A coleção dos principais documentos, recomendações e cartas conclusivas das reuniões relativas à proteção do patrimônio cultural, ocorridas em diversas

épocas e partes do mundo, sempre foi uma aspiração dos que trabalham com o tema. Seu conteúdo interessa a todos os que lidam na área patrimonial: proprietários e moradores de bens tombados, advogados, professores, estudantes, detentores do poder local nos sítios históricos, organizações governamentais ou não, afins ao Iphan e até mesmo meros curiosos. Clique para ter acesso a alguns desses documentos:
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Carta de Atenas - Sociedade das Nações- outubro de 1931; Carta de Atenas - CIAM - novembro 1933; Recomendação de Nova Delhi - Arqueologia - dezembro de 1956; Recomendação de Paris - Paisagens e Sítios - dezembro de 1962; Carta de Veneza - Monumentos e Sítios - maio 1964; Recomendação de Paris - Propriedade Ilícita de Bens Culturais - novembro 1964; Normas de Quito - novembro/dezembro 1967; Recomendação de Paris - Obras Públicas ou Privadas - novembro 1968; Compromisso de Brasília - abril 1970; Compromisso de Salvador - II Encontro de Governadores - outubro de 1971; Convenção de Paris - Patrimônio Mundial - novembro de 1972; Carta do Restauro - Governo da Itália - abril 1972; Declaração de Estocolmo - Ambiente Humano - junho 1972; Resolução de São Domingos - O.E.A. - dezembro 1974; Declaração de Amsterdã - Conselho da Europa - outubro 1975; Manifesto de Amsterdã - Carta Européia - outubro 1975; Recomendação de Nairóbi - Unesco - novembro 1976; Carta de Machu Picchu - Encontro Internacional de Arquitetos - dezembro 1977; Carta de Burra - Icomos - Austrália 1980; Carta de Florença - Icomos - maio 1981; Declaração de Nairóbi - Assembléia Mundial dos Estados - maio 1982; Declaração de Tlaxcala/México - Icomos - outubro 1982; Declaração do México - Icomos - Políticas culturais - 1985; Carta de Washington - Icomos - Cidades históricas - 1986; Carta de Petrópolis - Centros históricos - 1987; Carta de Cabo Frio - Encontro de Civilizações nas Américas - outubro de 1989; Carta do Rio - Conferência Geral das Nações Unidas - junho 1992; Carta de Fortaleza - 1997 - elaboração de diretrizes e a criação de instrumentos legais e administrativos visando a identificar, proteger, promover e fomentar os processos e bens, considerados em toda a sua complexidade, diversidade e dinâmica, particularmente, "as formas de expressão; os modos de criar, fazer e viver; as criações científicas, artística e tecnológicas", com especial atenção àquelas referentes à cultura popular.

Carta de Atenas
de outubro de 1931 Escritório Internacional dos Museus Sociedade das Nações A - Conclusões Gerais I - Doutrinas. Princípios Gerais. A conferência assistiu à exposição dos princípios gerais e das doutrinas concernentes à proteção dos monumentos. Qualquer que seja a diversidade dos casos específicos - e cada caso pode comportar uma solução própria - , a conferência constatou que nos diversos Estados representados predomina uma tendência geral a abandonar as reconstituições integrais, evitando assim seus riscos, pela adoção de uma manutenção regular e permanente, apropriada para assegurar a conservação dos edifícios. Nos casos em que uma restauração pareça indispensável devido a deterioração ou destruição, a conferência recomenda que se respeite a obra histórica e artística do passado, sem prejudicar o estilo de nenhuma época. A conferência recomenda que se mantenha uma utilização dos monumentos, que assegure a continuidade de sua vida, destinando-os sempre a finalidades que o seu caráter histórico ou artístico. II - Administração e legislação dos monumentos históricos. A conferência assistiu à exposição das legislações cujo objetivo é proteger os monumentos de interesse histórico, artístico ou científico, pertencentes às diferentes nações. A conferência aprovou unanimemente a tendência geral que consagrou nessa matéria um certo direito da coletividade em relação à propriedade privada. A conferência constatou que as diferenças entre essas legislações provinham das dificuldades de conciliar o direito público com o particular. Em conseqüência, aprovada a tendência geral dessas legislações, a conferência espera que elas sejam adaptadas às circunstâncias locais e à opinião pública, de modo que se encontre a menor oposição possível, tendo em conta os sacrifícios a que estão sujeitos os proprietários, em beneficio do interesse geral. Votou-se que em cada Estado a autoridade pública seja investida do poder do tomar, em caso de urgência, medidas de conservação. A conferência evidenciou o desejo de que o Escritório Internacional dos Museus publique uma resenha e um quadro comparativo das legislações em vigor nos diferentes Estados e os mantenha atualizados. III - A valorização dos monumentos. A conferência recomenda respeitar, na construção dos edifícios, o caráter e a fisionomia das cidades, sobretudo na vizinhança dos monumentos antigos, cuja proximidade deve ser objeto de cuidados especiais. Em certos conjuntos, algumas perspectivas particularmente pitorescas devem ser preservadas. Deve-se também estudar as plantações e ornamentações vegetais convenientes a determinados conjuntos de monumentos para lhes conservar a caráter antigo. Recomenda-se, sobretudo, a supressão de toda publicidade, de toda presença abusiva de

postes ou fios telegráficos, de toda indústria ruidosa, mesmo de altas chaminés, na vizinhança ou na proximidade dos monumentos, de arte ou de história. IV - Os materiais de restauração. Os técnicos receberam diversas comunicações relativas ao emprego de materiais modernos para a consolidação de edifícios antigos. Eles aprovaram o emprego adequado de todos os recursos da técnica moderna e especialmente, do cimento armado. Especificam, porém, que esses meios de reforço devem ser dissimulados, salvo impossibilidade, a fim de não alterar o aspecto e o caráter do edifício a ser restaurado. Recomendam os técnicos esses procedimentos especialmente nos casos em que permitam evitar os riscos de desagregação dos elementos a serem conservados. V - A deterioração dos monumentos. A conferência constata que, nas condições da vida moderna, os monumentos do mundo inteiro se acham cada vez mais ameaçados pelos agentes atmosféricos. Afora as preocupações habituais e as soluções felizes obtidas na conservação da estatuária monumental pelos métodos correntes, não se saberia, dada a complexidade dos casos no estado atual dos conhecimentos, formular regras gerais. A conferência recomenda: 1o - A colaboração em cada país dos conservadores de monumentos e dos arquitetos com os representantes das ciências físicas, químicas e naturais para a obtenção de métodos aplicáveis em casos diferentes. 2o - Que o Escritório Internacional de Museus se mantenha a par dos trabalhos empreendidos em cada país sobre essas matérias e lhes conceda espaço em suas publicações. A conferência, no que concerne à conservação da escultura monumental, considera que retirar a obra do lugar para o qual ela havia sido criada é, em princípio, lamentável. Recomenda, a título de precaução, conservar, quando existem, os modelos originais e, na falta deles, a execução de moldes. VI - Técnica da conservação A conferência constata com satisfação que os princípios e as técnicas expostas nas diversas comunicações se inspiram numa tendência comum, a saber: Quando se trata de ruínas, uma conservação escrupulosa se impõe, com a recolocação em seus lugares dos elementos originais encontrados (anastilose), cada vez que o caso o permita; os materiais novos necessários a esse trabalho deverão ser sempre reconhecíveis. Quando for impossível a conservação de ruínas descobertas durante uma escavação, é aconselhável sepultá-las de novo depois de haver sido feito um estudo minucioso. Não é preciso dizer que a técnica e a conservação de uma escavação impõem a colaboração estreita do arqueólogo e do arquiteto. Quanto aos outros monumentos, os técnicos unanimemente aconselharam, antes de toda consolidação ou restauração parcial, análise escrupulosa das moléstias que os afetam, reconhecendo, de fato, que cada caso contribui um caso especial.

ao mesmo tempo em que executava ele mesmo trabalhos consideráveis. cada vez mais concretamente para favorecer a conservação dos monumentos de arte e de história.Cada Estado. convencida de que a conservação do patrimônio artístico e arqueológico da humanidade interessa à comunidade dos Estados. cuja necessidade foi aparecendo no curso dos trabalhos. 5 o . 4o .O escritório estude a melhor utilização das informações assim centralizadas. Nessa ocasião viram um exemplo que contribuiu para a realização das metas de cooperação intelectual. muitos dos principais campos de escavações e dos monumentos antigos da Grécia. 2 o . ou as instituições criadas ou reconhecidamente competentes para esse trabalho. possam ser recomendadas à favorável atenção dos Estados.A conservação dos monumentos e a colaboração internacional. no curso de seus trabalhos e no correr dos estudos desenvolvidos nessa ocasião. Emite o voto de que as proposições a esse respeito. . manifestar seu interesse pela salvaguarda das obras-primas nas quais a civilização se tenha expressado em seu nível mais alto e que se apresentem ameaçadas. acompanhado de fotografia e de informações. b) O papel da educação e o respeito aos monumentos. Os membros da conferência. 3 o . A conferência.VII . e lhes façam aumentar o interesse. profundamente convencida de que a melhor garantia de conservação de monumentos e obras de arte vem do respeito e do interesse dos próprios povos. foram unânimes em prestar homenagem ao governo grego que. Considera altamente desejável que instituições e grupos qualificados possam. considerando que esses sentimentos podem ser grandemente favorecidos por uma ação apropriada dos poderes públicos.Cada Estado deposite no Escritório Nacional de Museus suas publicações. publique um inventário dos monumentos históricos nacionais. quaisquer que eles sejam.Cada Estado constitua arquivos onde serão reunidos todos os documentos relativos a seus monumentos históricos. guardiã da civilização. emite o voto de que os educadores habituem a infância e a juventude a se absterem de danificar os monumentos.O escritório consagre em suas publicações artigos relativos aos procedimentos e ao métodos gerais de conservação dos monumentos históricos. sem causar o menor prejuízo ao Direito Internacional Público. após haverem visitado. de cooperação intelectual da Sociedade das Nações. Caberia à Comissão Internacional de Cooperação Intelectual. notadamente junto à Comissão Nacional de Cooperação Intelectual interessada. deseja que os Estados. há muitos anos. quando submetidas à organização. aceitou a colaboração de arqueólogos e especialistas de todos os países. após sindicância do Escritório Internacional Museus e depois de haverem sido recolhidas todas as informações úteis. a) Cooperação técnica e moral A conferência. colaborem entre si. agindo no espírito do Pacto da Sociedade das Nações. pronunciar-se sobre a oportunidade das providências a serem empreendidas e sobre o procedimento a ser seguido em cada caso particular. c) Utilidade de uma documentação internacional A conferência emite o voto de que: 1o . pela proteção dos testemunhos de toda a civilização. de uma maneira geral.

se realizou na manhã de domingo. certos técnicos recomendaram muita prudência e sublinharam a utilidade de testes preliminares. M. tanto nos Propileus como no Partenon. Balanos. Na segunda parte de sua exposição M. considerando as precauções tomadas e as condições climáticas peculiares no país. Durante a primeira parte da sessão os membros da conferência ouviram a exposição de M. que consiste em proteger esse friso com uma cobertura apropriada. Sob a orientação de M. b) Emprego de cimento como revestimento dos tambores de substituição. os membros da conferência aprovaram unanimemente os trabalhos de recuperação da colunata norte do Partenon. A escolha do metal a ser empregado para os grampos prendeu a atenção dos técnicos.B – Deliberação da conferência sobre a anastilose dos monumentos da Acrópole Havia sido previsto que uma das sessões da Conferência do EIM se detivesse na acrópole. Balanos justificam o emprego do ferro no que diz respeito aos trabalhos da Acrópole. segundo o projeto de M. os membros da conferência acolheram o projeto preconizado por M. relativo ao emprego de moldes como complemento da anastilose. especialmente sobre os seguintes pontos: a) Recuperação da colunata norte do Partenon e recuperação do peristilo sul. Balanos. c) Escala dos metais a serem empregados para os grampos. . No que concerne ao quarto problema colocado por M. Sobre a proteção do friso contra as intempéries. e) Proteção do friso contra as intempéries. individualmente. d) Oportunidade do emprego de moldes como complemento da anastilose. Ao terminar. sua opinião sobre esse programa. sob a presidência de M. lembraram conseqüências às vezes desagradáveis desse emprego para a conservação das pedras e manifestaram sua preferência por metais menos susceptíveis de deterioração. os membros da conferência procederam a uma longa troca de opiniões. permitindo-lhes pedir detalhes e emitir opiniões. e os membros da conferência usufruíssem das facilidades que lhes haviam sido oferecidos por M. Balanos. Por outro lado. que não prevê qualquer restauração além da simples anastilose. diretor dos trabalhos dos monumentos da Acrópole. Balanos forneceu detalhes sobre o programa ulterior dos trabalhos. que aproveitaram essa ocasião para expor suas experiências sobre o assunto. Karo. constatando os resultados satisfatórios dos primeiros ensaios feitos por M. Essa sessão. assim como a recuperação parcial do peristilo sul. A propósito do emprego do cimento como revestimento dos tambores de substituição. Sobre o primeiro ponto. Balanos sobre os trabalhos de anastilose já executados. Balanos nesse caso especial. alguns técnicos. os técnicos sublinharam o caráter particular dos trabalhos do Partenon e. Karo. se abstiveram de opinar de um modo geral sobre essa questão. 25 de outubro. Balanos. Balanos assinalou que o emprego do ferro não apresentava inconveniente no caso da Acrópole. mesmo reconhecendo que as razões invocadas por M. que se pôs à disposição para prestar quaisquer explicações sobre os trabalhos em curso. exprimiu o desejo de ouvir dos membros da conferência.

Carta de Atenas
de novembro de 1933 Assembléia do CIAM CIAM – Congresso Internacional de Arquitetura Moderna – 1933 Primeira Parte Genera1idades A Cidade e sua Região 1 - A Cidade é só uma parte de um conjunto econômico, social e político que constitui a região. Raramente a unidade administrativa coincide com a unidade geográfica, ou seja, com a região. O recorte territorial administrativo das cidades pode ter sido arbitrário desde o início ou pode ter vindo a sê-lo posteriormente, quando, em decorrência de seu crescimento, a aglomeração principal uniu-se a outras comunidades e depois as englobou. Esse recorte artificial se opõe a uma boa gestão do novo conjunto. De fato, certas comunidades suburbanas puderam adquirir inopinadamente um valor imprevisível, positivo ou negativo, seja tornandose sede de residências luxuosas, seja acolhendo centros industriais dinâmicos, seja reunindo miseráveis populações operárias. Os limites administrativos aço que compartimentam o complexo urbano tornam-se então paralisantes. Uma aglomeração constitui o núcleo vital de uma extensão geográfica cujo limite é constituído pela zona de influência de uma outra aglomeração. Suas condições vitais são determinadas pelas vias de comunicação que asseguram suas trocas e ligam-se intimamente à sua zona particular. Só se pode enfrentar um problema de urbanismo referenciando-se constantemente aos elementos constitutivos da região e, principalmente, a sua geografia, chamada a desempenhar um papel determinante nessa questão: linhas de divisão de águas, morros vizinhos desenhando um contorno natural confirmado pelas vias de circulação, naturalmente inscritas no solo. Nenhuma atuação, pode ser considerada se não se liga ao destino harmonioso da região. O plano da cidade é só um dos elementos do todo constituído pelo plano regional. 2 - Justapostos ao econômico, ao social e ao político, os valores de ordem psicológica e fisiológica próprios ao ser humano introduzem no debate preocupações de ordem individual e de ordem coletiva. A vida só se desenvolve na medida em que são conciliados os dois princípios contraditórios que regem a personalidade humana: o individual e o coletivo. Isolado, o homem sente-se desarmado; por isso liga-se espontaneamente a um grupo. Entregue somente a suas forças, ele nada construiria além de sua choça e levaria, na insegurança, uma vida submetida a perigos e a fadigas agravados por todas as angústias da solidão. Incorporado ao grupo, ele sente pesar sobre si o constrangimento de disciplinas inevitáveis, mas, em troca, fica protegido em certa medida contra a violência, a doença, a fome: pode aspirar a melhorar sua moradia e satisfazer também sua profunda necessidade de vida social. Transformado em elemento constitutivo de uma sociedade que o mantém, ele colabora direta ou indiretamente nas mil atividades que asseguram sua vida fisica e desenvolvem sua vida espiritual. Suas iniciativas tornam-se mais frutíferas, e sua liberdade, melhor defendida, só se detém onde ameace a de outrem. Se os empreendimentos do grupo são sábios, a vida do indivíduo é ampliada e enobrecida. Se a preguiça, a estupidez e o egoísmo o assolam, o grupo, enfraquecido e entregue à desordem, só traz a cada um de seus

membros rivalidades, rancor e desencanto. Um plano é sábio quando permite uma colaboração frutífera, propiciando ao máximo a liberdade individual. Irradiação da pessoa no quadro do civismo. 3 - Essas constantes psicológicas e biológicas sofrerão a influência do meio: situação geográfica e topográfica, situação econômica e política. Primeiramente, da situação geográfica e topográfica, o caráter dos elementos água e terra, da natureza. do solo, do clima. A geografia e a topografia desempenham um papel considerável no destino dos homens. Não se pode esquecer jamais que o sol comanda, impondo sua lei a todo empreendimento cujo objetivo seja a salvaguarda do ser humano. Planícies, colinas e montanhas contribuem também para modelar uma sensibilidade e colinas e determinar uma mentalidade. Se o montanhês desce voluntariamente para a planície, o homem da planície raramente sobe os vales e dificilmente transpõe os desfiladeiros. Foram os cumes dos montes que delimitaram as áreas de aglomeração onde, pouco a pouco, reunidos por costumes e usos comuns, os homens se constituíram em povoações. A proporção dos elementos água e terra, quer atue na superfície, opondo as regiões lacustres ou fluviais às extensões de estepes, quer se expresse em densidade, produzindo aqui gordos pastos e, ali, pântanos ou desertos, conforma, ela também, atitudes mentais que se inscreverão nos empreendimentos e encontrarão sua expressão na casa, na aldeia ou na cidade. Conforme a incidência do sol na curva meridiana, as estações se contrapõem brutalmente ou se sucedem em passagens imperceptíveis e, ainda que em sua esfericidade contínua, de parcela em parcela, a Terra não experimente ruptura, surgem inúmeras combinações, cada uma das quais com seus caracteres particulares. Enfim as raças, com suas religiões ou suas filosofias variadas, multiplicam a diversidade dos empreendimentos e cada uma propõe seu modo de ver e sua razão de viver pessoais. 4 - Em segundo lugar, da situação econômica. Os recursos da região, contatos naturais ou artificiais com o exterior... A situação econômica, riqueza ou pobreza, é uma das grandes forças da vida, determinandolhe o movimento na direção do progresso ou da regressão. Ela desempenha o papel de um motor que, de acordo com a força de sua pulsações, introduz a, prodigalidade, aconselha a prudência ou impõe a sobriedade; ela condiciona as variações que traçam a história da aldeia, da cidade ou do país. A cidade cercada por uma região coberta de cultivos tem seu abastecimento assegurado. Aquela que dispõe de um subsolo precioso se enriquece com matérias que lhe servirão como moeda de troca, sobretudo se ela é dotada de uma rede de circulação suficientemente abundante para permitir-lhe entrar em contato útil com seus vizinhos próximos ou distantes. A tensão da engrenagem econômica, embora dependa em parte de circunstâncias invariáveis, pode ser modificada a cada momento pelo aparecimento de forças imprevistas, que o acaso ou a iniciativa humana podem tornar produtivas ou deixar inoperantes. Nem as riquezas latentes, que é preciso querer explorar, nem a energia individual têm caráter absoluto. Tudo é movimento, e o econômico, afinal, é sempre um valor momentâneo. 5 - Em terceiro lugar, da situação política, sistema administrativo. Fenômeno mais variável do que qualquer outro, sinal da vitalidade do país, expressão de uma sabedoria que atinge seu apogeu ou já toca seu declínio. Se a política é de natureza essencialmente variável, seu, fruto, o sistema administrativo, possui uma estabilidade natural que lhe permite, ao longo do tempo, uma permanência maior e não autoriza modificações

muito freqüentes. Expressão da dinâmica política, sua duração é assegurada por sua própria natureza e pela própria força das coisas. É um sistema que, dentro de limites bastante rígidos, rege uniformemente o território e a sociedade, impõe-lhes seus regulamentos e, atuando regularmente sobre todos os meios de comando, determina modalidades uniformes de ação em todo o país. Esse quadro econômico e político, cujo valor embora tenha sido confirmado pelo uso durante um certo período, pode ser alterado a qualquer instante em uma de suas partes, ou em seu conjunto. Algumas vezes, basta uma descoberta científica para provocar uma ruptura de equilíbrio, para fazer surgir a incompatibilidade entre o sistema administrativo de ontem e as imperiosas realidades de hoje. Pode ocorrer que algumas comunidades, que souberam renovar seu quadro particular, sejam afixidas pelo quadro geral do país. Este último pode, por sua vez, sofrer diretamente a investida das grandes correntes mundiais. Não há quadro administrativo que possa pretender a imutabilidade. 6 - No decorrer da História, circunstâncias particulares determinaram as características da cidade: defesa militar, descobertas científicas, administrações sucessivas, desenvolvimento progressivo das comunicações e dos meios de transporte (rotas terrestres, fluviais e marítimas, ferroviárias e aéreas). A história está inscrita no traçado e na arquitetura das cidades. Aquilo que deles subsiste forma o fio condutor que, juntamente com os textos e os documentos gráficos, permite a representação de imagens sucessivas do passado. Os motivos que deram origem às cidades foram de natureza diversa. Por vezes era o valor defensivo. E o alto de um rochedo ou a curva de um rio viam nascer um pequeno burgo fortificado. Ás vezes, era o cruzamento de duas rotas, unia cabeça de ponte ou uma baía do litoral que determinava a localização do primeiro estabelecimento. A cidade era de formato incerto, mais freqüentemente em círculo ou semicírculo. Quando era uma cidade de colonização, organizavam-na como um acampamento, com eixos de ângulos retos e cercada de palíçadas retilíneas. Tudo nela era ordenado segundo a proporção, a hierarquia e a conveniência. Os caminhos partiam dos portões da muralha e estendiam-se obliquamente na direção de alvos distantes. Podemos encontrar ainda no desenho das cidades o primeiro núcleo compacto do burgo, as muralhas sucessivas e o traçado dos caminhos divergentes. As pessoas aí se aglomeravam e encontravam, conforme o grau de civilização, uma dose variável de bem-estar. Aqui, regras profundamente humanas ditavam a escolha dos dispositivos; ali, constrangimentos arbitrários davam origem a injustiças flagrantes. Sobreveio a era do maquinismo. A uma medida milenar, que se poderia crer imutável, a velocidade do passo humano, somou-se uma medida em plena evolução, a velocidade dos veículos mecânicos. 7 - As razões que presidem o desenvolvimento das cidades estão, portanto, submetidas a mudanças contínuas. Aumento ou redução de uma população, prosperidade ou decadência da cidade, demolição de muralhas que se tornaram asfixiantes, novos meios de transporte ampliando a zona de trocas, benefícios ou malefícios de uma política escolhida ou suportada, aparecimento do maquinismo, tudo é movimento. À medida que o tempo passa, os valores indubitavelmente se inscrevem no patrimônio de um grupo, seja ele cidade, país ou humanidade; a vetustez, não obstante, atinge um dia todo conjunto de construções ou de caminhos. A morte atinge tanto as obras como os seres. Quem fará a discriminação entre aquilo que deve subsistir e aquilo que deve desaparecer? O espírito da cidade formou-se no decorrer dos anos; simples construções adquiriram um valor eterno na medida em que simbolizam a alma coletiva; constituem o

Ao longo dos séculos. O emprego da máquina subverteu condições de trabalho.Ausência de sol (orientação para o norte ou conseqüência da sombra projetada na rua ou no pátio). da presença de vizinhanças desagradáveis. ao desprezar harmonias seculares. a raça. 6 . era em geral cheio de construções comprimidas e privadas de espaço. e a superfície que ela ocupa. 8 . Um ritmo furioso associado a uma precariedade desencorajante desorganiza as condições de vida. no campo. O núcleo das cidades antigas. A densidade admissível para as construções dessa natureza é de 250 a 300 habitantes por hectare. assim como o clima. 3 . substituindo a . esvaziando o campo.No interior do núcleo histórico das cidades. tanto físicas quanto morais.Promiscuidade proveniente das disposições internas da moradia. ultrapassada a porta da muralha. O mal é universal. Até então. 2 . Quando essa densidade atinge. a população é muito densa (chega a mil e até mil e quinhentos habitantes por hectare). decadência. opondo-se ao ajuste das necessidades fundamentais. As moradias abrigam mal as famílias.Ausência ou insuficiência de instalações sanitárias. os espaços verdes eram imediatamente acessíveis. Por ser uma pequena pátria. cerceado pelas muralhas militares. assim como em determinadas zonas de expansão industrial do século XIX. 600. tem-se o cortiço. evolução brutal e universal sem precedentes na História. sem querer limitar a amplitude dos progressos futuros. por um congestionamento que as encurrala na desordem e. 4 . Rompeu um equilíbrio milenar. perturbando as relações naturais que existiam entre a casa e o locais de trabalho. A densidade. como em vários bairros. a cidade comporta um valor moral que pesa e que lhe está indissoluvelmente ligado.Mediocridade das aberturas para o exterior. em. da má orientação do imóvel. o costume. relação entre as cifras da população. condiciona a formação do indivíduo.arcabouço de uma tradição que.Vetustez e presença permanente de germes mórbidos (tuberculose). expresso. pelo abandono de numerosas terras. Mas. O caos entrou nas cidades. corrompem sua vida íntima. e o desconhecimento das necessidades vitais. traz seus frutos envenenados: doença. seus empreendimentos.O advento da era da máquina provocou imensas perturbações no comportamento dos homens.Insuficiência de superfície habitável por pessoa. foram sendo acrescentados anéis urbanos. Segunda Parte Estado Atual Crítico das Cidades Habitação Observações 9 . entupindo as cidades e. a região. caracterizado pelos seguintes sinais: 1 . em compensação. 800 e até 1000 habitantes. aplicando um golpe fatal no artesanato. 5 . dando às proximidades um ar de qualidade. pode ser totalmente modificada pela altura dos edifícios. em sua distribuição sobre a terra. movimento desenfreado de concentração nas cidades a favor das velocidades mecânicas. revolta. a técnica de construção tinha limitado a altura das casas a aproximadamente seis pavimentos. nas cidades. porém.

tolera-se que uma mortalidade assustadora e todo tipo de doenças façam pesar sobre a coletividade uma carga esmagadora. e essa não é a causa menor da penúria pela qual o mundo se encontra presentemente oprimido. enfim. as altas densidades significam o mal-estar e a doença em estado permanente. O sol. sem os quais a vida se estiola. Estado de coisas ainda agravado pela presença de uma população com padrão de vida muito baixo. uma mercadoria negociável. Quanto mais a cidade cresce. O indivíduo que perde contato com a natureza é diminuído e paga caro. medidas defensivas (a mortalidade atinge até vinte por cento). pela falta. A adesão a esse postulado permite julgar as coisas existentes e apreciar as novas propostas de um ponto de vista verdadeiramente humano.Nos setores urbanos congestionados. A saúde de cada um depende. 12 . 10 . tolera-se. A despesa comprometida numa construção erguida há seculos foi amortizada há muito tempo. uma ruptura que enfraquece seu corpo e arruína sua sensibilidade. que comanda todo crescimento. em grande parte. sob forma de moradia. impunemente e às expensas da espécie. Não nos esqueçamos de que a sensação de espaço é de ordem psicofisiológica e que a estreiteza das ruas e o estrangulamento dos pátios criam uma atmosfera tão insalubre para o corpo quanto deprimente para o espírito. vegetação. uma renda importante. Ainda que seu valor de habitabilidade seja nulo. as condições de habitação são nefastas pela falta de espaço suficiente destinado à moradia. é prolongada no exterior pela estreiteza das ruas sombrias e total falta de espaços verdes. deveria ser puro. em proporção suficiente. mas a legislação permite impor habitações podres às populações pobres. deveria penetrar no interior de cada moradia. Esse afastamento cada vez maior dos elementos naturais aumenta proporcionalmente a desordem higiênica. espaço. chegou ao seguinte postulado: o sol. Nessa ordem de idéias. deveria ser distribuído com liberalidade.As construções destinadas à habitação são distribuídas pela superfície da cidade em contradição com os requisitos da higiene. cuja miséria. Por "condições naturais" entende-se a presença. de sua submissão às "condições naturais". Condenar-se-ia um açougueiro que vendesse carne podre. pela falta de superfícies verdes disponíveis. pulmões da cidade. O ar. Uma expansão sem controle privou as cidades desses alimentos fundamentais. É o estado interior da moradia que constitui o cortiço. por si mesma. O 4o Congresso CIAM. .O crescimento da cidade devora progressivamente as superfícies verdes limítrofes. ela continua a fornecer. todavia que aquele que a explora possa considerá-la ainda. criadores de oxigênio e que seriam tão propícios aos folguedos das crianças.vegetação pela pedra e destruindo as superficies verdes. de conservação das construções (exploração baseada na especulação). corrompida pelas alegrias ilusórias da cidade. a vegetação. enfim. realizado em Atenas. de ordem tanto psicológica quanto fisiológica. cuja qualidade é assegurada pela presença da vegetação. livre da poeira em suspensão e dos gases nocivos. a medida foi ultrapassada no decorrer dos últimos cem anos. sobre as quais se debruçavam as sucessivas muralhas. O espaço. com a doença e a decadência. entretanto. Para o enriquecimento de alguns egoístas. Nessas condições. O primeiro dever do urbanismo é pôr-se de acordo com as necessidades fundamentais dos homens. incapaz de adotar. o espaço são as três matérias-primas do urbanismo. menos as "condições naturais" são nela respeitadas. para espalhar seus raios. de certos elementos indispensáveis aos seres vivos: sol. 11 .

e com uma insolação abundante.As construções edificadas ao longo das vias de ao redor dos cruzamentos são prejudiciais à habitação: barulhos.. zonas independentes à habitação e à circulação. que um terreno envenenado pela fuligem. etc. de ar puro e de silêncio. só se aproximando ocasionalmente da habitação. a que chamamos de mão-de-obra comum. Nenhuma legislação interveio ainda para fixar as condições habitação moderna. doravante. Se se quiser levar em consideração esta interdição. que devem não somente assegurar a proteção da pessoa humana mas também dar-lhe meios para um aperfeiçoamento crescente. Ele considerará que uma encosta voltada para o norte. setores invadidos por nevoeiros.13 . É preciso impedir. salas ou terrenos destinados ao lazer. pelos gases. uma certa qualidade de bem-estar. reservando só para alguns favorecidos da sorte o benefício das condições necessárias para uma vida sadia e ordenada. É urgente e necessário modificar certos usos. para sempre. A circulação se desdobrará por meio de vias de percurso lento para o uso de pedestres. que famílias inteiras sejam privadas de luz. acharão natural destinar à instalação de um bairro operário uma zona até então negligenciada porque as névoas a invadem. Assim. o solo urbano. Um geômetra municipal não hesitará em traçar uma rua que privará de sol milhares de casas. e de vias de percurso rápido para o uso de veículos. É preciso tornar acessível para todos. a procurar condições de vida e uma qualidade de bem estar cujas raízes se encontram na própria natureza. independente de qualquer questão de dinheiro. por gases industriais passíveis de inundações etc). A casa. 15 . ao abrigo dos ventos hostis. onde gozará de sol.. pela fumaça de carvão. Mas se a força das coisas diferencia a habitação rica da habitação modesta. cada uma das quais reclama seu espaço particular: locais de habitação. que. atribuir-se-á. centros industriais ou comerciais. infelizmente. nunca atraiu ninguém. Certos edis.As construções arejadas (habitações ricas) ocupam as zonas favorecidas.Essa distribuição parcial da habitação é sancionada pelo uso e por disposições edílicas que se consideram justificadas: o zoneamento. O zoneamento é a operação feita sobre um plano de cidade com o objetivo de atribuir a cada função e a cada indivíduo seu justo lugar. mar. 14 . às vezes ruidosa. porque a umidade é excessiva ou porque os mosquitos nela pululam. A habitação se erguerá em seu meio próprio. então não estará mais unida à rua por sua calçada. sempre que seus recursos lhe permitem. os bairros residenciais as moradias são distribuídos segundo a circunstância. por meio de uma legislação implacável. ao sabor dos interesses mais inesperados e. com vista e espaços graciosos dando para perspectivas paisagísticas. 16 . As zonas favorecidas são geralmente ocupadas pelas habitações de luxo. . montes. lagos. será sempre bom o bastante para acomodar as populações desenraizadas e sem vínculos sólidos. às vezes. de ar e de espaço. provase assim que as aspirações instintivas do homem o induzem. Ele tem por base a discriminação necessária entre as diversas atividades humanas. em decorrência de sua orientação. Cada uma dessas vias desempenhará sua função.Os bairros mais densos se localizam nas zonas menos favorecidas (encontas mal orientadas. por uma rigorosa regulamentação urbana. poeiras e gases nocivos. mais baixos. não se tem o direito de transgredir regras que deveriam ser sagradas. deletérios de alguma indústria.

colocadas nas únicas condições que permitem uma formação séria. mas. Além disso. sejam seus verdadeiros prolongamentos. tanto físico quanto moral. O alinhamento tradicional dos imóveis ao longo das ruas acarreta urna disposição obrigatória do volume construído. àqueles que buscam o lucro. jardins de infância. seja ela voltada para a rua ou para o pátio. depois dos treze. limitando-se o julgamento a seu programa e a sua disposição arquitetônica. Muito longe da moradia. função que constitui por si só todo um programa e coloca um problema cuja solução – que outrora já foi. ruas paralelas ou oblíquas desenham superfícies quadradas ou retangulares. era o escoadouro da população excedente que. uma vez edificadas. para completar. é freqüente que nelas só se dispense a instrução propriamente dita. infelizmente. em geral. elas colocam a criança em contato com os perigos da rua. Em certos casos. ainda. da maneira mais fragmentária e desvinculada das necessidades gerais das habitações. A necessidade de iluminar o centro desses blocos engendra pátios internos de dimensões variadas. às quais se somarão organizações intelectuais e esportivas destinadas a proparcionar aos adolescentes a possibilidade de trabalhos ou de jogos adequados à satisfação das aspirações próprias dessa idade e. O estado atual e a distribuição do domínio edificado prestam-se mal às inovações por meio das quais a infância e a juventude seriam não somente protegidas de inúmeros perigos. Os subúrbios são descendentes degenerados dos arrabaldes. As escolas. 19 . O burgo era outrora uma unidade organizada no interior de uma muralha militar. Sua realização está apenas esboçada. bom ou mau grado. antes dos seis anos. são também parcialmente privadas de sol. a proporção de fachadas não ensolaradas varia entre a metade e três quarto total.As escolas. ao acaso.17 – O alinhamento tradicional das habitações à beira das ruas só garante insolação a uma parcela mínima das moradias. escolas. . construído ao longo de uma via de acesso desprovido de proteção.Os subúrbios estão organizados sem plano e sem ligação normal com a cidade. ao lado da instrução. não raro estão situadas nas vias de circulação e muito afastadas das habitações. As regulamentações edilícias deixam. serviços médicos. feliz – está hoje entregue. Ao serem cortadas. ou o adolescente. creches. capaz de lhes assegurar. enquanto as outras três. e a criança. os "equipamentos de saúde". 20 . por vezes. mas sua necessidade é ainda mal compreendida pela massa. a liberdade de restringir esses pátios a dimensões verdadeiramente escandalosas. muito particularmente. as áreas próprias à cultura fisica e ao esporte cotidiano de cada um. São elas: centros de abastecimento. são regularmente privados de organizações pré ou pós-escolares que responderiam às necessidades mais imperiosas de sua idade. fora da moradia e em suas proximidades. 18 . está orientada para o norte e não conhece o sol. estão em geral mal situadas no interior do complexo urbano. um pleno desenvolvimento. trapezoidais ou triangulares. devia acomodar-se em sua insegurança. A análise revela que nas cidades. O falso burgo contíguo a ele pelo lado de fora. Mas a família reclama ainda a presença de instituições que. de capacidades diversas que. O benefício dessas instituições coletivas é evidentes. constituem os "blocos". Chega-se então a este triste resultado: uma fachada em quatro.É arbitrária a distribuição das construções de uso coletivo dependente da habitação. dos pátios e da sombra projetada disso resultante. em consequência da estreiteza das ruas. essa proporção é ainda mais desastrosa. A moradia abriga a família.

iluminação e limpeza pública serviços hospitalares ou escolares. a circulação aí se torna perigosa. dispondo-se da insolação mais favorável e de superfícies verdes adequadas. domínio dos pobres diabos que oscilam nos turbilhões de uma vida sem disciplina.Procurou-se incorporar os subúrbios ao domínio administrativivo. observando-se o clima. o subúrbio é com freqüência. O subúrbio é um erro urbanístico. cem vezes. destinada a suportar inúmeras misérias. Os subúrbios são a sórdida antecâmara das cidades. aproveitando-se a topografia. disseminado por todo o universo e levado a suas conseqüências extremas na América. do fracasso e da tentativa.Quando a criação de uma nova muralha encerrava um dia o falso burgo. cortados por ferrovias. polícia. que obriga a malbaratar o dinheiro público sem a contraparte de recursos fiscais suficientes. onde se arriscam todas as tentativas. eles são. O proprietário de um terreno vago onde tenha surgido algum barraco. expõe aos olhos menos avisados a desordem e a incoerência de sua distribuição. Ele se constitui em um dos grandes males do século. para o viajante atraído pela reputação da cidade. Desse subúrbio doente. Paraísos ilusórios. No decorrer dos séculos XIX e XX. galpões onde se misturam bem ou mal os materiais mais imprevistos. a cidade é obrigada a prover a área dos subúrbios dos serviços necessários: vias públicas. entretanto. A era do maquinismo é caracterizado pelo subúrbio. com as indústrias julgadas de antemão provisórias. Ela comprometeu seriamente o destino da cidade e suas possibilidades de crescer conforme uma regra. no seio da cidade. choca-se com obstáculos insuperáveis e se arruína em vão. com seu trecho de via. em toda sua extensão. solução irracional. vistos de avião. onde se instalam em geral os artesanatos mais modestos. uma penosa desilusão! É preciso exigir 23 . .Freqüentemente os subúrbios nada mais são do que uma aglomeração de barracos onde a infra-estrutura indispensável dificilmente é rentável. conhecerão um crescimento gigantesco. onde são jogados todos os resíduos. É chocante a desproporção entre as despesas ruinosas causadas por tantas obrigações e a pequena contribuição que pode dar uma população dispersa. meios transporte rápidos. Sede de uma população incerta. galpão ou oficina não pode ser desapropriado sem inúmeras dificuldades. Sua miséria. essa onda tornou-se maré. direitos de propriedade por ela declarados imprescritíveis. ocorria uma primeira alteração na regra normal dos traçados. 22 . é uma carga sufocante para a coletividade. barracos de madeira. eis o subúrbio! Sua feiúra e sua tristeza são a vergonha da cidade que ele circunda. É uma espécie de onda batendo nos muros da cidade. alguns procuram fazer cidades-jardins. onde a função distância-tempo suscita uma difícil questão que continua sem solução. etc. porém. canalização. mais extenso do que a cidade. É antes do nascimento dos subúrbios que a administração deve apro riar-se da gestão do solo que. dez vezes. O subúrbio é o símbolo.Doravante os bairros habitacionais devem ocupar no espaço urbano as melhores localizações. e depois inundação. algumas das quais. Quando a administração intervém para corrigir a situação. Muito tarde! O subúrbio foi incorporado tardiamente ao domínio administrativo. Casinhas mal construídas. 21 . ao mesmo tempo. A legislação imprevidente deixou que se estabelecessem. Sua densidade populacional é muito baixa e o solo dificilmente explorado. cerca a cidade para assegurar-lhe os meios para um desenvolvimento harmonioso. enganchados às grandes vias de acesso por suas ruelas. caldo de cultura de revoltas. área sem traçado definido.

criá-las. Quando surgiu a era da máquina. É preciso buscar ao mesmo tempo as mais belas paisagens. levou-as ao caos. Os melhores locais da cidade devem-lhe ser reservados. mas é preciso. numa cidade ou muito extensa ou concentrada sobre si mesma.Um número mínimo de horas de insolação deve ser fixado para cada moradia. tudo deve ser feito para recuperá-los. as cidades têm razões particulares. os declives melhor expostos. as áreas que lhes serão reservadas. em certos casos. 26 . Bairros inteiros deveriam ser condenados em nome da saúde pública. Não basta sanear a moradia. é preciso. nas "condições naturais". ainda.Densidades razoáveis devem ser impostas. mas freqüentemente se renovaram no decorrer dos séculos. deverão ser parcialmente respeitados. O sol é o senhor da vida. e. destruindo implacavelmente aquilo que constitui um perigo. O problema da moradia. A displicência é a única explicação válida para esse crescimento desmesurado e absolutamente irracional. a "densidade" é determinada. e que elas não apenas cresceram. Fixar as densidades urbanas é realizar um ato de gestão pleno de conseqüências. criar e administrar seus prolongamentos exteriores. outros. utilizar as superficies verdes existentes. se não existem. antecipadamente. superpostas ao longo do tempo. fruto de uma especulação prematura. enfim. e sobre o mesmo solo. A medicina demonstrou que a tuberculose se instala onde o sol não penetra. A era da máquina. ela exige que o indivíduo seja recolocado. O sol deve penetrar em toda moradia algumas horas por dia. e se eles foram devastados pela indiferença ou pela concupiscência. Nossa tarefa atual é arrancá-las de sua desordem por meio de planos nos quais será previsto o escalonamento dos empreendimentos ao longo do tempo. formular um diagnóstico e nem sequer encontrar uma solução. levando em consideração os ventos e a neblina. ou recuperá-las.A determinação dos setores habitacionais deve ser ditada por razões de higiene. Quando a cifra da população e as dimensões do terreno são fixadas. fixar a superfície e a capacidade necessárias à realização desse programa de cinqüenta anos. que devem ser estudadas e que levarão a previsões que abarquem um certo espaço de tempo: cinqüenta anos. no plano geral. inserindo. que ela seja imposta pelas autoridades responsáveis. por exemplo. que é uma das causas de seus males. prevalece sobre todos. se foram destruídas. As densidades populacionais de uma cidade devem ser ditadas pelas autoridades. Elas poderão variar segundo a destinação do solo urbano e resultar. tal como existem hoje. Alguns. tanto quanto possível. Poder-se-á pressupor uma certa cifra de população. Será necessário alojá-la. há modos de preservar o que merece ser preservado. estudando as radiações solares. . mesmo durante a estação menos favorecida. de acordo com seu índice. A história mostra que sua criação e seu desenvolvimento obedeceram a razões profundas. locais de educação física e espaços diversos para esporte. as cidades se desenvolveram sem controle e sem freio. de acordo com as formas de habitação postas pela própria natureza do terreno. ainda. A ciência. ao modificar brutalmente determinadas condições centenárias. prever qual "tempo-distância" será seu quinhão cotidiano. 24 . em função das memórias históricas ou dos elementos de valor artístico que contêm. sabendo-se em que área útil. 25 .As cidades. estão construídas em condições contrárias ao bem público e privado. porém. o ar mais saudável. detectou aquelas que são indispensáveis á saúde humana e também aquelas que. poderiam ser-lhe nocivas. Não basta. Tanto para nascer como para crescer. As leis de higiene universalmente reconhecidas fazem uma grave acusação contra as condições sanitárias das cidades. da habitação. Muitos fatores concorrem para a quantidade da moradia. só merecem a picareta.

depois vieram. resultantes de uma intensa circulação mecânica. ou para aquele ainda mais rápido. todas em aço ou cimento armado. que elas estejam situadas as distâncias bem grandes umas das outras. É preciso. têm finalidades díspares. isto é. para evitar os atropelamentos. Apenas construções de uma certa altura poderão satisfazer a contento essas legítimas exigências. enfim. As construções atingem sessenta e cinco pavimentos ou mais. um período intermediário fez uso dos ferros perfilados. 4km horários. a arte de construir casas só conhecia paredes constituídas de pedras. áreas escolares. ou privado de sol devido às sombras projetadas. será rigorosamente condenado. É preciso exigir dos construtores uma planta demonstrado que no solstício de inverno o sol penetrará em cada moradia. devem ser separadas. As calçadas. Todo projeto de casa no qual um único alojamento seja orientado exclusivamente para o norte. a altura que mais convém a cada caso particular. as poeiras e os gases nocivos. a busca do ar mais puro e da insolação mais completa. a possibilidade de criar nas proximidades imediatas da moradia instalações coletivas. condenadas ao definhamento. assim. A densidade de sua população deve ser elevada o bastante para validar a organização das instalações coletivas. No século XIX. é o grave erro cometido nas cidades das duas Américas. 28 . por um exame criterioso dos problemas urbanos. à iniciativa privada. A cidade atual abre as inumeráveis portas de suas casas para essa ameaça e suas inumeráveis janelas para os ruídos. só agravaria o mal existente. mecânicas. As vias de comunicação. Antes dessa inovação absolutamente revolucionária na história da construção de casas. e as velocidades. quanto para o trânsito. Até o século XIX. Introduzir o sol é o novo e o mais imperioso dever do arquiteto. 29 . Cada época utilizou em suas construções a técnica que lhe era imposta por seus recursos particulares. os construtores não podiam erguer um imóvel que ultrapassasse seis pavimentos. terrenos para jogos. são um remédio irrisório desde que as velocidades mecânicas introduziram nas ruas uma verdadeira ameaça de morte. No que concerne à habitação. ainda. 50 a 100km horários. que serão os . enfim. as construções homogêneas. Na falta disso será negada a autorização para construir. O presente não é mais tão limitado. dos caminhões ou dos automóveis particulares. Elas recebem as mais variadas cargas e devem servir tanto para a caminhada dos pedestres. longe de construir um melhoramento. de veículos rápidos de transporte coletivo. criadas no tempo dos cavalos e só após a introdução dos coches. Resta determinar. as razões que postulam a favor de uma determinada decisão são: a escolha da vista mais agradável. que serão seus prolongamentos. tijolos ou tabiques de madeira e tetos constituídos por vigas de madeira. enquanto o pedestre disporá de caminhos diretos ou de caminhos de passeio para ele reservados.As construções elevadas erguidas a grande distância umas das outras devem liberar o solo para amplas superfícies verdes. As habitações serão afastadas das velocidades mecânicas. as ruas do nossas cidades. no século XX. a serem canalizadas para um leito particular. ônibus ou bondes.Os modernos recursos técnicos devem ser levados em conta para erguer construções elevadas. 27 . centros de assistência.0 alinhamento das habitações ao longo das vias de comunicação deve ser proibido. caso contrário sua altura. sem programa. interrompido por paradas intermitentes. A construção de uma cidade não pode ser abandonada. Esse estado de coisas exige uma modificação radical: as velocidades do pedestre.A sociedade não tolerará mais que famílias inteiras sejam privadas de sol e. no mínimo 2 horas por dia.

sua destinação será a mesma: acolher as atividades coletivas da juventude. No segundo. por isso. elas serão. Outrora os espaços livres não tinham outra razão de ser que o deleite de alguns privilegiados. uma necessidade e constituem uma questão de saúde pública para . superfícies livres no interior de algumas cidades.Quando as superfícies livres têm uma extensão suficiente.prolongamentos da moradia. distantes dos locais de habitação popular. propiciar um espaço favorável às distrações. dividir o terreno necessário tanto para as moradias particulares quanto para seus diversos prolongamentos. indiretos. o grave problema da higiene popular permanecem ainda sem melhoria. As horas dê trabalho. tais áreas estão situadas ou na periferia ou no coração de uma zona residencial particularmente luxuosa. elas só servirão aos citadinos no domingo e não terão influência alguma sobre a vida cotidiana.A situação excêntrica das superficies livres não se presta à melhoria das condições de habitação nas zonas congestionadas da cidade. por um número suficiente de horas livres. Em ambos os casos. Elas são a sobrevivência. constituir essa grave operação. serão consagradas a uma reconfortante permanência no seio de elementos naturais. Existem. 31 . estatuto. de reservas constituídas no passado: parques rodeando residências principescas. da qual a autoridade está incumbida: a promulgação do "estatuto do solo". devem ser seguidas. O urbanismo é chamado para conceber as regras necessárias a assegurar aos citadinos as condições de vida que salvaguardem não somente sua saúde física mas. Quando as cidades modernas possuem algumas superfícies livres e de uma extensão suficiente. a cada dia. será admitida uma cifra de população presumível. não raro estão mal destinadas e. não tão próximas. Eles podem ser os prolongamentos diretos ou indiretos da moradia. também. são pouco utilizáveis pela massa dos habitantes. sendo sua função reduzida ao embelezamento. Uma vez fixada essa densidade. aos passeios ou aos jogos das horas de lazer. fixar uma superfície para a cidade que não poderá ser ultrapassada durante um período determinado. se cercam a própria habitação. Os dois últimos séculos consumiram com voracidade essas reservas. Essas horas livres. Não interviera ainda o ponto de vista social. A manutenção ou a criação de espaços livres são. diretos. se estão concentrados em algumas grandes superfícies. Decidir sobre a maneira como o solo será ocupado. estabelecer a relação entre a superfície construída e aquela deixada livre ou plantada. 32 .As superfícies livres são. No primeiro caso. portanto. miraculosa em nossa época. passeios sombreados ocupando a área de uma muralha militar derrubada. Lazer Observações 30 . sua saúde moral e a alegria de viver delas decorrente. cobrindo-os de imóveis. sem que desempenhem seu papel de prolongamentos úteis da moradia. de fato. que o maquinismo infalivelmente ampliará. ainda. proibidas às multidões. colocando alvenaria no lugar da relva e das árvores. que continuará a se desenrolar em condições deploráveis. dentro dos limites das regras estabelecidas por esse. autênticos pulmões da cidade. que dá hoje um sentido novo a sua destinação. em geral. em geral muscular e nervosamente extenuantes. que permita calcular a superfície reservada à cidade. jardins adjacentes a casas burguesas. Assim se construirá a cidade daqui para diante com toda segurança e. será dada toda a liberdade à iniciativa privada e à imaginação do artista. insuficientes. Seja como for.

.ao redor das moradias. colocar-se-á o problema dos transportes de massa. poderão aliviar os encargos e aumentar o rendimento. poderá muito bem ser levado em consideração aqui. Assim. As zonas edificadas e as zonas plantadas serão distribuídas levando-se em consideração um tempo razoável para ir de umas às outras. É preciso exigir 35 .na região 3 . as aglomerações tenderão a tornar-se cidades verdes. Os volumes edificados serão intimamente amalgamados às superfícies verdes que os cercam. a densidade da população ou a porcentagem de superficie livre e de superfície edificada poderão variar segundo as funções. as férias. semanais ou anuais. O problema assim exposto implica a criação de reservas verdes: 1. mas certos empreendimentos coletivos. dos adolescentes e dos adultos. a textura do tecido urbano deverá mudar. Precariedade e transtornos incessantes. mas consagradas ao desenvolvimento das diversas atividades comuns que formam o prolongamento da moradia. As horas de liberdade anual. Esse problema deve ser considerado desde o instante em que se esboça o plano da região. Contrariamente ao que ocorre nas cidades-jardins. 34 .Doravante todo bairro residencial deve compreender a superfície verde necessária à organizacão racional dos jogos e esportes das crianças. como a aragem eventual e a irrigação ou a rega. Pode-se classificar as horas livres ou de lazer em três categorias: cotidianas. Algumas associações esportivas. O cultivo de hortas. eram em geral instaladas provisioriamente: em terrenos destinados a receber futuros bairros residências ou industriais. os locais ou os climas. de fato. para serem colocadas nas proximidades dos usuários. as superficies verdes não serão compartimentadas em pequenos elementos de uso privado.Os terrenos que poderiam ser destinados ao lazer semanal estão frequentemente mal articulados à cidade. o principal argumento a favor das cidades jardins. cuja utilidade constitui. 2 . desejosas de utilizar seu lazer semanal. Esse estatuto terá a diversidade correspondente às necessidades a satisfazer. Esta decisão só terá resultado se estiver sustentada por uma verdadeira legislação: o "estatuto do solo". dividida em múltiplas parcelas individuais.no país. encontraram na periferia das cidades um abrigo provisório. De qualquer modo. ferrovias ou rios. fora da cidade e da região. das mais precárias.As raras instalações esportivas. Esse é um tema que constitui parte integrante dos postulados do urbanismo e ao qual os edis deveriam ser obrigados a dedicar toda a sua atenção. isto é. As horas de liberdade semanal permitem a saída da cidade e os deslocamentos regionais. 33 . uma porcentagem do solo disponível lhe será destinada. As horas de liberdade cotidiana devem ser passadas nas proximidades da moradia. mas sua existência. em geral.a espécie. eis a única fórmula que resolve o problema da habitação. permitem verdadeiras viagens. ele implica o estudo de diversos meios de transporte possíveis: estradas. não oficialmente reconhecidas é. Justa proporção entre volumes edifícados e espaços livres. Uma vez escolhidos os locais situados nos arredores imediatos da cidade e próprios para se tomarem centros úteis de lazer semanal.

etc. áreas de esporte. praias. basquete. hotéis. o primeiro passo no caminho do saneamento. áreas de esporte.. Elas serão o prolongamento da habitação e. lago. estádios. que deverá ser cuidadosamente assegurado em toda parte. Nada ou quase nada foi ainda previsto para o lazer semanal. escolas. pistas de corrida ou piscina ao ar livre. um urbanismo inteligente. albergues ou acampamentos e. Deve ser estabelecido um programa de entretenimento abrangendo atividades de todo tipo: o passeio. . não por função única o de embelezamento da cidade.Os quarteirões insalubres devem ser demolidos e substituídos por superfícies verdes: os bairros limítrofes serão saneados. locais para alojamento. de praias naturais ou artificiais constituindo uma imensa reserva cuidadosamente protegida. enfim. mas de verdadeiros prados. os esportes de toda natureza: tênis. atletismo. ter um papel útil. 40 . Não se trata mais de simples gramado cercando a casa.Os elementos existentes devem ser considerados: rios. teatros ao ar livre. morros. um abastecimento de água potável e víveres. pelo menos nos bairros limítrofes. praias. centros de entretenimento intelectual ou de cultura física. Dever-se-á aproveitar essa ocasião para substituí-los por parques que serão. todavia. organizações pré ou pós-escolares. círculos juvenis.As horas livres semanais devem transcorrer em locais adequadamente preparados: parques. Elas deverão. florestas. Toda cidade possui em sua periferia locais capazes de corresponder a esse programa e que através de uma organização bem estudada dos meios de transporte. como tal. 39 .Parques. concertos. As superfícies verdes. etc. Estes quarteirões deverão ser demolidos. de bosques. Pode acontecer. que alguns desses quarteirões ocupem um local particularmente conveniente à construção de certos edifícios indispensáveis à vida da cidade. saberá dar-lhes a destinação que o plano geral da região e o da cidade tenham antecipadamente considerado a mais útil. amplos espaços deverão ser reservados e organizados. jogos de quadra e torneios diversos. florestas. Na região que cerca a cidade. montanhas. vales. estádios. centros juvenis ou todas as construções de uso comunitário ligadas intimamente à habitação. que se terá intimamente amalgamado aos volumes construídos e inserido nos setores habitacionais. e o acesso a eles deverá ser assegurado por meios de transporte suficientemente numerosos e cômodos. Enfim. são previstos equipamentos precisos: meios de transporte que demandem uma organização racional. futebol. os espetáculos.... 38 . etc. mar.36 . tornar-se-ão facilmente acessíveis. deverão estar o subordinadas ao estatuto do solo. e as instalações de caráter coletivo ocuparão seus gramados: creches. salas de leitura ou de jogos. em meio à beleza dos lugares. com uma ou outra árvore plantada. solitário ou coletivo. 37 . oferecendo mil oportunidades de atividades saudáveis ou de entretenimento útil ao habitante da cidade. Um conhecimento elementar das principais noções de higiene basta para discernir os cortiços e discriminar os quarteirões notoriamente insalubres. antes de mais nada. Nesse caso.As novas superfícies verdes devem servir a objetivos claramente definidos: acolher jardins de infância. natação. não menos importante.

até o presente.A ligação entre a habitação e os locais de trabalho não é mais normal: ela impõe percursos desmesurados. Implantadas no coração dos bairros habitacionais. só foram dadas soluções paliativas. à tarde e à noite. a questão da distância não desempenha mais. um papel preponderante. sem poder acolher novos habitantes. Mais vale escolher bem. tornar o dia de repouso verdadeiramente revitalizante para a saúde fisica e moral. a perpétua movimentação e a deprimente confusão dos transportes coletivos. que a indústria do homem crie. Trabalho Observações 41 . mas também de reparar as agressões que algumas delas tenham sofrido. em parte. quebrou as tradições seculares do artesanato e deu origem a uma nova mão-de-obra anônima e instável. os fundadores das indústrias instalaram suas empresas na cidade ou em seus arredores. Uma destinação fecunda das horas livres forjará uma saúde e um coração para os habitantes das cidades. portanto. Instaladas na periferia e longe desses bairros. trabalhar. fazendo-os perder inutilmente uma parte de suas horas de lazer. artesanato. não mais abandonar a população às múltiplas desgraças da rua.Os locais de trabalho não estão mais dispostos racionalmente no complexo urbano: indústria. e às margens das vias fluviais. Foi. Derivou disso o grande mal dá época atual: nomadismo das populações operárias. . enfim. que continua seu desenvolvimento sem limites. comércio. cujo tráfego a navegação a vapor multiplicava.Graças ao aperfeiçoamento dos meios mecânicos de transporte. ao longo das vias férreas introduzidas pelo século XIX. as fábricas aí espalham suas poeiras e seus ruídos. ela transformou a fisionomia das cidades. cuja responsabilidade está nas mãos dos edis: encontrar uma contrapartida para o trabalho estafante da semana. Mas. aproveitando as disponibilidades imediatas de habitações e de abastecimento das cidades existentes. para os subúrbios. unidas por vínculos estreitos e permanentes. Desde então foram rompidas as relações normais entre essas duas funções essenciais da vida: habitar.As horas de pico dos transportes acusam um estado crítico. 42 . em menos de um século. no caso. Horas inteiras se dissolvem nesses deslocamentos desordenados. fez-se surgir apressadamente cidades suburbanas. elas condenam os trabalhadores a percorrer diariamente longas distâncias em condições cansativas de pressa e de agitação. suporta de manhã. sítios e paisagens que correspondam ao programa. estavam situadas uma perto da outra. a moradia e a oficina. administração. Saturada a cidade. A ruptura com a antiga organização do trabalho criou uma desordem indizível e colocou um problema para o qual. Trata-se não só de preservar as belezas naturais ainda intactas. a que as indústrias verdadeiramente se precipitaram. ainda que se tenha que procurar um pouco mais longe. Outrora. A expansão inesperada do maquinismo rompeu essas condições de harmonia. Esse é um outro problema social muito importante. é empurrada para fora. A mão-de-obra intercambiável. O desenvolvimento industrial depende essencialmente dos meios de abastecimento de matériasprimas e das facilidades de escoamento dos produtos manufaturados. 43 . no verão e no inverno. que absolutamente não está ligada por um vínculo estável à indústria. negócios. Os arrabaldes se enchem de oficinas e manufaturas e a grande indústria. a despeito do mal que disso poderia resultar. vastos e compactos blocos de caixotes para alugar ou loteamentos intermináveis.

lineares. rádio etc. portanto. A exploração desses transportes é ao mesmo tempo minuciosa e cara. Os centros de negócio. instalado nos locais privilegiados da cidade. especulação com os terrenos. conforme um plano cuidadosamente elaborado. indispensável ao andamento dos negócios. Nada foi feito para submeter o surto industrial a regras lógicas. . A própria indústria está nas mãos de sociedades privadas. Nas horas de pico. boa qualidade do ar. Como são negócios privados. As indústrias devem ser transferidas para locais de passagem das matérias-primas. que asseguraria a cada um deles as melhores condições de funcionamento: circulação desembaraçada. para certas empresas. diariamente.Pela falta de qualquer programa . terrestres ou férreas. administração privada e comércio. a agitação é frenética. É preciso exigir 46 . não obedecendo a regra alguma. tornar-se-ão. O desenvolvimento industrial tem por corolário o aumento dos negócios. se às vezes favorece o indivíduo.crescimento descontrolado das cidades. comunicações fáceis com o exterior. de todos os lugares destinados ao trabalho. o fornecedor e o cliente. Nada. horas de sacolejo somadas às fadigas do trabalho. dotados da mais completa circulação. mas é preciso denuciar as deploráveis condições de vida que disso resultaram para a massa. de seu próprio bolso. uma organização que lhes proporciona. centros postal e telefônico. foi seriamente medido e previsto. O solo das cidades e o das regiões vizinhas pertencem quase inteiramente a particulares. ao longo das grandes vias fluviais. sensível. ao invés de serem concêntricas. sempre oprime a coletividade. tudo foi deixado à improvisação que. Essa disposição arbitrária criou uma promiscuidade insuportável. A duração das idas e vindas não tem relação com a trajetória cotidiana do sol. ao contrário. As cidades industriais. Para remediar semelhante estado de coisas foram sustentadas teses contraditórias: fazer viver os transportes ou fazer viver bem os usuários dos transportes? É preciso escolher! Umas supõem a redução e as outras o aumento do diâmetro das cidades. são caros.As distâncias entre os locais de trabalho e os locais de habitação devem ser reduzidas ao mínimo. Tais equipamentos. trens de subúrbio. os escritórios se concentraram em centros de negócios. sendo a cota dos passageiros insuficiente para cobrir sua despesa. ônibus e metrôs só funcionam verdadeiramente em quatro momentos do dia. isoladamente.Nas cidades. iluminação. estabelecer contatos entre a fábrica ou a oficina. etc – a indústria se instala ao acaso. Esses escritórios são locais que requerem uma instalação particularizada. Estas transações precisam de escritórios. uma fonte de prosperidade. nesse domínio. Tudo aconselha um agrupamento. A concentração das indústrias em anéis em tomo das grandes cidades pode ter sido. Um lugar de passagem é um elemento linear. É preciso comprar e vender.Os transportes coletivos. e os usuários pagam caro. são logo presa da especulação. 44 . Isto supõe uma nova distribuição. ausência de previsões. silêncio. instalações de aquecimento e de refrigeração. 45 . eles se tomam um pesado encargo público. falta organização propícia para seu desenvolvimento natural. sujeitas a todo tipo de crises e cuja situação é ás vezes instável.

enfim. O artesanato. É um programa de coordenação que deve levar em conta a nova distribuição dos estabelecimentos industriais e das moradias operárias que os acompanham. mantendo-se a uma proximidade que suprimirá os longos trajetos diários. exige a criação de novas vias ou a transformação das já existentes. a casa individual acoplada a uma pequena exploração rural e. joalheria.Os setores industriais devem ser independentes dos setores habitacionais e separados uns dos outros por uma zona de vegetação. O artesanato de livros. ela poderá alinhar. de um plano deliberado. Circulação Observações 51 . São atividades essencialmente urbanas e. Primeiro foi traçada uma muralha de forma regular. 50 . que lhe será paralelo. deve ser garantida boa comunicação. marítima. os setores de indústria e de artesanato. nessa muralha . Na Europa. o rio ou o canal. costura ou moda encontra na concentração intelectual da cidade a excitação criadora que lhe é necessária. Três tipos de habitação estarão disponíveis para escolha dos habitantes: a casa individual da cidade-jardim. estará completamente protegida dos ruídos e das poeiras. rodoviária. melhor ainda. a ferrovia.As zonas industriais devem ser contíguas à estrada de ferro. à medida em que se desenvolve. ou às vezes até mesmo à antiguidade. As "condições naturais" assim reencontradas contribuirão para fazer cessar o nomadismo das populações operárias. ao canal e à rodovia. Uma zona verde separará este último das construções industriais. difere da indústria e requer disposições apropriadas. os locais de trabalho. A velocidade inteiramente nova dos transportes mecânicos. 49 . A cidade industrial se estenderá ao longo do canal. intimamente ligado à vida urbana. essas últimas remontam a um tempo bem anterior à idade média. dessas três vias conjugadas. que utilizam a rodovia. Certas cidades militares ou de colonização beneficiaram-se.O artesanato. tanto com os bairros habitacionais quanto com as indústrias ou artesanato instalados na cidade ou em suas proximidades. consagrado à administração privada ou pública. poderão ficar situados nos pontos mais intensos da cidade.A rede atual das vias urbanas é um conjunto de ramificações desenvolvidas em torno das grandes vias de comunicação. estrada ou via férrea ou.47 . desde o seu nascimento. ela voltará a ser um organismo familiar normal. deve poder ocupar locais claramente designados no interior da cidade. A moradia inserida desde então em pleno campo. portanto. seu próprio setor habitacional.Ao centro de negócios. Tornando-se linear e não mais anelar. o imóvel coletivo provido de todos os serviços necessários ao bemestar de seus ocupantes. 48 . por sua natureza. da qual procede diretamente. as administrações públicas. alguns hotéis e diversas (estações ferroviária. Ele emana diretamente do potencial acumulado nos centros urbanos. O centro de negócios deve encontrar-se na confluência das vias de circulação que servem ao mesmo tempo os setores de habitação. aérea). Os negócios assumiram uma importância tão grande que a escolha da localização que lhes será reservada exige um estudo muito particular.

terminavam as grandes vias de comunicação.As grandes vias de comunicação foram. Prevista para outros tempos. se opõe à utilização das novas velocidades mecânicas e à expansão regular da cidade. portanto. há muito tempo. essa organização das cidades teve como conseqüência o sistema de blocos edificados a prumo sobre a rua.A largura das ruas é insuficiente. ruas e ruelas foram prolongadas em avenidas e alamedas além do primeiro núcleo. É sempre o bloco edificado. por pátios internos. que conservava sua estrutura primitiva. Essas vias de comunicação estão intimamente ligadas à topografia da região. Suas fachadas dão para ruas ou para pátios internos mais ou menos estreitos. assim tiveram origem as ruas principais a partir das quais vieram ramificar-se. É isso que explica sua disposição em ruas e ruelas estreitas que permitiam servir ao maior número possível de portas de habitação. mais numerosas. As primeiras casas se instalaram à beira delas. muitas delas puderam ser corrigidas ou retificadas. por razões de segurança. portanto. a nenhuma necessidade. desde então inadequado. 54 . Mas tarde. nasceram na intersecção de duas grandes rotas que atravessavam a região ou no ponto de cruzamento de vários caminhos radiais que partiam de um centro comum. que freqüentemente lhes impõe um traçado sinuoso. cercadas por muralhas. Esse sistema de construção. 55 . do pedestre ou do cavalo. Espaços de 200 a 400 metros deveriam separá-los. Não podiam. prever uma unidade de extensão razoável entre o local do arranque e aquele em que a freada torna-se necessária.As distâncias entre os cruzamentos das ruas são muito pequenas. 53 . As vias principais sempre foram filhas da geografia. e perfurados. situados a 100. hoje elas não correspondem aos meios de transporte mecânicos. Os cruzamentos das ruas atuais. A rede circulatória que o contém tem dimensões e intersecções múltiplas. O problema é criado pela impossibilidade de conciliar as velocidades naturais. enquanto os veículos mecânicos. subproduto direto da rede viária. os veículos mecânicos precisam do arranque e da aceleração gradual. Para atingir sua marcha normal. obrigados a frear com freqüência. A freada não pode intervir brutalmente sem causar um desgaste rápido de suas principais órgãos. o que não os impede de serem um perigo permanente de morte. mas sempre conservarão sua determinação fundamental. O pedestre circula em uma insegurança perpétua. Dever-se-ia.O dimensionamento das ruas. essa rede não pôde adaptarse às novas velocidades dos veículos mecânicos. . quando as muralhas fortificadas foram sendo afastadas. Era preciso agir com economia para fazer o terreno render o máximo de superfície habitável. As cidades antigas eram. artérias secundárias cada vez mais numerosas. Sua mistura é fonte de mil conflitos. com as velocidades mecânicas dos automóveis. Procurar alargá-las é quase sempre uma operação onerosa e. 20. de onde eles recebiam luz. tem ainda hoje força de lei. ficam paralisados. com a mesma finalidade. ou mesmo 10 metros de distância uns dos outros. estender-se proporcionalmente ao crescimento de sua população. Outras cidades. no decorrer do crescimento da cidade. não convêm à boa progressão dos veículos mecânicos. caminhões ou ônibus. que não corresponde mais. A disposição interna tinha uma útil regularidade. Além disso. 52 . concebidas para receber pedestres ou coches. bondes. 50. além disso. inoperante.

É. assim. por ocasião da extensão da cidade.Não há uma largura-tipo uniforme para as ruas. elas seccionam arbitrariamente zonas inteiras. uma fonte de problemas constantes. 56 . Cada uma dessas atividades exigiria uma pista particular. diversidade e adequação. As antigas vias principais. As estradas de ferro foram construídas antes da prodigiosa expansão industrial que elas mesmas provocaram. aos caminhões. a determinados veículos. atravessar a cidade em simples trânsito. A estrada de ferro é uma via que não se atravessa. e que formam o tronco da inumerável ramificação de ruas. de modo a fazê-las inserir-se na harmonia de um plano geral. às vezes. Ela pede um programa cuidadosamente estudado. considerar seu estado atual e procurar soluções que respondam de fato a necessidades estritamente definidas. para os quais não foram feitas e à cuja velocidade nunca poderão ser adaptadas. que saiba prever tudo o que é preciso para regularizar os fluxos. em número e natureza dos veículos. no presente. ir de um extremo a outro. a situação é grave para a economia geral e o urbanismo é chamado para considerar o remanejamento e o deslocamento de certas redes. Certas avenidas concebidas para assegurar uma perspectiva monumental coroada por um monumento ou um edificio. ela isola uns dos outros setores que. Em certas cidades. mas seu alargamento não é sempre uma solução fácil e nem sequer eficaz. Ao penetrarem nas cidades. Tudo depende de seu tráfego. Ela isola os bairros habitacionais. puderam ou podem constituir pesados entraves à circulação. conservaram quase sempre um tráfego intenso. e. a suprimir os engarrafamentos e o malestar constante de que são a causa. A circulação tornou-se hoje uma função primordial da vida urbana.Em inúmeros casos. a rede das vias férreas tornou-se. condicionada para satisfazer necessidades claramente e caracterizadas. Essas composições de ordem arquitetônica deveriam ser preservadas da invasão de veículos mecânicos. ao mesmo tempo: aos automóveis. são. É preciso que o problema seja retomado bem mais de cima. É preciso exigir . buscando objetivos representativos. aos ônibus e bondes. flexibilidade. As vias destinadas a múltiplos usos devem permitir.Diante das velocidades mecânicas.Traçados de natureza suntuária. Também aqui o tempo andou muito depressa. Aquilo que era admissível e até mesmo admirável no tempo dos pedestres e dos coches pode ter-se tomado. preciso dedicar-se a um estudo profundo da questão. um grave obstáculo à urbanização. 57 . de atraso. ir de um extremo a outro. percorrer itinerários prescritos. impostas desde o início da cidade pela topografia e pela geografia. faltando precisão. ir dos centros de abastecimento a locais de distribuição infinitamente variados. viram-se privados de contatos para eles indispensáveis. atualmente. portanto. uma causa de engarrafamento. aos pedestres. privando-os de contatos úteis com os elementos vitais da cidade. criar os escoadouros indispensáveis e chegar. tendo-se coberto pouco a pouco de habitações. a malha das ruas apresenta-se irracional. 58 . Elas são geralmente muito estreitas. de perigo. A circulação moderna é uma operação das mais complexas.

ruas de passeio. seja os automóveis. A segunda. A circulação é uma função vital cujo estado atual deve ser expresso em gráficos. destinadas somente à pequena circulação. vias principais. serão estabelecidas interligações unindo-as às vias destinadas à circulação miúda. para a grande circulação. No século XX. 60 . bondes . Somente uma visão clara da situação permitirá realizar dois progressos indispensáveis: dar a cada uma das vias de circulação uma destinação precisa. com base em estatísticas rigorosas do conjunto da circulação na cidade e sua região. em cada via transversal. As causas determinantes e os efeitos de suas diferentes intensidades aparecerão então claramente e será mais fácil discernir os pontos críticos. legada pelos séculos. ao invés de serem liberadas a tudo e a todos. de acordo com a função para a qual forem destinadas. por meio de medidas apropriadas. Essa exigência concernente à circulação pode ser considerada tão rigorosa quanto aquela que.bicicletas. Para permitir às moradias e a seus "prolongamentos" usufruir da calma e . Não haveria nada mais sensato nem que abrisse uma era de urbanismo mais nova e mais fértil. o caminho dos pedestres e o dos veículos mecânicos. deverão. A primeira medida útil seria separar radicalmente. As ruas residenciais e as áreas destinadas aos usos coletivos exigem uma atmosfera particular. conforme sua categoria.59 . provocou um fluxo inimaginável de veículos em certos pontos determinados. que será receber seja os pedestres. abateu-se como um cataclisma a massa de veículos mecânicos . Os veículos em trânsito não deveriam ser submetidos ao regime de paradas obrigatórias a cada cruzamento. Já é tempo de remediar. largura da calçada. recebia outrora pedestres e cavaleiros indistintamente e só no final do século XVIII o emprego generalizado de coches provocou a criação das calçadas. seja as cargas pesadas ou os veículos em trânsito.O pedestre deve poder seguir caminhos diferentes do automóvel Isso constituiria uma reforma fundamental da circulação nas cidades. motocicletas. e construídas em função dos veículos e de suas velocidades. trabalho que revelará os leitos de circulação e a qualidade de seus tráficos. dimensões e características especiais: natureza do leito. considerar.Devem ser feitas análises úteis. As ruas.As vias de circulação devem ser classificadas conforme sua natureza. A terceira. são o melhor meio de assegurar-lhes uma marcha contínua.As ruas devem ser diferenciadas de acordo com suas destinações: ruas de residências. locais e natureza dos cruzamentos ou das interligações. ter regimes diferentes. dar depois a essas vias.Os cruzamentos de tráfego interno serão organizados em circulação contínua por meio de mudanças de níveis. que torna inutilmente lento seu percurso. 62 . dar às cargas pesadas um leito de circulação particular. automóveis. A rua única. O crescimento fulminante de algumas cidades como Nova York por exemplo. vias de trânsito independentes das vias usuais. 61 . ruas de trânsito. Nas grandes vias de circulação e a distâncias calculadas para obter o melhor rendimento. no domínio da habitação.com suas velocidades inesperadas. Mudanças de nível. 63 . condena toda orientação da moradia para o norte. nas artérias congestionadas. uma situação que caminha para ao desastre. caminhões.

Mas serão também levadas em consideração as ruas de passeio. É necessário saber reconhecer e discriminar nos testemunhos do passado aquelas que ainda estão bem vivas. sua mistura com os pedestres não oferecerá mais inconvenientes. Eles fazem parte do patrimônio humano. Espíritos mais ciosos do estetismo do que da solidariedade militam a favor da conservação de certos velhos bairros pitorescos. A vida de uma cidade é um acontecimento contínuo. em outros casos poderá ser isolada a única parte que constitua uma lembrança ou um valor real..Se sua conservação não acarreta o sacrifício de populações mantidas em condições insalubres. direito à perenidade. Se os interesses da cidade são lesados pela persistência de determinadas presenças insignes. têm a responsabilidade e a obrigação de fazer tudo o que é lícito para transmitir intacta para os séculos futuros essa nobre herança. por definição. não terão nenhuma razão para se aproximarem das construções públicas ou privadas. As avenidas de trânsito não terão nenhum contato com as ruas de circulação miúda. Será bom que elas sejam ladeadas por espessas cortinas de vegetação. Patrimônio Histórico das Cidades 65 . os leitos de grande circulação. A morte.da paz que lhes são necessárias. o resto será modificado de maneira útil. em certos excepcionais. São testemunhos preciosos do passado que serão respeitados. algumas serão conservadas a título de documentário. mas que merecem ser conservados por seu alto significado estético ou histórico. a princípio por seu valor histórico ou sentimental. O problema deve ser estudado e pode às . 64 . salvo nos pontos de interligação.Os valores arquitetônicos devem ser salvaguardados (edifícios isolados ou conjuntos urbanos). poderá ser aventada a transplantação de elementos incômodos por sua situação.As zonas de vegetação devem isolar.. 67 . sua prioridade.. as outras demolidas. que se manifesta ao longo dos séculos por obras materiais.. Nem tudo que é passado tem. majestosas. traçados ou contruções que lhe conferem sua personalidade própria e dos quais emana pouco a pouco a sua alma. 66 . atinge também as obras dos homens. sem se preocupar com a miséria. depois. de uma era já encerrada.Serão salvaguardados se constituem a expressão de uma cultura anterior e se correspondem a um interesse geral. Sendo as vias de trânsito ou de grande circulação bem diferenciadas das vias de circulação miúda. porque alguns trazem uma virtude plástica na qual se incorporou o mais alto grau de intensidade do gênio humano. convém escolher com sabedoria o que deve ser respeitado. os veículos mecânicos serão canalizados para circuitos especiais. nas quais. será procurada a solução capaz de conciliar dois pontos de vista opostos: nos casos em que se esteja diante de construções repetidas em numerosos exemplares. As grandes vias principais que estão relacionadas a todo o conjunto da região afirmarão. É assumir uma grave responsabilidade. que não poupa nenhum ser vivo. Enfim. e aqueles que os detêm ou são encarregados de sua proteção. em princípio. sendo rigorosamente imposta uma velocidade reduzida a todos os tipos de veículos. Um culto estrito do passado não pode levar a desconhecer as regras da justiça social. naturalmente. a promiscuidade e a doença que eles abrigam.

capaz apenas de desacreditar os testemunhos autênticos.O emprego de estilos do passado. Nunca foi constatado um retrocesso. quando esta medida acarreta a destruição de verdadeiros valores arquitetônicos. mais vale. As obras-primas do passado nos mostram que cada geração teve sua maneira de pensar. que mais se tinha empenho em preservar. mudar inteiramente o regime circulatório da zona congestionada. Aproveitar-se-á a situação para introduzir superfícies verdes. 70 . inesperada talvez. a invenção e os recursos técnicos devem combinar-se para chegar a desfazer os nós que parecem mais inextrincáveis. se as condições o permitirem impor-se-lhe-á uma passagem sob um túnel. a demolição de casas insalubres e de cortiços ao redor de algum monumento de valor histórico destrua uma ambiência secular. levando a um impasse do qual só se sairá mediante alguns sacrifícios. Mas. históricos ou espirituais. sob pretextos estéticos. longe de se alcançar uma impressão de conjunto e dar a sensação de pureza de estilo. Misturando o "falso" ao "verdadeiro". os bairros vizinhos se beneficiarão amplamente. Copiar servilmente o passado é condenar-se à mentira. O obstáculo só poderá ser suprimido pela demolição. É possível que. em nenhum caso. transplantando-o para outra parte. A manutenção de tais usos ou a introdução de tais iniciativas não serão toleradas de forma alguma. A imaginação. Terceira Parte Conclusões Pontos de doutrina .Se é possível remediar sua presença prejudicial com medidas radicais: por exemplo. em certos casos. Ao invés de suprimir o obstáculo à circulação desviar-se-á a própria circulação ou. Tais métodos são contrários à grande lição da história. sem dúvida. têm conseqüências nefastas.A destruição de cortiços ao redor dos monumentos históricos dará a ocasião para criar superfícies verdes. Os vestígios do passado mergulharão em uma ambiência nova. é erigir o "falso" como princípio. procurar uma outra solução. e da qual. à totalidade de recursos técnicos de sua época. pois as antigas condições de trabalho não poderiam ser reconstituídas e a aplicação da técnica moderna a um ideal ultrapassado sempre leva a um simulacro desprovido de qualquer vida. mas. o culto do pitoresco e da história deve ter primazia sobre a salubridade da moradia da qual dependem tão estreitamente o bem-estar e à saúde moral do indivíduo. recorrendo. o destino de elementos vitais de circulação ou mesmo o deslocamento de centros considerados até então imutáveis. suas concepções. Enfim. em todo caso. 68 . mas certamente tolerável. O crescimento excepcional de uma cidade pode criar uma situação perigosa. nas construções novas erigidas nas zonas históricas. 69 . como trampolim para sua imaginação. É uma coisa lamentável mas inevitável. nunca o homem voltou sobre seus passos. pode-se também deslocar um centro de atividade intensa e.vezes ser resolvido por uma solução engenhosa. sua estética. chega-se somente a uma reconstituição fictícia.

Londres. Essas diversas fontes de energia estão em perpétua contradição. O sentimento de responsabilidade administrativa e o da solidariedade social são derrotados diariamente pela força viva e incessantemente renovada do interesse privado. Madri. Charieroi. e. a fraqueza do controle administrativo e a impotente solidariedade social. e da ferocidade de alguns interesses privados nasceu a infelicidade de inúmeras pessoas. e a imensa desordem material e moral da cidade moderna terá talvez como resultado fazer surgir enfim o estatuto da cidade. que é a de abrigar os homens. A construção de habitações ou de fábricas. Dessau. e. 73 . Roterdã. Tudo que o cerca sufoca-o e esmaga-o. Berlim. As empresas estiveram. Los Angeles. de um lado. biológicas e psicológicas de sua população. até o presente. o interesse privado triunfa o mais das vezes. Trinta e três cidades foram analisadas. e também a ausência de qualquer esforço sério de adaptação. 74 . A cidade não corresponde mais a sua função. Gênova.Esta situação revela. durante cem anos. Litoria. primordiais. e abrigá-los bem. desde o começo da era do maquinismo.Varsóvia.71 . da qual estavam excluídos qualquer plano preconcebido e qualquer reflexão prévia. A base desse lamentável estado de coisas está na preeminência das iniciativas privadas inspiradas pelo interesse pessoals pelo atrativo do ganho. de outro. o mal está feito. Elas ilustram a história da raça branca sob os mais diversos climas e latitudes. Nada do que é necessário a sua saúde física e moral foi salvaguardado ou organizado. de modo algum a sua destinação. 72 . instaurará as regras indispensáveis à proteção da saúde e da dignidade humana. Haia. Zagreb e Zurique.A violência dos interesses privados provoca um desastroso desequilíbrio entre o ímpeto das forças econômicas.Embora as cidades esteja em estado de permanente transformação. tudo se multiplicou numa pressa e numa violência individual. por ocasião do Congresso de Atenas. Atenas. Nessa luta. entregues ao acaso. Bandoeng. para evitar os danos pelos quais ninguém pode ser efetivamente responsabilizado. Baltimore. Verona. infelizmente desigual. a organização das rodovias. Nenhuma autoridade consciente da natureza e da importância do movimento do maquinismo interveio. por diligência dos grupos nacionais dos Congressos Internacionais de Arquitetura Moderna: Amsterdã. Hoje. Mas. quando uma ataca. Uma crise-de humanidade assola as grandes cidades e repercute em toda a extensão dos territórios. Dalat. assegurando o sucesso dos mais fortes em detrimento dos fracos. que. As cidades são desumanas. Colônia. o bem. Roma.A maioria das cidades estudadas oferece hoje a imagem do caos. apoiado em uma forte responsabilidade administatriva. Paris. às vezes. Utrecht. Bruxelas. o crescimento incessante dos interesses privados. seu desenvolvimento é conduzido sem precisão nem controle e sem que sejam levados em consideração os princípios do urbanismo contemporâneo atualizados aos meios técnicos qualificados. Barcelona. Como. Praga. que seria satisfazer as necessidades. Budapeste. Detroit. Estocolmo. Essa cidades não correspondem. Genebra. hidrovias ou ferrovias. do próprio excesso do mal surge. a outra se defende. Todas testemunham o mesmo fenômeno: a desordem instituída pelo maquinismo em uma situação que comportava até então uma relativa harmonia. Oslo. Frankfurt. Em todas essas cidades o homem é molestado. .

escala dos horários. debates públicos ou privados. Eles foram objeto de artigos. e eles fixarão suas respectivas localizações no conjunto. em terceiro lugar. essas três. isto é. sendo o urbanismo a conseqüência de uma maneira de pensar levada à vida pública por uma técnica de ação. que a autoridade seja esclarecida e. Se ele não chega a satisfazer suas exigências. Mas é preciso fazer com que sejam admitidos pelos órgãos administrativos encarregados de velar pelo destino das cidades e que. circular. em segundo lugar. em todo caso. ao invés de serem uma sujeição penosa. que são: primeiramente. que serão consideradas em sua relação com o ritmo natural do homem. congressos. A medida natural do homem deve servir de base a todas as escalas que estarão relacionadas à vida e às diversas funções do ser. constituindo assim quarteirões edificados cuja destinação é abandonada à aventura das iniciativas privadas. são hostis às grandes transformações propostas por esses dados novos.Os princípios do urbanismo moderno foram produzidos pelo trabalho de inúmeros técnicos: técnicos da arte de construir. em quarto lugar. eles retomem seu caráter de atividade humana natural. a liberdade individual e o benefício da açao coletiva. É impossível. Essas quatro funções. frequentemente contraditórias. lhe sejam largamente asseguradas.A cidade deve assegurar. um programa cuidadosamente estudado e que nada deixe ao acaso. escala das distâncias. antes de mais nada. recrear-se (nas horas livres).As chaves do urbanismo estão nas quatro funções: habitar. Até agora. que se aplicarão às superfícies ou às distâncias. O urbanismo tem quatro funções principais. técnicos da organização social.Os planos determinarão a estrutura de cada um dos setores atribuídos às quatro funçõeschave. depois. Todo empreendimento cujo objetivo é a melhoria do destino humano deve levar em consideração esses dois fatores. assegurar aos homens moradias saudáveis. que devem ser determinados considerando-se o trajeto cotidiano do sol. que ela aja.O dimensionamento de todas as coisas no dispositivo urbano só pode ser regido pela escala humana. estabelecer o contato entre essas diversas organizações mediante uma rede circulatória que assegure as trocas. condições essenciais da natureza. É necessário. organizar os locais de trabalho. 76 . condena-se a um inevitável fracasso. não raro. Ele se contentou em abrir avenidas ou traçar ruas. as quatro funções-chave do urbanismo reivindicam. Escala das medidas. trabalhar. para manifestar-se em toda a sua plenitude e trazer ordem e classificação às . prever as instalações necessárias à boa utilização das horas livres. ele só atacou um único problema. 75 . cobrem um domínio imenso. nos planos espiritual e material. tornando-as benéficas e fecundas. o ar puro e o sol. livros. respeitando as prerrogativas de cada uma. de antemão. O urbanismo exprime a maneira de ser de uma época. locais onde o espaço. de tal modo que. técnicos de saúde. coordená-los de maneira harmoniosa se não se elabora. Desde o congresso dos CIAM. o da circulação. Clarividência e energia podem vir a restaurar a situação comprometida. 78 . Liberdade individual e ação coletiva são os dois polos entre os quais se desenrola o jogo da vida. Essa é uma visão estreita e insuficiente da missão que lhe está destinada. 77 . que são as quatro chaves do urbanismo. em Atenas.

sendo a habitação considerada o próprio centro das preocupações urbanísticas e o ponto de articulação de todas as medidas. doravante utilizáveis. Além disso. difundem o gosto por uma mobilidade sem freio nem medida e favorecem modos de vida que deslocando a família. para longe. a prática da mais saudável e natural de todas as funções: a caminhada. eles introduziram na vida citadina inúmeros fatores prejudiciais à saúde. a um só tempo. ao mesmo tempo. transformará o aspecto das cidades. na natureza. pouco a pouco. por sua velocidade.será regulamentado pelo urbanismo dentro da mais rigorosa economia de tempo. serão consideradas as necessidades vitais do indivíduo e não o interesse ou o lucro de um grupo particular. A reforma do zoneamento. trabalhar. que ritma a atividades dos homens e dá a justa medida a todos os seus empreendimentos. recrear-se (recuperação) . cujo inconveniente é impor distâncias que não têm relação com o tempo disponível. elas serão consideradas entidades às quais serão atribuídos territórios e locais para cujo equipamento e instalação serão acionados todos os prodigiosos recursos das técnicas modernas. à primeira vista.As novas velocidades mecânicas convulsionaram o meio urbano. 80 . criará entre elas vínculos naturais para cujo fortalecimento será prevista uma rede racional de grandes artérias. levando em consideração as funções-chave . só deve ter um objetivo. Seus gases de combustão difundidos no ar são nocivos aos pulmões e seu barulho determina no homem um estado de nervosismo permanente. esta quarta função. estabelecer uma comumcação proveitosa entre as outras três. comprometendo a higiene.O ciclo das funções cotidianas . É a habitação que está no centro das preocupações do urbanista e o jogo das distâncias será regulamentado de acordo com a sua posição no planejamento. 81 .habitar. pelos costumes. provocando o engarrafamento e a paralisia dos transportes. pela topografia. recrear-se ordenará o território urbano. disposições particulares que ofereçam a cada uma delas as condições mais favoráveis ao desenvolvimento de sua atividade própria.habitar. trabalhar. favorecer e se aproveitar dos benefícios da ação coletiva. 79 . Cada uma das funções-chave terá sua autonomia. em conformidade com a jornada solar de vinte e quatro horas. aconselhar uma maior extensão horizontal das cidades. trabalho e cultura. Nessa distribuição. despertam a tentação de evasão cotidiana. instaurando o perigo permanente. mas a necessidade de regulamentar as diversas atividades segundo a duração do trajeto solar se opõe a essa concepção. São inevitáveis grandes . trazer um ganho apreciável de tempo. apoiada nos dados fornecidos pelo clima. Essas velocidades. O zoneamento.condições habituais de vida. A circulação. harmonizando as funções-chave da cidade. O desejo de reintroduzir na vida cotidiana as condições naturais parece. Deve ser feita uma classificação das velocidades disponíveis. Elas condenam os homens a passar horas cansativas em todo tipo de veículos e a perder. O urbanismo. uma dificuldade para a circulação e a ocasião de perigos permanentes. romperá a opressão esmagadora de usos que perderam sua razao de ser e abrirá aos criadores um campo de ação inesgotável. Os veículos mecânicos deveriam ser agentes liberadores e. levando em consideração essa necessidade. O urbanismo deve assegurar a liberdade individual e.O princípio da circulação urbana e suburbana deve ser revisto. Mas sua acumulação e concentração em certos pontos tomaramse. perturbam profundamente a estabilidade da sociedade.

O limite da aglomeração será função do raio de sua ação econômica. A cidade e sua região devem ser munidas de uma rede exatamente proporcional aos usos e aos fins. deverá crescer harmoniosamente em cada uma de suas partes. dispondo de espaços e ligações onde poderão se inscrever equlilibradamente as etapas de seu desenvolvimento. as quais. seu excesso.A cidade deve ser estudada no conjunto de sua região de influência. 84 . 85 .É da mais urgente necessidade que cada cidade estabeleça seu programa. estão ligadas ao solo. As funções-chave habitar. 83 . cada uma tomará seu lugar e sua classificação na economia geral do país.transformações.O urbanismo é uma ciência de três dimensões e não apenas de duas. para o futuro. Os dados de um problema de urbanismo são fornecidos pelo conjunto das atividades que se desenvolvem não somente na cidade. sol e aeração. Esses volumes não dependem apenas do solo e de suas duas dimensões. Resultará disso uma delimitação clara dos limites da região. que se desenvolvem no interior de volumes . para as quais a altura só intervém excepcionalmente e em pequena escala. assim como para os lazeres. Subordinada às necessidades da região. trabalhar e recrear-se desenvolvem-se no interior de volumes edificados submetidos a três imperiosas necessidades: espaço suficiente. É preciso distinguir as funções sedentárias. É fazendo intervir o elemento altura que será dada uma solução para as circulações modernas. Um plano de região substituirá o simples pla no municipal. descrito seu caráter. mas em toda a região da qual ela é o centro. a altura. Será preciso classificar e diferenciar os meios de transporte e estabelecer para cada um deles um leito adequado à própria natureza dos veículos utilizados. É levando em o consideração a altura que o urbanismo recuperará os terrenos livres necessários às comunicações e os espaços úteis ao lazer. e que constituirá a técnica moderna da circulação. ao invés de produzir uma catástrofe. mediante a exploração dos espaços livres assim criados. . por exemplo.das funções de circulação. previsto a amplitude de seus desenvolvimentos e limitado. capaz de levar o equilíbrio à região e ao país. promulgando leis que permitam sua realização. definida desde então como uma unidade funcional.A cidade. a cidade não será mais o resultado desordenado de iniciativas acidentais. A razão de ser da cidade dever ser procurada e expressada em cifras que permitirão prever. utilizando apenasduas dimensões. O mesmo trabalho aplicado às aglomerações que fixarão para cada cidade envolvida por sua região um caráter e um destino próprios. previamente. A circulação assim regulamentada torna-se uma função regular e que não impõe nenhum incômodo à estrutura da habitação ou a dos locais de trabalho. as etapas de um desenvolvimento plausível. Seu desenvolvimento. Sábias previsões terão esboçado seu futuro. destinada a enquadrar as quatro funções-chave. de mudanças de nível destinadas a regularizar certos fluxos intensos de veículos. A cidade adquirirá o caráter de uma empresa estudada de antemão e submetida ao rigor de um planejamento geral. mas sobretudo de uma terceira. E o crescimento das cifras de sua população não conduzirá mais a essa confusão desumana que é um dos fiagelos das grandes cidades. será um coroarnento. Assim. 82 .onde a terceira dimensão desempenha o papel mais importante . no caso. Este é o urbanismo total.

deve torna-se uma empresa humana. A construção dessa casa. após a derrota. o instrumento de medida será a escala humana. que constituem o bem público. prolongar-se no exterior em diversas instalações comunitárias. Ele deve prever as etapas no tempo e no espaço. os blocos de imóveis na poeira dos loteamentos. por etapas sucessivas. a assistência médica ou a utilização dos lazeres. as organizações que estarão à volta. A casa é o núcleo inicial do urbanismo. os dados econômicos. o feliz emprego das horas livres.O acaso cederá diante da previsão. Ela será uma verdadeira criação biológica. de se instalar nos terrenos mais favoráveis e a distâncias mais proveitosas. Os grandes leitos de circulação serão confirmados e instalados no lugar adequado. A lei fixará o "estatuto do solo". Ela terá o direito de autorizar . há mais de um século submetida aos jogos brutais da especulação. Se ela deve conhecer interiormente o sol e o ar puro. 87 . desses últimos cem anos. pouco a pouco.Para o arquiteto. o abrigo de uma família. Deve reunir em um acordo fecundo os recursos naturais do sítio.ou de proibir -.O programa deve ser elaborado com base em análises rigorosas. . Ela deve deixar as pompas estéreis. Quem poderá tomar as medidas necessárias para levar a bom termo essa tarefa. Se a célula é o elemento biológico primordial. abriga as alegrias e as dores de sua vida cotidiana. para sua felicidade. o programa sucederá a improvisação. Cada caso será inscrito no planejamento regional. A arquitetura. além disso. Os recursos do solo serão analisados e as limitações à quais ele se obriga. pela justa adaptação dos meios aos fins propostos. Regras invioláveis assegurarão aos habitantes o bem-estar da moradia. a casa. ocupado aqui com as tarefas do urbanismo. os terrenos serão aferidos e atribuídos a diversas atividades: clara ordenação no empreendimento que será iniciado a partir de amanhã e continuado. os valores espirituais. senão o arquiteto. 86 . feitas por especialistas. e que. A alma das cidades será animada pela clareza do plananejamento. mas velará para que elas se insiram no planejamento geral e sejam sempre subordinadas aos interesses coletivos. compreendendo órgãos claramente definidos. e favorecerá todas as inicatívas adequadamente planejadas. à revelia dos subúrbios. A obra não será mais limitada ao plano precário do geômetra que projeta. e a natureza de seu equipamento fixada segundo o uso para o qual serão destinados. que abandonou os grafismos ilusórios. dotando cada função-chave dos meios de melhor se exprimir.O número inicial do urbanismo é uma célula habitacional (uma moradia) e sua inserção num grupo formando uma unidade habitacional de proporções adequadas. Ela deve prever também a proteção e a guarda das extensões que serão ocupadas um dia. hierarquizados. Para que seja mais fácil dotar as moradias dos serviços comuns destinados a realizar comodamente o abastecimento. deve. deve ser recolocada a serviço do homem. que possui o perfeito conhecimento do homem. a ambiência geral. Ela protege o crescimento do homem. constitui a célula social. as necessidades sociológicas. tornando mais fáceis todos os gestos de sua vida. a topografia do conjunto. reconhecidas. Uma curva de crescimento exprimirá o futuro econômico previsto para cidade. criará uma ordem que tem em si sua própria poesia? 88 . será preciso reuni-las em "unidades habitacionais" de proproções adequadas. debruçar-se sobre o indivíduo e criar-lhe. a facilidade do trabalho. capazes de desempenhar com perfeição suas funções essenciais. quer dizer. a educação. estudada e os valores naturais.

ainda. Pode ser. habitar bem. que são uma das causas da desordem e da confusão das cidades. e fazê-lo em condições que requerem uma séria revisão dos usos atualmente em vigor. uma população esclarecida para compreender. célula essencial do tecido urbano. harmonia são subordinadas às suas decisões. Ela organiza os prolongamentos da moradia. Não basta que a necessidade do estatuto do solo e de certos princípios de construção seja admitida.. para passar da teoria aos atos. em que as condições.Para realizar essa grande tarefa é indispensável utilizar os recursos da técnica moderna. sociais e econômicas são as mais desfavoráveis. É a ela. decidido a realizar as melhores condições de vida.E não é aqui que a arquitetura intervirá em última instância. os locais de trabalho. todavia. que é preciso pedir a solução do problema. trouxeram novas facilidades. de uma complexidade desconhecidas até aqui. ainda. Elas abrem verdadeiramente um novo ciclo na história da arquitetura. A arquitetura é responsável pelo bem-estar e pela beleza da cidade. É preciso também trabalhar. não se pode negligenciar a terceira. . os locais de trabalho e as instalações consagradas às horas livres. as oficinas. convicto. clarividente. o arquiteto deverá associar-se a numerosos especialistas em todas as etapas do empreendimento. Ela ordena a estrutura da moradia. As modernas técnicas de construção instituíram novos métodos. reivindicar aquilo que os especialistas planejaram para ela. E o urbanista deverá prever os sítios e os locais propícios. cuja feliz proporção constituirá uma obra harmoniosa e duradoura. a necessidade de construir abrigos decentes apareça de repente como uma imperiosa obrigação. cujo êxito dependerá da justeza de seus cálculos. mas. A arquitetura é chave de tudo. 91 . As novas construções serão não somente de uma amplitude. ao social e ao econômico o objetivo e o programa coerentes que justamente lhes faltavam. e é ela que está incumbida da escolha e da distribuição dos diferentes elementos. respaldará a arte de construir com todas as garantias da ciência e a enriquecerá com as invenções e os recursos da época. É preciso. 90 . Ela reúne as moradias em unidades habitacionais. Ela estabelece a rede de circulação que colocará em contato as diversas zonas. os espaços livres em meio aos quais se erguerão os volumes edificados. as áreas consagradas ao entretenimento. o concurso dos seguintes fatores: um poder político tal como se o deseja. que mesmo em uma época em que tudo caiu ao nível mais baixo.. em porporções harmoniosas. Ela reserva. elaboradas e expressas nos planos. A primeira das funções que deve atrair a atenção do urbanismo é habitar e. Enfim. permitiram novas dimensões. sociais e econômicos.. alegria. A era do maquinismo introduziu técnicas novas. que é recrear-se. desejar. A arquitetura preside aos destinos da cidade.. uma situação econômica que permita empreender e prosseguir os trabalhos. Esta com a ajuda de seus especialistas. 92 . e que ela venha dar ao político. Os escritórios.89 . cuja salubridade. de antemão. cultivar o corpo e o espírito.É a dessa unidade-moradia que se estabelecerão no espaço urbano as relações entre a habitação. políticas. Para realizar a tarefa múltipla que lhe é imposta. É ela que se encarrega de sua criação ou de sua melhoria.A marcha dos acontecimentos será profundamente influenciada pelos fatores políticos. alguns dos quais serão consideráveis. no entanto. as fábricas devem ser dotados de instalações capazes de assegurar o bem-estar necessário ao desempenho desta segunda função.

Por se ignorarem as regras. portanto. Esse plano. tendo cada indivíduo acesso às alegrias fundamentais: o bem-estar do lar. será preciso temer o jogo sórdido da especulação. em sua periferia. É o fruto amargo de cem anos de maquinismo sem direção. O solo deve ser mobilizável quando se trata do interesse geral. O direito individual e o direito coletivo devem. O problema da propriedade do solo e de sua possível requisição se coloca nas cidades. revelam os mesmos vícios advindos das mesmas causas. de outro lado.93 . antigas ou modernas. cuja execução deverá ser remetida para datas indeterminadas. tais como eles terão sido previstos por um amplo estudo e um grande plano de conjunto. reforçar-se mutuamente e reunir tudo aquilo que comportam de infinitamente construtivo. o homem é rapidamente esmagado pelas dificuldades de todo o tipo. que deve superar. .A escala dos trabalhos a empreender com urgência para a organização das cidades. em todos os pontos do mundo. O solo .A perigosa contradição aqui constatada sustica uma das questões mais perigosas da época: a urgência de regulamentar. merece severas restrições. em todas as partes. se está submetido a muitas obrigações coletivas. o campo se esvaziou. sua personalidade resulta sufocada. no equipamento das indústrias. 94 . graças à generosa hospitalidade de Madame Hélène de Mandrot. a disposição de todo o solo útil para equilibrar as necessidades vitais dos indivíduos em plena harmonia com as necessidades coletivas. trabalhos de importância capital. as moradias operárias tornaram-se cortiços. conterá partes cuja realização poderá ser imediata e outras. Ele deve ser. a beleza da cidade. avaliado antes do estudo dos projetos. O direito individual não tem relação com o vulgar interesse privado. que tão frequentemente esmaga no berço os grandes empreendimentos animados pela preocupação com o bem público. as cidades se encheram muito além do razoável. Pelo contrário. as concentrações industriais se fizeram ao acaso. que satisfaz a uma minoria condenando o resto da massa social a uma vida medíocre.território do país .Fundação dos Ciam Em 1928 um grupo de arquitetos modernos se reunia na Suíça. e se estende até a zona. Entregue a si mesmo. forçosamente. uma vez que todas as cidades do mundo. subordinado ao interesse coletivo. Há anos que as empresas de equipamento. A ausência do urbanismo é a causa da anarquia que reina na organização das cidades. por um meio legal. Inúmeros inconvenientes se abateram sobre os povos que não souberam medir com exatidão a amplitude das transformações técnicas e suas formidáveis repercussões sobre a vida pública e privada. Notas Sobre os Congressos Internacionais de Arquitetura Moderna 1928 . Devem ser empreendidos. no castelo de La Sarraz Vaud. Este. Mas nenhuma obra fragmentária deve ser empreendida se ela não se insere no contexto da cidade e no da região. Nada foi previsto para a salvaguarda do homem. o estado infinitamente parcelado da propriedade fundiária são duas realidades antagônicas. batem contra o estatuto petrificado da propriedade privada. e por seu justo valor. sem demora. Então.deve tornar-se disponível a qualquer momento. sustentar-se. Inúmeras parcelas fundiárias deverão ser expropriadas e serão objeto de transações. 95 .O interesse privado será subordinado ao interesse coletivo. mais ou menos ampla que constitui sua região. O resultado é catasúófico e é quase uniforme todos os países.

que é de ordem econômica e sociológica e inteiramente a serviço da pessoa humana. c) a legislação. Declaração de La Sarraz Os arquitetos abaixo assinados. firmaram um ponto de vista sólido e decidiram reunir-se para colocar a arquitetura diante de suas verdadeiras tarefas. mesmo quando uma tal decisão conduza a realizações muito diferentes daquelas que fizeram a glória das épocas passadas. a partir de um programa elaborado em Paris. Economia Geral O equipamento de um país reclama a íntima vincularão da arquitetura com a economia geral. Ele envolve tanto as aglomerações urbanas quanto os agrupamentos rurais. 2° trabalhar. ao invés de recorrer quase que exclusivamente a um artesanato anêmico.Depois de ter examinado. Eles afirmam hoje a necessidade de uma concepção nova da arquitetura que satisfaça as exigências materiais. O verdadeiro rendimento será o fruto de uma racionalização e de uma normatização (aplicada com flexibilidade tanto nos projetos arquitetônicos como nos métodos industriais de execução). representantes dos grupos nacionais de arquitetos modernos. As relações entre os diversos locais que lhes são destinados devem ser recalculadas de maneira a determinar uma justa proporção entre volumes edificados e espaços . reconheceram que a transformação da estrutura social e da ordem econômica acarreta fatalmente uma transformação correspondente do fenômeno arquitetônico. individuais ou coletivas. Firmes nesta convicção. ele é de ordem funcional. Conscientes das perturbações profundas causadas pelo maquinismo. 3° recrear-se. O destino da arquitetura é o de exprimir o espírito de uma época. sirva-se também dos imensos recursos que lhe oferece a técnica industrial. introduzida como axioma da vida moderna. ligada intimamente à evolução da vida. sentimentais e espirituais da vida presente. Insistem particularmente no fato de que construir é uma atividade elementar do homem. os CIAM. não implica absolutamente o lucro comercia1 máximo. Urbanismo O urbanismo é a administração dos lugares e dos locais diversos que devem abrigar o desenvolvimento da vida material. A noção de "rendimentos". Eles estão reunidos com a intenção de pesquisar a harmonização dos elementos presentes no mundo moderno e de recolocar a arquitetura em seu verdadeiro plano. Por sua essência. As três funções fundamentais acima indicadas não são favorecidas pelo estado atual das aglomerações. mas uma produção suficiente para satisfazer plenamente as necessidades humanas. sentimental e espiritual em todas as suas manifestações. b) a organização da circulação. eles declaram associar-se para realizar suas aspirações. Assim foram fundados os Congressos Internacionais de Arquitetura Moderna. o problema colocado pela arte de edificar. Urge que a arquitetura. afirmam sua unidade de pontos de vista sobre as concepções fundamentais da arquitetura e sobre suas obrigações profissionais. As três funções fundamentais pela realização das quais o urbanismo deve velar são: 1º habitar. Seus objetivos são: a) a ocupação do solo. É assim que a arquitetura escapará da dominação esterilizante das academias. O urbanismo não poderia mais estar exclusivamente subordinado às regras de um estetismo gratuito.

A opinião pública está mal informada e os usuários. Fundação dos CIAM. Esse ensino resultaria na formação de gerações possuidoras de uma concepção saudável da moradia. 1933 . Bridgwater. Os congressos CIAM. Hoddesdon. futura clientela do arquiteto. Estudo do problema moradia e lazer. do coração das cidades. fruto de partilhas.6° Congresso. 1951 . tendo a firme vontade de trabalhar no interesse verdadeiro da sociedade moderna. 1928 . Por sua apropriação do ensino. Este reagrupamento. uma animação. La Sarraz. um despertar. 1947 . A Arquitetura e a opinião pública É indispensável que os arquitetos exerçam uma influência sobre a opinião pública e a façam conhecer os meios e os recursos da nova arquitetura. em geral. discussões. seriam capazes de lhe impor a solução do problema da habitação. assegurará aos proprietários e à comunidade a justa distribuição das mais-valias resultantes dos trabalhos de interesse comum. eles provocaram. O parcelamento desordenado do solo. Atenas. consideram que as academias. uma agitação fecunda. base de todo urbanismo capaz de responder às necessidades presentes. pela quase exclusividade que têm dos cargos do Estado. publicações. poderia constituir o fundamento de uma educação doméstica. Execução da Carta de Atenas. só sabem formular muito mal seus desejos em matéria de moradia. O problema da circulação e o da densidade devem ser reconsiderados. ensinadas na escola primária. nascimento da grille CIAM de urbanismo. Frankfurt (Alemanha). conservadoras do passado. e não raro os problemas autênticos da habitação sequer são levantados. os CIAM avançaram pelo caminho das realizações práticas: trabalhos coletivos. Estudo do centro.4° Congresso. A cada vez. elas viciam desde a origem a vocação do arquiteto e. Estudo do loteamento racional. essa moradia tem estado há muito tempo excluída das preocupações maiores do arquiteto. Reafirmação dos objetivos dos CIAM.5° Congresso. deve ser substituído por uma economia territorial de reagrupamento. Os Congressos do CIAM Desde o momento de sua fundação. Além disso. fazer essa idéia penetrar nos círculos técnicos. o único que poderia vivificar e renovar a arte de edificar. negligenciando o problema da moradia em benefício de uma arquitetura puramente suntuária. Objetivos do CIAM Os objetivos dos CIAM são: formular o problema arquitetônico contemporâneo. Bérgamo. Um punhado de verdades elementares.2° Congresso. resoluções. apresentar a idéia arquitetônica moderna. escolheram sucessivamente diferentes países para se reunir. . Paris. Elaboração da Carta do Urbanismo. econômicos e sociais.8° Congresso. 1937 .7° Congresso. 1930 . por tanto tempo negligenciado. Estudo da moradia mínima. elas se opõem à penetração do novo espírito. que sempre foram assembléias de trabalho. Análise de 33 cidades. de vendas e da especulação. Bruxelas.1° Congresso. 1949 . Essas gerações. 1929 . entravam o progresso social. nos centros profissionais e na opinião pública. A Arquitetura e o Estado Os arquitetos.livres. O ensino acadêmico perverteu o gosto público. zelar pela solução do problema da arquitetura.3° Congresso.

A Conferência Geral recomenda aos Estados Membros que lhe apresentem. inspirada na vontade dos Estados Membros de desenvolver as ciências e as relações internacionais. é preciso. Sendo-lhe apresentadas propostas referentes aos princípios internacionais a serem aplicados em matéria de pesquisas arqueológicas. preservados e coletados. a Ciência e a Cultura . Considerando que. conciliar este princípio com o de uma colaboração internacional amplamente concebida e livremente aceita. neste quinto dia de dezembro de 1956.3. a Ciência e a Cultura. desse enriquecimento. Convencida de que os sentimentos que dão origem à contemplação e ao conhecimento das obras do passado podem facilitar grandemente a compreensão mútua entre os povos e que. se o regime das pesquisas diz respeito. nas datas e na . Nova Delhi de dezembro de 1956 Conferência Geral da Organização das Nações Unidas para a Educação. 1956 . a seguinte recomendação: A Conferência Geral recomenda aos Estados Membros que apliquem as disposições seguintes e que adotem. Aix-en-Provence. questão que constitui o ponto 9. em nome do interesse comum. em sua nona sessão. Estimando que. se cada Estado é mais diretamente interessado nas descobertas arqueológicas feitas em seu território. é preciso beneficiá-los com uma cooperação internacional e favorecer por todos os meios a execução da missão social que lhes cabe. antes de tudo. entretanto.9° Congresso.1953 . Estimando que a garantia mais eficaz de conservação dos monumentos e obras do passado reside no respeito e dedicação que lhes consagram os próprios povos e certa de que tais sentimentos podem ser enormemente favorecidos por uma ação apropriada. A Conferência Geral recomenda aos Estados Membros que levem a presente recomendação ao conhecimento das autoridades e órgãos que se dedicam às pesquisas arqueológicas e aos museus. para isso. medidas que visem a tornar eficazes nos territórios sob sua jurisdição as normas e princípios formulados na presente recomendação. Adota. Estudo do habitat humano. da ordem do dia da sessão. durante a sua oitava sessão. toda a comunidade internacional participa. Considerando que a história do homem implica no conhecimento das diferentes civilizações. reunida em Nova Delhi de 5 de novembro de 1956. que essas propostas seriam objeto de uma regulamentação internacional. Após haver decidido. através de uma recomendação aos Estados Membros.Nova Delhi A Conferência Geral da Organização das Nações Unidas para a Educação. entretanto. Convencida de que é preciso que as autoridades nacionais encarregadas da proteção do patrimônio arqueológico se inspirem em determinados princípios comuns aferidos na experiência e na prática dos serviços arqueológicos nacionais. sob forma de lei nacional ou de qualquer outro modo. eventualmente. portanto.10° Congresso. que todos os vestígios arqueológicos sejam estudados e. que é preciso.4. à competência interna dos Estados.9ª Sessão de 5 de dezembro de 1956 UNESCO . Estudo do habitat humano. Dubrovnik.

móveis ou imóveis. que apresentem interesse do ponto de vista da arqueologia no sentido mais amplo. ou da obrigação de declaração das descobertas impostas ao escavador ou ao descobridor. Cada Estado Membro deveria.Princípios Gerais Proteção do patrimônio arqueológico Cada Estado Membro deveria garantir a proteção de seu patrimônio arqueológico. d) determinar o confisco dos objetos não declarados. c) aplicar sanções aos infratores dessas regras.forma que ela determinar. podendo cada Estado Membro adotar o critério mais apropriado para determinar o interesse público dos vestígios que encontre em seu território. O critério utilizado para determinar o interesse público dos vestígios arqueológicos poderia variar segundo se trate ou de sua conservação. móveis ou imóveis. por ele encontrados. quando esse subsolo for propriedade do Estado. especialmente. Deveriam estar. submetidos ao regime previsto pela presente recomendação os monumentos. o mais rapidamente possível. e) precisar o regime jurídico do subsolo arqueológico e. especialmente: a) submeter as explorações e as pesquisas arqueológicas ao controle e à prévia autorização da autoridade competente. cada Estado Membro deveria adotar critérios bem mais amplos que imponham ao escavador e ao descobridor a obrigação de declarar todos os bens de caráter arqueológico. principalmente. b) No segundo caso. os problemas advindos das pesquisas arqueológicas e em concordância com as disposições da presente recomendação. b) obrigar quem quer que tenha descoberto vestígios arqueológicos a declará-los. indicá-lo expressamente na legislação. II . a) No primeiro caso. f) dedicar-se ao estabelecimento de critérios de proteção legal dos elementos essenciais de seu patrimônio arqueológico entre os monumentos históricos. I . quer tais investigações impliquem numa escavação do solo ou numa exploração sistemática de sua superfície ou sejam realizadas sobre o leito ou no subsolo das águas interiores ou territoriais de um Estado Membro. . levando em conta. relatórios sobre a continuidade que derem à presente recomendação. às autoridades competentes. Bens protegidos As disposições da presente recomendação se aplicam a qualquer vestígio arqueológico cuja conservação apresente um interesse público do ponto de vista da história ou da arte.Definições Pesquisas arqueológicas Para efeito da presente recomendação entende-se por pesquisas arqueológicas todas as investigações destinadas à descoberta de objetos de caráter arqueológico. o critério que consiste em proteger todos os objetos anteriores a uma determinada data deveria ser abandonado e a atribuição a uma determinada época ou uma ancianidade de um número mínimo de anos fixado por lei deveria ser adotada como critério de proteção.

junto aos sítios arqueológicos importantes. Deveria ser solicitado às autoridades competentes uma autorização prévia para o deslocamento de monumentos cuja localização in situ é essencial. ou seja.o bom funcionamento dos serviços. IV . uma administração central do Estado.a manutenção das escavações e monumentos. de uma organização administrativa e de um corpo técnico suficientes para que fique assegurada a boa conservação dos objetos. assim como uma documentação junto a cada museu importante. Em cada um dos sítios arqueológicos importantes em processo de pesquisa. ou. as medidas de urgência indispensáveis.Órgão de proteção às pesquisas arqueológicas Se a diversidade das tradições e as desigualdades de recursos se opõem à adoção por todos os Estados Membros de um sistema de organização uniforme de serviços administrativos relativos às pesquisas.a execução de um plano de trabalho proporcional à riqueza arqueológica do país. representativas dos sítios arqueológicos particularmente importantes. poderiam ser constituídas. na criação e organização dos museus e das coleções procedentes de pesquisas.eventualmente um museu que permita aos visitantes compreender melhor o interesse dos vestígios que lhes são mostrados. porções de terreno poderiam também ser reservados em vários locais para permitir um controle da estatigrafia. o mais possível. o trabalho de comparação. bem como da composição do meio arqueológico. Educação do público . excepcionalmente. Constituição de coleções centrais e regionais Sendo a arqueologia uma ciência comparativa. pelo menos. b) A continuidade dos recursos financeiros deveria ser garantida principalmente com: I . total ou parcialmente. uma organização que disponha por força de lei. deveriam ser comuns a todos os serviços nacionais: a) O serviço de pesquisas arqueológicas deveria ser. um pequeno estabelecimento de caráter educativo . a necessidade de facilitar. o ensino de técnicas das escavações arqueológicas. permanentemente. Para isso. em caso de necessidades. sempre que possível. Esse serviço. encarregado da administração geral das atividades arqueológicas deveria prover. de acervos cerâmicos. nele incluídas as publicações científicas. Cada Estado Membro deveria exercer um controle rigoroso sobre as restaurações dos vestígios e objetos arqueológicos descobertos. locais. III . testemunhos. para que sua exploração possa beneficiar-se dos progressos da técnica e do avanço dos conhecimentos arqueológicos. entretanto. em colaboração com os institutos de pesquisa e as universidades. ou mesmo. Esse serviço deveria também criar uma documentação central.a fiscalização das descobertas fortuitas. coleções centrais e regionais. com mapas que se refiram a seus monumentos móveis ou imóveis. II . determinado número de sítios arqueológicos de diversas épocas. Deveria ser criado. na medida em que o terreno o permita. dever-se-ia levar em conta. Esses estabelecimentos deveriam dispor. iconográficos. Cada Estado Membro deveria considerar a conveniência de manter intactos. de meios que lhe permitam adotar. o que seria melhor do que pequenas coleções dispersas e com acesso restrito. etc. alguns princípios.

seja por missões internacionais. à concessão das pesquisas. sendo as últimas suficientes para garantir que as pesquisas empreendidas serão levadas a seu termo de acordo com as cláusulas do contrato de concessão e no prazo previsto. as causas que possam justificar a rescisão. se for designado. da edição a preços módicos de monografias e guias em uma redação simples. suficientes para administrar cientificamente uma pesquisa deveria chamar técnicos estrangeiros para dela participar ou uma missão estrangeira para conduzi-la. da organização de circuitos turísticos. deveria ser também um arqueólogo capaz de ajudar a missão e de colaborar com ela. a suspensão dos trabalhos ou a substituição pela administração nacional do concessionário de sua execução.A autoridade competente deveria empreender uma ação educativa para despertar e desenvolver o respeito e a estima ao passado. a possibilidade de concorrerem em igualdade. exigências específicas. da difusão pela imprensa de informações arqueológicas que provenham de especialistas reconhecidos. Quando uma pesquisa for concedida a uma missão estrangeira. Um Estado que não disponha de meios. Garantias recíprocas A autorização para pesquisas só deve ser concedida a instituições representadas por arqueólogos qualificados ou a pessoas que ofereçam sérias garantias científicas. da participação de estudantes em determinadas pesquisas. III . a duração da concessão. A autorização para pesquisas concedida a arqueólogos estrangeiros deveria assegurar reciprocamente garantias de duração e de estabilidade necessárias a incentivar seu . da apresentação clara dos sítios arqueológicos explorados e dos monumentos descobertos. Os Estados Membros deveriam adotar todas as medidas necessárias para facilitar o acesso do público a esses sítios. Colaboração internacional Para responder aos interesses superiores da ciência arqueológica e aos da colaboração internacional.O regime das pesquisas e a colaboração internacional Autorização de pesquisas concedida a um estrangeiro Cada Estado Membro em cujo território as pesquisas necessitam ser executadas deveria regulamentar as condições gerais às quais está subordinada a respectiva concessão. exposições e conferências que tenham por objeto os métodos aplicáveis em matéria de pesquisas arqueológicas assim como os resultados obtidos. seja por missões mistas compostas por equipes científicas de seu próprio país e por arqueólogos que representem instituições estrangeiras. morais e financeiras. especialmente através do ensino de história. as obrigações impostas ao concessionário principalmente quanto ao controle da administração nacional. sem distinção de nacionalidade. assegurando às instituições científicas e às pessoas devidamente qualificadas. os Estados Membros deveriam estimular as pesquisas através de um regime liberal. o representante do Estado concedente. sem necessidade. o contrato de concessão deveria evitar formular. Os Estados Membros deveriam estimular as pesquisas executadas. portanto. com a concordância do diretor da pesquisa. Os Estados Membros que não dispõem de meios necessários para a organização de escavações arqueológicas no estrangeiro deveriam receber todas as facilidades para enviar arqueólogos para pesquisas abertas por outros Estados Membros. técnicos ou de qualquer outra natureza. As condições impostas ao pesquisador estrangeiro deveriam ser as mesmas que se aplicam aos competentes nacionais e.

em qualquer caso. ou vier a ser desrespeitada. b) O produto das pesquisas deveria se destinar. e) Cada Estado Membro deveria considerar a possibilidade de ceder. excluídos os objetos particularmente frágeis ou de importância nacional. em seu território. em um prazo determinado. especialmente. plenamente representativas da civilização. Propriedade científica: direitos e obrigações do pesquisador . Por outro lado. antes de mais nada. da história e da arte desse país. no caso de elas se revelarem excessivamente pesadas. Conservação dos vestígios A autorização deveria definir as obrigações do pesquisador no período em que durar a concessão e a seu término. a manutenção e o restabelecimento das feições do sítio. a cessão ao pesquisador habilitado de um determinado número de objetos provenientes de suas escavações. assim como a conservação. ou que consistam de objetos repetidos ou. Destinação do produto das pesquisas a) Cada Estado Membro deveria determinar claramente os princípios que. a autoridade concedente poderia ter em vista. pública ou privada. em razão de sua similitude com outros objetos produzidos pela mesma pesquisa. em objetos ou grupos de objetos aos quais essa autoridade possa renunciar. trocar ou enviar para depósito em museus estrangeiros. a guarda. redundar em prejuízo ao direito de propriedade científica do pesquisador sobre sua descoberta. até mesmo.empreendimento e a preservá-las de revogações injustificadas. objetos que não apresentem interesse para as coleções nacionais. durante a execução dos trabalhos. durante os trabalhos e ao término das escavações. d) A exportação temporária dos objetos descobertos. obtida a concordância do diretor da pesquisa. os objetos cedidos voltarão à autoridade concedente. de um modo geral. Esse privilégio não deveria. a autorização deveria precisar a possível ajuda com que o pesquisador poderia contar da parte do Estado concedente para fazer face a suas obrigações. se essa condição não for cumprida. dos objetos e monumentos descobertos. a centros científicos abertos ao público. desde que seu estudo seja impraticável no território do Estado concedente devido à insuficiência de meios para a pesquisa bibliográfica e científica. de coleções completas. c) Com a preocupação básica de favorecer os estudos arqueológicos através da divulgação de objetos originais. mediante solicitação justificada de instituição científica. Deveria ser por ela prevista. depois da publicação científica. A cessão ao pesquisador de objetos provenientes de pesquisas deveria estar sempre condicionada a que eles sejam destinados. ficando estabelecido que. Acesso à pesquisa Aos especialistas qualificados de qualquer nacionalidade deveria ser permitida a visita a um canteiro de pesquisa antes de haverem sido publicados seus resultados e. especialmente nos casos em que razões reconhecidamente fundadas viessem a impor a suspensão de seus trabalhos por um determinado período. à constituição. regulam a destinação do produto das pesquisas. nos museus do país em que são realizadas. ou por tornar-se difícil pelas condições de acesso. deveria ser autorizada.

os Estados Membros poderiam organizar. periodicamente. o pesquisador deveria. no prazo previsto pelo contrato de concessão. em um prazo razoável. Os museus estrangeiros deveriam poder adquirir objetos liberados de qualquer restrição legal prevista pela autoridade competente do país de origem. sobretudo aos que obtiveram uma concessão para um determinado sítio ou desejam obtê-la. Durante um período de cinco anos após a descoberta. Reuniões regionais e sessões de discussões científicas Com vistas a facilitar o estudo dos problemas de interesse comum. Esse prazo não deveria ser superior a dois anos. IV . a pedido de tais autoridades. reuniões regionais com grupos de representantes dos serviços arqueológicos dos Estados interessados. c) As publicações científicas sobre as pesquisas arqueológicas editadas em um idioma de difusão restrita deveriam ser acompanhadas de um sumário e. Para permitir. Por outro lado. a consulta a sua documentação e o acesso a seus depósitos arqueológicos aos pesquisadores e especialistas qualificados. Essas autoridades deveriam impedir nas mesmas condições a fotografia ou a reprodução do material arqueológico ainda inédito. a não ser com autorização por escrito do pesquisador. uma dupla publicação simultânea de seu relatório preliminar. as autoridades arqueológicas competentes deveriam se empenhar em não liberar para estudo detalhado o conjunto de objetos provenientes das pesquisas nem a documentação científica a ela referente. Colaboração internacional para a repressão . assim como a exportação dos objetos daí provenientes.Comércio das Antigüidades No interesse superior do patrimônio arqueológico comum. para responderem a sua missão científica e educativa. os serviços arqueológicos nacionais deveriam facilitar.a) O Estado concedente deveria garantir ao pesquisador a propriedade científica de suas descobertas durante um prazo razoável. ou na falta dele. os resultados de seus trabalhos. se possível. b) O Estado concedente deveria impor ao pesquisador a obrigação de publicar. todos os Estados Membros deveriam considerar a possibilidade da regulamentação do comércio das antigüidades. da tradução do quadro das matérias e das legendas das ilustrações em uma língua mais difundida. se for o caso. no que diz respeito aos relatórios preliminares. V . colocar a sua disposição cópia do texto desse relatório. para evitar que esse comércio venha a favorecer a evasão do material arqueológico ou prejudique a proteção das pesquisas e a formação das coleções públicas. cada Estado Membro poderia suscitar reuniões de discussões científicas entre os pesquisadores que operam em seu solo. Documentação sobre as pesquisas Observadas as disposições do artigo 24.A repressão às pesquisas clandestinas e à exportação ilícita dos objetos provenientes das pesquisas arqueológicas Proteção dos sítios arqueológicos contra as pesquisas clandestinas e as degradações Cada Estado Membro deveria adotar as medidas necessárias para impedir as pesquisas clandestinas e a degradação dos monumento definidos nos artigos 2 e 3 acima e a dos sítios arqueológicos. na medida do possível.

deveriam ser publicadas. às autoridades competentes do território anteriormente ocupado. Qualquer oferta suspeita e toda a informação a ela referente deveriam ser levadas ao conhecimento dos serviços interessados.Todas as medidas necessárias deveriam ser adotadas para que. reunida em Paris. concluir acordos bilaterais para regulamentar as questões de interesse comum que possam vir a ser colocadas pela aplicação das disposições da presente recomendação. em sua décima segunda sessão. quando ocorrer a oferta de cessão de objetos arqueológicos. e e acima. Esses princípios deveriam ser aplicados à hipótese da exportação temporária estabelecida no artigo 23. Repatriamento dos objetos ao país de origem Os serviços de pesquisas arqueológicas e os museus deveriam prestar entre si uma colaboração mútua para assegurar ou facilitar o repatriamento ao país de origem dos objetos que provém de pesquisas clandestinas ou de roubos. acompanhados de toda a documentação relativa que detiver. Considerando que em todas as épocas o homem algumas vezes submeteu a beleza e o caráter das paisagens e dos sítios que fazem parte do quadro natural de sua vida a atentados que . a Ciência e a Cultura de 12 de dezembro de 1962 RELATIVA A PROTEÇÃO DA BELEZA E DO CARÁTER DAS PAISAGENS E SÍTIOS A Conferência Geral da Organização das Nações Unidas para a Educação. Ciência e Cultura. assim que possível. os museus possam se assegurar de que nada autoriza a considerar que tais objetos provenham de pesquisas clandestinas.Pesquisas em território ocupado Em caso de conflito armado. sobretudo os que se derem durante atividades militares. ou de outras operações consideradas ilícitas pela autoridade competente do país de origem. É desejável que cada Estado Membro adote todas as medidas necessárias para garantir esse repatriamento. e de objetos cuja exportação tenha sido feita com transgressão à legislação do país de origem. de 9 de novembro a 12 de dezembro de 1962. No caso de objetos arqueológicos haverem sido adquiridos por museus. VI . as indicações que permitam identificá-los e que precisem seu modo de aquisição. Recomendação da Conferência Geral da Organização das Nações Unidas para a Educação. VII . d. ao término das hostilidades. No caso de achados fortuitos. c. sempre que necessário ou desejável. no caso de não restituição dos objetos dentro do prazo fixado. qualquer Estado Membro que venha a ocupar o território de um outro Estado deveria se abster de realizar pesquisas arqueológicas no território ocupado.Acordos Bilaterais Os Estados Membros deveriam. de roubos. a potência ocupante deveria adotar todas as medidas possíveis para protegê-los e deveria enviá-los.

que propostas relativas a esse ponto seriam objeto de uma regulamentação internacional através de uma recomendação aos Estados Membros. as normas e princípios formulados na presente recomendação. aos organismos encarregados da proteção da natureza. a salvaguarda das paisagens e dos sítios definidos pela presente recomendação é necessária à vida do homem. para quem são um poderoso regenerador físico. rurais ou urbanos. ainda mais. Considerando. quando possível. Adota. como o demonstram inúmeros exemplos universalmente conhecidos. A Conferência Geral recomenda aos Estados Membros que levem a presente recomendação ao conhecimento das autoridades e organismos envolvidos com a proteção das paisagens e dos sítios e com o planejamento territorial. A Conferência Geral recomenda aos Estados Membros que lhe apresentem. questão que constitui o ponto 17. Considerando que. em conseqüência. As disposições da presente recomendação visam também a complementar as medidas de salvaguarda da natureza.4. entretanto. do fomento ao turismo e às organizações da juventude. devidos à natureza ou obra do homem. assim como um elemento importante das condições de higiene de seus habitantes. que é altamente desejável e urgente estudar e adotar as medidas necessárias para salvaguardar a beleza e o caráter das paisagens e dos sítios em toda parte e sempre que possível. medidas que ponham em efeito. havia sido relativamente lento. Depois de haver decidido. em todas as partes do mundo. Considerando que esse fenômeno tem repercussão não apenas no valor estético das paisagens e dos sítios naturais ou criados pelo homem. entende-se por salvaguarda da beleza e do caráter das paisagens e sítios a preservação e. sua evolução e o rápido desenvolvimento do progresso técnico. por sua beleza e caráter. sob a forma de lei nacional ou de alguma outra maneira. ou que constituem meios naturais característicos. a restituição do aspecto das paisagens e sítios.empobreceram o patrimônio cultural. em sua décima primeira sessão. estético e até mesmo vital de regiões inteiras. até o século passado. naturais. Reconhecendo. desenvolver por vezes desordenadamente os centros urbanos. executar grandes obras e realizar vastos planejamentos físicos territoriais e instalações de equipamento industrial e comercial. que é preciso levar em conta as necessidades da vida coletiva. ao cultivar novas terras. a presente recomendação. nas datas e sob a forma que ela determinará. A Conferência Geral recomenda aos Estados Membros que apliquem as disposições seguintes e adotem. Havendo-se-lhe apresentadas propostas relativas à salvaguarda da beleza e do caráter das paisagens e dos sítios. I . Considerando. que apresentam um interesse cultural ou estético. as civilizações modernas aceleraram esse fenômeno que. onze de dezembro de 1962. Considerando que.2 da ordem do dia da sessão. II – Princípios Gerais . nos territórios sob sua jurisdição. mas também no interesse cultural e científico oferecido pela vida selvagem. que as paisagens e sítios constituem um fator importante da vida econômica e social de um grande número de países. hoje.Definição Para os efeitos da presente recomendação. relatórios concernentes à implementação desta recomendação. moral e espiritual e por contribuírem para a vida artística e cultural dos povos.

f) Desmatamento. g) Poluição do ar e da água. Para facilitar o trabalho dos diversos serviços públicos encarregados da salvaguarda da paisagem e dos sítios em cada país. os mais ameaçados. geralmente. mas estender-se também às paisagens e sítios cuja formação se deve. evitando cair na imitação gratuita de certas formas tradicionais e pinturescas. o interesse relativo das paisagens e dos sítios em consideração. d) Construção de auto-serviços para distribuição dos combustíveis. disposições especiais deveriam ser tomadas para assegurar a salvaguarda de algumas paisagens e de determinados sítios. deveriam estar em harmonia com a ambiência que se deseja salvaguardar. por causa do barulho que provocam. aquedutos. c) Linhas de eletricidade de alta ou baixa tensão. de: a) Construção de edifícios públicos e privados de qualquer natureza. e) Cartazes publicitários e anúncios luminosos. A salvaguarda não deveria limitar-se às paisagens e aos sítios naturais. a reabilitá-los. Essas medidas deveriam consistir essencialmente no controle dos trabalhos e atividades susceptíveis de causar dano às paisagens e aos sítios e. Medidas corretivas deveriam ser destinadas a suprimir o “dano” causados às paisagens e aos sítios e. especialmente. aeródromos. inclusive destruição de árvores que contribuem para a estética da paisagem. j) Campismo. etc. k) Depósitos de material e de matérias usadas. b) Construção de estradas. regularização dos cursos de água. ou de alguma forma protegidas. só poderiam ser admitidas no caso de exigência imperiosa de um interesse público ou social. especialmente pelas obras de construção e pela especulação imobiliária. etc. e a natureza dos perigos de que estejam ameaçados. As atividades que possam levar a uma deterioração das paisagens e dos sítios em zonas protegidas por lei. Essas medidas poderiam variar. A salvaguarda da beleza e do caráter das paisagens e dos sítios deveria também levar em conta os perigos decorrentes de certas atividades de trabalho. assim como detritos e dejetos domésticos. h) Exploração de minas e pedreiras e evacuação de seus resíduos. estações de rádio. barragens. tais como as paisagens e sítios urbanos. Assim. ou de determinadas formas de vida da sociedade contemporânea. canais. na medida do possível. Uma proteção especial deveria ser assegurada às proximidades dos monumentos. de televisão. particularmente as que margeiam as vias de comunicação ou as avenidas.Os estudos e as medidas a serem adotadas para a salvaguarda das paisagens e dos sítios deverse-iam se estender a todo o território do Estado e não se limitar a algumas paisagens ou sítios determinados. deveriam ser criados institutos de pesquisa científica para colaborar com as autoridades competentes a fim de assegurar a harmonização e a codificação . Convém levar em conta. As medidas a serem adotadas para a salvaguarda das paisagens e dos sítios deveriam ter caráter preventivo e corretivo. que são. i) Captação de nascentes. Seus projetos deveriam ser concebidos de modo a respeitar determinadas exigências estéticas relativas ao próprio edifício e. instalações de produção e de transporte de energia. à obra do homem. comerciais ou industriais. especialmente segundo o caráter e as dimensões das paisagens e sítios. trabalhos de irrigação. sua localização. As medidas preventivas para a salvaguarda das paisagens e dos sítios deveriam visar a protegê-los dos perigos que os ameaçam. no todo ou em parte. na escolha das medidas aplicáveis.

a proteção legal “por zonas” deveria abranger o controle dos loteamentos e a observação de algumas prescrições gerais de caráter estético referentes à utilização dos materiais e sua cor. e) Criação a manutenção de reservas naturais e parques nacionais. das paisagens extensas. Proteção Legal “por zonas” das paisagens extensas As paisagens extensas deveriam ser objeto de proteção legal “por zonas”. O planejamento urbano ou o planejamento territorial das áreas rurais deveriam ser estabelecidos em função de sua ordem de urgência. rurais ou urbanos. Essas disposições e os resultados dos trabalhos dos institutos de pesquisa deveriam ser reunidos em uma só publicação administrativa periódica. Proteção legal de sítios isolados . especialmente para as cidades ou regiões em vias de desenvolvimento rápido. ou da exploração de pedreiras. em toda a extensão do território do país. d) Proteção legal dos sítios isolados.das disposições legislativas e regulamentares aplicáveis à matéria. às precauções a serem tomadas para dissimular as escavações resultantes da construção de barragens. f) Aquisição de sítios pelas coletividades públicas. possibilitar direito a indenização. b) Inserção de restrições nos planos de urbanização e no planejamento em todos os níveis: regionais. c) Proteção legal por zonas. Planejamento Urbano e Planejamento territorial das áreas Rurais O planejamento urbano ou o planejamento territorial das áreas rurais deveriam conter disposições relativas às restrições a serem impostas para a salvaguarda das paisagens e dos sítios – inclusive os que não possuem proteção legal – que se encontrem no território abrangido por esses planos. o caráter estético é de interesse primordial. em regra geral. à regulamentação de derrubada das árvores. numa zona protegida por lei. Quando. atualizada. nas quais a salvaguarda do caráter estético ou pinturesco dos lugares justifique o estabelecimento de tais planos. A proteção legal "por zonas" deveria ser divulgada publicamente e as regras gerais a serem observadas para a salvaguarda das paisagens integrantes de tal proteção deveriam ser editadas e difundidas. etc. às normas relativas à altura. III – Medidas de Salvaguarda A salvaguarda da paisagem e dos sítios deveria ser assegurada com o auxílio dos seguintes métodos: a) Controle geral por parte das autoridades competentes. A proteção legal "por zonas" não deveria. Controle Geral Um controle geral deveria ser exercido sobre os trabalhos e as atividades susceptíveis de causar danos às paisagens e aos sítios.

A expropriação pelos poderes públicos. em terrenos delimitados pelas autoridades encarregadas da salvaguarda e submetidos a sua inspeção. IV . ser proibida e concedida. em cada Estado Membro. Reservas Naturais e Parques Nacionais Quando for possível. por prescrição. ou limitada a determinada localização fixada pelas autoridades encarregadas da salvaguarda. assim como a execução de quaisquer obras públicas em sítio protegido por lei deveriam estar subordinadas ao prévio consentimento das autoridades encarregadas da salvaguarda. essa aquisição deveria poder se realizar através de expropriação. o ar e as águas seja de que maneira for. Não será necessário. assim como porções de paisagem que ofereçam um interesse excepcional.Aplicação das Medidas de Salvaguarda As normas e princípios fundamentais que regulam. A proteção legal de um sítio deveria poder proporcionar ao proprietário o direito à indenização. naturais ou urbanos. devidamente notificada ao proprietário. A proteção legal deveria implicar na proibição de contaminar os terrenos. parciais ou integrais. deveriam ser confiadas às autoridades responsáveis. Cada sítio. Nenhuma servidão convencional deveria ser consentida pelo proprietário sem a concordância das autoridades encarregadas da salvaguarda. ao passo que a extração de minerais estaria sujeita a uma autorização especial. Qualquer publicidade deveria ser proibida nos sítios protegidos por lei e em suas imediações. entretanto. Essa proteção legal deveria acarretar para o proprietário a proibição de destruir o sítio ou alterar seu estado ou aspecto sem a autorização das autoridades encarregadas da salvaguarda. A autorização eventualmente concedida deveria ser acompanhada de todas as condições necessárias à salvaguarda do sítio. Aquisição dos sítios pelas coletividades públicas Os Estados Membros deveriam encorajar as coletividades públicas a adquirirem terrenos que façam parte de uma paisagem ou de um sítio que convenha salvaguardar. devido à proteção por lei. direitos que permitam modificar o caráter ou o aspecto do sítio. deveriam ser protegidos por lei. Esses parques nacionais e reservas naturais deveriam formar um conjunto de zonas experimentais destinadas também às pesquisas sobre a formação e a restauração da paisagem e à proteção da natureza. Ninguém deveria poder adquirir. A permissão de acampar em um sítio protegido por lei deveria. em um sítio protegido por lei. nem para os trabalhos regulares de manutenção das construções. . no caso de ocorrer prejuízo certo e direto. em princípio. os Estados Membros deveriam incorporar às zonas e sítios cuja salvaguarda convém assegurar. ou reservas naturais. parques nacionais destinados à educação e ao lazer do público. terreno ou imóvel assim protegido deveria ser objeto de uma decisão administrativa especial. Deveriam ser igualmente protegidos por lei os terrenos de onde se aprecie uma vista excepcional e os terrenos e imóveis que envolvam um monumento notável. dentro das atribuições que lhes são conferidas pela lei. Quando necessário. apenas.Os sítios isolados e de pequenas dimensões. a salvaguarda das paisagens e dos sítios deveriam ter força de lei e as medidas necessárias a sua aplicação. requisitar qualquer autorização para os trabalhos de exploração usual das terras rurais.

Os professores encarregados dessa tarefa educativa na escola deveriam receber uma preparação especial. particularmente na fase dos anteprojetos. Caberlhes-ia. na forma de estágios especializados de estudos em estabelecimentos de ensino secundário e superior. nos casos de obras de interesse geral e de grande envergadura. em colaborar com os órgãos mencionados nos parágrafos 31. também. efetuar pesquisas de campo. como a construção de rodovias. centrais e regionais. esses serviços deveriam ter a possibilidade de estudar os problemas relativos à salvaguarda e à proteção legal. A educação do público fora da escola deveria ser tarefa da imprensa. especialmente informando a opinião pública e alertando os serviços responsáveis pelos perigos que ameacem as paisagens e os sítios. encarregadas de estudar as questões relativas à salvaguarda e de manifestar seu parecer sobre essas questões às autoridades centrais ou regionais. para o estudo e a apresentação dos aspectos naturais e culturais característicos de determinadas regiões. das associações privadas de proteção das paisagens e dos sítios ou de proteção da natureza.nacionais ou locais . O parecer dessas comissões deveria ser solicitado em todos os casos e em tempo útil. Sanções administrativas ou penais deveriam ser previstas no caso de danos causados voluntariamente às paisagens e aos sítios protegidos. encarregados de aplicar as medidas de salvaguarda. entre outras. Os órgãos de caráter executivo deveriam ser serviços especializados. Para isso.Os Estados Membros deveriam criar órgãos especializados. etc. com o objetivo de intensificar a ação educativa já empreendida nesse sentido e considerar a possibilidade de criar museus especiais. de caráter executivo ou consultivo. ou às coletividades locais interessadas. prestando-lhes uma ajuda material e colocando a sua disposição e à dos educadores em geral os meios apropriados de publicidade. preparar as decisões a serem tomadas e controlar sua execução. Os órgãos de caráter consultivo deveriam ser comissões de caráter nacional. V – Educação do Público Uma ação educativa deveria ser empreendida dentro e fora das escolas para despertar e desenvolver o respeito público pelas paisagens e sítios e para tornar mais conhecidas as normas editadas para garantir sua salvaguarda.cujas tarefas consistiram. material para exposições . dos órgãos encarregados do turismo e das organizações de juventude e de educação popular. Os Estados Membros deveriam facilitar a educação do público e estimular a ação das associações. A violação das normas de salvaguarda das paisagens e dos sítios devria redundar em perdas e danos e ou na obrigação de repor os sítios em seu estado primitivo. Os Estados Membros deveriam também facilitar a tarefa dos museus existentes. ou a reparar os danos por eles causados. Os Estados Membros deveriam facilitar a criação e o funcionamento de órgãos não governamentais . propor as medidas destinadas a reduzir os perigos que possa apresentar a execução de determinados trabalhos. 32 e 33. na medida do possível. tais como filmes. e de órgãos dedicados a essa tarefa. ou seções especializadas nos museus existentes. regional e local. emissões radiofônicas ou de televisão. criação de novas instalações industriais. ordenação espacial de instalações hidrotécnicas.

problema primordial para a coletividade. concursos e outras manifestações similares deveriam ser consagrados e ressaltar o valor das paisagens e dos sítios naturais ou criados pelo homem. temporárias ou itinerantes. Consequentemente. É. essencial que os princípios que devem presidir à conservação e à restauração dos monumentos sejam elaborados em comum e formulados num plano internacional. do Centro Internacional de Estudos para a Conservação e Restauração dos Bens Culturais.permanentes. Ao dar uma primeira forma a esses princípios fundamentais. A sensibilidade e o espírito crítico se dirigem para problemas cada vez mais complexos e diversificados. . por esta última. bem como o sítio urbano ou rural que dá testemunho de uma civilização particular. de uma evolução significativa ou de um acontecimento histórico. a Carta de Atenas de 1931 contribui para a propagação de um amplo movimento internacional que se traduziu principalmente em documentos nacionais. perante as gerações futuras. portanto. o Segundo Congresso Internacional de Arquitetos e Técnicos dos Monumentos Históricos.Conselho Internacional de Monumentos e Sítios CARTA INTERNACIONAL SOBRE CONSERVAÇÃO E RESTAURAÇÃO DE MONUMENTOS E SÍTIOS Portadoras de mensagem espiritual do passado. Jornadas nacionais e internacionais. das revistas e das publicações periódicas regionais. para chamar a atenção do grande público sobre a importância da salvaguarda da sua beleza e de seu caráter. as considera um patrimônio comum e. A humanidade. as obras monumentais de cada povo perduram no presente como o testemunho vivo de suas tradições seculares. reunido em Veneza de 25 a 31 de maio de 1964. Agora é chegado o momento de reexaminar os princípios da Carta para aprofundá-las e dotá-las de um alcance maior em um novo documento. impondo a si mesma o dever de transmiti-las na plenitude de sua autenticidade. Carta de Veneza de maio de 1964 II Congresso Internacional de Arquitetos e Técnicos dos Monumentos Históricos ICOMOS . com o tempo. se reconhece solidariamente responsável por preservá-las. cada vez mais consciente da unidade dos valores humanos. folhetos e livros capazes de obter uma grande difusão e idealizados com um espírito didático. uma significação cultural. na atividade de ICOM e da UNESCO e na criação. Uma ampla publicidade poderia ser obtida através dos jornais.A noção de monumento histórico compreende a criação arquitetônica isolada. Estende-se não só às grandes criações mas também às obras modestas. que tenham adquirido. ainda que caiba a cada nação aplicá-los no contexto de sua própria cultura e de suas tradições. aprovou o texto seguinte: Definições Artigo 1º .

Por isso.O monumento é inseparável da história de que é testemunho e do meio em que se situa. todo trabalho complementar reconhecido como indispensável por razões estéticas ou técnicas destacar-se-á da composição arquitetônica e deverá ostentar a marca do nosso tempo. pintura ou decoração que são parte integrante do monumento não lhes podem ser retirados a não ser que essa medida seja a única capaz de assegurar sua conservação.Artigo 2º . o esquema tradicional será conservado. antes de tudo. Artigo11º .Os elementos de escultura. A restauração será sempre precedida e acompanhada de um estudo arqueológico e histórico do monumento.A restauração é uma operação que deve ter caráter excepcional. mas não pode nem deve alterar à disposição ou a decoração dos edifícios. Artigo 10º .A conservação dos monumentos é sempre favorecida por sua destinação a uma função útil à sociedade.A conservação de um monumento implica a preservação de um esquema em sua escala. visto que a unidade de estilo não é a finalidade a alcançar no curso de . Termina onde começa a hipótese. a consolidação do monumento pode ser assegurada com o emprego de todas as técnicas modernas de conservação e construção cuja eficácia tenha sido demonstrada por dados científicos e comprovada pela experiência.As contribuições válidas de todas as épocas para a edificação do monumento devem ser respeitadas. É somente dentro destes limites que se deve conceber e se pode autorizar as modificações exigidas pela evolução dos usos e costumes. Artigo 6º . tal destinação é portanto. no plano das reconstituições conjeturais.Quando as técnicas tradicionais se revelarem inadequadas. e toda construção nova. Restauração Artigo 9º . toda destruição e toda modificação que poderiam alterar as relações de volumes e de cores serão proibidas. desejável. Artigo 7º. Artigo 8º . Tem por objetivo conservar e revelar os valores estéticos e históricos do monumento e fundamenta-se no respeito ao material original e aos documentos autênticos. exceto quando a salvaguarda do monumento o exigir ou quando o justificarem razões de grande interesse nacional ou internacional. Enquanto subsistir.A conservação e a restauração dos monumentos visam a salvaguardar tanto a obra de arte quanto o testemunho histórico. manutenção permanente. Conservação Artigo 4º .A conservação dos monumentos exige. Finalidade Artigo 3º . o deslocamento de todo o monumento ou de parte dele não pode ser tolerado. Artigo 5º .A conservação e a restauração dos monumentos constituem uma disciplina que reclama a colaboração de todas as ciências e técnicas que possam contribuir para o estudo e a salvaguarda do patrimônio monumental.

bem como os elementos técnicos e formais identificados ao longo dos trabalhos serão ali consignados. adotada pela UNESCO em 1956. a recomposição de partes existentes. Essa documentação será depositada nos arquivos de um órgão público e posta à disposição dos pesquisadores. Todas as fases dos trabalhos de desobstrução. sua manutenção e valorização. seu esquema tradicional. de restauração e de escavação serão sempre acompanhadas pela elaboração de uma documentação precisa sob a forma de relatórios analíticos e críticos. Além disso. e seu estado de conservação é considerado satisfatório.Os sítios monumentais devem ser objeto de cuidados especiais que visem a salvaguardar sua integridade e assegurar seu saneamento. consolidação recomposição e integração.Os trabalhos de conservação. Documentação e Publicações Artigo 16º . admitindo-se apenas a anastilose. O julgamento do valor dos elementos em causa e a decisão quanto ao que pode ser eliminado não podem depender somente do autor do projeto. . ilustrados com desenhos e fotografias. ou seja. a exibição de uma etapa subjacente só se justifica em circunstâncias excepcionais e quando o que se elimina é de pouco interesse e o material que é revelado é de grande valor histórico. das partes originais a fim de que a restauração não falsifique o documento de arte e de história. Devem ser asseguradas as manutenções das ruínas e as medidas necessárias à conservação e proteção permanente dos elementos arquitetônicos e dos objetos descobertos.Os acréscimos só poderão ser tolerados na medida em que respeitarem todas as partes interessantes do edifício. Os elementos de integração deverão ser sempre reconhecíveis e reduzir-se ao mínimo necessário para assegurar as condições de conservação do monumento e restabelecer a continuidade de suas formas. recomenda-se sua publicação. portanto. Escavações Artigo 15º . o equilíbrio de sua composição e suas relações com o meio ambiente. Os trabalhos de conservação e restauração que neles se efetuarem devem inspirar-se nos princípios enunciados nos artigos precedentes. mas desmembradas. devem ser tomadas todas as iniciativas para facilitar a compreensão do monumento trazido à luz sem jamais deturpar seu significado. arqueológico. ou estético. deve ser excluído a priori. distinguindo-se. Artigo 13º . Todo trabalho de reconstrução deverá.uma restauração. todavia.Os elementos destinados a substituir as partes faltantes devem integrar-se harmoniosamente ao conjunto.Os trabalhos de escavação devem ser executados em conformidade com padrões científicos e com a "Recomendação Definidora dos Princípios Internacionais a serem aplicados em Matéria de Escavações Arqueológicas". Artigo 12º . Sítios Monumentais Artigo14º .

incluídos os arquivos musicais. é indispensável que cada Estado Membro adquira uma consciência mais clara das obrigações morais relativas ao respeito a seu patrimônio cultural e ao de todas as nações. Adota. reunida em Paris de 20 de outubro a 20 de novembro de 1964. A Conferência Geral recomenda que os Estados Membros levem esta recomendação ao conhecimento das autoridades e organizações relacionadas à proteção de bens culturais. e que a familiaridade com esses bens favorece a compreensão e a apreciação mútuas entre as nações. em sua décima-segunda reunião. em sua décima-terceira sessão. tais como as obras de arte e de arquitetura.3 da pauta da sessão. Tendo decidido.Definição Para efeito desta recomendação. Considerando que cada Estado tem o dever de proteger o patrimônio constituído pelos bens culturais existentes em seu território contra os perigos decorrentes da exportação. A Conferência Geral recomenda que os Estados-Membros lhe apresentem. da importação e da transferência de propriedade ilícitas.Conferência Geral da Organização das Nações Unidas para a Educação. no território sob sua jurisdição. Considerando que os objetivos visados não podem ser alcançados sem uma estreita colaboração entre os Estados-Membros.3. os documentos etnológicos. neste dia dezenove de novembro de 1964. nas datas e da forma por ela determinada. que tais propostas seriam objeto de regulamentação internacional mediante uma recomendação aos Estados Membros. esperança de que uma convenção internacional possa ser adotada o mais cedo possível. os manuscritos. a Ciência e a Cultura 13a Sessão de 19 de novembro de 1964 RECOMENDAÇÃO SOBRE MEDIDAS DESTINADAS A PROIBIR E IMPEDIR A EXPORTAÇÃO. sem o que os objetivos propostos não seriam alcançados. os espécimens-tipo da flora e da fauna. . A Conferência Geral da Organização das Nações Unidas para a Educação. relatórios a respeito das providências que hajam tomado no sentido de colocar em prática esta recomendação. a importação e a transferência de propriedade ilícitas de bens culturais. contudo. Ciência e Cultura. Tendo examinado propostas de uma regulamentação internacional destinada a proibir e impedir a exportação. são considerados bens culturais os bens móveis e imóveis de grande importância para o patrimônio cultural de cada país. I . Estimando que os bens culturais se constituem em elementos fundamentais da civilização e da cultura dos povos. os livros e outros bens de interesse artístico. Considerando que. esta recomendação. sob forma de lei nacional ou de outra forma. histórico ou arqueológico. medidas necessárias a fazer vigorar. e expressando. Convicta de que se deve tomar providências no sentido de estimular a adoção de medidas adequadas e de aperfeiçoar o ambiente de solidariedade internacional. assunto que constitui o item 15. para evitar esses perigos. A Conferência Geral recomenda que os Estados Membros apliquem as disposições seguintes. A IMPORTAÇÃO E A TRANSFERÊNCIA DE PROPRIEDADE ILÍCITAS DE BENS CULTURAIS. as coleções científicas e as coleções importantes de livros e arquivos. as normas e princípios formulados na presente recomendação. adotando.

III . cada Estado Membro deveria. é conveniente levar em consideração os seguintes princípios comuns. deveria instituir um serviço nacional para a proteção dos bens culturais. estabelecer e aplicar procedimentos para a identificação dos bens culturais definidos nos parágrafos 1 e 2 que existam em seu território e estabelecer um inventário nacional desses bens. importação ou transferência de propriedade ilícitas. e em geral todos os serviços e instituições relacionados à conservação de bens culturais. Para estimular e facilitar os intercâmbios legítimos de bens culturais. através de cessão ou intercâmbio. Particularmente. caso se julgue necessária a criação de um serviço nacional de proteção dos bens culturais: . nos parágrafos 1 e 2. importação ou transferência de propriedade efetuada em oposição às normas adotadas por cada Estado Membro em conformidade com o parágrafo 6 deveria ser considerada ilícita. II . A importação de bens culturais só deveria ser autorizada após haverem sido declarados livres de qualquer restrição por parte do Estado exportador. Instituições de Proteção dos Bens Culturais Cada Estado-Membro deveria providenciar para que a proteção dos bens culturais estivesse sob a responsabilidade de órgãos oficiais adequados e. por meio de empréstimo ou depósito. Ainda que a diversidade de disposições constitucionais e de tradições e a desigualdade de recursos impossibilitem a adoção por todos os Estados-Membros de uma organização uniforme.Cada Estado Membro deveria adotar os critérios que julgar mais adequados para definir. alguns desses mesmos objetos. na medida do possível.Medidas Recomendadas Identificação e Inventário Nacional dos Bens Culturais Para garantir a aplicação mais eficaz dos princípios gerais enunciados acima. Este inventário não teria caráter restritivo. Qualquer exportação. um objeto cultural de propriedade privada deveria permanecer como tal mesmo após sua inclusão no inventário nacional. A inclusão de um objeto cultural nesse inventário não deveria alterar de maneira alguma sua propriedade legal. Cada Estado Membro deveria estabelecer normas que regulamentassem a aplicação dos princípios supracitados. ou. os bens culturais que haverão de se beneficiar da proteção estabelecida nesta recomendação em virtude da grande importância que apresentam. Os museus. Casa Estado Membro deveria tomar as providências apropriadas para impedir a transferência ilícita de propriedade dos bens culturais. no âmbito de seu território. se necessário. deveriam abster-se de adquirir qualquer bem cultural procedente de exportação. cada Estado Membro deveria adotar as medidas adequadas para exercer um controle eficaz sobre a exportação de bens culturais.Princípios Gerais Para garantir a proteção de seu patrimônio cultural contra todos os perigos de empobrecimento. os Estados-Membros deveriam empreender os esforços necessários para pôr à disposição das coleções públicas dos demais Estados Membros. objetos do mesmo tipo daqueles cuja exportação ou transferência de propriedade não possam ser autorizadas.

como por exemplo. Em caso de dúvida a instituição incumbida da proteção dos bens culturais deveria comunicar-se com a instituição competente para confirmar a legalidade da exportação. sempre que fosse proposta a transferência de propriedade de um bem cultural. a importação e a transferência de propriedade ilícitas. Toda oferta suspeita e todos os detalhes a ela relacionados. e. atuando em conformidade com a legislação nacional. Colaboração Internacional para a Detecção de Operações Ilícitas Sempre que necessário ou conveniente. os serviços competentes de cada Estado pudessem certificar-se da inexistência de motivos para considerar o objeto como proveniente de um roubo. se for o caso. da importação e da transferência de propriedade de bens culturais. dispusesse dos meios administrativos. e mais especificamente. ao exigir a apresentação do certificado a que se refere o parágrafo 11. de uma exportação ou de uma transferência de propriedade ilícitas ou de qualquer outra operação considerada ilegal pela legislação do Estado exportador. constituir um fundo ou adotar outras medidas financeiras apropriadas para dispor dos recursos necessários a adquirir bens culturais de importância excepcional. para resolver problemas decorrentes da exportação. (ii) Cooperação com outros organismos competentes no controle da exportação. os Estados Membros deveriam firmar acordos bilaterais ou multilaterais. Tais acordos poderiam. da importação ou da transferência de propriedade de bens culturais. se necessário. ser incluídos em acordos de maior abrangência. . de modo a garantir a restituição de bens culturais ilicitamente exportados do território de uma das partes desses acordos e localizada no território de outra. um serviço administrativo do Estado ou um órgão que. o controle de exportações seria consideravelmente facilitado se os bens culturais fossem acompanhados. inclusive sanções que impedissem a exportação. d) O serviço nacional de proteção dos bens culturais deveria poder recorrer a especialistas para assessorá-lo em relação a problemas técnicos e na solução de casos litigiosos.a) O serviço nacional de proteção dos bens culturais deveria ser. técnicos e financeiros que permitissem o desempenho eficaz de suas funções. de um certificado apropriado. acima. mediante o qual o Estado exportador certificaria haver autorizado a exportação do bem em questão. em conformidade com o estabelecido no parágrafo 10. Cada Estado-Membro deveria. o estabelecimento e a manutenção de um inventário nacional desses bens. c) O serviço nacional de proteção dos bens culturais deveria estar autorizado a apresentar às autoridades nacionais competentes propostas de outras medidas legislativas ou administrativas adequadas à proteção dos bens culturais. em conformidade com as disposições da seção 11. por ocasião de sua exportação. por exemplo. tais como os acordos culturais. na medida do possível. deveriam ser levados ao conhecimento dos serviços interessados. b) As funções do serviço nacional de proteção dos bens culturais deveriam incluir: (i) A identificação dos bens culturais existentes no território do Estado. os acordos bilaterais ou multilaterais deveriam conter cláusulas que garantissem que. se necessário. acima. dentro da estrutura de organizações intergovernamentais regionais. Acordos Bilaterais e Multilaterais Sempre que necessário ou conveniente. como.

se necessário. com a imprensa e com outros meios de informação e difusão. em sua décima-terceira reunião. O precedente é o texto autêntico da Recomendação devidamente aprovada pela Conferência Geral da Organização das Nações Unidas para a Educação. com organizações de juventude e de educação popular e com grupos e indivíduos ligados a atividades culturais. O Presidente da Conferência Geral Noraír M. por solicitação de Estado que o reclamasse. Publicidade em caso de Desaparecimento de um Bem Cultural O desaparecimento de qualquer bem cultural deveria. Essa restituição ou repatriação deveria ser efetuada em conformidade com a. Tal ação deveria ser empreendida pelos serviços competentes em cooperação com os serviços educativos.Os Estados-Membros deveriam empenhar-se na assistência mútua através do intercâmbio dos resultados de suas experiências no âmbito dos assuntos a que se refere esta recomendação. legislação vigente no Estado em cujo território se encontram os bens. Ação Educativa No sentido de uma colaboração internacional que levasse em consideração tanto a natureza universal da cultura quanto a necessidade de intercâmbios para possibilitar a todos beneficiarse do patrimônio cultural da humanidade. realizada em Paris e declarada concluída no vigésimo dia de novembro de 1964. Ciência e a Cultura. Restituição ou Repatriação de Bens Culturais Exportados Ilicitamente Os Estados-Membros. neste vigésimo-primeiro dia de novembro de 1964. através de uma publicidade adequada. ser levado ao conhecimento do público. Sissakian O Diretor-Geral René Mahen . Em fé do qual apensamos nossas assinaturas. os museus e todas as instituições competentes em geral deveriam colaborar uns com os outros no sentido de garantir ou facilitar a restituição ou a repatriação de bens culturais ilicitamente exportados. os serviços de proteção dos bens culturais. cada Estado-Membro deveria agir de modo a estimular e desenvolver entre seus cidadãos o interesse e o respeito pelo patrimônio cultural de todas as nações. tomar as providências adequadas para estabelecer que sua legislação interna ou as convenções quais possa vir a participar garantissem ao adquirente de boa fé de um bem cultural a ser restituído ou repatriado ao território do Estado do qual havia sido ilegalmente exportado a possibilidade de obter a indenização por perdas e danos ou outra compensação equivalente. Direitos dos Adquirentes de Boa Fé Cada Estado-Membro deveria.

Os lugares pitorescos e outras belezas naturais.Considerações Gerais A idéia do espaço é inseparável do conceito do monumento e. porque. histórico e artístico. que. objeto de defesa e proteção por parte do Estado. sendo a razão fundamental da Reunião de Punta del Leste o propósito comum de dar um novo impulso ao desenvolvimento do continente..Organização dos Estados Americanos Informe Final I . porque com isso os chefes de Estado deixam reconhecida. O. ao ambiente natural que o emoldura e aos bens culturais que encerra. letra d). torna-se imprescindível estender a devida proteção a outros bens móveis e a objetos valiosos do patrimônio cultural para evitar sua contínua deterioração e subtração impune e para conseguir que contribuam à obtenção dos fins pretendidos mediante sua adequada exibição. e em segundo. Primeiramente. de maneira expressa.Normas de Quito de novembro/dezembro de 1967 REUNIÃO SOBRE CONSERVAÇÃO E UTILIZAÇÃO DE MONUMENTOS E LUGARES DE INTERESSE HISTÓRICO E ARTÍSTICO. de acordo com a moderna técnica museográfica. mas sua eficácia prática dependerá. está se aceitando implicitamente que esses bens do patrimônio cultural representam um valor econômico e são suscetíveis de constituir-se em instrumentos do progresso. da Declaração dos Presidentes da América. em último caso. mereça essa designação. a existência de uma situação de urgência que reclama a cooperação interamericana. É preciso reconhecer.A. de sua adequada formulação dentro de um plano sistemático de revalorização dos bens patrimoniais em função do desenvolvimento econômico-social. As recomendações do presente informe são dirigidas nesse sentido e se limitam. Mas pode existir uma zona. tanto em nível nacional quanto internacional. II .Introdução A inclusão do problema representado pela necessária conservação e utilização do patrimônio monumental na relação de esforços multinacionais que se comprometem a realizar os governos da América resulta alentador num duplo sentido. portanto. sem que nenhum dos elementos que o constitui. isoladamente considerados. entretanto. a tutela do Estado pode e deve se estender ao contexto urbano. dada a íntima relação entre o continente arquitetônico e o conteúdo artístico. O acelerado processo de empobrecimento que vem sofrendo a maioria dos países americanos como conseqüência do estado de abandono e da falta de defesa em que se encontra sua riqueza monumental e artística demanda a adoção de medidas de emergência. de conformidade com o que dispõe o Capítulo V.E. recinto ou sítio de caráter monumental. não são propriamente monumentos nacionais. à adequada conservação e utilização dos monumentos e sítios de interesse arqueológico. A marca histórica ou artística do . Esforços Multinacionais. especificamente.

artísticas e históricas do extenso período colonial. apagando as marcas e expressões do passado. têm sofrido tais . numa exuberante variedade de formas. que implica a exploração exaustiva de seus recursos naturais e a transformação progressiva das suas estruturas econômico-sociais. Múltiplos fatores têm contribuído e continuam contribuindo para diminuir as reservas de bens culturais da maioria dos países da América Ibérica. sítios e conjuntos monumentais adquirem excepcional importância e atualidade. conservação e utilização dos monumentos. nem sempre acessíveis ou de todo exploradas. Grande número de cidades ibero-americanas que entesouravam. testemunhos de uma tradição histórica de inestimável valor. a medida em que a referida função social é compatível com a propriedade privada e com o interesse dos particulares. É certo também que grande parte desse patrimônio se arruinou irremediavelmente no curso das últimas décadas ou se acha hoje em perigo iminente de perder-se. A partir desse momento o bem em questão estará submetido ao regime de exceção assinalado pela lei. Aos grandiosos testemunhos das culturas pré-colombianas se agregam as expressões monumentais. mas é necessário reconhecer que a razão fundamental da destruição progressivamente acelerada desse potencial de riqueza reside na falta de uma política oficial capaz de imprimir eficácia prática às medidas protecionistas vigentes e de promover a revalorização do patrimônio monumental em função do interesse público e para beneficio econômico da nação. num passado ainda próximo.homem é essencial para imprimir a uma paisagem ou a um recinto determinado essa categoria específica. e em especial a América Ibérica. que.templos. Todo monumento nacional está implicitamente destinado a cumprir uma função social. constitui uma região extraordinariamente rica em recursos monumentais. complexos urbanos e povoados inteiros são suscetíveis de se tomar centros de maior interesse e atração. Nos momentos críticos em que a América se encontra comprometida em um grande empenho progressista. se alternam com surpreendentes sobrevivências do passado. praças. Todo processo de acelerado desenvolvimento traz consigo a multiplicação de obras de infraestrutura e a ocupação de extensas áreas por instalações industriais e construções imobiliárias que não apenas alteram. Qualquer que seja o valor intrínseco de um bem ou as circunstâncias que concorram para constituir a sua importância e significação histórica ou artística. contribui para imprimir aos estilos importados um sentido genuinamente americano de múltiplas manifestações locais que os caracteriza e distingue. Um acento próprio. III . Ruínas arqueológicas de capital importância. em conjunto. A declaração de monumento nacional implica a sua identificação e registro oficiais. evidência de sua grandeza passada . ele não se constituirá em um monumento a não ser que haja uma expressa declaração do Estado nesse sentido.O Patrimônio Monumental e o Momento Americano É uma realidade evidente que a América. nos diferentes casos. acentuavam sua personalidade e atração -. Cabe ao Estado fazer com que ela prevaleça e determinar. fontes e vielas. arquitetônicas. mas deformam por completo a paisagem. um rico patrimônio monumental. produto do fenômeno da aculturação. os problemas que se relacionam com a defesa.

A defesa e valorização do patrimônio monumental e artístico não se contradiz. Consequentemente. nos últimos anos. que teve como tema o problema dos conjuntos históricos. 1961). Em confirmação a este critério se transcreve o seguinte parágrafo do Informe Weiss. exige a adoção de medidas de defesa. A partir da Carta de Atenas. figuram o da União Internacional de Arquitetos (Moscou. as medidas que levam a sua preservação e adequada utilização não só guardam relação com os planos de desenvolvimento. É preciso admitir que os organismos internacionais especializados têm reconhecido a dimensão do problema e vêm trabalhando com afinco. o do ICOMOS. . de 1932. recuperação e revalorização do patrimônio monumental da região e a formulação de planos nacionais e multinacionais a curto e a longo prazo. Não é exagerado afirmar que o potencial de riqueza destruída com esses atos irresponsáveis de vandalismo urbanístico em numerosas cidades do continente excede em muito os benefícios advindos para a economia nacional através das instalações e melhorias de infraestrutura com que se pretendem justificar. muitos foram os congressos internacionais que se sucederam até consolidar-se o atual critério dominante. deve constituir o seu complemento. mas fazem ou devem fazer parte deles. preparar e servir ao futuro sem destruir o passado. histórico e artístico constituem também recursos econômicos da mesma forma que as riquezas naturais do país. teórica nem praticamente. A continuidade do horizonte histórico e cultural da América. Tudo isso em nome de um mal entendido e pior administrado progresso urbano. o Congresso da Federação Internacional da Habitação e Urbanismo (Santiago de Compostela. em nível tanto local como nacional.Valorização Econômica dos Monumentos Partimos do pressuposto de que os monumentos de interesse arqueológico. 1958). com uma política de ordenação urbanística cientificamente desenvolvida. todo plano de ordenação deverá realizar-se de forma que permita integrar ao conjunto urbanístico os centros ou complexos históricos de interesse ambiental. IV . A elevação do nível de vida não deve se limitar à realização de um bem-estar material progressivo. que trazem a esse tema de tanto interesse americano um ponto de vista eminentemente prático. o Congresso de Veneza (1964) e o mais recente.A solução conciliatória A necessidade de conciliar as exigências do progresso urbano com a salvaguarda dos valores ambientais já é hoje em dia uma norma inviolável na formulação dos planos reguladores. Entre os que mais se aprofundaram no problema. gravemente comprometido pela entronização de um processo anárquico de modernização. Longe disso. V . em Cáceres (1967). Está à disposição da América a experiência acumulada. contribuindo com recomendações concretas. Nesse sentido. apresentado à Comissão Cultural e Científica do Conselho da Europa (1 963): "É possível equipar um país sem desfigurá-lo. para conseguir soluções satisfatórias. deve ser associado à criação de um quadro de vida digno do homem".mutilação e degradações no seu perfil arquitetônico que se tomam irreconhecíveis.

precisamente. adquire no momento americano uma especial aplicação. diz-se: "... através da cooperação continental. da Declaração dos Presidentes: "Esforços Multinacionais... sem desvirtuar sua natureza ressaltem suas características e permitam seu . a avaliação dos recursos disponíveis e a formulação de projetos específicos dentro de um plano de ordenação geral. capítulo V. Encomendar aos organismos competentes da OEA que:. como meio indireto de favorecer o desenvolvimento econômico do país. Isso explica o emprego do termo "utilização". Se algo caracteriza este momento é. reiteradas recomendações e resoluções de diferentes organismos do sistema levaram progressivamente o problema ao mais alto nível de consideração: a Reunião dos Chefes de Estado (Punta del Este. ou seja. Valorizar um bem histórico ou artístico equivale a habilitá-lo com as condições objetivas e ambientais que. a ajuda necessária ao desenvolvimento econômico dos países membros da OEA. convocada com a finalidade única de dar cumprimento ao disposto na Declaração dos Presidentes." 2. É evidente que a inclusão do problema relativo à adequada preservação e utilização do patrimônio monumental na citada reunião corresponde às mesmas razões fundamentais que levaram os presidentes da América a convocá-la: a necessidade de dar à Aliança para o Progresso um novo e mais vigoroso impulso e de oferecer.. na resolução 2 da Segunda Reunião Extraordinária do Conselho Interamericano Cultural." Em suma. Isso implica uma tarefa prévia de planejamento em nível nacional. A. a urgente necessidade de utilizar ao máximo o cabedal de seus recursos e é evidente que entre eles figura o patrimônio monumental das nações. trata-se de mobilizar os esforços nacionais no sentido de procurar o melhor aproveitamento dos recursos monumentais de que se disponha. VI . 1967). excede suas atuais possibilidades." Mais concretamente. históricos e artísticos. A extensão da cooperação interamericana para esse aspecto do desenvolvimento implica o reconhecimento de que o esforço nacional não é por si só suficiente para empreender uma ação que.. na maioria dos casos. dentro da área de competência do conselho. que tende a tomar-se cada dia mais freqüente entre os especialistas. d) Estendam a cooperação interamericana à conservação e utilização dos monumentos arqueológicos. É unicamente através da ação multinacional que muitos Estados-Membros em processo de desenvolvimento podem prover-se dos serviços técnicos e dos recursos financeiros indispensáveis.Na mais ampla esfera das relações interamericanas. A extensão da assistência técnica e a ajuda financeira ao patrimônio cultural dos Estados Membros será cumprida em função de seu desenvolvimento econômico e turístico.A valorização do Patrimônio do Cultural O termo "valorização". que figura no ponto 2.

Um monumento restaurado adequadamente.ótimo aproveitamento. Do exposto se depreende que a diversidade de monumentos e edificações de marcado interesse histórico e artístico situadas dentro do núcleo de valor ambiental se relacionam entre si e exercem um efeito multiplicador sobre o resto da área. Em outras palavras. É preciso destacar que. mesmo que a intenção original nada tenha a ver com a cultura. a salvaguarda de uma grande parte de seu patrimônio cultural. dirigida a utilizar todos e cada um desses bens conforme a sua natureza. a área de implantação de uma construção de especial interesse toma-se comprometida por causa da vizinhança imediata ao monumento. VII . condenado à completa e irremediável destruição. a enriquece. na medida em que um monumento atrai a atenção do visitante. que. no caso da América Ibérica. passando-a do domínio exclusivo de minorias eruditas ao conhecimento e fruição de maiorias populares. longe disso. Esse incremento de valor real de um bem por ação reflexa constitui uma forma de mais valia que há de se levar em consideração. de certa maneira. harmonia e comunhão espiritual mesmo entre povos que mantêm rivalidade política. um conjunto urbano valorizado. As normas protecionistas e os planos de revalorização têm que estender-se.Os monumentos em função do turismo Os valores propriamente culturais não se desnaturalizam nem se comprometem ao vincular-se com os interesses turísticos e. seria o de contribuir para o desenvolvimento econômico da região. esses testemunhos do passado estimulam os sentimentos de compreensão. a todo o âmbito do monumento. longe de diminuir sua significação puramente histórica ou artística. A Europa deve ao turismo. Essa é outra conseqüência previsível da valorização e implica a prévia adoção de medidas reguladoras que. a valorização de um monumento exerce uma benéfica ação reflexa sobre o perímetro urbano em que se encontra implantado e ainda transborda dessa área imediata. No mais amplo marco das relações internacionais. de pôr em produtividade uma riqueza inexplorada. Em síntese. aumentará a demanda de comerciantes interessados em instalar estabelecimentos apropriadas a sua sombra protetora. É evidente que. Tudo quanto contribuir para exaltar os valores do espírito. constituem não só uma lição viva de história como uma legítima razão de dignidade nacional. destacando e exaltando suas características e méritos até colocá-los em condições de cumprir plenamente a nova função a que estão destinados. e a . a valorização do patrimônio monumental e artístico implica uma ação sistemática. passará a ser parte dele quando for valorizado. impeçam a desnaturalização do lugar e a perda das finalidades primordiais que se perseguem. o que equivale a dizer que. ao mesmo tempo em que facilitem e estimulem a iniciativa privada. a maior atração exercida pelos monumentos e a fluência crescente de visitantes contribuem para afirmar a consciência de sua importância e significação nacionais. direta ou indiretamente. Deve-se entender que a valorização se realiza em função de um fim transcendente. De outra parte. em alguma medida. trata-se de incorporar a um potencial econômico um valor atual. eminentemente técnica. portanto. mediante um processo de revalorização que. que ficaria revalorizada em conjunto como conseqüência de um plano de valorização e de saneamento de suas principais construções. estendendo seus efeitos a zonas mais distantes. há de derivar em seu beneficio.

Anexo A. resgatados tecnicamente graças ao poderoso estímulo turístico. b) a atividade turística que se origina da adequada apresentação de um monumento e que. para obras de conservação. o Conselho Econômico e Social do citado organismo mundial. tanto em nível nacional como regional. tanto governamentais como privados. 4). na sua quarta reunião (julho-agosto de 1967). A Comissão Técnica de Fomento do Turismo. recentes reuniões especializadas têm abordado o tema específico da função que os monumentos de interesse artístico e histórico representam no desenvolvimento da indústria turística. resolveu solidarizar-se com as conclusões adotadas pela correspondente Comissão de Equipamento Turístico. empreendeu-se um exaustivo estudo. Ultimamente. a União Internacional de Organizações Oficiais de Turismo. educativas e sociais que justificam o uso da riqueza monumental em função do turismo. entre as quais figuram as seguintes: "Que os monumentos e outros bens de natureza arqueológica. insiste nos benefícios econômicos que derivam dessa política para as áreas territoriais correspondentes. em conseqüência. o patrimônio cultural. 1963) não somente recomendou que se desse uma alta prioridade aos investimentos em turismo dentro dos planos nacionais. a Conferência sobre Comércio e Desenvolvimento das Nações Unidas (1964) recomendou às agências e organismos de financiamento. . "oferecer assistência. histórica e artística podem e devem ser devidamente preservados e utilizados em função do desenvolvimento. A Conferência das Nações Unidas sobre Viagens Internacionais e Turismo (Roma.24). ao problema do abandono em que se encontra boa parte do patrimônio cultural dos países do continente. históricos e de beleza natural" (Resolução. traz consigo uma profunda transformação econômica da região em que esse monumento se acha inserido. Esse estudo confirma os critérios expostos e. a fim de acelerar a melhoria dos seus recursos turísticos" (Resolução 1109 XL). Dois pontos de particular interesse merecem ser destacados: a) a afluência turística determinada pela revalorização adequada de um monumento assegura a rápida recuperação do capital investido nesse fim. com a colaboração de um organismo não-governamental de grande prestígio. constitui um valor substancialmente importante" e que. mais propriamente. depois de recomendar à Assembléia Geral designar o ano de 1967 como "Ano do Turismo Internacional". seria urgente "a adoção de medidas adequadas dirigidas a assegurar a conservação e proteção desse patrimônio" (Informe Final. determinaria sua extinção. resolveu solicitar aos organismos das Nações Unidas e às agencias especializadas que dessem "parecer favorável às solicitações de assistência técnica e financeira dos países em desenvolvimento. é lógico que os investimentos que se requerem para sua devida restauração e habilitação específica devem se fazer simultaneamente aos que reclama o equipamento turístico e. Por sua vez. além das numerosas recomendações e acordos que enfatizam a importância a ser concedida. como fez ressaltar que. Se os bens do patrimônio cultural desempenham papel tão importante na promoção do turismo. tem oportunidade de se enriquecer com a contemplação de novos exemplos da civilização ocidental. IV. Doc. abandonada.sensibilidade contemporânea. Dentro do sistema interamericano. restauração e utilização vantajosa de sítios arqueológicos. histórico e natural das nações. "do ponto de vista turístico. mais visual que literária. depois de analisar as razões culturais. como principais incentivos à afluência turística". Em relação a esse tema. integrar-se num só plano econômico de desenvolvimento regional. na forma mais apropriada. que vem sendo objeto de especial atenção por parte da Secretaria Geral da UNESCO.

praças e lugares. com a reserva de bens culturais. para que um monumento possa ser explorado e passe a fazer parte do equipamento turístico de uma região. Podem ser necessárias outras obras de infra-estrutura."Que nos países de grande riqueza patrimonial de bens de interesse arqueológico. Nada pode contribuir melhor para a tomada de consciência desejada do que a contemplação do próprio exemplo. incapazes de apreciar o que mais convém à comunidade a partir do remoto ponto de vista do bem público. em conseqüência. os monumentos são parte do equipamento de que se dispõe para operar essa indústria numa região determinada. histórico ou artístico. da sua significação ou interesse arqueológico. O estímulo a agrupamentos cívicos de defesa do patrimônio. quer dizer. Carentes da suficiente formação cívica para julgar o interesse social como uma expressão decantada do próprio interesse individual. mas à medida em que o monumento possa servir ao uso a que se lhe destina já não dependerá apenas de seu valor intrínseco. os habitantes de uma população contagiada pela febre do progresso não podem medir as conseqüências dos atos de vandalismo urbanístico que realizam alegremente. costuma ocorrer uma reação favorável de cidadania que paralisa a ação destrutiva e permite a consecução de objetivos mais ambiciosos. qualquer que seja sua denominação e composição. mas também das circunstâncias adjetivas que concorram para ele e facilitem sua adequada utilização. Uma vez que se apreciam os resultados de certas obras de restauração e de revitalização de edifícios. . Tudo isso. As vantagens econômicas e sociais do turismo monumental figuram nas mais modernas estatísticas. esse patrimônio constitui um fator decisivo em seu equipamento turístico e. mantido o caráter ambiental da região. pelo que se faz aconselhável que os organismos e unidades técnicas de uma e outra área da atividade interamericana trabalhem nesse sentido de forma coordenada.O interesse social e a ação cívica É presumível que os primeiros esforços dirigidos a revalorizar o patrimônio monumental encontrem uma ampla zona de resistência na órbita dos interesses privados. especialmente nas dos países europeus." "Que os interesses propriamente culturais e os de índole turística se conjugam no que diz respeito à devida preservação e utilização do patrimônio monumental e artístico dos povos da América. deve ser levado em conta na formalização dos planos correspondentes. Do seio de cada comunidade pode e deve surgir a voz de alarme e a ação vigilante e preventiva. tem dado excelentes resultados. entre suas principais fontes de riqueza. Anos de incúria oficial e um impulsivo afã de renovação que caracteriza as nações em processo de desenvolvimento contribuem para difundir o menosprezo por todas as manifestações do passado que não se ajustam ao molde ideal de um moderno estilo de vida. que devem sua presente prosperidade ao turismo internacional e que contam. VIII . histórico e artístico." Do ponto de vista exclusivamente turístico. Daí que as obras de restauração nem sempre sejam suficientes. especialmente em localidades que não dispõem ainda de diretrizes urbanísticas e onde a ação protetora em nível nacional é débil ou nem sempre eficaz. com a indiferença ou a cumplicidade das autoridades locais. tais como um caminho que facilite o acesso ao monumento ou um albergue que aloje os visitantes ao término de uma jornada de viagem. por si só.

Compete ao governo dotar o país das condições que tomem possível a formulação e execução de projetos específicos de valorização. devem a eles se integrar. o interesse público. em sua falta. IX . os seguintes: a) Reconhecimento de uma excepcional prioridades dos projetos de valorização da riqueza monumental. d) Designação de uma equipe técnica que possa contar com assistência exterior durante a elaboração dos projetos específicos ou durante sua execução. Do ponto de vista cultural. consequentemente. aos países corresponde a tarefa prévia de formular seus projetos e integrá-los com os planos gerais para o desenvolvimento. é o complemento do esforço nacional. Na medida em que esses interesses coincidentes se unam e identifiquem. deve se levar em conta a conveniência de um programa anexo de educação cívica.Os instrumentos da valorização A adequada utilização dos monumentos de principal interesse histórico e artístico implica primeiramente a coordenação de iniciativas e esforços de caráter cultural e econômicoturísticos. dentro do Plano Nacional para o Desenvolvimento. muito especialmente nas pequenas comunidades.Em qualquer caso. a colaboração espontânea e múltipla dos particulares nos planos de valorização do patrimônio histórico e artístico é absolutamente imprescindível. desenvolvido sistemática e simultaneamente à execução do projeto. na preparação desses planos. os resultados perseguidos serão mais satisfatórios. outras disposições governamentais que facilitem o projeto de valorização fazendo prevalecer. Não pode haver essa necessária coordenação se não existem no país em questão as condições legais e os instrumentos técnicos que a tomem possível. São requisitos indispensáveis aos efeitos citados. Daí que. Os investimentos que se requerem para a execução dos referidos projetos devem ser feitos simultaneamente com os que são necessários para o equipamento turístico da zona ou região objeto de revalorização. b) Legislação adequada ou. A integração dos projetos culturais e econômicos deve produzir-se em nível nacional como medida prévia a toda gestão de assistência ou cooperação exterior. As medidas e procedimentos que se seguem destinam-se a essa finalidade. Aos governos dos diferentes Estados Membros cabe a iniciativa. em todas as circunstâncias. Recomendações (em nível nacional) Os projetos de valorização do patrimônio monumental fazem parte dos planos de desenvolvimento nacional e. são requisitos prévios a qualquer propósito oficial dirigido a revalorizar seu patrimônio monumental: legislação eficaz. Essa integração. tanto em termos técnicos como financeiros. c) Direção coordenada do projeto através de um instituto idôneo. . organização técnica e planejamento nacional. capaz de centralizar sua execução em todas as etapas.

o que dificulta extremamente sua utilização. deve-se ter presente. especialmente. por isso. e dado que a catalogação desses documentos imprescindíveis foi interrompida em data anterior à da maioria das construções coloniais. Uma vez que a Espanha conserva em seus arquivos farto material de plantas sobre as cidades da América. torna-se altamente necessário que a OEA coopere com a Espanha no trabalho de atualizar e facilitar as investigações nos arquivos espanhóis e. capaz de proteger de maneira mais ampla e efetiva essa parte importantíssima do patrimônio cultural do continente dos múltiplos riscos que a ameaçam. fortalezas e grande número de edifícios.A valorização da riqueza monumental só pode ser levada a efeito dentro de um quadro de ação planificada. à Espanha e a Portugal. toma-se imprescindível a integração dos projetos que se venham a promover com os planos reguladores existentes na cidade ou na região de que se trate. Vincular a necessária revalorização do patrimônio monumental e artístico das nações da América a outros países extra-continentais e. A necessária coordenação dos interesses propriamente culturais relativos aos monumentos ou conjuntos ambientais. nos das índias. A cooperação dos interesses privados e o respaldo da opinião pública são indispensáveis para a realização de qualquer projeto de valorização. durante a sua formulação. Estender o conceito generalizado de monumento às manifestações próprias da cultura dos séculos XIX e XX. procederse-á no sentido de estabelecê-los de forma adequada. A restauração termina onde começa a hipótese. e os de caráter turístico deverá produzir-se no âmago da direção coordenada do projeto a que se refere a letra c) do inciso 3. constituídos do acervo de museus e arquivos. Recomendações(em nível interamericano) Reiterar a conveniência de que os países da América adotem a Carta de Veneza como norma mundial em matéria de preservação de sítios e monumentos históricos e artísticos. juntamente com copiosíssima documentação oficial. quer dizer. o desenvolvimento de uma campanha cívica que possibilite a formação de uma consciência pública favorável. absolutamente necessário em todo trabalho dessa natureza um estudo prévio de investigação histórica. dada a participação histórica de ambos na formação desse patrimônio e a comunhão dos valores culturais que os mantêm unidos aos povos deste continente. bem como do acervo sociológico do folclore nacional. como medida prévia de toda a gestão relativa à assistência técnica ou à ajuda financeira externa. . histórico e artístico a outros bens do patrimônio cultural. sem prejuízo de adotarem outros compromissos e acordos que se tomem recomendáveis dentro do sistema interamericano. na conformidade com um plano regulador de alcance nacional ou regional. Recomendar à Organização dos Estados Americanos que estenda a cooperação que se propôs prestar à revalorização dos monumentos de interesse arqueológico. Nesse sentido. de maneira muito especial. À falta desses planos. Recomendar que seja redigido um novo documento hemisférico que substitua o Tratado Interamericano sobre a Proteção de Móveis de Valor Histórico (1935). Consequentemente. tornando-se. em Sevilha.

Da mesma forma. torna-se recomendável satisfazer as necessidades em matéria de restauração de bens móveis. Madrid. a fim de tomar eficaz sua aplicação aos efeitos pretendidos. toma-se recomendável tomar as providências adequadas para a criação de um centro ou instituto especializado em matéria de restauração. a fim de procurar integrá-la com a natureza circundante. Para os efeitos de legislação de proteção. que corresponderá à de maior densidade monumental ou de ambiente. mediante o fortalecimento dos órgãos existentes e a criação de outros novos. recomenda-se que o Conselho Interamericano Cultural providencie. É necessário revisar as disposições regulamentares locais que se aplicam à matéria de publicidade. Ao atualizar a legislação vigente. Da mesma forma deve-se tomar em consideração a possibilidade de estimular a iniciativa privada. amplos acordos de colaboração.Enquanto não se ultima o estabelecido no item anterior. até certo ponto. bem assim. obter dos Estados-membros a adoção de medidas de emergência capazes de eliminar os riscos do comércio ilícito de peças do patrimônio cultural e que se ative a sua devolução ao país de origem. recomenda-se reconhecer a Sociedade de Arquitetos Especializados em Restauração de Monumentos. b) zona de proteção ou respeito. de caráter interamericano. com o objetivo de controlar toda forma publicitária que tenda a alterar as características ambientais das zonas urbanas de interesse histórico. com maior tolerância. celebrar com o Instituto de Cultura Hispânica. c) zona de proteção da paisagem urbana. assim como. Toda vez que se tome necessário o intercâmbio de experiências sobre os problemas próprios da América e convém manter-se uma adequada unidade de critérios relativos à matéria. recomenda-se à Secretaria Geral da OEA utilizar as facilidades que oferecem seus atuais programas de Bolsas e Habilitação Extracontinental e. com sede provisória no Instituto de Cultura Hispânica. o espaço urbano que ocupam os núcleos ou conjuntos monumentais e de interesse ambiental deve limitar-se da seguinte forma: a) zona de proteção rigorosa. os países deverão ter em conta o maior valor que adquirem os bens imóveis incluídos na zona de valorização. mediante a implantação de um regime de isenção fiscal nos edifícios que se restaurem com capital particular e dentro dos regulamentos estabelecidos pelos órgãos . as limítrofes. e proporcionar sua instalação definitiva num dos Estados Membros. amparado pelo acordo de cooperação técnica da OEA. uma vez provada sua exportação clandestina ou aquisição ilegal. Tendo em vista que a escassez de recursos humanos constitui um grave inconveniente para a realização de planos de valorização.Espanha e com o Centro Regional Latinoamericano de Estudos para a Conservação e Restauração de Bens Culturais do México. Medidas Legais É necessário atualizar a legislação de proteção vigente nos Estados americanos. na sua próxima reunião. Sem prejuízo do estabelecido anteriormente e a fim de satisfazer imediatamente tão imperiosas necessidades.

competentes. Outros desencargos fiscais podem também ser estabelecidos como compensação às limitações impostas à propriedade particular por motivo de utilidade pública. Medidas Técnicas A valorização de um monumento ou conjunto urbano de interesse ambiental é o resultado de um processo eminentemente técnico e, consequentemente, sua execução oficial deve ser confiada diretamente a um órgão de caráter especializado, que centralize todas as atividades. Cada projeto de valorização constitui um problema específico e requer uma solução também específica. A colaboração técnica dos peritos nas diversas disciplinas que deverão intervir na execução de um projeto é absolutamente essencial. Da acertada coordenação dos especialistas irá depender, em boa parte, o resultado final. A prioridade dos projetos fica subordinada à estimativa dos benefícios econômicos, que derivariam de sua execução para uma determinada região. Entretanto, em tudo que for possível, deve-se ter em conta a importância intrínseca dos bens objeto de restauração ou revalorização e a situação de emergência em que eles se encontram. Em geral, todo projeto de valorização envolve problemas de caráter econômico, histórico, técnico e administrativo. Os problemas técnicos de conservação, restauração e reconstrução variam segundo a natureza do bem cultural. Os monumentos arqueológicos, por exemplo, exigem a colaboração de especialistas na matéria. A natureza e o alcance dos trabalhos que é preciso realizar em um monumento exigem decisões prévias, produto do exaustivo exame das condições e circunstâncias que nele concorrem. Decidida a forma de intervenção a que deverá ser submetido o monumento, os trabalhos subseqüentes deverão prosseguir com absoluto respeito ao que evidencia sua substância ou ao que apontam, indubitavelmente, os documentos autênticos em que se baseia a restauração. Nos trabalhos de revalorização de zonas ambientais, toma-se necessária a prévia definição de seus limites e valores. A valorização de uma zona histórica ambiental, já definida e avaliada, implica: a) estudo e determinação de seu uso eventual e das atividades que nela deverão desenvolverse; b) estudo da magnitude dos investimentos e das etapas necessárias até o término dos trabalhos de restauração e conservação, incluídas as obras de infra-estrutura e adaptações exigidas pelo equipamento turístico para sua valorização; c) estudo analítico do regime especial a que a zona ficará submetida, a fim de que as construções existentes e as futuras possam ser efetivamente controladas; d) a regulamentação das zonas adjacentes ao núcleo histórico deve estabelecer, além do uso da terra e densidade da respectiva ocupação, a relação volumétrica como fator determinante da paisagem urbana e natural; e) estudo do montante das inversões necessárias para o adequado saneamento da zona a ser valorizada;

f) estudo das medidas preventivas necessárias para a manutenção permanente de zona a valorizar. A limitação dos recursos disponíveis e o necessário adestramento das equipes técnicas requeridas pelos planos de valorização tornam aconselhável a prévia formulação de um projeto piloto no local em que melhor se conjuguem os interesses econômicos e as facilidades técnicas. A valorização de um núcleo de interesse histórico-ambiental de extensão que exceda as possibilidades econômicas imediatas pode e deve ser projetado em duas ou mais etapas, que seriam executadas progressivamente, de acordo com as conveniências do equipamento turístico. Não obstante, o projeto deve ser concebido em sua totalidade, sem que se interrompam ou diminuam os trabalhos de classificação, investigação e inventário.

Conferência Geral da Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura 15a Sessão
19 de novembro de 1968 RECOMENDAÇÃO SOBRE A CONSERVAÇÃO DOS BENS CULTURAIS AMEAÇADOS PELA EXECUÇÃO DE OBRAS PÚBLICAS OU PRIVADAS A Conferência Geral da Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura, em sua 15a sessão, realizada em Paris, de 15 de outubro a 20 de novembro de 1968: Considerando que a civilização contemporânea e sua evolução futura repousam nas tradições culturais dos povos e nas forças criadoras da humanidade, assim como em seu desenvolvimento social e econômico. Considerando que os bens culturais são o produto e o testemunho das diferentes tradições e realizações intelectuais do passado e constituem, portanto, um elemento essencial da personalidade dos povos. Considerando que é indispensável preservá-los, na medida do possível e, de acordo com sua importância histórica e artística, valorizá-los de modo que os povos se compenetrem de sua significação e de sua mensagem e, assim, fortaleçam a consciência de sua própria dignidade. Considerando que essa preservação e valorização dos bens culturais, de acordo com o espírito da Declaração de Princípios da Cooperação Cultural Internacional, adotada em 4 de novembro de 1966, durante a 14 a sessão, favorecem uma melhor compreensão entre os povos e, consequentemente, servem à causa da paz. Considerando também que o bem-estar de todos os povos depende, entre outras coisas, de que sua vida se desenvolva em um meio favorável e estimulante, e que a preservação dos bens culturais de todos os períodos de sua história contribui diretamente para isso. Reconhecendo, por outro lado, o papel desempenhado pela industrialização e urbanização a que tende a civilização mundial no desenvolvimento dos povos e em sua completa realização espiritual e nacional. Considerando, entretanto, que os monumentos, testemunhos e vestígios do passado préhistórico, proto-histórico e histórico, assim como inúmeras construções recentes que têm uma importância artística, histórica ou científica, estão cada vez mais ameaçados pelos trabalhos

públicos ou privados resultantes do desenvolvimento da indústria e da urbanização. Considerando que é dever dos governos assegurar a proteção e a preservação da herança cultural da humanidade tanto quanto promover o desenvolvimento social e econômico. Considerando, portanto, que é necessário harmonizar a preservação do patrimônio cultural com as transformações exigidas pelo desenvolvimento social e econômico, e que urge desenvolver os maiores esforços para responder a essas duas exigências em um espírito de ampla compreensão e com referência a um planejamento apropriado. Considerando, igualmente, que a adequada preservação e exposição dos bens culturais contribuem poderosamente para o desenvolvimento social e econômico dos países e das regiões que possuem esse gênero de tesouros da humanidade, através do estímulo ao turismo nacional e internacional. Considerando, enfim, que, em matéria de preservação de bens culturais, a garantia mais segura é constituída pelo respeito e pela vinculação que a própria população experimenta em relação a esses bens e que os Estados Membros poderiam contribuir para fortalecer tais sentimentos através de medidas adequadas, Sendo-lhe apresentadas propostas relativas à preservação dos bens culturais ameaçados por obras públicas ou privadas, questão que constitui o item 16 da ordem do dia da sessão. Após haver decidido, em sua décima terceira sessão, que as propostas sobre esse assunto seriam objeto de uma regulamentação internacional através de uma recomendação aos Estados Membros, Adota, neste décimo nono dia de novembro de 1968, a presente recomendação: A Conferência Geral recomenda aos Estados Membros que apliquem as disposições seguintes, adotando as medidas legislativas ou de outra natureza, necessárias para levar a efeito nos respectivos territórios as normas e princípios formulados na presente recomendação. A Conferência Geral recomenda aos Estados Membros que levem a presente recomendação ao conhecimento das autoridades e órgãos encarregados das obras públicas ou privadas, assim como ao dos órgãos responsáveis pela conservação e pela proteção dos monumentos históricos, artísticos, arqueológicos e científicos. Recomenda que as autoridades e órgãos encarregados do planejamento dos programas de educação e de desenvolvimento do turismo sejam igualmente informados. A Conferência Geral recomenda aos Estados Membros que lhe apresentem, nas datas e na forma a ser por ela determinada, relatórios que digam respeito às medidas adotadas para levar a efeito a presente recomendação. I - Definição Para os efeitos da presente recomendação, a expressão bens culturais se aplicará a: a) Bens imóveis, como os sítios arqueológicos, históricos ou científicos, edificações ou outros elementos de valor histórico, científico, artístico ou arquitetônico, religiosos ou seculares, incluídos os conjuntos tradicionais, os bairros históricos das zonas urbanas e rurais e os vestígios de civilizações anteriores que possuam valor etnológico. Aplicar-se-á tanto aos imóveis do mesmo caráter que constituam ruínas ao nível do solo como aos vestígios arqueológicos ou históricos descobertos sob a superfície da terra. A expressão bens culturais se estende também ao entorno desses bens. b) Bens móveis de importância cultural, incluídos os que existem ou tenham sido encontrados dentro dos bens imóveis e os que estão enterrados e possam vir a ser descobertos em sítios arqueológicos ou históricos ou em quaisquer outros lugares.

mas também os vestígios do passado não reconhecidos nem protegidos. a continuidade e significação histórica. d) A construção ou alteração de vias de grande circulação. cabendo a prioridade a um levantamento minucioso e completo dos bens culturais situados em locais em que obras públicas ou privadas os ameacem.A expressão bens culturais engloba não só os sítios e monumentos arquitetônicos. Dever-se-ia ter na devida conta a importância relativa dos bens culturais em causa ao se determinarem medidas necessárias para assegurar: a) A preservação do conjunto de um sítio arqueológico. g) Os trabalhos agrícolas. assim. monumentos ou conjuntos de monumentos de importância histórica. desmatamento e nivelamento de terras e reflorestamento. de um monumento ou de outros tipos de bens culturais imóveis contra os efeitos das obras públicas e privadas. das dimensões e da situação dos bens culturais. c) Modificações ou reparos inoportunos de edificações históricas isoladas. f) A construção de oleodutos e de linhas de transmissão de energia elétrica. o que constitui um perigo especialmente grave para os sítios. assim. Deveriam ser mantidos inventários atualizados de bens culturais importantes. no todo ou em parte. seria preciso criá-los. As medidas preventivas e corretivas deveriam ter por finalidade assegurar a proteção ou o salvamento dos bens culturais ameaçados por obras públicas ou privadas. e) A construção de barragens para irrigação. arqueológicos e históricos reconhecidos e protegidos por lei. No caso de não existirem esses inventários. assim como do caráter dos perigos a que estão expostos. como a aradura profunda da terra. assim como os sítios e monumentos recentes de importância artística ou histórica. destruir as vinculações e o quadro que envolve os monumentos nos bairros históricos. ainda que respeitem monumentos protegidos por lei mas possam vir a modificar estruturas de menor importância e. Quando uma imperiosa necessidade . h) Os trabalhos exigidos pelo desenvolvimento da indústria e pelos progressos técnicos das sociedades industrializadas. etc. tais como: a) Os projetos de expansão ou de renovação urbana.Princípios gerais As medidas de preservação dos bens culturais deveriam se estender à totalidade do território do Estado e não se limitar a determinados monumentos e sítios. Os Estados Membros deveriam dar a devida prioridade às medidas necessárias para garantir a conservação in situ dos bens culturais ameaçados por obras públicas ou privadas e manterlhes. b) O salvamento ou o resgate dos bens culturais situados em local que deva ser transformado pela execução de obras públicas ou privadas. a exploração de minas e de pedreiras e a dragagem e recuperação de canais e de portos. As medidas destinadas a preservar ou a salvar os bens culturais deveriam ter caráter preventivo e corretivo. protegidos por lei ou não. b) Obras similares em locais onde conjuntos tradicionais de valor cultural possam correr perigo de destruição por não se constituírem em monumentos protegidos por lei. II . como a construção de aeródromos. as operações de ressecação e de irrigação. e que deverão ser preservados e trasladados. As medidas a serem adotadas deveriam variar em função da natureza. ou controle de inundações. produção de energia hidroelétrica.

não permitam a adoção de medidas uniformes. As edificações e outros monumentos culturais importantes que tenham sido trasladados para evitar sua destruição por obras públicas ou privadas deveriam ser reinstalados em um sítio ou ambiente semelhante ao de sua implantação primitiva e ao de suas vinculações naturais. e) Sanções.Medidas de preservação e salvamento A preservação ou o salvamento dos bens culturais ameaçados por obras públicas ou privadas deveria ser assegurada pelos meios abaixo relacionados. deveriam ser preservados para estudos ou expostos em museus. de acordo com as normas e princípios definidos nesta recomendação. g) Recompensas. i) Programas educacionais. históricas ou artísticas. tanto em escala nacional quanto regional. c) Medidas administrativas. deveriam ser levadas em consideração as seguintes possibilidades: a) As autoridades nacionais ou regionais encarregadas da salvaguarda dos bens culturais deveriam dispor de um orçamento suficiente para poderem assegurar a preservação ou o salvamento dos bens culturais ameaçados por obras públicas ou privadas. tenham sido abandonados ou destruídos. Os bens culturais móveis de grande interesse.econômica ou social impuser o traslado. b) Financiamento. Deveriam ser publicados ou. f) Reparações. h) Assessoramento. em grande parte ou na totalidade. o abandono ou a destruição de bens culturais. Ainda que a diversidade dos sistemas jurídicos e das tradições. Legislação Os Estados membros deveriam promulgar ou manter em vigor. assim como a desigualdade dos recursos. os trabalhos de salvamento deveriam sempre compreender um estudo minucioso desses bens e o registro completo dos dados de interesse. inclusive os museus dos sítios ou das universidades. cabendo à legislação e à organização de cada Estado precisar as medidas: a) Legislação. de algum outro modo. e especialmente os espécimes representativos de objetos procedentes de escavações arqueológicas ou encontrados durante trabalhos de salvamentos. III . especialmente quando os bens culturais imóveis. Financiamento Os Estados membros deveriam prever o estabelecimento de créditos necessários para as operações de preservação de salvamento dos bens culturais ameaçados pela realização de obras públicas ou privadas. ou . uma legislação que assegure a preservação ou o salvamento dos bens culturais ameaçados pela realização de obras públicas ou privadas. postos à disposição dos futuros pesquisadores os resultados dos estudos de interesse científico e histórico empreendidos em relação aos trabalhos de salvamento de bens culturais. d) Métodos de preservação e salvamento dos bens culturais.

através das medidas que se seguem: a) Diminuição de impostos. deveriam constar do orçamento dessas obras. deveria ser possível obter créditos suplementares através de legislação competente. inclusive as que façam parte de um conjunto tradicional. cada vez que entrarem em conflito as necessidades da execução . através de uma legislação adequada. mediante a concessão de subvenções especiais ou a criação de um fundo nacional para a salvaguarda dos monumentos. órgãos ou serviços especiais deveriam ser encarregados da preservação dos bens culturais ameaçados por obras públicas ou privadas. inclusive as investigações arqueológicas preliminares. assim como os habitantes de bairros históricos. científico ou histórico. das empresas de obras públicas ou privadas. Se a magnitude ou a complexidade dos trabalhos necessários tornarem o montante das despesas excepcionalmente elevado. ou c) Deveria ser possível combinar os dois métodos mencionados nas alíneas a e b acima. e. Os Estados membros deveriam encorajar os proprietários de edificações que tenham importância artística ou histórica. ou por qualquer outro meio apropriado. inclusive os conjuntos tradicionais. em especial.b) As despesas referentes à preservação ou ao salvamento dos bens culturais ameaçados pela realização de obras públicas ou privadas. de áreas urbanas ou rurais. arquitetônico. Se não houver tais serviços. mediante subvenções. assim como os proprietários privados. as instituições e os proprietários privados de edificações que tenham um interesse artístico. alguns princípios comuns deveriam ser adotados: a) Um órgão consultivo ou de coordenação composto de representantes das autoridades encarregadas da salvaguarda dos bens culturais. ou b) Estabelecimento. embora a diversidade dos dispositivos constitucionais e da tradição dos Estados Membros impeça a adoção de um sistema uniforme. do planejamento urbano e das instituições de pesquisa e educação deveria estar habilitado a prestar assessoria em matéria de preservação dos bens culturais ameaçados por obras públicas ou privadas. para fixar o montante dos fundos destinados à conservação dos bens culturais ameaçados por obras públicas ou privadas. a preservarem o caráter e a beleza dos bens culturais de que dispõem e que possam vir a sofrer danos em consequência de obras públicas ou privadas. o proprietário deveria ter a oportunidade de requisitar a ajuda necessária das autoridades competentes. Onde já funcionem órgãos ou serviços oficiais de proteção dos bens culturais deveria competir-lhes a proteção dos bens culturais ameaçados por obras públicas ou privadas. deveriam levar em conta. as autoridades locais. Medidas Administrativas A responsabilidade pela preservação e pelo salvamento dos bens culturais ameaçados por obras públicas ou privadas deveria competir a organismos oficiais apropriados. ou c) Deveria ser possível combinar os dois métodos mencionados nas alíneas a e b acima. Se os bens culturais não são protegidos por lei ou de outro modo. de um orçamento destinado a ajudar. o valor intrínseco de tais bens e a contribuição que podem proporcionar à economia como pólos de atração turística. empréstimos ou outras medidas. a garantirem a manutenção ou a adequada adaptação dessas edificações ou conjuntos a funções que respondam às necessidades da sociedade contemporânea. As autoridades nacionais ou locais. Os serviços responsáveis pela salvaguarda dos bens culturais deveriam estar habilitados a administrar ou utilizar os créditos extra-orçamentários necessários para a preservação ou para o salvamento dos bens culturais ameaçados pela realização de obras públicas ou privadas.

conviria. urbanistas. tais como a escolha dos sítios arqueológicos a serem escavados. b) As autoridades locais (estaduais. ou de outros órgãos apropriados. tais como cidades. b) A extensão dos trabalhos de salvamento necessários. sem isso. os trabalhos de construção deveriam ser retardados para permitir a adoção de medidas indispensáveis a assegurar a preservação ou o salvamento dos bens culturais.de obras públicas ou privadas e os trabalhos de preservação e salvamento dos bens culturais. sobretudo os sítios pré-históricos que estão particularmente ameaçados por serem difíceis de reconhecer. especialistas competentes em matéria de preservação dos bens culturais ameaçados por obras públicas ou privadas: arquitetos. dos vestígios etnológicos de civilizações anteriores e de outros bens culturais imóveis que. tanto do ponto de vista econômico quanto no que diz respeito à preservação e ao salvamento dos bens culturais. que se elaborassem diversas variantes desses projetos. dos conjuntos tradicionais. antes que uma decisão fosse tomada. ou no qual seja provável encontrar objetos de valor arqueológico ou histórico. historiadores. que deveriam estar protegidos pela legislação de cada país. d) Deveriam ser tomados medidas administrativas para coordenar as atividades dos diversos serviços responsáveis pela salvaguarda dos bens culturais e as de outros serviços encarregados de obras públicas ou privadas e as dos demais serviços cujas funções tenham relação com o problema de preservar ou salvar os bens culturais ameaçados por obras públicas ou privadas. qualquer nova construção deveria ser obrigatoriamente precedida de escavações arqueológicas de caráter preliminar. em escala regional ou local. As medidas destinadas a preservar ou a salvar os bens culturais deveriam ser tomadas com suficiente antecipação ao início de obras públicas ou privadas. sítios e monumentos de interesse. arqueólogos. Esses serviços deveriam dispor da possibilidade de obter ajuda dos serviços nacionais. e) Deveriam ser adotadas medidas administrativas para designar uma autoridade ou uma comissão encarregada dos programas de desenvolvimento urbano em todas as comunidades que possuam bairros históricos. dos bairros históricos dos centros urbanos ou rurais. de acordo com suas atribuições e necessidades. Métodos de preservação e salvamento dos bens culturais Com a devida antecedência à realização de obras públicas ou privadas que ameacem os bens culturais. municipais ou outras) deveriam também dispor de serviços encarregados da preservação e do salvamento dos bens culturais ameaçados por obras públicas ou privadas. inspetores e outros especialistas e técnicos. c) Os serviços de salvaguarda dos bens culturais deveriam contar com pessoal qualificado. protegidos ou não pela lei. deveriam ser realizados aprofundados estudos para determinar: a) As medidas a serem tomadas para assegurar a proteção in situ dos bens culturais importantes. A escolha entre essas variantes deveria basear-se em uma análise comparativa de todos os elementos com o objetivo de adotar a solução mais vantajosa. os edifícios a serem trasladados e os bens culturais móveis cujo salvamento seja necessário garantir. Nas regiões importantes do ponto de vista arqueológico ou cultural. sítios e bairros históricos. que seja preciso proteger contra a ameaça de obras públicas ou privadas. seriam . Deveria ser assegurada a salvaguarda dos sítios arqueológicos importantes. Por ocasião dos estudos preliminares sobre projetos de construção em um local de reconhecido interesse cultural. Se necessário. aldeias.

se o sítio se revelasse importante. essas aquisições poderiam ser feitas através de expropriação. para que seja possível efetuar escavações profundas ou preservar os vestígios descobertos. deveriam ser suspensas as obras de construção para permitir as escavações completas. Poder-se-iam adotar. as seguintes medidas: a) Quando for possível.ameaçados por obras públicas ou privadas. Reparações . mal conservados ou abandonados bens culturais imóveis. pagamento de indenização por perdas e danos ao Estado quando hajam sido deteriorados. que deveriam prever penas de multa ou de prisão. que poderia ser suspensa quando se tratar de edificações a serem erigidas em uma zona de interesse histórico. eventualmente. Os arredores e o entorno de um monumento ou de um sítio protegido por lei deveriam também ser objeto de disposições análogas para que seja preservado o conjunto de que fazem parte e seu caráter. previstas indenizações ou compensações adequadas pelo atraso ocasionado. Caso necessário. especialmente quando se tratar de cidades ou bairros históricos. b) Em caso de achado arqueológico fortuito. Os Estados Membros deveriam adotar disposições que permitam às autoridades nacionais ou locais ou aos órgãos competentes adquirir os bens culturais importantes que corram perigo em conseqüência de obras públicas ou privadas. Deveria ser proibida a publicidade comercial através de cartazes ou anúncios luminosos. através de medidas que estabeleçam a proteção legal ou a criação de zonas protegidas: a) As reservas arqueológicas deveriam ser objeto de medidas de zoneamento ou de proteção legal e. que permitisse. de aquisição imobiliária. destruídos. além disso. Sanções Os Estados Membros deveriam adotar as medidas necessárias para que as infrações cometidas intencionalmente ou por negligência em relação à preservação ou ao salvamento de bens culturais ameaçados por obras públicas ou privadas sejam severamente punidas por seus códigos penais. que tenham sido ocultados. A preservação dos monumentos deveria ser uma condição essencial em qualquer plano de urbanização. restauração do sítio ou do monumento às expensas dos responsáveis pelos danos causados. de bens móveis. b) Os bairros históricos dos centros urbanos ou rurais e os conjuntos tradicionais deveriam estar registrados como zonas protegidas e uma regulamentação adequada para preservar o entorno e seu caráter deveria ser adotada. confisco sem indenização. Deveriam ser permitidas modificações na regulamentação ordinária relativa às novas construções. ou ambas. determinar e decidir em que medida poderiam ser reformados os edifícios de importância histórica ou artística e a natureza e o estilo das novas construções. mas as empresas comerciais poderiam ser autorizadas a indicar sua presença por meio de uma sinalização corretamente apresentada. Os Estados Membros deveriam impor a qualquer pessoa que encontre vestígios arqueológicos durante a realização de obras públicas ou privadas a obrigação de comunicar seu achado o mais rápido possível ao serviço competente. por exemplo. Esse serviço submeteria a descoberta a um detido exame e.

assim como exemplos de casos em que bens culturais hajam sido eficazmente preservados ou salvos.que tenham prestado eminente colaboração aos programas de preservação e salvamento de bens culturais ameaçados por obras públicas ou privadas. instituições educativas ou outras organizações interessadas deveriam preparar exposições especiais para ilustrar os perigos que as obras públicas ou privadas não controladas representam para os bens culturais e as medidas que tenham sido adotadas para garantir a preservação ou o salvamento dos bens culturais ameaçados por essas obras. as associações e as municipalidades a participar dos programas de preservação ou de salvamento dos bens culturais ameaçados por obras públicas ou privadas. Deveriam prever também a possibilidade de obrigar as autoridades locais e os proprietários particulares de bem culturais importantes a procederem às reparações ou às restaurações. artigos na imprensa e programas de rádio e de televisão deveriam divulgar a natureza dos perigos que obras públicas ou privadas mal concebidas podem ocasionar aos bens culturais. órgãos públicos que se ocupam do desenvolvimento do turismo e associações de educação popular deveriam desenvolver programas destinador a tornar conhecidos os perigos que as obras públicas ou privadas realizadas sem a devida preparação podem ocasionar aos bens culturais e a enfatizar que as atividades destinadas a preservar os bens culturais contribuem para a compreensão internacional. associações históricas e culturais. Publicações especializadas. se necessário. Estabelecimentos de ensino. . Museus.inclusive as que desempenhem funções nos órgãos de governo. a associações ou a prefeituras que não dispõem de experiência ou de pessoal necessário. sendo-lhes concedida assistência técnica ou financeira. a título de gratificação. com o objetivo de assegurar a preservação ou o salvamento dos bens culturais ameaçados por obras públicas ou privadas. Programas Educativos Em espírito de colaboração internacional. em instituições ou nas municipalidades . medalhas ou outras formas de reconhecimento às pessoas . às pessoas que notificarem achados arqueológicos ou entregarem os objetos descobertos. os Estados Membros deveriam empenhar-se em estimular e fomentar entre seus nacionais o interesse e o respeito pelo seu próprio patrimônio cultural e pelo de outros povos.Os Estados membros deveriam adotar. b) Outorgar certificados. poder-se-iam adotar as seguintes medidas: a) Efetuar pagamentos. entre outras. Assessoramento Os Estados Membros deveriam proporcionar aos particulares. Para isso. em associações. assessoramento técnico ou supervisão que lhes permitam assegurar a manutenção de normas adequadas em relação à preservação ou ao salvamento de bens culturais ameaçados por obras públicas ou privadas. Recompensas Os Estados Membros deveriam encorajar os particulares. a restauração ou a reconstrução dos bens culturais deteriorados por obras públicas ou privadas. as medidas necessárias para assegurar a reparação. quando a natureza do bem o permitir.

. a proteção dos bens culturais de valor regional. recomenda-se a criação de serviços estaduais. No plano da proteção da natureza. de 1937. serão criados onde ainda não houver. é indispensável criar cursos visando à formação de arquitetos restauradores. solidários integralmente com a orientação traçada pelo Ministro Jarbas Passarinho. os credenciaram. com a orientação técnica da DPHAN. na exposição por sua excelência feita ao abrir-se a reunião. nos níveis superiores. as resoluções adotadas no documento ora por todos subscrito e que se chamará Compromisso de Brasília. orientados pelo DPHAN e pelo Arquivo Nacional os cursos de nível superior. fornecendo-lhes as diretrizes tendentes à desejada uniformidade. a Diretoria do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (DPHAN). através de unânime aprovação. Reconhecem a inadiável necessidade de ação supletiva dos Estados e dos Municípios à atuação federal no que se refere à proteção dos bens culturais de valor nacional. Para a obtenção dos resultados em vista. que os Estados e Municípios secundem o esforço pelo mesmo instituto empreendido para a implantação territorial definida dos parques nacionais. médio e artesanal.Compromisso de Brasília de abril de 1970 1º Encontro dos Governadores de Estado. órgãos estaduais e municipais adequados. para fins de uniformidade da legislação em vista. para o mesmo efeito. colaborará a DPHAN com os Estados e Municípios que ainda não tiverem legislação específica. 23 do Decreto-Lei 25. bem assim. do Conselho Federal de Cultura. e nas recomendações que nele se contêm. em articulação com o Instituto Brasileiro de Desenvolvimento Florestal e. e manifestando todo o apoio à política de proteção aos monumentos. Secretários Estaduais da Área Cultural. Aos Estados e Municípios também compete. Prefeitos de Municípios Interessados. a quem incumbe executá-la. os prefeitos de municípios interessados. resumida no relatório apresentado pelo diretor do órgão superior. os presidente e representantes de instituições culturais igualmente convocadas. decidiram consolidar. os Secretários de Estado e demais representantes dos governadores que. De acordo com a disposição legal acima citada. Impõe-se complementar os recursos orçamentários normais com o apelo a novas fontes de receita de valor real. Para remediar a carência de mão-de-obra especializada. atendido o que dispõe o art. arquivologistas e museólogos de diferentes especialidades. articulados devidamente com os Conselhos Estaduais de Cultura e com a DPHAN. Presidentes e Representantes de Instituições Culturais Os Governadores de Estado presentes ao encontro promovido pelo Ministério da Educação e Cultura. em união de propósito. para o estudo da complementação das medidas necessárias à defesa do patrimônio histórico e artístico nacional. escultura e documentos. à cultura tradicional e à natureza. conservadores de pintura.

matérias que versem o conhecimento e a preservação do acervo histórico e artístico. Com o mesmo objetivo. mas também os Estados e municípios se dispõem a manter os demais cursos.Não só a União. sejam precedidas . necessidade premente do entrosamento com a hierarquia eclesiástica e superiores de ordens religiosas e confrarias. para que todas as obras que se venham a efetuar em imóveis de valor histórico ou artístico de sua posse. tais como a imprensa escrita e falada. os vários meios de comunicação de massas. Recomenda-se a conservação do acervo bibliográfico. de disciplina de História da Arte no Brasil. adotado o seguinte critério: no nível elementar. devidamente estruturados. no nível médio. através da disciplina de Educação Moral e Cívica. estaduais. Caberá às secretarias competentes dos Estados a promoção e divulgação do acervo dos bens culturais da respectiva área. é de desejar que nos Estados seja confiada a especialistas a elaboração de monografias acerca dos aspectos sócio-econômicos regionais e valores compreendidos no respectivo patrimônio histórico e artístico. que documentem a formação histórica. de modo a ser evitada a destruição de documentos. no sentido de incentivar a pesquisa quanto à melhor elucidação do passado e à avaliação de inventários dos bens regionais cuja defesa se propugna. no nível superior (a exemplo do que já existe no curos de Arquitetura com a disciplina de Arquitetura no Brasil. Recomenda-se a instituição de museus regionais. em cursos especiais para professores do ensino fundamental e médio. municipais. para este fim. e nos cursos não especializados. o cinema. para cujo efeito será apreciável a colaboração do Arquivo Nacional com as congêneres repartições estaduais e municipais. observadas as normas técnicas oferecidas pelos órgãos federais especializados na defesa. Caberá às universidades o entrosamente com bibliotecas e arquivos públicos nacionais. tendo em vista a educação cívica e o respeito da tradição. utilizando-se. Recomenda-se a defesa do acervo arquivístico. Recomenda-se a preservação do patrimônio paisagístico e arqueológico dos terrenos de Marinha. Sendo o culto ao passado elemento básico da formação da consciência nacional. das riquezas naturais. atendidas as peculiaridades regionais. de maneira a habilitá-los a transmitir às novas gerações a consciência e interesse do ambiente histórico-cultural. bem assim os arquivos eclesiásticos e de instituições de alta cultura. e da cultura popular. das jazidas arqueológicas e préhistóricas. ou tendo por fim preservá-los convenientemente. a de Estudos Brasileiros. parte destes consagrados aos bens culturais ligados à tradição nacional. de nível primário. noções que estimulem a atenção para os monumentos representativos da tradição nacional. a introdução. a televisão. médio e superior. outrossim. deverão ser incluídas nos currículos escolares. segundo a orientação geral da DPHAN. guarda ou serventia. e também que. no currículo das escolas de Arte. se lhes propicie a conveniente informação sobre tais problemas. instrumentação e valorização desse patrimônio. sugerindo-se oportuna legislação que subordine as concessões nessas áreas à audiência prévia dos órgãos incumbidos da defesa dos bens históricos e artísticos. Há.

pelos Presidentes do Conselho Federal de Cultura. Governadores de Estado presentes à reunião por s. Que a mesma cautela prevista no item anterior seja tomada junto às autoridades militares. assinam este compromisso. dos imóveis de valor histórico e artístico cuja proteção incumbe ao poder público. Renato Soeiro. e consideram chegada esta oportunidade. Pelo Estado de Santa Catarina assinaram o documento os professores Jaldir Bhering Faustino da Silva. em relação aos antigos fortes. Secretário de Estado da Educação e Cultura. Secretários de Estado. considerando os superiores interesses da cultura nacional. O Conselho Federal de Cultura e os Conselhos Estaduais de Cultura opinarão sobre as demais propostas apresentadas à conferência. convocada. Urge legislação defensiva dos antigos cemitérios e especialmente dos túmulos históricos e artísticos e monumentos funerários. Brasília. Pedro Calmon. . nas diversas regiões do país. no Rio Grande do Sul. prof. representante da Universidade Federal de Santa Catarina e da comissão especial que estuda a organização do Conselho de Defesa do Patrimônio Histórico do Estado nomeada pelo Governador Ivo Silveira. tendo em vista a crescente complexidade e o vulto das atividades culturais no país. 3 de abril de 1970 O Compromisso foi assinado pelo Ministro Jarbas Passarinho. Artur Cesar Ferreira Reis. Os participantes do Encontro ouviram com muito agrado a manifestação do Ministro de Estado. E por terem assim deliberado. trate-se de uma casa seiscentista como estas de São Paulo. Diretores dos Departamentos de Cultura. prof. é extremamente complexo. Recomenda-se utilização preferencial para casas de cultura ou repartições de atividades culturais. ou das ruínas desta igreja de São Miguel. sensível à conveniência da criação do Ministério da Cultura. no sentido de efetivar-se o controle do comércio de obras de arte antiga. conforme o seu caráter. e Oswaldo Rodrigues Cabral. da Educação e Cultura. instalações e equipamentos castrenses. exa. para a sua conveniente preservação. Carlos Humberto Pederneiras Corrªe.da audiência dos órgãos responsáveis pela proteção dos monumentos. para o efeito de as encaminhar oportunamente à autoridade competente. Diretores dos Conselhos Estaduais de Defesa do Patrimônio Histórico. Diretor do Departamento de Cultura. Recomenda-se aos poderes públicos estaduais e municipais colaboração com a DPHAN. e delegados de outras entidades culturais do país representadas no conclave. prof. do Patrimônio Histórico Nacional. Anexo: O problema da recuperação e restauração de monumentos. Presidente do Instituto Histórico Brasileiro.

e seremos. porque implica em providências igualmente demoradas. Artístico. monumentos arquitetônicos. o tombamento daquilo que deve ser preservado. a documentação e o registro das fases da obra e.tem procedido ao restauro de monumentos . capacidade de organização. para o mesmo efeito.Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional Os Governadores de Estado presentes ao encontro promovido pelo Ministério da Educação e Cultura. solidários integralmente com a orientação que vem sendo traçada pelo Ministro Jarbas Passarinho desde o I Encontro de Brasília.A. naturais. em abril de 1970. conhecimentos históricos. Os Prefeitos de municípios interessados.talha.P. desprendimento.H.. documentos e livros. a eleição do que mereça restauro prioritário.N. conjuntos urbanos. Lucio Costa. a escolha de técnicos. por fim. pois. Os Secretários de Estado e demais representantes dos Governadores que. ainda. arqueológico e natural do país. Os presidentes e representantes de instituições culturais igualmente convocadas. a Diretoria do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional obra da vida de Rodrigo M. acuidade investigadora. a apropriação de verbas para esse fim. o estudo da documentação recolhida. política definida no Relatório apresentado . para o estudo da complementação das medidas necessárias à defesa do patrimônio histórico.1970 Compromisso de Salvador de outubro de 1971 II Encontro de Governadores para Preservação do Patrimônio Histórico. às municipalidades e à D. principalmente paisagens. finalmente.Primeiro. Apesar da deficiência dos meios. Segundo. de Andrade . parques. a manutenção e o destino do bem recuperado. como o inventário histórico-artístico do que exista na região. praias. mas no acervo de cada região há obras significativas e valiosas cuja preservação escapa à alçada federal. além do tirocínio de obras e de familiaridade com os processos construtivos antigos. os credenciaram.em todo o país. pintura. arquitetura . Arqueológico e Natural do Brasil Ministério da Educação e Cultura IPHAN . é. para que assim participe diretamente da obra penosa e benemérita de preservar os últimos testemunhos desse passado que é a raiz do que somos . bens móveis. artístico. e manifestando apoio à política de proteção aos bens naturais e de valor cultural.F. o estudo preliminar na base de investigação histórica e das pesquisas in loco. porque depende de técnicos qualificados cuja formação é demorada e difícil. Em união de propósitos. pois requer. acervos arqueológicos. sensibilidade artística. chegado o momento de cada Estado criar o seu próprio serviço de proteção vinculado à universidade local. iniciativa e comando e.

bem como os projetos de obras públicas e particulares que afetam áreas de interesse referentes aos bens naturais e aos de valor cultural especialmente protegidos por lei. os planos urbanos e regionais de áreas ricas em bens naturais e de valor cultural especialmente protegidos por lei. bem assim de certificado de autenticidade e propriedade obrigatórios para . Recomenda-se. as percentagens a que alude a recomendação anterior. cujo alto significado reconhecem.pelo Diretor do IPHAN. com especial atenção para planos que visem à preservação e valorização dos monumentos naturais e de valor cultural especialmente protegidos por lei. nos âmbitos nacional e estadual. Recomenda-se a convocação dos órgãos responsáveis pelo planejamento do turismo. o "Compromisso de Brasília". na proteção dos bens naturais e de valor cultural. sejam lhe dadas condições especiais em recursos financeiros e humanos. para obtenção de financiamento. a partir de estudos inciais de qualquer natureza. no sentido de ampliar o conceito de visibilidade de bem tombado. contem com a orientação do IPHAN. Recomenda-se que os Estados e Municípios utilizem. com utilização preferencial de imóveis tombados. para atendimento do conceito de ambiência. em todos os seus itens. Recomenda-se a instituição de normas para inscrição compulsória dos bens móveis de valor cultural. capazes de permitir o pleno atendimento de seus objetivos. arquitetônicos e urbanos de valor cultural e de suas ambiências. Recomenda-se a convocação do Banco Nacional de Habitação e dos demais órgãos financiadores de habitação. Recomenda-se. do IBDF e dos órgãos estaduais e municipais da mesma área. por meio de acordos e convênios. para colaborarem no custeio de todas as operações necessárias à realização de obras em edifícios tombados. utilização e divulgação dos bens naturais e de valor cultural especialmente protegidos por lei. uma ação conjunta entre a administração pública e as autoridades eclesiásticas. Recomenda-se que os órgãos responsáveis pela política de turismo estudem medidas que facilitem a implantação de pousadas. no sentido de que voltem suas atenções para os problemas. para fins de atendimento à proteção dos bens naturais e de valor cultural especialmente protegidos por lei. as percentagens do Fundo de Participação dos Estados e Municípios definidas pelo Tribunal de Contas da União. com acervos de importância comprovada. Na presente oportunidade encaminham à consideração dos responsáveis as seguintes proposições adotadas no documento ora assinado. na reorganização do IPHAN. que se chamará "Compromisso de Salvador": Recomenda-se a criação do Ministério da Cultura. Recomenda-se que os planos diretores e urbanos. Recomenda-se que se pleiteie do Tribunal de Contas da União sejam extensivas aos museus. e de Secretarias ou Fundações de Cultura no âmbito estadual. Recomenda-se que. Recomenda-se a criação de legislação complementar no sentido de proteção mais eficiente dos conjuntos paisagísticos. Recomenda-se a criação de legislação complementar. Recomenda-se que também sejam considerados prioritários. bibliotecas e arquivos. a criação de fundos provenientes de dotações orçamentárias e doações. aplaudem e apoiam. Ratificam. para fins de restauração e valorização dos bens de valor cultural. para o desenvolvimento da indústria do turismo. reconhecendo o imenso proveito para a cultura brasileira alcançado como conseqüência do referido Encontro de Brasília. ou outros incentivos fiscais. Recomenda-se a convocação da FINEP e de órgãos congêneres.

exibições ou apresentações que visem a difundir e preservar as tradições folclóricas de seus respectivos Estados.transferência ou fins comerciais. Recomenda-se que. com o objetivo de proceder ao inventário sistemático dos bens móveis de valor cultural. em sentido nacional. através do órgão específico federal. com a planificação. Recomenda-se aproveitamento remunerado de estudantes de arquitetura. Recomenda-se a convocação do Conselho Nacional de Pesquisas da CAPES para o financiamento de projetos de pesquisas e de formação de pessoal especializado. e elaboração do calendário das diferentes festas tradicionais e folclóricas. no âmbito das universidades brasileiras. onde não haja profissional de nível superior. . na organização do DAC. por ocasião do transcurso do sesquicentenário da Independência do Brasil. . para fins de atendimento da legislação específica.Bahia. centros de estudo dedicados à investigação do acervo natural e de valor cultural em suas respectivas áreas de influência. museologia e arte. Bahia. através de órgão competente. Sugerem. com vistas a disciplinar as pesquisas e trabalhos arqueológicos. em Pirajá. Paraná.a criação do Parque Histórico da Independência da Bahia. Recomenda-se a adoção de convênios entre o IPHAN e as universidades. Recomenda-se aos governos estaduais que incluam no ensino de 2º grau curso complementar de estudos brasileiros e museologia. dando igualmente inteiro apoio à realização de festivais. sejam previstas maiores possibilidades de apoio e estímulo às manifestações de caráter popular e folclórico. Recomenda-se que os governos estaduais promovam.a publicação pelas administrações estaduais e municipais de livros e documentos referentes à história da Independência brasileira.a inscrição como monumento de valor cultural. inclusive dos arquivos notariais. do Departamento de Assuntos Culturais do MEC. outrossim: . do acervo urbano de Lençóis . Recomenda-se que sejam criados. . para a formação do corpo de fiscais na área de comércio de bens móveis de valor cultural.a criação do Museu do Mate. . através dos seus órgãos específicos. que permita aos diplomados a prestação de serviços nos museus do interior. nas suas respectivas áreas. com vistas ao estudo e à proteção dos acervos naturais e de valor cultural. Recomenda-se que seja complementada a legislação vigente. Recomenda-se que se pleiteie dos poderes competentes a necessidade de diploma legal que confira aos governos estaduais a responsabilidade da administração das cidades consideradas monumento nacional. no Município de Campo Largo.

sem substituir a ação do Estado interessado. reunida em Paris de 17 de outubro a 21 de novembro de 1972. A Conferência Geral da Organização das Nações Unidas para a Educação. e Após haver decidido. de escultura ou de pintura monumentais. recomendações e resoluções internacionais existentes relativas aos bens culturais e naturais demonstram a importância que representa. que se agrava com fenômenos de alteração ou de destruição ainda mais temíveis. adotar novas disposições convencionais que estabeleçam um sistema eficaz de proteção coletiva do patrimônio cultural e natural de valor universal excepcional. velando pela preservação e proteção do patrimônio universal e recomendando aos povos interessados convenções internacionais para esse fim. Tendo em mente que a constituição da organização dispõe que esta última ajudará a conservação. devido à magnitude dos meios de que necessita e à insuficiência dos recursos econômicos. quando de sua sexta sessão. Considerando que os bens do patrimônio cultural e natural apresentam um interesse excepcional e. Considerando que as convenções. para esse fim.Convenção sobre a Proteção do Patrimônio Mundial. 16 de novembro de 1972. em sua décima-sétima sessão. organizado de modo permanente e segundo métodos científicos e modernos. em virtude de sua arquitetura. Cutural e Natural Aprovada pela Conferência Geral da UNESCO em sua décima sétima reunião Paris. Considerando que a proteção desse patrimônio em escala nacional é freqüentemente incompleta. para todos os povos do mundo. Considerando que é indispensável. . portanto.Para os fins da presente convenção serão considerados como patrimônio cultural: . a salvaguarda desses bens incomparáveis e insubstituíveis. inscrições. mediante a prestação de uma assistência coletiva que. ante a amplitude e a gravidade dos perigos novos que os ameaçam. I . mas também pela evolução da vida social e econômica. não somente pelas causas tradicionais de degradação. da arte ou da ciência. a presente Convenção. devem ser preservados como elementos do patrimônio mundial da humanidade inteira.os monumentos: obras arquitetônicas. a complete eficazmente. Adota. neste dia dezesseis de novembro de mil novecentos e setenta e dois. o progresso e a difusão do saber. a Ciência e a Cultura. .os conjuntos: grupos de construções isoladas ou reunidas que. elementos ou estruturas de natureza arqueológica. Considerando que a degradação ou o desaparecimento de um bem do patrimônio cultural e natural constitui um empobrecimento nefasto do patrimônio de todos os povos do mundo.Definições do Patrimônio Cultural e Natural Artigo 1o . Verificando que o patrimônio cultural e o patrimônio natural são cada vez mais ameaçados de destruição. científicos e técnicos do país em cujo território se acha o bem a ser protegido. cavernas e grupos de elementos que tenham um valor universal excepcional do ponto de vista da história. Considerando que. cabe a toda a coletividade internacional tomar parte na proteção do patrimônio cultural e natural de valor universal excepcional. que esta questão seria objeto de uma convenção internacional. qualquer que seja o povo a que pertençam.

conservar. da arte ou da ciência. os Estados partes na presente convenção procurarão. quando for o caso.Proteção Nacional e Proteção Internacional do Patrimônio Cultural e Natural Artigo 4o . VI . mediante a assistência e cooperação internacional de que possa beneficiar-se. .os lugares notáveis naturais ou as zonas naturais estritamente delimitadas. Artigo 5o . especialmente por programas de educação e de informação.Os Estados partes na presente convenção procurarão por todos os meios apropriados.Para os fins da presente convenção serão considerados como patrimônio natural: . na medida do possível. artístico. valorizar e transmitir às futuras gerações o patrimônio cultural e natural mencionado nos artigos 1 e 2.Obrigar-se-ão a informar amplamente o público sobre as ameaças que pesem sobre esse patrimônio e sobre as atividades empreendidas em aplicação da presente convenção. que tenham valor universal excepcional do ponto de vista estético ou científico.os lugares notáveis: obras do homem ou obras conjugadas do homem e da natureza. etnológico ou antropológico. proteger. .as formações geológicas e fisiográficas e as áreas nitidamente delimitadas que constituam o habitat de espécies animais e vegetais ameaçadas e que tenham valor universal excepcional do ponto de vista estético ou científico.Programas Educativos Artigo 27o 1 . Artigo 2o .Os Estados partes na presente convenção que receberem assistência internacional em aplicação da convenção tomarão as medidas necessárias para tornar conhecidos a . utilizando ao máximo seus recursos disponíveis. Procurará tudo fazer para esse fim. fortalecer a apreciação e o respeito de seu povos pelo patrimônio cultural e natural definido nos artigos 1 e 2 da convenção. e nas condições apropriadas a cada país: a) adotar uma política geral que vise a dar ao patrimônio cultural e natural uma função na vida da coletividade e a integrar a proteção desse patrimônio nos programas de planejamento geral.A fim de garantir a adoção de medidas eficazes para a proteção. notadamente nos planos financeiro. e. Artigo 3o . bem como as zonas. estético. situado em seu território. conservação e valorização do patrimônio cultural e natural situado em seu território. lhe incumbe primordialmente. que tenham valor universal excepcional do ponto de vista da ciência.Caberá a cada Estado parte na presente convenção identificar e delimitar os diferentes bens mencionados nos artigos 1 e 2 situados em seu território. 2 .os monumentos naturais constituídos por formações físicas e biológicas ou por grupos de tais formações. tenham um valor universal excepcional do ponto de vista da história. da conservação ou da beleza natural. II . inclusive lugares arqueológicos.unidade ou integração na paisagem. Artigo 28o . que tenham valor universal excepcional do ponto de vista histórico.Cada um dos Estados partes na presente convenção reconhece que a obrigação de identificar. científico e técnico. .

pertencentes a qualquer pessoa ou instituição. que compreende desde os monumentos arquitetônicos até as de pintura e escultura. os jardins e parques considerados de especial importância.Além das obras mencionadas no artigo precedente.Ficam submetidas à disciplina das presentes instruções. Artigo 2º . histórico ou ambiental. Artigo 1º . as coleções artísticas e as decorações conservadas em sua disposição tradicional. seja por conta do Estado ou de outras instituições ou pessoas. Artigo 4º . para que se atenham.Entende-se por salvaguarda qualquer medida de conservação que não implique a intervenção direta sobre a obra. assim como das prospeções subterrâneas e subaquáticas a serem empreendidas. os conjuntos de edifícios de interesse monumental. na acepção mais ampla. para efeito de sua salvaguarda e restauração. que adotam o nome de Carta do Restauro 1972. inclusive fragmentados. . e desde o período paleolítico até as expressões figurativas das culturas populares e da arte contemporânea. mediante parecer favorável do Conselho Geral de Antigüidades e Belas Artes.Todas as obras de arte de qualquer época. Carta do Restauro de 6 de abril de 1972 Ministério de Instrução Pública Governo da Itália Circular n.º 117 Através da circular número 117. Artigo 5º . que será aprovado pelo Ministério da Instrução Pública. entende-se por restauração qualquer intervenção destinada a manter em funcionamento. às normas por ela estabelecidas e às instruções anexas. a facilitar a leitura e a transmitir integralmente ao futuro as obras e os objetos definidos nos artigos precedentes. além das obras incluídas nos artigos 1 e 2. 1972) entre os diretores e chefes de institutos autônomos. são objeto das presentes instruções.importância dos bens que tenham sido objeto dessa assistência e o papel que ela houver desempenhado. Artigo 3º . ficam assimiladas a essas. artístico e cultural elaborará um programa anual e especificado dos trabalhos de salvaguarda e restauração. escrupulosa e obrigatoriamente. o Ministério da Instrução Pública da Itália divulgou o Documento sobre Restauração de 1972 (Carta do Restauro. as operações destinadas a assegurar a salvaguarda e a restauração dos vestígios antigos relacionados com as pesquisas subterrâneas e subaquáticas. de 6 de abril de 1972. particularmente os centros históricos.Cada uma das superintendências de instituições responsáveis pela conservação do patrimônio histórico. aqui publicadas na íntegra. em todas as intervenções de restauração em qualquer obra de arte. para assegurar sua salvaguarda e restauração.

que jamais deverá alcançar o estrato da cor. o conjunto monumental ou ambiental. embora harmônico. a menos que se trate de alterações limitadas que debilitem ou alterem os valores históricos da obra. admitem-se as seguintes operações ou reintegrações: 1 . 5 .aditamentos de partes acessórias de função sustentante e reintegrações de pequenas partes verificadas historicamente. além disso. ainda quando existirem documentos gráficos ou plásticos que possam indicar como tenha sido ou deva resultar o aspecto da obra acabada. desde que. ou de aditamentos de estilo que a falsifiquem. particularmente nos pontos de enlace com as partes antigas e. quando já não existirem ou houverem sido destruídas a ambientação ou instalação tradicionais. assentamento de obras parcialmente perdidas reconstruindo as lacunas de pouca identidade com técnica claramente distinguível ao olhar ou com zonas neutras aplicadas em nível diferente do das partes originais. segundo o artigo 4º.limpeza de pinturas e esculturas. 4 . nos casos de emergência ou dúvida previstos na lei. uma vez realizada a operação. o jardim. qualquer intervenção nas obras referidas no artigo 1º deverá ser ilustrada e justificada por um parecer técnico em que constarão.No âmbito do programa.alteração ou eliminação das pátinas. a menos que isso seja determinado por razões superiores de conservação. seu estado atual. recomposição de obras que se tiverem fragmentado. 5 . 2º e 3º: 1 . com clara determinação do contorno das reintegrações. Artigo 6º . proíbem-se indistintamente para todas as obras de arte a que se referem os artigos 1º. ou quando as condições de conservação exigirem sua transferência.modificações ou inserções de caráter sustentante e de conservação da estrutura interna ou no substrato ou suporte. executadas. o parque. nunca deverá chegar à superfície nua da matéria de que são constituídas as obras. reconstrução ou traslado para locais diferentes dos originais. etc. ou depois de sua apresentação. 3 . respeitados a pátina e eventuais vernizes antigos.alteração das condições de acesso ou ambientais em que chegou até os nossos dias a obra de arte. inclusive em forma simplificada. 2º e 3º. 2 . ou com adoção de material diferenciado. Artigo 7º . Esse informe será igualmente aprovado pelo Ministério de Instrução Pública com parecer prévio do Conselho Superior de Antigüidades e Belas Artes. para todas as outras categorias de obras. com marcas e datas onde for possível.anastilose documentada com segurança.remoção.aditamentos de estilo ou analógicos. na aparência da obra vista da superfície não resulte alteração nem cromática nem de matéria. 2 .remoções ou demolições que apaguem a trajetória da obra através do tempo.. jamais reintegrando ex novo zonas figurativas ou inserindo elementos determinantes da figuração da obra. facilmente distinguível ao olhar.De acordo com as finalidades a que.nova ambientação ou instalação da obra. se for o caso. especialmente. . 4 . ou deixando à vista o suporte original e. a natureza das intervenções consideradas necessárias e as despesas necessárias para lhes fazer frente. o conjunto decorativo. além do detalhamento sobre a conservação da obra. 3 .Em relação às mesmas finalidades a que se refere o artigo 6º e indistintamente para todas as obras a que se referem os artigos 1º. devem corresponder as operações de salvaguarda e restauração.

No caso das limpezas. pictóricos. para a realização de escavações. a quem também competirá atuar ante o mesmo ministério no que disser respeito a desaconselhar materiais ou métodos antiquados. esculturais. Anexo A Instruções para a salvaguarda e a restauração dos objetos arqueológicos Além das regras gerais contidas nos artigos da Carta do Restauro. contudo. Artigo 11º . ter presentes exigências particulares relativas à salvaguarda do subsolo . nocivos ou não comprovados. é necessário. nem exigir modificações substanciais e permanentes do ambiente em que as obras tiverem sido transmitidas historicamente.Artigo 8º . da química. forem indispensáveis modificações de tal gênero com vistas ao fim superior de sua conservação. decidirá o ministro. ainda.Nos casos em que houver dúvida sobre a atribuição das competências técnicas. ou em que surgirem conflitos a respeito do assunto. enquanto que no caso das adições. se possível em lugar próximo à zona interventora. Artigo 12º . de acordo com parecer justificado do Instituto Central de Restauração. a que se anexará a documentação fotográfica de antes.As medidas destinadas a preservar dos agentes contaminadores ou das variações atmosféricas. não ficará inviabilizada outra eventual intervenção para salvaguarda ou restauração. b. 2º e 3º não deverão alterar sensivelmente o aspecto da matéria e a cor das superfícies. no campo da arqueologia. durante e depois da intervenção. Artigo 9º . De toda essa documentação haverá cópia no arquivo da superintendência competente e outra cópia será enviada ao Instituto Central de Restauração. térmicas ou higrométricas as obras a que se referem os artigos 1º. as partes eliminadas deverão.Os métodos específicos utilizados como procedimento de restauração especialmente para monumentos arquitetônicos. c e d das presentes instruções. qualquer intervenção deve ser previamente estudada e justificada por escrito (último parágrafo do artigo 5º) e deverá ser organizado um diário de seu desenvolvimento. deverá ser autorizada pelo Ministro da Instrução Pública. a partir dos pareceres dos superintendentes ou chefes de instituições interessados. deve ser realizada de tal modo e com tais técnicas e materiais que fique assegurado que. Serão documentadas. essas modificações deverão ser realizadas de modo que evitem qualquer dúvida sobre a época em que foram empreendidas e da maneira mais discreta possível. ouvido o Conselho Superior de Antigüidades e Belas Artes. deverá ser deixado um testemunho do estado anterior à operação. a sugerir novos métodos e ao uso de novos materiais. a definir as investigações que se devam prover com equipamentos e com especialistas alheios ao equipamento e à planilha de que dispõe. para os conjuntos históricos e. até mesmo. ser conservadas ou documentadas em um arquivodepósito especial das superintendências competentes. Se. Além disso. da microbiologia e de outras ciências. Artigo 10º . sempre que possível. todas as eventuais investigações e análises realizadas com o auxílio da física. para os efeitos do disposto no artigo 4º.Qualquer intervenção na obra ou em seu entorno. estão especificados nos anexos a. no futuro.A utilização de novos procedimentos de restauração e de novos materiais em relação aos procedimentos e matérias de uso vigente ou de algum modo aceitos.

com ataduras e adesivos adequados. todos os tratamentos específicos requeridos.assim como nas habituais prospeções arqueológicas terrestres . em função do estado concreto dos restos. levando-se também em conta as experiências adquiridas internacionalmente nesse campo. de ruínas submersas e de esculturas fundidas. com os materiais cerâmicos e com os utensílios. à aplicação de vínculos especiais. vinculadas às leis e disposições que afetam as escavações subaquáticas e que se destinam a impedir a violação indiscriminada e irresponsável dos restos de navios antigos e de seu carregamento. Concomitantemente às diferentes medidas a serem tomadas nos diversos casos. principalmente pelas partes lenhosas com grandes e prolongadas lavações. do terreno. especialmente se são susceptíveis de uma deterioração mais fácil. à criação de reservas e parques arqueológicos. os materiais cerâmicos esparsos. impõem-se medidas muito precisas.arqueológico e à conservação e restauração dos achados durante as prospeções terrestres e subaquáticas relacionadas no artigo 3º. Na recuperação de vidros. de modo que seja facilitado sua recomposição e restauração no laboratório. tomar-se-ão todas as precauções que permitam a identificação de eventuais vestígios ou restos de seu conteúdo. da natureza e dos limites das relações. banhos em peculiares substâncias consolidantes. com conhecimento preciso da atmosfera e da temperatura. a documentação de elementos que houverem eventualmente aflorado. eletromagnéticas. é aconselhável não proceder a limpeza alguma . que começam pela exploração sistemática das costas italianas por pessoal especializado. de modo que o conhecimento o mais completo possível da natureza arqueológica do terreno permita diretrizes mais precisas para a aplicação das normas de salvaguarda. Entre essas condições concretas do resgate . é necessário. No caso de serem encontrados elementos desprendidos de uma decoração de estuque. com o objetivo de chegar à consecução de uma forma maris com indicação de todos os restos e monumentos submersos. no caso de execução de trabalhos agrícolas ou de urbanização. por exemplo. além disso. O problema de maior importância da salvaguarda do subsolo arqueológico está necessariamente ligado à série de disposições e leis referentes à expropriação. ou mosaico ou de opus sectile. que constituem dados preciosos para a história do comércio e da vida na antigüidade. antes e durante o seu traslado. que permita o resguardo dos materiais recuperados do fundo do mar. seja para efeito de sua tutela ou para o da programação das pesquisas científicas subaquáticas. A recuperação dos restos de uma embarcação antiga não deverá ser iniciada antes que hajam sido dispostos os sítios e o necessário acondicionamento especial. no que concerne à restauração devem se observar as precauções que durante as operações de escavação garantirem a conservação imediata dos descobrimentos.deverão ser consideradas as especiais exigências de conservação e de restauração dos objetos de acordo com sua categoria e sua matéria. com recorrência também à ajuda da fotografia e das prospeções elétricas. sobretudo nos últimos decênios. mantê-los unidos com encolados de gesso. e a ulterior possibilidade de salvaguarda e de restauração definitivas. já que as normas de recuperação e documentação abordam mais especificamente o esquema das normas relativas à metodologia das escavações. Durante as explorações arqueológicas terrestres. etc. Os sistemas de extração e recuperação de embarcações submersas deverão ser estudados caso a caso. será sempre necessário efetuar um cuidadoso reconhecimento do terreno para recopilar todos os possíveis dados localizáveis na superfície. ou de pintura. dever-se-á dedicar especial atenção ao exame e fixação de possíveis inscrições pintadas. especialmente no corpo do utensílio. Para a salvaguarda do patrimônio arqueológico submarino. para o estabelecimento de planos reguladores e para a vigilância.

Para os mosaicos que. Requerem especiais exigências de proteção diante dos perigos advindos da alteração climática. Deverá ser considerado com especial atenção o problema de restauração das obras destinadas a permanecerem ou a serem reinstaladas em seu lugar original. especialmente a aglomeração de visitantes. pois sempre são susceptíveis de alteração. destinam-se a serem expostos em museu. assim como há que evitar o uso de vernizes ou ceras para reavivar as cores. nesses casos. as fortes mudanças atmosféricas do exterior. além das normas gerais contidas na "Carta do Restauro" e nas Instruções para os critérios das Restaurações Arquitetônicas. particularmente as pinturas e mosaicos. quando para a restauração completa de um monumento .o sistema de cimentação com recheio metálico inoxidável resulta. devem-se evitar as integrações.durante a escavação. a obtenção de decalques dos negativos das plantas e de materiais orgânicos susceptíveis de deterioração através de pastas adesivas de gesso aplicadas nas cavidades que tenham permanecido no terreno. no sistema mais idôneo e resistente aos agentes atmosféricos. Particular delicadeza se requer na extração de objetos ou fragmentos de metal. Tais precauções têm sido tomadas no acesso a monumentos préhistóricos pintados na França e na Espanha e seria de desejar que o fossem em muitos de nossos monumentos (tumbas de Tarquínia). devendo-se recorrer não apenas aos sistemas de consolidação. Esses fatores se alteram facilmente por causas externas e estranhas a tais ambientes. Especial atenção deve ser prestada a respeito de possíveis vestígios ou reproduções de pedaços de tecidos. Em primeiro lugar. quando for necessário. mas também a eventuais suportes adequados ao caso. dando às lacunas uma entonação similar à do reboco grosso. ao contrário. seja garantida a presença de restauradores preparados para uma primeira intervenção de recuperação e fixação. resistente e manejável. No esquema da arqueologia pompeiana se utiliza principalmente. No que respeita às cerâmicas e Terracota é indispensável não prejudicar com lavações ou limpezas apressadas a eventual presença de pinturas. em troca. evitando o contato direto com a parede e proporcionando. em tal caso. até agora. através de aparelhos de climatização interpostos entre o ambiente antigo a ser protegido e o exterior. vernizes e inscrições. de entelado e encolados em função das condições climáticas. os interiores com pinturas parietais in situ (grutas pré-históricas. é necessário manter constantes dois fatores essenciais para a melhor conservação das pinturas: o grau de umidade ambiental e a temperatura ambiente. pequenos recintos). uma montagem fácil e uma conservação segura. a iluminação excessiva. portanto. Ainda assim. por causa da facilidade com que podem quebrar-se. durante o desenvolvimento das escavações. Têm sido experimentados com êxito vários tipos de suportes. sempre que possível. já é amplamente utilizado o suporte em sanduíche de materiais ligeiros. depois de sua retirada que. atmosféricas e higrométricas. adotar cuidados especiais. sua reinstalação no edifício de que provêm e de cuja decoração constituem parte integrante e. Para a restauração dos monumentos arqueológicos. Para os efeitos da aplicação destas instruções é preciso que. principalmente se estão oxidados. é preferível. dever-se-iam ter presentes algumas exigências em relação às peculiares técnicas antigas. Quanto aos mosaicos. com os métodos modernos pode ser feita inclusive em grandes superfícies sem realizar cortes . que permitem a recolocação das pinturas nos espaços convenientemente cobertos de um edifício antigo. sendo suficiente uma limpeza cuidadosa das superfícies originais. É necessário. tumbas. inclusive na admissão de visitantes.que comporta necessariamente seu . com ampla e brilhante experiência.

ou de caliça. sobretudo nos em que é preciso manter a linha irregular do perfil da ruína. Constitui um problema peculiar dos monumentos arqueológicos a forma de cobrir os muros em ruínas. que possam produzir danos irreparáveis. as operações terão que se realizar com o método estatigráfico que pode oferecer dados preciosos sobre a vida e as fases do próprio edifício. particularmente diversificados na Itália. no Arco de Tito). inclusive do ponto de vista cromático.seja necessário efetuar prospeções de escavação para o descobrimento das fundações. Para a restauração de muros de opus incertum. as medidas para a restauração e a conservação dos monumentos arqueológicos também devem ser estudadas em função das variadas exigências climáticas dos diferentes locais. as partes restauradas deverão se manter em um plano ligeiramente retrancado. será adequado colocar em todas as zonas restauradas placas com as datas. na arte romana. se utiliza a mesma qualidade de pedra e os mesmos tipos de peças. que resulta ostensiva e agressiva. visando à obtenção de um aspecto mais ou menos rústico em relação ao tipo de monumento. Como alternativa à retrancagem da superfície das reintegrações de restaurações modernas. foi experimentada a aplicação de uma capa de argamassa de alvenaria que parece dar os melhores resultados. deve ser evitar a combinação de materiais diferentes e anacrônicos nas partes restauradas. pode-se fazer uma fresta que siga o seu contorno e delimite a parte restaurada ou inserir uma franja sutil de materiais distintos. diferenciado pela lavradura de incisões nas superfícies modernas. Anexo B Instruções para os critérios das restaurações arquitetônicas . tanto do ponto de vista estético. enquanto que para os muros de ladrilho será oportuno marcar com incisões ou raias a superfície dos ladrilhos modernos. Nos monumentos antigos e particularmente nos da época arcaica ou clássica. o mármore branco pode ser reintegrado com travertino ou calcário em combinações já experimentadas com êxito (restauração de Valadier.estudo histórico . devem-se evitar experimentações com métodos não suficientemente comprovados. Finalmente. Finalmente. reticulatum et vittatum. O uso do cimento com sua superfície revestida do pó do mesmo material do monumento a ser restaurado pode se mostrar útil para a reintegração de tambores de colunas antigas de mármore. Quanto ao problema geral da consolidação dos materiais arquitetônicos e das esculturas ao ar livre. utilizando lascas do mesmo material cimentado com argamassa misturada na superfície com pó do mesmo material para obter uma entonação cromática. Para a restauração de estruturas do aparelho de silharia tem sido experimentado favoravelmente o sistema de reproduzir os silhares nas medidas antigas. de calcário. como de sua resistência aos agentes atmosféricos. quasi reticulatum. ou gravar siglas ou marcas especiais. ao mesmo tempo em que se podem utilizar diversos sistemas para diferenciar o uso do mesmo material com que foi construído o monumento e que é preferível manter nas restaurações. Da mesma forma pode ser recomendável em muitos casos um tratamento superficial de novos materiais.

Do mesmo modo. etc). mas. Este princípio deve sempre guiar e condicionar a escolha das operações. dos traçados reguladores e dos sistemas proporcionais e compreenderá um cuidadoso estudo específico para a verificação das condições de estabilidade. As restaurações devem ser continuamente vigiadas e supervisionadas para que se tenha segurança sobre sua boa execução e para que se possa intervir imediatamente no caso em que se apresentarem fatos novos. conservando escrupulosamente as formas externas e evitando alterações sensíveis das características tipológicas. elaborado de diversos pontos de vista (que estabeleçam a análise de sua posição no contexto territorial ou no tecido urbano. por exemplo. interpretada também sob o aspecto metrológico.. No caso de paredes em desaprumo. vem-se considerando detidamente a possibilidade de novas utilizações para os edifícios monumentais antigos. relativos à obra original. bastante úteis para o conhecimento do edifício e do sentido da restauração. As obras de adaptação deverão ser limitadas ao mínimo. Em particular. das elevações e qualidades formais. deverá ser confiada a empresas especializadas e. A execução dos trabalhos pertinentes à restauração dos monumentos. que quase sempre consiste em operações delicadíssimas e sempre de grande responsabilidade. tais como os grumos e coloridos originais das paredes e abóbadas. Sempre com o objetivo de assegurar a sobrevivência dos monumentos. dos aspectos tipológicos. assim como aos eventuais acréscimos ou modificações. A realização do projeto para a restauração de uma obra arquitetônica deverá ser precedida de um exaustivo estudo sobre o monumento. especialmente quando intervêm o piquete e o maço. inclusive para evitar intervenções de maior amplitude. executada sob orçamento e não sob empreitada. quando não resultarem incompatíveis com os interesses histórico-artísticos. respeitando os elementos acrescidos e evitando até mesmo intervenções de renovação ou reconstituição.No pressuposto de que as obras de manutenção realizadas no devido tempo asseguram longa vida aos monumentos. encarece-se o maior cuidado possível na vigilância contínua dos imóveis para a adoção de medidas de caráter preventivo. para obter todos os dados históricos possíveis. certamente. Uma exigência fundamental da restauração é respeitar e salvaguardar a autenticidade dos elementos construtivos. ou eliminar um eventual reboco. da organização estrutural e da seqüência dos espaços internos. o diretor dos trabalhos deve constatar a existência ou não de qualquer marca de decoração. há que se examinar primeiro a possibilidade de corrigi-los sem substituir a construção original. quando possível. e também. a necessidade de considerar todas as obras de restauração sob um substancial perfil de conservação. dos sistemas e caracteres construtivos. para evitar que desapareçam elementos antes ignorados ou eventualmente desapercebidos nas investigações prévias. ainda. a substituição de pedras corroídas só deverá ocorrer para satisfazer às exigências de gravidade. dificuldades ou desequilíbrios nas paredes. . Parte integrante desse estudo serão pesquisas bibliográficas. mesmo quando sugiram a necessidade peremptória de demolição e reconstrução. antes de raspar uma camada de pintura. O projeto se baseará em uma completa observação gráfica e fotográfica. Lembra-se. iconográficas e arquivísticas. etc.

Em continuação. além de sob luz natural. etc. com raios ultravioletas simples ou filtrados e com raios infravermelhos. se observarem silhares rasgados por grampos ou varas de ferro que se incham com a umidade. É sempre aconselhável tirar . Enquanto. fuligem. As esculturas em pedra colocadas no exterior dos edifícios. Anexo C Instruções para a execução de restaurações pictóricas e escultóricas Operações preliminares A primeira operação a realizar. Para a boa conservação das fontes de pedra ou de bronze. Dever-se-ão evitar. é um reconhecimento cuidadoso de seu estado de conservação. devendo essas fotografias serem obtidas. inclusive temporal. resulta preferível realizar em toda a extensão do contorno da reintegração uma sinalização clara e persistente. redigir-se-á uma inventário que constituirá parte integrante do programa e o começo do diário da restauração.A eventual substituição de paramentos murais. Deverão ser tomadas todas as precauções para evitar o agravamento da situação. Quando isso for impossível. todas as intervenções necessárias para eliminar as causas dos danos. em geral. sob luz monocromática. usando apenas escovas vegetais ou jatos de ar com pressão moderada. A pátina da pedra deve ser conservada por evidentes razões históricas. a determinação aproximada das diferentes épocas em que se produziram as estratificações. Isso poderá ser conseguido com uma lâmina de metal adequado. fezes de pombo. que mostre os limites da intervenção. ou com frestas visíveis. devem ser vigiadas. convirá transferir a escultura para um local fechado. diferenciando os materiais ou as superfícies de construção recente. já que ela desempenha uma função protetora como ficou demonstrado pelas corrosões que se iniciam a partir das lacunas da pátina. é necessário descalcificar a água. convém desmontar a parte deteriorada e substituir o ferro por bronze ou cobre. ainda. igualmente. Em tal reconhecimento se inclui a comprovação dos diferentes estratos materiais de que venha a estar composta a obra e se são originais ou acréscimos e. conforme o caso. mas. deverá ser sempre distinguível dos elementos originais. ao mesmo tempo em que se devem excluir. Para isso. mais ou menos largas e profundas. em geral. ainda. Podem-se eliminar as matérias acumuladas sobre as pedras . antes da intervenção em qualquer obra de arte pictórica ou escultórica. desaconselháveis as lavações de qualquer natureza. portanto. que apresenta a vantagem de não manchar a pedra. segundo o caso. a partir da prática anteriormente descrita. melhor ainda. os jatos de areia. intervindo-se sempre que seja possível adotar. por aço inoxidável. de água e de vapor com forte pressão. deverão ser postas em prática. pó. com uma série contínua de pequenos fragmentos de ladrilho. sendo. ou. sempre que se tornar estritamente necessárias e nos limites mais restritos.. estéticas e também técnicas. modificações e acréscimos. A consolidação da pedra e de outros materiais deverá ser experimentada quando os métodos amplamente comprovados pelo Instituto Central da Restauração oferecerem garantias efetivas.detritos. deverão ser feitas as indispensáveis fotografias da obra para documentar seu estado precedente à intervenção restauradora. eliminando as concreções calcárias e as inadequadas limpezas periódicas. um método comprovado de consolidação ou de proteção. por exemplo. ou nas praças. as escovas metálicas e raspadores.

além disso. também se realizarão análises microbiológicas. sempre que existirem estratificações ou houver que constatar o estado da preparação. de um traslado ou de uma reconstrução de fragmento. quando não se trata de esculturas envernizadas ou policromadas. efetuar provas da argamassa e do conjunto dos materiais da parede e medir seu grau de umidade. Terracota ou outro suporte (imóvel). a cautela e a experimentação com os materiais a serem utilizados na restauração não deverão ser consideradas questões supérfluas. de eliminação de repintagens. . Os meios mecânicos (bisturi) deverão sempre ser utilizados com o controle do pinacoscópio. Sempre que se percebam ou se suponham formações de fungos. de dois modos: por meios mecânicos ou por meios químicos. nem sempre poderá ter uma resposta científica e. No que concerne à limpeza. condensação ou de capilaridade. como a câmera Pethen Koppler e similares. será certificar-se do estado de conservação da matéria de que se realizaram e. não se percebam superposições. registrar-se no diário da restauração uma nota de referência à fotografia. Providências a serem efetuadas na execução da intervenção restauradora As análises preliminares deverão ter proporcionado os meios para orientar a intervenção na direção adequada. Os meios químicos (dissolventes) deverão ser de tal natureza que possam ser imediatamente neutralizados e também que não se fixem de forma duradoura sobre os estratos da pintura e sejam voláteis. realizado sobre base empírica e não científica da técnica utilizada na pintura em questão. mesmo que nem sempre se trabalhe sob sua lente. eventualmente. Há de se excluir qualquer sistema que oculte a visualização ou a possibilidade de intervenção ou controle direto sobre a pintura. também se deve fotografar o reverso da obra. Deverá ser assinalado na fotografia de luz natural o ponto exato das provas e. entretanto .se observarem elementos problemáticos. ficará explicada sua problemática. de um assentamento de estratos. Antes de usá-los. portanto.que serão detalhados no diário da restauração . principalmente. ou sobre pedra. em lugares não capitais da obra. Se. Depois de haver tirado as fotografias. deverão ser realizadas experimentações para assegurar que não possam atacar o verniz original da pintura. quer se trate de uma simples limpeza. a partir dos documentos fotográficos .determinação da técnica empregada -. obter radiografias. será preciso ter conhecimento preciso das condições do suporte em relação à umidade.radiografias. O dado que seria o mais importante no que diz respeito à pintura. nos casos em que das seções estratigráficas haja resultado um estrato ao menos presumível como tal. à simples visão. definir se trata de umidade de infiltração. que abarquem todos os estratos até o suporte. poderá ser realizada. dever-se-ão retirar amostras mínimas. No que se refere às pinturas murais. O problema mais peculiar das esculturas. de um reconhecimento genérico. para efetuar as seções estratigráficas. inclusive nos casos em que. No caso de pinturas móveis.

é sempre melhor não intervir em uma madeira antiga e já estabilizada. controlar minuciosamente a estabilidade da capa pictórica sobre seu suporte e proceder ao assentamento das partes desprendidas ou em perigo de desprendimento. Qualquer adição deverá ser realizada com madeira já estabilizada e em pequenos fragmentos. ainda. é aconselhável conservar a imprimação para manter a superfície pictórica em sua conformação original. enquanto que para a possível imprimação (ou preparação) deverão ser seguidos os mesmos critérios utilizados para as pranchas. a menos que seja apenas o suporte a parte debilitada e a imprimação se mantenha em bom estado. qualquer que seja o meio empregado. Sempre que o estado do suporte ou o da imprimação. Ainda assim. etc. a pintura deverá ser submetida à ação de gazes inseticidas adequados. térmitas. Quando for necessário proceder à proteção geral do anverso da pintura por causa de necessidade de realizar operações no suporte. Deve-se evitar a impregnação com líquidos. mas seja necessário retificá-lo ou colocar reforços ou rebocos. Quando se tratar de pinturas sem preparação. o adesivo do suporte para a tela da pintura trasladada deverá ser facilmente solúvel. sem danificar a capa pictórica nem o adesivo que une os estratos superficiais à tela do traslado. quando for indispensável. exijam a destruição ou o arranque do suporte e a substituição da imprimação. a eventualidade de um traslado deve ser efetuada com a destruição gradual e controlada da tela deteriorada. deve-se ter presente que. No caso de pinturas sobre tela. é imprescindível que tal proteção se realize depois da consolidação das partes levantadas ou desprendidas. Mas. e com uma cola de dissolução muito fácil e diferente da empregada no assentamento da cor. qualquer que seja o material de que for feito. Na substituição do suporte lenhoso. nas quais se tenha aplicado uma cor muito diluída diretamente sobre o suporte (como nos esboços de Rubens). já que adelgaçá-la não seria suficiente.Antes de proceder à limpeza. Se intervier. Sempre que possível. é necessário. atrás do assentado. deve assegurar principalmente os movimentos naturais da madeira a que estiver fixado.. Quando o suporte lenhoso original estiver em bom estado. Dever-se-á retirar uma amostra. para que resulte o mais inerte possível em relação ao suporte antigo em que se inserir. não será possível o traslado. será necessário que a imprimação antiga seja levantada integralmente a mão com o bisturi. que não possam danificar a pintura. Esse assentamento poderá ser realizado. ou ambos . cuja penetração seja assegurada com uma fonte de calor constante e que não apresente perigo para a conservação da pintura.em pinturas de suporte móvel -. sempre que se tenha realizado um assentamento. Para isso. O reboco. é preciso fazê-lo com regras tecnológicas muito precisas. como não é indispensável para a própria fruição estética da pintura. que respeitem o movimento das fibras da madeira. identificar a espécie botânica e averiguar seu índice de dilatação. é regra estrita a eliminação de qualquer resto do fixador da superfície pictórica. Se o suporte é de madeira e está infestado por carunchos. conforme o caso. deverá ser feito um exame minucioso com a ajuda do pinacoscópio. deve se evitar substituí-lo por um novo suporte composto de peças de madeira e só é aconselhável efetuar o traslado para um suporte rígido quando se tiver absoluta certeza de que ele não terá um índice de dilatação diferente do suporte eliminado. de forma localizada ou com aplicação de um adesivo estendido uniformemente. .

realizadas sobre preparação. ao mesmo tempo. de um modo geral. a definição do aglutinante utilizado não será às vezes menos problemática (como no que se refere às pinturas murais da época clássica). Quando se puderem conhecer essas causas e se encontrar um fungicida adequado. inclusive em relação às categorias genéricas de pintura a têmpera. a aquarela ou a pastel. inércia e neutralidade (ausência de ph). ou de arranque em que também se desprendam os rebocos de preparação (distacco). que. às vezes. sem junções intermediárias. quando as cores da pintura mural se apresentarem em um estado mais ou menos avançado de pulverulência. Quando houver necessidade de se proceder ao arranque da pintura de seu suporte original. ou mesmo diretamente sobre mármore. se tratar de uma têmpera e. a possibilidade de restabelecê-la automaticamente quando a tensão vier a ceder por causa das variações termo-higrométricas. Além disso. será imprescindível um assentamento preventivo. gerar uma investigação sem conclusão definitiva e. viriam à superfície da película pictórica com o passar do tempo.A operação de reentelar. a óleo. a ser eliminado. mas. No que diz respeito especialmente ao arranque. inevitavelmente. será necessário que ele possa ser construído nas mesmas dimensões da pintura. pedra. deve evitar compressões excessivas e temperaturas altas demais para a película pictórica. nas pinturas murais. facilmente. A cor pulverulenta será analisada para ver se contém formações de fungos e a que causas se pode atribuir o seu desenvolvimento. Ocasionalmente. a encáustica. se for realizada. que altere o mínimo possível as cores originais e que não se torne irreversível com o tempo. das partes em têmpera de um afresco. será também necessário um tratamento especial para conseguir que a cor pulverizada se perca ao mínimo. irresolúvel. atualmente. em que certas cores não podiam ser aplicadas a fresco. entre os métodos a serem escolhidos com probabilidades equivalentes de bom êxito é recomendável o strappo. Quanto ao assentamento da cor. antes da aplicação das telas protetoras por meio de um adesivo solúvel. Os teares deverão ser concebidos de modo a assegurar não apenas a justa tensão. Excluem-se sempre e taxativamente operações de aplicação de uma pintura sobre tela em um suporte rígido(maruflagem). O adesivo . também. além disso. de arranque do estrato de cor (strappo). é necessário assegurar-se de que o diluente não dissolverá ou atacará o aglutinante da pintura a ser restaurada. pela possibilidade de recuperação da sinopia preparatória no caso dos afrescos e também porque libera a película pictórica de restos do estuque degradado ou em mau estado. deve-se procurar um fixador que não seja de natureza orgânica. Providências que se devem ter presentes na execução de restaurações em pinturas murais Nas pinturas móveis a determinação da técnica pode. O suporte em que se instalará a película pictórica tem que oferecer garantias máximas de estabilidade. ainda mais indispensável para proceder a qualquer operação de limpeza. mas. etc. será preciso certificar-se de que não danificará a pintura e de que possa vir. de assentamento.

Por isso. argila crua. sejam fixadas e possam ser dispostas em sua colocação original. em vez de pinturas. será preciso submetê-la à ação de gases adequados. Deverá ser dedicado cuidado especial à conservação das características tectônicas da superfície.que tenha a máxima estabilidade.) sempre que por debaixo dela não existirem sinais de corrosão ativa. ligaduras.e com materiais tais . No caso de esculturas fragmentadas. Para os objetos de bronze. apesar de deixarem intacta a matéria. eventualmente. eventualmente. etc. Antes da aplicação do engaste e da armadura de sustentação é preciso certificar-se do estado de conservação das tesselas e. possa mudar. consolidá-las. Anexo D . a utilização de consolidantes deverá ser subordinada à conservação do aspecto original da matéria lenhosa. cartão-pedra. poderiam alterar o aspecto da madeira. deverão ser separadas preferivelmente através de meios mecânicos. Se a madeira estiver infectada por caruncho. se com dissolventes. para uso de eventuais dobradiças. por qualquer razão. Quando se preferir manter a pintura trasladada sobre tela. em pedra. climatizados. deve ser excluída a execução de aguadas que. louça vidrada. da técnica com que se realizaram as esculturas (se em mármore. Quando se tratar de esculturas de madeira degradada.). trate-se de arrancar mosaicos. ou. naturalmente reforçada. o bastidor deverá ser construído de tal modo . ataquem a pátina. mas sempre que possível. rios. mesmo na ausência de policromia. etc. cupins. Providências a serem observadas na execução de restaurações de obras escultóricas Depois de assegurar-se do material e. de natureza tal que não ataquem o material da escultura e tampouco se fixem sobre ele. se a restauração tiver sido ocasionada pela situação térmica e higrométrica do lugar como um todo ou da parede em particular. elasticidade e automatismo para restabelecer a tensão que.) de forma a garantirem a conservação e a salvaguarda da obra de arte.com que se irá fixar a tela grudada à película pictórica sobre o novo suporte terá que poder dissolver-se com a maior facilidade com um dissolvente que não traga danos à pintura. Advertências gerais para a instalação de obras de arte restauradas Como linha de conduta geral.) em que não haja partes pintadas e seja necessária uma limpeza. malaquitas. climática ou não. deverá ser escolhido metal inoxidável. há de se evitar a impregnação com líquidos que. deverá ficar assegurado que onde as tesselas não constituem uma superfície completamente plana. etc. estuque. se houver incrustações. uma obra de arte restaurada não deve ser posta novamente em seu lugar original. no caso de esculturas encontradas em escavações ou na água (mar. ou se o lugar ou a parede não vierem a ser tratados imediatamente (saneados. Terracota. argila crua e pintada. etc. Quando. etc. recomenda-se um cuidado particular quanto à conservação da pátina dupla (atacamitas. etc.

mas se estende também à conservação substancial das características conjunturais do organismo urbanístico completo e de todos os elementos que concorrem para definir tais características.). entre muitos.). etc. é necessário principalmente que os centros históricos sejam reorganizados em seu mais amplo contexto urbano e territorial e em sua relações e conexões com futuros desenvolvimentos. cursos fluviais.a permanência no tempo dos valores que caracterizam esses conjuntos. mas também a estrutura urbanística. hajam se constituído no passado ou. praças. têm por si mesmas um significado e um valor. que determinam sua a expressão arquitetônica ou ambiental. caracterizando-o de forma mais ou menos acentuada (entornos naturais. portas. Sua natureza histórica se refere ao interesse que tais assentamentos apresentarem como testemunhos de civilizações do passado e como documentos de cultura urbana.através de meios e procedimentos ordinários e extraordinários .) e outras estruturas significativas (muralhas. Os elementos edílicos que formam parte do conjunto devem ser conservados não apenas quanto aos aspectos formais. A coordenação se posicionará também em relação à exigência de salvaguarda do contexto ambiental mais geral do território. já que não só a arquitetura. As intervenções de restauração nos centros históricos têm a finalidade de garantir . etc. etc. singularidade geomórficas. levam-se em consideração não apenas os antigos centros urbanos. inclusive independentemente de seu intrínseco valor artístico ou formal. através de um planejamento físico territorial adequado. os que eventualmente tenham adquirido um valor especial como testemunho histórico ou características urbanísticas ou arquitetônicas particulares.) e interiores (pátios.) assim como eventuais elementos naturais que acompanharem o conjunto. a laguna veneziana. como também. a zona trulli de Apulia.Instruções para a tutela dos centros históricos Para efeito de identificar os centros históricos. poder-se-á configurar um novo organismo urbano. . Por meio de tais intervenções (a serem efetuadas com os instrumentos urbanísticos). fortalezas. principalmente quando lhe houver assumido valores de especial significado. de um modo geral. em que se subtraiam do centro histórico as funções que não serão compatíveis com sua recuperação em termos de saneamento e de conservação. que podem enriquecer e ressaltar posteriormente seu valor. ou de seu aspecto peculiar enquanto ambiente. há que serem considerados tanto os elementos edílicos como os demais elementos que constituem os espaços exteriores (ruas. jardins. Para que o conjunto urbanístico em questão possa ser adequadamente salvaguardado. etc. as centúrias romanas de Valpadana. a cercadura de colinas em torno de Florença. A restauração não se limita. estreitamente unidos às estruturas históricas tal como têm chegado até nós ( como por exemplo. portanto. tudo isso. espaços livres. com o fim de coordenar as ações urbanísticas de maneira a obter a salvaguarda e a recuperação do centro histórico a partir do exterior da cidade. ainda que se tenham transformado ao longo do tempo. unitárias ou fragmentárias. etc. além do mais. assim tradicionalmente entendidos. No que respeita aos elementos individuais através dos quais se efetua a salvaguarda do conjunto. tanto em relação a sua continuidade no tempo como ao desenvolvimento de uma vida de cidadania e modernidade em seu interior. a operações destinadas a conservar unicamente os caracteres formais de arquiteturas ou de ambientes isolados. todos os assentamentos humanos cujas estruturas.

A esse propósito.. Os principais tipos de intervenção a nível urbanístico são: a) Reestruturação urbanística . a utilização dos elementos favoráveis. b) Reordenamento viário . etc. etc. É preciso considerar a possibilidade de integração do mobiliário moderno e dos serviços públicos estreitamente ligados às exigências vitais do centro. em geral. c) Revisão dos equipamentos urbanos .) com o objetivo de obter uma conexão homogênea entre edifícios e espaços exteriores. Nesse tipo de intervenção é de particular importância o respeito às peculiaridades tipológicas. de perímetro das edificações. principalmente a partir do ponto de vista funcional e. espaços interiores. particularmente. construtivas e funcionais do edifício. evitando-se . e. jardins.Refere-se à análise e à revisão das comunicações viárias e dos fluxos de tráfego a que a estrutura estiver submetida. com a estrutura territorial ou urbana com as quais forma unidade. essa intervenção se realizará em função das técnicas.posto que em todo o conjunto definido como centro histórico deverse-á operar com critérios homogêneos . eventualmente. as praças e todos os espaços livres existentes (pátios. sobretudo. à individualização dos diferentes graus de intervenção a nível urbanístico e a nível edílico. qualquer intervenção de restauração terá que ser precedida de uma atenta leitura histórico-crítica. conservação da rede viária. por outro lado. É de particular importância a análise do papel territorial e funcional que tenha sido desempenhado pelo centro histórico ao longo do tempo e no presente. que comportam a conservação integral dos perfis monumentais e ambientais mais significativos e a adaptação dos demais elementos ou complexos edílicos individuais às exigências da vida moderna. e apenas na medida em que sejam compatíveis com a conservação do caráter geral das estruturas do centro histórico. vier a provocar-lhes um efeito caótico e degradante. cujos resultados não se dirigirão tanto a determinar uma diferenciação operativa . etc. que tende à manutenção de suas estruturas e a uma utilização equilibrada. tecnológicas. a manutenção dos caracteres gerais do ambiente.Tende a consolidar as relações do centro histórico e. dos elementos.como ainda quanto a seus caracteres tipológicos enquanto expressão de funções que também têm caracterizado. ambientais. principalmente. Os principais tipos de intervenção a nível edílico são: 1) Saneamento estático e higiênico dos edifícios. Com o objetivo de certificar-se de todos os valores urbanísticos. a corrigi-las onde houver necessidade. é necessário precisar que por saneamento de conservação deve-se entender. A intervenção de reestruturação urbanística deverá tender a liberar os centros históricos de finalidades funcionais. para determinar o tratamento necessário de saneamento de conservação. Nesse sentido é preciso dedicar especial atenção à análise e à reestruturação das relações existentes entre centro histórico e desenvolvimentos urbanístico e edílico contemporâneos. ou de uso que. das modalidades e das advertências a que se referem as instruções procedentes para a realização de restaurações arquitetônicas. tipológicos. arquitetônicos. construtivos. consideradas apenas excepcionalmente as substituições. ainda que parciais. com referência às compatibilidades de funções diretoras. a manutenção das estruturas viárias e edílicas em geral (manutenção do traçado. ao longo do tempo.quanto.Isso afeta as ruas. com o fim primordial de reduzir seus aspectos patológicos e de reconduzir o uso do centro histórico a funções compatíveis com as estruturas de outros tempos.).

a segregação racial. mediante um cuidadoso planejamento ou administração adequados. que sirvam de inspiração e orientação à humanidade.planos parciais relativos à restruturação do centro histórico em seus elementos mas significativos. a água. especialmente: .Organização das Nações Unidas para o Meio Ambiente A Assembléia Geral das Nações Unidas reunida em Estocolmo. e é portador da solene obrigação de proteger e melhorar esse meio ambiente. sempre que possível. para as gerações presentes e futuras.planos de execução setorial. as políticas que promovem ou perpetuam o apartheid. deve ser mantida e.qualquer transformação que altere suas características. que se há de permitir somente nos casos em que resultar indispensável para efeitos de manutenção em uso do edifício. Em conseqüência . . a discriminação. . como o vazado da estrutura ou a introdução de funções que deformarem excessivamente o equilíbrio tipológico-estrutural do edifício. à igualdade e ao desfrute de condições de vida adequadas. a opressão colonial e outras formas de coerção e de dominação estrangeira permanecem condenadas e devem ser eliminadas. proibidas quaisquer intervenções que alterem suas características. gozar de bem-estar. em um meio ambiente de qualidade tal que lhe permita levar uma vida digna. a flora e a fauna e. o solo. expressa a convicção comum de que: O homem tem o direito fundamental à liberdade. para a preservação e melhoria do ambiente humano através dos vinte e três princípios enunciados a seguir. de 5 a 16 de junho de 1972. bem assim o seu habitat. A capacidade da Terra de produzir recursos renováveis vitais. O homem tem a responsabilidade especial de preservar e administrar judiciosamente o patrimônio representado pela flora e pela fauna silvestres. restaurada ou melhorada. especialmente. incluídos o ar. Os recursos naturais da Terra. referentes a uma edificação ou a um conjunto de elementos reagrupáveis de forma orgânica.planos de desenvolvimento geral. que se encontram atualmente em grave perigo por combinação de fatores adversos. 2) Renovação funcional dos elementos internos. atendendo à necessidade de estabelecer uma visão global e princípios comuns. que reestruturem as relações entre o centro histórico e o território e entre o centro histórico e a cidade em seu conjunto. parcelas representativas dos ecossistemas naturais. Declaração de Estocolmo de junho de 1972 Declaração sobre o ambiente humano UNEP . devem ser preservados em benefício das gerações atuais e futuras. A esse respeito. Nesse tipo de intervenção é de fundamental importância o respeito às peculiaridade tipológicas e construtivas dos edifícios. São instrumentos operativos dos tipos de intervenção enumerados.

de modo que fique assegurada a compatibilidade desse crescimento com a necessidade de proteger e melhorar o meio ambiente humano em benefício de sua população. Deve-se pôr fim à descarga de substâncias tóxicas e de outras matérias e à liberação de calor. nem obstar o atendimento de melhores condições de vida para todos. . melhorar as condições ambientais. O desenvolvimento econômico e social é indispensável para assegurar ao homem um ambiente de vida e trabalho favoráveis. que visem a chegar a um acordo. os Estados deveriam adotar um enfoque integrado e coordenado de planejamento de seu desenvolvimento. causar danos às possibilidades recreativas ou interferir em outros usos legítimos do mar. a estabilidade dos preços e o pagamento adequado para produtos primários e matérias-primas são essenciais à administração do meio ambiente. bem como para criar na terra as condições necessárias à melhoria da qualidade de vida. além da ajuda oportuna. prejudicar os recursos vivos e da marinha. assim como a necessidade de lhes ser prestada. Deveriam ser destinados recursos à preservação e melhoria do meio ambiente. a fim de fazer frente às possíveis consequências econômicas nacionais e internacionais resultantes da aplicação de medidas ambientais. uma vez que se deve levar em conta tanto os fatores econômicos como os processos ecológicos. maior assistência técnica e financeira internacional. quando solicitada para esse fim. Para os países em desenvolvimento. em quantidades ou concentrações tais que não possam ser neutralizadas pelo meio ambiente. assim. cabendo aos Estados e organizações internacionais a adoção de providências adequadas. As políticas ambientais de todos os países devem melhorar e não afetar negativamente o potencial desenvolvimentista atual e o futuro dos países em crescimento. Assim deverá ser apoiada a justa luta de todos os povos contra a poluição. deve ser dada a devida importância à conservação da natureza.ao planejar o desenvolvimento econômico. Os países deverão tomar todas as medidas possíveis para impedir a poluição dos mares por substâncias que possam pôr em perigo a saúde do homem. quando necessária. Os recursos não renováveis da Terra devem ser utilizados de forma a evitar o perigo do seu esgotamento futuro e a assegurar que toda a humanidade participe dos benefícios de tal uso. sendo a melhor maneira de atenuar suas consequências a promoção do desenvolvimento acelerado. A fim de se obter um ordenamento mais racional dos recursos e. levando-se em conta as circunstâncias e as necessidades especiais dos países em desenvolvimento e quaisquer outros custos que lhes possam resultar da inclusão de medidas de conservação do meio ambiente em seus planos de desenvolvimento. As deficiências do meio ambiente em decorrência das condições de subdesenvolvimento e de desastres naturais ocasionam graves problemas. mediante a transferência maciça de recursos consideráveis de assistência financeira e tecnológica que complementem os esforços internos dos países em desenvolvimento. incluídas a flora e a fauna silvestres. a fim de se evitar danos graves e irreparáveis aos ecossistemas.

Deve ser confiada às instituições nacionais competentes a tarefa de planejar. sem que constituam carga econômica excessiva para eles. não prejudiquem o meio ambiente de outros países ou de zonas situadas fora da jurisdição nacional. das empresas e das comunidades. quanto à responsabilidade e à indenização das vítimas da poluição e de outros danos ambientais provocados por atividades que. visando às soluções dos problemas ambientais e ao bem comum do homem. As nações devem cooperar no aperfeiçoamento e melhoria do Direito Internacional. ou em que a baixa densidade populacional possa impedir o melhoramento do meio ambiente humano e obstar o desenvolvimento. em todos os países. É indispensável um trabalho de educação em questões ambientais. Nas regiões em que exista o risco de que a taxa de crescimento demográfico ou as concentrações excessivas de população prejudiquem o meio ambiente ou o desenvolvimento. as nações têm o direito soberano de explorar seus próprios recursos. objetivando evitar efeitos prejudiciais ao meio ambiente e visando à obtenção do máximo de benefícios sociais.O planejamento racional constitui um instrumento indispensável para conciliar as diferenças que possam surgir entre as exigências do desenvolvimento e a necessidade de proteger e melhorar o meio ambiente. especialmente naqueles em desenvolvimento. visando tanto às gerações jovens como aos adultos. realizadas dentro de sua jurisdição. causem danos a zonas situadas fora de seu espaço territorial ou de sua jurisdição. Deve-se usar o planejamento nos agrupamentos humanos e na urbanização. desde que as atividades levadas a efeito dentro de sua jurisdição ou sob seu controle. devendo ser abandonados a esse respeito. inspiradas no sentido de sua responsabilidade em relação à proteção e melhoria do meio ambiente em toda a sua dimensão humana. econômicos e ambientais para todos. a fim de criar as bases de uma opinião pública bem informada e de uma conduta responsável dos indivíduos. dando atenção especial às populações menos privilegiadas. . a fim de melhorar a qualidade do meio ambiente. tanto nacionais como multinacionais. o livre intercâmbio de informações e de experiências científicas atualizadas deve constituir objeto de apoio e assistência a fim de facilitar a solução dos problemas ambientais. de acordo com a sua política ambiental. Tendo em vista a Carta das Nações Unidas e os princípios do Direito Internacional. Como parte de sua contribuição ao desenvolvimento econômico e social. ou sob seu controle. a investigação científica e medidas desenvolvimentistas em relação aos problemas ambientais. A esse respeito. os projetos destinados à dominação colonialista e racista. devem ser utilizadas a ciência e a tecnologia para descobrir. nas condições que favoreçam sua ampla difusão. evitar e combater os riscos que ameaçam o meio ambiente. Devem ser fomentadas. assim como as tecnologias ambientais devem ser colocadas à disposição dos países em desenvolvimento. administrar e controlar a utilização dos recursos ambientais dos países. deveriam ser aplicadas políticas demográficas que respeitassem os direitos humanos fundamentais e contassem com a aprovação dos governos interessados.

. as seguintes recomendações: a .No plano da preservação monumental: Os problemas da preservação monumental obrigam a um trabalho prévio de investigação documental e arqueológico.A . Respaldados na noção de centro monumental. Todos os programas de intervenção e resgate dos centros históricos devem. b . incentivos e facilidades de caráter econômico.Organização dos Estados Americanos e Governo Dominicano Consciente da importância que. c . propõe. devendo levar-se a cabo estudos integrais para resgatar a maior quantidade de dados relacionados com a história do sítio. trazer consigo soluções de saneamento integral que permitam a permanência e melhoramento da estrutura social existente. portanto. para que nela se levem em conta os recursos potenciais que tais centros possam oferecer. tais estudos deverão ser estendidos à proteção dos valores e costumes tradicionais e naturais da área em questão.No plano econômico: A iniciativa privada e o seu apoio financeiro constituem uma contribuição fundamental para a conservação e valorização dos centros históricos. será indispensável sempre considerar os sistemas de valores predominantes em cada país e o limite de aplicabilidade de padrões válidos para os países mais avançados. portanto.E. mas que possam ser inadequados e de alto custo social para os países em desenvolvimento. Recomenda-se a todos os governos estimular essa contribuição mediante disposições legais. para a defesa do patrimônio monumental latinoamericano.No plano social: A salvação dos centros históricos é um compromisso social além de cultural e deve fazer parte da política de habitação. representam tanto a Carta de Veneza como as Normas de Quito e ante a necessidade atual de roteiros que contemplem prioritariamente os aspectos operativos que materializem e tomem possível a defesa destes bens insubstituíveis da cultura. Resolução de São Domingos de dezembro de 1974 I Seminário Interamericano sobre Experiências na Conservação e Restauração do Patrimônio Monumental dos períodos Colonial e Republicano (República Dominicana) O. o Seminário Interamericano sobre Experiências na Conservação e Restauração do Patrimônio Monumental dos Períodos Colonial e Republicano considera que se faz altamente conveniente para esse fim a elaboração de um documento onde fiquem registrados estes serviços operativos.Sem prejuízo dos princípios gerais que possam ser estabelecidos pela comunidade internacional e dos critérios e níveis mínimos a serem definidos em âmbito nacional.

se logrem objetivos importante na proteção e preservação do patrimônio cultural americano.E. que defina não apenas a sua função monumental. como atividade prioritária. atue como o organismo que recopile e difunda as atividades empreendidas pelos países que integram o sistema interamericano no campo da preservação monumental. a Organização das Nações Unidas para a Educação. Na educação escolar dever-se-ão incluir programas de estudo sobre a importância do patrimônio monumental. deve resgatar. em um dos seus Estados Membros.. solicitamos que na próxima Assembléia Geral da O.). Tendo-se iniciado em São Domingos.A.E.Propostas operativas: Em apoio ao estabelecido nas Normas de Quito. Que os Estados Membros da O. criem um fundo de emergência que permita a rápida disponibilidade de recursos para a salvação de bens monumentais americanos nos países de menor desenvolvimento relativo. os planos de desenvolvimento turístico devem constituir uma via mediante a qual. o segundo dos quais se realizará na Colômbia. Independentemente da fonte anterior de informação. o Centro Interamenricano de Inventário do Patrimônio Histórico e Artístico. na República Dominicana. ainda.E. Criar uma Associação Interamericana de Arquitetos e Especialistas na Proteção do Patrimônio Monumental.A. devendo realizar-se seminários como este a cada dois anos. realizar. torna-se indispensável o intercâmbio pessoal de experiências. Sendo o turismo um meio de preservação dos monumentos. e constatando que. se destinem maiores fundos. tenham um significado transcendental para o patrimônio da humanidade. Também serão membros os especialistas participantes que formalizarem sua inscrição de acordo com os regulamentos estabelecidos.E. Reconhecendo o trabalho positivo realizado pela Unidade Técnica de Patrimônio Cultural do Departamento de Assuntos Culturais a cargo do Projeto de Proteção do Patrimônio Cultural Histórico e Artístico instituído pela O. cabe-lhe. e leve prioritariamente em conta a melhoria sócio-econômica de seus habitantes. que constituem monumentos inavaliáveis para ao patrimônio da humanidade e estão em iminente perigo de desaparecimento.E. respaldando-se e ampliando-se em nível interamericano a atual escola-oficina de obras de pedra que funciona no Museu das Casas Reais.A.A. em território americano. que atualmente funciona no México. Que se criem oficinas de ensino em nível artesanal para formação de operários que sejam eficazes auxiliares na tarefa da restauração monumental. que divulgue o trabalho dos seus membros mediante uma publicação a cargo de um centro ou instituto especializado. de acordo com os governos de Espanha e Portugal.d . Os projetos de preservação monumental devem fazer parte de um programa integral de valorização.A. antiga Espanhola. com o patrocínio da O. Essa associação se formou em São Domingos e serão seus membros fundadores os delegados ao Seminário Interamericano sobre Experiências na Conservação do Patrimônio Monumental dos Períodos Colonial e Republicano. que permitam ao mencionado projeto cumprir cabalmente os objetivos para os quais foi criado. a Ciência e a Cultura (LTNESCO) e demais organizações internacionais preparem material didático para esses programas. no ano de 1976. com a utilização de alto nível técnico. existem necessidades que não puderam ser satisfeitas pelo mencionado projeto devido à falta de recursos adequados. como também o seu destino e manutenção. Para tal efeito é necessário que a Organização dos Estados Americanos (O. que se . no campo da preservação do patrimônio monumental da América. a documentação de interesse monumental existente em seus arquivos. o processo cultural ibero-americano e contando a República Dominicana com um centro como o Museu das Casas Reais. Que o Centro Interamericano de Restauração de Bens Culturais. um inventário dos monumentos que. recentemente criado em Bogotá.

reconhece que a arquitetura singular da Europa é patrimônio comum de todos os seus povos e afirma a intenção dos Estados-membros de cooperar entre si e com os outros países europeus para protegê-lo. São Domingos é um ponto de partida para o fortalecimento e a integração profissional dos especialistas em conservação do patrimônio monumental da América. recomenda-se a ampliação de suas atividades em nível internacional. o Congresso afirma que o patrimônio arquitetônico da Europa é parte integrante do patrimônio cultural do mundo inteiro e nota com satisfação o engajamento mútuo para favorecer a cooperação e as trocas no domínio da cultura contido na ata final da Conferência sobre a Segurança e a Cooperação na Europa adotada em Helsinque. em julho deste ano. que acolheram calorosamente a Carta Européia do Patrimônio Arquitetônico promulgada pelo Comitê de Ministros do Conselho da Europa. Sua conservação é. procurando que.dedica ao estudo científico desse processo histórico. Declaração de Amsterdã de outubro de 1975 Congresso do Patrimônio Arquitetônico Europeu Conselho da Europa Ano Europeu do Patrimônio Arquitetônico O Congresso de Amsterdã. portanto. o patrimônio arquitetônico da Europa leva todos os europeus a tomarem consciência de uma história e destino comuns. orientem-se os seus trabalhos em todo o continente para a mais cabal compreensão da integração cultural americana. tanto nos trabalhos de investigação como na formação acadêmica. O Primeiro Seminário Interamericano sobre Experiências na Conservação do Patrimônio Monumental dos Períodos Colonial e Republicano quer igualmente fazer constar o trabalho exemplar que o Governo Dominicano empreende para a preservação e a valorização do patrimônio monumental da República Dominicana. Da mesma maneira.E.Reconhecimento: O primeiro Seminário Interamericano sobre Experiência na Conservação e Restauração do Patrimônio Monumental dos Períodos Colonial e Republicano quer fazer constar o seu reconhecimento pelo patrocínio assumido pelo Governo da República Dominicana e pela Secretaria Geral da Organização dos Estados Americanos (O. e . revestida de uma importância vital. O Congresso chamou a atenção para as seguintes considerações essenciais: a) Além de seu inestimável valor cultural. coroamento do Ano Europeu do Patrimônio Arquitetônico 1975.A. reunindo delegados vindos de toda parte da Europa.). cujo proveito se fará sentir no âmbito de todo o hemisfério. b) Esse patrimônio compreende não somente as construções isoladas de um valor excepcional . para a realização deste Primeiro Seminário Interamericano.

O que hoje necessita de proteção são as cidades históricas. i) O patrimônio arquitetônico não sobreviverá a não ser que seja apreciado pelo público e especialmente pelas novas gerações. institutos profissionais. novas construções em desarmonia e circulação excessiva. Somente desta maneira se conservará o patrimônio arquitetônico insubstituível da Europa para o enriquecimento da vida de todos os seus povos.Nossa sociedade poderá. h) Para fazer face aos custos de restauração. k) Uma vez que a arquitetura de hoje é o patrimônio de amanhã. aí incluídos os parques e jardins históricos. empresas comerciais e industriais. c) Essas riquezas são um bem comum a todos os povos da Europa. que têm o dever comum de protegê-las dos perigos crescentes que as ameaçam: negligência e deterioração. sem modificações importantes da composição social dos habitantes e de uma maneira tal que todas as camadas da sociedade se beneficiem de uma operação financiada por fundos públicos.e seu entorno. nacionais e locais . portanto. e) Os poderes locais. Tendo o Comitê dos Ministros reconhecido na Carta Européia do Patrimônio Arquitetônico que cabe ao Conselho da Europa assegurar a coerência da política de seus Estados Membros e promover sua solidariedade. de forma a permitir a troca de experiências. O congresso faz um apelo aos governos. bairros de cidades e aldeias. A proteção desses conjuntos arquitetônicos só pode .que contribuam para despertar o interesse do público. são todos particularmente responsáveis pela proteção do patrimônio arquitetônico e devem ajudar-se mutuamente através da troca de idéias e de informações. Os programas de educação em todos os níveis devem. os bairros urbanos antigos e aldeias tradicionais. instituições espirituais e culturais. parlamentos. demolição deliberada. Ao final de seus debates. mas também os conjuntos. é essencial que sejam produzidos relatórios periódicos sobre o estado do desenvolvimento dos trabalhos de conservação arquitetônica nos países europeus. caso uma nova política de proteção e conservação integradas desse patrimônio não seja posta em ação imediatamente. para estes últimos. brevemente. planejamento e conservação das construções e sítios de interesse arquitetônico ou histórico. para que dêem total apoio aos objetivos desta declaração e façam todo o possível para assegurar a sua aplicação. que apresentam um interesse histórico ou cultural. se preocupar mais intensamente com essa matéria. o congresso apresenta as seguintes conclusões e recomendações: . g) As medidas legislativas e administrativas necessárias devem ser reforçadas e tornadas mais eficazes em todos os países. no presente e no futuro. d) A conservação do patrimônio arquitetônico deve ser considerada não apenas como um problema marginal. uma ajuda financeira adequada deve ser colocada à disposição dos poderes locais e de proprietários particulares. incentivos fiscais deverão ser previstos. associações privadas e a todos os cidadãos. ser privada do patrimônio arquitetônico e dos sítios que formam seu quadro tradicional de vida. além disso.internacionais. mas como objetivo maior do planejamento das áreas urbanas e do planejamento físico territorial. f) A reabilitação dos bairros antigos deve ser concebida e realizada. aos quais compete a maioria das decisões importantes em matéria de planejamento. j) Devem ser encorajadas as organizações privadas . tanto quanto possível. tudo deve ser feito para assegurar uma arquitetura contemporânea de alta qualidade.

portanto. a interpenetração das funções e a diversidade sócio-cultural que caracterizam os tecidos urbanos antigos. Seria desejável que esses inventários fossem largamente difundidos. Não basta sobrepor as regras básicas de planejamento às regras especiais de proteção aos edifícios históricos. o que compreende a delimitação das zonas periféricas de proteção. assim como o ambiente em que se integram. A significação do patrimônio arquitetônico e a legitimidade de sua conservação são atualmente melhor compreendidas. O planejamento das áreas urbanas e o planejamento físico territorial devem acolher as exigências da conservação do patrimônio arquitetônico e não considerá-las de uma maneira parcial ou como um elemento secundário. Um diálogo permanente entre os conservadores e os planejadores tomou-se. a escala humana. dos conjuntos arquitetônicos e dos sítios. Mas descobre-se também que a conservação das construções existentes contribui para a economia de recursos e para a luta contra o desperdício. abrir espaço às pesquisas de caráter fundamental e ser incluída em todos os programas de educação e desenvolvimento cultural. Sabe-se que a preservação da continuidade histórica do ambiente é essencial para . O reconhecimento dos valores estéticos e culturais do patrimônio arquitetônico deve conduzir à fixação dos objetivos e das regras particulares de organização dos conjuntos antigos. Finalmente. dos mais importantes aos mais modestos. A conservação do patrimônio arquitetônico um dos objetivos maiores do planejamento das áreas urbanas e do planejamento físico territorial. A isso se acrescenta que a conservação atrai artistas e artesãos bem qualificados. cujo talento e conhecimento devem ser mantidos e transmitidos. . manutenção ou a criação de um modo de vi a que permita ao homem encontrar sua identidade e experimentar um sentimento de segurança face às mutações brutais da sociedade: um novo urbanismo procura reencontrar os espaços fechados. no que diz respeito ao elemento qualitativo fundamental para a administração dos espaços. a legitimidade da conservação do patrimônio arquitetônico apareça hoje com uma força nova. Os urbanistas devem reconhecer que os espaços não são equivalentes e que convém tratá-los conforme as especificidades que lhes são próprias. ela deve. Tal inventário fornecerá uma base realista para a conservação. o que constitui um beneficio social muito importante na política de conservação. tendo em conta todos os edifícios com valor cultural. Essa proteção global completará a proteção pontual dos monumentos e sítios isolados. notadamente entre autoridades regionais e locais. por todas essas razões. A fim de tomar possível essa integração. desde então. assim como entre os responsáveis pela ordenação do espaço e pelo plano urbano como um todo. uma das grandes preocupações da sociedade contemporânea. a reabilitação do habitar existente contribui para a redução das invasões de terras agrícolas e permite evitar ou atenuar sensivelmente os deslocamentos da população. como foi o caso num passado recente. sem uma coordenação. é necessário fundamentá-la sólida e definitivamente. sem esquecer os da época moderna. Ficou demonstrado que as construções antigas podem receber novos usos que correspondam às necessidades da vida contemporânea. a fim de chamar sua atenção para as construções e zonas dignas de serem protegidas.ser concebida dentro de uma perspectiva global. indispensável. Ainda que. é conveniente organizar o inventário das construções.

atenta aos novos critérios de qualidade e de medida.estar atentos ao fato de que os estudos prospectivos sobre a evolução dos serviços públicos (educativos. criando um elo de ligação direta entre os utilizadores potenciais das edificações antigas e seus proprietários.basear-se numa análise da textura das construções urbanas e rurais. sensibilidade e organização o ambiente construído pelo homem. . regionais e locais) onde são tomadas as decisões em matéria de planejamento.designar delegados responsáveis por todas as transações referentes ao patrimônio arquitetônico. por uma visão estreita da técnica e. . e que deve permitir inverter. Para pôr em ação tal política. as decisões tomadas para o desenvolvimento das zonas periféricas das aglomerações devem ser orientadas de tal maneira que sejam atenuadas as pressões que são exercidas sobre os bairros antigos. . médicos) demonstram que o gigantismo é desfavorável a sua qualidade e a sua eficácia. respondam às condições atuais de vida e garantam. a conservação do patrimônio se insere numa nova perspectiva geral. baseada em informações objetivas e completas. Enfim. O apoio da opinião pública é essencial. as políticas relativas aos transportes. eles devem levar em conta a continuidade das realidades sociais e físicas existentes nas comunidades urbanas e rurais. . participar realmente. A plena implementação de uma política contínua de conservação exige uma grande descentralização e o reconhecimento das culturas locais. respeitando seu caráter.A política de planejamento regional deve integrar as exigências de conservação do patrimônio arquitetônico e para elas contribuir.instaurar órgãos de atividade pública. . em todos os níveis (centrais. os poderes locais devem: . Por outro lado. assim. Com essa finalidade. por uma concepção superada. eles deveriam solicitar dos governos a criação de fundos específicos. Mas a conservação do patrimônio arquitetônico não deve ser tarefa dos especialistas.atribuir às construções funções que. suas complexas funções. assim como às características arquitetônicas e volumétricas de seus espaços construídos e abertos. administrativos. respeitando com inteligência. finalmente. . O futuro não pode nem deve ser construído às custas do passado. particularmente. incitar novas atividades a serem implantadas nas zonas em declínio econômico a fim de sustar seu despovoamento e contribuir para impedir a degradação das construções antigas. Isso pressupõe que existam responsáveis pela conservação. a sua sobrevivência. Ela pode. a ordem das escolhas e dos objetivos. Nesse contexto. desde a elaboração dos inventários até a tomada das decisões. notadamente no que diz respeito às suas estruturas. As subvenções e empréstimos concedidos a particulares e grupos diversos pelos poderes locais deveriam estimular o compromisso moral e financeiro dos favorecidos.dedicar uma parte apropriada de seu orçamento a essa política. A conservação integrada conclama à responsabilidade os poderes locais e apela para a participação dos cidadãos Os poderes locais devem ter competências precisas e extensas em relação à proteção do patrimônio arquitetônico. Aplicando os princípios de uma conservação integrada. frequentemente determinada pelo curto prazo. de hoje em diante. A população deve. aos empregos e a uma melhor repartição dos pólos de atividade urbana podem incidir mais profundamente sobre a conservação do patrimônio arquitetônico.

que asseguram a vida e a conservação do bairro em bom estado. Para evitar que as leis do mercado sejam aplicadas com todo o rigor nos bairros restaurados o que teria por conseqüência a evasão dos habitantes. Isto interessa não somente aos proprietários e aos locatários.facilitar a formação e o funcionamento eficaz de associações mantenedoras de restauração e de reabilitação. não omitir o custo social. é necessária uma intervenção dos poderes públicos no sentido de moderar os mecanismos econômicos. quando se comparam os custos equivalentes desses três procedimentos.. utilizando uma linguagem clara e acessível. cujas conseqüências sociais são diferentes. As intervenções financeiras podem se equilibrar entre os incentivos à restauração concedidos aos proprietários através da fixação de tetos para os aluguéis e da alocação de indenizações de moradia aos locatários. Locais de encontro para reunião pública deveriam ser previstos. Uma política de conservação implica também a integração do patrimônio na vida social. Os problemas sociais da conservação integrada só podem . portanto. para diminuir ou mesmo completar a diferença existente entre os antigos e os novos aluguéis. realizada sobre uma infraestrutura existente. . A educação dos jovens em relação ao domínio do meio ambiente e sua associação a todas as tarefas da salvaguarda é um dos imperativos maiores da ação comunitária. Os poderes locais devem aperfeiçoar suas técnicas de pesquisa para conhecer a opinião dos grupos envolvidos nos planos de conservação e levá-la em conta desde \a elaboração dos seus projetos. Em relação à política de informação ao público. A reabilitação de um conjunto que faça parte do patrimônio arquitetônico não é uma operação necessariamente mais onerosa que a de uma construção nova. aos comerciantes e aos empresários estabelecidos no local. Consideração dos fatores sociais condiciona o resultado de toda política de conservação integrada. Finalmente. Nesse sentido. os poderes locais terão todo o interesse em comunicar suas experiências respectivas.ser resolvidos através de uma referência combinada a essas duas escalas de valores. mas também aos artesãos. É conveniente. Em conseqüência. incapazes de pagar aluguéis majorados. mas também pelo seu valor de utilização. como sempre é feito quando se trata de estabelecimentos sociais. eles deveriam instaurar uma troca constante de informações e de idéias por todas as vias possíveis. discutir e apreciar os motivos das decisões. O esforço de conservação deve ser calculado não somente sobre o valor cultural das construções. ou a construção de um conjunto sobre um sítio não urbanizado. aos canais da mídia e a todos os outros meios apropriados. às sondagens de opiniões. o recurso às reuniões públicas. As proposições complementares ou alternativas apresentadas por associações ou por particulares deveriam ser consideradas como uma contribuição apreciável ao planejamento. às exposições. deveria se tomar uma prática coerente. eles devem tomar suas decisões à vista de todos. a fim de que a população possa conhecer.

. a legislação relativa ao planejamento fisico-territorial. deve prever medidas especiais. de uma parte. e também às contribuições de épocas mais recentes.Para permitir à população participar da elaboração dos programas. em função da nova política de conservação integrada.à elaboração dos programas de conservação integrada e à inserção das disposições desses programas no planejamento. no que concerte: . a legislação relativa à proteção do patrimônio arquitetônico. Essa sensibilização prática à cultura seria um beneficio social considerável. . constitui condição prévia para uma ação eficaz uma reforma profunda da legislação. . mas da reabilitação de bairros inteiros. técnicos e financeiros indispensáveis. Além do mais. por uma parte.conceder. Essa reforma deve ser dirigida pela necessidade de coordenar. seria necessário tornar flexível a aplicação de regulamentos e disposições particulares à construção. assim como de meios científicos. explicando-lhe o valor histórico e arquitetônico das edificações a serem conservadas e.à aprovação dos projetos e à autorização para executar os trabalhos: Por outro lado. Na medida do possível.rever. Essa participação toma-se ainda mais importante na medida em que não se trate apenas da restauração de algumas construções privilegiadas. . faz-se necessário rever a estrutura administrativa de maneira tal que os setores responsáveis pelo patrimônio arquitetônico sejam organizados em níveis apropriados e dotados suficientemente de pessoal qualificado. equivalentes às que aufeririam por uma construção nova.à delimitação das zonas periféricas de proteção e dos locais de utilidade pública serem previstos. acompanhada de um fortalecimento dos meios administrativos.à designação e à delimitação dos conjuntos arquitetônicos. aos cidadãos que decidam reabilitar uma construção antiga vantagens financeiras. no mínimo. e por outra. . de maneira a satisfazer às exigências da conservação integrada. . Essa última deve fornecer uma nova definição do patrimônio arquitetônico e dos objetivos da conservação integrada. Com o objetivo de aumentar a capacidade operacional dos poderes públicos. o legislador deveria tomar as medidas necessárias a fim de: . A conservação integrada exige uma adaptação das medidas legislativas e administrativas. fornecendo-lhe todas as indicações sobre os regulamentos definitivos e temporários. Tendo sido a noção de patrimônio arquitetônico progressivamente ampliada do monumento histórico isolado aos conjuntos arquitetônicos urbanos e rurais.redistribuir de uma maneira equilibrada os créditos orçamentários reservados para o planejamento urbano e destinados à reabilitação e à construção respectivamente. de outra parte. o regime de incentivos financeiros do Estado e de outros poderes públicos. convém fornecer-lhe os elementos para apreciação da situação.

a cada estado pôr em prática seus próprios métodos e instrumentos de financiamento. A conservação integrada requer medidas financeiras apropriadas.e este é um fator determinante . Se tal ajuda para fazer face aos custos adicionais for aceita. Também é preciso aplicar este mesmo principio em proveito da reabilitação dos conjuntos degradados de interesse histórico ou arquitetônico. Para conseguir resolver os problemas econômicos da conservação integrada é necessário . É necessário criar métodos que permitam avaliar os custos adicionais impostos pelas dificuldades apresentadas nos programas de conservação. por outro lado. parece que nenhum país europeu jamais elaborou um mecanismo administrativo perfeitamente adequado a corresponder às exigências econômicas de uma política de conservação integrada. As diretrizes do planejamento deveriam desencorajar a densificação e promover antes a reabilitação do que uma renovação. que efetuam trabalhos de restauração. após demolição. Isso vale particularmente para as zonas onde o financiamento de tais programas poderá ser . Esse processo está. submetido a fatores externos resultantes da estrutura atual da sociedade.Esses serviços deveriam ajudar as autoridades locais. Na medida do possível seria necessário dispor de meios financeiros suficientes para ajudar os proprietários. Os poderes públicos deveriam criar ou encorajar o lançamento de fundos de circulação que forneçam os meios necessários às coletividades locais e às associações sem fins lucrativos. deduzidos os eventuais custos adicionais. a suportar estritamente as taxas adicionais que lhes serão impostas. É difícil definir uma política financeira aplicável a todos os países e avaliar as conseqüências das diferentes medidas que intervêm nos processos de planejamento. as vantagens financeiras e fiscais oferecidas pelas novas construções de veriam ser concedidas nas mesmas proporções para a manutenção e conservação das construções antigas. em razão de suas repercussões recíprocas. Compete. Além do mais. o que permitiria restabelecer o equilíbrio social.que seja elaborada uma legislação que submeta as novas construções a certas restrições no que diz respeito a seus volumes (altura. pois. será necessário naturalmente cuidar para que essa vantagem não seja amenizada pelo imposto. coeficiente de ocupação do solo) e que favoreça uma inserção harmoniosa. Por ora. Todavia. cooperar no planejamento fisicoterritorial e manter relações estreitas com os órgãos públicos e organizações privadas. pode-se estabelecer com certeza que não existe país na Europa cujos recursos financeiros utilizados para a conservação sejam suficientes.

Todo programa de reabilitação deveria ser estudado meticulosamente antes de sua execução. em razão da maior valorização resultante da forte demanda que se aplica aos proprietários que dispõem de um tal incentivo. As possibilidades de qualificação. multidisciplinares e compreender um aprendizado que permita adquirir uma experiência prática sobre a matéria. e convém. a segurança do emprego e o status social deveriam ser suficientemente atraentes para incentivar os jovens a . Os materiais e técnicas novas não devem ser aplicados sem antes se obter a concordância de instituições científicas neutras. Deveria haver mais facilidade em dispor de urbanistas. criar instituições científicas que deveriam cooperar estreitamente entre si. a longo prazo. Seria necessário arrecadar dados para confecção de um catálogo de métodos e de técnicas utilizados e. É importante atentar para que os materiais de construção tradicional continuem a ser aplicados A conservação permanente do patrimônio arquitetônico permitirá. todavia. arquitetos. as condições de trabalho. as remunerações. para isso. As técnicas especializadas impregnados por ocasião da restauração de conjuntos históricos importantes deveriam ser. ao mesmo tempo. A permuta internacional de conhecimentos. tanto em nível nacional quanto local. A conservação integrada conclama à promoção de métodos. Essa documentação deveria ser reunida em centros apropriados. É absolutamente necessário dispor de melhores programas de formação de pessoal qualificado. É. notadamente os de origem industrial. a curto ou a longo prazo. técnicas e aptidões profissionais ligadas à restauração e à reabilitação. Estes programas deveriam ser flexíveis. Os métodos e técnicas de restauração e reabilitação de edifícios e conjuntos históricos deveriam ser mais explorados e seu espectro alargado. o que favoreceria a reforma das práticas de restauração e de reabilitação.assegurado de forma autônoma. de hoje em diante utilizadas na vasta gama de monumentos e conjuntos que apresentam um menor interesse artístico. evitar onerosas operações de reabilitação. de experiências e de estagiários é um elemento essencial na formação de todo o pessoal interessado. Inúmeras iniciativas de caráter privado têm demonstrado o excepcional resultado alcançado em associam com os poderes públicos. de vital importância estimular todos os recursos de financiamento privados. reunir uma documentação completa sobre os materiais e as técnicas e proceder a uma análise dos custos. Esse catálogo deveria ser posto à disposição de todos os interessados. técnicos e artesãos necessários à preparação de programas de conservação e para assegurar a promoção de profissões artesanais que intervêm no trabalho de restauração e que estão ameaçadas de desaparecer.

de sua integração no quadro da vida dos cidadãos e de sua valorização nos planejamentos físicoterritorial e nos planos urbanos. e a recomendação número 589 (de 1970) da Assembléia Consultiva do Conselho da Europa. urbanistas. por consequência. realizado em Amsterdã. realizada em Bruxelas. Recomenda que os governos dos Estados Membros adotem as medidas de ordem legislativa. a Carta Européia do Patrimônio Arquitetônico foi solenemente promulgada no Congresso sobre o Patrimônio Arquitetônico Europeu. de 21 a 25 de outubro de 1975. Finalmente. as autoridades responsáveis pelos programas de aprendizado em todos os níveis deveriam se esforçar para gerar interesse na juventude em relação às atividades especializadas da conservação. a solidariedade efetiva dos Estados europeus. Tendo em vista a recomendação da Conferência de Ministros Europeus Responsáveis pelo Patrimônio Arquitetônico. representantes de associações) Adotada pelo Comitê dos Ministros do Conselho da Europa. em virtude do artigo primeiro dessa convenção. é herança comum de todos os povos e que sua conservação compromete. participantes da Convenção Cultural Européia de 19 de dezembro de 1954. expressão insubstituível da riqueza e da diversidade da cultura européia. O Comitê de Ministros. Considerando que o objetivo do Conselho da Europa é efetivar uma união mais estreita entre seus membros. Considerando que os Estados Membros do Conselho da Europa. Reconhecendo que o patrimônio arquitetônico. principalmente para salvaguardar e promover os ideais e os princípios que lhes são patrimônio comum. . em 1969. funcionários. acham-se empenhados. a adotar as medidas necessárias a salvaguardar sua contribuição ao patrimônio cultural comum da Europa e a encorajar-lhe o desenvolvimento. Manifesto de Amsterdã de outubro de 1975 Carta Européia do Partimônio Arquitetônico Ano do Patrimônio Europeu Mil delegados de 25 Países Europeus (ministros. arquitetos. em grande parte. em 26 de setembro de 1975. Considerando que a conservação do patrimônio arquitetônico depende. eleitos locais. relativa a uma carta do patrimônio arquitetônico.se voltarem para as disciplinas relacionadas com a restauração e a permanecerem nesse campo de atividade. Reafirma sua disposição de promover uma política européia comum e uma ação adequada de proteção do patrimônio arquitetônico apoiadas nos princípios de sua conservação integrada.

portanto. Ora. financeira e educativa necessárias à implementação de uma política de conservação integrada do patrimônio arquitetônico e a desenvolver o interesse do público por essa política. Adota e promulga os princípios da presente carta. . em presença de uma civilização que muda de feição e cujos perigos são tão manifestos quanto os bons resultados. É uma parte essencial da memória dos homens de hoje em dia e se não for possível transmitila às gerações futuras na sua riqueza autêntica e em sua diversidade. organizado em 1975. Os homens do nosso tempo. Podem facilitar. a necessidade de poupar recursos impõe-se a nossa sociedade. de novo. sem levar em conta o ambiente em que se inserem. O patrimônio arquitetônico dá testemunho da presença da história e de sua importância em nossa vida. Esses conjuntos se constituem efetivamente em meios próprios ao desenvolvimento de um amplo leque de atividades. O patrimônio arquitetônico é um capital espiritual. A encarnação do passado no patrimônio arquitetônico constitui um ambiente indispensável ao equilíbrio e ao desenvolvimento do homem. É preciso conservar tanto esses conjuntos quanto aqueles. a humanidade seria amputada de uma parte da consciência de sua própria continuidade. O patrimônio arquitetônico tem um valor educativo determinante. Por outro lado. econômico e social cujos valores são insubstituíveis. eles podem perder uma grande parte de seu caráter se esse ambiente é alterado. eles geralmente evitaram a segregação das classes sociais. sob os auspícios do Conselho da Europa. mais um empobrecimento cuja perda em valores acumulados não pode ser compensada. A estrutura dos conjuntos históricos favorece o equilíbrio harmoniosos das sociedades. Durante muito tempo só se protegeram e restauraram os monumentos mais importantes.administrativa. os conjuntos. Longe de ser um luxo para a coletividade. Por outro lado. podem oferecer uma qualidade de atmosfera produzida por obras de arte diversas e articuladas. a utilização desse patrimônio é uma fonte de economias. uma boa repartição das funções e uma integração maior das populações. mesmo que não disponham de edificações excepcionais. mais também pelos conjuntos que constituem nossas antigas cidades e povoações tradicionais em seu ambiente natural ou construído. mesmo por criações de alta qualidade. cultural. Cada geração dá uma interpretação diferente ao passado e dele extrai novas idéias. abaixo redigidos: O patrimônio arquitetônico europeu é constituído não somente por nossos monumentos mais importantes. Qualquer diminuição desse capital é. se apercebem instintivamente do valor desse patrimônio. preparada pelo Comitê dos Monumentos e Sítios do Conselho da Europa. levando em conta os resultados da campanha do Ano Europeu do Patrimônio Arquitetônico. No passado.

A conservação integrada deve ser.Ele oferece um conteúdo privilegiado de explicações e comparações sobre o sentido das formas e um manancial de exemplos de suas utilizações. qualquer que seja a sua origem. Recursos Administrativos A aplicação de uma tal política exige a utilização de estruturas administrativas adequadas e suficientemente valorizadas. Determinado tipo de urbanismo é destruidor quando as autoridades são exageradamente sensíveis às pressões econômicas e as exigências da circulação. Sua restauração deve ser conduzida por um espírito de justiça social e não deve ser acompanhada pelo êxodo de todos os habitantes de condição modesta. regional e local. Importa. e que ela deverá ter na maior conta o entorno existente. Afinal e principalmente. é preciso complementá-las e criar os instrumentos jurídicos indispensáveis a níveis apropriados: nacional. conservar vivos os testemunhos de todas as épocas e de todas as experimentações. destrói as antigas estruturas. um dos pressupostos do planejamento urbano e regional. a especulação financeira e imobiliária tiram partido de tudo e aniquilam os melhores projetos. pelo abandono. Esse patrimônio está em perigo. A conservação integrada é o resultado da ação conjugada das técnicas da restauração e da pesquisa de funções apropriadas. As restaurações abusivas são nefastas. mal aplicada. por isso. Recursos Financeiros . assim como os materiais tradicionais. pela antiguidade. Ele está ameaçado pela ignorância. Ora. respeitar as proporções. Recursos Jurídicos A conservação integrada deve utilizar todas as leis e regulamentos existentes que possam concorrer para a salvaguarda e para a proteção do patrimônio. administrativos. A sobrevivência desses testemunhos só estará assegurada se a necessidade de sua proteção for compreendida pela maior parte e. A conservação integrada afasta as ameaças. Quando essas disposições não permitirem a obtenção do objetivo buscado. que por eles serão responsáveis no futuro. A conservação integrada requer a utilização de recursos jurídicos. Convém notar que essa conservação integrada não exclui completamente a arquitetura contemporânea nos conjuntos antigos. a forma e a disposição dos volumes. eventualmente. portanto. A tecnologia contemporânea. pela degradação sob todas as formas. a imagem e o contato direto adquirem novamente uma importância decisiva na formação dos homens. A evolução histórica levou os centros degradados das cidades e. especialmente pelas gerações jovens. as pequenas cidades abandonadas a se tornarem reservas de alojamento barato. financeiros e técnicos.

cada uma das suas partes está à mercê de cada um.Organização das Nações Unidas para a Educação. de 26 de outubro a 30 de novembro de 1976. aliás. Considerando que os conjuntos históricos ou tradicionais fazem parte do ambiente cotidiano dos seres humanos em todos os países. É indispensável o concurso de todos para o êxito da conservação integrada. O patrimônio arquitetônico é o bem comum de nosso continente. Recursos Técnicos Os arquitetos. as empresas especializadas. convocar as indústrias da construção a se adaptarem a essas necessidades e favorecer o desenvolvimento de um artesanato ameaçado de desaparecimento. reunida em Nairobi. É essencial que os recursos financeiros consagrados pelos poderes públicos à restauração de conjuntos antigos sejam. são insuficientes em número. A Conferência Geral da Organização das Nações Unidas para a Educação. em sua décima nona sessão. os técnicos de todas as categorias. Todos os problemas de conservação são comuns a toda a Europa e devem ser tratados de maneira coordenada. A informação do público deve ser mais desenvolvida na medida em que os cidadãos têm o direito de participar das decisões que dizem respeito a suas condições de vida. É preciso desenvolver a formação e o emprego dos quadros e da mão de obra. pelo menos. constituem a presença viva do passado que lhes deu . Cada geração. em se apresentando ocasião. os artesãos qualificados. a Ciência e a Cultura de 26 de novembro de 1976 RECOMENDAÇÃO RELATIVA À SALVAGUARDA DOS CONJUNTOS HISTÓRICOS E SUA FUNÇÃO NA VIDA CONTEMPORÂNEA. aí compreendidos os recursos fiscais.A manutenção e restauração dos elementos do patrimônio arquitetônico devem poder se beneficiar. só dispõe do patrimônio a título passageiro. Cabe-lhe a responsabilidade de o transmitir às gerações futuras. iguais aos que se destinam a novas construções. Ainda que o patrimônio arquitetônico seja propriedade de todos. 19ª Sessão UNESCO . a Ciência e a Cultura. de todas as ajudas e incentivos financeiros necessários. Cabe ao Conselho da Europa assegurar a coerência da política de seus Estados Membros e promover sua solidariedade. capazes de levar a bom termo as restaurações.

Considerando que. sob pretexto de expansão ou de modernização. Considerando que os conjuntos históricos ou tradicionais constituem um patrimônio imobiliário cuja destruição provoca muitas vezes perturbações sociais. ao mesmo tempo. a presente recomendação. do Patrimônio Cultural e Natural (1972). em 26 de novembro de 1976. destruições que ignoram o que destroem e reconstruções irracionais e inadequadas ocasionam grave prejuízo a esse patrimônio histórico. diante de tais perigos de deterioração e até de desaparecimento total. A Conferência Geral recomenda aos Estados Membros que apliquem as disposições seguintes. diante dos perigos da uniformização e da despersonalização que se manifestam constantemente em nossa época. nas datas e na . asseguram ao quadro da vida a variedade necessária para responder à diversidade da sociedade e.forma. tais como a Recomendação que Define os Princípios Internacionais a serem Aplicados em Relação às Escavações Arqueológicas (1956). A Conferência Geral recomenda aos Estados Membros que levem esta recomendação ao conhecimento das autoridades nacionais. a Recomendação Relativa à Salvaguarda da Beleza e do Caráter dos Sítios e Paisagens (1962). questão que constitui o ponto 27 da ordem do dia da sessão. assim como às instituições. um dos fundamentos de sua identidade. Considerando que. religiosas e sociais da humanidade e que sua salvaguarda e integração na vida contemporânea são elementos fundamentais na planificação das áreas urbanas e do planejamento físico-territorial. Considerando que essa situação implica a responsabilidade de cada cidadão e impõe aos poderes públicos obrigações que só eles podem assumir. adquirem um valor e uma dimensão humana suplementares. esses testemunhos vivos de épocas anteriores adquirem uma importância vital para cada ser humano e para as nações que neles encontram a expressão de sua cultura e. adotando urgentemente uma política global e ativa de proteção e de revitalização dos conjuntos históricos ou tradicionais e de sua ambiência. Considerando que os conjuntos históricos ou tradicionais constituem através das idades os testemunhos mais tangíveis da riqueza e da diversidade das criações culturais. Constatando que em muitos países falta uma legislação suficientemente eficaz e flexível que diga respeito ao patrimônio arquitetônico e a suas relações com o planejamento físicoterritorial. regionais e locais. no mundo inteiro. Observando que a Conferência Geral já adotou instrumentos internacionais para a proteção do patrimônio cultural e natural. serviços ou órgãos e associações interessados na salvaguarda dos conjuntos históricos ou tradicionais e seu entorno. destinadas a efetivar. os princípios e as normas formuladas nesta recomendação. em sua décima oitava sessão. regional ou local. Adota. adotando medidas sob a forma de lei nacional ou de outra forma. A Conferência Geral recomenda aos Estados Membros que lhe apresentem. como parte do planejamento nacional. Desejando complementar e ampliar o alcance das normas e dos princípios formulados nesses instrumentos internacionais. nos territórios sob sua jurisdição. Tendo decidido. mesmo quando não resulte em perdas econômicas. Considerando que. por isso. todos os Estados devem agir para salvar esses valores insubstituíveis. Tendo-lhe sido apresentadas propostas relativas à salvaguarda dos conjuntos históricos ou tradicionais e sua função na vida contemporânea. no Plano Nacional. a Recomendação sobre a Preservação dos Bens Culturais Ameaçados pela Realização de Obras Públicas ou Privadas (1968) e a Recomendação sobre a Proteção. que esse assunto seria objeto de uma recomendação aos Estados Membros.

forma que ela determinar. o quadro natural ou construído que influi na percepção estática ou dinâmica desses conjuntos. no interesse de todos os cidadãos e da comunidade internacional. Sua salvaguarda e integração na vida coletiva de nossa época deveriam ser uma obrigação para os governos e para os cidadão dos Estados em cujo território se encontram. como um todo coerente cujo equilíbrio e caráter específico dependem da síntese dos elementos que o compõem e que compreendem tanto as atividades humanas como as construções. Os conjuntos históricos ou tradicionais e sua ambiência deveriam ser protegidos ativamente contra quaisquer deteriorações. as aldeias e lugarejos. que constituam um assentamento humano. arquitetônico. podem-se distinguir especialmente os sítios pré-históricos. inclusive os sítios arqueológicos e palenteológicos. ser conservados em sua integridade. I . Deveriam ser responsáveis por isso. segundo as condições próprias de cada Estado Membro em matéria de distribuição de poderes. ao perigo da destruição direta dos conjuntos históricos ou . Do mesmo modo. relatórios sobre a maneira como aplicaram a presente recomendação. a proteção. Todos os trabalhos de restauração a serem empreendidos deveriam basear-se em princípios científicos. regionais ou locais. que produz um aumento considerável na escala e na densidade das construções. uma grande atenção deveria ser dispensada à harmonia e à emoção estética que resultam da conexão ou do contraste dos diferentes elementos que compõem os conjuntos e que dão a cada um deles seu caráter particular. Entre esses "conjuntos". em regra. estético ou sócio-cultural. b) Entende-se por "ambiência" dos conjuntos históricos ou tradicionais. particularmente as que resultam de uma utilização imprópria. os bairros urbanos antigos. desde as mais modestas. tanto no meio urbano quanto no rural e cuja coesão e valor são reconhecidos do ponto-de-vista arqueológico. uma significação que é preciso respeitar. Nas condições da urbanização moderna. as autoridades nacionais. assim como as provocadas por qualquer forma de poluição. econômicos ou culturais.Definições Para os efeitos da presente recomendação: a) Considera-se conjunto histórico ou tradicional todo agrupamento de construções e de espaços. pré-histórico. c) Entende-se por "salvaguarda" a identificação. a manutenção e a revitalização dos conjuntos históricos ou tradicionais e de seu entorno. de acréscimos supérfluos e de transformações abusivas ou desprovidas de sensibilidade que atentam contra sua autenticidade. II . Cada conjunto histórico ou tradicional e sua ambiência deveria ser considerado em sua globalidade. ou a eles se vincula de maneira imediata no espaço. a conservação. ou por laços sociais. têm. todos os elementos válidos. a restauração. incluídas as atividades humanas. a reabilitação. a estrutura espacial e as zonas circundantes. que são muito variados. as cidades históricas.Princípios Gerais: Dever-se-ia considerar que os conjuntos históricos ou tradicionais e sua ambiência constituem um patrimônio universal insubstituível. Dessa maneira. histórico. em relação ao conjunto. ficando entendido que estes últimos deverão. assim como os conjuntos monumentais homogêneos.

nas condições peculiares a cada um em matéria de distribuição de poderes.Medidas de Salvaguarda A salvaguarda dos conjuntos históricos ou tradicionais e de sua ambiência deveria se ajustar aos princípios anteriormente enunciados e aos métodos expostos a seguir. a salvaguarda dos conjuntos históricos ou tradicionais pode contribuir extraordinariamente para a manutenção e o desenvolvimento dos valores culturais e sociais peculiares de cada nação e para o enriquecimento arquitetônico do patrimônio cultural mundial. não se deteriore e para que esses conjuntos se integrem harmoniosamente na vida contemporânea. à distribuição das funções e à execução das operações. nos planos urbanos. ou a visão que a partir deles se obtém. Conviria revisar as leis relativas ao planejamento físico territorial. ao urbanismo e à política habitacional de modo a coordenar e harmonizar suas disposições com as das leis relativas à salvaguarda do patrimônio arquitetônico. regionais e locais para salvaguardar os conjuntos históricos ou tradicionais e sua ambiência e adaptá-los às exigências da vida contemporânea. Regional e Local Em cada Estado Membro deveria se formular. para assegurar tal salvaguarda. uma política nacional.tradicionais se agrega o perigo real de que os novos conjuntos destruam indiretamente a ambiência e o caráter dos conjuntos históricos adjacentes. Numa época em que a crescente universalidade das técnicas construtivas e das formas arquitetônicas apresentam o risco de provocar uma uniformização dos assentamentos humanos no mundo inteiro. econômicas e sociais pelas autoridades nacionais. determinando-se as medidas concretas de acordo com as competências legislativas e constitucionais e com a organização social e econômica de cada Estado. Essas legislações deveriam encorajar a adaptação ou a adoção de disposições. técnicas. particularmente: . Essa política deveria influenciar o planejamento nacional. Os Estados Membros deveriam adaptar as disposições existentes ou. regional ou local. regional e local a fim de que sejam adotadas medidas jurídicas. As ações resultantes desse planejamento deveriam se integrar à formulação dos objetivos e programas.Política Nacional. regional e local e orientar a ordenação urbana urbano e rural e o planejamento físico-territorial em todos os níveis. Dever-se-ia buscar a colaboração dos indivíduos e das associações privadas para a aplicação da política de salvaguarda. Medidas Jurídicas e administrativas A aplicação de uma política global de salvaguarda dos conjuntos históricos e tradicionais e de sua ambiência deveria basear-se em princípios válidos para cada país em sua totalidade. As disposições que estabeleçam um sistema de salvaguarda dos conjuntos históricos ou tradicionais deveriam enunciar os princípios gerais relativos ao estabelecimento e à adoção dos planos e documentos necessários e. promulgar novos textos legislativos e regulamentares para assegurar a salvaguarda dos conjuntos históricos e tradicionais e de sua ambiência. levando em conta as disposições contidas neste capítulo e nos seguintes. Os arquitetos e urbanistas deveriam empenhar-se para que a visão dos monumentos e conjuntos históricos. IV . III . se necessário.

Só deveriam ser permitidas as demolições de edificações sem valor histórico ou arquitetônico e as subvenções ocasionalmente resultantes deveriam ser estritamente controladas. As disposições referentes à construção de edifícios para órgãos públicos e privados e a obras públicas e privadas deveriam adaptar-se à regulamentação da salvaguarda dos conjuntos históricos e de sua ambiência. consequentemente.as modalidades de financiamento e de execução dos programas de salvaguarda.a indicação dos programas e operações previstas em matéria de conservação e de infraestrutura de serviços. restauração e transformação. Essas disposições poderiam envolver medidas de planejamento urbano que influam no preço dos terrenos por construir . ou a intervenção compulsória em caso de incapacidade ou descumprimento por parte dos proprietários . nova construção ou demolição no perímetro protegido. O respeito às medidas de salvaguarda deveria ser imposto tanto às coletividades públicas quanto às particulares. a obrigação de reconstituir e/ou multa apropriada. estabelecido e modulado sobretudo para facilitar o desenvolvimento de habitação subsidiadas e de edifícios públicos através da reabilitação de construções antigas. A legislação de salvaguarda deveria ser. Além disso.as condições que regerão a implantação de novas construções. . as disposições relativas aos imóveis e quarteirões insalubres. . . um mecanismo de recurso contra as decisões ilegais. a expropriação no interesse da salvaguarda. . . . . arbitrárias ou injustas.as zonas e os elementos a serem protegidos.as condições e restrições específicas que lhes dizem respeito.as condições e restrições gerais aplicáveis às zonas protegidas por lei e a suas imediações. Os efeitos legais das medidas de proteção a edificações e terrenos deveriam ser levadas ao conhecimento público e registradas em um órgão oficial competente. . acompanhada de disposições preventivas contra as infrações à regulamentação de salvaguarda e contra qualquer alta especulativa dos valores imobiliários nas zonas protegidas. Dever-se-ia estabelecer.tais como o estabelecimento de planos de ordenação distritais ou de extensão mais reduzida. de reestruturação e de ordenação do espaço rural. assim como à construção de habitações sociais deveriam ser concebidas ou reformuladas de modo que não apenas se ajustem à política de salvaguarda. Em particular. O regime de eventuais subvenções deveria ser. .a designação do órgão encarregado de autorizar qualquer restauração. .as normas que regulam os trabalhos de manutenção. que possa comprometer uma proteção e uma restauração concebidas em função do interesse coletivo.as condições gerais de instalação das redes de suprimento e dos serviços necessários à vida urbana ou rural.e instituir sanções efetivas como a suspensão das obras. modificação..as funções de manutenção e a designação dos encarregados de desempenhá-las.os campos a que se poderão aplicar as intervenções de urbanismo. mas que para ela contribuam. em princípio. Os planos e documentos de salvaguarda deveriam definir especialmente: . todavia. a concessão do direito de preempção e a um órgão público. uma parte suficiente dos créditos previstos para a construção de habitações sociais deveria ser destinada à reabilitação de edificações antigas.

administrativos e financeiros adequados. . Além disso. . Além dessa investigação arquitetônica. de qualquer tipo. regionais e locais.ecólogos e arquitetos paisagistas. dados demográficos e uma análise das atividades econômicas. econômicas. técnicos e econômicos. que tiverem caráter urgente. b) os planos e documentos de salvaguarda deveriam ser elaborados depois que todos os estudos científicos necessários houverem sido efetuados por equipes multidisciplinares compostas. com a mesma finalidade. Essa relação deveria indicar prioridades para facilitar uma alocação racional dos limitados recursos disponíveis para fins de salvaguarda.deveriam contar com pessoal necessário e com meios técnicos. públicos e privados. c) as autoridades deveriam tomar a iniciativa de organizar a consulta e a participação da população interessada. Econômicas e Sociais Dever-ser-ia estabelecer.sociólogos e economistas. especialistas em todas as matérias relativas à proteção e revitalização dos conjuntos históricos e tradicionais. históricos. ou. os modos de vida e as relações sociais. um inventário dos espaços abertos. conservados sob certas condições. . . As . e) os serviços públicos encarregados de aplicar as disposições de salvaguarda em qualquer nível . de: . assim como de sua vegetação. incluídos os historiadores da arte. infraestrutura urbana. Deveria ser feita uma análise de todo o conjunto. as redes de comunicação e as inter-relações recíprocas da zona protegida com as zonas circundadas. destruídos. inclusive de sua evolução espacial. . em geral. assim como do contexto urbano ou regional mais amplo. a execução de obras de salvaguarda deveria se inspirar nos seguintes princípios: a) uma autoridade responsável deveria encarregar-se da coordenação permanente de todos os intervenientes: serviços públicos nacionais. regionais e locais ou grupos de particulares. se possível. Esses estudos deveriam abranger. em circunstâncias absolutamente excepcionais e escrupulosamente documentadas. As medidas de proteção. sociais e culturais. d) os planos de salvaguarda deveriam ser aprovados pelo órgão designado por lei.especialistas em saúde pública e assistência social. o estado do sistema viário. nos níveis nacional.e. regional e local .Respeitadas as condições próprias a cada país e a distribuição de poderes das diversas administrações nacionais. os problemas fundiários. Medidas Técnicas. Deveria ser produzido um documento analítico destinado a determinar os imóveis ou os grupos de imóveis a serem rigorosamente protegidos.arquitetos e urbanistas. o que permitiria às autoridades suspender qualquer obra incompatível com esta recomendação. uma relação dos conjuntos históricos ou tradicionais e sua ambiência a serem salvaguardados. são necessários estudos pormenorizados dos dados e das estruturas sociais. deveria ser realizado.especialistas em conservação e restauração. culturais e técnicas. deveriam ser tomadas sem esperar que se estabeleçam planos e documentos de salvaguarda. que contivesse os dados arqueológicos.nacional. arquitetônicos. regional ou local. principalmente.

sem ameaça alguma ao patrimônio cultural. Essa programação deveria ser elaborada com a maior participação possível das coletividades e populações interessadas. na supressão de acréscimos e construções superpostas sem valor e. assim como a necessária acomodação temporária durante as obras e os locais para realojamento permanente dos habitantes que não puderem regressar a sua morada anterior. na demolição de edificações recentes que rompam a unidade do conjunto só poderão ser autorizados nos termos do plano de salvaguarda. Os programas de saneamento urbano ou de beneficiamento aplicáveis a zonas que não estão incluídas nos planos de salvaguarda deveriam respeitar os edifícios e outros elementos que possuam um valor arquitetônico ou histórico e seus acessórios. Em qualquer operação de saneamento urbano ou de beneficiamento que afete um conjunto histórico deveriam ser observadas as normas gerais de segurança relativas a incêndios e catástrofes naturais. portanto. em vez de serem retardadas indefinidamente enquanto se aprimora o processo de planejamento. Uma vez estabelecidos e aprovados os planos e normas de salvaguarda pela autoridade pública competente. a fim de garantir o máximo de segurança. econômicos e sociais. que a elaboração dos planos de salvaguarda e sua execução se baseassem nos estudos disponíveis. os programas de saneamento urbano ou de beneficiamento que consistirem na demolição de imóveis desprovidos de interesse arquitetônico ou histórico ou arruinados demais para serem conservados. A programação deveria visar à adaptação das densidades de ocupação e a prever o escalonamento das operações. Uma vez que o contexto social. Antes da formulação de planos e normas de salvaguarda e depois da análise acima descrita. conviria. Um cuidado especial deveria ser adotado na regulamentação e no controle das novas construções para assegurar que sua arquitetura se enquadre harmoniosamente nas estruturas . a ação de salvaguarda deveria levar em consideração as manifestações de todos esses períodos. estabelecer uma programação que leva-se igualmente em consideração o respeito aos dados urbanísticos. desde que sejam compatíveis com os critérios de salvaguarda do patrimônio cultural. Quando existirem planos de salvaguarda.autoridades competentes deveriam atribuir suma importância a esses estudos e compreender que. e a capacidade de o tecido urbano e rural acolher funções compatíveis com seu caráter específico. sem eles. É necessária uma vigilância permanente para evitar que essas operações beneficiem apenas a especulação ou sejam utilizadas com finalidades contrárias aos objetivos do plano. os estudos e investigações deveriam ser regularmente atualizados. Seria essencial. em princípio. Nos conjuntos históricos ou tradicionais que possuírem elementos de vários períodos diferentes. Se tais elementos estivessem arriscados de sofrer danos com esses programas deveriam ser elaborados. devem ser buscadas soluções particulares em colaboração com todos os serviços interessados. Em caso contrário. necessária e previamente. econômico e físico dos conjuntos históricos e de sua ambiência está em constante evolução. seria conveniente que seus autores fossem encarregados de sua execução ou direção. até mesmo. os planos de salvaguarda pertinentes. arquitetônicos. não seria possível estabelecer planos eficazes de salvaguarda.

assim como suas proporções médias e a implantação dos edifícios. materiais e formas. tais como. como para analisar suas dominantes: harmonia das alturas. A proteção e a restauração deveriam ser acompanhadas de atividades de revitalização. Os Estados Membros e as instituições interessadas deveriam proteger os conjuntos históricos ou tradicionais e sua ambiência contra os danos cada vez mais graves causados por determinados avanços tecnológicos. Dado o conflito existente na maior parte dos conjuntos históricos ou tradicionais entre o trânsito automobilístico. Seria. deverão ser adotadas medidas adequadas para suprimi-los. Não se deveria autorizar o isolamento de um monumento através da supressão de seu entorno. poderiam ser. deveriam ser compatíveis com o contexto econômico e social. dos choques e das vibrações produzidas contra as deteriorações provenientes de uma excessiva exploração turística. elementos constitutivos do agenciamento das fachadas e dos telhados. Numerosas operações de reabilitação. culturais e econômicos dos habitantes. Os conjuntos históricos ou tradicionais e sua ambiência deveriam ser protegidos contra a desfiguração resultante da instalação de suportes. Se já existirem. mas também do valor derivado da utilização que delas se possa fazer. o mobiliário urbano e o revestimento do solo deveriam ser estudados e controlados com o maior cuidado. prejudicial à harmonia do conjunto. não só para definir o caráter geral do conjunto. uma análise do contexto urbano deveria preceder qualquer construção nova. regional ou nacional em que se inserem. através da proibição de se implantarem indústrias nocivas em sua proximidade e da adoção de medidas preventivas contra os efeitos destrutivos dos ruídos. Para isso. urbano. sem contrariar o caráter específico do conjunto em questão. Para consegui-lo e para favorecer o trânsito de pedestres. entre outras. O custo das operações de salvaguarda não deveria ser avaliado apenas em função do valor cultural das construções. Deveria ser feito um esforço especial para evitar qualquer forma de vandalismo. Os cartazes. a instalação subterrânea de redes elétricas e de outros cabos. coordenadas fácil e economicamente com o desenvolvimento da rede viária.espaciais e na ambiência dos conjuntos históricos. tais como quaisquer formas de poluição. relações dos volumes construídos e dos espaços. Uma política de revitalização cultural deveria converter os . os letreiros comerciais. a sinalização das ruas. em particular. por um lado e a densidade do tecido urbano e as características arquitetônicas por outro. pois qualquer modificação poderia resultar em um efeito de massa. Essas funções teriam que se adaptar às necessidades sociais. a publicidade luminosa ou não. os Estados Membros deveriam estimular e ajudar as autoridades locais a encontrar soluções para esse problema. essencial manter as funções apropriadas existentes e. antenas de televisão ou painéis publicitários de grande escala. portanto. do mesmo modo. e estabelecer redes de transporte que facilitem ao mesmo tempo a circulação dos pedestres. cabos elétricos ou telefônicos. Uma atenção especial deveria ser prestada à dimensão dos lotes. para serem viáveis a longo prazo. que seriam demasiadamente onerosas se fossem feitas separadamente. então. para que se integrem harmoniosamente ao conjunto. o comércio e o artesanato e criar outras novas que. cores. seu deslocamento só deveria ser decidido excepcionalmente e por razões de força maior. Os problemas sociais decorrentes da salvaguarda só podem ser colocados corretamente se houver referência a essas duas escalas de valor. conviria estudar com extremo cuidado a localização e o acesso dos parques de estacionamento não só dos periféricos como dos centrais. o acesso aos serviços e o transporte público.

privado ou mistos encarregados de coordenar nos níveis nacional. particularmente as habitações de baixa renda e somente aplicar-se a novas construções na medida em que elas não constituírem uma ameaça à utilização e às funções dos edifícios existentes. a grupamentos de proprietários ou de usuários de habitações e estabelecimentos comerciais. regionais e locais. Uma cooperação constante em todos os níveis deveria. subsídios e empréstimos poderiam ser concedidos. nos órgãos de decisão. cujas iniciativas e participação ativa deveriam ser estimuladas. subordinadas ao acatamento de determinadas condições impostas no interesse do público. Dever-se-iam conceder doações. Deveriam ser estimuladas a fundação de grupos voluntários de salvaguarda e de associações de caráter não lucrativo e a instituição de recompensas honoríficas ou pecuniárias para que sejam reconhecidas as realizações exemplares em todos os campos da salvaguarda. ou seja. ou criação de órgãos de economia mista que participem da execução.conjuntos históricos em pólos de atividades culturais e atribuir-lhes um papel essencial no desenvolvimento cultural das comunidades circundantes. em caráter prioritário. Esses incentivos fiscais. regional ou local todas as formas de ajuda financeira e de orientá-las a uma aplicação global. eventualmente. esses investimentos públicos deveriam servir. para conservar os edifícios existentes. pois as operações agrupadas se tornam economicamente mais vantajosas que as ações individuais. subsídios ou empréstimos em condições favoráveis ao proprietários particulares e usuários que houverem realizado as obras estabelecidas pelos planos de salvaguarda e de acordo com as normas fixadas por esses planos. representação dos proprietários. Nas zonas rurais todos os trabalhos que implicarem uma degradação da paisagem. assim como quaisquer mudanças nas estruturas econômicas e sociais deveriam ser cuidadosamente controlados para preservar a integridade das comunidades rurais históricas em seu ambiente natural. onde for necessário e conveniente. ser estabelecida entre as coletividades e os particulares. isoladamente ou em grupo. A ajuda pública. antes de mais nada. dos habitantes e dos usuários. doações. especialmente através dos seguintes meios: informações adaptadas aos tipos de pessoas atinentes. O conjunto desses créditos deveria ser administrado de forma centralizada pelos órgãos de direito público. e levar em consideração o custo adicional da restauração. a título consultivo. deveria pressupor as intervenções da coletividade. incentivos fiscais. em qualquer das formas descritas nos parágrafos seguintes. criação de grupos consultivos nos órgãos de planejamento. o custo suplementar imposto ao proprietário em relação ao novo valor venal ou locativo do edifício. Os investimentos públicos previstos pelos planos de salvaguarda dos conjuntos históricos e de sua ambiência deveriam ser avalizados pela consignação de créditos adequados nos orçamentos das autoridades centrais. As vantagens financeiras a serem concedidas aos proprietários particulares e aos usuários deveriam estar. tais como garantia . pesquisas preparadas com a participação das pessoas interrogadas. portanto. de gestão e de revitalização das operações relacionadas com os planos de salvaguarda. Em geral. A ação de salvaguarda deveria associar a contribuição da autoridade pública à dos proprietários particulares ou coletivos e à dos habitantes e usuários.

depois de restaurá-los. através da criação de um órgão que se encarregasse da concessão de empréstimos aos proprietários. os Estados Membros deveriam adotar as medidas que se seguem. Todos os serviços e administrações que atuam na construção pública deveriam. Ensino e Informação Para aperfeiçoar a competência dos especialistas e dos artesãos necessários e para fomentar o interesse e a participação de toda a população no trabalho de salvaguarda. Essas indenizações. É essencial evitar que as medidas de salvaguarda acarretem uma ruptura da trama social. poderiam ser concedidas indenizações que compensassem a alta do aluguel.Pesquisa. possibilidade de visitação aos edifícios. jardins ou sítios. a agricultura em pequena escala. de fundações e de empresas industriais e comerciais. para que os ocupantes pudessem conservar suas habitações e seus pontos de comércio e produção assim como seus modos de vida e suas ocupações tradicionais. se for o caso. o traslado dos habitantes. Para evitar. ajudariam os interessados a fazer frente ao aumento dos encargos provocados pelas obras realizadas. acesso aos parques. da venda dos imóveis mediante a utilização de fundos de operações especialmente destinados a manter nos conjuntos históricos ou tradicionais os proprietários que desejarem protegê-los e preservar suas características. através do financiamento a obras que correspondam simultaneamente a seus próprios objetivos e aos dos planos de salvaguarda. As instituições públicas e os estabelecimentos de crédito privados poderiam facilitar o financiamento a obras de qualquer gênero destinadas a proteger os conjuntos históricos ou tradicionais e sua ambiência. Os doadores poderiam desfrutar de isenções fiscais. Os Estados Membros e as coletividades interessadas deveriam encorajar as pesquisas e os estudos sistemáticos sobre: . com taxas reduzidas e longos prazos de reembolso. agenciar seus programas e orçamentos de maneira a contribuir para a reabilitação dos conjuntos históricos ou tradicionais. determinadas em função dos rendimentos. a pesca etc. especialmente o artesanato rural. dotados de personalidade jurídica e que pudessem receber doações de particulares. com prejuízo dos menos favorecidos. Dotações especiais deveriam ser previstas nos orçamentos dos órgãos públicos ou privados para a proteção dos conjuntos históricos ou tradicionais ameaçados por grandes obras públicas ou privadas e pela poluição. realização de fotografias. Os Estados Membros e as autoridades interessadas em todos os níveis poderiam facilitar a criação de associações sem fins lucrativos que se encarregassem da aquisição e.da integridade dos imóveis. nos imóveis ou nos conjuntos a serem restaurados . ainda. Para aumentar os recursos financeiros disponíveis os Estados Membros deveriam incrementar a criação de estabelecimentos financeiros públicos ou privados para a salvaguarda dos conjuntos históricos e tradicionais e de sua ambiência. etc. V . As autoridades públicas deveriam prever igualmente dotações especiais para a reparação dos danos causados pelos desastres naturais. de acordo com sua competência legislativa e constitucional.

Deveriam ser instaurados e desenvolvidos ensinamentos específicos sobre os temas acima e que compreendessem estágios de formação prática. se for necessário. recorrendo. Seria de desejar que as instituições interessadas cooperassem nessa esfera com os organismos internacionais especializados no assunto. não apenas estéticas e culturais. ameaçadas pelo processo de industrialização.Cooperação Internacional Os Estados Membros deveriam colaborar. Esse ensino deveria utilizar amplamente os meios audiovisuais e as visitas aos conjuntos históricos ou tradicionais.a aplicação das técnicas modernas aos trabalhos de conservação.os métodos de conservação aplicáveis aos conjuntos históricos. O estudo dos conjuntos históricos deveria ser incluído no ensino em todos os níveis e. principalmente ao Centro de Documentação UNESCO . para que saiba porque e como seu padrão de vida pode ser melhorado. O desenvolvimento das técnicas artesanais. regionais e locais e entre a população. tais como o Centro de Estudos para a Conservação e a Restauração dos Bens Culturais. ser financiada e dirigida pelas autoridades competentes. onde for adequado e necessário . Além disso é indispensável estimular a formação de técnicos e de artesãos especializados na salvaguarda dos conjuntos e de quaisquer espaços abertos que os circundam. o Conselho Internacional de Monumentos e Sítios (ICOMOS) e o Conselho Internacional de Museus (ICOM). pós-escolar e universitária e pelo recurso aos meios de informação tais como os livros. As vantagens. Conviria facilitar o acesso a cursos de aperfeiçoamento e reciclagem para pessoal docente e para guias. no de história. . bem como a formação de instrutores para ajudar os grupos de jovens e de adultos desejosos de se iniciar no conhecimento dos conjuntos históricos ou tradicionais. A tomada de consciência em relação à necessidade da salvaguarda deveria ser estimulada pela educação escolar. urbanismo urbano e planejamento físico-territorial. . à ajuda de organizações internacionais.as técnicas artesanais indispensáveis à salvaguarda. nacionais. de acordo com um programa a longo prazo.a alteração dos materiais.aspectos urbanísticos dos conjuntos históricos ou tradicionais e de sua ambiência. também deveria ser estimulado. Essa informação deveria ser amplamente difundida entre os organismos especializados. no que se refere à salvaguarda dos conjuntos históricos ou tradicionais e de sua ambiência. . . tanto privados como públicos. . de Roma. a televisão. mas também sociais e econômicas que pode oferecer uma política bem conduzida de salvaguarda dos conjuntos históricos ou tradicionais e sua ambiência deveriam ser objeto de uma informação clara e completa. a imprensa. Essa cooperação multilateral ou bilateral deveria ser judiciosamente coordenada e concretizar-se através de medidas com as seguintes: . o rádio e o cinema e as exposições itinerantes. para inculcar no espírito dos jovens a compreensão e o respeito às obras do passado e para mostrar o papel desse patrimônio na vida contemporânea.ICOM .as interconexões entre salvaguarda. intergovernamentais e não governamentais. A formação do pessoal administrativo encarregado das operações locais e salvaguarda dos setores históricos deveria. particularmente. VI ..ICOMOS.

Os lugares são significativos. é ainda um documento fundamental para a nossa época. 1977. tanto em planejamento como em arquitetura. a ser analisado interdisciplinarmente em uma discussão internacional que inclua intelectuais e profissionais. Que pode ser atualizado mas não negado. Machu Picchu. 1933. Muitos fenômenos novos emergiram durante esse tempo e exigem uma revisão da carta que a complemente com um documento de enfoque e amplitude mundiais. que recebeu o nome de Carta de Atenas. . os Estados Membros deveriam coordenar suas políticas e ações para conseguir a melhor utilização e proteção desse patrimônio. Machu Picchu representa tudo o que não envolve a mentalidade global iluminística e tudo o que não é classificável por sua lógica. que a Carta de Atenas. envio de pessoal científico. Nas regiões situadas de um lado e de outro de uma fronteira onde ocorrerem problemas comuns de planejamento e salvaguarda de conjuntos históricos ou tradicionais e sua ambiência. Atenas representou a racionalidade personificada por Aristóteles e Platão. c) concessão de bolsas de estudos e de viagem. nenhum Estado Membro deveria tomar qualquer medida para demolir ou alterar as características dos bairros. técnico e administrativo e fornecimento de material. Machu Picchu simboliza a contribuição cultural independente de outro mundo. institutos de pesquisas e universidades de todos os países. f) assistência mútua entre países vizinhos para a salvaguarda de conjuntos de interesse comum. b) organização de seminários e de grupos de trabalho sobre temas específicos. Carta de Machu Picchu de dezembro de 1977 Encontro Internacional de Arquitetos Passaram-se quase 45 anos desde que ó CIAM elaborou um documento sobre teoria e metodologia de planejamento. e) execução de grandes projetos de salvaguarda de conjuntos históricos ou tradicionais e de sua ambiência e difusão da experiência adquirida. d) luta contra todas as formas de poluição. De acordo com o espírito e com os princípios da presente recomendação. característicos do desenvolvimento histórico e cultural de região. em primeiro lugar. de 1933. como testemunho da vitalidade e da continuidade do movimento moderno.a) intercâmbio de informações de todos os gêneros e de publicações científicas e técnicas. Houve alguns esforços para atualizar a Carta de Atenas e o presente documento só pretende ser ponto de partida para tal empresa. Muitos de seus noventa e cinco pontos são válidos. Atenas se ergueu como o berço da civilização ocidental. devendo salientar. ainda. Atenas. cidades e sítios históricos situados nos territórios ocupados por esse Estado.

o projeto e o planejamento urbano e a arquitetura. Dentro do crescimento caótico das cidades. regiões e nações . nem as conexões operacionais entre a estratégia econômica geral e o planejamento do desenvolvimento urbano. assim como em estratégias de planejamento econômico a longo prazo. tendem a se deteriorar por deficiência . que constitui a raiz do problema de nossas cidades. tornaram crítica a necessidade de uso mais efetivo dos recursos naturais e humanos. é. Hoje. As técnicas e disciplinas do planejamento devem ser aplicadas a toda a escala de grupos humanos . em nível nacional. A desarticulação entre o planejamento econômico em nível nacional e regional e o planejamento para o desenvolvimento urbano onerou e reduziu a eficiência de ambos. como um meio sistemático de analisar necessidades. onde se dá a migração das populações mais abastadas em direção aos subúrbios. é uma obrigação fundamental dos governos. no contexto contemporâneo de urbanização. A elas temos que somar as crises de moradia e de serviços urbanos. distritos e outras áreas urbanas. estados. afinal. energética e alimentícia. As áreas urbanas muito frequentemente refletem os efeitos adversos e específicos de decisões econômicas baseadas em considerações amplas e relativamente abstratas. O objetivo do planejamento geral. dando lugar à chamada crise tripla: ecológica. Por isso. sequência e características de desenvolvimento. E isso requer um processo contínuo e sistemático de interação entre os profissionais do projeto. os benefícios potenciais do planejamento e da arquitetura não chegam à grande maioria. assim. incluindo problemas e oportunidades e guiando o crescimento e desenvolvimento urbanos dentro dos limites dos recursos disponíveis. podemos diferenciar duas categorias de movimentos: a primeira corresponde à dos países industrializados. cidades. deve refletir a unidade dinâmica das cidades e suas regiões circundantes.bairros. O planejamento. características do processo de urbanização. agravadas pelo fato de o ritmo de crescimento populacional das cidades ser muito superior ao demográfico geral. abandonando as áreas centrais das cidades que. tanto como as relações funcionais essenciais entre bairros. Planejar. A fraqueza da sociedade ao enfrentar as necessidades do crescimento urbano e as mudanças sócio-econômicas requer a reafirmação desse princípio em termos mais específicos e urgentes. os moradores das cidades e seus líderes comunitários e políticos. E tais decisões. não têm considerado diretamente as prioridades nem as soluções dos problemas das áreas urbanas. a interpretação das necessidades humanas e a realização em um contexto de oportunidades de formas e de serviços urbanos apropriados para a população. através do mundo. O crescimento urbano Desde a Carta de Atenas até nossos dias a população do mundo duplicou. consequência do uso de automóveis. no que concerte aos núcleos humanos. áreas metropolitanas.para orientar sua localização.Cidade e região A Carta de Atenas reconheceu a unidade essencial das cidades e suas regiões circundantes. incluindo o planejamento econômico. As soluções urbanísticas propugnadas pela Carta de Atenas não levaram em conta esse crescimento acelerado.

O projeto da casa deve ter a flexibilidade necessária para adaptar-se à dinâmica social. A segunda categoria corresponde à das cidades dos países em desenvolvimento. adquiriu-se consciência de que o processo urbanístico não consiste em setorizar. mas um poderoso instrumento de desenvolvimento social. as medidas que se adotam para regularizar a marginalização (dotação de serviços públicos. Tais técnicas podem apenas tentar a incorporação das áreas marginais ao organismo urbano e. divertir-se e circular e que os planos devem fixar sua estrutura e implantação. cada sítio arquitetônico resulta num objeto isolado e onde não se considera que a mobilidade humana determine um espaço influente. programas de moradia. saúde ambiental. consideramos que a comunicação humana é um fator predominante na razão de ser da cidade. portanto. Devem ser projetados elementos construtivos que possam ser fabricados massificadamente para serem utilizados pelos usuários e que. Ela determinou cidades setorizadas em funções. que a qualidade de vida e a integração com o meio ambiente natural devem ser objetivo básico na concepção dos espaços habitáveis. facilitando portanto a participação criadora do usuário. muitas vezes. trabalhar. Moradia Diferentemente da Carta de Atenas. sem impor distinções inaceitáveis para o decoro humano. estejam a seu alcance. Conceito de setor A Carta de Atenas assinala que as chaves do urbanismo se encontram nestas quatro funções básicas: de habitar. determinando que o processo urbano se nos apresente totalmente diferente. . que se instala em bairros marginais carentes de serviços e de infra-estrutura urbana. A casa popular não será considerada um objeto de consumo subsidiário. economicamente. no nível do relacionamento humano. Consideramos. Essas transferências quantitativas produzem transformações qualitativas fundamentais.de recursos. onde um processo analítico de clarificação tem sido usado como um processo sintético de ordenação do espaço urbano. O resultado é a existência de cidades com uma vida urbana amena. igualmente. caracterizando-se pela maciça migração rural. afinal. mas em criar definitivamente uma integração polifuncional e contextual. etc. devem reconhecer este fato. Esse fenômeno não pode ser resolvido nem sequer controlado pelos dispositivos e medidas que estão ao alcance do planejamento urbano. O planejamento da cidade e da moradia.) contribuem paradoxalmente para agravar o problema. Atualmente. onde. convertendo-se em incentivo que incrementa os movimentos migratórios para as cidades. O mesmo espírito de integração que faz da comunicação entre os moradores da cidade um elemento básico da vida urbana deve regular a localização e a estruturação de áreas residenciais para diversas comunidades e grupos.

Transportes nas cidades As cidades deverão planejar e manter o transporte público de massa, considerando-o como um elemento básico no processo do planejamento urbano. 0. custo social do sistema de transporte deverá ser apropriadamente avaliado e devidamente considerado no planejamento do crescimento de nossas cidades. Na Carta de Atenas está explícito que a circulação é uma das funções urbanas básicas e implícito que ela depende principalmente do uso do automóvel como meio de transporte individual. Depois de quarenta e quatro anos, comprovou-se que não há solução ótima para diferenciar, multiplicar e solucionar cruzamentos de ruas. É necessário, portanto, enfatizar que a solução para a função de circulação deve ser pesquisada mediante a subordinação do transporte individual ao transporte coletivo de massa. Os urbanistas devem conscientizar-se de que a cidade é uma estrutura em desenvolvimento, cuja forma final não pode ser definida, razão pela qual devem considerar as noções de flexibilidade e expansão urbanas. O transporte e a comunicação formam uma série de redes interconectadas que servem como sistema articulador entre espaços interiores e exteriores e deverão ser projetados de forma que permitam experimentar indefinidamente mudanças de extensão e forma. Disponibilidade do solo urbano A Carta de Atenas mostrou a necessidade de uma legislação que permitisse dispor, sem impedimentos, do solo urbano para satisfazer as necessidades coletivas. Para tanto, estabeleceu que o interesse privado devia subordinar-se ao interesse coletivo. Apesar de diversos esforços realizados desde 1933, as dificuldades de disponibilidade de solo urbano se mantêm como um obstáculo básico para o planejamento urbano. Por isso, é desejável que se criem e se adotem soluções legais eficientes capazes de produzir uma melhora substantiva a curto prazo. Recursos naturais e contaminação ambiental Uma das formas mais atentatórias contra a natureza é, hoje, a contaminação ambiental, que tem se agravado em proporções sem precedentes e potencialmente catastróficas, como conseqüência direta da urbanização não planejada e da excessiva exploração de recursos. Nas áreas urbanizadas do mundo a população está cada vez mais sujeita a condições ambientais que são incompatíveis com normas e conceitos razoáveis de saúde e bem estar humanos. Entre as características não aceitáveis se incluem a prevalência de quantidades excessivas de perigosas substâncias tóxicas no ar, na água e nos alimentos da população urbana, além dos níveis danosos de ruídos. As políticas oficiais que regem o desenvolvimento urbano deverão incluir medidas imediatas para evitar que se acentue a degradação do meio ambiente urbano e conseguir a restauração da integridade básica do meio ambiente, de acordo com as normas de saúde e de bem estar social. Estas medidas devem ser consideradas no planejamento urbano e econômico, no projeto arquitetônico, nos critérios e normas de engenharia e nas políticas de desenvolvimento.

Preservação e defesa dos valores culturais e patrimônio histórico-monumental A identidade e o caráter de uma cidade são dados não só por sua estrutura física, mas, também, por suas características sociológicas. Por isso, é necessário que não só se preserve e conserve o patrimônio histórico monumental, como também que se assuma a defesa do patrimônio cultural, conservando os valores que são de fundamental importância para afirmar a personalidade comunal ou nacional e/ou aqueles que têm um autêntico significado para a cultura em geral. Por isso mesmo, é imprescindível que na tarefa de conservação, restauração e reciclagem das zonas monumentais e dos monumentos históricos e arquitetônicos, considere-se a sua integração ao processo vivo do desenvolvimento urbano como único meio que possibilite o financiamento da operação. No processo de reciclagem dessas zonas, deve ser considerada a possibilidade de se construírem edifícios de arquitetura contemporânea da melhor qualidade. Tecnologia A Carta de Atenas referiu-se tangencialmente ao processo tecnológico, ao discutir o impacto da atividade industrial na cidade. Nos últimos quarenta e cinco anos o mundo experimentou um desenvolvimento tecnológico sem precedentes, que tem afetado nossas cidades e também a prática da arquitetura e do urbanismo. A tecnologia se desenvolveu explosivamente em algumas regiões do mundo e sua difusão e aplicação eficaz é um dos problemas básicos de nossa época. Hoje, o desenvolvimento científico e tecnológico e a intercomunicação entre os povos permitem superar as condicionantes locais e oferecer os mais amplos recursos para resolver os problemas urbanísticos e arquitetônicos. O mau uso dessa possibilidade determina que, frequentemente, se adotem materiais, técnicas e características formais como resultado de pruridos de novidade e complexos de dependência cultural. Neste sentido, usualmente, o impacto do desenvolvimento tecnológico-mecânico tem determinado que a arquitetura seja um processo de criar ambientes artificialmente condicionados a um clima e a uma iluminação não naturais. Isso pode ser uma solução para determinados problemas, mas a arquitetura deve ser um processo de criar ambientes condicionados em função de elementos naturais. Deve-se entender que a tecnologia é meio e não fim e que ela deve ser aplicada em função de uma realidade e de suas possibilidades como resultado de um sério trabalho de investigação e experimentação, trabalho que os governos devem ter em conta. A dificuldade de utilizar processos altamente mecanizados ou materiais construtivos eminentemente industrializados não deve significar uma diminuição de rigor técnico ou de cabal resposta arquitetônica às exigências do problema a resolver, mas, pelo contrário, um maior rigor no planejamento das soluções possíveis para o meio.

A tecnologia construtiva deve considerar a possibilidade de reciclar os materiais fim de conseguir transformar elementos construtivos em recursos renováveis. Implementação O planejamento, os profissionais e as autoridades pertinentes devem ter presente que o processo não termina na formulação de um plano e em sua subsequente execução, mas que, sendo a cidade um organismo vivo, é necessário considerar e prover os processos de sua manutenção. Deve-se entender também que cada região e cada cidade, no processo de sua implementação, deve criar e importar suas normas legais, de acordo com seu meio ambiente, recursos e características formais próprias. Projeto Urbanístico e Arquitetônico A Carta de Atenas não cuidou do projeto arquitetônico. Aqueles que a formularam não o consideraram necessário, porque concordavam que a arquitetura era um jogo sábio de volumes puros sob a luz, la Ville Radieuse, composta de tais volumes, aplicou uma linguagem arquitetônica de origem cubista, perfeitamente coerente com o conceito que separou as cidades em partes funcionais. Durante as últimas décadas, para a arquitetura contemporânea o problema principal não é mais o jogo visual de volumes puros, mas a criação de espaços sociais para neles se viver. A ênfase não está no continente, mas no conteúdo, não na embalagem isolada, por mais bela e sofisticada que seja, mas na continuidade da textura urbana. Em 1933, o esforço foi para desintegrar o objeto arquitetônico e a cidade em seus componentes. Em 1977, o objetivo deve ser reintegrar esses componentes, que, fora de suas relações formais, perderam vitalidade e significado. Para precisar melhor, a reintegração, tanto na arquitetura como no planejamento, não significa a integração a priori do classicismo. Deve ficar claramente estabelecido, que as recentes tendências para o ressurgimento da tradição das Beaux-Arts são anti-históricas em um grau grotesco e não têm a importância que justifique sua discussão. Mas são sintomas de uma obsolescência da linguagem arquitetônica para a qual devemos ficar alertas, para não voltarmos a uma espécie de cínico ecletismo do século XIX, e sim avançar em direção a uma etapa mais madura do movimento moderno. As conquistas dos anos trinta, quando a Carta de Atenas foi promulgada, são ainda válidas. Elas dizem respeito a: a) a análise dos edifícios e de suas funções; b) o princípio de dissonância; c) a visão espaço-tempo antiperspectiva; d) a desarticulação do tradicional edifício-caixa; e) a reunificação da engenharia estrutural e da arquitetura; A estas "constantes" ou "invariáveis" da linguagem arquitetônica têm se somado. f) a temporalidade do espaço; g) a reintegração edifício-cidade-paisagem.

A participação dos usuários faz mais orgânico e verdadeiro o encontro entre a linguagem altamente cultural e a popular. aquelas se levantaram por obra e para o sustento das comunidades. sejam horizontais ou verticais. por Michelangelo Não obstante. de uma forma explosiva. sua imaginação será estimulada pelo imenso patrimônio da arquitetura popular. Elas expressam volumétrica e espiritualmente o rumo diferente de duas grandes civilizações que edificaram para a eternidade. A experiência artística nas últimas décadas. O novo conceito de urbanização pede a continuidade de edificação. tem demonstrado que os artistas já não produzem um objeto finito.A temporalidade do espaço é a maior contribuição de Frank Lloyd Wright e corresponde à visão dinâmica do espaço-tempo-cubista. que eles se detêm no meio ou nas três quartas partes do processo. Está provado que o enfoque cultural do projeto arquitetônico. assim. A reintegração edifício-cidade-paisagem é uma consequência da unidade entre cidade e campo. Significa que o povo deve participar ativa e criativamente em cada fase do projeto. Mas estas foram construídas como um monumento à morte. . mas fundamentalmente social. que requer um diálogo com outros elementos para completar sua própria imagem. mas um fator ativo de mensagem polivalente. Tal atitude. exaltando a glória do monarca e. não apenas ao visual. como um monumento à vida. enfoque aplicado não só aos volumes. as construções do antigo Peru com as pirâmides do Egito. na música e nas artes visuais. O enfoque do finito não diminui o prestígio do planejador ou do arquiteto. as ordens vitruvianas e as Beaux Arts. O princípio do não-finito não é novo. No campo construtivo. mas um elemento do continuum. o que implica que cada edifício não seja um objeto finito. O problema é totalmente diferente da imitação. os usuários integrar-se no trabalho do arquiteto. a relevância do arquiteto será enfatizada e a inventiva arquitetônica será maior e mais rica. dessa arquitetura sem arquitetos. é tão absurda como foi a cópia do Partenon. se encontram e se fundem naturalmente com os idiomas populares. hoje. incrementa-o. reflexivo ou transparentes. Fisicamente. No momento em que os arquitetos se libertarem dos conceitos acadêmicos do finito. tanto como os Cinco Princípios de Le Corbusier. podendo. É tempo de recomendar aos arquitetos que tomem consciência do desenvolvimento histórico do movimento moderno e cessem de multiplicar paisagens urbanas obsoletas. opacos. em nossa época não é apenas um princípio visual. Foi explorado pelos maneiristas e. que tanto se tem estudado nas últimas décadas. Se o povo for incluído no processo do projeto. Quanto a isso. Algumas vezes se compararam. pelo grandioso em ambas as concepções. de maneira que o espectador não seja um contemplador passivo da obra artística. feitas de volumes monumentais. como também aos espaços humanos. de 1921. mas também aos valores sociais. O fato de reconhecer que os edifícios vernaculares muito contribuem para a imaginação arquitetônica não significa que devam ser imitados. Ao contrário. por sua monumentalidade. procede o paralelo. porque um cientista não dogmático é muito mais respeitado que o velho deux ex machina. As teorias da relatividade e da determinação não diminuíram o prestígio dos cientistas. não obstante. deve-se ser cuidadoso. a participação do usuário é ainda mais importante e concreta.

. científico ou social de um bem para as gerações passadas. em cada caso.Para os fins das presentes orientações: . além da manutenção. modificações que sejam substancialmente reversíveis ou que requeiram um impacto mínimo.o termo significação cultural designará o valor estético. 1980 ICOMOS . . com o máximo de exatidão. a conservação implicará ou não a preservação ou a restauração. Artigo 4° . ela se distingue pela introdução na substância existente de materiais diferentes. . . um edifício ou outra obra construída. uma zona. Conservação Artigo 2° .o termo manutenção designará a proteção contínua da substância.O objetivo da conservação é preservar a significação cultural de um bem. .Carta de Burra Austrália. ela deve implicar medidas de segurança e manutenção. ou um conjunto de edificações ou outras obras que possuam uma significação cultural. mas pode-se. compreendidos. . e assim será considerada. do conteúdo e do entorno de um bem e não deve ser confundido com o termo reparação. . em princípio. ambas excluídas do domínio regulamentado pelas presentes orientações.Conselho Internacional de Monumentos e Sítios Definições Artigo 1° . De acordo com as circunstâncias. o conteúdo e o entorno a que pertence. ser de caráter tradicional. Artigo 3° .A conservação deve se valer do conjunto de disciplinas capazes de contribuir para o estudo e a salvaguarda de um bem. utilizar técnicas modernas. As técnicas empregadas devem.o termo bem designará um local.o termo conservação designará os cuidados a serem dispensados a um bem para preservarlhe as características que apresentem uma significação cultural. histórico. compreender obras mínimas de reconstrução ou adaptação que atendam às necessidades e exigências práticas.a reconstrução será o restabelecimento. .a preservação será a manutenção no estado da substância de um bem e a desaceleração do processo pelo qual ele se degrada. sejam novos ou antigos. de um estado anterior conhecido. em determinadas circunstâncias. nem com a reconstituição hipotética. ela poderá.o uso compatível designará uma utilização que não implique mudança na significação cultural da substância.a substância será o conjunto de materiais que fisicamente constituem o bem.a restauração será o restabelecimento da substância de um bem em um estado anterior conhecido. . A reparação implica a restauração e a reconstrução. presentes ou futuras. assim como disposições que prevejam sua futura destinação. igualmente. A reconstrução não deve ser confundida.A conservação se baseia no respeito à substância existente e não deve deturpar o testemunho nela presente. .a adaptação será o agenciamento de um bem a uma nova destinação sem a destruição de sua significação cultural. nem com a recriação.

ainda. Artigo 7° . das cores. modificações cujo impacto sobre as partes da substância que apresentam uma significação cultural seja o menor possível. que prejudiquem a apreciação ou fruição do bem. no estado em que se encontra. a não ser que essa solução constitua o único meio de assegurar sua sobrevivência. O deslocamento de uma edificação ou de qualquer outra obra. Nesse caso.A conservação de um bem exige a manutenção de um entorno visual apropriado. à manutenção e à eventual estabilização da substância existente. As destinações compatíveis são as que implicam a ausência de qualquer modificação.A retirada de um conteúdo ao qual o bem deve uma parte de sua significação cultural não pode ser admitida. da escala. nem qualquer demolição ou modificação susceptíveis de causar prejuízo ao entorno. a menos que represente o único meio de assegurar a salvaguarda e a segurança desse conteúdo. deve ser proibida. Restauração Artigo 13° . Artigo 10° .A preservação se limita à proteção. assim como nos casos em que há insuficiência de dados que permitam realizar a conservação sob outra forma.Na conservação de qualquer bem deve ser levado em consideração o conjunto de indicadores de sua significação cultural. não pode ser admitido. Nenhuma empreitada de restauração deve ser empreendida sem a certeza de existirem recursos necessários para isso. Artigo 9° . Não poderão ser admitidas técnicas de estabilização que destruam a significação cultural do bem.As opções a serem feitas na conservação total ou parcial de um bem deverão ser previamente definidas com base na compreensão de sua significação cultural e de sua condição material. modificações reversíveis em seu conjunto ou. Artigo 6° . Artigo 5° . A introdução de elementos estranhos ao meio circundante. dos materiais. oferece testemunho de uma significação cultural específica. . nenhum deles deve ser revestido de uma importância injustificada em detrimento dos demais. da textura.Todo edifício ou qualquer outra obra devem ser mantidos em sua localização histórica. etc.desde que se assentem em bases científicas e que sua eficácia seja garantida por uma certa experiência acumulada.As opções assim efetuadas determinarão as futuras destinações consideradas compatíveis para o bem. Preservação Artigo 11° . Não deverão ser permitidas qualquer nova construção.A restauração só pode ser efetivada se existirem dados suficientes que testemunhem um estado anterior da substância do bem e se o restabelecimento desse estado conduzir a uma valorização da significação cultural do referido bem. ele deverá ser restituído na medida em que novas circunstâncias o permitirem. no plano das formas. integralmente ou em parte. Artigo 12° . Artigo 8° .A preservação se impõe nos casos em que a própria substância do bem.

e deve parar onde começa a hipótese. Qualquer transformação do aspecto de um bem deve ser precedida da elaboração. documentais ou outros. do bem e/ou à obtenção de testemunhos materiais fadados a desaparecimento próximo ou a se tomarem inacessíveis por causa dos trabalhos obrigatórios de conservação ou de qualquer outra intervenção inevitável. sejam eles materiais. Quando a substância do bem pertencer a várias épocas diferentes. Artigo 19° . por profissionais.Qualquer intervenção prevista em um bem deve ser precedida de um estudo dos dados disponíveis.As obras de adaptação devem se limitar ao mínimo indispensável à destinação do bem a uma utilização definida de acordo com os termos dos artigos 6 e 7. de documentos que perpetuem esse aspecto com exatidão.As contribuições de todas as épocas deverão ser respeitadas. Artigo 15° .A adaptação só pode ser tolerada na medida em que represente o único meio de conservar o bem e não acarrete prejuízo sério a sua significação cultural. As partes reconstruídas devem poder ser distinguidas quando examinadas de perto.A reconstrução deve se limitar à colocação de elementos destinados a completar uma entidade desfalcada e não deve significar a construção da maior parte da substância de um bem. Procedimentos Artigo 23° .Os elementos dotados de uma significação cultural que não se possa evitar desmontar durante os trabalhos de adaptação deverão ser conservados em lugar seguro. na previsão de posterior restauração do bem. o resgate de elementos datados de determinada época em detrimento dos de outra só se justifica se a significação cultural do que é retirado for de pouquíssima importância em relação ao elemento a ser valorizado. Artigo 24° .A restauração pode implicar a reposição de elementos desmembrados ou a retirada de acréscimos.Os estudos que implicam qualquer remoção de elementos existentes ou escavações arqueológicas só devem ser efetivados quando forem necessários para a obtenção de dados indispensáveis à tomada de decisões relativas à conservação.A restauração deve servir para mostrar novos aspectos em relação à significação cultural do bem. Artigo 20° . Artigo 16° .A reconstrução deve ser efetivada quando constituir condição sine qua non de sobrevivência de um bem cuja integridade tenha sido comprometida por desgastes ou modificações. Artigo 21° .Artigo 14° . documentais ou outros. Ela se baseia no princípio do respeito ao conjunto de testemunhos disponíveis. . nas condições previstas no artigo 16. ou quando possibilite restabelecer ao conjunto de um bem uma significação cultural perdida. Reconstrução Artigo 17° . Artigo 18° . Artigo 22° . sejam materiais.A reconstrução deve se limitar à reprodução de substâncias cujas características são conhecidas graças aos testemunhos materiais e/ou documentais.

conforme o espírito de Carta de Veneza. desenhos. sua salvaguarda requer regras específicas.Qualquer ação de conservação a ser considerada deve ser objeto de uma proposta escrita acompanhada de uma exposição de motivos que justifique as decisões tomadas. assim. de um perpétuo equilíbrio entre o movimento cíclico das estações. amostras. visando a complementar a Carta de Veneza neste domínio particular. do desenvolvimento e do definhamento da natureza.O jardim histórico é uma composição de arquitetura cujo material é principalmente vegetal. etc.Os documentos consignados nos artigos 23. que são objeto da presente carta. e deve ser mantido um diário no qual serão consignadas as novidades surgidas. do ponto de vista da história ou da arte. Artigo 2º . Artigo 3º . perceptível e renovável. o comitê Internacional de Jardins Históricos e ICOMOS/IFLA decidiram elaborar uma carta relativa à proteção dos jardins históricos. exercido por profissionais. Essa carta foi redigida pelo comitê e registrada em 15 de dezembro de 1982 pelo ICOMOS. portanto. em 21 de maio de 1981. Artigo 27° . Todavia. Carta de Florença de maio de 1981 Conselho Internacional de Monumentos e Sítios .) Artigo 26° .ICOMOS / IFLA Preâmbulo Reunidos em Florença. com provas documentais de apoio (fotos. como tal.Os trabalhos contratados devem ter acompanhamento apropriado. um interesse público.Artigo 25° . 25. Como tal é considerado monumento. Artigo 28° . bem como as decisões tomadas. e da vontade de arte e de artifício que tende a perenizar o seu estado. apresenta. 26 e 27 acima serão guardados nos arquivos de um órgão público e mantidos à disposição do público. bem como o de seus dirigentes responsáveis. vivo e. o jardim histórico deve ser salvaguardado. Seu aspecto resulta. Artigo 4º .ICOMOS Comitê Internacional de Jardins e Sítios Históricos . que levará o nome desta cidade. Artigo 29° . conforme o disposto no artigo 25 acima.As decisões de orientação geral devem proceder de organismos cujos nomes serão devidamente comunicados.Destacam-se na composição arquitetura do jardim histórico: .Os objetos a que se refere o artigo 10 acima serão catalogados e protegidos de acordo com normas profissionais.Por ser monumento. devendo a cada decisão corresponder uma responsabilidade específica. Definição e objetivos Artigo 1º . como Monumemto Vivo.Um jardim histórico é uma composição arquitetônica e vegetal que.

os meios de informação e a capacitação profissional: em muitos países. Eis porque o plano de ação inicial não teve a repercussão requerida na totalidade da comunidade internacional. Além do programa ambiental das Nações Unidas. que ocorreu em Estocolmo. Com efeito. nem os objetivos nem as ações asseguram a disponibilidade e a distribuição eqüitativa de recursos naturais. seu jogo de cor.Expressão de relações estreitas entre a civilização e a natureza. reunida em Nairobi do dia 10 ao dia 18 de maio de 1982. . Declaração de Nairobi de 10 a 18 de maio de 1982 (Quênia) Assembléia Mundial dos Estados UNEP – Organização das Nações para o Meio Ambiente A Assembléia Mundial dos Estados. e os resultados respectivos não podem ser considerados satisfatórios. passou-se a adotar legislação ambiental e um número relevante de países incorporou ao contexto de suas constituições. Artigo 5º . a fim de comemorar o décimo aniversário da Conferência das Nações Unidas sobre o Ambiente Humano. . suas alturas respectivas. Os princípios da Declaração de Estocolmo são tão válidos hoje como em 1972 e proporcionam um código básico de comportamento para os anos vindouros. reflexo do céu. regional e nacional de modo a protegê-lo e melhorá-lo. apropriado à meditação e ao devaneio.suas massas vegetais: suas essências. lugar de deleite. de um estilo. de uma época. seus espaçamentos. seus volumes. . eventualmente da originalidade de um criador. outras organizações governamentais e nãogovernamentais foram implantadas em todos os níveis e vários importantes convênios internacionais relativos à cooperação ambiental foram concluídos.seu plano e os diferentes perfis do seu terreno. A conferência de Estocolmo constitui uma força poderosa que incrementou a consciência e a compreensão públicas quanto à fragilidade do meio ambiente. Do mesmo modo. em nível mundial. Algumas atividades humanas descontroladas e não-programadas determinaram . mas que dá testemunho de uma cultura. tendo recapitulado as medidas tomadas para implementar a declaração e o plano de ação adotados naquela conferência.seus elementos construídos ou decorativos.. o plano de ação inicial foi apenas parcialmente instrumental. Os anos decorridos desde então registraram um progresso significativo das ciências ambientais: expandiram-se consideravelmente a educação. e reconhece a necessidade urgente de intensificar esforços em níveis global. No entanto. um paraíso no sentido etmológico do termo. roga solenemente a governos e povos para agirem construtivamente a partir do progresso alcançado até hoje. dispositivos relativos à proteção ambiental. embora expressando sua grave preocupação acerca do atual estado do ambiente. foram insuficientes a compreensão e a previsão necessárias para entender o benefício a longo prazo de programas e ações coordenadas de proteção ambiental. o jardim toma assim o sentido cósmico de uma imagem idealizada do mundo.as águas moventes ou dormentes.

o descuido a que tem sido votado o destino final e a reutilização de substâncias perigosas. Para isso. Muitos problemas ambientais transcendem as fronteiras e deveriam. a população e os recursos naturais por um lado e. As nações desenvolvidas (ou quaisquer outros países que se encontrem em condições de fazê-lo) deveriam prestar auxílio aos países em vias de desenvolvimento afetados pelo desequilíbrio ambiental. o estabelecimento de uma atmosfera internacional de paz e de segurança. a poluição das águas marinhas e interiores. O desmatamento. Mecanismos conjugados de mercado e de planejamento podem também contribuir para a racionalização do desenvolvimento e do manejo do ambiente e dos recursos naturais. da segregação racial e de todas as formas de discriminação. que permita ao homem viver livre da ameaça da guerra (especialmente de uma guerra nuclear). dentro dos próprios países e entre Estados. a concentração crescente de dióxido de carbono e de chuvas ácidas. por conseguinte. assim como com um consumismo e um desperdício abusivos: ambos podem levar à exploração predatória do meio. por outro. pelo aumento da população. As doenças associadas às condições ambientais adversas continuaram a contribuir para o sofrimento humano. poderia compatibilizar o progresso econômico e social com a conservação de recursos naturais. Esses fatores foram amplamente discutidos. para o ambiente humano. aumentando ao mesmo tempo a cooperação no campo da pesquisa científica e do manejo do ambiente. o impacto ocasionado. para o bem de todos. A utilização de tecnologia apropriada.a degradação crescente do ambiente. A estratégia internacional de desenvolvimento para a terceira década de ação das Nações Unidas e o advento de uma nova ordem econômica internacional fazem parte. de colonialismo. que destaque essas relações. No decurso da última década surgiram novas diretrizes: a necessidade do levantamento e manejo das complexas e íntimas conexões entre o ambiente. por meio de consultas intergovernamentais e de ações internacionais pertinentes. Seria extremamente benéfico. de opressão e de domínio estrangeiro. os Estados passariam a promover a promulgação progressiva da legislação ambiental. Uma consciência específica e lúcida em nível regional. apesar dos seus esforços internos em confrontar seus problemas ambientais mais sérios. particularmente em áreas urbanas. incluindo convênios e convenções. quando necessário. Mudanças havidas na atmosfera. As deficiências ambientais provenientes do subdesenvolvimento (incluindo fatores externos que ultrapassam a capacidade de controle dos países envolvidos) geram graves problemas que se podem combater graças a uma distribuição mais eqüitativa de recursos econômicos e técnicos. Livre. Requer-se uma soma maior de esforços para desenvolver a metodologia e o manejo adequados para a exploração e a utilização de recursos naturais e para modernizar os sistemas . dos instrumentos primordiais no sentido do esforço global para reverter o curso da agressão ambiental. a degradação do solo e a desertificação atingiram proporções alarmantes e puseram seriamente em risco as próprias condições de sobrevivência em vastas regiões do planeta. como as ocorridas na camada de ozônio. também do apartheid. assim como a extinção de espécies animais e vegetais constituem graves ameaças adicionais para o ambiente humano. ser resolvidos. As ameaças ao meio ambiente são agravadas por estruturas coniventes com a miséria. o desenvolvimento. pode vir a contribuir para um desenvolvimento sócio-econômico fundamentado e permanente. particularmente da tecnologia elaborada por outros países em vias de desenvolvimento. e do desperdício de recursos intelectuais e naturais absorvidos pelos programas armamentistas.

de 25 a 28 de outubro de 1982. Conclama todos os governos e povos do mundo a assumirem. Uma ação legislativa adequada e oportuna é importante nesse particular. O comportamento e a participação responsáveis são essenciais para promover a causa do meio ambiente. por exemplo. incrementar a conscientização pública e política sobre a importância do meio ambiente. o seu apoio no sentido de fortalecer o programa das Nações Unidas para o meio ambiente.Conselho Internacional de Monumentos e Sítios Os participantes do Terceiro Colóquio Interamericano sobre a Conservação do Patrimônio Monumental. à educação e à capacitação profissional. mostraram-se sensibilizados pelas atenções de que foram cercados e exprimem sua gratidão aos representantes mexicanos pela acolhida calorosa. O rápido esgotamento das fontes tradicionais e convencionais de energia apresenta um novo e premente desafio quanto ao seu manejo e conservação e à preservação do meio ambiente. Todas as empresas. visando aos meios de informação. Declaração de Tlaxcala de outubro de 1982 3o Colóquio Interamericano sobre a Conservação do Patrimônio Monumental "Revitalização das Pequenas Aglomerações" . assim como ao fortalecimento e ampliação de esforços nacionais e de atos de cooperação internacional. assim. a elaboração de novas fontes renováveis de energia terão um efeito benéfico no ambiente. ou de procederem à exportação para outros países. a sua adesão à declaração e ao plano de ação adotados em Estocolmo. a reciclagem e a conservação de recursos naturais. igualmente. pela qualidade dos trabalhos e pelos resultados obtidos nessa reunião. . A programação racional e conjunta dos recursos energéticos. individual e coletivamente. além disso. inclusive as corporações multinacionais. entre nações ou entre grupos de nações. solenemente. fazendo apelo para que seja aumentada a disponibilidade de recursos naturais. Essa ação preventiva deveria incluir a programação de todas as atividades que possam causar impacto ambiental. sobre o tema A Revitalização das Pequenas Aglomerações. de forma a assegurar que o nosso pequeno planeta seja transmitido às futuras gerações em condições que garantam a vida e a dignidade humana para todos. A comunidade mundial de Estados reafirma. Deve-se prestar uma atenção particular ao papel das inovações técnicas. apresenta possibilidades promissoras. no âmbito da proteção ambiental.MÉXICO ICOMOS . deveriam ser conscientizadas de sua responsabilidade ambiental. As organizações nãogovernamentais têm um papel particularmente relevante e inspirador nesse campo. no sentido de promover a substituição. Reafirma. como instrumento catalisador primordial para a cooperação ambiental global. A prevenção de agressões ambientais é preferível à recuperação pesada e onerosa dos danos que já tenham sido causados. Tlaxcala. organizado pelo Comitê Nacional do ICOMOS mexicano e que se realizou em Trindade. antes de adotarem novos métodos e novas tecnologias de produção industrial. a sua responsabilidade histórica. Medidas possibilitando. Importa.tradicionais de pastoreio. graças ao Fundo Ambiental. em particular.

assim.Agradecem. exortam os governos. a ambiência e o patrimônio arquitetural das pequenas zonas de habitat são bens não renováveis cuja conservação deve exigir procedimentos cuidadosamente estabelecidos para evitar os riscos de alteração ou de falsificação causados por razões de oportunidade política. é necessário dispor não apenas dos materiais. uma obrigação moral e uma responsabilidade dos governos de cada Estado e das autoridades locais. também. para preservar a atmosfera tradicional nas localidades rurais e nas pequenas aglomerações e para permitir a continuidade de manifestações arquitetônicas vernaculares contemporâneas. que advêm graças aos múltiplos meios de comunicação. Reconhecem que as ações que tendem à obtenção do bem estar das comunidades dos pequenos lugares de habitat devem fundamentar-se em um respeito estrito às tradições e ao modo de vida locais. uma identidade a seus habitantes. particularmente nas pequenas aglomerações. Os delegados. Recomendam que qualquer ação que tenda a preservar o ambiente urbano e o valores arquitetônicos de um lugar deve participar. mas. as escolas de ensino superior e o órgãos públicos ou privados que se interessam pela salvaguarda do patrimônio a utilizarem os meios de comunicação a sua disposição para fazer frente aos efeitos dessa penetração. Por isso. por outro. por um lado. Pensam que. um direito de as comunidades participarem das decisões que dizem respeito à conservação de seu habitat. Recomendações . para superar as circunstâncias difíceis há que se basear no passado cultural e nas expressões concretas de nossa memória. após examinarem a situação atual na América em relação aos perigos que ameaçam o patrimônio arquitetônico e a ambiência das pequenas localidades. fenômeno que ameaça a própria existência dessas localidades. conferindo. da melhoria das condições sócioeconômicas dos habitantes e da qualidade da vida dos centros urbanos. Constatam que a introdução de esquemas consumistas e de modo de vida estranhos a nossas tradições. Reconhecem. decidem adotar as seguintes conclusões: Reafirmam que as pequenas aglomerações se constituem em reservas de modos de vida que dão testemunho de nossas culturas. Reafirmam a importância dos planos de ordenação físico-territorial e de desenvolvimento para diminuir o processo de abandono dos pequenos lugares de habitat e a superpopulação das médias e pequenas cidades. de modo a conter o êxodo das pequenas aglomerações. Solicitam também aos governos e organismos competentes uma infra-estrutura e um equipamento integrados. ao contrário. como da técnica tradicional e. quando isso não for possível. de modo especial ao Governo do Estado de Tlaxcala por sua hospitalidade e reconhecem os esforços empreendidos para a conservação do patrimônio arquitetônico e urbano que a história lhe confiou e que tem grande interesse para todos os povos da América. conservam uma escala própria e personalizam as relações comunitárias. que a situação de crise econômica que se abate sobre o continente não deve sobrestar os esforços para salvaguardar a identidade das pequenas localidade. Lembram que a conservação e realização das pequenas aglomerações são. intervindo diretamente no processo de realização. favorecem a destruição do patrimônio cultural por facilitarem o desprezo a nossos próprios valores. De acordo com o estabelecido na Carta de Chapultepec e levando em consideração as inquietações manifestadas pelo Colóquio de Morelia e por outras reuniões de especialistas americanos. propõem a utilização de elementos de substituição que não ocasionem alterações notáveis na forma resultante e que correspondam às condições psicológicas locais e aos modos de vida dos habitantes da região. necessariamente.

assim como as recomendações feitas durante as precedentes reuniões americanas de Quito. Que a utilização de materiais regionais e a conservação de técnicas de construção tradicionais de cada região sejam indispensáveis para a conservação adequada das pequenas aglomerações e não estejam em contradição com a teoria geral que estabelece que se deixe em evidência nas intervenções a marca de nosso tempo. manutenção. Recomenda-se: Que qualquer ação que vise à conservação e a revitalização das pequenas localidades seja inserida em um programa que leve em conta os aspectos históricos. Recomenda-se encorajar a competência artesanal da construção através de premiações. Chapultepec e Morélia concernentes à conservação dos pequenos lugares de habitat e emitem. Com esse objetivo devem ser revistas as normas de crédito para que considerem como objeto de crédito hipotecário as construções realizadas com técnicas e materiais vernaculares. . de maneira que seus diplomados sejam capazes de se transformar em profissionais úteis às comunidades necessitadas. como meio prático de conservar o patrimônio monumental e os recursos para a habitação.Os participantes do colóquio reiteram os princípios que animam o Conselho Internacional dos Monumentos e do Sítios. é urgente. encorajar. manter em vigor e reforçar no espírito das comunidades o prestígio e o valor do uso de tais materiais e técnicas. sociais e econômicos da região e as possibilidades de revitalizá-la. às faculdades de arquitetura e a outros organismos. A informação é importante tanto no nível internacional quanto no que é específico do meio americano. em cada país. restauração e revitalização das pequenas localidades. os problemas de conservação e de restauração e o conhecimento da arquitetura vernacular. sem o que a referida ação será condenada à superficialidade e à ineficácia. educação. Que é útil que os estabelecimentos de ensino e sociedades de arquitetos organizem comissões de preservação do patrimônio arquitetônico capazes de promover maior consciência da responsabilidade que lhes cabe no que diz respeito à conservação das pequenas aglomerações. Que os órgãos do serviço público. eletrificação e outros. tais como os de comunicação. antropológicos. condição indispensável a qualquer empenho em favor da conservação. Que as escolas de arquitetura criem e favoreçam mestrados e doutorados em restauração e levem substancialmente em conta nos programas de base dos estudos os valores do patrimônio arquitetônico e urbano. Que a comunicação de experiências nos diversos domínios relativos à preservação das pequenas localidades é indispensável para a obtenção de melhores resultados no que diz respeito não só às políticas nacionais mas à legislação específica e ao progresso técnico. O esforço para identificar. as recomendações seguintes. bem como as técnicas tradicionais de construção. aos institutos competentes na matéria. levem em consideração que suas ações e boas intenções podem causar danos às pequenas comunidades se forem ignorados ou minimizados os valores do patrimônio cultural e os benefícios que resultam da conservação desse patrimônio para toda a comunidade. às escolas profissionais. que devem ser difundidas pelos comitês do ICOMOS na América e por todos os demais especialistas e apresentadas. conservação e restauração de moradias nas pequenas aglomerações e pequenas cidades. saúde. por sua vez. Reafirma-se a necessidade de publicações nesse sentido e propõe-se a criação de grupos de trabalho americanos para os diversos temas específicos. Que seja encorajada a participação interdisciplinar. concretizados em diversos documentos internacionais. às universidades. justamente onde eles existem. às autoridades. Que os governantes dos países latino-americanos considerem a alocação de créditos sociais para dar conta da aquisição.

múltiplos conflitos e graves tensões ameaçam a paz e a segurança. e aprovem o protocolo da Convenção para o Patrimônio Mundial da UNESCO (16 de novembro de 1972) como um meio de receberem a assistência técnica e o apoio dos organismos internacionais. Assim. se reconhece como um projeto inacabado. são essenciais para um verdadeiro desenvolvimento do indivíduo e da sociedade. intelectuais e afetivos que caracterizam uma sociedade e um grupo social. A educação e a cultura. os modos de vida. a comunidade das nações enfrenta também sérias dificuldades econômicas. Através dela discernimos os valores e efetuamos opções. racionais. materiais. além das artes e das letras. garantir o respeito ao direito dos demais e assegurar o exercício das liberdades fundamentais do homem e dos povos. podem constituir-se principalmente através da educação. põe em questão as suas próprias realizações. Concorda também que a cultura dá ao homem a capacidade de refletir sobre si mesmo. Ao reunir-se no México. a conferência concorda em que. no seu sentido mais amplo.Conselho Internacional de Monumentos e Sítios O mundo tem sofrido profundas transformações nos últimos anos. cujo significado e alcance têm se ampliado consideravelmente. as tradições e as crenças. 1982 Conferência Mundial sobre as Políticas Culturais ICOMOS . Declaração do México México. procura incansavelmente novas significações e cria obras que o transcendem. toma consciência de si mesmo. e eticamente comprometidos. Através dela o homem se expressa. críticos. hoje é mais urgente que nunca estreitar a colaboração entre as nações. a cultura pode ser considerada atualmente como o conjunto dos traços distintivos espirituais.de compilar e difundir as informações relativas a esse problema e de prestar acompanhamento aos programas e estudos desse gênero. Ela engloba. É ela que faz de nós seres especificamente humanos. Que os representantes dos países da região empreendam os maiores esforços. a comunidade internacional decidiu contribuir efetivamente para a aproximação entre os povos e a melhor compreensão entre os homens. os direitos fundamentais do ser humano. da ciência e da cultura. . não obstante o acréscimo das possibilidades de diálogo. Por tal razão. Os avanços da ciência e da técnica têm modificado o lugar do homem no mundo e a natureza de suas relações sociais. e do seu direito à autodeterminação. a desigualdade entre as nações é crescente. a Conferência Mundial sobre as Políticas Culturais. Em nossos dias. Mais do que nunca é urgente erigir na mente de cada indivíduo estes baluartes da paz que. ao expressar a sua esperança na convergência final dos objetivos culturais e espirituais da humanidade. já que seus governos não os têm feito. os sistemas de valores. como afirma a constituição da UNESCO.

ou seja. Tudo isso reclama políticas culturais que protejam. Há que reconhecer a igualdade e dignidade de todas as culturas. Por isso. mas favorecem a comunhão dos valores universais que unem os povos. estimulem e enriqueçam a identidade e o patrimônio cultural de cada povo. sem levar em conta a sua necessária dimensão qualitativa.Por conseguinte. A identidade cultural é uma riqueza que dinamiza as possibilidades de realização da espécie humana ao mobilizar cada povo e cada grupo a nutrir-se de seu passado e a colher as contribuições externas compatíveis com a sua especificidade e continuar. ao contrário. além de estabelecerem o mais absoluto respeito e apreço pelas minorias culturais e pelas outras culturas do mundo. apreciação de outros valores e tradições. a conferência afirma solenemente os seguintes princípios que devem reger as políticas culturais: Identidade Cultural Cada cultura representa um conjunto de valores único e insubstituível já que as tradições e as formas de expressão de cada povo constituem sua maneira mais acabada de estar presente no mundo. a satisfação das aspirações espirituais e culturais do homem. Identidade cultural e diversidade cultural são indissociáveis. . para a liberação dos povos. constitui a essência mesma do pluralismo cultural o reconhecimento de múltiplas identidades culturais onde coexistirem diversas tradições. As peculiaridades culturais não dificultam. Dimensão Cultural do Desenvolvimento A cultura constitui uma dimensão fundamental do processo de desenvolvimento e contribui para fortalecer a independência. O universal não pode ser postulado em abstrato por nenhuma cultura em particular. cada um dos quais afirma a sua identidade. esgota-se e morre. O desenvolvimento autêntico persegue o bem-estar e a satisfação constantes de cada um e de todos. no isolamento. intercâmbio de idéias e experiências. assim. Todas as culturas fazem parte do patrimônio comum da humanidade. portanto. A humanidade empobrece quando se ignora ou se destrói a cultura de um grupo determinado. o processo de sua própria criação. a soberania e a identidade das nações. A cultura é um diálogo. A afirmação da identidade cultural contribui. surge da experiência de todos os povos do mundo. qualquer forma de dominação nega ou deteriora essa identidade. assim como o direito de cada povo e de cada comunidade cultural a afirmar e preservar sua identidade cultural. A identidade cultural de um povo se renova e enriquece em contato com as tradições e valores dos demais. O crescimento tem sido concebido frequentemente em termos quantitativos. e a exigir respeito a ela. A comunidade internacional considera que é um dever velar pela preservação e defesa da identidade cultural de cada povo.

da língua.1 sua dignidade individual e na sua responsabilidade social. Qualquer política cultural deve resgatar o sentido profundo e humano do desenvolvimento. das convicções religiosas. Um programa de democratização da cultura obriga. a gozar das artes e a participai. o lucro ou o consumo per se. de abrir novos pontos de entrosamento com a democracia pela via da igualdade de oportunidades nos campos da educação e da cultura. em primeiro lugar. Não só perseguem a satisfação de suas necessidades fundamentais. tais estratégias deverão levar sempre em conta a dimensão histórica. Seu objetivo não é a produção. que toda pessoa tem direito a tomar parte livremente na vida cultural comunidade. sobretudo. da educação. A fim de garantir a participação de todos os indivíduos na vida cultural.do progresso científico e dos benefícios que dele resultem. entre outras. O desenvolvimento supõe a capacidade de cada indivíduo e de cada povo de informar-se e aprender a comunicar suas experiências. nem quanto a seus benefícios. Requerem-se novos modelos e é no âmbito da cultura e da educação que serão encontrados. no plano geográfico e no administrativo para assegurar que as instituições responsáveis conheçam melhor as preferências opções e necessidades da sociedade em matéria de cultura. Um número cada vez maior de mulheres e homens desejam um mundo melhor. da nacionalidade. em consequência. Uma política cultural democrática tornará possível o desfrute da excelência artística em toda as comunidades e entre toda a população. no seu artigo 27. O homem é o princípio e o fim do desenvolvimento. Os Estados devem tomar as medidas necessária para alcançar este objetivo. da origem e da posição social. na tomada de decisões que concernem à vida cultural e na sua difusão e fruição. . seu bem-estar e sua possibilidade de convivência solidária com todos os povos. mas a sua plena realização individual e coletiva e a preservação da natureza. Não pode se privilégio da elite nem quanto a sua produção. por consequência. mas o desenvolvimento do ser humano. É preciso descentralizar a vida cultural. democracia cultural supõe a mais ampla participação do indivíduo e d sociedade no processo de criação de bens culturais. descentralização dos lugares de recreio e fruição das belas-artes. é preciso eliminar as desigualdades provenientes. Trata-se. o seu fim último é a pessoa 11. da idade. A cultura procede da comunidade inteira e a ela deve retornar. É essencial. social e cultural de cada sociedade. Cultura e Democracia A Declaração Universal dos Direitos Humanos estabelece. da saúde ou da pertinência a grupos étnicos minoritários ou marginais. multiplicar as oportunidades de diálogo entre a população e o organismos culturais. do sexo.É indispensável humanizar o desenvolvimento. Só se pode atingir um desenvolvimento equilibrado mediante a integração dos fatores culturais nas estratégias para alcançá-lo. Proporcionar a todos os homens a oportunidade de realizar um melhor destino supõe ajustar permanentemente o ritmo do desenvolvimento.

os atentados ao patrimônio cultural perpetrados pelo colonialismo. O patrimônio cultural tem sido frequentemente danificado ou destruído por negligência e pelos processos de urbanização. a fim de estabelecer um equilíbrio harmonioso entre o progresso técnico e a elevação intelectual e moral da humanidade A educação é o meio por excelência para transmitir os valores culturais nacionais e universais. portanto. já que as sociedades se reconhecem a si mesmas através dos valores em que encontram fontes de inspiração criadora.Patrimônio Cultural O patrimônio cultural de um povo compreende as obras de seus artistas. Os instrumentos. afirmar e promover sua identidade cultural. porém. músicos. Todas essas ações contribuem para romper o vínculo e a memória dos povos em relação a seu passado. aos povos defender a sua soberania e independência e. e deve procurar a assimilação dos conhecimentos científicos e técnicos sem detrimento das capacidades e valores dos povos. pelas ocupações estrangeiras e pela imposição de valores exógenos. Mais inaceitáveis ainda são. Educação. os ritos. industrialização e penetração tecnológica. Qualquer povo tem o direito e o dever de defender e preservar o patrimônio cultural. assim como as criações anônimas surgidas da alma popular e o conjunto de valores que dão sentido à vida. as obras materiais e não materiais que expressam a criatividade desse povo: a língua. escritores e sábios. pelos conflitos armados. os lugares e monumentos históricos. as crenças. da educação. arquitetos. É imprescindível estabelecer as condições sociais e culturais que facilitem. estimulem e garantam a criação artística e intelectual. Ciência e Comunicação O desenvolvimento global da sociedade exige políticas complementares nos campos da cultura. a cultura. Ou seja. sem discriminação de caráter político. da ciência e da comunicação. mas também o fomento de atividades que estimulem a consciência pública sobre a importância da arte e da criação intelectual. acordos e relações internacionais existentes poderiam ser reforçados para aumentar sua eficácia a esse respeito. as obras de arte e os arquivos e bibliotecas. Relações entre Cultura. ideológico e social. Princípio fundamental das relações culturais entre os povos é a restituição a seus países de origem das obras que lhes foram subtraídas ilicitamente. O desenvolvimento e promoção da educação artística compreendem não só a elaboração de programas específicos que despertem a sensibilidade artística e apoiem grupos e instituições de criação e difusão. A liberdade de pensamento e de expressão é indispensável à atividade criadora do artista e do intelectual. por conseguinte. A preservação e o apreço do patrimônio cultural permitem. . Criação Artística e Intelectual e Educação Artística O desenvolvimento da cultura é inseparável tanto da independência dos povos quanto da liberdade da pessoa.

a sociedade há de se esforçar em utilizar as novas técnicas da produção e da comunicação para colocá-las a serviço de um autêntico desenvolvimento individual e coletivo e favorecer a independência das nações. ignoram muitas vezes os valores tradicionais da sociedade e suscitam expectativas e aspirações que não respondem às necessidades efetivas do seu desenvolvimento. desempenham um papel importante na difusão de bens culturais. administrar e financiar as atividades culturais. das idéias e dos conhecimentos. no respeito aos demais e na solidariedade social e internacional. ( A fonte original não inclui texto para este numeral). educativos. científicos e tecnológicos.Requer-se atualmente uma educação integral e inovadora que não só informe e transmita. que permita aos educandos tomar consciência da realidade do seu tempo e do seu meio. qualquer que seja a sua organização. nos países que delas carecem. Os meios modernos de comunicação devem facilitar a informação objetiva sobre as tendências culturais nos diversos países. Por outra parte. Em conseqüência. Uma circulação livre e uma difusão mais ampla e melhor equilibrada da informação. administração e financiamento das atividades culturais A cultura é o fundamento necessário para o desenvolvimento autêntico. apoiar o estabelecimento de indústrias culturais. O ensino da ciência e da tecnologia deve ser concebido principalmente como um processo cultural de desenvolvimento do espírito crítico e integrado aos sistemas educativos. em conseqüência. mediante programas de ajuda bilateral ou multilateral. A sociedade deve realizar um esforço importante dirigido a planejar. Tais indústrias. Planejamento. supõem o direito de todas as nações não só de receber mas também de transmitir conteúdos culturais. É indispensável. Os avanços tecnológicos dos últimos anos têm dado lugar à expansão das indústrias culturais. sem lesar a liberdade criadora e a identidade cultural das nações. em função das necessidades de desenvolvimento tios povos. sobretudo nos países em via de desenvolvimento. para a produção de bens e serviços realmente necessários. uma educação que capacite para a organização e para a produtividade. a ausência de indústrias culturais nacionais. Nas suas atividades internacionais. Os meios modernos de comunicação têm uma importância fundamental na educação e na difusão da cultura. A alfabetização é condição indispensável para o desenvolvimento cultural dos povos. É necessário revalorizar as línguas nacionais como veículos do saber. mas que forme e renove. no entanto. que inspire a renovação e estimule a criatividade. preservando sua soberania e fortalecendo a paz no mundo. cuidando sempre para que a produção e difusão de bens culturais responda às necessidades de desenvolvimento integral de cada sociedade. . que favoreça o florescimento da personalidade. que forme na autodisciplina. pode ser fonte de dependência cultural e origem de alienação. que constituem alguns dos princípios de uma nova ordem mundial da informação e da comunicação.

baseada em intercâmbio e em reuniões culturais. científicos e educativos devem fortalecer a paz. dominação e intervenção. científico e técnico. Há que se estimular. os Estados Membros e a Secretaria da Organização das Nações Unidas para a Educação. pela Conferência Geral da Organização das Nações Unidas para a Educação. É indispensável. a Ciência e a Cultura devem multiplicar os esforços destinados a preservar tais valores e a aprofundar sua ação em benefício do desenvolvimento da humanidade. de sorte que o conhecimento de outras culturas e de experiências de desenvolvimento enriqueçam-lhes a vida. Tal clima não poderá ser alcançado plenamente sem que sejam reduzidos e eliminados os conflitos e tensões atuais. às soberanias nacionais e à nãointervenção. UNESCO Num mundo convulsionado por diferenças que põem em perigo os valores culturais das civilizações. reequilibrar o intercâmbio e a cooperação cultural a fim de que as culturas menos conhecidas. à independência. à dignidade e ao valor de cada cultura. sejam mais amplamente difundidas em todos os países. do neocolonialismo. A conferência reitera solenemente o valor e a vigência da Declaração dos Princípios da Cooperação Cultural. a cooperação entre países em vias de desenvolvimento. em particular as de alguns países em vias de desenvolvimento. diálogo e paz entre as nações. Da mesma forma. interregional e internacional são pressupostos importantes para obter um clima de respeito. Uma paz duradoura deve ser estabelecida para assegurar a própria existência da cultura humana. . A conferência reafirma que o valor educativo e cultural é essencial nos esforços para instaurar uma nova ordem econômica internacional. confiança. detida a corrida armamentista e conseguido o desarmamento. a cooperação cultural deve estimular um clima internacional favorável ao desarmamento. de maneira que os recursos humanos e as enormes somas destinadas ao armamento possam se consagrar a fins produtivos. do apartheid e de todo gênero de agressão. Consequentemente. em particular. nas relações de cooperação entre as nações deve evitar-se qualquer forma de subordinação ou substituição de uma cultura por outra. É necessário diversificar e fomentar a cooperação cultural internacional em um contexto interdisciplinar e com atenção especial à formação de pessoal qualificado em matéria de serviços culturais. além disso. Uma cooperação mais ampla e uma compreensão cultural sub-regional. respeitar os direitos do homem e contribuir para a eliminação do colonialismo. aprovada na sua décima quarta reunião. regional. tais como programas de desenvolvimento cultural. do racismo. a Ciência e a Cultura.Cooperação Cultural Internacional É essencial para a atividade criadora do homem e para o completo desenvolvimento da pessoa e da sociedade a mais ampla difusão das idéias e dos conhecimentos. A cooperação cultural internacional deve fundamentar-se no respeito à identidade cultural. Os intercâmbios culturais.

a sua conservação e restauração. o Conselho Internacional de Monumentos e de Sítios (ICOMOS) julgou necessário redigir uma Carta Internacional para Salvaguarda das Cidades Históricas. . os métodos e os instrumentos de ação apropriados a salvaguardar a qualidade das cidades históricas. tal como são definidos na sua constituição. entende-se aqui por salvaguarda das cidades históricas as medidas necessárias a sua proteção. como entre as nações. bem como a seu desenvolvimento coerente e a sua adaptação harmoniosa à vida contemporânea. este novo texto define os princípios e os objetivos. Como no texto da Recomendação da UNESCO relativa à Salvaguarda dos Conjuntos Históricos ou Tradicionais e a sua Função na Vida Contemporânea (Varsóvia . Carta de Washington Washington. de deterioração e até mesmo de destruição sob o efeito de um tipo de urbanização nascido na era industrial e que hoje atinge universalmente todas as sociedades. por essa razão. além de sua condição de documento histórico. ultrapassando as suas diferenças. a favorecer a harmonia da vida individual e social e a perpetuar o conjunto de bens que. Face a essa situação muitas vezes dramática. todas as cidades do mundo são as expressões materiais da diversidade das sociedades através da história e são todas. A Conferência Mundial sobre Políticas Culturais faz um apelo à UNESCO para que prossiga e reforce sua ação de aproximação cultural entre os povos e as nações e continue desempenhando a nobre tarefa de contribuir para que os homens. que. também. constituem a memória da humanidade. os objetivos da UNESCO. Atualmente. muitas delas estão ameaçadas de degradação. mesmo modestos. históricas.Frente a essa situação.Nairobi. Ao complementar a Carta Internacional Sobre a Conservação e a Restauração de Monumentos e Sítios (Veneza. realizem o antigo sonho da fraternidade universal. 1976) e. 1964). A comunidade internacional reunida nesta conferência considera seu o lema de Benito Juarez: "Entre os indivíduos.Conselho Internacional de Monumentos e Sítios Preâmbulo e definições: Resultantes de um desenvolvimento mais ou menos espontâneo ou de um projeto deliberado. como em outros instrumentos internacionais. A presente carta diz respeito mais precisamente às cidades grandes ou pequenas e aos centros ou bairros históricos com seu entorno natural ou construído. que provoca perdas irreversíveis de caráter cultural. adquirem uma importância capital. 1986 CARTA INTERNACIONAL PARA A SALVAGUARDA DAS CIDADES HISTÓRICAS ICOMOS . exprimem valores próprios das civilizações urbanas tradicionais. social e mesmo econômico. o respeito ao direito alheio é a paz".

Qualquer ameaça a esses valores comprometeria a autenticidade da cidade histórica. O plano de salvaguarda deve determinar as edificações ou grupos de edificações que devam ser particularmente protegidos. escala. Antes da adoção de um plano de salvaguarda ou enquanto ele estiver sendo finalizado. método e rigor. cor e decoração. a vocação e a estrutura das cidades históricas. d) as relações da cidade com seu entorno natural ou criado pelo homem. administrativo e financeiro. e) as diversas vocações da cidade adquiridas ao longo de sua história. possam ser demolidos. Dever-se-ia evitar o dogmatismo. históricos. estilo. O plano de salvaguarda deve compreender uma análise dos dados. A participação e o comprometimento dos habitantes da cidade são indispensáveis ao êxito da salvaguarda e devem ser estimulados. sociológicos e econômicos e deve definir as principais orientações e modalidades de ações a serem empreendidas no plano jurídico. técnicos. b) as relações entre os diversos espaços urbanos. A adaptação da cidade histórica à vida contemporânea requer cuidadosas instalações das redes de infra-estrutura e equipamento dos serviços públicos. espaços construídos. as condições existentes na área deverão ser rigorosamente documentadas. . sensibilidade. as ações necessárias à conservação deverão ser adotadas em observância aos princípios e métodos da presente carta e da Carta de Veneza. As novas funções devem ser compatíveis com o caráter. a salvaguarda das cidades e bairros históricos deve ser parte essencial de uma política coerente de desenvolvimento econômico e social. arquitetônicos. em particular: a) a forma urbana definida pelo traçado e pelo parcelamento. em circunstâncias excepcionais. O plano de salvaguarda deverá empenhar-se para definir uma articulação harmoniosa entre os bairros históricos e o conjunto da cidade. c) a forma e o aspecto das edificações (interior e exterior) tais como são definidos por sua estrutura. volume. O plano deveria contar com a adesão dos habitantes. particularmente arqueológicos. e ser considerada no planejamento físico territorial e nos planos urbanos em todos os seus níveis. mas levar em consideração os problemas específicos de cada caso particular. Não se deve jamais esquecer que a salvaguarda das cidades e bairros históricos diz respeito primeiramente a seus habitantes. Antes de qualquer intervenção. espaços abertos e espaços verdes. materiais. Métodos e instrumentos O planejamento da salvaguarda das cidades e bairros históricos deve ser precedido de estudos multidisciplinares. A conservação das cidades e bairros históricos implica a manutenção permanente das áreas edificadas.Princípios e objetivos: Para ser eficaz. As intervenções em um bairro ou em uma cidade histórica devem realizar-se com prudência. Os valores a preservar são o caráter histórico da cidade e o conjunto de elementos materiais e espirituais que expressam sua imagem. os que devam ser conservados em certas condições e os que.

as poluições e as vibrações). A circulação de veículos deve ser estritamente regulamentada no interior das cidades e dos bairros históricos. assim como a vivência de seus habitantes num espaço de . não só para assegurar a salvaguarda do seu patrimônio. A introdução de elementos de caráter contemporâneo. através do favorecimento às pesquisas arqueológicas urbanas e da apresentação adequada das descobertas. pode contribuir para o seu enriquecimento. A salvaguarda exige uma formação especializada de todos os profissionais envolvidos. como também para a segurança e o bem-estar de seus habitantes. especialmente seu parcelamento. sem prejuízo da organização geral do tecido urbano. Devem ser adotadas nas cidades históricas medidas preventivas contra as catástrofes naturais e contra todos os danos (notadamente. É importante contribuir para um melhor conhecimento do passado das cidades históricas. e não por oposição a espaços não-históricos da cidade. as áreas de estacionamento deverão ser planejadas de maneira que não degradem seu aspecto nem o do seu entorno. todo o acréscimo deverá respeitar a organização espacial existente. já que toda cidade é um organismo histórico. nos termos em que o impõem a qualidade e o valor do conjunto de construções existentes. Esse sítio histórico urbano deve ser entendido em seu sentido operacional de área crítica. No caso de ser necessário efetuar transformações dos imóveis ou construir novos. desde que não perturbe a harmonia do conjunto. mas somente facilitar o tráfego nas cercanias para permitirlhes um fácil acesso. Para assegurar a participação e o envolvimento dos habitantes deverá ser efetuado um programa de informações gerais que comece desde a idade escolar. volume e escala. O sítio histórico urbano – SHU – é parte integrante de um contexto amplo que comporta as paisagens natural e construída. Os meios empregados para prevenir ou reparar os efeitos das calamidades devem adaptar-se ao caráter específico dos bens a salvaguardar. 1987 1º Seminário Brasileiro para Preservação e Revitalização de Centros Históricos Entende-se como sítio histórico urbano o espaço que concentra testemunhos do fazer cultural da cidade em suas diversas manifestações. Deverá ser favorecida a ação das associações de salvaguarda e deverão ser tomadas medidas de caráter financeiro para assegurar a conservação e a restauração das edificações existentes.A melhoria do habitat deve ser um dos objetivos fundamentais da salvaguarda. Os grandes traçados rodoviários previstos no planejamento físico territorial não devem penetrar nas cidades históricas. Carta de Petrópolis Petrópolis.

todo espaço edificado é resultado de um processo de produção social. declaração de interesse cultural e desapropriação. o inventário como parte dos procedimentos da análise e compreensão da realidade constituiu-se na ferramenta básica para o conhecimento do acervo cultural e natural. Nesse sentido. mas também. Os critérios para avaliar a conveniência desta substituição devem levar em conta o custo sócio-cultural do novo. Sendo a polifuncionalidade uma característica do SHU. A proteção legal do SHU far-se-á através de diferentes tipos de instrumentos. abrigar os universos de trabalho e do cotidiano. haja vista a flagrante carência habitacional brasileira. a sua preservação não deve dar-se à custa de exclusividade de usos. É nessa perspectiva de reapropriação política do espaço urbano pelo cidadão que a preservação incrementa a qualidade de vida. o fortalecimento dos seus vínculos em relação ao patrimônio. mas somatória. só se justificando sua substituição após demonstrado o esgotamento de seu potencial sócio-cultural. A preservação do SHU deve ser pressuposto do planejamento urbano. tais como: tombamento. como uma das formas de pleno exercício da cidadania. A cidade enquanto expressão cultural. devendo. alicerçado no conhecimento dos mecanismos formadores e atuantes na estruturação do espaço. considera-se essencial a predominância do valor social da propriedade urbana sobre a sua condição de mercadoria. Na preservação do SHU é fundamental a ação integrada dos órgãos federais.valores produzidos no passado e no presente. isenções e incentivos. devendo os novos espaços urbanos ser entendidos na sua dimensão de testemunhos ambientais em formação. normas urbanísticas. O objetivo último da preservação é a manutenção e potencialização de quadros e referenciais necessários para a expressão e consolidação da cidadania. em processo dinâmico de transformação. Desta forma. pelo fortalecimento da participação das lideranças civis. 1995 . estaduais e municipais. especial atenção deve ser dada à permanência no SHU das populações residentes e das atividades tradicionais. Na diversificação dos instrumentos de proteção. No processo de preservação do SHU. Guardando essa heterogeneidade. Nesse sentido. A realização do inventário com a participação da comunidade proporciona não apenas a obtenção do conhecimento do valor por ela atribuído ao patrimônio.º 3 – "Cartas Patrimoniais"Ministério da Cultura Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional – IPHAN Brasília. não é eliminatória. deve a moradia construir-se na função primordial do espaço edificado. desde que compatíveis com a sua ambiência. nem mesmo daqueles ditos culturais. entendido como processo contínuo e permanente. Publicado no Caderno de Documentos n. bem como a participação da comunidade interessada nas decisões de planejamento. onde se manifestam as verdadeiras expressões de uma sociedade heterogênea e plural. necessariamente. socialmente fabricada. inventário. é imprescindível a viabilização e o estímulo aos mecanismos institucionais que asseguram uma gestão democrática da cidade.

Para o conhecimento e a preservação do patrimônio cultural e natural. O êxito de uma política preservacionista tem como fator fundamental o engajamento da comunidade. Para garantia da autonomia das sociedades e culturas indígenas. Bolívia. étnicos e culturais. para. pode ser lida através das múltiplas manifestações da natureza. O quinto centenário da chegada de Colombo é a oportunidade para se rever a história americana. É preciso rever a história americana. Ao identificá-las e interpretar-lhes o valor. originários de todas as partes do Brasil e de outras terras da América. o Comitê Brasileiro do ICOMOS reuniu em Cabo Frio. como os sítios geológicos. conhecedores de arqueologia. o homem atribui a esses testemunhos significação cultural. história. de modo a garantir a melhoria da qualidade de vida das populações envolvidas. que em 1503 aqui esteve. Costa Rica. enfatizados através da educação pública. que terá o nome Carta de Cabo Frio. O respeito aos valores naturais.Encontro de Civilizações nas Américas Conclusões e Recomendações do Seminário No dia 6 de outubro do ano de 1989. demanda um concurso interdisciplinar e uma ação interinstitucional. é fundamental assegurar-lhes a posse e o usufruto exclusivo de suas terras e a preservação de suas línguas – fatores centrais de sua identidade. A criação de unidades de conservação ambiental e a preservação de sítios deverá ser acompanhada de soluções alternativas. fossilíferos e naturais. com a utilização dos meios de comunicação. que deve ter por origem um processo educativo em todos os níveis. A defesa da identidade cultural far-se-á através do resgate das formas de convívio harmônico com seu ambiente. com o sacrifício de muitos valores. engenharia e outros saberes. Paraguai e Peru. A história do planeta Terra. navegação. arquitetura. . contribuirá para a valorização das identidades culturais. O trabalho dos cientistas sociais e dos órgãos responsáveis deve assegurar a liberdade do desenvolvimento cultural dos povos indígenas. juntando-se às comemorações dos 500 anos da vinda de Colombo América e homenageando o navegador Américo Vespúcio.Carta de Cabo Frio de outubro de 1989 Vespuciana . levando-se em conta que a ocupação do continente precede em muito a fixação do europeu. O processo de preservação. escrever esta carta. mui formosa paragem e mui prodigioso sítio da costa sul do Brasil. México. é fundamental a preservação de todo tipo de testemunhos. por sua complexidade. como Argentina. Nesse sentido. faz-se necessária a apropriação de métodos específicos e de novas técnicas disponíveis. reconhecendo o papel das populações do continente. O sentido de conquista que caracterizou o encontro de culturas na América resultou em um processo desigual de interação. arqueológicos. Os novos encontros de culturas deverão ser direcionados no sentido do respeito aos contextos locais. botânica.

Ministério da Cultura Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional – IPHAN Brasília. a fim de evitar o isolamento cultural e garantir a integração latino-americana. Princípio 3 . Procurando alcançar acordos internacionais em que se respeitem os interesses de todos e se proteja a integridade do sistema ambiental e de desenvolvimento mundial. os Estados têm o direito soberano de aproveitar seus próprios recursos segundo suas peculiaridades políticas. ambientais e de desenvolvimento. Com o objetivo de estabelecer uma aliança mundial nova e eqüitativa mediante a criação de novos níveis de cooperação entre os Estados. Publicado no Caderno de Documentos n. os setores-chaves das sociedades e as pessoas. nossa morada.A ação de empresas privadas ou estatais em projetos industriais. Para salvaguarda do patrimônio natural e cultural da América Latina em suas diversas manifestações. Cabe ao poder público intervir com medidas efetivas de preservação. nela se baseando. Proclama que: Princípio 1 Os seres humanos constituem o centro das preocupações relacionadas com o desenvolvimento sustentável. 1995 Carta do Rio de junho de 1992 Conferência Geral das Nações Unidas Sobre o Meio Ambiente e o Desenvolvimento. fiscalização e atuação. Sendo a identidade cultural a razão maior e a base da existência das nações. Reafirmando a Declaração da Conferência das Nações Unidas sobre o Ambiente Humano.º 3 – "Cartas Patrimoniais". ou sob seu controle. de 13 a 14 de junho de 1992. A Conferência Geral das Nações Unidas sobre o Meio Ambiente e o Desenvolvimento Havendo se reunido no Rio de Janeiro. e a responsabilidade de zelar por que as atividades realizadas dentro de sua jurisdição. Princípio 2 De acordo com a Carta das Nações Unidas e os princípios do direito internacional. aprovada em Estocolmo em 16 junho de 1972. é fundamental um esforço conjunto. Reconhecendo a natureza integral e interdependente da Terra. não causem danos ao meio ambiente de outros Estados ou de zonas que estejam fora dos limites da jurisdição nacional. Têm direito a uma vida saudável e produtiva em harmonia com a natureza. é imprescindível a ação do Estado nas suas várias instâncias e a participação da comunidade na valorização e defesa de seus bens naturais e culturais. à natureza. controle. extrativos e infra-estruturais não pode resultar em danos à vida humana.

proteger e restabelecer a saúde e a integridade do ecossistema da Terra. os Estados deveriam reduzir e eliminar as modalidades de produção e consumo insustentável e fomentar apropriadas políticas demográficas. e dos mais vulneráveis do ponto de vista ambiental. Princípio 8 Para alcançar o desenvolvimento sustentável e uma melhor qualidade de vida para todas as pessoas. entre as quais. Nas medidas internacionais a serem adotadas com relação ao meio ambiente e ao desenvolvimento dever-se-iam também levar em consideração os interesses e as necessidades de todos os países. a proteção do meio ambiente deverá constituir parte integrante do processo de desenvolvimento e não poderá ser considerada isoladamente. Princípio 6 Dever-se-á atribuir especial prioridade à situação e às necessidades específicas dos países em desenvolvimento. a fim de reduzir as disparidades nos níveis de vida e responder melhor às necessidades dos povos do mundo. Princípio 9 Os Estados deveriam cooperar para o fortalecimento de sua própria capacidade de chegar ao desenvolvimento sustentável. em vista das pressões que suas sociedades exercem no meio ambiente mundial. em particular dos países menos adiantados. Princípio 10 . Princípio 7 Os Estados deverão cooperar em espírito de solidariedade mundial para conservar. a adaptação. a difusão e a transferência de tecnologias. e intensificando o desenvolvimento. os Estados têm responsabilidades comuns. Princípio 5 Todos os Estados e todas as pessoas deverão cooperar na tarefa essencial de erradicar a pobreza como requisito indispensável do desenvolvimento sustentável. Princípio 4 Com o objetivo de alcançar o desenvolvimento sustentável. mas diferenciadas. Na medida em que tenham contribuído em graus variados para a degradação do meio ambiente mundial. Os países desenvolvidos reconhecem a responsabilidade que lhes cabe na busca internacional do desenvolvimento sustentável. aumentando o sabor científico mediante o intercâmbio de conhecimentos científicos e tecnológicos. das tecnologias e dos recursos financeiros de que dispõem.O direito ao desenvolvimento deve exercer-se de forma tal que responda eqüitativamente às necessidades de desenvolvimento e de proteção à integridade do sistema ambiental das gerações presentes e futuras. tecnologias novas e inovadoras.

nem uma restrição velada ao comércio internacional. No plano nacional. na medida do possível. As medidas destinadas a tratar os problemas ambientais transfronteiriços ou mundiais. além disso. ou em zonas situadas fora de sua jurisdição. Princípio 14 .O melhor modo de tratar as questões ambientais da participação de todos os cidadãos interessados no nível correspondente. Deverá ser proporcionado acesso efetivo aos procedimentos judiciais e administrativos. particularmente para os países em desenvolvimento. ou em zonas situadas fora de sua jurisdição. inclusive a informação sobre os materiais e as atividades que ocasionem perigo a suas comunidades. de maneira pronta e mais decidida na elaboração de novas leis internacionais sobre a responsabilidade e indenização por efeitos adversos dos danos ambientais causados pelas atividades realizadas dentro de sua jurisdição. Os Estados deverão cooperar. As medidas de política comercial com fins ambientais não deveriam constituir um meio de discriminação arbitrária ou injustificável. entre os quais o ressarcimento de danos e os recursos pertinentes. Princípio 14 Os Estados deverão desenvolver a legislação nacional relativa à responsabilidade e à respectiva indenização das vítimas da contaminação e de outros danos ambientais. os objetivos de planejamento e as prioridades ambientais deveriam refletir o contexto ambiental e de desenvolvimento a que se aplicam. Princípio 12 Os Estados deveriam cooperar na promoção de um sistema econômico internacional favorável e aberto que conduzisse ao crescimento econômico e ao desenvolvimento sustentável de todos os países. ou sob seu controle. Dever-se-ia evitar adoção de medidas unilaterais para solucionar os problemas ambientais que se produzem fora da jurisdição do país importador. a fim de abordar da melhor forma os problemas da degradação ambiental. colocando a informação à disposição de todos. assim como a oportunidade de participar nos processos de adoção de decisões. Princípio 13 Os Estados deverão desenvolver a legislação nacional relativa à responsabilidade e à respectiva indenização das vítimas da contaminação e de outros danos ambientais. basear-se em um consenso internacional. Os Estados deverão cooperar. Os Estados deverão facilitar e incentivar a sensibilização e a participação da população. As normas utilizadas por alguns países podem resultar inadequadas e representar um custo social e econômico injustificado para outros. Princípio11 Os estados deverão promulgar leis eficazes sobre o meio ambiente. deveriam. qualquer pessoa deverá ter acesso adequado à informação sobre o meio ambiente de que disponham as autoridades públicas. As normas. ou sob seu controle. de maneira pronta e mais decidida na elaboração de novas leis internacionais sobre responsabilidade e indenização por efeitos adversos dos danos ambientais causados pelas atividades realizadas dentro de sua jurisdição. além disso.

de acordo com suas capacidades. Princípio 16 As autoridades nacionais deveriam procurar incentivar a internalização dos custos ambientais e o uso de instrumentos econômicos. arcar com os custos da contaminação. É. Princípio 15 Com a finalidade de proteger o meio ambiente. Princípio 18 Os Estados deverão notificar imediatamente aos outros Estados os desastres naturais e outras situações de emergência que possam produzir efeitos nocivos súbitos no meio ambiente desses Estados. Princípio 19 Os Estados deverão proporcionar a informação pertinente e notificar previamente e de forma oportuna. Princípio 21 . para qualquer atividade proposta que possa provavelmente produzir um impacto negativo considerável no meio ambiente e que esteja sujeito à decisão de uma autoridade nacional competente. em função dos custos. a falta de certeza cientificamente absoluta não deverá ser utilizada como razão para postergar a adoção de medidas eficazes. Princípio 20 As mulheres desempenham um papel fundamental no planejamento do meio ambiente e no desenvolvimento. portanto. Quando houver perigo de dano grave ou irreversível. imprescindível contar com sua plena participação para conseguir o desenvolvimento sustentável. os Estados deverão aplicar amplamente o critério de precaução. A comunidade internacional deverá fazer todo o possível para ajudar os Estados afetados. aos Estados que possivelmente sejam afetados por atividades que possam ter consideráveis efeitos ambientais transfronteiriços adversos e deverão realizar consultas com esses Estados com a devida antecedência e em boa fé. tendo em consideração o critério de que o que contamina deve. que sirva de instrumento nacional. em princípio. levando devidamente em conta o interesse público e sem distorcer o comércio nem os investimentos internacionais. para impedir a degradação do meio ambiente. Princípio 17 Deverá empreender-se uma avaliação do impacto ambiental.Os Estados deveriam cooperar efetivamente para desestimular ou evitar a realocação e a transferência para outros Estados de quaisquer atividades e substâncias que causem degradação ambiental grave ou se considerem nocivas para a saúde humana.

Princípio 22 As populações indígenas e suas comunidades. se necessário. dominação e ocupação. inimiga do desenvolvimento sustentável. Princípio 26 Os Estados deverão resolver pacificamente todas as controvérsias sobre o meio ambiente em conformidade com a Carta das Nações Unidas. os ideais e o valor dos jovens do mundo para forjar uma aliança mundial orientada a obter o desenvolvimento sustentável e a assegurar um futuro melhor para todos. o desenvolvimento e a proteção do meio ambiente são interdependentes e inseparáveis. Princípio 25 A paz. desempenham um papel fundamental no planejamento do meio ambiente e no desenvolvimento. Os Estados deveriam reconhecer e aprovar devidamente sua identidade. Princípio 23 Devem ser protegidos os meio ambiente e os recursos naturais dos povos submetidos a opressão. . Princípio 27 Os Estados e as pessoas deverão cooperar de boa fé e com espírito de solidariedade na aplicação dos princípios consagrados nesta declaração e no posterior desenvolvimento do Direito Internacional na esfera do desenvolvimento sustentável. Em conseqüência. os Estados deveriam respeitar as disposições de Direito Internacional que protegem o meio ambiente em época de conflito armado. graças aos seus conhecimentos e práticas tradicionais. Publicado no Caderno de Documentos n. e cooperar para o seu posterior desenvolvimento.Deveriam ser mobilizados a criatividade. cultura e interesses e tornar possível sua participação efetiva na obtenção do desenvolvimento sustentável. por definição. 1995.º 3 – "Cartas Patrimoniais"Ministério da Cultura Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional – IPHAN Brasília. assim como outras comunidades locais. Princípio 24 A guerra é.

através de seu Departamento de Identificação e Documentação. para o qual foram convidados. conforme determina a Constituição Federal. os modos de criar.Que o patrimônio cultural brasileiro é constituído por bens de natureza material e imaterial. promova. particularmente.Que. o Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional . com a colaboração de consultores do meio universitário e instituições de pesquisa.Carta de Fortaleza de 14 de novembro de 1997 Em comemoração aos seus 60 anos de criação. "as formas de expressão. entendidas como iniciativas complementares indispensáveis à proteção legal propiciada pelo instituto do registro. a realização do inventário desses bens culturais em âmbito nacional. sob a coordenação do IPHAN. encaminhada pelos poderes públicos e pelos sociais organizados. 3 . 4 . representantes de diversas instituições públicas e privadas. o Seminário "Patrimônio Imaterial: Estratégias e Formas de Proteção". com especial atenção àquelas referentes à cultura popular.Que o grupo de trabalho estabeleça as necessárias interfaces para que sejam estudadas medidas voltadas para a promoção e o fomento dessas manifestações culturais. 4 . considerados em toda a sua complexidade. cabe ao IPHAN identificar. da UNESCO e da sociedade. com o objetivo de desenvolver os estudos necessários para propor a edição de instrumento legal. O objetivo do Seminário foi recolher subsídios que permitissem a elaboração de diretrizes e a criação de instrumentos legais e administrativos visando a identificar.Que seja criado um grupo de trabalho no Ministério da Cultura.Que o Ministério da Cultura viabilize a integração do referido inventário ao Sistema Nacional de Informações Culturais. com a participação de suas entidades vinculadas e de eventuais colaboradores externos. em nível nacional. promover e fomentar os processos e bens "portadores de referência à identidade. voltado especificamente para a preservação dos bens culturais de natureza imaterial. fazer e viver. dispondo sobre a criação do instituto jurídico denominado registro. 3 . todos signatários deste documento. em parceria com instituições estaduais e municipais de cultura. e 5 . meios de comunicação e outros. O plenário. preservar e promover o patrimônio cultural brasileiro.IPHAN promoveu em Fortaleza.Que o IPHAN promova o aprofundamento da reflexão sobre o conceito de bem cultural de natureza imaterial.Que o IPHAN. fiscalizar.Que os institutos de proteção legal em vigor no âmbito federal não se têm mostrado adequados à proteção do patrimônio cultural de natureza imaterial.Que os bens de natureza imaterial devem ser objeto de proteção específica. juntamente com outras unidades vinculadas ao Ministério da Cultura. documentar. e 5 . Essas medidas serão formuladas tendo em vista as especificidades das diferentes . e estiveram presentes. de 10 a 14 de novembro de 1997. diversidade e dinâmica.A crescente demanda pelo reconhecimento e preservação do amplo e diversificado patrimônio cultural brasileiro. artística e tecnológicas". 2 . proteger. 2 . considerando: 1 . as criações científicas. Propõe e recomenda 1 . proteger. à ação e à memória dos diferentes grupos formadores da sociedade brasileira" (Artigo 216 da Constituição). órgãos de pesquisa.

preservação e promoção do patrimônio cultural brasileiro. e com a participação de outros agentes do poder público e da sociedade. Em defesa da criação de instrumentos legais complementares com o objetivo de regulamentar as outras formas de acautelamento e preservação mencionadas no parágrafo primeiro do Artigo 216 da Constituição Federal.Que sejam buscadas parcerias com entidades públicas e privadas com o objetivo de conhecer as manifestações culturais de natureza imaterial sobre as quais já existam informações disponíveis. e 12 . 7 . proteção. 8 .Moção de defesa da legislação de preservação Em defesa do reconhecimento.Que a preservação do patrimônio cultural seja abordada de maneira global. 9 . Moção de apoio ao IPHAN Pelo repúdio a qualquer tipo de medida que venha a reduzir a capacidade operacional do IPHAN. no sentido de que sejam levados em consideração os valores culturais na sua formulação e implementação. O plenário ainda recomenda: 6 .Que seja estabelecida uma Política Nacional de Preservação do Patrimônio Cultural com objetivos e metas claramente definidos. O plenário encaminhou as seguintes moções: 1 .Que o Ministério da Cultura procure influir no processo de elaboração das políticas públicas. 11 .Que seja constituído um banco de dados acerca das manifestações culturais passíveis de proteção. documentação.Que seja desenvolvido um Programa Nacional de Educação Patrimonial. eficácia. 3. a partir da experiência do IPHAN. e o conseqüente desligamento de servidores não estáveis. 10 . de modo a contemplá-lo em toda a sua amplitude. o IPHAN encaminhe ao Conselho Nacional do Meio Ambiente (CONAMA) proposta de regulamentação do item relativo ao patrimônio cultural. que organiza a proteção do patrimônio histórico e artístico nacional. comissionados e funções. tornando a difusão e o intercâmbio das informações ágil e acessível. Pela garantia de sobrevivência do IPHAN e de todas as suas conquistas nas áreas de identificação. através da criação de uma carreira especial. buscando valorizar as formas de produção simbólica e cognitiva. considerando sua importância no processo de preservação do patrimônio cultural brasileiro. em vigor.manifestações culturais. Moção de apoio ao Ministério da Cultura .Que. atualidade e excelência jurídica do Decreto-lei n. 25/37. 2. inclusive no que concerne a extinção de cargos efetivos. relativamente aos Estudos de Impacto Ambiental (EIA) e Relatórios de Impacto Ambiental (RIMA). já bastante defasada em relação às suas atribuições legais e administrativas. Pelo reconhecimento das atividades exercidas pelo IPHAN como função típica de Estado. cujas disposições foram recepcionadas pela Constituição Federal de 1988.

a exemplo de outras etnias. 6. devendo. Moção de apoio às expressões culturais dos povos ameríndios Pelo reconhecimento da cultura indígena como integrante do patrimônio nacional brasileiro. que estimulam a parceria entre Estado e sociedade na tarefa de preservar e promover o patrimônio cultural brasileiro. Moção de defesa à Lei de Incentivo à Cultura Pela manutenção dos benefícios previstos na Lei de Incentivo à Cultura. 4. inclusive no que concerne á extinção de cargos efetivos e o conseqüente desligamento de servidores não estáveis. de modo a não comprometer suas atribuições institucionais. Moção de congratulações à 4ª Coordenação Regional do IPHAN Pelo reconhecimento da importância de realização do Seminário "Patrimônio Imaterial: estratégias e formas de proteção" e da excelência de sua organização. ser objeto de atenção dos órgãos do Ministério da Cultura. 5.Pelo repúdio a qualquer tipo de medida que venha a reduzir a capacidade operacional do Ministério da Cultura e demais entidades vinculadas. .

sepulturas ou locais de pouso prolongado ou de aldeamento "estações" e "cerâmios". Parágrafo único . que representem testemunhos da cultura dos paleoameríndios do Brasil. casqueiros. birbigueiras ou sernambis.A propriedade da superfície. concheiros. jazigos. DISPÕE SOBRE OS MONUMENTOS ARQUEOLÓGICOS E PRÉ-HISTÓRICOS.Consideram-se monumentos arqueológicos ou pré-históricos: a) as jazidas de qualquer natureza. estearias e quaisquer outras não especificadas aqui. Artigo 5° . não inclui a das jazidas arqueológicas ou pré-históricas. manifestadas ao governo da União. a destruição ou mutilação. O Presidente da República: Faço saber que o Congresso Nacional decreta e eu sanciono a seguinte lei: Artigo 1° . poços sepulcrais. o exercício dessa atividade. 4° . das jazidas arqueológicas ou pré-históricas conhecidas como sambaquis. c e d do artigo anterior. e bem assim dos sítios. para qualquer fim.As jazidas conhecidas como sambaquis. já estiver procedendo. nem a dos objetos nela incorporados na forma do art.00 a Cr$ 50. na data da publicação desta Lei. registro.000.000. montes artificiais ou tesos. 180 da Constituição Federal. aterrados.Os monumentos arqueológicos ou pré-históricos de qualquer natureza existentes no território nacional e todos os elementos que neles se encontram ficam sob a guarda e proteção do Poder Público. Artigo 3° . origem ou finalidade.Toda pessoa. de acordo com o art. por intermédio da Diretoria do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional. regida pelo direito comum. d) as inscrições rupestres ou locais como sulcos de polimentos de utensílios e outros vestígios de atividade de paleoameríndios. punível de acordo com o disposto nas leis penais. inscrições e objetos enumerados nas alíneas b.Lei n° 3. Artigo 6° . tais como sambaquis. b) os sítios nos quais se encontram vestígios positivos de ocupação pelos paleomeríndios.924 de 26 de julho de1961. para efeito de exame. de acordo com o que estabelece o art. à exploração de jazidas arqueológicas ou préhistóricas. nos quais se encontram vestígios humanos de interesse arqueológico ou paleoetnográfico. Artigo 2° . respeitadas as concessões anteriores e não caducas. para fins econômicos ou outros. como tal. mas de significado idêntico.00 (dez mil a cinqüenta mil cruzeiros). 161 da mesma Constituição. c) os sítios identificados como cemitérios. fiscalização e salvaguarda do interesse da ciência. sob pena de multa de Cr$ 10. Artigo 4° . antes de serem devidamente pesquisados.Qualquer ato que importe na destruição ou mutilação dos monumentos a que se refere o art. dentro de sessenta (60) dias. que. a juízo da autoridade competente. natural ou jurídica. tais como grutas. 2° desta Lei será considerado crime contra o Patrimônio Nacional e. deverá comunicar à Diretoria do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional.São proibidos em todo território nacional o aproveitamento econômico. lapas e abrigos sob rocha.

deverá ser anexado ao seu pedido o consentimento escrito do proprietário do terreno ou de quem esteja em uso e gozo desse direito. impedir a inspeção dos trabalhos por delegado especialmente designado pela Diretoria do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional.As jazidas arqueológicas ou pré-históricas de qualquer natureza. penal e administrativamente pelos prejuízos que causar ao Patrimônio Nacional ou a terceiros.A permissão terá por título uma portaria do Ministro da Educação e Cultura. que responderá civil. quando for julgado conveniente. ficando obrigado a respeitá-lo o proprietário ou possuidor do solo. Parágrafo 2° . uma vez que: a) não sejam cumpridas as prescrições da presente Lei e do instrumento de concessão da licença.O permissionário fica obrigado a informar à Diretoria do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional. sobre o andamento das escavações.O pedido de permissão deve ser dirigido à Diretoria do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional. CAPÍTULO II Das Escavações Arqueológicas realizadas por particulares Artigo 8° . salvo a ocorrência de fato excepcional. Artigo 9° . Parágrafo 3° . são consideradas. Parágrafo único . da prova de idoneidade técnico-científica e financeira do requerente e do nome do responsável pela realização dos trabalhos. Artigo 12° . salvo motivo . do vulto e da duração aproximada dos trabalhos a serem executados. Artigo 10° . em terras de domínio público ou particular. Artigo 7° . sob nenhum pretexto. acompanhado de indicação exata do local. não manifestadas e registradas na forma dos arts. b) sejam suspensos os trabalhos de campo por prazo superior a doze (12) meses. somente poderá requerer a permissão o administrador ou cabecel.e registradas na forma do artigo 27 desta Lei. cuja notificação deverá ser feita imediatamente.Desde que as escavações e estudos devam ser realizados em terreno que não pertença ao requerente. em conformidade com o Código de Minas. trimestralmente. Parágrafo 1° . Artigo 11° . que será transcrita em livro próprio da Diretoria do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional e na qual ficarão estabelecidas as condições a serem observadas ao desenvolvimento das escavações e estudos. bens patrimoniais da União.O direito de realizar escavações para fins arqueológicos.As escavações devem ser realizadas de acordo com as condições estipuladas no instrumento de permissão. não podendo o responsável. eleito na forma do Código Civil. para todos os efeitos. constitui-se mediante permissão do Governo da União.O Ministério da Educação e Cultura poderá cassar a permissão concedida. através da Diretoria do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional. terão precedência para estudo e eventual aproveitamento.As escavações devem ser necessariamente executadas sob orientação do permissionário. 4° e 6° desta Lei.Estando em condomínio a área em que se localiza a jazida. para as providências cabíveis.

. Parágrafo único . o tipo ou a designação da jazida. o permissionário não terá direito a indenização alguma pela despesas que tiver efetuado. posteriormente.Terminados os estudos.Nenhum órgão da administração federal.de força maior. 28 desta Lei.A posse e a salvaguarda dos bens de natureza arqueológica ou pré-histórica constituem. será esta declarada de utilidade pública e autorizada a sua ocupação pelo período necessário à execução dos estudos. com exceção das áreas muradas que envolvam construções domiciliares. 5°. no interesse da Arqueologia e da Pré-história em terrenos de propriedade particular. bem como os Estados e Municípios mediante autorização federal. Parágrafo 2° . no qual se descreva o aspecto exato do local. os indícios que determinaram a escolha do local e. c) no caso de não cumprimento do parágrafo 3° do artigo anterior. alíneas K e L do Decreto-lei n° 3. poderão proceder a escavações e pesquisas. uma súmula dos resultados obtidos e do destino do material coletado. nos termos do art. por utilidade pública. obrigatoriamente o local. dos Estados e dos Municípios Artigo 13° .Dessa comunicação deve constar.No caso de ocupação temporária do terreno. CAPÍTULO III Das Escavações Arqueológicas realizadas por Instituições Científicas Especializadas da União. ou parte dele. Parágrafo único . resultavam incontestáveis vantagens para o proprietário. na sua feição primitiva. mesmo no caso do art. Artigo 16° . CAPÍTULO IV Das Descobertas Fortuitas Artigo 17° .365. sem prévia comunicação à Diretoria do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional. o local deverá ser restabelecido. Parágrafo 1° . o nome do especialista encarregado das escavações. para fins de registro no cadastro de jazidas arqueológicas. sempre que possível. devidamente comprovado. em princípio. essa obrigação só terá cabimento quando se comprovar que. para realização de escavações nas jazidas declaradas de utilidade pública. direito imanente ao Estado. 36 do Decreto-lei n° 3. com fundamento no art.Em qualquer dos casos acima enumerados.Em casos especiais e em face do significado arqueológico excepcional das jazidas. poderá ser promovida a desapropriação do imóvel. antes do início dos estudos. de 21 de junho de 1941. Artigo 14° . dos Estados ou dos Municípios.A União.À falta de acordo amigável com o proprietário da área onde se situar a jazida. Parágrafo único .365.Em caso de as escavações produzirem a destruição de um relevo qualquer. desse aspecto particular do terreno. de 21 de junho de 1941. Artigo 15° . poderá realizar escavações arqueológicas ou pré-históricas. deverá ser lavrado um auto.

sem prejuízo da responsabilidade do inventor pelos danos que vier a causar ao Patrimônio Nacional. Parágrafo único . CAPÍTULO V Da remessa. para o exterior. que possua as características de monumentos arqueológicos ou pré-históricos.O aproveitamento econômico das jazidas. artístico ou numismático deverá ser imediatamente comunicada à Diretoria do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional. de objetos de interesse Arqueológico ou Pré-histórico.De todas as jazidas será preservada.Nenhum objeto que apresente interesse arqueológico ou pré-histórico. . Parágrafo único . pelo autor do achado ou pelo proprietário do local onde tiver ocorrido. mediante parecer favorável da Diretoria do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional ou do órgão oficial autorizado. sem licença expressa da Diretoria do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional. CAPÍTULO VI Disposições Gerais Artigo 22° .O objeto apreendido.Nenhuma autorização de pesquisa ou de lavra para jazidas de calcário de concha. poderá ser concedida sem audiência prévia da Diretoria do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional.A inobservância da prescrição do artigo anterior implicará na apreensão sumária do objeto a ser transferido. Artigo 23° .A descoberta fortuita de quaisquer elementos de interesse arqueológico ou préhistórico. ou aos órgãos oficiais autorizados. para realizar escavações arqueológicas ou pré-históricas no país.A infringência da obrigação imposta no artigo anterior implicará na apreensão sumária do achado. uma parte significativa.O proprietário ou ocupante do imóvel onde se tiver verificado o achado é responsável pela conservação provisória da coisa descoberta. uma vez concluída a sua exploração científica. Artigo 19° . como blocos testemunhos. numismático ou artístico poderá ser transferido para o exterior. sempre que possível ou conveniente. a ser protegida pelos meios convenientes. constante de uma "guia" de liberação na qual serão devidamente especificados os objetos a serem transferidos. poderá ser realizado na forma e nas condições prescritas pelo Código de Minas.O Conselho de Fiscalização das Expedições Artísticas e Científicas encaminhará Diretoria do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional qualquer pedido de cientista estrangeiro. Artigo 24° . até o pronunciamento e deliberação da Diretoria do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional. Histórico. será entregue à Diretoria do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional. objeto desta Lei. Artigo 20° . em decorrência da omissão. Artigo 21° .Artigo 18° . Parágrafo único . Numismático ou Artístico. razão deste artigo. sem prejuízo das demais cominações legais a que estiver sujeito o responsável.

sem prejuízo de sumária apreensão e conseqüente perda.Esta lei entrará em vigor na data de sua publicação. para o Patrimônio Nacional.000.No caso deste artigo. Jânio Quadros Brigido Tinoco Oscar Pedroso Horta Clemente Mariani João Agripino . conforme o caso. de acordo com o disposto nesta Lei.O poder Executivo baixará. preservação e estudo das jazidas arqueológicas e pré-históricas. Artigo 29° .00 (cinco mil cruzeiros) a Cr$ 50. Parágrafo único . para o cumprimento desta Lei. bem como de recursos suficientes para o custeio e bom andamento dos trabalhos. revogadas as disposições em contrário. organizado para a preservação e estudo desses monumentos. a Diretoria do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional poderá solicitar a colaboração de órgãos federais.A Diretoria do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional manterá um Cadastro dos monumentos arqueológicos do Brasil. a partir da vigência desta Lei.As atribuições conferidas ao Ministério da Educação e Cultura. Brasília. Artigo 30° . Artigo 27° .Artigo 25° . municipais. bem como de instituições que tenham entre seus objetivos específicos o estudo e a defesa dos monumentos arqueológicos e pré-históricos. 140° da Independência e 73° da República. com infringência de qualquer dos dispositivos desta Lei.00 (cinqüenta mil cruzeiros). estaduais. de todo o material e equipamento existente no local. que disponha de serviços técnico-administrativos especialmente organizados para a guarda. Artigo 31° . Artigo 28° .A realização de escavações arqueológicas ou pré-históricas. a regulamentação que for julgada necessária à sua fiel execução.Para melhor execução da presente Lei.Aos infratores desta Lei serão aplicadas as sanções dos artigos 163 a 167 do Código Penal. sem prejuízo de outras penalidades cabíveis. no qual serão registrados todas as jazidas manifestadas. poderão ser delegadas a qualquer unidade da Federação. o produto das multas aplicadas e apreensões de material legalmente feitas reverterá em benefício do serviço estadual.000. dará lugar à multa de Cr$ 5. Artigo 26° . em 26 de julho de 1961. no prazo de 120 dias. bem como das que se tornarem conhecidas por qualquer via.

que façam carreira no País. a saber: . quer por sua vinculação a fatos memoráveis da história do Brasil. bem como os sítios e paisagens que importe conservar e proteger pela feição notável com que tenham sido dotados pela Natureza ou agenciados pela indústria humana.A presente lei se aplica às coisas pertencentes às pessoas naturais. § 2º . bem como às pessoas jurídicas de direito privado e de direito público interno. educativas ou comerciais. quer por seu excepcional valor arqueológico ou etnográfico. bibliográfico ou artístico. de que trata o Art.Os bens a que se refere o presente artigo só serão considerados parte integrante do patrimônio histórico e artístico nacional depois de inscritos separada ou agrupadamente num dos quatro Livros do Tombo. 4º) que pertençam a casas de comércio de objetos históricos ou artísticos. Artigo 2º . 3º) que se incluam entre os bens referidos no art. e que continuam sujeitas à lei pessoal do proprietário. 4º desta lei. 6º) que sejam importadas por empresas estrangeiras expressamente para adorno dos respectivos estabelecimentos.Decreto-lei n° 25 de 30 de novembro de 1937 ORGANIZA A PROTEÇÃO DO PATRIMÔNIO HISTÓRICO E ARTÍSTICO NACIONAL. CAPÍTULO II Do Tombamento Artigo 4º .Excluem-se do patrimônio histórico e artístico nacional as obras de origem estrangeira: 1º) que pertençam às representações diplomáticas ou consulares acreditadas no País. usando da atribuição que lhe confere o art. § 1º . 5º) que sejam trazidas para exposições comemorativas. fornecida pelo Serviço do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional. Artigo 3º . nos quais serão inscritas as obras a que se refere o art.O Serviço do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional possuirá quatro Livros do Tombo.Equiparam-se aos bens a que se refere o presente artigo e são também sujeitos a tombamento os monumentos naturais. 1º desta lei. 180 da Constituição. 2º) que adornem quaisquer veículos pertencentes a empresas estrangeiras.Constitui o patrimônio histórico e artístico nacional o conjunto dos bens móveis e imóveis existentes no País e cuja conservação seja de interesse público. 10 da Introdução ao Código Civil. O Presidente da República dos Estados Unidos do Brasil. Parágrafo único: As obras mencionadas nas alíneas 4 e 5 terão guia de licença para livre trânsito. decreta: CAPÍTULO I Do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional Artigo 1º .

3 e 4 do presente artigo. Artigo 9º . notificará o proprietário para anuir ao tombamento. Dessa decisão não caberá recurso. ao órgão de que houver emanado a iniciativa do tombamento.Cada um dos Livros do Tombo poderá ter vários volumes.O tombamento dos bens. que se incluem nas categorias enumeradas nas alíneas 1. as coisas de interesse histórico e as obras de arte histórica. 2º) no Livro do Tombo Histórico. Artigo 10º . o diretor do Serviço do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional mandará por simples despacho que proceda à inscrição da coisa no competente Livro do Tombo. § 1º . dentro do prazo de sessenta dias. 3º) no Livro do Tombo das Belas-Artes. 4º) no Livro do Tombo das Artes Aplicadas. por seu órgão competente. as obras que se incluírem na categoria das artes aplicadas. conforme esteja o respectivo processo iniciado pela notificação ou concluído pela inscrição dos referidos bens no competente Livro do Tombo. Em seguida. aos Estados e aos Municípios se fará de ofício por ordem do Diretor do Serviço do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional. as coisas pertencentes às categorias de arte arqueológica. Artigo 7º . que se lhe fizer. por escrito. Etnográfico e Paisagístico. ou para. § 2º .1º) no Livro do Tombo Arqueológico. 1º. 2º) no caso de não haver impugnação dentro do prazo assinado. à notificação. dentro do prazo de quinze dias. a fim de produzir os necessários efeitos.Os bens. serão definidos e especificados no regulamento que for expedido para execução da presente lei.O tombamento de coisa pertencente à pessoa natural ou à pessoa jurídica de direito privado se fará voluntária ou compulsoriamente.O tombamento dos bens pertencentes à União. e bem assim as mencionadas no § 2º do citado art. ou sob cuja guarda estiver a coisa tombada. 2. Artigo 5º . Artigo 6º . etnográfica. Artigo 8º . . ameríndia e popular. a fim de sustentá-la. 6º desta lei.O tombamento compulsório se fará de acordo com o seguinte processo: 1º) O Serviço do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional. oferecer dentro do mesmo prazo as razões de sua impugnação. independentemente de custas. para inscrição da coisa em qualquer dos Livros do Tombo. será o processo remetido ao Conselho Consultivo do Serviço do Patrimônio Histórico Nacional. as coisas de arte erudita nacional ou estrangeira. far-se-á vista da mesma. que proferirá decisão a respeito. a que se refere o art. que é fatal. a contar do seu recebimento. dentro de outros quinze dias fatais. mas deverá ser notificado à entidade a quem pertencer. 3º) se a impugnação for oferecida dentro do prazo assinado. será considerado provisório ou definitivo. se o quiser impugnar. nacionais ou estrangeiras. ou sempre que o mesmo proprietário anuir. a contar do recebimento da notificação.Proceder-se-á ao tombamento voluntário sempre que o proprietário o pedir e a coisa se revestir dos requisitos necessários para constituir parte integrante do patrimônio histórico e artístico nacional a juízo do Conselho Consultivo do Serviço do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional.Proceder-se-á ao tombamento compulsório quando o proprietário se recusar a anuir à inscrição da coisa.

senão por curto prazo.A coisa tombada não poderá sair do País.As coisas tombadas. ainda que se trate de transmissão judicial ou causa mortis. incorrerá nas penas cominadas no Código Penal para o crime de contrabando.Apurada a responsabilidade do proprietário.No caso de extravio ou furto de qualquer objeto tombado. § 1º . o tombamento provisório se equipará ao definitivo.A transferência deve ser comunicada pelo adquirente. aos Estados ou aos Municípios. CAPÍTULO III Dos efeitos do tombamento Artigo 11 . sofrerá as restrições constantes da presente lei.O tombamento definitivo dos bens de propriedade particular será. deverá o adquirente. ao Serviço do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional. Parágrafo único. deverá o proprietário. que permanecerá seqüestrada em garantia do pagamento.No caso de transferência de propriedade dos bens de que trata este artigo. . de propriedade de pessoas naturais ou jurídicas de direito privado. salvo a disposição do art.Para todos os efeitos. por iniciativa do órgão competente do Serviço do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional.Tentada. dentro do prazo de cinco dias. Feita a transferência.A alienabilidade das obras históricas ou artísticas tombadas. que pertençam à União. e até que este se faça. inalienáveis por natureza. inscrevê-los no registro do lugar para que tiveram sido deslocados. sob pena de multa de dez por cento sobre o valor da coisa. o respectivo proprietário deverá dar conhecimento do fato ao Serviço do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional. Artigo 16 .Na hipótese de deslocação de tais bens. a juízo do Conselho Consultivo do Serviço do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional.A pessoa que tentar a exportação de coisa tombada. a multa será elevada ao dobro.Parágrafo único . só poderão ser transferidas de uma à outra das referidas entidades. da coisa tombada. § 2º . dentro do mesmo prazo e sob pena da mesma multa. além de incidir na multa a que se referem os parágrafos anteriores. Artigo 15 .No caso de reincidência. Artigo 14 . sem transferência de domínio e para fim de intercâmbio cultural. a não ser no caso previsto no artigo anterior. Artigo 12 . fazê-la constar do registro. § 1º . dentro do mesmo prazo e sob a mesma pena. § 3º . transcrito para os devidos efeitos em livro a cargo dos oficiais do registro de imóveis e averbado ao lado da transcrição do domínio. dentro do prazo de trinta dias. 13 desta lei. a exportação para fora do País. Artigo 13 . será esta seqüestrada pela União ou pelo Estado em que se encontrar. e a deslocação pelo proprietário. dela deve o adquirente dar imediato conhecimento ao Serviço do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional. sob pena de multa de dez por centro sobre o respectivo valor. § 3º . § 2º . ser-lhe-á imposta a multa de cinqüenta por cento do valor da coisa.

Artigo 17 - As coisas tombadas não poderão, em caso nenhum, ser destruídas, demolidas ou mutiladas, nem, sem prévia autorização especial do Serviço do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional, ser reparadas, pintadas ou restauradas, sob pena de multa de cinqüenta por cento do dano causado. Parágrafo único: Tratando-se de bens pertencentes à União, aos Estados ou aos Municípios, a autoridade responsável pela infração do presente artigo incorrerá pessoalmente na multa. Artigo 18 - Sem prévia autorização do Serviço do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional, não se poderá, na vizinhança da coisa tombada, fazer construção que lhe impeça ou reduza a visibilidade, nem nela colocar anúncios ou cartazes, sob pena de ser mandada destruir a obra ou retirar o objeto, impondo-se neste caso multa de cinqüenta por cento do valor do mesmo objeto. Artigo 19 - O proprietário de coisa tombada, que não dispuser de recursos para proceder às obras de conservação e reparação que a mesma requerer, levará ao conhecimento do Serviço do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional e necessidade das mencionadas obras, sob pena de multa correspondente ao dobro da importância em que for avaliado o dano sofrido pela mesma coisa. § 1º - Recebida a comunicação, e consideradas necessárias as obras, o diretor do Serviço do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional mandará executá-las, a expensas da União, devendo as mesmas ser iniciadas dentro do prazo de seis meses, ou providenciará para que seja feita a desapropriação da coisa. § 2º - À falta de qualquer das providências previstas no parágrafo anterior, poderá o proprietário requerer que seja cancelado o tombamento da coisa. § 3º - Uma vez que verifique haver urgência na realização de obras e conservação ou reparação em qualquer coisa tombada, poderá o Serviço do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional tomar a iniciativa de projetá-las e executá-las, a expensas da União, independentemente da comunicação a que alude este artigo, por parte do proprietário. Artigo 20 - As coisas tombadas ficam sujeitas à vigilância permanente do Serviço do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional, que poderá inspecioná-las sempre que for julgado conveniente, não podendo os respectivos proprietários ou responsáveis criar obstáculos à inspeção, sob pena de multa de cem mil réis, elevada ao dobro em caso de reincidência. Artigo 21 - Os atentados cometidos contra os bens de que trata o art. 1º desta lei são equiparados aos cometidos contra o patrimônio nacional. CAPÍTULO IV Do direito de preferência Artigo 22 - Em face da alienação, onerosa de bens tombados, pertencentes a pessoas naturais ou a pessoas jurídicas de direito privado, a União, os Estados e os Municípios terão, nesta ordem, o direito de preferência. § 1º - Tal alienação não será permitida sem que previamente sejam os bens oferecidos, pelo mesmo preço, à União, bem como ao Estado e ao Município em que se encontrarem. O proprietário deverá notificar os titulares do direito de preferência a usá-lo, dentro de trinta dias, sob pena de perdê-lo.

§ 2º - É nula a alienação realizada com violação do disposto no parágrafo anterior, ficando qualquer dos titulares do direito de preferência habilitado a seqüestrar a coisa e a impor a multa de vinte por cento do seu valor ao transmitente e ao adquirente, que serão por ela solidariamente responsáveis. A nulidade será pronunciada, na forma da lei, pelo juiz que conceder o sequestro, o qual só será levantado depois de paga a multa e se qualquer dos titulares do direito de preferência não tiver adquirido a coisa no prazo de trinta dias. § 3º - O direito de preferência não inibe o proprietário de gravar livremente a coisa tombada, de penhor, anticrese ou hipoteca. § 4º - Nenhuma venda judicial de bens tombados se poderá realizar sem que, previamente, os titulares do direito de preferência sejam disso notificados judicialmente, não podendo os editais de praça ser expedidos, sob pena de nulidade, antes de feita a notificação. § 5º - Aos titulares do direito de preferência assistirá o direito de remissão, se dela não lançarem mão, até a assinatura do auto de arrematação ou até a sentença de adjudicação, as pessoas que, na forma da lei, tiverem a faculdade de remir. § 6º - O direito de remissão por parte da União, bem como do Estado e do Município em que os bens se encontrarem, poderá ser exercido, dentro de cinco dias a partir da assinatura do auto de arrematação ou da sentença de adjudicação, não se podendo extrair a carta enquanto não se esgotar este prazo, salvo se o arrematante ou o adjudicante for qualquer dos titulares do direito de preferência. CAPÍTULO V Disposições gerais Artigo 23 - O Poder Executivo providenciará a realização de acordos entre a União e os Estados, para melhor coordenação e desenvolvimento das atividades relativas à proteção do patrimônio histórico e artístico nacional e para a uniformização da legislação estadual complementar sobre o mesmo assunto. Artigo 24 - A União manterá, para conservação e exposição de obras históricas e artísticas de sua propriedade, além do Museu Histórico Nacional e do Museu Nacional de Belas Artes, tantos outros museus nacionais quantos se tornarem necessários, devendo outrossim providenciar no sentido a favorecer a instituição de museus estaduais e municipais, com finalidades similares. Artigo 25 - O Serviço do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional procurará entendimentos com as autoridades eclesiásticas, instituições científicas, históricas ou artísticas e pessoas naturais e jurídicas, com o objetivo de obter a cooperação das mesmas em benefício do patrimônio histórico e artístico nacional. Artigo 26 - Os negociantes de antigüidade, de obras de arte de qualquer natureza, de manuscritos e livros antigos ou raros são obrigados a um registro especial no Serviço do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional, cumprindo-lhes outrossim apresentar semestralmente ao mesmo relações completas das coisas históricas e artísticas que possuírem. Artigo 27 - Sempre que os agentes de leilões tiverem de vender objetos de natureza idêntica à dos mencionados no artigo anterior, deverão apresentar a respectiva relação ao órgão competente do Serviço do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional, sob pena de incidirem na multa de cinqüenta por cento sobre o valor dos objetos vendidos.

Artigo 28 - Nenhum objeto de natureza idêntica à dos referidos no art. 26 desta lei poderá ser posto à venda pelos comerciantes ou agentes de leilões, sem que tenha sido previamente autenticado pelo Serviço do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional, ou por perito em que o mesmo se louvar, sob pena de multa de cinqüenta por cento sobre o valor atribuído ao objeto. Parágrafo único: A autenticação do mencionado objeto será feita mediante o pagamento de uma taxa de peritagem de cinco por cento sobre o valor da coisa, se este for inferior ou equivalente a um conto de réis, e de mais cinco mil-réis por conto de réis ou fração que exceder. Artigo 29 - O titular do direito de preferência goza de privilégio especial sobre o valor produzido em praça por bens tombados, quanto ao pagamento de multas impostas em virtude de infrações da presente lei. Parágrafo único - Só terão prioridade sobre o privilégio a que se refere este artigo os créditos inscritos no registro competente antes do tombamento da coisa pelo Serviço Nacional do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional. Artigo 30 - Revogam-se as disposições em contrário. Rio de Janeiro, em 30 de novembro de 1937; 116º da Independência e 49º da República. Getúlio Vargas Gustavo Capanema

resolve: 1. na Lei no 3. . assegurar condições de acesso. na Lei no 10. em cada caso específico. sistemas e redes de informática. b) Cada intervenção deve ser considerada como um caso específico. conforme especifica. que cria o instituto do tombamento ou. na Lei no 7. de 24 de outubro de 1989. de 20 de dezembro de 1.853. a fim de equiparar as oportunidades de fruição destes bens pelo conjunto da sociedade.048. pela incorporação de dispositivos. e outras categorias. redução ou superação de barreiras na promoção da acessibilidade aos bens culturais imóveis devem compatibilizar-se com a sua preservação e. observadas as seguintes premissas: a) As intervenções poderão ser promovidas através de modificações espaciais e estruturais. bem como pela utilização de ajudas técnicas e sinalizações específicas.924. critérios e recomendações para a promoção das devidas condições de acessibilidade aos bens culturais imóveis especificados nesta Instrução Normativa. no uso das atribuições que lhe são conferidas pelo art. o Decreto nº 2. no Decreto no 3.405. Estabelecer diretrizes. de 30 de novembro de 1937. de trânsito.Decreto-lei no 25. 20. facilitando a utilização desses bens e a compreensão de seus acervos para todo o público. Dispõe sobre a acessibilidade aos bens culturais imóveis acautelados em nível federal. A PRESIDENTE DO INSTITUTO DO PATRIMÔNIO HISTÓRICO E ARTÍSTICO NACIONAL. do Anexo I ao Decreto nº 4. avaliando-se as possibilidades de adoção de soluções em acessibilidade frente às limitações inerentes à preservação do bem cultural imóvel em questão. de 12 de novembro de 1.924.1.INSTITUTO DO PATRIMÔNIO HISTÓRICO E ARTÍSTICO NACIONAL INSTRUÇÃO NORMATIVA Nº 1.098. DE 25 DE NOVEMBRO DE 2003. Para efeito desta Instrução Normativa são adotadas as seguintes definições: a) Acautelamento: forma de proteção que incide sobre o bem cultural. de 19 de dezembro de 2.003. tendo em vista o disposto no Decreto-lei no 25. 1. em especial pelas pessoas portadoras de deficiência ou com mobilidade reduzida.098/2000. de 21 de outubro de 1998. regida por norma legal específica . devendo ser legíveis como adições do tempo presente. c) O limite para a adoção de soluções em acessibilidade decorrerá da avaliação sobre a possibilidade de comprometimento do valor testemunhal e da integridade estrutural resultantes.807.2. Tendo como referências básicas a LF 10.961.000 e na Lei no 10. de 30 de novembro de 1937.999. a NBR9050 da ABNT e esta Instrução Normativa. no caso dos monumentos arqueológicos ou pré-históricos.985. de orientação e de comunicação. as soluções adotadas para a eliminação. em harmonia com o conjunto.298. 1. inciso V. de 26 de julho de 1961.000. pela Lei 3. de forma a assegurar a acessibilidade plena sempre que possível. na Lei no 7. de 08 de novembro de 2.811. de 19 de agosto de 2. de 26 de julho de 1.

II) barreiras arquitetônicas na edificação: as existentes no interior dos edifícios públicos e privados. com o objetivo de assegurar a visibilidade e a ambiência do bem ou do conjunto. histórico. a liberdade de movimento e a circulação com segurança das pessoas. sejam ou não de massa. legalmente protegidos pelo Iphan. i) Pessoa portadora de deficiência ou com mobilidade reduzida: a que temporária ou permanentemente tem limitada sua capacidade de relacionar-se com o meio e de utilizá-lo. j) Barreiras: qualquer entrave ou obstáculo que limite ou impeça o acesso. etnográfico . l) Desenho universal: solução que visa atender simultaneamente maior variedade de pessoas com diferentes características antropométricas e sensoriais. arqueológico. cuja proteção se dê em caráter individual ou coletivo. f) Manutenção: operação contínua de promoção das medidas necessárias ao funcionamento e permanência dos efeitos da conservação. mobiliários e equipamentos urbanos. segura e confortável. dos espaços. de forma autônoma. III) barreiras nas comunicações: qualquer entrave ou obstáculo que dificulte ou impossibilite a expressão ou o recebimento de mensagens por intermédio dos meios ou sistemas de comunicação. paisagístico. se for o caso. respeitadas as marcas de sua passagem através do tempo. c) Bens culturais imóveis acautelados em nível federal: bens imóveis caracterizados por edificações e/ou sítios dotados de valor artístico. histórico. d) Preservação: conjunto de ações que visam garantir a permanência dos bens culturais. classificadas em: I) barreiras arquitetônicas urbanísticas: as existentes nas vias públicas e nos espaços de uso público. dos transportes e dos sistemas e meios de comunicação. podendo compreender também o seu entorno ou vizinhança. paisagístico. com o intuito de conter a sua deterioração. arqueológico. por pessoa portadora de deficiência ou com mobilidade reduzida. etnográfico. localizados em áreas urbanas ou rurais. h) Acessibilidade: possibilidade e condição de alcance para utilização. com segurança e autonomia. g) Restauração: conjunto de intervenções de caráter intensivo que.seja individualmente ou em conjunto. visa recuperar a plenitude de expressão e a perenidade do bem cultural.valor artístico. e) Conservação: intervenção voltada para a manutenção das condições físicas de um bem. .b) Bem cultural: elemento que por sua existência e característica possua significação cultural para a sociedade . com base em metodologia e técnica específicas. das edificações.

quiosques e quaisquer outros de natureza análoga. em ações propostas pelo Iphan. os serviços e fluxos da rede urbana. n) Ajuda técnica: qualquer elemento que facilite a autonomia pessoal ou possibilite o acesso e o uso de meio físico. Os bens culturais imóveis acautelados em nível federal de propriedade de terceiros. fontes públicas. seja unifamiliar ou multifamiliar. com base nesta Instrução Normativa. especialmente o estabelecido no art. toldos. conforme as categorias de imóveis e condições a seguir relacionadas. saneamento. a ordem de relevância cultural e de afluxo de visitantes.3. cabines telefônicas. com base no exercício do poder de polícia do Instituto. quando da intervenção para preservação. encanamento para esgotos. aquelas cuja utilização está voltada para fins comerciais ou de prestação de serviços (incluindo atividades de lazer e cultura) e abertas ao público em geral e. b) Os bens culturais imóveis acautelados em nível federal serão adaptados gradualmente.3. 23 da referida lei. abastecimento e distribuição de água. sempre que couber. iluminação pública. sem prejuízo das obrigações quanto à preservação. aquelas com destinação residencial. observando-se as seguintes orientações: a) Soluções em acessibilidade deverão ser implementadas em curto prazo. respeitando-se a disponibilidade orçamentária. bem como a densidade populacional da área no caso de sítios históricos urbanos. tendo em vista proporcionar à comunidade o efeito demonstrativo da ação do Iphan. Aplicar-se-á a presente Instrução Normativa do Iphan. salvo a realização de obras de conservação ou .098/2000. aquelas apropriadas ou administradas por entidades da Administração Pública e empregadas diretamente para atender ao interesse público. 1. Os imóveis próprios ou sob a administração do Iphan deverão atender as exigências da LF 10.m) Rota acessível: interligação ou percurso contínuo e sistêmico entre os elementos que compõem a acessibilidade. uso coletivo e uso privado: a partir da compreensão da LF 10. lixeiras. entende-se como: (1) de uso público.2.1. o) Elemento da urbanização: qualquer componente das obras de urbanização. 1. por seus respectivos Departamentos. aos responsáveis pelos bens culturais imóveis acautelados em nível federal. 1. contexto no qual se inserem as terminologias quanto aos usos das edificações. compreendendo os espaços internos e externos às edificações. Superintendências e Unidades. superpostos ou adicionados aos elementos da urbanização ou da edificação. (3) de uso privado. os níveis de intervenção estabelecidos pelos responsáveis para cada imóvel. marquises. (2) de uso coletivo. no cumprimento de suas obrigações quanto à acessibilidade e. postes de sinalização e similares.098/2000. tais como semáforos.3. verificada a disponibilidade imediata de recursos técnicos e financeiros. tais como os referentes a pavimentação. de forma que sua modificação ou traslado não provoque alterações substanciais nestes elementos. inerente à sua condição autárquica. q) Uso público. distribuição de energia elétrica. paisagismo e os que materializam as indicações do planejamento urbanístico. p) Mobiliário Urbano: o conjunto de objetos existentes nas vias e espaços públicos.

a fim de orientar a elaboração de diagnósticos e manutenção de registro dos resultados em inventários. legislação. Identificar. Tendo em vista a implementação do disposto nesta Instrução Normativa. reforma ou ampliação. quando da realização de obras de construção. 11 da LF 10. . conforme o art. 1. bem como a apreciação. c) Imóveis inseridos em sítios históricos. quando destinadas ao uso público ou coletivo e ainda que desprovidas de características relevantes para o patrimônio cultural. 2. para análise e aprovação do Iphan. na implantação de rotas acessíveis e remoção de barreiras presentes no espaço urbano ou natural. a esta Instrução Normativa. por iniciativa espontânea do proprietário na promoção de soluções em acessibilidade. em atendimento às iniciativas do Iphan ou dos demais gestores culturais competentes. no qual estiver integrado bem escultórico ou pictórico tombado pelo Iphan sujeita-se. Nos casos previstos para aplicação desta Instrução Normativa. Promover a capacitação dos quadros técnico e administrativo. paisagísticos ou arqueológicos acautelados em nível federal . O imóvel não acautelado em nível federal. na construção em terrenos não edificados e na reforma ou ampliação de edificações. acesso e atendimento adequados. tendo em vista a avaliação das condições de acessibilidade real e potencial dos bens culturais imóveis acautelados em nível federal. estadual ou municipal. conforme a LF 10. guarda e utilização dos bens culturais imóveis acautelados em nível federal. instrumentos de análise e de acompanhamento.3.manutenção. 1. nas seguintes situações: a) Imóveis de uso privado . tais como pesquisas ergonômicas. b) Imóveis de uso público ou de uso coletivo . que implique em obras de reforma.2. utilizando fontes diversas.3. deverá pautar-se nas diretrizes seguintes.nos casos previstos nas alíneas (a) e (b). critérios. pela substituição do uso privado por outro uso ou atividade que implique no cumprimento de determinações legais referentes às condições de acessibilidade. estão sujeitos à promoção de soluções em acessibilidade.por força da legislação federal. Elaborar e aperfeiçoar métodos. porém destinado ao uso público ou coletivo. incluída a restauração. 2.4.098/2000. técnicas e equipamentos. reunir e difundir informações destinadas a reduzir ou eliminar barreiras para promoção da acessibilidade aos bens culturais imóveis acautelados em nível federal.3. a adoção de soluções em acessibilidade dependerá de apresentação prévia de projeto pelo interessado. que servirão de fundamentação ao Plano Plurianual de Ação em Acessibilidade do Instituto: 2.098/2000. no que couber. apontando para a necessidade de reconhecer a diversidade dos usuários nas diversas ações de preservação. de modo a assegurar ao portador de deficiência e à pessoa com mobilidade reduzida. manuais e ajudas técnicas.1.nos casos de intervenção. inclusive através de intercâmbio internacional. parâmetros. a atuação do corpo funcional do Iphan e demais gestores de bens culturais imóveis acautelados em nível federal. reconstrução ou ampliação. 2. a serem previamente submetidas ao Iphan. normas e regulamentos. investigações sobre materiais.

no âmbito de sua competência. tais como instituições universitárias. sob a aprovação ou orientação do Iphan. entre outras práticas. Dar ampla divulgação à presente Instrução Normativa. 2.8.4. Sistematizar experiências e compilar padrões e critérios. observada em cada caso a compatibilidade com as características do bem e seu entorno. d) A compatibilidade de procedimentos entre os diferentes níveis de governo. e) A captação e direcionamento de recursos para o financiamento de ações para promoção da acessibilidade aos bens culturais imóveis acautelados em nível federal. órgãos públicos e concessionários. sobre a ação do Iphan na adoção de soluções para acessibilidade aos bens culturais imóveis acautelados em nível federal. Informar aos agentes de interesse. de revitalização e de promoção de bens culturais imóveis acautelados em nível federal sob a responsabilidade ou com a participação do Iphan. . que estejam diretamente afetos ao tema da preservação do patrimônio histórico e cultural ou que nele venham a interferir. Atuar em conjunto com os agentes públicos e realizar parcerias com os agentes privados e a sociedade organizada. organizações de profissionais. Articular-se com as organizações representativas de pessoas portadoras de deficiência ou com mobilidade reduzida. programas e ações em acessibilidade da União. tendo em vista: a) O desenvolvimento de ações dirigidas para a associação do tema da acessibilidade com a preservação de bens culturais imóveis acautelados em nível federal e respectivos acervos. instrumentos e práticas da Instituição. entre outros.aprovação e implementação de projetos de intervenção e a formulação de programas. a fim de instruir Manual Técnico destinado a estabelecer parâmetros básicos para acessibilidade aos bens culturais imóveis acautelados em nível federal. através da discussão conjunta de alternativas e do acompanhamento e avaliação. 2. 2.7.5. avaliados e aprovados pelas unidades do Iphan. b) A elaboração e implementação de programas específicos para acessibilidade aos bens culturais imóveis acautelados em nível federal. c) A inserção de critérios para promoção da acessibilidade nos programas de preservação. visando: a) O engajamento do Iphan no planejamento das políticas. especialmente no tocante à acessibilidade aos bens culturais imóveis acautelados em nível federal. e propiciar a atualização permanente dos procedimentos. 2. para que. e demais categorias quando couber. a fim de estimular iniciativas adequadas de intervenção nos bens culturais imóveis acautelados em nível federal.6. 2. b) Assegurar a sua participação nos processos de intervenção. incorporem soluções em acessibilidade segundo os preceitos do desenho universal e rota acessível. a fim de garantir a correta aplicação de soluções em acessibilidade.

devidamente identificados através de sinalização visual. entre outros. 3. além da adoção do Símbolo Internacional de Acesso nos casos previstos na LF 7. especialmente para a execução de projetos que envolvam os imóveis de propriedade ou administrados diretamente pelo Iphan.2. tátil ou sonora. interagir com o espaço e o acervo. 3. As propostas de intervenção para adoção de soluções em acessibilidade. incluindo dispositivos de segurança e saídas de emergência.10. 3. b) Percorrer os espaços e acessar as atividades abertas ao público. Os elementos e as ajudas técnicas para promover a acessibilidade devem ser incorporados ao espaço de forma a estimular a integração entre as pessoas portadoras de deficiência ou com mobilidade reduzida e os demais usuários. Realização de levantamentos . colocadas à disposição em salas de recepção acessíveis ou em casa de visitantes adaptadas. e) Nos casos em que os estudos indicarem áreas ou elementos em que seja inviável ou restrita a adaptação.3. iconográfico e documental -. Em qualquer hipótese.4. alcançar e controlar equipamentos. dispositivos e ajudas técnicas. Viabilizar recursos financeiros para o cumprimento do estabelecido nesta Instrução Normativa. os estudos devem resultar em abordagem global da edificação e prever intervenções ou adaptações que atendam às pessoas portadoras de deficiência ou com mobilidade reduzida. simbólica. segundo os preceitos de desenho universal e rota acessível.9. telefones e bebedouros.1. em garantia de sua integridade estrutural e impedimento da descaracterização do ambiente natural e construído. físico. através de percurso livre de barreiras e acessar o seu interior. oferecendo comodidade para todos. em suas diferentes necessidades. através de . observadas as características e a destinação do imóvel. 3. tais como: bilheterias. ainda que de maneira virtual. Informar ao público em geral sobre as condições de acessibilidade dos bens culturais imóveis acautelados em nível federal. 2. assim como dos demais bens culturais imóveis. tais como: escrita. c) Usufruir comodidades e serviços. vagas em estacionamentos. pela entrada principal ou uma outra integrada a esta. favorecendo a capacidade das pessoas portadoras de deficiência ou com mobilidade reduzida em manobrar e vencer desníveis. atenderão aos seguintes critérios: 3. proporcionando aos usuários: a) Alcançar o imóvel desde o passeio ou exterior limítrofes. a fim de assegurar a compatibilidade das soluções e adaptações em acessibilidade com as possibilidades do imóvel.histórico. sempre que possível e preferencialmente. total ou parcialmente. nos casos previstos nesta Instrução Normativa. braile. de propriedade ou sob a responsabilidade do Iphan. por meio dos diversos dispositivos e linguagens de comunicação.2. balcões e guichês. de forma autônoma. de acordo com as demandas dos usuários. banheiros. salas de repouso e de informações. d) Informar-se sobre os bens culturais e seus acervos. Estabelecimento de prioridades e níveis de intervenção.405/1985. lugares específicos em auditórios e locais de reunião. sonora e multimídia.

texturas. maquetes. prevendo-se rota acessível devidamente sinalizada e ambiente onde mobiliário. privilegiando-se os recursos passíveis de reversibilidade. 3. Em exposições temporárias e. arqueológicos e paisagísticos devem permitir o contato da pessoa portadora de deficiência ou com mobilidade reduzida com o maior número de experiências possível. 3. de alternativas como mapas. auditiva ou tátil. ajudas técnicas. indicativa ou de trânsito. peças de acervo originais ou cópias. A articulação das Unidades do Iphan com instituições governamentais dos Estados e Municípios. em ambientes apropriados. observando-se ainda: a) A implantação de condições de circulação que permitam a melhor e mais completa utilização do sítio. os centros de interesse e de maior afluência de pessoas. deverão ser mantidas à disposição das pessoas portadoras de deficiência ou com mobilidade reduzida. tecnologias ou acréscimos. através de rota acessível. a fim de possibilitar a sua identificação. Em bens culturais imóveis acautelados em nível federal. rampas e rebaixamento de calçadas. c) A instituição de um sistema integrado de elementos em acessibilidade. b) A adaptação de percursos e implantação de rotas acessíveis deve considerar a declividade e largura de vias e passeios. sons e símbolos. e demais aspectos implicados na sua implementação. o tipo de tecnologia e de material utilizados.7. as edificações à via pública e aos diversos espaços com características diferenciadas. adequação ou substituição dos elementos da urbanização e do mobiliário urbano. deve-se assegurar o acesso às pessoas portadoras de deficiência ou com mobilidade reduzida. quando couber. tais como a utilização de veículos adaptados e mirantes. como cadeiras de rodas. 4. bem como pela oferta.informação visual. cores e iluminação.5. através de. a adequação da sinalização.8.1. recomenda-se: 4. devendo-se considerar os seguintes procedimentos básicos: a adoção de pisos sinalizadores específicos. a reserva e distribuição de vagas para estacionamento. um itinerário adaptado. e demais categorias quando couber. pelo menos. Para fins de maior alcance desta Instrução Normativa. referenciado nos parâmetros técnicos definidos pela ABNT. d) A adoção de soluções complementares associadas à rota ou percurso acessíveis. de uso público ou coletivo. 3. . valendo-se de percursos livres de barreiras e sinalizados que unam. 3. de modo a permitir a inclusão de novos métodos.6. os serviços e fluxos. A intervenção arquitetônica ou urbanística contará com o registro e a indicação da época de implantação. além de pessoal treinado para a sua recepção. com o objetivo de compatibilizar procedimentos e dirimir dúvidas ou conflitos. a concepção. deve ser prevista em áreas de difícil acesso ou inacessíveis. com especificações de cores. em locais de visitação a bens integrados. sejam compatíveis com a melhor visão e entendimento das obras expostas. entre outras que permitam ao portador de deficiência utilizar suas habilidades de modo a vivenciar a experiência da forma mais integral possível. como parte do conjunto de soluções em acessibilidade. As soluções para acessibilidade em sítios históricos.

4. por intermédio ou diretamente pelo Iphan. Novos padrões ou critérios definidos pela legislação federal ou norma específica da ABNT. independente da condição de acautelamento. 5. e submetidas ao Programa Nacional de Apoio à Cultura . 6.2. nas situações em que a análise e aprovação de projetos sejam de responsabilidade do Iphan como entidade vinculada. observadas as distinções relacionadas ao mecanismo de apoio ao projeto cultural e à natureza do proponente. o Iphan indicará um responsável técnico para o acompanhamento.3. Promover os trâmites necessários para a adoção desta Instrução Normativa como parte integrante dos programas instituídos no âmbito do Ministério da Cultura. 8. 7. o qual permanecerá com o encargo até seis meses após a execução das intervenções. notadamente em relação às seguintes categorias de imóveis: a) Aquelas relacionadas no item 1. Nos casos omissos.11. MARIA ELISA COSTA Diário Oficial de 26. A incorporação das condições estabelecidas nesta Instrução Normativa aos programas e projetos apoiados financeiramente.decorrentes de imposições legais cumulativas em acessibilidade e incidentes sobre os bens imóveis acautelados em nível federal.2. integrarão automaticamente o conjunto de referências básicas desta Instrução Normativa.PRONAC. Seção 1 .2003. a partir da definição dos procedimentos necessários em cada situação. Esta Instrução Normativa entra em vigor na data de sua publicação. b) As edificações destinadas à atividade cultural. a fiscalização e a avaliação dos trabalhos. 4.3. A cada projeto aprovado. as soluções e especificações em acessibilidade serão fundamentadas em estudos ergonômicos.

Bruno Cajueiro .Citações O Arquiteto. Oscar Niemeyer A Planta. "A monumentalidade nunca me atemorizou quando um tema mais forte a justifica.. Le Corbusier Cidade. "A arquitetura consiste em estabelecer relações comoventes com materiais brutos. para a casa e para a cidade".. Bruno Cajueiro O arquiteto com o ponto desenha a reta. representa. As que justas ou não. modifica.. arbitrário. A planta traz em si a essência da sensação. sob o ponto de visa social.o mundo. Afinal. espírito de ordem. ditados por necessidades coletivas colocam de novo a questão da planta.. "A planta é geradora.. e com os quais: cria. A arquitetura é coisa de plástica. altera. e com ela desenha planos. A vida moderna pede.. Sem planta há desordem. constrói . transforma. "A arquitetura é a disciplina que organiza o espaço de vida do homem . Os grandes problemas de amanhã. o que ficou da arquitetura foram as obras monumentais.. o sentido das relações.. espera uma nova planta.. Le Corbusier Materiais. Mario Botta Monumentalidade. refaz. a arquitetura gera quantidades.. Diversidade Psicomotricidade Heterogeneidade Horizontalidade Sensorialidade Velocidade Densidade Espacialidade Centralidade Universidade Arquitetura. unidade de intenção. A paixão faz das pedras inertes um drama". as que marcam o tempo e a evolução da técnica. ainda nos comovem... A arquitetura está além das coisas utilitárias.. É a beleza a se impor na sensibilidade do homem"..

Das Necessidades Primordiais do homem. a habitação primordial do homem". A relação com a cidade é muito mais forte que o prédio em si". Mario Botta Três Níveis. A Relação com a cidade. a arquitetura precisa falar do grande passado. Penso que a arquitetura moderna deva assumir a responsabilidade: construir um lugar único e irrepetível. no entanto. de caverna primitiva... mas a da arquitetura da má qualidade. .. Mario Botta Refúgio. É necessário agir contra a banalização moderna... "O fato triste é que a arquitetura está se tornando cada vez mais pobre.. "Nas minhas casas. procuro inserir uma série de valores e uma organização do espaço que contenha elementos arquetípicos como a caverna. que a cidade é um lugar extraordinário. "Quando faço uma casa. Penso.. Mario Botta Arquétipo. construindo um prédio com uma identidade forte".. A cidade é nossa mãe". A grande poluição não é a dos carros. a imagem física da história. Espero que haja uma arcaicidade do futuro e que as obras de arquitetura sejam como um tótem.. mas um instrumento para construir esse lugar... Mario Botta "A finalidade de cada ato de criação é encontrar a riqueza do passado. Mario Botta "A arquitetura não é um instrumento para se construir em um lugar.. eu também construo um pedaço da cidade.. onde o homem encontre sua intimidade e sua memória".. fazendo com que os grandes centros urbanos percam sua identidade e assim morram um pouco. Mario Botta O Edifício. que falem das necessidades primordiais do homem". por exemplo. o que me interessa é transmitir uma sensação de refúgio. "Quando eu faço um prédio.Verticalidade Cidade Arquitetura e a Cidade. resultante da especulação imobiliária. mais homogeneizada.

à banalização do moderno. Mario Botta Continuidade. comunicar com o cosmos"." ". Mario Botta O Lugar. para que eu possa dormir com a luz. ou obra de arquitetura considerável pela sua dimensão ou magnificência. "Não se pode nem é justo inventar em uma noite toda a arquitetura.. a riqueza da cidade é a sua estratificação." Cidade... memória.. do primeiro andar para permitir a visão da paisagem.... irrepetível. proponho um modelo alternativo à crise do moderno. a identificação com a cultura do lugar. é representada pela paisagem dos seus espaços abertos. José Garcia Lamas A Rua.. "O lugar é um dos parâmetros fundamentais do projeto: cada solução tem o seu lugar.. Ela é para o arquiteto o mesmo que o museu para o artista. único.. mais do que a construção. A Crise do Moderno.. . Lawrence Halprin O Lote. e do segundo andar para a interação com o céu.. Mario Botta A Cidade. o lugar de confronto. de crescimento A Cidade e seus espaços. Todo projeto de arquitetura transforma o lugar de uma condição de natureza em uma condição de cultura". sua tensão. porque ela é um fato de continuidade.. obra de arquitetura ou escultura destinada a transmitir à posteridade a recordação de um grande homem ou feito. ".... sua acumulação histórica". mais contradições. construção... quase todas são em três níveis porque preciso da terra como espaço de transição entre o externo e o interno. O lote não é apenas uma porção cadastral: é também a gênese e fundamento do edificado. história.." Mario Botta O Monumento.Mario Botta "As minhas casas. José Garcia Lamas "O edifício não pode ser desligado do lote ou da superfície de solo que ocupa... " A cidade é o território mais importante porque há mais presença humana. Quando projetamos um edifício devemos Ter em mente que nosso cliente é a história"..

" "A monotonia é característica combatida em todas as fases do projeto. Carta de Atenas ".. normas e formas de arranjo mais flexíveis em relação as conformações espaciais possíveis e de abertura em relação a questão do meio urbano preexistente.. trabalhar. A vida só se desenvolve na medida em que são conciliados os dois princípios contraditórios que regem a "Introduzir o Sol (nas habitações) é o novo e mais imperioso dever do arquiteto. os valores de ordem psicológica e fisiológica próprios ao ser humano introduzem no debate preocupações de ordem individual e de ordem coletiva. Marcia Menneh O desenho.. que busca maior identidade em cada espaço projetado. Carta de Atenas As quatro funções. espacialmente discutível e que pouco a pouco se mostra carente de novas disposições. Silvio Soares Macedo Arquitetura e Cidade. Carta de Atenas O Sol. circular".. cujas normalizações são particularizadas. O resultado é este.... Deriva dos velhos bulevares no início do século e para o qual se voltaram os barões do café e da elite do império. utiliza-se do projeto cuidadoso dos edifícios e espaços livres. ..." As três matérias primas do Urbanismo.Silvio Soares Macedo "A rua modelo da cidade brasileira. "Justapostos ao econômico. através do desenho de uma paisagem rica e diversificada. "A Arquitetura preside os destinos da cidade". com calçadas ajardinadas e arborizadas.. que aberta no tocante à variedade de usos.. Para isso. a vegetação e o espaço são as três matérias primas do Urbanismo". As chaves do Urbanismo estão nas quatro funções: habitar... ao prédio e a rua... Carta de Atenas Carta de Atenas O Individual e o Coletivo. recrear-se (nas horas livres)... "O desenho mostra a limitação da norma.. com um resultado morfológico simplório. "." Monotonia.. São vias largas. O sol. um tecido urbano. é formalista e direcionista na busca de um padrão de assentamento dos novos volumes construídos.. ao social e ao político. é a rua-jardim.

nunca é fixa..... "É extremamente difícil falar do significado e dizer qualquer coisa de sensato". o instrumento de medida será a escala humana".. um desempenho no aqui e agora"... Frederick S. No Oriente.. mas temporal. Insolação.. ocupado aqui com as tarefas do Urbanismo... Carta de Atenas Forma... . Julien Greimas A casa. Carta de Atenas O Verde.." A História. Carta de Atenas Escala Humana." "O significado não existe: é um processo criativo. Pearls Significado. Sir Edwin Lutyens Forma e Função. Fred e Barbro Thompson "A polêmica ocidental sobre se a forma segue a função ou a função segue a forma é impossível. "Para o arquiteto.. muda também a forma que portanto... Alexander D'arcy Thompson Função. "A Arquitetura começa onde termina a função". Carta de Atenas "Densidades razoáveis devem ser impostas. de acordo com as formas de habitação postas pela própria natureza do terreno.personalidade humana: o individual e o coletivo. Significado. função e forma são uma e mesma coisa. "A forma é um diagrama de forças".. "A história está escrita no traçado e na arquitetura das cidades".. "As construções elevadas erguidas a grande distância uma das outras devem liberar o solo para amplas superfícies verdes".. Carta de Atenas Densidade.. A forma é a combinação de espaço e função e quando a função e o espaço mudam.." "Um número mínimo de horas de insolação deve ser fixado para cada moradia".

Paul Éluard "Quando as cumeeiras de nosso céu se juntarem Minha casa terá um telhado." .

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