de uma rede exatamente proporcional aos usos e aos fins. previamente.A cidade deve ser estudada no conjunto de sua região de influência. É levando em o consideração a altura que o urbanismo recuperará os terrenos livres necessários às comunicações e os espaços úteis ao lazer. mas em toda a região da qual ela é o centro. capaz de levar o equilíbrio à região e ao país.

dotando cada função-chave dos meios de melhor se exprimir. a topografia do conjunto. de se instalar nos terrenos mais favoráveis e a distâncias mais proveitosas. o feliz emprego das horas livres. deve torna-se uma empresa humana. a casa. à revelia dos subúrbios. deve. será preciso reuni-las em "unidades habitacionais" de proproções adequadas. para sua felicidade. Ela deve prever também a proteção e a guarda das extensões que serão ocupadas um dia. o instrumento de medida será a escala humana.O acaso cederá diante da previsão. Os recursos do solo serão analisados e as limitações à quais ele se obriga. tornando mais fáceis todos os gestos de sua vida. as organizações que estarão à volta. as necessidades sociológicas. os dados econômicos. desses últimos cem anos. estudada e os valores naturais. A arquitetura. o abrigo de uma família. há mais de um século submetida aos jogos brutais da especulação. senão o arquiteto. Ela deve deixar as pompas estéreis. Para que seja mais fácil dotar as moradias dos serviços comuns destinados a realizar comodamente o abastecimento. além disso. a ambiência geral. a facilidade do trabalho. pouco a pouco. 86 . 87 . constitui a célula social. o programa sucederá a improvisação. a assistência médica ou a utilização dos lazeres. Ele deve prever as etapas no tempo e no espaço. os blocos de imóveis na poeira dos loteamentos. e que. A construção dessa casa. por etapas sucessivas. ocupado aqui com as tarefas do urbanismo. Uma curva de crescimento exprimirá o futuro econômico previsto para cidade. Quem poderá tomar as medidas necessárias para levar a bom termo essa tarefa. quer dizer. Cada caso será inscrito no planejamento regional. compreendendo órgãos claramente definidos. Ela terá o direito de autorizar . Os grandes leitos de circulação serão confirmados e instalados no lugar adequado. pela justa adaptação dos meios aos fins propostos. abriga as alegrias e as dores de sua vida cotidiana. feitas por especialistas.O programa deve ser elaborado com base em análises rigorosas. e favorecerá todas as inicatívas adequadamente planejadas. que constituem o bem público. Se ela deve conhecer interiormente o sol e o ar puro. debruçar-se sobre o indivíduo e criar-lhe. após a derrota. A obra não será mais limitada ao plano precário do geômetra que projeta. a educação. deve ser recolocada a serviço do homem. Se a célula é o elemento biológico primordial.O número inicial do urbanismo é uma célula habitacional (uma moradia) e sua inserção num grupo formando uma unidade habitacional de proporções adequadas. que abandonou os grafismos ilusórios. . A lei fixará o "estatuto do solo". os terrenos serão aferidos e atribuídos a diversas atividades: clara ordenação no empreendimento que será iniciado a partir de amanhã e continuado. reconhecidas. mas velará para que elas se insiram no planejamento geral e sejam sempre subordinadas aos interesses coletivos.ou de proibir -. hierarquizados. capazes de desempenhar com perfeição suas funções essenciais. e a natureza de seu equipamento fixada segundo o uso para o qual serão destinados. os valores espirituais. Ela será uma verdadeira criação biológica. prolongar-se no exterior em diversas instalações comunitárias. que possui o perfeito conhecimento do homem. A casa é o núcleo inicial do urbanismo. A alma das cidades será animada pela clareza do plananejamento.Para o arquiteto. criará uma ordem que tem em si sua própria poesia? 88 . Ela protege o crescimento do homem. Deve reunir em um acordo fecundo os recursos naturais do sítio. Regras invioláveis assegurarão aos habitantes o bem-estar da moradia.

. políticas.E não é aqui que a arquitetura intervirá em última instância. os espaços livres em meio aos quais se erguerão os volumes edificados. Enfim. habitar bem. o arquiteto deverá associar-se a numerosos especialistas em todas as etapas do empreendimento. É preciso também trabalhar. cujo êxito dependerá da justeza de seus cálculos. Elas abrem verdadeiramente um novo ciclo na história da arquitetura. sociais e econômicos. e que ela venha dar ao político. cultivar o corpo e o espírito. Os escritórios. não se pode negligenciar a terceira. sociais e econômicas são as mais desfavoráveis.É a dessa unidade-moradia que se estabelecerão no espaço urbano as relações entre a habitação. o concurso dos seguintes fatores: um poder político tal como se o deseja. As modernas técnicas de construção instituíram novos métodos. A arquitetura é chave de tudo. Ela estabelece a rede de circulação que colocará em contato as diversas zonas. em porporções harmoniosas. 91 . É a ela. cuja salubridade. ainda.. mas. É preciso. de antemão. alegria. 90 . as oficinas. as fábricas devem ser dotados de instalações capazes de assegurar o bem-estar necessário ao desempenho desta segunda função. permitiram novas dimensões. Para realizar a tarefa múltipla que lhe é imposta. uma situação econômica que permita empreender e prosseguir os trabalhos. Pode ser. Ela reúne as moradias em unidades habitacionais. Ela organiza os prolongamentos da moradia. a necessidade de construir abrigos decentes apareça de repente como uma imperiosa obrigação. Ela ordena a estrutura da moradia. reivindicar aquilo que os especialistas planejaram para ela. trouxeram novas facilidades.. A arquitetura é responsável pelo bem-estar e pela beleza da cidade. desejar. que são uma das causas da desordem e da confusão das cidades. elaboradas e expressas nos planos. todavia. e fazê-lo em condições que requerem uma séria revisão dos usos atualmente em vigor. de uma complexidade desconhecidas até aqui. que é preciso pedir a solução do problema. que mesmo em uma época em que tudo caiu ao nível mais baixo. harmonia são subordinadas às suas decisões. A era do maquinismo introduziu técnicas novas.. em que as condições. Esta com a ajuda de seus especialistas. uma população esclarecida para compreender. As novas construções serão não somente de uma amplitude.A marcha dos acontecimentos será profundamente influenciada pelos fatores políticos. para passar da teoria aos atos. os locais de trabalho e as instalações consagradas às horas livres. ao social e ao econômico o objetivo e o programa coerentes que justamente lhes faltavam.. os locais de trabalho. cuja feliz proporção constituirá uma obra harmoniosa e duradoura. respaldará a arte de construir com todas as garantias da ciência e a enriquecerá com as invenções e os recursos da época. decidido a realizar as melhores condições de vida. É ela que se encarrega de sua criação ou de sua melhoria. A primeira das funções que deve atrair a atenção do urbanismo é habitar e.Para realizar essa grande tarefa é indispensável utilizar os recursos da técnica moderna. 92 . A arquitetura preside aos destinos da cidade.89 . ainda. as áreas consagradas ao entretenimento. E o urbanista deverá prever os sítios e os locais propícios. convicto. célula essencial do tecido urbano. Não basta que a necessidade do estatuto do solo e de certos princípios de construção seja admitida. no entanto. que é recrear-se. clarividente. Ela reserva. e é ela que está incumbida da escolha e da distribuição dos diferentes elementos. alguns dos quais serão consideráveis.

O solo . 94 . avaliado antes do estudo dos projetos. de outro lado. O resultado é catasúófico e é quase uniforme todos os países. a beleza da cidade. subordinado ao interesse coletivo. trabalhos de importância capital. Ele deve ser. A ausência do urbanismo é a causa da anarquia que reina na organização das cidades. tendo cada indivíduo acesso às alegrias fundamentais: o bem-estar do lar. sua personalidade resulta sufocada. antigas ou modernas.A escala dos trabalhos a empreender com urgência para a organização das cidades. por um meio legal. se está submetido a muitas obrigações coletivas. Mas nenhuma obra fragmentária deve ser empreendida se ela não se insere no contexto da cidade e no da região. será preciso temer o jogo sórdido da especulação. graças à generosa hospitalidade de Madame Hélène de Mandrot. Esse plano. reforçar-se mutuamente e reunir tudo aquilo que comportam de infinitamente construtivo. O direito individual não tem relação com o vulgar interesse privado. sustentar-se. sem demora.território do país . Pelo contrário. que satisfaz a uma minoria condenando o resto da massa social a uma vida medíocre. Então. o homem é rapidamente esmagado pelas dificuldades de todo o tipo. conterá partes cuja realização poderá ser imediata e outras. e por seu justo valor. no castelo de La Sarraz Vaud. o campo se esvaziou. Este.93 . . O direito individual e o direito coletivo devem. as cidades se encheram muito além do razoável. Devem ser empreendidos. merece severas restrições. Inúmeras parcelas fundiárias deverão ser expropriadas e serão objeto de transações. Por se ignorarem as regras. revelam os mesmos vícios advindos das mesmas causas. no equipamento das indústrias. em todas as partes. que deve superar. batem contra o estatuto petrificado da propriedade privada. Há anos que as empresas de equipamento. em todos os pontos do mundo. O problema da propriedade do solo e de sua possível requisição se coloca nas cidades.O interesse privado será subordinado ao interesse coletivo. e se estende até a zona. portanto. Inúmeros inconvenientes se abateram sobre os povos que não souberam medir com exatidão a amplitude das transformações técnicas e suas formidáveis repercussões sobre a vida pública e privada. mais ou menos ampla que constitui sua região. Notas Sobre os Congressos Internacionais de Arquitetura Moderna 1928 . 95 . uma vez que todas as cidades do mundo. O solo deve ser mobilizável quando se trata do interesse geral. cuja execução deverá ser remetida para datas indeterminadas. forçosamente. que tão frequentemente esmaga no berço os grandes empreendimentos animados pela preocupação com o bem público. em sua periferia. a disposição de todo o solo útil para equilibrar as necessidades vitais dos indivíduos em plena harmonia com as necessidades coletivas. o estado infinitamente parcelado da propriedade fundiária são duas realidades antagônicas.Fundação dos Ciam Em 1928 um grupo de arquitetos modernos se reunia na Suíça. É o fruto amargo de cem anos de maquinismo sem direção.A perigosa contradição aqui constatada sustica uma das questões mais perigosas da época: a urgência de regulamentar. as concentrações industriais se fizeram ao acaso. Entregue a si mesmo.deve tornar-se disponível a qualquer momento. tais como eles terão sido previstos por um amplo estudo e um grande plano de conjunto. Nada foi previsto para a salvaguarda do homem. as moradias operárias tornaram-se cortiços.

introduzida como axioma da vida moderna. Economia Geral O equipamento de um país reclama a íntima vincularão da arquitetura com a economia geral. Por sua essência. não implica absolutamente o lucro comercia1 máximo. Urge que a arquitetura. o problema colocado pela arte de edificar. Assim foram fundados os Congressos Internacionais de Arquitetura Moderna. ligada intimamente à evolução da vida. O destino da arquitetura é o de exprimir o espírito de uma época. O verdadeiro rendimento será o fruto de uma racionalização e de uma normatização (aplicada com flexibilidade tanto nos projetos arquitetônicos como nos métodos industriais de execução). sentimentais e espirituais da vida presente. Eles estão reunidos com a intenção de pesquisar a harmonização dos elementos presentes no mundo moderno e de recolocar a arquitetura em seu verdadeiro plano. As três funções fundamentais pela realização das quais o urbanismo deve velar são: 1º habitar. sentimental e espiritual em todas as suas manifestações. individuais ou coletivas. que é de ordem econômica e sociológica e inteiramente a serviço da pessoa humana. afirmam sua unidade de pontos de vista sobre as concepções fundamentais da arquitetura e sobre suas obrigações profissionais. Insistem particularmente no fato de que construir é uma atividade elementar do homem. Conscientes das perturbações profundas causadas pelo maquinismo. ele é de ordem funcional. sirva-se também dos imensos recursos que lhe oferece a técnica industrial. ao invés de recorrer quase que exclusivamente a um artesanato anêmico. Eles afirmam hoje a necessidade de uma concepção nova da arquitetura que satisfaça as exigências materiais. É assim que a arquitetura escapará da dominação esterilizante das academias. mas uma produção suficiente para satisfazer plenamente as necessidades humanas. reconheceram que a transformação da estrutura social e da ordem econômica acarreta fatalmente uma transformação correspondente do fenômeno arquitetônico. eles declaram associar-se para realizar suas aspirações. Declaração de La Sarraz Os arquitetos abaixo assinados. b) a organização da circulação. Firmes nesta convicção. As relações entre os diversos locais que lhes são destinados devem ser recalculadas de maneira a determinar uma justa proporção entre volumes edificados e espaços . O urbanismo não poderia mais estar exclusivamente subordinado às regras de um estetismo gratuito. 3° recrear-se. Ele envolve tanto as aglomerações urbanas quanto os agrupamentos rurais. A noção de "rendimentos".Depois de ter examinado. Urbanismo O urbanismo é a administração dos lugares e dos locais diversos que devem abrigar o desenvolvimento da vida material. firmaram um ponto de vista sólido e decidiram reunir-se para colocar a arquitetura diante de suas verdadeiras tarefas. a partir de um programa elaborado em Paris. c) a legislação. representantes dos grupos nacionais de arquitetos modernos. mesmo quando uma tal decisão conduza a realizações muito diferentes daquelas que fizeram a glória das épocas passadas. 2° trabalhar. As três funções fundamentais acima indicadas não são favorecidas pelo estado atual das aglomerações. os CIAM. Seus objetivos são: a) a ocupação do solo.

essa moradia tem estado há muito tempo excluída das preocupações maiores do arquiteto. de vendas e da especulação. Os Congressos do CIAM Desde o momento de sua fundação. 1951 . discussões. O problema da circulação e o da densidade devem ser reconsiderados. Por sua apropriação do ensino. Análise de 33 cidades. 1929 . conservadoras do passado. em geral. 1949 . Essas gerações. 1928 . Bérgamo.2° Congresso.3° Congresso. entravam o progresso social. futura clientela do arquiteto. Paris. Um punhado de verdades elementares. deve ser substituído por uma economia territorial de reagrupamento. O parcelamento desordenado do solo. Objetivos do CIAM Os objetivos dos CIAM são: formular o problema arquitetônico contemporâneo.1° Congresso. Elaboração da Carta do Urbanismo. poderia constituir o fundamento de uma educação doméstica. A cada vez. Reafirmação dos objetivos dos CIAM. os CIAM avançaram pelo caminho das realizações práticas: trabalhos coletivos. por tanto tempo negligenciado. consideram que as academias. nos centros profissionais e na opinião pública. e não raro os problemas autênticos da habitação sequer são levantados. eles provocaram.8° Congresso. Esse ensino resultaria na formação de gerações possuidoras de uma concepção saudável da moradia. do coração das cidades. fruto de partilhas. 1933 . seriam capazes de lhe impor a solução do problema da habitação.6° Congresso. publicações. apresentar a idéia arquitetônica moderna. uma agitação fecunda.4° Congresso. Estudo do loteamento racional.7° Congresso. Hoddesdon.5° Congresso. pela quase exclusividade que têm dos cargos do Estado. Estudo do problema moradia e lazer. Este reagrupamento. A opinião pública está mal informada e os usuários. Execução da Carta de Atenas. nascimento da grille CIAM de urbanismo. 1947 . assegurará aos proprietários e à comunidade a justa distribuição das mais-valias resultantes dos trabalhos de interesse comum. Além disso. Fundação dos CIAM. Bridgwater. Frankfurt (Alemanha). o único que poderia vivificar e renovar a arte de edificar. elas se opõem à penetração do novo espírito. elas viciam desde a origem a vocação do arquiteto e. uma animação. ensinadas na escola primária. econômicos e sociais. base de todo urbanismo capaz de responder às necessidades presentes. 1930 . 1937 . fazer essa idéia penetrar nos círculos técnicos. Atenas. resoluções. La Sarraz. Estudo da moradia mínima. negligenciando o problema da moradia em benefício de uma arquitetura puramente suntuária. escolheram sucessivamente diferentes países para se reunir. que sempre foram assembléias de trabalho. Estudo do centro. tendo a firme vontade de trabalhar no interesse verdadeiro da sociedade moderna. um despertar. . zelar pela solução do problema da arquitetura. A Arquitetura e o Estado Os arquitetos.livres. Bruxelas. O ensino acadêmico perverteu o gosto público. A Arquitetura e a opinião pública É indispensável que os arquitetos exerçam uma influência sobre a opinião pública e a façam conhecer os meios e os recursos da nova arquitetura. só sabem formular muito mal seus desejos em matéria de moradia. Os congressos CIAM.

à competência interna dos Estados. Adota. a Ciência e a Cultura. conciliar este princípio com o de uma colaboração internacional amplamente concebida e livremente aceita. Sendo-lhe apresentadas propostas referentes aos princípios internacionais a serem aplicados em matéria de pesquisas arqueológicas. para isso. Após haver decidido. Estimando que. é preciso beneficiá-los com uma cooperação internacional e favorecer por todos os meios a execução da missão social que lhes cabe. que essas propostas seriam objeto de uma regulamentação internacional. através de uma recomendação aos Estados Membros. entretanto. portanto. medidas que visem a tornar eficazes nos territórios sob sua jurisdição as normas e princípios formulados na presente recomendação.9° Congresso.3.Nova Delhi A Conferência Geral da Organização das Nações Unidas para a Educação. que todos os vestígios arqueológicos sejam estudados e. toda a comunidade internacional participa. Estudo do habitat humano. reunida em Nova Delhi de 5 de novembro de 1956. Considerando que a história do homem implica no conhecimento das diferentes civilizações.9ª Sessão de 5 de dezembro de 1956 UNESCO . em sua nona sessão. preservados e coletados. Dubrovnik. A Conferência Geral recomenda aos Estados Membros que lhe apresentem. desse enriquecimento. a Ciência e a Cultura . da ordem do dia da sessão. Nova Delhi de dezembro de 1956 Conferência Geral da Organização das Nações Unidas para a Educação. inspirada na vontade dos Estados Membros de desenvolver as ciências e as relações internacionais. que é preciso. A Conferência Geral recomenda aos Estados Membros que levem a presente recomendação ao conhecimento das autoridades e órgãos que se dedicam às pesquisas arqueológicas e aos museus. se o regime das pesquisas diz respeito.1953 . entretanto. 1956 . Convencida de que é preciso que as autoridades nacionais encarregadas da proteção do patrimônio arqueológico se inspirem em determinados princípios comuns aferidos na experiência e na prática dos serviços arqueológicos nacionais. nas datas e na . Estimando que a garantia mais eficaz de conservação dos monumentos e obras do passado reside no respeito e dedicação que lhes consagram os próprios povos e certa de que tais sentimentos podem ser enormemente favorecidos por uma ação apropriada.10° Congresso. Aix-en-Provence. eventualmente. é preciso. em nome do interesse comum. Convencida de que os sentimentos que dão origem à contemplação e ao conhecimento das obras do passado podem facilitar grandemente a compreensão mútua entre os povos e que. durante a sua oitava sessão. a seguinte recomendação: A Conferência Geral recomenda aos Estados Membros que apliquem as disposições seguintes e que adotem. Considerando que. Estudo do habitat humano. neste quinto dia de dezembro de 1956. se cada Estado é mais diretamente interessado nas descobertas arqueológicas feitas em seu território. sob forma de lei nacional ou de qualquer outro modo. antes de tudo. questão que constitui o ponto 9.4.

especialmente. b) No segundo caso. submetidos ao regime previsto pela presente recomendação os monumentos. a) No primeiro caso. ou da obrigação de declaração das descobertas impostas ao escavador ou ao descobridor. Deveriam estar. . cada Estado Membro deveria adotar critérios bem mais amplos que imponham ao escavador e ao descobridor a obrigação de declarar todos os bens de caráter arqueológico. indicá-lo expressamente na legislação. I .forma que ela determinar. o mais rapidamente possível. que apresentem interesse do ponto de vista da arqueologia no sentido mais amplo. c) aplicar sanções aos infratores dessas regras. quer tais investigações impliquem numa escavação do solo ou numa exploração sistemática de sua superfície ou sejam realizadas sobre o leito ou no subsolo das águas interiores ou territoriais de um Estado Membro. às autoridades competentes. II . por ele encontrados.Definições Pesquisas arqueológicas Para efeito da presente recomendação entende-se por pesquisas arqueológicas todas as investigações destinadas à descoberta de objetos de caráter arqueológico. especialmente: a) submeter as explorações e as pesquisas arqueológicas ao controle e à prévia autorização da autoridade competente. podendo cada Estado Membro adotar o critério mais apropriado para determinar o interesse público dos vestígios que encontre em seu território.Princípios Gerais Proteção do patrimônio arqueológico Cada Estado Membro deveria garantir a proteção de seu patrimônio arqueológico. b) obrigar quem quer que tenha descoberto vestígios arqueológicos a declará-los. d) determinar o confisco dos objetos não declarados. Cada Estado Membro deveria. Bens protegidos As disposições da presente recomendação se aplicam a qualquer vestígio arqueológico cuja conservação apresente um interesse público do ponto de vista da história ou da arte. móveis ou imóveis. móveis ou imóveis. levando em conta. relatórios sobre a continuidade que derem à presente recomendação. quando esse subsolo for propriedade do Estado. principalmente. f) dedicar-se ao estabelecimento de critérios de proteção legal dos elementos essenciais de seu patrimônio arqueológico entre os monumentos históricos. e) precisar o regime jurídico do subsolo arqueológico e. o critério que consiste em proteger todos os objetos anteriores a uma determinada data deveria ser abandonado e a atribuição a uma determinada época ou uma ancianidade de um número mínimo de anos fixado por lei deveria ser adotada como critério de proteção. O critério utilizado para determinar o interesse público dos vestígios arqueológicos poderia variar segundo se trate ou de sua conservação. os problemas advindos das pesquisas arqueológicas e em concordância com as disposições da presente recomendação.

coleções centrais e regionais.o bom funcionamento dos serviços. excepcionalmente. Deveria ser solicitado às autoridades competentes uma autorização prévia para o deslocamento de monumentos cuja localização in situ é essencial.a fiscalização das descobertas fortuitas. sempre que possível. de acervos cerâmicos. etc. de meios que lhe permitam adotar. de uma organização administrativa e de um corpo técnico suficientes para que fique assegurada a boa conservação dos objetos. as medidas de urgência indispensáveis. b) A continuidade dos recursos financeiros deveria ser garantida principalmente com: I . poderiam ser constituídas. na criação e organização dos museus e das coleções procedentes de pesquisas. para que sua exploração possa beneficiar-se dos progressos da técnica e do avanço dos conhecimentos arqueológicos.Órgão de proteção às pesquisas arqueológicas Se a diversidade das tradições e as desigualdades de recursos se opõem à adoção por todos os Estados Membros de um sistema de organização uniforme de serviços administrativos relativos às pesquisas. permanentemente. III . Esse serviço deveria também criar uma documentação central. nele incluídas as publicações científicas. com mapas que se refiram a seus monumentos móveis ou imóveis. em colaboração com os institutos de pesquisa e as universidades. II . ou. Constituição de coleções centrais e regionais Sendo a arqueologia uma ciência comparativa. o trabalho de comparação. o ensino de técnicas das escavações arqueológicas. locais. testemunhos. bem como da composição do meio arqueológico. representativas dos sítios arqueológicos particularmente importantes. iconográficos. ou mesmo. o mais possível. Para isso. Esses estabelecimentos deveriam dispor. em caso de necessidades. deveriam ser comuns a todos os serviços nacionais: a) O serviço de pesquisas arqueológicas deveria ser. assim como uma documentação junto a cada museu importante. Esse serviço. total ou parcialmente. ou seja. uma administração central do Estado. Cada Estado Membro deveria considerar a conveniência de manter intactos. pelo menos. encarregado da administração geral das atividades arqueológicas deveria prover. Em cada um dos sítios arqueológicos importantes em processo de pesquisa. Cada Estado Membro deveria exercer um controle rigoroso sobre as restaurações dos vestígios e objetos arqueológicos descobertos. Educação do público . porções de terreno poderiam também ser reservados em vários locais para permitir um controle da estatigrafia.a manutenção das escavações e monumentos. junto aos sítios arqueológicos importantes. na medida em que o terreno o permita.a execução de um plano de trabalho proporcional à riqueza arqueológica do país. dever-se-ia levar em conta.eventualmente um museu que permita aos visitantes compreender melhor o interesse dos vestígios que lhes são mostrados. IV . a necessidade de facilitar. Deveria ser criado. entretanto. o que seria melhor do que pequenas coleções dispersas e com acesso restrito. uma organização que disponha por força de lei. determinado número de sítios arqueológicos de diversas épocas. alguns princípios. um pequeno estabelecimento de caráter educativo .

o representante do Estado concedente. com a concordância do diretor da pesquisa. exposições e conferências que tenham por objeto os métodos aplicáveis em matéria de pesquisas arqueológicas assim como os resultados obtidos. sem necessidade. a suspensão dos trabalhos ou a substituição pela administração nacional do concessionário de sua execução. As condições impostas ao pesquisador estrangeiro deveriam ser as mesmas que se aplicam aos competentes nacionais e. assegurando às instituições científicas e às pessoas devidamente qualificadas. a possibilidade de concorrerem em igualdade. portanto. deveria ser também um arqueólogo capaz de ajudar a missão e de colaborar com ela. da difusão pela imprensa de informações arqueológicas que provenham de especialistas reconhecidos. da edição a preços módicos de monografias e guias em uma redação simples. sem distinção de nacionalidade. o contrato de concessão deveria evitar formular. da organização de circuitos turísticos.A autoridade competente deveria empreender uma ação educativa para despertar e desenvolver o respeito e a estima ao passado. Um Estado que não disponha de meios. exigências específicas. morais e financeiras. técnicos ou de qualquer outra natureza.O regime das pesquisas e a colaboração internacional Autorização de pesquisas concedida a um estrangeiro Cada Estado Membro em cujo território as pesquisas necessitam ser executadas deveria regulamentar as condições gerais às quais está subordinada a respectiva concessão. III . a duração da concessão. as causas que possam justificar a rescisão. Os Estados Membros deveriam adotar todas as medidas necessárias para facilitar o acesso do público a esses sítios. da apresentação clara dos sítios arqueológicos explorados e dos monumentos descobertos. da participação de estudantes em determinadas pesquisas. as obrigações impostas ao concessionário principalmente quanto ao controle da administração nacional. se for designado. sendo as últimas suficientes para garantir que as pesquisas empreendidas serão levadas a seu termo de acordo com as cláusulas do contrato de concessão e no prazo previsto. suficientes para administrar cientificamente uma pesquisa deveria chamar técnicos estrangeiros para dela participar ou uma missão estrangeira para conduzi-la. à concessão das pesquisas. Quando uma pesquisa for concedida a uma missão estrangeira. especialmente através do ensino de história. Colaboração internacional Para responder aos interesses superiores da ciência arqueológica e aos da colaboração internacional. seja por missões internacionais. A autorização para pesquisas concedida a arqueólogos estrangeiros deveria assegurar reciprocamente garantias de duração e de estabilidade necessárias a incentivar seu . seja por missões mistas compostas por equipes científicas de seu próprio país e por arqueólogos que representem instituições estrangeiras. Os Estados Membros que não dispõem de meios necessários para a organização de escavações arqueológicas no estrangeiro deveriam receber todas as facilidades para enviar arqueólogos para pesquisas abertas por outros Estados Membros. Os Estados Membros deveriam estimular as pesquisas executadas. Garantias recíprocas A autorização para pesquisas só deve ser concedida a instituições representadas por arqueólogos qualificados ou a pessoas que ofereçam sérias garantias científicas. os Estados Membros deveriam estimular as pesquisas através de um regime liberal.

ou vier a ser desrespeitada. especialmente. nos museus do país em que são realizadas. Esse privilégio não deveria. e) Cada Estado Membro deveria considerar a possibilidade de ceder. mediante solicitação justificada de instituição científica. d) A exportação temporária dos objetos descobertos. em qualquer caso. de coleções completas. c) Com a preocupação básica de favorecer os estudos arqueológicos através da divulgação de objetos originais. a guarda. trocar ou enviar para depósito em museus estrangeiros. excluídos os objetos particularmente frágeis ou de importância nacional. da história e da arte desse país. à constituição. ficando estabelecido que. durante a execução dos trabalhos.empreendimento e a preservá-las de revogações injustificadas. de um modo geral. assim como a conservação. antes de mais nada. depois da publicação científica. especialmente nos casos em que razões reconhecidamente fundadas viessem a impor a suspensão de seus trabalhos por um determinado período. a cessão ao pesquisador habilitado de um determinado número de objetos provenientes de suas escavações. plenamente representativas da civilização. a manutenção e o restabelecimento das feições do sítio. pública ou privada. no caso de elas se revelarem excessivamente pesadas. Acesso à pesquisa Aos especialistas qualificados de qualquer nacionalidade deveria ser permitida a visita a um canteiro de pesquisa antes de haverem sido publicados seus resultados e. em razão de sua similitude com outros objetos produzidos pela mesma pesquisa. regulam a destinação do produto das pesquisas. Destinação do produto das pesquisas a) Cada Estado Membro deveria determinar claramente os princípios que. objetos que não apresentem interesse para as coleções nacionais. até mesmo. dos objetos e monumentos descobertos. desde que seu estudo seja impraticável no território do Estado concedente devido à insuficiência de meios para a pesquisa bibliográfica e científica. a autorização deveria precisar a possível ajuda com que o pesquisador poderia contar da parte do Estado concedente para fazer face a suas obrigações. se essa condição não for cumprida. Propriedade científica: direitos e obrigações do pesquisador . Por outro lado. a autoridade concedente poderia ter em vista. em seu território. b) O produto das pesquisas deveria se destinar. Deveria ser por ela prevista. deveria ser autorizada. redundar em prejuízo ao direito de propriedade científica do pesquisador sobre sua descoberta. a centros científicos abertos ao público. obtida a concordância do diretor da pesquisa. ou que consistam de objetos repetidos ou. em objetos ou grupos de objetos aos quais essa autoridade possa renunciar. A cessão ao pesquisador de objetos provenientes de pesquisas deveria estar sempre condicionada a que eles sejam destinados. ou por tornar-se difícil pelas condições de acesso. os objetos cedidos voltarão à autoridade concedente. durante os trabalhos e ao término das escavações. Conservação dos vestígios A autorização deveria definir as obrigações do pesquisador no período em que durar a concessão e a seu término. em um prazo determinado.

reuniões regionais com grupos de representantes dos serviços arqueológicos dos Estados interessados. em um prazo razoável. b) O Estado concedente deveria impor ao pesquisador a obrigação de publicar. as autoridades arqueológicas competentes deveriam se empenhar em não liberar para estudo detalhado o conjunto de objetos provenientes das pesquisas nem a documentação científica a ela referente. assim como a exportação dos objetos daí provenientes. todos os Estados Membros deveriam considerar a possibilidade da regulamentação do comércio das antigüidades. colocar a sua disposição cópia do texto desse relatório. a consulta a sua documentação e o acesso a seus depósitos arqueológicos aos pesquisadores e especialistas qualificados. periodicamente.A repressão às pesquisas clandestinas e à exportação ilícita dos objetos provenientes das pesquisas arqueológicas Proteção dos sítios arqueológicos contra as pesquisas clandestinas e as degradações Cada Estado Membro deveria adotar as medidas necessárias para impedir as pesquisas clandestinas e a degradação dos monumento definidos nos artigos 2 e 3 acima e a dos sítios arqueológicos. Reuniões regionais e sessões de discussões científicas Com vistas a facilitar o estudo dos problemas de interesse comum.a) O Estado concedente deveria garantir ao pesquisador a propriedade científica de suas descobertas durante um prazo razoável. os serviços arqueológicos nacionais deveriam facilitar. Documentação sobre as pesquisas Observadas as disposições do artigo 24. sobretudo aos que obtiveram uma concessão para um determinado sítio ou desejam obtê-la. Colaboração internacional para a repressão . a não ser com autorização por escrito do pesquisador. Esse prazo não deveria ser superior a dois anos. o pesquisador deveria. IV . a pedido de tais autoridades.Comércio das Antigüidades No interesse superior do patrimônio arqueológico comum. V . uma dupla publicação simultânea de seu relatório preliminar. no prazo previsto pelo contrato de concessão. Durante um período de cinco anos após a descoberta. Para permitir. no que diz respeito aos relatórios preliminares. Os museus estrangeiros deveriam poder adquirir objetos liberados de qualquer restrição legal prevista pela autoridade competente do país de origem. na medida do possível. para responderem a sua missão científica e educativa. ou na falta dele. cada Estado Membro poderia suscitar reuniões de discussões científicas entre os pesquisadores que operam em seu solo. c) As publicações científicas sobre as pesquisas arqueológicas editadas em um idioma de difusão restrita deveriam ser acompanhadas de um sumário e. os Estados Membros poderiam organizar. os resultados de seus trabalhos. Essas autoridades deveriam impedir nas mesmas condições a fotografia ou a reprodução do material arqueológico ainda inédito. se for o caso. Por outro lado. se possível. da tradução do quadro das matérias e das legendas das ilustrações em uma língua mais difundida. para evitar que esse comércio venha a favorecer a evasão do material arqueológico ou prejudique a proteção das pesquisas e a formação das coleções públicas.

no caso de não restituição dos objetos dentro do prazo fixado. e de objetos cuja exportação tenha sido feita com transgressão à legislação do país de origem. Recomendação da Conferência Geral da Organização das Nações Unidas para a Educação. as indicações que permitam identificá-los e que precisem seu modo de aquisição. assim que possível. a potência ocupante deveria adotar todas as medidas possíveis para protegê-los e deveria enviá-los. deveriam ser publicadas. a Ciência e a Cultura de 12 de dezembro de 1962 RELATIVA A PROTEÇÃO DA BELEZA E DO CARÁTER DAS PAISAGENS E SÍTIOS A Conferência Geral da Organização das Nações Unidas para a Educação. os museus possam se assegurar de que nada autoriza a considerar que tais objetos provenham de pesquisas clandestinas. ou de outras operações consideradas ilícitas pela autoridade competente do país de origem. Repatriamento dos objetos ao país de origem Os serviços de pesquisas arqueológicas e os museus deveriam prestar entre si uma colaboração mútua para assegurar ou facilitar o repatriamento ao país de origem dos objetos que provém de pesquisas clandestinas ou de roubos. Esses princípios deveriam ser aplicados à hipótese da exportação temporária estabelecida no artigo 23. ao término das hostilidades. Qualquer oferta suspeita e toda a informação a ela referente deveriam ser levadas ao conhecimento dos serviços interessados. concluir acordos bilaterais para regulamentar as questões de interesse comum que possam vir a ser colocadas pela aplicação das disposições da presente recomendação. Considerando que em todas as épocas o homem algumas vezes submeteu a beleza e o caráter das paisagens e dos sítios que fazem parte do quadro natural de sua vida a atentados que . sobretudo os que se derem durante atividades militares. em sua décima segunda sessão. reunida em Paris.Pesquisas em território ocupado Em caso de conflito armado. e e acima. sempre que necessário ou desejável. É desejável que cada Estado Membro adote todas as medidas necessárias para garantir esse repatriamento. quando ocorrer a oferta de cessão de objetos arqueológicos. c. No caso de objetos arqueológicos haverem sido adquiridos por museus. qualquer Estado Membro que venha a ocupar o território de um outro Estado deveria se abster de realizar pesquisas arqueológicas no território ocupado. acompanhados de toda a documentação relativa que detiver. VII .Acordos Bilaterais Os Estados Membros deveriam. No caso de achados fortuitos.Todas as medidas necessárias deveriam ser adotadas para que. de 9 de novembro a 12 de dezembro de 1962. VI . d. às autoridades competentes do território anteriormente ocupado. de roubos. Ciência e Cultura.

A Conferência Geral recomenda aos Estados Membros que apliquem as disposições seguintes e adotem. por sua beleza e caráter. questão que constitui o ponto 17. naturais. aos organismos encarregados da proteção da natureza. ao cultivar novas terras. onze de dezembro de 1962. executar grandes obras e realizar vastos planejamentos físicos territoriais e instalações de equipamento industrial e comercial. desenvolver por vezes desordenadamente os centros urbanos. devidos à natureza ou obra do homem. que as paisagens e sítios constituem um fator importante da vida econômica e social de um grande número de países. As disposições da presente recomendação visam também a complementar as medidas de salvaguarda da natureza. II – Princípios Gerais . para quem são um poderoso regenerador físico. medidas que ponham em efeito. entretanto.4. estético e até mesmo vital de regiões inteiras. que é altamente desejável e urgente estudar e adotar as medidas necessárias para salvaguardar a beleza e o caráter das paisagens e dos sítios em toda parte e sempre que possível. nos territórios sob sua jurisdição. ainda mais. as normas e princípios formulados na presente recomendação. Adota. a presente recomendação. Reconhecendo.empobreceram o patrimônio cultural. rurais ou urbanos. Considerando que esse fenômeno tem repercussão não apenas no valor estético das paisagens e dos sítios naturais ou criados pelo homem. Havendo-se-lhe apresentadas propostas relativas à salvaguarda da beleza e do caráter das paisagens e dos sítios. que propostas relativas a esse ponto seriam objeto de uma regulamentação internacional através de uma recomendação aos Estados Membros.Definição Para os efeitos da presente recomendação. hoje. mas também no interesse cultural e científico oferecido pela vida selvagem. relatórios concernentes à implementação desta recomendação. até o século passado. A Conferência Geral recomenda aos Estados Membros que levem a presente recomendação ao conhecimento das autoridades e organismos envolvidos com a proteção das paisagens e dos sítios e com o planejamento territorial. Considerando. em todas as partes do mundo. quando possível. nas datas e sob a forma que ela determinará. que apresentam um interesse cultural ou estético. em conseqüência. Depois de haver decidido. do fomento ao turismo e às organizações da juventude. que é preciso levar em conta as necessidades da vida coletiva. como o demonstram inúmeros exemplos universalmente conhecidos. ou que constituem meios naturais característicos. as civilizações modernas aceleraram esse fenômeno que. em sua décima primeira sessão. sob a forma de lei nacional ou de alguma outra maneira. A Conferência Geral recomenda aos Estados Membros que lhe apresentem. moral e espiritual e por contribuírem para a vida artística e cultural dos povos. assim como um elemento importante das condições de higiene de seus habitantes. entende-se por salvaguarda da beleza e do caráter das paisagens e sítios a preservação e. I . Considerando que. Considerando. a salvaguarda das paisagens e dos sítios definidos pela presente recomendação é necessária à vida do homem.2 da ordem do dia da sessão. sua evolução e o rápido desenvolvimento do progresso técnico. Considerando que. havia sido relativamente lento. a restituição do aspecto das paisagens e sítios.

Essas medidas deveriam consistir essencialmente no controle dos trabalhos e atividades susceptíveis de causar dano às paisagens e aos sítios e. tais como as paisagens e sítios urbanos. ou de determinadas formas de vida da sociedade contemporânea. o interesse relativo das paisagens e dos sítios em consideração. os mais ameaçados. canais. especialmente segundo o caráter e as dimensões das paisagens e sítios. d) Construção de auto-serviços para distribuição dos combustíveis. por causa do barulho que provocam. Assim. particularmente as que margeiam as vias de comunicação ou as avenidas. deveriam estar em harmonia com a ambiência que se deseja salvaguardar. j) Campismo. inclusive destruição de árvores que contribuem para a estética da paisagem. deveriam ser criados institutos de pesquisa científica para colaborar com as autoridades competentes a fim de assegurar a harmonização e a codificação . estações de rádio. Uma proteção especial deveria ser assegurada às proximidades dos monumentos. geralmente. regularização dos cursos de água. e) Cartazes publicitários e anúncios luminosos. etc. Seus projetos deveriam ser concebidos de modo a respeitar determinadas exigências estéticas relativas ao próprio edifício e. no todo ou em parte. aquedutos. trabalhos de irrigação. disposições especiais deveriam ser tomadas para assegurar a salvaguarda de algumas paisagens e de determinados sítios. à obra do homem. c) Linhas de eletricidade de alta ou baixa tensão. a reabilitá-los. assim como detritos e dejetos domésticos. Convém levar em conta. h) Exploração de minas e pedreiras e evacuação de seus resíduos. b) Construção de estradas. As atividades que possam levar a uma deterioração das paisagens e dos sítios em zonas protegidas por lei. instalações de produção e de transporte de energia. ou de alguma forma protegidas. na escolha das medidas aplicáveis. i) Captação de nascentes. k) Depósitos de material e de matérias usadas. de televisão. A salvaguarda da beleza e do caráter das paisagens e dos sítios deveria também levar em conta os perigos decorrentes de certas atividades de trabalho. sua localização. e a natureza dos perigos de que estejam ameaçados. na medida do possível. que são. As medidas a serem adotadas para a salvaguarda das paisagens e dos sítios deveriam ter caráter preventivo e corretivo. de: a) Construção de edifícios públicos e privados de qualquer natureza.Os estudos e as medidas a serem adotadas para a salvaguarda das paisagens e dos sítios deverse-iam se estender a todo o território do Estado e não se limitar a algumas paisagens ou sítios determinados. barragens. A salvaguarda não deveria limitar-se às paisagens e aos sítios naturais. comerciais ou industriais. g) Poluição do ar e da água. Para facilitar o trabalho dos diversos serviços públicos encarregados da salvaguarda da paisagem e dos sítios em cada país. etc. mas estender-se também às paisagens e sítios cuja formação se deve. só poderiam ser admitidas no caso de exigência imperiosa de um interesse público ou social. evitando cair na imitação gratuita de certas formas tradicionais e pinturescas. As medidas preventivas para a salvaguarda das paisagens e dos sítios deveriam visar a protegê-los dos perigos que os ameaçam. aeródromos. especialmente. Medidas corretivas deveriam ser destinadas a suprimir o “dano” causados às paisagens e aos sítios e. f) Desmatamento. Essas medidas poderiam variar. especialmente pelas obras de construção e pela especulação imobiliária.

especialmente para as cidades ou regiões em vias de desenvolvimento rápido. às normas relativas à altura. Essas disposições e os resultados dos trabalhos dos institutos de pesquisa deveriam ser reunidos em uma só publicação administrativa periódica. A proteção legal "por zonas" não deveria. Proteção legal de sítios isolados . atualizada. Controle Geral Um controle geral deveria ser exercido sobre os trabalhos e as atividades susceptíveis de causar danos às paisagens e aos sítios. III – Medidas de Salvaguarda A salvaguarda da paisagem e dos sítios deveria ser assegurada com o auxílio dos seguintes métodos: a) Controle geral por parte das autoridades competentes. Quando. à regulamentação de derrubada das árvores. etc. das paisagens extensas. e) Criação a manutenção de reservas naturais e parques nacionais. em regra geral. c) Proteção legal por zonas. Planejamento Urbano e Planejamento territorial das áreas Rurais O planejamento urbano ou o planejamento territorial das áreas rurais deveriam conter disposições relativas às restrições a serem impostas para a salvaguarda das paisagens e dos sítios – inclusive os que não possuem proteção legal – que se encontrem no território abrangido por esses planos. Proteção Legal “por zonas” das paisagens extensas As paisagens extensas deveriam ser objeto de proteção legal “por zonas”. A proteção legal "por zonas" deveria ser divulgada publicamente e as regras gerais a serem observadas para a salvaguarda das paisagens integrantes de tal proteção deveriam ser editadas e difundidas. nas quais a salvaguarda do caráter estético ou pinturesco dos lugares justifique o estabelecimento de tais planos. a proteção legal “por zonas” deveria abranger o controle dos loteamentos e a observação de algumas prescrições gerais de caráter estético referentes à utilização dos materiais e sua cor. às precauções a serem tomadas para dissimular as escavações resultantes da construção de barragens. numa zona protegida por lei. o caráter estético é de interesse primordial. d) Proteção legal dos sítios isolados. ou da exploração de pedreiras. rurais ou urbanos.das disposições legislativas e regulamentares aplicáveis à matéria. em toda a extensão do território do país. f) Aquisição de sítios pelas coletividades públicas. b) Inserção de restrições nos planos de urbanização e no planejamento em todos os níveis: regionais. possibilitar direito a indenização. O planejamento urbano ou o planejamento territorial das áreas rurais deveriam ser estabelecidos em função de sua ordem de urgência.

ao passo que a extração de minerais estaria sujeita a uma autorização especial. por prescrição. a salvaguarda das paisagens e dos sítios deveriam ter força de lei e as medidas necessárias a sua aplicação. no caso de ocorrer prejuízo certo e direto. devido à proteção por lei. essa aquisição deveria poder se realizar através de expropriação. Reservas Naturais e Parques Nacionais Quando for possível. Aquisição dos sítios pelas coletividades públicas Os Estados Membros deveriam encorajar as coletividades públicas a adquirirem terrenos que façam parte de uma paisagem ou de um sítio que convenha salvaguardar. requisitar qualquer autorização para os trabalhos de exploração usual das terras rurais. nem para os trabalhos regulares de manutenção das construções. Cada sítio. devidamente notificada ao proprietário. A proteção legal deveria implicar na proibição de contaminar os terrenos. A permissão de acampar em um sítio protegido por lei deveria. deveriam ser protegidos por lei. A proteção legal de um sítio deveria poder proporcionar ao proprietário o direito à indenização. em princípio. apenas. em terrenos delimitados pelas autoridades encarregadas da salvaguarda e submetidos a sua inspeção.Os sítios isolados e de pequenas dimensões. ser proibida e concedida.Aplicação das Medidas de Salvaguarda As normas e princípios fundamentais que regulam. o ar e as águas seja de que maneira for. assim como a execução de quaisquer obras públicas em sítio protegido por lei deveriam estar subordinadas ao prévio consentimento das autoridades encarregadas da salvaguarda. Esses parques nacionais e reservas naturais deveriam formar um conjunto de zonas experimentais destinadas também às pesquisas sobre a formação e a restauração da paisagem e à proteção da natureza. terreno ou imóvel assim protegido deveria ser objeto de uma decisão administrativa especial. Não será necessário. entretanto. naturais ou urbanos. assim como porções de paisagem que ofereçam um interesse excepcional. os Estados Membros deveriam incorporar às zonas e sítios cuja salvaguarda convém assegurar. parciais ou integrais. direitos que permitam modificar o caráter ou o aspecto do sítio. ou reservas naturais. parques nacionais destinados à educação e ao lazer do público. Nenhuma servidão convencional deveria ser consentida pelo proprietário sem a concordância das autoridades encarregadas da salvaguarda. A expropriação pelos poderes públicos. em um sítio protegido por lei. . dentro das atribuições que lhes são conferidas pela lei. em cada Estado Membro. IV . Deveriam ser igualmente protegidos por lei os terrenos de onde se aprecie uma vista excepcional e os terrenos e imóveis que envolvam um monumento notável. Essa proteção legal deveria acarretar para o proprietário a proibição de destruir o sítio ou alterar seu estado ou aspecto sem a autorização das autoridades encarregadas da salvaguarda. Qualquer publicidade deveria ser proibida nos sítios protegidos por lei e em suas imediações. deveriam ser confiadas às autoridades responsáveis. A autorização eventualmente concedida deveria ser acompanhada de todas as condições necessárias à salvaguarda do sítio. ou limitada a determinada localização fixada pelas autoridades encarregadas da salvaguarda. Ninguém deveria poder adquirir. Quando necessário.

Os Estados Membros deveriam criar órgãos especializados.cujas tarefas consistiram. esses serviços deveriam ter a possibilidade de estudar os problemas relativos à salvaguarda e à proteção legal. A violação das normas de salvaguarda das paisagens e dos sítios devria redundar em perdas e danos e ou na obrigação de repor os sítios em seu estado primitivo. entre outras. nos casos de obras de interesse geral e de grande envergadura. 32 e 33. preparar as decisões a serem tomadas e controlar sua execução. e de órgãos dedicados a essa tarefa. ou às coletividades locais interessadas. Para isso. Os órgãos de caráter executivo deveriam ser serviços especializados. Os professores encarregados dessa tarefa educativa na escola deveriam receber uma preparação especial. A educação do público fora da escola deveria ser tarefa da imprensa. criação de novas instalações industriais. das associações privadas de proteção das paisagens e dos sítios ou de proteção da natureza. O parecer dessas comissões deveria ser solicitado em todos os casos e em tempo útil. Os Estados Membros deveriam facilitar a educação do público e estimular a ação das associações. Sanções administrativas ou penais deveriam ser previstas no caso de danos causados voluntariamente às paisagens e aos sítios protegidos. centrais e regionais. dos órgãos encarregados do turismo e das organizações de juventude e de educação popular. como a construção de rodovias. para o estudo e a apresentação dos aspectos naturais e culturais característicos de determinadas regiões. na forma de estágios especializados de estudos em estabelecimentos de ensino secundário e superior. propor as medidas destinadas a reduzir os perigos que possa apresentar a execução de determinados trabalhos. na medida do possível. regional e local. efetuar pesquisas de campo. prestando-lhes uma ajuda material e colocando a sua disposição e à dos educadores em geral os meios apropriados de publicidade. etc. V – Educação do Público Uma ação educativa deveria ser empreendida dentro e fora das escolas para despertar e desenvolver o respeito público pelas paisagens e sítios e para tornar mais conhecidas as normas editadas para garantir sua salvaguarda. encarregados de aplicar as medidas de salvaguarda. em colaborar com os órgãos mencionados nos parágrafos 31. Caberlhes-ia. especialmente informando a opinião pública e alertando os serviços responsáveis pelos perigos que ameacem as paisagens e os sítios. encarregadas de estudar as questões relativas à salvaguarda e de manifestar seu parecer sobre essas questões às autoridades centrais ou regionais. tais como filmes. com o objetivo de intensificar a ação educativa já empreendida nesse sentido e considerar a possibilidade de criar museus especiais. Os Estados Membros deveriam também facilitar a tarefa dos museus existentes. ou seções especializadas nos museus existentes. material para exposições . também. ou a reparar os danos por eles causados. Os órgãos de caráter consultivo deveriam ser comissões de caráter nacional. emissões radiofônicas ou de televisão. particularmente na fase dos anteprojetos. de caráter executivo ou consultivo.nacionais ou locais . ordenação espacial de instalações hidrotécnicas. Os Estados Membros deveriam facilitar a criação e o funcionamento de órgãos não governamentais .

aprovou o texto seguinte: Definições Artigo 1º . para chamar a atenção do grande público sobre a importância da salvaguarda da sua beleza e de seu caráter. portanto.permanentes. ainda que caiba a cada nação aplicá-los no contexto de sua própria cultura e de suas tradições. . reunido em Veneza de 25 a 31 de maio de 1964. concursos e outras manifestações similares deveriam ser consagrados e ressaltar o valor das paisagens e dos sítios naturais ou criados pelo homem. Agora é chegado o momento de reexaminar os princípios da Carta para aprofundá-las e dotá-las de um alcance maior em um novo documento. na atividade de ICOM e da UNESCO e na criação. o Segundo Congresso Internacional de Arquitetos e Técnicos dos Monumentos Históricos. Estende-se não só às grandes criações mas também às obras modestas.Conselho Internacional de Monumentos e Sítios CARTA INTERNACIONAL SOBRE CONSERVAÇÃO E RESTAURAÇÃO DE MONUMENTOS E SÍTIOS Portadoras de mensagem espiritual do passado. temporárias ou itinerantes. se reconhece solidariamente responsável por preservá-las. as considera um patrimônio comum e. Jornadas nacionais e internacionais. Consequentemente. de uma evolução significativa ou de um acontecimento histórico. A sensibilidade e o espírito crítico se dirigem para problemas cada vez mais complexos e diversificados. problema primordial para a coletividade. uma significação cultural. por esta última. Ao dar uma primeira forma a esses princípios fundamentais. das revistas e das publicações periódicas regionais. folhetos e livros capazes de obter uma grande difusão e idealizados com um espírito didático. a Carta de Atenas de 1931 contribui para a propagação de um amplo movimento internacional que se traduziu principalmente em documentos nacionais. É. Uma ampla publicidade poderia ser obtida através dos jornais. A humanidade. perante as gerações futuras. Carta de Veneza de maio de 1964 II Congresso Internacional de Arquitetos e Técnicos dos Monumentos Históricos ICOMOS . do Centro Internacional de Estudos para a Conservação e Restauração dos Bens Culturais. com o tempo. cada vez mais consciente da unidade dos valores humanos. bem como o sítio urbano ou rural que dá testemunho de uma civilização particular. as obras monumentais de cada povo perduram no presente como o testemunho vivo de suas tradições seculares. que tenham adquirido. impondo a si mesma o dever de transmiti-las na plenitude de sua autenticidade. essencial que os princípios que devem presidir à conservação e à restauração dos monumentos sejam elaborados em comum e formulados num plano internacional.A noção de monumento histórico compreende a criação arquitetônica isolada.

Restauração Artigo 9º . a consolidação do monumento pode ser assegurada com o emprego de todas as técnicas modernas de conservação e construção cuja eficácia tenha sido demonstrada por dados científicos e comprovada pela experiência.A conservação e a restauração dos monumentos constituem uma disciplina que reclama a colaboração de todas as ciências e técnicas que possam contribuir para o estudo e a salvaguarda do patrimônio monumental. Conservação Artigo 4º . toda destruição e toda modificação que poderiam alterar as relações de volumes e de cores serão proibidas. Artigo 7º. desejável.O monumento é inseparável da história de que é testemunho e do meio em que se situa. o deslocamento de todo o monumento ou de parte dele não pode ser tolerado.Artigo 2º . É somente dentro destes limites que se deve conceber e se pode autorizar as modificações exigidas pela evolução dos usos e costumes.Quando as técnicas tradicionais se revelarem inadequadas. tal destinação é portanto. Artigo 10º . A restauração será sempre precedida e acompanhada de um estudo arqueológico e histórico do monumento.A conservação e a restauração dos monumentos visam a salvaguardar tanto a obra de arte quanto o testemunho histórico. Enquanto subsistir. Artigo 5º . Artigo 8º . Artigo 6º . exceto quando a salvaguarda do monumento o exigir ou quando o justificarem razões de grande interesse nacional ou internacional.A conservação dos monumentos exige.A conservação de um monumento implica a preservação de um esquema em sua escala. Termina onde começa a hipótese. manutenção permanente.A restauração é uma operação que deve ter caráter excepcional.As contribuições válidas de todas as épocas para a edificação do monumento devem ser respeitadas. todo trabalho complementar reconhecido como indispensável por razões estéticas ou técnicas destacar-se-á da composição arquitetônica e deverá ostentar a marca do nosso tempo. e toda construção nova. Tem por objetivo conservar e revelar os valores estéticos e históricos do monumento e fundamenta-se no respeito ao material original e aos documentos autênticos. Artigo11º . antes de tudo. Por isso. visto que a unidade de estilo não é a finalidade a alcançar no curso de . o esquema tradicional será conservado.Os elementos de escultura. mas não pode nem deve alterar à disposição ou a decoração dos edifícios.A conservação dos monumentos é sempre favorecida por sua destinação a uma função útil à sociedade. no plano das reconstituições conjeturais. pintura ou decoração que são parte integrante do monumento não lhes podem ser retirados a não ser que essa medida seja a única capaz de assegurar sua conservação. Finalidade Artigo 3º .

Documentação e Publicações Artigo 16º . a recomposição de partes existentes. Escavações Artigo 15º . todavia. ou seja.Os sítios monumentais devem ser objeto de cuidados especiais que visem a salvaguardar sua integridade e assegurar seu saneamento. Sítios Monumentais Artigo14º . Devem ser asseguradas as manutenções das ruínas e as medidas necessárias à conservação e proteção permanente dos elementos arquitetônicos e dos objetos descobertos. Os elementos de integração deverão ser sempre reconhecíveis e reduzir-se ao mínimo necessário para assegurar as condições de conservação do monumento e restabelecer a continuidade de suas formas. o equilíbrio de sua composição e suas relações com o meio ambiente. de restauração e de escavação serão sempre acompanhadas pela elaboração de uma documentação precisa sob a forma de relatórios analíticos e críticos. seu esquema tradicional. e seu estado de conservação é considerado satisfatório. Artigo 12º . adotada pela UNESCO em 1956. Além disso. devem ser tomadas todas as iniciativas para facilitar a compreensão do monumento trazido à luz sem jamais deturpar seu significado. consolidação recomposição e integração. Essa documentação será depositada nos arquivos de um órgão público e posta à disposição dos pesquisadores. a exibição de uma etapa subjacente só se justifica em circunstâncias excepcionais e quando o que se elimina é de pouco interesse e o material que é revelado é de grande valor histórico. bem como os elementos técnicos e formais identificados ao longo dos trabalhos serão ali consignados. sua manutenção e valorização. Artigo 13º .Os elementos destinados a substituir as partes faltantes devem integrar-se harmoniosamente ao conjunto. arqueológico. deve ser excluído a priori. admitindo-se apenas a anastilose. mas desmembradas.Os trabalhos de conservação. ilustrados com desenhos e fotografias. .Os trabalhos de escavação devem ser executados em conformidade com padrões científicos e com a "Recomendação Definidora dos Princípios Internacionais a serem aplicados em Matéria de Escavações Arqueológicas". Todas as fases dos trabalhos de desobstrução.Os acréscimos só poderão ser tolerados na medida em que respeitarem todas as partes interessantes do edifício. portanto. Os trabalhos de conservação e restauração que neles se efetuarem devem inspirar-se nos princípios enunciados nos artigos precedentes. distinguindo-se. ou estético. das partes originais a fim de que a restauração não falsifique o documento de arte e de história. Todo trabalho de reconstrução deverá. O julgamento do valor dos elementos em causa e a decisão quanto ao que pode ser eliminado não podem depender somente do autor do projeto. recomenda-se sua publicação.uma restauração.

contudo. no território sob sua jurisdição.Conferência Geral da Organização das Nações Unidas para a Educação. esta recomendação. histórico ou arqueológico. que tais propostas seriam objeto de regulamentação internacional mediante uma recomendação aos Estados Membros. I . nas datas e da forma por ela determinada. Considerando que. reunida em Paris de 20 de outubro a 20 de novembro de 1964.Definição Para efeito desta recomendação.3 da pauta da sessão. incluídos os arquivos musicais.3. os espécimens-tipo da flora e da fauna. a Ciência e a Cultura 13a Sessão de 19 de novembro de 1964 RECOMENDAÇÃO SOBRE MEDIDAS DESTINADAS A PROIBIR E IMPEDIR A EXPORTAÇÃO. Ciência e Cultura. Tendo decidido. em sua décima-terceira sessão. esperança de que uma convenção internacional possa ser adotada o mais cedo possível. Tendo examinado propostas de uma regulamentação internacional destinada a proibir e impedir a exportação. adotando. A Conferência Geral recomenda que os Estados-Membros lhe apresentem. e que a familiaridade com esses bens favorece a compreensão e a apreciação mútuas entre as nações. em sua décima-segunda reunião. Considerando que os objetivos visados não podem ser alcançados sem uma estreita colaboração entre os Estados-Membros. Considerando que cada Estado tem o dever de proteger o patrimônio constituído pelos bens culturais existentes em seu território contra os perigos decorrentes da exportação. os documentos etnológicos. é indispensável que cada Estado Membro adquira uma consciência mais clara das obrigações morais relativas ao respeito a seu patrimônio cultural e ao de todas as nações. sob forma de lei nacional ou de outra forma. e expressando. relatórios a respeito das providências que hajam tomado no sentido de colocar em prática esta recomendação. para evitar esses perigos. A Conferência Geral recomenda que os Estados Membros levem esta recomendação ao conhecimento das autoridades e organizações relacionadas à proteção de bens culturais. A IMPORTAÇÃO E A TRANSFERÊNCIA DE PROPRIEDADE ILÍCITAS DE BENS CULTURAIS. neste dia dezenove de novembro de 1964. as normas e princípios formulados na presente recomendação. as coleções científicas e as coleções importantes de livros e arquivos. Adota. os manuscritos. a importação e a transferência de propriedade ilícitas de bens culturais. tais como as obras de arte e de arquitetura. Estimando que os bens culturais se constituem em elementos fundamentais da civilização e da cultura dos povos. Convicta de que se deve tomar providências no sentido de estimular a adoção de medidas adequadas e de aperfeiçoar o ambiente de solidariedade internacional. da importação e da transferência de propriedade ilícitas. A Conferência Geral recomenda que os Estados Membros apliquem as disposições seguintes. sem o que os objetivos propostos não seriam alcançados. . A Conferência Geral da Organização das Nações Unidas para a Educação. são considerados bens culturais os bens móveis e imóveis de grande importância para o patrimônio cultural de cada país. medidas necessárias a fazer vigorar. os livros e outros bens de interesse artístico. assunto que constitui o item 15.

deveriam abster-se de adquirir qualquer bem cultural procedente de exportação. os bens culturais que haverão de se beneficiar da proteção estabelecida nesta recomendação em virtude da grande importância que apresentam. caso se julgue necessária a criação de um serviço nacional de proteção dos bens culturais: . através de cessão ou intercâmbio.Medidas Recomendadas Identificação e Inventário Nacional dos Bens Culturais Para garantir a aplicação mais eficaz dos princípios gerais enunciados acima. por meio de empréstimo ou depósito. deveria instituir um serviço nacional para a proteção dos bens culturais.Princípios Gerais Para garantir a proteção de seu patrimônio cultural contra todos os perigos de empobrecimento. ou. na medida do possível. importação ou transferência de propriedade efetuada em oposição às normas adotadas por cada Estado Membro em conformidade com o parágrafo 6 deveria ser considerada ilícita. no âmbito de seu território. Casa Estado Membro deveria tomar as providências apropriadas para impedir a transferência ilícita de propriedade dos bens culturais. Este inventário não teria caráter restritivo. alguns desses mesmos objetos. Os museus. Instituições de Proteção dos Bens Culturais Cada Estado-Membro deveria providenciar para que a proteção dos bens culturais estivesse sob a responsabilidade de órgãos oficiais adequados e. II . A inclusão de um objeto cultural nesse inventário não deveria alterar de maneira alguma sua propriedade legal. Ainda que a diversidade de disposições constitucionais e de tradições e a desigualdade de recursos impossibilitem a adoção por todos os Estados-Membros de uma organização uniforme. os Estados-Membros deveriam empreender os esforços necessários para pôr à disposição das coleções públicas dos demais Estados Membros. cada Estado Membro deveria adotar as medidas adequadas para exercer um controle eficaz sobre a exportação de bens culturais. cada Estado Membro deveria. se necessário. III .Cada Estado Membro deveria adotar os critérios que julgar mais adequados para definir. e em geral todos os serviços e instituições relacionados à conservação de bens culturais. A importação de bens culturais só deveria ser autorizada após haverem sido declarados livres de qualquer restrição por parte do Estado exportador. um objeto cultural de propriedade privada deveria permanecer como tal mesmo após sua inclusão no inventário nacional. Cada Estado Membro deveria estabelecer normas que regulamentassem a aplicação dos princípios supracitados. importação ou transferência de propriedade ilícitas. nos parágrafos 1 e 2. estabelecer e aplicar procedimentos para a identificação dos bens culturais definidos nos parágrafos 1 e 2 que existam em seu território e estabelecer um inventário nacional desses bens. é conveniente levar em consideração os seguintes princípios comuns. Particularmente. Para estimular e facilitar os intercâmbios legítimos de bens culturais. Qualquer exportação. objetos do mesmo tipo daqueles cuja exportação ou transferência de propriedade não possam ser autorizadas.

em conformidade com o estabelecido no parágrafo 10. de modo a garantir a restituição de bens culturais ilicitamente exportados do território de uma das partes desses acordos e localizada no território de outra. dentro da estrutura de organizações intergovernamentais regionais. b) As funções do serviço nacional de proteção dos bens culturais deveriam incluir: (i) A identificação dos bens culturais existentes no território do Estado. os serviços competentes de cada Estado pudessem certificar-se da inexistência de motivos para considerar o objeto como proveniente de um roubo. na medida do possível. de um certificado apropriado.a) O serviço nacional de proteção dos bens culturais deveria ser. acima. Colaboração Internacional para a Detecção de Operações Ilícitas Sempre que necessário ou conveniente. para resolver problemas decorrentes da exportação. o estabelecimento e a manutenção de um inventário nacional desses bens. técnicos e financeiros que permitissem o desempenho eficaz de suas funções. em conformidade com as disposições da seção 11. . Em caso de dúvida a instituição incumbida da proteção dos bens culturais deveria comunicar-se com a instituição competente para confirmar a legalidade da exportação. e. como por exemplo. os acordos bilaterais ou multilaterais deveriam conter cláusulas que garantissem que. da importação ou da transferência de propriedade de bens culturais. se necessário. um serviço administrativo do Estado ou um órgão que. inclusive sanções que impedissem a exportação. constituir um fundo ou adotar outras medidas financeiras apropriadas para dispor dos recursos necessários a adquirir bens culturais de importância excepcional. e mais especificamente. por ocasião de sua exportação. deveriam ser levados ao conhecimento dos serviços interessados. sempre que fosse proposta a transferência de propriedade de um bem cultural. dispusesse dos meios administrativos. mediante o qual o Estado exportador certificaria haver autorizado a exportação do bem em questão. (ii) Cooperação com outros organismos competentes no controle da exportação. c) O serviço nacional de proteção dos bens culturais deveria estar autorizado a apresentar às autoridades nacionais competentes propostas de outras medidas legislativas ou administrativas adequadas à proteção dos bens culturais. os Estados Membros deveriam firmar acordos bilaterais ou multilaterais. a importação e a transferência de propriedade ilícitas. o controle de exportações seria consideravelmente facilitado se os bens culturais fossem acompanhados. tais como os acordos culturais. d) O serviço nacional de proteção dos bens culturais deveria poder recorrer a especialistas para assessorá-lo em relação a problemas técnicos e na solução de casos litigiosos. acima. Acordos Bilaterais e Multilaterais Sempre que necessário ou conveniente. de uma exportação ou de uma transferência de propriedade ilícitas ou de qualquer outra operação considerada ilegal pela legislação do Estado exportador. como. Toda oferta suspeita e todos os detalhes a ela relacionados. se necessário. ao exigir a apresentação do certificado a que se refere o parágrafo 11. se for o caso. atuando em conformidade com a legislação nacional. Tais acordos poderiam. Cada Estado-Membro deveria. por exemplo. ser incluídos em acordos de maior abrangência. da importação e da transferência de propriedade de bens culturais.

Os Estados-Membros deveriam empenhar-se na assistência mútua através do intercâmbio dos resultados de suas experiências no âmbito dos assuntos a que se refere esta recomendação. Essa restituição ou repatriação deveria ser efetuada em conformidade com a. com a imprensa e com outros meios de informação e difusão. por solicitação de Estado que o reclamasse. os museus e todas as instituições competentes em geral deveriam colaborar uns com os outros no sentido de garantir ou facilitar a restituição ou a repatriação de bens culturais ilicitamente exportados. Sissakian O Diretor-Geral René Mahen . tomar as providências adequadas para estabelecer que sua legislação interna ou as convenções quais possa vir a participar garantissem ao adquirente de boa fé de um bem cultural a ser restituído ou repatriado ao território do Estado do qual havia sido ilegalmente exportado a possibilidade de obter a indenização por perdas e danos ou outra compensação equivalente. Tal ação deveria ser empreendida pelos serviços competentes em cooperação com os serviços educativos. Ciência e a Cultura. cada Estado-Membro deveria agir de modo a estimular e desenvolver entre seus cidadãos o interesse e o respeito pelo patrimônio cultural de todas as nações. em sua décima-terceira reunião. O precedente é o texto autêntico da Recomendação devidamente aprovada pela Conferência Geral da Organização das Nações Unidas para a Educação. Em fé do qual apensamos nossas assinaturas. Restituição ou Repatriação de Bens Culturais Exportados Ilicitamente Os Estados-Membros. O Presidente da Conferência Geral Noraír M. legislação vigente no Estado em cujo território se encontram os bens. Publicidade em caso de Desaparecimento de um Bem Cultural O desaparecimento de qualquer bem cultural deveria. se necessário. Ação Educativa No sentido de uma colaboração internacional que levasse em consideração tanto a natureza universal da cultura quanto a necessidade de intercâmbios para possibilitar a todos beneficiarse do patrimônio cultural da humanidade. através de uma publicidade adequada. neste vigésimo-primeiro dia de novembro de 1964. com organizações de juventude e de educação popular e com grupos e indivíduos ligados a atividades culturais. os serviços de proteção dos bens culturais. realizada em Paris e declarada concluída no vigésimo dia de novembro de 1964. Direitos dos Adquirentes de Boa Fé Cada Estado-Membro deveria. ser levado ao conhecimento do público.

especificamente.Introdução A inclusão do problema representado pela necessária conservação e utilização do patrimônio monumental na relação de esforços multinacionais que se comprometem a realizar os governos da América resulta alentador num duplo sentido. Primeiramente. à adequada conservação e utilização dos monumentos e sítios de interesse arqueológico. isoladamente considerados. que. porque com isso os chefes de Estado deixam reconhecida. dada a íntima relação entre o continente arquitetônico e o conteúdo artístico. O. torna-se imprescindível estender a devida proteção a outros bens móveis e a objetos valiosos do patrimônio cultural para evitar sua contínua deterioração e subtração impune e para conseguir que contribuam à obtenção dos fins pretendidos mediante sua adequada exibição. portanto.Considerações Gerais A idéia do espaço é inseparável do conceito do monumento e. Esforços Multinacionais. a tutela do Estado pode e deve se estender ao contexto urbano.Normas de Quito de novembro/dezembro de 1967 REUNIÃO SOBRE CONSERVAÇÃO E UTILIZAÇÃO DE MONUMENTOS E LUGARES DE INTERESSE HISTÓRICO E ARTÍSTICO. As recomendações do presente informe são dirigidas nesse sentido e se limitam. letra d). de acordo com a moderna técnica museográfica. mas sua eficácia prática dependerá. ao ambiente natural que o emoldura e aos bens culturais que encerra. de sua adequada formulação dentro de um plano sistemático de revalorização dos bens patrimoniais em função do desenvolvimento econômico-social. Os lugares pitorescos e outras belezas naturais. de conformidade com o que dispõe o Capítulo V. recinto ou sítio de caráter monumental. II . em último caso. É preciso reconhecer. sem que nenhum dos elementos que o constitui. entretanto. A marca histórica ou artística do . não são propriamente monumentos nacionais.A. está se aceitando implicitamente que esses bens do patrimônio cultural representam um valor econômico e são suscetíveis de constituir-se em instrumentos do progresso. sendo a razão fundamental da Reunião de Punta del Leste o propósito comum de dar um novo impulso ao desenvolvimento do continente. porque. da Declaração dos Presidentes da América.. tanto em nível nacional quanto internacional. mereça essa designação. histórico e artístico. e em segundo. a existência de uma situação de urgência que reclama a cooperação interamericana. de maneira expressa. Mas pode existir uma zona. objeto de defesa e proteção por parte do Estado.E. O acelerado processo de empobrecimento que vem sofrendo a maioria dos países americanos como conseqüência do estado de abandono e da falta de defesa em que se encontra sua riqueza monumental e artística demanda a adoção de medidas de emergência.Organização dos Estados Americanos Informe Final I .

III .templos. Ruínas arqueológicas de capital importância. se alternam com surpreendentes sobrevivências do passado.homem é essencial para imprimir a uma paisagem ou a um recinto determinado essa categoria específica. A partir desse momento o bem em questão estará submetido ao regime de exceção assinalado pela lei. um rico patrimônio monumental.O Patrimônio Monumental e o Momento Americano É uma realidade evidente que a América. e em especial a América Ibérica. Todo processo de acelerado desenvolvimento traz consigo a multiplicação de obras de infraestrutura e a ocupação de extensas áreas por instalações industriais e construções imobiliárias que não apenas alteram. têm sofrido tais . praças. artísticas e históricas do extenso período colonial. mas deformam por completo a paisagem. nos diferentes casos. contribui para imprimir aos estilos importados um sentido genuinamente americano de múltiplas manifestações locais que os caracteriza e distingue. Aos grandiosos testemunhos das culturas pré-colombianas se agregam as expressões monumentais. os problemas que se relacionam com a defesa. Um acento próprio. arquitetônicas. complexos urbanos e povoados inteiros são suscetíveis de se tomar centros de maior interesse e atração. a medida em que a referida função social é compatível com a propriedade privada e com o interesse dos particulares. que. sítios e conjuntos monumentais adquirem excepcional importância e atualidade. nem sempre acessíveis ou de todo exploradas. Cabe ao Estado fazer com que ela prevaleça e determinar. conservação e utilização dos monumentos. ele não se constituirá em um monumento a não ser que haja uma expressa declaração do Estado nesse sentido. testemunhos de uma tradição histórica de inestimável valor. Múltiplos fatores têm contribuído e continuam contribuindo para diminuir as reservas de bens culturais da maioria dos países da América Ibérica. constitui uma região extraordinariamente rica em recursos monumentais. acentuavam sua personalidade e atração -. mas é necessário reconhecer que a razão fundamental da destruição progressivamente acelerada desse potencial de riqueza reside na falta de uma política oficial capaz de imprimir eficácia prática às medidas protecionistas vigentes e de promover a revalorização do patrimônio monumental em função do interesse público e para beneficio econômico da nação. A declaração de monumento nacional implica a sua identificação e registro oficiais. numa exuberante variedade de formas. Grande número de cidades ibero-americanas que entesouravam. que implica a exploração exaustiva de seus recursos naturais e a transformação progressiva das suas estruturas econômico-sociais. produto do fenômeno da aculturação. num passado ainda próximo. em conjunto. Nos momentos críticos em que a América se encontra comprometida em um grande empenho progressista. Qualquer que seja o valor intrínseco de um bem ou as circunstâncias que concorram para constituir a sua importância e significação histórica ou artística. Todo monumento nacional está implicitamente destinado a cumprir uma função social. apagando as marcas e expressões do passado. evidência de sua grandeza passada . É certo também que grande parte desse patrimônio se arruinou irremediavelmente no curso das últimas décadas ou se acha hoje em perigo iminente de perder-se. fontes e vielas.

IV . A elevação do nível de vida não deve se limitar à realização de um bem-estar material progressivo. Entre os que mais se aprofundaram no problema. que teve como tema o problema dos conjuntos históricos. para conseguir soluções satisfatórias. 1958). preparar e servir ao futuro sem destruir o passado. deve constituir o seu complemento. em Cáceres (1967). Em confirmação a este critério se transcreve o seguinte parágrafo do Informe Weiss. Está à disposição da América a experiência acumulada. recuperação e revalorização do patrimônio monumental da região e a formulação de planos nacionais e multinacionais a curto e a longo prazo. 1961). as medidas que levam a sua preservação e adequada utilização não só guardam relação com os planos de desenvolvimento. Tudo isso em nome de um mal entendido e pior administrado progresso urbano. o Congresso da Federação Internacional da Habitação e Urbanismo (Santiago de Compostela. deve ser associado à criação de um quadro de vida digno do homem". exige a adoção de medidas de defesa. o do ICOMOS. . mas fazem ou devem fazer parte deles.A solução conciliatória A necessidade de conciliar as exigências do progresso urbano com a salvaguarda dos valores ambientais já é hoje em dia uma norma inviolável na formulação dos planos reguladores. Longe disso. figuram o da União Internacional de Arquitetos (Moscou. Não é exagerado afirmar que o potencial de riqueza destruída com esses atos irresponsáveis de vandalismo urbanístico em numerosas cidades do continente excede em muito os benefícios advindos para a economia nacional através das instalações e melhorias de infraestrutura com que se pretendem justificar. histórico e artístico constituem também recursos econômicos da mesma forma que as riquezas naturais do país. A continuidade do horizonte histórico e cultural da América. em nível tanto local como nacional. apresentado à Comissão Cultural e Científica do Conselho da Europa (1 963): "É possível equipar um país sem desfigurá-lo. V . É preciso admitir que os organismos internacionais especializados têm reconhecido a dimensão do problema e vêm trabalhando com afinco. com uma política de ordenação urbanística cientificamente desenvolvida. que trazem a esse tema de tanto interesse americano um ponto de vista eminentemente prático. A defesa e valorização do patrimônio monumental e artístico não se contradiz. A partir da Carta de Atenas. muitos foram os congressos internacionais que se sucederam até consolidar-se o atual critério dominante. gravemente comprometido pela entronização de um processo anárquico de modernização. todo plano de ordenação deverá realizar-se de forma que permita integrar ao conjunto urbanístico os centros ou complexos históricos de interesse ambiental. contribuindo com recomendações concretas. Nesse sentido.Valorização Econômica dos Monumentos Partimos do pressuposto de que os monumentos de interesse arqueológico. de 1932.mutilação e degradações no seu perfil arquitetônico que se tomam irreconhecíveis. o Congresso de Veneza (1964) e o mais recente. Consequentemente. teórica nem praticamente. nos últimos anos.

trata-se de mobilizar os esforços nacionais no sentido de procurar o melhor aproveitamento dos recursos monumentais de que se disponha. Isso implica uma tarefa prévia de planejamento em nível nacional. históricos e artísticos. A extensão da assistência técnica e a ajuda financeira ao patrimônio cultural dos Estados Membros será cumprida em função de seu desenvolvimento econômico e turístico. na resolução 2 da Segunda Reunião Extraordinária do Conselho Interamericano Cultural. reiteradas recomendações e resoluções de diferentes organismos do sistema levaram progressivamente o problema ao mais alto nível de consideração: a Reunião dos Chefes de Estado (Punta del Este. 1967). A extensão da cooperação interamericana para esse aspecto do desenvolvimento implica o reconhecimento de que o esforço nacional não é por si só suficiente para empreender uma ação que. precisamente." Mais concretamente. adquire no momento americano uma especial aplicação. a ajuda necessária ao desenvolvimento econômico dos países membros da OEA.Na mais ampla esfera das relações interamericanas. como meio indireto de favorecer o desenvolvimento econômico do país." Em suma. ou seja. Encomendar aos organismos competentes da OEA que:. VI .. dentro da área de competência do conselho." 2.. que figura no ponto 2. Se algo caracteriza este momento é. a avaliação dos recursos disponíveis e a formulação de projetos específicos dentro de um plano de ordenação geral. A..A valorização do Patrimônio do Cultural O termo "valorização". da Declaração dos Presidentes: "Esforços Multinacionais. que tende a tomar-se cada dia mais freqüente entre os especialistas. convocada com a finalidade única de dar cumprimento ao disposto na Declaração dos Presidentes.. d) Estendam a cooperação interamericana à conservação e utilização dos monumentos arqueológicos. Isso explica o emprego do termo "utilização".. É evidente que a inclusão do problema relativo à adequada preservação e utilização do patrimônio monumental na citada reunião corresponde às mesmas razões fundamentais que levaram os presidentes da América a convocá-la: a necessidade de dar à Aliança para o Progresso um novo e mais vigoroso impulso e de oferecer. Valorizar um bem histórico ou artístico equivale a habilitá-lo com as condições objetivas e ambientais que. capítulo V. excede suas atuais possibilidades. através da cooperação continental. diz-se: ". sem desvirtuar sua natureza ressaltem suas características e permitam seu .. É unicamente através da ação multinacional que muitos Estados-Membros em processo de desenvolvimento podem prover-se dos serviços técnicos e dos recursos financeiros indispensáveis. na maioria dos casos. a urgente necessidade de utilizar ao máximo o cabedal de seus recursos e é evidente que entre eles figura o patrimônio monumental das nações.

ao mesmo tempo em que facilitem e estimulem a iniciativa privada. que ficaria revalorizada em conjunto como conseqüência de um plano de valorização e de saneamento de suas principais construções. Em síntese. a valorização de um monumento exerce uma benéfica ação reflexa sobre o perímetro urbano em que se encontra implantado e ainda transborda dessa área imediata. Essa é outra conseqüência previsível da valorização e implica a prévia adoção de medidas reguladoras que. o que equivale a dizer que. Tudo quanto contribuir para exaltar os valores do espírito. a área de implantação de uma construção de especial interesse toma-se comprometida por causa da vizinhança imediata ao monumento. a maior atração exercida pelos monumentos e a fluência crescente de visitantes contribuem para afirmar a consciência de sua importância e significação nacionais. A Europa deve ao turismo. constituem não só uma lição viva de história como uma legítima razão de dignidade nacional. e a . a valorização do patrimônio monumental e artístico implica uma ação sistemática. seria o de contribuir para o desenvolvimento econômico da região. Em outras palavras. passando-a do domínio exclusivo de minorias eruditas ao conhecimento e fruição de maiorias populares. em alguma medida. VII . que. Um monumento restaurado adequadamente. dirigida a utilizar todos e cada um desses bens conforme a sua natureza. Esse incremento de valor real de um bem por ação reflexa constitui uma forma de mais valia que há de se levar em consideração. a salvaguarda de uma grande parte de seu patrimônio cultural. um conjunto urbano valorizado.Os monumentos em função do turismo Os valores propriamente culturais não se desnaturalizam nem se comprometem ao vincular-se com os interesses turísticos e. longe de diminuir sua significação puramente histórica ou artística. de pôr em produtividade uma riqueza inexplorada. Deve-se entender que a valorização se realiza em função de um fim transcendente. condenado à completa e irremediável destruição. Do exposto se depreende que a diversidade de monumentos e edificações de marcado interesse histórico e artístico situadas dentro do núcleo de valor ambiental se relacionam entre si e exercem um efeito multiplicador sobre o resto da área. mesmo que a intenção original nada tenha a ver com a cultura. esses testemunhos do passado estimulam os sentimentos de compreensão. aumentará a demanda de comerciantes interessados em instalar estabelecimentos apropriadas a sua sombra protetora. direta ou indiretamente. portanto. passará a ser parte dele quando for valorizado. As normas protecionistas e os planos de revalorização têm que estender-se. na medida em que um monumento atrai a atenção do visitante. harmonia e comunhão espiritual mesmo entre povos que mantêm rivalidade política. longe disso. É preciso destacar que. É evidente que. a todo o âmbito do monumento. mediante um processo de revalorização que. De outra parte. de certa maneira. estendendo seus efeitos a zonas mais distantes.ótimo aproveitamento. no caso da América Ibérica. No mais amplo marco das relações internacionais. trata-se de incorporar a um potencial econômico um valor atual. destacando e exaltando suas características e méritos até colocá-los em condições de cumprir plenamente a nova função a que estão destinados. impeçam a desnaturalização do lugar e a perda das finalidades primordiais que se perseguem. eminentemente técnica. há de derivar em seu beneficio. a enriquece.

1963) não somente recomendou que se desse uma alta prioridade aos investimentos em turismo dentro dos planos nacionais. restauração e utilização vantajosa de sítios arqueológicos. na forma mais apropriada. "do ponto de vista turístico. entre as quais figuram as seguintes: "Que os monumentos e outros bens de natureza arqueológica. empreendeu-se um exaustivo estudo. Doc. tanto governamentais como privados. como fez ressaltar que. "oferecer assistência. seria urgente "a adoção de medidas adequadas dirigidas a assegurar a conservação e proteção desse patrimônio" (Informe Final. IV. tanto em nível nacional como regional. Por sua vez. resolveu solidarizar-se com as conclusões adotadas pela correspondente Comissão de Equipamento Turístico. histórico e natural das nações. tem oportunidade de se enriquecer com a contemplação de novos exemplos da civilização ocidental. insiste nos benefícios econômicos que derivam dessa política para as áreas territoriais correspondentes. determinaria sua extinção. a fim de acelerar a melhoria dos seus recursos turísticos" (Resolução 1109 XL). traz consigo uma profunda transformação econômica da região em que esse monumento se acha inserido.sensibilidade contemporânea. Dois pontos de particular interesse merecem ser destacados: a) a afluência turística determinada pela revalorização adequada de um monumento assegura a rápida recuperação do capital investido nesse fim. Anexo A. b) a atividade turística que se origina da adequada apresentação de um monumento e que.24). Esse estudo confirma os critérios expostos e. o Conselho Econômico e Social do citado organismo mundial. com a colaboração de um organismo não-governamental de grande prestígio. na sua quarta reunião (julho-agosto de 1967). recentes reuniões especializadas têm abordado o tema específico da função que os monumentos de interesse artístico e histórico representam no desenvolvimento da indústria turística. como principais incentivos à afluência turística". depois de analisar as razões culturais. educativas e sociais que justificam o uso da riqueza monumental em função do turismo. resgatados tecnicamente graças ao poderoso estímulo turístico. A Comissão Técnica de Fomento do Turismo. o patrimônio cultural. em conseqüência. mais visual que literária. constitui um valor substancialmente importante" e que. Ultimamente. Se os bens do patrimônio cultural desempenham papel tão importante na promoção do turismo. ao problema do abandono em que se encontra boa parte do patrimônio cultural dos países do continente. é lógico que os investimentos que se requerem para sua devida restauração e habilitação específica devem se fazer simultaneamente aos que reclama o equipamento turístico e. históricos e de beleza natural" (Resolução. A Conferência das Nações Unidas sobre Viagens Internacionais e Turismo (Roma. 4). . mais propriamente. a União Internacional de Organizações Oficiais de Turismo. para obras de conservação. abandonada. que vem sendo objeto de especial atenção por parte da Secretaria Geral da UNESCO. resolveu solicitar aos organismos das Nações Unidas e às agencias especializadas que dessem "parecer favorável às solicitações de assistência técnica e financeira dos países em desenvolvimento. a Conferência sobre Comércio e Desenvolvimento das Nações Unidas (1964) recomendou às agências e organismos de financiamento. Em relação a esse tema. depois de recomendar à Assembléia Geral designar o ano de 1967 como "Ano do Turismo Internacional". histórica e artística podem e devem ser devidamente preservados e utilizados em função do desenvolvimento. além das numerosas recomendações e acordos que enfatizam a importância a ser concedida. Dentro do sistema interamericano. integrar-se num só plano econômico de desenvolvimento regional.

tais como um caminho que facilite o acesso ao monumento ou um albergue que aloje os visitantes ao término de uma jornada de viagem. pelo que se faz aconselhável que os organismos e unidades técnicas de uma e outra área da atividade interamericana trabalhem nesse sentido de forma coordenada. As vantagens econômicas e sociais do turismo monumental figuram nas mais modernas estatísticas. em conseqüência. Anos de incúria oficial e um impulsivo afã de renovação que caracteriza as nações em processo de desenvolvimento contribuem para difundir o menosprezo por todas as manifestações do passado que não se ajustam ao molde ideal de um moderno estilo de vida. qualquer que seja sua denominação e composição. Tudo isso. tem dado excelentes resultados." Do ponto de vista exclusivamente turístico. incapazes de apreciar o que mais convém à comunidade a partir do remoto ponto de vista do bem público. mas também das circunstâncias adjetivas que concorram para ele e facilitem sua adequada utilização. . quer dizer. esse patrimônio constitui um fator decisivo em seu equipamento turístico e. Nada pode contribuir melhor para a tomada de consciência desejada do que a contemplação do próprio exemplo. com a reserva de bens culturais. que devem sua presente prosperidade ao turismo internacional e que contam." "Que os interesses propriamente culturais e os de índole turística se conjugam no que diz respeito à devida preservação e utilização do patrimônio monumental e artístico dos povos da América. mas à medida em que o monumento possa servir ao uso a que se lhe destina já não dependerá apenas de seu valor intrínseco. Do seio de cada comunidade pode e deve surgir a voz de alarme e a ação vigilante e preventiva. para que um monumento possa ser explorado e passe a fazer parte do equipamento turístico de uma região. mantido o caráter ambiental da região. deve ser levado em conta na formalização dos planos correspondentes."Que nos países de grande riqueza patrimonial de bens de interesse arqueológico. da sua significação ou interesse arqueológico. por si só. os monumentos são parte do equipamento de que se dispõe para operar essa indústria numa região determinada. Carentes da suficiente formação cívica para julgar o interesse social como uma expressão decantada do próprio interesse individual. O estímulo a agrupamentos cívicos de defesa do patrimônio. histórico ou artístico. praças e lugares. VIII . costuma ocorrer uma reação favorável de cidadania que paralisa a ação destrutiva e permite a consecução de objetivos mais ambiciosos. histórico e artístico. com a indiferença ou a cumplicidade das autoridades locais. Uma vez que se apreciam os resultados de certas obras de restauração e de revitalização de edifícios. Daí que as obras de restauração nem sempre sejam suficientes.O interesse social e a ação cívica É presumível que os primeiros esforços dirigidos a revalorizar o patrimônio monumental encontrem uma ampla zona de resistência na órbita dos interesses privados. especialmente nas dos países europeus. entre suas principais fontes de riqueza. especialmente em localidades que não dispõem ainda de diretrizes urbanísticas e onde a ação protetora em nível nacional é débil ou nem sempre eficaz. Podem ser necessárias outras obras de infra-estrutura. os habitantes de uma população contagiada pela febre do progresso não podem medir as conseqüências dos atos de vandalismo urbanístico que realizam alegremente.

deve se levar em conta a conveniência de um programa anexo de educação cívica. é o complemento do esforço nacional.Os instrumentos da valorização A adequada utilização dos monumentos de principal interesse histórico e artístico implica primeiramente a coordenação de iniciativas e esforços de caráter cultural e econômicoturísticos. os seguintes: a) Reconhecimento de uma excepcional prioridades dos projetos de valorização da riqueza monumental. c) Direção coordenada do projeto através de um instituto idôneo. d) Designação de uma equipe técnica que possa contar com assistência exterior durante a elaboração dos projetos específicos ou durante sua execução. Não pode haver essa necessária coordenação se não existem no país em questão as condições legais e os instrumentos técnicos que a tomem possível. Do ponto de vista cultural. tanto em termos técnicos como financeiros. . os resultados perseguidos serão mais satisfatórios. A integração dos projetos culturais e econômicos deve produzir-se em nível nacional como medida prévia a toda gestão de assistência ou cooperação exterior. organização técnica e planejamento nacional. As medidas e procedimentos que se seguem destinam-se a essa finalidade. Aos governos dos diferentes Estados Membros cabe a iniciativa. Compete ao governo dotar o país das condições que tomem possível a formulação e execução de projetos específicos de valorização. Na medida em que esses interesses coincidentes se unam e identifiquem. são requisitos prévios a qualquer propósito oficial dirigido a revalorizar seu patrimônio monumental: legislação eficaz.Em qualquer caso. Os investimentos que se requerem para a execução dos referidos projetos devem ser feitos simultaneamente com os que são necessários para o equipamento turístico da zona ou região objeto de revalorização. na preparação desses planos. São requisitos indispensáveis aos efeitos citados. dentro do Plano Nacional para o Desenvolvimento. Recomendações (em nível nacional) Os projetos de valorização do patrimônio monumental fazem parte dos planos de desenvolvimento nacional e. Daí que. outras disposições governamentais que facilitem o projeto de valorização fazendo prevalecer. muito especialmente nas pequenas comunidades. em todas as circunstâncias. IX . consequentemente. capaz de centralizar sua execução em todas as etapas. b) Legislação adequada ou. devem a eles se integrar. Essa integração. em sua falta. desenvolvido sistemática e simultaneamente à execução do projeto. o interesse público. aos países corresponde a tarefa prévia de formular seus projetos e integrá-los com os planos gerais para o desenvolvimento. a colaboração espontânea e múltipla dos particulares nos planos de valorização do patrimônio histórico e artístico é absolutamente imprescindível.

especialmente. Recomendações(em nível interamericano) Reiterar a conveniência de que os países da América adotem a Carta de Veneza como norma mundial em matéria de preservação de sítios e monumentos históricos e artísticos. Consequentemente. à Espanha e a Portugal. em Sevilha. absolutamente necessário em todo trabalho dessa natureza um estudo prévio de investigação histórica. o desenvolvimento de uma campanha cívica que possibilite a formação de uma consciência pública favorável. procederse-á no sentido de estabelecê-los de forma adequada. na conformidade com um plano regulador de alcance nacional ou regional. A restauração termina onde começa a hipótese. fortalezas e grande número de edifícios. juntamente com copiosíssima documentação oficial.A valorização da riqueza monumental só pode ser levada a efeito dentro de um quadro de ação planificada. durante a sua formulação. A necessária coordenação dos interesses propriamente culturais relativos aos monumentos ou conjuntos ambientais. constituídos do acervo de museus e arquivos. . dada a participação histórica de ambos na formação desse patrimônio e a comunhão dos valores culturais que os mantêm unidos aos povos deste continente. Vincular a necessária revalorização do patrimônio monumental e artístico das nações da América a outros países extra-continentais e. deve-se ter presente. por isso. nos das índias. Uma vez que a Espanha conserva em seus arquivos farto material de plantas sobre as cidades da América. e os de caráter turístico deverá produzir-se no âmago da direção coordenada do projeto a que se refere a letra c) do inciso 3. bem como do acervo sociológico do folclore nacional. À falta desses planos. capaz de proteger de maneira mais ampla e efetiva essa parte importantíssima do patrimônio cultural do continente dos múltiplos riscos que a ameaçam. histórico e artístico a outros bens do patrimônio cultural. Estender o conceito generalizado de monumento às manifestações próprias da cultura dos séculos XIX e XX. sem prejuízo de adotarem outros compromissos e acordos que se tomem recomendáveis dentro do sistema interamericano. Nesse sentido. de maneira muito especial. Recomendar que seja redigido um novo documento hemisférico que substitua o Tratado Interamericano sobre a Proteção de Móveis de Valor Histórico (1935). A cooperação dos interesses privados e o respaldo da opinião pública são indispensáveis para a realização de qualquer projeto de valorização. quer dizer. torna-se altamente necessário que a OEA coopere com a Espanha no trabalho de atualizar e facilitar as investigações nos arquivos espanhóis e. como medida prévia de toda a gestão relativa à assistência técnica ou à ajuda financeira externa. tornando-se. Recomendar à Organização dos Estados Americanos que estenda a cooperação que se propôs prestar à revalorização dos monumentos de interesse arqueológico. e dado que a catalogação desses documentos imprescindíveis foi interrompida em data anterior à da maioria das construções coloniais. toma-se imprescindível a integração dos projetos que se venham a promover com os planos reguladores existentes na cidade ou na região de que se trate. o que dificulta extremamente sua utilização.

torna-se recomendável satisfazer as necessidades em matéria de restauração de bens móveis. Medidas Legais É necessário atualizar a legislação de proteção vigente nos Estados americanos. até certo ponto. Da mesma forma. amparado pelo acordo de cooperação técnica da OEA. amplos acordos de colaboração. Sem prejuízo do estabelecido anteriormente e a fim de satisfazer imediatamente tão imperiosas necessidades. Madrid. assim como. que corresponderá à de maior densidade monumental ou de ambiente. Ao atualizar a legislação vigente. obter dos Estados-membros a adoção de medidas de emergência capazes de eliminar os riscos do comércio ilícito de peças do patrimônio cultural e que se ative a sua devolução ao país de origem. de caráter interamericano. com maior tolerância. celebrar com o Instituto de Cultura Hispânica. na sua próxima reunião.Espanha e com o Centro Regional Latinoamericano de Estudos para a Conservação e Restauração de Bens Culturais do México. com o objetivo de controlar toda forma publicitária que tenda a alterar as características ambientais das zonas urbanas de interesse histórico. b) zona de proteção ou respeito. Da mesma forma deve-se tomar em consideração a possibilidade de estimular a iniciativa privada. Toda vez que se tome necessário o intercâmbio de experiências sobre os problemas próprios da América e convém manter-se uma adequada unidade de critérios relativos à matéria. o espaço urbano que ocupam os núcleos ou conjuntos monumentais e de interesse ambiental deve limitar-se da seguinte forma: a) zona de proteção rigorosa. a fim de procurar integrá-la com a natureza circundante. recomenda-se reconhecer a Sociedade de Arquitetos Especializados em Restauração de Monumentos. os países deverão ter em conta o maior valor que adquirem os bens imóveis incluídos na zona de valorização. toma-se recomendável tomar as providências adequadas para a criação de um centro ou instituto especializado em matéria de restauração. c) zona de proteção da paisagem urbana. Para os efeitos de legislação de proteção. mediante o fortalecimento dos órgãos existentes e a criação de outros novos. a fim de tomar eficaz sua aplicação aos efeitos pretendidos. mediante a implantação de um regime de isenção fiscal nos edifícios que se restaurem com capital particular e dentro dos regulamentos estabelecidos pelos órgãos .Enquanto não se ultima o estabelecido no item anterior. com sede provisória no Instituto de Cultura Hispânica. É necessário revisar as disposições regulamentares locais que se aplicam à matéria de publicidade. Tendo em vista que a escassez de recursos humanos constitui um grave inconveniente para a realização de planos de valorização. bem assim. recomenda-se à Secretaria Geral da OEA utilizar as facilidades que oferecem seus atuais programas de Bolsas e Habilitação Extracontinental e. recomenda-se que o Conselho Interamericano Cultural providencie. uma vez provada sua exportação clandestina ou aquisição ilegal. e proporcionar sua instalação definitiva num dos Estados Membros. as limítrofes.

competentes. Outros desencargos fiscais podem também ser estabelecidos como compensação às limitações impostas à propriedade particular por motivo de utilidade pública. Medidas Técnicas A valorização de um monumento ou conjunto urbano de interesse ambiental é o resultado de um processo eminentemente técnico e, consequentemente, sua execução oficial deve ser confiada diretamente a um órgão de caráter especializado, que centralize todas as atividades. Cada projeto de valorização constitui um problema específico e requer uma solução também específica. A colaboração técnica dos peritos nas diversas disciplinas que deverão intervir na execução de um projeto é absolutamente essencial. Da acertada coordenação dos especialistas irá depender, em boa parte, o resultado final. A prioridade dos projetos fica subordinada à estimativa dos benefícios econômicos, que derivariam de sua execução para uma determinada região. Entretanto, em tudo que for possível, deve-se ter em conta a importância intrínseca dos bens objeto de restauração ou revalorização e a situação de emergência em que eles se encontram. Em geral, todo projeto de valorização envolve problemas de caráter econômico, histórico, técnico e administrativo. Os problemas técnicos de conservação, restauração e reconstrução variam segundo a natureza do bem cultural. Os monumentos arqueológicos, por exemplo, exigem a colaboração de especialistas na matéria. A natureza e o alcance dos trabalhos que é preciso realizar em um monumento exigem decisões prévias, produto do exaustivo exame das condições e circunstâncias que nele concorrem. Decidida a forma de intervenção a que deverá ser submetido o monumento, os trabalhos subseqüentes deverão prosseguir com absoluto respeito ao que evidencia sua substância ou ao que apontam, indubitavelmente, os documentos autênticos em que se baseia a restauração. Nos trabalhos de revalorização de zonas ambientais, toma-se necessária a prévia definição de seus limites e valores. A valorização de uma zona histórica ambiental, já definida e avaliada, implica: a) estudo e determinação de seu uso eventual e das atividades que nela deverão desenvolverse; b) estudo da magnitude dos investimentos e das etapas necessárias até o término dos trabalhos de restauração e conservação, incluídas as obras de infra-estrutura e adaptações exigidas pelo equipamento turístico para sua valorização; c) estudo analítico do regime especial a que a zona ficará submetida, a fim de que as construções existentes e as futuras possam ser efetivamente controladas; d) a regulamentação das zonas adjacentes ao núcleo histórico deve estabelecer, além do uso da terra e densidade da respectiva ocupação, a relação volumétrica como fator determinante da paisagem urbana e natural; e) estudo do montante das inversões necessárias para o adequado saneamento da zona a ser valorizada;

f) estudo das medidas preventivas necessárias para a manutenção permanente de zona a valorizar. A limitação dos recursos disponíveis e o necessário adestramento das equipes técnicas requeridas pelos planos de valorização tornam aconselhável a prévia formulação de um projeto piloto no local em que melhor se conjuguem os interesses econômicos e as facilidades técnicas. A valorização de um núcleo de interesse histórico-ambiental de extensão que exceda as possibilidades econômicas imediatas pode e deve ser projetado em duas ou mais etapas, que seriam executadas progressivamente, de acordo com as conveniências do equipamento turístico. Não obstante, o projeto deve ser concebido em sua totalidade, sem que se interrompam ou diminuam os trabalhos de classificação, investigação e inventário.

Conferência Geral da Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura 15a Sessão
19 de novembro de 1968 RECOMENDAÇÃO SOBRE A CONSERVAÇÃO DOS BENS CULTURAIS AMEAÇADOS PELA EXECUÇÃO DE OBRAS PÚBLICAS OU PRIVADAS A Conferência Geral da Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura, em sua 15a sessão, realizada em Paris, de 15 de outubro a 20 de novembro de 1968: Considerando que a civilização contemporânea e sua evolução futura repousam nas tradições culturais dos povos e nas forças criadoras da humanidade, assim como em seu desenvolvimento social e econômico. Considerando que os bens culturais são o produto e o testemunho das diferentes tradições e realizações intelectuais do passado e constituem, portanto, um elemento essencial da personalidade dos povos. Considerando que é indispensável preservá-los, na medida do possível e, de acordo com sua importância histórica e artística, valorizá-los de modo que os povos se compenetrem de sua significação e de sua mensagem e, assim, fortaleçam a consciência de sua própria dignidade. Considerando que essa preservação e valorização dos bens culturais, de acordo com o espírito da Declaração de Princípios da Cooperação Cultural Internacional, adotada em 4 de novembro de 1966, durante a 14 a sessão, favorecem uma melhor compreensão entre os povos e, consequentemente, servem à causa da paz. Considerando também que o bem-estar de todos os povos depende, entre outras coisas, de que sua vida se desenvolva em um meio favorável e estimulante, e que a preservação dos bens culturais de todos os períodos de sua história contribui diretamente para isso. Reconhecendo, por outro lado, o papel desempenhado pela industrialização e urbanização a que tende a civilização mundial no desenvolvimento dos povos e em sua completa realização espiritual e nacional. Considerando, entretanto, que os monumentos, testemunhos e vestígios do passado préhistórico, proto-histórico e histórico, assim como inúmeras construções recentes que têm uma importância artística, histórica ou científica, estão cada vez mais ameaçados pelos trabalhos

públicos ou privados resultantes do desenvolvimento da indústria e da urbanização. Considerando que é dever dos governos assegurar a proteção e a preservação da herança cultural da humanidade tanto quanto promover o desenvolvimento social e econômico. Considerando, portanto, que é necessário harmonizar a preservação do patrimônio cultural com as transformações exigidas pelo desenvolvimento social e econômico, e que urge desenvolver os maiores esforços para responder a essas duas exigências em um espírito de ampla compreensão e com referência a um planejamento apropriado. Considerando, igualmente, que a adequada preservação e exposição dos bens culturais contribuem poderosamente para o desenvolvimento social e econômico dos países e das regiões que possuem esse gênero de tesouros da humanidade, através do estímulo ao turismo nacional e internacional. Considerando, enfim, que, em matéria de preservação de bens culturais, a garantia mais segura é constituída pelo respeito e pela vinculação que a própria população experimenta em relação a esses bens e que os Estados Membros poderiam contribuir para fortalecer tais sentimentos através de medidas adequadas, Sendo-lhe apresentadas propostas relativas à preservação dos bens culturais ameaçados por obras públicas ou privadas, questão que constitui o item 16 da ordem do dia da sessão. Após haver decidido, em sua décima terceira sessão, que as propostas sobre esse assunto seriam objeto de uma regulamentação internacional através de uma recomendação aos Estados Membros, Adota, neste décimo nono dia de novembro de 1968, a presente recomendação: A Conferência Geral recomenda aos Estados Membros que apliquem as disposições seguintes, adotando as medidas legislativas ou de outra natureza, necessárias para levar a efeito nos respectivos territórios as normas e princípios formulados na presente recomendação. A Conferência Geral recomenda aos Estados Membros que levem a presente recomendação ao conhecimento das autoridades e órgãos encarregados das obras públicas ou privadas, assim como ao dos órgãos responsáveis pela conservação e pela proteção dos monumentos históricos, artísticos, arqueológicos e científicos. Recomenda que as autoridades e órgãos encarregados do planejamento dos programas de educação e de desenvolvimento do turismo sejam igualmente informados. A Conferência Geral recomenda aos Estados Membros que lhe apresentem, nas datas e na forma a ser por ela determinada, relatórios que digam respeito às medidas adotadas para levar a efeito a presente recomendação. I - Definição Para os efeitos da presente recomendação, a expressão bens culturais se aplicará a: a) Bens imóveis, como os sítios arqueológicos, históricos ou científicos, edificações ou outros elementos de valor histórico, científico, artístico ou arquitetônico, religiosos ou seculares, incluídos os conjuntos tradicionais, os bairros históricos das zonas urbanas e rurais e os vestígios de civilizações anteriores que possuam valor etnológico. Aplicar-se-á tanto aos imóveis do mesmo caráter que constituam ruínas ao nível do solo como aos vestígios arqueológicos ou históricos descobertos sob a superfície da terra. A expressão bens culturais se estende também ao entorno desses bens. b) Bens móveis de importância cultural, incluídos os que existem ou tenham sido encontrados dentro dos bens imóveis e os que estão enterrados e possam vir a ser descobertos em sítios arqueológicos ou históricos ou em quaisquer outros lugares.

Princípios gerais As medidas de preservação dos bens culturais deveriam se estender à totalidade do território do Estado e não se limitar a determinados monumentos e sítios. b) O salvamento ou o resgate dos bens culturais situados em local que deva ser transformado pela execução de obras públicas ou privadas. assim como os sítios e monumentos recentes de importância artística ou histórica. as operações de ressecação e de irrigação. Quando uma imperiosa necessidade . d) A construção ou alteração de vias de grande circulação. a continuidade e significação histórica. protegidos por lei ou não. ou controle de inundações. e) A construção de barragens para irrigação. como a aradura profunda da terra. mas também os vestígios do passado não reconhecidos nem protegidos. ainda que respeitem monumentos protegidos por lei mas possam vir a modificar estruturas de menor importância e. cabendo a prioridade a um levantamento minucioso e completo dos bens culturais situados em locais em que obras públicas ou privadas os ameacem. h) Os trabalhos exigidos pelo desenvolvimento da indústria e pelos progressos técnicos das sociedades industrializadas. e que deverão ser preservados e trasladados. As medidas destinadas a preservar ou a salvar os bens culturais deveriam ter caráter preventivo e corretivo. c) Modificações ou reparos inoportunos de edificações históricas isoladas. b) Obras similares em locais onde conjuntos tradicionais de valor cultural possam correr perigo de destruição por não se constituírem em monumentos protegidos por lei. a exploração de minas e de pedreiras e a dragagem e recuperação de canais e de portos. de um monumento ou de outros tipos de bens culturais imóveis contra os efeitos das obras públicas e privadas. II . f) A construção de oleodutos e de linhas de transmissão de energia elétrica. etc. assim. Os Estados Membros deveriam dar a devida prioridade às medidas necessárias para garantir a conservação in situ dos bens culturais ameaçados por obras públicas ou privadas e manterlhes. monumentos ou conjuntos de monumentos de importância histórica.A expressão bens culturais engloba não só os sítios e monumentos arquitetônicos. produção de energia hidroelétrica. g) Os trabalhos agrícolas. desmatamento e nivelamento de terras e reflorestamento. Dever-se-ia ter na devida conta a importância relativa dos bens culturais em causa ao se determinarem medidas necessárias para assegurar: a) A preservação do conjunto de um sítio arqueológico. das dimensões e da situação dos bens culturais. seria preciso criá-los. No caso de não existirem esses inventários. como a construção de aeródromos. assim como do caráter dos perigos a que estão expostos. assim. tais como: a) Os projetos de expansão ou de renovação urbana. no todo ou em parte. o que constitui um perigo especialmente grave para os sítios. As medidas preventivas e corretivas deveriam ter por finalidade assegurar a proteção ou o salvamento dos bens culturais ameaçados por obras públicas ou privadas. arqueológicos e históricos reconhecidos e protegidos por lei. Deveriam ser mantidos inventários atualizados de bens culturais importantes. As medidas a serem adotadas deveriam variar em função da natureza. destruir as vinculações e o quadro que envolve os monumentos nos bairros históricos.

deveriam ser preservados para estudos ou expostos em museus. tenham sido abandonados ou destruídos. Ainda que a diversidade dos sistemas jurídicos e das tradições. assim como a desigualdade dos recursos. de acordo com as normas e princípios definidos nesta recomendação.econômica ou social impuser o traslado. não permitam a adoção de medidas uniformes. de algum outro modo. i) Programas educacionais. inclusive os museus dos sítios ou das universidades. postos à disposição dos futuros pesquisadores os resultados dos estudos de interesse científico e histórico empreendidos em relação aos trabalhos de salvamento de bens culturais. g) Recompensas. As edificações e outros monumentos culturais importantes que tenham sido trasladados para evitar sua destruição por obras públicas ou privadas deveriam ser reinstalados em um sítio ou ambiente semelhante ao de sua implantação primitiva e ao de suas vinculações naturais. e especialmente os espécimes representativos de objetos procedentes de escavações arqueológicas ou encontrados durante trabalhos de salvamentos. b) Financiamento. em grande parte ou na totalidade. c) Medidas administrativas. os trabalhos de salvamento deveriam sempre compreender um estudo minucioso desses bens e o registro completo dos dados de interesse.Medidas de preservação e salvamento A preservação ou o salvamento dos bens culturais ameaçados por obras públicas ou privadas deveria ser assegurada pelos meios abaixo relacionados. e) Sanções. cabendo à legislação e à organização de cada Estado precisar as medidas: a) Legislação. uma legislação que assegure a preservação ou o salvamento dos bens culturais ameaçados pela realização de obras públicas ou privadas. históricas ou artísticas. III . tanto em escala nacional quanto regional. o abandono ou a destruição de bens culturais. Deveriam ser publicados ou. f) Reparações. d) Métodos de preservação e salvamento dos bens culturais. Os bens culturais móveis de grande interesse. h) Assessoramento. Financiamento Os Estados membros deveriam prever o estabelecimento de créditos necessários para as operações de preservação de salvamento dos bens culturais ameaçados pela realização de obras públicas ou privadas. deveriam ser levadas em consideração as seguintes possibilidades: a) As autoridades nacionais ou regionais encarregadas da salvaguarda dos bens culturais deveriam dispor de um orçamento suficiente para poderem assegurar a preservação ou o salvamento dos bens culturais ameaçados por obras públicas ou privadas. especialmente quando os bens culturais imóveis. Legislação Os Estados membros deveriam promulgar ou manter em vigor. ou .

ou c) Deveria ser possível combinar os dois métodos mencionados nas alíneas a e b acima. através das medidas que se seguem: a) Diminuição de impostos. Onde já funcionem órgãos ou serviços oficiais de proteção dos bens culturais deveria competir-lhes a proteção dos bens culturais ameaçados por obras públicas ou privadas. do planejamento urbano e das instituições de pesquisa e educação deveria estar habilitado a prestar assessoria em matéria de preservação dos bens culturais ameaçados por obras públicas ou privadas. para fixar o montante dos fundos destinados à conservação dos bens culturais ameaçados por obras públicas ou privadas. o proprietário deveria ter a oportunidade de requisitar a ajuda necessária das autoridades competentes. Medidas Administrativas A responsabilidade pela preservação e pelo salvamento dos bens culturais ameaçados por obras públicas ou privadas deveria competir a organismos oficiais apropriados. ou por qualquer outro meio apropriado. Se os bens culturais não são protegidos por lei ou de outro modo. Se a magnitude ou a complexidade dos trabalhos necessários tornarem o montante das despesas excepcionalmente elevado. mediante a concessão de subvenções especiais ou a criação de um fundo nacional para a salvaguarda dos monumentos. de um orçamento destinado a ajudar. alguns princípios comuns deveriam ser adotados: a) Um órgão consultivo ou de coordenação composto de representantes das autoridades encarregadas da salvaguarda dos bens culturais. órgãos ou serviços especiais deveriam ser encarregados da preservação dos bens culturais ameaçados por obras públicas ou privadas. a garantirem a manutenção ou a adequada adaptação dessas edificações ou conjuntos a funções que respondam às necessidades da sociedade contemporânea. deveriam levar em conta. inclusive os conjuntos tradicionais. assim como os habitantes de bairros históricos. embora a diversidade dos dispositivos constitucionais e da tradição dos Estados Membros impeça a adoção de um sistema uniforme. e. deveria ser possível obter créditos suplementares através de legislação competente.b) As despesas referentes à preservação ou ao salvamento dos bens culturais ameaçados pela realização de obras públicas ou privadas. deveriam constar do orçamento dessas obras. mediante subvenções. através de uma legislação adequada. As autoridades nacionais ou locais. em especial. cada vez que entrarem em conflito as necessidades da execução . as autoridades locais. inclusive as que façam parte de um conjunto tradicional. ou c) Deveria ser possível combinar os dois métodos mencionados nas alíneas a e b acima. o valor intrínseco de tais bens e a contribuição que podem proporcionar à economia como pólos de atração turística. científico ou histórico. Os serviços responsáveis pela salvaguarda dos bens culturais deveriam estar habilitados a administrar ou utilizar os créditos extra-orçamentários necessários para a preservação ou para o salvamento dos bens culturais ameaçados pela realização de obras públicas ou privadas. Os Estados membros deveriam encorajar os proprietários de edificações que tenham importância artística ou histórica. das empresas de obras públicas ou privadas. ou b) Estabelecimento. inclusive as investigações arqueológicas preliminares. a preservarem o caráter e a beleza dos bens culturais de que dispõem e que possam vir a sofrer danos em consequência de obras públicas ou privadas. de áreas urbanas ou rurais. assim como os proprietários privados. Se não houver tais serviços. arquitetônico. as instituições e os proprietários privados de edificações que tenham um interesse artístico. empréstimos ou outras medidas.

dos vestígios etnológicos de civilizações anteriores e de outros bens culturais imóveis que. de acordo com suas atribuições e necessidades. dos conjuntos tradicionais. e) Deveriam ser adotadas medidas administrativas para designar uma autoridade ou uma comissão encarregada dos programas de desenvolvimento urbano em todas as comunidades que possuam bairros históricos. os edifícios a serem trasladados e os bens culturais móveis cujo salvamento seja necessário garantir. A escolha entre essas variantes deveria basear-se em uma análise comparativa de todos os elementos com o objetivo de adotar a solução mais vantajosa. As medidas destinadas a preservar ou a salvar os bens culturais deveriam ser tomadas com suficiente antecipação ao início de obras públicas ou privadas. sobretudo os sítios pré-históricos que estão particularmente ameaçados por serem difíceis de reconhecer. municipais ou outras) deveriam também dispor de serviços encarregados da preservação e do salvamento dos bens culturais ameaçados por obras públicas ou privadas. b) A extensão dos trabalhos de salvamento necessários. dos bairros históricos dos centros urbanos ou rurais. tanto do ponto de vista econômico quanto no que diz respeito à preservação e ao salvamento dos bens culturais. Métodos de preservação e salvamento dos bens culturais Com a devida antecedência à realização de obras públicas ou privadas que ameacem os bens culturais. os trabalhos de construção deveriam ser retardados para permitir a adoção de medidas indispensáveis a assegurar a preservação ou o salvamento dos bens culturais. Nas regiões importantes do ponto de vista arqueológico ou cultural. conviria. especialistas competentes em matéria de preservação dos bens culturais ameaçados por obras públicas ou privadas: arquitetos. ou de outros órgãos apropriados. tais como cidades. c) Os serviços de salvaguarda dos bens culturais deveriam contar com pessoal qualificado. qualquer nova construção deveria ser obrigatoriamente precedida de escavações arqueológicas de caráter preliminar. seriam . Por ocasião dos estudos preliminares sobre projetos de construção em um local de reconhecido interesse cultural. antes que uma decisão fosse tomada. que seja preciso proteger contra a ameaça de obras públicas ou privadas. urbanistas. b) As autoridades locais (estaduais. arqueólogos. em escala regional ou local. Esses serviços deveriam dispor da possibilidade de obter ajuda dos serviços nacionais. Deveria ser assegurada a salvaguarda dos sítios arqueológicos importantes.de obras públicas ou privadas e os trabalhos de preservação e salvamento dos bens culturais. deveriam ser realizados aprofundados estudos para determinar: a) As medidas a serem tomadas para assegurar a proteção in situ dos bens culturais importantes. historiadores. Se necessário. tais como a escolha dos sítios arqueológicos a serem escavados. sem isso. protegidos ou não pela lei. que se elaborassem diversas variantes desses projetos. d) Deveriam ser tomados medidas administrativas para coordenar as atividades dos diversos serviços responsáveis pela salvaguarda dos bens culturais e as de outros serviços encarregados de obras públicas ou privadas e as dos demais serviços cujas funções tenham relação com o problema de preservar ou salvar os bens culturais ameaçados por obras públicas ou privadas. ou no qual seja provável encontrar objetos de valor arqueológico ou histórico. que deveriam estar protegidos pela legislação de cada país. inspetores e outros especialistas e técnicos. aldeias. sítios e monumentos de interesse. sítios e bairros históricos.

se o sítio se revelasse importante. Deveria ser proibida a publicidade comercial através de cartazes ou anúncios luminosos. A preservação dos monumentos deveria ser uma condição essencial em qualquer plano de urbanização. restauração do sítio ou do monumento às expensas dos responsáveis pelos danos causados. Poder-se-iam adotar. Caso necessário. b) Em caso de achado arqueológico fortuito. essas aquisições poderiam ser feitas através de expropriação. que deveriam prever penas de multa ou de prisão. de bens móveis. destruídos. através de medidas que estabeleçam a proteção legal ou a criação de zonas protegidas: a) As reservas arqueológicas deveriam ser objeto de medidas de zoneamento ou de proteção legal e. Os Estados Membros deveriam adotar disposições que permitam às autoridades nacionais ou locais ou aos órgãos competentes adquirir os bens culturais importantes que corram perigo em conseqüência de obras públicas ou privadas. pagamento de indenização por perdas e danos ao Estado quando hajam sido deteriorados. além disso. especialmente quando se tratar de cidades ou bairros históricos. que permitisse. mal conservados ou abandonados bens culturais imóveis. de aquisição imobiliária. ou ambas. que poderia ser suspensa quando se tratar de edificações a serem erigidas em uma zona de interesse histórico. mas as empresas comerciais poderiam ser autorizadas a indicar sua presença por meio de uma sinalização corretamente apresentada. deveriam ser suspensas as obras de construção para permitir as escavações completas. Sanções Os Estados Membros deveriam adotar as medidas necessárias para que as infrações cometidas intencionalmente ou por negligência em relação à preservação ou ao salvamento de bens culturais ameaçados por obras públicas ou privadas sejam severamente punidas por seus códigos penais. eventualmente. b) Os bairros históricos dos centros urbanos ou rurais e os conjuntos tradicionais deveriam estar registrados como zonas protegidas e uma regulamentação adequada para preservar o entorno e seu caráter deveria ser adotada. que tenham sido ocultados. Reparações . Esse serviço submeteria a descoberta a um detido exame e.ameaçados por obras públicas ou privadas. Os Estados Membros deveriam impor a qualquer pessoa que encontre vestígios arqueológicos durante a realização de obras públicas ou privadas a obrigação de comunicar seu achado o mais rápido possível ao serviço competente. Deveriam ser permitidas modificações na regulamentação ordinária relativa às novas construções. previstas indenizações ou compensações adequadas pelo atraso ocasionado. por exemplo. Os arredores e o entorno de um monumento ou de um sítio protegido por lei deveriam também ser objeto de disposições análogas para que seja preservado o conjunto de que fazem parte e seu caráter. para que seja possível efetuar escavações profundas ou preservar os vestígios descobertos. as seguintes medidas: a) Quando for possível. determinar e decidir em que medida poderiam ser reformados os edifícios de importância histórica ou artística e a natureza e o estilo das novas construções. confisco sem indenização.

órgãos públicos que se ocupam do desenvolvimento do turismo e associações de educação popular deveriam desenvolver programas destinador a tornar conhecidos os perigos que as obras públicas ou privadas realizadas sem a devida preparação podem ocasionar aos bens culturais e a enfatizar que as atividades destinadas a preservar os bens culturais contribuem para a compreensão internacional. em instituições ou nas municipalidades . associações históricas e culturais.Os Estados membros deveriam adotar. as associações e as municipalidades a participar dos programas de preservação ou de salvamento dos bens culturais ameaçados por obras públicas ou privadas. a título de gratificação. assessoramento técnico ou supervisão que lhes permitam assegurar a manutenção de normas adequadas em relação à preservação ou ao salvamento de bens culturais ameaçados por obras públicas ou privadas. a associações ou a prefeituras que não dispõem de experiência ou de pessoal necessário. Assessoramento Os Estados Membros deveriam proporcionar aos particulares. se necessário. Estabelecimentos de ensino. Museus. poder-se-iam adotar as seguintes medidas: a) Efetuar pagamentos. Deveriam prever também a possibilidade de obrigar as autoridades locais e os proprietários particulares de bem culturais importantes a procederem às reparações ou às restaurações. a restauração ou a reconstrução dos bens culturais deteriorados por obras públicas ou privadas. medalhas ou outras formas de reconhecimento às pessoas . às pessoas que notificarem achados arqueológicos ou entregarem os objetos descobertos. em associações. as medidas necessárias para assegurar a reparação. . instituições educativas ou outras organizações interessadas deveriam preparar exposições especiais para ilustrar os perigos que as obras públicas ou privadas não controladas representam para os bens culturais e as medidas que tenham sido adotadas para garantir a preservação ou o salvamento dos bens culturais ameaçados por essas obras. os Estados Membros deveriam empenhar-se em estimular e fomentar entre seus nacionais o interesse e o respeito pelo seu próprio patrimônio cultural e pelo de outros povos.que tenham prestado eminente colaboração aos programas de preservação e salvamento de bens culturais ameaçados por obras públicas ou privadas. com o objetivo de assegurar a preservação ou o salvamento dos bens culturais ameaçados por obras públicas ou privadas. Programas Educativos Em espírito de colaboração internacional. b) Outorgar certificados. assim como exemplos de casos em que bens culturais hajam sido eficazmente preservados ou salvos.inclusive as que desempenhem funções nos órgãos de governo. artigos na imprensa e programas de rádio e de televisão deveriam divulgar a natureza dos perigos que obras públicas ou privadas mal concebidas podem ocasionar aos bens culturais. Para isso. Recompensas Os Estados Membros deveriam encorajar os particulares. entre outras. Publicações especializadas. quando a natureza do bem o permitir. sendo-lhes concedida assistência técnica ou financeira.

recomenda-se a criação de serviços estaduais. os prefeitos de municípios interessados. em união de propósito. articulados devidamente com os Conselhos Estaduais de Cultura e com a DPHAN. de 1937. Presidentes e Representantes de Instituições Culturais Os Governadores de Estado presentes ao encontro promovido pelo Ministério da Educação e Cultura. órgãos estaduais e municipais adequados. solidários integralmente com a orientação traçada pelo Ministro Jarbas Passarinho. a Diretoria do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (DPHAN). a quem incumbe executá-la. os presidente e representantes de instituições culturais igualmente convocadas. atendido o que dispõe o art. fornecendo-lhes as diretrizes tendentes à desejada uniformidade. à cultura tradicional e à natureza. Para a obtenção dos resultados em vista. e nas recomendações que nele se contêm. Prefeitos de Municípios Interessados. Aos Estados e Municípios também compete. as resoluções adotadas no documento ora por todos subscrito e que se chamará Compromisso de Brasília. arquivologistas e museólogos de diferentes especialidades. No plano da proteção da natureza. os Secretários de Estado e demais representantes dos governadores que. através de unânime aprovação. que os Estados e Municípios secundem o esforço pelo mesmo instituto empreendido para a implantação territorial definida dos parques nacionais. De acordo com a disposição legal acima citada. conservadores de pintura. do Conselho Federal de Cultura. Impõe-se complementar os recursos orçamentários normais com o apelo a novas fontes de receita de valor real. escultura e documentos. os credenciaram. a proteção dos bens culturais de valor regional. para o mesmo efeito. 23 do Decreto-Lei 25. colaborará a DPHAN com os Estados e Municípios que ainda não tiverem legislação específica. Secretários Estaduais da Área Cultural. serão criados onde ainda não houver. médio e artesanal.Compromisso de Brasília de abril de 1970 1º Encontro dos Governadores de Estado. para o estudo da complementação das medidas necessárias à defesa do patrimônio histórico e artístico nacional. Para remediar a carência de mão-de-obra especializada. nos níveis superiores. é indispensável criar cursos visando à formação de arquitetos restauradores. com a orientação técnica da DPHAN. em articulação com o Instituto Brasileiro de Desenvolvimento Florestal e. e manifestando todo o apoio à política de proteção aos monumentos. orientados pelo DPHAN e pelo Arquivo Nacional os cursos de nível superior. resumida no relatório apresentado pelo diretor do órgão superior. . para fins de uniformidade da legislação em vista. bem assim. na exposição por sua excelência feita ao abrir-se a reunião. decidiram consolidar. Reconhecem a inadiável necessidade de ação supletiva dos Estados e dos Municípios à atuação federal no que se refere à proteção dos bens culturais de valor nacional.

deverão ser incluídas nos currículos escolares. Recomenda-se a preservação do patrimônio paisagístico e arqueológico dos terrenos de Marinha. Sendo o culto ao passado elemento básico da formação da consciência nacional. noções que estimulem a atenção para os monumentos representativos da tradição nacional. médio e superior. para cujo efeito será apreciável a colaboração do Arquivo Nacional com as congêneres repartições estaduais e municipais. outrossim. Recomenda-se a defesa do acervo arquivístico. a televisão. no currículo das escolas de Arte. guarda ou serventia. tendo em vista a educação cívica e o respeito da tradição. a introdução. atendidas as peculiaridades regionais. Recomenda-se a instituição de museus regionais. municipais. tais como a imprensa escrita e falada. no nível médio. estaduais. em cursos especiais para professores do ensino fundamental e médio. Recomenda-se a conservação do acervo bibliográfico. e nos cursos não especializados. a de Estudos Brasileiros. das riquezas naturais. Há. de disciplina de História da Arte no Brasil. através da disciplina de Educação Moral e Cívica. Caberá às universidades o entrosamente com bibliotecas e arquivos públicos nacionais. de nível primário. instrumentação e valorização desse patrimônio. parte destes consagrados aos bens culturais ligados à tradição nacional. adotado o seguinte critério: no nível elementar. o cinema. das jazidas arqueológicas e préhistóricas. necessidade premente do entrosamento com a hierarquia eclesiástica e superiores de ordens religiosas e confrarias. para que todas as obras que se venham a efetuar em imóveis de valor histórico ou artístico de sua posse. os vários meios de comunicação de massas. bem assim os arquivos eclesiásticos e de instituições de alta cultura. de maneira a habilitá-los a transmitir às novas gerações a consciência e interesse do ambiente histórico-cultural. Com o mesmo objetivo. utilizando-se. no nível superior (a exemplo do que já existe no curos de Arquitetura com a disciplina de Arquitetura no Brasil. e da cultura popular. e também que. Caberá às secretarias competentes dos Estados a promoção e divulgação do acervo dos bens culturais da respectiva área. sugerindo-se oportuna legislação que subordine as concessões nessas áreas à audiência prévia dos órgãos incumbidos da defesa dos bens históricos e artísticos. de modo a ser evitada a destruição de documentos. para este fim. é de desejar que nos Estados seja confiada a especialistas a elaboração de monografias acerca dos aspectos sócio-econômicos regionais e valores compreendidos no respectivo patrimônio histórico e artístico. no sentido de incentivar a pesquisa quanto à melhor elucidação do passado e à avaliação de inventários dos bens regionais cuja defesa se propugna. sejam precedidas . segundo a orientação geral da DPHAN. que documentem a formação histórica.Não só a União. matérias que versem o conhecimento e a preservação do acervo histórico e artístico. observadas as normas técnicas oferecidas pelos órgãos federais especializados na defesa. se lhes propicie a conveniente informação sobre tais problemas. devidamente estruturados. ou tendo por fim preservá-los convenientemente. mas também os Estados e municípios se dispõem a manter os demais cursos.

Diretores dos Conselhos Estaduais de Defesa do Patrimônio Histórico. Governadores de Estado presentes à reunião por s.da audiência dos órgãos responsáveis pela proteção dos monumentos. sensível à conveniência da criação do Ministério da Cultura. Os participantes do Encontro ouviram com muito agrado a manifestação do Ministro de Estado. Que a mesma cautela prevista no item anterior seja tomada junto às autoridades militares. prof. Brasília. Carlos Humberto Pederneiras Corrªe. Diretor do Departamento de Cultura. O Conselho Federal de Cultura e os Conselhos Estaduais de Cultura opinarão sobre as demais propostas apresentadas à conferência. no sentido de efetivar-se o controle do comércio de obras de arte antiga. prof. é extremamente complexo. da Educação e Cultura. Pelo Estado de Santa Catarina assinaram o documento os professores Jaldir Bhering Faustino da Silva. no Rio Grande do Sul. para o efeito de as encaminhar oportunamente à autoridade competente. em relação aos antigos fortes. Artur Cesar Ferreira Reis. Diretores dos Departamentos de Cultura. e consideram chegada esta oportunidade. representante da Universidade Federal de Santa Catarina e da comissão especial que estuda a organização do Conselho de Defesa do Patrimônio Histórico do Estado nomeada pelo Governador Ivo Silveira. prof. Recomenda-se utilização preferencial para casas de cultura ou repartições de atividades culturais. Renato Soeiro. convocada. dos imóveis de valor histórico e artístico cuja proteção incumbe ao poder público. ou das ruínas desta igreja de São Miguel. do Patrimônio Histórico Nacional. e Oswaldo Rodrigues Cabral. nas diversas regiões do país. e delegados de outras entidades culturais do país representadas no conclave. Anexo: O problema da recuperação e restauração de monumentos. . exa. pelos Presidentes do Conselho Federal de Cultura. assinam este compromisso. Recomenda-se aos poderes públicos estaduais e municipais colaboração com a DPHAN. E por terem assim deliberado. Secretário de Estado da Educação e Cultura. considerando os superiores interesses da cultura nacional. Urge legislação defensiva dos antigos cemitérios e especialmente dos túmulos históricos e artísticos e monumentos funerários. para a sua conveniente preservação. trate-se de uma casa seiscentista como estas de São Paulo. 3 de abril de 1970 O Compromisso foi assinado pelo Ministro Jarbas Passarinho. Presidente do Instituto Histórico Brasileiro. instalações e equipamentos castrenses. Secretários de Estado. Pedro Calmon. conforme o seu caráter. tendo em vista a crescente complexidade e o vulto das atividades culturais no país.

N. a manutenção e o destino do bem recuperado.talha.tem procedido ao restauro de monumentos . e manifestando apoio à política de proteção aos bens naturais e de valor cultural. a documentação e o registro das fases da obra e.F. os credenciaram. Arqueológico e Natural do Brasil Ministério da Educação e Cultura IPHAN . desprendimento. capacidade de organização. o estudo preliminar na base de investigação histórica e das pesquisas in loco. chegado o momento de cada Estado criar o seu próprio serviço de proteção vinculado à universidade local. iniciativa e comando e. Lucio Costa. porque depende de técnicos qualificados cuja formação é demorada e difícil. a eleição do que mereça restauro prioritário. Segundo. a apropriação de verbas para esse fim. a Diretoria do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional obra da vida de Rodrigo M. naturais.P. Artístico.H. o tombamento daquilo que deve ser preservado. Os Secretários de Estado e demais representantes dos Governadores que. para o mesmo efeito. mas no acervo de cada região há obras significativas e valiosas cuja preservação escapa à alçada federal. arqueológico e natural do país. solidários integralmente com a orientação que vem sendo traçada pelo Ministro Jarbas Passarinho desde o I Encontro de Brasília. Em união de propósitos. o estudo da documentação recolhida. acervos arqueológicos. praias. principalmente paisagens. arquitetura . para o estudo da complementação das medidas necessárias à defesa do patrimônio histórico. conhecimentos históricos. acuidade investigadora. pois requer. é.A. artístico. pintura. bens móveis. parques. como o inventário histórico-artístico do que exista na região. Os presidentes e representantes de instituições culturais igualmente convocadas. documentos e livros. às municipalidades e à D. de Andrade . conjuntos urbanos.em todo o país.Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional Os Governadores de Estado presentes ao encontro promovido pelo Ministério da Educação e Cultura. para que assim participe diretamente da obra penosa e benemérita de preservar os últimos testemunhos desse passado que é a raiz do que somos . política definida no Relatório apresentado .Primeiro. pois. Apesar da deficiência dos meios. finalmente. em abril de 1970. ainda. porque implica em providências igualmente demoradas.1970 Compromisso de Salvador de outubro de 1971 II Encontro de Governadores para Preservação do Patrimônio Histórico. a escolha de técnicos.. além do tirocínio de obras e de familiaridade com os processos construtivos antigos. monumentos arquitetônicos. Os Prefeitos de municípios interessados. sensibilidade artística.e seremos. por fim.

do IBDF e dos órgãos estaduais e municipais da mesma área. para o desenvolvimento da indústria do turismo. capazes de permitir o pleno atendimento de seus objetivos. a partir de estudos inciais de qualquer natureza. Recomenda-se que os Estados e Municípios utilizem. no sentido de que voltem suas atenções para os problemas. no sentido de ampliar o conceito de visibilidade de bem tombado. para colaborarem no custeio de todas as operações necessárias à realização de obras em edifícios tombados. Recomenda-se a criação de legislação complementar no sentido de proteção mais eficiente dos conjuntos paisagísticos. para atendimento do conceito de ambiência. utilização e divulgação dos bens naturais e de valor cultural especialmente protegidos por lei. com utilização preferencial de imóveis tombados. que se chamará "Compromisso de Salvador": Recomenda-se a criação do Ministério da Cultura. sejam lhe dadas condições especiais em recursos financeiros e humanos. Na presente oportunidade encaminham à consideração dos responsáveis as seguintes proposições adotadas no documento ora assinado. o "Compromisso de Brasília". as percentagens a que alude a recomendação anterior. cujo alto significado reconhecem. bibliotecas e arquivos. as percentagens do Fundo de Participação dos Estados e Municípios definidas pelo Tribunal de Contas da União.pelo Diretor do IPHAN. os planos urbanos e regionais de áreas ricas em bens naturais e de valor cultural especialmente protegidos por lei. contem com a orientação do IPHAN. com acervos de importância comprovada. e de Secretarias ou Fundações de Cultura no âmbito estadual. Recomenda-se a convocação dos órgãos responsáveis pelo planejamento do turismo. Recomenda-se que os órgãos responsáveis pela política de turismo estudem medidas que facilitem a implantação de pousadas. em todos os seus itens. para obtenção de financiamento. Recomenda-se. a criação de fundos provenientes de dotações orçamentárias e doações. com especial atenção para planos que visem à preservação e valorização dos monumentos naturais e de valor cultural especialmente protegidos por lei. bem como os projetos de obras públicas e particulares que afetam áreas de interesse referentes aos bens naturais e aos de valor cultural especialmente protegidos por lei. aplaudem e apoiam. para fins de restauração e valorização dos bens de valor cultural. ou outros incentivos fiscais. Recomenda-se que os planos diretores e urbanos. por meio de acordos e convênios. Recomenda-se que se pleiteie do Tribunal de Contas da União sejam extensivas aos museus. uma ação conjunta entre a administração pública e as autoridades eclesiásticas. Recomenda-se. reconhecendo o imenso proveito para a cultura brasileira alcançado como conseqüência do referido Encontro de Brasília. Recomenda-se a instituição de normas para inscrição compulsória dos bens móveis de valor cultural. Recomenda-se a convocação do Banco Nacional de Habitação e dos demais órgãos financiadores de habitação. bem assim de certificado de autenticidade e propriedade obrigatórios para . na reorganização do IPHAN. para fins de atendimento à proteção dos bens naturais e de valor cultural especialmente protegidos por lei. Recomenda-se a criação de legislação complementar. arquitetônicos e urbanos de valor cultural e de suas ambiências. Recomenda-se que. na proteção dos bens naturais e de valor cultural. nos âmbitos nacional e estadual. Recomenda-se a convocação da FINEP e de órgãos congêneres. Recomenda-se que também sejam considerados prioritários. Ratificam.

com vistas ao estudo e à proteção dos acervos naturais e de valor cultural. para a formação do corpo de fiscais na área de comércio de bens móveis de valor cultural. Recomenda-se que seja complementada a legislação vigente. para fins de atendimento da legislação específica. na organização do DAC. que permita aos diplomados a prestação de serviços nos museus do interior. através do órgão específico federal. onde não haja profissional de nível superior. sejam previstas maiores possibilidades de apoio e estímulo às manifestações de caráter popular e folclórico.transferência ou fins comerciais.Bahia. Recomenda-se que os governos estaduais promovam. outrossim: . e elaboração do calendário das diferentes festas tradicionais e folclóricas. através de órgão competente. Recomenda-se a convocação do Conselho Nacional de Pesquisas da CAPES para o financiamento de projetos de pesquisas e de formação de pessoal especializado. com vistas a disciplinar as pesquisas e trabalhos arqueológicos. museologia e arte. do Departamento de Assuntos Culturais do MEC.a inscrição como monumento de valor cultural. Recomenda-se que sejam criados. nas suas respectivas áreas. por ocasião do transcurso do sesquicentenário da Independência do Brasil. centros de estudo dedicados à investigação do acervo natural e de valor cultural em suas respectivas áreas de influência. no âmbito das universidades brasileiras. dando igualmente inteiro apoio à realização de festivais. Paraná.a criação do Parque Histórico da Independência da Bahia. em Pirajá.a publicação pelas administrações estaduais e municipais de livros e documentos referentes à história da Independência brasileira. Recomenda-se que se pleiteie dos poderes competentes a necessidade de diploma legal que confira aos governos estaduais a responsabilidade da administração das cidades consideradas monumento nacional.a criação do Museu do Mate. . . através dos seus órgãos específicos. Recomenda-se aos governos estaduais que incluam no ensino de 2º grau curso complementar de estudos brasileiros e museologia. Recomenda-se que. com a planificação. Sugerem. inclusive dos arquivos notariais. em sentido nacional. exibições ou apresentações que visem a difundir e preservar as tradições folclóricas de seus respectivos Estados. . . do acervo urbano de Lençóis . Bahia. Recomenda-se aproveitamento remunerado de estudantes de arquitetura. Recomenda-se a adoção de convênios entre o IPHAN e as universidades. no Município de Campo Largo. com o objetivo de proceder ao inventário sistemático dos bens móveis de valor cultural.

Convenção sobre a Proteção do Patrimônio Mundial.os monumentos: obras arquitetônicas. para todos os povos do mundo. adotar novas disposições convencionais que estabeleçam um sistema eficaz de proteção coletiva do patrimônio cultural e natural de valor universal excepcional. científicos e técnicos do país em cujo território se acha o bem a ser protegido. que esta questão seria objeto de uma convenção internacional. Considerando que é indispensável.Para os fins da presente convenção serão considerados como patrimônio cultural: . a complete eficazmente. para esse fim. cabe a toda a coletividade internacional tomar parte na proteção do patrimônio cultural e natural de valor universal excepcional. o progresso e a difusão do saber. ante a amplitude e a gravidade dos perigos novos que os ameaçam. em sua décima-sétima sessão. da arte ou da ciência.os conjuntos: grupos de construções isoladas ou reunidas que. Considerando que. reunida em Paris de 17 de outubro a 21 de novembro de 1972. quando de sua sexta sessão. mediante a prestação de uma assistência coletiva que. Cutural e Natural Aprovada pela Conferência Geral da UNESCO em sua décima sétima reunião Paris. velando pela preservação e proteção do patrimônio universal e recomendando aos povos interessados convenções internacionais para esse fim. a presente Convenção. organizado de modo permanente e segundo métodos científicos e modernos. . cavernas e grupos de elementos que tenham um valor universal excepcional do ponto de vista da história. devido à magnitude dos meios de que necessita e à insuficiência dos recursos econômicos. Considerando que a proteção desse patrimônio em escala nacional é freqüentemente incompleta. Considerando que os bens do patrimônio cultural e natural apresentam um interesse excepcional e. em virtude de sua arquitetura. recomendações e resoluções internacionais existentes relativas aos bens culturais e naturais demonstram a importância que representa. Verificando que o patrimônio cultural e o patrimônio natural são cada vez mais ameaçados de destruição. que se agrava com fenômenos de alteração ou de destruição ainda mais temíveis. A Conferência Geral da Organização das Nações Unidas para a Educação. a salvaguarda desses bens incomparáveis e insubstituíveis. inscrições. Considerando que a degradação ou o desaparecimento de um bem do patrimônio cultural e natural constitui um empobrecimento nefasto do patrimônio de todos os povos do mundo. 16 de novembro de 1972. neste dia dezesseis de novembro de mil novecentos e setenta e dois. mas também pela evolução da vida social e econômica. de escultura ou de pintura monumentais. portanto. não somente pelas causas tradicionais de degradação.Definições do Patrimônio Cultural e Natural Artigo 1o . sem substituir a ação do Estado interessado. elementos ou estruturas de natureza arqueológica. devem ser preservados como elementos do patrimônio mundial da humanidade inteira. . I . Considerando que as convenções. qualquer que seja o povo a que pertençam. e Após haver decidido. Adota. Tendo em mente que a constituição da organização dispõe que esta última ajudará a conservação. a Ciência e a Cultura.

notadamente nos planos financeiro. bem como as zonas. e. artístico. Artigo 5o . inclusive lugares arqueológicos. proteger. VI . Artigo 2o . que tenham valor universal excepcional do ponto de vista da ciência.unidade ou integração na paisagem.as formações geológicas e fisiográficas e as áreas nitidamente delimitadas que constituam o habitat de espécies animais e vegetais ameaçadas e que tenham valor universal excepcional do ponto de vista estético ou científico. conservar. 2 . estético. conservação e valorização do patrimônio cultural e natural situado em seu território. científico e técnico. tenham um valor universal excepcional do ponto de vista da história. II . situado em seu território. utilizando ao máximo seus recursos disponíveis. mediante a assistência e cooperação internacional de que possa beneficiar-se. Artigo 28o .Para os fins da presente convenção serão considerados como patrimônio natural: . fortalecer a apreciação e o respeito de seu povos pelo patrimônio cultural e natural definido nos artigos 1 e 2 da convenção. que tenham valor universal excepcional do ponto de vista estético ou científico.Cada um dos Estados partes na presente convenção reconhece que a obrigação de identificar.A fim de garantir a adoção de medidas eficazes para a proteção.Os Estados partes na presente convenção que receberem assistência internacional em aplicação da convenção tomarão as medidas necessárias para tornar conhecidos a .Caberá a cada Estado parte na presente convenção identificar e delimitar os diferentes bens mencionados nos artigos 1 e 2 situados em seu território.os lugares notáveis naturais ou as zonas naturais estritamente delimitadas.Programas Educativos Artigo 27o 1 . .Obrigar-se-ão a informar amplamente o público sobre as ameaças que pesem sobre esse patrimônio e sobre as atividades empreendidas em aplicação da presente convenção.os lugares notáveis: obras do homem ou obras conjugadas do homem e da natureza.os monumentos naturais constituídos por formações físicas e biológicas ou por grupos de tais formações. lhe incumbe primordialmente. da arte ou da ciência. Artigo 3o . etnológico ou antropológico. e nas condições apropriadas a cada país: a) adotar uma política geral que vise a dar ao patrimônio cultural e natural uma função na vida da coletividade e a integrar a proteção desse patrimônio nos programas de planejamento geral. especialmente por programas de educação e de informação. que tenham valor universal excepcional do ponto de vista histórico. . da conservação ou da beleza natural. quando for o caso. valorizar e transmitir às futuras gerações o patrimônio cultural e natural mencionado nos artigos 1 e 2. os Estados partes na presente convenção procurarão. Procurará tudo fazer para esse fim.Proteção Nacional e Proteção Internacional do Patrimônio Cultural e Natural Artigo 4o .Os Estados partes na presente convenção procurarão por todos os meios apropriados. . na medida do possível.

Cada uma das superintendências de instituições responsáveis pela conservação do patrimônio histórico.Ficam submetidas à disciplina das presentes instruções. às normas por ela estabelecidas e às instruções anexas. histórico ou ambiental. Artigo 4º . artístico e cultural elaborará um programa anual e especificado dos trabalhos de salvaguarda e restauração. pertencentes a qualquer pessoa ou instituição. assim como das prospeções subterrâneas e subaquáticas a serem empreendidas.º 117 Através da circular número 117. Carta do Restauro de 6 de abril de 1972 Ministério de Instrução Pública Governo da Itália Circular n. para que se atenham. são objeto das presentes instruções. . o Ministério da Instrução Pública da Itália divulgou o Documento sobre Restauração de 1972 (Carta do Restauro. em todas as intervenções de restauração em qualquer obra de arte. Artigo 2º . Artigo 5º . para assegurar sua salvaguarda e restauração.importância dos bens que tenham sido objeto dessa assistência e o papel que ela houver desempenhado. particularmente os centros históricos. que adotam o nome de Carta do Restauro 1972. que compreende desde os monumentos arquitetônicos até as de pintura e escultura.Além das obras mencionadas no artigo precedente. seja por conta do Estado ou de outras instituições ou pessoas. entende-se por restauração qualquer intervenção destinada a manter em funcionamento. aqui publicadas na íntegra. que será aprovado pelo Ministério da Instrução Pública. escrupulosa e obrigatoriamente. Artigo 3º . 1972) entre os diretores e chefes de institutos autônomos. os conjuntos de edifícios de interesse monumental. os jardins e parques considerados de especial importância. a facilitar a leitura e a transmitir integralmente ao futuro as obras e os objetos definidos nos artigos precedentes.Entende-se por salvaguarda qualquer medida de conservação que não implique a intervenção direta sobre a obra. além das obras incluídas nos artigos 1 e 2.Todas as obras de arte de qualquer época. na acepção mais ampla. para efeito de sua salvaguarda e restauração. inclusive fragmentados. e desde o período paleolítico até as expressões figurativas das culturas populares e da arte contemporânea. Artigo 1º . ficam assimiladas a essas. de 6 de abril de 1972. as coleções artísticas e as decorações conservadas em sua disposição tradicional. mediante parecer favorável do Conselho Geral de Antigüidades e Belas Artes. as operações destinadas a assegurar a salvaguarda e a restauração dos vestígios antigos relacionados com as pesquisas subterrâneas e subaquáticas.

devem corresponder as operações de salvaguarda e restauração.aditamentos de estilo ou analógicos. 5 . com marcas e datas onde for possível. admitem-se as seguintes operações ou reintegrações: 1 . jamais reintegrando ex novo zonas figurativas ou inserindo elementos determinantes da figuração da obra. o conjunto monumental ou ambiental. ainda quando existirem documentos gráficos ou plásticos que possam indicar como tenha sido ou deva resultar o aspecto da obra acabada. etc.alteração das condições de acesso ou ambientais em que chegou até os nossos dias a obra de arte. nunca deverá chegar à superfície nua da matéria de que são constituídas as obras. 5 . Artigo 7º .aditamentos de partes acessórias de função sustentante e reintegrações de pequenas partes verificadas historicamente. 3 . embora harmônico. recomposição de obras que se tiverem fragmentado. uma vez realizada a operação. 4 ..nova ambientação ou instalação da obra.anastilose documentada com segurança.De acordo com as finalidades a que. especialmente. o jardim. nos casos de emergência ou dúvida previstos na lei. o parque. 2 . 2º e 3º: 1 . particularmente nos pontos de enlace com as partes antigas e. 4 . inclusive em forma simplificada. 2º e 3º. quando já não existirem ou houverem sido destruídas a ambientação ou instalação tradicionais.remoções ou demolições que apaguem a trajetória da obra através do tempo. na aparência da obra vista da superfície não resulte alteração nem cromática nem de matéria. além do detalhamento sobre a conservação da obra. respeitados a pátina e eventuais vernizes antigos. a natureza das intervenções consideradas necessárias e as despesas necessárias para lhes fazer frente. facilmente distinguível ao olhar. o conjunto decorativo.remoção. ou deixando à vista o suporte original e. além disso. ou de aditamentos de estilo que a falsifiquem. Esse informe será igualmente aprovado pelo Ministério de Instrução Pública com parecer prévio do Conselho Superior de Antigüidades e Belas Artes.limpeza de pinturas e esculturas.modificações ou inserções de caráter sustentante e de conservação da estrutura interna ou no substrato ou suporte. executadas. ou quando as condições de conservação exigirem sua transferência. que jamais deverá alcançar o estrato da cor. a menos que isso seja determinado por razões superiores de conservação. reconstrução ou traslado para locais diferentes dos originais. proíbem-se indistintamente para todas as obras de arte a que se referem os artigos 1º. qualquer intervenção nas obras referidas no artigo 1º deverá ser ilustrada e justificada por um parecer técnico em que constarão. 3 . assentamento de obras parcialmente perdidas reconstruindo as lacunas de pouca identidade com técnica claramente distinguível ao olhar ou com zonas neutras aplicadas em nível diferente do das partes originais.alteração ou eliminação das pátinas.Em relação às mesmas finalidades a que se refere o artigo 6º e indistintamente para todas as obras a que se referem os artigos 1º. com clara determinação do contorno das reintegrações. a menos que se trate de alterações limitadas que debilitem ou alterem os valores históricos da obra. para todas as outras categorias de obras. 2 . seu estado atual. segundo o artigo 4º. se for o caso.No âmbito do programa. desde que. Artigo 6º . ou depois de sua apresentação. . ou com adoção de material diferenciado.

De toda essa documentação haverá cópia no arquivo da superintendência competente e outra cópia será enviada ao Instituto Central de Restauração. c e d das presentes instruções. no campo da arqueologia. deve ser realizada de tal modo e com tais técnicas e materiais que fique assegurado que. da química. Anexo A Instruções para a salvaguarda e a restauração dos objetos arqueológicos Além das regras gerais contidas nos artigos da Carta do Restauro. de acordo com parecer justificado do Instituto Central de Restauração. se possível em lugar próximo à zona interventora.A utilização de novos procedimentos de restauração e de novos materiais em relação aos procedimentos e matérias de uso vigente ou de algum modo aceitos. para os conjuntos históricos e. a partir dos pareceres dos superintendentes ou chefes de instituições interessados. nocivos ou não comprovados. a definir as investigações que se devam prover com equipamentos e com especialistas alheios ao equipamento e à planilha de que dispõe. forem indispensáveis modificações de tal gênero com vistas ao fim superior de sua conservação. as partes eliminadas deverão. pictóricos. deverá ser autorizada pelo Ministro da Instrução Pública. Artigo 10º . não ficará inviabilizada outra eventual intervenção para salvaguarda ou restauração. ou em que surgirem conflitos a respeito do assunto. durante e depois da intervenção. no futuro.Qualquer intervenção na obra ou em seu entorno. Artigo 11º . ser conservadas ou documentadas em um arquivodepósito especial das superintendências competentes. Artigo 9º . ouvido o Conselho Superior de Antigüidades e Belas Artes.Nos casos em que houver dúvida sobre a atribuição das competências técnicas. Serão documentadas. da microbiologia e de outras ciências. estão especificados nos anexos a. até mesmo. enquanto que no caso das adições. para a realização de escavações. essas modificações deverão ser realizadas de modo que evitem qualquer dúvida sobre a época em que foram empreendidas e da maneira mais discreta possível. esculturais. Se. decidirá o ministro. é necessário. qualquer intervenção deve ser previamente estudada e justificada por escrito (último parágrafo do artigo 5º) e deverá ser organizado um diário de seu desenvolvimento.Artigo 8º . sempre que possível. a quem também competirá atuar ante o mesmo ministério no que disser respeito a desaconselhar materiais ou métodos antiquados.Os métodos específicos utilizados como procedimento de restauração especialmente para monumentos arquitetônicos. ter presentes exigências particulares relativas à salvaguarda do subsolo . deverá ser deixado um testemunho do estado anterior à operação. a sugerir novos métodos e ao uso de novos materiais. contudo. para os efeitos do disposto no artigo 4º. térmicas ou higrométricas as obras a que se referem os artigos 1º. nem exigir modificações substanciais e permanentes do ambiente em que as obras tiverem sido transmitidas historicamente. 2º e 3º não deverão alterar sensivelmente o aspecto da matéria e a cor das superfícies. b. Artigo 12º . No caso das limpezas. ainda. Além disso. todas as eventuais investigações e análises realizadas com o auxílio da física. a que se anexará a documentação fotográfica de antes.As medidas destinadas a preservar dos agentes contaminadores ou das variações atmosféricas.

impõem-se medidas muito precisas. No caso de serem encontrados elementos desprendidos de uma decoração de estuque. ou de pintura.assim como nas habituais prospeções arqueológicas terrestres . com o objetivo de chegar à consecução de uma forma maris com indicação de todos os restos e monumentos submersos. que constituem dados preciosos para a história do comércio e da vida na antigüidade. O problema de maior importância da salvaguarda do subsolo arqueológico está necessariamente ligado à série de disposições e leis referentes à expropriação. Entre essas condições concretas do resgate . A recuperação dos restos de uma embarcação antiga não deverá ser iniciada antes que hajam sido dispostos os sítios e o necessário acondicionamento especial. eletromagnéticas. os materiais cerâmicos esparsos. todos os tratamentos específicos requeridos.arqueológico e à conservação e restauração dos achados durante as prospeções terrestres e subaquáticas relacionadas no artigo 3º. será sempre necessário efetuar um cuidadoso reconhecimento do terreno para recopilar todos os possíveis dados localizáveis na superfície. para o estabelecimento de planos reguladores e para a vigilância. com ataduras e adesivos adequados. etc. do terreno. com recorrência também à ajuda da fotografia e das prospeções elétricas. sobretudo nos últimos decênios. Durante as explorações arqueológicas terrestres. Para a salvaguarda do patrimônio arqueológico submarino. é aconselhável não proceder a limpeza alguma . especialmente no corpo do utensílio. mantê-los unidos com encolados de gesso. Os sistemas de extração e recuperação de embarcações submersas deverão ser estudados caso a caso. à criação de reservas e parques arqueológicos. Concomitantemente às diferentes medidas a serem tomadas nos diversos casos. com conhecimento preciso da atmosfera e da temperatura. por exemplo. no caso de execução de trabalhos agrícolas ou de urbanização. que permita o resguardo dos materiais recuperados do fundo do mar. de modo que o conhecimento o mais completo possível da natureza arqueológica do terreno permita diretrizes mais precisas para a aplicação das normas de salvaguarda. além disso. antes e durante o seu traslado. de modo que seja facilitado sua recomposição e restauração no laboratório. em função do estado concreto dos restos. tomar-se-ão todas as precauções que permitam a identificação de eventuais vestígios ou restos de seu conteúdo.deverão ser consideradas as especiais exigências de conservação e de restauração dos objetos de acordo com sua categoria e sua matéria. seja para efeito de sua tutela ou para o da programação das pesquisas científicas subaquáticas. principalmente pelas partes lenhosas com grandes e prolongadas lavações. no que concerne à restauração devem se observar as precauções que durante as operações de escavação garantirem a conservação imediata dos descobrimentos. e a ulterior possibilidade de salvaguarda e de restauração definitivas. ou mosaico ou de opus sectile. Na recuperação de vidros. banhos em peculiares substâncias consolidantes. a documentação de elementos que houverem eventualmente aflorado. de ruínas submersas e de esculturas fundidas. da natureza e dos limites das relações. à aplicação de vínculos especiais. levando-se também em conta as experiências adquiridas internacionalmente nesse campo. que começam pela exploração sistemática das costas italianas por pessoal especializado. já que as normas de recuperação e documentação abordam mais especificamente o esquema das normas relativas à metodologia das escavações. é necessário. dever-se-á dedicar especial atenção ao exame e fixação de possíveis inscrições pintadas. especialmente se são susceptíveis de uma deterioração mais fácil. com os materiais cerâmicos e com os utensílios. vinculadas às leis e disposições que afetam as escavações subaquáticas e que se destinam a impedir a violação indiscriminada e irresponsável dos restos de navios antigos e de seu carregamento.

durante o desenvolvimento das escavações.que comporta necessariamente seu . Deverá ser considerado com especial atenção o problema de restauração das obras destinadas a permanecerem ou a serem reinstaladas em seu lugar original.o sistema de cimentação com recheio metálico inoxidável resulta. Quanto aos mosaicos. Para os efeitos da aplicação destas instruções é preciso que. tumbas. inclusive na admissão de visitantes. Para a restauração dos monumentos arqueológicos. é preferível. assim como há que evitar o uso de vernizes ou ceras para reavivar as cores. Particular delicadeza se requer na extração de objetos ou fragmentos de metal. portanto. Especial atenção deve ser prestada a respeito de possíveis vestígios ou reproduções de pedaços de tecidos. evitando o contato direto com a parede e proporcionando. já é amplamente utilizado o suporte em sanduíche de materiais ligeiros. é necessário manter constantes dois fatores essenciais para a melhor conservação das pinturas: o grau de umidade ambiental e a temperatura ambiente. Têm sido experimentados com êxito vários tipos de suportes. nesses casos. Esses fatores se alteram facilmente por causas externas e estranhas a tais ambientes. por causa da facilidade com que podem quebrar-se. especialmente a aglomeração de visitantes. quando para a restauração completa de um monumento . Tais precauções têm sido tomadas no acesso a monumentos préhistóricos pintados na França e na Espanha e seria de desejar que o fossem em muitos de nossos monumentos (tumbas de Tarquínia). quando for necessário. de entelado e encolados em função das condições climáticas. destinam-se a serem expostos em museu. sempre que possível. resistente e manejável. além das normas gerais contidas na "Carta do Restauro" e nas Instruções para os critérios das Restaurações Arquitetônicas. em tal caso. seja garantida a presença de restauradores preparados para uma primeira intervenção de recuperação e fixação. devendo-se recorrer não apenas aos sistemas de consolidação. ao contrário. que permitem a recolocação das pinturas nos espaços convenientemente cobertos de um edifício antigo. sua reinstalação no edifício de que provêm e de cuja decoração constituem parte integrante e. dever-se-iam ter presentes algumas exigências em relação às peculiares técnicas antigas. a obtenção de decalques dos negativos das plantas e de materiais orgânicos susceptíveis de deterioração através de pastas adesivas de gesso aplicadas nas cavidades que tenham permanecido no terreno. pequenos recintos). depois de sua retirada que. sendo suficiente uma limpeza cuidadosa das superfícies originais. devem-se evitar as integrações. Para os mosaicos que. as fortes mudanças atmosféricas do exterior. em troca. os interiores com pinturas parietais in situ (grutas pré-históricas. com ampla e brilhante experiência. Ainda assim. até agora. Em primeiro lugar. No esquema da arqueologia pompeiana se utiliza principalmente. Requerem especiais exigências de proteção diante dos perigos advindos da alteração climática. a iluminação excessiva. através de aparelhos de climatização interpostos entre o ambiente antigo a ser protegido e o exterior. principalmente se estão oxidados. É necessário. com os métodos modernos pode ser feita inclusive em grandes superfícies sem realizar cortes . dando às lacunas uma entonação similar à do reboco grosso.durante a escavação. uma montagem fácil e uma conservação segura. vernizes e inscrições. adotar cuidados especiais. mas também a eventuais suportes adequados ao caso. no sistema mais idôneo e resistente aos agentes atmosféricos. particularmente as pinturas e mosaicos. atmosféricas e higrométricas. No que respeita às cerâmicas e Terracota é indispensável não prejudicar com lavações ou limpezas apressadas a eventual presença de pinturas. pois sempre são susceptíveis de alteração.

o mármore branco pode ser reintegrado com travertino ou calcário em combinações já experimentadas com êxito (restauração de Valadier. ou de caliça. visando à obtenção de um aspecto mais ou menos rústico em relação ao tipo de monumento. O uso do cimento com sua superfície revestida do pó do mesmo material do monumento a ser restaurado pode se mostrar útil para a reintegração de tambores de colunas antigas de mármore. Anexo B Instruções para os critérios das restaurações arquitetônicas . tanto do ponto de vista estético. como de sua resistência aos agentes atmosféricos. de calcário. as medidas para a restauração e a conservação dos monumentos arqueológicos também devem ser estudadas em função das variadas exigências climáticas dos diferentes locais. Quanto ao problema geral da consolidação dos materiais arquitetônicos e das esculturas ao ar livre. Para a restauração de estruturas do aparelho de silharia tem sido experimentado favoravelmente o sistema de reproduzir os silhares nas medidas antigas. sobretudo nos em que é preciso manter a linha irregular do perfil da ruína. enquanto que para os muros de ladrilho será oportuno marcar com incisões ou raias a superfície dos ladrilhos modernos. Da mesma forma pode ser recomendável em muitos casos um tratamento superficial de novos materiais. as operações terão que se realizar com o método estatigráfico que pode oferecer dados preciosos sobre a vida e as fases do próprio edifício. pode-se fazer uma fresta que siga o seu contorno e delimite a parte restaurada ou inserir uma franja sutil de materiais distintos. Para a restauração de muros de opus incertum. na arte romana. Finalmente. as partes restauradas deverão se manter em um plano ligeiramente retrancado. inclusive do ponto de vista cromático. utilizando lascas do mesmo material cimentado com argamassa misturada na superfície com pó do mesmo material para obter uma entonação cromática. será adequado colocar em todas as zonas restauradas placas com as datas. que possam produzir danos irreparáveis. diferenciado pela lavradura de incisões nas superfícies modernas. no Arco de Tito). quasi reticulatum. reticulatum et vittatum. ao mesmo tempo em que se podem utilizar diversos sistemas para diferenciar o uso do mesmo material com que foi construído o monumento e que é preferível manter nas restaurações. que resulta ostensiva e agressiva. Constitui um problema peculiar dos monumentos arqueológicos a forma de cobrir os muros em ruínas. devem-se evitar experimentações com métodos não suficientemente comprovados. deve ser evitar a combinação de materiais diferentes e anacrônicos nas partes restauradas.seja necessário efetuar prospeções de escavação para o descobrimento das fundações. ou gravar siglas ou marcas especiais. se utiliza a mesma qualidade de pedra e os mesmos tipos de peças.estudo histórico . Como alternativa à retrancagem da superfície das reintegrações de restaurações modernas. foi experimentada a aplicação de uma capa de argamassa de alvenaria que parece dar os melhores resultados. particularmente diversificados na Itália. Nos monumentos antigos e particularmente nos da época arcaica ou clássica. Finalmente.

dificuldades ou desequilíbrios nas paredes. dos sistemas e caracteres construtivos. a necessidade de considerar todas as obras de restauração sob um substancial perfil de conservação. conservando escrupulosamente as formas externas e evitando alterações sensíveis das características tipológicas. Parte integrante desse estudo serão pesquisas bibliográficas. Este princípio deve sempre guiar e condicionar a escolha das operações. antes de raspar uma camada de pintura. mesmo quando sugiram a necessidade peremptória de demolição e reconstrução. ou eliminar um eventual reboco. por exemplo. bastante úteis para o conhecimento do edifício e do sentido da restauração. tais como os grumos e coloridos originais das paredes e abóbadas. Uma exigência fundamental da restauração é respeitar e salvaguardar a autenticidade dos elementos construtivos. quando não resultarem incompatíveis com os interesses histórico-artísticos. quando possível. certamente. que quase sempre consiste em operações delicadíssimas e sempre de grande responsabilidade. deverá ser confiada a empresas especializadas e. dos traçados reguladores e dos sistemas proporcionais e compreenderá um cuidadoso estudo específico para a verificação das condições de estabilidade. da organização estrutural e da seqüência dos espaços internos. encarece-se o maior cuidado possível na vigilância contínua dos imóveis para a adoção de medidas de caráter preventivo. As obras de adaptação deverão ser limitadas ao mínimo. Do mesmo modo.No pressuposto de que as obras de manutenção realizadas no devido tempo asseguram longa vida aos monumentos. Sempre com o objetivo de assegurar a sobrevivência dos monumentos. respeitando os elementos acrescidos e evitando até mesmo intervenções de renovação ou reconstituição. O projeto se baseará em uma completa observação gráfica e fotográfica. elaborado de diversos pontos de vista (que estabeleçam a análise de sua posição no contexto territorial ou no tecido urbano. A realização do projeto para a restauração de uma obra arquitetônica deverá ser precedida de um exaustivo estudo sobre o monumento. a substituição de pedras corroídas só deverá ocorrer para satisfazer às exigências de gravidade. para evitar que desapareçam elementos antes ignorados ou eventualmente desapercebidos nas investigações prévias. ainda.. das elevações e qualidades formais. especialmente quando intervêm o piquete e o maço. para obter todos os dados históricos possíveis. relativos à obra original. Em particular. As restaurações devem ser continuamente vigiadas e supervisionadas para que se tenha segurança sobre sua boa execução e para que se possa intervir imediatamente no caso em que se apresentarem fatos novos. interpretada também sob o aspecto metrológico. Lembra-se. e também. etc. No caso de paredes em desaprumo. há que se examinar primeiro a possibilidade de corrigi-los sem substituir a construção original. mas. iconográficas e arquivísticas. vem-se considerando detidamente a possibilidade de novas utilizações para os edifícios monumentais antigos. A execução dos trabalhos pertinentes à restauração dos monumentos. o diretor dos trabalhos deve constatar a existência ou não de qualquer marca de decoração. inclusive para evitar intervenções de maior amplitude. dos aspectos tipológicos. . assim como aos eventuais acréscimos ou modificações. executada sob orçamento e não sob empreitada. etc).

É sempre aconselhável tirar . Podem-se eliminar as matérias acumuladas sobre as pedras . a determinação aproximada das diferentes épocas em que se produziram as estratificações. deverão ser feitas as indispensáveis fotografias da obra para documentar seu estado precedente à intervenção restauradora. eliminando as concreções calcárias e as inadequadas limpezas periódicas. etc. redigir-se-á uma inventário que constituirá parte integrante do programa e o começo do diário da restauração. ainda. convém desmontar a parte deteriorada e substituir o ferro por bronze ou cobre. todas as intervenções necessárias para eliminar as causas dos danos. conforme o caso. fezes de pombo. é um reconhecimento cuidadoso de seu estado de conservação. pó. se observarem silhares rasgados por grampos ou varas de ferro que se incham com a umidade. Dever-se-ão evitar. convirá transferir a escultura para um local fechado. fuligem. além de sob luz natural. Anexo C Instruções para a execução de restaurações pictóricas e escultóricas Operações preliminares A primeira operação a realizar. as escovas metálicas e raspadores. sob luz monocromática. inclusive temporal. com uma série contínua de pequenos fragmentos de ladrilho. mas. modificações e acréscimos. com raios ultravioletas simples ou filtrados e com raios infravermelhos. segundo o caso. A pátina da pedra deve ser conservada por evidentes razões históricas. A consolidação da pedra e de outros materiais deverá ser experimentada quando os métodos amplamente comprovados pelo Instituto Central da Restauração oferecerem garantias efetivas. deverão ser postas em prática. ainda. sempre que se tornar estritamente necessárias e nos limites mais restritos. resulta preferível realizar em toda a extensão do contorno da reintegração uma sinalização clara e persistente. Isso poderá ser conseguido com uma lâmina de metal adequado. intervindo-se sempre que seja possível adotar. a partir da prática anteriormente descrita. por exemplo. estéticas e também técnicas. é necessário descalcificar a água. diferenciando os materiais ou as superfícies de construção recente. por aço inoxidável. igualmente. melhor ainda. ou com frestas visíveis. Para isso. mais ou menos largas e profundas. usando apenas escovas vegetais ou jatos de ar com pressão moderada. devendo essas fotografias serem obtidas. deverá ser sempre distinguível dos elementos originais. ou nas praças. sendo.detritos.. Quando isso for impossível. que apresenta a vantagem de não manchar a pedra. Em tal reconhecimento se inclui a comprovação dos diferentes estratos materiais de que venha a estar composta a obra e se são originais ou acréscimos e.A eventual substituição de paramentos murais. devem ser vigiadas. portanto. Deverão ser tomadas todas as precauções para evitar o agravamento da situação. em geral. ou. já que ela desempenha uma função protetora como ficou demonstrado pelas corrosões que se iniciam a partir das lacunas da pátina. em geral. que mostre os limites da intervenção. antes da intervenção em qualquer obra de arte pictórica ou escultórica. de água e de vapor com forte pressão. As esculturas em pedra colocadas no exterior dos edifícios. desaconselháveis as lavações de qualquer natureza. Em continuação. ao mesmo tempo em que se devem excluir. um método comprovado de consolidação ou de proteção. Para a boa conservação das fontes de pedra ou de bronze. os jatos de areia. Enquanto.

Depois de haver tirado as fotografias. de um reconhecimento genérico. também se deve fotografar o reverso da obra. será certificar-se do estado de conservação da matéria de que se realizaram e. entretanto . Terracota ou outro suporte (imóvel). de dois modos: por meios mecânicos ou por meios químicos. deverão ser realizadas experimentações para assegurar que não possam atacar o verniz original da pintura. em lugares não capitais da obra. registrar-se no diário da restauração uma nota de referência à fotografia. sempre que existirem estratificações ou houver que constatar o estado da preparação. a cautela e a experimentação com os materiais a serem utilizados na restauração não deverão ser consideradas questões supérfluas. portanto. mesmo que nem sempre se trabalhe sob sua lente. Os meios químicos (dissolventes) deverão ser de tal natureza que possam ser imediatamente neutralizados e também que não se fixem de forma duradoura sobre os estratos da pintura e sejam voláteis. nem sempre poderá ter uma resposta científica e. Os meios mecânicos (bisturi) deverão sempre ser utilizados com o controle do pinacoscópio. No que se refere às pinturas murais. quando não se trata de esculturas envernizadas ou policromadas. . principalmente. não se percebam superposições. para efetuar as seções estratigráficas. de um assentamento de estratos. ou sobre pedra. No caso de pinturas móveis. dever-se-ão retirar amostras mínimas. ficará explicada sua problemática. também se realizarão análises microbiológicas. a partir dos documentos fotográficos . além disso. Providências a serem efetuadas na execução da intervenção restauradora As análises preliminares deverão ter proporcionado os meios para orientar a intervenção na direção adequada. Há de se excluir qualquer sistema que oculte a visualização ou a possibilidade de intervenção ou controle direto sobre a pintura. quer se trate de uma simples limpeza. que abarquem todos os estratos até o suporte. Sempre que se percebam ou se suponham formações de fungos. de um traslado ou de uma reconstrução de fragmento. efetuar provas da argamassa e do conjunto dos materiais da parede e medir seu grau de umidade. obter radiografias. como a câmera Pethen Koppler e similares. definir se trata de umidade de infiltração. à simples visão. poderá ser realizada.radiografias. será preciso ter conhecimento preciso das condições do suporte em relação à umidade. eventualmente. Antes de usá-los.que serão detalhados no diário da restauração . Deverá ser assinalado na fotografia de luz natural o ponto exato das provas e.determinação da técnica empregada -. realizado sobre base empírica e não científica da técnica utilizada na pintura em questão. O problema mais peculiar das esculturas. de eliminação de repintagens. nos casos em que das seções estratigráficas haja resultado um estrato ao menos presumível como tal. inclusive nos casos em que. No que concerne à limpeza. condensação ou de capilaridade. Se. O dado que seria o mais importante no que diz respeito à pintura.se observarem elementos problemáticos.

atrás do assentado. No caso de pinturas sobre tela. qualquer que seja o material de que for feito. . qualquer que seja o meio empregado. Dever-se-á retirar uma amostra. mas seja necessário retificá-lo ou colocar reforços ou rebocos. e com uma cola de dissolução muito fácil e diferente da empregada no assentamento da cor. ainda. Quando for necessário proceder à proteção geral do anverso da pintura por causa de necessidade de realizar operações no suporte. que não possam danificar a pintura. de forma localizada ou com aplicação de um adesivo estendido uniformemente. a pintura deverá ser submetida à ação de gazes inseticidas adequados. Ainda assim. enquanto que para a possível imprimação (ou preparação) deverão ser seguidos os mesmos critérios utilizados para as pranchas. não será possível o traslado. será necessário que a imprimação antiga seja levantada integralmente a mão com o bisturi. Quando se tratar de pinturas sem preparação. já que adelgaçá-la não seria suficiente. Esse assentamento poderá ser realizado. Deve-se evitar a impregnação com líquidos. deve se evitar substituí-lo por um novo suporte composto de peças de madeira e só é aconselhável efetuar o traslado para um suporte rígido quando se tiver absoluta certeza de que ele não terá um índice de dilatação diferente do suporte eliminado. Para isso. é preciso fazê-lo com regras tecnológicas muito precisas. sempre que se tenha realizado um assentamento. é necessário. cuja penetração seja assegurada com uma fonte de calor constante e que não apresente perigo para a conservação da pintura. térmitas. Mas. Sempre que possível.Antes de proceder à limpeza. quando for indispensável. Se intervier. controlar minuciosamente a estabilidade da capa pictórica sobre seu suporte e proceder ao assentamento das partes desprendidas ou em perigo de desprendimento. para que resulte o mais inerte possível em relação ao suporte antigo em que se inserir.. conforme o caso. a eventualidade de um traslado deve ser efetuada com a destruição gradual e controlada da tela deteriorada. Na substituição do suporte lenhoso. a menos que seja apenas o suporte a parte debilitada e a imprimação se mantenha em bom estado. é imprescindível que tal proteção se realize depois da consolidação das partes levantadas ou desprendidas.em pinturas de suporte móvel -. deve-se ter presente que. como não é indispensável para a própria fruição estética da pintura. o adesivo do suporte para a tela da pintura trasladada deverá ser facilmente solúvel. identificar a espécie botânica e averiguar seu índice de dilatação. O reboco. é sempre melhor não intervir em uma madeira antiga e já estabilizada. que respeitem o movimento das fibras da madeira. é aconselhável conservar a imprimação para manter a superfície pictórica em sua conformação original. deverá ser feito um exame minucioso com a ajuda do pinacoscópio. etc. sem danificar a capa pictórica nem o adesivo que une os estratos superficiais à tela do traslado. é regra estrita a eliminação de qualquer resto do fixador da superfície pictórica. Qualquer adição deverá ser realizada com madeira já estabilizada e em pequenos fragmentos. Se o suporte é de madeira e está infestado por carunchos. deve assegurar principalmente os movimentos naturais da madeira a que estiver fixado. Quando o suporte lenhoso original estiver em bom estado. exijam a destruição ou o arranque do suporte e a substituição da imprimação. ou ambos . Sempre que o estado do suporte ou o da imprimação. nas quais se tenha aplicado uma cor muito diluída diretamente sobre o suporte (como nos esboços de Rubens).

No que diz respeito especialmente ao arranque. das partes em têmpera de um afresco. antes da aplicação das telas protetoras por meio de um adesivo solúvel. Os teares deverão ser concebidos de modo a assegurar não apenas a justa tensão. Além disso. a possibilidade de restabelecê-la automaticamente quando a tensão vier a ceder por causa das variações termo-higrométricas. é necessário assegurar-se de que o diluente não dissolverá ou atacará o aglutinante da pintura a ser restaurada. a encáustica. Quanto ao assentamento da cor. a aquarela ou a pastel. etc. se tratar de uma têmpera e. Quando houver necessidade de se proceder ao arranque da pintura de seu suporte original. facilmente. a óleo. pela possibilidade de recuperação da sinopia preparatória no caso dos afrescos e também porque libera a película pictórica de restos do estuque degradado ou em mau estado. que altere o mínimo possível as cores originais e que não se torne irreversível com o tempo. será imprescindível um assentamento preventivo. inércia e neutralidade (ausência de ph). ou mesmo diretamente sobre mármore. O adesivo . além disso. inclusive em relação às categorias genéricas de pintura a têmpera. deve-se procurar um fixador que não seja de natureza orgânica. a definição do aglutinante utilizado não será às vezes menos problemática (como no que se refere às pinturas murais da época clássica). Quando se puderem conhecer essas causas e se encontrar um fungicida adequado. mas. gerar uma investigação sem conclusão definitiva e. viriam à superfície da película pictórica com o passar do tempo. de assentamento. às vezes. Excluem-se sempre e taxativamente operações de aplicação de uma pintura sobre tela em um suporte rígido(maruflagem). será preciso certificar-se de que não danificará a pintura e de que possa vir. também. se for realizada. mas. quando as cores da pintura mural se apresentarem em um estado mais ou menos avançado de pulverulência. ao mesmo tempo. Providências que se devem ter presentes na execução de restaurações em pinturas murais Nas pinturas móveis a determinação da técnica pode. pedra. será necessário que ele possa ser construído nas mesmas dimensões da pintura. irresolúvel. inevitavelmente. entre os métodos a serem escolhidos com probabilidades equivalentes de bom êxito é recomendável o strappo. deve evitar compressões excessivas e temperaturas altas demais para a película pictórica. O suporte em que se instalará a película pictórica tem que oferecer garantias máximas de estabilidade. nas pinturas murais. a ser eliminado. em que certas cores não podiam ser aplicadas a fresco. será também necessário um tratamento especial para conseguir que a cor pulverizada se perca ao mínimo. ou de arranque em que também se desprendam os rebocos de preparação (distacco). Ocasionalmente. A cor pulverulenta será analisada para ver se contém formações de fungos e a que causas se pode atribuir o seu desenvolvimento. realizadas sobre preparação. sem junções intermediárias. que. ainda mais indispensável para proceder a qualquer operação de limpeza. atualmente. de arranque do estrato de cor (strappo).A operação de reentelar. de um modo geral.

ou se o lugar ou a parede não vierem a ser tratados imediatamente (saneados. apesar de deixarem intacta a matéria. Por isso. mas sempre que possível. Antes da aplicação do engaste e da armadura de sustentação é preciso certificar-se do estado de conservação das tesselas e. eventualmente. consolidá-las. climatizados. eventualmente. de natureza tal que não ataquem o material da escultura e tampouco se fixem sobre ele. em pedra. malaquitas. climática ou não. Deverá ser dedicado cuidado especial à conservação das características tectônicas da superfície. estuque. etc.).que tenha a máxima estabilidade. será preciso submetê-la à ação de gases adequados. Quando se preferir manter a pintura trasladada sobre tela. No caso de esculturas fragmentadas. deverá ficar assegurado que onde as tesselas não constituem uma superfície completamente plana. Quando. argila crua. louça vidrada. se a restauração tiver sido ocasionada pela situação térmica e higrométrica do lugar como um todo ou da parede em particular. por qualquer razão. Para os objetos de bronze. deve ser excluída a execução de aguadas que. Providências a serem observadas na execução de restaurações de obras escultóricas Depois de assegurar-se do material e. Terracota. cartão-pedra. mesmo na ausência de policromia. há de se evitar a impregnação com líquidos que. etc. poderiam alterar o aspecto da madeira.com que se irá fixar a tela grudada à película pictórica sobre o novo suporte terá que poder dissolver-se com a maior facilidade com um dissolvente que não traga danos à pintura. Anexo D . ou. a utilização de consolidantes deverá ser subordinada à conservação do aspecto original da matéria lenhosa. Advertências gerais para a instalação de obras de arte restauradas Como linha de conduta geral. Quando se tratar de esculturas de madeira degradada. ligaduras. rios. uma obra de arte restaurada não deve ser posta novamente em seu lugar original. naturalmente reforçada. no caso de esculturas encontradas em escavações ou na água (mar. em vez de pinturas. etc.) em que não haja partes pintadas e seja necessária uma limpeza. etc. sejam fixadas e possam ser dispostas em sua colocação original. ataquem a pátina. possa mudar.) de forma a garantirem a conservação e a salvaguarda da obra de arte.) sempre que por debaixo dela não existirem sinais de corrosão ativa. etc. recomenda-se um cuidado particular quanto à conservação da pátina dupla (atacamitas. se com dissolventes. etc. o bastidor deverá ser construído de tal modo . Se a madeira estiver infectada por caruncho. da técnica com que se realizaram as esculturas (se em mármore. argila crua e pintada. trate-se de arrancar mosaicos. para uso de eventuais dobradiças. elasticidade e automatismo para restabelecer a tensão que. deverão ser separadas preferivelmente através de meios mecânicos. cupins. se houver incrustações.e com materiais tais . deverá ser escolhido metal inoxidável.

como também. ou de seu aspecto peculiar enquanto ambiente. entre muitos. além do mais. espaços livres. mas se estende também à conservação substancial das características conjunturais do organismo urbanístico completo e de todos os elementos que concorrem para definir tais características. As intervenções de restauração nos centros históricos têm a finalidade de garantir . etc. A coordenação se posicionará também em relação à exigência de salvaguarda do contexto ambiental mais geral do território. é necessário principalmente que os centros históricos sejam reorganizados em seu mais amplo contexto urbano e territorial e em sua relações e conexões com futuros desenvolvimentos. todos os assentamentos humanos cujas estruturas. fortalezas. estreitamente unidos às estruturas históricas tal como têm chegado até nós ( como por exemplo. a operações destinadas a conservar unicamente os caracteres formais de arquiteturas ou de ambientes isolados. em que se subtraiam do centro histórico as funções que não serão compatíveis com sua recuperação em termos de saneamento e de conservação. portas. hajam se constituído no passado ou. a zona trulli de Apulia. que podem enriquecer e ressaltar posteriormente seu valor. têm por si mesmas um significado e um valor.através de meios e procedimentos ordinários e extraordinários . a laguna veneziana. . etc. tudo isso. Os elementos edílicos que formam parte do conjunto devem ser conservados não apenas quanto aos aspectos formais. etc. jardins. portanto. que determinam sua a expressão arquitetônica ou ambiental. caracterizando-o de forma mais ou menos acentuada (entornos naturais. Sua natureza histórica se refere ao interesse que tais assentamentos apresentarem como testemunhos de civilizações do passado e como documentos de cultura urbana. inclusive independentemente de seu intrínseco valor artístico ou formal.a permanência no tempo dos valores que caracterizam esses conjuntos. as centúrias romanas de Valpadana. praças.). etc.). singularidade geomórficas. levam-se em consideração não apenas os antigos centros urbanos. poder-se-á configurar um novo organismo urbano. os que eventualmente tenham adquirido um valor especial como testemunho histórico ou características urbanísticas ou arquitetônicas particulares. há que serem considerados tanto os elementos edílicos como os demais elementos que constituem os espaços exteriores (ruas. No que respeita aos elementos individuais através dos quais se efetua a salvaguarda do conjunto. A restauração não se limita.) e outras estruturas significativas (muralhas. principalmente quando lhe houver assumido valores de especial significado. tanto em relação a sua continuidade no tempo como ao desenvolvimento de uma vida de cidadania e modernidade em seu interior. com o fim de coordenar as ações urbanísticas de maneira a obter a salvaguarda e a recuperação do centro histórico a partir do exterior da cidade. através de um planejamento físico territorial adequado. a cercadura de colinas em torno de Florença. assim tradicionalmente entendidos. unitárias ou fragmentárias.) e interiores (pátios. etc. mas também a estrutura urbanística. Para que o conjunto urbanístico em questão possa ser adequadamente salvaguardado.) assim como eventuais elementos naturais que acompanharem o conjunto. de um modo geral.Instruções para a tutela dos centros históricos Para efeito de identificar os centros históricos. já que não só a arquitetura. Por meio de tais intervenções (a serem efetuadas com os instrumentos urbanísticos). cursos fluviais. ainda que se tenham transformado ao longo do tempo.

Refere-se à análise e à revisão das comunicações viárias e dos fluxos de tráfego a que a estrutura estiver submetida. Nesse tipo de intervenção é de particular importância o respeito às peculiaridades tipológicas. é necessário precisar que por saneamento de conservação deve-se entender. vier a provocar-lhes um efeito caótico e degradante. evitando-se . que tende à manutenção de suas estruturas e a uma utilização equilibrada. com a estrutura territorial ou urbana com as quais forma unidade. É de particular importância a análise do papel territorial e funcional que tenha sido desempenhado pelo centro histórico ao longo do tempo e no presente. à individualização dos diferentes graus de intervenção a nível urbanístico e a nível edílico. Com o objetivo de certificar-se de todos os valores urbanísticos. particularmente. em geral. essa intervenção se realizará em função das técnicas. etc. com o fim primordial de reduzir seus aspectos patológicos e de reconduzir o uso do centro histórico a funções compatíveis com as estruturas de outros tempos. ambientais. a utilização dos elementos favoráveis. construtivos. tipológicos. ainda que parciais. e. consideradas apenas excepcionalmente as substituições. Nesse sentido é preciso dedicar especial atenção à análise e à reestruturação das relações existentes entre centro histórico e desenvolvimentos urbanístico e edílico contemporâneos. e apenas na medida em que sejam compatíveis com a conservação do caráter geral das estruturas do centro histórico.) com o objetivo de obter uma conexão homogênea entre edifícios e espaços exteriores. as praças e todos os espaços livres existentes (pátios. Os principais tipos de intervenção a nível edílico são: 1) Saneamento estático e higiênico dos edifícios. de perímetro das edificações. dos elementos. conservação da rede viária. etc. qualquer intervenção de restauração terá que ser precedida de uma atenta leitura histórico-crítica. a manutenção das estruturas viárias e edílicas em geral (manutenção do traçado.Tende a consolidar as relações do centro histórico e. que comportam a conservação integral dos perfis monumentais e ambientais mais significativos e a adaptação dos demais elementos ou complexos edílicos individuais às exigências da vida moderna. etc.Isso afeta as ruas.como ainda quanto a seus caracteres tipológicos enquanto expressão de funções que também têm caracterizado.. jardins. espaços interiores.posto que em todo o conjunto definido como centro histórico deverse-á operar com critérios homogêneos . principalmente. construtivas e funcionais do edifício. ou de uso que. a corrigi-las onde houver necessidade. A esse propósito. com referência às compatibilidades de funções diretoras.quanto.). sobretudo. eventualmente. a manutenção dos caracteres gerais do ambiente. das modalidades e das advertências a que se referem as instruções procedentes para a realização de restaurações arquitetônicas. arquitetônicos. cujos resultados não se dirigirão tanto a determinar uma diferenciação operativa . É preciso considerar a possibilidade de integração do mobiliário moderno e dos serviços públicos estreitamente ligados às exigências vitais do centro. ao longo do tempo. tecnológicas. b) Reordenamento viário . A intervenção de reestruturação urbanística deverá tender a liberar os centros históricos de finalidades funcionais. c) Revisão dos equipamentos urbanos . Os principais tipos de intervenção a nível urbanístico são: a) Reestruturação urbanística . para determinar o tratamento necessário de saneamento de conservação. por outro lado. principalmente a partir do ponto de vista funcional e.

O homem tem a responsabilidade especial de preservar e administrar judiciosamente o patrimônio representado pela flora e pela fauna silvestres. à igualdade e ao desfrute de condições de vida adequadas. A capacidade da Terra de produzir recursos renováveis vitais. sempre que possível. . incluídos o ar. a discriminação. A esse respeito. Os recursos naturais da Terra. que reestruturem as relações entre o centro histórico e o território e entre o centro histórico e a cidade em seu conjunto. e é portador da solene obrigação de proteger e melhorar esse meio ambiente.qualquer transformação que altere suas características. para as gerações presentes e futuras. a flora e a fauna e. mediante um cuidadoso planejamento ou administração adequados. para a preservação e melhoria do ambiente humano através dos vinte e três princípios enunciados a seguir.planos de execução setorial.Organização das Nações Unidas para o Meio Ambiente A Assembléia Geral das Nações Unidas reunida em Estocolmo. especialmente: . restaurada ou melhorada. como o vazado da estrutura ou a introdução de funções que deformarem excessivamente o equilíbrio tipológico-estrutural do edifício. a opressão colonial e outras formas de coerção e de dominação estrangeira permanecem condenadas e devem ser eliminadas.planos parciais relativos à restruturação do centro histórico em seus elementos mas significativos. que se há de permitir somente nos casos em que resultar indispensável para efeitos de manutenção em uso do edifício. proibidas quaisquer intervenções que alterem suas características. bem assim o seu habitat. expressa a convicção comum de que: O homem tem o direito fundamental à liberdade. o solo. que sirvam de inspiração e orientação à humanidade. Declaração de Estocolmo de junho de 1972 Declaração sobre o ambiente humano UNEP . de 5 a 16 de junho de 1972. especialmente. . deve ser mantida e. Nesse tipo de intervenção é de fundamental importância o respeito às peculiaridade tipológicas e construtivas dos edifícios. em um meio ambiente de qualidade tal que lhe permita levar uma vida digna.planos de desenvolvimento geral. que se encontram atualmente em grave perigo por combinação de fatores adversos. Em conseqüência . referentes a uma edificação ou a um conjunto de elementos reagrupáveis de forma orgânica. 2) Renovação funcional dos elementos internos. a água. devem ser preservados em benefício das gerações atuais e futuras. São instrumentos operativos dos tipos de intervenção enumerados. gozar de bem-estar. as políticas que promovem ou perpetuam o apartheid. atendendo à necessidade de estabelecer uma visão global e princípios comuns. parcelas representativas dos ecossistemas naturais. a segregação racial.

a fim de fazer frente às possíveis consequências econômicas nacionais e internacionais resultantes da aplicação de medidas ambientais. As políticas ambientais de todos os países devem melhorar e não afetar negativamente o potencial desenvolvimentista atual e o futuro dos países em crescimento. de modo que fique assegurada a compatibilidade desse crescimento com a necessidade de proteger e melhorar o meio ambiente humano em benefício de sua população. que visem a chegar a um acordo. deve ser dada a devida importância à conservação da natureza. os Estados deveriam adotar um enfoque integrado e coordenado de planejamento de seu desenvolvimento. além da ajuda oportuna. causar danos às possibilidades recreativas ou interferir em outros usos legítimos do mar. Para os países em desenvolvimento. O desenvolvimento econômico e social é indispensável para assegurar ao homem um ambiente de vida e trabalho favoráveis. quando solicitada para esse fim. bem como para criar na terra as condições necessárias à melhoria da qualidade de vida. As deficiências do meio ambiente em decorrência das condições de subdesenvolvimento e de desastres naturais ocasionam graves problemas. sendo a melhor maneira de atenuar suas consequências a promoção do desenvolvimento acelerado. mediante a transferência maciça de recursos consideráveis de assistência financeira e tecnológica que complementem os esforços internos dos países em desenvolvimento. nem obstar o atendimento de melhores condições de vida para todos. incluídas a flora e a fauna silvestres. quando necessária. maior assistência técnica e financeira internacional. cabendo aos Estados e organizações internacionais a adoção de providências adequadas. prejudicar os recursos vivos e da marinha. assim. em quantidades ou concentrações tais que não possam ser neutralizadas pelo meio ambiente. levando-se em conta as circunstâncias e as necessidades especiais dos países em desenvolvimento e quaisquer outros custos que lhes possam resultar da inclusão de medidas de conservação do meio ambiente em seus planos de desenvolvimento. .ao planejar o desenvolvimento econômico. a fim de se evitar danos graves e irreparáveis aos ecossistemas. Deve-se pôr fim à descarga de substâncias tóxicas e de outras matérias e à liberação de calor. Deveriam ser destinados recursos à preservação e melhoria do meio ambiente. Os países deverão tomar todas as medidas possíveis para impedir a poluição dos mares por substâncias que possam pôr em perigo a saúde do homem. assim como a necessidade de lhes ser prestada. Os recursos não renováveis da Terra devem ser utilizados de forma a evitar o perigo do seu esgotamento futuro e a assegurar que toda a humanidade participe dos benefícios de tal uso. melhorar as condições ambientais. Assim deverá ser apoiada a justa luta de todos os povos contra a poluição. a estabilidade dos preços e o pagamento adequado para produtos primários e matérias-primas são essenciais à administração do meio ambiente. A fim de se obter um ordenamento mais racional dos recursos e. uma vez que se deve levar em conta tanto os fatores econômicos como os processos ecológicos.

realizadas dentro de sua jurisdição. desde que as atividades levadas a efeito dentro de sua jurisdição ou sob seu controle. sem que constituam carga econômica excessiva para eles. devendo ser abandonados a esse respeito. econômicos e ambientais para todos. a fim de criar as bases de uma opinião pública bem informada e de uma conduta responsável dos indivíduos. a investigação científica e medidas desenvolvimentistas em relação aos problemas ambientais. . não prejudiquem o meio ambiente de outros países ou de zonas situadas fora da jurisdição nacional. a fim de melhorar a qualidade do meio ambiente. A esse respeito. nas condições que favoreçam sua ampla difusão. em todos os países. ou sob seu controle. É indispensável um trabalho de educação em questões ambientais.O planejamento racional constitui um instrumento indispensável para conciliar as diferenças que possam surgir entre as exigências do desenvolvimento e a necessidade de proteger e melhorar o meio ambiente. Deve-se usar o planejamento nos agrupamentos humanos e na urbanização. dando atenção especial às populações menos privilegiadas. tanto nacionais como multinacionais. assim como as tecnologias ambientais devem ser colocadas à disposição dos países em desenvolvimento. Nas regiões em que exista o risco de que a taxa de crescimento demográfico ou as concentrações excessivas de população prejudiquem o meio ambiente ou o desenvolvimento. os projetos destinados à dominação colonialista e racista. deveriam ser aplicadas políticas demográficas que respeitassem os direitos humanos fundamentais e contassem com a aprovação dos governos interessados. visando às soluções dos problemas ambientais e ao bem comum do homem. quanto à responsabilidade e à indenização das vítimas da poluição e de outros danos ambientais provocados por atividades que. As nações devem cooperar no aperfeiçoamento e melhoria do Direito Internacional. ou em que a baixa densidade populacional possa impedir o melhoramento do meio ambiente humano e obstar o desenvolvimento. as nações têm o direito soberano de explorar seus próprios recursos. o livre intercâmbio de informações e de experiências científicas atualizadas deve constituir objeto de apoio e assistência a fim de facilitar a solução dos problemas ambientais. Devem ser fomentadas. inspiradas no sentido de sua responsabilidade em relação à proteção e melhoria do meio ambiente em toda a sua dimensão humana. evitar e combater os riscos que ameaçam o meio ambiente. Tendo em vista a Carta das Nações Unidas e os princípios do Direito Internacional. causem danos a zonas situadas fora de seu espaço territorial ou de sua jurisdição. Deve ser confiada às instituições nacionais competentes a tarefa de planejar. administrar e controlar a utilização dos recursos ambientais dos países. objetivando evitar efeitos prejudiciais ao meio ambiente e visando à obtenção do máximo de benefícios sociais. especialmente naqueles em desenvolvimento. das empresas e das comunidades. visando tanto às gerações jovens como aos adultos. de acordo com a sua política ambiental. devem ser utilizadas a ciência e a tecnologia para descobrir. Como parte de sua contribuição ao desenvolvimento econômico e social.

para a defesa do patrimônio monumental latinoamericano.No plano social: A salvação dos centros históricos é um compromisso social além de cultural e deve fazer parte da política de habitação. b . . Resolução de São Domingos de dezembro de 1974 I Seminário Interamericano sobre Experiências na Conservação e Restauração do Patrimônio Monumental dos períodos Colonial e Republicano (República Dominicana) O. incentivos e facilidades de caráter econômico. as seguintes recomendações: a .No plano econômico: A iniciativa privada e o seu apoio financeiro constituem uma contribuição fundamental para a conservação e valorização dos centros históricos.E. para que nela se levem em conta os recursos potenciais que tais centros possam oferecer.No plano da preservação monumental: Os problemas da preservação monumental obrigam a um trabalho prévio de investigação documental e arqueológico. c . trazer consigo soluções de saneamento integral que permitam a permanência e melhoramento da estrutura social existente. Todos os programas de intervenção e resgate dos centros históricos devem. Respaldados na noção de centro monumental. o Seminário Interamericano sobre Experiências na Conservação e Restauração do Patrimônio Monumental dos Períodos Colonial e Republicano considera que se faz altamente conveniente para esse fim a elaboração de um documento onde fiquem registrados estes serviços operativos. tais estudos deverão ser estendidos à proteção dos valores e costumes tradicionais e naturais da área em questão. portanto. mas que possam ser inadequados e de alto custo social para os países em desenvolvimento. representam tanto a Carta de Veneza como as Normas de Quito e ante a necessidade atual de roteiros que contemplem prioritariamente os aspectos operativos que materializem e tomem possível a defesa destes bens insubstituíveis da cultura. Recomenda-se a todos os governos estimular essa contribuição mediante disposições legais.Sem prejuízo dos princípios gerais que possam ser estabelecidos pela comunidade internacional e dos critérios e níveis mínimos a serem definidos em âmbito nacional.A .Organização dos Estados Americanos e Governo Dominicano Consciente da importância que. será indispensável sempre considerar os sistemas de valores predominantes em cada país e o limite de aplicabilidade de padrões válidos para os países mais avançados. devendo levar-se a cabo estudos integrais para resgatar a maior quantidade de dados relacionados com a história do sítio. propõe. portanto.

E. os planos de desenvolvimento turístico devem constituir uma via mediante a qual.E. a Organização das Nações Unidas para a Educação. Que os Estados Membros da O. no campo da preservação do patrimônio monumental da América. na República Dominicana.E.A. a documentação de interesse monumental existente em seus arquivos. ainda. Os projetos de preservação monumental devem fazer parte de um programa integral de valorização. que constituem monumentos inavaliáveis para ao patrimônio da humanidade e estão em iminente perigo de desaparecimento. de acordo com os governos de Espanha e Portugal. respaldando-se e ampliando-se em nível interamericano a atual escola-oficina de obras de pedra que funciona no Museu das Casas Reais. deve resgatar. a Ciência e a Cultura (LTNESCO) e demais organizações internacionais preparem material didático para esses programas. Sendo o turismo um meio de preservação dos monumentos. que divulgue o trabalho dos seus membros mediante uma publicação a cargo de um centro ou instituto especializado. Que se criem oficinas de ensino em nível artesanal para formação de operários que sejam eficazes auxiliares na tarefa da restauração monumental. e constatando que. que defina não apenas a sua função monumental. Tendo-se iniciado em São Domingos. Essa associação se formou em São Domingos e serão seus membros fundadores os delegados ao Seminário Interamericano sobre Experiências na Conservação do Patrimônio Monumental dos Períodos Colonial e Republicano.d .A.E. um inventário dos monumentos que. recentemente criado em Bogotá. Reconhecendo o trabalho positivo realizado pela Unidade Técnica de Patrimônio Cultural do Departamento de Assuntos Culturais a cargo do Projeto de Proteção do Patrimônio Cultural Histórico e Artístico instituído pela O. que permitam ao mencionado projeto cumprir cabalmente os objetivos para os quais foi criado. Criar uma Associação Interamericana de Arquitetos e Especialistas na Proteção do Patrimônio Monumental. antiga Espanhola. Também serão membros os especialistas participantes que formalizarem sua inscrição de acordo com os regulamentos estabelecidos. como também o seu destino e manutenção.Propostas operativas: Em apoio ao estabelecido nas Normas de Quito. criem um fundo de emergência que permita a rápida disponibilidade de recursos para a salvação de bens monumentais americanos nos países de menor desenvolvimento relativo.A. devendo realizar-se seminários como este a cada dois anos..). se logrem objetivos importante na proteção e preservação do patrimônio cultural americano. no ano de 1976. que atualmente funciona no México. tenham um significado transcendental para o patrimônio da humanidade. Independentemente da fonte anterior de informação.A. em território americano.A. com o patrocínio da O. Que o Centro Interamericano de Restauração de Bens Culturais. o segundo dos quais se realizará na Colômbia. Na educação escolar dever-se-ão incluir programas de estudo sobre a importância do patrimônio monumental. com a utilização de alto nível técnico. e leve prioritariamente em conta a melhoria sócio-econômica de seus habitantes. o Centro Interamenricano de Inventário do Patrimônio Histórico e Artístico. solicitamos que na próxima Assembléia Geral da O. como atividade prioritária.E. realizar. existem necessidades que não puderam ser satisfeitas pelo mencionado projeto devido à falta de recursos adequados. se destinem maiores fundos. torna-se indispensável o intercâmbio pessoal de experiências. em um dos seus Estados Membros. que se . o processo cultural ibero-americano e contando a República Dominicana com um centro como o Museu das Casas Reais. atue como o organismo que recopile e difunda as atividades empreendidas pelos países que integram o sistema interamericano no campo da preservação monumental. Para tal efeito é necessário que a Organização dos Estados Americanos (O. cabe-lhe.

São Domingos é um ponto de partida para o fortalecimento e a integração profissional dos especialistas em conservação do patrimônio monumental da América.A. Da mesma maneira. reunindo delegados vindos de toda parte da Europa. o Congresso afirma que o patrimônio arquitetônico da Europa é parte integrante do patrimônio cultural do mundo inteiro e nota com satisfação o engajamento mútuo para favorecer a cooperação e as trocas no domínio da cultura contido na ata final da Conferência sobre a Segurança e a Cooperação na Europa adotada em Helsinque. procurando que. cujo proveito se fará sentir no âmbito de todo o hemisfério. O Congresso chamou a atenção para as seguintes considerações essenciais: a) Além de seu inestimável valor cultural. O Primeiro Seminário Interamericano sobre Experiências na Conservação do Patrimônio Monumental dos Períodos Colonial e Republicano quer igualmente fazer constar o trabalho exemplar que o Governo Dominicano empreende para a preservação e a valorização do patrimônio monumental da República Dominicana. e .Reconhecimento: O primeiro Seminário Interamericano sobre Experiência na Conservação e Restauração do Patrimônio Monumental dos Períodos Colonial e Republicano quer fazer constar o seu reconhecimento pelo patrocínio assumido pelo Governo da República Dominicana e pela Secretaria Geral da Organização dos Estados Americanos (O. b) Esse patrimônio compreende não somente as construções isoladas de um valor excepcional . em julho deste ano. que acolheram calorosamente a Carta Européia do Patrimônio Arquitetônico promulgada pelo Comitê de Ministros do Conselho da Europa. Sua conservação é. para a realização deste Primeiro Seminário Interamericano. tanto nos trabalhos de investigação como na formação acadêmica. recomenda-se a ampliação de suas atividades em nível internacional. revestida de uma importância vital. portanto. o patrimônio arquitetônico da Europa leva todos os europeus a tomarem consciência de uma história e destino comuns. reconhece que a arquitetura singular da Europa é patrimônio comum de todos os seus povos e afirma a intenção dos Estados-membros de cooperar entre si e com os outros países europeus para protegê-lo. coroamento do Ano Europeu do Patrimônio Arquitetônico 1975.E.dedica ao estudo científico desse processo histórico.). Declaração de Amsterdã de outubro de 1975 Congresso do Patrimônio Arquitetônico Europeu Conselho da Europa Ano Europeu do Patrimônio Arquitetônico O Congresso de Amsterdã. orientem-se os seus trabalhos em todo o continente para a mais cabal compreensão da integração cultural americana.

g) As medidas legislativas e administrativas necessárias devem ser reforçadas e tornadas mais eficazes em todos os países. de forma a permitir a troca de experiências. instituições espirituais e culturais. e) Os poderes locais. h) Para fazer face aos custos de restauração. bairros de cidades e aldeias. tudo deve ser feito para assegurar uma arquitetura contemporânea de alta qualidade. d) A conservação do patrimônio arquitetônico deve ser considerada não apenas como um problema marginal. se preocupar mais intensamente com essa matéria. além disso. para que dêem total apoio aos objetivos desta declaração e façam todo o possível para assegurar a sua aplicação. c) Essas riquezas são um bem comum a todos os povos da Europa. empresas comerciais e industriais. associações privadas e a todos os cidadãos. j) Devem ser encorajadas as organizações privadas . caso uma nova política de proteção e conservação integradas desse patrimônio não seja posta em ação imediatamente. é essencial que sejam produzidos relatórios periódicos sobre o estado do desenvolvimento dos trabalhos de conservação arquitetônica nos países europeus. que têm o dever comum de protegê-las dos perigos crescentes que as ameaçam: negligência e deterioração. o congresso apresenta as seguintes conclusões e recomendações: .e seu entorno. novas construções em desarmonia e circulação excessiva. mas como objetivo maior do planejamento das áreas urbanas e do planejamento físico territorial.internacionais. i) O patrimônio arquitetônico não sobreviverá a não ser que seja apreciado pelo público e especialmente pelas novas gerações. tanto quanto possível. sem modificações importantes da composição social dos habitantes e de uma maneira tal que todas as camadas da sociedade se beneficiem de uma operação financiada por fundos públicos.Nossa sociedade poderá. os bairros urbanos antigos e aldeias tradicionais. uma ajuda financeira adequada deve ser colocada à disposição dos poderes locais e de proprietários particulares. Tendo o Comitê dos Ministros reconhecido na Carta Européia do Patrimônio Arquitetônico que cabe ao Conselho da Europa assegurar a coerência da política de seus Estados Membros e promover sua solidariedade. que apresentam um interesse histórico ou cultural. aí incluídos os parques e jardins históricos. portanto. mas também os conjuntos. A proteção desses conjuntos arquitetônicos só pode .que contribuam para despertar o interesse do público. f) A reabilitação dos bairros antigos deve ser concebida e realizada. ser privada do patrimônio arquitetônico e dos sítios que formam seu quadro tradicional de vida. O congresso faz um apelo aos governos. k) Uma vez que a arquitetura de hoje é o patrimônio de amanhã. brevemente. Ao final de seus debates. institutos profissionais. Os programas de educação em todos os níveis devem. nacionais e locais . para estes últimos. planejamento e conservação das construções e sítios de interesse arquitetônico ou histórico. demolição deliberada. parlamentos. são todos particularmente responsáveis pela proteção do patrimônio arquitetônico e devem ajudar-se mutuamente através da troca de idéias e de informações. no presente e no futuro. Somente desta maneira se conservará o patrimônio arquitetônico insubstituível da Europa para o enriquecimento da vida de todos os seus povos. aos quais compete a maioria das decisões importantes em matéria de planejamento. O que hoje necessita de proteção são as cidades históricas. incentivos fiscais deverão ser previstos.

A isso se acrescenta que a conservação atrai artistas e artesãos bem qualificados. dos mais importantes aos mais modestos. no que diz respeito ao elemento qualitativo fundamental para a administração dos espaços. o que compreende a delimitação das zonas periféricas de proteção. tendo em conta todos os edifícios com valor cultural. A significação do patrimônio arquitetônico e a legitimidade de sua conservação são atualmente melhor compreendidas. . Um diálogo permanente entre os conservadores e os planejadores tomou-se. sem uma coordenação. Seria desejável que esses inventários fossem largamente difundidos. ela deve. a interpenetração das funções e a diversidade sócio-cultural que caracterizam os tecidos urbanos antigos. a reabilitação do habitar existente contribui para a redução das invasões de terras agrícolas e permite evitar ou atenuar sensivelmente os deslocamentos da população. é necessário fundamentá-la sólida e definitivamente. é conveniente organizar o inventário das construções. a fim de chamar sua atenção para as construções e zonas dignas de serem protegidas. Ainda que. a escala humana. uma das grandes preocupações da sociedade contemporânea. assim como o ambiente em que se integram. Tal inventário fornecerá uma base realista para a conservação. Mas descobre-se também que a conservação das construções existentes contribui para a economia de recursos e para a luta contra o desperdício.ser concebida dentro de uma perspectiva global. abrir espaço às pesquisas de caráter fundamental e ser incluída em todos os programas de educação e desenvolvimento cultural. Não basta sobrepor as regras básicas de planejamento às regras especiais de proteção aos edifícios históricos. por todas essas razões. Ficou demonstrado que as construções antigas podem receber novos usos que correspondam às necessidades da vida contemporânea. manutenção ou a criação de um modo de vi a que permita ao homem encontrar sua identidade e experimentar um sentimento de segurança face às mutações brutais da sociedade: um novo urbanismo procura reencontrar os espaços fechados. portanto. A fim de tomar possível essa integração. O planejamento das áreas urbanas e o planejamento físico territorial devem acolher as exigências da conservação do patrimônio arquitetônico e não considerá-las de uma maneira parcial ou como um elemento secundário. como foi o caso num passado recente. O reconhecimento dos valores estéticos e culturais do patrimônio arquitetônico deve conduzir à fixação dos objetivos e das regras particulares de organização dos conjuntos antigos. Essa proteção global completará a proteção pontual dos monumentos e sítios isolados. desde então. a legitimidade da conservação do patrimônio arquitetônico apareça hoje com uma força nova. indispensável. notadamente entre autoridades regionais e locais. Finalmente. assim como entre os responsáveis pela ordenação do espaço e pelo plano urbano como um todo. sem esquecer os da época moderna. cujo talento e conhecimento devem ser mantidos e transmitidos. o que constitui um beneficio social muito importante na política de conservação. dos conjuntos arquitetônicos e dos sítios. A conservação do patrimônio arquitetônico um dos objetivos maiores do planejamento das áreas urbanas e do planejamento físico territorial. Sabe-se que a preservação da continuidade histórica do ambiente é essencial para . Os urbanistas devem reconhecer que os espaços não são equivalentes e que convém tratá-los conforme as especificidades que lhes são próprias.

baseada em informações objetivas e completas. por uma concepção superada.atribuir às construções funções que. . e que deve permitir inverter. Enfim. regionais e locais) onde são tomadas as decisões em matéria de planejamento. médicos) demonstram que o gigantismo é desfavorável a sua qualidade e a sua eficácia. criando um elo de ligação direta entre os utilizadores potenciais das edificações antigas e seus proprietários. participar realmente. O apoio da opinião pública é essencial. a conservação do patrimônio se insere numa nova perspectiva geral. A população deve. atenta aos novos critérios de qualidade e de medida. aos empregos e a uma melhor repartição dos pólos de atividade urbana podem incidir mais profundamente sobre a conservação do patrimônio arquitetônico. Ela pode. . Para pôr em ação tal política.basear-se numa análise da textura das construções urbanas e rurais. em todos os níveis (centrais. Por outro lado. finalmente. assim. .designar delegados responsáveis por todas as transações referentes ao patrimônio arquitetônico. a sua sobrevivência. sensibilidade e organização o ambiente construído pelo homem. respondam às condições atuais de vida e garantam. Com essa finalidade. de hoje em diante. frequentemente determinada pelo curto prazo. particularmente. A conservação integrada conclama à responsabilidade os poderes locais e apela para a participação dos cidadãos Os poderes locais devem ter competências precisas e extensas em relação à proteção do patrimônio arquitetônico. O futuro não pode nem deve ser construído às custas do passado. Isso pressupõe que existam responsáveis pela conservação. A plena implementação de uma política contínua de conservação exige uma grande descentralização e o reconhecimento das culturas locais. as políticas relativas aos transportes. assim como às características arquitetônicas e volumétricas de seus espaços construídos e abertos. . por uma visão estreita da técnica e. respeitando seu caráter. administrativos. incitar novas atividades a serem implantadas nas zonas em declínio econômico a fim de sustar seu despovoamento e contribuir para impedir a degradação das construções antigas. As subvenções e empréstimos concedidos a particulares e grupos diversos pelos poderes locais deveriam estimular o compromisso moral e financeiro dos favorecidos.dedicar uma parte apropriada de seu orçamento a essa política.instaurar órgãos de atividade pública. suas complexas funções. a ordem das escolhas e dos objetivos. Aplicando os princípios de uma conservação integrada. desde a elaboração dos inventários até a tomada das decisões. Nesse contexto. Mas a conservação do patrimônio arquitetônico não deve ser tarefa dos especialistas. os poderes locais devem: . respeitando com inteligência. . . as decisões tomadas para o desenvolvimento das zonas periféricas das aglomerações devem ser orientadas de tal maneira que sejam atenuadas as pressões que são exercidas sobre os bairros antigos.A política de planejamento regional deve integrar as exigências de conservação do patrimônio arquitetônico e para elas contribuir.estar atentos ao fato de que os estudos prospectivos sobre a evolução dos serviços públicos (educativos. eles devem levar em conta a continuidade das realidades sociais e físicas existentes nas comunidades urbanas e rurais. eles deveriam solicitar dos governos a criação de fundos específicos. notadamente no que diz respeito às suas estruturas.

que asseguram a vida e a conservação do bairro em bom estado. eles deveriam instaurar uma troca constante de informações e de idéias por todas as vias possíveis. Uma política de conservação implica também a integração do patrimônio na vida social.. é necessária uma intervenção dos poderes públicos no sentido de moderar os mecanismos econômicos. cujas conseqüências sociais são diferentes. É conveniente. os poderes locais terão todo o interesse em comunicar suas experiências respectivas. discutir e apreciar os motivos das decisões. As proposições complementares ou alternativas apresentadas por associações ou por particulares deveriam ser consideradas como uma contribuição apreciável ao planejamento. aos comerciantes e aos empresários estabelecidos no local. às exposições. quando se comparam os custos equivalentes desses três procedimentos. Locais de encontro para reunião pública deveriam ser previstos. como sempre é feito quando se trata de estabelecimentos sociais. Os poderes locais devem aperfeiçoar suas técnicas de pesquisa para conhecer a opinião dos grupos envolvidos nos planos de conservação e levá-la em conta desde \a elaboração dos seus projetos. utilizando uma linguagem clara e acessível. As intervenções financeiras podem se equilibrar entre os incentivos à restauração concedidos aos proprietários através da fixação de tetos para os aluguéis e da alocação de indenizações de moradia aos locatários. o recurso às reuniões públicas.facilitar a formação e o funcionamento eficaz de associações mantenedoras de restauração e de reabilitação. Em relação à política de informação ao público. Para evitar que as leis do mercado sejam aplicadas com todo o rigor nos bairros restaurados o que teria por conseqüência a evasão dos habitantes. deveria se tomar uma prática coerente. O esforço de conservação deve ser calculado não somente sobre o valor cultural das construções. às sondagens de opiniões. Os problemas sociais da conservação integrada só podem . Em conseqüência. portanto. Isto interessa não somente aos proprietários e aos locatários. Finalmente. A reabilitação de um conjunto que faça parte do patrimônio arquitetônico não é uma operação necessariamente mais onerosa que a de uma construção nova. incapazes de pagar aluguéis majorados. mas também aos artesãos. eles devem tomar suas decisões à vista de todos. A educação dos jovens em relação ao domínio do meio ambiente e sua associação a todas as tarefas da salvaguarda é um dos imperativos maiores da ação comunitária. aos canais da mídia e a todos os outros meios apropriados. Consideração dos fatores sociais condiciona o resultado de toda política de conservação integrada. ou a construção de um conjunto sobre um sítio não urbanizado. Nesse sentido. . para diminuir ou mesmo completar a diferença existente entre os antigos e os novos aluguéis.ser resolvidos através de uma referência combinada a essas duas escalas de valores. a fim de que a população possa conhecer. não omitir o custo social. mas também pelo seu valor de utilização. realizada sobre uma infraestrutura existente.

Essa reforma deve ser dirigida pela necessidade de coordenar. . Essa última deve fornecer uma nova definição do patrimônio arquitetônico e dos objetivos da conservação integrada.à elaboração dos programas de conservação integrada e à inserção das disposições desses programas no planejamento. faz-se necessário rever a estrutura administrativa de maneira tal que os setores responsáveis pelo patrimônio arquitetônico sejam organizados em níveis apropriados e dotados suficientemente de pessoal qualificado. no mínimo. Essa participação toma-se ainda mais importante na medida em que não se trate apenas da restauração de algumas construções privilegiadas. Além do mais. Tendo sido a noção de patrimônio arquitetônico progressivamente ampliada do monumento histórico isolado aos conjuntos arquitetônicos urbanos e rurais. .Para permitir à população participar da elaboração dos programas. e também às contribuições de épocas mais recentes. mas da reabilitação de bairros inteiros. .à aprovação dos projetos e à autorização para executar os trabalhos: Por outro lado. equivalentes às que aufeririam por uma construção nova. técnicos e financeiros indispensáveis. explicando-lhe o valor histórico e arquitetônico das edificações a serem conservadas e. Com o objetivo de aumentar a capacidade operacional dos poderes públicos. Na medida do possível. seria necessário tornar flexível a aplicação de regulamentos e disposições particulares à construção. a legislação relativa à proteção do patrimônio arquitetônico. por uma parte. constitui condição prévia para uma ação eficaz uma reforma profunda da legislação. fornecendo-lhe todas as indicações sobre os regulamentos definitivos e temporários. a legislação relativa ao planejamento fisico-territorial. no que concerte: . de maneira a satisfazer às exigências da conservação integrada. A conservação integrada exige uma adaptação das medidas legislativas e administrativas. acompanhada de um fortalecimento dos meios administrativos. Essa sensibilização prática à cultura seria um beneficio social considerável. de outra parte. deve prever medidas especiais.à delimitação das zonas periféricas de proteção e dos locais de utilidade pública serem previstos. . convém fornecer-lhe os elementos para apreciação da situação. e por outra.rever.conceder.à designação e à delimitação dos conjuntos arquitetônicos. . aos cidadãos que decidam reabilitar uma construção antiga vantagens financeiras. o legislador deveria tomar as medidas necessárias a fim de: . de uma parte. .redistribuir de uma maneira equilibrada os créditos orçamentários reservados para o planejamento urbano e destinados à reabilitação e à construção respectivamente. assim como de meios científicos. o regime de incentivos financeiros do Estado e de outros poderes públicos. em função da nova política de conservação integrada.

e este é um fator determinante . por outro lado. Todavia. Além do mais. pois. o que permitiria restabelecer o equilíbrio social. após demolição. Para conseguir resolver os problemas econômicos da conservação integrada é necessário .que seja elaborada uma legislação que submeta as novas construções a certas restrições no que diz respeito a seus volumes (altura. coeficiente de ocupação do solo) e que favoreça uma inserção harmoniosa. Se tal ajuda para fazer face aos custos adicionais for aceita. Por ora. É necessário criar métodos que permitam avaliar os custos adicionais impostos pelas dificuldades apresentadas nos programas de conservação. Na medida do possível seria necessário dispor de meios financeiros suficientes para ajudar os proprietários. Compete. será necessário naturalmente cuidar para que essa vantagem não seja amenizada pelo imposto. a cada estado pôr em prática seus próprios métodos e instrumentos de financiamento. As diretrizes do planejamento deveriam desencorajar a densificação e promover antes a reabilitação do que uma renovação. A conservação integrada requer medidas financeiras apropriadas. pode-se estabelecer com certeza que não existe país na Europa cujos recursos financeiros utilizados para a conservação sejam suficientes. em razão de suas repercussões recíprocas.Esses serviços deveriam ajudar as autoridades locais. Os poderes públicos deveriam criar ou encorajar o lançamento de fundos de circulação que forneçam os meios necessários às coletividades locais e às associações sem fins lucrativos. submetido a fatores externos resultantes da estrutura atual da sociedade. É difícil definir uma política financeira aplicável a todos os países e avaliar as conseqüências das diferentes medidas que intervêm nos processos de planejamento. cooperar no planejamento fisicoterritorial e manter relações estreitas com os órgãos públicos e organizações privadas. deduzidos os eventuais custos adicionais. que efetuam trabalhos de restauração. Isso vale particularmente para as zonas onde o financiamento de tais programas poderá ser . a suportar estritamente as taxas adicionais que lhes serão impostas. as vantagens financeiras e fiscais oferecidas pelas novas construções de veriam ser concedidas nas mesmas proporções para a manutenção e conservação das construções antigas. Também é preciso aplicar este mesmo principio em proveito da reabilitação dos conjuntos degradados de interesse histórico ou arquitetônico. Esse processo está. parece que nenhum país europeu jamais elaborou um mecanismo administrativo perfeitamente adequado a corresponder às exigências econômicas de uma política de conservação integrada.

a longo prazo. técnicas e aptidões profissionais ligadas à restauração e à reabilitação. as remunerações. multidisciplinares e compreender um aprendizado que permita adquirir uma experiência prática sobre a matéria. A conservação integrada conclama à promoção de métodos. Seria necessário arrecadar dados para confecção de um catálogo de métodos e de técnicas utilizados e. Os métodos e técnicas de restauração e reabilitação de edifícios e conjuntos históricos deveriam ser mais explorados e seu espectro alargado. A permuta internacional de conhecimentos. tanto em nível nacional quanto local. Essa documentação deveria ser reunida em centros apropriados. evitar onerosas operações de reabilitação. Todo programa de reabilitação deveria ser estudado meticulosamente antes de sua execução. É importante atentar para que os materiais de construção tradicional continuem a ser aplicados A conservação permanente do patrimônio arquitetônico permitirá. as condições de trabalho. e convém.assegurado de forma autônoma. arquitetos. É. As técnicas especializadas impregnados por ocasião da restauração de conjuntos históricos importantes deveriam ser. de experiências e de estagiários é um elemento essencial na formação de todo o pessoal interessado. a curto ou a longo prazo. criar instituições científicas que deveriam cooperar estreitamente entre si. reunir uma documentação completa sobre os materiais e as técnicas e proceder a uma análise dos custos. para isso. a segurança do emprego e o status social deveriam ser suficientemente atraentes para incentivar os jovens a . em razão da maior valorização resultante da forte demanda que se aplica aos proprietários que dispõem de um tal incentivo. Deveria haver mais facilidade em dispor de urbanistas. ao mesmo tempo. As possibilidades de qualificação. todavia. Os materiais e técnicas novas não devem ser aplicados sem antes se obter a concordância de instituições científicas neutras. É absolutamente necessário dispor de melhores programas de formação de pessoal qualificado. de vital importância estimular todos os recursos de financiamento privados. técnicos e artesãos necessários à preparação de programas de conservação e para assegurar a promoção de profissões artesanais que intervêm no trabalho de restauração e que estão ameaçadas de desaparecer. notadamente os de origem industrial. Estes programas deveriam ser flexíveis. o que favoreceria a reforma das práticas de restauração e de reabilitação. Esse catálogo deveria ser posto à disposição de todos os interessados. de hoje em diante utilizadas na vasta gama de monumentos e conjuntos que apresentam um menor interesse artístico. Inúmeras iniciativas de caráter privado têm demonstrado o excepcional resultado alcançado em associam com os poderes públicos.

Recomenda que os governos dos Estados Membros adotem as medidas de ordem legislativa. arquitetos. Considerando que a conservação do patrimônio arquitetônico depende. . Tendo em vista a recomendação da Conferência de Ministros Europeus Responsáveis pelo Patrimônio Arquitetônico. em virtude do artigo primeiro dessa convenção. funcionários. Reconhecendo que o patrimônio arquitetônico. a solidariedade efetiva dos Estados europeus.se voltarem para as disciplinas relacionadas com a restauração e a permanecerem nesse campo de atividade. a adotar as medidas necessárias a salvaguardar sua contribuição ao patrimônio cultural comum da Europa e a encorajar-lhe o desenvolvimento. de sua integração no quadro da vida dos cidadãos e de sua valorização nos planejamentos físicoterritorial e nos planos urbanos. é herança comum de todos os povos e que sua conservação compromete. realizada em Bruxelas. participantes da Convenção Cultural Européia de 19 de dezembro de 1954. Considerando que os Estados Membros do Conselho da Europa. realizado em Amsterdã. em grande parte. de 21 a 25 de outubro de 1975. O Comitê de Ministros. urbanistas. Manifesto de Amsterdã de outubro de 1975 Carta Européia do Partimônio Arquitetônico Ano do Patrimônio Europeu Mil delegados de 25 Países Europeus (ministros. eleitos locais. acham-se empenhados. as autoridades responsáveis pelos programas de aprendizado em todos os níveis deveriam se esforçar para gerar interesse na juventude em relação às atividades especializadas da conservação. representantes de associações) Adotada pelo Comitê dos Ministros do Conselho da Europa. Considerando que o objetivo do Conselho da Europa é efetivar uma união mais estreita entre seus membros. e a recomendação número 589 (de 1970) da Assembléia Consultiva do Conselho da Europa. em 26 de setembro de 1975. Finalmente. a Carta Européia do Patrimônio Arquitetônico foi solenemente promulgada no Congresso sobre o Patrimônio Arquitetônico Europeu. por consequência. em 1969. relativa a uma carta do patrimônio arquitetônico. principalmente para salvaguardar e promover os ideais e os princípios que lhes são patrimônio comum. Reafirma sua disposição de promover uma política européia comum e uma ação adequada de proteção do patrimônio arquitetônico apoiadas nos princípios de sua conservação integrada. expressão insubstituível da riqueza e da diversidade da cultura européia.

mais um empobrecimento cuja perda em valores acumulados não pode ser compensada. econômico e social cujos valores são insubstituíveis. eles podem perder uma grande parte de seu caráter se esse ambiente é alterado. abaixo redigidos: O patrimônio arquitetônico europeu é constituído não somente por nossos monumentos mais importantes. financeira e educativa necessárias à implementação de uma política de conservação integrada do patrimônio arquitetônico e a desenvolver o interesse do público por essa política. No passado. organizado em 1975. os conjuntos. preparada pelo Comitê dos Monumentos e Sítios do Conselho da Europa. Qualquer diminuição desse capital é. podem oferecer uma qualidade de atmosfera produzida por obras de arte diversas e articuladas. Longe de ser um luxo para a coletividade. eles geralmente evitaram a segregação das classes sociais.administrativa. mais também pelos conjuntos que constituem nossas antigas cidades e povoações tradicionais em seu ambiente natural ou construído. sob os auspícios do Conselho da Europa. . Ora. O patrimônio arquitetônico dá testemunho da presença da história e de sua importância em nossa vida. Os homens do nosso tempo. Durante muito tempo só se protegeram e restauraram os monumentos mais importantes. a utilização desse patrimônio é uma fonte de economias. Cada geração dá uma interpretação diferente ao passado e dele extrai novas idéias. se apercebem instintivamente do valor desse patrimônio. mesmo que não disponham de edificações excepcionais. É preciso conservar tanto esses conjuntos quanto aqueles. Esses conjuntos se constituem efetivamente em meios próprios ao desenvolvimento de um amplo leque de atividades. Adota e promulga os princípios da presente carta. Por outro lado. sem levar em conta o ambiente em que se inserem. Por outro lado. É uma parte essencial da memória dos homens de hoje em dia e se não for possível transmitila às gerações futuras na sua riqueza autêntica e em sua diversidade. em presença de uma civilização que muda de feição e cujos perigos são tão manifestos quanto os bons resultados. A encarnação do passado no patrimônio arquitetônico constitui um ambiente indispensável ao equilíbrio e ao desenvolvimento do homem. de novo. a necessidade de poupar recursos impõe-se a nossa sociedade. O patrimônio arquitetônico é um capital espiritual. O patrimônio arquitetônico tem um valor educativo determinante. A estrutura dos conjuntos históricos favorece o equilíbrio harmoniosos das sociedades. cultural. a humanidade seria amputada de uma parte da consciência de sua própria continuidade. portanto. uma boa repartição das funções e uma integração maior das populações. mesmo por criações de alta qualidade. levando em conta os resultados da campanha do Ano Europeu do Patrimônio Arquitetônico. Podem facilitar.

Recursos Jurídicos A conservação integrada deve utilizar todas as leis e regulamentos existentes que possam concorrer para a salvaguarda e para a proteção do patrimônio. A tecnologia contemporânea. a imagem e o contato direto adquirem novamente uma importância decisiva na formação dos homens. Importa. A conservação integrada deve ser. conservar vivos os testemunhos de todas as épocas e de todas as experimentações. destrói as antigas estruturas. Esse patrimônio está em perigo. respeitar as proporções. a forma e a disposição dos volumes. mal aplicada. por isso. financeiros e técnicos. as pequenas cidades abandonadas a se tornarem reservas de alojamento barato. Sua restauração deve ser conduzida por um espírito de justiça social e não deve ser acompanhada pelo êxodo de todos os habitantes de condição modesta. pela antiguidade.Ele oferece um conteúdo privilegiado de explicações e comparações sobre o sentido das formas e um manancial de exemplos de suas utilizações. A sobrevivência desses testemunhos só estará assegurada se a necessidade de sua proteção for compreendida pela maior parte e. Determinado tipo de urbanismo é destruidor quando as autoridades são exageradamente sensíveis às pressões econômicas e as exigências da circulação. A conservação integrada afasta as ameaças. A evolução histórica levou os centros degradados das cidades e. administrativos. As restaurações abusivas são nefastas. e que ela deverá ter na maior conta o entorno existente. Afinal e principalmente. A conservação integrada é o resultado da ação conjugada das técnicas da restauração e da pesquisa de funções apropriadas. Ora. regional e local. Ele está ameaçado pela ignorância. Recursos Financeiros . portanto. Recursos Administrativos A aplicação de uma tal política exige a utilização de estruturas administrativas adequadas e suficientemente valorizadas. um dos pressupostos do planejamento urbano e regional. Quando essas disposições não permitirem a obtenção do objetivo buscado. é preciso complementá-las e criar os instrumentos jurídicos indispensáveis a níveis apropriados: nacional. pela degradação sob todas as formas. a especulação financeira e imobiliária tiram partido de tudo e aniquilam os melhores projetos. eventualmente. que por eles serão responsáveis no futuro. pelo abandono. qualquer que seja a sua origem. A conservação integrada requer a utilização de recursos jurídicos. especialmente pelas gerações jovens. Convém notar que essa conservação integrada não exclui completamente a arquitetura contemporânea nos conjuntos antigos. assim como os materiais tradicionais.

os artesãos qualificados. capazes de levar a bom termo as restaurações. convocar as indústrias da construção a se adaptarem a essas necessidades e favorecer o desenvolvimento de um artesanato ameaçado de desaparecimento. Cabe-lhe a responsabilidade de o transmitir às gerações futuras. só dispõe do patrimônio a título passageiro. aliás. cada uma das suas partes está à mercê de cada um. aí compreendidos os recursos fiscais. Cada geração.Organização das Nações Unidas para a Educação. de 26 de outubro a 30 de novembro de 1976. constituem a presença viva do passado que lhes deu . os técnicos de todas as categorias. A informação do público deve ser mais desenvolvida na medida em que os cidadãos têm o direito de participar das decisões que dizem respeito a suas condições de vida. Cabe ao Conselho da Europa assegurar a coerência da política de seus Estados Membros e promover sua solidariedade. a Ciência e a Cultura. pelo menos. O patrimônio arquitetônico é o bem comum de nosso continente. É indispensável o concurso de todos para o êxito da conservação integrada. a Ciência e a Cultura de 26 de novembro de 1976 RECOMENDAÇÃO RELATIVA À SALVAGUARDA DOS CONJUNTOS HISTÓRICOS E SUA FUNÇÃO NA VIDA CONTEMPORÂNEA. reunida em Nairobi. Considerando que os conjuntos históricos ou tradicionais fazem parte do ambiente cotidiano dos seres humanos em todos os países. iguais aos que se destinam a novas construções. 19ª Sessão UNESCO . de todas as ajudas e incentivos financeiros necessários. É preciso desenvolver a formação e o emprego dos quadros e da mão de obra. em sua décima nona sessão. Todos os problemas de conservação são comuns a toda a Europa e devem ser tratados de maneira coordenada. É essencial que os recursos financeiros consagrados pelos poderes públicos à restauração de conjuntos antigos sejam. em se apresentando ocasião.A manutenção e restauração dos elementos do patrimônio arquitetônico devem poder se beneficiar. Recursos Técnicos Os arquitetos. são insuficientes em número. A Conferência Geral da Organização das Nações Unidas para a Educação. as empresas especializadas. Ainda que o patrimônio arquitetônico seja propriedade de todos.

Considerando que os conjuntos históricos ou tradicionais constituem um patrimônio imobiliário cuja destruição provoca muitas vezes perturbações sociais. Observando que a Conferência Geral já adotou instrumentos internacionais para a proteção do patrimônio cultural e natural. a Recomendação sobre a Preservação dos Bens Culturais Ameaçados pela Realização de Obras Públicas ou Privadas (1968) e a Recomendação sobre a Proteção. diante dos perigos da uniformização e da despersonalização que se manifestam constantemente em nossa época. Tendo decidido. A Conferência Geral recomenda aos Estados Membros que levem esta recomendação ao conhecimento das autoridades nacionais. regionais e locais. destruições que ignoram o que destroem e reconstruções irracionais e inadequadas ocasionam grave prejuízo a esse patrimônio histórico. Considerando que essa situação implica a responsabilidade de cada cidadão e impõe aos poderes públicos obrigações que só eles podem assumir. um dos fundamentos de sua identidade. Considerando que. Considerando que. esses testemunhos vivos de épocas anteriores adquirem uma importância vital para cada ser humano e para as nações que neles encontram a expressão de sua cultura e. por isso. Adota. os princípios e as normas formuladas nesta recomendação. Considerando que os conjuntos históricos ou tradicionais constituem através das idades os testemunhos mais tangíveis da riqueza e da diversidade das criações culturais. como parte do planejamento nacional. Considerando que. nas datas e na . serviços ou órgãos e associações interessados na salvaguarda dos conjuntos históricos ou tradicionais e seu entorno. Tendo-lhe sido apresentadas propostas relativas à salvaguarda dos conjuntos históricos ou tradicionais e sua função na vida contemporânea. a presente recomendação. questão que constitui o ponto 27 da ordem do dia da sessão. do Patrimônio Cultural e Natural (1972). Constatando que em muitos países falta uma legislação suficientemente eficaz e flexível que diga respeito ao patrimônio arquitetônico e a suas relações com o planejamento físicoterritorial. adotando urgentemente uma política global e ativa de proteção e de revitalização dos conjuntos históricos ou tradicionais e de sua ambiência. em 26 de novembro de 1976. adquirem um valor e uma dimensão humana suplementares. A Conferência Geral recomenda aos Estados Membros que lhe apresentem. adotando medidas sob a forma de lei nacional ou de outra forma. no mundo inteiro. regional ou local. diante de tais perigos de deterioração e até de desaparecimento total.forma. mesmo quando não resulte em perdas econômicas. asseguram ao quadro da vida a variedade necessária para responder à diversidade da sociedade e. sob pretexto de expansão ou de modernização. assim como às instituições. que esse assunto seria objeto de uma recomendação aos Estados Membros. destinadas a efetivar. a Recomendação Relativa à Salvaguarda da Beleza e do Caráter dos Sítios e Paisagens (1962). no Plano Nacional. tais como a Recomendação que Define os Princípios Internacionais a serem Aplicados em Relação às Escavações Arqueológicas (1956). ao mesmo tempo. em sua décima oitava sessão. Desejando complementar e ampliar o alcance das normas e dos princípios formulados nesses instrumentos internacionais. nos territórios sob sua jurisdição. A Conferência Geral recomenda aos Estados Membros que apliquem as disposições seguintes. todos os Estados devem agir para salvar esses valores insubstituíveis. religiosas e sociais da humanidade e que sua salvaguarda e integração na vida contemporânea são elementos fundamentais na planificação das áreas urbanas e do planejamento físico-territorial.

Cada conjunto histórico ou tradicional e sua ambiência deveria ser considerado em sua globalidade. Nas condições da urbanização moderna. b) Entende-se por "ambiência" dos conjuntos históricos ou tradicionais. segundo as condições próprias de cada Estado Membro em matéria de distribuição de poderes. particularmente as que resultam de uma utilização imprópria. incluídas as atividades humanas. estético ou sócio-cultural. no interesse de todos os cidadãos e da comunidade internacional. histórico. como um todo coerente cujo equilíbrio e caráter específico dependem da síntese dos elementos que o compõem e que compreendem tanto as atividades humanas como as construções. ser conservados em sua integridade. que são muito variados. Deveriam ser responsáveis por isso. uma grande atenção deveria ser dispensada à harmonia e à emoção estética que resultam da conexão ou do contraste dos diferentes elementos que compõem os conjuntos e que dão a cada um deles seu caráter particular. I . ou por laços sociais. Os conjuntos históricos ou tradicionais e sua ambiência deveriam ser protegidos ativamente contra quaisquer deteriorações. econômicos ou culturais. a reabilitação. têm. podem-se distinguir especialmente os sítios pré-históricos. ou a eles se vincula de maneira imediata no espaço. uma significação que é preciso respeitar. II . desde as mais modestas. ficando entendido que estes últimos deverão. inclusive os sítios arqueológicos e palenteológicos. a conservação. Todos os trabalhos de restauração a serem empreendidos deveriam basear-se em princípios científicos. Dessa maneira. ao perigo da destruição direta dos conjuntos históricos ou . Do mesmo modo. em regra. pré-histórico. as aldeias e lugarejos. o quadro natural ou construído que influi na percepção estática ou dinâmica desses conjuntos. c) Entende-se por "salvaguarda" a identificação.Princípios Gerais: Dever-se-ia considerar que os conjuntos históricos ou tradicionais e sua ambiência constituem um patrimônio universal insubstituível. a manutenção e a revitalização dos conjuntos históricos ou tradicionais e de seu entorno. de acréscimos supérfluos e de transformações abusivas ou desprovidas de sensibilidade que atentam contra sua autenticidade. a estrutura espacial e as zonas circundantes. assim como os conjuntos monumentais homogêneos. as autoridades nacionais. que produz um aumento considerável na escala e na densidade das construções. assim como as provocadas por qualquer forma de poluição. relatórios sobre a maneira como aplicaram a presente recomendação. os bairros urbanos antigos. a restauração.Definições Para os efeitos da presente recomendação: a) Considera-se conjunto histórico ou tradicional todo agrupamento de construções e de espaços. a proteção. as cidades históricas. arquitetônico. regionais ou locais. que constituam um assentamento humano. em relação ao conjunto. todos os elementos válidos. tanto no meio urbano quanto no rural e cuja coesão e valor são reconhecidos do ponto-de-vista arqueológico.forma que ela determinar. Sua salvaguarda e integração na vida coletiva de nossa época deveriam ser uma obrigação para os governos e para os cidadão dos Estados em cujo território se encontram. Entre esses "conjuntos".

Essa política deveria influenciar o planejamento nacional. nas condições peculiares a cada um em matéria de distribuição de poderes. Medidas Jurídicas e administrativas A aplicação de uma política global de salvaguarda dos conjuntos históricos e tradicionais e de sua ambiência deveria basear-se em princípios válidos para cada país em sua totalidade. uma política nacional. econômicas e sociais pelas autoridades nacionais. a salvaguarda dos conjuntos históricos ou tradicionais pode contribuir extraordinariamente para a manutenção e o desenvolvimento dos valores culturais e sociais peculiares de cada nação e para o enriquecimento arquitetônico do patrimônio cultural mundial. As ações resultantes desse planejamento deveriam se integrar à formulação dos objetivos e programas. As disposições que estabeleçam um sistema de salvaguarda dos conjuntos históricos ou tradicionais deveriam enunciar os princípios gerais relativos ao estabelecimento e à adoção dos planos e documentos necessários e. IV . se necessário. Essas legislações deveriam encorajar a adaptação ou a adoção de disposições. determinando-se as medidas concretas de acordo com as competências legislativas e constitucionais e com a organização social e econômica de cada Estado. III . Conviria revisar as leis relativas ao planejamento físico territorial.Medidas de Salvaguarda A salvaguarda dos conjuntos históricos ou tradicionais e de sua ambiência deveria se ajustar aos princípios anteriormente enunciados e aos métodos expostos a seguir. particularmente: . Numa época em que a crescente universalidade das técnicas construtivas e das formas arquitetônicas apresentam o risco de provocar uma uniformização dos assentamentos humanos no mundo inteiro. regionais e locais para salvaguardar os conjuntos históricos ou tradicionais e sua ambiência e adaptá-los às exigências da vida contemporânea. promulgar novos textos legislativos e regulamentares para assegurar a salvaguarda dos conjuntos históricos e tradicionais e de sua ambiência. ao urbanismo e à política habitacional de modo a coordenar e harmonizar suas disposições com as das leis relativas à salvaguarda do patrimônio arquitetônico.tradicionais se agrega o perigo real de que os novos conjuntos destruam indiretamente a ambiência e o caráter dos conjuntos históricos adjacentes.Política Nacional. à distribuição das funções e à execução das operações. Dever-se-ia buscar a colaboração dos indivíduos e das associações privadas para a aplicação da política de salvaguarda. para assegurar tal salvaguarda. Regional e Local Em cada Estado Membro deveria se formular. ou a visão que a partir deles se obtém. Os Estados Membros deveriam adaptar as disposições existentes ou. levando em conta as disposições contidas neste capítulo e nos seguintes. nos planos urbanos. regional e local a fim de que sejam adotadas medidas jurídicas. regional e local e orientar a ordenação urbana urbano e rural e o planejamento físico-territorial em todos os níveis. técnicas. não se deteriore e para que esses conjuntos se integrem harmoniosamente na vida contemporânea. Os arquitetos e urbanistas deveriam empenhar-se para que a visão dos monumentos e conjuntos históricos. regional ou local.

As disposições referentes à construção de edifícios para órgãos públicos e privados e a obras públicas e privadas deveriam adaptar-se à regulamentação da salvaguarda dos conjuntos históricos e de sua ambiência. que possa comprometer uma proteção e uma restauração concebidas em função do interesse coletivo. acompanhada de disposições preventivas contra as infrações à regulamentação de salvaguarda e contra qualquer alta especulativa dos valores imobiliários nas zonas protegidas. Essas disposições poderiam envolver medidas de planejamento urbano que influam no preço dos terrenos por construir . arbitrárias ou injustas. Só deveriam ser permitidas as demolições de edificações sem valor histórico ou arquitetônico e as subvenções ocasionalmente resultantes deveriam ser estritamente controladas. assim como à construção de habitações sociais deveriam ser concebidas ou reformuladas de modo que não apenas se ajustem à política de salvaguarda. . Dever-se-ia estabelecer. as disposições relativas aos imóveis e quarteirões insalubres.as funções de manutenção e a designação dos encarregados de desempenhá-las. Em particular. estabelecido e modulado sobretudo para facilitar o desenvolvimento de habitação subsidiadas e de edifícios públicos através da reabilitação de construções antigas. Os planos e documentos de salvaguarda deveriam definir especialmente: . a obrigação de reconstituir e/ou multa apropriada.os campos a que se poderão aplicar as intervenções de urbanismo. modificação.as zonas e os elementos a serem protegidos. em princípio. .a indicação dos programas e operações previstas em matéria de conservação e de infraestrutura de serviços. uma parte suficiente dos créditos previstos para a construção de habitações sociais deveria ser destinada à reabilitação de edificações antigas.as condições e restrições específicas que lhes dizem respeito. Os efeitos legais das medidas de proteção a edificações e terrenos deveriam ser levadas ao conhecimento público e registradas em um órgão oficial competente. . O regime de eventuais subvenções deveria ser.tais como o estabelecimento de planos de ordenação distritais ou de extensão mais reduzida.as modalidades de financiamento e de execução dos programas de salvaguarda. de reestruturação e de ordenação do espaço rural. . nova construção ou demolição no perímetro protegido. .. mas que para ela contribuam. Além disso. um mecanismo de recurso contra as decisões ilegais. . todavia.e instituir sanções efetivas como a suspensão das obras.a designação do órgão encarregado de autorizar qualquer restauração. ou a intervenção compulsória em caso de incapacidade ou descumprimento por parte dos proprietários .as condições que regerão a implantação de novas construções.as condições gerais de instalação das redes de suprimento e dos serviços necessários à vida urbana ou rural.as condições e restrições gerais aplicáveis às zonas protegidas por lei e a suas imediações. O respeito às medidas de salvaguarda deveria ser imposto tanto às coletividades públicas quanto às particulares. a expropriação no interesse da salvaguarda.as normas que regulam os trabalhos de manutenção. . . A legislação de salvaguarda deveria ser. consequentemente. restauração e transformação. . . a concessão do direito de preempção e a um órgão público.

os modos de vida e as relações sociais. As medidas de proteção.especialistas em saúde pública e assistência social. Esses estudos deveriam abranger. em circunstâncias absolutamente excepcionais e escrupulosamente documentadas.especialistas em conservação e restauração. econômicas. regionais e locais. c) as autoridades deveriam tomar a iniciativa de organizar a consulta e a participação da população interessada. incluídos os historiadores da arte. Além disso. deveriam ser tomadas sem esperar que se estabeleçam planos e documentos de salvaguarda. dados demográficos e uma análise das atividades econômicas. Deveria ser produzido um documento analítico destinado a determinar os imóveis ou os grupos de imóveis a serem rigorosamente protegidos. Econômicas e Sociais Dever-ser-ia estabelecer. uma relação dos conjuntos históricos ou tradicionais e sua ambiência a serem salvaguardados. Deveria ser feita uma análise de todo o conjunto. regionais e locais ou grupos de particulares.Respeitadas as condições próprias a cada país e a distribuição de poderes das diversas administrações nacionais. com a mesma finalidade. de qualquer tipo. d) os planos de salvaguarda deveriam ser aprovados pelo órgão designado por lei. administrativos e financeiros adequados. .deveriam contar com pessoal necessário e com meios técnicos. infraestrutura urbana. o que permitiria às autoridades suspender qualquer obra incompatível com esta recomendação.arquitetos e urbanistas. ou.ecólogos e arquitetos paisagistas. Medidas Técnicas. nos níveis nacional. b) os planos e documentos de salvaguarda deveriam ser elaborados depois que todos os estudos científicos necessários houverem sido efetuados por equipes multidisciplinares compostas. assim como de sua vegetação. técnicos e econômicos.sociólogos e economistas. regional ou local. . as redes de comunicação e as inter-relações recíprocas da zona protegida com as zonas circundadas. As . conservados sob certas condições. de: . se possível. deveria ser realizado. principalmente. em geral.nacional. o estado do sistema viário. . são necessários estudos pormenorizados dos dados e das estruturas sociais. que tiverem caráter urgente. históricos. inclusive de sua evolução espacial. destruídos. especialistas em todas as matérias relativas à proteção e revitalização dos conjuntos históricos e tradicionais. culturais e técnicas. arquitetônicos. . que contivesse os dados arqueológicos.e. sociais e culturais. assim como do contexto urbano ou regional mais amplo. públicos e privados. um inventário dos espaços abertos. os problemas fundiários. regional e local . a execução de obras de salvaguarda deveria se inspirar nos seguintes princípios: a) uma autoridade responsável deveria encarregar-se da coordenação permanente de todos os intervenientes: serviços públicos nacionais. Essa relação deveria indicar prioridades para facilitar uma alocação racional dos limitados recursos disponíveis para fins de salvaguarda. e) os serviços públicos encarregados de aplicar as disposições de salvaguarda em qualquer nível . . Além dessa investigação arquitetônica.

não seria possível estabelecer planos eficazes de salvaguarda. Uma vez estabelecidos e aprovados os planos e normas de salvaguarda pela autoridade pública competente. que a elaboração dos planos de salvaguarda e sua execução se baseassem nos estudos disponíveis. Uma vez que o contexto social. conviria. seria conveniente que seus autores fossem encarregados de sua execução ou direção. arquitetônicos. A programação deveria visar à adaptação das densidades de ocupação e a prever o escalonamento das operações. os planos de salvaguarda pertinentes. e a capacidade de o tecido urbano e rural acolher funções compatíveis com seu caráter específico. em vez de serem retardadas indefinidamente enquanto se aprimora o processo de planejamento. Em qualquer operação de saneamento urbano ou de beneficiamento que afete um conjunto histórico deveriam ser observadas as normas gerais de segurança relativas a incêndios e catástrofes naturais. portanto. desde que sejam compatíveis com os critérios de salvaguarda do patrimônio cultural. Em caso contrário. Seria essencial. econômicos e sociais. na supressão de acréscimos e construções superpostas sem valor e. os estudos e investigações deveriam ser regularmente atualizados. Os programas de saneamento urbano ou de beneficiamento aplicáveis a zonas que não estão incluídas nos planos de salvaguarda deveriam respeitar os edifícios e outros elementos que possuam um valor arquitetônico ou histórico e seus acessórios. Nos conjuntos históricos ou tradicionais que possuírem elementos de vários períodos diferentes. na demolição de edificações recentes que rompam a unidade do conjunto só poderão ser autorizados nos termos do plano de salvaguarda. a fim de garantir o máximo de segurança. assim como a necessária acomodação temporária durante as obras e os locais para realojamento permanente dos habitantes que não puderem regressar a sua morada anterior. até mesmo. É necessária uma vigilância permanente para evitar que essas operações beneficiem apenas a especulação ou sejam utilizadas com finalidades contrárias aos objetivos do plano. a ação de salvaguarda deveria levar em consideração as manifestações de todos esses períodos. Essa programação deveria ser elaborada com a maior participação possível das coletividades e populações interessadas. sem eles. Se tais elementos estivessem arriscados de sofrer danos com esses programas deveriam ser elaborados. em princípio. Antes da formulação de planos e normas de salvaguarda e depois da análise acima descrita. devem ser buscadas soluções particulares em colaboração com todos os serviços interessados. econômico e físico dos conjuntos históricos e de sua ambiência está em constante evolução.autoridades competentes deveriam atribuir suma importância a esses estudos e compreender que. os programas de saneamento urbano ou de beneficiamento que consistirem na demolição de imóveis desprovidos de interesse arquitetônico ou histórico ou arruinados demais para serem conservados. necessária e previamente. Quando existirem planos de salvaguarda. estabelecer uma programação que leva-se igualmente em consideração o respeito aos dados urbanísticos. Um cuidado especial deveria ser adotado na regulamentação e no controle das novas construções para assegurar que sua arquitetura se enquadre harmoniosamente nas estruturas . sem ameaça alguma ao patrimônio cultural.

então. como para analisar suas dominantes: harmonia das alturas. essencial manter as funções apropriadas existentes e. Uma atenção especial deveria ser prestada à dimensão dos lotes. Não se deveria autorizar o isolamento de um monumento através da supressão de seu entorno. Uma política de revitalização cultural deveria converter os . culturais e econômicos dos habitantes. o mobiliário urbano e o revestimento do solo deveriam ser estudados e controlados com o maior cuidado. cores. relações dos volumes construídos e dos espaços. o comércio e o artesanato e criar outras novas que. coordenadas fácil e economicamente com o desenvolvimento da rede viária. portanto. A proteção e a restauração deveriam ser acompanhadas de atividades de revitalização. deverão ser adotadas medidas adequadas para suprimi-los.espaciais e na ambiência dos conjuntos históricos. uma análise do contexto urbano deveria preceder qualquer construção nova. mas também do valor derivado da utilização que delas se possa fazer. os Estados Membros deveriam estimular e ajudar as autoridades locais a encontrar soluções para esse problema. conviria estudar com extremo cuidado a localização e o acesso dos parques de estacionamento não só dos periféricos como dos centrais. tais como quaisquer formas de poluição. entre outras. a publicidade luminosa ou não. Os conjuntos históricos ou tradicionais e sua ambiência deveriam ser protegidos contra a desfiguração resultante da instalação de suportes. por um lado e a densidade do tecido urbano e as características arquitetônicas por outro. cabos elétricos ou telefônicos. Deveria ser feito um esforço especial para evitar qualquer forma de vandalismo. através da proibição de se implantarem indústrias nocivas em sua proximidade e da adoção de medidas preventivas contra os efeitos destrutivos dos ruídos. que seriam demasiadamente onerosas se fossem feitas separadamente. e estabelecer redes de transporte que facilitem ao mesmo tempo a circulação dos pedestres. a sinalização das ruas. Para isso. deveriam ser compatíveis com o contexto econômico e social. prejudicial à harmonia do conjunto. assim como suas proporções médias e a implantação dos edifícios. urbano. o acesso aos serviços e o transporte público. Dado o conflito existente na maior parte dos conjuntos históricos ou tradicionais entre o trânsito automobilístico. não só para definir o caráter geral do conjunto. Se já existirem. poderiam ser. seu deslocamento só deveria ser decidido excepcionalmente e por razões de força maior. do mesmo modo. para serem viáveis a longo prazo. regional ou nacional em que se inserem. para que se integrem harmoniosamente ao conjunto. materiais e formas. a instalação subterrânea de redes elétricas e de outros cabos. Os problemas sociais decorrentes da salvaguarda só podem ser colocados corretamente se houver referência a essas duas escalas de valor. Para consegui-lo e para favorecer o trânsito de pedestres. Seria. Essas funções teriam que se adaptar às necessidades sociais. em particular. antenas de televisão ou painéis publicitários de grande escala. elementos constitutivos do agenciamento das fachadas e dos telhados. Os Estados Membros e as instituições interessadas deveriam proteger os conjuntos históricos ou tradicionais e sua ambiência contra os danos cada vez mais graves causados por determinados avanços tecnológicos. tais como. Os cartazes. O custo das operações de salvaguarda não deveria ser avaliado apenas em função do valor cultural das construções. dos choques e das vibrações produzidas contra as deteriorações provenientes de uma excessiva exploração turística. os letreiros comerciais. sem contrariar o caráter específico do conjunto em questão. pois qualquer modificação poderia resultar em um efeito de massa. Numerosas operações de reabilitação.

e levar em consideração o custo adicional da restauração. subsídios ou empréstimos em condições favoráveis ao proprietários particulares e usuários que houverem realizado as obras estabelecidas pelos planos de salvaguarda e de acordo com as normas fixadas por esses planos. para conservar os edifícios existentes. antes de mais nada. a grupamentos de proprietários ou de usuários de habitações e estabelecimentos comerciais. criação de grupos consultivos nos órgãos de planejamento. ou seja. incentivos fiscais. subordinadas ao acatamento de determinadas condições impostas no interesse do público. subsídios e empréstimos poderiam ser concedidos. Nas zonas rurais todos os trabalhos que implicarem uma degradação da paisagem. particularmente as habitações de baixa renda e somente aplicar-se a novas construções na medida em que elas não constituírem uma ameaça à utilização e às funções dos edifícios existentes. tais como garantia . nos órgãos de decisão. O conjunto desses créditos deveria ser administrado de forma centralizada pelos órgãos de direito público. assim como quaisquer mudanças nas estruturas econômicas e sociais deveriam ser cuidadosamente controlados para preservar a integridade das comunidades rurais históricas em seu ambiente natural. onde for necessário e conveniente. regional ou local todas as formas de ajuda financeira e de orientá-las a uma aplicação global. deveria pressupor as intervenções da coletividade. ser estabelecida entre as coletividades e os particulares. pesquisas preparadas com a participação das pessoas interrogadas. o custo suplementar imposto ao proprietário em relação ao novo valor venal ou locativo do edifício. de gestão e de revitalização das operações relacionadas com os planos de salvaguarda. ou criação de órgãos de economia mista que participem da execução. Esses incentivos fiscais. regionais e locais. Uma cooperação constante em todos os níveis deveria. As vantagens financeiras a serem concedidas aos proprietários particulares e aos usuários deveriam estar. Os investimentos públicos previstos pelos planos de salvaguarda dos conjuntos históricos e de sua ambiência deveriam ser avalizados pela consignação de créditos adequados nos orçamentos das autoridades centrais. doações. Dever-se-iam conceder doações. A ajuda pública. cujas iniciativas e participação ativa deveriam ser estimuladas. a título consultivo. isoladamente ou em grupo. A ação de salvaguarda deveria associar a contribuição da autoridade pública à dos proprietários particulares ou coletivos e à dos habitantes e usuários. Em geral.conjuntos históricos em pólos de atividades culturais e atribuir-lhes um papel essencial no desenvolvimento cultural das comunidades circundantes. em qualquer das formas descritas nos parágrafos seguintes. privado ou mistos encarregados de coordenar nos níveis nacional. portanto. Deveriam ser estimuladas a fundação de grupos voluntários de salvaguarda e de associações de caráter não lucrativo e a instituição de recompensas honoríficas ou pecuniárias para que sejam reconhecidas as realizações exemplares em todos os campos da salvaguarda. dos habitantes e dos usuários. em caráter prioritário. pois as operações agrupadas se tornam economicamente mais vantajosas que as ações individuais. especialmente através dos seguintes meios: informações adaptadas aos tipos de pessoas atinentes. representação dos proprietários. eventualmente. esses investimentos públicos deveriam servir.

dotados de personalidade jurídica e que pudessem receber doações de particulares. especialmente o artesanato rural.Pesquisa. Para aumentar os recursos financeiros disponíveis os Estados Membros deveriam incrementar a criação de estabelecimentos financeiros públicos ou privados para a salvaguarda dos conjuntos históricos e tradicionais e de sua ambiência. através da criação de um órgão que se encarregasse da concessão de empréstimos aos proprietários. depois de restaurá-los. a pesca etc. determinadas em função dos rendimentos. Os Estados Membros e as autoridades interessadas em todos os níveis poderiam facilitar a criação de associações sem fins lucrativos que se encarregassem da aquisição e. os Estados Membros deveriam adotar as medidas que se seguem. nos imóveis ou nos conjuntos a serem restaurados . se for o caso. V . a agricultura em pequena escala. da venda dos imóveis mediante a utilização de fundos de operações especialmente destinados a manter nos conjuntos históricos ou tradicionais os proprietários que desejarem protegê-los e preservar suas características. É essencial evitar que as medidas de salvaguarda acarretem uma ruptura da trama social. As instituições públicas e os estabelecimentos de crédito privados poderiam facilitar o financiamento a obras de qualquer gênero destinadas a proteger os conjuntos históricos ou tradicionais e sua ambiência. etc. ajudariam os interessados a fazer frente ao aumento dos encargos provocados pelas obras realizadas. com taxas reduzidas e longos prazos de reembolso. de fundações e de empresas industriais e comerciais. As autoridades públicas deveriam prever igualmente dotações especiais para a reparação dos danos causados pelos desastres naturais. Ensino e Informação Para aperfeiçoar a competência dos especialistas e dos artesãos necessários e para fomentar o interesse e a participação de toda a população no trabalho de salvaguarda. Essas indenizações. Os Estados Membros e as coletividades interessadas deveriam encorajar as pesquisas e os estudos sistemáticos sobre: . Para evitar. através do financiamento a obras que correspondam simultaneamente a seus próprios objetivos e aos dos planos de salvaguarda. Os doadores poderiam desfrutar de isenções fiscais. Todos os serviços e administrações que atuam na construção pública deveriam. acesso aos parques.da integridade dos imóveis. possibilidade de visitação aos edifícios. o traslado dos habitantes. poderiam ser concedidas indenizações que compensassem a alta do aluguel. ainda. realização de fotografias. Dotações especiais deveriam ser previstas nos orçamentos dos órgãos públicos ou privados para a proteção dos conjuntos históricos ou tradicionais ameaçados por grandes obras públicas ou privadas e pela poluição. para que os ocupantes pudessem conservar suas habitações e seus pontos de comércio e produção assim como seus modos de vida e suas ocupações tradicionais. jardins ou sítios. de acordo com sua competência legislativa e constitucional. agenciar seus programas e orçamentos de maneira a contribuir para a reabilitação dos conjuntos históricos ou tradicionais. com prejuízo dos menos favorecidos.

Essa cooperação multilateral ou bilateral deveria ser judiciosamente coordenada e concretizar-se através de medidas com as seguintes: . no de história. também deveria ser estimulado. Esse ensino deveria utilizar amplamente os meios audiovisuais e as visitas aos conjuntos históricos ou tradicionais. Conviria facilitar o acesso a cursos de aperfeiçoamento e reciclagem para pessoal docente e para guias. tanto privados como públicos. para que saiba porque e como seu padrão de vida pode ser melhorado. tais como o Centro de Estudos para a Conservação e a Restauração dos Bens Culturais. O estudo dos conjuntos históricos deveria ser incluído no ensino em todos os níveis e. VI . . no que se refere à salvaguarda dos conjuntos históricos ou tradicionais e de sua ambiência. .a alteração dos materiais. mas também sociais e econômicas que pode oferecer uma política bem conduzida de salvaguarda dos conjuntos históricos ou tradicionais e sua ambiência deveriam ser objeto de uma informação clara e completa. para inculcar no espírito dos jovens a compreensão e o respeito às obras do passado e para mostrar o papel desse patrimônio na vida contemporânea. recorrendo.Cooperação Internacional Os Estados Membros deveriam colaborar. Seria de desejar que as instituições interessadas cooperassem nessa esfera com os organismos internacionais especializados no assunto. urbanismo urbano e planejamento físico-territorial.ICOM . à ajuda de organizações internacionais. O desenvolvimento das técnicas artesanais. principalmente ao Centro de Documentação UNESCO . intergovernamentais e não governamentais.a aplicação das técnicas modernas aos trabalhos de conservação. de Roma.as técnicas artesanais indispensáveis à salvaguarda. A formação do pessoal administrativo encarregado das operações locais e salvaguarda dos setores históricos deveria. não apenas estéticas e culturais.ICOMOS. Essa informação deveria ser amplamente difundida entre os organismos especializados. a imprensa. A tomada de consciência em relação à necessidade da salvaguarda deveria ser estimulada pela educação escolar. de acordo com um programa a longo prazo. pós-escolar e universitária e pelo recurso aos meios de informação tais como os livros. ser financiada e dirigida pelas autoridades competentes. Deveriam ser instaurados e desenvolvidos ensinamentos específicos sobre os temas acima e que compreendessem estágios de formação prática. .os métodos de conservação aplicáveis aos conjuntos históricos. . nacionais. se for necessário.aspectos urbanísticos dos conjuntos históricos ou tradicionais e de sua ambiência. o Conselho Internacional de Monumentos e Sítios (ICOMOS) e o Conselho Internacional de Museus (ICOM). particularmente. o rádio e o cinema e as exposições itinerantes. Além disso é indispensável estimular a formação de técnicos e de artesãos especializados na salvaguarda dos conjuntos e de quaisquer espaços abertos que os circundam. onde for adequado e necessário . regionais e locais e entre a população. As vantagens..as interconexões entre salvaguarda. bem como a formação de instrutores para ajudar os grupos de jovens e de adultos desejosos de se iniciar no conhecimento dos conjuntos históricos ou tradicionais. ameaçadas pelo processo de industrialização. . a televisão.

Atenas se ergueu como o berço da civilização ocidental. Muitos de seus noventa e cinco pontos são válidos. 1977. tanto em planejamento como em arquitetura. a ser analisado interdisciplinarmente em uma discussão internacional que inclua intelectuais e profissionais. ainda. Carta de Machu Picchu de dezembro de 1977 Encontro Internacional de Arquitetos Passaram-se quase 45 anos desde que ó CIAM elaborou um documento sobre teoria e metodologia de planejamento. d) luta contra todas as formas de poluição. nenhum Estado Membro deveria tomar qualquer medida para demolir ou alterar as características dos bairros. cidades e sítios históricos situados nos territórios ocupados por esse Estado. Que pode ser atualizado mas não negado. Nas regiões situadas de um lado e de outro de uma fronteira onde ocorrerem problemas comuns de planejamento e salvaguarda de conjuntos históricos ou tradicionais e sua ambiência. é ainda um documento fundamental para a nossa época. f) assistência mútua entre países vizinhos para a salvaguarda de conjuntos de interesse comum. os Estados Membros deveriam coordenar suas políticas e ações para conseguir a melhor utilização e proteção desse patrimônio. Atenas. característicos do desenvolvimento histórico e cultural de região. 1933. Os lugares são significativos.a) intercâmbio de informações de todos os gêneros e de publicações científicas e técnicas. b) organização de seminários e de grupos de trabalho sobre temas específicos. como testemunho da vitalidade e da continuidade do movimento moderno. em primeiro lugar. e) execução de grandes projetos de salvaguarda de conjuntos históricos ou tradicionais e de sua ambiência e difusão da experiência adquirida. Machu Picchu representa tudo o que não envolve a mentalidade global iluminística e tudo o que não é classificável por sua lógica. que recebeu o nome de Carta de Atenas. Muitos fenômenos novos emergiram durante esse tempo e exigem uma revisão da carta que a complemente com um documento de enfoque e amplitude mundiais. técnico e administrativo e fornecimento de material. devendo salientar. c) concessão de bolsas de estudos e de viagem. De acordo com o espírito e com os princípios da presente recomendação. que a Carta de Atenas. Machu Picchu simboliza a contribuição cultural independente de outro mundo. Machu Picchu. de 1933. envio de pessoal científico. . Houve alguns esforços para atualizar a Carta de Atenas e o presente documento só pretende ser ponto de partida para tal empresa. institutos de pesquisas e universidades de todos os países. Atenas representou a racionalidade personificada por Aristóteles e Platão.

agravadas pelo fato de o ritmo de crescimento populacional das cidades ser muito superior ao demográfico geral. tornaram crítica a necessidade de uso mais efetivo dos recursos naturais e humanos. no contexto contemporâneo de urbanização. onde se dá a migração das populações mais abastadas em direção aos subúrbios. incluindo o planejamento econômico. E tais decisões.Cidade e região A Carta de Atenas reconheceu a unidade essencial das cidades e suas regiões circundantes. o projeto e o planejamento urbano e a arquitetura. Planejar. energética e alimentícia. incluindo problemas e oportunidades e guiando o crescimento e desenvolvimento urbanos dentro dos limites dos recursos disponíveis. cidades. características do processo de urbanização. As técnicas e disciplinas do planejamento devem ser aplicadas a toda a escala de grupos humanos . E isso requer um processo contínuo e sistemático de interação entre os profissionais do projeto. A fraqueza da sociedade ao enfrentar as necessidades do crescimento urbano e as mudanças sócio-econômicas requer a reafirmação desse princípio em termos mais específicos e urgentes. tendem a se deteriorar por deficiência . é. tanto como as relações funcionais essenciais entre bairros. sequência e características de desenvolvimento. regiões e nações . Por isso. que constitui a raiz do problema de nossas cidades. Dentro do crescimento caótico das cidades. os moradores das cidades e seus líderes comunitários e políticos. consequência do uso de automóveis. A desarticulação entre o planejamento econômico em nível nacional e regional e o planejamento para o desenvolvimento urbano onerou e reduziu a eficiência de ambos. assim. não têm considerado diretamente as prioridades nem as soluções dos problemas das áreas urbanas.bairros. deve refletir a unidade dinâmica das cidades e suas regiões circundantes. Hoje. áreas metropolitanas. afinal.para orientar sua localização. O planejamento. a interpretação das necessidades humanas e a realização em um contexto de oportunidades de formas e de serviços urbanos apropriados para a população. no que concerte aos núcleos humanos. os benefícios potenciais do planejamento e da arquitetura não chegam à grande maioria. A elas temos que somar as crises de moradia e de serviços urbanos. O crescimento urbano Desde a Carta de Atenas até nossos dias a população do mundo duplicou. As soluções urbanísticas propugnadas pela Carta de Atenas não levaram em conta esse crescimento acelerado. distritos e outras áreas urbanas. assim como em estratégias de planejamento econômico a longo prazo. estados. As áreas urbanas muito frequentemente refletem os efeitos adversos e específicos de decisões econômicas baseadas em considerações amplas e relativamente abstratas. nem as conexões operacionais entre a estratégia econômica geral e o planejamento do desenvolvimento urbano. através do mundo. como um meio sistemático de analisar necessidades. em nível nacional. podemos diferenciar duas categorias de movimentos: a primeira corresponde à dos países industrializados. O objetivo do planejamento geral. é uma obrigação fundamental dos governos. abandonando as áreas centrais das cidades que. dando lugar à chamada crise tripla: ecológica.

estejam a seu alcance. trabalhar. Tais técnicas podem apenas tentar a incorporação das áreas marginais ao organismo urbano e. Moradia Diferentemente da Carta de Atenas. A segunda categoria corresponde à das cidades dos países em desenvolvimento. muitas vezes. as medidas que se adotam para regularizar a marginalização (dotação de serviços públicos. saúde ambiental. consideramos que a comunicação humana é um fator predominante na razão de ser da cidade. Ela determinou cidades setorizadas em funções. mas em criar definitivamente uma integração polifuncional e contextual. onde. portanto. que a qualidade de vida e a integração com o meio ambiente natural devem ser objetivo básico na concepção dos espaços habitáveis. adquiriu-se consciência de que o processo urbanístico não consiste em setorizar. sem impor distinções inaceitáveis para o decoro humano. divertir-se e circular e que os planos devem fixar sua estrutura e implantação. Consideramos. O mesmo espírito de integração que faz da comunicação entre os moradores da cidade um elemento básico da vida urbana deve regular a localização e a estruturação de áreas residenciais para diversas comunidades e grupos. A casa popular não será considerada um objeto de consumo subsidiário. O planejamento da cidade e da moradia. no nível do relacionamento humano.de recursos. O resultado é a existência de cidades com uma vida urbana amena. convertendo-se em incentivo que incrementa os movimentos migratórios para as cidades. Devem ser projetados elementos construtivos que possam ser fabricados massificadamente para serem utilizados pelos usuários e que.) contribuem paradoxalmente para agravar o problema. O projeto da casa deve ter a flexibilidade necessária para adaptar-se à dinâmica social. determinando que o processo urbano se nos apresente totalmente diferente. programas de moradia. Conceito de setor A Carta de Atenas assinala que as chaves do urbanismo se encontram nestas quatro funções básicas: de habitar. devem reconhecer este fato. facilitando portanto a participação criadora do usuário. Atualmente. que se instala em bairros marginais carentes de serviços e de infra-estrutura urbana. cada sítio arquitetônico resulta num objeto isolado e onde não se considera que a mobilidade humana determine um espaço influente. . Esse fenômeno não pode ser resolvido nem sequer controlado pelos dispositivos e medidas que estão ao alcance do planejamento urbano. caracterizando-se pela maciça migração rural. onde um processo analítico de clarificação tem sido usado como um processo sintético de ordenação do espaço urbano. afinal. igualmente. economicamente. mas um poderoso instrumento de desenvolvimento social. etc. Essas transferências quantitativas produzem transformações qualitativas fundamentais.

Transportes nas cidades As cidades deverão planejar e manter o transporte público de massa, considerando-o como um elemento básico no processo do planejamento urbano. 0. custo social do sistema de transporte deverá ser apropriadamente avaliado e devidamente considerado no planejamento do crescimento de nossas cidades. Na Carta de Atenas está explícito que a circulação é uma das funções urbanas básicas e implícito que ela depende principalmente do uso do automóvel como meio de transporte individual. Depois de quarenta e quatro anos, comprovou-se que não há solução ótima para diferenciar, multiplicar e solucionar cruzamentos de ruas. É necessário, portanto, enfatizar que a solução para a função de circulação deve ser pesquisada mediante a subordinação do transporte individual ao transporte coletivo de massa. Os urbanistas devem conscientizar-se de que a cidade é uma estrutura em desenvolvimento, cuja forma final não pode ser definida, razão pela qual devem considerar as noções de flexibilidade e expansão urbanas. O transporte e a comunicação formam uma série de redes interconectadas que servem como sistema articulador entre espaços interiores e exteriores e deverão ser projetados de forma que permitam experimentar indefinidamente mudanças de extensão e forma. Disponibilidade do solo urbano A Carta de Atenas mostrou a necessidade de uma legislação que permitisse dispor, sem impedimentos, do solo urbano para satisfazer as necessidades coletivas. Para tanto, estabeleceu que o interesse privado devia subordinar-se ao interesse coletivo. Apesar de diversos esforços realizados desde 1933, as dificuldades de disponibilidade de solo urbano se mantêm como um obstáculo básico para o planejamento urbano. Por isso, é desejável que se criem e se adotem soluções legais eficientes capazes de produzir uma melhora substantiva a curto prazo. Recursos naturais e contaminação ambiental Uma das formas mais atentatórias contra a natureza é, hoje, a contaminação ambiental, que tem se agravado em proporções sem precedentes e potencialmente catastróficas, como conseqüência direta da urbanização não planejada e da excessiva exploração de recursos. Nas áreas urbanizadas do mundo a população está cada vez mais sujeita a condições ambientais que são incompatíveis com normas e conceitos razoáveis de saúde e bem estar humanos. Entre as características não aceitáveis se incluem a prevalência de quantidades excessivas de perigosas substâncias tóxicas no ar, na água e nos alimentos da população urbana, além dos níveis danosos de ruídos. As políticas oficiais que regem o desenvolvimento urbano deverão incluir medidas imediatas para evitar que se acentue a degradação do meio ambiente urbano e conseguir a restauração da integridade básica do meio ambiente, de acordo com as normas de saúde e de bem estar social. Estas medidas devem ser consideradas no planejamento urbano e econômico, no projeto arquitetônico, nos critérios e normas de engenharia e nas políticas de desenvolvimento.

Preservação e defesa dos valores culturais e patrimônio histórico-monumental A identidade e o caráter de uma cidade são dados não só por sua estrutura física, mas, também, por suas características sociológicas. Por isso, é necessário que não só se preserve e conserve o patrimônio histórico monumental, como também que se assuma a defesa do patrimônio cultural, conservando os valores que são de fundamental importância para afirmar a personalidade comunal ou nacional e/ou aqueles que têm um autêntico significado para a cultura em geral. Por isso mesmo, é imprescindível que na tarefa de conservação, restauração e reciclagem das zonas monumentais e dos monumentos históricos e arquitetônicos, considere-se a sua integração ao processo vivo do desenvolvimento urbano como único meio que possibilite o financiamento da operação. No processo de reciclagem dessas zonas, deve ser considerada a possibilidade de se construírem edifícios de arquitetura contemporânea da melhor qualidade. Tecnologia A Carta de Atenas referiu-se tangencialmente ao processo tecnológico, ao discutir o impacto da atividade industrial na cidade. Nos últimos quarenta e cinco anos o mundo experimentou um desenvolvimento tecnológico sem precedentes, que tem afetado nossas cidades e também a prática da arquitetura e do urbanismo. A tecnologia se desenvolveu explosivamente em algumas regiões do mundo e sua difusão e aplicação eficaz é um dos problemas básicos de nossa época. Hoje, o desenvolvimento científico e tecnológico e a intercomunicação entre os povos permitem superar as condicionantes locais e oferecer os mais amplos recursos para resolver os problemas urbanísticos e arquitetônicos. O mau uso dessa possibilidade determina que, frequentemente, se adotem materiais, técnicas e características formais como resultado de pruridos de novidade e complexos de dependência cultural. Neste sentido, usualmente, o impacto do desenvolvimento tecnológico-mecânico tem determinado que a arquitetura seja um processo de criar ambientes artificialmente condicionados a um clima e a uma iluminação não naturais. Isso pode ser uma solução para determinados problemas, mas a arquitetura deve ser um processo de criar ambientes condicionados em função de elementos naturais. Deve-se entender que a tecnologia é meio e não fim e que ela deve ser aplicada em função de uma realidade e de suas possibilidades como resultado de um sério trabalho de investigação e experimentação, trabalho que os governos devem ter em conta. A dificuldade de utilizar processos altamente mecanizados ou materiais construtivos eminentemente industrializados não deve significar uma diminuição de rigor técnico ou de cabal resposta arquitetônica às exigências do problema a resolver, mas, pelo contrário, um maior rigor no planejamento das soluções possíveis para o meio.

A tecnologia construtiva deve considerar a possibilidade de reciclar os materiais fim de conseguir transformar elementos construtivos em recursos renováveis. Implementação O planejamento, os profissionais e as autoridades pertinentes devem ter presente que o processo não termina na formulação de um plano e em sua subsequente execução, mas que, sendo a cidade um organismo vivo, é necessário considerar e prover os processos de sua manutenção. Deve-se entender também que cada região e cada cidade, no processo de sua implementação, deve criar e importar suas normas legais, de acordo com seu meio ambiente, recursos e características formais próprias. Projeto Urbanístico e Arquitetônico A Carta de Atenas não cuidou do projeto arquitetônico. Aqueles que a formularam não o consideraram necessário, porque concordavam que a arquitetura era um jogo sábio de volumes puros sob a luz, la Ville Radieuse, composta de tais volumes, aplicou uma linguagem arquitetônica de origem cubista, perfeitamente coerente com o conceito que separou as cidades em partes funcionais. Durante as últimas décadas, para a arquitetura contemporânea o problema principal não é mais o jogo visual de volumes puros, mas a criação de espaços sociais para neles se viver. A ênfase não está no continente, mas no conteúdo, não na embalagem isolada, por mais bela e sofisticada que seja, mas na continuidade da textura urbana. Em 1933, o esforço foi para desintegrar o objeto arquitetônico e a cidade em seus componentes. Em 1977, o objetivo deve ser reintegrar esses componentes, que, fora de suas relações formais, perderam vitalidade e significado. Para precisar melhor, a reintegração, tanto na arquitetura como no planejamento, não significa a integração a priori do classicismo. Deve ficar claramente estabelecido, que as recentes tendências para o ressurgimento da tradição das Beaux-Arts são anti-históricas em um grau grotesco e não têm a importância que justifique sua discussão. Mas são sintomas de uma obsolescência da linguagem arquitetônica para a qual devemos ficar alertas, para não voltarmos a uma espécie de cínico ecletismo do século XIX, e sim avançar em direção a uma etapa mais madura do movimento moderno. As conquistas dos anos trinta, quando a Carta de Atenas foi promulgada, são ainda válidas. Elas dizem respeito a: a) a análise dos edifícios e de suas funções; b) o princípio de dissonância; c) a visão espaço-tempo antiperspectiva; d) a desarticulação do tradicional edifício-caixa; e) a reunificação da engenharia estrutural e da arquitetura; A estas "constantes" ou "invariáveis" da linguagem arquitetônica têm se somado. f) a temporalidade do espaço; g) a reintegração edifício-cidade-paisagem.

Ao contrário. A reintegração edifício-cidade-paisagem é uma consequência da unidade entre cidade e campo. em nossa época não é apenas um princípio visual. por Michelangelo Não obstante. Tal atitude. na música e nas artes visuais. Se o povo for incluído no processo do projeto. pelo grandioso em ambas as concepções. procede o paralelo. por sua monumentalidade. sua imaginação será estimulada pelo imenso patrimônio da arquitetura popular. Significa que o povo deve participar ativa e criativamente em cada fase do projeto. a participação do usuário é ainda mais importante e concreta. podendo. O princípio do não-finito não é novo. Está provado que o enfoque cultural do projeto arquitetônico. Algumas vezes se compararam. como também aos espaços humanos. não apenas ao visual. O fato de reconhecer que os edifícios vernaculares muito contribuem para a imaginação arquitetônica não significa que devam ser imitados. os usuários integrar-se no trabalho do arquiteto. que requer um diálogo com outros elementos para completar sua própria imagem. No momento em que os arquitetos se libertarem dos conceitos acadêmicos do finito. . mas também aos valores sociais. No campo construtivo. incrementa-o. mas um fator ativo de mensagem polivalente. assim. porque um cientista não dogmático é muito mais respeitado que o velho deux ex machina. deve-se ser cuidadoso. é tão absurda como foi a cópia do Partenon. enfoque aplicado não só aos volumes. as ordens vitruvianas e as Beaux Arts. hoje. Quanto a isso. como um monumento à vida. O novo conceito de urbanização pede a continuidade de edificação. feitas de volumes monumentais. A participação dos usuários faz mais orgânico e verdadeiro o encontro entre a linguagem altamente cultural e a popular. mas fundamentalmente social. O enfoque do finito não diminui o prestígio do planejador ou do arquiteto. O problema é totalmente diferente da imitação. aquelas se levantaram por obra e para o sustento das comunidades. É tempo de recomendar aos arquitetos que tomem consciência do desenvolvimento histórico do movimento moderno e cessem de multiplicar paisagens urbanas obsoletas.A temporalidade do espaço é a maior contribuição de Frank Lloyd Wright e corresponde à visão dinâmica do espaço-tempo-cubista. mas um elemento do continuum. exaltando a glória do monarca e. de 1921. que eles se detêm no meio ou nas três quartas partes do processo. Fisicamente. reflexivo ou transparentes. a relevância do arquiteto será enfatizada e a inventiva arquitetônica será maior e mais rica. que tanto se tem estudado nas últimas décadas. de maneira que o espectador não seja um contemplador passivo da obra artística. opacos. o que implica que cada edifício não seja um objeto finito. Foi explorado pelos maneiristas e. não obstante. dessa arquitetura sem arquitetos. se encontram e se fundem naturalmente com os idiomas populares. de uma forma explosiva. tanto como os Cinco Princípios de Le Corbusier. as construções do antigo Peru com as pirâmides do Egito. As teorias da relatividade e da determinação não diminuíram o prestígio dos cientistas. sejam horizontais ou verticais. Elas expressam volumétrica e espiritualmente o rumo diferente de duas grandes civilizações que edificaram para a eternidade. tem demonstrado que os artistas já não produzem um objeto finito. Mas estas foram construídas como um monumento à morte. A experiência artística nas últimas décadas.

em determinadas circunstâncias. . A reparação implica a restauração e a reconstrução. científico ou social de um bem para as gerações passadas. assim como disposições que prevejam sua futura destinação. Artigo 3° . em cada caso. igualmente. . .o termo bem designará um local.a adaptação será o agenciamento de um bem a uma nova destinação sem a destruição de sua significação cultural.O objetivo da conservação é preservar a significação cultural de um bem. em princípio. com o máximo de exatidão. uma zona. compreender obras mínimas de reconstrução ou adaptação que atendam às necessidades e exigências práticas. a conservação implicará ou não a preservação ou a restauração.Conselho Internacional de Monumentos e Sítios Definições Artigo 1° . . Conservação Artigo 2° . . ser de caráter tradicional. ela deve implicar medidas de segurança e manutenção. sejam novos ou antigos. modificações que sejam substancialmente reversíveis ou que requeiram um impacto mínimo. . o conteúdo e o entorno a que pertence. . . nem com a recriação. do conteúdo e do entorno de um bem e não deve ser confundido com o termo reparação. além da manutenção. utilizar técnicas modernas. ambas excluídas do domínio regulamentado pelas presentes orientações. Artigo 4° . .a preservação será a manutenção no estado da substância de um bem e a desaceleração do processo pelo qual ele se degrada.Carta de Burra Austrália.o uso compatível designará uma utilização que não implique mudança na significação cultural da substância.A conservação deve se valer do conjunto de disciplinas capazes de contribuir para o estudo e a salvaguarda de um bem.a reconstrução será o restabelecimento. ela se distingue pela introdução na substância existente de materiais diferentes. ela poderá. e assim será considerada.A conservação se baseia no respeito à substância existente e não deve deturpar o testemunho nela presente. De acordo com as circunstâncias. . presentes ou futuras. A reconstrução não deve ser confundida. As técnicas empregadas devem.o termo significação cultural designará o valor estético. um edifício ou outra obra construída. nem com a reconstituição hipotética. histórico. mas pode-se.a substância será o conjunto de materiais que fisicamente constituem o bem.Para os fins das presentes orientações: . compreendidos.o termo manutenção designará a proteção contínua da substância. de um estado anterior conhecido.o termo conservação designará os cuidados a serem dispensados a um bem para preservarlhe as características que apresentem uma significação cultural. ou um conjunto de edificações ou outras obras que possuam uma significação cultural.a restauração será o restabelecimento da substância de um bem em um estado anterior conhecido. 1980 ICOMOS .

O deslocamento de uma edificação ou de qualquer outra obra. Artigo 7° . deve ser proibida. Artigo 9° . . modificações reversíveis em seu conjunto ou. A introdução de elementos estranhos ao meio circundante.As opções assim efetuadas determinarão as futuras destinações consideradas compatíveis para o bem.desde que se assentem em bases científicas e que sua eficácia seja garantida por uma certa experiência acumulada.A retirada de um conteúdo ao qual o bem deve uma parte de sua significação cultural não pode ser admitida. dos materiais. nenhum deles deve ser revestido de uma importância injustificada em detrimento dos demais. no estado em que se encontra.A conservação de um bem exige a manutenção de um entorno visual apropriado.As opções a serem feitas na conservação total ou parcial de um bem deverão ser previamente definidas com base na compreensão de sua significação cultural e de sua condição material.Todo edifício ou qualquer outra obra devem ser mantidos em sua localização histórica. Não poderão ser admitidas técnicas de estabilização que destruam a significação cultural do bem. Não deverão ser permitidas qualquer nova construção. Restauração Artigo 13° . Nesse caso. a menos que represente o único meio de assegurar a salvaguarda e a segurança desse conteúdo. Artigo 12° . As destinações compatíveis são as que implicam a ausência de qualquer modificação. no plano das formas. a não ser que essa solução constitua o único meio de assegurar sua sobrevivência. das cores. integralmente ou em parte. Artigo 10° .A preservação se limita à proteção. assim como nos casos em que há insuficiência de dados que permitam realizar a conservação sob outra forma. Nenhuma empreitada de restauração deve ser empreendida sem a certeza de existirem recursos necessários para isso. nem qualquer demolição ou modificação susceptíveis de causar prejuízo ao entorno. modificações cujo impacto sobre as partes da substância que apresentam uma significação cultural seja o menor possível.Na conservação de qualquer bem deve ser levado em consideração o conjunto de indicadores de sua significação cultural. ainda. Artigo 8° . Artigo 6° . à manutenção e à eventual estabilização da substância existente. que prejudiquem a apreciação ou fruição do bem. da textura.A preservação se impõe nos casos em que a própria substância do bem. etc. Artigo 5° .A restauração só pode ser efetivada se existirem dados suficientes que testemunhem um estado anterior da substância do bem e se o restabelecimento desse estado conduzir a uma valorização da significação cultural do referido bem. Preservação Artigo 11° . da escala. oferece testemunho de uma significação cultural específica. ele deverá ser restituído na medida em que novas circunstâncias o permitirem. não pode ser admitido.

Os estudos que implicam qualquer remoção de elementos existentes ou escavações arqueológicas só devem ser efetivados quando forem necessários para a obtenção de dados indispensáveis à tomada de decisões relativas à conservação. documentais ou outros. o resgate de elementos datados de determinada época em detrimento dos de outra só se justifica se a significação cultural do que é retirado for de pouquíssima importância em relação ao elemento a ser valorizado. Artigo 21° . Artigo 20° .As obras de adaptação devem se limitar ao mínimo indispensável à destinação do bem a uma utilização definida de acordo com os termos dos artigos 6 e 7.A adaptação só pode ser tolerada na medida em que represente o único meio de conservar o bem e não acarrete prejuízo sério a sua significação cultural.A reconstrução deve ser efetivada quando constituir condição sine qua non de sobrevivência de um bem cuja integridade tenha sido comprometida por desgastes ou modificações. de documentos que perpetuem esse aspecto com exatidão. Procedimentos Artigo 23° . Quando a substância do bem pertencer a várias épocas diferentes. Ela se baseia no princípio do respeito ao conjunto de testemunhos disponíveis. sejam eles materiais. na previsão de posterior restauração do bem. Artigo 22° . documentais ou outros. Artigo 24° . nas condições previstas no artigo 16. Qualquer transformação do aspecto de um bem deve ser precedida da elaboração. Artigo 19° .As contribuições de todas as épocas deverão ser respeitadas. ou quando possibilite restabelecer ao conjunto de um bem uma significação cultural perdida. Artigo 16° . Artigo 18° .Artigo 14° . e deve parar onde começa a hipótese.Os elementos dotados de uma significação cultural que não se possa evitar desmontar durante os trabalhos de adaptação deverão ser conservados em lugar seguro. sejam materiais.A restauração pode implicar a reposição de elementos desmembrados ou a retirada de acréscimos. do bem e/ou à obtenção de testemunhos materiais fadados a desaparecimento próximo ou a se tomarem inacessíveis por causa dos trabalhos obrigatórios de conservação ou de qualquer outra intervenção inevitável.Qualquer intervenção prevista em um bem deve ser precedida de um estudo dos dados disponíveis.A restauração deve servir para mostrar novos aspectos em relação à significação cultural do bem.A reconstrução deve se limitar à reprodução de substâncias cujas características são conhecidas graças aos testemunhos materiais e/ou documentais. As partes reconstruídas devem poder ser distinguidas quando examinadas de perto. por profissionais.A reconstrução deve se limitar à colocação de elementos destinados a completar uma entidade desfalcada e não deve significar a construção da maior parte da substância de um bem. Reconstrução Artigo 17° . Artigo 15° . .

O jardim histórico é uma composição de arquitetura cujo material é principalmente vegetal. sua salvaguarda requer regras específicas. conforme o disposto no artigo 25 acima. e da vontade de arte e de artifício que tende a perenizar o seu estado. Artigo 2º . Artigo 27° . com provas documentais de apoio (fotos. devendo a cada decisão corresponder uma responsabilidade específica. um interesse público. amostras.Os trabalhos contratados devem ter acompanhamento apropriado. Carta de Florença de maio de 1981 Conselho Internacional de Monumentos e Sítios . do ponto de vista da história ou da arte. como tal. do desenvolvimento e do definhamento da natureza. etc.Os documentos consignados nos artigos 23. Essa carta foi redigida pelo comitê e registrada em 15 de dezembro de 1982 pelo ICOMOS.Destacam-se na composição arquitetura do jardim histórico: .Artigo 25° . assim.Qualquer ação de conservação a ser considerada deve ser objeto de uma proposta escrita acompanhada de uma exposição de motivos que justifique as decisões tomadas. que levará o nome desta cidade.ICOMOS / IFLA Preâmbulo Reunidos em Florença. Como tal é considerado monumento. exercido por profissionais. Definição e objetivos Artigo 1º .) Artigo 26° . o jardim histórico deve ser salvaguardado. bem como as decisões tomadas.Por ser monumento. 26 e 27 acima serão guardados nos arquivos de um órgão público e mantidos à disposição do público. visando a complementar a Carta de Veneza neste domínio particular. Artigo 29° . Artigo 3º .Os objetos a que se refere o artigo 10 acima serão catalogados e protegidos de acordo com normas profissionais. de um perpétuo equilíbrio entre o movimento cíclico das estações. em 21 de maio de 1981.As decisões de orientação geral devem proceder de organismos cujos nomes serão devidamente comunicados. desenhos. vivo e. o comitê Internacional de Jardins Históricos e ICOMOS/IFLA decidiram elaborar uma carta relativa à proteção dos jardins históricos. Artigo 4º . e deve ser mantido um diário no qual serão consignadas as novidades surgidas.ICOMOS Comitê Internacional de Jardins e Sítios Históricos . Artigo 28° . conforme o espírito de Carta de Veneza. Seu aspecto resulta. bem como o de seus dirigentes responsáveis. que são objeto da presente carta. portanto.Um jardim histórico é uma composição arquitetônica e vegetal que. 25. perceptível e renovável. apresenta. Todavia. como Monumemto Vivo.

os meios de informação e a capacitação profissional: em muitos países. Os anos decorridos desde então registraram um progresso significativo das ciências ambientais: expandiram-se consideravelmente a educação. e os resultados respectivos não podem ser considerados satisfatórios. Algumas atividades humanas descontroladas e não-programadas determinaram .Expressão de relações estreitas entre a civilização e a natureza. . e reconhece a necessidade urgente de intensificar esforços em níveis global. A conferência de Estocolmo constitui uma força poderosa que incrementou a consciência e a compreensão públicas quanto à fragilidade do meio ambiente.as águas moventes ou dormentes. suas alturas respectivas.suas massas vegetais: suas essências. tendo recapitulado as medidas tomadas para implementar a declaração e o plano de ação adotados naquela conferência. outras organizações governamentais e nãogovernamentais foram implantadas em todos os níveis e vários importantes convênios internacionais relativos à cooperação ambiental foram concluídos. seu jogo de cor.seus elementos construídos ou decorativos. . o plano de ação inicial foi apenas parcialmente instrumental. Declaração de Nairobi de 10 a 18 de maio de 1982 (Quênia) Assembléia Mundial dos Estados UNEP – Organização das Nações para o Meio Ambiente A Assembléia Mundial dos Estados. . reflexo do céu. o jardim toma assim o sentido cósmico de uma imagem idealizada do mundo. seus espaçamentos. em nível mundial. a fim de comemorar o décimo aniversário da Conferência das Nações Unidas sobre o Ambiente Humano. No entanto. reunida em Nairobi do dia 10 ao dia 18 de maio de 1982. mas que dá testemunho de uma cultura. dispositivos relativos à proteção ambiental. foram insuficientes a compreensão e a previsão necessárias para entender o benefício a longo prazo de programas e ações coordenadas de proteção ambiental. embora expressando sua grave preocupação acerca do atual estado do ambiente.. que ocorreu em Estocolmo. Artigo 5º . regional e nacional de modo a protegê-lo e melhorá-lo. seus volumes. Do mesmo modo. passou-se a adotar legislação ambiental e um número relevante de países incorporou ao contexto de suas constituições. roga solenemente a governos e povos para agirem construtivamente a partir do progresso alcançado até hoje. de uma época. um paraíso no sentido etmológico do termo. apropriado à meditação e ao devaneio. lugar de deleite.seu plano e os diferentes perfis do seu terreno. Com efeito. de um estilo. Os princípios da Declaração de Estocolmo são tão válidos hoje como em 1972 e proporcionam um código básico de comportamento para os anos vindouros. Além do programa ambiental das Nações Unidas. nem os objetivos nem as ações asseguram a disponibilidade e a distribuição eqüitativa de recursos naturais. Eis porque o plano de ação inicial não teve a repercussão requerida na totalidade da comunidade internacional. eventualmente da originalidade de um criador.

o impacto ocasionado. aumentando ao mesmo tempo a cooperação no campo da pesquisa científica e do manejo do ambiente. As ameaças ao meio ambiente são agravadas por estruturas coniventes com a miséria. que permita ao homem viver livre da ameaça da guerra (especialmente de uma guerra nuclear). poderia compatibilizar o progresso econômico e social com a conservação de recursos naturais. por meio de consultas intergovernamentais e de ações internacionais pertinentes. também do apartheid. incluindo convênios e convenções. por outro. Uma consciência específica e lúcida em nível regional. os Estados passariam a promover a promulgação progressiva da legislação ambiental. A utilização de tecnologia apropriada. pode vir a contribuir para um desenvolvimento sócio-econômico fundamentado e permanente. O desmatamento. da segregação racial e de todas as formas de discriminação. a degradação do solo e a desertificação atingiram proporções alarmantes e puseram seriamente em risco as próprias condições de sobrevivência em vastas regiões do planeta. pelo aumento da população. Seria extremamente benéfico. como as ocorridas na camada de ozônio. Requer-se uma soma maior de esforços para desenvolver a metodologia e o manejo adequados para a exploração e a utilização de recursos naturais e para modernizar os sistemas . assim como com um consumismo e um desperdício abusivos: ambos podem levar à exploração predatória do meio.a degradação crescente do ambiente. para o bem de todos. de opressão e de domínio estrangeiro. o descuido a que tem sido votado o destino final e a reutilização de substâncias perigosas. As nações desenvolvidas (ou quaisquer outros países que se encontrem em condições de fazê-lo) deveriam prestar auxílio aos países em vias de desenvolvimento afetados pelo desequilíbrio ambiental. Muitos problemas ambientais transcendem as fronteiras e deveriam. que destaque essas relações. o desenvolvimento. a poluição das águas marinhas e interiores. No decurso da última década surgiram novas diretrizes: a necessidade do levantamento e manejo das complexas e íntimas conexões entre o ambiente. Para isso. apesar dos seus esforços internos em confrontar seus problemas ambientais mais sérios. e do desperdício de recursos intelectuais e naturais absorvidos pelos programas armamentistas. assim como a extinção de espécies animais e vegetais constituem graves ameaças adicionais para o ambiente humano. particularmente em áreas urbanas. dos instrumentos primordiais no sentido do esforço global para reverter o curso da agressão ambiental. ser resolvidos. Mecanismos conjugados de mercado e de planejamento podem também contribuir para a racionalização do desenvolvimento e do manejo do ambiente e dos recursos naturais. A estratégia internacional de desenvolvimento para a terceira década de ação das Nações Unidas e o advento de uma nova ordem econômica internacional fazem parte. Esses fatores foram amplamente discutidos. As deficiências ambientais provenientes do subdesenvolvimento (incluindo fatores externos que ultrapassam a capacidade de controle dos países envolvidos) geram graves problemas que se podem combater graças a uma distribuição mais eqüitativa de recursos econômicos e técnicos. a população e os recursos naturais por um lado e. Mudanças havidas na atmosfera. de colonialismo. As doenças associadas às condições ambientais adversas continuaram a contribuir para o sofrimento humano. Livre. por conseguinte. particularmente da tecnologia elaborada por outros países em vias de desenvolvimento. o estabelecimento de uma atmosfera internacional de paz e de segurança. quando necessário. dentro dos próprios países e entre Estados. para o ambiente humano. a concentração crescente de dióxido de carbono e de chuvas ácidas.

Conclama todos os governos e povos do mundo a assumirem.Conselho Internacional de Monumentos e Sítios Os participantes do Terceiro Colóquio Interamericano sobre a Conservação do Patrimônio Monumental. individual e coletivamente. a sua adesão à declaração e ao plano de ação adotados em Estocolmo. antes de adotarem novos métodos e novas tecnologias de produção industrial. Deve-se prestar uma atenção particular ao papel das inovações técnicas. Importa. deveriam ser conscientizadas de sua responsabilidade ambiental. A programação racional e conjunta dos recursos energéticos. entre nações ou entre grupos de nações. mostraram-se sensibilizados pelas atenções de que foram cercados e exprimem sua gratidão aos representantes mexicanos pela acolhida calorosa. como instrumento catalisador primordial para a cooperação ambiental global. em particular. a elaboração de novas fontes renováveis de energia terão um efeito benéfico no ambiente. igualmente. Reafirma. Declaração de Tlaxcala de outubro de 1982 3o Colóquio Interamericano sobre a Conservação do Patrimônio Monumental "Revitalização das Pequenas Aglomerações" . graças ao Fundo Ambiental. Medidas possibilitando. O comportamento e a participação responsáveis são essenciais para promover a causa do meio ambiente. pela qualidade dos trabalhos e pelos resultados obtidos nessa reunião. incrementar a conscientização pública e política sobre a importância do meio ambiente. Uma ação legislativa adequada e oportuna é importante nesse particular. A comunidade mundial de Estados reafirma. no sentido de promover a substituição. o seu apoio no sentido de fortalecer o programa das Nações Unidas para o meio ambiente. no âmbito da proteção ambiental. Tlaxcala. por exemplo. organizado pelo Comitê Nacional do ICOMOS mexicano e que se realizou em Trindade. Todas as empresas. à educação e à capacitação profissional. a sua responsabilidade histórica. além disso. assim. de 25 a 28 de outubro de 1982. fazendo apelo para que seja aumentada a disponibilidade de recursos naturais. O rápido esgotamento das fontes tradicionais e convencionais de energia apresenta um novo e premente desafio quanto ao seu manejo e conservação e à preservação do meio ambiente. a reciclagem e a conservação de recursos naturais. ou de procederem à exportação para outros países. apresenta possibilidades promissoras. Essa ação preventiva deveria incluir a programação de todas as atividades que possam causar impacto ambiental. As organizações nãogovernamentais têm um papel particularmente relevante e inspirador nesse campo. solenemente. visando aos meios de informação. . A prevenção de agressões ambientais é preferível à recuperação pesada e onerosa dos danos que já tenham sido causados. inclusive as corporações multinacionais.MÉXICO ICOMOS . sobre o tema A Revitalização das Pequenas Aglomerações. assim como ao fortalecimento e ampliação de esforços nacionais e de atos de cooperação internacional.tradicionais de pastoreio. de forma a assegurar que o nosso pequeno planeta seja transmitido às futuras gerações em condições que garantam a vida e a dignidade humana para todos.

Solicitam também aos governos e organismos competentes uma infra-estrutura e um equipamento integrados. após examinarem a situação atual na América em relação aos perigos que ameaçam o patrimônio arquitetônico e a ambiência das pequenas localidades. Constatam que a introdução de esquemas consumistas e de modo de vida estranhos a nossas tradições. para superar as circunstâncias difíceis há que se basear no passado cultural e nas expressões concretas de nossa memória. de modo especial ao Governo do Estado de Tlaxcala por sua hospitalidade e reconhecem os esforços empreendidos para a conservação do patrimônio arquitetônico e urbano que a história lhe confiou e que tem grande interesse para todos os povos da América. as escolas de ensino superior e o órgãos públicos ou privados que se interessam pela salvaguarda do patrimônio a utilizarem os meios de comunicação a sua disposição para fazer frente aos efeitos dessa penetração.Agradecem. conservam uma escala própria e personalizam as relações comunitárias. por um lado. Reconhecem que as ações que tendem à obtenção do bem estar das comunidades dos pequenos lugares de habitat devem fundamentar-se em um respeito estrito às tradições e ao modo de vida locais. Os delegados. Reconhecem. intervindo diretamente no processo de realização. quando isso não for possível. por outro. mas. Lembram que a conservação e realização das pequenas aglomerações são. propõem a utilização de elementos de substituição que não ocasionem alterações notáveis na forma resultante e que correspondam às condições psicológicas locais e aos modos de vida dos habitantes da região. que a situação de crise econômica que se abate sobre o continente não deve sobrestar os esforços para salvaguardar a identidade das pequenas localidade. como da técnica tradicional e. decidem adotar as seguintes conclusões: Reafirmam que as pequenas aglomerações se constituem em reservas de modos de vida que dão testemunho de nossas culturas. conferindo. que advêm graças aos múltiplos meios de comunicação. também. a ambiência e o patrimônio arquitetural das pequenas zonas de habitat são bens não renováveis cuja conservação deve exigir procedimentos cuidadosamente estabelecidos para evitar os riscos de alteração ou de falsificação causados por razões de oportunidade política. assim. Por isso. um direito de as comunidades participarem das decisões que dizem respeito à conservação de seu habitat. particularmente nas pequenas aglomerações. é necessário dispor não apenas dos materiais. uma identidade a seus habitantes. necessariamente. para preservar a atmosfera tradicional nas localidades rurais e nas pequenas aglomerações e para permitir a continuidade de manifestações arquitetônicas vernaculares contemporâneas. exortam os governos. De acordo com o estabelecido na Carta de Chapultepec e levando em consideração as inquietações manifestadas pelo Colóquio de Morelia e por outras reuniões de especialistas americanos. Reafirmam a importância dos planos de ordenação físico-territorial e de desenvolvimento para diminuir o processo de abandono dos pequenos lugares de habitat e a superpopulação das médias e pequenas cidades. da melhoria das condições sócioeconômicas dos habitantes e da qualidade da vida dos centros urbanos. Recomendações . Pensam que. uma obrigação moral e uma responsabilidade dos governos de cada Estado e das autoridades locais. Recomendam que qualquer ação que tenda a preservar o ambiente urbano e o valores arquitetônicos de um lugar deve participar. favorecem a destruição do patrimônio cultural por facilitarem o desprezo a nossos próprios valores. ao contrário. de modo a conter o êxodo das pequenas aglomerações. fenômeno que ameaça a própria existência dessas localidades.

educação. concretizados em diversos documentos internacionais. aos institutos competentes na matéria. assim como as recomendações feitas durante as precedentes reuniões americanas de Quito. por sua vez. que devem ser difundidas pelos comitês do ICOMOS na América e por todos os demais especialistas e apresentadas. restauração e revitalização das pequenas localidades. encorajar. Com esse objetivo devem ser revistas as normas de crédito para que considerem como objeto de crédito hipotecário as construções realizadas com técnicas e materiais vernaculares. como meio prático de conservar o patrimônio monumental e os recursos para a habitação. Que as escolas de arquitetura criem e favoreçam mestrados e doutorados em restauração e levem substancialmente em conta nos programas de base dos estudos os valores do patrimônio arquitetônico e urbano.Os participantes do colóquio reiteram os princípios que animam o Conselho Internacional dos Monumentos e do Sítios. bem como as técnicas tradicionais de construção. sem o que a referida ação será condenada à superficialidade e à ineficácia. . Recomenda-se encorajar a competência artesanal da construção através de premiações. conservação e restauração de moradias nas pequenas aglomerações e pequenas cidades. Que a comunicação de experiências nos diversos domínios relativos à preservação das pequenas localidades é indispensável para a obtenção de melhores resultados no que diz respeito não só às políticas nacionais mas à legislação específica e ao progresso técnico. os problemas de conservação e de restauração e o conhecimento da arquitetura vernacular. Recomenda-se: Que qualquer ação que vise à conservação e a revitalização das pequenas localidades seja inserida em um programa que leve em conta os aspectos históricos. condição indispensável a qualquer empenho em favor da conservação. O esforço para identificar. de maneira que seus diplomados sejam capazes de se transformar em profissionais úteis às comunidades necessitadas. às escolas profissionais. eletrificação e outros. Chapultepec e Morélia concernentes à conservação dos pequenos lugares de habitat e emitem. às universidades. antropológicos. em cada país. tais como os de comunicação. Reafirma-se a necessidade de publicações nesse sentido e propõe-se a criação de grupos de trabalho americanos para os diversos temas específicos. Que os órgãos do serviço público. Que seja encorajada a participação interdisciplinar. saúde. sociais e econômicos da região e as possibilidades de revitalizá-la. é urgente. às autoridades. às faculdades de arquitetura e a outros organismos. as recomendações seguintes. Que é útil que os estabelecimentos de ensino e sociedades de arquitetos organizem comissões de preservação do patrimônio arquitetônico capazes de promover maior consciência da responsabilidade que lhes cabe no que diz respeito à conservação das pequenas aglomerações. justamente onde eles existem. levem em consideração que suas ações e boas intenções podem causar danos às pequenas comunidades se forem ignorados ou minimizados os valores do patrimônio cultural e os benefícios que resultam da conservação desse patrimônio para toda a comunidade. Que os governantes dos países latino-americanos considerem a alocação de créditos sociais para dar conta da aquisição. manter em vigor e reforçar no espírito das comunidades o prestígio e o valor do uso de tais materiais e técnicas. A informação é importante tanto no nível internacional quanto no que é específico do meio americano. manutenção. Que a utilização de materiais regionais e a conservação de técnicas de construção tradicionais de cada região sejam indispensáveis para a conservação adequada das pequenas aglomerações e não estejam em contradição com a teoria geral que estabelece que se deixe em evidência nas intervenções a marca de nosso tempo.

Que os representantes dos países da região empreendam os maiores esforços. críticos. os sistemas de valores. A educação e a cultura. Ela engloba. Declaração do México México. múltiplos conflitos e graves tensões ameaçam a paz e a segurança. toma consciência de si mesmo. Assim. e eticamente comprometidos. Através dela o homem se expressa. os modos de vida. Os avanços da ciência e da técnica têm modificado o lugar do homem no mundo e a natureza de suas relações sociais. a comunidade internacional decidiu contribuir efetivamente para a aproximação entre os povos e a melhor compreensão entre os homens. como afirma a constituição da UNESCO. põe em questão as suas próprias realizações.Conselho Internacional de Monumentos e Sítios O mundo tem sofrido profundas transformações nos últimos anos. Através dela discernimos os valores e efetuamos opções. não obstante o acréscimo das possibilidades de diálogo. materiais.de compilar e difundir as informações relativas a esse problema e de prestar acompanhamento aos programas e estudos desse gênero. a cultura pode ser considerada atualmente como o conjunto dos traços distintivos espirituais. . Por tal razão. a desigualdade entre as nações é crescente. a Conferência Mundial sobre as Políticas Culturais. além das artes e das letras. hoje é mais urgente que nunca estreitar a colaboração entre as nações. se reconhece como um projeto inacabado. da ciência e da cultura. procura incansavelmente novas significações e cria obras que o transcendem. e aprovem o protocolo da Convenção para o Patrimônio Mundial da UNESCO (16 de novembro de 1972) como um meio de receberem a assistência técnica e o apoio dos organismos internacionais. Em nossos dias. são essenciais para um verdadeiro desenvolvimento do indivíduo e da sociedade. racionais. garantir o respeito ao direito dos demais e assegurar o exercício das liberdades fundamentais do homem e dos povos. a comunidade das nações enfrenta também sérias dificuldades econômicas. cujo significado e alcance têm se ampliado consideravelmente. as tradições e as crenças. É ela que faz de nós seres especificamente humanos. 1982 Conferência Mundial sobre as Políticas Culturais ICOMOS . os direitos fundamentais do ser humano. ao expressar a sua esperança na convergência final dos objetivos culturais e espirituais da humanidade. Ao reunir-se no México. intelectuais e afetivos que caracterizam uma sociedade e um grupo social. Mais do que nunca é urgente erigir na mente de cada indivíduo estes baluartes da paz que. e do seu direito à autodeterminação. podem constituir-se principalmente através da educação. a conferência concorda em que. no seu sentido mais amplo. Concorda também que a cultura dá ao homem a capacidade de refletir sobre si mesmo. já que seus governos não os têm feito.

estimulem e enriqueçam a identidade e o patrimônio cultural de cada povo. As peculiaridades culturais não dificultam. Tudo isso reclama políticas culturais que protejam. intercâmbio de idéias e experiências. para a liberação dos povos. O universal não pode ser postulado em abstrato por nenhuma cultura em particular. a satisfação das aspirações espirituais e culturais do homem. Por isso. assim como o direito de cada povo e de cada comunidade cultural a afirmar e preservar sua identidade cultural. A comunidade internacional considera que é um dever velar pela preservação e defesa da identidade cultural de cada povo. o processo de sua própria criação. qualquer forma de dominação nega ou deteriora essa identidade. a soberania e a identidade das nações. sem levar em conta a sua necessária dimensão qualitativa. surge da experiência de todos os povos do mundo. a conferência afirma solenemente os seguintes princípios que devem reger as políticas culturais: Identidade Cultural Cada cultura representa um conjunto de valores único e insubstituível já que as tradições e as formas de expressão de cada povo constituem sua maneira mais acabada de estar presente no mundo. ao contrário. apreciação de outros valores e tradições. Há que reconhecer a igualdade e dignidade de todas as culturas. assim. A identidade cultural é uma riqueza que dinamiza as possibilidades de realização da espécie humana ao mobilizar cada povo e cada grupo a nutrir-se de seu passado e a colher as contribuições externas compatíveis com a sua especificidade e continuar. além de estabelecerem o mais absoluto respeito e apreço pelas minorias culturais e pelas outras culturas do mundo. Identidade cultural e diversidade cultural são indissociáveis. A identidade cultural de um povo se renova e enriquece em contato com as tradições e valores dos demais. ou seja. e a exigir respeito a ela. no isolamento. O desenvolvimento autêntico persegue o bem-estar e a satisfação constantes de cada um e de todos. A cultura é um diálogo. . esgota-se e morre. constitui a essência mesma do pluralismo cultural o reconhecimento de múltiplas identidades culturais onde coexistirem diversas tradições. Todas as culturas fazem parte do patrimônio comum da humanidade. Dimensão Cultural do Desenvolvimento A cultura constitui uma dimensão fundamental do processo de desenvolvimento e contribui para fortalecer a independência. O crescimento tem sido concebido frequentemente em termos quantitativos. mas favorecem a comunhão dos valores universais que unem os povos. cada um dos quais afirma a sua identidade. A afirmação da identidade cultural contribui. A humanidade empobrece quando se ignora ou se destrói a cultura de um grupo determinado.Por conseguinte. portanto.

Um programa de democratização da cultura obriga. da nacionalidade. das convicções religiosas. da saúde ou da pertinência a grupos étnicos minoritários ou marginais. Proporcionar a todos os homens a oportunidade de realizar um melhor destino supõe ajustar permanentemente o ritmo do desenvolvimento. da educação. na tomada de decisões que concernem à vida cultural e na sua difusão e fruição. por consequência.É indispensável humanizar o desenvolvimento. . multiplicar as oportunidades de diálogo entre a população e o organismos culturais. Os Estados devem tomar as medidas necessária para alcançar este objetivo. O homem é o princípio e o fim do desenvolvimento. o seu fim último é a pessoa 11. Seu objetivo não é a produção. que toda pessoa tem direito a tomar parte livremente na vida cultural comunidade. Trata-se. Um número cada vez maior de mulheres e homens desejam um mundo melhor. Não pode se privilégio da elite nem quanto a sua produção. É preciso descentralizar a vida cultural. o lucro ou o consumo per se. sobretudo. entre outras.do progresso científico e dos benefícios que dele resultem. Uma política cultural democrática tornará possível o desfrute da excelência artística em toda as comunidades e entre toda a população. O desenvolvimento supõe a capacidade de cada indivíduo e de cada povo de informar-se e aprender a comunicar suas experiências. é preciso eliminar as desigualdades provenientes. Requerem-se novos modelos e é no âmbito da cultura e da educação que serão encontrados. nem quanto a seus benefícios. mas a sua plena realização individual e coletiva e a preservação da natureza. Só se pode atingir um desenvolvimento equilibrado mediante a integração dos fatores culturais nas estratégias para alcançá-lo. descentralização dos lugares de recreio e fruição das belas-artes. da língua. É essencial. A cultura procede da comunidade inteira e a ela deve retornar. da origem e da posição social. no plano geográfico e no administrativo para assegurar que as instituições responsáveis conheçam melhor as preferências opções e necessidades da sociedade em matéria de cultura. democracia cultural supõe a mais ampla participação do indivíduo e d sociedade no processo de criação de bens culturais. Qualquer política cultural deve resgatar o sentido profundo e humano do desenvolvimento. a gozar das artes e a participai. Não só perseguem a satisfação de suas necessidades fundamentais. Cultura e Democracia A Declaração Universal dos Direitos Humanos estabelece.1 sua dignidade individual e na sua responsabilidade social. da idade. tais estratégias deverão levar sempre em conta a dimensão histórica. mas o desenvolvimento do ser humano. seu bem-estar e sua possibilidade de convivência solidária com todos os povos. do sexo. em consequência. social e cultural de cada sociedade. no seu artigo 27. em primeiro lugar. A fim de garantir a participação de todos os indivíduos na vida cultural. de abrir novos pontos de entrosamento com a democracia pela via da igualdade de oportunidades nos campos da educação e da cultura.

A preservação e o apreço do patrimônio cultural permitem. pelos conflitos armados. as obras materiais e não materiais que expressam a criatividade desse povo: a língua. Princípio fundamental das relações culturais entre os povos é a restituição a seus países de origem das obras que lhes foram subtraídas ilicitamente. músicos. a cultura. mas também o fomento de atividades que estimulem a consciência pública sobre a importância da arte e da criação intelectual.Patrimônio Cultural O patrimônio cultural de um povo compreende as obras de seus artistas. A liberdade de pensamento e de expressão é indispensável à atividade criadora do artista e do intelectual. Criação Artística e Intelectual e Educação Artística O desenvolvimento da cultura é inseparável tanto da independência dos povos quanto da liberdade da pessoa. . Qualquer povo tem o direito e o dever de defender e preservar o patrimônio cultural. Mais inaceitáveis ainda são. os lugares e monumentos históricos. os ritos. industrialização e penetração tecnológica. O desenvolvimento e promoção da educação artística compreendem não só a elaboração de programas específicos que despertem a sensibilidade artística e apoiem grupos e instituições de criação e difusão. Ou seja. aos povos defender a sua soberania e independência e. Todas essas ações contribuem para romper o vínculo e a memória dos povos em relação a seu passado. arquitetos. Ciência e Comunicação O desenvolvimento global da sociedade exige políticas complementares nos campos da cultura. estimulem e garantam a criação artística e intelectual. assim como as criações anônimas surgidas da alma popular e o conjunto de valores que dão sentido à vida. da educação. Educação. as obras de arte e os arquivos e bibliotecas. afirmar e promover sua identidade cultural. Os instrumentos. acordos e relações internacionais existentes poderiam ser reforçados para aumentar sua eficácia a esse respeito. os atentados ao patrimônio cultural perpetrados pelo colonialismo. ideológico e social. a fim de estabelecer um equilíbrio harmonioso entre o progresso técnico e a elevação intelectual e moral da humanidade A educação é o meio por excelência para transmitir os valores culturais nacionais e universais. por conseguinte. e deve procurar a assimilação dos conhecimentos científicos e técnicos sem detrimento das capacidades e valores dos povos. pelas ocupações estrangeiras e pela imposição de valores exógenos. da ciência e da comunicação. O patrimônio cultural tem sido frequentemente danificado ou destruído por negligência e pelos processos de urbanização. escritores e sábios. já que as sociedades se reconhecem a si mesmas através dos valores em que encontram fontes de inspiração criadora. portanto. É imprescindível estabelecer as condições sociais e culturais que facilitem. Relações entre Cultura. as crenças. sem discriminação de caráter político. porém.

cuidando sempre para que a produção e difusão de bens culturais responda às necessidades de desenvolvimento integral de cada sociedade. científicos e tecnológicos. ignoram muitas vezes os valores tradicionais da sociedade e suscitam expectativas e aspirações que não respondem às necessidades efetivas do seu desenvolvimento. Nas suas atividades internacionais. É necessário revalorizar as línguas nacionais como veículos do saber. Os meios modernos de comunicação têm uma importância fundamental na educação e na difusão da cultura. para a produção de bens e serviços realmente necessários. mediante programas de ajuda bilateral ou multilateral. É indispensável. Os meios modernos de comunicação devem facilitar a informação objetiva sobre as tendências culturais nos diversos países. Uma circulação livre e uma difusão mais ampla e melhor equilibrada da informação. uma educação que capacite para a organização e para a produtividade. qualquer que seja a sua organização. a sociedade há de se esforçar em utilizar as novas técnicas da produção e da comunicação para colocá-las a serviço de um autêntico desenvolvimento individual e coletivo e favorecer a independência das nações. em conseqüência. A sociedade deve realizar um esforço importante dirigido a planejar. mas que forme e renove. no respeito aos demais e na solidariedade social e internacional. Por outra parte. ( A fonte original não inclui texto para este numeral). no entanto. apoiar o estabelecimento de indústrias culturais. sobretudo nos países em via de desenvolvimento. administração e financiamento das atividades culturais A cultura é o fundamento necessário para o desenvolvimento autêntico. A alfabetização é condição indispensável para o desenvolvimento cultural dos povos. que inspire a renovação e estimule a criatividade. nos países que delas carecem. administrar e financiar as atividades culturais. Tais indústrias. desempenham um papel importante na difusão de bens culturais. supõem o direito de todas as nações não só de receber mas também de transmitir conteúdos culturais. Os avanços tecnológicos dos últimos anos têm dado lugar à expansão das indústrias culturais. educativos. que favoreça o florescimento da personalidade. que permita aos educandos tomar consciência da realidade do seu tempo e do seu meio. que constituem alguns dos princípios de uma nova ordem mundial da informação e da comunicação. Em conseqüência. . sem lesar a liberdade criadora e a identidade cultural das nações. O ensino da ciência e da tecnologia deve ser concebido principalmente como um processo cultural de desenvolvimento do espírito crítico e integrado aos sistemas educativos. pode ser fonte de dependência cultural e origem de alienação. preservando sua soberania e fortalecendo a paz no mundo. que forme na autodisciplina. a ausência de indústrias culturais nacionais. das idéias e dos conhecimentos. em função das necessidades de desenvolvimento tios povos.Requer-se atualmente uma educação integral e inovadora que não só informe e transmita. Planejamento.

sejam mais amplamente difundidas em todos os países. além disso. aprovada na sua décima quarta reunião. a cooperação entre países em vias de desenvolvimento. dominação e intervenção. diálogo e paz entre as nações. Os intercâmbios culturais. interregional e internacional são pressupostos importantes para obter um clima de respeito. É necessário diversificar e fomentar a cooperação cultural internacional em um contexto interdisciplinar e com atenção especial à formação de pessoal qualificado em matéria de serviços culturais. baseada em intercâmbio e em reuniões culturais. UNESCO Num mundo convulsionado por diferenças que põem em perigo os valores culturais das civilizações. científicos e educativos devem fortalecer a paz. em particular. do apartheid e de todo gênero de agressão. do racismo. reequilibrar o intercâmbio e a cooperação cultural a fim de que as culturas menos conhecidas. à dignidade e ao valor de cada cultura. A conferência reitera solenemente o valor e a vigência da Declaração dos Princípios da Cooperação Cultural. . nas relações de cooperação entre as nações deve evitar-se qualquer forma de subordinação ou substituição de uma cultura por outra. a Ciência e a Cultura. A cooperação cultural internacional deve fundamentar-se no respeito à identidade cultural. tais como programas de desenvolvimento cultural. a cooperação cultural deve estimular um clima internacional favorável ao desarmamento. Da mesma forma. de sorte que o conhecimento de outras culturas e de experiências de desenvolvimento enriqueçam-lhes a vida. em particular as de alguns países em vias de desenvolvimento. a Ciência e a Cultura devem multiplicar os esforços destinados a preservar tais valores e a aprofundar sua ação em benefício do desenvolvimento da humanidade. confiança.Cooperação Cultural Internacional É essencial para a atividade criadora do homem e para o completo desenvolvimento da pessoa e da sociedade a mais ampla difusão das idéias e dos conhecimentos. Uma cooperação mais ampla e uma compreensão cultural sub-regional. A conferência reafirma que o valor educativo e cultural é essencial nos esforços para instaurar uma nova ordem econômica internacional. detida a corrida armamentista e conseguido o desarmamento. regional. respeitar os direitos do homem e contribuir para a eliminação do colonialismo. Tal clima não poderá ser alcançado plenamente sem que sejam reduzidos e eliminados os conflitos e tensões atuais. às soberanias nacionais e à nãointervenção. do neocolonialismo. Consequentemente. pela Conferência Geral da Organização das Nações Unidas para a Educação. É indispensável. Uma paz duradoura deve ser estabelecida para assegurar a própria existência da cultura humana. Há que se estimular. de maneira que os recursos humanos e as enormes somas destinadas ao armamento possam se consagrar a fins produtivos. à independência. científico e técnico. os Estados Membros e a Secretaria da Organização das Nações Unidas para a Educação.

realizem o antigo sonho da fraternidade universal. este novo texto define os princípios e os objetivos. como entre as nações. a favorecer a harmonia da vida individual e social e a perpetuar o conjunto de bens que. os métodos e os instrumentos de ação apropriados a salvaguardar a qualidade das cidades históricas. 1976) e.Nairobi.Conselho Internacional de Monumentos e Sítios Preâmbulo e definições: Resultantes de um desenvolvimento mais ou menos espontâneo ou de um projeto deliberado. que. por essa razão. Face a essa situação muitas vezes dramática. Como no texto da Recomendação da UNESCO relativa à Salvaguarda dos Conjuntos Históricos ou Tradicionais e a sua Função na Vida Contemporânea (Varsóvia . os objetivos da UNESCO. todas as cidades do mundo são as expressões materiais da diversidade das sociedades através da história e são todas. constituem a memória da humanidade. o respeito ao direito alheio é a paz". exprimem valores próprios das civilizações urbanas tradicionais. entende-se aqui por salvaguarda das cidades históricas as medidas necessárias a sua proteção. bem como a seu desenvolvimento coerente e a sua adaptação harmoniosa à vida contemporânea. tal como são definidos na sua constituição. Carta de Washington Washington. 1964). A Conferência Mundial sobre Políticas Culturais faz um apelo à UNESCO para que prossiga e reforce sua ação de aproximação cultural entre os povos e as nações e continue desempenhando a nobre tarefa de contribuir para que os homens. de deterioração e até mesmo de destruição sob o efeito de um tipo de urbanização nascido na era industrial e que hoje atinge universalmente todas as sociedades. ultrapassando as suas diferenças. A comunidade internacional reunida nesta conferência considera seu o lema de Benito Juarez: "Entre os indivíduos. a sua conservação e restauração. adquirem uma importância capital. muitas delas estão ameaçadas de degradação. . que provoca perdas irreversíveis de caráter cultural. além de sua condição de documento histórico. 1986 CARTA INTERNACIONAL PARA A SALVAGUARDA DAS CIDADES HISTÓRICAS ICOMOS . o Conselho Internacional de Monumentos e de Sítios (ICOMOS) julgou necessário redigir uma Carta Internacional para Salvaguarda das Cidades Históricas. também. históricas. Ao complementar a Carta Internacional Sobre a Conservação e a Restauração de Monumentos e Sítios (Veneza. Atualmente. social e mesmo econômico. como em outros instrumentos internacionais. A presente carta diz respeito mais precisamente às cidades grandes ou pequenas e aos centros ou bairros históricos com seu entorno natural ou construído. mesmo modestos.Frente a essa situação.

materiais. volume. históricos. Os valores a preservar são o caráter histórico da cidade e o conjunto de elementos materiais e espirituais que expressam sua imagem. mas levar em consideração os problemas específicos de cada caso particular. As novas funções devem ser compatíveis com o caráter. sensibilidade. . arquitetônicos. c) a forma e o aspecto das edificações (interior e exterior) tais como são definidos por sua estrutura. A participação e o comprometimento dos habitantes da cidade são indispensáveis ao êxito da salvaguarda e devem ser estimulados. A conservação das cidades e bairros históricos implica a manutenção permanente das áreas edificadas. a vocação e a estrutura das cidades históricas. Antes da adoção de um plano de salvaguarda ou enquanto ele estiver sendo finalizado. Não se deve jamais esquecer que a salvaguarda das cidades e bairros históricos diz respeito primeiramente a seus habitantes. A adaptação da cidade histórica à vida contemporânea requer cuidadosas instalações das redes de infra-estrutura e equipamento dos serviços públicos. a salvaguarda das cidades e bairros históricos deve ser parte essencial de uma política coerente de desenvolvimento econômico e social. possam ser demolidos. O plano de salvaguarda deverá empenhar-se para definir uma articulação harmoniosa entre os bairros históricos e o conjunto da cidade. as condições existentes na área deverão ser rigorosamente documentadas. escala. espaços construídos. técnicos. Antes de qualquer intervenção. As intervenções em um bairro ou em uma cidade histórica devem realizar-se com prudência. O plano de salvaguarda deve determinar as edificações ou grupos de edificações que devam ser particularmente protegidos. em particular: a) a forma urbana definida pelo traçado e pelo parcelamento. espaços abertos e espaços verdes. administrativo e financeiro. particularmente arqueológicos. O plano de salvaguarda deve compreender uma análise dos dados. estilo. cor e decoração. sociológicos e econômicos e deve definir as principais orientações e modalidades de ações a serem empreendidas no plano jurídico.Princípios e objetivos: Para ser eficaz. d) as relações da cidade com seu entorno natural ou criado pelo homem. método e rigor. O plano deveria contar com a adesão dos habitantes. e ser considerada no planejamento físico territorial e nos planos urbanos em todos os seus níveis. em circunstâncias excepcionais. as ações necessárias à conservação deverão ser adotadas em observância aos princípios e métodos da presente carta e da Carta de Veneza. Qualquer ameaça a esses valores comprometeria a autenticidade da cidade histórica. Métodos e instrumentos O planejamento da salvaguarda das cidades e bairros históricos deve ser precedido de estudos multidisciplinares. b) as relações entre os diversos espaços urbanos. Dever-se-ia evitar o dogmatismo. e) as diversas vocações da cidade adquiridas ao longo de sua história. os que devam ser conservados em certas condições e os que.

todo o acréscimo deverá respeitar a organização espacial existente. A salvaguarda exige uma formação especializada de todos os profissionais envolvidos. as áreas de estacionamento deverão ser planejadas de maneira que não degradem seu aspecto nem o do seu entorno. A circulação de veículos deve ser estritamente regulamentada no interior das cidades e dos bairros históricos. pode contribuir para o seu enriquecimento. A introdução de elementos de caráter contemporâneo. Os grandes traçados rodoviários previstos no planejamento físico territorial não devem penetrar nas cidades históricas. através do favorecimento às pesquisas arqueológicas urbanas e da apresentação adequada das descobertas. Para assegurar a participação e o envolvimento dos habitantes deverá ser efetuado um programa de informações gerais que comece desde a idade escolar. volume e escala. Deverá ser favorecida a ação das associações de salvaguarda e deverão ser tomadas medidas de caráter financeiro para assegurar a conservação e a restauração das edificações existentes. Os meios empregados para prevenir ou reparar os efeitos das calamidades devem adaptar-se ao caráter específico dos bens a salvaguardar.A melhoria do habitat deve ser um dos objetivos fundamentais da salvaguarda. É importante contribuir para um melhor conhecimento do passado das cidades históricas. desde que não perturbe a harmonia do conjunto. assim como a vivência de seus habitantes num espaço de . e não por oposição a espaços não-históricos da cidade. não só para assegurar a salvaguarda do seu patrimônio. especialmente seu parcelamento. Esse sítio histórico urbano deve ser entendido em seu sentido operacional de área crítica. sem prejuízo da organização geral do tecido urbano. as poluições e as vibrações). Carta de Petrópolis Petrópolis. já que toda cidade é um organismo histórico. 1987 1º Seminário Brasileiro para Preservação e Revitalização de Centros Históricos Entende-se como sítio histórico urbano o espaço que concentra testemunhos do fazer cultural da cidade em suas diversas manifestações. como também para a segurança e o bem-estar de seus habitantes. mas somente facilitar o tráfego nas cercanias para permitirlhes um fácil acesso. Devem ser adotadas nas cidades históricas medidas preventivas contra as catástrofes naturais e contra todos os danos (notadamente. nos termos em que o impõem a qualidade e o valor do conjunto de construções existentes. No caso de ser necessário efetuar transformações dos imóveis ou construir novos. O sítio histórico urbano – SHU – é parte integrante de um contexto amplo que comporta as paisagens natural e construída.

declaração de interesse cultural e desapropriação.º 3 – "Cartas Patrimoniais"Ministério da Cultura Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional – IPHAN Brasília. Desta forma. devendo. só se justificando sua substituição após demonstrado o esgotamento de seu potencial sócio-cultural. tais como: tombamento. inventário. desde que compatíveis com a sua ambiência. A cidade enquanto expressão cultural. necessariamente. o fortalecimento dos seus vínculos em relação ao patrimônio.valores produzidos no passado e no presente. como uma das formas de pleno exercício da cidadania. mas somatória. Os critérios para avaliar a conveniência desta substituição devem levar em conta o custo sócio-cultural do novo. socialmente fabricada. A proteção legal do SHU far-se-á através de diferentes tipos de instrumentos. Sendo a polifuncionalidade uma característica do SHU. haja vista a flagrante carência habitacional brasileira. A realização do inventário com a participação da comunidade proporciona não apenas a obtenção do conhecimento do valor por ela atribuído ao patrimônio. alicerçado no conhecimento dos mecanismos formadores e atuantes na estruturação do espaço. O objetivo último da preservação é a manutenção e potencialização de quadros e referenciais necessários para a expressão e consolidação da cidadania. Guardando essa heterogeneidade. normas urbanísticas. devendo os novos espaços urbanos ser entendidos na sua dimensão de testemunhos ambientais em formação. É nessa perspectiva de reapropriação política do espaço urbano pelo cidadão que a preservação incrementa a qualidade de vida. bem como a participação da comunidade interessada nas decisões de planejamento. nem mesmo daqueles ditos culturais. é imprescindível a viabilização e o estímulo aos mecanismos institucionais que asseguram uma gestão democrática da cidade. a sua preservação não deve dar-se à custa de exclusividade de usos. não é eliminatória. Nesse sentido. deve a moradia construir-se na função primordial do espaço edificado. onde se manifestam as verdadeiras expressões de uma sociedade heterogênea e plural. pelo fortalecimento da participação das lideranças civis. mas também. considera-se essencial a predominância do valor social da propriedade urbana sobre a sua condição de mercadoria. Na diversificação dos instrumentos de proteção. entendido como processo contínuo e permanente. em processo dinâmico de transformação. No processo de preservação do SHU. 1995 . Na preservação do SHU é fundamental a ação integrada dos órgãos federais. Nesse sentido. isenções e incentivos. Publicado no Caderno de Documentos n. estaduais e municipais. abrigar os universos de trabalho e do cotidiano. especial atenção deve ser dada à permanência no SHU das populações residentes e das atividades tradicionais. todo espaço edificado é resultado de um processo de produção social. o inventário como parte dos procedimentos da análise e compreensão da realidade constituiu-se na ferramenta básica para o conhecimento do acervo cultural e natural. A preservação do SHU deve ser pressuposto do planejamento urbano.

O processo de preservação. o homem atribui a esses testemunhos significação cultural. É preciso rever a história americana. O respeito aos valores naturais. que deve ter por origem um processo educativo em todos os níveis. fossilíferos e naturais. A história do planeta Terra. Ao identificá-las e interpretar-lhes o valor. Paraguai e Peru. para. é fundamental assegurar-lhes a posse e o usufruto exclusivo de suas terras e a preservação de suas línguas – fatores centrais de sua identidade. O êxito de uma política preservacionista tem como fator fundamental o engajamento da comunidade. enfatizados através da educação pública. Bolívia. Para o conhecimento e a preservação do patrimônio cultural e natural. juntando-se às comemorações dos 500 anos da vinda de Colombo América e homenageando o navegador Américo Vespúcio. com a utilização dos meios de comunicação. por sua complexidade. A defesa da identidade cultural far-se-á através do resgate das formas de convívio harmônico com seu ambiente. como Argentina. originários de todas as partes do Brasil e de outras terras da América.Encontro de Civilizações nas Américas Conclusões e Recomendações do Seminário No dia 6 de outubro do ano de 1989. como os sítios geológicos. México. . demanda um concurso interdisciplinar e uma ação interinstitucional. arqueológicos. étnicos e culturais.Carta de Cabo Frio de outubro de 1989 Vespuciana . A criação de unidades de conservação ambiental e a preservação de sítios deverá ser acompanhada de soluções alternativas. que em 1503 aqui esteve. arquitetura. navegação. o Comitê Brasileiro do ICOMOS reuniu em Cabo Frio. Os novos encontros de culturas deverão ser direcionados no sentido do respeito aos contextos locais. conhecedores de arqueologia. levando-se em conta que a ocupação do continente precede em muito a fixação do europeu. O quinto centenário da chegada de Colombo é a oportunidade para se rever a história americana. botânica. faz-se necessária a apropriação de métodos específicos e de novas técnicas disponíveis. escrever esta carta. pode ser lida através das múltiplas manifestações da natureza. com o sacrifício de muitos valores. reconhecendo o papel das populações do continente. O sentido de conquista que caracterizou o encontro de culturas na América resultou em um processo desigual de interação. engenharia e outros saberes. mui formosa paragem e mui prodigioso sítio da costa sul do Brasil. O trabalho dos cientistas sociais e dos órgãos responsáveis deve assegurar a liberdade do desenvolvimento cultural dos povos indígenas. história. contribuirá para a valorização das identidades culturais. Para garantia da autonomia das sociedades e culturas indígenas. de modo a garantir a melhoria da qualidade de vida das populações envolvidas. que terá o nome Carta de Cabo Frio. Nesse sentido. é fundamental a preservação de todo tipo de testemunhos. Costa Rica.

a fim de evitar o isolamento cultural e garantir a integração latino-americana. e a responsabilidade de zelar por que as atividades realizadas dentro de sua jurisdição. Têm direito a uma vida saudável e produtiva em harmonia com a natureza. Cabe ao poder público intervir com medidas efetivas de preservação.A ação de empresas privadas ou estatais em projetos industriais. aprovada em Estocolmo em 16 junho de 1972. Proclama que: Princípio 1 Os seres humanos constituem o centro das preocupações relacionadas com o desenvolvimento sustentável. Publicado no Caderno de Documentos n. ou sob seu controle. é imprescindível a ação do Estado nas suas várias instâncias e a participação da comunidade na valorização e defesa de seus bens naturais e culturais. ambientais e de desenvolvimento. Reafirmando a Declaração da Conferência das Nações Unidas sobre o Ambiente Humano.º 3 – "Cartas Patrimoniais". 1995 Carta do Rio de junho de 1992 Conferência Geral das Nações Unidas Sobre o Meio Ambiente e o Desenvolvimento. Princípio 3 . Reconhecendo a natureza integral e interdependente da Terra. é fundamental um esforço conjunto. Para salvaguarda do patrimônio natural e cultural da América Latina em suas diversas manifestações.Ministério da Cultura Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional – IPHAN Brasília. controle. os Estados têm o direito soberano de aproveitar seus próprios recursos segundo suas peculiaridades políticas. fiscalização e atuação. nossa morada. de 13 a 14 de junho de 1992. extrativos e infra-estruturais não pode resultar em danos à vida humana. os setores-chaves das sociedades e as pessoas. nela se baseando. Princípio 2 De acordo com a Carta das Nações Unidas e os princípios do direito internacional. A Conferência Geral das Nações Unidas sobre o Meio Ambiente e o Desenvolvimento Havendo se reunido no Rio de Janeiro. Procurando alcançar acordos internacionais em que se respeitem os interesses de todos e se proteja a integridade do sistema ambiental e de desenvolvimento mundial. Com o objetivo de estabelecer uma aliança mundial nova e eqüitativa mediante a criação de novos níveis de cooperação entre os Estados. Sendo a identidade cultural a razão maior e a base da existência das nações. não causem danos ao meio ambiente de outros Estados ou de zonas que estejam fora dos limites da jurisdição nacional. à natureza.

Princípio 9 Os Estados deveriam cooperar para o fortalecimento de sua própria capacidade de chegar ao desenvolvimento sustentável. Na medida em que tenham contribuído em graus variados para a degradação do meio ambiente mundial. entre as quais. em vista das pressões que suas sociedades exercem no meio ambiente mundial. Princípio 5 Todos os Estados e todas as pessoas deverão cooperar na tarefa essencial de erradicar a pobreza como requisito indispensável do desenvolvimento sustentável. Princípio 7 Os Estados deverão cooperar em espírito de solidariedade mundial para conservar. e intensificando o desenvolvimento. das tecnologias e dos recursos financeiros de que dispõem. tecnologias novas e inovadoras. mas diferenciadas. em particular dos países menos adiantados. Os países desenvolvidos reconhecem a responsabilidade que lhes cabe na busca internacional do desenvolvimento sustentável. Princípio 8 Para alcançar o desenvolvimento sustentável e uma melhor qualidade de vida para todas as pessoas. os Estados têm responsabilidades comuns. os Estados deveriam reduzir e eliminar as modalidades de produção e consumo insustentável e fomentar apropriadas políticas demográficas. aumentando o sabor científico mediante o intercâmbio de conhecimentos científicos e tecnológicos. a proteção do meio ambiente deverá constituir parte integrante do processo de desenvolvimento e não poderá ser considerada isoladamente. Princípio 6 Dever-se-á atribuir especial prioridade à situação e às necessidades específicas dos países em desenvolvimento. a adaptação. Princípio 4 Com o objetivo de alcançar o desenvolvimento sustentável. a difusão e a transferência de tecnologias. proteger e restabelecer a saúde e a integridade do ecossistema da Terra. Princípio 10 . Nas medidas internacionais a serem adotadas com relação ao meio ambiente e ao desenvolvimento dever-se-iam também levar em consideração os interesses e as necessidades de todos os países. a fim de reduzir as disparidades nos níveis de vida e responder melhor às necessidades dos povos do mundo. e dos mais vulneráveis do ponto de vista ambiental.O direito ao desenvolvimento deve exercer-se de forma tal que responda eqüitativamente às necessidades de desenvolvimento e de proteção à integridade do sistema ambiental das gerações presentes e futuras.

entre os quais o ressarcimento de danos e os recursos pertinentes. ou em zonas situadas fora de sua jurisdição. inclusive a informação sobre os materiais e as atividades que ocasionem perigo a suas comunidades. As medidas de política comercial com fins ambientais não deveriam constituir um meio de discriminação arbitrária ou injustificável. de maneira pronta e mais decidida na elaboração de novas leis internacionais sobre a responsabilidade e indenização por efeitos adversos dos danos ambientais causados pelas atividades realizadas dentro de sua jurisdição. os objetivos de planejamento e as prioridades ambientais deveriam refletir o contexto ambiental e de desenvolvimento a que se aplicam. As normas utilizadas por alguns países podem resultar inadequadas e representar um custo social e econômico injustificado para outros. Os Estados deverão facilitar e incentivar a sensibilização e a participação da população. colocando a informação à disposição de todos. Princípio11 Os estados deverão promulgar leis eficazes sobre o meio ambiente. Princípio 13 Os Estados deverão desenvolver a legislação nacional relativa à responsabilidade e à respectiva indenização das vítimas da contaminação e de outros danos ambientais. particularmente para os países em desenvolvimento. assim como a oportunidade de participar nos processos de adoção de decisões. ou sob seu controle. ou sob seu controle. basear-se em um consenso internacional. Os Estados deverão cooperar. Princípio 14 . As normas. na medida do possível. Princípio 14 Os Estados deverão desenvolver a legislação nacional relativa à responsabilidade e à respectiva indenização das vítimas da contaminação e de outros danos ambientais. deveriam. além disso. nem uma restrição velada ao comércio internacional. Princípio 12 Os Estados deveriam cooperar na promoção de um sistema econômico internacional favorável e aberto que conduzisse ao crescimento econômico e ao desenvolvimento sustentável de todos os países. além disso. Os Estados deverão cooperar. No plano nacional. Dever-se-ia evitar adoção de medidas unilaterais para solucionar os problemas ambientais que se produzem fora da jurisdição do país importador. a fim de abordar da melhor forma os problemas da degradação ambiental. qualquer pessoa deverá ter acesso adequado à informação sobre o meio ambiente de que disponham as autoridades públicas.O melhor modo de tratar as questões ambientais da participação de todos os cidadãos interessados no nível correspondente. As medidas destinadas a tratar os problemas ambientais transfronteiriços ou mundiais. de maneira pronta e mais decidida na elaboração de novas leis internacionais sobre responsabilidade e indenização por efeitos adversos dos danos ambientais causados pelas atividades realizadas dentro de sua jurisdição. Deverá ser proporcionado acesso efetivo aos procedimentos judiciais e administrativos. ou em zonas situadas fora de sua jurisdição.

Princípio 16 As autoridades nacionais deveriam procurar incentivar a internalização dos custos ambientais e o uso de instrumentos econômicos. tendo em consideração o critério de que o que contamina deve. imprescindível contar com sua plena participação para conseguir o desenvolvimento sustentável. a falta de certeza cientificamente absoluta não deverá ser utilizada como razão para postergar a adoção de medidas eficazes. Quando houver perigo de dano grave ou irreversível. os Estados deverão aplicar amplamente o critério de precaução. Princípio 18 Os Estados deverão notificar imediatamente aos outros Estados os desastres naturais e outras situações de emergência que possam produzir efeitos nocivos súbitos no meio ambiente desses Estados. A comunidade internacional deverá fazer todo o possível para ajudar os Estados afetados. de acordo com suas capacidades. Princípio 15 Com a finalidade de proteger o meio ambiente. em princípio.Os Estados deveriam cooperar efetivamente para desestimular ou evitar a realocação e a transferência para outros Estados de quaisquer atividades e substâncias que causem degradação ambiental grave ou se considerem nocivas para a saúde humana. levando devidamente em conta o interesse público e sem distorcer o comércio nem os investimentos internacionais. Princípio 17 Deverá empreender-se uma avaliação do impacto ambiental. arcar com os custos da contaminação. aos Estados que possivelmente sejam afetados por atividades que possam ter consideráveis efeitos ambientais transfronteiriços adversos e deverão realizar consultas com esses Estados com a devida antecedência e em boa fé. É. para impedir a degradação do meio ambiente. Princípio 21 . em função dos custos. portanto. Princípio 19 Os Estados deverão proporcionar a informação pertinente e notificar previamente e de forma oportuna. para qualquer atividade proposta que possa provavelmente produzir um impacto negativo considerável no meio ambiente e que esteja sujeito à decisão de uma autoridade nacional competente. Princípio 20 As mulheres desempenham um papel fundamental no planejamento do meio ambiente e no desenvolvimento. que sirva de instrumento nacional.

Princípio 25 A paz. os ideais e o valor dos jovens do mundo para forjar uma aliança mundial orientada a obter o desenvolvimento sustentável e a assegurar um futuro melhor para todos. graças aos seus conhecimentos e práticas tradicionais. Princípio 23 Devem ser protegidos os meio ambiente e os recursos naturais dos povos submetidos a opressão. os Estados deveriam respeitar as disposições de Direito Internacional que protegem o meio ambiente em época de conflito armado. Publicado no Caderno de Documentos n. o desenvolvimento e a proteção do meio ambiente são interdependentes e inseparáveis. . se necessário. Princípio 26 Os Estados deverão resolver pacificamente todas as controvérsias sobre o meio ambiente em conformidade com a Carta das Nações Unidas. Os Estados deveriam reconhecer e aprovar devidamente sua identidade. inimiga do desenvolvimento sustentável. dominação e ocupação.º 3 – "Cartas Patrimoniais"Ministério da Cultura Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional – IPHAN Brasília. Em conseqüência. desempenham um papel fundamental no planejamento do meio ambiente e no desenvolvimento. 1995. Princípio 24 A guerra é. cultura e interesses e tornar possível sua participação efetiva na obtenção do desenvolvimento sustentável. por definição.Deveriam ser mobilizados a criatividade. Princípio 22 As populações indígenas e suas comunidades. assim como outras comunidades locais. e cooperar para o seu posterior desenvolvimento. Princípio 27 Os Estados e as pessoas deverão cooperar de boa fé e com espírito de solidariedade na aplicação dos princípios consagrados nesta declaração e no posterior desenvolvimento do Direito Internacional na esfera do desenvolvimento sustentável.

Que seja criado um grupo de trabalho no Ministério da Cultura. com a colaboração de consultores do meio universitário e instituições de pesquisa. a realização do inventário desses bens culturais em âmbito nacional.IPHAN promoveu em Fortaleza. "as formas de expressão.Que o grupo de trabalho estabeleça as necessárias interfaces para que sejam estudadas medidas voltadas para a promoção e o fomento dessas manifestações culturais. proteger. conforme determina a Constituição Federal. considerando: 1 . entendidas como iniciativas complementares indispensáveis à proteção legal propiciada pelo instituto do registro. da UNESCO e da sociedade.Que o IPHAN. fazer e viver. com especial atenção àquelas referentes à cultura popular. cabe ao IPHAN identificar. Propõe e recomenda 1 .Que o IPHAN promova o aprofundamento da reflexão sobre o conceito de bem cultural de natureza imaterial. artística e tecnológicas". 3 . O objetivo do Seminário foi recolher subsídios que permitissem a elaboração de diretrizes e a criação de instrumentos legais e administrativos visando a identificar. dispondo sobre a criação do instituto jurídico denominado registro. documentar. as criações científicas. juntamente com outras unidades vinculadas ao Ministério da Cultura. e 5 . considerados em toda a sua complexidade. encaminhada pelos poderes públicos e pelos sociais organizados. O plenário.A crescente demanda pelo reconhecimento e preservação do amplo e diversificado patrimônio cultural brasileiro.Que os bens de natureza imaterial devem ser objeto de proteção específica. voltado especificamente para a preservação dos bens culturais de natureza imaterial.Carta de Fortaleza de 14 de novembro de 1997 Em comemoração aos seus 60 anos de criação. em nível nacional. o Seminário "Patrimônio Imaterial: Estratégias e Formas de Proteção". particularmente.Que o Ministério da Cultura viabilize a integração do referido inventário ao Sistema Nacional de Informações Culturais. todos signatários deste documento. com a participação de suas entidades vinculadas e de eventuais colaboradores externos. com o objetivo de desenvolver os estudos necessários para propor a edição de instrumento legal. 2 . fiscalizar. preservar e promover o patrimônio cultural brasileiro. sob a coordenação do IPHAN. promover e fomentar os processos e bens "portadores de referência à identidade. 2 . 4 .Que. o Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional .Que o patrimônio cultural brasileiro é constituído por bens de natureza material e imaterial. 3 . para o qual foram convidados. à ação e à memória dos diferentes grupos formadores da sociedade brasileira" (Artigo 216 da Constituição). Essas medidas serão formuladas tendo em vista as especificidades das diferentes . diversidade e dinâmica. os modos de criar. representantes de diversas instituições públicas e privadas. proteger. meios de comunicação e outros. promova. e estiveram presentes.Que os institutos de proteção legal em vigor no âmbito federal não se têm mostrado adequados à proteção do patrimônio cultural de natureza imaterial. órgãos de pesquisa. 4 . em parceria com instituições estaduais e municipais de cultura. através de seu Departamento de Identificação e Documentação. e 5 . de 10 a 14 de novembro de 1997.

cujas disposições foram recepcionadas pela Constituição Federal de 1988.Que seja constituído um banco de dados acerca das manifestações culturais passíveis de proteção. 7 . eficácia. comissionados e funções. 2. 3. que organiza a proteção do patrimônio histórico e artístico nacional. Moção de apoio ao Ministério da Cultura . já bastante defasada em relação às suas atribuições legais e administrativas. tornando a difusão e o intercâmbio das informações ágil e acessível. O plenário ainda recomenda: 6 . O plenário encaminhou as seguintes moções: 1 .Que. 8 . 11 . 10 . 9 . documentação. e 12 . no sentido de que sejam levados em consideração os valores culturais na sua formulação e implementação. em vigor. relativamente aos Estudos de Impacto Ambiental (EIA) e Relatórios de Impacto Ambiental (RIMA). preservação e promoção do patrimônio cultural brasileiro.Que a preservação do patrimônio cultural seja abordada de maneira global. Pela garantia de sobrevivência do IPHAN e de todas as suas conquistas nas áreas de identificação. considerando sua importância no processo de preservação do patrimônio cultural brasileiro.Que seja desenvolvido um Programa Nacional de Educação Patrimonial. proteção. Moção de apoio ao IPHAN Pelo repúdio a qualquer tipo de medida que venha a reduzir a capacidade operacional do IPHAN. a partir da experiência do IPHAN. e com a participação de outros agentes do poder público e da sociedade. 25/37. Pelo reconhecimento das atividades exercidas pelo IPHAN como função típica de Estado. inclusive no que concerne a extinção de cargos efetivos. Em defesa da criação de instrumentos legais complementares com o objetivo de regulamentar as outras formas de acautelamento e preservação mencionadas no parágrafo primeiro do Artigo 216 da Constituição Federal.Moção de defesa da legislação de preservação Em defesa do reconhecimento. o IPHAN encaminhe ao Conselho Nacional do Meio Ambiente (CONAMA) proposta de regulamentação do item relativo ao patrimônio cultural.Que o Ministério da Cultura procure influir no processo de elaboração das políticas públicas. de modo a contemplá-lo em toda a sua amplitude. através da criação de uma carreira especial.manifestações culturais.Que sejam buscadas parcerias com entidades públicas e privadas com o objetivo de conhecer as manifestações culturais de natureza imaterial sobre as quais já existam informações disponíveis. buscando valorizar as formas de produção simbólica e cognitiva. atualidade e excelência jurídica do Decreto-lei n.Que seja estabelecida uma Política Nacional de Preservação do Patrimônio Cultural com objetivos e metas claramente definidos. e o conseqüente desligamento de servidores não estáveis.

Moção de defesa à Lei de Incentivo à Cultura Pela manutenção dos benefícios previstos na Lei de Incentivo à Cultura. devendo. a exemplo de outras etnias. 4. . Moção de congratulações à 4ª Coordenação Regional do IPHAN Pelo reconhecimento da importância de realização do Seminário "Patrimônio Imaterial: estratégias e formas de proteção" e da excelência de sua organização. que estimulam a parceria entre Estado e sociedade na tarefa de preservar e promover o patrimônio cultural brasileiro. de modo a não comprometer suas atribuições institucionais. 6.Pelo repúdio a qualquer tipo de medida que venha a reduzir a capacidade operacional do Ministério da Cultura e demais entidades vinculadas. ser objeto de atenção dos órgãos do Ministério da Cultura. Moção de apoio às expressões culturais dos povos ameríndios Pelo reconhecimento da cultura indígena como integrante do patrimônio nacional brasileiro. inclusive no que concerne á extinção de cargos efetivos e o conseqüente desligamento de servidores não estáveis. 5.

não inclui a das jazidas arqueológicas ou pré-históricas. d) as inscrições rupestres ou locais como sulcos de polimentos de utensílios e outros vestígios de atividade de paleoameríndios.Os monumentos arqueológicos ou pré-históricos de qualquer natureza existentes no território nacional e todos os elementos que neles se encontram ficam sob a guarda e proteção do Poder Público. mas de significado idêntico. registro. concheiros.As jazidas conhecidas como sambaquis. 180 da Constituição Federal.Consideram-se monumentos arqueológicos ou pré-históricos: a) as jazidas de qualquer natureza. jazigos. lapas e abrigos sob rocha. punível de acordo com o disposto nas leis penais. origem ou finalidade. nem a dos objetos nela incorporados na forma do art.000.00 a Cr$ 50. DISPÕE SOBRE OS MONUMENTOS ARQUEOLÓGICOS E PRÉ-HISTÓRICOS. aterrados. de acordo com o art. sepulturas ou locais de pouso prolongado ou de aldeamento "estações" e "cerâmios".São proibidos em todo território nacional o aproveitamento econômico. inscrições e objetos enumerados nas alíneas b. por intermédio da Diretoria do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional. e bem assim dos sítios. como tal. 161 da mesma Constituição. regida pelo direito comum. manifestadas ao governo da União. b) os sítios nos quais se encontram vestígios positivos de ocupação pelos paleomeríndios. que representem testemunhos da cultura dos paleoameríndios do Brasil. à exploração de jazidas arqueológicas ou préhistóricas. Artigo 4° . Artigo 5° . na data da publicação desta Lei. para fins econômicos ou outros. estearias e quaisquer outras não especificadas aqui. a destruição ou mutilação. das jazidas arqueológicas ou pré-históricas conhecidas como sambaquis. poços sepulcrais. tais como sambaquis.000. o exercício dessa atividade. natural ou jurídica.A propriedade da superfície.Toda pessoa. de acordo com o que estabelece o art. montes artificiais ou tesos. para qualquer fim. deverá comunicar à Diretoria do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional.924 de 26 de julho de1961. c) os sítios identificados como cemitérios. 2° desta Lei será considerado crime contra o Patrimônio Nacional e. tais como grutas. para efeito de exame. sob pena de multa de Cr$ 10. a juízo da autoridade competente. respeitadas as concessões anteriores e não caducas. 4° . birbigueiras ou sernambis. nos quais se encontram vestígios humanos de interesse arqueológico ou paleoetnográfico.Lei n° 3. que. casqueiros. já estiver procedendo.00 (dez mil a cinqüenta mil cruzeiros).Qualquer ato que importe na destruição ou mutilação dos monumentos a que se refere o art. O Presidente da República: Faço saber que o Congresso Nacional decreta e eu sanciono a seguinte lei: Artigo 1° . Artigo 3° . fiscalização e salvaguarda do interesse da ciência. Parágrafo único . dentro de sessenta (60) dias. Artigo 6° . c e d do artigo anterior. antes de serem devidamente pesquisados. Artigo 2° .

Artigo 7° . bens patrimoniais da União.O pedido de permissão deve ser dirigido à Diretoria do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional. da prova de idoneidade técnico-científica e financeira do requerente e do nome do responsável pela realização dos trabalhos. deverá ser anexado ao seu pedido o consentimento escrito do proprietário do terreno ou de quem esteja em uso e gozo desse direito. b) sejam suspensos os trabalhos de campo por prazo superior a doze (12) meses. Parágrafo 3° . para todos os efeitos. Artigo 10° . para as providências cabíveis. impedir a inspeção dos trabalhos por delegado especialmente designado pela Diretoria do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional.O direito de realizar escavações para fins arqueológicos. acompanhado de indicação exata do local.As jazidas arqueológicas ou pré-históricas de qualquer natureza. trimestralmente. são consideradas. Parágrafo 1° . CAPÍTULO II Das Escavações Arqueológicas realizadas por particulares Artigo 8° . salvo a ocorrência de fato excepcional. salvo motivo . sobre o andamento das escavações. quando for julgado conveniente.Estando em condomínio a área em que se localiza a jazida.O permissionário fica obrigado a informar à Diretoria do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional. não podendo o responsável. que será transcrita em livro próprio da Diretoria do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional e na qual ficarão estabelecidas as condições a serem observadas ao desenvolvimento das escavações e estudos. Artigo 11° . Artigo 12° . terão precedência para estudo e eventual aproveitamento.A permissão terá por título uma portaria do Ministro da Educação e Cultura. não manifestadas e registradas na forma dos arts. através da Diretoria do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional.As escavações devem ser realizadas de acordo com as condições estipuladas no instrumento de permissão. do vulto e da duração aproximada dos trabalhos a serem executados. 4° e 6° desta Lei. em terras de domínio público ou particular. ficando obrigado a respeitá-lo o proprietário ou possuidor do solo. penal e administrativamente pelos prejuízos que causar ao Patrimônio Nacional ou a terceiros. que responderá civil. em conformidade com o Código de Minas. Artigo 9° .As escavações devem ser necessariamente executadas sob orientação do permissionário. Parágrafo único .Desde que as escavações e estudos devam ser realizados em terreno que não pertença ao requerente. sob nenhum pretexto. uma vez que: a) não sejam cumpridas as prescrições da presente Lei e do instrumento de concessão da licença. eleito na forma do Código Civil.e registradas na forma do artigo 27 desta Lei.O Ministério da Educação e Cultura poderá cassar a permissão concedida. somente poderá requerer a permissão o administrador ou cabecel. Parágrafo 2° . constitui-se mediante permissão do Governo da União. cuja notificação deverá ser feita imediatamente.

poderão proceder a escavações e pesquisas. para realização de escavações nas jazidas declaradas de utilidade pública. mesmo no caso do art.Terminados os estudos. Parágrafo 2° . nos termos do art. o permissionário não terá direito a indenização alguma pela despesas que tiver efetuado. antes do início dos estudos. poderá ser promovida a desapropriação do imóvel. na sua feição primitiva. por utilidade pública.Em caso de as escavações produzirem a destruição de um relevo qualquer. uma súmula dos resultados obtidos e do destino do material coletado. Parágrafo único . no qual se descreva o aspecto exato do local. desse aspecto particular do terreno. o nome do especialista encarregado das escavações.365. 5°. posteriormente. dos Estados e dos Municípios Artigo 13° . os indícios que determinaram a escolha do local e. ou parte dele.A União. Artigo 14° . essa obrigação só terá cabimento quando se comprovar que. de 21 de junho de 1941. obrigatoriamente o local. c) no caso de não cumprimento do parágrafo 3° do artigo anterior. no interesse da Arqueologia e da Pré-história em terrenos de propriedade particular. Parágrafo 1° . com exceção das áreas muradas que envolvam construções domiciliares.de força maior. devidamente comprovado. 28 desta Lei. o local deverá ser restabelecido. resultavam incontestáveis vantagens para o proprietário. será esta declarada de utilidade pública e autorizada a sua ocupação pelo período necessário à execução dos estudos. dos Estados ou dos Municípios. sempre que possível. CAPÍTULO IV Das Descobertas Fortuitas Artigo 17° . deverá ser lavrado um auto.Em casos especiais e em face do significado arqueológico excepcional das jazidas. alíneas K e L do Decreto-lei n° 3. bem como os Estados e Municípios mediante autorização federal.365. poderá realizar escavações arqueológicas ou pré-históricas. .A posse e a salvaguarda dos bens de natureza arqueológica ou pré-histórica constituem.À falta de acordo amigável com o proprietário da área onde se situar a jazida. direito imanente ao Estado.Nenhum órgão da administração federal. o tipo ou a designação da jazida. CAPÍTULO III Das Escavações Arqueológicas realizadas por Instituições Científicas Especializadas da União.Em qualquer dos casos acima enumerados. sem prévia comunicação à Diretoria do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional. Parágrafo único . 36 do Decreto-lei n° 3. para fins de registro no cadastro de jazidas arqueológicas. em princípio. com fundamento no art.No caso de ocupação temporária do terreno. Artigo 15° . Artigo 16° . de 21 de junho de 1941.Dessa comunicação deve constar. Parágrafo único .

Nenhum objeto que apresente interesse arqueológico ou pré-histórico.A inobservância da prescrição do artigo anterior implicará na apreensão sumária do objeto a ser transferido. numismático ou artístico poderá ser transferido para o exterior. mediante parecer favorável da Diretoria do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional ou do órgão oficial autorizado. razão deste artigo. Histórico. sem licença expressa da Diretoria do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional. sem prejuízo da responsabilidade do inventor pelos danos que vier a causar ao Patrimônio Nacional. . será entregue à Diretoria do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional.De todas as jazidas será preservada. Artigo 24° . Artigo 20° . em decorrência da omissão. constante de uma "guia" de liberação na qual serão devidamente especificados os objetos a serem transferidos. Artigo 23° . para o exterior.O aproveitamento econômico das jazidas. poderá ser concedida sem audiência prévia da Diretoria do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional. que possua as características de monumentos arqueológicos ou pré-históricos. sempre que possível ou conveniente. Parágrafo único . pelo autor do achado ou pelo proprietário do local onde tiver ocorrido. uma vez concluída a sua exploração científica. Parágrafo único .Nenhuma autorização de pesquisa ou de lavra para jazidas de calcário de concha. até o pronunciamento e deliberação da Diretoria do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional. como blocos testemunhos. Parágrafo único . a ser protegida pelos meios convenientes. uma parte significativa.Artigo 18° .O proprietário ou ocupante do imóvel onde se tiver verificado o achado é responsável pela conservação provisória da coisa descoberta.O objeto apreendido.O Conselho de Fiscalização das Expedições Artísticas e Científicas encaminhará Diretoria do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional qualquer pedido de cientista estrangeiro. Artigo 19° . sem prejuízo das demais cominações legais a que estiver sujeito o responsável. Artigo 21° . CAPÍTULO V Da remessa.A infringência da obrigação imposta no artigo anterior implicará na apreensão sumária do achado. de objetos de interesse Arqueológico ou Pré-histórico. ou aos órgãos oficiais autorizados. Numismático ou Artístico. poderá ser realizado na forma e nas condições prescritas pelo Código de Minas. artístico ou numismático deverá ser imediatamente comunicada à Diretoria do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional. para realizar escavações arqueológicas ou pré-históricas no país. CAPÍTULO VI Disposições Gerais Artigo 22° . objeto desta Lei.A descoberta fortuita de quaisquer elementos de interesse arqueológico ou préhistórico.

00 (cinqüenta mil cruzeiros). Artigo 27° . preservação e estudo das jazidas arqueológicas e pré-históricas. no qual serão registrados todas as jazidas manifestadas. o produto das multas aplicadas e apreensões de material legalmente feitas reverterá em benefício do serviço estadual. bem como das que se tornarem conhecidas por qualquer via.Para melhor execução da presente Lei. Jânio Quadros Brigido Tinoco Oscar Pedroso Horta Clemente Mariani João Agripino . bem como de instituições que tenham entre seus objetivos específicos o estudo e a defesa dos monumentos arqueológicos e pré-históricos.A realização de escavações arqueológicas ou pré-históricas. Artigo 29° .Aos infratores desta Lei serão aplicadas as sanções dos artigos 163 a 167 do Código Penal. organizado para a preservação e estudo desses monumentos.A Diretoria do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional manterá um Cadastro dos monumentos arqueológicos do Brasil. Artigo 26° . bem como de recursos suficientes para o custeio e bom andamento dos trabalhos. conforme o caso.00 (cinco mil cruzeiros) a Cr$ 50. para o Patrimônio Nacional. para o cumprimento desta Lei. 140° da Independência e 73° da República. municipais.000. que disponha de serviços técnico-administrativos especialmente organizados para a guarda. a Diretoria do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional poderá solicitar a colaboração de órgãos federais. a regulamentação que for julgada necessária à sua fiel execução. no prazo de 120 dias. dará lugar à multa de Cr$ 5. sem prejuízo de sumária apreensão e conseqüente perda.O poder Executivo baixará. sem prejuízo de outras penalidades cabíveis. de acordo com o disposto nesta Lei. Artigo 30° . Parágrafo único .No caso deste artigo.000. a partir da vigência desta Lei. de todo o material e equipamento existente no local. com infringência de qualquer dos dispositivos desta Lei.Esta lei entrará em vigor na data de sua publicação. Brasília. estaduais. revogadas as disposições em contrário.Artigo 25° .As atribuições conferidas ao Ministério da Educação e Cultura. em 26 de julho de 1961. Artigo 28° . poderão ser delegadas a qualquer unidade da Federação. Artigo 31° .

6º) que sejam importadas por empresas estrangeiras expressamente para adorno dos respectivos estabelecimentos. O Presidente da República dos Estados Unidos do Brasil. 1º desta lei. 4º desta lei. 180 da Constituição. 2º) que adornem quaisquer veículos pertencentes a empresas estrangeiras. bem como às pessoas jurídicas de direito privado e de direito público interno. 5º) que sejam trazidas para exposições comemorativas.Decreto-lei n° 25 de 30 de novembro de 1937 ORGANIZA A PROTEÇÃO DO PATRIMÔNIO HISTÓRICO E ARTÍSTICO NACIONAL. a saber: . quer por seu excepcional valor arqueológico ou etnográfico.Excluem-se do patrimônio histórico e artístico nacional as obras de origem estrangeira: 1º) que pertençam às representações diplomáticas ou consulares acreditadas no País. bibliográfico ou artístico. 4º) que pertençam a casas de comércio de objetos históricos ou artísticos. fornecida pelo Serviço do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional. nos quais serão inscritas as obras a que se refere o art. § 2º . § 1º . que façam carreira no País. e que continuam sujeitas à lei pessoal do proprietário.Equiparam-se aos bens a que se refere o presente artigo e são também sujeitos a tombamento os monumentos naturais.Constitui o patrimônio histórico e artístico nacional o conjunto dos bens móveis e imóveis existentes no País e cuja conservação seja de interesse público. quer por sua vinculação a fatos memoráveis da história do Brasil. CAPÍTULO II Do Tombamento Artigo 4º . decreta: CAPÍTULO I Do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional Artigo 1º . de que trata o Art. bem como os sítios e paisagens que importe conservar e proteger pela feição notável com que tenham sido dotados pela Natureza ou agenciados pela indústria humana.O Serviço do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional possuirá quatro Livros do Tombo.Os bens a que se refere o presente artigo só serão considerados parte integrante do patrimônio histórico e artístico nacional depois de inscritos separada ou agrupadamente num dos quatro Livros do Tombo.A presente lei se aplica às coisas pertencentes às pessoas naturais. usando da atribuição que lhe confere o art. 3º) que se incluam entre os bens referidos no art. Artigo 2º . 10 da Introdução ao Código Civil. Artigo 3º . Parágrafo único: As obras mencionadas nas alíneas 4 e 5 terão guia de licença para livre trânsito. educativas ou comerciais.

Artigo 5º . o diretor do Serviço do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional mandará por simples despacho que proceda à inscrição da coisa no competente Livro do Tombo. Artigo 7º . Artigo 10º . que se incluem nas categorias enumeradas nas alíneas 1. a que se refere o art. se o quiser impugnar. que proferirá decisão a respeito. será o processo remetido ao Conselho Consultivo do Serviço do Patrimônio Histórico Nacional.1º) no Livro do Tombo Arqueológico. e bem assim as mencionadas no § 2º do citado art. 2. 6º desta lei.Os bens. a contar do seu recebimento.O tombamento dos bens. notificará o proprietário para anuir ao tombamento.O tombamento dos bens pertencentes à União. mas deverá ser notificado à entidade a quem pertencer.Cada um dos Livros do Tombo poderá ter vários volumes.O tombamento compulsório se fará de acordo com o seguinte processo: 1º) O Serviço do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional. Artigo 6º . nacionais ou estrangeiras. Artigo 8º . que se lhe fizer. 4º) no Livro do Tombo das Artes Aplicadas. Etnográfico e Paisagístico. § 1º . 2º) no Livro do Tombo Histórico. 3º) se a impugnação for oferecida dentro do prazo assinado. a contar do recebimento da notificação. etnográfica. dentro de outros quinze dias fatais. ameríndia e popular. será considerado provisório ou definitivo. as coisas pertencentes às categorias de arte arqueológica. 3 e 4 do presente artigo. a fim de sustentá-la.Proceder-se-á ao tombamento voluntário sempre que o proprietário o pedir e a coisa se revestir dos requisitos necessários para constituir parte integrante do patrimônio histórico e artístico nacional a juízo do Conselho Consultivo do Serviço do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional. . Artigo 9º .Proceder-se-á ao tombamento compulsório quando o proprietário se recusar a anuir à inscrição da coisa. as obras que se incluírem na categoria das artes aplicadas. dentro do prazo de sessenta dias.O tombamento de coisa pertencente à pessoa natural ou à pessoa jurídica de direito privado se fará voluntária ou compulsoriamente. ou sempre que o mesmo proprietário anuir. Dessa decisão não caberá recurso. ao órgão de que houver emanado a iniciativa do tombamento. 1º. 2º) no caso de não haver impugnação dentro do prazo assinado. as coisas de arte erudita nacional ou estrangeira. Em seguida. ou sob cuja guarda estiver a coisa tombada. 3º) no Livro do Tombo das Belas-Artes. conforme esteja o respectivo processo iniciado pela notificação ou concluído pela inscrição dos referidos bens no competente Livro do Tombo. ou para. que é fatal. independentemente de custas. à notificação. aos Estados e aos Municípios se fará de ofício por ordem do Diretor do Serviço do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional. a fim de produzir os necessários efeitos. far-se-á vista da mesma. por seu órgão competente. dentro do prazo de quinze dias. serão definidos e especificados no regulamento que for expedido para execução da presente lei. § 2º . para inscrição da coisa em qualquer dos Livros do Tombo. as coisas de interesse histórico e as obras de arte histórica. oferecer dentro do mesmo prazo as razões de sua impugnação. por escrito.

inalienáveis por natureza. Artigo 13 .No caso de transferência de propriedade dos bens de que trata este artigo. dentro do prazo de cinco dias. Feita a transferência. salvo a disposição do art. sob pena de multa de dez por centro sobre o respectivo valor. dela deve o adquirente dar imediato conhecimento ao Serviço do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional. incorrerá nas penas cominadas no Código Penal para o crime de contrabando.A pessoa que tentar a exportação de coisa tombada. ao Serviço do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional. o respectivo proprietário deverá dar conhecimento do fato ao Serviço do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional. Artigo 14 . .Apurada a responsabilidade do proprietário. dentro do mesmo prazo e sob pena da mesma multa. ser-lhe-á imposta a multa de cinqüenta por cento do valor da coisa. § 2º .O tombamento definitivo dos bens de propriedade particular será. por iniciativa do órgão competente do Serviço do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional. deverá o adquirente. e a deslocação pelo proprietário. aos Estados ou aos Municípios. sob pena de multa de dez por cento sobre o valor da coisa. Artigo 15 .No caso de reincidência.Tentada. a não ser no caso previsto no artigo anterior.As coisas tombadas. § 1º . transcrito para os devidos efeitos em livro a cargo dos oficiais do registro de imóveis e averbado ao lado da transcrição do domínio.Parágrafo único . ainda que se trate de transmissão judicial ou causa mortis. 13 desta lei. fazê-la constar do registro.Na hipótese de deslocação de tais bens. § 2º . de propriedade de pessoas naturais ou jurídicas de direito privado. que pertençam à União. a multa será elevada ao dobro. sem transferência de domínio e para fim de intercâmbio cultural. CAPÍTULO III Dos efeitos do tombamento Artigo 11 . dentro do prazo de trinta dias.A alienabilidade das obras históricas ou artísticas tombadas.A transferência deve ser comunicada pelo adquirente.A coisa tombada não poderá sair do País. Artigo 12 . será esta seqüestrada pela União ou pelo Estado em que se encontrar. que permanecerá seqüestrada em garantia do pagamento. e até que este se faça. inscrevê-los no registro do lugar para que tiveram sido deslocados. § 3º . sofrerá as restrições constantes da presente lei. § 1º . Parágrafo único. dentro do mesmo prazo e sob a mesma pena. a juízo do Conselho Consultivo do Serviço do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional. Artigo 16 .Para todos os efeitos. só poderão ser transferidas de uma à outra das referidas entidades. além de incidir na multa a que se referem os parágrafos anteriores. o tombamento provisório se equipará ao definitivo. deverá o proprietário. da coisa tombada.No caso de extravio ou furto de qualquer objeto tombado. § 3º . senão por curto prazo. a exportação para fora do País.

Artigo 17 - As coisas tombadas não poderão, em caso nenhum, ser destruídas, demolidas ou mutiladas, nem, sem prévia autorização especial do Serviço do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional, ser reparadas, pintadas ou restauradas, sob pena de multa de cinqüenta por cento do dano causado. Parágrafo único: Tratando-se de bens pertencentes à União, aos Estados ou aos Municípios, a autoridade responsável pela infração do presente artigo incorrerá pessoalmente na multa. Artigo 18 - Sem prévia autorização do Serviço do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional, não se poderá, na vizinhança da coisa tombada, fazer construção que lhe impeça ou reduza a visibilidade, nem nela colocar anúncios ou cartazes, sob pena de ser mandada destruir a obra ou retirar o objeto, impondo-se neste caso multa de cinqüenta por cento do valor do mesmo objeto. Artigo 19 - O proprietário de coisa tombada, que não dispuser de recursos para proceder às obras de conservação e reparação que a mesma requerer, levará ao conhecimento do Serviço do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional e necessidade das mencionadas obras, sob pena de multa correspondente ao dobro da importância em que for avaliado o dano sofrido pela mesma coisa. § 1º - Recebida a comunicação, e consideradas necessárias as obras, o diretor do Serviço do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional mandará executá-las, a expensas da União, devendo as mesmas ser iniciadas dentro do prazo de seis meses, ou providenciará para que seja feita a desapropriação da coisa. § 2º - À falta de qualquer das providências previstas no parágrafo anterior, poderá o proprietário requerer que seja cancelado o tombamento da coisa. § 3º - Uma vez que verifique haver urgência na realização de obras e conservação ou reparação em qualquer coisa tombada, poderá o Serviço do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional tomar a iniciativa de projetá-las e executá-las, a expensas da União, independentemente da comunicação a que alude este artigo, por parte do proprietário. Artigo 20 - As coisas tombadas ficam sujeitas à vigilância permanente do Serviço do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional, que poderá inspecioná-las sempre que for julgado conveniente, não podendo os respectivos proprietários ou responsáveis criar obstáculos à inspeção, sob pena de multa de cem mil réis, elevada ao dobro em caso de reincidência. Artigo 21 - Os atentados cometidos contra os bens de que trata o art. 1º desta lei são equiparados aos cometidos contra o patrimônio nacional. CAPÍTULO IV Do direito de preferência Artigo 22 - Em face da alienação, onerosa de bens tombados, pertencentes a pessoas naturais ou a pessoas jurídicas de direito privado, a União, os Estados e os Municípios terão, nesta ordem, o direito de preferência. § 1º - Tal alienação não será permitida sem que previamente sejam os bens oferecidos, pelo mesmo preço, à União, bem como ao Estado e ao Município em que se encontrarem. O proprietário deverá notificar os titulares do direito de preferência a usá-lo, dentro de trinta dias, sob pena de perdê-lo.

§ 2º - É nula a alienação realizada com violação do disposto no parágrafo anterior, ficando qualquer dos titulares do direito de preferência habilitado a seqüestrar a coisa e a impor a multa de vinte por cento do seu valor ao transmitente e ao adquirente, que serão por ela solidariamente responsáveis. A nulidade será pronunciada, na forma da lei, pelo juiz que conceder o sequestro, o qual só será levantado depois de paga a multa e se qualquer dos titulares do direito de preferência não tiver adquirido a coisa no prazo de trinta dias. § 3º - O direito de preferência não inibe o proprietário de gravar livremente a coisa tombada, de penhor, anticrese ou hipoteca. § 4º - Nenhuma venda judicial de bens tombados se poderá realizar sem que, previamente, os titulares do direito de preferência sejam disso notificados judicialmente, não podendo os editais de praça ser expedidos, sob pena de nulidade, antes de feita a notificação. § 5º - Aos titulares do direito de preferência assistirá o direito de remissão, se dela não lançarem mão, até a assinatura do auto de arrematação ou até a sentença de adjudicação, as pessoas que, na forma da lei, tiverem a faculdade de remir. § 6º - O direito de remissão por parte da União, bem como do Estado e do Município em que os bens se encontrarem, poderá ser exercido, dentro de cinco dias a partir da assinatura do auto de arrematação ou da sentença de adjudicação, não se podendo extrair a carta enquanto não se esgotar este prazo, salvo se o arrematante ou o adjudicante for qualquer dos titulares do direito de preferência. CAPÍTULO V Disposições gerais Artigo 23 - O Poder Executivo providenciará a realização de acordos entre a União e os Estados, para melhor coordenação e desenvolvimento das atividades relativas à proteção do patrimônio histórico e artístico nacional e para a uniformização da legislação estadual complementar sobre o mesmo assunto. Artigo 24 - A União manterá, para conservação e exposição de obras históricas e artísticas de sua propriedade, além do Museu Histórico Nacional e do Museu Nacional de Belas Artes, tantos outros museus nacionais quantos se tornarem necessários, devendo outrossim providenciar no sentido a favorecer a instituição de museus estaduais e municipais, com finalidades similares. Artigo 25 - O Serviço do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional procurará entendimentos com as autoridades eclesiásticas, instituições científicas, históricas ou artísticas e pessoas naturais e jurídicas, com o objetivo de obter a cooperação das mesmas em benefício do patrimônio histórico e artístico nacional. Artigo 26 - Os negociantes de antigüidade, de obras de arte de qualquer natureza, de manuscritos e livros antigos ou raros são obrigados a um registro especial no Serviço do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional, cumprindo-lhes outrossim apresentar semestralmente ao mesmo relações completas das coisas históricas e artísticas que possuírem. Artigo 27 - Sempre que os agentes de leilões tiverem de vender objetos de natureza idêntica à dos mencionados no artigo anterior, deverão apresentar a respectiva relação ao órgão competente do Serviço do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional, sob pena de incidirem na multa de cinqüenta por cento sobre o valor dos objetos vendidos.

Artigo 28 - Nenhum objeto de natureza idêntica à dos referidos no art. 26 desta lei poderá ser posto à venda pelos comerciantes ou agentes de leilões, sem que tenha sido previamente autenticado pelo Serviço do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional, ou por perito em que o mesmo se louvar, sob pena de multa de cinqüenta por cento sobre o valor atribuído ao objeto. Parágrafo único: A autenticação do mencionado objeto será feita mediante o pagamento de uma taxa de peritagem de cinco por cento sobre o valor da coisa, se este for inferior ou equivalente a um conto de réis, e de mais cinco mil-réis por conto de réis ou fração que exceder. Artigo 29 - O titular do direito de preferência goza de privilégio especial sobre o valor produzido em praça por bens tombados, quanto ao pagamento de multas impostas em virtude de infrações da presente lei. Parágrafo único - Só terão prioridade sobre o privilégio a que se refere este artigo os créditos inscritos no registro competente antes do tombamento da coisa pelo Serviço Nacional do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional. Artigo 30 - Revogam-se as disposições em contrário. Rio de Janeiro, em 30 de novembro de 1937; 116º da Independência e 49º da República. Getúlio Vargas Gustavo Capanema

de 26 de julho de 1.924.1. tendo em vista o disposto no Decreto-lei no 25. e outras categorias. no Decreto no 3. redução ou superação de barreiras na promoção da acessibilidade aos bens culturais imóveis devem compatibilizar-se com a sua preservação e. de 20 de dezembro de 1. facilitando a utilização desses bens e a compreensão de seus acervos para todo o público. conforme especifica. inciso V.298. no caso dos monumentos arqueológicos ou pré-históricos. na Lei no 7. Estabelecer diretrizes. Para efeito desta Instrução Normativa são adotadas as seguintes definições: a) Acautelamento: forma de proteção que incide sobre o bem cultural. A PRESIDENTE DO INSTITUTO DO PATRIMÔNIO HISTÓRICO E ARTÍSTICO NACIONAL. bem como pela utilização de ajudas técnicas e sinalizações específicas. regida por norma legal específica . de 19 de agosto de 2.985. a fim de equiparar as oportunidades de fruição destes bens pelo conjunto da sociedade.INSTITUTO DO PATRIMÔNIO HISTÓRICO E ARTÍSTICO NACIONAL INSTRUÇÃO NORMATIVA Nº 1. na Lei no 10. Tendo como referências básicas a LF 10. 1.405. de 21 de outubro de 1998.003. de 12 de novembro de 1. devendo ser legíveis como adições do tempo presente.Decreto-lei no 25.924.2. 1. de 26 de julho de 1961. pela Lei 3. que cria o instituto do tombamento ou. avaliando-se as possibilidades de adoção de soluções em acessibilidade frente às limitações inerentes à preservação do bem cultural imóvel em questão.811. c) O limite para a adoção de soluções em acessibilidade decorrerá da avaliação sobre a possibilidade de comprometimento do valor testemunhal e da integridade estrutural resultantes.807. do Anexo I ao Decreto nº 4. a NBR9050 da ABNT e esta Instrução Normativa. assegurar condições de acesso. em especial pelas pessoas portadoras de deficiência ou com mobilidade reduzida.098. critérios e recomendações para a promoção das devidas condições de acessibilidade aos bens culturais imóveis especificados nesta Instrução Normativa. em harmonia com o conjunto.048. resolve: 1. de 30 de novembro de 1937. de 19 de dezembro de 2. de 08 de novembro de 2. observadas as seguintes premissas: a) As intervenções poderão ser promovidas através de modificações espaciais e estruturais. em cada caso específico. DE 25 DE NOVEMBRO DE 2003.000. pela incorporação de dispositivos. sistemas e redes de informática. .098/2000. de forma a assegurar a acessibilidade plena sempre que possível. na Lei no 7. no uso das atribuições que lhe são conferidas pelo art. de trânsito. de 30 de novembro de 1937. as soluções adotadas para a eliminação.961.000 e na Lei no 10. de orientação e de comunicação. na Lei no 3.853.999. 20. o Decreto nº 2. b) Cada intervenção deve ser considerada como um caso específico. de 24 de outubro de 1989. Dispõe sobre a acessibilidade aos bens culturais imóveis acautelados em nível federal.

II) barreiras arquitetônicas na edificação: as existentes no interior dos edifícios públicos e privados. paisagístico. etnográfico. com o objetivo de assegurar a visibilidade e a ambiência do bem ou do conjunto. . d) Preservação: conjunto de ações que visam garantir a permanência dos bens culturais. histórico. com base em metodologia e técnica específicas. mobiliários e equipamentos urbanos. se for o caso. segura e confortável. paisagístico. legalmente protegidos pelo Iphan. l) Desenho universal: solução que visa atender simultaneamente maior variedade de pessoas com diferentes características antropométricas e sensoriais. j) Barreiras: qualquer entrave ou obstáculo que limite ou impeça o acesso. h) Acessibilidade: possibilidade e condição de alcance para utilização.seja individualmente ou em conjunto. cuja proteção se dê em caráter individual ou coletivo. III) barreiras nas comunicações: qualquer entrave ou obstáculo que dificulte ou impossibilite a expressão ou o recebimento de mensagens por intermédio dos meios ou sistemas de comunicação.b) Bem cultural: elemento que por sua existência e característica possua significação cultural para a sociedade . visa recuperar a plenitude de expressão e a perenidade do bem cultural. i) Pessoa portadora de deficiência ou com mobilidade reduzida: a que temporária ou permanentemente tem limitada sua capacidade de relacionar-se com o meio e de utilizá-lo. localizados em áreas urbanas ou rurais.valor artístico. histórico. e) Conservação: intervenção voltada para a manutenção das condições físicas de um bem. de forma autônoma. respeitadas as marcas de sua passagem através do tempo. f) Manutenção: operação contínua de promoção das medidas necessárias ao funcionamento e permanência dos efeitos da conservação. dos transportes e dos sistemas e meios de comunicação. das edificações. com segurança e autonomia. classificadas em: I) barreiras arquitetônicas urbanísticas: as existentes nas vias públicas e nos espaços de uso público. g) Restauração: conjunto de intervenções de caráter intensivo que. dos espaços. arqueológico. sejam ou não de massa. c) Bens culturais imóveis acautelados em nível federal: bens imóveis caracterizados por edificações e/ou sítios dotados de valor artístico. etnográfico . a liberdade de movimento e a circulação com segurança das pessoas. por pessoa portadora de deficiência ou com mobilidade reduzida. com o intuito de conter a sua deterioração. podendo compreender também o seu entorno ou vizinhança. arqueológico.

entende-se como: (1) de uso público. lixeiras. tendo em vista proporcionar à comunidade o efeito demonstrativo da ação do Iphan. aquelas apropriadas ou administradas por entidades da Administração Pública e empregadas diretamente para atender ao interesse público. quiosques e quaisquer outros de natureza análoga. p) Mobiliário Urbano: o conjunto de objetos existentes nas vias e espaços públicos.3. superpostos ou adicionados aos elementos da urbanização ou da edificação.3. respeitando-se a disponibilidade orçamentária. Superintendências e Unidades. tais como os referentes a pavimentação.3. observando-se as seguintes orientações: a) Soluções em acessibilidade deverão ser implementadas em curto prazo. os níveis de intervenção estabelecidos pelos responsáveis para cada imóvel. de forma que sua modificação ou traslado não provoque alterações substanciais nestes elementos. aquelas cuja utilização está voltada para fins comerciais ou de prestação de serviços (incluindo atividades de lazer e cultura) e abertas ao público em geral e. conforme as categorias de imóveis e condições a seguir relacionadas. em ações propostas pelo Iphan. iluminação pública. n) Ajuda técnica: qualquer elemento que facilite a autonomia pessoal ou possibilite o acesso e o uso de meio físico. paisagismo e os que materializam as indicações do planejamento urbanístico. por seus respectivos Departamentos. (2) de uso coletivo. inerente à sua condição autárquica. 1. marquises. sempre que couber. o) Elemento da urbanização: qualquer componente das obras de urbanização. distribuição de energia elétrica. seja unifamiliar ou multifamiliar. aos responsáveis pelos bens culturais imóveis acautelados em nível federal. 1. compreendendo os espaços internos e externos às edificações.098/2000. cabines telefônicas. b) Os bens culturais imóveis acautelados em nível federal serão adaptados gradualmente. 1. tais como semáforos. 23 da referida lei. fontes públicas.2. verificada a disponibilidade imediata de recursos técnicos e financeiros. contexto no qual se inserem as terminologias quanto aos usos das edificações. abastecimento e distribuição de água. bem como a densidade populacional da área no caso de sítios históricos urbanos.1. especialmente o estabelecido no art. (3) de uso privado. aquelas com destinação residencial. uso coletivo e uso privado: a partir da compreensão da LF 10.098/2000. encanamento para esgotos. Aplicar-se-á a presente Instrução Normativa do Iphan. quando da intervenção para preservação. q) Uso público. no cumprimento de suas obrigações quanto à acessibilidade e. saneamento. com base nesta Instrução Normativa. postes de sinalização e similares. com base no exercício do poder de polícia do Instituto. Os imóveis próprios ou sob a administração do Iphan deverão atender as exigências da LF 10. salvo a realização de obras de conservação ou . Os bens culturais imóveis acautelados em nível federal de propriedade de terceiros. toldos.m) Rota acessível: interligação ou percurso contínuo e sistêmico entre os elementos que compõem a acessibilidade. a ordem de relevância cultural e de afluxo de visitantes. os serviços e fluxos da rede urbana. sem prejuízo das obrigações quanto à preservação.

porém destinado ao uso público ou coletivo. a esta Instrução Normativa. utilizando fontes diversas. tais como pesquisas ergonômicas. parâmetros. a serem previamente submetidas ao Iphan. O imóvel não acautelado em nível federal. Elaborar e aperfeiçoar métodos.nos casos previstos nas alíneas (a) e (b). manuais e ajudas técnicas. reconstrução ou ampliação.3. a fim de orientar a elaboração de diagnósticos e manutenção de registro dos resultados em inventários.1. acesso e atendimento adequados. estão sujeitos à promoção de soluções em acessibilidade. estadual ou municipal. conforme o art. na construção em terrenos não edificados e na reforma ou ampliação de edificações. quando destinadas ao uso público ou coletivo e ainda que desprovidas de características relevantes para o patrimônio cultural. paisagísticos ou arqueológicos acautelados em nível federal . Nos casos previstos para aplicação desta Instrução Normativa. 2. 1. c) Imóveis inseridos em sítios históricos. 2. técnicas e equipamentos.098/2000.manutenção. instrumentos de análise e de acompanhamento.098/2000. no que couber.3. 11 da LF 10. bem como a apreciação. conforme a LF 10. na implantação de rotas acessíveis e remoção de barreiras presentes no espaço urbano ou natural. para análise e aprovação do Iphan. deverá pautar-se nas diretrizes seguintes. no qual estiver integrado bem escultórico ou pictórico tombado pelo Iphan sujeita-se. normas e regulamentos. . que servirão de fundamentação ao Plano Plurianual de Ação em Acessibilidade do Instituto: 2. reunir e difundir informações destinadas a reduzir ou eliminar barreiras para promoção da acessibilidade aos bens culturais imóveis acautelados em nível federal.3. nas seguintes situações: a) Imóveis de uso privado .4. a adoção de soluções em acessibilidade dependerá de apresentação prévia de projeto pelo interessado. legislação. Promover a capacitação dos quadros técnico e administrativo. guarda e utilização dos bens culturais imóveis acautelados em nível federal. 2. quando da realização de obras de construção. que implique em obras de reforma. incluída a restauração. em atendimento às iniciativas do Iphan ou dos demais gestores culturais competentes. inclusive através de intercâmbio internacional. por iniciativa espontânea do proprietário na promoção de soluções em acessibilidade. investigações sobre materiais.por força da legislação federal. apontando para a necessidade de reconhecer a diversidade dos usuários nas diversas ações de preservação. a atuação do corpo funcional do Iphan e demais gestores de bens culturais imóveis acautelados em nível federal. de modo a assegurar ao portador de deficiência e à pessoa com mobilidade reduzida. Tendo em vista a implementação do disposto nesta Instrução Normativa. 1. tendo em vista a avaliação das condições de acessibilidade real e potencial dos bens culturais imóveis acautelados em nível federal.2.nos casos de intervenção. reforma ou ampliação. pela substituição do uso privado por outro uso ou atividade que implique no cumprimento de determinações legais referentes às condições de acessibilidade. b) Imóveis de uso público ou de uso coletivo . critérios. Identificar.

para que. Atuar em conjunto com os agentes públicos e realizar parcerias com os agentes privados e a sociedade organizada. visando: a) O engajamento do Iphan no planejamento das políticas. instrumentos e práticas da Instituição. através da discussão conjunta de alternativas e do acompanhamento e avaliação. 2. tendo em vista: a) O desenvolvimento de ações dirigidas para a associação do tema da acessibilidade com a preservação de bens culturais imóveis acautelados em nível federal e respectivos acervos. entre outras práticas. 2.5. Informar aos agentes de interesse. a fim de estimular iniciativas adequadas de intervenção nos bens culturais imóveis acautelados em nível federal. programas e ações em acessibilidade da União. b) A elaboração e implementação de programas específicos para acessibilidade aos bens culturais imóveis acautelados em nível federal. sob a aprovação ou orientação do Iphan. Articular-se com as organizações representativas de pessoas portadoras de deficiência ou com mobilidade reduzida. órgãos públicos e concessionários. no âmbito de sua competência. . observada em cada caso a compatibilidade com as características do bem e seu entorno. incorporem soluções em acessibilidade segundo os preceitos do desenho universal e rota acessível.aprovação e implementação de projetos de intervenção e a formulação de programas. organizações de profissionais. e propiciar a atualização permanente dos procedimentos. Dar ampla divulgação à presente Instrução Normativa. 2. tais como instituições universitárias. d) A compatibilidade de procedimentos entre os diferentes níveis de governo. especialmente no tocante à acessibilidade aos bens culturais imóveis acautelados em nível federal. a fim de instruir Manual Técnico destinado a estabelecer parâmetros básicos para acessibilidade aos bens culturais imóveis acautelados em nível federal. que estejam diretamente afetos ao tema da preservação do patrimônio histórico e cultural ou que nele venham a interferir.8. 2. avaliados e aprovados pelas unidades do Iphan. de revitalização e de promoção de bens culturais imóveis acautelados em nível federal sob a responsabilidade ou com a participação do Iphan. sobre a ação do Iphan na adoção de soluções para acessibilidade aos bens culturais imóveis acautelados em nível federal. 2.4.7.6. a fim de garantir a correta aplicação de soluções em acessibilidade. b) Assegurar a sua participação nos processos de intervenção. e demais categorias quando couber. Sistematizar experiências e compilar padrões e critérios. e) A captação e direcionamento de recursos para o financiamento de ações para promoção da acessibilidade aos bens culturais imóveis acautelados em nível federal. entre outros. c) A inserção de critérios para promoção da acessibilidade nos programas de preservação.

segundo os preceitos de desenho universal e rota acessível. entre outros. e) Nos casos em que os estudos indicarem áreas ou elementos em que seja inviável ou restrita a adaptação. tátil ou sonora.10. de propriedade ou sob a responsabilidade do Iphan. 2. 3. devidamente identificados através de sinalização visual. nos casos previstos nesta Instrução Normativa. a fim de assegurar a compatibilidade das soluções e adaptações em acessibilidade com as possibilidades do imóvel.9. iconográfico e documental -. atenderão aos seguintes critérios: 3. 3. d) Informar-se sobre os bens culturais e seus acervos. pela entrada principal ou uma outra integrada a esta. físico. salas de repouso e de informações.2. em garantia de sua integridade estrutural e impedimento da descaracterização do ambiente natural e construído. por meio dos diversos dispositivos e linguagens de comunicação. As propostas de intervenção para adoção de soluções em acessibilidade. Viabilizar recursos financeiros para o cumprimento do estabelecido nesta Instrução Normativa.1.405/1985. tais como: escrita. ainda que de maneira virtual. em suas diferentes necessidades. lugares específicos em auditórios e locais de reunião.4. de acordo com as demandas dos usuários. balcões e guichês. incluindo dispositivos de segurança e saídas de emergência. interagir com o espaço e o acervo. Estabelecimento de prioridades e níveis de intervenção. de forma autônoma. total ou parcialmente. dispositivos e ajudas técnicas. observadas as características e a destinação do imóvel. favorecendo a capacidade das pessoas portadoras de deficiência ou com mobilidade reduzida em manobrar e vencer desníveis. Informar ao público em geral sobre as condições de acessibilidade dos bens culturais imóveis acautelados em nível federal. 3. braile. proporcionando aos usuários: a) Alcançar o imóvel desde o passeio ou exterior limítrofes. c) Usufruir comodidades e serviços. b) Percorrer os espaços e acessar as atividades abertas ao público. sempre que possível e preferencialmente.histórico. assim como dos demais bens culturais imóveis. tais como: bilheterias. telefones e bebedouros. alcançar e controlar equipamentos. sonora e multimídia. colocadas à disposição em salas de recepção acessíveis ou em casa de visitantes adaptadas. especialmente para a execução de projetos que envolvam os imóveis de propriedade ou administrados diretamente pelo Iphan.3. oferecendo comodidade para todos. os estudos devem resultar em abordagem global da edificação e prever intervenções ou adaptações que atendam às pessoas portadoras de deficiência ou com mobilidade reduzida. além da adoção do Símbolo Internacional de Acesso nos casos previstos na LF 7. Realização de levantamentos . simbólica. 3. Os elementos e as ajudas técnicas para promover a acessibilidade devem ser incorporados ao espaço de forma a estimular a integração entre as pessoas portadoras de deficiência ou com mobilidade reduzida e os demais usuários. banheiros. Em qualquer hipótese. vagas em estacionamentos. através de .2. através de percurso livre de barreiras e acessar o seu interior.

texturas. recomenda-se: 4. 4. peças de acervo originais ou cópias. com especificações de cores. auditiva ou tátil. tecnologias ou acréscimos. a adequação da sinalização. através de rota acessível. . além de pessoal treinado para a sua recepção. rampas e rebaixamento de calçadas.6. 3. valendo-se de percursos livres de barreiras e sinalizados que unam. a concepção. deverão ser mantidas à disposição das pessoas portadoras de deficiência ou com mobilidade reduzida.informação visual. como cadeiras de rodas. maquetes. de uso público ou coletivo. em locais de visitação a bens integrados. de modo a permitir a inclusão de novos métodos. e demais aspectos implicados na sua implementação. bem como pela oferta. A articulação das Unidades do Iphan com instituições governamentais dos Estados e Municípios. b) A adaptação de percursos e implantação de rotas acessíveis deve considerar a declividade e largura de vias e passeios. prevendo-se rota acessível devidamente sinalizada e ambiente onde mobiliário. deve ser prevista em áreas de difícil acesso ou inacessíveis.1. o tipo de tecnologia e de material utilizados. c) A instituição de um sistema integrado de elementos em acessibilidade. indicativa ou de trânsito. Para fins de maior alcance desta Instrução Normativa. pelo menos. os centros de interesse e de maior afluência de pessoas. referenciado nos parâmetros técnicos definidos pela ABNT. d) A adoção de soluções complementares associadas à rota ou percurso acessíveis. sons e símbolos. as edificações à via pública e aos diversos espaços com características diferenciadas. cores e iluminação. A intervenção arquitetônica ou urbanística contará com o registro e a indicação da época de implantação. e demais categorias quando couber. 3. em ambientes apropriados. Em bens culturais imóveis acautelados em nível federal. como parte do conjunto de soluções em acessibilidade. através de. Em exposições temporárias e. privilegiando-se os recursos passíveis de reversibilidade. deve-se assegurar o acesso às pessoas portadoras de deficiência ou com mobilidade reduzida. tais como a utilização de veículos adaptados e mirantes. ajudas técnicas. com o objetivo de compatibilizar procedimentos e dirimir dúvidas ou conflitos.8. 3. um itinerário adaptado. quando couber. arqueológicos e paisagísticos devem permitir o contato da pessoa portadora de deficiência ou com mobilidade reduzida com o maior número de experiências possível. os serviços e fluxos. As soluções para acessibilidade em sítios históricos. adequação ou substituição dos elementos da urbanização e do mobiliário urbano. a reserva e distribuição de vagas para estacionamento. sejam compatíveis com a melhor visão e entendimento das obras expostas.5. a fim de possibilitar a sua identificação. 3.7. de alternativas como mapas. entre outras que permitam ao portador de deficiência utilizar suas habilidades de modo a vivenciar a experiência da forma mais integral possível. observando-se ainda: a) A implantação de condições de circulação que permitam a melhor e mais completa utilização do sítio. devendo-se considerar os seguintes procedimentos básicos: a adoção de pisos sinalizadores específicos.

o qual permanecerá com o encargo até seis meses após a execução das intervenções. a fiscalização e a avaliação dos trabalhos.2. Nos casos omissos.2003. 8. b) As edificações destinadas à atividade cultural. MARIA ELISA COSTA Diário Oficial de 26. por intermédio ou diretamente pelo Iphan. o Iphan indicará um responsável técnico para o acompanhamento. A cada projeto aprovado. as soluções e especificações em acessibilidade serão fundamentadas em estudos ergonômicos. observadas as distinções relacionadas ao mecanismo de apoio ao projeto cultural e à natureza do proponente.3. 4. 7. 5. notadamente em relação às seguintes categorias de imóveis: a) Aquelas relacionadas no item 1. Esta Instrução Normativa entra em vigor na data de sua publicação. Novos padrões ou critérios definidos pela legislação federal ou norma específica da ABNT.decorrentes de imposições legais cumulativas em acessibilidade e incidentes sobre os bens imóveis acautelados em nível federal. nas situações em que a análise e aprovação de projetos sejam de responsabilidade do Iphan como entidade vinculada.PRONAC. 4. Promover os trâmites necessários para a adoção desta Instrução Normativa como parte integrante dos programas instituídos no âmbito do Ministério da Cultura. e submetidas ao Programa Nacional de Apoio à Cultura . 6.3. a partir da definição dos procedimentos necessários em cada situação. independente da condição de acautelamento.11. integrarão automaticamente o conjunto de referências básicas desta Instrução Normativa. A incorporação das condições estabelecidas nesta Instrução Normativa aos programas e projetos apoiados financeiramente. Seção 1 .2.

. transforma... espírito de ordem. ditados por necessidades coletivas colocam de novo a questão da planta. "A arquitetura é a disciplina que organiza o espaço de vida do homem . e com ela desenha planos. Bruno Cajueiro . "A arquitetura consiste em estabelecer relações comoventes com materiais brutos. A arquitetura é coisa de plástica. As que justas ou não. Os grandes problemas de amanhã. Le Corbusier Materiais. Afinal. Oscar Niemeyer A Planta. a arquitetura gera quantidades. espera uma nova planta. sob o ponto de visa social.o mundo. Le Corbusier Cidade. constrói . Bruno Cajueiro O arquiteto com o ponto desenha a reta. Sem planta há desordem. e com os quais: cria. refaz.. unidade de intenção... altera. para a casa e para a cidade". "A planta é geradora. o que ficou da arquitetura foram as obras monumentais.. representa. A arquitetura está além das coisas utilitárias. "A monumentalidade nunca me atemorizou quando um tema mais forte a justifica. A vida moderna pede.. Diversidade Psicomotricidade Heterogeneidade Horizontalidade Sensorialidade Velocidade Densidade Espacialidade Centralidade Universidade Arquitetura... modifica. A paixão faz das pedras inertes um drama". ainda nos comovem. arbitrário. o sentido das relações.. as que marcam o tempo e a evolução da técnica... A planta traz em si a essência da sensação..Citações O Arquiteto. Mario Botta Monumentalidade. É a beleza a se impor na sensibilidade do homem".

resultante da especulação imobiliária. onde o homem encontre sua intimidade e sua memória".. a imagem física da história. Mario Botta "A arquitetura não é um instrumento para se construir em um lugar.. a arquitetura precisa falar do grande passado. que falem das necessidades primordiais do homem".. no entanto. A cidade é nossa mãe". "O fato triste é que a arquitetura está se tornando cada vez mais pobre.. Penso.. mas a da arquitetura da má qualidade.Verticalidade Cidade Arquitetura e a Cidade. a habitação primordial do homem". Das Necessidades Primordiais do homem. por exemplo.. Mario Botta O Edifício. A Relação com a cidade. Penso que a arquitetura moderna deva assumir a responsabilidade: construir um lugar único e irrepetível. mas um instrumento para construir esse lugar. mais homogeneizada. Mario Botta Arquétipo. "Nas minhas casas.. .. A relação com a cidade é muito mais forte que o prédio em si". fazendo com que os grandes centros urbanos percam sua identidade e assim morram um pouco.. Mario Botta "A finalidade de cada ato de criação é encontrar a riqueza do passado. Espero que haja uma arcaicidade do futuro e que as obras de arquitetura sejam como um tótem.. É necessário agir contra a banalização moderna. Mario Botta Refúgio. procuro inserir uma série de valores e uma organização do espaço que contenha elementos arquetípicos como a caverna. o que me interessa é transmitir uma sensação de refúgio. Mario Botta Três Níveis. eu também construo um pedaço da cidade.. de caverna primitiva. "Quando eu faço um prédio. A grande poluição não é a dos carros. que a cidade é um lugar extraordinário.. construindo um prédio com uma identidade forte".. "Quando faço uma casa..

o lugar de confronto. Ela é para o arquiteto o mesmo que o museu para o artista. construção. José Garcia Lamas "O edifício não pode ser desligado do lote ou da superfície de solo que ocupa." ". ou obra de arquitetura considerável pela sua dimensão ou magnificência. A Crise do Moderno..... a riqueza da cidade é a sua estratificação. para que eu possa dormir com a luz.. Mario Botta Continuidade. . comunicar com o cosmos"... irrepetível. José Garcia Lamas A Rua. de crescimento A Cidade e seus espaços." Mario Botta O Monumento. memória. do primeiro andar para permitir a visão da paisagem... O lote não é apenas uma porção cadastral: é também a gênese e fundamento do edificado. ".. sua tensão.... quase todas são em três níveis porque preciso da terra como espaço de transição entre o externo e o interno. é representada pela paisagem dos seus espaços abertos. " A cidade é o território mais importante porque há mais presença humana.. à banalização do moderno.... Todo projeto de arquitetura transforma o lugar de uma condição de natureza em uma condição de cultura". Mario Botta A Cidade. "Não se pode nem é justo inventar em uma noite toda a arquitetura.Mario Botta "As minhas casas... proponho um modelo alternativo à crise do moderno. Quando projetamos um edifício devemos Ter em mente que nosso cliente é a história".. porque ela é um fato de continuidade. único. mais contradições. história. sua acumulação histórica"." Cidade. e do segundo andar para a interação com o céu.. obra de arquitetura ou escultura destinada a transmitir à posteridade a recordação de um grande homem ou feito. Mario Botta O Lugar. a identificação com a cultura do lugar. "O lugar é um dos parâmetros fundamentais do projeto: cada solução tem o seu lugar.. mais do que a construção. Lawrence Halprin O Lote.

.. recrear-se (nas horas livres). utiliza-se do projeto cuidadoso dos edifícios e espaços livres.. A vida só se desenvolve na medida em que são conciliados os dois princípios contraditórios que regem a "Introduzir o Sol (nas habitações) é o novo e mais imperioso dever do arquiteto. é a rua-jardim. "Justapostos ao econômico... Silvio Soares Macedo Arquitetura e Cidade. "O desenho mostra a limitação da norma.. com um resultado morfológico simplório... O sol.. Marcia Menneh O desenho. .. Deriva dos velhos bulevares no início do século e para o qual se voltaram os barões do café e da elite do império." As três matérias primas do Urbanismo... com calçadas ajardinadas e arborizadas.Silvio Soares Macedo "A rua modelo da cidade brasileira. os valores de ordem psicológica e fisiológica próprios ao ser humano introduzem no debate preocupações de ordem individual e de ordem coletiva. O resultado é este." "A monotonia é característica combatida em todas as fases do projeto. Carta de Atenas O Sol. um tecido urbano.. circular". através do desenho de uma paisagem rica e diversificada.. Para isso. Carta de Atenas ". trabalhar." Monotonia. "A Arquitetura preside os destinos da cidade". As chaves do Urbanismo estão nas quatro funções: habitar. Carta de Atenas Carta de Atenas O Individual e o Coletivo. ao prédio e a rua.. é formalista e direcionista na busca de um padrão de assentamento dos novos volumes construídos.. que aberta no tocante à variedade de usos. espacialmente discutível e que pouco a pouco se mostra carente de novas disposições.. que busca maior identidade em cada espaço projetado.. Carta de Atenas As quatro funções. ". São vias largas. ao social e ao político... cujas normalizações são particularizadas. normas e formas de arranjo mais flexíveis em relação as conformações espaciais possíveis e de abertura em relação a questão do meio urbano preexistente. a vegetação e o espaço são as três matérias primas do Urbanismo".

nunca é fixa. Alexander D'arcy Thompson Função.... Frederick S... o instrumento de medida será a escala humana"." "O significado não existe: é um processo criativo. Pearls Significado... A forma é a combinação de espaço e função e quando a função e o espaço mudam.. Carta de Atenas Escala Humana. mas temporal.. "Para o arquiteto.. Carta de Atenas "Densidades razoáveis devem ser impostas... Carta de Atenas O Verde. .. de acordo com as formas de habitação postas pela própria natureza do terreno." "Um número mínimo de horas de insolação deve ser fixado para cada moradia".. Insolação.. Sir Edwin Lutyens Forma e Função.. um desempenho no aqui e agora".personalidade humana: o individual e o coletivo. "A forma é um diagrama de forças". muda também a forma que portanto. Carta de Atenas Densidade.... ocupado aqui com as tarefas do Urbanismo. "As construções elevadas erguidas a grande distância uma das outras devem liberar o solo para amplas superfícies verdes"... No Oriente. função e forma são uma e mesma coisa.. Fred e Barbro Thompson "A polêmica ocidental sobre se a forma segue a função ou a função segue a forma é impossível. "A Arquitetura começa onde termina a função". "A história está escrita no traçado e na arquitetura das cidades". Carta de Atenas Forma. Significado. Julien Greimas A casa." A História. "É extremamente difícil falar do significado e dizer qualquer coisa de sensato".

Paul Éluard "Quando as cumeeiras de nosso céu se juntarem Minha casa terá um telhado." .