A coleção dos principais documentos, recomendações e cartas conclusivas das reuniões relativas à proteção do patrimônio cultural, ocorridas em diversas

épocas e partes do mundo, sempre foi uma aspiração dos que trabalham com o tema. Seu conteúdo interessa a todos os que lidam na área patrimonial: proprietários e moradores de bens tombados, advogados, professores, estudantes, detentores do poder local nos sítios históricos, organizações governamentais ou não, afins ao Iphan e até mesmo meros curiosos. Clique para ter acesso a alguns desses documentos:
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Carta de Atenas - Sociedade das Nações- outubro de 1931; Carta de Atenas - CIAM - novembro 1933; Recomendação de Nova Delhi - Arqueologia - dezembro de 1956; Recomendação de Paris - Paisagens e Sítios - dezembro de 1962; Carta de Veneza - Monumentos e Sítios - maio 1964; Recomendação de Paris - Propriedade Ilícita de Bens Culturais - novembro 1964; Normas de Quito - novembro/dezembro 1967; Recomendação de Paris - Obras Públicas ou Privadas - novembro 1968; Compromisso de Brasília - abril 1970; Compromisso de Salvador - II Encontro de Governadores - outubro de 1971; Convenção de Paris - Patrimônio Mundial - novembro de 1972; Carta do Restauro - Governo da Itália - abril 1972; Declaração de Estocolmo - Ambiente Humano - junho 1972; Resolução de São Domingos - O.E.A. - dezembro 1974; Declaração de Amsterdã - Conselho da Europa - outubro 1975; Manifesto de Amsterdã - Carta Européia - outubro 1975; Recomendação de Nairóbi - Unesco - novembro 1976; Carta de Machu Picchu - Encontro Internacional de Arquitetos - dezembro 1977; Carta de Burra - Icomos - Austrália 1980; Carta de Florença - Icomos - maio 1981; Declaração de Nairóbi - Assembléia Mundial dos Estados - maio 1982; Declaração de Tlaxcala/México - Icomos - outubro 1982; Declaração do México - Icomos - Políticas culturais - 1985; Carta de Washington - Icomos - Cidades históricas - 1986; Carta de Petrópolis - Centros históricos - 1987; Carta de Cabo Frio - Encontro de Civilizações nas Américas - outubro de 1989; Carta do Rio - Conferência Geral das Nações Unidas - junho 1992; Carta de Fortaleza - 1997 - elaboração de diretrizes e a criação de instrumentos legais e administrativos visando a identificar, proteger, promover e fomentar os processos e bens, considerados em toda a sua complexidade, diversidade e dinâmica, particularmente, "as formas de expressão; os modos de criar, fazer e viver; as criações científicas, artística e tecnológicas", com especial atenção àquelas referentes à cultura popular.

Carta de Atenas
de outubro de 1931 Escritório Internacional dos Museus Sociedade das Nações A - Conclusões Gerais I - Doutrinas. Princípios Gerais. A conferência assistiu à exposição dos princípios gerais e das doutrinas concernentes à proteção dos monumentos. Qualquer que seja a diversidade dos casos específicos - e cada caso pode comportar uma solução própria - , a conferência constatou que nos diversos Estados representados predomina uma tendência geral a abandonar as reconstituições integrais, evitando assim seus riscos, pela adoção de uma manutenção regular e permanente, apropriada para assegurar a conservação dos edifícios. Nos casos em que uma restauração pareça indispensável devido a deterioração ou destruição, a conferência recomenda que se respeite a obra histórica e artística do passado, sem prejudicar o estilo de nenhuma época. A conferência recomenda que se mantenha uma utilização dos monumentos, que assegure a continuidade de sua vida, destinando-os sempre a finalidades que o seu caráter histórico ou artístico. II - Administração e legislação dos monumentos históricos. A conferência assistiu à exposição das legislações cujo objetivo é proteger os monumentos de interesse histórico, artístico ou científico, pertencentes às diferentes nações. A conferência aprovou unanimemente a tendência geral que consagrou nessa matéria um certo direito da coletividade em relação à propriedade privada. A conferência constatou que as diferenças entre essas legislações provinham das dificuldades de conciliar o direito público com o particular. Em conseqüência, aprovada a tendência geral dessas legislações, a conferência espera que elas sejam adaptadas às circunstâncias locais e à opinião pública, de modo que se encontre a menor oposição possível, tendo em conta os sacrifícios a que estão sujeitos os proprietários, em beneficio do interesse geral. Votou-se que em cada Estado a autoridade pública seja investida do poder do tomar, em caso de urgência, medidas de conservação. A conferência evidenciou o desejo de que o Escritório Internacional dos Museus publique uma resenha e um quadro comparativo das legislações em vigor nos diferentes Estados e os mantenha atualizados. III - A valorização dos monumentos. A conferência recomenda respeitar, na construção dos edifícios, o caráter e a fisionomia das cidades, sobretudo na vizinhança dos monumentos antigos, cuja proximidade deve ser objeto de cuidados especiais. Em certos conjuntos, algumas perspectivas particularmente pitorescas devem ser preservadas. Deve-se também estudar as plantações e ornamentações vegetais convenientes a determinados conjuntos de monumentos para lhes conservar a caráter antigo. Recomenda-se, sobretudo, a supressão de toda publicidade, de toda presença abusiva de

postes ou fios telegráficos, de toda indústria ruidosa, mesmo de altas chaminés, na vizinhança ou na proximidade dos monumentos, de arte ou de história. IV - Os materiais de restauração. Os técnicos receberam diversas comunicações relativas ao emprego de materiais modernos para a consolidação de edifícios antigos. Eles aprovaram o emprego adequado de todos os recursos da técnica moderna e especialmente, do cimento armado. Especificam, porém, que esses meios de reforço devem ser dissimulados, salvo impossibilidade, a fim de não alterar o aspecto e o caráter do edifício a ser restaurado. Recomendam os técnicos esses procedimentos especialmente nos casos em que permitam evitar os riscos de desagregação dos elementos a serem conservados. V - A deterioração dos monumentos. A conferência constata que, nas condições da vida moderna, os monumentos do mundo inteiro se acham cada vez mais ameaçados pelos agentes atmosféricos. Afora as preocupações habituais e as soluções felizes obtidas na conservação da estatuária monumental pelos métodos correntes, não se saberia, dada a complexidade dos casos no estado atual dos conhecimentos, formular regras gerais. A conferência recomenda: 1o - A colaboração em cada país dos conservadores de monumentos e dos arquitetos com os representantes das ciências físicas, químicas e naturais para a obtenção de métodos aplicáveis em casos diferentes. 2o - Que o Escritório Internacional de Museus se mantenha a par dos trabalhos empreendidos em cada país sobre essas matérias e lhes conceda espaço em suas publicações. A conferência, no que concerne à conservação da escultura monumental, considera que retirar a obra do lugar para o qual ela havia sido criada é, em princípio, lamentável. Recomenda, a título de precaução, conservar, quando existem, os modelos originais e, na falta deles, a execução de moldes. VI - Técnica da conservação A conferência constata com satisfação que os princípios e as técnicas expostas nas diversas comunicações se inspiram numa tendência comum, a saber: Quando se trata de ruínas, uma conservação escrupulosa se impõe, com a recolocação em seus lugares dos elementos originais encontrados (anastilose), cada vez que o caso o permita; os materiais novos necessários a esse trabalho deverão ser sempre reconhecíveis. Quando for impossível a conservação de ruínas descobertas durante uma escavação, é aconselhável sepultá-las de novo depois de haver sido feito um estudo minucioso. Não é preciso dizer que a técnica e a conservação de uma escavação impõem a colaboração estreita do arqueólogo e do arquiteto. Quanto aos outros monumentos, os técnicos unanimemente aconselharam, antes de toda consolidação ou restauração parcial, análise escrupulosa das moléstias que os afetam, reconhecendo, de fato, que cada caso contribui um caso especial.

deseja que os Estados.Cada Estado constitua arquivos onde serão reunidos todos os documentos relativos a seus monumentos históricos. quaisquer que eles sejam. após haverem visitado. pronunciar-se sobre a oportunidade das providências a serem empreendidas e sobre o procedimento a ser seguido em cada caso particular. possam ser recomendadas à favorável atenção dos Estados. após sindicância do Escritório Internacional Museus e depois de haverem sido recolhidas todas as informações úteis. profundamente convencida de que a melhor garantia de conservação de monumentos e obras de arte vem do respeito e do interesse dos próprios povos. foram unânimes em prestar homenagem ao governo grego que. agindo no espírito do Pacto da Sociedade das Nações. Emite o voto de que as proposições a esse respeito. de uma maneira geral. Os membros da conferência. Nessa ocasião viram um exemplo que contribuiu para a realização das metas de cooperação intelectual. notadamente junto à Comissão Nacional de Cooperação Intelectual interessada. cada vez mais concretamente para favorecer a conservação dos monumentos de arte e de história. e lhes façam aumentar o interesse. sem causar o menor prejuízo ao Direito Internacional Público. aceitou a colaboração de arqueólogos e especialistas de todos os países. Considera altamente desejável que instituições e grupos qualificados possam. muitos dos principais campos de escavações e dos monumentos antigos da Grécia. colaborem entre si. de cooperação intelectual da Sociedade das Nações. c) Utilidade de uma documentação internacional A conferência emite o voto de que: 1o . 5 o . Caberia à Comissão Internacional de Cooperação Intelectual. pela proteção dos testemunhos de toda a civilização. guardiã da civilização.Cada Estado deposite no Escritório Nacional de Museus suas publicações. 4o . considerando que esses sentimentos podem ser grandemente favorecidos por uma ação apropriada dos poderes públicos. há muitos anos. acompanhado de fotografia e de informações.VII .A conservação dos monumentos e a colaboração internacional. 2 o .O escritório consagre em suas publicações artigos relativos aos procedimentos e ao métodos gerais de conservação dos monumentos históricos. manifestar seu interesse pela salvaguarda das obras-primas nas quais a civilização se tenha expressado em seu nível mais alto e que se apresentem ameaçadas. a) Cooperação técnica e moral A conferência. quando submetidas à organização. emite o voto de que os educadores habituem a infância e a juventude a se absterem de danificar os monumentos. cuja necessidade foi aparecendo no curso dos trabalhos. A conferência. 3 o . b) O papel da educação e o respeito aos monumentos. no curso de seus trabalhos e no correr dos estudos desenvolvidos nessa ocasião. publique um inventário dos monumentos históricos nacionais. . ou as instituições criadas ou reconhecidamente competentes para esse trabalho. convencida de que a conservação do patrimônio artístico e arqueológico da humanidade interessa à comunidade dos Estados.Cada Estado.O escritório estude a melhor utilização das informações assim centralizadas. ao mesmo tempo em que executava ele mesmo trabalhos consideráveis.

Balanos justificam o emprego do ferro no que diz respeito aos trabalhos da Acrópole. Karo.B – Deliberação da conferência sobre a anastilose dos monumentos da Acrópole Havia sido previsto que uma das sessões da Conferência do EIM se detivesse na acrópole. lembraram conseqüências às vezes desagradáveis desse emprego para a conservação das pedras e manifestaram sua preferência por metais menos susceptíveis de deterioração. Por outro lado. diretor dos trabalhos dos monumentos da Acrópole. Essa sessão. permitindo-lhes pedir detalhes e emitir opiniões. considerando as precauções tomadas e as condições climáticas peculiares no país. Balanos. individualmente. Ao terminar. No que concerne ao quarto problema colocado por M. e os membros da conferência usufruíssem das facilidades que lhes haviam sido oferecidos por M. os membros da conferência procederam a uma longa troca de opiniões. 25 de outubro. assim como a recuperação parcial do peristilo sul. A escolha do metal a ser empregado para os grampos prendeu a atenção dos técnicos. alguns técnicos. os técnicos sublinharam o caráter particular dos trabalhos do Partenon e. Sobre a proteção do friso contra as intempéries. sua opinião sobre esse programa. Balanos assinalou que o emprego do ferro não apresentava inconveniente no caso da Acrópole. que consiste em proteger esse friso com uma cobertura apropriada. Balanos. c) Escala dos metais a serem empregados para os grampos. exprimiu o desejo de ouvir dos membros da conferência. A propósito do emprego do cimento como revestimento dos tambores de substituição. especialmente sobre os seguintes pontos: a) Recuperação da colunata norte do Partenon e recuperação do peristilo sul. relativo ao emprego de moldes como complemento da anastilose. . que aproveitaram essa ocasião para expor suas experiências sobre o assunto. e) Proteção do friso contra as intempéries. Sobre o primeiro ponto. que se pôs à disposição para prestar quaisquer explicações sobre os trabalhos em curso. Balanos forneceu detalhes sobre o programa ulterior dos trabalhos. certos técnicos recomendaram muita prudência e sublinharam a utilidade de testes preliminares. Na segunda parte de sua exposição M. M. se abstiveram de opinar de um modo geral sobre essa questão. d) Oportunidade do emprego de moldes como complemento da anastilose. segundo o projeto de M. Balanos. Durante a primeira parte da sessão os membros da conferência ouviram a exposição de M. b) Emprego de cimento como revestimento dos tambores de substituição. os membros da conferência acolheram o projeto preconizado por M. os membros da conferência aprovaram unanimemente os trabalhos de recuperação da colunata norte do Partenon. Balanos. se realizou na manhã de domingo. Balanos sobre os trabalhos de anastilose já executados. tanto nos Propileus como no Partenon. que não prevê qualquer restauração além da simples anastilose. Balanos nesse caso especial. Sob a orientação de M. constatando os resultados satisfatórios dos primeiros ensaios feitos por M. mesmo reconhecendo que as razões invocadas por M. sob a presidência de M. Karo.

Carta de Atenas
de novembro de 1933 Assembléia do CIAM CIAM – Congresso Internacional de Arquitetura Moderna – 1933 Primeira Parte Genera1idades A Cidade e sua Região 1 - A Cidade é só uma parte de um conjunto econômico, social e político que constitui a região. Raramente a unidade administrativa coincide com a unidade geográfica, ou seja, com a região. O recorte territorial administrativo das cidades pode ter sido arbitrário desde o início ou pode ter vindo a sê-lo posteriormente, quando, em decorrência de seu crescimento, a aglomeração principal uniu-se a outras comunidades e depois as englobou. Esse recorte artificial se opõe a uma boa gestão do novo conjunto. De fato, certas comunidades suburbanas puderam adquirir inopinadamente um valor imprevisível, positivo ou negativo, seja tornandose sede de residências luxuosas, seja acolhendo centros industriais dinâmicos, seja reunindo miseráveis populações operárias. Os limites administrativos aço que compartimentam o complexo urbano tornam-se então paralisantes. Uma aglomeração constitui o núcleo vital de uma extensão geográfica cujo limite é constituído pela zona de influência de uma outra aglomeração. Suas condições vitais são determinadas pelas vias de comunicação que asseguram suas trocas e ligam-se intimamente à sua zona particular. Só se pode enfrentar um problema de urbanismo referenciando-se constantemente aos elementos constitutivos da região e, principalmente, a sua geografia, chamada a desempenhar um papel determinante nessa questão: linhas de divisão de águas, morros vizinhos desenhando um contorno natural confirmado pelas vias de circulação, naturalmente inscritas no solo. Nenhuma atuação, pode ser considerada se não se liga ao destino harmonioso da região. O plano da cidade é só um dos elementos do todo constituído pelo plano regional. 2 - Justapostos ao econômico, ao social e ao político, os valores de ordem psicológica e fisiológica próprios ao ser humano introduzem no debate preocupações de ordem individual e de ordem coletiva. A vida só se desenvolve na medida em que são conciliados os dois princípios contraditórios que regem a personalidade humana: o individual e o coletivo. Isolado, o homem sente-se desarmado; por isso liga-se espontaneamente a um grupo. Entregue somente a suas forças, ele nada construiria além de sua choça e levaria, na insegurança, uma vida submetida a perigos e a fadigas agravados por todas as angústias da solidão. Incorporado ao grupo, ele sente pesar sobre si o constrangimento de disciplinas inevitáveis, mas, em troca, fica protegido em certa medida contra a violência, a doença, a fome: pode aspirar a melhorar sua moradia e satisfazer também sua profunda necessidade de vida social. Transformado em elemento constitutivo de uma sociedade que o mantém, ele colabora direta ou indiretamente nas mil atividades que asseguram sua vida fisica e desenvolvem sua vida espiritual. Suas iniciativas tornam-se mais frutíferas, e sua liberdade, melhor defendida, só se detém onde ameace a de outrem. Se os empreendimentos do grupo são sábios, a vida do indivíduo é ampliada e enobrecida. Se a preguiça, a estupidez e o egoísmo o assolam, o grupo, enfraquecido e entregue à desordem, só traz a cada um de seus

membros rivalidades, rancor e desencanto. Um plano é sábio quando permite uma colaboração frutífera, propiciando ao máximo a liberdade individual. Irradiação da pessoa no quadro do civismo. 3 - Essas constantes psicológicas e biológicas sofrerão a influência do meio: situação geográfica e topográfica, situação econômica e política. Primeiramente, da situação geográfica e topográfica, o caráter dos elementos água e terra, da natureza. do solo, do clima. A geografia e a topografia desempenham um papel considerável no destino dos homens. Não se pode esquecer jamais que o sol comanda, impondo sua lei a todo empreendimento cujo objetivo seja a salvaguarda do ser humano. Planícies, colinas e montanhas contribuem também para modelar uma sensibilidade e colinas e determinar uma mentalidade. Se o montanhês desce voluntariamente para a planície, o homem da planície raramente sobe os vales e dificilmente transpõe os desfiladeiros. Foram os cumes dos montes que delimitaram as áreas de aglomeração onde, pouco a pouco, reunidos por costumes e usos comuns, os homens se constituíram em povoações. A proporção dos elementos água e terra, quer atue na superfície, opondo as regiões lacustres ou fluviais às extensões de estepes, quer se expresse em densidade, produzindo aqui gordos pastos e, ali, pântanos ou desertos, conforma, ela também, atitudes mentais que se inscreverão nos empreendimentos e encontrarão sua expressão na casa, na aldeia ou na cidade. Conforme a incidência do sol na curva meridiana, as estações se contrapõem brutalmente ou se sucedem em passagens imperceptíveis e, ainda que em sua esfericidade contínua, de parcela em parcela, a Terra não experimente ruptura, surgem inúmeras combinações, cada uma das quais com seus caracteres particulares. Enfim as raças, com suas religiões ou suas filosofias variadas, multiplicam a diversidade dos empreendimentos e cada uma propõe seu modo de ver e sua razão de viver pessoais. 4 - Em segundo lugar, da situação econômica. Os recursos da região, contatos naturais ou artificiais com o exterior... A situação econômica, riqueza ou pobreza, é uma das grandes forças da vida, determinandolhe o movimento na direção do progresso ou da regressão. Ela desempenha o papel de um motor que, de acordo com a força de sua pulsações, introduz a, prodigalidade, aconselha a prudência ou impõe a sobriedade; ela condiciona as variações que traçam a história da aldeia, da cidade ou do país. A cidade cercada por uma região coberta de cultivos tem seu abastecimento assegurado. Aquela que dispõe de um subsolo precioso se enriquece com matérias que lhe servirão como moeda de troca, sobretudo se ela é dotada de uma rede de circulação suficientemente abundante para permitir-lhe entrar em contato útil com seus vizinhos próximos ou distantes. A tensão da engrenagem econômica, embora dependa em parte de circunstâncias invariáveis, pode ser modificada a cada momento pelo aparecimento de forças imprevistas, que o acaso ou a iniciativa humana podem tornar produtivas ou deixar inoperantes. Nem as riquezas latentes, que é preciso querer explorar, nem a energia individual têm caráter absoluto. Tudo é movimento, e o econômico, afinal, é sempre um valor momentâneo. 5 - Em terceiro lugar, da situação política, sistema administrativo. Fenômeno mais variável do que qualquer outro, sinal da vitalidade do país, expressão de uma sabedoria que atinge seu apogeu ou já toca seu declínio. Se a política é de natureza essencialmente variável, seu, fruto, o sistema administrativo, possui uma estabilidade natural que lhe permite, ao longo do tempo, uma permanência maior e não autoriza modificações

muito freqüentes. Expressão da dinâmica política, sua duração é assegurada por sua própria natureza e pela própria força das coisas. É um sistema que, dentro de limites bastante rígidos, rege uniformemente o território e a sociedade, impõe-lhes seus regulamentos e, atuando regularmente sobre todos os meios de comando, determina modalidades uniformes de ação em todo o país. Esse quadro econômico e político, cujo valor embora tenha sido confirmado pelo uso durante um certo período, pode ser alterado a qualquer instante em uma de suas partes, ou em seu conjunto. Algumas vezes, basta uma descoberta científica para provocar uma ruptura de equilíbrio, para fazer surgir a incompatibilidade entre o sistema administrativo de ontem e as imperiosas realidades de hoje. Pode ocorrer que algumas comunidades, que souberam renovar seu quadro particular, sejam afixidas pelo quadro geral do país. Este último pode, por sua vez, sofrer diretamente a investida das grandes correntes mundiais. Não há quadro administrativo que possa pretender a imutabilidade. 6 - No decorrer da História, circunstâncias particulares determinaram as características da cidade: defesa militar, descobertas científicas, administrações sucessivas, desenvolvimento progressivo das comunicações e dos meios de transporte (rotas terrestres, fluviais e marítimas, ferroviárias e aéreas). A história está inscrita no traçado e na arquitetura das cidades. Aquilo que deles subsiste forma o fio condutor que, juntamente com os textos e os documentos gráficos, permite a representação de imagens sucessivas do passado. Os motivos que deram origem às cidades foram de natureza diversa. Por vezes era o valor defensivo. E o alto de um rochedo ou a curva de um rio viam nascer um pequeno burgo fortificado. Ás vezes, era o cruzamento de duas rotas, unia cabeça de ponte ou uma baía do litoral que determinava a localização do primeiro estabelecimento. A cidade era de formato incerto, mais freqüentemente em círculo ou semicírculo. Quando era uma cidade de colonização, organizavam-na como um acampamento, com eixos de ângulos retos e cercada de palíçadas retilíneas. Tudo nela era ordenado segundo a proporção, a hierarquia e a conveniência. Os caminhos partiam dos portões da muralha e estendiam-se obliquamente na direção de alvos distantes. Podemos encontrar ainda no desenho das cidades o primeiro núcleo compacto do burgo, as muralhas sucessivas e o traçado dos caminhos divergentes. As pessoas aí se aglomeravam e encontravam, conforme o grau de civilização, uma dose variável de bem-estar. Aqui, regras profundamente humanas ditavam a escolha dos dispositivos; ali, constrangimentos arbitrários davam origem a injustiças flagrantes. Sobreveio a era do maquinismo. A uma medida milenar, que se poderia crer imutável, a velocidade do passo humano, somou-se uma medida em plena evolução, a velocidade dos veículos mecânicos. 7 - As razões que presidem o desenvolvimento das cidades estão, portanto, submetidas a mudanças contínuas. Aumento ou redução de uma população, prosperidade ou decadência da cidade, demolição de muralhas que se tornaram asfixiantes, novos meios de transporte ampliando a zona de trocas, benefícios ou malefícios de uma política escolhida ou suportada, aparecimento do maquinismo, tudo é movimento. À medida que o tempo passa, os valores indubitavelmente se inscrevem no patrimônio de um grupo, seja ele cidade, país ou humanidade; a vetustez, não obstante, atinge um dia todo conjunto de construções ou de caminhos. A morte atinge tanto as obras como os seres. Quem fará a discriminação entre aquilo que deve subsistir e aquilo que deve desaparecer? O espírito da cidade formou-se no decorrer dos anos; simples construções adquiriram um valor eterno na medida em que simbolizam a alma coletiva; constituem o

Mas.Ausência ou insuficiência de instalações sanitárias. tanto físicas quanto morais. da presença de vizinhanças desagradáveis. a região. dando às proximidades um ar de qualidade. Um ritmo furioso associado a uma precariedade desencorajante desorganiza as condições de vida. substituindo a . Por ser uma pequena pátria. 6 . ultrapassada a porta da muralha. condiciona a formação do indivíduo. relação entre as cifras da população. A densidade. Ao longo dos séculos. traz seus frutos envenenados: doença.Insuficiência de superfície habitável por pessoa. 5 . Segunda Parte Estado Atual Crítico das Cidades Habitação Observações 9 . era em geral cheio de construções comprimidas e privadas de espaço. a cidade comporta um valor moral que pesa e que lhe está indissoluvelmente ligado. a técnica de construção tinha limitado a altura das casas a aproximadamente seis pavimentos. ao desprezar harmonias seculares. opondo-se ao ajuste das necessidades fundamentais. 800 e até 1000 habitantes. 2 . porém. em sua distribuição sobre a terra. pelo abandono de numerosas terras. no campo. entupindo as cidades e. 8 . a população é muito densa (chega a mil e até mil e quinhentos habitantes por hectare). a raça.Ausência de sol (orientação para o norte ou conseqüência da sombra projetada na rua ou no pátio). decadência. O caos entrou nas cidades. da má orientação do imóvel. o costume. e a superfície que ela ocupa. revolta. perturbando as relações naturais que existiam entre a casa e o locais de trabalho. por um congestionamento que as encurrala na desordem e. evolução brutal e universal sem precedentes na História.No interior do núcleo histórico das cidades. expresso. foram sendo acrescentados anéis urbanos. As moradias abrigam mal as famílias. Rompeu um equilíbrio milenar. tem-se o cortiço. nas cidades. caracterizado pelos seguintes sinais: 1 . sem querer limitar a amplitude dos progressos futuros. Quando essa densidade atinge. 3 . O emprego da máquina subverteu condições de trabalho. 600. corrompem sua vida íntima. O núcleo das cidades antigas. em. pode ser totalmente modificada pela altura dos edifícios. aplicando um golpe fatal no artesanato. e o desconhecimento das necessidades vitais. cerceado pelas muralhas militares. O mal é universal. assim como o clima. seus empreendimentos. A densidade admissível para as construções dessa natureza é de 250 a 300 habitantes por hectare. movimento desenfreado de concentração nas cidades a favor das velocidades mecânicas. como em vários bairros. em compensação. Até então.Vetustez e presença permanente de germes mórbidos (tuberculose).Mediocridade das aberturas para o exterior.arcabouço de uma tradição que.Promiscuidade proveniente das disposições internas da moradia.O advento da era da máquina provocou imensas perturbações no comportamento dos homens. 4 . esvaziando o campo. assim como em determinadas zonas de expansão industrial do século XIX. os espaços verdes eram imediatamente acessíveis.

sobre as quais se debruçavam as sucessivas muralhas. tolera-se. O ar. deveria ser distribuído com liberalidade. Para o enriquecimento de alguns egoístas. as altas densidades significam o mal-estar e a doença em estado permanente. a vegetação. 10 . Uma expansão sem controle privou as cidades desses alimentos fundamentais. uma renda importante. em grande parte. O primeiro dever do urbanismo é pôr-se de acordo com as necessidades fundamentais dos homens. Quanto mais a cidade cresce. todavia que aquele que a explora possa considerá-la ainda. é prolongada no exterior pela estreiteza das ruas sombrias e total falta de espaços verdes. O sol. de conservação das construções (exploração baseada na especulação). Não nos esqueçamos de que a sensação de espaço é de ordem psicofisiológica e que a estreiteza das ruas e o estrangulamento dos pátios criam uma atmosfera tão insalubre para o corpo quanto deprimente para o espírito. O espaço. O indivíduo que perde contato com a natureza é diminuído e paga caro. sem os quais a vida se estiola. medidas defensivas (a mortalidade atinge até vinte por cento). criadores de oxigênio e que seriam tão propícios aos folguedos das crianças. tolera-se que uma mortalidade assustadora e todo tipo de doenças façam pesar sobre a coletividade uma carga esmagadora.O crescimento da cidade devora progressivamente as superfícies verdes limítrofes. vegetação. uma mercadoria negociável. Estado de coisas ainda agravado pela presença de uma população com padrão de vida muito baixo. incapaz de adotar.As construções destinadas à habitação são distribuídas pela superfície da cidade em contradição com os requisitos da higiene. Por "condições naturais" entende-se a presença. Esse afastamento cada vez maior dos elementos naturais aumenta proporcionalmente a desordem higiênica. corrompida pelas alegrias ilusórias da cidade. O 4o Congresso CIAM. de certos elementos indispensáveis aos seres vivos: sol. ela continua a fornecer. entretanto. A saúde de cada um depende. a medida foi ultrapassada no decorrer dos últimos cem anos. A despesa comprometida numa construção erguida há seculos foi amortizada há muito tempo. realizado em Atenas. de ordem tanto psicológica quanto fisiológica. É o estado interior da moradia que constitui o cortiço. pela falta. e essa não é a causa menor da penúria pela qual o mundo se encontra presentemente oprimido. com a doença e a decadência. deveria penetrar no interior de cada moradia. 11 . cuja qualidade é assegurada pela presença da vegetação. espaço. o espaço são as três matérias-primas do urbanismo.vegetação pela pedra e destruindo as superficies verdes. as condições de habitação são nefastas pela falta de espaço suficiente destinado à moradia. enfim. livre da poeira em suspensão e dos gases nocivos. . 12 . A adesão a esse postulado permite julgar as coisas existentes e apreciar as novas propostas de um ponto de vista verdadeiramente humano. cuja miséria. impunemente e às expensas da espécie. chegou ao seguinte postulado: o sol. deveria ser puro. em proporção suficiente.Nos setores urbanos congestionados. menos as "condições naturais" são nela respeitadas. por si mesma. Condenar-se-ia um açougueiro que vendesse carne podre. pela falta de superfícies verdes disponíveis. Ainda que seu valor de habitabilidade seja nulo. enfim. de sua submissão às "condições naturais". Nessa ordem de idéias. uma ruptura que enfraquece seu corpo e arruína sua sensibilidade. mas a legislação permite impor habitações podres às populações pobres. que comanda todo crescimento. Nessas condições. pulmões da cidade. sob forma de moradia. para espalhar seus raios.

As construções edificadas ao longo das vias de ao redor dos cruzamentos são prejudiciais à habitação: barulhos. de ar puro e de silêncio. reservando só para alguns favorecidos da sorte o benefício das condições necessárias para uma vida sadia e ordenada. zonas independentes à habitação e à circulação. que devem não somente assegurar a proteção da pessoa humana mas também dar-lhe meios para um aperfeiçoamento crescente. em decorrência de sua orientação. Ele tem por base a discriminação necessária entre as diversas atividades humanas. e de vias de percurso rápido para o uso de veículos. às vezes. com vista e espaços graciosos dando para perspectivas paisagísticas. A habitação se erguerá em seu meio próprio. Se se quiser levar em consideração esta interdição. para sempre. o solo urbano. atribuir-se-á. mais baixos. sempre que seus recursos lhe permitem. nunca atraiu ninguém. 15 . pelos gases. a procurar condições de vida e uma qualidade de bem estar cujas raízes se encontram na própria natureza. os bairros residenciais as moradias são distribuídos segundo a circunstância. salas ou terrenos destinados ao lazer. por meio de uma legislação implacável. não se tem o direito de transgredir regras que deveriam ser sagradas. . por uma rigorosa regulamentação urbana.. pela fumaça de carvão.13 . 16 . então não estará mais unida à rua por sua calçada. É urgente e necessário modificar certos usos. de ar e de espaço. deletérios de alguma indústria. É preciso impedir. independente de qualquer questão de dinheiro. que um terreno envenenado pela fuligem.Essa distribuição parcial da habitação é sancionada pelo uso e por disposições edílicas que se consideram justificadas: o zoneamento. As zonas favorecidas são geralmente ocupadas pelas habitações de luxo. A casa. Assim. montes. só se aproximando ocasionalmente da habitação. acharão natural destinar à instalação de um bairro operário uma zona até então negligenciada porque as névoas a invadem. provase assim que as aspirações instintivas do homem o induzem. Cada uma dessas vias desempenhará sua função. Um geômetra municipal não hesitará em traçar uma rua que privará de sol milhares de casas. Ele considerará que uma encosta voltada para o norte. centros industriais ou comerciais. doravante.. ao abrigo dos ventos hostis. cada uma das quais reclama seu espaço particular: locais de habitação. ao sabor dos interesses mais inesperados e. Nenhuma legislação interveio ainda para fixar as condições habitação moderna. onde gozará de sol.As construções arejadas (habitações ricas) ocupam as zonas favorecidas.Os bairros mais densos se localizam nas zonas menos favorecidas (encontas mal orientadas. que. O zoneamento é a operação feita sobre um plano de cidade com o objetivo de atribuir a cada função e a cada indivíduo seu justo lugar. mar. uma certa qualidade de bem-estar. lagos. às vezes ruidosa. e com uma insolação abundante. será sempre bom o bastante para acomodar as populações desenraizadas e sem vínculos sólidos. Certos edis. setores invadidos por nevoeiros. por gases industriais passíveis de inundações etc). que famílias inteiras sejam privadas de luz. Mas se a força das coisas diferencia a habitação rica da habitação modesta. a que chamamos de mão-de-obra comum. etc. A circulação se desdobrará por meio de vias de percurso lento para o uso de pedestres. infelizmente. poeiras e gases nocivos. porque a umidade é excessiva ou porque os mosquitos nela pululam. É preciso tornar acessível para todos. 14 .

àqueles que buscam o lucro. a proporção de fachadas não ensolaradas varia entre a metade e três quarto total. 19 . um pleno desenvolvimento. Muito longe da moradia. ainda. ao lado da instrução. ruas paralelas ou oblíquas desenham superfícies quadradas ou retangulares. para completar. construído ao longo de uma via de acesso desprovido de proteção. mas. e a criança. Ao serem cortadas. infelizmente. mas sua necessidade é ainda mal compreendida pela massa. O burgo era outrora uma unidade organizada no interior de uma muralha militar. creches. 18 . fora da moradia e em suas proximidades. A necessidade de iluminar o centro desses blocos engendra pátios internos de dimensões variadas. elas colocam a criança em contato com os perigos da rua. A moradia abriga a família.17 – O alinhamento tradicional das habitações à beira das ruas só garante insolação a uma parcela mínima das moradias. O estado atual e a distribuição do domínio edificado prestam-se mal às inovações por meio das quais a infância e a juventude seriam não somente protegidas de inúmeros perigos. estão em geral mal situadas no interior do complexo urbano. O falso burgo contíguo a ele pelo lado de fora. antes dos seis anos. constituem os "blocos". Mas a família reclama ainda a presença de instituições que. 20 . por vezes. em geral. devia acomodar-se em sua insegurança. O benefício dessas instituições coletivas é evidentes. às quais se somarão organizações intelectuais e esportivas destinadas a proparcionar aos adolescentes a possibilidade de trabalhos ou de jogos adequados à satisfação das aspirações próprias dessa idade e. em consequência da estreiteza das ruas. As escolas. São elas: centros de abastecimento. Em certos casos. seja ela voltada para a rua ou para o pátio.Os subúrbios estão organizados sem plano e sem ligação normal com a cidade. Chega-se então a este triste resultado: uma fachada em quatro. escolas. limitando-se o julgamento a seu programa e a sua disposição arquitetônica. sejam seus verdadeiros prolongamentos. ao acaso. feliz – está hoje entregue. era o escoadouro da população excedente que. de capacidades diversas que. os "equipamentos de saúde". ou o adolescente. está orientada para o norte e não conhece o sol. não raro estão situadas nas vias de circulação e muito afastadas das habitações. é freqüente que nelas só se dispense a instrução propriamente dita. As regulamentações edilícias deixam. Os subúrbios são descendentes degenerados dos arrabaldes. são regularmente privados de organizações pré ou pós-escolares que responderiam às necessidades mais imperiosas de sua idade. jardins de infância. dos pátios e da sombra projetada disso resultante. .É arbitrária a distribuição das construções de uso coletivo dependente da habitação. muito particularmente. da maneira mais fragmentária e desvinculada das necessidades gerais das habitações. capaz de lhes assegurar. essa proporção é ainda mais desastrosa. tanto físico quanto moral.As escolas. trapezoidais ou triangulares. depois dos treze. as áreas próprias à cultura fisica e ao esporte cotidiano de cada um. serviços médicos. A análise revela que nas cidades. Sua realização está apenas esboçada. uma vez edificadas. são também parcialmente privadas de sol. a liberdade de restringir esses pátios a dimensões verdadeiramente escandalosas. O alinhamento tradicional dos imóveis ao longo das ruas acarreta urna disposição obrigatória do volume construído. bom ou mau grado. enquanto as outras três. Além disso. função que constitui por si só todo um programa e coloca um problema cuja solução – que outrora já foi. colocadas nas únicas condições que permitem uma formação séria.

A era do maquinismo é caracterizado pelo subúrbio. Quando a administração intervém para corrigir a situação. porém. Muito tarde! O subúrbio foi incorporado tardiamente ao domínio administrativo. para o viajante atraído pela reputação da cidade.Procurou-se incorporar os subúrbios ao domínio administrativivo. No decorrer dos séculos XIX e XX. Sua miséria. vistos de avião. mais extenso do que a cidade. galpões onde se misturam bem ou mal os materiais mais imprevistos. entretanto. O subúrbio é o símbolo. Ela comprometeu seriamente o destino da cidade e suas possibilidades de crescer conforme uma regra. disseminado por todo o universo e levado a suas conseqüências extremas na América. com seu trecho de via. do fracasso e da tentativa. Paraísos ilusórios. ocorria uma primeira alteração na regra normal dos traçados. onde são jogados todos os resíduos. choca-se com obstáculos insuperáveis e se arruína em vão. o subúrbio é com freqüência. onde a função distância-tempo suscita uma difícil questão que continua sem solução. conhecerão um crescimento gigantesco. dispondo-se da insolação mais favorável e de superfícies verdes adequadas.Freqüentemente os subúrbios nada mais são do que uma aglomeração de barracos onde a infra-estrutura indispensável dificilmente é rentável. alguns procuram fazer cidades-jardins. Os subúrbios são a sórdida antecâmara das cidades. área sem traçado definido. polícia. e depois inundação. 22 . Ele se constitui em um dos grandes males do século.Quando a criação de uma nova muralha encerrava um dia o falso burgo. algumas das quais. O subúrbio é um erro urbanístico. onde se instalam em geral os artesanatos mais modestos. Desse subúrbio doente. etc. A legislação imprevidente deixou que se estabelecessem. é uma carga sufocante para a coletividade. no seio da cidade. dez vezes. enganchados às grandes vias de acesso por suas ruelas. É antes do nascimento dos subúrbios que a administração deve apro riar-se da gestão do solo que.Doravante os bairros habitacionais devem ocupar no espaço urbano as melhores localizações. destinada a suportar inúmeras misérias. cerca a cidade para assegurar-lhe os meios para um desenvolvimento harmonioso. em toda sua extensão. 21 . domínio dos pobres diabos que oscilam nos turbilhões de uma vida sem disciplina. onde se arriscam todas as tentativas. Sua densidade populacional é muito baixa e o solo dificilmente explorado. que obriga a malbaratar o dinheiro público sem a contraparte de recursos fiscais suficientes. solução irracional. cem vezes. Sede de uma população incerta. expõe aos olhos menos avisados a desordem e a incoerência de sua distribuição. aproveitando-se a topografia. Casinhas mal construídas. eis o subúrbio! Sua feiúra e sua tristeza são a vergonha da cidade que ele circunda. uma penosa desilusão! É preciso exigir 23 . caldo de cultura de revoltas. É uma espécie de onda batendo nos muros da cidade. . a cidade é obrigada a prover a área dos subúrbios dos serviços necessários: vias públicas. O proprietário de um terreno vago onde tenha surgido algum barraco. a circulação aí se torna perigosa. ao mesmo tempo. É chocante a desproporção entre as despesas ruinosas causadas por tantas obrigações e a pequena contribuição que pode dar uma população dispersa. essa onda tornou-se maré. direitos de propriedade por ela declarados imprescritíveis. meios transporte rápidos. canalização. galpão ou oficina não pode ser desapropriado sem inúmeras dificuldades. barracos de madeira. observando-se o clima. com as indústrias julgadas de antemão provisórias. eles são. cortados por ferrovias. iluminação e limpeza pública serviços hospitalares ou escolares.

Um número mínimo de horas de insolação deve ser fixado para cada moradia. fruto de uma especulação prematura.Densidades razoáveis devem ser impostas. Muitos fatores concorrem para a quantidade da moradia. Elas poderão variar segundo a destinação do solo urbano e resultar. Tanto para nascer como para crescer. O sol é o senhor da vida. levando em consideração os ventos e a neblina. criá-las. A ciência. Alguns. ainda. por exemplo. deverão ser parcialmente respeitados. Será necessário alojá-la. tal como existem hoje. ela exige que o indivíduo seja recolocado. 25 . ainda. ao modificar brutalmente determinadas condições centenárias. A história mostra que sua criação e seu desenvolvimento obedeceram a razões profundas. utilizar as superficies verdes existentes. mas freqüentemente se renovaram no decorrer dos séculos. as cidades têm razões particulares. estão construídas em condições contrárias ao bem público e privado. A displicência é a única explicação válida para esse crescimento desmesurado e absolutamente irracional. ou recuperá-las. poderiam ser-lhe nocivas.As cidades. da habitação. se não existem. criar e administrar seus prolongamentos exteriores. em certos casos. A medicina demonstrou que a tuberculose se instala onde o sol não penetra. detectou aquelas que são indispensáveis á saúde humana e também aquelas que. prever qual "tempo-distância" será seu quinhão cotidiano. prevalece sobre todos. As leis de higiene universalmente reconhecidas fazem uma grave acusação contra as condições sanitárias das cidades. que devem ser estudadas e que levarão a previsões que abarquem um certo espaço de tempo: cinqüenta anos. enfim. Quando a cifra da população e as dimensões do terreno são fixadas. no plano geral. formular um diagnóstico e nem sequer encontrar uma solução. tudo deve ser feito para recuperá-los. As densidades populacionais de uma cidade devem ser ditadas pelas autoridades. mas é preciso. Fixar as densidades urbanas é realizar um ato de gestão pleno de conseqüências. 26 . Não basta. os declives melhor expostos. sabendo-se em que área útil. Os melhores locais da cidade devem-lhe ser reservados. se foram destruídas. de acordo com as formas de habitação postas pela própria natureza do terreno. inserindo. há modos de preservar o que merece ser preservado. nas "condições naturais". as cidades se desenvolveram sem controle e sem freio. é preciso. Nossa tarefa atual é arrancá-las de sua desordem por meio de planos nos quais será previsto o escalonamento dos empreendimentos ao longo do tempo. de acordo com seu índice. É preciso buscar ao mesmo tempo as mais belas paisagens. outros. e sobre o mesmo solo. tanto quanto possível. Quando surgiu a era da máquina. em função das memórias históricas ou dos elementos de valor artístico que contêm. só merecem a picareta. que ela seja imposta pelas autoridades responsáveis. numa cidade ou muito extensa ou concentrada sobre si mesma. fixar a superfície e a capacidade necessárias à realização desse programa de cinqüenta anos. e que elas não apenas cresceram. que é uma das causas de seus males. Poder-se-á pressupor uma certa cifra de população. Não basta sanear a moradia. A era da máquina. estudando as radiações solares. destruindo implacavelmente aquilo que constitui um perigo. antecipadamente. . O sol deve penetrar em toda moradia algumas horas por dia. superpostas ao longo do tempo. e se eles foram devastados pela indiferença ou pela concupiscência. levou-as ao caos.A determinação dos setores habitacionais deve ser ditada por razões de higiene. e. porém. 24 . as áreas que lhes serão reservadas. Bairros inteiros deveriam ser condenados em nome da saúde pública. locais de educação física e espaços diversos para esporte. O problema da moradia. o ar mais saudável. a "densidade" é determinada. mesmo durante a estação menos favorecida.

As construções elevadas erguidas a grande distância umas das outras devem liberar o solo para amplas superfícies verdes. são um remédio irrisório desde que as velocidades mecânicas introduziram nas ruas uma verdadeira ameaça de morte. Esse estado de coisas exige uma modificação radical: as velocidades do pedestre. terrenos para jogos. Apenas construções de uma certa altura poderão satisfazer a contento essas legítimas exigências. enfim. a possibilidade de criar nas proximidades imediatas da moradia instalações coletivas. depois vieram. 27 . assim. Todo projeto de casa no qual um único alojamento seja orientado exclusivamente para o norte. será rigorosamente condenado. As construções atingem sessenta e cinco pavimentos ou mais. Na falta disso será negada a autorização para construir. A densidade de sua população deve ser elevada o bastante para validar a organização das instalações coletivas. enquanto o pedestre disporá de caminhos diretos ou de caminhos de passeio para ele reservados. centros de assistência. à iniciativa privada. as poeiras e os gases nocivos. a altura que mais convém a cada caso particular. isto é. A cidade atual abre as inumeráveis portas de suas casas para essa ameaça e suas inumeráveis janelas para os ruídos. por um exame criterioso dos problemas urbanos. 50 a 100km horários. É preciso. a arte de construir casas só conhecia paredes constituídas de pedras. ou para aquele ainda mais rápido. Resta determinar. as razões que postulam a favor de uma determinada decisão são: a escolha da vista mais agradável. e as velocidades.0 alinhamento das habitações ao longo das vias de comunicação deve ser proibido. ou privado de sol devido às sombras projetadas. sem programa. resultantes de uma intensa circulação mecânica. é o grave erro cometido nas cidades das duas Américas. criadas no tempo dos cavalos e só após a introdução dos coches. condenadas ao definhamento. 4km horários. que elas estejam situadas as distâncias bem grandes umas das outras. No século XIX. que serão os . de veículos rápidos de transporte coletivo. a serem canalizadas para um leito particular. Introduzir o sol é o novo e o mais imperioso dever do arquiteto. tijolos ou tabiques de madeira e tetos constituídos por vigas de madeira. no mínimo 2 horas por dia. As habitações serão afastadas das velocidades mecânicas. só agravaria o mal existente. as ruas do nossas cidades. dos caminhões ou dos automóveis particulares. todas em aço ou cimento armado. os construtores não podiam erguer um imóvel que ultrapassasse seis pavimentos. caso contrário sua altura. Antes dessa inovação absolutamente revolucionária na história da construção de casas. As vias de comunicação. 28 .A sociedade não tolerará mais que famílias inteiras sejam privadas de sol e. devem ser separadas. no século XX. ainda. longe de construir um melhoramento. ônibus ou bondes. 29 . A construção de uma cidade não pode ser abandonada. É preciso exigir dos construtores uma planta demonstrado que no solstício de inverno o sol penetrará em cada moradia. enfim.Os modernos recursos técnicos devem ser levados em conta para erguer construções elevadas. um período intermediário fez uso dos ferros perfilados. Cada época utilizou em suas construções a técnica que lhe era imposta por seus recursos particulares. as construções homogêneas. mecânicas. As calçadas. Elas recebem as mais variadas cargas e devem servir tanto para a caminhada dos pedestres. Até o século XIX. para evitar os atropelamentos. áreas escolares. que serão seus prolongamentos. interrompido por paradas intermitentes. No que concerne à habitação. a busca do ar mais puro e da insolação mais completa. têm finalidades díspares. quanto para o trânsito. O presente não é mais tão limitado.

se cercam a própria habitação. sua destinação será a mesma: acolher as atividades coletivas da juventude. indiretos. superfícies livres no interior de algumas cidades. será dada toda a liberdade à iniciativa privada e à imaginação do artista. As horas dê trabalho. uma necessidade e constituem uma questão de saúde pública para . tais áreas estão situadas ou na periferia ou no coração de uma zona residencial particularmente luxuosa. o grave problema da higiene popular permanecem ainda sem melhoria. Eles podem ser os prolongamentos diretos ou indiretos da moradia. 32 . a cada dia. elas serão. Uma vez fixada essa densidade. diretos. em geral. se estão concentrados em algumas grandes superfícies. O urbanismo é chamado para conceber as regras necessárias a assegurar aos citadinos as condições de vida que salvaguardem não somente sua saúde física mas. aos passeios ou aos jogos das horas de lazer. Em ambos os casos. colocando alvenaria no lugar da relva e das árvores. por um número suficiente de horas livres. estatuto. cobrindo-os de imóveis. proibidas às multidões. portanto. A manutenção ou a criação de espaços livres são. Quando as cidades modernas possuem algumas superfícies livres e de uma extensão suficiente. também. Os dois últimos séculos consumiram com voracidade essas reservas. sem que desempenhem seu papel de prolongamentos úteis da moradia. devem ser seguidas. da qual a autoridade está incumbida: a promulgação do "estatuto do solo". será admitida uma cifra de população presumível. por isso. serão consagradas a uma reconfortante permanência no seio de elementos naturais. miraculosa em nossa época.Quando as superfícies livres têm uma extensão suficiente. distantes dos locais de habitação popular. que dá hoje um sentido novo a sua destinação. 31 . jardins adjacentes a casas burguesas. Decidir sobre a maneira como o solo será ocupado. não tão próximas. estabelecer a relação entre a superfície construída e aquela deixada livre ou plantada. elas só servirão aos citadinos no domingo e não terão influência alguma sobre a vida cotidiana. sua saúde moral e a alegria de viver delas decorrente. passeios sombreados ocupando a área de uma muralha militar derrubada. sendo sua função reduzida ao embelezamento. Lazer Observações 30 . dividir o terreno necessário tanto para as moradias particulares quanto para seus diversos prolongamentos. insuficientes. Seja como for. Existem. que permita calcular a superfície reservada à cidade. de reservas constituídas no passado: parques rodeando residências principescas.As superfícies livres são. ainda. propiciar um espaço favorável às distrações. são pouco utilizáveis pela massa dos habitantes. em geral muscular e nervosamente extenuantes. Outrora os espaços livres não tinham outra razão de ser que o deleite de alguns privilegiados. Assim se construirá a cidade daqui para diante com toda segurança e. constituir essa grave operação. autênticos pulmões da cidade. Não interviera ainda o ponto de vista social. dentro dos limites das regras estabelecidas por esse.A situação excêntrica das superficies livres não se presta à melhoria das condições de habitação nas zonas congestionadas da cidade. No primeiro caso. que o maquinismo infalivelmente ampliará. de fato. fixar uma superfície para a cidade que não poderá ser ultrapassada durante um período determinado. No segundo. Elas são a sobrevivência. não raro estão mal destinadas e. que continuará a se desenrolar em condições deploráveis. Essas horas livres.prolongamentos da moradia.

permitem verdadeiras viagens. Pode-se classificar as horas livres ou de lazer em três categorias: cotidianas. Esse problema deve ser considerado desde o instante em que se esboça o plano da região. de fato. dividida em múltiplas parcelas individuais. em geral. das mais precárias. 34 .As raras instalações esportivas. Precariedade e transtornos incessantes. Esta decisão só terá resultado se estiver sustentada por uma verdadeira legislação: o "estatuto do solo". as aglomerações tenderão a tornar-se cidades verdes. eram em geral instaladas provisioriamente: em terrenos destinados a receber futuros bairros residências ou industriais. As horas de liberdade cotidiana devem ser passadas nas proximidades da moradia. Esse é um tema que constitui parte integrante dos postulados do urbanismo e ao qual os edis deveriam ser obrigados a dedicar toda a sua atenção. Contrariamente ao que ocorre nas cidades-jardins. Assim. como a aragem eventual e a irrigação ou a rega. fora da cidade e da região.a espécie. cuja utilidade constitui. De qualquer modo. as férias. Uma vez escolhidos os locais situados nos arredores imediatos da cidade e próprios para se tomarem centros úteis de lazer semanal. . ferrovias ou rios. Algumas associações esportivas. As horas de liberdade semanal permitem a saída da cidade e os deslocamentos regionais.Doravante todo bairro residencial deve compreender a superfície verde necessária à organizacão racional dos jogos e esportes das crianças. o principal argumento a favor das cidades jardins. As horas de liberdade anual.ao redor das moradias. poderá muito bem ser levado em consideração aqui. É preciso exigir 35 . desejosas de utilizar seu lazer semanal. 2 . O cultivo de hortas. isto é. mas certos empreendimentos coletivos. não oficialmente reconhecidas é. uma porcentagem do solo disponível lhe será destinada.na região 3 . dos adolescentes e dos adultos.Os terrenos que poderiam ser destinados ao lazer semanal estão frequentemente mal articulados à cidade. eis a única fórmula que resolve o problema da habitação. poderão aliviar os encargos e aumentar o rendimento. ele implica o estudo de diversos meios de transporte possíveis: estradas. Esse estatuto terá a diversidade correspondente às necessidades a satisfazer. semanais ou anuais. Justa proporção entre volumes edifícados e espaços livres. encontraram na periferia das cidades um abrigo provisório. para serem colocadas nas proximidades dos usuários. O problema assim exposto implica a criação de reservas verdes: 1. a densidade da população ou a porcentagem de superficie livre e de superfície edificada poderão variar segundo as funções. 33 . mas consagradas ao desenvolvimento das diversas atividades comuns que formam o prolongamento da moradia.no país. as superficies verdes não serão compartimentadas em pequenos elementos de uso privado. a textura do tecido urbano deverá mudar. Os volumes edificados serão intimamente amalgamados às superfícies verdes que os cercam. mas sua existência. os locais ou os climas. As zonas edificadas e as zonas plantadas serão distribuídas levando-se em consideração um tempo razoável para ir de umas às outras. colocar-se-á o problema dos transportes de massa.

todavia. o primeiro passo no caminho do saneamento. locais para alojamento. etc. montanhas. As superfícies verdes. antes de mais nada. pistas de corrida ou piscina ao ar livre. de praias naturais ou artificiais constituindo uma imensa reserva cuidadosamente protegida. 37 . Toda cidade possui em sua periferia locais capazes de corresponder a esse programa e que através de uma organização bem estudada dos meios de transporte. e o acesso a eles deverá ser assegurado por meios de transporte suficientemente numerosos e cômodos. . os esportes de toda natureza: tênis.Os elementos existentes devem ser considerados: rios..Parques. Na região que cerca a cidade. estádios. não por função única o de embelezamento da cidade.. futebol. Estes quarteirões deverão ser demolidos. Um conhecimento elementar das principais noções de higiene basta para discernir os cortiços e discriminar os quarteirões notoriamente insalubres. um abastecimento de água potável e víveres.As horas livres semanais devem transcorrer em locais adequadamente preparados: parques. 38 . estádios. que se terá intimamente amalgamado aos volumes construídos e inserido nos setores habitacionais. Deve ser estabelecido um programa de entretenimento abrangendo atividades de todo tipo: o passeio. lago... florestas. organizações pré ou pós-escolares. saberá dar-lhes a destinação que o plano geral da região e o da cidade tenham antecipadamente considerado a mais útil. que deverá ser cuidadosamente assegurado em toda parte. vales. de bosques. ter um papel útil. os espetáculos. morros. albergues ou acampamentos e.As novas superfícies verdes devem servir a objetivos claramente definidos: acolher jardins de infância. concertos. basquete. não menos importante. hotéis. Enfim. são previstos equipamentos precisos: meios de transporte que demandem uma organização racional. um urbanismo inteligente. centros de entretenimento intelectual ou de cultura física. teatros ao ar livre. tornar-se-ão facilmente acessíveis. áreas de esporte. deverão estar o subordinadas ao estatuto do solo. atletismo. Elas serão o prolongamento da habitação e. pelo menos nos bairros limítrofes. 40 . círculos juvenis. natação. e as instalações de caráter coletivo ocuparão seus gramados: creches. mar. escolas. áreas de esporte. Elas deverão. etc. centros juvenis ou todas as construções de uso comunitário ligadas intimamente à habitação. florestas. salas de leitura ou de jogos. que alguns desses quarteirões ocupem um local particularmente conveniente à construção de certos edifícios indispensáveis à vida da cidade. Nesse caso. 39 .Os quarteirões insalubres devem ser demolidos e substituídos por superfícies verdes: os bairros limítrofes serão saneados. amplos espaços deverão ser reservados e organizados. em meio à beleza dos lugares. Nada ou quase nada foi ainda previsto para o lazer semanal. com uma ou outra árvore plantada. solitário ou coletivo. como tal. etc. Pode acontecer. praias. Não se trata mais de simples gramado cercando a casa. oferecendo mil oportunidades de atividades saudáveis ou de entretenimento útil ao habitante da cidade. enfim. Dever-se-á aproveitar essa ocasião para substituí-los por parques que serão. praias.36 . mas de verdadeiros prados. jogos de quadra e torneios diversos.

suporta de manhã. à tarde e à noite. enfim. . só foram dadas soluções paliativas. Esse é um outro problema social muito importante. fez-se surgir apressadamente cidades suburbanas. para os subúrbios. que absolutamente não está ligada por um vínculo estável à indústria. Instaladas na periferia e longe desses bairros. estavam situadas uma perto da outra. artesanato. que continua seu desenvolvimento sem limites. em parte. A mão-de-obra intercambiável. sem poder acolher novos habitantes. vastos e compactos blocos de caixotes para alugar ou loteamentos intermináveis. e às margens das vias fluviais. no caso. ao longo das vias férreas introduzidas pelo século XIX. a que as indústrias verdadeiramente se precipitaram. a despeito do mal que disso poderia resultar. cujo tráfego a navegação a vapor multiplicava.Graças ao aperfeiçoamento dos meios mecânicos de transporte. Derivou disso o grande mal dá época atual: nomadismo das populações operárias. sítios e paisagens que correspondam ao programa. administração. ela transformou a fisionomia das cidades. mas também de reparar as agressões que algumas delas tenham sofrido. Mas. negócios. 43 . tornar o dia de repouso verdadeiramente revitalizante para a saúde fisica e moral. cuja responsabilidade está nas mãos dos edis: encontrar uma contrapartida para o trabalho estafante da semana. A ruptura com a antiga organização do trabalho criou uma desordem indizível e colocou um problema para o qual.As horas de pico dos transportes acusam um estado crítico. Saturada a cidade. Outrora. é empurrada para fora. Implantadas no coração dos bairros habitacionais.Os locais de trabalho não estão mais dispostos racionalmente no complexo urbano: indústria. Trata-se não só de preservar as belezas naturais ainda intactas. elas condenam os trabalhadores a percorrer diariamente longas distâncias em condições cansativas de pressa e de agitação. 42 .A ligação entre a habitação e os locais de trabalho não é mais normal: ela impõe percursos desmesurados. O desenvolvimento industrial depende essencialmente dos meios de abastecimento de matériasprimas e das facilidades de escoamento dos produtos manufaturados. quebrou as tradições seculares do artesanato e deu origem a uma nova mão-de-obra anônima e instável. trabalhar. Uma destinação fecunda das horas livres forjará uma saúde e um coração para os habitantes das cidades. aproveitando as disponibilidades imediatas de habitações e de abastecimento das cidades existentes. um papel preponderante. a perpétua movimentação e a deprimente confusão dos transportes coletivos. os fundadores das indústrias instalaram suas empresas na cidade ou em seus arredores. as fábricas aí espalham suas poeiras e seus ruídos. a questão da distância não desempenha mais. a moradia e a oficina. Desde então foram rompidas as relações normais entre essas duas funções essenciais da vida: habitar. que a indústria do homem crie. em menos de um século. Foi. Trabalho Observações 41 . portanto. não mais abandonar a população às múltiplas desgraças da rua. no verão e no inverno. Horas inteiras se dissolvem nesses deslocamentos desordenados. até o presente. unidas por vínculos estreitos e permanentes. Mais vale escolher bem. comércio. Os arrabaldes se enchem de oficinas e manufaturas e a grande indústria. A expansão inesperada do maquinismo rompeu essas condições de harmonia. ainda que se tenha que procurar um pouco mais longe. fazendo-os perder inutilmente uma parte de suas horas de lazer.

As indústrias devem ser transferidas para locais de passagem das matérias-primas. trens de subúrbio. Nada. Tudo aconselha um agrupamento.crescimento descontrolado das cidades. Isto supõe uma nova distribuição. iluminação. O solo das cidades e o das regiões vizinhas pertencem quase inteiramente a particulares. isoladamente. especulação com os terrenos. mas é preciso denuciar as deploráveis condições de vida que disso resultaram para a massa. A concentração das indústrias em anéis em tomo das grandes cidades pode ter sido. É preciso exigir 46 . silêncio.Nas cidades. foi seriamente medido e previsto. tornar-se-ão. uma fonte de prosperidade. falta organização propícia para seu desenvolvimento natural. Estas transações precisam de escritórios. comunicações fáceis com o exterior. eles se tomam um pesado encargo público. dotados da mais completa circulação. tudo foi deixado à improvisação que. Como são negócios privados. Esses escritórios são locais que requerem uma instalação particularizada. administração privada e comércio. Tais equipamentos. de seu próprio bolso. a agitação é frenética. A própria indústria está nas mãos de sociedades privadas. conforme um plano cuidadosamente elaborado. boa qualidade do ar. para certas empresas. instalações de aquecimento e de refrigeração. portanto.Os transportes coletivos. o fornecedor e o cliente.As distâncias entre os locais de trabalho e os locais de habitação devem ser reduzidas ao mínimo. sensível. de todos os lugares destinados ao trabalho. nesse domínio. são caros. A duração das idas e vindas não tem relação com a trajetória cotidiana do sol. terrestres ou férreas. diariamente. e os usuários pagam caro. estabelecer contatos entre a fábrica ou a oficina. sempre oprime a coletividade. 44 . Para remediar semelhante estado de coisas foram sustentadas teses contraditórias: fazer viver os transportes ou fazer viver bem os usuários dos transportes? É preciso escolher! Umas supõem a redução e as outras o aumento do diâmetro das cidades. As cidades industriais. Nas horas de pico. indispensável ao andamento dos negócios. os escritórios se concentraram em centros de negócios. etc – a indústria se instala ao acaso. lineares. ao longo das grandes vias fluviais. instalado nos locais privilegiados da cidade. são logo presa da especulação. uma organização que lhes proporciona. que asseguraria a cada um deles as melhores condições de funcionamento: circulação desembaraçada. ao invés de serem concêntricas. É preciso comprar e vender.Pela falta de qualquer programa . não obedecendo a regra alguma. sujeitas a todo tipo de crises e cuja situação é ás vezes instável. ao contrário. se às vezes favorece o indivíduo. Nada foi feito para submeter o surto industrial a regras lógicas. Um lugar de passagem é um elemento linear. . ônibus e metrôs só funcionam verdadeiramente em quatro momentos do dia. 45 . Essa disposição arbitrária criou uma promiscuidade insuportável. Os centros de negócio. horas de sacolejo somadas às fadigas do trabalho. sendo a cota dos passageiros insuficiente para cobrir sua despesa. centros postal e telefônico. O desenvolvimento industrial tem por corolário o aumento dos negócios. A exploração desses transportes é ao mesmo tempo minuciosa e cara. rádio etc. ausência de previsões.

deve ser garantida boa comunicação. exige a criação de novas vias ou a transformação das já existentes. a casa individual acoplada a uma pequena exploração rural e. É um programa de coordenação que deve levar em conta a nova distribuição dos estabelecimentos industriais e das moradias operárias que os acompanham. desde o seu nascimento. seu próprio setor habitacional. O artesanato de livros. por sua natureza. Uma zona verde separará este último das construções industriais.47 . da qual procede diretamente. ela poderá alinhar. Primeiro foi traçada uma muralha de forma regular. portanto. costura ou moda encontra na concentração intelectual da cidade a excitação criadora que lhe é necessária.Ao centro de negócios.O artesanato. O centro de negócios deve encontrar-se na confluência das vias de circulação que servem ao mesmo tempo os setores de habitação. Na Europa. Ele emana diretamente do potencial acumulado nos centros urbanos. ou às vezes até mesmo à antiguidade. que lhe será paralelo. alguns hotéis e diversas (estações ferroviária. joalheria. Três tipos de habitação estarão disponíveis para escolha dos habitantes: a casa individual da cidade-jardim. estrada ou via férrea ou. essas últimas remontam a um tempo bem anterior à idade média. A cidade industrial se estenderá ao longo do canal. aérea). poderão ficar situados nos pontos mais intensos da cidade.A rede atual das vias urbanas é um conjunto de ramificações desenvolvidas em torno das grandes vias de comunicação. deve poder ocupar locais claramente designados no interior da cidade.Os setores industriais devem ser independentes dos setores habitacionais e separados uns dos outros por uma zona de vegetação. ela voltará a ser um organismo familiar normal. marítima. enfim. São atividades essencialmente urbanas e. intimamente ligado à vida urbana. dessas três vias conjugadas. As "condições naturais" assim reencontradas contribuirão para fazer cessar o nomadismo das populações operárias. nessa muralha . Certas cidades militares ou de colonização beneficiaram-se. Tornando-se linear e não mais anelar. 50 . melhor ainda. os setores de indústria e de artesanato. que utilizam a rodovia. Os negócios assumiram uma importância tão grande que a escolha da localização que lhes será reservada exige um estudo muito particular. A velocidade inteiramente nova dos transportes mecânicos. tanto com os bairros habitacionais quanto com as indústrias ou artesanato instalados na cidade ou em suas proximidades. mantendo-se a uma proximidade que suprimirá os longos trajetos diários. o rio ou o canal. a ferrovia.As zonas industriais devem ser contíguas à estrada de ferro. ao canal e à rodovia. 49 . as administrações públicas. 48 . os locais de trabalho. A moradia inserida desde então em pleno campo. à medida em que se desenvolve. Circulação Observações 51 . rodoviária. o imóvel coletivo provido de todos os serviços necessários ao bemestar de seus ocupantes. O artesanato. de um plano deliberado. estará completamente protegida dos ruídos e das poeiras. consagrado à administração privada ou pública. difere da indústria e requer disposições apropriadas.

do pedestre ou do cavalo. hoje elas não correspondem aos meios de transporte mecânicos. Os cruzamentos das ruas atuais. cercadas por muralhas. ruas e ruelas foram prolongadas em avenidas e alamedas além do primeiro núcleo. 52 . se opõe à utilização das novas velocidades mecânicas e à expansão regular da cidade. 55 . mas sempre conservarão sua determinação fundamental. As cidades antigas eram. Dever-se-ia.terminavam as grandes vias de comunicação. artérias secundárias cada vez mais numerosas. e perfurados. 50. 20. que não corresponde mais. nasceram na intersecção de duas grandes rotas que atravessavam a região ou no ponto de cruzamento de vários caminhos radiais que partiam de um centro comum. Esse sistema de construção. O problema é criado pela impossibilidade de conciliar as velocidades naturais. no decorrer do crescimento da cidade. ficam paralisados. É isso que explica sua disposição em ruas e ruelas estreitas que permitiam servir ao maior número possível de portas de habitação. É sempre o bloco edificado. Espaços de 200 a 400 metros deveriam separá-los. tem ainda hoje força de lei. Além disso. 54 . portanto. essa organização das cidades teve como conseqüência o sistema de blocos edificados a prumo sobre a rua.As distâncias entre os cruzamentos das ruas são muito pequenas. enquanto os veículos mecânicos. Era preciso agir com economia para fazer o terreno render o máximo de superfície habitável. Sua mistura é fonte de mil conflitos. A freada não pode intervir brutalmente sem causar um desgaste rápido de suas principais órgãos. muitas delas puderam ser corrigidas ou retificadas. caminhões ou ônibus. com as velocidades mecânicas dos automóveis. que freqüentemente lhes impõe um traçado sinuoso. 53 .As grandes vias de comunicação foram. que conservava sua estrutura primitiva. com a mesma finalidade. Outras cidades. por razões de segurança. As vias principais sempre foram filhas da geografia.A largura das ruas é insuficiente. por pátios internos. estender-se proporcionalmente ao crescimento de sua população. Prevista para outros tempos. . subproduto direto da rede viária.O dimensionamento das ruas. os veículos mecânicos precisam do arranque e da aceleração gradual. a nenhuma necessidade. prever uma unidade de extensão razoável entre o local do arranque e aquele em que a freada torna-se necessária. há muito tempo. inoperante. não convêm à boa progressão dos veículos mecânicos. Procurar alargá-las é quase sempre uma operação onerosa e. Mas tarde. As primeiras casas se instalaram à beira delas. Suas fachadas dão para ruas ou para pátios internos mais ou menos estreitos. situados a 100. concebidas para receber pedestres ou coches. de onde eles recebiam luz. A disposição interna tinha uma útil regularidade. Para atingir sua marcha normal. A rede circulatória que o contém tem dimensões e intersecções múltiplas. obrigados a frear com freqüência. Não podiam. O pedestre circula em uma insegurança perpétua. além disso. o que não os impede de serem um perigo permanente de morte. ou mesmo 10 metros de distância uns dos outros. quando as muralhas fortificadas foram sendo afastadas. assim tiveram origem as ruas principais a partir das quais vieram ramificar-se. mais numerosas. Essas vias de comunicação estão intimamente ligadas à topografia da região. bondes. portanto. desde então inadequado. essa rede não pôde adaptarse às novas velocidades dos veículos mecânicos.

assim. são. ela isola uns dos outros setores que. condicionada para satisfazer necessidades claramente e caracterizadas. a situação é grave para a economia geral e o urbanismo é chamado para considerar o remanejamento e o deslocamento de certas redes. aos pedestres. Também aqui o tempo andou muito depressa. uma fonte de problemas constantes. É preciso que o problema seja retomado bem mais de cima. a malha das ruas apresenta-se irracional. e. Elas são geralmente muito estreitas. A circulação moderna é uma operação das mais complexas. Cada uma dessas atividades exigiria uma pista particular. e que formam o tronco da inumerável ramificação de ruas. Aquilo que era admissível e até mesmo admirável no tempo dos pedestres e dos coches pode ter-se tomado.Diante das velocidades mecânicas. tendo-se coberto pouco a pouco de habitações. ir de um extremo a outro. Tudo depende de seu tráfego. portanto. a suprimir os engarrafamentos e o malestar constante de que são a causa. As vias destinadas a múltiplos usos devem permitir. que saiba prever tudo o que é preciso para regularizar os fluxos. aos ônibus e bondes. preciso dedicar-se a um estudo profundo da questão. uma causa de engarrafamento. ir de um extremo a outro. viram-se privados de contatos para eles indispensáveis. a determinados veículos. buscando objetivos representativos. diversidade e adequação.Em inúmeros casos. criar os escoadouros indispensáveis e chegar. Essas composições de ordem arquitetônica deveriam ser preservadas da invasão de veículos mecânicos. a rede das vias férreas tornou-se. ir dos centros de abastecimento a locais de distribuição infinitamente variados. faltando precisão. de atraso. atravessar a cidade em simples trânsito. Em certas cidades. elas seccionam arbitrariamente zonas inteiras. ao mesmo tempo: aos automóveis. conservaram quase sempre um tráfego intenso. em número e natureza dos veículos. puderam ou podem constituir pesados entraves à circulação. para os quais não foram feitas e à cuja velocidade nunca poderão ser adaptadas. atualmente. de perigo. As antigas vias principais. flexibilidade. A circulação tornou-se hoje uma função primordial da vida urbana. É preciso exigir . Certas avenidas concebidas para assegurar uma perspectiva monumental coroada por um monumento ou um edificio. 58 . 56 . considerar seu estado atual e procurar soluções que respondam de fato a necessidades estritamente definidas. Ela pede um programa cuidadosamente estudado. As estradas de ferro foram construídas antes da prodigiosa expansão industrial que elas mesmas provocaram. percorrer itinerários prescritos. É. 57 . privando-os de contatos úteis com os elementos vitais da cidade.Não há uma largura-tipo uniforme para as ruas. mas seu alargamento não é sempre uma solução fácil e nem sequer eficaz. às vezes. no presente. Ela isola os bairros habitacionais. de modo a fazê-las inserir-se na harmonia de um plano geral. Ao penetrarem nas cidades. impostas desde o início da cidade pela topografia e pela geografia. por ocasião da extensão da cidade. A estrada de ferro é uma via que não se atravessa. um grave obstáculo à urbanização.Traçados de natureza suntuária. aos caminhões.

Essa exigência concernente à circulação pode ser considerada tão rigorosa quanto aquela que. Não haveria nada mais sensato nem que abrisse uma era de urbanismo mais nova e mais fértil. 60 .Devem ser feitas análises úteis. são o melhor meio de assegurar-lhes uma marcha contínua.com suas velocidades inesperadas. seja as cargas pesadas ou os veículos em trânsito. seja os automóveis. ter regimes diferentes. Já é tempo de remediar. que será receber seja os pedestres. As causas determinantes e os efeitos de suas diferentes intensidades aparecerão então claramente e será mais fácil discernir os pontos críticos. Somente uma visão clara da situação permitirá realizar dois progressos indispensáveis: dar a cada uma das vias de circulação uma destinação precisa. Para permitir às moradias e a seus "prolongamentos" usufruir da calma e .bicicletas. de acordo com a função para a qual forem destinadas. uma situação que caminha para ao desastre. para a grande circulação. deverão. serão estabelecidas interligações unindo-as às vias destinadas à circulação miúda. dimensões e características especiais: natureza do leito. destinadas somente à pequena circulação.As vias de circulação devem ser classificadas conforme sua natureza. nas artérias congestionadas.59 . No século XX. Nas grandes vias de circulação e a distâncias calculadas para obter o melhor rendimento. ao invés de serem liberadas a tudo e a todos. dar depois a essas vias. ruas de passeio. A terceira. caminhões. vias de trânsito independentes das vias usuais. o caminho dos pedestres e o dos veículos mecânicos. condena toda orientação da moradia para o norte. A segunda. As ruas. vias principais. abateu-se como um cataclisma a massa de veículos mecânicos . Os veículos em trânsito não deveriam ser submetidos ao regime de paradas obrigatórias a cada cruzamento. As ruas residenciais e as áreas destinadas aos usos coletivos exigem uma atmosfera particular. e construídas em função dos veículos e de suas velocidades. 63 . locais e natureza dos cruzamentos ou das interligações.O pedestre deve poder seguir caminhos diferentes do automóvel Isso constituiria uma reforma fundamental da circulação nas cidades. que torna inutilmente lento seu percurso. trabalho que revelará os leitos de circulação e a qualidade de seus tráficos. considerar.As ruas devem ser diferenciadas de acordo com suas destinações: ruas de residências. dar às cargas pesadas um leito de circulação particular.Os cruzamentos de tráfego interno serão organizados em circulação contínua por meio de mudanças de níveis. largura da calçada. recebia outrora pedestres e cavaleiros indistintamente e só no final do século XVIII o emprego generalizado de coches provocou a criação das calçadas. por meio de medidas apropriadas. conforme sua categoria. A rua única. no domínio da habitação. provocou um fluxo inimaginável de veículos em certos pontos determinados. automóveis. A primeira medida útil seria separar radicalmente. Mudanças de nível. motocicletas. bondes . em cada via transversal. legada pelos séculos. A circulação é uma função vital cujo estado atual deve ser expresso em gráficos. 61 . com base em estatísticas rigorosas do conjunto da circulação na cidade e sua região. 62 . ruas de trânsito. O crescimento fulminante de algumas cidades como Nova York por exemplo.

da paz que lhes são necessárias. atinge também as obras dos homens. os veículos mecânicos serão canalizados para circuitos especiais. sendo rigorosamente imposta uma velocidade reduzida a todos os tipos de veículos.. algumas serão conservadas a título de documentário. São testemunhos preciosos do passado que serão respeitados. por definição. A vida de uma cidade é um acontecimento contínuo. 67 . nas quais. os leitos de grande circulação. Será bom que elas sejam ladeadas por espessas cortinas de vegetação. As grandes vias principais que estão relacionadas a todo o conjunto da região afirmarão.. salvo nos pontos de interligação. que se manifesta ao longo dos séculos por obras materiais. porque alguns trazem uma virtude plástica na qual se incorporou o mais alto grau de intensidade do gênio humano. Mas serão também levadas em consideração as ruas de passeio. e aqueles que os detêm ou são encarregados de sua proteção. 66 .. que não poupa nenhum ser vivo. sua prioridade. Um culto estrito do passado não pode levar a desconhecer as regras da justiça social. Patrimônio Histórico das Cidades 65 . As avenidas de trânsito não terão nenhum contato com as ruas de circulação miúda. Enfim. É assumir uma grave responsabilidade. direito à perenidade. 64 . Se os interesses da cidade são lesados pela persistência de determinadas presenças insignes. as outras demolidas. poderá ser aventada a transplantação de elementos incômodos por sua situação. sem se preocupar com a miséria. será procurada a solução capaz de conciliar dois pontos de vista opostos: nos casos em que se esteja diante de construções repetidas em numerosos exemplares. mas que merecem ser conservados por seu alto significado estético ou histórico. convém escolher com sabedoria o que deve ser respeitado. Sendo as vias de trânsito ou de grande circulação bem diferenciadas das vias de circulação miúda. a princípio por seu valor histórico ou sentimental. depois. O problema deve ser estudado e pode às . de uma era já encerrada.Serão salvaguardados se constituem a expressão de uma cultura anterior e se correspondem a um interesse geral. naturalmente. o resto será modificado de maneira útil.Os valores arquitetônicos devem ser salvaguardados (edifícios isolados ou conjuntos urbanos). Espíritos mais ciosos do estetismo do que da solidariedade militam a favor da conservação de certos velhos bairros pitorescos. em outros casos poderá ser isolada a única parte que constitua uma lembrança ou um valor real. em certos excepcionais. em princípio. traçados ou contruções que lhe conferem sua personalidade própria e dos quais emana pouco a pouco a sua alma. A morte. Eles fazem parte do patrimônio humano. a promiscuidade e a doença que eles abrigam. não terão nenhuma razão para se aproximarem das construções públicas ou privadas. Nem tudo que é passado tem. majestosas..As zonas de vegetação devem isolar. têm a responsabilidade e a obrigação de fazer tudo o que é lícito para transmitir intacta para os séculos futuros essa nobre herança. É necessário saber reconhecer e discriminar nos testemunhos do passado aquelas que ainda estão bem vivas. sua mistura com os pedestres não oferecerá mais inconvenientes.Se sua conservação não acarreta o sacrifício de populações mantidas em condições insalubres.

e da qual. a invenção e os recursos técnicos devem combinar-se para chegar a desfazer os nós que parecem mais inextrincáveis. procurar uma outra solução. mas certamente tolerável. nas construções novas erigidas nas zonas históricas. têm conseqüências nefastas. o culto do pitoresco e da história deve ter primazia sobre a salubridade da moradia da qual dependem tão estreitamente o bem-estar e à saúde moral do indivíduo. A manutenção de tais usos ou a introdução de tais iniciativas não serão toleradas de forma alguma.O emprego de estilos do passado. longe de se alcançar uma impressão de conjunto e dar a sensação de pureza de estilo. Misturando o "falso" ao "verdadeiro". É uma coisa lamentável mas inevitável. quando esta medida acarreta a destruição de verdadeiros valores arquitetônicos. A imaginação. mudar inteiramente o regime circulatório da zona congestionada.Se é possível remediar sua presença prejudicial com medidas radicais: por exemplo. mas. Aproveitar-se-á a situação para introduzir superfícies verdes. em todo caso. históricos ou espirituais. O obstáculo só poderá ser suprimido pela demolição. inesperada talvez. As obras-primas do passado nos mostram que cada geração teve sua maneira de pensar. levando a um impasse do qual só se sairá mediante alguns sacrifícios. mais vale. 68 . chega-se somente a uma reconstituição fictícia. 70 . em certos casos. Tais métodos são contrários à grande lição da história. pode-se também deslocar um centro de atividade intensa e. pois as antigas condições de trabalho não poderiam ser reconstituídas e a aplicação da técnica moderna a um ideal ultrapassado sempre leva a um simulacro desprovido de qualquer vida. 69 .vezes ser resolvido por uma solução engenhosa. se as condições o permitirem impor-se-lhe-á uma passagem sob um túnel. nunca o homem voltou sobre seus passos. O crescimento excepcional de uma cidade pode criar uma situação perigosa. o destino de elementos vitais de circulação ou mesmo o deslocamento de centros considerados até então imutáveis. Copiar servilmente o passado é condenar-se à mentira. recorrendo. capaz apenas de desacreditar os testemunhos autênticos. que mais se tinha empenho em preservar. Os vestígios do passado mergulharão em uma ambiência nova. É possível que. Enfim. Ao invés de suprimir o obstáculo à circulação desviar-se-á a própria circulação ou. Nunca foi constatado um retrocesso. à totalidade de recursos técnicos de sua época. a demolição de casas insalubres e de cortiços ao redor de algum monumento de valor histórico destrua uma ambiência secular. em nenhum caso. é erigir o "falso" como princípio. como trampolim para sua imaginação. os bairros vizinhos se beneficiarão amplamente. transplantando-o para outra parte. Terceira Parte Conclusões Pontos de doutrina . sua estética. sem dúvida. Mas.A destruição de cortiços ao redor dos monumentos históricos dará a ocasião para criar superfícies verdes. suas concepções. sob pretextos estéticos.

Frankfurt. A cidade não corresponde mais a sua função. Roterdã. Detroit. e da ferocidade de alguns interesses privados nasceu a infelicidade de inúmeras pessoas. Berlim. Essa cidades não correspondem. e a imensa desordem material e moral da cidade moderna terá talvez como resultado fazer surgir enfim o estatuto da cidade. Genebra.A violência dos interesses privados provoca um desastroso desequilíbrio entre o ímpeto das forças econômicas. desde o começo da era do maquinismo. hidrovias ou ferrovias. Nessa luta.Esta situação revela. de modo algum a sua destinação. a outra se defende. Charieroi. Em todas essas cidades o homem é molestado. Gênova. Nenhuma autoridade consciente da natureza e da importância do movimento do maquinismo interveio. apoiado em uma forte responsabilidade administatriva. Estocolmo. Colônia. do próprio excesso do mal surge. por ocasião do Congresso de Atenas. e abrigá-los bem. o crescimento incessante dos interesses privados. às vezes.Varsóvia. As cidades são desumanas. de um lado. Londres. 73 .71 . Uma crise-de humanidade assola as grandes cidades e repercute em toda a extensão dos territórios. Nada do que é necessário a sua saúde física e moral foi salvaguardado ou organizado. Mas. por diligência dos grupos nacionais dos Congressos Internacionais de Arquitetura Moderna: Amsterdã. que seria satisfazer as necessidades.A maioria das cidades estudadas oferece hoje a imagem do caos. Paris.Embora as cidades esteja em estado de permanente transformação. Utrecht. Praga. As empresas estiveram. o mal está feito. Bruxelas. até o presente. e também a ausência de qualquer esforço sério de adaptação. Hoje. que é a de abrigar os homens. Zagreb e Zurique. Essas diversas fontes de energia estão em perpétua contradição. para evitar os danos pelos quais ninguém pode ser efetivamente responsabilizado. e. Roma. Haia. Atenas. biológicas e psicológicas de sua população. instaurará as regras indispensáveis à proteção da saúde e da dignidade humana. a fraqueza do controle administrativo e a impotente solidariedade social. assegurando o sucesso dos mais fortes em detrimento dos fracos. 74 . e. Trinta e três cidades foram analisadas. Baltimore. 72 . Como. seu desenvolvimento é conduzido sem precisão nem controle e sem que sejam levados em consideração os princípios do urbanismo contemporâneo atualizados aos meios técnicos qualificados. Litoria. Barcelona. Los Angeles. . Dessau. A construção de habitações ou de fábricas. Bandoeng. tudo se multiplicou numa pressa e numa violência individual. o interesse privado triunfa o mais das vezes. entregues ao acaso. Oslo. O sentimento de responsabilidade administrativa e o da solidariedade social são derrotados diariamente pela força viva e incessantemente renovada do interesse privado. infelizmente desigual. Todas testemunham o mesmo fenômeno: a desordem instituída pelo maquinismo em uma situação que comportava até então uma relativa harmonia. que. a organização das rodovias. A base desse lamentável estado de coisas está na preeminência das iniciativas privadas inspiradas pelo interesse pessoals pelo atrativo do ganho. durante cem anos. o bem. quando uma ataca. Elas ilustram a história da raça branca sob os mais diversos climas e latitudes. de outro. primordiais. Madri. Budapeste. Verona. da qual estavam excluídos qualquer plano preconcebido e qualquer reflexão prévia. Dalat. Tudo que o cerca sufoca-o e esmaga-o.

É necessário. antes de mais nada.Os princípios do urbanismo moderno foram produzidos pelo trabalho de inúmeros técnicos: técnicos da arte de construir. 76 . O urbanismo exprime a maneira de ser de uma época. É impossível. recrear-se (nas horas livres). Essas quatro funções. que são as quatro chaves do urbanismo. são hostis às grandes transformações propostas por esses dados novos. constituindo assim quarteirões edificados cuja destinação é abandonada à aventura das iniciativas privadas. 77 . que ela aja. respeitando as prerrogativas de cada uma. Mas é preciso fazer com que sejam admitidos pelos órgãos administrativos encarregados de velar pelo destino das cidades e que. técnicos da organização social. locais onde o espaço. organizar os locais de trabalho. frequentemente contraditórias. em Atenas. a liberdade individual e o benefício da açao coletiva. condena-se a um inevitável fracasso. tornando-as benéficas e fecundas. O urbanismo tem quatro funções principais. em quarto lugar. assegurar aos homens moradias saudáveis. as quatro funções-chave do urbanismo reivindicam. circular. o ar puro e o sol. eles retomem seu caráter de atividade humana natural. que devem ser determinados considerando-se o trajeto cotidiano do sol. em todo caso. congressos. isto é. Se ele não chega a satisfazer suas exigências. sendo o urbanismo a conseqüência de uma maneira de pensar levada à vida pública por uma técnica de ação. que a autoridade seja esclarecida e. lhe sejam largamente asseguradas. trabalhar. coordená-los de maneira harmoniosa se não se elabora. essas três.As chaves do urbanismo estão nas quatro funções: habitar. de tal modo que. técnicos de saúde. Ele se contentou em abrir avenidas ou traçar ruas.Os planos determinarão a estrutura de cada um dos setores atribuídos às quatro funçõeschave. A medida natural do homem deve servir de base a todas as escalas que estarão relacionadas à vida e às diversas funções do ser. 78 . um programa cuidadosamente estudado e que nada deixe ao acaso. prever as instalações necessárias à boa utilização das horas livres. ao invés de serem uma sujeição penosa. Eles foram objeto de artigos. debates públicos ou privados. condições essenciais da natureza. não raro. nos planos espiritual e material. que serão consideradas em sua relação com o ritmo natural do homem. Desde o congresso dos CIAM. e eles fixarão suas respectivas localizações no conjunto. depois.A cidade deve assegurar.O dimensionamento de todas as coisas no dispositivo urbano só pode ser regido pela escala humana. em segundo lugar. que se aplicarão às superfícies ou às distâncias. Clarividência e energia podem vir a restaurar a situação comprometida. Liberdade individual e ação coletiva são os dois polos entre os quais se desenrola o jogo da vida. ele só atacou um único problema. de antemão. Todo empreendimento cujo objetivo é a melhoria do destino humano deve levar em consideração esses dois fatores. Escala das medidas. que são: primeiramente. o da circulação. livros. para manifestar-se em toda a sua plenitude e trazer ordem e classificação às . Até agora. em terceiro lugar. escala dos horários. estabelecer o contato entre essas diversas organizações mediante uma rede circulatória que assegure as trocas. Essa é uma visão estreita e insuficiente da missão que lhe está destinada. 75 . escala das distâncias. cobrem um domínio imenso.

O urbanismo deve assegurar a liberdade individual e.habitar. difundem o gosto por uma mobilidade sem freio nem medida e favorecem modos de vida que deslocando a família. uma dificuldade para a circulação e a ocasião de perigos permanentes. disposições particulares que ofereçam a cada uma delas as condições mais favoráveis ao desenvolvimento de sua atividade própria. pela topografia. Cada uma das funções-chave terá sua autonomia. São inevitáveis grandes . trabalhar. Nessa distribuição. a um só tempo. Seus gases de combustão difundidos no ar são nocivos aos pulmões e seu barulho determina no homem um estado de nervosismo permanente. sendo a habitação considerada o próprio centro das preocupações urbanísticas e o ponto de articulação de todas as medidas. provocando o engarrafamento e a paralisia dos transportes. doravante utilizáveis. trazer um ganho apreciável de tempo. estabelecer uma comumcação proveitosa entre as outras três. levando em consideração essa necessidade. só deve ter um objetivo.condições habituais de vida. romperá a opressão esmagadora de usos que perderam sua razao de ser e abrirá aos criadores um campo de ação inesgotável. pelos costumes. esta quarta função. favorecer e se aproveitar dos benefícios da ação coletiva. elas serão consideradas entidades às quais serão atribuídos territórios e locais para cujo equipamento e instalação serão acionados todos os prodigiosos recursos das técnicas modernas. A circulação. na natureza. harmonizando as funções-chave da cidade. recrear-se ordenará o território urbano. eles introduziram na vida citadina inúmeros fatores prejudiciais à saúde. Elas condenam os homens a passar horas cansativas em todo tipo de veículos e a perder.O ciclo das funções cotidianas . Além disso. cujo inconveniente é impor distâncias que não têm relação com o tempo disponível. 80 . à primeira vista. Deve ser feita uma classificação das velocidades disponíveis. O zoneamento. comprometendo a higiene. trabalho e cultura. levando em consideração as funções-chave . em conformidade com a jornada solar de vinte e quatro horas. Os veículos mecânicos deveriam ser agentes liberadores e. trabalhar. mas a necessidade de regulamentar as diversas atividades segundo a duração do trajeto solar se opõe a essa concepção.O princípio da circulação urbana e suburbana deve ser revisto. que ritma a atividades dos homens e dá a justa medida a todos os seus empreendimentos.habitar. 81 . por sua velocidade. ao mesmo tempo. pouco a pouco.será regulamentado pelo urbanismo dentro da mais rigorosa economia de tempo. perturbam profundamente a estabilidade da sociedade. recrear-se (recuperação) . O desejo de reintroduzir na vida cotidiana as condições naturais parece. Essas velocidades. apoiada nos dados fornecidos pelo clima. a prática da mais saudável e natural de todas as funções: a caminhada. 79 . O urbanismo.As novas velocidades mecânicas convulsionaram o meio urbano. É a habitação que está no centro das preocupações do urbanista e o jogo das distâncias será regulamentado de acordo com a sua posição no planejamento. transformará o aspecto das cidades. instaurando o perigo permanente. A reforma do zoneamento. Mas sua acumulação e concentração em certos pontos tomaramse. serão consideradas as necessidades vitais do indivíduo e não o interesse ou o lucro de um grupo particular. aconselhar uma maior extensão horizontal das cidades. criará entre elas vínculos naturais para cujo fortalecimento será prevista uma rede racional de grandes artérias. para longe. despertam a tentação de evasão cotidiana.

Será preciso classificar e diferenciar os meios de transporte e estabelecer para cada um deles um leito adequado à própria natureza dos veículos utilizados. mediante a exploração dos espaços livres assim criados. para o futuro. O mesmo trabalho aplicado às aglomerações que fixarão para cada cidade envolvida por sua região um caráter e um destino próprios. A razão de ser da cidade dever ser procurada e expressada em cifras que permitirão prever. a altura.transformações. Assim. 83 . será um coroarnento. deverá crescer harmoniosamente em cada uma de suas partes. Este é o urbanismo total. A cidade e sua região devem ser munidas de uma rede exatamente proporcional aos usos e aos fins. definida desde então como uma unidade funcional.das funções de circulação.onde a terceira dimensão desempenha o papel mais importante . previamente. sol e aeração. Um plano de região substituirá o simples pla no municipal. por exemplo. Sábias previsões terão esboçado seu futuro. as quais. trabalhar e recrear-se desenvolvem-se no interior de volumes edificados submetidos a três imperiosas necessidades: espaço suficiente. destinada a enquadrar as quatro funções-chave. 84 . e que constituirá a técnica moderna da circulação. A cidade adquirirá o caráter de uma empresa estudada de antemão e submetida ao rigor de um planejamento geral. Resultará disso uma delimitação clara dos limites da região. E o crescimento das cifras de sua população não conduzirá mais a essa confusão desumana que é um dos fiagelos das grandes cidades. que se desenvolvem no interior de volumes . É levando em o consideração a altura que o urbanismo recuperará os terrenos livres necessários às comunicações e os espaços úteis ao lazer. 82 . mas sobretudo de uma terceira. dispondo de espaços e ligações onde poderão se inscrever equlilibradamente as etapas de seu desenvolvimento. no caso. 85 . As funções-chave habitar. O limite da aglomeração será função do raio de sua ação econômica. descrito seu caráter. promulgando leis que permitam sua realização. estão ligadas ao solo.É da mais urgente necessidade que cada cidade estabeleça seu programa. É preciso distinguir as funções sedentárias. A circulação assim regulamentada torna-se uma função regular e que não impõe nenhum incômodo à estrutura da habitação ou a dos locais de trabalho. capaz de levar o equilíbrio à região e ao país. mas em toda a região da qual ela é o centro.O urbanismo é uma ciência de três dimensões e não apenas de duas. de mudanças de nível destinadas a regularizar certos fluxos intensos de veículos. . seu excesso. É fazendo intervir o elemento altura que será dada uma solução para as circulações modernas. ao invés de produzir uma catástrofe. Os dados de um problema de urbanismo são fornecidos pelo conjunto das atividades que se desenvolvem não somente na cidade. Subordinada às necessidades da região. para as quais a altura só intervém excepcionalmente e em pequena escala. a cidade não será mais o resultado desordenado de iniciativas acidentais. cada uma tomará seu lugar e sua classificação na economia geral do país.A cidade deve ser estudada no conjunto de sua região de influência. assim como para os lazeres. Esses volumes não dependem apenas do solo e de suas duas dimensões. as etapas de um desenvolvimento plausível. utilizando apenasduas dimensões. Seu desenvolvimento.A cidade. previsto a amplitude de seus desenvolvimentos e limitado.

deve ser recolocada a serviço do homem. a topografia do conjunto. Os recursos do solo serão analisados e as limitações à quais ele se obriga.O número inicial do urbanismo é uma célula habitacional (uma moradia) e sua inserção num grupo formando uma unidade habitacional de proporções adequadas. mas velará para que elas se insiram no planejamento geral e sejam sempre subordinadas aos interesses coletivos. 87 . os dados econômicos. reconhecidas. o programa sucederá a improvisação. hierarquizados. os valores espirituais. debruçar-se sobre o indivíduo e criar-lhe. prolongar-se no exterior em diversas instalações comunitárias. Cada caso será inscrito no planejamento regional. Ela protege o crescimento do homem. a ambiência geral. e a natureza de seu equipamento fixada segundo o uso para o qual serão destinados. Ela será uma verdadeira criação biológica. as necessidades sociológicas. desses últimos cem anos. A casa é o núcleo inicial do urbanismo. o instrumento de medida será a escala humana. o abrigo de uma família. quer dizer. senão o arquiteto. será preciso reuni-las em "unidades habitacionais" de proproções adequadas. que possui o perfeito conhecimento do homem. tornando mais fáceis todos os gestos de sua vida. e que. dotando cada função-chave dos meios de melhor se exprimir. há mais de um século submetida aos jogos brutais da especulação. Regras invioláveis assegurarão aos habitantes o bem-estar da moradia. a assistência médica ou a utilização dos lazeres. estudada e os valores naturais. A alma das cidades será animada pela clareza do plananejamento. constitui a célula social. o feliz emprego das horas livres. A lei fixará o "estatuto do solo". Ela terá o direito de autorizar . A obra não será mais limitada ao plano precário do geômetra que projeta. Quem poderá tomar as medidas necessárias para levar a bom termo essa tarefa. os blocos de imóveis na poeira dos loteamentos.O acaso cederá diante da previsão. compreendendo órgãos claramente definidos. capazes de desempenhar com perfeição suas funções essenciais. Ele deve prever as etapas no tempo e no espaço. deve. Ela deve prever também a proteção e a guarda das extensões que serão ocupadas um dia. à revelia dos subúrbios. a casa. que abandonou os grafismos ilusórios. a educação. para sua felicidade. ocupado aqui com as tarefas do urbanismo. após a derrota. feitas por especialistas. a facilidade do trabalho. .ou de proibir -. Os grandes leitos de circulação serão confirmados e instalados no lugar adequado. as organizações que estarão à volta. Ela deve deixar as pompas estéreis. Para que seja mais fácil dotar as moradias dos serviços comuns destinados a realizar comodamente o abastecimento. e favorecerá todas as inicatívas adequadamente planejadas. 86 . A construção dessa casa. abriga as alegrias e as dores de sua vida cotidiana. Deve reunir em um acordo fecundo os recursos naturais do sítio. pela justa adaptação dos meios aos fins propostos. Se a célula é o elemento biológico primordial.Para o arquiteto. A arquitetura. os terrenos serão aferidos e atribuídos a diversas atividades: clara ordenação no empreendimento que será iniciado a partir de amanhã e continuado. criará uma ordem que tem em si sua própria poesia? 88 . que constituem o bem público.O programa deve ser elaborado com base em análises rigorosas. deve torna-se uma empresa humana. por etapas sucessivas. de se instalar nos terrenos mais favoráveis e a distâncias mais proveitosas. pouco a pouco. além disso. Se ela deve conhecer interiormente o sol e o ar puro. Uma curva de crescimento exprimirá o futuro econômico previsto para cidade.

decidido a realizar as melhores condições de vida. Não basta que a necessidade do estatuto do solo e de certos princípios de construção seja admitida. que é recrear-se. Esta com a ajuda de seus especialistas.. É a ela. E o urbanista deverá prever os sítios e os locais propícios. Para realizar a tarefa múltipla que lhe é imposta. Ela organiza os prolongamentos da moradia. que é preciso pedir a solução do problema.Para realizar essa grande tarefa é indispensável utilizar os recursos da técnica moderna. de uma complexidade desconhecidas até aqui.89 . trouxeram novas facilidades.É a dessa unidade-moradia que se estabelecerão no espaço urbano as relações entre a habitação. não se pode negligenciar a terceira. Os escritórios. as fábricas devem ser dotados de instalações capazes de assegurar o bem-estar necessário ao desempenho desta segunda função. no entanto. uma situação econômica que permita empreender e prosseguir os trabalhos. ao social e ao econômico o objetivo e o programa coerentes que justamente lhes faltavam. de antemão. ainda. os locais de trabalho e as instalações consagradas às horas livres. Ela reserva. Elas abrem verdadeiramente um novo ciclo na história da arquitetura. A arquitetura é chave de tudo. convicto. em que as condições. sociais e econômicos.. As novas construções serão não somente de uma amplitude. Enfim. e é ela que está incumbida da escolha e da distribuição dos diferentes elementos. que mesmo em uma época em que tudo caiu ao nível mais baixo. cujo êxito dependerá da justeza de seus cálculos. em porporções harmoniosas. todavia. os espaços livres em meio aos quais se erguerão os volumes edificados. que são uma das causas da desordem e da confusão das cidades. cultivar o corpo e o espírito. Ela estabelece a rede de circulação que colocará em contato as diversas zonas. 91 . A arquitetura preside aos destinos da cidade. harmonia são subordinadas às suas decisões. É preciso. Pode ser. as oficinas. cuja salubridade. 92 . A primeira das funções que deve atrair a atenção do urbanismo é habitar e. A era do maquinismo introduziu técnicas novas.. o concurso dos seguintes fatores: um poder político tal como se o deseja.E não é aqui que a arquitetura intervirá em última instância. uma população esclarecida para compreender. cuja feliz proporção constituirá uma obra harmoniosa e duradoura. políticas. respaldará a arte de construir com todas as garantias da ciência e a enriquecerá com as invenções e os recursos da época. elaboradas e expressas nos planos. .A marcha dos acontecimentos será profundamente influenciada pelos fatores políticos. habitar bem. Ela ordena a estrutura da moradia. As modernas técnicas de construção instituíram novos métodos. É preciso também trabalhar.. mas. e que ela venha dar ao político. sociais e econômicas são as mais desfavoráveis. 90 . alguns dos quais serão consideráveis. permitiram novas dimensões. reivindicar aquilo que os especialistas planejaram para ela. A arquitetura é responsável pelo bem-estar e pela beleza da cidade. É ela que se encarrega de sua criação ou de sua melhoria. as áreas consagradas ao entretenimento. o arquiteto deverá associar-se a numerosos especialistas em todas as etapas do empreendimento. célula essencial do tecido urbano. e fazê-lo em condições que requerem uma séria revisão dos usos atualmente em vigor. clarividente. os locais de trabalho. Ela reúne as moradias em unidades habitacionais. para passar da teoria aos atos. ainda. a necessidade de construir abrigos decentes apareça de repente como uma imperiosa obrigação. desejar. alegria.

que tão frequentemente esmaga no berço os grandes empreendimentos animados pela preocupação com o bem público. o campo se esvaziou. Devem ser empreendidos. Entregue a si mesmo. a beleza da cidade. se está submetido a muitas obrigações coletivas. Esse plano. de outro lado. Este. cuja execução deverá ser remetida para datas indeterminadas. no equipamento das indústrias. as concentrações industriais se fizeram ao acaso. e se estende até a zona.Fundação dos Ciam Em 1928 um grupo de arquitetos modernos se reunia na Suíça. Por se ignorarem as regras.território do país . portanto. em todos os pontos do mundo. É o fruto amargo de cem anos de maquinismo sem direção. O problema da propriedade do solo e de sua possível requisição se coloca nas cidades. subordinado ao interesse coletivo. O solo . batem contra o estatuto petrificado da propriedade privada. Mas nenhuma obra fragmentária deve ser empreendida se ela não se insere no contexto da cidade e no da região. tendo cada indivíduo acesso às alegrias fundamentais: o bem-estar do lar. A ausência do urbanismo é a causa da anarquia que reina na organização das cidades. mais ou menos ampla que constitui sua região. Nada foi previsto para a salvaguarda do homem. no castelo de La Sarraz Vaud. por um meio legal. em sua periferia. que deve superar. será preciso temer o jogo sórdido da especulação. tais como eles terão sido previstos por um amplo estudo e um grande plano de conjunto. o estado infinitamente parcelado da propriedade fundiária são duas realidades antagônicas. O direito individual não tem relação com o vulgar interesse privado. e por seu justo valor. a disposição de todo o solo útil para equilibrar as necessidades vitais dos indivíduos em plena harmonia com as necessidades coletivas. Ele deve ser. 94 .93 . sua personalidade resulta sufocada. trabalhos de importância capital. o homem é rapidamente esmagado pelas dificuldades de todo o tipo. Notas Sobre os Congressos Internacionais de Arquitetura Moderna 1928 . Inúmeras parcelas fundiárias deverão ser expropriadas e serão objeto de transações. O resultado é catasúófico e é quase uniforme todos os países.O interesse privado será subordinado ao interesse coletivo. conterá partes cuja realização poderá ser imediata e outras. Inúmeros inconvenientes se abateram sobre os povos que não souberam medir com exatidão a amplitude das transformações técnicas e suas formidáveis repercussões sobre a vida pública e privada. Há anos que as empresas de equipamento. antigas ou modernas.A escala dos trabalhos a empreender com urgência para a organização das cidades.A perigosa contradição aqui constatada sustica uma das questões mais perigosas da época: a urgência de regulamentar. 95 . sem demora. revelam os mesmos vícios advindos das mesmas causas. merece severas restrições. forçosamente. em todas as partes. . O direito individual e o direito coletivo devem. Então. O solo deve ser mobilizável quando se trata do interesse geral. Pelo contrário. graças à generosa hospitalidade de Madame Hélène de Mandrot. que satisfaz a uma minoria condenando o resto da massa social a uma vida medíocre. as moradias operárias tornaram-se cortiços. uma vez que todas as cidades do mundo. avaliado antes do estudo dos projetos.deve tornar-se disponível a qualquer momento. sustentar-se. as cidades se encheram muito além do razoável. reforçar-se mutuamente e reunir tudo aquilo que comportam de infinitamente construtivo.

não implica absolutamente o lucro comercia1 máximo. o problema colocado pela arte de edificar. O urbanismo não poderia mais estar exclusivamente subordinado às regras de um estetismo gratuito. 3° recrear-se. individuais ou coletivas. Urge que a arquitetura. ele é de ordem funcional. afirmam sua unidade de pontos de vista sobre as concepções fundamentais da arquitetura e sobre suas obrigações profissionais. É assim que a arquitetura escapará da dominação esterilizante das academias. eles declaram associar-se para realizar suas aspirações. Por sua essência. c) a legislação. As três funções fundamentais pela realização das quais o urbanismo deve velar são: 1º habitar. ao invés de recorrer quase que exclusivamente a um artesanato anêmico. Urbanismo O urbanismo é a administração dos lugares e dos locais diversos que devem abrigar o desenvolvimento da vida material. Assim foram fundados os Congressos Internacionais de Arquitetura Moderna. representantes dos grupos nacionais de arquitetos modernos. que é de ordem econômica e sociológica e inteiramente a serviço da pessoa humana. As relações entre os diversos locais que lhes são destinados devem ser recalculadas de maneira a determinar uma justa proporção entre volumes edificados e espaços . introduzida como axioma da vida moderna. os CIAM. 2° trabalhar.Depois de ter examinado. A noção de "rendimentos". Firmes nesta convicção. a partir de um programa elaborado em Paris. mas uma produção suficiente para satisfazer plenamente as necessidades humanas. ligada intimamente à evolução da vida. firmaram um ponto de vista sólido e decidiram reunir-se para colocar a arquitetura diante de suas verdadeiras tarefas. sentimentais e espirituais da vida presente. mesmo quando uma tal decisão conduza a realizações muito diferentes daquelas que fizeram a glória das épocas passadas. As três funções fundamentais acima indicadas não são favorecidas pelo estado atual das aglomerações. Ele envolve tanto as aglomerações urbanas quanto os agrupamentos rurais. Economia Geral O equipamento de um país reclama a íntima vincularão da arquitetura com a economia geral. O destino da arquitetura é o de exprimir o espírito de uma época. Eles estão reunidos com a intenção de pesquisar a harmonização dos elementos presentes no mundo moderno e de recolocar a arquitetura em seu verdadeiro plano. Seus objetivos são: a) a ocupação do solo. Conscientes das perturbações profundas causadas pelo maquinismo. b) a organização da circulação. sirva-se também dos imensos recursos que lhe oferece a técnica industrial. Eles afirmam hoje a necessidade de uma concepção nova da arquitetura que satisfaça as exigências materiais. Declaração de La Sarraz Os arquitetos abaixo assinados. Insistem particularmente no fato de que construir é uma atividade elementar do homem. reconheceram que a transformação da estrutura social e da ordem econômica acarreta fatalmente uma transformação correspondente do fenômeno arquitetônico. O verdadeiro rendimento será o fruto de uma racionalização e de uma normatização (aplicada com flexibilidade tanto nos projetos arquitetônicos como nos métodos industriais de execução). sentimental e espiritual em todas as suas manifestações.

4° Congresso.5° Congresso. O problema da circulação e o da densidade devem ser reconsiderados. consideram que as academias. essa moradia tem estado há muito tempo excluída das preocupações maiores do arquiteto. La Sarraz. .7° Congresso. do coração das cidades.livres. resoluções. negligenciando o problema da moradia em benefício de uma arquitetura puramente suntuária. Esse ensino resultaria na formação de gerações possuidoras de uma concepção saudável da moradia. apresentar a idéia arquitetônica moderna. Estudo do loteamento racional. Elaboração da Carta do Urbanismo. ensinadas na escola primária. 1933 . 1928 . A Arquitetura e o Estado Os arquitetos. Paris. Por sua apropriação do ensino. Bruxelas. Atenas. entravam o progresso social. deve ser substituído por uma economia territorial de reagrupamento. assegurará aos proprietários e à comunidade a justa distribuição das mais-valias resultantes dos trabalhos de interesse comum. Análise de 33 cidades. seriam capazes de lhe impor a solução do problema da habitação. 1929 . e não raro os problemas autênticos da habitação sequer são levantados. Bérgamo. que sempre foram assembléias de trabalho. 1947 .6° Congresso. um despertar.1° Congresso. Os congressos CIAM. Estudo do centro. zelar pela solução do problema da arquitetura. poderia constituir o fundamento de uma educação doméstica. 1951 . 1949 . A opinião pública está mal informada e os usuários. conservadoras do passado. elas viciam desde a origem a vocação do arquiteto e. nos centros profissionais e na opinião pública. Fundação dos CIAM. fazer essa idéia penetrar nos círculos técnicos. o único que poderia vivificar e renovar a arte de edificar.2° Congresso.8° Congresso. por tanto tempo negligenciado. uma agitação fecunda. eles provocaram. A Arquitetura e a opinião pública É indispensável que os arquitetos exerçam uma influência sobre a opinião pública e a façam conhecer os meios e os recursos da nova arquitetura. elas se opõem à penetração do novo espírito. base de todo urbanismo capaz de responder às necessidades presentes. O ensino acadêmico perverteu o gosto público. só sabem formular muito mal seus desejos em matéria de moradia. Hoddesdon.3° Congresso. Bridgwater. discussões. Além disso. econômicos e sociais. Objetivos do CIAM Os objetivos dos CIAM são: formular o problema arquitetônico contemporâneo. pela quase exclusividade que têm dos cargos do Estado. O parcelamento desordenado do solo. Este reagrupamento. Essas gerações. Os Congressos do CIAM Desde o momento de sua fundação. Execução da Carta de Atenas. fruto de partilhas. publicações. os CIAM avançaram pelo caminho das realizações práticas: trabalhos coletivos. escolheram sucessivamente diferentes países para se reunir. Frankfurt (Alemanha). Estudo da moradia mínima. Um punhado de verdades elementares. em geral. tendo a firme vontade de trabalhar no interesse verdadeiro da sociedade moderna. Estudo do problema moradia e lazer. futura clientela do arquiteto. Reafirmação dos objetivos dos CIAM. nascimento da grille CIAM de urbanismo. 1937 . A cada vez. de vendas e da especulação. uma animação. 1930 .

4. medidas que visem a tornar eficazes nos territórios sob sua jurisdição as normas e princípios formulados na presente recomendação. sob forma de lei nacional ou de qualquer outro modo. conciliar este princípio com o de uma colaboração internacional amplamente concebida e livremente aceita. Após haver decidido. Estudo do habitat humano.9ª Sessão de 5 de dezembro de 1956 UNESCO . Convencida de que é preciso que as autoridades nacionais encarregadas da proteção do patrimônio arqueológico se inspirem em determinados princípios comuns aferidos na experiência e na prática dos serviços arqueológicos nacionais. toda a comunidade internacional participa. a seguinte recomendação: A Conferência Geral recomenda aos Estados Membros que apliquem as disposições seguintes e que adotem. que todos os vestígios arqueológicos sejam estudados e. a Ciência e a Cultura .Nova Delhi A Conferência Geral da Organização das Nações Unidas para a Educação. inspirada na vontade dos Estados Membros de desenvolver as ciências e as relações internacionais. se cada Estado é mais diretamente interessado nas descobertas arqueológicas feitas em seu território. Estudo do habitat humano. Estimando que. Sendo-lhe apresentadas propostas referentes aos princípios internacionais a serem aplicados em matéria de pesquisas arqueológicas. Adota. Nova Delhi de dezembro de 1956 Conferência Geral da Organização das Nações Unidas para a Educação. se o regime das pesquisas diz respeito. à competência interna dos Estados. eventualmente. A Conferência Geral recomenda aos Estados Membros que levem a presente recomendação ao conhecimento das autoridades e órgãos que se dedicam às pesquisas arqueológicas e aos museus. durante a sua oitava sessão. é preciso beneficiá-los com uma cooperação internacional e favorecer por todos os meios a execução da missão social que lhes cabe. em sua nona sessão. antes de tudo. nas datas e na . reunida em Nova Delhi de 5 de novembro de 1956. Considerando que. é preciso. entretanto. Convencida de que os sentimentos que dão origem à contemplação e ao conhecimento das obras do passado podem facilitar grandemente a compreensão mútua entre os povos e que. entretanto. através de uma recomendação aos Estados Membros. a Ciência e a Cultura. para isso. portanto. 1956 . que essas propostas seriam objeto de uma regulamentação internacional. preservados e coletados. questão que constitui o ponto 9.10° Congresso. Aix-en-Provence.3. A Conferência Geral recomenda aos Estados Membros que lhe apresentem. Estimando que a garantia mais eficaz de conservação dos monumentos e obras do passado reside no respeito e dedicação que lhes consagram os próprios povos e certa de que tais sentimentos podem ser enormemente favorecidos por uma ação apropriada. em nome do interesse comum.9° Congresso. desse enriquecimento. neste quinto dia de dezembro de 1956. da ordem do dia da sessão. Dubrovnik. Considerando que a história do homem implica no conhecimento das diferentes civilizações. que é preciso.1953 .

relatórios sobre a continuidade que derem à presente recomendação. móveis ou imóveis. d) determinar o confisco dos objetos não declarados. O critério utilizado para determinar o interesse público dos vestígios arqueológicos poderia variar segundo se trate ou de sua conservação. ou da obrigação de declaração das descobertas impostas ao escavador ou ao descobridor. que apresentem interesse do ponto de vista da arqueologia no sentido mais amplo. Deveriam estar. quando esse subsolo for propriedade do Estado. f) dedicar-se ao estabelecimento de critérios de proteção legal dos elementos essenciais de seu patrimônio arqueológico entre os monumentos históricos. c) aplicar sanções aos infratores dessas regras. a) No primeiro caso. I . o mais rapidamente possível.Definições Pesquisas arqueológicas Para efeito da presente recomendação entende-se por pesquisas arqueológicas todas as investigações destinadas à descoberta de objetos de caráter arqueológico. principalmente. móveis ou imóveis. especialmente: a) submeter as explorações e as pesquisas arqueológicas ao controle e à prévia autorização da autoridade competente.forma que ela determinar.Princípios Gerais Proteção do patrimônio arqueológico Cada Estado Membro deveria garantir a proteção de seu patrimônio arqueológico. por ele encontrados. Cada Estado Membro deveria. os problemas advindos das pesquisas arqueológicas e em concordância com as disposições da presente recomendação. especialmente. indicá-lo expressamente na legislação. submetidos ao regime previsto pela presente recomendação os monumentos. b) No segundo caso. o critério que consiste em proteger todos os objetos anteriores a uma determinada data deveria ser abandonado e a atribuição a uma determinada época ou uma ancianidade de um número mínimo de anos fixado por lei deveria ser adotada como critério de proteção. quer tais investigações impliquem numa escavação do solo ou numa exploração sistemática de sua superfície ou sejam realizadas sobre o leito ou no subsolo das águas interiores ou territoriais de um Estado Membro. levando em conta. Bens protegidos As disposições da presente recomendação se aplicam a qualquer vestígio arqueológico cuja conservação apresente um interesse público do ponto de vista da história ou da arte. . podendo cada Estado Membro adotar o critério mais apropriado para determinar o interesse público dos vestígios que encontre em seu território. b) obrigar quem quer que tenha descoberto vestígios arqueológicos a declará-los. às autoridades competentes. cada Estado Membro deveria adotar critérios bem mais amplos que imponham ao escavador e ao descobridor a obrigação de declarar todos os bens de caráter arqueológico. II . e) precisar o regime jurídico do subsolo arqueológico e.

o trabalho de comparação. deveriam ser comuns a todos os serviços nacionais: a) O serviço de pesquisas arqueológicas deveria ser. locais. iconográficos. Em cada um dos sítios arqueológicos importantes em processo de pesquisa. Para isso. Esse serviço deveria também criar uma documentação central. o ensino de técnicas das escavações arqueológicas. nele incluídas as publicações científicas. Esses estabelecimentos deveriam dispor. coleções centrais e regionais. III . Deveria ser solicitado às autoridades competentes uma autorização prévia para o deslocamento de monumentos cuja localização in situ é essencial.a execução de um plano de trabalho proporcional à riqueza arqueológica do país. Educação do público . uma administração central do Estado.a fiscalização das descobertas fortuitas. assim como uma documentação junto a cada museu importante. IV . de meios que lhe permitam adotar. bem como da composição do meio arqueológico. determinado número de sítios arqueológicos de diversas épocas. na criação e organização dos museus e das coleções procedentes de pesquisas. ou mesmo. testemunhos. o que seria melhor do que pequenas coleções dispersas e com acesso restrito. o mais possível. poderiam ser constituídas. Deveria ser criado. excepcionalmente. de acervos cerâmicos. para que sua exploração possa beneficiar-se dos progressos da técnica e do avanço dos conhecimentos arqueológicos. as medidas de urgência indispensáveis. dever-se-ia levar em conta. total ou parcialmente. em colaboração com os institutos de pesquisa e as universidades. de uma organização administrativa e de um corpo técnico suficientes para que fique assegurada a boa conservação dos objetos. ou seja. entretanto.o bom funcionamento dos serviços.eventualmente um museu que permita aos visitantes compreender melhor o interesse dos vestígios que lhes são mostrados. Cada Estado Membro deveria exercer um controle rigoroso sobre as restaurações dos vestígios e objetos arqueológicos descobertos. ou. porções de terreno poderiam também ser reservados em vários locais para permitir um controle da estatigrafia. encarregado da administração geral das atividades arqueológicas deveria prover.Órgão de proteção às pesquisas arqueológicas Se a diversidade das tradições e as desigualdades de recursos se opõem à adoção por todos os Estados Membros de um sistema de organização uniforme de serviços administrativos relativos às pesquisas. etc. representativas dos sítios arqueológicos particularmente importantes. b) A continuidade dos recursos financeiros deveria ser garantida principalmente com: I . uma organização que disponha por força de lei. pelo menos. a necessidade de facilitar. Constituição de coleções centrais e regionais Sendo a arqueologia uma ciência comparativa. um pequeno estabelecimento de caráter educativo . na medida em que o terreno o permita. junto aos sítios arqueológicos importantes. Cada Estado Membro deveria considerar a conveniência de manter intactos. com mapas que se refiram a seus monumentos móveis ou imóveis. sempre que possível. permanentemente. Esse serviço. em caso de necessidades. II . alguns princípios.a manutenção das escavações e monumentos.

suficientes para administrar cientificamente uma pesquisa deveria chamar técnicos estrangeiros para dela participar ou uma missão estrangeira para conduzi-la. Colaboração internacional Para responder aos interesses superiores da ciência arqueológica e aos da colaboração internacional. as obrigações impostas ao concessionário principalmente quanto ao controle da administração nacional. da organização de circuitos turísticos. Quando uma pesquisa for concedida a uma missão estrangeira. III . Os Estados Membros que não dispõem de meios necessários para a organização de escavações arqueológicas no estrangeiro deveriam receber todas as facilidades para enviar arqueólogos para pesquisas abertas por outros Estados Membros. As condições impostas ao pesquisador estrangeiro deveriam ser as mesmas que se aplicam aos competentes nacionais e. deveria ser também um arqueólogo capaz de ajudar a missão e de colaborar com ela. à concessão das pesquisas. Os Estados Membros deveriam estimular as pesquisas executadas. sem necessidade. da apresentação clara dos sítios arqueológicos explorados e dos monumentos descobertos. a suspensão dos trabalhos ou a substituição pela administração nacional do concessionário de sua execução.A autoridade competente deveria empreender uma ação educativa para despertar e desenvolver o respeito e a estima ao passado. as causas que possam justificar a rescisão. técnicos ou de qualquer outra natureza. assegurando às instituições científicas e às pessoas devidamente qualificadas. a duração da concessão. morais e financeiras. Garantias recíprocas A autorização para pesquisas só deve ser concedida a instituições representadas por arqueólogos qualificados ou a pessoas que ofereçam sérias garantias científicas. seja por missões internacionais. Os Estados Membros deveriam adotar todas as medidas necessárias para facilitar o acesso do público a esses sítios. Um Estado que não disponha de meios.O regime das pesquisas e a colaboração internacional Autorização de pesquisas concedida a um estrangeiro Cada Estado Membro em cujo território as pesquisas necessitam ser executadas deveria regulamentar as condições gerais às quais está subordinada a respectiva concessão. se for designado. a possibilidade de concorrerem em igualdade. seja por missões mistas compostas por equipes científicas de seu próprio país e por arqueólogos que representem instituições estrangeiras. o contrato de concessão deveria evitar formular. da edição a preços módicos de monografias e guias em uma redação simples. o representante do Estado concedente. da difusão pela imprensa de informações arqueológicas que provenham de especialistas reconhecidos. sem distinção de nacionalidade. A autorização para pesquisas concedida a arqueólogos estrangeiros deveria assegurar reciprocamente garantias de duração e de estabilidade necessárias a incentivar seu . os Estados Membros deveriam estimular as pesquisas através de um regime liberal. com a concordância do diretor da pesquisa. da participação de estudantes em determinadas pesquisas. portanto. sendo as últimas suficientes para garantir que as pesquisas empreendidas serão levadas a seu termo de acordo com as cláusulas do contrato de concessão e no prazo previsto. especialmente através do ensino de história. exigências específicas. exposições e conferências que tenham por objeto os métodos aplicáveis em matéria de pesquisas arqueológicas assim como os resultados obtidos.

a cessão ao pesquisador habilitado de um determinado número de objetos provenientes de suas escavações. obtida a concordância do diretor da pesquisa. ficando estabelecido que. durante os trabalhos e ao término das escavações. A cessão ao pesquisador de objetos provenientes de pesquisas deveria estar sempre condicionada a que eles sejam destinados. b) O produto das pesquisas deveria se destinar. assim como a conservação. Acesso à pesquisa Aos especialistas qualificados de qualquer nacionalidade deveria ser permitida a visita a um canteiro de pesquisa antes de haverem sido publicados seus resultados e. de coleções completas. a autorização deveria precisar a possível ajuda com que o pesquisador poderia contar da parte do Estado concedente para fazer face a suas obrigações. d) A exportação temporária dos objetos descobertos. antes de mais nada. ou vier a ser desrespeitada. pública ou privada. no caso de elas se revelarem excessivamente pesadas. Destinação do produto das pesquisas a) Cada Estado Membro deveria determinar claramente os princípios que. nos museus do país em que são realizadas. Esse privilégio não deveria. e) Cada Estado Membro deveria considerar a possibilidade de ceder. a guarda. da história e da arte desse país. especialmente. especialmente nos casos em que razões reconhecidamente fundadas viessem a impor a suspensão de seus trabalhos por um determinado período. objetos que não apresentem interesse para as coleções nacionais. dos objetos e monumentos descobertos. a manutenção e o restabelecimento das feições do sítio. desde que seu estudo seja impraticável no território do Estado concedente devido à insuficiência de meios para a pesquisa bibliográfica e científica. em qualquer caso. mediante solicitação justificada de instituição científica. Por outro lado. durante a execução dos trabalhos. até mesmo. Propriedade científica: direitos e obrigações do pesquisador . depois da publicação científica. c) Com a preocupação básica de favorecer os estudos arqueológicos através da divulgação de objetos originais. excluídos os objetos particularmente frágeis ou de importância nacional. plenamente representativas da civilização. os objetos cedidos voltarão à autoridade concedente.empreendimento e a preservá-las de revogações injustificadas. redundar em prejuízo ao direito de propriedade científica do pesquisador sobre sua descoberta. em seu território. regulam a destinação do produto das pesquisas. à constituição. se essa condição não for cumprida. ou por tornar-se difícil pelas condições de acesso. em razão de sua similitude com outros objetos produzidos pela mesma pesquisa. deveria ser autorizada. trocar ou enviar para depósito em museus estrangeiros. em objetos ou grupos de objetos aos quais essa autoridade possa renunciar. a autoridade concedente poderia ter em vista. em um prazo determinado. a centros científicos abertos ao público. Deveria ser por ela prevista. de um modo geral. ou que consistam de objetos repetidos ou. Conservação dos vestígios A autorização deveria definir as obrigações do pesquisador no período em que durar a concessão e a seu término.

no prazo previsto pelo contrato de concessão. para evitar que esse comércio venha a favorecer a evasão do material arqueológico ou prejudique a proteção das pesquisas e a formação das coleções públicas. sobretudo aos que obtiveram uma concessão para um determinado sítio ou desejam obtê-la. V . os resultados de seus trabalhos. todos os Estados Membros deveriam considerar a possibilidade da regulamentação do comércio das antigüidades. uma dupla publicação simultânea de seu relatório preliminar. Documentação sobre as pesquisas Observadas as disposições do artigo 24. Reuniões regionais e sessões de discussões científicas Com vistas a facilitar o estudo dos problemas de interesse comum. IV .A repressão às pesquisas clandestinas e à exportação ilícita dos objetos provenientes das pesquisas arqueológicas Proteção dos sítios arqueológicos contra as pesquisas clandestinas e as degradações Cada Estado Membro deveria adotar as medidas necessárias para impedir as pesquisas clandestinas e a degradação dos monumento definidos nos artigos 2 e 3 acima e a dos sítios arqueológicos. para responderem a sua missão científica e educativa. Colaboração internacional para a repressão . a pedido de tais autoridades. na medida do possível. Essas autoridades deveriam impedir nas mesmas condições a fotografia ou a reprodução do material arqueológico ainda inédito. as autoridades arqueológicas competentes deveriam se empenhar em não liberar para estudo detalhado o conjunto de objetos provenientes das pesquisas nem a documentação científica a ela referente. periodicamente. da tradução do quadro das matérias e das legendas das ilustrações em uma língua mais difundida. o pesquisador deveria. se for o caso. no que diz respeito aos relatórios preliminares. a consulta a sua documentação e o acesso a seus depósitos arqueológicos aos pesquisadores e especialistas qualificados. c) As publicações científicas sobre as pesquisas arqueológicas editadas em um idioma de difusão restrita deveriam ser acompanhadas de um sumário e. ou na falta dele. os Estados Membros poderiam organizar. a não ser com autorização por escrito do pesquisador. colocar a sua disposição cópia do texto desse relatório.a) O Estado concedente deveria garantir ao pesquisador a propriedade científica de suas descobertas durante um prazo razoável. se possível. assim como a exportação dos objetos daí provenientes. b) O Estado concedente deveria impor ao pesquisador a obrigação de publicar. reuniões regionais com grupos de representantes dos serviços arqueológicos dos Estados interessados. Para permitir. Esse prazo não deveria ser superior a dois anos.Comércio das Antigüidades No interesse superior do patrimônio arqueológico comum. Os museus estrangeiros deveriam poder adquirir objetos liberados de qualquer restrição legal prevista pela autoridade competente do país de origem. Por outro lado. os serviços arqueológicos nacionais deveriam facilitar. Durante um período de cinco anos após a descoberta. em um prazo razoável. cada Estado Membro poderia suscitar reuniões de discussões científicas entre os pesquisadores que operam em seu solo.

Repatriamento dos objetos ao país de origem Os serviços de pesquisas arqueológicas e os museus deveriam prestar entre si uma colaboração mútua para assegurar ou facilitar o repatriamento ao país de origem dos objetos que provém de pesquisas clandestinas ou de roubos. de roubos. VI . c. a potência ocupante deveria adotar todas as medidas possíveis para protegê-los e deveria enviá-los. em sua décima segunda sessão. no caso de não restituição dos objetos dentro do prazo fixado. e de objetos cuja exportação tenha sido feita com transgressão à legislação do país de origem. Ciência e Cultura. a Ciência e a Cultura de 12 de dezembro de 1962 RELATIVA A PROTEÇÃO DA BELEZA E DO CARÁTER DAS PAISAGENS E SÍTIOS A Conferência Geral da Organização das Nações Unidas para a Educação. É desejável que cada Estado Membro adote todas as medidas necessárias para garantir esse repatriamento. VII . d. os museus possam se assegurar de que nada autoriza a considerar que tais objetos provenham de pesquisas clandestinas. No caso de objetos arqueológicos haverem sido adquiridos por museus. ao término das hostilidades. às autoridades competentes do território anteriormente ocupado. sempre que necessário ou desejável. Qualquer oferta suspeita e toda a informação a ela referente deveriam ser levadas ao conhecimento dos serviços interessados. Recomendação da Conferência Geral da Organização das Nações Unidas para a Educação. qualquer Estado Membro que venha a ocupar o território de um outro Estado deveria se abster de realizar pesquisas arqueológicas no território ocupado.Acordos Bilaterais Os Estados Membros deveriam. concluir acordos bilaterais para regulamentar as questões de interesse comum que possam vir a ser colocadas pela aplicação das disposições da presente recomendação. assim que possível. No caso de achados fortuitos. reunida em Paris. sobretudo os que se derem durante atividades militares. acompanhados de toda a documentação relativa que detiver. quando ocorrer a oferta de cessão de objetos arqueológicos.Pesquisas em território ocupado Em caso de conflito armado.Todas as medidas necessárias deveriam ser adotadas para que. deveriam ser publicadas. Esses princípios deveriam ser aplicados à hipótese da exportação temporária estabelecida no artigo 23. as indicações que permitam identificá-los e que precisem seu modo de aquisição. Considerando que em todas as épocas o homem algumas vezes submeteu a beleza e o caráter das paisagens e dos sítios que fazem parte do quadro natural de sua vida a atentados que . de 9 de novembro a 12 de dezembro de 1962. ou de outras operações consideradas ilícitas pela autoridade competente do país de origem. e e acima.

empobreceram o patrimônio cultural. que propostas relativas a esse ponto seriam objeto de uma regulamentação internacional através de uma recomendação aos Estados Membros. ao cultivar novas terras. para quem são um poderoso regenerador físico. questão que constitui o ponto 17. onze de dezembro de 1962. rurais ou urbanos. a salvaguarda das paisagens e dos sítios definidos pela presente recomendação é necessária à vida do homem. naturais. ainda mais. do fomento ao turismo e às organizações da juventude. A Conferência Geral recomenda aos Estados Membros que levem a presente recomendação ao conhecimento das autoridades e organismos envolvidos com a proteção das paisagens e dos sítios e com o planejamento territorial.2 da ordem do dia da sessão. até o século passado. sob a forma de lei nacional ou de alguma outra maneira. a restituição do aspecto das paisagens e sítios. as normas e princípios formulados na presente recomendação. que é preciso levar em conta as necessidades da vida coletiva. que apresentam um interesse cultural ou estético. Depois de haver decidido. entende-se por salvaguarda da beleza e do caráter das paisagens e sítios a preservação e. As disposições da presente recomendação visam também a complementar as medidas de salvaguarda da natureza. a presente recomendação. Considerando que. quando possível. as civilizações modernas aceleraram esse fenômeno que. A Conferência Geral recomenda aos Estados Membros que apliquem as disposições seguintes e adotem. nas datas e sob a forma que ela determinará. relatórios concernentes à implementação desta recomendação. executar grandes obras e realizar vastos planejamentos físicos territoriais e instalações de equipamento industrial e comercial. Reconhecendo. sua evolução e o rápido desenvolvimento do progresso técnico. entretanto. Considerando. em conseqüência.4. havia sido relativamente lento. estético e até mesmo vital de regiões inteiras. Considerando que. como o demonstram inúmeros exemplos universalmente conhecidos. A Conferência Geral recomenda aos Estados Membros que lhe apresentem. Considerando. Considerando que esse fenômeno tem repercussão não apenas no valor estético das paisagens e dos sítios naturais ou criados pelo homem. em todas as partes do mundo. por sua beleza e caráter. assim como um elemento importante das condições de higiene de seus habitantes.Definição Para os efeitos da presente recomendação. moral e espiritual e por contribuírem para a vida artística e cultural dos povos. Adota. nos territórios sob sua jurisdição. hoje. em sua décima primeira sessão. Havendo-se-lhe apresentadas propostas relativas à salvaguarda da beleza e do caráter das paisagens e dos sítios. II – Princípios Gerais . que é altamente desejável e urgente estudar e adotar as medidas necessárias para salvaguardar a beleza e o caráter das paisagens e dos sítios em toda parte e sempre que possível. ou que constituem meios naturais característicos. que as paisagens e sítios constituem um fator importante da vida econômica e social de um grande número de países. mas também no interesse cultural e científico oferecido pela vida selvagem. I . aos organismos encarregados da proteção da natureza. desenvolver por vezes desordenadamente os centros urbanos. medidas que ponham em efeito. devidos à natureza ou obra do homem.

etc. estações de rádio. etc. As medidas a serem adotadas para a salvaguarda das paisagens e dos sítios deveriam ter caráter preventivo e corretivo. tais como as paisagens e sítios urbanos. especialmente pelas obras de construção e pela especulação imobiliária. que são. ou de alguma forma protegidas. h) Exploração de minas e pedreiras e evacuação de seus resíduos. por causa do barulho que provocam. de: a) Construção de edifícios públicos e privados de qualquer natureza. e) Cartazes publicitários e anúncios luminosos. Assim. os mais ameaçados. Uma proteção especial deveria ser assegurada às proximidades dos monumentos. comerciais ou industriais.Os estudos e as medidas a serem adotadas para a salvaguarda das paisagens e dos sítios deverse-iam se estender a todo o território do Estado e não se limitar a algumas paisagens ou sítios determinados. no todo ou em parte. mas estender-se também às paisagens e sítios cuja formação se deve. Convém levar em conta. particularmente as que margeiam as vias de comunicação ou as avenidas. k) Depósitos de material e de matérias usadas. à obra do homem. regularização dos cursos de água. deveriam estar em harmonia com a ambiência que se deseja salvaguardar. As atividades que possam levar a uma deterioração das paisagens e dos sítios em zonas protegidas por lei. canais. Seus projetos deveriam ser concebidos de modo a respeitar determinadas exigências estéticas relativas ao próprio edifício e. disposições especiais deveriam ser tomadas para assegurar a salvaguarda de algumas paisagens e de determinados sítios. instalações de produção e de transporte de energia. g) Poluição do ar e da água. de televisão. geralmente. especialmente segundo o caráter e as dimensões das paisagens e sítios. Essas medidas poderiam variar. e a natureza dos perigos de que estejam ameaçados. a reabilitá-los. Para facilitar o trabalho dos diversos serviços públicos encarregados da salvaguarda da paisagem e dos sítios em cada país. trabalhos de irrigação. A salvaguarda não deveria limitar-se às paisagens e aos sítios naturais. c) Linhas de eletricidade de alta ou baixa tensão. na medida do possível. evitando cair na imitação gratuita de certas formas tradicionais e pinturescas. i) Captação de nascentes. ou de determinadas formas de vida da sociedade contemporânea. aquedutos. inclusive destruição de árvores que contribuem para a estética da paisagem. d) Construção de auto-serviços para distribuição dos combustíveis. As medidas preventivas para a salvaguarda das paisagens e dos sítios deveriam visar a protegê-los dos perigos que os ameaçam. só poderiam ser admitidas no caso de exigência imperiosa de um interesse público ou social. na escolha das medidas aplicáveis. deveriam ser criados institutos de pesquisa científica para colaborar com as autoridades competentes a fim de assegurar a harmonização e a codificação . Essas medidas deveriam consistir essencialmente no controle dos trabalhos e atividades susceptíveis de causar dano às paisagens e aos sítios e. o interesse relativo das paisagens e dos sítios em consideração. assim como detritos e dejetos domésticos. Medidas corretivas deveriam ser destinadas a suprimir o “dano” causados às paisagens e aos sítios e. f) Desmatamento. barragens. j) Campismo. aeródromos. especialmente. b) Construção de estradas. A salvaguarda da beleza e do caráter das paisagens e dos sítios deveria também levar em conta os perigos decorrentes de certas atividades de trabalho. sua localização.

das paisagens extensas. Proteção legal de sítios isolados . b) Inserção de restrições nos planos de urbanização e no planejamento em todos os níveis: regionais. às precauções a serem tomadas para dissimular as escavações resultantes da construção de barragens. Controle Geral Um controle geral deveria ser exercido sobre os trabalhos e as atividades susceptíveis de causar danos às paisagens e aos sítios. Essas disposições e os resultados dos trabalhos dos institutos de pesquisa deveriam ser reunidos em uma só publicação administrativa periódica. ou da exploração de pedreiras. o caráter estético é de interesse primordial. c) Proteção legal por zonas. d) Proteção legal dos sítios isolados. numa zona protegida por lei. a proteção legal “por zonas” deveria abranger o controle dos loteamentos e a observação de algumas prescrições gerais de caráter estético referentes à utilização dos materiais e sua cor. Quando. em regra geral. etc. III – Medidas de Salvaguarda A salvaguarda da paisagem e dos sítios deveria ser assegurada com o auxílio dos seguintes métodos: a) Controle geral por parte das autoridades competentes.das disposições legislativas e regulamentares aplicáveis à matéria. possibilitar direito a indenização. A proteção legal "por zonas" deveria ser divulgada publicamente e as regras gerais a serem observadas para a salvaguarda das paisagens integrantes de tal proteção deveriam ser editadas e difundidas. Planejamento Urbano e Planejamento territorial das áreas Rurais O planejamento urbano ou o planejamento territorial das áreas rurais deveriam conter disposições relativas às restrições a serem impostas para a salvaguarda das paisagens e dos sítios – inclusive os que não possuem proteção legal – que se encontrem no território abrangido por esses planos. Proteção Legal “por zonas” das paisagens extensas As paisagens extensas deveriam ser objeto de proteção legal “por zonas”. em toda a extensão do território do país. rurais ou urbanos. especialmente para as cidades ou regiões em vias de desenvolvimento rápido. A proteção legal "por zonas" não deveria. e) Criação a manutenção de reservas naturais e parques nacionais. O planejamento urbano ou o planejamento territorial das áreas rurais deveriam ser estabelecidos em função de sua ordem de urgência. à regulamentação de derrubada das árvores. às normas relativas à altura. nas quais a salvaguarda do caráter estético ou pinturesco dos lugares justifique o estabelecimento de tais planos. atualizada. f) Aquisição de sítios pelas coletividades públicas.

requisitar qualquer autorização para os trabalhos de exploração usual das terras rurais. Qualquer publicidade deveria ser proibida nos sítios protegidos por lei e em suas imediações. entretanto. Aquisição dos sítios pelas coletividades públicas Os Estados Membros deveriam encorajar as coletividades públicas a adquirirem terrenos que façam parte de uma paisagem ou de um sítio que convenha salvaguardar. deveriam ser confiadas às autoridades responsáveis. deveriam ser protegidos por lei. Reservas Naturais e Parques Nacionais Quando for possível. assim como a execução de quaisquer obras públicas em sítio protegido por lei deveriam estar subordinadas ao prévio consentimento das autoridades encarregadas da salvaguarda. Nenhuma servidão convencional deveria ser consentida pelo proprietário sem a concordância das autoridades encarregadas da salvaguarda. A expropriação pelos poderes públicos. os Estados Membros deveriam incorporar às zonas e sítios cuja salvaguarda convém assegurar. nem para os trabalhos regulares de manutenção das construções. em terrenos delimitados pelas autoridades encarregadas da salvaguarda e submetidos a sua inspeção.Os sítios isolados e de pequenas dimensões. naturais ou urbanos. A autorização eventualmente concedida deveria ser acompanhada de todas as condições necessárias à salvaguarda do sítio. IV . Esses parques nacionais e reservas naturais deveriam formar um conjunto de zonas experimentais destinadas também às pesquisas sobre a formação e a restauração da paisagem e à proteção da natureza. devidamente notificada ao proprietário. em princípio. Ninguém deveria poder adquirir. . A permissão de acampar em um sítio protegido por lei deveria. Não será necessário. no caso de ocorrer prejuízo certo e direto. a salvaguarda das paisagens e dos sítios deveriam ter força de lei e as medidas necessárias a sua aplicação. ser proibida e concedida. Cada sítio. dentro das atribuições que lhes são conferidas pela lei. Essa proteção legal deveria acarretar para o proprietário a proibição de destruir o sítio ou alterar seu estado ou aspecto sem a autorização das autoridades encarregadas da salvaguarda. em cada Estado Membro. Deveriam ser igualmente protegidos por lei os terrenos de onde se aprecie uma vista excepcional e os terrenos e imóveis que envolvam um monumento notável. A proteção legal de um sítio deveria poder proporcionar ao proprietário o direito à indenização. por prescrição. parques nacionais destinados à educação e ao lazer do público. ou reservas naturais. ou limitada a determinada localização fixada pelas autoridades encarregadas da salvaguarda. em um sítio protegido por lei. o ar e as águas seja de que maneira for. direitos que permitam modificar o caráter ou o aspecto do sítio. devido à proteção por lei. terreno ou imóvel assim protegido deveria ser objeto de uma decisão administrativa especial. essa aquisição deveria poder se realizar através de expropriação. apenas. ao passo que a extração de minerais estaria sujeita a uma autorização especial. assim como porções de paisagem que ofereçam um interesse excepcional. parciais ou integrais.Aplicação das Medidas de Salvaguarda As normas e princípios fundamentais que regulam. A proteção legal deveria implicar na proibição de contaminar os terrenos. Quando necessário.

também. nos casos de obras de interesse geral e de grande envergadura. Os Estados Membros deveriam facilitar a criação e o funcionamento de órgãos não governamentais . Os órgãos de caráter consultivo deveriam ser comissões de caráter nacional. como a construção de rodovias. regional e local. 32 e 33. com o objetivo de intensificar a ação educativa já empreendida nesse sentido e considerar a possibilidade de criar museus especiais. especialmente informando a opinião pública e alertando os serviços responsáveis pelos perigos que ameacem as paisagens e os sítios. V – Educação do Público Uma ação educativa deveria ser empreendida dentro e fora das escolas para despertar e desenvolver o respeito público pelas paisagens e sítios e para tornar mais conhecidas as normas editadas para garantir sua salvaguarda. Os professores encarregados dessa tarefa educativa na escola deveriam receber uma preparação especial. e de órgãos dedicados a essa tarefa. ou seções especializadas nos museus existentes. ou a reparar os danos por eles causados. na forma de estágios especializados de estudos em estabelecimentos de ensino secundário e superior. preparar as decisões a serem tomadas e controlar sua execução. de caráter executivo ou consultivo. A violação das normas de salvaguarda das paisagens e dos sítios devria redundar em perdas e danos e ou na obrigação de repor os sítios em seu estado primitivo. material para exposições . criação de novas instalações industriais. encarregadas de estudar as questões relativas à salvaguarda e de manifestar seu parecer sobre essas questões às autoridades centrais ou regionais. para o estudo e a apresentação dos aspectos naturais e culturais característicos de determinadas regiões. Caberlhes-ia. encarregados de aplicar as medidas de salvaguarda. propor as medidas destinadas a reduzir os perigos que possa apresentar a execução de determinados trabalhos. tais como filmes. ou às coletividades locais interessadas. esses serviços deveriam ter a possibilidade de estudar os problemas relativos à salvaguarda e à proteção legal. Sanções administrativas ou penais deveriam ser previstas no caso de danos causados voluntariamente às paisagens e aos sítios protegidos.nacionais ou locais . entre outras. efetuar pesquisas de campo. emissões radiofônicas ou de televisão. ordenação espacial de instalações hidrotécnicas. Para isso. Os Estados Membros deveriam também facilitar a tarefa dos museus existentes. particularmente na fase dos anteprojetos.cujas tarefas consistiram.Os Estados Membros deveriam criar órgãos especializados. centrais e regionais. etc. na medida do possível. O parecer dessas comissões deveria ser solicitado em todos os casos e em tempo útil. Os Estados Membros deveriam facilitar a educação do público e estimular a ação das associações. em colaborar com os órgãos mencionados nos parágrafos 31. prestando-lhes uma ajuda material e colocando a sua disposição e à dos educadores em geral os meios apropriados de publicidade. Os órgãos de caráter executivo deveriam ser serviços especializados. A educação do público fora da escola deveria ser tarefa da imprensa. das associações privadas de proteção das paisagens e dos sítios ou de proteção da natureza. dos órgãos encarregados do turismo e das organizações de juventude e de educação popular.

É. portanto. de uma evolução significativa ou de um acontecimento histórico. Jornadas nacionais e internacionais. Consequentemente. bem como o sítio urbano ou rural que dá testemunho de uma civilização particular. na atividade de ICOM e da UNESCO e na criação. A humanidade. Carta de Veneza de maio de 1964 II Congresso Internacional de Arquitetos e Técnicos dos Monumentos Históricos ICOMOS . das revistas e das publicações periódicas regionais. cada vez mais consciente da unidade dos valores humanos. aprovou o texto seguinte: Definições Artigo 1º . essencial que os princípios que devem presidir à conservação e à restauração dos monumentos sejam elaborados em comum e formulados num plano internacional. A sensibilidade e o espírito crítico se dirigem para problemas cada vez mais complexos e diversificados.Conselho Internacional de Monumentos e Sítios CARTA INTERNACIONAL SOBRE CONSERVAÇÃO E RESTAURAÇÃO DE MONUMENTOS E SÍTIOS Portadoras de mensagem espiritual do passado. folhetos e livros capazes de obter uma grande difusão e idealizados com um espírito didático. perante as gerações futuras. para chamar a atenção do grande público sobre a importância da salvaguarda da sua beleza e de seu caráter. do Centro Internacional de Estudos para a Conservação e Restauração dos Bens Culturais. Ao dar uma primeira forma a esses princípios fundamentais.permanentes. concursos e outras manifestações similares deveriam ser consagrados e ressaltar o valor das paisagens e dos sítios naturais ou criados pelo homem. uma significação cultural. com o tempo. as obras monumentais de cada povo perduram no presente como o testemunho vivo de suas tradições seculares. reunido em Veneza de 25 a 31 de maio de 1964. temporárias ou itinerantes. o Segundo Congresso Internacional de Arquitetos e Técnicos dos Monumentos Históricos. que tenham adquirido. Agora é chegado o momento de reexaminar os princípios da Carta para aprofundá-las e dotá-las de um alcance maior em um novo documento. impondo a si mesma o dever de transmiti-las na plenitude de sua autenticidade. as considera um patrimônio comum e. . problema primordial para a coletividade. Estende-se não só às grandes criações mas também às obras modestas. ainda que caiba a cada nação aplicá-los no contexto de sua própria cultura e de suas tradições. a Carta de Atenas de 1931 contribui para a propagação de um amplo movimento internacional que se traduziu principalmente em documentos nacionais. se reconhece solidariamente responsável por preservá-las. por esta última. Uma ampla publicidade poderia ser obtida através dos jornais.A noção de monumento histórico compreende a criação arquitetônica isolada.

Enquanto subsistir. e toda construção nova. Artigo 6º .A conservação dos monumentos é sempre favorecida por sua destinação a uma função útil à sociedade.A conservação e a restauração dos monumentos constituem uma disciplina que reclama a colaboração de todas as ciências e técnicas que possam contribuir para o estudo e a salvaguarda do patrimônio monumental.As contribuições válidas de todas as épocas para a edificação do monumento devem ser respeitadas. É somente dentro destes limites que se deve conceber e se pode autorizar as modificações exigidas pela evolução dos usos e costumes. Restauração Artigo 9º . tal destinação é portanto. Artigo 7º. Artigo 5º .A conservação dos monumentos exige.Os elementos de escultura.A conservação de um monumento implica a preservação de um esquema em sua escala. Artigo 8º . a consolidação do monumento pode ser assegurada com o emprego de todas as técnicas modernas de conservação e construção cuja eficácia tenha sido demonstrada por dados científicos e comprovada pela experiência. Conservação Artigo 4º . Finalidade Artigo 3º . no plano das reconstituições conjeturais.A conservação e a restauração dos monumentos visam a salvaguardar tanto a obra de arte quanto o testemunho histórico. visto que a unidade de estilo não é a finalidade a alcançar no curso de . pintura ou decoração que são parte integrante do monumento não lhes podem ser retirados a não ser que essa medida seja a única capaz de assegurar sua conservação. Termina onde começa a hipótese. antes de tudo. mas não pode nem deve alterar à disposição ou a decoração dos edifícios.A restauração é uma operação que deve ter caráter excepcional. toda destruição e toda modificação que poderiam alterar as relações de volumes e de cores serão proibidas. Tem por objetivo conservar e revelar os valores estéticos e históricos do monumento e fundamenta-se no respeito ao material original e aos documentos autênticos.O monumento é inseparável da história de que é testemunho e do meio em que se situa. o deslocamento de todo o monumento ou de parte dele não pode ser tolerado. manutenção permanente.Artigo 2º . Por isso. desejável. todo trabalho complementar reconhecido como indispensável por razões estéticas ou técnicas destacar-se-á da composição arquitetônica e deverá ostentar a marca do nosso tempo. A restauração será sempre precedida e acompanhada de um estudo arqueológico e histórico do monumento. Artigo 10º . o esquema tradicional será conservado. Artigo11º . exceto quando a salvaguarda do monumento o exigir ou quando o justificarem razões de grande interesse nacional ou internacional.Quando as técnicas tradicionais se revelarem inadequadas.

arqueológico. . Além disso. consolidação recomposição e integração. ilustrados com desenhos e fotografias. Essa documentação será depositada nos arquivos de um órgão público e posta à disposição dos pesquisadores. Artigo 12º . admitindo-se apenas a anastilose. ou estético. o equilíbrio de sua composição e suas relações com o meio ambiente. e seu estado de conservação é considerado satisfatório. das partes originais a fim de que a restauração não falsifique o documento de arte e de história. portanto. a recomposição de partes existentes.Os sítios monumentais devem ser objeto de cuidados especiais que visem a salvaguardar sua integridade e assegurar seu saneamento. bem como os elementos técnicos e formais identificados ao longo dos trabalhos serão ali consignados. de restauração e de escavação serão sempre acompanhadas pela elaboração de uma documentação precisa sob a forma de relatórios analíticos e críticos.Os acréscimos só poderão ser tolerados na medida em que respeitarem todas as partes interessantes do edifício. distinguindo-se. Todo trabalho de reconstrução deverá. O julgamento do valor dos elementos em causa e a decisão quanto ao que pode ser eliminado não podem depender somente do autor do projeto.Os trabalhos de escavação devem ser executados em conformidade com padrões científicos e com a "Recomendação Definidora dos Princípios Internacionais a serem aplicados em Matéria de Escavações Arqueológicas".uma restauração. deve ser excluído a priori. recomenda-se sua publicação. Documentação e Publicações Artigo 16º . Escavações Artigo 15º . Os trabalhos de conservação e restauração que neles se efetuarem devem inspirar-se nos princípios enunciados nos artigos precedentes. seu esquema tradicional.Os trabalhos de conservação. Artigo 13º .Os elementos destinados a substituir as partes faltantes devem integrar-se harmoniosamente ao conjunto. adotada pela UNESCO em 1956. a exibição de uma etapa subjacente só se justifica em circunstâncias excepcionais e quando o que se elimina é de pouco interesse e o material que é revelado é de grande valor histórico. Sítios Monumentais Artigo14º . Todas as fases dos trabalhos de desobstrução. sua manutenção e valorização. devem ser tomadas todas as iniciativas para facilitar a compreensão do monumento trazido à luz sem jamais deturpar seu significado. ou seja. todavia. mas desmembradas. Os elementos de integração deverão ser sempre reconhecíveis e reduzir-se ao mínimo necessário para assegurar as condições de conservação do monumento e restabelecer a continuidade de suas formas. Devem ser asseguradas as manutenções das ruínas e as medidas necessárias à conservação e proteção permanente dos elementos arquitetônicos e dos objetos descobertos.

esperança de que uma convenção internacional possa ser adotada o mais cedo possível. Tendo decidido. as coleções científicas e as coleções importantes de livros e arquivos. os manuscritos. .Definição Para efeito desta recomendação. em sua décima-segunda reunião. em sua décima-terceira sessão. a Ciência e a Cultura 13a Sessão de 19 de novembro de 1964 RECOMENDAÇÃO SOBRE MEDIDAS DESTINADAS A PROIBIR E IMPEDIR A EXPORTAÇÃO. A Conferência Geral da Organização das Nações Unidas para a Educação. relatórios a respeito das providências que hajam tomado no sentido de colocar em prática esta recomendação. Considerando que os objetivos visados não podem ser alcançados sem uma estreita colaboração entre os Estados-Membros. A Conferência Geral recomenda que os Estados-Membros lhe apresentem. e que a familiaridade com esses bens favorece a compreensão e a apreciação mútuas entre as nações. tais como as obras de arte e de arquitetura. Adota. I . A Conferência Geral recomenda que os Estados Membros levem esta recomendação ao conhecimento das autoridades e organizações relacionadas à proteção de bens culturais. os livros e outros bens de interesse artístico. da importação e da transferência de propriedade ilícitas. sem o que os objetivos propostos não seriam alcançados. para evitar esses perigos. Considerando que cada Estado tem o dever de proteger o patrimônio constituído pelos bens culturais existentes em seu território contra os perigos decorrentes da exportação. neste dia dezenove de novembro de 1964. reunida em Paris de 20 de outubro a 20 de novembro de 1964. e expressando. adotando. histórico ou arqueológico. A Conferência Geral recomenda que os Estados Membros apliquem as disposições seguintes. medidas necessárias a fazer vigorar. Considerando que. esta recomendação. incluídos os arquivos musicais.3 da pauta da sessão. os espécimens-tipo da flora e da fauna. nas datas e da forma por ela determinada. Ciência e Cultura. as normas e princípios formulados na presente recomendação. são considerados bens culturais os bens móveis e imóveis de grande importância para o patrimônio cultural de cada país. a importação e a transferência de propriedade ilícitas de bens culturais. que tais propostas seriam objeto de regulamentação internacional mediante uma recomendação aos Estados Membros. no território sob sua jurisdição. sob forma de lei nacional ou de outra forma. Estimando que os bens culturais se constituem em elementos fundamentais da civilização e da cultura dos povos. é indispensável que cada Estado Membro adquira uma consciência mais clara das obrigações morais relativas ao respeito a seu patrimônio cultural e ao de todas as nações. assunto que constitui o item 15. Tendo examinado propostas de uma regulamentação internacional destinada a proibir e impedir a exportação. contudo.3.Conferência Geral da Organização das Nações Unidas para a Educação. Convicta de que se deve tomar providências no sentido de estimular a adoção de medidas adequadas e de aperfeiçoar o ambiente de solidariedade internacional. os documentos etnológicos. A IMPORTAÇÃO E A TRANSFERÊNCIA DE PROPRIEDADE ILÍCITAS DE BENS CULTURAIS.

Este inventário não teria caráter restritivo. Para estimular e facilitar os intercâmbios legítimos de bens culturais. através de cessão ou intercâmbio. A importação de bens culturais só deveria ser autorizada após haverem sido declarados livres de qualquer restrição por parte do Estado exportador.Cada Estado Membro deveria adotar os critérios que julgar mais adequados para definir.Princípios Gerais Para garantir a proteção de seu patrimônio cultural contra todos os perigos de empobrecimento. deveria instituir um serviço nacional para a proteção dos bens culturais. ou. os Estados-Membros deveriam empreender os esforços necessários para pôr à disposição das coleções públicas dos demais Estados Membros. A inclusão de um objeto cultural nesse inventário não deveria alterar de maneira alguma sua propriedade legal. Instituições de Proteção dos Bens Culturais Cada Estado-Membro deveria providenciar para que a proteção dos bens culturais estivesse sob a responsabilidade de órgãos oficiais adequados e. Cada Estado Membro deveria estabelecer normas que regulamentassem a aplicação dos princípios supracitados. Ainda que a diversidade de disposições constitucionais e de tradições e a desigualdade de recursos impossibilitem a adoção por todos os Estados-Membros de uma organização uniforme. cada Estado Membro deveria. II . estabelecer e aplicar procedimentos para a identificação dos bens culturais definidos nos parágrafos 1 e 2 que existam em seu território e estabelecer um inventário nacional desses bens. é conveniente levar em consideração os seguintes princípios comuns. cada Estado Membro deveria adotar as medidas adequadas para exercer um controle eficaz sobre a exportação de bens culturais. nos parágrafos 1 e 2. se necessário. Os museus.Medidas Recomendadas Identificação e Inventário Nacional dos Bens Culturais Para garantir a aplicação mais eficaz dos princípios gerais enunciados acima. e em geral todos os serviços e instituições relacionados à conservação de bens culturais. importação ou transferência de propriedade ilícitas. um objeto cultural de propriedade privada deveria permanecer como tal mesmo após sua inclusão no inventário nacional. alguns desses mesmos objetos. objetos do mesmo tipo daqueles cuja exportação ou transferência de propriedade não possam ser autorizadas. Qualquer exportação. III . Casa Estado Membro deveria tomar as providências apropriadas para impedir a transferência ilícita de propriedade dos bens culturais. Particularmente. deveriam abster-se de adquirir qualquer bem cultural procedente de exportação. na medida do possível. por meio de empréstimo ou depósito. no âmbito de seu território. os bens culturais que haverão de se beneficiar da proteção estabelecida nesta recomendação em virtude da grande importância que apresentam. importação ou transferência de propriedade efetuada em oposição às normas adotadas por cada Estado Membro em conformidade com o parágrafo 6 deveria ser considerada ilícita. caso se julgue necessária a criação de um serviço nacional de proteção dos bens culturais: .

a) O serviço nacional de proteção dos bens culturais deveria ser. da importação e da transferência de propriedade de bens culturais. dispusesse dos meios administrativos. Colaboração Internacional para a Detecção de Operações Ilícitas Sempre que necessário ou conveniente. Toda oferta suspeita e todos os detalhes a ela relacionados. em conformidade com as disposições da seção 11. em conformidade com o estabelecido no parágrafo 10. técnicos e financeiros que permitissem o desempenho eficaz de suas funções. os acordos bilaterais ou multilaterais deveriam conter cláusulas que garantissem que. tais como os acordos culturais. deveriam ser levados ao conhecimento dos serviços interessados. acima. se for o caso. d) O serviço nacional de proteção dos bens culturais deveria poder recorrer a especialistas para assessorá-lo em relação a problemas técnicos e na solução de casos litigiosos. a importação e a transferência de propriedade ilícitas. Tais acordos poderiam. constituir um fundo ou adotar outras medidas financeiras apropriadas para dispor dos recursos necessários a adquirir bens culturais de importância excepcional. um serviço administrativo do Estado ou um órgão que. o controle de exportações seria consideravelmente facilitado se os bens culturais fossem acompanhados. os serviços competentes de cada Estado pudessem certificar-se da inexistência de motivos para considerar o objeto como proveniente de um roubo. de um certificado apropriado. c) O serviço nacional de proteção dos bens culturais deveria estar autorizado a apresentar às autoridades nacionais competentes propostas de outras medidas legislativas ou administrativas adequadas à proteção dos bens culturais. de modo a garantir a restituição de bens culturais ilicitamente exportados do território de uma das partes desses acordos e localizada no território de outra. por exemplo. e. inclusive sanções que impedissem a exportação. o estabelecimento e a manutenção de um inventário nacional desses bens. ser incluídos em acordos de maior abrangência. dentro da estrutura de organizações intergovernamentais regionais. se necessário. acima. de uma exportação ou de uma transferência de propriedade ilícitas ou de qualquer outra operação considerada ilegal pela legislação do Estado exportador. mediante o qual o Estado exportador certificaria haver autorizado a exportação do bem em questão. b) As funções do serviço nacional de proteção dos bens culturais deveriam incluir: (i) A identificação dos bens culturais existentes no território do Estado. Em caso de dúvida a instituição incumbida da proteção dos bens culturais deveria comunicar-se com a instituição competente para confirmar a legalidade da exportação. (ii) Cooperação com outros organismos competentes no controle da exportação. como. Cada Estado-Membro deveria. se necessário. na medida do possível. sempre que fosse proposta a transferência de propriedade de um bem cultural. Acordos Bilaterais e Multilaterais Sempre que necessário ou conveniente. da importação ou da transferência de propriedade de bens culturais. . atuando em conformidade com a legislação nacional. ao exigir a apresentação do certificado a que se refere o parágrafo 11. por ocasião de sua exportação. e mais especificamente. os Estados Membros deveriam firmar acordos bilaterais ou multilaterais. para resolver problemas decorrentes da exportação. como por exemplo.

em sua décima-terceira reunião. Direitos dos Adquirentes de Boa Fé Cada Estado-Membro deveria. neste vigésimo-primeiro dia de novembro de 1964. os serviços de proteção dos bens culturais. Em fé do qual apensamos nossas assinaturas. por solicitação de Estado que o reclamasse. O precedente é o texto autêntico da Recomendação devidamente aprovada pela Conferência Geral da Organização das Nações Unidas para a Educação. Essa restituição ou repatriação deveria ser efetuada em conformidade com a. Tal ação deveria ser empreendida pelos serviços competentes em cooperação com os serviços educativos. ser levado ao conhecimento do público. com a imprensa e com outros meios de informação e difusão. Ciência e a Cultura. tomar as providências adequadas para estabelecer que sua legislação interna ou as convenções quais possa vir a participar garantissem ao adquirente de boa fé de um bem cultural a ser restituído ou repatriado ao território do Estado do qual havia sido ilegalmente exportado a possibilidade de obter a indenização por perdas e danos ou outra compensação equivalente. através de uma publicidade adequada.Os Estados-Membros deveriam empenhar-se na assistência mútua através do intercâmbio dos resultados de suas experiências no âmbito dos assuntos a que se refere esta recomendação. se necessário. realizada em Paris e declarada concluída no vigésimo dia de novembro de 1964. legislação vigente no Estado em cujo território se encontram os bens. O Presidente da Conferência Geral Noraír M. cada Estado-Membro deveria agir de modo a estimular e desenvolver entre seus cidadãos o interesse e o respeito pelo patrimônio cultural de todas as nações. Sissakian O Diretor-Geral René Mahen . os museus e todas as instituições competentes em geral deveriam colaborar uns com os outros no sentido de garantir ou facilitar a restituição ou a repatriação de bens culturais ilicitamente exportados. Ação Educativa No sentido de uma colaboração internacional que levasse em consideração tanto a natureza universal da cultura quanto a necessidade de intercâmbios para possibilitar a todos beneficiarse do patrimônio cultural da humanidade. Restituição ou Repatriação de Bens Culturais Exportados Ilicitamente Os Estados-Membros. Publicidade em caso de Desaparecimento de um Bem Cultural O desaparecimento de qualquer bem cultural deveria. com organizações de juventude e de educação popular e com grupos e indivíduos ligados a atividades culturais.

de maneira expressa. porque com isso os chefes de Estado deixam reconhecida. Esforços Multinacionais. ao ambiente natural que o emoldura e aos bens culturais que encerra. recinto ou sítio de caráter monumental. letra d). está se aceitando implicitamente que esses bens do patrimônio cultural representam um valor econômico e são suscetíveis de constituir-se em instrumentos do progresso. dada a íntima relação entre o continente arquitetônico e o conteúdo artístico. da Declaração dos Presidentes da América. que.. isoladamente considerados. mas sua eficácia prática dependerá. objeto de defesa e proteção por parte do Estado. O acelerado processo de empobrecimento que vem sofrendo a maioria dos países americanos como conseqüência do estado de abandono e da falta de defesa em que se encontra sua riqueza monumental e artística demanda a adoção de medidas de emergência. em último caso. de conformidade com o que dispõe o Capítulo V. a tutela do Estado pode e deve se estender ao contexto urbano. As recomendações do presente informe são dirigidas nesse sentido e se limitam. especificamente. Os lugares pitorescos e outras belezas naturais. O.Normas de Quito de novembro/dezembro de 1967 REUNIÃO SOBRE CONSERVAÇÃO E UTILIZAÇÃO DE MONUMENTOS E LUGARES DE INTERESSE HISTÓRICO E ARTÍSTICO. Primeiramente. II . porque. sendo a razão fundamental da Reunião de Punta del Leste o propósito comum de dar um novo impulso ao desenvolvimento do continente. portanto. sem que nenhum dos elementos que o constitui. Mas pode existir uma zona.Organização dos Estados Americanos Informe Final I . entretanto. de acordo com a moderna técnica museográfica. tanto em nível nacional quanto internacional.E. É preciso reconhecer.A.Introdução A inclusão do problema representado pela necessária conservação e utilização do patrimônio monumental na relação de esforços multinacionais que se comprometem a realizar os governos da América resulta alentador num duplo sentido. e em segundo. torna-se imprescindível estender a devida proteção a outros bens móveis e a objetos valiosos do patrimônio cultural para evitar sua contínua deterioração e subtração impune e para conseguir que contribuam à obtenção dos fins pretendidos mediante sua adequada exibição. histórico e artístico. A marca histórica ou artística do . não são propriamente monumentos nacionais. a existência de uma situação de urgência que reclama a cooperação interamericana. à adequada conservação e utilização dos monumentos e sítios de interesse arqueológico. de sua adequada formulação dentro de um plano sistemático de revalorização dos bens patrimoniais em função do desenvolvimento econômico-social.Considerações Gerais A idéia do espaço é inseparável do conceito do monumento e. mereça essa designação.

mas é necessário reconhecer que a razão fundamental da destruição progressivamente acelerada desse potencial de riqueza reside na falta de uma política oficial capaz de imprimir eficácia prática às medidas protecionistas vigentes e de promover a revalorização do patrimônio monumental em função do interesse público e para beneficio econômico da nação. evidência de sua grandeza passada . testemunhos de uma tradição histórica de inestimável valor.homem é essencial para imprimir a uma paisagem ou a um recinto determinado essa categoria específica. acentuavam sua personalidade e atração -. que implica a exploração exaustiva de seus recursos naturais e a transformação progressiva das suas estruturas econômico-sociais. arquitetônicas. É certo também que grande parte desse patrimônio se arruinou irremediavelmente no curso das últimas décadas ou se acha hoje em perigo iminente de perder-se. nem sempre acessíveis ou de todo exploradas. fontes e vielas. apagando as marcas e expressões do passado. complexos urbanos e povoados inteiros são suscetíveis de se tomar centros de maior interesse e atração. Aos grandiosos testemunhos das culturas pré-colombianas se agregam as expressões monumentais. contribui para imprimir aos estilos importados um sentido genuinamente americano de múltiplas manifestações locais que os caracteriza e distingue. se alternam com surpreendentes sobrevivências do passado. numa exuberante variedade de formas. Cabe ao Estado fazer com que ela prevaleça e determinar. Todo processo de acelerado desenvolvimento traz consigo a multiplicação de obras de infraestrutura e a ocupação de extensas áreas por instalações industriais e construções imobiliárias que não apenas alteram. produto do fenômeno da aculturação. artísticas e históricas do extenso período colonial. que. conservação e utilização dos monumentos. praças. III . num passado ainda próximo. Grande número de cidades ibero-americanas que entesouravam.O Patrimônio Monumental e o Momento Americano É uma realidade evidente que a América. os problemas que se relacionam com a defesa. A declaração de monumento nacional implica a sua identificação e registro oficiais. ele não se constituirá em um monumento a não ser que haja uma expressa declaração do Estado nesse sentido. Qualquer que seja o valor intrínseco de um bem ou as circunstâncias que concorram para constituir a sua importância e significação histórica ou artística. A partir desse momento o bem em questão estará submetido ao regime de exceção assinalado pela lei. têm sofrido tais . mas deformam por completo a paisagem. em conjunto. Nos momentos críticos em que a América se encontra comprometida em um grande empenho progressista. Ruínas arqueológicas de capital importância. Múltiplos fatores têm contribuído e continuam contribuindo para diminuir as reservas de bens culturais da maioria dos países da América Ibérica.templos. Um acento próprio. nos diferentes casos. constitui uma região extraordinariamente rica em recursos monumentais. sítios e conjuntos monumentais adquirem excepcional importância e atualidade. e em especial a América Ibérica. a medida em que a referida função social é compatível com a propriedade privada e com o interesse dos particulares. um rico patrimônio monumental. Todo monumento nacional está implicitamente destinado a cumprir uma função social.

teórica nem praticamente. o do ICOMOS. A partir da Carta de Atenas. gravemente comprometido pela entronização de um processo anárquico de modernização. Longe disso. mas fazem ou devem fazer parte deles. 1961). exige a adoção de medidas de defesa. Tudo isso em nome de um mal entendido e pior administrado progresso urbano. preparar e servir ao futuro sem destruir o passado. apresentado à Comissão Cultural e Científica do Conselho da Europa (1 963): "É possível equipar um país sem desfigurá-lo. em Cáceres (1967). com uma política de ordenação urbanística cientificamente desenvolvida. . Não é exagerado afirmar que o potencial de riqueza destruída com esses atos irresponsáveis de vandalismo urbanístico em numerosas cidades do continente excede em muito os benefícios advindos para a economia nacional através das instalações e melhorias de infraestrutura com que se pretendem justificar. nos últimos anos. Consequentemente. A continuidade do horizonte histórico e cultural da América. Em confirmação a este critério se transcreve o seguinte parágrafo do Informe Weiss. Está à disposição da América a experiência acumulada. recuperação e revalorização do patrimônio monumental da região e a formulação de planos nacionais e multinacionais a curto e a longo prazo. A elevação do nível de vida não deve se limitar à realização de um bem-estar material progressivo. o Congresso da Federação Internacional da Habitação e Urbanismo (Santiago de Compostela. muitos foram os congressos internacionais que se sucederam até consolidar-se o atual critério dominante. figuram o da União Internacional de Arquitetos (Moscou. 1958). histórico e artístico constituem também recursos econômicos da mesma forma que as riquezas naturais do país.mutilação e degradações no seu perfil arquitetônico que se tomam irreconhecíveis. que teve como tema o problema dos conjuntos históricos. as medidas que levam a sua preservação e adequada utilização não só guardam relação com os planos de desenvolvimento. V . A defesa e valorização do patrimônio monumental e artístico não se contradiz. o Congresso de Veneza (1964) e o mais recente. deve constituir o seu complemento. IV . para conseguir soluções satisfatórias. que trazem a esse tema de tanto interesse americano um ponto de vista eminentemente prático. deve ser associado à criação de um quadro de vida digno do homem". Entre os que mais se aprofundaram no problema. contribuindo com recomendações concretas. todo plano de ordenação deverá realizar-se de forma que permita integrar ao conjunto urbanístico os centros ou complexos históricos de interesse ambiental. em nível tanto local como nacional.Valorização Econômica dos Monumentos Partimos do pressuposto de que os monumentos de interesse arqueológico. Nesse sentido. É preciso admitir que os organismos internacionais especializados têm reconhecido a dimensão do problema e vêm trabalhando com afinco. de 1932.A solução conciliatória A necessidade de conciliar as exigências do progresso urbano com a salvaguarda dos valores ambientais já é hoje em dia uma norma inviolável na formulação dos planos reguladores.

Encomendar aos organismos competentes da OEA que:. históricos e artísticos. A. É evidente que a inclusão do problema relativo à adequada preservação e utilização do patrimônio monumental na citada reunião corresponde às mesmas razões fundamentais que levaram os presidentes da América a convocá-la: a necessidade de dar à Aliança para o Progresso um novo e mais vigoroso impulso e de oferecer. precisamente." 2." Mais concretamente. Valorizar um bem histórico ou artístico equivale a habilitá-lo com as condições objetivas e ambientais que. reiteradas recomendações e resoluções de diferentes organismos do sistema levaram progressivamente o problema ao mais alto nível de consideração: a Reunião dos Chefes de Estado (Punta del Este. a avaliação dos recursos disponíveis e a formulação de projetos específicos dentro de um plano de ordenação geral. d) Estendam a cooperação interamericana à conservação e utilização dos monumentos arqueológicos.. Isso implica uma tarefa prévia de planejamento em nível nacional.. diz-se: ". ou seja. através da cooperação continental.. como meio indireto de favorecer o desenvolvimento econômico do país. dentro da área de competência do conselho.. 1967). Isso explica o emprego do termo "utilização".Na mais ampla esfera das relações interamericanas..." Em suma.A valorização do Patrimônio do Cultural O termo "valorização". na maioria dos casos. sem desvirtuar sua natureza ressaltem suas características e permitam seu . que figura no ponto 2. A extensão da assistência técnica e a ajuda financeira ao patrimônio cultural dos Estados Membros será cumprida em função de seu desenvolvimento econômico e turístico. excede suas atuais possibilidades. Se algo caracteriza este momento é. a ajuda necessária ao desenvolvimento econômico dos países membros da OEA. na resolução 2 da Segunda Reunião Extraordinária do Conselho Interamericano Cultural. convocada com a finalidade única de dar cumprimento ao disposto na Declaração dos Presidentes. da Declaração dos Presidentes: "Esforços Multinacionais. adquire no momento americano uma especial aplicação. VI . capítulo V. trata-se de mobilizar os esforços nacionais no sentido de procurar o melhor aproveitamento dos recursos monumentais de que se disponha. a urgente necessidade de utilizar ao máximo o cabedal de seus recursos e é evidente que entre eles figura o patrimônio monumental das nações. É unicamente através da ação multinacional que muitos Estados-Membros em processo de desenvolvimento podem prover-se dos serviços técnicos e dos recursos financeiros indispensáveis. que tende a tomar-se cada dia mais freqüente entre os especialistas. A extensão da cooperação interamericana para esse aspecto do desenvolvimento implica o reconhecimento de que o esforço nacional não é por si só suficiente para empreender uma ação que.

no caso da América Ibérica. mesmo que a intenção original nada tenha a ver com a cultura. Essa é outra conseqüência previsível da valorização e implica a prévia adoção de medidas reguladoras que. passará a ser parte dele quando for valorizado. No mais amplo marco das relações internacionais. em alguma medida. seria o de contribuir para o desenvolvimento econômico da região. a todo o âmbito do monumento. direta ou indiretamente. longe de diminuir sua significação puramente histórica ou artística. Um monumento restaurado adequadamente. condenado à completa e irremediável destruição.Os monumentos em função do turismo Os valores propriamente culturais não se desnaturalizam nem se comprometem ao vincular-se com os interesses turísticos e. dirigida a utilizar todos e cada um desses bens conforme a sua natureza. impeçam a desnaturalização do lugar e a perda das finalidades primordiais que se perseguem. que. Esse incremento de valor real de um bem por ação reflexa constitui uma forma de mais valia que há de se levar em consideração. Em outras palavras. constituem não só uma lição viva de história como uma legítima razão de dignidade nacional. passando-a do domínio exclusivo de minorias eruditas ao conhecimento e fruição de maiorias populares. destacando e exaltando suas características e méritos até colocá-los em condições de cumprir plenamente a nova função a que estão destinados. ao mesmo tempo em que facilitem e estimulem a iniciativa privada. portanto. a maior atração exercida pelos monumentos e a fluência crescente de visitantes contribuem para afirmar a consciência de sua importância e significação nacionais. o que equivale a dizer que. Do exposto se depreende que a diversidade de monumentos e edificações de marcado interesse histórico e artístico situadas dentro do núcleo de valor ambiental se relacionam entre si e exercem um efeito multiplicador sobre o resto da área.ótimo aproveitamento. aumentará a demanda de comerciantes interessados em instalar estabelecimentos apropriadas a sua sombra protetora. de pôr em produtividade uma riqueza inexplorada. Em síntese. De outra parte. VII . a valorização de um monumento exerce uma benéfica ação reflexa sobre o perímetro urbano em que se encontra implantado e ainda transborda dessa área imediata. eminentemente técnica. É evidente que. e a . a área de implantação de uma construção de especial interesse toma-se comprometida por causa da vizinhança imediata ao monumento. A Europa deve ao turismo. estendendo seus efeitos a zonas mais distantes. há de derivar em seu beneficio. de certa maneira. esses testemunhos do passado estimulam os sentimentos de compreensão. um conjunto urbano valorizado. longe disso. a enriquece. a salvaguarda de uma grande parte de seu patrimônio cultural. na medida em que um monumento atrai a atenção do visitante. trata-se de incorporar a um potencial econômico um valor atual. harmonia e comunhão espiritual mesmo entre povos que mantêm rivalidade política. As normas protecionistas e os planos de revalorização têm que estender-se. Tudo quanto contribuir para exaltar os valores do espírito. que ficaria revalorizada em conjunto como conseqüência de um plano de valorização e de saneamento de suas principais construções. a valorização do patrimônio monumental e artístico implica uma ação sistemática. Deve-se entender que a valorização se realiza em função de um fim transcendente. É preciso destacar que. mediante um processo de revalorização que.

abandonada. além das numerosas recomendações e acordos que enfatizam a importância a ser concedida. A Conferência das Nações Unidas sobre Viagens Internacionais e Turismo (Roma. "do ponto de vista turístico. Ultimamente. "oferecer assistência. integrar-se num só plano econômico de desenvolvimento regional. como principais incentivos à afluência turística". educativas e sociais que justificam o uso da riqueza monumental em função do turismo. Por sua vez. Dois pontos de particular interesse merecem ser destacados: a) a afluência turística determinada pela revalorização adequada de um monumento assegura a rápida recuperação do capital investido nesse fim. a Conferência sobre Comércio e Desenvolvimento das Nações Unidas (1964) recomendou às agências e organismos de financiamento. IV. que vem sendo objeto de especial atenção por parte da Secretaria Geral da UNESCO. a União Internacional de Organizações Oficiais de Turismo. resolveu solicitar aos organismos das Nações Unidas e às agencias especializadas que dessem "parecer favorável às solicitações de assistência técnica e financeira dos países em desenvolvimento. b) a atividade turística que se origina da adequada apresentação de um monumento e que. 1963) não somente recomendou que se desse uma alta prioridade aos investimentos em turismo dentro dos planos nacionais. determinaria sua extinção. restauração e utilização vantajosa de sítios arqueológicos. . A Comissão Técnica de Fomento do Turismo. como fez ressaltar que. depois de recomendar à Assembléia Geral designar o ano de 1967 como "Ano do Turismo Internacional". históricos e de beleza natural" (Resolução.24). na forma mais apropriada. entre as quais figuram as seguintes: "Que os monumentos e outros bens de natureza arqueológica. constitui um valor substancialmente importante" e que. histórica e artística podem e devem ser devidamente preservados e utilizados em função do desenvolvimento. Dentro do sistema interamericano. Se os bens do patrimônio cultural desempenham papel tão importante na promoção do turismo. recentes reuniões especializadas têm abordado o tema específico da função que os monumentos de interesse artístico e histórico representam no desenvolvimento da indústria turística. ao problema do abandono em que se encontra boa parte do patrimônio cultural dos países do continente. Esse estudo confirma os critérios expostos e. tanto em nível nacional como regional. com a colaboração de um organismo não-governamental de grande prestígio. Doc. 4). na sua quarta reunião (julho-agosto de 1967).sensibilidade contemporânea. insiste nos benefícios econômicos que derivam dessa política para as áreas territoriais correspondentes. tanto governamentais como privados. resgatados tecnicamente graças ao poderoso estímulo turístico. é lógico que os investimentos que se requerem para sua devida restauração e habilitação específica devem se fazer simultaneamente aos que reclama o equipamento turístico e. a fim de acelerar a melhoria dos seus recursos turísticos" (Resolução 1109 XL). Anexo A. em conseqüência. o Conselho Econômico e Social do citado organismo mundial. mais propriamente. tem oportunidade de se enriquecer com a contemplação de novos exemplos da civilização ocidental. empreendeu-se um exaustivo estudo. resolveu solidarizar-se com as conclusões adotadas pela correspondente Comissão de Equipamento Turístico. mais visual que literária. para obras de conservação. depois de analisar as razões culturais. traz consigo uma profunda transformação econômica da região em que esse monumento se acha inserido. seria urgente "a adoção de medidas adequadas dirigidas a assegurar a conservação e proteção desse patrimônio" (Informe Final. histórico e natural das nações. Em relação a esse tema. o patrimônio cultural.

mas também das circunstâncias adjetivas que concorram para ele e facilitem sua adequada utilização. costuma ocorrer uma reação favorável de cidadania que paralisa a ação destrutiva e permite a consecução de objetivos mais ambiciosos. pelo que se faz aconselhável que os organismos e unidades técnicas de uma e outra área da atividade interamericana trabalhem nesse sentido de forma coordenada. mas à medida em que o monumento possa servir ao uso a que se lhe destina já não dependerá apenas de seu valor intrínseco." Do ponto de vista exclusivamente turístico. As vantagens econômicas e sociais do turismo monumental figuram nas mais modernas estatísticas. em conseqüência. os monumentos são parte do equipamento de que se dispõe para operar essa indústria numa região determinada. Do seio de cada comunidade pode e deve surgir a voz de alarme e a ação vigilante e preventiva."Que nos países de grande riqueza patrimonial de bens de interesse arqueológico. Anos de incúria oficial e um impulsivo afã de renovação que caracteriza as nações em processo de desenvolvimento contribuem para difundir o menosprezo por todas as manifestações do passado que não se ajustam ao molde ideal de um moderno estilo de vida. com a indiferença ou a cumplicidade das autoridades locais. O estímulo a agrupamentos cívicos de defesa do patrimônio. VIII . incapazes de apreciar o que mais convém à comunidade a partir do remoto ponto de vista do bem público. quer dizer. Tudo isso. tem dado excelentes resultados. Uma vez que se apreciam os resultados de certas obras de restauração e de revitalização de edifícios. com a reserva de bens culturais. entre suas principais fontes de riqueza. Daí que as obras de restauração nem sempre sejam suficientes. mantido o caráter ambiental da região. Podem ser necessárias outras obras de infra-estrutura. por si só. da sua significação ou interesse arqueológico." "Que os interesses propriamente culturais e os de índole turística se conjugam no que diz respeito à devida preservação e utilização do patrimônio monumental e artístico dos povos da América. esse patrimônio constitui um fator decisivo em seu equipamento turístico e. . que devem sua presente prosperidade ao turismo internacional e que contam. praças e lugares.O interesse social e a ação cívica É presumível que os primeiros esforços dirigidos a revalorizar o patrimônio monumental encontrem uma ampla zona de resistência na órbita dos interesses privados. para que um monumento possa ser explorado e passe a fazer parte do equipamento turístico de uma região. especialmente em localidades que não dispõem ainda de diretrizes urbanísticas e onde a ação protetora em nível nacional é débil ou nem sempre eficaz. os habitantes de uma população contagiada pela febre do progresso não podem medir as conseqüências dos atos de vandalismo urbanístico que realizam alegremente. Nada pode contribuir melhor para a tomada de consciência desejada do que a contemplação do próprio exemplo. deve ser levado em conta na formalização dos planos correspondentes. Carentes da suficiente formação cívica para julgar o interesse social como uma expressão decantada do próprio interesse individual. tais como um caminho que facilite o acesso ao monumento ou um albergue que aloje os visitantes ao término de uma jornada de viagem. histórico ou artístico. qualquer que seja sua denominação e composição. especialmente nas dos países europeus. histórico e artístico.

tanto em termos técnicos como financeiros. desenvolvido sistemática e simultaneamente à execução do projeto. deve se levar em conta a conveniência de um programa anexo de educação cívica. é o complemento do esforço nacional. Compete ao governo dotar o país das condições que tomem possível a formulação e execução de projetos específicos de valorização. consequentemente. Os investimentos que se requerem para a execução dos referidos projetos devem ser feitos simultaneamente com os que são necessários para o equipamento turístico da zona ou região objeto de revalorização. Do ponto de vista cultural. os resultados perseguidos serão mais satisfatórios. IX . devem a eles se integrar. Recomendações (em nível nacional) Os projetos de valorização do patrimônio monumental fazem parte dos planos de desenvolvimento nacional e. o interesse público. b) Legislação adequada ou. São requisitos indispensáveis aos efeitos citados. na preparação desses planos.Em qualquer caso. são requisitos prévios a qualquer propósito oficial dirigido a revalorizar seu patrimônio monumental: legislação eficaz. em sua falta. a colaboração espontânea e múltipla dos particulares nos planos de valorização do patrimônio histórico e artístico é absolutamente imprescindível. A integração dos projetos culturais e econômicos deve produzir-se em nível nacional como medida prévia a toda gestão de assistência ou cooperação exterior. aos países corresponde a tarefa prévia de formular seus projetos e integrá-los com os planos gerais para o desenvolvimento. Daí que.Os instrumentos da valorização A adequada utilização dos monumentos de principal interesse histórico e artístico implica primeiramente a coordenação de iniciativas e esforços de caráter cultural e econômicoturísticos. d) Designação de uma equipe técnica que possa contar com assistência exterior durante a elaboração dos projetos específicos ou durante sua execução. capaz de centralizar sua execução em todas as etapas. c) Direção coordenada do projeto através de um instituto idôneo. dentro do Plano Nacional para o Desenvolvimento. muito especialmente nas pequenas comunidades. organização técnica e planejamento nacional. Aos governos dos diferentes Estados Membros cabe a iniciativa. . Não pode haver essa necessária coordenação se não existem no país em questão as condições legais e os instrumentos técnicos que a tomem possível. Essa integração. em todas as circunstâncias. As medidas e procedimentos que se seguem destinam-se a essa finalidade. outras disposições governamentais que facilitem o projeto de valorização fazendo prevalecer. os seguintes: a) Reconhecimento de uma excepcional prioridades dos projetos de valorização da riqueza monumental. Na medida em que esses interesses coincidentes se unam e identifiquem.

juntamente com copiosíssima documentação oficial. Recomendações(em nível interamericano) Reiterar a conveniência de que os países da América adotem a Carta de Veneza como norma mundial em matéria de preservação de sítios e monumentos históricos e artísticos. na conformidade com um plano regulador de alcance nacional ou regional. dada a participação histórica de ambos na formação desse patrimônio e a comunhão dos valores culturais que os mantêm unidos aos povos deste continente. torna-se altamente necessário que a OEA coopere com a Espanha no trabalho de atualizar e facilitar as investigações nos arquivos espanhóis e. À falta desses planos. de maneira muito especial. durante a sua formulação. o que dificulta extremamente sua utilização. A necessária coordenação dos interesses propriamente culturais relativos aos monumentos ou conjuntos ambientais. Vincular a necessária revalorização do patrimônio monumental e artístico das nações da América a outros países extra-continentais e. Nesse sentido. . Consequentemente. A cooperação dos interesses privados e o respaldo da opinião pública são indispensáveis para a realização de qualquer projeto de valorização. capaz de proteger de maneira mais ampla e efetiva essa parte importantíssima do patrimônio cultural do continente dos múltiplos riscos que a ameaçam. procederse-á no sentido de estabelecê-los de forma adequada. por isso. Uma vez que a Espanha conserva em seus arquivos farto material de plantas sobre as cidades da América. absolutamente necessário em todo trabalho dessa natureza um estudo prévio de investigação histórica. Recomendar que seja redigido um novo documento hemisférico que substitua o Tratado Interamericano sobre a Proteção de Móveis de Valor Histórico (1935). o desenvolvimento de uma campanha cívica que possibilite a formação de uma consciência pública favorável.A valorização da riqueza monumental só pode ser levada a efeito dentro de um quadro de ação planificada. à Espanha e a Portugal. histórico e artístico a outros bens do patrimônio cultural. em Sevilha. bem como do acervo sociológico do folclore nacional. nos das índias. Estender o conceito generalizado de monumento às manifestações próprias da cultura dos séculos XIX e XX. quer dizer. A restauração termina onde começa a hipótese. como medida prévia de toda a gestão relativa à assistência técnica ou à ajuda financeira externa. especialmente. sem prejuízo de adotarem outros compromissos e acordos que se tomem recomendáveis dentro do sistema interamericano. tornando-se. constituídos do acervo de museus e arquivos. e dado que a catalogação desses documentos imprescindíveis foi interrompida em data anterior à da maioria das construções coloniais. toma-se imprescindível a integração dos projetos que se venham a promover com os planos reguladores existentes na cidade ou na região de que se trate. deve-se ter presente. Recomendar à Organização dos Estados Americanos que estenda a cooperação que se propôs prestar à revalorização dos monumentos de interesse arqueológico. e os de caráter turístico deverá produzir-se no âmago da direção coordenada do projeto a que se refere a letra c) do inciso 3. fortalezas e grande número de edifícios.

Sem prejuízo do estabelecido anteriormente e a fim de satisfazer imediatamente tão imperiosas necessidades. e proporcionar sua instalação definitiva num dos Estados Membros. uma vez provada sua exportação clandestina ou aquisição ilegal. Toda vez que se tome necessário o intercâmbio de experiências sobre os problemas próprios da América e convém manter-se uma adequada unidade de critérios relativos à matéria.Enquanto não se ultima o estabelecido no item anterior. os países deverão ter em conta o maior valor que adquirem os bens imóveis incluídos na zona de valorização. Madrid. a fim de procurar integrá-la com a natureza circundante. bem assim. recomenda-se reconhecer a Sociedade de Arquitetos Especializados em Restauração de Monumentos. celebrar com o Instituto de Cultura Hispânica. amparado pelo acordo de cooperação técnica da OEA. com sede provisória no Instituto de Cultura Hispânica. Da mesma forma deve-se tomar em consideração a possibilidade de estimular a iniciativa privada. torna-se recomendável satisfazer as necessidades em matéria de restauração de bens móveis. Ao atualizar a legislação vigente. a fim de tomar eficaz sua aplicação aos efeitos pretendidos. Tendo em vista que a escassez de recursos humanos constitui um grave inconveniente para a realização de planos de valorização. mediante a implantação de um regime de isenção fiscal nos edifícios que se restaurem com capital particular e dentro dos regulamentos estabelecidos pelos órgãos . obter dos Estados-membros a adoção de medidas de emergência capazes de eliminar os riscos do comércio ilícito de peças do patrimônio cultural e que se ative a sua devolução ao país de origem. amplos acordos de colaboração. recomenda-se à Secretaria Geral da OEA utilizar as facilidades que oferecem seus atuais programas de Bolsas e Habilitação Extracontinental e. com maior tolerância. as limítrofes. de caráter interamericano. c) zona de proteção da paisagem urbana. assim como. que corresponderá à de maior densidade monumental ou de ambiente. com o objetivo de controlar toda forma publicitária que tenda a alterar as características ambientais das zonas urbanas de interesse histórico. recomenda-se que o Conselho Interamericano Cultural providencie. Para os efeitos de legislação de proteção. na sua próxima reunião. o espaço urbano que ocupam os núcleos ou conjuntos monumentais e de interesse ambiental deve limitar-se da seguinte forma: a) zona de proteção rigorosa. mediante o fortalecimento dos órgãos existentes e a criação de outros novos. até certo ponto. Da mesma forma. É necessário revisar as disposições regulamentares locais que se aplicam à matéria de publicidade. b) zona de proteção ou respeito. toma-se recomendável tomar as providências adequadas para a criação de um centro ou instituto especializado em matéria de restauração. Medidas Legais É necessário atualizar a legislação de proteção vigente nos Estados americanos.Espanha e com o Centro Regional Latinoamericano de Estudos para a Conservação e Restauração de Bens Culturais do México.

competentes. Outros desencargos fiscais podem também ser estabelecidos como compensação às limitações impostas à propriedade particular por motivo de utilidade pública. Medidas Técnicas A valorização de um monumento ou conjunto urbano de interesse ambiental é o resultado de um processo eminentemente técnico e, consequentemente, sua execução oficial deve ser confiada diretamente a um órgão de caráter especializado, que centralize todas as atividades. Cada projeto de valorização constitui um problema específico e requer uma solução também específica. A colaboração técnica dos peritos nas diversas disciplinas que deverão intervir na execução de um projeto é absolutamente essencial. Da acertada coordenação dos especialistas irá depender, em boa parte, o resultado final. A prioridade dos projetos fica subordinada à estimativa dos benefícios econômicos, que derivariam de sua execução para uma determinada região. Entretanto, em tudo que for possível, deve-se ter em conta a importância intrínseca dos bens objeto de restauração ou revalorização e a situação de emergência em que eles se encontram. Em geral, todo projeto de valorização envolve problemas de caráter econômico, histórico, técnico e administrativo. Os problemas técnicos de conservação, restauração e reconstrução variam segundo a natureza do bem cultural. Os monumentos arqueológicos, por exemplo, exigem a colaboração de especialistas na matéria. A natureza e o alcance dos trabalhos que é preciso realizar em um monumento exigem decisões prévias, produto do exaustivo exame das condições e circunstâncias que nele concorrem. Decidida a forma de intervenção a que deverá ser submetido o monumento, os trabalhos subseqüentes deverão prosseguir com absoluto respeito ao que evidencia sua substância ou ao que apontam, indubitavelmente, os documentos autênticos em que se baseia a restauração. Nos trabalhos de revalorização de zonas ambientais, toma-se necessária a prévia definição de seus limites e valores. A valorização de uma zona histórica ambiental, já definida e avaliada, implica: a) estudo e determinação de seu uso eventual e das atividades que nela deverão desenvolverse; b) estudo da magnitude dos investimentos e das etapas necessárias até o término dos trabalhos de restauração e conservação, incluídas as obras de infra-estrutura e adaptações exigidas pelo equipamento turístico para sua valorização; c) estudo analítico do regime especial a que a zona ficará submetida, a fim de que as construções existentes e as futuras possam ser efetivamente controladas; d) a regulamentação das zonas adjacentes ao núcleo histórico deve estabelecer, além do uso da terra e densidade da respectiva ocupação, a relação volumétrica como fator determinante da paisagem urbana e natural; e) estudo do montante das inversões necessárias para o adequado saneamento da zona a ser valorizada;

f) estudo das medidas preventivas necessárias para a manutenção permanente de zona a valorizar. A limitação dos recursos disponíveis e o necessário adestramento das equipes técnicas requeridas pelos planos de valorização tornam aconselhável a prévia formulação de um projeto piloto no local em que melhor se conjuguem os interesses econômicos e as facilidades técnicas. A valorização de um núcleo de interesse histórico-ambiental de extensão que exceda as possibilidades econômicas imediatas pode e deve ser projetado em duas ou mais etapas, que seriam executadas progressivamente, de acordo com as conveniências do equipamento turístico. Não obstante, o projeto deve ser concebido em sua totalidade, sem que se interrompam ou diminuam os trabalhos de classificação, investigação e inventário.

Conferência Geral da Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura 15a Sessão
19 de novembro de 1968 RECOMENDAÇÃO SOBRE A CONSERVAÇÃO DOS BENS CULTURAIS AMEAÇADOS PELA EXECUÇÃO DE OBRAS PÚBLICAS OU PRIVADAS A Conferência Geral da Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura, em sua 15a sessão, realizada em Paris, de 15 de outubro a 20 de novembro de 1968: Considerando que a civilização contemporânea e sua evolução futura repousam nas tradições culturais dos povos e nas forças criadoras da humanidade, assim como em seu desenvolvimento social e econômico. Considerando que os bens culturais são o produto e o testemunho das diferentes tradições e realizações intelectuais do passado e constituem, portanto, um elemento essencial da personalidade dos povos. Considerando que é indispensável preservá-los, na medida do possível e, de acordo com sua importância histórica e artística, valorizá-los de modo que os povos se compenetrem de sua significação e de sua mensagem e, assim, fortaleçam a consciência de sua própria dignidade. Considerando que essa preservação e valorização dos bens culturais, de acordo com o espírito da Declaração de Princípios da Cooperação Cultural Internacional, adotada em 4 de novembro de 1966, durante a 14 a sessão, favorecem uma melhor compreensão entre os povos e, consequentemente, servem à causa da paz. Considerando também que o bem-estar de todos os povos depende, entre outras coisas, de que sua vida se desenvolva em um meio favorável e estimulante, e que a preservação dos bens culturais de todos os períodos de sua história contribui diretamente para isso. Reconhecendo, por outro lado, o papel desempenhado pela industrialização e urbanização a que tende a civilização mundial no desenvolvimento dos povos e em sua completa realização espiritual e nacional. Considerando, entretanto, que os monumentos, testemunhos e vestígios do passado préhistórico, proto-histórico e histórico, assim como inúmeras construções recentes que têm uma importância artística, histórica ou científica, estão cada vez mais ameaçados pelos trabalhos

públicos ou privados resultantes do desenvolvimento da indústria e da urbanização. Considerando que é dever dos governos assegurar a proteção e a preservação da herança cultural da humanidade tanto quanto promover o desenvolvimento social e econômico. Considerando, portanto, que é necessário harmonizar a preservação do patrimônio cultural com as transformações exigidas pelo desenvolvimento social e econômico, e que urge desenvolver os maiores esforços para responder a essas duas exigências em um espírito de ampla compreensão e com referência a um planejamento apropriado. Considerando, igualmente, que a adequada preservação e exposição dos bens culturais contribuem poderosamente para o desenvolvimento social e econômico dos países e das regiões que possuem esse gênero de tesouros da humanidade, através do estímulo ao turismo nacional e internacional. Considerando, enfim, que, em matéria de preservação de bens culturais, a garantia mais segura é constituída pelo respeito e pela vinculação que a própria população experimenta em relação a esses bens e que os Estados Membros poderiam contribuir para fortalecer tais sentimentos através de medidas adequadas, Sendo-lhe apresentadas propostas relativas à preservação dos bens culturais ameaçados por obras públicas ou privadas, questão que constitui o item 16 da ordem do dia da sessão. Após haver decidido, em sua décima terceira sessão, que as propostas sobre esse assunto seriam objeto de uma regulamentação internacional através de uma recomendação aos Estados Membros, Adota, neste décimo nono dia de novembro de 1968, a presente recomendação: A Conferência Geral recomenda aos Estados Membros que apliquem as disposições seguintes, adotando as medidas legislativas ou de outra natureza, necessárias para levar a efeito nos respectivos territórios as normas e princípios formulados na presente recomendação. A Conferência Geral recomenda aos Estados Membros que levem a presente recomendação ao conhecimento das autoridades e órgãos encarregados das obras públicas ou privadas, assim como ao dos órgãos responsáveis pela conservação e pela proteção dos monumentos históricos, artísticos, arqueológicos e científicos. Recomenda que as autoridades e órgãos encarregados do planejamento dos programas de educação e de desenvolvimento do turismo sejam igualmente informados. A Conferência Geral recomenda aos Estados Membros que lhe apresentem, nas datas e na forma a ser por ela determinada, relatórios que digam respeito às medidas adotadas para levar a efeito a presente recomendação. I - Definição Para os efeitos da presente recomendação, a expressão bens culturais se aplicará a: a) Bens imóveis, como os sítios arqueológicos, históricos ou científicos, edificações ou outros elementos de valor histórico, científico, artístico ou arquitetônico, religiosos ou seculares, incluídos os conjuntos tradicionais, os bairros históricos das zonas urbanas e rurais e os vestígios de civilizações anteriores que possuam valor etnológico. Aplicar-se-á tanto aos imóveis do mesmo caráter que constituam ruínas ao nível do solo como aos vestígios arqueológicos ou históricos descobertos sob a superfície da terra. A expressão bens culturais se estende também ao entorno desses bens. b) Bens móveis de importância cultural, incluídos os que existem ou tenham sido encontrados dentro dos bens imóveis e os que estão enterrados e possam vir a ser descobertos em sítios arqueológicos ou históricos ou em quaisquer outros lugares.

Dever-se-ia ter na devida conta a importância relativa dos bens culturais em causa ao se determinarem medidas necessárias para assegurar: a) A preservação do conjunto de um sítio arqueológico. seria preciso criá-los. assim. c) Modificações ou reparos inoportunos de edificações históricas isoladas. g) Os trabalhos agrícolas. destruir as vinculações e o quadro que envolve os monumentos nos bairros históricos. d) A construção ou alteração de vias de grande circulação. assim como os sítios e monumentos recentes de importância artística ou histórica. ou controle de inundações. a continuidade e significação histórica. como a construção de aeródromos. b) O salvamento ou o resgate dos bens culturais situados em local que deva ser transformado pela execução de obras públicas ou privadas. como a aradura profunda da terra. No caso de não existirem esses inventários. Quando uma imperiosa necessidade . de um monumento ou de outros tipos de bens culturais imóveis contra os efeitos das obras públicas e privadas. no todo ou em parte. assim como do caráter dos perigos a que estão expostos. assim. As medidas preventivas e corretivas deveriam ter por finalidade assegurar a proteção ou o salvamento dos bens culturais ameaçados por obras públicas ou privadas. II . arqueológicos e históricos reconhecidos e protegidos por lei. e que deverão ser preservados e trasladados.Princípios gerais As medidas de preservação dos bens culturais deveriam se estender à totalidade do território do Estado e não se limitar a determinados monumentos e sítios. ainda que respeitem monumentos protegidos por lei mas possam vir a modificar estruturas de menor importância e. As medidas destinadas a preservar ou a salvar os bens culturais deveriam ter caráter preventivo e corretivo. mas também os vestígios do passado não reconhecidos nem protegidos. das dimensões e da situação dos bens culturais. h) Os trabalhos exigidos pelo desenvolvimento da indústria e pelos progressos técnicos das sociedades industrializadas. f) A construção de oleodutos e de linhas de transmissão de energia elétrica. Deveriam ser mantidos inventários atualizados de bens culturais importantes. e) A construção de barragens para irrigação. produção de energia hidroelétrica. b) Obras similares em locais onde conjuntos tradicionais de valor cultural possam correr perigo de destruição por não se constituírem em monumentos protegidos por lei. monumentos ou conjuntos de monumentos de importância histórica. as operações de ressecação e de irrigação. etc. a exploração de minas e de pedreiras e a dragagem e recuperação de canais e de portos. protegidos por lei ou não.A expressão bens culturais engloba não só os sítios e monumentos arquitetônicos. cabendo a prioridade a um levantamento minucioso e completo dos bens culturais situados em locais em que obras públicas ou privadas os ameacem. Os Estados Membros deveriam dar a devida prioridade às medidas necessárias para garantir a conservação in situ dos bens culturais ameaçados por obras públicas ou privadas e manterlhes. As medidas a serem adotadas deveriam variar em função da natureza. desmatamento e nivelamento de terras e reflorestamento. tais como: a) Os projetos de expansão ou de renovação urbana. o que constitui um perigo especialmente grave para os sítios.

em grande parte ou na totalidade. Legislação Os Estados membros deveriam promulgar ou manter em vigor. Deveriam ser publicados ou. especialmente quando os bens culturais imóveis. históricas ou artísticas. b) Financiamento. os trabalhos de salvamento deveriam sempre compreender um estudo minucioso desses bens e o registro completo dos dados de interesse. deveriam ser preservados para estudos ou expostos em museus. e) Sanções. As edificações e outros monumentos culturais importantes que tenham sido trasladados para evitar sua destruição por obras públicas ou privadas deveriam ser reinstalados em um sítio ou ambiente semelhante ao de sua implantação primitiva e ao de suas vinculações naturais. tenham sido abandonados ou destruídos. c) Medidas administrativas. g) Recompensas. tanto em escala nacional quanto regional. d) Métodos de preservação e salvamento dos bens culturais. de algum outro modo. e especialmente os espécimes representativos de objetos procedentes de escavações arqueológicas ou encontrados durante trabalhos de salvamentos. i) Programas educacionais. Os bens culturais móveis de grande interesse.econômica ou social impuser o traslado. cabendo à legislação e à organização de cada Estado precisar as medidas: a) Legislação. deveriam ser levadas em consideração as seguintes possibilidades: a) As autoridades nacionais ou regionais encarregadas da salvaguarda dos bens culturais deveriam dispor de um orçamento suficiente para poderem assegurar a preservação ou o salvamento dos bens culturais ameaçados por obras públicas ou privadas. o abandono ou a destruição de bens culturais. assim como a desigualdade dos recursos. uma legislação que assegure a preservação ou o salvamento dos bens culturais ameaçados pela realização de obras públicas ou privadas. de acordo com as normas e princípios definidos nesta recomendação. Ainda que a diversidade dos sistemas jurídicos e das tradições. Financiamento Os Estados membros deveriam prever o estabelecimento de créditos necessários para as operações de preservação de salvamento dos bens culturais ameaçados pela realização de obras públicas ou privadas. ou . postos à disposição dos futuros pesquisadores os resultados dos estudos de interesse científico e histórico empreendidos em relação aos trabalhos de salvamento de bens culturais. III . não permitam a adoção de medidas uniformes. inclusive os museus dos sítios ou das universidades. h) Assessoramento.Medidas de preservação e salvamento A preservação ou o salvamento dos bens culturais ameaçados por obras públicas ou privadas deveria ser assegurada pelos meios abaixo relacionados. f) Reparações.

mediante subvenções. a preservarem o caráter e a beleza dos bens culturais de que dispõem e que possam vir a sofrer danos em consequência de obras públicas ou privadas. Se a magnitude ou a complexidade dos trabalhos necessários tornarem o montante das despesas excepcionalmente elevado. Medidas Administrativas A responsabilidade pela preservação e pelo salvamento dos bens culturais ameaçados por obras públicas ou privadas deveria competir a organismos oficiais apropriados. deveriam levar em conta. Os serviços responsáveis pela salvaguarda dos bens culturais deveriam estar habilitados a administrar ou utilizar os créditos extra-orçamentários necessários para a preservação ou para o salvamento dos bens culturais ameaçados pela realização de obras públicas ou privadas. inclusive as que façam parte de um conjunto tradicional. de áreas urbanas ou rurais. o valor intrínseco de tais bens e a contribuição que podem proporcionar à economia como pólos de atração turística.b) As despesas referentes à preservação ou ao salvamento dos bens culturais ameaçados pela realização de obras públicas ou privadas. Se não houver tais serviços. científico ou histórico. do planejamento urbano e das instituições de pesquisa e educação deveria estar habilitado a prestar assessoria em matéria de preservação dos bens culturais ameaçados por obras públicas ou privadas. e. assim como os proprietários privados. ou b) Estabelecimento. a garantirem a manutenção ou a adequada adaptação dessas edificações ou conjuntos a funções que respondam às necessidades da sociedade contemporânea. órgãos ou serviços especiais deveriam ser encarregados da preservação dos bens culturais ameaçados por obras públicas ou privadas. de um orçamento destinado a ajudar. inclusive as investigações arqueológicas preliminares. empréstimos ou outras medidas. para fixar o montante dos fundos destinados à conservação dos bens culturais ameaçados por obras públicas ou privadas. as autoridades locais. ou c) Deveria ser possível combinar os dois métodos mencionados nas alíneas a e b acima. cada vez que entrarem em conflito as necessidades da execução . assim como os habitantes de bairros históricos. as instituições e os proprietários privados de edificações que tenham um interesse artístico. Onde já funcionem órgãos ou serviços oficiais de proteção dos bens culturais deveria competir-lhes a proteção dos bens culturais ameaçados por obras públicas ou privadas. ou c) Deveria ser possível combinar os dois métodos mencionados nas alíneas a e b acima. das empresas de obras públicas ou privadas. alguns princípios comuns deveriam ser adotados: a) Um órgão consultivo ou de coordenação composto de representantes das autoridades encarregadas da salvaguarda dos bens culturais. As autoridades nacionais ou locais. em especial. arquitetônico. embora a diversidade dos dispositivos constitucionais e da tradição dos Estados Membros impeça a adoção de um sistema uniforme. Se os bens culturais não são protegidos por lei ou de outro modo. o proprietário deveria ter a oportunidade de requisitar a ajuda necessária das autoridades competentes. através de uma legislação adequada. ou por qualquer outro meio apropriado. deveria ser possível obter créditos suplementares através de legislação competente. através das medidas que se seguem: a) Diminuição de impostos. mediante a concessão de subvenções especiais ou a criação de um fundo nacional para a salvaguarda dos monumentos. inclusive os conjuntos tradicionais. Os Estados membros deveriam encorajar os proprietários de edificações que tenham importância artística ou histórica. deveriam constar do orçamento dessas obras.

municipais ou outras) deveriam também dispor de serviços encarregados da preservação e do salvamento dos bens culturais ameaçados por obras públicas ou privadas. dos bairros históricos dos centros urbanos ou rurais.de obras públicas ou privadas e os trabalhos de preservação e salvamento dos bens culturais. sítios e bairros históricos. inspetores e outros especialistas e técnicos. c) Os serviços de salvaguarda dos bens culturais deveriam contar com pessoal qualificado. especialistas competentes em matéria de preservação dos bens culturais ameaçados por obras públicas ou privadas: arquitetos. sítios e monumentos de interesse. arqueólogos. As medidas destinadas a preservar ou a salvar os bens culturais deveriam ser tomadas com suficiente antecipação ao início de obras públicas ou privadas. tais como cidades. sobretudo os sítios pré-históricos que estão particularmente ameaçados por serem difíceis de reconhecer. aldeias. tanto do ponto de vista econômico quanto no que diz respeito à preservação e ao salvamento dos bens culturais. b) A extensão dos trabalhos de salvamento necessários. b) As autoridades locais (estaduais. e) Deveriam ser adotadas medidas administrativas para designar uma autoridade ou uma comissão encarregada dos programas de desenvolvimento urbano em todas as comunidades que possuam bairros históricos. antes que uma decisão fosse tomada. ou de outros órgãos apropriados. que deveriam estar protegidos pela legislação de cada país. os edifícios a serem trasladados e os bens culturais móveis cujo salvamento seja necessário garantir. A escolha entre essas variantes deveria basear-se em uma análise comparativa de todos os elementos com o objetivo de adotar a solução mais vantajosa. dos vestígios etnológicos de civilizações anteriores e de outros bens culturais imóveis que. em escala regional ou local. dos conjuntos tradicionais. de acordo com suas atribuições e necessidades. ou no qual seja provável encontrar objetos de valor arqueológico ou histórico. Esses serviços deveriam dispor da possibilidade de obter ajuda dos serviços nacionais. que seja preciso proteger contra a ameaça de obras públicas ou privadas. Nas regiões importantes do ponto de vista arqueológico ou cultural. qualquer nova construção deveria ser obrigatoriamente precedida de escavações arqueológicas de caráter preliminar. conviria. tais como a escolha dos sítios arqueológicos a serem escavados. historiadores. que se elaborassem diversas variantes desses projetos. Deveria ser assegurada a salvaguarda dos sítios arqueológicos importantes. Por ocasião dos estudos preliminares sobre projetos de construção em um local de reconhecido interesse cultural. seriam . d) Deveriam ser tomados medidas administrativas para coordenar as atividades dos diversos serviços responsáveis pela salvaguarda dos bens culturais e as de outros serviços encarregados de obras públicas ou privadas e as dos demais serviços cujas funções tenham relação com o problema de preservar ou salvar os bens culturais ameaçados por obras públicas ou privadas. urbanistas. sem isso. Métodos de preservação e salvamento dos bens culturais Com a devida antecedência à realização de obras públicas ou privadas que ameacem os bens culturais. deveriam ser realizados aprofundados estudos para determinar: a) As medidas a serem tomadas para assegurar a proteção in situ dos bens culturais importantes. Se necessário. os trabalhos de construção deveriam ser retardados para permitir a adoção de medidas indispensáveis a assegurar a preservação ou o salvamento dos bens culturais. protegidos ou não pela lei.

A preservação dos monumentos deveria ser uma condição essencial em qualquer plano de urbanização. Os Estados Membros deveriam impor a qualquer pessoa que encontre vestígios arqueológicos durante a realização de obras públicas ou privadas a obrigação de comunicar seu achado o mais rápido possível ao serviço competente. restauração do sítio ou do monumento às expensas dos responsáveis pelos danos causados. que tenham sido ocultados. eventualmente. que poderia ser suspensa quando se tratar de edificações a serem erigidas em uma zona de interesse histórico. pagamento de indenização por perdas e danos ao Estado quando hajam sido deteriorados. além disso. Os arredores e o entorno de um monumento ou de um sítio protegido por lei deveriam também ser objeto de disposições análogas para que seja preservado o conjunto de que fazem parte e seu caráter. Caso necessário. de aquisição imobiliária. por exemplo. Poder-se-iam adotar. essas aquisições poderiam ser feitas através de expropriação.ameaçados por obras públicas ou privadas. Esse serviço submeteria a descoberta a um detido exame e. b) Em caso de achado arqueológico fortuito. confisco sem indenização. Deveria ser proibida a publicidade comercial através de cartazes ou anúncios luminosos. ou ambas. através de medidas que estabeleçam a proteção legal ou a criação de zonas protegidas: a) As reservas arqueológicas deveriam ser objeto de medidas de zoneamento ou de proteção legal e. para que seja possível efetuar escavações profundas ou preservar os vestígios descobertos. que permitisse. Reparações . destruídos. mas as empresas comerciais poderiam ser autorizadas a indicar sua presença por meio de uma sinalização corretamente apresentada. Deveriam ser permitidas modificações na regulamentação ordinária relativa às novas construções. as seguintes medidas: a) Quando for possível. b) Os bairros históricos dos centros urbanos ou rurais e os conjuntos tradicionais deveriam estar registrados como zonas protegidas e uma regulamentação adequada para preservar o entorno e seu caráter deveria ser adotada. Os Estados Membros deveriam adotar disposições que permitam às autoridades nacionais ou locais ou aos órgãos competentes adquirir os bens culturais importantes que corram perigo em conseqüência de obras públicas ou privadas. especialmente quando se tratar de cidades ou bairros históricos. se o sítio se revelasse importante. deveriam ser suspensas as obras de construção para permitir as escavações completas. mal conservados ou abandonados bens culturais imóveis. determinar e decidir em que medida poderiam ser reformados os edifícios de importância histórica ou artística e a natureza e o estilo das novas construções. Sanções Os Estados Membros deveriam adotar as medidas necessárias para que as infrações cometidas intencionalmente ou por negligência em relação à preservação ou ao salvamento de bens culturais ameaçados por obras públicas ou privadas sejam severamente punidas por seus códigos penais. que deveriam prever penas de multa ou de prisão. previstas indenizações ou compensações adequadas pelo atraso ocasionado. de bens móveis.

às pessoas que notificarem achados arqueológicos ou entregarem os objetos descobertos. a associações ou a prefeituras que não dispõem de experiência ou de pessoal necessário. quando a natureza do bem o permitir. Assessoramento Os Estados Membros deveriam proporcionar aos particulares. Deveriam prever também a possibilidade de obrigar as autoridades locais e os proprietários particulares de bem culturais importantes a procederem às reparações ou às restaurações. poder-se-iam adotar as seguintes medidas: a) Efetuar pagamentos. artigos na imprensa e programas de rádio e de televisão deveriam divulgar a natureza dos perigos que obras públicas ou privadas mal concebidas podem ocasionar aos bens culturais. instituições educativas ou outras organizações interessadas deveriam preparar exposições especiais para ilustrar os perigos que as obras públicas ou privadas não controladas representam para os bens culturais e as medidas que tenham sido adotadas para garantir a preservação ou o salvamento dos bens culturais ameaçados por essas obras. órgãos públicos que se ocupam do desenvolvimento do turismo e associações de educação popular deveriam desenvolver programas destinador a tornar conhecidos os perigos que as obras públicas ou privadas realizadas sem a devida preparação podem ocasionar aos bens culturais e a enfatizar que as atividades destinadas a preservar os bens culturais contribuem para a compreensão internacional. Publicações especializadas. em instituições ou nas municipalidades . Para isso. as medidas necessárias para assegurar a reparação. com o objetivo de assegurar a preservação ou o salvamento dos bens culturais ameaçados por obras públicas ou privadas. a restauração ou a reconstrução dos bens culturais deteriorados por obras públicas ou privadas. Estabelecimentos de ensino. assim como exemplos de casos em que bens culturais hajam sido eficazmente preservados ou salvos. Museus. os Estados Membros deveriam empenhar-se em estimular e fomentar entre seus nacionais o interesse e o respeito pelo seu próprio patrimônio cultural e pelo de outros povos. b) Outorgar certificados. entre outras.que tenham prestado eminente colaboração aos programas de preservação e salvamento de bens culturais ameaçados por obras públicas ou privadas. associações históricas e culturais. se necessário.inclusive as que desempenhem funções nos órgãos de governo. medalhas ou outras formas de reconhecimento às pessoas . assessoramento técnico ou supervisão que lhes permitam assegurar a manutenção de normas adequadas em relação à preservação ou ao salvamento de bens culturais ameaçados por obras públicas ou privadas. as associações e as municipalidades a participar dos programas de preservação ou de salvamento dos bens culturais ameaçados por obras públicas ou privadas.Os Estados membros deveriam adotar. em associações. Recompensas Os Estados Membros deveriam encorajar os particulares. sendo-lhes concedida assistência técnica ou financeira. a título de gratificação. Programas Educativos Em espírito de colaboração internacional. .

os presidente e representantes de instituições culturais igualmente convocadas. os credenciaram. a Diretoria do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (DPHAN). orientados pelo DPHAN e pelo Arquivo Nacional os cursos de nível superior. a quem incumbe executá-la. em articulação com o Instituto Brasileiro de Desenvolvimento Florestal e. De acordo com a disposição legal acima citada. os prefeitos de municípios interessados. e manifestando todo o apoio à política de proteção aos monumentos. 23 do Decreto-Lei 25.Compromisso de Brasília de abril de 1970 1º Encontro dos Governadores de Estado. conservadores de pintura. escultura e documentos. No plano da proteção da natureza. solidários integralmente com a orientação traçada pelo Ministro Jarbas Passarinho. com a orientação técnica da DPHAN. do Conselho Federal de Cultura. Prefeitos de Municípios Interessados. à cultura tradicional e à natureza. Reconhecem a inadiável necessidade de ação supletiva dos Estados e dos Municípios à atuação federal no que se refere à proteção dos bens culturais de valor nacional. decidiram consolidar. Presidentes e Representantes de Instituições Culturais Os Governadores de Estado presentes ao encontro promovido pelo Ministério da Educação e Cultura. bem assim. Secretários Estaduais da Área Cultural. para o estudo da complementação das medidas necessárias à defesa do patrimônio histórico e artístico nacional. as resoluções adotadas no documento ora por todos subscrito e que se chamará Compromisso de Brasília. em união de propósito. os Secretários de Estado e demais representantes dos governadores que. nos níveis superiores. para fins de uniformidade da legislação em vista. e nas recomendações que nele se contêm. colaborará a DPHAN com os Estados e Municípios que ainda não tiverem legislação específica. a proteção dos bens culturais de valor regional. através de unânime aprovação. serão criados onde ainda não houver. de 1937. recomenda-se a criação de serviços estaduais. arquivologistas e museólogos de diferentes especialidades. Para a obtenção dos resultados em vista. resumida no relatório apresentado pelo diretor do órgão superior. Impõe-se complementar os recursos orçamentários normais com o apelo a novas fontes de receita de valor real. articulados devidamente com os Conselhos Estaduais de Cultura e com a DPHAN. . para o mesmo efeito. órgãos estaduais e municipais adequados. que os Estados e Municípios secundem o esforço pelo mesmo instituto empreendido para a implantação territorial definida dos parques nacionais. na exposição por sua excelência feita ao abrir-se a reunião. é indispensável criar cursos visando à formação de arquitetos restauradores. fornecendo-lhes as diretrizes tendentes à desejada uniformidade. Para remediar a carência de mão-de-obra especializada. Aos Estados e Municípios também compete. atendido o que dispõe o art. médio e artesanal.

sugerindo-se oportuna legislação que subordine as concessões nessas áreas à audiência prévia dos órgãos incumbidos da defesa dos bens históricos e artísticos. Recomenda-se a conservação do acervo bibliográfico. Caberá às secretarias competentes dos Estados a promoção e divulgação do acervo dos bens culturais da respectiva área. mas também os Estados e municípios se dispõem a manter os demais cursos. tendo em vista a educação cívica e o respeito da tradição. ou tendo por fim preservá-los convenientemente. Recomenda-se a defesa do acervo arquivístico. a de Estudos Brasileiros. atendidas as peculiaridades regionais. de modo a ser evitada a destruição de documentos. Caberá às universidades o entrosamente com bibliotecas e arquivos públicos nacionais. noções que estimulem a atenção para os monumentos representativos da tradição nacional. e da cultura popular. no sentido de incentivar a pesquisa quanto à melhor elucidação do passado e à avaliação de inventários dos bens regionais cuja defesa se propugna. de disciplina de História da Arte no Brasil. bem assim os arquivos eclesiásticos e de instituições de alta cultura. para cujo efeito será apreciável a colaboração do Arquivo Nacional com as congêneres repartições estaduais e municipais. os vários meios de comunicação de massas. tais como a imprensa escrita e falada. que documentem a formação histórica. é de desejar que nos Estados seja confiada a especialistas a elaboração de monografias acerca dos aspectos sócio-econômicos regionais e valores compreendidos no respectivo patrimônio histórico e artístico. necessidade premente do entrosamento com a hierarquia eclesiástica e superiores de ordens religiosas e confrarias. médio e superior. e também que. instrumentação e valorização desse patrimônio. Com o mesmo objetivo. o cinema. Sendo o culto ao passado elemento básico da formação da consciência nacional. guarda ou serventia. no nível superior (a exemplo do que já existe no curos de Arquitetura com a disciplina de Arquitetura no Brasil. devidamente estruturados. municipais. no currículo das escolas de Arte. sejam precedidas . a introdução. para este fim. Recomenda-se a preservação do patrimônio paisagístico e arqueológico dos terrenos de Marinha. Recomenda-se a instituição de museus regionais.Não só a União. a televisão. observadas as normas técnicas oferecidas pelos órgãos federais especializados na defesa. das jazidas arqueológicas e préhistóricas. utilizando-se. em cursos especiais para professores do ensino fundamental e médio. deverão ser incluídas nos currículos escolares. através da disciplina de Educação Moral e Cívica. se lhes propicie a conveniente informação sobre tais problemas. para que todas as obras que se venham a efetuar em imóveis de valor histórico ou artístico de sua posse. no nível médio. matérias que versem o conhecimento e a preservação do acervo histórico e artístico. estaduais. de nível primário. de maneira a habilitá-los a transmitir às novas gerações a consciência e interesse do ambiente histórico-cultural. adotado o seguinte critério: no nível elementar. Há. e nos cursos não especializados. segundo a orientação geral da DPHAN. parte destes consagrados aos bens culturais ligados à tradição nacional. das riquezas naturais. outrossim.

Governadores de Estado presentes à reunião por s. tendo em vista a crescente complexidade e o vulto das atividades culturais no país. O Conselho Federal de Cultura e os Conselhos Estaduais de Cultura opinarão sobre as demais propostas apresentadas à conferência. Pelo Estado de Santa Catarina assinaram o documento os professores Jaldir Bhering Faustino da Silva. considerando os superiores interesses da cultura nacional. Diretor do Departamento de Cultura. ou das ruínas desta igreja de São Miguel. Os participantes do Encontro ouviram com muito agrado a manifestação do Ministro de Estado. Presidente do Instituto Histórico Brasileiro. prof. do Patrimônio Histórico Nacional. Anexo: O problema da recuperação e restauração de monumentos. prof. prof. para a sua conveniente preservação. Recomenda-se utilização preferencial para casas de cultura ou repartições de atividades culturais. Secretário de Estado da Educação e Cultura. da Educação e Cultura. em relação aos antigos fortes. Recomenda-se aos poderes públicos estaduais e municipais colaboração com a DPHAN. exa. Diretores dos Departamentos de Cultura. dos imóveis de valor histórico e artístico cuja proteção incumbe ao poder público. sensível à conveniência da criação do Ministério da Cultura. Renato Soeiro. pelos Presidentes do Conselho Federal de Cultura. instalações e equipamentos castrenses. Urge legislação defensiva dos antigos cemitérios e especialmente dos túmulos históricos e artísticos e monumentos funerários. trate-se de uma casa seiscentista como estas de São Paulo. 3 de abril de 1970 O Compromisso foi assinado pelo Ministro Jarbas Passarinho. Secretários de Estado. Brasília. nas diversas regiões do país. e Oswaldo Rodrigues Cabral. para o efeito de as encaminhar oportunamente à autoridade competente. convocada. conforme o seu caráter. representante da Universidade Federal de Santa Catarina e da comissão especial que estuda a organização do Conselho de Defesa do Patrimônio Histórico do Estado nomeada pelo Governador Ivo Silveira. Artur Cesar Ferreira Reis. Carlos Humberto Pederneiras Corrªe. . no sentido de efetivar-se o controle do comércio de obras de arte antiga. e consideram chegada esta oportunidade. assinam este compromisso. é extremamente complexo. E por terem assim deliberado. Que a mesma cautela prevista no item anterior seja tomada junto às autoridades militares. Diretores dos Conselhos Estaduais de Defesa do Patrimônio Histórico.da audiência dos órgãos responsáveis pela proteção dos monumentos. e delegados de outras entidades culturais do país representadas no conclave. Pedro Calmon. no Rio Grande do Sul.

Os Prefeitos de municípios interessados.tem procedido ao restauro de monumentos . pintura.. Lucio Costa. Os presidentes e representantes de instituições culturais igualmente convocadas. Segundo. iniciativa e comando e. a escolha de técnicos. Os Secretários de Estado e demais representantes dos Governadores que.N. acuidade investigadora. por fim. às municipalidades e à D. parques. além do tirocínio de obras e de familiaridade com os processos construtivos antigos. para o mesmo efeito. arquitetura . o tombamento daquilo que deve ser preservado. a eleição do que mereça restauro prioritário. pois requer. pois. finalmente.Primeiro. mas no acervo de cada região há obras significativas e valiosas cuja preservação escapa à alçada federal. conhecimentos históricos. ainda. artístico. é. como o inventário histórico-artístico do que exista na região. desprendimento. a Diretoria do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional obra da vida de Rodrigo M. Arqueológico e Natural do Brasil Ministério da Educação e Cultura IPHAN . solidários integralmente com a orientação que vem sendo traçada pelo Ministro Jarbas Passarinho desde o I Encontro de Brasília. para que assim participe diretamente da obra penosa e benemérita de preservar os últimos testemunhos desse passado que é a raiz do que somos .A. em abril de 1970. capacidade de organização. a apropriação de verbas para esse fim. política definida no Relatório apresentado . os credenciaram.H. Artístico. Apesar da deficiência dos meios.F. chegado o momento de cada Estado criar o seu próprio serviço de proteção vinculado à universidade local. naturais. conjuntos urbanos. e manifestando apoio à política de proteção aos bens naturais e de valor cultural. o estudo preliminar na base de investigação histórica e das pesquisas in loco. a documentação e o registro das fases da obra e. Em união de propósitos.Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional Os Governadores de Estado presentes ao encontro promovido pelo Ministério da Educação e Cultura. praias.1970 Compromisso de Salvador de outubro de 1971 II Encontro de Governadores para Preservação do Patrimônio Histórico. de Andrade . porque depende de técnicos qualificados cuja formação é demorada e difícil. documentos e livros. porque implica em providências igualmente demoradas. bens móveis. principalmente paisagens. sensibilidade artística. monumentos arquitetônicos. arqueológico e natural do país. acervos arqueológicos.e seremos.talha. o estudo da documentação recolhida. para o estudo da complementação das medidas necessárias à defesa do patrimônio histórico.em todo o país.P. a manutenção e o destino do bem recuperado.

com utilização preferencial de imóveis tombados. as percentagens do Fundo de Participação dos Estados e Municípios definidas pelo Tribunal de Contas da União. para fins de restauração e valorização dos bens de valor cultural. para fins de atendimento à proteção dos bens naturais e de valor cultural especialmente protegidos por lei.pelo Diretor do IPHAN. por meio de acordos e convênios. Na presente oportunidade encaminham à consideração dos responsáveis as seguintes proposições adotadas no documento ora assinado. as percentagens a que alude a recomendação anterior. os planos urbanos e regionais de áreas ricas em bens naturais e de valor cultural especialmente protegidos por lei. e de Secretarias ou Fundações de Cultura no âmbito estadual. nos âmbitos nacional e estadual. em todos os seus itens. Recomenda-se. Recomenda-se a convocação da FINEP e de órgãos congêneres. Recomenda-se. Recomenda-se a convocação dos órgãos responsáveis pelo planejamento do turismo. para o desenvolvimento da indústria do turismo. do IBDF e dos órgãos estaduais e municipais da mesma área. arquitetônicos e urbanos de valor cultural e de suas ambiências. Recomenda-se que. Recomenda-se que se pleiteie do Tribunal de Contas da União sejam extensivas aos museus. no sentido de que voltem suas atenções para os problemas. na proteção dos bens naturais e de valor cultural. na reorganização do IPHAN. ou outros incentivos fiscais. a criação de fundos provenientes de dotações orçamentárias e doações. a partir de estudos inciais de qualquer natureza. Recomenda-se a convocação do Banco Nacional de Habitação e dos demais órgãos financiadores de habitação. com acervos de importância comprovada. capazes de permitir o pleno atendimento de seus objetivos. o "Compromisso de Brasília". bem assim de certificado de autenticidade e propriedade obrigatórios para . cujo alto significado reconhecem. uma ação conjunta entre a administração pública e as autoridades eclesiásticas. Recomenda-se que os Estados e Municípios utilizem. para obtenção de financiamento. utilização e divulgação dos bens naturais e de valor cultural especialmente protegidos por lei. Ratificam. Recomenda-se que também sejam considerados prioritários. sejam lhe dadas condições especiais em recursos financeiros e humanos. Recomenda-se a instituição de normas para inscrição compulsória dos bens móveis de valor cultural. no sentido de ampliar o conceito de visibilidade de bem tombado. bem como os projetos de obras públicas e particulares que afetam áreas de interesse referentes aos bens naturais e aos de valor cultural especialmente protegidos por lei. Recomenda-se a criação de legislação complementar. bibliotecas e arquivos. que se chamará "Compromisso de Salvador": Recomenda-se a criação do Ministério da Cultura. Recomenda-se a criação de legislação complementar no sentido de proteção mais eficiente dos conjuntos paisagísticos. Recomenda-se que os planos diretores e urbanos. contem com a orientação do IPHAN. com especial atenção para planos que visem à preservação e valorização dos monumentos naturais e de valor cultural especialmente protegidos por lei. para colaborarem no custeio de todas as operações necessárias à realização de obras em edifícios tombados. Recomenda-se que os órgãos responsáveis pela política de turismo estudem medidas que facilitem a implantação de pousadas. reconhecendo o imenso proveito para a cultura brasileira alcançado como conseqüência do referido Encontro de Brasília. aplaudem e apoiam. para atendimento do conceito de ambiência.

inclusive dos arquivos notariais. Recomenda-se a convocação do Conselho Nacional de Pesquisas da CAPES para o financiamento de projetos de pesquisas e de formação de pessoal especializado. em Pirajá. para fins de atendimento da legislação específica. . para a formação do corpo de fiscais na área de comércio de bens móveis de valor cultural.transferência ou fins comerciais.a inscrição como monumento de valor cultural. . . Recomenda-se a adoção de convênios entre o IPHAN e as universidades. em sentido nacional. Recomenda-se aos governos estaduais que incluam no ensino de 2º grau curso complementar de estudos brasileiros e museologia. através dos seus órgãos específicos. Recomenda-se que seja complementada a legislação vigente. Bahia. outrossim: . no âmbito das universidades brasileiras. onde não haja profissional de nível superior. com o objetivo de proceder ao inventário sistemático dos bens móveis de valor cultural. nas suas respectivas áreas.a criação do Parque Histórico da Independência da Bahia.Bahia. no Município de Campo Largo. com vistas a disciplinar as pesquisas e trabalhos arqueológicos.a criação do Museu do Mate. do Departamento de Assuntos Culturais do MEC.a publicação pelas administrações estaduais e municipais de livros e documentos referentes à história da Independência brasileira. através do órgão específico federal. exibições ou apresentações que visem a difundir e preservar as tradições folclóricas de seus respectivos Estados. através de órgão competente. Recomenda-se que os governos estaduais promovam. Paraná. que permita aos diplomados a prestação de serviços nos museus do interior. Recomenda-se aproveitamento remunerado de estudantes de arquitetura. do acervo urbano de Lençóis . . dando igualmente inteiro apoio à realização de festivais. por ocasião do transcurso do sesquicentenário da Independência do Brasil. com a planificação. centros de estudo dedicados à investigação do acervo natural e de valor cultural em suas respectivas áreas de influência. Recomenda-se que se pleiteie dos poderes competentes a necessidade de diploma legal que confira aos governos estaduais a responsabilidade da administração das cidades consideradas monumento nacional. na organização do DAC. e elaboração do calendário das diferentes festas tradicionais e folclóricas. museologia e arte. sejam previstas maiores possibilidades de apoio e estímulo às manifestações de caráter popular e folclórico. Sugerem. Recomenda-se que sejam criados. Recomenda-se que. com vistas ao estudo e à proteção dos acervos naturais e de valor cultural.

. devido à magnitude dos meios de que necessita e à insuficiência dos recursos econômicos. Considerando que os bens do patrimônio cultural e natural apresentam um interesse excepcional e. a presente Convenção.os monumentos: obras arquitetônicas. para todos os povos do mundo. I .Definições do Patrimônio Cultural e Natural Artigo 1o . neste dia dezesseis de novembro de mil novecentos e setenta e dois. inscrições. Considerando que. da arte ou da ciência.Para os fins da presente convenção serão considerados como patrimônio cultural: . cavernas e grupos de elementos que tenham um valor universal excepcional do ponto de vista da história. não somente pelas causas tradicionais de degradação. organizado de modo permanente e segundo métodos científicos e modernos. quando de sua sexta sessão. que se agrava com fenômenos de alteração ou de destruição ainda mais temíveis. e Após haver decidido. Verificando que o patrimônio cultural e o patrimônio natural são cada vez mais ameaçados de destruição. mas também pela evolução da vida social e econômica. em sua décima-sétima sessão. A Conferência Geral da Organização das Nações Unidas para a Educação.os conjuntos: grupos de construções isoladas ou reunidas que. a salvaguarda desses bens incomparáveis e insubstituíveis. . sem substituir a ação do Estado interessado. devem ser preservados como elementos do patrimônio mundial da humanidade inteira. a Ciência e a Cultura. Considerando que as convenções. reunida em Paris de 17 de outubro a 21 de novembro de 1972. Considerando que a degradação ou o desaparecimento de um bem do patrimônio cultural e natural constitui um empobrecimento nefasto do patrimônio de todos os povos do mundo. mediante a prestação de uma assistência coletiva que. para esse fim. elementos ou estruturas de natureza arqueológica. Adota. ante a amplitude e a gravidade dos perigos novos que os ameaçam. de escultura ou de pintura monumentais. Considerando que é indispensável. a complete eficazmente. cabe a toda a coletividade internacional tomar parte na proteção do patrimônio cultural e natural de valor universal excepcional. Cutural e Natural Aprovada pela Conferência Geral da UNESCO em sua décima sétima reunião Paris. científicos e técnicos do país em cujo território se acha o bem a ser protegido.Convenção sobre a Proteção do Patrimônio Mundial. 16 de novembro de 1972. qualquer que seja o povo a que pertençam. velando pela preservação e proteção do patrimônio universal e recomendando aos povos interessados convenções internacionais para esse fim. adotar novas disposições convencionais que estabeleçam um sistema eficaz de proteção coletiva do patrimônio cultural e natural de valor universal excepcional. Considerando que a proteção desse patrimônio em escala nacional é freqüentemente incompleta. que esta questão seria objeto de uma convenção internacional. o progresso e a difusão do saber. recomendações e resoluções internacionais existentes relativas aos bens culturais e naturais demonstram a importância que representa. em virtude de sua arquitetura. Tendo em mente que a constituição da organização dispõe que esta última ajudará a conservação. portanto.

os lugares notáveis: obras do homem ou obras conjugadas do homem e da natureza. Artigo 2o . que tenham valor universal excepcional do ponto de vista estético ou científico. 2 . tenham um valor universal excepcional do ponto de vista da história. estético. da conservação ou da beleza natural. Artigo 3o . .unidade ou integração na paisagem.Os Estados partes na presente convenção que receberem assistência internacional em aplicação da convenção tomarão as medidas necessárias para tornar conhecidos a . conservação e valorização do patrimônio cultural e natural situado em seu território.Cada um dos Estados partes na presente convenção reconhece que a obrigação de identificar.os monumentos naturais constituídos por formações físicas e biológicas ou por grupos de tais formações. Artigo 28o . inclusive lugares arqueológicos. . fortalecer a apreciação e o respeito de seu povos pelo patrimônio cultural e natural definido nos artigos 1 e 2 da convenção.os lugares notáveis naturais ou as zonas naturais estritamente delimitadas. bem como as zonas. na medida do possível. quando for o caso. . situado em seu território. lhe incumbe primordialmente.Obrigar-se-ão a informar amplamente o público sobre as ameaças que pesem sobre esse patrimônio e sobre as atividades empreendidas em aplicação da presente convenção. que tenham valor universal excepcional do ponto de vista histórico. da arte ou da ciência. II . especialmente por programas de educação e de informação. notadamente nos planos financeiro.Programas Educativos Artigo 27o 1 .as formações geológicas e fisiográficas e as áreas nitidamente delimitadas que constituam o habitat de espécies animais e vegetais ameaçadas e que tenham valor universal excepcional do ponto de vista estético ou científico. e nas condições apropriadas a cada país: a) adotar uma política geral que vise a dar ao patrimônio cultural e natural uma função na vida da coletividade e a integrar a proteção desse patrimônio nos programas de planejamento geral. proteger.A fim de garantir a adoção de medidas eficazes para a proteção. Artigo 5o . os Estados partes na presente convenção procurarão. que tenham valor universal excepcional do ponto de vista da ciência. científico e técnico.Para os fins da presente convenção serão considerados como patrimônio natural: . e. mediante a assistência e cooperação internacional de que possa beneficiar-se.Os Estados partes na presente convenção procurarão por todos os meios apropriados. conservar.Proteção Nacional e Proteção Internacional do Patrimônio Cultural e Natural Artigo 4o .Caberá a cada Estado parte na presente convenção identificar e delimitar os diferentes bens mencionados nos artigos 1 e 2 situados em seu território. utilizando ao máximo seus recursos disponíveis. etnológico ou antropológico. artístico. VI . Procurará tudo fazer para esse fim. valorizar e transmitir às futuras gerações o patrimônio cultural e natural mencionado nos artigos 1 e 2.

as coleções artísticas e as decorações conservadas em sua disposição tradicional. entende-se por restauração qualquer intervenção destinada a manter em funcionamento. os conjuntos de edifícios de interesse monumental. as operações destinadas a assegurar a salvaguarda e a restauração dos vestígios antigos relacionados com as pesquisas subterrâneas e subaquáticas. são objeto das presentes instruções. Carta do Restauro de 6 de abril de 1972 Ministério de Instrução Pública Governo da Itália Circular n.Ficam submetidas à disciplina das presentes instruções. para efeito de sua salvaguarda e restauração. particularmente os centros históricos.Além das obras mencionadas no artigo precedente. o Ministério da Instrução Pública da Itália divulgou o Documento sobre Restauração de 1972 (Carta do Restauro. a facilitar a leitura e a transmitir integralmente ao futuro as obras e os objetos definidos nos artigos precedentes. na acepção mais ampla.º 117 Através da circular número 117. para assegurar sua salvaguarda e restauração.Todas as obras de arte de qualquer época. assim como das prospeções subterrâneas e subaquáticas a serem empreendidas. histórico ou ambiental. que compreende desde os monumentos arquitetônicos até as de pintura e escultura.Entende-se por salvaguarda qualquer medida de conservação que não implique a intervenção direta sobre a obra. inclusive fragmentados. em todas as intervenções de restauração em qualquer obra de arte.importância dos bens que tenham sido objeto dessa assistência e o papel que ela houver desempenhado. às normas por ela estabelecidas e às instruções anexas. Artigo 2º . que será aprovado pelo Ministério da Instrução Pública. aqui publicadas na íntegra. e desde o período paleolítico até as expressões figurativas das culturas populares e da arte contemporânea.Cada uma das superintendências de instituições responsáveis pela conservação do patrimônio histórico. seja por conta do Estado ou de outras instituições ou pessoas. mediante parecer favorável do Conselho Geral de Antigüidades e Belas Artes. além das obras incluídas nos artigos 1 e 2. os jardins e parques considerados de especial importância. . 1972) entre os diretores e chefes de institutos autônomos. Artigo 1º . escrupulosa e obrigatoriamente. Artigo 5º . artístico e cultural elaborará um programa anual e especificado dos trabalhos de salvaguarda e restauração. Artigo 3º . que adotam o nome de Carta do Restauro 1972. pertencentes a qualquer pessoa ou instituição. Artigo 4º . para que se atenham. ficam assimiladas a essas. de 6 de abril de 1972.

ou depois de sua apresentação. especialmente. respeitados a pátina e eventuais vernizes antigos.remoção.aditamentos de partes acessórias de função sustentante e reintegrações de pequenas partes verificadas historicamente. 3 . com clara determinação do contorno das reintegrações. uma vez realizada a operação.alteração das condições de acesso ou ambientais em que chegou até os nossos dias a obra de arte.modificações ou inserções de caráter sustentante e de conservação da estrutura interna ou no substrato ou suporte..alteração ou eliminação das pátinas. seu estado atual. admitem-se as seguintes operações ou reintegrações: 1 . recomposição de obras que se tiverem fragmentado. 2 . ou quando as condições de conservação exigirem sua transferência. ainda quando existirem documentos gráficos ou plásticos que possam indicar como tenha sido ou deva resultar o aspecto da obra acabada. segundo o artigo 4º. inclusive em forma simplificada. assentamento de obras parcialmente perdidas reconstruindo as lacunas de pouca identidade com técnica claramente distinguível ao olhar ou com zonas neutras aplicadas em nível diferente do das partes originais. 5 . proíbem-se indistintamente para todas as obras de arte a que se referem os artigos 1º. 4 . com marcas e datas onde for possível. o conjunto decorativo. que jamais deverá alcançar o estrato da cor. qualquer intervenção nas obras referidas no artigo 1º deverá ser ilustrada e justificada por um parecer técnico em que constarão. o parque. 2º e 3º: 1 . 2 . Esse informe será igualmente aprovado pelo Ministério de Instrução Pública com parecer prévio do Conselho Superior de Antigüidades e Belas Artes. quando já não existirem ou houverem sido destruídas a ambientação ou instalação tradicionais. ou com adoção de material diferenciado.Em relação às mesmas finalidades a que se refere o artigo 6º e indistintamente para todas as obras a que se referem os artigos 1º.nova ambientação ou instalação da obra. facilmente distinguível ao olhar. a menos que se trate de alterações limitadas que debilitem ou alterem os valores históricos da obra. particularmente nos pontos de enlace com as partes antigas e. nos casos de emergência ou dúvida previstos na lei. etc. . executadas. o conjunto monumental ou ambiental. nunca deverá chegar à superfície nua da matéria de que são constituídas as obras. além disso.anastilose documentada com segurança. Artigo 7º .De acordo com as finalidades a que.No âmbito do programa. na aparência da obra vista da superfície não resulte alteração nem cromática nem de matéria. o jardim. ou de aditamentos de estilo que a falsifiquem. além do detalhamento sobre a conservação da obra. ou deixando à vista o suporte original e. a natureza das intervenções consideradas necessárias e as despesas necessárias para lhes fazer frente. 4 . a menos que isso seja determinado por razões superiores de conservação. desde que. 2º e 3º. Artigo 6º . jamais reintegrando ex novo zonas figurativas ou inserindo elementos determinantes da figuração da obra. 3 . devem corresponder as operações de salvaguarda e restauração.remoções ou demolições que apaguem a trajetória da obra através do tempo.limpeza de pinturas e esculturas. 5 . embora harmônico. para todas as outras categorias de obras.aditamentos de estilo ou analógicos. reconstrução ou traslado para locais diferentes dos originais. se for o caso.

a quem também competirá atuar ante o mesmo ministério no que disser respeito a desaconselhar materiais ou métodos antiquados. da microbiologia e de outras ciências. durante e depois da intervenção. no futuro. Além disso. todas as eventuais investigações e análises realizadas com o auxílio da física.As medidas destinadas a preservar dos agentes contaminadores ou das variações atmosféricas. esculturais. pictóricos. até mesmo. a definir as investigações que se devam prover com equipamentos e com especialistas alheios ao equipamento e à planilha de que dispõe. a sugerir novos métodos e ao uso de novos materiais. Serão documentadas. deverá ser deixado um testemunho do estado anterior à operação. nocivos ou não comprovados. para a realização de escavações. c e d das presentes instruções. enquanto que no caso das adições. qualquer intervenção deve ser previamente estudada e justificada por escrito (último parágrafo do artigo 5º) e deverá ser organizado um diário de seu desenvolvimento.A utilização de novos procedimentos de restauração e de novos materiais em relação aos procedimentos e matérias de uso vigente ou de algum modo aceitos. as partes eliminadas deverão. não ficará inviabilizada outra eventual intervenção para salvaguarda ou restauração. da química. decidirá o ministro. ter presentes exigências particulares relativas à salvaguarda do subsolo . ou em que surgirem conflitos a respeito do assunto. é necessário. Artigo 9º . se possível em lugar próximo à zona interventora. No caso das limpezas. a que se anexará a documentação fotográfica de antes. Artigo 12º . sempre que possível. 2º e 3º não deverão alterar sensivelmente o aspecto da matéria e a cor das superfícies. a partir dos pareceres dos superintendentes ou chefes de instituições interessados. b. nem exigir modificações substanciais e permanentes do ambiente em que as obras tiverem sido transmitidas historicamente. térmicas ou higrométricas as obras a que se referem os artigos 1º. para os efeitos do disposto no artigo 4º. Anexo A Instruções para a salvaguarda e a restauração dos objetos arqueológicos Além das regras gerais contidas nos artigos da Carta do Restauro.Artigo 8º . De toda essa documentação haverá cópia no arquivo da superintendência competente e outra cópia será enviada ao Instituto Central de Restauração. deverá ser autorizada pelo Ministro da Instrução Pública. ainda. Artigo 11º . ser conservadas ou documentadas em um arquivodepósito especial das superintendências competentes. forem indispensáveis modificações de tal gênero com vistas ao fim superior de sua conservação. essas modificações deverão ser realizadas de modo que evitem qualquer dúvida sobre a época em que foram empreendidas e da maneira mais discreta possível. estão especificados nos anexos a. ouvido o Conselho Superior de Antigüidades e Belas Artes. contudo.Qualquer intervenção na obra ou em seu entorno.Nos casos em que houver dúvida sobre a atribuição das competências técnicas.Os métodos específicos utilizados como procedimento de restauração especialmente para monumentos arquitetônicos. deve ser realizada de tal modo e com tais técnicas e materiais que fique assegurado que. Artigo 10º . Se. de acordo com parecer justificado do Instituto Central de Restauração. para os conjuntos históricos e. no campo da arqueologia.

além disso. em função do estado concreto dos restos. sobretudo nos últimos decênios. com ataduras e adesivos adequados. com conhecimento preciso da atmosfera e da temperatura. Entre essas condições concretas do resgate . os materiais cerâmicos esparsos. eletromagnéticas. seja para efeito de sua tutela ou para o da programação das pesquisas científicas subaquáticas. mantê-los unidos com encolados de gesso. vinculadas às leis e disposições que afetam as escavações subaquáticas e que se destinam a impedir a violação indiscriminada e irresponsável dos restos de navios antigos e de seu carregamento. à aplicação de vínculos especiais.arqueológico e à conservação e restauração dos achados durante as prospeções terrestres e subaquáticas relacionadas no artigo 3º. que permita o resguardo dos materiais recuperados do fundo do mar. Para a salvaguarda do patrimônio arqueológico submarino. O problema de maior importância da salvaguarda do subsolo arqueológico está necessariamente ligado à série de disposições e leis referentes à expropriação. com recorrência também à ajuda da fotografia e das prospeções elétricas. para o estabelecimento de planos reguladores e para a vigilância. especialmente no corpo do utensílio. ou de pintura. no caso de execução de trabalhos agrícolas ou de urbanização. tomar-se-ão todas as precauções que permitam a identificação de eventuais vestígios ou restos de seu conteúdo. etc. que constituem dados preciosos para a história do comércio e da vida na antigüidade. banhos em peculiares substâncias consolidantes. é aconselhável não proceder a limpeza alguma . Na recuperação de vidros. com os materiais cerâmicos e com os utensílios. Os sistemas de extração e recuperação de embarcações submersas deverão ser estudados caso a caso. por exemplo. ou mosaico ou de opus sectile. que começam pela exploração sistemática das costas italianas por pessoal especializado. da natureza e dos limites das relações. impõem-se medidas muito precisas. Durante as explorações arqueológicas terrestres. especialmente se são susceptíveis de uma deterioração mais fácil. No caso de serem encontrados elementos desprendidos de uma decoração de estuque.deverão ser consideradas as especiais exigências de conservação e de restauração dos objetos de acordo com sua categoria e sua matéria. será sempre necessário efetuar um cuidadoso reconhecimento do terreno para recopilar todos os possíveis dados localizáveis na superfície. e a ulterior possibilidade de salvaguarda e de restauração definitivas. principalmente pelas partes lenhosas com grandes e prolongadas lavações. com o objetivo de chegar à consecução de uma forma maris com indicação de todos os restos e monumentos submersos. de modo que seja facilitado sua recomposição e restauração no laboratório. todos os tratamentos específicos requeridos. A recuperação dos restos de uma embarcação antiga não deverá ser iniciada antes que hajam sido dispostos os sítios e o necessário acondicionamento especial. no que concerne à restauração devem se observar as precauções que durante as operações de escavação garantirem a conservação imediata dos descobrimentos. do terreno. antes e durante o seu traslado. à criação de reservas e parques arqueológicos. já que as normas de recuperação e documentação abordam mais especificamente o esquema das normas relativas à metodologia das escavações. a documentação de elementos que houverem eventualmente aflorado. levando-se também em conta as experiências adquiridas internacionalmente nesse campo. é necessário. de ruínas submersas e de esculturas fundidas. dever-se-á dedicar especial atenção ao exame e fixação de possíveis inscrições pintadas. de modo que o conhecimento o mais completo possível da natureza arqueológica do terreno permita diretrizes mais precisas para a aplicação das normas de salvaguarda.assim como nas habituais prospeções arqueológicas terrestres . Concomitantemente às diferentes medidas a serem tomadas nos diversos casos.

principalmente se estão oxidados. Quanto aos mosaicos. devem-se evitar as integrações. nesses casos. pois sempre são susceptíveis de alteração. Esses fatores se alteram facilmente por causas externas e estranhas a tais ambientes. Tais precauções têm sido tomadas no acesso a monumentos préhistóricos pintados na França e na Espanha e seria de desejar que o fossem em muitos de nossos monumentos (tumbas de Tarquínia). sua reinstalação no edifício de que provêm e de cuja decoração constituem parte integrante e. sempre que possível. depois de sua retirada que. quando para a restauração completa de um monumento . Para a restauração dos monumentos arqueológicos. já é amplamente utilizado o suporte em sanduíche de materiais ligeiros. Ainda assim. atmosféricas e higrométricas. especialmente a aglomeração de visitantes. mas também a eventuais suportes adequados ao caso. No esquema da arqueologia pompeiana se utiliza principalmente. além das normas gerais contidas na "Carta do Restauro" e nas Instruções para os critérios das Restaurações Arquitetônicas. Requerem especiais exigências de proteção diante dos perigos advindos da alteração climática. por causa da facilidade com que podem quebrar-se. inclusive na admissão de visitantes. vernizes e inscrições. em tal caso. através de aparelhos de climatização interpostos entre o ambiente antigo a ser protegido e o exterior. dever-se-iam ter presentes algumas exigências em relação às peculiares técnicas antigas. seja garantida a presença de restauradores preparados para uma primeira intervenção de recuperação e fixação. particularmente as pinturas e mosaicos. tumbas. Deverá ser considerado com especial atenção o problema de restauração das obras destinadas a permanecerem ou a serem reinstaladas em seu lugar original. a obtenção de decalques dos negativos das plantas e de materiais orgânicos susceptíveis de deterioração através de pastas adesivas de gesso aplicadas nas cavidades que tenham permanecido no terreno. ao contrário. é necessário manter constantes dois fatores essenciais para a melhor conservação das pinturas: o grau de umidade ambiental e a temperatura ambiente. portanto. Em primeiro lugar. destinam-se a serem expostos em museu. dando às lacunas uma entonação similar à do reboco grosso. a iluminação excessiva. com os métodos modernos pode ser feita inclusive em grandes superfícies sem realizar cortes . devendo-se recorrer não apenas aos sistemas de consolidação. assim como há que evitar o uso de vernizes ou ceras para reavivar as cores. as fortes mudanças atmosféricas do exterior.o sistema de cimentação com recheio metálico inoxidável resulta. de entelado e encolados em função das condições climáticas. Para os efeitos da aplicação destas instruções é preciso que. É necessário. evitando o contato direto com a parede e proporcionando. quando for necessário. é preferível. resistente e manejável. Têm sido experimentados com êxito vários tipos de suportes. em troca. uma montagem fácil e uma conservação segura. Para os mosaicos que. adotar cuidados especiais. Particular delicadeza se requer na extração de objetos ou fragmentos de metal. com ampla e brilhante experiência. Especial atenção deve ser prestada a respeito de possíveis vestígios ou reproduções de pedaços de tecidos. durante o desenvolvimento das escavações. No que respeita às cerâmicas e Terracota é indispensável não prejudicar com lavações ou limpezas apressadas a eventual presença de pinturas. que permitem a recolocação das pinturas nos espaços convenientemente cobertos de um edifício antigo. sendo suficiente uma limpeza cuidadosa das superfícies originais.durante a escavação. no sistema mais idôneo e resistente aos agentes atmosféricos. os interiores com pinturas parietais in situ (grutas pré-históricas. até agora. pequenos recintos).que comporta necessariamente seu .

foi experimentada a aplicação de uma capa de argamassa de alvenaria que parece dar os melhores resultados. Nos monumentos antigos e particularmente nos da época arcaica ou clássica. como de sua resistência aos agentes atmosféricos. sobretudo nos em que é preciso manter a linha irregular do perfil da ruína.estudo histórico . Constitui um problema peculiar dos monumentos arqueológicos a forma de cobrir os muros em ruínas. quasi reticulatum. na arte romana. Como alternativa à retrancagem da superfície das reintegrações de restaurações modernas. Para a restauração de muros de opus incertum. que possam produzir danos irreparáveis. deve ser evitar a combinação de materiais diferentes e anacrônicos nas partes restauradas. ou de caliça. enquanto que para os muros de ladrilho será oportuno marcar com incisões ou raias a superfície dos ladrilhos modernos. as operações terão que se realizar com o método estatigráfico que pode oferecer dados preciosos sobre a vida e as fases do próprio edifício. no Arco de Tito). devem-se evitar experimentações com métodos não suficientemente comprovados. ou gravar siglas ou marcas especiais. ao mesmo tempo em que se podem utilizar diversos sistemas para diferenciar o uso do mesmo material com que foi construído o monumento e que é preferível manter nas restaurações. Finalmente. utilizando lascas do mesmo material cimentado com argamassa misturada na superfície com pó do mesmo material para obter uma entonação cromática. tanto do ponto de vista estético. Quanto ao problema geral da consolidação dos materiais arquitetônicos e das esculturas ao ar livre. pode-se fazer uma fresta que siga o seu contorno e delimite a parte restaurada ou inserir uma franja sutil de materiais distintos. será adequado colocar em todas as zonas restauradas placas com as datas. as medidas para a restauração e a conservação dos monumentos arqueológicos também devem ser estudadas em função das variadas exigências climáticas dos diferentes locais. diferenciado pela lavradura de incisões nas superfícies modernas. visando à obtenção de um aspecto mais ou menos rústico em relação ao tipo de monumento. as partes restauradas deverão se manter em um plano ligeiramente retrancado. inclusive do ponto de vista cromático. de calcário. Anexo B Instruções para os critérios das restaurações arquitetônicas . que resulta ostensiva e agressiva. reticulatum et vittatum. particularmente diversificados na Itália. o mármore branco pode ser reintegrado com travertino ou calcário em combinações já experimentadas com êxito (restauração de Valadier. se utiliza a mesma qualidade de pedra e os mesmos tipos de peças.seja necessário efetuar prospeções de escavação para o descobrimento das fundações. Finalmente. Para a restauração de estruturas do aparelho de silharia tem sido experimentado favoravelmente o sistema de reproduzir os silhares nas medidas antigas. Da mesma forma pode ser recomendável em muitos casos um tratamento superficial de novos materiais. O uso do cimento com sua superfície revestida do pó do mesmo material do monumento a ser restaurado pode se mostrar útil para a reintegração de tambores de colunas antigas de mármore.

dos aspectos tipológicos. mas. Uma exigência fundamental da restauração é respeitar e salvaguardar a autenticidade dos elementos construtivos. As restaurações devem ser continuamente vigiadas e supervisionadas para que se tenha segurança sobre sua boa execução e para que se possa intervir imediatamente no caso em que se apresentarem fatos novos. iconográficas e arquivísticas. o diretor dos trabalhos deve constatar a existência ou não de qualquer marca de decoração. antes de raspar uma camada de pintura. Este princípio deve sempre guiar e condicionar a escolha das operações. respeitando os elementos acrescidos e evitando até mesmo intervenções de renovação ou reconstituição. há que se examinar primeiro a possibilidade de corrigi-los sem substituir a construção original. das elevações e qualidades formais. etc). bastante úteis para o conhecimento do edifício e do sentido da restauração. mesmo quando sugiram a necessidade peremptória de demolição e reconstrução. As obras de adaptação deverão ser limitadas ao mínimo. dos sistemas e caracteres construtivos. interpretada também sob o aspecto metrológico. A execução dos trabalhos pertinentes à restauração dos monumentos. especialmente quando intervêm o piquete e o maço. O projeto se baseará em uma completa observação gráfica e fotográfica. Do mesmo modo. Em particular. Sempre com o objetivo de assegurar a sobrevivência dos monumentos. dificuldades ou desequilíbrios nas paredes. e também. quando não resultarem incompatíveis com os interesses histórico-artísticos. dos traçados reguladores e dos sistemas proporcionais e compreenderá um cuidadoso estudo específico para a verificação das condições de estabilidade. tais como os grumos e coloridos originais das paredes e abóbadas. assim como aos eventuais acréscimos ou modificações. A realização do projeto para a restauração de uma obra arquitetônica deverá ser precedida de um exaustivo estudo sobre o monumento. a necessidade de considerar todas as obras de restauração sob um substancial perfil de conservação.. etc. encarece-se o maior cuidado possível na vigilância contínua dos imóveis para a adoção de medidas de caráter preventivo. deverá ser confiada a empresas especializadas e. Lembra-se. quando possível. executada sob orçamento e não sob empreitada. a substituição de pedras corroídas só deverá ocorrer para satisfazer às exigências de gravidade. No caso de paredes em desaprumo.No pressuposto de que as obras de manutenção realizadas no devido tempo asseguram longa vida aos monumentos. elaborado de diversos pontos de vista (que estabeleçam a análise de sua posição no contexto territorial ou no tecido urbano. por exemplo. que quase sempre consiste em operações delicadíssimas e sempre de grande responsabilidade. para obter todos os dados históricos possíveis. ou eliminar um eventual reboco. . Parte integrante desse estudo serão pesquisas bibliográficas. certamente. vem-se considerando detidamente a possibilidade de novas utilizações para os edifícios monumentais antigos. ainda. da organização estrutural e da seqüência dos espaços internos. conservando escrupulosamente as formas externas e evitando alterações sensíveis das características tipológicas. relativos à obra original. inclusive para evitar intervenções de maior amplitude. para evitar que desapareçam elementos antes ignorados ou eventualmente desapercebidos nas investigações prévias.

é necessário descalcificar a água. deverão ser feitas as indispensáveis fotografias da obra para documentar seu estado precedente à intervenção restauradora. ou. por aço inoxidável. além de sob luz natural. redigir-se-á uma inventário que constituirá parte integrante do programa e o começo do diário da restauração. devem ser vigiadas. ou nas praças. um método comprovado de consolidação ou de proteção. de água e de vapor com forte pressão. é um reconhecimento cuidadoso de seu estado de conservação. Para a boa conservação das fontes de pedra ou de bronze. as escovas metálicas e raspadores. Para isso. se observarem silhares rasgados por grampos ou varas de ferro que se incham com a umidade.detritos. em geral. convirá transferir a escultura para um local fechado. devendo essas fotografias serem obtidas. ao mesmo tempo em que se devem excluir. A pátina da pedra deve ser conservada por evidentes razões históricas. Podem-se eliminar as matérias acumuladas sobre as pedras . igualmente. por exemplo. Quando isso for impossível. a partir da prática anteriormente descrita. ainda. inclusive temporal. estéticas e também técnicas.. que apresenta a vantagem de não manchar a pedra. Em continuação. em geral. Anexo C Instruções para a execução de restaurações pictóricas e escultóricas Operações preliminares A primeira operação a realizar. antes da intervenção em qualquer obra de arte pictórica ou escultórica. modificações e acréscimos. deverá ser sempre distinguível dos elementos originais. segundo o caso. a determinação aproximada das diferentes épocas em que se produziram as estratificações. com uma série contínua de pequenos fragmentos de ladrilho. Enquanto. sempre que se tornar estritamente necessárias e nos limites mais restritos. ou com frestas visíveis. sendo. pó. desaconselháveis as lavações de qualquer natureza. fuligem. resulta preferível realizar em toda a extensão do contorno da reintegração uma sinalização clara e persistente. conforme o caso. As esculturas em pedra colocadas no exterior dos edifícios. ainda. Isso poderá ser conseguido com uma lâmina de metal adequado. que mostre os limites da intervenção. intervindo-se sempre que seja possível adotar.A eventual substituição de paramentos murais. Deverão ser tomadas todas as precauções para evitar o agravamento da situação. usando apenas escovas vegetais ou jatos de ar com pressão moderada. diferenciando os materiais ou as superfícies de construção recente. já que ela desempenha uma função protetora como ficou demonstrado pelas corrosões que se iniciam a partir das lacunas da pátina. mas. fezes de pombo. mais ou menos largas e profundas. sob luz monocromática. com raios ultravioletas simples ou filtrados e com raios infravermelhos. deverão ser postas em prática. É sempre aconselhável tirar . melhor ainda. os jatos de areia. etc. Em tal reconhecimento se inclui a comprovação dos diferentes estratos materiais de que venha a estar composta a obra e se são originais ou acréscimos e. A consolidação da pedra e de outros materiais deverá ser experimentada quando os métodos amplamente comprovados pelo Instituto Central da Restauração oferecerem garantias efetivas. convém desmontar a parte deteriorada e substituir o ferro por bronze ou cobre. Dever-se-ão evitar. eliminando as concreções calcárias e as inadequadas limpezas periódicas. todas as intervenções necessárias para eliminar as causas dos danos. portanto.

No que se refere às pinturas murais. Providências a serem efetuadas na execução da intervenção restauradora As análises preliminares deverão ter proporcionado os meios para orientar a intervenção na direção adequada. à simples visão. No que concerne à limpeza. será preciso ter conhecimento preciso das condições do suporte em relação à umidade. principalmente. também se deve fotografar o reverso da obra. realizado sobre base empírica e não científica da técnica utilizada na pintura em questão. deverão ser realizadas experimentações para assegurar que não possam atacar o verniz original da pintura. Antes de usá-los. O problema mais peculiar das esculturas. quando não se trata de esculturas envernizadas ou policromadas. nem sempre poderá ter uma resposta científica e. O dado que seria o mais importante no que diz respeito à pintura. ficará explicada sua problemática. inclusive nos casos em que. será certificar-se do estado de conservação da matéria de que se realizaram e. de dois modos: por meios mecânicos ou por meios químicos. Os meios químicos (dissolventes) deverão ser de tal natureza que possam ser imediatamente neutralizados e também que não se fixem de forma duradoura sobre os estratos da pintura e sejam voláteis. para efetuar as seções estratigráficas. quer se trate de uma simples limpeza.radiografias. nos casos em que das seções estratigráficas haja resultado um estrato ao menos presumível como tal. poderá ser realizada. Deverá ser assinalado na fotografia de luz natural o ponto exato das provas e. a cautela e a experimentação com os materiais a serem utilizados na restauração não deverão ser consideradas questões supérfluas. entretanto . Os meios mecânicos (bisturi) deverão sempre ser utilizados com o controle do pinacoscópio. Sempre que se percebam ou se suponham formações de fungos. sempre que existirem estratificações ou houver que constatar o estado da preparação. que abarquem todos os estratos até o suporte. Terracota ou outro suporte (imóvel). registrar-se no diário da restauração uma nota de referência à fotografia. em lugares não capitais da obra. a partir dos documentos fotográficos . de um assentamento de estratos.que serão detalhados no diário da restauração . obter radiografias.determinação da técnica empregada -. de um reconhecimento genérico. não se percebam superposições. ou sobre pedra. também se realizarão análises microbiológicas. de eliminação de repintagens. Depois de haver tirado as fotografias.se observarem elementos problemáticos. definir se trata de umidade de infiltração. efetuar provas da argamassa e do conjunto dos materiais da parede e medir seu grau de umidade. No caso de pinturas móveis. Há de se excluir qualquer sistema que oculte a visualização ou a possibilidade de intervenção ou controle direto sobre a pintura. . além disso. de um traslado ou de uma reconstrução de fragmento. como a câmera Pethen Koppler e similares. Se. eventualmente. mesmo que nem sempre se trabalhe sob sua lente. dever-se-ão retirar amostras mínimas. portanto. condensação ou de capilaridade.

nas quais se tenha aplicado uma cor muito diluída diretamente sobre o suporte (como nos esboços de Rubens). já que adelgaçá-la não seria suficiente. Sempre que o estado do suporte ou o da imprimação. No caso de pinturas sobre tela. exijam a destruição ou o arranque do suporte e a substituição da imprimação. conforme o caso. será necessário que a imprimação antiga seja levantada integralmente a mão com o bisturi. Sempre que possível. térmitas. a pintura deverá ser submetida à ação de gazes inseticidas adequados. a eventualidade de um traslado deve ser efetuada com a destruição gradual e controlada da tela deteriorada. Se o suporte é de madeira e está infestado por carunchos. Qualquer adição deverá ser realizada com madeira já estabilizada e em pequenos fragmentos. Esse assentamento poderá ser realizado. que respeitem o movimento das fibras da madeira. Dever-se-á retirar uma amostra. o adesivo do suporte para a tela da pintura trasladada deverá ser facilmente solúvel. etc. controlar minuciosamente a estabilidade da capa pictórica sobre seu suporte e proceder ao assentamento das partes desprendidas ou em perigo de desprendimento. deve-se ter presente que. . Deve-se evitar a impregnação com líquidos. é preciso fazê-lo com regras tecnológicas muito precisas. como não é indispensável para a própria fruição estética da pintura. Mas. Quando o suporte lenhoso original estiver em bom estado. é imprescindível que tal proteção se realize depois da consolidação das partes levantadas ou desprendidas. é sempre melhor não intervir em uma madeira antiga e já estabilizada. sem danificar a capa pictórica nem o adesivo que une os estratos superficiais à tela do traslado. Para isso. Na substituição do suporte lenhoso. é aconselhável conservar a imprimação para manter a superfície pictórica em sua conformação original. O reboco. Quando se tratar de pinturas sem preparação. sempre que se tenha realizado um assentamento. deve se evitar substituí-lo por um novo suporte composto de peças de madeira e só é aconselhável efetuar o traslado para um suporte rígido quando se tiver absoluta certeza de que ele não terá um índice de dilatação diferente do suporte eliminado. Quando for necessário proceder à proteção geral do anverso da pintura por causa de necessidade de realizar operações no suporte. de forma localizada ou com aplicação de um adesivo estendido uniformemente. mas seja necessário retificá-lo ou colocar reforços ou rebocos. que não possam danificar a pintura. identificar a espécie botânica e averiguar seu índice de dilatação. deverá ser feito um exame minucioso com a ajuda do pinacoscópio. é necessário. atrás do assentado. Se intervier. qualquer que seja o meio empregado. enquanto que para a possível imprimação (ou preparação) deverão ser seguidos os mesmos critérios utilizados para as pranchas. não será possível o traslado.em pinturas de suporte móvel -. para que resulte o mais inerte possível em relação ao suporte antigo em que se inserir.. ainda. e com uma cola de dissolução muito fácil e diferente da empregada no assentamento da cor. qualquer que seja o material de que for feito. deve assegurar principalmente os movimentos naturais da madeira a que estiver fixado. cuja penetração seja assegurada com uma fonte de calor constante e que não apresente perigo para a conservação da pintura.Antes de proceder à limpeza. é regra estrita a eliminação de qualquer resto do fixador da superfície pictórica. Ainda assim. ou ambos . quando for indispensável. a menos que seja apenas o suporte a parte debilitada e a imprimação se mantenha em bom estado.

a possibilidade de restabelecê-la automaticamente quando a tensão vier a ceder por causa das variações termo-higrométricas. atualmente. a encáustica. a ser eliminado. se tratar de uma têmpera e. pedra. inclusive em relação às categorias genéricas de pintura a têmpera. realizadas sobre preparação. irresolúvel. Quanto ao assentamento da cor. das partes em têmpera de um afresco. será necessário que ele possa ser construído nas mesmas dimensões da pintura. ainda mais indispensável para proceder a qualquer operação de limpeza. No que diz respeito especialmente ao arranque. Excluem-se sempre e taxativamente operações de aplicação de uma pintura sobre tela em um suporte rígido(maruflagem). também. etc. mas. entre os métodos a serem escolhidos com probabilidades equivalentes de bom êxito é recomendável o strappo. inércia e neutralidade (ausência de ph). inevitavelmente. Providências que se devem ter presentes na execução de restaurações em pinturas murais Nas pinturas móveis a determinação da técnica pode. a óleo. sem junções intermediárias. Ocasionalmente. será imprescindível um assentamento preventivo. além disso. antes da aplicação das telas protetoras por meio de um adesivo solúvel. nas pinturas murais. se for realizada. Além disso. de um modo geral. A cor pulverulenta será analisada para ver se contém formações de fungos e a que causas se pode atribuir o seu desenvolvimento. deve evitar compressões excessivas e temperaturas altas demais para a película pictórica. a aquarela ou a pastel. em que certas cores não podiam ser aplicadas a fresco. de assentamento. facilmente. é necessário assegurar-se de que o diluente não dissolverá ou atacará o aglutinante da pintura a ser restaurada. será preciso certificar-se de que não danificará a pintura e de que possa vir. que. pela possibilidade de recuperação da sinopia preparatória no caso dos afrescos e também porque libera a película pictórica de restos do estuque degradado ou em mau estado. Quando se puderem conhecer essas causas e se encontrar um fungicida adequado. ou mesmo diretamente sobre mármore. quando as cores da pintura mural se apresentarem em um estado mais ou menos avançado de pulverulência. Quando houver necessidade de se proceder ao arranque da pintura de seu suporte original. de arranque do estrato de cor (strappo). gerar uma investigação sem conclusão definitiva e. ou de arranque em que também se desprendam os rebocos de preparação (distacco). deve-se procurar um fixador que não seja de natureza orgânica. a definição do aglutinante utilizado não será às vezes menos problemática (como no que se refere às pinturas murais da época clássica). O adesivo . viriam à superfície da película pictórica com o passar do tempo. Os teares deverão ser concebidos de modo a assegurar não apenas a justa tensão.A operação de reentelar. O suporte em que se instalará a película pictórica tem que oferecer garantias máximas de estabilidade. às vezes. ao mesmo tempo. que altere o mínimo possível as cores originais e que não se torne irreversível com o tempo. será também necessário um tratamento especial para conseguir que a cor pulverizada se perca ao mínimo. mas.

com que se irá fixar a tela grudada à película pictórica sobre o novo suporte terá que poder dissolver-se com a maior facilidade com um dissolvente que não traga danos à pintura. para uso de eventuais dobradiças.) em que não haja partes pintadas e seja necessária uma limpeza. Anexo D . Quando se tratar de esculturas de madeira degradada. elasticidade e automatismo para restabelecer a tensão que. Para os objetos de bronze. eventualmente. etc. o bastidor deverá ser construído de tal modo . Antes da aplicação do engaste e da armadura de sustentação é preciso certificar-se do estado de conservação das tesselas e.que tenha a máxima estabilidade. etc. deve ser excluída a execução de aguadas que.e com materiais tais . em pedra. climática ou não. será preciso submetê-la à ação de gases adequados. cartão-pedra. mas sempre que possível. climatizados. Por isso. Quando se preferir manter a pintura trasladada sobre tela. mesmo na ausência de policromia. argila crua e pintada. por qualquer razão. poderiam alterar o aspecto da madeira. consolidá-las. malaquitas. deverá ficar assegurado que onde as tesselas não constituem uma superfície completamente plana. deverá ser escolhido metal inoxidável.) de forma a garantirem a conservação e a salvaguarda da obra de arte. se a restauração tiver sido ocasionada pela situação térmica e higrométrica do lugar como um todo ou da parede em particular. etc. Providências a serem observadas na execução de restaurações de obras escultóricas Depois de assegurar-se do material e. naturalmente reforçada. etc. se houver incrustações. ataquem a pátina. há de se evitar a impregnação com líquidos que. cupins. ou. estuque. Advertências gerais para a instalação de obras de arte restauradas Como linha de conduta geral.).) sempre que por debaixo dela não existirem sinais de corrosão ativa. Quando. possa mudar. eventualmente. rios. Se a madeira estiver infectada por caruncho. Terracota. no caso de esculturas encontradas em escavações ou na água (mar. No caso de esculturas fragmentadas. etc. argila crua. se com dissolventes. a utilização de consolidantes deverá ser subordinada à conservação do aspecto original da matéria lenhosa. ligaduras. recomenda-se um cuidado particular quanto à conservação da pátina dupla (atacamitas. em vez de pinturas. Deverá ser dedicado cuidado especial à conservação das características tectônicas da superfície. uma obra de arte restaurada não deve ser posta novamente em seu lugar original. de natureza tal que não ataquem o material da escultura e tampouco se fixem sobre ele. apesar de deixarem intacta a matéria. sejam fixadas e possam ser dispostas em sua colocação original. trate-se de arrancar mosaicos. deverão ser separadas preferivelmente através de meios mecânicos. louça vidrada. da técnica com que se realizaram as esculturas (se em mármore. ou se o lugar ou a parede não vierem a ser tratados imediatamente (saneados. etc.

Por meio de tais intervenções (a serem efetuadas com os instrumentos urbanísticos). singularidade geomórficas. jardins. etc. estreitamente unidos às estruturas históricas tal como têm chegado até nós ( como por exemplo. portanto. etc. etc. com o fim de coordenar as ações urbanísticas de maneira a obter a salvaguarda e a recuperação do centro histórico a partir do exterior da cidade. As intervenções de restauração nos centros históricos têm a finalidade de garantir . etc. caracterizando-o de forma mais ou menos acentuada (entornos naturais. a cercadura de colinas em torno de Florença. unitárias ou fragmentárias.a permanência no tempo dos valores que caracterizam esses conjuntos. tanto em relação a sua continuidade no tempo como ao desenvolvimento de uma vida de cidadania e modernidade em seu interior. que podem enriquecer e ressaltar posteriormente seu valor. todos os assentamentos humanos cujas estruturas. portas. a zona trulli de Apulia. através de um planejamento físico territorial adequado. cursos fluviais. espaços livres. ou de seu aspecto peculiar enquanto ambiente. poder-se-á configurar um novo organismo urbano. ainda que se tenham transformado ao longo do tempo. mas se estende também à conservação substancial das características conjunturais do organismo urbanístico completo e de todos os elementos que concorrem para definir tais características. Sua natureza histórica se refere ao interesse que tais assentamentos apresentarem como testemunhos de civilizações do passado e como documentos de cultura urbana. fortalezas. a laguna veneziana. já que não só a arquitetura.) e interiores (pátios. No que respeita aos elementos individuais através dos quais se efetua a salvaguarda do conjunto. além do mais. mas também a estrutura urbanística.). de um modo geral. levam-se em consideração não apenas os antigos centros urbanos. Os elementos edílicos que formam parte do conjunto devem ser conservados não apenas quanto aos aspectos formais. inclusive independentemente de seu intrínseco valor artístico ou formal. etc.Instruções para a tutela dos centros históricos Para efeito de identificar os centros históricos. entre muitos. que determinam sua a expressão arquitetônica ou ambiental. é necessário principalmente que os centros históricos sejam reorganizados em seu mais amplo contexto urbano e territorial e em sua relações e conexões com futuros desenvolvimentos. há que serem considerados tanto os elementos edílicos como os demais elementos que constituem os espaços exteriores (ruas. A coordenação se posicionará também em relação à exigência de salvaguarda do contexto ambiental mais geral do território. tudo isso. principalmente quando lhe houver assumido valores de especial significado. A restauração não se limita.) e outras estruturas significativas (muralhas. . Para que o conjunto urbanístico em questão possa ser adequadamente salvaguardado. os que eventualmente tenham adquirido um valor especial como testemunho histórico ou características urbanísticas ou arquitetônicas particulares. têm por si mesmas um significado e um valor. as centúrias romanas de Valpadana. praças. como também.através de meios e procedimentos ordinários e extraordinários .). assim tradicionalmente entendidos. hajam se constituído no passado ou. a operações destinadas a conservar unicamente os caracteres formais de arquiteturas ou de ambientes isolados.) assim como eventuais elementos naturais que acompanharem o conjunto. em que se subtraiam do centro histórico as funções que não serão compatíveis com sua recuperação em termos de saneamento e de conservação.

construtivas e funcionais do edifício. que tende à manutenção de suas estruturas e a uma utilização equilibrada.quanto. particularmente. a corrigi-las onde houver necessidade. etc. tecnológicas. principalmente. tipológicos. para determinar o tratamento necessário de saneamento de conservação. das modalidades e das advertências a que se referem as instruções procedentes para a realização de restaurações arquitetônicas. ao longo do tempo. A intervenção de reestruturação urbanística deverá tender a liberar os centros históricos de finalidades funcionais. eventualmente. dos elementos. à individualização dos diferentes graus de intervenção a nível urbanístico e a nível edílico.Tende a consolidar as relações do centro histórico e. as praças e todos os espaços livres existentes (pátios. e apenas na medida em que sejam compatíveis com a conservação do caráter geral das estruturas do centro histórico. que comportam a conservação integral dos perfis monumentais e ambientais mais significativos e a adaptação dos demais elementos ou complexos edílicos individuais às exigências da vida moderna. Nesse sentido é preciso dedicar especial atenção à análise e à reestruturação das relações existentes entre centro histórico e desenvolvimentos urbanístico e edílico contemporâneos. qualquer intervenção de restauração terá que ser precedida de uma atenta leitura histórico-crítica. Os principais tipos de intervenção a nível edílico são: 1) Saneamento estático e higiênico dos edifícios.) com o objetivo de obter uma conexão homogênea entre edifícios e espaços exteriores. b) Reordenamento viário .como ainda quanto a seus caracteres tipológicos enquanto expressão de funções que também têm caracterizado. cujos resultados não se dirigirão tanto a determinar uma diferenciação operativa . sobretudo.. é necessário precisar que por saneamento de conservação deve-se entender. vier a provocar-lhes um efeito caótico e degradante. Com o objetivo de certificar-se de todos os valores urbanísticos. consideradas apenas excepcionalmente as substituições. É de particular importância a análise do papel territorial e funcional que tenha sido desempenhado pelo centro histórico ao longo do tempo e no presente. de perímetro das edificações.posto que em todo o conjunto definido como centro histórico deverse-á operar com critérios homogêneos . por outro lado. conservação da rede viária.). espaços interiores. a manutenção das estruturas viárias e edílicas em geral (manutenção do traçado. com a estrutura territorial ou urbana com as quais forma unidade. Os principais tipos de intervenção a nível urbanístico são: a) Reestruturação urbanística . c) Revisão dos equipamentos urbanos . arquitetônicos. Nesse tipo de intervenção é de particular importância o respeito às peculiaridades tipológicas. principalmente a partir do ponto de vista funcional e. A esse propósito. etc. É preciso considerar a possibilidade de integração do mobiliário moderno e dos serviços públicos estreitamente ligados às exigências vitais do centro.Isso afeta as ruas. a utilização dos elementos favoráveis. ambientais. com referência às compatibilidades de funções diretoras. com o fim primordial de reduzir seus aspectos patológicos e de reconduzir o uso do centro histórico a funções compatíveis com as estruturas de outros tempos.Refere-se à análise e à revisão das comunicações viárias e dos fluxos de tráfego a que a estrutura estiver submetida. etc. evitando-se . essa intervenção se realizará em função das técnicas. ou de uso que. ainda que parciais. a manutenção dos caracteres gerais do ambiente. e. jardins. construtivos. em geral.

para as gerações presentes e futuras. São instrumentos operativos dos tipos de intervenção enumerados. a flora e a fauna e. a segregação racial. de 5 a 16 de junho de 1972. devem ser preservados em benefício das gerações atuais e futuras. que se há de permitir somente nos casos em que resultar indispensável para efeitos de manutenção em uso do edifício. em um meio ambiente de qualidade tal que lhe permita levar uma vida digna. o solo. que se encontram atualmente em grave perigo por combinação de fatores adversos. referentes a uma edificação ou a um conjunto de elementos reagrupáveis de forma orgânica. . à igualdade e ao desfrute de condições de vida adequadas. mediante um cuidadoso planejamento ou administração adequados. especialmente: . deve ser mantida e. a água. que reestruturem as relações entre o centro histórico e o território e entre o centro histórico e a cidade em seu conjunto. que sirvam de inspiração e orientação à humanidade.planos de execução setorial. atendendo à necessidade de estabelecer uma visão global e princípios comuns.Organização das Nações Unidas para o Meio Ambiente A Assembléia Geral das Nações Unidas reunida em Estocolmo. para a preservação e melhoria do ambiente humano através dos vinte e três princípios enunciados a seguir.planos parciais relativos à restruturação do centro histórico em seus elementos mas significativos. restaurada ou melhorada.planos de desenvolvimento geral. O homem tem a responsabilidade especial de preservar e administrar judiciosamente o patrimônio representado pela flora e pela fauna silvestres. A esse respeito. A capacidade da Terra de produzir recursos renováveis vitais. a discriminação. a opressão colonial e outras formas de coerção e de dominação estrangeira permanecem condenadas e devem ser eliminadas. proibidas quaisquer intervenções que alterem suas características. Nesse tipo de intervenção é de fundamental importância o respeito às peculiaridade tipológicas e construtivas dos edifícios. Em conseqüência . expressa a convicção comum de que: O homem tem o direito fundamental à liberdade. .qualquer transformação que altere suas características. como o vazado da estrutura ou a introdução de funções que deformarem excessivamente o equilíbrio tipológico-estrutural do edifício. 2) Renovação funcional dos elementos internos. gozar de bem-estar. especialmente. incluídos o ar. as políticas que promovem ou perpetuam o apartheid. Declaração de Estocolmo de junho de 1972 Declaração sobre o ambiente humano UNEP . parcelas representativas dos ecossistemas naturais. bem assim o seu habitat. e é portador da solene obrigação de proteger e melhorar esse meio ambiente. sempre que possível. Os recursos naturais da Terra.

A fim de se obter um ordenamento mais racional dos recursos e. Deve-se pôr fim à descarga de substâncias tóxicas e de outras matérias e à liberação de calor. uma vez que se deve levar em conta tanto os fatores econômicos como os processos ecológicos. levando-se em conta as circunstâncias e as necessidades especiais dos países em desenvolvimento e quaisquer outros custos que lhes possam resultar da inclusão de medidas de conservação do meio ambiente em seus planos de desenvolvimento. prejudicar os recursos vivos e da marinha. maior assistência técnica e financeira internacional. Deveriam ser destinados recursos à preservação e melhoria do meio ambiente. bem como para criar na terra as condições necessárias à melhoria da qualidade de vida. Para os países em desenvolvimento. cabendo aos Estados e organizações internacionais a adoção de providências adequadas. quando necessária. . a estabilidade dos preços e o pagamento adequado para produtos primários e matérias-primas são essenciais à administração do meio ambiente.ao planejar o desenvolvimento econômico. mediante a transferência maciça de recursos consideráveis de assistência financeira e tecnológica que complementem os esforços internos dos países em desenvolvimento. nem obstar o atendimento de melhores condições de vida para todos. em quantidades ou concentrações tais que não possam ser neutralizadas pelo meio ambiente. As deficiências do meio ambiente em decorrência das condições de subdesenvolvimento e de desastres naturais ocasionam graves problemas. melhorar as condições ambientais. quando solicitada para esse fim. a fim de fazer frente às possíveis consequências econômicas nacionais e internacionais resultantes da aplicação de medidas ambientais. deve ser dada a devida importância à conservação da natureza. a fim de se evitar danos graves e irreparáveis aos ecossistemas. de modo que fique assegurada a compatibilidade desse crescimento com a necessidade de proteger e melhorar o meio ambiente humano em benefício de sua população. As políticas ambientais de todos os países devem melhorar e não afetar negativamente o potencial desenvolvimentista atual e o futuro dos países em crescimento. assim. além da ajuda oportuna. que visem a chegar a um acordo. Os recursos não renováveis da Terra devem ser utilizados de forma a evitar o perigo do seu esgotamento futuro e a assegurar que toda a humanidade participe dos benefícios de tal uso. sendo a melhor maneira de atenuar suas consequências a promoção do desenvolvimento acelerado. assim como a necessidade de lhes ser prestada. Assim deverá ser apoiada a justa luta de todos os povos contra a poluição. os Estados deveriam adotar um enfoque integrado e coordenado de planejamento de seu desenvolvimento. O desenvolvimento econômico e social é indispensável para assegurar ao homem um ambiente de vida e trabalho favoráveis. incluídas a flora e a fauna silvestres. Os países deverão tomar todas as medidas possíveis para impedir a poluição dos mares por substâncias que possam pôr em perigo a saúde do homem. causar danos às possibilidades recreativas ou interferir em outros usos legítimos do mar.

As nações devem cooperar no aperfeiçoamento e melhoria do Direito Internacional. especialmente naqueles em desenvolvimento. Devem ser fomentadas. tanto nacionais como multinacionais. Deve-se usar o planejamento nos agrupamentos humanos e na urbanização. A esse respeito. de acordo com a sua política ambiental. visando tanto às gerações jovens como aos adultos. Deve ser confiada às instituições nacionais competentes a tarefa de planejar. a fim de criar as bases de uma opinião pública bem informada e de uma conduta responsável dos indivíduos. a investigação científica e medidas desenvolvimentistas em relação aos problemas ambientais. Tendo em vista a Carta das Nações Unidas e os princípios do Direito Internacional. inspiradas no sentido de sua responsabilidade em relação à proteção e melhoria do meio ambiente em toda a sua dimensão humana. as nações têm o direito soberano de explorar seus próprios recursos. assim como as tecnologias ambientais devem ser colocadas à disposição dos países em desenvolvimento. o livre intercâmbio de informações e de experiências científicas atualizadas deve constituir objeto de apoio e assistência a fim de facilitar a solução dos problemas ambientais. evitar e combater os riscos que ameaçam o meio ambiente. os projetos destinados à dominação colonialista e racista. objetivando evitar efeitos prejudiciais ao meio ambiente e visando à obtenção do máximo de benefícios sociais. não prejudiquem o meio ambiente de outros países ou de zonas situadas fora da jurisdição nacional. ou sob seu controle. Nas regiões em que exista o risco de que a taxa de crescimento demográfico ou as concentrações excessivas de população prejudiquem o meio ambiente ou o desenvolvimento. É indispensável um trabalho de educação em questões ambientais. nas condições que favoreçam sua ampla difusão. ou em que a baixa densidade populacional possa impedir o melhoramento do meio ambiente humano e obstar o desenvolvimento. em todos os países. causem danos a zonas situadas fora de seu espaço territorial ou de sua jurisdição.O planejamento racional constitui um instrumento indispensável para conciliar as diferenças que possam surgir entre as exigências do desenvolvimento e a necessidade de proteger e melhorar o meio ambiente. Como parte de sua contribuição ao desenvolvimento econômico e social. a fim de melhorar a qualidade do meio ambiente. administrar e controlar a utilização dos recursos ambientais dos países. dando atenção especial às populações menos privilegiadas. realizadas dentro de sua jurisdição. sem que constituam carga econômica excessiva para eles. econômicos e ambientais para todos. devem ser utilizadas a ciência e a tecnologia para descobrir. . das empresas e das comunidades. quanto à responsabilidade e à indenização das vítimas da poluição e de outros danos ambientais provocados por atividades que. desde que as atividades levadas a efeito dentro de sua jurisdição ou sob seu controle. visando às soluções dos problemas ambientais e ao bem comum do homem. devendo ser abandonados a esse respeito. deveriam ser aplicadas políticas demográficas que respeitassem os direitos humanos fundamentais e contassem com a aprovação dos governos interessados.

incentivos e facilidades de caráter econômico. portanto. as seguintes recomendações: a . trazer consigo soluções de saneamento integral que permitam a permanência e melhoramento da estrutura social existente. portanto. o Seminário Interamericano sobre Experiências na Conservação e Restauração do Patrimônio Monumental dos Períodos Colonial e Republicano considera que se faz altamente conveniente para esse fim a elaboração de um documento onde fiquem registrados estes serviços operativos. b . será indispensável sempre considerar os sistemas de valores predominantes em cada país e o limite de aplicabilidade de padrões válidos para os países mais avançados.No plano econômico: A iniciativa privada e o seu apoio financeiro constituem uma contribuição fundamental para a conservação e valorização dos centros históricos. devendo levar-se a cabo estudos integrais para resgatar a maior quantidade de dados relacionados com a história do sítio.No plano social: A salvação dos centros históricos é um compromisso social além de cultural e deve fazer parte da política de habitação.A . Todos os programas de intervenção e resgate dos centros históricos devem. para a defesa do patrimônio monumental latinoamericano. representam tanto a Carta de Veneza como as Normas de Quito e ante a necessidade atual de roteiros que contemplem prioritariamente os aspectos operativos que materializem e tomem possível a defesa destes bens insubstituíveis da cultura. propõe. mas que possam ser inadequados e de alto custo social para os países em desenvolvimento. tais estudos deverão ser estendidos à proteção dos valores e costumes tradicionais e naturais da área em questão.E. para que nela se levem em conta os recursos potenciais que tais centros possam oferecer. Recomenda-se a todos os governos estimular essa contribuição mediante disposições legais. Respaldados na noção de centro monumental. .Organização dos Estados Americanos e Governo Dominicano Consciente da importância que. Resolução de São Domingos de dezembro de 1974 I Seminário Interamericano sobre Experiências na Conservação e Restauração do Patrimônio Monumental dos períodos Colonial e Republicano (República Dominicana) O.Sem prejuízo dos princípios gerais que possam ser estabelecidos pela comunidade internacional e dos critérios e níveis mínimos a serem definidos em âmbito nacional.No plano da preservação monumental: Os problemas da preservação monumental obrigam a um trabalho prévio de investigação documental e arqueológico. c .

E. que permitam ao mencionado projeto cumprir cabalmente os objetivos para os quais foi criado. Os projetos de preservação monumental devem fazer parte de um programa integral de valorização. respaldando-se e ampliando-se em nível interamericano a atual escola-oficina de obras de pedra que funciona no Museu das Casas Reais.E. devendo realizar-se seminários como este a cada dois anos. como atividade prioritária. na República Dominicana. recentemente criado em Bogotá.d . Que o Centro Interamericano de Restauração de Bens Culturais. com o patrocínio da O. que constituem monumentos inavaliáveis para ao patrimônio da humanidade e estão em iminente perigo de desaparecimento.E. ainda. de acordo com os governos de Espanha e Portugal. Que se criem oficinas de ensino em nível artesanal para formação de operários que sejam eficazes auxiliares na tarefa da restauração monumental. Criar uma Associação Interamericana de Arquitetos e Especialistas na Proteção do Patrimônio Monumental. tenham um significado transcendental para o patrimônio da humanidade. solicitamos que na próxima Assembléia Geral da O. Que os Estados Membros da O. que divulgue o trabalho dos seus membros mediante uma publicação a cargo de um centro ou instituto especializado.A. como também o seu destino e manutenção. que defina não apenas a sua função monumental. torna-se indispensável o intercâmbio pessoal de experiências.A. e leve prioritariamente em conta a melhoria sócio-econômica de seus habitantes.).A. realizar. no ano de 1976.E. criem um fundo de emergência que permita a rápida disponibilidade de recursos para a salvação de bens monumentais americanos nos países de menor desenvolvimento relativo. se logrem objetivos importante na proteção e preservação do patrimônio cultural americano.A. Reconhecendo o trabalho positivo realizado pela Unidade Técnica de Patrimônio Cultural do Departamento de Assuntos Culturais a cargo do Projeto de Proteção do Patrimônio Cultural Histórico e Artístico instituído pela O. que atualmente funciona no México. os planos de desenvolvimento turístico devem constituir uma via mediante a qual. em território americano. e constatando que. Na educação escolar dever-se-ão incluir programas de estudo sobre a importância do patrimônio monumental. no campo da preservação do patrimônio monumental da América. que se . cabe-lhe. Sendo o turismo um meio de preservação dos monumentos. atue como o organismo que recopile e difunda as atividades empreendidas pelos países que integram o sistema interamericano no campo da preservação monumental. o processo cultural ibero-americano e contando a República Dominicana com um centro como o Museu das Casas Reais. existem necessidades que não puderam ser satisfeitas pelo mencionado projeto devido à falta de recursos adequados. Também serão membros os especialistas participantes que formalizarem sua inscrição de acordo com os regulamentos estabelecidos. um inventário dos monumentos que. o Centro Interamenricano de Inventário do Patrimônio Histórico e Artístico. antiga Espanhola.Propostas operativas: Em apoio ao estabelecido nas Normas de Quito. a Ciência e a Cultura (LTNESCO) e demais organizações internacionais preparem material didático para esses programas. a documentação de interesse monumental existente em seus arquivos. Tendo-se iniciado em São Domingos. se destinem maiores fundos. deve resgatar.A.. Para tal efeito é necessário que a Organização dos Estados Americanos (O. a Organização das Nações Unidas para a Educação. Essa associação se formou em São Domingos e serão seus membros fundadores os delegados ao Seminário Interamericano sobre Experiências na Conservação do Patrimônio Monumental dos Períodos Colonial e Republicano. Independentemente da fonte anterior de informação. o segundo dos quais se realizará na Colômbia. com a utilização de alto nível técnico. em um dos seus Estados Membros.E.

b) Esse patrimônio compreende não somente as construções isoladas de um valor excepcional . para a realização deste Primeiro Seminário Interamericano.). em julho deste ano. O Congresso chamou a atenção para as seguintes considerações essenciais: a) Além de seu inestimável valor cultural. procurando que. coroamento do Ano Europeu do Patrimônio Arquitetônico 1975. o patrimônio arquitetônico da Europa leva todos os europeus a tomarem consciência de uma história e destino comuns. orientem-se os seus trabalhos em todo o continente para a mais cabal compreensão da integração cultural americana. que acolheram calorosamente a Carta Européia do Patrimônio Arquitetônico promulgada pelo Comitê de Ministros do Conselho da Europa. o Congresso afirma que o patrimônio arquitetônico da Europa é parte integrante do patrimônio cultural do mundo inteiro e nota com satisfação o engajamento mútuo para favorecer a cooperação e as trocas no domínio da cultura contido na ata final da Conferência sobre a Segurança e a Cooperação na Europa adotada em Helsinque. reunindo delegados vindos de toda parte da Europa.A. portanto. reconhece que a arquitetura singular da Europa é patrimônio comum de todos os seus povos e afirma a intenção dos Estados-membros de cooperar entre si e com os outros países europeus para protegê-lo. Sua conservação é. Da mesma maneira. cujo proveito se fará sentir no âmbito de todo o hemisfério. e . recomenda-se a ampliação de suas atividades em nível internacional. tanto nos trabalhos de investigação como na formação acadêmica.E.Reconhecimento: O primeiro Seminário Interamericano sobre Experiência na Conservação e Restauração do Patrimônio Monumental dos Períodos Colonial e Republicano quer fazer constar o seu reconhecimento pelo patrocínio assumido pelo Governo da República Dominicana e pela Secretaria Geral da Organização dos Estados Americanos (O. Declaração de Amsterdã de outubro de 1975 Congresso do Patrimônio Arquitetônico Europeu Conselho da Europa Ano Europeu do Patrimônio Arquitetônico O Congresso de Amsterdã. revestida de uma importância vital.dedica ao estudo científico desse processo histórico. São Domingos é um ponto de partida para o fortalecimento e a integração profissional dos especialistas em conservação do patrimônio monumental da América. O Primeiro Seminário Interamericano sobre Experiências na Conservação do Patrimônio Monumental dos Períodos Colonial e Republicano quer igualmente fazer constar o trabalho exemplar que o Governo Dominicano empreende para a preservação e a valorização do patrimônio monumental da República Dominicana.

que contribuam para despertar o interesse do público. Os programas de educação em todos os níveis devem. os bairros urbanos antigos e aldeias tradicionais. O que hoje necessita de proteção são as cidades históricas. que têm o dever comum de protegê-las dos perigos crescentes que as ameaçam: negligência e deterioração. bairros de cidades e aldeias. empresas comerciais e industriais. tudo deve ser feito para assegurar uma arquitetura contemporânea de alta qualidade. é essencial que sejam produzidos relatórios periódicos sobre o estado do desenvolvimento dos trabalhos de conservação arquitetônica nos países europeus. uma ajuda financeira adequada deve ser colocada à disposição dos poderes locais e de proprietários particulares. aí incluídos os parques e jardins históricos. Tendo o Comitê dos Ministros reconhecido na Carta Européia do Patrimônio Arquitetônico que cabe ao Conselho da Europa assegurar a coerência da política de seus Estados Membros e promover sua solidariedade. Ao final de seus debates. novas construções em desarmonia e circulação excessiva. Somente desta maneira se conservará o patrimônio arquitetônico insubstituível da Europa para o enriquecimento da vida de todos os seus povos. mas também os conjuntos. para estes últimos. instituições espirituais e culturais. g) As medidas legislativas e administrativas necessárias devem ser reforçadas e tornadas mais eficazes em todos os países. no presente e no futuro. O congresso faz um apelo aos governos. A proteção desses conjuntos arquitetônicos só pode . k) Uma vez que a arquitetura de hoje é o patrimônio de amanhã. que apresentam um interesse histórico ou cultural. além disso. aos quais compete a maioria das decisões importantes em matéria de planejamento. brevemente.internacionais. f) A reabilitação dos bairros antigos deve ser concebida e realizada. nacionais e locais . tanto quanto possível.Nossa sociedade poderá. ser privada do patrimônio arquitetônico e dos sítios que formam seu quadro tradicional de vida. planejamento e conservação das construções e sítios de interesse arquitetônico ou histórico. para que dêem total apoio aos objetivos desta declaração e façam todo o possível para assegurar a sua aplicação. j) Devem ser encorajadas as organizações privadas . d) A conservação do patrimônio arquitetônico deve ser considerada não apenas como um problema marginal.e seu entorno. caso uma nova política de proteção e conservação integradas desse patrimônio não seja posta em ação imediatamente. demolição deliberada. sem modificações importantes da composição social dos habitantes e de uma maneira tal que todas as camadas da sociedade se beneficiem de uma operação financiada por fundos públicos. portanto. c) Essas riquezas são um bem comum a todos os povos da Europa. i) O patrimônio arquitetônico não sobreviverá a não ser que seja apreciado pelo público e especialmente pelas novas gerações. e) Os poderes locais. h) Para fazer face aos custos de restauração. se preocupar mais intensamente com essa matéria. são todos particularmente responsáveis pela proteção do patrimônio arquitetônico e devem ajudar-se mutuamente através da troca de idéias e de informações. associações privadas e a todos os cidadãos. parlamentos. o congresso apresenta as seguintes conclusões e recomendações: . de forma a permitir a troca de experiências. mas como objetivo maior do planejamento das áreas urbanas e do planejamento físico territorial. institutos profissionais. incentivos fiscais deverão ser previstos.

uma das grandes preocupações da sociedade contemporânea. como foi o caso num passado recente. indispensável. Mas descobre-se também que a conservação das construções existentes contribui para a economia de recursos e para a luta contra o desperdício. tendo em conta todos os edifícios com valor cultural. portanto. . A isso se acrescenta que a conservação atrai artistas e artesãos bem qualificados. a escala humana. a interpenetração das funções e a diversidade sócio-cultural que caracterizam os tecidos urbanos antigos. é necessário fundamentá-la sólida e definitivamente. no que diz respeito ao elemento qualitativo fundamental para a administração dos espaços. Ficou demonstrado que as construções antigas podem receber novos usos que correspondam às necessidades da vida contemporânea. notadamente entre autoridades regionais e locais. o que constitui um beneficio social muito importante na política de conservação. manutenção ou a criação de um modo de vi a que permita ao homem encontrar sua identidade e experimentar um sentimento de segurança face às mutações brutais da sociedade: um novo urbanismo procura reencontrar os espaços fechados. ela deve. Sabe-se que a preservação da continuidade histórica do ambiente é essencial para . Finalmente. Ainda que. o que compreende a delimitação das zonas periféricas de proteção. assim como entre os responsáveis pela ordenação do espaço e pelo plano urbano como um todo. sem esquecer os da época moderna. desde então. O reconhecimento dos valores estéticos e culturais do patrimônio arquitetônico deve conduzir à fixação dos objetivos e das regras particulares de organização dos conjuntos antigos. Não basta sobrepor as regras básicas de planejamento às regras especiais de proteção aos edifícios históricos. é conveniente organizar o inventário das construções. assim como o ambiente em que se integram. Tal inventário fornecerá uma base realista para a conservação. a reabilitação do habitar existente contribui para a redução das invasões de terras agrícolas e permite evitar ou atenuar sensivelmente os deslocamentos da população. por todas essas razões.ser concebida dentro de uma perspectiva global. cujo talento e conhecimento devem ser mantidos e transmitidos. dos conjuntos arquitetônicos e dos sítios. A fim de tomar possível essa integração. a legitimidade da conservação do patrimônio arquitetônico apareça hoje com uma força nova. abrir espaço às pesquisas de caráter fundamental e ser incluída em todos os programas de educação e desenvolvimento cultural. A significação do patrimônio arquitetônico e a legitimidade de sua conservação são atualmente melhor compreendidas. Um diálogo permanente entre os conservadores e os planejadores tomou-se. Seria desejável que esses inventários fossem largamente difundidos. Essa proteção global completará a proteção pontual dos monumentos e sítios isolados. Os urbanistas devem reconhecer que os espaços não são equivalentes e que convém tratá-los conforme as especificidades que lhes são próprias. dos mais importantes aos mais modestos. a fim de chamar sua atenção para as construções e zonas dignas de serem protegidas. O planejamento das áreas urbanas e o planejamento físico territorial devem acolher as exigências da conservação do patrimônio arquitetônico e não considerá-las de uma maneira parcial ou como um elemento secundário. sem uma coordenação. A conservação do patrimônio arquitetônico um dos objetivos maiores do planejamento das áreas urbanas e do planejamento físico territorial.

Ela pode. administrativos. . Por outro lado. Com essa finalidade. médicos) demonstram que o gigantismo é desfavorável a sua qualidade e a sua eficácia. finalmente. suas complexas funções. a ordem das escolhas e dos objetivos. aos empregos e a uma melhor repartição dos pólos de atividade urbana podem incidir mais profundamente sobre a conservação do patrimônio arquitetônico. As subvenções e empréstimos concedidos a particulares e grupos diversos pelos poderes locais deveriam estimular o compromisso moral e financeiro dos favorecidos. eles devem levar em conta a continuidade das realidades sociais e físicas existentes nas comunidades urbanas e rurais.dedicar uma parte apropriada de seu orçamento a essa política.basear-se numa análise da textura das construções urbanas e rurais. Isso pressupõe que existam responsáveis pela conservação. os poderes locais devem: . respondam às condições atuais de vida e garantam. . eles deveriam solicitar dos governos a criação de fundos específicos. Aplicando os princípios de uma conservação integrada. incitar novas atividades a serem implantadas nas zonas em declínio econômico a fim de sustar seu despovoamento e contribuir para impedir a degradação das construções antigas. desde a elaboração dos inventários até a tomada das decisões. baseada em informações objetivas e completas. participar realmente. a conservação do patrimônio se insere numa nova perspectiva geral.designar delegados responsáveis por todas as transações referentes ao patrimônio arquitetônico. frequentemente determinada pelo curto prazo. A plena implementação de uma política contínua de conservação exige uma grande descentralização e o reconhecimento das culturas locais. A população deve. as decisões tomadas para o desenvolvimento das zonas periféricas das aglomerações devem ser orientadas de tal maneira que sejam atenuadas as pressões que são exercidas sobre os bairros antigos. A conservação integrada conclama à responsabilidade os poderes locais e apela para a participação dos cidadãos Os poderes locais devem ter competências precisas e extensas em relação à proteção do patrimônio arquitetônico. criando um elo de ligação direta entre os utilizadores potenciais das edificações antigas e seus proprietários.atribuir às construções funções que. regionais e locais) onde são tomadas as decisões em matéria de planejamento. Mas a conservação do patrimônio arquitetônico não deve ser tarefa dos especialistas. particularmente.estar atentos ao fato de que os estudos prospectivos sobre a evolução dos serviços públicos (educativos. Enfim. . atenta aos novos critérios de qualidade e de medida. assim. e que deve permitir inverter. Para pôr em ação tal política. por uma visão estreita da técnica e. de hoje em diante.A política de planejamento regional deve integrar as exigências de conservação do patrimônio arquitetônico e para elas contribuir. sensibilidade e organização o ambiente construído pelo homem. O apoio da opinião pública é essencial. a sua sobrevivência. respeitando com inteligência. .instaurar órgãos de atividade pública. O futuro não pode nem deve ser construído às custas do passado. por uma concepção superada. em todos os níveis (centrais. . Nesse contexto. notadamente no que diz respeito às suas estruturas. assim como às características arquitetônicas e volumétricas de seus espaços construídos e abertos. respeitando seu caráter. as políticas relativas aos transportes. .

Nesse sentido. A educação dos jovens em relação ao domínio do meio ambiente e sua associação a todas as tarefas da salvaguarda é um dos imperativos maiores da ação comunitária. o recurso às reuniões públicas. que asseguram a vida e a conservação do bairro em bom estado. eles deveriam instaurar uma troca constante de informações e de idéias por todas as vias possíveis. discutir e apreciar os motivos das decisões. cujas conseqüências sociais são diferentes. realizada sobre uma infraestrutura existente. deveria se tomar uma prática coerente. As intervenções financeiras podem se equilibrar entre os incentivos à restauração concedidos aos proprietários através da fixação de tetos para os aluguéis e da alocação de indenizações de moradia aos locatários. É conveniente. Os poderes locais devem aperfeiçoar suas técnicas de pesquisa para conhecer a opinião dos grupos envolvidos nos planos de conservação e levá-la em conta desde \a elaboração dos seus projetos. como sempre é feito quando se trata de estabelecimentos sociais.ser resolvidos através de uma referência combinada a essas duas escalas de valores. para diminuir ou mesmo completar a diferença existente entre os antigos e os novos aluguéis. Finalmente. mas também pelo seu valor de utilização. Em relação à política de informação ao público. Em conseqüência. Isto interessa não somente aos proprietários e aos locatários. eles devem tomar suas decisões à vista de todos. As proposições complementares ou alternativas apresentadas por associações ou por particulares deveriam ser consideradas como uma contribuição apreciável ao planejamento. às exposições. Consideração dos fatores sociais condiciona o resultado de toda política de conservação integrada.facilitar a formação e o funcionamento eficaz de associações mantenedoras de restauração e de reabilitação.. A reabilitação de um conjunto que faça parte do patrimônio arquitetônico não é uma operação necessariamente mais onerosa que a de uma construção nova. às sondagens de opiniões. os poderes locais terão todo o interesse em comunicar suas experiências respectivas. ou a construção de um conjunto sobre um sítio não urbanizado. aos comerciantes e aos empresários estabelecidos no local. Para evitar que as leis do mercado sejam aplicadas com todo o rigor nos bairros restaurados o que teria por conseqüência a evasão dos habitantes. é necessária uma intervenção dos poderes públicos no sentido de moderar os mecanismos econômicos. utilizando uma linguagem clara e acessível. portanto. quando se comparam os custos equivalentes desses três procedimentos. . incapazes de pagar aluguéis majorados. a fim de que a população possa conhecer. Locais de encontro para reunião pública deveriam ser previstos. mas também aos artesãos. Uma política de conservação implica também a integração do patrimônio na vida social. Os problemas sociais da conservação integrada só podem . O esforço de conservação deve ser calculado não somente sobre o valor cultural das construções. aos canais da mídia e a todos os outros meios apropriados. não omitir o custo social.

o legislador deveria tomar as medidas necessárias a fim de: . aos cidadãos que decidam reabilitar uma construção antiga vantagens financeiras. Essa participação toma-se ainda mais importante na medida em que não se trate apenas da restauração de algumas construções privilegiadas. assim como de meios científicos. Com o objetivo de aumentar a capacidade operacional dos poderes públicos. técnicos e financeiros indispensáveis.redistribuir de uma maneira equilibrada os créditos orçamentários reservados para o planejamento urbano e destinados à reabilitação e à construção respectivamente. Essa última deve fornecer uma nova definição do patrimônio arquitetônico e dos objetivos da conservação integrada.à delimitação das zonas periféricas de proteção e dos locais de utilidade pública serem previstos.conceder. . Na medida do possível. de uma parte. fornecendo-lhe todas as indicações sobre os regulamentos definitivos e temporários. . de outra parte. e também às contribuições de épocas mais recentes. Além do mais.à aprovação dos projetos e à autorização para executar os trabalhos: Por outro lado. A conservação integrada exige uma adaptação das medidas legislativas e administrativas. a legislação relativa à proteção do patrimônio arquitetônico. por uma parte. deve prever medidas especiais. no mínimo.à elaboração dos programas de conservação integrada e à inserção das disposições desses programas no planejamento. .à designação e à delimitação dos conjuntos arquitetônicos.Para permitir à população participar da elaboração dos programas. explicando-lhe o valor histórico e arquitetônico das edificações a serem conservadas e. em função da nova política de conservação integrada. equivalentes às que aufeririam por uma construção nova. Essa sensibilização prática à cultura seria um beneficio social considerável. mas da reabilitação de bairros inteiros. a legislação relativa ao planejamento fisico-territorial. faz-se necessário rever a estrutura administrativa de maneira tal que os setores responsáveis pelo patrimônio arquitetônico sejam organizados em níveis apropriados e dotados suficientemente de pessoal qualificado. . no que concerte: . Tendo sido a noção de patrimônio arquitetônico progressivamente ampliada do monumento histórico isolado aos conjuntos arquitetônicos urbanos e rurais. constitui condição prévia para uma ação eficaz uma reforma profunda da legislação. de maneira a satisfazer às exigências da conservação integrada. acompanhada de um fortalecimento dos meios administrativos. e por outra. convém fornecer-lhe os elementos para apreciação da situação. o regime de incentivos financeiros do Estado e de outros poderes públicos. . .rever. Essa reforma deve ser dirigida pela necessidade de coordenar. seria necessário tornar flexível a aplicação de regulamentos e disposições particulares à construção.

Também é preciso aplicar este mesmo principio em proveito da reabilitação dos conjuntos degradados de interesse histórico ou arquitetônico. as vantagens financeiras e fiscais oferecidas pelas novas construções de veriam ser concedidas nas mesmas proporções para a manutenção e conservação das construções antigas. cooperar no planejamento fisicoterritorial e manter relações estreitas com os órgãos públicos e organizações privadas. pois. As diretrizes do planejamento deveriam desencorajar a densificação e promover antes a reabilitação do que uma renovação. parece que nenhum país europeu jamais elaborou um mecanismo administrativo perfeitamente adequado a corresponder às exigências econômicas de uma política de conservação integrada.e este é um fator determinante . Por ora. o que permitiria restabelecer o equilíbrio social. que efetuam trabalhos de restauração.que seja elaborada uma legislação que submeta as novas construções a certas restrições no que diz respeito a seus volumes (altura. Compete. submetido a fatores externos resultantes da estrutura atual da sociedade. A conservação integrada requer medidas financeiras apropriadas. Todavia.Esses serviços deveriam ajudar as autoridades locais. Para conseguir resolver os problemas econômicos da conservação integrada é necessário . por outro lado. Os poderes públicos deveriam criar ou encorajar o lançamento de fundos de circulação que forneçam os meios necessários às coletividades locais e às associações sem fins lucrativos. Isso vale particularmente para as zonas onde o financiamento de tais programas poderá ser . Esse processo está. será necessário naturalmente cuidar para que essa vantagem não seja amenizada pelo imposto. deduzidos os eventuais custos adicionais. Se tal ajuda para fazer face aos custos adicionais for aceita. em razão de suas repercussões recíprocas. Além do mais. após demolição. É necessário criar métodos que permitam avaliar os custos adicionais impostos pelas dificuldades apresentadas nos programas de conservação. pode-se estabelecer com certeza que não existe país na Europa cujos recursos financeiros utilizados para a conservação sejam suficientes. É difícil definir uma política financeira aplicável a todos os países e avaliar as conseqüências das diferentes medidas que intervêm nos processos de planejamento. a cada estado pôr em prática seus próprios métodos e instrumentos de financiamento. a suportar estritamente as taxas adicionais que lhes serão impostas. coeficiente de ocupação do solo) e que favoreça uma inserção harmoniosa. Na medida do possível seria necessário dispor de meios financeiros suficientes para ajudar os proprietários.

Seria necessário arrecadar dados para confecção de um catálogo de métodos e de técnicas utilizados e. notadamente os de origem industrial. a segurança do emprego e o status social deveriam ser suficientemente atraentes para incentivar os jovens a . técnicos e artesãos necessários à preparação de programas de conservação e para assegurar a promoção de profissões artesanais que intervêm no trabalho de restauração e que estão ameaçadas de desaparecer. A conservação integrada conclama à promoção de métodos. as remunerações. tanto em nível nacional quanto local. As possibilidades de qualificação. Os métodos e técnicas de restauração e reabilitação de edifícios e conjuntos históricos deveriam ser mais explorados e seu espectro alargado. multidisciplinares e compreender um aprendizado que permita adquirir uma experiência prática sobre a matéria. de hoje em diante utilizadas na vasta gama de monumentos e conjuntos que apresentam um menor interesse artístico. Inúmeras iniciativas de caráter privado têm demonstrado o excepcional resultado alcançado em associam com os poderes públicos. criar instituições científicas que deveriam cooperar estreitamente entre si. todavia. arquitetos. Os materiais e técnicas novas não devem ser aplicados sem antes se obter a concordância de instituições científicas neutras. É importante atentar para que os materiais de construção tradicional continuem a ser aplicados A conservação permanente do patrimônio arquitetônico permitirá. É. Todo programa de reabilitação deveria ser estudado meticulosamente antes de sua execução. o que favoreceria a reforma das práticas de restauração e de reabilitação. em razão da maior valorização resultante da forte demanda que se aplica aos proprietários que dispõem de um tal incentivo. reunir uma documentação completa sobre os materiais e as técnicas e proceder a uma análise dos custos. Deveria haver mais facilidade em dispor de urbanistas. e convém. a longo prazo. para isso. A permuta internacional de conhecimentos. Estes programas deveriam ser flexíveis. de experiências e de estagiários é um elemento essencial na formação de todo o pessoal interessado. evitar onerosas operações de reabilitação. ao mesmo tempo. Esse catálogo deveria ser posto à disposição de todos os interessados. As técnicas especializadas impregnados por ocasião da restauração de conjuntos históricos importantes deveriam ser.assegurado de forma autônoma. a curto ou a longo prazo. as condições de trabalho. de vital importância estimular todos os recursos de financiamento privados. Essa documentação deveria ser reunida em centros apropriados. técnicas e aptidões profissionais ligadas à restauração e à reabilitação. É absolutamente necessário dispor de melhores programas de formação de pessoal qualificado.

a Carta Européia do Patrimônio Arquitetônico foi solenemente promulgada no Congresso sobre o Patrimônio Arquitetônico Europeu. participantes da Convenção Cultural Européia de 19 de dezembro de 1954. Reafirma sua disposição de promover uma política européia comum e uma ação adequada de proteção do patrimônio arquitetônico apoiadas nos princípios de sua conservação integrada. Manifesto de Amsterdã de outubro de 1975 Carta Européia do Partimônio Arquitetônico Ano do Patrimônio Europeu Mil delegados de 25 Países Europeus (ministros. realizado em Amsterdã. arquitetos. a solidariedade efetiva dos Estados europeus. urbanistas. Considerando que os Estados Membros do Conselho da Europa. em grande parte. representantes de associações) Adotada pelo Comitê dos Ministros do Conselho da Europa. em 1969. Recomenda que os governos dos Estados Membros adotem as medidas de ordem legislativa. em 26 de setembro de 1975. acham-se empenhados. em virtude do artigo primeiro dessa convenção. eleitos locais. relativa a uma carta do patrimônio arquitetônico. expressão insubstituível da riqueza e da diversidade da cultura européia. de sua integração no quadro da vida dos cidadãos e de sua valorização nos planejamentos físicoterritorial e nos planos urbanos. Finalmente. de 21 a 25 de outubro de 1975. as autoridades responsáveis pelos programas de aprendizado em todos os níveis deveriam se esforçar para gerar interesse na juventude em relação às atividades especializadas da conservação. Considerando que o objetivo do Conselho da Europa é efetivar uma união mais estreita entre seus membros. Reconhecendo que o patrimônio arquitetônico. é herança comum de todos os povos e que sua conservação compromete.se voltarem para as disciplinas relacionadas com a restauração e a permanecerem nesse campo de atividade. O Comitê de Ministros. principalmente para salvaguardar e promover os ideais e os princípios que lhes são patrimônio comum. por consequência. . Tendo em vista a recomendação da Conferência de Ministros Europeus Responsáveis pelo Patrimônio Arquitetônico. e a recomendação número 589 (de 1970) da Assembléia Consultiva do Conselho da Europa. Considerando que a conservação do patrimônio arquitetônico depende. a adotar as medidas necessárias a salvaguardar sua contribuição ao patrimônio cultural comum da Europa e a encorajar-lhe o desenvolvimento. funcionários. realizada em Bruxelas.

os conjuntos. mesmo por criações de alta qualidade. Longe de ser um luxo para a coletividade. organizado em 1975. Os homens do nosso tempo. Qualquer diminuição desse capital é. a humanidade seria amputada de uma parte da consciência de sua própria continuidade. econômico e social cujos valores são insubstituíveis. levando em conta os resultados da campanha do Ano Europeu do Patrimônio Arquitetônico. em presença de uma civilização que muda de feição e cujos perigos são tão manifestos quanto os bons resultados. . a necessidade de poupar recursos impõe-se a nossa sociedade. Ora. O patrimônio arquitetônico é um capital espiritual. eles geralmente evitaram a segregação das classes sociais. A encarnação do passado no patrimônio arquitetônico constitui um ambiente indispensável ao equilíbrio e ao desenvolvimento do homem. O patrimônio arquitetônico dá testemunho da presença da história e de sua importância em nossa vida. sob os auspícios do Conselho da Europa. Adota e promulga os princípios da presente carta. preparada pelo Comitê dos Monumentos e Sítios do Conselho da Europa. de novo. O patrimônio arquitetônico tem um valor educativo determinante. abaixo redigidos: O patrimônio arquitetônico europeu é constituído não somente por nossos monumentos mais importantes. A estrutura dos conjuntos históricos favorece o equilíbrio harmoniosos das sociedades. cultural. Podem facilitar. mesmo que não disponham de edificações excepcionais. No passado. se apercebem instintivamente do valor desse patrimônio. sem levar em conta o ambiente em que se inserem. eles podem perder uma grande parte de seu caráter se esse ambiente é alterado. É preciso conservar tanto esses conjuntos quanto aqueles. Esses conjuntos se constituem efetivamente em meios próprios ao desenvolvimento de um amplo leque de atividades. podem oferecer uma qualidade de atmosfera produzida por obras de arte diversas e articuladas. Cada geração dá uma interpretação diferente ao passado e dele extrai novas idéias. Por outro lado. a utilização desse patrimônio é uma fonte de economias. financeira e educativa necessárias à implementação de uma política de conservação integrada do patrimônio arquitetônico e a desenvolver o interesse do público por essa política. É uma parte essencial da memória dos homens de hoje em dia e se não for possível transmitila às gerações futuras na sua riqueza autêntica e em sua diversidade. portanto. mais também pelos conjuntos que constituem nossas antigas cidades e povoações tradicionais em seu ambiente natural ou construído. mais um empobrecimento cuja perda em valores acumulados não pode ser compensada. Durante muito tempo só se protegeram e restauraram os monumentos mais importantes.administrativa. uma boa repartição das funções e uma integração maior das populações. Por outro lado.

pela degradação sob todas as formas. destrói as antigas estruturas. regional e local. pelo abandono. especialmente pelas gerações jovens. respeitar as proporções. as pequenas cidades abandonadas a se tornarem reservas de alojamento barato. Convém notar que essa conservação integrada não exclui completamente a arquitetura contemporânea nos conjuntos antigos. financeiros e técnicos. Recursos Financeiros . que por eles serão responsáveis no futuro. A conservação integrada requer a utilização de recursos jurídicos. um dos pressupostos do planejamento urbano e regional. Afinal e principalmente. por isso. Sua restauração deve ser conduzida por um espírito de justiça social e não deve ser acompanhada pelo êxodo de todos os habitantes de condição modesta. Ele está ameaçado pela ignorância. Recursos Administrativos A aplicação de uma tal política exige a utilização de estruturas administrativas adequadas e suficientemente valorizadas.Ele oferece um conteúdo privilegiado de explicações e comparações sobre o sentido das formas e um manancial de exemplos de suas utilizações. A conservação integrada é o resultado da ação conjugada das técnicas da restauração e da pesquisa de funções apropriadas. qualquer que seja a sua origem. A conservação integrada afasta as ameaças. portanto. Quando essas disposições não permitirem a obtenção do objetivo buscado. a forma e a disposição dos volumes. a especulação financeira e imobiliária tiram partido de tudo e aniquilam os melhores projetos. Esse patrimônio está em perigo. administrativos. eventualmente. Recursos Jurídicos A conservação integrada deve utilizar todas as leis e regulamentos existentes que possam concorrer para a salvaguarda e para a proteção do patrimônio. e que ela deverá ter na maior conta o entorno existente. é preciso complementá-las e criar os instrumentos jurídicos indispensáveis a níveis apropriados: nacional. Determinado tipo de urbanismo é destruidor quando as autoridades são exageradamente sensíveis às pressões econômicas e as exigências da circulação. Ora. A conservação integrada deve ser. A evolução histórica levou os centros degradados das cidades e. A sobrevivência desses testemunhos só estará assegurada se a necessidade de sua proteção for compreendida pela maior parte e. Importa. conservar vivos os testemunhos de todas as épocas e de todas as experimentações. assim como os materiais tradicionais. pela antiguidade. mal aplicada. A tecnologia contemporânea. As restaurações abusivas são nefastas. a imagem e o contato direto adquirem novamente uma importância decisiva na formação dos homens.

convocar as indústrias da construção a se adaptarem a essas necessidades e favorecer o desenvolvimento de um artesanato ameaçado de desaparecimento. os artesãos qualificados. só dispõe do patrimônio a título passageiro. Todos os problemas de conservação são comuns a toda a Europa e devem ser tratados de maneira coordenada. os técnicos de todas as categorias. em se apresentando ocasião. aí compreendidos os recursos fiscais. Considerando que os conjuntos históricos ou tradicionais fazem parte do ambiente cotidiano dos seres humanos em todos os países. Cada geração. aliás. a Ciência e a Cultura de 26 de novembro de 1976 RECOMENDAÇÃO RELATIVA À SALVAGUARDA DOS CONJUNTOS HISTÓRICOS E SUA FUNÇÃO NA VIDA CONTEMPORÂNEA. de 26 de outubro a 30 de novembro de 1976. pelo menos. cada uma das suas partes está à mercê de cada um. É preciso desenvolver a formação e o emprego dos quadros e da mão de obra. capazes de levar a bom termo as restaurações. O patrimônio arquitetônico é o bem comum de nosso continente. reunida em Nairobi.Organização das Nações Unidas para a Educação. iguais aos que se destinam a novas construções. Cabe ao Conselho da Europa assegurar a coerência da política de seus Estados Membros e promover sua solidariedade. em sua décima nona sessão. constituem a presença viva do passado que lhes deu . Recursos Técnicos Os arquitetos. 19ª Sessão UNESCO . de todas as ajudas e incentivos financeiros necessários. A Conferência Geral da Organização das Nações Unidas para a Educação. a Ciência e a Cultura. são insuficientes em número. Ainda que o patrimônio arquitetônico seja propriedade de todos. É indispensável o concurso de todos para o êxito da conservação integrada. Cabe-lhe a responsabilidade de o transmitir às gerações futuras. É essencial que os recursos financeiros consagrados pelos poderes públicos à restauração de conjuntos antigos sejam.A manutenção e restauração dos elementos do patrimônio arquitetônico devem poder se beneficiar. A informação do público deve ser mais desenvolvida na medida em que os cidadãos têm o direito de participar das decisões que dizem respeito a suas condições de vida. as empresas especializadas.

A Conferência Geral recomenda aos Estados Membros que levem esta recomendação ao conhecimento das autoridades nacionais. do Patrimônio Cultural e Natural (1972). religiosas e sociais da humanidade e que sua salvaguarda e integração na vida contemporânea são elementos fundamentais na planificação das áreas urbanas e do planejamento físico-territorial. esses testemunhos vivos de épocas anteriores adquirem uma importância vital para cada ser humano e para as nações que neles encontram a expressão de sua cultura e. a Recomendação sobre a Preservação dos Bens Culturais Ameaçados pela Realização de Obras Públicas ou Privadas (1968) e a Recomendação sobre a Proteção. assim como às instituições. tais como a Recomendação que Define os Princípios Internacionais a serem Aplicados em Relação às Escavações Arqueológicas (1956). destinadas a efetivar. a Recomendação Relativa à Salvaguarda da Beleza e do Caráter dos Sítios e Paisagens (1962). Adota. Constatando que em muitos países falta uma legislação suficientemente eficaz e flexível que diga respeito ao patrimônio arquitetônico e a suas relações com o planejamento físicoterritorial. Considerando que. diante de tais perigos de deterioração e até de desaparecimento total. regionais e locais. Considerando que essa situação implica a responsabilidade de cada cidadão e impõe aos poderes públicos obrigações que só eles podem assumir. no Plano Nacional. ao mesmo tempo. nos territórios sob sua jurisdição. asseguram ao quadro da vida a variedade necessária para responder à diversidade da sociedade e. os princípios e as normas formuladas nesta recomendação. nas datas e na . a presente recomendação. todos os Estados devem agir para salvar esses valores insubstituíveis. adotando medidas sob a forma de lei nacional ou de outra forma. destruições que ignoram o que destroem e reconstruções irracionais e inadequadas ocasionam grave prejuízo a esse patrimônio histórico. Considerando que. no mundo inteiro. Tendo-lhe sido apresentadas propostas relativas à salvaguarda dos conjuntos históricos ou tradicionais e sua função na vida contemporânea.forma. serviços ou órgãos e associações interessados na salvaguarda dos conjuntos históricos ou tradicionais e seu entorno. Considerando que os conjuntos históricos ou tradicionais constituem através das idades os testemunhos mais tangíveis da riqueza e da diversidade das criações culturais. em sua décima oitava sessão. um dos fundamentos de sua identidade. como parte do planejamento nacional. adotando urgentemente uma política global e ativa de proteção e de revitalização dos conjuntos históricos ou tradicionais e de sua ambiência. que esse assunto seria objeto de uma recomendação aos Estados Membros. Considerando que. em 26 de novembro de 1976. adquirem um valor e uma dimensão humana suplementares. Considerando que os conjuntos históricos ou tradicionais constituem um patrimônio imobiliário cuja destruição provoca muitas vezes perturbações sociais. sob pretexto de expansão ou de modernização. Observando que a Conferência Geral já adotou instrumentos internacionais para a proteção do patrimônio cultural e natural. Desejando complementar e ampliar o alcance das normas e dos princípios formulados nesses instrumentos internacionais. questão que constitui o ponto 27 da ordem do dia da sessão. Tendo decidido. A Conferência Geral recomenda aos Estados Membros que lhe apresentem. diante dos perigos da uniformização e da despersonalização que se manifestam constantemente em nossa época. por isso. mesmo quando não resulte em perdas econômicas. A Conferência Geral recomenda aos Estados Membros que apliquem as disposições seguintes. regional ou local.

Dessa maneira. que produz um aumento considerável na escala e na densidade das construções. II . de acréscimos supérfluos e de transformações abusivas ou desprovidas de sensibilidade que atentam contra sua autenticidade. em regra. Cada conjunto histórico ou tradicional e sua ambiência deveria ser considerado em sua globalidade. regionais ou locais. tanto no meio urbano quanto no rural e cuja coesão e valor são reconhecidos do ponto-de-vista arqueológico. econômicos ou culturais.forma que ela determinar. ao perigo da destruição direta dos conjuntos históricos ou . como um todo coerente cujo equilíbrio e caráter específico dependem da síntese dos elementos que o compõem e que compreendem tanto as atividades humanas como as construções. os bairros urbanos antigos. Deveriam ser responsáveis por isso. segundo as condições próprias de cada Estado Membro em matéria de distribuição de poderes. a manutenção e a revitalização dos conjuntos históricos ou tradicionais e de seu entorno. ou por laços sociais. as cidades históricas. Entre esses "conjuntos". pré-histórico. uma grande atenção deveria ser dispensada à harmonia e à emoção estética que resultam da conexão ou do contraste dos diferentes elementos que compõem os conjuntos e que dão a cada um deles seu caráter particular. incluídas as atividades humanas. Os conjuntos históricos ou tradicionais e sua ambiência deveriam ser protegidos ativamente contra quaisquer deteriorações. I . todos os elementos válidos. Todos os trabalhos de restauração a serem empreendidos deveriam basear-se em princípios científicos. Sua salvaguarda e integração na vida coletiva de nossa época deveriam ser uma obrigação para os governos e para os cidadão dos Estados em cujo território se encontram. relatórios sobre a maneira como aplicaram a presente recomendação. histórico. particularmente as que resultam de uma utilização imprópria. c) Entende-se por "salvaguarda" a identificação. assim como os conjuntos monumentais homogêneos. o quadro natural ou construído que influi na percepção estática ou dinâmica desses conjuntos. a restauração. a reabilitação. que são muito variados. a estrutura espacial e as zonas circundantes. as autoridades nacionais. a proteção. que constituam um assentamento humano. as aldeias e lugarejos. uma significação que é preciso respeitar. têm. ficando entendido que estes últimos deverão. estético ou sócio-cultural. no interesse de todos os cidadãos e da comunidade internacional. assim como as provocadas por qualquer forma de poluição. em relação ao conjunto. Nas condições da urbanização moderna. podem-se distinguir especialmente os sítios pré-históricos.Princípios Gerais: Dever-se-ia considerar que os conjuntos históricos ou tradicionais e sua ambiência constituem um patrimônio universal insubstituível. Do mesmo modo. inclusive os sítios arqueológicos e palenteológicos.Definições Para os efeitos da presente recomendação: a) Considera-se conjunto histórico ou tradicional todo agrupamento de construções e de espaços. arquitetônico. a conservação. b) Entende-se por "ambiência" dos conjuntos históricos ou tradicionais. ser conservados em sua integridade. desde as mais modestas. ou a eles se vincula de maneira imediata no espaço.

Medidas Jurídicas e administrativas A aplicação de uma política global de salvaguarda dos conjuntos históricos e tradicionais e de sua ambiência deveria basear-se em princípios válidos para cada país em sua totalidade. Regional e Local Em cada Estado Membro deveria se formular. ou a visão que a partir deles se obtém. Essas legislações deveriam encorajar a adaptação ou a adoção de disposições. técnicas. promulgar novos textos legislativos e regulamentares para assegurar a salvaguarda dos conjuntos históricos e tradicionais e de sua ambiência.tradicionais se agrega o perigo real de que os novos conjuntos destruam indiretamente a ambiência e o caráter dos conjuntos históricos adjacentes. uma política nacional. Essa política deveria influenciar o planejamento nacional. IV . III .Medidas de Salvaguarda A salvaguarda dos conjuntos históricos ou tradicionais e de sua ambiência deveria se ajustar aos princípios anteriormente enunciados e aos métodos expostos a seguir. não se deteriore e para que esses conjuntos se integrem harmoniosamente na vida contemporânea. nos planos urbanos.Política Nacional. determinando-se as medidas concretas de acordo com as competências legislativas e constitucionais e com a organização social e econômica de cada Estado. regional e local e orientar a ordenação urbana urbano e rural e o planejamento físico-territorial em todos os níveis. à distribuição das funções e à execução das operações. As ações resultantes desse planejamento deveriam se integrar à formulação dos objetivos e programas. para assegurar tal salvaguarda. regional ou local. Numa época em que a crescente universalidade das técnicas construtivas e das formas arquitetônicas apresentam o risco de provocar uma uniformização dos assentamentos humanos no mundo inteiro. particularmente: . Os arquitetos e urbanistas deveriam empenhar-se para que a visão dos monumentos e conjuntos históricos. levando em conta as disposições contidas neste capítulo e nos seguintes. regional e local a fim de que sejam adotadas medidas jurídicas. se necessário. ao urbanismo e à política habitacional de modo a coordenar e harmonizar suas disposições com as das leis relativas à salvaguarda do patrimônio arquitetônico. nas condições peculiares a cada um em matéria de distribuição de poderes. Os Estados Membros deveriam adaptar as disposições existentes ou. regionais e locais para salvaguardar os conjuntos históricos ou tradicionais e sua ambiência e adaptá-los às exigências da vida contemporânea. As disposições que estabeleçam um sistema de salvaguarda dos conjuntos históricos ou tradicionais deveriam enunciar os princípios gerais relativos ao estabelecimento e à adoção dos planos e documentos necessários e. Conviria revisar as leis relativas ao planejamento físico territorial. a salvaguarda dos conjuntos históricos ou tradicionais pode contribuir extraordinariamente para a manutenção e o desenvolvimento dos valores culturais e sociais peculiares de cada nação e para o enriquecimento arquitetônico do patrimônio cultural mundial. Dever-se-ia buscar a colaboração dos indivíduos e das associações privadas para a aplicação da política de salvaguarda. econômicas e sociais pelas autoridades nacionais.

um mecanismo de recurso contra as decisões ilegais.. mas que para ela contribuam.as condições que regerão a implantação de novas construções. uma parte suficiente dos créditos previstos para a construção de habitações sociais deveria ser destinada à reabilitação de edificações antigas. nova construção ou demolição no perímetro protegido. a obrigação de reconstituir e/ou multa apropriada.as condições e restrições gerais aplicáveis às zonas protegidas por lei e a suas imediações. Só deveriam ser permitidas as demolições de edificações sem valor histórico ou arquitetônico e as subvenções ocasionalmente resultantes deveriam ser estritamente controladas. .as condições gerais de instalação das redes de suprimento e dos serviços necessários à vida urbana ou rural. . . . todavia.a designação do órgão encarregado de autorizar qualquer restauração. Essas disposições poderiam envolver medidas de planejamento urbano que influam no preço dos terrenos por construir .a indicação dos programas e operações previstas em matéria de conservação e de infraestrutura de serviços. Os efeitos legais das medidas de proteção a edificações e terrenos deveriam ser levadas ao conhecimento público e registradas em um órgão oficial competente. . Dever-se-ia estabelecer.os campos a que se poderão aplicar as intervenções de urbanismo.e instituir sanções efetivas como a suspensão das obras.as zonas e os elementos a serem protegidos. . restauração e transformação.as condições e restrições específicas que lhes dizem respeito. . arbitrárias ou injustas.tais como o estabelecimento de planos de ordenação distritais ou de extensão mais reduzida. a concessão do direito de preempção e a um órgão público. A legislação de salvaguarda deveria ser. . que possa comprometer uma proteção e uma restauração concebidas em função do interesse coletivo. de reestruturação e de ordenação do espaço rural. consequentemente. Além disso. O respeito às medidas de salvaguarda deveria ser imposto tanto às coletividades públicas quanto às particulares. a expropriação no interesse da salvaguarda. .as funções de manutenção e a designação dos encarregados de desempenhá-las.as modalidades de financiamento e de execução dos programas de salvaguarda. em princípio. modificação. ou a intervenção compulsória em caso de incapacidade ou descumprimento por parte dos proprietários . assim como à construção de habitações sociais deveriam ser concebidas ou reformuladas de modo que não apenas se ajustem à política de salvaguarda. acompanhada de disposições preventivas contra as infrações à regulamentação de salvaguarda e contra qualquer alta especulativa dos valores imobiliários nas zonas protegidas. Em particular. estabelecido e modulado sobretudo para facilitar o desenvolvimento de habitação subsidiadas e de edifícios públicos através da reabilitação de construções antigas. O regime de eventuais subvenções deveria ser. as disposições relativas aos imóveis e quarteirões insalubres. As disposições referentes à construção de edifícios para órgãos públicos e privados e a obras públicas e privadas deveriam adaptar-se à regulamentação da salvaguarda dos conjuntos históricos e de sua ambiência. Os planos e documentos de salvaguarda deveriam definir especialmente: .as normas que regulam os trabalhos de manutenção. .

Deveria ser produzido um documento analítico destinado a determinar os imóveis ou os grupos de imóveis a serem rigorosamente protegidos. destruídos. e) os serviços públicos encarregados de aplicar as disposições de salvaguarda em qualquer nível . com a mesma finalidade. inclusive de sua evolução espacial. de qualquer tipo. de: . uma relação dos conjuntos históricos ou tradicionais e sua ambiência a serem salvaguardados. As . regional e local . históricos. assim como do contexto urbano ou regional mais amplo. que contivesse os dados arqueológicos. técnicos e econômicos. . em geral. ou. sociais e culturais.e. em circunstâncias absolutamente excepcionais e escrupulosamente documentadas. assim como de sua vegetação. regionais e locais. o estado do sistema viário. culturais e técnicas. regionais e locais ou grupos de particulares. b) os planos e documentos de salvaguarda deveriam ser elaborados depois que todos os estudos científicos necessários houverem sido efetuados por equipes multidisciplinares compostas. os problemas fundiários. Deveria ser feita uma análise de todo o conjunto.deveriam contar com pessoal necessário e com meios técnicos. Além disso.ecólogos e arquitetos paisagistas. nos níveis nacional. Além dessa investigação arquitetônica.nacional.especialistas em conservação e restauração. infraestrutura urbana. .Respeitadas as condições próprias a cada país e a distribuição de poderes das diversas administrações nacionais. as redes de comunicação e as inter-relações recíprocas da zona protegida com as zonas circundadas. especialistas em todas as matérias relativas à proteção e revitalização dos conjuntos históricos e tradicionais.sociólogos e economistas.arquitetos e urbanistas. As medidas de proteção. econômicas. regional ou local. Esses estudos deveriam abranger. . o que permitiria às autoridades suspender qualquer obra incompatível com esta recomendação. são necessários estudos pormenorizados dos dados e das estruturas sociais. d) os planos de salvaguarda deveriam ser aprovados pelo órgão designado por lei. principalmente. deveria ser realizado. . . Essa relação deveria indicar prioridades para facilitar uma alocação racional dos limitados recursos disponíveis para fins de salvaguarda. que tiverem caráter urgente. a execução de obras de salvaguarda deveria se inspirar nos seguintes princípios: a) uma autoridade responsável deveria encarregar-se da coordenação permanente de todos os intervenientes: serviços públicos nacionais. administrativos e financeiros adequados. incluídos os historiadores da arte.especialistas em saúde pública e assistência social. Econômicas e Sociais Dever-ser-ia estabelecer. conservados sob certas condições. os modos de vida e as relações sociais. arquitetônicos. se possível. c) as autoridades deveriam tomar a iniciativa de organizar a consulta e a participação da população interessada. deveriam ser tomadas sem esperar que se estabeleçam planos e documentos de salvaguarda. dados demográficos e uma análise das atividades econômicas. um inventário dos espaços abertos. públicos e privados. Medidas Técnicas.

Um cuidado especial deveria ser adotado na regulamentação e no controle das novas construções para assegurar que sua arquitetura se enquadre harmoniosamente nas estruturas . os estudos e investigações deveriam ser regularmente atualizados. Uma vez estabelecidos e aprovados os planos e normas de salvaguarda pela autoridade pública competente. seria conveniente que seus autores fossem encarregados de sua execução ou direção. Os programas de saneamento urbano ou de beneficiamento aplicáveis a zonas que não estão incluídas nos planos de salvaguarda deveriam respeitar os edifícios e outros elementos que possuam um valor arquitetônico ou histórico e seus acessórios. em vez de serem retardadas indefinidamente enquanto se aprimora o processo de planejamento. até mesmo. a ação de salvaguarda deveria levar em consideração as manifestações de todos esses períodos. econômico e físico dos conjuntos históricos e de sua ambiência está em constante evolução. conviria. sem ameaça alguma ao patrimônio cultural.autoridades competentes deveriam atribuir suma importância a esses estudos e compreender que. Antes da formulação de planos e normas de salvaguarda e depois da análise acima descrita. que a elaboração dos planos de salvaguarda e sua execução se baseassem nos estudos disponíveis. estabelecer uma programação que leva-se igualmente em consideração o respeito aos dados urbanísticos. assim como a necessária acomodação temporária durante as obras e os locais para realojamento permanente dos habitantes que não puderem regressar a sua morada anterior. Quando existirem planos de salvaguarda. necessária e previamente. É necessária uma vigilância permanente para evitar que essas operações beneficiem apenas a especulação ou sejam utilizadas com finalidades contrárias aos objetivos do plano. portanto. arquitetônicos. na supressão de acréscimos e construções superpostas sem valor e. sem eles. Se tais elementos estivessem arriscados de sofrer danos com esses programas deveriam ser elaborados. não seria possível estabelecer planos eficazes de salvaguarda. Em caso contrário. desde que sejam compatíveis com os critérios de salvaguarda do patrimônio cultural. Uma vez que o contexto social. os programas de saneamento urbano ou de beneficiamento que consistirem na demolição de imóveis desprovidos de interesse arquitetônico ou histórico ou arruinados demais para serem conservados. Seria essencial. Nos conjuntos históricos ou tradicionais que possuírem elementos de vários períodos diferentes. a fim de garantir o máximo de segurança. em princípio. A programação deveria visar à adaptação das densidades de ocupação e a prever o escalonamento das operações. e a capacidade de o tecido urbano e rural acolher funções compatíveis com seu caráter específico. devem ser buscadas soluções particulares em colaboração com todos os serviços interessados. Essa programação deveria ser elaborada com a maior participação possível das coletividades e populações interessadas. Em qualquer operação de saneamento urbano ou de beneficiamento que afete um conjunto histórico deveriam ser observadas as normas gerais de segurança relativas a incêndios e catástrofes naturais. os planos de salvaguarda pertinentes. na demolição de edificações recentes que rompam a unidade do conjunto só poderão ser autorizados nos termos do plano de salvaguarda. econômicos e sociais.

Essas funções teriam que se adaptar às necessidades sociais. os letreiros comerciais. relações dos volumes construídos e dos espaços. Uma política de revitalização cultural deveria converter os . Não se deveria autorizar o isolamento de um monumento através da supressão de seu entorno. por um lado e a densidade do tecido urbano e as características arquitetônicas por outro. sem contrariar o caráter específico do conjunto em questão. Seria. Dado o conflito existente na maior parte dos conjuntos históricos ou tradicionais entre o trânsito automobilístico. em particular. antenas de televisão ou painéis publicitários de grande escala. pois qualquer modificação poderia resultar em um efeito de massa. o comércio e o artesanato e criar outras novas que. O custo das operações de salvaguarda não deveria ser avaliado apenas em função do valor cultural das construções. entre outras. a publicidade luminosa ou não. Deveria ser feito um esforço especial para evitar qualquer forma de vandalismo. Numerosas operações de reabilitação. regional ou nacional em que se inserem. dos choques e das vibrações produzidas contra as deteriorações provenientes de uma excessiva exploração turística. e estabelecer redes de transporte que facilitem ao mesmo tempo a circulação dos pedestres. deveriam ser compatíveis com o contexto econômico e social. para que se integrem harmoniosamente ao conjunto. Os cartazes. não só para definir o caráter geral do conjunto. culturais e econômicos dos habitantes. Os conjuntos históricos ou tradicionais e sua ambiência deveriam ser protegidos contra a desfiguração resultante da instalação de suportes. tais como. Os problemas sociais decorrentes da salvaguarda só podem ser colocados corretamente se houver referência a essas duas escalas de valor. poderiam ser. Se já existirem. a instalação subterrânea de redes elétricas e de outros cabos. o acesso aos serviços e o transporte público. a sinalização das ruas. mas também do valor derivado da utilização que delas se possa fazer. que seriam demasiadamente onerosas se fossem feitas separadamente. prejudicial à harmonia do conjunto. Uma atenção especial deveria ser prestada à dimensão dos lotes. elementos constitutivos do agenciamento das fachadas e dos telhados. Para consegui-lo e para favorecer o trânsito de pedestres. tais como quaisquer formas de poluição. para serem viáveis a longo prazo. seu deslocamento só deveria ser decidido excepcionalmente e por razões de força maior. coordenadas fácil e economicamente com o desenvolvimento da rede viária. essencial manter as funções apropriadas existentes e. assim como suas proporções médias e a implantação dos edifícios. cores. uma análise do contexto urbano deveria preceder qualquer construção nova. então. portanto. Para isso. como para analisar suas dominantes: harmonia das alturas. cabos elétricos ou telefônicos. urbano. A proteção e a restauração deveriam ser acompanhadas de atividades de revitalização. o mobiliário urbano e o revestimento do solo deveriam ser estudados e controlados com o maior cuidado.espaciais e na ambiência dos conjuntos históricos. do mesmo modo. através da proibição de se implantarem indústrias nocivas em sua proximidade e da adoção de medidas preventivas contra os efeitos destrutivos dos ruídos. materiais e formas. conviria estudar com extremo cuidado a localização e o acesso dos parques de estacionamento não só dos periféricos como dos centrais. os Estados Membros deveriam estimular e ajudar as autoridades locais a encontrar soluções para esse problema. Os Estados Membros e as instituições interessadas deveriam proteger os conjuntos históricos ou tradicionais e sua ambiência contra os danos cada vez mais graves causados por determinados avanços tecnológicos. deverão ser adotadas medidas adequadas para suprimi-los.

especialmente através dos seguintes meios: informações adaptadas aos tipos de pessoas atinentes. dos habitantes e dos usuários. isoladamente ou em grupo. nos órgãos de decisão. subsídios e empréstimos poderiam ser concedidos. portanto. A ajuda pública. regional ou local todas as formas de ajuda financeira e de orientá-las a uma aplicação global. e levar em consideração o custo adicional da restauração. ser estabelecida entre as coletividades e os particulares. criação de grupos consultivos nos órgãos de planejamento. Dever-se-iam conceder doações. particularmente as habitações de baixa renda e somente aplicar-se a novas construções na medida em que elas não constituírem uma ameaça à utilização e às funções dos edifícios existentes. Deveriam ser estimuladas a fundação de grupos voluntários de salvaguarda e de associações de caráter não lucrativo e a instituição de recompensas honoríficas ou pecuniárias para que sejam reconhecidas as realizações exemplares em todos os campos da salvaguarda. Em geral. em caráter prioritário. em qualquer das formas descritas nos parágrafos seguintes. A ação de salvaguarda deveria associar a contribuição da autoridade pública à dos proprietários particulares ou coletivos e à dos habitantes e usuários. As vantagens financeiras a serem concedidas aos proprietários particulares e aos usuários deveriam estar. eventualmente.conjuntos históricos em pólos de atividades culturais e atribuir-lhes um papel essencial no desenvolvimento cultural das comunidades circundantes. para conservar os edifícios existentes. O conjunto desses créditos deveria ser administrado de forma centralizada pelos órgãos de direito público. onde for necessário e conveniente. subordinadas ao acatamento de determinadas condições impostas no interesse do público. pesquisas preparadas com a participação das pessoas interrogadas. o custo suplementar imposto ao proprietário em relação ao novo valor venal ou locativo do edifício. deveria pressupor as intervenções da coletividade. privado ou mistos encarregados de coordenar nos níveis nacional. Uma cooperação constante em todos os níveis deveria. regionais e locais. ou seja. antes de mais nada. pois as operações agrupadas se tornam economicamente mais vantajosas que as ações individuais. representação dos proprietários. a título consultivo. doações. assim como quaisquer mudanças nas estruturas econômicas e sociais deveriam ser cuidadosamente controlados para preservar a integridade das comunidades rurais históricas em seu ambiente natural. esses investimentos públicos deveriam servir. de gestão e de revitalização das operações relacionadas com os planos de salvaguarda. Os investimentos públicos previstos pelos planos de salvaguarda dos conjuntos históricos e de sua ambiência deveriam ser avalizados pela consignação de créditos adequados nos orçamentos das autoridades centrais. subsídios ou empréstimos em condições favoráveis ao proprietários particulares e usuários que houverem realizado as obras estabelecidas pelos planos de salvaguarda e de acordo com as normas fixadas por esses planos. tais como garantia . cujas iniciativas e participação ativa deveriam ser estimuladas. Nas zonas rurais todos os trabalhos que implicarem uma degradação da paisagem. ou criação de órgãos de economia mista que participem da execução. a grupamentos de proprietários ou de usuários de habitações e estabelecimentos comerciais. Esses incentivos fiscais. incentivos fiscais.

ainda. agenciar seus programas e orçamentos de maneira a contribuir para a reabilitação dos conjuntos históricos ou tradicionais. possibilidade de visitação aos edifícios. a agricultura em pequena escala. a pesca etc. se for o caso. acesso aos parques. os Estados Membros deveriam adotar as medidas que se seguem. Para evitar. com taxas reduzidas e longos prazos de reembolso. Os Estados Membros e as coletividades interessadas deveriam encorajar as pesquisas e os estudos sistemáticos sobre: . As instituições públicas e os estabelecimentos de crédito privados poderiam facilitar o financiamento a obras de qualquer gênero destinadas a proteger os conjuntos históricos ou tradicionais e sua ambiência. É essencial evitar que as medidas de salvaguarda acarretem uma ruptura da trama social. o traslado dos habitantes. de acordo com sua competência legislativa e constitucional. Todos os serviços e administrações que atuam na construção pública deveriam. realização de fotografias. Para aumentar os recursos financeiros disponíveis os Estados Membros deveriam incrementar a criação de estabelecimentos financeiros públicos ou privados para a salvaguarda dos conjuntos históricos e tradicionais e de sua ambiência. através da criação de um órgão que se encarregasse da concessão de empréstimos aos proprietários.Pesquisa. para que os ocupantes pudessem conservar suas habitações e seus pontos de comércio e produção assim como seus modos de vida e suas ocupações tradicionais. Dotações especiais deveriam ser previstas nos orçamentos dos órgãos públicos ou privados para a proteção dos conjuntos históricos ou tradicionais ameaçados por grandes obras públicas ou privadas e pela poluição.da integridade dos imóveis. especialmente o artesanato rural. nos imóveis ou nos conjuntos a serem restaurados . depois de restaurá-los. V . Ensino e Informação Para aperfeiçoar a competência dos especialistas e dos artesãos necessários e para fomentar o interesse e a participação de toda a população no trabalho de salvaguarda. ajudariam os interessados a fazer frente ao aumento dos encargos provocados pelas obras realizadas. poderiam ser concedidas indenizações que compensassem a alta do aluguel. jardins ou sítios. da venda dos imóveis mediante a utilização de fundos de operações especialmente destinados a manter nos conjuntos históricos ou tradicionais os proprietários que desejarem protegê-los e preservar suas características. Os Estados Membros e as autoridades interessadas em todos os níveis poderiam facilitar a criação de associações sem fins lucrativos que se encarregassem da aquisição e. dotados de personalidade jurídica e que pudessem receber doações de particulares. determinadas em função dos rendimentos. Essas indenizações. de fundações e de empresas industriais e comerciais. através do financiamento a obras que correspondam simultaneamente a seus próprios objetivos e aos dos planos de salvaguarda. com prejuízo dos menos favorecidos. As autoridades públicas deveriam prever igualmente dotações especiais para a reparação dos danos causados pelos desastres naturais. etc. Os doadores poderiam desfrutar de isenções fiscais.

se for necessário. Conviria facilitar o acesso a cursos de aperfeiçoamento e reciclagem para pessoal docente e para guias.ICOMOS. de Roma. no de história. regionais e locais e entre a população. no que se refere à salvaguarda dos conjuntos históricos ou tradicionais e de sua ambiência. também deveria ser estimulado. não apenas estéticas e culturais. . principalmente ao Centro de Documentação UNESCO . . A tomada de consciência em relação à necessidade da salvaguarda deveria ser estimulada pela educação escolar. As vantagens. o rádio e o cinema e as exposições itinerantes. à ajuda de organizações internacionais. Deveriam ser instaurados e desenvolvidos ensinamentos específicos sobre os temas acima e que compreendessem estágios de formação prática. nacionais. recorrendo. onde for adequado e necessário . o Conselho Internacional de Monumentos e Sítios (ICOMOS) e o Conselho Internacional de Museus (ICOM). bem como a formação de instrutores para ajudar os grupos de jovens e de adultos desejosos de se iniciar no conhecimento dos conjuntos históricos ou tradicionais. pós-escolar e universitária e pelo recurso aos meios de informação tais como os livros. a televisão. Esse ensino deveria utilizar amplamente os meios audiovisuais e as visitas aos conjuntos históricos ou tradicionais. a imprensa. ameaçadas pelo processo de industrialização.as técnicas artesanais indispensáveis à salvaguarda. urbanismo urbano e planejamento físico-territorial.as interconexões entre salvaguarda. intergovernamentais e não governamentais. Essa cooperação multilateral ou bilateral deveria ser judiciosamente coordenada e concretizar-se através de medidas com as seguintes: . Além disso é indispensável estimular a formação de técnicos e de artesãos especializados na salvaguarda dos conjuntos e de quaisquer espaços abertos que os circundam. tanto privados como públicos. Seria de desejar que as instituições interessadas cooperassem nessa esfera com os organismos internacionais especializados no assunto. O desenvolvimento das técnicas artesanais. . O estudo dos conjuntos históricos deveria ser incluído no ensino em todos os níveis e. ser financiada e dirigida pelas autoridades competentes. A formação do pessoal administrativo encarregado das operações locais e salvaguarda dos setores históricos deveria. .Cooperação Internacional Os Estados Membros deveriam colaborar. para que saiba porque e como seu padrão de vida pode ser melhorado..os métodos de conservação aplicáveis aos conjuntos históricos.ICOM .aspectos urbanísticos dos conjuntos históricos ou tradicionais e de sua ambiência. mas também sociais e econômicas que pode oferecer uma política bem conduzida de salvaguarda dos conjuntos históricos ou tradicionais e sua ambiência deveriam ser objeto de uma informação clara e completa. .a aplicação das técnicas modernas aos trabalhos de conservação. tais como o Centro de Estudos para a Conservação e a Restauração dos Bens Culturais.a alteração dos materiais. VI . de acordo com um programa a longo prazo. para inculcar no espírito dos jovens a compreensão e o respeito às obras do passado e para mostrar o papel desse patrimônio na vida contemporânea. Essa informação deveria ser amplamente difundida entre os organismos especializados. particularmente.

Machu Picchu representa tudo o que não envolve a mentalidade global iluminística e tudo o que não é classificável por sua lógica. f) assistência mútua entre países vizinhos para a salvaguarda de conjuntos de interesse comum. e) execução de grandes projetos de salvaguarda de conjuntos históricos ou tradicionais e de sua ambiência e difusão da experiência adquirida. devendo salientar. Houve alguns esforços para atualizar a Carta de Atenas e o presente documento só pretende ser ponto de partida para tal empresa. Que pode ser atualizado mas não negado. a ser analisado interdisciplinarmente em uma discussão internacional que inclua intelectuais e profissionais. tanto em planejamento como em arquitetura. é ainda um documento fundamental para a nossa época. Machu Picchu simboliza a contribuição cultural independente de outro mundo. os Estados Membros deveriam coordenar suas políticas e ações para conseguir a melhor utilização e proteção desse patrimônio. de 1933. nenhum Estado Membro deveria tomar qualquer medida para demolir ou alterar as características dos bairros. Muitos fenômenos novos emergiram durante esse tempo e exigem uma revisão da carta que a complemente com um documento de enfoque e amplitude mundiais. em primeiro lugar. envio de pessoal científico. Atenas. b) organização de seminários e de grupos de trabalho sobre temas específicos. que a Carta de Atenas. Muitos de seus noventa e cinco pontos são válidos. 1933. Atenas representou a racionalidade personificada por Aristóteles e Platão. De acordo com o espírito e com os princípios da presente recomendação. . técnico e administrativo e fornecimento de material. Machu Picchu.a) intercâmbio de informações de todos os gêneros e de publicações científicas e técnicas. como testemunho da vitalidade e da continuidade do movimento moderno. 1977. Carta de Machu Picchu de dezembro de 1977 Encontro Internacional de Arquitetos Passaram-se quase 45 anos desde que ó CIAM elaborou um documento sobre teoria e metodologia de planejamento. Nas regiões situadas de um lado e de outro de uma fronteira onde ocorrerem problemas comuns de planejamento e salvaguarda de conjuntos históricos ou tradicionais e sua ambiência. característicos do desenvolvimento histórico e cultural de região. cidades e sítios históricos situados nos territórios ocupados por esse Estado. ainda. d) luta contra todas as formas de poluição. institutos de pesquisas e universidades de todos os países. c) concessão de bolsas de estudos e de viagem. Os lugares são significativos. Atenas se ergueu como o berço da civilização ocidental. que recebeu o nome de Carta de Atenas.

Planejar. E tais decisões. consequência do uso de automóveis. que constitui a raiz do problema de nossas cidades. tendem a se deteriorar por deficiência . Dentro do crescimento caótico das cidades. Hoje. é uma obrigação fundamental dos governos. abandonando as áreas centrais das cidades que.para orientar sua localização. é. regiões e nações . energética e alimentícia. cidades. no que concerte aos núcleos humanos. O planejamento. O objetivo do planejamento geral. A elas temos que somar as crises de moradia e de serviços urbanos. As soluções urbanísticas propugnadas pela Carta de Atenas não levaram em conta esse crescimento acelerado. assim como em estratégias de planejamento econômico a longo prazo. A fraqueza da sociedade ao enfrentar as necessidades do crescimento urbano e as mudanças sócio-econômicas requer a reafirmação desse princípio em termos mais específicos e urgentes. como um meio sistemático de analisar necessidades. deve refletir a unidade dinâmica das cidades e suas regiões circundantes. tornaram crítica a necessidade de uso mais efetivo dos recursos naturais e humanos. a interpretação das necessidades humanas e a realização em um contexto de oportunidades de formas e de serviços urbanos apropriados para a população. os moradores das cidades e seus líderes comunitários e políticos. incluindo o planejamento econômico. os benefícios potenciais do planejamento e da arquitetura não chegam à grande maioria. incluindo problemas e oportunidades e guiando o crescimento e desenvolvimento urbanos dentro dos limites dos recursos disponíveis. afinal. o projeto e o planejamento urbano e a arquitetura. As áreas urbanas muito frequentemente refletem os efeitos adversos e específicos de decisões econômicas baseadas em considerações amplas e relativamente abstratas. sequência e características de desenvolvimento. tanto como as relações funcionais essenciais entre bairros. podemos diferenciar duas categorias de movimentos: a primeira corresponde à dos países industrializados. áreas metropolitanas. nem as conexões operacionais entre a estratégia econômica geral e o planejamento do desenvolvimento urbano.Cidade e região A Carta de Atenas reconheceu a unidade essencial das cidades e suas regiões circundantes. assim. O crescimento urbano Desde a Carta de Atenas até nossos dias a população do mundo duplicou. onde se dá a migração das populações mais abastadas em direção aos subúrbios. em nível nacional. Por isso. As técnicas e disciplinas do planejamento devem ser aplicadas a toda a escala de grupos humanos . através do mundo. agravadas pelo fato de o ritmo de crescimento populacional das cidades ser muito superior ao demográfico geral. A desarticulação entre o planejamento econômico em nível nacional e regional e o planejamento para o desenvolvimento urbano onerou e reduziu a eficiência de ambos. E isso requer um processo contínuo e sistemático de interação entre os profissionais do projeto. dando lugar à chamada crise tripla: ecológica.bairros. distritos e outras áreas urbanas. não têm considerado diretamente as prioridades nem as soluções dos problemas das áreas urbanas. no contexto contemporâneo de urbanização. características do processo de urbanização. estados.

caracterizando-se pela maciça migração rural. O projeto da casa deve ter a flexibilidade necessária para adaptar-se à dinâmica social. . onde. igualmente. O mesmo espírito de integração que faz da comunicação entre os moradores da cidade um elemento básico da vida urbana deve regular a localização e a estruturação de áreas residenciais para diversas comunidades e grupos. que a qualidade de vida e a integração com o meio ambiente natural devem ser objetivo básico na concepção dos espaços habitáveis. facilitando portanto a participação criadora do usuário. economicamente. cada sítio arquitetônico resulta num objeto isolado e onde não se considera que a mobilidade humana determine um espaço influente. O resultado é a existência de cidades com uma vida urbana amena. Consideramos. consideramos que a comunicação humana é um fator predominante na razão de ser da cidade. adquiriu-se consciência de que o processo urbanístico não consiste em setorizar. divertir-se e circular e que os planos devem fixar sua estrutura e implantação. etc. programas de moradia. afinal. Ela determinou cidades setorizadas em funções. Atualmente. Esse fenômeno não pode ser resolvido nem sequer controlado pelos dispositivos e medidas que estão ao alcance do planejamento urbano. devem reconhecer este fato. onde um processo analítico de clarificação tem sido usado como um processo sintético de ordenação do espaço urbano. muitas vezes. A casa popular não será considerada um objeto de consumo subsidiário. mas um poderoso instrumento de desenvolvimento social. O planejamento da cidade e da moradia. Tais técnicas podem apenas tentar a incorporação das áreas marginais ao organismo urbano e. trabalhar. Devem ser projetados elementos construtivos que possam ser fabricados massificadamente para serem utilizados pelos usuários e que. no nível do relacionamento humano. Conceito de setor A Carta de Atenas assinala que as chaves do urbanismo se encontram nestas quatro funções básicas: de habitar. que se instala em bairros marginais carentes de serviços e de infra-estrutura urbana. Essas transferências quantitativas produzem transformações qualitativas fundamentais. portanto. sem impor distinções inaceitáveis para o decoro humano. as medidas que se adotam para regularizar a marginalização (dotação de serviços públicos. saúde ambiental. determinando que o processo urbano se nos apresente totalmente diferente. A segunda categoria corresponde à das cidades dos países em desenvolvimento.) contribuem paradoxalmente para agravar o problema. Moradia Diferentemente da Carta de Atenas.de recursos. mas em criar definitivamente uma integração polifuncional e contextual. convertendo-se em incentivo que incrementa os movimentos migratórios para as cidades. estejam a seu alcance.

Transportes nas cidades As cidades deverão planejar e manter o transporte público de massa, considerando-o como um elemento básico no processo do planejamento urbano. 0. custo social do sistema de transporte deverá ser apropriadamente avaliado e devidamente considerado no planejamento do crescimento de nossas cidades. Na Carta de Atenas está explícito que a circulação é uma das funções urbanas básicas e implícito que ela depende principalmente do uso do automóvel como meio de transporte individual. Depois de quarenta e quatro anos, comprovou-se que não há solução ótima para diferenciar, multiplicar e solucionar cruzamentos de ruas. É necessário, portanto, enfatizar que a solução para a função de circulação deve ser pesquisada mediante a subordinação do transporte individual ao transporte coletivo de massa. Os urbanistas devem conscientizar-se de que a cidade é uma estrutura em desenvolvimento, cuja forma final não pode ser definida, razão pela qual devem considerar as noções de flexibilidade e expansão urbanas. O transporte e a comunicação formam uma série de redes interconectadas que servem como sistema articulador entre espaços interiores e exteriores e deverão ser projetados de forma que permitam experimentar indefinidamente mudanças de extensão e forma. Disponibilidade do solo urbano A Carta de Atenas mostrou a necessidade de uma legislação que permitisse dispor, sem impedimentos, do solo urbano para satisfazer as necessidades coletivas. Para tanto, estabeleceu que o interesse privado devia subordinar-se ao interesse coletivo. Apesar de diversos esforços realizados desde 1933, as dificuldades de disponibilidade de solo urbano se mantêm como um obstáculo básico para o planejamento urbano. Por isso, é desejável que se criem e se adotem soluções legais eficientes capazes de produzir uma melhora substantiva a curto prazo. Recursos naturais e contaminação ambiental Uma das formas mais atentatórias contra a natureza é, hoje, a contaminação ambiental, que tem se agravado em proporções sem precedentes e potencialmente catastróficas, como conseqüência direta da urbanização não planejada e da excessiva exploração de recursos. Nas áreas urbanizadas do mundo a população está cada vez mais sujeita a condições ambientais que são incompatíveis com normas e conceitos razoáveis de saúde e bem estar humanos. Entre as características não aceitáveis se incluem a prevalência de quantidades excessivas de perigosas substâncias tóxicas no ar, na água e nos alimentos da população urbana, além dos níveis danosos de ruídos. As políticas oficiais que regem o desenvolvimento urbano deverão incluir medidas imediatas para evitar que se acentue a degradação do meio ambiente urbano e conseguir a restauração da integridade básica do meio ambiente, de acordo com as normas de saúde e de bem estar social. Estas medidas devem ser consideradas no planejamento urbano e econômico, no projeto arquitetônico, nos critérios e normas de engenharia e nas políticas de desenvolvimento.

Preservação e defesa dos valores culturais e patrimônio histórico-monumental A identidade e o caráter de uma cidade são dados não só por sua estrutura física, mas, também, por suas características sociológicas. Por isso, é necessário que não só se preserve e conserve o patrimônio histórico monumental, como também que se assuma a defesa do patrimônio cultural, conservando os valores que são de fundamental importância para afirmar a personalidade comunal ou nacional e/ou aqueles que têm um autêntico significado para a cultura em geral. Por isso mesmo, é imprescindível que na tarefa de conservação, restauração e reciclagem das zonas monumentais e dos monumentos históricos e arquitetônicos, considere-se a sua integração ao processo vivo do desenvolvimento urbano como único meio que possibilite o financiamento da operação. No processo de reciclagem dessas zonas, deve ser considerada a possibilidade de se construírem edifícios de arquitetura contemporânea da melhor qualidade. Tecnologia A Carta de Atenas referiu-se tangencialmente ao processo tecnológico, ao discutir o impacto da atividade industrial na cidade. Nos últimos quarenta e cinco anos o mundo experimentou um desenvolvimento tecnológico sem precedentes, que tem afetado nossas cidades e também a prática da arquitetura e do urbanismo. A tecnologia se desenvolveu explosivamente em algumas regiões do mundo e sua difusão e aplicação eficaz é um dos problemas básicos de nossa época. Hoje, o desenvolvimento científico e tecnológico e a intercomunicação entre os povos permitem superar as condicionantes locais e oferecer os mais amplos recursos para resolver os problemas urbanísticos e arquitetônicos. O mau uso dessa possibilidade determina que, frequentemente, se adotem materiais, técnicas e características formais como resultado de pruridos de novidade e complexos de dependência cultural. Neste sentido, usualmente, o impacto do desenvolvimento tecnológico-mecânico tem determinado que a arquitetura seja um processo de criar ambientes artificialmente condicionados a um clima e a uma iluminação não naturais. Isso pode ser uma solução para determinados problemas, mas a arquitetura deve ser um processo de criar ambientes condicionados em função de elementos naturais. Deve-se entender que a tecnologia é meio e não fim e que ela deve ser aplicada em função de uma realidade e de suas possibilidades como resultado de um sério trabalho de investigação e experimentação, trabalho que os governos devem ter em conta. A dificuldade de utilizar processos altamente mecanizados ou materiais construtivos eminentemente industrializados não deve significar uma diminuição de rigor técnico ou de cabal resposta arquitetônica às exigências do problema a resolver, mas, pelo contrário, um maior rigor no planejamento das soluções possíveis para o meio.

A tecnologia construtiva deve considerar a possibilidade de reciclar os materiais fim de conseguir transformar elementos construtivos em recursos renováveis. Implementação O planejamento, os profissionais e as autoridades pertinentes devem ter presente que o processo não termina na formulação de um plano e em sua subsequente execução, mas que, sendo a cidade um organismo vivo, é necessário considerar e prover os processos de sua manutenção. Deve-se entender também que cada região e cada cidade, no processo de sua implementação, deve criar e importar suas normas legais, de acordo com seu meio ambiente, recursos e características formais próprias. Projeto Urbanístico e Arquitetônico A Carta de Atenas não cuidou do projeto arquitetônico. Aqueles que a formularam não o consideraram necessário, porque concordavam que a arquitetura era um jogo sábio de volumes puros sob a luz, la Ville Radieuse, composta de tais volumes, aplicou uma linguagem arquitetônica de origem cubista, perfeitamente coerente com o conceito que separou as cidades em partes funcionais. Durante as últimas décadas, para a arquitetura contemporânea o problema principal não é mais o jogo visual de volumes puros, mas a criação de espaços sociais para neles se viver. A ênfase não está no continente, mas no conteúdo, não na embalagem isolada, por mais bela e sofisticada que seja, mas na continuidade da textura urbana. Em 1933, o esforço foi para desintegrar o objeto arquitetônico e a cidade em seus componentes. Em 1977, o objetivo deve ser reintegrar esses componentes, que, fora de suas relações formais, perderam vitalidade e significado. Para precisar melhor, a reintegração, tanto na arquitetura como no planejamento, não significa a integração a priori do classicismo. Deve ficar claramente estabelecido, que as recentes tendências para o ressurgimento da tradição das Beaux-Arts são anti-históricas em um grau grotesco e não têm a importância que justifique sua discussão. Mas são sintomas de uma obsolescência da linguagem arquitetônica para a qual devemos ficar alertas, para não voltarmos a uma espécie de cínico ecletismo do século XIX, e sim avançar em direção a uma etapa mais madura do movimento moderno. As conquistas dos anos trinta, quando a Carta de Atenas foi promulgada, são ainda válidas. Elas dizem respeito a: a) a análise dos edifícios e de suas funções; b) o princípio de dissonância; c) a visão espaço-tempo antiperspectiva; d) a desarticulação do tradicional edifício-caixa; e) a reunificação da engenharia estrutural e da arquitetura; A estas "constantes" ou "invariáveis" da linguagem arquitetônica têm se somado. f) a temporalidade do espaço; g) a reintegração edifício-cidade-paisagem.

não apenas ao visual. O problema é totalmente diferente da imitação. É tempo de recomendar aos arquitetos que tomem consciência do desenvolvimento histórico do movimento moderno e cessem de multiplicar paisagens urbanas obsoletas. mas um fator ativo de mensagem polivalente. opacos. pelo grandioso em ambas as concepções. . enfoque aplicado não só aos volumes. Elas expressam volumétrica e espiritualmente o rumo diferente de duas grandes civilizações que edificaram para a eternidade. A participação dos usuários faz mais orgânico e verdadeiro o encontro entre a linguagem altamente cultural e a popular. não obstante. se encontram e se fundem naturalmente com os idiomas populares. como também aos espaços humanos. Fisicamente. na música e nas artes visuais. a participação do usuário é ainda mais importante e concreta. exaltando a glória do monarca e. de 1921. que eles se detêm no meio ou nas três quartas partes do processo. procede o paralelo. deve-se ser cuidadoso. aquelas se levantaram por obra e para o sustento das comunidades. porque um cientista não dogmático é muito mais respeitado que o velho deux ex machina. O fato de reconhecer que os edifícios vernaculares muito contribuem para a imaginação arquitetônica não significa que devam ser imitados. feitas de volumes monumentais. Se o povo for incluído no processo do projeto. assim. tem demonstrado que os artistas já não produzem um objeto finito. que tanto se tem estudado nas últimas décadas. sua imaginação será estimulada pelo imenso patrimônio da arquitetura popular. mas também aos valores sociais. é tão absurda como foi a cópia do Partenon. de uma forma explosiva. o que implica que cada edifício não seja um objeto finito. que requer um diálogo com outros elementos para completar sua própria imagem. as construções do antigo Peru com as pirâmides do Egito. tanto como os Cinco Princípios de Le Corbusier. O enfoque do finito não diminui o prestígio do planejador ou do arquiteto. hoje. as ordens vitruvianas e as Beaux Arts. No momento em que os arquitetos se libertarem dos conceitos acadêmicos do finito. dessa arquitetura sem arquitetos. O novo conceito de urbanização pede a continuidade de edificação.A temporalidade do espaço é a maior contribuição de Frank Lloyd Wright e corresponde à visão dinâmica do espaço-tempo-cubista. Está provado que o enfoque cultural do projeto arquitetônico. Tal atitude. A reintegração edifício-cidade-paisagem é uma consequência da unidade entre cidade e campo. como um monumento à vida. A experiência artística nas últimas décadas. por sua monumentalidade. mas um elemento do continuum. Ao contrário. a relevância do arquiteto será enfatizada e a inventiva arquitetônica será maior e mais rica. incrementa-o. Mas estas foram construídas como um monumento à morte. reflexivo ou transparentes. Algumas vezes se compararam. por Michelangelo Não obstante. os usuários integrar-se no trabalho do arquiteto. em nossa época não é apenas um princípio visual. mas fundamentalmente social. No campo construtivo. Significa que o povo deve participar ativa e criativamente em cada fase do projeto. O princípio do não-finito não é novo. As teorias da relatividade e da determinação não diminuíram o prestígio dos cientistas. sejam horizontais ou verticais. de maneira que o espectador não seja um contemplador passivo da obra artística. Foi explorado pelos maneiristas e. podendo. Quanto a isso.

ela se distingue pela introdução na substância existente de materiais diferentes. . com o máximo de exatidão. .o termo significação cultural designará o valor estético. assim como disposições que prevejam sua futura destinação.o termo bem designará um local. científico ou social de um bem para as gerações passadas. 1980 ICOMOS . presentes ou futuras. . uma zona. o conteúdo e o entorno a que pertence.a restauração será o restabelecimento da substância de um bem em um estado anterior conhecido. ela deve implicar medidas de segurança e manutenção. . igualmente. Artigo 4° .O objetivo da conservação é preservar a significação cultural de um bem. em determinadas circunstâncias.a reconstrução será o restabelecimento. nem com a recriação. modificações que sejam substancialmente reversíveis ou que requeiram um impacto mínimo. compreender obras mínimas de reconstrução ou adaptação que atendam às necessidades e exigências práticas. histórico.o uso compatível designará uma utilização que não implique mudança na significação cultural da substância. a conservação implicará ou não a preservação ou a restauração. mas pode-se.A conservação se baseia no respeito à substância existente e não deve deturpar o testemunho nela presente.Para os fins das presentes orientações: .Carta de Burra Austrália. As técnicas empregadas devem. Artigo 3° . . em princípio. ser de caráter tradicional. A reparação implica a restauração e a reconstrução. ou um conjunto de edificações ou outras obras que possuam uma significação cultural. . Conservação Artigo 2° .Conselho Internacional de Monumentos e Sítios Definições Artigo 1° . compreendidos. além da manutenção. . do conteúdo e do entorno de um bem e não deve ser confundido com o termo reparação. . e assim será considerada. nem com a reconstituição hipotética. utilizar técnicas modernas. De acordo com as circunstâncias.a preservação será a manutenção no estado da substância de um bem e a desaceleração do processo pelo qual ele se degrada.o termo manutenção designará a proteção contínua da substância. ela poderá.a adaptação será o agenciamento de um bem a uma nova destinação sem a destruição de sua significação cultural.o termo conservação designará os cuidados a serem dispensados a um bem para preservarlhe as características que apresentem uma significação cultural. sejam novos ou antigos. A reconstrução não deve ser confundida.A conservação deve se valer do conjunto de disciplinas capazes de contribuir para o estudo e a salvaguarda de um bem. em cada caso. . de um estado anterior conhecido. . um edifício ou outra obra construída. ambas excluídas do domínio regulamentado pelas presentes orientações.a substância será o conjunto de materiais que fisicamente constituem o bem.

Artigo 6° . dos materiais. da textura.A restauração só pode ser efetivada se existirem dados suficientes que testemunhem um estado anterior da substância do bem e se o restabelecimento desse estado conduzir a uma valorização da significação cultural do referido bem. Artigo 12° . à manutenção e à eventual estabilização da substância existente. no plano das formas. não pode ser admitido. ainda. Artigo 7° .Todo edifício ou qualquer outra obra devem ser mantidos em sua localização histórica. a menos que represente o único meio de assegurar a salvaguarda e a segurança desse conteúdo. das cores. .A conservação de um bem exige a manutenção de um entorno visual apropriado. Preservação Artigo 11° . Artigo 8° . integralmente ou em parte. a não ser que essa solução constitua o único meio de assegurar sua sobrevivência. assim como nos casos em que há insuficiência de dados que permitam realizar a conservação sob outra forma. Não poderão ser admitidas técnicas de estabilização que destruam a significação cultural do bem. modificações cujo impacto sobre as partes da substância que apresentam uma significação cultural seja o menor possível. oferece testemunho de uma significação cultural específica.A preservação se limita à proteção.Na conservação de qualquer bem deve ser levado em consideração o conjunto de indicadores de sua significação cultural.A retirada de um conteúdo ao qual o bem deve uma parte de sua significação cultural não pode ser admitida. O deslocamento de uma edificação ou de qualquer outra obra. nenhum deles deve ser revestido de uma importância injustificada em detrimento dos demais.As opções assim efetuadas determinarão as futuras destinações consideradas compatíveis para o bem. Nenhuma empreitada de restauração deve ser empreendida sem a certeza de existirem recursos necessários para isso. da escala. ele deverá ser restituído na medida em que novas circunstâncias o permitirem. deve ser proibida. que prejudiquem a apreciação ou fruição do bem. As destinações compatíveis são as que implicam a ausência de qualquer modificação.As opções a serem feitas na conservação total ou parcial de um bem deverão ser previamente definidas com base na compreensão de sua significação cultural e de sua condição material. nem qualquer demolição ou modificação susceptíveis de causar prejuízo ao entorno. Artigo 10° . Restauração Artigo 13° .A preservação se impõe nos casos em que a própria substância do bem. modificações reversíveis em seu conjunto ou.desde que se assentem em bases científicas e que sua eficácia seja garantida por uma certa experiência acumulada. Nesse caso. Artigo 9° . no estado em que se encontra. A introdução de elementos estranhos ao meio circundante. Não deverão ser permitidas qualquer nova construção. etc. Artigo 5° .

documentais ou outros.Qualquer intervenção prevista em um bem deve ser precedida de um estudo dos dados disponíveis. documentais ou outros. Artigo 24° .Os estudos que implicam qualquer remoção de elementos existentes ou escavações arqueológicas só devem ser efetivados quando forem necessários para a obtenção de dados indispensáveis à tomada de decisões relativas à conservação. Artigo 15° . Reconstrução Artigo 17° . na previsão de posterior restauração do bem.A reconstrução deve se limitar à reprodução de substâncias cujas características são conhecidas graças aos testemunhos materiais e/ou documentais. As partes reconstruídas devem poder ser distinguidas quando examinadas de perto. Procedimentos Artigo 23° . Artigo 16° . Qualquer transformação do aspecto de um bem deve ser precedida da elaboração. Artigo 18° . por profissionais. Artigo 22° .A reconstrução deve ser efetivada quando constituir condição sine qua non de sobrevivência de um bem cuja integridade tenha sido comprometida por desgastes ou modificações.A reconstrução deve se limitar à colocação de elementos destinados a completar uma entidade desfalcada e não deve significar a construção da maior parte da substância de um bem. sejam eles materiais.As obras de adaptação devem se limitar ao mínimo indispensável à destinação do bem a uma utilização definida de acordo com os termos dos artigos 6 e 7. Artigo 20° . Ela se baseia no princípio do respeito ao conjunto de testemunhos disponíveis. de documentos que perpetuem esse aspecto com exatidão. o resgate de elementos datados de determinada época em detrimento dos de outra só se justifica se a significação cultural do que é retirado for de pouquíssima importância em relação ao elemento a ser valorizado. ou quando possibilite restabelecer ao conjunto de um bem uma significação cultural perdida. nas condições previstas no artigo 16. Artigo 21° .A adaptação só pode ser tolerada na medida em que represente o único meio de conservar o bem e não acarrete prejuízo sério a sua significação cultural. .As contribuições de todas as épocas deverão ser respeitadas.A restauração pode implicar a reposição de elementos desmembrados ou a retirada de acréscimos.Artigo 14° .A restauração deve servir para mostrar novos aspectos em relação à significação cultural do bem. do bem e/ou à obtenção de testemunhos materiais fadados a desaparecimento próximo ou a se tomarem inacessíveis por causa dos trabalhos obrigatórios de conservação ou de qualquer outra intervenção inevitável. e deve parar onde começa a hipótese. Artigo 19° . Quando a substância do bem pertencer a várias épocas diferentes.Os elementos dotados de uma significação cultural que não se possa evitar desmontar durante os trabalhos de adaptação deverão ser conservados em lugar seguro. sejam materiais.

desenhos.ICOMOS Comitê Internacional de Jardins e Sítios Históricos .) Artigo 26° . do desenvolvimento e do definhamento da natureza. o comitê Internacional de Jardins Históricos e ICOMOS/IFLA decidiram elaborar uma carta relativa à proteção dos jardins históricos. conforme o disposto no artigo 25 acima. como Monumemto Vivo. com provas documentais de apoio (fotos. amostras. assim. devendo a cada decisão corresponder uma responsabilidade específica. e da vontade de arte e de artifício que tende a perenizar o seu estado. portanto. vivo e. perceptível e renovável.Os objetos a que se refere o artigo 10 acima serão catalogados e protegidos de acordo com normas profissionais. Artigo 28° . Artigo 29° .Os trabalhos contratados devem ter acompanhamento apropriado.Um jardim histórico é uma composição arquitetônica e vegetal que. Carta de Florença de maio de 1981 Conselho Internacional de Monumentos e Sítios . Artigo 27° . apresenta. o jardim histórico deve ser salvaguardado. exercido por profissionais. como tal. de um perpétuo equilíbrio entre o movimento cíclico das estações. visando a complementar a Carta de Veneza neste domínio particular. um interesse público. Seu aspecto resulta. Artigo 2º .Artigo 25° . e deve ser mantido um diário no qual serão consignadas as novidades surgidas.ICOMOS / IFLA Preâmbulo Reunidos em Florença. 26 e 27 acima serão guardados nos arquivos de um órgão público e mantidos à disposição do público. que levará o nome desta cidade.Destacam-se na composição arquitetura do jardim histórico: . que são objeto da presente carta.Qualquer ação de conservação a ser considerada deve ser objeto de uma proposta escrita acompanhada de uma exposição de motivos que justifique as decisões tomadas.Por ser monumento. Artigo 3º . Essa carta foi redigida pelo comitê e registrada em 15 de dezembro de 1982 pelo ICOMOS. Definição e objetivos Artigo 1º . Como tal é considerado monumento. etc. 25. em 21 de maio de 1981.Os documentos consignados nos artigos 23. sua salvaguarda requer regras específicas.O jardim histórico é uma composição de arquitetura cujo material é principalmente vegetal. conforme o espírito de Carta de Veneza. Artigo 4º . do ponto de vista da história ou da arte. bem como o de seus dirigentes responsáveis.As decisões de orientação geral devem proceder de organismos cujos nomes serão devidamente comunicados. Todavia. bem como as decisões tomadas.

e os resultados respectivos não podem ser considerados satisfatórios. Artigo 5º . Algumas atividades humanas descontroladas e não-programadas determinaram . outras organizações governamentais e nãogovernamentais foram implantadas em todos os níveis e vários importantes convênios internacionais relativos à cooperação ambiental foram concluídos. Os princípios da Declaração de Estocolmo são tão válidos hoje como em 1972 e proporcionam um código básico de comportamento para os anos vindouros. embora expressando sua grave preocupação acerca do atual estado do ambiente. . roga solenemente a governos e povos para agirem construtivamente a partir do progresso alcançado até hoje. em nível mundial. seus volumes. de um estilo. .seu plano e os diferentes perfis do seu terreno.as águas moventes ou dormentes. a fim de comemorar o décimo aniversário da Conferência das Nações Unidas sobre o Ambiente Humano. lugar de deleite. regional e nacional de modo a protegê-lo e melhorá-lo. Eis porque o plano de ação inicial não teve a repercussão requerida na totalidade da comunidade internacional. eventualmente da originalidade de um criador. seu jogo de cor. o plano de ação inicial foi apenas parcialmente instrumental. Os anos decorridos desde então registraram um progresso significativo das ciências ambientais: expandiram-se consideravelmente a educação.suas massas vegetais: suas essências. . reunida em Nairobi do dia 10 ao dia 18 de maio de 1982. um paraíso no sentido etmológico do termo. apropriado à meditação e ao devaneio. Com efeito. o jardim toma assim o sentido cósmico de uma imagem idealizada do mundo.seus elementos construídos ou decorativos. Do mesmo modo. No entanto. mas que dá testemunho de uma cultura. Declaração de Nairobi de 10 a 18 de maio de 1982 (Quênia) Assembléia Mundial dos Estados UNEP – Organização das Nações para o Meio Ambiente A Assembléia Mundial dos Estados. foram insuficientes a compreensão e a previsão necessárias para entender o benefício a longo prazo de programas e ações coordenadas de proteção ambiental. suas alturas respectivas. tendo recapitulado as medidas tomadas para implementar a declaração e o plano de ação adotados naquela conferência. que ocorreu em Estocolmo. seus espaçamentos. passou-se a adotar legislação ambiental e um número relevante de países incorporou ao contexto de suas constituições.. A conferência de Estocolmo constitui uma força poderosa que incrementou a consciência e a compreensão públicas quanto à fragilidade do meio ambiente.Expressão de relações estreitas entre a civilização e a natureza. nem os objetivos nem as ações asseguram a disponibilidade e a distribuição eqüitativa de recursos naturais. reflexo do céu. dispositivos relativos à proteção ambiental. Além do programa ambiental das Nações Unidas. de uma época. os meios de informação e a capacitação profissional: em muitos países. e reconhece a necessidade urgente de intensificar esforços em níveis global.

As deficiências ambientais provenientes do subdesenvolvimento (incluindo fatores externos que ultrapassam a capacidade de controle dos países envolvidos) geram graves problemas que se podem combater graças a uma distribuição mais eqüitativa de recursos econômicos e técnicos. a poluição das águas marinhas e interiores. para o ambiente humano. por meio de consultas intergovernamentais e de ações internacionais pertinentes. Muitos problemas ambientais transcendem as fronteiras e deveriam. particularmente da tecnologia elaborada por outros países em vias de desenvolvimento. como as ocorridas na camada de ozônio. Para isso. a população e os recursos naturais por um lado e. o descuido a que tem sido votado o destino final e a reutilização de substâncias perigosas. o estabelecimento de uma atmosfera internacional de paz e de segurança. particularmente em áreas urbanas. de opressão e de domínio estrangeiro. de colonialismo. Mecanismos conjugados de mercado e de planejamento podem também contribuir para a racionalização do desenvolvimento e do manejo do ambiente e dos recursos naturais. por outro. Requer-se uma soma maior de esforços para desenvolver a metodologia e o manejo adequados para a exploração e a utilização de recursos naturais e para modernizar os sistemas . assim como com um consumismo e um desperdício abusivos: ambos podem levar à exploração predatória do meio. poderia compatibilizar o progresso econômico e social com a conservação de recursos naturais. Seria extremamente benéfico. também do apartheid.a degradação crescente do ambiente. quando necessário. assim como a extinção de espécies animais e vegetais constituem graves ameaças adicionais para o ambiente humano. que destaque essas relações. pelo aumento da população. incluindo convênios e convenções. As doenças associadas às condições ambientais adversas continuaram a contribuir para o sofrimento humano. As ameaças ao meio ambiente são agravadas por estruturas coniventes com a miséria. dentro dos próprios países e entre Estados. A estratégia internacional de desenvolvimento para a terceira década de ação das Nações Unidas e o advento de uma nova ordem econômica internacional fazem parte. da segregação racial e de todas as formas de discriminação. Uma consciência específica e lúcida em nível regional. As nações desenvolvidas (ou quaisquer outros países que se encontrem em condições de fazê-lo) deveriam prestar auxílio aos países em vias de desenvolvimento afetados pelo desequilíbrio ambiental. para o bem de todos. Livre. pode vir a contribuir para um desenvolvimento sócio-econômico fundamentado e permanente. Mudanças havidas na atmosfera. e do desperdício de recursos intelectuais e naturais absorvidos pelos programas armamentistas. ser resolvidos. a concentração crescente de dióxido de carbono e de chuvas ácidas. por conseguinte. dos instrumentos primordiais no sentido do esforço global para reverter o curso da agressão ambiental. o impacto ocasionado. O desmatamento. apesar dos seus esforços internos em confrontar seus problemas ambientais mais sérios. os Estados passariam a promover a promulgação progressiva da legislação ambiental. que permita ao homem viver livre da ameaça da guerra (especialmente de uma guerra nuclear). o desenvolvimento. aumentando ao mesmo tempo a cooperação no campo da pesquisa científica e do manejo do ambiente. A utilização de tecnologia apropriada. a degradação do solo e a desertificação atingiram proporções alarmantes e puseram seriamente em risco as próprias condições de sobrevivência em vastas regiões do planeta. No decurso da última década surgiram novas diretrizes: a necessidade do levantamento e manejo das complexas e íntimas conexões entre o ambiente. Esses fatores foram amplamente discutidos.

de forma a assegurar que o nosso pequeno planeta seja transmitido às futuras gerações em condições que garantam a vida e a dignidade humana para todos. Todas as empresas. Tlaxcala. Declaração de Tlaxcala de outubro de 1982 3o Colóquio Interamericano sobre a Conservação do Patrimônio Monumental "Revitalização das Pequenas Aglomerações" . pela qualidade dos trabalhos e pelos resultados obtidos nessa reunião. como instrumento catalisador primordial para a cooperação ambiental global. . A prevenção de agressões ambientais é preferível à recuperação pesada e onerosa dos danos que já tenham sido causados. Deve-se prestar uma atenção particular ao papel das inovações técnicas. Medidas possibilitando. o seu apoio no sentido de fortalecer o programa das Nações Unidas para o meio ambiente. Essa ação preventiva deveria incluir a programação de todas as atividades que possam causar impacto ambiental. além disso. no sentido de promover a substituição. O rápido esgotamento das fontes tradicionais e convencionais de energia apresenta um novo e premente desafio quanto ao seu manejo e conservação e à preservação do meio ambiente. visando aos meios de informação. igualmente. deveriam ser conscientizadas de sua responsabilidade ambiental. ou de procederem à exportação para outros países. O comportamento e a participação responsáveis são essenciais para promover a causa do meio ambiente. entre nações ou entre grupos de nações. a sua adesão à declaração e ao plano de ação adotados em Estocolmo. individual e coletivamente. à educação e à capacitação profissional. graças ao Fundo Ambiental. a sua responsabilidade histórica. em particular. Reafirma. inclusive as corporações multinacionais. por exemplo. As organizações nãogovernamentais têm um papel particularmente relevante e inspirador nesse campo. A comunidade mundial de Estados reafirma. Conclama todos os governos e povos do mundo a assumirem. sobre o tema A Revitalização das Pequenas Aglomerações.Conselho Internacional de Monumentos e Sítios Os participantes do Terceiro Colóquio Interamericano sobre a Conservação do Patrimônio Monumental. fazendo apelo para que seja aumentada a disponibilidade de recursos naturais.tradicionais de pastoreio. incrementar a conscientização pública e política sobre a importância do meio ambiente. a reciclagem e a conservação de recursos naturais. a elaboração de novas fontes renováveis de energia terão um efeito benéfico no ambiente. Importa. apresenta possibilidades promissoras. solenemente. A programação racional e conjunta dos recursos energéticos. de 25 a 28 de outubro de 1982. Uma ação legislativa adequada e oportuna é importante nesse particular. no âmbito da proteção ambiental.MÉXICO ICOMOS . assim como ao fortalecimento e ampliação de esforços nacionais e de atos de cooperação internacional. antes de adotarem novos métodos e novas tecnologias de produção industrial. assim. organizado pelo Comitê Nacional do ICOMOS mexicano e que se realizou em Trindade. mostraram-se sensibilizados pelas atenções de que foram cercados e exprimem sua gratidão aos representantes mexicanos pela acolhida calorosa.

que advêm graças aos múltiplos meios de comunicação. favorecem a destruição do patrimônio cultural por facilitarem o desprezo a nossos próprios valores. uma obrigação moral e uma responsabilidade dos governos de cada Estado e das autoridades locais. Lembram que a conservação e realização das pequenas aglomerações são. por outro. conferindo. Reconhecem que as ações que tendem à obtenção do bem estar das comunidades dos pequenos lugares de habitat devem fundamentar-se em um respeito estrito às tradições e ao modo de vida locais. conservam uma escala própria e personalizam as relações comunitárias. Constatam que a introdução de esquemas consumistas e de modo de vida estranhos a nossas tradições. para preservar a atmosfera tradicional nas localidades rurais e nas pequenas aglomerações e para permitir a continuidade de manifestações arquitetônicas vernaculares contemporâneas. Reconhecem. também. é necessário dispor não apenas dos materiais. de modo a conter o êxodo das pequenas aglomerações. assim.Agradecem. necessariamente. a ambiência e o patrimônio arquitetural das pequenas zonas de habitat são bens não renováveis cuja conservação deve exigir procedimentos cuidadosamente estabelecidos para evitar os riscos de alteração ou de falsificação causados por razões de oportunidade política. um direito de as comunidades participarem das decisões que dizem respeito à conservação de seu habitat. como da técnica tradicional e. exortam os governos. particularmente nas pequenas aglomerações. por um lado. as escolas de ensino superior e o órgãos públicos ou privados que se interessam pela salvaguarda do patrimônio a utilizarem os meios de comunicação a sua disposição para fazer frente aos efeitos dessa penetração. Solicitam também aos governos e organismos competentes uma infra-estrutura e um equipamento integrados. ao contrário. Por isso. Recomendam que qualquer ação que tenda a preservar o ambiente urbano e o valores arquitetônicos de um lugar deve participar. que a situação de crise econômica que se abate sobre o continente não deve sobrestar os esforços para salvaguardar a identidade das pequenas localidade. Reafirmam a importância dos planos de ordenação físico-territorial e de desenvolvimento para diminuir o processo de abandono dos pequenos lugares de habitat e a superpopulação das médias e pequenas cidades. De acordo com o estabelecido na Carta de Chapultepec e levando em consideração as inquietações manifestadas pelo Colóquio de Morelia e por outras reuniões de especialistas americanos. propõem a utilização de elementos de substituição que não ocasionem alterações notáveis na forma resultante e que correspondam às condições psicológicas locais e aos modos de vida dos habitantes da região. Recomendações . Os delegados. uma identidade a seus habitantes. decidem adotar as seguintes conclusões: Reafirmam que as pequenas aglomerações se constituem em reservas de modos de vida que dão testemunho de nossas culturas. quando isso não for possível. após examinarem a situação atual na América em relação aos perigos que ameaçam o patrimônio arquitetônico e a ambiência das pequenas localidades. Pensam que. mas. para superar as circunstâncias difíceis há que se basear no passado cultural e nas expressões concretas de nossa memória. da melhoria das condições sócioeconômicas dos habitantes e da qualidade da vida dos centros urbanos. intervindo diretamente no processo de realização. fenômeno que ameaça a própria existência dessas localidades. de modo especial ao Governo do Estado de Tlaxcala por sua hospitalidade e reconhecem os esforços empreendidos para a conservação do patrimônio arquitetônico e urbano que a história lhe confiou e que tem grande interesse para todos os povos da América.

Chapultepec e Morélia concernentes à conservação dos pequenos lugares de habitat e emitem. bem como as técnicas tradicionais de construção. assim como as recomendações feitas durante as precedentes reuniões americanas de Quito. Recomenda-se encorajar a competência artesanal da construção através de premiações. levem em consideração que suas ações e boas intenções podem causar danos às pequenas comunidades se forem ignorados ou minimizados os valores do patrimônio cultural e os benefícios que resultam da conservação desse patrimônio para toda a comunidade. tais como os de comunicação. eletrificação e outros. manter em vigor e reforçar no espírito das comunidades o prestígio e o valor do uso de tais materiais e técnicas. conservação e restauração de moradias nas pequenas aglomerações e pequenas cidades. Com esse objetivo devem ser revistas as normas de crédito para que considerem como objeto de crédito hipotecário as construções realizadas com técnicas e materiais vernaculares. O esforço para identificar. de maneira que seus diplomados sejam capazes de se transformar em profissionais úteis às comunidades necessitadas. condição indispensável a qualquer empenho em favor da conservação. restauração e revitalização das pequenas localidades. Que as escolas de arquitetura criem e favoreçam mestrados e doutorados em restauração e levem substancialmente em conta nos programas de base dos estudos os valores do patrimônio arquitetônico e urbano. Que os governantes dos países latino-americanos considerem a alocação de créditos sociais para dar conta da aquisição. sem o que a referida ação será condenada à superficialidade e à ineficácia. às escolas profissionais. Recomenda-se: Que qualquer ação que vise à conservação e a revitalização das pequenas localidades seja inserida em um programa que leve em conta os aspectos históricos. em cada país. que devem ser difundidas pelos comitês do ICOMOS na América e por todos os demais especialistas e apresentadas. como meio prático de conservar o patrimônio monumental e os recursos para a habitação. justamente onde eles existem. antropológicos. educação. Que é útil que os estabelecimentos de ensino e sociedades de arquitetos organizem comissões de preservação do patrimônio arquitetônico capazes de promover maior consciência da responsabilidade que lhes cabe no que diz respeito à conservação das pequenas aglomerações. A informação é importante tanto no nível internacional quanto no que é específico do meio americano. encorajar. é urgente. Que a utilização de materiais regionais e a conservação de técnicas de construção tradicionais de cada região sejam indispensáveis para a conservação adequada das pequenas aglomerações e não estejam em contradição com a teoria geral que estabelece que se deixe em evidência nas intervenções a marca de nosso tempo. Reafirma-se a necessidade de publicações nesse sentido e propõe-se a criação de grupos de trabalho americanos para os diversos temas específicos. as recomendações seguintes. às universidades. às autoridades. concretizados em diversos documentos internacionais. aos institutos competentes na matéria. . às faculdades de arquitetura e a outros organismos. manutenção. saúde. os problemas de conservação e de restauração e o conhecimento da arquitetura vernacular. Que a comunicação de experiências nos diversos domínios relativos à preservação das pequenas localidades é indispensável para a obtenção de melhores resultados no que diz respeito não só às políticas nacionais mas à legislação específica e ao progresso técnico.Os participantes do colóquio reiteram os princípios que animam o Conselho Internacional dos Monumentos e do Sítios. Que seja encorajada a participação interdisciplinar. Que os órgãos do serviço público. por sua vez. sociais e econômicos da região e as possibilidades de revitalizá-la.

Em nossos dias. como afirma a constituição da UNESCO. racionais. Declaração do México México. A educação e a cultura. e eticamente comprometidos. se reconhece como um projeto inacabado. ao expressar a sua esperança na convergência final dos objetivos culturais e espirituais da humanidade. toma consciência de si mesmo. a Conferência Mundial sobre as Políticas Culturais. os sistemas de valores. além das artes e das letras. Através dela o homem se expressa. Assim. são essenciais para um verdadeiro desenvolvimento do indivíduo e da sociedade. os modos de vida. materiais. põe em questão as suas próprias realizações. a cultura pode ser considerada atualmente como o conjunto dos traços distintivos espirituais. Que os representantes dos países da região empreendam os maiores esforços. e do seu direito à autodeterminação. procura incansavelmente novas significações e cria obras que o transcendem. podem constituir-se principalmente através da educação. . da ciência e da cultura. intelectuais e afetivos que caracterizam uma sociedade e um grupo social. múltiplos conflitos e graves tensões ameaçam a paz e a segurança. hoje é mais urgente que nunca estreitar a colaboração entre as nações. já que seus governos não os têm feito. Através dela discernimos os valores e efetuamos opções. a desigualdade entre as nações é crescente. a comunidade internacional decidiu contribuir efetivamente para a aproximação entre os povos e a melhor compreensão entre os homens. cujo significado e alcance têm se ampliado consideravelmente. 1982 Conferência Mundial sobre as Políticas Culturais ICOMOS . as tradições e as crenças.de compilar e difundir as informações relativas a esse problema e de prestar acompanhamento aos programas e estudos desse gênero. garantir o respeito ao direito dos demais e assegurar o exercício das liberdades fundamentais do homem e dos povos. os direitos fundamentais do ser humano. Mais do que nunca é urgente erigir na mente de cada indivíduo estes baluartes da paz que. Os avanços da ciência e da técnica têm modificado o lugar do homem no mundo e a natureza de suas relações sociais. no seu sentido mais amplo. a comunidade das nações enfrenta também sérias dificuldades econômicas.Conselho Internacional de Monumentos e Sítios O mundo tem sofrido profundas transformações nos últimos anos. a conferência concorda em que. não obstante o acréscimo das possibilidades de diálogo. Por tal razão. Ao reunir-se no México. Concorda também que a cultura dá ao homem a capacidade de refletir sobre si mesmo. Ela engloba. É ela que faz de nós seres especificamente humanos. e aprovem o protocolo da Convenção para o Patrimônio Mundial da UNESCO (16 de novembro de 1972) como um meio de receberem a assistência técnica e o apoio dos organismos internacionais. críticos.

no isolamento. apreciação de outros valores e tradições. assim como o direito de cada povo e de cada comunidade cultural a afirmar e preservar sua identidade cultural. intercâmbio de idéias e experiências. esgota-se e morre. O desenvolvimento autêntico persegue o bem-estar e a satisfação constantes de cada um e de todos. portanto. Dimensão Cultural do Desenvolvimento A cultura constitui uma dimensão fundamental do processo de desenvolvimento e contribui para fortalecer a independência. ao contrário. A identidade cultural de um povo se renova e enriquece em contato com as tradições e valores dos demais. . assim. A afirmação da identidade cultural contribui. A cultura é um diálogo. A humanidade empobrece quando se ignora ou se destrói a cultura de um grupo determinado. Todas as culturas fazem parte do patrimônio comum da humanidade. a soberania e a identidade das nações. A comunidade internacional considera que é um dever velar pela preservação e defesa da identidade cultural de cada povo. Identidade cultural e diversidade cultural são indissociáveis. sem levar em conta a sua necessária dimensão qualitativa. constitui a essência mesma do pluralismo cultural o reconhecimento de múltiplas identidades culturais onde coexistirem diversas tradições. ou seja. e a exigir respeito a ela. além de estabelecerem o mais absoluto respeito e apreço pelas minorias culturais e pelas outras culturas do mundo. As peculiaridades culturais não dificultam. Por isso. Tudo isso reclama políticas culturais que protejam. cada um dos quais afirma a sua identidade. para a liberação dos povos. a satisfação das aspirações espirituais e culturais do homem. mas favorecem a comunhão dos valores universais que unem os povos. o processo de sua própria criação. O universal não pode ser postulado em abstrato por nenhuma cultura em particular.Por conseguinte. surge da experiência de todos os povos do mundo. qualquer forma de dominação nega ou deteriora essa identidade. O crescimento tem sido concebido frequentemente em termos quantitativos. Há que reconhecer a igualdade e dignidade de todas as culturas. A identidade cultural é uma riqueza que dinamiza as possibilidades de realização da espécie humana ao mobilizar cada povo e cada grupo a nutrir-se de seu passado e a colher as contribuições externas compatíveis com a sua especificidade e continuar. a conferência afirma solenemente os seguintes princípios que devem reger as políticas culturais: Identidade Cultural Cada cultura representa um conjunto de valores único e insubstituível já que as tradições e as formas de expressão de cada povo constituem sua maneira mais acabada de estar presente no mundo. estimulem e enriqueçam a identidade e o patrimônio cultural de cada povo.

do progresso científico e dos benefícios que dele resultem. por consequência. Trata-se. mas a sua plena realização individual e coletiva e a preservação da natureza. de abrir novos pontos de entrosamento com a democracia pela via da igualdade de oportunidades nos campos da educação e da cultura. multiplicar as oportunidades de diálogo entre a população e o organismos culturais. da origem e da posição social. das convicções religiosas. descentralização dos lugares de recreio e fruição das belas-artes. no seu artigo 27. Um número cada vez maior de mulheres e homens desejam um mundo melhor. do sexo. seu bem-estar e sua possibilidade de convivência solidária com todos os povos. a gozar das artes e a participai. Não só perseguem a satisfação de suas necessidades fundamentais. Seu objetivo não é a produção. Um programa de democratização da cultura obriga.É indispensável humanizar o desenvolvimento. nem quanto a seus benefícios. da língua. É preciso descentralizar a vida cultural.1 sua dignidade individual e na sua responsabilidade social. sobretudo. Cultura e Democracia A Declaração Universal dos Direitos Humanos estabelece. É essencial. da nacionalidade. na tomada de decisões que concernem à vida cultural e na sua difusão e fruição. Não pode se privilégio da elite nem quanto a sua produção. Uma política cultural democrática tornará possível o desfrute da excelência artística em toda as comunidades e entre toda a população. A cultura procede da comunidade inteira e a ela deve retornar. o seu fim último é a pessoa 11. o lucro ou o consumo per se. mas o desenvolvimento do ser humano. da educação. da idade. O homem é o princípio e o fim do desenvolvimento. entre outras. em primeiro lugar. da saúde ou da pertinência a grupos étnicos minoritários ou marginais. em consequência. democracia cultural supõe a mais ampla participação do indivíduo e d sociedade no processo de criação de bens culturais. tais estratégias deverão levar sempre em conta a dimensão histórica. Qualquer política cultural deve resgatar o sentido profundo e humano do desenvolvimento. Requerem-se novos modelos e é no âmbito da cultura e da educação que serão encontrados. . A fim de garantir a participação de todos os indivíduos na vida cultural. Só se pode atingir um desenvolvimento equilibrado mediante a integração dos fatores culturais nas estratégias para alcançá-lo. que toda pessoa tem direito a tomar parte livremente na vida cultural comunidade. social e cultural de cada sociedade. O desenvolvimento supõe a capacidade de cada indivíduo e de cada povo de informar-se e aprender a comunicar suas experiências. no plano geográfico e no administrativo para assegurar que as instituições responsáveis conheçam melhor as preferências opções e necessidades da sociedade em matéria de cultura. é preciso eliminar as desigualdades provenientes. Proporcionar a todos os homens a oportunidade de realizar um melhor destino supõe ajustar permanentemente o ritmo do desenvolvimento. Os Estados devem tomar as medidas necessária para alcançar este objetivo.

pelos conflitos armados. A liberdade de pensamento e de expressão é indispensável à atividade criadora do artista e do intelectual. os lugares e monumentos históricos. sem discriminação de caráter político. da educação. O desenvolvimento e promoção da educação artística compreendem não só a elaboração de programas específicos que despertem a sensibilidade artística e apoiem grupos e instituições de criação e difusão. A preservação e o apreço do patrimônio cultural permitem. as crenças. aos povos defender a sua soberania e independência e. da ciência e da comunicação. É imprescindível estabelecer as condições sociais e culturais que facilitem. mas também o fomento de atividades que estimulem a consciência pública sobre a importância da arte e da criação intelectual. acordos e relações internacionais existentes poderiam ser reforçados para aumentar sua eficácia a esse respeito. Todas essas ações contribuem para romper o vínculo e a memória dos povos em relação a seu passado. Relações entre Cultura. ideológico e social. arquitetos. industrialização e penetração tecnológica. Mais inaceitáveis ainda são. músicos. Educação. as obras materiais e não materiais que expressam a criatividade desse povo: a língua. as obras de arte e os arquivos e bibliotecas. Ciência e Comunicação O desenvolvimento global da sociedade exige políticas complementares nos campos da cultura. pelas ocupações estrangeiras e pela imposição de valores exógenos. e deve procurar a assimilação dos conhecimentos científicos e técnicos sem detrimento das capacidades e valores dos povos. Princípio fundamental das relações culturais entre os povos é a restituição a seus países de origem das obras que lhes foram subtraídas ilicitamente. portanto. estimulem e garantam a criação artística e intelectual. Os instrumentos.Patrimônio Cultural O patrimônio cultural de um povo compreende as obras de seus artistas. escritores e sábios. Criação Artística e Intelectual e Educação Artística O desenvolvimento da cultura é inseparável tanto da independência dos povos quanto da liberdade da pessoa. Ou seja. afirmar e promover sua identidade cultural. a fim de estabelecer um equilíbrio harmonioso entre o progresso técnico e a elevação intelectual e moral da humanidade A educação é o meio por excelência para transmitir os valores culturais nacionais e universais. assim como as criações anônimas surgidas da alma popular e o conjunto de valores que dão sentido à vida. os ritos. já que as sociedades se reconhecem a si mesmas através dos valores em que encontram fontes de inspiração criadora. os atentados ao patrimônio cultural perpetrados pelo colonialismo. Qualquer povo tem o direito e o dever de defender e preservar o patrimônio cultural. porém. O patrimônio cultural tem sido frequentemente danificado ou destruído por negligência e pelos processos de urbanização. . por conseguinte. a cultura.

apoiar o estabelecimento de indústrias culturais. administração e financiamento das atividades culturais A cultura é o fundamento necessário para o desenvolvimento autêntico. Nas suas atividades internacionais. Planejamento. . É indispensável. Em conseqüência. Os meios modernos de comunicação devem facilitar a informação objetiva sobre as tendências culturais nos diversos países. sem lesar a liberdade criadora e a identidade cultural das nações. ignoram muitas vezes os valores tradicionais da sociedade e suscitam expectativas e aspirações que não respondem às necessidades efetivas do seu desenvolvimento. desempenham um papel importante na difusão de bens culturais. das idéias e dos conhecimentos. para a produção de bens e serviços realmente necessários. Os avanços tecnológicos dos últimos anos têm dado lugar à expansão das indústrias culturais. mediante programas de ajuda bilateral ou multilateral. em função das necessidades de desenvolvimento tios povos. que favoreça o florescimento da personalidade. A sociedade deve realizar um esforço importante dirigido a planejar. a sociedade há de se esforçar em utilizar as novas técnicas da produção e da comunicação para colocá-las a serviço de um autêntico desenvolvimento individual e coletivo e favorecer a independência das nações. ( A fonte original não inclui texto para este numeral). administrar e financiar as atividades culturais. Por outra parte. qualquer que seja a sua organização. mas que forme e renove. Tais indústrias. A alfabetização é condição indispensável para o desenvolvimento cultural dos povos. sobretudo nos países em via de desenvolvimento. educativos. É necessário revalorizar as línguas nacionais como veículos do saber. Os meios modernos de comunicação têm uma importância fundamental na educação e na difusão da cultura. O ensino da ciência e da tecnologia deve ser concebido principalmente como um processo cultural de desenvolvimento do espírito crítico e integrado aos sistemas educativos. pode ser fonte de dependência cultural e origem de alienação. supõem o direito de todas as nações não só de receber mas também de transmitir conteúdos culturais. em conseqüência. que permita aos educandos tomar consciência da realidade do seu tempo e do seu meio. científicos e tecnológicos. que forme na autodisciplina. cuidando sempre para que a produção e difusão de bens culturais responda às necessidades de desenvolvimento integral de cada sociedade. no respeito aos demais e na solidariedade social e internacional. preservando sua soberania e fortalecendo a paz no mundo. nos países que delas carecem.Requer-se atualmente uma educação integral e inovadora que não só informe e transmita. Uma circulação livre e uma difusão mais ampla e melhor equilibrada da informação. que constituem alguns dos princípios de uma nova ordem mundial da informação e da comunicação. que inspire a renovação e estimule a criatividade. uma educação que capacite para a organização e para a produtividade. no entanto. a ausência de indústrias culturais nacionais.

a Ciência e a Cultura devem multiplicar os esforços destinados a preservar tais valores e a aprofundar sua ação em benefício do desenvolvimento da humanidade. do neocolonialismo.Cooperação Cultural Internacional É essencial para a atividade criadora do homem e para o completo desenvolvimento da pessoa e da sociedade a mais ampla difusão das idéias e dos conhecimentos. científico e técnico. Consequentemente. . confiança. a cooperação cultural deve estimular um clima internacional favorável ao desarmamento. Há que se estimular. os Estados Membros e a Secretaria da Organização das Nações Unidas para a Educação. regional. do apartheid e de todo gênero de agressão. respeitar os direitos do homem e contribuir para a eliminação do colonialismo. do racismo. de sorte que o conhecimento de outras culturas e de experiências de desenvolvimento enriqueçam-lhes a vida. sejam mais amplamente difundidas em todos os países. em particular as de alguns países em vias de desenvolvimento. Da mesma forma. a cooperação entre países em vias de desenvolvimento. dominação e intervenção. em particular. A conferência reitera solenemente o valor e a vigência da Declaração dos Princípios da Cooperação Cultural. A conferência reafirma que o valor educativo e cultural é essencial nos esforços para instaurar uma nova ordem econômica internacional. nas relações de cooperação entre as nações deve evitar-se qualquer forma de subordinação ou substituição de uma cultura por outra. às soberanias nacionais e à nãointervenção. interregional e internacional são pressupostos importantes para obter um clima de respeito. É necessário diversificar e fomentar a cooperação cultural internacional em um contexto interdisciplinar e com atenção especial à formação de pessoal qualificado em matéria de serviços culturais. além disso. É indispensável. diálogo e paz entre as nações. pela Conferência Geral da Organização das Nações Unidas para a Educação. UNESCO Num mundo convulsionado por diferenças que põem em perigo os valores culturais das civilizações. científicos e educativos devem fortalecer a paz. reequilibrar o intercâmbio e a cooperação cultural a fim de que as culturas menos conhecidas. à independência. A cooperação cultural internacional deve fundamentar-se no respeito à identidade cultural. à dignidade e ao valor de cada cultura. detida a corrida armamentista e conseguido o desarmamento. Uma cooperação mais ampla e uma compreensão cultural sub-regional. baseada em intercâmbio e em reuniões culturais. aprovada na sua décima quarta reunião. tais como programas de desenvolvimento cultural. Uma paz duradoura deve ser estabelecida para assegurar a própria existência da cultura humana. a Ciência e a Cultura. Os intercâmbios culturais. Tal clima não poderá ser alcançado plenamente sem que sejam reduzidos e eliminados os conflitos e tensões atuais. de maneira que os recursos humanos e as enormes somas destinadas ao armamento possam se consagrar a fins produtivos.

como em outros instrumentos internacionais. Carta de Washington Washington.Nairobi. históricas. 1976) e. a sua conservação e restauração. que provoca perdas irreversíveis de caráter cultural. 1986 CARTA INTERNACIONAL PARA A SALVAGUARDA DAS CIDADES HISTÓRICAS ICOMOS .Frente a essa situação. muitas delas estão ameaçadas de degradação. a favorecer a harmonia da vida individual e social e a perpetuar o conjunto de bens que. A Conferência Mundial sobre Políticas Culturais faz um apelo à UNESCO para que prossiga e reforce sua ação de aproximação cultural entre os povos e as nações e continue desempenhando a nobre tarefa de contribuir para que os homens. realizem o antigo sonho da fraternidade universal. bem como a seu desenvolvimento coerente e a sua adaptação harmoniosa à vida contemporânea. social e mesmo econômico. Como no texto da Recomendação da UNESCO relativa à Salvaguarda dos Conjuntos Históricos ou Tradicionais e a sua Função na Vida Contemporânea (Varsóvia . o respeito ao direito alheio é a paz". entende-se aqui por salvaguarda das cidades históricas as medidas necessárias a sua proteção. os objetivos da UNESCO. além de sua condição de documento histórico. A comunidade internacional reunida nesta conferência considera seu o lema de Benito Juarez: "Entre os indivíduos. os métodos e os instrumentos de ação apropriados a salvaguardar a qualidade das cidades históricas. de deterioração e até mesmo de destruição sob o efeito de um tipo de urbanização nascido na era industrial e que hoje atinge universalmente todas as sociedades. exprimem valores próprios das civilizações urbanas tradicionais. Ao complementar a Carta Internacional Sobre a Conservação e a Restauração de Monumentos e Sítios (Veneza. todas as cidades do mundo são as expressões materiais da diversidade das sociedades através da história e são todas. A presente carta diz respeito mais precisamente às cidades grandes ou pequenas e aos centros ou bairros históricos com seu entorno natural ou construído. ultrapassando as suas diferenças. o Conselho Internacional de Monumentos e de Sítios (ICOMOS) julgou necessário redigir uma Carta Internacional para Salvaguarda das Cidades Históricas. este novo texto define os princípios e os objetivos.Conselho Internacional de Monumentos e Sítios Preâmbulo e definições: Resultantes de um desenvolvimento mais ou menos espontâneo ou de um projeto deliberado. por essa razão. também. adquirem uma importância capital. como entre as nações. constituem a memória da humanidade. Atualmente. 1964). tal como são definidos na sua constituição. que. mesmo modestos. Face a essa situação muitas vezes dramática. .

O plano de salvaguarda deve compreender uma análise dos dados. As novas funções devem ser compatíveis com o caráter. possam ser demolidos. técnicos. mas levar em consideração os problemas específicos de cada caso particular. método e rigor. O plano deveria contar com a adesão dos habitantes. c) a forma e o aspecto das edificações (interior e exterior) tais como são definidos por sua estrutura. b) as relações entre os diversos espaços urbanos. as ações necessárias à conservação deverão ser adotadas em observância aos princípios e métodos da presente carta e da Carta de Veneza. Os valores a preservar são o caráter histórico da cidade e o conjunto de elementos materiais e espirituais que expressam sua imagem. O plano de salvaguarda deve determinar as edificações ou grupos de edificações que devam ser particularmente protegidos. espaços construídos. e ser considerada no planejamento físico territorial e nos planos urbanos em todos os seus níveis. Não se deve jamais esquecer que a salvaguarda das cidades e bairros históricos diz respeito primeiramente a seus habitantes. em particular: a) a forma urbana definida pelo traçado e pelo parcelamento. cor e decoração. a vocação e a estrutura das cidades históricas. A conservação das cidades e bairros históricos implica a manutenção permanente das áreas edificadas.Princípios e objetivos: Para ser eficaz. em circunstâncias excepcionais. Antes da adoção de um plano de salvaguarda ou enquanto ele estiver sendo finalizado. d) as relações da cidade com seu entorno natural ou criado pelo homem. os que devam ser conservados em certas condições e os que. . arquitetônicos. sociológicos e econômicos e deve definir as principais orientações e modalidades de ações a serem empreendidas no plano jurídico. particularmente arqueológicos. A adaptação da cidade histórica à vida contemporânea requer cuidadosas instalações das redes de infra-estrutura e equipamento dos serviços públicos. espaços abertos e espaços verdes. as condições existentes na área deverão ser rigorosamente documentadas. a salvaguarda das cidades e bairros históricos deve ser parte essencial de uma política coerente de desenvolvimento econômico e social. Dever-se-ia evitar o dogmatismo. Qualquer ameaça a esses valores comprometeria a autenticidade da cidade histórica. O plano de salvaguarda deverá empenhar-se para definir uma articulação harmoniosa entre os bairros históricos e o conjunto da cidade. materiais. A participação e o comprometimento dos habitantes da cidade são indispensáveis ao êxito da salvaguarda e devem ser estimulados. estilo. sensibilidade. As intervenções em um bairro ou em uma cidade histórica devem realizar-se com prudência. volume. e) as diversas vocações da cidade adquiridas ao longo de sua história. Antes de qualquer intervenção. Métodos e instrumentos O planejamento da salvaguarda das cidades e bairros históricos deve ser precedido de estudos multidisciplinares. escala. administrativo e financeiro. históricos.

Devem ser adotadas nas cidades históricas medidas preventivas contra as catástrofes naturais e contra todos os danos (notadamente. todo o acréscimo deverá respeitar a organização espacial existente.A melhoria do habitat deve ser um dos objetivos fundamentais da salvaguarda. pode contribuir para o seu enriquecimento. e não por oposição a espaços não-históricos da cidade. volume e escala. 1987 1º Seminário Brasileiro para Preservação e Revitalização de Centros Históricos Entende-se como sítio histórico urbano o espaço que concentra testemunhos do fazer cultural da cidade em suas diversas manifestações. O sítio histórico urbano – SHU – é parte integrante de um contexto amplo que comporta as paisagens natural e construída. não só para assegurar a salvaguarda do seu patrimônio. Carta de Petrópolis Petrópolis. Os meios empregados para prevenir ou reparar os efeitos das calamidades devem adaptar-se ao caráter específico dos bens a salvaguardar. nos termos em que o impõem a qualidade e o valor do conjunto de construções existentes. como também para a segurança e o bem-estar de seus habitantes. através do favorecimento às pesquisas arqueológicas urbanas e da apresentação adequada das descobertas. A circulação de veículos deve ser estritamente regulamentada no interior das cidades e dos bairros históricos. Deverá ser favorecida a ação das associações de salvaguarda e deverão ser tomadas medidas de caráter financeiro para assegurar a conservação e a restauração das edificações existentes. sem prejuízo da organização geral do tecido urbano. assim como a vivência de seus habitantes num espaço de . A introdução de elementos de caráter contemporâneo. A salvaguarda exige uma formação especializada de todos os profissionais envolvidos. mas somente facilitar o tráfego nas cercanias para permitirlhes um fácil acesso. É importante contribuir para um melhor conhecimento do passado das cidades históricas. especialmente seu parcelamento. No caso de ser necessário efetuar transformações dos imóveis ou construir novos. já que toda cidade é um organismo histórico. as áreas de estacionamento deverão ser planejadas de maneira que não degradem seu aspecto nem o do seu entorno. desde que não perturbe a harmonia do conjunto. Os grandes traçados rodoviários previstos no planejamento físico territorial não devem penetrar nas cidades históricas. Para assegurar a participação e o envolvimento dos habitantes deverá ser efetuado um programa de informações gerais que comece desde a idade escolar. as poluições e as vibrações). Esse sítio histórico urbano deve ser entendido em seu sentido operacional de área crítica.

devendo. normas urbanísticas. estaduais e municipais. declaração de interesse cultural e desapropriação. É nessa perspectiva de reapropriação política do espaço urbano pelo cidadão que a preservação incrementa a qualidade de vida. necessariamente. Na diversificação dos instrumentos de proteção. Publicado no Caderno de Documentos n. o fortalecimento dos seus vínculos em relação ao patrimônio. A realização do inventário com a participação da comunidade proporciona não apenas a obtenção do conhecimento do valor por ela atribuído ao patrimônio. A proteção legal do SHU far-se-á através de diferentes tipos de instrumentos. nem mesmo daqueles ditos culturais. No processo de preservação do SHU. só se justificando sua substituição após demonstrado o esgotamento de seu potencial sócio-cultural. onde se manifestam as verdadeiras expressões de uma sociedade heterogênea e plural. a sua preservação não deve dar-se à custa de exclusividade de usos.valores produzidos no passado e no presente. Na preservação do SHU é fundamental a ação integrada dos órgãos federais. tais como: tombamento. Nesse sentido. devendo os novos espaços urbanos ser entendidos na sua dimensão de testemunhos ambientais em formação. todo espaço edificado é resultado de um processo de produção social. haja vista a flagrante carência habitacional brasileira. A preservação do SHU deve ser pressuposto do planejamento urbano. deve a moradia construir-se na função primordial do espaço edificado. Sendo a polifuncionalidade uma característica do SHU. alicerçado no conhecimento dos mecanismos formadores e atuantes na estruturação do espaço. Nesse sentido. desde que compatíveis com a sua ambiência. inventário. mas somatória. em processo dinâmico de transformação. Guardando essa heterogeneidade. isenções e incentivos. Desta forma. como uma das formas de pleno exercício da cidadania. A cidade enquanto expressão cultural. especial atenção deve ser dada à permanência no SHU das populações residentes e das atividades tradicionais. é imprescindível a viabilização e o estímulo aos mecanismos institucionais que asseguram uma gestão democrática da cidade. O objetivo último da preservação é a manutenção e potencialização de quadros e referenciais necessários para a expressão e consolidação da cidadania. entendido como processo contínuo e permanente. o inventário como parte dos procedimentos da análise e compreensão da realidade constituiu-se na ferramenta básica para o conhecimento do acervo cultural e natural. Os critérios para avaliar a conveniência desta substituição devem levar em conta o custo sócio-cultural do novo. bem como a participação da comunidade interessada nas decisões de planejamento. não é eliminatória. mas também. pelo fortalecimento da participação das lideranças civis. considera-se essencial a predominância do valor social da propriedade urbana sobre a sua condição de mercadoria. socialmente fabricada. abrigar os universos de trabalho e do cotidiano.º 3 – "Cartas Patrimoniais"Ministério da Cultura Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional – IPHAN Brasília. 1995 .

originários de todas as partes do Brasil e de outras terras da América. O êxito de uma política preservacionista tem como fator fundamental o engajamento da comunidade. étnicos e culturais. reconhecendo o papel das populações do continente. demanda um concurso interdisciplinar e uma ação interinstitucional.Encontro de Civilizações nas Américas Conclusões e Recomendações do Seminário No dia 6 de outubro do ano de 1989. levando-se em conta que a ocupação do continente precede em muito a fixação do europeu. com o sacrifício de muitos valores. O processo de preservação. O respeito aos valores naturais. O trabalho dos cientistas sociais e dos órgãos responsáveis deve assegurar a liberdade do desenvolvimento cultural dos povos indígenas. faz-se necessária a apropriação de métodos específicos e de novas técnicas disponíveis. arquitetura. o Comitê Brasileiro do ICOMOS reuniu em Cabo Frio. . para. fossilíferos e naturais. navegação. A defesa da identidade cultural far-se-á através do resgate das formas de convívio harmônico com seu ambiente. arqueológicos. Ao identificá-las e interpretar-lhes o valor. como Argentina. que em 1503 aqui esteve. é fundamental a preservação de todo tipo de testemunhos. por sua complexidade. mui formosa paragem e mui prodigioso sítio da costa sul do Brasil. contribuirá para a valorização das identidades culturais. enfatizados através da educação pública. de modo a garantir a melhoria da qualidade de vida das populações envolvidas. A criação de unidades de conservação ambiental e a preservação de sítios deverá ser acompanhada de soluções alternativas. juntando-se às comemorações dos 500 anos da vinda de Colombo América e homenageando o navegador Américo Vespúcio. Nesse sentido. botânica. Costa Rica. Para o conhecimento e a preservação do patrimônio cultural e natural. com a utilização dos meios de comunicação. como os sítios geológicos. que deve ter por origem um processo educativo em todos os níveis. pode ser lida através das múltiplas manifestações da natureza. O quinto centenário da chegada de Colombo é a oportunidade para se rever a história americana. México. conhecedores de arqueologia. O sentido de conquista que caracterizou o encontro de culturas na América resultou em um processo desigual de interação. que terá o nome Carta de Cabo Frio. Bolívia. engenharia e outros saberes. Para garantia da autonomia das sociedades e culturas indígenas. Os novos encontros de culturas deverão ser direcionados no sentido do respeito aos contextos locais. escrever esta carta.Carta de Cabo Frio de outubro de 1989 Vespuciana . A história do planeta Terra. o homem atribui a esses testemunhos significação cultural. é fundamental assegurar-lhes a posse e o usufruto exclusivo de suas terras e a preservação de suas línguas – fatores centrais de sua identidade. Paraguai e Peru. É preciso rever a história americana. história.

1995 Carta do Rio de junho de 1992 Conferência Geral das Nações Unidas Sobre o Meio Ambiente e o Desenvolvimento. os Estados têm o direito soberano de aproveitar seus próprios recursos segundo suas peculiaridades políticas. Sendo a identidade cultural a razão maior e a base da existência das nações.º 3 – "Cartas Patrimoniais". Princípio 2 De acordo com a Carta das Nações Unidas e os princípios do direito internacional. Com o objetivo de estabelecer uma aliança mundial nova e eqüitativa mediante a criação de novos níveis de cooperação entre os Estados. não causem danos ao meio ambiente de outros Estados ou de zonas que estejam fora dos limites da jurisdição nacional. nossa morada. Reconhecendo a natureza integral e interdependente da Terra. aprovada em Estocolmo em 16 junho de 1972. ambientais e de desenvolvimento. Têm direito a uma vida saudável e produtiva em harmonia com a natureza. Proclama que: Princípio 1 Os seres humanos constituem o centro das preocupações relacionadas com o desenvolvimento sustentável. e a responsabilidade de zelar por que as atividades realizadas dentro de sua jurisdição. Princípio 3 .A ação de empresas privadas ou estatais em projetos industriais. nela se baseando. fiscalização e atuação. os setores-chaves das sociedades e as pessoas. Publicado no Caderno de Documentos n.Ministério da Cultura Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional – IPHAN Brasília. ou sob seu controle. Procurando alcançar acordos internacionais em que se respeitem os interesses de todos e se proteja a integridade do sistema ambiental e de desenvolvimento mundial. Reafirmando a Declaração da Conferência das Nações Unidas sobre o Ambiente Humano. à natureza. a fim de evitar o isolamento cultural e garantir a integração latino-americana. de 13 a 14 de junho de 1992. Para salvaguarda do patrimônio natural e cultural da América Latina em suas diversas manifestações. extrativos e infra-estruturais não pode resultar em danos à vida humana. controle. A Conferência Geral das Nações Unidas sobre o Meio Ambiente e o Desenvolvimento Havendo se reunido no Rio de Janeiro. Cabe ao poder público intervir com medidas efetivas de preservação. é imprescindível a ação do Estado nas suas várias instâncias e a participação da comunidade na valorização e defesa de seus bens naturais e culturais. é fundamental um esforço conjunto.

Princípio 9 Os Estados deveriam cooperar para o fortalecimento de sua própria capacidade de chegar ao desenvolvimento sustentável. tecnologias novas e inovadoras. os Estados têm responsabilidades comuns. a fim de reduzir as disparidades nos níveis de vida e responder melhor às necessidades dos povos do mundo. Princípio 6 Dever-se-á atribuir especial prioridade à situação e às necessidades específicas dos países em desenvolvimento. em particular dos países menos adiantados. Princípio 10 . Princípio 7 Os Estados deverão cooperar em espírito de solidariedade mundial para conservar. os Estados deveriam reduzir e eliminar as modalidades de produção e consumo insustentável e fomentar apropriadas políticas demográficas. mas diferenciadas. Princípio 4 Com o objetivo de alcançar o desenvolvimento sustentável. a adaptação. entre as quais. proteger e restabelecer a saúde e a integridade do ecossistema da Terra. Na medida em que tenham contribuído em graus variados para a degradação do meio ambiente mundial. em vista das pressões que suas sociedades exercem no meio ambiente mundial. Princípio 8 Para alcançar o desenvolvimento sustentável e uma melhor qualidade de vida para todas as pessoas. e intensificando o desenvolvimento. a difusão e a transferência de tecnologias. Nas medidas internacionais a serem adotadas com relação ao meio ambiente e ao desenvolvimento dever-se-iam também levar em consideração os interesses e as necessidades de todos os países. das tecnologias e dos recursos financeiros de que dispõem. Princípio 5 Todos os Estados e todas as pessoas deverão cooperar na tarefa essencial de erradicar a pobreza como requisito indispensável do desenvolvimento sustentável.O direito ao desenvolvimento deve exercer-se de forma tal que responda eqüitativamente às necessidades de desenvolvimento e de proteção à integridade do sistema ambiental das gerações presentes e futuras. a proteção do meio ambiente deverá constituir parte integrante do processo de desenvolvimento e não poderá ser considerada isoladamente. e dos mais vulneráveis do ponto de vista ambiental. Os países desenvolvidos reconhecem a responsabilidade que lhes cabe na busca internacional do desenvolvimento sustentável. aumentando o sabor científico mediante o intercâmbio de conhecimentos científicos e tecnológicos.

Princípio 12 Os Estados deveriam cooperar na promoção de um sistema econômico internacional favorável e aberto que conduzisse ao crescimento econômico e ao desenvolvimento sustentável de todos os países. particularmente para os países em desenvolvimento.O melhor modo de tratar as questões ambientais da participação de todos os cidadãos interessados no nível correspondente. ou sob seu controle. entre os quais o ressarcimento de danos e os recursos pertinentes. ou em zonas situadas fora de sua jurisdição. inclusive a informação sobre os materiais e as atividades que ocasionem perigo a suas comunidades. Princípio 14 . No plano nacional. As normas. ou sob seu controle. Princípio 14 Os Estados deverão desenvolver a legislação nacional relativa à responsabilidade e à respectiva indenização das vítimas da contaminação e de outros danos ambientais. As medidas de política comercial com fins ambientais não deveriam constituir um meio de discriminação arbitrária ou injustificável. deveriam. Princípio11 Os estados deverão promulgar leis eficazes sobre o meio ambiente. Princípio 13 Os Estados deverão desenvolver a legislação nacional relativa à responsabilidade e à respectiva indenização das vítimas da contaminação e de outros danos ambientais. nem uma restrição velada ao comércio internacional. Dever-se-ia evitar adoção de medidas unilaterais para solucionar os problemas ambientais que se produzem fora da jurisdição do país importador. além disso. basear-se em um consenso internacional. Os Estados deverão cooperar. Os Estados deverão cooperar. Os Estados deverão facilitar e incentivar a sensibilização e a participação da população. de maneira pronta e mais decidida na elaboração de novas leis internacionais sobre a responsabilidade e indenização por efeitos adversos dos danos ambientais causados pelas atividades realizadas dentro de sua jurisdição. ou em zonas situadas fora de sua jurisdição. os objetivos de planejamento e as prioridades ambientais deveriam refletir o contexto ambiental e de desenvolvimento a que se aplicam. além disso. a fim de abordar da melhor forma os problemas da degradação ambiental. na medida do possível. Deverá ser proporcionado acesso efetivo aos procedimentos judiciais e administrativos. colocando a informação à disposição de todos. assim como a oportunidade de participar nos processos de adoção de decisões. As normas utilizadas por alguns países podem resultar inadequadas e representar um custo social e econômico injustificado para outros. As medidas destinadas a tratar os problemas ambientais transfronteiriços ou mundiais. de maneira pronta e mais decidida na elaboração de novas leis internacionais sobre responsabilidade e indenização por efeitos adversos dos danos ambientais causados pelas atividades realizadas dentro de sua jurisdição. qualquer pessoa deverá ter acesso adequado à informação sobre o meio ambiente de que disponham as autoridades públicas.

Princípio 21 . aos Estados que possivelmente sejam afetados por atividades que possam ter consideráveis efeitos ambientais transfronteiriços adversos e deverão realizar consultas com esses Estados com a devida antecedência e em boa fé. Princípio 19 Os Estados deverão proporcionar a informação pertinente e notificar previamente e de forma oportuna. levando devidamente em conta o interesse público e sem distorcer o comércio nem os investimentos internacionais. que sirva de instrumento nacional. Quando houver perigo de dano grave ou irreversível. os Estados deverão aplicar amplamente o critério de precaução. É. Princípio 17 Deverá empreender-se uma avaliação do impacto ambiental. Princípio 20 As mulheres desempenham um papel fundamental no planejamento do meio ambiente e no desenvolvimento. Princípio 18 Os Estados deverão notificar imediatamente aos outros Estados os desastres naturais e outras situações de emergência que possam produzir efeitos nocivos súbitos no meio ambiente desses Estados. em função dos custos. arcar com os custos da contaminação. Princípio 16 As autoridades nacionais deveriam procurar incentivar a internalização dos custos ambientais e o uso de instrumentos econômicos. Princípio 15 Com a finalidade de proteger o meio ambiente. imprescindível contar com sua plena participação para conseguir o desenvolvimento sustentável. tendo em consideração o critério de que o que contamina deve. para qualquer atividade proposta que possa provavelmente produzir um impacto negativo considerável no meio ambiente e que esteja sujeito à decisão de uma autoridade nacional competente. em princípio. de acordo com suas capacidades. A comunidade internacional deverá fazer todo o possível para ajudar os Estados afetados. portanto. a falta de certeza cientificamente absoluta não deverá ser utilizada como razão para postergar a adoção de medidas eficazes. para impedir a degradação do meio ambiente.Os Estados deveriam cooperar efetivamente para desestimular ou evitar a realocação e a transferência para outros Estados de quaisquer atividades e substâncias que causem degradação ambiental grave ou se considerem nocivas para a saúde humana.

o desenvolvimento e a proteção do meio ambiente são interdependentes e inseparáveis. Princípio 26 Os Estados deverão resolver pacificamente todas as controvérsias sobre o meio ambiente em conformidade com a Carta das Nações Unidas. Em conseqüência. se necessário. Os Estados deveriam reconhecer e aprovar devidamente sua identidade. e cooperar para o seu posterior desenvolvimento. Princípio 22 As populações indígenas e suas comunidades. Publicado no Caderno de Documentos n. os Estados deveriam respeitar as disposições de Direito Internacional que protegem o meio ambiente em época de conflito armado.º 3 – "Cartas Patrimoniais"Ministério da Cultura Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional – IPHAN Brasília. Princípio 23 Devem ser protegidos os meio ambiente e os recursos naturais dos povos submetidos a opressão. por definição.Deveriam ser mobilizados a criatividade. Princípio 25 A paz. assim como outras comunidades locais. . 1995. inimiga do desenvolvimento sustentável. Princípio 24 A guerra é. dominação e ocupação. graças aos seus conhecimentos e práticas tradicionais. Princípio 27 Os Estados e as pessoas deverão cooperar de boa fé e com espírito de solidariedade na aplicação dos princípios consagrados nesta declaração e no posterior desenvolvimento do Direito Internacional na esfera do desenvolvimento sustentável. os ideais e o valor dos jovens do mundo para forjar uma aliança mundial orientada a obter o desenvolvimento sustentável e a assegurar um futuro melhor para todos. desempenham um papel fundamental no planejamento do meio ambiente e no desenvolvimento. cultura e interesses e tornar possível sua participação efetiva na obtenção do desenvolvimento sustentável.

Que o IPHAN promova o aprofundamento da reflexão sobre o conceito de bem cultural de natureza imaterial. em nível nacional. encaminhada pelos poderes públicos e pelos sociais organizados. sob a coordenação do IPHAN. diversidade e dinâmica. o Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional . conforme determina a Constituição Federal. e 5 . todos signatários deste documento.Que seja criado um grupo de trabalho no Ministério da Cultura. particularmente. o Seminário "Patrimônio Imaterial: Estratégias e Formas de Proteção". proteger. fiscalizar.Que o IPHAN. preservar e promover o patrimônio cultural brasileiro. documentar. órgãos de pesquisa. 3 . através de seu Departamento de Identificação e Documentação. meios de comunicação e outros. de 10 a 14 de novembro de 1997.Que os institutos de proteção legal em vigor no âmbito federal não se têm mostrado adequados à proteção do patrimônio cultural de natureza imaterial. voltado especificamente para a preservação dos bens culturais de natureza imaterial.Que o patrimônio cultural brasileiro é constituído por bens de natureza material e imaterial. 4 . à ação e à memória dos diferentes grupos formadores da sociedade brasileira" (Artigo 216 da Constituição).Que o grupo de trabalho estabeleça as necessárias interfaces para que sejam estudadas medidas voltadas para a promoção e o fomento dessas manifestações culturais. cabe ao IPHAN identificar. 3 . as criações científicas. a realização do inventário desses bens culturais em âmbito nacional. juntamente com outras unidades vinculadas ao Ministério da Cultura. promova. dispondo sobre a criação do instituto jurídico denominado registro. com o objetivo de desenvolver os estudos necessários para propor a edição de instrumento legal. para o qual foram convidados. da UNESCO e da sociedade.Que os bens de natureza imaterial devem ser objeto de proteção específica. O objetivo do Seminário foi recolher subsídios que permitissem a elaboração de diretrizes e a criação de instrumentos legais e administrativos visando a identificar. fazer e viver. "as formas de expressão. com a participação de suas entidades vinculadas e de eventuais colaboradores externos. Propõe e recomenda 1 . considerados em toda a sua complexidade.A crescente demanda pelo reconhecimento e preservação do amplo e diversificado patrimônio cultural brasileiro. 4 . os modos de criar. 2 . considerando: 1 . promover e fomentar os processos e bens "portadores de referência à identidade. proteger.IPHAN promoveu em Fortaleza. em parceria com instituições estaduais e municipais de cultura. e 5 . O plenário.Carta de Fortaleza de 14 de novembro de 1997 Em comemoração aos seus 60 anos de criação. com a colaboração de consultores do meio universitário e instituições de pesquisa. entendidas como iniciativas complementares indispensáveis à proteção legal propiciada pelo instituto do registro. e estiveram presentes. 2 .Que o Ministério da Cultura viabilize a integração do referido inventário ao Sistema Nacional de Informações Culturais. com especial atenção àquelas referentes à cultura popular. artística e tecnológicas". representantes de diversas instituições públicas e privadas. Essas medidas serão formuladas tendo em vista as especificidades das diferentes .Que.

já bastante defasada em relação às suas atribuições legais e administrativas. comissionados e funções. relativamente aos Estudos de Impacto Ambiental (EIA) e Relatórios de Impacto Ambiental (RIMA). através da criação de uma carreira especial. buscando valorizar as formas de produção simbólica e cognitiva.Que a preservação do patrimônio cultural seja abordada de maneira global. que organiza a proteção do patrimônio histórico e artístico nacional.Que seja desenvolvido um Programa Nacional de Educação Patrimonial. inclusive no que concerne a extinção de cargos efetivos. o IPHAN encaminhe ao Conselho Nacional do Meio Ambiente (CONAMA) proposta de regulamentação do item relativo ao patrimônio cultural. e com a participação de outros agentes do poder público e da sociedade. O plenário encaminhou as seguintes moções: 1 . Em defesa da criação de instrumentos legais complementares com o objetivo de regulamentar as outras formas de acautelamento e preservação mencionadas no parágrafo primeiro do Artigo 216 da Constituição Federal.Moção de defesa da legislação de preservação Em defesa do reconhecimento. 9 . 3. Pelo reconhecimento das atividades exercidas pelo IPHAN como função típica de Estado. Moção de apoio ao Ministério da Cultura .manifestações culturais. 7 . eficácia.Que o Ministério da Cultura procure influir no processo de elaboração das políticas públicas. 25/37.Que. a partir da experiência do IPHAN. no sentido de que sejam levados em consideração os valores culturais na sua formulação e implementação. considerando sua importância no processo de preservação do patrimônio cultural brasileiro.Que seja constituído um banco de dados acerca das manifestações culturais passíveis de proteção. proteção. O plenário ainda recomenda: 6 . Pela garantia de sobrevivência do IPHAN e de todas as suas conquistas nas áreas de identificação. tornando a difusão e o intercâmbio das informações ágil e acessível. cujas disposições foram recepcionadas pela Constituição Federal de 1988. e 12 . de modo a contemplá-lo em toda a sua amplitude. 2. em vigor. e o conseqüente desligamento de servidores não estáveis.Que sejam buscadas parcerias com entidades públicas e privadas com o objetivo de conhecer as manifestações culturais de natureza imaterial sobre as quais já existam informações disponíveis.Que seja estabelecida uma Política Nacional de Preservação do Patrimônio Cultural com objetivos e metas claramente definidos. 11 . preservação e promoção do patrimônio cultural brasileiro. documentação. Moção de apoio ao IPHAN Pelo repúdio a qualquer tipo de medida que venha a reduzir a capacidade operacional do IPHAN. atualidade e excelência jurídica do Decreto-lei n. 10 . 8 .

Moção de apoio às expressões culturais dos povos ameríndios Pelo reconhecimento da cultura indígena como integrante do patrimônio nacional brasileiro.Pelo repúdio a qualquer tipo de medida que venha a reduzir a capacidade operacional do Ministério da Cultura e demais entidades vinculadas. que estimulam a parceria entre Estado e sociedade na tarefa de preservar e promover o patrimônio cultural brasileiro. devendo. 5. Moção de congratulações à 4ª Coordenação Regional do IPHAN Pelo reconhecimento da importância de realização do Seminário "Patrimônio Imaterial: estratégias e formas de proteção" e da excelência de sua organização. Moção de defesa à Lei de Incentivo à Cultura Pela manutenção dos benefícios previstos na Lei de Incentivo à Cultura. . 4. inclusive no que concerne á extinção de cargos efetivos e o conseqüente desligamento de servidores não estáveis. 6. ser objeto de atenção dos órgãos do Ministério da Cultura. a exemplo de outras etnias. de modo a não comprometer suas atribuições institucionais.

c e d do artigo anterior. de acordo com o art. regida pelo direito comum. poços sepulcrais. que.São proibidos em todo território nacional o aproveitamento econômico. 180 da Constituição Federal. deverá comunicar à Diretoria do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional.00 (dez mil a cinqüenta mil cruzeiros). fiscalização e salvaguarda do interesse da ciência. a juízo da autoridade competente. sepulturas ou locais de pouso prolongado ou de aldeamento "estações" e "cerâmios".000. respeitadas as concessões anteriores e não caducas.00 a Cr$ 50.000. para fins econômicos ou outros. já estiver procedendo. registro.As jazidas conhecidas como sambaquis. casqueiros. manifestadas ao governo da União.Lei n° 3. Artigo 2° . tais como grutas. à exploração de jazidas arqueológicas ou préhistóricas. não inclui a das jazidas arqueológicas ou pré-históricas. nem a dos objetos nela incorporados na forma do art. 2° desta Lei será considerado crime contra o Patrimônio Nacional e. das jazidas arqueológicas ou pré-históricas conhecidas como sambaquis. jazigos.Toda pessoa. punível de acordo com o disposto nas leis penais. e bem assim dos sítios.Qualquer ato que importe na destruição ou mutilação dos monumentos a que se refere o art. inscrições e objetos enumerados nas alíneas b.Os monumentos arqueológicos ou pré-históricos de qualquer natureza existentes no território nacional e todos os elementos que neles se encontram ficam sob a guarda e proteção do Poder Público. montes artificiais ou tesos. lapas e abrigos sob rocha. de acordo com o que estabelece o art. que representem testemunhos da cultura dos paleoameríndios do Brasil. Artigo 3° . por intermédio da Diretoria do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional. para efeito de exame. d) as inscrições rupestres ou locais como sulcos de polimentos de utensílios e outros vestígios de atividade de paleoameríndios. dentro de sessenta (60) dias. Parágrafo único . aterrados. a destruição ou mutilação. 161 da mesma Constituição. o exercício dessa atividade. nos quais se encontram vestígios humanos de interesse arqueológico ou paleoetnográfico.924 de 26 de julho de1961. c) os sítios identificados como cemitérios. para qualquer fim.Consideram-se monumentos arqueológicos ou pré-históricos: a) as jazidas de qualquer natureza. antes de serem devidamente pesquisados. na data da publicação desta Lei. Artigo 5° . DISPÕE SOBRE OS MONUMENTOS ARQUEOLÓGICOS E PRÉ-HISTÓRICOS. Artigo 4° . concheiros. como tal. O Presidente da República: Faço saber que o Congresso Nacional decreta e eu sanciono a seguinte lei: Artigo 1° . estearias e quaisquer outras não especificadas aqui. 4° . natural ou jurídica. mas de significado idêntico. birbigueiras ou sernambis. tais como sambaquis. b) os sítios nos quais se encontram vestígios positivos de ocupação pelos paleomeríndios. Artigo 6° . sob pena de multa de Cr$ 10.A propriedade da superfície. origem ou finalidade.

da prova de idoneidade técnico-científica e financeira do requerente e do nome do responsável pela realização dos trabalhos. Artigo 9° . impedir a inspeção dos trabalhos por delegado especialmente designado pela Diretoria do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional. constitui-se mediante permissão do Governo da União. sobre o andamento das escavações. Artigo 7° . uma vez que: a) não sejam cumpridas as prescrições da presente Lei e do instrumento de concessão da licença. salvo motivo . Parágrafo 2° . terão precedência para estudo e eventual aproveitamento.A permissão terá por título uma portaria do Ministro da Educação e Cultura. Artigo 11° .O Ministério da Educação e Cultura poderá cassar a permissão concedida. trimestralmente.Desde que as escavações e estudos devam ser realizados em terreno que não pertença ao requerente.O permissionário fica obrigado a informar à Diretoria do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional. cuja notificação deverá ser feita imediatamente.O direito de realizar escavações para fins arqueológicos. acompanhado de indicação exata do local. para as providências cabíveis. em conformidade com o Código de Minas. que será transcrita em livro próprio da Diretoria do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional e na qual ficarão estabelecidas as condições a serem observadas ao desenvolvimento das escavações e estudos. Artigo 12° . em terras de domínio público ou particular. através da Diretoria do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional.As jazidas arqueológicas ou pré-históricas de qualquer natureza.As escavações devem ser necessariamente executadas sob orientação do permissionário. Parágrafo único . 4° e 6° desta Lei. Parágrafo 1° . bens patrimoniais da União. que responderá civil. sob nenhum pretexto. eleito na forma do Código Civil. não podendo o responsável.O pedido de permissão deve ser dirigido à Diretoria do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional. do vulto e da duração aproximada dos trabalhos a serem executados. deverá ser anexado ao seu pedido o consentimento escrito do proprietário do terreno ou de quem esteja em uso e gozo desse direito. para todos os efeitos. penal e administrativamente pelos prejuízos que causar ao Patrimônio Nacional ou a terceiros. não manifestadas e registradas na forma dos arts. b) sejam suspensos os trabalhos de campo por prazo superior a doze (12) meses. ficando obrigado a respeitá-lo o proprietário ou possuidor do solo. somente poderá requerer a permissão o administrador ou cabecel. CAPÍTULO II Das Escavações Arqueológicas realizadas por particulares Artigo 8° .e registradas na forma do artigo 27 desta Lei.Estando em condomínio a área em que se localiza a jazida. Parágrafo 3° .As escavações devem ser realizadas de acordo com as condições estipuladas no instrumento de permissão. Artigo 10° . quando for julgado conveniente. são consideradas. salvo a ocorrência de fato excepcional.

36 do Decreto-lei n° 3. dos Estados e dos Municípios Artigo 13° .Dessa comunicação deve constar. Artigo 16° . . direito imanente ao Estado. sem prévia comunicação à Diretoria do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional. o nome do especialista encarregado das escavações.365. será esta declarada de utilidade pública e autorizada a sua ocupação pelo período necessário à execução dos estudos.Em qualquer dos casos acima enumerados. 5°. CAPÍTULO IV Das Descobertas Fortuitas Artigo 17° . devidamente comprovado. alíneas K e L do Decreto-lei n° 3.A posse e a salvaguarda dos bens de natureza arqueológica ou pré-histórica constituem.de força maior. o local deverá ser restabelecido. os indícios que determinaram a escolha do local e. para realização de escavações nas jazidas declaradas de utilidade pública. com fundamento no art. poderá realizar escavações arqueológicas ou pré-históricas. ou parte dele. sempre que possível. Artigo 14° . essa obrigação só terá cabimento quando se comprovar que. Parágrafo único . de 21 de junho de 1941. mesmo no caso do art. Artigo 15° . na sua feição primitiva.Em caso de as escavações produzirem a destruição de um relevo qualquer. para fins de registro no cadastro de jazidas arqueológicas. por utilidade pública. no interesse da Arqueologia e da Pré-história em terrenos de propriedade particular. deverá ser lavrado um auto. c) no caso de não cumprimento do parágrafo 3° do artigo anterior. nos termos do art. CAPÍTULO III Das Escavações Arqueológicas realizadas por Instituições Científicas Especializadas da União. o tipo ou a designação da jazida. obrigatoriamente o local. bem como os Estados e Municípios mediante autorização federal. desse aspecto particular do terreno.À falta de acordo amigável com o proprietário da área onde se situar a jazida.Em casos especiais e em face do significado arqueológico excepcional das jazidas. posteriormente. resultavam incontestáveis vantagens para o proprietário. dos Estados ou dos Municípios. poderá ser promovida a desapropriação do imóvel. o permissionário não terá direito a indenização alguma pela despesas que tiver efetuado. em princípio. Parágrafo único .365. 28 desta Lei. no qual se descreva o aspecto exato do local.A União. uma súmula dos resultados obtidos e do destino do material coletado.Terminados os estudos. Parágrafo 1° . poderão proceder a escavações e pesquisas. Parágrafo único . antes do início dos estudos.Nenhum órgão da administração federal.No caso de ocupação temporária do terreno. Parágrafo 2° . com exceção das áreas muradas que envolvam construções domiciliares. de 21 de junho de 1941.

sempre que possível ou conveniente.O objeto apreendido. razão deste artigo. Parágrafo único .Nenhuma autorização de pesquisa ou de lavra para jazidas de calcário de concha. Parágrafo único .Nenhum objeto que apresente interesse arqueológico ou pré-histórico. Histórico. Artigo 20° .Artigo 18° . constante de uma "guia" de liberação na qual serão devidamente especificados os objetos a serem transferidos. Artigo 21° . como blocos testemunhos. que possua as características de monumentos arqueológicos ou pré-históricos. até o pronunciamento e deliberação da Diretoria do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional.De todas as jazidas será preservada. Artigo 19° . artístico ou numismático deverá ser imediatamente comunicada à Diretoria do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional. de objetos de interesse Arqueológico ou Pré-histórico.A descoberta fortuita de quaisquer elementos de interesse arqueológico ou préhistórico. CAPÍTULO V Da remessa. sem prejuízo da responsabilidade do inventor pelos danos que vier a causar ao Patrimônio Nacional. CAPÍTULO VI Disposições Gerais Artigo 22° . Artigo 23° . será entregue à Diretoria do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional. ou aos órgãos oficiais autorizados.O Conselho de Fiscalização das Expedições Artísticas e Científicas encaminhará Diretoria do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional qualquer pedido de cientista estrangeiro. para realizar escavações arqueológicas ou pré-históricas no país. para o exterior.A infringência da obrigação imposta no artigo anterior implicará na apreensão sumária do achado. a ser protegida pelos meios convenientes. em decorrência da omissão. sem licença expressa da Diretoria do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional. poderá ser realizado na forma e nas condições prescritas pelo Código de Minas. pelo autor do achado ou pelo proprietário do local onde tiver ocorrido. Parágrafo único . Numismático ou Artístico. numismático ou artístico poderá ser transferido para o exterior. uma parte significativa.A inobservância da prescrição do artigo anterior implicará na apreensão sumária do objeto a ser transferido. . mediante parecer favorável da Diretoria do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional ou do órgão oficial autorizado. uma vez concluída a sua exploração científica.O proprietário ou ocupante do imóvel onde se tiver verificado o achado é responsável pela conservação provisória da coisa descoberta.O aproveitamento econômico das jazidas. poderá ser concedida sem audiência prévia da Diretoria do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional. objeto desta Lei. sem prejuízo das demais cominações legais a que estiver sujeito o responsável. Artigo 24° .

Artigo 31° . bem como de instituições que tenham entre seus objetivos específicos o estudo e a defesa dos monumentos arqueológicos e pré-históricos. poderão ser delegadas a qualquer unidade da Federação. bem como das que se tornarem conhecidas por qualquer via. bem como de recursos suficientes para o custeio e bom andamento dos trabalhos.Artigo 25° . dará lugar à multa de Cr$ 5.Para melhor execução da presente Lei. revogadas as disposições em contrário. em 26 de julho de 1961.000. estaduais.Esta lei entrará em vigor na data de sua publicação.A Diretoria do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional manterá um Cadastro dos monumentos arqueológicos do Brasil. Artigo 30° . a partir da vigência desta Lei. a Diretoria do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional poderá solicitar a colaboração de órgãos federais. 140° da Independência e 73° da República. no prazo de 120 dias. a regulamentação que for julgada necessária à sua fiel execução.O poder Executivo baixará. Artigo 28° . preservação e estudo das jazidas arqueológicas e pré-históricas. Brasília. de acordo com o disposto nesta Lei.A realização de escavações arqueológicas ou pré-históricas. sem prejuízo de sumária apreensão e conseqüente perda. que disponha de serviços técnico-administrativos especialmente organizados para a guarda. Artigo 27° . de todo o material e equipamento existente no local. sem prejuízo de outras penalidades cabíveis.No caso deste artigo. no qual serão registrados todas as jazidas manifestadas. para o Patrimônio Nacional. municipais.000. o produto das multas aplicadas e apreensões de material legalmente feitas reverterá em benefício do serviço estadual. conforme o caso. para o cumprimento desta Lei. organizado para a preservação e estudo desses monumentos.00 (cinco mil cruzeiros) a Cr$ 50. Jânio Quadros Brigido Tinoco Oscar Pedroso Horta Clemente Mariani João Agripino .Aos infratores desta Lei serão aplicadas as sanções dos artigos 163 a 167 do Código Penal.00 (cinqüenta mil cruzeiros). com infringência de qualquer dos dispositivos desta Lei. Artigo 26° . Parágrafo único .As atribuições conferidas ao Ministério da Educação e Cultura. Artigo 29° .

Artigo 3º .Constitui o patrimônio histórico e artístico nacional o conjunto dos bens móveis e imóveis existentes no País e cuja conservação seja de interesse público. § 2º . 4º) que pertençam a casas de comércio de objetos históricos ou artísticos. fornecida pelo Serviço do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional. nos quais serão inscritas as obras a que se refere o art.Excluem-se do patrimônio histórico e artístico nacional as obras de origem estrangeira: 1º) que pertençam às representações diplomáticas ou consulares acreditadas no País. 1º desta lei. Artigo 2º . quer por sua vinculação a fatos memoráveis da história do Brasil.A presente lei se aplica às coisas pertencentes às pessoas naturais. bem como às pessoas jurídicas de direito privado e de direito público interno. bibliográfico ou artístico.O Serviço do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional possuirá quatro Livros do Tombo. de que trata o Art. a saber: . 4º desta lei. 3º) que se incluam entre os bens referidos no art. 6º) que sejam importadas por empresas estrangeiras expressamente para adorno dos respectivos estabelecimentos. 10 da Introdução ao Código Civil.Os bens a que se refere o presente artigo só serão considerados parte integrante do patrimônio histórico e artístico nacional depois de inscritos separada ou agrupadamente num dos quatro Livros do Tombo. quer por seu excepcional valor arqueológico ou etnográfico. que façam carreira no País. 180 da Constituição. Parágrafo único: As obras mencionadas nas alíneas 4 e 5 terão guia de licença para livre trânsito. usando da atribuição que lhe confere o art. § 1º . e que continuam sujeitas à lei pessoal do proprietário. decreta: CAPÍTULO I Do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional Artigo 1º . bem como os sítios e paisagens que importe conservar e proteger pela feição notável com que tenham sido dotados pela Natureza ou agenciados pela indústria humana. educativas ou comerciais. O Presidente da República dos Estados Unidos do Brasil. 2º) que adornem quaisquer veículos pertencentes a empresas estrangeiras. CAPÍTULO II Do Tombamento Artigo 4º .Equiparam-se aos bens a que se refere o presente artigo e são também sujeitos a tombamento os monumentos naturais. 5º) que sejam trazidas para exposições comemorativas.Decreto-lei n° 25 de 30 de novembro de 1937 ORGANIZA A PROTEÇÃO DO PATRIMÔNIO HISTÓRICO E ARTÍSTICO NACIONAL.

O tombamento compulsório se fará de acordo com o seguinte processo: 1º) O Serviço do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional. 6º desta lei. a fim de produzir os necessários efeitos. à notificação. a contar do recebimento da notificação. oferecer dentro do mesmo prazo as razões de sua impugnação. se o quiser impugnar.O tombamento de coisa pertencente à pessoa natural ou à pessoa jurídica de direito privado se fará voluntária ou compulsoriamente. ao órgão de que houver emanado a iniciativa do tombamento. Artigo 6º . que é fatal. 1º. Artigo 9º . por seu órgão competente. 2º) no caso de não haver impugnação dentro do prazo assinado. a contar do seu recebimento. notificará o proprietário para anuir ao tombamento. aos Estados e aos Municípios se fará de ofício por ordem do Diretor do Serviço do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional. a fim de sustentá-la.Cada um dos Livros do Tombo poderá ter vários volumes. 3º) no Livro do Tombo das Belas-Artes. nacionais ou estrangeiras. o diretor do Serviço do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional mandará por simples despacho que proceda à inscrição da coisa no competente Livro do Tombo. as coisas de arte erudita nacional ou estrangeira. § 2º . Artigo 7º . Artigo 5º . serão definidos e especificados no regulamento que for expedido para execução da presente lei. e bem assim as mencionadas no § 2º do citado art.O tombamento dos bens. independentemente de custas. será o processo remetido ao Conselho Consultivo do Serviço do Patrimônio Histórico Nacional. 3º) se a impugnação for oferecida dentro do prazo assinado. as coisas de interesse histórico e as obras de arte histórica. § 1º . dentro do prazo de quinze dias. conforme esteja o respectivo processo iniciado pela notificação ou concluído pela inscrição dos referidos bens no competente Livro do Tombo. Etnográfico e Paisagístico. que se lhe fizer. 2. far-se-á vista da mesma. Dessa decisão não caberá recurso. dentro de outros quinze dias fatais.Proceder-se-á ao tombamento voluntário sempre que o proprietário o pedir e a coisa se revestir dos requisitos necessários para constituir parte integrante do patrimônio histórico e artístico nacional a juízo do Conselho Consultivo do Serviço do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional. para inscrição da coisa em qualquer dos Livros do Tombo. mas deverá ser notificado à entidade a quem pertencer.1º) no Livro do Tombo Arqueológico. 4º) no Livro do Tombo das Artes Aplicadas. por escrito. as coisas pertencentes às categorias de arte arqueológica.O tombamento dos bens pertencentes à União.Os bens. Em seguida. ou sempre que o mesmo proprietário anuir. que proferirá decisão a respeito. dentro do prazo de sessenta dias. 3 e 4 do presente artigo. ameríndia e popular. Artigo 10º . a que se refere o art. . ou sob cuja guarda estiver a coisa tombada. ou para. Artigo 8º . que se incluem nas categorias enumeradas nas alíneas 1. 2º) no Livro do Tombo Histórico.Proceder-se-á ao tombamento compulsório quando o proprietário se recusar a anuir à inscrição da coisa. será considerado provisório ou definitivo. etnográfica. as obras que se incluírem na categoria das artes aplicadas.

a exportação para fora do País. será esta seqüestrada pela União ou pelo Estado em que se encontrar.Apurada a responsabilidade do proprietário. Artigo 14 . ainda que se trate de transmissão judicial ou causa mortis. da coisa tombada.A pessoa que tentar a exportação de coisa tombada. o tombamento provisório se equipará ao definitivo. que pertençam à União.O tombamento definitivo dos bens de propriedade particular será. sob pena de multa de dez por cento sobre o valor da coisa.As coisas tombadas. § 1º .Parágrafo único . § 2º . aos Estados ou aos Municípios.Tentada.A transferência deve ser comunicada pelo adquirente. de propriedade de pessoas naturais ou jurídicas de direito privado. § 3º . além de incidir na multa a que se referem os parágrafos anteriores. transcrito para os devidos efeitos em livro a cargo dos oficiais do registro de imóveis e averbado ao lado da transcrição do domínio. incorrerá nas penas cominadas no Código Penal para o crime de contrabando. e até que este se faça. deverá o proprietário.A coisa tombada não poderá sair do País. § 1º .No caso de extravio ou furto de qualquer objeto tombado. § 3º . Artigo 15 . dentro do prazo de trinta dias. Artigo 12 . 13 desta lei. sob pena de multa de dez por centro sobre o respectivo valor. que permanecerá seqüestrada em garantia do pagamento. inscrevê-los no registro do lugar para que tiveram sido deslocados. dentro do mesmo prazo e sob pena da mesma multa. dentro do prazo de cinco dias. só poderão ser transferidas de uma à outra das referidas entidades. Parágrafo único. dela deve o adquirente dar imediato conhecimento ao Serviço do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional. dentro do mesmo prazo e sob a mesma pena. Feita a transferência. CAPÍTULO III Dos efeitos do tombamento Artigo 11 .A alienabilidade das obras históricas ou artísticas tombadas. sem transferência de domínio e para fim de intercâmbio cultural. e a deslocação pelo proprietário. Artigo 16 .No caso de reincidência. deverá o adquirente. Artigo 13 . inalienáveis por natureza. por iniciativa do órgão competente do Serviço do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional. ser-lhe-á imposta a multa de cinqüenta por cento do valor da coisa. a juízo do Conselho Consultivo do Serviço do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional. a não ser no caso previsto no artigo anterior.Na hipótese de deslocação de tais bens. . ao Serviço do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional. senão por curto prazo. § 2º .No caso de transferência de propriedade dos bens de que trata este artigo. salvo a disposição do art.Para todos os efeitos. o respectivo proprietário deverá dar conhecimento do fato ao Serviço do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional. a multa será elevada ao dobro. fazê-la constar do registro. sofrerá as restrições constantes da presente lei.

Artigo 17 - As coisas tombadas não poderão, em caso nenhum, ser destruídas, demolidas ou mutiladas, nem, sem prévia autorização especial do Serviço do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional, ser reparadas, pintadas ou restauradas, sob pena de multa de cinqüenta por cento do dano causado. Parágrafo único: Tratando-se de bens pertencentes à União, aos Estados ou aos Municípios, a autoridade responsável pela infração do presente artigo incorrerá pessoalmente na multa. Artigo 18 - Sem prévia autorização do Serviço do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional, não se poderá, na vizinhança da coisa tombada, fazer construção que lhe impeça ou reduza a visibilidade, nem nela colocar anúncios ou cartazes, sob pena de ser mandada destruir a obra ou retirar o objeto, impondo-se neste caso multa de cinqüenta por cento do valor do mesmo objeto. Artigo 19 - O proprietário de coisa tombada, que não dispuser de recursos para proceder às obras de conservação e reparação que a mesma requerer, levará ao conhecimento do Serviço do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional e necessidade das mencionadas obras, sob pena de multa correspondente ao dobro da importância em que for avaliado o dano sofrido pela mesma coisa. § 1º - Recebida a comunicação, e consideradas necessárias as obras, o diretor do Serviço do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional mandará executá-las, a expensas da União, devendo as mesmas ser iniciadas dentro do prazo de seis meses, ou providenciará para que seja feita a desapropriação da coisa. § 2º - À falta de qualquer das providências previstas no parágrafo anterior, poderá o proprietário requerer que seja cancelado o tombamento da coisa. § 3º - Uma vez que verifique haver urgência na realização de obras e conservação ou reparação em qualquer coisa tombada, poderá o Serviço do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional tomar a iniciativa de projetá-las e executá-las, a expensas da União, independentemente da comunicação a que alude este artigo, por parte do proprietário. Artigo 20 - As coisas tombadas ficam sujeitas à vigilância permanente do Serviço do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional, que poderá inspecioná-las sempre que for julgado conveniente, não podendo os respectivos proprietários ou responsáveis criar obstáculos à inspeção, sob pena de multa de cem mil réis, elevada ao dobro em caso de reincidência. Artigo 21 - Os atentados cometidos contra os bens de que trata o art. 1º desta lei são equiparados aos cometidos contra o patrimônio nacional. CAPÍTULO IV Do direito de preferência Artigo 22 - Em face da alienação, onerosa de bens tombados, pertencentes a pessoas naturais ou a pessoas jurídicas de direito privado, a União, os Estados e os Municípios terão, nesta ordem, o direito de preferência. § 1º - Tal alienação não será permitida sem que previamente sejam os bens oferecidos, pelo mesmo preço, à União, bem como ao Estado e ao Município em que se encontrarem. O proprietário deverá notificar os titulares do direito de preferência a usá-lo, dentro de trinta dias, sob pena de perdê-lo.

§ 2º - É nula a alienação realizada com violação do disposto no parágrafo anterior, ficando qualquer dos titulares do direito de preferência habilitado a seqüestrar a coisa e a impor a multa de vinte por cento do seu valor ao transmitente e ao adquirente, que serão por ela solidariamente responsáveis. A nulidade será pronunciada, na forma da lei, pelo juiz que conceder o sequestro, o qual só será levantado depois de paga a multa e se qualquer dos titulares do direito de preferência não tiver adquirido a coisa no prazo de trinta dias. § 3º - O direito de preferência não inibe o proprietário de gravar livremente a coisa tombada, de penhor, anticrese ou hipoteca. § 4º - Nenhuma venda judicial de bens tombados se poderá realizar sem que, previamente, os titulares do direito de preferência sejam disso notificados judicialmente, não podendo os editais de praça ser expedidos, sob pena de nulidade, antes de feita a notificação. § 5º - Aos titulares do direito de preferência assistirá o direito de remissão, se dela não lançarem mão, até a assinatura do auto de arrematação ou até a sentença de adjudicação, as pessoas que, na forma da lei, tiverem a faculdade de remir. § 6º - O direito de remissão por parte da União, bem como do Estado e do Município em que os bens se encontrarem, poderá ser exercido, dentro de cinco dias a partir da assinatura do auto de arrematação ou da sentença de adjudicação, não se podendo extrair a carta enquanto não se esgotar este prazo, salvo se o arrematante ou o adjudicante for qualquer dos titulares do direito de preferência. CAPÍTULO V Disposições gerais Artigo 23 - O Poder Executivo providenciará a realização de acordos entre a União e os Estados, para melhor coordenação e desenvolvimento das atividades relativas à proteção do patrimônio histórico e artístico nacional e para a uniformização da legislação estadual complementar sobre o mesmo assunto. Artigo 24 - A União manterá, para conservação e exposição de obras históricas e artísticas de sua propriedade, além do Museu Histórico Nacional e do Museu Nacional de Belas Artes, tantos outros museus nacionais quantos se tornarem necessários, devendo outrossim providenciar no sentido a favorecer a instituição de museus estaduais e municipais, com finalidades similares. Artigo 25 - O Serviço do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional procurará entendimentos com as autoridades eclesiásticas, instituições científicas, históricas ou artísticas e pessoas naturais e jurídicas, com o objetivo de obter a cooperação das mesmas em benefício do patrimônio histórico e artístico nacional. Artigo 26 - Os negociantes de antigüidade, de obras de arte de qualquer natureza, de manuscritos e livros antigos ou raros são obrigados a um registro especial no Serviço do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional, cumprindo-lhes outrossim apresentar semestralmente ao mesmo relações completas das coisas históricas e artísticas que possuírem. Artigo 27 - Sempre que os agentes de leilões tiverem de vender objetos de natureza idêntica à dos mencionados no artigo anterior, deverão apresentar a respectiva relação ao órgão competente do Serviço do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional, sob pena de incidirem na multa de cinqüenta por cento sobre o valor dos objetos vendidos.

Artigo 28 - Nenhum objeto de natureza idêntica à dos referidos no art. 26 desta lei poderá ser posto à venda pelos comerciantes ou agentes de leilões, sem que tenha sido previamente autenticado pelo Serviço do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional, ou por perito em que o mesmo se louvar, sob pena de multa de cinqüenta por cento sobre o valor atribuído ao objeto. Parágrafo único: A autenticação do mencionado objeto será feita mediante o pagamento de uma taxa de peritagem de cinco por cento sobre o valor da coisa, se este for inferior ou equivalente a um conto de réis, e de mais cinco mil-réis por conto de réis ou fração que exceder. Artigo 29 - O titular do direito de preferência goza de privilégio especial sobre o valor produzido em praça por bens tombados, quanto ao pagamento de multas impostas em virtude de infrações da presente lei. Parágrafo único - Só terão prioridade sobre o privilégio a que se refere este artigo os créditos inscritos no registro competente antes do tombamento da coisa pelo Serviço Nacional do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional. Artigo 30 - Revogam-se as disposições em contrário. Rio de Janeiro, em 30 de novembro de 1937; 116º da Independência e 49º da República. Getúlio Vargas Gustavo Capanema

as soluções adotadas para a eliminação. devendo ser legíveis como adições do tempo presente. de 12 de novembro de 1. na Lei no 3. de 08 de novembro de 2. sistemas e redes de informática. na Lei no 7.807.811. na Lei no 10. de orientação e de comunicação. A PRESIDENTE DO INSTITUTO DO PATRIMÔNIO HISTÓRICO E ARTÍSTICO NACIONAL. . de 20 de dezembro de 1. de 26 de julho de 1. observadas as seguintes premissas: a) As intervenções poderão ser promovidas através de modificações espaciais e estruturais. facilitando a utilização desses bens e a compreensão de seus acervos para todo o público. de 21 de outubro de 1998. no Decreto no 3. de forma a assegurar a acessibilidade plena sempre que possível. pela incorporação de dispositivos. bem como pela utilização de ajudas técnicas e sinalizações específicas. que cria o instituto do tombamento ou. 20.098/2000. 1. de 30 de novembro de 1937.961.2. Tendo como referências básicas a LF 10. de 19 de dezembro de 2.924. regida por norma legal específica .985. na Lei no 7.000 e na Lei no 10.924. b) Cada intervenção deve ser considerada como um caso específico. 1. Para efeito desta Instrução Normativa são adotadas as seguintes definições: a) Acautelamento: forma de proteção que incide sobre o bem cultural. em harmonia com o conjunto. tendo em vista o disposto no Decreto-lei no 25. no uso das atribuições que lhe são conferidas pelo art. de 24 de outubro de 1989.405. a NBR9050 da ABNT e esta Instrução Normativa. o Decreto nº 2. em cada caso específico. resolve: 1.098. conforme especifica.1.999.048. no caso dos monumentos arqueológicos ou pré-históricos. inciso V. DE 25 DE NOVEMBRO DE 2003. avaliando-se as possibilidades de adoção de soluções em acessibilidade frente às limitações inerentes à preservação do bem cultural imóvel em questão. em especial pelas pessoas portadoras de deficiência ou com mobilidade reduzida. a fim de equiparar as oportunidades de fruição destes bens pelo conjunto da sociedade.Decreto-lei no 25. pela Lei 3. Estabelecer diretrizes. redução ou superação de barreiras na promoção da acessibilidade aos bens culturais imóveis devem compatibilizar-se com a sua preservação e. critérios e recomendações para a promoção das devidas condições de acessibilidade aos bens culturais imóveis especificados nesta Instrução Normativa. assegurar condições de acesso. c) O limite para a adoção de soluções em acessibilidade decorrerá da avaliação sobre a possibilidade de comprometimento do valor testemunhal e da integridade estrutural resultantes. e outras categorias. de trânsito.INSTITUTO DO PATRIMÔNIO HISTÓRICO E ARTÍSTICO NACIONAL INSTRUÇÃO NORMATIVA Nº 1. Dispõe sobre a acessibilidade aos bens culturais imóveis acautelados em nível federal.298. de 19 de agosto de 2.853.000.003. do Anexo I ao Decreto nº 4. de 26 de julho de 1961. de 30 de novembro de 1937.

histórico. de forma autônoma.b) Bem cultural: elemento que por sua existência e característica possua significação cultural para a sociedade . paisagístico. se for o caso. visa recuperar a plenitude de expressão e a perenidade do bem cultural. i) Pessoa portadora de deficiência ou com mobilidade reduzida: a que temporária ou permanentemente tem limitada sua capacidade de relacionar-se com o meio e de utilizá-lo. com o intuito de conter a sua deterioração. segura e confortável. legalmente protegidos pelo Iphan. c) Bens culturais imóveis acautelados em nível federal: bens imóveis caracterizados por edificações e/ou sítios dotados de valor artístico. localizados em áreas urbanas ou rurais. com base em metodologia e técnica específicas. f) Manutenção: operação contínua de promoção das medidas necessárias ao funcionamento e permanência dos efeitos da conservação. j) Barreiras: qualquer entrave ou obstáculo que limite ou impeça o acesso. das edificações. arqueológico. dos espaços. histórico.seja individualmente ou em conjunto. com segurança e autonomia. arqueológico. g) Restauração: conjunto de intervenções de caráter intensivo que. por pessoa portadora de deficiência ou com mobilidade reduzida. l) Desenho universal: solução que visa atender simultaneamente maior variedade de pessoas com diferentes características antropométricas e sensoriais. mobiliários e equipamentos urbanos. III) barreiras nas comunicações: qualquer entrave ou obstáculo que dificulte ou impossibilite a expressão ou o recebimento de mensagens por intermédio dos meios ou sistemas de comunicação. paisagístico. etnográfico . h) Acessibilidade: possibilidade e condição de alcance para utilização. II) barreiras arquitetônicas na edificação: as existentes no interior dos edifícios públicos e privados.valor artístico. sejam ou não de massa. d) Preservação: conjunto de ações que visam garantir a permanência dos bens culturais. . classificadas em: I) barreiras arquitetônicas urbanísticas: as existentes nas vias públicas e nos espaços de uso público. respeitadas as marcas de sua passagem através do tempo. com o objetivo de assegurar a visibilidade e a ambiência do bem ou do conjunto. dos transportes e dos sistemas e meios de comunicação. cuja proteção se dê em caráter individual ou coletivo. e) Conservação: intervenção voltada para a manutenção das condições físicas de um bem. podendo compreender também o seu entorno ou vizinhança. a liberdade de movimento e a circulação com segurança das pessoas. etnográfico.

3.098/2000. (3) de uso privado. bem como a densidade populacional da área no caso de sítios históricos urbanos. toldos. Aplicar-se-á a presente Instrução Normativa do Iphan. 1. q) Uso público. saneamento. aquelas apropriadas ou administradas por entidades da Administração Pública e empregadas diretamente para atender ao interesse público. no cumprimento de suas obrigações quanto à acessibilidade e. com base nesta Instrução Normativa. aquelas cuja utilização está voltada para fins comerciais ou de prestação de serviços (incluindo atividades de lazer e cultura) e abertas ao público em geral e. 23 da referida lei. entende-se como: (1) de uso público. de forma que sua modificação ou traslado não provoque alterações substanciais nestes elementos. sem prejuízo das obrigações quanto à preservação. Superintendências e Unidades. aquelas com destinação residencial. tais como os referentes a pavimentação. especialmente o estabelecido no art. salvo a realização de obras de conservação ou . em ações propostas pelo Iphan. distribuição de energia elétrica.2. aos responsáveis pelos bens culturais imóveis acautelados em nível federal. os níveis de intervenção estabelecidos pelos responsáveis para cada imóvel. fontes públicas. uso coletivo e uso privado: a partir da compreensão da LF 10. Os imóveis próprios ou sob a administração do Iphan deverão atender as exigências da LF 10. iluminação pública. 1. postes de sinalização e similares. por seus respectivos Departamentos. cabines telefônicas. p) Mobiliário Urbano: o conjunto de objetos existentes nas vias e espaços públicos. superpostos ou adicionados aos elementos da urbanização ou da edificação. 1.098/2000. Os bens culturais imóveis acautelados em nível federal de propriedade de terceiros. respeitando-se a disponibilidade orçamentária. n) Ajuda técnica: qualquer elemento que facilite a autonomia pessoal ou possibilite o acesso e o uso de meio físico.1. marquises. sempre que couber. seja unifamiliar ou multifamiliar. quiosques e quaisquer outros de natureza análoga. abastecimento e distribuição de água. a ordem de relevância cultural e de afluxo de visitantes. o) Elemento da urbanização: qualquer componente das obras de urbanização. lixeiras.3. b) Os bens culturais imóveis acautelados em nível federal serão adaptados gradualmente. tendo em vista proporcionar à comunidade o efeito demonstrativo da ação do Iphan.3. os serviços e fluxos da rede urbana. paisagismo e os que materializam as indicações do planejamento urbanístico. quando da intervenção para preservação. tais como semáforos.m) Rota acessível: interligação ou percurso contínuo e sistêmico entre os elementos que compõem a acessibilidade. contexto no qual se inserem as terminologias quanto aos usos das edificações. compreendendo os espaços internos e externos às edificações. verificada a disponibilidade imediata de recursos técnicos e financeiros. (2) de uso coletivo. encanamento para esgotos. com base no exercício do poder de polícia do Instituto. conforme as categorias de imóveis e condições a seguir relacionadas. observando-se as seguintes orientações: a) Soluções em acessibilidade deverão ser implementadas em curto prazo. inerente à sua condição autárquica.

Nos casos previstos para aplicação desta Instrução Normativa. por iniciativa espontânea do proprietário na promoção de soluções em acessibilidade. estão sujeitos à promoção de soluções em acessibilidade.1. a serem previamente submetidas ao Iphan. Elaborar e aperfeiçoar métodos. . de modo a assegurar ao portador de deficiência e à pessoa com mobilidade reduzida. 2. investigações sobre materiais. a atuação do corpo funcional do Iphan e demais gestores de bens culturais imóveis acautelados em nível federal. a adoção de soluções em acessibilidade dependerá de apresentação prévia de projeto pelo interessado. b) Imóveis de uso público ou de uso coletivo . que implique em obras de reforma. manuais e ajudas técnicas. porém destinado ao uso público ou coletivo. conforme o art. para análise e aprovação do Iphan. conforme a LF 10.098/2000. reconstrução ou ampliação. a fim de orientar a elaboração de diagnósticos e manutenção de registro dos resultados em inventários. tendo em vista a avaliação das condições de acessibilidade real e potencial dos bens culturais imóveis acautelados em nível federal. em atendimento às iniciativas do Iphan ou dos demais gestores culturais competentes. apontando para a necessidade de reconhecer a diversidade dos usuários nas diversas ações de preservação.por força da legislação federal. inclusive através de intercâmbio internacional. c) Imóveis inseridos em sítios históricos. 2. no qual estiver integrado bem escultórico ou pictórico tombado pelo Iphan sujeita-se. acesso e atendimento adequados. técnicas e equipamentos. Tendo em vista a implementação do disposto nesta Instrução Normativa. normas e regulamentos. 1. instrumentos de análise e de acompanhamento.3. paisagísticos ou arqueológicos acautelados em nível federal . a esta Instrução Normativa. 2. utilizando fontes diversas. legislação. critérios.nos casos de intervenção. pela substituição do uso privado por outro uso ou atividade que implique no cumprimento de determinações legais referentes às condições de acessibilidade. parâmetros. bem como a apreciação.nos casos previstos nas alíneas (a) e (b). no que couber. 11 da LF 10. na construção em terrenos não edificados e na reforma ou ampliação de edificações.3. na implantação de rotas acessíveis e remoção de barreiras presentes no espaço urbano ou natural. quando da realização de obras de construção.3. nas seguintes situações: a) Imóveis de uso privado .2. Promover a capacitação dos quadros técnico e administrativo.manutenção. incluída a restauração. reforma ou ampliação.4. tais como pesquisas ergonômicas. deverá pautar-se nas diretrizes seguintes. guarda e utilização dos bens culturais imóveis acautelados em nível federal. O imóvel não acautelado em nível federal. Identificar. 1. quando destinadas ao uso público ou coletivo e ainda que desprovidas de características relevantes para o patrimônio cultural. estadual ou municipal. que servirão de fundamentação ao Plano Plurianual de Ação em Acessibilidade do Instituto: 2.098/2000. reunir e difundir informações destinadas a reduzir ou eliminar barreiras para promoção da acessibilidade aos bens culturais imóveis acautelados em nível federal.

órgãos públicos e concessionários.8. 2. Sistematizar experiências e compilar padrões e critérios.6.aprovação e implementação de projetos de intervenção e a formulação de programas. d) A compatibilidade de procedimentos entre os diferentes níveis de governo. e demais categorias quando couber. tais como instituições universitárias. sob a aprovação ou orientação do Iphan. Informar aos agentes de interesse. especialmente no tocante à acessibilidade aos bens culturais imóveis acautelados em nível federal. a fim de garantir a correta aplicação de soluções em acessibilidade. de revitalização e de promoção de bens culturais imóveis acautelados em nível federal sob a responsabilidade ou com a participação do Iphan. 2. incorporem soluções em acessibilidade segundo os preceitos do desenho universal e rota acessível. tendo em vista: a) O desenvolvimento de ações dirigidas para a associação do tema da acessibilidade com a preservação de bens culturais imóveis acautelados em nível federal e respectivos acervos. e propiciar a atualização permanente dos procedimentos.4. 2. que estejam diretamente afetos ao tema da preservação do patrimônio histórico e cultural ou que nele venham a interferir. através da discussão conjunta de alternativas e do acompanhamento e avaliação. Articular-se com as organizações representativas de pessoas portadoras de deficiência ou com mobilidade reduzida. c) A inserção de critérios para promoção da acessibilidade nos programas de preservação. b) A elaboração e implementação de programas específicos para acessibilidade aos bens culturais imóveis acautelados em nível federal.5. observada em cada caso a compatibilidade com as características do bem e seu entorno. no âmbito de sua competência. programas e ações em acessibilidade da União. visando: a) O engajamento do Iphan no planejamento das políticas. avaliados e aprovados pelas unidades do Iphan. . a fim de estimular iniciativas adequadas de intervenção nos bens culturais imóveis acautelados em nível federal. e) A captação e direcionamento de recursos para o financiamento de ações para promoção da acessibilidade aos bens culturais imóveis acautelados em nível federal. 2. sobre a ação do Iphan na adoção de soluções para acessibilidade aos bens culturais imóveis acautelados em nível federal. 2. entre outras práticas. a fim de instruir Manual Técnico destinado a estabelecer parâmetros básicos para acessibilidade aos bens culturais imóveis acautelados em nível federal.7. organizações de profissionais. Atuar em conjunto com os agentes públicos e realizar parcerias com os agentes privados e a sociedade organizada. b) Assegurar a sua participação nos processos de intervenção. instrumentos e práticas da Instituição. para que. entre outros. Dar ampla divulgação à presente Instrução Normativa.

9. banheiros. simbólica. dispositivos e ajudas técnicas. em suas diferentes necessidades. atenderão aos seguintes critérios: 3. salas de repouso e de informações. em garantia de sua integridade estrutural e impedimento da descaracterização do ambiente natural e construído. de forma autônoma. os estudos devem resultar em abordagem global da edificação e prever intervenções ou adaptações que atendam às pessoas portadoras de deficiência ou com mobilidade reduzida. através de percurso livre de barreiras e acessar o seu interior. balcões e guichês. e) Nos casos em que os estudos indicarem áreas ou elementos em que seja inviável ou restrita a adaptação.3.10. d) Informar-se sobre os bens culturais e seus acervos. especialmente para a execução de projetos que envolvam os imóveis de propriedade ou administrados diretamente pelo Iphan.histórico. a fim de assegurar a compatibilidade das soluções e adaptações em acessibilidade com as possibilidades do imóvel. alcançar e controlar equipamentos. 3. através de . favorecendo a capacidade das pessoas portadoras de deficiência ou com mobilidade reduzida em manobrar e vencer desníveis. vagas em estacionamentos. devidamente identificados através de sinalização visual. total ou parcialmente. lugares específicos em auditórios e locais de reunião.2. assim como dos demais bens culturais imóveis. As propostas de intervenção para adoção de soluções em acessibilidade. tátil ou sonora. tais como: bilheterias. Informar ao público em geral sobre as condições de acessibilidade dos bens culturais imóveis acautelados em nível federal. iconográfico e documental -. interagir com o espaço e o acervo. c) Usufruir comodidades e serviços. tais como: escrita.1. incluindo dispositivos de segurança e saídas de emergência. b) Percorrer os espaços e acessar as atividades abertas ao público. 3. colocadas à disposição em salas de recepção acessíveis ou em casa de visitantes adaptadas. Realização de levantamentos . pela entrada principal ou uma outra integrada a esta. entre outros. oferecendo comodidade para todos. 3. segundo os preceitos de desenho universal e rota acessível.4. telefones e bebedouros. Em qualquer hipótese. sonora e multimídia. braile. sempre que possível e preferencialmente. de propriedade ou sob a responsabilidade do Iphan. proporcionando aos usuários: a) Alcançar o imóvel desde o passeio ou exterior limítrofes. ainda que de maneira virtual. por meio dos diversos dispositivos e linguagens de comunicação. 3. além da adoção do Símbolo Internacional de Acesso nos casos previstos na LF 7. nos casos previstos nesta Instrução Normativa. observadas as características e a destinação do imóvel.2. Viabilizar recursos financeiros para o cumprimento do estabelecido nesta Instrução Normativa. 2. físico. de acordo com as demandas dos usuários.405/1985. Estabelecimento de prioridades e níveis de intervenção. Os elementos e as ajudas técnicas para promover a acessibilidade devem ser incorporados ao espaço de forma a estimular a integração entre as pessoas portadoras de deficiência ou com mobilidade reduzida e os demais usuários.

rampas e rebaixamento de calçadas. maquetes. como parte do conjunto de soluções em acessibilidade. os centros de interesse e de maior afluência de pessoas. .7. ajudas técnicas.8. 3. os serviços e fluxos. prevendo-se rota acessível devidamente sinalizada e ambiente onde mobiliário. através de rota acessível.6. d) A adoção de soluções complementares associadas à rota ou percurso acessíveis. 3.informação visual. peças de acervo originais ou cópias. indicativa ou de trânsito. e demais aspectos implicados na sua implementação. A intervenção arquitetônica ou urbanística contará com o registro e a indicação da época de implantação.1. entre outras que permitam ao portador de deficiência utilizar suas habilidades de modo a vivenciar a experiência da forma mais integral possível. 3. de alternativas como mapas. pelo menos. cores e iluminação. valendo-se de percursos livres de barreiras e sinalizados que unam. de uso público ou coletivo. deverão ser mantidas à disposição das pessoas portadoras de deficiência ou com mobilidade reduzida. o tipo de tecnologia e de material utilizados. a fim de possibilitar a sua identificação. bem como pela oferta. texturas. em ambientes apropriados. As soluções para acessibilidade em sítios históricos. Em exposições temporárias e. adequação ou substituição dos elementos da urbanização e do mobiliário urbano. deve-se assegurar o acesso às pessoas portadoras de deficiência ou com mobilidade reduzida. um itinerário adaptado. 3. observando-se ainda: a) A implantação de condições de circulação que permitam a melhor e mais completa utilização do sítio. as edificações à via pública e aos diversos espaços com características diferenciadas. tais como a utilização de veículos adaptados e mirantes.5. A articulação das Unidades do Iphan com instituições governamentais dos Estados e Municípios. c) A instituição de um sistema integrado de elementos em acessibilidade. Em bens culturais imóveis acautelados em nível federal. privilegiando-se os recursos passíveis de reversibilidade. e demais categorias quando couber. 4. b) A adaptação de percursos e implantação de rotas acessíveis deve considerar a declividade e largura de vias e passeios. a adequação da sinalização. arqueológicos e paisagísticos devem permitir o contato da pessoa portadora de deficiência ou com mobilidade reduzida com o maior número de experiências possível. com especificações de cores. como cadeiras de rodas. além de pessoal treinado para a sua recepção. quando couber. Para fins de maior alcance desta Instrução Normativa. referenciado nos parâmetros técnicos definidos pela ABNT. através de. tecnologias ou acréscimos. com o objetivo de compatibilizar procedimentos e dirimir dúvidas ou conflitos. sons e símbolos. a reserva e distribuição de vagas para estacionamento. a concepção. auditiva ou tátil. de modo a permitir a inclusão de novos métodos. em locais de visitação a bens integrados. deve ser prevista em áreas de difícil acesso ou inacessíveis. devendo-se considerar os seguintes procedimentos básicos: a adoção de pisos sinalizadores específicos. recomenda-se: 4. sejam compatíveis com a melhor visão e entendimento das obras expostas.

Esta Instrução Normativa entra em vigor na data de sua publicação. A cada projeto aprovado.2003. A incorporação das condições estabelecidas nesta Instrução Normativa aos programas e projetos apoiados financeiramente. 4. Novos padrões ou critérios definidos pela legislação federal ou norma específica da ABNT.3. MARIA ELISA COSTA Diário Oficial de 26. Seção 1 .11. 8. 4. b) As edificações destinadas à atividade cultural.2.2.decorrentes de imposições legais cumulativas em acessibilidade e incidentes sobre os bens imóveis acautelados em nível federal. Nos casos omissos. as soluções e especificações em acessibilidade serão fundamentadas em estudos ergonômicos. a partir da definição dos procedimentos necessários em cada situação. integrarão automaticamente o conjunto de referências básicas desta Instrução Normativa. observadas as distinções relacionadas ao mecanismo de apoio ao projeto cultural e à natureza do proponente. e submetidas ao Programa Nacional de Apoio à Cultura . 5. independente da condição de acautelamento. Promover os trâmites necessários para a adoção desta Instrução Normativa como parte integrante dos programas instituídos no âmbito do Ministério da Cultura. por intermédio ou diretamente pelo Iphan. nas situações em que a análise e aprovação de projetos sejam de responsabilidade do Iphan como entidade vinculada. o Iphan indicará um responsável técnico para o acompanhamento.PRONAC. notadamente em relação às seguintes categorias de imóveis: a) Aquelas relacionadas no item 1. o qual permanecerá com o encargo até seis meses após a execução das intervenções. 6. 7. a fiscalização e a avaliação dos trabalhos.3.

representa. Diversidade Psicomotricidade Heterogeneidade Horizontalidade Sensorialidade Velocidade Densidade Espacialidade Centralidade Universidade Arquitetura. e com ela desenha planos. A vida moderna pede. Oscar Niemeyer A Planta. "A monumentalidade nunca me atemorizou quando um tema mais forte a justifica.Citações O Arquiteto. Le Corbusier Materiais... o que ficou da arquitetura foram as obras monumentais.o mundo. espera uma nova planta. espírito de ordem.. Mario Botta Monumentalidade. unidade de intenção... o sentido das relações.. "A arquitetura consiste em estabelecer relações comoventes com materiais brutos. A arquitetura é coisa de plástica. altera. Bruno Cajueiro . A arquitetura está além das coisas utilitárias. ainda nos comovem. "A arquitetura é a disciplina que organiza o espaço de vida do homem .. Afinal.. Sem planta há desordem. "A planta é geradora.. A planta traz em si a essência da sensação. para a casa e para a cidade". Os grandes problemas de amanhã. As que justas ou não. constrói . modifica. Le Corbusier Cidade. e com os quais: cria. Bruno Cajueiro O arquiteto com o ponto desenha a reta.. a arquitetura gera quantidades. A paixão faz das pedras inertes um drama". sob o ponto de visa social. É a beleza a se impor na sensibilidade do homem". arbitrário. transforma.. ditados por necessidades coletivas colocam de novo a questão da planta... as que marcam o tempo e a evolução da técnica.. refaz.

mais homogeneizada. Mario Botta Refúgio.. a habitação primordial do homem". Mario Botta "A finalidade de cada ato de criação é encontrar a riqueza do passado... "Nas minhas casas. Penso. construindo um prédio com uma identidade forte". Mario Botta O Edifício. mas um instrumento para construir esse lugar. Penso que a arquitetura moderna deva assumir a responsabilidade: construir um lugar único e irrepetível. que a cidade é um lugar extraordinário. mas a da arquitetura da má qualidade.Verticalidade Cidade Arquitetura e a Cidade. A Relação com a cidade.. A grande poluição não é a dos carros. que falem das necessidades primordiais do homem". A cidade é nossa mãe". onde o homem encontre sua intimidade e sua memória".. "Quando eu faço um prédio.... . a arquitetura precisa falar do grande passado. Mario Botta Arquétipo. É necessário agir contra a banalização moderna... Das Necessidades Primordiais do homem. "O fato triste é que a arquitetura está se tornando cada vez mais pobre.. Espero que haja uma arcaicidade do futuro e que as obras de arquitetura sejam como um tótem.. procuro inserir uma série de valores e uma organização do espaço que contenha elementos arquetípicos como a caverna. Mario Botta "A arquitetura não é um instrumento para se construir em um lugar.. Mario Botta Três Níveis. a imagem física da história. eu também construo um pedaço da cidade. A relação com a cidade é muito mais forte que o prédio em si". fazendo com que os grandes centros urbanos percam sua identidade e assim morram um pouco. por exemplo. "Quando faço uma casa.. resultante da especulação imobiliária. no entanto. de caverna primitiva. o que me interessa é transmitir uma sensação de refúgio.

sua tensão..... irrepetível..." ". à banalização do moderno. . Lawrence Halprin O Lote. do primeiro andar para permitir a visão da paisagem. mais do que a construção.. A Crise do Moderno. memória. quase todas são em três níveis porque preciso da terra como espaço de transição entre o externo e o interno." Cidade.. a riqueza da cidade é a sua estratificação.. ou obra de arquitetura considerável pela sua dimensão ou magnificência. obra de arquitetura ou escultura destinada a transmitir à posteridade a recordação de um grande homem ou feito.. porque ela é um fato de continuidade... sua acumulação histórica". José Garcia Lamas "O edifício não pode ser desligado do lote ou da superfície de solo que ocupa. o lugar de confronto. de crescimento A Cidade e seus espaços. "Não se pode nem é justo inventar em uma noite toda a arquitetura. José Garcia Lamas A Rua. para que eu possa dormir com a luz...... comunicar com o cosmos". e do segundo andar para a interação com o céu. mais contradições.. Ela é para o arquiteto o mesmo que o museu para o artista. O lote não é apenas uma porção cadastral: é também a gênese e fundamento do edificado. " A cidade é o território mais importante porque há mais presença humana. construção. Mario Botta Continuidade. único. é representada pela paisagem dos seus espaços abertos. ". a identificação com a cultura do lugar." Mario Botta O Monumento.. Quando projetamos um edifício devemos Ter em mente que nosso cliente é a história".Mario Botta "As minhas casas. proponho um modelo alternativo à crise do moderno. Todo projeto de arquitetura transforma o lugar de uma condição de natureza em uma condição de cultura". Mario Botta O Lugar. Mario Botta A Cidade. "O lugar é um dos parâmetros fundamentais do projeto: cada solução tem o seu lugar... história..

" Monotonia. A vida só se desenvolve na medida em que são conciliados os dois princípios contraditórios que regem a "Introduzir o Sol (nas habitações) é o novo e mais imperioso dever do arquiteto." "A monotonia é característica combatida em todas as fases do projeto... espacialmente discutível e que pouco a pouco se mostra carente de novas disposições.. circular". ao social e ao político. com um resultado morfológico simplório.. através do desenho de uma paisagem rica e diversificada. é formalista e direcionista na busca de um padrão de assentamento dos novos volumes construídos. As chaves do Urbanismo estão nas quatro funções: habitar. Marcia Menneh O desenho. utiliza-se do projeto cuidadoso dos edifícios e espaços livres. com calçadas ajardinadas e arborizadas. normas e formas de arranjo mais flexíveis em relação as conformações espaciais possíveis e de abertura em relação a questão do meio urbano preexistente..... Deriva dos velhos bulevares no início do século e para o qual se voltaram os barões do café e da elite do império. "O desenho mostra a limitação da norma.. "A Arquitetura preside os destinos da cidade". que busca maior identidade em cada espaço projetado. Carta de Atenas As quatro funções.. ... recrear-se (nas horas livres).. Silvio Soares Macedo Arquitetura e Cidade. Carta de Atenas O Sol. O sol. é a rua-jardim. Carta de Atenas ". ao prédio e a rua. O resultado é este." As três matérias primas do Urbanismo. "Justapostos ao econômico. a vegetação e o espaço são as três matérias primas do Urbanismo". trabalhar..Silvio Soares Macedo "A rua modelo da cidade brasileira. Carta de Atenas Carta de Atenas O Individual e o Coletivo.. ". Para isso... São vias largas. que aberta no tocante à variedade de usos... um tecido urbano. cujas normalizações são particularizadas. os valores de ordem psicológica e fisiológica próprios ao ser humano introduzem no debate preocupações de ordem individual e de ordem coletiva..

. ... A forma é a combinação de espaço e função e quando a função e o espaço mudam." A História. Carta de Atenas Escala Humana.." "O significado não existe: é um processo criativo. função e forma são uma e mesma coisa..... ocupado aqui com as tarefas do Urbanismo. "A Arquitetura começa onde termina a função". Significado. Julien Greimas A casa. "É extremamente difícil falar do significado e dizer qualquer coisa de sensato". Carta de Atenas Densidade.. Insolação... "As construções elevadas erguidas a grande distância uma das outras devem liberar o solo para amplas superfícies verdes". Pearls Significado... Carta de Atenas O Verde.. mas temporal. "A história está escrita no traçado e na arquitetura das cidades".. o instrumento de medida será a escala humana". Frederick S... nunca é fixa.. Carta de Atenas Forma. "A forma é um diagrama de forças". Sir Edwin Lutyens Forma e Função." "Um número mínimo de horas de insolação deve ser fixado para cada moradia". um desempenho no aqui e agora". de acordo com as formas de habitação postas pela própria natureza do terreno. Fred e Barbro Thompson "A polêmica ocidental sobre se a forma segue a função ou a função segue a forma é impossível.personalidade humana: o individual e o coletivo. Carta de Atenas "Densidades razoáveis devem ser impostas... "Para o arquiteto.. No Oriente. muda também a forma que portanto. Alexander D'arcy Thompson Função..

Paul Éluard "Quando as cumeeiras de nosso céu se juntarem Minha casa terá um telhado." .

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