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A Carta de Atenas e coleção dos principais documentos

A Carta de Atenas e coleção dos principais documentos

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A coleção dos principais documentos, recomendações e cartas conclusivas das reuniões relativas à proteção do patrimônio cultural, ocorridas em diversas

épocas e partes do mundo, sempre foi uma aspiração dos que trabalham com o tema. Seu conteúdo interessa a todos os que lidam na área patrimonial: proprietários e moradores de bens tombados, advogados, professores, estudantes, detentores do poder local nos sítios históricos, organizações governamentais ou não, afins ao Iphan e até mesmo meros curiosos. Clique para ter acesso a alguns desses documentos:
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Carta de Atenas - Sociedade das Nações- outubro de 1931; Carta de Atenas - CIAM - novembro 1933; Recomendação de Nova Delhi - Arqueologia - dezembro de 1956; Recomendação de Paris - Paisagens e Sítios - dezembro de 1962; Carta de Veneza - Monumentos e Sítios - maio 1964; Recomendação de Paris - Propriedade Ilícita de Bens Culturais - novembro 1964; Normas de Quito - novembro/dezembro 1967; Recomendação de Paris - Obras Públicas ou Privadas - novembro 1968; Compromisso de Brasília - abril 1970; Compromisso de Salvador - II Encontro de Governadores - outubro de 1971; Convenção de Paris - Patrimônio Mundial - novembro de 1972; Carta do Restauro - Governo da Itália - abril 1972; Declaração de Estocolmo - Ambiente Humano - junho 1972; Resolução de São Domingos - O.E.A. - dezembro 1974; Declaração de Amsterdã - Conselho da Europa - outubro 1975; Manifesto de Amsterdã - Carta Européia - outubro 1975; Recomendação de Nairóbi - Unesco - novembro 1976; Carta de Machu Picchu - Encontro Internacional de Arquitetos - dezembro 1977; Carta de Burra - Icomos - Austrália 1980; Carta de Florença - Icomos - maio 1981; Declaração de Nairóbi - Assembléia Mundial dos Estados - maio 1982; Declaração de Tlaxcala/México - Icomos - outubro 1982; Declaração do México - Icomos - Políticas culturais - 1985; Carta de Washington - Icomos - Cidades históricas - 1986; Carta de Petrópolis - Centros históricos - 1987; Carta de Cabo Frio - Encontro de Civilizações nas Américas - outubro de 1989; Carta do Rio - Conferência Geral das Nações Unidas - junho 1992; Carta de Fortaleza - 1997 - elaboração de diretrizes e a criação de instrumentos legais e administrativos visando a identificar, proteger, promover e fomentar os processos e bens, considerados em toda a sua complexidade, diversidade e dinâmica, particularmente, "as formas de expressão; os modos de criar, fazer e viver; as criações científicas, artística e tecnológicas", com especial atenção àquelas referentes à cultura popular.

Carta de Atenas
de outubro de 1931 Escritório Internacional dos Museus Sociedade das Nações A - Conclusões Gerais I - Doutrinas. Princípios Gerais. A conferência assistiu à exposição dos princípios gerais e das doutrinas concernentes à proteção dos monumentos. Qualquer que seja a diversidade dos casos específicos - e cada caso pode comportar uma solução própria - , a conferência constatou que nos diversos Estados representados predomina uma tendência geral a abandonar as reconstituições integrais, evitando assim seus riscos, pela adoção de uma manutenção regular e permanente, apropriada para assegurar a conservação dos edifícios. Nos casos em que uma restauração pareça indispensável devido a deterioração ou destruição, a conferência recomenda que se respeite a obra histórica e artística do passado, sem prejudicar o estilo de nenhuma época. A conferência recomenda que se mantenha uma utilização dos monumentos, que assegure a continuidade de sua vida, destinando-os sempre a finalidades que o seu caráter histórico ou artístico. II - Administração e legislação dos monumentos históricos. A conferência assistiu à exposição das legislações cujo objetivo é proteger os monumentos de interesse histórico, artístico ou científico, pertencentes às diferentes nações. A conferência aprovou unanimemente a tendência geral que consagrou nessa matéria um certo direito da coletividade em relação à propriedade privada. A conferência constatou que as diferenças entre essas legislações provinham das dificuldades de conciliar o direito público com o particular. Em conseqüência, aprovada a tendência geral dessas legislações, a conferência espera que elas sejam adaptadas às circunstâncias locais e à opinião pública, de modo que se encontre a menor oposição possível, tendo em conta os sacrifícios a que estão sujeitos os proprietários, em beneficio do interesse geral. Votou-se que em cada Estado a autoridade pública seja investida do poder do tomar, em caso de urgência, medidas de conservação. A conferência evidenciou o desejo de que o Escritório Internacional dos Museus publique uma resenha e um quadro comparativo das legislações em vigor nos diferentes Estados e os mantenha atualizados. III - A valorização dos monumentos. A conferência recomenda respeitar, na construção dos edifícios, o caráter e a fisionomia das cidades, sobretudo na vizinhança dos monumentos antigos, cuja proximidade deve ser objeto de cuidados especiais. Em certos conjuntos, algumas perspectivas particularmente pitorescas devem ser preservadas. Deve-se também estudar as plantações e ornamentações vegetais convenientes a determinados conjuntos de monumentos para lhes conservar a caráter antigo. Recomenda-se, sobretudo, a supressão de toda publicidade, de toda presença abusiva de

postes ou fios telegráficos, de toda indústria ruidosa, mesmo de altas chaminés, na vizinhança ou na proximidade dos monumentos, de arte ou de história. IV - Os materiais de restauração. Os técnicos receberam diversas comunicações relativas ao emprego de materiais modernos para a consolidação de edifícios antigos. Eles aprovaram o emprego adequado de todos os recursos da técnica moderna e especialmente, do cimento armado. Especificam, porém, que esses meios de reforço devem ser dissimulados, salvo impossibilidade, a fim de não alterar o aspecto e o caráter do edifício a ser restaurado. Recomendam os técnicos esses procedimentos especialmente nos casos em que permitam evitar os riscos de desagregação dos elementos a serem conservados. V - A deterioração dos monumentos. A conferência constata que, nas condições da vida moderna, os monumentos do mundo inteiro se acham cada vez mais ameaçados pelos agentes atmosféricos. Afora as preocupações habituais e as soluções felizes obtidas na conservação da estatuária monumental pelos métodos correntes, não se saberia, dada a complexidade dos casos no estado atual dos conhecimentos, formular regras gerais. A conferência recomenda: 1o - A colaboração em cada país dos conservadores de monumentos e dos arquitetos com os representantes das ciências físicas, químicas e naturais para a obtenção de métodos aplicáveis em casos diferentes. 2o - Que o Escritório Internacional de Museus se mantenha a par dos trabalhos empreendidos em cada país sobre essas matérias e lhes conceda espaço em suas publicações. A conferência, no que concerne à conservação da escultura monumental, considera que retirar a obra do lugar para o qual ela havia sido criada é, em princípio, lamentável. Recomenda, a título de precaução, conservar, quando existem, os modelos originais e, na falta deles, a execução de moldes. VI - Técnica da conservação A conferência constata com satisfação que os princípios e as técnicas expostas nas diversas comunicações se inspiram numa tendência comum, a saber: Quando se trata de ruínas, uma conservação escrupulosa se impõe, com a recolocação em seus lugares dos elementos originais encontrados (anastilose), cada vez que o caso o permita; os materiais novos necessários a esse trabalho deverão ser sempre reconhecíveis. Quando for impossível a conservação de ruínas descobertas durante uma escavação, é aconselhável sepultá-las de novo depois de haver sido feito um estudo minucioso. Não é preciso dizer que a técnica e a conservação de uma escavação impõem a colaboração estreita do arqueólogo e do arquiteto. Quanto aos outros monumentos, os técnicos unanimemente aconselharam, antes de toda consolidação ou restauração parcial, análise escrupulosa das moléstias que os afetam, reconhecendo, de fato, que cada caso contribui um caso especial.

de cooperação intelectual da Sociedade das Nações. emite o voto de que os educadores habituem a infância e a juventude a se absterem de danificar os monumentos. b) O papel da educação e o respeito aos monumentos. sem causar o menor prejuízo ao Direito Internacional Público. c) Utilidade de uma documentação internacional A conferência emite o voto de que: 1o .O escritório consagre em suas publicações artigos relativos aos procedimentos e ao métodos gerais de conservação dos monumentos históricos. Nessa ocasião viram um exemplo que contribuiu para a realização das metas de cooperação intelectual. no curso de seus trabalhos e no correr dos estudos desenvolvidos nessa ocasião. pela proteção dos testemunhos de toda a civilização.O escritório estude a melhor utilização das informações assim centralizadas. quaisquer que eles sejam. colaborem entre si. acompanhado de fotografia e de informações. ao mesmo tempo em que executava ele mesmo trabalhos consideráveis. cada vez mais concretamente para favorecer a conservação dos monumentos de arte e de história. 4o . quando submetidas à organização. a) Cooperação técnica e moral A conferência.Cada Estado. após haverem visitado. Caberia à Comissão Internacional de Cooperação Intelectual. profundamente convencida de que a melhor garantia de conservação de monumentos e obras de arte vem do respeito e do interesse dos próprios povos. manifestar seu interesse pela salvaguarda das obras-primas nas quais a civilização se tenha expressado em seu nível mais alto e que se apresentem ameaçadas.VII . 2 o . Os membros da conferência.Cada Estado deposite no Escritório Nacional de Museus suas publicações. após sindicância do Escritório Internacional Museus e depois de haverem sido recolhidas todas as informações úteis. há muitos anos. pronunciar-se sobre a oportunidade das providências a serem empreendidas e sobre o procedimento a ser seguido em cada caso particular. ou as instituições criadas ou reconhecidamente competentes para esse trabalho. guardiã da civilização. agindo no espírito do Pacto da Sociedade das Nações. A conferência. Considera altamente desejável que instituições e grupos qualificados possam. convencida de que a conservação do patrimônio artístico e arqueológico da humanidade interessa à comunidade dos Estados. de uma maneira geral.A conservação dos monumentos e a colaboração internacional. e lhes façam aumentar o interesse. cuja necessidade foi aparecendo no curso dos trabalhos.Cada Estado constitua arquivos onde serão reunidos todos os documentos relativos a seus monumentos históricos. foram unânimes em prestar homenagem ao governo grego que. 3 o . muitos dos principais campos de escavações e dos monumentos antigos da Grécia. deseja que os Estados. aceitou a colaboração de arqueólogos e especialistas de todos os países. notadamente junto à Comissão Nacional de Cooperação Intelectual interessada. possam ser recomendadas à favorável atenção dos Estados. . publique um inventário dos monumentos históricos nacionais. Emite o voto de que as proposições a esse respeito. 5 o . considerando que esses sentimentos podem ser grandemente favorecidos por uma ação apropriada dos poderes públicos.

. certos técnicos recomendaram muita prudência e sublinharam a utilidade de testes preliminares. mesmo reconhecendo que as razões invocadas por M. Balanos sobre os trabalhos de anastilose já executados. Ao terminar. c) Escala dos metais a serem empregados para os grampos. que aproveitaram essa ocasião para expor suas experiências sobre o assunto. d) Oportunidade do emprego de moldes como complemento da anastilose. diretor dos trabalhos dos monumentos da Acrópole. Por outro lado. relativo ao emprego de moldes como complemento da anastilose. 25 de outubro. No que concerne ao quarto problema colocado por M. Essa sessão. Balanos justificam o emprego do ferro no que diz respeito aos trabalhos da Acrópole. constatando os resultados satisfatórios dos primeiros ensaios feitos por M. os membros da conferência procederam a uma longa troca de opiniões. individualmente. Karo. Durante a primeira parte da sessão os membros da conferência ouviram a exposição de M. lembraram conseqüências às vezes desagradáveis desse emprego para a conservação das pedras e manifestaram sua preferência por metais menos susceptíveis de deterioração. que se pôs à disposição para prestar quaisquer explicações sobre os trabalhos em curso. alguns técnicos. Sobre a proteção do friso contra as intempéries.B – Deliberação da conferência sobre a anastilose dos monumentos da Acrópole Havia sido previsto que uma das sessões da Conferência do EIM se detivesse na acrópole. Balanos. e os membros da conferência usufruíssem das facilidades que lhes haviam sido oferecidos por M. Balanos. M. A propósito do emprego do cimento como revestimento dos tambores de substituição. Na segunda parte de sua exposição M. Balanos nesse caso especial. Balanos. Balanos. Karo. que não prevê qualquer restauração além da simples anastilose. se abstiveram de opinar de um modo geral sobre essa questão. b) Emprego de cimento como revestimento dos tambores de substituição. Balanos forneceu detalhes sobre o programa ulterior dos trabalhos. Balanos assinalou que o emprego do ferro não apresentava inconveniente no caso da Acrópole. especialmente sobre os seguintes pontos: a) Recuperação da colunata norte do Partenon e recuperação do peristilo sul. exprimiu o desejo de ouvir dos membros da conferência. sua opinião sobre esse programa. e) Proteção do friso contra as intempéries. os membros da conferência aprovaram unanimemente os trabalhos de recuperação da colunata norte do Partenon. segundo o projeto de M. se realizou na manhã de domingo. que consiste em proteger esse friso com uma cobertura apropriada. os técnicos sublinharam o caráter particular dos trabalhos do Partenon e. Sob a orientação de M. os membros da conferência acolheram o projeto preconizado por M. tanto nos Propileus como no Partenon. sob a presidência de M. assim como a recuperação parcial do peristilo sul. permitindo-lhes pedir detalhes e emitir opiniões. A escolha do metal a ser empregado para os grampos prendeu a atenção dos técnicos. considerando as precauções tomadas e as condições climáticas peculiares no país. Sobre o primeiro ponto.

Carta de Atenas
de novembro de 1933 Assembléia do CIAM CIAM – Congresso Internacional de Arquitetura Moderna – 1933 Primeira Parte Genera1idades A Cidade e sua Região 1 - A Cidade é só uma parte de um conjunto econômico, social e político que constitui a região. Raramente a unidade administrativa coincide com a unidade geográfica, ou seja, com a região. O recorte territorial administrativo das cidades pode ter sido arbitrário desde o início ou pode ter vindo a sê-lo posteriormente, quando, em decorrência de seu crescimento, a aglomeração principal uniu-se a outras comunidades e depois as englobou. Esse recorte artificial se opõe a uma boa gestão do novo conjunto. De fato, certas comunidades suburbanas puderam adquirir inopinadamente um valor imprevisível, positivo ou negativo, seja tornandose sede de residências luxuosas, seja acolhendo centros industriais dinâmicos, seja reunindo miseráveis populações operárias. Os limites administrativos aço que compartimentam o complexo urbano tornam-se então paralisantes. Uma aglomeração constitui o núcleo vital de uma extensão geográfica cujo limite é constituído pela zona de influência de uma outra aglomeração. Suas condições vitais são determinadas pelas vias de comunicação que asseguram suas trocas e ligam-se intimamente à sua zona particular. Só se pode enfrentar um problema de urbanismo referenciando-se constantemente aos elementos constitutivos da região e, principalmente, a sua geografia, chamada a desempenhar um papel determinante nessa questão: linhas de divisão de águas, morros vizinhos desenhando um contorno natural confirmado pelas vias de circulação, naturalmente inscritas no solo. Nenhuma atuação, pode ser considerada se não se liga ao destino harmonioso da região. O plano da cidade é só um dos elementos do todo constituído pelo plano regional. 2 - Justapostos ao econômico, ao social e ao político, os valores de ordem psicológica e fisiológica próprios ao ser humano introduzem no debate preocupações de ordem individual e de ordem coletiva. A vida só se desenvolve na medida em que são conciliados os dois princípios contraditórios que regem a personalidade humana: o individual e o coletivo. Isolado, o homem sente-se desarmado; por isso liga-se espontaneamente a um grupo. Entregue somente a suas forças, ele nada construiria além de sua choça e levaria, na insegurança, uma vida submetida a perigos e a fadigas agravados por todas as angústias da solidão. Incorporado ao grupo, ele sente pesar sobre si o constrangimento de disciplinas inevitáveis, mas, em troca, fica protegido em certa medida contra a violência, a doença, a fome: pode aspirar a melhorar sua moradia e satisfazer também sua profunda necessidade de vida social. Transformado em elemento constitutivo de uma sociedade que o mantém, ele colabora direta ou indiretamente nas mil atividades que asseguram sua vida fisica e desenvolvem sua vida espiritual. Suas iniciativas tornam-se mais frutíferas, e sua liberdade, melhor defendida, só se detém onde ameace a de outrem. Se os empreendimentos do grupo são sábios, a vida do indivíduo é ampliada e enobrecida. Se a preguiça, a estupidez e o egoísmo o assolam, o grupo, enfraquecido e entregue à desordem, só traz a cada um de seus

membros rivalidades, rancor e desencanto. Um plano é sábio quando permite uma colaboração frutífera, propiciando ao máximo a liberdade individual. Irradiação da pessoa no quadro do civismo. 3 - Essas constantes psicológicas e biológicas sofrerão a influência do meio: situação geográfica e topográfica, situação econômica e política. Primeiramente, da situação geográfica e topográfica, o caráter dos elementos água e terra, da natureza. do solo, do clima. A geografia e a topografia desempenham um papel considerável no destino dos homens. Não se pode esquecer jamais que o sol comanda, impondo sua lei a todo empreendimento cujo objetivo seja a salvaguarda do ser humano. Planícies, colinas e montanhas contribuem também para modelar uma sensibilidade e colinas e determinar uma mentalidade. Se o montanhês desce voluntariamente para a planície, o homem da planície raramente sobe os vales e dificilmente transpõe os desfiladeiros. Foram os cumes dos montes que delimitaram as áreas de aglomeração onde, pouco a pouco, reunidos por costumes e usos comuns, os homens se constituíram em povoações. A proporção dos elementos água e terra, quer atue na superfície, opondo as regiões lacustres ou fluviais às extensões de estepes, quer se expresse em densidade, produzindo aqui gordos pastos e, ali, pântanos ou desertos, conforma, ela também, atitudes mentais que se inscreverão nos empreendimentos e encontrarão sua expressão na casa, na aldeia ou na cidade. Conforme a incidência do sol na curva meridiana, as estações se contrapõem brutalmente ou se sucedem em passagens imperceptíveis e, ainda que em sua esfericidade contínua, de parcela em parcela, a Terra não experimente ruptura, surgem inúmeras combinações, cada uma das quais com seus caracteres particulares. Enfim as raças, com suas religiões ou suas filosofias variadas, multiplicam a diversidade dos empreendimentos e cada uma propõe seu modo de ver e sua razão de viver pessoais. 4 - Em segundo lugar, da situação econômica. Os recursos da região, contatos naturais ou artificiais com o exterior... A situação econômica, riqueza ou pobreza, é uma das grandes forças da vida, determinandolhe o movimento na direção do progresso ou da regressão. Ela desempenha o papel de um motor que, de acordo com a força de sua pulsações, introduz a, prodigalidade, aconselha a prudência ou impõe a sobriedade; ela condiciona as variações que traçam a história da aldeia, da cidade ou do país. A cidade cercada por uma região coberta de cultivos tem seu abastecimento assegurado. Aquela que dispõe de um subsolo precioso se enriquece com matérias que lhe servirão como moeda de troca, sobretudo se ela é dotada de uma rede de circulação suficientemente abundante para permitir-lhe entrar em contato útil com seus vizinhos próximos ou distantes. A tensão da engrenagem econômica, embora dependa em parte de circunstâncias invariáveis, pode ser modificada a cada momento pelo aparecimento de forças imprevistas, que o acaso ou a iniciativa humana podem tornar produtivas ou deixar inoperantes. Nem as riquezas latentes, que é preciso querer explorar, nem a energia individual têm caráter absoluto. Tudo é movimento, e o econômico, afinal, é sempre um valor momentâneo. 5 - Em terceiro lugar, da situação política, sistema administrativo. Fenômeno mais variável do que qualquer outro, sinal da vitalidade do país, expressão de uma sabedoria que atinge seu apogeu ou já toca seu declínio. Se a política é de natureza essencialmente variável, seu, fruto, o sistema administrativo, possui uma estabilidade natural que lhe permite, ao longo do tempo, uma permanência maior e não autoriza modificações

muito freqüentes. Expressão da dinâmica política, sua duração é assegurada por sua própria natureza e pela própria força das coisas. É um sistema que, dentro de limites bastante rígidos, rege uniformemente o território e a sociedade, impõe-lhes seus regulamentos e, atuando regularmente sobre todos os meios de comando, determina modalidades uniformes de ação em todo o país. Esse quadro econômico e político, cujo valor embora tenha sido confirmado pelo uso durante um certo período, pode ser alterado a qualquer instante em uma de suas partes, ou em seu conjunto. Algumas vezes, basta uma descoberta científica para provocar uma ruptura de equilíbrio, para fazer surgir a incompatibilidade entre o sistema administrativo de ontem e as imperiosas realidades de hoje. Pode ocorrer que algumas comunidades, que souberam renovar seu quadro particular, sejam afixidas pelo quadro geral do país. Este último pode, por sua vez, sofrer diretamente a investida das grandes correntes mundiais. Não há quadro administrativo que possa pretender a imutabilidade. 6 - No decorrer da História, circunstâncias particulares determinaram as características da cidade: defesa militar, descobertas científicas, administrações sucessivas, desenvolvimento progressivo das comunicações e dos meios de transporte (rotas terrestres, fluviais e marítimas, ferroviárias e aéreas). A história está inscrita no traçado e na arquitetura das cidades. Aquilo que deles subsiste forma o fio condutor que, juntamente com os textos e os documentos gráficos, permite a representação de imagens sucessivas do passado. Os motivos que deram origem às cidades foram de natureza diversa. Por vezes era o valor defensivo. E o alto de um rochedo ou a curva de um rio viam nascer um pequeno burgo fortificado. Ás vezes, era o cruzamento de duas rotas, unia cabeça de ponte ou uma baía do litoral que determinava a localização do primeiro estabelecimento. A cidade era de formato incerto, mais freqüentemente em círculo ou semicírculo. Quando era uma cidade de colonização, organizavam-na como um acampamento, com eixos de ângulos retos e cercada de palíçadas retilíneas. Tudo nela era ordenado segundo a proporção, a hierarquia e a conveniência. Os caminhos partiam dos portões da muralha e estendiam-se obliquamente na direção de alvos distantes. Podemos encontrar ainda no desenho das cidades o primeiro núcleo compacto do burgo, as muralhas sucessivas e o traçado dos caminhos divergentes. As pessoas aí se aglomeravam e encontravam, conforme o grau de civilização, uma dose variável de bem-estar. Aqui, regras profundamente humanas ditavam a escolha dos dispositivos; ali, constrangimentos arbitrários davam origem a injustiças flagrantes. Sobreveio a era do maquinismo. A uma medida milenar, que se poderia crer imutável, a velocidade do passo humano, somou-se uma medida em plena evolução, a velocidade dos veículos mecânicos. 7 - As razões que presidem o desenvolvimento das cidades estão, portanto, submetidas a mudanças contínuas. Aumento ou redução de uma população, prosperidade ou decadência da cidade, demolição de muralhas que se tornaram asfixiantes, novos meios de transporte ampliando a zona de trocas, benefícios ou malefícios de uma política escolhida ou suportada, aparecimento do maquinismo, tudo é movimento. À medida que o tempo passa, os valores indubitavelmente se inscrevem no patrimônio de um grupo, seja ele cidade, país ou humanidade; a vetustez, não obstante, atinge um dia todo conjunto de construções ou de caminhos. A morte atinge tanto as obras como os seres. Quem fará a discriminação entre aquilo que deve subsistir e aquilo que deve desaparecer? O espírito da cidade formou-se no decorrer dos anos; simples construções adquiriram um valor eterno na medida em que simbolizam a alma coletiva; constituem o

em. a técnica de construção tinha limitado a altura das casas a aproximadamente seis pavimentos. substituindo a . em compensação. da má orientação do imóvel. evolução brutal e universal sem precedentes na História. pode ser totalmente modificada pela altura dos edifícios. As moradias abrigam mal as famílias. condiciona a formação do indivíduo. 8 .Promiscuidade proveniente das disposições internas da moradia. seus empreendimentos. corrompem sua vida íntima. a população é muito densa (chega a mil e até mil e quinhentos habitantes por hectare). movimento desenfreado de concentração nas cidades a favor das velocidades mecânicas. pelo abandono de numerosas terras. da presença de vizinhanças desagradáveis. tem-se o cortiço. entupindo as cidades e. esvaziando o campo. ultrapassada a porta da muralha. assim como o clima. Segunda Parte Estado Atual Crítico das Cidades Habitação Observações 9 . assim como em determinadas zonas de expansão industrial do século XIX. caracterizado pelos seguintes sinais: 1 . 3 . A densidade admissível para as construções dessa natureza é de 250 a 300 habitantes por hectare. aplicando um golpe fatal no artesanato. Ao longo dos séculos. perturbando as relações naturais que existiam entre a casa e o locais de trabalho. ao desprezar harmonias seculares. por um congestionamento que as encurrala na desordem e. Mas.No interior do núcleo histórico das cidades. 5 . 2 . traz seus frutos envenenados: doença.Vetustez e presença permanente de germes mórbidos (tuberculose). 600. porém. O caos entrou nas cidades. a raça. no campo. como em vários bairros. revolta. expresso.O advento da era da máquina provocou imensas perturbações no comportamento dos homens. O emprego da máquina subverteu condições de trabalho. em sua distribuição sobre a terra. era em geral cheio de construções comprimidas e privadas de espaço. relação entre as cifras da população.Ausência ou insuficiência de instalações sanitárias. e a superfície que ela ocupa. 4 . A densidade. Por ser uma pequena pátria. O mal é universal. Quando essa densidade atinge. o costume.Insuficiência de superfície habitável por pessoa. 6 . e o desconhecimento das necessidades vitais. decadência. nas cidades. Até então. a cidade comporta um valor moral que pesa e que lhe está indissoluvelmente ligado. os espaços verdes eram imediatamente acessíveis. dando às proximidades um ar de qualidade. cerceado pelas muralhas militares. sem querer limitar a amplitude dos progressos futuros. Um ritmo furioso associado a uma precariedade desencorajante desorganiza as condições de vida. 800 e até 1000 habitantes. foram sendo acrescentados anéis urbanos. Rompeu um equilíbrio milenar. a região.arcabouço de uma tradição que. opondo-se ao ajuste das necessidades fundamentais.Mediocridade das aberturas para o exterior.Ausência de sol (orientação para o norte ou conseqüência da sombra projetada na rua ou no pátio). tanto físicas quanto morais. O núcleo das cidades antigas.

enfim. de ordem tanto psicológica quanto fisiológica. O ar. 11 . em proporção suficiente.As construções destinadas à habitação são distribuídas pela superfície da cidade em contradição com os requisitos da higiene. Esse afastamento cada vez maior dos elementos naturais aumenta proporcionalmente a desordem higiênica. incapaz de adotar. uma mercadoria negociável. deveria penetrar no interior de cada moradia. 10 .Nos setores urbanos congestionados. é prolongada no exterior pela estreiteza das ruas sombrias e total falta de espaços verdes. as altas densidades significam o mal-estar e a doença em estado permanente. A despesa comprometida numa construção erguida há seculos foi amortizada há muito tempo. deveria ser puro. É o estado interior da moradia que constitui o cortiço. que comanda todo crescimento. realizado em Atenas. entretanto. Não nos esqueçamos de que a sensação de espaço é de ordem psicofisiológica e que a estreiteza das ruas e o estrangulamento dos pátios criam uma atmosfera tão insalubre para o corpo quanto deprimente para o espírito. de conservação das construções (exploração baseada na especulação). O 4o Congresso CIAM. a medida foi ultrapassada no decorrer dos últimos cem anos. tolera-se. em grande parte.O crescimento da cidade devora progressivamente as superfícies verdes limítrofes. Ainda que seu valor de habitabilidade seja nulo. Por "condições naturais" entende-se a presença. e essa não é a causa menor da penúria pela qual o mundo se encontra presentemente oprimido. mas a legislação permite impor habitações podres às populações pobres. Nessa ordem de idéias. sobre as quais se debruçavam as sucessivas muralhas. enfim. Uma expansão sem controle privou as cidades desses alimentos fundamentais. O espaço. pela falta. o espaço são as três matérias-primas do urbanismo. uma ruptura que enfraquece seu corpo e arruína sua sensibilidade. Estado de coisas ainda agravado pela presença de uma população com padrão de vida muito baixo. tolera-se que uma mortalidade assustadora e todo tipo de doenças façam pesar sobre a coletividade uma carga esmagadora. 12 . com a doença e a decadência. Quanto mais a cidade cresce. pulmões da cidade. criadores de oxigênio e que seriam tão propícios aos folguedos das crianças. Condenar-se-ia um açougueiro que vendesse carne podre. impunemente e às expensas da espécie. de sua submissão às "condições naturais". . Para o enriquecimento de alguns egoístas. deveria ser distribuído com liberalidade. medidas defensivas (a mortalidade atinge até vinte por cento). cuja qualidade é assegurada pela presença da vegetação. a vegetação. ela continua a fornecer. sob forma de moradia. Nessas condições. corrompida pelas alegrias ilusórias da cidade. uma renda importante. todavia que aquele que a explora possa considerá-la ainda. O primeiro dever do urbanismo é pôr-se de acordo com as necessidades fundamentais dos homens. O indivíduo que perde contato com a natureza é diminuído e paga caro. pela falta de superfícies verdes disponíveis.vegetação pela pedra e destruindo as superficies verdes. A saúde de cada um depende. A adesão a esse postulado permite julgar as coisas existentes e apreciar as novas propostas de um ponto de vista verdadeiramente humano. para espalhar seus raios. O sol. chegou ao seguinte postulado: o sol. livre da poeira em suspensão e dos gases nocivos. vegetação. de certos elementos indispensáveis aos seres vivos: sol. por si mesma. cuja miséria. espaço. sem os quais a vida se estiola. as condições de habitação são nefastas pela falta de espaço suficiente destinado à moradia. menos as "condições naturais" são nela respeitadas.

montes.As construções edificadas ao longo das vias de ao redor dos cruzamentos são prejudiciais à habitação: barulhos. Se se quiser levar em consideração esta interdição. provase assim que as aspirações instintivas do homem o induzem. de ar puro e de silêncio. onde gozará de sol. ao abrigo dos ventos hostis. então não estará mais unida à rua por sua calçada. acharão natural destinar à instalação de um bairro operário uma zona até então negligenciada porque as névoas a invadem. que devem não somente assegurar a proteção da pessoa humana mas também dar-lhe meios para um aperfeiçoamento crescente. Certos edis. doravante. cada uma das quais reclama seu espaço particular: locais de habitação.13 . sempre que seus recursos lhe permitem. etc.. zonas independentes à habitação e à circulação. será sempre bom o bastante para acomodar as populações desenraizadas e sem vínculos sólidos. ao sabor dos interesses mais inesperados e. 14 . A casa. Mas se a força das coisas diferencia a habitação rica da habitação modesta. pelos gases. que um terreno envenenado pela fuligem. . porque a umidade é excessiva ou porque os mosquitos nela pululam. Assim. Nenhuma legislação interveio ainda para fixar as condições habitação moderna. em decorrência de sua orientação. É urgente e necessário modificar certos usos. mar.Os bairros mais densos se localizam nas zonas menos favorecidas (encontas mal orientadas. É preciso tornar acessível para todos. 16 . A habitação se erguerá em seu meio próprio. o solo urbano. às vezes. atribuir-se-á. É preciso impedir. Cada uma dessas vias desempenhará sua função. As zonas favorecidas são geralmente ocupadas pelas habitações de luxo. A circulação se desdobrará por meio de vias de percurso lento para o uso de pedestres. e de vias de percurso rápido para o uso de veículos. salas ou terrenos destinados ao lazer. a procurar condições de vida e uma qualidade de bem estar cujas raízes se encontram na própria natureza. por gases industriais passíveis de inundações etc). 15 . independente de qualquer questão de dinheiro. deletérios de alguma indústria. Ele considerará que uma encosta voltada para o norte. a que chamamos de mão-de-obra comum. às vezes ruidosa. e com uma insolação abundante. uma certa qualidade de bem-estar. só se aproximando ocasionalmente da habitação. mais baixos. O zoneamento é a operação feita sobre um plano de cidade com o objetivo de atribuir a cada função e a cada indivíduo seu justo lugar. por meio de uma legislação implacável.Essa distribuição parcial da habitação é sancionada pelo uso e por disposições edílicas que se consideram justificadas: o zoneamento. por uma rigorosa regulamentação urbana. reservando só para alguns favorecidos da sorte o benefício das condições necessárias para uma vida sadia e ordenada. Um geômetra municipal não hesitará em traçar uma rua que privará de sol milhares de casas.As construções arejadas (habitações ricas) ocupam as zonas favorecidas. pela fumaça de carvão. poeiras e gases nocivos. que.. de ar e de espaço. com vista e espaços graciosos dando para perspectivas paisagísticas. centros industriais ou comerciais. para sempre. lagos. setores invadidos por nevoeiros. Ele tem por base a discriminação necessária entre as diversas atividades humanas. os bairros residenciais as moradias são distribuídos segundo a circunstância. não se tem o direito de transgredir regras que deveriam ser sagradas. nunca atraiu ninguém. que famílias inteiras sejam privadas de luz. infelizmente.

As regulamentações edilícias deixam. ao lado da instrução. A necessidade de iluminar o centro desses blocos engendra pátios internos de dimensões variadas. muito particularmente. 18 . enquanto as outras três. função que constitui por si só todo um programa e coloca um problema cuja solução – que outrora já foi. serviços médicos. depois dos treze. creches. colocadas nas únicas condições que permitem uma formação séria. Muito longe da moradia.É arbitrária a distribuição das construções de uso coletivo dependente da habitação. são regularmente privados de organizações pré ou pós-escolares que responderiam às necessidades mais imperiosas de sua idade. ainda. dos pátios e da sombra projetada disso resultante. da maneira mais fragmentária e desvinculada das necessidades gerais das habitações. Os subúrbios são descendentes degenerados dos arrabaldes. antes dos seis anos. jardins de infância. ou o adolescente. capaz de lhes assegurar. fora da moradia e em suas proximidades. estão em geral mal situadas no interior do complexo urbano. a proporção de fachadas não ensolaradas varia entre a metade e três quarto total. infelizmente. escolas. devia acomodar-se em sua insegurança. feliz – está hoje entregue. trapezoidais ou triangulares. O burgo era outrora uma unidade organizada no interior de uma muralha militar. um pleno desenvolvimento. em geral. Além disso. A análise revela que nas cidades. são também parcialmente privadas de sol. sejam seus verdadeiros prolongamentos. Em certos casos. seja ela voltada para a rua ou para o pátio.As escolas. por vezes. As escolas. a liberdade de restringir esses pátios a dimensões verdadeiramente escandalosas.Os subúrbios estão organizados sem plano e sem ligação normal com a cidade. para completar. São elas: centros de abastecimento. está orientada para o norte e não conhece o sol. bom ou mau grado. 19 . A moradia abriga a família. mas. Ao serem cortadas.17 – O alinhamento tradicional das habitações à beira das ruas só garante insolação a uma parcela mínima das moradias. os "equipamentos de saúde". as áreas próprias à cultura fisica e ao esporte cotidiano de cada um. essa proporção é ainda mais desastrosa. construído ao longo de uma via de acesso desprovido de proteção. O falso burgo contíguo a ele pelo lado de fora. de capacidades diversas que. ruas paralelas ou oblíquas desenham superfícies quadradas ou retangulares. 20 . às quais se somarão organizações intelectuais e esportivas destinadas a proparcionar aos adolescentes a possibilidade de trabalhos ou de jogos adequados à satisfação das aspirações próprias dessa idade e. em consequência da estreiteza das ruas. tanto físico quanto moral. O alinhamento tradicional dos imóveis ao longo das ruas acarreta urna disposição obrigatória do volume construído. mas sua necessidade é ainda mal compreendida pela massa. . ao acaso. Chega-se então a este triste resultado: uma fachada em quatro. elas colocam a criança em contato com os perigos da rua. Sua realização está apenas esboçada. não raro estão situadas nas vias de circulação e muito afastadas das habitações. àqueles que buscam o lucro. Mas a família reclama ainda a presença de instituições que. constituem os "blocos". era o escoadouro da população excedente que. uma vez edificadas. é freqüente que nelas só se dispense a instrução propriamente dita. e a criança. O estado atual e a distribuição do domínio edificado prestam-se mal às inovações por meio das quais a infância e a juventude seriam não somente protegidas de inúmeros perigos. limitando-se o julgamento a seu programa e a sua disposição arquitetônica. O benefício dessas instituições coletivas é evidentes.

domínio dos pobres diabos que oscilam nos turbilhões de uma vida sem disciplina. aproveitando-se a topografia. A era do maquinismo é caracterizado pelo subúrbio. solução irracional. onde se instalam em geral os artesanatos mais modestos. uma penosa desilusão! É preciso exigir 23 . eles são. Quando a administração intervém para corrigir a situação.Doravante os bairros habitacionais devem ocupar no espaço urbano as melhores localizações. barracos de madeira. O proprietário de um terreno vago onde tenha surgido algum barraco. cem vezes. Ela comprometeu seriamente o destino da cidade e suas possibilidades de crescer conforme uma regra. essa onda tornou-se maré. polícia. iluminação e limpeza pública serviços hospitalares ou escolares. o subúrbio é com freqüência. alguns procuram fazer cidades-jardins. É uma espécie de onda batendo nos muros da cidade. com as indústrias julgadas de antemão provisórias. . galpão ou oficina não pode ser desapropriado sem inúmeras dificuldades. destinada a suportar inúmeras misérias. O subúrbio é o símbolo. enganchados às grandes vias de acesso por suas ruelas. cortados por ferrovias.Procurou-se incorporar os subúrbios ao domínio administrativivo. onde são jogados todos os resíduos. ao mesmo tempo. área sem traçado definido. no seio da cidade. Muito tarde! O subúrbio foi incorporado tardiamente ao domínio administrativo. Casinhas mal construídas. direitos de propriedade por ela declarados imprescritíveis. Sede de uma população incerta. É chocante a desproporção entre as despesas ruinosas causadas por tantas obrigações e a pequena contribuição que pode dar uma população dispersa. meios transporte rápidos.Quando a criação de uma nova muralha encerrava um dia o falso burgo. Os subúrbios são a sórdida antecâmara das cidades. conhecerão um crescimento gigantesco. algumas das quais. galpões onde se misturam bem ou mal os materiais mais imprevistos. a circulação aí se torna perigosa. em toda sua extensão. O subúrbio é um erro urbanístico. do fracasso e da tentativa. 22 . dez vezes. com seu trecho de via. e depois inundação. a cidade é obrigada a prover a área dos subúrbios dos serviços necessários: vias públicas. para o viajante atraído pela reputação da cidade. cerca a cidade para assegurar-lhe os meios para um desenvolvimento harmonioso. onde se arriscam todas as tentativas. canalização. Ele se constitui em um dos grandes males do século. Paraísos ilusórios. onde a função distância-tempo suscita uma difícil questão que continua sem solução. É antes do nascimento dos subúrbios que a administração deve apro riar-se da gestão do solo que. etc. disseminado por todo o universo e levado a suas conseqüências extremas na América. caldo de cultura de revoltas. ocorria uma primeira alteração na regra normal dos traçados. mais extenso do que a cidade. 21 . vistos de avião. eis o subúrbio! Sua feiúra e sua tristeza são a vergonha da cidade que ele circunda. Desse subúrbio doente. entretanto. porém. A legislação imprevidente deixou que se estabelecessem. que obriga a malbaratar o dinheiro público sem a contraparte de recursos fiscais suficientes. é uma carga sufocante para a coletividade. Sua miséria. expõe aos olhos menos avisados a desordem e a incoerência de sua distribuição.Freqüentemente os subúrbios nada mais são do que uma aglomeração de barracos onde a infra-estrutura indispensável dificilmente é rentável. dispondo-se da insolação mais favorável e de superfícies verdes adequadas. No decorrer dos séculos XIX e XX. choca-se com obstáculos insuperáveis e se arruína em vão. observando-se o clima. Sua densidade populacional é muito baixa e o solo dificilmente explorado.

Um número mínimo de horas de insolação deve ser fixado para cada moradia. levando em consideração os ventos e a neblina. tal como existem hoje. por exemplo. sabendo-se em que área útil. nas "condições naturais". Fixar as densidades urbanas é realizar um ato de gestão pleno de conseqüências. 24 . porém. e que elas não apenas cresceram. formular um diagnóstico e nem sequer encontrar uma solução. criar e administrar seus prolongamentos exteriores. A medicina demonstrou que a tuberculose se instala onde o sol não penetra. inserindo. A história mostra que sua criação e seu desenvolvimento obedeceram a razões profundas. a "densidade" é determinada. Quando a cifra da população e as dimensões do terreno são fixadas. As densidades populacionais de uma cidade devem ser ditadas pelas autoridades. que devem ser estudadas e que levarão a previsões que abarquem um certo espaço de tempo: cinqüenta anos. A displicência é a única explicação válida para esse crescimento desmesurado e absolutamente irracional. há modos de preservar o que merece ser preservado. da habitação. ao modificar brutalmente determinadas condições centenárias. enfim. detectou aquelas que são indispensáveis á saúde humana e também aquelas que. que é uma das causas de seus males. Quando surgiu a era da máquina. os declives melhor expostos. 26 . Nossa tarefa atual é arrancá-las de sua desordem por meio de planos nos quais será previsto o escalonamento dos empreendimentos ao longo do tempo. mas freqüentemente se renovaram no decorrer dos séculos. estudando as radiações solares. O sol é o senhor da vida. prevalece sobre todos. ainda. utilizar as superficies verdes existentes. tanto quanto possível. as áreas que lhes serão reservadas. É preciso buscar ao mesmo tempo as mais belas paisagens. tudo deve ser feito para recuperá-los. estão construídas em condições contrárias ao bem público e privado. e. As leis de higiene universalmente reconhecidas fazem uma grave acusação contra as condições sanitárias das cidades. superpostas ao longo do tempo. ou recuperá-las. O sol deve penetrar em toda moradia algumas horas por dia. Não basta. poderiam ser-lhe nocivas. Elas poderão variar segundo a destinação do solo urbano e resultar. Alguns.Densidades razoáveis devem ser impostas. mesmo durante a estação menos favorecida. o ar mais saudável. se não existem. Poder-se-á pressupor uma certa cifra de população. numa cidade ou muito extensa ou concentrada sobre si mesma. as cidades têm razões particulares. fruto de uma especulação prematura. Não basta sanear a moradia. outros. locais de educação física e espaços diversos para esporte. O problema da moradia. Bairros inteiros deveriam ser condenados em nome da saúde pública. ela exige que o indivíduo seja recolocado. A ciência. Os melhores locais da cidade devem-lhe ser reservados. ainda. fixar a superfície e a capacidade necessárias à realização desse programa de cinqüenta anos. . levou-as ao caos.As cidades. prever qual "tempo-distância" será seu quinhão cotidiano. Será necessário alojá-la. antecipadamente. as cidades se desenvolveram sem controle e sem freio. deverão ser parcialmente respeitados. e se eles foram devastados pela indiferença ou pela concupiscência. de acordo com as formas de habitação postas pela própria natureza do terreno. que ela seja imposta pelas autoridades responsáveis. mas é preciso.A determinação dos setores habitacionais deve ser ditada por razões de higiene. é preciso. 25 . destruindo implacavelmente aquilo que constitui um perigo. se foram destruídas. em função das memórias históricas ou dos elementos de valor artístico que contêm. em certos casos. criá-las. Muitos fatores concorrem para a quantidade da moradia. A era da máquina. e sobre o mesmo solo. no plano geral. de acordo com seu índice. Tanto para nascer como para crescer. só merecem a picareta.

as razões que postulam a favor de uma determinada decisão são: a escolha da vista mais agradável. ou para aquele ainda mais rápido. será rigorosamente condenado. 4km horários. 27 . depois vieram. a busca do ar mais puro e da insolação mais completa. As construções atingem sessenta e cinco pavimentos ou mais. devem ser separadas. interrompido por paradas intermitentes. quanto para o trânsito. mecânicas. por um exame criterioso dos problemas urbanos. condenadas ao definhamento. a possibilidade de criar nas proximidades imediatas da moradia instalações coletivas. todas em aço ou cimento armado. criadas no tempo dos cavalos e só após a introdução dos coches. É preciso. enfim. as construções homogêneas. no século XX. que serão os . longe de construir um melhoramento. as ruas do nossas cidades. É preciso exigir dos construtores uma planta demonstrado que no solstício de inverno o sol penetrará em cada moradia. ou privado de sol devido às sombras projetadas. A construção de uma cidade não pode ser abandonada. só agravaria o mal existente. a arte de construir casas só conhecia paredes constituídas de pedras. sem programa. centros de assistência. a altura que mais convém a cada caso particular. no mínimo 2 horas por dia. e as velocidades. assim. Até o século XIX. Cada época utilizou em suas construções a técnica que lhe era imposta por seus recursos particulares. Elas recebem as mais variadas cargas e devem servir tanto para a caminhada dos pedestres. que elas estejam situadas as distâncias bem grandes umas das outras. As calçadas. Esse estado de coisas exige uma modificação radical: as velocidades do pedestre. enquanto o pedestre disporá de caminhos diretos ou de caminhos de passeio para ele reservados.Os modernos recursos técnicos devem ser levados em conta para erguer construções elevadas.A sociedade não tolerará mais que famílias inteiras sejam privadas de sol e. Apenas construções de uma certa altura poderão satisfazer a contento essas legítimas exigências. enfim. A cidade atual abre as inumeráveis portas de suas casas para essa ameaça e suas inumeráveis janelas para os ruídos. 50 a 100km horários. Introduzir o sol é o novo e o mais imperioso dever do arquiteto. Na falta disso será negada a autorização para construir. os construtores não podiam erguer um imóvel que ultrapassasse seis pavimentos. ônibus ou bondes. tijolos ou tabiques de madeira e tetos constituídos por vigas de madeira. resultantes de uma intensa circulação mecânica. As habitações serão afastadas das velocidades mecânicas. Todo projeto de casa no qual um único alojamento seja orientado exclusivamente para o norte.As construções elevadas erguidas a grande distância umas das outras devem liberar o solo para amplas superfícies verdes. têm finalidades díspares. 28 . que serão seus prolongamentos. Resta determinar. 29 . Antes dessa inovação absolutamente revolucionária na história da construção de casas. é o grave erro cometido nas cidades das duas Américas. dos caminhões ou dos automóveis particulares. de veículos rápidos de transporte coletivo. caso contrário sua altura. No que concerne à habitação. terrenos para jogos. para evitar os atropelamentos. ainda. a serem canalizadas para um leito particular.0 alinhamento das habitações ao longo das vias de comunicação deve ser proibido. As vias de comunicação. as poeiras e os gases nocivos. à iniciativa privada. áreas escolares. O presente não é mais tão limitado. são um remédio irrisório desde que as velocidades mecânicas introduziram nas ruas uma verdadeira ameaça de morte. um período intermediário fez uso dos ferros perfilados. isto é. No século XIX. A densidade de sua população deve ser elevada o bastante para validar a organização das instalações coletivas.

Essas horas livres. da qual a autoridade está incumbida: a promulgação do "estatuto do solo". Não interviera ainda o ponto de vista social. distantes dos locais de habitação popular. estatuto. proibidas às multidões. serão consagradas a uma reconfortante permanência no seio de elementos naturais. por isso. não tão próximas. 31 . colocando alvenaria no lugar da relva e das árvores. se cercam a própria habitação. que permita calcular a superfície reservada à cidade. em geral. Lazer Observações 30 . Assim se construirá a cidade daqui para diante com toda segurança e. superfícies livres no interior de algumas cidades. diretos. Elas são a sobrevivência. que o maquinismo infalivelmente ampliará. elas só servirão aos citadinos no domingo e não terão influência alguma sobre a vida cotidiana. miraculosa em nossa época. portanto. não raro estão mal destinadas e. autênticos pulmões da cidade. devem ser seguidas. jardins adjacentes a casas burguesas. Os dois últimos séculos consumiram com voracidade essas reservas.A situação excêntrica das superficies livres não se presta à melhoria das condições de habitação nas zonas congestionadas da cidade. que continuará a se desenrolar em condições deploráveis. dentro dos limites das regras estabelecidas por esse. passeios sombreados ocupando a área de uma muralha militar derrubada. sendo sua função reduzida ao embelezamento. será dada toda a liberdade à iniciativa privada e à imaginação do artista. Quando as cidades modernas possuem algumas superfícies livres e de uma extensão suficiente. de reservas constituídas no passado: parques rodeando residências principescas. o grave problema da higiene popular permanecem ainda sem melhoria. sua destinação será a mesma: acolher as atividades coletivas da juventude. Outrora os espaços livres não tinham outra razão de ser que o deleite de alguns privilegiados. fixar uma superfície para a cidade que não poderá ser ultrapassada durante um período determinado. a cada dia. também. Decidir sobre a maneira como o solo será ocupado.prolongamentos da moradia. No segundo. são pouco utilizáveis pela massa dos habitantes. sem que desempenhem seu papel de prolongamentos úteis da moradia. estabelecer a relação entre a superfície construída e aquela deixada livre ou plantada. cobrindo-os de imóveis. Existem. dividir o terreno necessário tanto para as moradias particulares quanto para seus diversos prolongamentos. ainda. 32 . por um número suficiente de horas livres. tais áreas estão situadas ou na periferia ou no coração de uma zona residencial particularmente luxuosa.Quando as superfícies livres têm uma extensão suficiente. uma necessidade e constituem uma questão de saúde pública para . O urbanismo é chamado para conceber as regras necessárias a assegurar aos citadinos as condições de vida que salvaguardem não somente sua saúde física mas. sua saúde moral e a alegria de viver delas decorrente. em geral muscular e nervosamente extenuantes. propiciar um espaço favorável às distrações. que dá hoje um sentido novo a sua destinação. Eles podem ser os prolongamentos diretos ou indiretos da moradia. A manutenção ou a criação de espaços livres são. indiretos. Em ambos os casos. No primeiro caso. se estão concentrados em algumas grandes superfícies. constituir essa grave operação. de fato. elas serão. Seja como for.As superfícies livres são. aos passeios ou aos jogos das horas de lazer. insuficientes. será admitida uma cifra de população presumível. Uma vez fixada essa densidade. As horas dê trabalho.

2 . mas certos empreendimentos coletivos. Esse é um tema que constitui parte integrante dos postulados do urbanismo e ao qual os edis deveriam ser obrigados a dedicar toda a sua atenção. De qualquer modo. como a aragem eventual e a irrigação ou a rega. o principal argumento a favor das cidades jardins. ele implica o estudo de diversos meios de transporte possíveis: estradas. cuja utilidade constitui. Uma vez escolhidos os locais situados nos arredores imediatos da cidade e próprios para se tomarem centros úteis de lazer semanal. ferrovias ou rios. O problema assim exposto implica a criação de reservas verdes: 1. não oficialmente reconhecidas é. as férias. eis a única fórmula que resolve o problema da habitação. mas consagradas ao desenvolvimento das diversas atividades comuns que formam o prolongamento da moradia. em geral. As horas de liberdade semanal permitem a saída da cidade e os deslocamentos regionais. Esta decisão só terá resultado se estiver sustentada por uma verdadeira legislação: o "estatuto do solo". 33 . as superficies verdes não serão compartimentadas em pequenos elementos de uso privado. Os volumes edificados serão intimamente amalgamados às superfícies verdes que os cercam. de fato. poderá muito bem ser levado em consideração aqui.no país. Algumas associações esportivas.ao redor das moradias. semanais ou anuais.Os terrenos que poderiam ser destinados ao lazer semanal estão frequentemente mal articulados à cidade. dos adolescentes e dos adultos. 34 . a textura do tecido urbano deverá mudar. desejosas de utilizar seu lazer semanal. As horas de liberdade anual. As zonas edificadas e as zonas plantadas serão distribuídas levando-se em consideração um tempo razoável para ir de umas às outras. colocar-se-á o problema dos transportes de massa. isto é. os locais ou os climas.As raras instalações esportivas. O cultivo de hortas. Justa proporção entre volumes edifícados e espaços livres. encontraram na periferia das cidades um abrigo provisório. dividida em múltiplas parcelas individuais. Esse estatuto terá a diversidade correspondente às necessidades a satisfazer. para serem colocadas nas proximidades dos usuários. . uma porcentagem do solo disponível lhe será destinada. Esse problema deve ser considerado desde o instante em que se esboça o plano da região.na região 3 . As horas de liberdade cotidiana devem ser passadas nas proximidades da moradia. Pode-se classificar as horas livres ou de lazer em três categorias: cotidianas. as aglomerações tenderão a tornar-se cidades verdes. É preciso exigir 35 . Assim. Contrariamente ao que ocorre nas cidades-jardins. das mais precárias. eram em geral instaladas provisioriamente: em terrenos destinados a receber futuros bairros residências ou industriais. mas sua existência. fora da cidade e da região.a espécie. poderão aliviar os encargos e aumentar o rendimento. a densidade da população ou a porcentagem de superficie livre e de superfície edificada poderão variar segundo as funções.Doravante todo bairro residencial deve compreender a superfície verde necessária à organizacão racional dos jogos e esportes das crianças. permitem verdadeiras viagens. Precariedade e transtornos incessantes.

que alguns desses quarteirões ocupem um local particularmente conveniente à construção de certos edifícios indispensáveis à vida da cidade. antes de mais nada. etc.As novas superfícies verdes devem servir a objetivos claramente definidos: acolher jardins de infância. 37 . mas de verdadeiros prados. Enfim. Dever-se-á aproveitar essa ocasião para substituí-los por parques que serão. praias. .. os esportes de toda natureza: tênis. teatros ao ar livre. concertos. Elas serão o prolongamento da habitação e. mar. oferecendo mil oportunidades de atividades saudáveis ou de entretenimento útil ao habitante da cidade. não menos importante. praias. áreas de esporte. e as instalações de caráter coletivo ocuparão seus gramados: creches. em meio à beleza dos lugares. o primeiro passo no caminho do saneamento. solitário ou coletivo. montanhas. Deve ser estabelecido um programa de entretenimento abrangendo atividades de todo tipo: o passeio. um abastecimento de água potável e víveres. florestas. salas de leitura ou de jogos. escolas. estádios.As horas livres semanais devem transcorrer em locais adequadamente preparados: parques. hotéis.. com uma ou outra árvore plantada. áreas de esporte. Nada ou quase nada foi ainda previsto para o lazer semanal. saberá dar-lhes a destinação que o plano geral da região e o da cidade tenham antecipadamente considerado a mais útil. etc. natação. pistas de corrida ou piscina ao ar livre.Parques. morros. tornar-se-ão facilmente acessíveis. que deverá ser cuidadosamente assegurado em toda parte. Pode acontecer. As superfícies verdes. Toda cidade possui em sua periferia locais capazes de corresponder a esse programa e que através de uma organização bem estudada dos meios de transporte. florestas. jogos de quadra e torneios diversos. Elas deverão.Os quarteirões insalubres devem ser demolidos e substituídos por superfícies verdes: os bairros limítrofes serão saneados. amplos espaços deverão ser reservados e organizados. vales. Nesse caso..36 . organizações pré ou pós-escolares. futebol. deverão estar o subordinadas ao estatuto do solo. como tal. 38 . estádios. etc. de bosques. os espetáculos. locais para alojamento. de praias naturais ou artificiais constituindo uma imensa reserva cuidadosamente protegida. Um conhecimento elementar das principais noções de higiene basta para discernir os cortiços e discriminar os quarteirões notoriamente insalubres. atletismo. que se terá intimamente amalgamado aos volumes construídos e inserido nos setores habitacionais. Na região que cerca a cidade. não por função única o de embelezamento da cidade. 39 . 40 . um urbanismo inteligente. centros juvenis ou todas as construções de uso comunitário ligadas intimamente à habitação. centros de entretenimento intelectual ou de cultura física. todavia. e o acesso a eles deverá ser assegurado por meios de transporte suficientemente numerosos e cômodos. Estes quarteirões deverão ser demolidos. basquete. albergues ou acampamentos e. círculos juvenis. lago.. Não se trata mais de simples gramado cercando a casa. enfim. são previstos equipamentos precisos: meios de transporte que demandem uma organização racional. ter um papel útil. pelo menos nos bairros limítrofes.Os elementos existentes devem ser considerados: rios.

As horas de pico dos transportes acusam um estado crítico. O desenvolvimento industrial depende essencialmente dos meios de abastecimento de matériasprimas e das facilidades de escoamento dos produtos manufaturados. estavam situadas uma perto da outra. sítios e paisagens que correspondam ao programa. as fábricas aí espalham suas poeiras e seus ruídos. A ruptura com a antiga organização do trabalho criou uma desordem indizível e colocou um problema para o qual. Esse é um outro problema social muito importante. que continua seu desenvolvimento sem limites. negócios. no verão e no inverno. comércio. Mas. A expansão inesperada do maquinismo rompeu essas condições de harmonia. Instaladas na periferia e longe desses bairros. mas também de reparar as agressões que algumas delas tenham sofrido. Trabalho Observações 41 . Outrora. Horas inteiras se dissolvem nesses deslocamentos desordenados. enfim. que a indústria do homem crie. a que as indústrias verdadeiramente se precipitaram. elas condenam os trabalhadores a percorrer diariamente longas distâncias em condições cansativas de pressa e de agitação. cujo tráfego a navegação a vapor multiplicava. suporta de manhã. .A ligação entre a habitação e os locais de trabalho não é mais normal: ela impõe percursos desmesurados.Os locais de trabalho não estão mais dispostos racionalmente no complexo urbano: indústria. Derivou disso o grande mal dá época atual: nomadismo das populações operárias. Desde então foram rompidas as relações normais entre essas duas funções essenciais da vida: habitar. só foram dadas soluções paliativas. Trata-se não só de preservar as belezas naturais ainda intactas. unidas por vínculos estreitos e permanentes. até o presente. sem poder acolher novos habitantes. administração. 43 . A mão-de-obra intercambiável. 42 . aproveitando as disponibilidades imediatas de habitações e de abastecimento das cidades existentes. em menos de um século. que absolutamente não está ligada por um vínculo estável à indústria. fazendo-os perder inutilmente uma parte de suas horas de lazer. Foi. um papel preponderante. para os subúrbios. trabalhar. não mais abandonar a população às múltiplas desgraças da rua. os fundadores das indústrias instalaram suas empresas na cidade ou em seus arredores.Graças ao aperfeiçoamento dos meios mecânicos de transporte. a despeito do mal que disso poderia resultar. tornar o dia de repouso verdadeiramente revitalizante para a saúde fisica e moral. Uma destinação fecunda das horas livres forjará uma saúde e um coração para os habitantes das cidades. quebrou as tradições seculares do artesanato e deu origem a uma nova mão-de-obra anônima e instável. à tarde e à noite. Mais vale escolher bem. vastos e compactos blocos de caixotes para alugar ou loteamentos intermináveis. Implantadas no coração dos bairros habitacionais. cuja responsabilidade está nas mãos dos edis: encontrar uma contrapartida para o trabalho estafante da semana. Saturada a cidade. e às margens das vias fluviais. ela transformou a fisionomia das cidades. ao longo das vias férreas introduzidas pelo século XIX. Os arrabaldes se enchem de oficinas e manufaturas e a grande indústria. a questão da distância não desempenha mais. é empurrada para fora. artesanato. a moradia e a oficina. portanto. ainda que se tenha que procurar um pouco mais longe. em parte. fez-se surgir apressadamente cidades suburbanas. a perpétua movimentação e a deprimente confusão dos transportes coletivos. no caso.

Estas transações precisam de escritórios. ao invés de serem concêntricas. terrestres ou férreas. se às vezes favorece o indivíduo. sendo a cota dos passageiros insuficiente para cobrir sua despesa. Esses escritórios são locais que requerem uma instalação particularizada. Tudo aconselha um agrupamento. de seu próprio bolso. mas é preciso denuciar as deploráveis condições de vida que disso resultaram para a massa. As indústrias devem ser transferidas para locais de passagem das matérias-primas. 44 . 45 . . foi seriamente medido e previsto. uma fonte de prosperidade. tudo foi deixado à improvisação que. lineares. eles se tomam um pesado encargo público. os escritórios se concentraram em centros de negócios. ao longo das grandes vias fluviais. especulação com os terrenos. horas de sacolejo somadas às fadigas do trabalho. ausência de previsões. etc – a indústria se instala ao acaso. É preciso exigir 46 . instalado nos locais privilegiados da cidade. A duração das idas e vindas não tem relação com a trajetória cotidiana do sol. estabelecer contatos entre a fábrica ou a oficina. e os usuários pagam caro. As cidades industriais. são caros. A concentração das indústrias em anéis em tomo das grandes cidades pode ter sido. Essa disposição arbitrária criou uma promiscuidade insuportável.Pela falta de qualquer programa . instalações de aquecimento e de refrigeração. para certas empresas. Como são negócios privados. comunicações fáceis com o exterior. o fornecedor e o cliente. isoladamente.Os transportes coletivos. indispensável ao andamento dos negócios. tornar-se-ão. ônibus e metrôs só funcionam verdadeiramente em quatro momentos do dia. portanto.Nas cidades. não obedecendo a regra alguma. O desenvolvimento industrial tem por corolário o aumento dos negócios. Nada foi feito para submeter o surto industrial a regras lógicas. centros postal e telefônico. Isto supõe uma nova distribuição. nesse domínio. uma organização que lhes proporciona.As distâncias entre os locais de trabalho e os locais de habitação devem ser reduzidas ao mínimo.crescimento descontrolado das cidades. Nada. sempre oprime a coletividade. Para remediar semelhante estado de coisas foram sustentadas teses contraditórias: fazer viver os transportes ou fazer viver bem os usuários dos transportes? É preciso escolher! Umas supõem a redução e as outras o aumento do diâmetro das cidades. administração privada e comércio. a agitação é frenética. trens de subúrbio. Um lugar de passagem é um elemento linear. que asseguraria a cada um deles as melhores condições de funcionamento: circulação desembaraçada. falta organização propícia para seu desenvolvimento natural. de todos os lugares destinados ao trabalho. silêncio. iluminação. ao contrário. sujeitas a todo tipo de crises e cuja situação é ás vezes instável. dotados da mais completa circulação. sensível. boa qualidade do ar. A própria indústria está nas mãos de sociedades privadas. O solo das cidades e o das regiões vizinhas pertencem quase inteiramente a particulares. Tais equipamentos. conforme um plano cuidadosamente elaborado. diariamente. A exploração desses transportes é ao mesmo tempo minuciosa e cara. É preciso comprar e vender. Nas horas de pico. são logo presa da especulação. Os centros de negócio. rádio etc.

49 . a ferrovia. mantendo-se a uma proximidade que suprimirá os longos trajetos diários. da qual procede diretamente. melhor ainda. portanto. A moradia inserida desde então em pleno campo. a casa individual acoplada a uma pequena exploração rural e.A rede atual das vias urbanas é um conjunto de ramificações desenvolvidas em torno das grandes vias de comunicação. Na Europa. O centro de negócios deve encontrar-se na confluência das vias de circulação que servem ao mesmo tempo os setores de habitação. o imóvel coletivo provido de todos os serviços necessários ao bemestar de seus ocupantes.Os setores industriais devem ser independentes dos setores habitacionais e separados uns dos outros por uma zona de vegetação. intimamente ligado à vida urbana. os locais de trabalho. as administrações públicas. rodoviária. ao canal e à rodovia. desde o seu nascimento. tanto com os bairros habitacionais quanto com as indústrias ou artesanato instalados na cidade ou em suas proximidades. marítima. exige a criação de novas vias ou a transformação das já existentes.O artesanato. O artesanato. Certas cidades militares ou de colonização beneficiaram-se.47 . essas últimas remontam a um tempo bem anterior à idade média. por sua natureza. ou às vezes até mesmo à antiguidade. dessas três vias conjugadas. deve poder ocupar locais claramente designados no interior da cidade. nessa muralha . 50 . estrada ou via férrea ou. alguns hotéis e diversas (estações ferroviária.Ao centro de negócios. estará completamente protegida dos ruídos e das poeiras. consagrado à administração privada ou pública. os setores de indústria e de artesanato. o rio ou o canal. É um programa de coordenação que deve levar em conta a nova distribuição dos estabelecimentos industriais e das moradias operárias que os acompanham. São atividades essencialmente urbanas e.As zonas industriais devem ser contíguas à estrada de ferro. A cidade industrial se estenderá ao longo do canal. Tornando-se linear e não mais anelar. à medida em que se desenvolve. costura ou moda encontra na concentração intelectual da cidade a excitação criadora que lhe é necessária. O artesanato de livros. enfim. seu próprio setor habitacional. que utilizam a rodovia. 48 . Uma zona verde separará este último das construções industriais. que lhe será paralelo. Três tipos de habitação estarão disponíveis para escolha dos habitantes: a casa individual da cidade-jardim. poderão ficar situados nos pontos mais intensos da cidade. ela poderá alinhar. Primeiro foi traçada uma muralha de forma regular. joalheria. A velocidade inteiramente nova dos transportes mecânicos. Os negócios assumiram uma importância tão grande que a escolha da localização que lhes será reservada exige um estudo muito particular. ela voltará a ser um organismo familiar normal. de um plano deliberado. difere da indústria e requer disposições apropriadas. Circulação Observações 51 . aérea). Ele emana diretamente do potencial acumulado nos centros urbanos. As "condições naturais" assim reencontradas contribuirão para fazer cessar o nomadismo das populações operárias. deve ser garantida boa comunicação.

55 . subproduto direto da rede viária. se opõe à utilização das novas velocidades mecânicas e à expansão regular da cidade. Sua mistura é fonte de mil conflitos. . Mas tarde. Outras cidades. estender-se proporcionalmente ao crescimento de sua população. artérias secundárias cada vez mais numerosas. ruas e ruelas foram prolongadas em avenidas e alamedas além do primeiro núcleo.As distâncias entre os cruzamentos das ruas são muito pequenas. enquanto os veículos mecânicos. essa organização das cidades teve como conseqüência o sistema de blocos edificados a prumo sobre a rua. A disposição interna tinha uma útil regularidade. hoje elas não correspondem aos meios de transporte mecânicos.O dimensionamento das ruas. O pedestre circula em uma insegurança perpétua. assim tiveram origem as ruas principais a partir das quais vieram ramificar-se. no decorrer do crescimento da cidade. Dever-se-ia. Esse sistema de construção. 50. 20. com a mesma finalidade. os veículos mecânicos precisam do arranque e da aceleração gradual. mas sempre conservarão sua determinação fundamental. ou mesmo 10 metros de distância uns dos outros. Suas fachadas dão para ruas ou para pátios internos mais ou menos estreitos. concebidas para receber pedestres ou coches. As cidades antigas eram.terminavam as grandes vias de comunicação. 54 . É isso que explica sua disposição em ruas e ruelas estreitas que permitiam servir ao maior número possível de portas de habitação. com as velocidades mecânicas dos automóveis. a nenhuma necessidade. É sempre o bloco edificado. por pátios internos. As vias principais sempre foram filhas da geografia. A freada não pode intervir brutalmente sem causar um desgaste rápido de suas principais órgãos. de onde eles recebiam luz. obrigados a frear com freqüência. situados a 100. Espaços de 200 a 400 metros deveriam separá-los. As primeiras casas se instalaram à beira delas. ficam paralisados. Além disso. O problema é criado pela impossibilidade de conciliar as velocidades naturais. muitas delas puderam ser corrigidas ou retificadas. A rede circulatória que o contém tem dimensões e intersecções múltiplas. Prevista para outros tempos. o que não os impede de serem um perigo permanente de morte. caminhões ou ônibus. tem ainda hoje força de lei. por razões de segurança. portanto. Era preciso agir com economia para fazer o terreno render o máximo de superfície habitável. Os cruzamentos das ruas atuais. quando as muralhas fortificadas foram sendo afastadas. não convêm à boa progressão dos veículos mecânicos. Não podiam. portanto. cercadas por muralhas. inoperante. Essas vias de comunicação estão intimamente ligadas à topografia da região.A largura das ruas é insuficiente. nasceram na intersecção de duas grandes rotas que atravessavam a região ou no ponto de cruzamento de vários caminhos radiais que partiam de um centro comum. mais numerosas. Para atingir sua marcha normal. desde então inadequado. prever uma unidade de extensão razoável entre o local do arranque e aquele em que a freada torna-se necessária. do pedestre ou do cavalo. e perfurados. além disso. essa rede não pôde adaptarse às novas velocidades dos veículos mecânicos. que conservava sua estrutura primitiva. Procurar alargá-las é quase sempre uma operação onerosa e. que freqüentemente lhes impõe um traçado sinuoso. 53 . há muito tempo. 52 . bondes. que não corresponde mais.As grandes vias de comunicação foram.

A estrada de ferro é uma via que não se atravessa. Ela isola os bairros habitacionais. portanto. que saiba prever tudo o que é preciso para regularizar os fluxos. Cada uma dessas atividades exigiria uma pista particular.Diante das velocidades mecânicas. Aquilo que era admissível e até mesmo admirável no tempo dos pedestres e dos coches pode ter-se tomado. As vias destinadas a múltiplos usos devem permitir. Ao penetrarem nas cidades. aos pedestres. aos caminhões. de modo a fazê-las inserir-se na harmonia de um plano geral. puderam ou podem constituir pesados entraves à circulação. tendo-se coberto pouco a pouco de habitações. em número e natureza dos veículos. flexibilidade. assim. no presente. ir de um extremo a outro. para os quais não foram feitas e à cuja velocidade nunca poderão ser adaptadas. por ocasião da extensão da cidade. 56 . uma fonte de problemas constantes. ir dos centros de abastecimento a locais de distribuição infinitamente variados. Certas avenidas concebidas para assegurar uma perspectiva monumental coroada por um monumento ou um edificio. a determinados veículos. a malha das ruas apresenta-se irracional. mas seu alargamento não é sempre uma solução fácil e nem sequer eficaz. As estradas de ferro foram construídas antes da prodigiosa expansão industrial que elas mesmas provocaram. A circulação tornou-se hoje uma função primordial da vida urbana. atravessar a cidade em simples trânsito. É preciso que o problema seja retomado bem mais de cima. considerar seu estado atual e procurar soluções que respondam de fato a necessidades estritamente definidas. criar os escoadouros indispensáveis e chegar. uma causa de engarrafamento. aos ônibus e bondes. preciso dedicar-se a um estudo profundo da questão. ir de um extremo a outro.Traçados de natureza suntuária. a suprimir os engarrafamentos e o malestar constante de que são a causa. são. de perigo. privando-os de contatos úteis com os elementos vitais da cidade. e. ao mesmo tempo: aos automóveis. Ela pede um programa cuidadosamente estudado. Essas composições de ordem arquitetônica deveriam ser preservadas da invasão de veículos mecânicos. a rede das vias férreas tornou-se.Em inúmeros casos. Também aqui o tempo andou muito depressa. Elas são geralmente muito estreitas. As antigas vias principais.Não há uma largura-tipo uniforme para as ruas. diversidade e adequação. viram-se privados de contatos para eles indispensáveis. É. ela isola uns dos outros setores que. um grave obstáculo à urbanização. faltando precisão. impostas desde o início da cidade pela topografia e pela geografia. Em certas cidades. conservaram quase sempre um tráfego intenso. buscando objetivos representativos. às vezes. percorrer itinerários prescritos. elas seccionam arbitrariamente zonas inteiras. a situação é grave para a economia geral e o urbanismo é chamado para considerar o remanejamento e o deslocamento de certas redes. É preciso exigir . e que formam o tronco da inumerável ramificação de ruas. de atraso. 58 . condicionada para satisfazer necessidades claramente e caracterizadas. A circulação moderna é uma operação das mais complexas. atualmente. 57 . Tudo depende de seu tráfego.

As ruas devem ser diferenciadas de acordo com suas destinações: ruas de residências. legada pelos séculos. considerar. locais e natureza dos cruzamentos ou das interligações. A segunda. automóveis. dar às cargas pesadas um leito de circulação particular. são o melhor meio de assegurar-lhes uma marcha contínua. de acordo com a função para a qual forem destinadas.com suas velocidades inesperadas. Essa exigência concernente à circulação pode ser considerada tão rigorosa quanto aquela que. Somente uma visão clara da situação permitirá realizar dois progressos indispensáveis: dar a cada uma das vias de circulação uma destinação precisa. ruas de passeio. para a grande circulação. bondes . uma situação que caminha para ao desastre. no domínio da habitação. deverão. 62 .Devem ser feitas análises úteis. que torna inutilmente lento seu percurso.59 . O crescimento fulminante de algumas cidades como Nova York por exemplo. dar depois a essas vias. Para permitir às moradias e a seus "prolongamentos" usufruir da calma e . o caminho dos pedestres e o dos veículos mecânicos. vias principais. conforme sua categoria. ter regimes diferentes. recebia outrora pedestres e cavaleiros indistintamente e só no final do século XVIII o emprego generalizado de coches provocou a criação das calçadas.Os cruzamentos de tráfego interno serão organizados em circulação contínua por meio de mudanças de níveis. A terceira. As ruas. condena toda orientação da moradia para o norte. Os veículos em trânsito não deveriam ser submetidos ao regime de paradas obrigatórias a cada cruzamento.O pedestre deve poder seguir caminhos diferentes do automóvel Isso constituiria uma reforma fundamental da circulação nas cidades. dimensões e características especiais: natureza do leito. em cada via transversal. nas artérias congestionadas. com base em estatísticas rigorosas do conjunto da circulação na cidade e sua região. A rua única.bicicletas. ao invés de serem liberadas a tudo e a todos. Nas grandes vias de circulação e a distâncias calculadas para obter o melhor rendimento. As ruas residenciais e as áreas destinadas aos usos coletivos exigem uma atmosfera particular. Mudanças de nível. ruas de trânsito. A circulação é uma função vital cujo estado atual deve ser expresso em gráficos. A primeira medida útil seria separar radicalmente. motocicletas. caminhões. destinadas somente à pequena circulação. Já é tempo de remediar. e construídas em função dos veículos e de suas velocidades. por meio de medidas apropriadas. 63 . que será receber seja os pedestres. provocou um fluxo inimaginável de veículos em certos pontos determinados.As vias de circulação devem ser classificadas conforme sua natureza. No século XX. trabalho que revelará os leitos de circulação e a qualidade de seus tráficos. 60 . 61 . seja os automóveis. seja as cargas pesadas ou os veículos em trânsito. serão estabelecidas interligações unindo-as às vias destinadas à circulação miúda. vias de trânsito independentes das vias usuais. largura da calçada. abateu-se como um cataclisma a massa de veículos mecânicos . As causas determinantes e os efeitos de suas diferentes intensidades aparecerão então claramente e será mais fácil discernir os pontos críticos. Não haveria nada mais sensato nem que abrisse uma era de urbanismo mais nova e mais fértil.

As grandes vias principais que estão relacionadas a todo o conjunto da região afirmarão.Se sua conservação não acarreta o sacrifício de populações mantidas em condições insalubres. salvo nos pontos de interligação. direito à perenidade. atinge também as obras dos homens. Se os interesses da cidade são lesados pela persistência de determinadas presenças insignes. Um culto estrito do passado não pode levar a desconhecer as regras da justiça social. em outros casos poderá ser isolada a única parte que constitua uma lembrança ou um valor real. e aqueles que os detêm ou são encarregados de sua proteção. algumas serão conservadas a título de documentário. nas quais..da paz que lhes são necessárias. O problema deve ser estudado e pode às . a promiscuidade e a doença que eles abrigam. Mas serão também levadas em consideração as ruas de passeio. Eles fazem parte do patrimônio humano. São testemunhos preciosos do passado que serão respeitados. traçados ou contruções que lhe conferem sua personalidade própria e dos quais emana pouco a pouco a sua alma. que se manifesta ao longo dos séculos por obras materiais. sendo rigorosamente imposta uma velocidade reduzida a todos os tipos de veículos. majestosas. em certos excepcionais. A vida de uma cidade é um acontecimento contínuo..As zonas de vegetação devem isolar. 64 . poderá ser aventada a transplantação de elementos incômodos por sua situação. em princípio. mas que merecem ser conservados por seu alto significado estético ou histórico. É necessário saber reconhecer e discriminar nos testemunhos do passado aquelas que ainda estão bem vivas. os veículos mecânicos serão canalizados para circuitos especiais. Patrimônio Histórico das Cidades 65 . Nem tudo que é passado tem. depois. de uma era já encerrada. naturalmente. É assumir uma grave responsabilidade. 66 .Os valores arquitetônicos devem ser salvaguardados (edifícios isolados ou conjuntos urbanos).Serão salvaguardados se constituem a expressão de uma cultura anterior e se correspondem a um interesse geral. Será bom que elas sejam ladeadas por espessas cortinas de vegetação. Enfim. que não poupa nenhum ser vivo. porque alguns trazem uma virtude plástica na qual se incorporou o mais alto grau de intensidade do gênio humano. será procurada a solução capaz de conciliar dois pontos de vista opostos: nos casos em que se esteja diante de construções repetidas em numerosos exemplares. A morte. As avenidas de trânsito não terão nenhum contato com as ruas de circulação miúda. 67 . por definição. Sendo as vias de trânsito ou de grande circulação bem diferenciadas das vias de circulação miúda. convém escolher com sabedoria o que deve ser respeitado. os leitos de grande circulação. não terão nenhuma razão para se aproximarem das construções públicas ou privadas. as outras demolidas. sua prioridade. a princípio por seu valor histórico ou sentimental.. sem se preocupar com a miséria. têm a responsabilidade e a obrigação de fazer tudo o que é lícito para transmitir intacta para os séculos futuros essa nobre herança.. o resto será modificado de maneira útil. Espíritos mais ciosos do estetismo do que da solidariedade militam a favor da conservação de certos velhos bairros pitorescos. sua mistura com os pedestres não oferecerá mais inconvenientes.

Se é possível remediar sua presença prejudicial com medidas radicais: por exemplo. em certos casos. históricos ou espirituais. a invenção e os recursos técnicos devem combinar-se para chegar a desfazer os nós que parecem mais inextrincáveis. As obras-primas do passado nos mostram que cada geração teve sua maneira de pensar. 68 . suas concepções. levando a um impasse do qual só se sairá mediante alguns sacrifícios. sem dúvida. nas construções novas erigidas nas zonas históricas. 70 . mais vale. o destino de elementos vitais de circulação ou mesmo o deslocamento de centros considerados até então imutáveis. Aproveitar-se-á a situação para introduzir superfícies verdes. sua estética. Ao invés de suprimir o obstáculo à circulação desviar-se-á a própria circulação ou. Os vestígios do passado mergulharão em uma ambiência nova. capaz apenas de desacreditar os testemunhos autênticos. sob pretextos estéticos. Nunca foi constatado um retrocesso. O crescimento excepcional de uma cidade pode criar uma situação perigosa. em todo caso. a demolição de casas insalubres e de cortiços ao redor de algum monumento de valor histórico destrua uma ambiência secular. pois as antigas condições de trabalho não poderiam ser reconstituídas e a aplicação da técnica moderna a um ideal ultrapassado sempre leva a um simulacro desprovido de qualquer vida. se as condições o permitirem impor-se-lhe-á uma passagem sob um túnel. à totalidade de recursos técnicos de sua época. Misturando o "falso" ao "verdadeiro". Copiar servilmente o passado é condenar-se à mentira. longe de se alcançar uma impressão de conjunto e dar a sensação de pureza de estilo. mas. mas certamente tolerável. O obstáculo só poderá ser suprimido pela demolição. nunca o homem voltou sobre seus passos. pode-se também deslocar um centro de atividade intensa e. A manutenção de tais usos ou a introdução de tais iniciativas não serão toleradas de forma alguma. é erigir o "falso" como princípio. Mas.vezes ser resolvido por uma solução engenhosa. têm conseqüências nefastas. o culto do pitoresco e da história deve ter primazia sobre a salubridade da moradia da qual dependem tão estreitamente o bem-estar e à saúde moral do indivíduo. É uma coisa lamentável mas inevitável. mudar inteiramente o regime circulatório da zona congestionada. inesperada talvez. em nenhum caso. Enfim. chega-se somente a uma reconstituição fictícia. Tais métodos são contrários à grande lição da história. como trampolim para sua imaginação. Terceira Parte Conclusões Pontos de doutrina . É possível que. os bairros vizinhos se beneficiarão amplamente. A imaginação. e da qual.A destruição de cortiços ao redor dos monumentos históricos dará a ocasião para criar superfícies verdes. 69 . quando esta medida acarreta a destruição de verdadeiros valores arquitetônicos. que mais se tinha empenho em preservar. recorrendo. procurar uma outra solução. transplantando-o para outra parte.O emprego de estilos do passado.

entregues ao acaso. primordiais. de modo algum a sua destinação.71 . e a imensa desordem material e moral da cidade moderna terá talvez como resultado fazer surgir enfim o estatuto da cidade. Charieroi. por ocasião do Congresso de Atenas. Atenas.Esta situação revela. As cidades são desumanas. 72 . Barcelona. . Madri. e. Roterdã. Roma. a organização das rodovias. A base desse lamentável estado de coisas está na preeminência das iniciativas privadas inspiradas pelo interesse pessoals pelo atrativo do ganho. Em todas essas cidades o homem é molestado. A cidade não corresponde mais a sua função. Oslo. Elas ilustram a história da raça branca sob os mais diversos climas e latitudes. Frankfurt. às vezes. Haia.Embora as cidades esteja em estado de permanente transformação. 73 . o bem. Paris. Hoje. Zagreb e Zurique. Los Angeles. Detroit. Tudo que o cerca sufoca-o e esmaga-o. assegurando o sucesso dos mais fortes em detrimento dos fracos. desde o começo da era do maquinismo. que seria satisfazer as necessidades. que é a de abrigar os homens. Bandoeng. Todas testemunham o mesmo fenômeno: a desordem instituída pelo maquinismo em uma situação que comportava até então uma relativa harmonia. O sentimento de responsabilidade administrativa e o da solidariedade social são derrotados diariamente pela força viva e incessantemente renovada do interesse privado. de outro. Nessa luta. para evitar os danos pelos quais ninguém pode ser efetivamente responsabilizado.A violência dos interesses privados provoca um desastroso desequilíbrio entre o ímpeto das forças econômicas. apoiado em uma forte responsabilidade administatriva. até o presente. Gênova. Baltimore. Dessau. Essas diversas fontes de energia estão em perpétua contradição. e da ferocidade de alguns interesses privados nasceu a infelicidade de inúmeras pessoas. Londres. As empresas estiveram. Essa cidades não correspondem. Trinta e três cidades foram analisadas. que. hidrovias ou ferrovias. Budapeste. Nada do que é necessário a sua saúde física e moral foi salvaguardado ou organizado. Praga. instaurará as regras indispensáveis à proteção da saúde e da dignidade humana. Berlim. quando uma ataca. Utrecht. A construção de habitações ou de fábricas. a fraqueza do controle administrativo e a impotente solidariedade social. a outra se defende. de um lado. Bruxelas.A maioria das cidades estudadas oferece hoje a imagem do caos. e também a ausência de qualquer esforço sério de adaptação. e abrigá-los bem.Varsóvia. Genebra. biológicas e psicológicas de sua população. Uma crise-de humanidade assola as grandes cidades e repercute em toda a extensão dos territórios. do próprio excesso do mal surge. Litoria. tudo se multiplicou numa pressa e numa violência individual. Verona. infelizmente desigual. seu desenvolvimento é conduzido sem precisão nem controle e sem que sejam levados em consideração os princípios do urbanismo contemporâneo atualizados aos meios técnicos qualificados. Mas. durante cem anos. e. por diligência dos grupos nacionais dos Congressos Internacionais de Arquitetura Moderna: Amsterdã. da qual estavam excluídos qualquer plano preconcebido e qualquer reflexão prévia. o interesse privado triunfa o mais das vezes. Nenhuma autoridade consciente da natureza e da importância do movimento do maquinismo interveio. Colônia. 74 . o mal está feito. Estocolmo. Como. o crescimento incessante dos interesses privados. Dalat.

ele só atacou um único problema.As chaves do urbanismo estão nas quatro funções: habitar. Eles foram objeto de artigos. ao invés de serem uma sujeição penosa. 78 . respeitando as prerrogativas de cada uma. Se ele não chega a satisfazer suas exigências. técnicos da organização social. recrear-se (nas horas livres). o ar puro e o sol. condena-se a um inevitável fracasso. as quatro funções-chave do urbanismo reivindicam. em quarto lugar. que devem ser determinados considerando-se o trajeto cotidiano do sol. em terceiro lugar. que se aplicarão às superfícies ou às distâncias. A medida natural do homem deve servir de base a todas as escalas que estarão relacionadas à vida e às diversas funções do ser. coordená-los de maneira harmoniosa se não se elabora. debates públicos ou privados. trabalhar. sendo o urbanismo a conseqüência de uma maneira de pensar levada à vida pública por uma técnica de ação. Escala das medidas.A cidade deve assegurar. 76 . Todo empreendimento cujo objetivo é a melhoria do destino humano deve levar em consideração esses dois fatores. em todo caso. escala das distâncias. cobrem um domínio imenso. em segundo lugar.Os planos determinarão a estrutura de cada um dos setores atribuídos às quatro funçõeschave. condições essenciais da natureza. são hostis às grandes transformações propostas por esses dados novos. Essa é uma visão estreita e insuficiente da missão que lhe está destinada. O urbanismo tem quatro funções principais. circular. de antemão. Mas é preciso fazer com que sejam admitidos pelos órgãos administrativos encarregados de velar pelo destino das cidades e que. É necessário. escala dos horários. Ele se contentou em abrir avenidas ou traçar ruas. que serão consideradas em sua relação com o ritmo natural do homem. 75 . nos planos espiritual e material. um programa cuidadosamente estudado e que nada deixe ao acaso. 77 . antes de mais nada. organizar os locais de trabalho.Os princípios do urbanismo moderno foram produzidos pelo trabalho de inúmeros técnicos: técnicos da arte de construir. frequentemente contraditórias. tornando-as benéficas e fecundas. a liberdade individual e o benefício da açao coletiva. e eles fixarão suas respectivas localizações no conjunto. estabelecer o contato entre essas diversas organizações mediante uma rede circulatória que assegure as trocas. prever as instalações necessárias à boa utilização das horas livres. em Atenas. Essas quatro funções. depois. que são as quatro chaves do urbanismo. O urbanismo exprime a maneira de ser de uma época. isto é. eles retomem seu caráter de atividade humana natural. de tal modo que. técnicos de saúde. congressos. o da circulação. livros. É impossível. Liberdade individual e ação coletiva são os dois polos entre os quais se desenrola o jogo da vida. que ela aja. não raro. lhe sejam largamente asseguradas.O dimensionamento de todas as coisas no dispositivo urbano só pode ser regido pela escala humana. essas três. que são: primeiramente. que a autoridade seja esclarecida e. locais onde o espaço. assegurar aos homens moradias saudáveis. Até agora. constituindo assim quarteirões edificados cuja destinação é abandonada à aventura das iniciativas privadas. Desde o congresso dos CIAM. Clarividência e energia podem vir a restaurar a situação comprometida. para manifestar-se em toda a sua plenitude e trazer ordem e classificação às .

pelos costumes. apoiada nos dados fornecidos pelo clima. Além disso. Cada uma das funções-chave terá sua autonomia. à primeira vista. É a habitação que está no centro das preocupações do urbanista e o jogo das distâncias será regulamentado de acordo com a sua posição no planejamento. despertam a tentação de evasão cotidiana. 79 . pela topografia. pouco a pouco. provocando o engarrafamento e a paralisia dos transportes.condições habituais de vida. eles introduziram na vida citadina inúmeros fatores prejudiciais à saúde. instaurando o perigo permanente. por sua velocidade. A circulação. favorecer e se aproveitar dos benefícios da ação coletiva. doravante utilizáveis. levando em consideração essa necessidade. a prática da mais saudável e natural de todas as funções: a caminhada. criará entre elas vínculos naturais para cujo fortalecimento será prevista uma rede racional de grandes artérias. O zoneamento. esta quarta função. O desejo de reintroduzir na vida cotidiana as condições naturais parece. trazer um ganho apreciável de tempo.habitar. cujo inconveniente é impor distâncias que não têm relação com o tempo disponível. disposições particulares que ofereçam a cada uma delas as condições mais favoráveis ao desenvolvimento de sua atividade própria. estabelecer uma comumcação proveitosa entre as outras três. Nessa distribuição. transformará o aspecto das cidades. 81 . O urbanismo deve assegurar a liberdade individual e.As novas velocidades mecânicas convulsionaram o meio urbano.O ciclo das funções cotidianas . Essas velocidades. difundem o gosto por uma mobilidade sem freio nem medida e favorecem modos de vida que deslocando a família.será regulamentado pelo urbanismo dentro da mais rigorosa economia de tempo. 80 . romperá a opressão esmagadora de usos que perderam sua razao de ser e abrirá aos criadores um campo de ação inesgotável. Os veículos mecânicos deveriam ser agentes liberadores e. que ritma a atividades dos homens e dá a justa medida a todos os seus empreendimentos. a um só tempo. Seus gases de combustão difundidos no ar são nocivos aos pulmões e seu barulho determina no homem um estado de nervosismo permanente. ao mesmo tempo. aconselhar uma maior extensão horizontal das cidades. Deve ser feita uma classificação das velocidades disponíveis. A reforma do zoneamento. mas a necessidade de regulamentar as diversas atividades segundo a duração do trajeto solar se opõe a essa concepção. O urbanismo. comprometendo a higiene. sendo a habitação considerada o próprio centro das preocupações urbanísticas e o ponto de articulação de todas as medidas. na natureza. recrear-se (recuperação) . São inevitáveis grandes . elas serão consideradas entidades às quais serão atribuídos territórios e locais para cujo equipamento e instalação serão acionados todos os prodigiosos recursos das técnicas modernas. levando em consideração as funções-chave . perturbam profundamente a estabilidade da sociedade. trabalho e cultura. serão consideradas as necessidades vitais do indivíduo e não o interesse ou o lucro de um grupo particular.habitar. Elas condenam os homens a passar horas cansativas em todo tipo de veículos e a perder. só deve ter um objetivo.O princípio da circulação urbana e suburbana deve ser revisto. para longe. recrear-se ordenará o território urbano. em conformidade com a jornada solar de vinte e quatro horas. harmonizando as funções-chave da cidade. trabalhar. trabalhar. Mas sua acumulação e concentração em certos pontos tomaramse. uma dificuldade para a circulação e a ocasião de perigos permanentes.

utilizando apenasduas dimensões. previsto a amplitude de seus desenvolvimentos e limitado. . cada uma tomará seu lugar e sua classificação na economia geral do país. assim como para os lazeres. mas em toda a região da qual ela é o centro. que se desenvolvem no interior de volumes . sol e aeração. Um plano de região substituirá o simples pla no municipal. as etapas de um desenvolvimento plausível. as quais. Os dados de um problema de urbanismo são fornecidos pelo conjunto das atividades que se desenvolvem não somente na cidade. 83 . A circulação assim regulamentada torna-se uma função regular e que não impõe nenhum incômodo à estrutura da habitação ou a dos locais de trabalho. mediante a exploração dos espaços livres assim criados. a cidade não será mais o resultado desordenado de iniciativas acidentais.O urbanismo é uma ciência de três dimensões e não apenas de duas.onde a terceira dimensão desempenha o papel mais importante . A razão de ser da cidade dever ser procurada e expressada em cifras que permitirão prever. 84 . ao invés de produzir uma catástrofe. estão ligadas ao solo. O mesmo trabalho aplicado às aglomerações que fixarão para cada cidade envolvida por sua região um caráter e um destino próprios. dispondo de espaços e ligações onde poderão se inscrever equlilibradamente as etapas de seu desenvolvimento. a altura. Subordinada às necessidades da região. O limite da aglomeração será função do raio de sua ação econômica. seu excesso. e que constituirá a técnica moderna da circulação. descrito seu caráter. É levando em o consideração a altura que o urbanismo recuperará os terrenos livres necessários às comunicações e os espaços úteis ao lazer. Assim. mas sobretudo de uma terceira. deverá crescer harmoniosamente em cada uma de suas partes. 85 .transformações. para o futuro. no caso. É fazendo intervir o elemento altura que será dada uma solução para as circulações modernas. de mudanças de nível destinadas a regularizar certos fluxos intensos de veículos. Este é o urbanismo total.A cidade deve ser estudada no conjunto de sua região de influência. A cidade e sua região devem ser munidas de uma rede exatamente proporcional aos usos e aos fins. previamente. As funções-chave habitar. Será preciso classificar e diferenciar os meios de transporte e estabelecer para cada um deles um leito adequado à própria natureza dos veículos utilizados.É da mais urgente necessidade que cada cidade estabeleça seu programa. 82 . E o crescimento das cifras de sua população não conduzirá mais a essa confusão desumana que é um dos fiagelos das grandes cidades. por exemplo. A cidade adquirirá o caráter de uma empresa estudada de antemão e submetida ao rigor de um planejamento geral. promulgando leis que permitam sua realização. Seu desenvolvimento. capaz de levar o equilíbrio à região e ao país. É preciso distinguir as funções sedentárias. Esses volumes não dependem apenas do solo e de suas duas dimensões. para as quais a altura só intervém excepcionalmente e em pequena escala.A cidade. destinada a enquadrar as quatro funções-chave.das funções de circulação. trabalhar e recrear-se desenvolvem-se no interior de volumes edificados submetidos a três imperiosas necessidades: espaço suficiente. Resultará disso uma delimitação clara dos limites da região. Sábias previsões terão esboçado seu futuro. definida desde então como uma unidade funcional. será um coroarnento.

A construção dessa casa. compreendendo órgãos claramente definidos. o feliz emprego das horas livres. Ela terá o direito de autorizar . os blocos de imóveis na poeira dos loteamentos. Ela deve prever também a proteção e a guarda das extensões que serão ocupadas um dia. e favorecerá todas as inicatívas adequadamente planejadas. após a derrota.ou de proibir -. Ela será uma verdadeira criação biológica. desses últimos cem anos. capazes de desempenhar com perfeição suas funções essenciais. Uma curva de crescimento exprimirá o futuro econômico previsto para cidade. debruçar-se sobre o indivíduo e criar-lhe. as organizações que estarão à volta. quer dizer. Se ela deve conhecer interiormente o sol e o ar puro. o instrumento de medida será a escala humana. Ela deve deixar as pompas estéreis. ocupado aqui com as tarefas do urbanismo. Quem poderá tomar as medidas necessárias para levar a bom termo essa tarefa. prolongar-se no exterior em diversas instalações comunitárias. para sua felicidade.O programa deve ser elaborado com base em análises rigorosas. a assistência médica ou a utilização dos lazeres. será preciso reuni-las em "unidades habitacionais" de proproções adequadas. de se instalar nos terrenos mais favoráveis e a distâncias mais proveitosas. pouco a pouco. A alma das cidades será animada pela clareza do plananejamento. deve. deve torna-se uma empresa humana. a topografia do conjunto. senão o arquiteto. mas velará para que elas se insiram no planejamento geral e sejam sempre subordinadas aos interesses coletivos. A obra não será mais limitada ao plano precário do geômetra que projeta. os terrenos serão aferidos e atribuídos a diversas atividades: clara ordenação no empreendimento que será iniciado a partir de amanhã e continuado.O número inicial do urbanismo é uma célula habitacional (uma moradia) e sua inserção num grupo formando uma unidade habitacional de proporções adequadas. criará uma ordem que tem em si sua própria poesia? 88 . e a natureza de seu equipamento fixada segundo o uso para o qual serão destinados. a ambiência geral. . constitui a célula social. 87 . Cada caso será inscrito no planejamento regional. Os recursos do solo serão analisados e as limitações à quais ele se obriga. A lei fixará o "estatuto do solo". e que. o programa sucederá a improvisação. 86 . que constituem o bem público. à revelia dos subúrbios. Ela protege o crescimento do homem. o abrigo de uma família. Deve reunir em um acordo fecundo os recursos naturais do sítio. deve ser recolocada a serviço do homem. reconhecidas. feitas por especialistas. a casa. além disso. a educação. abriga as alegrias e as dores de sua vida cotidiana. há mais de um século submetida aos jogos brutais da especulação. pela justa adaptação dos meios aos fins propostos. a facilidade do trabalho. A arquitetura. Ele deve prever as etapas no tempo e no espaço. os valores espirituais.Para o arquiteto. Os grandes leitos de circulação serão confirmados e instalados no lugar adequado. hierarquizados. Regras invioláveis assegurarão aos habitantes o bem-estar da moradia. os dados econômicos. que abandonou os grafismos ilusórios. Se a célula é o elemento biológico primordial.O acaso cederá diante da previsão. Para que seja mais fácil dotar as moradias dos serviços comuns destinados a realizar comodamente o abastecimento. tornando mais fáceis todos os gestos de sua vida. por etapas sucessivas. dotando cada função-chave dos meios de melhor se exprimir. estudada e os valores naturais. que possui o perfeito conhecimento do homem. A casa é o núcleo inicial do urbanismo. as necessidades sociológicas.

Ela reserva. mas. Os escritórios. reivindicar aquilo que os especialistas planejaram para ela. 92 .A marcha dos acontecimentos será profundamente influenciada pelos fatores políticos. as oficinas. sociais e econômicas são as mais desfavoráveis. Ela organiza os prolongamentos da moradia. A primeira das funções que deve atrair a atenção do urbanismo é habitar e. desejar. que é recrear-se. para passar da teoria aos atos. As novas construções serão não somente de uma amplitude. Ela ordena a estrutura da moradia. .. É ela que se encarrega de sua criação ou de sua melhoria. respaldará a arte de construir com todas as garantias da ciência e a enriquecerá com as invenções e os recursos da época. os espaços livres em meio aos quais se erguerão os volumes edificados. a necessidade de construir abrigos decentes apareça de repente como uma imperiosa obrigação.É a dessa unidade-moradia que se estabelecerão no espaço urbano as relações entre a habitação. os locais de trabalho e as instalações consagradas às horas livres. em porporções harmoniosas. Não basta que a necessidade do estatuto do solo e de certos princípios de construção seja admitida. É preciso. clarividente. alegria. Ela reúne as moradias em unidades habitacionais.. todavia. A arquitetura é chave de tudo. habitar bem. e fazê-lo em condições que requerem uma séria revisão dos usos atualmente em vigor. E o urbanista deverá prever os sítios e os locais propícios. em que as condições. o arquiteto deverá associar-se a numerosos especialistas em todas as etapas do empreendimento. Ela estabelece a rede de circulação que colocará em contato as diversas zonas. permitiram novas dimensões. de antemão.. cultivar o corpo e o espírito.89 . que são uma das causas da desordem e da confusão das cidades. uma situação econômica que permita empreender e prosseguir os trabalhos. É a ela. trouxeram novas facilidades. alguns dos quais serão consideráveis. as áreas consagradas ao entretenimento. e que ela venha dar ao político. as fábricas devem ser dotados de instalações capazes de assegurar o bem-estar necessário ao desempenho desta segunda função. uma população esclarecida para compreender. que é preciso pedir a solução do problema. A arquitetura preside aos destinos da cidade. As modernas técnicas de construção instituíram novos métodos. cuja salubridade. Esta com a ajuda de seus especialistas. harmonia são subordinadas às suas decisões. os locais de trabalho. no entanto. ainda. decidido a realizar as melhores condições de vida. A era do maquinismo introduziu técnicas novas. Enfim. Para realizar a tarefa múltipla que lhe é imposta. sociais e econômicos. não se pode negligenciar a terceira. Pode ser.Para realizar essa grande tarefa é indispensável utilizar os recursos da técnica moderna. de uma complexidade desconhecidas até aqui. cujo êxito dependerá da justeza de seus cálculos. cuja feliz proporção constituirá uma obra harmoniosa e duradoura. célula essencial do tecido urbano. 91 . políticas. 90 .E não é aqui que a arquitetura intervirá em última instância. Elas abrem verdadeiramente um novo ciclo na história da arquitetura. ao social e ao econômico o objetivo e o programa coerentes que justamente lhes faltavam. ainda. convicto. É preciso também trabalhar.. que mesmo em uma época em que tudo caiu ao nível mais baixo. e é ela que está incumbida da escolha e da distribuição dos diferentes elementos. elaboradas e expressas nos planos. A arquitetura é responsável pelo bem-estar e pela beleza da cidade. o concurso dos seguintes fatores: um poder político tal como se o deseja.

em todos os pontos do mundo.A escala dos trabalhos a empreender com urgência para a organização das cidades.O interesse privado será subordinado ao interesse coletivo. no castelo de La Sarraz Vaud. Inúmeros inconvenientes se abateram sobre os povos que não souberam medir com exatidão a amplitude das transformações técnicas e suas formidáveis repercussões sobre a vida pública e privada. merece severas restrições. sustentar-se. reforçar-se mutuamente e reunir tudo aquilo que comportam de infinitamente construtivo. uma vez que todas as cidades do mundo. em todas as partes. o homem é rapidamente esmagado pelas dificuldades de todo o tipo. Mas nenhuma obra fragmentária deve ser empreendida se ela não se insere no contexto da cidade e no da região. Nada foi previsto para a salvaguarda do homem. O direito individual não tem relação com o vulgar interesse privado.A perigosa contradição aqui constatada sustica uma das questões mais perigosas da época: a urgência de regulamentar. avaliado antes do estudo dos projetos. O direito individual e o direito coletivo devem. o campo se esvaziou. revelam os mesmos vícios advindos das mesmas causas. portanto. sem demora. mais ou menos ampla que constitui sua região. Inúmeras parcelas fundiárias deverão ser expropriadas e serão objeto de transações. Entregue a si mesmo. subordinado ao interesse coletivo. de outro lado. o estado infinitamente parcelado da propriedade fundiária são duas realidades antagônicas.93 . em sua periferia. as moradias operárias tornaram-se cortiços. Há anos que as empresas de equipamento. . Notas Sobre os Congressos Internacionais de Arquitetura Moderna 1928 . será preciso temer o jogo sórdido da especulação. as cidades se encheram muito além do razoável. conterá partes cuja realização poderá ser imediata e outras. a disposição de todo o solo útil para equilibrar as necessidades vitais dos indivíduos em plena harmonia com as necessidades coletivas. no equipamento das indústrias. forçosamente. 94 . A ausência do urbanismo é a causa da anarquia que reina na organização das cidades. que satisfaz a uma minoria condenando o resto da massa social a uma vida medíocre. que deve superar. 95 . É o fruto amargo de cem anos de maquinismo sem direção. O solo deve ser mobilizável quando se trata do interesse geral. Devem ser empreendidos. Este. as concentrações industriais se fizeram ao acaso. antigas ou modernas.Fundação dos Ciam Em 1928 um grupo de arquitetos modernos se reunia na Suíça. se está submetido a muitas obrigações coletivas. cuja execução deverá ser remetida para datas indeterminadas.território do país . Esse plano. e se estende até a zona. a beleza da cidade. Por se ignorarem as regras. batem contra o estatuto petrificado da propriedade privada. Ele deve ser. por um meio legal. e por seu justo valor. Então. trabalhos de importância capital.deve tornar-se disponível a qualquer momento. Pelo contrário. que tão frequentemente esmaga no berço os grandes empreendimentos animados pela preocupação com o bem público. O solo . sua personalidade resulta sufocada. O resultado é catasúófico e é quase uniforme todos os países. O problema da propriedade do solo e de sua possível requisição se coloca nas cidades. tendo cada indivíduo acesso às alegrias fundamentais: o bem-estar do lar. tais como eles terão sido previstos por um amplo estudo e um grande plano de conjunto. graças à generosa hospitalidade de Madame Hélène de Mandrot.

Urbanismo O urbanismo é a administração dos lugares e dos locais diversos que devem abrigar o desenvolvimento da vida material. firmaram um ponto de vista sólido e decidiram reunir-se para colocar a arquitetura diante de suas verdadeiras tarefas. As três funções fundamentais acima indicadas não são favorecidas pelo estado atual das aglomerações. afirmam sua unidade de pontos de vista sobre as concepções fundamentais da arquitetura e sobre suas obrigações profissionais. a partir de um programa elaborado em Paris. Seus objetivos são: a) a ocupação do solo. Conscientes das perturbações profundas causadas pelo maquinismo. A noção de "rendimentos". sentimental e espiritual em todas as suas manifestações. Firmes nesta convicção. ele é de ordem funcional. mas uma produção suficiente para satisfazer plenamente as necessidades humanas. Urge que a arquitetura. reconheceram que a transformação da estrutura social e da ordem econômica acarreta fatalmente uma transformação correspondente do fenômeno arquitetônico. Assim foram fundados os Congressos Internacionais de Arquitetura Moderna. Insistem particularmente no fato de que construir é uma atividade elementar do homem. eles declaram associar-se para realizar suas aspirações. os CIAM. não implica absolutamente o lucro comercia1 máximo. introduzida como axioma da vida moderna. Economia Geral O equipamento de um país reclama a íntima vincularão da arquitetura com a economia geral. As três funções fundamentais pela realização das quais o urbanismo deve velar são: 1º habitar. sentimentais e espirituais da vida presente. Por sua essência. representantes dos grupos nacionais de arquitetos modernos. É assim que a arquitetura escapará da dominação esterilizante das academias. O verdadeiro rendimento será o fruto de uma racionalização e de uma normatização (aplicada com flexibilidade tanto nos projetos arquitetônicos como nos métodos industriais de execução). c) a legislação. individuais ou coletivas. 3° recrear-se. Eles afirmam hoje a necessidade de uma concepção nova da arquitetura que satisfaça as exigências materiais. b) a organização da circulação. sirva-se também dos imensos recursos que lhe oferece a técnica industrial. mesmo quando uma tal decisão conduza a realizações muito diferentes daquelas que fizeram a glória das épocas passadas. ligada intimamente à evolução da vida.Depois de ter examinado. Ele envolve tanto as aglomerações urbanas quanto os agrupamentos rurais. O destino da arquitetura é o de exprimir o espírito de uma época. As relações entre os diversos locais que lhes são destinados devem ser recalculadas de maneira a determinar uma justa proporção entre volumes edificados e espaços . que é de ordem econômica e sociológica e inteiramente a serviço da pessoa humana. ao invés de recorrer quase que exclusivamente a um artesanato anêmico. Declaração de La Sarraz Os arquitetos abaixo assinados. O urbanismo não poderia mais estar exclusivamente subordinado às regras de um estetismo gratuito. o problema colocado pela arte de edificar. Eles estão reunidos com a intenção de pesquisar a harmonização dos elementos presentes no mundo moderno e de recolocar a arquitetura em seu verdadeiro plano. 2° trabalhar.

os CIAM avançaram pelo caminho das realizações práticas: trabalhos coletivos.6° Congresso. uma animação. Estudo do loteamento racional. O parcelamento desordenado do solo. 1951 . . elas viciam desde a origem a vocação do arquiteto e. discussões. econômicos e sociais. de vendas e da especulação. uma agitação fecunda.livres. A Arquitetura e a opinião pública É indispensável que os arquitetos exerçam uma influência sobre a opinião pública e a façam conhecer os meios e os recursos da nova arquitetura. eles provocaram.4° Congresso. apresentar a idéia arquitetônica moderna. resoluções. elas se opõem à penetração do novo espírito.8° Congresso. Hoddesdon. O ensino acadêmico perverteu o gosto público. negligenciando o problema da moradia em benefício de uma arquitetura puramente suntuária. base de todo urbanismo capaz de responder às necessidades presentes. zelar pela solução do problema da arquitetura.1° Congresso. e não raro os problemas autênticos da habitação sequer são levantados. consideram que as academias. 1937 . tendo a firme vontade de trabalhar no interesse verdadeiro da sociedade moderna. Estudo do problema moradia e lazer. do coração das cidades. A cada vez. seriam capazes de lhe impor a solução do problema da habitação. Frankfurt (Alemanha). Além disso. Essas gerações. 1928 .2° Congresso. Fundação dos CIAM. Os congressos CIAM. ensinadas na escola primária. um despertar. 1947 . Esse ensino resultaria na formação de gerações possuidoras de uma concepção saudável da moradia. 1933 . O problema da circulação e o da densidade devem ser reconsiderados. escolheram sucessivamente diferentes países para se reunir. La Sarraz. Elaboração da Carta do Urbanismo.5° Congresso. em geral. nos centros profissionais e na opinião pública. Execução da Carta de Atenas. conservadoras do passado. Por sua apropriação do ensino.7° Congresso. pela quase exclusividade que têm dos cargos do Estado. fruto de partilhas. por tanto tempo negligenciado. futura clientela do arquiteto. o único que poderia vivificar e renovar a arte de edificar. poderia constituir o fundamento de uma educação doméstica. que sempre foram assembléias de trabalho. publicações. Os Congressos do CIAM Desde o momento de sua fundação. Bérgamo. assegurará aos proprietários e à comunidade a justa distribuição das mais-valias resultantes dos trabalhos de interesse comum. Reafirmação dos objetivos dos CIAM. A Arquitetura e o Estado Os arquitetos.3° Congresso. Paris. 1930 . Objetivos do CIAM Os objetivos dos CIAM são: formular o problema arquitetônico contemporâneo. Estudo da moradia mínima. essa moradia tem estado há muito tempo excluída das preocupações maiores do arquiteto. entravam o progresso social. Estudo do centro. 1929 . Bridgwater. Análise de 33 cidades. nascimento da grille CIAM de urbanismo. 1949 . Este reagrupamento. A opinião pública está mal informada e os usuários. deve ser substituído por uma economia territorial de reagrupamento. Atenas. só sabem formular muito mal seus desejos em matéria de moradia. Bruxelas. fazer essa idéia penetrar nos círculos técnicos. Um punhado de verdades elementares.

que é preciso. da ordem do dia da sessão. conciliar este princípio com o de uma colaboração internacional amplamente concebida e livremente aceita. é preciso beneficiá-los com uma cooperação internacional e favorecer por todos os meios a execução da missão social que lhes cabe. Após haver decidido.10° Congresso. é preciso. eventualmente. entretanto. Estudo do habitat humano. em sua nona sessão. a seguinte recomendação: A Conferência Geral recomenda aos Estados Membros que apliquem as disposições seguintes e que adotem. Aix-en-Provence. nas datas e na . 1956 . se cada Estado é mais diretamente interessado nas descobertas arqueológicas feitas em seu território.9° Congresso. neste quinto dia de dezembro de 1956. sob forma de lei nacional ou de qualquer outro modo. Considerando que. Dubrovnik. desse enriquecimento. Considerando que a história do homem implica no conhecimento das diferentes civilizações. antes de tudo. questão que constitui o ponto 9. que essas propostas seriam objeto de uma regulamentação internacional. Estudo do habitat humano.Nova Delhi A Conferência Geral da Organização das Nações Unidas para a Educação. A Conferência Geral recomenda aos Estados Membros que levem a presente recomendação ao conhecimento das autoridades e órgãos que se dedicam às pesquisas arqueológicas e aos museus. a Ciência e a Cultura . Sendo-lhe apresentadas propostas referentes aos princípios internacionais a serem aplicados em matéria de pesquisas arqueológicas.4. Convencida de que é preciso que as autoridades nacionais encarregadas da proteção do patrimônio arqueológico se inspirem em determinados princípios comuns aferidos na experiência e na prática dos serviços arqueológicos nacionais. medidas que visem a tornar eficazes nos territórios sob sua jurisdição as normas e princípios formulados na presente recomendação. Estimando que. para isso. entretanto. toda a comunidade internacional participa. reunida em Nova Delhi de 5 de novembro de 1956. a Ciência e a Cultura. preservados e coletados. através de uma recomendação aos Estados Membros. Adota. portanto. em nome do interesse comum.9ª Sessão de 5 de dezembro de 1956 UNESCO . durante a sua oitava sessão. inspirada na vontade dos Estados Membros de desenvolver as ciências e as relações internacionais.3.1953 . Convencida de que os sentimentos que dão origem à contemplação e ao conhecimento das obras do passado podem facilitar grandemente a compreensão mútua entre os povos e que. à competência interna dos Estados. se o regime das pesquisas diz respeito. que todos os vestígios arqueológicos sejam estudados e. A Conferência Geral recomenda aos Estados Membros que lhe apresentem. Estimando que a garantia mais eficaz de conservação dos monumentos e obras do passado reside no respeito e dedicação que lhes consagram os próprios povos e certa de que tais sentimentos podem ser enormemente favorecidos por uma ação apropriada. Nova Delhi de dezembro de 1956 Conferência Geral da Organização das Nações Unidas para a Educação.

podendo cada Estado Membro adotar o critério mais apropriado para determinar o interesse público dos vestígios que encontre em seu território. I . Deveriam estar. móveis ou imóveis. os problemas advindos das pesquisas arqueológicas e em concordância com as disposições da presente recomendação. principalmente. d) determinar o confisco dos objetos não declarados. especialmente.forma que ela determinar. o mais rapidamente possível. que apresentem interesse do ponto de vista da arqueologia no sentido mais amplo. indicá-lo expressamente na legislação. II . quando esse subsolo for propriedade do Estado. submetidos ao regime previsto pela presente recomendação os monumentos. por ele encontrados. relatórios sobre a continuidade que derem à presente recomendação. especialmente: a) submeter as explorações e as pesquisas arqueológicas ao controle e à prévia autorização da autoridade competente. b) No segundo caso.Princípios Gerais Proteção do patrimônio arqueológico Cada Estado Membro deveria garantir a proteção de seu patrimônio arqueológico. às autoridades competentes. o critério que consiste em proteger todos os objetos anteriores a uma determinada data deveria ser abandonado e a atribuição a uma determinada época ou uma ancianidade de um número mínimo de anos fixado por lei deveria ser adotada como critério de proteção. . O critério utilizado para determinar o interesse público dos vestígios arqueológicos poderia variar segundo se trate ou de sua conservação. cada Estado Membro deveria adotar critérios bem mais amplos que imponham ao escavador e ao descobridor a obrigação de declarar todos os bens de caráter arqueológico. b) obrigar quem quer que tenha descoberto vestígios arqueológicos a declará-los. móveis ou imóveis. levando em conta. e) precisar o regime jurídico do subsolo arqueológico e. f) dedicar-se ao estabelecimento de critérios de proteção legal dos elementos essenciais de seu patrimônio arqueológico entre os monumentos históricos. Bens protegidos As disposições da presente recomendação se aplicam a qualquer vestígio arqueológico cuja conservação apresente um interesse público do ponto de vista da história ou da arte. Cada Estado Membro deveria. quer tais investigações impliquem numa escavação do solo ou numa exploração sistemática de sua superfície ou sejam realizadas sobre o leito ou no subsolo das águas interiores ou territoriais de um Estado Membro.Definições Pesquisas arqueológicas Para efeito da presente recomendação entende-se por pesquisas arqueológicas todas as investigações destinadas à descoberta de objetos de caráter arqueológico. a) No primeiro caso. ou da obrigação de declaração das descobertas impostas ao escavador ou ao descobridor. c) aplicar sanções aos infratores dessas regras.

o que seria melhor do que pequenas coleções dispersas e com acesso restrito. excepcionalmente. uma organização que disponha por força de lei. b) A continuidade dos recursos financeiros deveria ser garantida principalmente com: I . locais. Deveria ser criado. deveriam ser comuns a todos os serviços nacionais: a) O serviço de pesquisas arqueológicas deveria ser.a manutenção das escavações e monumentos. assim como uma documentação junto a cada museu importante. ou. na medida em que o terreno o permita. Educação do público . pelo menos. bem como da composição do meio arqueológico. testemunhos. um pequeno estabelecimento de caráter educativo .a execução de um plano de trabalho proporcional à riqueza arqueológica do país. nele incluídas as publicações científicas. o trabalho de comparação. Cada Estado Membro deveria considerar a conveniência de manter intactos. de acervos cerâmicos. de uma organização administrativa e de um corpo técnico suficientes para que fique assegurada a boa conservação dos objetos.o bom funcionamento dos serviços. as medidas de urgência indispensáveis. na criação e organização dos museus e das coleções procedentes de pesquisas. Cada Estado Membro deveria exercer um controle rigoroso sobre as restaurações dos vestígios e objetos arqueológicos descobertos. coleções centrais e regionais. etc. dever-se-ia levar em conta. III . II . o mais possível. Para isso. Esse serviço. encarregado da administração geral das atividades arqueológicas deveria prover. uma administração central do Estado. em caso de necessidades. Constituição de coleções centrais e regionais Sendo a arqueologia uma ciência comparativa. sempre que possível. a necessidade de facilitar. IV .a fiscalização das descobertas fortuitas. entretanto. junto aos sítios arqueológicos importantes. alguns princípios.eventualmente um museu que permita aos visitantes compreender melhor o interesse dos vestígios que lhes são mostrados.Órgão de proteção às pesquisas arqueológicas Se a diversidade das tradições e as desigualdades de recursos se opõem à adoção por todos os Estados Membros de um sistema de organização uniforme de serviços administrativos relativos às pesquisas. Esses estabelecimentos deveriam dispor. ou mesmo. Esse serviço deveria também criar uma documentação central. poderiam ser constituídas. permanentemente. Deveria ser solicitado às autoridades competentes uma autorização prévia para o deslocamento de monumentos cuja localização in situ é essencial. total ou parcialmente. com mapas que se refiram a seus monumentos móveis ou imóveis. em colaboração com os institutos de pesquisa e as universidades. iconográficos. o ensino de técnicas das escavações arqueológicas. representativas dos sítios arqueológicos particularmente importantes. ou seja. Em cada um dos sítios arqueológicos importantes em processo de pesquisa. porções de terreno poderiam também ser reservados em vários locais para permitir um controle da estatigrafia. determinado número de sítios arqueológicos de diversas épocas. para que sua exploração possa beneficiar-se dos progressos da técnica e do avanço dos conhecimentos arqueológicos. de meios que lhe permitam adotar.

a duração da concessão. da apresentação clara dos sítios arqueológicos explorados e dos monumentos descobertos. As condições impostas ao pesquisador estrangeiro deveriam ser as mesmas que se aplicam aos competentes nacionais e. da participação de estudantes em determinadas pesquisas. Os Estados Membros deveriam adotar todas as medidas necessárias para facilitar o acesso do público a esses sítios. sem necessidade. a possibilidade de concorrerem em igualdade. técnicos ou de qualquer outra natureza. da difusão pela imprensa de informações arqueológicas que provenham de especialistas reconhecidos. assegurando às instituições científicas e às pessoas devidamente qualificadas. seja por missões mistas compostas por equipes científicas de seu próprio país e por arqueólogos que representem instituições estrangeiras. sem distinção de nacionalidade. deveria ser também um arqueólogo capaz de ajudar a missão e de colaborar com ela. A autorização para pesquisas concedida a arqueólogos estrangeiros deveria assegurar reciprocamente garantias de duração e de estabilidade necessárias a incentivar seu .O regime das pesquisas e a colaboração internacional Autorização de pesquisas concedida a um estrangeiro Cada Estado Membro em cujo território as pesquisas necessitam ser executadas deveria regulamentar as condições gerais às quais está subordinada a respectiva concessão. o representante do Estado concedente. portanto. da edição a preços módicos de monografias e guias em uma redação simples. III . da organização de circuitos turísticos. o contrato de concessão deveria evitar formular. Os Estados Membros deveriam estimular as pesquisas executadas. a suspensão dos trabalhos ou a substituição pela administração nacional do concessionário de sua execução. Colaboração internacional Para responder aos interesses superiores da ciência arqueológica e aos da colaboração internacional. seja por missões internacionais. Um Estado que não disponha de meios. especialmente através do ensino de história. sendo as últimas suficientes para garantir que as pesquisas empreendidas serão levadas a seu termo de acordo com as cláusulas do contrato de concessão e no prazo previsto. as obrigações impostas ao concessionário principalmente quanto ao controle da administração nacional. Os Estados Membros que não dispõem de meios necessários para a organização de escavações arqueológicas no estrangeiro deveriam receber todas as facilidades para enviar arqueólogos para pesquisas abertas por outros Estados Membros. com a concordância do diretor da pesquisa. morais e financeiras.A autoridade competente deveria empreender uma ação educativa para despertar e desenvolver o respeito e a estima ao passado. as causas que possam justificar a rescisão. os Estados Membros deveriam estimular as pesquisas através de um regime liberal. exposições e conferências que tenham por objeto os métodos aplicáveis em matéria de pesquisas arqueológicas assim como os resultados obtidos. se for designado. à concessão das pesquisas. suficientes para administrar cientificamente uma pesquisa deveria chamar técnicos estrangeiros para dela participar ou uma missão estrangeira para conduzi-la. exigências específicas. Garantias recíprocas A autorização para pesquisas só deve ser concedida a instituições representadas por arqueólogos qualificados ou a pessoas que ofereçam sérias garantias científicas. Quando uma pesquisa for concedida a uma missão estrangeira.

da história e da arte desse país. ou que consistam de objetos repetidos ou. a centros científicos abertos ao público. pública ou privada. dos objetos e monumentos descobertos. d) A exportação temporária dos objetos descobertos. a autorização deveria precisar a possível ajuda com que o pesquisador poderia contar da parte do Estado concedente para fazer face a suas obrigações. e) Cada Estado Membro deveria considerar a possibilidade de ceder. se essa condição não for cumprida. redundar em prejuízo ao direito de propriedade científica do pesquisador sobre sua descoberta. durante a execução dos trabalhos. Destinação do produto das pesquisas a) Cada Estado Membro deveria determinar claramente os princípios que. de um modo geral. desde que seu estudo seja impraticável no território do Estado concedente devido à insuficiência de meios para a pesquisa bibliográfica e científica. Por outro lado. Acesso à pesquisa Aos especialistas qualificados de qualquer nacionalidade deveria ser permitida a visita a um canteiro de pesquisa antes de haverem sido publicados seus resultados e. a autoridade concedente poderia ter em vista. antes de mais nada. regulam a destinação do produto das pesquisas. trocar ou enviar para depósito em museus estrangeiros. plenamente representativas da civilização. no caso de elas se revelarem excessivamente pesadas. Conservação dos vestígios A autorização deveria definir as obrigações do pesquisador no período em que durar a concessão e a seu término. Propriedade científica: direitos e obrigações do pesquisador . os objetos cedidos voltarão à autoridade concedente. em seu território. de coleções completas. Esse privilégio não deveria.empreendimento e a preservá-las de revogações injustificadas. ou por tornar-se difícil pelas condições de acesso. a cessão ao pesquisador habilitado de um determinado número de objetos provenientes de suas escavações. especialmente. excluídos os objetos particularmente frágeis ou de importância nacional. deveria ser autorizada. em um prazo determinado. obtida a concordância do diretor da pesquisa. ou vier a ser desrespeitada. objetos que não apresentem interesse para as coleções nacionais. Deveria ser por ela prevista. até mesmo. especialmente nos casos em que razões reconhecidamente fundadas viessem a impor a suspensão de seus trabalhos por um determinado período. assim como a conservação. depois da publicação científica. em qualquer caso. A cessão ao pesquisador de objetos provenientes de pesquisas deveria estar sempre condicionada a que eles sejam destinados. nos museus do país em que são realizadas. ficando estabelecido que. mediante solicitação justificada de instituição científica. à constituição. a guarda. em razão de sua similitude com outros objetos produzidos pela mesma pesquisa. durante os trabalhos e ao término das escavações. a manutenção e o restabelecimento das feições do sítio. b) O produto das pesquisas deveria se destinar. em objetos ou grupos de objetos aos quais essa autoridade possa renunciar. c) Com a preocupação básica de favorecer os estudos arqueológicos através da divulgação de objetos originais.

o pesquisador deveria. Por outro lado.Comércio das Antigüidades No interesse superior do patrimônio arqueológico comum. Colaboração internacional para a repressão . cada Estado Membro poderia suscitar reuniões de discussões científicas entre os pesquisadores que operam em seu solo. sobretudo aos que obtiveram uma concessão para um determinado sítio ou desejam obtê-la. a pedido de tais autoridades. ou na falta dele. reuniões regionais com grupos de representantes dos serviços arqueológicos dos Estados interessados. se possível. a não ser com autorização por escrito do pesquisador. Durante um período de cinco anos após a descoberta. Os museus estrangeiros deveriam poder adquirir objetos liberados de qualquer restrição legal prevista pela autoridade competente do país de origem. IV . b) O Estado concedente deveria impor ao pesquisador a obrigação de publicar. uma dupla publicação simultânea de seu relatório preliminar.a) O Estado concedente deveria garantir ao pesquisador a propriedade científica de suas descobertas durante um prazo razoável. os Estados Membros poderiam organizar. em um prazo razoável. colocar a sua disposição cópia do texto desse relatório. se for o caso. Reuniões regionais e sessões de discussões científicas Com vistas a facilitar o estudo dos problemas de interesse comum. c) As publicações científicas sobre as pesquisas arqueológicas editadas em um idioma de difusão restrita deveriam ser acompanhadas de um sumário e. todos os Estados Membros deveriam considerar a possibilidade da regulamentação do comércio das antigüidades. Para permitir. Essas autoridades deveriam impedir nas mesmas condições a fotografia ou a reprodução do material arqueológico ainda inédito. no prazo previsto pelo contrato de concessão. os resultados de seus trabalhos. V . da tradução do quadro das matérias e das legendas das ilustrações em uma língua mais difundida. os serviços arqueológicos nacionais deveriam facilitar. Documentação sobre as pesquisas Observadas as disposições do artigo 24. as autoridades arqueológicas competentes deveriam se empenhar em não liberar para estudo detalhado o conjunto de objetos provenientes das pesquisas nem a documentação científica a ela referente.A repressão às pesquisas clandestinas e à exportação ilícita dos objetos provenientes das pesquisas arqueológicas Proteção dos sítios arqueológicos contra as pesquisas clandestinas e as degradações Cada Estado Membro deveria adotar as medidas necessárias para impedir as pesquisas clandestinas e a degradação dos monumento definidos nos artigos 2 e 3 acima e a dos sítios arqueológicos. para evitar que esse comércio venha a favorecer a evasão do material arqueológico ou prejudique a proteção das pesquisas e a formação das coleções públicas. no que diz respeito aos relatórios preliminares. a consulta a sua documentação e o acesso a seus depósitos arqueológicos aos pesquisadores e especialistas qualificados. periodicamente. na medida do possível. Esse prazo não deveria ser superior a dois anos. assim como a exportação dos objetos daí provenientes. para responderem a sua missão científica e educativa.

os museus possam se assegurar de que nada autoriza a considerar que tais objetos provenham de pesquisas clandestinas. Esses princípios deveriam ser aplicados à hipótese da exportação temporária estabelecida no artigo 23. Ciência e Cultura. Considerando que em todas as épocas o homem algumas vezes submeteu a beleza e o caráter das paisagens e dos sítios que fazem parte do quadro natural de sua vida a atentados que . de 9 de novembro a 12 de dezembro de 1962. Recomendação da Conferência Geral da Organização das Nações Unidas para a Educação. ao término das hostilidades. VII . no caso de não restituição dos objetos dentro do prazo fixado. qualquer Estado Membro que venha a ocupar o território de um outro Estado deveria se abster de realizar pesquisas arqueológicas no território ocupado.Todas as medidas necessárias deveriam ser adotadas para que. d. É desejável que cada Estado Membro adote todas as medidas necessárias para garantir esse repatriamento. as indicações que permitam identificá-los e que precisem seu modo de aquisição. e e acima. Qualquer oferta suspeita e toda a informação a ela referente deveriam ser levadas ao conhecimento dos serviços interessados. Repatriamento dos objetos ao país de origem Os serviços de pesquisas arqueológicas e os museus deveriam prestar entre si uma colaboração mútua para assegurar ou facilitar o repatriamento ao país de origem dos objetos que provém de pesquisas clandestinas ou de roubos. assim que possível. de roubos. ou de outras operações consideradas ilícitas pela autoridade competente do país de origem. No caso de achados fortuitos.Pesquisas em território ocupado Em caso de conflito armado. deveriam ser publicadas. sempre que necessário ou desejável. quando ocorrer a oferta de cessão de objetos arqueológicos.Acordos Bilaterais Os Estados Membros deveriam. às autoridades competentes do território anteriormente ocupado. a Ciência e a Cultura de 12 de dezembro de 1962 RELATIVA A PROTEÇÃO DA BELEZA E DO CARÁTER DAS PAISAGENS E SÍTIOS A Conferência Geral da Organização das Nações Unidas para a Educação. acompanhados de toda a documentação relativa que detiver. concluir acordos bilaterais para regulamentar as questões de interesse comum que possam vir a ser colocadas pela aplicação das disposições da presente recomendação. em sua décima segunda sessão. c. VI . No caso de objetos arqueológicos haverem sido adquiridos por museus. a potência ocupante deveria adotar todas as medidas possíveis para protegê-los e deveria enviá-los. reunida em Paris. e de objetos cuja exportação tenha sido feita com transgressão à legislação do país de origem. sobretudo os que se derem durante atividades militares.

assim como um elemento importante das condições de higiene de seus habitantes. em conseqüência. desenvolver por vezes desordenadamente os centros urbanos. Depois de haver decidido. A Conferência Geral recomenda aos Estados Membros que levem a presente recomendação ao conhecimento das autoridades e organismos envolvidos com a proteção das paisagens e dos sítios e com o planejamento territorial. Considerando que. nos territórios sob sua jurisdição. onze de dezembro de 1962. moral e espiritual e por contribuírem para a vida artística e cultural dos povos. As disposições da presente recomendação visam também a complementar as medidas de salvaguarda da natureza. havia sido relativamente lento.2 da ordem do dia da sessão. Considerando que. sua evolução e o rápido desenvolvimento do progresso técnico. Reconhecendo. I . rurais ou urbanos. que as paisagens e sítios constituem um fator importante da vida econômica e social de um grande número de países. medidas que ponham em efeito. que é preciso levar em conta as necessidades da vida coletiva. ou que constituem meios naturais característicos. naturais. A Conferência Geral recomenda aos Estados Membros que apliquem as disposições seguintes e adotem. Considerando. as normas e princípios formulados na presente recomendação. entretanto.empobreceram o patrimônio cultural. em sua décima primeira sessão. que é altamente desejável e urgente estudar e adotar as medidas necessárias para salvaguardar a beleza e o caráter das paisagens e dos sítios em toda parte e sempre que possível. Considerando. II – Princípios Gerais . em todas as partes do mundo. a salvaguarda das paisagens e dos sítios definidos pela presente recomendação é necessária à vida do homem. ainda mais. que propostas relativas a esse ponto seriam objeto de uma regulamentação internacional através de uma recomendação aos Estados Membros. ao cultivar novas terras. por sua beleza e caráter. Considerando que esse fenômeno tem repercussão não apenas no valor estético das paisagens e dos sítios naturais ou criados pelo homem. para quem são um poderoso regenerador físico. devidos à natureza ou obra do homem. relatórios concernentes à implementação desta recomendação. como o demonstram inúmeros exemplos universalmente conhecidos.Definição Para os efeitos da presente recomendação. Adota. executar grandes obras e realizar vastos planejamentos físicos territoriais e instalações de equipamento industrial e comercial. A Conferência Geral recomenda aos Estados Membros que lhe apresentem. do fomento ao turismo e às organizações da juventude. estético e até mesmo vital de regiões inteiras. entende-se por salvaguarda da beleza e do caráter das paisagens e sítios a preservação e. a presente recomendação. quando possível. mas também no interesse cultural e científico oferecido pela vida selvagem. as civilizações modernas aceleraram esse fenômeno que. questão que constitui o ponto 17. hoje. Havendo-se-lhe apresentadas propostas relativas à salvaguarda da beleza e do caráter das paisagens e dos sítios. aos organismos encarregados da proteção da natureza. a restituição do aspecto das paisagens e sítios.4. sob a forma de lei nacional ou de alguma outra maneira. que apresentam um interesse cultural ou estético. até o século passado. nas datas e sob a forma que ela determinará.

os mais ameaçados. e) Cartazes publicitários e anúncios luminosos.Os estudos e as medidas a serem adotadas para a salvaguarda das paisagens e dos sítios deverse-iam se estender a todo o território do Estado e não se limitar a algumas paisagens ou sítios determinados. Convém levar em conta. especialmente pelas obras de construção e pela especulação imobiliária. Uma proteção especial deveria ser assegurada às proximidades dos monumentos. trabalhos de irrigação. especialmente. mas estender-se também às paisagens e sítios cuja formação se deve. Essas medidas deveriam consistir essencialmente no controle dos trabalhos e atividades susceptíveis de causar dano às paisagens e aos sítios e. de: a) Construção de edifícios públicos e privados de qualquer natureza. no todo ou em parte. Essas medidas poderiam variar. ou de determinadas formas de vida da sociedade contemporânea. etc. deveriam estar em harmonia com a ambiência que se deseja salvaguardar. k) Depósitos de material e de matérias usadas. Para facilitar o trabalho dos diversos serviços públicos encarregados da salvaguarda da paisagem e dos sítios em cada país. particularmente as que margeiam as vias de comunicação ou as avenidas. i) Captação de nascentes. As medidas preventivas para a salvaguarda das paisagens e dos sítios deveriam visar a protegê-los dos perigos que os ameaçam. aeródromos. na escolha das medidas aplicáveis. especialmente segundo o caráter e as dimensões das paisagens e sítios. disposições especiais deveriam ser tomadas para assegurar a salvaguarda de algumas paisagens e de determinados sítios. ou de alguma forma protegidas. barragens. geralmente. sua localização. Seus projetos deveriam ser concebidos de modo a respeitar determinadas exigências estéticas relativas ao próprio edifício e. etc. j) Campismo. h) Exploração de minas e pedreiras e evacuação de seus resíduos. Medidas corretivas deveriam ser destinadas a suprimir o “dano” causados às paisagens e aos sítios e. Assim. f) Desmatamento. A salvaguarda não deveria limitar-se às paisagens e aos sítios naturais. só poderiam ser admitidas no caso de exigência imperiosa de um interesse público ou social. que são. evitando cair na imitação gratuita de certas formas tradicionais e pinturescas. o interesse relativo das paisagens e dos sítios em consideração. à obra do homem. As atividades que possam levar a uma deterioração das paisagens e dos sítios em zonas protegidas por lei. na medida do possível. estações de rádio. deveriam ser criados institutos de pesquisa científica para colaborar com as autoridades competentes a fim de assegurar a harmonização e a codificação . instalações de produção e de transporte de energia. assim como detritos e dejetos domésticos. de televisão. e a natureza dos perigos de que estejam ameaçados. regularização dos cursos de água. g) Poluição do ar e da água. canais. tais como as paisagens e sítios urbanos. por causa do barulho que provocam. d) Construção de auto-serviços para distribuição dos combustíveis. A salvaguarda da beleza e do caráter das paisagens e dos sítios deveria também levar em conta os perigos decorrentes de certas atividades de trabalho. comerciais ou industriais. c) Linhas de eletricidade de alta ou baixa tensão. a reabilitá-los. aquedutos. inclusive destruição de árvores que contribuem para a estética da paisagem. As medidas a serem adotadas para a salvaguarda das paisagens e dos sítios deveriam ter caráter preventivo e corretivo. b) Construção de estradas.

às normas relativas à altura. Proteção legal de sítios isolados . O planejamento urbano ou o planejamento territorial das áreas rurais deveriam ser estabelecidos em função de sua ordem de urgência. c) Proteção legal por zonas. ou da exploração de pedreiras. o caráter estético é de interesse primordial.das disposições legislativas e regulamentares aplicáveis à matéria. das paisagens extensas. possibilitar direito a indenização. em regra geral. às precauções a serem tomadas para dissimular as escavações resultantes da construção de barragens. Quando. atualizada. numa zona protegida por lei. Proteção Legal “por zonas” das paisagens extensas As paisagens extensas deveriam ser objeto de proteção legal “por zonas”. f) Aquisição de sítios pelas coletividades públicas. A proteção legal "por zonas" não deveria. III – Medidas de Salvaguarda A salvaguarda da paisagem e dos sítios deveria ser assegurada com o auxílio dos seguintes métodos: a) Controle geral por parte das autoridades competentes. b) Inserção de restrições nos planos de urbanização e no planejamento em todos os níveis: regionais. rurais ou urbanos. a proteção legal “por zonas” deveria abranger o controle dos loteamentos e a observação de algumas prescrições gerais de caráter estético referentes à utilização dos materiais e sua cor. nas quais a salvaguarda do caráter estético ou pinturesco dos lugares justifique o estabelecimento de tais planos. e) Criação a manutenção de reservas naturais e parques nacionais. d) Proteção legal dos sítios isolados. etc. à regulamentação de derrubada das árvores. Essas disposições e os resultados dos trabalhos dos institutos de pesquisa deveriam ser reunidos em uma só publicação administrativa periódica. especialmente para as cidades ou regiões em vias de desenvolvimento rápido. Controle Geral Um controle geral deveria ser exercido sobre os trabalhos e as atividades susceptíveis de causar danos às paisagens e aos sítios. A proteção legal "por zonas" deveria ser divulgada publicamente e as regras gerais a serem observadas para a salvaguarda das paisagens integrantes de tal proteção deveriam ser editadas e difundidas. em toda a extensão do território do país. Planejamento Urbano e Planejamento territorial das áreas Rurais O planejamento urbano ou o planejamento territorial das áreas rurais deveriam conter disposições relativas às restrições a serem impostas para a salvaguarda das paisagens e dos sítios – inclusive os que não possuem proteção legal – que se encontrem no território abrangido por esses planos.

Nenhuma servidão convencional deveria ser consentida pelo proprietário sem a concordância das autoridades encarregadas da salvaguarda. devido à proteção por lei. Aquisição dos sítios pelas coletividades públicas Os Estados Membros deveriam encorajar as coletividades públicas a adquirirem terrenos que façam parte de uma paisagem ou de um sítio que convenha salvaguardar. assim como porções de paisagem que ofereçam um interesse excepcional. . Esses parques nacionais e reservas naturais deveriam formar um conjunto de zonas experimentais destinadas também às pesquisas sobre a formação e a restauração da paisagem e à proteção da natureza. em um sítio protegido por lei. A permissão de acampar em um sítio protegido por lei deveria. Reservas Naturais e Parques Nacionais Quando for possível. Quando necessário. devidamente notificada ao proprietário. Ninguém deveria poder adquirir. Qualquer publicidade deveria ser proibida nos sítios protegidos por lei e em suas imediações. deveriam ser confiadas às autoridades responsáveis. apenas. essa aquisição deveria poder se realizar através de expropriação. por prescrição. IV . dentro das atribuições que lhes são conferidas pela lei.Os sítios isolados e de pequenas dimensões. naturais ou urbanos. Não será necessário. em cada Estado Membro. A proteção legal deveria implicar na proibição de contaminar os terrenos. entretanto. ao passo que a extração de minerais estaria sujeita a uma autorização especial. requisitar qualquer autorização para os trabalhos de exploração usual das terras rurais. ou limitada a determinada localização fixada pelas autoridades encarregadas da salvaguarda. ser proibida e concedida. em terrenos delimitados pelas autoridades encarregadas da salvaguarda e submetidos a sua inspeção. os Estados Membros deveriam incorporar às zonas e sítios cuja salvaguarda convém assegurar. parques nacionais destinados à educação e ao lazer do público. parciais ou integrais. A expropriação pelos poderes públicos. A proteção legal de um sítio deveria poder proporcionar ao proprietário o direito à indenização. A autorização eventualmente concedida deveria ser acompanhada de todas as condições necessárias à salvaguarda do sítio. direitos que permitam modificar o caráter ou o aspecto do sítio. o ar e as águas seja de que maneira for. Cada sítio.Aplicação das Medidas de Salvaguarda As normas e princípios fundamentais que regulam. Essa proteção legal deveria acarretar para o proprietário a proibição de destruir o sítio ou alterar seu estado ou aspecto sem a autorização das autoridades encarregadas da salvaguarda. terreno ou imóvel assim protegido deveria ser objeto de uma decisão administrativa especial. deveriam ser protegidos por lei. ou reservas naturais. Deveriam ser igualmente protegidos por lei os terrenos de onde se aprecie uma vista excepcional e os terrenos e imóveis que envolvam um monumento notável. assim como a execução de quaisquer obras públicas em sítio protegido por lei deveriam estar subordinadas ao prévio consentimento das autoridades encarregadas da salvaguarda. em princípio. a salvaguarda das paisagens e dos sítios deveriam ter força de lei e as medidas necessárias a sua aplicação. no caso de ocorrer prejuízo certo e direto. nem para os trabalhos regulares de manutenção das construções.

ordenação espacial de instalações hidrotécnicas.Os Estados Membros deveriam criar órgãos especializados. entre outras. O parecer dessas comissões deveria ser solicitado em todos os casos e em tempo útil. Sanções administrativas ou penais deveriam ser previstas no caso de danos causados voluntariamente às paisagens e aos sítios protegidos. esses serviços deveriam ter a possibilidade de estudar os problemas relativos à salvaguarda e à proteção legal. ou a reparar os danos por eles causados. particularmente na fase dos anteprojetos. Os Estados Membros deveriam facilitar a criação e o funcionamento de órgãos não governamentais . Os órgãos de caráter consultivo deveriam ser comissões de caráter nacional. Para isso. para o estudo e a apresentação dos aspectos naturais e culturais característicos de determinadas regiões. criação de novas instalações industriais. como a construção de rodovias. preparar as decisões a serem tomadas e controlar sua execução. 32 e 33. propor as medidas destinadas a reduzir os perigos que possa apresentar a execução de determinados trabalhos. etc. nos casos de obras de interesse geral e de grande envergadura. Caberlhes-ia. centrais e regionais. Os professores encarregados dessa tarefa educativa na escola deveriam receber uma preparação especial. encarregados de aplicar as medidas de salvaguarda. Os Estados Membros deveriam também facilitar a tarefa dos museus existentes. dos órgãos encarregados do turismo e das organizações de juventude e de educação popular. prestando-lhes uma ajuda material e colocando a sua disposição e à dos educadores em geral os meios apropriados de publicidade. V – Educação do Público Uma ação educativa deveria ser empreendida dentro e fora das escolas para despertar e desenvolver o respeito público pelas paisagens e sítios e para tornar mais conhecidas as normas editadas para garantir sua salvaguarda. especialmente informando a opinião pública e alertando os serviços responsáveis pelos perigos que ameacem as paisagens e os sítios. Os órgãos de caráter executivo deveriam ser serviços especializados. ou seções especializadas nos museus existentes. efetuar pesquisas de campo. regional e local. Os Estados Membros deveriam facilitar a educação do público e estimular a ação das associações. A educação do público fora da escola deveria ser tarefa da imprensa. ou às coletividades locais interessadas. de caráter executivo ou consultivo. também. emissões radiofônicas ou de televisão. material para exposições . tais como filmes. e de órgãos dedicados a essa tarefa.nacionais ou locais . das associações privadas de proteção das paisagens e dos sítios ou de proteção da natureza. na forma de estágios especializados de estudos em estabelecimentos de ensino secundário e superior. na medida do possível.cujas tarefas consistiram. A violação das normas de salvaguarda das paisagens e dos sítios devria redundar em perdas e danos e ou na obrigação de repor os sítios em seu estado primitivo. com o objetivo de intensificar a ação educativa já empreendida nesse sentido e considerar a possibilidade de criar museus especiais. em colaborar com os órgãos mencionados nos parágrafos 31. encarregadas de estudar as questões relativas à salvaguarda e de manifestar seu parecer sobre essas questões às autoridades centrais ou regionais.

Ao dar uma primeira forma a esses princípios fundamentais. das revistas e das publicações periódicas regionais. temporárias ou itinerantes.permanentes. Jornadas nacionais e internacionais. do Centro Internacional de Estudos para a Conservação e Restauração dos Bens Culturais. Uma ampla publicidade poderia ser obtida através dos jornais. as obras monumentais de cada povo perduram no presente como o testemunho vivo de suas tradições seculares. aprovou o texto seguinte: Definições Artigo 1º . que tenham adquirido. a Carta de Atenas de 1931 contribui para a propagação de um amplo movimento internacional que se traduziu principalmente em documentos nacionais. cada vez mais consciente da unidade dos valores humanos. impondo a si mesma o dever de transmiti-las na plenitude de sua autenticidade. uma significação cultural. as considera um patrimônio comum e. com o tempo. Agora é chegado o momento de reexaminar os princípios da Carta para aprofundá-las e dotá-las de um alcance maior em um novo documento. A sensibilidade e o espírito crítico se dirigem para problemas cada vez mais complexos e diversificados. É. perante as gerações futuras. folhetos e livros capazes de obter uma grande difusão e idealizados com um espírito didático.A noção de monumento histórico compreende a criação arquitetônica isolada. reunido em Veneza de 25 a 31 de maio de 1964. por esta última. problema primordial para a coletividade. essencial que os princípios que devem presidir à conservação e à restauração dos monumentos sejam elaborados em comum e formulados num plano internacional. bem como o sítio urbano ou rural que dá testemunho de uma civilização particular.Conselho Internacional de Monumentos e Sítios CARTA INTERNACIONAL SOBRE CONSERVAÇÃO E RESTAURAÇÃO DE MONUMENTOS E SÍTIOS Portadoras de mensagem espiritual do passado. A humanidade. Estende-se não só às grandes criações mas também às obras modestas. Carta de Veneza de maio de 1964 II Congresso Internacional de Arquitetos e Técnicos dos Monumentos Históricos ICOMOS . se reconhece solidariamente responsável por preservá-las. portanto. concursos e outras manifestações similares deveriam ser consagrados e ressaltar o valor das paisagens e dos sítios naturais ou criados pelo homem. para chamar a atenção do grande público sobre a importância da salvaguarda da sua beleza e de seu caráter. na atividade de ICOM e da UNESCO e na criação. de uma evolução significativa ou de um acontecimento histórico. Consequentemente. o Segundo Congresso Internacional de Arquitetos e Técnicos dos Monumentos Históricos. . ainda que caiba a cada nação aplicá-los no contexto de sua própria cultura e de suas tradições.

Tem por objetivo conservar e revelar os valores estéticos e históricos do monumento e fundamenta-se no respeito ao material original e aos documentos autênticos.As contribuições válidas de todas as épocas para a edificação do monumento devem ser respeitadas. tal destinação é portanto.A conservação e a restauração dos monumentos constituem uma disciplina que reclama a colaboração de todas as ciências e técnicas que possam contribuir para o estudo e a salvaguarda do patrimônio monumental. o esquema tradicional será conservado.Os elementos de escultura. todo trabalho complementar reconhecido como indispensável por razões estéticas ou técnicas destacar-se-á da composição arquitetônica e deverá ostentar a marca do nosso tempo.A conservação dos monumentos exige. visto que a unidade de estilo não é a finalidade a alcançar no curso de . É somente dentro destes limites que se deve conceber e se pode autorizar as modificações exigidas pela evolução dos usos e costumes. a consolidação do monumento pode ser assegurada com o emprego de todas as técnicas modernas de conservação e construção cuja eficácia tenha sido demonstrada por dados científicos e comprovada pela experiência. desejável. e toda construção nova. Artigo 8º . Por isso. Termina onde começa a hipótese. Restauração Artigo 9º . Artigo 10º . Artigo 6º . toda destruição e toda modificação que poderiam alterar as relações de volumes e de cores serão proibidas. A restauração será sempre precedida e acompanhada de um estudo arqueológico e histórico do monumento. Conservação Artigo 4º . no plano das reconstituições conjeturais. o deslocamento de todo o monumento ou de parte dele não pode ser tolerado. Artigo 7º. mas não pode nem deve alterar à disposição ou a decoração dos edifícios. Enquanto subsistir.O monumento é inseparável da história de que é testemunho e do meio em que se situa. antes de tudo.A conservação e a restauração dos monumentos visam a salvaguardar tanto a obra de arte quanto o testemunho histórico. Artigo 5º . manutenção permanente.A conservação dos monumentos é sempre favorecida por sua destinação a uma função útil à sociedade. Artigo11º . Finalidade Artigo 3º . exceto quando a salvaguarda do monumento o exigir ou quando o justificarem razões de grande interesse nacional ou internacional. pintura ou decoração que são parte integrante do monumento não lhes podem ser retirados a não ser que essa medida seja a única capaz de assegurar sua conservação.Artigo 2º .A conservação de um monumento implica a preservação de um esquema em sua escala.A restauração é uma operação que deve ter caráter excepcional.Quando as técnicas tradicionais se revelarem inadequadas.

Os sítios monumentais devem ser objeto de cuidados especiais que visem a salvaguardar sua integridade e assegurar seu saneamento.Os acréscimos só poderão ser tolerados na medida em que respeitarem todas as partes interessantes do edifício. O julgamento do valor dos elementos em causa e a decisão quanto ao que pode ser eliminado não podem depender somente do autor do projeto. Todas as fases dos trabalhos de desobstrução. mas desmembradas. consolidação recomposição e integração. seu esquema tradicional. ou seja. Sítios Monumentais Artigo14º . ilustrados com desenhos e fotografias. a exibição de uma etapa subjacente só se justifica em circunstâncias excepcionais e quando o que se elimina é de pouco interesse e o material que é revelado é de grande valor histórico. adotada pela UNESCO em 1956. devem ser tomadas todas as iniciativas para facilitar a compreensão do monumento trazido à luz sem jamais deturpar seu significado. ou estético. Além disso.Os elementos destinados a substituir as partes faltantes devem integrar-se harmoniosamente ao conjunto. Escavações Artigo 15º . das partes originais a fim de que a restauração não falsifique o documento de arte e de história.Os trabalhos de escavação devem ser executados em conformidade com padrões científicos e com a "Recomendação Definidora dos Princípios Internacionais a serem aplicados em Matéria de Escavações Arqueológicas". Artigo 12º . Documentação e Publicações Artigo 16º .Os trabalhos de conservação. portanto. a recomposição de partes existentes. Todo trabalho de reconstrução deverá. Os trabalhos de conservação e restauração que neles se efetuarem devem inspirar-se nos princípios enunciados nos artigos precedentes. Os elementos de integração deverão ser sempre reconhecíveis e reduzir-se ao mínimo necessário para assegurar as condições de conservação do monumento e restabelecer a continuidade de suas formas. sua manutenção e valorização. . de restauração e de escavação serão sempre acompanhadas pela elaboração de uma documentação precisa sob a forma de relatórios analíticos e críticos. Devem ser asseguradas as manutenções das ruínas e as medidas necessárias à conservação e proteção permanente dos elementos arquitetônicos e dos objetos descobertos.uma restauração. distinguindo-se. deve ser excluído a priori. o equilíbrio de sua composição e suas relações com o meio ambiente. arqueológico. Essa documentação será depositada nos arquivos de um órgão público e posta à disposição dos pesquisadores. recomenda-se sua publicação. todavia. e seu estado de conservação é considerado satisfatório. Artigo 13º . bem como os elementos técnicos e formais identificados ao longo dos trabalhos serão ali consignados. admitindo-se apenas a anastilose.

que tais propostas seriam objeto de regulamentação internacional mediante uma recomendação aos Estados Membros. A Conferência Geral recomenda que os Estados-Membros lhe apresentem. . Considerando que cada Estado tem o dever de proteger o patrimônio constituído pelos bens culturais existentes em seu território contra os perigos decorrentes da exportação. adotando. A IMPORTAÇÃO E A TRANSFERÊNCIA DE PROPRIEDADE ILÍCITAS DE BENS CULTURAIS. assunto que constitui o item 15. sob forma de lei nacional ou de outra forma. contudo. os livros e outros bens de interesse artístico.Conferência Geral da Organização das Nações Unidas para a Educação. os documentos etnológicos. e que a familiaridade com esses bens favorece a compreensão e a apreciação mútuas entre as nações. os manuscritos. histórico ou arqueológico. incluídos os arquivos musicais. medidas necessárias a fazer vigorar.Definição Para efeito desta recomendação. e expressando. Convicta de que se deve tomar providências no sentido de estimular a adoção de medidas adequadas e de aperfeiçoar o ambiente de solidariedade internacional. relatórios a respeito das providências que hajam tomado no sentido de colocar em prática esta recomendação. Considerando que os objetivos visados não podem ser alcançados sem uma estreita colaboração entre os Estados-Membros. A Conferência Geral recomenda que os Estados Membros levem esta recomendação ao conhecimento das autoridades e organizações relacionadas à proteção de bens culturais. A Conferência Geral recomenda que os Estados Membros apliquem as disposições seguintes. tais como as obras de arte e de arquitetura. para evitar esses perigos. nas datas e da forma por ela determinada. neste dia dezenove de novembro de 1964. é indispensável que cada Estado Membro adquira uma consciência mais clara das obrigações morais relativas ao respeito a seu patrimônio cultural e ao de todas as nações. Estimando que os bens culturais se constituem em elementos fundamentais da civilização e da cultura dos povos. no território sob sua jurisdição. em sua décima-terceira sessão.3 da pauta da sessão. a importação e a transferência de propriedade ilícitas de bens culturais. Ciência e Cultura. em sua décima-segunda reunião. esperança de que uma convenção internacional possa ser adotada o mais cedo possível. a Ciência e a Cultura 13a Sessão de 19 de novembro de 1964 RECOMENDAÇÃO SOBRE MEDIDAS DESTINADAS A PROIBIR E IMPEDIR A EXPORTAÇÃO. as coleções científicas e as coleções importantes de livros e arquivos. reunida em Paris de 20 de outubro a 20 de novembro de 1964.3. da importação e da transferência de propriedade ilícitas. os espécimens-tipo da flora e da fauna. A Conferência Geral da Organização das Nações Unidas para a Educação. as normas e princípios formulados na presente recomendação. são considerados bens culturais os bens móveis e imóveis de grande importância para o patrimônio cultural de cada país. esta recomendação. Tendo examinado propostas de uma regulamentação internacional destinada a proibir e impedir a exportação. I . Tendo decidido. Adota. Considerando que. sem o que os objetivos propostos não seriam alcançados.

caso se julgue necessária a criação de um serviço nacional de proteção dos bens culturais: . A importação de bens culturais só deveria ser autorizada após haverem sido declarados livres de qualquer restrição por parte do Estado exportador. cada Estado Membro deveria adotar as medidas adequadas para exercer um controle eficaz sobre a exportação de bens culturais. importação ou transferência de propriedade ilícitas. III . Para estimular e facilitar os intercâmbios legítimos de bens culturais. no âmbito de seu território. na medida do possível. e em geral todos os serviços e instituições relacionados à conservação de bens culturais. Ainda que a diversidade de disposições constitucionais e de tradições e a desigualdade de recursos impossibilitem a adoção por todos os Estados-Membros de uma organização uniforme. através de cessão ou intercâmbio. Cada Estado Membro deveria estabelecer normas que regulamentassem a aplicação dos princípios supracitados. é conveniente levar em consideração os seguintes princípios comuns.Medidas Recomendadas Identificação e Inventário Nacional dos Bens Culturais Para garantir a aplicação mais eficaz dos princípios gerais enunciados acima. Este inventário não teria caráter restritivo. Particularmente. um objeto cultural de propriedade privada deveria permanecer como tal mesmo após sua inclusão no inventário nacional. Instituições de Proteção dos Bens Culturais Cada Estado-Membro deveria providenciar para que a proteção dos bens culturais estivesse sob a responsabilidade de órgãos oficiais adequados e.Cada Estado Membro deveria adotar os critérios que julgar mais adequados para definir. se necessário. deveriam abster-se de adquirir qualquer bem cultural procedente de exportação. objetos do mesmo tipo daqueles cuja exportação ou transferência de propriedade não possam ser autorizadas. Os museus. II . ou. os bens culturais que haverão de se beneficiar da proteção estabelecida nesta recomendação em virtude da grande importância que apresentam. A inclusão de um objeto cultural nesse inventário não deveria alterar de maneira alguma sua propriedade legal. estabelecer e aplicar procedimentos para a identificação dos bens culturais definidos nos parágrafos 1 e 2 que existam em seu território e estabelecer um inventário nacional desses bens. cada Estado Membro deveria. importação ou transferência de propriedade efetuada em oposição às normas adotadas por cada Estado Membro em conformidade com o parágrafo 6 deveria ser considerada ilícita. Qualquer exportação.Princípios Gerais Para garantir a proteção de seu patrimônio cultural contra todos os perigos de empobrecimento. Casa Estado Membro deveria tomar as providências apropriadas para impedir a transferência ilícita de propriedade dos bens culturais. deveria instituir um serviço nacional para a proteção dos bens culturais. por meio de empréstimo ou depósito. alguns desses mesmos objetos. nos parágrafos 1 e 2. os Estados-Membros deveriam empreender os esforços necessários para pôr à disposição das coleções públicas dos demais Estados Membros.

Acordos Bilaterais e Multilaterais Sempre que necessário ou conveniente. um serviço administrativo do Estado ou um órgão que. sempre que fosse proposta a transferência de propriedade de um bem cultural. se necessário. da importação ou da transferência de propriedade de bens culturais. d) O serviço nacional de proteção dos bens culturais deveria poder recorrer a especialistas para assessorá-lo em relação a problemas técnicos e na solução de casos litigiosos. Tais acordos poderiam. como. Toda oferta suspeita e todos os detalhes a ela relacionados. para resolver problemas decorrentes da exportação. como por exemplo. Cada Estado-Membro deveria. o controle de exportações seria consideravelmente facilitado se os bens culturais fossem acompanhados. acima. se for o caso. técnicos e financeiros que permitissem o desempenho eficaz de suas funções. Colaboração Internacional para a Detecção de Operações Ilícitas Sempre que necessário ou conveniente. da importação e da transferência de propriedade de bens culturais.a) O serviço nacional de proteção dos bens culturais deveria ser. ao exigir a apresentação do certificado a que se refere o parágrafo 11. por exemplo. mediante o qual o Estado exportador certificaria haver autorizado a exportação do bem em questão. inclusive sanções que impedissem a exportação. os acordos bilaterais ou multilaterais deveriam conter cláusulas que garantissem que. dispusesse dos meios administrativos. dentro da estrutura de organizações intergovernamentais regionais. constituir um fundo ou adotar outras medidas financeiras apropriadas para dispor dos recursos necessários a adquirir bens culturais de importância excepcional. e mais especificamente. (ii) Cooperação com outros organismos competentes no controle da exportação. de modo a garantir a restituição de bens culturais ilicitamente exportados do território de uma das partes desses acordos e localizada no território de outra. os serviços competentes de cada Estado pudessem certificar-se da inexistência de motivos para considerar o objeto como proveniente de um roubo. o estabelecimento e a manutenção de um inventário nacional desses bens. . e. b) As funções do serviço nacional de proteção dos bens culturais deveriam incluir: (i) A identificação dos bens culturais existentes no território do Estado. ser incluídos em acordos de maior abrangência. na medida do possível. c) O serviço nacional de proteção dos bens culturais deveria estar autorizado a apresentar às autoridades nacionais competentes propostas de outras medidas legislativas ou administrativas adequadas à proteção dos bens culturais. de um certificado apropriado. tais como os acordos culturais. em conformidade com o estabelecido no parágrafo 10. se necessário. atuando em conformidade com a legislação nacional. acima. os Estados Membros deveriam firmar acordos bilaterais ou multilaterais. por ocasião de sua exportação. Em caso de dúvida a instituição incumbida da proteção dos bens culturais deveria comunicar-se com a instituição competente para confirmar a legalidade da exportação. de uma exportação ou de uma transferência de propriedade ilícitas ou de qualquer outra operação considerada ilegal pela legislação do Estado exportador. em conformidade com as disposições da seção 11. a importação e a transferência de propriedade ilícitas. deveriam ser levados ao conhecimento dos serviços interessados.

O precedente é o texto autêntico da Recomendação devidamente aprovada pela Conferência Geral da Organização das Nações Unidas para a Educação. através de uma publicidade adequada. em sua décima-terceira reunião. Tal ação deveria ser empreendida pelos serviços competentes em cooperação com os serviços educativos. legislação vigente no Estado em cujo território se encontram os bens. Sissakian O Diretor-Geral René Mahen . Essa restituição ou repatriação deveria ser efetuada em conformidade com a. os museus e todas as instituições competentes em geral deveriam colaborar uns com os outros no sentido de garantir ou facilitar a restituição ou a repatriação de bens culturais ilicitamente exportados. tomar as providências adequadas para estabelecer que sua legislação interna ou as convenções quais possa vir a participar garantissem ao adquirente de boa fé de um bem cultural a ser restituído ou repatriado ao território do Estado do qual havia sido ilegalmente exportado a possibilidade de obter a indenização por perdas e danos ou outra compensação equivalente. Restituição ou Repatriação de Bens Culturais Exportados Ilicitamente Os Estados-Membros. realizada em Paris e declarada concluída no vigésimo dia de novembro de 1964. com a imprensa e com outros meios de informação e difusão. se necessário. por solicitação de Estado que o reclamasse. ser levado ao conhecimento do público. Direitos dos Adquirentes de Boa Fé Cada Estado-Membro deveria.Os Estados-Membros deveriam empenhar-se na assistência mútua através do intercâmbio dos resultados de suas experiências no âmbito dos assuntos a que se refere esta recomendação. Ação Educativa No sentido de uma colaboração internacional que levasse em consideração tanto a natureza universal da cultura quanto a necessidade de intercâmbios para possibilitar a todos beneficiarse do patrimônio cultural da humanidade. cada Estado-Membro deveria agir de modo a estimular e desenvolver entre seus cidadãos o interesse e o respeito pelo patrimônio cultural de todas as nações. os serviços de proteção dos bens culturais. neste vigésimo-primeiro dia de novembro de 1964. com organizações de juventude e de educação popular e com grupos e indivíduos ligados a atividades culturais. Ciência e a Cultura. Publicidade em caso de Desaparecimento de um Bem Cultural O desaparecimento de qualquer bem cultural deveria. O Presidente da Conferência Geral Noraír M. Em fé do qual apensamos nossas assinaturas.

histórico e artístico. Os lugares pitorescos e outras belezas naturais.Considerações Gerais A idéia do espaço é inseparável do conceito do monumento e. O.Introdução A inclusão do problema representado pela necessária conservação e utilização do patrimônio monumental na relação de esforços multinacionais que se comprometem a realizar os governos da América resulta alentador num duplo sentido. mereça essa designação. de maneira expressa. e em segundo. entretanto.E.Organização dos Estados Americanos Informe Final I . A marca histórica ou artística do . É preciso reconhecer. Esforços Multinacionais. II . Primeiramente. de acordo com a moderna técnica museográfica. ao ambiente natural que o emoldura e aos bens culturais que encerra. sendo a razão fundamental da Reunião de Punta del Leste o propósito comum de dar um novo impulso ao desenvolvimento do continente. letra d). tanto em nível nacional quanto internacional. a tutela do Estado pode e deve se estender ao contexto urbano. de sua adequada formulação dentro de um plano sistemático de revalorização dos bens patrimoniais em função do desenvolvimento econômico-social. As recomendações do presente informe são dirigidas nesse sentido e se limitam. da Declaração dos Presidentes da América. de conformidade com o que dispõe o Capítulo V. objeto de defesa e proteção por parte do Estado. recinto ou sítio de caráter monumental. não são propriamente monumentos nacionais. está se aceitando implicitamente que esses bens do patrimônio cultural representam um valor econômico e são suscetíveis de constituir-se em instrumentos do progresso. Mas pode existir uma zona. isoladamente considerados. O acelerado processo de empobrecimento que vem sofrendo a maioria dos países americanos como conseqüência do estado de abandono e da falta de defesa em que se encontra sua riqueza monumental e artística demanda a adoção de medidas de emergência. porque.A.Normas de Quito de novembro/dezembro de 1967 REUNIÃO SOBRE CONSERVAÇÃO E UTILIZAÇÃO DE MONUMENTOS E LUGARES DE INTERESSE HISTÓRICO E ARTÍSTICO. em último caso. mas sua eficácia prática dependerá. torna-se imprescindível estender a devida proteção a outros bens móveis e a objetos valiosos do patrimônio cultural para evitar sua contínua deterioração e subtração impune e para conseguir que contribuam à obtenção dos fins pretendidos mediante sua adequada exibição. portanto. especificamente.. dada a íntima relação entre o continente arquitetônico e o conteúdo artístico. sem que nenhum dos elementos que o constitui. à adequada conservação e utilização dos monumentos e sítios de interesse arqueológico. que. porque com isso os chefes de Estado deixam reconhecida. a existência de uma situação de urgência que reclama a cooperação interamericana.

Qualquer que seja o valor intrínseco de um bem ou as circunstâncias que concorram para constituir a sua importância e significação histórica ou artística. que. sítios e conjuntos monumentais adquirem excepcional importância e atualidade. têm sofrido tais . evidência de sua grandeza passada . A partir desse momento o bem em questão estará submetido ao regime de exceção assinalado pela lei. e em especial a América Ibérica.homem é essencial para imprimir a uma paisagem ou a um recinto determinado essa categoria específica. ele não se constituirá em um monumento a não ser que haja uma expressa declaração do Estado nesse sentido. acentuavam sua personalidade e atração -. os problemas que se relacionam com a defesa. a medida em que a referida função social é compatível com a propriedade privada e com o interesse dos particulares. fontes e vielas. Aos grandiosos testemunhos das culturas pré-colombianas se agregam as expressões monumentais. Nos momentos críticos em que a América se encontra comprometida em um grande empenho progressista. nem sempre acessíveis ou de todo exploradas. Cabe ao Estado fazer com que ela prevaleça e determinar. apagando as marcas e expressões do passado. nos diferentes casos. se alternam com surpreendentes sobrevivências do passado. contribui para imprimir aos estilos importados um sentido genuinamente americano de múltiplas manifestações locais que os caracteriza e distingue. Múltiplos fatores têm contribuído e continuam contribuindo para diminuir as reservas de bens culturais da maioria dos países da América Ibérica. Todo processo de acelerado desenvolvimento traz consigo a multiplicação de obras de infraestrutura e a ocupação de extensas áreas por instalações industriais e construções imobiliárias que não apenas alteram.templos. A declaração de monumento nacional implica a sua identificação e registro oficiais. mas deformam por completo a paisagem. um rico patrimônio monumental. constitui uma região extraordinariamente rica em recursos monumentais.O Patrimônio Monumental e o Momento Americano É uma realidade evidente que a América. Ruínas arqueológicas de capital importância. em conjunto. numa exuberante variedade de formas. produto do fenômeno da aculturação. É certo também que grande parte desse patrimônio se arruinou irremediavelmente no curso das últimas décadas ou se acha hoje em perigo iminente de perder-se. Um acento próprio. Todo monumento nacional está implicitamente destinado a cumprir uma função social. praças. mas é necessário reconhecer que a razão fundamental da destruição progressivamente acelerada desse potencial de riqueza reside na falta de uma política oficial capaz de imprimir eficácia prática às medidas protecionistas vigentes e de promover a revalorização do patrimônio monumental em função do interesse público e para beneficio econômico da nação. Grande número de cidades ibero-americanas que entesouravam. que implica a exploração exaustiva de seus recursos naturais e a transformação progressiva das suas estruturas econômico-sociais. num passado ainda próximo. arquitetônicas. artísticas e históricas do extenso período colonial. III . conservação e utilização dos monumentos. testemunhos de uma tradição histórica de inestimável valor. complexos urbanos e povoados inteiros são suscetíveis de se tomar centros de maior interesse e atração.

Longe disso. em nível tanto local como nacional. Tudo isso em nome de um mal entendido e pior administrado progresso urbano. para conseguir soluções satisfatórias. Consequentemente. de 1932. exige a adoção de medidas de defesa. mas fazem ou devem fazer parte deles. A elevação do nível de vida não deve se limitar à realização de um bem-estar material progressivo. o Congresso da Federação Internacional da Habitação e Urbanismo (Santiago de Compostela. . 1958). Nesse sentido. contribuindo com recomendações concretas. V .A solução conciliatória A necessidade de conciliar as exigências do progresso urbano com a salvaguarda dos valores ambientais já é hoje em dia uma norma inviolável na formulação dos planos reguladores. muitos foram os congressos internacionais que se sucederam até consolidar-se o atual critério dominante.mutilação e degradações no seu perfil arquitetônico que se tomam irreconhecíveis. o Congresso de Veneza (1964) e o mais recente. teórica nem praticamente. preparar e servir ao futuro sem destruir o passado. deve constituir o seu complemento. as medidas que levam a sua preservação e adequada utilização não só guardam relação com os planos de desenvolvimento. Em confirmação a este critério se transcreve o seguinte parágrafo do Informe Weiss. A continuidade do horizonte histórico e cultural da América. histórico e artístico constituem também recursos econômicos da mesma forma que as riquezas naturais do país. É preciso admitir que os organismos internacionais especializados têm reconhecido a dimensão do problema e vêm trabalhando com afinco. o do ICOMOS. 1961). que teve como tema o problema dos conjuntos históricos. todo plano de ordenação deverá realizar-se de forma que permita integrar ao conjunto urbanístico os centros ou complexos históricos de interesse ambiental. IV . A partir da Carta de Atenas. apresentado à Comissão Cultural e Científica do Conselho da Europa (1 963): "É possível equipar um país sem desfigurá-lo. figuram o da União Internacional de Arquitetos (Moscou. gravemente comprometido pela entronização de um processo anárquico de modernização. nos últimos anos. Não é exagerado afirmar que o potencial de riqueza destruída com esses atos irresponsáveis de vandalismo urbanístico em numerosas cidades do continente excede em muito os benefícios advindos para a economia nacional através das instalações e melhorias de infraestrutura com que se pretendem justificar. que trazem a esse tema de tanto interesse americano um ponto de vista eminentemente prático.Valorização Econômica dos Monumentos Partimos do pressuposto de que os monumentos de interesse arqueológico. recuperação e revalorização do patrimônio monumental da região e a formulação de planos nacionais e multinacionais a curto e a longo prazo. Entre os que mais se aprofundaram no problema. deve ser associado à criação de um quadro de vida digno do homem". Está à disposição da América a experiência acumulada. A defesa e valorização do patrimônio monumental e artístico não se contradiz. com uma política de ordenação urbanística cientificamente desenvolvida. em Cáceres (1967).

precisamente. que tende a tomar-se cada dia mais freqüente entre os especialistas. trata-se de mobilizar os esforços nacionais no sentido de procurar o melhor aproveitamento dos recursos monumentais de que se disponha. sem desvirtuar sua natureza ressaltem suas características e permitam seu . na resolução 2 da Segunda Reunião Extraordinária do Conselho Interamericano Cultural. históricos e artísticos. d) Estendam a cooperação interamericana à conservação e utilização dos monumentos arqueológicos. Isso explica o emprego do termo "utilização". É evidente que a inclusão do problema relativo à adequada preservação e utilização do patrimônio monumental na citada reunião corresponde às mesmas razões fundamentais que levaram os presidentes da América a convocá-la: a necessidade de dar à Aliança para o Progresso um novo e mais vigoroso impulso e de oferecer. que figura no ponto 2. Isso implica uma tarefa prévia de planejamento em nível nacional.." 2. a ajuda necessária ao desenvolvimento econômico dos países membros da OEA.. reiteradas recomendações e resoluções de diferentes organismos do sistema levaram progressivamente o problema ao mais alto nível de consideração: a Reunião dos Chefes de Estado (Punta del Este. Valorizar um bem histórico ou artístico equivale a habilitá-lo com as condições objetivas e ambientais que. a urgente necessidade de utilizar ao máximo o cabedal de seus recursos e é evidente que entre eles figura o patrimônio monumental das nações. como meio indireto de favorecer o desenvolvimento econômico do país. É unicamente através da ação multinacional que muitos Estados-Membros em processo de desenvolvimento podem prover-se dos serviços técnicos e dos recursos financeiros indispensáveis. adquire no momento americano uma especial aplicação. Se algo caracteriza este momento é. diz-se: "." Mais concretamente. A extensão da cooperação interamericana para esse aspecto do desenvolvimento implica o reconhecimento de que o esforço nacional não é por si só suficiente para empreender uma ação que. ou seja.. 1967). excede suas atuais possibilidades. da Declaração dos Presidentes: "Esforços Multinacionais. através da cooperação continental.. Encomendar aos organismos competentes da OEA que:. capítulo V. A extensão da assistência técnica e a ajuda financeira ao patrimônio cultural dos Estados Membros será cumprida em função de seu desenvolvimento econômico e turístico. dentro da área de competência do conselho. A...A valorização do Patrimônio do Cultural O termo "valorização". a avaliação dos recursos disponíveis e a formulação de projetos específicos dentro de um plano de ordenação geral.Na mais ampla esfera das relações interamericanas." Em suma. convocada com a finalidade única de dar cumprimento ao disposto na Declaração dos Presidentes. VI . na maioria dos casos.

mediante um processo de revalorização que. a todo o âmbito do monumento. Essa é outra conseqüência previsível da valorização e implica a prévia adoção de medidas reguladoras que. estendendo seus efeitos a zonas mais distantes. É preciso destacar que. a maior atração exercida pelos monumentos e a fluência crescente de visitantes contribuem para afirmar a consciência de sua importância e significação nacionais. esses testemunhos do passado estimulam os sentimentos de compreensão. passará a ser parte dele quando for valorizado. mesmo que a intenção original nada tenha a ver com a cultura. a área de implantação de uma construção de especial interesse toma-se comprometida por causa da vizinhança imediata ao monumento. As normas protecionistas e os planos de revalorização têm que estender-se. no caso da América Ibérica. longe disso. de certa maneira. longe de diminuir sua significação puramente histórica ou artística. É evidente que. Em outras palavras. Tudo quanto contribuir para exaltar os valores do espírito.Os monumentos em função do turismo Os valores propriamente culturais não se desnaturalizam nem se comprometem ao vincular-se com os interesses turísticos e. trata-se de incorporar a um potencial econômico um valor atual. e a . na medida em que um monumento atrai a atenção do visitante. em alguma medida. a salvaguarda de uma grande parte de seu patrimônio cultural. seria o de contribuir para o desenvolvimento econômico da região. Um monumento restaurado adequadamente. No mais amplo marco das relações internacionais. a valorização de um monumento exerce uma benéfica ação reflexa sobre o perímetro urbano em que se encontra implantado e ainda transborda dessa área imediata. destacando e exaltando suas características e méritos até colocá-los em condições de cumprir plenamente a nova função a que estão destinados. harmonia e comunhão espiritual mesmo entre povos que mantêm rivalidade política. que ficaria revalorizada em conjunto como conseqüência de um plano de valorização e de saneamento de suas principais construções. a enriquece. Deve-se entender que a valorização se realiza em função de um fim transcendente. a valorização do patrimônio monumental e artístico implica uma ação sistemática. constituem não só uma lição viva de história como uma legítima razão de dignidade nacional. o que equivale a dizer que. De outra parte. condenado à completa e irremediável destruição.ótimo aproveitamento. A Europa deve ao turismo. Esse incremento de valor real de um bem por ação reflexa constitui uma forma de mais valia que há de se levar em consideração. passando-a do domínio exclusivo de minorias eruditas ao conhecimento e fruição de maiorias populares. direta ou indiretamente. Do exposto se depreende que a diversidade de monumentos e edificações de marcado interesse histórico e artístico situadas dentro do núcleo de valor ambiental se relacionam entre si e exercem um efeito multiplicador sobre o resto da área. VII . um conjunto urbano valorizado. Em síntese. portanto. de pôr em produtividade uma riqueza inexplorada. eminentemente técnica. há de derivar em seu beneficio. impeçam a desnaturalização do lugar e a perda das finalidades primordiais que se perseguem. aumentará a demanda de comerciantes interessados em instalar estabelecimentos apropriadas a sua sombra protetora. dirigida a utilizar todos e cada um desses bens conforme a sua natureza. ao mesmo tempo em que facilitem e estimulem a iniciativa privada. que.

determinaria sua extinção. tem oportunidade de se enriquecer com a contemplação de novos exemplos da civilização ocidental. recentes reuniões especializadas têm abordado o tema específico da função que os monumentos de interesse artístico e histórico representam no desenvolvimento da indústria turística. a Conferência sobre Comércio e Desenvolvimento das Nações Unidas (1964) recomendou às agências e organismos de financiamento. insiste nos benefícios econômicos que derivam dessa política para as áreas territoriais correspondentes. histórico e natural das nações. Ultimamente. o Conselho Econômico e Social do citado organismo mundial. depois de analisar as razões culturais. para obras de conservação. o patrimônio cultural. resolveu solidarizar-se com as conclusões adotadas pela correspondente Comissão de Equipamento Turístico. na forma mais apropriada. Se os bens do patrimônio cultural desempenham papel tão importante na promoção do turismo. integrar-se num só plano econômico de desenvolvimento regional. Em relação a esse tema. tanto em nível nacional como regional. "oferecer assistência. IV. Por sua vez. resgatados tecnicamente graças ao poderoso estímulo turístico. empreendeu-se um exaustivo estudo. depois de recomendar à Assembléia Geral designar o ano de 1967 como "Ano do Turismo Internacional". mais propriamente. ao problema do abandono em que se encontra boa parte do patrimônio cultural dos países do continente. tanto governamentais como privados. em conseqüência. Anexo A. A Comissão Técnica de Fomento do Turismo. além das numerosas recomendações e acordos que enfatizam a importância a ser concedida. 1963) não somente recomendou que se desse uma alta prioridade aos investimentos em turismo dentro dos planos nacionais. com a colaboração de um organismo não-governamental de grande prestígio.sensibilidade contemporânea. seria urgente "a adoção de medidas adequadas dirigidas a assegurar a conservação e proteção desse patrimônio" (Informe Final. traz consigo uma profunda transformação econômica da região em que esse monumento se acha inserido. mais visual que literária. na sua quarta reunião (julho-agosto de 1967). históricos e de beleza natural" (Resolução. Dentro do sistema interamericano. constitui um valor substancialmente importante" e que. que vem sendo objeto de especial atenção por parte da Secretaria Geral da UNESCO. Dois pontos de particular interesse merecem ser destacados: a) a afluência turística determinada pela revalorização adequada de um monumento assegura a rápida recuperação do capital investido nesse fim. a União Internacional de Organizações Oficiais de Turismo. . "do ponto de vista turístico. Doc. é lógico que os investimentos que se requerem para sua devida restauração e habilitação específica devem se fazer simultaneamente aos que reclama o equipamento turístico e. educativas e sociais que justificam o uso da riqueza monumental em função do turismo. 4). como principais incentivos à afluência turística". A Conferência das Nações Unidas sobre Viagens Internacionais e Turismo (Roma. a fim de acelerar a melhoria dos seus recursos turísticos" (Resolução 1109 XL). resolveu solicitar aos organismos das Nações Unidas e às agencias especializadas que dessem "parecer favorável às solicitações de assistência técnica e financeira dos países em desenvolvimento. entre as quais figuram as seguintes: "Que os monumentos e outros bens de natureza arqueológica. b) a atividade turística que se origina da adequada apresentação de um monumento e que. restauração e utilização vantajosa de sítios arqueológicos. Esse estudo confirma os critérios expostos e. como fez ressaltar que. abandonada.24). histórica e artística podem e devem ser devidamente preservados e utilizados em função do desenvolvimento.

tem dado excelentes resultados. que devem sua presente prosperidade ao turismo internacional e que contam. praças e lugares. tais como um caminho que facilite o acesso ao monumento ou um albergue que aloje os visitantes ao término de uma jornada de viagem. Anos de incúria oficial e um impulsivo afã de renovação que caracteriza as nações em processo de desenvolvimento contribuem para difundir o menosprezo por todas as manifestações do passado que não se ajustam ao molde ideal de um moderno estilo de vida. com a reserva de bens culturais. histórico ou artístico. em conseqüência."Que nos países de grande riqueza patrimonial de bens de interesse arqueológico. costuma ocorrer uma reação favorável de cidadania que paralisa a ação destrutiva e permite a consecução de objetivos mais ambiciosos. deve ser levado em conta na formalização dos planos correspondentes. Podem ser necessárias outras obras de infra-estrutura. Nada pode contribuir melhor para a tomada de consciência desejada do que a contemplação do próprio exemplo. Tudo isso." "Que os interesses propriamente culturais e os de índole turística se conjugam no que diz respeito à devida preservação e utilização do patrimônio monumental e artístico dos povos da América. incapazes de apreciar o que mais convém à comunidade a partir do remoto ponto de vista do bem público. esse patrimônio constitui um fator decisivo em seu equipamento turístico e. mantido o caráter ambiental da região. especialmente nas dos países europeus. O estímulo a agrupamentos cívicos de defesa do patrimônio. pelo que se faz aconselhável que os organismos e unidades técnicas de uma e outra área da atividade interamericana trabalhem nesse sentido de forma coordenada. qualquer que seja sua denominação e composição." Do ponto de vista exclusivamente turístico. Carentes da suficiente formação cívica para julgar o interesse social como uma expressão decantada do próprio interesse individual. Uma vez que se apreciam os resultados de certas obras de restauração e de revitalização de edifícios. os monumentos são parte do equipamento de que se dispõe para operar essa indústria numa região determinada. histórico e artístico. entre suas principais fontes de riqueza. Daí que as obras de restauração nem sempre sejam suficientes. . da sua significação ou interesse arqueológico. especialmente em localidades que não dispõem ainda de diretrizes urbanísticas e onde a ação protetora em nível nacional é débil ou nem sempre eficaz.O interesse social e a ação cívica É presumível que os primeiros esforços dirigidos a revalorizar o patrimônio monumental encontrem uma ampla zona de resistência na órbita dos interesses privados. mas à medida em que o monumento possa servir ao uso a que se lhe destina já não dependerá apenas de seu valor intrínseco. para que um monumento possa ser explorado e passe a fazer parte do equipamento turístico de uma região. quer dizer. Do seio de cada comunidade pode e deve surgir a voz de alarme e a ação vigilante e preventiva. mas também das circunstâncias adjetivas que concorram para ele e facilitem sua adequada utilização. As vantagens econômicas e sociais do turismo monumental figuram nas mais modernas estatísticas. VIII . os habitantes de uma população contagiada pela febre do progresso não podem medir as conseqüências dos atos de vandalismo urbanístico que realizam alegremente. com a indiferença ou a cumplicidade das autoridades locais. por si só.

os seguintes: a) Reconhecimento de uma excepcional prioridades dos projetos de valorização da riqueza monumental. outras disposições governamentais que facilitem o projeto de valorização fazendo prevalecer. d) Designação de uma equipe técnica que possa contar com assistência exterior durante a elaboração dos projetos específicos ou durante sua execução.Os instrumentos da valorização A adequada utilização dos monumentos de principal interesse histórico e artístico implica primeiramente a coordenação de iniciativas e esforços de caráter cultural e econômicoturísticos. b) Legislação adequada ou.Em qualquer caso. As medidas e procedimentos que se seguem destinam-se a essa finalidade. aos países corresponde a tarefa prévia de formular seus projetos e integrá-los com os planos gerais para o desenvolvimento. Na medida em que esses interesses coincidentes se unam e identifiquem. Não pode haver essa necessária coordenação se não existem no país em questão as condições legais e os instrumentos técnicos que a tomem possível. a colaboração espontânea e múltipla dos particulares nos planos de valorização do patrimônio histórico e artístico é absolutamente imprescindível. consequentemente. na preparação desses planos. tanto em termos técnicos como financeiros. Do ponto de vista cultural. Aos governos dos diferentes Estados Membros cabe a iniciativa. em sua falta. são requisitos prévios a qualquer propósito oficial dirigido a revalorizar seu patrimônio monumental: legislação eficaz. os resultados perseguidos serão mais satisfatórios. Recomendações (em nível nacional) Os projetos de valorização do patrimônio monumental fazem parte dos planos de desenvolvimento nacional e. c) Direção coordenada do projeto através de um instituto idôneo. é o complemento do esforço nacional. Os investimentos que se requerem para a execução dos referidos projetos devem ser feitos simultaneamente com os que são necessários para o equipamento turístico da zona ou região objeto de revalorização. . muito especialmente nas pequenas comunidades. Essa integração. capaz de centralizar sua execução em todas as etapas. organização técnica e planejamento nacional. A integração dos projetos culturais e econômicos deve produzir-se em nível nacional como medida prévia a toda gestão de assistência ou cooperação exterior. desenvolvido sistemática e simultaneamente à execução do projeto. devem a eles se integrar. Daí que. deve se levar em conta a conveniência de um programa anexo de educação cívica. São requisitos indispensáveis aos efeitos citados. dentro do Plano Nacional para o Desenvolvimento. Compete ao governo dotar o país das condições que tomem possível a formulação e execução de projetos específicos de valorização. o interesse público. em todas as circunstâncias. IX .

de maneira muito especial. fortalezas e grande número de edifícios. por isso. Consequentemente. nos das índias. bem como do acervo sociológico do folclore nacional. . quer dizer. dada a participação histórica de ambos na formação desse patrimônio e a comunhão dos valores culturais que os mantêm unidos aos povos deste continente. torna-se altamente necessário que a OEA coopere com a Espanha no trabalho de atualizar e facilitar as investigações nos arquivos espanhóis e. Recomendar que seja redigido um novo documento hemisférico que substitua o Tratado Interamericano sobre a Proteção de Móveis de Valor Histórico (1935). o desenvolvimento de uma campanha cívica que possibilite a formação de uma consciência pública favorável. toma-se imprescindível a integração dos projetos que se venham a promover com os planos reguladores existentes na cidade ou na região de que se trate. em Sevilha. na conformidade com um plano regulador de alcance nacional ou regional. capaz de proteger de maneira mais ampla e efetiva essa parte importantíssima do patrimônio cultural do continente dos múltiplos riscos que a ameaçam. A necessária coordenação dos interesses propriamente culturais relativos aos monumentos ou conjuntos ambientais. durante a sua formulação. o que dificulta extremamente sua utilização. Vincular a necessária revalorização do patrimônio monumental e artístico das nações da América a outros países extra-continentais e. especialmente.A valorização da riqueza monumental só pode ser levada a efeito dentro de um quadro de ação planificada. absolutamente necessário em todo trabalho dessa natureza um estudo prévio de investigação histórica. e dado que a catalogação desses documentos imprescindíveis foi interrompida em data anterior à da maioria das construções coloniais. juntamente com copiosíssima documentação oficial. histórico e artístico a outros bens do patrimônio cultural. procederse-á no sentido de estabelecê-los de forma adequada. A restauração termina onde começa a hipótese. À falta desses planos. Uma vez que a Espanha conserva em seus arquivos farto material de plantas sobre as cidades da América. Estender o conceito generalizado de monumento às manifestações próprias da cultura dos séculos XIX e XX. Nesse sentido. constituídos do acervo de museus e arquivos. Recomendações(em nível interamericano) Reiterar a conveniência de que os países da América adotem a Carta de Veneza como norma mundial em matéria de preservação de sítios e monumentos históricos e artísticos. Recomendar à Organização dos Estados Americanos que estenda a cooperação que se propôs prestar à revalorização dos monumentos de interesse arqueológico. sem prejuízo de adotarem outros compromissos e acordos que se tomem recomendáveis dentro do sistema interamericano. e os de caráter turístico deverá produzir-se no âmago da direção coordenada do projeto a que se refere a letra c) do inciso 3. tornando-se. à Espanha e a Portugal. A cooperação dos interesses privados e o respaldo da opinião pública são indispensáveis para a realização de qualquer projeto de valorização. como medida prévia de toda a gestão relativa à assistência técnica ou à ajuda financeira externa. deve-se ter presente.

Para os efeitos de legislação de proteção. Tendo em vista que a escassez de recursos humanos constitui um grave inconveniente para a realização de planos de valorização. Da mesma forma.Enquanto não se ultima o estabelecido no item anterior. mediante o fortalecimento dos órgãos existentes e a criação de outros novos. as limítrofes. e proporcionar sua instalação definitiva num dos Estados Membros. Sem prejuízo do estabelecido anteriormente e a fim de satisfazer imediatamente tão imperiosas necessidades. assim como. com o objetivo de controlar toda forma publicitária que tenda a alterar as características ambientais das zonas urbanas de interesse histórico. celebrar com o Instituto de Cultura Hispânica. Medidas Legais É necessário atualizar a legislação de proteção vigente nos Estados americanos. b) zona de proteção ou respeito. com sede provisória no Instituto de Cultura Hispânica. recomenda-se à Secretaria Geral da OEA utilizar as facilidades que oferecem seus atuais programas de Bolsas e Habilitação Extracontinental e. que corresponderá à de maior densidade monumental ou de ambiente. a fim de tomar eficaz sua aplicação aos efeitos pretendidos. obter dos Estados-membros a adoção de medidas de emergência capazes de eliminar os riscos do comércio ilícito de peças do patrimônio cultural e que se ative a sua devolução ao país de origem. Madrid. amparado pelo acordo de cooperação técnica da OEA. o espaço urbano que ocupam os núcleos ou conjuntos monumentais e de interesse ambiental deve limitar-se da seguinte forma: a) zona de proteção rigorosa. na sua próxima reunião. com maior tolerância. É necessário revisar as disposições regulamentares locais que se aplicam à matéria de publicidade. recomenda-se reconhecer a Sociedade de Arquitetos Especializados em Restauração de Monumentos. a fim de procurar integrá-la com a natureza circundante. amplos acordos de colaboração. de caráter interamericano. bem assim. torna-se recomendável satisfazer as necessidades em matéria de restauração de bens móveis. c) zona de proteção da paisagem urbana. até certo ponto. uma vez provada sua exportação clandestina ou aquisição ilegal. Ao atualizar a legislação vigente. mediante a implantação de um regime de isenção fiscal nos edifícios que se restaurem com capital particular e dentro dos regulamentos estabelecidos pelos órgãos . toma-se recomendável tomar as providências adequadas para a criação de um centro ou instituto especializado em matéria de restauração.Espanha e com o Centro Regional Latinoamericano de Estudos para a Conservação e Restauração de Bens Culturais do México. Da mesma forma deve-se tomar em consideração a possibilidade de estimular a iniciativa privada. Toda vez que se tome necessário o intercâmbio de experiências sobre os problemas próprios da América e convém manter-se uma adequada unidade de critérios relativos à matéria. recomenda-se que o Conselho Interamericano Cultural providencie. os países deverão ter em conta o maior valor que adquirem os bens imóveis incluídos na zona de valorização.

competentes. Outros desencargos fiscais podem também ser estabelecidos como compensação às limitações impostas à propriedade particular por motivo de utilidade pública. Medidas Técnicas A valorização de um monumento ou conjunto urbano de interesse ambiental é o resultado de um processo eminentemente técnico e, consequentemente, sua execução oficial deve ser confiada diretamente a um órgão de caráter especializado, que centralize todas as atividades. Cada projeto de valorização constitui um problema específico e requer uma solução também específica. A colaboração técnica dos peritos nas diversas disciplinas que deverão intervir na execução de um projeto é absolutamente essencial. Da acertada coordenação dos especialistas irá depender, em boa parte, o resultado final. A prioridade dos projetos fica subordinada à estimativa dos benefícios econômicos, que derivariam de sua execução para uma determinada região. Entretanto, em tudo que for possível, deve-se ter em conta a importância intrínseca dos bens objeto de restauração ou revalorização e a situação de emergência em que eles se encontram. Em geral, todo projeto de valorização envolve problemas de caráter econômico, histórico, técnico e administrativo. Os problemas técnicos de conservação, restauração e reconstrução variam segundo a natureza do bem cultural. Os monumentos arqueológicos, por exemplo, exigem a colaboração de especialistas na matéria. A natureza e o alcance dos trabalhos que é preciso realizar em um monumento exigem decisões prévias, produto do exaustivo exame das condições e circunstâncias que nele concorrem. Decidida a forma de intervenção a que deverá ser submetido o monumento, os trabalhos subseqüentes deverão prosseguir com absoluto respeito ao que evidencia sua substância ou ao que apontam, indubitavelmente, os documentos autênticos em que se baseia a restauração. Nos trabalhos de revalorização de zonas ambientais, toma-se necessária a prévia definição de seus limites e valores. A valorização de uma zona histórica ambiental, já definida e avaliada, implica: a) estudo e determinação de seu uso eventual e das atividades que nela deverão desenvolverse; b) estudo da magnitude dos investimentos e das etapas necessárias até o término dos trabalhos de restauração e conservação, incluídas as obras de infra-estrutura e adaptações exigidas pelo equipamento turístico para sua valorização; c) estudo analítico do regime especial a que a zona ficará submetida, a fim de que as construções existentes e as futuras possam ser efetivamente controladas; d) a regulamentação das zonas adjacentes ao núcleo histórico deve estabelecer, além do uso da terra e densidade da respectiva ocupação, a relação volumétrica como fator determinante da paisagem urbana e natural; e) estudo do montante das inversões necessárias para o adequado saneamento da zona a ser valorizada;

f) estudo das medidas preventivas necessárias para a manutenção permanente de zona a valorizar. A limitação dos recursos disponíveis e o necessário adestramento das equipes técnicas requeridas pelos planos de valorização tornam aconselhável a prévia formulação de um projeto piloto no local em que melhor se conjuguem os interesses econômicos e as facilidades técnicas. A valorização de um núcleo de interesse histórico-ambiental de extensão que exceda as possibilidades econômicas imediatas pode e deve ser projetado em duas ou mais etapas, que seriam executadas progressivamente, de acordo com as conveniências do equipamento turístico. Não obstante, o projeto deve ser concebido em sua totalidade, sem que se interrompam ou diminuam os trabalhos de classificação, investigação e inventário.

Conferência Geral da Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura 15a Sessão
19 de novembro de 1968 RECOMENDAÇÃO SOBRE A CONSERVAÇÃO DOS BENS CULTURAIS AMEAÇADOS PELA EXECUÇÃO DE OBRAS PÚBLICAS OU PRIVADAS A Conferência Geral da Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura, em sua 15a sessão, realizada em Paris, de 15 de outubro a 20 de novembro de 1968: Considerando que a civilização contemporânea e sua evolução futura repousam nas tradições culturais dos povos e nas forças criadoras da humanidade, assim como em seu desenvolvimento social e econômico. Considerando que os bens culturais são o produto e o testemunho das diferentes tradições e realizações intelectuais do passado e constituem, portanto, um elemento essencial da personalidade dos povos. Considerando que é indispensável preservá-los, na medida do possível e, de acordo com sua importância histórica e artística, valorizá-los de modo que os povos se compenetrem de sua significação e de sua mensagem e, assim, fortaleçam a consciência de sua própria dignidade. Considerando que essa preservação e valorização dos bens culturais, de acordo com o espírito da Declaração de Princípios da Cooperação Cultural Internacional, adotada em 4 de novembro de 1966, durante a 14 a sessão, favorecem uma melhor compreensão entre os povos e, consequentemente, servem à causa da paz. Considerando também que o bem-estar de todos os povos depende, entre outras coisas, de que sua vida se desenvolva em um meio favorável e estimulante, e que a preservação dos bens culturais de todos os períodos de sua história contribui diretamente para isso. Reconhecendo, por outro lado, o papel desempenhado pela industrialização e urbanização a que tende a civilização mundial no desenvolvimento dos povos e em sua completa realização espiritual e nacional. Considerando, entretanto, que os monumentos, testemunhos e vestígios do passado préhistórico, proto-histórico e histórico, assim como inúmeras construções recentes que têm uma importância artística, histórica ou científica, estão cada vez mais ameaçados pelos trabalhos

públicos ou privados resultantes do desenvolvimento da indústria e da urbanização. Considerando que é dever dos governos assegurar a proteção e a preservação da herança cultural da humanidade tanto quanto promover o desenvolvimento social e econômico. Considerando, portanto, que é necessário harmonizar a preservação do patrimônio cultural com as transformações exigidas pelo desenvolvimento social e econômico, e que urge desenvolver os maiores esforços para responder a essas duas exigências em um espírito de ampla compreensão e com referência a um planejamento apropriado. Considerando, igualmente, que a adequada preservação e exposição dos bens culturais contribuem poderosamente para o desenvolvimento social e econômico dos países e das regiões que possuem esse gênero de tesouros da humanidade, através do estímulo ao turismo nacional e internacional. Considerando, enfim, que, em matéria de preservação de bens culturais, a garantia mais segura é constituída pelo respeito e pela vinculação que a própria população experimenta em relação a esses bens e que os Estados Membros poderiam contribuir para fortalecer tais sentimentos através de medidas adequadas, Sendo-lhe apresentadas propostas relativas à preservação dos bens culturais ameaçados por obras públicas ou privadas, questão que constitui o item 16 da ordem do dia da sessão. Após haver decidido, em sua décima terceira sessão, que as propostas sobre esse assunto seriam objeto de uma regulamentação internacional através de uma recomendação aos Estados Membros, Adota, neste décimo nono dia de novembro de 1968, a presente recomendação: A Conferência Geral recomenda aos Estados Membros que apliquem as disposições seguintes, adotando as medidas legislativas ou de outra natureza, necessárias para levar a efeito nos respectivos territórios as normas e princípios formulados na presente recomendação. A Conferência Geral recomenda aos Estados Membros que levem a presente recomendação ao conhecimento das autoridades e órgãos encarregados das obras públicas ou privadas, assim como ao dos órgãos responsáveis pela conservação e pela proteção dos monumentos históricos, artísticos, arqueológicos e científicos. Recomenda que as autoridades e órgãos encarregados do planejamento dos programas de educação e de desenvolvimento do turismo sejam igualmente informados. A Conferência Geral recomenda aos Estados Membros que lhe apresentem, nas datas e na forma a ser por ela determinada, relatórios que digam respeito às medidas adotadas para levar a efeito a presente recomendação. I - Definição Para os efeitos da presente recomendação, a expressão bens culturais se aplicará a: a) Bens imóveis, como os sítios arqueológicos, históricos ou científicos, edificações ou outros elementos de valor histórico, científico, artístico ou arquitetônico, religiosos ou seculares, incluídos os conjuntos tradicionais, os bairros históricos das zonas urbanas e rurais e os vestígios de civilizações anteriores que possuam valor etnológico. Aplicar-se-á tanto aos imóveis do mesmo caráter que constituam ruínas ao nível do solo como aos vestígios arqueológicos ou históricos descobertos sob a superfície da terra. A expressão bens culturais se estende também ao entorno desses bens. b) Bens móveis de importância cultural, incluídos os que existem ou tenham sido encontrados dentro dos bens imóveis e os que estão enterrados e possam vir a ser descobertos em sítios arqueológicos ou históricos ou em quaisquer outros lugares.

a continuidade e significação histórica. como a aradura profunda da terra. As medidas a serem adotadas deveriam variar em função da natureza. no todo ou em parte.A expressão bens culturais engloba não só os sítios e monumentos arquitetônicos. as operações de ressecação e de irrigação. g) Os trabalhos agrícolas. o que constitui um perigo especialmente grave para os sítios. Dever-se-ia ter na devida conta a importância relativa dos bens culturais em causa ao se determinarem medidas necessárias para assegurar: a) A preservação do conjunto de um sítio arqueológico. das dimensões e da situação dos bens culturais. b) O salvamento ou o resgate dos bens culturais situados em local que deva ser transformado pela execução de obras públicas ou privadas. Quando uma imperiosa necessidade . assim. produção de energia hidroelétrica. arqueológicos e históricos reconhecidos e protegidos por lei. e que deverão ser preservados e trasladados. Os Estados Membros deveriam dar a devida prioridade às medidas necessárias para garantir a conservação in situ dos bens culturais ameaçados por obras públicas ou privadas e manterlhes. e) A construção de barragens para irrigação. a exploração de minas e de pedreiras e a dragagem e recuperação de canais e de portos. destruir as vinculações e o quadro que envolve os monumentos nos bairros históricos. desmatamento e nivelamento de terras e reflorestamento. monumentos ou conjuntos de monumentos de importância histórica. seria preciso criá-los. c) Modificações ou reparos inoportunos de edificações históricas isoladas. tais como: a) Os projetos de expansão ou de renovação urbana. ou controle de inundações. d) A construção ou alteração de vias de grande circulação. f) A construção de oleodutos e de linhas de transmissão de energia elétrica. II . assim como do caráter dos perigos a que estão expostos. assim. b) Obras similares em locais onde conjuntos tradicionais de valor cultural possam correr perigo de destruição por não se constituírem em monumentos protegidos por lei. mas também os vestígios do passado não reconhecidos nem protegidos. protegidos por lei ou não. Deveriam ser mantidos inventários atualizados de bens culturais importantes. cabendo a prioridade a um levantamento minucioso e completo dos bens culturais situados em locais em que obras públicas ou privadas os ameacem. No caso de não existirem esses inventários. como a construção de aeródromos.Princípios gerais As medidas de preservação dos bens culturais deveriam se estender à totalidade do território do Estado e não se limitar a determinados monumentos e sítios. assim como os sítios e monumentos recentes de importância artística ou histórica. As medidas preventivas e corretivas deveriam ter por finalidade assegurar a proteção ou o salvamento dos bens culturais ameaçados por obras públicas ou privadas. As medidas destinadas a preservar ou a salvar os bens culturais deveriam ter caráter preventivo e corretivo. h) Os trabalhos exigidos pelo desenvolvimento da indústria e pelos progressos técnicos das sociedades industrializadas. de um monumento ou de outros tipos de bens culturais imóveis contra os efeitos das obras públicas e privadas. ainda que respeitem monumentos protegidos por lei mas possam vir a modificar estruturas de menor importância e. etc.

históricas ou artísticas. Legislação Os Estados membros deveriam promulgar ou manter em vigor. i) Programas educacionais. f) Reparações. Deveriam ser publicados ou. inclusive os museus dos sítios ou das universidades. c) Medidas administrativas. tenham sido abandonados ou destruídos. uma legislação que assegure a preservação ou o salvamento dos bens culturais ameaçados pela realização de obras públicas ou privadas. Financiamento Os Estados membros deveriam prever o estabelecimento de créditos necessários para as operações de preservação de salvamento dos bens culturais ameaçados pela realização de obras públicas ou privadas. e) Sanções. ou . b) Financiamento. h) Assessoramento. assim como a desigualdade dos recursos. III . tanto em escala nacional quanto regional. os trabalhos de salvamento deveriam sempre compreender um estudo minucioso desses bens e o registro completo dos dados de interesse. não permitam a adoção de medidas uniformes. As edificações e outros monumentos culturais importantes que tenham sido trasladados para evitar sua destruição por obras públicas ou privadas deveriam ser reinstalados em um sítio ou ambiente semelhante ao de sua implantação primitiva e ao de suas vinculações naturais. postos à disposição dos futuros pesquisadores os resultados dos estudos de interesse científico e histórico empreendidos em relação aos trabalhos de salvamento de bens culturais. especialmente quando os bens culturais imóveis. Os bens culturais móveis de grande interesse.Medidas de preservação e salvamento A preservação ou o salvamento dos bens culturais ameaçados por obras públicas ou privadas deveria ser assegurada pelos meios abaixo relacionados. cabendo à legislação e à organização de cada Estado precisar as medidas: a) Legislação. o abandono ou a destruição de bens culturais. Ainda que a diversidade dos sistemas jurídicos e das tradições.econômica ou social impuser o traslado. g) Recompensas. de acordo com as normas e princípios definidos nesta recomendação. de algum outro modo. deveriam ser levadas em consideração as seguintes possibilidades: a) As autoridades nacionais ou regionais encarregadas da salvaguarda dos bens culturais deveriam dispor de um orçamento suficiente para poderem assegurar a preservação ou o salvamento dos bens culturais ameaçados por obras públicas ou privadas. e especialmente os espécimes representativos de objetos procedentes de escavações arqueológicas ou encontrados durante trabalhos de salvamentos. d) Métodos de preservação e salvamento dos bens culturais. em grande parte ou na totalidade. deveriam ser preservados para estudos ou expostos em museus.

o valor intrínseco de tais bens e a contribuição que podem proporcionar à economia como pólos de atração turística. as autoridades locais. ou b) Estabelecimento. e. Onde já funcionem órgãos ou serviços oficiais de proteção dos bens culturais deveria competir-lhes a proteção dos bens culturais ameaçados por obras públicas ou privadas. através de uma legislação adequada. através das medidas que se seguem: a) Diminuição de impostos. órgãos ou serviços especiais deveriam ser encarregados da preservação dos bens culturais ameaçados por obras públicas ou privadas. a garantirem a manutenção ou a adequada adaptação dessas edificações ou conjuntos a funções que respondam às necessidades da sociedade contemporânea. Se não houver tais serviços.b) As despesas referentes à preservação ou ao salvamento dos bens culturais ameaçados pela realização de obras públicas ou privadas. do planejamento urbano e das instituições de pesquisa e educação deveria estar habilitado a prestar assessoria em matéria de preservação dos bens culturais ameaçados por obras públicas ou privadas. ou por qualquer outro meio apropriado. assim como os habitantes de bairros históricos. empréstimos ou outras medidas. de um orçamento destinado a ajudar. inclusive os conjuntos tradicionais. alguns princípios comuns deveriam ser adotados: a) Um órgão consultivo ou de coordenação composto de representantes das autoridades encarregadas da salvaguarda dos bens culturais. o proprietário deveria ter a oportunidade de requisitar a ajuda necessária das autoridades competentes. para fixar o montante dos fundos destinados à conservação dos bens culturais ameaçados por obras públicas ou privadas. ou c) Deveria ser possível combinar os dois métodos mencionados nas alíneas a e b acima. a preservarem o caráter e a beleza dos bens culturais de que dispõem e que possam vir a sofrer danos em consequência de obras públicas ou privadas. as instituições e os proprietários privados de edificações que tenham um interesse artístico. Os serviços responsáveis pela salvaguarda dos bens culturais deveriam estar habilitados a administrar ou utilizar os créditos extra-orçamentários necessários para a preservação ou para o salvamento dos bens culturais ameaçados pela realização de obras públicas ou privadas. deveriam constar do orçamento dessas obras. mediante subvenções. inclusive as investigações arqueológicas preliminares. assim como os proprietários privados. Se a magnitude ou a complexidade dos trabalhos necessários tornarem o montante das despesas excepcionalmente elevado. de áreas urbanas ou rurais. deveriam levar em conta. científico ou histórico. embora a diversidade dos dispositivos constitucionais e da tradição dos Estados Membros impeça a adoção de um sistema uniforme. ou c) Deveria ser possível combinar os dois métodos mencionados nas alíneas a e b acima. deveria ser possível obter créditos suplementares através de legislação competente. das empresas de obras públicas ou privadas. As autoridades nacionais ou locais. arquitetônico. Medidas Administrativas A responsabilidade pela preservação e pelo salvamento dos bens culturais ameaçados por obras públicas ou privadas deveria competir a organismos oficiais apropriados. cada vez que entrarem em conflito as necessidades da execução . em especial. Os Estados membros deveriam encorajar os proprietários de edificações que tenham importância artística ou histórica. inclusive as que façam parte de um conjunto tradicional. mediante a concessão de subvenções especiais ou a criação de um fundo nacional para a salvaguarda dos monumentos. Se os bens culturais não são protegidos por lei ou de outro modo.

Deveria ser assegurada a salvaguarda dos sítios arqueológicos importantes. sítios e bairros históricos. municipais ou outras) deveriam também dispor de serviços encarregados da preservação e do salvamento dos bens culturais ameaçados por obras públicas ou privadas. sítios e monumentos de interesse. que se elaborassem diversas variantes desses projetos. As medidas destinadas a preservar ou a salvar os bens culturais deveriam ser tomadas com suficiente antecipação ao início de obras públicas ou privadas. arqueólogos. b) A extensão dos trabalhos de salvamento necessários. Nas regiões importantes do ponto de vista arqueológico ou cultural. que seja preciso proteger contra a ameaça de obras públicas ou privadas. ou de outros órgãos apropriados. sem isso. d) Deveriam ser tomados medidas administrativas para coordenar as atividades dos diversos serviços responsáveis pela salvaguarda dos bens culturais e as de outros serviços encarregados de obras públicas ou privadas e as dos demais serviços cujas funções tenham relação com o problema de preservar ou salvar os bens culturais ameaçados por obras públicas ou privadas. sobretudo os sítios pré-históricos que estão particularmente ameaçados por serem difíceis de reconhecer. dos bairros históricos dos centros urbanos ou rurais. dos conjuntos tradicionais. os edifícios a serem trasladados e os bens culturais móveis cujo salvamento seja necessário garantir. historiadores. inspetores e outros especialistas e técnicos. b) As autoridades locais (estaduais. tanto do ponto de vista econômico quanto no que diz respeito à preservação e ao salvamento dos bens culturais. protegidos ou não pela lei. Esses serviços deveriam dispor da possibilidade de obter ajuda dos serviços nacionais. aldeias. e) Deveriam ser adotadas medidas administrativas para designar uma autoridade ou uma comissão encarregada dos programas de desenvolvimento urbano em todas as comunidades que possuam bairros históricos. os trabalhos de construção deveriam ser retardados para permitir a adoção de medidas indispensáveis a assegurar a preservação ou o salvamento dos bens culturais. conviria. Por ocasião dos estudos preliminares sobre projetos de construção em um local de reconhecido interesse cultural. Métodos de preservação e salvamento dos bens culturais Com a devida antecedência à realização de obras públicas ou privadas que ameacem os bens culturais.de obras públicas ou privadas e os trabalhos de preservação e salvamento dos bens culturais. antes que uma decisão fosse tomada. que deveriam estar protegidos pela legislação de cada país. dos vestígios etnológicos de civilizações anteriores e de outros bens culturais imóveis que. tais como a escolha dos sítios arqueológicos a serem escavados. deveriam ser realizados aprofundados estudos para determinar: a) As medidas a serem tomadas para assegurar a proteção in situ dos bens culturais importantes. A escolha entre essas variantes deveria basear-se em uma análise comparativa de todos os elementos com o objetivo de adotar a solução mais vantajosa. tais como cidades. urbanistas. em escala regional ou local. ou no qual seja provável encontrar objetos de valor arqueológico ou histórico. qualquer nova construção deveria ser obrigatoriamente precedida de escavações arqueológicas de caráter preliminar. seriam . de acordo com suas atribuições e necessidades. c) Os serviços de salvaguarda dos bens culturais deveriam contar com pessoal qualificado. especialistas competentes em matéria de preservação dos bens culturais ameaçados por obras públicas ou privadas: arquitetos. Se necessário.

Sanções Os Estados Membros deveriam adotar as medidas necessárias para que as infrações cometidas intencionalmente ou por negligência em relação à preservação ou ao salvamento de bens culturais ameaçados por obras públicas ou privadas sejam severamente punidas por seus códigos penais. deveriam ser suspensas as obras de construção para permitir as escavações completas. que permitisse. restauração do sítio ou do monumento às expensas dos responsáveis pelos danos causados. para que seja possível efetuar escavações profundas ou preservar os vestígios descobertos.ameaçados por obras públicas ou privadas. especialmente quando se tratar de cidades ou bairros históricos. mas as empresas comerciais poderiam ser autorizadas a indicar sua presença por meio de uma sinalização corretamente apresentada. essas aquisições poderiam ser feitas através de expropriação. se o sítio se revelasse importante. de bens móveis. Deveriam ser permitidas modificações na regulamentação ordinária relativa às novas construções. A preservação dos monumentos deveria ser uma condição essencial em qualquer plano de urbanização. Reparações . determinar e decidir em que medida poderiam ser reformados os edifícios de importância histórica ou artística e a natureza e o estilo das novas construções. mal conservados ou abandonados bens culturais imóveis. Esse serviço submeteria a descoberta a um detido exame e. eventualmente. destruídos. Os Estados Membros deveriam adotar disposições que permitam às autoridades nacionais ou locais ou aos órgãos competentes adquirir os bens culturais importantes que corram perigo em conseqüência de obras públicas ou privadas. b) Em caso de achado arqueológico fortuito. Deveria ser proibida a publicidade comercial através de cartazes ou anúncios luminosos. que deveriam prever penas de multa ou de prisão. além disso. ou ambas. que tenham sido ocultados. Caso necessário. que poderia ser suspensa quando se tratar de edificações a serem erigidas em uma zona de interesse histórico. Os Estados Membros deveriam impor a qualquer pessoa que encontre vestígios arqueológicos durante a realização de obras públicas ou privadas a obrigação de comunicar seu achado o mais rápido possível ao serviço competente. pagamento de indenização por perdas e danos ao Estado quando hajam sido deteriorados. por exemplo. confisco sem indenização. através de medidas que estabeleçam a proteção legal ou a criação de zonas protegidas: a) As reservas arqueológicas deveriam ser objeto de medidas de zoneamento ou de proteção legal e. b) Os bairros históricos dos centros urbanos ou rurais e os conjuntos tradicionais deveriam estar registrados como zonas protegidas e uma regulamentação adequada para preservar o entorno e seu caráter deveria ser adotada. Os arredores e o entorno de um monumento ou de um sítio protegido por lei deveriam também ser objeto de disposições análogas para que seja preservado o conjunto de que fazem parte e seu caráter. as seguintes medidas: a) Quando for possível. previstas indenizações ou compensações adequadas pelo atraso ocasionado. Poder-se-iam adotar. de aquisição imobiliária.

a título de gratificação. medalhas ou outras formas de reconhecimento às pessoas . Programas Educativos Em espírito de colaboração internacional. em instituições ou nas municipalidades . Para isso. em associações. Publicações especializadas. os Estados Membros deveriam empenhar-se em estimular e fomentar entre seus nacionais o interesse e o respeito pelo seu próprio patrimônio cultural e pelo de outros povos. a restauração ou a reconstrução dos bens culturais deteriorados por obras públicas ou privadas. órgãos públicos que se ocupam do desenvolvimento do turismo e associações de educação popular deveriam desenvolver programas destinador a tornar conhecidos os perigos que as obras públicas ou privadas realizadas sem a devida preparação podem ocasionar aos bens culturais e a enfatizar que as atividades destinadas a preservar os bens culturais contribuem para a compreensão internacional. a associações ou a prefeituras que não dispõem de experiência ou de pessoal necessário. . Museus. as medidas necessárias para assegurar a reparação.que tenham prestado eminente colaboração aos programas de preservação e salvamento de bens culturais ameaçados por obras públicas ou privadas. associações históricas e culturais. assim como exemplos de casos em que bens culturais hajam sido eficazmente preservados ou salvos. assessoramento técnico ou supervisão que lhes permitam assegurar a manutenção de normas adequadas em relação à preservação ou ao salvamento de bens culturais ameaçados por obras públicas ou privadas. as associações e as municipalidades a participar dos programas de preservação ou de salvamento dos bens culturais ameaçados por obras públicas ou privadas. sendo-lhes concedida assistência técnica ou financeira.Os Estados membros deveriam adotar. instituições educativas ou outras organizações interessadas deveriam preparar exposições especiais para ilustrar os perigos que as obras públicas ou privadas não controladas representam para os bens culturais e as medidas que tenham sido adotadas para garantir a preservação ou o salvamento dos bens culturais ameaçados por essas obras.inclusive as que desempenhem funções nos órgãos de governo. poder-se-iam adotar as seguintes medidas: a) Efetuar pagamentos. Estabelecimentos de ensino. b) Outorgar certificados. Deveriam prever também a possibilidade de obrigar as autoridades locais e os proprietários particulares de bem culturais importantes a procederem às reparações ou às restaurações. quando a natureza do bem o permitir. Recompensas Os Estados Membros deveriam encorajar os particulares. artigos na imprensa e programas de rádio e de televisão deveriam divulgar a natureza dos perigos que obras públicas ou privadas mal concebidas podem ocasionar aos bens culturais. entre outras. Assessoramento Os Estados Membros deveriam proporcionar aos particulares. às pessoas que notificarem achados arqueológicos ou entregarem os objetos descobertos. com o objetivo de assegurar a preservação ou o salvamento dos bens culturais ameaçados por obras públicas ou privadas. se necessário.

No plano da proteção da natureza. à cultura tradicional e à natureza. os credenciaram. decidiram consolidar. órgãos estaduais e municipais adequados. articulados devidamente com os Conselhos Estaduais de Cultura e com a DPHAN. e nas recomendações que nele se contêm. Secretários Estaduais da Área Cultural. bem assim. os presidente e representantes de instituições culturais igualmente convocadas. do Conselho Federal de Cultura. Prefeitos de Municípios Interessados. colaborará a DPHAN com os Estados e Municípios que ainda não tiverem legislação específica. recomenda-se a criação de serviços estaduais. através de unânime aprovação. a quem incumbe executá-la. solidários integralmente com a orientação traçada pelo Ministro Jarbas Passarinho. Reconhecem a inadiável necessidade de ação supletiva dos Estados e dos Municípios à atuação federal no que se refere à proteção dos bens culturais de valor nacional. para o estudo da complementação das medidas necessárias à defesa do patrimônio histórico e artístico nacional. escultura e documentos. Impõe-se complementar os recursos orçamentários normais com o apelo a novas fontes de receita de valor real. nos níveis superiores. os Secretários de Estado e demais representantes dos governadores que. médio e artesanal. resumida no relatório apresentado pelo diretor do órgão superior.Compromisso de Brasília de abril de 1970 1º Encontro dos Governadores de Estado. fornecendo-lhes as diretrizes tendentes à desejada uniformidade. em união de propósito. . com a orientação técnica da DPHAN. em articulação com o Instituto Brasileiro de Desenvolvimento Florestal e. conservadores de pintura. orientados pelo DPHAN e pelo Arquivo Nacional os cursos de nível superior. que os Estados e Municípios secundem o esforço pelo mesmo instituto empreendido para a implantação territorial definida dos parques nacionais. serão criados onde ainda não houver. de 1937. arquivologistas e museólogos de diferentes especialidades. para o mesmo efeito. a proteção dos bens culturais de valor regional. na exposição por sua excelência feita ao abrir-se a reunião. os prefeitos de municípios interessados. e manifestando todo o apoio à política de proteção aos monumentos. Aos Estados e Municípios também compete. para fins de uniformidade da legislação em vista. atendido o que dispõe o art. De acordo com a disposição legal acima citada. Para a obtenção dos resultados em vista. Para remediar a carência de mão-de-obra especializada. é indispensável criar cursos visando à formação de arquitetos restauradores. Presidentes e Representantes de Instituições Culturais Os Governadores de Estado presentes ao encontro promovido pelo Ministério da Educação e Cultura. as resoluções adotadas no documento ora por todos subscrito e que se chamará Compromisso de Brasília. a Diretoria do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (DPHAN). 23 do Decreto-Lei 25.

a televisão. Caberá às secretarias competentes dos Estados a promoção e divulgação do acervo dos bens culturais da respectiva área. Há. estaduais. instrumentação e valorização desse patrimônio. de modo a ser evitada a destruição de documentos. observadas as normas técnicas oferecidas pelos órgãos federais especializados na defesa. Sendo o culto ao passado elemento básico da formação da consciência nacional. segundo a orientação geral da DPHAN. utilizando-se. tais como a imprensa escrita e falada. atendidas as peculiaridades regionais. sugerindo-se oportuna legislação que subordine as concessões nessas áreas à audiência prévia dos órgãos incumbidos da defesa dos bens históricos e artísticos. é de desejar que nos Estados seja confiada a especialistas a elaboração de monografias acerca dos aspectos sócio-econômicos regionais e valores compreendidos no respectivo patrimônio histórico e artístico. e nos cursos não especializados. mas também os Estados e municípios se dispõem a manter os demais cursos. Recomenda-se a preservação do patrimônio paisagístico e arqueológico dos terrenos de Marinha. municipais. de maneira a habilitá-los a transmitir às novas gerações a consciência e interesse do ambiente histórico-cultural. através da disciplina de Educação Moral e Cívica.Não só a União. tendo em vista a educação cívica e o respeito da tradição. e também que. ou tendo por fim preservá-los convenientemente. matérias que versem o conhecimento e a preservação do acervo histórico e artístico. em cursos especiais para professores do ensino fundamental e médio. guarda ou serventia. para este fim. deverão ser incluídas nos currículos escolares. o cinema. para cujo efeito será apreciável a colaboração do Arquivo Nacional com as congêneres repartições estaduais e municipais. se lhes propicie a conveniente informação sobre tais problemas. adotado o seguinte critério: no nível elementar. Caberá às universidades o entrosamente com bibliotecas e arquivos públicos nacionais. Recomenda-se a defesa do acervo arquivístico. das riquezas naturais. a de Estudos Brasileiros. e da cultura popular. Recomenda-se a instituição de museus regionais. devidamente estruturados. no nível médio. noções que estimulem a atenção para os monumentos representativos da tradição nacional. necessidade premente do entrosamento com a hierarquia eclesiástica e superiores de ordens religiosas e confrarias. para que todas as obras que se venham a efetuar em imóveis de valor histórico ou artístico de sua posse. que documentem a formação histórica. Recomenda-se a conservação do acervo bibliográfico. outrossim. Com o mesmo objetivo. os vários meios de comunicação de massas. no nível superior (a exemplo do que já existe no curos de Arquitetura com a disciplina de Arquitetura no Brasil. sejam precedidas . médio e superior. no currículo das escolas de Arte. de nível primário. no sentido de incentivar a pesquisa quanto à melhor elucidação do passado e à avaliação de inventários dos bens regionais cuja defesa se propugna. de disciplina de História da Arte no Brasil. a introdução. parte destes consagrados aos bens culturais ligados à tradição nacional. das jazidas arqueológicas e préhistóricas. bem assim os arquivos eclesiásticos e de instituições de alta cultura.

ou das ruínas desta igreja de São Miguel. Diretores dos Departamentos de Cultura. Governadores de Estado presentes à reunião por s. Secretário de Estado da Educação e Cultura. Que a mesma cautela prevista no item anterior seja tomada junto às autoridades militares. prof. Recomenda-se aos poderes públicos estaduais e municipais colaboração com a DPHAN. convocada. Presidente do Instituto Histórico Brasileiro.da audiência dos órgãos responsáveis pela proteção dos monumentos. considerando os superiores interesses da cultura nacional. Diretores dos Conselhos Estaduais de Defesa do Patrimônio Histórico. trate-se de uma casa seiscentista como estas de São Paulo. para a sua conveniente preservação. no Rio Grande do Sul. no sentido de efetivar-se o controle do comércio de obras de arte antiga. tendo em vista a crescente complexidade e o vulto das atividades culturais no país. . O Conselho Federal de Cultura e os Conselhos Estaduais de Cultura opinarão sobre as demais propostas apresentadas à conferência. E por terem assim deliberado. Renato Soeiro. Diretor do Departamento de Cultura. representante da Universidade Federal de Santa Catarina e da comissão especial que estuda a organização do Conselho de Defesa do Patrimônio Histórico do Estado nomeada pelo Governador Ivo Silveira. conforme o seu caráter. Pelo Estado de Santa Catarina assinaram o documento os professores Jaldir Bhering Faustino da Silva. da Educação e Cultura. pelos Presidentes do Conselho Federal de Cultura. do Patrimônio Histórico Nacional. nas diversas regiões do país. e Oswaldo Rodrigues Cabral. Os participantes do Encontro ouviram com muito agrado a manifestação do Ministro de Estado. é extremamente complexo. Artur Cesar Ferreira Reis. dos imóveis de valor histórico e artístico cuja proteção incumbe ao poder público. prof. Carlos Humberto Pederneiras Corrªe. e consideram chegada esta oportunidade. Urge legislação defensiva dos antigos cemitérios e especialmente dos túmulos históricos e artísticos e monumentos funerários. 3 de abril de 1970 O Compromisso foi assinado pelo Ministro Jarbas Passarinho. prof. instalações e equipamentos castrenses. exa. para o efeito de as encaminhar oportunamente à autoridade competente. Secretários de Estado. em relação aos antigos fortes. assinam este compromisso. Anexo: O problema da recuperação e restauração de monumentos. Brasília. e delegados de outras entidades culturais do país representadas no conclave. Pedro Calmon. sensível à conveniência da criação do Ministério da Cultura. Recomenda-se utilização preferencial para casas de cultura ou repartições de atividades culturais.

principalmente paisagens. iniciativa e comando e. os credenciaram. arquitetura . a manutenção e o destino do bem recuperado. e manifestando apoio à política de proteção aos bens naturais e de valor cultural. o tombamento daquilo que deve ser preservado. mas no acervo de cada região há obras significativas e valiosas cuja preservação escapa à alçada federal. política definida no Relatório apresentado .em todo o país. Os presidentes e representantes de instituições culturais igualmente convocadas. bens móveis. documentos e livros. a Diretoria do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional obra da vida de Rodrigo M. naturais. pois requer. solidários integralmente com a orientação que vem sendo traçada pelo Ministro Jarbas Passarinho desde o I Encontro de Brasília. acervos arqueológicos. monumentos arquitetônicos. conhecimentos históricos. por fim. porque implica em providências igualmente demoradas. Arqueológico e Natural do Brasil Ministério da Educação e Cultura IPHAN . como o inventário histórico-artístico do que exista na região. conjuntos urbanos. arqueológico e natural do país. de Andrade . ainda.talha. parques.F. a apropriação de verbas para esse fim. Em união de propósitos. acuidade investigadora.. para o mesmo efeito. Os Secretários de Estado e demais representantes dos Governadores que. desprendimento. para o estudo da complementação das medidas necessárias à defesa do patrimônio histórico.tem procedido ao restauro de monumentos . Apesar da deficiência dos meios. Artístico.Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional Os Governadores de Estado presentes ao encontro promovido pelo Ministério da Educação e Cultura. Segundo.A.P. além do tirocínio de obras e de familiaridade com os processos construtivos antigos.N. a eleição do que mereça restauro prioritário. artístico. Os Prefeitos de municípios interessados. pintura. finalmente. às municipalidades e à D.Primeiro. o estudo da documentação recolhida. porque depende de técnicos qualificados cuja formação é demorada e difícil. pois. a escolha de técnicos. capacidade de organização.1970 Compromisso de Salvador de outubro de 1971 II Encontro de Governadores para Preservação do Patrimônio Histórico.e seremos.H. Lucio Costa. praias. chegado o momento de cada Estado criar o seu próprio serviço de proteção vinculado à universidade local. é. o estudo preliminar na base de investigação histórica e das pesquisas in loco. sensibilidade artística. a documentação e o registro das fases da obra e. em abril de 1970. para que assim participe diretamente da obra penosa e benemérita de preservar os últimos testemunhos desse passado que é a raiz do que somos .

utilização e divulgação dos bens naturais e de valor cultural especialmente protegidos por lei. Recomenda-se. ou outros incentivos fiscais. os planos urbanos e regionais de áreas ricas em bens naturais e de valor cultural especialmente protegidos por lei. Recomenda-se a instituição de normas para inscrição compulsória dos bens móveis de valor cultural.pelo Diretor do IPHAN. Na presente oportunidade encaminham à consideração dos responsáveis as seguintes proposições adotadas no documento ora assinado. aplaudem e apoiam. no sentido de que voltem suas atenções para os problemas. e de Secretarias ou Fundações de Cultura no âmbito estadual. as percentagens do Fundo de Participação dos Estados e Municípios definidas pelo Tribunal de Contas da União. a criação de fundos provenientes de dotações orçamentárias e doações. Recomenda-se a convocação do Banco Nacional de Habitação e dos demais órgãos financiadores de habitação. Recomenda-se a convocação da FINEP e de órgãos congêneres. Recomenda-se que os planos diretores e urbanos. com acervos de importância comprovada. arquitetônicos e urbanos de valor cultural e de suas ambiências. Recomenda-se que. Recomenda-se que os órgãos responsáveis pela política de turismo estudem medidas que facilitem a implantação de pousadas. para obtenção de financiamento. Recomenda-se. com utilização preferencial de imóveis tombados. Recomenda-se que se pleiteie do Tribunal de Contas da União sejam extensivas aos museus. as percentagens a que alude a recomendação anterior. no sentido de ampliar o conceito de visibilidade de bem tombado. para fins de restauração e valorização dos bens de valor cultural. por meio de acordos e convênios. uma ação conjunta entre a administração pública e as autoridades eclesiásticas. Ratificam. nos âmbitos nacional e estadual. a partir de estudos inciais de qualquer natureza. Recomenda-se que também sejam considerados prioritários. o "Compromisso de Brasília". Recomenda-se a criação de legislação complementar no sentido de proteção mais eficiente dos conjuntos paisagísticos. contem com a orientação do IPHAN. Recomenda-se a criação de legislação complementar. bem assim de certificado de autenticidade e propriedade obrigatórios para . cujo alto significado reconhecem. Recomenda-se que os Estados e Municípios utilizem. bem como os projetos de obras públicas e particulares que afetam áreas de interesse referentes aos bens naturais e aos de valor cultural especialmente protegidos por lei. para atendimento do conceito de ambiência. na proteção dos bens naturais e de valor cultural. sejam lhe dadas condições especiais em recursos financeiros e humanos. com especial atenção para planos que visem à preservação e valorização dos monumentos naturais e de valor cultural especialmente protegidos por lei. capazes de permitir o pleno atendimento de seus objetivos. para fins de atendimento à proteção dos bens naturais e de valor cultural especialmente protegidos por lei. para colaborarem no custeio de todas as operações necessárias à realização de obras em edifícios tombados. na reorganização do IPHAN. que se chamará "Compromisso de Salvador": Recomenda-se a criação do Ministério da Cultura. em todos os seus itens. do IBDF e dos órgãos estaduais e municipais da mesma área. para o desenvolvimento da indústria do turismo. Recomenda-se a convocação dos órgãos responsáveis pelo planejamento do turismo. bibliotecas e arquivos. reconhecendo o imenso proveito para a cultura brasileira alcançado como conseqüência do referido Encontro de Brasília.

no Município de Campo Largo. Recomenda-se a adoção de convênios entre o IPHAN e as universidades. Recomenda-se que os governos estaduais promovam. Sugerem. por ocasião do transcurso do sesquicentenário da Independência do Brasil.a publicação pelas administrações estaduais e municipais de livros e documentos referentes à história da Independência brasileira. com vistas ao estudo e à proteção dos acervos naturais e de valor cultural. Recomenda-se aproveitamento remunerado de estudantes de arquitetura. com o objetivo de proceder ao inventário sistemático dos bens móveis de valor cultural. Recomenda-se que se pleiteie dos poderes competentes a necessidade de diploma legal que confira aos governos estaduais a responsabilidade da administração das cidades consideradas monumento nacional. para a formação do corpo de fiscais na área de comércio de bens móveis de valor cultural. museologia e arte. Recomenda-se que sejam criados. dando igualmente inteiro apoio à realização de festivais. .a criação do Museu do Mate.transferência ou fins comerciais. na organização do DAC. com vistas a disciplinar as pesquisas e trabalhos arqueológicos. Bahia. com a planificação. .Bahia. nas suas respectivas áreas. inclusive dos arquivos notariais. onde não haja profissional de nível superior. através do órgão específico federal.a inscrição como monumento de valor cultural. exibições ou apresentações que visem a difundir e preservar as tradições folclóricas de seus respectivos Estados. através de órgão competente. em sentido nacional. Recomenda-se que seja complementada a legislação vigente. outrossim: . Recomenda-se que. centros de estudo dedicados à investigação do acervo natural e de valor cultural em suas respectivas áreas de influência. Recomenda-se aos governos estaduais que incluam no ensino de 2º grau curso complementar de estudos brasileiros e museologia. através dos seus órgãos específicos. do Departamento de Assuntos Culturais do MEC. no âmbito das universidades brasileiras. Paraná. Recomenda-se a convocação do Conselho Nacional de Pesquisas da CAPES para o financiamento de projetos de pesquisas e de formação de pessoal especializado. . para fins de atendimento da legislação específica. do acervo urbano de Lençóis .a criação do Parque Histórico da Independência da Bahia. que permita aos diplomados a prestação de serviços nos museus do interior. em Pirajá. sejam previstas maiores possibilidades de apoio e estímulo às manifestações de caráter popular e folclórico. . e elaboração do calendário das diferentes festas tradicionais e folclóricas.

recomendações e resoluções internacionais existentes relativas aos bens culturais e naturais demonstram a importância que representa. Considerando que é indispensável. devido à magnitude dos meios de que necessita e à insuficiência dos recursos econômicos. reunida em Paris de 17 de outubro a 21 de novembro de 1972. mas também pela evolução da vida social e econômica. Considerando que as convenções. Considerando que os bens do patrimônio cultural e natural apresentam um interesse excepcional e. que se agrava com fenômenos de alteração ou de destruição ainda mais temíveis. de escultura ou de pintura monumentais. a presente Convenção. cabe a toda a coletividade internacional tomar parte na proteção do patrimônio cultural e natural de valor universal excepcional. Considerando que a degradação ou o desaparecimento de um bem do patrimônio cultural e natural constitui um empobrecimento nefasto do patrimônio de todos os povos do mundo. devem ser preservados como elementos do patrimônio mundial da humanidade inteira.Para os fins da presente convenção serão considerados como patrimônio cultural: . ante a amplitude e a gravidade dos perigos novos que os ameaçam. 16 de novembro de 1972. que esta questão seria objeto de uma convenção internacional. . velando pela preservação e proteção do patrimônio universal e recomendando aos povos interessados convenções internacionais para esse fim. e Após haver decidido. cavernas e grupos de elementos que tenham um valor universal excepcional do ponto de vista da história. organizado de modo permanente e segundo métodos científicos e modernos. elementos ou estruturas de natureza arqueológica. a Ciência e a Cultura. Adota.os monumentos: obras arquitetônicas. qualquer que seja o povo a que pertençam. a salvaguarda desses bens incomparáveis e insubstituíveis. para todos os povos do mundo. a complete eficazmente. portanto. inscrições. A Conferência Geral da Organização das Nações Unidas para a Educação. mediante a prestação de uma assistência coletiva que. Verificando que o patrimônio cultural e o patrimônio natural são cada vez mais ameaçados de destruição. em virtude de sua arquitetura. Tendo em mente que a constituição da organização dispõe que esta última ajudará a conservação.Definições do Patrimônio Cultural e Natural Artigo 1o . da arte ou da ciência. Cutural e Natural Aprovada pela Conferência Geral da UNESCO em sua décima sétima reunião Paris. quando de sua sexta sessão. para esse fim. . em sua décima-sétima sessão. científicos e técnicos do país em cujo território se acha o bem a ser protegido. sem substituir a ação do Estado interessado. Considerando que a proteção desse patrimônio em escala nacional é freqüentemente incompleta. o progresso e a difusão do saber. adotar novas disposições convencionais que estabeleçam um sistema eficaz de proteção coletiva do patrimônio cultural e natural de valor universal excepcional. neste dia dezesseis de novembro de mil novecentos e setenta e dois. I . Considerando que.Convenção sobre a Proteção do Patrimônio Mundial. não somente pelas causas tradicionais de degradação.os conjuntos: grupos de construções isoladas ou reunidas que.

da arte ou da ciência. conservação e valorização do patrimônio cultural e natural situado em seu território.Cada um dos Estados partes na presente convenção reconhece que a obrigação de identificar. quando for o caso. fortalecer a apreciação e o respeito de seu povos pelo patrimônio cultural e natural definido nos artigos 1 e 2 da convenção. tenham um valor universal excepcional do ponto de vista da história. lhe incumbe primordialmente. e nas condições apropriadas a cada país: a) adotar uma política geral que vise a dar ao patrimônio cultural e natural uma função na vida da coletividade e a integrar a proteção desse patrimônio nos programas de planejamento geral.Para os fins da presente convenção serão considerados como patrimônio natural: . . . que tenham valor universal excepcional do ponto de vista da ciência. da conservação ou da beleza natural. os Estados partes na presente convenção procurarão. Artigo 2o . mediante a assistência e cooperação internacional de que possa beneficiar-se. proteger. Artigo 5o . Artigo 3o . estético. artístico.Caberá a cada Estado parte na presente convenção identificar e delimitar os diferentes bens mencionados nos artigos 1 e 2 situados em seu território.os monumentos naturais constituídos por formações físicas e biológicas ou por grupos de tais formações. Artigo 28o .A fim de garantir a adoção de medidas eficazes para a proteção.Os Estados partes na presente convenção procurarão por todos os meios apropriados. valorizar e transmitir às futuras gerações o patrimônio cultural e natural mencionado nos artigos 1 e 2. especialmente por programas de educação e de informação. etnológico ou antropológico. na medida do possível.os lugares notáveis naturais ou as zonas naturais estritamente delimitadas. notadamente nos planos financeiro. utilizando ao máximo seus recursos disponíveis. 2 . bem como as zonas. e. Procurará tudo fazer para esse fim.Programas Educativos Artigo 27o 1 .os lugares notáveis: obras do homem ou obras conjugadas do homem e da natureza. II . situado em seu território.Proteção Nacional e Proteção Internacional do Patrimônio Cultural e Natural Artigo 4o . que tenham valor universal excepcional do ponto de vista estético ou científico. científico e técnico. inclusive lugares arqueológicos.Os Estados partes na presente convenção que receberem assistência internacional em aplicação da convenção tomarão as medidas necessárias para tornar conhecidos a .unidade ou integração na paisagem.Obrigar-se-ão a informar amplamente o público sobre as ameaças que pesem sobre esse patrimônio e sobre as atividades empreendidas em aplicação da presente convenção. conservar.as formações geológicas e fisiográficas e as áreas nitidamente delimitadas que constituam o habitat de espécies animais e vegetais ameaçadas e que tenham valor universal excepcional do ponto de vista estético ou científico. VI . que tenham valor universal excepcional do ponto de vista histórico. .

escrupulosa e obrigatoriamente. as coleções artísticas e as decorações conservadas em sua disposição tradicional. histórico ou ambiental. o Ministério da Instrução Pública da Itália divulgou o Documento sobre Restauração de 1972 (Carta do Restauro. entende-se por restauração qualquer intervenção destinada a manter em funcionamento. Artigo 1º .º 117 Através da circular número 117. ficam assimiladas a essas. além das obras incluídas nos artigos 1 e 2. aqui publicadas na íntegra. os jardins e parques considerados de especial importância. às normas por ela estabelecidas e às instruções anexas. que será aprovado pelo Ministério da Instrução Pública. para que se atenham.importância dos bens que tenham sido objeto dessa assistência e o papel que ela houver desempenhado. artístico e cultural elaborará um programa anual e especificado dos trabalhos de salvaguarda e restauração. 1972) entre os diretores e chefes de institutos autônomos.Ficam submetidas à disciplina das presentes instruções. seja por conta do Estado ou de outras instituições ou pessoas. assim como das prospeções subterrâneas e subaquáticas a serem empreendidas. que adotam o nome de Carta do Restauro 1972. as operações destinadas a assegurar a salvaguarda e a restauração dos vestígios antigos relacionados com as pesquisas subterrâneas e subaquáticas. para assegurar sua salvaguarda e restauração. pertencentes a qualquer pessoa ou instituição. Artigo 4º . mediante parecer favorável do Conselho Geral de Antigüidades e Belas Artes. Artigo 2º . inclusive fragmentados. são objeto das presentes instruções. na acepção mais ampla. Carta do Restauro de 6 de abril de 1972 Ministério de Instrução Pública Governo da Itália Circular n.Além das obras mencionadas no artigo precedente. particularmente os centros históricos.Entende-se por salvaguarda qualquer medida de conservação que não implique a intervenção direta sobre a obra. a facilitar a leitura e a transmitir integralmente ao futuro as obras e os objetos definidos nos artigos precedentes. de 6 de abril de 1972. Artigo 3º . que compreende desde os monumentos arquitetônicos até as de pintura e escultura.Todas as obras de arte de qualquer época.Cada uma das superintendências de instituições responsáveis pela conservação do patrimônio histórico. em todas as intervenções de restauração em qualquer obra de arte. . e desde o período paleolítico até as expressões figurativas das culturas populares e da arte contemporânea. Artigo 5º . para efeito de sua salvaguarda e restauração. os conjuntos de edifícios de interesse monumental.

. 3 . assentamento de obras parcialmente perdidas reconstruindo as lacunas de pouca identidade com técnica claramente distinguível ao olhar ou com zonas neutras aplicadas em nível diferente do das partes originais. Artigo 7º . a menos que isso seja determinado por razões superiores de conservação. admitem-se as seguintes operações ou reintegrações: 1 . particularmente nos pontos de enlace com as partes antigas e.De acordo com as finalidades a que. qualquer intervenção nas obras referidas no artigo 1º deverá ser ilustrada e justificada por um parecer técnico em que constarão. reconstrução ou traslado para locais diferentes dos originais. o jardim. na aparência da obra vista da superfície não resulte alteração nem cromática nem de matéria.No âmbito do programa. executadas. ou com adoção de material diferenciado. 3 . respeitados a pátina e eventuais vernizes antigos. devem corresponder as operações de salvaguarda e restauração. proíbem-se indistintamente para todas as obras de arte a que se referem os artigos 1º. quando já não existirem ou houverem sido destruídas a ambientação ou instalação tradicionais. facilmente distinguível ao olhar. 4 .aditamentos de partes acessórias de função sustentante e reintegrações de pequenas partes verificadas historicamente. ainda quando existirem documentos gráficos ou plásticos que possam indicar como tenha sido ou deva resultar o aspecto da obra acabada. 2 .anastilose documentada com segurança. a natureza das intervenções consideradas necessárias e as despesas necessárias para lhes fazer frente. ou depois de sua apresentação. nunca deverá chegar à superfície nua da matéria de que são constituídas as obras.remoção. segundo o artigo 4º.alteração das condições de acesso ou ambientais em que chegou até os nossos dias a obra de arte. ou quando as condições de conservação exigirem sua transferência. especialmente. além do detalhamento sobre a conservação da obra. embora harmônico. com marcas e datas onde for possível. ou de aditamentos de estilo que a falsifiquem. se for o caso. 2º e 3º: 1 . além disso. etc. o conjunto monumental ou ambiental.aditamentos de estilo ou analógicos. 2 . Esse informe será igualmente aprovado pelo Ministério de Instrução Pública com parecer prévio do Conselho Superior de Antigüidades e Belas Artes. para todas as outras categorias de obras.remoções ou demolições que apaguem a trajetória da obra através do tempo.nova ambientação ou instalação da obra. 2º e 3º.modificações ou inserções de caráter sustentante e de conservação da estrutura interna ou no substrato ou suporte. recomposição de obras que se tiverem fragmentado. nos casos de emergência ou dúvida previstos na lei. 4 . . seu estado atual. 5 .Em relação às mesmas finalidades a que se refere o artigo 6º e indistintamente para todas as obras a que se referem os artigos 1º. jamais reintegrando ex novo zonas figurativas ou inserindo elementos determinantes da figuração da obra. a menos que se trate de alterações limitadas que debilitem ou alterem os valores históricos da obra. que jamais deverá alcançar o estrato da cor.limpeza de pinturas e esculturas. Artigo 6º . o conjunto decorativo. 5 . o parque. ou deixando à vista o suporte original e. uma vez realizada a operação. com clara determinação do contorno das reintegrações.alteração ou eliminação das pátinas. desde que. inclusive em forma simplificada.

qualquer intervenção deve ser previamente estudada e justificada por escrito (último parágrafo do artigo 5º) e deverá ser organizado um diário de seu desenvolvimento. Artigo 11º . ou em que surgirem conflitos a respeito do assunto. durante e depois da intervenção. para os conjuntos históricos e.Artigo 8º . deverá ser deixado um testemunho do estado anterior à operação. não ficará inviabilizada outra eventual intervenção para salvaguarda ou restauração. Serão documentadas. da química. até mesmo.Qualquer intervenção na obra ou em seu entorno. térmicas ou higrométricas as obras a que se referem os artigos 1º. estão especificados nos anexos a. deve ser realizada de tal modo e com tais técnicas e materiais que fique assegurado que. decidirá o ministro.A utilização de novos procedimentos de restauração e de novos materiais em relação aos procedimentos e matérias de uso vigente ou de algum modo aceitos. Anexo A Instruções para a salvaguarda e a restauração dos objetos arqueológicos Além das regras gerais contidas nos artigos da Carta do Restauro. No caso das limpezas. pictóricos. De toda essa documentação haverá cópia no arquivo da superintendência competente e outra cópia será enviada ao Instituto Central de Restauração. nocivos ou não comprovados. no futuro. sempre que possível.As medidas destinadas a preservar dos agentes contaminadores ou das variações atmosféricas. da microbiologia e de outras ciências. a sugerir novos métodos e ao uso de novos materiais. 2º e 3º não deverão alterar sensivelmente o aspecto da matéria e a cor das superfícies. a quem também competirá atuar ante o mesmo ministério no que disser respeito a desaconselhar materiais ou métodos antiquados. forem indispensáveis modificações de tal gênero com vistas ao fim superior de sua conservação. as partes eliminadas deverão. b. contudo. ouvido o Conselho Superior de Antigüidades e Belas Artes. para os efeitos do disposto no artigo 4º. enquanto que no caso das adições. Além disso. se possível em lugar próximo à zona interventora. nem exigir modificações substanciais e permanentes do ambiente em que as obras tiverem sido transmitidas historicamente. esculturais. a que se anexará a documentação fotográfica de antes. Artigo 10º . todas as eventuais investigações e análises realizadas com o auxílio da física. para a realização de escavações.Nos casos em que houver dúvida sobre a atribuição das competências técnicas. Se. Artigo 9º . ainda. c e d das presentes instruções. no campo da arqueologia. a definir as investigações que se devam prover com equipamentos e com especialistas alheios ao equipamento e à planilha de que dispõe. Artigo 12º .Os métodos específicos utilizados como procedimento de restauração especialmente para monumentos arquitetônicos. ser conservadas ou documentadas em um arquivodepósito especial das superintendências competentes. essas modificações deverão ser realizadas de modo que evitem qualquer dúvida sobre a época em que foram empreendidas e da maneira mais discreta possível. a partir dos pareceres dos superintendentes ou chefes de instituições interessados. é necessário. de acordo com parecer justificado do Instituto Central de Restauração. deverá ser autorizada pelo Ministro da Instrução Pública. ter presentes exigências particulares relativas à salvaguarda do subsolo .

eletromagnéticas. com o objetivo de chegar à consecução de uma forma maris com indicação de todos os restos e monumentos submersos. Concomitantemente às diferentes medidas a serem tomadas nos diversos casos. antes e durante o seu traslado. além disso. ou mosaico ou de opus sectile. da natureza e dos limites das relações. com recorrência também à ajuda da fotografia e das prospeções elétricas. no caso de execução de trabalhos agrícolas ou de urbanização. a documentação de elementos que houverem eventualmente aflorado. já que as normas de recuperação e documentação abordam mais especificamente o esquema das normas relativas à metodologia das escavações. com os materiais cerâmicos e com os utensílios. todos os tratamentos específicos requeridos. em função do estado concreto dos restos. Os sistemas de extração e recuperação de embarcações submersas deverão ser estudados caso a caso. que começam pela exploração sistemática das costas italianas por pessoal especializado. à criação de reservas e parques arqueológicos. vinculadas às leis e disposições que afetam as escavações subaquáticas e que se destinam a impedir a violação indiscriminada e irresponsável dos restos de navios antigos e de seu carregamento. impõem-se medidas muito precisas. O problema de maior importância da salvaguarda do subsolo arqueológico está necessariamente ligado à série de disposições e leis referentes à expropriação. Entre essas condições concretas do resgate . especialmente se são susceptíveis de uma deterioração mais fácil. com ataduras e adesivos adequados. especialmente no corpo do utensílio. à aplicação de vínculos especiais. os materiais cerâmicos esparsos.deverão ser consideradas as especiais exigências de conservação e de restauração dos objetos de acordo com sua categoria e sua matéria. levando-se também em conta as experiências adquiridas internacionalmente nesse campo. principalmente pelas partes lenhosas com grandes e prolongadas lavações. Durante as explorações arqueológicas terrestres. do terreno. é aconselhável não proceder a limpeza alguma . e a ulterior possibilidade de salvaguarda e de restauração definitivas. dever-se-á dedicar especial atenção ao exame e fixação de possíveis inscrições pintadas. tomar-se-ão todas as precauções que permitam a identificação de eventuais vestígios ou restos de seu conteúdo. Para a salvaguarda do patrimônio arqueológico submarino.assim como nas habituais prospeções arqueológicas terrestres . que constituem dados preciosos para a história do comércio e da vida na antigüidade. No caso de serem encontrados elementos desprendidos de uma decoração de estuque. com conhecimento preciso da atmosfera e da temperatura. banhos em peculiares substâncias consolidantes. ou de pintura. A recuperação dos restos de uma embarcação antiga não deverá ser iniciada antes que hajam sido dispostos os sítios e o necessário acondicionamento especial. de ruínas submersas e de esculturas fundidas. é necessário. seja para efeito de sua tutela ou para o da programação das pesquisas científicas subaquáticas. por exemplo.arqueológico e à conservação e restauração dos achados durante as prospeções terrestres e subaquáticas relacionadas no artigo 3º. de modo que o conhecimento o mais completo possível da natureza arqueológica do terreno permita diretrizes mais precisas para a aplicação das normas de salvaguarda. no que concerne à restauração devem se observar as precauções que durante as operações de escavação garantirem a conservação imediata dos descobrimentos. de modo que seja facilitado sua recomposição e restauração no laboratório. será sempre necessário efetuar um cuidadoso reconhecimento do terreno para recopilar todos os possíveis dados localizáveis na superfície. para o estabelecimento de planos reguladores e para a vigilância. sobretudo nos últimos decênios. etc. Na recuperação de vidros. mantê-los unidos com encolados de gesso. que permita o resguardo dos materiais recuperados do fundo do mar.

de entelado e encolados em função das condições climáticas. é necessário manter constantes dois fatores essenciais para a melhor conservação das pinturas: o grau de umidade ambiental e a temperatura ambiente. especialmente a aglomeração de visitantes. por causa da facilidade com que podem quebrar-se.o sistema de cimentação com recheio metálico inoxidável resulta. evitando o contato direto com a parede e proporcionando. adotar cuidados especiais. sua reinstalação no edifício de que provêm e de cuja decoração constituem parte integrante e. atmosféricas e higrométricas. sempre que possível. Em primeiro lugar. seja garantida a presença de restauradores preparados para uma primeira intervenção de recuperação e fixação.durante a escavação. particularmente as pinturas e mosaicos. com ampla e brilhante experiência. ao contrário. É necessário. assim como há que evitar o uso de vernizes ou ceras para reavivar as cores. Para a restauração dos monumentos arqueológicos. No que respeita às cerâmicas e Terracota é indispensável não prejudicar com lavações ou limpezas apressadas a eventual presença de pinturas. Quanto aos mosaicos. dever-se-iam ter presentes algumas exigências em relação às peculiares técnicas antigas. mas também a eventuais suportes adequados ao caso. Requerem especiais exigências de proteção diante dos perigos advindos da alteração climática. é preferível. a obtenção de decalques dos negativos das plantas e de materiais orgânicos susceptíveis de deterioração através de pastas adesivas de gesso aplicadas nas cavidades que tenham permanecido no terreno. principalmente se estão oxidados. até agora. através de aparelhos de climatização interpostos entre o ambiente antigo a ser protegido e o exterior. resistente e manejável. Para os efeitos da aplicação destas instruções é preciso que. com os métodos modernos pode ser feita inclusive em grandes superfícies sem realizar cortes . quando for necessário. destinam-se a serem expostos em museu. vernizes e inscrições. pois sempre são susceptíveis de alteração. devendo-se recorrer não apenas aos sistemas de consolidação. nesses casos. Para os mosaicos que. em tal caso. sendo suficiente uma limpeza cuidadosa das superfícies originais. em troca. inclusive na admissão de visitantes. Ainda assim. No esquema da arqueologia pompeiana se utiliza principalmente. devem-se evitar as integrações. dando às lacunas uma entonação similar à do reboco grosso. as fortes mudanças atmosféricas do exterior. a iluminação excessiva. no sistema mais idôneo e resistente aos agentes atmosféricos.que comporta necessariamente seu . Esses fatores se alteram facilmente por causas externas e estranhas a tais ambientes. quando para a restauração completa de um monumento . depois de sua retirada que. Deverá ser considerado com especial atenção o problema de restauração das obras destinadas a permanecerem ou a serem reinstaladas em seu lugar original. Têm sido experimentados com êxito vários tipos de suportes. que permitem a recolocação das pinturas nos espaços convenientemente cobertos de um edifício antigo. Tais precauções têm sido tomadas no acesso a monumentos préhistóricos pintados na França e na Espanha e seria de desejar que o fossem em muitos de nossos monumentos (tumbas de Tarquínia). portanto. Especial atenção deve ser prestada a respeito de possíveis vestígios ou reproduções de pedaços de tecidos. os interiores com pinturas parietais in situ (grutas pré-históricas. além das normas gerais contidas na "Carta do Restauro" e nas Instruções para os critérios das Restaurações Arquitetônicas. uma montagem fácil e uma conservação segura. durante o desenvolvimento das escavações. Particular delicadeza se requer na extração de objetos ou fragmentos de metal. tumbas. já é amplamente utilizado o suporte em sanduíche de materiais ligeiros. pequenos recintos).

Para a restauração de muros de opus incertum. utilizando lascas do mesmo material cimentado com argamassa misturada na superfície com pó do mesmo material para obter uma entonação cromática. será adequado colocar em todas as zonas restauradas placas com as datas. Quanto ao problema geral da consolidação dos materiais arquitetônicos e das esculturas ao ar livre. ao mesmo tempo em que se podem utilizar diversos sistemas para diferenciar o uso do mesmo material com que foi construído o monumento e que é preferível manter nas restaurações. O uso do cimento com sua superfície revestida do pó do mesmo material do monumento a ser restaurado pode se mostrar útil para a reintegração de tambores de colunas antigas de mármore. na arte romana. reticulatum et vittatum. que resulta ostensiva e agressiva. Para a restauração de estruturas do aparelho de silharia tem sido experimentado favoravelmente o sistema de reproduzir os silhares nas medidas antigas. Da mesma forma pode ser recomendável em muitos casos um tratamento superficial de novos materiais. enquanto que para os muros de ladrilho será oportuno marcar com incisões ou raias a superfície dos ladrilhos modernos. Nos monumentos antigos e particularmente nos da época arcaica ou clássica. tanto do ponto de vista estético. visando à obtenção de um aspecto mais ou menos rústico em relação ao tipo de monumento. Finalmente. que possam produzir danos irreparáveis. o mármore branco pode ser reintegrado com travertino ou calcário em combinações já experimentadas com êxito (restauração de Valadier. pode-se fazer uma fresta que siga o seu contorno e delimite a parte restaurada ou inserir uma franja sutil de materiais distintos. deve ser evitar a combinação de materiais diferentes e anacrônicos nas partes restauradas. foi experimentada a aplicação de uma capa de argamassa de alvenaria que parece dar os melhores resultados.estudo histórico . Anexo B Instruções para os critérios das restaurações arquitetônicas . ou de caliça. no Arco de Tito).seja necessário efetuar prospeções de escavação para o descobrimento das fundações. Finalmente. as operações terão que se realizar com o método estatigráfico que pode oferecer dados preciosos sobre a vida e as fases do próprio edifício. quasi reticulatum. Como alternativa à retrancagem da superfície das reintegrações de restaurações modernas. ou gravar siglas ou marcas especiais. as medidas para a restauração e a conservação dos monumentos arqueológicos também devem ser estudadas em função das variadas exigências climáticas dos diferentes locais. sobretudo nos em que é preciso manter a linha irregular do perfil da ruína. diferenciado pela lavradura de incisões nas superfícies modernas. as partes restauradas deverão se manter em um plano ligeiramente retrancado. se utiliza a mesma qualidade de pedra e os mesmos tipos de peças. de calcário. particularmente diversificados na Itália. inclusive do ponto de vista cromático. Constitui um problema peculiar dos monumentos arqueológicos a forma de cobrir os muros em ruínas. como de sua resistência aos agentes atmosféricos. devem-se evitar experimentações com métodos não suficientemente comprovados.

a substituição de pedras corroídas só deverá ocorrer para satisfazer às exigências de gravidade. iconográficas e arquivísticas. Este princípio deve sempre guiar e condicionar a escolha das operações. a necessidade de considerar todas as obras de restauração sob um substancial perfil de conservação. especialmente quando intervêm o piquete e o maço. vem-se considerando detidamente a possibilidade de novas utilizações para os edifícios monumentais antigos. Uma exigência fundamental da restauração é respeitar e salvaguardar a autenticidade dos elementos construtivos. A realização do projeto para a restauração de uma obra arquitetônica deverá ser precedida de um exaustivo estudo sobre o monumento. tais como os grumos e coloridos originais das paredes e abóbadas. inclusive para evitar intervenções de maior amplitude. interpretada também sob o aspecto metrológico. há que se examinar primeiro a possibilidade de corrigi-los sem substituir a construção original. dos traçados reguladores e dos sistemas proporcionais e compreenderá um cuidadoso estudo específico para a verificação das condições de estabilidade. conservando escrupulosamente as formas externas e evitando alterações sensíveis das características tipológicas. elaborado de diversos pontos de vista (que estabeleçam a análise de sua posição no contexto territorial ou no tecido urbano. dificuldades ou desequilíbrios nas paredes. antes de raspar uma camada de pintura. dos aspectos tipológicos. A execução dos trabalhos pertinentes à restauração dos monumentos. executada sob orçamento e não sob empreitada. assim como aos eventuais acréscimos ou modificações. etc. bastante úteis para o conhecimento do edifício e do sentido da restauração. quando não resultarem incompatíveis com os interesses histórico-artísticos. mas. respeitando os elementos acrescidos e evitando até mesmo intervenções de renovação ou reconstituição. Parte integrante desse estudo serão pesquisas bibliográficas.. No caso de paredes em desaprumo. Do mesmo modo. para obter todos os dados históricos possíveis. e também.No pressuposto de que as obras de manutenção realizadas no devido tempo asseguram longa vida aos monumentos. As obras de adaptação deverão ser limitadas ao mínimo. Lembra-se. deverá ser confiada a empresas especializadas e. das elevações e qualidades formais. O projeto se baseará em uma completa observação gráfica e fotográfica. relativos à obra original. . certamente. da organização estrutural e da seqüência dos espaços internos. Sempre com o objetivo de assegurar a sobrevivência dos monumentos. por exemplo. encarece-se o maior cuidado possível na vigilância contínua dos imóveis para a adoção de medidas de caráter preventivo. para evitar que desapareçam elementos antes ignorados ou eventualmente desapercebidos nas investigações prévias. ainda. quando possível. etc). dos sistemas e caracteres construtivos. ou eliminar um eventual reboco. que quase sempre consiste em operações delicadíssimas e sempre de grande responsabilidade. o diretor dos trabalhos deve constatar a existência ou não de qualquer marca de decoração. As restaurações devem ser continuamente vigiadas e supervisionadas para que se tenha segurança sobre sua boa execução e para que se possa intervir imediatamente no caso em que se apresentarem fatos novos. mesmo quando sugiram a necessidade peremptória de demolição e reconstrução. Em particular.

eliminando as concreções calcárias e as inadequadas limpezas periódicas. Dever-se-ão evitar. a partir da prática anteriormente descrita. que mostre os limites da intervenção. resulta preferível realizar em toda a extensão do contorno da reintegração uma sinalização clara e persistente. as escovas metálicas e raspadores. intervindo-se sempre que seja possível adotar. ainda. é necessário descalcificar a água. Podem-se eliminar as matérias acumuladas sobre as pedras . estéticas e também técnicas. antes da intervenção em qualquer obra de arte pictórica ou escultórica. redigir-se-á uma inventário que constituirá parte integrante do programa e o começo do diário da restauração. etc. conforme o caso. em geral. Isso poderá ser conseguido com uma lâmina de metal adequado. a determinação aproximada das diferentes épocas em que se produziram as estratificações. Anexo C Instruções para a execução de restaurações pictóricas e escultóricas Operações preliminares A primeira operação a realizar. ou. deverão ser postas em prática. As esculturas em pedra colocadas no exterior dos edifícios. é um reconhecimento cuidadoso de seu estado de conservação. A pátina da pedra deve ser conservada por evidentes razões históricas. que apresenta a vantagem de não manchar a pedra. É sempre aconselhável tirar . devem ser vigiadas. inclusive temporal. igualmente. ou nas praças. modificações e acréscimos. Enquanto. Para a boa conservação das fontes de pedra ou de bronze. ainda. um método comprovado de consolidação ou de proteção. já que ela desempenha uma função protetora como ficou demonstrado pelas corrosões que se iniciam a partir das lacunas da pátina. Quando isso for impossível. convém desmontar a parte deteriorada e substituir o ferro por bronze ou cobre. ou com frestas visíveis.. mais ou menos largas e profundas. segundo o caso. Em continuação. fezes de pombo. ao mesmo tempo em que se devem excluir. devendo essas fotografias serem obtidas. deverá ser sempre distinguível dos elementos originais. convirá transferir a escultura para um local fechado. usando apenas escovas vegetais ou jatos de ar com pressão moderada. A consolidação da pedra e de outros materiais deverá ser experimentada quando os métodos amplamente comprovados pelo Instituto Central da Restauração oferecerem garantias efetivas. em geral. com uma série contínua de pequenos fragmentos de ladrilho. pó. por exemplo. melhor ainda. sempre que se tornar estritamente necessárias e nos limites mais restritos. com raios ultravioletas simples ou filtrados e com raios infravermelhos. Deverão ser tomadas todas as precauções para evitar o agravamento da situação. Para isso. Em tal reconhecimento se inclui a comprovação dos diferentes estratos materiais de que venha a estar composta a obra e se são originais ou acréscimos e. fuligem. mas. de água e de vapor com forte pressão.detritos. portanto. diferenciando os materiais ou as superfícies de construção recente.A eventual substituição de paramentos murais. por aço inoxidável. sendo. se observarem silhares rasgados por grampos ou varas de ferro que se incham com a umidade. sob luz monocromática. todas as intervenções necessárias para eliminar as causas dos danos. os jatos de areia. desaconselháveis as lavações de qualquer natureza. além de sob luz natural. deverão ser feitas as indispensáveis fotografias da obra para documentar seu estado precedente à intervenção restauradora.

Antes de usá-los. de dois modos: por meios mecânicos ou por meios químicos. a partir dos documentos fotográficos . será certificar-se do estado de conservação da matéria de que se realizaram e. Deverá ser assinalado na fotografia de luz natural o ponto exato das provas e. obter radiografias. à simples visão. será preciso ter conhecimento preciso das condições do suporte em relação à umidade. O problema mais peculiar das esculturas. como a câmera Pethen Koppler e similares. Os meios mecânicos (bisturi) deverão sempre ser utilizados com o controle do pinacoscópio. ficará explicada sua problemática. No que se refere às pinturas murais. Terracota ou outro suporte (imóvel).determinação da técnica empregada -. nem sempre poderá ter uma resposta científica e. Providências a serem efetuadas na execução da intervenção restauradora As análises preliminares deverão ter proporcionado os meios para orientar a intervenção na direção adequada. efetuar provas da argamassa e do conjunto dos materiais da parede e medir seu grau de umidade. O dado que seria o mais importante no que diz respeito à pintura.radiografias. realizado sobre base empírica e não científica da técnica utilizada na pintura em questão.que serão detalhados no diário da restauração . Há de se excluir qualquer sistema que oculte a visualização ou a possibilidade de intervenção ou controle direto sobre a pintura. de um traslado ou de uma reconstrução de fragmento. dever-se-ão retirar amostras mínimas. registrar-se no diário da restauração uma nota de referência à fotografia. de um assentamento de estratos. nos casos em que das seções estratigráficas haja resultado um estrato ao menos presumível como tal. Se. quer se trate de uma simples limpeza. para efetuar as seções estratigráficas. Sempre que se percebam ou se suponham formações de fungos. sempre que existirem estratificações ou houver que constatar o estado da preparação. ou sobre pedra. entretanto . além disso. de um reconhecimento genérico. mesmo que nem sempre se trabalhe sob sua lente. deverão ser realizadas experimentações para assegurar que não possam atacar o verniz original da pintura. . No caso de pinturas móveis. em lugares não capitais da obra. condensação ou de capilaridade. No que concerne à limpeza. também se realizarão análises microbiológicas.se observarem elementos problemáticos. eventualmente. definir se trata de umidade de infiltração. poderá ser realizada. portanto. que abarquem todos os estratos até o suporte. não se percebam superposições. de eliminação de repintagens. principalmente. Depois de haver tirado as fotografias. quando não se trata de esculturas envernizadas ou policromadas. a cautela e a experimentação com os materiais a serem utilizados na restauração não deverão ser consideradas questões supérfluas. inclusive nos casos em que. também se deve fotografar o reverso da obra. Os meios químicos (dissolventes) deverão ser de tal natureza que possam ser imediatamente neutralizados e também que não se fixem de forma duradoura sobre os estratos da pintura e sejam voláteis.

sempre que se tenha realizado um assentamento. qualquer que seja o meio empregado. Ainda assim. deve-se ter presente que. a pintura deverá ser submetida à ação de gazes inseticidas adequados. será necessário que a imprimação antiga seja levantada integralmente a mão com o bisturi. enquanto que para a possível imprimação (ou preparação) deverão ser seguidos os mesmos critérios utilizados para as pranchas. é imprescindível que tal proteção se realize depois da consolidação das partes levantadas ou desprendidas. exijam a destruição ou o arranque do suporte e a substituição da imprimação. Na substituição do suporte lenhoso. conforme o caso. o adesivo do suporte para a tela da pintura trasladada deverá ser facilmente solúvel. deve assegurar principalmente os movimentos naturais da madeira a que estiver fixado. nas quais se tenha aplicado uma cor muito diluída diretamente sobre o suporte (como nos esboços de Rubens). Quando for necessário proceder à proteção geral do anverso da pintura por causa de necessidade de realizar operações no suporte. cuja penetração seja assegurada com uma fonte de calor constante e que não apresente perigo para a conservação da pintura. e com uma cola de dissolução muito fácil e diferente da empregada no assentamento da cor. como não é indispensável para a própria fruição estética da pintura. sem danificar a capa pictórica nem o adesivo que une os estratos superficiais à tela do traslado. que respeitem o movimento das fibras da madeira. é preciso fazê-lo com regras tecnológicas muito precisas. Se intervier. quando for indispensável. Deve-se evitar a impregnação com líquidos. não será possível o traslado. é aconselhável conservar a imprimação para manter a superfície pictórica em sua conformação original. Dever-se-á retirar uma amostra. Quando se tratar de pinturas sem preparação. Sempre que o estado do suporte ou o da imprimação. . térmitas. Mas. mas seja necessário retificá-lo ou colocar reforços ou rebocos.em pinturas de suporte móvel -. identificar a espécie botânica e averiguar seu índice de dilatação.. etc. controlar minuciosamente a estabilidade da capa pictórica sobre seu suporte e proceder ao assentamento das partes desprendidas ou em perigo de desprendimento. a eventualidade de um traslado deve ser efetuada com a destruição gradual e controlada da tela deteriorada. a menos que seja apenas o suporte a parte debilitada e a imprimação se mantenha em bom estado. Quando o suporte lenhoso original estiver em bom estado. O reboco. é necessário. é sempre melhor não intervir em uma madeira antiga e já estabilizada. já que adelgaçá-la não seria suficiente. para que resulte o mais inerte possível em relação ao suporte antigo em que se inserir. de forma localizada ou com aplicação de um adesivo estendido uniformemente. No caso de pinturas sobre tela.Antes de proceder à limpeza. Para isso. que não possam danificar a pintura. ainda. qualquer que seja o material de que for feito. Se o suporte é de madeira e está infestado por carunchos. atrás do assentado. é regra estrita a eliminação de qualquer resto do fixador da superfície pictórica. Esse assentamento poderá ser realizado. deverá ser feito um exame minucioso com a ajuda do pinacoscópio. Qualquer adição deverá ser realizada com madeira já estabilizada e em pequenos fragmentos. Sempre que possível. deve se evitar substituí-lo por um novo suporte composto de peças de madeira e só é aconselhável efetuar o traslado para um suporte rígido quando se tiver absoluta certeza de que ele não terá um índice de dilatação diferente do suporte eliminado. ou ambos .

Providências que se devem ter presentes na execução de restaurações em pinturas murais Nas pinturas móveis a determinação da técnica pode. deve-se procurar um fixador que não seja de natureza orgânica. inclusive em relação às categorias genéricas de pintura a têmpera. a definição do aglutinante utilizado não será às vezes menos problemática (como no que se refere às pinturas murais da época clássica). de um modo geral. deve evitar compressões excessivas e temperaturas altas demais para a película pictórica. ou mesmo diretamente sobre mármore. que. será imprescindível um assentamento preventivo. Quando se puderem conhecer essas causas e se encontrar um fungicida adequado. mas. ou de arranque em que também se desprendam os rebocos de preparação (distacco). Os teares deverão ser concebidos de modo a assegurar não apenas a justa tensão. inevitavelmente. No que diz respeito especialmente ao arranque. pedra. inércia e neutralidade (ausência de ph). nas pinturas murais. antes da aplicação das telas protetoras por meio de um adesivo solúvel. a óleo. ao mesmo tempo. às vezes. Quando houver necessidade de se proceder ao arranque da pintura de seu suporte original. a aquarela ou a pastel. atualmente. a ser eliminado. será necessário que ele possa ser construído nas mesmas dimensões da pintura. de arranque do estrato de cor (strappo). irresolúvel. O adesivo . gerar uma investigação sem conclusão definitiva e. realizadas sobre preparação. será preciso certificar-se de que não danificará a pintura e de que possa vir. a encáustica. facilmente. ainda mais indispensável para proceder a qualquer operação de limpeza. além disso. a possibilidade de restabelecê-la automaticamente quando a tensão vier a ceder por causa das variações termo-higrométricas. se tratar de uma têmpera e. que altere o mínimo possível as cores originais e que não se torne irreversível com o tempo. mas. Quanto ao assentamento da cor. das partes em têmpera de um afresco. quando as cores da pintura mural se apresentarem em um estado mais ou menos avançado de pulverulência. O suporte em que se instalará a película pictórica tem que oferecer garantias máximas de estabilidade. sem junções intermediárias. pela possibilidade de recuperação da sinopia preparatória no caso dos afrescos e também porque libera a película pictórica de restos do estuque degradado ou em mau estado. será também necessário um tratamento especial para conseguir que a cor pulverizada se perca ao mínimo. etc. Além disso. em que certas cores não podiam ser aplicadas a fresco.A operação de reentelar. Excluem-se sempre e taxativamente operações de aplicação de uma pintura sobre tela em um suporte rígido(maruflagem). viriam à superfície da película pictórica com o passar do tempo. de assentamento. entre os métodos a serem escolhidos com probabilidades equivalentes de bom êxito é recomendável o strappo. também. A cor pulverulenta será analisada para ver se contém formações de fungos e a que causas se pode atribuir o seu desenvolvimento. se for realizada. é necessário assegurar-se de que o diluente não dissolverá ou atacará o aglutinante da pintura a ser restaurada. Ocasionalmente.

etc. etc. ligaduras.e com materiais tais . eventualmente. de natureza tal que não ataquem o material da escultura e tampouco se fixem sobre ele. Deverá ser dedicado cuidado especial à conservação das características tectônicas da superfície. da técnica com que se realizaram as esculturas (se em mármore. será preciso submetê-la à ação de gases adequados. poderiam alterar o aspecto da madeira. naturalmente reforçada. em vez de pinturas. etc. climática ou não. mesmo na ausência de policromia. para uso de eventuais dobradiças. consolidá-las. trate-se de arrancar mosaicos. deve ser excluída a execução de aguadas que. se com dissolventes. recomenda-se um cuidado particular quanto à conservação da pátina dupla (atacamitas. apesar de deixarem intacta a matéria. Terracota.) sempre que por debaixo dela não existirem sinais de corrosão ativa.). louça vidrada.que tenha a máxima estabilidade.) em que não haja partes pintadas e seja necessária uma limpeza. deverá ficar assegurado que onde as tesselas não constituem uma superfície completamente plana. no caso de esculturas encontradas em escavações ou na água (mar. se a restauração tiver sido ocasionada pela situação térmica e higrométrica do lugar como um todo ou da parede em particular. cupins. Quando.com que se irá fixar a tela grudada à película pictórica sobre o novo suporte terá que poder dissolver-se com a maior facilidade com um dissolvente que não traga danos à pintura. a utilização de consolidantes deverá ser subordinada à conservação do aspecto original da matéria lenhosa. Quando se tratar de esculturas de madeira degradada. há de se evitar a impregnação com líquidos que. rios. cartão-pedra. etc. Providências a serem observadas na execução de restaurações de obras escultóricas Depois de assegurar-se do material e. elasticidade e automatismo para restabelecer a tensão que. No caso de esculturas fragmentadas. possa mudar. mas sempre que possível. sejam fixadas e possam ser dispostas em sua colocação original. estuque.) de forma a garantirem a conservação e a salvaguarda da obra de arte. eventualmente. deverão ser separadas preferivelmente através de meios mecânicos. deverá ser escolhido metal inoxidável. o bastidor deverá ser construído de tal modo . uma obra de arte restaurada não deve ser posta novamente em seu lugar original. Antes da aplicação do engaste e da armadura de sustentação é preciso certificar-se do estado de conservação das tesselas e. malaquitas. Anexo D . etc. Por isso. ataquem a pátina. Advertências gerais para a instalação de obras de arte restauradas Como linha de conduta geral. argila crua e pintada. argila crua. climatizados. ou se o lugar ou a parede não vierem a ser tratados imediatamente (saneados. se houver incrustações. Quando se preferir manter a pintura trasladada sobre tela. Para os objetos de bronze. Se a madeira estiver infectada por caruncho. por qualquer razão. em pedra. etc. ou.

a operações destinadas a conservar unicamente os caracteres formais de arquiteturas ou de ambientes isolados.) assim como eventuais elementos naturais que acompanharem o conjunto. estreitamente unidos às estruturas históricas tal como têm chegado até nós ( como por exemplo. de um modo geral. em que se subtraiam do centro histórico as funções que não serão compatíveis com sua recuperação em termos de saneamento e de conservação. singularidade geomórficas. Os elementos edílicos que formam parte do conjunto devem ser conservados não apenas quanto aos aspectos formais. portas. tanto em relação a sua continuidade no tempo como ao desenvolvimento de uma vida de cidadania e modernidade em seu interior. jardins. a laguna veneziana. A restauração não se limita. Sua natureza histórica se refere ao interesse que tais assentamentos apresentarem como testemunhos de civilizações do passado e como documentos de cultura urbana. inclusive independentemente de seu intrínseco valor artístico ou formal.). através de um planejamento físico territorial adequado. etc. os que eventualmente tenham adquirido um valor especial como testemunho histórico ou características urbanísticas ou arquitetônicas particulares. há que serem considerados tanto os elementos edílicos como os demais elementos que constituem os espaços exteriores (ruas. Por meio de tais intervenções (a serem efetuadas com os instrumentos urbanísticos). No que respeita aos elementos individuais através dos quais se efetua a salvaguarda do conjunto. ou de seu aspecto peculiar enquanto ambiente.através de meios e procedimentos ordinários e extraordinários .) e interiores (pátios. poder-se-á configurar um novo organismo urbano. mas se estende também à conservação substancial das características conjunturais do organismo urbanístico completo e de todos os elementos que concorrem para definir tais características. assim tradicionalmente entendidos. entre muitos. já que não só a arquitetura. principalmente quando lhe houver assumido valores de especial significado. caracterizando-o de forma mais ou menos acentuada (entornos naturais. etc. A coordenação se posicionará também em relação à exigência de salvaguarda do contexto ambiental mais geral do território. praças. . que determinam sua a expressão arquitetônica ou ambiental. têm por si mesmas um significado e um valor.a permanência no tempo dos valores que caracterizam esses conjuntos. unitárias ou fragmentárias. as centúrias romanas de Valpadana.). levam-se em consideração não apenas os antigos centros urbanos. com o fim de coordenar as ações urbanísticas de maneira a obter a salvaguarda e a recuperação do centro histórico a partir do exterior da cidade. hajam se constituído no passado ou. todos os assentamentos humanos cujas estruturas. a cercadura de colinas em torno de Florença. etc.) e outras estruturas significativas (muralhas. As intervenções de restauração nos centros históricos têm a finalidade de garantir . mas também a estrutura urbanística. como também. etc. ainda que se tenham transformado ao longo do tempo. espaços livres. que podem enriquecer e ressaltar posteriormente seu valor. além do mais. fortalezas. é necessário principalmente que os centros históricos sejam reorganizados em seu mais amplo contexto urbano e territorial e em sua relações e conexões com futuros desenvolvimentos. Para que o conjunto urbanístico em questão possa ser adequadamente salvaguardado.Instruções para a tutela dos centros históricos Para efeito de identificar os centros históricos. a zona trulli de Apulia. cursos fluviais. etc. portanto. tudo isso.

Refere-se à análise e à revisão das comunicações viárias e dos fluxos de tráfego a que a estrutura estiver submetida. A intervenção de reestruturação urbanística deverá tender a liberar os centros históricos de finalidades funcionais. com referência às compatibilidades de funções diretoras. Nesse sentido é preciso dedicar especial atenção à análise e à reestruturação das relações existentes entre centro histórico e desenvolvimentos urbanístico e edílico contemporâneos. ao longo do tempo. etc. particularmente. que comportam a conservação integral dos perfis monumentais e ambientais mais significativos e a adaptação dos demais elementos ou complexos edílicos individuais às exigências da vida moderna. Os principais tipos de intervenção a nível urbanístico são: a) Reestruturação urbanística . tecnológicas. espaços interiores. em geral.quanto. arquitetônicos. tipológicos. Os principais tipos de intervenção a nível edílico são: 1) Saneamento estático e higiênico dos edifícios. e. dos elementos. É de particular importância a análise do papel territorial e funcional que tenha sido desempenhado pelo centro histórico ao longo do tempo e no presente.Isso afeta as ruas. cujos resultados não se dirigirão tanto a determinar uma diferenciação operativa . etc. para determinar o tratamento necessário de saneamento de conservação. evitando-se . Com o objetivo de certificar-se de todos os valores urbanísticos. a manutenção das estruturas viárias e edílicas em geral (manutenção do traçado. a utilização dos elementos favoráveis. as praças e todos os espaços livres existentes (pátios. ou de uso que.como ainda quanto a seus caracteres tipológicos enquanto expressão de funções que também têm caracterizado. A esse propósito. vier a provocar-lhes um efeito caótico e degradante. consideradas apenas excepcionalmente as substituições. e apenas na medida em que sejam compatíveis com a conservação do caráter geral das estruturas do centro histórico. b) Reordenamento viário . das modalidades e das advertências a que se referem as instruções procedentes para a realização de restaurações arquitetônicas. construtivas e funcionais do edifício.posto que em todo o conjunto definido como centro histórico deverse-á operar com critérios homogêneos . de perímetro das edificações. jardins. construtivos. principalmente.. etc. a manutenção dos caracteres gerais do ambiente. sobretudo. É preciso considerar a possibilidade de integração do mobiliário moderno e dos serviços públicos estreitamente ligados às exigências vitais do centro. ainda que parciais. com o fim primordial de reduzir seus aspectos patológicos e de reconduzir o uso do centro histórico a funções compatíveis com as estruturas de outros tempos. conservação da rede viária. que tende à manutenção de suas estruturas e a uma utilização equilibrada. é necessário precisar que por saneamento de conservação deve-se entender. Nesse tipo de intervenção é de particular importância o respeito às peculiaridades tipológicas.Tende a consolidar as relações do centro histórico e. essa intervenção se realizará em função das técnicas. principalmente a partir do ponto de vista funcional e.) com o objetivo de obter uma conexão homogênea entre edifícios e espaços exteriores. ambientais.). com a estrutura territorial ou urbana com as quais forma unidade. c) Revisão dos equipamentos urbanos . à individualização dos diferentes graus de intervenção a nível urbanístico e a nível edílico. qualquer intervenção de restauração terá que ser precedida de uma atenta leitura histórico-crítica. por outro lado. eventualmente. a corrigi-las onde houver necessidade.

devem ser preservados em benefício das gerações atuais e futuras. gozar de bem-estar. à igualdade e ao desfrute de condições de vida adequadas. 2) Renovação funcional dos elementos internos. expressa a convicção comum de que: O homem tem o direito fundamental à liberdade. mediante um cuidadoso planejamento ou administração adequados.planos de desenvolvimento geral. como o vazado da estrutura ou a introdução de funções que deformarem excessivamente o equilíbrio tipológico-estrutural do edifício. a opressão colonial e outras formas de coerção e de dominação estrangeira permanecem condenadas e devem ser eliminadas. incluídos o ar. deve ser mantida e. e é portador da solene obrigação de proteger e melhorar esse meio ambiente. atendendo à necessidade de estabelecer uma visão global e princípios comuns. de 5 a 16 de junho de 1972. sempre que possível. especialmente.planos de execução setorial. Em conseqüência . que se encontram atualmente em grave perigo por combinação de fatores adversos. que se há de permitir somente nos casos em que resultar indispensável para efeitos de manutenção em uso do edifício. Nesse tipo de intervenção é de fundamental importância o respeito às peculiaridade tipológicas e construtivas dos edifícios. . bem assim o seu habitat. que sirvam de inspiração e orientação à humanidade.planos parciais relativos à restruturação do centro histórico em seus elementos mas significativos. São instrumentos operativos dos tipos de intervenção enumerados. que reestruturem as relações entre o centro histórico e o território e entre o centro histórico e a cidade em seu conjunto. em um meio ambiente de qualidade tal que lhe permita levar uma vida digna. a água. parcelas representativas dos ecossistemas naturais. Declaração de Estocolmo de junho de 1972 Declaração sobre o ambiente humano UNEP .qualquer transformação que altere suas características. Os recursos naturais da Terra. . a flora e a fauna e. proibidas quaisquer intervenções que alterem suas características. as políticas que promovem ou perpetuam o apartheid. restaurada ou melhorada. a segregação racial. a discriminação. O homem tem a responsabilidade especial de preservar e administrar judiciosamente o patrimônio representado pela flora e pela fauna silvestres. referentes a uma edificação ou a um conjunto de elementos reagrupáveis de forma orgânica. para as gerações presentes e futuras. A capacidade da Terra de produzir recursos renováveis vitais.Organização das Nações Unidas para o Meio Ambiente A Assembléia Geral das Nações Unidas reunida em Estocolmo. especialmente: . o solo. A esse respeito. para a preservação e melhoria do ambiente humano através dos vinte e três princípios enunciados a seguir.

causar danos às possibilidades recreativas ou interferir em outros usos legítimos do mar. quando necessária. . nem obstar o atendimento de melhores condições de vida para todos. As políticas ambientais de todos os países devem melhorar e não afetar negativamente o potencial desenvolvimentista atual e o futuro dos países em crescimento. quando solicitada para esse fim. de modo que fique assegurada a compatibilidade desse crescimento com a necessidade de proteger e melhorar o meio ambiente humano em benefício de sua população. sendo a melhor maneira de atenuar suas consequências a promoção do desenvolvimento acelerado. cabendo aos Estados e organizações internacionais a adoção de providências adequadas. maior assistência técnica e financeira internacional. assim como a necessidade de lhes ser prestada. bem como para criar na terra as condições necessárias à melhoria da qualidade de vida. Os países deverão tomar todas as medidas possíveis para impedir a poluição dos mares por substâncias que possam pôr em perigo a saúde do homem. incluídas a flora e a fauna silvestres. Deve-se pôr fim à descarga de substâncias tóxicas e de outras matérias e à liberação de calor. melhorar as condições ambientais. Deveriam ser destinados recursos à preservação e melhoria do meio ambiente. uma vez que se deve levar em conta tanto os fatores econômicos como os processos ecológicos. As deficiências do meio ambiente em decorrência das condições de subdesenvolvimento e de desastres naturais ocasionam graves problemas. prejudicar os recursos vivos e da marinha. levando-se em conta as circunstâncias e as necessidades especiais dos países em desenvolvimento e quaisquer outros custos que lhes possam resultar da inclusão de medidas de conservação do meio ambiente em seus planos de desenvolvimento. deve ser dada a devida importância à conservação da natureza. em quantidades ou concentrações tais que não possam ser neutralizadas pelo meio ambiente. a fim de se evitar danos graves e irreparáveis aos ecossistemas. além da ajuda oportuna. A fim de se obter um ordenamento mais racional dos recursos e. Os recursos não renováveis da Terra devem ser utilizados de forma a evitar o perigo do seu esgotamento futuro e a assegurar que toda a humanidade participe dos benefícios de tal uso. que visem a chegar a um acordo. a fim de fazer frente às possíveis consequências econômicas nacionais e internacionais resultantes da aplicação de medidas ambientais. Assim deverá ser apoiada a justa luta de todos os povos contra a poluição. mediante a transferência maciça de recursos consideráveis de assistência financeira e tecnológica que complementem os esforços internos dos países em desenvolvimento.ao planejar o desenvolvimento econômico. O desenvolvimento econômico e social é indispensável para assegurar ao homem um ambiente de vida e trabalho favoráveis. a estabilidade dos preços e o pagamento adequado para produtos primários e matérias-primas são essenciais à administração do meio ambiente. assim. Para os países em desenvolvimento. os Estados deveriam adotar um enfoque integrado e coordenado de planejamento de seu desenvolvimento.

os projetos destinados à dominação colonialista e racista. quanto à responsabilidade e à indenização das vítimas da poluição e de outros danos ambientais provocados por atividades que. a fim de criar as bases de uma opinião pública bem informada e de uma conduta responsável dos indivíduos. A esse respeito.O planejamento racional constitui um instrumento indispensável para conciliar as diferenças que possam surgir entre as exigências do desenvolvimento e a necessidade de proteger e melhorar o meio ambiente. dando atenção especial às populações menos privilegiadas. ou sob seu controle. evitar e combater os riscos que ameaçam o meio ambiente. nas condições que favoreçam sua ampla difusão. Devem ser fomentadas. sem que constituam carga econômica excessiva para eles. Tendo em vista a Carta das Nações Unidas e os princípios do Direito Internacional. Deve-se usar o planejamento nos agrupamentos humanos e na urbanização. as nações têm o direito soberano de explorar seus próprios recursos. desde que as atividades levadas a efeito dentro de sua jurisdição ou sob seu controle. ou em que a baixa densidade populacional possa impedir o melhoramento do meio ambiente humano e obstar o desenvolvimento. tanto nacionais como multinacionais. especialmente naqueles em desenvolvimento. de acordo com a sua política ambiental. Nas regiões em que exista o risco de que a taxa de crescimento demográfico ou as concentrações excessivas de população prejudiquem o meio ambiente ou o desenvolvimento. É indispensável um trabalho de educação em questões ambientais. objetivando evitar efeitos prejudiciais ao meio ambiente e visando à obtenção do máximo de benefícios sociais. não prejudiquem o meio ambiente de outros países ou de zonas situadas fora da jurisdição nacional. o livre intercâmbio de informações e de experiências científicas atualizadas deve constituir objeto de apoio e assistência a fim de facilitar a solução dos problemas ambientais. Deve ser confiada às instituições nacionais competentes a tarefa de planejar. devem ser utilizadas a ciência e a tecnologia para descobrir. assim como as tecnologias ambientais devem ser colocadas à disposição dos países em desenvolvimento. administrar e controlar a utilização dos recursos ambientais dos países. econômicos e ambientais para todos. a fim de melhorar a qualidade do meio ambiente. realizadas dentro de sua jurisdição. deveriam ser aplicadas políticas demográficas que respeitassem os direitos humanos fundamentais e contassem com a aprovação dos governos interessados. em todos os países. visando tanto às gerações jovens como aos adultos. a investigação científica e medidas desenvolvimentistas em relação aos problemas ambientais. visando às soluções dos problemas ambientais e ao bem comum do homem. . As nações devem cooperar no aperfeiçoamento e melhoria do Direito Internacional. causem danos a zonas situadas fora de seu espaço territorial ou de sua jurisdição. Como parte de sua contribuição ao desenvolvimento econômico e social. das empresas e das comunidades. devendo ser abandonados a esse respeito. inspiradas no sentido de sua responsabilidade em relação à proteção e melhoria do meio ambiente em toda a sua dimensão humana.

Organização dos Estados Americanos e Governo Dominicano Consciente da importância que.E.No plano da preservação monumental: Os problemas da preservação monumental obrigam a um trabalho prévio de investigação documental e arqueológico. Resolução de São Domingos de dezembro de 1974 I Seminário Interamericano sobre Experiências na Conservação e Restauração do Patrimônio Monumental dos períodos Colonial e Republicano (República Dominicana) O.A . c . Todos os programas de intervenção e resgate dos centros históricos devem. representam tanto a Carta de Veneza como as Normas de Quito e ante a necessidade atual de roteiros que contemplem prioritariamente os aspectos operativos que materializem e tomem possível a defesa destes bens insubstituíveis da cultura. propõe.Sem prejuízo dos princípios gerais que possam ser estabelecidos pela comunidade internacional e dos critérios e níveis mínimos a serem definidos em âmbito nacional. para que nela se levem em conta os recursos potenciais que tais centros possam oferecer. Respaldados na noção de centro monumental. as seguintes recomendações: a . mas que possam ser inadequados e de alto custo social para os países em desenvolvimento.No plano econômico: A iniciativa privada e o seu apoio financeiro constituem uma contribuição fundamental para a conservação e valorização dos centros históricos. portanto. incentivos e facilidades de caráter econômico. portanto. trazer consigo soluções de saneamento integral que permitam a permanência e melhoramento da estrutura social existente. b .No plano social: A salvação dos centros históricos é um compromisso social além de cultural e deve fazer parte da política de habitação. para a defesa do patrimônio monumental latinoamericano. tais estudos deverão ser estendidos à proteção dos valores e costumes tradicionais e naturais da área em questão. o Seminário Interamericano sobre Experiências na Conservação e Restauração do Patrimônio Monumental dos Períodos Colonial e Republicano considera que se faz altamente conveniente para esse fim a elaboração de um documento onde fiquem registrados estes serviços operativos. . Recomenda-se a todos os governos estimular essa contribuição mediante disposições legais. será indispensável sempre considerar os sistemas de valores predominantes em cada país e o limite de aplicabilidade de padrões válidos para os países mais avançados. devendo levar-se a cabo estudos integrais para resgatar a maior quantidade de dados relacionados com a história do sítio.

respaldando-se e ampliando-se em nível interamericano a atual escola-oficina de obras de pedra que funciona no Museu das Casas Reais.A. em um dos seus Estados Membros. que defina não apenas a sua função monumental. o segundo dos quais se realizará na Colômbia. Sendo o turismo um meio de preservação dos monumentos. Independentemente da fonte anterior de informação. os planos de desenvolvimento turístico devem constituir uma via mediante a qual.d . ainda. devendo realizar-se seminários como este a cada dois anos.Propostas operativas: Em apoio ao estabelecido nas Normas de Quito. no ano de 1976. Reconhecendo o trabalho positivo realizado pela Unidade Técnica de Patrimônio Cultural do Departamento de Assuntos Culturais a cargo do Projeto de Proteção do Patrimônio Cultural Histórico e Artístico instituído pela O. com a utilização de alto nível técnico. Também serão membros os especialistas participantes que formalizarem sua inscrição de acordo com os regulamentos estabelecidos.E. existem necessidades que não puderam ser satisfeitas pelo mencionado projeto devido à falta de recursos adequados. Que se criem oficinas de ensino em nível artesanal para formação de operários que sejam eficazes auxiliares na tarefa da restauração monumental. atue como o organismo que recopile e difunda as atividades empreendidas pelos países que integram o sistema interamericano no campo da preservação monumental. Criar uma Associação Interamericana de Arquitetos e Especialistas na Proteção do Patrimônio Monumental. o Centro Interamenricano de Inventário do Patrimônio Histórico e Artístico. que atualmente funciona no México. realizar.A. Na educação escolar dever-se-ão incluir programas de estudo sobre a importância do patrimônio monumental. torna-se indispensável o intercâmbio pessoal de experiências. Que os Estados Membros da O. e leve prioritariamente em conta a melhoria sócio-econômica de seus habitantes.A. no campo da preservação do patrimônio monumental da América. Que o Centro Interamericano de Restauração de Bens Culturais.). se logrem objetivos importante na proteção e preservação do patrimônio cultural americano. recentemente criado em Bogotá. que divulgue o trabalho dos seus membros mediante uma publicação a cargo de um centro ou instituto especializado. que constituem monumentos inavaliáveis para ao patrimônio da humanidade e estão em iminente perigo de desaparecimento. que permitam ao mencionado projeto cumprir cabalmente os objetivos para os quais foi criado. e constatando que..E. solicitamos que na próxima Assembléia Geral da O.A.A. Tendo-se iniciado em São Domingos. um inventário dos monumentos que. se destinem maiores fundos.E. a Ciência e a Cultura (LTNESCO) e demais organizações internacionais preparem material didático para esses programas. criem um fundo de emergência que permita a rápida disponibilidade de recursos para a salvação de bens monumentais americanos nos países de menor desenvolvimento relativo. antiga Espanhola.E. Para tal efeito é necessário que a Organização dos Estados Americanos (O. Essa associação se formou em São Domingos e serão seus membros fundadores os delegados ao Seminário Interamericano sobre Experiências na Conservação do Patrimônio Monumental dos Períodos Colonial e Republicano. de acordo com os governos de Espanha e Portugal. cabe-lhe. que se . o processo cultural ibero-americano e contando a República Dominicana com um centro como o Museu das Casas Reais. como atividade prioritária. deve resgatar. Os projetos de preservação monumental devem fazer parte de um programa integral de valorização. como também o seu destino e manutenção. na República Dominicana. tenham um significado transcendental para o patrimônio da humanidade. com o patrocínio da O. a documentação de interesse monumental existente em seus arquivos.E. em território americano. a Organização das Nações Unidas para a Educação.

). b) Esse patrimônio compreende não somente as construções isoladas de um valor excepcional . revestida de uma importância vital. para a realização deste Primeiro Seminário Interamericano. Sua conservação é. procurando que.E.A. reconhece que a arquitetura singular da Europa é patrimônio comum de todos os seus povos e afirma a intenção dos Estados-membros de cooperar entre si e com os outros países europeus para protegê-lo. o Congresso afirma que o patrimônio arquitetônico da Europa é parte integrante do patrimônio cultural do mundo inteiro e nota com satisfação o engajamento mútuo para favorecer a cooperação e as trocas no domínio da cultura contido na ata final da Conferência sobre a Segurança e a Cooperação na Europa adotada em Helsinque. O Primeiro Seminário Interamericano sobre Experiências na Conservação do Patrimônio Monumental dos Períodos Colonial e Republicano quer igualmente fazer constar o trabalho exemplar que o Governo Dominicano empreende para a preservação e a valorização do patrimônio monumental da República Dominicana. coroamento do Ano Europeu do Patrimônio Arquitetônico 1975. tanto nos trabalhos de investigação como na formação acadêmica. portanto. O Congresso chamou a atenção para as seguintes considerações essenciais: a) Além de seu inestimável valor cultural. reunindo delegados vindos de toda parte da Europa. Declaração de Amsterdã de outubro de 1975 Congresso do Patrimônio Arquitetônico Europeu Conselho da Europa Ano Europeu do Patrimônio Arquitetônico O Congresso de Amsterdã. São Domingos é um ponto de partida para o fortalecimento e a integração profissional dos especialistas em conservação do patrimônio monumental da América. que acolheram calorosamente a Carta Européia do Patrimônio Arquitetônico promulgada pelo Comitê de Ministros do Conselho da Europa. cujo proveito se fará sentir no âmbito de todo o hemisfério.dedica ao estudo científico desse processo histórico.Reconhecimento: O primeiro Seminário Interamericano sobre Experiência na Conservação e Restauração do Patrimônio Monumental dos Períodos Colonial e Republicano quer fazer constar o seu reconhecimento pelo patrocínio assumido pelo Governo da República Dominicana e pela Secretaria Geral da Organização dos Estados Americanos (O. orientem-se os seus trabalhos em todo o continente para a mais cabal compreensão da integração cultural americana. em julho deste ano. Da mesma maneira. e . o patrimônio arquitetônico da Europa leva todos os europeus a tomarem consciência de uma história e destino comuns. recomenda-se a ampliação de suas atividades em nível internacional.

além disso. O congresso faz um apelo aos governos. Somente desta maneira se conservará o patrimônio arquitetônico insubstituível da Europa para o enriquecimento da vida de todos os seus povos. aos quais compete a maioria das decisões importantes em matéria de planejamento. e) Os poderes locais. caso uma nova política de proteção e conservação integradas desse patrimônio não seja posta em ação imediatamente. instituições espirituais e culturais. se preocupar mais intensamente com essa matéria. j) Devem ser encorajadas as organizações privadas . Os programas de educação em todos os níveis devem. Tendo o Comitê dos Ministros reconhecido na Carta Européia do Patrimônio Arquitetônico que cabe ao Conselho da Europa assegurar a coerência da política de seus Estados Membros e promover sua solidariedade. é essencial que sejam produzidos relatórios periódicos sobre o estado do desenvolvimento dos trabalhos de conservação arquitetônica nos países europeus. bairros de cidades e aldeias. no presente e no futuro. brevemente. A proteção desses conjuntos arquitetônicos só pode . parlamentos. uma ajuda financeira adequada deve ser colocada à disposição dos poderes locais e de proprietários particulares. de forma a permitir a troca de experiências. tanto quanto possível. tudo deve ser feito para assegurar uma arquitetura contemporânea de alta qualidade. que apresentam um interesse histórico ou cultural. portanto. para que dêem total apoio aos objetivos desta declaração e façam todo o possível para assegurar a sua aplicação. g) As medidas legislativas e administrativas necessárias devem ser reforçadas e tornadas mais eficazes em todos os países. c) Essas riquezas são um bem comum a todos os povos da Europa. planejamento e conservação das construções e sítios de interesse arquitetônico ou histórico. O que hoje necessita de proteção são as cidades históricas. institutos profissionais.Nossa sociedade poderá. Ao final de seus debates. h) Para fazer face aos custos de restauração. os bairros urbanos antigos e aldeias tradicionais. ser privada do patrimônio arquitetônico e dos sítios que formam seu quadro tradicional de vida. novas construções em desarmonia e circulação excessiva. aí incluídos os parques e jardins históricos. k) Uma vez que a arquitetura de hoje é o patrimônio de amanhã.e seu entorno. empresas comerciais e industriais. associações privadas e a todos os cidadãos. que têm o dever comum de protegê-las dos perigos crescentes que as ameaçam: negligência e deterioração. d) A conservação do patrimônio arquitetônico deve ser considerada não apenas como um problema marginal. o congresso apresenta as seguintes conclusões e recomendações: . nacionais e locais .que contribuam para despertar o interesse do público. i) O patrimônio arquitetônico não sobreviverá a não ser que seja apreciado pelo público e especialmente pelas novas gerações. são todos particularmente responsáveis pela proteção do patrimônio arquitetônico e devem ajudar-se mutuamente através da troca de idéias e de informações. sem modificações importantes da composição social dos habitantes e de uma maneira tal que todas as camadas da sociedade se beneficiem de uma operação financiada por fundos públicos.internacionais. demolição deliberada. incentivos fiscais deverão ser previstos. para estes últimos. mas também os conjuntos. f) A reabilitação dos bairros antigos deve ser concebida e realizada. mas como objetivo maior do planejamento das áreas urbanas e do planejamento físico territorial.

Ficou demonstrado que as construções antigas podem receber novos usos que correspondam às necessidades da vida contemporânea. A isso se acrescenta que a conservação atrai artistas e artesãos bem qualificados. A conservação do patrimônio arquitetônico um dos objetivos maiores do planejamento das áreas urbanas e do planejamento físico territorial. a fim de chamar sua atenção para as construções e zonas dignas de serem protegidas. Mas descobre-se também que a conservação das construções existentes contribui para a economia de recursos e para a luta contra o desperdício. por todas essas razões. no que diz respeito ao elemento qualitativo fundamental para a administração dos espaços. é necessário fundamentá-la sólida e definitivamente. é conveniente organizar o inventário das construções. uma das grandes preocupações da sociedade contemporânea. Essa proteção global completará a proteção pontual dos monumentos e sítios isolados. a interpenetração das funções e a diversidade sócio-cultural que caracterizam os tecidos urbanos antigos. a escala humana. sem esquecer os da época moderna. Um diálogo permanente entre os conservadores e os planejadores tomou-se. . o que constitui um beneficio social muito importante na política de conservação. dos mais importantes aos mais modestos. assim como entre os responsáveis pela ordenação do espaço e pelo plano urbano como um todo. A fim de tomar possível essa integração. o que compreende a delimitação das zonas periféricas de proteção. Tal inventário fornecerá uma base realista para a conservação. A significação do patrimônio arquitetônico e a legitimidade de sua conservação são atualmente melhor compreendidas. Finalmente. sem uma coordenação. Sabe-se que a preservação da continuidade histórica do ambiente é essencial para . abrir espaço às pesquisas de caráter fundamental e ser incluída em todos os programas de educação e desenvolvimento cultural. dos conjuntos arquitetônicos e dos sítios. Não basta sobrepor as regras básicas de planejamento às regras especiais de proteção aos edifícios históricos. como foi o caso num passado recente. manutenção ou a criação de um modo de vi a que permita ao homem encontrar sua identidade e experimentar um sentimento de segurança face às mutações brutais da sociedade: um novo urbanismo procura reencontrar os espaços fechados. ela deve. assim como o ambiente em que se integram. portanto. O reconhecimento dos valores estéticos e culturais do patrimônio arquitetônico deve conduzir à fixação dos objetivos e das regras particulares de organização dos conjuntos antigos. a legitimidade da conservação do patrimônio arquitetônico apareça hoje com uma força nova. Os urbanistas devem reconhecer que os espaços não são equivalentes e que convém tratá-los conforme as especificidades que lhes são próprias. tendo em conta todos os edifícios com valor cultural. Seria desejável que esses inventários fossem largamente difundidos. indispensável. O planejamento das áreas urbanas e o planejamento físico territorial devem acolher as exigências da conservação do patrimônio arquitetônico e não considerá-las de uma maneira parcial ou como um elemento secundário.ser concebida dentro de uma perspectiva global. Ainda que. desde então. a reabilitação do habitar existente contribui para a redução das invasões de terras agrícolas e permite evitar ou atenuar sensivelmente os deslocamentos da população. notadamente entre autoridades regionais e locais. cujo talento e conhecimento devem ser mantidos e transmitidos.

médicos) demonstram que o gigantismo é desfavorável a sua qualidade e a sua eficácia. eles devem levar em conta a continuidade das realidades sociais e físicas existentes nas comunidades urbanas e rurais. Mas a conservação do patrimônio arquitetônico não deve ser tarefa dos especialistas. Nesse contexto. Para pôr em ação tal política. . notadamente no que diz respeito às suas estruturas. participar realmente. aos empregos e a uma melhor repartição dos pólos de atividade urbana podem incidir mais profundamente sobre a conservação do patrimônio arquitetônico. atenta aos novos critérios de qualidade e de medida. Isso pressupõe que existam responsáveis pela conservação. e que deve permitir inverter. As subvenções e empréstimos concedidos a particulares e grupos diversos pelos poderes locais deveriam estimular o compromisso moral e financeiro dos favorecidos. criando um elo de ligação direta entre os utilizadores potenciais das edificações antigas e seus proprietários. a sua sobrevivência. desde a elaboração dos inventários até a tomada das decisões. . A plena implementação de uma política contínua de conservação exige uma grande descentralização e o reconhecimento das culturas locais. respeitando seu caráter. .estar atentos ao fato de que os estudos prospectivos sobre a evolução dos serviços públicos (educativos. Com essa finalidade. eles deveriam solicitar dos governos a criação de fundos específicos.atribuir às construções funções que.designar delegados responsáveis por todas as transações referentes ao patrimônio arquitetônico. baseada em informações objetivas e completas. administrativos. O futuro não pode nem deve ser construído às custas do passado.A política de planejamento regional deve integrar as exigências de conservação do patrimônio arquitetônico e para elas contribuir. assim como às características arquitetônicas e volumétricas de seus espaços construídos e abertos. a conservação do patrimônio se insere numa nova perspectiva geral.instaurar órgãos de atividade pública. respondam às condições atuais de vida e garantam. de hoje em diante. Enfim. por uma concepção superada. Por outro lado. A conservação integrada conclama à responsabilidade os poderes locais e apela para a participação dos cidadãos Os poderes locais devem ter competências precisas e extensas em relação à proteção do patrimônio arquitetônico. Aplicando os princípios de uma conservação integrada. sensibilidade e organização o ambiente construído pelo homem. incitar novas atividades a serem implantadas nas zonas em declínio econômico a fim de sustar seu despovoamento e contribuir para impedir a degradação das construções antigas. finalmente. . frequentemente determinada pelo curto prazo. a ordem das escolhas e dos objetivos. as políticas relativas aos transportes. as decisões tomadas para o desenvolvimento das zonas periféricas das aglomerações devem ser orientadas de tal maneira que sejam atenuadas as pressões que são exercidas sobre os bairros antigos. particularmente. os poderes locais devem: . respeitando com inteligência. em todos os níveis (centrais. Ela pode. A população deve. suas complexas funções. . regionais e locais) onde são tomadas as decisões em matéria de planejamento. O apoio da opinião pública é essencial.dedicar uma parte apropriada de seu orçamento a essa política.basear-se numa análise da textura das construções urbanas e rurais. assim. por uma visão estreita da técnica e. .

eles deveriam instaurar uma troca constante de informações e de idéias por todas as vias possíveis. é necessária uma intervenção dos poderes públicos no sentido de moderar os mecanismos econômicos. às sondagens de opiniões.. Locais de encontro para reunião pública deveriam ser previstos. não omitir o custo social. como sempre é feito quando se trata de estabelecimentos sociais.facilitar a formação e o funcionamento eficaz de associações mantenedoras de restauração e de reabilitação. realizada sobre uma infraestrutura existente. ou a construção de um conjunto sobre um sítio não urbanizado. Para evitar que as leis do mercado sejam aplicadas com todo o rigor nos bairros restaurados o que teria por conseqüência a evasão dos habitantes. Em relação à política de informação ao público. os poderes locais terão todo o interesse em comunicar suas experiências respectivas. portanto. Consideração dos fatores sociais condiciona o resultado de toda política de conservação integrada. para diminuir ou mesmo completar a diferença existente entre os antigos e os novos aluguéis. quando se comparam os custos equivalentes desses três procedimentos. eles devem tomar suas decisões à vista de todos. discutir e apreciar os motivos das decisões. Uma política de conservação implica também a integração do patrimônio na vida social. aos comerciantes e aos empresários estabelecidos no local. Isto interessa não somente aos proprietários e aos locatários. Os problemas sociais da conservação integrada só podem . . As proposições complementares ou alternativas apresentadas por associações ou por particulares deveriam ser consideradas como uma contribuição apreciável ao planejamento. às exposições.ser resolvidos através de uma referência combinada a essas duas escalas de valores. que asseguram a vida e a conservação do bairro em bom estado. Finalmente. Em conseqüência. O esforço de conservação deve ser calculado não somente sobre o valor cultural das construções. incapazes de pagar aluguéis majorados. a fim de que a população possa conhecer. Nesse sentido. deveria se tomar uma prática coerente. A reabilitação de um conjunto que faça parte do patrimônio arquitetônico não é uma operação necessariamente mais onerosa que a de uma construção nova. mas também pelo seu valor de utilização. aos canais da mídia e a todos os outros meios apropriados. cujas conseqüências sociais são diferentes. As intervenções financeiras podem se equilibrar entre os incentivos à restauração concedidos aos proprietários através da fixação de tetos para os aluguéis e da alocação de indenizações de moradia aos locatários. utilizando uma linguagem clara e acessível. Os poderes locais devem aperfeiçoar suas técnicas de pesquisa para conhecer a opinião dos grupos envolvidos nos planos de conservação e levá-la em conta desde \a elaboração dos seus projetos. É conveniente. o recurso às reuniões públicas. mas também aos artesãos. A educação dos jovens em relação ao domínio do meio ambiente e sua associação a todas as tarefas da salvaguarda é um dos imperativos maiores da ação comunitária.

constitui condição prévia para uma ação eficaz uma reforma profunda da legislação. seria necessário tornar flexível a aplicação de regulamentos e disposições particulares à construção. técnicos e financeiros indispensáveis. . Essa última deve fornecer uma nova definição do patrimônio arquitetônico e dos objetivos da conservação integrada. . Essa sensibilização prática à cultura seria um beneficio social considerável.Para permitir à população participar da elaboração dos programas. Essa participação toma-se ainda mais importante na medida em que não se trate apenas da restauração de algumas construções privilegiadas. Além do mais. faz-se necessário rever a estrutura administrativa de maneira tal que os setores responsáveis pelo patrimônio arquitetônico sejam organizados em níveis apropriados e dotados suficientemente de pessoal qualificado. de uma parte.conceder. . acompanhada de um fortalecimento dos meios administrativos. por uma parte. em função da nova política de conservação integrada.rever. no que concerte: . A conservação integrada exige uma adaptação das medidas legislativas e administrativas. de maneira a satisfazer às exigências da conservação integrada. a legislação relativa à proteção do patrimônio arquitetônico. equivalentes às que aufeririam por uma construção nova. . mas da reabilitação de bairros inteiros. convém fornecer-lhe os elementos para apreciação da situação. a legislação relativa ao planejamento fisico-territorial. e também às contribuições de épocas mais recentes. fornecendo-lhe todas as indicações sobre os regulamentos definitivos e temporários. o legislador deveria tomar as medidas necessárias a fim de: . Na medida do possível. de outra parte.à aprovação dos projetos e à autorização para executar os trabalhos: Por outro lado. . deve prever medidas especiais. explicando-lhe o valor histórico e arquitetônico das edificações a serem conservadas e.redistribuir de uma maneira equilibrada os créditos orçamentários reservados para o planejamento urbano e destinados à reabilitação e à construção respectivamente.à designação e à delimitação dos conjuntos arquitetônicos. Com o objetivo de aumentar a capacidade operacional dos poderes públicos. Tendo sido a noção de patrimônio arquitetônico progressivamente ampliada do monumento histórico isolado aos conjuntos arquitetônicos urbanos e rurais. assim como de meios científicos. Essa reforma deve ser dirigida pela necessidade de coordenar. no mínimo. o regime de incentivos financeiros do Estado e de outros poderes públicos.à delimitação das zonas periféricas de proteção e dos locais de utilidade pública serem previstos. aos cidadãos que decidam reabilitar uma construção antiga vantagens financeiras. . e por outra.à elaboração dos programas de conservação integrada e à inserção das disposições desses programas no planejamento.

após demolição. pois. submetido a fatores externos resultantes da estrutura atual da sociedade. Para conseguir resolver os problemas econômicos da conservação integrada é necessário . cooperar no planejamento fisicoterritorial e manter relações estreitas com os órgãos públicos e organizações privadas. Os poderes públicos deveriam criar ou encorajar o lançamento de fundos de circulação que forneçam os meios necessários às coletividades locais e às associações sem fins lucrativos. em razão de suas repercussões recíprocas. por outro lado. Esse processo está. que efetuam trabalhos de restauração. É difícil definir uma política financeira aplicável a todos os países e avaliar as conseqüências das diferentes medidas que intervêm nos processos de planejamento. Isso vale particularmente para as zonas onde o financiamento de tais programas poderá ser .e este é um fator determinante . pode-se estabelecer com certeza que não existe país na Europa cujos recursos financeiros utilizados para a conservação sejam suficientes. Na medida do possível seria necessário dispor de meios financeiros suficientes para ajudar os proprietários. Também é preciso aplicar este mesmo principio em proveito da reabilitação dos conjuntos degradados de interesse histórico ou arquitetônico. Por ora. coeficiente de ocupação do solo) e que favoreça uma inserção harmoniosa. deduzidos os eventuais custos adicionais. É necessário criar métodos que permitam avaliar os custos adicionais impostos pelas dificuldades apresentadas nos programas de conservação. Compete. Todavia. será necessário naturalmente cuidar para que essa vantagem não seja amenizada pelo imposto. as vantagens financeiras e fiscais oferecidas pelas novas construções de veriam ser concedidas nas mesmas proporções para a manutenção e conservação das construções antigas. a suportar estritamente as taxas adicionais que lhes serão impostas. a cada estado pôr em prática seus próprios métodos e instrumentos de financiamento.Esses serviços deveriam ajudar as autoridades locais.que seja elaborada uma legislação que submeta as novas construções a certas restrições no que diz respeito a seus volumes (altura. As diretrizes do planejamento deveriam desencorajar a densificação e promover antes a reabilitação do que uma renovação. A conservação integrada requer medidas financeiras apropriadas. parece que nenhum país europeu jamais elaborou um mecanismo administrativo perfeitamente adequado a corresponder às exigências econômicas de uma política de conservação integrada. Se tal ajuda para fazer face aos custos adicionais for aceita. Além do mais. o que permitiria restabelecer o equilíbrio social.

as condições de trabalho. de experiências e de estagiários é um elemento essencial na formação de todo o pessoal interessado. A permuta internacional de conhecimentos. e convém. É. de hoje em diante utilizadas na vasta gama de monumentos e conjuntos que apresentam um menor interesse artístico. Esse catálogo deveria ser posto à disposição de todos os interessados. Inúmeras iniciativas de caráter privado têm demonstrado o excepcional resultado alcançado em associam com os poderes públicos. multidisciplinares e compreender um aprendizado que permita adquirir uma experiência prática sobre a matéria. o que favoreceria a reforma das práticas de restauração e de reabilitação. notadamente os de origem industrial. Os materiais e técnicas novas não devem ser aplicados sem antes se obter a concordância de instituições científicas neutras. Os métodos e técnicas de restauração e reabilitação de edifícios e conjuntos históricos deveriam ser mais explorados e seu espectro alargado. reunir uma documentação completa sobre os materiais e as técnicas e proceder a uma análise dos custos. criar instituições científicas que deveriam cooperar estreitamente entre si. todavia. É absolutamente necessário dispor de melhores programas de formação de pessoal qualificado. para isso. em razão da maior valorização resultante da forte demanda que se aplica aos proprietários que dispõem de um tal incentivo. A conservação integrada conclama à promoção de métodos. a curto ou a longo prazo. Deveria haver mais facilidade em dispor de urbanistas. As possibilidades de qualificação. Seria necessário arrecadar dados para confecção de um catálogo de métodos e de técnicas utilizados e. As técnicas especializadas impregnados por ocasião da restauração de conjuntos históricos importantes deveriam ser. as remunerações. tanto em nível nacional quanto local. evitar onerosas operações de reabilitação. É importante atentar para que os materiais de construção tradicional continuem a ser aplicados A conservação permanente do patrimônio arquitetônico permitirá.assegurado de forma autônoma. Essa documentação deveria ser reunida em centros apropriados. Estes programas deveriam ser flexíveis. de vital importância estimular todos os recursos de financiamento privados. a longo prazo. técnicas e aptidões profissionais ligadas à restauração e à reabilitação. técnicos e artesãos necessários à preparação de programas de conservação e para assegurar a promoção de profissões artesanais que intervêm no trabalho de restauração e que estão ameaçadas de desaparecer. a segurança do emprego e o status social deveriam ser suficientemente atraentes para incentivar os jovens a . ao mesmo tempo. Todo programa de reabilitação deveria ser estudado meticulosamente antes de sua execução. arquitetos.

Tendo em vista a recomendação da Conferência de Ministros Europeus Responsáveis pelo Patrimônio Arquitetônico. expressão insubstituível da riqueza e da diversidade da cultura européia. Considerando que a conservação do patrimônio arquitetônico depende. principalmente para salvaguardar e promover os ideais e os princípios que lhes são patrimônio comum. e a recomendação número 589 (de 1970) da Assembléia Consultiva do Conselho da Europa. a adotar as medidas necessárias a salvaguardar sua contribuição ao patrimônio cultural comum da Europa e a encorajar-lhe o desenvolvimento. acham-se empenhados. Finalmente. arquitetos. . Manifesto de Amsterdã de outubro de 1975 Carta Européia do Partimônio Arquitetônico Ano do Patrimônio Europeu Mil delegados de 25 Países Europeus (ministros. Reconhecendo que o patrimônio arquitetônico. de sua integração no quadro da vida dos cidadãos e de sua valorização nos planejamentos físicoterritorial e nos planos urbanos. realizado em Amsterdã.se voltarem para as disciplinas relacionadas com a restauração e a permanecerem nesse campo de atividade. O Comitê de Ministros. em 26 de setembro de 1975. eleitos locais. relativa a uma carta do patrimônio arquitetônico. de 21 a 25 de outubro de 1975. Reafirma sua disposição de promover uma política européia comum e uma ação adequada de proteção do patrimônio arquitetônico apoiadas nos princípios de sua conservação integrada. as autoridades responsáveis pelos programas de aprendizado em todos os níveis deveriam se esforçar para gerar interesse na juventude em relação às atividades especializadas da conservação. em grande parte. participantes da Convenção Cultural Européia de 19 de dezembro de 1954. realizada em Bruxelas. em virtude do artigo primeiro dessa convenção. funcionários. a Carta Européia do Patrimônio Arquitetônico foi solenemente promulgada no Congresso sobre o Patrimônio Arquitetônico Europeu. é herança comum de todos os povos e que sua conservação compromete. Recomenda que os governos dos Estados Membros adotem as medidas de ordem legislativa. Considerando que o objetivo do Conselho da Europa é efetivar uma união mais estreita entre seus membros. a solidariedade efetiva dos Estados europeus. Considerando que os Estados Membros do Conselho da Europa. por consequência. em 1969. urbanistas. representantes de associações) Adotada pelo Comitê dos Ministros do Conselho da Europa.

levando em conta os resultados da campanha do Ano Europeu do Patrimônio Arquitetônico. cultural. abaixo redigidos: O patrimônio arquitetônico europeu é constituído não somente por nossos monumentos mais importantes. financeira e educativa necessárias à implementação de uma política de conservação integrada do patrimônio arquitetônico e a desenvolver o interesse do público por essa política. a utilização desse patrimônio é uma fonte de economias. se apercebem instintivamente do valor desse patrimônio. mais um empobrecimento cuja perda em valores acumulados não pode ser compensada. mesmo que não disponham de edificações excepcionais. portanto. O patrimônio arquitetônico tem um valor educativo determinante. Cada geração dá uma interpretação diferente ao passado e dele extrai novas idéias. a humanidade seria amputada de uma parte da consciência de sua própria continuidade. eles geralmente evitaram a segregação das classes sociais. No passado. organizado em 1975. É uma parte essencial da memória dos homens de hoje em dia e se não for possível transmitila às gerações futuras na sua riqueza autêntica e em sua diversidade. Ora. eles podem perder uma grande parte de seu caráter se esse ambiente é alterado. Os homens do nosso tempo. Adota e promulga os princípios da presente carta. Por outro lado. Durante muito tempo só se protegeram e restauraram os monumentos mais importantes. sem levar em conta o ambiente em que se inserem. uma boa repartição das funções e uma integração maior das populações. sob os auspícios do Conselho da Europa. mesmo por criações de alta qualidade. Esses conjuntos se constituem efetivamente em meios próprios ao desenvolvimento de um amplo leque de atividades. É preciso conservar tanto esses conjuntos quanto aqueles. O patrimônio arquitetônico dá testemunho da presença da história e de sua importância em nossa vida. A encarnação do passado no patrimônio arquitetônico constitui um ambiente indispensável ao equilíbrio e ao desenvolvimento do homem. os conjuntos. a necessidade de poupar recursos impõe-se a nossa sociedade. em presença de uma civilização que muda de feição e cujos perigos são tão manifestos quanto os bons resultados. preparada pelo Comitê dos Monumentos e Sítios do Conselho da Europa. podem oferecer uma qualidade de atmosfera produzida por obras de arte diversas e articuladas. Qualquer diminuição desse capital é. O patrimônio arquitetônico é um capital espiritual. A estrutura dos conjuntos históricos favorece o equilíbrio harmoniosos das sociedades.administrativa. Longe de ser um luxo para a coletividade. . de novo. Podem facilitar. Por outro lado. econômico e social cujos valores são insubstituíveis. mais também pelos conjuntos que constituem nossas antigas cidades e povoações tradicionais em seu ambiente natural ou construído.

A evolução histórica levou os centros degradados das cidades e. As restaurações abusivas são nefastas. Determinado tipo de urbanismo é destruidor quando as autoridades são exageradamente sensíveis às pressões econômicas e as exigências da circulação. Sua restauração deve ser conduzida por um espírito de justiça social e não deve ser acompanhada pelo êxodo de todos os habitantes de condição modesta. respeitar as proporções. pelo abandono. Convém notar que essa conservação integrada não exclui completamente a arquitetura contemporânea nos conjuntos antigos. portanto. administrativos. financeiros e técnicos. A sobrevivência desses testemunhos só estará assegurada se a necessidade de sua proteção for compreendida pela maior parte e. A conservação integrada requer a utilização de recursos jurídicos. mal aplicada. Afinal e principalmente. A conservação integrada é o resultado da ação conjugada das técnicas da restauração e da pesquisa de funções apropriadas. Importa. que por eles serão responsáveis no futuro. especialmente pelas gerações jovens. Ora. e que ela deverá ter na maior conta o entorno existente. destrói as antigas estruturas. pela antiguidade. é preciso complementá-las e criar os instrumentos jurídicos indispensáveis a níveis apropriados: nacional.Ele oferece um conteúdo privilegiado de explicações e comparações sobre o sentido das formas e um manancial de exemplos de suas utilizações. A conservação integrada afasta as ameaças. Quando essas disposições não permitirem a obtenção do objetivo buscado. assim como os materiais tradicionais. qualquer que seja a sua origem. pela degradação sob todas as formas. Recursos Administrativos A aplicação de uma tal política exige a utilização de estruturas administrativas adequadas e suficientemente valorizadas. Recursos Jurídicos A conservação integrada deve utilizar todas as leis e regulamentos existentes que possam concorrer para a salvaguarda e para a proteção do patrimônio. regional e local. a forma e a disposição dos volumes. conservar vivos os testemunhos de todas as épocas e de todas as experimentações. Ele está ameaçado pela ignorância. a imagem e o contato direto adquirem novamente uma importância decisiva na formação dos homens. Recursos Financeiros . Esse patrimônio está em perigo. as pequenas cidades abandonadas a se tornarem reservas de alojamento barato. a especulação financeira e imobiliária tiram partido de tudo e aniquilam os melhores projetos. por isso. A conservação integrada deve ser. A tecnologia contemporânea. um dos pressupostos do planejamento urbano e regional. eventualmente.

É essencial que os recursos financeiros consagrados pelos poderes públicos à restauração de conjuntos antigos sejam. Cada geração. aliás. são insuficientes em número. Cabe ao Conselho da Europa assegurar a coerência da política de seus Estados Membros e promover sua solidariedade. Recursos Técnicos Os arquitetos. O patrimônio arquitetônico é o bem comum de nosso continente. a Ciência e a Cultura de 26 de novembro de 1976 RECOMENDAÇÃO RELATIVA À SALVAGUARDA DOS CONJUNTOS HISTÓRICOS E SUA FUNÇÃO NA VIDA CONTEMPORÂNEA. Ainda que o patrimônio arquitetônico seja propriedade de todos. convocar as indústrias da construção a se adaptarem a essas necessidades e favorecer o desenvolvimento de um artesanato ameaçado de desaparecimento. pelo menos. em sua décima nona sessão. os artesãos qualificados. A informação do público deve ser mais desenvolvida na medida em que os cidadãos têm o direito de participar das decisões que dizem respeito a suas condições de vida. A Conferência Geral da Organização das Nações Unidas para a Educação.Organização das Nações Unidas para a Educação. iguais aos que se destinam a novas construções. aí compreendidos os recursos fiscais. só dispõe do patrimônio a título passageiro. as empresas especializadas. de todas as ajudas e incentivos financeiros necessários. constituem a presença viva do passado que lhes deu . Considerando que os conjuntos históricos ou tradicionais fazem parte do ambiente cotidiano dos seres humanos em todos os países. reunida em Nairobi. capazes de levar a bom termo as restaurações. É preciso desenvolver a formação e o emprego dos quadros e da mão de obra. Todos os problemas de conservação são comuns a toda a Europa e devem ser tratados de maneira coordenada. os técnicos de todas as categorias.A manutenção e restauração dos elementos do patrimônio arquitetônico devem poder se beneficiar. de 26 de outubro a 30 de novembro de 1976. em se apresentando ocasião. a Ciência e a Cultura. É indispensável o concurso de todos para o êxito da conservação integrada. cada uma das suas partes está à mercê de cada um. 19ª Sessão UNESCO . Cabe-lhe a responsabilidade de o transmitir às gerações futuras.

mesmo quando não resulte em perdas econômicas. Considerando que. os princípios e as normas formuladas nesta recomendação. por isso. esses testemunhos vivos de épocas anteriores adquirem uma importância vital para cada ser humano e para as nações que neles encontram a expressão de sua cultura e. Tendo-lhe sido apresentadas propostas relativas à salvaguarda dos conjuntos históricos ou tradicionais e sua função na vida contemporânea. nas datas e na . Desejando complementar e ampliar o alcance das normas e dos princípios formulados nesses instrumentos internacionais. regionais e locais. Considerando que os conjuntos históricos ou tradicionais constituem através das idades os testemunhos mais tangíveis da riqueza e da diversidade das criações culturais. religiosas e sociais da humanidade e que sua salvaguarda e integração na vida contemporânea são elementos fundamentais na planificação das áreas urbanas e do planejamento físico-territorial. A Conferência Geral recomenda aos Estados Membros que levem esta recomendação ao conhecimento das autoridades nacionais. no Plano Nacional. destruições que ignoram o que destroem e reconstruções irracionais e inadequadas ocasionam grave prejuízo a esse patrimônio histórico. adquirem um valor e uma dimensão humana suplementares. a Recomendação Relativa à Salvaguarda da Beleza e do Caráter dos Sítios e Paisagens (1962). todos os Estados devem agir para salvar esses valores insubstituíveis. A Conferência Geral recomenda aos Estados Membros que apliquem as disposições seguintes. regional ou local. Considerando que os conjuntos históricos ou tradicionais constituem um patrimônio imobiliário cuja destruição provoca muitas vezes perturbações sociais. Adota. Considerando que. no mundo inteiro. um dos fundamentos de sua identidade. a presente recomendação. tais como a Recomendação que Define os Princípios Internacionais a serem Aplicados em Relação às Escavações Arqueológicas (1956). Observando que a Conferência Geral já adotou instrumentos internacionais para a proteção do patrimônio cultural e natural. A Conferência Geral recomenda aos Estados Membros que lhe apresentem. em 26 de novembro de 1976. Considerando que essa situação implica a responsabilidade de cada cidadão e impõe aos poderes públicos obrigações que só eles podem assumir. adotando medidas sob a forma de lei nacional ou de outra forma. serviços ou órgãos e associações interessados na salvaguarda dos conjuntos históricos ou tradicionais e seu entorno. questão que constitui o ponto 27 da ordem do dia da sessão.forma. asseguram ao quadro da vida a variedade necessária para responder à diversidade da sociedade e. diante dos perigos da uniformização e da despersonalização que se manifestam constantemente em nossa época. diante de tais perigos de deterioração e até de desaparecimento total. destinadas a efetivar. sob pretexto de expansão ou de modernização. Tendo decidido. como parte do planejamento nacional. Considerando que. assim como às instituições. Constatando que em muitos países falta uma legislação suficientemente eficaz e flexível que diga respeito ao patrimônio arquitetônico e a suas relações com o planejamento físicoterritorial. a Recomendação sobre a Preservação dos Bens Culturais Ameaçados pela Realização de Obras Públicas ou Privadas (1968) e a Recomendação sobre a Proteção. nos territórios sob sua jurisdição. adotando urgentemente uma política global e ativa de proteção e de revitalização dos conjuntos históricos ou tradicionais e de sua ambiência. ao mesmo tempo. do Patrimônio Cultural e Natural (1972). que esse assunto seria objeto de uma recomendação aos Estados Membros. em sua décima oitava sessão.

b) Entende-se por "ambiência" dos conjuntos históricos ou tradicionais. c) Entende-se por "salvaguarda" a identificação. em regra. os bairros urbanos antigos. econômicos ou culturais. ao perigo da destruição direta dos conjuntos históricos ou . têm. que constituam um assentamento humano. que produz um aumento considerável na escala e na densidade das construções. a proteção. como um todo coerente cujo equilíbrio e caráter específico dependem da síntese dos elementos que o compõem e que compreendem tanto as atividades humanas como as construções. as cidades históricas. segundo as condições próprias de cada Estado Membro em matéria de distribuição de poderes. Do mesmo modo. Dessa maneira. o quadro natural ou construído que influi na percepção estática ou dinâmica desses conjuntos. histórico. estético ou sócio-cultural. Sua salvaguarda e integração na vida coletiva de nossa época deveriam ser uma obrigação para os governos e para os cidadão dos Estados em cujo território se encontram. regionais ou locais. todos os elementos válidos. relatórios sobre a maneira como aplicaram a presente recomendação. a manutenção e a revitalização dos conjuntos históricos ou tradicionais e de seu entorno. incluídas as atividades humanas. a restauração. Todos os trabalhos de restauração a serem empreendidos deveriam basear-se em princípios científicos. tanto no meio urbano quanto no rural e cuja coesão e valor são reconhecidos do ponto-de-vista arqueológico. podem-se distinguir especialmente os sítios pré-históricos. as aldeias e lugarejos. em relação ao conjunto. Entre esses "conjuntos". as autoridades nacionais. a reabilitação. Os conjuntos históricos ou tradicionais e sua ambiência deveriam ser protegidos ativamente contra quaisquer deteriorações. a conservação. ficando entendido que estes últimos deverão. uma significação que é preciso respeitar. Nas condições da urbanização moderna. Deveriam ser responsáveis por isso. assim como os conjuntos monumentais homogêneos.Princípios Gerais: Dever-se-ia considerar que os conjuntos históricos ou tradicionais e sua ambiência constituem um patrimônio universal insubstituível. assim como as provocadas por qualquer forma de poluição. de acréscimos supérfluos e de transformações abusivas ou desprovidas de sensibilidade que atentam contra sua autenticidade.forma que ela determinar. ou por laços sociais. a estrutura espacial e as zonas circundantes.Definições Para os efeitos da presente recomendação: a) Considera-se conjunto histórico ou tradicional todo agrupamento de construções e de espaços. arquitetônico. inclusive os sítios arqueológicos e palenteológicos. desde as mais modestas. Cada conjunto histórico ou tradicional e sua ambiência deveria ser considerado em sua globalidade. ou a eles se vincula de maneira imediata no espaço. I . II . particularmente as que resultam de uma utilização imprópria. que são muito variados. uma grande atenção deveria ser dispensada à harmonia e à emoção estética que resultam da conexão ou do contraste dos diferentes elementos que compõem os conjuntos e que dão a cada um deles seu caráter particular. pré-histórico. no interesse de todos os cidadãos e da comunidade internacional. ser conservados em sua integridade.

uma política nacional. Medidas Jurídicas e administrativas A aplicação de uma política global de salvaguarda dos conjuntos históricos e tradicionais e de sua ambiência deveria basear-se em princípios válidos para cada país em sua totalidade. nas condições peculiares a cada um em matéria de distribuição de poderes. levando em conta as disposições contidas neste capítulo e nos seguintes. Numa época em que a crescente universalidade das técnicas construtivas e das formas arquitetônicas apresentam o risco de provocar uma uniformização dos assentamentos humanos no mundo inteiro. econômicas e sociais pelas autoridades nacionais. se necessário. técnicas.Política Nacional. Essa política deveria influenciar o planejamento nacional. Os Estados Membros deveriam adaptar as disposições existentes ou. para assegurar tal salvaguarda. particularmente: . III . promulgar novos textos legislativos e regulamentares para assegurar a salvaguarda dos conjuntos históricos e tradicionais e de sua ambiência. regionais e locais para salvaguardar os conjuntos históricos ou tradicionais e sua ambiência e adaptá-los às exigências da vida contemporânea. regional e local e orientar a ordenação urbana urbano e rural e o planejamento físico-territorial em todos os níveis. IV . ou a visão que a partir deles se obtém. determinando-se as medidas concretas de acordo com as competências legislativas e constitucionais e com a organização social e econômica de cada Estado. à distribuição das funções e à execução das operações. Dever-se-ia buscar a colaboração dos indivíduos e das associações privadas para a aplicação da política de salvaguarda. não se deteriore e para que esses conjuntos se integrem harmoniosamente na vida contemporânea. a salvaguarda dos conjuntos históricos ou tradicionais pode contribuir extraordinariamente para a manutenção e o desenvolvimento dos valores culturais e sociais peculiares de cada nação e para o enriquecimento arquitetônico do patrimônio cultural mundial. Os arquitetos e urbanistas deveriam empenhar-se para que a visão dos monumentos e conjuntos históricos. Essas legislações deveriam encorajar a adaptação ou a adoção de disposições.tradicionais se agrega o perigo real de que os novos conjuntos destruam indiretamente a ambiência e o caráter dos conjuntos históricos adjacentes. regional ou local. ao urbanismo e à política habitacional de modo a coordenar e harmonizar suas disposições com as das leis relativas à salvaguarda do patrimônio arquitetônico. Regional e Local Em cada Estado Membro deveria se formular. As disposições que estabeleçam um sistema de salvaguarda dos conjuntos históricos ou tradicionais deveriam enunciar os princípios gerais relativos ao estabelecimento e à adoção dos planos e documentos necessários e. As ações resultantes desse planejamento deveriam se integrar à formulação dos objetivos e programas. nos planos urbanos. regional e local a fim de que sejam adotadas medidas jurídicas.Medidas de Salvaguarda A salvaguarda dos conjuntos históricos ou tradicionais e de sua ambiência deveria se ajustar aos princípios anteriormente enunciados e aos métodos expostos a seguir. Conviria revisar as leis relativas ao planejamento físico territorial.

estabelecido e modulado sobretudo para facilitar o desenvolvimento de habitação subsidiadas e de edifícios públicos através da reabilitação de construções antigas. assim como à construção de habitações sociais deveriam ser concebidas ou reformuladas de modo que não apenas se ajustem à política de salvaguarda. Essas disposições poderiam envolver medidas de planejamento urbano que influam no preço dos terrenos por construir . a obrigação de reconstituir e/ou multa apropriada. uma parte suficiente dos créditos previstos para a construção de habitações sociais deveria ser destinada à reabilitação de edificações antigas. . nova construção ou demolição no perímetro protegido. . O respeito às medidas de salvaguarda deveria ser imposto tanto às coletividades públicas quanto às particulares. .as condições e restrições gerais aplicáveis às zonas protegidas por lei e a suas imediações. As disposições referentes à construção de edifícios para órgãos públicos e privados e a obras públicas e privadas deveriam adaptar-se à regulamentação da salvaguarda dos conjuntos históricos e de sua ambiência. Em particular. O regime de eventuais subvenções deveria ser. Os efeitos legais das medidas de proteção a edificações e terrenos deveriam ser levadas ao conhecimento público e registradas em um órgão oficial competente. todavia.. .as condições gerais de instalação das redes de suprimento e dos serviços necessários à vida urbana ou rural.a designação do órgão encarregado de autorizar qualquer restauração.tais como o estabelecimento de planos de ordenação distritais ou de extensão mais reduzida. as disposições relativas aos imóveis e quarteirões insalubres.a indicação dos programas e operações previstas em matéria de conservação e de infraestrutura de serviços.as condições que regerão a implantação de novas construções.as normas que regulam os trabalhos de manutenção. mas que para ela contribuam. um mecanismo de recurso contra as decisões ilegais. Além disso. de reestruturação e de ordenação do espaço rural.as zonas e os elementos a serem protegidos. ou a intervenção compulsória em caso de incapacidade ou descumprimento por parte dos proprietários . modificação. . consequentemente. acompanhada de disposições preventivas contra as infrações à regulamentação de salvaguarda e contra qualquer alta especulativa dos valores imobiliários nas zonas protegidas. que possa comprometer uma proteção e uma restauração concebidas em função do interesse coletivo.as condições e restrições específicas que lhes dizem respeito. a expropriação no interesse da salvaguarda. . arbitrárias ou injustas. Só deveriam ser permitidas as demolições de edificações sem valor histórico ou arquitetônico e as subvenções ocasionalmente resultantes deveriam ser estritamente controladas.as modalidades de financiamento e de execução dos programas de salvaguarda. .e instituir sanções efetivas como a suspensão das obras. a concessão do direito de preempção e a um órgão público. restauração e transformação.as funções de manutenção e a designação dos encarregados de desempenhá-las. . . em princípio. Dever-se-ia estabelecer. A legislação de salvaguarda deveria ser. .os campos a que se poderão aplicar as intervenções de urbanismo. Os planos e documentos de salvaguarda deveriam definir especialmente: .

deveria ser realizado. os problemas fundiários. Econômicas e Sociais Dever-ser-ia estabelecer. especialistas em todas as matérias relativas à proteção e revitalização dos conjuntos históricos e tradicionais. a execução de obras de salvaguarda deveria se inspirar nos seguintes princípios: a) uma autoridade responsável deveria encarregar-se da coordenação permanente de todos os intervenientes: serviços públicos nacionais. regionais e locais. d) os planos de salvaguarda deveriam ser aprovados pelo órgão designado por lei. Medidas Técnicas. Essa relação deveria indicar prioridades para facilitar uma alocação racional dos limitados recursos disponíveis para fins de salvaguarda. c) as autoridades deveriam tomar a iniciativa de organizar a consulta e a participação da população interessada. regionais e locais ou grupos de particulares. culturais e técnicas.arquitetos e urbanistas. Deveria ser feita uma análise de todo o conjunto. um inventário dos espaços abertos. sociais e culturais. . históricos. b) os planos e documentos de salvaguarda deveriam ser elaborados depois que todos os estudos científicos necessários houverem sido efetuados por equipes multidisciplinares compostas. uma relação dos conjuntos históricos ou tradicionais e sua ambiência a serem salvaguardados. As medidas de proteção. destruídos. . econômicas. deveriam ser tomadas sem esperar que se estabeleçam planos e documentos de salvaguarda. o que permitiria às autoridades suspender qualquer obra incompatível com esta recomendação. .especialistas em conservação e restauração. que contivesse os dados arqueológicos. os modos de vida e as relações sociais. arquitetônicos. se possível. públicos e privados. de: . infraestrutura urbana. são necessários estudos pormenorizados dos dados e das estruturas sociais. principalmente.Respeitadas as condições próprias a cada país e a distribuição de poderes das diversas administrações nacionais. regional e local . conservados sob certas condições. As . o estado do sistema viário. ou. Além dessa investigação arquitetônica. assim como de sua vegetação. de qualquer tipo. administrativos e financeiros adequados. nos níveis nacional. . Esses estudos deveriam abranger.e. Além disso. em circunstâncias absolutamente excepcionais e escrupulosamente documentadas.nacional.deveriam contar com pessoal necessário e com meios técnicos. que tiverem caráter urgente. com a mesma finalidade.sociólogos e economistas.especialistas em saúde pública e assistência social. regional ou local. assim como do contexto urbano ou regional mais amplo. em geral. dados demográficos e uma análise das atividades econômicas.ecólogos e arquitetos paisagistas. . inclusive de sua evolução espacial. incluídos os historiadores da arte. técnicos e econômicos. as redes de comunicação e as inter-relações recíprocas da zona protegida com as zonas circundadas. Deveria ser produzido um documento analítico destinado a determinar os imóveis ou os grupos de imóveis a serem rigorosamente protegidos. e) os serviços públicos encarregados de aplicar as disposições de salvaguarda em qualquer nível .

econômico e físico dos conjuntos históricos e de sua ambiência está em constante evolução. seria conveniente que seus autores fossem encarregados de sua execução ou direção. É necessária uma vigilância permanente para evitar que essas operações beneficiem apenas a especulação ou sejam utilizadas com finalidades contrárias aos objetivos do plano. conviria. A programação deveria visar à adaptação das densidades de ocupação e a prever o escalonamento das operações. Nos conjuntos históricos ou tradicionais que possuírem elementos de vários períodos diferentes. Em caso contrário. e a capacidade de o tecido urbano e rural acolher funções compatíveis com seu caráter específico. Quando existirem planos de salvaguarda. em vez de serem retardadas indefinidamente enquanto se aprimora o processo de planejamento. na supressão de acréscimos e construções superpostas sem valor e. estabelecer uma programação que leva-se igualmente em consideração o respeito aos dados urbanísticos. desde que sejam compatíveis com os critérios de salvaguarda do patrimônio cultural. Um cuidado especial deveria ser adotado na regulamentação e no controle das novas construções para assegurar que sua arquitetura se enquadre harmoniosamente nas estruturas . Uma vez estabelecidos e aprovados os planos e normas de salvaguarda pela autoridade pública competente. a ação de salvaguarda deveria levar em consideração as manifestações de todos esses períodos. Essa programação deveria ser elaborada com a maior participação possível das coletividades e populações interessadas. Se tais elementos estivessem arriscados de sofrer danos com esses programas deveriam ser elaborados. que a elaboração dos planos de salvaguarda e sua execução se baseassem nos estudos disponíveis. Antes da formulação de planos e normas de salvaguarda e depois da análise acima descrita. os estudos e investigações deveriam ser regularmente atualizados. necessária e previamente. portanto. Seria essencial. em princípio.autoridades competentes deveriam atribuir suma importância a esses estudos e compreender que. não seria possível estabelecer planos eficazes de salvaguarda. sem ameaça alguma ao patrimônio cultural. Os programas de saneamento urbano ou de beneficiamento aplicáveis a zonas que não estão incluídas nos planos de salvaguarda deveriam respeitar os edifícios e outros elementos que possuam um valor arquitetônico ou histórico e seus acessórios. assim como a necessária acomodação temporária durante as obras e os locais para realojamento permanente dos habitantes que não puderem regressar a sua morada anterior. até mesmo. econômicos e sociais. os planos de salvaguarda pertinentes. arquitetônicos. Em qualquer operação de saneamento urbano ou de beneficiamento que afete um conjunto histórico deveriam ser observadas as normas gerais de segurança relativas a incêndios e catástrofes naturais. Uma vez que o contexto social. devem ser buscadas soluções particulares em colaboração com todos os serviços interessados. na demolição de edificações recentes que rompam a unidade do conjunto só poderão ser autorizados nos termos do plano de salvaguarda. sem eles. a fim de garantir o máximo de segurança. os programas de saneamento urbano ou de beneficiamento que consistirem na demolição de imóveis desprovidos de interesse arquitetônico ou histórico ou arruinados demais para serem conservados.

Para isso. relações dos volumes construídos e dos espaços. os letreiros comerciais. Os Estados Membros e as instituições interessadas deveriam proteger os conjuntos históricos ou tradicionais e sua ambiência contra os danos cada vez mais graves causados por determinados avanços tecnológicos. a instalação subterrânea de redes elétricas e de outros cabos. materiais e formas. através da proibição de se implantarem indústrias nocivas em sua proximidade e da adoção de medidas preventivas contra os efeitos destrutivos dos ruídos. urbano. para que se integrem harmoniosamente ao conjunto. como para analisar suas dominantes: harmonia das alturas. deverão ser adotadas medidas adequadas para suprimi-los. poderiam ser. Os conjuntos históricos ou tradicionais e sua ambiência deveriam ser protegidos contra a desfiguração resultante da instalação de suportes. seu deslocamento só deveria ser decidido excepcionalmente e por razões de força maior. Não se deveria autorizar o isolamento de um monumento através da supressão de seu entorno.espaciais e na ambiência dos conjuntos históricos. Numerosas operações de reabilitação. O custo das operações de salvaguarda não deveria ser avaliado apenas em função do valor cultural das construções. do mesmo modo. essencial manter as funções apropriadas existentes e. A proteção e a restauração deveriam ser acompanhadas de atividades de revitalização. para serem viáveis a longo prazo. em particular. assim como suas proporções médias e a implantação dos edifícios. e estabelecer redes de transporte que facilitem ao mesmo tempo a circulação dos pedestres. antenas de televisão ou painéis publicitários de grande escala. cores. não só para definir o caráter geral do conjunto. pois qualquer modificação poderia resultar em um efeito de massa. culturais e econômicos dos habitantes. sem contrariar o caráter específico do conjunto em questão. regional ou nacional em que se inserem. Uma atenção especial deveria ser prestada à dimensão dos lotes. Se já existirem. uma análise do contexto urbano deveria preceder qualquer construção nova. Uma política de revitalização cultural deveria converter os . tais como. o mobiliário urbano e o revestimento do solo deveriam ser estudados e controlados com o maior cuidado. deveriam ser compatíveis com o contexto econômico e social. então. Os problemas sociais decorrentes da salvaguarda só podem ser colocados corretamente se houver referência a essas duas escalas de valor. o acesso aos serviços e o transporte público. portanto. os Estados Membros deveriam estimular e ajudar as autoridades locais a encontrar soluções para esse problema. a publicidade luminosa ou não. Os cartazes. Essas funções teriam que se adaptar às necessidades sociais. elementos constitutivos do agenciamento das fachadas e dos telhados. o comércio e o artesanato e criar outras novas que. conviria estudar com extremo cuidado a localização e o acesso dos parques de estacionamento não só dos periféricos como dos centrais. por um lado e a densidade do tecido urbano e as características arquitetônicas por outro. a sinalização das ruas. prejudicial à harmonia do conjunto. dos choques e das vibrações produzidas contra as deteriorações provenientes de uma excessiva exploração turística. tais como quaisquer formas de poluição. Deveria ser feito um esforço especial para evitar qualquer forma de vandalismo. que seriam demasiadamente onerosas se fossem feitas separadamente. mas também do valor derivado da utilização que delas se possa fazer. Seria. Para consegui-lo e para favorecer o trânsito de pedestres. Dado o conflito existente na maior parte dos conjuntos históricos ou tradicionais entre o trânsito automobilístico. coordenadas fácil e economicamente com o desenvolvimento da rede viária. cabos elétricos ou telefônicos. entre outras.

em qualquer das formas descritas nos parágrafos seguintes. criação de grupos consultivos nos órgãos de planejamento. representação dos proprietários. pois as operações agrupadas se tornam economicamente mais vantajosas que as ações individuais. Nas zonas rurais todos os trabalhos que implicarem uma degradação da paisagem. incentivos fiscais. subordinadas ao acatamento de determinadas condições impostas no interesse do público. Uma cooperação constante em todos os níveis deveria. especialmente através dos seguintes meios: informações adaptadas aos tipos de pessoas atinentes. ser estabelecida entre as coletividades e os particulares. para conservar os edifícios existentes. Esses incentivos fiscais. Em geral. ou seja. assim como quaisquer mudanças nas estruturas econômicas e sociais deveriam ser cuidadosamente controlados para preservar a integridade das comunidades rurais históricas em seu ambiente natural. Dever-se-iam conceder doações. de gestão e de revitalização das operações relacionadas com os planos de salvaguarda. esses investimentos públicos deveriam servir. e levar em consideração o custo adicional da restauração. eventualmente. deveria pressupor as intervenções da coletividade. regional ou local todas as formas de ajuda financeira e de orientá-las a uma aplicação global. doações. a grupamentos de proprietários ou de usuários de habitações e estabelecimentos comerciais. privado ou mistos encarregados de coordenar nos níveis nacional. cujas iniciativas e participação ativa deveriam ser estimuladas. A ajuda pública. A ação de salvaguarda deveria associar a contribuição da autoridade pública à dos proprietários particulares ou coletivos e à dos habitantes e usuários. ou criação de órgãos de economia mista que participem da execução. antes de mais nada. regionais e locais.conjuntos históricos em pólos de atividades culturais e atribuir-lhes um papel essencial no desenvolvimento cultural das comunidades circundantes. o custo suplementar imposto ao proprietário em relação ao novo valor venal ou locativo do edifício. O conjunto desses créditos deveria ser administrado de forma centralizada pelos órgãos de direito público. Deveriam ser estimuladas a fundação de grupos voluntários de salvaguarda e de associações de caráter não lucrativo e a instituição de recompensas honoríficas ou pecuniárias para que sejam reconhecidas as realizações exemplares em todos os campos da salvaguarda. subsídios e empréstimos poderiam ser concedidos. As vantagens financeiras a serem concedidas aos proprietários particulares e aos usuários deveriam estar. isoladamente ou em grupo. a título consultivo. subsídios ou empréstimos em condições favoráveis ao proprietários particulares e usuários que houverem realizado as obras estabelecidas pelos planos de salvaguarda e de acordo com as normas fixadas por esses planos. dos habitantes e dos usuários. em caráter prioritário. portanto. nos órgãos de decisão. tais como garantia . onde for necessário e conveniente. pesquisas preparadas com a participação das pessoas interrogadas. particularmente as habitações de baixa renda e somente aplicar-se a novas construções na medida em que elas não constituírem uma ameaça à utilização e às funções dos edifícios existentes. Os investimentos públicos previstos pelos planos de salvaguarda dos conjuntos históricos e de sua ambiência deveriam ser avalizados pela consignação de créditos adequados nos orçamentos das autoridades centrais.

Pesquisa. de fundações e de empresas industriais e comerciais. acesso aos parques. As autoridades públicas deveriam prever igualmente dotações especiais para a reparação dos danos causados pelos desastres naturais. Todos os serviços e administrações que atuam na construção pública deveriam. Os Estados Membros e as autoridades interessadas em todos os níveis poderiam facilitar a criação de associações sem fins lucrativos que se encarregassem da aquisição e. se for o caso. Essas indenizações. As instituições públicas e os estabelecimentos de crédito privados poderiam facilitar o financiamento a obras de qualquer gênero destinadas a proteger os conjuntos históricos ou tradicionais e sua ambiência. etc. V . ajudariam os interessados a fazer frente ao aumento dos encargos provocados pelas obras realizadas. realização de fotografias. determinadas em função dos rendimentos. É essencial evitar que as medidas de salvaguarda acarretem uma ruptura da trama social. Os doadores poderiam desfrutar de isenções fiscais. Ensino e Informação Para aperfeiçoar a competência dos especialistas e dos artesãos necessários e para fomentar o interesse e a participação de toda a população no trabalho de salvaguarda. agenciar seus programas e orçamentos de maneira a contribuir para a reabilitação dos conjuntos históricos ou tradicionais. especialmente o artesanato rural. com taxas reduzidas e longos prazos de reembolso. da venda dos imóveis mediante a utilização de fundos de operações especialmente destinados a manter nos conjuntos históricos ou tradicionais os proprietários que desejarem protegê-los e preservar suas características. a agricultura em pequena escala. de acordo com sua competência legislativa e constitucional. depois de restaurá-los. o traslado dos habitantes. a pesca etc. com prejuízo dos menos favorecidos. através da criação de um órgão que se encarregasse da concessão de empréstimos aos proprietários. para que os ocupantes pudessem conservar suas habitações e seus pontos de comércio e produção assim como seus modos de vida e suas ocupações tradicionais. jardins ou sítios. Dotações especiais deveriam ser previstas nos orçamentos dos órgãos públicos ou privados para a proteção dos conjuntos históricos ou tradicionais ameaçados por grandes obras públicas ou privadas e pela poluição. possibilidade de visitação aos edifícios. Para evitar. Os Estados Membros e as coletividades interessadas deveriam encorajar as pesquisas e os estudos sistemáticos sobre: . dotados de personalidade jurídica e que pudessem receber doações de particulares. poderiam ser concedidas indenizações que compensassem a alta do aluguel. ainda.da integridade dos imóveis. através do financiamento a obras que correspondam simultaneamente a seus próprios objetivos e aos dos planos de salvaguarda. nos imóveis ou nos conjuntos a serem restaurados . Para aumentar os recursos financeiros disponíveis os Estados Membros deveriam incrementar a criação de estabelecimentos financeiros públicos ou privados para a salvaguarda dos conjuntos históricos e tradicionais e de sua ambiência. os Estados Membros deveriam adotar as medidas que se seguem.

à ajuda de organizações internacionais. de Roma.as interconexões entre salvaguarda. regionais e locais e entre a população. no de história. Esse ensino deveria utilizar amplamente os meios audiovisuais e as visitas aos conjuntos históricos ou tradicionais. não apenas estéticas e culturais.ICOMOS.Cooperação Internacional Os Estados Membros deveriam colaborar. . Essa cooperação multilateral ou bilateral deveria ser judiciosamente coordenada e concretizar-se através de medidas com as seguintes: .os métodos de conservação aplicáveis aos conjuntos históricos. Deveriam ser instaurados e desenvolvidos ensinamentos específicos sobre os temas acima e que compreendessem estágios de formação prática. intergovernamentais e não governamentais. mas também sociais e econômicas que pode oferecer uma política bem conduzida de salvaguarda dos conjuntos históricos ou tradicionais e sua ambiência deveriam ser objeto de uma informação clara e completa. . no que se refere à salvaguarda dos conjuntos históricos ou tradicionais e de sua ambiência. O desenvolvimento das técnicas artesanais. para inculcar no espírito dos jovens a compreensão e o respeito às obras do passado e para mostrar o papel desse patrimônio na vida contemporânea. se for necessário. Além disso é indispensável estimular a formação de técnicos e de artesãos especializados na salvaguarda dos conjuntos e de quaisquer espaços abertos que os circundam. A formação do pessoal administrativo encarregado das operações locais e salvaguarda dos setores históricos deveria. ameaçadas pelo processo de industrialização. As vantagens. a televisão. o rádio e o cinema e as exposições itinerantes. a imprensa. onde for adequado e necessário . particularmente. o Conselho Internacional de Monumentos e Sítios (ICOMOS) e o Conselho Internacional de Museus (ICOM). tais como o Centro de Estudos para a Conservação e a Restauração dos Bens Culturais.ICOM . Conviria facilitar o acesso a cursos de aperfeiçoamento e reciclagem para pessoal docente e para guias. de acordo com um programa a longo prazo. nacionais. A tomada de consciência em relação à necessidade da salvaguarda deveria ser estimulada pela educação escolar. principalmente ao Centro de Documentação UNESCO . VI . Essa informação deveria ser amplamente difundida entre os organismos especializados.aspectos urbanísticos dos conjuntos históricos ou tradicionais e de sua ambiência. pós-escolar e universitária e pelo recurso aos meios de informação tais como os livros. . O estudo dos conjuntos históricos deveria ser incluído no ensino em todos os níveis e.. . urbanismo urbano e planejamento físico-territorial. Seria de desejar que as instituições interessadas cooperassem nessa esfera com os organismos internacionais especializados no assunto. também deveria ser estimulado.a aplicação das técnicas modernas aos trabalhos de conservação. ser financiada e dirigida pelas autoridades competentes. para que saiba porque e como seu padrão de vida pode ser melhorado. recorrendo. bem como a formação de instrutores para ajudar os grupos de jovens e de adultos desejosos de se iniciar no conhecimento dos conjuntos históricos ou tradicionais. tanto privados como públicos. .a alteração dos materiais.as técnicas artesanais indispensáveis à salvaguarda.

os Estados Membros deveriam coordenar suas políticas e ações para conseguir a melhor utilização e proteção desse patrimônio. f) assistência mútua entre países vizinhos para a salvaguarda de conjuntos de interesse comum. ainda. a ser analisado interdisciplinarmente em uma discussão internacional que inclua intelectuais e profissionais. de 1933. b) organização de seminários e de grupos de trabalho sobre temas específicos. é ainda um documento fundamental para a nossa época. Que pode ser atualizado mas não negado. Atenas representou a racionalidade personificada por Aristóteles e Platão. d) luta contra todas as formas de poluição.a) intercâmbio de informações de todos os gêneros e de publicações científicas e técnicas. Machu Picchu simboliza a contribuição cultural independente de outro mundo. Os lugares são significativos. institutos de pesquisas e universidades de todos os países. Muitos de seus noventa e cinco pontos são válidos. envio de pessoal científico. 1977. c) concessão de bolsas de estudos e de viagem. . Carta de Machu Picchu de dezembro de 1977 Encontro Internacional de Arquitetos Passaram-se quase 45 anos desde que ó CIAM elaborou um documento sobre teoria e metodologia de planejamento. que a Carta de Atenas. De acordo com o espírito e com os princípios da presente recomendação. Muitos fenômenos novos emergiram durante esse tempo e exigem uma revisão da carta que a complemente com um documento de enfoque e amplitude mundiais. tanto em planejamento como em arquitetura. nenhum Estado Membro deveria tomar qualquer medida para demolir ou alterar as características dos bairros. técnico e administrativo e fornecimento de material. e) execução de grandes projetos de salvaguarda de conjuntos históricos ou tradicionais e de sua ambiência e difusão da experiência adquirida. Atenas. 1933. devendo salientar. Atenas se ergueu como o berço da civilização ocidental. em primeiro lugar. que recebeu o nome de Carta de Atenas. como testemunho da vitalidade e da continuidade do movimento moderno. Houve alguns esforços para atualizar a Carta de Atenas e o presente documento só pretende ser ponto de partida para tal empresa. Machu Picchu. Machu Picchu representa tudo o que não envolve a mentalidade global iluminística e tudo o que não é classificável por sua lógica. Nas regiões situadas de um lado e de outro de uma fronteira onde ocorrerem problemas comuns de planejamento e salvaguarda de conjuntos históricos ou tradicionais e sua ambiência. característicos do desenvolvimento histórico e cultural de região. cidades e sítios históricos situados nos territórios ocupados por esse Estado.

no contexto contemporâneo de urbanização. é. tornaram crítica a necessidade de uso mais efetivo dos recursos naturais e humanos. agravadas pelo fato de o ritmo de crescimento populacional das cidades ser muito superior ao demográfico geral.Cidade e região A Carta de Atenas reconheceu a unidade essencial das cidades e suas regiões circundantes. através do mundo. em nível nacional. energética e alimentícia. A elas temos que somar as crises de moradia e de serviços urbanos. onde se dá a migração das populações mais abastadas em direção aos subúrbios. A fraqueza da sociedade ao enfrentar as necessidades do crescimento urbano e as mudanças sócio-econômicas requer a reafirmação desse princípio em termos mais específicos e urgentes. a interpretação das necessidades humanas e a realização em um contexto de oportunidades de formas e de serviços urbanos apropriados para a população. As soluções urbanísticas propugnadas pela Carta de Atenas não levaram em conta esse crescimento acelerado. O objetivo do planejamento geral. A desarticulação entre o planejamento econômico em nível nacional e regional e o planejamento para o desenvolvimento urbano onerou e reduziu a eficiência de ambos. é uma obrigação fundamental dos governos. o projeto e o planejamento urbano e a arquitetura. As áreas urbanas muito frequentemente refletem os efeitos adversos e específicos de decisões econômicas baseadas em considerações amplas e relativamente abstratas.para orientar sua localização. assim como em estratégias de planejamento econômico a longo prazo. assim. regiões e nações . estados. O planejamento. consequência do uso de automóveis. não têm considerado diretamente as prioridades nem as soluções dos problemas das áreas urbanas. dando lugar à chamada crise tripla: ecológica. afinal. incluindo o planejamento econômico. podemos diferenciar duas categorias de movimentos: a primeira corresponde à dos países industrializados. características do processo de urbanização. abandonando as áreas centrais das cidades que. no que concerte aos núcleos humanos. Planejar. incluindo problemas e oportunidades e guiando o crescimento e desenvolvimento urbanos dentro dos limites dos recursos disponíveis. os benefícios potenciais do planejamento e da arquitetura não chegam à grande maioria.bairros. Hoje. As técnicas e disciplinas do planejamento devem ser aplicadas a toda a escala de grupos humanos . nem as conexões operacionais entre a estratégia econômica geral e o planejamento do desenvolvimento urbano. tanto como as relações funcionais essenciais entre bairros. os moradores das cidades e seus líderes comunitários e políticos. E isso requer um processo contínuo e sistemático de interação entre os profissionais do projeto. E tais decisões. Por isso. tendem a se deteriorar por deficiência . áreas metropolitanas. que constitui a raiz do problema de nossas cidades. distritos e outras áreas urbanas. deve refletir a unidade dinâmica das cidades e suas regiões circundantes. cidades. como um meio sistemático de analisar necessidades. sequência e características de desenvolvimento. Dentro do crescimento caótico das cidades. O crescimento urbano Desde a Carta de Atenas até nossos dias a população do mundo duplicou.

onde um processo analítico de clarificação tem sido usado como um processo sintético de ordenação do espaço urbano. muitas vezes. no nível do relacionamento humano. Atualmente. etc. trabalhar. Consideramos. programas de moradia. convertendo-se em incentivo que incrementa os movimentos migratórios para as cidades.) contribuem paradoxalmente para agravar o problema. Tais técnicas podem apenas tentar a incorporação das áreas marginais ao organismo urbano e. que a qualidade de vida e a integração com o meio ambiente natural devem ser objetivo básico na concepção dos espaços habitáveis. mas um poderoso instrumento de desenvolvimento social. divertir-se e circular e que os planos devem fixar sua estrutura e implantação. Devem ser projetados elementos construtivos que possam ser fabricados massificadamente para serem utilizados pelos usuários e que. economicamente. devem reconhecer este fato. onde.de recursos. portanto. consideramos que a comunicação humana é um fator predominante na razão de ser da cidade. Conceito de setor A Carta de Atenas assinala que as chaves do urbanismo se encontram nestas quatro funções básicas: de habitar. determinando que o processo urbano se nos apresente totalmente diferente. cada sítio arquitetônico resulta num objeto isolado e onde não se considera que a mobilidade humana determine um espaço influente. adquiriu-se consciência de que o processo urbanístico não consiste em setorizar. igualmente. afinal. que se instala em bairros marginais carentes de serviços e de infra-estrutura urbana. O mesmo espírito de integração que faz da comunicação entre os moradores da cidade um elemento básico da vida urbana deve regular a localização e a estruturação de áreas residenciais para diversas comunidades e grupos. caracterizando-se pela maciça migração rural. sem impor distinções inaceitáveis para o decoro humano. as medidas que se adotam para regularizar a marginalização (dotação de serviços públicos. saúde ambiental. Esse fenômeno não pode ser resolvido nem sequer controlado pelos dispositivos e medidas que estão ao alcance do planejamento urbano. facilitando portanto a participação criadora do usuário. A segunda categoria corresponde à das cidades dos países em desenvolvimento. Ela determinou cidades setorizadas em funções. O planejamento da cidade e da moradia. A casa popular não será considerada um objeto de consumo subsidiário. . O resultado é a existência de cidades com uma vida urbana amena. Moradia Diferentemente da Carta de Atenas. Essas transferências quantitativas produzem transformações qualitativas fundamentais. estejam a seu alcance. mas em criar definitivamente uma integração polifuncional e contextual. O projeto da casa deve ter a flexibilidade necessária para adaptar-se à dinâmica social.

Transportes nas cidades As cidades deverão planejar e manter o transporte público de massa, considerando-o como um elemento básico no processo do planejamento urbano. 0. custo social do sistema de transporte deverá ser apropriadamente avaliado e devidamente considerado no planejamento do crescimento de nossas cidades. Na Carta de Atenas está explícito que a circulação é uma das funções urbanas básicas e implícito que ela depende principalmente do uso do automóvel como meio de transporte individual. Depois de quarenta e quatro anos, comprovou-se que não há solução ótima para diferenciar, multiplicar e solucionar cruzamentos de ruas. É necessário, portanto, enfatizar que a solução para a função de circulação deve ser pesquisada mediante a subordinação do transporte individual ao transporte coletivo de massa. Os urbanistas devem conscientizar-se de que a cidade é uma estrutura em desenvolvimento, cuja forma final não pode ser definida, razão pela qual devem considerar as noções de flexibilidade e expansão urbanas. O transporte e a comunicação formam uma série de redes interconectadas que servem como sistema articulador entre espaços interiores e exteriores e deverão ser projetados de forma que permitam experimentar indefinidamente mudanças de extensão e forma. Disponibilidade do solo urbano A Carta de Atenas mostrou a necessidade de uma legislação que permitisse dispor, sem impedimentos, do solo urbano para satisfazer as necessidades coletivas. Para tanto, estabeleceu que o interesse privado devia subordinar-se ao interesse coletivo. Apesar de diversos esforços realizados desde 1933, as dificuldades de disponibilidade de solo urbano se mantêm como um obstáculo básico para o planejamento urbano. Por isso, é desejável que se criem e se adotem soluções legais eficientes capazes de produzir uma melhora substantiva a curto prazo. Recursos naturais e contaminação ambiental Uma das formas mais atentatórias contra a natureza é, hoje, a contaminação ambiental, que tem se agravado em proporções sem precedentes e potencialmente catastróficas, como conseqüência direta da urbanização não planejada e da excessiva exploração de recursos. Nas áreas urbanizadas do mundo a população está cada vez mais sujeita a condições ambientais que são incompatíveis com normas e conceitos razoáveis de saúde e bem estar humanos. Entre as características não aceitáveis se incluem a prevalência de quantidades excessivas de perigosas substâncias tóxicas no ar, na água e nos alimentos da população urbana, além dos níveis danosos de ruídos. As políticas oficiais que regem o desenvolvimento urbano deverão incluir medidas imediatas para evitar que se acentue a degradação do meio ambiente urbano e conseguir a restauração da integridade básica do meio ambiente, de acordo com as normas de saúde e de bem estar social. Estas medidas devem ser consideradas no planejamento urbano e econômico, no projeto arquitetônico, nos critérios e normas de engenharia e nas políticas de desenvolvimento.

Preservação e defesa dos valores culturais e patrimônio histórico-monumental A identidade e o caráter de uma cidade são dados não só por sua estrutura física, mas, também, por suas características sociológicas. Por isso, é necessário que não só se preserve e conserve o patrimônio histórico monumental, como também que se assuma a defesa do patrimônio cultural, conservando os valores que são de fundamental importância para afirmar a personalidade comunal ou nacional e/ou aqueles que têm um autêntico significado para a cultura em geral. Por isso mesmo, é imprescindível que na tarefa de conservação, restauração e reciclagem das zonas monumentais e dos monumentos históricos e arquitetônicos, considere-se a sua integração ao processo vivo do desenvolvimento urbano como único meio que possibilite o financiamento da operação. No processo de reciclagem dessas zonas, deve ser considerada a possibilidade de se construírem edifícios de arquitetura contemporânea da melhor qualidade. Tecnologia A Carta de Atenas referiu-se tangencialmente ao processo tecnológico, ao discutir o impacto da atividade industrial na cidade. Nos últimos quarenta e cinco anos o mundo experimentou um desenvolvimento tecnológico sem precedentes, que tem afetado nossas cidades e também a prática da arquitetura e do urbanismo. A tecnologia se desenvolveu explosivamente em algumas regiões do mundo e sua difusão e aplicação eficaz é um dos problemas básicos de nossa época. Hoje, o desenvolvimento científico e tecnológico e a intercomunicação entre os povos permitem superar as condicionantes locais e oferecer os mais amplos recursos para resolver os problemas urbanísticos e arquitetônicos. O mau uso dessa possibilidade determina que, frequentemente, se adotem materiais, técnicas e características formais como resultado de pruridos de novidade e complexos de dependência cultural. Neste sentido, usualmente, o impacto do desenvolvimento tecnológico-mecânico tem determinado que a arquitetura seja um processo de criar ambientes artificialmente condicionados a um clima e a uma iluminação não naturais. Isso pode ser uma solução para determinados problemas, mas a arquitetura deve ser um processo de criar ambientes condicionados em função de elementos naturais. Deve-se entender que a tecnologia é meio e não fim e que ela deve ser aplicada em função de uma realidade e de suas possibilidades como resultado de um sério trabalho de investigação e experimentação, trabalho que os governos devem ter em conta. A dificuldade de utilizar processos altamente mecanizados ou materiais construtivos eminentemente industrializados não deve significar uma diminuição de rigor técnico ou de cabal resposta arquitetônica às exigências do problema a resolver, mas, pelo contrário, um maior rigor no planejamento das soluções possíveis para o meio.

A tecnologia construtiva deve considerar a possibilidade de reciclar os materiais fim de conseguir transformar elementos construtivos em recursos renováveis. Implementação O planejamento, os profissionais e as autoridades pertinentes devem ter presente que o processo não termina na formulação de um plano e em sua subsequente execução, mas que, sendo a cidade um organismo vivo, é necessário considerar e prover os processos de sua manutenção. Deve-se entender também que cada região e cada cidade, no processo de sua implementação, deve criar e importar suas normas legais, de acordo com seu meio ambiente, recursos e características formais próprias. Projeto Urbanístico e Arquitetônico A Carta de Atenas não cuidou do projeto arquitetônico. Aqueles que a formularam não o consideraram necessário, porque concordavam que a arquitetura era um jogo sábio de volumes puros sob a luz, la Ville Radieuse, composta de tais volumes, aplicou uma linguagem arquitetônica de origem cubista, perfeitamente coerente com o conceito que separou as cidades em partes funcionais. Durante as últimas décadas, para a arquitetura contemporânea o problema principal não é mais o jogo visual de volumes puros, mas a criação de espaços sociais para neles se viver. A ênfase não está no continente, mas no conteúdo, não na embalagem isolada, por mais bela e sofisticada que seja, mas na continuidade da textura urbana. Em 1933, o esforço foi para desintegrar o objeto arquitetônico e a cidade em seus componentes. Em 1977, o objetivo deve ser reintegrar esses componentes, que, fora de suas relações formais, perderam vitalidade e significado. Para precisar melhor, a reintegração, tanto na arquitetura como no planejamento, não significa a integração a priori do classicismo. Deve ficar claramente estabelecido, que as recentes tendências para o ressurgimento da tradição das Beaux-Arts são anti-históricas em um grau grotesco e não têm a importância que justifique sua discussão. Mas são sintomas de uma obsolescência da linguagem arquitetônica para a qual devemos ficar alertas, para não voltarmos a uma espécie de cínico ecletismo do século XIX, e sim avançar em direção a uma etapa mais madura do movimento moderno. As conquistas dos anos trinta, quando a Carta de Atenas foi promulgada, são ainda válidas. Elas dizem respeito a: a) a análise dos edifícios e de suas funções; b) o princípio de dissonância; c) a visão espaço-tempo antiperspectiva; d) a desarticulação do tradicional edifício-caixa; e) a reunificação da engenharia estrutural e da arquitetura; A estas "constantes" ou "invariáveis" da linguagem arquitetônica têm se somado. f) a temporalidade do espaço; g) a reintegração edifício-cidade-paisagem.

não obstante. a participação do usuário é ainda mais importante e concreta. Ao contrário. em nossa época não é apenas um princípio visual. mas um fator ativo de mensagem polivalente. Mas estas foram construídas como um monumento à morte.A temporalidade do espaço é a maior contribuição de Frank Lloyd Wright e corresponde à visão dinâmica do espaço-tempo-cubista. é tão absurda como foi a cópia do Partenon. É tempo de recomendar aos arquitetos que tomem consciência do desenvolvimento histórico do movimento moderno e cessem de multiplicar paisagens urbanas obsoletas. assim. sejam horizontais ou verticais. As teorias da relatividade e da determinação não diminuíram o prestígio dos cientistas. não apenas ao visual. porque um cientista não dogmático é muito mais respeitado que o velho deux ex machina. Significa que o povo deve participar ativa e criativamente em cada fase do projeto. A experiência artística nas últimas décadas. podendo. enfoque aplicado não só aos volumes. dessa arquitetura sem arquitetos. as ordens vitruvianas e as Beaux Arts. aquelas se levantaram por obra e para o sustento das comunidades. mas também aos valores sociais. as construções do antigo Peru com as pirâmides do Egito. Tal atitude. mas fundamentalmente social. reflexivo ou transparentes. tem demonstrado que os artistas já não produzem um objeto finito. mas um elemento do continuum. O enfoque do finito não diminui o prestígio do planejador ou do arquiteto. A reintegração edifício-cidade-paisagem é uma consequência da unidade entre cidade e campo. Elas expressam volumétrica e espiritualmente o rumo diferente de duas grandes civilizações que edificaram para a eternidade. Algumas vezes se compararam. Se o povo for incluído no processo do projeto. No campo construtivo. Foi explorado pelos maneiristas e. No momento em que os arquitetos se libertarem dos conceitos acadêmicos do finito. sua imaginação será estimulada pelo imenso patrimônio da arquitetura popular. os usuários integrar-se no trabalho do arquiteto. exaltando a glória do monarca e. como um monumento à vida. opacos. de maneira que o espectador não seja um contemplador passivo da obra artística. procede o paralelo. se encontram e se fundem naturalmente com os idiomas populares. deve-se ser cuidadoso. por Michelangelo Não obstante. o que implica que cada edifício não seja um objeto finito. que eles se detêm no meio ou nas três quartas partes do processo. A participação dos usuários faz mais orgânico e verdadeiro o encontro entre a linguagem altamente cultural e a popular. que requer um diálogo com outros elementos para completar sua própria imagem. que tanto se tem estudado nas últimas décadas. O fato de reconhecer que os edifícios vernaculares muito contribuem para a imaginação arquitetônica não significa que devam ser imitados. Fisicamente. a relevância do arquiteto será enfatizada e a inventiva arquitetônica será maior e mais rica. na música e nas artes visuais. como também aos espaços humanos. Quanto a isso. tanto como os Cinco Princípios de Le Corbusier. incrementa-o. Está provado que o enfoque cultural do projeto arquitetônico. O princípio do não-finito não é novo. por sua monumentalidade. de 1921. O problema é totalmente diferente da imitação. pelo grandioso em ambas as concepções. de uma forma explosiva. feitas de volumes monumentais. hoje. O novo conceito de urbanização pede a continuidade de edificação. .

nem com a recriação. compreendidos. ela poderá. com o máximo de exatidão. além da manutenção.o termo manutenção designará a proteção contínua da substância. do conteúdo e do entorno de um bem e não deve ser confundido com o termo reparação.o termo conservação designará os cuidados a serem dispensados a um bem para preservarlhe as características que apresentem uma significação cultural.o uso compatível designará uma utilização que não implique mudança na significação cultural da substância.a preservação será a manutenção no estado da substância de um bem e a desaceleração do processo pelo qual ele se degrada. . sejam novos ou antigos. .O objetivo da conservação é preservar a significação cultural de um bem.o termo bem designará um local. A reparação implica a restauração e a reconstrução. modificações que sejam substancialmente reversíveis ou que requeiram um impacto mínimo. A reconstrução não deve ser confundida. em cada caso. ela se distingue pela introdução na substância existente de materiais diferentes. utilizar técnicas modernas. . um edifício ou outra obra construída.a reconstrução será o restabelecimento.A conservação deve se valer do conjunto de disciplinas capazes de contribuir para o estudo e a salvaguarda de um bem.Para os fins das presentes orientações: . De acordo com as circunstâncias.A conservação se baseia no respeito à substância existente e não deve deturpar o testemunho nela presente.a substância será o conjunto de materiais que fisicamente constituem o bem. . . histórico. uma zona. ela deve implicar medidas de segurança e manutenção. o conteúdo e o entorno a que pertence.Carta de Burra Austrália. . em determinadas circunstâncias. . . científico ou social de um bem para as gerações passadas. . a conservação implicará ou não a preservação ou a restauração. de um estado anterior conhecido. ser de caráter tradicional. nem com a reconstituição hipotética. . presentes ou futuras. mas pode-se. Artigo 4° .o termo significação cultural designará o valor estético. assim como disposições que prevejam sua futura destinação. 1980 ICOMOS . ou um conjunto de edificações ou outras obras que possuam uma significação cultural. e assim será considerada. em princípio.Conselho Internacional de Monumentos e Sítios Definições Artigo 1° .a adaptação será o agenciamento de um bem a uma nova destinação sem a destruição de sua significação cultural. compreender obras mínimas de reconstrução ou adaptação que atendam às necessidades e exigências práticas. igualmente. As técnicas empregadas devem.a restauração será o restabelecimento da substância de um bem em um estado anterior conhecido. Artigo 3° . ambas excluídas do domínio regulamentado pelas presentes orientações. Conservação Artigo 2° .

As destinações compatíveis são as que implicam a ausência de qualquer modificação. Artigo 6° . não pode ser admitido.A conservação de um bem exige a manutenção de um entorno visual apropriado. integralmente ou em parte. à manutenção e à eventual estabilização da substância existente. ele deverá ser restituído na medida em que novas circunstâncias o permitirem. ainda. assim como nos casos em que há insuficiência de dados que permitam realizar a conservação sob outra forma. da textura. Artigo 9° . Artigo 12° . Restauração Artigo 13° . modificações reversíveis em seu conjunto ou. no plano das formas. Artigo 8° . no estado em que se encontra. Nesse caso. Não poderão ser admitidas técnicas de estabilização que destruam a significação cultural do bem.A preservação se impõe nos casos em que a própria substância do bem. etc.As opções a serem feitas na conservação total ou parcial de um bem deverão ser previamente definidas com base na compreensão de sua significação cultural e de sua condição material. Não deverão ser permitidas qualquer nova construção. O deslocamento de uma edificação ou de qualquer outra obra.A retirada de um conteúdo ao qual o bem deve uma parte de sua significação cultural não pode ser admitida. Artigo 10° . nenhum deles deve ser revestido de uma importância injustificada em detrimento dos demais. da escala. . A introdução de elementos estranhos ao meio circundante. a menos que represente o único meio de assegurar a salvaguarda e a segurança desse conteúdo. que prejudiquem a apreciação ou fruição do bem. nem qualquer demolição ou modificação susceptíveis de causar prejuízo ao entorno. oferece testemunho de uma significação cultural específica.A restauração só pode ser efetivada se existirem dados suficientes que testemunhem um estado anterior da substância do bem e se o restabelecimento desse estado conduzir a uma valorização da significação cultural do referido bem.Todo edifício ou qualquer outra obra devem ser mantidos em sua localização histórica. modificações cujo impacto sobre as partes da substância que apresentam uma significação cultural seja o menor possível. das cores. Nenhuma empreitada de restauração deve ser empreendida sem a certeza de existirem recursos necessários para isso.Na conservação de qualquer bem deve ser levado em consideração o conjunto de indicadores de sua significação cultural.A preservação se limita à proteção. a não ser que essa solução constitua o único meio de assegurar sua sobrevivência. Artigo 5° . deve ser proibida.As opções assim efetuadas determinarão as futuras destinações consideradas compatíveis para o bem. Preservação Artigo 11° . dos materiais.desde que se assentem em bases científicas e que sua eficácia seja garantida por uma certa experiência acumulada. Artigo 7° .

Artigo 14° . Artigo 20° . documentais ou outros.A reconstrução deve se limitar à reprodução de substâncias cujas características são conhecidas graças aos testemunhos materiais e/ou documentais. e deve parar onde começa a hipótese.A restauração deve servir para mostrar novos aspectos em relação à significação cultural do bem.Qualquer intervenção prevista em um bem deve ser precedida de um estudo dos dados disponíveis. Artigo 15° . Artigo 24° . Quando a substância do bem pertencer a várias épocas diferentes. Reconstrução Artigo 17° . o resgate de elementos datados de determinada época em detrimento dos de outra só se justifica se a significação cultural do que é retirado for de pouquíssima importância em relação ao elemento a ser valorizado.Os estudos que implicam qualquer remoção de elementos existentes ou escavações arqueológicas só devem ser efetivados quando forem necessários para a obtenção de dados indispensáveis à tomada de decisões relativas à conservação.A reconstrução deve se limitar à colocação de elementos destinados a completar uma entidade desfalcada e não deve significar a construção da maior parte da substância de um bem.As contribuições de todas as épocas deverão ser respeitadas. Artigo 18° . na previsão de posterior restauração do bem. Artigo 22° . Artigo 21° . Ela se baseia no princípio do respeito ao conjunto de testemunhos disponíveis. Qualquer transformação do aspecto de um bem deve ser precedida da elaboração. sejam eles materiais. . Artigo 16° .A adaptação só pode ser tolerada na medida em que represente o único meio de conservar o bem e não acarrete prejuízo sério a sua significação cultural.A restauração pode implicar a reposição de elementos desmembrados ou a retirada de acréscimos.Os elementos dotados de uma significação cultural que não se possa evitar desmontar durante os trabalhos de adaptação deverão ser conservados em lugar seguro. Procedimentos Artigo 23° .As obras de adaptação devem se limitar ao mínimo indispensável à destinação do bem a uma utilização definida de acordo com os termos dos artigos 6 e 7. de documentos que perpetuem esse aspecto com exatidão. sejam materiais. do bem e/ou à obtenção de testemunhos materiais fadados a desaparecimento próximo ou a se tomarem inacessíveis por causa dos trabalhos obrigatórios de conservação ou de qualquer outra intervenção inevitável.A reconstrução deve ser efetivada quando constituir condição sine qua non de sobrevivência de um bem cuja integridade tenha sido comprometida por desgastes ou modificações. Artigo 19° . As partes reconstruídas devem poder ser distinguidas quando examinadas de perto. ou quando possibilite restabelecer ao conjunto de um bem uma significação cultural perdida. por profissionais. documentais ou outros. nas condições previstas no artigo 16.

apresenta.ICOMOS / IFLA Preâmbulo Reunidos em Florença. Carta de Florença de maio de 1981 Conselho Internacional de Monumentos e Sítios . o comitê Internacional de Jardins Históricos e ICOMOS/IFLA decidiram elaborar uma carta relativa à proteção dos jardins históricos. Essa carta foi redigida pelo comitê e registrada em 15 de dezembro de 1982 pelo ICOMOS. um interesse público. que são objeto da presente carta. do ponto de vista da história ou da arte.O jardim histórico é uma composição de arquitetura cujo material é principalmente vegetal. perceptível e renovável. que levará o nome desta cidade. conforme o disposto no artigo 25 acima. em 21 de maio de 1981.Por ser monumento. Definição e objetivos Artigo 1º .Os documentos consignados nos artigos 23. Todavia. e deve ser mantido um diário no qual serão consignadas as novidades surgidas. Como tal é considerado monumento. exercido por profissionais. com provas documentais de apoio (fotos.) Artigo 26° .Artigo 25° .Um jardim histórico é uma composição arquitetônica e vegetal que. portanto. Artigo 29° . assim. 26 e 27 acima serão guardados nos arquivos de um órgão público e mantidos à disposição do público.Os trabalhos contratados devem ter acompanhamento apropriado.ICOMOS Comitê Internacional de Jardins e Sítios Históricos . Artigo 2º . desenhos. visando a complementar a Carta de Veneza neste domínio particular. amostras. Artigo 28° . do desenvolvimento e do definhamento da natureza. 25.Qualquer ação de conservação a ser considerada deve ser objeto de uma proposta escrita acompanhada de uma exposição de motivos que justifique as decisões tomadas. o jardim histórico deve ser salvaguardado. como tal. vivo e.Destacam-se na composição arquitetura do jardim histórico: . etc. Artigo 3º . Artigo 4º . Seu aspecto resulta. conforme o espírito de Carta de Veneza. Artigo 27° . sua salvaguarda requer regras específicas.Os objetos a que se refere o artigo 10 acima serão catalogados e protegidos de acordo com normas profissionais. de um perpétuo equilíbrio entre o movimento cíclico das estações. como Monumemto Vivo. bem como o de seus dirigentes responsáveis.As decisões de orientação geral devem proceder de organismos cujos nomes serão devidamente comunicados. devendo a cada decisão corresponder uma responsabilidade específica. e da vontade de arte e de artifício que tende a perenizar o seu estado. bem como as decisões tomadas.

em nível mundial. os meios de informação e a capacitação profissional: em muitos países. lugar de deleite. seu jogo de cor. outras organizações governamentais e nãogovernamentais foram implantadas em todos os níveis e vários importantes convênios internacionais relativos à cooperação ambiental foram concluídos. A conferência de Estocolmo constitui uma força poderosa que incrementou a consciência e a compreensão públicas quanto à fragilidade do meio ambiente. . a fim de comemorar o décimo aniversário da Conferência das Nações Unidas sobre o Ambiente Humano. e reconhece a necessidade urgente de intensificar esforços em níveis global. um paraíso no sentido etmológico do termo. roga solenemente a governos e povos para agirem construtivamente a partir do progresso alcançado até hoje. Artigo 5º . Com efeito. . reunida em Nairobi do dia 10 ao dia 18 de maio de 1982. que ocorreu em Estocolmo. e os resultados respectivos não podem ser considerados satisfatórios. Algumas atividades humanas descontroladas e não-programadas determinaram . seus volumes. de uma época. o plano de ação inicial foi apenas parcialmente instrumental. Os princípios da Declaração de Estocolmo são tão válidos hoje como em 1972 e proporcionam um código básico de comportamento para os anos vindouros. foram insuficientes a compreensão e a previsão necessárias para entender o benefício a longo prazo de programas e ações coordenadas de proteção ambiental. tendo recapitulado as medidas tomadas para implementar a declaração e o plano de ação adotados naquela conferência.as águas moventes ou dormentes. nem os objetivos nem as ações asseguram a disponibilidade e a distribuição eqüitativa de recursos naturais.suas massas vegetais: suas essências. No entanto.. o jardim toma assim o sentido cósmico de uma imagem idealizada do mundo.seu plano e os diferentes perfis do seu terreno. reflexo do céu.Expressão de relações estreitas entre a civilização e a natureza. Eis porque o plano de ação inicial não teve a repercussão requerida na totalidade da comunidade internacional. suas alturas respectivas. seus espaçamentos. de um estilo. passou-se a adotar legislação ambiental e um número relevante de países incorporou ao contexto de suas constituições. dispositivos relativos à proteção ambiental. eventualmente da originalidade de um criador. Os anos decorridos desde então registraram um progresso significativo das ciências ambientais: expandiram-se consideravelmente a educação.seus elementos construídos ou decorativos. mas que dá testemunho de uma cultura. regional e nacional de modo a protegê-lo e melhorá-lo. Além do programa ambiental das Nações Unidas. embora expressando sua grave preocupação acerca do atual estado do ambiente. Do mesmo modo. Declaração de Nairobi de 10 a 18 de maio de 1982 (Quênia) Assembléia Mundial dos Estados UNEP – Organização das Nações para o Meio Ambiente A Assembléia Mundial dos Estados. . apropriado à meditação e ao devaneio.

também do apartheid. Seria extremamente benéfico. pode vir a contribuir para um desenvolvimento sócio-econômico fundamentado e permanente. a degradação do solo e a desertificação atingiram proporções alarmantes e puseram seriamente em risco as próprias condições de sobrevivência em vastas regiões do planeta. a concentração crescente de dióxido de carbono e de chuvas ácidas. Mecanismos conjugados de mercado e de planejamento podem também contribuir para a racionalização do desenvolvimento e do manejo do ambiente e dos recursos naturais. Livre. que destaque essas relações. pelo aumento da população. a poluição das águas marinhas e interiores. o estabelecimento de uma atmosfera internacional de paz e de segurança. As nações desenvolvidas (ou quaisquer outros países que se encontrem em condições de fazê-lo) deveriam prestar auxílio aos países em vias de desenvolvimento afetados pelo desequilíbrio ambiental. de colonialismo. como as ocorridas na camada de ozônio. a população e os recursos naturais por um lado e. O desmatamento. Muitos problemas ambientais transcendem as fronteiras e deveriam. o descuido a que tem sido votado o destino final e a reutilização de substâncias perigosas. dentro dos próprios países e entre Estados. Uma consciência específica e lúcida em nível regional. No decurso da última década surgiram novas diretrizes: a necessidade do levantamento e manejo das complexas e íntimas conexões entre o ambiente. A estratégia internacional de desenvolvimento para a terceira década de ação das Nações Unidas e o advento de uma nova ordem econômica internacional fazem parte. assim como com um consumismo e um desperdício abusivos: ambos podem levar à exploração predatória do meio. os Estados passariam a promover a promulgação progressiva da legislação ambiental. por outro. particularmente em áreas urbanas. aumentando ao mesmo tempo a cooperação no campo da pesquisa científica e do manejo do ambiente. dos instrumentos primordiais no sentido do esforço global para reverter o curso da agressão ambiental. por conseguinte. de opressão e de domínio estrangeiro. As ameaças ao meio ambiente são agravadas por estruturas coniventes com a miséria. incluindo convênios e convenções. As deficiências ambientais provenientes do subdesenvolvimento (incluindo fatores externos que ultrapassam a capacidade de controle dos países envolvidos) geram graves problemas que se podem combater graças a uma distribuição mais eqüitativa de recursos econômicos e técnicos. poderia compatibilizar o progresso econômico e social com a conservação de recursos naturais.a degradação crescente do ambiente. para o bem de todos. para o ambiente humano. da segregação racial e de todas as formas de discriminação. assim como a extinção de espécies animais e vegetais constituem graves ameaças adicionais para o ambiente humano. Esses fatores foram amplamente discutidos. e do desperdício de recursos intelectuais e naturais absorvidos pelos programas armamentistas. que permita ao homem viver livre da ameaça da guerra (especialmente de uma guerra nuclear). por meio de consultas intergovernamentais e de ações internacionais pertinentes. A utilização de tecnologia apropriada. particularmente da tecnologia elaborada por outros países em vias de desenvolvimento. o impacto ocasionado. As doenças associadas às condições ambientais adversas continuaram a contribuir para o sofrimento humano. Requer-se uma soma maior de esforços para desenvolver a metodologia e o manejo adequados para a exploração e a utilização de recursos naturais e para modernizar os sistemas . Mudanças havidas na atmosfera. quando necessário. o desenvolvimento. apesar dos seus esforços internos em confrontar seus problemas ambientais mais sérios. Para isso. ser resolvidos.

tradicionais de pastoreio. de forma a assegurar que o nosso pequeno planeta seja transmitido às futuras gerações em condições que garantam a vida e a dignidade humana para todos. assim. no sentido de promover a substituição. apresenta possibilidades promissoras. O rápido esgotamento das fontes tradicionais e convencionais de energia apresenta um novo e premente desafio quanto ao seu manejo e conservação e à preservação do meio ambiente. entre nações ou entre grupos de nações. como instrumento catalisador primordial para a cooperação ambiental global. a sua responsabilidade histórica. Tlaxcala. A prevenção de agressões ambientais é preferível à recuperação pesada e onerosa dos danos que já tenham sido causados. individual e coletivamente. a sua adesão à declaração e ao plano de ação adotados em Estocolmo. A programação racional e conjunta dos recursos energéticos. deveriam ser conscientizadas de sua responsabilidade ambiental. Reafirma. incrementar a conscientização pública e política sobre a importância do meio ambiente. ou de procederem à exportação para outros países. Deve-se prestar uma atenção particular ao papel das inovações técnicas. assim como ao fortalecimento e ampliação de esforços nacionais e de atos de cooperação internacional. graças ao Fundo Ambiental.Conselho Internacional de Monumentos e Sítios Os participantes do Terceiro Colóquio Interamericano sobre a Conservação do Patrimônio Monumental. Importa. . por exemplo. fazendo apelo para que seja aumentada a disponibilidade de recursos naturais. em particular. a elaboração de novas fontes renováveis de energia terão um efeito benéfico no ambiente. As organizações nãogovernamentais têm um papel particularmente relevante e inspirador nesse campo. visando aos meios de informação. A comunidade mundial de Estados reafirma. igualmente. pela qualidade dos trabalhos e pelos resultados obtidos nessa reunião. no âmbito da proteção ambiental. a reciclagem e a conservação de recursos naturais.MÉXICO ICOMOS . organizado pelo Comitê Nacional do ICOMOS mexicano e que se realizou em Trindade. à educação e à capacitação profissional. solenemente. mostraram-se sensibilizados pelas atenções de que foram cercados e exprimem sua gratidão aos representantes mexicanos pela acolhida calorosa. O comportamento e a participação responsáveis são essenciais para promover a causa do meio ambiente. Essa ação preventiva deveria incluir a programação de todas as atividades que possam causar impacto ambiental. Uma ação legislativa adequada e oportuna é importante nesse particular. além disso. inclusive as corporações multinacionais. Declaração de Tlaxcala de outubro de 1982 3o Colóquio Interamericano sobre a Conservação do Patrimônio Monumental "Revitalização das Pequenas Aglomerações" . Conclama todos os governos e povos do mundo a assumirem. de 25 a 28 de outubro de 1982. o seu apoio no sentido de fortalecer o programa das Nações Unidas para o meio ambiente. antes de adotarem novos métodos e novas tecnologias de produção industrial. Todas as empresas. sobre o tema A Revitalização das Pequenas Aglomerações. Medidas possibilitando.

particularmente nas pequenas aglomerações. Pensam que. fenômeno que ameaça a própria existência dessas localidades. propõem a utilização de elementos de substituição que não ocasionem alterações notáveis na forma resultante e que correspondam às condições psicológicas locais e aos modos de vida dos habitantes da região. para preservar a atmosfera tradicional nas localidades rurais e nas pequenas aglomerações e para permitir a continuidade de manifestações arquitetônicas vernaculares contemporâneas. intervindo diretamente no processo de realização. Solicitam também aos governos e organismos competentes uma infra-estrutura e um equipamento integrados. Lembram que a conservação e realização das pequenas aglomerações são. também. Reafirmam a importância dos planos de ordenação físico-territorial e de desenvolvimento para diminuir o processo de abandono dos pequenos lugares de habitat e a superpopulação das médias e pequenas cidades. um direito de as comunidades participarem das decisões que dizem respeito à conservação de seu habitat. favorecem a destruição do patrimônio cultural por facilitarem o desprezo a nossos próprios valores. Os delegados. a ambiência e o patrimônio arquitetural das pequenas zonas de habitat são bens não renováveis cuja conservação deve exigir procedimentos cuidadosamente estabelecidos para evitar os riscos de alteração ou de falsificação causados por razões de oportunidade política. Reconhecem. por outro. conservam uma escala própria e personalizam as relações comunitárias. Recomendações . após examinarem a situação atual na América em relação aos perigos que ameaçam o patrimônio arquitetônico e a ambiência das pequenas localidades. Recomendam que qualquer ação que tenda a preservar o ambiente urbano e o valores arquitetônicos de um lugar deve participar. as escolas de ensino superior e o órgãos públicos ou privados que se interessam pela salvaguarda do patrimônio a utilizarem os meios de comunicação a sua disposição para fazer frente aos efeitos dessa penetração.Agradecem. por um lado. uma identidade a seus habitantes. decidem adotar as seguintes conclusões: Reafirmam que as pequenas aglomerações se constituem em reservas de modos de vida que dão testemunho de nossas culturas. para superar as circunstâncias difíceis há que se basear no passado cultural e nas expressões concretas de nossa memória. De acordo com o estabelecido na Carta de Chapultepec e levando em consideração as inquietações manifestadas pelo Colóquio de Morelia e por outras reuniões de especialistas americanos. como da técnica tradicional e. Constatam que a introdução de esquemas consumistas e de modo de vida estranhos a nossas tradições. quando isso não for possível. exortam os governos. Reconhecem que as ações que tendem à obtenção do bem estar das comunidades dos pequenos lugares de habitat devem fundamentar-se em um respeito estrito às tradições e ao modo de vida locais. de modo a conter o êxodo das pequenas aglomerações. assim. mas. é necessário dispor não apenas dos materiais. Por isso. da melhoria das condições sócioeconômicas dos habitantes e da qualidade da vida dos centros urbanos. uma obrigação moral e uma responsabilidade dos governos de cada Estado e das autoridades locais. ao contrário. necessariamente. que a situação de crise econômica que se abate sobre o continente não deve sobrestar os esforços para salvaguardar a identidade das pequenas localidade. de modo especial ao Governo do Estado de Tlaxcala por sua hospitalidade e reconhecem os esforços empreendidos para a conservação do patrimônio arquitetônico e urbano que a história lhe confiou e que tem grande interesse para todos os povos da América. conferindo. que advêm graças aos múltiplos meios de comunicação.

Que os governantes dos países latino-americanos considerem a alocação de créditos sociais para dar conta da aquisição. as recomendações seguintes. de maneira que seus diplomados sejam capazes de se transformar em profissionais úteis às comunidades necessitadas. Que as escolas de arquitetura criem e favoreçam mestrados e doutorados em restauração e levem substancialmente em conta nos programas de base dos estudos os valores do patrimônio arquitetônico e urbano. Com esse objetivo devem ser revistas as normas de crédito para que considerem como objeto de crédito hipotecário as construções realizadas com técnicas e materiais vernaculares. por sua vez. saúde. Que é útil que os estabelecimentos de ensino e sociedades de arquitetos organizem comissões de preservação do patrimônio arquitetônico capazes de promover maior consciência da responsabilidade que lhes cabe no que diz respeito à conservação das pequenas aglomerações. Chapultepec e Morélia concernentes à conservação dos pequenos lugares de habitat e emitem. bem como as técnicas tradicionais de construção. concretizados em diversos documentos internacionais. O esforço para identificar. conservação e restauração de moradias nas pequenas aglomerações e pequenas cidades. manter em vigor e reforçar no espírito das comunidades o prestígio e o valor do uso de tais materiais e técnicas. como meio prático de conservar o patrimônio monumental e os recursos para a habitação.Os participantes do colóquio reiteram os princípios que animam o Conselho Internacional dos Monumentos e do Sítios. manutenção. Reafirma-se a necessidade de publicações nesse sentido e propõe-se a criação de grupos de trabalho americanos para os diversos temas específicos. A informação é importante tanto no nível internacional quanto no que é específico do meio americano. encorajar. tais como os de comunicação. que devem ser difundidas pelos comitês do ICOMOS na América e por todos os demais especialistas e apresentadas. às universidades. sociais e econômicos da região e as possibilidades de revitalizá-la. é urgente. aos institutos competentes na matéria. Que a utilização de materiais regionais e a conservação de técnicas de construção tradicionais de cada região sejam indispensáveis para a conservação adequada das pequenas aglomerações e não estejam em contradição com a teoria geral que estabelece que se deixe em evidência nas intervenções a marca de nosso tempo. em cada país. os problemas de conservação e de restauração e o conhecimento da arquitetura vernacular. levem em consideração que suas ações e boas intenções podem causar danos às pequenas comunidades se forem ignorados ou minimizados os valores do patrimônio cultural e os benefícios que resultam da conservação desse patrimônio para toda a comunidade. Que a comunicação de experiências nos diversos domínios relativos à preservação das pequenas localidades é indispensável para a obtenção de melhores resultados no que diz respeito não só às políticas nacionais mas à legislação específica e ao progresso técnico. às autoridades. antropológicos. sem o que a referida ação será condenada à superficialidade e à ineficácia. Recomenda-se encorajar a competência artesanal da construção através de premiações. justamente onde eles existem. Que seja encorajada a participação interdisciplinar. educação. restauração e revitalização das pequenas localidades. eletrificação e outros. às faculdades de arquitetura e a outros organismos. assim como as recomendações feitas durante as precedentes reuniões americanas de Quito. . Que os órgãos do serviço público. Recomenda-se: Que qualquer ação que vise à conservação e a revitalização das pequenas localidades seja inserida em um programa que leve em conta os aspectos históricos. condição indispensável a qualquer empenho em favor da conservação. às escolas profissionais.

Conselho Internacional de Monumentos e Sítios O mundo tem sofrido profundas transformações nos últimos anos. hoje é mais urgente que nunca estreitar a colaboração entre as nações. toma consciência de si mesmo. garantir o respeito ao direito dos demais e assegurar o exercício das liberdades fundamentais do homem e dos povos. Que os representantes dos países da região empreendam os maiores esforços. os modos de vida. ao expressar a sua esperança na convergência final dos objetivos culturais e espirituais da humanidade. Ela engloba. já que seus governos não os têm feito. da ciência e da cultura. as tradições e as crenças.de compilar e difundir as informações relativas a esse problema e de prestar acompanhamento aos programas e estudos desse gênero. e eticamente comprometidos. materiais. Assim. são essenciais para um verdadeiro desenvolvimento do indivíduo e da sociedade. Os avanços da ciência e da técnica têm modificado o lugar do homem no mundo e a natureza de suas relações sociais. racionais. Ao reunir-se no México. A educação e a cultura. Através dela o homem se expressa. no seu sentido mais amplo. Por tal razão. e aprovem o protocolo da Convenção para o Patrimônio Mundial da UNESCO (16 de novembro de 1972) como um meio de receberem a assistência técnica e o apoio dos organismos internacionais. críticos. 1982 Conferência Mundial sobre as Políticas Culturais ICOMOS . os direitos fundamentais do ser humano. a desigualdade entre as nações é crescente. a comunidade das nações enfrenta também sérias dificuldades econômicas. múltiplos conflitos e graves tensões ameaçam a paz e a segurança. não obstante o acréscimo das possibilidades de diálogo. Concorda também que a cultura dá ao homem a capacidade de refletir sobre si mesmo. Mais do que nunca é urgente erigir na mente de cada indivíduo estes baluartes da paz que. os sistemas de valores. põe em questão as suas próprias realizações. Através dela discernimos os valores e efetuamos opções. intelectuais e afetivos que caracterizam uma sociedade e um grupo social. Em nossos dias. além das artes e das letras. a comunidade internacional decidiu contribuir efetivamente para a aproximação entre os povos e a melhor compreensão entre os homens. É ela que faz de nós seres especificamente humanos. como afirma a constituição da UNESCO. podem constituir-se principalmente através da educação. se reconhece como um projeto inacabado. a cultura pode ser considerada atualmente como o conjunto dos traços distintivos espirituais. a Conferência Mundial sobre as Políticas Culturais. e do seu direito à autodeterminação. procura incansavelmente novas significações e cria obras que o transcendem. cujo significado e alcance têm se ampliado consideravelmente. . Declaração do México México. a conferência concorda em que.

para a liberação dos povos. a soberania e a identidade das nações. intercâmbio de idéias e experiências. além de estabelecerem o mais absoluto respeito e apreço pelas minorias culturais e pelas outras culturas do mundo. A identidade cultural é uma riqueza que dinamiza as possibilidades de realização da espécie humana ao mobilizar cada povo e cada grupo a nutrir-se de seu passado e a colher as contribuições externas compatíveis com a sua especificidade e continuar. a conferência afirma solenemente os seguintes princípios que devem reger as políticas culturais: Identidade Cultural Cada cultura representa um conjunto de valores único e insubstituível já que as tradições e as formas de expressão de cada povo constituem sua maneira mais acabada de estar presente no mundo. cada um dos quais afirma a sua identidade. e a exigir respeito a ela. Todas as culturas fazem parte do patrimônio comum da humanidade. surge da experiência de todos os povos do mundo. A comunidade internacional considera que é um dever velar pela preservação e defesa da identidade cultural de cada povo. apreciação de outros valores e tradições. O crescimento tem sido concebido frequentemente em termos quantitativos. estimulem e enriqueçam a identidade e o patrimônio cultural de cada povo. sem levar em conta a sua necessária dimensão qualitativa. mas favorecem a comunhão dos valores universais que unem os povos. A cultura é um diálogo. no isolamento. O universal não pode ser postulado em abstrato por nenhuma cultura em particular. Por isso.Por conseguinte. Há que reconhecer a igualdade e dignidade de todas as culturas. assim como o direito de cada povo e de cada comunidade cultural a afirmar e preservar sua identidade cultural. qualquer forma de dominação nega ou deteriora essa identidade. A afirmação da identidade cultural contribui. o processo de sua própria criação. A humanidade empobrece quando se ignora ou se destrói a cultura de um grupo determinado. Identidade cultural e diversidade cultural são indissociáveis. A identidade cultural de um povo se renova e enriquece em contato com as tradições e valores dos demais. O desenvolvimento autêntico persegue o bem-estar e a satisfação constantes de cada um e de todos. ao contrário. . ou seja. assim. Tudo isso reclama políticas culturais que protejam. portanto. As peculiaridades culturais não dificultam. constitui a essência mesma do pluralismo cultural o reconhecimento de múltiplas identidades culturais onde coexistirem diversas tradições. esgota-se e morre. Dimensão Cultural do Desenvolvimento A cultura constitui uma dimensão fundamental do processo de desenvolvimento e contribui para fortalecer a independência. a satisfação das aspirações espirituais e culturais do homem.

democracia cultural supõe a mais ampla participação do indivíduo e d sociedade no processo de criação de bens culturais. em primeiro lugar. Requerem-se novos modelos e é no âmbito da cultura e da educação que serão encontrados. seu bem-estar e sua possibilidade de convivência solidária com todos os povos. multiplicar as oportunidades de diálogo entre a população e o organismos culturais.do progresso científico e dos benefícios que dele resultem. nem quanto a seus benefícios. A cultura procede da comunidade inteira e a ela deve retornar. Só se pode atingir um desenvolvimento equilibrado mediante a integração dos fatores culturais nas estratégias para alcançá-lo. no plano geográfico e no administrativo para assegurar que as instituições responsáveis conheçam melhor as preferências opções e necessidades da sociedade em matéria de cultura.1 sua dignidade individual e na sua responsabilidade social. tais estratégias deverão levar sempre em conta a dimensão histórica. entre outras. no seu artigo 27. social e cultural de cada sociedade. mas o desenvolvimento do ser humano. Cultura e Democracia A Declaração Universal dos Direitos Humanos estabelece. que toda pessoa tem direito a tomar parte livremente na vida cultural comunidade. a gozar das artes e a participai. descentralização dos lugares de recreio e fruição das belas-artes. do sexo. Os Estados devem tomar as medidas necessária para alcançar este objetivo. por consequência. em consequência. das convicções religiosas. Não pode se privilégio da elite nem quanto a sua produção. Proporcionar a todos os homens a oportunidade de realizar um melhor destino supõe ajustar permanentemente o ritmo do desenvolvimento. da língua. A fim de garantir a participação de todos os indivíduos na vida cultural. mas a sua plena realização individual e coletiva e a preservação da natureza. Seu objetivo não é a produção. É essencial. da origem e da posição social. Uma política cultural democrática tornará possível o desfrute da excelência artística em toda as comunidades e entre toda a população. da idade. Trata-se. o seu fim último é a pessoa 11. O homem é o princípio e o fim do desenvolvimento. da educação. . É preciso descentralizar a vida cultural. de abrir novos pontos de entrosamento com a democracia pela via da igualdade de oportunidades nos campos da educação e da cultura. sobretudo.É indispensável humanizar o desenvolvimento. o lucro ou o consumo per se. Um programa de democratização da cultura obriga. na tomada de decisões que concernem à vida cultural e na sua difusão e fruição. Qualquer política cultural deve resgatar o sentido profundo e humano do desenvolvimento. é preciso eliminar as desigualdades provenientes. da saúde ou da pertinência a grupos étnicos minoritários ou marginais. Um número cada vez maior de mulheres e homens desejam um mundo melhor. O desenvolvimento supõe a capacidade de cada indivíduo e de cada povo de informar-se e aprender a comunicar suas experiências. Não só perseguem a satisfação de suas necessidades fundamentais. da nacionalidade.

porém. a fim de estabelecer um equilíbrio harmonioso entre o progresso técnico e a elevação intelectual e moral da humanidade A educação é o meio por excelência para transmitir os valores culturais nacionais e universais. É imprescindível estabelecer as condições sociais e culturais que facilitem. portanto. as crenças. Relações entre Cultura. os atentados ao patrimônio cultural perpetrados pelo colonialismo. arquitetos. e deve procurar a assimilação dos conhecimentos científicos e técnicos sem detrimento das capacidades e valores dos povos. da educação. . O patrimônio cultural tem sido frequentemente danificado ou destruído por negligência e pelos processos de urbanização. assim como as criações anônimas surgidas da alma popular e o conjunto de valores que dão sentido à vida. estimulem e garantam a criação artística e intelectual. as obras de arte e os arquivos e bibliotecas. Todas essas ações contribuem para romper o vínculo e a memória dos povos em relação a seu passado. acordos e relações internacionais existentes poderiam ser reforçados para aumentar sua eficácia a esse respeito. afirmar e promover sua identidade cultural. a cultura. Qualquer povo tem o direito e o dever de defender e preservar o patrimônio cultural. O desenvolvimento e promoção da educação artística compreendem não só a elaboração de programas específicos que despertem a sensibilidade artística e apoiem grupos e instituições de criação e difusão. mas também o fomento de atividades que estimulem a consciência pública sobre a importância da arte e da criação intelectual. Criação Artística e Intelectual e Educação Artística O desenvolvimento da cultura é inseparável tanto da independência dos povos quanto da liberdade da pessoa. por conseguinte. pelas ocupações estrangeiras e pela imposição de valores exógenos. industrialização e penetração tecnológica. os ritos. escritores e sábios. da ciência e da comunicação. A liberdade de pensamento e de expressão é indispensável à atividade criadora do artista e do intelectual. Os instrumentos. Ou seja. Educação. Princípio fundamental das relações culturais entre os povos é a restituição a seus países de origem das obras que lhes foram subtraídas ilicitamente. pelos conflitos armados. A preservação e o apreço do patrimônio cultural permitem. os lugares e monumentos históricos. sem discriminação de caráter político.Patrimônio Cultural O patrimônio cultural de um povo compreende as obras de seus artistas. Mais inaceitáveis ainda são. ideológico e social. Ciência e Comunicação O desenvolvimento global da sociedade exige políticas complementares nos campos da cultura. as obras materiais e não materiais que expressam a criatividade desse povo: a língua. músicos. aos povos defender a sua soberania e independência e. já que as sociedades se reconhecem a si mesmas através dos valores em que encontram fontes de inspiração criadora.

Em conseqüência. que favoreça o florescimento da personalidade. Os avanços tecnológicos dos últimos anos têm dado lugar à expansão das indústrias culturais. científicos e tecnológicos. pode ser fonte de dependência cultural e origem de alienação. A alfabetização é condição indispensável para o desenvolvimento cultural dos povos. . das idéias e dos conhecimentos. em função das necessidades de desenvolvimento tios povos. a ausência de indústrias culturais nacionais. Os meios modernos de comunicação devem facilitar a informação objetiva sobre as tendências culturais nos diversos países. que constituem alguns dos princípios de uma nova ordem mundial da informação e da comunicação. Planejamento. uma educação que capacite para a organização e para a produtividade. educativos. ( A fonte original não inclui texto para este numeral). A sociedade deve realizar um esforço importante dirigido a planejar. em conseqüência. no entanto. que permita aos educandos tomar consciência da realidade do seu tempo e do seu meio. supõem o direito de todas as nações não só de receber mas também de transmitir conteúdos culturais. no respeito aos demais e na solidariedade social e internacional. nos países que delas carecem. qualquer que seja a sua organização. Os meios modernos de comunicação têm uma importância fundamental na educação e na difusão da cultura.Requer-se atualmente uma educação integral e inovadora que não só informe e transmita. apoiar o estabelecimento de indústrias culturais. Por outra parte. ignoram muitas vezes os valores tradicionais da sociedade e suscitam expectativas e aspirações que não respondem às necessidades efetivas do seu desenvolvimento. administrar e financiar as atividades culturais. Tais indústrias. preservando sua soberania e fortalecendo a paz no mundo. cuidando sempre para que a produção e difusão de bens culturais responda às necessidades de desenvolvimento integral de cada sociedade. mediante programas de ajuda bilateral ou multilateral. É necessário revalorizar as línguas nacionais como veículos do saber. para a produção de bens e serviços realmente necessários. sobretudo nos países em via de desenvolvimento. que forme na autodisciplina. desempenham um papel importante na difusão de bens culturais. a sociedade há de se esforçar em utilizar as novas técnicas da produção e da comunicação para colocá-las a serviço de um autêntico desenvolvimento individual e coletivo e favorecer a independência das nações. Uma circulação livre e uma difusão mais ampla e melhor equilibrada da informação. O ensino da ciência e da tecnologia deve ser concebido principalmente como um processo cultural de desenvolvimento do espírito crítico e integrado aos sistemas educativos. mas que forme e renove. Nas suas atividades internacionais. que inspire a renovação e estimule a criatividade. É indispensável. administração e financiamento das atividades culturais A cultura é o fundamento necessário para o desenvolvimento autêntico. sem lesar a liberdade criadora e a identidade cultural das nações.

diálogo e paz entre as nações. do racismo. do apartheid e de todo gênero de agressão. regional. A conferência reitera solenemente o valor e a vigência da Declaração dos Princípios da Cooperação Cultural. interregional e internacional são pressupostos importantes para obter um clima de respeito. científico e técnico. pela Conferência Geral da Organização das Nações Unidas para a Educação. Há que se estimular.Cooperação Cultural Internacional É essencial para a atividade criadora do homem e para o completo desenvolvimento da pessoa e da sociedade a mais ampla difusão das idéias e dos conhecimentos. à independência. A conferência reafirma que o valor educativo e cultural é essencial nos esforços para instaurar uma nova ordem econômica internacional. tais como programas de desenvolvimento cultural. reequilibrar o intercâmbio e a cooperação cultural a fim de que as culturas menos conhecidas. além disso. detida a corrida armamentista e conseguido o desarmamento. Consequentemente. . Tal clima não poderá ser alcançado plenamente sem que sejam reduzidos e eliminados os conflitos e tensões atuais. nas relações de cooperação entre as nações deve evitar-se qualquer forma de subordinação ou substituição de uma cultura por outra. Uma paz duradoura deve ser estabelecida para assegurar a própria existência da cultura humana. a cooperação entre países em vias de desenvolvimento. científicos e educativos devem fortalecer a paz. sejam mais amplamente difundidas em todos os países. de sorte que o conhecimento de outras culturas e de experiências de desenvolvimento enriqueçam-lhes a vida. respeitar os direitos do homem e contribuir para a eliminação do colonialismo. confiança. do neocolonialismo. Os intercâmbios culturais. às soberanias nacionais e à nãointervenção. É indispensável. baseada em intercâmbio e em reuniões culturais. de maneira que os recursos humanos e as enormes somas destinadas ao armamento possam se consagrar a fins produtivos. os Estados Membros e a Secretaria da Organização das Nações Unidas para a Educação. em particular as de alguns países em vias de desenvolvimento. É necessário diversificar e fomentar a cooperação cultural internacional em um contexto interdisciplinar e com atenção especial à formação de pessoal qualificado em matéria de serviços culturais. a Ciência e a Cultura. A cooperação cultural internacional deve fundamentar-se no respeito à identidade cultural. aprovada na sua décima quarta reunião. Uma cooperação mais ampla e uma compreensão cultural sub-regional. em particular. a cooperação cultural deve estimular um clima internacional favorável ao desarmamento. UNESCO Num mundo convulsionado por diferenças que põem em perigo os valores culturais das civilizações. à dignidade e ao valor de cada cultura. dominação e intervenção. Da mesma forma. a Ciência e a Cultura devem multiplicar os esforços destinados a preservar tais valores e a aprofundar sua ação em benefício do desenvolvimento da humanidade.

que provoca perdas irreversíveis de caráter cultural. também. como entre as nações. Face a essa situação muitas vezes dramática.Conselho Internacional de Monumentos e Sítios Preâmbulo e definições: Resultantes de um desenvolvimento mais ou menos espontâneo ou de um projeto deliberado. todas as cidades do mundo são as expressões materiais da diversidade das sociedades através da história e são todas. Atualmente. Carta de Washington Washington. social e mesmo econômico. . os objetivos da UNESCO. constituem a memória da humanidade.Frente a essa situação. 1964). a sua conservação e restauração.Nairobi. além de sua condição de documento histórico. Ao complementar a Carta Internacional Sobre a Conservação e a Restauração de Monumentos e Sítios (Veneza. A presente carta diz respeito mais precisamente às cidades grandes ou pequenas e aos centros ou bairros históricos com seu entorno natural ou construído. ultrapassando as suas diferenças. históricas. muitas delas estão ameaçadas de degradação. por essa razão. exprimem valores próprios das civilizações urbanas tradicionais. adquirem uma importância capital. realizem o antigo sonho da fraternidade universal. mesmo modestos. 1976) e. tal como são definidos na sua constituição. o Conselho Internacional de Monumentos e de Sítios (ICOMOS) julgou necessário redigir uma Carta Internacional para Salvaguarda das Cidades Históricas. entende-se aqui por salvaguarda das cidades históricas as medidas necessárias a sua proteção. o respeito ao direito alheio é a paz". A comunidade internacional reunida nesta conferência considera seu o lema de Benito Juarez: "Entre os indivíduos. de deterioração e até mesmo de destruição sob o efeito de um tipo de urbanização nascido na era industrial e que hoje atinge universalmente todas as sociedades. a favorecer a harmonia da vida individual e social e a perpetuar o conjunto de bens que. 1986 CARTA INTERNACIONAL PARA A SALVAGUARDA DAS CIDADES HISTÓRICAS ICOMOS . que. A Conferência Mundial sobre Políticas Culturais faz um apelo à UNESCO para que prossiga e reforce sua ação de aproximação cultural entre os povos e as nações e continue desempenhando a nobre tarefa de contribuir para que os homens. bem como a seu desenvolvimento coerente e a sua adaptação harmoniosa à vida contemporânea. os métodos e os instrumentos de ação apropriados a salvaguardar a qualidade das cidades históricas. Como no texto da Recomendação da UNESCO relativa à Salvaguarda dos Conjuntos Históricos ou Tradicionais e a sua Função na Vida Contemporânea (Varsóvia . este novo texto define os princípios e os objetivos. como em outros instrumentos internacionais.

Dever-se-ia evitar o dogmatismo. sociológicos e econômicos e deve definir as principais orientações e modalidades de ações a serem empreendidas no plano jurídico. A participação e o comprometimento dos habitantes da cidade são indispensáveis ao êxito da salvaguarda e devem ser estimulados. . técnicos. as condições existentes na área deverão ser rigorosamente documentadas. e) as diversas vocações da cidade adquiridas ao longo de sua história. as ações necessárias à conservação deverão ser adotadas em observância aos princípios e métodos da presente carta e da Carta de Veneza. particularmente arqueológicos. espaços construídos. históricos. materiais. a salvaguarda das cidades e bairros históricos deve ser parte essencial de uma política coerente de desenvolvimento econômico e social. O plano deveria contar com a adesão dos habitantes.Princípios e objetivos: Para ser eficaz. O plano de salvaguarda deve determinar as edificações ou grupos de edificações que devam ser particularmente protegidos. Antes da adoção de um plano de salvaguarda ou enquanto ele estiver sendo finalizado. administrativo e financeiro. A conservação das cidades e bairros históricos implica a manutenção permanente das áreas edificadas. mas levar em consideração os problemas específicos de cada caso particular. Antes de qualquer intervenção. arquitetônicos. Qualquer ameaça a esses valores comprometeria a autenticidade da cidade histórica. em particular: a) a forma urbana definida pelo traçado e pelo parcelamento. sensibilidade. Os valores a preservar são o caráter histórico da cidade e o conjunto de elementos materiais e espirituais que expressam sua imagem. e ser considerada no planejamento físico territorial e nos planos urbanos em todos os seus níveis. A adaptação da cidade histórica à vida contemporânea requer cuidadosas instalações das redes de infra-estrutura e equipamento dos serviços públicos. c) a forma e o aspecto das edificações (interior e exterior) tais como são definidos por sua estrutura. estilo. O plano de salvaguarda deverá empenhar-se para definir uma articulação harmoniosa entre os bairros históricos e o conjunto da cidade. método e rigor. em circunstâncias excepcionais. As novas funções devem ser compatíveis com o caráter. a vocação e a estrutura das cidades históricas. As intervenções em um bairro ou em uma cidade histórica devem realizar-se com prudência. escala. d) as relações da cidade com seu entorno natural ou criado pelo homem. cor e decoração. Não se deve jamais esquecer que a salvaguarda das cidades e bairros históricos diz respeito primeiramente a seus habitantes. b) as relações entre os diversos espaços urbanos. espaços abertos e espaços verdes. volume. possam ser demolidos. O plano de salvaguarda deve compreender uma análise dos dados. Métodos e instrumentos O planejamento da salvaguarda das cidades e bairros históricos deve ser precedido de estudos multidisciplinares. os que devam ser conservados em certas condições e os que.

mas somente facilitar o tráfego nas cercanias para permitirlhes um fácil acesso. A introdução de elementos de caráter contemporâneo. É importante contribuir para um melhor conhecimento do passado das cidades históricas. nos termos em que o impõem a qualidade e o valor do conjunto de construções existentes. assim como a vivência de seus habitantes num espaço de . No caso de ser necessário efetuar transformações dos imóveis ou construir novos. Carta de Petrópolis Petrópolis. e não por oposição a espaços não-históricos da cidade. Os meios empregados para prevenir ou reparar os efeitos das calamidades devem adaptar-se ao caráter específico dos bens a salvaguardar. já que toda cidade é um organismo histórico. as áreas de estacionamento deverão ser planejadas de maneira que não degradem seu aspecto nem o do seu entorno. Os grandes traçados rodoviários previstos no planejamento físico territorial não devem penetrar nas cidades históricas. sem prejuízo da organização geral do tecido urbano. através do favorecimento às pesquisas arqueológicas urbanas e da apresentação adequada das descobertas. A salvaguarda exige uma formação especializada de todos os profissionais envolvidos. não só para assegurar a salvaguarda do seu patrimônio. Deverá ser favorecida a ação das associações de salvaguarda e deverão ser tomadas medidas de caráter financeiro para assegurar a conservação e a restauração das edificações existentes. Para assegurar a participação e o envolvimento dos habitantes deverá ser efetuado um programa de informações gerais que comece desde a idade escolar. A circulação de veículos deve ser estritamente regulamentada no interior das cidades e dos bairros históricos. todo o acréscimo deverá respeitar a organização espacial existente. volume e escala.A melhoria do habitat deve ser um dos objetivos fundamentais da salvaguarda. especialmente seu parcelamento. Esse sítio histórico urbano deve ser entendido em seu sentido operacional de área crítica. desde que não perturbe a harmonia do conjunto. pode contribuir para o seu enriquecimento. como também para a segurança e o bem-estar de seus habitantes. Devem ser adotadas nas cidades históricas medidas preventivas contra as catástrofes naturais e contra todos os danos (notadamente. O sítio histórico urbano – SHU – é parte integrante de um contexto amplo que comporta as paisagens natural e construída. 1987 1º Seminário Brasileiro para Preservação e Revitalização de Centros Históricos Entende-se como sítio histórico urbano o espaço que concentra testemunhos do fazer cultural da cidade em suas diversas manifestações. as poluições e as vibrações).

A proteção legal do SHU far-se-á através de diferentes tipos de instrumentos. A cidade enquanto expressão cultural. Os critérios para avaliar a conveniência desta substituição devem levar em conta o custo sócio-cultural do novo. considera-se essencial a predominância do valor social da propriedade urbana sobre a sua condição de mercadoria. o fortalecimento dos seus vínculos em relação ao patrimônio. É nessa perspectiva de reapropriação política do espaço urbano pelo cidadão que a preservação incrementa a qualidade de vida. declaração de interesse cultural e desapropriação. especial atenção deve ser dada à permanência no SHU das populações residentes e das atividades tradicionais. mas somatória. como uma das formas de pleno exercício da cidadania. No processo de preservação do SHU. bem como a participação da comunidade interessada nas decisões de planejamento. tais como: tombamento. Guardando essa heterogeneidade. todo espaço edificado é resultado de um processo de produção social. A realização do inventário com a participação da comunidade proporciona não apenas a obtenção do conhecimento do valor por ela atribuído ao patrimônio. 1995 . isenções e incentivos. A preservação do SHU deve ser pressuposto do planejamento urbano. O objetivo último da preservação é a manutenção e potencialização de quadros e referenciais necessários para a expressão e consolidação da cidadania. devendo os novos espaços urbanos ser entendidos na sua dimensão de testemunhos ambientais em formação. socialmente fabricada. inventário. estaduais e municipais. deve a moradia construir-se na função primordial do espaço edificado. onde se manifestam as verdadeiras expressões de uma sociedade heterogênea e plural. em processo dinâmico de transformação. Na preservação do SHU é fundamental a ação integrada dos órgãos federais. o inventário como parte dos procedimentos da análise e compreensão da realidade constituiu-se na ferramenta básica para o conhecimento do acervo cultural e natural. Sendo a polifuncionalidade uma característica do SHU. Publicado no Caderno de Documentos n. desde que compatíveis com a sua ambiência. Nesse sentido. abrigar os universos de trabalho e do cotidiano. normas urbanísticas. é imprescindível a viabilização e o estímulo aos mecanismos institucionais que asseguram uma gestão democrática da cidade. pelo fortalecimento da participação das lideranças civis. nem mesmo daqueles ditos culturais. alicerçado no conhecimento dos mecanismos formadores e atuantes na estruturação do espaço. haja vista a flagrante carência habitacional brasileira. entendido como processo contínuo e permanente. não é eliminatória. devendo. Na diversificação dos instrumentos de proteção. necessariamente. mas também. Desta forma.valores produzidos no passado e no presente. Nesse sentido. a sua preservação não deve dar-se à custa de exclusividade de usos. só se justificando sua substituição após demonstrado o esgotamento de seu potencial sócio-cultural.º 3 – "Cartas Patrimoniais"Ministério da Cultura Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional – IPHAN Brasília.

Paraguai e Peru. A defesa da identidade cultural far-se-á através do resgate das formas de convívio harmônico com seu ambiente. étnicos e culturais. de modo a garantir a melhoria da qualidade de vida das populações envolvidas. fossilíferos e naturais. com a utilização dos meios de comunicação. escrever esta carta. que em 1503 aqui esteve. originários de todas as partes do Brasil e de outras terras da América. México.Encontro de Civilizações nas Américas Conclusões e Recomendações do Seminário No dia 6 de outubro do ano de 1989. contribuirá para a valorização das identidades culturais. arquitetura. o Comitê Brasileiro do ICOMOS reuniu em Cabo Frio. é fundamental assegurar-lhes a posse e o usufruto exclusivo de suas terras e a preservação de suas línguas – fatores centrais de sua identidade. levando-se em conta que a ocupação do continente precede em muito a fixação do europeu. O quinto centenário da chegada de Colombo é a oportunidade para se rever a história americana. com o sacrifício de muitos valores. Para garantia da autonomia das sociedades e culturas indígenas. para. . engenharia e outros saberes. demanda um concurso interdisciplinar e uma ação interinstitucional. enfatizados através da educação pública. Ao identificá-las e interpretar-lhes o valor. A criação de unidades de conservação ambiental e a preservação de sítios deverá ser acompanhada de soluções alternativas. Bolívia. que deve ter por origem um processo educativo em todos os níveis. O processo de preservação. O êxito de uma política preservacionista tem como fator fundamental o engajamento da comunidade. como Argentina. como os sítios geológicos. mui formosa paragem e mui prodigioso sítio da costa sul do Brasil. juntando-se às comemorações dos 500 anos da vinda de Colombo América e homenageando o navegador Américo Vespúcio. arqueológicos. Costa Rica. É preciso rever a história americana. Nesse sentido. por sua complexidade. O respeito aos valores naturais. faz-se necessária a apropriação de métodos específicos e de novas técnicas disponíveis. botânica. O sentido de conquista que caracterizou o encontro de culturas na América resultou em um processo desigual de interação. navegação. Os novos encontros de culturas deverão ser direcionados no sentido do respeito aos contextos locais. o homem atribui a esses testemunhos significação cultural. que terá o nome Carta de Cabo Frio. A história do planeta Terra. história.Carta de Cabo Frio de outubro de 1989 Vespuciana . conhecedores de arqueologia. reconhecendo o papel das populações do continente. pode ser lida através das múltiplas manifestações da natureza. Para o conhecimento e a preservação do patrimônio cultural e natural. é fundamental a preservação de todo tipo de testemunhos. O trabalho dos cientistas sociais e dos órgãos responsáveis deve assegurar a liberdade do desenvolvimento cultural dos povos indígenas.

A ação de empresas privadas ou estatais em projetos industriais. é imprescindível a ação do Estado nas suas várias instâncias e a participação da comunidade na valorização e defesa de seus bens naturais e culturais. Proclama que: Princípio 1 Os seres humanos constituem o centro das preocupações relacionadas com o desenvolvimento sustentável.º 3 – "Cartas Patrimoniais". Publicado no Caderno de Documentos n. extrativos e infra-estruturais não pode resultar em danos à vida humana. Cabe ao poder público intervir com medidas efetivas de preservação. 1995 Carta do Rio de junho de 1992 Conferência Geral das Nações Unidas Sobre o Meio Ambiente e o Desenvolvimento. e a responsabilidade de zelar por que as atividades realizadas dentro de sua jurisdição. não causem danos ao meio ambiente de outros Estados ou de zonas que estejam fora dos limites da jurisdição nacional. Sendo a identidade cultural a razão maior e a base da existência das nações. Reafirmando a Declaração da Conferência das Nações Unidas sobre o Ambiente Humano. ou sob seu controle. controle. os Estados têm o direito soberano de aproveitar seus próprios recursos segundo suas peculiaridades políticas. Reconhecendo a natureza integral e interdependente da Terra. à natureza. Procurando alcançar acordos internacionais em que se respeitem os interesses de todos e se proteja a integridade do sistema ambiental e de desenvolvimento mundial. é fundamental um esforço conjunto. Princípio 3 . de 13 a 14 de junho de 1992. fiscalização e atuação.Ministério da Cultura Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional – IPHAN Brasília. os setores-chaves das sociedades e as pessoas. Para salvaguarda do patrimônio natural e cultural da América Latina em suas diversas manifestações. Têm direito a uma vida saudável e produtiva em harmonia com a natureza. nela se baseando. ambientais e de desenvolvimento. a fim de evitar o isolamento cultural e garantir a integração latino-americana. nossa morada. A Conferência Geral das Nações Unidas sobre o Meio Ambiente e o Desenvolvimento Havendo se reunido no Rio de Janeiro. aprovada em Estocolmo em 16 junho de 1972. Princípio 2 De acordo com a Carta das Nações Unidas e os princípios do direito internacional. Com o objetivo de estabelecer uma aliança mundial nova e eqüitativa mediante a criação de novos níveis de cooperação entre os Estados.

O direito ao desenvolvimento deve exercer-se de forma tal que responda eqüitativamente às necessidades de desenvolvimento e de proteção à integridade do sistema ambiental das gerações presentes e futuras. Princípio 10 . das tecnologias e dos recursos financeiros de que dispõem. Princípio 7 Os Estados deverão cooperar em espírito de solidariedade mundial para conservar. Os países desenvolvidos reconhecem a responsabilidade que lhes cabe na busca internacional do desenvolvimento sustentável. e dos mais vulneráveis do ponto de vista ambiental. Princípio 6 Dever-se-á atribuir especial prioridade à situação e às necessidades específicas dos países em desenvolvimento. tecnologias novas e inovadoras. em vista das pressões que suas sociedades exercem no meio ambiente mundial. a difusão e a transferência de tecnologias. a fim de reduzir as disparidades nos níveis de vida e responder melhor às necessidades dos povos do mundo. mas diferenciadas. Princípio 9 Os Estados deveriam cooperar para o fortalecimento de sua própria capacidade de chegar ao desenvolvimento sustentável. Princípio 5 Todos os Estados e todas as pessoas deverão cooperar na tarefa essencial de erradicar a pobreza como requisito indispensável do desenvolvimento sustentável. em particular dos países menos adiantados. proteger e restabelecer a saúde e a integridade do ecossistema da Terra. Princípio 4 Com o objetivo de alcançar o desenvolvimento sustentável. Princípio 8 Para alcançar o desenvolvimento sustentável e uma melhor qualidade de vida para todas as pessoas. Nas medidas internacionais a serem adotadas com relação ao meio ambiente e ao desenvolvimento dever-se-iam também levar em consideração os interesses e as necessidades de todos os países. Na medida em que tenham contribuído em graus variados para a degradação do meio ambiente mundial. e intensificando o desenvolvimento. a proteção do meio ambiente deverá constituir parte integrante do processo de desenvolvimento e não poderá ser considerada isoladamente. aumentando o sabor científico mediante o intercâmbio de conhecimentos científicos e tecnológicos. entre as quais. os Estados têm responsabilidades comuns. a adaptação. os Estados deveriam reduzir e eliminar as modalidades de produção e consumo insustentável e fomentar apropriadas políticas demográficas.

qualquer pessoa deverá ter acesso adequado à informação sobre o meio ambiente de que disponham as autoridades públicas. Princípio 14 . No plano nacional. As normas utilizadas por alguns países podem resultar inadequadas e representar um custo social e econômico injustificado para outros. Dever-se-ia evitar adoção de medidas unilaterais para solucionar os problemas ambientais que se produzem fora da jurisdição do país importador. nem uma restrição velada ao comércio internacional. ou sob seu controle. deveriam. Princípio 12 Os Estados deveriam cooperar na promoção de um sistema econômico internacional favorável e aberto que conduzisse ao crescimento econômico e ao desenvolvimento sustentável de todos os países. ou em zonas situadas fora de sua jurisdição. os objetivos de planejamento e as prioridades ambientais deveriam refletir o contexto ambiental e de desenvolvimento a que se aplicam. inclusive a informação sobre os materiais e as atividades que ocasionem perigo a suas comunidades. além disso. ou em zonas situadas fora de sua jurisdição. basear-se em um consenso internacional. Princípio 14 Os Estados deverão desenvolver a legislação nacional relativa à responsabilidade e à respectiva indenização das vítimas da contaminação e de outros danos ambientais. ou sob seu controle. assim como a oportunidade de participar nos processos de adoção de decisões. Os Estados deverão facilitar e incentivar a sensibilização e a participação da população. As medidas de política comercial com fins ambientais não deveriam constituir um meio de discriminação arbitrária ou injustificável. Princípio11 Os estados deverão promulgar leis eficazes sobre o meio ambiente. na medida do possível. entre os quais o ressarcimento de danos e os recursos pertinentes. Deverá ser proporcionado acesso efetivo aos procedimentos judiciais e administrativos. Princípio 13 Os Estados deverão desenvolver a legislação nacional relativa à responsabilidade e à respectiva indenização das vítimas da contaminação e de outros danos ambientais.O melhor modo de tratar as questões ambientais da participação de todos os cidadãos interessados no nível correspondente. particularmente para os países em desenvolvimento. Os Estados deverão cooperar. As normas. colocando a informação à disposição de todos. As medidas destinadas a tratar os problemas ambientais transfronteiriços ou mundiais. a fim de abordar da melhor forma os problemas da degradação ambiental. além disso. de maneira pronta e mais decidida na elaboração de novas leis internacionais sobre a responsabilidade e indenização por efeitos adversos dos danos ambientais causados pelas atividades realizadas dentro de sua jurisdição. de maneira pronta e mais decidida na elaboração de novas leis internacionais sobre responsabilidade e indenização por efeitos adversos dos danos ambientais causados pelas atividades realizadas dentro de sua jurisdição. Os Estados deverão cooperar.

em função dos custos. Princípio 18 Os Estados deverão notificar imediatamente aos outros Estados os desastres naturais e outras situações de emergência que possam produzir efeitos nocivos súbitos no meio ambiente desses Estados.Os Estados deveriam cooperar efetivamente para desestimular ou evitar a realocação e a transferência para outros Estados de quaisquer atividades e substâncias que causem degradação ambiental grave ou se considerem nocivas para a saúde humana. portanto. para impedir a degradação do meio ambiente. arcar com os custos da contaminação. que sirva de instrumento nacional. tendo em consideração o critério de que o que contamina deve. imprescindível contar com sua plena participação para conseguir o desenvolvimento sustentável. Princípio 17 Deverá empreender-se uma avaliação do impacto ambiental. Princípio 21 . Princípio 20 As mulheres desempenham um papel fundamental no planejamento do meio ambiente e no desenvolvimento. Princípio 19 Os Estados deverão proporcionar a informação pertinente e notificar previamente e de forma oportuna. de acordo com suas capacidades. Princípio 16 As autoridades nacionais deveriam procurar incentivar a internalização dos custos ambientais e o uso de instrumentos econômicos. É. levando devidamente em conta o interesse público e sem distorcer o comércio nem os investimentos internacionais. a falta de certeza cientificamente absoluta não deverá ser utilizada como razão para postergar a adoção de medidas eficazes. os Estados deverão aplicar amplamente o critério de precaução. Princípio 15 Com a finalidade de proteger o meio ambiente. para qualquer atividade proposta que possa provavelmente produzir um impacto negativo considerável no meio ambiente e que esteja sujeito à decisão de uma autoridade nacional competente. em princípio. Quando houver perigo de dano grave ou irreversível. aos Estados que possivelmente sejam afetados por atividades que possam ter consideráveis efeitos ambientais transfronteiriços adversos e deverão realizar consultas com esses Estados com a devida antecedência e em boa fé. A comunidade internacional deverá fazer todo o possível para ajudar os Estados afetados.

Os Estados deveriam reconhecer e aprovar devidamente sua identidade. . os ideais e o valor dos jovens do mundo para forjar uma aliança mundial orientada a obter o desenvolvimento sustentável e a assegurar um futuro melhor para todos. Princípio 27 Os Estados e as pessoas deverão cooperar de boa fé e com espírito de solidariedade na aplicação dos princípios consagrados nesta declaração e no posterior desenvolvimento do Direito Internacional na esfera do desenvolvimento sustentável. Princípio 23 Devem ser protegidos os meio ambiente e os recursos naturais dos povos submetidos a opressão. dominação e ocupação. Publicado no Caderno de Documentos n. os Estados deveriam respeitar as disposições de Direito Internacional que protegem o meio ambiente em época de conflito armado. Princípio 26 Os Estados deverão resolver pacificamente todas as controvérsias sobre o meio ambiente em conformidade com a Carta das Nações Unidas. e cooperar para o seu posterior desenvolvimento. Em conseqüência. graças aos seus conhecimentos e práticas tradicionais. desempenham um papel fundamental no planejamento do meio ambiente e no desenvolvimento. Princípio 24 A guerra é. por definição. cultura e interesses e tornar possível sua participação efetiva na obtenção do desenvolvimento sustentável. inimiga do desenvolvimento sustentável. Princípio 22 As populações indígenas e suas comunidades. 1995. o desenvolvimento e a proteção do meio ambiente são interdependentes e inseparáveis. assim como outras comunidades locais.º 3 – "Cartas Patrimoniais"Ministério da Cultura Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional – IPHAN Brasília. Princípio 25 A paz.Deveriam ser mobilizados a criatividade. se necessário.

Que o Ministério da Cultura viabilize a integração do referido inventário ao Sistema Nacional de Informações Culturais.Que o IPHAN promova o aprofundamento da reflexão sobre o conceito de bem cultural de natureza imaterial. proteger. e estiveram presentes. o Seminário "Patrimônio Imaterial: Estratégias e Formas de Proteção". sob a coordenação do IPHAN. documentar. diversidade e dinâmica. encaminhada pelos poderes públicos e pelos sociais organizados. 3 . o Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional . Propõe e recomenda 1 . representantes de diversas instituições públicas e privadas.Que o patrimônio cultural brasileiro é constituído por bens de natureza material e imaterial. com a colaboração de consultores do meio universitário e instituições de pesquisa. para o qual foram convidados.IPHAN promoveu em Fortaleza. 4 . fiscalizar.Carta de Fortaleza de 14 de novembro de 1997 Em comemoração aos seus 60 anos de criação. considerados em toda a sua complexidade. e 5 . proteger. as criações científicas. Essas medidas serão formuladas tendo em vista as especificidades das diferentes . com a participação de suas entidades vinculadas e de eventuais colaboradores externos. "as formas de expressão. promova. voltado especificamente para a preservação dos bens culturais de natureza imaterial. à ação e à memória dos diferentes grupos formadores da sociedade brasileira" (Artigo 216 da Constituição). os modos de criar. dispondo sobre a criação do instituto jurídico denominado registro. O plenário. O objetivo do Seminário foi recolher subsídios que permitissem a elaboração de diretrizes e a criação de instrumentos legais e administrativos visando a identificar. juntamente com outras unidades vinculadas ao Ministério da Cultura. artística e tecnológicas". 3 . de 10 a 14 de novembro de 1997. entendidas como iniciativas complementares indispensáveis à proteção legal propiciada pelo instituto do registro.Que o grupo de trabalho estabeleça as necessárias interfaces para que sejam estudadas medidas voltadas para a promoção e o fomento dessas manifestações culturais. conforme determina a Constituição Federal. 2 . 2 . 4 . através de seu Departamento de Identificação e Documentação. com especial atenção àquelas referentes à cultura popular. todos signatários deste documento. fazer e viver.Que o IPHAN. órgãos de pesquisa. preservar e promover o patrimônio cultural brasileiro. promover e fomentar os processos e bens "portadores de referência à identidade. com o objetivo de desenvolver os estudos necessários para propor a edição de instrumento legal.Que os institutos de proteção legal em vigor no âmbito federal não se têm mostrado adequados à proteção do patrimônio cultural de natureza imaterial. a realização do inventário desses bens culturais em âmbito nacional. e 5 . em parceria com instituições estaduais e municipais de cultura.Que seja criado um grupo de trabalho no Ministério da Cultura. cabe ao IPHAN identificar. meios de comunicação e outros. considerando: 1 . da UNESCO e da sociedade.Que os bens de natureza imaterial devem ser objeto de proteção específica.A crescente demanda pelo reconhecimento e preservação do amplo e diversificado patrimônio cultural brasileiro. em nível nacional.Que. particularmente.

Que sejam buscadas parcerias com entidades públicas e privadas com o objetivo de conhecer as manifestações culturais de natureza imaterial sobre as quais já existam informações disponíveis.Que. 7 . 2. através da criação de uma carreira especial. O plenário ainda recomenda: 6 . Moção de apoio ao Ministério da Cultura . o IPHAN encaminhe ao Conselho Nacional do Meio Ambiente (CONAMA) proposta de regulamentação do item relativo ao patrimônio cultural.Que seja desenvolvido um Programa Nacional de Educação Patrimonial. documentação.Que seja estabelecida uma Política Nacional de Preservação do Patrimônio Cultural com objetivos e metas claramente definidos. buscando valorizar as formas de produção simbólica e cognitiva. 8 . no sentido de que sejam levados em consideração os valores culturais na sua formulação e implementação. Pela garantia de sobrevivência do IPHAN e de todas as suas conquistas nas áreas de identificação. Pelo reconhecimento das atividades exercidas pelo IPHAN como função típica de Estado. inclusive no que concerne a extinção de cargos efetivos.Que a preservação do patrimônio cultural seja abordada de maneira global. tornando a difusão e o intercâmbio das informações ágil e acessível.Que seja constituído um banco de dados acerca das manifestações culturais passíveis de proteção. cujas disposições foram recepcionadas pela Constituição Federal de 1988. preservação e promoção do patrimônio cultural brasileiro. que organiza a proteção do patrimônio histórico e artístico nacional. 3. já bastante defasada em relação às suas atribuições legais e administrativas. 10 . e o conseqüente desligamento de servidores não estáveis. Em defesa da criação de instrumentos legais complementares com o objetivo de regulamentar as outras formas de acautelamento e preservação mencionadas no parágrafo primeiro do Artigo 216 da Constituição Federal. relativamente aos Estudos de Impacto Ambiental (EIA) e Relatórios de Impacto Ambiental (RIMA).Que o Ministério da Cultura procure influir no processo de elaboração das políticas públicas. 9 . O plenário encaminhou as seguintes moções: 1 . a partir da experiência do IPHAN. e com a participação de outros agentes do poder público e da sociedade.manifestações culturais. considerando sua importância no processo de preservação do patrimônio cultural brasileiro. Moção de apoio ao IPHAN Pelo repúdio a qualquer tipo de medida que venha a reduzir a capacidade operacional do IPHAN.Moção de defesa da legislação de preservação Em defesa do reconhecimento. atualidade e excelência jurídica do Decreto-lei n. proteção. eficácia. e 12 . em vigor. de modo a contemplá-lo em toda a sua amplitude. 25/37. 11 . comissionados e funções.

que estimulam a parceria entre Estado e sociedade na tarefa de preservar e promover o patrimônio cultural brasileiro. Moção de defesa à Lei de Incentivo à Cultura Pela manutenção dos benefícios previstos na Lei de Incentivo à Cultura. Moção de congratulações à 4ª Coordenação Regional do IPHAN Pelo reconhecimento da importância de realização do Seminário "Patrimônio Imaterial: estratégias e formas de proteção" e da excelência de sua organização. Moção de apoio às expressões culturais dos povos ameríndios Pelo reconhecimento da cultura indígena como integrante do patrimônio nacional brasileiro. 6. 4. devendo. inclusive no que concerne á extinção de cargos efetivos e o conseqüente desligamento de servidores não estáveis. a exemplo de outras etnias. 5. ser objeto de atenção dos órgãos do Ministério da Cultura. . de modo a não comprometer suas atribuições institucionais.Pelo repúdio a qualquer tipo de medida que venha a reduzir a capacidade operacional do Ministério da Cultura e demais entidades vinculadas.

de acordo com o art. tais como grutas. e bem assim dos sítios. já estiver procedendo. lapas e abrigos sob rocha. poços sepulcrais. antes de serem devidamente pesquisados. concheiros. punível de acordo com o disposto nas leis penais. Artigo 2° . nos quais se encontram vestígios humanos de interesse arqueológico ou paleoetnográfico. a destruição ou mutilação.Consideram-se monumentos arqueológicos ou pré-históricos: a) as jazidas de qualquer natureza. como tal. origem ou finalidade.Lei n° 3.As jazidas conhecidas como sambaquis.000. Artigo 6° . para efeito de exame. mas de significado idêntico. 180 da Constituição Federal. natural ou jurídica. aterrados. casqueiros. inscrições e objetos enumerados nas alíneas b. respeitadas as concessões anteriores e não caducas. para fins econômicos ou outros. c e d do artigo anterior. Artigo 3° .00 (dez mil a cinqüenta mil cruzeiros). o exercício dessa atividade. c) os sítios identificados como cemitérios. Artigo 5° . estearias e quaisquer outras não especificadas aqui. registro. para qualquer fim. na data da publicação desta Lei. 161 da mesma Constituição.00 a Cr$ 50. montes artificiais ou tesos.Qualquer ato que importe na destruição ou mutilação dos monumentos a que se refere o art. manifestadas ao governo da União. Artigo 4° . b) os sítios nos quais se encontram vestígios positivos de ocupação pelos paleomeríndios. sob pena de multa de Cr$ 10. Parágrafo único . fiscalização e salvaguarda do interesse da ciência. birbigueiras ou sernambis. não inclui a das jazidas arqueológicas ou pré-históricas.Toda pessoa. que representem testemunhos da cultura dos paleoameríndios do Brasil. a juízo da autoridade competente. que. tais como sambaquis.Os monumentos arqueológicos ou pré-históricos de qualquer natureza existentes no território nacional e todos os elementos que neles se encontram ficam sob a guarda e proteção do Poder Público. à exploração de jazidas arqueológicas ou préhistóricas. 4° . jazigos. das jazidas arqueológicas ou pré-históricas conhecidas como sambaquis. por intermédio da Diretoria do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional.924 de 26 de julho de1961.São proibidos em todo território nacional o aproveitamento econômico.A propriedade da superfície. dentro de sessenta (60) dias.000. regida pelo direito comum. deverá comunicar à Diretoria do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional. de acordo com o que estabelece o art. nem a dos objetos nela incorporados na forma do art. 2° desta Lei será considerado crime contra o Patrimônio Nacional e. O Presidente da República: Faço saber que o Congresso Nacional decreta e eu sanciono a seguinte lei: Artigo 1° . DISPÕE SOBRE OS MONUMENTOS ARQUEOLÓGICOS E PRÉ-HISTÓRICOS. d) as inscrições rupestres ou locais como sulcos de polimentos de utensílios e outros vestígios de atividade de paleoameríndios. sepulturas ou locais de pouso prolongado ou de aldeamento "estações" e "cerâmios".

não podendo o responsável. quando for julgado conveniente.As jazidas arqueológicas ou pré-históricas de qualquer natureza.O pedido de permissão deve ser dirigido à Diretoria do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional. salvo motivo .O permissionário fica obrigado a informar à Diretoria do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional. terão precedência para estudo e eventual aproveitamento. em terras de domínio público ou particular. 4° e 6° desta Lei. não manifestadas e registradas na forma dos arts. Artigo 12° . impedir a inspeção dos trabalhos por delegado especialmente designado pela Diretoria do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional. Artigo 7° . ficando obrigado a respeitá-lo o proprietário ou possuidor do solo. cuja notificação deverá ser feita imediatamente. para todos os efeitos. Artigo 9° .Desde que as escavações e estudos devam ser realizados em terreno que não pertença ao requerente. constitui-se mediante permissão do Governo da União. salvo a ocorrência de fato excepcional.A permissão terá por título uma portaria do Ministro da Educação e Cultura. deverá ser anexado ao seu pedido o consentimento escrito do proprietário do terreno ou de quem esteja em uso e gozo desse direito. acompanhado de indicação exata do local. do vulto e da duração aproximada dos trabalhos a serem executados. Parágrafo 2° .As escavações devem ser necessariamente executadas sob orientação do permissionário. somente poderá requerer a permissão o administrador ou cabecel. uma vez que: a) não sejam cumpridas as prescrições da presente Lei e do instrumento de concessão da licença. CAPÍTULO II Das Escavações Arqueológicas realizadas por particulares Artigo 8° . Parágrafo 1° .As escavações devem ser realizadas de acordo com as condições estipuladas no instrumento de permissão.Estando em condomínio a área em que se localiza a jazida. trimestralmente.O Ministério da Educação e Cultura poderá cassar a permissão concedida. Artigo 11° . que responderá civil. em conformidade com o Código de Minas. bens patrimoniais da União. sobre o andamento das escavações. para as providências cabíveis. sob nenhum pretexto. são consideradas.O direito de realizar escavações para fins arqueológicos. b) sejam suspensos os trabalhos de campo por prazo superior a doze (12) meses. da prova de idoneidade técnico-científica e financeira do requerente e do nome do responsável pela realização dos trabalhos. que será transcrita em livro próprio da Diretoria do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional e na qual ficarão estabelecidas as condições a serem observadas ao desenvolvimento das escavações e estudos. eleito na forma do Código Civil. Parágrafo único . Parágrafo 3° . através da Diretoria do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional. Artigo 10° .e registradas na forma do artigo 27 desta Lei. penal e administrativamente pelos prejuízos que causar ao Patrimônio Nacional ou a terceiros.

de força maior.A posse e a salvaguarda dos bens de natureza arqueológica ou pré-histórica constituem.No caso de ocupação temporária do terreno. deverá ser lavrado um auto. 36 do Decreto-lei n° 3. .Em caso de as escavações produzirem a destruição de um relevo qualquer. de 21 de junho de 1941. o permissionário não terá direito a indenização alguma pela despesas que tiver efetuado.Terminados os estudos. Parágrafo único . Parágrafo único . uma súmula dos resultados obtidos e do destino do material coletado. por utilidade pública.Dessa comunicação deve constar.365. ou parte dele. resultavam incontestáveis vantagens para o proprietário. CAPÍTULO III Das Escavações Arqueológicas realizadas por Instituições Científicas Especializadas da União. bem como os Estados e Municípios mediante autorização federal. essa obrigação só terá cabimento quando se comprovar que. c) no caso de não cumprimento do parágrafo 3° do artigo anterior. sem prévia comunicação à Diretoria do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional. CAPÍTULO IV Das Descobertas Fortuitas Artigo 17° . 5°. de 21 de junho de 1941. para realização de escavações nas jazidas declaradas de utilidade pública. poderá ser promovida a desapropriação do imóvel. dos Estados ou dos Municípios. em princípio.A União. obrigatoriamente o local. o local deverá ser restabelecido. posteriormente. poderão proceder a escavações e pesquisas.Em casos especiais e em face do significado arqueológico excepcional das jazidas. poderá realizar escavações arqueológicas ou pré-históricas. será esta declarada de utilidade pública e autorizada a sua ocupação pelo período necessário à execução dos estudos. direito imanente ao Estado. o tipo ou a designação da jazida.Nenhum órgão da administração federal. Artigo 15° . os indícios que determinaram a escolha do local e.Em qualquer dos casos acima enumerados. o nome do especialista encarregado das escavações. Artigo 16° . dos Estados e dos Municípios Artigo 13° . para fins de registro no cadastro de jazidas arqueológicas. devidamente comprovado. Parágrafo 1° . alíneas K e L do Decreto-lei n° 3. Parágrafo único . sempre que possível. antes do início dos estudos. Parágrafo 2° . Artigo 14° .365. no qual se descreva o aspecto exato do local. com exceção das áreas muradas que envolvam construções domiciliares. nos termos do art. com fundamento no art. na sua feição primitiva. no interesse da Arqueologia e da Pré-história em terrenos de propriedade particular. mesmo no caso do art.À falta de acordo amigável com o proprietário da área onde se situar a jazida. desse aspecto particular do terreno. 28 desta Lei.

razão deste artigo. uma vez concluída a sua exploração científica. como blocos testemunhos. Artigo 21° . Artigo 20° . .Nenhum objeto que apresente interesse arqueológico ou pré-histórico.A descoberta fortuita de quaisquer elementos de interesse arqueológico ou préhistórico. sem prejuízo da responsabilidade do inventor pelos danos que vier a causar ao Patrimônio Nacional. Parágrafo único . CAPÍTULO V Da remessa. em decorrência da omissão. para o exterior. sem prejuízo das demais cominações legais a que estiver sujeito o responsável. uma parte significativa. CAPÍTULO VI Disposições Gerais Artigo 22° . Artigo 24° . será entregue à Diretoria do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional. constante de uma "guia" de liberação na qual serão devidamente especificados os objetos a serem transferidos. sem licença expressa da Diretoria do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional. que possua as características de monumentos arqueológicos ou pré-históricos. objeto desta Lei. numismático ou artístico poderá ser transferido para o exterior.Artigo 18° .O proprietário ou ocupante do imóvel onde se tiver verificado o achado é responsável pela conservação provisória da coisa descoberta. a ser protegida pelos meios convenientes. Artigo 23° . Numismático ou Artístico. artístico ou numismático deverá ser imediatamente comunicada à Diretoria do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional.A infringência da obrigação imposta no artigo anterior implicará na apreensão sumária do achado. Parágrafo único .Nenhuma autorização de pesquisa ou de lavra para jazidas de calcário de concha.O aproveitamento econômico das jazidas.O objeto apreendido. de objetos de interesse Arqueológico ou Pré-histórico. ou aos órgãos oficiais autorizados. para realizar escavações arqueológicas ou pré-históricas no país. sempre que possível ou conveniente. mediante parecer favorável da Diretoria do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional ou do órgão oficial autorizado.A inobservância da prescrição do artigo anterior implicará na apreensão sumária do objeto a ser transferido. Artigo 19° .O Conselho de Fiscalização das Expedições Artísticas e Científicas encaminhará Diretoria do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional qualquer pedido de cientista estrangeiro.De todas as jazidas será preservada. poderá ser concedida sem audiência prévia da Diretoria do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional. poderá ser realizado na forma e nas condições prescritas pelo Código de Minas. até o pronunciamento e deliberação da Diretoria do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional. Parágrafo único . pelo autor do achado ou pelo proprietário do local onde tiver ocorrido. Histórico.

para o cumprimento desta Lei.Esta lei entrará em vigor na data de sua publicação.00 (cinqüenta mil cruzeiros). Artigo 26° . conforme o caso. bem como das que se tornarem conhecidas por qualquer via. em 26 de julho de 1961. para o Patrimônio Nacional.A Diretoria do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional manterá um Cadastro dos monumentos arqueológicos do Brasil. que disponha de serviços técnico-administrativos especialmente organizados para a guarda. preservação e estudo das jazidas arqueológicas e pré-históricas. com infringência de qualquer dos dispositivos desta Lei.As atribuições conferidas ao Ministério da Educação e Cultura. o produto das multas aplicadas e apreensões de material legalmente feitas reverterá em benefício do serviço estadual.Artigo 25° . revogadas as disposições em contrário. Jânio Quadros Brigido Tinoco Oscar Pedroso Horta Clemente Mariani João Agripino . a partir da vigência desta Lei.Para melhor execução da presente Lei. 140° da Independência e 73° da República. organizado para a preservação e estudo desses monumentos. Artigo 31° .000. Parágrafo único . Artigo 30° . sem prejuízo de sumária apreensão e conseqüente perda. bem como de recursos suficientes para o custeio e bom andamento dos trabalhos. no qual serão registrados todas as jazidas manifestadas. Artigo 28° . Artigo 27° . Brasília.Aos infratores desta Lei serão aplicadas as sanções dos artigos 163 a 167 do Código Penal. bem como de instituições que tenham entre seus objetivos específicos o estudo e a defesa dos monumentos arqueológicos e pré-históricos. municipais. sem prejuízo de outras penalidades cabíveis. poderão ser delegadas a qualquer unidade da Federação. dará lugar à multa de Cr$ 5.00 (cinco mil cruzeiros) a Cr$ 50. a Diretoria do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional poderá solicitar a colaboração de órgãos federais. de acordo com o disposto nesta Lei. estaduais. a regulamentação que for julgada necessária à sua fiel execução.000. no prazo de 120 dias. Artigo 29° . de todo o material e equipamento existente no local.No caso deste artigo.O poder Executivo baixará.A realização de escavações arqueológicas ou pré-históricas.

§ 1º . bibliográfico ou artístico. § 2º . bem como às pessoas jurídicas de direito privado e de direito público interno. a saber: .O Serviço do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional possuirá quatro Livros do Tombo. 10 da Introdução ao Código Civil. O Presidente da República dos Estados Unidos do Brasil. 1º desta lei. que façam carreira no País. 6º) que sejam importadas por empresas estrangeiras expressamente para adorno dos respectivos estabelecimentos. fornecida pelo Serviço do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional. quer por seu excepcional valor arqueológico ou etnográfico. 4º desta lei. 4º) que pertençam a casas de comércio de objetos históricos ou artísticos.Excluem-se do patrimônio histórico e artístico nacional as obras de origem estrangeira: 1º) que pertençam às representações diplomáticas ou consulares acreditadas no País.A presente lei se aplica às coisas pertencentes às pessoas naturais. e que continuam sujeitas à lei pessoal do proprietário. quer por sua vinculação a fatos memoráveis da história do Brasil. bem como os sítios e paisagens que importe conservar e proteger pela feição notável com que tenham sido dotados pela Natureza ou agenciados pela indústria humana. de que trata o Art. 180 da Constituição. CAPÍTULO II Do Tombamento Artigo 4º . usando da atribuição que lhe confere o art. educativas ou comerciais. decreta: CAPÍTULO I Do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional Artigo 1º . nos quais serão inscritas as obras a que se refere o art.Constitui o patrimônio histórico e artístico nacional o conjunto dos bens móveis e imóveis existentes no País e cuja conservação seja de interesse público.Os bens a que se refere o presente artigo só serão considerados parte integrante do patrimônio histórico e artístico nacional depois de inscritos separada ou agrupadamente num dos quatro Livros do Tombo.Decreto-lei n° 25 de 30 de novembro de 1937 ORGANIZA A PROTEÇÃO DO PATRIMÔNIO HISTÓRICO E ARTÍSTICO NACIONAL. Artigo 3º . Parágrafo único: As obras mencionadas nas alíneas 4 e 5 terão guia de licença para livre trânsito. 3º) que se incluam entre os bens referidos no art. Artigo 2º . 5º) que sejam trazidas para exposições comemorativas.Equiparam-se aos bens a que se refere o presente artigo e são também sujeitos a tombamento os monumentos naturais. 2º) que adornem quaisquer veículos pertencentes a empresas estrangeiras.

2º) no caso de não haver impugnação dentro do prazo assinado. para inscrição da coisa em qualquer dos Livros do Tombo.Os bens. a fim de produzir os necessários efeitos. será o processo remetido ao Conselho Consultivo do Serviço do Patrimônio Histórico Nacional. oferecer dentro do mesmo prazo as razões de sua impugnação. 2º) no Livro do Tombo Histórico. 1º. a fim de sustentá-la.Proceder-se-á ao tombamento compulsório quando o proprietário se recusar a anuir à inscrição da coisa. independentemente de custas.O tombamento compulsório se fará de acordo com o seguinte processo: 1º) O Serviço do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional. que proferirá decisão a respeito. Artigo 7º .O tombamento dos bens. Em seguida.1º) no Livro do Tombo Arqueológico. § 1º . 3 e 4 do presente artigo. mas deverá ser notificado à entidade a quem pertencer. ou sempre que o mesmo proprietário anuir. 3º) se a impugnação for oferecida dentro do prazo assinado. 3º) no Livro do Tombo das Belas-Artes. Etnográfico e Paisagístico.Cada um dos Livros do Tombo poderá ter vários volumes. será considerado provisório ou definitivo. 6º desta lei. por seu órgão competente. e bem assim as mencionadas no § 2º do citado art. etnográfica. Artigo 5º . as obras que se incluírem na categoria das artes aplicadas. Artigo 9º . a contar do recebimento da notificação. ameríndia e popular. a que se refere o art. ao órgão de que houver emanado a iniciativa do tombamento. ou para. dentro de outros quinze dias fatais. dentro do prazo de quinze dias. aos Estados e aos Municípios se fará de ofício por ordem do Diretor do Serviço do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional. as coisas de interesse histórico e as obras de arte histórica. serão definidos e especificados no regulamento que for expedido para execução da presente lei. por escrito. a contar do seu recebimento.Proceder-se-á ao tombamento voluntário sempre que o proprietário o pedir e a coisa se revestir dos requisitos necessários para constituir parte integrante do patrimônio histórico e artístico nacional a juízo do Conselho Consultivo do Serviço do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional. nacionais ou estrangeiras. as coisas pertencentes às categorias de arte arqueológica. § 2º . Dessa decisão não caberá recurso. conforme esteja o respectivo processo iniciado pela notificação ou concluído pela inscrição dos referidos bens no competente Livro do Tombo. notificará o proprietário para anuir ao tombamento. Artigo 6º .O tombamento dos bens pertencentes à União. ou sob cuja guarda estiver a coisa tombada. far-se-á vista da mesma. Artigo 10º . que se lhe fizer. .O tombamento de coisa pertencente à pessoa natural ou à pessoa jurídica de direito privado se fará voluntária ou compulsoriamente. 2. se o quiser impugnar. que se incluem nas categorias enumeradas nas alíneas 1. o diretor do Serviço do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional mandará por simples despacho que proceda à inscrição da coisa no competente Livro do Tombo. 4º) no Livro do Tombo das Artes Aplicadas. as coisas de arte erudita nacional ou estrangeira. Artigo 8º . que é fatal. à notificação. dentro do prazo de sessenta dias.

§ 2º .O tombamento definitivo dos bens de propriedade particular será. Artigo 16 . ainda que se trate de transmissão judicial ou causa mortis.Para todos os efeitos. § 1º . deverá o adquirente. da coisa tombada.Tentada. deverá o proprietário. Artigo 13 . sob pena de multa de dez por cento sobre o valor da coisa. além de incidir na multa a que se referem os parágrafos anteriores.Apurada a responsabilidade do proprietário. sem transferência de domínio e para fim de intercâmbio cultural. a multa será elevada ao dobro. § 1º . será esta seqüestrada pela União ou pelo Estado em que se encontrar. dentro do mesmo prazo e sob a mesma pena. Feita a transferência. aos Estados ou aos Municípios. 13 desta lei.No caso de reincidência. § 3º . § 3º . de propriedade de pessoas naturais ou jurídicas de direito privado. o respectivo proprietário deverá dar conhecimento do fato ao Serviço do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional. que permanecerá seqüestrada em garantia do pagamento. ao Serviço do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional. dentro do prazo de cinco dias. e até que este se faça.No caso de transferência de propriedade dos bens de que trata este artigo. inscrevê-los no registro do lugar para que tiveram sido deslocados.No caso de extravio ou furto de qualquer objeto tombado.Parágrafo único . senão por curto prazo. dentro do mesmo prazo e sob pena da mesma multa. a exportação para fora do País.As coisas tombadas. ser-lhe-á imposta a multa de cinqüenta por cento do valor da coisa. transcrito para os devidos efeitos em livro a cargo dos oficiais do registro de imóveis e averbado ao lado da transcrição do domínio. Parágrafo único. Artigo 12 . salvo a disposição do art. dentro do prazo de trinta dias. a juízo do Conselho Consultivo do Serviço do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional. inalienáveis por natureza. que pertençam à União. dela deve o adquirente dar imediato conhecimento ao Serviço do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional. § 2º . Artigo 14 . a não ser no caso previsto no artigo anterior.A alienabilidade das obras históricas ou artísticas tombadas. Artigo 15 . sofrerá as restrições constantes da presente lei.A pessoa que tentar a exportação de coisa tombada. fazê-la constar do registro.Na hipótese de deslocação de tais bens. por iniciativa do órgão competente do Serviço do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional. CAPÍTULO III Dos efeitos do tombamento Artigo 11 . e a deslocação pelo proprietário. .A transferência deve ser comunicada pelo adquirente. sob pena de multa de dez por centro sobre o respectivo valor. o tombamento provisório se equipará ao definitivo. só poderão ser transferidas de uma à outra das referidas entidades. incorrerá nas penas cominadas no Código Penal para o crime de contrabando.A coisa tombada não poderá sair do País.

Artigo 17 - As coisas tombadas não poderão, em caso nenhum, ser destruídas, demolidas ou mutiladas, nem, sem prévia autorização especial do Serviço do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional, ser reparadas, pintadas ou restauradas, sob pena de multa de cinqüenta por cento do dano causado. Parágrafo único: Tratando-se de bens pertencentes à União, aos Estados ou aos Municípios, a autoridade responsável pela infração do presente artigo incorrerá pessoalmente na multa. Artigo 18 - Sem prévia autorização do Serviço do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional, não se poderá, na vizinhança da coisa tombada, fazer construção que lhe impeça ou reduza a visibilidade, nem nela colocar anúncios ou cartazes, sob pena de ser mandada destruir a obra ou retirar o objeto, impondo-se neste caso multa de cinqüenta por cento do valor do mesmo objeto. Artigo 19 - O proprietário de coisa tombada, que não dispuser de recursos para proceder às obras de conservação e reparação que a mesma requerer, levará ao conhecimento do Serviço do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional e necessidade das mencionadas obras, sob pena de multa correspondente ao dobro da importância em que for avaliado o dano sofrido pela mesma coisa. § 1º - Recebida a comunicação, e consideradas necessárias as obras, o diretor do Serviço do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional mandará executá-las, a expensas da União, devendo as mesmas ser iniciadas dentro do prazo de seis meses, ou providenciará para que seja feita a desapropriação da coisa. § 2º - À falta de qualquer das providências previstas no parágrafo anterior, poderá o proprietário requerer que seja cancelado o tombamento da coisa. § 3º - Uma vez que verifique haver urgência na realização de obras e conservação ou reparação em qualquer coisa tombada, poderá o Serviço do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional tomar a iniciativa de projetá-las e executá-las, a expensas da União, independentemente da comunicação a que alude este artigo, por parte do proprietário. Artigo 20 - As coisas tombadas ficam sujeitas à vigilância permanente do Serviço do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional, que poderá inspecioná-las sempre que for julgado conveniente, não podendo os respectivos proprietários ou responsáveis criar obstáculos à inspeção, sob pena de multa de cem mil réis, elevada ao dobro em caso de reincidência. Artigo 21 - Os atentados cometidos contra os bens de que trata o art. 1º desta lei são equiparados aos cometidos contra o patrimônio nacional. CAPÍTULO IV Do direito de preferência Artigo 22 - Em face da alienação, onerosa de bens tombados, pertencentes a pessoas naturais ou a pessoas jurídicas de direito privado, a União, os Estados e os Municípios terão, nesta ordem, o direito de preferência. § 1º - Tal alienação não será permitida sem que previamente sejam os bens oferecidos, pelo mesmo preço, à União, bem como ao Estado e ao Município em que se encontrarem. O proprietário deverá notificar os titulares do direito de preferência a usá-lo, dentro de trinta dias, sob pena de perdê-lo.

§ 2º - É nula a alienação realizada com violação do disposto no parágrafo anterior, ficando qualquer dos titulares do direito de preferência habilitado a seqüestrar a coisa e a impor a multa de vinte por cento do seu valor ao transmitente e ao adquirente, que serão por ela solidariamente responsáveis. A nulidade será pronunciada, na forma da lei, pelo juiz que conceder o sequestro, o qual só será levantado depois de paga a multa e se qualquer dos titulares do direito de preferência não tiver adquirido a coisa no prazo de trinta dias. § 3º - O direito de preferência não inibe o proprietário de gravar livremente a coisa tombada, de penhor, anticrese ou hipoteca. § 4º - Nenhuma venda judicial de bens tombados se poderá realizar sem que, previamente, os titulares do direito de preferência sejam disso notificados judicialmente, não podendo os editais de praça ser expedidos, sob pena de nulidade, antes de feita a notificação. § 5º - Aos titulares do direito de preferência assistirá o direito de remissão, se dela não lançarem mão, até a assinatura do auto de arrematação ou até a sentença de adjudicação, as pessoas que, na forma da lei, tiverem a faculdade de remir. § 6º - O direito de remissão por parte da União, bem como do Estado e do Município em que os bens se encontrarem, poderá ser exercido, dentro de cinco dias a partir da assinatura do auto de arrematação ou da sentença de adjudicação, não se podendo extrair a carta enquanto não se esgotar este prazo, salvo se o arrematante ou o adjudicante for qualquer dos titulares do direito de preferência. CAPÍTULO V Disposições gerais Artigo 23 - O Poder Executivo providenciará a realização de acordos entre a União e os Estados, para melhor coordenação e desenvolvimento das atividades relativas à proteção do patrimônio histórico e artístico nacional e para a uniformização da legislação estadual complementar sobre o mesmo assunto. Artigo 24 - A União manterá, para conservação e exposição de obras históricas e artísticas de sua propriedade, além do Museu Histórico Nacional e do Museu Nacional de Belas Artes, tantos outros museus nacionais quantos se tornarem necessários, devendo outrossim providenciar no sentido a favorecer a instituição de museus estaduais e municipais, com finalidades similares. Artigo 25 - O Serviço do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional procurará entendimentos com as autoridades eclesiásticas, instituições científicas, históricas ou artísticas e pessoas naturais e jurídicas, com o objetivo de obter a cooperação das mesmas em benefício do patrimônio histórico e artístico nacional. Artigo 26 - Os negociantes de antigüidade, de obras de arte de qualquer natureza, de manuscritos e livros antigos ou raros são obrigados a um registro especial no Serviço do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional, cumprindo-lhes outrossim apresentar semestralmente ao mesmo relações completas das coisas históricas e artísticas que possuírem. Artigo 27 - Sempre que os agentes de leilões tiverem de vender objetos de natureza idêntica à dos mencionados no artigo anterior, deverão apresentar a respectiva relação ao órgão competente do Serviço do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional, sob pena de incidirem na multa de cinqüenta por cento sobre o valor dos objetos vendidos.

Artigo 28 - Nenhum objeto de natureza idêntica à dos referidos no art. 26 desta lei poderá ser posto à venda pelos comerciantes ou agentes de leilões, sem que tenha sido previamente autenticado pelo Serviço do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional, ou por perito em que o mesmo se louvar, sob pena de multa de cinqüenta por cento sobre o valor atribuído ao objeto. Parágrafo único: A autenticação do mencionado objeto será feita mediante o pagamento de uma taxa de peritagem de cinco por cento sobre o valor da coisa, se este for inferior ou equivalente a um conto de réis, e de mais cinco mil-réis por conto de réis ou fração que exceder. Artigo 29 - O titular do direito de preferência goza de privilégio especial sobre o valor produzido em praça por bens tombados, quanto ao pagamento de multas impostas em virtude de infrações da presente lei. Parágrafo único - Só terão prioridade sobre o privilégio a que se refere este artigo os créditos inscritos no registro competente antes do tombamento da coisa pelo Serviço Nacional do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional. Artigo 30 - Revogam-se as disposições em contrário. Rio de Janeiro, em 30 de novembro de 1937; 116º da Independência e 49º da República. Getúlio Vargas Gustavo Capanema

Para efeito desta Instrução Normativa são adotadas as seguintes definições: a) Acautelamento: forma de proteção que incide sobre o bem cultural. bem como pela utilização de ajudas técnicas e sinalizações específicas.405. de 19 de agosto de 2. pela incorporação de dispositivos. inciso V. redução ou superação de barreiras na promoção da acessibilidade aos bens culturais imóveis devem compatibilizar-se com a sua preservação e. a fim de equiparar as oportunidades de fruição destes bens pelo conjunto da sociedade. e outras categorias. 1. no uso das atribuições que lhe são conferidas pelo art. de 30 de novembro de 1937. de 24 de outubro de 1989.985. na Lei no 7.924. de 12 de novembro de 1. de 21 de outubro de 1998. de trânsito. A PRESIDENTE DO INSTITUTO DO PATRIMÔNIO HISTÓRICO E ARTÍSTICO NACIONAL.003.811. facilitando a utilização desses bens e a compreensão de seus acervos para todo o público. b) Cada intervenção deve ser considerada como um caso específico. DE 25 DE NOVEMBRO DE 2003. pela Lei 3. de 30 de novembro de 1937.098. resolve: 1. o Decreto nº 2. na Lei no 10. de 20 de dezembro de 1. sistemas e redes de informática. que cria o instituto do tombamento ou.000 e na Lei no 10. 20. Estabelecer diretrizes. a NBR9050 da ABNT e esta Instrução Normativa.298.098/2000.INSTITUTO DO PATRIMÔNIO HISTÓRICO E ARTÍSTICO NACIONAL INSTRUÇÃO NORMATIVA Nº 1. assegurar condições de acesso. no Decreto no 3. na Lei no 7. de 26 de julho de 1961. 1. em especial pelas pessoas portadoras de deficiência ou com mobilidade reduzida. regida por norma legal específica .2. conforme especifica.000. avaliando-se as possibilidades de adoção de soluções em acessibilidade frente às limitações inerentes à preservação do bem cultural imóvel em questão. critérios e recomendações para a promoção das devidas condições de acessibilidade aos bens culturais imóveis especificados nesta Instrução Normativa.048. observadas as seguintes premissas: a) As intervenções poderão ser promovidas através de modificações espaciais e estruturais. de orientação e de comunicação.924. de 26 de julho de 1.Decreto-lei no 25.853. na Lei no 3.1.961.807.999. Tendo como referências básicas a LF 10. de 08 de novembro de 2. devendo ser legíveis como adições do tempo presente. de forma a assegurar a acessibilidade plena sempre que possível. no caso dos monumentos arqueológicos ou pré-históricos. as soluções adotadas para a eliminação. Dispõe sobre a acessibilidade aos bens culturais imóveis acautelados em nível federal. de 19 de dezembro de 2. tendo em vista o disposto no Decreto-lei no 25. . c) O limite para a adoção de soluções em acessibilidade decorrerá da avaliação sobre a possibilidade de comprometimento do valor testemunhal e da integridade estrutural resultantes. em cada caso específico. em harmonia com o conjunto. do Anexo I ao Decreto nº 4.

segura e confortável. visa recuperar a plenitude de expressão e a perenidade do bem cultural. com segurança e autonomia. de forma autônoma.seja individualmente ou em conjunto. com base em metodologia e técnica específicas. podendo compreender também o seu entorno ou vizinhança. etnográfico. .b) Bem cultural: elemento que por sua existência e característica possua significação cultural para a sociedade . cuja proteção se dê em caráter individual ou coletivo. II) barreiras arquitetônicas na edificação: as existentes no interior dos edifícios públicos e privados. paisagístico.valor artístico. g) Restauração: conjunto de intervenções de caráter intensivo que. e) Conservação: intervenção voltada para a manutenção das condições físicas de um bem. legalmente protegidos pelo Iphan. localizados em áreas urbanas ou rurais. com o objetivo de assegurar a visibilidade e a ambiência do bem ou do conjunto. dos espaços. h) Acessibilidade: possibilidade e condição de alcance para utilização. l) Desenho universal: solução que visa atender simultaneamente maior variedade de pessoas com diferentes características antropométricas e sensoriais. i) Pessoa portadora de deficiência ou com mobilidade reduzida: a que temporária ou permanentemente tem limitada sua capacidade de relacionar-se com o meio e de utilizá-lo. histórico. c) Bens culturais imóveis acautelados em nível federal: bens imóveis caracterizados por edificações e/ou sítios dotados de valor artístico. mobiliários e equipamentos urbanos. f) Manutenção: operação contínua de promoção das medidas necessárias ao funcionamento e permanência dos efeitos da conservação. por pessoa portadora de deficiência ou com mobilidade reduzida. etnográfico . arqueológico. com o intuito de conter a sua deterioração. respeitadas as marcas de sua passagem através do tempo. III) barreiras nas comunicações: qualquer entrave ou obstáculo que dificulte ou impossibilite a expressão ou o recebimento de mensagens por intermédio dos meios ou sistemas de comunicação. se for o caso. dos transportes e dos sistemas e meios de comunicação. j) Barreiras: qualquer entrave ou obstáculo que limite ou impeça o acesso. classificadas em: I) barreiras arquitetônicas urbanísticas: as existentes nas vias públicas e nos espaços de uso público. a liberdade de movimento e a circulação com segurança das pessoas. d) Preservação: conjunto de ações que visam garantir a permanência dos bens culturais. sejam ou não de massa. das edificações. arqueológico. paisagístico. histórico.

compreendendo os espaços internos e externos às edificações. especialmente o estabelecido no art. paisagismo e os que materializam as indicações do planejamento urbanístico. conforme as categorias de imóveis e condições a seguir relacionadas. postes de sinalização e similares. o) Elemento da urbanização: qualquer componente das obras de urbanização. q) Uso público. n) Ajuda técnica: qualquer elemento que facilite a autonomia pessoal ou possibilite o acesso e o uso de meio físico. verificada a disponibilidade imediata de recursos técnicos e financeiros. a ordem de relevância cultural e de afluxo de visitantes.m) Rota acessível: interligação ou percurso contínuo e sistêmico entre os elementos que compõem a acessibilidade. no cumprimento de suas obrigações quanto à acessibilidade e. 23 da referida lei. aquelas cuja utilização está voltada para fins comerciais ou de prestação de serviços (incluindo atividades de lazer e cultura) e abertas ao público em geral e. distribuição de energia elétrica. superpostos ou adicionados aos elementos da urbanização ou da edificação. 1. p) Mobiliário Urbano: o conjunto de objetos existentes nas vias e espaços públicos.1. uso coletivo e uso privado: a partir da compreensão da LF 10. tais como semáforos. (2) de uso coletivo. encanamento para esgotos.2. Os imóveis próprios ou sob a administração do Iphan deverão atender as exigências da LF 10. contexto no qual se inserem as terminologias quanto aos usos das edificações. (3) de uso privado. toldos. com base nesta Instrução Normativa. tendo em vista proporcionar à comunidade o efeito demonstrativo da ação do Iphan. aquelas apropriadas ou administradas por entidades da Administração Pública e empregadas diretamente para atender ao interesse público. lixeiras. Os bens culturais imóveis acautelados em nível federal de propriedade de terceiros. inerente à sua condição autárquica. por seus respectivos Departamentos. aquelas com destinação residencial. quando da intervenção para preservação. em ações propostas pelo Iphan. observando-se as seguintes orientações: a) Soluções em acessibilidade deverão ser implementadas em curto prazo.3. quiosques e quaisquer outros de natureza análoga. iluminação pública. os níveis de intervenção estabelecidos pelos responsáveis para cada imóvel. abastecimento e distribuição de água. entende-se como: (1) de uso público. seja unifamiliar ou multifamiliar. fontes públicas.098/2000. b) Os bens culturais imóveis acautelados em nível federal serão adaptados gradualmente. tais como os referentes a pavimentação. bem como a densidade populacional da área no caso de sítios históricos urbanos. respeitando-se a disponibilidade orçamentária. os serviços e fluxos da rede urbana. marquises. com base no exercício do poder de polícia do Instituto. aos responsáveis pelos bens culturais imóveis acautelados em nível federal.3. Superintendências e Unidades. sem prejuízo das obrigações quanto à preservação.3. cabines telefônicas. Aplicar-se-á a presente Instrução Normativa do Iphan. saneamento. 1. salvo a realização de obras de conservação ou . de forma que sua modificação ou traslado não provoque alterações substanciais nestes elementos.098/2000. sempre que couber. 1.

na implantação de rotas acessíveis e remoção de barreiras presentes no espaço urbano ou natural. conforme a LF 10. Promover a capacitação dos quadros técnico e administrativo.2. normas e regulamentos. 2. por iniciativa espontânea do proprietário na promoção de soluções em acessibilidade. bem como a apreciação. inclusive através de intercâmbio internacional.1. investigações sobre materiais. nas seguintes situações: a) Imóveis de uso privado . legislação. reconstrução ou ampliação. tendo em vista a avaliação das condições de acessibilidade real e potencial dos bens culturais imóveis acautelados em nível federal. no que couber. técnicas e equipamentos. quando destinadas ao uso público ou coletivo e ainda que desprovidas de características relevantes para o patrimônio cultural. c) Imóveis inseridos em sítios históricos. a fim de orientar a elaboração de diagnósticos e manutenção de registro dos resultados em inventários. O imóvel não acautelado em nível federal. tais como pesquisas ergonômicas. 2. pela substituição do uso privado por outro uso ou atividade que implique no cumprimento de determinações legais referentes às condições de acessibilidade. instrumentos de análise e de acompanhamento. porém destinado ao uso público ou coletivo. a atuação do corpo funcional do Iphan e demais gestores de bens culturais imóveis acautelados em nível federal. deverá pautar-se nas diretrizes seguintes.nos casos de intervenção. manuais e ajudas técnicas.098/2000. de modo a assegurar ao portador de deficiência e à pessoa com mobilidade reduzida.098/2000. Nos casos previstos para aplicação desta Instrução Normativa. estadual ou municipal. conforme o art.nos casos previstos nas alíneas (a) e (b). reunir e difundir informações destinadas a reduzir ou eliminar barreiras para promoção da acessibilidade aos bens culturais imóveis acautelados em nível federal. na construção em terrenos não edificados e na reforma ou ampliação de edificações. apontando para a necessidade de reconhecer a diversidade dos usuários nas diversas ações de preservação. paisagísticos ou arqueológicos acautelados em nível federal . utilizando fontes diversas.3. quando da realização de obras de construção. acesso e atendimento adequados. Identificar.3. no qual estiver integrado bem escultórico ou pictórico tombado pelo Iphan sujeita-se.por força da legislação federal. a serem previamente submetidas ao Iphan. 1. em atendimento às iniciativas do Iphan ou dos demais gestores culturais competentes. . a esta Instrução Normativa. 11 da LF 10. 2. critérios. que servirão de fundamentação ao Plano Plurianual de Ação em Acessibilidade do Instituto: 2. para análise e aprovação do Iphan.3. Elaborar e aperfeiçoar métodos. reforma ou ampliação. guarda e utilização dos bens culturais imóveis acautelados em nível federal. incluída a restauração. b) Imóveis de uso público ou de uso coletivo .manutenção.4. Tendo em vista a implementação do disposto nesta Instrução Normativa. estão sujeitos à promoção de soluções em acessibilidade. parâmetros. a adoção de soluções em acessibilidade dependerá de apresentação prévia de projeto pelo interessado. que implique em obras de reforma. 1.

e) A captação e direcionamento de recursos para o financiamento de ações para promoção da acessibilidade aos bens culturais imóveis acautelados em nível federal. 2. através da discussão conjunta de alternativas e do acompanhamento e avaliação. sob a aprovação ou orientação do Iphan. observada em cada caso a compatibilidade com as características do bem e seu entorno.5. a fim de garantir a correta aplicação de soluções em acessibilidade. 2. c) A inserção de critérios para promoção da acessibilidade nos programas de preservação. Sistematizar experiências e compilar padrões e critérios.aprovação e implementação de projetos de intervenção e a formulação de programas. entre outras práticas. de revitalização e de promoção de bens culturais imóveis acautelados em nível federal sob a responsabilidade ou com a participação do Iphan. incorporem soluções em acessibilidade segundo os preceitos do desenho universal e rota acessível. sobre a ação do Iphan na adoção de soluções para acessibilidade aos bens culturais imóveis acautelados em nível federal.8. programas e ações em acessibilidade da União. Informar aos agentes de interesse. especialmente no tocante à acessibilidade aos bens culturais imóveis acautelados em nível federal. entre outros. avaliados e aprovados pelas unidades do Iphan. para que. no âmbito de sua competência. organizações de profissionais.7. 2. que estejam diretamente afetos ao tema da preservação do patrimônio histórico e cultural ou que nele venham a interferir. a fim de estimular iniciativas adequadas de intervenção nos bens culturais imóveis acautelados em nível federal. Articular-se com as organizações representativas de pessoas portadoras de deficiência ou com mobilidade reduzida. . b) Assegurar a sua participação nos processos de intervenção. órgãos públicos e concessionários.4. tais como instituições universitárias. b) A elaboração e implementação de programas específicos para acessibilidade aos bens culturais imóveis acautelados em nível federal. 2. Atuar em conjunto com os agentes públicos e realizar parcerias com os agentes privados e a sociedade organizada. 2. visando: a) O engajamento do Iphan no planejamento das políticas. e propiciar a atualização permanente dos procedimentos. e demais categorias quando couber. instrumentos e práticas da Instituição. tendo em vista: a) O desenvolvimento de ações dirigidas para a associação do tema da acessibilidade com a preservação de bens culturais imóveis acautelados em nível federal e respectivos acervos. Dar ampla divulgação à presente Instrução Normativa. a fim de instruir Manual Técnico destinado a estabelecer parâmetros básicos para acessibilidade aos bens culturais imóveis acautelados em nível federal.6. d) A compatibilidade de procedimentos entre os diferentes níveis de governo.

incluindo dispositivos de segurança e saídas de emergência. telefones e bebedouros. interagir com o espaço e o acervo. balcões e guichês. a fim de assegurar a compatibilidade das soluções e adaptações em acessibilidade com as possibilidades do imóvel. especialmente para a execução de projetos que envolvam os imóveis de propriedade ou administrados diretamente pelo Iphan. 3. favorecendo a capacidade das pessoas portadoras de deficiência ou com mobilidade reduzida em manobrar e vencer desníveis. ainda que de maneira virtual.1. iconográfico e documental -. oferecendo comodidade para todos. atenderão aos seguintes critérios: 3. 2. simbólica. através de percurso livre de barreiras e acessar o seu interior. banheiros. 3. de acordo com as demandas dos usuários. Viabilizar recursos financeiros para o cumprimento do estabelecido nesta Instrução Normativa. tais como: escrita. os estudos devem resultar em abordagem global da edificação e prever intervenções ou adaptações que atendam às pessoas portadoras de deficiência ou com mobilidade reduzida. tais como: bilheterias. por meio dos diversos dispositivos e linguagens de comunicação. proporcionando aos usuários: a) Alcançar o imóvel desde o passeio ou exterior limítrofes. salas de repouso e de informações.histórico.4. e) Nos casos em que os estudos indicarem áreas ou elementos em que seja inviável ou restrita a adaptação. 3. sempre que possível e preferencialmente. vagas em estacionamentos. entre outros. sonora e multimídia. lugares específicos em auditórios e locais de reunião. observadas as características e a destinação do imóvel. nos casos previstos nesta Instrução Normativa. d) Informar-se sobre os bens culturais e seus acervos. em suas diferentes necessidades. pela entrada principal ou uma outra integrada a esta. Informar ao público em geral sobre as condições de acessibilidade dos bens culturais imóveis acautelados em nível federal. devidamente identificados através de sinalização visual. alcançar e controlar equipamentos.2. As propostas de intervenção para adoção de soluções em acessibilidade. Os elementos e as ajudas técnicas para promover a acessibilidade devem ser incorporados ao espaço de forma a estimular a integração entre as pessoas portadoras de deficiência ou com mobilidade reduzida e os demais usuários. segundo os preceitos de desenho universal e rota acessível. tátil ou sonora. braile. Em qualquer hipótese. assim como dos demais bens culturais imóveis. colocadas à disposição em salas de recepção acessíveis ou em casa de visitantes adaptadas. total ou parcialmente. através de . de forma autônoma. Realização de levantamentos .2. b) Percorrer os espaços e acessar as atividades abertas ao público.3.9. Estabelecimento de prioridades e níveis de intervenção. físico. além da adoção do Símbolo Internacional de Acesso nos casos previstos na LF 7. dispositivos e ajudas técnicas.10. em garantia de sua integridade estrutural e impedimento da descaracterização do ambiente natural e construído. de propriedade ou sob a responsabilidade do Iphan. c) Usufruir comodidades e serviços. 3.405/1985.

indicativa ou de trânsito. as edificações à via pública e aos diversos espaços com características diferenciadas. bem como pela oferta. quando couber. referenciado nos parâmetros técnicos definidos pela ABNT. 3. 3. como cadeiras de rodas. sons e símbolos. de alternativas como mapas. A intervenção arquitetônica ou urbanística contará com o registro e a indicação da época de implantação. devendo-se considerar os seguintes procedimentos básicos: a adoção de pisos sinalizadores específicos. . d) A adoção de soluções complementares associadas à rota ou percurso acessíveis. b) A adaptação de percursos e implantação de rotas acessíveis deve considerar a declividade e largura de vias e passeios. tais como a utilização de veículos adaptados e mirantes. o tipo de tecnologia e de material utilizados. ajudas técnicas. adequação ou substituição dos elementos da urbanização e do mobiliário urbano. rampas e rebaixamento de calçadas. privilegiando-se os recursos passíveis de reversibilidade. de modo a permitir a inclusão de novos métodos. deverão ser mantidas à disposição das pessoas portadoras de deficiência ou com mobilidade reduzida. Em exposições temporárias e. cores e iluminação. A articulação das Unidades do Iphan com instituições governamentais dos Estados e Municípios. em locais de visitação a bens integrados. observando-se ainda: a) A implantação de condições de circulação que permitam a melhor e mais completa utilização do sítio. e demais aspectos implicados na sua implementação.5. 4. recomenda-se: 4. arqueológicos e paisagísticos devem permitir o contato da pessoa portadora de deficiência ou com mobilidade reduzida com o maior número de experiências possível. e demais categorias quando couber.1. valendo-se de percursos livres de barreiras e sinalizados que unam. c) A instituição de um sistema integrado de elementos em acessibilidade. 3. como parte do conjunto de soluções em acessibilidade. tecnologias ou acréscimos. deve-se assegurar o acesso às pessoas portadoras de deficiência ou com mobilidade reduzida. em ambientes apropriados. com o objetivo de compatibilizar procedimentos e dirimir dúvidas ou conflitos. os centros de interesse e de maior afluência de pessoas.8. Em bens culturais imóveis acautelados em nível federal. através de rota acessível. além de pessoal treinado para a sua recepção.6. os serviços e fluxos. através de. pelo menos. sejam compatíveis com a melhor visão e entendimento das obras expostas. a concepção. 3. a adequação da sinalização. peças de acervo originais ou cópias. um itinerário adaptado. a reserva e distribuição de vagas para estacionamento. As soluções para acessibilidade em sítios históricos. com especificações de cores. auditiva ou tátil. prevendo-se rota acessível devidamente sinalizada e ambiente onde mobiliário. entre outras que permitam ao portador de deficiência utilizar suas habilidades de modo a vivenciar a experiência da forma mais integral possível. maquetes. de uso público ou coletivo. a fim de possibilitar a sua identificação. Para fins de maior alcance desta Instrução Normativa.informação visual. deve ser prevista em áreas de difícil acesso ou inacessíveis. texturas.7.

2003. MARIA ELISA COSTA Diário Oficial de 26.PRONAC. notadamente em relação às seguintes categorias de imóveis: a) Aquelas relacionadas no item 1.decorrentes de imposições legais cumulativas em acessibilidade e incidentes sobre os bens imóveis acautelados em nível federal. 4. 8. o qual permanecerá com o encargo até seis meses após a execução das intervenções.2. nas situações em que a análise e aprovação de projetos sejam de responsabilidade do Iphan como entidade vinculada. 5. e submetidas ao Programa Nacional de Apoio à Cultura . 6. Seção 1 . integrarão automaticamente o conjunto de referências básicas desta Instrução Normativa. A incorporação das condições estabelecidas nesta Instrução Normativa aos programas e projetos apoiados financeiramente. as soluções e especificações em acessibilidade serão fundamentadas em estudos ergonômicos. observadas as distinções relacionadas ao mecanismo de apoio ao projeto cultural e à natureza do proponente. 7.11. A cada projeto aprovado. b) As edificações destinadas à atividade cultural. Esta Instrução Normativa entra em vigor na data de sua publicação. a fiscalização e a avaliação dos trabalhos. o Iphan indicará um responsável técnico para o acompanhamento. 4.3. Novos padrões ou critérios definidos pela legislação federal ou norma específica da ABNT. Promover os trâmites necessários para a adoção desta Instrução Normativa como parte integrante dos programas instituídos no âmbito do Ministério da Cultura. independente da condição de acautelamento. Nos casos omissos. por intermédio ou diretamente pelo Iphan. a partir da definição dos procedimentos necessários em cada situação.3.2.

unidade de intenção. Sem planta há desordem.. Oscar Niemeyer A Planta.. o sentido das relações. altera. transforma.. arbitrário. A arquitetura é coisa de plástica. A planta traz em si a essência da sensação.. "A arquitetura é a disciplina que organiza o espaço de vida do homem . sob o ponto de visa social.. espírito de ordem. "A planta é geradora. As que justas ou não. Os grandes problemas de amanhã.. Bruno Cajueiro . espera uma nova planta. refaz. Mario Botta Monumentalidade... e com ela desenha planos.. para a casa e para a cidade". ainda nos comovem. Le Corbusier Materiais.Citações O Arquiteto.. Diversidade Psicomotricidade Heterogeneidade Horizontalidade Sensorialidade Velocidade Densidade Espacialidade Centralidade Universidade Arquitetura. A arquitetura está além das coisas utilitárias. a arquitetura gera quantidades. Le Corbusier Cidade. Afinal.. o que ficou da arquitetura foram as obras monumentais. ditados por necessidades coletivas colocam de novo a questão da planta. A paixão faz das pedras inertes um drama".. A vida moderna pede.. "A arquitetura consiste em estabelecer relações comoventes com materiais brutos.o mundo. É a beleza a se impor na sensibilidade do homem". as que marcam o tempo e a evolução da técnica. Bruno Cajueiro O arquiteto com o ponto desenha a reta. representa. "A monumentalidade nunca me atemorizou quando um tema mais forte a justifica. constrói .. modifica. e com os quais: cria.

. o que me interessa é transmitir uma sensação de refúgio. "Quando eu faço um prédio. por exemplo. a imagem física da história... resultante da especulação imobiliária. Penso que a arquitetura moderna deva assumir a responsabilidade: construir um lugar único e irrepetível. Mario Botta Arquétipo. que a cidade é um lugar extraordinário. "Quando faço uma casa. a habitação primordial do homem". A cidade é nossa mãe". no entanto. A grande poluição não é a dos carros. mais homogeneizada. . Mario Botta Refúgio. de caverna primitiva. A relação com a cidade é muito mais forte que o prédio em si". Mario Botta "A finalidade de cada ato de criação é encontrar a riqueza do passado. mas a da arquitetura da má qualidade.. Mario Botta Três Níveis..Verticalidade Cidade Arquitetura e a Cidade.... Espero que haja uma arcaicidade do futuro e que as obras de arquitetura sejam como um tótem.. mas um instrumento para construir esse lugar.. a arquitetura precisa falar do grande passado. "O fato triste é que a arquitetura está se tornando cada vez mais pobre. Mario Botta "A arquitetura não é um instrumento para se construir em um lugar.. construindo um prédio com uma identidade forte". É necessário agir contra a banalização moderna.. "Nas minhas casas. que falem das necessidades primordiais do homem". procuro inserir uma série de valores e uma organização do espaço que contenha elementos arquetípicos como a caverna.. onde o homem encontre sua intimidade e sua memória". Das Necessidades Primordiais do homem. eu também construo um pedaço da cidade. fazendo com que os grandes centros urbanos percam sua identidade e assim morram um pouco. Penso.. A Relação com a cidade. Mario Botta O Edifício.

José Garcia Lamas A Rua." ".. Mario Botta Continuidade.. ". mais contradições. sua tensão. "O lugar é um dos parâmetros fundamentais do projeto: cada solução tem o seu lugar. quase todas são em três níveis porque preciso da terra como espaço de transição entre o externo e o interno. obra de arquitetura ou escultura destinada a transmitir à posteridade a recordação de um grande homem ou feito. memória.Mario Botta "As minhas casas.. Lawrence Halprin O Lote.. Mario Botta A Cidade. de crescimento A Cidade e seus espaços. . a identificação com a cultura do lugar. mais do que a construção... A Crise do Moderno.. construção. história. O lote não é apenas uma porção cadastral: é também a gênese e fundamento do edificado.. do primeiro andar para permitir a visão da paisagem.. irrepetível.." Cidade.... comunicar com o cosmos"..... à banalização do moderno. e do segundo andar para a interação com o céu. porque ela é um fato de continuidade. ou obra de arquitetura considerável pela sua dimensão ou magnificência. "Não se pode nem é justo inventar em uma noite toda a arquitetura.. sua acumulação histórica". Quando projetamos um edifício devemos Ter em mente que nosso cliente é a história". é representada pela paisagem dos seus espaços abertos.. único. proponho um modelo alternativo à crise do moderno... Mario Botta O Lugar. para que eu possa dormir com a luz. " A cidade é o território mais importante porque há mais presença humana. a riqueza da cidade é a sua estratificação. José Garcia Lamas "O edifício não pode ser desligado do lote ou da superfície de solo que ocupa. Todo projeto de arquitetura transforma o lugar de uma condição de natureza em uma condição de cultura". Ela é para o arquiteto o mesmo que o museu para o artista." Mario Botta O Monumento.. o lugar de confronto.

.. Silvio Soares Macedo Arquitetura e Cidade.. As chaves do Urbanismo estão nas quatro funções: habitar. Carta de Atenas ".. Carta de Atenas As quatro funções. cujas normalizações são particularizadas.... ao prédio e a rua. "A Arquitetura preside os destinos da cidade"... O sol... A vida só se desenvolve na medida em que são conciliados os dois princípios contraditórios que regem a "Introduzir o Sol (nas habitações) é o novo e mais imperioso dever do arquiteto.. Marcia Menneh O desenho. é formalista e direcionista na busca de um padrão de assentamento dos novos volumes construídos. com calçadas ajardinadas e arborizadas. espacialmente discutível e que pouco a pouco se mostra carente de novas disposições. "O desenho mostra a limitação da norma. que aberta no tocante à variedade de usos. a vegetação e o espaço são as três matérias primas do Urbanismo". normas e formas de arranjo mais flexíveis em relação as conformações espaciais possíveis e de abertura em relação a questão do meio urbano preexistente.Silvio Soares Macedo "A rua modelo da cidade brasileira. ao social e ao político. ". trabalhar.. é a rua-jardim.. Carta de Atenas O Sol. "Justapostos ao econômico. que busca maior identidade em cada espaço projetado." As três matérias primas do Urbanismo. São vias largas." "A monotonia é característica combatida em todas as fases do projeto.. O resultado é este. . utiliza-se do projeto cuidadoso dos edifícios e espaços livres... recrear-se (nas horas livres). um tecido urbano. Carta de Atenas Carta de Atenas O Individual e o Coletivo. através do desenho de uma paisagem rica e diversificada.." Monotonia. com um resultado morfológico simplório. circular".. os valores de ordem psicológica e fisiológica próprios ao ser humano introduzem no debate preocupações de ordem individual e de ordem coletiva. Para isso.. Deriva dos velhos bulevares no início do século e para o qual se voltaram os barões do café e da elite do império.

um desempenho no aqui e agora"... No Oriente. "As construções elevadas erguidas a grande distância uma das outras devem liberar o solo para amplas superfícies verdes".." A História.personalidade humana: o individual e o coletivo. de acordo com as formas de habitação postas pela própria natureza do terreno. Insolação. Significado...." "O significado não existe: é um processo criativo.... "Para o arquiteto. "A forma é um diagrama de forças". muda também a forma que portanto. Pearls Significado. "É extremamente difícil falar do significado e dizer qualquer coisa de sensato"... .. "A Arquitetura começa onde termina a função". nunca é fixa. Carta de Atenas "Densidades razoáveis devem ser impostas.. Fred e Barbro Thompson "A polêmica ocidental sobre se a forma segue a função ou a função segue a forma é impossível.. função e forma são uma e mesma coisa. Carta de Atenas Escala Humana. Julien Greimas A casa... Sir Edwin Lutyens Forma e Função." "Um número mínimo de horas de insolação deve ser fixado para cada moradia". Carta de Atenas Densidade. A forma é a combinação de espaço e função e quando a função e o espaço mudam.. mas temporal. "A história está escrita no traçado e na arquitetura das cidades". Alexander D'arcy Thompson Função.. ocupado aqui com as tarefas do Urbanismo. Carta de Atenas O Verde. o instrumento de medida será a escala humana".... Frederick S.. Carta de Atenas Forma.

" .Paul Éluard "Quando as cumeeiras de nosso céu se juntarem Minha casa terá um telhado.

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