A coleção dos principais documentos, recomendações e cartas conclusivas das reuniões relativas à proteção do patrimônio cultural, ocorridas em diversas

épocas e partes do mundo, sempre foi uma aspiração dos que trabalham com o tema. Seu conteúdo interessa a todos os que lidam na área patrimonial: proprietários e moradores de bens tombados, advogados, professores, estudantes, detentores do poder local nos sítios históricos, organizações governamentais ou não, afins ao Iphan e até mesmo meros curiosos. Clique para ter acesso a alguns desses documentos:
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Carta de Atenas - Sociedade das Nações- outubro de 1931; Carta de Atenas - CIAM - novembro 1933; Recomendação de Nova Delhi - Arqueologia - dezembro de 1956; Recomendação de Paris - Paisagens e Sítios - dezembro de 1962; Carta de Veneza - Monumentos e Sítios - maio 1964; Recomendação de Paris - Propriedade Ilícita de Bens Culturais - novembro 1964; Normas de Quito - novembro/dezembro 1967; Recomendação de Paris - Obras Públicas ou Privadas - novembro 1968; Compromisso de Brasília - abril 1970; Compromisso de Salvador - II Encontro de Governadores - outubro de 1971; Convenção de Paris - Patrimônio Mundial - novembro de 1972; Carta do Restauro - Governo da Itália - abril 1972; Declaração de Estocolmo - Ambiente Humano - junho 1972; Resolução de São Domingos - O.E.A. - dezembro 1974; Declaração de Amsterdã - Conselho da Europa - outubro 1975; Manifesto de Amsterdã - Carta Européia - outubro 1975; Recomendação de Nairóbi - Unesco - novembro 1976; Carta de Machu Picchu - Encontro Internacional de Arquitetos - dezembro 1977; Carta de Burra - Icomos - Austrália 1980; Carta de Florença - Icomos - maio 1981; Declaração de Nairóbi - Assembléia Mundial dos Estados - maio 1982; Declaração de Tlaxcala/México - Icomos - outubro 1982; Declaração do México - Icomos - Políticas culturais - 1985; Carta de Washington - Icomos - Cidades históricas - 1986; Carta de Petrópolis - Centros históricos - 1987; Carta de Cabo Frio - Encontro de Civilizações nas Américas - outubro de 1989; Carta do Rio - Conferência Geral das Nações Unidas - junho 1992; Carta de Fortaleza - 1997 - elaboração de diretrizes e a criação de instrumentos legais e administrativos visando a identificar, proteger, promover e fomentar os processos e bens, considerados em toda a sua complexidade, diversidade e dinâmica, particularmente, "as formas de expressão; os modos de criar, fazer e viver; as criações científicas, artística e tecnológicas", com especial atenção àquelas referentes à cultura popular.

Carta de Atenas
de outubro de 1931 Escritório Internacional dos Museus Sociedade das Nações A - Conclusões Gerais I - Doutrinas. Princípios Gerais. A conferência assistiu à exposição dos princípios gerais e das doutrinas concernentes à proteção dos monumentos. Qualquer que seja a diversidade dos casos específicos - e cada caso pode comportar uma solução própria - , a conferência constatou que nos diversos Estados representados predomina uma tendência geral a abandonar as reconstituições integrais, evitando assim seus riscos, pela adoção de uma manutenção regular e permanente, apropriada para assegurar a conservação dos edifícios. Nos casos em que uma restauração pareça indispensável devido a deterioração ou destruição, a conferência recomenda que se respeite a obra histórica e artística do passado, sem prejudicar o estilo de nenhuma época. A conferência recomenda que se mantenha uma utilização dos monumentos, que assegure a continuidade de sua vida, destinando-os sempre a finalidades que o seu caráter histórico ou artístico. II - Administração e legislação dos monumentos históricos. A conferência assistiu à exposição das legislações cujo objetivo é proteger os monumentos de interesse histórico, artístico ou científico, pertencentes às diferentes nações. A conferência aprovou unanimemente a tendência geral que consagrou nessa matéria um certo direito da coletividade em relação à propriedade privada. A conferência constatou que as diferenças entre essas legislações provinham das dificuldades de conciliar o direito público com o particular. Em conseqüência, aprovada a tendência geral dessas legislações, a conferência espera que elas sejam adaptadas às circunstâncias locais e à opinião pública, de modo que se encontre a menor oposição possível, tendo em conta os sacrifícios a que estão sujeitos os proprietários, em beneficio do interesse geral. Votou-se que em cada Estado a autoridade pública seja investida do poder do tomar, em caso de urgência, medidas de conservação. A conferência evidenciou o desejo de que o Escritório Internacional dos Museus publique uma resenha e um quadro comparativo das legislações em vigor nos diferentes Estados e os mantenha atualizados. III - A valorização dos monumentos. A conferência recomenda respeitar, na construção dos edifícios, o caráter e a fisionomia das cidades, sobretudo na vizinhança dos monumentos antigos, cuja proximidade deve ser objeto de cuidados especiais. Em certos conjuntos, algumas perspectivas particularmente pitorescas devem ser preservadas. Deve-se também estudar as plantações e ornamentações vegetais convenientes a determinados conjuntos de monumentos para lhes conservar a caráter antigo. Recomenda-se, sobretudo, a supressão de toda publicidade, de toda presença abusiva de

postes ou fios telegráficos, de toda indústria ruidosa, mesmo de altas chaminés, na vizinhança ou na proximidade dos monumentos, de arte ou de história. IV - Os materiais de restauração. Os técnicos receberam diversas comunicações relativas ao emprego de materiais modernos para a consolidação de edifícios antigos. Eles aprovaram o emprego adequado de todos os recursos da técnica moderna e especialmente, do cimento armado. Especificam, porém, que esses meios de reforço devem ser dissimulados, salvo impossibilidade, a fim de não alterar o aspecto e o caráter do edifício a ser restaurado. Recomendam os técnicos esses procedimentos especialmente nos casos em que permitam evitar os riscos de desagregação dos elementos a serem conservados. V - A deterioração dos monumentos. A conferência constata que, nas condições da vida moderna, os monumentos do mundo inteiro se acham cada vez mais ameaçados pelos agentes atmosféricos. Afora as preocupações habituais e as soluções felizes obtidas na conservação da estatuária monumental pelos métodos correntes, não se saberia, dada a complexidade dos casos no estado atual dos conhecimentos, formular regras gerais. A conferência recomenda: 1o - A colaboração em cada país dos conservadores de monumentos e dos arquitetos com os representantes das ciências físicas, químicas e naturais para a obtenção de métodos aplicáveis em casos diferentes. 2o - Que o Escritório Internacional de Museus se mantenha a par dos trabalhos empreendidos em cada país sobre essas matérias e lhes conceda espaço em suas publicações. A conferência, no que concerne à conservação da escultura monumental, considera que retirar a obra do lugar para o qual ela havia sido criada é, em princípio, lamentável. Recomenda, a título de precaução, conservar, quando existem, os modelos originais e, na falta deles, a execução de moldes. VI - Técnica da conservação A conferência constata com satisfação que os princípios e as técnicas expostas nas diversas comunicações se inspiram numa tendência comum, a saber: Quando se trata de ruínas, uma conservação escrupulosa se impõe, com a recolocação em seus lugares dos elementos originais encontrados (anastilose), cada vez que o caso o permita; os materiais novos necessários a esse trabalho deverão ser sempre reconhecíveis. Quando for impossível a conservação de ruínas descobertas durante uma escavação, é aconselhável sepultá-las de novo depois de haver sido feito um estudo minucioso. Não é preciso dizer que a técnica e a conservação de uma escavação impõem a colaboração estreita do arqueólogo e do arquiteto. Quanto aos outros monumentos, os técnicos unanimemente aconselharam, antes de toda consolidação ou restauração parcial, análise escrupulosa das moléstias que os afetam, reconhecendo, de fato, que cada caso contribui um caso especial.

muitos dos principais campos de escavações e dos monumentos antigos da Grécia. pronunciar-se sobre a oportunidade das providências a serem empreendidas e sobre o procedimento a ser seguido em cada caso particular. após haverem visitado. . pela proteção dos testemunhos de toda a civilização. 5 o . Caberia à Comissão Internacional de Cooperação Intelectual. 2 o . b) O papel da educação e o respeito aos monumentos. ou as instituições criadas ou reconhecidamente competentes para esse trabalho. Emite o voto de que as proposições a esse respeito. agindo no espírito do Pacto da Sociedade das Nações. quaisquer que eles sejam. ao mesmo tempo em que executava ele mesmo trabalhos consideráveis. sem causar o menor prejuízo ao Direito Internacional Público. emite o voto de que os educadores habituem a infância e a juventude a se absterem de danificar os monumentos. c) Utilidade de uma documentação internacional A conferência emite o voto de que: 1o . foram unânimes em prestar homenagem ao governo grego que.O escritório estude a melhor utilização das informações assim centralizadas. deseja que os Estados. cada vez mais concretamente para favorecer a conservação dos monumentos de arte e de história.Cada Estado. após sindicância do Escritório Internacional Museus e depois de haverem sido recolhidas todas as informações úteis. Os membros da conferência. de uma maneira geral. no curso de seus trabalhos e no correr dos estudos desenvolvidos nessa ocasião. manifestar seu interesse pela salvaguarda das obras-primas nas quais a civilização se tenha expressado em seu nível mais alto e que se apresentem ameaçadas. e lhes façam aumentar o interesse.A conservação dos monumentos e a colaboração internacional.VII . colaborem entre si. guardiã da civilização.Cada Estado deposite no Escritório Nacional de Museus suas publicações. considerando que esses sentimentos podem ser grandemente favorecidos por uma ação apropriada dos poderes públicos. 3 o . a) Cooperação técnica e moral A conferência. profundamente convencida de que a melhor garantia de conservação de monumentos e obras de arte vem do respeito e do interesse dos próprios povos. de cooperação intelectual da Sociedade das Nações. Nessa ocasião viram um exemplo que contribuiu para a realização das metas de cooperação intelectual. há muitos anos. notadamente junto à Comissão Nacional de Cooperação Intelectual interessada. aceitou a colaboração de arqueólogos e especialistas de todos os países. 4o . quando submetidas à organização. possam ser recomendadas à favorável atenção dos Estados. cuja necessidade foi aparecendo no curso dos trabalhos.Cada Estado constitua arquivos onde serão reunidos todos os documentos relativos a seus monumentos históricos.O escritório consagre em suas publicações artigos relativos aos procedimentos e ao métodos gerais de conservação dos monumentos históricos. acompanhado de fotografia e de informações. convencida de que a conservação do patrimônio artístico e arqueológico da humanidade interessa à comunidade dos Estados. publique um inventário dos monumentos históricos nacionais. Considera altamente desejável que instituições e grupos qualificados possam. A conferência.

e) Proteção do friso contra as intempéries. individualmente. A propósito do emprego do cimento como revestimento dos tambores de substituição. . mesmo reconhecendo que as razões invocadas por M. Balanos. que aproveitaram essa ocasião para expor suas experiências sobre o assunto. os membros da conferência procederam a uma longa troca de opiniões. Sob a orientação de M. Balanos assinalou que o emprego do ferro não apresentava inconveniente no caso da Acrópole. assim como a recuperação parcial do peristilo sul. relativo ao emprego de moldes como complemento da anastilose. que se pôs à disposição para prestar quaisquer explicações sobre os trabalhos em curso. Karo.B – Deliberação da conferência sobre a anastilose dos monumentos da Acrópole Havia sido previsto que uma das sessões da Conferência do EIM se detivesse na acrópole. Balanos sobre os trabalhos de anastilose já executados. que consiste em proteger esse friso com uma cobertura apropriada. Balanos. sua opinião sobre esse programa. e os membros da conferência usufruíssem das facilidades que lhes haviam sido oferecidos por M. Essa sessão. Balanos forneceu detalhes sobre o programa ulterior dos trabalhos. especialmente sobre os seguintes pontos: a) Recuperação da colunata norte do Partenon e recuperação do peristilo sul. segundo o projeto de M. que não prevê qualquer restauração além da simples anastilose. lembraram conseqüências às vezes desagradáveis desse emprego para a conservação das pedras e manifestaram sua preferência por metais menos susceptíveis de deterioração. permitindo-lhes pedir detalhes e emitir opiniões. alguns técnicos. 25 de outubro. constatando os resultados satisfatórios dos primeiros ensaios feitos por M. Sobre a proteção do friso contra as intempéries. os técnicos sublinharam o caráter particular dos trabalhos do Partenon e. Por outro lado. exprimiu o desejo de ouvir dos membros da conferência. tanto nos Propileus como no Partenon. M. Ao terminar. se abstiveram de opinar de um modo geral sobre essa questão. b) Emprego de cimento como revestimento dos tambores de substituição. Balanos. Sobre o primeiro ponto. sob a presidência de M. A escolha do metal a ser empregado para os grampos prendeu a atenção dos técnicos. No que concerne ao quarto problema colocado por M. Na segunda parte de sua exposição M. considerando as precauções tomadas e as condições climáticas peculiares no país. os membros da conferência acolheram o projeto preconizado por M. os membros da conferência aprovaram unanimemente os trabalhos de recuperação da colunata norte do Partenon. Karo. Balanos justificam o emprego do ferro no que diz respeito aos trabalhos da Acrópole. Balanos. certos técnicos recomendaram muita prudência e sublinharam a utilidade de testes preliminares. diretor dos trabalhos dos monumentos da Acrópole. se realizou na manhã de domingo. Durante a primeira parte da sessão os membros da conferência ouviram a exposição de M. d) Oportunidade do emprego de moldes como complemento da anastilose. Balanos nesse caso especial. c) Escala dos metais a serem empregados para os grampos.

Carta de Atenas
de novembro de 1933 Assembléia do CIAM CIAM – Congresso Internacional de Arquitetura Moderna – 1933 Primeira Parte Genera1idades A Cidade e sua Região 1 - A Cidade é só uma parte de um conjunto econômico, social e político que constitui a região. Raramente a unidade administrativa coincide com a unidade geográfica, ou seja, com a região. O recorte territorial administrativo das cidades pode ter sido arbitrário desde o início ou pode ter vindo a sê-lo posteriormente, quando, em decorrência de seu crescimento, a aglomeração principal uniu-se a outras comunidades e depois as englobou. Esse recorte artificial se opõe a uma boa gestão do novo conjunto. De fato, certas comunidades suburbanas puderam adquirir inopinadamente um valor imprevisível, positivo ou negativo, seja tornandose sede de residências luxuosas, seja acolhendo centros industriais dinâmicos, seja reunindo miseráveis populações operárias. Os limites administrativos aço que compartimentam o complexo urbano tornam-se então paralisantes. Uma aglomeração constitui o núcleo vital de uma extensão geográfica cujo limite é constituído pela zona de influência de uma outra aglomeração. Suas condições vitais são determinadas pelas vias de comunicação que asseguram suas trocas e ligam-se intimamente à sua zona particular. Só se pode enfrentar um problema de urbanismo referenciando-se constantemente aos elementos constitutivos da região e, principalmente, a sua geografia, chamada a desempenhar um papel determinante nessa questão: linhas de divisão de águas, morros vizinhos desenhando um contorno natural confirmado pelas vias de circulação, naturalmente inscritas no solo. Nenhuma atuação, pode ser considerada se não se liga ao destino harmonioso da região. O plano da cidade é só um dos elementos do todo constituído pelo plano regional. 2 - Justapostos ao econômico, ao social e ao político, os valores de ordem psicológica e fisiológica próprios ao ser humano introduzem no debate preocupações de ordem individual e de ordem coletiva. A vida só se desenvolve na medida em que são conciliados os dois princípios contraditórios que regem a personalidade humana: o individual e o coletivo. Isolado, o homem sente-se desarmado; por isso liga-se espontaneamente a um grupo. Entregue somente a suas forças, ele nada construiria além de sua choça e levaria, na insegurança, uma vida submetida a perigos e a fadigas agravados por todas as angústias da solidão. Incorporado ao grupo, ele sente pesar sobre si o constrangimento de disciplinas inevitáveis, mas, em troca, fica protegido em certa medida contra a violência, a doença, a fome: pode aspirar a melhorar sua moradia e satisfazer também sua profunda necessidade de vida social. Transformado em elemento constitutivo de uma sociedade que o mantém, ele colabora direta ou indiretamente nas mil atividades que asseguram sua vida fisica e desenvolvem sua vida espiritual. Suas iniciativas tornam-se mais frutíferas, e sua liberdade, melhor defendida, só se detém onde ameace a de outrem. Se os empreendimentos do grupo são sábios, a vida do indivíduo é ampliada e enobrecida. Se a preguiça, a estupidez e o egoísmo o assolam, o grupo, enfraquecido e entregue à desordem, só traz a cada um de seus

membros rivalidades, rancor e desencanto. Um plano é sábio quando permite uma colaboração frutífera, propiciando ao máximo a liberdade individual. Irradiação da pessoa no quadro do civismo. 3 - Essas constantes psicológicas e biológicas sofrerão a influência do meio: situação geográfica e topográfica, situação econômica e política. Primeiramente, da situação geográfica e topográfica, o caráter dos elementos água e terra, da natureza. do solo, do clima. A geografia e a topografia desempenham um papel considerável no destino dos homens. Não se pode esquecer jamais que o sol comanda, impondo sua lei a todo empreendimento cujo objetivo seja a salvaguarda do ser humano. Planícies, colinas e montanhas contribuem também para modelar uma sensibilidade e colinas e determinar uma mentalidade. Se o montanhês desce voluntariamente para a planície, o homem da planície raramente sobe os vales e dificilmente transpõe os desfiladeiros. Foram os cumes dos montes que delimitaram as áreas de aglomeração onde, pouco a pouco, reunidos por costumes e usos comuns, os homens se constituíram em povoações. A proporção dos elementos água e terra, quer atue na superfície, opondo as regiões lacustres ou fluviais às extensões de estepes, quer se expresse em densidade, produzindo aqui gordos pastos e, ali, pântanos ou desertos, conforma, ela também, atitudes mentais que se inscreverão nos empreendimentos e encontrarão sua expressão na casa, na aldeia ou na cidade. Conforme a incidência do sol na curva meridiana, as estações se contrapõem brutalmente ou se sucedem em passagens imperceptíveis e, ainda que em sua esfericidade contínua, de parcela em parcela, a Terra não experimente ruptura, surgem inúmeras combinações, cada uma das quais com seus caracteres particulares. Enfim as raças, com suas religiões ou suas filosofias variadas, multiplicam a diversidade dos empreendimentos e cada uma propõe seu modo de ver e sua razão de viver pessoais. 4 - Em segundo lugar, da situação econômica. Os recursos da região, contatos naturais ou artificiais com o exterior... A situação econômica, riqueza ou pobreza, é uma das grandes forças da vida, determinandolhe o movimento na direção do progresso ou da regressão. Ela desempenha o papel de um motor que, de acordo com a força de sua pulsações, introduz a, prodigalidade, aconselha a prudência ou impõe a sobriedade; ela condiciona as variações que traçam a história da aldeia, da cidade ou do país. A cidade cercada por uma região coberta de cultivos tem seu abastecimento assegurado. Aquela que dispõe de um subsolo precioso se enriquece com matérias que lhe servirão como moeda de troca, sobretudo se ela é dotada de uma rede de circulação suficientemente abundante para permitir-lhe entrar em contato útil com seus vizinhos próximos ou distantes. A tensão da engrenagem econômica, embora dependa em parte de circunstâncias invariáveis, pode ser modificada a cada momento pelo aparecimento de forças imprevistas, que o acaso ou a iniciativa humana podem tornar produtivas ou deixar inoperantes. Nem as riquezas latentes, que é preciso querer explorar, nem a energia individual têm caráter absoluto. Tudo é movimento, e o econômico, afinal, é sempre um valor momentâneo. 5 - Em terceiro lugar, da situação política, sistema administrativo. Fenômeno mais variável do que qualquer outro, sinal da vitalidade do país, expressão de uma sabedoria que atinge seu apogeu ou já toca seu declínio. Se a política é de natureza essencialmente variável, seu, fruto, o sistema administrativo, possui uma estabilidade natural que lhe permite, ao longo do tempo, uma permanência maior e não autoriza modificações

muito freqüentes. Expressão da dinâmica política, sua duração é assegurada por sua própria natureza e pela própria força das coisas. É um sistema que, dentro de limites bastante rígidos, rege uniformemente o território e a sociedade, impõe-lhes seus regulamentos e, atuando regularmente sobre todos os meios de comando, determina modalidades uniformes de ação em todo o país. Esse quadro econômico e político, cujo valor embora tenha sido confirmado pelo uso durante um certo período, pode ser alterado a qualquer instante em uma de suas partes, ou em seu conjunto. Algumas vezes, basta uma descoberta científica para provocar uma ruptura de equilíbrio, para fazer surgir a incompatibilidade entre o sistema administrativo de ontem e as imperiosas realidades de hoje. Pode ocorrer que algumas comunidades, que souberam renovar seu quadro particular, sejam afixidas pelo quadro geral do país. Este último pode, por sua vez, sofrer diretamente a investida das grandes correntes mundiais. Não há quadro administrativo que possa pretender a imutabilidade. 6 - No decorrer da História, circunstâncias particulares determinaram as características da cidade: defesa militar, descobertas científicas, administrações sucessivas, desenvolvimento progressivo das comunicações e dos meios de transporte (rotas terrestres, fluviais e marítimas, ferroviárias e aéreas). A história está inscrita no traçado e na arquitetura das cidades. Aquilo que deles subsiste forma o fio condutor que, juntamente com os textos e os documentos gráficos, permite a representação de imagens sucessivas do passado. Os motivos que deram origem às cidades foram de natureza diversa. Por vezes era o valor defensivo. E o alto de um rochedo ou a curva de um rio viam nascer um pequeno burgo fortificado. Ás vezes, era o cruzamento de duas rotas, unia cabeça de ponte ou uma baía do litoral que determinava a localização do primeiro estabelecimento. A cidade era de formato incerto, mais freqüentemente em círculo ou semicírculo. Quando era uma cidade de colonização, organizavam-na como um acampamento, com eixos de ângulos retos e cercada de palíçadas retilíneas. Tudo nela era ordenado segundo a proporção, a hierarquia e a conveniência. Os caminhos partiam dos portões da muralha e estendiam-se obliquamente na direção de alvos distantes. Podemos encontrar ainda no desenho das cidades o primeiro núcleo compacto do burgo, as muralhas sucessivas e o traçado dos caminhos divergentes. As pessoas aí se aglomeravam e encontravam, conforme o grau de civilização, uma dose variável de bem-estar. Aqui, regras profundamente humanas ditavam a escolha dos dispositivos; ali, constrangimentos arbitrários davam origem a injustiças flagrantes. Sobreveio a era do maquinismo. A uma medida milenar, que se poderia crer imutável, a velocidade do passo humano, somou-se uma medida em plena evolução, a velocidade dos veículos mecânicos. 7 - As razões que presidem o desenvolvimento das cidades estão, portanto, submetidas a mudanças contínuas. Aumento ou redução de uma população, prosperidade ou decadência da cidade, demolição de muralhas que se tornaram asfixiantes, novos meios de transporte ampliando a zona de trocas, benefícios ou malefícios de uma política escolhida ou suportada, aparecimento do maquinismo, tudo é movimento. À medida que o tempo passa, os valores indubitavelmente se inscrevem no patrimônio de um grupo, seja ele cidade, país ou humanidade; a vetustez, não obstante, atinge um dia todo conjunto de construções ou de caminhos. A morte atinge tanto as obras como os seres. Quem fará a discriminação entre aquilo que deve subsistir e aquilo que deve desaparecer? O espírito da cidade formou-se no decorrer dos anos; simples construções adquiriram um valor eterno na medida em que simbolizam a alma coletiva; constituem o

revolta. Um ritmo furioso associado a uma precariedade desencorajante desorganiza as condições de vida. 4 . 5 . expresso. 2 . seus empreendimentos. caracterizado pelos seguintes sinais: 1 . 800 e até 1000 habitantes. em sua distribuição sobre a terra. a raça. tanto físicas quanto morais. corrompem sua vida íntima. 6 .O advento da era da máquina provocou imensas perturbações no comportamento dos homens.No interior do núcleo histórico das cidades. pode ser totalmente modificada pela altura dos edifícios. no campo. A densidade admissível para as construções dessa natureza é de 250 a 300 habitantes por hectare. relação entre as cifras da população. ultrapassada a porta da muralha. traz seus frutos envenenados: doença. nas cidades. O caos entrou nas cidades. em compensação. porém. o costume. Até então. a população é muito densa (chega a mil e até mil e quinhentos habitantes por hectare). os espaços verdes eram imediatamente acessíveis. entupindo as cidades e. e o desconhecimento das necessidades vitais. movimento desenfreado de concentração nas cidades a favor das velocidades mecânicas. da má orientação do imóvel. 3 . a cidade comporta um valor moral que pesa e que lhe está indissoluvelmente ligado. ao desprezar harmonias seculares. Segunda Parte Estado Atual Crítico das Cidades Habitação Observações 9 . Rompeu um equilíbrio milenar. decadência. pelo abandono de numerosas terras. por um congestionamento que as encurrala na desordem e. A densidade. Quando essa densidade atinge. Mas.Vetustez e presença permanente de germes mórbidos (tuberculose). dando às proximidades um ar de qualidade. tem-se o cortiço. da presença de vizinhanças desagradáveis. 8 . O mal é universal. sem querer limitar a amplitude dos progressos futuros. foram sendo acrescentados anéis urbanos. 600.arcabouço de uma tradição que. evolução brutal e universal sem precedentes na História. As moradias abrigam mal as famílias. O emprego da máquina subverteu condições de trabalho.Insuficiência de superfície habitável por pessoa. a região. assim como em determinadas zonas de expansão industrial do século XIX. substituindo a .Ausência ou insuficiência de instalações sanitárias. e a superfície que ela ocupa. perturbando as relações naturais que existiam entre a casa e o locais de trabalho. em. aplicando um golpe fatal no artesanato. assim como o clima. opondo-se ao ajuste das necessidades fundamentais. a técnica de construção tinha limitado a altura das casas a aproximadamente seis pavimentos. Ao longo dos séculos.Promiscuidade proveniente das disposições internas da moradia. era em geral cheio de construções comprimidas e privadas de espaço. Por ser uma pequena pátria. como em vários bairros. cerceado pelas muralhas militares. O núcleo das cidades antigas. esvaziando o campo.Ausência de sol (orientação para o norte ou conseqüência da sombra projetada na rua ou no pátio). condiciona a formação do indivíduo.Mediocridade das aberturas para o exterior.

incapaz de adotar. Para o enriquecimento de alguns egoístas. Estado de coisas ainda agravado pela presença de uma população com padrão de vida muito baixo.As construções destinadas à habitação são distribuídas pela superfície da cidade em contradição com os requisitos da higiene. A adesão a esse postulado permite julgar as coisas existentes e apreciar as novas propostas de um ponto de vista verdadeiramente humano. Nessa ordem de idéias. Não nos esqueçamos de que a sensação de espaço é de ordem psicofisiológica e que a estreiteza das ruas e o estrangulamento dos pátios criam uma atmosfera tão insalubre para o corpo quanto deprimente para o espírito. criadores de oxigênio e que seriam tão propícios aos folguedos das crianças. que comanda todo crescimento. O 4o Congresso CIAM. para espalhar seus raios. é prolongada no exterior pela estreiteza das ruas sombrias e total falta de espaços verdes.vegetação pela pedra e destruindo as superficies verdes. deveria penetrar no interior de cada moradia. O sol. 11 . tolera-se. as condições de habitação são nefastas pela falta de espaço suficiente destinado à moradia. uma ruptura que enfraquece seu corpo e arruína sua sensibilidade. sobre as quais se debruçavam as sucessivas muralhas. Por "condições naturais" entende-se a presença. . e essa não é a causa menor da penúria pela qual o mundo se encontra presentemente oprimido. Esse afastamento cada vez maior dos elementos naturais aumenta proporcionalmente a desordem higiênica. pela falta de superfícies verdes disponíveis. deveria ser distribuído com liberalidade. de certos elementos indispensáveis aos seres vivos: sol. de conservação das construções (exploração baseada na especulação). cuja miséria. a vegetação. tolera-se que uma mortalidade assustadora e todo tipo de doenças façam pesar sobre a coletividade uma carga esmagadora. com a doença e a decadência. É o estado interior da moradia que constitui o cortiço. de ordem tanto psicológica quanto fisiológica. todavia que aquele que a explora possa considerá-la ainda. espaço. em grande parte. cuja qualidade é assegurada pela presença da vegetação. Ainda que seu valor de habitabilidade seja nulo. vegetação. Uma expansão sem controle privou as cidades desses alimentos fundamentais. O espaço. O indivíduo que perde contato com a natureza é diminuído e paga caro. impunemente e às expensas da espécie. deveria ser puro.Nos setores urbanos congestionados. Nessas condições. enfim. O primeiro dever do urbanismo é pôr-se de acordo com as necessidades fundamentais dos homens. por si mesma. medidas defensivas (a mortalidade atinge até vinte por cento). as altas densidades significam o mal-estar e a doença em estado permanente. pulmões da cidade. entretanto. uma renda importante. Condenar-se-ia um açougueiro que vendesse carne podre. realizado em Atenas. pela falta. 12 . corrompida pelas alegrias ilusórias da cidade. em proporção suficiente. uma mercadoria negociável. Quanto mais a cidade cresce. A despesa comprometida numa construção erguida há seculos foi amortizada há muito tempo. a medida foi ultrapassada no decorrer dos últimos cem anos. sob forma de moradia. chegou ao seguinte postulado: o sol. A saúde de cada um depende. menos as "condições naturais" são nela respeitadas. mas a legislação permite impor habitações podres às populações pobres. o espaço são as três matérias-primas do urbanismo. sem os quais a vida se estiola.O crescimento da cidade devora progressivamente as superfícies verdes limítrofes. de sua submissão às "condições naturais". 10 . ela continua a fornecer. livre da poeira em suspensão e dos gases nocivos. O ar. enfim.

etc. 16 . infelizmente. os bairros residenciais as moradias são distribuídos segundo a circunstância. 15 .13 . Ele considerará que uma encosta voltada para o norte. Cada uma dessas vias desempenhará sua função. montes. É urgente e necessário modificar certos usos. lagos. provase assim que as aspirações instintivas do homem o induzem. mar. que devem não somente assegurar a proteção da pessoa humana mas também dar-lhe meios para um aperfeiçoamento crescente. para sempre. sempre que seus recursos lhe permitem. cada uma das quais reclama seu espaço particular: locais de habitação. a procurar condições de vida e uma qualidade de bem estar cujas raízes se encontram na própria natureza. nunca atraiu ninguém. com vista e espaços graciosos dando para perspectivas paisagísticas. uma certa qualidade de bem-estar. e com uma insolação abundante. Nenhuma legislação interveio ainda para fixar as condições habitação moderna. poeiras e gases nocivos. setores invadidos por nevoeiros. 14 . mais baixos. atribuir-se-á. por uma rigorosa regulamentação urbana.. É preciso tornar acessível para todos. O zoneamento é a operação feita sobre um plano de cidade com o objetivo de atribuir a cada função e a cada indivíduo seu justo lugar. por meio de uma legislação implacável.. onde gozará de sol. a que chamamos de mão-de-obra comum. centros industriais ou comerciais. em decorrência de sua orientação. A habitação se erguerá em seu meio próprio. então não estará mais unida à rua por sua calçada. de ar puro e de silêncio. deletérios de alguma indústria. o solo urbano. Um geômetra municipal não hesitará em traçar uma rua que privará de sol milhares de casas. Se se quiser levar em consideração esta interdição. acharão natural destinar à instalação de um bairro operário uma zona até então negligenciada porque as névoas a invadem. . independente de qualquer questão de dinheiro. ao abrigo dos ventos hostis. reservando só para alguns favorecidos da sorte o benefício das condições necessárias para uma vida sadia e ordenada. salas ou terrenos destinados ao lazer. pelos gases. doravante. será sempre bom o bastante para acomodar as populações desenraizadas e sem vínculos sólidos. A casa. às vezes. que famílias inteiras sejam privadas de luz. pela fumaça de carvão. de ar e de espaço.Essa distribuição parcial da habitação é sancionada pelo uso e por disposições edílicas que se consideram justificadas: o zoneamento. por gases industriais passíveis de inundações etc).As construções arejadas (habitações ricas) ocupam as zonas favorecidas. que um terreno envenenado pela fuligem. Mas se a força das coisas diferencia a habitação rica da habitação modesta. zonas independentes à habitação e à circulação. e de vias de percurso rápido para o uso de veículos. Certos edis. Ele tem por base a discriminação necessária entre as diversas atividades humanas. não se tem o direito de transgredir regras que deveriam ser sagradas. É preciso impedir. só se aproximando ocasionalmente da habitação. às vezes ruidosa. que. porque a umidade é excessiva ou porque os mosquitos nela pululam.As construções edificadas ao longo das vias de ao redor dos cruzamentos são prejudiciais à habitação: barulhos. ao sabor dos interesses mais inesperados e. Assim. As zonas favorecidas são geralmente ocupadas pelas habitações de luxo. A circulação se desdobrará por meio de vias de percurso lento para o uso de pedestres.Os bairros mais densos se localizam nas zonas menos favorecidas (encontas mal orientadas.

àqueles que buscam o lucro. limitando-se o julgamento a seu programa e a sua disposição arquitetônica. construído ao longo de uma via de acesso desprovido de proteção. e a criança. enquanto as outras três. constituem os "blocos". são regularmente privados de organizações pré ou pós-escolares que responderiam às necessidades mais imperiosas de sua idade. os "equipamentos de saúde". são também parcialmente privadas de sol. depois dos treze. capaz de lhes assegurar.17 – O alinhamento tradicional das habitações à beira das ruas só garante insolação a uma parcela mínima das moradias. 18 . essa proporção é ainda mais desastrosa. 19 .As escolas. infelizmente. dos pátios e da sombra projetada disso resultante. ao lado da instrução. A moradia abriga a família. escolas. colocadas nas únicas condições que permitem uma formação séria. estão em geral mal situadas no interior do complexo urbano. As escolas. devia acomodar-se em sua insegurança. função que constitui por si só todo um programa e coloca um problema cuja solução – que outrora já foi. seja ela voltada para a rua ou para o pátio. em consequência da estreiteza das ruas. ao acaso. a liberdade de restringir esses pátios a dimensões verdadeiramente escandalosas. trapezoidais ou triangulares. mas. é freqüente que nelas só se dispense a instrução propriamente dita. as áreas próprias à cultura fisica e ao esporte cotidiano de cada um. jardins de infância. feliz – está hoje entregue. O burgo era outrora uma unidade organizada no interior de uma muralha militar. elas colocam a criança em contato com os perigos da rua. muito particularmente. antes dos seis anos. ou o adolescente. Sua realização está apenas esboçada. por vezes. em geral. da maneira mais fragmentária e desvinculada das necessidades gerais das habitações. para completar.É arbitrária a distribuição das construções de uso coletivo dependente da habitação. A análise revela que nas cidades. sejam seus verdadeiros prolongamentos. . um pleno desenvolvimento. A necessidade de iluminar o centro desses blocos engendra pátios internos de dimensões variadas. era o escoadouro da população excedente que. Os subúrbios são descendentes degenerados dos arrabaldes. O benefício dessas instituições coletivas é evidentes.Os subúrbios estão organizados sem plano e sem ligação normal com a cidade. Muito longe da moradia. ruas paralelas ou oblíquas desenham superfícies quadradas ou retangulares. Além disso. Mas a família reclama ainda a presença de instituições que. mas sua necessidade é ainda mal compreendida pela massa. Em certos casos. As regulamentações edilícias deixam. O falso burgo contíguo a ele pelo lado de fora. Chega-se então a este triste resultado: uma fachada em quatro. São elas: centros de abastecimento. O alinhamento tradicional dos imóveis ao longo das ruas acarreta urna disposição obrigatória do volume construído. uma vez edificadas. creches. O estado atual e a distribuição do domínio edificado prestam-se mal às inovações por meio das quais a infância e a juventude seriam não somente protegidas de inúmeros perigos. 20 . não raro estão situadas nas vias de circulação e muito afastadas das habitações. às quais se somarão organizações intelectuais e esportivas destinadas a proparcionar aos adolescentes a possibilidade de trabalhos ou de jogos adequados à satisfação das aspirações próprias dessa idade e. de capacidades diversas que. serviços médicos. Ao serem cortadas. tanto físico quanto moral. está orientada para o norte e não conhece o sol. a proporção de fachadas não ensolaradas varia entre a metade e três quarto total. bom ou mau grado. ainda. fora da moradia e em suas proximidades.

Casinhas mal construídas. onde se arriscam todas as tentativas. É chocante a desproporção entre as despesas ruinosas causadas por tantas obrigações e a pequena contribuição que pode dar uma população dispersa. a circulação aí se torna perigosa. dispondo-se da insolação mais favorável e de superfícies verdes adequadas. polícia. entretanto. ao mesmo tempo. O subúrbio é o símbolo. eles são. barracos de madeira. Muito tarde! O subúrbio foi incorporado tardiamente ao domínio administrativo. cortados por ferrovias. que obriga a malbaratar o dinheiro público sem a contraparte de recursos fiscais suficientes. Sua miséria.Doravante os bairros habitacionais devem ocupar no espaço urbano as melhores localizações. É antes do nascimento dos subúrbios que a administração deve apro riar-se da gestão do solo que. 21 . caldo de cultura de revoltas. disseminado por todo o universo e levado a suas conseqüências extremas na América. cem vezes. Desse subúrbio doente. meios transporte rápidos. O proprietário de um terreno vago onde tenha surgido algum barraco. algumas das quais. aproveitando-se a topografia. é uma carga sufocante para a coletividade. enganchados às grandes vias de acesso por suas ruelas. Sede de uma população incerta. dez vezes. onde são jogados todos os resíduos. Paraísos ilusórios. onde a função distância-tempo suscita uma difícil questão que continua sem solução.Quando a criação de uma nova muralha encerrava um dia o falso burgo. No decorrer dos séculos XIX e XX. área sem traçado definido. Ela comprometeu seriamente o destino da cidade e suas possibilidades de crescer conforme uma regra. solução irracional. do fracasso e da tentativa. a cidade é obrigada a prover a área dos subúrbios dos serviços necessários: vias públicas. em toda sua extensão. A era do maquinismo é caracterizado pelo subúrbio. 22 . no seio da cidade.Freqüentemente os subúrbios nada mais são do que uma aglomeração de barracos onde a infra-estrutura indispensável dificilmente é rentável. com seu trecho de via. observando-se o clima. mais extenso do que a cidade. uma penosa desilusão! É preciso exigir 23 . ocorria uma primeira alteração na regra normal dos traçados. Quando a administração intervém para corrigir a situação. galpões onde se misturam bem ou mal os materiais mais imprevistos.Procurou-se incorporar os subúrbios ao domínio administrativivo. expõe aos olhos menos avisados a desordem e a incoerência de sua distribuição. domínio dos pobres diabos que oscilam nos turbilhões de uma vida sem disciplina. destinada a suportar inúmeras misérias. cerca a cidade para assegurar-lhe os meios para um desenvolvimento harmonioso. alguns procuram fazer cidades-jardins. choca-se com obstáculos insuperáveis e se arruína em vão. É uma espécie de onda batendo nos muros da cidade. para o viajante atraído pela reputação da cidade. porém. etc. canalização. iluminação e limpeza pública serviços hospitalares ou escolares. Os subúrbios são a sórdida antecâmara das cidades. vistos de avião. essa onda tornou-se maré. onde se instalam em geral os artesanatos mais modestos. Ele se constitui em um dos grandes males do século. A legislação imprevidente deixou que se estabelecessem. direitos de propriedade por ela declarados imprescritíveis. com as indústrias julgadas de antemão provisórias. galpão ou oficina não pode ser desapropriado sem inúmeras dificuldades. eis o subúrbio! Sua feiúra e sua tristeza são a vergonha da cidade que ele circunda. e depois inundação. conhecerão um crescimento gigantesco. . O subúrbio é um erro urbanístico. Sua densidade populacional é muito baixa e o solo dificilmente explorado. o subúrbio é com freqüência.

e sobre o mesmo solo. no plano geral. As leis de higiene universalmente reconhecidas fazem uma grave acusação contra as condições sanitárias das cidades. Fixar as densidades urbanas é realizar um ato de gestão pleno de conseqüências.A determinação dos setores habitacionais deve ser ditada por razões de higiene. Elas poderão variar segundo a destinação do solo urbano e resultar. levou-as ao caos. 26 . porém. Os melhores locais da cidade devem-lhe ser reservados. antecipadamente. por exemplo. estão construídas em condições contrárias ao bem público e privado. nas "condições naturais". locais de educação física e espaços diversos para esporte. tal como existem hoje. criá-las. ou recuperá-las. prevalece sobre todos. se foram destruídas. Bairros inteiros deveriam ser condenados em nome da saúde pública. as cidades têm razões particulares. em função das memórias históricas ou dos elementos de valor artístico que contêm. fixar a superfície e a capacidade necessárias à realização desse programa de cinqüenta anos. As densidades populacionais de uma cidade devem ser ditadas pelas autoridades. sabendo-se em que área útil. tanto quanto possível. 24 . O problema da moradia. que devem ser estudadas e que levarão a previsões que abarquem um certo espaço de tempo: cinqüenta anos.Densidades razoáveis devem ser impostas. utilizar as superficies verdes existentes. inserindo. é preciso. levando em consideração os ventos e a neblina. a "densidade" é determinada. Nossa tarefa atual é arrancá-las de sua desordem por meio de planos nos quais será previsto o escalonamento dos empreendimentos ao longo do tempo. numa cidade ou muito extensa ou concentrada sobre si mesma. Muitos fatores concorrem para a quantidade da moradia. o ar mais saudável. Poder-se-á pressupor uma certa cifra de população. A ciência. as áreas que lhes serão reservadas. estudando as radiações solares. que é uma das causas de seus males. ao modificar brutalmente determinadas condições centenárias. Não basta. ainda. Não basta sanear a moradia. de acordo com as formas de habitação postas pela própria natureza do terreno. A história mostra que sua criação e seu desenvolvimento obedeceram a razões profundas. Quando a cifra da população e as dimensões do terreno são fixadas. e. A era da máquina. tudo deve ser feito para recuperá-los. as cidades se desenvolveram sem controle e sem freio. superpostas ao longo do tempo. deverão ser parcialmente respeitados.Um número mínimo de horas de insolação deve ser fixado para cada moradia. O sol deve penetrar em toda moradia algumas horas por dia. Alguns. Tanto para nascer como para crescer. O sol é o senhor da vida. É preciso buscar ao mesmo tempo as mais belas paisagens. os declives melhor expostos. poderiam ser-lhe nocivas. de acordo com seu índice. fruto de uma especulação prematura. detectou aquelas que são indispensáveis á saúde humana e também aquelas que. se não existem. só merecem a picareta. há modos de preservar o que merece ser preservado. da habitação. formular um diagnóstico e nem sequer encontrar uma solução. prever qual "tempo-distância" será seu quinhão cotidiano. criar e administrar seus prolongamentos exteriores. em certos casos. mas é preciso. A medicina demonstrou que a tuberculose se instala onde o sol não penetra. outros.As cidades. Quando surgiu a era da máquina. enfim. mas freqüentemente se renovaram no decorrer dos séculos. . ainda. A displicência é a única explicação válida para esse crescimento desmesurado e absolutamente irracional. ela exige que o indivíduo seja recolocado. e que elas não apenas cresceram. que ela seja imposta pelas autoridades responsáveis. 25 . Será necessário alojá-la. mesmo durante a estação menos favorecida. e se eles foram devastados pela indiferença ou pela concupiscência. destruindo implacavelmente aquilo que constitui um perigo.

As vias de comunicação. todas em aço ou cimento armado. 4km horários. por um exame criterioso dos problemas urbanos. devem ser separadas. dos caminhões ou dos automóveis particulares. e as velocidades. a busca do ar mais puro e da insolação mais completa. 27 . 28 . a possibilidade de criar nas proximidades imediatas da moradia instalações coletivas. que elas estejam situadas as distâncias bem grandes umas das outras. ou privado de sol devido às sombras projetadas. Até o século XIX. só agravaria o mal existente.0 alinhamento das habitações ao longo das vias de comunicação deve ser proibido. No que concerne à habitação. no mínimo 2 horas por dia. resultantes de uma intensa circulação mecânica. mecânicas. um período intermediário fez uso dos ferros perfilados. interrompido por paradas intermitentes. O presente não é mais tão limitado. as razões que postulam a favor de uma determinada decisão são: a escolha da vista mais agradável. As construções atingem sessenta e cinco pavimentos ou mais. 29 . que serão os . centros de assistência. Na falta disso será negada a autorização para construir. criadas no tempo dos cavalos e só após a introdução dos coches. A construção de uma cidade não pode ser abandonada. ônibus ou bondes. os construtores não podiam erguer um imóvel que ultrapassasse seis pavimentos. depois vieram. enfim.As construções elevadas erguidas a grande distância umas das outras devem liberar o solo para amplas superfícies verdes. para evitar os atropelamentos. ainda.A sociedade não tolerará mais que famílias inteiras sejam privadas de sol e. caso contrário sua altura. É preciso exigir dos construtores uma planta demonstrado que no solstício de inverno o sol penetrará em cada moradia. a arte de construir casas só conhecia paredes constituídas de pedras. Resta determinar. isto é. É preciso. Antes dessa inovação absolutamente revolucionária na história da construção de casas. Elas recebem as mais variadas cargas e devem servir tanto para a caminhada dos pedestres. A cidade atual abre as inumeráveis portas de suas casas para essa ameaça e suas inumeráveis janelas para os ruídos. assim. de veículos rápidos de transporte coletivo. a altura que mais convém a cada caso particular. Introduzir o sol é o novo e o mais imperioso dever do arquiteto. condenadas ao definhamento. ou para aquele ainda mais rápido. Todo projeto de casa no qual um único alojamento seja orientado exclusivamente para o norte. terrenos para jogos.Os modernos recursos técnicos devem ser levados em conta para erguer construções elevadas. tijolos ou tabiques de madeira e tetos constituídos por vigas de madeira. A densidade de sua população deve ser elevada o bastante para validar a organização das instalações coletivas. as poeiras e os gases nocivos. que serão seus prolongamentos. Cada época utilizou em suas construções a técnica que lhe era imposta por seus recursos particulares. longe de construir um melhoramento. no século XX. as ruas do nossas cidades. é o grave erro cometido nas cidades das duas Américas. Esse estado de coisas exige uma modificação radical: as velocidades do pedestre. enquanto o pedestre disporá de caminhos diretos ou de caminhos de passeio para ele reservados. as construções homogêneas. As habitações serão afastadas das velocidades mecânicas. As calçadas. Apenas construções de uma certa altura poderão satisfazer a contento essas legítimas exigências. No século XIX. será rigorosamente condenado. quanto para o trânsito. são um remédio irrisório desde que as velocidades mecânicas introduziram nas ruas uma verdadeira ameaça de morte. sem programa. 50 a 100km horários. áreas escolares. à iniciativa privada. têm finalidades díspares. enfim. a serem canalizadas para um leito particular.

insuficientes. diretos. tais áreas estão situadas ou na periferia ou no coração de uma zona residencial particularmente luxuosa. que o maquinismo infalivelmente ampliará. Em ambos os casos. No primeiro caso. que continuará a se desenrolar em condições deploráveis. também. o grave problema da higiene popular permanecem ainda sem melhoria. Não interviera ainda o ponto de vista social. aos passeios ou aos jogos das horas de lazer. de fato. colocando alvenaria no lugar da relva e das árvores. 31 . elas só servirão aos citadinos no domingo e não terão influência alguma sobre a vida cotidiana. dentro dos limites das regras estabelecidas por esse. superfícies livres no interior de algumas cidades. dividir o terreno necessário tanto para as moradias particulares quanto para seus diversos prolongamentos. se cercam a própria habitação. fixar uma superfície para a cidade que não poderá ser ultrapassada durante um período determinado. estabelecer a relação entre a superfície construída e aquela deixada livre ou plantada. 32 . Decidir sobre a maneira como o solo será ocupado. devem ser seguidas. As horas dê trabalho. passeios sombreados ocupando a área de uma muralha militar derrubada. serão consagradas a uma reconfortante permanência no seio de elementos naturais. que dá hoje um sentido novo a sua destinação. estatuto.prolongamentos da moradia. não raro estão mal destinadas e.As superfícies livres são. Assim se construirá a cidade daqui para diante com toda segurança e. por um número suficiente de horas livres. Os dois últimos séculos consumiram com voracidade essas reservas. não tão próximas. são pouco utilizáveis pela massa dos habitantes. No segundo. sua destinação será a mesma: acolher as atividades coletivas da juventude. autênticos pulmões da cidade. propiciar um espaço favorável às distrações. que permita calcular a superfície reservada à cidade. a cada dia. em geral muscular e nervosamente extenuantes. elas serão. proibidas às multidões. da qual a autoridade está incumbida: a promulgação do "estatuto do solo". Elas são a sobrevivência. Outrora os espaços livres não tinham outra razão de ser que o deleite de alguns privilegiados. indiretos. sem que desempenhem seu papel de prolongamentos úteis da moradia. sendo sua função reduzida ao embelezamento. de reservas constituídas no passado: parques rodeando residências principescas. Seja como for. uma necessidade e constituem uma questão de saúde pública para .A situação excêntrica das superficies livres não se presta à melhoria das condições de habitação nas zonas congestionadas da cidade. jardins adjacentes a casas burguesas. portanto.Quando as superfícies livres têm uma extensão suficiente. ainda. cobrindo-os de imóveis. será admitida uma cifra de população presumível. Quando as cidades modernas possuem algumas superfícies livres e de uma extensão suficiente. miraculosa em nossa época. Lazer Observações 30 . se estão concentrados em algumas grandes superfícies. O urbanismo é chamado para conceber as regras necessárias a assegurar aos citadinos as condições de vida que salvaguardem não somente sua saúde física mas. constituir essa grave operação. será dada toda a liberdade à iniciativa privada e à imaginação do artista. Uma vez fixada essa densidade. Eles podem ser os prolongamentos diretos ou indiretos da moradia. em geral. por isso. A manutenção ou a criação de espaços livres são. Essas horas livres. sua saúde moral e a alegria de viver delas decorrente. distantes dos locais de habitação popular. Existem.

encontraram na periferia das cidades um abrigo provisório. Assim. desejosas de utilizar seu lazer semanal. Precariedade e transtornos incessantes. dos adolescentes e dos adultos. permitem verdadeiras viagens. das mais precárias.Doravante todo bairro residencial deve compreender a superfície verde necessária à organizacão racional dos jogos e esportes das crianças. dividida em múltiplas parcelas individuais. Esse estatuto terá a diversidade correspondente às necessidades a satisfazer. a textura do tecido urbano deverá mudar. fora da cidade e da região.na região 3 . as férias. uma porcentagem do solo disponível lhe será destinada. os locais ou os climas. . eram em geral instaladas provisioriamente: em terrenos destinados a receber futuros bairros residências ou industriais. o principal argumento a favor das cidades jardins. 33 . Contrariamente ao que ocorre nas cidades-jardins. as aglomerações tenderão a tornar-se cidades verdes. cuja utilidade constitui. ferrovias ou rios. 34 . a densidade da população ou a porcentagem de superficie livre e de superfície edificada poderão variar segundo as funções. colocar-se-á o problema dos transportes de massa.ao redor das moradias. O problema assim exposto implica a criação de reservas verdes: 1. poderá muito bem ser levado em consideração aqui. como a aragem eventual e a irrigação ou a rega.As raras instalações esportivas. Justa proporção entre volumes edifícados e espaços livres. mas certos empreendimentos coletivos.Os terrenos que poderiam ser destinados ao lazer semanal estão frequentemente mal articulados à cidade. Os volumes edificados serão intimamente amalgamados às superfícies verdes que os cercam. as superficies verdes não serão compartimentadas em pequenos elementos de uso privado. poderão aliviar os encargos e aumentar o rendimento. eis a única fórmula que resolve o problema da habitação. Esta decisão só terá resultado se estiver sustentada por uma verdadeira legislação: o "estatuto do solo". Esse problema deve ser considerado desde o instante em que se esboça o plano da região. mas consagradas ao desenvolvimento das diversas atividades comuns que formam o prolongamento da moradia. ele implica o estudo de diversos meios de transporte possíveis: estradas. Esse é um tema que constitui parte integrante dos postulados do urbanismo e ao qual os edis deveriam ser obrigados a dedicar toda a sua atenção. É preciso exigir 35 . As horas de liberdade cotidiana devem ser passadas nas proximidades da moradia. Uma vez escolhidos os locais situados nos arredores imediatos da cidade e próprios para se tomarem centros úteis de lazer semanal. Pode-se classificar as horas livres ou de lazer em três categorias: cotidianas.no país. Algumas associações esportivas. em geral. de fato. para serem colocadas nas proximidades dos usuários. O cultivo de hortas.a espécie. As zonas edificadas e as zonas plantadas serão distribuídas levando-se em consideração um tempo razoável para ir de umas às outras. 2 . isto é. As horas de liberdade anual. mas sua existência. De qualquer modo. semanais ou anuais. As horas de liberdade semanal permitem a saída da cidade e os deslocamentos regionais. não oficialmente reconhecidas é.

que se terá intimamente amalgamado aos volumes construídos e inserido nos setores habitacionais. e as instalações de caráter coletivo ocuparão seus gramados: creches.Os elementos existentes devem ser considerados: rios. que deverá ser cuidadosamente assegurado em toda parte. todavia. hotéis. florestas. círculos juvenis. estádios.36 . etc. organizações pré ou pós-escolares. As superfícies verdes. deverão estar o subordinadas ao estatuto do solo. os esportes de toda natureza: tênis. Deve ser estabelecido um programa de entretenimento abrangendo atividades de todo tipo: o passeio. Toda cidade possui em sua periferia locais capazes de corresponder a esse programa e que através de uma organização bem estudada dos meios de transporte. Na região que cerca a cidade. Elas deverão. tornar-se-ão facilmente acessíveis. jogos de quadra e torneios diversos. pelo menos nos bairros limítrofes. teatros ao ar livre. . estádios. não menos importante. mar.As novas superfícies verdes devem servir a objetivos claramente definidos: acolher jardins de infância. um abastecimento de água potável e víveres. o primeiro passo no caminho do saneamento. Dever-se-á aproveitar essa ocasião para substituí-los por parques que serão. centros de entretenimento intelectual ou de cultura física. de praias naturais ou artificiais constituindo uma imensa reserva cuidadosamente protegida. oferecendo mil oportunidades de atividades saudáveis ou de entretenimento útil ao habitante da cidade.Os quarteirões insalubres devem ser demolidos e substituídos por superfícies verdes: os bairros limítrofes serão saneados. etc. praias. locais para alojamento. ter um papel útil. escolas. são previstos equipamentos precisos: meios de transporte que demandem uma organização racional.. natação. 40 . áreas de esporte. que alguns desses quarteirões ocupem um local particularmente conveniente à construção de certos edifícios indispensáveis à vida da cidade. enfim. Enfim. centros juvenis ou todas as construções de uso comunitário ligadas intimamente à habitação. 39 .. em meio à beleza dos lugares. saberá dar-lhes a destinação que o plano geral da região e o da cidade tenham antecipadamente considerado a mais útil. atletismo. Nesse caso.. vales. albergues ou acampamentos e. amplos espaços deverão ser reservados e organizados. com uma ou outra árvore plantada. basquete. solitário ou coletivo. 37 .As horas livres semanais devem transcorrer em locais adequadamente preparados: parques. e o acesso a eles deverá ser assegurado por meios de transporte suficientemente numerosos e cômodos. concertos. 38 . morros. salas de leitura ou de jogos. futebol. antes de mais nada.. de bosques. áreas de esporte. Um conhecimento elementar das principais noções de higiene basta para discernir os cortiços e discriminar os quarteirões notoriamente insalubres. Pode acontecer. Estes quarteirões deverão ser demolidos. os espetáculos. Elas serão o prolongamento da habitação e. mas de verdadeiros prados. etc. montanhas. lago. como tal. não por função única o de embelezamento da cidade.Parques. um urbanismo inteligente. florestas. Não se trata mais de simples gramado cercando a casa. praias. Nada ou quase nada foi ainda previsto para o lazer semanal. pistas de corrida ou piscina ao ar livre.

Esse é um outro problema social muito importante. a questão da distância não desempenha mais. Horas inteiras se dissolvem nesses deslocamentos desordenados. Uma destinação fecunda das horas livres forjará uma saúde e um coração para os habitantes das cidades. fez-se surgir apressadamente cidades suburbanas. ainda que se tenha que procurar um pouco mais longe. os fundadores das indústrias instalaram suas empresas na cidade ou em seus arredores. administração. Derivou disso o grande mal dá época atual: nomadismo das populações operárias. unidas por vínculos estreitos e permanentes.Os locais de trabalho não estão mais dispostos racionalmente no complexo urbano: indústria. A expansão inesperada do maquinismo rompeu essas condições de harmonia. Mas. vastos e compactos blocos de caixotes para alugar ou loteamentos intermináveis. negócios. não mais abandonar a população às múltiplas desgraças da rua. a moradia e a oficina. enfim. . Mais vale escolher bem. ao longo das vias férreas introduzidas pelo século XIX. Saturada a cidade. sítios e paisagens que correspondam ao programa. trabalhar.A ligação entre a habitação e os locais de trabalho não é mais normal: ela impõe percursos desmesurados. no verão e no inverno. que a indústria do homem crie. cuja responsabilidade está nas mãos dos edis: encontrar uma contrapartida para o trabalho estafante da semana. Implantadas no coração dos bairros habitacionais. estavam situadas uma perto da outra. a despeito do mal que disso poderia resultar. aproveitando as disponibilidades imediatas de habitações e de abastecimento das cidades existentes. cujo tráfego a navegação a vapor multiplicava. A mão-de-obra intercambiável. fazendo-os perder inutilmente uma parte de suas horas de lazer. O desenvolvimento industrial depende essencialmente dos meios de abastecimento de matériasprimas e das facilidades de escoamento dos produtos manufaturados. A ruptura com a antiga organização do trabalho criou uma desordem indizível e colocou um problema para o qual. suporta de manhã. um papel preponderante. até o presente. quebrou as tradições seculares do artesanato e deu origem a uma nova mão-de-obra anônima e instável.Graças ao aperfeiçoamento dos meios mecânicos de transporte. e às margens das vias fluviais. Outrora. sem poder acolher novos habitantes. no caso. que absolutamente não está ligada por um vínculo estável à indústria. Desde então foram rompidas as relações normais entre essas duas funções essenciais da vida: habitar. 42 . em menos de um século. portanto. mas também de reparar as agressões que algumas delas tenham sofrido. Foi. as fábricas aí espalham suas poeiras e seus ruídos. Instaladas na periferia e longe desses bairros. ela transformou a fisionomia das cidades. para os subúrbios. comércio. Trabalho Observações 41 . Trata-se não só de preservar as belezas naturais ainda intactas. tornar o dia de repouso verdadeiramente revitalizante para a saúde fisica e moral. só foram dadas soluções paliativas. a que as indústrias verdadeiramente se precipitaram. artesanato. a perpétua movimentação e a deprimente confusão dos transportes coletivos. Os arrabaldes se enchem de oficinas e manufaturas e a grande indústria. que continua seu desenvolvimento sem limites. elas condenam os trabalhadores a percorrer diariamente longas distâncias em condições cansativas de pressa e de agitação. 43 . à tarde e à noite. é empurrada para fora. em parte.As horas de pico dos transportes acusam um estado crítico.

Estas transações precisam de escritórios. sendo a cota dos passageiros insuficiente para cobrir sua despesa. ausência de previsões. comunicações fáceis com o exterior. nesse domínio. e os usuários pagam caro. tudo foi deixado à improvisação que. sujeitas a todo tipo de crises e cuja situação é ás vezes instável. especulação com os terrenos. se às vezes favorece o indivíduo. Nada foi feito para submeter o surto industrial a regras lógicas. Um lugar de passagem é um elemento linear. Nada. O desenvolvimento industrial tem por corolário o aumento dos negócios. estabelecer contatos entre a fábrica ou a oficina. os escritórios se concentraram em centros de negócios. portanto. boa qualidade do ar. eles se tomam um pesado encargo público. ao invés de serem concêntricas. não obedecendo a regra alguma. instalações de aquecimento e de refrigeração. Tais equipamentos. o fornecedor e o cliente. sempre oprime a coletividade. rádio etc.Pela falta de qualquer programa . que asseguraria a cada um deles as melhores condições de funcionamento: circulação desembaraçada. A concentração das indústrias em anéis em tomo das grandes cidades pode ter sido. Os centros de negócio. As indústrias devem ser transferidas para locais de passagem das matérias-primas. falta organização propícia para seu desenvolvimento natural.Nas cidades. As cidades industriais. isoladamente. . terrestres ou férreas. Para remediar semelhante estado de coisas foram sustentadas teses contraditórias: fazer viver os transportes ou fazer viver bem os usuários dos transportes? É preciso escolher! Umas supõem a redução e as outras o aumento do diâmetro das cidades. trens de subúrbio. É preciso exigir 46 . indispensável ao andamento dos negócios. a agitação é frenética.Os transportes coletivos. Nas horas de pico. Como são negócios privados. ao contrário. horas de sacolejo somadas às fadigas do trabalho. Tudo aconselha um agrupamento. uma fonte de prosperidade. administração privada e comércio. É preciso comprar e vender. foi seriamente medido e previsto. para certas empresas. lineares. Esses escritórios são locais que requerem uma instalação particularizada. O solo das cidades e o das regiões vizinhas pertencem quase inteiramente a particulares. ao longo das grandes vias fluviais. iluminação. são caros. etc – a indústria se instala ao acaso. instalado nos locais privilegiados da cidade. são logo presa da especulação. A própria indústria está nas mãos de sociedades privadas. 45 . mas é preciso denuciar as deploráveis condições de vida que disso resultaram para a massa. centros postal e telefônico. dotados da mais completa circulação. A exploração desses transportes é ao mesmo tempo minuciosa e cara. ônibus e metrôs só funcionam verdadeiramente em quatro momentos do dia. sensível. 44 .crescimento descontrolado das cidades. Isto supõe uma nova distribuição. A duração das idas e vindas não tem relação com a trajetória cotidiana do sol.As distâncias entre os locais de trabalho e os locais de habitação devem ser reduzidas ao mínimo. conforme um plano cuidadosamente elaborado. diariamente. de todos os lugares destinados ao trabalho. Essa disposição arbitrária criou uma promiscuidade insuportável. uma organização que lhes proporciona. de seu próprio bolso. tornar-se-ão. silêncio.

rodoviária. a casa individual acoplada a uma pequena exploração rural e. A velocidade inteiramente nova dos transportes mecânicos. Uma zona verde separará este último das construções industriais. à medida em que se desenvolve. intimamente ligado à vida urbana. alguns hotéis e diversas (estações ferroviária. 49 . 48 . Os negócios assumiram uma importância tão grande que a escolha da localização que lhes será reservada exige um estudo muito particular. portanto. os locais de trabalho. nessa muralha . tanto com os bairros habitacionais quanto com as indústrias ou artesanato instalados na cidade ou em suas proximidades. desde o seu nascimento. As "condições naturais" assim reencontradas contribuirão para fazer cessar o nomadismo das populações operárias. A moradia inserida desde então em pleno campo. São atividades essencialmente urbanas e. dessas três vias conjugadas. difere da indústria e requer disposições apropriadas. ou às vezes até mesmo à antiguidade. ela poderá alinhar.A rede atual das vias urbanas é um conjunto de ramificações desenvolvidas em torno das grandes vias de comunicação.As zonas industriais devem ser contíguas à estrada de ferro. as administrações públicas. Ele emana diretamente do potencial acumulado nos centros urbanos. poderão ficar situados nos pontos mais intensos da cidade. o imóvel coletivo provido de todos os serviços necessários ao bemestar de seus ocupantes. O artesanato de livros. os setores de indústria e de artesanato. seu próprio setor habitacional. aérea). mantendo-se a uma proximidade que suprimirá os longos trajetos diários. enfim.O artesanato.47 .Os setores industriais devem ser independentes dos setores habitacionais e separados uns dos outros por uma zona de vegetação. estrada ou via férrea ou. estará completamente protegida dos ruídos e das poeiras. o rio ou o canal. O artesanato. ela voltará a ser um organismo familiar normal. Circulação Observações 51 . Na Europa. O centro de negócios deve encontrar-se na confluência das vias de circulação que servem ao mesmo tempo os setores de habitação. da qual procede diretamente. ao canal e à rodovia. joalheria. deve ser garantida boa comunicação. a ferrovia. que lhe será paralelo. deve poder ocupar locais claramente designados no interior da cidade. exige a criação de novas vias ou a transformação das já existentes. Primeiro foi traçada uma muralha de forma regular. que utilizam a rodovia. Três tipos de habitação estarão disponíveis para escolha dos habitantes: a casa individual da cidade-jardim. Tornando-se linear e não mais anelar. 50 . por sua natureza. consagrado à administração privada ou pública. É um programa de coordenação que deve levar em conta a nova distribuição dos estabelecimentos industriais e das moradias operárias que os acompanham. marítima. Certas cidades militares ou de colonização beneficiaram-se.Ao centro de negócios. costura ou moda encontra na concentração intelectual da cidade a excitação criadora que lhe é necessária. melhor ainda. de um plano deliberado. essas últimas remontam a um tempo bem anterior à idade média. A cidade industrial se estenderá ao longo do canal.

muitas delas puderam ser corrigidas ou retificadas. situados a 100.O dimensionamento das ruas.As distâncias entre os cruzamentos das ruas são muito pequenas. portanto. caminhões ou ônibus. subproduto direto da rede viária. ou mesmo 10 metros de distância uns dos outros. Espaços de 200 a 400 metros deveriam separá-los. Suas fachadas dão para ruas ou para pátios internos mais ou menos estreitos. 20. 53 . 52 . prever uma unidade de extensão razoável entre o local do arranque e aquele em que a freada torna-se necessária.A largura das ruas é insuficiente. tem ainda hoje força de lei. ficam paralisados. no decorrer do crescimento da cidade. de onde eles recebiam luz. concebidas para receber pedestres ou coches. É isso que explica sua disposição em ruas e ruelas estreitas que permitiam servir ao maior número possível de portas de habitação. Mas tarde. 55 . mas sempre conservarão sua determinação fundamental. que freqüentemente lhes impõe um traçado sinuoso. . Outras cidades. estender-se proporcionalmente ao crescimento de sua população. com a mesma finalidade. Não podiam. o que não os impede de serem um perigo permanente de morte. As primeiras casas se instalaram à beira delas. bondes. obrigados a frear com freqüência. hoje elas não correspondem aos meios de transporte mecânicos.terminavam as grandes vias de comunicação. Essas vias de comunicação estão intimamente ligadas à topografia da região. nasceram na intersecção de duas grandes rotas que atravessavam a região ou no ponto de cruzamento de vários caminhos radiais que partiam de um centro comum. Prevista para outros tempos. O problema é criado pela impossibilidade de conciliar as velocidades naturais. essa rede não pôde adaptarse às novas velocidades dos veículos mecânicos.As grandes vias de comunicação foram. desde então inadequado. que conservava sua estrutura primitiva. 54 . e perfurados. cercadas por muralhas. se opõe à utilização das novas velocidades mecânicas e à expansão regular da cidade. portanto. A freada não pode intervir brutalmente sem causar um desgaste rápido de suas principais órgãos. que não corresponde mais. Dever-se-ia. Para atingir sua marcha normal. Além disso. enquanto os veículos mecânicos. a nenhuma necessidade. do pedestre ou do cavalo. Sua mistura é fonte de mil conflitos. por razões de segurança. por pátios internos. 50. artérias secundárias cada vez mais numerosas. inoperante. ruas e ruelas foram prolongadas em avenidas e alamedas além do primeiro núcleo. O pedestre circula em uma insegurança perpétua. assim tiveram origem as ruas principais a partir das quais vieram ramificar-se. os veículos mecânicos precisam do arranque e da aceleração gradual. Era preciso agir com economia para fazer o terreno render o máximo de superfície habitável. com as velocidades mecânicas dos automóveis. A disposição interna tinha uma útil regularidade. Os cruzamentos das ruas atuais. há muito tempo. As vias principais sempre foram filhas da geografia. além disso. A rede circulatória que o contém tem dimensões e intersecções múltiplas. quando as muralhas fortificadas foram sendo afastadas. Procurar alargá-las é quase sempre uma operação onerosa e. mais numerosas. Esse sistema de construção. não convêm à boa progressão dos veículos mecânicos. É sempre o bloco edificado. As cidades antigas eram. essa organização das cidades teve como conseqüência o sistema de blocos edificados a prumo sobre a rua.

Também aqui o tempo andou muito depressa.Traçados de natureza suntuária. Certas avenidas concebidas para assegurar uma perspectiva monumental coroada por um monumento ou um edificio. Cada uma dessas atividades exigiria uma pista particular. ir de um extremo a outro. Ao penetrarem nas cidades. em número e natureza dos veículos. criar os escoadouros indispensáveis e chegar.Em inúmeros casos. considerar seu estado atual e procurar soluções que respondam de fato a necessidades estritamente definidas. e. a suprimir os engarrafamentos e o malestar constante de que são a causa. por ocasião da extensão da cidade. As vias destinadas a múltiplos usos devem permitir. condicionada para satisfazer necessidades claramente e caracterizadas. A circulação moderna é uma operação das mais complexas. elas seccionam arbitrariamente zonas inteiras. As antigas vias principais. É. a situação é grave para a economia geral e o urbanismo é chamado para considerar o remanejamento e o deslocamento de certas redes. Ela pede um programa cuidadosamente estudado. 57 . viram-se privados de contatos para eles indispensáveis. uma fonte de problemas constantes. A circulação tornou-se hoje uma função primordial da vida urbana. a determinados veículos. A estrada de ferro é uma via que não se atravessa. atravessar a cidade em simples trânsito. que saiba prever tudo o que é preciso para regularizar os fluxos. impostas desde o início da cidade pela topografia e pela geografia. e que formam o tronco da inumerável ramificação de ruas. conservaram quase sempre um tráfego intenso. Ela isola os bairros habitacionais. ela isola uns dos outros setores que. faltando precisão. ao mesmo tempo: aos automóveis. a malha das ruas apresenta-se irracional. privando-os de contatos úteis com os elementos vitais da cidade. de modo a fazê-las inserir-se na harmonia de um plano geral. às vezes. são. para os quais não foram feitas e à cuja velocidade nunca poderão ser adaptadas. percorrer itinerários prescritos. buscando objetivos representativos. 56 . ir dos centros de abastecimento a locais de distribuição infinitamente variados. aos pedestres. de perigo. tendo-se coberto pouco a pouco de habitações. uma causa de engarrafamento. 58 . É preciso que o problema seja retomado bem mais de cima. no presente. assim. portanto.Não há uma largura-tipo uniforme para as ruas. puderam ou podem constituir pesados entraves à circulação. É preciso exigir . um grave obstáculo à urbanização. flexibilidade. As estradas de ferro foram construídas antes da prodigiosa expansão industrial que elas mesmas provocaram. diversidade e adequação. ir de um extremo a outro. preciso dedicar-se a um estudo profundo da questão. Aquilo que era admissível e até mesmo admirável no tempo dos pedestres e dos coches pode ter-se tomado. de atraso. Elas são geralmente muito estreitas. Essas composições de ordem arquitetônica deveriam ser preservadas da invasão de veículos mecânicos. mas seu alargamento não é sempre uma solução fácil e nem sequer eficaz. a rede das vias férreas tornou-se. aos caminhões. aos ônibus e bondes. atualmente. Tudo depende de seu tráfego.Diante das velocidades mecânicas. Em certas cidades.

largura da calçada. ruas de passeio.As vias de circulação devem ser classificadas conforme sua natureza. Para permitir às moradias e a seus "prolongamentos" usufruir da calma e . provocou um fluxo inimaginável de veículos em certos pontos determinados. dar depois a essas vias. 61 .Os cruzamentos de tráfego interno serão organizados em circulação contínua por meio de mudanças de níveis. As ruas residenciais e as áreas destinadas aos usos coletivos exigem uma atmosfera particular. A rua única. são o melhor meio de assegurar-lhes uma marcha contínua. Os veículos em trânsito não deveriam ser submetidos ao regime de paradas obrigatórias a cada cruzamento. Já é tempo de remediar. motocicletas. trabalho que revelará os leitos de circulação e a qualidade de seus tráficos. seja as cargas pesadas ou os veículos em trânsito.com suas velocidades inesperadas. em cada via transversal. o caminho dos pedestres e o dos veículos mecânicos.As ruas devem ser diferenciadas de acordo com suas destinações: ruas de residências. para a grande circulação. que será receber seja os pedestres. bondes . A terceira. As ruas.Devem ser feitas análises úteis. Essa exigência concernente à circulação pode ser considerada tão rigorosa quanto aquela que. automóveis. locais e natureza dos cruzamentos ou das interligações. legada pelos séculos. Nas grandes vias de circulação e a distâncias calculadas para obter o melhor rendimento. condena toda orientação da moradia para o norte. conforme sua categoria. No século XX. vias principais. 60 . serão estabelecidas interligações unindo-as às vias destinadas à circulação miúda. deverão. caminhões. de acordo com a função para a qual forem destinadas. ruas de trânsito. Mudanças de nível. Somente uma visão clara da situação permitirá realizar dois progressos indispensáveis: dar a cada uma das vias de circulação uma destinação precisa. dimensões e características especiais: natureza do leito. As causas determinantes e os efeitos de suas diferentes intensidades aparecerão então claramente e será mais fácil discernir os pontos críticos. A circulação é uma função vital cujo estado atual deve ser expresso em gráficos. destinadas somente à pequena circulação. recebia outrora pedestres e cavaleiros indistintamente e só no final do século XVIII o emprego generalizado de coches provocou a criação das calçadas. A primeira medida útil seria separar radicalmente. vias de trânsito independentes das vias usuais. ao invés de serem liberadas a tudo e a todos.O pedestre deve poder seguir caminhos diferentes do automóvel Isso constituiria uma reforma fundamental da circulação nas cidades. A segunda. no domínio da habitação. abateu-se como um cataclisma a massa de veículos mecânicos . uma situação que caminha para ao desastre. e construídas em função dos veículos e de suas velocidades. nas artérias congestionadas. 63 . Não haveria nada mais sensato nem que abrisse uma era de urbanismo mais nova e mais fértil. considerar. dar às cargas pesadas um leito de circulação particular. seja os automóveis. 62 .59 . ter regimes diferentes.bicicletas. que torna inutilmente lento seu percurso. com base em estatísticas rigorosas do conjunto da circulação na cidade e sua região. O crescimento fulminante de algumas cidades como Nova York por exemplo. por meio de medidas apropriadas.

As avenidas de trânsito não terão nenhum contato com as ruas de circulação miúda. sem se preocupar com a miséria. Será bom que elas sejam ladeadas por espessas cortinas de vegetação. algumas serão conservadas a título de documentário. sua prioridade.da paz que lhes são necessárias. É assumir uma grave responsabilidade. e aqueles que os detêm ou são encarregados de sua proteção. sua mistura com os pedestres não oferecerá mais inconvenientes. em certos excepcionais. que não poupa nenhum ser vivo. que se manifesta ao longo dos séculos por obras materiais.. as outras demolidas. salvo nos pontos de interligação. depois. A morte. de uma era já encerrada. As grandes vias principais que estão relacionadas a todo o conjunto da região afirmarão. O problema deve ser estudado e pode às . atinge também as obras dos homens.. Sendo as vias de trânsito ou de grande circulação bem diferenciadas das vias de circulação miúda. naturalmente. nas quais. será procurada a solução capaz de conciliar dois pontos de vista opostos: nos casos em que se esteja diante de construções repetidas em numerosos exemplares. Espíritos mais ciosos do estetismo do que da solidariedade militam a favor da conservação de certos velhos bairros pitorescos. São testemunhos preciosos do passado que serão respeitados. direito à perenidade. o resto será modificado de maneira útil. Mas serão também levadas em consideração as ruas de passeio. os leitos de grande circulação.As zonas de vegetação devem isolar. 64 . sendo rigorosamente imposta uma velocidade reduzida a todos os tipos de veículos. em princípio. 67 . Eles fazem parte do patrimônio humano. os veículos mecânicos serão canalizados para circuitos especiais. em outros casos poderá ser isolada a única parte que constitua uma lembrança ou um valor real. a promiscuidade e a doença que eles abrigam. Patrimônio Histórico das Cidades 65 . traçados ou contruções que lhe conferem sua personalidade própria e dos quais emana pouco a pouco a sua alma. Nem tudo que é passado tem. porque alguns trazem uma virtude plástica na qual se incorporou o mais alto grau de intensidade do gênio humano. não terão nenhuma razão para se aproximarem das construções públicas ou privadas.Os valores arquitetônicos devem ser salvaguardados (edifícios isolados ou conjuntos urbanos). É necessário saber reconhecer e discriminar nos testemunhos do passado aquelas que ainda estão bem vivas.. Se os interesses da cidade são lesados pela persistência de determinadas presenças insignes. convém escolher com sabedoria o que deve ser respeitado. têm a responsabilidade e a obrigação de fazer tudo o que é lícito para transmitir intacta para os séculos futuros essa nobre herança. mas que merecem ser conservados por seu alto significado estético ou histórico.Se sua conservação não acarreta o sacrifício de populações mantidas em condições insalubres. poderá ser aventada a transplantação de elementos incômodos por sua situação. A vida de uma cidade é um acontecimento contínuo. 66 . majestosas.. Um culto estrito do passado não pode levar a desconhecer as regras da justiça social. por definição. Enfim.Serão salvaguardados se constituem a expressão de uma cultura anterior e se correspondem a um interesse geral. a princípio por seu valor histórico ou sentimental.

quando esta medida acarreta a destruição de verdadeiros valores arquitetônicos. em nenhum caso. sem dúvida. Misturando o "falso" ao "verdadeiro". o culto do pitoresco e da história deve ter primazia sobre a salubridade da moradia da qual dependem tão estreitamente o bem-estar e à saúde moral do indivíduo. mudar inteiramente o regime circulatório da zona congestionada. como trampolim para sua imaginação. A imaginação. 70 . têm conseqüências nefastas. Copiar servilmente o passado é condenar-se à mentira.A destruição de cortiços ao redor dos monumentos históricos dará a ocasião para criar superfícies verdes. Mas. Tais métodos são contrários à grande lição da história. nas construções novas erigidas nas zonas históricas. É possível que. capaz apenas de desacreditar os testemunhos autênticos. Aproveitar-se-á a situação para introduzir superfícies verdes. em certos casos. os bairros vizinhos se beneficiarão amplamente.vezes ser resolvido por uma solução engenhosa. a demolição de casas insalubres e de cortiços ao redor de algum monumento de valor histórico destrua uma ambiência secular. nunca o homem voltou sobre seus passos. sob pretextos estéticos. O obstáculo só poderá ser suprimido pela demolição. mais vale. pois as antigas condições de trabalho não poderiam ser reconstituídas e a aplicação da técnica moderna a um ideal ultrapassado sempre leva a um simulacro desprovido de qualquer vida. que mais se tinha empenho em preservar.O emprego de estilos do passado. As obras-primas do passado nos mostram que cada geração teve sua maneira de pensar. é erigir o "falso" como princípio. Enfim. O crescimento excepcional de uma cidade pode criar uma situação perigosa. suas concepções. Ao invés de suprimir o obstáculo à circulação desviar-se-á a própria circulação ou. longe de se alcançar uma impressão de conjunto e dar a sensação de pureza de estilo. levando a um impasse do qual só se sairá mediante alguns sacrifícios. chega-se somente a uma reconstituição fictícia. o destino de elementos vitais de circulação ou mesmo o deslocamento de centros considerados até então imutáveis. históricos ou espirituais. a invenção e os recursos técnicos devem combinar-se para chegar a desfazer os nós que parecem mais inextrincáveis. É uma coisa lamentável mas inevitável. sua estética.Se é possível remediar sua presença prejudicial com medidas radicais: por exemplo. inesperada talvez. em todo caso. e da qual. procurar uma outra solução. à totalidade de recursos técnicos de sua época. se as condições o permitirem impor-se-lhe-á uma passagem sob um túnel. mas certamente tolerável. transplantando-o para outra parte. A manutenção de tais usos ou a introdução de tais iniciativas não serão toleradas de forma alguma. recorrendo. Terceira Parte Conclusões Pontos de doutrina . Nunca foi constatado um retrocesso. Os vestígios do passado mergulharão em uma ambiência nova. 68 . mas. pode-se também deslocar um centro de atividade intensa e. 69 .

quando uma ataca. Trinta e três cidades foram analisadas. Todas testemunham o mesmo fenômeno: a desordem instituída pelo maquinismo em uma situação que comportava até então uma relativa harmonia. Gênova. para evitar os danos pelos quais ninguém pode ser efetivamente responsabilizado. Nenhuma autoridade consciente da natureza e da importância do movimento do maquinismo interveio. e da ferocidade de alguns interesses privados nasceu a infelicidade de inúmeras pessoas. a fraqueza do controle administrativo e a impotente solidariedade social. Bandoeng. Atenas. por diligência dos grupos nacionais dos Congressos Internacionais de Arquitetura Moderna: Amsterdã. desde o começo da era do maquinismo. Zagreb e Zurique.A maioria das cidades estudadas oferece hoje a imagem do caos.Varsóvia. do próprio excesso do mal surge. de modo algum a sua destinação. A cidade não corresponde mais a sua função. às vezes. As empresas estiveram.71 . Em todas essas cidades o homem é molestado. Frankfurt. instaurará as regras indispensáveis à proteção da saúde e da dignidade humana. 74 . Essas diversas fontes de energia estão em perpétua contradição. Nada do que é necessário a sua saúde física e moral foi salvaguardado ou organizado. até o presente. e a imensa desordem material e moral da cidade moderna terá talvez como resultado fazer surgir enfim o estatuto da cidade.Embora as cidades esteja em estado de permanente transformação. de outro. Estocolmo. Roterdã. . a outra se defende. Uma crise-de humanidade assola as grandes cidades e repercute em toda a extensão dos territórios. Baltimore. Bruxelas. infelizmente desigual. que. A base desse lamentável estado de coisas está na preeminência das iniciativas privadas inspiradas pelo interesse pessoals pelo atrativo do ganho. o mal está feito. assegurando o sucesso dos mais fortes em detrimento dos fracos. Paris. o bem.A violência dos interesses privados provoca um desastroso desequilíbrio entre o ímpeto das forças econômicas. a organização das rodovias. A construção de habitações ou de fábricas. Tudo que o cerca sufoca-o e esmaga-o. As cidades são desumanas. Haia. tudo se multiplicou numa pressa e numa violência individual. primordiais. Roma. Nessa luta. da qual estavam excluídos qualquer plano preconcebido e qualquer reflexão prévia. e. Utrecht. e. hidrovias ou ferrovias. Genebra. Los Angeles. e abrigá-los bem.Esta situação revela. Detroit. Dalat. Barcelona. e também a ausência de qualquer esforço sério de adaptação. Essa cidades não correspondem. durante cem anos. entregues ao acaso. Charieroi. seu desenvolvimento é conduzido sem precisão nem controle e sem que sejam levados em consideração os princípios do urbanismo contemporâneo atualizados aos meios técnicos qualificados. Berlim. Hoje. apoiado em uma forte responsabilidade administatriva. Elas ilustram a história da raça branca sob os mais diversos climas e latitudes. biológicas e psicológicas de sua população. Oslo. Praga. de um lado. Verona. Dessau. o crescimento incessante dos interesses privados. Litoria. Londres. Colônia. Madri. Mas. o interesse privado triunfa o mais das vezes. Como. Budapeste. 72 . 73 . por ocasião do Congresso de Atenas. que é a de abrigar os homens. O sentimento de responsabilidade administrativa e o da solidariedade social são derrotados diariamente pela força viva e incessantemente renovada do interesse privado. que seria satisfazer as necessidades.

nos planos espiritual e material. técnicos de saúde. tornando-as benéficas e fecundas. livros. O urbanismo tem quatro funções principais. A medida natural do homem deve servir de base a todas as escalas que estarão relacionadas à vida e às diversas funções do ser. coordená-los de maneira harmoniosa se não se elabora. Desde o congresso dos CIAM.Os planos determinarão a estrutura de cada um dos setores atribuídos às quatro funçõeschave. que são as quatro chaves do urbanismo. que são: primeiramente. que se aplicarão às superfícies ou às distâncias. em quarto lugar. o ar puro e o sol. em terceiro lugar. escala das distâncias. frequentemente contraditórias. É necessário. Até agora. Mas é preciso fazer com que sejam admitidos pelos órgãos administrativos encarregados de velar pelo destino das cidades e que. Clarividência e energia podem vir a restaurar a situação comprometida. um programa cuidadosamente estudado e que nada deixe ao acaso. depois. a liberdade individual e o benefício da açao coletiva. antes de mais nada. organizar os locais de trabalho. para manifestar-se em toda a sua plenitude e trazer ordem e classificação às . que serão consideradas em sua relação com o ritmo natural do homem. eles retomem seu caráter de atividade humana natural. estabelecer o contato entre essas diversas organizações mediante uma rede circulatória que assegure as trocas. Escala das medidas. que devem ser determinados considerando-se o trajeto cotidiano do sol. constituindo assim quarteirões edificados cuja destinação é abandonada à aventura das iniciativas privadas. Eles foram objeto de artigos. isto é. Se ele não chega a satisfazer suas exigências. de tal modo que. de antemão. 77 . o da circulação. essas três. lhe sejam largamente asseguradas. 78 . Todo empreendimento cujo objetivo é a melhoria do destino humano deve levar em consideração esses dois fatores. assegurar aos homens moradias saudáveis. ele só atacou um único problema. 75 . não raro. e eles fixarão suas respectivas localizações no conjunto. prever as instalações necessárias à boa utilização das horas livres. cobrem um domínio imenso. Essa é uma visão estreita e insuficiente da missão que lhe está destinada.O dimensionamento de todas as coisas no dispositivo urbano só pode ser regido pela escala humana. que a autoridade seja esclarecida e. condena-se a um inevitável fracasso. condições essenciais da natureza. Liberdade individual e ação coletiva são os dois polos entre os quais se desenrola o jogo da vida. locais onde o espaço. O urbanismo exprime a maneira de ser de uma época.Os princípios do urbanismo moderno foram produzidos pelo trabalho de inúmeros técnicos: técnicos da arte de construir. em segundo lugar. Essas quatro funções. que ela aja. É impossível. ao invés de serem uma sujeição penosa. 76 .A cidade deve assegurar. debates públicos ou privados. recrear-se (nas horas livres). respeitando as prerrogativas de cada uma. as quatro funções-chave do urbanismo reivindicam. sendo o urbanismo a conseqüência de uma maneira de pensar levada à vida pública por uma técnica de ação. são hostis às grandes transformações propostas por esses dados novos. trabalhar. circular.As chaves do urbanismo estão nas quatro funções: habitar. escala dos horários. Ele se contentou em abrir avenidas ou traçar ruas. técnicos da organização social. em todo caso. congressos. em Atenas.

São inevitáveis grandes . Nessa distribuição. 81 . Mas sua acumulação e concentração em certos pontos tomaramse. Os veículos mecânicos deveriam ser agentes liberadores e. que ritma a atividades dos homens e dá a justa medida a todos os seus empreendimentos. difundem o gosto por uma mobilidade sem freio nem medida e favorecem modos de vida que deslocando a família. perturbam profundamente a estabilidade da sociedade. apoiada nos dados fornecidos pelo clima. romperá a opressão esmagadora de usos que perderam sua razao de ser e abrirá aos criadores um campo de ação inesgotável. pouco a pouco. pela topografia.habitar.As novas velocidades mecânicas convulsionaram o meio urbano. favorecer e se aproveitar dos benefícios da ação coletiva. recrear-se (recuperação) . à primeira vista. em conformidade com a jornada solar de vinte e quatro horas. criará entre elas vínculos naturais para cujo fortalecimento será prevista uma rede racional de grandes artérias. só deve ter um objetivo. estabelecer uma comumcação proveitosa entre as outras três. Além disso. comprometendo a higiene. a um só tempo.habitar. mas a necessidade de regulamentar as diversas atividades segundo a duração do trajeto solar se opõe a essa concepção.será regulamentado pelo urbanismo dentro da mais rigorosa economia de tempo. A reforma do zoneamento. Essas velocidades. ao mesmo tempo. trazer um ganho apreciável de tempo. provocando o engarrafamento e a paralisia dos transportes. trabalhar. eles introduziram na vida citadina inúmeros fatores prejudiciais à saúde. serão consideradas as necessidades vitais do indivíduo e não o interesse ou o lucro de um grupo particular. disposições particulares que ofereçam a cada uma delas as condições mais favoráveis ao desenvolvimento de sua atividade própria. trabalho e cultura. aconselhar uma maior extensão horizontal das cidades. Deve ser feita uma classificação das velocidades disponíveis. O urbanismo deve assegurar a liberdade individual e. Elas condenam os homens a passar horas cansativas em todo tipo de veículos e a perder. O zoneamento. levando em consideração essa necessidade. trabalhar. O urbanismo. transformará o aspecto das cidades. levando em consideração as funções-chave .O princípio da circulação urbana e suburbana deve ser revisto. Seus gases de combustão difundidos no ar são nocivos aos pulmões e seu barulho determina no homem um estado de nervosismo permanente. A circulação. instaurando o perigo permanente. por sua velocidade. Cada uma das funções-chave terá sua autonomia. O desejo de reintroduzir na vida cotidiana as condições naturais parece. cujo inconveniente é impor distâncias que não têm relação com o tempo disponível. recrear-se ordenará o território urbano. doravante utilizáveis. harmonizando as funções-chave da cidade.O ciclo das funções cotidianas . 79 . 80 . esta quarta função. sendo a habitação considerada o próprio centro das preocupações urbanísticas e o ponto de articulação de todas as medidas. na natureza. É a habitação que está no centro das preocupações do urbanista e o jogo das distâncias será regulamentado de acordo com a sua posição no planejamento. a prática da mais saudável e natural de todas as funções: a caminhada. despertam a tentação de evasão cotidiana. uma dificuldade para a circulação e a ocasião de perigos permanentes.condições habituais de vida. elas serão consideradas entidades às quais serão atribuídos territórios e locais para cujo equipamento e instalação serão acionados todos os prodigiosos recursos das técnicas modernas. pelos costumes. para longe.

83 . será um coroarnento. ao invés de produzir uma catástrofe. Assim.das funções de circulação. Esses volumes não dependem apenas do solo e de suas duas dimensões. É preciso distinguir as funções sedentárias. A cidade adquirirá o caráter de uma empresa estudada de antemão e submetida ao rigor de um planejamento geral.O urbanismo é uma ciência de três dimensões e não apenas de duas. descrito seu caráter. utilizando apenasduas dimensões. dispondo de espaços e ligações onde poderão se inscrever equlilibradamente as etapas de seu desenvolvimento. Um plano de região substituirá o simples pla no municipal. previamente.transformações. cada uma tomará seu lugar e sua classificação na economia geral do país. trabalhar e recrear-se desenvolvem-se no interior de volumes edificados submetidos a três imperiosas necessidades: espaço suficiente. Este é o urbanismo total. 82 . mediante a exploração dos espaços livres assim criados. deverá crescer harmoniosamente em cada uma de suas partes. a altura. Sábias previsões terão esboçado seu futuro. e que constituirá a técnica moderna da circulação. A razão de ser da cidade dever ser procurada e expressada em cifras que permitirão prever. Resultará disso uma delimitação clara dos limites da região. destinada a enquadrar as quatro funções-chave. Os dados de um problema de urbanismo são fornecidos pelo conjunto das atividades que se desenvolvem não somente na cidade. A circulação assim regulamentada torna-se uma função regular e que não impõe nenhum incômodo à estrutura da habitação ou a dos locais de trabalho. É levando em o consideração a altura que o urbanismo recuperará os terrenos livres necessários às comunicações e os espaços úteis ao lazer. . definida desde então como uma unidade funcional. para as quais a altura só intervém excepcionalmente e em pequena escala. a cidade não será mais o resultado desordenado de iniciativas acidentais. de mudanças de nível destinadas a regularizar certos fluxos intensos de veículos. assim como para os lazeres. Subordinada às necessidades da região. O limite da aglomeração será função do raio de sua ação econômica. Será preciso classificar e diferenciar os meios de transporte e estabelecer para cada um deles um leito adequado à própria natureza dos veículos utilizados. 84 . as quais. É fazendo intervir o elemento altura que será dada uma solução para as circulações modernas. seu excesso. por exemplo. A cidade e sua região devem ser munidas de uma rede exatamente proporcional aos usos e aos fins. sol e aeração. 85 .A cidade. previsto a amplitude de seus desenvolvimentos e limitado. Seu desenvolvimento. mas sobretudo de uma terceira. mas em toda a região da qual ela é o centro. As funções-chave habitar. capaz de levar o equilíbrio à região e ao país.É da mais urgente necessidade que cada cidade estabeleça seu programa. as etapas de um desenvolvimento plausível. O mesmo trabalho aplicado às aglomerações que fixarão para cada cidade envolvida por sua região um caráter e um destino próprios. que se desenvolvem no interior de volumes . E o crescimento das cifras de sua população não conduzirá mais a essa confusão desumana que é um dos fiagelos das grandes cidades. promulgando leis que permitam sua realização. no caso.onde a terceira dimensão desempenha o papel mais importante .A cidade deve ser estudada no conjunto de sua região de influência. para o futuro. estão ligadas ao solo.

as necessidades sociológicas. após a derrota. 86 . mas velará para que elas se insiram no planejamento geral e sejam sempre subordinadas aos interesses coletivos. senão o arquiteto. A obra não será mais limitada ao plano precário do geômetra que projeta. será preciso reuni-las em "unidades habitacionais" de proproções adequadas. pouco a pouco. o instrumento de medida será a escala humana. a facilidade do trabalho.ou de proibir -. dotando cada função-chave dos meios de melhor se exprimir. que abandonou os grafismos ilusórios. 87 . . a ambiência geral. A construção dessa casa. deve ser recolocada a serviço do homem. Se a célula é o elemento biológico primordial. A lei fixará o "estatuto do solo". Ela será uma verdadeira criação biológica. além disso. prolongar-se no exterior em diversas instalações comunitárias. ocupado aqui com as tarefas do urbanismo.Para o arquiteto. os terrenos serão aferidos e atribuídos a diversas atividades: clara ordenação no empreendimento que será iniciado a partir de amanhã e continuado. por etapas sucessivas. Ela deve deixar as pompas estéreis. estudada e os valores naturais. debruçar-se sobre o indivíduo e criar-lhe. Ela deve prever também a proteção e a guarda das extensões que serão ocupadas um dia. compreendendo órgãos claramente definidos. o abrigo de uma família. Regras invioláveis assegurarão aos habitantes o bem-estar da moradia. que possui o perfeito conhecimento do homem. que constituem o bem público. a topografia do conjunto. Cada caso será inscrito no planejamento regional. Ela terá o direito de autorizar . há mais de um século submetida aos jogos brutais da especulação. Deve reunir em um acordo fecundo os recursos naturais do sítio. Uma curva de crescimento exprimirá o futuro econômico previsto para cidade. e a natureza de seu equipamento fixada segundo o uso para o qual serão destinados. a educação.O programa deve ser elaborado com base em análises rigorosas. a casa. A alma das cidades será animada pela clareza do plananejamento. Ele deve prever as etapas no tempo e no espaço. pela justa adaptação dos meios aos fins propostos. à revelia dos subúrbios. quer dizer. criará uma ordem que tem em si sua própria poesia? 88 . capazes de desempenhar com perfeição suas funções essenciais. A casa é o núcleo inicial do urbanismo. o feliz emprego das horas livres. Ela protege o crescimento do homem. e favorecerá todas as inicatívas adequadamente planejadas. Para que seja mais fácil dotar as moradias dos serviços comuns destinados a realizar comodamente o abastecimento. Os grandes leitos de circulação serão confirmados e instalados no lugar adequado. Quem poderá tomar as medidas necessárias para levar a bom termo essa tarefa. o programa sucederá a improvisação.O número inicial do urbanismo é uma célula habitacional (uma moradia) e sua inserção num grupo formando uma unidade habitacional de proporções adequadas. feitas por especialistas. abriga as alegrias e as dores de sua vida cotidiana. a assistência médica ou a utilização dos lazeres. hierarquizados. A arquitetura. constitui a célula social. tornando mais fáceis todos os gestos de sua vida. os valores espirituais. deve torna-se uma empresa humana. reconhecidas. desses últimos cem anos. de se instalar nos terrenos mais favoráveis e a distâncias mais proveitosas. os dados econômicos. e que. as organizações que estarão à volta. Se ela deve conhecer interiormente o sol e o ar puro. para sua felicidade. deve.O acaso cederá diante da previsão. Os recursos do solo serão analisados e as limitações à quais ele se obriga. os blocos de imóveis na poeira dos loteamentos.

que são uma das causas da desordem e da confusão das cidades. É preciso. o concurso dos seguintes fatores: um poder político tal como se o deseja. célula essencial do tecido urbano. mas. E o urbanista deverá prever os sítios e os locais propícios. Ela estabelece a rede de circulação que colocará em contato as diversas zonas. para passar da teoria aos atos. e que ela venha dar ao político. Ela organiza os prolongamentos da moradia. respaldará a arte de construir com todas as garantias da ciência e a enriquecerá com as invenções e os recursos da época. ainda. uma população esclarecida para compreender. sociais e econômicas são as mais desfavoráveis.. Ela ordena a estrutura da moradia. 92 . ainda.. e fazê-lo em condições que requerem uma séria revisão dos usos atualmente em vigor. em porporções harmoniosas. Esta com a ajuda de seus especialistas. Para realizar a tarefa múltipla que lhe é imposta. cultivar o corpo e o espírito. todavia. o arquiteto deverá associar-se a numerosos especialistas em todas as etapas do empreendimento. elaboradas e expressas nos planos. Enfim. os locais de trabalho. de antemão. e é ela que está incumbida da escolha e da distribuição dos diferentes elementos. clarividente.A marcha dos acontecimentos será profundamente influenciada pelos fatores políticos. Os escritórios. desejar. É ela que se encarrega de sua criação ou de sua melhoria. cuja salubridade. Elas abrem verdadeiramente um novo ciclo na história da arquitetura.É a dessa unidade-moradia que se estabelecerão no espaço urbano as relações entre a habitação. os espaços livres em meio aos quais se erguerão os volumes edificados. as oficinas. A arquitetura é chave de tudo. as áreas consagradas ao entretenimento. as fábricas devem ser dotados de instalações capazes de assegurar o bem-estar necessário ao desempenho desta segunda função. os locais de trabalho e as instalações consagradas às horas livres. Não basta que a necessidade do estatuto do solo e de certos princípios de construção seja admitida. decidido a realizar as melhores condições de vida. A arquitetura preside aos destinos da cidade. alegria. As novas construções serão não somente de uma amplitude. no entanto.E não é aqui que a arquitetura intervirá em última instância. As modernas técnicas de construção instituíram novos métodos. alguns dos quais serão consideráveis. a necessidade de construir abrigos decentes apareça de repente como uma imperiosa obrigação. 90 . convicto. políticas. É a ela. A era do maquinismo introduziu técnicas novas. Ela reserva. em que as condições. 91 . que é recrear-se. não se pode negligenciar a terceira. reivindicar aquilo que os especialistas planejaram para ela. que mesmo em uma época em que tudo caiu ao nível mais baixo. .Para realizar essa grande tarefa é indispensável utilizar os recursos da técnica moderna. Ela reúne as moradias em unidades habitacionais. cujo êxito dependerá da justeza de seus cálculos. uma situação econômica que permita empreender e prosseguir os trabalhos. habitar bem.. permitiram novas dimensões.. Pode ser. A arquitetura é responsável pelo bem-estar e pela beleza da cidade.89 . de uma complexidade desconhecidas até aqui. sociais e econômicos. ao social e ao econômico o objetivo e o programa coerentes que justamente lhes faltavam. trouxeram novas facilidades. É preciso também trabalhar. A primeira das funções que deve atrair a atenção do urbanismo é habitar e. cuja feliz proporção constituirá uma obra harmoniosa e duradoura. harmonia são subordinadas às suas decisões. que é preciso pedir a solução do problema.

Entregue a si mesmo. mais ou menos ampla que constitui sua região. 95 . sustentar-se. que satisfaz a uma minoria condenando o resto da massa social a uma vida medíocre. 94 . Notas Sobre os Congressos Internacionais de Arquitetura Moderna 1928 . avaliado antes do estudo dos projetos. se está submetido a muitas obrigações coletivas. O direito individual não tem relação com o vulgar interesse privado. Pelo contrário. reforçar-se mutuamente e reunir tudo aquilo que comportam de infinitamente construtivo.O interesse privado será subordinado ao interesse coletivo.A perigosa contradição aqui constatada sustica uma das questões mais perigosas da época: a urgência de regulamentar.território do país . forçosamente. tais como eles terão sido previstos por um amplo estudo e um grande plano de conjunto. Ele deve ser. trabalhos de importância capital. Nada foi previsto para a salvaguarda do homem. o homem é rapidamente esmagado pelas dificuldades de todo o tipo. Inúmeros inconvenientes se abateram sobre os povos que não souberam medir com exatidão a amplitude das transformações técnicas e suas formidáveis repercussões sobre a vida pública e privada. revelam os mesmos vícios advindos das mesmas causas. a disposição de todo o solo útil para equilibrar as necessidades vitais dos indivíduos em plena harmonia com as necessidades coletivas. cuja execução deverá ser remetida para datas indeterminadas. É o fruto amargo de cem anos de maquinismo sem direção.A escala dos trabalhos a empreender com urgência para a organização das cidades. .Fundação dos Ciam Em 1928 um grupo de arquitetos modernos se reunia na Suíça. tendo cada indivíduo acesso às alegrias fundamentais: o bem-estar do lar. de outro lado. conterá partes cuja realização poderá ser imediata e outras. em sua periferia. Este. batem contra o estatuto petrificado da propriedade privada. Então. A ausência do urbanismo é a causa da anarquia que reina na organização das cidades. antigas ou modernas. que tão frequentemente esmaga no berço os grandes empreendimentos animados pela preocupação com o bem público. no equipamento das indústrias. a beleza da cidade. subordinado ao interesse coletivo. portanto. Mas nenhuma obra fragmentária deve ser empreendida se ela não se insere no contexto da cidade e no da região. graças à generosa hospitalidade de Madame Hélène de Mandrot. as moradias operárias tornaram-se cortiços. o campo se esvaziou. O resultado é catasúófico e é quase uniforme todos os países. Esse plano. O direito individual e o direito coletivo devem. no castelo de La Sarraz Vaud.deve tornar-se disponível a qualquer momento. em todos os pontos do mundo. o estado infinitamente parcelado da propriedade fundiária são duas realidades antagônicas. Devem ser empreendidos.93 . e se estende até a zona. Inúmeras parcelas fundiárias deverão ser expropriadas e serão objeto de transações. Há anos que as empresas de equipamento. sem demora. será preciso temer o jogo sórdido da especulação. por um meio legal. Por se ignorarem as regras. sua personalidade resulta sufocada. as cidades se encheram muito além do razoável. que deve superar. em todas as partes. e por seu justo valor. merece severas restrições. O problema da propriedade do solo e de sua possível requisição se coloca nas cidades. uma vez que todas as cidades do mundo. O solo . O solo deve ser mobilizável quando se trata do interesse geral. as concentrações industriais se fizeram ao acaso.

introduzida como axioma da vida moderna. Economia Geral O equipamento de um país reclama a íntima vincularão da arquitetura com a economia geral. Declaração de La Sarraz Os arquitetos abaixo assinados. Por sua essência. Eles estão reunidos com a intenção de pesquisar a harmonização dos elementos presentes no mundo moderno e de recolocar a arquitetura em seu verdadeiro plano. O urbanismo não poderia mais estar exclusivamente subordinado às regras de um estetismo gratuito. mas uma produção suficiente para satisfazer plenamente as necessidades humanas. 2° trabalhar. representantes dos grupos nacionais de arquitetos modernos. Insistem particularmente no fato de que construir é uma atividade elementar do homem. ao invés de recorrer quase que exclusivamente a um artesanato anêmico. não implica absolutamente o lucro comercia1 máximo. Conscientes das perturbações profundas causadas pelo maquinismo. b) a organização da circulação. o problema colocado pela arte de edificar. Seus objetivos são: a) a ocupação do solo. Eles afirmam hoje a necessidade de uma concepção nova da arquitetura que satisfaça as exigências materiais. sentimental e espiritual em todas as suas manifestações. firmaram um ponto de vista sólido e decidiram reunir-se para colocar a arquitetura diante de suas verdadeiras tarefas.Depois de ter examinado. Ele envolve tanto as aglomerações urbanas quanto os agrupamentos rurais. eles declaram associar-se para realizar suas aspirações. os CIAM. O verdadeiro rendimento será o fruto de uma racionalização e de uma normatização (aplicada com flexibilidade tanto nos projetos arquitetônicos como nos métodos industriais de execução). Assim foram fundados os Congressos Internacionais de Arquitetura Moderna. As três funções fundamentais pela realização das quais o urbanismo deve velar são: 1º habitar. Firmes nesta convicção. individuais ou coletivas. que é de ordem econômica e sociológica e inteiramente a serviço da pessoa humana. As três funções fundamentais acima indicadas não são favorecidas pelo estado atual das aglomerações. Urge que a arquitetura. ligada intimamente à evolução da vida. ele é de ordem funcional. reconheceram que a transformação da estrutura social e da ordem econômica acarreta fatalmente uma transformação correspondente do fenômeno arquitetônico. Urbanismo O urbanismo é a administração dos lugares e dos locais diversos que devem abrigar o desenvolvimento da vida material. A noção de "rendimentos". sirva-se também dos imensos recursos que lhe oferece a técnica industrial. mesmo quando uma tal decisão conduza a realizações muito diferentes daquelas que fizeram a glória das épocas passadas. 3° recrear-se. sentimentais e espirituais da vida presente. a partir de um programa elaborado em Paris. afirmam sua unidade de pontos de vista sobre as concepções fundamentais da arquitetura e sobre suas obrigações profissionais. O destino da arquitetura é o de exprimir o espírito de uma época. É assim que a arquitetura escapará da dominação esterilizante das academias. c) a legislação. As relações entre os diversos locais que lhes são destinados devem ser recalculadas de maneira a determinar uma justa proporção entre volumes edificados e espaços .

1951 . Paris.8° Congresso. econômicos e sociais. seriam capazes de lhe impor a solução do problema da habitação.1° Congresso. 1949 . fruto de partilhas. A cada vez. La Sarraz. A Arquitetura e a opinião pública É indispensável que os arquitetos exerçam uma influência sobre a opinião pública e a façam conhecer os meios e os recursos da nova arquitetura. ensinadas na escola primária. O parcelamento desordenado do solo. em geral.7° Congresso. zelar pela solução do problema da arquitetura.3° Congresso. discussões. Execução da Carta de Atenas. Estudo do problema moradia e lazer. Estudo do centro. publicações. Além disso. nascimento da grille CIAM de urbanismo. entravam o progresso social. eles provocaram. Hoddesdon. Este reagrupamento. Essas gerações. só sabem formular muito mal seus desejos em matéria de moradia. que sempre foram assembléias de trabalho. deve ser substituído por uma economia territorial de reagrupamento. Estudo da moradia mínima. futura clientela do arquiteto.6° Congresso. . poderia constituir o fundamento de uma educação doméstica. o único que poderia vivificar e renovar a arte de edificar. elas viciam desde a origem a vocação do arquiteto e. escolheram sucessivamente diferentes países para se reunir. 1930 . os CIAM avançaram pelo caminho das realizações práticas: trabalhos coletivos. O problema da circulação e o da densidade devem ser reconsiderados. Esse ensino resultaria na formação de gerações possuidoras de uma concepção saudável da moradia. Reafirmação dos objetivos dos CIAM. pela quase exclusividade que têm dos cargos do Estado. de vendas e da especulação. Por sua apropriação do ensino. Análise de 33 cidades. Bruxelas.4° Congresso. Frankfurt (Alemanha). tendo a firme vontade de trabalhar no interesse verdadeiro da sociedade moderna.5° Congresso. elas se opõem à penetração do novo espírito. 1947 . resoluções. fazer essa idéia penetrar nos círculos técnicos. Bérgamo. O ensino acadêmico perverteu o gosto público. uma animação. negligenciando o problema da moradia em benefício de uma arquitetura puramente suntuária. assegurará aos proprietários e à comunidade a justa distribuição das mais-valias resultantes dos trabalhos de interesse comum. Fundação dos CIAM. A opinião pública está mal informada e os usuários. Elaboração da Carta do Urbanismo. 1933 .livres. e não raro os problemas autênticos da habitação sequer são levantados. 1937 . A Arquitetura e o Estado Os arquitetos. por tanto tempo negligenciado.2° Congresso. um despertar. Os congressos CIAM. Um punhado de verdades elementares. Os Congressos do CIAM Desde o momento de sua fundação. 1929 . 1928 . Bridgwater. Objetivos do CIAM Os objetivos dos CIAM são: formular o problema arquitetônico contemporâneo. conservadoras do passado. base de todo urbanismo capaz de responder às necessidades presentes. consideram que as academias. do coração das cidades. Estudo do loteamento racional. essa moradia tem estado há muito tempo excluída das preocupações maiores do arquiteto. nos centros profissionais e na opinião pública. uma agitação fecunda. Atenas. apresentar a idéia arquitetônica moderna.

Sendo-lhe apresentadas propostas referentes aos princípios internacionais a serem aplicados em matéria de pesquisas arqueológicas. entretanto. que essas propostas seriam objeto de uma regulamentação internacional. Adota. toda a comunidade internacional participa. Estudo do habitat humano. Estimando que a garantia mais eficaz de conservação dos monumentos e obras do passado reside no respeito e dedicação que lhes consagram os próprios povos e certa de que tais sentimentos podem ser enormemente favorecidos por uma ação apropriada.4. Nova Delhi de dezembro de 1956 Conferência Geral da Organização das Nações Unidas para a Educação. Considerando que a história do homem implica no conhecimento das diferentes civilizações. a Ciência e a Cultura. para isso. A Conferência Geral recomenda aos Estados Membros que levem a presente recomendação ao conhecimento das autoridades e órgãos que se dedicam às pesquisas arqueológicas e aos museus. inspirada na vontade dos Estados Membros de desenvolver as ciências e as relações internacionais.10° Congresso. a Ciência e a Cultura . através de uma recomendação aos Estados Membros. preservados e coletados. medidas que visem a tornar eficazes nos territórios sob sua jurisdição as normas e princípios formulados na presente recomendação. antes de tudo. a seguinte recomendação: A Conferência Geral recomenda aos Estados Membros que apliquem as disposições seguintes e que adotem.3. durante a sua oitava sessão. nas datas e na . conciliar este princípio com o de uma colaboração internacional amplamente concebida e livremente aceita. Aix-en-Provence. Convencida de que é preciso que as autoridades nacionais encarregadas da proteção do patrimônio arqueológico se inspirem em determinados princípios comuns aferidos na experiência e na prática dos serviços arqueológicos nacionais. Estudo do habitat humano. A Conferência Geral recomenda aos Estados Membros que lhe apresentem. Dubrovnik. é preciso. 1956 . Convencida de que os sentimentos que dão origem à contemplação e ao conhecimento das obras do passado podem facilitar grandemente a compreensão mútua entre os povos e que. se cada Estado é mais diretamente interessado nas descobertas arqueológicas feitas em seu território. portanto.9° Congresso. entretanto. desse enriquecimento. Após haver decidido. à competência interna dos Estados. eventualmente. que é preciso. sob forma de lei nacional ou de qualquer outro modo. em sua nona sessão. Considerando que.Nova Delhi A Conferência Geral da Organização das Nações Unidas para a Educação. é preciso beneficiá-los com uma cooperação internacional e favorecer por todos os meios a execução da missão social que lhes cabe. Estimando que. se o regime das pesquisas diz respeito. da ordem do dia da sessão. que todos os vestígios arqueológicos sejam estudados e. em nome do interesse comum. neste quinto dia de dezembro de 1956. reunida em Nova Delhi de 5 de novembro de 1956.1953 .9ª Sessão de 5 de dezembro de 1956 UNESCO . questão que constitui o ponto 9.

d) determinar o confisco dos objetos não declarados. I . quer tais investigações impliquem numa escavação do solo ou numa exploração sistemática de sua superfície ou sejam realizadas sobre o leito ou no subsolo das águas interiores ou territoriais de um Estado Membro. que apresentem interesse do ponto de vista da arqueologia no sentido mais amplo. os problemas advindos das pesquisas arqueológicas e em concordância com as disposições da presente recomendação. indicá-lo expressamente na legislação. Deveriam estar.Princípios Gerais Proteção do patrimônio arqueológico Cada Estado Membro deveria garantir a proteção de seu patrimônio arqueológico. por ele encontrados.forma que ela determinar. submetidos ao regime previsto pela presente recomendação os monumentos. cada Estado Membro deveria adotar critérios bem mais amplos que imponham ao escavador e ao descobridor a obrigação de declarar todos os bens de caráter arqueológico. ou da obrigação de declaração das descobertas impostas ao escavador ou ao descobridor. principalmente. II . b) obrigar quem quer que tenha descoberto vestígios arqueológicos a declará-los. levando em conta. especialmente. móveis ou imóveis. O critério utilizado para determinar o interesse público dos vestígios arqueológicos poderia variar segundo se trate ou de sua conservação. podendo cada Estado Membro adotar o critério mais apropriado para determinar o interesse público dos vestígios que encontre em seu território. o critério que consiste em proteger todos os objetos anteriores a uma determinada data deveria ser abandonado e a atribuição a uma determinada época ou uma ancianidade de um número mínimo de anos fixado por lei deveria ser adotada como critério de proteção. e) precisar o regime jurídico do subsolo arqueológico e. b) No segundo caso. Bens protegidos As disposições da presente recomendação se aplicam a qualquer vestígio arqueológico cuja conservação apresente um interesse público do ponto de vista da história ou da arte. a) No primeiro caso. o mais rapidamente possível. móveis ou imóveis. . Cada Estado Membro deveria. relatórios sobre a continuidade que derem à presente recomendação.Definições Pesquisas arqueológicas Para efeito da presente recomendação entende-se por pesquisas arqueológicas todas as investigações destinadas à descoberta de objetos de caráter arqueológico. às autoridades competentes. f) dedicar-se ao estabelecimento de critérios de proteção legal dos elementos essenciais de seu patrimônio arqueológico entre os monumentos históricos. c) aplicar sanções aos infratores dessas regras. quando esse subsolo for propriedade do Estado. especialmente: a) submeter as explorações e as pesquisas arqueológicas ao controle e à prévia autorização da autoridade competente.

porções de terreno poderiam também ser reservados em vários locais para permitir um controle da estatigrafia. II .a manutenção das escavações e monumentos. Em cada um dos sítios arqueológicos importantes em processo de pesquisa. locais. sempre que possível. para que sua exploração possa beneficiar-se dos progressos da técnica e do avanço dos conhecimentos arqueológicos. as medidas de urgência indispensáveis. iconográficos. ou mesmo. alguns princípios. coleções centrais e regionais. Esse serviço. etc.o bom funcionamento dos serviços. IV .a fiscalização das descobertas fortuitas. b) A continuidade dos recursos financeiros deveria ser garantida principalmente com: I . uma administração central do Estado. bem como da composição do meio arqueológico. nele incluídas as publicações científicas. Para isso. junto aos sítios arqueológicos importantes. uma organização que disponha por força de lei. determinado número de sítios arqueológicos de diversas épocas. Educação do público .Órgão de proteção às pesquisas arqueológicas Se a diversidade das tradições e as desigualdades de recursos se opõem à adoção por todos os Estados Membros de um sistema de organização uniforme de serviços administrativos relativos às pesquisas. testemunhos. na medida em que o terreno o permita. Cada Estado Membro deveria exercer um controle rigoroso sobre as restaurações dos vestígios e objetos arqueológicos descobertos. encarregado da administração geral das atividades arqueológicas deveria prover. de meios que lhe permitam adotar. o trabalho de comparação. em colaboração com os institutos de pesquisa e as universidades. poderiam ser constituídas. o que seria melhor do que pequenas coleções dispersas e com acesso restrito.a execução de um plano de trabalho proporcional à riqueza arqueológica do país. Esse serviço deveria também criar uma documentação central. um pequeno estabelecimento de caráter educativo . entretanto. III . Cada Estado Membro deveria considerar a conveniência de manter intactos. a necessidade de facilitar.eventualmente um museu que permita aos visitantes compreender melhor o interesse dos vestígios que lhes são mostrados. com mapas que se refiram a seus monumentos móveis ou imóveis. ou seja. Deveria ser solicitado às autoridades competentes uma autorização prévia para o deslocamento de monumentos cuja localização in situ é essencial. total ou parcialmente. ou. deveriam ser comuns a todos os serviços nacionais: a) O serviço de pesquisas arqueológicas deveria ser. assim como uma documentação junto a cada museu importante. dever-se-ia levar em conta. Esses estabelecimentos deveriam dispor. em caso de necessidades. pelo menos. excepcionalmente. Deveria ser criado. representativas dos sítios arqueológicos particularmente importantes. na criação e organização dos museus e das coleções procedentes de pesquisas. permanentemente. de uma organização administrativa e de um corpo técnico suficientes para que fique assegurada a boa conservação dos objetos. o ensino de técnicas das escavações arqueológicas. o mais possível. de acervos cerâmicos. Constituição de coleções centrais e regionais Sendo a arqueologia uma ciência comparativa.

da edição a preços módicos de monografias e guias em uma redação simples. Os Estados Membros deveriam adotar todas as medidas necessárias para facilitar o acesso do público a esses sítios. III . as obrigações impostas ao concessionário principalmente quanto ao controle da administração nacional. assegurando às instituições científicas e às pessoas devidamente qualificadas. o contrato de concessão deveria evitar formular. à concessão das pesquisas. sendo as últimas suficientes para garantir que as pesquisas empreendidas serão levadas a seu termo de acordo com as cláusulas do contrato de concessão e no prazo previsto. A autorização para pesquisas concedida a arqueólogos estrangeiros deveria assegurar reciprocamente garantias de duração e de estabilidade necessárias a incentivar seu . o representante do Estado concedente. exposições e conferências que tenham por objeto os métodos aplicáveis em matéria de pesquisas arqueológicas assim como os resultados obtidos. com a concordância do diretor da pesquisa. se for designado. suficientes para administrar cientificamente uma pesquisa deveria chamar técnicos estrangeiros para dela participar ou uma missão estrangeira para conduzi-la. especialmente através do ensino de história. deveria ser também um arqueólogo capaz de ajudar a missão e de colaborar com ela. Um Estado que não disponha de meios. da participação de estudantes em determinadas pesquisas. Quando uma pesquisa for concedida a uma missão estrangeira. a suspensão dos trabalhos ou a substituição pela administração nacional do concessionário de sua execução. as causas que possam justificar a rescisão. Os Estados Membros que não dispõem de meios necessários para a organização de escavações arqueológicas no estrangeiro deveriam receber todas as facilidades para enviar arqueólogos para pesquisas abertas por outros Estados Membros. exigências específicas. Colaboração internacional Para responder aos interesses superiores da ciência arqueológica e aos da colaboração internacional.A autoridade competente deveria empreender uma ação educativa para despertar e desenvolver o respeito e a estima ao passado. da organização de circuitos turísticos. sem distinção de nacionalidade. da apresentação clara dos sítios arqueológicos explorados e dos monumentos descobertos.O regime das pesquisas e a colaboração internacional Autorização de pesquisas concedida a um estrangeiro Cada Estado Membro em cujo território as pesquisas necessitam ser executadas deveria regulamentar as condições gerais às quais está subordinada a respectiva concessão. sem necessidade. Os Estados Membros deveriam estimular as pesquisas executadas. a possibilidade de concorrerem em igualdade. os Estados Membros deveriam estimular as pesquisas através de um regime liberal. seja por missões mistas compostas por equipes científicas de seu próprio país e por arqueólogos que representem instituições estrangeiras. a duração da concessão. portanto. morais e financeiras. seja por missões internacionais. As condições impostas ao pesquisador estrangeiro deveriam ser as mesmas que se aplicam aos competentes nacionais e. técnicos ou de qualquer outra natureza. da difusão pela imprensa de informações arqueológicas que provenham de especialistas reconhecidos. Garantias recíprocas A autorização para pesquisas só deve ser concedida a instituições representadas por arqueólogos qualificados ou a pessoas que ofereçam sérias garantias científicas.

a cessão ao pesquisador habilitado de um determinado número de objetos provenientes de suas escavações. deveria ser autorizada. objetos que não apresentem interesse para as coleções nacionais. c) Com a preocupação básica de favorecer os estudos arqueológicos através da divulgação de objetos originais. ou vier a ser desrespeitada. até mesmo. ou por tornar-se difícil pelas condições de acesso. em um prazo determinado. antes de mais nada. ficando estabelecido que. durante os trabalhos e ao término das escavações. ou que consistam de objetos repetidos ou. de um modo geral. Esse privilégio não deveria. a autoridade concedente poderia ter em vista. regulam a destinação do produto das pesquisas. se essa condição não for cumprida. da história e da arte desse país. excluídos os objetos particularmente frágeis ou de importância nacional. a centros científicos abertos ao público. de coleções completas. pública ou privada. assim como a conservação. no caso de elas se revelarem excessivamente pesadas. a guarda. Conservação dos vestígios A autorização deveria definir as obrigações do pesquisador no período em que durar a concessão e a seu término. em seu território. d) A exportação temporária dos objetos descobertos. os objetos cedidos voltarão à autoridade concedente. depois da publicação científica. à constituição. dos objetos e monumentos descobertos. desde que seu estudo seja impraticável no território do Estado concedente devido à insuficiência de meios para a pesquisa bibliográfica e científica. Por outro lado. especialmente. A cessão ao pesquisador de objetos provenientes de pesquisas deveria estar sempre condicionada a que eles sejam destinados. especialmente nos casos em que razões reconhecidamente fundadas viessem a impor a suspensão de seus trabalhos por um determinado período. Destinação do produto das pesquisas a) Cada Estado Membro deveria determinar claramente os princípios que. mediante solicitação justificada de instituição científica. trocar ou enviar para depósito em museus estrangeiros. nos museus do país em que são realizadas. Acesso à pesquisa Aos especialistas qualificados de qualquer nacionalidade deveria ser permitida a visita a um canteiro de pesquisa antes de haverem sido publicados seus resultados e. plenamente representativas da civilização. obtida a concordância do diretor da pesquisa. Propriedade científica: direitos e obrigações do pesquisador . em razão de sua similitude com outros objetos produzidos pela mesma pesquisa. a manutenção e o restabelecimento das feições do sítio. b) O produto das pesquisas deveria se destinar. Deveria ser por ela prevista. a autorização deveria precisar a possível ajuda com que o pesquisador poderia contar da parte do Estado concedente para fazer face a suas obrigações. em objetos ou grupos de objetos aos quais essa autoridade possa renunciar. redundar em prejuízo ao direito de propriedade científica do pesquisador sobre sua descoberta. durante a execução dos trabalhos.empreendimento e a preservá-las de revogações injustificadas. e) Cada Estado Membro deveria considerar a possibilidade de ceder. em qualquer caso.

a) O Estado concedente deveria garantir ao pesquisador a propriedade científica de suas descobertas durante um prazo razoável. no prazo previsto pelo contrato de concessão. a consulta a sua documentação e o acesso a seus depósitos arqueológicos aos pesquisadores e especialistas qualificados. a pedido de tais autoridades. os Estados Membros poderiam organizar. IV . reuniões regionais com grupos de representantes dos serviços arqueológicos dos Estados interessados. se possível. ou na falta dele. assim como a exportação dos objetos daí provenientes. no que diz respeito aos relatórios preliminares. em um prazo razoável. c) As publicações científicas sobre as pesquisas arqueológicas editadas em um idioma de difusão restrita deveriam ser acompanhadas de um sumário e. se for o caso. V . Reuniões regionais e sessões de discussões científicas Com vistas a facilitar o estudo dos problemas de interesse comum. periodicamente. da tradução do quadro das matérias e das legendas das ilustrações em uma língua mais difundida. todos os Estados Membros deveriam considerar a possibilidade da regulamentação do comércio das antigüidades. Os museus estrangeiros deveriam poder adquirir objetos liberados de qualquer restrição legal prevista pela autoridade competente do país de origem. as autoridades arqueológicas competentes deveriam se empenhar em não liberar para estudo detalhado o conjunto de objetos provenientes das pesquisas nem a documentação científica a ela referente. Colaboração internacional para a repressão . Essas autoridades deveriam impedir nas mesmas condições a fotografia ou a reprodução do material arqueológico ainda inédito. o pesquisador deveria. Para permitir. Por outro lado. para evitar que esse comércio venha a favorecer a evasão do material arqueológico ou prejudique a proteção das pesquisas e a formação das coleções públicas.A repressão às pesquisas clandestinas e à exportação ilícita dos objetos provenientes das pesquisas arqueológicas Proteção dos sítios arqueológicos contra as pesquisas clandestinas e as degradações Cada Estado Membro deveria adotar as medidas necessárias para impedir as pesquisas clandestinas e a degradação dos monumento definidos nos artigos 2 e 3 acima e a dos sítios arqueológicos. os resultados de seus trabalhos. Durante um período de cinco anos após a descoberta. sobretudo aos que obtiveram uma concessão para um determinado sítio ou desejam obtê-la. colocar a sua disposição cópia do texto desse relatório. Documentação sobre as pesquisas Observadas as disposições do artigo 24.Comércio das Antigüidades No interesse superior do patrimônio arqueológico comum. a não ser com autorização por escrito do pesquisador. os serviços arqueológicos nacionais deveriam facilitar. uma dupla publicação simultânea de seu relatório preliminar. Esse prazo não deveria ser superior a dois anos. para responderem a sua missão científica e educativa. b) O Estado concedente deveria impor ao pesquisador a obrigação de publicar. cada Estado Membro poderia suscitar reuniões de discussões científicas entre os pesquisadores que operam em seu solo. na medida do possível.

Pesquisas em território ocupado Em caso de conflito armado. VI . Qualquer oferta suspeita e toda a informação a ela referente deveriam ser levadas ao conhecimento dos serviços interessados. concluir acordos bilaterais para regulamentar as questões de interesse comum que possam vir a ser colocadas pela aplicação das disposições da presente recomendação. d. É desejável que cada Estado Membro adote todas as medidas necessárias para garantir esse repatriamento. sobretudo os que se derem durante atividades militares. c. no caso de não restituição dos objetos dentro do prazo fixado. Esses princípios deveriam ser aplicados à hipótese da exportação temporária estabelecida no artigo 23. qualquer Estado Membro que venha a ocupar o território de um outro Estado deveria se abster de realizar pesquisas arqueológicas no território ocupado. reunida em Paris. No caso de objetos arqueológicos haverem sido adquiridos por museus. e e acima. de 9 de novembro a 12 de dezembro de 1962. as indicações que permitam identificá-los e que precisem seu modo de aquisição. sempre que necessário ou desejável.Todas as medidas necessárias deveriam ser adotadas para que. a Ciência e a Cultura de 12 de dezembro de 1962 RELATIVA A PROTEÇÃO DA BELEZA E DO CARÁTER DAS PAISAGENS E SÍTIOS A Conferência Geral da Organização das Nações Unidas para a Educação. em sua décima segunda sessão. quando ocorrer a oferta de cessão de objetos arqueológicos. ao término das hostilidades. Recomendação da Conferência Geral da Organização das Nações Unidas para a Educação. acompanhados de toda a documentação relativa que detiver.Acordos Bilaterais Os Estados Membros deveriam. às autoridades competentes do território anteriormente ocupado. e de objetos cuja exportação tenha sido feita com transgressão à legislação do país de origem. Considerando que em todas as épocas o homem algumas vezes submeteu a beleza e o caráter das paisagens e dos sítios que fazem parte do quadro natural de sua vida a atentados que . ou de outras operações consideradas ilícitas pela autoridade competente do país de origem. Ciência e Cultura. deveriam ser publicadas. assim que possível. de roubos. VII . No caso de achados fortuitos. os museus possam se assegurar de que nada autoriza a considerar que tais objetos provenham de pesquisas clandestinas. Repatriamento dos objetos ao país de origem Os serviços de pesquisas arqueológicas e os museus deveriam prestar entre si uma colaboração mútua para assegurar ou facilitar o repatriamento ao país de origem dos objetos que provém de pesquisas clandestinas ou de roubos. a potência ocupante deveria adotar todas as medidas possíveis para protegê-los e deveria enviá-los.

do fomento ao turismo e às organizações da juventude.4. relatórios concernentes à implementação desta recomendação. até o século passado. Adota. ou que constituem meios naturais característicos. assim como um elemento importante das condições de higiene de seus habitantes. ainda mais. questão que constitui o ponto 17. A Conferência Geral recomenda aos Estados Membros que lhe apresentem. Considerando. rurais ou urbanos. a restituição do aspecto das paisagens e sítios. as civilizações modernas aceleraram esse fenômeno que. por sua beleza e caráter. Depois de haver decidido.Definição Para os efeitos da presente recomendação. desenvolver por vezes desordenadamente os centros urbanos. a salvaguarda das paisagens e dos sítios definidos pela presente recomendação é necessária à vida do homem.empobreceram o patrimônio cultural. que propostas relativas a esse ponto seriam objeto de uma regulamentação internacional através de uma recomendação aos Estados Membros. devidos à natureza ou obra do homem. nas datas e sob a forma que ela determinará. mas também no interesse cultural e científico oferecido pela vida selvagem. nos territórios sob sua jurisdição. em todas as partes do mundo. havia sido relativamente lento. medidas que ponham em efeito. quando possível. como o demonstram inúmeros exemplos universalmente conhecidos.2 da ordem do dia da sessão. I . entende-se por salvaguarda da beleza e do caráter das paisagens e sítios a preservação e. que apresentam um interesse cultural ou estético. aos organismos encarregados da proteção da natureza. que é preciso levar em conta as necessidades da vida coletiva. que as paisagens e sítios constituem um fator importante da vida econômica e social de um grande número de países. Considerando que. Considerando que esse fenômeno tem repercussão não apenas no valor estético das paisagens e dos sítios naturais ou criados pelo homem. as normas e princípios formulados na presente recomendação. A Conferência Geral recomenda aos Estados Membros que levem a presente recomendação ao conhecimento das autoridades e organismos envolvidos com a proteção das paisagens e dos sítios e com o planejamento territorial. para quem são um poderoso regenerador físico. Havendo-se-lhe apresentadas propostas relativas à salvaguarda da beleza e do caráter das paisagens e dos sítios. moral e espiritual e por contribuírem para a vida artística e cultural dos povos. que é altamente desejável e urgente estudar e adotar as medidas necessárias para salvaguardar a beleza e o caráter das paisagens e dos sítios em toda parte e sempre que possível. Reconhecendo. executar grandes obras e realizar vastos planejamentos físicos territoriais e instalações de equipamento industrial e comercial. em conseqüência. onze de dezembro de 1962. ao cultivar novas terras. II – Princípios Gerais . Considerando que. naturais. sob a forma de lei nacional ou de alguma outra maneira. A Conferência Geral recomenda aos Estados Membros que apliquem as disposições seguintes e adotem. Considerando. estético e até mesmo vital de regiões inteiras. As disposições da presente recomendação visam também a complementar as medidas de salvaguarda da natureza. a presente recomendação. hoje. entretanto. sua evolução e o rápido desenvolvimento do progresso técnico. em sua décima primeira sessão.

Seus projetos deveriam ser concebidos de modo a respeitar determinadas exigências estéticas relativas ao próprio edifício e. especialmente segundo o caráter e as dimensões das paisagens e sítios. trabalhos de irrigação. As atividades que possam levar a uma deterioração das paisagens e dos sítios em zonas protegidas por lei. As medidas preventivas para a salvaguarda das paisagens e dos sítios deveriam visar a protegê-los dos perigos que os ameaçam. instalações de produção e de transporte de energia. Essas medidas deveriam consistir essencialmente no controle dos trabalhos e atividades susceptíveis de causar dano às paisagens e aos sítios e. k) Depósitos de material e de matérias usadas. especialmente. tais como as paisagens e sítios urbanos. o interesse relativo das paisagens e dos sítios em consideração. a reabilitá-los. etc. assim como detritos e dejetos domésticos. de: a) Construção de edifícios públicos e privados de qualquer natureza. geralmente. As medidas a serem adotadas para a salvaguarda das paisagens e dos sítios deveriam ter caráter preventivo e corretivo. inclusive destruição de árvores que contribuem para a estética da paisagem. e) Cartazes publicitários e anúncios luminosos. i) Captação de nascentes. especialmente pelas obras de construção e pela especulação imobiliária. na medida do possível. disposições especiais deveriam ser tomadas para assegurar a salvaguarda de algumas paisagens e de determinados sítios. b) Construção de estradas. evitando cair na imitação gratuita de certas formas tradicionais e pinturescas. A salvaguarda da beleza e do caráter das paisagens e dos sítios deveria também levar em conta os perigos decorrentes de certas atividades de trabalho. j) Campismo. e a natureza dos perigos de que estejam ameaçados. de televisão. c) Linhas de eletricidade de alta ou baixa tensão. barragens. os mais ameaçados. só poderiam ser admitidas no caso de exigência imperiosa de um interesse público ou social. à obra do homem. Essas medidas poderiam variar. ou de alguma forma protegidas. Para facilitar o trabalho dos diversos serviços públicos encarregados da salvaguarda da paisagem e dos sítios em cada país. regularização dos cursos de água. comerciais ou industriais. ou de determinadas formas de vida da sociedade contemporânea. deveriam estar em harmonia com a ambiência que se deseja salvaguardar. d) Construção de auto-serviços para distribuição dos combustíveis. na escolha das medidas aplicáveis. g) Poluição do ar e da água. por causa do barulho que provocam. etc. que são. Assim. Uma proteção especial deveria ser assegurada às proximidades dos monumentos. aquedutos. h) Exploração de minas e pedreiras e evacuação de seus resíduos. Medidas corretivas deveriam ser destinadas a suprimir o “dano” causados às paisagens e aos sítios e. deveriam ser criados institutos de pesquisa científica para colaborar com as autoridades competentes a fim de assegurar a harmonização e a codificação . mas estender-se também às paisagens e sítios cuja formação se deve. aeródromos. estações de rádio. particularmente as que margeiam as vias de comunicação ou as avenidas. A salvaguarda não deveria limitar-se às paisagens e aos sítios naturais. Convém levar em conta. sua localização. f) Desmatamento. canais.Os estudos e as medidas a serem adotadas para a salvaguarda das paisagens e dos sítios deverse-iam se estender a todo o território do Estado e não se limitar a algumas paisagens ou sítios determinados. no todo ou em parte.

às precauções a serem tomadas para dissimular as escavações resultantes da construção de barragens. b) Inserção de restrições nos planos de urbanização e no planejamento em todos os níveis: regionais. III – Medidas de Salvaguarda A salvaguarda da paisagem e dos sítios deveria ser assegurada com o auxílio dos seguintes métodos: a) Controle geral por parte das autoridades competentes. às normas relativas à altura. Quando. possibilitar direito a indenização. A proteção legal "por zonas" não deveria. o caráter estético é de interesse primordial. ou da exploração de pedreiras. a proteção legal “por zonas” deveria abranger o controle dos loteamentos e a observação de algumas prescrições gerais de caráter estético referentes à utilização dos materiais e sua cor. especialmente para as cidades ou regiões em vias de desenvolvimento rápido. c) Proteção legal por zonas. e) Criação a manutenção de reservas naturais e parques nacionais. em regra geral. em toda a extensão do território do país. etc. Proteção Legal “por zonas” das paisagens extensas As paisagens extensas deveriam ser objeto de proteção legal “por zonas”. das paisagens extensas. d) Proteção legal dos sítios isolados. A proteção legal "por zonas" deveria ser divulgada publicamente e as regras gerais a serem observadas para a salvaguarda das paisagens integrantes de tal proteção deveriam ser editadas e difundidas. atualizada. rurais ou urbanos. nas quais a salvaguarda do caráter estético ou pinturesco dos lugares justifique o estabelecimento de tais planos. f) Aquisição de sítios pelas coletividades públicas. numa zona protegida por lei. à regulamentação de derrubada das árvores. Planejamento Urbano e Planejamento territorial das áreas Rurais O planejamento urbano ou o planejamento territorial das áreas rurais deveriam conter disposições relativas às restrições a serem impostas para a salvaguarda das paisagens e dos sítios – inclusive os que não possuem proteção legal – que se encontrem no território abrangido por esses planos. Controle Geral Um controle geral deveria ser exercido sobre os trabalhos e as atividades susceptíveis de causar danos às paisagens e aos sítios. Essas disposições e os resultados dos trabalhos dos institutos de pesquisa deveriam ser reunidos em uma só publicação administrativa periódica. O planejamento urbano ou o planejamento territorial das áreas rurais deveriam ser estabelecidos em função de sua ordem de urgência.das disposições legislativas e regulamentares aplicáveis à matéria. Proteção legal de sítios isolados .

terreno ou imóvel assim protegido deveria ser objeto de uma decisão administrativa especial. Nenhuma servidão convencional deveria ser consentida pelo proprietário sem a concordância das autoridades encarregadas da salvaguarda. nem para os trabalhos regulares de manutenção das construções. devidamente notificada ao proprietário. ser proibida e concedida. Esses parques nacionais e reservas naturais deveriam formar um conjunto de zonas experimentais destinadas também às pesquisas sobre a formação e a restauração da paisagem e à proteção da natureza. os Estados Membros deveriam incorporar às zonas e sítios cuja salvaguarda convém assegurar. por prescrição. em cada Estado Membro. naturais ou urbanos. a salvaguarda das paisagens e dos sítios deveriam ter força de lei e as medidas necessárias a sua aplicação. apenas. no caso de ocorrer prejuízo certo e direto. parciais ou integrais. ou reservas naturais.Os sítios isolados e de pequenas dimensões. Não será necessário. assim como a execução de quaisquer obras públicas em sítio protegido por lei deveriam estar subordinadas ao prévio consentimento das autoridades encarregadas da salvaguarda. entretanto. dentro das atribuições que lhes são conferidas pela lei. Qualquer publicidade deveria ser proibida nos sítios protegidos por lei e em suas imediações. Ninguém deveria poder adquirir. assim como porções de paisagem que ofereçam um interesse excepcional. A permissão de acampar em um sítio protegido por lei deveria. direitos que permitam modificar o caráter ou o aspecto do sítio. deveriam ser confiadas às autoridades responsáveis. ao passo que a extração de minerais estaria sujeita a uma autorização especial. deveriam ser protegidos por lei. em princípio. Quando necessário. A proteção legal de um sítio deveria poder proporcionar ao proprietário o direito à indenização. Aquisição dos sítios pelas coletividades públicas Os Estados Membros deveriam encorajar as coletividades públicas a adquirirem terrenos que façam parte de uma paisagem ou de um sítio que convenha salvaguardar. em um sítio protegido por lei. . Essa proteção legal deveria acarretar para o proprietário a proibição de destruir o sítio ou alterar seu estado ou aspecto sem a autorização das autoridades encarregadas da salvaguarda. em terrenos delimitados pelas autoridades encarregadas da salvaguarda e submetidos a sua inspeção. devido à proteção por lei. essa aquisição deveria poder se realizar através de expropriação. A proteção legal deveria implicar na proibição de contaminar os terrenos. Reservas Naturais e Parques Nacionais Quando for possível. ou limitada a determinada localização fixada pelas autoridades encarregadas da salvaguarda. o ar e as águas seja de que maneira for. A expropriação pelos poderes públicos. IV . A autorização eventualmente concedida deveria ser acompanhada de todas as condições necessárias à salvaguarda do sítio.Aplicação das Medidas de Salvaguarda As normas e princípios fundamentais que regulam. Deveriam ser igualmente protegidos por lei os terrenos de onde se aprecie uma vista excepcional e os terrenos e imóveis que envolvam um monumento notável. parques nacionais destinados à educação e ao lazer do público. requisitar qualquer autorização para os trabalhos de exploração usual das terras rurais. Cada sítio.

propor as medidas destinadas a reduzir os perigos que possa apresentar a execução de determinados trabalhos. preparar as decisões a serem tomadas e controlar sua execução. A violação das normas de salvaguarda das paisagens e dos sítios devria redundar em perdas e danos e ou na obrigação de repor os sítios em seu estado primitivo. das associações privadas de proteção das paisagens e dos sítios ou de proteção da natureza. ou às coletividades locais interessadas. emissões radiofônicas ou de televisão. tais como filmes.nacionais ou locais . O parecer dessas comissões deveria ser solicitado em todos os casos e em tempo útil. nos casos de obras de interesse geral e de grande envergadura. centrais e regionais. Os órgãos de caráter executivo deveriam ser serviços especializados. 32 e 33. na medida do possível. de caráter executivo ou consultivo. como a construção de rodovias. Caberlhes-ia. particularmente na fase dos anteprojetos. ou a reparar os danos por eles causados. A educação do público fora da escola deveria ser tarefa da imprensa. dos órgãos encarregados do turismo e das organizações de juventude e de educação popular. Sanções administrativas ou penais deveriam ser previstas no caso de danos causados voluntariamente às paisagens e aos sítios protegidos. para o estudo e a apresentação dos aspectos naturais e culturais característicos de determinadas regiões. ou seções especializadas nos museus existentes.cujas tarefas consistiram. etc. em colaborar com os órgãos mencionados nos parágrafos 31.Os Estados Membros deveriam criar órgãos especializados. Os Estados Membros deveriam facilitar a criação e o funcionamento de órgãos não governamentais . e de órgãos dedicados a essa tarefa. efetuar pesquisas de campo. encarregadas de estudar as questões relativas à salvaguarda e de manifestar seu parecer sobre essas questões às autoridades centrais ou regionais. encarregados de aplicar as medidas de salvaguarda. entre outras. ordenação espacial de instalações hidrotécnicas. prestando-lhes uma ajuda material e colocando a sua disposição e à dos educadores em geral os meios apropriados de publicidade. Os Estados Membros deveriam também facilitar a tarefa dos museus existentes. criação de novas instalações industriais. esses serviços deveriam ter a possibilidade de estudar os problemas relativos à salvaguarda e à proteção legal. especialmente informando a opinião pública e alertando os serviços responsáveis pelos perigos que ameacem as paisagens e os sítios. Os professores encarregados dessa tarefa educativa na escola deveriam receber uma preparação especial. também. Os Estados Membros deveriam facilitar a educação do público e estimular a ação das associações. Para isso. com o objetivo de intensificar a ação educativa já empreendida nesse sentido e considerar a possibilidade de criar museus especiais. V – Educação do Público Uma ação educativa deveria ser empreendida dentro e fora das escolas para despertar e desenvolver o respeito público pelas paisagens e sítios e para tornar mais conhecidas as normas editadas para garantir sua salvaguarda. na forma de estágios especializados de estudos em estabelecimentos de ensino secundário e superior. Os órgãos de caráter consultivo deveriam ser comissões de caráter nacional. material para exposições . regional e local.

A noção de monumento histórico compreende a criação arquitetônica isolada. A sensibilidade e o espírito crítico se dirigem para problemas cada vez mais complexos e diversificados. ainda que caiba a cada nação aplicá-los no contexto de sua própria cultura e de suas tradições. se reconhece solidariamente responsável por preservá-las. impondo a si mesma o dever de transmiti-las na plenitude de sua autenticidade. de uma evolução significativa ou de um acontecimento histórico. concursos e outras manifestações similares deveriam ser consagrados e ressaltar o valor das paisagens e dos sítios naturais ou criados pelo homem. Ao dar uma primeira forma a esses princípios fundamentais. Carta de Veneza de maio de 1964 II Congresso Internacional de Arquitetos e Técnicos dos Monumentos Históricos ICOMOS . a Carta de Atenas de 1931 contribui para a propagação de um amplo movimento internacional que se traduziu principalmente em documentos nacionais. Jornadas nacionais e internacionais. das revistas e das publicações periódicas regionais. para chamar a atenção do grande público sobre a importância da salvaguarda da sua beleza e de seu caráter. cada vez mais consciente da unidade dos valores humanos. Agora é chegado o momento de reexaminar os princípios da Carta para aprofundá-las e dotá-las de um alcance maior em um novo documento. as considera um patrimônio comum e. essencial que os princípios que devem presidir à conservação e à restauração dos monumentos sejam elaborados em comum e formulados num plano internacional. portanto. que tenham adquirido. do Centro Internacional de Estudos para a Conservação e Restauração dos Bens Culturais. aprovou o texto seguinte: Definições Artigo 1º . Estende-se não só às grandes criações mas também às obras modestas.permanentes. com o tempo. na atividade de ICOM e da UNESCO e na criação. . Consequentemente. o Segundo Congresso Internacional de Arquitetos e Técnicos dos Monumentos Históricos. bem como o sítio urbano ou rural que dá testemunho de uma civilização particular. temporárias ou itinerantes. problema primordial para a coletividade.Conselho Internacional de Monumentos e Sítios CARTA INTERNACIONAL SOBRE CONSERVAÇÃO E RESTAURAÇÃO DE MONUMENTOS E SÍTIOS Portadoras de mensagem espiritual do passado. Uma ampla publicidade poderia ser obtida através dos jornais. É. reunido em Veneza de 25 a 31 de maio de 1964. perante as gerações futuras. folhetos e livros capazes de obter uma grande difusão e idealizados com um espírito didático. por esta última. as obras monumentais de cada povo perduram no presente como o testemunho vivo de suas tradições seculares. uma significação cultural. A humanidade.

O monumento é inseparável da história de que é testemunho e do meio em que se situa. Restauração Artigo 9º . Artigo 8º .A conservação de um monumento implica a preservação de um esquema em sua escala. É somente dentro destes limites que se deve conceber e se pode autorizar as modificações exigidas pela evolução dos usos e costumes.A restauração é uma operação que deve ter caráter excepcional. toda destruição e toda modificação que poderiam alterar as relações de volumes e de cores serão proibidas. Termina onde começa a hipótese. o deslocamento de todo o monumento ou de parte dele não pode ser tolerado.Artigo 2º . desejável.Os elementos de escultura.A conservação dos monumentos é sempre favorecida por sua destinação a uma função útil à sociedade. Artigo 10º .A conservação e a restauração dos monumentos visam a salvaguardar tanto a obra de arte quanto o testemunho histórico.A conservação dos monumentos exige. manutenção permanente. Artigo 6º . todo trabalho complementar reconhecido como indispensável por razões estéticas ou técnicas destacar-se-á da composição arquitetônica e deverá ostentar a marca do nosso tempo. visto que a unidade de estilo não é a finalidade a alcançar no curso de . no plano das reconstituições conjeturais. Artigo 7º.As contribuições válidas de todas as épocas para a edificação do monumento devem ser respeitadas. mas não pode nem deve alterar à disposição ou a decoração dos edifícios. Tem por objetivo conservar e revelar os valores estéticos e históricos do monumento e fundamenta-se no respeito ao material original e aos documentos autênticos. Finalidade Artigo 3º . a consolidação do monumento pode ser assegurada com o emprego de todas as técnicas modernas de conservação e construção cuja eficácia tenha sido demonstrada por dados científicos e comprovada pela experiência. Artigo 5º . antes de tudo. e toda construção nova. tal destinação é portanto. o esquema tradicional será conservado.Quando as técnicas tradicionais se revelarem inadequadas.A conservação e a restauração dos monumentos constituem uma disciplina que reclama a colaboração de todas as ciências e técnicas que possam contribuir para o estudo e a salvaguarda do patrimônio monumental. Por isso. A restauração será sempre precedida e acompanhada de um estudo arqueológico e histórico do monumento. Artigo11º . Enquanto subsistir. pintura ou decoração que são parte integrante do monumento não lhes podem ser retirados a não ser que essa medida seja a única capaz de assegurar sua conservação. exceto quando a salvaguarda do monumento o exigir ou quando o justificarem razões de grande interesse nacional ou internacional. Conservação Artigo 4º .

Os trabalhos de conservação.Os sítios monumentais devem ser objeto de cuidados especiais que visem a salvaguardar sua integridade e assegurar seu saneamento. ou seja. Além disso.Os elementos destinados a substituir as partes faltantes devem integrar-se harmoniosamente ao conjunto. ilustrados com desenhos e fotografias. portanto. Artigo 13º . Documentação e Publicações Artigo 16º . recomenda-se sua publicação. bem como os elementos técnicos e formais identificados ao longo dos trabalhos serão ali consignados. Todas as fases dos trabalhos de desobstrução. das partes originais a fim de que a restauração não falsifique o documento de arte e de história.Os acréscimos só poderão ser tolerados na medida em que respeitarem todas as partes interessantes do edifício. arqueológico. Sítios Monumentais Artigo14º .uma restauração. a exibição de uma etapa subjacente só se justifica em circunstâncias excepcionais e quando o que se elimina é de pouco interesse e o material que é revelado é de grande valor histórico. mas desmembradas. admitindo-se apenas a anastilose. a recomposição de partes existentes. devem ser tomadas todas as iniciativas para facilitar a compreensão do monumento trazido à luz sem jamais deturpar seu significado. o equilíbrio de sua composição e suas relações com o meio ambiente. todavia. sua manutenção e valorização. ou estético. Artigo 12º . Todo trabalho de reconstrução deverá. Os trabalhos de conservação e restauração que neles se efetuarem devem inspirar-se nos princípios enunciados nos artigos precedentes. Escavações Artigo 15º . e seu estado de conservação é considerado satisfatório. consolidação recomposição e integração. Devem ser asseguradas as manutenções das ruínas e as medidas necessárias à conservação e proteção permanente dos elementos arquitetônicos e dos objetos descobertos. deve ser excluído a priori. O julgamento do valor dos elementos em causa e a decisão quanto ao que pode ser eliminado não podem depender somente do autor do projeto. . distinguindo-se. adotada pela UNESCO em 1956. Os elementos de integração deverão ser sempre reconhecíveis e reduzir-se ao mínimo necessário para assegurar as condições de conservação do monumento e restabelecer a continuidade de suas formas.Os trabalhos de escavação devem ser executados em conformidade com padrões científicos e com a "Recomendação Definidora dos Princípios Internacionais a serem aplicados em Matéria de Escavações Arqueológicas". Essa documentação será depositada nos arquivos de um órgão público e posta à disposição dos pesquisadores. seu esquema tradicional. de restauração e de escavação serão sempre acompanhadas pela elaboração de uma documentação precisa sob a forma de relatórios analíticos e críticos.

3 da pauta da sessão. Considerando que. contudo. incluídos os arquivos musicais. esta recomendação. e que a familiaridade com esses bens favorece a compreensão e a apreciação mútuas entre as nações. que tais propostas seriam objeto de regulamentação internacional mediante uma recomendação aos Estados Membros. Tendo decidido. tais como as obras de arte e de arquitetura. A IMPORTAÇÃO E A TRANSFERÊNCIA DE PROPRIEDADE ILÍCITAS DE BENS CULTURAIS. os espécimens-tipo da flora e da fauna. I . Tendo examinado propostas de uma regulamentação internacional destinada a proibir e impedir a exportação. medidas necessárias a fazer vigorar.Conferência Geral da Organização das Nações Unidas para a Educação. a Ciência e a Cultura 13a Sessão de 19 de novembro de 1964 RECOMENDAÇÃO SOBRE MEDIDAS DESTINADAS A PROIBIR E IMPEDIR A EXPORTAÇÃO. a importação e a transferência de propriedade ilícitas de bens culturais. as coleções científicas e as coleções importantes de livros e arquivos.3. da importação e da transferência de propriedade ilícitas. Convicta de que se deve tomar providências no sentido de estimular a adoção de medidas adequadas e de aperfeiçoar o ambiente de solidariedade internacional.Definição Para efeito desta recomendação. assunto que constitui o item 15. para evitar esses perigos. A Conferência Geral da Organização das Nações Unidas para a Educação. Estimando que os bens culturais se constituem em elementos fundamentais da civilização e da cultura dos povos. reunida em Paris de 20 de outubro a 20 de novembro de 1964. em sua décima-segunda reunião. A Conferência Geral recomenda que os Estados Membros levem esta recomendação ao conhecimento das autoridades e organizações relacionadas à proteção de bens culturais. histórico ou arqueológico. sob forma de lei nacional ou de outra forma. são considerados bens culturais os bens móveis e imóveis de grande importância para o patrimônio cultural de cada país. A Conferência Geral recomenda que os Estados Membros apliquem as disposições seguintes. e expressando. Considerando que cada Estado tem o dever de proteger o patrimônio constituído pelos bens culturais existentes em seu território contra os perigos decorrentes da exportação. é indispensável que cada Estado Membro adquira uma consciência mais clara das obrigações morais relativas ao respeito a seu patrimônio cultural e ao de todas as nações. as normas e princípios formulados na presente recomendação. esperança de que uma convenção internacional possa ser adotada o mais cedo possível. Adota. relatórios a respeito das providências que hajam tomado no sentido de colocar em prática esta recomendação. sem o que os objetivos propostos não seriam alcançados. adotando. Ciência e Cultura. no território sob sua jurisdição. neste dia dezenove de novembro de 1964. os livros e outros bens de interesse artístico. em sua décima-terceira sessão. A Conferência Geral recomenda que os Estados-Membros lhe apresentem. Considerando que os objetivos visados não podem ser alcançados sem uma estreita colaboração entre os Estados-Membros. . nas datas e da forma por ela determinada. os manuscritos. os documentos etnológicos.

Instituições de Proteção dos Bens Culturais Cada Estado-Membro deveria providenciar para que a proteção dos bens culturais estivesse sob a responsabilidade de órgãos oficiais adequados e. importação ou transferência de propriedade ilícitas. caso se julgue necessária a criação de um serviço nacional de proteção dos bens culturais: .Princípios Gerais Para garantir a proteção de seu patrimônio cultural contra todos os perigos de empobrecimento. Casa Estado Membro deveria tomar as providências apropriadas para impedir a transferência ilícita de propriedade dos bens culturais. deveriam abster-se de adquirir qualquer bem cultural procedente de exportação. cada Estado Membro deveria adotar as medidas adequadas para exercer um controle eficaz sobre a exportação de bens culturais. os bens culturais que haverão de se beneficiar da proteção estabelecida nesta recomendação em virtude da grande importância que apresentam. ou.Medidas Recomendadas Identificação e Inventário Nacional dos Bens Culturais Para garantir a aplicação mais eficaz dos princípios gerais enunciados acima. Para estimular e facilitar os intercâmbios legítimos de bens culturais. um objeto cultural de propriedade privada deveria permanecer como tal mesmo após sua inclusão no inventário nacional. estabelecer e aplicar procedimentos para a identificação dos bens culturais definidos nos parágrafos 1 e 2 que existam em seu território e estabelecer um inventário nacional desses bens. os Estados-Membros deveriam empreender os esforços necessários para pôr à disposição das coleções públicas dos demais Estados Membros. se necessário. Os museus. por meio de empréstimo ou depósito. na medida do possível. A importação de bens culturais só deveria ser autorizada após haverem sido declarados livres de qualquer restrição por parte do Estado exportador. importação ou transferência de propriedade efetuada em oposição às normas adotadas por cada Estado Membro em conformidade com o parágrafo 6 deveria ser considerada ilícita. é conveniente levar em consideração os seguintes princípios comuns. e em geral todos os serviços e instituições relacionados à conservação de bens culturais. Este inventário não teria caráter restritivo. Cada Estado Membro deveria estabelecer normas que regulamentassem a aplicação dos princípios supracitados. através de cessão ou intercâmbio. Ainda que a diversidade de disposições constitucionais e de tradições e a desigualdade de recursos impossibilitem a adoção por todos os Estados-Membros de uma organização uniforme. Qualquer exportação. objetos do mesmo tipo daqueles cuja exportação ou transferência de propriedade não possam ser autorizadas. cada Estado Membro deveria. A inclusão de um objeto cultural nesse inventário não deveria alterar de maneira alguma sua propriedade legal. deveria instituir um serviço nacional para a proteção dos bens culturais. alguns desses mesmos objetos. II . Particularmente. nos parágrafos 1 e 2. III .Cada Estado Membro deveria adotar os critérios que julgar mais adequados para definir. no âmbito de seu território.

mediante o qual o Estado exportador certificaria haver autorizado a exportação do bem em questão. e. atuando em conformidade com a legislação nacional. em conformidade com o estabelecido no parágrafo 10. tais como os acordos culturais. se for o caso. Tais acordos poderiam. dentro da estrutura de organizações intergovernamentais regionais. ao exigir a apresentação do certificado a que se refere o parágrafo 11. em conformidade com as disposições da seção 11. na medida do possível. como. por exemplo. o estabelecimento e a manutenção de um inventário nacional desses bens. Colaboração Internacional para a Detecção de Operações Ilícitas Sempre que necessário ou conveniente. acima. a importação e a transferência de propriedade ilícitas. se necessário. de um certificado apropriado. constituir um fundo ou adotar outras medidas financeiras apropriadas para dispor dos recursos necessários a adquirir bens culturais de importância excepcional. ser incluídos em acordos de maior abrangência. c) O serviço nacional de proteção dos bens culturais deveria estar autorizado a apresentar às autoridades nacionais competentes propostas de outras medidas legislativas ou administrativas adequadas à proteção dos bens culturais. os acordos bilaterais ou multilaterais deveriam conter cláusulas que garantissem que. de modo a garantir a restituição de bens culturais ilicitamente exportados do território de uma das partes desses acordos e localizada no território de outra. se necessário. Cada Estado-Membro deveria. da importação ou da transferência de propriedade de bens culturais. os Estados Membros deveriam firmar acordos bilaterais ou multilaterais. d) O serviço nacional de proteção dos bens culturais deveria poder recorrer a especialistas para assessorá-lo em relação a problemas técnicos e na solução de casos litigiosos. técnicos e financeiros que permitissem o desempenho eficaz de suas funções. de uma exportação ou de uma transferência de propriedade ilícitas ou de qualquer outra operação considerada ilegal pela legislação do Estado exportador.a) O serviço nacional de proteção dos bens culturais deveria ser. por ocasião de sua exportação. Em caso de dúvida a instituição incumbida da proteção dos bens culturais deveria comunicar-se com a instituição competente para confirmar a legalidade da exportação. sempre que fosse proposta a transferência de propriedade de um bem cultural. Toda oferta suspeita e todos os detalhes a ela relacionados. acima. como por exemplo. um serviço administrativo do Estado ou um órgão que. da importação e da transferência de propriedade de bens culturais. deveriam ser levados ao conhecimento dos serviços interessados. inclusive sanções que impedissem a exportação. b) As funções do serviço nacional de proteção dos bens culturais deveriam incluir: (i) A identificação dos bens culturais existentes no território do Estado. os serviços competentes de cada Estado pudessem certificar-se da inexistência de motivos para considerar o objeto como proveniente de um roubo. para resolver problemas decorrentes da exportação. Acordos Bilaterais e Multilaterais Sempre que necessário ou conveniente. dispusesse dos meios administrativos. (ii) Cooperação com outros organismos competentes no controle da exportação. o controle de exportações seria consideravelmente facilitado se os bens culturais fossem acompanhados. e mais especificamente. .

tomar as providências adequadas para estabelecer que sua legislação interna ou as convenções quais possa vir a participar garantissem ao adquirente de boa fé de um bem cultural a ser restituído ou repatriado ao território do Estado do qual havia sido ilegalmente exportado a possibilidade de obter a indenização por perdas e danos ou outra compensação equivalente. Em fé do qual apensamos nossas assinaturas. legislação vigente no Estado em cujo território se encontram os bens. por solicitação de Estado que o reclamasse. os museus e todas as instituições competentes em geral deveriam colaborar uns com os outros no sentido de garantir ou facilitar a restituição ou a repatriação de bens culturais ilicitamente exportados. realizada em Paris e declarada concluída no vigésimo dia de novembro de 1964. Tal ação deveria ser empreendida pelos serviços competentes em cooperação com os serviços educativos. Essa restituição ou repatriação deveria ser efetuada em conformidade com a. O precedente é o texto autêntico da Recomendação devidamente aprovada pela Conferência Geral da Organização das Nações Unidas para a Educação. os serviços de proteção dos bens culturais. através de uma publicidade adequada. em sua décima-terceira reunião. com organizações de juventude e de educação popular e com grupos e indivíduos ligados a atividades culturais. Sissakian O Diretor-Geral René Mahen . ser levado ao conhecimento do público. O Presidente da Conferência Geral Noraír M. com a imprensa e com outros meios de informação e difusão. cada Estado-Membro deveria agir de modo a estimular e desenvolver entre seus cidadãos o interesse e o respeito pelo patrimônio cultural de todas as nações. Restituição ou Repatriação de Bens Culturais Exportados Ilicitamente Os Estados-Membros.Os Estados-Membros deveriam empenhar-se na assistência mútua através do intercâmbio dos resultados de suas experiências no âmbito dos assuntos a que se refere esta recomendação. Direitos dos Adquirentes de Boa Fé Cada Estado-Membro deveria. neste vigésimo-primeiro dia de novembro de 1964. Ação Educativa No sentido de uma colaboração internacional que levasse em consideração tanto a natureza universal da cultura quanto a necessidade de intercâmbios para possibilitar a todos beneficiarse do patrimônio cultural da humanidade. Ciência e a Cultura. se necessário. Publicidade em caso de Desaparecimento de um Bem Cultural O desaparecimento de qualquer bem cultural deveria.

especificamente. Os lugares pitorescos e outras belezas naturais.A.E. Mas pode existir uma zona. histórico e artístico. de conformidade com o que dispõe o Capítulo V. de acordo com a moderna técnica museográfica. a tutela do Estado pode e deve se estender ao contexto urbano.Normas de Quito de novembro/dezembro de 1967 REUNIÃO SOBRE CONSERVAÇÃO E UTILIZAÇÃO DE MONUMENTOS E LUGARES DE INTERESSE HISTÓRICO E ARTÍSTICO. recinto ou sítio de caráter monumental. porque com isso os chefes de Estado deixam reconhecida. letra d). em último caso. As recomendações do presente informe são dirigidas nesse sentido e se limitam. portanto. objeto de defesa e proteção por parte do Estado.Introdução A inclusão do problema representado pela necessária conservação e utilização do patrimônio monumental na relação de esforços multinacionais que se comprometem a realizar os governos da América resulta alentador num duplo sentido.. da Declaração dos Presidentes da América. A marca histórica ou artística do . É preciso reconhecer. à adequada conservação e utilização dos monumentos e sítios de interesse arqueológico. de sua adequada formulação dentro de um plano sistemático de revalorização dos bens patrimoniais em função do desenvolvimento econômico-social.Organização dos Estados Americanos Informe Final I . sendo a razão fundamental da Reunião de Punta del Leste o propósito comum de dar um novo impulso ao desenvolvimento do continente. sem que nenhum dos elementos que o constitui. O acelerado processo de empobrecimento que vem sofrendo a maioria dos países americanos como conseqüência do estado de abandono e da falta de defesa em que se encontra sua riqueza monumental e artística demanda a adoção de medidas de emergência. está se aceitando implicitamente que esses bens do patrimônio cultural representam um valor econômico e são suscetíveis de constituir-se em instrumentos do progresso. que. não são propriamente monumentos nacionais. a existência de uma situação de urgência que reclama a cooperação interamericana. ao ambiente natural que o emoldura e aos bens culturais que encerra. II . tanto em nível nacional quanto internacional. porque. isoladamente considerados. entretanto. mereça essa designação. Primeiramente. de maneira expressa. O.Considerações Gerais A idéia do espaço é inseparável do conceito do monumento e. torna-se imprescindível estender a devida proteção a outros bens móveis e a objetos valiosos do patrimônio cultural para evitar sua contínua deterioração e subtração impune e para conseguir que contribuam à obtenção dos fins pretendidos mediante sua adequada exibição. e em segundo. dada a íntima relação entre o continente arquitetônico e o conteúdo artístico. mas sua eficácia prática dependerá. Esforços Multinacionais.

É certo também que grande parte desse patrimônio se arruinou irremediavelmente no curso das últimas décadas ou se acha hoje em perigo iminente de perder-se.templos. evidência de sua grandeza passada . Um acento próprio. praças. que. sítios e conjuntos monumentais adquirem excepcional importância e atualidade. os problemas que se relacionam com a defesa. apagando as marcas e expressões do passado. um rico patrimônio monumental. Múltiplos fatores têm contribuído e continuam contribuindo para diminuir as reservas de bens culturais da maioria dos países da América Ibérica. III . mas deformam por completo a paisagem. Ruínas arqueológicas de capital importância. artísticas e históricas do extenso período colonial. Qualquer que seja o valor intrínseco de um bem ou as circunstâncias que concorram para constituir a sua importância e significação histórica ou artística. fontes e vielas. num passado ainda próximo. Cabe ao Estado fazer com que ela prevaleça e determinar. a medida em que a referida função social é compatível com a propriedade privada e com o interesse dos particulares. e em especial a América Ibérica. conservação e utilização dos monumentos. nos diferentes casos. A partir desse momento o bem em questão estará submetido ao regime de exceção assinalado pela lei.homem é essencial para imprimir a uma paisagem ou a um recinto determinado essa categoria específica. complexos urbanos e povoados inteiros são suscetíveis de se tomar centros de maior interesse e atração. acentuavam sua personalidade e atração -. Nos momentos críticos em que a América se encontra comprometida em um grande empenho progressista. Todo monumento nacional está implicitamente destinado a cumprir uma função social. numa exuberante variedade de formas. arquitetônicas. ele não se constituirá em um monumento a não ser que haja uma expressa declaração do Estado nesse sentido. Grande número de cidades ibero-americanas que entesouravam. têm sofrido tais . em conjunto. testemunhos de uma tradição histórica de inestimável valor. Todo processo de acelerado desenvolvimento traz consigo a multiplicação de obras de infraestrutura e a ocupação de extensas áreas por instalações industriais e construções imobiliárias que não apenas alteram. A declaração de monumento nacional implica a sua identificação e registro oficiais. nem sempre acessíveis ou de todo exploradas. se alternam com surpreendentes sobrevivências do passado. contribui para imprimir aos estilos importados um sentido genuinamente americano de múltiplas manifestações locais que os caracteriza e distingue. que implica a exploração exaustiva de seus recursos naturais e a transformação progressiva das suas estruturas econômico-sociais.O Patrimônio Monumental e o Momento Americano É uma realidade evidente que a América. produto do fenômeno da aculturação. Aos grandiosos testemunhos das culturas pré-colombianas se agregam as expressões monumentais. constitui uma região extraordinariamente rica em recursos monumentais. mas é necessário reconhecer que a razão fundamental da destruição progressivamente acelerada desse potencial de riqueza reside na falta de uma política oficial capaz de imprimir eficácia prática às medidas protecionistas vigentes e de promover a revalorização do patrimônio monumental em função do interesse público e para beneficio econômico da nação.

IV . A partir da Carta de Atenas. V . 1958). para conseguir soluções satisfatórias. que trazem a esse tema de tanto interesse americano um ponto de vista eminentemente prático. com uma política de ordenação urbanística cientificamente desenvolvida. apresentado à Comissão Cultural e Científica do Conselho da Europa (1 963): "É possível equipar um país sem desfigurá-lo. mas fazem ou devem fazer parte deles. deve constituir o seu complemento. A defesa e valorização do patrimônio monumental e artístico não se contradiz. 1961). preparar e servir ao futuro sem destruir o passado. teórica nem praticamente. Está à disposição da América a experiência acumulada. recuperação e revalorização do patrimônio monumental da região e a formulação de planos nacionais e multinacionais a curto e a longo prazo. nos últimos anos. muitos foram os congressos internacionais que se sucederam até consolidar-se o atual critério dominante. figuram o da União Internacional de Arquitetos (Moscou. deve ser associado à criação de um quadro de vida digno do homem". que teve como tema o problema dos conjuntos históricos. o Congresso da Federação Internacional da Habitação e Urbanismo (Santiago de Compostela. histórico e artístico constituem também recursos econômicos da mesma forma que as riquezas naturais do país. em nível tanto local como nacional. gravemente comprometido pela entronização de um processo anárquico de modernização. . Não é exagerado afirmar que o potencial de riqueza destruída com esses atos irresponsáveis de vandalismo urbanístico em numerosas cidades do continente excede em muito os benefícios advindos para a economia nacional através das instalações e melhorias de infraestrutura com que se pretendem justificar. Tudo isso em nome de um mal entendido e pior administrado progresso urbano. É preciso admitir que os organismos internacionais especializados têm reconhecido a dimensão do problema e vêm trabalhando com afinco.Valorização Econômica dos Monumentos Partimos do pressuposto de que os monumentos de interesse arqueológico. Nesse sentido. A elevação do nível de vida não deve se limitar à realização de um bem-estar material progressivo. exige a adoção de medidas de defesa. o do ICOMOS. o Congresso de Veneza (1964) e o mais recente. todo plano de ordenação deverá realizar-se de forma que permita integrar ao conjunto urbanístico os centros ou complexos históricos de interesse ambiental. contribuindo com recomendações concretas. Em confirmação a este critério se transcreve o seguinte parágrafo do Informe Weiss. A continuidade do horizonte histórico e cultural da América.A solução conciliatória A necessidade de conciliar as exigências do progresso urbano com a salvaguarda dos valores ambientais já é hoje em dia uma norma inviolável na formulação dos planos reguladores. as medidas que levam a sua preservação e adequada utilização não só guardam relação com os planos de desenvolvimento. de 1932. Consequentemente.mutilação e degradações no seu perfil arquitetônico que se tomam irreconhecíveis. em Cáceres (1967). Entre os que mais se aprofundaram no problema. Longe disso.

que figura no ponto 2. a ajuda necessária ao desenvolvimento econômico dos países membros da OEA. através da cooperação continental. Valorizar um bem histórico ou artístico equivale a habilitá-lo com as condições objetivas e ambientais que. 1967).. VI . que tende a tomar-se cada dia mais freqüente entre os especialistas. Encomendar aos organismos competentes da OEA que:.. a urgente necessidade de utilizar ao máximo o cabedal de seus recursos e é evidente que entre eles figura o patrimônio monumental das nações. na maioria dos casos. reiteradas recomendações e resoluções de diferentes organismos do sistema levaram progressivamente o problema ao mais alto nível de consideração: a Reunião dos Chefes de Estado (Punta del Este. trata-se de mobilizar os esforços nacionais no sentido de procurar o melhor aproveitamento dos recursos monumentais de que se disponha." Em suma.. d) Estendam a cooperação interamericana à conservação e utilização dos monumentos arqueológicos. como meio indireto de favorecer o desenvolvimento econômico do país. ou seja. adquire no momento americano uma especial aplicação. A extensão da assistência técnica e a ajuda financeira ao patrimônio cultural dos Estados Membros será cumprida em função de seu desenvolvimento econômico e turístico.Na mais ampla esfera das relações interamericanas. dentro da área de competência do conselho. Se algo caracteriza este momento é. da Declaração dos Presidentes: "Esforços Multinacionais." Mais concretamente. Isso implica uma tarefa prévia de planejamento em nível nacional. precisamente.A valorização do Patrimônio do Cultural O termo "valorização". Isso explica o emprego do termo "utilização".. capítulo V. É evidente que a inclusão do problema relativo à adequada preservação e utilização do patrimônio monumental na citada reunião corresponde às mesmas razões fundamentais que levaram os presidentes da América a convocá-la: a necessidade de dar à Aliança para o Progresso um novo e mais vigoroso impulso e de oferecer. convocada com a finalidade única de dar cumprimento ao disposto na Declaração dos Presidentes.. excede suas atuais possibilidades. na resolução 2 da Segunda Reunião Extraordinária do Conselho Interamericano Cultural.. a avaliação dos recursos disponíveis e a formulação de projetos específicos dentro de um plano de ordenação geral. históricos e artísticos. A. A extensão da cooperação interamericana para esse aspecto do desenvolvimento implica o reconhecimento de que o esforço nacional não é por si só suficiente para empreender uma ação que. diz-se: ". sem desvirtuar sua natureza ressaltem suas características e permitam seu . É unicamente através da ação multinacional que muitos Estados-Membros em processo de desenvolvimento podem prover-se dos serviços técnicos e dos recursos financeiros indispensáveis." 2.

harmonia e comunhão espiritual mesmo entre povos que mantêm rivalidade política. Em outras palavras. passando-a do domínio exclusivo de minorias eruditas ao conhecimento e fruição de maiorias populares. ao mesmo tempo em que facilitem e estimulem a iniciativa privada. É evidente que. de certa maneira. VII . trata-se de incorporar a um potencial econômico um valor atual. a área de implantação de uma construção de especial interesse toma-se comprometida por causa da vizinhança imediata ao monumento. Esse incremento de valor real de um bem por ação reflexa constitui uma forma de mais valia que há de se levar em consideração. em alguma medida.Os monumentos em função do turismo Os valores propriamente culturais não se desnaturalizam nem se comprometem ao vincular-se com os interesses turísticos e. de pôr em produtividade uma riqueza inexplorada. constituem não só uma lição viva de história como uma legítima razão de dignidade nacional. o que equivale a dizer que. Em síntese. A Europa deve ao turismo. seria o de contribuir para o desenvolvimento econômico da região. Tudo quanto contribuir para exaltar os valores do espírito. esses testemunhos do passado estimulam os sentimentos de compreensão. É preciso destacar que. e a . destacando e exaltando suas características e méritos até colocá-los em condições de cumprir plenamente a nova função a que estão destinados. estendendo seus efeitos a zonas mais distantes. a valorização de um monumento exerce uma benéfica ação reflexa sobre o perímetro urbano em que se encontra implantado e ainda transborda dessa área imediata. direta ou indiretamente. Essa é outra conseqüência previsível da valorização e implica a prévia adoção de medidas reguladoras que. Do exposto se depreende que a diversidade de monumentos e edificações de marcado interesse histórico e artístico situadas dentro do núcleo de valor ambiental se relacionam entre si e exercem um efeito multiplicador sobre o resto da área. no caso da América Ibérica. a salvaguarda de uma grande parte de seu patrimônio cultural. aumentará a demanda de comerciantes interessados em instalar estabelecimentos apropriadas a sua sombra protetora. passará a ser parte dele quando for valorizado. um conjunto urbano valorizado. impeçam a desnaturalização do lugar e a perda das finalidades primordiais que se perseguem. mesmo que a intenção original nada tenha a ver com a cultura. a enriquece. longe de diminuir sua significação puramente histórica ou artística. que. a maior atração exercida pelos monumentos e a fluência crescente de visitantes contribuem para afirmar a consciência de sua importância e significação nacionais.ótimo aproveitamento. a todo o âmbito do monumento. que ficaria revalorizada em conjunto como conseqüência de um plano de valorização e de saneamento de suas principais construções. na medida em que um monumento atrai a atenção do visitante. No mais amplo marco das relações internacionais. mediante um processo de revalorização que. As normas protecionistas e os planos de revalorização têm que estender-se. Deve-se entender que a valorização se realiza em função de um fim transcendente. portanto. há de derivar em seu beneficio. eminentemente técnica. condenado à completa e irremediável destruição. dirigida a utilizar todos e cada um desses bens conforme a sua natureza. a valorização do patrimônio monumental e artístico implica uma ação sistemática. De outra parte. longe disso. Um monumento restaurado adequadamente.

empreendeu-se um exaustivo estudo. além das numerosas recomendações e acordos que enfatizam a importância a ser concedida. Ultimamente. Doc. 1963) não somente recomendou que se desse uma alta prioridade aos investimentos em turismo dentro dos planos nacionais. entre as quais figuram as seguintes: "Que os monumentos e outros bens de natureza arqueológica. é lógico que os investimentos que se requerem para sua devida restauração e habilitação específica devem se fazer simultaneamente aos que reclama o equipamento turístico e. A Comissão Técnica de Fomento do Turismo. tanto em nível nacional como regional. educativas e sociais que justificam o uso da riqueza monumental em função do turismo. para obras de conservação. depois de recomendar à Assembléia Geral designar o ano de 1967 como "Ano do Turismo Internacional". a União Internacional de Organizações Oficiais de Turismo. com a colaboração de um organismo não-governamental de grande prestígio. Dentro do sistema interamericano. históricos e de beleza natural" (Resolução. determinaria sua extinção. histórica e artística podem e devem ser devidamente preservados e utilizados em função do desenvolvimento. resolveu solicitar aos organismos das Nações Unidas e às agencias especializadas que dessem "parecer favorável às solicitações de assistência técnica e financeira dos países em desenvolvimento. Se os bens do patrimônio cultural desempenham papel tão importante na promoção do turismo. . Por sua vez. integrar-se num só plano econômico de desenvolvimento regional. a Conferência sobre Comércio e Desenvolvimento das Nações Unidas (1964) recomendou às agências e organismos de financiamento. em conseqüência. recentes reuniões especializadas têm abordado o tema específico da função que os monumentos de interesse artístico e histórico representam no desenvolvimento da indústria turística.24). tanto governamentais como privados. a fim de acelerar a melhoria dos seus recursos turísticos" (Resolução 1109 XL). A Conferência das Nações Unidas sobre Viagens Internacionais e Turismo (Roma. o Conselho Econômico e Social do citado organismo mundial. tem oportunidade de se enriquecer com a contemplação de novos exemplos da civilização ocidental. como fez ressaltar que. "oferecer assistência. seria urgente "a adoção de medidas adequadas dirigidas a assegurar a conservação e proteção desse patrimônio" (Informe Final. Dois pontos de particular interesse merecem ser destacados: a) a afluência turística determinada pela revalorização adequada de um monumento assegura a rápida recuperação do capital investido nesse fim. abandonada. Anexo A. 4). ao problema do abandono em que se encontra boa parte do patrimônio cultural dos países do continente. o patrimônio cultural. b) a atividade turística que se origina da adequada apresentação de um monumento e que. resgatados tecnicamente graças ao poderoso estímulo turístico. mais propriamente. "do ponto de vista turístico. Em relação a esse tema. na forma mais apropriada. como principais incentivos à afluência turística". insiste nos benefícios econômicos que derivam dessa política para as áreas territoriais correspondentes. na sua quarta reunião (julho-agosto de 1967).sensibilidade contemporânea. constitui um valor substancialmente importante" e que. Esse estudo confirma os critérios expostos e. mais visual que literária. que vem sendo objeto de especial atenção por parte da Secretaria Geral da UNESCO. histórico e natural das nações. resolveu solidarizar-se com as conclusões adotadas pela correspondente Comissão de Equipamento Turístico. traz consigo uma profunda transformação econômica da região em que esse monumento se acha inserido. restauração e utilização vantajosa de sítios arqueológicos. IV. depois de analisar as razões culturais.

histórico ou artístico. Nada pode contribuir melhor para a tomada de consciência desejada do que a contemplação do próprio exemplo.O interesse social e a ação cívica É presumível que os primeiros esforços dirigidos a revalorizar o patrimônio monumental encontrem uma ampla zona de resistência na órbita dos interesses privados."Que nos países de grande riqueza patrimonial de bens de interesse arqueológico. As vantagens econômicas e sociais do turismo monumental figuram nas mais modernas estatísticas. da sua significação ou interesse arqueológico. quer dizer. pelo que se faz aconselhável que os organismos e unidades técnicas de uma e outra área da atividade interamericana trabalhem nesse sentido de forma coordenada. histórico e artístico. mas à medida em que o monumento possa servir ao uso a que se lhe destina já não dependerá apenas de seu valor intrínseco. que devem sua presente prosperidade ao turismo internacional e que contam. por si só. os habitantes de uma população contagiada pela febre do progresso não podem medir as conseqüências dos atos de vandalismo urbanístico que realizam alegremente. O estímulo a agrupamentos cívicos de defesa do patrimônio. com a indiferença ou a cumplicidade das autoridades locais. incapazes de apreciar o que mais convém à comunidade a partir do remoto ponto de vista do bem público. mas também das circunstâncias adjetivas que concorram para ele e facilitem sua adequada utilização. especialmente nas dos países europeus. praças e lugares. os monumentos são parte do equipamento de que se dispõe para operar essa indústria numa região determinada. entre suas principais fontes de riqueza. costuma ocorrer uma reação favorável de cidadania que paralisa a ação destrutiva e permite a consecução de objetivos mais ambiciosos. com a reserva de bens culturais. para que um monumento possa ser explorado e passe a fazer parte do equipamento turístico de uma região. . especialmente em localidades que não dispõem ainda de diretrizes urbanísticas e onde a ação protetora em nível nacional é débil ou nem sempre eficaz. deve ser levado em conta na formalização dos planos correspondentes. Uma vez que se apreciam os resultados de certas obras de restauração e de revitalização de edifícios. em conseqüência. qualquer que seja sua denominação e composição. tem dado excelentes resultados." "Que os interesses propriamente culturais e os de índole turística se conjugam no que diz respeito à devida preservação e utilização do patrimônio monumental e artístico dos povos da América. Anos de incúria oficial e um impulsivo afã de renovação que caracteriza as nações em processo de desenvolvimento contribuem para difundir o menosprezo por todas as manifestações do passado que não se ajustam ao molde ideal de um moderno estilo de vida. Podem ser necessárias outras obras de infra-estrutura. Tudo isso." Do ponto de vista exclusivamente turístico. tais como um caminho que facilite o acesso ao monumento ou um albergue que aloje os visitantes ao término de uma jornada de viagem. esse patrimônio constitui um fator decisivo em seu equipamento turístico e. VIII . Daí que as obras de restauração nem sempre sejam suficientes. Carentes da suficiente formação cívica para julgar o interesse social como uma expressão decantada do próprio interesse individual. mantido o caráter ambiental da região. Do seio de cada comunidade pode e deve surgir a voz de alarme e a ação vigilante e preventiva.

Os investimentos que se requerem para a execução dos referidos projetos devem ser feitos simultaneamente com os que são necessários para o equipamento turístico da zona ou região objeto de revalorização. Do ponto de vista cultural. São requisitos indispensáveis aos efeitos citados. muito especialmente nas pequenas comunidades. aos países corresponde a tarefa prévia de formular seus projetos e integrá-los com os planos gerais para o desenvolvimento. são requisitos prévios a qualquer propósito oficial dirigido a revalorizar seu patrimônio monumental: legislação eficaz. organização técnica e planejamento nacional. dentro do Plano Nacional para o Desenvolvimento. os seguintes: a) Reconhecimento de uma excepcional prioridades dos projetos de valorização da riqueza monumental. b) Legislação adequada ou. devem a eles se integrar. As medidas e procedimentos que se seguem destinam-se a essa finalidade. IX . outras disposições governamentais que facilitem o projeto de valorização fazendo prevalecer. d) Designação de uma equipe técnica que possa contar com assistência exterior durante a elaboração dos projetos específicos ou durante sua execução. Não pode haver essa necessária coordenação se não existem no país em questão as condições legais e os instrumentos técnicos que a tomem possível. . Essa integração.Os instrumentos da valorização A adequada utilização dos monumentos de principal interesse histórico e artístico implica primeiramente a coordenação de iniciativas e esforços de caráter cultural e econômicoturísticos. Daí que. tanto em termos técnicos como financeiros.Em qualquer caso. consequentemente. A integração dos projetos culturais e econômicos deve produzir-se em nível nacional como medida prévia a toda gestão de assistência ou cooperação exterior. c) Direção coordenada do projeto através de um instituto idôneo. Recomendações (em nível nacional) Os projetos de valorização do patrimônio monumental fazem parte dos planos de desenvolvimento nacional e. em sua falta. Compete ao governo dotar o país das condições que tomem possível a formulação e execução de projetos específicos de valorização. é o complemento do esforço nacional. desenvolvido sistemática e simultaneamente à execução do projeto. capaz de centralizar sua execução em todas as etapas. o interesse público. Na medida em que esses interesses coincidentes se unam e identifiquem. em todas as circunstâncias. os resultados perseguidos serão mais satisfatórios. na preparação desses planos. deve se levar em conta a conveniência de um programa anexo de educação cívica. a colaboração espontânea e múltipla dos particulares nos planos de valorização do patrimônio histórico e artístico é absolutamente imprescindível. Aos governos dos diferentes Estados Membros cabe a iniciativa.

Nesse sentido. Estender o conceito generalizado de monumento às manifestações próprias da cultura dos séculos XIX e XX. . em Sevilha. o desenvolvimento de uma campanha cívica que possibilite a formação de uma consciência pública favorável. especialmente. histórico e artístico a outros bens do patrimônio cultural. A necessária coordenação dos interesses propriamente culturais relativos aos monumentos ou conjuntos ambientais. durante a sua formulação. nos das índias. À falta desses planos. dada a participação histórica de ambos na formação desse patrimônio e a comunhão dos valores culturais que os mantêm unidos aos povos deste continente. de maneira muito especial. procederse-á no sentido de estabelecê-los de forma adequada. Consequentemente. à Espanha e a Portugal. o que dificulta extremamente sua utilização. e dado que a catalogação desses documentos imprescindíveis foi interrompida em data anterior à da maioria das construções coloniais. constituídos do acervo de museus e arquivos. sem prejuízo de adotarem outros compromissos e acordos que se tomem recomendáveis dentro do sistema interamericano. na conformidade com um plano regulador de alcance nacional ou regional. deve-se ter presente. Recomendar que seja redigido um novo documento hemisférico que substitua o Tratado Interamericano sobre a Proteção de Móveis de Valor Histórico (1935). como medida prévia de toda a gestão relativa à assistência técnica ou à ajuda financeira externa. capaz de proteger de maneira mais ampla e efetiva essa parte importantíssima do patrimônio cultural do continente dos múltiplos riscos que a ameaçam. Recomendações(em nível interamericano) Reiterar a conveniência de que os países da América adotem a Carta de Veneza como norma mundial em matéria de preservação de sítios e monumentos históricos e artísticos. quer dizer. Uma vez que a Espanha conserva em seus arquivos farto material de plantas sobre as cidades da América. por isso. tornando-se. e os de caráter turístico deverá produzir-se no âmago da direção coordenada do projeto a que se refere a letra c) do inciso 3. A cooperação dos interesses privados e o respaldo da opinião pública são indispensáveis para a realização de qualquer projeto de valorização. A restauração termina onde começa a hipótese. juntamente com copiosíssima documentação oficial. torna-se altamente necessário que a OEA coopere com a Espanha no trabalho de atualizar e facilitar as investigações nos arquivos espanhóis e. bem como do acervo sociológico do folclore nacional. absolutamente necessário em todo trabalho dessa natureza um estudo prévio de investigação histórica.A valorização da riqueza monumental só pode ser levada a efeito dentro de um quadro de ação planificada. Recomendar à Organização dos Estados Americanos que estenda a cooperação que se propôs prestar à revalorização dos monumentos de interesse arqueológico. Vincular a necessária revalorização do patrimônio monumental e artístico das nações da América a outros países extra-continentais e. toma-se imprescindível a integração dos projetos que se venham a promover com os planos reguladores existentes na cidade ou na região de que se trate. fortalezas e grande número de edifícios.

toma-se recomendável tomar as providências adequadas para a criação de um centro ou instituto especializado em matéria de restauração. Da mesma forma deve-se tomar em consideração a possibilidade de estimular a iniciativa privada. Toda vez que se tome necessário o intercâmbio de experiências sobre os problemas próprios da América e convém manter-se uma adequada unidade de critérios relativos à matéria. obter dos Estados-membros a adoção de medidas de emergência capazes de eliminar os riscos do comércio ilícito de peças do patrimônio cultural e que se ative a sua devolução ao país de origem. mediante o fortalecimento dos órgãos existentes e a criação de outros novos. os países deverão ter em conta o maior valor que adquirem os bens imóveis incluídos na zona de valorização. celebrar com o Instituto de Cultura Hispânica. com maior tolerância. a fim de tomar eficaz sua aplicação aos efeitos pretendidos. Da mesma forma.Espanha e com o Centro Regional Latinoamericano de Estudos para a Conservação e Restauração de Bens Culturais do México. mediante a implantação de um regime de isenção fiscal nos edifícios que se restaurem com capital particular e dentro dos regulamentos estabelecidos pelos órgãos . Ao atualizar a legislação vigente. na sua próxima reunião. uma vez provada sua exportação clandestina ou aquisição ilegal. amplos acordos de colaboração. que corresponderá à de maior densidade monumental ou de ambiente. as limítrofes. assim como. com o objetivo de controlar toda forma publicitária que tenda a alterar as características ambientais das zonas urbanas de interesse histórico. até certo ponto. Medidas Legais É necessário atualizar a legislação de proteção vigente nos Estados americanos. com sede provisória no Instituto de Cultura Hispânica. de caráter interamericano. bem assim. recomenda-se que o Conselho Interamericano Cultural providencie. recomenda-se reconhecer a Sociedade de Arquitetos Especializados em Restauração de Monumentos. b) zona de proteção ou respeito.Enquanto não se ultima o estabelecido no item anterior. Madrid. e proporcionar sua instalação definitiva num dos Estados Membros. É necessário revisar as disposições regulamentares locais que se aplicam à matéria de publicidade. recomenda-se à Secretaria Geral da OEA utilizar as facilidades que oferecem seus atuais programas de Bolsas e Habilitação Extracontinental e. o espaço urbano que ocupam os núcleos ou conjuntos monumentais e de interesse ambiental deve limitar-se da seguinte forma: a) zona de proteção rigorosa. a fim de procurar integrá-la com a natureza circundante. Tendo em vista que a escassez de recursos humanos constitui um grave inconveniente para a realização de planos de valorização. Sem prejuízo do estabelecido anteriormente e a fim de satisfazer imediatamente tão imperiosas necessidades. amparado pelo acordo de cooperação técnica da OEA. c) zona de proteção da paisagem urbana. Para os efeitos de legislação de proteção. torna-se recomendável satisfazer as necessidades em matéria de restauração de bens móveis.

competentes. Outros desencargos fiscais podem também ser estabelecidos como compensação às limitações impostas à propriedade particular por motivo de utilidade pública. Medidas Técnicas A valorização de um monumento ou conjunto urbano de interesse ambiental é o resultado de um processo eminentemente técnico e, consequentemente, sua execução oficial deve ser confiada diretamente a um órgão de caráter especializado, que centralize todas as atividades. Cada projeto de valorização constitui um problema específico e requer uma solução também específica. A colaboração técnica dos peritos nas diversas disciplinas que deverão intervir na execução de um projeto é absolutamente essencial. Da acertada coordenação dos especialistas irá depender, em boa parte, o resultado final. A prioridade dos projetos fica subordinada à estimativa dos benefícios econômicos, que derivariam de sua execução para uma determinada região. Entretanto, em tudo que for possível, deve-se ter em conta a importância intrínseca dos bens objeto de restauração ou revalorização e a situação de emergência em que eles se encontram. Em geral, todo projeto de valorização envolve problemas de caráter econômico, histórico, técnico e administrativo. Os problemas técnicos de conservação, restauração e reconstrução variam segundo a natureza do bem cultural. Os monumentos arqueológicos, por exemplo, exigem a colaboração de especialistas na matéria. A natureza e o alcance dos trabalhos que é preciso realizar em um monumento exigem decisões prévias, produto do exaustivo exame das condições e circunstâncias que nele concorrem. Decidida a forma de intervenção a que deverá ser submetido o monumento, os trabalhos subseqüentes deverão prosseguir com absoluto respeito ao que evidencia sua substância ou ao que apontam, indubitavelmente, os documentos autênticos em que se baseia a restauração. Nos trabalhos de revalorização de zonas ambientais, toma-se necessária a prévia definição de seus limites e valores. A valorização de uma zona histórica ambiental, já definida e avaliada, implica: a) estudo e determinação de seu uso eventual e das atividades que nela deverão desenvolverse; b) estudo da magnitude dos investimentos e das etapas necessárias até o término dos trabalhos de restauração e conservação, incluídas as obras de infra-estrutura e adaptações exigidas pelo equipamento turístico para sua valorização; c) estudo analítico do regime especial a que a zona ficará submetida, a fim de que as construções existentes e as futuras possam ser efetivamente controladas; d) a regulamentação das zonas adjacentes ao núcleo histórico deve estabelecer, além do uso da terra e densidade da respectiva ocupação, a relação volumétrica como fator determinante da paisagem urbana e natural; e) estudo do montante das inversões necessárias para o adequado saneamento da zona a ser valorizada;

f) estudo das medidas preventivas necessárias para a manutenção permanente de zona a valorizar. A limitação dos recursos disponíveis e o necessário adestramento das equipes técnicas requeridas pelos planos de valorização tornam aconselhável a prévia formulação de um projeto piloto no local em que melhor se conjuguem os interesses econômicos e as facilidades técnicas. A valorização de um núcleo de interesse histórico-ambiental de extensão que exceda as possibilidades econômicas imediatas pode e deve ser projetado em duas ou mais etapas, que seriam executadas progressivamente, de acordo com as conveniências do equipamento turístico. Não obstante, o projeto deve ser concebido em sua totalidade, sem que se interrompam ou diminuam os trabalhos de classificação, investigação e inventário.

Conferência Geral da Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura 15a Sessão
19 de novembro de 1968 RECOMENDAÇÃO SOBRE A CONSERVAÇÃO DOS BENS CULTURAIS AMEAÇADOS PELA EXECUÇÃO DE OBRAS PÚBLICAS OU PRIVADAS A Conferência Geral da Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura, em sua 15a sessão, realizada em Paris, de 15 de outubro a 20 de novembro de 1968: Considerando que a civilização contemporânea e sua evolução futura repousam nas tradições culturais dos povos e nas forças criadoras da humanidade, assim como em seu desenvolvimento social e econômico. Considerando que os bens culturais são o produto e o testemunho das diferentes tradições e realizações intelectuais do passado e constituem, portanto, um elemento essencial da personalidade dos povos. Considerando que é indispensável preservá-los, na medida do possível e, de acordo com sua importância histórica e artística, valorizá-los de modo que os povos se compenetrem de sua significação e de sua mensagem e, assim, fortaleçam a consciência de sua própria dignidade. Considerando que essa preservação e valorização dos bens culturais, de acordo com o espírito da Declaração de Princípios da Cooperação Cultural Internacional, adotada em 4 de novembro de 1966, durante a 14 a sessão, favorecem uma melhor compreensão entre os povos e, consequentemente, servem à causa da paz. Considerando também que o bem-estar de todos os povos depende, entre outras coisas, de que sua vida se desenvolva em um meio favorável e estimulante, e que a preservação dos bens culturais de todos os períodos de sua história contribui diretamente para isso. Reconhecendo, por outro lado, o papel desempenhado pela industrialização e urbanização a que tende a civilização mundial no desenvolvimento dos povos e em sua completa realização espiritual e nacional. Considerando, entretanto, que os monumentos, testemunhos e vestígios do passado préhistórico, proto-histórico e histórico, assim como inúmeras construções recentes que têm uma importância artística, histórica ou científica, estão cada vez mais ameaçados pelos trabalhos

públicos ou privados resultantes do desenvolvimento da indústria e da urbanização. Considerando que é dever dos governos assegurar a proteção e a preservação da herança cultural da humanidade tanto quanto promover o desenvolvimento social e econômico. Considerando, portanto, que é necessário harmonizar a preservação do patrimônio cultural com as transformações exigidas pelo desenvolvimento social e econômico, e que urge desenvolver os maiores esforços para responder a essas duas exigências em um espírito de ampla compreensão e com referência a um planejamento apropriado. Considerando, igualmente, que a adequada preservação e exposição dos bens culturais contribuem poderosamente para o desenvolvimento social e econômico dos países e das regiões que possuem esse gênero de tesouros da humanidade, através do estímulo ao turismo nacional e internacional. Considerando, enfim, que, em matéria de preservação de bens culturais, a garantia mais segura é constituída pelo respeito e pela vinculação que a própria população experimenta em relação a esses bens e que os Estados Membros poderiam contribuir para fortalecer tais sentimentos através de medidas adequadas, Sendo-lhe apresentadas propostas relativas à preservação dos bens culturais ameaçados por obras públicas ou privadas, questão que constitui o item 16 da ordem do dia da sessão. Após haver decidido, em sua décima terceira sessão, que as propostas sobre esse assunto seriam objeto de uma regulamentação internacional através de uma recomendação aos Estados Membros, Adota, neste décimo nono dia de novembro de 1968, a presente recomendação: A Conferência Geral recomenda aos Estados Membros que apliquem as disposições seguintes, adotando as medidas legislativas ou de outra natureza, necessárias para levar a efeito nos respectivos territórios as normas e princípios formulados na presente recomendação. A Conferência Geral recomenda aos Estados Membros que levem a presente recomendação ao conhecimento das autoridades e órgãos encarregados das obras públicas ou privadas, assim como ao dos órgãos responsáveis pela conservação e pela proteção dos monumentos históricos, artísticos, arqueológicos e científicos. Recomenda que as autoridades e órgãos encarregados do planejamento dos programas de educação e de desenvolvimento do turismo sejam igualmente informados. A Conferência Geral recomenda aos Estados Membros que lhe apresentem, nas datas e na forma a ser por ela determinada, relatórios que digam respeito às medidas adotadas para levar a efeito a presente recomendação. I - Definição Para os efeitos da presente recomendação, a expressão bens culturais se aplicará a: a) Bens imóveis, como os sítios arqueológicos, históricos ou científicos, edificações ou outros elementos de valor histórico, científico, artístico ou arquitetônico, religiosos ou seculares, incluídos os conjuntos tradicionais, os bairros históricos das zonas urbanas e rurais e os vestígios de civilizações anteriores que possuam valor etnológico. Aplicar-se-á tanto aos imóveis do mesmo caráter que constituam ruínas ao nível do solo como aos vestígios arqueológicos ou históricos descobertos sob a superfície da terra. A expressão bens culturais se estende também ao entorno desses bens. b) Bens móveis de importância cultural, incluídos os que existem ou tenham sido encontrados dentro dos bens imóveis e os que estão enterrados e possam vir a ser descobertos em sítios arqueológicos ou históricos ou em quaisquer outros lugares.

assim como do caráter dos perigos a que estão expostos. Deveriam ser mantidos inventários atualizados de bens culturais importantes. monumentos ou conjuntos de monumentos de importância histórica. as operações de ressecação e de irrigação. das dimensões e da situação dos bens culturais. produção de energia hidroelétrica. Quando uma imperiosa necessidade . de um monumento ou de outros tipos de bens culturais imóveis contra os efeitos das obras públicas e privadas. d) A construção ou alteração de vias de grande circulação. e que deverão ser preservados e trasladados. desmatamento e nivelamento de terras e reflorestamento. seria preciso criá-los. ainda que respeitem monumentos protegidos por lei mas possam vir a modificar estruturas de menor importância e. II . As medidas preventivas e corretivas deveriam ter por finalidade assegurar a proteção ou o salvamento dos bens culturais ameaçados por obras públicas ou privadas. As medidas a serem adotadas deveriam variar em função da natureza. arqueológicos e históricos reconhecidos e protegidos por lei. c) Modificações ou reparos inoportunos de edificações históricas isoladas. assim. assim como os sítios e monumentos recentes de importância artística ou histórica. a continuidade e significação histórica. destruir as vinculações e o quadro que envolve os monumentos nos bairros históricos. a exploração de minas e de pedreiras e a dragagem e recuperação de canais e de portos. como a construção de aeródromos. e) A construção de barragens para irrigação. etc. protegidos por lei ou não.Princípios gerais As medidas de preservação dos bens culturais deveriam se estender à totalidade do território do Estado e não se limitar a determinados monumentos e sítios. As medidas destinadas a preservar ou a salvar os bens culturais deveriam ter caráter preventivo e corretivo. Dever-se-ia ter na devida conta a importância relativa dos bens culturais em causa ao se determinarem medidas necessárias para assegurar: a) A preservação do conjunto de um sítio arqueológico. cabendo a prioridade a um levantamento minucioso e completo dos bens culturais situados em locais em que obras públicas ou privadas os ameacem. no todo ou em parte. f) A construção de oleodutos e de linhas de transmissão de energia elétrica.A expressão bens culturais engloba não só os sítios e monumentos arquitetônicos. g) Os trabalhos agrícolas. ou controle de inundações. Os Estados Membros deveriam dar a devida prioridade às medidas necessárias para garantir a conservação in situ dos bens culturais ameaçados por obras públicas ou privadas e manterlhes. assim. h) Os trabalhos exigidos pelo desenvolvimento da indústria e pelos progressos técnicos das sociedades industrializadas. b) Obras similares em locais onde conjuntos tradicionais de valor cultural possam correr perigo de destruição por não se constituírem em monumentos protegidos por lei. mas também os vestígios do passado não reconhecidos nem protegidos. No caso de não existirem esses inventários. o que constitui um perigo especialmente grave para os sítios. como a aradura profunda da terra. b) O salvamento ou o resgate dos bens culturais situados em local que deva ser transformado pela execução de obras públicas ou privadas. tais como: a) Os projetos de expansão ou de renovação urbana.

inclusive os museus dos sítios ou das universidades. e especialmente os espécimes representativos de objetos procedentes de escavações arqueológicas ou encontrados durante trabalhos de salvamentos. g) Recompensas. tanto em escala nacional quanto regional. III . assim como a desigualdade dos recursos. históricas ou artísticas. c) Medidas administrativas. de algum outro modo. tenham sido abandonados ou destruídos. deveriam ser levadas em consideração as seguintes possibilidades: a) As autoridades nacionais ou regionais encarregadas da salvaguarda dos bens culturais deveriam dispor de um orçamento suficiente para poderem assegurar a preservação ou o salvamento dos bens culturais ameaçados por obras públicas ou privadas. os trabalhos de salvamento deveriam sempre compreender um estudo minucioso desses bens e o registro completo dos dados de interesse. especialmente quando os bens culturais imóveis. i) Programas educacionais.Medidas de preservação e salvamento A preservação ou o salvamento dos bens culturais ameaçados por obras públicas ou privadas deveria ser assegurada pelos meios abaixo relacionados.econômica ou social impuser o traslado. Legislação Os Estados membros deveriam promulgar ou manter em vigor. As edificações e outros monumentos culturais importantes que tenham sido trasladados para evitar sua destruição por obras públicas ou privadas deveriam ser reinstalados em um sítio ou ambiente semelhante ao de sua implantação primitiva e ao de suas vinculações naturais. o abandono ou a destruição de bens culturais. deveriam ser preservados para estudos ou expostos em museus. Ainda que a diversidade dos sistemas jurídicos e das tradições. não permitam a adoção de medidas uniformes. uma legislação que assegure a preservação ou o salvamento dos bens culturais ameaçados pela realização de obras públicas ou privadas. f) Reparações. Deveriam ser publicados ou. de acordo com as normas e princípios definidos nesta recomendação. Os bens culturais móveis de grande interesse. em grande parte ou na totalidade. d) Métodos de preservação e salvamento dos bens culturais. h) Assessoramento. postos à disposição dos futuros pesquisadores os resultados dos estudos de interesse científico e histórico empreendidos em relação aos trabalhos de salvamento de bens culturais. b) Financiamento. Financiamento Os Estados membros deveriam prever o estabelecimento de créditos necessários para as operações de preservação de salvamento dos bens culturais ameaçados pela realização de obras públicas ou privadas. e) Sanções. cabendo à legislação e à organização de cada Estado precisar as medidas: a) Legislação. ou .

deveriam constar do orçamento dessas obras. inclusive as investigações arqueológicas preliminares. a garantirem a manutenção ou a adequada adaptação dessas edificações ou conjuntos a funções que respondam às necessidades da sociedade contemporânea. em especial. através de uma legislação adequada. as instituições e os proprietários privados de edificações que tenham um interesse artístico. alguns princípios comuns deveriam ser adotados: a) Um órgão consultivo ou de coordenação composto de representantes das autoridades encarregadas da salvaguarda dos bens culturais. Se os bens culturais não são protegidos por lei ou de outro modo. deveriam levar em conta. deveria ser possível obter créditos suplementares através de legislação competente. de um orçamento destinado a ajudar. Se não houver tais serviços. o valor intrínseco de tais bens e a contribuição que podem proporcionar à economia como pólos de atração turística. científico ou histórico. As autoridades nacionais ou locais. órgãos ou serviços especiais deveriam ser encarregados da preservação dos bens culturais ameaçados por obras públicas ou privadas. através das medidas que se seguem: a) Diminuição de impostos. do planejamento urbano e das instituições de pesquisa e educação deveria estar habilitado a prestar assessoria em matéria de preservação dos bens culturais ameaçados por obras públicas ou privadas. ou c) Deveria ser possível combinar os dois métodos mencionados nas alíneas a e b acima. mediante a concessão de subvenções especiais ou a criação de um fundo nacional para a salvaguarda dos monumentos. empréstimos ou outras medidas. e. ou c) Deveria ser possível combinar os dois métodos mencionados nas alíneas a e b acima. Os serviços responsáveis pela salvaguarda dos bens culturais deveriam estar habilitados a administrar ou utilizar os créditos extra-orçamentários necessários para a preservação ou para o salvamento dos bens culturais ameaçados pela realização de obras públicas ou privadas.b) As despesas referentes à preservação ou ao salvamento dos bens culturais ameaçados pela realização de obras públicas ou privadas. para fixar o montante dos fundos destinados à conservação dos bens culturais ameaçados por obras públicas ou privadas. mediante subvenções. embora a diversidade dos dispositivos constitucionais e da tradição dos Estados Membros impeça a adoção de um sistema uniforme. das empresas de obras públicas ou privadas. Se a magnitude ou a complexidade dos trabalhos necessários tornarem o montante das despesas excepcionalmente elevado. o proprietário deveria ter a oportunidade de requisitar a ajuda necessária das autoridades competentes. inclusive os conjuntos tradicionais. ou b) Estabelecimento. as autoridades locais. cada vez que entrarem em conflito as necessidades da execução . assim como os habitantes de bairros históricos. Os Estados membros deveriam encorajar os proprietários de edificações que tenham importância artística ou histórica. assim como os proprietários privados. ou por qualquer outro meio apropriado. inclusive as que façam parte de um conjunto tradicional. arquitetônico. a preservarem o caráter e a beleza dos bens culturais de que dispõem e que possam vir a sofrer danos em consequência de obras públicas ou privadas. de áreas urbanas ou rurais. Onde já funcionem órgãos ou serviços oficiais de proteção dos bens culturais deveria competir-lhes a proteção dos bens culturais ameaçados por obras públicas ou privadas. Medidas Administrativas A responsabilidade pela preservação e pelo salvamento dos bens culturais ameaçados por obras públicas ou privadas deveria competir a organismos oficiais apropriados.

ou de outros órgãos apropriados. sítios e bairros históricos. Se necessário. Métodos de preservação e salvamento dos bens culturais Com a devida antecedência à realização de obras públicas ou privadas que ameacem os bens culturais. sem isso. sobretudo os sítios pré-históricos que estão particularmente ameaçados por serem difíceis de reconhecer. municipais ou outras) deveriam também dispor de serviços encarregados da preservação e do salvamento dos bens culturais ameaçados por obras públicas ou privadas. c) Os serviços de salvaguarda dos bens culturais deveriam contar com pessoal qualificado. em escala regional ou local. arqueólogos. Por ocasião dos estudos preliminares sobre projetos de construção em um local de reconhecido interesse cultural. tais como cidades. deveriam ser realizados aprofundados estudos para determinar: a) As medidas a serem tomadas para assegurar a proteção in situ dos bens culturais importantes. Nas regiões importantes do ponto de vista arqueológico ou cultural. inspetores e outros especialistas e técnicos. ou no qual seja provável encontrar objetos de valor arqueológico ou histórico. tanto do ponto de vista econômico quanto no que diz respeito à preservação e ao salvamento dos bens culturais. b) As autoridades locais (estaduais. especialistas competentes em matéria de preservação dos bens culturais ameaçados por obras públicas ou privadas: arquitetos. A escolha entre essas variantes deveria basear-se em uma análise comparativa de todos os elementos com o objetivo de adotar a solução mais vantajosa. e) Deveriam ser adotadas medidas administrativas para designar uma autoridade ou uma comissão encarregada dos programas de desenvolvimento urbano em todas as comunidades que possuam bairros históricos. que seja preciso proteger contra a ameaça de obras públicas ou privadas. tais como a escolha dos sítios arqueológicos a serem escavados. protegidos ou não pela lei. historiadores. dos vestígios etnológicos de civilizações anteriores e de outros bens culturais imóveis que. que se elaborassem diversas variantes desses projetos. dos conjuntos tradicionais. As medidas destinadas a preservar ou a salvar os bens culturais deveriam ser tomadas com suficiente antecipação ao início de obras públicas ou privadas. de acordo com suas atribuições e necessidades. conviria. dos bairros históricos dos centros urbanos ou rurais. d) Deveriam ser tomados medidas administrativas para coordenar as atividades dos diversos serviços responsáveis pela salvaguarda dos bens culturais e as de outros serviços encarregados de obras públicas ou privadas e as dos demais serviços cujas funções tenham relação com o problema de preservar ou salvar os bens culturais ameaçados por obras públicas ou privadas. urbanistas. aldeias. Esses serviços deveriam dispor da possibilidade de obter ajuda dos serviços nacionais.de obras públicas ou privadas e os trabalhos de preservação e salvamento dos bens culturais. sítios e monumentos de interesse. b) A extensão dos trabalhos de salvamento necessários. os edifícios a serem trasladados e os bens culturais móveis cujo salvamento seja necessário garantir. antes que uma decisão fosse tomada. Deveria ser assegurada a salvaguarda dos sítios arqueológicos importantes. seriam . os trabalhos de construção deveriam ser retardados para permitir a adoção de medidas indispensáveis a assegurar a preservação ou o salvamento dos bens culturais. qualquer nova construção deveria ser obrigatoriamente precedida de escavações arqueológicas de caráter preliminar. que deveriam estar protegidos pela legislação de cada país.

Os Estados Membros deveriam impor a qualquer pessoa que encontre vestígios arqueológicos durante a realização de obras públicas ou privadas a obrigação de comunicar seu achado o mais rápido possível ao serviço competente. que tenham sido ocultados. pagamento de indenização por perdas e danos ao Estado quando hajam sido deteriorados. b) Os bairros históricos dos centros urbanos ou rurais e os conjuntos tradicionais deveriam estar registrados como zonas protegidas e uma regulamentação adequada para preservar o entorno e seu caráter deveria ser adotada. que poderia ser suspensa quando se tratar de edificações a serem erigidas em uma zona de interesse histórico. A preservação dos monumentos deveria ser uma condição essencial em qualquer plano de urbanização. essas aquisições poderiam ser feitas através de expropriação. que permitisse. especialmente quando se tratar de cidades ou bairros históricos. mal conservados ou abandonados bens culturais imóveis. se o sítio se revelasse importante. confisco sem indenização. Caso necessário. Reparações . destruídos. eventualmente. as seguintes medidas: a) Quando for possível. Poder-se-iam adotar. Deveria ser proibida a publicidade comercial através de cartazes ou anúncios luminosos. que deveriam prever penas de multa ou de prisão. Deveriam ser permitidas modificações na regulamentação ordinária relativa às novas construções. previstas indenizações ou compensações adequadas pelo atraso ocasionado. Esse serviço submeteria a descoberta a um detido exame e. deveriam ser suspensas as obras de construção para permitir as escavações completas. b) Em caso de achado arqueológico fortuito. além disso. ou ambas. restauração do sítio ou do monumento às expensas dos responsáveis pelos danos causados. por exemplo. Os Estados Membros deveriam adotar disposições que permitam às autoridades nacionais ou locais ou aos órgãos competentes adquirir os bens culturais importantes que corram perigo em conseqüência de obras públicas ou privadas. mas as empresas comerciais poderiam ser autorizadas a indicar sua presença por meio de uma sinalização corretamente apresentada. para que seja possível efetuar escavações profundas ou preservar os vestígios descobertos. Os arredores e o entorno de um monumento ou de um sítio protegido por lei deveriam também ser objeto de disposições análogas para que seja preservado o conjunto de que fazem parte e seu caráter. através de medidas que estabeleçam a proteção legal ou a criação de zonas protegidas: a) As reservas arqueológicas deveriam ser objeto de medidas de zoneamento ou de proteção legal e.ameaçados por obras públicas ou privadas. de aquisição imobiliária. Sanções Os Estados Membros deveriam adotar as medidas necessárias para que as infrações cometidas intencionalmente ou por negligência em relação à preservação ou ao salvamento de bens culturais ameaçados por obras públicas ou privadas sejam severamente punidas por seus códigos penais. de bens móveis. determinar e decidir em que medida poderiam ser reformados os edifícios de importância histórica ou artística e a natureza e o estilo das novas construções.

Estabelecimentos de ensino.que tenham prestado eminente colaboração aos programas de preservação e salvamento de bens culturais ameaçados por obras públicas ou privadas. a associações ou a prefeituras que não dispõem de experiência ou de pessoal necessário. b) Outorgar certificados. a título de gratificação. com o objetivo de assegurar a preservação ou o salvamento dos bens culturais ameaçados por obras públicas ou privadas. assessoramento técnico ou supervisão que lhes permitam assegurar a manutenção de normas adequadas em relação à preservação ou ao salvamento de bens culturais ameaçados por obras públicas ou privadas. os Estados Membros deveriam empenhar-se em estimular e fomentar entre seus nacionais o interesse e o respeito pelo seu próprio patrimônio cultural e pelo de outros povos. poder-se-iam adotar as seguintes medidas: a) Efetuar pagamentos. Museus. Recompensas Os Estados Membros deveriam encorajar os particulares. artigos na imprensa e programas de rádio e de televisão deveriam divulgar a natureza dos perigos que obras públicas ou privadas mal concebidas podem ocasionar aos bens culturais. sendo-lhes concedida assistência técnica ou financeira. Assessoramento Os Estados Membros deveriam proporcionar aos particulares. . a restauração ou a reconstrução dos bens culturais deteriorados por obras públicas ou privadas. órgãos públicos que se ocupam do desenvolvimento do turismo e associações de educação popular deveriam desenvolver programas destinador a tornar conhecidos os perigos que as obras públicas ou privadas realizadas sem a devida preparação podem ocasionar aos bens culturais e a enfatizar que as atividades destinadas a preservar os bens culturais contribuem para a compreensão internacional.Os Estados membros deveriam adotar. assim como exemplos de casos em que bens culturais hajam sido eficazmente preservados ou salvos. em associações. entre outras. medalhas ou outras formas de reconhecimento às pessoas . Deveriam prever também a possibilidade de obrigar as autoridades locais e os proprietários particulares de bem culturais importantes a procederem às reparações ou às restaurações. as associações e as municipalidades a participar dos programas de preservação ou de salvamento dos bens culturais ameaçados por obras públicas ou privadas. às pessoas que notificarem achados arqueológicos ou entregarem os objetos descobertos. instituições educativas ou outras organizações interessadas deveriam preparar exposições especiais para ilustrar os perigos que as obras públicas ou privadas não controladas representam para os bens culturais e as medidas que tenham sido adotadas para garantir a preservação ou o salvamento dos bens culturais ameaçados por essas obras. se necessário. Para isso. Publicações especializadas.inclusive as que desempenhem funções nos órgãos de governo. quando a natureza do bem o permitir. Programas Educativos Em espírito de colaboração internacional. em instituições ou nas municipalidades . associações históricas e culturais. as medidas necessárias para assegurar a reparação.

Reconhecem a inadiável necessidade de ação supletiva dos Estados e dos Municípios à atuação federal no que se refere à proteção dos bens culturais de valor nacional. bem assim. . conservadores de pintura. em articulação com o Instituto Brasileiro de Desenvolvimento Florestal e. Secretários Estaduais da Área Cultural. Prefeitos de Municípios Interessados. com a orientação técnica da DPHAN. articulados devidamente com os Conselhos Estaduais de Cultura e com a DPHAN. os presidente e representantes de instituições culturais igualmente convocadas. para fins de uniformidade da legislação em vista. é indispensável criar cursos visando à formação de arquitetos restauradores. nos níveis superiores. a quem incumbe executá-la. na exposição por sua excelência feita ao abrir-se a reunião. Aos Estados e Municípios também compete. serão criados onde ainda não houver. à cultura tradicional e à natureza. os credenciaram. Impõe-se complementar os recursos orçamentários normais com o apelo a novas fontes de receita de valor real. solidários integralmente com a orientação traçada pelo Ministro Jarbas Passarinho. através de unânime aprovação. a Diretoria do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (DPHAN). No plano da proteção da natureza. e nas recomendações que nele se contêm. para o estudo da complementação das medidas necessárias à defesa do patrimônio histórico e artístico nacional. órgãos estaduais e municipais adequados. fornecendo-lhes as diretrizes tendentes à desejada uniformidade. de 1937. 23 do Decreto-Lei 25. que os Estados e Municípios secundem o esforço pelo mesmo instituto empreendido para a implantação territorial definida dos parques nacionais. atendido o que dispõe o art.Compromisso de Brasília de abril de 1970 1º Encontro dos Governadores de Estado. colaborará a DPHAN com os Estados e Municípios que ainda não tiverem legislação específica. resumida no relatório apresentado pelo diretor do órgão superior. Para remediar a carência de mão-de-obra especializada. e manifestando todo o apoio à política de proteção aos monumentos. orientados pelo DPHAN e pelo Arquivo Nacional os cursos de nível superior. em união de propósito. a proteção dos bens culturais de valor regional. arquivologistas e museólogos de diferentes especialidades. decidiram consolidar. para o mesmo efeito. Presidentes e Representantes de Instituições Culturais Os Governadores de Estado presentes ao encontro promovido pelo Ministério da Educação e Cultura. recomenda-se a criação de serviços estaduais. os Secretários de Estado e demais representantes dos governadores que. escultura e documentos. De acordo com a disposição legal acima citada. as resoluções adotadas no documento ora por todos subscrito e que se chamará Compromisso de Brasília. do Conselho Federal de Cultura. os prefeitos de municípios interessados. Para a obtenção dos resultados em vista. médio e artesanal.

Caberá às secretarias competentes dos Estados a promoção e divulgação do acervo dos bens culturais da respectiva área. estaduais. instrumentação e valorização desse patrimônio. segundo a orientação geral da DPHAN. tais como a imprensa escrita e falada. necessidade premente do entrosamento com a hierarquia eclesiástica e superiores de ordens religiosas e confrarias. e da cultura popular. que documentem a formação histórica. se lhes propicie a conveniente informação sobre tais problemas. os vários meios de comunicação de massas. Há. é de desejar que nos Estados seja confiada a especialistas a elaboração de monografias acerca dos aspectos sócio-econômicos regionais e valores compreendidos no respectivo patrimônio histórico e artístico. municipais. noções que estimulem a atenção para os monumentos representativos da tradição nacional. deverão ser incluídas nos currículos escolares. em cursos especiais para professores do ensino fundamental e médio. no nível médio. das riquezas naturais. e nos cursos não especializados. Recomenda-se a conservação do acervo bibliográfico. de nível primário. sejam precedidas . através da disciplina de Educação Moral e Cívica. Recomenda-se a preservação do patrimônio paisagístico e arqueológico dos terrenos de Marinha. mas também os Estados e municípios se dispõem a manter os demais cursos. de disciplina de História da Arte no Brasil. Recomenda-se a instituição de museus regionais. médio e superior. de maneira a habilitá-los a transmitir às novas gerações a consciência e interesse do ambiente histórico-cultural. para cujo efeito será apreciável a colaboração do Arquivo Nacional com as congêneres repartições estaduais e municipais. Sendo o culto ao passado elemento básico da formação da consciência nacional. a introdução. adotado o seguinte critério: no nível elementar. e também que. observadas as normas técnicas oferecidas pelos órgãos federais especializados na defesa. Com o mesmo objetivo. o cinema. parte destes consagrados aos bens culturais ligados à tradição nacional. para este fim. bem assim os arquivos eclesiásticos e de instituições de alta cultura. ou tendo por fim preservá-los convenientemente. outrossim. a de Estudos Brasileiros. de modo a ser evitada a destruição de documentos. tendo em vista a educação cívica e o respeito da tradição. a televisão. guarda ou serventia. Caberá às universidades o entrosamente com bibliotecas e arquivos públicos nacionais. matérias que versem o conhecimento e a preservação do acervo histórico e artístico. Recomenda-se a defesa do acervo arquivístico. das jazidas arqueológicas e préhistóricas. atendidas as peculiaridades regionais. utilizando-se. devidamente estruturados. para que todas as obras que se venham a efetuar em imóveis de valor histórico ou artístico de sua posse. no sentido de incentivar a pesquisa quanto à melhor elucidação do passado e à avaliação de inventários dos bens regionais cuja defesa se propugna. no currículo das escolas de Arte. no nível superior (a exemplo do que já existe no curos de Arquitetura com a disciplina de Arquitetura no Brasil. sugerindo-se oportuna legislação que subordine as concessões nessas áreas à audiência prévia dos órgãos incumbidos da defesa dos bens históricos e artísticos.Não só a União.

Que a mesma cautela prevista no item anterior seja tomada junto às autoridades militares. prof. Diretores dos Conselhos Estaduais de Defesa do Patrimônio Histórico. no Rio Grande do Sul. Pelo Estado de Santa Catarina assinaram o documento os professores Jaldir Bhering Faustino da Silva. é extremamente complexo. da Educação e Cultura. E por terem assim deliberado. Diretores dos Departamentos de Cultura. considerando os superiores interesses da cultura nacional. em relação aos antigos fortes. nas diversas regiões do país. . Anexo: O problema da recuperação e restauração de monumentos. e delegados de outras entidades culturais do país representadas no conclave. instalações e equipamentos castrenses. do Patrimônio Histórico Nacional. Diretor do Departamento de Cultura. 3 de abril de 1970 O Compromisso foi assinado pelo Ministro Jarbas Passarinho. e Oswaldo Rodrigues Cabral. dos imóveis de valor histórico e artístico cuja proteção incumbe ao poder público. prof. Artur Cesar Ferreira Reis. O Conselho Federal de Cultura e os Conselhos Estaduais de Cultura opinarão sobre as demais propostas apresentadas à conferência.da audiência dos órgãos responsáveis pela proteção dos monumentos. pelos Presidentes do Conselho Federal de Cultura. Governadores de Estado presentes à reunião por s. Secretário de Estado da Educação e Cultura. Carlos Humberto Pederneiras Corrªe. tendo em vista a crescente complexidade e o vulto das atividades culturais no país. convocada. Os participantes do Encontro ouviram com muito agrado a manifestação do Ministro de Estado. Brasília. Urge legislação defensiva dos antigos cemitérios e especialmente dos túmulos históricos e artísticos e monumentos funerários. Recomenda-se utilização preferencial para casas de cultura ou repartições de atividades culturais. sensível à conveniência da criação do Ministério da Cultura. prof. Secretários de Estado. para o efeito de as encaminhar oportunamente à autoridade competente. Recomenda-se aos poderes públicos estaduais e municipais colaboração com a DPHAN. Pedro Calmon. assinam este compromisso. trate-se de uma casa seiscentista como estas de São Paulo. no sentido de efetivar-se o controle do comércio de obras de arte antiga. representante da Universidade Federal de Santa Catarina e da comissão especial que estuda a organização do Conselho de Defesa do Patrimônio Histórico do Estado nomeada pelo Governador Ivo Silveira. conforme o seu caráter. e consideram chegada esta oportunidade. Renato Soeiro. para a sua conveniente preservação. Presidente do Instituto Histórico Brasileiro. ou das ruínas desta igreja de São Miguel. exa.

a Diretoria do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional obra da vida de Rodrigo M. arquitetura . pintura. Artístico.1970 Compromisso de Salvador de outubro de 1971 II Encontro de Governadores para Preservação do Patrimônio Histórico.Primeiro. finalmente.F. iniciativa e comando e. parques. a documentação e o registro das fases da obra e. porque depende de técnicos qualificados cuja formação é demorada e difícil. Arqueológico e Natural do Brasil Ministério da Educação e Cultura IPHAN . principalmente paisagens. é. conhecimentos históricos. a eleição do que mereça restauro prioritário. acuidade investigadora. solidários integralmente com a orientação que vem sendo traçada pelo Ministro Jarbas Passarinho desde o I Encontro de Brasília. Os Secretários de Estado e demais representantes dos Governadores que. para o mesmo efeito. naturais. Os presidentes e representantes de instituições culturais igualmente convocadas. às municipalidades e à D. a apropriação de verbas para esse fim. acervos arqueológicos. documentos e livros. além do tirocínio de obras e de familiaridade com os processos construtivos antigos. para que assim participe diretamente da obra penosa e benemérita de preservar os últimos testemunhos desse passado que é a raiz do que somos .em todo o país.tem procedido ao restauro de monumentos . pois. o estudo preliminar na base de investigação histórica e das pesquisas in loco. bens móveis. por fim. de Andrade . como o inventário histórico-artístico do que exista na região. em abril de 1970. Os Prefeitos de municípios interessados. a manutenção e o destino do bem recuperado.A. mas no acervo de cada região há obras significativas e valiosas cuja preservação escapa à alçada federal. monumentos arquitetônicos. porque implica em providências igualmente demoradas. pois requer. os credenciaram. ainda.talha. Segundo. política definida no Relatório apresentado . capacidade de organização. o tombamento daquilo que deve ser preservado.P. Em união de propósitos. a escolha de técnicos. para o estudo da complementação das medidas necessárias à defesa do patrimônio histórico.Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional Os Governadores de Estado presentes ao encontro promovido pelo Ministério da Educação e Cultura. Apesar da deficiência dos meios. chegado o momento de cada Estado criar o seu próprio serviço de proteção vinculado à universidade local.H.. sensibilidade artística. o estudo da documentação recolhida. artístico.N. praias. e manifestando apoio à política de proteção aos bens naturais e de valor cultural.e seremos. Lucio Costa. desprendimento. arqueológico e natural do país. conjuntos urbanos.

Recomenda-se que também sejam considerados prioritários. as percentagens do Fundo de Participação dos Estados e Municípios definidas pelo Tribunal de Contas da União. capazes de permitir o pleno atendimento de seus objetivos. arquitetônicos e urbanos de valor cultural e de suas ambiências. e de Secretarias ou Fundações de Cultura no âmbito estadual. Recomenda-se que os Estados e Municípios utilizem. Recomenda-se a convocação do Banco Nacional de Habitação e dos demais órgãos financiadores de habitação. as percentagens a que alude a recomendação anterior. para colaborarem no custeio de todas as operações necessárias à realização de obras em edifícios tombados. contem com a orientação do IPHAN. uma ação conjunta entre a administração pública e as autoridades eclesiásticas. aplaudem e apoiam. para o desenvolvimento da indústria do turismo. que se chamará "Compromisso de Salvador": Recomenda-se a criação do Ministério da Cultura. Recomenda-se a criação de legislação complementar. o "Compromisso de Brasília". Recomenda-se. reconhecendo o imenso proveito para a cultura brasileira alcançado como conseqüência do referido Encontro de Brasília. em todos os seus itens. com utilização preferencial de imóveis tombados. bem como os projetos de obras públicas e particulares que afetam áreas de interesse referentes aos bens naturais e aos de valor cultural especialmente protegidos por lei. cujo alto significado reconhecem. Recomenda-se a instituição de normas para inscrição compulsória dos bens móveis de valor cultural. Recomenda-se que os planos diretores e urbanos. no sentido de ampliar o conceito de visibilidade de bem tombado. Recomenda-se a convocação da FINEP e de órgãos congêneres. para fins de atendimento à proteção dos bens naturais e de valor cultural especialmente protegidos por lei. por meio de acordos e convênios. ou outros incentivos fiscais. Recomenda-se que se pleiteie do Tribunal de Contas da União sejam extensivas aos museus. a partir de estudos inciais de qualquer natureza. utilização e divulgação dos bens naturais e de valor cultural especialmente protegidos por lei. Recomenda-se. Recomenda-se que. Ratificam. na reorganização do IPHAN. Recomenda-se a criação de legislação complementar no sentido de proteção mais eficiente dos conjuntos paisagísticos. nos âmbitos nacional e estadual. a criação de fundos provenientes de dotações orçamentárias e doações. com especial atenção para planos que visem à preservação e valorização dos monumentos naturais e de valor cultural especialmente protegidos por lei. Na presente oportunidade encaminham à consideração dos responsáveis as seguintes proposições adotadas no documento ora assinado. sejam lhe dadas condições especiais em recursos financeiros e humanos. para fins de restauração e valorização dos bens de valor cultural. os planos urbanos e regionais de áreas ricas em bens naturais e de valor cultural especialmente protegidos por lei.pelo Diretor do IPHAN. do IBDF e dos órgãos estaduais e municipais da mesma área. para obtenção de financiamento. bem assim de certificado de autenticidade e propriedade obrigatórios para . Recomenda-se que os órgãos responsáveis pela política de turismo estudem medidas que facilitem a implantação de pousadas. com acervos de importância comprovada. para atendimento do conceito de ambiência. no sentido de que voltem suas atenções para os problemas. Recomenda-se a convocação dos órgãos responsáveis pelo planejamento do turismo. na proteção dos bens naturais e de valor cultural. bibliotecas e arquivos.

na organização do DAC. em sentido nacional. para fins de atendimento da legislação específica. com vistas a disciplinar as pesquisas e trabalhos arqueológicos. museologia e arte. exibições ou apresentações que visem a difundir e preservar as tradições folclóricas de seus respectivos Estados. sejam previstas maiores possibilidades de apoio e estímulo às manifestações de caráter popular e folclórico. Paraná. com vistas ao estudo e à proteção dos acervos naturais e de valor cultural. inclusive dos arquivos notariais. Recomenda-se que os governos estaduais promovam. Recomenda-se a adoção de convênios entre o IPHAN e as universidades. Recomenda-se que sejam criados. . do Departamento de Assuntos Culturais do MEC. outrossim: . nas suas respectivas áreas.a criação do Parque Histórico da Independência da Bahia. com o objetivo de proceder ao inventário sistemático dos bens móveis de valor cultural. Recomenda-se a convocação do Conselho Nacional de Pesquisas da CAPES para o financiamento de projetos de pesquisas e de formação de pessoal especializado. no âmbito das universidades brasileiras. do acervo urbano de Lençóis . dando igualmente inteiro apoio à realização de festivais. . para a formação do corpo de fiscais na área de comércio de bens móveis de valor cultural.Bahia. centros de estudo dedicados à investigação do acervo natural e de valor cultural em suas respectivas áreas de influência. Recomenda-se aos governos estaduais que incluam no ensino de 2º grau curso complementar de estudos brasileiros e museologia.a inscrição como monumento de valor cultural. através dos seus órgãos específicos. Recomenda-se que se pleiteie dos poderes competentes a necessidade de diploma legal que confira aos governos estaduais a responsabilidade da administração das cidades consideradas monumento nacional. através de órgão competente. onde não haja profissional de nível superior. e elaboração do calendário das diferentes festas tradicionais e folclóricas.transferência ou fins comerciais. . Recomenda-se que.a publicação pelas administrações estaduais e municipais de livros e documentos referentes à história da Independência brasileira. que permita aos diplomados a prestação de serviços nos museus do interior. Recomenda-se que seja complementada a legislação vigente. Recomenda-se aproveitamento remunerado de estudantes de arquitetura. Sugerem. Bahia. por ocasião do transcurso do sesquicentenário da Independência do Brasil. .a criação do Museu do Mate. no Município de Campo Largo. em Pirajá. com a planificação. através do órgão específico federal.

ante a amplitude e a gravidade dos perigos novos que os ameaçam. devem ser preservados como elementos do patrimônio mundial da humanidade inteira. em virtude de sua arquitetura.Definições do Patrimônio Cultural e Natural Artigo 1o . elementos ou estruturas de natureza arqueológica. Verificando que o patrimônio cultural e o patrimônio natural são cada vez mais ameaçados de destruição. Adota. cavernas e grupos de elementos que tenham um valor universal excepcional do ponto de vista da história.Convenção sobre a Proteção do Patrimônio Mundial. de escultura ou de pintura monumentais. inscrições. que se agrava com fenômenos de alteração ou de destruição ainda mais temíveis. Considerando que a degradação ou o desaparecimento de um bem do patrimônio cultural e natural constitui um empobrecimento nefasto do patrimônio de todos os povos do mundo. 16 de novembro de 1972. reunida em Paris de 17 de outubro a 21 de novembro de 1972. da arte ou da ciência. .Para os fins da presente convenção serão considerados como patrimônio cultural: . . para esse fim. Considerando que é indispensável.os conjuntos: grupos de construções isoladas ou reunidas que. qualquer que seja o povo a que pertençam. científicos e técnicos do país em cujo território se acha o bem a ser protegido. para todos os povos do mundo. Considerando que os bens do patrimônio cultural e natural apresentam um interesse excepcional e. que esta questão seria objeto de uma convenção internacional. Considerando que as convenções. quando de sua sexta sessão. sem substituir a ação do Estado interessado. I . velando pela preservação e proteção do patrimônio universal e recomendando aos povos interessados convenções internacionais para esse fim. Tendo em mente que a constituição da organização dispõe que esta última ajudará a conservação.os monumentos: obras arquitetônicas. Cutural e Natural Aprovada pela Conferência Geral da UNESCO em sua décima sétima reunião Paris. o progresso e a difusão do saber. mediante a prestação de uma assistência coletiva que. recomendações e resoluções internacionais existentes relativas aos bens culturais e naturais demonstram a importância que representa. Considerando que a proteção desse patrimônio em escala nacional é freqüentemente incompleta. neste dia dezesseis de novembro de mil novecentos e setenta e dois. a salvaguarda desses bens incomparáveis e insubstituíveis. não somente pelas causas tradicionais de degradação. devido à magnitude dos meios de que necessita e à insuficiência dos recursos econômicos. Considerando que. e Após haver decidido. cabe a toda a coletividade internacional tomar parte na proteção do patrimônio cultural e natural de valor universal excepcional. A Conferência Geral da Organização das Nações Unidas para a Educação. a complete eficazmente. adotar novas disposições convencionais que estabeleçam um sistema eficaz de proteção coletiva do patrimônio cultural e natural de valor universal excepcional. organizado de modo permanente e segundo métodos científicos e modernos. a Ciência e a Cultura. a presente Convenção. mas também pela evolução da vida social e econômica. portanto. em sua décima-sétima sessão.

e.Os Estados partes na presente convenção procurarão por todos os meios apropriados. mediante a assistência e cooperação internacional de que possa beneficiar-se.unidade ou integração na paisagem. que tenham valor universal excepcional do ponto de vista da ciência. na medida do possível. 2 .Os Estados partes na presente convenção que receberem assistência internacional em aplicação da convenção tomarão as medidas necessárias para tornar conhecidos a . . conservar.A fim de garantir a adoção de medidas eficazes para a proteção. situado em seu território. conservação e valorização do patrimônio cultural e natural situado em seu território. Artigo 5o . proteger. Artigo 3o . utilizando ao máximo seus recursos disponíveis. tenham um valor universal excepcional do ponto de vista da história.os lugares notáveis: obras do homem ou obras conjugadas do homem e da natureza. da conservação ou da beleza natural.os monumentos naturais constituídos por formações físicas e biológicas ou por grupos de tais formações. notadamente nos planos financeiro. os Estados partes na presente convenção procurarão. estético. Procurará tudo fazer para esse fim.Programas Educativos Artigo 27o 1 . Artigo 28o .Caberá a cada Estado parte na presente convenção identificar e delimitar os diferentes bens mencionados nos artigos 1 e 2 situados em seu território. . etnológico ou antropológico.Proteção Nacional e Proteção Internacional do Patrimônio Cultural e Natural Artigo 4o .Cada um dos Estados partes na presente convenção reconhece que a obrigação de identificar. bem como as zonas.Obrigar-se-ão a informar amplamente o público sobre as ameaças que pesem sobre esse patrimônio e sobre as atividades empreendidas em aplicação da presente convenção. Artigo 2o . e nas condições apropriadas a cada país: a) adotar uma política geral que vise a dar ao patrimônio cultural e natural uma função na vida da coletividade e a integrar a proteção desse patrimônio nos programas de planejamento geral.Para os fins da presente convenção serão considerados como patrimônio natural: . quando for o caso. especialmente por programas de educação e de informação. que tenham valor universal excepcional do ponto de vista histórico. . lhe incumbe primordialmente. VI . inclusive lugares arqueológicos. artístico. II .as formações geológicas e fisiográficas e as áreas nitidamente delimitadas que constituam o habitat de espécies animais e vegetais ameaçadas e que tenham valor universal excepcional do ponto de vista estético ou científico. valorizar e transmitir às futuras gerações o patrimônio cultural e natural mencionado nos artigos 1 e 2. fortalecer a apreciação e o respeito de seu povos pelo patrimônio cultural e natural definido nos artigos 1 e 2 da convenção. que tenham valor universal excepcional do ponto de vista estético ou científico. científico e técnico.os lugares notáveis naturais ou as zonas naturais estritamente delimitadas. da arte ou da ciência.

escrupulosa e obrigatoriamente. a facilitar a leitura e a transmitir integralmente ao futuro as obras e os objetos definidos nos artigos precedentes.Cada uma das superintendências de instituições responsáveis pela conservação do patrimônio histórico. artístico e cultural elaborará um programa anual e especificado dos trabalhos de salvaguarda e restauração.Entende-se por salvaguarda qualquer medida de conservação que não implique a intervenção direta sobre a obra. assim como das prospeções subterrâneas e subaquáticas a serem empreendidas. seja por conta do Estado ou de outras instituições ou pessoas. inclusive fragmentados. 1972) entre os diretores e chefes de institutos autônomos. as operações destinadas a assegurar a salvaguarda e a restauração dos vestígios antigos relacionados com as pesquisas subterrâneas e subaquáticas. Artigo 5º . de 6 de abril de 1972. Artigo 2º . mediante parecer favorável do Conselho Geral de Antigüidades e Belas Artes. Artigo 1º . que compreende desde os monumentos arquitetônicos até as de pintura e escultura. na acepção mais ampla. entende-se por restauração qualquer intervenção destinada a manter em funcionamento. os jardins e parques considerados de especial importância. e desde o período paleolítico até as expressões figurativas das culturas populares e da arte contemporânea. Artigo 3º . as coleções artísticas e as decorações conservadas em sua disposição tradicional. além das obras incluídas nos artigos 1 e 2. Artigo 4º . Carta do Restauro de 6 de abril de 1972 Ministério de Instrução Pública Governo da Itália Circular n. particularmente os centros históricos. o Ministério da Instrução Pública da Itália divulgou o Documento sobre Restauração de 1972 (Carta do Restauro. histórico ou ambiental. os conjuntos de edifícios de interesse monumental. às normas por ela estabelecidas e às instruções anexas.Ficam submetidas à disciplina das presentes instruções. em todas as intervenções de restauração em qualquer obra de arte. pertencentes a qualquer pessoa ou instituição. ficam assimiladas a essas.Todas as obras de arte de qualquer época. para que se atenham.º 117 Através da circular número 117. para assegurar sua salvaguarda e restauração.Além das obras mencionadas no artigo precedente. para efeito de sua salvaguarda e restauração. que adotam o nome de Carta do Restauro 1972. aqui publicadas na íntegra. que será aprovado pelo Ministério da Instrução Pública. .importância dos bens que tenham sido objeto dessa assistência e o papel que ela houver desempenhado. são objeto das presentes instruções.

ou de aditamentos de estilo que a falsifiquem. . o conjunto monumental ou ambiental. a natureza das intervenções consideradas necessárias e as despesas necessárias para lhes fazer frente. o jardim. etc. na aparência da obra vista da superfície não resulte alteração nem cromática nem de matéria. 3 . a menos que se trate de alterações limitadas que debilitem ou alterem os valores históricos da obra. uma vez realizada a operação. 4 .No âmbito do programa. desde que. segundo o artigo 4º. proíbem-se indistintamente para todas as obras de arte a que se referem os artigos 1º. ainda quando existirem documentos gráficos ou plásticos que possam indicar como tenha sido ou deva resultar o aspecto da obra acabada. a menos que isso seja determinado por razões superiores de conservação. Artigo 7º . o conjunto decorativo. especialmente. quando já não existirem ou houverem sido destruídas a ambientação ou instalação tradicionais. facilmente distinguível ao olhar. Artigo 6º . 5 . inclusive em forma simplificada. 3 . jamais reintegrando ex novo zonas figurativas ou inserindo elementos determinantes da figuração da obra. além do detalhamento sobre a conservação da obra. ou deixando à vista o suporte original e.De acordo com as finalidades a que. devem corresponder as operações de salvaguarda e restauração.anastilose documentada com segurança.alteração das condições de acesso ou ambientais em que chegou até os nossos dias a obra de arte.aditamentos de partes acessórias de função sustentante e reintegrações de pequenas partes verificadas historicamente. 2 .aditamentos de estilo ou analógicos. com marcas e datas onde for possível. 2º e 3º. que jamais deverá alcançar o estrato da cor. nos casos de emergência ou dúvida previstos na lei. além disso.alteração ou eliminação das pátinas. ou depois de sua apresentação. respeitados a pátina e eventuais vernizes antigos.. embora harmônico. ou quando as condições de conservação exigirem sua transferência. executadas. se for o caso. recomposição de obras que se tiverem fragmentado. 2 .modificações ou inserções de caráter sustentante e de conservação da estrutura interna ou no substrato ou suporte. assentamento de obras parcialmente perdidas reconstruindo as lacunas de pouca identidade com técnica claramente distinguível ao olhar ou com zonas neutras aplicadas em nível diferente do das partes originais.remoções ou demolições que apaguem a trajetória da obra através do tempo.remoção.Em relação às mesmas finalidades a que se refere o artigo 6º e indistintamente para todas as obras a que se referem os artigos 1º.limpeza de pinturas e esculturas. Esse informe será igualmente aprovado pelo Ministério de Instrução Pública com parecer prévio do Conselho Superior de Antigüidades e Belas Artes. ou com adoção de material diferenciado.nova ambientação ou instalação da obra. admitem-se as seguintes operações ou reintegrações: 1 . seu estado atual. nunca deverá chegar à superfície nua da matéria de que são constituídas as obras. com clara determinação do contorno das reintegrações. 5 . particularmente nos pontos de enlace com as partes antigas e. qualquer intervenção nas obras referidas no artigo 1º deverá ser ilustrada e justificada por um parecer técnico em que constarão. reconstrução ou traslado para locais diferentes dos originais. 4 . para todas as outras categorias de obras. 2º e 3º: 1 . o parque.

Os métodos específicos utilizados como procedimento de restauração especialmente para monumentos arquitetônicos. Além disso. para os efeitos do disposto no artigo 4º. enquanto que no caso das adições. a que se anexará a documentação fotográfica de antes. De toda essa documentação haverá cópia no arquivo da superintendência competente e outra cópia será enviada ao Instituto Central de Restauração. é necessário. deve ser realizada de tal modo e com tais técnicas e materiais que fique assegurado que. ser conservadas ou documentadas em um arquivodepósito especial das superintendências competentes. a partir dos pareceres dos superintendentes ou chefes de instituições interessados. sempre que possível. no campo da arqueologia. 2º e 3º não deverão alterar sensivelmente o aspecto da matéria e a cor das superfícies. a sugerir novos métodos e ao uso de novos materiais. as partes eliminadas deverão. térmicas ou higrométricas as obras a que se referem os artigos 1º. Artigo 9º . b. qualquer intervenção deve ser previamente estudada e justificada por escrito (último parágrafo do artigo 5º) e deverá ser organizado um diário de seu desenvolvimento. se possível em lugar próximo à zona interventora. Artigo 11º . ouvido o Conselho Superior de Antigüidades e Belas Artes. não ficará inviabilizada outra eventual intervenção para salvaguarda ou restauração. contudo. nem exigir modificações substanciais e permanentes do ambiente em que as obras tiverem sido transmitidas historicamente. estão especificados nos anexos a. esculturais.As medidas destinadas a preservar dos agentes contaminadores ou das variações atmosféricas. até mesmo. No caso das limpezas. Artigo 10º . da microbiologia e de outras ciências. pictóricos.Nos casos em que houver dúvida sobre a atribuição das competências técnicas. deverá ser autorizada pelo Ministro da Instrução Pública. deverá ser deixado um testemunho do estado anterior à operação.A utilização de novos procedimentos de restauração e de novos materiais em relação aos procedimentos e matérias de uso vigente ou de algum modo aceitos. forem indispensáveis modificações de tal gênero com vistas ao fim superior de sua conservação. decidirá o ministro. de acordo com parecer justificado do Instituto Central de Restauração. nocivos ou não comprovados. para a realização de escavações. durante e depois da intervenção. c e d das presentes instruções. para os conjuntos históricos e. todas as eventuais investigações e análises realizadas com o auxílio da física. da química. ou em que surgirem conflitos a respeito do assunto. ter presentes exigências particulares relativas à salvaguarda do subsolo .Artigo 8º . a quem também competirá atuar ante o mesmo ministério no que disser respeito a desaconselhar materiais ou métodos antiquados. essas modificações deverão ser realizadas de modo que evitem qualquer dúvida sobre a época em que foram empreendidas e da maneira mais discreta possível. no futuro. Artigo 12º .Qualquer intervenção na obra ou em seu entorno. Anexo A Instruções para a salvaguarda e a restauração dos objetos arqueológicos Além das regras gerais contidas nos artigos da Carta do Restauro. ainda. Se. Serão documentadas. a definir as investigações que se devam prover com equipamentos e com especialistas alheios ao equipamento e à planilha de que dispõe.

com os materiais cerâmicos e com os utensílios. por exemplo. Na recuperação de vidros. de ruínas submersas e de esculturas fundidas. Entre essas condições concretas do resgate . à aplicação de vínculos especiais. à criação de reservas e parques arqueológicos. mantê-los unidos com encolados de gesso. antes e durante o seu traslado. vinculadas às leis e disposições que afetam as escavações subaquáticas e que se destinam a impedir a violação indiscriminada e irresponsável dos restos de navios antigos e de seu carregamento. banhos em peculiares substâncias consolidantes. a documentação de elementos que houverem eventualmente aflorado. já que as normas de recuperação e documentação abordam mais especificamente o esquema das normas relativas à metodologia das escavações. todos os tratamentos específicos requeridos. é necessário. impõem-se medidas muito precisas. do terreno. Para a salvaguarda do patrimônio arqueológico submarino. principalmente pelas partes lenhosas com grandes e prolongadas lavações. etc. além disso. e a ulterior possibilidade de salvaguarda e de restauração definitivas.assim como nas habituais prospeções arqueológicas terrestres . eletromagnéticas. O problema de maior importância da salvaguarda do subsolo arqueológico está necessariamente ligado à série de disposições e leis referentes à expropriação. especialmente no corpo do utensílio. levando-se também em conta as experiências adquiridas internacionalmente nesse campo. para o estabelecimento de planos reguladores e para a vigilância. é aconselhável não proceder a limpeza alguma . ou mosaico ou de opus sectile. no que concerne à restauração devem se observar as precauções que durante as operações de escavação garantirem a conservação imediata dos descobrimentos. que permita o resguardo dos materiais recuperados do fundo do mar. tomar-se-ão todas as precauções que permitam a identificação de eventuais vestígios ou restos de seu conteúdo. com ataduras e adesivos adequados. que começam pela exploração sistemática das costas italianas por pessoal especializado. em função do estado concreto dos restos. que constituem dados preciosos para a história do comércio e da vida na antigüidade. Concomitantemente às diferentes medidas a serem tomadas nos diversos casos.arqueológico e à conservação e restauração dos achados durante as prospeções terrestres e subaquáticas relacionadas no artigo 3º. No caso de serem encontrados elementos desprendidos de uma decoração de estuque. especialmente se são susceptíveis de uma deterioração mais fácil. sobretudo nos últimos decênios. de modo que seja facilitado sua recomposição e restauração no laboratório. dever-se-á dedicar especial atenção ao exame e fixação de possíveis inscrições pintadas.deverão ser consideradas as especiais exigências de conservação e de restauração dos objetos de acordo com sua categoria e sua matéria. A recuperação dos restos de uma embarcação antiga não deverá ser iniciada antes que hajam sido dispostos os sítios e o necessário acondicionamento especial. da natureza e dos limites das relações. no caso de execução de trabalhos agrícolas ou de urbanização. com o objetivo de chegar à consecução de uma forma maris com indicação de todos os restos e monumentos submersos. de modo que o conhecimento o mais completo possível da natureza arqueológica do terreno permita diretrizes mais precisas para a aplicação das normas de salvaguarda. Durante as explorações arqueológicas terrestres. seja para efeito de sua tutela ou para o da programação das pesquisas científicas subaquáticas. ou de pintura. Os sistemas de extração e recuperação de embarcações submersas deverão ser estudados caso a caso. os materiais cerâmicos esparsos. com recorrência também à ajuda da fotografia e das prospeções elétricas. será sempre necessário efetuar um cuidadoso reconhecimento do terreno para recopilar todos os possíveis dados localizáveis na superfície. com conhecimento preciso da atmosfera e da temperatura.

sendo suficiente uma limpeza cuidadosa das superfícies originais. nesses casos. resistente e manejável. é preferível. mas também a eventuais suportes adequados ao caso. Requerem especiais exigências de proteção diante dos perigos advindos da alteração climática. durante o desenvolvimento das escavações. Tais precauções têm sido tomadas no acesso a monumentos préhistóricos pintados na França e na Espanha e seria de desejar que o fossem em muitos de nossos monumentos (tumbas de Tarquínia). devem-se evitar as integrações. com ampla e brilhante experiência. Especial atenção deve ser prestada a respeito de possíveis vestígios ou reproduções de pedaços de tecidos.durante a escavação. dever-se-iam ter presentes algumas exigências em relação às peculiares técnicas antigas. Quanto aos mosaicos. sempre que possível. principalmente se estão oxidados. que permitem a recolocação das pinturas nos espaços convenientemente cobertos de um edifício antigo. No esquema da arqueologia pompeiana se utiliza principalmente.o sistema de cimentação com recheio metálico inoxidável resulta. de entelado e encolados em função das condições climáticas. dando às lacunas uma entonação similar à do reboco grosso. evitando o contato direto com a parede e proporcionando. por causa da facilidade com que podem quebrar-se. Para os mosaicos que. já é amplamente utilizado o suporte em sanduíche de materiais ligeiros. No que respeita às cerâmicas e Terracota é indispensável não prejudicar com lavações ou limpezas apressadas a eventual presença de pinturas. em troca. além das normas gerais contidas na "Carta do Restauro" e nas Instruções para os critérios das Restaurações Arquitetônicas. com os métodos modernos pode ser feita inclusive em grandes superfícies sem realizar cortes . Ainda assim. a obtenção de decalques dos negativos das plantas e de materiais orgânicos susceptíveis de deterioração através de pastas adesivas de gesso aplicadas nas cavidades que tenham permanecido no terreno. uma montagem fácil e uma conservação segura. é necessário manter constantes dois fatores essenciais para a melhor conservação das pinturas: o grau de umidade ambiental e a temperatura ambiente. Deverá ser considerado com especial atenção o problema de restauração das obras destinadas a permanecerem ou a serem reinstaladas em seu lugar original. assim como há que evitar o uso de vernizes ou ceras para reavivar as cores. especialmente a aglomeração de visitantes. Esses fatores se alteram facilmente por causas externas e estranhas a tais ambientes. particularmente as pinturas e mosaicos. quando para a restauração completa de um monumento . até agora. pois sempre são susceptíveis de alteração. em tal caso. inclusive na admissão de visitantes. a iluminação excessiva. os interiores com pinturas parietais in situ (grutas pré-históricas. Em primeiro lugar.que comporta necessariamente seu . Para a restauração dos monumentos arqueológicos. devendo-se recorrer não apenas aos sistemas de consolidação. no sistema mais idôneo e resistente aos agentes atmosféricos. pequenos recintos). quando for necessário. Para os efeitos da aplicação destas instruções é preciso que. as fortes mudanças atmosféricas do exterior. sua reinstalação no edifício de que provêm e de cuja decoração constituem parte integrante e. ao contrário. atmosféricas e higrométricas. seja garantida a presença de restauradores preparados para uma primeira intervenção de recuperação e fixação. Têm sido experimentados com êxito vários tipos de suportes. É necessário. através de aparelhos de climatização interpostos entre o ambiente antigo a ser protegido e o exterior. Particular delicadeza se requer na extração de objetos ou fragmentos de metal. depois de sua retirada que. tumbas. destinam-se a serem expostos em museu. adotar cuidados especiais. vernizes e inscrições. portanto.

ao mesmo tempo em que se podem utilizar diversos sistemas para diferenciar o uso do mesmo material com que foi construído o monumento e que é preferível manter nas restaurações.estudo histórico . Finalmente. inclusive do ponto de vista cromático. Nos monumentos antigos e particularmente nos da época arcaica ou clássica. ou gravar siglas ou marcas especiais. quasi reticulatum. ou de caliça. Da mesma forma pode ser recomendável em muitos casos um tratamento superficial de novos materiais. de calcário. que resulta ostensiva e agressiva. as partes restauradas deverão se manter em um plano ligeiramente retrancado. se utiliza a mesma qualidade de pedra e os mesmos tipos de peças. diferenciado pela lavradura de incisões nas superfícies modernas. Finalmente. as operações terão que se realizar com o método estatigráfico que pode oferecer dados preciosos sobre a vida e as fases do próprio edifício. o mármore branco pode ser reintegrado com travertino ou calcário em combinações já experimentadas com êxito (restauração de Valadier. será adequado colocar em todas as zonas restauradas placas com as datas. na arte romana. particularmente diversificados na Itália. que possam produzir danos irreparáveis. Como alternativa à retrancagem da superfície das reintegrações de restaurações modernas. utilizando lascas do mesmo material cimentado com argamassa misturada na superfície com pó do mesmo material para obter uma entonação cromática. O uso do cimento com sua superfície revestida do pó do mesmo material do monumento a ser restaurado pode se mostrar útil para a reintegração de tambores de colunas antigas de mármore. deve ser evitar a combinação de materiais diferentes e anacrônicos nas partes restauradas. Para a restauração de muros de opus incertum. visando à obtenção de um aspecto mais ou menos rústico em relação ao tipo de monumento. devem-se evitar experimentações com métodos não suficientemente comprovados. reticulatum et vittatum. no Arco de Tito). Anexo B Instruções para os critérios das restaurações arquitetônicas . tanto do ponto de vista estético. as medidas para a restauração e a conservação dos monumentos arqueológicos também devem ser estudadas em função das variadas exigências climáticas dos diferentes locais. Constitui um problema peculiar dos monumentos arqueológicos a forma de cobrir os muros em ruínas. foi experimentada a aplicação de uma capa de argamassa de alvenaria que parece dar os melhores resultados. pode-se fazer uma fresta que siga o seu contorno e delimite a parte restaurada ou inserir uma franja sutil de materiais distintos. sobretudo nos em que é preciso manter a linha irregular do perfil da ruína. Quanto ao problema geral da consolidação dos materiais arquitetônicos e das esculturas ao ar livre.seja necessário efetuar prospeções de escavação para o descobrimento das fundações. Para a restauração de estruturas do aparelho de silharia tem sido experimentado favoravelmente o sistema de reproduzir os silhares nas medidas antigas. como de sua resistência aos agentes atmosféricos. enquanto que para os muros de ladrilho será oportuno marcar com incisões ou raias a superfície dos ladrilhos modernos.

das elevações e qualidades formais. a necessidade de considerar todas as obras de restauração sob um substancial perfil de conservação. iconográficas e arquivísticas. que quase sempre consiste em operações delicadíssimas e sempre de grande responsabilidade. Do mesmo modo. o diretor dos trabalhos deve constatar a existência ou não de qualquer marca de decoração. Este princípio deve sempre guiar e condicionar a escolha das operações. deverá ser confiada a empresas especializadas e. No caso de paredes em desaprumo. Uma exigência fundamental da restauração é respeitar e salvaguardar a autenticidade dos elementos construtivos. dificuldades ou desequilíbrios nas paredes. certamente. quando possível. dos sistemas e caracteres construtivos. tais como os grumos e coloridos originais das paredes e abóbadas. conservando escrupulosamente as formas externas e evitando alterações sensíveis das características tipológicas. elaborado de diversos pontos de vista (que estabeleçam a análise de sua posição no contexto territorial ou no tecido urbano. relativos à obra original. a substituição de pedras corroídas só deverá ocorrer para satisfazer às exigências de gravidade.. Parte integrante desse estudo serão pesquisas bibliográficas. especialmente quando intervêm o piquete e o maço. para evitar que desapareçam elementos antes ignorados ou eventualmente desapercebidos nas investigações prévias. da organização estrutural e da seqüência dos espaços internos. dos aspectos tipológicos. interpretada também sob o aspecto metrológico. Lembra-se. por exemplo. O projeto se baseará em uma completa observação gráfica e fotográfica. Em particular. ainda. há que se examinar primeiro a possibilidade de corrigi-los sem substituir a construção original. A execução dos trabalhos pertinentes à restauração dos monumentos. quando não resultarem incompatíveis com os interesses histórico-artísticos. executada sob orçamento e não sob empreitada. para obter todos os dados históricos possíveis. assim como aos eventuais acréscimos ou modificações. Sempre com o objetivo de assegurar a sobrevivência dos monumentos. . As obras de adaptação deverão ser limitadas ao mínimo. bastante úteis para o conhecimento do edifício e do sentido da restauração. ou eliminar um eventual reboco. mesmo quando sugiram a necessidade peremptória de demolição e reconstrução. As restaurações devem ser continuamente vigiadas e supervisionadas para que se tenha segurança sobre sua boa execução e para que se possa intervir imediatamente no caso em que se apresentarem fatos novos. encarece-se o maior cuidado possível na vigilância contínua dos imóveis para a adoção de medidas de caráter preventivo. A realização do projeto para a restauração de uma obra arquitetônica deverá ser precedida de um exaustivo estudo sobre o monumento. dos traçados reguladores e dos sistemas proporcionais e compreenderá um cuidadoso estudo específico para a verificação das condições de estabilidade. inclusive para evitar intervenções de maior amplitude. mas. e também. respeitando os elementos acrescidos e evitando até mesmo intervenções de renovação ou reconstituição.No pressuposto de que as obras de manutenção realizadas no devido tempo asseguram longa vida aos monumentos. etc). antes de raspar uma camada de pintura. vem-se considerando detidamente a possibilidade de novas utilizações para os edifícios monumentais antigos. etc.

por aço inoxidável. os jatos de areia. Para a boa conservação das fontes de pedra ou de bronze. além de sob luz natural. estéticas e também técnicas.. que apresenta a vantagem de não manchar a pedra. é necessário descalcificar a água. mais ou menos largas e profundas. que mostre os limites da intervenção. já que ela desempenha uma função protetora como ficou demonstrado pelas corrosões que se iniciam a partir das lacunas da pátina. conforme o caso. deverão ser feitas as indispensáveis fotografias da obra para documentar seu estado precedente à intervenção restauradora. Para isso. sendo. devendo essas fotografias serem obtidas. A pátina da pedra deve ser conservada por evidentes razões históricas. fezes de pombo. As esculturas em pedra colocadas no exterior dos edifícios. todas as intervenções necessárias para eliminar as causas dos danos. convirá transferir a escultura para um local fechado. mas. é um reconhecimento cuidadoso de seu estado de conservação. desaconselháveis as lavações de qualquer natureza. fuligem. as escovas metálicas e raspadores. Isso poderá ser conseguido com uma lâmina de metal adequado. a partir da prática anteriormente descrita. deverá ser sempre distinguível dos elementos originais. redigir-se-á uma inventário que constituirá parte integrante do programa e o começo do diário da restauração. de água e de vapor com forte pressão. Deverão ser tomadas todas as precauções para evitar o agravamento da situação. eliminando as concreções calcárias e as inadequadas limpezas periódicas. Em tal reconhecimento se inclui a comprovação dos diferentes estratos materiais de que venha a estar composta a obra e se são originais ou acréscimos e. deverão ser postas em prática. a determinação aproximada das diferentes épocas em que se produziram as estratificações. diferenciando os materiais ou as superfícies de construção recente. modificações e acréscimos. etc. inclusive temporal. antes da intervenção em qualquer obra de arte pictórica ou escultórica. igualmente. segundo o caso. se observarem silhares rasgados por grampos ou varas de ferro que se incham com a umidade. sob luz monocromática. um método comprovado de consolidação ou de proteção. em geral. convém desmontar a parte deteriorada e substituir o ferro por bronze ou cobre. intervindo-se sempre que seja possível adotar. devem ser vigiadas. melhor ainda. ainda.A eventual substituição de paramentos murais. com uma série contínua de pequenos fragmentos de ladrilho. pó. É sempre aconselhável tirar . Podem-se eliminar as matérias acumuladas sobre as pedras . ou. com raios ultravioletas simples ou filtrados e com raios infravermelhos. por exemplo. Anexo C Instruções para a execução de restaurações pictóricas e escultóricas Operações preliminares A primeira operação a realizar. usando apenas escovas vegetais ou jatos de ar com pressão moderada. Quando isso for impossível. resulta preferível realizar em toda a extensão do contorno da reintegração uma sinalização clara e persistente. Em continuação. ou nas praças. ainda. ao mesmo tempo em que se devem excluir. sempre que se tornar estritamente necessárias e nos limites mais restritos. Enquanto. A consolidação da pedra e de outros materiais deverá ser experimentada quando os métodos amplamente comprovados pelo Instituto Central da Restauração oferecerem garantias efetivas.detritos. portanto. ou com frestas visíveis. Dever-se-ão evitar. em geral.

O dado que seria o mais importante no que diz respeito à pintura. em lugares não capitais da obra.se observarem elementos problemáticos. Terracota ou outro suporte (imóvel). Depois de haver tirado as fotografias. quando não se trata de esculturas envernizadas ou policromadas. obter radiografias. de um traslado ou de uma reconstrução de fragmento. inclusive nos casos em que. Há de se excluir qualquer sistema que oculte a visualização ou a possibilidade de intervenção ou controle direto sobre a pintura. de dois modos: por meios mecânicos ou por meios químicos. nos casos em que das seções estratigráficas haja resultado um estrato ao menos presumível como tal. registrar-se no diário da restauração uma nota de referência à fotografia. entretanto .que serão detalhados no diário da restauração . como a câmera Pethen Koppler e similares. deverão ser realizadas experimentações para assegurar que não possam atacar o verniz original da pintura. principalmente. quer se trate de uma simples limpeza. além disso. Providências a serem efetuadas na execução da intervenção restauradora As análises preliminares deverão ter proporcionado os meios para orientar a intervenção na direção adequada.determinação da técnica empregada -. O problema mais peculiar das esculturas. não se percebam superposições. nem sempre poderá ter uma resposta científica e. também se deve fotografar o reverso da obra. de um reconhecimento genérico. ficará explicada sua problemática. No caso de pinturas móveis. efetuar provas da argamassa e do conjunto dos materiais da parede e medir seu grau de umidade. será certificar-se do estado de conservação da matéria de que se realizaram e. também se realizarão análises microbiológicas. Os meios químicos (dissolventes) deverão ser de tal natureza que possam ser imediatamente neutralizados e também que não se fixem de forma duradoura sobre os estratos da pintura e sejam voláteis. Os meios mecânicos (bisturi) deverão sempre ser utilizados com o controle do pinacoscópio. realizado sobre base empírica e não científica da técnica utilizada na pintura em questão. dever-se-ão retirar amostras mínimas. que abarquem todos os estratos até o suporte. definir se trata de umidade de infiltração. a partir dos documentos fotográficos . ou sobre pedra. eventualmente. No que se refere às pinturas murais. de eliminação de repintagens. condensação ou de capilaridade. Sempre que se percebam ou se suponham formações de fungos. a cautela e a experimentação com os materiais a serem utilizados na restauração não deverão ser consideradas questões supérfluas. poderá ser realizada. para efetuar as seções estratigráficas. de um assentamento de estratos. sempre que existirem estratificações ou houver que constatar o estado da preparação. Antes de usá-los. mesmo que nem sempre se trabalhe sob sua lente. Deverá ser assinalado na fotografia de luz natural o ponto exato das provas e. No que concerne à limpeza.radiografias. . à simples visão. será preciso ter conhecimento preciso das condições do suporte em relação à umidade. portanto. Se.

Quando for necessário proceder à proteção geral do anverso da pintura por causa de necessidade de realizar operações no suporte. a eventualidade de um traslado deve ser efetuada com a destruição gradual e controlada da tela deteriorada. deve-se ter presente que. que não possam danificar a pintura. Ainda assim. a pintura deverá ser submetida à ação de gazes inseticidas adequados. Mas. . Sempre que o estado do suporte ou o da imprimação. de forma localizada ou com aplicação de um adesivo estendido uniformemente. ou ambos . Sempre que possível. sem danificar a capa pictórica nem o adesivo que une os estratos superficiais à tela do traslado. exijam a destruição ou o arranque do suporte e a substituição da imprimação.em pinturas de suporte móvel -. Na substituição do suporte lenhoso. enquanto que para a possível imprimação (ou preparação) deverão ser seguidos os mesmos critérios utilizados para as pranchas. atrás do assentado. deverá ser feito um exame minucioso com a ajuda do pinacoscópio. não será possível o traslado. Se intervier. Quando se tratar de pinturas sem preparação. como não é indispensável para a própria fruição estética da pintura. qualquer que seja o meio empregado. o adesivo do suporte para a tela da pintura trasladada deverá ser facilmente solúvel. é imprescindível que tal proteção se realize depois da consolidação das partes levantadas ou desprendidas. já que adelgaçá-la não seria suficiente. cuja penetração seja assegurada com uma fonte de calor constante e que não apresente perigo para a conservação da pintura. controlar minuciosamente a estabilidade da capa pictórica sobre seu suporte e proceder ao assentamento das partes desprendidas ou em perigo de desprendimento. sempre que se tenha realizado um assentamento. nas quais se tenha aplicado uma cor muito diluída diretamente sobre o suporte (como nos esboços de Rubens). a menos que seja apenas o suporte a parte debilitada e a imprimação se mantenha em bom estado. Qualquer adição deverá ser realizada com madeira já estabilizada e em pequenos fragmentos. Para isso. mas seja necessário retificá-lo ou colocar reforços ou rebocos. deve se evitar substituí-lo por um novo suporte composto de peças de madeira e só é aconselhável efetuar o traslado para um suporte rígido quando se tiver absoluta certeza de que ele não terá um índice de dilatação diferente do suporte eliminado. deve assegurar principalmente os movimentos naturais da madeira a que estiver fixado. Deve-se evitar a impregnação com líquidos. é necessário. Se o suporte é de madeira e está infestado por carunchos. O reboco. Esse assentamento poderá ser realizado. é regra estrita a eliminação de qualquer resto do fixador da superfície pictórica. é aconselhável conservar a imprimação para manter a superfície pictórica em sua conformação original. etc. térmitas. No caso de pinturas sobre tela. quando for indispensável.Antes de proceder à limpeza. para que resulte o mais inerte possível em relação ao suporte antigo em que se inserir. que respeitem o movimento das fibras da madeira. identificar a espécie botânica e averiguar seu índice de dilatação. e com uma cola de dissolução muito fácil e diferente da empregada no assentamento da cor. Dever-se-á retirar uma amostra. é preciso fazê-lo com regras tecnológicas muito precisas. será necessário que a imprimação antiga seja levantada integralmente a mão com o bisturi. Quando o suporte lenhoso original estiver em bom estado. é sempre melhor não intervir em uma madeira antiga e já estabilizada. ainda.. conforme o caso. qualquer que seja o material de que for feito.

também. a óleo. atualmente. será necessário que ele possa ser construído nas mesmas dimensões da pintura. sem junções intermediárias. que. gerar uma investigação sem conclusão definitiva e. inevitavelmente. Além disso. deve evitar compressões excessivas e temperaturas altas demais para a película pictórica. das partes em têmpera de um afresco. ou de arranque em que também se desprendam os rebocos de preparação (distacco). mas. O suporte em que se instalará a película pictórica tem que oferecer garantias máximas de estabilidade. se tratar de uma têmpera e. a ser eliminado. antes da aplicação das telas protetoras por meio de um adesivo solúvel. inércia e neutralidade (ausência de ph). é necessário assegurar-se de que o diluente não dissolverá ou atacará o aglutinante da pintura a ser restaurada. Ocasionalmente. etc. que altere o mínimo possível as cores originais e que não se torne irreversível com o tempo. a definição do aglutinante utilizado não será às vezes menos problemática (como no que se refere às pinturas murais da época clássica). quando as cores da pintura mural se apresentarem em um estado mais ou menos avançado de pulverulência. ainda mais indispensável para proceder a qualquer operação de limpeza. viriam à superfície da película pictórica com o passar do tempo.A operação de reentelar. inclusive em relação às categorias genéricas de pintura a têmpera. pedra. facilmente. a aquarela ou a pastel. No que diz respeito especialmente ao arranque. Providências que se devem ter presentes na execução de restaurações em pinturas murais Nas pinturas móveis a determinação da técnica pode. Excluem-se sempre e taxativamente operações de aplicação de uma pintura sobre tela em um suporte rígido(maruflagem). será preciso certificar-se de que não danificará a pintura e de que possa vir. Quanto ao assentamento da cor. de assentamento. irresolúvel. se for realizada. de um modo geral. Quando se puderem conhecer essas causas e se encontrar um fungicida adequado. nas pinturas murais. em que certas cores não podiam ser aplicadas a fresco. Os teares deverão ser concebidos de modo a assegurar não apenas a justa tensão. de arranque do estrato de cor (strappo). às vezes. a possibilidade de restabelecê-la automaticamente quando a tensão vier a ceder por causa das variações termo-higrométricas. ou mesmo diretamente sobre mármore. ao mesmo tempo. entre os métodos a serem escolhidos com probabilidades equivalentes de bom êxito é recomendável o strappo. a encáustica. Quando houver necessidade de se proceder ao arranque da pintura de seu suporte original. será também necessário um tratamento especial para conseguir que a cor pulverizada se perca ao mínimo. pela possibilidade de recuperação da sinopia preparatória no caso dos afrescos e também porque libera a película pictórica de restos do estuque degradado ou em mau estado. realizadas sobre preparação. deve-se procurar um fixador que não seja de natureza orgânica. será imprescindível um assentamento preventivo. além disso. O adesivo . mas. A cor pulverulenta será analisada para ver se contém formações de fungos e a que causas se pode atribuir o seu desenvolvimento.

argila crua. deve ser excluída a execução de aguadas que. Por isso. cupins. para uso de eventuais dobradiças.).) sempre que por debaixo dela não existirem sinais de corrosão ativa. sejam fixadas e possam ser dispostas em sua colocação original. ataquem a pátina. Deverá ser dedicado cuidado especial à conservação das características tectônicas da superfície. o bastidor deverá ser construído de tal modo . etc. uma obra de arte restaurada não deve ser posta novamente em seu lugar original. possa mudar. mesmo na ausência de policromia. Anexo D . da técnica com que se realizaram as esculturas (se em mármore. Quando se tratar de esculturas de madeira degradada. etc. etc. argila crua e pintada. deverá ficar assegurado que onde as tesselas não constituem uma superfície completamente plana.) de forma a garantirem a conservação e a salvaguarda da obra de arte. climática ou não. Advertências gerais para a instalação de obras de arte restauradas Como linha de conduta geral. no caso de esculturas encontradas em escavações ou na água (mar. Terracota. ligaduras. rios. naturalmente reforçada. ou. em pedra. ou se o lugar ou a parede não vierem a ser tratados imediatamente (saneados. por qualquer razão. recomenda-se um cuidado particular quanto à conservação da pátina dupla (atacamitas. se a restauração tiver sido ocasionada pela situação térmica e higrométrica do lugar como um todo ou da parede em particular. trate-se de arrancar mosaicos. louça vidrada. elasticidade e automatismo para restabelecer a tensão que. Quando.e com materiais tais . Se a madeira estiver infectada por caruncho. há de se evitar a impregnação com líquidos que.) em que não haja partes pintadas e seja necessária uma limpeza. Providências a serem observadas na execução de restaurações de obras escultóricas Depois de assegurar-se do material e. se houver incrustações. consolidá-las. climatizados. Antes da aplicação do engaste e da armadura de sustentação é preciso certificar-se do estado de conservação das tesselas e. malaquitas. No caso de esculturas fragmentadas. eventualmente. apesar de deixarem intacta a matéria. estuque. se com dissolventes. mas sempre que possível.que tenha a máxima estabilidade. etc. deverão ser separadas preferivelmente através de meios mecânicos. poderiam alterar o aspecto da madeira. Para os objetos de bronze. etc. deverá ser escolhido metal inoxidável. de natureza tal que não ataquem o material da escultura e tampouco se fixem sobre ele. será preciso submetê-la à ação de gases adequados. a utilização de consolidantes deverá ser subordinada à conservação do aspecto original da matéria lenhosa. Quando se preferir manter a pintura trasladada sobre tela. eventualmente. em vez de pinturas. cartão-pedra. etc.com que se irá fixar a tela grudada à película pictórica sobre o novo suporte terá que poder dissolver-se com a maior facilidade com um dissolvente que não traga danos à pintura.

ou de seu aspecto peculiar enquanto ambiente. etc. praças. espaços livres. fortalezas. com o fim de coordenar as ações urbanísticas de maneira a obter a salvaguarda e a recuperação do centro histórico a partir do exterior da cidade.) e outras estruturas significativas (muralhas. mas se estende também à conservação substancial das características conjunturais do organismo urbanístico completo e de todos os elementos que concorrem para definir tais características. de um modo geral. etc. como também. Para que o conjunto urbanístico em questão possa ser adequadamente salvaguardado.através de meios e procedimentos ordinários e extraordinários . principalmente quando lhe houver assumido valores de especial significado. tudo isso. há que serem considerados tanto os elementos edílicos como os demais elementos que constituem os espaços exteriores (ruas. caracterizando-o de forma mais ou menos acentuada (entornos naturais. que podem enriquecer e ressaltar posteriormente seu valor. ainda que se tenham transformado ao longo do tempo. etc. hajam se constituído no passado ou. os que eventualmente tenham adquirido um valor especial como testemunho histórico ou características urbanísticas ou arquitetônicas particulares. é necessário principalmente que os centros históricos sejam reorganizados em seu mais amplo contexto urbano e territorial e em sua relações e conexões com futuros desenvolvimentos.a permanência no tempo dos valores que caracterizam esses conjuntos. tanto em relação a sua continuidade no tempo como ao desenvolvimento de uma vida de cidadania e modernidade em seu interior. Os elementos edílicos que formam parte do conjunto devem ser conservados não apenas quanto aos aspectos formais. . todos os assentamentos humanos cujas estruturas.) assim como eventuais elementos naturais que acompanharem o conjunto. a laguna veneziana.). assim tradicionalmente entendidos. mas também a estrutura urbanística. Por meio de tais intervenções (a serem efetuadas com os instrumentos urbanísticos). entre muitos. as centúrias romanas de Valpadana. têm por si mesmas um significado e um valor. a zona trulli de Apulia. em que se subtraiam do centro histórico as funções que não serão compatíveis com sua recuperação em termos de saneamento e de conservação. No que respeita aos elementos individuais através dos quais se efetua a salvaguarda do conjunto. Sua natureza histórica se refere ao interesse que tais assentamentos apresentarem como testemunhos de civilizações do passado e como documentos de cultura urbana.) e interiores (pátios. jardins. A coordenação se posicionará também em relação à exigência de salvaguarda do contexto ambiental mais geral do território. já que não só a arquitetura. inclusive independentemente de seu intrínseco valor artístico ou formal. A restauração não se limita. estreitamente unidos às estruturas históricas tal como têm chegado até nós ( como por exemplo. portas. através de um planejamento físico territorial adequado.Instruções para a tutela dos centros históricos Para efeito de identificar os centros históricos. singularidade geomórficas. etc. unitárias ou fragmentárias. a cercadura de colinas em torno de Florença.). portanto. que determinam sua a expressão arquitetônica ou ambiental. levam-se em consideração não apenas os antigos centros urbanos. a operações destinadas a conservar unicamente os caracteres formais de arquiteturas ou de ambientes isolados. cursos fluviais. além do mais. poder-se-á configurar um novo organismo urbano. etc. As intervenções de restauração nos centros históricos têm a finalidade de garantir .

Nesse tipo de intervenção é de particular importância o respeito às peculiaridades tipológicas. espaços interiores. à individualização dos diferentes graus de intervenção a nível urbanístico e a nível edílico. principalmente. principalmente a partir do ponto de vista funcional e. que tende à manutenção de suas estruturas e a uma utilização equilibrada. eventualmente.como ainda quanto a seus caracteres tipológicos enquanto expressão de funções que também têm caracterizado. b) Reordenamento viário . A intervenção de reestruturação urbanística deverá tender a liberar os centros históricos de finalidades funcionais. das modalidades e das advertências a que se referem as instruções procedentes para a realização de restaurações arquitetônicas. com a estrutura territorial ou urbana com as quais forma unidade. ao longo do tempo. cujos resultados não se dirigirão tanto a determinar uma diferenciação operativa . tecnológicas. tipológicos. de perímetro das edificações. a manutenção dos caracteres gerais do ambiente. a manutenção das estruturas viárias e edílicas em geral (manutenção do traçado. qualquer intervenção de restauração terá que ser precedida de uma atenta leitura histórico-crítica.). etc. construtivos. ambientais. dos elementos.posto que em todo o conjunto definido como centro histórico deverse-á operar com critérios homogêneos . a utilização dos elementos favoráveis. construtivas e funcionais do edifício. com referência às compatibilidades de funções diretoras. que comportam a conservação integral dos perfis monumentais e ambientais mais significativos e a adaptação dos demais elementos ou complexos edílicos individuais às exigências da vida moderna. etc.) com o objetivo de obter uma conexão homogênea entre edifícios e espaços exteriores. Os principais tipos de intervenção a nível edílico são: 1) Saneamento estático e higiênico dos edifícios. consideradas apenas excepcionalmente as substituições. ou de uso que. etc. e apenas na medida em que sejam compatíveis com a conservação do caráter geral das estruturas do centro histórico.. Com o objetivo de certificar-se de todos os valores urbanísticos. ainda que parciais. a corrigi-las onde houver necessidade.Isso afeta as ruas. é necessário precisar que por saneamento de conservação deve-se entender. as praças e todos os espaços livres existentes (pátios. É preciso considerar a possibilidade de integração do mobiliário moderno e dos serviços públicos estreitamente ligados às exigências vitais do centro. É de particular importância a análise do papel territorial e funcional que tenha sido desempenhado pelo centro histórico ao longo do tempo e no presente. Nesse sentido é preciso dedicar especial atenção à análise e à reestruturação das relações existentes entre centro histórico e desenvolvimentos urbanístico e edílico contemporâneos. A esse propósito. para determinar o tratamento necessário de saneamento de conservação. particularmente. vier a provocar-lhes um efeito caótico e degradante.Tende a consolidar as relações do centro histórico e.Refere-se à análise e à revisão das comunicações viárias e dos fluxos de tráfego a que a estrutura estiver submetida. sobretudo. essa intervenção se realizará em função das técnicas. arquitetônicos. evitando-se . por outro lado. Os principais tipos de intervenção a nível urbanístico são: a) Reestruturação urbanística . conservação da rede viária. em geral. jardins. e.quanto. c) Revisão dos equipamentos urbanos . com o fim primordial de reduzir seus aspectos patológicos e de reconduzir o uso do centro histórico a funções compatíveis com as estruturas de outros tempos.

que reestruturem as relações entre o centro histórico e o território e entre o centro histórico e a cidade em seu conjunto. O homem tem a responsabilidade especial de preservar e administrar judiciosamente o patrimônio representado pela flora e pela fauna silvestres. as políticas que promovem ou perpetuam o apartheid. a flora e a fauna e. deve ser mantida e. referentes a uma edificação ou a um conjunto de elementos reagrupáveis de forma orgânica. em um meio ambiente de qualidade tal que lhe permita levar uma vida digna. proibidas quaisquer intervenções que alterem suas características. incluídos o ar. a discriminação. especialmente.qualquer transformação que altere suas características. a segregação racial. de 5 a 16 de junho de 1972. restaurada ou melhorada. à igualdade e ao desfrute de condições de vida adequadas. Em conseqüência . 2) Renovação funcional dos elementos internos. o solo.planos parciais relativos à restruturação do centro histórico em seus elementos mas significativos.planos de desenvolvimento geral. Os recursos naturais da Terra. e é portador da solene obrigação de proteger e melhorar esse meio ambiente. gozar de bem-estar. que sirvam de inspiração e orientação à humanidade. São instrumentos operativos dos tipos de intervenção enumerados. especialmente: . para as gerações presentes e futuras. A capacidade da Terra de produzir recursos renováveis vitais. Declaração de Estocolmo de junho de 1972 Declaração sobre o ambiente humano UNEP . atendendo à necessidade de estabelecer uma visão global e princípios comuns. como o vazado da estrutura ou a introdução de funções que deformarem excessivamente o equilíbrio tipológico-estrutural do edifício. . devem ser preservados em benefício das gerações atuais e futuras. expressa a convicção comum de que: O homem tem o direito fundamental à liberdade. que se há de permitir somente nos casos em que resultar indispensável para efeitos de manutenção em uso do edifício. que se encontram atualmente em grave perigo por combinação de fatores adversos. mediante um cuidadoso planejamento ou administração adequados. A esse respeito. a água. a opressão colonial e outras formas de coerção e de dominação estrangeira permanecem condenadas e devem ser eliminadas. sempre que possível. bem assim o seu habitat. Nesse tipo de intervenção é de fundamental importância o respeito às peculiaridade tipológicas e construtivas dos edifícios.planos de execução setorial. . parcelas representativas dos ecossistemas naturais.Organização das Nações Unidas para o Meio Ambiente A Assembléia Geral das Nações Unidas reunida em Estocolmo. para a preservação e melhoria do ambiente humano através dos vinte e três princípios enunciados a seguir.

As deficiências do meio ambiente em decorrência das condições de subdesenvolvimento e de desastres naturais ocasionam graves problemas. O desenvolvimento econômico e social é indispensável para assegurar ao homem um ambiente de vida e trabalho favoráveis. em quantidades ou concentrações tais que não possam ser neutralizadas pelo meio ambiente. Para os países em desenvolvimento. além da ajuda oportuna. sendo a melhor maneira de atenuar suas consequências a promoção do desenvolvimento acelerado. mediante a transferência maciça de recursos consideráveis de assistência financeira e tecnológica que complementem os esforços internos dos países em desenvolvimento. Deveriam ser destinados recursos à preservação e melhoria do meio ambiente. prejudicar os recursos vivos e da marinha. Assim deverá ser apoiada a justa luta de todos os povos contra a poluição. que visem a chegar a um acordo. a estabilidade dos preços e o pagamento adequado para produtos primários e matérias-primas são essenciais à administração do meio ambiente. incluídas a flora e a fauna silvestres. levando-se em conta as circunstâncias e as necessidades especiais dos países em desenvolvimento e quaisquer outros custos que lhes possam resultar da inclusão de medidas de conservação do meio ambiente em seus planos de desenvolvimento. os Estados deveriam adotar um enfoque integrado e coordenado de planejamento de seu desenvolvimento. cabendo aos Estados e organizações internacionais a adoção de providências adequadas. melhorar as condições ambientais. nem obstar o atendimento de melhores condições de vida para todos. Deve-se pôr fim à descarga de substâncias tóxicas e de outras matérias e à liberação de calor. Os recursos não renováveis da Terra devem ser utilizados de forma a evitar o perigo do seu esgotamento futuro e a assegurar que toda a humanidade participe dos benefícios de tal uso. assim como a necessidade de lhes ser prestada. uma vez que se deve levar em conta tanto os fatores econômicos como os processos ecológicos. . a fim de fazer frente às possíveis consequências econômicas nacionais e internacionais resultantes da aplicação de medidas ambientais. de modo que fique assegurada a compatibilidade desse crescimento com a necessidade de proteger e melhorar o meio ambiente humano em benefício de sua população. deve ser dada a devida importância à conservação da natureza.ao planejar o desenvolvimento econômico. assim. maior assistência técnica e financeira internacional. A fim de se obter um ordenamento mais racional dos recursos e. As políticas ambientais de todos os países devem melhorar e não afetar negativamente o potencial desenvolvimentista atual e o futuro dos países em crescimento. quando solicitada para esse fim. a fim de se evitar danos graves e irreparáveis aos ecossistemas. Os países deverão tomar todas as medidas possíveis para impedir a poluição dos mares por substâncias que possam pôr em perigo a saúde do homem. causar danos às possibilidades recreativas ou interferir em outros usos legítimos do mar. quando necessária. bem como para criar na terra as condições necessárias à melhoria da qualidade de vida.

Deve ser confiada às instituições nacionais competentes a tarefa de planejar. das empresas e das comunidades. não prejudiquem o meio ambiente de outros países ou de zonas situadas fora da jurisdição nacional. administrar e controlar a utilização dos recursos ambientais dos países. ou em que a baixa densidade populacional possa impedir o melhoramento do meio ambiente humano e obstar o desenvolvimento. dando atenção especial às populações menos privilegiadas. em todos os países. A esse respeito. de acordo com a sua política ambiental. Nas regiões em que exista o risco de que a taxa de crescimento demográfico ou as concentrações excessivas de população prejudiquem o meio ambiente ou o desenvolvimento. as nações têm o direito soberano de explorar seus próprios recursos. ou sob seu controle. nas condições que favoreçam sua ampla difusão. a investigação científica e medidas desenvolvimentistas em relação aos problemas ambientais. causem danos a zonas situadas fora de seu espaço territorial ou de sua jurisdição. visando às soluções dos problemas ambientais e ao bem comum do homem. os projetos destinados à dominação colonialista e racista. econômicos e ambientais para todos. Deve-se usar o planejamento nos agrupamentos humanos e na urbanização. a fim de criar as bases de uma opinião pública bem informada e de uma conduta responsável dos indivíduos. quanto à responsabilidade e à indenização das vítimas da poluição e de outros danos ambientais provocados por atividades que. As nações devem cooperar no aperfeiçoamento e melhoria do Direito Internacional. Devem ser fomentadas. assim como as tecnologias ambientais devem ser colocadas à disposição dos países em desenvolvimento. . realizadas dentro de sua jurisdição. o livre intercâmbio de informações e de experiências científicas atualizadas deve constituir objeto de apoio e assistência a fim de facilitar a solução dos problemas ambientais. tanto nacionais como multinacionais.O planejamento racional constitui um instrumento indispensável para conciliar as diferenças que possam surgir entre as exigências do desenvolvimento e a necessidade de proteger e melhorar o meio ambiente. inspiradas no sentido de sua responsabilidade em relação à proteção e melhoria do meio ambiente em toda a sua dimensão humana. sem que constituam carga econômica excessiva para eles. devem ser utilizadas a ciência e a tecnologia para descobrir. evitar e combater os riscos que ameaçam o meio ambiente. Como parte de sua contribuição ao desenvolvimento econômico e social. objetivando evitar efeitos prejudiciais ao meio ambiente e visando à obtenção do máximo de benefícios sociais. É indispensável um trabalho de educação em questões ambientais. devendo ser abandonados a esse respeito. desde que as atividades levadas a efeito dentro de sua jurisdição ou sob seu controle. visando tanto às gerações jovens como aos adultos. especialmente naqueles em desenvolvimento. deveriam ser aplicadas políticas demográficas que respeitassem os direitos humanos fundamentais e contassem com a aprovação dos governos interessados. a fim de melhorar a qualidade do meio ambiente. Tendo em vista a Carta das Nações Unidas e os princípios do Direito Internacional.

Todos os programas de intervenção e resgate dos centros históricos devem. incentivos e facilidades de caráter econômico. Respaldados na noção de centro monumental. representam tanto a Carta de Veneza como as Normas de Quito e ante a necessidade atual de roteiros que contemplem prioritariamente os aspectos operativos que materializem e tomem possível a defesa destes bens insubstituíveis da cultura. mas que possam ser inadequados e de alto custo social para os países em desenvolvimento. tais estudos deverão ser estendidos à proteção dos valores e costumes tradicionais e naturais da área em questão.A . . portanto. b . propõe.No plano da preservação monumental: Os problemas da preservação monumental obrigam a um trabalho prévio de investigação documental e arqueológico. c . será indispensável sempre considerar os sistemas de valores predominantes em cada país e o limite de aplicabilidade de padrões válidos para os países mais avançados. trazer consigo soluções de saneamento integral que permitam a permanência e melhoramento da estrutura social existente.Sem prejuízo dos princípios gerais que possam ser estabelecidos pela comunidade internacional e dos critérios e níveis mínimos a serem definidos em âmbito nacional.No plano social: A salvação dos centros históricos é um compromisso social além de cultural e deve fazer parte da política de habitação.Organização dos Estados Americanos e Governo Dominicano Consciente da importância que. devendo levar-se a cabo estudos integrais para resgatar a maior quantidade de dados relacionados com a história do sítio.E. Resolução de São Domingos de dezembro de 1974 I Seminário Interamericano sobre Experiências na Conservação e Restauração do Patrimônio Monumental dos períodos Colonial e Republicano (República Dominicana) O. para a defesa do patrimônio monumental latinoamericano. o Seminário Interamericano sobre Experiências na Conservação e Restauração do Patrimônio Monumental dos Períodos Colonial e Republicano considera que se faz altamente conveniente para esse fim a elaboração de um documento onde fiquem registrados estes serviços operativos.No plano econômico: A iniciativa privada e o seu apoio financeiro constituem uma contribuição fundamental para a conservação e valorização dos centros históricos. para que nela se levem em conta os recursos potenciais que tais centros possam oferecer. as seguintes recomendações: a . portanto. Recomenda-se a todos os governos estimular essa contribuição mediante disposições legais.

no ano de 1976. Criar uma Associação Interamericana de Arquitetos e Especialistas na Proteção do Patrimônio Monumental. que permitam ao mencionado projeto cumprir cabalmente os objetivos para os quais foi criado. se logrem objetivos importante na proteção e preservação do patrimônio cultural americano. como também o seu destino e manutenção. tenham um significado transcendental para o patrimônio da humanidade. criem um fundo de emergência que permita a rápida disponibilidade de recursos para a salvação de bens monumentais americanos nos países de menor desenvolvimento relativo. Tendo-se iniciado em São Domingos. que defina não apenas a sua função monumental.A. respaldando-se e ampliando-se em nível interamericano a atual escola-oficina de obras de pedra que funciona no Museu das Casas Reais. em território americano. Os projetos de preservação monumental devem fazer parte de um programa integral de valorização. o processo cultural ibero-americano e contando a República Dominicana com um centro como o Museu das Casas Reais. que constituem monumentos inavaliáveis para ao patrimônio da humanidade e estão em iminente perigo de desaparecimento. que atualmente funciona no México. Reconhecendo o trabalho positivo realizado pela Unidade Técnica de Patrimônio Cultural do Departamento de Assuntos Culturais a cargo do Projeto de Proteção do Patrimônio Cultural Histórico e Artístico instituído pela O. com a utilização de alto nível técnico.A. e leve prioritariamente em conta a melhoria sócio-econômica de seus habitantes. com o patrocínio da O. o Centro Interamenricano de Inventário do Patrimônio Histórico e Artístico. Também serão membros os especialistas participantes que formalizarem sua inscrição de acordo com os regulamentos estabelecidos. que divulgue o trabalho dos seus membros mediante uma publicação a cargo de um centro ou instituto especializado.E. torna-se indispensável o intercâmbio pessoal de experiências. cabe-lhe. na República Dominicana. devendo realizar-se seminários como este a cada dois anos. solicitamos que na próxima Assembléia Geral da O. a Ciência e a Cultura (LTNESCO) e demais organizações internacionais preparem material didático para esses programas. a documentação de interesse monumental existente em seus arquivos. Que os Estados Membros da O.E. Sendo o turismo um meio de preservação dos monumentos.E. ainda. atue como o organismo que recopile e difunda as atividades empreendidas pelos países que integram o sistema interamericano no campo da preservação monumental. Independentemente da fonte anterior de informação.A.E. e constatando que. no campo da preservação do patrimônio monumental da América. o segundo dos quais se realizará na Colômbia.A. Essa associação se formou em São Domingos e serão seus membros fundadores os delegados ao Seminário Interamericano sobre Experiências na Conservação do Patrimônio Monumental dos Períodos Colonial e Republicano. Que o Centro Interamericano de Restauração de Bens Culturais. se destinem maiores fundos. recentemente criado em Bogotá. de acordo com os governos de Espanha e Portugal. Que se criem oficinas de ensino em nível artesanal para formação de operários que sejam eficazes auxiliares na tarefa da restauração monumental.A. existem necessidades que não puderam ser satisfeitas pelo mencionado projeto devido à falta de recursos adequados.d .Propostas operativas: Em apoio ao estabelecido nas Normas de Quito. deve resgatar.E. Para tal efeito é necessário que a Organização dos Estados Americanos (O.). como atividade prioritária. a Organização das Nações Unidas para a Educação.. um inventário dos monumentos que. os planos de desenvolvimento turístico devem constituir uma via mediante a qual. antiga Espanhola. em um dos seus Estados Membros. realizar. Na educação escolar dever-se-ão incluir programas de estudo sobre a importância do patrimônio monumental. que se .

o Congresso afirma que o patrimônio arquitetônico da Europa é parte integrante do patrimônio cultural do mundo inteiro e nota com satisfação o engajamento mútuo para favorecer a cooperação e as trocas no domínio da cultura contido na ata final da Conferência sobre a Segurança e a Cooperação na Europa adotada em Helsinque. portanto.dedica ao estudo científico desse processo histórico. O Primeiro Seminário Interamericano sobre Experiências na Conservação do Patrimônio Monumental dos Períodos Colonial e Republicano quer igualmente fazer constar o trabalho exemplar que o Governo Dominicano empreende para a preservação e a valorização do patrimônio monumental da República Dominicana. Sua conservação é. reunindo delegados vindos de toda parte da Europa. o patrimônio arquitetônico da Europa leva todos os europeus a tomarem consciência de uma história e destino comuns. coroamento do Ano Europeu do Patrimônio Arquitetônico 1975.E. Da mesma maneira. b) Esse patrimônio compreende não somente as construções isoladas de um valor excepcional . Declaração de Amsterdã de outubro de 1975 Congresso do Patrimônio Arquitetônico Europeu Conselho da Europa Ano Europeu do Patrimônio Arquitetônico O Congresso de Amsterdã.A.Reconhecimento: O primeiro Seminário Interamericano sobre Experiência na Conservação e Restauração do Patrimônio Monumental dos Períodos Colonial e Republicano quer fazer constar o seu reconhecimento pelo patrocínio assumido pelo Governo da República Dominicana e pela Secretaria Geral da Organização dos Estados Americanos (O. e . procurando que. revestida de uma importância vital. reconhece que a arquitetura singular da Europa é patrimônio comum de todos os seus povos e afirma a intenção dos Estados-membros de cooperar entre si e com os outros países europeus para protegê-lo. São Domingos é um ponto de partida para o fortalecimento e a integração profissional dos especialistas em conservação do patrimônio monumental da América. que acolheram calorosamente a Carta Européia do Patrimônio Arquitetônico promulgada pelo Comitê de Ministros do Conselho da Europa. tanto nos trabalhos de investigação como na formação acadêmica. cujo proveito se fará sentir no âmbito de todo o hemisfério. em julho deste ano. para a realização deste Primeiro Seminário Interamericano. O Congresso chamou a atenção para as seguintes considerações essenciais: a) Além de seu inestimável valor cultural.). orientem-se os seus trabalhos em todo o continente para a mais cabal compreensão da integração cultural americana. recomenda-se a ampliação de suas atividades em nível internacional.

bairros de cidades e aldeias. tanto quanto possível. de forma a permitir a troca de experiências. mas também os conjuntos.Nossa sociedade poderá. aos quais compete a maioria das decisões importantes em matéria de planejamento.que contribuam para despertar o interesse do público. brevemente. A proteção desses conjuntos arquitetônicos só pode . incentivos fiscais deverão ser previstos.internacionais. para que dêem total apoio aos objetivos desta declaração e façam todo o possível para assegurar a sua aplicação. d) A conservação do patrimônio arquitetônico deve ser considerada não apenas como um problema marginal. e) Os poderes locais. Ao final de seus debates. mas como objetivo maior do planejamento das áreas urbanas e do planejamento físico territorial. os bairros urbanos antigos e aldeias tradicionais. c) Essas riquezas são um bem comum a todos os povos da Europa. que têm o dever comum de protegê-las dos perigos crescentes que as ameaçam: negligência e deterioração. caso uma nova política de proteção e conservação integradas desse patrimônio não seja posta em ação imediatamente. j) Devem ser encorajadas as organizações privadas . além disso. é essencial que sejam produzidos relatórios periódicos sobre o estado do desenvolvimento dos trabalhos de conservação arquitetônica nos países europeus. k) Uma vez que a arquitetura de hoje é o patrimônio de amanhã. o congresso apresenta as seguintes conclusões e recomendações: . h) Para fazer face aos custos de restauração. portanto. demolição deliberada. aí incluídos os parques e jardins históricos. Os programas de educação em todos os níveis devem. Tendo o Comitê dos Ministros reconhecido na Carta Européia do Patrimônio Arquitetônico que cabe ao Conselho da Europa assegurar a coerência da política de seus Estados Membros e promover sua solidariedade. para estes últimos. empresas comerciais e industriais. nacionais e locais . no presente e no futuro. f) A reabilitação dos bairros antigos deve ser concebida e realizada. são todos particularmente responsáveis pela proteção do patrimônio arquitetônico e devem ajudar-se mutuamente através da troca de idéias e de informações. novas construções em desarmonia e circulação excessiva. tudo deve ser feito para assegurar uma arquitetura contemporânea de alta qualidade. i) O patrimônio arquitetônico não sobreviverá a não ser que seja apreciado pelo público e especialmente pelas novas gerações. que apresentam um interesse histórico ou cultural. sem modificações importantes da composição social dos habitantes e de uma maneira tal que todas as camadas da sociedade se beneficiem de uma operação financiada por fundos públicos. ser privada do patrimônio arquitetônico e dos sítios que formam seu quadro tradicional de vida. O que hoje necessita de proteção são as cidades históricas. uma ajuda financeira adequada deve ser colocada à disposição dos poderes locais e de proprietários particulares. parlamentos. se preocupar mais intensamente com essa matéria. associações privadas e a todos os cidadãos. institutos profissionais. O congresso faz um apelo aos governos. planejamento e conservação das construções e sítios de interesse arquitetônico ou histórico. g) As medidas legislativas e administrativas necessárias devem ser reforçadas e tornadas mais eficazes em todos os países.e seu entorno. Somente desta maneira se conservará o patrimônio arquitetônico insubstituível da Europa para o enriquecimento da vida de todos os seus povos. instituições espirituais e culturais.

Tal inventário fornecerá uma base realista para a conservação. manutenção ou a criação de um modo de vi a que permita ao homem encontrar sua identidade e experimentar um sentimento de segurança face às mutações brutais da sociedade: um novo urbanismo procura reencontrar os espaços fechados. no que diz respeito ao elemento qualitativo fundamental para a administração dos espaços. Um diálogo permanente entre os conservadores e os planejadores tomou-se. o que compreende a delimitação das zonas periféricas de proteção. sem uma coordenação. a fim de chamar sua atenção para as construções e zonas dignas de serem protegidas. a interpenetração das funções e a diversidade sócio-cultural que caracterizam os tecidos urbanos antigos. A conservação do patrimônio arquitetônico um dos objetivos maiores do planejamento das áreas urbanas e do planejamento físico territorial. A isso se acrescenta que a conservação atrai artistas e artesãos bem qualificados. por todas essas razões. como foi o caso num passado recente. notadamente entre autoridades regionais e locais. Essa proteção global completará a proteção pontual dos monumentos e sítios isolados. dos conjuntos arquitetônicos e dos sítios. Seria desejável que esses inventários fossem largamente difundidos.ser concebida dentro de uma perspectiva global. Não basta sobrepor as regras básicas de planejamento às regras especiais de proteção aos edifícios históricos. indispensável. Ficou demonstrado que as construções antigas podem receber novos usos que correspondam às necessidades da vida contemporânea. a reabilitação do habitar existente contribui para a redução das invasões de terras agrícolas e permite evitar ou atenuar sensivelmente os deslocamentos da população. Ainda que. portanto. O planejamento das áreas urbanas e o planejamento físico territorial devem acolher as exigências da conservação do patrimônio arquitetônico e não considerá-las de uma maneira parcial ou como um elemento secundário. dos mais importantes aos mais modestos. é conveniente organizar o inventário das construções. O reconhecimento dos valores estéticos e culturais do patrimônio arquitetônico deve conduzir à fixação dos objetivos e das regras particulares de organização dos conjuntos antigos. Mas descobre-se também que a conservação das construções existentes contribui para a economia de recursos e para a luta contra o desperdício. A fim de tomar possível essa integração. abrir espaço às pesquisas de caráter fundamental e ser incluída em todos os programas de educação e desenvolvimento cultural. desde então. A significação do patrimônio arquitetônico e a legitimidade de sua conservação são atualmente melhor compreendidas. uma das grandes preocupações da sociedade contemporânea. cujo talento e conhecimento devem ser mantidos e transmitidos. assim como o ambiente em que se integram. a escala humana. sem esquecer os da época moderna. assim como entre os responsáveis pela ordenação do espaço e pelo plano urbano como um todo. é necessário fundamentá-la sólida e definitivamente. . Sabe-se que a preservação da continuidade histórica do ambiente é essencial para . tendo em conta todos os edifícios com valor cultural. a legitimidade da conservação do patrimônio arquitetônico apareça hoje com uma força nova. Os urbanistas devem reconhecer que os espaços não são equivalentes e que convém tratá-los conforme as especificidades que lhes são próprias. Finalmente. o que constitui um beneficio social muito importante na política de conservação. ela deve.

a sua sobrevivência. Ela pode. participar realmente. A população deve. respeitando com inteligência. Enfim. . criando um elo de ligação direta entre os utilizadores potenciais das edificações antigas e seus proprietários.instaurar órgãos de atividade pública.A política de planejamento regional deve integrar as exigências de conservação do patrimônio arquitetônico e para elas contribuir. As subvenções e empréstimos concedidos a particulares e grupos diversos pelos poderes locais deveriam estimular o compromisso moral e financeiro dos favorecidos.dedicar uma parte apropriada de seu orçamento a essa política. O apoio da opinião pública é essencial. respondam às condições atuais de vida e garantam. a ordem das escolhas e dos objetivos. Aplicando os princípios de uma conservação integrada. administrativos. por uma visão estreita da técnica e.atribuir às construções funções que. por uma concepção superada. particularmente. sensibilidade e organização o ambiente construído pelo homem. e que deve permitir inverter. respeitando seu caráter.basear-se numa análise da textura das construções urbanas e rurais. assim. . desde a elaboração dos inventários até a tomada das decisões.designar delegados responsáveis por todas as transações referentes ao patrimônio arquitetônico. regionais e locais) onde são tomadas as decisões em matéria de planejamento. . finalmente. médicos) demonstram que o gigantismo é desfavorável a sua qualidade e a sua eficácia. de hoje em diante. Para pôr em ação tal política. Isso pressupõe que existam responsáveis pela conservação. aos empregos e a uma melhor repartição dos pólos de atividade urbana podem incidir mais profundamente sobre a conservação do patrimônio arquitetônico. A conservação integrada conclama à responsabilidade os poderes locais e apela para a participação dos cidadãos Os poderes locais devem ter competências precisas e extensas em relação à proteção do patrimônio arquitetônico. frequentemente determinada pelo curto prazo. as políticas relativas aos transportes. a conservação do patrimônio se insere numa nova perspectiva geral. em todos os níveis (centrais. Mas a conservação do patrimônio arquitetônico não deve ser tarefa dos especialistas. os poderes locais devem: . assim como às características arquitetônicas e volumétricas de seus espaços construídos e abertos. Por outro lado. . Nesse contexto. Com essa finalidade. suas complexas funções. . A plena implementação de uma política contínua de conservação exige uma grande descentralização e o reconhecimento das culturas locais. incitar novas atividades a serem implantadas nas zonas em declínio econômico a fim de sustar seu despovoamento e contribuir para impedir a degradação das construções antigas. notadamente no que diz respeito às suas estruturas. eles deveriam solicitar dos governos a criação de fundos específicos. eles devem levar em conta a continuidade das realidades sociais e físicas existentes nas comunidades urbanas e rurais. . baseada em informações objetivas e completas. as decisões tomadas para o desenvolvimento das zonas periféricas das aglomerações devem ser orientadas de tal maneira que sejam atenuadas as pressões que são exercidas sobre os bairros antigos. atenta aos novos critérios de qualidade e de medida. O futuro não pode nem deve ser construído às custas do passado.estar atentos ao fato de que os estudos prospectivos sobre a evolução dos serviços públicos (educativos.

como sempre é feito quando se trata de estabelecimentos sociais. ou a construção de um conjunto sobre um sítio não urbanizado. Consideração dos fatores sociais condiciona o resultado de toda política de conservação integrada. aos comerciantes e aos empresários estabelecidos no local. Os poderes locais devem aperfeiçoar suas técnicas de pesquisa para conhecer a opinião dos grupos envolvidos nos planos de conservação e levá-la em conta desde \a elaboração dos seus projetos. As intervenções financeiras podem se equilibrar entre os incentivos à restauração concedidos aos proprietários através da fixação de tetos para os aluguéis e da alocação de indenizações de moradia aos locatários. é necessária uma intervenção dos poderes públicos no sentido de moderar os mecanismos econômicos. A reabilitação de um conjunto que faça parte do patrimônio arquitetônico não é uma operação necessariamente mais onerosa que a de uma construção nova. O esforço de conservação deve ser calculado não somente sobre o valor cultural das construções. Uma política de conservação implica também a integração do patrimônio na vida social.. o recurso às reuniões públicas. Em conseqüência. os poderes locais terão todo o interesse em comunicar suas experiências respectivas. eles deveriam instaurar uma troca constante de informações e de idéias por todas as vias possíveis. Isto interessa não somente aos proprietários e aos locatários. utilizando uma linguagem clara e acessível. para diminuir ou mesmo completar a diferença existente entre os antigos e os novos aluguéis. deveria se tomar uma prática coerente. mas também aos artesãos. incapazes de pagar aluguéis majorados. Locais de encontro para reunião pública deveriam ser previstos. não omitir o custo social. Os problemas sociais da conservação integrada só podem . Finalmente. As proposições complementares ou alternativas apresentadas por associações ou por particulares deveriam ser consideradas como uma contribuição apreciável ao planejamento. às sondagens de opiniões. portanto. realizada sobre uma infraestrutura existente. discutir e apreciar os motivos das decisões. A educação dos jovens em relação ao domínio do meio ambiente e sua associação a todas as tarefas da salvaguarda é um dos imperativos maiores da ação comunitária. quando se comparam os custos equivalentes desses três procedimentos. aos canais da mídia e a todos os outros meios apropriados. . É conveniente. que asseguram a vida e a conservação do bairro em bom estado.facilitar a formação e o funcionamento eficaz de associações mantenedoras de restauração e de reabilitação. cujas conseqüências sociais são diferentes. mas também pelo seu valor de utilização. eles devem tomar suas decisões à vista de todos. às exposições. a fim de que a população possa conhecer.ser resolvidos através de uma referência combinada a essas duas escalas de valores. Para evitar que as leis do mercado sejam aplicadas com todo o rigor nos bairros restaurados o que teria por conseqüência a evasão dos habitantes. Nesse sentido. Em relação à política de informação ao público.

redistribuir de uma maneira equilibrada os créditos orçamentários reservados para o planejamento urbano e destinados à reabilitação e à construção respectivamente. constitui condição prévia para uma ação eficaz uma reforma profunda da legislação. Além do mais.à delimitação das zonas periféricas de proteção e dos locais de utilidade pública serem previstos. Essa reforma deve ser dirigida pela necessidade de coordenar.conceder. por uma parte. acompanhada de um fortalecimento dos meios administrativos. fornecendo-lhe todas as indicações sobre os regulamentos definitivos e temporários. no mínimo. o legislador deveria tomar as medidas necessárias a fim de: . . A conservação integrada exige uma adaptação das medidas legislativas e administrativas. . no que concerte: . . Essa última deve fornecer uma nova definição do patrimônio arquitetônico e dos objetivos da conservação integrada.à elaboração dos programas de conservação integrada e à inserção das disposições desses programas no planejamento. de uma parte. e por outra.à designação e à delimitação dos conjuntos arquitetônicos. deve prever medidas especiais. mas da reabilitação de bairros inteiros. a legislação relativa à proteção do patrimônio arquitetônico. . explicando-lhe o valor histórico e arquitetônico das edificações a serem conservadas e. Tendo sido a noção de patrimônio arquitetônico progressivamente ampliada do monumento histórico isolado aos conjuntos arquitetônicos urbanos e rurais. faz-se necessário rever a estrutura administrativa de maneira tal que os setores responsáveis pelo patrimônio arquitetônico sejam organizados em níveis apropriados e dotados suficientemente de pessoal qualificado. . Com o objetivo de aumentar a capacidade operacional dos poderes públicos.Para permitir à população participar da elaboração dos programas. a legislação relativa ao planejamento fisico-territorial. em função da nova política de conservação integrada. e também às contribuições de épocas mais recentes. equivalentes às que aufeririam por uma construção nova. Na medida do possível. técnicos e financeiros indispensáveis. aos cidadãos que decidam reabilitar uma construção antiga vantagens financeiras. Essa participação toma-se ainda mais importante na medida em que não se trate apenas da restauração de algumas construções privilegiadas. convém fornecer-lhe os elementos para apreciação da situação.rever. Essa sensibilização prática à cultura seria um beneficio social considerável. de maneira a satisfazer às exigências da conservação integrada. . assim como de meios científicos. de outra parte. o regime de incentivos financeiros do Estado e de outros poderes públicos.à aprovação dos projetos e à autorização para executar os trabalhos: Por outro lado. seria necessário tornar flexível a aplicação de regulamentos e disposições particulares à construção.

o que permitiria restabelecer o equilíbrio social. cooperar no planejamento fisicoterritorial e manter relações estreitas com os órgãos públicos e organizações privadas. que efetuam trabalhos de restauração. Por ora. será necessário naturalmente cuidar para que essa vantagem não seja amenizada pelo imposto. pode-se estabelecer com certeza que não existe país na Europa cujos recursos financeiros utilizados para a conservação sejam suficientes. deduzidos os eventuais custos adicionais. Também é preciso aplicar este mesmo principio em proveito da reabilitação dos conjuntos degradados de interesse histórico ou arquitetônico. pois. Isso vale particularmente para as zonas onde o financiamento de tais programas poderá ser . coeficiente de ocupação do solo) e que favoreça uma inserção harmoniosa. Na medida do possível seria necessário dispor de meios financeiros suficientes para ajudar os proprietários.Esses serviços deveriam ajudar as autoridades locais. a cada estado pôr em prática seus próprios métodos e instrumentos de financiamento. Os poderes públicos deveriam criar ou encorajar o lançamento de fundos de circulação que forneçam os meios necessários às coletividades locais e às associações sem fins lucrativos. em razão de suas repercussões recíprocas. Além do mais. A conservação integrada requer medidas financeiras apropriadas.e este é um fator determinante . a suportar estritamente as taxas adicionais que lhes serão impostas. parece que nenhum país europeu jamais elaborou um mecanismo administrativo perfeitamente adequado a corresponder às exigências econômicas de uma política de conservação integrada. submetido a fatores externos resultantes da estrutura atual da sociedade. após demolição. É necessário criar métodos que permitam avaliar os custos adicionais impostos pelas dificuldades apresentadas nos programas de conservação. Todavia. Esse processo está. As diretrizes do planejamento deveriam desencorajar a densificação e promover antes a reabilitação do que uma renovação. as vantagens financeiras e fiscais oferecidas pelas novas construções de veriam ser concedidas nas mesmas proporções para a manutenção e conservação das construções antigas. Para conseguir resolver os problemas econômicos da conservação integrada é necessário . por outro lado. É difícil definir uma política financeira aplicável a todos os países e avaliar as conseqüências das diferentes medidas que intervêm nos processos de planejamento. Compete. Se tal ajuda para fazer face aos custos adicionais for aceita.que seja elaborada uma legislação que submeta as novas construções a certas restrições no que diz respeito a seus volumes (altura.

É importante atentar para que os materiais de construção tradicional continuem a ser aplicados A conservação permanente do patrimônio arquitetônico permitirá. reunir uma documentação completa sobre os materiais e as técnicas e proceder a uma análise dos custos. evitar onerosas operações de reabilitação. de hoje em diante utilizadas na vasta gama de monumentos e conjuntos que apresentam um menor interesse artístico. Os materiais e técnicas novas não devem ser aplicados sem antes se obter a concordância de instituições científicas neutras. Deveria haver mais facilidade em dispor de urbanistas. notadamente os de origem industrial. o que favoreceria a reforma das práticas de restauração e de reabilitação. para isso. arquitetos. Os métodos e técnicas de restauração e reabilitação de edifícios e conjuntos históricos deveriam ser mais explorados e seu espectro alargado. técnicas e aptidões profissionais ligadas à restauração e à reabilitação. todavia. As técnicas especializadas impregnados por ocasião da restauração de conjuntos históricos importantes deveriam ser. a curto ou a longo prazo. É absolutamente necessário dispor de melhores programas de formação de pessoal qualificado. A permuta internacional de conhecimentos. e convém. em razão da maior valorização resultante da forte demanda que se aplica aos proprietários que dispõem de um tal incentivo. Essa documentação deveria ser reunida em centros apropriados. Todo programa de reabilitação deveria ser estudado meticulosamente antes de sua execução. A conservação integrada conclama à promoção de métodos. Esse catálogo deveria ser posto à disposição de todos os interessados. multidisciplinares e compreender um aprendizado que permita adquirir uma experiência prática sobre a matéria. Inúmeras iniciativas de caráter privado têm demonstrado o excepcional resultado alcançado em associam com os poderes públicos. de vital importância estimular todos os recursos de financiamento privados. Estes programas deveriam ser flexíveis. a longo prazo. Seria necessário arrecadar dados para confecção de um catálogo de métodos e de técnicas utilizados e. as condições de trabalho. técnicos e artesãos necessários à preparação de programas de conservação e para assegurar a promoção de profissões artesanais que intervêm no trabalho de restauração e que estão ameaçadas de desaparecer. As possibilidades de qualificação. ao mesmo tempo.assegurado de forma autônoma. É. tanto em nível nacional quanto local. de experiências e de estagiários é um elemento essencial na formação de todo o pessoal interessado. as remunerações. criar instituições científicas que deveriam cooperar estreitamente entre si. a segurança do emprego e o status social deveriam ser suficientemente atraentes para incentivar os jovens a .

funcionários. a Carta Européia do Patrimônio Arquitetônico foi solenemente promulgada no Congresso sobre o Patrimônio Arquitetônico Europeu. em virtude do artigo primeiro dessa convenção. de sua integração no quadro da vida dos cidadãos e de sua valorização nos planejamentos físicoterritorial e nos planos urbanos. em 1969. arquitetos. acham-se empenhados. Tendo em vista a recomendação da Conferência de Ministros Europeus Responsáveis pelo Patrimônio Arquitetônico. a solidariedade efetiva dos Estados europeus. principalmente para salvaguardar e promover os ideais e os princípios que lhes são patrimônio comum. urbanistas. Considerando que o objetivo do Conselho da Europa é efetivar uma união mais estreita entre seus membros. Finalmente. em grande parte. Considerando que os Estados Membros do Conselho da Europa. a adotar as medidas necessárias a salvaguardar sua contribuição ao patrimônio cultural comum da Europa e a encorajar-lhe o desenvolvimento. expressão insubstituível da riqueza e da diversidade da cultura européia. participantes da Convenção Cultural Européia de 19 de dezembro de 1954. Considerando que a conservação do patrimônio arquitetônico depende. de 21 a 25 de outubro de 1975. representantes de associações) Adotada pelo Comitê dos Ministros do Conselho da Europa. realizada em Bruxelas. relativa a uma carta do patrimônio arquitetônico. . Reafirma sua disposição de promover uma política européia comum e uma ação adequada de proteção do patrimônio arquitetônico apoiadas nos princípios de sua conservação integrada.se voltarem para as disciplinas relacionadas com a restauração e a permanecerem nesse campo de atividade. as autoridades responsáveis pelos programas de aprendizado em todos os níveis deveriam se esforçar para gerar interesse na juventude em relação às atividades especializadas da conservação. Reconhecendo que o patrimônio arquitetônico. eleitos locais. em 26 de setembro de 1975. Recomenda que os governos dos Estados Membros adotem as medidas de ordem legislativa. realizado em Amsterdã. é herança comum de todos os povos e que sua conservação compromete. por consequência. e a recomendação número 589 (de 1970) da Assembléia Consultiva do Conselho da Europa. Manifesto de Amsterdã de outubro de 1975 Carta Européia do Partimônio Arquitetônico Ano do Patrimônio Europeu Mil delegados de 25 Países Europeus (ministros. O Comitê de Ministros.

O patrimônio arquitetônico tem um valor educativo determinante. a utilização desse patrimônio é uma fonte de economias. . sob os auspícios do Conselho da Europa. mais também pelos conjuntos que constituem nossas antigas cidades e povoações tradicionais em seu ambiente natural ou construído. mesmo por criações de alta qualidade. os conjuntos. Longe de ser um luxo para a coletividade. eles podem perder uma grande parte de seu caráter se esse ambiente é alterado. uma boa repartição das funções e uma integração maior das populações. organizado em 1975. O patrimônio arquitetônico é um capital espiritual. É uma parte essencial da memória dos homens de hoje em dia e se não for possível transmitila às gerações futuras na sua riqueza autêntica e em sua diversidade. a necessidade de poupar recursos impõe-se a nossa sociedade. financeira e educativa necessárias à implementação de uma política de conservação integrada do patrimônio arquitetônico e a desenvolver o interesse do público por essa política. No passado. Qualquer diminuição desse capital é. econômico e social cujos valores são insubstituíveis. A estrutura dos conjuntos históricos favorece o equilíbrio harmoniosos das sociedades. O patrimônio arquitetônico dá testemunho da presença da história e de sua importância em nossa vida. Os homens do nosso tempo. levando em conta os resultados da campanha do Ano Europeu do Patrimônio Arquitetônico. Durante muito tempo só se protegeram e restauraram os monumentos mais importantes. Por outro lado. sem levar em conta o ambiente em que se inserem. mesmo que não disponham de edificações excepcionais. em presença de uma civilização que muda de feição e cujos perigos são tão manifestos quanto os bons resultados. Adota e promulga os princípios da presente carta. Ora. se apercebem instintivamente do valor desse patrimônio.administrativa. Podem facilitar. portanto. podem oferecer uma qualidade de atmosfera produzida por obras de arte diversas e articuladas. mais um empobrecimento cuja perda em valores acumulados não pode ser compensada. a humanidade seria amputada de uma parte da consciência de sua própria continuidade. Cada geração dá uma interpretação diferente ao passado e dele extrai novas idéias. eles geralmente evitaram a segregação das classes sociais. A encarnação do passado no patrimônio arquitetônico constitui um ambiente indispensável ao equilíbrio e ao desenvolvimento do homem. cultural. de novo. É preciso conservar tanto esses conjuntos quanto aqueles. Por outro lado. preparada pelo Comitê dos Monumentos e Sítios do Conselho da Europa. Esses conjuntos se constituem efetivamente em meios próprios ao desenvolvimento de um amplo leque de atividades. abaixo redigidos: O patrimônio arquitetônico europeu é constituído não somente por nossos monumentos mais importantes.

Recursos Jurídicos A conservação integrada deve utilizar todas as leis e regulamentos existentes que possam concorrer para a salvaguarda e para a proteção do patrimônio. e que ela deverá ter na maior conta o entorno existente. conservar vivos os testemunhos de todas as épocas e de todas as experimentações. Ele está ameaçado pela ignorância. Quando essas disposições não permitirem a obtenção do objetivo buscado. A conservação integrada requer a utilização de recursos jurídicos. especialmente pelas gerações jovens. Esse patrimônio está em perigo. a imagem e o contato direto adquirem novamente uma importância decisiva na formação dos homens. assim como os materiais tradicionais. destrói as antigas estruturas. por isso. pelo abandono. Determinado tipo de urbanismo é destruidor quando as autoridades são exageradamente sensíveis às pressões econômicas e as exigências da circulação. Importa. financeiros e técnicos. Convém notar que essa conservação integrada não exclui completamente a arquitetura contemporânea nos conjuntos antigos. Afinal e principalmente. A sobrevivência desses testemunhos só estará assegurada se a necessidade de sua proteção for compreendida pela maior parte e. A conservação integrada afasta as ameaças. Ora. mal aplicada. qualquer que seja a sua origem. Sua restauração deve ser conduzida por um espírito de justiça social e não deve ser acompanhada pelo êxodo de todos os habitantes de condição modesta. A conservação integrada deve ser. é preciso complementá-las e criar os instrumentos jurídicos indispensáveis a níveis apropriados: nacional. eventualmente. a especulação financeira e imobiliária tiram partido de tudo e aniquilam os melhores projetos. a forma e a disposição dos volumes. as pequenas cidades abandonadas a se tornarem reservas de alojamento barato. administrativos. portanto. um dos pressupostos do planejamento urbano e regional. A tecnologia contemporânea. A evolução histórica levou os centros degradados das cidades e. regional e local. As restaurações abusivas são nefastas. A conservação integrada é o resultado da ação conjugada das técnicas da restauração e da pesquisa de funções apropriadas.Ele oferece um conteúdo privilegiado de explicações e comparações sobre o sentido das formas e um manancial de exemplos de suas utilizações. respeitar as proporções. pela degradação sob todas as formas. pela antiguidade. Recursos Financeiros . Recursos Administrativos A aplicação de uma tal política exige a utilização de estruturas administrativas adequadas e suficientemente valorizadas. que por eles serão responsáveis no futuro.

capazes de levar a bom termo as restaurações. Considerando que os conjuntos históricos ou tradicionais fazem parte do ambiente cotidiano dos seres humanos em todos os países. É indispensável o concurso de todos para o êxito da conservação integrada. A Conferência Geral da Organização das Nações Unidas para a Educação. são insuficientes em número.Organização das Nações Unidas para a Educação. aí compreendidos os recursos fiscais. O patrimônio arquitetônico é o bem comum de nosso continente.A manutenção e restauração dos elementos do patrimônio arquitetônico devem poder se beneficiar. a Ciência e a Cultura de 26 de novembro de 1976 RECOMENDAÇÃO RELATIVA À SALVAGUARDA DOS CONJUNTOS HISTÓRICOS E SUA FUNÇÃO NA VIDA CONTEMPORÂNEA. cada uma das suas partes está à mercê de cada um. os artesãos qualificados. Cada geração. em se apresentando ocasião. Recursos Técnicos Os arquitetos. só dispõe do patrimônio a título passageiro. reunida em Nairobi. em sua décima nona sessão. É essencial que os recursos financeiros consagrados pelos poderes públicos à restauração de conjuntos antigos sejam. É preciso desenvolver a formação e o emprego dos quadros e da mão de obra. os técnicos de todas as categorias. Cabe-lhe a responsabilidade de o transmitir às gerações futuras. de todas as ajudas e incentivos financeiros necessários. pelo menos. Ainda que o patrimônio arquitetônico seja propriedade de todos. constituem a presença viva do passado que lhes deu . aliás. convocar as indústrias da construção a se adaptarem a essas necessidades e favorecer o desenvolvimento de um artesanato ameaçado de desaparecimento. A informação do público deve ser mais desenvolvida na medida em que os cidadãos têm o direito de participar das decisões que dizem respeito a suas condições de vida. as empresas especializadas. Todos os problemas de conservação são comuns a toda a Europa e devem ser tratados de maneira coordenada. 19ª Sessão UNESCO . Cabe ao Conselho da Europa assegurar a coerência da política de seus Estados Membros e promover sua solidariedade. iguais aos que se destinam a novas construções. de 26 de outubro a 30 de novembro de 1976. a Ciência e a Cultura.

adotando medidas sob a forma de lei nacional ou de outra forma. regional ou local. como parte do planejamento nacional. assim como às instituições. que esse assunto seria objeto de uma recomendação aos Estados Membros.forma. Adota. sob pretexto de expansão ou de modernização. em sua décima oitava sessão. no Plano Nacional. Considerando que essa situação implica a responsabilidade de cada cidadão e impõe aos poderes públicos obrigações que só eles podem assumir. A Conferência Geral recomenda aos Estados Membros que apliquem as disposições seguintes. todos os Estados devem agir para salvar esses valores insubstituíveis. nas datas e na . Considerando que. diante de tais perigos de deterioração e até de desaparecimento total. adquirem um valor e uma dimensão humana suplementares. adotando urgentemente uma política global e ativa de proteção e de revitalização dos conjuntos históricos ou tradicionais e de sua ambiência. questão que constitui o ponto 27 da ordem do dia da sessão. destinadas a efetivar. Considerando que os conjuntos históricos ou tradicionais constituem um patrimônio imobiliário cuja destruição provoca muitas vezes perturbações sociais. Desejando complementar e ampliar o alcance das normas e dos princípios formulados nesses instrumentos internacionais. Tendo-lhe sido apresentadas propostas relativas à salvaguarda dos conjuntos históricos ou tradicionais e sua função na vida contemporânea. Considerando que. um dos fundamentos de sua identidade. Tendo decidido. serviços ou órgãos e associações interessados na salvaguarda dos conjuntos históricos ou tradicionais e seu entorno. tais como a Recomendação que Define os Princípios Internacionais a serem Aplicados em Relação às Escavações Arqueológicas (1956). em 26 de novembro de 1976. religiosas e sociais da humanidade e que sua salvaguarda e integração na vida contemporânea são elementos fundamentais na planificação das áreas urbanas e do planejamento físico-territorial. mesmo quando não resulte em perdas econômicas. regionais e locais. por isso. esses testemunhos vivos de épocas anteriores adquirem uma importância vital para cada ser humano e para as nações que neles encontram a expressão de sua cultura e. diante dos perigos da uniformização e da despersonalização que se manifestam constantemente em nossa época. Considerando que os conjuntos históricos ou tradicionais constituem através das idades os testemunhos mais tangíveis da riqueza e da diversidade das criações culturais. no mundo inteiro. asseguram ao quadro da vida a variedade necessária para responder à diversidade da sociedade e. ao mesmo tempo. a Recomendação sobre a Preservação dos Bens Culturais Ameaçados pela Realização de Obras Públicas ou Privadas (1968) e a Recomendação sobre a Proteção. A Conferência Geral recomenda aos Estados Membros que levem esta recomendação ao conhecimento das autoridades nacionais. os princípios e as normas formuladas nesta recomendação. Considerando que. A Conferência Geral recomenda aos Estados Membros que lhe apresentem. nos territórios sob sua jurisdição. Constatando que em muitos países falta uma legislação suficientemente eficaz e flexível que diga respeito ao patrimônio arquitetônico e a suas relações com o planejamento físicoterritorial. do Patrimônio Cultural e Natural (1972). Observando que a Conferência Geral já adotou instrumentos internacionais para a proteção do patrimônio cultural e natural. a Recomendação Relativa à Salvaguarda da Beleza e do Caráter dos Sítios e Paisagens (1962). destruições que ignoram o que destroem e reconstruções irracionais e inadequadas ocasionam grave prejuízo a esse patrimônio histórico. a presente recomendação.

as cidades históricas. a conservação. estético ou sócio-cultural. tanto no meio urbano quanto no rural e cuja coesão e valor são reconhecidos do ponto-de-vista arqueológico. a estrutura espacial e as zonas circundantes. Os conjuntos históricos ou tradicionais e sua ambiência deveriam ser protegidos ativamente contra quaisquer deteriorações. c) Entende-se por "salvaguarda" a identificação. regionais ou locais. as aldeias e lugarejos. o quadro natural ou construído que influi na percepção estática ou dinâmica desses conjuntos. b) Entende-se por "ambiência" dos conjuntos históricos ou tradicionais. arquitetônico. que produz um aumento considerável na escala e na densidade das construções. que constituam um assentamento humano.Princípios Gerais: Dever-se-ia considerar que os conjuntos históricos ou tradicionais e sua ambiência constituem um patrimônio universal insubstituível. II . têm. como um todo coerente cujo equilíbrio e caráter específico dependem da síntese dos elementos que o compõem e que compreendem tanto as atividades humanas como as construções. uma significação que é preciso respeitar. ou a eles se vincula de maneira imediata no espaço. Cada conjunto histórico ou tradicional e sua ambiência deveria ser considerado em sua globalidade. Do mesmo modo. Dessa maneira. pré-histórico.forma que ela determinar. segundo as condições próprias de cada Estado Membro em matéria de distribuição de poderes. particularmente as que resultam de uma utilização imprópria. no interesse de todos os cidadãos e da comunidade internacional. desde as mais modestas. Todos os trabalhos de restauração a serem empreendidos deveriam basear-se em princípios científicos. as autoridades nacionais. econômicos ou culturais. em regra. podem-se distinguir especialmente os sítios pré-históricos. assim como as provocadas por qualquer forma de poluição. ao perigo da destruição direta dos conjuntos históricos ou . Sua salvaguarda e integração na vida coletiva de nossa época deveriam ser uma obrigação para os governos e para os cidadão dos Estados em cujo território se encontram. I . a restauração. assim como os conjuntos monumentais homogêneos. a proteção. Deveriam ser responsáveis por isso. Nas condições da urbanização moderna. ser conservados em sua integridade. os bairros urbanos antigos. que são muito variados. a manutenção e a revitalização dos conjuntos históricos ou tradicionais e de seu entorno. incluídas as atividades humanas. uma grande atenção deveria ser dispensada à harmonia e à emoção estética que resultam da conexão ou do contraste dos diferentes elementos que compõem os conjuntos e que dão a cada um deles seu caráter particular. histórico. em relação ao conjunto. ou por laços sociais. todos os elementos válidos. a reabilitação.Definições Para os efeitos da presente recomendação: a) Considera-se conjunto histórico ou tradicional todo agrupamento de construções e de espaços. Entre esses "conjuntos". inclusive os sítios arqueológicos e palenteológicos. ficando entendido que estes últimos deverão. de acréscimos supérfluos e de transformações abusivas ou desprovidas de sensibilidade que atentam contra sua autenticidade. relatórios sobre a maneira como aplicaram a presente recomendação.

não se deteriore e para que esses conjuntos se integrem harmoniosamente na vida contemporânea. Numa época em que a crescente universalidade das técnicas construtivas e das formas arquitetônicas apresentam o risco de provocar uma uniformização dos assentamentos humanos no mundo inteiro. a salvaguarda dos conjuntos históricos ou tradicionais pode contribuir extraordinariamente para a manutenção e o desenvolvimento dos valores culturais e sociais peculiares de cada nação e para o enriquecimento arquitetônico do patrimônio cultural mundial. Os Estados Membros deveriam adaptar as disposições existentes ou. Dever-se-ia buscar a colaboração dos indivíduos e das associações privadas para a aplicação da política de salvaguarda. uma política nacional. III . Essa política deveria influenciar o planejamento nacional.tradicionais se agrega o perigo real de que os novos conjuntos destruam indiretamente a ambiência e o caráter dos conjuntos históricos adjacentes. determinando-se as medidas concretas de acordo com as competências legislativas e constitucionais e com a organização social e econômica de cada Estado. IV . As disposições que estabeleçam um sistema de salvaguarda dos conjuntos históricos ou tradicionais deveriam enunciar os princípios gerais relativos ao estabelecimento e à adoção dos planos e documentos necessários e. regional e local a fim de que sejam adotadas medidas jurídicas. regional e local e orientar a ordenação urbana urbano e rural e o planejamento físico-territorial em todos os níveis. regional ou local. nos planos urbanos. se necessário. ao urbanismo e à política habitacional de modo a coordenar e harmonizar suas disposições com as das leis relativas à salvaguarda do patrimônio arquitetônico. para assegurar tal salvaguarda. nas condições peculiares a cada um em matéria de distribuição de poderes.Medidas de Salvaguarda A salvaguarda dos conjuntos históricos ou tradicionais e de sua ambiência deveria se ajustar aos princípios anteriormente enunciados e aos métodos expostos a seguir. econômicas e sociais pelas autoridades nacionais. Regional e Local Em cada Estado Membro deveria se formular. Medidas Jurídicas e administrativas A aplicação de uma política global de salvaguarda dos conjuntos históricos e tradicionais e de sua ambiência deveria basear-se em princípios válidos para cada país em sua totalidade. técnicas. Conviria revisar as leis relativas ao planejamento físico territorial. particularmente: . à distribuição das funções e à execução das operações. promulgar novos textos legislativos e regulamentares para assegurar a salvaguarda dos conjuntos históricos e tradicionais e de sua ambiência. levando em conta as disposições contidas neste capítulo e nos seguintes. Essas legislações deveriam encorajar a adaptação ou a adoção de disposições. ou a visão que a partir deles se obtém. Os arquitetos e urbanistas deveriam empenhar-se para que a visão dos monumentos e conjuntos históricos. As ações resultantes desse planejamento deveriam se integrar à formulação dos objetivos e programas. regionais e locais para salvaguardar os conjuntos históricos ou tradicionais e sua ambiência e adaptá-los às exigências da vida contemporânea.Política Nacional.

. um mecanismo de recurso contra as decisões ilegais. Só deveriam ser permitidas as demolições de edificações sem valor histórico ou arquitetônico e as subvenções ocasionalmente resultantes deveriam ser estritamente controladas. As disposições referentes à construção de edifícios para órgãos públicos e privados e a obras públicas e privadas deveriam adaptar-se à regulamentação da salvaguarda dos conjuntos históricos e de sua ambiência. de reestruturação e de ordenação do espaço rural.as zonas e os elementos a serem protegidos. uma parte suficiente dos créditos previstos para a construção de habitações sociais deveria ser destinada à reabilitação de edificações antigas. todavia. Essas disposições poderiam envolver medidas de planejamento urbano que influam no preço dos terrenos por construir .as modalidades de financiamento e de execução dos programas de salvaguarda. . que possa comprometer uma proteção e uma restauração concebidas em função do interesse coletivo. . . a concessão do direito de preempção e a um órgão público. acompanhada de disposições preventivas contra as infrações à regulamentação de salvaguarda e contra qualquer alta especulativa dos valores imobiliários nas zonas protegidas. .as condições e restrições específicas que lhes dizem respeito. . . .as funções de manutenção e a designação dos encarregados de desempenhá-las. A legislação de salvaguarda deveria ser. ou a intervenção compulsória em caso de incapacidade ou descumprimento por parte dos proprietários .a indicação dos programas e operações previstas em matéria de conservação e de infraestrutura de serviços. estabelecido e modulado sobretudo para facilitar o desenvolvimento de habitação subsidiadas e de edifícios públicos através da reabilitação de construções antigas. O regime de eventuais subvenções deveria ser. assim como à construção de habitações sociais deveriam ser concebidas ou reformuladas de modo que não apenas se ajustem à política de salvaguarda. Dever-se-ia estabelecer.as normas que regulam os trabalhos de manutenção. O respeito às medidas de salvaguarda deveria ser imposto tanto às coletividades públicas quanto às particulares. . a expropriação no interesse da salvaguarda.tais como o estabelecimento de planos de ordenação distritais ou de extensão mais reduzida. a obrigação de reconstituir e/ou multa apropriada.as condições gerais de instalação das redes de suprimento e dos serviços necessários à vida urbana ou rural. mas que para ela contribuam.as condições que regerão a implantação de novas construções. consequentemente. modificação. nova construção ou demolição no perímetro protegido.os campos a que se poderão aplicar as intervenções de urbanismo. Em particular.e instituir sanções efetivas como a suspensão das obras. Além disso. . arbitrárias ou injustas. as disposições relativas aos imóveis e quarteirões insalubres..as condições e restrições gerais aplicáveis às zonas protegidas por lei e a suas imediações. restauração e transformação. Os efeitos legais das medidas de proteção a edificações e terrenos deveriam ser levadas ao conhecimento público e registradas em um órgão oficial competente.a designação do órgão encarregado de autorizar qualquer restauração. Os planos e documentos de salvaguarda deveriam definir especialmente: . em princípio.

regionais e locais. nos níveis nacional. Esses estudos deveriam abranger. Deveria ser produzido um documento analítico destinado a determinar os imóveis ou os grupos de imóveis a serem rigorosamente protegidos.e. as redes de comunicação e as inter-relações recíprocas da zona protegida com as zonas circundadas. . . em circunstâncias absolutamente excepcionais e escrupulosamente documentadas. c) as autoridades deveriam tomar a iniciativa de organizar a consulta e a participação da população interessada. As . e) os serviços públicos encarregados de aplicar as disposições de salvaguarda em qualquer nível . os problemas fundiários.ecólogos e arquitetos paisagistas. com a mesma finalidade. assim como de sua vegetação. principalmente.especialistas em conservação e restauração. regional e local . o que permitiria às autoridades suspender qualquer obra incompatível com esta recomendação.nacional. . incluídos os historiadores da arte. b) os planos e documentos de salvaguarda deveriam ser elaborados depois que todos os estudos científicos necessários houverem sido efetuados por equipes multidisciplinares compostas. ou. assim como do contexto urbano ou regional mais amplo.sociólogos e economistas. arquitetônicos.especialistas em saúde pública e assistência social. destruídos. Medidas Técnicas. em geral. regionais e locais ou grupos de particulares.Respeitadas as condições próprias a cada país e a distribuição de poderes das diversas administrações nacionais. históricos. de: . d) os planos de salvaguarda deveriam ser aprovados pelo órgão designado por lei. Essa relação deveria indicar prioridades para facilitar uma alocação racional dos limitados recursos disponíveis para fins de salvaguarda. Econômicas e Sociais Dever-ser-ia estabelecer. sociais e culturais. infraestrutura urbana. deveriam ser tomadas sem esperar que se estabeleçam planos e documentos de salvaguarda. inclusive de sua evolução espacial. especialistas em todas as matérias relativas à proteção e revitalização dos conjuntos históricos e tradicionais. administrativos e financeiros adequados. que contivesse os dados arqueológicos. de qualquer tipo. econômicas. . Deveria ser feita uma análise de todo o conjunto. . culturais e técnicas. são necessários estudos pormenorizados dos dados e das estruturas sociais. conservados sob certas condições. que tiverem caráter urgente.deveriam contar com pessoal necessário e com meios técnicos. se possível. Além disso. Além dessa investigação arquitetônica. deveria ser realizado.arquitetos e urbanistas. o estado do sistema viário. os modos de vida e as relações sociais. um inventário dos espaços abertos. públicos e privados. a execução de obras de salvaguarda deveria se inspirar nos seguintes princípios: a) uma autoridade responsável deveria encarregar-se da coordenação permanente de todos os intervenientes: serviços públicos nacionais. regional ou local. uma relação dos conjuntos históricos ou tradicionais e sua ambiência a serem salvaguardados. As medidas de proteção. dados demográficos e uma análise das atividades econômicas. técnicos e econômicos.

É necessária uma vigilância permanente para evitar que essas operações beneficiem apenas a especulação ou sejam utilizadas com finalidades contrárias aos objetivos do plano. Os programas de saneamento urbano ou de beneficiamento aplicáveis a zonas que não estão incluídas nos planos de salvaguarda deveriam respeitar os edifícios e outros elementos que possuam um valor arquitetônico ou histórico e seus acessórios. até mesmo. na demolição de edificações recentes que rompam a unidade do conjunto só poderão ser autorizados nos termos do plano de salvaguarda. a fim de garantir o máximo de segurança. na supressão de acréscimos e construções superpostas sem valor e. os estudos e investigações deveriam ser regularmente atualizados. estabelecer uma programação que leva-se igualmente em consideração o respeito aos dados urbanísticos. arquitetônicos. em princípio. econômicos e sociais. econômico e físico dos conjuntos históricos e de sua ambiência está em constante evolução. Antes da formulação de planos e normas de salvaguarda e depois da análise acima descrita. os programas de saneamento urbano ou de beneficiamento que consistirem na demolição de imóveis desprovidos de interesse arquitetônico ou histórico ou arruinados demais para serem conservados. que a elaboração dos planos de salvaguarda e sua execução se baseassem nos estudos disponíveis. em vez de serem retardadas indefinidamente enquanto se aprimora o processo de planejamento. Um cuidado especial deveria ser adotado na regulamentação e no controle das novas construções para assegurar que sua arquitetura se enquadre harmoniosamente nas estruturas . Uma vez estabelecidos e aprovados os planos e normas de salvaguarda pela autoridade pública competente. a ação de salvaguarda deveria levar em consideração as manifestações de todos esses períodos. A programação deveria visar à adaptação das densidades de ocupação e a prever o escalonamento das operações. Em caso contrário. sem eles. necessária e previamente. Quando existirem planos de salvaguarda. portanto. Seria essencial.autoridades competentes deveriam atribuir suma importância a esses estudos e compreender que. Nos conjuntos históricos ou tradicionais que possuírem elementos de vários períodos diferentes. seria conveniente que seus autores fossem encarregados de sua execução ou direção. conviria. sem ameaça alguma ao patrimônio cultural. assim como a necessária acomodação temporária durante as obras e os locais para realojamento permanente dos habitantes que não puderem regressar a sua morada anterior. desde que sejam compatíveis com os critérios de salvaguarda do patrimônio cultural. Em qualquer operação de saneamento urbano ou de beneficiamento que afete um conjunto histórico deveriam ser observadas as normas gerais de segurança relativas a incêndios e catástrofes naturais. e a capacidade de o tecido urbano e rural acolher funções compatíveis com seu caráter específico. devem ser buscadas soluções particulares em colaboração com todos os serviços interessados. os planos de salvaguarda pertinentes. Uma vez que o contexto social. Essa programação deveria ser elaborada com a maior participação possível das coletividades e populações interessadas. Se tais elementos estivessem arriscados de sofrer danos com esses programas deveriam ser elaborados. não seria possível estabelecer planos eficazes de salvaguarda.

e estabelecer redes de transporte que facilitem ao mesmo tempo a circulação dos pedestres. Os conjuntos históricos ou tradicionais e sua ambiência deveriam ser protegidos contra a desfiguração resultante da instalação de suportes. a sinalização das ruas. A proteção e a restauração deveriam ser acompanhadas de atividades de revitalização. não só para definir o caráter geral do conjunto. assim como suas proporções médias e a implantação dos edifícios. tais como. Para consegui-lo e para favorecer o trânsito de pedestres. Deveria ser feito um esforço especial para evitar qualquer forma de vandalismo. então. cores.espaciais e na ambiência dos conjuntos históricos. Dado o conflito existente na maior parte dos conjuntos históricos ou tradicionais entre o trânsito automobilístico. o acesso aos serviços e o transporte público. para que se integrem harmoniosamente ao conjunto. Uma atenção especial deveria ser prestada à dimensão dos lotes. essencial manter as funções apropriadas existentes e. elementos constitutivos do agenciamento das fachadas e dos telhados. o mobiliário urbano e o revestimento do solo deveriam ser estudados e controlados com o maior cuidado. como para analisar suas dominantes: harmonia das alturas. Para isso. a publicidade luminosa ou não. Os problemas sociais decorrentes da salvaguarda só podem ser colocados corretamente se houver referência a essas duas escalas de valor. os Estados Membros deveriam estimular e ajudar as autoridades locais a encontrar soluções para esse problema. prejudicial à harmonia do conjunto. conviria estudar com extremo cuidado a localização e o acesso dos parques de estacionamento não só dos periféricos como dos centrais. entre outras. Os Estados Membros e as instituições interessadas deveriam proteger os conjuntos históricos ou tradicionais e sua ambiência contra os danos cada vez mais graves causados por determinados avanços tecnológicos. através da proibição de se implantarem indústrias nocivas em sua proximidade e da adoção de medidas preventivas contra os efeitos destrutivos dos ruídos. o comércio e o artesanato e criar outras novas que. culturais e econômicos dos habitantes. Seria. pois qualquer modificação poderia resultar em um efeito de massa. do mesmo modo. relações dos volumes construídos e dos espaços. Os cartazes. uma análise do contexto urbano deveria preceder qualquer construção nova. Uma política de revitalização cultural deveria converter os . tais como quaisquer formas de poluição. Essas funções teriam que se adaptar às necessidades sociais. que seriam demasiadamente onerosas se fossem feitas separadamente. Se já existirem. portanto. O custo das operações de salvaguarda não deveria ser avaliado apenas em função do valor cultural das construções. a instalação subterrânea de redes elétricas e de outros cabos. deveriam ser compatíveis com o contexto econômico e social. para serem viáveis a longo prazo. poderiam ser. os letreiros comerciais. sem contrariar o caráter específico do conjunto em questão. cabos elétricos ou telefônicos. mas também do valor derivado da utilização que delas se possa fazer. regional ou nacional em que se inserem. dos choques e das vibrações produzidas contra as deteriorações provenientes de uma excessiva exploração turística. antenas de televisão ou painéis publicitários de grande escala. coordenadas fácil e economicamente com o desenvolvimento da rede viária. seu deslocamento só deveria ser decidido excepcionalmente e por razões de força maior. urbano. Numerosas operações de reabilitação. por um lado e a densidade do tecido urbano e as características arquitetônicas por outro. Não se deveria autorizar o isolamento de um monumento através da supressão de seu entorno. materiais e formas. deverão ser adotadas medidas adequadas para suprimi-los. em particular.

portanto. Esses incentivos fiscais. em caráter prioritário. regionais e locais. pois as operações agrupadas se tornam economicamente mais vantajosas que as ações individuais. incentivos fiscais. Deveriam ser estimuladas a fundação de grupos voluntários de salvaguarda e de associações de caráter não lucrativo e a instituição de recompensas honoríficas ou pecuniárias para que sejam reconhecidas as realizações exemplares em todos os campos da salvaguarda. regional ou local todas as formas de ajuda financeira e de orientá-las a uma aplicação global. eventualmente. tais como garantia . Uma cooperação constante em todos os níveis deveria. o custo suplementar imposto ao proprietário em relação ao novo valor venal ou locativo do edifício. a grupamentos de proprietários ou de usuários de habitações e estabelecimentos comerciais. doações. Os investimentos públicos previstos pelos planos de salvaguarda dos conjuntos históricos e de sua ambiência deveriam ser avalizados pela consignação de créditos adequados nos orçamentos das autoridades centrais. pesquisas preparadas com a participação das pessoas interrogadas. subordinadas ao acatamento de determinadas condições impostas no interesse do público. privado ou mistos encarregados de coordenar nos níveis nacional. As vantagens financeiras a serem concedidas aos proprietários particulares e aos usuários deveriam estar. especialmente através dos seguintes meios: informações adaptadas aos tipos de pessoas atinentes. esses investimentos públicos deveriam servir. de gestão e de revitalização das operações relacionadas com os planos de salvaguarda. Nas zonas rurais todos os trabalhos que implicarem uma degradação da paisagem. subsídios e empréstimos poderiam ser concedidos. Em geral. ou criação de órgãos de economia mista que participem da execução. em qualquer das formas descritas nos parágrafos seguintes. nos órgãos de decisão. para conservar os edifícios existentes. O conjunto desses créditos deveria ser administrado de forma centralizada pelos órgãos de direito público. subsídios ou empréstimos em condições favoráveis ao proprietários particulares e usuários que houverem realizado as obras estabelecidas pelos planos de salvaguarda e de acordo com as normas fixadas por esses planos. particularmente as habitações de baixa renda e somente aplicar-se a novas construções na medida em que elas não constituírem uma ameaça à utilização e às funções dos edifícios existentes. onde for necessário e conveniente. Dever-se-iam conceder doações. antes de mais nada. assim como quaisquer mudanças nas estruturas econômicas e sociais deveriam ser cuidadosamente controlados para preservar a integridade das comunidades rurais históricas em seu ambiente natural. deveria pressupor as intervenções da coletividade.conjuntos históricos em pólos de atividades culturais e atribuir-lhes um papel essencial no desenvolvimento cultural das comunidades circundantes. cujas iniciativas e participação ativa deveriam ser estimuladas. a título consultivo. ou seja. representação dos proprietários. e levar em consideração o custo adicional da restauração. dos habitantes e dos usuários. A ajuda pública. criação de grupos consultivos nos órgãos de planejamento. isoladamente ou em grupo. ser estabelecida entre as coletividades e os particulares. A ação de salvaguarda deveria associar a contribuição da autoridade pública à dos proprietários particulares ou coletivos e à dos habitantes e usuários.

Todos os serviços e administrações que atuam na construção pública deveriam.Pesquisa. com prejuízo dos menos favorecidos. através do financiamento a obras que correspondam simultaneamente a seus próprios objetivos e aos dos planos de salvaguarda. depois de restaurá-los. o traslado dos habitantes. da venda dos imóveis mediante a utilização de fundos de operações especialmente destinados a manter nos conjuntos históricos ou tradicionais os proprietários que desejarem protegê-los e preservar suas características. para que os ocupantes pudessem conservar suas habitações e seus pontos de comércio e produção assim como seus modos de vida e suas ocupações tradicionais. ajudariam os interessados a fazer frente ao aumento dos encargos provocados pelas obras realizadas. acesso aos parques. através da criação de um órgão que se encarregasse da concessão de empréstimos aos proprietários. os Estados Membros deveriam adotar as medidas que se seguem. de acordo com sua competência legislativa e constitucional. Os Estados Membros e as autoridades interessadas em todos os níveis poderiam facilitar a criação de associações sem fins lucrativos que se encarregassem da aquisição e. possibilidade de visitação aos edifícios. Ensino e Informação Para aperfeiçoar a competência dos especialistas e dos artesãos necessários e para fomentar o interesse e a participação de toda a população no trabalho de salvaguarda. Para evitar. ainda. dotados de personalidade jurídica e que pudessem receber doações de particulares.da integridade dos imóveis. especialmente o artesanato rural. É essencial evitar que as medidas de salvaguarda acarretem uma ruptura da trama social. V . Os Estados Membros e as coletividades interessadas deveriam encorajar as pesquisas e os estudos sistemáticos sobre: . Os doadores poderiam desfrutar de isenções fiscais. poderiam ser concedidas indenizações que compensassem a alta do aluguel. a pesca etc. com taxas reduzidas e longos prazos de reembolso. de fundações e de empresas industriais e comerciais. se for o caso. As autoridades públicas deveriam prever igualmente dotações especiais para a reparação dos danos causados pelos desastres naturais. determinadas em função dos rendimentos. a agricultura em pequena escala. Essas indenizações. Dotações especiais deveriam ser previstas nos orçamentos dos órgãos públicos ou privados para a proteção dos conjuntos históricos ou tradicionais ameaçados por grandes obras públicas ou privadas e pela poluição. nos imóveis ou nos conjuntos a serem restaurados . jardins ou sítios. agenciar seus programas e orçamentos de maneira a contribuir para a reabilitação dos conjuntos históricos ou tradicionais. realização de fotografias. etc. Para aumentar os recursos financeiros disponíveis os Estados Membros deveriam incrementar a criação de estabelecimentos financeiros públicos ou privados para a salvaguarda dos conjuntos históricos e tradicionais e de sua ambiência. As instituições públicas e os estabelecimentos de crédito privados poderiam facilitar o financiamento a obras de qualquer gênero destinadas a proteger os conjuntos históricos ou tradicionais e sua ambiência.

Além disso é indispensável estimular a formação de técnicos e de artesãos especializados na salvaguarda dos conjuntos e de quaisquer espaços abertos que os circundam. o rádio e o cinema e as exposições itinerantes. no de história.Cooperação Internacional Os Estados Membros deveriam colaborar. VI . para inculcar no espírito dos jovens a compreensão e o respeito às obras do passado e para mostrar o papel desse patrimônio na vida contemporânea. Conviria facilitar o acesso a cursos de aperfeiçoamento e reciclagem para pessoal docente e para guias. a imprensa. A formação do pessoal administrativo encarregado das operações locais e salvaguarda dos setores históricos deveria. O desenvolvimento das técnicas artesanais. onde for adequado e necessário . o Conselho Internacional de Monumentos e Sítios (ICOMOS) e o Conselho Internacional de Museus (ICOM). A tomada de consciência em relação à necessidade da salvaguarda deveria ser estimulada pela educação escolar.a alteração dos materiais. recorrendo. bem como a formação de instrutores para ajudar os grupos de jovens e de adultos desejosos de se iniciar no conhecimento dos conjuntos históricos ou tradicionais. intergovernamentais e não governamentais. no que se refere à salvaguarda dos conjuntos históricos ou tradicionais e de sua ambiência.as interconexões entre salvaguarda.as técnicas artesanais indispensáveis à salvaguarda. não apenas estéticas e culturais. Essa cooperação multilateral ou bilateral deveria ser judiciosamente coordenada e concretizar-se através de medidas com as seguintes: .os métodos de conservação aplicáveis aos conjuntos históricos. pós-escolar e universitária e pelo recurso aos meios de informação tais como os livros. urbanismo urbano e planejamento físico-territorial. se for necessário.ICOMOS. também deveria ser estimulado. de Roma. Essa informação deveria ser amplamente difundida entre os organismos especializados. O estudo dos conjuntos históricos deveria ser incluído no ensino em todos os níveis e.a aplicação das técnicas modernas aos trabalhos de conservação. . .. . particularmente. Seria de desejar que as instituições interessadas cooperassem nessa esfera com os organismos internacionais especializados no assunto. ameaçadas pelo processo de industrialização. à ajuda de organizações internacionais. Esse ensino deveria utilizar amplamente os meios audiovisuais e as visitas aos conjuntos históricos ou tradicionais. mas também sociais e econômicas que pode oferecer uma política bem conduzida de salvaguarda dos conjuntos históricos ou tradicionais e sua ambiência deveriam ser objeto de uma informação clara e completa.aspectos urbanísticos dos conjuntos históricos ou tradicionais e de sua ambiência. para que saiba porque e como seu padrão de vida pode ser melhorado. Deveriam ser instaurados e desenvolvidos ensinamentos específicos sobre os temas acima e que compreendessem estágios de formação prática. ser financiada e dirigida pelas autoridades competentes. tais como o Centro de Estudos para a Conservação e a Restauração dos Bens Culturais. nacionais. . As vantagens. principalmente ao Centro de Documentação UNESCO . . regionais e locais e entre a população. de acordo com um programa a longo prazo. tanto privados como públicos.ICOM . a televisão.

é ainda um documento fundamental para a nossa época. Machu Picchu simboliza a contribuição cultural independente de outro mundo. como testemunho da vitalidade e da continuidade do movimento moderno. que recebeu o nome de Carta de Atenas. Atenas. f) assistência mútua entre países vizinhos para a salvaguarda de conjuntos de interesse comum. Muitos fenômenos novos emergiram durante esse tempo e exigem uma revisão da carta que a complemente com um documento de enfoque e amplitude mundiais. d) luta contra todas as formas de poluição. Que pode ser atualizado mas não negado. Machu Picchu. Atenas se ergueu como o berço da civilização ocidental.a) intercâmbio de informações de todos os gêneros e de publicações científicas e técnicas. os Estados Membros deveriam coordenar suas políticas e ações para conseguir a melhor utilização e proteção desse patrimônio. envio de pessoal científico. que a Carta de Atenas. institutos de pesquisas e universidades de todos os países. Os lugares são significativos. Houve alguns esforços para atualizar a Carta de Atenas e o presente documento só pretende ser ponto de partida para tal empresa. Muitos de seus noventa e cinco pontos são válidos. Nas regiões situadas de um lado e de outro de uma fronteira onde ocorrerem problemas comuns de planejamento e salvaguarda de conjuntos históricos ou tradicionais e sua ambiência. Carta de Machu Picchu de dezembro de 1977 Encontro Internacional de Arquitetos Passaram-se quase 45 anos desde que ó CIAM elaborou um documento sobre teoria e metodologia de planejamento. de 1933. a ser analisado interdisciplinarmente em uma discussão internacional que inclua intelectuais e profissionais. . b) organização de seminários e de grupos de trabalho sobre temas específicos. nenhum Estado Membro deveria tomar qualquer medida para demolir ou alterar as características dos bairros. característicos do desenvolvimento histórico e cultural de região. técnico e administrativo e fornecimento de material. devendo salientar. 1933. Machu Picchu representa tudo o que não envolve a mentalidade global iluminística e tudo o que não é classificável por sua lógica. tanto em planejamento como em arquitetura. c) concessão de bolsas de estudos e de viagem. De acordo com o espírito e com os princípios da presente recomendação. e) execução de grandes projetos de salvaguarda de conjuntos históricos ou tradicionais e de sua ambiência e difusão da experiência adquirida. cidades e sítios históricos situados nos territórios ocupados por esse Estado. em primeiro lugar. ainda. 1977. Atenas representou a racionalidade personificada por Aristóteles e Platão.

no que concerte aos núcleos humanos. incluindo o planejamento econômico. A elas temos que somar as crises de moradia e de serviços urbanos. áreas metropolitanas. sequência e características de desenvolvimento. não têm considerado diretamente as prioridades nem as soluções dos problemas das áreas urbanas. onde se dá a migração das populações mais abastadas em direção aos subúrbios. tornaram crítica a necessidade de uso mais efetivo dos recursos naturais e humanos. energética e alimentícia. As soluções urbanísticas propugnadas pela Carta de Atenas não levaram em conta esse crescimento acelerado. O planejamento. deve refletir a unidade dinâmica das cidades e suas regiões circundantes. E isso requer um processo contínuo e sistemático de interação entre os profissionais do projeto. a interpretação das necessidades humanas e a realização em um contexto de oportunidades de formas e de serviços urbanos apropriados para a população. assim como em estratégias de planejamento econômico a longo prazo. no contexto contemporâneo de urbanização. podemos diferenciar duas categorias de movimentos: a primeira corresponde à dos países industrializados.para orientar sua localização. A desarticulação entre o planejamento econômico em nível nacional e regional e o planejamento para o desenvolvimento urbano onerou e reduziu a eficiência de ambos. os benefícios potenciais do planejamento e da arquitetura não chegam à grande maioria. distritos e outras áreas urbanas.bairros. Planejar. dando lugar à chamada crise tripla: ecológica. regiões e nações . tendem a se deteriorar por deficiência . é uma obrigação fundamental dos governos. assim. estados. abandonando as áreas centrais das cidades que. O crescimento urbano Desde a Carta de Atenas até nossos dias a população do mundo duplicou. Hoje. E tais decisões. Por isso. através do mundo. cidades.Cidade e região A Carta de Atenas reconheceu a unidade essencial das cidades e suas regiões circundantes. tanto como as relações funcionais essenciais entre bairros. nem as conexões operacionais entre a estratégia econômica geral e o planejamento do desenvolvimento urbano. As técnicas e disciplinas do planejamento devem ser aplicadas a toda a escala de grupos humanos . O objetivo do planejamento geral. consequência do uso de automóveis. As áreas urbanas muito frequentemente refletem os efeitos adversos e específicos de decisões econômicas baseadas em considerações amplas e relativamente abstratas. os moradores das cidades e seus líderes comunitários e políticos. incluindo problemas e oportunidades e guiando o crescimento e desenvolvimento urbanos dentro dos limites dos recursos disponíveis. características do processo de urbanização. o projeto e o planejamento urbano e a arquitetura. afinal. A fraqueza da sociedade ao enfrentar as necessidades do crescimento urbano e as mudanças sócio-econômicas requer a reafirmação desse princípio em termos mais específicos e urgentes. como um meio sistemático de analisar necessidades. agravadas pelo fato de o ritmo de crescimento populacional das cidades ser muito superior ao demográfico geral. que constitui a raiz do problema de nossas cidades. em nível nacional. é. Dentro do crescimento caótico das cidades.

igualmente. portanto. Ela determinou cidades setorizadas em funções. onde. O mesmo espírito de integração que faz da comunicação entre os moradores da cidade um elemento básico da vida urbana deve regular a localização e a estruturação de áreas residenciais para diversas comunidades e grupos. que a qualidade de vida e a integração com o meio ambiente natural devem ser objetivo básico na concepção dos espaços habitáveis. cada sítio arquitetônico resulta num objeto isolado e onde não se considera que a mobilidade humana determine um espaço influente. no nível do relacionamento humano. onde um processo analítico de clarificação tem sido usado como um processo sintético de ordenação do espaço urbano. Esse fenômeno não pode ser resolvido nem sequer controlado pelos dispositivos e medidas que estão ao alcance do planejamento urbano. . devem reconhecer este fato. divertir-se e circular e que os planos devem fixar sua estrutura e implantação.) contribuem paradoxalmente para agravar o problema. O resultado é a existência de cidades com uma vida urbana amena. Consideramos. trabalhar. que se instala em bairros marginais carentes de serviços e de infra-estrutura urbana. sem impor distinções inaceitáveis para o decoro humano. etc. Atualmente. Conceito de setor A Carta de Atenas assinala que as chaves do urbanismo se encontram nestas quatro funções básicas: de habitar. O planejamento da cidade e da moradia. estejam a seu alcance. Moradia Diferentemente da Carta de Atenas. as medidas que se adotam para regularizar a marginalização (dotação de serviços públicos. A casa popular não será considerada um objeto de consumo subsidiário. economicamente. Essas transferências quantitativas produzem transformações qualitativas fundamentais. facilitando portanto a participação criadora do usuário. Devem ser projetados elementos construtivos que possam ser fabricados massificadamente para serem utilizados pelos usuários e que.de recursos. mas em criar definitivamente uma integração polifuncional e contextual. determinando que o processo urbano se nos apresente totalmente diferente. saúde ambiental. afinal. adquiriu-se consciência de que o processo urbanístico não consiste em setorizar. convertendo-se em incentivo que incrementa os movimentos migratórios para as cidades. Tais técnicas podem apenas tentar a incorporação das áreas marginais ao organismo urbano e. programas de moradia. consideramos que a comunicação humana é um fator predominante na razão de ser da cidade. caracterizando-se pela maciça migração rural. O projeto da casa deve ter a flexibilidade necessária para adaptar-se à dinâmica social. muitas vezes. mas um poderoso instrumento de desenvolvimento social. A segunda categoria corresponde à das cidades dos países em desenvolvimento.

Transportes nas cidades As cidades deverão planejar e manter o transporte público de massa, considerando-o como um elemento básico no processo do planejamento urbano. 0. custo social do sistema de transporte deverá ser apropriadamente avaliado e devidamente considerado no planejamento do crescimento de nossas cidades. Na Carta de Atenas está explícito que a circulação é uma das funções urbanas básicas e implícito que ela depende principalmente do uso do automóvel como meio de transporte individual. Depois de quarenta e quatro anos, comprovou-se que não há solução ótima para diferenciar, multiplicar e solucionar cruzamentos de ruas. É necessário, portanto, enfatizar que a solução para a função de circulação deve ser pesquisada mediante a subordinação do transporte individual ao transporte coletivo de massa. Os urbanistas devem conscientizar-se de que a cidade é uma estrutura em desenvolvimento, cuja forma final não pode ser definida, razão pela qual devem considerar as noções de flexibilidade e expansão urbanas. O transporte e a comunicação formam uma série de redes interconectadas que servem como sistema articulador entre espaços interiores e exteriores e deverão ser projetados de forma que permitam experimentar indefinidamente mudanças de extensão e forma. Disponibilidade do solo urbano A Carta de Atenas mostrou a necessidade de uma legislação que permitisse dispor, sem impedimentos, do solo urbano para satisfazer as necessidades coletivas. Para tanto, estabeleceu que o interesse privado devia subordinar-se ao interesse coletivo. Apesar de diversos esforços realizados desde 1933, as dificuldades de disponibilidade de solo urbano se mantêm como um obstáculo básico para o planejamento urbano. Por isso, é desejável que se criem e se adotem soluções legais eficientes capazes de produzir uma melhora substantiva a curto prazo. Recursos naturais e contaminação ambiental Uma das formas mais atentatórias contra a natureza é, hoje, a contaminação ambiental, que tem se agravado em proporções sem precedentes e potencialmente catastróficas, como conseqüência direta da urbanização não planejada e da excessiva exploração de recursos. Nas áreas urbanizadas do mundo a população está cada vez mais sujeita a condições ambientais que são incompatíveis com normas e conceitos razoáveis de saúde e bem estar humanos. Entre as características não aceitáveis se incluem a prevalência de quantidades excessivas de perigosas substâncias tóxicas no ar, na água e nos alimentos da população urbana, além dos níveis danosos de ruídos. As políticas oficiais que regem o desenvolvimento urbano deverão incluir medidas imediatas para evitar que se acentue a degradação do meio ambiente urbano e conseguir a restauração da integridade básica do meio ambiente, de acordo com as normas de saúde e de bem estar social. Estas medidas devem ser consideradas no planejamento urbano e econômico, no projeto arquitetônico, nos critérios e normas de engenharia e nas políticas de desenvolvimento.

Preservação e defesa dos valores culturais e patrimônio histórico-monumental A identidade e o caráter de uma cidade são dados não só por sua estrutura física, mas, também, por suas características sociológicas. Por isso, é necessário que não só se preserve e conserve o patrimônio histórico monumental, como também que se assuma a defesa do patrimônio cultural, conservando os valores que são de fundamental importância para afirmar a personalidade comunal ou nacional e/ou aqueles que têm um autêntico significado para a cultura em geral. Por isso mesmo, é imprescindível que na tarefa de conservação, restauração e reciclagem das zonas monumentais e dos monumentos históricos e arquitetônicos, considere-se a sua integração ao processo vivo do desenvolvimento urbano como único meio que possibilite o financiamento da operação. No processo de reciclagem dessas zonas, deve ser considerada a possibilidade de se construírem edifícios de arquitetura contemporânea da melhor qualidade. Tecnologia A Carta de Atenas referiu-se tangencialmente ao processo tecnológico, ao discutir o impacto da atividade industrial na cidade. Nos últimos quarenta e cinco anos o mundo experimentou um desenvolvimento tecnológico sem precedentes, que tem afetado nossas cidades e também a prática da arquitetura e do urbanismo. A tecnologia se desenvolveu explosivamente em algumas regiões do mundo e sua difusão e aplicação eficaz é um dos problemas básicos de nossa época. Hoje, o desenvolvimento científico e tecnológico e a intercomunicação entre os povos permitem superar as condicionantes locais e oferecer os mais amplos recursos para resolver os problemas urbanísticos e arquitetônicos. O mau uso dessa possibilidade determina que, frequentemente, se adotem materiais, técnicas e características formais como resultado de pruridos de novidade e complexos de dependência cultural. Neste sentido, usualmente, o impacto do desenvolvimento tecnológico-mecânico tem determinado que a arquitetura seja um processo de criar ambientes artificialmente condicionados a um clima e a uma iluminação não naturais. Isso pode ser uma solução para determinados problemas, mas a arquitetura deve ser um processo de criar ambientes condicionados em função de elementos naturais. Deve-se entender que a tecnologia é meio e não fim e que ela deve ser aplicada em função de uma realidade e de suas possibilidades como resultado de um sério trabalho de investigação e experimentação, trabalho que os governos devem ter em conta. A dificuldade de utilizar processos altamente mecanizados ou materiais construtivos eminentemente industrializados não deve significar uma diminuição de rigor técnico ou de cabal resposta arquitetônica às exigências do problema a resolver, mas, pelo contrário, um maior rigor no planejamento das soluções possíveis para o meio.

A tecnologia construtiva deve considerar a possibilidade de reciclar os materiais fim de conseguir transformar elementos construtivos em recursos renováveis. Implementação O planejamento, os profissionais e as autoridades pertinentes devem ter presente que o processo não termina na formulação de um plano e em sua subsequente execução, mas que, sendo a cidade um organismo vivo, é necessário considerar e prover os processos de sua manutenção. Deve-se entender também que cada região e cada cidade, no processo de sua implementação, deve criar e importar suas normas legais, de acordo com seu meio ambiente, recursos e características formais próprias. Projeto Urbanístico e Arquitetônico A Carta de Atenas não cuidou do projeto arquitetônico. Aqueles que a formularam não o consideraram necessário, porque concordavam que a arquitetura era um jogo sábio de volumes puros sob a luz, la Ville Radieuse, composta de tais volumes, aplicou uma linguagem arquitetônica de origem cubista, perfeitamente coerente com o conceito que separou as cidades em partes funcionais. Durante as últimas décadas, para a arquitetura contemporânea o problema principal não é mais o jogo visual de volumes puros, mas a criação de espaços sociais para neles se viver. A ênfase não está no continente, mas no conteúdo, não na embalagem isolada, por mais bela e sofisticada que seja, mas na continuidade da textura urbana. Em 1933, o esforço foi para desintegrar o objeto arquitetônico e a cidade em seus componentes. Em 1977, o objetivo deve ser reintegrar esses componentes, que, fora de suas relações formais, perderam vitalidade e significado. Para precisar melhor, a reintegração, tanto na arquitetura como no planejamento, não significa a integração a priori do classicismo. Deve ficar claramente estabelecido, que as recentes tendências para o ressurgimento da tradição das Beaux-Arts são anti-históricas em um grau grotesco e não têm a importância que justifique sua discussão. Mas são sintomas de uma obsolescência da linguagem arquitetônica para a qual devemos ficar alertas, para não voltarmos a uma espécie de cínico ecletismo do século XIX, e sim avançar em direção a uma etapa mais madura do movimento moderno. As conquistas dos anos trinta, quando a Carta de Atenas foi promulgada, são ainda válidas. Elas dizem respeito a: a) a análise dos edifícios e de suas funções; b) o princípio de dissonância; c) a visão espaço-tempo antiperspectiva; d) a desarticulação do tradicional edifício-caixa; e) a reunificação da engenharia estrutural e da arquitetura; A estas "constantes" ou "invariáveis" da linguagem arquitetônica têm se somado. f) a temporalidade do espaço; g) a reintegração edifício-cidade-paisagem.

sejam horizontais ou verticais. Foi explorado pelos maneiristas e. de maneira que o espectador não seja um contemplador passivo da obra artística. opacos. a participação do usuário é ainda mais importante e concreta. por Michelangelo Não obstante. que eles se detêm no meio ou nas três quartas partes do processo. porque um cientista não dogmático é muito mais respeitado que o velho deux ex machina. Ao contrário. que requer um diálogo com outros elementos para completar sua própria imagem. Elas expressam volumétrica e espiritualmente o rumo diferente de duas grandes civilizações que edificaram para a eternidade. as ordens vitruvianas e as Beaux Arts. que tanto se tem estudado nas últimas décadas. Significa que o povo deve participar ativa e criativamente em cada fase do projeto. O problema é totalmente diferente da imitação.A temporalidade do espaço é a maior contribuição de Frank Lloyd Wright e corresponde à visão dinâmica do espaço-tempo-cubista. A participação dos usuários faz mais orgânico e verdadeiro o encontro entre a linguagem altamente cultural e a popular. incrementa-o. enfoque aplicado não só aos volumes. O novo conceito de urbanização pede a continuidade de edificação. podendo. mas também aos valores sociais. O enfoque do finito não diminui o prestígio do planejador ou do arquiteto. Se o povo for incluído no processo do projeto. feitas de volumes monumentais. procede o paralelo. não apenas ao visual. Tal atitude. os usuários integrar-se no trabalho do arquiteto. pelo grandioso em ambas as concepções. A experiência artística nas últimas décadas. A reintegração edifício-cidade-paisagem é uma consequência da unidade entre cidade e campo. tem demonstrado que os artistas já não produzem um objeto finito. No campo construtivo. como também aos espaços humanos. As teorias da relatividade e da determinação não diminuíram o prestígio dos cientistas. mas um fator ativo de mensagem polivalente. . mas um elemento do continuum. aquelas se levantaram por obra e para o sustento das comunidades. Está provado que o enfoque cultural do projeto arquitetônico. Mas estas foram construídas como um monumento à morte. No momento em que os arquitetos se libertarem dos conceitos acadêmicos do finito. O princípio do não-finito não é novo. de 1921. na música e nas artes visuais. a relevância do arquiteto será enfatizada e a inventiva arquitetônica será maior e mais rica. Algumas vezes se compararam. em nossa época não é apenas um princípio visual. o que implica que cada edifício não seja um objeto finito. assim. as construções do antigo Peru com as pirâmides do Egito. reflexivo ou transparentes. de uma forma explosiva. não obstante. é tão absurda como foi a cópia do Partenon. dessa arquitetura sem arquitetos. tanto como os Cinco Princípios de Le Corbusier. É tempo de recomendar aos arquitetos que tomem consciência do desenvolvimento histórico do movimento moderno e cessem de multiplicar paisagens urbanas obsoletas. sua imaginação será estimulada pelo imenso patrimônio da arquitetura popular. como um monumento à vida. mas fundamentalmente social. deve-se ser cuidadoso. Quanto a isso. se encontram e se fundem naturalmente com os idiomas populares. exaltando a glória do monarca e. por sua monumentalidade. O fato de reconhecer que os edifícios vernaculares muito contribuem para a imaginação arquitetônica não significa que devam ser imitados. Fisicamente. hoje.

Conselho Internacional de Monumentos e Sítios Definições Artigo 1° . Conservação Artigo 2° .a reconstrução será o restabelecimento. um edifício ou outra obra construída. de um estado anterior conhecido. Artigo 3° . ser de caráter tradicional. científico ou social de um bem para as gerações passadas.a restauração será o restabelecimento da substância de um bem em um estado anterior conhecido. ambas excluídas do domínio regulamentado pelas presentes orientações. do conteúdo e do entorno de um bem e não deve ser confundido com o termo reparação.Carta de Burra Austrália.o termo conservação designará os cuidados a serem dispensados a um bem para preservarlhe as características que apresentem uma significação cultural.a substância será o conjunto de materiais que fisicamente constituem o bem. presentes ou futuras. A reconstrução não deve ser confundida. . . utilizar técnicas modernas. com o máximo de exatidão.a preservação será a manutenção no estado da substância de um bem e a desaceleração do processo pelo qual ele se degrada. De acordo com as circunstâncias. . 1980 ICOMOS . ela se distingue pela introdução na substância existente de materiais diferentes. mas pode-se.o termo manutenção designará a proteção contínua da substância.o termo significação cultural designará o valor estético. compreender obras mínimas de reconstrução ou adaptação que atendam às necessidades e exigências práticas. Artigo 4° . ela poderá.O objetivo da conservação é preservar a significação cultural de um bem. em princípio. . . o conteúdo e o entorno a que pertence. As técnicas empregadas devem.A conservação se baseia no respeito à substância existente e não deve deturpar o testemunho nela presente. . em determinadas circunstâncias. sejam novos ou antigos.A conservação deve se valer do conjunto de disciplinas capazes de contribuir para o estudo e a salvaguarda de um bem.o termo bem designará um local. em cada caso. ela deve implicar medidas de segurança e manutenção. compreendidos. histórico.Para os fins das presentes orientações: . . A reparação implica a restauração e a reconstrução. . modificações que sejam substancialmente reversíveis ou que requeiram um impacto mínimo. . igualmente. além da manutenção. nem com a recriação.o uso compatível designará uma utilização que não implique mudança na significação cultural da substância. . a conservação implicará ou não a preservação ou a restauração. assim como disposições que prevejam sua futura destinação. ou um conjunto de edificações ou outras obras que possuam uma significação cultural. nem com a reconstituição hipotética. uma zona.a adaptação será o agenciamento de um bem a uma nova destinação sem a destruição de sua significação cultural. e assim será considerada.

Nenhuma empreitada de restauração deve ser empreendida sem a certeza de existirem recursos necessários para isso.desde que se assentem em bases científicas e que sua eficácia seja garantida por uma certa experiência acumulada. Artigo 12° .A restauração só pode ser efetivada se existirem dados suficientes que testemunhem um estado anterior da substância do bem e se o restabelecimento desse estado conduzir a uma valorização da significação cultural do referido bem. modificações cujo impacto sobre as partes da substância que apresentam uma significação cultural seja o menor possível. da escala. da textura. Artigo 8° . A introdução de elementos estranhos ao meio circundante. no plano das formas. das cores. nem qualquer demolição ou modificação susceptíveis de causar prejuízo ao entorno. assim como nos casos em que há insuficiência de dados que permitam realizar a conservação sob outra forma. . não pode ser admitido. integralmente ou em parte. dos materiais. Artigo 9° .As opções assim efetuadas determinarão as futuras destinações consideradas compatíveis para o bem. que prejudiquem a apreciação ou fruição do bem. Preservação Artigo 11° .A retirada de um conteúdo ao qual o bem deve uma parte de sua significação cultural não pode ser admitida.A conservação de um bem exige a manutenção de um entorno visual apropriado. no estado em que se encontra. O deslocamento de uma edificação ou de qualquer outra obra. ele deverá ser restituído na medida em que novas circunstâncias o permitirem. Artigo 6° . As destinações compatíveis são as que implicam a ausência de qualquer modificação.A preservação se limita à proteção. modificações reversíveis em seu conjunto ou. Artigo 7° . ainda.A preservação se impõe nos casos em que a própria substância do bem.Todo edifício ou qualquer outra obra devem ser mantidos em sua localização histórica. a menos que represente o único meio de assegurar a salvaguarda e a segurança desse conteúdo. a não ser que essa solução constitua o único meio de assegurar sua sobrevivência.As opções a serem feitas na conservação total ou parcial de um bem deverão ser previamente definidas com base na compreensão de sua significação cultural e de sua condição material. Restauração Artigo 13° . oferece testemunho de uma significação cultural específica. à manutenção e à eventual estabilização da substância existente. Não poderão ser admitidas técnicas de estabilização que destruam a significação cultural do bem. etc. nenhum deles deve ser revestido de uma importância injustificada em detrimento dos demais. Não deverão ser permitidas qualquer nova construção. deve ser proibida.Na conservação de qualquer bem deve ser levado em consideração o conjunto de indicadores de sua significação cultural. Artigo 5° . Nesse caso. Artigo 10° .

Artigo 16° . sejam eles materiais. por profissionais. e deve parar onde começa a hipótese.A reconstrução deve se limitar à reprodução de substâncias cujas características são conhecidas graças aos testemunhos materiais e/ou documentais. nas condições previstas no artigo 16.Qualquer intervenção prevista em um bem deve ser precedida de um estudo dos dados disponíveis. Artigo 15° . na previsão de posterior restauração do bem.Artigo 14° . Artigo 21° . documentais ou outros. de documentos que perpetuem esse aspecto com exatidão. sejam materiais.A adaptação só pode ser tolerada na medida em que represente o único meio de conservar o bem e não acarrete prejuízo sério a sua significação cultural.A reconstrução deve se limitar à colocação de elementos destinados a completar uma entidade desfalcada e não deve significar a construção da maior parte da substância de um bem.A restauração deve servir para mostrar novos aspectos em relação à significação cultural do bem. Artigo 20° .Os elementos dotados de uma significação cultural que não se possa evitar desmontar durante os trabalhos de adaptação deverão ser conservados em lugar seguro. Quando a substância do bem pertencer a várias épocas diferentes. .A restauração pode implicar a reposição de elementos desmembrados ou a retirada de acréscimos.As obras de adaptação devem se limitar ao mínimo indispensável à destinação do bem a uma utilização definida de acordo com os termos dos artigos 6 e 7. Qualquer transformação do aspecto de um bem deve ser precedida da elaboração. ou quando possibilite restabelecer ao conjunto de um bem uma significação cultural perdida.A reconstrução deve ser efetivada quando constituir condição sine qua non de sobrevivência de um bem cuja integridade tenha sido comprometida por desgastes ou modificações. Reconstrução Artigo 17° . Artigo 18° . do bem e/ou à obtenção de testemunhos materiais fadados a desaparecimento próximo ou a se tomarem inacessíveis por causa dos trabalhos obrigatórios de conservação ou de qualquer outra intervenção inevitável. o resgate de elementos datados de determinada época em detrimento dos de outra só se justifica se a significação cultural do que é retirado for de pouquíssima importância em relação ao elemento a ser valorizado. Procedimentos Artigo 23° .As contribuições de todas as épocas deverão ser respeitadas. Artigo 24° .Os estudos que implicam qualquer remoção de elementos existentes ou escavações arqueológicas só devem ser efetivados quando forem necessários para a obtenção de dados indispensáveis à tomada de decisões relativas à conservação. documentais ou outros. Artigo 19° . As partes reconstruídas devem poder ser distinguidas quando examinadas de perto. Ela se baseia no princípio do respeito ao conjunto de testemunhos disponíveis. Artigo 22° .

Os documentos consignados nos artigos 23. como tal. Artigo 29° . um interesse público. o jardim histórico deve ser salvaguardado. amostras. sua salvaguarda requer regras específicas. etc. devendo a cada decisão corresponder uma responsabilidade específica. vivo e. Carta de Florença de maio de 1981 Conselho Internacional de Monumentos e Sítios . conforme o disposto no artigo 25 acima. com provas documentais de apoio (fotos. que levará o nome desta cidade. e deve ser mantido um diário no qual serão consignadas as novidades surgidas.Os trabalhos contratados devem ter acompanhamento apropriado. portanto. conforme o espírito de Carta de Veneza. desenhos. visando a complementar a Carta de Veneza neste domínio particular.As decisões de orientação geral devem proceder de organismos cujos nomes serão devidamente comunicados. que são objeto da presente carta. Artigo 27° . Artigo 28° . bem como o de seus dirigentes responsáveis. Seu aspecto resulta. perceptível e renovável.O jardim histórico é uma composição de arquitetura cujo material é principalmente vegetal. Artigo 4º . Todavia.Um jardim histórico é uma composição arquitetônica e vegetal que. e da vontade de arte e de artifício que tende a perenizar o seu estado. Como tal é considerado monumento. como Monumemto Vivo. assim. Artigo 2º .Os objetos a que se refere o artigo 10 acima serão catalogados e protegidos de acordo com normas profissionais.ICOMOS Comitê Internacional de Jardins e Sítios Históricos .Qualquer ação de conservação a ser considerada deve ser objeto de uma proposta escrita acompanhada de uma exposição de motivos que justifique as decisões tomadas. 25. apresenta.) Artigo 26° .Artigo 25° . 26 e 27 acima serão guardados nos arquivos de um órgão público e mantidos à disposição do público. em 21 de maio de 1981.Por ser monumento. o comitê Internacional de Jardins Históricos e ICOMOS/IFLA decidiram elaborar uma carta relativa à proteção dos jardins históricos.Destacam-se na composição arquitetura do jardim histórico: . Artigo 3º . do desenvolvimento e do definhamento da natureza. do ponto de vista da história ou da arte. exercido por profissionais.ICOMOS / IFLA Preâmbulo Reunidos em Florença. Definição e objetivos Artigo 1º . Essa carta foi redigida pelo comitê e registrada em 15 de dezembro de 1982 pelo ICOMOS. bem como as decisões tomadas. de um perpétuo equilíbrio entre o movimento cíclico das estações.

o plano de ação inicial foi apenas parcialmente instrumental. Os anos decorridos desde então registraram um progresso significativo das ciências ambientais: expandiram-se consideravelmente a educação. seu jogo de cor. . Com efeito. nem os objetivos nem as ações asseguram a disponibilidade e a distribuição eqüitativa de recursos naturais. roga solenemente a governos e povos para agirem construtivamente a partir do progresso alcançado até hoje. . o jardim toma assim o sentido cósmico de uma imagem idealizada do mundo. Do mesmo modo. foram insuficientes a compreensão e a previsão necessárias para entender o benefício a longo prazo de programas e ações coordenadas de proteção ambiental. apropriado à meditação e ao devaneio. passou-se a adotar legislação ambiental e um número relevante de países incorporou ao contexto de suas constituições. outras organizações governamentais e nãogovernamentais foram implantadas em todos os níveis e vários importantes convênios internacionais relativos à cooperação ambiental foram concluídos. . e os resultados respectivos não podem ser considerados satisfatórios. Eis porque o plano de ação inicial não teve a repercussão requerida na totalidade da comunidade internacional.seu plano e os diferentes perfis do seu terreno. Algumas atividades humanas descontroladas e não-programadas determinaram . embora expressando sua grave preocupação acerca do atual estado do ambiente. seus espaçamentos. Os princípios da Declaração de Estocolmo são tão válidos hoje como em 1972 e proporcionam um código básico de comportamento para os anos vindouros. No entanto.. que ocorreu em Estocolmo.suas massas vegetais: suas essências. um paraíso no sentido etmológico do termo. Além do programa ambiental das Nações Unidas. lugar de deleite. Artigo 5º . os meios de informação e a capacitação profissional: em muitos países. tendo recapitulado as medidas tomadas para implementar a declaração e o plano de ação adotados naquela conferência. Declaração de Nairobi de 10 a 18 de maio de 1982 (Quênia) Assembléia Mundial dos Estados UNEP – Organização das Nações para o Meio Ambiente A Assembléia Mundial dos Estados. de uma época. reunida em Nairobi do dia 10 ao dia 18 de maio de 1982. e reconhece a necessidade urgente de intensificar esforços em níveis global. suas alturas respectivas.seus elementos construídos ou decorativos. reflexo do céu. de um estilo. em nível mundial.as águas moventes ou dormentes. mas que dá testemunho de uma cultura. dispositivos relativos à proteção ambiental. a fim de comemorar o décimo aniversário da Conferência das Nações Unidas sobre o Ambiente Humano. regional e nacional de modo a protegê-lo e melhorá-lo. seus volumes. A conferência de Estocolmo constitui uma força poderosa que incrementou a consciência e a compreensão públicas quanto à fragilidade do meio ambiente.Expressão de relações estreitas entre a civilização e a natureza. eventualmente da originalidade de um criador.

Uma consciência específica e lúcida em nível regional. Requer-se uma soma maior de esforços para desenvolver a metodologia e o manejo adequados para a exploração e a utilização de recursos naturais e para modernizar os sistemas . A utilização de tecnologia apropriada. apesar dos seus esforços internos em confrontar seus problemas ambientais mais sérios. como as ocorridas na camada de ozônio. O desmatamento. pelo aumento da população. As doenças associadas às condições ambientais adversas continuaram a contribuir para o sofrimento humano. os Estados passariam a promover a promulgação progressiva da legislação ambiental. que destaque essas relações. a população e os recursos naturais por um lado e. assim como com um consumismo e um desperdício abusivos: ambos podem levar à exploração predatória do meio. As ameaças ao meio ambiente são agravadas por estruturas coniventes com a miséria. a poluição das águas marinhas e interiores. por meio de consultas intergovernamentais e de ações internacionais pertinentes. Esses fatores foram amplamente discutidos. aumentando ao mesmo tempo a cooperação no campo da pesquisa científica e do manejo do ambiente. que permita ao homem viver livre da ameaça da guerra (especialmente de uma guerra nuclear). Muitos problemas ambientais transcendem as fronteiras e deveriam. para o ambiente humano. Seria extremamente benéfico. assim como a extinção de espécies animais e vegetais constituem graves ameaças adicionais para o ambiente humano. a concentração crescente de dióxido de carbono e de chuvas ácidas. quando necessário. para o bem de todos. também do apartheid. da segregação racial e de todas as formas de discriminação. poderia compatibilizar o progresso econômico e social com a conservação de recursos naturais. ser resolvidos. o desenvolvimento. pode vir a contribuir para um desenvolvimento sócio-econômico fundamentado e permanente. o impacto ocasionado. Mecanismos conjugados de mercado e de planejamento podem também contribuir para a racionalização do desenvolvimento e do manejo do ambiente e dos recursos naturais. Mudanças havidas na atmosfera. a degradação do solo e a desertificação atingiram proporções alarmantes e puseram seriamente em risco as próprias condições de sobrevivência em vastas regiões do planeta. particularmente em áreas urbanas. Livre. dos instrumentos primordiais no sentido do esforço global para reverter o curso da agressão ambiental. No decurso da última década surgiram novas diretrizes: a necessidade do levantamento e manejo das complexas e íntimas conexões entre o ambiente. particularmente da tecnologia elaborada por outros países em vias de desenvolvimento. de colonialismo. por outro. de opressão e de domínio estrangeiro. As deficiências ambientais provenientes do subdesenvolvimento (incluindo fatores externos que ultrapassam a capacidade de controle dos países envolvidos) geram graves problemas que se podem combater graças a uma distribuição mais eqüitativa de recursos econômicos e técnicos. e do desperdício de recursos intelectuais e naturais absorvidos pelos programas armamentistas.a degradação crescente do ambiente. Para isso. por conseguinte. As nações desenvolvidas (ou quaisquer outros países que se encontrem em condições de fazê-lo) deveriam prestar auxílio aos países em vias de desenvolvimento afetados pelo desequilíbrio ambiental. A estratégia internacional de desenvolvimento para a terceira década de ação das Nações Unidas e o advento de uma nova ordem econômica internacional fazem parte. incluindo convênios e convenções. o descuido a que tem sido votado o destino final e a reutilização de substâncias perigosas. dentro dos próprios países e entre Estados. o estabelecimento de uma atmosfera internacional de paz e de segurança.

inclusive as corporações multinacionais. solenemente. antes de adotarem novos métodos e novas tecnologias de produção industrial.MÉXICO ICOMOS . por exemplo. O comportamento e a participação responsáveis são essenciais para promover a causa do meio ambiente. sobre o tema A Revitalização das Pequenas Aglomerações. a reciclagem e a conservação de recursos naturais.tradicionais de pastoreio. o seu apoio no sentido de fortalecer o programa das Nações Unidas para o meio ambiente. O rápido esgotamento das fontes tradicionais e convencionais de energia apresenta um novo e premente desafio quanto ao seu manejo e conservação e à preservação do meio ambiente. de forma a assegurar que o nosso pequeno planeta seja transmitido às futuras gerações em condições que garantam a vida e a dignidade humana para todos. A prevenção de agressões ambientais é preferível à recuperação pesada e onerosa dos danos que já tenham sido causados. a sua adesão à declaração e ao plano de ação adotados em Estocolmo. Deve-se prestar uma atenção particular ao papel das inovações técnicas. igualmente. de 25 a 28 de outubro de 1982. como instrumento catalisador primordial para a cooperação ambiental global. assim como ao fortalecimento e ampliação de esforços nacionais e de atos de cooperação internacional. ou de procederem à exportação para outros países. pela qualidade dos trabalhos e pelos resultados obtidos nessa reunião. . As organizações nãogovernamentais têm um papel particularmente relevante e inspirador nesse campo. graças ao Fundo Ambiental. a elaboração de novas fontes renováveis de energia terão um efeito benéfico no ambiente. mostraram-se sensibilizados pelas atenções de que foram cercados e exprimem sua gratidão aos representantes mexicanos pela acolhida calorosa. Importa. Conclama todos os governos e povos do mundo a assumirem. a sua responsabilidade histórica. Medidas possibilitando. fazendo apelo para que seja aumentada a disponibilidade de recursos naturais. entre nações ou entre grupos de nações. Essa ação preventiva deveria incluir a programação de todas as atividades que possam causar impacto ambiental. apresenta possibilidades promissoras. Todas as empresas. visando aos meios de informação. Reafirma. além disso. A programação racional e conjunta dos recursos energéticos.Conselho Internacional de Monumentos e Sítios Os participantes do Terceiro Colóquio Interamericano sobre a Conservação do Patrimônio Monumental. A comunidade mundial de Estados reafirma. em particular. Uma ação legislativa adequada e oportuna é importante nesse particular. no âmbito da proteção ambiental. individual e coletivamente. assim. organizado pelo Comitê Nacional do ICOMOS mexicano e que se realizou em Trindade. Declaração de Tlaxcala de outubro de 1982 3o Colóquio Interamericano sobre a Conservação do Patrimônio Monumental "Revitalização das Pequenas Aglomerações" . deveriam ser conscientizadas de sua responsabilidade ambiental. incrementar a conscientização pública e política sobre a importância do meio ambiente. à educação e à capacitação profissional. Tlaxcala. no sentido de promover a substituição.

particularmente nas pequenas aglomerações. de modo especial ao Governo do Estado de Tlaxcala por sua hospitalidade e reconhecem os esforços empreendidos para a conservação do patrimônio arquitetônico e urbano que a história lhe confiou e que tem grande interesse para todos os povos da América. de modo a conter o êxodo das pequenas aglomerações. um direito de as comunidades participarem das decisões que dizem respeito à conservação de seu habitat. é necessário dispor não apenas dos materiais. Constatam que a introdução de esquemas consumistas e de modo de vida estranhos a nossas tradições. Pensam que. Solicitam também aos governos e organismos competentes uma infra-estrutura e um equipamento integrados. intervindo diretamente no processo de realização. Recomendações . também. Os delegados. para preservar a atmosfera tradicional nas localidades rurais e nas pequenas aglomerações e para permitir a continuidade de manifestações arquitetônicas vernaculares contemporâneas. que advêm graças aos múltiplos meios de comunicação. necessariamente. Reafirmam a importância dos planos de ordenação físico-territorial e de desenvolvimento para diminuir o processo de abandono dos pequenos lugares de habitat e a superpopulação das médias e pequenas cidades.Agradecem. propõem a utilização de elementos de substituição que não ocasionem alterações notáveis na forma resultante e que correspondam às condições psicológicas locais e aos modos de vida dos habitantes da região. ao contrário. mas. por outro. por um lado. fenômeno que ameaça a própria existência dessas localidades. como da técnica tradicional e. da melhoria das condições sócioeconômicas dos habitantes e da qualidade da vida dos centros urbanos. favorecem a destruição do patrimônio cultural por facilitarem o desprezo a nossos próprios valores. para superar as circunstâncias difíceis há que se basear no passado cultural e nas expressões concretas de nossa memória. após examinarem a situação atual na América em relação aos perigos que ameaçam o patrimônio arquitetônico e a ambiência das pequenas localidades. Lembram que a conservação e realização das pequenas aglomerações são. De acordo com o estabelecido na Carta de Chapultepec e levando em consideração as inquietações manifestadas pelo Colóquio de Morelia e por outras reuniões de especialistas americanos. conferindo. Reconhecem que as ações que tendem à obtenção do bem estar das comunidades dos pequenos lugares de habitat devem fundamentar-se em um respeito estrito às tradições e ao modo de vida locais. Por isso. conservam uma escala própria e personalizam as relações comunitárias. decidem adotar as seguintes conclusões: Reafirmam que as pequenas aglomerações se constituem em reservas de modos de vida que dão testemunho de nossas culturas. que a situação de crise econômica que se abate sobre o continente não deve sobrestar os esforços para salvaguardar a identidade das pequenas localidade. uma identidade a seus habitantes. as escolas de ensino superior e o órgãos públicos ou privados que se interessam pela salvaguarda do patrimônio a utilizarem os meios de comunicação a sua disposição para fazer frente aos efeitos dessa penetração. Reconhecem. a ambiência e o patrimônio arquitetural das pequenas zonas de habitat são bens não renováveis cuja conservação deve exigir procedimentos cuidadosamente estabelecidos para evitar os riscos de alteração ou de falsificação causados por razões de oportunidade política. assim. exortam os governos. quando isso não for possível. uma obrigação moral e uma responsabilidade dos governos de cada Estado e das autoridades locais. Recomendam que qualquer ação que tenda a preservar o ambiente urbano e o valores arquitetônicos de um lugar deve participar.

Os participantes do colóquio reiteram os princípios que animam o Conselho Internacional dos Monumentos e do Sítios. Chapultepec e Morélia concernentes à conservação dos pequenos lugares de habitat e emitem. Que a comunicação de experiências nos diversos domínios relativos à preservação das pequenas localidades é indispensável para a obtenção de melhores resultados no que diz respeito não só às políticas nacionais mas à legislação específica e ao progresso técnico. Recomenda-se: Que qualquer ação que vise à conservação e a revitalização das pequenas localidades seja inserida em um programa que leve em conta os aspectos históricos. às universidades. . educação. que devem ser difundidas pelos comitês do ICOMOS na América e por todos os demais especialistas e apresentadas. Que os órgãos do serviço público. Que a utilização de materiais regionais e a conservação de técnicas de construção tradicionais de cada região sejam indispensáveis para a conservação adequada das pequenas aglomerações e não estejam em contradição com a teoria geral que estabelece que se deixe em evidência nas intervenções a marca de nosso tempo. assim como as recomendações feitas durante as precedentes reuniões americanas de Quito. de maneira que seus diplomados sejam capazes de se transformar em profissionais úteis às comunidades necessitadas. as recomendações seguintes. justamente onde eles existem. restauração e revitalização das pequenas localidades. concretizados em diversos documentos internacionais. em cada país. por sua vez. encorajar. conservação e restauração de moradias nas pequenas aglomerações e pequenas cidades. antropológicos. Com esse objetivo devem ser revistas as normas de crédito para que considerem como objeto de crédito hipotecário as construções realizadas com técnicas e materiais vernaculares. sociais e econômicos da região e as possibilidades de revitalizá-la. Que as escolas de arquitetura criem e favoreçam mestrados e doutorados em restauração e levem substancialmente em conta nos programas de base dos estudos os valores do patrimônio arquitetônico e urbano. aos institutos competentes na matéria. levem em consideração que suas ações e boas intenções podem causar danos às pequenas comunidades se forem ignorados ou minimizados os valores do patrimônio cultural e os benefícios que resultam da conservação desse patrimônio para toda a comunidade. às faculdades de arquitetura e a outros organismos. Que seja encorajada a participação interdisciplinar. como meio prático de conservar o patrimônio monumental e os recursos para a habitação. Que é útil que os estabelecimentos de ensino e sociedades de arquitetos organizem comissões de preservação do patrimônio arquitetônico capazes de promover maior consciência da responsabilidade que lhes cabe no que diz respeito à conservação das pequenas aglomerações. às autoridades. bem como as técnicas tradicionais de construção. tais como os de comunicação. é urgente. manter em vigor e reforçar no espírito das comunidades o prestígio e o valor do uso de tais materiais e técnicas. às escolas profissionais. os problemas de conservação e de restauração e o conhecimento da arquitetura vernacular. condição indispensável a qualquer empenho em favor da conservação. sem o que a referida ação será condenada à superficialidade e à ineficácia. Que os governantes dos países latino-americanos considerem a alocação de créditos sociais para dar conta da aquisição. saúde. O esforço para identificar. A informação é importante tanto no nível internacional quanto no que é específico do meio americano. eletrificação e outros. Recomenda-se encorajar a competência artesanal da construção através de premiações. manutenção. Reafirma-se a necessidade de publicações nesse sentido e propõe-se a criação de grupos de trabalho americanos para os diversos temas específicos.

Por tal razão. Ao reunir-se no México. os sistemas de valores. intelectuais e afetivos que caracterizam uma sociedade e um grupo social. se reconhece como um projeto inacabado. a desigualdade entre as nações é crescente. Através dela o homem se expressa. toma consciência de si mesmo.Conselho Internacional de Monumentos e Sítios O mundo tem sofrido profundas transformações nos últimos anos. a comunidade internacional decidiu contribuir efetivamente para a aproximação entre os povos e a melhor compreensão entre os homens.de compilar e difundir as informações relativas a esse problema e de prestar acompanhamento aos programas e estudos desse gênero. garantir o respeito ao direito dos demais e assegurar o exercício das liberdades fundamentais do homem e dos povos. Assim. É ela que faz de nós seres especificamente humanos. . múltiplos conflitos e graves tensões ameaçam a paz e a segurança. materiais. Concorda também que a cultura dá ao homem a capacidade de refletir sobre si mesmo. e aprovem o protocolo da Convenção para o Patrimônio Mundial da UNESCO (16 de novembro de 1972) como um meio de receberem a assistência técnica e o apoio dos organismos internacionais. a comunidade das nações enfrenta também sérias dificuldades econômicas. e eticamente comprometidos. ao expressar a sua esperança na convergência final dos objetivos culturais e espirituais da humanidade. podem constituir-se principalmente através da educação. não obstante o acréscimo das possibilidades de diálogo. Através dela discernimos os valores e efetuamos opções. Os avanços da ciência e da técnica têm modificado o lugar do homem no mundo e a natureza de suas relações sociais. cujo significado e alcance têm se ampliado consideravelmente. A educação e a cultura. os modos de vida. e do seu direito à autodeterminação. a cultura pode ser considerada atualmente como o conjunto dos traços distintivos espirituais. como afirma a constituição da UNESCO. a conferência concorda em que. Declaração do México México. os direitos fundamentais do ser humano. hoje é mais urgente que nunca estreitar a colaboração entre as nações. Ela engloba. Mais do que nunca é urgente erigir na mente de cada indivíduo estes baluartes da paz que. críticos. Que os representantes dos países da região empreendam os maiores esforços. 1982 Conferência Mundial sobre as Políticas Culturais ICOMOS . as tradições e as crenças. da ciência e da cultura. no seu sentido mais amplo. já que seus governos não os têm feito. além das artes e das letras. a Conferência Mundial sobre as Políticas Culturais. racionais. procura incansavelmente novas significações e cria obras que o transcendem. põe em questão as suas próprias realizações. Em nossos dias. são essenciais para um verdadeiro desenvolvimento do indivíduo e da sociedade.

A identidade cultural de um povo se renova e enriquece em contato com as tradições e valores dos demais. A humanidade empobrece quando se ignora ou se destrói a cultura de um grupo determinado. surge da experiência de todos os povos do mundo. o processo de sua própria criação. Tudo isso reclama políticas culturais que protejam. assim como o direito de cada povo e de cada comunidade cultural a afirmar e preservar sua identidade cultural. . O universal não pode ser postulado em abstrato por nenhuma cultura em particular. sem levar em conta a sua necessária dimensão qualitativa. Por isso. Todas as culturas fazem parte do patrimônio comum da humanidade. A comunidade internacional considera que é um dever velar pela preservação e defesa da identidade cultural de cada povo. estimulem e enriqueçam a identidade e o patrimônio cultural de cada povo. ou seja. As peculiaridades culturais não dificultam. no isolamento. ao contrário. esgota-se e morre. além de estabelecerem o mais absoluto respeito e apreço pelas minorias culturais e pelas outras culturas do mundo. a conferência afirma solenemente os seguintes princípios que devem reger as políticas culturais: Identidade Cultural Cada cultura representa um conjunto de valores único e insubstituível já que as tradições e as formas de expressão de cada povo constituem sua maneira mais acabada de estar presente no mundo. O desenvolvimento autêntico persegue o bem-estar e a satisfação constantes de cada um e de todos. a soberania e a identidade das nações. mas favorecem a comunhão dos valores universais que unem os povos. Identidade cultural e diversidade cultural são indissociáveis. Há que reconhecer a igualdade e dignidade de todas as culturas. apreciação de outros valores e tradições. A identidade cultural é uma riqueza que dinamiza as possibilidades de realização da espécie humana ao mobilizar cada povo e cada grupo a nutrir-se de seu passado e a colher as contribuições externas compatíveis com a sua especificidade e continuar. para a liberação dos povos. assim.Por conseguinte. Dimensão Cultural do Desenvolvimento A cultura constitui uma dimensão fundamental do processo de desenvolvimento e contribui para fortalecer a independência. a satisfação das aspirações espirituais e culturais do homem. portanto. intercâmbio de idéias e experiências. constitui a essência mesma do pluralismo cultural o reconhecimento de múltiplas identidades culturais onde coexistirem diversas tradições. e a exigir respeito a ela. A cultura é um diálogo. O crescimento tem sido concebido frequentemente em termos quantitativos. A afirmação da identidade cultural contribui. cada um dos quais afirma a sua identidade. qualquer forma de dominação nega ou deteriora essa identidade.

a gozar das artes e a participai. Seu objetivo não é a produção. da nacionalidade. Um programa de democratização da cultura obriga. É preciso descentralizar a vida cultural. Qualquer política cultural deve resgatar o sentido profundo e humano do desenvolvimento. de abrir novos pontos de entrosamento com a democracia pela via da igualdade de oportunidades nos campos da educação e da cultura. que toda pessoa tem direito a tomar parte livremente na vida cultural comunidade. na tomada de decisões que concernem à vida cultural e na sua difusão e fruição. Cultura e Democracia A Declaração Universal dos Direitos Humanos estabelece. o lucro ou o consumo per se. entre outras. social e cultural de cada sociedade. descentralização dos lugares de recreio e fruição das belas-artes. da educação. Os Estados devem tomar as medidas necessária para alcançar este objetivo. mas o desenvolvimento do ser humano. da idade. Requerem-se novos modelos e é no âmbito da cultura e da educação que serão encontrados. Um número cada vez maior de mulheres e homens desejam um mundo melhor. É essencial. sobretudo. nem quanto a seus benefícios. das convicções religiosas. tais estratégias deverão levar sempre em conta a dimensão histórica. no seu artigo 27. seu bem-estar e sua possibilidade de convivência solidária com todos os povos. em consequência.1 sua dignidade individual e na sua responsabilidade social. Só se pode atingir um desenvolvimento equilibrado mediante a integração dos fatores culturais nas estratégias para alcançá-lo. A fim de garantir a participação de todos os indivíduos na vida cultural. A cultura procede da comunidade inteira e a ela deve retornar. da origem e da posição social. da saúde ou da pertinência a grupos étnicos minoritários ou marginais.É indispensável humanizar o desenvolvimento. Trata-se. do sexo. é preciso eliminar as desigualdades provenientes. Proporcionar a todos os homens a oportunidade de realizar um melhor destino supõe ajustar permanentemente o ritmo do desenvolvimento. O desenvolvimento supõe a capacidade de cada indivíduo e de cada povo de informar-se e aprender a comunicar suas experiências. o seu fim último é a pessoa 11. O homem é o princípio e o fim do desenvolvimento. Não pode se privilégio da elite nem quanto a sua produção. democracia cultural supõe a mais ampla participação do indivíduo e d sociedade no processo de criação de bens culturais. no plano geográfico e no administrativo para assegurar que as instituições responsáveis conheçam melhor as preferências opções e necessidades da sociedade em matéria de cultura. em primeiro lugar. da língua. Uma política cultural democrática tornará possível o desfrute da excelência artística em toda as comunidades e entre toda a população. por consequência. multiplicar as oportunidades de diálogo entre a população e o organismos culturais. mas a sua plena realização individual e coletiva e a preservação da natureza.do progresso científico e dos benefícios que dele resultem. Não só perseguem a satisfação de suas necessidades fundamentais. .

arquitetos. já que as sociedades se reconhecem a si mesmas através dos valores em que encontram fontes de inspiração criadora. Princípio fundamental das relações culturais entre os povos é a restituição a seus países de origem das obras que lhes foram subtraídas ilicitamente. escritores e sábios. Educação. ideológico e social. O desenvolvimento e promoção da educação artística compreendem não só a elaboração de programas específicos que despertem a sensibilidade artística e apoiem grupos e instituições de criação e difusão. a cultura. músicos. Ou seja. . os lugares e monumentos históricos. as obras materiais e não materiais que expressam a criatividade desse povo: a língua. Criação Artística e Intelectual e Educação Artística O desenvolvimento da cultura é inseparável tanto da independência dos povos quanto da liberdade da pessoa. A liberdade de pensamento e de expressão é indispensável à atividade criadora do artista e do intelectual. estimulem e garantam a criação artística e intelectual. Ciência e Comunicação O desenvolvimento global da sociedade exige políticas complementares nos campos da cultura. É imprescindível estabelecer as condições sociais e culturais que facilitem.Patrimônio Cultural O patrimônio cultural de um povo compreende as obras de seus artistas. pelos conflitos armados. Relações entre Cultura. assim como as criações anônimas surgidas da alma popular e o conjunto de valores que dão sentido à vida. Qualquer povo tem o direito e o dever de defender e preservar o patrimônio cultural. porém. aos povos defender a sua soberania e independência e. pelas ocupações estrangeiras e pela imposição de valores exógenos. e deve procurar a assimilação dos conhecimentos científicos e técnicos sem detrimento das capacidades e valores dos povos. as obras de arte e os arquivos e bibliotecas. mas também o fomento de atividades que estimulem a consciência pública sobre a importância da arte e da criação intelectual. O patrimônio cultural tem sido frequentemente danificado ou destruído por negligência e pelos processos de urbanização. da educação. por conseguinte. da ciência e da comunicação. acordos e relações internacionais existentes poderiam ser reforçados para aumentar sua eficácia a esse respeito. industrialização e penetração tecnológica. A preservação e o apreço do patrimônio cultural permitem. a fim de estabelecer um equilíbrio harmonioso entre o progresso técnico e a elevação intelectual e moral da humanidade A educação é o meio por excelência para transmitir os valores culturais nacionais e universais. os ritos. Os instrumentos. sem discriminação de caráter político. os atentados ao patrimônio cultural perpetrados pelo colonialismo. as crenças. Mais inaceitáveis ainda são. Todas essas ações contribuem para romper o vínculo e a memória dos povos em relação a seu passado. afirmar e promover sua identidade cultural. portanto.

Nas suas atividades internacionais. no entanto. Uma circulação livre e uma difusão mais ampla e melhor equilibrada da informação. Por outra parte. O ensino da ciência e da tecnologia deve ser concebido principalmente como um processo cultural de desenvolvimento do espírito crítico e integrado aos sistemas educativos. mas que forme e renove. A alfabetização é condição indispensável para o desenvolvimento cultural dos povos. cuidando sempre para que a produção e difusão de bens culturais responda às necessidades de desenvolvimento integral de cada sociedade. desempenham um papel importante na difusão de bens culturais. Os meios modernos de comunicação têm uma importância fundamental na educação e na difusão da cultura. que favoreça o florescimento da personalidade. que inspire a renovação e estimule a criatividade. É indispensável. supõem o direito de todas as nações não só de receber mas também de transmitir conteúdos culturais. administração e financiamento das atividades culturais A cultura é o fundamento necessário para o desenvolvimento autêntico. É necessário revalorizar as línguas nacionais como veículos do saber. uma educação que capacite para a organização e para a produtividade. Os avanços tecnológicos dos últimos anos têm dado lugar à expansão das indústrias culturais. preservando sua soberania e fortalecendo a paz no mundo. sem lesar a liberdade criadora e a identidade cultural das nações. mediante programas de ajuda bilateral ou multilateral. em conseqüência. para a produção de bens e serviços realmente necessários. que constituem alguns dos princípios de uma nova ordem mundial da informação e da comunicação. em função das necessidades de desenvolvimento tios povos. ( A fonte original não inclui texto para este numeral). a ausência de indústrias culturais nacionais. que permita aos educandos tomar consciência da realidade do seu tempo e do seu meio. das idéias e dos conhecimentos.Requer-se atualmente uma educação integral e inovadora que não só informe e transmita. ignoram muitas vezes os valores tradicionais da sociedade e suscitam expectativas e aspirações que não respondem às necessidades efetivas do seu desenvolvimento. nos países que delas carecem. apoiar o estabelecimento de indústrias culturais. Tais indústrias. . pode ser fonte de dependência cultural e origem de alienação. qualquer que seja a sua organização. sobretudo nos países em via de desenvolvimento. a sociedade há de se esforçar em utilizar as novas técnicas da produção e da comunicação para colocá-las a serviço de um autêntico desenvolvimento individual e coletivo e favorecer a independência das nações. no respeito aos demais e na solidariedade social e internacional. Os meios modernos de comunicação devem facilitar a informação objetiva sobre as tendências culturais nos diversos países. científicos e tecnológicos. educativos. Planejamento. que forme na autodisciplina. A sociedade deve realizar um esforço importante dirigido a planejar. administrar e financiar as atividades culturais. Em conseqüência.

Uma paz duradoura deve ser estabelecida para assegurar a própria existência da cultura humana. reequilibrar o intercâmbio e a cooperação cultural a fim de que as culturas menos conhecidas. à dignidade e ao valor de cada cultura. às soberanias nacionais e à nãointervenção. É necessário diversificar e fomentar a cooperação cultural internacional em um contexto interdisciplinar e com atenção especial à formação de pessoal qualificado em matéria de serviços culturais. a Ciência e a Cultura devem multiplicar os esforços destinados a preservar tais valores e a aprofundar sua ação em benefício do desenvolvimento da humanidade. interregional e internacional são pressupostos importantes para obter um clima de respeito. detida a corrida armamentista e conseguido o desarmamento. a Ciência e a Cultura. Da mesma forma. de sorte que o conhecimento de outras culturas e de experiências de desenvolvimento enriqueçam-lhes a vida. tais como programas de desenvolvimento cultural. dominação e intervenção. em particular as de alguns países em vias de desenvolvimento. a cooperação cultural deve estimular um clima internacional favorável ao desarmamento. de maneira que os recursos humanos e as enormes somas destinadas ao armamento possam se consagrar a fins produtivos. além disso. Consequentemente. os Estados Membros e a Secretaria da Organização das Nações Unidas para a Educação. do apartheid e de todo gênero de agressão. em particular. à independência. do neocolonialismo. confiança. a cooperação entre países em vias de desenvolvimento. pela Conferência Geral da Organização das Nações Unidas para a Educação. . nas relações de cooperação entre as nações deve evitar-se qualquer forma de subordinação ou substituição de uma cultura por outra. sejam mais amplamente difundidas em todos os países.Cooperação Cultural Internacional É essencial para a atividade criadora do homem e para o completo desenvolvimento da pessoa e da sociedade a mais ampla difusão das idéias e dos conhecimentos. A conferência reitera solenemente o valor e a vigência da Declaração dos Princípios da Cooperação Cultural. Os intercâmbios culturais. Tal clima não poderá ser alcançado plenamente sem que sejam reduzidos e eliminados os conflitos e tensões atuais. respeitar os direitos do homem e contribuir para a eliminação do colonialismo. baseada em intercâmbio e em reuniões culturais. científicos e educativos devem fortalecer a paz. A cooperação cultural internacional deve fundamentar-se no respeito à identidade cultural. regional. do racismo. É indispensável. científico e técnico. Há que se estimular. diálogo e paz entre as nações. Uma cooperação mais ampla e uma compreensão cultural sub-regional. UNESCO Num mundo convulsionado por diferenças que põem em perigo os valores culturais das civilizações. aprovada na sua décima quarta reunião. A conferência reafirma que o valor educativo e cultural é essencial nos esforços para instaurar uma nova ordem econômica internacional.

de deterioração e até mesmo de destruição sob o efeito de um tipo de urbanização nascido na era industrial e que hoje atinge universalmente todas as sociedades. por essa razão. adquirem uma importância capital. o Conselho Internacional de Monumentos e de Sítios (ICOMOS) julgou necessário redigir uma Carta Internacional para Salvaguarda das Cidades Históricas. todas as cidades do mundo são as expressões materiais da diversidade das sociedades através da história e são todas. Face a essa situação muitas vezes dramática. este novo texto define os princípios e os objetivos.Nairobi. ultrapassando as suas diferenças. exprimem valores próprios das civilizações urbanas tradicionais. também. mesmo modestos. além de sua condição de documento histórico. Atualmente. o respeito ao direito alheio é a paz". Carta de Washington Washington. Ao complementar a Carta Internacional Sobre a Conservação e a Restauração de Monumentos e Sítios (Veneza. tal como são definidos na sua constituição. . como entre as nações. que. que provoca perdas irreversíveis de caráter cultural. os objetivos da UNESCO. realizem o antigo sonho da fraternidade universal. A comunidade internacional reunida nesta conferência considera seu o lema de Benito Juarez: "Entre os indivíduos. como em outros instrumentos internacionais. 1964).Conselho Internacional de Monumentos e Sítios Preâmbulo e definições: Resultantes de um desenvolvimento mais ou menos espontâneo ou de um projeto deliberado. a sua conservação e restauração. históricas. entende-se aqui por salvaguarda das cidades históricas as medidas necessárias a sua proteção. constituem a memória da humanidade. 1986 CARTA INTERNACIONAL PARA A SALVAGUARDA DAS CIDADES HISTÓRICAS ICOMOS . a favorecer a harmonia da vida individual e social e a perpetuar o conjunto de bens que. os métodos e os instrumentos de ação apropriados a salvaguardar a qualidade das cidades históricas. social e mesmo econômico. 1976) e. bem como a seu desenvolvimento coerente e a sua adaptação harmoniosa à vida contemporânea. Como no texto da Recomendação da UNESCO relativa à Salvaguarda dos Conjuntos Históricos ou Tradicionais e a sua Função na Vida Contemporânea (Varsóvia .Frente a essa situação. muitas delas estão ameaçadas de degradação. A Conferência Mundial sobre Políticas Culturais faz um apelo à UNESCO para que prossiga e reforce sua ação de aproximação cultural entre os povos e as nações e continue desempenhando a nobre tarefa de contribuir para que os homens. A presente carta diz respeito mais precisamente às cidades grandes ou pequenas e aos centros ou bairros históricos com seu entorno natural ou construído.

A conservação das cidades e bairros históricos implica a manutenção permanente das áreas edificadas. escala. possam ser demolidos. sensibilidade. em particular: a) a forma urbana definida pelo traçado e pelo parcelamento. a vocação e a estrutura das cidades históricas. O plano de salvaguarda deve compreender uma análise dos dados. Métodos e instrumentos O planejamento da salvaguarda das cidades e bairros históricos deve ser precedido de estudos multidisciplinares. Dever-se-ia evitar o dogmatismo. A adaptação da cidade histórica à vida contemporânea requer cuidadosas instalações das redes de infra-estrutura e equipamento dos serviços públicos. históricos. método e rigor. O plano deveria contar com a adesão dos habitantes. os que devam ser conservados em certas condições e os que.Princípios e objetivos: Para ser eficaz. as condições existentes na área deverão ser rigorosamente documentadas. As novas funções devem ser compatíveis com o caráter. Os valores a preservar são o caráter histórico da cidade e o conjunto de elementos materiais e espirituais que expressam sua imagem. espaços construídos. materiais. a salvaguarda das cidades e bairros históricos deve ser parte essencial de uma política coerente de desenvolvimento econômico e social. espaços abertos e espaços verdes. técnicos. volume. Não se deve jamais esquecer que a salvaguarda das cidades e bairros históricos diz respeito primeiramente a seus habitantes. A participação e o comprometimento dos habitantes da cidade são indispensáveis ao êxito da salvaguarda e devem ser estimulados. Antes da adoção de um plano de salvaguarda ou enquanto ele estiver sendo finalizado. . cor e decoração. As intervenções em um bairro ou em uma cidade histórica devem realizar-se com prudência. em circunstâncias excepcionais. e) as diversas vocações da cidade adquiridas ao longo de sua história. Qualquer ameaça a esses valores comprometeria a autenticidade da cidade histórica. arquitetônicos. mas levar em consideração os problemas específicos de cada caso particular. particularmente arqueológicos. estilo. as ações necessárias à conservação deverão ser adotadas em observância aos princípios e métodos da presente carta e da Carta de Veneza. sociológicos e econômicos e deve definir as principais orientações e modalidades de ações a serem empreendidas no plano jurídico. d) as relações da cidade com seu entorno natural ou criado pelo homem. b) as relações entre os diversos espaços urbanos. administrativo e financeiro. O plano de salvaguarda deve determinar as edificações ou grupos de edificações que devam ser particularmente protegidos. Antes de qualquer intervenção. c) a forma e o aspecto das edificações (interior e exterior) tais como são definidos por sua estrutura. O plano de salvaguarda deverá empenhar-se para definir uma articulação harmoniosa entre os bairros históricos e o conjunto da cidade. e ser considerada no planejamento físico territorial e nos planos urbanos em todos os seus níveis.

as poluições e as vibrações). Devem ser adotadas nas cidades históricas medidas preventivas contra as catástrofes naturais e contra todos os danos (notadamente. Para assegurar a participação e o envolvimento dos habitantes deverá ser efetuado um programa de informações gerais que comece desde a idade escolar.A melhoria do habitat deve ser um dos objetivos fundamentais da salvaguarda. É importante contribuir para um melhor conhecimento do passado das cidades históricas. volume e escala. não só para assegurar a salvaguarda do seu patrimônio. mas somente facilitar o tráfego nas cercanias para permitirlhes um fácil acesso. Os grandes traçados rodoviários previstos no planejamento físico territorial não devem penetrar nas cidades históricas. A salvaguarda exige uma formação especializada de todos os profissionais envolvidos. pode contribuir para o seu enriquecimento. já que toda cidade é um organismo histórico. e não por oposição a espaços não-históricos da cidade. assim como a vivência de seus habitantes num espaço de . especialmente seu parcelamento. Carta de Petrópolis Petrópolis. O sítio histórico urbano – SHU – é parte integrante de um contexto amplo que comporta as paisagens natural e construída. Os meios empregados para prevenir ou reparar os efeitos das calamidades devem adaptar-se ao caráter específico dos bens a salvaguardar. A circulação de veículos deve ser estritamente regulamentada no interior das cidades e dos bairros históricos. Deverá ser favorecida a ação das associações de salvaguarda e deverão ser tomadas medidas de caráter financeiro para assegurar a conservação e a restauração das edificações existentes. as áreas de estacionamento deverão ser planejadas de maneira que não degradem seu aspecto nem o do seu entorno. Esse sítio histórico urbano deve ser entendido em seu sentido operacional de área crítica. todo o acréscimo deverá respeitar a organização espacial existente. através do favorecimento às pesquisas arqueológicas urbanas e da apresentação adequada das descobertas. desde que não perturbe a harmonia do conjunto. como também para a segurança e o bem-estar de seus habitantes. nos termos em que o impõem a qualidade e o valor do conjunto de construções existentes. 1987 1º Seminário Brasileiro para Preservação e Revitalização de Centros Históricos Entende-se como sítio histórico urbano o espaço que concentra testemunhos do fazer cultural da cidade em suas diversas manifestações. A introdução de elementos de caráter contemporâneo. No caso de ser necessário efetuar transformações dos imóveis ou construir novos. sem prejuízo da organização geral do tecido urbano.

Nesse sentido. devendo. Na preservação do SHU é fundamental a ação integrada dos órgãos federais. A proteção legal do SHU far-se-á através de diferentes tipos de instrumentos. estaduais e municipais. deve a moradia construir-se na função primordial do espaço edificado. No processo de preservação do SHU. como uma das formas de pleno exercício da cidadania. onde se manifestam as verdadeiras expressões de uma sociedade heterogênea e plural. Guardando essa heterogeneidade. não é eliminatória. Na diversificação dos instrumentos de proteção. É nessa perspectiva de reapropriação política do espaço urbano pelo cidadão que a preservação incrementa a qualidade de vida. devendo os novos espaços urbanos ser entendidos na sua dimensão de testemunhos ambientais em formação. Desta forma. normas urbanísticas. haja vista a flagrante carência habitacional brasileira. tais como: tombamento. declaração de interesse cultural e desapropriação. considera-se essencial a predominância do valor social da propriedade urbana sobre a sua condição de mercadoria. A realização do inventário com a participação da comunidade proporciona não apenas a obtenção do conhecimento do valor por ela atribuído ao patrimônio. abrigar os universos de trabalho e do cotidiano. O objetivo último da preservação é a manutenção e potencialização de quadros e referenciais necessários para a expressão e consolidação da cidadania. Nesse sentido. inventário.º 3 – "Cartas Patrimoniais"Ministério da Cultura Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional – IPHAN Brasília. é imprescindível a viabilização e o estímulo aos mecanismos institucionais que asseguram uma gestão democrática da cidade. alicerçado no conhecimento dos mecanismos formadores e atuantes na estruturação do espaço. Sendo a polifuncionalidade uma característica do SHU. socialmente fabricada. 1995 . a sua preservação não deve dar-se à custa de exclusividade de usos. só se justificando sua substituição após demonstrado o esgotamento de seu potencial sócio-cultural. necessariamente. o fortalecimento dos seus vínculos em relação ao patrimônio. especial atenção deve ser dada à permanência no SHU das populações residentes e das atividades tradicionais. desde que compatíveis com a sua ambiência. o inventário como parte dos procedimentos da análise e compreensão da realidade constituiu-se na ferramenta básica para o conhecimento do acervo cultural e natural. em processo dinâmico de transformação. pelo fortalecimento da participação das lideranças civis. mas também. bem como a participação da comunidade interessada nas decisões de planejamento. mas somatória. entendido como processo contínuo e permanente.valores produzidos no passado e no presente. todo espaço edificado é resultado de um processo de produção social. isenções e incentivos. Os critérios para avaliar a conveniência desta substituição devem levar em conta o custo sócio-cultural do novo. A preservação do SHU deve ser pressuposto do planejamento urbano. Publicado no Caderno de Documentos n. nem mesmo daqueles ditos culturais. A cidade enquanto expressão cultural.

étnicos e culturais. faz-se necessária a apropriação de métodos específicos e de novas técnicas disponíveis. conhecedores de arqueologia. O sentido de conquista que caracterizou o encontro de culturas na América resultou em um processo desigual de interação. o homem atribui a esses testemunhos significação cultural. Para o conhecimento e a preservação do patrimônio cultural e natural. como Argentina. é fundamental assegurar-lhes a posse e o usufruto exclusivo de suas terras e a preservação de suas línguas – fatores centrais de sua identidade. navegação. Paraguai e Peru. é fundamental a preservação de todo tipo de testemunhos. Bolívia. O trabalho dos cientistas sociais e dos órgãos responsáveis deve assegurar a liberdade do desenvolvimento cultural dos povos indígenas. juntando-se às comemorações dos 500 anos da vinda de Colombo América e homenageando o navegador Américo Vespúcio. botânica. levando-se em conta que a ocupação do continente precede em muito a fixação do europeu. Costa Rica.Encontro de Civilizações nas Américas Conclusões e Recomendações do Seminário No dia 6 de outubro do ano de 1989. arquitetura. com o sacrifício de muitos valores. de modo a garantir a melhoria da qualidade de vida das populações envolvidas.Carta de Cabo Frio de outubro de 1989 Vespuciana . Os novos encontros de culturas deverão ser direcionados no sentido do respeito aos contextos locais. o Comitê Brasileiro do ICOMOS reuniu em Cabo Frio. arqueológicos. que terá o nome Carta de Cabo Frio. contribuirá para a valorização das identidades culturais. reconhecendo o papel das populações do continente. Ao identificá-las e interpretar-lhes o valor. com a utilização dos meios de comunicação. O processo de preservação. O quinto centenário da chegada de Colombo é a oportunidade para se rever a história americana. México. fossilíferos e naturais. demanda um concurso interdisciplinar e uma ação interinstitucional. que em 1503 aqui esteve. A defesa da identidade cultural far-se-á através do resgate das formas de convívio harmônico com seu ambiente. pode ser lida através das múltiplas manifestações da natureza. originários de todas as partes do Brasil e de outras terras da América. Nesse sentido. engenharia e outros saberes. Para garantia da autonomia das sociedades e culturas indígenas. como os sítios geológicos. enfatizados através da educação pública. O respeito aos valores naturais. O êxito de uma política preservacionista tem como fator fundamental o engajamento da comunidade. É preciso rever a história americana. . A criação de unidades de conservação ambiental e a preservação de sítios deverá ser acompanhada de soluções alternativas. história. por sua complexidade. escrever esta carta. para. A história do planeta Terra. que deve ter por origem um processo educativo em todos os níveis. mui formosa paragem e mui prodigioso sítio da costa sul do Brasil.

nela se baseando. é fundamental um esforço conjunto. ou sob seu controle. Procurando alcançar acordos internacionais em que se respeitem os interesses de todos e se proteja a integridade do sistema ambiental e de desenvolvimento mundial. aprovada em Estocolmo em 16 junho de 1972. e a responsabilidade de zelar por que as atividades realizadas dentro de sua jurisdição. ambientais e de desenvolvimento.A ação de empresas privadas ou estatais em projetos industriais. é imprescindível a ação do Estado nas suas várias instâncias e a participação da comunidade na valorização e defesa de seus bens naturais e culturais. nossa morada. Para salvaguarda do patrimônio natural e cultural da América Latina em suas diversas manifestações. A Conferência Geral das Nações Unidas sobre o Meio Ambiente e o Desenvolvimento Havendo se reunido no Rio de Janeiro. os Estados têm o direito soberano de aproveitar seus próprios recursos segundo suas peculiaridades políticas. controle. extrativos e infra-estruturais não pode resultar em danos à vida humana. Princípio 3 . Proclama que: Princípio 1 Os seres humanos constituem o centro das preocupações relacionadas com o desenvolvimento sustentável. Têm direito a uma vida saudável e produtiva em harmonia com a natureza.Ministério da Cultura Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional – IPHAN Brasília. Princípio 2 De acordo com a Carta das Nações Unidas e os princípios do direito internacional. Cabe ao poder público intervir com medidas efetivas de preservação. 1995 Carta do Rio de junho de 1992 Conferência Geral das Nações Unidas Sobre o Meio Ambiente e o Desenvolvimento. Reconhecendo a natureza integral e interdependente da Terra. Reafirmando a Declaração da Conferência das Nações Unidas sobre o Ambiente Humano. os setores-chaves das sociedades e as pessoas. fiscalização e atuação. a fim de evitar o isolamento cultural e garantir a integração latino-americana. Com o objetivo de estabelecer uma aliança mundial nova e eqüitativa mediante a criação de novos níveis de cooperação entre os Estados. Sendo a identidade cultural a razão maior e a base da existência das nações. de 13 a 14 de junho de 1992. Publicado no Caderno de Documentos n.º 3 – "Cartas Patrimoniais". não causem danos ao meio ambiente de outros Estados ou de zonas que estejam fora dos limites da jurisdição nacional. à natureza.

a adaptação. Nas medidas internacionais a serem adotadas com relação ao meio ambiente e ao desenvolvimento dever-se-iam também levar em consideração os interesses e as necessidades de todos os países. Os países desenvolvidos reconhecem a responsabilidade que lhes cabe na busca internacional do desenvolvimento sustentável. em particular dos países menos adiantados. Princípio 10 . Princípio 8 Para alcançar o desenvolvimento sustentável e uma melhor qualidade de vida para todas as pessoas. tecnologias novas e inovadoras. Princípio 5 Todos os Estados e todas as pessoas deverão cooperar na tarefa essencial de erradicar a pobreza como requisito indispensável do desenvolvimento sustentável. os Estados deveriam reduzir e eliminar as modalidades de produção e consumo insustentável e fomentar apropriadas políticas demográficas. os Estados têm responsabilidades comuns. Na medida em que tenham contribuído em graus variados para a degradação do meio ambiente mundial. em vista das pressões que suas sociedades exercem no meio ambiente mundial. entre as quais. Princípio 4 Com o objetivo de alcançar o desenvolvimento sustentável.O direito ao desenvolvimento deve exercer-se de forma tal que responda eqüitativamente às necessidades de desenvolvimento e de proteção à integridade do sistema ambiental das gerações presentes e futuras. Princípio 9 Os Estados deveriam cooperar para o fortalecimento de sua própria capacidade de chegar ao desenvolvimento sustentável. e dos mais vulneráveis do ponto de vista ambiental. a difusão e a transferência de tecnologias. a fim de reduzir as disparidades nos níveis de vida e responder melhor às necessidades dos povos do mundo. proteger e restabelecer a saúde e a integridade do ecossistema da Terra. a proteção do meio ambiente deverá constituir parte integrante do processo de desenvolvimento e não poderá ser considerada isoladamente. das tecnologias e dos recursos financeiros de que dispõem. e intensificando o desenvolvimento. Princípio 6 Dever-se-á atribuir especial prioridade à situação e às necessidades específicas dos países em desenvolvimento. mas diferenciadas. Princípio 7 Os Estados deverão cooperar em espírito de solidariedade mundial para conservar. aumentando o sabor científico mediante o intercâmbio de conhecimentos científicos e tecnológicos.

Princípio 14 Os Estados deverão desenvolver a legislação nacional relativa à responsabilidade e à respectiva indenização das vítimas da contaminação e de outros danos ambientais. Deverá ser proporcionado acesso efetivo aos procedimentos judiciais e administrativos. na medida do possível. Princípio 14 . os objetivos de planejamento e as prioridades ambientais deveriam refletir o contexto ambiental e de desenvolvimento a que se aplicam. além disso. nem uma restrição velada ao comércio internacional. entre os quais o ressarcimento de danos e os recursos pertinentes. deveriam. assim como a oportunidade de participar nos processos de adoção de decisões. No plano nacional. As medidas destinadas a tratar os problemas ambientais transfronteiriços ou mundiais. de maneira pronta e mais decidida na elaboração de novas leis internacionais sobre a responsabilidade e indenização por efeitos adversos dos danos ambientais causados pelas atividades realizadas dentro de sua jurisdição. Dever-se-ia evitar adoção de medidas unilaterais para solucionar os problemas ambientais que se produzem fora da jurisdição do país importador. ou em zonas situadas fora de sua jurisdição. As normas. Os Estados deverão cooperar. Os Estados deverão cooperar. qualquer pessoa deverá ter acesso adequado à informação sobre o meio ambiente de que disponham as autoridades públicas. ou sob seu controle. particularmente para os países em desenvolvimento. ou em zonas situadas fora de sua jurisdição. Princípio11 Os estados deverão promulgar leis eficazes sobre o meio ambiente. Princípio 12 Os Estados deveriam cooperar na promoção de um sistema econômico internacional favorável e aberto que conduzisse ao crescimento econômico e ao desenvolvimento sustentável de todos os países. As medidas de política comercial com fins ambientais não deveriam constituir um meio de discriminação arbitrária ou injustificável. a fim de abordar da melhor forma os problemas da degradação ambiental. colocando a informação à disposição de todos. inclusive a informação sobre os materiais e as atividades que ocasionem perigo a suas comunidades. Princípio 13 Os Estados deverão desenvolver a legislação nacional relativa à responsabilidade e à respectiva indenização das vítimas da contaminação e de outros danos ambientais. Os Estados deverão facilitar e incentivar a sensibilização e a participação da população. além disso. de maneira pronta e mais decidida na elaboração de novas leis internacionais sobre responsabilidade e indenização por efeitos adversos dos danos ambientais causados pelas atividades realizadas dentro de sua jurisdição. As normas utilizadas por alguns países podem resultar inadequadas e representar um custo social e econômico injustificado para outros.O melhor modo de tratar as questões ambientais da participação de todos os cidadãos interessados no nível correspondente. basear-se em um consenso internacional. ou sob seu controle.

Princípio 15 Com a finalidade de proteger o meio ambiente. Princípio 20 As mulheres desempenham um papel fundamental no planejamento do meio ambiente e no desenvolvimento. Princípio 16 As autoridades nacionais deveriam procurar incentivar a internalização dos custos ambientais e o uso de instrumentos econômicos.Os Estados deveriam cooperar efetivamente para desestimular ou evitar a realocação e a transferência para outros Estados de quaisquer atividades e substâncias que causem degradação ambiental grave ou se considerem nocivas para a saúde humana. em função dos custos. arcar com os custos da contaminação. imprescindível contar com sua plena participação para conseguir o desenvolvimento sustentável. de acordo com suas capacidades. para impedir a degradação do meio ambiente. portanto. É. Princípio 21 . tendo em consideração o critério de que o que contamina deve. A comunidade internacional deverá fazer todo o possível para ajudar os Estados afetados. Princípio 17 Deverá empreender-se uma avaliação do impacto ambiental. os Estados deverão aplicar amplamente o critério de precaução. a falta de certeza cientificamente absoluta não deverá ser utilizada como razão para postergar a adoção de medidas eficazes. para qualquer atividade proposta que possa provavelmente produzir um impacto negativo considerável no meio ambiente e que esteja sujeito à decisão de uma autoridade nacional competente. Quando houver perigo de dano grave ou irreversível. em princípio. levando devidamente em conta o interesse público e sem distorcer o comércio nem os investimentos internacionais. Princípio 19 Os Estados deverão proporcionar a informação pertinente e notificar previamente e de forma oportuna. que sirva de instrumento nacional. Princípio 18 Os Estados deverão notificar imediatamente aos outros Estados os desastres naturais e outras situações de emergência que possam produzir efeitos nocivos súbitos no meio ambiente desses Estados. aos Estados que possivelmente sejam afetados por atividades que possam ter consideráveis efeitos ambientais transfronteiriços adversos e deverão realizar consultas com esses Estados com a devida antecedência e em boa fé.

dominação e ocupação. assim como outras comunidades locais. Princípio 23 Devem ser protegidos os meio ambiente e os recursos naturais dos povos submetidos a opressão. por definição. os ideais e o valor dos jovens do mundo para forjar uma aliança mundial orientada a obter o desenvolvimento sustentável e a assegurar um futuro melhor para todos.Deveriam ser mobilizados a criatividade. Em conseqüência. 1995. Princípio 24 A guerra é. cultura e interesses e tornar possível sua participação efetiva na obtenção do desenvolvimento sustentável.º 3 – "Cartas Patrimoniais"Ministério da Cultura Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional – IPHAN Brasília. . os Estados deveriam respeitar as disposições de Direito Internacional que protegem o meio ambiente em época de conflito armado. Publicado no Caderno de Documentos n. Os Estados deveriam reconhecer e aprovar devidamente sua identidade. inimiga do desenvolvimento sustentável. Princípio 25 A paz. Princípio 26 Os Estados deverão resolver pacificamente todas as controvérsias sobre o meio ambiente em conformidade com a Carta das Nações Unidas. se necessário. Princípio 22 As populações indígenas e suas comunidades. graças aos seus conhecimentos e práticas tradicionais. Princípio 27 Os Estados e as pessoas deverão cooperar de boa fé e com espírito de solidariedade na aplicação dos princípios consagrados nesta declaração e no posterior desenvolvimento do Direito Internacional na esfera do desenvolvimento sustentável. desempenham um papel fundamental no planejamento do meio ambiente e no desenvolvimento. o desenvolvimento e a proteção do meio ambiente são interdependentes e inseparáveis. e cooperar para o seu posterior desenvolvimento.

Que os bens de natureza imaterial devem ser objeto de proteção específica. 2 .Que o patrimônio cultural brasileiro é constituído por bens de natureza material e imaterial. Essas medidas serão formuladas tendo em vista as especificidades das diferentes . promover e fomentar os processos e bens "portadores de referência à identidade. com especial atenção àquelas referentes à cultura popular.Que o IPHAN promova o aprofundamento da reflexão sobre o conceito de bem cultural de natureza imaterial. órgãos de pesquisa. preservar e promover o patrimônio cultural brasileiro. as criações científicas. Propõe e recomenda 1 . com a colaboração de consultores do meio universitário e instituições de pesquisa.Carta de Fortaleza de 14 de novembro de 1997 Em comemoração aos seus 60 anos de criação. fazer e viver. e estiveram presentes. promova. dispondo sobre a criação do instituto jurídico denominado registro. cabe ao IPHAN identificar. juntamente com outras unidades vinculadas ao Ministério da Cultura. artística e tecnológicas". 2 . à ação e à memória dos diferentes grupos formadores da sociedade brasileira" (Artigo 216 da Constituição). proteger. entendidas como iniciativas complementares indispensáveis à proteção legal propiciada pelo instituto do registro. a realização do inventário desses bens culturais em âmbito nacional. em parceria com instituições estaduais e municipais de cultura. considerando: 1 . em nível nacional. com a participação de suas entidades vinculadas e de eventuais colaboradores externos. meios de comunicação e outros. encaminhada pelos poderes públicos e pelos sociais organizados. da UNESCO e da sociedade. os modos de criar.Que o IPHAN. fiscalizar. o Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional . considerados em toda a sua complexidade. e 5 . e 5 . 4 . conforme determina a Constituição Federal.Que os institutos de proteção legal em vigor no âmbito federal não se têm mostrado adequados à proteção do patrimônio cultural de natureza imaterial.Que o Ministério da Cultura viabilize a integração do referido inventário ao Sistema Nacional de Informações Culturais. o Seminário "Patrimônio Imaterial: Estratégias e Formas de Proteção".Que. representantes de diversas instituições públicas e privadas. "as formas de expressão. 3 . 4 . O objetivo do Seminário foi recolher subsídios que permitissem a elaboração de diretrizes e a criação de instrumentos legais e administrativos visando a identificar. voltado especificamente para a preservação dos bens culturais de natureza imaterial.Que o grupo de trabalho estabeleça as necessárias interfaces para que sejam estudadas medidas voltadas para a promoção e o fomento dessas manifestações culturais. para o qual foram convidados. proteger.A crescente demanda pelo reconhecimento e preservação do amplo e diversificado patrimônio cultural brasileiro.IPHAN promoveu em Fortaleza.Que seja criado um grupo de trabalho no Ministério da Cultura. 3 . com o objetivo de desenvolver os estudos necessários para propor a edição de instrumento legal. particularmente. todos signatários deste documento. O plenário. através de seu Departamento de Identificação e Documentação. de 10 a 14 de novembro de 1997. sob a coordenação do IPHAN. diversidade e dinâmica. documentar.

de modo a contemplá-lo em toda a sua amplitude.Que seja constituído um banco de dados acerca das manifestações culturais passíveis de proteção. a partir da experiência do IPHAN. comissionados e funções. 2. buscando valorizar as formas de produção simbólica e cognitiva. considerando sua importância no processo de preservação do patrimônio cultural brasileiro.manifestações culturais. Pela garantia de sobrevivência do IPHAN e de todas as suas conquistas nas áreas de identificação.Que. eficácia. que organiza a proteção do patrimônio histórico e artístico nacional. 25/37. inclusive no que concerne a extinção de cargos efetivos. preservação e promoção do patrimônio cultural brasileiro. documentação. 10 .Que a preservação do patrimônio cultural seja abordada de maneira global. no sentido de que sejam levados em consideração os valores culturais na sua formulação e implementação.Moção de defesa da legislação de preservação Em defesa do reconhecimento. 3. já bastante defasada em relação às suas atribuições legais e administrativas. através da criação de uma carreira especial. e o conseqüente desligamento de servidores não estáveis. O plenário encaminhou as seguintes moções: 1 .Que o Ministério da Cultura procure influir no processo de elaboração das políticas públicas.Que seja desenvolvido um Programa Nacional de Educação Patrimonial. Moção de apoio ao IPHAN Pelo repúdio a qualquer tipo de medida que venha a reduzir a capacidade operacional do IPHAN. 9 . relativamente aos Estudos de Impacto Ambiental (EIA) e Relatórios de Impacto Ambiental (RIMA).Que seja estabelecida uma Política Nacional de Preservação do Patrimônio Cultural com objetivos e metas claramente definidos. o IPHAN encaminhe ao Conselho Nacional do Meio Ambiente (CONAMA) proposta de regulamentação do item relativo ao patrimônio cultural. O plenário ainda recomenda: 6 . e 12 .Que sejam buscadas parcerias com entidades públicas e privadas com o objetivo de conhecer as manifestações culturais de natureza imaterial sobre as quais já existam informações disponíveis. 8 . atualidade e excelência jurídica do Decreto-lei n. Em defesa da criação de instrumentos legais complementares com o objetivo de regulamentar as outras formas de acautelamento e preservação mencionadas no parágrafo primeiro do Artigo 216 da Constituição Federal. Pelo reconhecimento das atividades exercidas pelo IPHAN como função típica de Estado. Moção de apoio ao Ministério da Cultura . e com a participação de outros agentes do poder público e da sociedade. proteção. 7 . cujas disposições foram recepcionadas pela Constituição Federal de 1988. tornando a difusão e o intercâmbio das informações ágil e acessível. em vigor. 11 .

Moção de defesa à Lei de Incentivo à Cultura Pela manutenção dos benefícios previstos na Lei de Incentivo à Cultura. 4. ser objeto de atenção dos órgãos do Ministério da Cultura. de modo a não comprometer suas atribuições institucionais. Moção de congratulações à 4ª Coordenação Regional do IPHAN Pelo reconhecimento da importância de realização do Seminário "Patrimônio Imaterial: estratégias e formas de proteção" e da excelência de sua organização. inclusive no que concerne á extinção de cargos efetivos e o conseqüente desligamento de servidores não estáveis. que estimulam a parceria entre Estado e sociedade na tarefa de preservar e promover o patrimônio cultural brasileiro. a exemplo de outras etnias.Pelo repúdio a qualquer tipo de medida que venha a reduzir a capacidade operacional do Ministério da Cultura e demais entidades vinculadas. 6. 5. . devendo. Moção de apoio às expressões culturais dos povos ameríndios Pelo reconhecimento da cultura indígena como integrante do patrimônio nacional brasileiro.

Artigo 3° . manifestadas ao governo da União. 2° desta Lei será considerado crime contra o Patrimônio Nacional e. estearias e quaisquer outras não especificadas aqui. de acordo com o que estabelece o art. mas de significado idêntico. antes de serem devidamente pesquisados. inscrições e objetos enumerados nas alíneas b. respeitadas as concessões anteriores e não caducas. tais como grutas. para fins econômicos ou outros. que. já estiver procedendo. nos quais se encontram vestígios humanos de interesse arqueológico ou paleoetnográfico. sepulturas ou locais de pouso prolongado ou de aldeamento "estações" e "cerâmios". fiscalização e salvaguarda do interesse da ciência.Qualquer ato que importe na destruição ou mutilação dos monumentos a que se refere o art. aterrados. Artigo 5° . sob pena de multa de Cr$ 10. concheiros. que representem testemunhos da cultura dos paleoameríndios do Brasil. b) os sítios nos quais se encontram vestígios positivos de ocupação pelos paleomeríndios. por intermédio da Diretoria do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional. jazigos. O Presidente da República: Faço saber que o Congresso Nacional decreta e eu sanciono a seguinte lei: Artigo 1° . para qualquer fim. c) os sítios identificados como cemitérios. não inclui a das jazidas arqueológicas ou pré-históricas.Consideram-se monumentos arqueológicos ou pré-históricos: a) as jazidas de qualquer natureza. Artigo 4° .00 a Cr$ 50.A propriedade da superfície. c e d do artigo anterior. poços sepulcrais. tais como sambaquis.Lei n° 3. birbigueiras ou sernambis.00 (dez mil a cinqüenta mil cruzeiros). das jazidas arqueológicas ou pré-históricas conhecidas como sambaquis.Toda pessoa. como tal. à exploração de jazidas arqueológicas ou préhistóricas. 4° . nem a dos objetos nela incorporados na forma do art. na data da publicação desta Lei. origem ou finalidade. dentro de sessenta (60) dias. Parágrafo único . natural ou jurídica. 161 da mesma Constituição. e bem assim dos sítios. o exercício dessa atividade. a destruição ou mutilação. a juízo da autoridade competente. casqueiros. DISPÕE SOBRE OS MONUMENTOS ARQUEOLÓGICOS E PRÉ-HISTÓRICOS.São proibidos em todo território nacional o aproveitamento econômico. registro.000.924 de 26 de julho de1961. Artigo 6° . de acordo com o art.000. d) as inscrições rupestres ou locais como sulcos de polimentos de utensílios e outros vestígios de atividade de paleoameríndios. montes artificiais ou tesos. regida pelo direito comum. 180 da Constituição Federal. para efeito de exame.Os monumentos arqueológicos ou pré-históricos de qualquer natureza existentes no território nacional e todos os elementos que neles se encontram ficam sob a guarda e proteção do Poder Público. punível de acordo com o disposto nas leis penais. deverá comunicar à Diretoria do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional.As jazidas conhecidas como sambaquis. Artigo 2° . lapas e abrigos sob rocha.

Parágrafo único . quando for julgado conveniente. terão precedência para estudo e eventual aproveitamento. deverá ser anexado ao seu pedido o consentimento escrito do proprietário do terreno ou de quem esteja em uso e gozo desse direito. Artigo 7° .Desde que as escavações e estudos devam ser realizados em terreno que não pertença ao requerente.O Ministério da Educação e Cultura poderá cassar a permissão concedida. da prova de idoneidade técnico-científica e financeira do requerente e do nome do responsável pela realização dos trabalhos. através da Diretoria do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional.As escavações devem ser realizadas de acordo com as condições estipuladas no instrumento de permissão. para todos os efeitos.Estando em condomínio a área em que se localiza a jazida. sob nenhum pretexto. sobre o andamento das escavações. salvo a ocorrência de fato excepcional. Artigo 9° . acompanhado de indicação exata do local. são consideradas. penal e administrativamente pelos prejuízos que causar ao Patrimônio Nacional ou a terceiros. Artigo 10° .e registradas na forma do artigo 27 desta Lei. bens patrimoniais da União. b) sejam suspensos os trabalhos de campo por prazo superior a doze (12) meses. Artigo 11° . em conformidade com o Código de Minas. impedir a inspeção dos trabalhos por delegado especialmente designado pela Diretoria do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional.O direito de realizar escavações para fins arqueológicos. para as providências cabíveis. uma vez que: a) não sejam cumpridas as prescrições da presente Lei e do instrumento de concessão da licença. CAPÍTULO II Das Escavações Arqueológicas realizadas por particulares Artigo 8° .As jazidas arqueológicas ou pré-históricas de qualquer natureza.O permissionário fica obrigado a informar à Diretoria do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional. Parágrafo 2° . Artigo 12° .A permissão terá por título uma portaria do Ministro da Educação e Cultura. 4° e 6° desta Lei. não manifestadas e registradas na forma dos arts. que responderá civil.As escavações devem ser necessariamente executadas sob orientação do permissionário. ficando obrigado a respeitá-lo o proprietário ou possuidor do solo. não podendo o responsável. constitui-se mediante permissão do Governo da União. cuja notificação deverá ser feita imediatamente.O pedido de permissão deve ser dirigido à Diretoria do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional. que será transcrita em livro próprio da Diretoria do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional e na qual ficarão estabelecidas as condições a serem observadas ao desenvolvimento das escavações e estudos. Parágrafo 1° . trimestralmente. em terras de domínio público ou particular. Parágrafo 3° . eleito na forma do Código Civil. do vulto e da duração aproximada dos trabalhos a serem executados. somente poderá requerer a permissão o administrador ou cabecel. salvo motivo .

CAPÍTULO IV Das Descobertas Fortuitas Artigo 17° .Terminados os estudos. ou parte dele.Dessa comunicação deve constar. poderá realizar escavações arqueológicas ou pré-históricas. para fins de registro no cadastro de jazidas arqueológicas. para realização de escavações nas jazidas declaradas de utilidade pública. antes do início dos estudos.À falta de acordo amigável com o proprietário da área onde se situar a jazida. de 21 de junho de 1941. Parágrafo único . Artigo 14° . dos Estados ou dos Municípios. com exceção das áreas muradas que envolvam construções domiciliares. direito imanente ao Estado. em princípio. no interesse da Arqueologia e da Pré-história em terrenos de propriedade particular. nos termos do art. mesmo no caso do art. deverá ser lavrado um auto. o tipo ou a designação da jazida. CAPÍTULO III Das Escavações Arqueológicas realizadas por Instituições Científicas Especializadas da União. 5°. alíneas K e L do Decreto-lei n° 3. será esta declarada de utilidade pública e autorizada a sua ocupação pelo período necessário à execução dos estudos.365. Parágrafo único .Em casos especiais e em face do significado arqueológico excepcional das jazidas. Artigo 16° .Em caso de as escavações produzirem a destruição de um relevo qualquer. sem prévia comunicação à Diretoria do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional. na sua feição primitiva.A União. Artigo 15° . por utilidade pública. essa obrigação só terá cabimento quando se comprovar que.A posse e a salvaguarda dos bens de natureza arqueológica ou pré-histórica constituem. o local deverá ser restabelecido. poderá ser promovida a desapropriação do imóvel. obrigatoriamente o local. bem como os Estados e Municípios mediante autorização federal. no qual se descreva o aspecto exato do local. de 21 de junho de 1941. c) no caso de não cumprimento do parágrafo 3° do artigo anterior. com fundamento no art. Parágrafo 1° . 36 do Decreto-lei n° 3.No caso de ocupação temporária do terreno. Parágrafo 2° . posteriormente. poderão proceder a escavações e pesquisas.de força maior. desse aspecto particular do terreno.Nenhum órgão da administração federal. . o nome do especialista encarregado das escavações. o permissionário não terá direito a indenização alguma pela despesas que tiver efetuado. sempre que possível. uma súmula dos resultados obtidos e do destino do material coletado.365. os indícios que determinaram a escolha do local e. Parágrafo único .Em qualquer dos casos acima enumerados. devidamente comprovado. 28 desta Lei. resultavam incontestáveis vantagens para o proprietário. dos Estados e dos Municípios Artigo 13° .

poderá ser realizado na forma e nas condições prescritas pelo Código de Minas. Artigo 23° . para o exterior.Nenhum objeto que apresente interesse arqueológico ou pré-histórico. Artigo 20° . Parágrafo único . ou aos órgãos oficiais autorizados.O Conselho de Fiscalização das Expedições Artísticas e Científicas encaminhará Diretoria do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional qualquer pedido de cientista estrangeiro. CAPÍTULO V Da remessa. objeto desta Lei.A infringência da obrigação imposta no artigo anterior implicará na apreensão sumária do achado. uma parte significativa. . sem licença expressa da Diretoria do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional. como blocos testemunhos.Nenhuma autorização de pesquisa ou de lavra para jazidas de calcário de concha. pelo autor do achado ou pelo proprietário do local onde tiver ocorrido. artístico ou numismático deverá ser imediatamente comunicada à Diretoria do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional. sempre que possível ou conveniente. até o pronunciamento e deliberação da Diretoria do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional. constante de uma "guia" de liberação na qual serão devidamente especificados os objetos a serem transferidos. que possua as características de monumentos arqueológicos ou pré-históricos.O aproveitamento econômico das jazidas. Numismático ou Artístico. sem prejuízo das demais cominações legais a que estiver sujeito o responsável. uma vez concluída a sua exploração científica.O proprietário ou ocupante do imóvel onde se tiver verificado o achado é responsável pela conservação provisória da coisa descoberta. a ser protegida pelos meios convenientes. de objetos de interesse Arqueológico ou Pré-histórico.A descoberta fortuita de quaisquer elementos de interesse arqueológico ou préhistórico. mediante parecer favorável da Diretoria do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional ou do órgão oficial autorizado. razão deste artigo. Artigo 19° .A inobservância da prescrição do artigo anterior implicará na apreensão sumária do objeto a ser transferido. em decorrência da omissão. para realizar escavações arqueológicas ou pré-históricas no país.Artigo 18° . Histórico. numismático ou artístico poderá ser transferido para o exterior. sem prejuízo da responsabilidade do inventor pelos danos que vier a causar ao Patrimônio Nacional. Parágrafo único . Artigo 24° . Artigo 21° . poderá ser concedida sem audiência prévia da Diretoria do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional.De todas as jazidas será preservada. será entregue à Diretoria do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional.O objeto apreendido. Parágrafo único . CAPÍTULO VI Disposições Gerais Artigo 22° .

A realização de escavações arqueológicas ou pré-históricas.As atribuições conferidas ao Ministério da Educação e Cultura. Jânio Quadros Brigido Tinoco Oscar Pedroso Horta Clemente Mariani João Agripino . preservação e estudo das jazidas arqueológicas e pré-históricas. bem como de instituições que tenham entre seus objetivos específicos o estudo e a defesa dos monumentos arqueológicos e pré-históricos. Artigo 28° .000.000.Para melhor execução da presente Lei.Esta lei entrará em vigor na data de sua publicação. de acordo com o disposto nesta Lei. em 26 de julho de 1961.00 (cinqüenta mil cruzeiros). Artigo 26° .Artigo 25° . 140° da Independência e 73° da República.No caso deste artigo. a regulamentação que for julgada necessária à sua fiel execução. municipais.A Diretoria do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional manterá um Cadastro dos monumentos arqueológicos do Brasil.O poder Executivo baixará. a partir da vigência desta Lei. Artigo 31° . dará lugar à multa de Cr$ 5. com infringência de qualquer dos dispositivos desta Lei. conforme o caso. organizado para a preservação e estudo desses monumentos. que disponha de serviços técnico-administrativos especialmente organizados para a guarda. para o Patrimônio Nacional. estaduais. sem prejuízo de sumária apreensão e conseqüente perda.00 (cinco mil cruzeiros) a Cr$ 50. Artigo 27° . de todo o material e equipamento existente no local. poderão ser delegadas a qualquer unidade da Federação. bem como das que se tornarem conhecidas por qualquer via. bem como de recursos suficientes para o custeio e bom andamento dos trabalhos. a Diretoria do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional poderá solicitar a colaboração de órgãos federais.Aos infratores desta Lei serão aplicadas as sanções dos artigos 163 a 167 do Código Penal. o produto das multas aplicadas e apreensões de material legalmente feitas reverterá em benefício do serviço estadual. no qual serão registrados todas as jazidas manifestadas. Artigo 29° . Parágrafo único . revogadas as disposições em contrário. no prazo de 120 dias. sem prejuízo de outras penalidades cabíveis. Artigo 30° . para o cumprimento desta Lei. Brasília.

quer por sua vinculação a fatos memoráveis da história do Brasil. a saber: . 180 da Constituição. bibliográfico ou artístico. que façam carreira no País. 4º) que pertençam a casas de comércio de objetos históricos ou artísticos. 3º) que se incluam entre os bens referidos no art. bem como os sítios e paisagens que importe conservar e proteger pela feição notável com que tenham sido dotados pela Natureza ou agenciados pela indústria humana. 6º) que sejam importadas por empresas estrangeiras expressamente para adorno dos respectivos estabelecimentos. 10 da Introdução ao Código Civil. nos quais serão inscritas as obras a que se refere o art.O Serviço do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional possuirá quatro Livros do Tombo. O Presidente da República dos Estados Unidos do Brasil. quer por seu excepcional valor arqueológico ou etnográfico. § 1º .Decreto-lei n° 25 de 30 de novembro de 1937 ORGANIZA A PROTEÇÃO DO PATRIMÔNIO HISTÓRICO E ARTÍSTICO NACIONAL. e que continuam sujeitas à lei pessoal do proprietário. Parágrafo único: As obras mencionadas nas alíneas 4 e 5 terão guia de licença para livre trânsito. Artigo 2º . CAPÍTULO II Do Tombamento Artigo 4º . usando da atribuição que lhe confere o art. bem como às pessoas jurídicas de direito privado e de direito público interno.A presente lei se aplica às coisas pertencentes às pessoas naturais. 2º) que adornem quaisquer veículos pertencentes a empresas estrangeiras. 5º) que sejam trazidas para exposições comemorativas.Excluem-se do patrimônio histórico e artístico nacional as obras de origem estrangeira: 1º) que pertençam às representações diplomáticas ou consulares acreditadas no País. Artigo 3º . fornecida pelo Serviço do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional. decreta: CAPÍTULO I Do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional Artigo 1º .Constitui o patrimônio histórico e artístico nacional o conjunto dos bens móveis e imóveis existentes no País e cuja conservação seja de interesse público.Os bens a que se refere o presente artigo só serão considerados parte integrante do patrimônio histórico e artístico nacional depois de inscritos separada ou agrupadamente num dos quatro Livros do Tombo. 1º desta lei. 4º desta lei.Equiparam-se aos bens a que se refere o presente artigo e são também sujeitos a tombamento os monumentos naturais. de que trata o Art. educativas ou comerciais. § 2º .

ou sempre que o mesmo proprietário anuir. as coisas pertencentes às categorias de arte arqueológica. aos Estados e aos Municípios se fará de ofício por ordem do Diretor do Serviço do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional. 3º) no Livro do Tombo das Belas-Artes. . dentro do prazo de quinze dias. 2º) no caso de não haver impugnação dentro do prazo assinado. será o processo remetido ao Conselho Consultivo do Serviço do Patrimônio Histórico Nacional.Proceder-se-á ao tombamento voluntário sempre que o proprietário o pedir e a coisa se revestir dos requisitos necessários para constituir parte integrante do patrimônio histórico e artístico nacional a juízo do Conselho Consultivo do Serviço do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional. Artigo 9º .O tombamento dos bens. Artigo 6º .O tombamento dos bens pertencentes à União. independentemente de custas.Os bens. por escrito. ao órgão de que houver emanado a iniciativa do tombamento. Artigo 10º . 3 e 4 do presente artigo. que se lhe fizer. as coisas de arte erudita nacional ou estrangeira. a contar do seu recebimento. a contar do recebimento da notificação. etnográfica. a que se refere o art. § 1º . ou sob cuja guarda estiver a coisa tombada. dentro de outros quinze dias fatais. que é fatal. Artigo 8º . que se incluem nas categorias enumeradas nas alíneas 1. 4º) no Livro do Tombo das Artes Aplicadas. se o quiser impugnar. 6º desta lei. que proferirá decisão a respeito.O tombamento de coisa pertencente à pessoa natural ou à pessoa jurídica de direito privado se fará voluntária ou compulsoriamente. serão definidos e especificados no regulamento que for expedido para execução da presente lei. dentro do prazo de sessenta dias. Dessa decisão não caberá recurso. oferecer dentro do mesmo prazo as razões de sua impugnação. Em seguida. 3º) se a impugnação for oferecida dentro do prazo assinado. para inscrição da coisa em qualquer dos Livros do Tombo. Artigo 7º . notificará o proprietário para anuir ao tombamento. será considerado provisório ou definitivo. nacionais ou estrangeiras. e bem assim as mencionadas no § 2º do citado art.Cada um dos Livros do Tombo poderá ter vários volumes. ou para. 2. Etnográfico e Paisagístico. § 2º . mas deverá ser notificado à entidade a quem pertencer. por seu órgão competente. o diretor do Serviço do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional mandará por simples despacho que proceda à inscrição da coisa no competente Livro do Tombo. far-se-á vista da mesma. Artigo 5º . as coisas de interesse histórico e as obras de arte histórica.O tombamento compulsório se fará de acordo com o seguinte processo: 1º) O Serviço do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional. ameríndia e popular. 1º. 2º) no Livro do Tombo Histórico. a fim de sustentá-la. conforme esteja o respectivo processo iniciado pela notificação ou concluído pela inscrição dos referidos bens no competente Livro do Tombo.Proceder-se-á ao tombamento compulsório quando o proprietário se recusar a anuir à inscrição da coisa. a fim de produzir os necessários efeitos. à notificação. as obras que se incluírem na categoria das artes aplicadas.1º) no Livro do Tombo Arqueológico.

A pessoa que tentar a exportação de coisa tombada. da coisa tombada. e a deslocação pelo proprietário.No caso de reincidência. dentro do mesmo prazo e sob pena da mesma multa.Na hipótese de deslocação de tais bens. além de incidir na multa a que se referem os parágrafos anteriores. salvo a disposição do art.Tentada. dela deve o adquirente dar imediato conhecimento ao Serviço do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional. fazê-la constar do registro. que permanecerá seqüestrada em garantia do pagamento. § 1º .No caso de extravio ou furto de qualquer objeto tombado. 13 desta lei. deverá o adquirente.Parágrafo único . § 2º . dentro do mesmo prazo e sob a mesma pena. Artigo 14 . Parágrafo único. Feita a transferência. o tombamento provisório se equipará ao definitivo. a juízo do Conselho Consultivo do Serviço do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional. o respectivo proprietário deverá dar conhecimento do fato ao Serviço do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional. ao Serviço do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional. dentro do prazo de trinta dias. CAPÍTULO III Dos efeitos do tombamento Artigo 11 . Artigo 13 . § 1º . e até que este se faça. .O tombamento definitivo dos bens de propriedade particular será. senão por curto prazo. inalienáveis por natureza. só poderão ser transferidas de uma à outra das referidas entidades. transcrito para os devidos efeitos em livro a cargo dos oficiais do registro de imóveis e averbado ao lado da transcrição do domínio. inscrevê-los no registro do lugar para que tiveram sido deslocados. sofrerá as restrições constantes da presente lei.A transferência deve ser comunicada pelo adquirente.A coisa tombada não poderá sair do País.Apurada a responsabilidade do proprietário. § 3º . dentro do prazo de cinco dias. aos Estados ou aos Municípios. a exportação para fora do País. § 3º . a não ser no caso previsto no artigo anterior. Artigo 15 . sob pena de multa de dez por centro sobre o respectivo valor.A alienabilidade das obras históricas ou artísticas tombadas. Artigo 12 . incorrerá nas penas cominadas no Código Penal para o crime de contrabando.Para todos os efeitos. será esta seqüestrada pela União ou pelo Estado em que se encontrar.As coisas tombadas. ainda que se trate de transmissão judicial ou causa mortis. ser-lhe-á imposta a multa de cinqüenta por cento do valor da coisa. § 2º . sem transferência de domínio e para fim de intercâmbio cultural. sob pena de multa de dez por cento sobre o valor da coisa. deverá o proprietário. que pertençam à União. por iniciativa do órgão competente do Serviço do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional. de propriedade de pessoas naturais ou jurídicas de direito privado. a multa será elevada ao dobro. Artigo 16 .No caso de transferência de propriedade dos bens de que trata este artigo.

Artigo 17 - As coisas tombadas não poderão, em caso nenhum, ser destruídas, demolidas ou mutiladas, nem, sem prévia autorização especial do Serviço do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional, ser reparadas, pintadas ou restauradas, sob pena de multa de cinqüenta por cento do dano causado. Parágrafo único: Tratando-se de bens pertencentes à União, aos Estados ou aos Municípios, a autoridade responsável pela infração do presente artigo incorrerá pessoalmente na multa. Artigo 18 - Sem prévia autorização do Serviço do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional, não se poderá, na vizinhança da coisa tombada, fazer construção que lhe impeça ou reduza a visibilidade, nem nela colocar anúncios ou cartazes, sob pena de ser mandada destruir a obra ou retirar o objeto, impondo-se neste caso multa de cinqüenta por cento do valor do mesmo objeto. Artigo 19 - O proprietário de coisa tombada, que não dispuser de recursos para proceder às obras de conservação e reparação que a mesma requerer, levará ao conhecimento do Serviço do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional e necessidade das mencionadas obras, sob pena de multa correspondente ao dobro da importância em que for avaliado o dano sofrido pela mesma coisa. § 1º - Recebida a comunicação, e consideradas necessárias as obras, o diretor do Serviço do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional mandará executá-las, a expensas da União, devendo as mesmas ser iniciadas dentro do prazo de seis meses, ou providenciará para que seja feita a desapropriação da coisa. § 2º - À falta de qualquer das providências previstas no parágrafo anterior, poderá o proprietário requerer que seja cancelado o tombamento da coisa. § 3º - Uma vez que verifique haver urgência na realização de obras e conservação ou reparação em qualquer coisa tombada, poderá o Serviço do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional tomar a iniciativa de projetá-las e executá-las, a expensas da União, independentemente da comunicação a que alude este artigo, por parte do proprietário. Artigo 20 - As coisas tombadas ficam sujeitas à vigilância permanente do Serviço do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional, que poderá inspecioná-las sempre que for julgado conveniente, não podendo os respectivos proprietários ou responsáveis criar obstáculos à inspeção, sob pena de multa de cem mil réis, elevada ao dobro em caso de reincidência. Artigo 21 - Os atentados cometidos contra os bens de que trata o art. 1º desta lei são equiparados aos cometidos contra o patrimônio nacional. CAPÍTULO IV Do direito de preferência Artigo 22 - Em face da alienação, onerosa de bens tombados, pertencentes a pessoas naturais ou a pessoas jurídicas de direito privado, a União, os Estados e os Municípios terão, nesta ordem, o direito de preferência. § 1º - Tal alienação não será permitida sem que previamente sejam os bens oferecidos, pelo mesmo preço, à União, bem como ao Estado e ao Município em que se encontrarem. O proprietário deverá notificar os titulares do direito de preferência a usá-lo, dentro de trinta dias, sob pena de perdê-lo.

§ 2º - É nula a alienação realizada com violação do disposto no parágrafo anterior, ficando qualquer dos titulares do direito de preferência habilitado a seqüestrar a coisa e a impor a multa de vinte por cento do seu valor ao transmitente e ao adquirente, que serão por ela solidariamente responsáveis. A nulidade será pronunciada, na forma da lei, pelo juiz que conceder o sequestro, o qual só será levantado depois de paga a multa e se qualquer dos titulares do direito de preferência não tiver adquirido a coisa no prazo de trinta dias. § 3º - O direito de preferência não inibe o proprietário de gravar livremente a coisa tombada, de penhor, anticrese ou hipoteca. § 4º - Nenhuma venda judicial de bens tombados se poderá realizar sem que, previamente, os titulares do direito de preferência sejam disso notificados judicialmente, não podendo os editais de praça ser expedidos, sob pena de nulidade, antes de feita a notificação. § 5º - Aos titulares do direito de preferência assistirá o direito de remissão, se dela não lançarem mão, até a assinatura do auto de arrematação ou até a sentença de adjudicação, as pessoas que, na forma da lei, tiverem a faculdade de remir. § 6º - O direito de remissão por parte da União, bem como do Estado e do Município em que os bens se encontrarem, poderá ser exercido, dentro de cinco dias a partir da assinatura do auto de arrematação ou da sentença de adjudicação, não se podendo extrair a carta enquanto não se esgotar este prazo, salvo se o arrematante ou o adjudicante for qualquer dos titulares do direito de preferência. CAPÍTULO V Disposições gerais Artigo 23 - O Poder Executivo providenciará a realização de acordos entre a União e os Estados, para melhor coordenação e desenvolvimento das atividades relativas à proteção do patrimônio histórico e artístico nacional e para a uniformização da legislação estadual complementar sobre o mesmo assunto. Artigo 24 - A União manterá, para conservação e exposição de obras históricas e artísticas de sua propriedade, além do Museu Histórico Nacional e do Museu Nacional de Belas Artes, tantos outros museus nacionais quantos se tornarem necessários, devendo outrossim providenciar no sentido a favorecer a instituição de museus estaduais e municipais, com finalidades similares. Artigo 25 - O Serviço do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional procurará entendimentos com as autoridades eclesiásticas, instituições científicas, históricas ou artísticas e pessoas naturais e jurídicas, com o objetivo de obter a cooperação das mesmas em benefício do patrimônio histórico e artístico nacional. Artigo 26 - Os negociantes de antigüidade, de obras de arte de qualquer natureza, de manuscritos e livros antigos ou raros são obrigados a um registro especial no Serviço do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional, cumprindo-lhes outrossim apresentar semestralmente ao mesmo relações completas das coisas históricas e artísticas que possuírem. Artigo 27 - Sempre que os agentes de leilões tiverem de vender objetos de natureza idêntica à dos mencionados no artigo anterior, deverão apresentar a respectiva relação ao órgão competente do Serviço do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional, sob pena de incidirem na multa de cinqüenta por cento sobre o valor dos objetos vendidos.

Artigo 28 - Nenhum objeto de natureza idêntica à dos referidos no art. 26 desta lei poderá ser posto à venda pelos comerciantes ou agentes de leilões, sem que tenha sido previamente autenticado pelo Serviço do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional, ou por perito em que o mesmo se louvar, sob pena de multa de cinqüenta por cento sobre o valor atribuído ao objeto. Parágrafo único: A autenticação do mencionado objeto será feita mediante o pagamento de uma taxa de peritagem de cinco por cento sobre o valor da coisa, se este for inferior ou equivalente a um conto de réis, e de mais cinco mil-réis por conto de réis ou fração que exceder. Artigo 29 - O titular do direito de preferência goza de privilégio especial sobre o valor produzido em praça por bens tombados, quanto ao pagamento de multas impostas em virtude de infrações da presente lei. Parágrafo único - Só terão prioridade sobre o privilégio a que se refere este artigo os créditos inscritos no registro competente antes do tombamento da coisa pelo Serviço Nacional do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional. Artigo 30 - Revogam-se as disposições em contrário. Rio de Janeiro, em 30 de novembro de 1937; 116º da Independência e 49º da República. Getúlio Vargas Gustavo Capanema

na Lei no 10. de 30 de novembro de 1937. no uso das atribuições que lhe são conferidas pelo art. e outras categorias.924.405.003.807. de 30 de novembro de 1937. de 20 de dezembro de 1. a fim de equiparar as oportunidades de fruição destes bens pelo conjunto da sociedade. em cada caso específico. 20. redução ou superação de barreiras na promoção da acessibilidade aos bens culturais imóveis devem compatibilizar-se com a sua preservação e. de trânsito.048. de 19 de dezembro de 2. de 12 de novembro de 1. resolve: 1. observadas as seguintes premissas: a) As intervenções poderão ser promovidas através de modificações espaciais e estruturais. c) O limite para a adoção de soluções em acessibilidade decorrerá da avaliação sobre a possibilidade de comprometimento do valor testemunhal e da integridade estrutural resultantes. devendo ser legíveis como adições do tempo presente. de 19 de agosto de 2.924.985.INSTITUTO DO PATRIMÔNIO HISTÓRICO E ARTÍSTICO NACIONAL INSTRUÇÃO NORMATIVA Nº 1. 1.1. critérios e recomendações para a promoção das devidas condições de acessibilidade aos bens culturais imóveis especificados nesta Instrução Normativa. Tendo como referências básicas a LF 10. avaliando-se as possibilidades de adoção de soluções em acessibilidade frente às limitações inerentes à preservação do bem cultural imóvel em questão.000. de 08 de novembro de 2.000 e na Lei no 10. regida por norma legal específica . Estabelecer diretrizes. 1.2.999. a NBR9050 da ABNT e esta Instrução Normativa. tendo em vista o disposto no Decreto-lei no 25. as soluções adotadas para a eliminação.098. pela Lei 3. no caso dos monumentos arqueológicos ou pré-históricos. conforme especifica.853. na Lei no 7. de 24 de outubro de 1989.098/2000. Dispõe sobre a acessibilidade aos bens culturais imóveis acautelados em nível federal. pela incorporação de dispositivos. em harmonia com o conjunto. que cria o instituto do tombamento ou. no Decreto no 3.961.811.Decreto-lei no 25. assegurar condições de acesso. de 26 de julho de 1961. de 26 de julho de 1. de orientação e de comunicação. na Lei no 3. inciso V. em especial pelas pessoas portadoras de deficiência ou com mobilidade reduzida. A PRESIDENTE DO INSTITUTO DO PATRIMÔNIO HISTÓRICO E ARTÍSTICO NACIONAL. sistemas e redes de informática. b) Cada intervenção deve ser considerada como um caso específico. bem como pela utilização de ajudas técnicas e sinalizações específicas. . do Anexo I ao Decreto nº 4. Para efeito desta Instrução Normativa são adotadas as seguintes definições: a) Acautelamento: forma de proteção que incide sobre o bem cultural. de forma a assegurar a acessibilidade plena sempre que possível. de 21 de outubro de 1998. o Decreto nº 2. na Lei no 7.298. DE 25 DE NOVEMBRO DE 2003. facilitando a utilização desses bens e a compreensão de seus acervos para todo o público.

dos espaços. histórico. c) Bens culturais imóveis acautelados em nível federal: bens imóveis caracterizados por edificações e/ou sítios dotados de valor artístico. histórico. dos transportes e dos sistemas e meios de comunicação. segura e confortável. podendo compreender também o seu entorno ou vizinhança. com segurança e autonomia. a liberdade de movimento e a circulação com segurança das pessoas. II) barreiras arquitetônicas na edificação: as existentes no interior dos edifícios públicos e privados. etnográfico. legalmente protegidos pelo Iphan. com o objetivo de assegurar a visibilidade e a ambiência do bem ou do conjunto. g) Restauração: conjunto de intervenções de caráter intensivo que. etnográfico . h) Acessibilidade: possibilidade e condição de alcance para utilização. paisagístico. sejam ou não de massa.b) Bem cultural: elemento que por sua existência e característica possua significação cultural para a sociedade . cuja proteção se dê em caráter individual ou coletivo. e) Conservação: intervenção voltada para a manutenção das condições físicas de um bem. III) barreiras nas comunicações: qualquer entrave ou obstáculo que dificulte ou impossibilite a expressão ou o recebimento de mensagens por intermédio dos meios ou sistemas de comunicação. de forma autônoma. com base em metodologia e técnica específicas. j) Barreiras: qualquer entrave ou obstáculo que limite ou impeça o acesso. d) Preservação: conjunto de ações que visam garantir a permanência dos bens culturais.seja individualmente ou em conjunto. mobiliários e equipamentos urbanos. paisagístico. por pessoa portadora de deficiência ou com mobilidade reduzida.valor artístico. arqueológico. classificadas em: I) barreiras arquitetônicas urbanísticas: as existentes nas vias públicas e nos espaços de uso público. f) Manutenção: operação contínua de promoção das medidas necessárias ao funcionamento e permanência dos efeitos da conservação. respeitadas as marcas de sua passagem através do tempo. localizados em áreas urbanas ou rurais. se for o caso. das edificações. i) Pessoa portadora de deficiência ou com mobilidade reduzida: a que temporária ou permanentemente tem limitada sua capacidade de relacionar-se com o meio e de utilizá-lo. l) Desenho universal: solução que visa atender simultaneamente maior variedade de pessoas com diferentes características antropométricas e sensoriais. arqueológico. visa recuperar a plenitude de expressão e a perenidade do bem cultural. com o intuito de conter a sua deterioração. .

contexto no qual se inserem as terminologias quanto aos usos das edificações. entende-se como: (1) de uso público. lixeiras. uso coletivo e uso privado: a partir da compreensão da LF 10. seja unifamiliar ou multifamiliar. bem como a densidade populacional da área no caso de sítios históricos urbanos. 1.3.3. toldos. tais como semáforos. quando da intervenção para preservação. com base no exercício do poder de polícia do Instituto. tais como os referentes a pavimentação. aquelas com destinação residencial. a ordem de relevância cultural e de afluxo de visitantes. inerente à sua condição autárquica. os níveis de intervenção estabelecidos pelos responsáveis para cada imóvel. iluminação pública. os serviços e fluxos da rede urbana. (3) de uso privado. compreendendo os espaços internos e externos às edificações. sempre que couber. (2) de uso coletivo. Os imóveis próprios ou sob a administração do Iphan deverão atender as exigências da LF 10. marquises. especialmente o estabelecido no art.098/2000. postes de sinalização e similares. abastecimento e distribuição de água. 23 da referida lei. b) Os bens culturais imóveis acautelados em nível federal serão adaptados gradualmente. com base nesta Instrução Normativa.3. tendo em vista proporcionar à comunidade o efeito demonstrativo da ação do Iphan.098/2000. sem prejuízo das obrigações quanto à preservação.2. q) Uso público. aquelas apropriadas ou administradas por entidades da Administração Pública e empregadas diretamente para atender ao interesse público. encanamento para esgotos. fontes públicas. Superintendências e Unidades. em ações propostas pelo Iphan. de forma que sua modificação ou traslado não provoque alterações substanciais nestes elementos. aquelas cuja utilização está voltada para fins comerciais ou de prestação de serviços (incluindo atividades de lazer e cultura) e abertas ao público em geral e. superpostos ou adicionados aos elementos da urbanização ou da edificação. salvo a realização de obras de conservação ou . respeitando-se a disponibilidade orçamentária. observando-se as seguintes orientações: a) Soluções em acessibilidade deverão ser implementadas em curto prazo. cabines telefônicas.1. 1. 1. aos responsáveis pelos bens culturais imóveis acautelados em nível federal. verificada a disponibilidade imediata de recursos técnicos e financeiros. n) Ajuda técnica: qualquer elemento que facilite a autonomia pessoal ou possibilite o acesso e o uso de meio físico. o) Elemento da urbanização: qualquer componente das obras de urbanização. Os bens culturais imóveis acautelados em nível federal de propriedade de terceiros. p) Mobiliário Urbano: o conjunto de objetos existentes nas vias e espaços públicos. distribuição de energia elétrica. Aplicar-se-á a presente Instrução Normativa do Iphan. paisagismo e os que materializam as indicações do planejamento urbanístico. no cumprimento de suas obrigações quanto à acessibilidade e.m) Rota acessível: interligação ou percurso contínuo e sistêmico entre os elementos que compõem a acessibilidade. quiosques e quaisquer outros de natureza análoga. conforme as categorias de imóveis e condições a seguir relacionadas. por seus respectivos Departamentos. saneamento.

conforme a LF 10. quando da realização de obras de construção. para análise e aprovação do Iphan. Nos casos previstos para aplicação desta Instrução Normativa. acesso e atendimento adequados. porém destinado ao uso público ou coletivo. nas seguintes situações: a) Imóveis de uso privado . investigações sobre materiais. na construção em terrenos não edificados e na reforma ou ampliação de edificações.3. guarda e utilização dos bens culturais imóveis acautelados em nível federal. quando destinadas ao uso público ou coletivo e ainda que desprovidas de características relevantes para o patrimônio cultural. Identificar. reforma ou ampliação. 1. estadual ou municipal. 11 da LF 10. a adoção de soluções em acessibilidade dependerá de apresentação prévia de projeto pelo interessado. 2. reunir e difundir informações destinadas a reduzir ou eliminar barreiras para promoção da acessibilidade aos bens culturais imóveis acautelados em nível federal. de modo a assegurar ao portador de deficiência e à pessoa com mobilidade reduzida. conforme o art. a esta Instrução Normativa. tais como pesquisas ergonômicas. Elaborar e aperfeiçoar métodos. manuais e ajudas técnicas.por força da legislação federal. legislação. reconstrução ou ampliação. apontando para a necessidade de reconhecer a diversidade dos usuários nas diversas ações de preservação. paisagísticos ou arqueológicos acautelados em nível federal . estão sujeitos à promoção de soluções em acessibilidade. O imóvel não acautelado em nível federal. tendo em vista a avaliação das condições de acessibilidade real e potencial dos bens culturais imóveis acautelados em nível federal. Promover a capacitação dos quadros técnico e administrativo. b) Imóveis de uso público ou de uso coletivo . utilizando fontes diversas.098/2000.manutenção.098/2000. deverá pautar-se nas diretrizes seguintes. normas e regulamentos. que servirão de fundamentação ao Plano Plurianual de Ação em Acessibilidade do Instituto: 2. parâmetros.3.2.nos casos previstos nas alíneas (a) e (b). inclusive através de intercâmbio internacional. . no qual estiver integrado bem escultórico ou pictórico tombado pelo Iphan sujeita-se. em atendimento às iniciativas do Iphan ou dos demais gestores culturais competentes. a fim de orientar a elaboração de diagnósticos e manutenção de registro dos resultados em inventários. c) Imóveis inseridos em sítios históricos. instrumentos de análise e de acompanhamento. 2. Tendo em vista a implementação do disposto nesta Instrução Normativa.3. a serem previamente submetidas ao Iphan.1.nos casos de intervenção.4. que implique em obras de reforma. bem como a apreciação. por iniciativa espontânea do proprietário na promoção de soluções em acessibilidade. 2. incluída a restauração. no que couber. na implantação de rotas acessíveis e remoção de barreiras presentes no espaço urbano ou natural. critérios. técnicas e equipamentos. pela substituição do uso privado por outro uso ou atividade que implique no cumprimento de determinações legais referentes às condições de acessibilidade. 1. a atuação do corpo funcional do Iphan e demais gestores de bens culturais imóveis acautelados em nível federal.

especialmente no tocante à acessibilidade aos bens culturais imóveis acautelados em nível federal. através da discussão conjunta de alternativas e do acompanhamento e avaliação. 2. avaliados e aprovados pelas unidades do Iphan. tais como instituições universitárias. 2. 2. c) A inserção de critérios para promoção da acessibilidade nos programas de preservação. incorporem soluções em acessibilidade segundo os preceitos do desenho universal e rota acessível. no âmbito de sua competência. programas e ações em acessibilidade da União. Articular-se com as organizações representativas de pessoas portadoras de deficiência ou com mobilidade reduzida. Sistematizar experiências e compilar padrões e critérios. e demais categorias quando couber. entre outros. tendo em vista: a) O desenvolvimento de ações dirigidas para a associação do tema da acessibilidade com a preservação de bens culturais imóveis acautelados em nível federal e respectivos acervos. que estejam diretamente afetos ao tema da preservação do patrimônio histórico e cultural ou que nele venham a interferir. a fim de garantir a correta aplicação de soluções em acessibilidade.7. sob a aprovação ou orientação do Iphan.aprovação e implementação de projetos de intervenção e a formulação de programas. para que.4. Atuar em conjunto com os agentes públicos e realizar parcerias com os agentes privados e a sociedade organizada. sobre a ação do Iphan na adoção de soluções para acessibilidade aos bens culturais imóveis acautelados em nível federal. Dar ampla divulgação à presente Instrução Normativa. órgãos públicos e concessionários.8. visando: a) O engajamento do Iphan no planejamento das políticas. a fim de instruir Manual Técnico destinado a estabelecer parâmetros básicos para acessibilidade aos bens culturais imóveis acautelados em nível federal. organizações de profissionais. b) A elaboração e implementação de programas específicos para acessibilidade aos bens culturais imóveis acautelados em nível federal. . entre outras práticas.6. Informar aos agentes de interesse.5. b) Assegurar a sua participação nos processos de intervenção. e) A captação e direcionamento de recursos para o financiamento de ações para promoção da acessibilidade aos bens culturais imóveis acautelados em nível federal. observada em cada caso a compatibilidade com as características do bem e seu entorno. de revitalização e de promoção de bens culturais imóveis acautelados em nível federal sob a responsabilidade ou com a participação do Iphan. d) A compatibilidade de procedimentos entre os diferentes níveis de governo. a fim de estimular iniciativas adequadas de intervenção nos bens culturais imóveis acautelados em nível federal. 2. e propiciar a atualização permanente dos procedimentos. instrumentos e práticas da Instituição. 2.

através de . iconográfico e documental -. dispositivos e ajudas técnicas. tátil ou sonora. As propostas de intervenção para adoção de soluções em acessibilidade. Viabilizar recursos financeiros para o cumprimento do estabelecido nesta Instrução Normativa.1. incluindo dispositivos de segurança e saídas de emergência. pela entrada principal ou uma outra integrada a esta. c) Usufruir comodidades e serviços. favorecendo a capacidade das pessoas portadoras de deficiência ou com mobilidade reduzida em manobrar e vencer desníveis.histórico. Estabelecimento de prioridades e níveis de intervenção. interagir com o espaço e o acervo. lugares específicos em auditórios e locais de reunião.4. 3. 3.2. entre outros. 3. total ou parcialmente. 3. oferecendo comodidade para todos. em garantia de sua integridade estrutural e impedimento da descaracterização do ambiente natural e construído. vagas em estacionamentos. braile.10.3. telefones e bebedouros. especialmente para a execução de projetos que envolvam os imóveis de propriedade ou administrados diretamente pelo Iphan. tais como: escrita. de propriedade ou sob a responsabilidade do Iphan. além da adoção do Símbolo Internacional de Acesso nos casos previstos na LF 7. d) Informar-se sobre os bens culturais e seus acervos. assim como dos demais bens culturais imóveis. proporcionando aos usuários: a) Alcançar o imóvel desde o passeio ou exterior limítrofes.2. e) Nos casos em que os estudos indicarem áreas ou elementos em que seja inviável ou restrita a adaptação. b) Percorrer os espaços e acessar as atividades abertas ao público. sempre que possível e preferencialmente. físico. atenderão aos seguintes critérios: 3. através de percurso livre de barreiras e acessar o seu interior. alcançar e controlar equipamentos. Os elementos e as ajudas técnicas para promover a acessibilidade devem ser incorporados ao espaço de forma a estimular a integração entre as pessoas portadoras de deficiência ou com mobilidade reduzida e os demais usuários. Realização de levantamentos . em suas diferentes necessidades. nos casos previstos nesta Instrução Normativa. salas de repouso e de informações. balcões e guichês. devidamente identificados através de sinalização visual. a fim de assegurar a compatibilidade das soluções e adaptações em acessibilidade com as possibilidades do imóvel. Em qualquer hipótese. segundo os preceitos de desenho universal e rota acessível. banheiros. 2.9. sonora e multimídia. simbólica. colocadas à disposição em salas de recepção acessíveis ou em casa de visitantes adaptadas.405/1985. os estudos devem resultar em abordagem global da edificação e prever intervenções ou adaptações que atendam às pessoas portadoras de deficiência ou com mobilidade reduzida. ainda que de maneira virtual. observadas as características e a destinação do imóvel. de forma autônoma. de acordo com as demandas dos usuários. por meio dos diversos dispositivos e linguagens de comunicação. Informar ao público em geral sobre as condições de acessibilidade dos bens culturais imóveis acautelados em nível federal. tais como: bilheterias.

As soluções para acessibilidade em sítios históricos. os centros de interesse e de maior afluência de pessoas. de uso público ou coletivo. 3. valendo-se de percursos livres de barreiras e sinalizados que unam. privilegiando-se os recursos passíveis de reversibilidade. como parte do conjunto de soluções em acessibilidade. através de. com o objetivo de compatibilizar procedimentos e dirimir dúvidas ou conflitos. indicativa ou de trânsito. tecnologias ou acréscimos. deve-se assegurar o acesso às pessoas portadoras de deficiência ou com mobilidade reduzida. os serviços e fluxos.informação visual. maquetes. a reserva e distribuição de vagas para estacionamento. através de rota acessível. A intervenção arquitetônica ou urbanística contará com o registro e a indicação da época de implantação. observando-se ainda: a) A implantação de condições de circulação que permitam a melhor e mais completa utilização do sítio.5. Em bens culturais imóveis acautelados em nível federal. o tipo de tecnologia e de material utilizados. e demais categorias quando couber. c) A instituição de um sistema integrado de elementos em acessibilidade. além de pessoal treinado para a sua recepção. sons e símbolos. A articulação das Unidades do Iphan com instituições governamentais dos Estados e Municípios. ajudas técnicas. 3.1.7. com especificações de cores. tais como a utilização de veículos adaptados e mirantes. 3. auditiva ou tátil. e demais aspectos implicados na sua implementação. bem como pela oferta. texturas. de modo a permitir a inclusão de novos métodos. devendo-se considerar os seguintes procedimentos básicos: a adoção de pisos sinalizadores específicos. em locais de visitação a bens integrados. d) A adoção de soluções complementares associadas à rota ou percurso acessíveis. 3. as edificações à via pública e aos diversos espaços com características diferenciadas. Em exposições temporárias e.6. recomenda-se: 4. em ambientes apropriados. peças de acervo originais ou cópias. . 4. quando couber. sejam compatíveis com a melhor visão e entendimento das obras expostas. prevendo-se rota acessível devidamente sinalizada e ambiente onde mobiliário. deve ser prevista em áreas de difícil acesso ou inacessíveis. arqueológicos e paisagísticos devem permitir o contato da pessoa portadora de deficiência ou com mobilidade reduzida com o maior número de experiências possível. a adequação da sinalização. a concepção. pelo menos.8. deverão ser mantidas à disposição das pessoas portadoras de deficiência ou com mobilidade reduzida. b) A adaptação de percursos e implantação de rotas acessíveis deve considerar a declividade e largura de vias e passeios. referenciado nos parâmetros técnicos definidos pela ABNT. Para fins de maior alcance desta Instrução Normativa. como cadeiras de rodas. adequação ou substituição dos elementos da urbanização e do mobiliário urbano. a fim de possibilitar a sua identificação. de alternativas como mapas. um itinerário adaptado. rampas e rebaixamento de calçadas. cores e iluminação. entre outras que permitam ao portador de deficiência utilizar suas habilidades de modo a vivenciar a experiência da forma mais integral possível.

7. a partir da definição dos procedimentos necessários em cada situação.11. Nos casos omissos. nas situações em que a análise e aprovação de projetos sejam de responsabilidade do Iphan como entidade vinculada. 5. Promover os trâmites necessários para a adoção desta Instrução Normativa como parte integrante dos programas instituídos no âmbito do Ministério da Cultura. por intermédio ou diretamente pelo Iphan. as soluções e especificações em acessibilidade serão fundamentadas em estudos ergonômicos. MARIA ELISA COSTA Diário Oficial de 26.decorrentes de imposições legais cumulativas em acessibilidade e incidentes sobre os bens imóveis acautelados em nível federal. A cada projeto aprovado. 4. integrarão automaticamente o conjunto de referências básicas desta Instrução Normativa.2. o Iphan indicará um responsável técnico para o acompanhamento.2003. o qual permanecerá com o encargo até seis meses após a execução das intervenções. notadamente em relação às seguintes categorias de imóveis: a) Aquelas relacionadas no item 1. e submetidas ao Programa Nacional de Apoio à Cultura . 4.3. 8. Esta Instrução Normativa entra em vigor na data de sua publicação.PRONAC. A incorporação das condições estabelecidas nesta Instrução Normativa aos programas e projetos apoiados financeiramente. b) As edificações destinadas à atividade cultural. observadas as distinções relacionadas ao mecanismo de apoio ao projeto cultural e à natureza do proponente.3. independente da condição de acautelamento. Seção 1 . Novos padrões ou critérios definidos pela legislação federal ou norma específica da ABNT. a fiscalização e a avaliação dos trabalhos. 6.2.

. espírito de ordem.. A paixão faz das pedras inertes um drama". A vida moderna pede.... refaz. espera uma nova planta. Sem planta há desordem. Afinal. e com os quais: cria.. para a casa e para a cidade"... as que marcam o tempo e a evolução da técnica.. ditados por necessidades coletivas colocam de novo a questão da planta. Mario Botta Monumentalidade. "A arquitetura consiste em estabelecer relações comoventes com materiais brutos.. unidade de intenção. A arquitetura é coisa de plástica. Le Corbusier Cidade.Citações O Arquiteto. sob o ponto de visa social. As que justas ou não...o mundo. Oscar Niemeyer A Planta. constrói . "A arquitetura é a disciplina que organiza o espaço de vida do homem .. representa. Bruno Cajueiro .. arbitrário. ainda nos comovem. Diversidade Psicomotricidade Heterogeneidade Horizontalidade Sensorialidade Velocidade Densidade Espacialidade Centralidade Universidade Arquitetura. Os grandes problemas de amanhã. Bruno Cajueiro O arquiteto com o ponto desenha a reta. A planta traz em si a essência da sensação. É a beleza a se impor na sensibilidade do homem". a arquitetura gera quantidades. Le Corbusier Materiais. "A monumentalidade nunca me atemorizou quando um tema mais forte a justifica. "A planta é geradora. A arquitetura está além das coisas utilitárias. o sentido das relações. transforma. modifica. e com ela desenha planos. altera. o que ficou da arquitetura foram as obras monumentais.

.. "O fato triste é que a arquitetura está se tornando cada vez mais pobre. Das Necessidades Primordiais do homem.. Penso.. construindo um prédio com uma identidade forte". . fazendo com que os grandes centros urbanos percam sua identidade e assim morram um pouco. A grande poluição não é a dos carros. procuro inserir uma série de valores e uma organização do espaço que contenha elementos arquetípicos como a caverna. Mario Botta Arquétipo. a arquitetura precisa falar do grande passado. no entanto. Mario Botta Três Níveis.. mas um instrumento para construir esse lugar. o que me interessa é transmitir uma sensação de refúgio. Espero que haja uma arcaicidade do futuro e que as obras de arquitetura sejam como um tótem... "Quando eu faço um prédio. É necessário agir contra a banalização moderna. Mario Botta Refúgio. que a cidade é um lugar extraordinário. A Relação com a cidade. Mario Botta "A finalidade de cada ato de criação é encontrar a riqueza do passado.. mas a da arquitetura da má qualidade. "Nas minhas casas. a habitação primordial do homem". "Quando faço uma casa. Mario Botta O Edifício. mais homogeneizada. de caverna primitiva.Verticalidade Cidade Arquitetura e a Cidade. que falem das necessidades primordiais do homem". Mario Botta "A arquitetura não é um instrumento para se construir em um lugar.. Penso que a arquitetura moderna deva assumir a responsabilidade: construir um lugar único e irrepetível... A cidade é nossa mãe"... A relação com a cidade é muito mais forte que o prédio em si".. onde o homem encontre sua intimidade e sua memória". por exemplo. resultante da especulação imobiliária. a imagem física da história. eu também construo um pedaço da cidade.

a identificação com a cultura do lugar. José Garcia Lamas "O edifício não pode ser desligado do lote ou da superfície de solo que ocupa." Cidade. do primeiro andar para permitir a visão da paisagem...... construção. A Crise do Moderno. quase todas são em três níveis porque preciso da terra como espaço de transição entre o externo e o interno. o lugar de confronto. obra de arquitetura ou escultura destinada a transmitir à posteridade a recordação de um grande homem ou feito. Quando projetamos um edifício devemos Ter em mente que nosso cliente é a história"." Mario Botta O Monumento... história. "O lugar é um dos parâmetros fundamentais do projeto: cada solução tem o seu lugar.. José Garcia Lamas A Rua. à banalização do moderno.. comunicar com o cosmos". Lawrence Halprin O Lote.. O lote não é apenas uma porção cadastral: é também a gênese e fundamento do edificado. de crescimento A Cidade e seus espaços. Mario Botta Continuidade. Mario Botta A Cidade. proponho um modelo alternativo à crise do moderno.. e do segundo andar para a interação com o céu. ... Mario Botta O Lugar.. Todo projeto de arquitetura transforma o lugar de uma condição de natureza em uma condição de cultura".. " A cidade é o território mais importante porque há mais presença humana. "Não se pode nem é justo inventar em uma noite toda a arquitetura... para que eu possa dormir com a luz. único. irrepetível." ". porque ela é um fato de continuidade. mais contradições. ou obra de arquitetura considerável pela sua dimensão ou magnificência. é representada pela paisagem dos seus espaços abertos. Ela é para o arquiteto o mesmo que o museu para o artista. memória. sua acumulação histórica". "... a riqueza da cidade é a sua estratificação. sua tensão... mais do que a construção..Mario Botta "As minhas casas.

" As três matérias primas do Urbanismo. Carta de Atenas Carta de Atenas O Individual e o Coletivo. um tecido urbano. O resultado é este.Silvio Soares Macedo "A rua modelo da cidade brasileira. é a rua-jardim.. utiliza-se do projeto cuidadoso dos edifícios e espaços livres. a vegetação e o espaço são as três matérias primas do Urbanismo".. "O desenho mostra a limitação da norma." "A monotonia é característica combatida em todas as fases do projeto.... através do desenho de uma paisagem rica e diversificada. .. Carta de Atenas As quatro funções. com um resultado morfológico simplório. é formalista e direcionista na busca de um padrão de assentamento dos novos volumes construídos. espacialmente discutível e que pouco a pouco se mostra carente de novas disposições. As chaves do Urbanismo estão nas quatro funções: habitar. que aberta no tocante à variedade de usos... trabalhar.. circular". A vida só se desenvolve na medida em que são conciliados os dois princípios contraditórios que regem a "Introduzir o Sol (nas habitações) é o novo e mais imperioso dever do arquiteto. Marcia Menneh O desenho. Carta de Atenas ".. normas e formas de arranjo mais flexíveis em relação as conformações espaciais possíveis e de abertura em relação a questão do meio urbano preexistente. O sol. Silvio Soares Macedo Arquitetura e Cidade. ". que busca maior identidade em cada espaço projetado. "Justapostos ao econômico.. "A Arquitetura preside os destinos da cidade". com calçadas ajardinadas e arborizadas... ao social e ao político.. Carta de Atenas O Sol. ao prédio e a rua.. Para isso.. os valores de ordem psicológica e fisiológica próprios ao ser humano introduzem no debate preocupações de ordem individual e de ordem coletiva. Deriva dos velhos bulevares no início do século e para o qual se voltaram os barões do café e da elite do império." Monotonia... São vias largas. cujas normalizações são particularizadas.. recrear-se (nas horas livres)..

Carta de Atenas Escala Humana.. Carta de Atenas O Verde.. Insolação. de acordo com as formas de habitação postas pela própria natureza do terreno. Julien Greimas A casa. Significado.... "Para o arquiteto.personalidade humana: o individual e o coletivo. "As construções elevadas erguidas a grande distância uma das outras devem liberar o solo para amplas superfícies verdes". "A forma é um diagrama de forças". Carta de Atenas "Densidades razoáveis devem ser impostas. "É extremamente difícil falar do significado e dizer qualquer coisa de sensato". o instrumento de medida será a escala humana". Alexander D'arcy Thompson Função. função e forma são uma e mesma coisa.. Carta de Atenas Densidade." A História.." "O significado não existe: é um processo criativo.. Fred e Barbro Thompson "A polêmica ocidental sobre se a forma segue a função ou a função segue a forma é impossível.. "A Arquitetura começa onde termina a função". Frederick S. No Oriente.. ocupado aqui com as tarefas do Urbanismo. nunca é fixa.. Pearls Significado......" "Um número mínimo de horas de insolação deve ser fixado para cada moradia". "A história está escrita no traçado e na arquitetura das cidades". Carta de Atenas Forma... muda também a forma que portanto. A forma é a combinação de espaço e função e quando a função e o espaço mudam. .. Sir Edwin Lutyens Forma e Função. mas temporal... um desempenho no aqui e agora"..

Paul Éluard "Quando as cumeeiras de nosso céu se juntarem Minha casa terá um telhado." .

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