A coleção dos principais documentos, recomendações e cartas conclusivas das reuniões relativas à proteção do patrimônio cultural, ocorridas em diversas

épocas e partes do mundo, sempre foi uma aspiração dos que trabalham com o tema. Seu conteúdo interessa a todos os que lidam na área patrimonial: proprietários e moradores de bens tombados, advogados, professores, estudantes, detentores do poder local nos sítios históricos, organizações governamentais ou não, afins ao Iphan e até mesmo meros curiosos. Clique para ter acesso a alguns desses documentos:
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Carta de Atenas - Sociedade das Nações- outubro de 1931; Carta de Atenas - CIAM - novembro 1933; Recomendação de Nova Delhi - Arqueologia - dezembro de 1956; Recomendação de Paris - Paisagens e Sítios - dezembro de 1962; Carta de Veneza - Monumentos e Sítios - maio 1964; Recomendação de Paris - Propriedade Ilícita de Bens Culturais - novembro 1964; Normas de Quito - novembro/dezembro 1967; Recomendação de Paris - Obras Públicas ou Privadas - novembro 1968; Compromisso de Brasília - abril 1970; Compromisso de Salvador - II Encontro de Governadores - outubro de 1971; Convenção de Paris - Patrimônio Mundial - novembro de 1972; Carta do Restauro - Governo da Itália - abril 1972; Declaração de Estocolmo - Ambiente Humano - junho 1972; Resolução de São Domingos - O.E.A. - dezembro 1974; Declaração de Amsterdã - Conselho da Europa - outubro 1975; Manifesto de Amsterdã - Carta Européia - outubro 1975; Recomendação de Nairóbi - Unesco - novembro 1976; Carta de Machu Picchu - Encontro Internacional de Arquitetos - dezembro 1977; Carta de Burra - Icomos - Austrália 1980; Carta de Florença - Icomos - maio 1981; Declaração de Nairóbi - Assembléia Mundial dos Estados - maio 1982; Declaração de Tlaxcala/México - Icomos - outubro 1982; Declaração do México - Icomos - Políticas culturais - 1985; Carta de Washington - Icomos - Cidades históricas - 1986; Carta de Petrópolis - Centros históricos - 1987; Carta de Cabo Frio - Encontro de Civilizações nas Américas - outubro de 1989; Carta do Rio - Conferência Geral das Nações Unidas - junho 1992; Carta de Fortaleza - 1997 - elaboração de diretrizes e a criação de instrumentos legais e administrativos visando a identificar, proteger, promover e fomentar os processos e bens, considerados em toda a sua complexidade, diversidade e dinâmica, particularmente, "as formas de expressão; os modos de criar, fazer e viver; as criações científicas, artística e tecnológicas", com especial atenção àquelas referentes à cultura popular.

Carta de Atenas
de outubro de 1931 Escritório Internacional dos Museus Sociedade das Nações A - Conclusões Gerais I - Doutrinas. Princípios Gerais. A conferência assistiu à exposição dos princípios gerais e das doutrinas concernentes à proteção dos monumentos. Qualquer que seja a diversidade dos casos específicos - e cada caso pode comportar uma solução própria - , a conferência constatou que nos diversos Estados representados predomina uma tendência geral a abandonar as reconstituições integrais, evitando assim seus riscos, pela adoção de uma manutenção regular e permanente, apropriada para assegurar a conservação dos edifícios. Nos casos em que uma restauração pareça indispensável devido a deterioração ou destruição, a conferência recomenda que se respeite a obra histórica e artística do passado, sem prejudicar o estilo de nenhuma época. A conferência recomenda que se mantenha uma utilização dos monumentos, que assegure a continuidade de sua vida, destinando-os sempre a finalidades que o seu caráter histórico ou artístico. II - Administração e legislação dos monumentos históricos. A conferência assistiu à exposição das legislações cujo objetivo é proteger os monumentos de interesse histórico, artístico ou científico, pertencentes às diferentes nações. A conferência aprovou unanimemente a tendência geral que consagrou nessa matéria um certo direito da coletividade em relação à propriedade privada. A conferência constatou que as diferenças entre essas legislações provinham das dificuldades de conciliar o direito público com o particular. Em conseqüência, aprovada a tendência geral dessas legislações, a conferência espera que elas sejam adaptadas às circunstâncias locais e à opinião pública, de modo que se encontre a menor oposição possível, tendo em conta os sacrifícios a que estão sujeitos os proprietários, em beneficio do interesse geral. Votou-se que em cada Estado a autoridade pública seja investida do poder do tomar, em caso de urgência, medidas de conservação. A conferência evidenciou o desejo de que o Escritório Internacional dos Museus publique uma resenha e um quadro comparativo das legislações em vigor nos diferentes Estados e os mantenha atualizados. III - A valorização dos monumentos. A conferência recomenda respeitar, na construção dos edifícios, o caráter e a fisionomia das cidades, sobretudo na vizinhança dos monumentos antigos, cuja proximidade deve ser objeto de cuidados especiais. Em certos conjuntos, algumas perspectivas particularmente pitorescas devem ser preservadas. Deve-se também estudar as plantações e ornamentações vegetais convenientes a determinados conjuntos de monumentos para lhes conservar a caráter antigo. Recomenda-se, sobretudo, a supressão de toda publicidade, de toda presença abusiva de

postes ou fios telegráficos, de toda indústria ruidosa, mesmo de altas chaminés, na vizinhança ou na proximidade dos monumentos, de arte ou de história. IV - Os materiais de restauração. Os técnicos receberam diversas comunicações relativas ao emprego de materiais modernos para a consolidação de edifícios antigos. Eles aprovaram o emprego adequado de todos os recursos da técnica moderna e especialmente, do cimento armado. Especificam, porém, que esses meios de reforço devem ser dissimulados, salvo impossibilidade, a fim de não alterar o aspecto e o caráter do edifício a ser restaurado. Recomendam os técnicos esses procedimentos especialmente nos casos em que permitam evitar os riscos de desagregação dos elementos a serem conservados. V - A deterioração dos monumentos. A conferência constata que, nas condições da vida moderna, os monumentos do mundo inteiro se acham cada vez mais ameaçados pelos agentes atmosféricos. Afora as preocupações habituais e as soluções felizes obtidas na conservação da estatuária monumental pelos métodos correntes, não se saberia, dada a complexidade dos casos no estado atual dos conhecimentos, formular regras gerais. A conferência recomenda: 1o - A colaboração em cada país dos conservadores de monumentos e dos arquitetos com os representantes das ciências físicas, químicas e naturais para a obtenção de métodos aplicáveis em casos diferentes. 2o - Que o Escritório Internacional de Museus se mantenha a par dos trabalhos empreendidos em cada país sobre essas matérias e lhes conceda espaço em suas publicações. A conferência, no que concerne à conservação da escultura monumental, considera que retirar a obra do lugar para o qual ela havia sido criada é, em princípio, lamentável. Recomenda, a título de precaução, conservar, quando existem, os modelos originais e, na falta deles, a execução de moldes. VI - Técnica da conservação A conferência constata com satisfação que os princípios e as técnicas expostas nas diversas comunicações se inspiram numa tendência comum, a saber: Quando se trata de ruínas, uma conservação escrupulosa se impõe, com a recolocação em seus lugares dos elementos originais encontrados (anastilose), cada vez que o caso o permita; os materiais novos necessários a esse trabalho deverão ser sempre reconhecíveis. Quando for impossível a conservação de ruínas descobertas durante uma escavação, é aconselhável sepultá-las de novo depois de haver sido feito um estudo minucioso. Não é preciso dizer que a técnica e a conservação de uma escavação impõem a colaboração estreita do arqueólogo e do arquiteto. Quanto aos outros monumentos, os técnicos unanimemente aconselharam, antes de toda consolidação ou restauração parcial, análise escrupulosa das moléstias que os afetam, reconhecendo, de fato, que cada caso contribui um caso especial.

ou as instituições criadas ou reconhecidamente competentes para esse trabalho. emite o voto de que os educadores habituem a infância e a juventude a se absterem de danificar os monumentos. 4o . a) Cooperação técnica e moral A conferência. de cooperação intelectual da Sociedade das Nações. guardiã da civilização. manifestar seu interesse pela salvaguarda das obras-primas nas quais a civilização se tenha expressado em seu nível mais alto e que se apresentem ameaçadas. considerando que esses sentimentos podem ser grandemente favorecidos por uma ação apropriada dos poderes públicos. no curso de seus trabalhos e no correr dos estudos desenvolvidos nessa ocasião. 5 o .Cada Estado deposite no Escritório Nacional de Museus suas publicações.O escritório consagre em suas publicações artigos relativos aos procedimentos e ao métodos gerais de conservação dos monumentos históricos. possam ser recomendadas à favorável atenção dos Estados. após haverem visitado. A conferência.O escritório estude a melhor utilização das informações assim centralizadas. sem causar o menor prejuízo ao Direito Internacional Público. cada vez mais concretamente para favorecer a conservação dos monumentos de arte e de história. quaisquer que eles sejam. pela proteção dos testemunhos de toda a civilização. há muitos anos. Emite o voto de que as proposições a esse respeito. e lhes façam aumentar o interesse.Cada Estado. deseja que os Estados. cuja necessidade foi aparecendo no curso dos trabalhos. foram unânimes em prestar homenagem ao governo grego que. Considera altamente desejável que instituições e grupos qualificados possam. notadamente junto à Comissão Nacional de Cooperação Intelectual interessada. .Cada Estado constitua arquivos onde serão reunidos todos os documentos relativos a seus monumentos históricos.A conservação dos monumentos e a colaboração internacional. Caberia à Comissão Internacional de Cooperação Intelectual. quando submetidas à organização. ao mesmo tempo em que executava ele mesmo trabalhos consideráveis. profundamente convencida de que a melhor garantia de conservação de monumentos e obras de arte vem do respeito e do interesse dos próprios povos. Os membros da conferência. colaborem entre si. muitos dos principais campos de escavações e dos monumentos antigos da Grécia. de uma maneira geral. convencida de que a conservação do patrimônio artístico e arqueológico da humanidade interessa à comunidade dos Estados. agindo no espírito do Pacto da Sociedade das Nações. Nessa ocasião viram um exemplo que contribuiu para a realização das metas de cooperação intelectual. acompanhado de fotografia e de informações. publique um inventário dos monumentos históricos nacionais. c) Utilidade de uma documentação internacional A conferência emite o voto de que: 1o . aceitou a colaboração de arqueólogos e especialistas de todos os países. pronunciar-se sobre a oportunidade das providências a serem empreendidas e sobre o procedimento a ser seguido em cada caso particular. 3 o . 2 o . b) O papel da educação e o respeito aos monumentos.VII . após sindicância do Escritório Internacional Museus e depois de haverem sido recolhidas todas as informações úteis.

Balanos. exprimiu o desejo de ouvir dos membros da conferência. que aproveitaram essa ocasião para expor suas experiências sobre o assunto. que não prevê qualquer restauração além da simples anastilose. d) Oportunidade do emprego de moldes como complemento da anastilose. constatando os resultados satisfatórios dos primeiros ensaios feitos por M. os membros da conferência procederam a uma longa troca de opiniões. Balanos. Balanos sobre os trabalhos de anastilose já executados. M. e os membros da conferência usufruíssem das facilidades que lhes haviam sido oferecidos por M. Por outro lado. Balanos nesse caso especial. e) Proteção do friso contra as intempéries. tanto nos Propileus como no Partenon. se realizou na manhã de domingo. Balanos forneceu detalhes sobre o programa ulterior dos trabalhos. que consiste em proteger esse friso com uma cobertura apropriada. Balanos. certos técnicos recomendaram muita prudência e sublinharam a utilidade de testes preliminares. sua opinião sobre esse programa. Balanos justificam o emprego do ferro no que diz respeito aos trabalhos da Acrópole. sob a presidência de M. os técnicos sublinharam o caráter particular dos trabalhos do Partenon e. b) Emprego de cimento como revestimento dos tambores de substituição. considerando as precauções tomadas e as condições climáticas peculiares no país. . Balanos. mesmo reconhecendo que as razões invocadas por M. Karo. A escolha do metal a ser empregado para os grampos prendeu a atenção dos técnicos. os membros da conferência acolheram o projeto preconizado por M. individualmente. Essa sessão. alguns técnicos.B – Deliberação da conferência sobre a anastilose dos monumentos da Acrópole Havia sido previsto que uma das sessões da Conferência do EIM se detivesse na acrópole. assim como a recuperação parcial do peristilo sul. especialmente sobre os seguintes pontos: a) Recuperação da colunata norte do Partenon e recuperação do peristilo sul. lembraram conseqüências às vezes desagradáveis desse emprego para a conservação das pedras e manifestaram sua preferência por metais menos susceptíveis de deterioração. os membros da conferência aprovaram unanimemente os trabalhos de recuperação da colunata norte do Partenon. Na segunda parte de sua exposição M. diretor dos trabalhos dos monumentos da Acrópole. No que concerne ao quarto problema colocado por M. Sobre a proteção do friso contra as intempéries. se abstiveram de opinar de um modo geral sobre essa questão. permitindo-lhes pedir detalhes e emitir opiniões. c) Escala dos metais a serem empregados para os grampos. A propósito do emprego do cimento como revestimento dos tambores de substituição. Sobre o primeiro ponto. que se pôs à disposição para prestar quaisquer explicações sobre os trabalhos em curso. segundo o projeto de M. Durante a primeira parte da sessão os membros da conferência ouviram a exposição de M. relativo ao emprego de moldes como complemento da anastilose. Ao terminar. Karo. Sob a orientação de M. 25 de outubro. Balanos assinalou que o emprego do ferro não apresentava inconveniente no caso da Acrópole.

Carta de Atenas
de novembro de 1933 Assembléia do CIAM CIAM – Congresso Internacional de Arquitetura Moderna – 1933 Primeira Parte Genera1idades A Cidade e sua Região 1 - A Cidade é só uma parte de um conjunto econômico, social e político que constitui a região. Raramente a unidade administrativa coincide com a unidade geográfica, ou seja, com a região. O recorte territorial administrativo das cidades pode ter sido arbitrário desde o início ou pode ter vindo a sê-lo posteriormente, quando, em decorrência de seu crescimento, a aglomeração principal uniu-se a outras comunidades e depois as englobou. Esse recorte artificial se opõe a uma boa gestão do novo conjunto. De fato, certas comunidades suburbanas puderam adquirir inopinadamente um valor imprevisível, positivo ou negativo, seja tornandose sede de residências luxuosas, seja acolhendo centros industriais dinâmicos, seja reunindo miseráveis populações operárias. Os limites administrativos aço que compartimentam o complexo urbano tornam-se então paralisantes. Uma aglomeração constitui o núcleo vital de uma extensão geográfica cujo limite é constituído pela zona de influência de uma outra aglomeração. Suas condições vitais são determinadas pelas vias de comunicação que asseguram suas trocas e ligam-se intimamente à sua zona particular. Só se pode enfrentar um problema de urbanismo referenciando-se constantemente aos elementos constitutivos da região e, principalmente, a sua geografia, chamada a desempenhar um papel determinante nessa questão: linhas de divisão de águas, morros vizinhos desenhando um contorno natural confirmado pelas vias de circulação, naturalmente inscritas no solo. Nenhuma atuação, pode ser considerada se não se liga ao destino harmonioso da região. O plano da cidade é só um dos elementos do todo constituído pelo plano regional. 2 - Justapostos ao econômico, ao social e ao político, os valores de ordem psicológica e fisiológica próprios ao ser humano introduzem no debate preocupações de ordem individual e de ordem coletiva. A vida só se desenvolve na medida em que são conciliados os dois princípios contraditórios que regem a personalidade humana: o individual e o coletivo. Isolado, o homem sente-se desarmado; por isso liga-se espontaneamente a um grupo. Entregue somente a suas forças, ele nada construiria além de sua choça e levaria, na insegurança, uma vida submetida a perigos e a fadigas agravados por todas as angústias da solidão. Incorporado ao grupo, ele sente pesar sobre si o constrangimento de disciplinas inevitáveis, mas, em troca, fica protegido em certa medida contra a violência, a doença, a fome: pode aspirar a melhorar sua moradia e satisfazer também sua profunda necessidade de vida social. Transformado em elemento constitutivo de uma sociedade que o mantém, ele colabora direta ou indiretamente nas mil atividades que asseguram sua vida fisica e desenvolvem sua vida espiritual. Suas iniciativas tornam-se mais frutíferas, e sua liberdade, melhor defendida, só se detém onde ameace a de outrem. Se os empreendimentos do grupo são sábios, a vida do indivíduo é ampliada e enobrecida. Se a preguiça, a estupidez e o egoísmo o assolam, o grupo, enfraquecido e entregue à desordem, só traz a cada um de seus

membros rivalidades, rancor e desencanto. Um plano é sábio quando permite uma colaboração frutífera, propiciando ao máximo a liberdade individual. Irradiação da pessoa no quadro do civismo. 3 - Essas constantes psicológicas e biológicas sofrerão a influência do meio: situação geográfica e topográfica, situação econômica e política. Primeiramente, da situação geográfica e topográfica, o caráter dos elementos água e terra, da natureza. do solo, do clima. A geografia e a topografia desempenham um papel considerável no destino dos homens. Não se pode esquecer jamais que o sol comanda, impondo sua lei a todo empreendimento cujo objetivo seja a salvaguarda do ser humano. Planícies, colinas e montanhas contribuem também para modelar uma sensibilidade e colinas e determinar uma mentalidade. Se o montanhês desce voluntariamente para a planície, o homem da planície raramente sobe os vales e dificilmente transpõe os desfiladeiros. Foram os cumes dos montes que delimitaram as áreas de aglomeração onde, pouco a pouco, reunidos por costumes e usos comuns, os homens se constituíram em povoações. A proporção dos elementos água e terra, quer atue na superfície, opondo as regiões lacustres ou fluviais às extensões de estepes, quer se expresse em densidade, produzindo aqui gordos pastos e, ali, pântanos ou desertos, conforma, ela também, atitudes mentais que se inscreverão nos empreendimentos e encontrarão sua expressão na casa, na aldeia ou na cidade. Conforme a incidência do sol na curva meridiana, as estações se contrapõem brutalmente ou se sucedem em passagens imperceptíveis e, ainda que em sua esfericidade contínua, de parcela em parcela, a Terra não experimente ruptura, surgem inúmeras combinações, cada uma das quais com seus caracteres particulares. Enfim as raças, com suas religiões ou suas filosofias variadas, multiplicam a diversidade dos empreendimentos e cada uma propõe seu modo de ver e sua razão de viver pessoais. 4 - Em segundo lugar, da situação econômica. Os recursos da região, contatos naturais ou artificiais com o exterior... A situação econômica, riqueza ou pobreza, é uma das grandes forças da vida, determinandolhe o movimento na direção do progresso ou da regressão. Ela desempenha o papel de um motor que, de acordo com a força de sua pulsações, introduz a, prodigalidade, aconselha a prudência ou impõe a sobriedade; ela condiciona as variações que traçam a história da aldeia, da cidade ou do país. A cidade cercada por uma região coberta de cultivos tem seu abastecimento assegurado. Aquela que dispõe de um subsolo precioso se enriquece com matérias que lhe servirão como moeda de troca, sobretudo se ela é dotada de uma rede de circulação suficientemente abundante para permitir-lhe entrar em contato útil com seus vizinhos próximos ou distantes. A tensão da engrenagem econômica, embora dependa em parte de circunstâncias invariáveis, pode ser modificada a cada momento pelo aparecimento de forças imprevistas, que o acaso ou a iniciativa humana podem tornar produtivas ou deixar inoperantes. Nem as riquezas latentes, que é preciso querer explorar, nem a energia individual têm caráter absoluto. Tudo é movimento, e o econômico, afinal, é sempre um valor momentâneo. 5 - Em terceiro lugar, da situação política, sistema administrativo. Fenômeno mais variável do que qualquer outro, sinal da vitalidade do país, expressão de uma sabedoria que atinge seu apogeu ou já toca seu declínio. Se a política é de natureza essencialmente variável, seu, fruto, o sistema administrativo, possui uma estabilidade natural que lhe permite, ao longo do tempo, uma permanência maior e não autoriza modificações

muito freqüentes. Expressão da dinâmica política, sua duração é assegurada por sua própria natureza e pela própria força das coisas. É um sistema que, dentro de limites bastante rígidos, rege uniformemente o território e a sociedade, impõe-lhes seus regulamentos e, atuando regularmente sobre todos os meios de comando, determina modalidades uniformes de ação em todo o país. Esse quadro econômico e político, cujo valor embora tenha sido confirmado pelo uso durante um certo período, pode ser alterado a qualquer instante em uma de suas partes, ou em seu conjunto. Algumas vezes, basta uma descoberta científica para provocar uma ruptura de equilíbrio, para fazer surgir a incompatibilidade entre o sistema administrativo de ontem e as imperiosas realidades de hoje. Pode ocorrer que algumas comunidades, que souberam renovar seu quadro particular, sejam afixidas pelo quadro geral do país. Este último pode, por sua vez, sofrer diretamente a investida das grandes correntes mundiais. Não há quadro administrativo que possa pretender a imutabilidade. 6 - No decorrer da História, circunstâncias particulares determinaram as características da cidade: defesa militar, descobertas científicas, administrações sucessivas, desenvolvimento progressivo das comunicações e dos meios de transporte (rotas terrestres, fluviais e marítimas, ferroviárias e aéreas). A história está inscrita no traçado e na arquitetura das cidades. Aquilo que deles subsiste forma o fio condutor que, juntamente com os textos e os documentos gráficos, permite a representação de imagens sucessivas do passado. Os motivos que deram origem às cidades foram de natureza diversa. Por vezes era o valor defensivo. E o alto de um rochedo ou a curva de um rio viam nascer um pequeno burgo fortificado. Ás vezes, era o cruzamento de duas rotas, unia cabeça de ponte ou uma baía do litoral que determinava a localização do primeiro estabelecimento. A cidade era de formato incerto, mais freqüentemente em círculo ou semicírculo. Quando era uma cidade de colonização, organizavam-na como um acampamento, com eixos de ângulos retos e cercada de palíçadas retilíneas. Tudo nela era ordenado segundo a proporção, a hierarquia e a conveniência. Os caminhos partiam dos portões da muralha e estendiam-se obliquamente na direção de alvos distantes. Podemos encontrar ainda no desenho das cidades o primeiro núcleo compacto do burgo, as muralhas sucessivas e o traçado dos caminhos divergentes. As pessoas aí se aglomeravam e encontravam, conforme o grau de civilização, uma dose variável de bem-estar. Aqui, regras profundamente humanas ditavam a escolha dos dispositivos; ali, constrangimentos arbitrários davam origem a injustiças flagrantes. Sobreveio a era do maquinismo. A uma medida milenar, que se poderia crer imutável, a velocidade do passo humano, somou-se uma medida em plena evolução, a velocidade dos veículos mecânicos. 7 - As razões que presidem o desenvolvimento das cidades estão, portanto, submetidas a mudanças contínuas. Aumento ou redução de uma população, prosperidade ou decadência da cidade, demolição de muralhas que se tornaram asfixiantes, novos meios de transporte ampliando a zona de trocas, benefícios ou malefícios de uma política escolhida ou suportada, aparecimento do maquinismo, tudo é movimento. À medida que o tempo passa, os valores indubitavelmente se inscrevem no patrimônio de um grupo, seja ele cidade, país ou humanidade; a vetustez, não obstante, atinge um dia todo conjunto de construções ou de caminhos. A morte atinge tanto as obras como os seres. Quem fará a discriminação entre aquilo que deve subsistir e aquilo que deve desaparecer? O espírito da cidade formou-se no decorrer dos anos; simples construções adquiriram um valor eterno na medida em que simbolizam a alma coletiva; constituem o

As moradias abrigam mal as famílias. Segunda Parte Estado Atual Crítico das Cidades Habitação Observações 9 . em. Quando essa densidade atinge. a cidade comporta um valor moral que pesa e que lhe está indissoluvelmente ligado.Insuficiência de superfície habitável por pessoa. a técnica de construção tinha limitado a altura das casas a aproximadamente seis pavimentos. relação entre as cifras da população. pode ser totalmente modificada pela altura dos edifícios. dando às proximidades um ar de qualidade. Por ser uma pequena pátria. assim como o clima.Mediocridade das aberturas para o exterior. Rompeu um equilíbrio milenar. O mal é universal. porém. opondo-se ao ajuste das necessidades fundamentais. corrompem sua vida íntima. em sua distribuição sobre a terra. revolta. condiciona a formação do indivíduo.Vetustez e presença permanente de germes mórbidos (tuberculose). Mas. seus empreendimentos. 3 . 8 .O advento da era da máquina provocou imensas perturbações no comportamento dos homens. Até então. 600.Promiscuidade proveniente das disposições internas da moradia. pelo abandono de numerosas terras. A densidade admissível para as construções dessa natureza é de 250 a 300 habitantes por hectare. decadência. assim como em determinadas zonas de expansão industrial do século XIX. nas cidades. entupindo as cidades e.arcabouço de uma tradição que. cerceado pelas muralhas militares. tem-se o cortiço. 2 . a população é muito densa (chega a mil e até mil e quinhentos habitantes por hectare). 6 . o costume. Ao longo dos séculos.Ausência ou insuficiência de instalações sanitárias. era em geral cheio de construções comprimidas e privadas de espaço.No interior do núcleo histórico das cidades. no campo. a raça.Ausência de sol (orientação para o norte ou conseqüência da sombra projetada na rua ou no pátio). esvaziando o campo. em compensação. 5 . substituindo a . foram sendo acrescentados anéis urbanos. e a superfície que ela ocupa. Um ritmo furioso associado a uma precariedade desencorajante desorganiza as condições de vida. a região. evolução brutal e universal sem precedentes na História. caracterizado pelos seguintes sinais: 1 . A densidade. e o desconhecimento das necessidades vitais. O emprego da máquina subverteu condições de trabalho. traz seus frutos envenenados: doença. 800 e até 1000 habitantes. da má orientação do imóvel. movimento desenfreado de concentração nas cidades a favor das velocidades mecânicas. ultrapassada a porta da muralha. tanto físicas quanto morais. expresso. sem querer limitar a amplitude dos progressos futuros. O caos entrou nas cidades. por um congestionamento que as encurrala na desordem e. aplicando um golpe fatal no artesanato. da presença de vizinhanças desagradáveis. como em vários bairros. ao desprezar harmonias seculares. O núcleo das cidades antigas. os espaços verdes eram imediatamente acessíveis. perturbando as relações naturais que existiam entre a casa e o locais de trabalho. 4 .

em grande parte. Para o enriquecimento de alguns egoístas. É o estado interior da moradia que constitui o cortiço. sem os quais a vida se estiola. por si mesma. que comanda todo crescimento. corrompida pelas alegrias ilusórias da cidade. tolera-se que uma mortalidade assustadora e todo tipo de doenças façam pesar sobre a coletividade uma carga esmagadora. incapaz de adotar. Ainda que seu valor de habitabilidade seja nulo. enfim. Por "condições naturais" entende-se a presença. a vegetação. cuja qualidade é assegurada pela presença da vegetação. deveria penetrar no interior de cada moradia. tolera-se. pela falta. as altas densidades significam o mal-estar e a doença em estado permanente. de conservação das construções (exploração baseada na especulação). deveria ser distribuído com liberalidade. O ar. Não nos esqueçamos de que a sensação de espaço é de ordem psicofisiológica e que a estreiteza das ruas e o estrangulamento dos pátios criam uma atmosfera tão insalubre para o corpo quanto deprimente para o espírito. com a doença e a decadência. livre da poeira em suspensão e dos gases nocivos.vegetação pela pedra e destruindo as superficies verdes. é prolongada no exterior pela estreiteza das ruas sombrias e total falta de espaços verdes. sob forma de moradia. O primeiro dever do urbanismo é pôr-se de acordo com as necessidades fundamentais dos homens. Condenar-se-ia um açougueiro que vendesse carne podre. 10 . em proporção suficiente. A despesa comprometida numa construção erguida há seculos foi amortizada há muito tempo. A saúde de cada um depende. entretanto. de ordem tanto psicológica quanto fisiológica. O indivíduo que perde contato com a natureza é diminuído e paga caro.As construções destinadas à habitação são distribuídas pela superfície da cidade em contradição com os requisitos da higiene. enfim. de certos elementos indispensáveis aos seres vivos: sol. Uma expansão sem controle privou as cidades desses alimentos fundamentais. de sua submissão às "condições naturais". cuja miséria. as condições de habitação são nefastas pela falta de espaço suficiente destinado à moradia. realizado em Atenas. Nessas condições. Nessa ordem de idéias. uma mercadoria negociável. chegou ao seguinte postulado: o sol. medidas defensivas (a mortalidade atinge até vinte por cento). a medida foi ultrapassada no decorrer dos últimos cem anos. O 4o Congresso CIAM. para espalhar seus raios. pela falta de superfícies verdes disponíveis. mas a legislação permite impor habitações podres às populações pobres. espaço. O espaço. Estado de coisas ainda agravado pela presença de uma população com padrão de vida muito baixo.O crescimento da cidade devora progressivamente as superfícies verdes limítrofes. 11 . e essa não é a causa menor da penúria pela qual o mundo se encontra presentemente oprimido. deveria ser puro. sobre as quais se debruçavam as sucessivas muralhas. vegetação. 12 . uma ruptura que enfraquece seu corpo e arruína sua sensibilidade. Quanto mais a cidade cresce. pulmões da cidade. O sol. A adesão a esse postulado permite julgar as coisas existentes e apreciar as novas propostas de um ponto de vista verdadeiramente humano. menos as "condições naturais" são nela respeitadas.Nos setores urbanos congestionados. todavia que aquele que a explora possa considerá-la ainda. o espaço são as três matérias-primas do urbanismo. . impunemente e às expensas da espécie. criadores de oxigênio e que seriam tão propícios aos folguedos das crianças. uma renda importante. Esse afastamento cada vez maior dos elementos naturais aumenta proporcionalmente a desordem higiênica. ela continua a fornecer.

poeiras e gases nocivos. será sempre bom o bastante para acomodar as populações desenraizadas e sem vínculos sólidos. e com uma insolação abundante. cada uma das quais reclama seu espaço particular: locais de habitação.Os bairros mais densos se localizam nas zonas menos favorecidas (encontas mal orientadas. que famílias inteiras sejam privadas de luz. e de vias de percurso rápido para o uso de veículos. Assim. sempre que seus recursos lhe permitem. independente de qualquer questão de dinheiro. de ar e de espaço. provase assim que as aspirações instintivas do homem o induzem. uma certa qualidade de bem-estar. os bairros residenciais as moradias são distribuídos segundo a circunstância. A casa. reservando só para alguns favorecidos da sorte o benefício das condições necessárias para uma vida sadia e ordenada. por uma rigorosa regulamentação urbana. que um terreno envenenado pela fuligem. O zoneamento é a operação feita sobre um plano de cidade com o objetivo de atribuir a cada função e a cada indivíduo seu justo lugar. A habitação se erguerá em seu meio próprio. . pela fumaça de carvão. 14 . setores invadidos por nevoeiros. infelizmente. de ar puro e de silêncio. mais baixos. que devem não somente assegurar a proteção da pessoa humana mas também dar-lhe meios para um aperfeiçoamento crescente. centros industriais ou comerciais. só se aproximando ocasionalmente da habitação. ao abrigo dos ventos hostis. salas ou terrenos destinados ao lazer. então não estará mais unida à rua por sua calçada. As zonas favorecidas são geralmente ocupadas pelas habitações de luxo. Mas se a força das coisas diferencia a habitação rica da habitação modesta. atribuir-se-á. com vista e espaços graciosos dando para perspectivas paisagísticas. zonas independentes à habitação e à circulação. acharão natural destinar à instalação de um bairro operário uma zona até então negligenciada porque as névoas a invadem. para sempre. pelos gases.As construções edificadas ao longo das vias de ao redor dos cruzamentos são prejudiciais à habitação: barulhos. lagos. porque a umidade é excessiva ou porque os mosquitos nela pululam.. Ele considerará que uma encosta voltada para o norte. em decorrência de sua orientação. a que chamamos de mão-de-obra comum. 15 . a procurar condições de vida e uma qualidade de bem estar cujas raízes se encontram na própria natureza. Se se quiser levar em consideração esta interdição. Ele tem por base a discriminação necessária entre as diversas atividades humanas. por gases industriais passíveis de inundações etc). nunca atraiu ninguém. às vezes. deletérios de alguma indústria.Essa distribuição parcial da habitação é sancionada pelo uso e por disposições edílicas que se consideram justificadas: o zoneamento. A circulação se desdobrará por meio de vias de percurso lento para o uso de pedestres. É preciso tornar acessível para todos. por meio de uma legislação implacável. Um geômetra municipal não hesitará em traçar uma rua que privará de sol milhares de casas. É preciso impedir. 16 . ao sabor dos interesses mais inesperados e. que. Cada uma dessas vias desempenhará sua função.13 . Nenhuma legislação interveio ainda para fixar as condições habitação moderna. etc. o solo urbano. mar.. onde gozará de sol. montes.As construções arejadas (habitações ricas) ocupam as zonas favorecidas. Certos edis. É urgente e necessário modificar certos usos. doravante. às vezes ruidosa. não se tem o direito de transgredir regras que deveriam ser sagradas.

As escolas. ruas paralelas ou oblíquas desenham superfícies quadradas ou retangulares. em geral. Os subúrbios são descendentes degenerados dos arrabaldes. 18 . fora da moradia e em suas proximidades. ou o adolescente. A análise revela que nas cidades. Sua realização está apenas esboçada. infelizmente. muito particularmente. em consequência da estreiteza das ruas. 20 . um pleno desenvolvimento. àqueles que buscam o lucro. O burgo era outrora uma unidade organizada no interior de uma muralha militar. às quais se somarão organizações intelectuais e esportivas destinadas a proparcionar aos adolescentes a possibilidade de trabalhos ou de jogos adequados à satisfação das aspirações próprias dessa idade e. seja ela voltada para a rua ou para o pátio. bom ou mau grado. antes dos seis anos. mas. O alinhamento tradicional dos imóveis ao longo das ruas acarreta urna disposição obrigatória do volume construído. era o escoadouro da população excedente que.É arbitrária a distribuição das construções de uso coletivo dependente da habitação. . Chega-se então a este triste resultado: uma fachada em quatro. A moradia abriga a família. devia acomodar-se em sua insegurança. limitando-se o julgamento a seu programa e a sua disposição arquitetônica. Mas a família reclama ainda a presença de instituições que. construído ao longo de uma via de acesso desprovido de proteção. função que constitui por si só todo um programa e coloca um problema cuja solução – que outrora já foi. trapezoidais ou triangulares. As regulamentações edilícias deixam. e a criança. uma vez edificadas. Além disso. de capacidades diversas que. para completar. A necessidade de iluminar o centro desses blocos engendra pátios internos de dimensões variadas. O estado atual e a distribuição do domínio edificado prestam-se mal às inovações por meio das quais a infância e a juventude seriam não somente protegidas de inúmeros perigos. 19 . constituem os "blocos". mas sua necessidade é ainda mal compreendida pela massa. São elas: centros de abastecimento. está orientada para o norte e não conhece o sol. essa proporção é ainda mais desastrosa. creches. Muito longe da moradia. ainda. por vezes. colocadas nas únicas condições que permitem uma formação séria. jardins de infância. sejam seus verdadeiros prolongamentos. ao acaso. são regularmente privados de organizações pré ou pós-escolares que responderiam às necessidades mais imperiosas de sua idade. feliz – está hoje entregue. Ao serem cortadas. ao lado da instrução. são também parcialmente privadas de sol. tanto físico quanto moral. As escolas.17 – O alinhamento tradicional das habitações à beira das ruas só garante insolação a uma parcela mínima das moradias. as áreas próprias à cultura fisica e ao esporte cotidiano de cada um.Os subúrbios estão organizados sem plano e sem ligação normal com a cidade. dos pátios e da sombra projetada disso resultante. serviços médicos. não raro estão situadas nas vias de circulação e muito afastadas das habitações. depois dos treze. escolas. O falso burgo contíguo a ele pelo lado de fora. O benefício dessas instituições coletivas é evidentes. a liberdade de restringir esses pátios a dimensões verdadeiramente escandalosas. é freqüente que nelas só se dispense a instrução propriamente dita. a proporção de fachadas não ensolaradas varia entre a metade e três quarto total. capaz de lhes assegurar. Em certos casos. da maneira mais fragmentária e desvinculada das necessidades gerais das habitações. enquanto as outras três. estão em geral mal situadas no interior do complexo urbano. elas colocam a criança em contato com os perigos da rua. os "equipamentos de saúde".

A legislação imprevidente deixou que se estabelecessem. cerca a cidade para assegurar-lhe os meios para um desenvolvimento harmonioso. e depois inundação. vistos de avião. Os subúrbios são a sórdida antecâmara das cidades. direitos de propriedade por ela declarados imprescritíveis. observando-se o clima. com seu trecho de via. Ele se constitui em um dos grandes males do século. ao mesmo tempo. solução irracional. eis o subúrbio! Sua feiúra e sua tristeza são a vergonha da cidade que ele circunda. entretanto. disseminado por todo o universo e levado a suas conseqüências extremas na América. onde se instalam em geral os artesanatos mais modestos. ocorria uma primeira alteração na regra normal dos traçados. O proprietário de um terreno vago onde tenha surgido algum barraco. do fracasso e da tentativa. Sua miséria. Desse subúrbio doente. em toda sua extensão. barracos de madeira. onde são jogados todos os resíduos. mais extenso do que a cidade. é uma carga sufocante para a coletividade. cem vezes. Paraísos ilusórios. choca-se com obstáculos insuperáveis e se arruína em vão. onde a função distância-tempo suscita uma difícil questão que continua sem solução. polícia. cortados por ferrovias. domínio dos pobres diabos que oscilam nos turbilhões de uma vida sem disciplina. Sua densidade populacional é muito baixa e o solo dificilmente explorado. o subúrbio é com freqüência. porém. no seio da cidade. área sem traçado definido. expõe aos olhos menos avisados a desordem e a incoerência de sua distribuição. Muito tarde! O subúrbio foi incorporado tardiamente ao domínio administrativo. . galpão ou oficina não pode ser desapropriado sem inúmeras dificuldades. a cidade é obrigada a prover a área dos subúrbios dos serviços necessários: vias públicas.Freqüentemente os subúrbios nada mais são do que uma aglomeração de barracos onde a infra-estrutura indispensável dificilmente é rentável. onde se arriscam todas as tentativas.Procurou-se incorporar os subúrbios ao domínio administrativivo. A era do maquinismo é caracterizado pelo subúrbio. O subúrbio é o símbolo. galpões onde se misturam bem ou mal os materiais mais imprevistos. Quando a administração intervém para corrigir a situação. essa onda tornou-se maré. O subúrbio é um erro urbanístico.Quando a criação de uma nova muralha encerrava um dia o falso burgo. etc. alguns procuram fazer cidades-jardins. para o viajante atraído pela reputação da cidade. dez vezes. Sede de uma população incerta. dispondo-se da insolação mais favorável e de superfícies verdes adequadas. iluminação e limpeza pública serviços hospitalares ou escolares. enganchados às grandes vias de acesso por suas ruelas. com as indústrias julgadas de antemão provisórias. a circulação aí se torna perigosa. É uma espécie de onda batendo nos muros da cidade. 21 . que obriga a malbaratar o dinheiro público sem a contraparte de recursos fiscais suficientes. Casinhas mal construídas. algumas das quais. É chocante a desproporção entre as despesas ruinosas causadas por tantas obrigações e a pequena contribuição que pode dar uma população dispersa. aproveitando-se a topografia. meios transporte rápidos. eles são. 22 . canalização. Ela comprometeu seriamente o destino da cidade e suas possibilidades de crescer conforme uma regra. conhecerão um crescimento gigantesco.Doravante os bairros habitacionais devem ocupar no espaço urbano as melhores localizações. destinada a suportar inúmeras misérias. uma penosa desilusão! É preciso exigir 23 . caldo de cultura de revoltas. É antes do nascimento dos subúrbios que a administração deve apro riar-se da gestão do solo que. No decorrer dos séculos XIX e XX.

Não basta sanear a moradia. . ou recuperá-las. numa cidade ou muito extensa ou concentrada sobre si mesma. ainda. fixar a superfície e a capacidade necessárias à realização desse programa de cinqüenta anos. detectou aquelas que são indispensáveis á saúde humana e também aquelas que. ao modificar brutalmente determinadas condições centenárias. em certos casos. só merecem a picareta. nas "condições naturais".Densidades razoáveis devem ser impostas. destruindo implacavelmente aquilo que constitui um perigo. há modos de preservar o que merece ser preservado. e que elas não apenas cresceram. Muitos fatores concorrem para a quantidade da moradia. superpostas ao longo do tempo. utilizar as superficies verdes existentes. levando em consideração os ventos e a neblina. O sol deve penetrar em toda moradia algumas horas por dia. Será necessário alojá-la. As leis de higiene universalmente reconhecidas fazem uma grave acusação contra as condições sanitárias das cidades. é preciso. em função das memórias históricas ou dos elementos de valor artístico que contêm. e sobre o mesmo solo. o ar mais saudável. Bairros inteiros deveriam ser condenados em nome da saúde pública.A determinação dos setores habitacionais deve ser ditada por razões de higiene. e. enfim. que é uma das causas de seus males. fruto de uma especulação prematura. O sol é o senhor da vida. prever qual "tempo-distância" será seu quinhão cotidiano. os declives melhor expostos.Um número mínimo de horas de insolação deve ser fixado para cada moradia. Tanto para nascer como para crescer. estudando as radiações solares. A história mostra que sua criação e seu desenvolvimento obedeceram a razões profundas. estão construídas em condições contrárias ao bem público e privado. deverão ser parcialmente respeitados. Quando a cifra da população e as dimensões do terreno são fixadas. Não basta. criá-las. tudo deve ser feito para recuperá-los. Os melhores locais da cidade devem-lhe ser reservados. se foram destruídas. mas é preciso.As cidades. a "densidade" é determinada. A ciência. que devem ser estudadas e que levarão a previsões que abarquem um certo espaço de tempo: cinqüenta anos. 24 . porém. levou-as ao caos. prevalece sobre todos. de acordo com as formas de habitação postas pela própria natureza do terreno. criar e administrar seus prolongamentos exteriores. sabendo-se em que área útil. poderiam ser-lhe nocivas. por exemplo. de acordo com seu índice. Alguns. A medicina demonstrou que a tuberculose se instala onde o sol não penetra. Poder-se-á pressupor uma certa cifra de população. As densidades populacionais de uma cidade devem ser ditadas pelas autoridades. outros. as áreas que lhes serão reservadas. É preciso buscar ao mesmo tempo as mais belas paisagens. tanto quanto possível. ainda. A era da máquina. locais de educação física e espaços diversos para esporte. antecipadamente. mas freqüentemente se renovaram no decorrer dos séculos. se não existem. mesmo durante a estação menos favorecida. Elas poderão variar segundo a destinação do solo urbano e resultar. as cidades se desenvolveram sem controle e sem freio. inserindo. no plano geral. da habitação. formular um diagnóstico e nem sequer encontrar uma solução. Quando surgiu a era da máquina. Fixar as densidades urbanas é realizar um ato de gestão pleno de conseqüências. que ela seja imposta pelas autoridades responsáveis. e se eles foram devastados pela indiferença ou pela concupiscência. ela exige que o indivíduo seja recolocado. as cidades têm razões particulares. tal como existem hoje. A displicência é a única explicação válida para esse crescimento desmesurado e absolutamente irracional. 26 . O problema da moradia. 25 . Nossa tarefa atual é arrancá-las de sua desordem por meio de planos nos quais será previsto o escalonamento dos empreendimentos ao longo do tempo.

É preciso exigir dos construtores uma planta demonstrado que no solstício de inverno o sol penetrará em cada moradia. a arte de construir casas só conhecia paredes constituídas de pedras. A cidade atual abre as inumeráveis portas de suas casas para essa ameaça e suas inumeráveis janelas para os ruídos. longe de construir um melhoramento. enquanto o pedestre disporá de caminhos diretos ou de caminhos de passeio para ele reservados. enfim. sem programa. assim. áreas escolares. as poeiras e os gases nocivos. é o grave erro cometido nas cidades das duas Américas. que elas estejam situadas as distâncias bem grandes umas das outras. 27 . por um exame criterioso dos problemas urbanos. devem ser separadas. Antes dessa inovação absolutamente revolucionária na história da construção de casas. condenadas ao definhamento. 28 . O presente não é mais tão limitado. um período intermediário fez uso dos ferros perfilados. são um remédio irrisório desde que as velocidades mecânicas introduziram nas ruas uma verdadeira ameaça de morte.0 alinhamento das habitações ao longo das vias de comunicação deve ser proibido. que serão os . A construção de uma cidade não pode ser abandonada. 29 . dos caminhões ou dos automóveis particulares. Todo projeto de casa no qual um único alojamento seja orientado exclusivamente para o norte. ônibus ou bondes. isto é. no mínimo 2 horas por dia. a altura que mais convém a cada caso particular. Apenas construções de uma certa altura poderão satisfazer a contento essas legítimas exigências. mecânicas. Cada época utilizou em suas construções a técnica que lhe era imposta por seus recursos particulares. Na falta disso será negada a autorização para construir. a possibilidade de criar nas proximidades imediatas da moradia instalações coletivas. Introduzir o sol é o novo e o mais imperioso dever do arquiteto. para evitar os atropelamentos. ou privado de sol devido às sombras projetadas. Resta determinar. que serão seus prolongamentos. No século XIX. à iniciativa privada. As calçadas. todas em aço ou cimento armado. têm finalidades díspares. É preciso. só agravaria o mal existente. A densidade de sua população deve ser elevada o bastante para validar a organização das instalações coletivas. As habitações serão afastadas das velocidades mecânicas. As vias de comunicação. interrompido por paradas intermitentes. terrenos para jogos. os construtores não podiam erguer um imóvel que ultrapassasse seis pavimentos. resultantes de uma intensa circulação mecânica.Os modernos recursos técnicos devem ser levados em conta para erguer construções elevadas. as construções homogêneas. No que concerne à habitação. no século XX. tijolos ou tabiques de madeira e tetos constituídos por vigas de madeira.As construções elevadas erguidas a grande distância umas das outras devem liberar o solo para amplas superfícies verdes. a busca do ar mais puro e da insolação mais completa. de veículos rápidos de transporte coletivo.A sociedade não tolerará mais que famílias inteiras sejam privadas de sol e. Elas recebem as mais variadas cargas e devem servir tanto para a caminhada dos pedestres. e as velocidades. será rigorosamente condenado. as ruas do nossas cidades. Até o século XIX. as razões que postulam a favor de uma determinada decisão são: a escolha da vista mais agradável. Esse estado de coisas exige uma modificação radical: as velocidades do pedestre. ainda. 50 a 100km horários. ou para aquele ainda mais rápido. 4km horários. enfim. As construções atingem sessenta e cinco pavimentos ou mais. depois vieram. centros de assistência. quanto para o trânsito. a serem canalizadas para um leito particular. caso contrário sua altura. criadas no tempo dos cavalos e só após a introdução dos coches.

colocando alvenaria no lugar da relva e das árvores. serão consagradas a uma reconfortante permanência no seio de elementos naturais. que o maquinismo infalivelmente ampliará. sua destinação será a mesma: acolher as atividades coletivas da juventude.As superfícies livres são. Elas são a sobrevivência. No segundo. sua saúde moral e a alegria de viver delas decorrente. propiciar um espaço favorável às distrações. Decidir sobre a maneira como o solo será ocupado. se estão concentrados em algumas grandes superfícies. proibidas às multidões. se cercam a própria habitação. Outrora os espaços livres não tinham outra razão de ser que o deleite de alguns privilegiados. dentro dos limites das regras estabelecidas por esse. não tão próximas. Lazer Observações 30 . que permita calcular a superfície reservada à cidade. devem ser seguidas. Uma vez fixada essa densidade. Essas horas livres. constituir essa grave operação. Eles podem ser os prolongamentos diretos ou indiretos da moradia. As horas dê trabalho. estabelecer a relação entre a superfície construída e aquela deixada livre ou plantada. por isso. a cada dia. não raro estão mal destinadas e. por um número suficiente de horas livres. indiretos.Quando as superfícies livres têm uma extensão suficiente. 31 . elas serão. cobrindo-os de imóveis. uma necessidade e constituem uma questão de saúde pública para . superfícies livres no interior de algumas cidades. Os dois últimos séculos consumiram com voracidade essas reservas. O urbanismo é chamado para conceber as regras necessárias a assegurar aos citadinos as condições de vida que salvaguardem não somente sua saúde física mas. portanto. Assim se construirá a cidade daqui para diante com toda segurança e. da qual a autoridade está incumbida: a promulgação do "estatuto do solo". A manutenção ou a criação de espaços livres são. são pouco utilizáveis pela massa dos habitantes. que dá hoje um sentido novo a sua destinação. será dada toda a liberdade à iniciativa privada e à imaginação do artista. em geral. estatuto. elas só servirão aos citadinos no domingo e não terão influência alguma sobre a vida cotidiana. de fato. jardins adjacentes a casas burguesas. No primeiro caso. sendo sua função reduzida ao embelezamento. Seja como for. sem que desempenhem seu papel de prolongamentos úteis da moradia. tais áreas estão situadas ou na periferia ou no coração de uma zona residencial particularmente luxuosa. o grave problema da higiene popular permanecem ainda sem melhoria.prolongamentos da moradia. será admitida uma cifra de população presumível. Existem. passeios sombreados ocupando a área de uma muralha militar derrubada. Não interviera ainda o ponto de vista social. 32 .A situação excêntrica das superficies livres não se presta à melhoria das condições de habitação nas zonas congestionadas da cidade. Em ambos os casos. distantes dos locais de habitação popular. insuficientes. autênticos pulmões da cidade. miraculosa em nossa época. que continuará a se desenrolar em condições deploráveis. de reservas constituídas no passado: parques rodeando residências principescas. aos passeios ou aos jogos das horas de lazer. ainda. Quando as cidades modernas possuem algumas superfícies livres e de uma extensão suficiente. também. diretos. fixar uma superfície para a cidade que não poderá ser ultrapassada durante um período determinado. dividir o terreno necessário tanto para as moradias particulares quanto para seus diversos prolongamentos. em geral muscular e nervosamente extenuantes.

permitem verdadeiras viagens. O problema assim exposto implica a criação de reservas verdes: 1. É preciso exigir 35 . Pode-se classificar as horas livres ou de lazer em três categorias: cotidianas. encontraram na periferia das cidades um abrigo provisório. As zonas edificadas e as zonas plantadas serão distribuídas levando-se em consideração um tempo razoável para ir de umas às outras. as superficies verdes não serão compartimentadas em pequenos elementos de uso privado. as aglomerações tenderão a tornar-se cidades verdes. dos adolescentes e dos adultos. como a aragem eventual e a irrigação ou a rega.no país. não oficialmente reconhecidas é.As raras instalações esportivas. Esse estatuto terá a diversidade correspondente às necessidades a satisfazer.a espécie. 2 . fora da cidade e da região. Contrariamente ao que ocorre nas cidades-jardins. a densidade da população ou a porcentagem de superficie livre e de superfície edificada poderão variar segundo as funções.na região 3 . poderão aliviar os encargos e aumentar o rendimento. eram em geral instaladas provisioriamente: em terrenos destinados a receber futuros bairros residências ou industriais. em geral. As horas de liberdade anual. ele implica o estudo de diversos meios de transporte possíveis: estradas. Precariedade e transtornos incessantes. eis a única fórmula que resolve o problema da habitação. Algumas associações esportivas. 34 . As horas de liberdade cotidiana devem ser passadas nas proximidades da moradia. semanais ou anuais. desejosas de utilizar seu lazer semanal. mas consagradas ao desenvolvimento das diversas atividades comuns que formam o prolongamento da moradia. os locais ou os climas. mas sua existência. Uma vez escolhidos os locais situados nos arredores imediatos da cidade e próprios para se tomarem centros úteis de lazer semanal. O cultivo de hortas. Esse problema deve ser considerado desde o instante em que se esboça o plano da região. De qualquer modo.ao redor das moradias. as férias. dividida em múltiplas parcelas individuais. mas certos empreendimentos coletivos. As horas de liberdade semanal permitem a saída da cidade e os deslocamentos regionais.Os terrenos que poderiam ser destinados ao lazer semanal estão frequentemente mal articulados à cidade. Esse é um tema que constitui parte integrante dos postulados do urbanismo e ao qual os edis deveriam ser obrigados a dedicar toda a sua atenção. para serem colocadas nas proximidades dos usuários. ferrovias ou rios. isto é. Assim. de fato. Justa proporção entre volumes edifícados e espaços livres. cuja utilidade constitui. . o principal argumento a favor das cidades jardins.Doravante todo bairro residencial deve compreender a superfície verde necessária à organizacão racional dos jogos e esportes das crianças. uma porcentagem do solo disponível lhe será destinada. 33 . a textura do tecido urbano deverá mudar. Os volumes edificados serão intimamente amalgamados às superfícies verdes que os cercam. das mais precárias. poderá muito bem ser levado em consideração aqui. colocar-se-á o problema dos transportes de massa. Esta decisão só terá resultado se estiver sustentada por uma verdadeira legislação: o "estatuto do solo".

e o acesso a eles deverá ser assegurado por meios de transporte suficientemente numerosos e cômodos. florestas. lago.As horas livres semanais devem transcorrer em locais adequadamente preparados: parques. Estes quarteirões deverão ser demolidos. florestas. os esportes de toda natureza: tênis. 39 . áreas de esporte. amplos espaços deverão ser reservados e organizados. concertos. escolas. basquete. As superfícies verdes. vales. montanhas. mar. 38 . todavia. um urbanismo inteligente. enfim. Na região que cerca a cidade. jogos de quadra e torneios diversos. futebol.As novas superfícies verdes devem servir a objetivos claramente definidos: acolher jardins de infância. com uma ou outra árvore plantada.. organizações pré ou pós-escolares. Deve ser estabelecido um programa de entretenimento abrangendo atividades de todo tipo: o passeio. hotéis. áreas de esporte. pistas de corrida ou piscina ao ar livre. que se terá intimamente amalgamado aos volumes construídos e inserido nos setores habitacionais. os espetáculos. locais para alojamento. Nesse caso. praias. Elas serão o prolongamento da habitação e. salas de leitura ou de jogos. de praias naturais ou artificiais constituindo uma imensa reserva cuidadosamente protegida. tornar-se-ão facilmente acessíveis. círculos juvenis. albergues ou acampamentos e. Elas deverão.36 . o primeiro passo no caminho do saneamento. antes de mais nada. mas de verdadeiros prados. como tal. morros.Os elementos existentes devem ser considerados: rios. teatros ao ar livre. são previstos equipamentos precisos: meios de transporte que demandem uma organização racional. Nada ou quase nada foi ainda previsto para o lazer semanal. solitário ou coletivo. Um conhecimento elementar das principais noções de higiene basta para discernir os cortiços e discriminar os quarteirões notoriamente insalubres. Enfim. etc.. pelo menos nos bairros limítrofes. saberá dar-lhes a destinação que o plano geral da região e o da cidade tenham antecipadamente considerado a mais útil. atletismo. e as instalações de caráter coletivo ocuparão seus gramados: creches. de bosques. praias. . Não se trata mais de simples gramado cercando a casa. 37 . centros juvenis ou todas as construções de uso comunitário ligadas intimamente à habitação. Dever-se-á aproveitar essa ocasião para substituí-los por parques que serão. deverão estar o subordinadas ao estatuto do solo. centros de entretenimento intelectual ou de cultura física. não por função única o de embelezamento da cidade. estádios. não menos importante. etc. em meio à beleza dos lugares. que deverá ser cuidadosamente assegurado em toda parte. oferecendo mil oportunidades de atividades saudáveis ou de entretenimento útil ao habitante da cidade. etc.Os quarteirões insalubres devem ser demolidos e substituídos por superfícies verdes: os bairros limítrofes serão saneados. Pode acontecer. 40 . Toda cidade possui em sua periferia locais capazes de corresponder a esse programa e que através de uma organização bem estudada dos meios de transporte. ter um papel útil. que alguns desses quarteirões ocupem um local particularmente conveniente à construção de certos edifícios indispensáveis à vida da cidade.Parques... natação. um abastecimento de água potável e víveres. estádios.

os fundadores das indústrias instalaram suas empresas na cidade ou em seus arredores. sem poder acolher novos habitantes. trabalhar. Implantadas no coração dos bairros habitacionais. Desde então foram rompidas as relações normais entre essas duas funções essenciais da vida: habitar. comércio.Graças ao aperfeiçoamento dos meios mecânicos de transporte. administração. suporta de manhã. um papel preponderante. sítios e paisagens que correspondam ao programa. que a indústria do homem crie. Horas inteiras se dissolvem nesses deslocamentos desordenados.Os locais de trabalho não estão mais dispostos racionalmente no complexo urbano: indústria. unidas por vínculos estreitos e permanentes. A mão-de-obra intercambiável. fazendo-os perder inutilmente uma parte de suas horas de lazer. elas condenam os trabalhadores a percorrer diariamente longas distâncias em condições cansativas de pressa e de agitação. Mais vale escolher bem. Os arrabaldes se enchem de oficinas e manufaturas e a grande indústria. 43 .As horas de pico dos transportes acusam um estado crítico. vastos e compactos blocos de caixotes para alugar ou loteamentos intermináveis. as fábricas aí espalham suas poeiras e seus ruídos. portanto. Esse é um outro problema social muito importante. ainda que se tenha que procurar um pouco mais longe. mas também de reparar as agressões que algumas delas tenham sofrido. quebrou as tradições seculares do artesanato e deu origem a uma nova mão-de-obra anônima e instável. O desenvolvimento industrial depende essencialmente dos meios de abastecimento de matériasprimas e das facilidades de escoamento dos produtos manufaturados. cuja responsabilidade está nas mãos dos edis: encontrar uma contrapartida para o trabalho estafante da semana. fez-se surgir apressadamente cidades suburbanas. e às margens das vias fluviais. Derivou disso o grande mal dá época atual: nomadismo das populações operárias. A ruptura com a antiga organização do trabalho criou uma desordem indizível e colocou um problema para o qual. 42 . estavam situadas uma perto da outra. Uma destinação fecunda das horas livres forjará uma saúde e um coração para os habitantes das cidades. aproveitando as disponibilidades imediatas de habitações e de abastecimento das cidades existentes. enfim.A ligação entre a habitação e os locais de trabalho não é mais normal: ela impõe percursos desmesurados. que absolutamente não está ligada por um vínculo estável à indústria. ao longo das vias férreas introduzidas pelo século XIX. no verão e no inverno. negócios. que continua seu desenvolvimento sem limites. Instaladas na periferia e longe desses bairros. é empurrada para fora. à tarde e à noite. Trata-se não só de preservar as belezas naturais ainda intactas. Saturada a cidade. artesanato. a perpétua movimentação e a deprimente confusão dos transportes coletivos. a que as indústrias verdadeiramente se precipitaram. ela transformou a fisionomia das cidades. em menos de um século. a moradia e a oficina. Outrora. Mas. a questão da distância não desempenha mais. A expansão inesperada do maquinismo rompeu essas condições de harmonia. tornar o dia de repouso verdadeiramente revitalizante para a saúde fisica e moral. Foi. não mais abandonar a população às múltiplas desgraças da rua. cujo tráfego a navegação a vapor multiplicava. Trabalho Observações 41 . para os subúrbios. a despeito do mal que disso poderia resultar. no caso. . até o presente. em parte. só foram dadas soluções paliativas.

portanto. etc – a indústria se instala ao acaso. Nada. É preciso comprar e vender.Os transportes coletivos. eles se tomam um pesado encargo público.crescimento descontrolado das cidades.As distâncias entre os locais de trabalho e os locais de habitação devem ser reduzidas ao mínimo. A concentração das indústrias em anéis em tomo das grandes cidades pode ter sido. mas é preciso denuciar as deploráveis condições de vida que disso resultaram para a massa. e os usuários pagam caro. falta organização propícia para seu desenvolvimento natural. os escritórios se concentraram em centros de negócios. As cidades industriais. ausência de previsões.Pela falta de qualquer programa . Esses escritórios são locais que requerem uma instalação particularizada.Nas cidades. terrestres ou férreas. dotados da mais completa circulação. sempre oprime a coletividade. lineares. não obedecendo a regra alguma. sujeitas a todo tipo de crises e cuja situação é ás vezes instável. Para remediar semelhante estado de coisas foram sustentadas teses contraditórias: fazer viver os transportes ou fazer viver bem os usuários dos transportes? É preciso escolher! Umas supõem a redução e as outras o aumento do diâmetro das cidades. que asseguraria a cada um deles as melhores condições de funcionamento: circulação desembaraçada. Nada foi feito para submeter o surto industrial a regras lógicas. Os centros de negócio. A exploração desses transportes é ao mesmo tempo minuciosa e cara. para certas empresas. ao contrário. 44 . Um lugar de passagem é um elemento linear. são logo presa da especulação. sendo a cota dos passageiros insuficiente para cobrir sua despesa. instalações de aquecimento e de refrigeração. ao longo das grandes vias fluviais. nesse domínio. Essa disposição arbitrária criou uma promiscuidade insuportável. Como são negócios privados. administração privada e comércio. É preciso exigir 46 . 45 . comunicações fáceis com o exterior. Tudo aconselha um agrupamento. tornar-se-ão. O desenvolvimento industrial tem por corolário o aumento dos negócios. diariamente. tudo foi deixado à improvisação que. isoladamente. boa qualidade do ar. As indústrias devem ser transferidas para locais de passagem das matérias-primas. Nas horas de pico. instalado nos locais privilegiados da cidade. trens de subúrbio. O solo das cidades e o das regiões vizinhas pertencem quase inteiramente a particulares. Estas transações precisam de escritórios. horas de sacolejo somadas às fadigas do trabalho. uma organização que lhes proporciona. conforme um plano cuidadosamente elaborado. são caros. foi seriamente medido e previsto. ao invés de serem concêntricas. silêncio. uma fonte de prosperidade. Tais equipamentos. ônibus e metrôs só funcionam verdadeiramente em quatro momentos do dia. sensível. de todos os lugares destinados ao trabalho. o fornecedor e o cliente. estabelecer contatos entre a fábrica ou a oficina. especulação com os terrenos. a agitação é frenética. iluminação. . A duração das idas e vindas não tem relação com a trajetória cotidiana do sol. se às vezes favorece o indivíduo. centros postal e telefônico. A própria indústria está nas mãos de sociedades privadas. rádio etc. indispensável ao andamento dos negócios. de seu próprio bolso. Isto supõe uma nova distribuição.

ela voltará a ser um organismo familiar normal. intimamente ligado à vida urbana. aérea). Na Europa. consagrado à administração privada ou pública. tanto com os bairros habitacionais quanto com as indústrias ou artesanato instalados na cidade ou em suas proximidades. A cidade industrial se estenderá ao longo do canal. costura ou moda encontra na concentração intelectual da cidade a excitação criadora que lhe é necessária. Circulação Observações 51 . as administrações públicas. É um programa de coordenação que deve levar em conta a nova distribuição dos estabelecimentos industriais e das moradias operárias que os acompanham. o imóvel coletivo provido de todos os serviços necessários ao bemestar de seus ocupantes. São atividades essencialmente urbanas e. A velocidade inteiramente nova dos transportes mecânicos.Ao centro de negócios. O artesanato de livros. Primeiro foi traçada uma muralha de forma regular. poderão ficar situados nos pontos mais intensos da cidade. Certas cidades militares ou de colonização beneficiaram-se. joalheria. de um plano deliberado. a ferrovia. O artesanato. Três tipos de habitação estarão disponíveis para escolha dos habitantes: a casa individual da cidade-jardim. estrada ou via férrea ou. 49 . A moradia inserida desde então em pleno campo.O artesanato. marítima. mantendo-se a uma proximidade que suprimirá os longos trajetos diários. O centro de negócios deve encontrar-se na confluência das vias de circulação que servem ao mesmo tempo os setores de habitação. melhor ainda.Os setores industriais devem ser independentes dos setores habitacionais e separados uns dos outros por uma zona de vegetação. por sua natureza. ela poderá alinhar. dessas três vias conjugadas. enfim. deve ser garantida boa comunicação. rodoviária. o rio ou o canal. exige a criação de novas vias ou a transformação das já existentes. que lhe será paralelo. à medida em que se desenvolve. que utilizam a rodovia. estará completamente protegida dos ruídos e das poeiras.As zonas industriais devem ser contíguas à estrada de ferro. da qual procede diretamente. 50 . desde o seu nascimento. Tornando-se linear e não mais anelar. difere da indústria e requer disposições apropriadas. os setores de indústria e de artesanato. a casa individual acoplada a uma pequena exploração rural e. As "condições naturais" assim reencontradas contribuirão para fazer cessar o nomadismo das populações operárias. os locais de trabalho. essas últimas remontam a um tempo bem anterior à idade média.A rede atual das vias urbanas é um conjunto de ramificações desenvolvidas em torno das grandes vias de comunicação. deve poder ocupar locais claramente designados no interior da cidade. ou às vezes até mesmo à antiguidade.47 . portanto. seu próprio setor habitacional. Ele emana diretamente do potencial acumulado nos centros urbanos. 48 . Os negócios assumiram uma importância tão grande que a escolha da localização que lhes será reservada exige um estudo muito particular. Uma zona verde separará este último das construções industriais. alguns hotéis e diversas (estações ferroviária. nessa muralha . ao canal e à rodovia.

Sua mistura é fonte de mil conflitos. Não podiam. . 53 . O problema é criado pela impossibilidade de conciliar as velocidades naturais. prever uma unidade de extensão razoável entre o local do arranque e aquele em que a freada torna-se necessária. essa rede não pôde adaptarse às novas velocidades dos veículos mecânicos. hoje elas não correspondem aos meios de transporte mecânicos. As vias principais sempre foram filhas da geografia. essa organização das cidades teve como conseqüência o sistema de blocos edificados a prumo sobre a rua. Suas fachadas dão para ruas ou para pátios internos mais ou menos estreitos. há muito tempo. de onde eles recebiam luz. muitas delas puderam ser corrigidas ou retificadas. 55 . ficam paralisados. obrigados a frear com freqüência. ruas e ruelas foram prolongadas em avenidas e alamedas além do primeiro núcleo. A rede circulatória que o contém tem dimensões e intersecções múltiplas.terminavam as grandes vias de comunicação. mais numerosas. assim tiveram origem as ruas principais a partir das quais vieram ramificar-se. e perfurados. que freqüentemente lhes impõe um traçado sinuoso. A freada não pode intervir brutalmente sem causar um desgaste rápido de suas principais órgãos. As cidades antigas eram. mas sempre conservarão sua determinação fundamental. Esse sistema de construção. Mas tarde. 54 . Prevista para outros tempos. artérias secundárias cada vez mais numerosas. por razões de segurança. Além disso. o que não os impede de serem um perigo permanente de morte. além disso. bondes. inoperante. se opõe à utilização das novas velocidades mecânicas e à expansão regular da cidade. Outras cidades. no decorrer do crescimento da cidade.As grandes vias de comunicação foram. cercadas por muralhas. enquanto os veículos mecânicos. Essas vias de comunicação estão intimamente ligadas à topografia da região. que não corresponde mais. É sempre o bloco edificado. caminhões ou ônibus. As primeiras casas se instalaram à beira delas. desde então inadequado. Os cruzamentos das ruas atuais. O pedestre circula em uma insegurança perpétua. do pedestre ou do cavalo. os veículos mecânicos precisam do arranque e da aceleração gradual. Dever-se-ia. nasceram na intersecção de duas grandes rotas que atravessavam a região ou no ponto de cruzamento de vários caminhos radiais que partiam de um centro comum. portanto.As distâncias entre os cruzamentos das ruas são muito pequenas. concebidas para receber pedestres ou coches. ou mesmo 10 metros de distância uns dos outros. não convêm à boa progressão dos veículos mecânicos. por pátios internos. Espaços de 200 a 400 metros deveriam separá-los. a nenhuma necessidade. subproduto direto da rede viária. 52 . Procurar alargá-las é quase sempre uma operação onerosa e. Era preciso agir com economia para fazer o terreno render o máximo de superfície habitável. É isso que explica sua disposição em ruas e ruelas estreitas que permitiam servir ao maior número possível de portas de habitação. com as velocidades mecânicas dos automóveis. estender-se proporcionalmente ao crescimento de sua população. com a mesma finalidade.A largura das ruas é insuficiente. que conservava sua estrutura primitiva. tem ainda hoje força de lei. situados a 100. 20. Para atingir sua marcha normal. portanto. A disposição interna tinha uma útil regularidade. quando as muralhas fortificadas foram sendo afastadas. 50.O dimensionamento das ruas.

atravessar a cidade em simples trânsito. faltando precisão. ir dos centros de abastecimento a locais de distribuição infinitamente variados. É. Cada uma dessas atividades exigiria uma pista particular. elas seccionam arbitrariamente zonas inteiras.Diante das velocidades mecânicas. criar os escoadouros indispensáveis e chegar. a malha das ruas apresenta-se irracional.Em inúmeros casos. conservaram quase sempre um tráfego intenso. É preciso exigir . a determinados veículos. portanto. preciso dedicar-se a um estudo profundo da questão. de modo a fazê-las inserir-se na harmonia de um plano geral. e que formam o tronco da inumerável ramificação de ruas. que saiba prever tudo o que é preciso para regularizar os fluxos. percorrer itinerários prescritos. Aquilo que era admissível e até mesmo admirável no tempo dos pedestres e dos coches pode ter-se tomado. puderam ou podem constituir pesados entraves à circulação. A estrada de ferro é uma via que não se atravessa. A circulação tornou-se hoje uma função primordial da vida urbana. considerar seu estado atual e procurar soluções que respondam de fato a necessidades estritamente definidas. tendo-se coberto pouco a pouco de habitações. Ela isola os bairros habitacionais. condicionada para satisfazer necessidades claramente e caracterizadas. são.Traçados de natureza suntuária. As estradas de ferro foram construídas antes da prodigiosa expansão industrial que elas mesmas provocaram. um grave obstáculo à urbanização. Em certas cidades. no presente. de atraso. para os quais não foram feitas e à cuja velocidade nunca poderão ser adaptadas.Não há uma largura-tipo uniforme para as ruas. Certas avenidas concebidas para assegurar uma perspectiva monumental coroada por um monumento ou um edificio. aos ônibus e bondes. buscando objetivos representativos. ir de um extremo a outro. Ela pede um programa cuidadosamente estudado. As antigas vias principais. aos pedestres. ir de um extremo a outro. Tudo depende de seu tráfego. mas seu alargamento não é sempre uma solução fácil e nem sequer eficaz. 57 . diversidade e adequação. às vezes. assim. a suprimir os engarrafamentos e o malestar constante de que são a causa. atualmente. ao mesmo tempo: aos automóveis. As vias destinadas a múltiplos usos devem permitir. Elas são geralmente muito estreitas. Essas composições de ordem arquitetônica deveriam ser preservadas da invasão de veículos mecânicos. por ocasião da extensão da cidade. viram-se privados de contatos para eles indispensáveis. 56 . Ao penetrarem nas cidades. uma causa de engarrafamento. impostas desde o início da cidade pela topografia e pela geografia. em número e natureza dos veículos. A circulação moderna é uma operação das mais complexas. ela isola uns dos outros setores que. privando-os de contatos úteis com os elementos vitais da cidade. e. a rede das vias férreas tornou-se. uma fonte de problemas constantes. flexibilidade. a situação é grave para a economia geral e o urbanismo é chamado para considerar o remanejamento e o deslocamento de certas redes. 58 . de perigo. aos caminhões. Também aqui o tempo andou muito depressa. É preciso que o problema seja retomado bem mais de cima.

largura da calçada. que torna inutilmente lento seu percurso. bondes .59 . condena toda orientação da moradia para o norte. recebia outrora pedestres e cavaleiros indistintamente e só no final do século XVIII o emprego generalizado de coches provocou a criação das calçadas.com suas velocidades inesperadas. o caminho dos pedestres e o dos veículos mecânicos. ruas de passeio. abateu-se como um cataclisma a massa de veículos mecânicos . dar depois a essas vias. legada pelos séculos. A primeira medida útil seria separar radicalmente. considerar. no domínio da habitação. 60 . em cada via transversal. vias principais. ao invés de serem liberadas a tudo e a todos. motocicletas. A rua única. As causas determinantes e os efeitos de suas diferentes intensidades aparecerão então claramente e será mais fácil discernir os pontos críticos.As vias de circulação devem ser classificadas conforme sua natureza. nas artérias congestionadas. A segunda. As ruas. 63 . seja os automóveis. deverão. 61 . ruas de trânsito. destinadas somente à pequena circulação. As ruas residenciais e as áreas destinadas aos usos coletivos exigem uma atmosfera particular. O crescimento fulminante de algumas cidades como Nova York por exemplo. 62 . com base em estatísticas rigorosas do conjunto da circulação na cidade e sua região. Já é tempo de remediar. para a grande circulação. dimensões e características especiais: natureza do leito. automóveis. vias de trânsito independentes das vias usuais. seja as cargas pesadas ou os veículos em trânsito. ter regimes diferentes. Os veículos em trânsito não deveriam ser submetidos ao regime de paradas obrigatórias a cada cruzamento. dar às cargas pesadas um leito de circulação particular. Mudanças de nível. Para permitir às moradias e a seus "prolongamentos" usufruir da calma e . Essa exigência concernente à circulação pode ser considerada tão rigorosa quanto aquela que. que será receber seja os pedestres. e construídas em função dos veículos e de suas velocidades. conforme sua categoria. são o melhor meio de assegurar-lhes uma marcha contínua. serão estabelecidas interligações unindo-as às vias destinadas à circulação miúda. A circulação é uma função vital cujo estado atual deve ser expresso em gráficos. A terceira. Somente uma visão clara da situação permitirá realizar dois progressos indispensáveis: dar a cada uma das vias de circulação uma destinação precisa. trabalho que revelará os leitos de circulação e a qualidade de seus tráficos.O pedestre deve poder seguir caminhos diferentes do automóvel Isso constituiria uma reforma fundamental da circulação nas cidades. caminhões. Não haveria nada mais sensato nem que abrisse uma era de urbanismo mais nova e mais fértil. por meio de medidas apropriadas.As ruas devem ser diferenciadas de acordo com suas destinações: ruas de residências. provocou um fluxo inimaginável de veículos em certos pontos determinados.Os cruzamentos de tráfego interno serão organizados em circulação contínua por meio de mudanças de níveis.Devem ser feitas análises úteis. de acordo com a função para a qual forem destinadas. Nas grandes vias de circulação e a distâncias calculadas para obter o melhor rendimento.bicicletas. No século XX. locais e natureza dos cruzamentos ou das interligações. uma situação que caminha para ao desastre.

Os valores arquitetônicos devem ser salvaguardados (edifícios isolados ou conjuntos urbanos). Mas serão também levadas em consideração as ruas de passeio. majestosas. Nem tudo que é passado tem. São testemunhos preciosos do passado que serão respeitados.Se sua conservação não acarreta o sacrifício de populações mantidas em condições insalubres. traçados ou contruções que lhe conferem sua personalidade própria e dos quais emana pouco a pouco a sua alma. atinge também as obras dos homens. Espíritos mais ciosos do estetismo do que da solidariedade militam a favor da conservação de certos velhos bairros pitorescos. em certos excepcionais. têm a responsabilidade e a obrigação de fazer tudo o que é lícito para transmitir intacta para os séculos futuros essa nobre herança. sem se preocupar com a miséria. As avenidas de trânsito não terão nenhum contato com as ruas de circulação miúda. Será bom que elas sejam ladeadas por espessas cortinas de vegetação. que não poupa nenhum ser vivo. sendo rigorosamente imposta uma velocidade reduzida a todos os tipos de veículos. será procurada a solução capaz de conciliar dois pontos de vista opostos: nos casos em que se esteja diante de construções repetidas em numerosos exemplares. o resto será modificado de maneira útil. Enfim. sua prioridade. A vida de uma cidade é um acontecimento contínuo. a princípio por seu valor histórico ou sentimental. em outros casos poderá ser isolada a única parte que constitua uma lembrança ou um valor real. nas quais. em princípio. as outras demolidas. algumas serão conservadas a título de documentário. e aqueles que os detêm ou são encarregados de sua proteção. os veículos mecânicos serão canalizados para circuitos especiais. 67 . É assumir uma grave responsabilidade.. Se os interesses da cidade são lesados pela persistência de determinadas presenças insignes. salvo nos pontos de interligação. Sendo as vias de trânsito ou de grande circulação bem diferenciadas das vias de circulação miúda. O problema deve ser estudado e pode às . É necessário saber reconhecer e discriminar nos testemunhos do passado aquelas que ainda estão bem vivas. depois.Serão salvaguardados se constituem a expressão de uma cultura anterior e se correspondem a um interesse geral. sua mistura com os pedestres não oferecerá mais inconvenientes. naturalmente.da paz que lhes são necessárias. não terão nenhuma razão para se aproximarem das construções públicas ou privadas. poderá ser aventada a transplantação de elementos incômodos por sua situação.. Patrimônio Histórico das Cidades 65 .. a promiscuidade e a doença que eles abrigam. As grandes vias principais que estão relacionadas a todo o conjunto da região afirmarão. os leitos de grande circulação. Eles fazem parte do patrimônio humano.. 64 . direito à perenidade. A morte. de uma era já encerrada. por definição. que se manifesta ao longo dos séculos por obras materiais. mas que merecem ser conservados por seu alto significado estético ou histórico. convém escolher com sabedoria o que deve ser respeitado. Um culto estrito do passado não pode levar a desconhecer as regras da justiça social.As zonas de vegetação devem isolar. 66 . porque alguns trazem uma virtude plástica na qual se incorporou o mais alto grau de intensidade do gênio humano.

sob pretextos estéticos. como trampolim para sua imaginação. pode-se também deslocar um centro de atividade intensa e. Misturando o "falso" ao "verdadeiro". A manutenção de tais usos ou a introdução de tais iniciativas não serão toleradas de forma alguma. É possível que. É uma coisa lamentável mas inevitável. nunca o homem voltou sobre seus passos. o destino de elementos vitais de circulação ou mesmo o deslocamento de centros considerados até então imutáveis. A imaginação. longe de se alcançar uma impressão de conjunto e dar a sensação de pureza de estilo. recorrendo. se as condições o permitirem impor-se-lhe-á uma passagem sob um túnel. o culto do pitoresco e da história deve ter primazia sobre a salubridade da moradia da qual dependem tão estreitamente o bem-estar e à saúde moral do indivíduo. mas certamente tolerável. à totalidade de recursos técnicos de sua época. levando a um impasse do qual só se sairá mediante alguns sacrifícios. O crescimento excepcional de uma cidade pode criar uma situação perigosa. 70 . capaz apenas de desacreditar os testemunhos autênticos. Copiar servilmente o passado é condenar-se à mentira. que mais se tinha empenho em preservar. sua estética. 69 . mudar inteiramente o regime circulatório da zona congestionada. Os vestígios do passado mergulharão em uma ambiência nova. a demolição de casas insalubres e de cortiços ao redor de algum monumento de valor histórico destrua uma ambiência secular. Nunca foi constatado um retrocesso. em todo caso. procurar uma outra solução. As obras-primas do passado nos mostram que cada geração teve sua maneira de pensar. em certos casos. Aproveitar-se-á a situação para introduzir superfícies verdes. é erigir o "falso" como princípio. têm conseqüências nefastas. Enfim. pois as antigas condições de trabalho não poderiam ser reconstituídas e a aplicação da técnica moderna a um ideal ultrapassado sempre leva a um simulacro desprovido de qualquer vida.O emprego de estilos do passado. mais vale. e da qual. suas concepções. Mas. 68 . transplantando-o para outra parte. sem dúvida.A destruição de cortiços ao redor dos monumentos históricos dará a ocasião para criar superfícies verdes. O obstáculo só poderá ser suprimido pela demolição. históricos ou espirituais.Se é possível remediar sua presença prejudicial com medidas radicais: por exemplo. os bairros vizinhos se beneficiarão amplamente. nas construções novas erigidas nas zonas históricas. mas. Tais métodos são contrários à grande lição da história. quando esta medida acarreta a destruição de verdadeiros valores arquitetônicos. Ao invés de suprimir o obstáculo à circulação desviar-se-á a própria circulação ou. chega-se somente a uma reconstituição fictícia. em nenhum caso.vezes ser resolvido por uma solução engenhosa. a invenção e os recursos técnicos devem combinar-se para chegar a desfazer os nós que parecem mais inextrincáveis. inesperada talvez. Terceira Parte Conclusões Pontos de doutrina .

a organização das rodovias. Tudo que o cerca sufoca-o e esmaga-o. o interesse privado triunfa o mais das vezes. que. A base desse lamentável estado de coisas está na preeminência das iniciativas privadas inspiradas pelo interesse pessoals pelo atrativo do ganho. Paris. Elas ilustram a história da raça branca sob os mais diversos climas e latitudes. de outro. Praga.A violência dos interesses privados provoca um desastroso desequilíbrio entre o ímpeto das forças econômicas.Varsóvia. Zagreb e Zurique. Trinta e três cidades foram analisadas. Roma.Esta situação revela. quando uma ataca. e a imensa desordem material e moral da cidade moderna terá talvez como resultado fazer surgir enfim o estatuto da cidade. Nenhuma autoridade consciente da natureza e da importância do movimento do maquinismo interveio. a outra se defende. o crescimento incessante dos interesses privados.71 . e também a ausência de qualquer esforço sério de adaptação. Genebra. infelizmente desigual. Hoje. do próprio excesso do mal surge. Em todas essas cidades o homem é molestado. Colônia. Oslo. Los Angeles. por diligência dos grupos nacionais dos Congressos Internacionais de Arquitetura Moderna: Amsterdã. Baltimore. Roterdã. Estocolmo. o bem. Detroit. para evitar os danos pelos quais ninguém pode ser efetivamente responsabilizado. durante cem anos. Londres. Budapeste. Berlim. Verona. por ocasião do Congresso de Atenas. às vezes. e. A construção de habitações ou de fábricas. tudo se multiplicou numa pressa e numa violência individual. 73 . da qual estavam excluídos qualquer plano preconcebido e qualquer reflexão prévia. Dessau. desde o começo da era do maquinismo. Utrecht. Uma crise-de humanidade assola as grandes cidades e repercute em toda a extensão dos territórios. As cidades são desumanas. e da ferocidade de alguns interesses privados nasceu a infelicidade de inúmeras pessoas. de modo algum a sua destinação. A cidade não corresponde mais a sua função.Embora as cidades esteja em estado de permanente transformação. Haia.A maioria das cidades estudadas oferece hoje a imagem do caos. assegurando o sucesso dos mais fortes em detrimento dos fracos. que é a de abrigar os homens. Como. Barcelona. Bandoeng. Nessa luta. 72 . o mal está feito. até o presente. As empresas estiveram. Litoria. de um lado. hidrovias ou ferrovias. . instaurará as regras indispensáveis à proteção da saúde e da dignidade humana. Nada do que é necessário a sua saúde física e moral foi salvaguardado ou organizado. Dalat. Bruxelas. que seria satisfazer as necessidades. apoiado em uma forte responsabilidade administatriva. Gênova. Charieroi. O sentimento de responsabilidade administrativa e o da solidariedade social são derrotados diariamente pela força viva e incessantemente renovada do interesse privado. Atenas. entregues ao acaso. primordiais. biológicas e psicológicas de sua população. 74 . Frankfurt. Madri. e. Essa cidades não correspondem. Essas diversas fontes de energia estão em perpétua contradição. a fraqueza do controle administrativo e a impotente solidariedade social. Todas testemunham o mesmo fenômeno: a desordem instituída pelo maquinismo em uma situação que comportava até então uma relativa harmonia. e abrigá-los bem. Mas. seu desenvolvimento é conduzido sem precisão nem controle e sem que sejam levados em consideração os princípios do urbanismo contemporâneo atualizados aos meios técnicos qualificados.

isto é. em Atenas. escala dos horários. a liberdade individual e o benefício da açao coletiva. em quarto lugar. A medida natural do homem deve servir de base a todas as escalas que estarão relacionadas à vida e às diversas funções do ser. o ar puro e o sol.A cidade deve assegurar. e eles fixarão suas respectivas localizações no conjunto. assegurar aos homens moradias saudáveis. de tal modo que. que devem ser determinados considerando-se o trajeto cotidiano do sol. circular. congressos. frequentemente contraditórias. sendo o urbanismo a conseqüência de uma maneira de pensar levada à vida pública por uma técnica de ação. 77 . Ele se contentou em abrir avenidas ou traçar ruas. respeitando as prerrogativas de cada uma. em terceiro lugar. Escala das medidas. debates públicos ou privados. ao invés de serem uma sujeição penosa.O dimensionamento de todas as coisas no dispositivo urbano só pode ser regido pela escala humana. Eles foram objeto de artigos. locais onde o espaço. nos planos espiritual e material. trabalhar. constituindo assim quarteirões edificados cuja destinação é abandonada à aventura das iniciativas privadas. Desde o congresso dos CIAM. 75 . Clarividência e energia podem vir a restaurar a situação comprometida. 76 . prever as instalações necessárias à boa utilização das horas livres.As chaves do urbanismo estão nas quatro funções: habitar. um programa cuidadosamente estudado e que nada deixe ao acaso. organizar os locais de trabalho. para manifestar-se em toda a sua plenitude e trazer ordem e classificação às . que serão consideradas em sua relação com o ritmo natural do homem. escala das distâncias. o da circulação. que ela aja. as quatro funções-chave do urbanismo reivindicam. essas três. técnicos da organização social. Até agora. estabelecer o contato entre essas diversas organizações mediante uma rede circulatória que assegure as trocas. depois. ele só atacou um único problema. condena-se a um inevitável fracasso. em todo caso. são hostis às grandes transformações propostas por esses dados novos. antes de mais nada. Mas é preciso fazer com que sejam admitidos pelos órgãos administrativos encarregados de velar pelo destino das cidades e que. lhe sejam largamente asseguradas. que a autoridade seja esclarecida e. de antemão. não raro.Os planos determinarão a estrutura de cada um dos setores atribuídos às quatro funçõeschave. Se ele não chega a satisfazer suas exigências. tornando-as benéficas e fecundas. recrear-se (nas horas livres). Liberdade individual e ação coletiva são os dois polos entre os quais se desenrola o jogo da vida.Os princípios do urbanismo moderno foram produzidos pelo trabalho de inúmeros técnicos: técnicos da arte de construir. eles retomem seu caráter de atividade humana natural. O urbanismo exprime a maneira de ser de uma época. É necessário. Essa é uma visão estreita e insuficiente da missão que lhe está destinada. livros. em segundo lugar. que se aplicarão às superfícies ou às distâncias. que são as quatro chaves do urbanismo. É impossível. que são: primeiramente. Essas quatro funções. cobrem um domínio imenso. coordená-los de maneira harmoniosa se não se elabora. 78 . técnicos de saúde. Todo empreendimento cujo objetivo é a melhoria do destino humano deve levar em consideração esses dois fatores. O urbanismo tem quatro funções principais. condições essenciais da natureza.

romperá a opressão esmagadora de usos que perderam sua razao de ser e abrirá aos criadores um campo de ação inesgotável. levando em consideração as funções-chave . serão consideradas as necessidades vitais do indivíduo e não o interesse ou o lucro de um grupo particular.O ciclo das funções cotidianas . favorecer e se aproveitar dos benefícios da ação coletiva. O desejo de reintroduzir na vida cotidiana as condições naturais parece. em conformidade com a jornada solar de vinte e quatro horas. aconselhar uma maior extensão horizontal das cidades. cujo inconveniente é impor distâncias que não têm relação com o tempo disponível. na natureza. sendo a habitação considerada o próprio centro das preocupações urbanísticas e o ponto de articulação de todas as medidas.condições habituais de vida. criará entre elas vínculos naturais para cujo fortalecimento será prevista uma rede racional de grandes artérias. despertam a tentação de evasão cotidiana. comprometendo a higiene. só deve ter um objetivo. por sua velocidade.O princípio da circulação urbana e suburbana deve ser revisto. estabelecer uma comumcação proveitosa entre as outras três. Essas velocidades. instaurando o perigo permanente. trabalhar. eles introduziram na vida citadina inúmeros fatores prejudiciais à saúde. 80 . Os veículos mecânicos deveriam ser agentes liberadores e. provocando o engarrafamento e a paralisia dos transportes. É a habitação que está no centro das preocupações do urbanista e o jogo das distâncias será regulamentado de acordo com a sua posição no planejamento. transformará o aspecto das cidades. Elas condenam os homens a passar horas cansativas em todo tipo de veículos e a perder. São inevitáveis grandes . Seus gases de combustão difundidos no ar são nocivos aos pulmões e seu barulho determina no homem um estado de nervosismo permanente. Mas sua acumulação e concentração em certos pontos tomaramse.As novas velocidades mecânicas convulsionaram o meio urbano. à primeira vista. mas a necessidade de regulamentar as diversas atividades segundo a duração do trajeto solar se opõe a essa concepção. O urbanismo. pela topografia. pelos costumes. recrear-se (recuperação) . a um só tempo. uma dificuldade para a circulação e a ocasião de perigos permanentes. Além disso. O zoneamento. esta quarta função. 81 .será regulamentado pelo urbanismo dentro da mais rigorosa economia de tempo. Deve ser feita uma classificação das velocidades disponíveis. levando em consideração essa necessidade. difundem o gosto por uma mobilidade sem freio nem medida e favorecem modos de vida que deslocando a família. disposições particulares que ofereçam a cada uma delas as condições mais favoráveis ao desenvolvimento de sua atividade própria. ao mesmo tempo.habitar. A reforma do zoneamento. elas serão consideradas entidades às quais serão atribuídos territórios e locais para cujo equipamento e instalação serão acionados todos os prodigiosos recursos das técnicas modernas. O urbanismo deve assegurar a liberdade individual e. que ritma a atividades dos homens e dá a justa medida a todos os seus empreendimentos. recrear-se ordenará o território urbano. trazer um ganho apreciável de tempo. a prática da mais saudável e natural de todas as funções: a caminhada. doravante utilizáveis. Cada uma das funções-chave terá sua autonomia.habitar. para longe. 79 . trabalho e cultura. A circulação. apoiada nos dados fornecidos pelo clima. perturbam profundamente a estabilidade da sociedade. harmonizando as funções-chave da cidade. trabalhar. pouco a pouco. Nessa distribuição.

É levando em o consideração a altura que o urbanismo recuperará os terrenos livres necessários às comunicações e os espaços úteis ao lazer. A cidade adquirirá o caráter de uma empresa estudada de antemão e submetida ao rigor de um planejamento geral. Seu desenvolvimento. assim como para os lazeres. a cidade não será mais o resultado desordenado de iniciativas acidentais.das funções de circulação. Subordinada às necessidades da região. A razão de ser da cidade dever ser procurada e expressada em cifras que permitirão prever. 85 . seu excesso. que se desenvolvem no interior de volumes . As funções-chave habitar. deverá crescer harmoniosamente em cada uma de suas partes. definida desde então como uma unidade funcional. Será preciso classificar e diferenciar os meios de transporte e estabelecer para cada um deles um leito adequado à própria natureza dos veículos utilizados. 82 .onde a terceira dimensão desempenha o papel mais importante . trabalhar e recrear-se desenvolvem-se no interior de volumes edificados submetidos a três imperiosas necessidades: espaço suficiente. destinada a enquadrar as quatro funções-chave. . Esses volumes não dependem apenas do solo e de suas duas dimensões. mas sobretudo de uma terceira. será um coroarnento. no caso. sol e aeração. a altura.A cidade. Um plano de região substituirá o simples pla no municipal. previamente. estão ligadas ao solo. as etapas de um desenvolvimento plausível. para o futuro. e que constituirá a técnica moderna da circulação. utilizando apenasduas dimensões. promulgando leis que permitam sua realização. por exemplo. Os dados de um problema de urbanismo são fornecidos pelo conjunto das atividades que se desenvolvem não somente na cidade. capaz de levar o equilíbrio à região e ao país. descrito seu caráter.O urbanismo é uma ciência de três dimensões e não apenas de duas. mas em toda a região da qual ela é o centro. Resultará disso uma delimitação clara dos limites da região. cada uma tomará seu lugar e sua classificação na economia geral do país. Este é o urbanismo total. É preciso distinguir as funções sedentárias. de mudanças de nível destinadas a regularizar certos fluxos intensos de veículos.É da mais urgente necessidade que cada cidade estabeleça seu programa. previsto a amplitude de seus desenvolvimentos e limitado. A circulação assim regulamentada torna-se uma função regular e que não impõe nenhum incômodo à estrutura da habitação ou a dos locais de trabalho. 83 . O limite da aglomeração será função do raio de sua ação econômica. dispondo de espaços e ligações onde poderão se inscrever equlilibradamente as etapas de seu desenvolvimento. 84 . para as quais a altura só intervém excepcionalmente e em pequena escala. ao invés de produzir uma catástrofe. É fazendo intervir o elemento altura que será dada uma solução para as circulações modernas. Assim. O mesmo trabalho aplicado às aglomerações que fixarão para cada cidade envolvida por sua região um caráter e um destino próprios. Sábias previsões terão esboçado seu futuro. as quais. mediante a exploração dos espaços livres assim criados. A cidade e sua região devem ser munidas de uma rede exatamente proporcional aos usos e aos fins. E o crescimento das cifras de sua população não conduzirá mais a essa confusão desumana que é um dos fiagelos das grandes cidades.A cidade deve ser estudada no conjunto de sua região de influência.transformações.

Para que seja mais fácil dotar as moradias dos serviços comuns destinados a realizar comodamente o abastecimento. feitas por especialistas. deve. reconhecidas. há mais de um século submetida aos jogos brutais da especulação. prolongar-se no exterior em diversas instalações comunitárias. Deve reunir em um acordo fecundo os recursos naturais do sítio. Regras invioláveis assegurarão aos habitantes o bem-estar da moradia. as necessidades sociológicas. a topografia do conjunto. dotando cada função-chave dos meios de melhor se exprimir. Ela terá o direito de autorizar . pela justa adaptação dos meios aos fins propostos. estudada e os valores naturais. criará uma ordem que tem em si sua própria poesia? 88 . de se instalar nos terrenos mais favoráveis e a distâncias mais proveitosas. . a ambiência geral. senão o arquiteto.O programa deve ser elaborado com base em análises rigorosas. a facilidade do trabalho. o instrumento de medida será a escala humana.ou de proibir -. abriga as alegrias e as dores de sua vida cotidiana. será preciso reuni-las em "unidades habitacionais" de proproções adequadas. 87 . a casa.O acaso cederá diante da previsão. Se ela deve conhecer interiormente o sol e o ar puro. Ele deve prever as etapas no tempo e no espaço. deve ser recolocada a serviço do homem. A alma das cidades será animada pela clareza do plananejamento. pouco a pouco. e que. Se a célula é o elemento biológico primordial. o feliz emprego das horas livres. quer dizer. Ela deve prever também a proteção e a guarda das extensões que serão ocupadas um dia. Quem poderá tomar as medidas necessárias para levar a bom termo essa tarefa. Os grandes leitos de circulação serão confirmados e instalados no lugar adequado. Ela será uma verdadeira criação biológica. deve torna-se uma empresa humana. desses últimos cem anos. Uma curva de crescimento exprimirá o futuro econômico previsto para cidade. Os recursos do solo serão analisados e as limitações à quais ele se obriga. os dados econômicos. o abrigo de uma família. à revelia dos subúrbios. a educação. tornando mais fáceis todos os gestos de sua vida.Para o arquiteto. constitui a célula social. hierarquizados. debruçar-se sobre o indivíduo e criar-lhe. mas velará para que elas se insiram no planejamento geral e sejam sempre subordinadas aos interesses coletivos. compreendendo órgãos claramente definidos. que abandonou os grafismos ilusórios. que constituem o bem público. as organizações que estarão à volta. e a natureza de seu equipamento fixada segundo o uso para o qual serão destinados. para sua felicidade. os terrenos serão aferidos e atribuídos a diversas atividades: clara ordenação no empreendimento que será iniciado a partir de amanhã e continuado. A construção dessa casa. além disso. que possui o perfeito conhecimento do homem. capazes de desempenhar com perfeição suas funções essenciais.O número inicial do urbanismo é uma célula habitacional (uma moradia) e sua inserção num grupo formando uma unidade habitacional de proporções adequadas. 86 . A casa é o núcleo inicial do urbanismo. ocupado aqui com as tarefas do urbanismo. A obra não será mais limitada ao plano precário do geômetra que projeta. por etapas sucessivas. e favorecerá todas as inicatívas adequadamente planejadas. após a derrota. os valores espirituais. Ela deve deixar as pompas estéreis. a assistência médica ou a utilização dos lazeres. Ela protege o crescimento do homem. Cada caso será inscrito no planejamento regional. A arquitetura. A lei fixará o "estatuto do solo". o programa sucederá a improvisação. os blocos de imóveis na poeira dos loteamentos.

Os escritórios. permitiram novas dimensões. os locais de trabalho. respaldará a arte de construir com todas as garantias da ciência e a enriquecerá com as invenções e os recursos da época. todavia. É ela que se encarrega de sua criação ou de sua melhoria. 91 . A arquitetura é chave de tudo. decidido a realizar as melhores condições de vida. célula essencial do tecido urbano. no entanto.89 ... convicto. cuja salubridade. que é recrear-se.Para realizar essa grande tarefa é indispensável utilizar os recursos da técnica moderna. E o urbanista deverá prever os sítios e os locais propícios. 90 . e fazê-lo em condições que requerem uma séria revisão dos usos atualmente em vigor. alguns dos quais serão consideráveis. Ela estabelece a rede de circulação que colocará em contato as diversas zonas. as fábricas devem ser dotados de instalações capazes de assegurar o bem-estar necessário ao desempenho desta segunda função. É preciso. 92 . o concurso dos seguintes fatores: um poder político tal como se o deseja. que mesmo em uma época em que tudo caiu ao nível mais baixo. em que as condições.E não é aqui que a arquitetura intervirá em última instância. . alegria. sociais e econômicos. e que ela venha dar ao político. de uma complexidade desconhecidas até aqui. desejar. Para realizar a tarefa múltipla que lhe é imposta. harmonia são subordinadas às suas decisões. cuja feliz proporção constituirá uma obra harmoniosa e duradoura.. clarividente. para passar da teoria aos atos. uma situação econômica que permita empreender e prosseguir os trabalhos. ainda. Ela reúne as moradias em unidades habitacionais. não se pode negligenciar a terceira. que é preciso pedir a solução do problema. Ela ordena a estrutura da moradia. que são uma das causas da desordem e da confusão das cidades.. a necessidade de construir abrigos decentes apareça de repente como uma imperiosa obrigação. Não basta que a necessidade do estatuto do solo e de certos princípios de construção seja admitida. políticas.A marcha dos acontecimentos será profundamente influenciada pelos fatores políticos. as oficinas. o arquiteto deverá associar-se a numerosos especialistas em todas as etapas do empreendimento. uma população esclarecida para compreender. As novas construções serão não somente de uma amplitude. Enfim. cultivar o corpo e o espírito. A arquitetura é responsável pelo bem-estar e pela beleza da cidade. elaboradas e expressas nos planos. sociais e econômicas são as mais desfavoráveis. Ela organiza os prolongamentos da moradia. É preciso também trabalhar. É a ela. e é ela que está incumbida da escolha e da distribuição dos diferentes elementos. reivindicar aquilo que os especialistas planejaram para ela. Ela reserva. trouxeram novas facilidades.É a dessa unidade-moradia que se estabelecerão no espaço urbano as relações entre a habitação. os locais de trabalho e as instalações consagradas às horas livres. Esta com a ajuda de seus especialistas. os espaços livres em meio aos quais se erguerão os volumes edificados. as áreas consagradas ao entretenimento. habitar bem. em porporções harmoniosas. A arquitetura preside aos destinos da cidade. As modernas técnicas de construção instituíram novos métodos. mas. A primeira das funções que deve atrair a atenção do urbanismo é habitar e. Elas abrem verdadeiramente um novo ciclo na história da arquitetura. A era do maquinismo introduziu técnicas novas. ao social e ao econômico o objetivo e o programa coerentes que justamente lhes faltavam. de antemão. cujo êxito dependerá da justeza de seus cálculos. ainda. Pode ser.

Nada foi previsto para a salvaguarda do homem. 94 . em sua periferia. Devem ser empreendidos. o campo se esvaziou.O interesse privado será subordinado ao interesse coletivo. a beleza da cidade. em todos os pontos do mundo. Inúmeras parcelas fundiárias deverão ser expropriadas e serão objeto de transações. sustentar-se. trabalhos de importância capital. Esse plano. que deve superar. Inúmeros inconvenientes se abateram sobre os povos que não souberam medir com exatidão a amplitude das transformações técnicas e suas formidáveis repercussões sobre a vida pública e privada. reforçar-se mutuamente e reunir tudo aquilo que comportam de infinitamente construtivo. se está submetido a muitas obrigações coletivas. merece severas restrições. O direito individual e o direito coletivo devem. o homem é rapidamente esmagado pelas dificuldades de todo o tipo. as moradias operárias tornaram-se cortiços. O resultado é catasúófico e é quase uniforme todos os países. Pelo contrário.A perigosa contradição aqui constatada sustica uma das questões mais perigosas da época: a urgência de regulamentar. revelam os mesmos vícios advindos das mesmas causas. Ele deve ser. 95 . em todas as partes. e por seu justo valor. Mas nenhuma obra fragmentária deve ser empreendida se ela não se insere no contexto da cidade e no da região. que satisfaz a uma minoria condenando o resto da massa social a uma vida medíocre. as concentrações industriais se fizeram ao acaso.Fundação dos Ciam Em 1928 um grupo de arquitetos modernos se reunia na Suíça. a disposição de todo o solo útil para equilibrar as necessidades vitais dos indivíduos em plena harmonia com as necessidades coletivas. batem contra o estatuto petrificado da propriedade privada. cuja execução deverá ser remetida para datas indeterminadas. Entregue a si mesmo. sua personalidade resulta sufocada. será preciso temer o jogo sórdido da especulação. O solo deve ser mobilizável quando se trata do interesse geral. avaliado antes do estudo dos projetos. O problema da propriedade do solo e de sua possível requisição se coloca nas cidades. uma vez que todas as cidades do mundo. conterá partes cuja realização poderá ser imediata e outras. tais como eles terão sido previstos por um amplo estudo e um grande plano de conjunto. mais ou menos ampla que constitui sua região. Então. no castelo de La Sarraz Vaud. É o fruto amargo de cem anos de maquinismo sem direção. O solo . o estado infinitamente parcelado da propriedade fundiária são duas realidades antagônicas. sem demora. antigas ou modernas. Este. e se estende até a zona. tendo cada indivíduo acesso às alegrias fundamentais: o bem-estar do lar. forçosamente.A escala dos trabalhos a empreender com urgência para a organização das cidades. A ausência do urbanismo é a causa da anarquia que reina na organização das cidades.território do país . subordinado ao interesse coletivo. graças à generosa hospitalidade de Madame Hélène de Mandrot. O direito individual não tem relação com o vulgar interesse privado. Por se ignorarem as regras. portanto. por um meio legal. Notas Sobre os Congressos Internacionais de Arquitetura Moderna 1928 . as cidades se encheram muito além do razoável. .deve tornar-se disponível a qualquer momento. de outro lado.93 . Há anos que as empresas de equipamento. que tão frequentemente esmaga no berço os grandes empreendimentos animados pela preocupação com o bem público. no equipamento das indústrias.

Seus objetivos são: a) a ocupação do solo. o problema colocado pela arte de edificar. Conscientes das perturbações profundas causadas pelo maquinismo. sirva-se também dos imensos recursos que lhe oferece a técnica industrial. b) a organização da circulação. a partir de um programa elaborado em Paris. sentimentais e espirituais da vida presente. Economia Geral O equipamento de um país reclama a íntima vincularão da arquitetura com a economia geral. Eles afirmam hoje a necessidade de uma concepção nova da arquitetura que satisfaça as exigências materiais. individuais ou coletivas. sentimental e espiritual em todas as suas manifestações. representantes dos grupos nacionais de arquitetos modernos. Declaração de La Sarraz Os arquitetos abaixo assinados. Assim foram fundados os Congressos Internacionais de Arquitetura Moderna. Ele envolve tanto as aglomerações urbanas quanto os agrupamentos rurais. os CIAM. Por sua essência. O urbanismo não poderia mais estar exclusivamente subordinado às regras de um estetismo gratuito. não implica absolutamente o lucro comercia1 máximo. firmaram um ponto de vista sólido e decidiram reunir-se para colocar a arquitetura diante de suas verdadeiras tarefas. Insistem particularmente no fato de que construir é uma atividade elementar do homem. reconheceram que a transformação da estrutura social e da ordem econômica acarreta fatalmente uma transformação correspondente do fenômeno arquitetônico. Firmes nesta convicção. As três funções fundamentais pela realização das quais o urbanismo deve velar são: 1º habitar. 3° recrear-se. O verdadeiro rendimento será o fruto de uma racionalização e de uma normatização (aplicada com flexibilidade tanto nos projetos arquitetônicos como nos métodos industriais de execução). As relações entre os diversos locais que lhes são destinados devem ser recalculadas de maneira a determinar uma justa proporção entre volumes edificados e espaços . A noção de "rendimentos". É assim que a arquitetura escapará da dominação esterilizante das academias. mesmo quando uma tal decisão conduza a realizações muito diferentes daquelas que fizeram a glória das épocas passadas.Depois de ter examinado. eles declaram associar-se para realizar suas aspirações. afirmam sua unidade de pontos de vista sobre as concepções fundamentais da arquitetura e sobre suas obrigações profissionais. ligada intimamente à evolução da vida. que é de ordem econômica e sociológica e inteiramente a serviço da pessoa humana. Urge que a arquitetura. c) a legislação. ele é de ordem funcional. O destino da arquitetura é o de exprimir o espírito de uma época. mas uma produção suficiente para satisfazer plenamente as necessidades humanas. ao invés de recorrer quase que exclusivamente a um artesanato anêmico. introduzida como axioma da vida moderna. As três funções fundamentais acima indicadas não são favorecidas pelo estado atual das aglomerações. Eles estão reunidos com a intenção de pesquisar a harmonização dos elementos presentes no mundo moderno e de recolocar a arquitetura em seu verdadeiro plano. Urbanismo O urbanismo é a administração dos lugares e dos locais diversos que devem abrigar o desenvolvimento da vida material. 2° trabalhar.

O parcelamento desordenado do solo. Fundação dos CIAM. Os congressos CIAM. ensinadas na escola primária. futura clientela do arquiteto. Atenas. só sabem formular muito mal seus desejos em matéria de moradia. Paris. zelar pela solução do problema da arquitetura. Estudo do loteamento racional. O problema da circulação e o da densidade devem ser reconsiderados. fazer essa idéia penetrar nos círculos técnicos. Essas gerações. os CIAM avançaram pelo caminho das realizações práticas: trabalhos coletivos. A Arquitetura e a opinião pública É indispensável que os arquitetos exerçam uma influência sobre a opinião pública e a façam conhecer os meios e os recursos da nova arquitetura. Esse ensino resultaria na formação de gerações possuidoras de uma concepção saudável da moradia.1° Congresso. Hoddesdon.3° Congresso. fruto de partilhas. Bridgwater. Execução da Carta de Atenas. Por sua apropriação do ensino. 1947 . e não raro os problemas autênticos da habitação sequer são levantados.4° Congresso. apresentar a idéia arquitetônica moderna. Um punhado de verdades elementares.2° Congresso. nascimento da grille CIAM de urbanismo. de vendas e da especulação. consideram que as academias. 1929 . 1951 . Estudo da moradia mínima. A cada vez. assegurará aos proprietários e à comunidade a justa distribuição das mais-valias resultantes dos trabalhos de interesse comum. seriam capazes de lhe impor a solução do problema da habitação. essa moradia tem estado há muito tempo excluída das preocupações maiores do arquiteto. O ensino acadêmico perverteu o gosto público. 1928 . publicações. Elaboração da Carta do Urbanismo. La Sarraz. resoluções. que sempre foram assembléias de trabalho. Bérgamo. uma agitação fecunda. tendo a firme vontade de trabalhar no interesse verdadeiro da sociedade moderna. deve ser substituído por uma economia territorial de reagrupamento. A Arquitetura e o Estado Os arquitetos. do coração das cidades. elas se opõem à penetração do novo espírito.6° Congresso. Reafirmação dos objetivos dos CIAM. eles provocaram. o único que poderia vivificar e renovar a arte de edificar. poderia constituir o fundamento de uma educação doméstica. uma animação. Além disso. entravam o progresso social. por tanto tempo negligenciado. Este reagrupamento. A opinião pública está mal informada e os usuários. . nos centros profissionais e na opinião pública. Os Congressos do CIAM Desde o momento de sua fundação. negligenciando o problema da moradia em benefício de uma arquitetura puramente suntuária. Objetivos do CIAM Os objetivos dos CIAM são: formular o problema arquitetônico contemporâneo. Estudo do problema moradia e lazer.5° Congresso. conservadoras do passado. 1930 . pela quase exclusividade que têm dos cargos do Estado. 1937 . 1949 .7° Congresso. Análise de 33 cidades. base de todo urbanismo capaz de responder às necessidades presentes.8° Congresso. econômicos e sociais. em geral.livres. Estudo do centro. Bruxelas. um despertar. 1933 . Frankfurt (Alemanha). escolheram sucessivamente diferentes países para se reunir. discussões. elas viciam desde a origem a vocação do arquiteto e.

4. entretanto. Estimando que a garantia mais eficaz de conservação dos monumentos e obras do passado reside no respeito e dedicação que lhes consagram os próprios povos e certa de que tais sentimentos podem ser enormemente favorecidos por uma ação apropriada. é preciso.10° Congresso. A Conferência Geral recomenda aos Estados Membros que lhe apresentem. Considerando que a história do homem implica no conhecimento das diferentes civilizações. questão que constitui o ponto 9. em sua nona sessão. A Conferência Geral recomenda aos Estados Membros que levem a presente recomendação ao conhecimento das autoridades e órgãos que se dedicam às pesquisas arqueológicas e aos museus. durante a sua oitava sessão. é preciso beneficiá-los com uma cooperação internacional e favorecer por todos os meios a execução da missão social que lhes cabe. Aix-en-Provence. Estimando que. entretanto. através de uma recomendação aos Estados Membros. conciliar este princípio com o de uma colaboração internacional amplamente concebida e livremente aceita. se o regime das pesquisas diz respeito. Considerando que.9° Congresso. Convencida de que é preciso que as autoridades nacionais encarregadas da proteção do patrimônio arqueológico se inspirem em determinados princípios comuns aferidos na experiência e na prática dos serviços arqueológicos nacionais. Nova Delhi de dezembro de 1956 Conferência Geral da Organização das Nações Unidas para a Educação. neste quinto dia de dezembro de 1956. eventualmente.Nova Delhi A Conferência Geral da Organização das Nações Unidas para a Educação. 1956 . da ordem do dia da sessão. antes de tudo. toda a comunidade internacional participa. Adota. Convencida de que os sentimentos que dão origem à contemplação e ao conhecimento das obras do passado podem facilitar grandemente a compreensão mútua entre os povos e que. desse enriquecimento. para isso. medidas que visem a tornar eficazes nos territórios sob sua jurisdição as normas e princípios formulados na presente recomendação. que essas propostas seriam objeto de uma regulamentação internacional. nas datas e na . reunida em Nova Delhi de 5 de novembro de 1956.1953 . que todos os vestígios arqueológicos sejam estudados e. em nome do interesse comum. Dubrovnik.3. a Ciência e a Cultura .9ª Sessão de 5 de dezembro de 1956 UNESCO . a Ciência e a Cultura. se cada Estado é mais diretamente interessado nas descobertas arqueológicas feitas em seu território. à competência interna dos Estados. Estudo do habitat humano. inspirada na vontade dos Estados Membros de desenvolver as ciências e as relações internacionais. portanto. sob forma de lei nacional ou de qualquer outro modo. Estudo do habitat humano. a seguinte recomendação: A Conferência Geral recomenda aos Estados Membros que apliquem as disposições seguintes e que adotem. preservados e coletados. que é preciso. Após haver decidido. Sendo-lhe apresentadas propostas referentes aos princípios internacionais a serem aplicados em matéria de pesquisas arqueológicas.

indicá-lo expressamente na legislação. Bens protegidos As disposições da presente recomendação se aplicam a qualquer vestígio arqueológico cuja conservação apresente um interesse público do ponto de vista da história ou da arte. relatórios sobre a continuidade que derem à presente recomendação. cada Estado Membro deveria adotar critérios bem mais amplos que imponham ao escavador e ao descobridor a obrigação de declarar todos os bens de caráter arqueológico. O critério utilizado para determinar o interesse público dos vestígios arqueológicos poderia variar segundo se trate ou de sua conservação. móveis ou imóveis.forma que ela determinar. II . especialmente: a) submeter as explorações e as pesquisas arqueológicas ao controle e à prévia autorização da autoridade competente. submetidos ao regime previsto pela presente recomendação os monumentos.Princípios Gerais Proteção do patrimônio arqueológico Cada Estado Membro deveria garantir a proteção de seu patrimônio arqueológico. que apresentem interesse do ponto de vista da arqueologia no sentido mais amplo. f) dedicar-se ao estabelecimento de critérios de proteção legal dos elementos essenciais de seu patrimônio arqueológico entre os monumentos históricos. às autoridades competentes. . d) determinar o confisco dos objetos não declarados. b) obrigar quem quer que tenha descoberto vestígios arqueológicos a declará-los. móveis ou imóveis.Definições Pesquisas arqueológicas Para efeito da presente recomendação entende-se por pesquisas arqueológicas todas as investigações destinadas à descoberta de objetos de caráter arqueológico. c) aplicar sanções aos infratores dessas regras. os problemas advindos das pesquisas arqueológicas e em concordância com as disposições da presente recomendação. por ele encontrados. podendo cada Estado Membro adotar o critério mais apropriado para determinar o interesse público dos vestígios que encontre em seu território. Cada Estado Membro deveria. levando em conta. o critério que consiste em proteger todos os objetos anteriores a uma determinada data deveria ser abandonado e a atribuição a uma determinada época ou uma ancianidade de um número mínimo de anos fixado por lei deveria ser adotada como critério de proteção. b) No segundo caso. quando esse subsolo for propriedade do Estado. ou da obrigação de declaração das descobertas impostas ao escavador ou ao descobridor. a) No primeiro caso. principalmente. o mais rapidamente possível. especialmente. e) precisar o regime jurídico do subsolo arqueológico e. Deveriam estar. quer tais investigações impliquem numa escavação do solo ou numa exploração sistemática de sua superfície ou sejam realizadas sobre o leito ou no subsolo das águas interiores ou territoriais de um Estado Membro. I .

coleções centrais e regionais. Esse serviço. bem como da composição do meio arqueológico. na criação e organização dos museus e das coleções procedentes de pesquisas. o ensino de técnicas das escavações arqueológicas. uma organização que disponha por força de lei. ou. porções de terreno poderiam também ser reservados em vários locais para permitir um controle da estatigrafia. Cada Estado Membro deveria considerar a conveniência de manter intactos. Para isso. sempre que possível.eventualmente um museu que permita aos visitantes compreender melhor o interesse dos vestígios que lhes são mostrados. pelo menos. total ou parcialmente. de meios que lhe permitam adotar. com mapas que se refiram a seus monumentos móveis ou imóveis. nele incluídas as publicações científicas. etc. Constituição de coleções centrais e regionais Sendo a arqueologia uma ciência comparativa. poderiam ser constituídas.a fiscalização das descobertas fortuitas. uma administração central do Estado. representativas dos sítios arqueológicos particularmente importantes.a execução de um plano de trabalho proporcional à riqueza arqueológica do país. Cada Estado Membro deveria exercer um controle rigoroso sobre as restaurações dos vestígios e objetos arqueológicos descobertos. encarregado da administração geral das atividades arqueológicas deveria prover. ou mesmo. o mais possível. determinado número de sítios arqueológicos de diversas épocas. de acervos cerâmicos. Deveria ser solicitado às autoridades competentes uma autorização prévia para o deslocamento de monumentos cuja localização in situ é essencial. b) A continuidade dos recursos financeiros deveria ser garantida principalmente com: I . em caso de necessidades. junto aos sítios arqueológicos importantes. o trabalho de comparação. dever-se-ia levar em conta. Esses estabelecimentos deveriam dispor. o que seria melhor do que pequenas coleções dispersas e com acesso restrito. testemunhos. em colaboração com os institutos de pesquisa e as universidades. Esse serviço deveria também criar uma documentação central. excepcionalmente. II . Em cada um dos sítios arqueológicos importantes em processo de pesquisa.a manutenção das escavações e monumentos. alguns princípios. permanentemente. de uma organização administrativa e de um corpo técnico suficientes para que fique assegurada a boa conservação dos objetos. locais. IV . assim como uma documentação junto a cada museu importante. um pequeno estabelecimento de caráter educativo . na medida em que o terreno o permita. iconográficos. entretanto. as medidas de urgência indispensáveis. Deveria ser criado. ou seja. III . deveriam ser comuns a todos os serviços nacionais: a) O serviço de pesquisas arqueológicas deveria ser.o bom funcionamento dos serviços. a necessidade de facilitar.Órgão de proteção às pesquisas arqueológicas Se a diversidade das tradições e as desigualdades de recursos se opõem à adoção por todos os Estados Membros de um sistema de organização uniforme de serviços administrativos relativos às pesquisas. para que sua exploração possa beneficiar-se dos progressos da técnica e do avanço dos conhecimentos arqueológicos. Educação do público .

técnicos ou de qualquer outra natureza. se for designado. exigências específicas.O regime das pesquisas e a colaboração internacional Autorização de pesquisas concedida a um estrangeiro Cada Estado Membro em cujo território as pesquisas necessitam ser executadas deveria regulamentar as condições gerais às quais está subordinada a respectiva concessão. da edição a preços módicos de monografias e guias em uma redação simples. Os Estados Membros que não dispõem de meios necessários para a organização de escavações arqueológicas no estrangeiro deveriam receber todas as facilidades para enviar arqueólogos para pesquisas abertas por outros Estados Membros. o contrato de concessão deveria evitar formular. As condições impostas ao pesquisador estrangeiro deveriam ser as mesmas que se aplicam aos competentes nacionais e. especialmente através do ensino de história. portanto. a possibilidade de concorrerem em igualdade. sem necessidade. as causas que possam justificar a rescisão. suficientes para administrar cientificamente uma pesquisa deveria chamar técnicos estrangeiros para dela participar ou uma missão estrangeira para conduzi-la. morais e financeiras. da organização de circuitos turísticos. sem distinção de nacionalidade. seja por missões mistas compostas por equipes científicas de seu próprio país e por arqueólogos que representem instituições estrangeiras. Os Estados Membros deveriam estimular as pesquisas executadas. III . da difusão pela imprensa de informações arqueológicas que provenham de especialistas reconhecidos. da participação de estudantes em determinadas pesquisas. seja por missões internacionais. os Estados Membros deveriam estimular as pesquisas através de um regime liberal. Quando uma pesquisa for concedida a uma missão estrangeira. da apresentação clara dos sítios arqueológicos explorados e dos monumentos descobertos. deveria ser também um arqueólogo capaz de ajudar a missão e de colaborar com ela. sendo as últimas suficientes para garantir que as pesquisas empreendidas serão levadas a seu termo de acordo com as cláusulas do contrato de concessão e no prazo previsto. a suspensão dos trabalhos ou a substituição pela administração nacional do concessionário de sua execução. Garantias recíprocas A autorização para pesquisas só deve ser concedida a instituições representadas por arqueólogos qualificados ou a pessoas que ofereçam sérias garantias científicas. A autorização para pesquisas concedida a arqueólogos estrangeiros deveria assegurar reciprocamente garantias de duração e de estabilidade necessárias a incentivar seu . Colaboração internacional Para responder aos interesses superiores da ciência arqueológica e aos da colaboração internacional. as obrigações impostas ao concessionário principalmente quanto ao controle da administração nacional. Um Estado que não disponha de meios. o representante do Estado concedente. à concessão das pesquisas. com a concordância do diretor da pesquisa. a duração da concessão.A autoridade competente deveria empreender uma ação educativa para despertar e desenvolver o respeito e a estima ao passado. assegurando às instituições científicas e às pessoas devidamente qualificadas. Os Estados Membros deveriam adotar todas as medidas necessárias para facilitar o acesso do público a esses sítios. exposições e conferências que tenham por objeto os métodos aplicáveis em matéria de pesquisas arqueológicas assim como os resultados obtidos.

A cessão ao pesquisador de objetos provenientes de pesquisas deveria estar sempre condicionada a que eles sejam destinados. se essa condição não for cumprida. a guarda. em qualquer caso. objetos que não apresentem interesse para as coleções nacionais. b) O produto das pesquisas deveria se destinar. ficando estabelecido que. em seu território. deveria ser autorizada. Esse privilégio não deveria. a manutenção e o restabelecimento das feições do sítio. Por outro lado. Deveria ser por ela prevista. à constituição. ou vier a ser desrespeitada. obtida a concordância do diretor da pesquisa. durante a execução dos trabalhos. em objetos ou grupos de objetos aos quais essa autoridade possa renunciar. Acesso à pesquisa Aos especialistas qualificados de qualquer nacionalidade deveria ser permitida a visita a um canteiro de pesquisa antes de haverem sido publicados seus resultados e. Conservação dos vestígios A autorização deveria definir as obrigações do pesquisador no período em que durar a concessão e a seu término. de coleções completas. Propriedade científica: direitos e obrigações do pesquisador . excluídos os objetos particularmente frágeis ou de importância nacional. desde que seu estudo seja impraticável no território do Estado concedente devido à insuficiência de meios para a pesquisa bibliográfica e científica. e) Cada Estado Membro deveria considerar a possibilidade de ceder. de um modo geral. depois da publicação científica. Destinação do produto das pesquisas a) Cada Estado Membro deveria determinar claramente os princípios que. mediante solicitação justificada de instituição científica. nos museus do país em que são realizadas. especialmente nos casos em que razões reconhecidamente fundadas viessem a impor a suspensão de seus trabalhos por um determinado período. assim como a conservação. dos objetos e monumentos descobertos. a autoridade concedente poderia ter em vista. antes de mais nada. pública ou privada. no caso de elas se revelarem excessivamente pesadas. d) A exportação temporária dos objetos descobertos.empreendimento e a preservá-las de revogações injustificadas. plenamente representativas da civilização. a cessão ao pesquisador habilitado de um determinado número de objetos provenientes de suas escavações. ou que consistam de objetos repetidos ou. da história e da arte desse país. ou por tornar-se difícil pelas condições de acesso. até mesmo. durante os trabalhos e ao término das escavações. especialmente. c) Com a preocupação básica de favorecer os estudos arqueológicos através da divulgação de objetos originais. a centros científicos abertos ao público. redundar em prejuízo ao direito de propriedade científica do pesquisador sobre sua descoberta. regulam a destinação do produto das pesquisas. os objetos cedidos voltarão à autoridade concedente. em razão de sua similitude com outros objetos produzidos pela mesma pesquisa. a autorização deveria precisar a possível ajuda com que o pesquisador poderia contar da parte do Estado concedente para fazer face a suas obrigações. em um prazo determinado. trocar ou enviar para depósito em museus estrangeiros.

sobretudo aos que obtiveram uma concessão para um determinado sítio ou desejam obtê-la. em um prazo razoável.a) O Estado concedente deveria garantir ao pesquisador a propriedade científica de suas descobertas durante um prazo razoável.Comércio das Antigüidades No interesse superior do patrimônio arqueológico comum. para responderem a sua missão científica e educativa. ou na falta dele. reuniões regionais com grupos de representantes dos serviços arqueológicos dos Estados interessados.A repressão às pesquisas clandestinas e à exportação ilícita dos objetos provenientes das pesquisas arqueológicas Proteção dos sítios arqueológicos contra as pesquisas clandestinas e as degradações Cada Estado Membro deveria adotar as medidas necessárias para impedir as pesquisas clandestinas e a degradação dos monumento definidos nos artigos 2 e 3 acima e a dos sítios arqueológicos. todos os Estados Membros deveriam considerar a possibilidade da regulamentação do comércio das antigüidades. cada Estado Membro poderia suscitar reuniões de discussões científicas entre os pesquisadores que operam em seu solo. Documentação sobre as pesquisas Observadas as disposições do artigo 24. Durante um período de cinco anos após a descoberta. para evitar que esse comércio venha a favorecer a evasão do material arqueológico ou prejudique a proteção das pesquisas e a formação das coleções públicas. Colaboração internacional para a repressão . Por outro lado. na medida do possível. a não ser com autorização por escrito do pesquisador. V . Os museus estrangeiros deveriam poder adquirir objetos liberados de qualquer restrição legal prevista pela autoridade competente do país de origem. periodicamente. da tradução do quadro das matérias e das legendas das ilustrações em uma língua mais difundida. as autoridades arqueológicas competentes deveriam se empenhar em não liberar para estudo detalhado o conjunto de objetos provenientes das pesquisas nem a documentação científica a ela referente. c) As publicações científicas sobre as pesquisas arqueológicas editadas em um idioma de difusão restrita deveriam ser acompanhadas de um sumário e. no prazo previsto pelo contrato de concessão. Para permitir. uma dupla publicação simultânea de seu relatório preliminar. os resultados de seus trabalhos. Esse prazo não deveria ser superior a dois anos. Essas autoridades deveriam impedir nas mesmas condições a fotografia ou a reprodução do material arqueológico ainda inédito. b) O Estado concedente deveria impor ao pesquisador a obrigação de publicar. os serviços arqueológicos nacionais deveriam facilitar. a consulta a sua documentação e o acesso a seus depósitos arqueológicos aos pesquisadores e especialistas qualificados. Reuniões regionais e sessões de discussões científicas Com vistas a facilitar o estudo dos problemas de interesse comum. se possível. os Estados Membros poderiam organizar. se for o caso. assim como a exportação dos objetos daí provenientes. o pesquisador deveria. a pedido de tais autoridades. colocar a sua disposição cópia do texto desse relatório. no que diz respeito aos relatórios preliminares. IV .

acompanhados de toda a documentação relativa que detiver. ou de outras operações consideradas ilícitas pela autoridade competente do país de origem.Pesquisas em território ocupado Em caso de conflito armado. Considerando que em todas as épocas o homem algumas vezes submeteu a beleza e o caráter das paisagens e dos sítios que fazem parte do quadro natural de sua vida a atentados que . sempre que necessário ou desejável. Esses princípios deveriam ser aplicados à hipótese da exportação temporária estabelecida no artigo 23. de 9 de novembro a 12 de dezembro de 1962. deveriam ser publicadas. assim que possível. ao término das hostilidades. concluir acordos bilaterais para regulamentar as questões de interesse comum que possam vir a ser colocadas pela aplicação das disposições da presente recomendação. às autoridades competentes do território anteriormente ocupado. Recomendação da Conferência Geral da Organização das Nações Unidas para a Educação.Todas as medidas necessárias deveriam ser adotadas para que. em sua décima segunda sessão. É desejável que cada Estado Membro adote todas as medidas necessárias para garantir esse repatriamento. a Ciência e a Cultura de 12 de dezembro de 1962 RELATIVA A PROTEÇÃO DA BELEZA E DO CARÁTER DAS PAISAGENS E SÍTIOS A Conferência Geral da Organização das Nações Unidas para a Educação. c. no caso de não restituição dos objetos dentro do prazo fixado. Qualquer oferta suspeita e toda a informação a ela referente deveriam ser levadas ao conhecimento dos serviços interessados. quando ocorrer a oferta de cessão de objetos arqueológicos. a potência ocupante deveria adotar todas as medidas possíveis para protegê-los e deveria enviá-los. VII . sobretudo os que se derem durante atividades militares. Ciência e Cultura. No caso de objetos arqueológicos haverem sido adquiridos por museus. No caso de achados fortuitos. reunida em Paris. e de objetos cuja exportação tenha sido feita com transgressão à legislação do país de origem. de roubos. Repatriamento dos objetos ao país de origem Os serviços de pesquisas arqueológicas e os museus deveriam prestar entre si uma colaboração mútua para assegurar ou facilitar o repatriamento ao país de origem dos objetos que provém de pesquisas clandestinas ou de roubos. qualquer Estado Membro que venha a ocupar o território de um outro Estado deveria se abster de realizar pesquisas arqueológicas no território ocupado. os museus possam se assegurar de que nada autoriza a considerar que tais objetos provenham de pesquisas clandestinas. as indicações que permitam identificá-los e que precisem seu modo de aquisição. d. e e acima.Acordos Bilaterais Os Estados Membros deveriam. VI .

Considerando que esse fenômeno tem repercussão não apenas no valor estético das paisagens e dos sítios naturais ou criados pelo homem. desenvolver por vezes desordenadamente os centros urbanos. I . que propostas relativas a esse ponto seriam objeto de uma regulamentação internacional através de uma recomendação aos Estados Membros. que é preciso levar em conta as necessidades da vida coletiva. devidos à natureza ou obra do homem. assim como um elemento importante das condições de higiene de seus habitantes. moral e espiritual e por contribuírem para a vida artística e cultural dos povos. naturais. as normas e princípios formulados na presente recomendação. ainda mais. Considerando que. Reconhecendo. nas datas e sob a forma que ela determinará. As disposições da presente recomendação visam também a complementar as medidas de salvaguarda da natureza. por sua beleza e caráter. a presente recomendação. A Conferência Geral recomenda aos Estados Membros que apliquem as disposições seguintes e adotem. entende-se por salvaguarda da beleza e do caráter das paisagens e sítios a preservação e. até o século passado. Adota. a restituição do aspecto das paisagens e sítios. medidas que ponham em efeito. em todas as partes do mundo. a salvaguarda das paisagens e dos sítios definidos pela presente recomendação é necessária à vida do homem. que as paisagens e sítios constituem um fator importante da vida econômica e social de um grande número de países. rurais ou urbanos. para quem são um poderoso regenerador físico. do fomento ao turismo e às organizações da juventude. A Conferência Geral recomenda aos Estados Membros que levem a presente recomendação ao conhecimento das autoridades e organismos envolvidos com a proteção das paisagens e dos sítios e com o planejamento territorial. entretanto. quando possível. havia sido relativamente lento.4. estético e até mesmo vital de regiões inteiras. sob a forma de lei nacional ou de alguma outra maneira. executar grandes obras e realizar vastos planejamentos físicos territoriais e instalações de equipamento industrial e comercial. mas também no interesse cultural e científico oferecido pela vida selvagem. que é altamente desejável e urgente estudar e adotar as medidas necessárias para salvaguardar a beleza e o caráter das paisagens e dos sítios em toda parte e sempre que possível. Depois de haver decidido. Considerando que. questão que constitui o ponto 17. as civilizações modernas aceleraram esse fenômeno que. ao cultivar novas terras. onze de dezembro de 1962. nos territórios sob sua jurisdição. como o demonstram inúmeros exemplos universalmente conhecidos. em sua décima primeira sessão. sua evolução e o rápido desenvolvimento do progresso técnico.empobreceram o patrimônio cultural. aos organismos encarregados da proteção da natureza. A Conferência Geral recomenda aos Estados Membros que lhe apresentem. que apresentam um interesse cultural ou estético.Definição Para os efeitos da presente recomendação. relatórios concernentes à implementação desta recomendação. Considerando.2 da ordem do dia da sessão. II – Princípios Gerais . em conseqüência. ou que constituem meios naturais característicos. hoje. Considerando. Havendo-se-lhe apresentadas propostas relativas à salvaguarda da beleza e do caráter das paisagens e dos sítios.

a reabilitá-los. especialmente. Convém levar em conta. só poderiam ser admitidas no caso de exigência imperiosa de um interesse público ou social. aeródromos. os mais ameaçados. regularização dos cursos de água. k) Depósitos de material e de matérias usadas. o interesse relativo das paisagens e dos sítios em consideração. inclusive destruição de árvores que contribuem para a estética da paisagem. assim como detritos e dejetos domésticos.Os estudos e as medidas a serem adotadas para a salvaguarda das paisagens e dos sítios deverse-iam se estender a todo o território do Estado e não se limitar a algumas paisagens ou sítios determinados. especialmente segundo o caráter e as dimensões das paisagens e sítios. trabalhos de irrigação. As atividades que possam levar a uma deterioração das paisagens e dos sítios em zonas protegidas por lei. g) Poluição do ar e da água. que são. comerciais ou industriais. deveriam ser criados institutos de pesquisa científica para colaborar com as autoridades competentes a fim de assegurar a harmonização e a codificação . particularmente as que margeiam as vias de comunicação ou as avenidas. A salvaguarda não deveria limitar-se às paisagens e aos sítios naturais. na medida do possível. A salvaguarda da beleza e do caráter das paisagens e dos sítios deveria também levar em conta os perigos decorrentes de certas atividades de trabalho. na escolha das medidas aplicáveis. estações de rádio. tais como as paisagens e sítios urbanos. Para facilitar o trabalho dos diversos serviços públicos encarregados da salvaguarda da paisagem e dos sítios em cada país. h) Exploração de minas e pedreiras e evacuação de seus resíduos. de televisão. de: a) Construção de edifícios públicos e privados de qualquer natureza. sua localização. As medidas preventivas para a salvaguarda das paisagens e dos sítios deveriam visar a protegê-los dos perigos que os ameaçam. aquedutos. Seus projetos deveriam ser concebidos de modo a respeitar determinadas exigências estéticas relativas ao próprio edifício e. ou de determinadas formas de vida da sociedade contemporânea. disposições especiais deveriam ser tomadas para assegurar a salvaguarda de algumas paisagens e de determinados sítios. etc. ou de alguma forma protegidas. mas estender-se também às paisagens e sítios cuja formação se deve. f) Desmatamento. Medidas corretivas deveriam ser destinadas a suprimir o “dano” causados às paisagens e aos sítios e. e) Cartazes publicitários e anúncios luminosos. etc. e a natureza dos perigos de que estejam ameaçados. instalações de produção e de transporte de energia. As medidas a serem adotadas para a salvaguarda das paisagens e dos sítios deveriam ter caráter preventivo e corretivo. barragens. geralmente. d) Construção de auto-serviços para distribuição dos combustíveis. evitando cair na imitação gratuita de certas formas tradicionais e pinturescas. c) Linhas de eletricidade de alta ou baixa tensão. canais. especialmente pelas obras de construção e pela especulação imobiliária. por causa do barulho que provocam. b) Construção de estradas. Uma proteção especial deveria ser assegurada às proximidades dos monumentos. Assim. deveriam estar em harmonia com a ambiência que se deseja salvaguardar. Essas medidas poderiam variar. à obra do homem. j) Campismo. i) Captação de nascentes. no todo ou em parte. Essas medidas deveriam consistir essencialmente no controle dos trabalhos e atividades susceptíveis de causar dano às paisagens e aos sítios e.

às precauções a serem tomadas para dissimular as escavações resultantes da construção de barragens. o caráter estético é de interesse primordial. em toda a extensão do território do país. das paisagens extensas. especialmente para as cidades ou regiões em vias de desenvolvimento rápido. à regulamentação de derrubada das árvores. Proteção Legal “por zonas” das paisagens extensas As paisagens extensas deveriam ser objeto de proteção legal “por zonas”. A proteção legal "por zonas" deveria ser divulgada publicamente e as regras gerais a serem observadas para a salvaguarda das paisagens integrantes de tal proteção deveriam ser editadas e difundidas. c) Proteção legal por zonas. a proteção legal “por zonas” deveria abranger o controle dos loteamentos e a observação de algumas prescrições gerais de caráter estético referentes à utilização dos materiais e sua cor. Essas disposições e os resultados dos trabalhos dos institutos de pesquisa deveriam ser reunidos em uma só publicação administrativa periódica. Planejamento Urbano e Planejamento territorial das áreas Rurais O planejamento urbano ou o planejamento territorial das áreas rurais deveriam conter disposições relativas às restrições a serem impostas para a salvaguarda das paisagens e dos sítios – inclusive os que não possuem proteção legal – que se encontrem no território abrangido por esses planos. Proteção legal de sítios isolados . Controle Geral Um controle geral deveria ser exercido sobre os trabalhos e as atividades susceptíveis de causar danos às paisagens e aos sítios. possibilitar direito a indenização. A proteção legal "por zonas" não deveria. numa zona protegida por lei. d) Proteção legal dos sítios isolados. às normas relativas à altura. e) Criação a manutenção de reservas naturais e parques nacionais. b) Inserção de restrições nos planos de urbanização e no planejamento em todos os níveis: regionais. rurais ou urbanos. ou da exploração de pedreiras. em regra geral.das disposições legislativas e regulamentares aplicáveis à matéria. Quando. f) Aquisição de sítios pelas coletividades públicas. III – Medidas de Salvaguarda A salvaguarda da paisagem e dos sítios deveria ser assegurada com o auxílio dos seguintes métodos: a) Controle geral por parte das autoridades competentes. nas quais a salvaguarda do caráter estético ou pinturesco dos lugares justifique o estabelecimento de tais planos. atualizada. etc. O planejamento urbano ou o planejamento territorial das áreas rurais deveriam ser estabelecidos em função de sua ordem de urgência.

devidamente notificada ao proprietário. por prescrição. naturais ou urbanos.Aplicação das Medidas de Salvaguarda As normas e princípios fundamentais que regulam. A proteção legal de um sítio deveria poder proporcionar ao proprietário o direito à indenização. nem para os trabalhos regulares de manutenção das construções. Qualquer publicidade deveria ser proibida nos sítios protegidos por lei e em suas imediações. dentro das atribuições que lhes são conferidas pela lei. Deveriam ser igualmente protegidos por lei os terrenos de onde se aprecie uma vista excepcional e os terrenos e imóveis que envolvam um monumento notável. Esses parques nacionais e reservas naturais deveriam formar um conjunto de zonas experimentais destinadas também às pesquisas sobre a formação e a restauração da paisagem e à proteção da natureza. requisitar qualquer autorização para os trabalhos de exploração usual das terras rurais. em cada Estado Membro. os Estados Membros deveriam incorporar às zonas e sítios cuja salvaguarda convém assegurar. assim como a execução de quaisquer obras públicas em sítio protegido por lei deveriam estar subordinadas ao prévio consentimento das autoridades encarregadas da salvaguarda. em terrenos delimitados pelas autoridades encarregadas da salvaguarda e submetidos a sua inspeção. A expropriação pelos poderes públicos.Os sítios isolados e de pequenas dimensões. apenas. direitos que permitam modificar o caráter ou o aspecto do sítio. no caso de ocorrer prejuízo certo e direto. terreno ou imóvel assim protegido deveria ser objeto de uma decisão administrativa especial. em princípio. Essa proteção legal deveria acarretar para o proprietário a proibição de destruir o sítio ou alterar seu estado ou aspecto sem a autorização das autoridades encarregadas da salvaguarda. assim como porções de paisagem que ofereçam um interesse excepcional. . ao passo que a extração de minerais estaria sujeita a uma autorização especial. em um sítio protegido por lei. a salvaguarda das paisagens e dos sítios deveriam ter força de lei e as medidas necessárias a sua aplicação. deveriam ser protegidos por lei. o ar e as águas seja de que maneira for. ser proibida e concedida. Nenhuma servidão convencional deveria ser consentida pelo proprietário sem a concordância das autoridades encarregadas da salvaguarda. Quando necessário. parciais ou integrais. ou reservas naturais. A permissão de acampar em um sítio protegido por lei deveria. Reservas Naturais e Parques Nacionais Quando for possível. ou limitada a determinada localização fixada pelas autoridades encarregadas da salvaguarda. A proteção legal deveria implicar na proibição de contaminar os terrenos. Aquisição dos sítios pelas coletividades públicas Os Estados Membros deveriam encorajar as coletividades públicas a adquirirem terrenos que façam parte de uma paisagem ou de um sítio que convenha salvaguardar. entretanto. devido à proteção por lei. essa aquisição deveria poder se realizar através de expropriação. Não será necessário. Cada sítio. deveriam ser confiadas às autoridades responsáveis. parques nacionais destinados à educação e ao lazer do público. A autorização eventualmente concedida deveria ser acompanhada de todas as condições necessárias à salvaguarda do sítio. Ninguém deveria poder adquirir. IV .

especialmente informando a opinião pública e alertando os serviços responsáveis pelos perigos que ameacem as paisagens e os sítios. com o objetivo de intensificar a ação educativa já empreendida nesse sentido e considerar a possibilidade de criar museus especiais. para o estudo e a apresentação dos aspectos naturais e culturais característicos de determinadas regiões. Os Estados Membros deveriam facilitar a criação e o funcionamento de órgãos não governamentais . esses serviços deveriam ter a possibilidade de estudar os problemas relativos à salvaguarda e à proteção legal. dos órgãos encarregados do turismo e das organizações de juventude e de educação popular. A educação do público fora da escola deveria ser tarefa da imprensa. tais como filmes. encarregados de aplicar as medidas de salvaguarda. na forma de estágios especializados de estudos em estabelecimentos de ensino secundário e superior.cujas tarefas consistiram. material para exposições . Os Estados Membros deveriam também facilitar a tarefa dos museus existentes. V – Educação do Público Uma ação educativa deveria ser empreendida dentro e fora das escolas para despertar e desenvolver o respeito público pelas paisagens e sítios e para tornar mais conhecidas as normas editadas para garantir sua salvaguarda. ou a reparar os danos por eles causados. criação de novas instalações industriais. Caberlhes-ia. prestando-lhes uma ajuda material e colocando a sua disposição e à dos educadores em geral os meios apropriados de publicidade.Os Estados Membros deveriam criar órgãos especializados. Os órgãos de caráter consultivo deveriam ser comissões de caráter nacional. centrais e regionais. emissões radiofônicas ou de televisão. Os Estados Membros deveriam facilitar a educação do público e estimular a ação das associações. efetuar pesquisas de campo. na medida do possível. como a construção de rodovias. ordenação espacial de instalações hidrotécnicas. e de órgãos dedicados a essa tarefa. em colaborar com os órgãos mencionados nos parágrafos 31. Os professores encarregados dessa tarefa educativa na escola deveriam receber uma preparação especial. também. particularmente na fase dos anteprojetos. ou seções especializadas nos museus existentes. nos casos de obras de interesse geral e de grande envergadura. regional e local. O parecer dessas comissões deveria ser solicitado em todos os casos e em tempo útil. entre outras. ou às coletividades locais interessadas. A violação das normas de salvaguarda das paisagens e dos sítios devria redundar em perdas e danos e ou na obrigação de repor os sítios em seu estado primitivo. das associações privadas de proteção das paisagens e dos sítios ou de proteção da natureza. propor as medidas destinadas a reduzir os perigos que possa apresentar a execução de determinados trabalhos. Sanções administrativas ou penais deveriam ser previstas no caso de danos causados voluntariamente às paisagens e aos sítios protegidos. Para isso. etc. preparar as decisões a serem tomadas e controlar sua execução. encarregadas de estudar as questões relativas à salvaguarda e de manifestar seu parecer sobre essas questões às autoridades centrais ou regionais. 32 e 33. de caráter executivo ou consultivo.nacionais ou locais . Os órgãos de caráter executivo deveriam ser serviços especializados.

aprovou o texto seguinte: Definições Artigo 1º . a Carta de Atenas de 1931 contribui para a propagação de um amplo movimento internacional que se traduziu principalmente em documentos nacionais. problema primordial para a coletividade. impondo a si mesma o dever de transmiti-las na plenitude de sua autenticidade. uma significação cultural. concursos e outras manifestações similares deveriam ser consagrados e ressaltar o valor das paisagens e dos sítios naturais ou criados pelo homem. se reconhece solidariamente responsável por preservá-las. . essencial que os princípios que devem presidir à conservação e à restauração dos monumentos sejam elaborados em comum e formulados num plano internacional. ainda que caiba a cada nação aplicá-los no contexto de sua própria cultura e de suas tradições. Consequentemente. portanto. Agora é chegado o momento de reexaminar os princípios da Carta para aprofundá-las e dotá-las de um alcance maior em um novo documento. cada vez mais consciente da unidade dos valores humanos. as obras monumentais de cada povo perduram no presente como o testemunho vivo de suas tradições seculares. bem como o sítio urbano ou rural que dá testemunho de uma civilização particular. A sensibilidade e o espírito crítico se dirigem para problemas cada vez mais complexos e diversificados. com o tempo.Conselho Internacional de Monumentos e Sítios CARTA INTERNACIONAL SOBRE CONSERVAÇÃO E RESTAURAÇÃO DE MONUMENTOS E SÍTIOS Portadoras de mensagem espiritual do passado. as considera um patrimônio comum e. o Segundo Congresso Internacional de Arquitetos e Técnicos dos Monumentos Históricos. A humanidade. folhetos e livros capazes de obter uma grande difusão e idealizados com um espírito didático. Estende-se não só às grandes criações mas também às obras modestas. para chamar a atenção do grande público sobre a importância da salvaguarda da sua beleza e de seu caráter. Ao dar uma primeira forma a esses princípios fundamentais. na atividade de ICOM e da UNESCO e na criação.A noção de monumento histórico compreende a criação arquitetônica isolada. do Centro Internacional de Estudos para a Conservação e Restauração dos Bens Culturais. Jornadas nacionais e internacionais. por esta última. Carta de Veneza de maio de 1964 II Congresso Internacional de Arquitetos e Técnicos dos Monumentos Históricos ICOMOS . reunido em Veneza de 25 a 31 de maio de 1964. É. que tenham adquirido.permanentes. Uma ampla publicidade poderia ser obtida através dos jornais. temporárias ou itinerantes. perante as gerações futuras. de uma evolução significativa ou de um acontecimento histórico. das revistas e das publicações periódicas regionais.

manutenção permanente. tal destinação é portanto.A conservação dos monumentos é sempre favorecida por sua destinação a uma função útil à sociedade. Tem por objetivo conservar e revelar os valores estéticos e históricos do monumento e fundamenta-se no respeito ao material original e aos documentos autênticos. no plano das reconstituições conjeturais. mas não pode nem deve alterar à disposição ou a decoração dos edifícios. toda destruição e toda modificação que poderiam alterar as relações de volumes e de cores serão proibidas. o deslocamento de todo o monumento ou de parte dele não pode ser tolerado.A conservação dos monumentos exige. A restauração será sempre precedida e acompanhada de um estudo arqueológico e histórico do monumento. Enquanto subsistir. Conservação Artigo 4º . Restauração Artigo 9º . Artigo 10º .A restauração é uma operação que deve ter caráter excepcional. antes de tudo.A conservação de um monumento implica a preservação de um esquema em sua escala. a consolidação do monumento pode ser assegurada com o emprego de todas as técnicas modernas de conservação e construção cuja eficácia tenha sido demonstrada por dados científicos e comprovada pela experiência.A conservação e a restauração dos monumentos visam a salvaguardar tanto a obra de arte quanto o testemunho histórico.Artigo 2º . e toda construção nova. Artigo 5º . Termina onde começa a hipótese.Os elementos de escultura. Artigo 6º . o esquema tradicional será conservado. exceto quando a salvaguarda do monumento o exigir ou quando o justificarem razões de grande interesse nacional ou internacional. Finalidade Artigo 3º .A conservação e a restauração dos monumentos constituem uma disciplina que reclama a colaboração de todas as ciências e técnicas que possam contribuir para o estudo e a salvaguarda do patrimônio monumental.O monumento é inseparável da história de que é testemunho e do meio em que se situa. Artigo11º . todo trabalho complementar reconhecido como indispensável por razões estéticas ou técnicas destacar-se-á da composição arquitetônica e deverá ostentar a marca do nosso tempo.Quando as técnicas tradicionais se revelarem inadequadas. Artigo 7º. Artigo 8º . Por isso. desejável. pintura ou decoração que são parte integrante do monumento não lhes podem ser retirados a não ser que essa medida seja a única capaz de assegurar sua conservação. É somente dentro destes limites que se deve conceber e se pode autorizar as modificações exigidas pela evolução dos usos e costumes. visto que a unidade de estilo não é a finalidade a alcançar no curso de .As contribuições válidas de todas as épocas para a edificação do monumento devem ser respeitadas.

. mas desmembradas. o equilíbrio de sua composição e suas relações com o meio ambiente. Os trabalhos de conservação e restauração que neles se efetuarem devem inspirar-se nos princípios enunciados nos artigos precedentes. e seu estado de conservação é considerado satisfatório. consolidação recomposição e integração. deve ser excluído a priori. arqueológico. seu esquema tradicional. ou estético. recomenda-se sua publicação. portanto.uma restauração.Os elementos destinados a substituir as partes faltantes devem integrar-se harmoniosamente ao conjunto. das partes originais a fim de que a restauração não falsifique o documento de arte e de história. Escavações Artigo 15º . a exibição de uma etapa subjacente só se justifica em circunstâncias excepcionais e quando o que se elimina é de pouco interesse e o material que é revelado é de grande valor histórico. admitindo-se apenas a anastilose. todavia. devem ser tomadas todas as iniciativas para facilitar a compreensão do monumento trazido à luz sem jamais deturpar seu significado.Os acréscimos só poderão ser tolerados na medida em que respeitarem todas as partes interessantes do edifício. Os elementos de integração deverão ser sempre reconhecíveis e reduzir-se ao mínimo necessário para assegurar as condições de conservação do monumento e restabelecer a continuidade de suas formas. Todas as fases dos trabalhos de desobstrução. sua manutenção e valorização. ilustrados com desenhos e fotografias. Documentação e Publicações Artigo 16º .Os sítios monumentais devem ser objeto de cuidados especiais que visem a salvaguardar sua integridade e assegurar seu saneamento.Os trabalhos de escavação devem ser executados em conformidade com padrões científicos e com a "Recomendação Definidora dos Princípios Internacionais a serem aplicados em Matéria de Escavações Arqueológicas". Devem ser asseguradas as manutenções das ruínas e as medidas necessárias à conservação e proteção permanente dos elementos arquitetônicos e dos objetos descobertos. Sítios Monumentais Artigo14º . de restauração e de escavação serão sempre acompanhadas pela elaboração de uma documentação precisa sob a forma de relatórios analíticos e críticos. bem como os elementos técnicos e formais identificados ao longo dos trabalhos serão ali consignados. Essa documentação será depositada nos arquivos de um órgão público e posta à disposição dos pesquisadores. ou seja.Os trabalhos de conservação. a recomposição de partes existentes. Artigo 12º . distinguindo-se. O julgamento do valor dos elementos em causa e a decisão quanto ao que pode ser eliminado não podem depender somente do autor do projeto. adotada pela UNESCO em 1956. Todo trabalho de reconstrução deverá. Artigo 13º . Além disso.

Adota. contudo. A Conferência Geral recomenda que os Estados-Membros lhe apresentem. . esta recomendação. assunto que constitui o item 15. neste dia dezenove de novembro de 1964. Considerando que os objetivos visados não podem ser alcançados sem uma estreita colaboração entre os Estados-Membros. A IMPORTAÇÃO E A TRANSFERÊNCIA DE PROPRIEDADE ILÍCITAS DE BENS CULTURAIS. que tais propostas seriam objeto de regulamentação internacional mediante uma recomendação aos Estados Membros. os documentos etnológicos. é indispensável que cada Estado Membro adquira uma consciência mais clara das obrigações morais relativas ao respeito a seu patrimônio cultural e ao de todas as nações. e que a familiaridade com esses bens favorece a compreensão e a apreciação mútuas entre as nações.3. a importação e a transferência de propriedade ilícitas de bens culturais. A Conferência Geral recomenda que os Estados Membros levem esta recomendação ao conhecimento das autoridades e organizações relacionadas à proteção de bens culturais. da importação e da transferência de propriedade ilícitas. em sua décima-terceira sessão. A Conferência Geral recomenda que os Estados Membros apliquem as disposições seguintes. incluídos os arquivos musicais. Considerando que cada Estado tem o dever de proteger o patrimônio constituído pelos bens culturais existentes em seu território contra os perigos decorrentes da exportação. Convicta de que se deve tomar providências no sentido de estimular a adoção de medidas adequadas e de aperfeiçoar o ambiente de solidariedade internacional. nas datas e da forma por ela determinada. reunida em Paris de 20 de outubro a 20 de novembro de 1964. Tendo decidido. relatórios a respeito das providências que hajam tomado no sentido de colocar em prática esta recomendação.3 da pauta da sessão.Conferência Geral da Organização das Nações Unidas para a Educação. Tendo examinado propostas de uma regulamentação internacional destinada a proibir e impedir a exportação. para evitar esses perigos. histórico ou arqueológico. sob forma de lei nacional ou de outra forma. as normas e princípios formulados na presente recomendação. medidas necessárias a fazer vigorar. os manuscritos. a Ciência e a Cultura 13a Sessão de 19 de novembro de 1964 RECOMENDAÇÃO SOBRE MEDIDAS DESTINADAS A PROIBIR E IMPEDIR A EXPORTAÇÃO. os espécimens-tipo da flora e da fauna. são considerados bens culturais os bens móveis e imóveis de grande importância para o patrimônio cultural de cada país. adotando. sem o que os objetivos propostos não seriam alcançados. I . Considerando que. esperança de que uma convenção internacional possa ser adotada o mais cedo possível.Definição Para efeito desta recomendação. em sua décima-segunda reunião. e expressando. Estimando que os bens culturais se constituem em elementos fundamentais da civilização e da cultura dos povos. as coleções científicas e as coleções importantes de livros e arquivos. Ciência e Cultura. no território sob sua jurisdição. tais como as obras de arte e de arquitetura. A Conferência Geral da Organização das Nações Unidas para a Educação. os livros e outros bens de interesse artístico.

na medida do possível. Os museus. um objeto cultural de propriedade privada deveria permanecer como tal mesmo após sua inclusão no inventário nacional. ou. deveriam abster-se de adquirir qualquer bem cultural procedente de exportação. II . Para estimular e facilitar os intercâmbios legítimos de bens culturais. se necessário. deveria instituir um serviço nacional para a proteção dos bens culturais. e em geral todos os serviços e instituições relacionados à conservação de bens culturais. Instituições de Proteção dos Bens Culturais Cada Estado-Membro deveria providenciar para que a proteção dos bens culturais estivesse sob a responsabilidade de órgãos oficiais adequados e. Qualquer exportação. III . objetos do mesmo tipo daqueles cuja exportação ou transferência de propriedade não possam ser autorizadas. cada Estado Membro deveria adotar as medidas adequadas para exercer um controle eficaz sobre a exportação de bens culturais. caso se julgue necessária a criação de um serviço nacional de proteção dos bens culturais: . A importação de bens culturais só deveria ser autorizada após haverem sido declarados livres de qualquer restrição por parte do Estado exportador. os Estados-Membros deveriam empreender os esforços necessários para pôr à disposição das coleções públicas dos demais Estados Membros. Particularmente. nos parágrafos 1 e 2. cada Estado Membro deveria. é conveniente levar em consideração os seguintes princípios comuns. A inclusão de um objeto cultural nesse inventário não deveria alterar de maneira alguma sua propriedade legal. Ainda que a diversidade de disposições constitucionais e de tradições e a desigualdade de recursos impossibilitem a adoção por todos os Estados-Membros de uma organização uniforme. por meio de empréstimo ou depósito. estabelecer e aplicar procedimentos para a identificação dos bens culturais definidos nos parágrafos 1 e 2 que existam em seu território e estabelecer um inventário nacional desses bens.Cada Estado Membro deveria adotar os critérios que julgar mais adequados para definir. Casa Estado Membro deveria tomar as providências apropriadas para impedir a transferência ilícita de propriedade dos bens culturais. através de cessão ou intercâmbio. os bens culturais que haverão de se beneficiar da proteção estabelecida nesta recomendação em virtude da grande importância que apresentam. importação ou transferência de propriedade ilícitas. no âmbito de seu território. Cada Estado Membro deveria estabelecer normas que regulamentassem a aplicação dos princípios supracitados.Medidas Recomendadas Identificação e Inventário Nacional dos Bens Culturais Para garantir a aplicação mais eficaz dos princípios gerais enunciados acima. importação ou transferência de propriedade efetuada em oposição às normas adotadas por cada Estado Membro em conformidade com o parágrafo 6 deveria ser considerada ilícita. Este inventário não teria caráter restritivo. alguns desses mesmos objetos.Princípios Gerais Para garantir a proteção de seu patrimônio cultural contra todos os perigos de empobrecimento.

Tais acordos poderiam. Colaboração Internacional para a Detecção de Operações Ilícitas Sempre que necessário ou conveniente. de um certificado apropriado. da importação ou da transferência de propriedade de bens culturais. os acordos bilaterais ou multilaterais deveriam conter cláusulas que garantissem que. Toda oferta suspeita e todos os detalhes a ela relacionados. deveriam ser levados ao conhecimento dos serviços interessados. Cada Estado-Membro deveria. como por exemplo. os Estados Membros deveriam firmar acordos bilaterais ou multilaterais. a importação e a transferência de propriedade ilícitas. . na medida do possível. Em caso de dúvida a instituição incumbida da proteção dos bens culturais deveria comunicar-se com a instituição competente para confirmar a legalidade da exportação. mediante o qual o Estado exportador certificaria haver autorizado a exportação do bem em questão. se for o caso. d) O serviço nacional de proteção dos bens culturais deveria poder recorrer a especialistas para assessorá-lo em relação a problemas técnicos e na solução de casos litigiosos. e. acima. c) O serviço nacional de proteção dos bens culturais deveria estar autorizado a apresentar às autoridades nacionais competentes propostas de outras medidas legislativas ou administrativas adequadas à proteção dos bens culturais. por exemplo. ser incluídos em acordos de maior abrangência. acima. em conformidade com o estabelecido no parágrafo 10. da importação e da transferência de propriedade de bens culturais. se necessário. sempre que fosse proposta a transferência de propriedade de um bem cultural. dentro da estrutura de organizações intergovernamentais regionais. tais como os acordos culturais. em conformidade com as disposições da seção 11. os serviços competentes de cada Estado pudessem certificar-se da inexistência de motivos para considerar o objeto como proveniente de um roubo. se necessário. b) As funções do serviço nacional de proteção dos bens culturais deveriam incluir: (i) A identificação dos bens culturais existentes no território do Estado. atuando em conformidade com a legislação nacional. para resolver problemas decorrentes da exportação. Acordos Bilaterais e Multilaterais Sempre que necessário ou conveniente. de modo a garantir a restituição de bens culturais ilicitamente exportados do território de uma das partes desses acordos e localizada no território de outra. e mais especificamente. como. de uma exportação ou de uma transferência de propriedade ilícitas ou de qualquer outra operação considerada ilegal pela legislação do Estado exportador. o estabelecimento e a manutenção de um inventário nacional desses bens. por ocasião de sua exportação. inclusive sanções que impedissem a exportação. dispusesse dos meios administrativos. um serviço administrativo do Estado ou um órgão que. o controle de exportações seria consideravelmente facilitado se os bens culturais fossem acompanhados. técnicos e financeiros que permitissem o desempenho eficaz de suas funções. constituir um fundo ou adotar outras medidas financeiras apropriadas para dispor dos recursos necessários a adquirir bens culturais de importância excepcional. ao exigir a apresentação do certificado a que se refere o parágrafo 11.a) O serviço nacional de proteção dos bens culturais deveria ser. (ii) Cooperação com outros organismos competentes no controle da exportação.

Ação Educativa No sentido de uma colaboração internacional que levasse em consideração tanto a natureza universal da cultura quanto a necessidade de intercâmbios para possibilitar a todos beneficiarse do patrimônio cultural da humanidade. se necessário. através de uma publicidade adequada. legislação vigente no Estado em cujo território se encontram os bens. Direitos dos Adquirentes de Boa Fé Cada Estado-Membro deveria. cada Estado-Membro deveria agir de modo a estimular e desenvolver entre seus cidadãos o interesse e o respeito pelo patrimônio cultural de todas as nações. ser levado ao conhecimento do público. Essa restituição ou repatriação deveria ser efetuada em conformidade com a. os serviços de proteção dos bens culturais. em sua décima-terceira reunião. Sissakian O Diretor-Geral René Mahen . os museus e todas as instituições competentes em geral deveriam colaborar uns com os outros no sentido de garantir ou facilitar a restituição ou a repatriação de bens culturais ilicitamente exportados. Ciência e a Cultura. tomar as providências adequadas para estabelecer que sua legislação interna ou as convenções quais possa vir a participar garantissem ao adquirente de boa fé de um bem cultural a ser restituído ou repatriado ao território do Estado do qual havia sido ilegalmente exportado a possibilidade de obter a indenização por perdas e danos ou outra compensação equivalente. realizada em Paris e declarada concluída no vigésimo dia de novembro de 1964.Os Estados-Membros deveriam empenhar-se na assistência mútua através do intercâmbio dos resultados de suas experiências no âmbito dos assuntos a que se refere esta recomendação. neste vigésimo-primeiro dia de novembro de 1964. O precedente é o texto autêntico da Recomendação devidamente aprovada pela Conferência Geral da Organização das Nações Unidas para a Educação. com organizações de juventude e de educação popular e com grupos e indivíduos ligados a atividades culturais. O Presidente da Conferência Geral Noraír M. Tal ação deveria ser empreendida pelos serviços competentes em cooperação com os serviços educativos. Em fé do qual apensamos nossas assinaturas. Publicidade em caso de Desaparecimento de um Bem Cultural O desaparecimento de qualquer bem cultural deveria. com a imprensa e com outros meios de informação e difusão. por solicitação de Estado que o reclamasse. Restituição ou Repatriação de Bens Culturais Exportados Ilicitamente Os Estados-Membros.

Normas de Quito de novembro/dezembro de 1967 REUNIÃO SOBRE CONSERVAÇÃO E UTILIZAÇÃO DE MONUMENTOS E LUGARES DE INTERESSE HISTÓRICO E ARTÍSTICO. A marca histórica ou artística do . Esforços Multinacionais. isoladamente considerados. que. Primeiramente. da Declaração dos Presidentes da América. portanto. porque com isso os chefes de Estado deixam reconhecida. não são propriamente monumentos nacionais. de conformidade com o que dispõe o Capítulo V. O. de maneira expressa. sem que nenhum dos elementos que o constitui. e em segundo. sendo a razão fundamental da Reunião de Punta del Leste o propósito comum de dar um novo impulso ao desenvolvimento do continente. Mas pode existir uma zona. a tutela do Estado pode e deve se estender ao contexto urbano. a existência de uma situação de urgência que reclama a cooperação interamericana. histórico e artístico. em último caso. de acordo com a moderna técnica museográfica.Considerações Gerais A idéia do espaço é inseparável do conceito do monumento e. recinto ou sítio de caráter monumental. objeto de defesa e proteção por parte do Estado.A. à adequada conservação e utilização dos monumentos e sítios de interesse arqueológico. dada a íntima relação entre o continente arquitetônico e o conteúdo artístico. II . Os lugares pitorescos e outras belezas naturais. letra d). porque. torna-se imprescindível estender a devida proteção a outros bens móveis e a objetos valiosos do patrimônio cultural para evitar sua contínua deterioração e subtração impune e para conseguir que contribuam à obtenção dos fins pretendidos mediante sua adequada exibição. As recomendações do presente informe são dirigidas nesse sentido e se limitam. mereça essa designação. especificamente.Organização dos Estados Americanos Informe Final I . ao ambiente natural que o emoldura e aos bens culturais que encerra. entretanto.E. É preciso reconhecer. tanto em nível nacional quanto internacional. O acelerado processo de empobrecimento que vem sofrendo a maioria dos países americanos como conseqüência do estado de abandono e da falta de defesa em que se encontra sua riqueza monumental e artística demanda a adoção de medidas de emergência.Introdução A inclusão do problema representado pela necessária conservação e utilização do patrimônio monumental na relação de esforços multinacionais que se comprometem a realizar os governos da América resulta alentador num duplo sentido.. está se aceitando implicitamente que esses bens do patrimônio cultural representam um valor econômico e são suscetíveis de constituir-se em instrumentos do progresso. mas sua eficácia prática dependerá. de sua adequada formulação dentro de um plano sistemático de revalorização dos bens patrimoniais em função do desenvolvimento econômico-social.

Todo processo de acelerado desenvolvimento traz consigo a multiplicação de obras de infraestrutura e a ocupação de extensas áreas por instalações industriais e construções imobiliárias que não apenas alteram. os problemas que se relacionam com a defesa.templos. sítios e conjuntos monumentais adquirem excepcional importância e atualidade. Aos grandiosos testemunhos das culturas pré-colombianas se agregam as expressões monumentais.O Patrimônio Monumental e o Momento Americano É uma realidade evidente que a América. têm sofrido tais . que implica a exploração exaustiva de seus recursos naturais e a transformação progressiva das suas estruturas econômico-sociais. produto do fenômeno da aculturação. É certo também que grande parte desse patrimônio se arruinou irremediavelmente no curso das últimas décadas ou se acha hoje em perigo iminente de perder-se. Cabe ao Estado fazer com que ela prevaleça e determinar. se alternam com surpreendentes sobrevivências do passado. arquitetônicas. num passado ainda próximo. Grande número de cidades ibero-americanas que entesouravam. nos diferentes casos. a medida em que a referida função social é compatível com a propriedade privada e com o interesse dos particulares. A declaração de monumento nacional implica a sua identificação e registro oficiais. mas é necessário reconhecer que a razão fundamental da destruição progressivamente acelerada desse potencial de riqueza reside na falta de uma política oficial capaz de imprimir eficácia prática às medidas protecionistas vigentes e de promover a revalorização do patrimônio monumental em função do interesse público e para beneficio econômico da nação. Nos momentos críticos em que a América se encontra comprometida em um grande empenho progressista. Ruínas arqueológicas de capital importância. em conjunto. Qualquer que seja o valor intrínseco de um bem ou as circunstâncias que concorram para constituir a sua importância e significação histórica ou artística. que. acentuavam sua personalidade e atração -. numa exuberante variedade de formas.homem é essencial para imprimir a uma paisagem ou a um recinto determinado essa categoria específica. constitui uma região extraordinariamente rica em recursos monumentais. ele não se constituirá em um monumento a não ser que haja uma expressa declaração do Estado nesse sentido. fontes e vielas. Um acento próprio. praças. mas deformam por completo a paisagem. contribui para imprimir aos estilos importados um sentido genuinamente americano de múltiplas manifestações locais que os caracteriza e distingue. e em especial a América Ibérica. testemunhos de uma tradição histórica de inestimável valor. A partir desse momento o bem em questão estará submetido ao regime de exceção assinalado pela lei. Múltiplos fatores têm contribuído e continuam contribuindo para diminuir as reservas de bens culturais da maioria dos países da América Ibérica. complexos urbanos e povoados inteiros são suscetíveis de se tomar centros de maior interesse e atração. apagando as marcas e expressões do passado. artísticas e históricas do extenso período colonial. conservação e utilização dos monumentos. III . nem sempre acessíveis ou de todo exploradas. Todo monumento nacional está implicitamente destinado a cumprir uma função social. um rico patrimônio monumental. evidência de sua grandeza passada .

o Congresso de Veneza (1964) e o mais recente. 1961).Valorização Econômica dos Monumentos Partimos do pressuposto de que os monumentos de interesse arqueológico. preparar e servir ao futuro sem destruir o passado. V . A partir da Carta de Atenas. Longe disso. Consequentemente. Tudo isso em nome de um mal entendido e pior administrado progresso urbano. Entre os que mais se aprofundaram no problema. gravemente comprometido pela entronização de um processo anárquico de modernização. exige a adoção de medidas de defesa. A continuidade do horizonte histórico e cultural da América. todo plano de ordenação deverá realizar-se de forma que permita integrar ao conjunto urbanístico os centros ou complexos históricos de interesse ambiental. nos últimos anos. IV . muitos foram os congressos internacionais que se sucederam até consolidar-se o atual critério dominante. A elevação do nível de vida não deve se limitar à realização de um bem-estar material progressivo. figuram o da União Internacional de Arquitetos (Moscou. Está à disposição da América a experiência acumulada. que trazem a esse tema de tanto interesse americano um ponto de vista eminentemente prático. A defesa e valorização do patrimônio monumental e artístico não se contradiz. contribuindo com recomendações concretas. Nesse sentido. histórico e artístico constituem também recursos econômicos da mesma forma que as riquezas naturais do país. Em confirmação a este critério se transcreve o seguinte parágrafo do Informe Weiss. deve constituir o seu complemento. apresentado à Comissão Cultural e Científica do Conselho da Europa (1 963): "É possível equipar um país sem desfigurá-lo. as medidas que levam a sua preservação e adequada utilização não só guardam relação com os planos de desenvolvimento. 1958). mas fazem ou devem fazer parte deles. em Cáceres (1967). em nível tanto local como nacional. o Congresso da Federação Internacional da Habitação e Urbanismo (Santiago de Compostela. . deve ser associado à criação de um quadro de vida digno do homem".A solução conciliatória A necessidade de conciliar as exigências do progresso urbano com a salvaguarda dos valores ambientais já é hoje em dia uma norma inviolável na formulação dos planos reguladores. recuperação e revalorização do patrimônio monumental da região e a formulação de planos nacionais e multinacionais a curto e a longo prazo. para conseguir soluções satisfatórias. com uma política de ordenação urbanística cientificamente desenvolvida. teórica nem praticamente.mutilação e degradações no seu perfil arquitetônico que se tomam irreconhecíveis. o do ICOMOS. de 1932. que teve como tema o problema dos conjuntos históricos. É preciso admitir que os organismos internacionais especializados têm reconhecido a dimensão do problema e vêm trabalhando com afinco. Não é exagerado afirmar que o potencial de riqueza destruída com esses atos irresponsáveis de vandalismo urbanístico em numerosas cidades do continente excede em muito os benefícios advindos para a economia nacional através das instalações e melhorias de infraestrutura com que se pretendem justificar.

A valorização do Patrimônio do Cultural O termo "valorização". como meio indireto de favorecer o desenvolvimento econômico do país. Se algo caracteriza este momento é. 1967). a avaliação dos recursos disponíveis e a formulação de projetos específicos dentro de um plano de ordenação geral. que tende a tomar-se cada dia mais freqüente entre os especialistas.." Em suma. através da cooperação continental. a urgente necessidade de utilizar ao máximo o cabedal de seus recursos e é evidente que entre eles figura o patrimônio monumental das nações.. históricos e artísticos. A. É unicamente através da ação multinacional que muitos Estados-Membros em processo de desenvolvimento podem prover-se dos serviços técnicos e dos recursos financeiros indispensáveis." Mais concretamente. VI . diz-se: ". A extensão da assistência técnica e a ajuda financeira ao patrimônio cultural dos Estados Membros será cumprida em função de seu desenvolvimento econômico e turístico. da Declaração dos Presidentes: "Esforços Multinacionais.. A extensão da cooperação interamericana para esse aspecto do desenvolvimento implica o reconhecimento de que o esforço nacional não é por si só suficiente para empreender uma ação que. Encomendar aos organismos competentes da OEA que:. reiteradas recomendações e resoluções de diferentes organismos do sistema levaram progressivamente o problema ao mais alto nível de consideração: a Reunião dos Chefes de Estado (Punta del Este.. Valorizar um bem histórico ou artístico equivale a habilitá-lo com as condições objetivas e ambientais que. capítulo V. que figura no ponto 2. na resolução 2 da Segunda Reunião Extraordinária do Conselho Interamericano Cultural. convocada com a finalidade única de dar cumprimento ao disposto na Declaração dos Presidentes. precisamente. Isso implica uma tarefa prévia de planejamento em nível nacional. dentro da área de competência do conselho. sem desvirtuar sua natureza ressaltem suas características e permitam seu . ou seja. É evidente que a inclusão do problema relativo à adequada preservação e utilização do patrimônio monumental na citada reunião corresponde às mesmas razões fundamentais que levaram os presidentes da América a convocá-la: a necessidade de dar à Aliança para o Progresso um novo e mais vigoroso impulso e de oferecer. adquire no momento americano uma especial aplicação. a ajuda necessária ao desenvolvimento econômico dos países membros da OEA. trata-se de mobilizar os esforços nacionais no sentido de procurar o melhor aproveitamento dos recursos monumentais de que se disponha." 2. d) Estendam a cooperação interamericana à conservação e utilização dos monumentos arqueológicos.Na mais ampla esfera das relações interamericanas. na maioria dos casos.. excede suas atuais possibilidades.. Isso explica o emprego do termo "utilização".

ótimo aproveitamento. A Europa deve ao turismo. harmonia e comunhão espiritual mesmo entre povos que mantêm rivalidade política. É evidente que. As normas protecionistas e os planos de revalorização têm que estender-se. a enriquece. portanto. mesmo que a intenção original nada tenha a ver com a cultura. o que equivale a dizer que. Do exposto se depreende que a diversidade de monumentos e edificações de marcado interesse histórico e artístico situadas dentro do núcleo de valor ambiental se relacionam entre si e exercem um efeito multiplicador sobre o resto da área. de pôr em produtividade uma riqueza inexplorada. na medida em que um monumento atrai a atenção do visitante. há de derivar em seu beneficio. Deve-se entender que a valorização se realiza em função de um fim transcendente. passando-a do domínio exclusivo de minorias eruditas ao conhecimento e fruição de maiorias populares. a salvaguarda de uma grande parte de seu patrimônio cultural. Essa é outra conseqüência previsível da valorização e implica a prévia adoção de medidas reguladoras que. longe de diminuir sua significação puramente histórica ou artística. Um monumento restaurado adequadamente. estendendo seus efeitos a zonas mais distantes. a valorização de um monumento exerce uma benéfica ação reflexa sobre o perímetro urbano em que se encontra implantado e ainda transborda dessa área imediata. Em outras palavras. No mais amplo marco das relações internacionais. que. condenado à completa e irremediável destruição. dirigida a utilizar todos e cada um desses bens conforme a sua natureza. esses testemunhos do passado estimulam os sentimentos de compreensão. seria o de contribuir para o desenvolvimento econômico da região. eminentemente técnica. no caso da América Ibérica. um conjunto urbano valorizado. VII . passará a ser parte dele quando for valorizado. a valorização do patrimônio monumental e artístico implica uma ação sistemática. impeçam a desnaturalização do lugar e a perda das finalidades primordiais que se perseguem. a área de implantação de uma construção de especial interesse toma-se comprometida por causa da vizinhança imediata ao monumento. ao mesmo tempo em que facilitem e estimulem a iniciativa privada. Em síntese. De outra parte. longe disso.Os monumentos em função do turismo Os valores propriamente culturais não se desnaturalizam nem se comprometem ao vincular-se com os interesses turísticos e. Tudo quanto contribuir para exaltar os valores do espírito. trata-se de incorporar a um potencial econômico um valor atual. constituem não só uma lição viva de história como uma legítima razão de dignidade nacional. destacando e exaltando suas características e méritos até colocá-los em condições de cumprir plenamente a nova função a que estão destinados. a todo o âmbito do monumento. É preciso destacar que. aumentará a demanda de comerciantes interessados em instalar estabelecimentos apropriadas a sua sombra protetora. a maior atração exercida pelos monumentos e a fluência crescente de visitantes contribuem para afirmar a consciência de sua importância e significação nacionais. que ficaria revalorizada em conjunto como conseqüência de um plano de valorização e de saneamento de suas principais construções. em alguma medida. direta ou indiretamente. Esse incremento de valor real de um bem por ação reflexa constitui uma forma de mais valia que há de se levar em consideração. mediante um processo de revalorização que. e a . de certa maneira.

"oferecer assistência. Dentro do sistema interamericano. mais visual que literária. a União Internacional de Organizações Oficiais de Turismo. b) a atividade turística que se origina da adequada apresentação de um monumento e que. abandonada. além das numerosas recomendações e acordos que enfatizam a importância a ser concedida.sensibilidade contemporânea. tanto em nível nacional como regional. históricos e de beleza natural" (Resolução. recentes reuniões especializadas têm abordado o tema específico da função que os monumentos de interesse artístico e histórico representam no desenvolvimento da indústria turística. determinaria sua extinção. "do ponto de vista turístico. A Comissão Técnica de Fomento do Turismo. entre as quais figuram as seguintes: "Que os monumentos e outros bens de natureza arqueológica. depois de recomendar à Assembléia Geral designar o ano de 1967 como "Ano do Turismo Internacional". resolveu solidarizar-se com as conclusões adotadas pela correspondente Comissão de Equipamento Turístico. o Conselho Econômico e Social do citado organismo mundial. para obras de conservação. Esse estudo confirma os critérios expostos e. Se os bens do patrimônio cultural desempenham papel tão importante na promoção do turismo. empreendeu-se um exaustivo estudo. resolveu solicitar aos organismos das Nações Unidas e às agencias especializadas que dessem "parecer favorável às solicitações de assistência técnica e financeira dos países em desenvolvimento. seria urgente "a adoção de medidas adequadas dirigidas a assegurar a conservação e proteção desse patrimônio" (Informe Final. na sua quarta reunião (julho-agosto de 1967). 1963) não somente recomendou que se desse uma alta prioridade aos investimentos em turismo dentro dos planos nacionais. a fim de acelerar a melhoria dos seus recursos turísticos" (Resolução 1109 XL). constitui um valor substancialmente importante" e que. tem oportunidade de se enriquecer com a contemplação de novos exemplos da civilização ocidental. 4). tanto governamentais como privados. Anexo A. o patrimônio cultural.24). educativas e sociais que justificam o uso da riqueza monumental em função do turismo. a Conferência sobre Comércio e Desenvolvimento das Nações Unidas (1964) recomendou às agências e organismos de financiamento. ao problema do abandono em que se encontra boa parte do patrimônio cultural dos países do continente. A Conferência das Nações Unidas sobre Viagens Internacionais e Turismo (Roma. Doc. restauração e utilização vantajosa de sítios arqueológicos. Em relação a esse tema. como fez ressaltar que. resgatados tecnicamente graças ao poderoso estímulo turístico. Dois pontos de particular interesse merecem ser destacados: a) a afluência turística determinada pela revalorização adequada de um monumento assegura a rápida recuperação do capital investido nesse fim. que vem sendo objeto de especial atenção por parte da Secretaria Geral da UNESCO. mais propriamente. histórico e natural das nações. traz consigo uma profunda transformação econômica da região em que esse monumento se acha inserido. IV. em conseqüência. insiste nos benefícios econômicos que derivam dessa política para as áreas territoriais correspondentes. integrar-se num só plano econômico de desenvolvimento regional. . depois de analisar as razões culturais. Ultimamente. é lógico que os investimentos que se requerem para sua devida restauração e habilitação específica devem se fazer simultaneamente aos que reclama o equipamento turístico e. como principais incentivos à afluência turística". na forma mais apropriada. com a colaboração de um organismo não-governamental de grande prestígio. Por sua vez. histórica e artística podem e devem ser devidamente preservados e utilizados em função do desenvolvimento.

especialmente nas dos países europeus. entre suas principais fontes de riqueza."Que nos países de grande riqueza patrimonial de bens de interesse arqueológico. os habitantes de uma população contagiada pela febre do progresso não podem medir as conseqüências dos atos de vandalismo urbanístico que realizam alegremente.O interesse social e a ação cívica É presumível que os primeiros esforços dirigidos a revalorizar o patrimônio monumental encontrem uma ampla zona de resistência na órbita dos interesses privados. em conseqüência. Uma vez que se apreciam os resultados de certas obras de restauração e de revitalização de edifícios. mas à medida em que o monumento possa servir ao uso a que se lhe destina já não dependerá apenas de seu valor intrínseco. mantido o caráter ambiental da região. qualquer que seja sua denominação e composição. Anos de incúria oficial e um impulsivo afã de renovação que caracteriza as nações em processo de desenvolvimento contribuem para difundir o menosprezo por todas as manifestações do passado que não se ajustam ao molde ideal de um moderno estilo de vida. VIII . da sua significação ou interesse arqueológico." "Que os interesses propriamente culturais e os de índole turística se conjugam no que diz respeito à devida preservação e utilização do patrimônio monumental e artístico dos povos da América. Nada pode contribuir melhor para a tomada de consciência desejada do que a contemplação do próprio exemplo. incapazes de apreciar o que mais convém à comunidade a partir do remoto ponto de vista do bem público. As vantagens econômicas e sociais do turismo monumental figuram nas mais modernas estatísticas. Do seio de cada comunidade pode e deve surgir a voz de alarme e a ação vigilante e preventiva. com a reserva de bens culturais. esse patrimônio constitui um fator decisivo em seu equipamento turístico e. histórico ou artístico. histórico e artístico. deve ser levado em conta na formalização dos planos correspondentes. praças e lugares. com a indiferença ou a cumplicidade das autoridades locais. Tudo isso. Daí que as obras de restauração nem sempre sejam suficientes. Podem ser necessárias outras obras de infra-estrutura. Carentes da suficiente formação cívica para julgar o interesse social como uma expressão decantada do próprio interesse individual. quer dizer. . os monumentos são parte do equipamento de que se dispõe para operar essa indústria numa região determinada. costuma ocorrer uma reação favorável de cidadania que paralisa a ação destrutiva e permite a consecução de objetivos mais ambiciosos. por si só. especialmente em localidades que não dispõem ainda de diretrizes urbanísticas e onde a ação protetora em nível nacional é débil ou nem sempre eficaz. O estímulo a agrupamentos cívicos de defesa do patrimônio. tais como um caminho que facilite o acesso ao monumento ou um albergue que aloje os visitantes ao término de uma jornada de viagem." Do ponto de vista exclusivamente turístico. pelo que se faz aconselhável que os organismos e unidades técnicas de uma e outra área da atividade interamericana trabalhem nesse sentido de forma coordenada. mas também das circunstâncias adjetivas que concorram para ele e facilitem sua adequada utilização. para que um monumento possa ser explorado e passe a fazer parte do equipamento turístico de uma região. que devem sua presente prosperidade ao turismo internacional e que contam. tem dado excelentes resultados.

os seguintes: a) Reconhecimento de uma excepcional prioridades dos projetos de valorização da riqueza monumental. Essa integração.Os instrumentos da valorização A adequada utilização dos monumentos de principal interesse histórico e artístico implica primeiramente a coordenação de iniciativas e esforços de caráter cultural e econômicoturísticos. A integração dos projetos culturais e econômicos deve produzir-se em nível nacional como medida prévia a toda gestão de assistência ou cooperação exterior. Daí que. Recomendações (em nível nacional) Os projetos de valorização do patrimônio monumental fazem parte dos planos de desenvolvimento nacional e. dentro do Plano Nacional para o Desenvolvimento. consequentemente. capaz de centralizar sua execução em todas as etapas. outras disposições governamentais que facilitem o projeto de valorização fazendo prevalecer. b) Legislação adequada ou. Aos governos dos diferentes Estados Membros cabe a iniciativa. em todas as circunstâncias. . muito especialmente nas pequenas comunidades. São requisitos indispensáveis aos efeitos citados. IX . Na medida em que esses interesses coincidentes se unam e identifiquem. d) Designação de uma equipe técnica que possa contar com assistência exterior durante a elaboração dos projetos específicos ou durante sua execução. Do ponto de vista cultural. o interesse público. desenvolvido sistemática e simultaneamente à execução do projeto. em sua falta. na preparação desses planos. Não pode haver essa necessária coordenação se não existem no país em questão as condições legais e os instrumentos técnicos que a tomem possível. é o complemento do esforço nacional. organização técnica e planejamento nacional. Os investimentos que se requerem para a execução dos referidos projetos devem ser feitos simultaneamente com os que são necessários para o equipamento turístico da zona ou região objeto de revalorização. Compete ao governo dotar o país das condições que tomem possível a formulação e execução de projetos específicos de valorização. aos países corresponde a tarefa prévia de formular seus projetos e integrá-los com os planos gerais para o desenvolvimento. são requisitos prévios a qualquer propósito oficial dirigido a revalorizar seu patrimônio monumental: legislação eficaz. c) Direção coordenada do projeto através de um instituto idôneo. As medidas e procedimentos que se seguem destinam-se a essa finalidade. devem a eles se integrar. deve se levar em conta a conveniência de um programa anexo de educação cívica. tanto em termos técnicos como financeiros. os resultados perseguidos serão mais satisfatórios. a colaboração espontânea e múltipla dos particulares nos planos de valorização do patrimônio histórico e artístico é absolutamente imprescindível.Em qualquer caso.

o desenvolvimento de uma campanha cívica que possibilite a formação de uma consciência pública favorável. constituídos do acervo de museus e arquivos. bem como do acervo sociológico do folclore nacional. tornando-se. o que dificulta extremamente sua utilização. sem prejuízo de adotarem outros compromissos e acordos que se tomem recomendáveis dentro do sistema interamericano. em Sevilha. Estender o conceito generalizado de monumento às manifestações próprias da cultura dos séculos XIX e XX. procederse-á no sentido de estabelecê-los de forma adequada. por isso. absolutamente necessário em todo trabalho dessa natureza um estudo prévio de investigação histórica. A restauração termina onde começa a hipótese. Nesse sentido. A necessária coordenação dos interesses propriamente culturais relativos aos monumentos ou conjuntos ambientais. capaz de proteger de maneira mais ampla e efetiva essa parte importantíssima do patrimônio cultural do continente dos múltiplos riscos que a ameaçam. juntamente com copiosíssima documentação oficial. como medida prévia de toda a gestão relativa à assistência técnica ou à ajuda financeira externa. histórico e artístico a outros bens do patrimônio cultural. de maneira muito especial. fortalezas e grande número de edifícios.A valorização da riqueza monumental só pode ser levada a efeito dentro de um quadro de ação planificada. Vincular a necessária revalorização do patrimônio monumental e artístico das nações da América a outros países extra-continentais e. à Espanha e a Portugal. toma-se imprescindível a integração dos projetos que se venham a promover com os planos reguladores existentes na cidade ou na região de que se trate. quer dizer. Consequentemente. durante a sua formulação. À falta desses planos. . e os de caráter turístico deverá produzir-se no âmago da direção coordenada do projeto a que se refere a letra c) do inciso 3. dada a participação histórica de ambos na formação desse patrimônio e a comunhão dos valores culturais que os mantêm unidos aos povos deste continente. nos das índias. A cooperação dos interesses privados e o respaldo da opinião pública são indispensáveis para a realização de qualquer projeto de valorização. Recomendar à Organização dos Estados Americanos que estenda a cooperação que se propôs prestar à revalorização dos monumentos de interesse arqueológico. Recomendações(em nível interamericano) Reiterar a conveniência de que os países da América adotem a Carta de Veneza como norma mundial em matéria de preservação de sítios e monumentos históricos e artísticos. deve-se ter presente. na conformidade com um plano regulador de alcance nacional ou regional. torna-se altamente necessário que a OEA coopere com a Espanha no trabalho de atualizar e facilitar as investigações nos arquivos espanhóis e. especialmente. e dado que a catalogação desses documentos imprescindíveis foi interrompida em data anterior à da maioria das construções coloniais. Uma vez que a Espanha conserva em seus arquivos farto material de plantas sobre as cidades da América. Recomendar que seja redigido um novo documento hemisférico que substitua o Tratado Interamericano sobre a Proteção de Móveis de Valor Histórico (1935).

Da mesma forma. a fim de procurar integrá-la com a natureza circundante. de caráter interamericano. assim como. Madrid. Da mesma forma deve-se tomar em consideração a possibilidade de estimular a iniciativa privada. obter dos Estados-membros a adoção de medidas de emergência capazes de eliminar os riscos do comércio ilícito de peças do patrimônio cultural e que se ative a sua devolução ao país de origem. celebrar com o Instituto de Cultura Hispânica. que corresponderá à de maior densidade monumental ou de ambiente. amparado pelo acordo de cooperação técnica da OEA. b) zona de proteção ou respeito.Enquanto não se ultima o estabelecido no item anterior. recomenda-se à Secretaria Geral da OEA utilizar as facilidades que oferecem seus atuais programas de Bolsas e Habilitação Extracontinental e. Medidas Legais É necessário atualizar a legislação de proteção vigente nos Estados americanos. com sede provisória no Instituto de Cultura Hispânica. Ao atualizar a legislação vigente. É necessário revisar as disposições regulamentares locais que se aplicam à matéria de publicidade. c) zona de proteção da paisagem urbana. Para os efeitos de legislação de proteção. recomenda-se que o Conselho Interamericano Cultural providencie. até certo ponto. uma vez provada sua exportação clandestina ou aquisição ilegal. Toda vez que se tome necessário o intercâmbio de experiências sobre os problemas próprios da América e convém manter-se uma adequada unidade de critérios relativos à matéria. bem assim.Espanha e com o Centro Regional Latinoamericano de Estudos para a Conservação e Restauração de Bens Culturais do México. com o objetivo de controlar toda forma publicitária que tenda a alterar as características ambientais das zonas urbanas de interesse histórico. mediante a implantação de um regime de isenção fiscal nos edifícios que se restaurem com capital particular e dentro dos regulamentos estabelecidos pelos órgãos . as limítrofes. recomenda-se reconhecer a Sociedade de Arquitetos Especializados em Restauração de Monumentos. os países deverão ter em conta o maior valor que adquirem os bens imóveis incluídos na zona de valorização. a fim de tomar eficaz sua aplicação aos efeitos pretendidos. na sua próxima reunião. torna-se recomendável satisfazer as necessidades em matéria de restauração de bens móveis. e proporcionar sua instalação definitiva num dos Estados Membros. com maior tolerância. toma-se recomendável tomar as providências adequadas para a criação de um centro ou instituto especializado em matéria de restauração. o espaço urbano que ocupam os núcleos ou conjuntos monumentais e de interesse ambiental deve limitar-se da seguinte forma: a) zona de proteção rigorosa. amplos acordos de colaboração. Sem prejuízo do estabelecido anteriormente e a fim de satisfazer imediatamente tão imperiosas necessidades. mediante o fortalecimento dos órgãos existentes e a criação de outros novos. Tendo em vista que a escassez de recursos humanos constitui um grave inconveniente para a realização de planos de valorização.

competentes. Outros desencargos fiscais podem também ser estabelecidos como compensação às limitações impostas à propriedade particular por motivo de utilidade pública. Medidas Técnicas A valorização de um monumento ou conjunto urbano de interesse ambiental é o resultado de um processo eminentemente técnico e, consequentemente, sua execução oficial deve ser confiada diretamente a um órgão de caráter especializado, que centralize todas as atividades. Cada projeto de valorização constitui um problema específico e requer uma solução também específica. A colaboração técnica dos peritos nas diversas disciplinas que deverão intervir na execução de um projeto é absolutamente essencial. Da acertada coordenação dos especialistas irá depender, em boa parte, o resultado final. A prioridade dos projetos fica subordinada à estimativa dos benefícios econômicos, que derivariam de sua execução para uma determinada região. Entretanto, em tudo que for possível, deve-se ter em conta a importância intrínseca dos bens objeto de restauração ou revalorização e a situação de emergência em que eles se encontram. Em geral, todo projeto de valorização envolve problemas de caráter econômico, histórico, técnico e administrativo. Os problemas técnicos de conservação, restauração e reconstrução variam segundo a natureza do bem cultural. Os monumentos arqueológicos, por exemplo, exigem a colaboração de especialistas na matéria. A natureza e o alcance dos trabalhos que é preciso realizar em um monumento exigem decisões prévias, produto do exaustivo exame das condições e circunstâncias que nele concorrem. Decidida a forma de intervenção a que deverá ser submetido o monumento, os trabalhos subseqüentes deverão prosseguir com absoluto respeito ao que evidencia sua substância ou ao que apontam, indubitavelmente, os documentos autênticos em que se baseia a restauração. Nos trabalhos de revalorização de zonas ambientais, toma-se necessária a prévia definição de seus limites e valores. A valorização de uma zona histórica ambiental, já definida e avaliada, implica: a) estudo e determinação de seu uso eventual e das atividades que nela deverão desenvolverse; b) estudo da magnitude dos investimentos e das etapas necessárias até o término dos trabalhos de restauração e conservação, incluídas as obras de infra-estrutura e adaptações exigidas pelo equipamento turístico para sua valorização; c) estudo analítico do regime especial a que a zona ficará submetida, a fim de que as construções existentes e as futuras possam ser efetivamente controladas; d) a regulamentação das zonas adjacentes ao núcleo histórico deve estabelecer, além do uso da terra e densidade da respectiva ocupação, a relação volumétrica como fator determinante da paisagem urbana e natural; e) estudo do montante das inversões necessárias para o adequado saneamento da zona a ser valorizada;

f) estudo das medidas preventivas necessárias para a manutenção permanente de zona a valorizar. A limitação dos recursos disponíveis e o necessário adestramento das equipes técnicas requeridas pelos planos de valorização tornam aconselhável a prévia formulação de um projeto piloto no local em que melhor se conjuguem os interesses econômicos e as facilidades técnicas. A valorização de um núcleo de interesse histórico-ambiental de extensão que exceda as possibilidades econômicas imediatas pode e deve ser projetado em duas ou mais etapas, que seriam executadas progressivamente, de acordo com as conveniências do equipamento turístico. Não obstante, o projeto deve ser concebido em sua totalidade, sem que se interrompam ou diminuam os trabalhos de classificação, investigação e inventário.

Conferência Geral da Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura 15a Sessão
19 de novembro de 1968 RECOMENDAÇÃO SOBRE A CONSERVAÇÃO DOS BENS CULTURAIS AMEAÇADOS PELA EXECUÇÃO DE OBRAS PÚBLICAS OU PRIVADAS A Conferência Geral da Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura, em sua 15a sessão, realizada em Paris, de 15 de outubro a 20 de novembro de 1968: Considerando que a civilização contemporânea e sua evolução futura repousam nas tradições culturais dos povos e nas forças criadoras da humanidade, assim como em seu desenvolvimento social e econômico. Considerando que os bens culturais são o produto e o testemunho das diferentes tradições e realizações intelectuais do passado e constituem, portanto, um elemento essencial da personalidade dos povos. Considerando que é indispensável preservá-los, na medida do possível e, de acordo com sua importância histórica e artística, valorizá-los de modo que os povos se compenetrem de sua significação e de sua mensagem e, assim, fortaleçam a consciência de sua própria dignidade. Considerando que essa preservação e valorização dos bens culturais, de acordo com o espírito da Declaração de Princípios da Cooperação Cultural Internacional, adotada em 4 de novembro de 1966, durante a 14 a sessão, favorecem uma melhor compreensão entre os povos e, consequentemente, servem à causa da paz. Considerando também que o bem-estar de todos os povos depende, entre outras coisas, de que sua vida se desenvolva em um meio favorável e estimulante, e que a preservação dos bens culturais de todos os períodos de sua história contribui diretamente para isso. Reconhecendo, por outro lado, o papel desempenhado pela industrialização e urbanização a que tende a civilização mundial no desenvolvimento dos povos e em sua completa realização espiritual e nacional. Considerando, entretanto, que os monumentos, testemunhos e vestígios do passado préhistórico, proto-histórico e histórico, assim como inúmeras construções recentes que têm uma importância artística, histórica ou científica, estão cada vez mais ameaçados pelos trabalhos

públicos ou privados resultantes do desenvolvimento da indústria e da urbanização. Considerando que é dever dos governos assegurar a proteção e a preservação da herança cultural da humanidade tanto quanto promover o desenvolvimento social e econômico. Considerando, portanto, que é necessário harmonizar a preservação do patrimônio cultural com as transformações exigidas pelo desenvolvimento social e econômico, e que urge desenvolver os maiores esforços para responder a essas duas exigências em um espírito de ampla compreensão e com referência a um planejamento apropriado. Considerando, igualmente, que a adequada preservação e exposição dos bens culturais contribuem poderosamente para o desenvolvimento social e econômico dos países e das regiões que possuem esse gênero de tesouros da humanidade, através do estímulo ao turismo nacional e internacional. Considerando, enfim, que, em matéria de preservação de bens culturais, a garantia mais segura é constituída pelo respeito e pela vinculação que a própria população experimenta em relação a esses bens e que os Estados Membros poderiam contribuir para fortalecer tais sentimentos através de medidas adequadas, Sendo-lhe apresentadas propostas relativas à preservação dos bens culturais ameaçados por obras públicas ou privadas, questão que constitui o item 16 da ordem do dia da sessão. Após haver decidido, em sua décima terceira sessão, que as propostas sobre esse assunto seriam objeto de uma regulamentação internacional através de uma recomendação aos Estados Membros, Adota, neste décimo nono dia de novembro de 1968, a presente recomendação: A Conferência Geral recomenda aos Estados Membros que apliquem as disposições seguintes, adotando as medidas legislativas ou de outra natureza, necessárias para levar a efeito nos respectivos territórios as normas e princípios formulados na presente recomendação. A Conferência Geral recomenda aos Estados Membros que levem a presente recomendação ao conhecimento das autoridades e órgãos encarregados das obras públicas ou privadas, assim como ao dos órgãos responsáveis pela conservação e pela proteção dos monumentos históricos, artísticos, arqueológicos e científicos. Recomenda que as autoridades e órgãos encarregados do planejamento dos programas de educação e de desenvolvimento do turismo sejam igualmente informados. A Conferência Geral recomenda aos Estados Membros que lhe apresentem, nas datas e na forma a ser por ela determinada, relatórios que digam respeito às medidas adotadas para levar a efeito a presente recomendação. I - Definição Para os efeitos da presente recomendação, a expressão bens culturais se aplicará a: a) Bens imóveis, como os sítios arqueológicos, históricos ou científicos, edificações ou outros elementos de valor histórico, científico, artístico ou arquitetônico, religiosos ou seculares, incluídos os conjuntos tradicionais, os bairros históricos das zonas urbanas e rurais e os vestígios de civilizações anteriores que possuam valor etnológico. Aplicar-se-á tanto aos imóveis do mesmo caráter que constituam ruínas ao nível do solo como aos vestígios arqueológicos ou históricos descobertos sob a superfície da terra. A expressão bens culturais se estende também ao entorno desses bens. b) Bens móveis de importância cultural, incluídos os que existem ou tenham sido encontrados dentro dos bens imóveis e os que estão enterrados e possam vir a ser descobertos em sítios arqueológicos ou históricos ou em quaisquer outros lugares.

As medidas a serem adotadas deveriam variar em função da natureza. produção de energia hidroelétrica. tais como: a) Os projetos de expansão ou de renovação urbana. e que deverão ser preservados e trasladados.Princípios gerais As medidas de preservação dos bens culturais deveriam se estender à totalidade do território do Estado e não se limitar a determinados monumentos e sítios. protegidos por lei ou não.A expressão bens culturais engloba não só os sítios e monumentos arquitetônicos. b) O salvamento ou o resgate dos bens culturais situados em local que deva ser transformado pela execução de obras públicas ou privadas. cabendo a prioridade a um levantamento minucioso e completo dos bens culturais situados em locais em que obras públicas ou privadas os ameacem. Dever-se-ia ter na devida conta a importância relativa dos bens culturais em causa ao se determinarem medidas necessárias para assegurar: a) A preservação do conjunto de um sítio arqueológico. assim. b) Obras similares em locais onde conjuntos tradicionais de valor cultural possam correr perigo de destruição por não se constituírem em monumentos protegidos por lei. mas também os vestígios do passado não reconhecidos nem protegidos. como a construção de aeródromos. ou controle de inundações. h) Os trabalhos exigidos pelo desenvolvimento da indústria e pelos progressos técnicos das sociedades industrializadas. no todo ou em parte. Os Estados Membros deveriam dar a devida prioridade às medidas necessárias para garantir a conservação in situ dos bens culturais ameaçados por obras públicas ou privadas e manterlhes. assim como os sítios e monumentos recentes de importância artística ou histórica. Quando uma imperiosa necessidade . arqueológicos e históricos reconhecidos e protegidos por lei. assim como do caráter dos perigos a que estão expostos. d) A construção ou alteração de vias de grande circulação. monumentos ou conjuntos de monumentos de importância histórica. as operações de ressecação e de irrigação. como a aradura profunda da terra. g) Os trabalhos agrícolas. f) A construção de oleodutos e de linhas de transmissão de energia elétrica. ainda que respeitem monumentos protegidos por lei mas possam vir a modificar estruturas de menor importância e. As medidas preventivas e corretivas deveriam ter por finalidade assegurar a proteção ou o salvamento dos bens culturais ameaçados por obras públicas ou privadas. o que constitui um perigo especialmente grave para os sítios. a continuidade e significação histórica. c) Modificações ou reparos inoportunos de edificações históricas isoladas. Deveriam ser mantidos inventários atualizados de bens culturais importantes. assim. a exploração de minas e de pedreiras e a dragagem e recuperação de canais e de portos. das dimensões e da situação dos bens culturais. seria preciso criá-los. II . e) A construção de barragens para irrigação. etc. As medidas destinadas a preservar ou a salvar os bens culturais deveriam ter caráter preventivo e corretivo. desmatamento e nivelamento de terras e reflorestamento. destruir as vinculações e o quadro que envolve os monumentos nos bairros históricos. No caso de não existirem esses inventários. de um monumento ou de outros tipos de bens culturais imóveis contra os efeitos das obras públicas e privadas.

inclusive os museus dos sítios ou das universidades. históricas ou artísticas. deveriam ser preservados para estudos ou expostos em museus. tanto em escala nacional quanto regional. d) Métodos de preservação e salvamento dos bens culturais. f) Reparações. especialmente quando os bens culturais imóveis.Medidas de preservação e salvamento A preservação ou o salvamento dos bens culturais ameaçados por obras públicas ou privadas deveria ser assegurada pelos meios abaixo relacionados. c) Medidas administrativas. ou . e) Sanções. de acordo com as normas e princípios definidos nesta recomendação. Financiamento Os Estados membros deveriam prever o estabelecimento de créditos necessários para as operações de preservação de salvamento dos bens culturais ameaçados pela realização de obras públicas ou privadas. tenham sido abandonados ou destruídos. não permitam a adoção de medidas uniformes. Legislação Os Estados membros deveriam promulgar ou manter em vigor. assim como a desigualdade dos recursos. o abandono ou a destruição de bens culturais. em grande parte ou na totalidade. b) Financiamento.econômica ou social impuser o traslado. III . As edificações e outros monumentos culturais importantes que tenham sido trasladados para evitar sua destruição por obras públicas ou privadas deveriam ser reinstalados em um sítio ou ambiente semelhante ao de sua implantação primitiva e ao de suas vinculações naturais. postos à disposição dos futuros pesquisadores os resultados dos estudos de interesse científico e histórico empreendidos em relação aos trabalhos de salvamento de bens culturais. h) Assessoramento. g) Recompensas. cabendo à legislação e à organização de cada Estado precisar as medidas: a) Legislação. i) Programas educacionais. e especialmente os espécimes representativos de objetos procedentes de escavações arqueológicas ou encontrados durante trabalhos de salvamentos. Os bens culturais móveis de grande interesse. Ainda que a diversidade dos sistemas jurídicos e das tradições. de algum outro modo. deveriam ser levadas em consideração as seguintes possibilidades: a) As autoridades nacionais ou regionais encarregadas da salvaguarda dos bens culturais deveriam dispor de um orçamento suficiente para poderem assegurar a preservação ou o salvamento dos bens culturais ameaçados por obras públicas ou privadas. uma legislação que assegure a preservação ou o salvamento dos bens culturais ameaçados pela realização de obras públicas ou privadas. Deveriam ser publicados ou. os trabalhos de salvamento deveriam sempre compreender um estudo minucioso desses bens e o registro completo dos dados de interesse.

ou c) Deveria ser possível combinar os dois métodos mencionados nas alíneas a e b acima. a garantirem a manutenção ou a adequada adaptação dessas edificações ou conjuntos a funções que respondam às necessidades da sociedade contemporânea. de áreas urbanas ou rurais. alguns princípios comuns deveriam ser adotados: a) Um órgão consultivo ou de coordenação composto de representantes das autoridades encarregadas da salvaguarda dos bens culturais. em especial.b) As despesas referentes à preservação ou ao salvamento dos bens culturais ameaçados pela realização de obras públicas ou privadas. Se os bens culturais não são protegidos por lei ou de outro modo. Os serviços responsáveis pela salvaguarda dos bens culturais deveriam estar habilitados a administrar ou utilizar os créditos extra-orçamentários necessários para a preservação ou para o salvamento dos bens culturais ameaçados pela realização de obras públicas ou privadas. arquitetônico. através de uma legislação adequada. para fixar o montante dos fundos destinados à conservação dos bens culturais ameaçados por obras públicas ou privadas. Os Estados membros deveriam encorajar os proprietários de edificações que tenham importância artística ou histórica. científico ou histórico. das empresas de obras públicas ou privadas. inclusive as que façam parte de um conjunto tradicional. Medidas Administrativas A responsabilidade pela preservação e pelo salvamento dos bens culturais ameaçados por obras públicas ou privadas deveria competir a organismos oficiais apropriados. ou b) Estabelecimento. As autoridades nacionais ou locais. empréstimos ou outras medidas. embora a diversidade dos dispositivos constitucionais e da tradição dos Estados Membros impeça a adoção de um sistema uniforme. de um orçamento destinado a ajudar. mediante subvenções. assim como os proprietários privados. as instituições e os proprietários privados de edificações que tenham um interesse artístico. deveria ser possível obter créditos suplementares através de legislação competente. ou por qualquer outro meio apropriado. o valor intrínseco de tais bens e a contribuição que podem proporcionar à economia como pólos de atração turística. as autoridades locais. assim como os habitantes de bairros históricos. deveriam levar em conta. o proprietário deveria ter a oportunidade de requisitar a ajuda necessária das autoridades competentes. do planejamento urbano e das instituições de pesquisa e educação deveria estar habilitado a prestar assessoria em matéria de preservação dos bens culturais ameaçados por obras públicas ou privadas. a preservarem o caráter e a beleza dos bens culturais de que dispõem e que possam vir a sofrer danos em consequência de obras públicas ou privadas. deveriam constar do orçamento dessas obras. Onde já funcionem órgãos ou serviços oficiais de proteção dos bens culturais deveria competir-lhes a proteção dos bens culturais ameaçados por obras públicas ou privadas. órgãos ou serviços especiais deveriam ser encarregados da preservação dos bens culturais ameaçados por obras públicas ou privadas. mediante a concessão de subvenções especiais ou a criação de um fundo nacional para a salvaguarda dos monumentos. inclusive as investigações arqueológicas preliminares. cada vez que entrarem em conflito as necessidades da execução . Se não houver tais serviços. ou c) Deveria ser possível combinar os dois métodos mencionados nas alíneas a e b acima. inclusive os conjuntos tradicionais. através das medidas que se seguem: a) Diminuição de impostos. Se a magnitude ou a complexidade dos trabalhos necessários tornarem o montante das despesas excepcionalmente elevado. e.

sítios e monumentos de interesse. d) Deveriam ser tomados medidas administrativas para coordenar as atividades dos diversos serviços responsáveis pela salvaguarda dos bens culturais e as de outros serviços encarregados de obras públicas ou privadas e as dos demais serviços cujas funções tenham relação com o problema de preservar ou salvar os bens culturais ameaçados por obras públicas ou privadas. Por ocasião dos estudos preliminares sobre projetos de construção em um local de reconhecido interesse cultural. dos conjuntos tradicionais. sítios e bairros históricos.de obras públicas ou privadas e os trabalhos de preservação e salvamento dos bens culturais. inspetores e outros especialistas e técnicos. conviria. Se necessário. que deveriam estar protegidos pela legislação de cada país. qualquer nova construção deveria ser obrigatoriamente precedida de escavações arqueológicas de caráter preliminar. protegidos ou não pela lei. historiadores. aldeias. urbanistas. em escala regional ou local. antes que uma decisão fosse tomada. e) Deveriam ser adotadas medidas administrativas para designar uma autoridade ou uma comissão encarregada dos programas de desenvolvimento urbano em todas as comunidades que possuam bairros históricos. sobretudo os sítios pré-históricos que estão particularmente ameaçados por serem difíceis de reconhecer. b) As autoridades locais (estaduais. tais como a escolha dos sítios arqueológicos a serem escavados. dos bairros históricos dos centros urbanos ou rurais. A escolha entre essas variantes deveria basear-se em uma análise comparativa de todos os elementos com o objetivo de adotar a solução mais vantajosa. deveriam ser realizados aprofundados estudos para determinar: a) As medidas a serem tomadas para assegurar a proteção in situ dos bens culturais importantes. dos vestígios etnológicos de civilizações anteriores e de outros bens culturais imóveis que. As medidas destinadas a preservar ou a salvar os bens culturais deveriam ser tomadas com suficiente antecipação ao início de obras públicas ou privadas. especialistas competentes em matéria de preservação dos bens culturais ameaçados por obras públicas ou privadas: arquitetos. c) Os serviços de salvaguarda dos bens culturais deveriam contar com pessoal qualificado. que seja preciso proteger contra a ameaça de obras públicas ou privadas. tais como cidades. que se elaborassem diversas variantes desses projetos. Esses serviços deveriam dispor da possibilidade de obter ajuda dos serviços nacionais. ou de outros órgãos apropriados. os edifícios a serem trasladados e os bens culturais móveis cujo salvamento seja necessário garantir. tanto do ponto de vista econômico quanto no que diz respeito à preservação e ao salvamento dos bens culturais. arqueólogos. seriam . Métodos de preservação e salvamento dos bens culturais Com a devida antecedência à realização de obras públicas ou privadas que ameacem os bens culturais. Deveria ser assegurada a salvaguarda dos sítios arqueológicos importantes. b) A extensão dos trabalhos de salvamento necessários. sem isso. os trabalhos de construção deveriam ser retardados para permitir a adoção de medidas indispensáveis a assegurar a preservação ou o salvamento dos bens culturais. Nas regiões importantes do ponto de vista arqueológico ou cultural. municipais ou outras) deveriam também dispor de serviços encarregados da preservação e do salvamento dos bens culturais ameaçados por obras públicas ou privadas. de acordo com suas atribuições e necessidades. ou no qual seja provável encontrar objetos de valor arqueológico ou histórico.

além disso. que deveriam prever penas de multa ou de prisão. eventualmente. de aquisição imobiliária. essas aquisições poderiam ser feitas através de expropriação. através de medidas que estabeleçam a proteção legal ou a criação de zonas protegidas: a) As reservas arqueológicas deveriam ser objeto de medidas de zoneamento ou de proteção legal e. Os Estados Membros deveriam adotar disposições que permitam às autoridades nacionais ou locais ou aos órgãos competentes adquirir os bens culturais importantes que corram perigo em conseqüência de obras públicas ou privadas. para que seja possível efetuar escavações profundas ou preservar os vestígios descobertos. deveriam ser suspensas as obras de construção para permitir as escavações completas. de bens móveis. que tenham sido ocultados.ameaçados por obras públicas ou privadas. ou ambas. Caso necessário. Esse serviço submeteria a descoberta a um detido exame e. b) Em caso de achado arqueológico fortuito. especialmente quando se tratar de cidades ou bairros históricos. Sanções Os Estados Membros deveriam adotar as medidas necessárias para que as infrações cometidas intencionalmente ou por negligência em relação à preservação ou ao salvamento de bens culturais ameaçados por obras públicas ou privadas sejam severamente punidas por seus códigos penais. mal conservados ou abandonados bens culturais imóveis. Poder-se-iam adotar. se o sítio se revelasse importante. destruídos. Deveria ser proibida a publicidade comercial através de cartazes ou anúncios luminosos. por exemplo. que poderia ser suspensa quando se tratar de edificações a serem erigidas em uma zona de interesse histórico. A preservação dos monumentos deveria ser uma condição essencial em qualquer plano de urbanização. que permitisse. Os arredores e o entorno de um monumento ou de um sítio protegido por lei deveriam também ser objeto de disposições análogas para que seja preservado o conjunto de que fazem parte e seu caráter. Os Estados Membros deveriam impor a qualquer pessoa que encontre vestígios arqueológicos durante a realização de obras públicas ou privadas a obrigação de comunicar seu achado o mais rápido possível ao serviço competente. pagamento de indenização por perdas e danos ao Estado quando hajam sido deteriorados. previstas indenizações ou compensações adequadas pelo atraso ocasionado. confisco sem indenização. Deveriam ser permitidas modificações na regulamentação ordinária relativa às novas construções. mas as empresas comerciais poderiam ser autorizadas a indicar sua presença por meio de uma sinalização corretamente apresentada. b) Os bairros históricos dos centros urbanos ou rurais e os conjuntos tradicionais deveriam estar registrados como zonas protegidas e uma regulamentação adequada para preservar o entorno e seu caráter deveria ser adotada. Reparações . determinar e decidir em que medida poderiam ser reformados os edifícios de importância histórica ou artística e a natureza e o estilo das novas construções. as seguintes medidas: a) Quando for possível. restauração do sítio ou do monumento às expensas dos responsáveis pelos danos causados.

quando a natureza do bem o permitir. medalhas ou outras formas de reconhecimento às pessoas . Publicações especializadas. Programas Educativos Em espírito de colaboração internacional.Os Estados membros deveriam adotar. em instituições ou nas municipalidades . Para isso.que tenham prestado eminente colaboração aos programas de preservação e salvamento de bens culturais ameaçados por obras públicas ou privadas. instituições educativas ou outras organizações interessadas deveriam preparar exposições especiais para ilustrar os perigos que as obras públicas ou privadas não controladas representam para os bens culturais e as medidas que tenham sido adotadas para garantir a preservação ou o salvamento dos bens culturais ameaçados por essas obras. a restauração ou a reconstrução dos bens culturais deteriorados por obras públicas ou privadas. Assessoramento Os Estados Membros deveriam proporcionar aos particulares. os Estados Membros deveriam empenhar-se em estimular e fomentar entre seus nacionais o interesse e o respeito pelo seu próprio patrimônio cultural e pelo de outros povos. entre outras. assim como exemplos de casos em que bens culturais hajam sido eficazmente preservados ou salvos. artigos na imprensa e programas de rádio e de televisão deveriam divulgar a natureza dos perigos que obras públicas ou privadas mal concebidas podem ocasionar aos bens culturais. órgãos públicos que se ocupam do desenvolvimento do turismo e associações de educação popular deveriam desenvolver programas destinador a tornar conhecidos os perigos que as obras públicas ou privadas realizadas sem a devida preparação podem ocasionar aos bens culturais e a enfatizar que as atividades destinadas a preservar os bens culturais contribuem para a compreensão internacional. Museus. sendo-lhes concedida assistência técnica ou financeira. b) Outorgar certificados. às pessoas que notificarem achados arqueológicos ou entregarem os objetos descobertos. assessoramento técnico ou supervisão que lhes permitam assegurar a manutenção de normas adequadas em relação à preservação ou ao salvamento de bens culturais ameaçados por obras públicas ou privadas. . Estabelecimentos de ensino. Recompensas Os Estados Membros deveriam encorajar os particulares. associações históricas e culturais. Deveriam prever também a possibilidade de obrigar as autoridades locais e os proprietários particulares de bem culturais importantes a procederem às reparações ou às restaurações. em associações. se necessário. com o objetivo de assegurar a preservação ou o salvamento dos bens culturais ameaçados por obras públicas ou privadas. a associações ou a prefeituras que não dispõem de experiência ou de pessoal necessário.inclusive as que desempenhem funções nos órgãos de governo. poder-se-iam adotar as seguintes medidas: a) Efetuar pagamentos. as medidas necessárias para assegurar a reparação. as associações e as municipalidades a participar dos programas de preservação ou de salvamento dos bens culturais ameaçados por obras públicas ou privadas. a título de gratificação.

é indispensável criar cursos visando à formação de arquitetos restauradores. serão criados onde ainda não houver. através de unânime aprovação. do Conselho Federal de Cultura. em união de propósito. as resoluções adotadas no documento ora por todos subscrito e que se chamará Compromisso de Brasília. nos níveis superiores. os credenciaram. para o mesmo efeito. solidários integralmente com a orientação traçada pelo Ministro Jarbas Passarinho.Compromisso de Brasília de abril de 1970 1º Encontro dos Governadores de Estado. médio e artesanal. conservadores de pintura. No plano da proteção da natureza. Impõe-se complementar os recursos orçamentários normais com o apelo a novas fontes de receita de valor real. a Diretoria do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (DPHAN). e nas recomendações que nele se contêm. colaborará a DPHAN com os Estados e Municípios que ainda não tiverem legislação específica. bem assim. e manifestando todo o apoio à política de proteção aos monumentos. a proteção dos bens culturais de valor regional. . a quem incumbe executá-la. De acordo com a disposição legal acima citada. arquivologistas e museólogos de diferentes especialidades. orientados pelo DPHAN e pelo Arquivo Nacional os cursos de nível superior. Presidentes e Representantes de Instituições Culturais Os Governadores de Estado presentes ao encontro promovido pelo Ministério da Educação e Cultura. com a orientação técnica da DPHAN. Para a obtenção dos resultados em vista. os Secretários de Estado e demais representantes dos governadores que. fornecendo-lhes as diretrizes tendentes à desejada uniformidade. recomenda-se a criação de serviços estaduais. Para remediar a carência de mão-de-obra especializada. os prefeitos de municípios interessados. de 1937. escultura e documentos. órgãos estaduais e municipais adequados. à cultura tradicional e à natureza. para fins de uniformidade da legislação em vista. decidiram consolidar. resumida no relatório apresentado pelo diretor do órgão superior. 23 do Decreto-Lei 25. Prefeitos de Municípios Interessados. Secretários Estaduais da Área Cultural. para o estudo da complementação das medidas necessárias à defesa do patrimônio histórico e artístico nacional. atendido o que dispõe o art. Aos Estados e Municípios também compete. os presidente e representantes de instituições culturais igualmente convocadas. na exposição por sua excelência feita ao abrir-se a reunião. em articulação com o Instituto Brasileiro de Desenvolvimento Florestal e. que os Estados e Municípios secundem o esforço pelo mesmo instituto empreendido para a implantação territorial definida dos parques nacionais. Reconhecem a inadiável necessidade de ação supletiva dos Estados e dos Municípios à atuação federal no que se refere à proteção dos bens culturais de valor nacional. articulados devidamente com os Conselhos Estaduais de Cultura e com a DPHAN.

Sendo o culto ao passado elemento básico da formação da consciência nacional. em cursos especiais para professores do ensino fundamental e médio. devidamente estruturados. observadas as normas técnicas oferecidas pelos órgãos federais especializados na defesa. médio e superior. deverão ser incluídas nos currículos escolares. Há. de nível primário. e nos cursos não especializados. a de Estudos Brasileiros. municipais. de maneira a habilitá-los a transmitir às novas gerações a consciência e interesse do ambiente histórico-cultural. Com o mesmo objetivo. para que todas as obras que se venham a efetuar em imóveis de valor histórico ou artístico de sua posse. Recomenda-se a instituição de museus regionais. mas também os Estados e municípios se dispõem a manter os demais cursos. das riquezas naturais. é de desejar que nos Estados seja confiada a especialistas a elaboração de monografias acerca dos aspectos sócio-econômicos regionais e valores compreendidos no respectivo patrimônio histórico e artístico. tais como a imprensa escrita e falada. o cinema. Caberá às universidades o entrosamente com bibliotecas e arquivos públicos nacionais. tendo em vista a educação cívica e o respeito da tradição. no nível superior (a exemplo do que já existe no curos de Arquitetura com a disciplina de Arquitetura no Brasil. instrumentação e valorização desse patrimônio. Recomenda-se a defesa do acervo arquivístico. matérias que versem o conhecimento e a preservação do acervo histórico e artístico. bem assim os arquivos eclesiásticos e de instituições de alta cultura. no nível médio. noções que estimulem a atenção para os monumentos representativos da tradição nacional. utilizando-se. e também que. através da disciplina de Educação Moral e Cívica. que documentem a formação histórica. para cujo efeito será apreciável a colaboração do Arquivo Nacional com as congêneres repartições estaduais e municipais. os vários meios de comunicação de massas. no currículo das escolas de Arte. de modo a ser evitada a destruição de documentos. a televisão. parte destes consagrados aos bens culturais ligados à tradição nacional. necessidade premente do entrosamento com a hierarquia eclesiástica e superiores de ordens religiosas e confrarias. para este fim. a introdução. se lhes propicie a conveniente informação sobre tais problemas. e da cultura popular. de disciplina de História da Arte no Brasil. no sentido de incentivar a pesquisa quanto à melhor elucidação do passado e à avaliação de inventários dos bens regionais cuja defesa se propugna. ou tendo por fim preservá-los convenientemente. atendidas as peculiaridades regionais. Recomenda-se a conservação do acervo bibliográfico. sejam precedidas . Caberá às secretarias competentes dos Estados a promoção e divulgação do acervo dos bens culturais da respectiva área. segundo a orientação geral da DPHAN. sugerindo-se oportuna legislação que subordine as concessões nessas áreas à audiência prévia dos órgãos incumbidos da defesa dos bens históricos e artísticos. das jazidas arqueológicas e préhistóricas. Recomenda-se a preservação do patrimônio paisagístico e arqueológico dos terrenos de Marinha. guarda ou serventia. estaduais. adotado o seguinte critério: no nível elementar. outrossim.Não só a União.

representante da Universidade Federal de Santa Catarina e da comissão especial que estuda a organização do Conselho de Defesa do Patrimônio Histórico do Estado nomeada pelo Governador Ivo Silveira. dos imóveis de valor histórico e artístico cuja proteção incumbe ao poder público. prof. . Governadores de Estado presentes à reunião por s. Brasília. E por terem assim deliberado. conforme o seu caráter.da audiência dos órgãos responsáveis pela proteção dos monumentos. Diretores dos Conselhos Estaduais de Defesa do Patrimônio Histórico. O Conselho Federal de Cultura e os Conselhos Estaduais de Cultura opinarão sobre as demais propostas apresentadas à conferência. trate-se de uma casa seiscentista como estas de São Paulo. Diretores dos Departamentos de Cultura. Os participantes do Encontro ouviram com muito agrado a manifestação do Ministro de Estado. Anexo: O problema da recuperação e restauração de monumentos. instalações e equipamentos castrenses. 3 de abril de 1970 O Compromisso foi assinado pelo Ministro Jarbas Passarinho. Pedro Calmon. convocada. Presidente do Instituto Histórico Brasileiro. nas diversas regiões do país. e Oswaldo Rodrigues Cabral. Urge legislação defensiva dos antigos cemitérios e especialmente dos túmulos históricos e artísticos e monumentos funerários. em relação aos antigos fortes. Carlos Humberto Pederneiras Corrªe. para a sua conveniente preservação. para o efeito de as encaminhar oportunamente à autoridade competente. Que a mesma cautela prevista no item anterior seja tomada junto às autoridades militares. é extremamente complexo. pelos Presidentes do Conselho Federal de Cultura. tendo em vista a crescente complexidade e o vulto das atividades culturais no país. no sentido de efetivar-se o controle do comércio de obras de arte antiga. Recomenda-se utilização preferencial para casas de cultura ou repartições de atividades culturais. assinam este compromisso. Artur Cesar Ferreira Reis. Recomenda-se aos poderes públicos estaduais e municipais colaboração com a DPHAN. considerando os superiores interesses da cultura nacional. no Rio Grande do Sul. Secretários de Estado. sensível à conveniência da criação do Ministério da Cultura. ou das ruínas desta igreja de São Miguel. prof. Renato Soeiro. e delegados de outras entidades culturais do país representadas no conclave. Diretor do Departamento de Cultura. Pelo Estado de Santa Catarina assinaram o documento os professores Jaldir Bhering Faustino da Silva. exa. e consideram chegada esta oportunidade. do Patrimônio Histórico Nacional. prof. da Educação e Cultura. Secretário de Estado da Educação e Cultura.

arqueológico e natural do país. acuidade investigadora. a apropriação de verbas para esse fim. monumentos arquitetônicos.Primeiro. às municipalidades e à D. a manutenção e o destino do bem recuperado. chegado o momento de cada Estado criar o seu próprio serviço de proteção vinculado à universidade local. naturais. porque depende de técnicos qualificados cuja formação é demorada e difícil.talha. praias.A. documentos e livros. além do tirocínio de obras e de familiaridade com os processos construtivos antigos. Segundo. pois requer. a escolha de técnicos. porque implica em providências igualmente demoradas.N. Artístico. de Andrade . pois. o estudo preliminar na base de investigação histórica e das pesquisas in loco. conjuntos urbanos. Os presidentes e representantes de instituições culturais igualmente convocadas. Apesar da deficiência dos meios. bens móveis. desprendimento. iniciativa e comando e. sensibilidade artística. ainda. os credenciaram. para o estudo da complementação das medidas necessárias à defesa do patrimônio histórico. para o mesmo efeito. artístico. é. o tombamento daquilo que deve ser preservado.P. a documentação e o registro das fases da obra e. acervos arqueológicos. para que assim participe diretamente da obra penosa e benemérita de preservar os últimos testemunhos desse passado que é a raiz do que somos . solidários integralmente com a orientação que vem sendo traçada pelo Ministro Jarbas Passarinho desde o I Encontro de Brasília. Os Prefeitos de municípios interessados. Em união de propósitos. finalmente. conhecimentos históricos. principalmente paisagens.e seremos. e manifestando apoio à política de proteção aos bens naturais e de valor cultural. parques. a eleição do que mereça restauro prioritário.tem procedido ao restauro de monumentos . arquitetura . a Diretoria do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional obra da vida de Rodrigo M. Lucio Costa. capacidade de organização. em abril de 1970. por fim.1970 Compromisso de Salvador de outubro de 1971 II Encontro de Governadores para Preservação do Patrimônio Histórico.H. política definida no Relatório apresentado . Os Secretários de Estado e demais representantes dos Governadores que.F. como o inventário histórico-artístico do que exista na região. pintura.em todo o país.Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional Os Governadores de Estado presentes ao encontro promovido pelo Ministério da Educação e Cultura. mas no acervo de cada região há obras significativas e valiosas cuja preservação escapa à alçada federal. Arqueológico e Natural do Brasil Ministério da Educação e Cultura IPHAN .. o estudo da documentação recolhida.

para o desenvolvimento da indústria do turismo. em todos os seus itens. Recomenda-se que os órgãos responsáveis pela política de turismo estudem medidas que facilitem a implantação de pousadas. Na presente oportunidade encaminham à consideração dos responsáveis as seguintes proposições adotadas no documento ora assinado.pelo Diretor do IPHAN. na reorganização do IPHAN. Recomenda-se que se pleiteie do Tribunal de Contas da União sejam extensivas aos museus. no sentido de ampliar o conceito de visibilidade de bem tombado. os planos urbanos e regionais de áreas ricas em bens naturais e de valor cultural especialmente protegidos por lei. com especial atenção para planos que visem à preservação e valorização dos monumentos naturais e de valor cultural especialmente protegidos por lei. bem assim de certificado de autenticidade e propriedade obrigatórios para . utilização e divulgação dos bens naturais e de valor cultural especialmente protegidos por lei. Recomenda-se a convocação dos órgãos responsáveis pelo planejamento do turismo. para fins de atendimento à proteção dos bens naturais e de valor cultural especialmente protegidos por lei. o "Compromisso de Brasília". Recomenda-se que também sejam considerados prioritários. a partir de estudos inciais de qualquer natureza. as percentagens a que alude a recomendação anterior. para fins de restauração e valorização dos bens de valor cultural. cujo alto significado reconhecem. as percentagens do Fundo de Participação dos Estados e Municípios definidas pelo Tribunal de Contas da União. Recomenda-se que os Estados e Municípios utilizem. e de Secretarias ou Fundações de Cultura no âmbito estadual. uma ação conjunta entre a administração pública e as autoridades eclesiásticas. bibliotecas e arquivos. Recomenda-se a instituição de normas para inscrição compulsória dos bens móveis de valor cultural. contem com a orientação do IPHAN. com utilização preferencial de imóveis tombados. bem como os projetos de obras públicas e particulares que afetam áreas de interesse referentes aos bens naturais e aos de valor cultural especialmente protegidos por lei. no sentido de que voltem suas atenções para os problemas. que se chamará "Compromisso de Salvador": Recomenda-se a criação do Ministério da Cultura. do IBDF e dos órgãos estaduais e municipais da mesma área. Recomenda-se. para obtenção de financiamento. Recomenda-se a criação de legislação complementar. Recomenda-se que. para colaborarem no custeio de todas as operações necessárias à realização de obras em edifícios tombados. Recomenda-se a convocação da FINEP e de órgãos congêneres. reconhecendo o imenso proveito para a cultura brasileira alcançado como conseqüência do referido Encontro de Brasília. arquitetônicos e urbanos de valor cultural e de suas ambiências. capazes de permitir o pleno atendimento de seus objetivos. a criação de fundos provenientes de dotações orçamentárias e doações. na proteção dos bens naturais e de valor cultural. ou outros incentivos fiscais. aplaudem e apoiam. para atendimento do conceito de ambiência. Recomenda-se a criação de legislação complementar no sentido de proteção mais eficiente dos conjuntos paisagísticos. Ratificam. sejam lhe dadas condições especiais em recursos financeiros e humanos. por meio de acordos e convênios. com acervos de importância comprovada. nos âmbitos nacional e estadual. Recomenda-se a convocação do Banco Nacional de Habitação e dos demais órgãos financiadores de habitação. Recomenda-se que os planos diretores e urbanos. Recomenda-se.

nas suas respectivas áreas. do Departamento de Assuntos Culturais do MEC. Recomenda-se que os governos estaduais promovam. com vistas ao estudo e à proteção dos acervos naturais e de valor cultural. Recomenda-se que. Sugerem. . Recomenda-se que seja complementada a legislação vigente. Recomenda-se aproveitamento remunerado de estudantes de arquitetura.Bahia. na organização do DAC. através do órgão específico federal. exibições ou apresentações que visem a difundir e preservar as tradições folclóricas de seus respectivos Estados. no âmbito das universidades brasileiras. Recomenda-se que se pleiteie dos poderes competentes a necessidade de diploma legal que confira aos governos estaduais a responsabilidade da administração das cidades consideradas monumento nacional. . Recomenda-se a convocação do Conselho Nacional de Pesquisas da CAPES para o financiamento de projetos de pesquisas e de formação de pessoal especializado. Bahia.a publicação pelas administrações estaduais e municipais de livros e documentos referentes à história da Independência brasileira. com o objetivo de proceder ao inventário sistemático dos bens móveis de valor cultural.transferência ou fins comerciais. sejam previstas maiores possibilidades de apoio e estímulo às manifestações de caráter popular e folclórico. Recomenda-se aos governos estaduais que incluam no ensino de 2º grau curso complementar de estudos brasileiros e museologia. museologia e arte. e elaboração do calendário das diferentes festas tradicionais e folclóricas. com vistas a disciplinar as pesquisas e trabalhos arqueológicos. com a planificação. em sentido nacional. para a formação do corpo de fiscais na área de comércio de bens móveis de valor cultural. em Pirajá. . onde não haja profissional de nível superior. no Município de Campo Largo. . Recomenda-se que sejam criados. que permita aos diplomados a prestação de serviços nos museus do interior.a inscrição como monumento de valor cultural. do acervo urbano de Lençóis .a criação do Museu do Mate. Recomenda-se a adoção de convênios entre o IPHAN e as universidades. inclusive dos arquivos notariais. outrossim: . através dos seus órgãos específicos. dando igualmente inteiro apoio à realização de festivais. Paraná.a criação do Parque Histórico da Independência da Bahia. para fins de atendimento da legislação específica. por ocasião do transcurso do sesquicentenário da Independência do Brasil. centros de estudo dedicados à investigação do acervo natural e de valor cultural em suas respectivas áreas de influência. através de órgão competente.

da arte ou da ciência. a complete eficazmente. reunida em Paris de 17 de outubro a 21 de novembro de 1972. ante a amplitude e a gravidade dos perigos novos que os ameaçam. . . Considerando que as convenções. mas também pela evolução da vida social e econômica. que esta questão seria objeto de uma convenção internacional. portanto. devido à magnitude dos meios de que necessita e à insuficiência dos recursos econômicos. Considerando que os bens do patrimônio cultural e natural apresentam um interesse excepcional e. Considerando que a proteção desse patrimônio em escala nacional é freqüentemente incompleta. elementos ou estruturas de natureza arqueológica. quando de sua sexta sessão. A Conferência Geral da Organização das Nações Unidas para a Educação. recomendações e resoluções internacionais existentes relativas aos bens culturais e naturais demonstram a importância que representa. a salvaguarda desses bens incomparáveis e insubstituíveis. mediante a prestação de uma assistência coletiva que. Tendo em mente que a constituição da organização dispõe que esta última ajudará a conservação. adotar novas disposições convencionais que estabeleçam um sistema eficaz de proteção coletiva do patrimônio cultural e natural de valor universal excepcional. inscrições. velando pela preservação e proteção do patrimônio universal e recomendando aos povos interessados convenções internacionais para esse fim. I . Cutural e Natural Aprovada pela Conferência Geral da UNESCO em sua décima sétima reunião Paris. científicos e técnicos do país em cujo território se acha o bem a ser protegido. Considerando que a degradação ou o desaparecimento de um bem do patrimônio cultural e natural constitui um empobrecimento nefasto do patrimônio de todos os povos do mundo. cabe a toda a coletividade internacional tomar parte na proteção do patrimônio cultural e natural de valor universal excepcional. em virtude de sua arquitetura. Verificando que o patrimônio cultural e o patrimônio natural são cada vez mais ameaçados de destruição.os monumentos: obras arquitetônicas. para esse fim. a Ciência e a Cultura.Definições do Patrimônio Cultural e Natural Artigo 1o . neste dia dezesseis de novembro de mil novecentos e setenta e dois. 16 de novembro de 1972. sem substituir a ação do Estado interessado.Para os fins da presente convenção serão considerados como patrimônio cultural: . a presente Convenção. qualquer que seja o povo a que pertençam. organizado de modo permanente e segundo métodos científicos e modernos. não somente pelas causas tradicionais de degradação. Adota.os conjuntos: grupos de construções isoladas ou reunidas que. em sua décima-sétima sessão. Considerando que é indispensável. devem ser preservados como elementos do patrimônio mundial da humanidade inteira. Considerando que. para todos os povos do mundo. o progresso e a difusão do saber. que se agrava com fenômenos de alteração ou de destruição ainda mais temíveis. cavernas e grupos de elementos que tenham um valor universal excepcional do ponto de vista da história. e Após haver decidido. de escultura ou de pintura monumentais.Convenção sobre a Proteção do Patrimônio Mundial.

A fim de garantir a adoção de medidas eficazes para a proteção. valorizar e transmitir às futuras gerações o patrimônio cultural e natural mencionado nos artigos 1 e 2.Cada um dos Estados partes na presente convenção reconhece que a obrigação de identificar. tenham um valor universal excepcional do ponto de vista da história.as formações geológicas e fisiográficas e as áreas nitidamente delimitadas que constituam o habitat de espécies animais e vegetais ameaçadas e que tenham valor universal excepcional do ponto de vista estético ou científico. e. proteger. e nas condições apropriadas a cada país: a) adotar uma política geral que vise a dar ao patrimônio cultural e natural uma função na vida da coletividade e a integrar a proteção desse patrimônio nos programas de planejamento geral. etnológico ou antropológico. situado em seu território. VI . fortalecer a apreciação e o respeito de seu povos pelo patrimônio cultural e natural definido nos artigos 1 e 2 da convenção. utilizando ao máximo seus recursos disponíveis. especialmente por programas de educação e de informação. Procurará tudo fazer para esse fim.Proteção Nacional e Proteção Internacional do Patrimônio Cultural e Natural Artigo 4o .os monumentos naturais constituídos por formações físicas e biológicas ou por grupos de tais formações. .os lugares notáveis naturais ou as zonas naturais estritamente delimitadas.Os Estados partes na presente convenção procurarão por todos os meios apropriados. que tenham valor universal excepcional do ponto de vista histórico. lhe incumbe primordialmente.Programas Educativos Artigo 27o 1 . quando for o caso. conservar. . da conservação ou da beleza natural.unidade ou integração na paisagem. da arte ou da ciência.Os Estados partes na presente convenção que receberem assistência internacional em aplicação da convenção tomarão as medidas necessárias para tornar conhecidos a . inclusive lugares arqueológicos. .Para os fins da presente convenção serão considerados como patrimônio natural: . que tenham valor universal excepcional do ponto de vista da ciência. Artigo 5o .os lugares notáveis: obras do homem ou obras conjugadas do homem e da natureza. bem como as zonas. Artigo 3o . científico e técnico. conservação e valorização do patrimônio cultural e natural situado em seu território. notadamente nos planos financeiro. estético. artístico. na medida do possível. 2 . que tenham valor universal excepcional do ponto de vista estético ou científico. II . os Estados partes na presente convenção procurarão. Artigo 28o . Artigo 2o .Caberá a cada Estado parte na presente convenção identificar e delimitar os diferentes bens mencionados nos artigos 1 e 2 situados em seu território. mediante a assistência e cooperação internacional de que possa beneficiar-se.Obrigar-se-ão a informar amplamente o público sobre as ameaças que pesem sobre esse patrimônio e sobre as atividades empreendidas em aplicação da presente convenção.

Carta do Restauro de 6 de abril de 1972 Ministério de Instrução Pública Governo da Itália Circular n. para efeito de sua salvaguarda e restauração. assim como das prospeções subterrâneas e subaquáticas a serem empreendidas. . às normas por ela estabelecidas e às instruções anexas. artístico e cultural elaborará um programa anual e especificado dos trabalhos de salvaguarda e restauração.importância dos bens que tenham sido objeto dessa assistência e o papel que ela houver desempenhado. as coleções artísticas e as decorações conservadas em sua disposição tradicional. são objeto das presentes instruções. escrupulosa e obrigatoriamente.Todas as obras de arte de qualquer época.Ficam submetidas à disciplina das presentes instruções. as operações destinadas a assegurar a salvaguarda e a restauração dos vestígios antigos relacionados com as pesquisas subterrâneas e subaquáticas. que compreende desde os monumentos arquitetônicos até as de pintura e escultura.Além das obras mencionadas no artigo precedente. 1972) entre os diretores e chefes de institutos autônomos. que adotam o nome de Carta do Restauro 1972. aqui publicadas na íntegra. Artigo 4º . para assegurar sua salvaguarda e restauração. Artigo 5º . o Ministério da Instrução Pública da Itália divulgou o Documento sobre Restauração de 1972 (Carta do Restauro.Cada uma das superintendências de instituições responsáveis pela conservação do patrimônio histórico. além das obras incluídas nos artigos 1 e 2. e desde o período paleolítico até as expressões figurativas das culturas populares e da arte contemporânea. os jardins e parques considerados de especial importância. para que se atenham. mediante parecer favorável do Conselho Geral de Antigüidades e Belas Artes. inclusive fragmentados. Artigo 1º . pertencentes a qualquer pessoa ou instituição. na acepção mais ampla.Entende-se por salvaguarda qualquer medida de conservação que não implique a intervenção direta sobre a obra. os conjuntos de edifícios de interesse monumental. em todas as intervenções de restauração em qualquer obra de arte. entende-se por restauração qualquer intervenção destinada a manter em funcionamento. de 6 de abril de 1972. a facilitar a leitura e a transmitir integralmente ao futuro as obras e os objetos definidos nos artigos precedentes. Artigo 2º . particularmente os centros históricos. ficam assimiladas a essas. que será aprovado pelo Ministério da Instrução Pública. Artigo 3º .º 117 Através da circular número 117. histórico ou ambiental. seja por conta do Estado ou de outras instituições ou pessoas.

seu estado atual. ou deixando à vista o suporte original e. especialmente. etc.. 2 . executadas. 5 . nunca deverá chegar à superfície nua da matéria de que são constituídas as obras. o jardim. admitem-se as seguintes operações ou reintegrações: 1 . com clara determinação do contorno das reintegrações. reconstrução ou traslado para locais diferentes dos originais. recomposição de obras que se tiverem fragmentado. jamais reintegrando ex novo zonas figurativas ou inserindo elementos determinantes da figuração da obra.modificações ou inserções de caráter sustentante e de conservação da estrutura interna ou no substrato ou suporte. a menos que se trate de alterações limitadas que debilitem ou alterem os valores históricos da obra.remoções ou demolições que apaguem a trajetória da obra através do tempo. assentamento de obras parcialmente perdidas reconstruindo as lacunas de pouca identidade com técnica claramente distinguível ao olhar ou com zonas neutras aplicadas em nível diferente do das partes originais. 2º e 3º: 1 . 2 . 2º e 3º. se for o caso. a natureza das intervenções consideradas necessárias e as despesas necessárias para lhes fazer frente. respeitados a pátina e eventuais vernizes antigos. 3 . nos casos de emergência ou dúvida previstos na lei.limpeza de pinturas e esculturas. para todas as outras categorias de obras. particularmente nos pontos de enlace com as partes antigas e.alteração ou eliminação das pátinas. 4 .remoção. desde que.De acordo com as finalidades a que. Artigo 6º . o parque. além disso. ainda quando existirem documentos gráficos ou plásticos que possam indicar como tenha sido ou deva resultar o aspecto da obra acabada. segundo o artigo 4º. 3 . ou com adoção de material diferenciado. 4 . devem corresponder as operações de salvaguarda e restauração. uma vez realizada a operação. proíbem-se indistintamente para todas as obras de arte a que se referem os artigos 1º. o conjunto decorativo. Artigo 7º . . o conjunto monumental ou ambiental. na aparência da obra vista da superfície não resulte alteração nem cromática nem de matéria.anastilose documentada com segurança. com marcas e datas onde for possível. Esse informe será igualmente aprovado pelo Ministério de Instrução Pública com parecer prévio do Conselho Superior de Antigüidades e Belas Artes. que jamais deverá alcançar o estrato da cor.No âmbito do programa.alteração das condições de acesso ou ambientais em que chegou até os nossos dias a obra de arte.nova ambientação ou instalação da obra. ou depois de sua apresentação. além do detalhamento sobre a conservação da obra.aditamentos de partes acessórias de função sustentante e reintegrações de pequenas partes verificadas historicamente. embora harmônico. inclusive em forma simplificada. quando já não existirem ou houverem sido destruídas a ambientação ou instalação tradicionais.Em relação às mesmas finalidades a que se refere o artigo 6º e indistintamente para todas as obras a que se referem os artigos 1º. ou quando as condições de conservação exigirem sua transferência. qualquer intervenção nas obras referidas no artigo 1º deverá ser ilustrada e justificada por um parecer técnico em que constarão.aditamentos de estilo ou analógicos. 5 . ou de aditamentos de estilo que a falsifiquem. facilmente distinguível ao olhar. a menos que isso seja determinado por razões superiores de conservação.

Artigo 12º . Além disso. sempre que possível.A utilização de novos procedimentos de restauração e de novos materiais em relação aos procedimentos e matérias de uso vigente ou de algum modo aceitos. até mesmo. pictóricos. é necessário. No caso das limpezas. Serão documentadas. Artigo 9º . Artigo 11º . a sugerir novos métodos e ao uso de novos materiais.Qualquer intervenção na obra ou em seu entorno. deverá ser autorizada pelo Ministro da Instrução Pública. ter presentes exigências particulares relativas à salvaguarda do subsolo . nem exigir modificações substanciais e permanentes do ambiente em que as obras tiverem sido transmitidas historicamente. ser conservadas ou documentadas em um arquivodepósito especial das superintendências competentes.Os métodos específicos utilizados como procedimento de restauração especialmente para monumentos arquitetônicos. Artigo 10º . qualquer intervenção deve ser previamente estudada e justificada por escrito (último parágrafo do artigo 5º) e deverá ser organizado um diário de seu desenvolvimento. para a realização de escavações. da química.Nos casos em que houver dúvida sobre a atribuição das competências técnicas. a que se anexará a documentação fotográfica de antes. a partir dos pareceres dos superintendentes ou chefes de instituições interessados. ou em que surgirem conflitos a respeito do assunto. ainda. nocivos ou não comprovados. todas as eventuais investigações e análises realizadas com o auxílio da física. b. durante e depois da intervenção. contudo. a quem também competirá atuar ante o mesmo ministério no que disser respeito a desaconselhar materiais ou métodos antiquados. deverá ser deixado um testemunho do estado anterior à operação. Se. térmicas ou higrométricas as obras a que se referem os artigos 1º. esculturais.Artigo 8º . ouvido o Conselho Superior de Antigüidades e Belas Artes. estão especificados nos anexos a. enquanto que no caso das adições. para os efeitos do disposto no artigo 4º. deve ser realizada de tal modo e com tais técnicas e materiais que fique assegurado que. da microbiologia e de outras ciências. no futuro. se possível em lugar próximo à zona interventora. no campo da arqueologia. de acordo com parecer justificado do Instituto Central de Restauração. De toda essa documentação haverá cópia no arquivo da superintendência competente e outra cópia será enviada ao Instituto Central de Restauração. decidirá o ministro. Anexo A Instruções para a salvaguarda e a restauração dos objetos arqueológicos Além das regras gerais contidas nos artigos da Carta do Restauro. 2º e 3º não deverão alterar sensivelmente o aspecto da matéria e a cor das superfícies. as partes eliminadas deverão. c e d das presentes instruções. a definir as investigações que se devam prover com equipamentos e com especialistas alheios ao equipamento e à planilha de que dispõe. forem indispensáveis modificações de tal gênero com vistas ao fim superior de sua conservação. para os conjuntos históricos e.As medidas destinadas a preservar dos agentes contaminadores ou das variações atmosféricas. não ficará inviabilizada outra eventual intervenção para salvaguarda ou restauração. essas modificações deverão ser realizadas de modo que evitem qualquer dúvida sobre a época em que foram empreendidas e da maneira mais discreta possível.

Durante as explorações arqueológicas terrestres. que começam pela exploração sistemática das costas italianas por pessoal especializado. à criação de reservas e parques arqueológicos. com conhecimento preciso da atmosfera e da temperatura. no que concerne à restauração devem se observar as precauções que durante as operações de escavação garantirem a conservação imediata dos descobrimentos. principalmente pelas partes lenhosas com grandes e prolongadas lavações. com recorrência também à ajuda da fotografia e das prospeções elétricas. é aconselhável não proceder a limpeza alguma . eletromagnéticas. de modo que o conhecimento o mais completo possível da natureza arqueológica do terreno permita diretrizes mais precisas para a aplicação das normas de salvaguarda. por exemplo.deverão ser consideradas as especiais exigências de conservação e de restauração dos objetos de acordo com sua categoria e sua matéria. seja para efeito de sua tutela ou para o da programação das pesquisas científicas subaquáticas. com o objetivo de chegar à consecução de uma forma maris com indicação de todos os restos e monumentos submersos. da natureza e dos limites das relações. com os materiais cerâmicos e com os utensílios. os materiais cerâmicos esparsos. Entre essas condições concretas do resgate . será sempre necessário efetuar um cuidadoso reconhecimento do terreno para recopilar todos os possíveis dados localizáveis na superfície. de modo que seja facilitado sua recomposição e restauração no laboratório. do terreno. A recuperação dos restos de uma embarcação antiga não deverá ser iniciada antes que hajam sido dispostos os sítios e o necessário acondicionamento especial. especialmente no corpo do utensílio. antes e durante o seu traslado. além disso.assim como nas habituais prospeções arqueológicas terrestres . ou mosaico ou de opus sectile. mantê-los unidos com encolados de gesso. com ataduras e adesivos adequados. banhos em peculiares substâncias consolidantes. No caso de serem encontrados elementos desprendidos de uma decoração de estuque. à aplicação de vínculos especiais. vinculadas às leis e disposições que afetam as escavações subaquáticas e que se destinam a impedir a violação indiscriminada e irresponsável dos restos de navios antigos e de seu carregamento. que constituem dados preciosos para a história do comércio e da vida na antigüidade. de ruínas submersas e de esculturas fundidas. que permita o resguardo dos materiais recuperados do fundo do mar. levando-se também em conta as experiências adquiridas internacionalmente nesse campo. sobretudo nos últimos decênios. Concomitantemente às diferentes medidas a serem tomadas nos diversos casos. em função do estado concreto dos restos. dever-se-á dedicar especial atenção ao exame e fixação de possíveis inscrições pintadas. impõem-se medidas muito precisas. ou de pintura. todos os tratamentos específicos requeridos. é necessário. Na recuperação de vidros. especialmente se são susceptíveis de uma deterioração mais fácil. Os sistemas de extração e recuperação de embarcações submersas deverão ser estudados caso a caso. para o estabelecimento de planos reguladores e para a vigilância. tomar-se-ão todas as precauções que permitam a identificação de eventuais vestígios ou restos de seu conteúdo. já que as normas de recuperação e documentação abordam mais especificamente o esquema das normas relativas à metodologia das escavações. e a ulterior possibilidade de salvaguarda e de restauração definitivas. O problema de maior importância da salvaguarda do subsolo arqueológico está necessariamente ligado à série de disposições e leis referentes à expropriação. no caso de execução de trabalhos agrícolas ou de urbanização.arqueológico e à conservação e restauração dos achados durante as prospeções terrestres e subaquáticas relacionadas no artigo 3º. a documentação de elementos que houverem eventualmente aflorado. Para a salvaguarda do patrimônio arqueológico submarino. etc.

sempre que possível. Particular delicadeza se requer na extração de objetos ou fragmentos de metal. Para os mosaicos que. inclusive na admissão de visitantes. devendo-se recorrer não apenas aos sistemas de consolidação. destinam-se a serem expostos em museu. No esquema da arqueologia pompeiana se utiliza principalmente. pois sempre são susceptíveis de alteração. assim como há que evitar o uso de vernizes ou ceras para reavivar as cores. adotar cuidados especiais. a obtenção de decalques dos negativos das plantas e de materiais orgânicos susceptíveis de deterioração através de pastas adesivas de gesso aplicadas nas cavidades que tenham permanecido no terreno. ao contrário. mas também a eventuais suportes adequados ao caso. com ampla e brilhante experiência. especialmente a aglomeração de visitantes. dando às lacunas uma entonação similar à do reboco grosso. as fortes mudanças atmosféricas do exterior. nesses casos. principalmente se estão oxidados. a iluminação excessiva. através de aparelhos de climatização interpostos entre o ambiente antigo a ser protegido e o exterior. em tal caso. devem-se evitar as integrações. evitando o contato direto com a parede e proporcionando. Têm sido experimentados com êxito vários tipos de suportes. com os métodos modernos pode ser feita inclusive em grandes superfícies sem realizar cortes . já é amplamente utilizado o suporte em sanduíche de materiais ligeiros. uma montagem fácil e uma conservação segura.durante a escavação. é preferível. Esses fatores se alteram facilmente por causas externas e estranhas a tais ambientes. sendo suficiente uma limpeza cuidadosa das superfícies originais. seja garantida a presença de restauradores preparados para uma primeira intervenção de recuperação e fixação. Especial atenção deve ser prestada a respeito de possíveis vestígios ou reproduções de pedaços de tecidos. Para os efeitos da aplicação destas instruções é preciso que. portanto. de entelado e encolados em função das condições climáticas. tumbas. Tais precauções têm sido tomadas no acesso a monumentos préhistóricos pintados na França e na Espanha e seria de desejar que o fossem em muitos de nossos monumentos (tumbas de Tarquínia).que comporta necessariamente seu . No que respeita às cerâmicas e Terracota é indispensável não prejudicar com lavações ou limpezas apressadas a eventual presença de pinturas. particularmente as pinturas e mosaicos. sua reinstalação no edifício de que provêm e de cuja decoração constituem parte integrante e. pequenos recintos). que permitem a recolocação das pinturas nos espaços convenientemente cobertos de um edifício antigo. vernizes e inscrições. depois de sua retirada que. quando para a restauração completa de um monumento . atmosféricas e higrométricas. Deverá ser considerado com especial atenção o problema de restauração das obras destinadas a permanecerem ou a serem reinstaladas em seu lugar original. Ainda assim. no sistema mais idôneo e resistente aos agentes atmosféricos. Quanto aos mosaicos. dever-se-iam ter presentes algumas exigências em relação às peculiares técnicas antigas. durante o desenvolvimento das escavações. Para a restauração dos monumentos arqueológicos. quando for necessário. Requerem especiais exigências de proteção diante dos perigos advindos da alteração climática. resistente e manejável. por causa da facilidade com que podem quebrar-se. é necessário manter constantes dois fatores essenciais para a melhor conservação das pinturas: o grau de umidade ambiental e a temperatura ambiente. até agora. Em primeiro lugar. além das normas gerais contidas na "Carta do Restauro" e nas Instruções para os critérios das Restaurações Arquitetônicas. É necessário. os interiores com pinturas parietais in situ (grutas pré-históricas. em troca.o sistema de cimentação com recheio metálico inoxidável resulta.

tanto do ponto de vista estético. quasi reticulatum. Finalmente. Quanto ao problema geral da consolidação dos materiais arquitetônicos e das esculturas ao ar livre. as partes restauradas deverão se manter em um plano ligeiramente retrancado.seja necessário efetuar prospeções de escavação para o descobrimento das fundações. reticulatum et vittatum. diferenciado pela lavradura de incisões nas superfícies modernas. sobretudo nos em que é preciso manter a linha irregular do perfil da ruína. ao mesmo tempo em que se podem utilizar diversos sistemas para diferenciar o uso do mesmo material com que foi construído o monumento e que é preferível manter nas restaurações. Para a restauração de estruturas do aparelho de silharia tem sido experimentado favoravelmente o sistema de reproduzir os silhares nas medidas antigas. será adequado colocar em todas as zonas restauradas placas com as datas. deve ser evitar a combinação de materiais diferentes e anacrônicos nas partes restauradas. se utiliza a mesma qualidade de pedra e os mesmos tipos de peças. ou de caliça. foi experimentada a aplicação de uma capa de argamassa de alvenaria que parece dar os melhores resultados. ou gravar siglas ou marcas especiais. Anexo B Instruções para os critérios das restaurações arquitetônicas . como de sua resistência aos agentes atmosféricos. Constitui um problema peculiar dos monumentos arqueológicos a forma de cobrir os muros em ruínas. que resulta ostensiva e agressiva. visando à obtenção de um aspecto mais ou menos rústico em relação ao tipo de monumento. Para a restauração de muros de opus incertum. inclusive do ponto de vista cromático. na arte romana. de calcário. Como alternativa à retrancagem da superfície das reintegrações de restaurações modernas. particularmente diversificados na Itália. que possam produzir danos irreparáveis. devem-se evitar experimentações com métodos não suficientemente comprovados. as medidas para a restauração e a conservação dos monumentos arqueológicos também devem ser estudadas em função das variadas exigências climáticas dos diferentes locais. O uso do cimento com sua superfície revestida do pó do mesmo material do monumento a ser restaurado pode se mostrar útil para a reintegração de tambores de colunas antigas de mármore. Nos monumentos antigos e particularmente nos da época arcaica ou clássica. utilizando lascas do mesmo material cimentado com argamassa misturada na superfície com pó do mesmo material para obter uma entonação cromática. o mármore branco pode ser reintegrado com travertino ou calcário em combinações já experimentadas com êxito (restauração de Valadier. Da mesma forma pode ser recomendável em muitos casos um tratamento superficial de novos materiais. enquanto que para os muros de ladrilho será oportuno marcar com incisões ou raias a superfície dos ladrilhos modernos. as operações terão que se realizar com o método estatigráfico que pode oferecer dados preciosos sobre a vida e as fases do próprio edifício. Finalmente. no Arco de Tito).estudo histórico . pode-se fazer uma fresta que siga o seu contorno e delimite a parte restaurada ou inserir uma franja sutil de materiais distintos.

executada sob orçamento e não sob empreitada. por exemplo. certamente. dos traçados reguladores e dos sistemas proporcionais e compreenderá um cuidadoso estudo específico para a verificação das condições de estabilidade. . As obras de adaptação deverão ser limitadas ao mínimo. que quase sempre consiste em operações delicadíssimas e sempre de grande responsabilidade. Sempre com o objetivo de assegurar a sobrevivência dos monumentos. antes de raspar uma camada de pintura. a necessidade de considerar todas as obras de restauração sob um substancial perfil de conservação. das elevações e qualidades formais. mesmo quando sugiram a necessidade peremptória de demolição e reconstrução. deverá ser confiada a empresas especializadas e. interpretada também sob o aspecto metrológico. Uma exigência fundamental da restauração é respeitar e salvaguardar a autenticidade dos elementos construtivos. encarece-se o maior cuidado possível na vigilância contínua dos imóveis para a adoção de medidas de caráter preventivo. dos sistemas e caracteres construtivos. quando possível. Em particular. a substituição de pedras corroídas só deverá ocorrer para satisfazer às exigências de gravidade. A realização do projeto para a restauração de uma obra arquitetônica deverá ser precedida de um exaustivo estudo sobre o monumento. dificuldades ou desequilíbrios nas paredes. mas. elaborado de diversos pontos de vista (que estabeleçam a análise de sua posição no contexto territorial ou no tecido urbano. tais como os grumos e coloridos originais das paredes e abóbadas. conservando escrupulosamente as formas externas e evitando alterações sensíveis das características tipológicas. ainda. para evitar que desapareçam elementos antes ignorados ou eventualmente desapercebidos nas investigações prévias. o diretor dos trabalhos deve constatar a existência ou não de qualquer marca de decoração. iconográficas e arquivísticas. da organização estrutural e da seqüência dos espaços internos. vem-se considerando detidamente a possibilidade de novas utilizações para os edifícios monumentais antigos. para obter todos os dados históricos possíveis. A execução dos trabalhos pertinentes à restauração dos monumentos. assim como aos eventuais acréscimos ou modificações. Parte integrante desse estudo serão pesquisas bibliográficas. Este princípio deve sempre guiar e condicionar a escolha das operações. inclusive para evitar intervenções de maior amplitude. relativos à obra original. respeitando os elementos acrescidos e evitando até mesmo intervenções de renovação ou reconstituição. bastante úteis para o conhecimento do edifício e do sentido da restauração.No pressuposto de que as obras de manutenção realizadas no devido tempo asseguram longa vida aos monumentos. quando não resultarem incompatíveis com os interesses histórico-artísticos. há que se examinar primeiro a possibilidade de corrigi-los sem substituir a construção original.. O projeto se baseará em uma completa observação gráfica e fotográfica. especialmente quando intervêm o piquete e o maço. Do mesmo modo. Lembra-se. dos aspectos tipológicos. As restaurações devem ser continuamente vigiadas e supervisionadas para que se tenha segurança sobre sua boa execução e para que se possa intervir imediatamente no caso em que se apresentarem fatos novos. ou eliminar um eventual reboco. etc. No caso de paredes em desaprumo. etc). e também.

fuligem. melhor ainda. Podem-se eliminar as matérias acumuladas sobre as pedras . usando apenas escovas vegetais ou jatos de ar com pressão moderada. conforme o caso. as escovas metálicas e raspadores. que apresenta a vantagem de não manchar a pedra. sendo. um método comprovado de consolidação ou de proteção. fezes de pombo. deverá ser sempre distinguível dos elementos originais. redigir-se-á uma inventário que constituirá parte integrante do programa e o começo do diário da restauração. por exemplo. por aço inoxidável. ou. intervindo-se sempre que seja possível adotar. se observarem silhares rasgados por grampos ou varas de ferro que se incham com a umidade. ou com frestas visíveis. é necessário descalcificar a água. a partir da prática anteriormente descrita. em geral. em geral. Deverão ser tomadas todas as precauções para evitar o agravamento da situação. além de sob luz natural. As esculturas em pedra colocadas no exterior dos edifícios. A pátina da pedra deve ser conservada por evidentes razões históricas. mas. de água e de vapor com forte pressão. mais ou menos largas e profundas. desaconselháveis as lavações de qualquer natureza. Em tal reconhecimento se inclui a comprovação dos diferentes estratos materiais de que venha a estar composta a obra e se são originais ou acréscimos e. Para a boa conservação das fontes de pedra ou de bronze. Em continuação.A eventual substituição de paramentos murais. com raios ultravioletas simples ou filtrados e com raios infravermelhos. Quando isso for impossível. Enquanto. portanto. ou nas praças. eliminando as concreções calcárias e as inadequadas limpezas periódicas. é um reconhecimento cuidadoso de seu estado de conservação. segundo o caso. convirá transferir a escultura para um local fechado. É sempre aconselhável tirar . etc. resulta preferível realizar em toda a extensão do contorno da reintegração uma sinalização clara e persistente. diferenciando os materiais ou as superfícies de construção recente.detritos. sob luz monocromática. devendo essas fotografias serem obtidas. todas as intervenções necessárias para eliminar as causas dos danos. igualmente. Dever-se-ão evitar. pó. modificações e acréscimos. ao mesmo tempo em que se devem excluir. devem ser vigiadas. A consolidação da pedra e de outros materiais deverá ser experimentada quando os métodos amplamente comprovados pelo Instituto Central da Restauração oferecerem garantias efetivas. Isso poderá ser conseguido com uma lâmina de metal adequado. que mostre os limites da intervenção. os jatos de areia. convém desmontar a parte deteriorada e substituir o ferro por bronze ou cobre. Anexo C Instruções para a execução de restaurações pictóricas e escultóricas Operações preliminares A primeira operação a realizar. ainda. com uma série contínua de pequenos fragmentos de ladrilho. Para isso. inclusive temporal. a determinação aproximada das diferentes épocas em que se produziram as estratificações.. já que ela desempenha uma função protetora como ficou demonstrado pelas corrosões que se iniciam a partir das lacunas da pátina. ainda. sempre que se tornar estritamente necessárias e nos limites mais restritos. antes da intervenção em qualquer obra de arte pictórica ou escultórica. deverão ser postas em prática. deverão ser feitas as indispensáveis fotografias da obra para documentar seu estado precedente à intervenção restauradora. estéticas e também técnicas.

Se. No caso de pinturas móveis. poderá ser realizada. realizado sobre base empírica e não científica da técnica utilizada na pintura em questão. também se deve fotografar o reverso da obra. Depois de haver tirado as fotografias. ficará explicada sua problemática. efetuar provas da argamassa e do conjunto dos materiais da parede e medir seu grau de umidade. Sempre que se percebam ou se suponham formações de fungos. entretanto . para efetuar as seções estratigráficas. . nos casos em que das seções estratigráficas haja resultado um estrato ao menos presumível como tal. nem sempre poderá ter uma resposta científica e. a partir dos documentos fotográficos . que abarquem todos os estratos até o suporte. Os meios químicos (dissolventes) deverão ser de tal natureza que possam ser imediatamente neutralizados e também que não se fixem de forma duradoura sobre os estratos da pintura e sejam voláteis.radiografias. Há de se excluir qualquer sistema que oculte a visualização ou a possibilidade de intervenção ou controle direto sobre a pintura. obter radiografias. Antes de usá-los. principalmente. Terracota ou outro suporte (imóvel). registrar-se no diário da restauração uma nota de referência à fotografia. O problema mais peculiar das esculturas. mesmo que nem sempre se trabalhe sob sua lente.determinação da técnica empregada -. No que se refere às pinturas murais. como a câmera Pethen Koppler e similares. deverão ser realizadas experimentações para assegurar que não possam atacar o verniz original da pintura. não se percebam superposições. será preciso ter conhecimento preciso das condições do suporte em relação à umidade. O dado que seria o mais importante no que diz respeito à pintura. quer se trate de uma simples limpeza. Providências a serem efetuadas na execução da intervenção restauradora As análises preliminares deverão ter proporcionado os meios para orientar a intervenção na direção adequada. de um reconhecimento genérico. a cautela e a experimentação com os materiais a serem utilizados na restauração não deverão ser consideradas questões supérfluas. definir se trata de umidade de infiltração. portanto. de um traslado ou de uma reconstrução de fragmento. também se realizarão análises microbiológicas. sempre que existirem estratificações ou houver que constatar o estado da preparação. condensação ou de capilaridade. Os meios mecânicos (bisturi) deverão sempre ser utilizados com o controle do pinacoscópio.que serão detalhados no diário da restauração . à simples visão. de um assentamento de estratos. de dois modos: por meios mecânicos ou por meios químicos. inclusive nos casos em que. dever-se-ão retirar amostras mínimas. de eliminação de repintagens. ou sobre pedra. quando não se trata de esculturas envernizadas ou policromadas. Deverá ser assinalado na fotografia de luz natural o ponto exato das provas e. eventualmente. será certificar-se do estado de conservação da matéria de que se realizaram e. No que concerne à limpeza. em lugares não capitais da obra.se observarem elementos problemáticos. além disso.

Quando se tratar de pinturas sem preparação. térmitas. etc. é sempre melhor não intervir em uma madeira antiga e já estabilizada. ainda. Sempre que possível. sem danificar a capa pictórica nem o adesivo que une os estratos superficiais à tela do traslado. ou ambos . a eventualidade de um traslado deve ser efetuada com a destruição gradual e controlada da tela deteriorada. qualquer que seja o material de que for feito. e com uma cola de dissolução muito fácil e diferente da empregada no assentamento da cor. é regra estrita a eliminação de qualquer resto do fixador da superfície pictórica. deve-se ter presente que. identificar a espécie botânica e averiguar seu índice de dilatação. deve assegurar principalmente os movimentos naturais da madeira a que estiver fixado. Qualquer adição deverá ser realizada com madeira já estabilizada e em pequenos fragmentos. é aconselhável conservar a imprimação para manter a superfície pictórica em sua conformação original. Quando o suporte lenhoso original estiver em bom estado. cuja penetração seja assegurada com uma fonte de calor constante e que não apresente perigo para a conservação da pintura. No caso de pinturas sobre tela. para que resulte o mais inerte possível em relação ao suporte antigo em que se inserir. Na substituição do suporte lenhoso.. Ainda assim. não será possível o traslado. que respeitem o movimento das fibras da madeira. Esse assentamento poderá ser realizado. deverá ser feito um exame minucioso com a ajuda do pinacoscópio. Sempre que o estado do suporte ou o da imprimação. exijam a destruição ou o arranque do suporte e a substituição da imprimação. qualquer que seja o meio empregado. quando for indispensável. Para isso. Dever-se-á retirar uma amostra. Se o suporte é de madeira e está infestado por carunchos. conforme o caso.Antes de proceder à limpeza. Deve-se evitar a impregnação com líquidos. já que adelgaçá-la não seria suficiente. como não é indispensável para a própria fruição estética da pintura. é necessário. o adesivo do suporte para a tela da pintura trasladada deverá ser facilmente solúvel. é imprescindível que tal proteção se realize depois da consolidação das partes levantadas ou desprendidas. que não possam danificar a pintura. sempre que se tenha realizado um assentamento. nas quais se tenha aplicado uma cor muito diluída diretamente sobre o suporte (como nos esboços de Rubens). O reboco. a menos que seja apenas o suporte a parte debilitada e a imprimação se mantenha em bom estado. deve se evitar substituí-lo por um novo suporte composto de peças de madeira e só é aconselhável efetuar o traslado para um suporte rígido quando se tiver absoluta certeza de que ele não terá um índice de dilatação diferente do suporte eliminado. de forma localizada ou com aplicação de um adesivo estendido uniformemente.em pinturas de suporte móvel -. a pintura deverá ser submetida à ação de gazes inseticidas adequados. Mas. é preciso fazê-lo com regras tecnológicas muito precisas. atrás do assentado. Quando for necessário proceder à proteção geral do anverso da pintura por causa de necessidade de realizar operações no suporte. . mas seja necessário retificá-lo ou colocar reforços ou rebocos. controlar minuciosamente a estabilidade da capa pictórica sobre seu suporte e proceder ao assentamento das partes desprendidas ou em perigo de desprendimento. Se intervier. enquanto que para a possível imprimação (ou preparação) deverão ser seguidos os mesmos critérios utilizados para as pranchas. será necessário que a imprimação antiga seja levantada integralmente a mão com o bisturi.

O suporte em que se instalará a película pictórica tem que oferecer garantias máximas de estabilidade. de assentamento. a óleo. se tratar de uma têmpera e. será necessário que ele possa ser construído nas mesmas dimensões da pintura. A cor pulverulenta será analisada para ver se contém formações de fungos e a que causas se pode atribuir o seu desenvolvimento. Além disso. além disso. de um modo geral. nas pinturas murais. Quando se puderem conhecer essas causas e se encontrar um fungicida adequado. de arranque do estrato de cor (strappo). se for realizada. em que certas cores não podiam ser aplicadas a fresco. pela possibilidade de recuperação da sinopia preparatória no caso dos afrescos e também porque libera a película pictórica de restos do estuque degradado ou em mau estado. às vezes. ainda mais indispensável para proceder a qualquer operação de limpeza. irresolúvel. pedra. ou mesmo diretamente sobre mármore. a aquarela ou a pastel. No que diz respeito especialmente ao arranque. será imprescindível um assentamento preventivo. ao mesmo tempo. atualmente. inércia e neutralidade (ausência de ph). sem junções intermediárias. realizadas sobre preparação. que. das partes em têmpera de um afresco. entre os métodos a serem escolhidos com probabilidades equivalentes de bom êxito é recomendável o strappo. é necessário assegurar-se de que o diluente não dissolverá ou atacará o aglutinante da pintura a ser restaurada. será também necessário um tratamento especial para conseguir que a cor pulverizada se perca ao mínimo. ou de arranque em que também se desprendam os rebocos de preparação (distacco). que altere o mínimo possível as cores originais e que não se torne irreversível com o tempo. Excluem-se sempre e taxativamente operações de aplicação de uma pintura sobre tela em um suporte rígido(maruflagem). a ser eliminado. Quando houver necessidade de se proceder ao arranque da pintura de seu suporte original. a encáustica. Ocasionalmente. antes da aplicação das telas protetoras por meio de um adesivo solúvel. viriam à superfície da película pictórica com o passar do tempo. gerar uma investigação sem conclusão definitiva e.A operação de reentelar. deve-se procurar um fixador que não seja de natureza orgânica. etc. inevitavelmente. O adesivo . mas. também. quando as cores da pintura mural se apresentarem em um estado mais ou menos avançado de pulverulência. Os teares deverão ser concebidos de modo a assegurar não apenas a justa tensão. Quanto ao assentamento da cor. deve evitar compressões excessivas e temperaturas altas demais para a película pictórica. mas. a possibilidade de restabelecê-la automaticamente quando a tensão vier a ceder por causa das variações termo-higrométricas. será preciso certificar-se de que não danificará a pintura e de que possa vir. a definição do aglutinante utilizado não será às vezes menos problemática (como no que se refere às pinturas murais da época clássica). inclusive em relação às categorias genéricas de pintura a têmpera. Providências que se devem ter presentes na execução de restaurações em pinturas murais Nas pinturas móveis a determinação da técnica pode. facilmente.

deve ser excluída a execução de aguadas que. em pedra. climatizados. climática ou não. ligaduras. se com dissolventes. Terracota.). sejam fixadas e possam ser dispostas em sua colocação original. se a restauração tiver sido ocasionada pela situação térmica e higrométrica do lugar como um todo ou da parede em particular. eventualmente. ou se o lugar ou a parede não vierem a ser tratados imediatamente (saneados. etc. Quando se preferir manter a pintura trasladada sobre tela. mas sempre que possível. Providências a serem observadas na execução de restaurações de obras escultóricas Depois de assegurar-se do material e.com que se irá fixar a tela grudada à película pictórica sobre o novo suporte terá que poder dissolver-se com a maior facilidade com um dissolvente que não traga danos à pintura. deverão ser separadas preferivelmente através de meios mecânicos. da técnica com que se realizaram as esculturas (se em mármore. Advertências gerais para a instalação de obras de arte restauradas Como linha de conduta geral. poderiam alterar o aspecto da madeira. apesar de deixarem intacta a matéria. mesmo na ausência de policromia. deverá ser escolhido metal inoxidável. o bastidor deverá ser construído de tal modo .) de forma a garantirem a conservação e a salvaguarda da obra de arte. uma obra de arte restaurada não deve ser posta novamente em seu lugar original. naturalmente reforçada. Deverá ser dedicado cuidado especial à conservação das características tectônicas da superfície. etc. argila crua.e com materiais tais . será preciso submetê-la à ação de gases adequados. malaquitas. recomenda-se um cuidado particular quanto à conservação da pátina dupla (atacamitas. rios.) sempre que por debaixo dela não existirem sinais de corrosão ativa. em vez de pinturas. louça vidrada. ataquem a pátina. há de se evitar a impregnação com líquidos que. ou.) em que não haja partes pintadas e seja necessária uma limpeza. para uso de eventuais dobradiças. de natureza tal que não ataquem o material da escultura e tampouco se fixem sobre ele. etc. deverá ficar assegurado que onde as tesselas não constituem uma superfície completamente plana. eventualmente. argila crua e pintada. Para os objetos de bronze. se houver incrustações. Se a madeira estiver infectada por caruncho. no caso de esculturas encontradas em escavações ou na água (mar. por qualquer razão. Quando se tratar de esculturas de madeira degradada. a utilização de consolidantes deverá ser subordinada à conservação do aspecto original da matéria lenhosa. estuque. No caso de esculturas fragmentadas. trate-se de arrancar mosaicos. cupins. Anexo D .que tenha a máxima estabilidade. etc. cartão-pedra. possa mudar. etc. consolidá-las. etc. elasticidade e automatismo para restabelecer a tensão que. Antes da aplicação do engaste e da armadura de sustentação é preciso certificar-se do estado de conservação das tesselas e. Quando. Por isso.

através de meios e procedimentos ordinários e extraordinários .Instruções para a tutela dos centros históricos Para efeito de identificar os centros históricos. No que respeita aos elementos individuais através dos quais se efetua a salvaguarda do conjunto. A coordenação se posicionará também em relação à exigência de salvaguarda do contexto ambiental mais geral do território. mas também a estrutura urbanística. fortalezas. inclusive independentemente de seu intrínseco valor artístico ou formal. portanto. caracterizando-o de forma mais ou menos acentuada (entornos naturais. jardins. Os elementos edílicos que formam parte do conjunto devem ser conservados não apenas quanto aos aspectos formais. etc. hajam se constituído no passado ou. mas se estende também à conservação substancial das características conjunturais do organismo urbanístico completo e de todos os elementos que concorrem para definir tais características. a laguna veneziana. praças. cursos fluviais. a zona trulli de Apulia. ainda que se tenham transformado ao longo do tempo. unitárias ou fragmentárias. todos os assentamentos humanos cujas estruturas. já que não só a arquitetura. que podem enriquecer e ressaltar posteriormente seu valor. etc. têm por si mesmas um significado e um valor. como também. com o fim de coordenar as ações urbanísticas de maneira a obter a salvaguarda e a recuperação do centro histórico a partir do exterior da cidade. é necessário principalmente que os centros históricos sejam reorganizados em seu mais amplo contexto urbano e territorial e em sua relações e conexões com futuros desenvolvimentos. entre muitos. singularidade geomórficas. através de um planejamento físico territorial adequado.). a cercadura de colinas em torno de Florença. etc. ou de seu aspecto peculiar enquanto ambiente. Por meio de tais intervenções (a serem efetuadas com os instrumentos urbanísticos). . em que se subtraiam do centro histórico as funções que não serão compatíveis com sua recuperação em termos de saneamento e de conservação.a permanência no tempo dos valores que caracterizam esses conjuntos. de um modo geral. Para que o conjunto urbanístico em questão possa ser adequadamente salvaguardado. a operações destinadas a conservar unicamente os caracteres formais de arquiteturas ou de ambientes isolados. assim tradicionalmente entendidos. tudo isso. além do mais. Sua natureza histórica se refere ao interesse que tais assentamentos apresentarem como testemunhos de civilizações do passado e como documentos de cultura urbana. espaços livres. há que serem considerados tanto os elementos edílicos como os demais elementos que constituem os espaços exteriores (ruas. etc.) assim como eventuais elementos naturais que acompanharem o conjunto. poder-se-á configurar um novo organismo urbano. estreitamente unidos às estruturas históricas tal como têm chegado até nós ( como por exemplo. os que eventualmente tenham adquirido um valor especial como testemunho histórico ou características urbanísticas ou arquitetônicas particulares. que determinam sua a expressão arquitetônica ou ambiental. tanto em relação a sua continuidade no tempo como ao desenvolvimento de uma vida de cidadania e modernidade em seu interior. as centúrias romanas de Valpadana.) e interiores (pátios. etc. levam-se em consideração não apenas os antigos centros urbanos.). As intervenções de restauração nos centros históricos têm a finalidade de garantir .) e outras estruturas significativas (muralhas. portas. principalmente quando lhe houver assumido valores de especial significado. A restauração não se limita.

por outro lado. arquitetônicos. que tende à manutenção de suas estruturas e a uma utilização equilibrada. Nesse tipo de intervenção é de particular importância o respeito às peculiaridades tipológicas. com o fim primordial de reduzir seus aspectos patológicos e de reconduzir o uso do centro histórico a funções compatíveis com as estruturas de outros tempos. e. a corrigi-las onde houver necessidade. c) Revisão dos equipamentos urbanos . é necessário precisar que por saneamento de conservação deve-se entender. A esse propósito. e apenas na medida em que sejam compatíveis com a conservação do caráter geral das estruturas do centro histórico. sobretudo. à individualização dos diferentes graus de intervenção a nível urbanístico e a nível edílico. vier a provocar-lhes um efeito caótico e degradante. b) Reordenamento viário . ao longo do tempo. ambientais. tipológicos. em geral. cujos resultados não se dirigirão tanto a determinar uma diferenciação operativa . que comportam a conservação integral dos perfis monumentais e ambientais mais significativos e a adaptação dos demais elementos ou complexos edílicos individuais às exigências da vida moderna. de perímetro das edificações. ainda que parciais.posto que em todo o conjunto definido como centro histórico deverse-á operar com critérios homogêneos . a manutenção dos caracteres gerais do ambiente.Tende a consolidar as relações do centro histórico e.. É preciso considerar a possibilidade de integração do mobiliário moderno e dos serviços públicos estreitamente ligados às exigências vitais do centro. eventualmente. particularmente.). consideradas apenas excepcionalmente as substituições. a utilização dos elementos favoráveis. construtivos. com referência às compatibilidades de funções diretoras. Os principais tipos de intervenção a nível edílico são: 1) Saneamento estático e higiênico dos edifícios.quanto. principalmente. principalmente a partir do ponto de vista funcional e. É de particular importância a análise do papel territorial e funcional que tenha sido desempenhado pelo centro histórico ao longo do tempo e no presente. para determinar o tratamento necessário de saneamento de conservação. essa intervenção se realizará em função das técnicas. etc. das modalidades e das advertências a que se referem as instruções procedentes para a realização de restaurações arquitetônicas. evitando-se . A intervenção de reestruturação urbanística deverá tender a liberar os centros históricos de finalidades funcionais.) com o objetivo de obter uma conexão homogênea entre edifícios e espaços exteriores. jardins. espaços interiores. ou de uso que. etc. etc. construtivas e funcionais do edifício. Nesse sentido é preciso dedicar especial atenção à análise e à reestruturação das relações existentes entre centro histórico e desenvolvimentos urbanístico e edílico contemporâneos. tecnológicas. Com o objetivo de certificar-se de todos os valores urbanísticos.Isso afeta as ruas. qualquer intervenção de restauração terá que ser precedida de uma atenta leitura histórico-crítica. dos elementos. as praças e todos os espaços livres existentes (pátios. com a estrutura territorial ou urbana com as quais forma unidade.como ainda quanto a seus caracteres tipológicos enquanto expressão de funções que também têm caracterizado. a manutenção das estruturas viárias e edílicas em geral (manutenção do traçado.Refere-se à análise e à revisão das comunicações viárias e dos fluxos de tráfego a que a estrutura estiver submetida. conservação da rede viária. Os principais tipos de intervenção a nível urbanístico são: a) Reestruturação urbanística .

gozar de bem-estar.qualquer transformação que altere suas características. para a preservação e melhoria do ambiente humano através dos vinte e três princípios enunciados a seguir. Os recursos naturais da Terra. e é portador da solene obrigação de proteger e melhorar esse meio ambiente. A esse respeito. de 5 a 16 de junho de 1972. . mediante um cuidadoso planejamento ou administração adequados. que sirvam de inspiração e orientação à humanidade. expressa a convicção comum de que: O homem tem o direito fundamental à liberdade. a água. a flora e a fauna e. restaurada ou melhorada. para as gerações presentes e futuras. Nesse tipo de intervenção é de fundamental importância o respeito às peculiaridade tipológicas e construtivas dos edifícios. Declaração de Estocolmo de junho de 1972 Declaração sobre o ambiente humano UNEP .planos parciais relativos à restruturação do centro histórico em seus elementos mas significativos. proibidas quaisquer intervenções que alterem suas características. o solo. 2) Renovação funcional dos elementos internos. a discriminação. deve ser mantida e. A capacidade da Terra de produzir recursos renováveis vitais. . que se há de permitir somente nos casos em que resultar indispensável para efeitos de manutenção em uso do edifício.planos de execução setorial. à igualdade e ao desfrute de condições de vida adequadas. São instrumentos operativos dos tipos de intervenção enumerados. parcelas representativas dos ecossistemas naturais. a segregação racial. devem ser preservados em benefício das gerações atuais e futuras. especialmente: . O homem tem a responsabilidade especial de preservar e administrar judiciosamente o patrimônio representado pela flora e pela fauna silvestres. atendendo à necessidade de estabelecer uma visão global e princípios comuns. referentes a uma edificação ou a um conjunto de elementos reagrupáveis de forma orgânica. Em conseqüência . incluídos o ar.planos de desenvolvimento geral. que reestruturem as relações entre o centro histórico e o território e entre o centro histórico e a cidade em seu conjunto. que se encontram atualmente em grave perigo por combinação de fatores adversos. sempre que possível. em um meio ambiente de qualidade tal que lhe permita levar uma vida digna. especialmente.Organização das Nações Unidas para o Meio Ambiente A Assembléia Geral das Nações Unidas reunida em Estocolmo. como o vazado da estrutura ou a introdução de funções que deformarem excessivamente o equilíbrio tipológico-estrutural do edifício. as políticas que promovem ou perpetuam o apartheid. bem assim o seu habitat. a opressão colonial e outras formas de coerção e de dominação estrangeira permanecem condenadas e devem ser eliminadas.

melhorar as condições ambientais. Os recursos não renováveis da Terra devem ser utilizados de forma a evitar o perigo do seu esgotamento futuro e a assegurar que toda a humanidade participe dos benefícios de tal uso. mediante a transferência maciça de recursos consideráveis de assistência financeira e tecnológica que complementem os esforços internos dos países em desenvolvimento. que visem a chegar a um acordo. uma vez que se deve levar em conta tanto os fatores econômicos como os processos ecológicos. assim. Para os países em desenvolvimento. assim como a necessidade de lhes ser prestada. quando necessária. deve ser dada a devida importância à conservação da natureza. bem como para criar na terra as condições necessárias à melhoria da qualidade de vida. . levando-se em conta as circunstâncias e as necessidades especiais dos países em desenvolvimento e quaisquer outros custos que lhes possam resultar da inclusão de medidas de conservação do meio ambiente em seus planos de desenvolvimento. maior assistência técnica e financeira internacional. a estabilidade dos preços e o pagamento adequado para produtos primários e matérias-primas são essenciais à administração do meio ambiente. As deficiências do meio ambiente em decorrência das condições de subdesenvolvimento e de desastres naturais ocasionam graves problemas. os Estados deveriam adotar um enfoque integrado e coordenado de planejamento de seu desenvolvimento. prejudicar os recursos vivos e da marinha. cabendo aos Estados e organizações internacionais a adoção de providências adequadas.ao planejar o desenvolvimento econômico. sendo a melhor maneira de atenuar suas consequências a promoção do desenvolvimento acelerado. nem obstar o atendimento de melhores condições de vida para todos. quando solicitada para esse fim. de modo que fique assegurada a compatibilidade desse crescimento com a necessidade de proteger e melhorar o meio ambiente humano em benefício de sua população. a fim de fazer frente às possíveis consequências econômicas nacionais e internacionais resultantes da aplicação de medidas ambientais. O desenvolvimento econômico e social é indispensável para assegurar ao homem um ambiente de vida e trabalho favoráveis. em quantidades ou concentrações tais que não possam ser neutralizadas pelo meio ambiente. causar danos às possibilidades recreativas ou interferir em outros usos legítimos do mar. a fim de se evitar danos graves e irreparáveis aos ecossistemas. Os países deverão tomar todas as medidas possíveis para impedir a poluição dos mares por substâncias que possam pôr em perigo a saúde do homem. Deveriam ser destinados recursos à preservação e melhoria do meio ambiente. além da ajuda oportuna. As políticas ambientais de todos os países devem melhorar e não afetar negativamente o potencial desenvolvimentista atual e o futuro dos países em crescimento. incluídas a flora e a fauna silvestres. A fim de se obter um ordenamento mais racional dos recursos e. Assim deverá ser apoiada a justa luta de todos os povos contra a poluição. Deve-se pôr fim à descarga de substâncias tóxicas e de outras matérias e à liberação de calor.

especialmente naqueles em desenvolvimento. causem danos a zonas situadas fora de seu espaço territorial ou de sua jurisdição. evitar e combater os riscos que ameaçam o meio ambiente. devem ser utilizadas a ciência e a tecnologia para descobrir. desde que as atividades levadas a efeito dentro de sua jurisdição ou sob seu controle. não prejudiquem o meio ambiente de outros países ou de zonas situadas fora da jurisdição nacional. inspiradas no sentido de sua responsabilidade em relação à proteção e melhoria do meio ambiente em toda a sua dimensão humana. Devem ser fomentadas.O planejamento racional constitui um instrumento indispensável para conciliar as diferenças que possam surgir entre as exigências do desenvolvimento e a necessidade de proteger e melhorar o meio ambiente. devendo ser abandonados a esse respeito. a fim de melhorar a qualidade do meio ambiente. sem que constituam carga econômica excessiva para eles. Como parte de sua contribuição ao desenvolvimento econômico e social. deveriam ser aplicadas políticas demográficas que respeitassem os direitos humanos fundamentais e contassem com a aprovação dos governos interessados. os projetos destinados à dominação colonialista e racista. Deve-se usar o planejamento nos agrupamentos humanos e na urbanização. tanto nacionais como multinacionais. realizadas dentro de sua jurisdição. administrar e controlar a utilização dos recursos ambientais dos países. As nações devem cooperar no aperfeiçoamento e melhoria do Direito Internacional. econômicos e ambientais para todos. ou em que a baixa densidade populacional possa impedir o melhoramento do meio ambiente humano e obstar o desenvolvimento. Tendo em vista a Carta das Nações Unidas e os princípios do Direito Internacional. das empresas e das comunidades. Deve ser confiada às instituições nacionais competentes a tarefa de planejar. visando tanto às gerações jovens como aos adultos. assim como as tecnologias ambientais devem ser colocadas à disposição dos países em desenvolvimento. Nas regiões em que exista o risco de que a taxa de crescimento demográfico ou as concentrações excessivas de população prejudiquem o meio ambiente ou o desenvolvimento. em todos os países. o livre intercâmbio de informações e de experiências científicas atualizadas deve constituir objeto de apoio e assistência a fim de facilitar a solução dos problemas ambientais. a investigação científica e medidas desenvolvimentistas em relação aos problemas ambientais. a fim de criar as bases de uma opinião pública bem informada e de uma conduta responsável dos indivíduos. objetivando evitar efeitos prejudiciais ao meio ambiente e visando à obtenção do máximo de benefícios sociais. ou sob seu controle. dando atenção especial às populações menos privilegiadas. quanto à responsabilidade e à indenização das vítimas da poluição e de outros danos ambientais provocados por atividades que. . nas condições que favoreçam sua ampla difusão. visando às soluções dos problemas ambientais e ao bem comum do homem. É indispensável um trabalho de educação em questões ambientais. A esse respeito. as nações têm o direito soberano de explorar seus próprios recursos. de acordo com a sua política ambiental.

No plano econômico: A iniciativa privada e o seu apoio financeiro constituem uma contribuição fundamental para a conservação e valorização dos centros históricos. b . trazer consigo soluções de saneamento integral que permitam a permanência e melhoramento da estrutura social existente. Recomenda-se a todos os governos estimular essa contribuição mediante disposições legais.No plano social: A salvação dos centros históricos é um compromisso social além de cultural e deve fazer parte da política de habitação.Organização dos Estados Americanos e Governo Dominicano Consciente da importância que. Resolução de São Domingos de dezembro de 1974 I Seminário Interamericano sobre Experiências na Conservação e Restauração do Patrimônio Monumental dos períodos Colonial e Republicano (República Dominicana) O. tais estudos deverão ser estendidos à proteção dos valores e costumes tradicionais e naturais da área em questão. portanto. será indispensável sempre considerar os sistemas de valores predominantes em cada país e o limite de aplicabilidade de padrões válidos para os países mais avançados. para a defesa do patrimônio monumental latinoamericano. propõe. representam tanto a Carta de Veneza como as Normas de Quito e ante a necessidade atual de roteiros que contemplem prioritariamente os aspectos operativos que materializem e tomem possível a defesa destes bens insubstituíveis da cultura. devendo levar-se a cabo estudos integrais para resgatar a maior quantidade de dados relacionados com a história do sítio. para que nela se levem em conta os recursos potenciais que tais centros possam oferecer. portanto. c .E. as seguintes recomendações: a .No plano da preservação monumental: Os problemas da preservação monumental obrigam a um trabalho prévio de investigação documental e arqueológico. Respaldados na noção de centro monumental. o Seminário Interamericano sobre Experiências na Conservação e Restauração do Patrimônio Monumental dos Períodos Colonial e Republicano considera que se faz altamente conveniente para esse fim a elaboração de um documento onde fiquem registrados estes serviços operativos. incentivos e facilidades de caráter econômico. .Sem prejuízo dos princípios gerais que possam ser estabelecidos pela comunidade internacional e dos critérios e níveis mínimos a serem definidos em âmbito nacional. Todos os programas de intervenção e resgate dos centros históricos devem. mas que possam ser inadequados e de alto custo social para os países em desenvolvimento.A .

com o patrocínio da O. com a utilização de alto nível técnico. Na educação escolar dever-se-ão incluir programas de estudo sobre a importância do patrimônio monumental. o processo cultural ibero-americano e contando a República Dominicana com um centro como o Museu das Casas Reais. se destinem maiores fundos. antiga Espanhola. que atualmente funciona no México. Tendo-se iniciado em São Domingos. em território americano.E. no ano de 1976. Que os Estados Membros da O. realizar. Essa associação se formou em São Domingos e serão seus membros fundadores os delegados ao Seminário Interamericano sobre Experiências na Conservação do Patrimônio Monumental dos Períodos Colonial e Republicano. que se .. torna-se indispensável o intercâmbio pessoal de experiências. na República Dominicana. Os projetos de preservação monumental devem fazer parte de um programa integral de valorização.Propostas operativas: Em apoio ao estabelecido nas Normas de Quito. que permitam ao mencionado projeto cumprir cabalmente os objetivos para os quais foi criado.A. de acordo com os governos de Espanha e Portugal. a Organização das Nações Unidas para a Educação.A.E. um inventário dos monumentos que. a documentação de interesse monumental existente em seus arquivos. existem necessidades que não puderam ser satisfeitas pelo mencionado projeto devido à falta de recursos adequados. devendo realizar-se seminários como este a cada dois anos.E. o segundo dos quais se realizará na Colômbia. Independentemente da fonte anterior de informação. que divulgue o trabalho dos seus membros mediante uma publicação a cargo de um centro ou instituto especializado. ainda. como atividade prioritária. Criar uma Associação Interamericana de Arquitetos e Especialistas na Proteção do Patrimônio Monumental. atue como o organismo que recopile e difunda as atividades empreendidas pelos países que integram o sistema interamericano no campo da preservação monumental.A. Sendo o turismo um meio de preservação dos monumentos.E.). que constituem monumentos inavaliáveis para ao patrimônio da humanidade e estão em iminente perigo de desaparecimento. Reconhecendo o trabalho positivo realizado pela Unidade Técnica de Patrimônio Cultural do Departamento de Assuntos Culturais a cargo do Projeto de Proteção do Patrimônio Cultural Histórico e Artístico instituído pela O. Também serão membros os especialistas participantes que formalizarem sua inscrição de acordo com os regulamentos estabelecidos. Para tal efeito é necessário que a Organização dos Estados Americanos (O. deve resgatar.A. tenham um significado transcendental para o patrimônio da humanidade. se logrem objetivos importante na proteção e preservação do patrimônio cultural americano. Que se criem oficinas de ensino em nível artesanal para formação de operários que sejam eficazes auxiliares na tarefa da restauração monumental. os planos de desenvolvimento turístico devem constituir uma via mediante a qual. e constatando que. Que o Centro Interamericano de Restauração de Bens Culturais. no campo da preservação do patrimônio monumental da América. recentemente criado em Bogotá.E. que defina não apenas a sua função monumental. o Centro Interamenricano de Inventário do Patrimônio Histórico e Artístico. e leve prioritariamente em conta a melhoria sócio-econômica de seus habitantes. solicitamos que na próxima Assembléia Geral da O.A.d . em um dos seus Estados Membros. respaldando-se e ampliando-se em nível interamericano a atual escola-oficina de obras de pedra que funciona no Museu das Casas Reais. como também o seu destino e manutenção. criem um fundo de emergência que permita a rápida disponibilidade de recursos para a salvação de bens monumentais americanos nos países de menor desenvolvimento relativo. cabe-lhe. a Ciência e a Cultura (LTNESCO) e demais organizações internacionais preparem material didático para esses programas.

coroamento do Ano Europeu do Patrimônio Arquitetônico 1975. recomenda-se a ampliação de suas atividades em nível internacional. para a realização deste Primeiro Seminário Interamericano. em julho deste ano. O Congresso chamou a atenção para as seguintes considerações essenciais: a) Além de seu inestimável valor cultural. portanto. reunindo delegados vindos de toda parte da Europa. cujo proveito se fará sentir no âmbito de todo o hemisfério. o Congresso afirma que o patrimônio arquitetônico da Europa é parte integrante do patrimônio cultural do mundo inteiro e nota com satisfação o engajamento mútuo para favorecer a cooperação e as trocas no domínio da cultura contido na ata final da Conferência sobre a Segurança e a Cooperação na Europa adotada em Helsinque. que acolheram calorosamente a Carta Européia do Patrimônio Arquitetônico promulgada pelo Comitê de Ministros do Conselho da Europa. Sua conservação é.Reconhecimento: O primeiro Seminário Interamericano sobre Experiência na Conservação e Restauração do Patrimônio Monumental dos Períodos Colonial e Republicano quer fazer constar o seu reconhecimento pelo patrocínio assumido pelo Governo da República Dominicana e pela Secretaria Geral da Organização dos Estados Americanos (O. e . Da mesma maneira. tanto nos trabalhos de investigação como na formação acadêmica.E.dedica ao estudo científico desse processo histórico. revestida de uma importância vital.A. reconhece que a arquitetura singular da Europa é patrimônio comum de todos os seus povos e afirma a intenção dos Estados-membros de cooperar entre si e com os outros países europeus para protegê-lo. o patrimônio arquitetônico da Europa leva todos os europeus a tomarem consciência de uma história e destino comuns. orientem-se os seus trabalhos em todo o continente para a mais cabal compreensão da integração cultural americana. procurando que. Declaração de Amsterdã de outubro de 1975 Congresso do Patrimônio Arquitetônico Europeu Conselho da Europa Ano Europeu do Patrimônio Arquitetônico O Congresso de Amsterdã. São Domingos é um ponto de partida para o fortalecimento e a integração profissional dos especialistas em conservação do patrimônio monumental da América. b) Esse patrimônio compreende não somente as construções isoladas de um valor excepcional .). O Primeiro Seminário Interamericano sobre Experiências na Conservação do Patrimônio Monumental dos Períodos Colonial e Republicano quer igualmente fazer constar o trabalho exemplar que o Governo Dominicano empreende para a preservação e a valorização do patrimônio monumental da República Dominicana.

associações privadas e a todos os cidadãos. aí incluídos os parques e jardins históricos. parlamentos. tanto quanto possível. nacionais e locais . empresas comerciais e industriais. aos quais compete a maioria das decisões importantes em matéria de planejamento. mas também os conjuntos. são todos particularmente responsáveis pela proteção do patrimônio arquitetônico e devem ajudar-se mutuamente através da troca de idéias e de informações. Tendo o Comitê dos Ministros reconhecido na Carta Européia do Patrimônio Arquitetônico que cabe ao Conselho da Europa assegurar a coerência da política de seus Estados Membros e promover sua solidariedade. instituições espirituais e culturais. além disso. sem modificações importantes da composição social dos habitantes e de uma maneira tal que todas as camadas da sociedade se beneficiem de uma operação financiada por fundos públicos. A proteção desses conjuntos arquitetônicos só pode . bairros de cidades e aldeias. no presente e no futuro. os bairros urbanos antigos e aldeias tradicionais. brevemente. h) Para fazer face aos custos de restauração.internacionais. para estes últimos. portanto. g) As medidas legislativas e administrativas necessárias devem ser reforçadas e tornadas mais eficazes em todos os países. novas construções em desarmonia e circulação excessiva.e seu entorno. Ao final de seus debates. o congresso apresenta as seguintes conclusões e recomendações: . tudo deve ser feito para assegurar uma arquitetura contemporânea de alta qualidade. c) Essas riquezas são um bem comum a todos os povos da Europa. que têm o dever comum de protegê-las dos perigos crescentes que as ameaçam: negligência e deterioração. planejamento e conservação das construções e sítios de interesse arquitetônico ou histórico. O congresso faz um apelo aos governos.Nossa sociedade poderá. O que hoje necessita de proteção são as cidades históricas. mas como objetivo maior do planejamento das áreas urbanas e do planejamento físico territorial. caso uma nova política de proteção e conservação integradas desse patrimônio não seja posta em ação imediatamente. ser privada do patrimônio arquitetônico e dos sítios que formam seu quadro tradicional de vida. i) O patrimônio arquitetônico não sobreviverá a não ser que seja apreciado pelo público e especialmente pelas novas gerações. Os programas de educação em todos os níveis devem. k) Uma vez que a arquitetura de hoje é o patrimônio de amanhã. f) A reabilitação dos bairros antigos deve ser concebida e realizada. d) A conservação do patrimônio arquitetônico deve ser considerada não apenas como um problema marginal. demolição deliberada. j) Devem ser encorajadas as organizações privadas . de forma a permitir a troca de experiências. incentivos fiscais deverão ser previstos. institutos profissionais. uma ajuda financeira adequada deve ser colocada à disposição dos poderes locais e de proprietários particulares. é essencial que sejam produzidos relatórios periódicos sobre o estado do desenvolvimento dos trabalhos de conservação arquitetônica nos países europeus.que contribuam para despertar o interesse do público. e) Os poderes locais. Somente desta maneira se conservará o patrimônio arquitetônico insubstituível da Europa para o enriquecimento da vida de todos os seus povos. para que dêem total apoio aos objetivos desta declaração e façam todo o possível para assegurar a sua aplicação. que apresentam um interesse histórico ou cultural. se preocupar mais intensamente com essa matéria.

assim como o ambiente em que se integram. A conservação do patrimônio arquitetônico um dos objetivos maiores do planejamento das áreas urbanas e do planejamento físico territorial. Ainda que. portanto. o que compreende a delimitação das zonas periféricas de proteção. indispensável. uma das grandes preocupações da sociedade contemporânea. O planejamento das áreas urbanas e o planejamento físico territorial devem acolher as exigências da conservação do patrimônio arquitetônico e não considerá-las de uma maneira parcial ou como um elemento secundário. ela deve. a reabilitação do habitar existente contribui para a redução das invasões de terras agrícolas e permite evitar ou atenuar sensivelmente os deslocamentos da população. Finalmente. é conveniente organizar o inventário das construções. Tal inventário fornecerá uma base realista para a conservação. Mas descobre-se também que a conservação das construções existentes contribui para a economia de recursos e para a luta contra o desperdício. Os urbanistas devem reconhecer que os espaços não são equivalentes e que convém tratá-los conforme as especificidades que lhes são próprias. é necessário fundamentá-la sólida e definitivamente. Seria desejável que esses inventários fossem largamente difundidos. a escala humana.ser concebida dentro de uma perspectiva global. cujo talento e conhecimento devem ser mantidos e transmitidos. Sabe-se que a preservação da continuidade histórica do ambiente é essencial para . o que constitui um beneficio social muito importante na política de conservação. A significação do patrimônio arquitetônico e a legitimidade de sua conservação são atualmente melhor compreendidas. dos mais importantes aos mais modestos. a legitimidade da conservação do patrimônio arquitetônico apareça hoje com uma força nova. a interpenetração das funções e a diversidade sócio-cultural que caracterizam os tecidos urbanos antigos. . a fim de chamar sua atenção para as construções e zonas dignas de serem protegidas. abrir espaço às pesquisas de caráter fundamental e ser incluída em todos os programas de educação e desenvolvimento cultural. A isso se acrescenta que a conservação atrai artistas e artesãos bem qualificados. Não basta sobrepor as regras básicas de planejamento às regras especiais de proteção aos edifícios históricos. como foi o caso num passado recente. O reconhecimento dos valores estéticos e culturais do patrimônio arquitetônico deve conduzir à fixação dos objetivos e das regras particulares de organização dos conjuntos antigos. assim como entre os responsáveis pela ordenação do espaço e pelo plano urbano como um todo. sem uma coordenação. sem esquecer os da época moderna. notadamente entre autoridades regionais e locais. manutenção ou a criação de um modo de vi a que permita ao homem encontrar sua identidade e experimentar um sentimento de segurança face às mutações brutais da sociedade: um novo urbanismo procura reencontrar os espaços fechados. por todas essas razões. A fim de tomar possível essa integração. tendo em conta todos os edifícios com valor cultural. desde então. no que diz respeito ao elemento qualitativo fundamental para a administração dos espaços. dos conjuntos arquitetônicos e dos sítios. Ficou demonstrado que as construções antigas podem receber novos usos que correspondam às necessidades da vida contemporânea. Um diálogo permanente entre os conservadores e os planejadores tomou-se. Essa proteção global completará a proteção pontual dos monumentos e sítios isolados.

participar realmente. A população deve. sensibilidade e organização o ambiente construído pelo homem. notadamente no que diz respeito às suas estruturas. em todos os níveis (centrais. Para pôr em ação tal política. A plena implementação de uma política contínua de conservação exige uma grande descentralização e o reconhecimento das culturas locais. Isso pressupõe que existam responsáveis pela conservação. por uma visão estreita da técnica e. eles deveriam solicitar dos governos a criação de fundos específicos. . Por outro lado. a sua sobrevivência. . suas complexas funções. desde a elaboração dos inventários até a tomada das decisões. particularmente. respondam às condições atuais de vida e garantam. aos empregos e a uma melhor repartição dos pólos de atividade urbana podem incidir mais profundamente sobre a conservação do patrimônio arquitetônico. atenta aos novos critérios de qualidade e de medida. . finalmente. a conservação do patrimônio se insere numa nova perspectiva geral. Aplicando os princípios de uma conservação integrada. Nesse contexto. baseada em informações objetivas e completas.instaurar órgãos de atividade pública. Ela pode. de hoje em diante. assim. eles devem levar em conta a continuidade das realidades sociais e físicas existentes nas comunidades urbanas e rurais. por uma concepção superada. Enfim. O apoio da opinião pública é essencial.dedicar uma parte apropriada de seu orçamento a essa política. A conservação integrada conclama à responsabilidade os poderes locais e apela para a participação dos cidadãos Os poderes locais devem ter competências precisas e extensas em relação à proteção do patrimônio arquitetônico. frequentemente determinada pelo curto prazo.atribuir às construções funções que. as decisões tomadas para o desenvolvimento das zonas periféricas das aglomerações devem ser orientadas de tal maneira que sejam atenuadas as pressões que são exercidas sobre os bairros antigos. médicos) demonstram que o gigantismo é desfavorável a sua qualidade e a sua eficácia. . e que deve permitir inverter. a ordem das escolhas e dos objetivos. os poderes locais devem: . criando um elo de ligação direta entre os utilizadores potenciais das edificações antigas e seus proprietários. incitar novas atividades a serem implantadas nas zonas em declínio econômico a fim de sustar seu despovoamento e contribuir para impedir a degradação das construções antigas. regionais e locais) onde são tomadas as decisões em matéria de planejamento. respeitando seu caráter.basear-se numa análise da textura das construções urbanas e rurais. as políticas relativas aos transportes.A política de planejamento regional deve integrar as exigências de conservação do patrimônio arquitetônico e para elas contribuir. .estar atentos ao fato de que os estudos prospectivos sobre a evolução dos serviços públicos (educativos.designar delegados responsáveis por todas as transações referentes ao patrimônio arquitetônico. . respeitando com inteligência. assim como às características arquitetônicas e volumétricas de seus espaços construídos e abertos. As subvenções e empréstimos concedidos a particulares e grupos diversos pelos poderes locais deveriam estimular o compromisso moral e financeiro dos favorecidos. Com essa finalidade. Mas a conservação do patrimônio arquitetônico não deve ser tarefa dos especialistas. administrativos. O futuro não pode nem deve ser construído às custas do passado.

quando se comparam os custos equivalentes desses três procedimentos. Os poderes locais devem aperfeiçoar suas técnicas de pesquisa para conhecer a opinião dos grupos envolvidos nos planos de conservação e levá-la em conta desde \a elaboração dos seus projetos. Isto interessa não somente aos proprietários e aos locatários. ou a construção de um conjunto sobre um sítio não urbanizado. Nesse sentido. discutir e apreciar os motivos das decisões.. os poderes locais terão todo o interesse em comunicar suas experiências respectivas. como sempre é feito quando se trata de estabelecimentos sociais. para diminuir ou mesmo completar a diferença existente entre os antigos e os novos aluguéis. A reabilitação de um conjunto que faça parte do patrimônio arquitetônico não é uma operação necessariamente mais onerosa que a de uma construção nova. As intervenções financeiras podem se equilibrar entre os incentivos à restauração concedidos aos proprietários através da fixação de tetos para os aluguéis e da alocação de indenizações de moradia aos locatários. utilizando uma linguagem clara e acessível. Locais de encontro para reunião pública deveriam ser previstos. eles deveriam instaurar uma troca constante de informações e de idéias por todas as vias possíveis. Em conseqüência. O esforço de conservação deve ser calculado não somente sobre o valor cultural das construções. aos comerciantes e aos empresários estabelecidos no local. às exposições. Os problemas sociais da conservação integrada só podem . A educação dos jovens em relação ao domínio do meio ambiente e sua associação a todas as tarefas da salvaguarda é um dos imperativos maiores da ação comunitária.ser resolvidos através de uma referência combinada a essas duas escalas de valores. que asseguram a vida e a conservação do bairro em bom estado. Consideração dos fatores sociais condiciona o resultado de toda política de conservação integrada. eles devem tomar suas decisões à vista de todos. portanto. Uma política de conservação implica também a integração do patrimônio na vida social. . deveria se tomar uma prática coerente. às sondagens de opiniões. não omitir o custo social. aos canais da mídia e a todos os outros meios apropriados. Finalmente. é necessária uma intervenção dos poderes públicos no sentido de moderar os mecanismos econômicos. cujas conseqüências sociais são diferentes. Em relação à política de informação ao público. mas também aos artesãos. realizada sobre uma infraestrutura existente.facilitar a formação e o funcionamento eficaz de associações mantenedoras de restauração e de reabilitação. mas também pelo seu valor de utilização. a fim de que a população possa conhecer. As proposições complementares ou alternativas apresentadas por associações ou por particulares deveriam ser consideradas como uma contribuição apreciável ao planejamento. o recurso às reuniões públicas. Para evitar que as leis do mercado sejam aplicadas com todo o rigor nos bairros restaurados o que teria por conseqüência a evasão dos habitantes. É conveniente. incapazes de pagar aluguéis majorados.

e por outra. . fornecendo-lhe todas as indicações sobre os regulamentos definitivos e temporários. equivalentes às que aufeririam por uma construção nova. por uma parte. deve prever medidas especiais. explicando-lhe o valor histórico e arquitetônico das edificações a serem conservadas e. Com o objetivo de aumentar a capacidade operacional dos poderes públicos.redistribuir de uma maneira equilibrada os créditos orçamentários reservados para o planejamento urbano e destinados à reabilitação e à construção respectivamente. no mínimo. A conservação integrada exige uma adaptação das medidas legislativas e administrativas. Além do mais. constitui condição prévia para uma ação eficaz uma reforma profunda da legislação. de maneira a satisfazer às exigências da conservação integrada. .rever. no que concerte: . técnicos e financeiros indispensáveis.Para permitir à população participar da elaboração dos programas. Essa reforma deve ser dirigida pela necessidade de coordenar. convém fornecer-lhe os elementos para apreciação da situação. aos cidadãos que decidam reabilitar uma construção antiga vantagens financeiras. Essa sensibilização prática à cultura seria um beneficio social considerável. a legislação relativa à proteção do patrimônio arquitetônico.à designação e à delimitação dos conjuntos arquitetônicos. seria necessário tornar flexível a aplicação de regulamentos e disposições particulares à construção. em função da nova política de conservação integrada. de outra parte. mas da reabilitação de bairros inteiros.conceder. e também às contribuições de épocas mais recentes. . assim como de meios científicos. Tendo sido a noção de patrimônio arquitetônico progressivamente ampliada do monumento histórico isolado aos conjuntos arquitetônicos urbanos e rurais. Essa participação toma-se ainda mais importante na medida em que não se trate apenas da restauração de algumas construções privilegiadas. . o legislador deveria tomar as medidas necessárias a fim de: . de uma parte. acompanhada de um fortalecimento dos meios administrativos. Na medida do possível.à delimitação das zonas periféricas de proteção e dos locais de utilidade pública serem previstos.à elaboração dos programas de conservação integrada e à inserção das disposições desses programas no planejamento. faz-se necessário rever a estrutura administrativa de maneira tal que os setores responsáveis pelo patrimônio arquitetônico sejam organizados em níveis apropriados e dotados suficientemente de pessoal qualificado. . a legislação relativa ao planejamento fisico-territorial. o regime de incentivos financeiros do Estado e de outros poderes públicos. . Essa última deve fornecer uma nova definição do patrimônio arquitetônico e dos objetivos da conservação integrada.à aprovação dos projetos e à autorização para executar os trabalhos: Por outro lado.

Também é preciso aplicar este mesmo principio em proveito da reabilitação dos conjuntos degradados de interesse histórico ou arquitetônico. as vantagens financeiras e fiscais oferecidas pelas novas construções de veriam ser concedidas nas mesmas proporções para a manutenção e conservação das construções antigas. a cada estado pôr em prática seus próprios métodos e instrumentos de financiamento. Compete. Se tal ajuda para fazer face aos custos adicionais for aceita. Esse processo está. o que permitiria restabelecer o equilíbrio social. A conservação integrada requer medidas financeiras apropriadas. será necessário naturalmente cuidar para que essa vantagem não seja amenizada pelo imposto. Além do mais. submetido a fatores externos resultantes da estrutura atual da sociedade. parece que nenhum país europeu jamais elaborou um mecanismo administrativo perfeitamente adequado a corresponder às exigências econômicas de uma política de conservação integrada.e este é um fator determinante . As diretrizes do planejamento deveriam desencorajar a densificação e promover antes a reabilitação do que uma renovação. deduzidos os eventuais custos adicionais.Esses serviços deveriam ajudar as autoridades locais. que efetuam trabalhos de restauração. cooperar no planejamento fisicoterritorial e manter relações estreitas com os órgãos públicos e organizações privadas. Para conseguir resolver os problemas econômicos da conservação integrada é necessário . em razão de suas repercussões recíprocas. Os poderes públicos deveriam criar ou encorajar o lançamento de fundos de circulação que forneçam os meios necessários às coletividades locais e às associações sem fins lucrativos. É necessário criar métodos que permitam avaliar os custos adicionais impostos pelas dificuldades apresentadas nos programas de conservação. Por ora. pois. por outro lado. coeficiente de ocupação do solo) e que favoreça uma inserção harmoniosa. Na medida do possível seria necessário dispor de meios financeiros suficientes para ajudar os proprietários. a suportar estritamente as taxas adicionais que lhes serão impostas. É difícil definir uma política financeira aplicável a todos os países e avaliar as conseqüências das diferentes medidas que intervêm nos processos de planejamento. Todavia. Isso vale particularmente para as zonas onde o financiamento de tais programas poderá ser . após demolição. pode-se estabelecer com certeza que não existe país na Europa cujos recursos financeiros utilizados para a conservação sejam suficientes.que seja elaborada uma legislação que submeta as novas construções a certas restrições no que diz respeito a seus volumes (altura.

de hoje em diante utilizadas na vasta gama de monumentos e conjuntos que apresentam um menor interesse artístico. reunir uma documentação completa sobre os materiais e as técnicas e proceder a uma análise dos custos. todavia. técnicas e aptidões profissionais ligadas à restauração e à reabilitação. arquitetos. Essa documentação deveria ser reunida em centros apropriados. a segurança do emprego e o status social deveriam ser suficientemente atraentes para incentivar os jovens a . Deveria haver mais facilidade em dispor de urbanistas. Todo programa de reabilitação deveria ser estudado meticulosamente antes de sua execução. É. a curto ou a longo prazo. É absolutamente necessário dispor de melhores programas de formação de pessoal qualificado. Estes programas deveriam ser flexíveis. a longo prazo. As possibilidades de qualificação. As técnicas especializadas impregnados por ocasião da restauração de conjuntos históricos importantes deveriam ser. tanto em nível nacional quanto local. de experiências e de estagiários é um elemento essencial na formação de todo o pessoal interessado. o que favoreceria a reforma das práticas de restauração e de reabilitação. Os materiais e técnicas novas não devem ser aplicados sem antes se obter a concordância de instituições científicas neutras. Inúmeras iniciativas de caráter privado têm demonstrado o excepcional resultado alcançado em associam com os poderes públicos. A conservação integrada conclama à promoção de métodos. em razão da maior valorização resultante da forte demanda que se aplica aos proprietários que dispõem de um tal incentivo. É importante atentar para que os materiais de construção tradicional continuem a ser aplicados A conservação permanente do patrimônio arquitetônico permitirá. Seria necessário arrecadar dados para confecção de um catálogo de métodos e de técnicas utilizados e. Os métodos e técnicas de restauração e reabilitação de edifícios e conjuntos históricos deveriam ser mais explorados e seu espectro alargado. técnicos e artesãos necessários à preparação de programas de conservação e para assegurar a promoção de profissões artesanais que intervêm no trabalho de restauração e que estão ameaçadas de desaparecer. de vital importância estimular todos os recursos de financiamento privados. multidisciplinares e compreender um aprendizado que permita adquirir uma experiência prática sobre a matéria. evitar onerosas operações de reabilitação. Esse catálogo deveria ser posto à disposição de todos os interessados. as remunerações. notadamente os de origem industrial. e convém. ao mesmo tempo. A permuta internacional de conhecimentos. criar instituições científicas que deveriam cooperar estreitamente entre si.assegurado de forma autônoma. as condições de trabalho. para isso.

expressão insubstituível da riqueza e da diversidade da cultura européia. em virtude do artigo primeiro dessa convenção. em 1969. realizada em Bruxelas. Finalmente. O Comitê de Ministros. de 21 a 25 de outubro de 1975. Considerando que o objetivo do Conselho da Europa é efetivar uma união mais estreita entre seus membros. participantes da Convenção Cultural Européia de 19 de dezembro de 1954.se voltarem para as disciplinas relacionadas com a restauração e a permanecerem nesse campo de atividade. principalmente para salvaguardar e promover os ideais e os princípios que lhes são patrimônio comum. representantes de associações) Adotada pelo Comitê dos Ministros do Conselho da Europa. realizado em Amsterdã. acham-se empenhados. por consequência. relativa a uma carta do patrimônio arquitetônico. Considerando que a conservação do patrimônio arquitetônico depende. Tendo em vista a recomendação da Conferência de Ministros Europeus Responsáveis pelo Patrimônio Arquitetônico. em grande parte. Considerando que os Estados Membros do Conselho da Europa. é herança comum de todos os povos e que sua conservação compromete. Recomenda que os governos dos Estados Membros adotem as medidas de ordem legislativa. . Reafirma sua disposição de promover uma política européia comum e uma ação adequada de proteção do patrimônio arquitetônico apoiadas nos princípios de sua conservação integrada. a adotar as medidas necessárias a salvaguardar sua contribuição ao patrimônio cultural comum da Europa e a encorajar-lhe o desenvolvimento. Reconhecendo que o patrimônio arquitetônico. eleitos locais. a solidariedade efetiva dos Estados europeus. e a recomendação número 589 (de 1970) da Assembléia Consultiva do Conselho da Europa. arquitetos. as autoridades responsáveis pelos programas de aprendizado em todos os níveis deveriam se esforçar para gerar interesse na juventude em relação às atividades especializadas da conservação. funcionários. a Carta Européia do Patrimônio Arquitetônico foi solenemente promulgada no Congresso sobre o Patrimônio Arquitetônico Europeu. em 26 de setembro de 1975. urbanistas. Manifesto de Amsterdã de outubro de 1975 Carta Européia do Partimônio Arquitetônico Ano do Patrimônio Europeu Mil delegados de 25 Países Europeus (ministros. de sua integração no quadro da vida dos cidadãos e de sua valorização nos planejamentos físicoterritorial e nos planos urbanos.

Os homens do nosso tempo. preparada pelo Comitê dos Monumentos e Sítios do Conselho da Europa.administrativa. uma boa repartição das funções e uma integração maior das populações. Longe de ser um luxo para a coletividade. No passado. Esses conjuntos se constituem efetivamente em meios próprios ao desenvolvimento de um amplo leque de atividades. portanto. a humanidade seria amputada de uma parte da consciência de sua própria continuidade. organizado em 1975. Qualquer diminuição desse capital é. Cada geração dá uma interpretação diferente ao passado e dele extrai novas idéias. Podem facilitar. mais um empobrecimento cuja perda em valores acumulados não pode ser compensada. podem oferecer uma qualidade de atmosfera produzida por obras de arte diversas e articuladas. os conjuntos. a necessidade de poupar recursos impõe-se a nossa sociedade. mesmo por criações de alta qualidade. Por outro lado. Adota e promulga os princípios da presente carta. sob os auspícios do Conselho da Europa. A estrutura dos conjuntos históricos favorece o equilíbrio harmoniosos das sociedades. abaixo redigidos: O patrimônio arquitetônico europeu é constituído não somente por nossos monumentos mais importantes. a utilização desse patrimônio é uma fonte de economias. O patrimônio arquitetônico é um capital espiritual. em presença de uma civilização que muda de feição e cujos perigos são tão manifestos quanto os bons resultados. levando em conta os resultados da campanha do Ano Europeu do Patrimônio Arquitetônico. A encarnação do passado no patrimônio arquitetônico constitui um ambiente indispensável ao equilíbrio e ao desenvolvimento do homem. mais também pelos conjuntos que constituem nossas antigas cidades e povoações tradicionais em seu ambiente natural ou construído. mesmo que não disponham de edificações excepcionais. cultural. . financeira e educativa necessárias à implementação de uma política de conservação integrada do patrimônio arquitetônico e a desenvolver o interesse do público por essa política. de novo. econômico e social cujos valores são insubstituíveis. É uma parte essencial da memória dos homens de hoje em dia e se não for possível transmitila às gerações futuras na sua riqueza autêntica e em sua diversidade. eles geralmente evitaram a segregação das classes sociais. Por outro lado. É preciso conservar tanto esses conjuntos quanto aqueles. eles podem perder uma grande parte de seu caráter se esse ambiente é alterado. Durante muito tempo só se protegeram e restauraram os monumentos mais importantes. se apercebem instintivamente do valor desse patrimônio. O patrimônio arquitetônico dá testemunho da presença da história e de sua importância em nossa vida. Ora. sem levar em conta o ambiente em que se inserem. O patrimônio arquitetônico tem um valor educativo determinante.

a especulação financeira e imobiliária tiram partido de tudo e aniquilam os melhores projetos. eventualmente. por isso. administrativos. A conservação integrada deve ser. respeitar as proporções. Sua restauração deve ser conduzida por um espírito de justiça social e não deve ser acompanhada pelo êxodo de todos os habitantes de condição modesta. assim como os materiais tradicionais. Quando essas disposições não permitirem a obtenção do objetivo buscado. financeiros e técnicos. Afinal e principalmente. e que ela deverá ter na maior conta o entorno existente. As restaurações abusivas são nefastas. A sobrevivência desses testemunhos só estará assegurada se a necessidade de sua proteção for compreendida pela maior parte e. a forma e a disposição dos volumes. portanto. especialmente pelas gerações jovens. Recursos Administrativos A aplicação de uma tal política exige a utilização de estruturas administrativas adequadas e suficientemente valorizadas. Convém notar que essa conservação integrada não exclui completamente a arquitetura contemporânea nos conjuntos antigos. A conservação integrada afasta as ameaças. A evolução histórica levou os centros degradados das cidades e. A conservação integrada é o resultado da ação conjugada das técnicas da restauração e da pesquisa de funções apropriadas.Ele oferece um conteúdo privilegiado de explicações e comparações sobre o sentido das formas e um manancial de exemplos de suas utilizações. Ele está ameaçado pela ignorância. pela degradação sob todas as formas. Ora. que por eles serão responsáveis no futuro. Recursos Financeiros . regional e local. pela antiguidade. Esse patrimônio está em perigo. Recursos Jurídicos A conservação integrada deve utilizar todas as leis e regulamentos existentes que possam concorrer para a salvaguarda e para a proteção do patrimônio. qualquer que seja a sua origem. pelo abandono. Importa. mal aplicada. A tecnologia contemporânea. as pequenas cidades abandonadas a se tornarem reservas de alojamento barato. a imagem e o contato direto adquirem novamente uma importância decisiva na formação dos homens. destrói as antigas estruturas. Determinado tipo de urbanismo é destruidor quando as autoridades são exageradamente sensíveis às pressões econômicas e as exigências da circulação. um dos pressupostos do planejamento urbano e regional. conservar vivos os testemunhos de todas as épocas e de todas as experimentações. A conservação integrada requer a utilização de recursos jurídicos. é preciso complementá-las e criar os instrumentos jurídicos indispensáveis a níveis apropriados: nacional.

os técnicos de todas as categorias. as empresas especializadas. É essencial que os recursos financeiros consagrados pelos poderes públicos à restauração de conjuntos antigos sejam. O patrimônio arquitetônico é o bem comum de nosso continente. iguais aos que se destinam a novas construções. convocar as indústrias da construção a se adaptarem a essas necessidades e favorecer o desenvolvimento de um artesanato ameaçado de desaparecimento. constituem a presença viva do passado que lhes deu . só dispõe do patrimônio a título passageiro. são insuficientes em número. 19ª Sessão UNESCO . Recursos Técnicos Os arquitetos. em sua décima nona sessão. de 26 de outubro a 30 de novembro de 1976. Cabe-lhe a responsabilidade de o transmitir às gerações futuras. Ainda que o patrimônio arquitetônico seja propriedade de todos. reunida em Nairobi. de todas as ajudas e incentivos financeiros necessários.Organização das Nações Unidas para a Educação. Todos os problemas de conservação são comuns a toda a Europa e devem ser tratados de maneira coordenada. cada uma das suas partes está à mercê de cada um. Considerando que os conjuntos históricos ou tradicionais fazem parte do ambiente cotidiano dos seres humanos em todos os países. os artesãos qualificados. a Ciência e a Cultura. capazes de levar a bom termo as restaurações. Cada geração. Cabe ao Conselho da Europa assegurar a coerência da política de seus Estados Membros e promover sua solidariedade. aliás. A informação do público deve ser mais desenvolvida na medida em que os cidadãos têm o direito de participar das decisões que dizem respeito a suas condições de vida. pelo menos. em se apresentando ocasião. É preciso desenvolver a formação e o emprego dos quadros e da mão de obra.A manutenção e restauração dos elementos do patrimônio arquitetônico devem poder se beneficiar. aí compreendidos os recursos fiscais. a Ciência e a Cultura de 26 de novembro de 1976 RECOMENDAÇÃO RELATIVA À SALVAGUARDA DOS CONJUNTOS HISTÓRICOS E SUA FUNÇÃO NA VIDA CONTEMPORÂNEA. É indispensável o concurso de todos para o êxito da conservação integrada. A Conferência Geral da Organização das Nações Unidas para a Educação.

no Plano Nacional. em sua décima oitava sessão. adotando urgentemente uma política global e ativa de proteção e de revitalização dos conjuntos históricos ou tradicionais e de sua ambiência. Tendo-lhe sido apresentadas propostas relativas à salvaguarda dos conjuntos históricos ou tradicionais e sua função na vida contemporânea. Considerando que essa situação implica a responsabilidade de cada cidadão e impõe aos poderes públicos obrigações que só eles podem assumir. sob pretexto de expansão ou de modernização. do Patrimônio Cultural e Natural (1972). Constatando que em muitos países falta uma legislação suficientemente eficaz e flexível que diga respeito ao patrimônio arquitetônico e a suas relações com o planejamento físicoterritorial. Tendo decidido. Considerando que. em 26 de novembro de 1976. diante dos perigos da uniformização e da despersonalização que se manifestam constantemente em nossa época. tais como a Recomendação que Define os Princípios Internacionais a serem Aplicados em Relação às Escavações Arqueológicas (1956). esses testemunhos vivos de épocas anteriores adquirem uma importância vital para cada ser humano e para as nações que neles encontram a expressão de sua cultura e. nos territórios sob sua jurisdição. Considerando que os conjuntos históricos ou tradicionais constituem um patrimônio imobiliário cuja destruição provoca muitas vezes perturbações sociais. A Conferência Geral recomenda aos Estados Membros que levem esta recomendação ao conhecimento das autoridades nacionais. diante de tais perigos de deterioração e até de desaparecimento total.forma. a Recomendação sobre a Preservação dos Bens Culturais Ameaçados pela Realização de Obras Públicas ou Privadas (1968) e a Recomendação sobre a Proteção. Desejando complementar e ampliar o alcance das normas e dos princípios formulados nesses instrumentos internacionais. nas datas e na . destruições que ignoram o que destroem e reconstruções irracionais e inadequadas ocasionam grave prejuízo a esse patrimônio histórico. mesmo quando não resulte em perdas econômicas. Considerando que. serviços ou órgãos e associações interessados na salvaguarda dos conjuntos históricos ou tradicionais e seu entorno. destinadas a efetivar. Considerando que. a presente recomendação. questão que constitui o ponto 27 da ordem do dia da sessão. por isso. ao mesmo tempo. regionais e locais. adotando medidas sob a forma de lei nacional ou de outra forma. adquirem um valor e uma dimensão humana suplementares. como parte do planejamento nacional. regional ou local. asseguram ao quadro da vida a variedade necessária para responder à diversidade da sociedade e. um dos fundamentos de sua identidade. a Recomendação Relativa à Salvaguarda da Beleza e do Caráter dos Sítios e Paisagens (1962). assim como às instituições. A Conferência Geral recomenda aos Estados Membros que apliquem as disposições seguintes. os princípios e as normas formuladas nesta recomendação. A Conferência Geral recomenda aos Estados Membros que lhe apresentem. Observando que a Conferência Geral já adotou instrumentos internacionais para a proteção do patrimônio cultural e natural. Considerando que os conjuntos históricos ou tradicionais constituem através das idades os testemunhos mais tangíveis da riqueza e da diversidade das criações culturais. no mundo inteiro. Adota. que esse assunto seria objeto de uma recomendação aos Estados Membros. religiosas e sociais da humanidade e que sua salvaguarda e integração na vida contemporânea são elementos fundamentais na planificação das áreas urbanas e do planejamento físico-territorial. todos os Estados devem agir para salvar esses valores insubstituíveis.

I . como um todo coerente cujo equilíbrio e caráter específico dependem da síntese dos elementos que o compõem e que compreendem tanto as atividades humanas como as construções. têm. Deveriam ser responsáveis por isso.Definições Para os efeitos da presente recomendação: a) Considera-se conjunto histórico ou tradicional todo agrupamento de construções e de espaços. de acréscimos supérfluos e de transformações abusivas ou desprovidas de sensibilidade que atentam contra sua autenticidade. ou a eles se vincula de maneira imediata no espaço. que são muito variados. ser conservados em sua integridade. em relação ao conjunto. relatórios sobre a maneira como aplicaram a presente recomendação. Sua salvaguarda e integração na vida coletiva de nossa época deveriam ser uma obrigação para os governos e para os cidadão dos Estados em cujo território se encontram. assim como as provocadas por qualquer forma de poluição. as cidades históricas. incluídas as atividades humanas. Os conjuntos históricos ou tradicionais e sua ambiência deveriam ser protegidos ativamente contra quaisquer deteriorações. Nas condições da urbanização moderna. Todos os trabalhos de restauração a serem empreendidos deveriam basear-se em princípios científicos. particularmente as que resultam de uma utilização imprópria.Princípios Gerais: Dever-se-ia considerar que os conjuntos históricos ou tradicionais e sua ambiência constituem um patrimônio universal insubstituível. desde as mais modestas. o quadro natural ou construído que influi na percepção estática ou dinâmica desses conjuntos. que constituam um assentamento humano. Cada conjunto histórico ou tradicional e sua ambiência deveria ser considerado em sua globalidade. no interesse de todos os cidadãos e da comunidade internacional. arquitetônico.forma que ela determinar. histórico. todos os elementos válidos. que produz um aumento considerável na escala e na densidade das construções. podem-se distinguir especialmente os sítios pré-históricos. a reabilitação. ficando entendido que estes últimos deverão. II . em regra. c) Entende-se por "salvaguarda" a identificação. assim como os conjuntos monumentais homogêneos. Dessa maneira. a manutenção e a revitalização dos conjuntos históricos ou tradicionais e de seu entorno. inclusive os sítios arqueológicos e palenteológicos. a restauração. uma grande atenção deveria ser dispensada à harmonia e à emoção estética que resultam da conexão ou do contraste dos diferentes elementos que compõem os conjuntos e que dão a cada um deles seu caráter particular. Entre esses "conjuntos". ao perigo da destruição direta dos conjuntos históricos ou . segundo as condições próprias de cada Estado Membro em matéria de distribuição de poderes. a conservação. estético ou sócio-cultural. as autoridades nacionais. a proteção. regionais ou locais. as aldeias e lugarejos. uma significação que é preciso respeitar. a estrutura espacial e as zonas circundantes. pré-histórico. ou por laços sociais. b) Entende-se por "ambiência" dos conjuntos históricos ou tradicionais. econômicos ou culturais. tanto no meio urbano quanto no rural e cuja coesão e valor são reconhecidos do ponto-de-vista arqueológico. Do mesmo modo. os bairros urbanos antigos.

ao urbanismo e à política habitacional de modo a coordenar e harmonizar suas disposições com as das leis relativas à salvaguarda do patrimônio arquitetônico. nas condições peculiares a cada um em matéria de distribuição de poderes. IV . econômicas e sociais pelas autoridades nacionais. Numa época em que a crescente universalidade das técnicas construtivas e das formas arquitetônicas apresentam o risco de provocar uma uniformização dos assentamentos humanos no mundo inteiro. Dever-se-ia buscar a colaboração dos indivíduos e das associações privadas para a aplicação da política de salvaguarda. Conviria revisar as leis relativas ao planejamento físico territorial. regional ou local. determinando-se as medidas concretas de acordo com as competências legislativas e constitucionais e com a organização social e econômica de cada Estado.tradicionais se agrega o perigo real de que os novos conjuntos destruam indiretamente a ambiência e o caráter dos conjuntos históricos adjacentes. As ações resultantes desse planejamento deveriam se integrar à formulação dos objetivos e programas. à distribuição das funções e à execução das operações. Regional e Local Em cada Estado Membro deveria se formular. regional e local a fim de que sejam adotadas medidas jurídicas. regional e local e orientar a ordenação urbana urbano e rural e o planejamento físico-territorial em todos os níveis. regionais e locais para salvaguardar os conjuntos históricos ou tradicionais e sua ambiência e adaptá-los às exigências da vida contemporânea. Os arquitetos e urbanistas deveriam empenhar-se para que a visão dos monumentos e conjuntos históricos. uma política nacional. técnicas. Os Estados Membros deveriam adaptar as disposições existentes ou. se necessário. Medidas Jurídicas e administrativas A aplicação de uma política global de salvaguarda dos conjuntos históricos e tradicionais e de sua ambiência deveria basear-se em princípios válidos para cada país em sua totalidade. particularmente: . para assegurar tal salvaguarda. As disposições que estabeleçam um sistema de salvaguarda dos conjuntos históricos ou tradicionais deveriam enunciar os princípios gerais relativos ao estabelecimento e à adoção dos planos e documentos necessários e. Essas legislações deveriam encorajar a adaptação ou a adoção de disposições. Essa política deveria influenciar o planejamento nacional. levando em conta as disposições contidas neste capítulo e nos seguintes.Política Nacional. III . não se deteriore e para que esses conjuntos se integrem harmoniosamente na vida contemporânea. nos planos urbanos. ou a visão que a partir deles se obtém. a salvaguarda dos conjuntos históricos ou tradicionais pode contribuir extraordinariamente para a manutenção e o desenvolvimento dos valores culturais e sociais peculiares de cada nação e para o enriquecimento arquitetônico do patrimônio cultural mundial. promulgar novos textos legislativos e regulamentares para assegurar a salvaguarda dos conjuntos históricos e tradicionais e de sua ambiência.Medidas de Salvaguarda A salvaguarda dos conjuntos históricos ou tradicionais e de sua ambiência deveria se ajustar aos princípios anteriormente enunciados e aos métodos expostos a seguir.

Em particular. . a concessão do direito de preempção e a um órgão público. as disposições relativas aos imóveis e quarteirões insalubres. Essas disposições poderiam envolver medidas de planejamento urbano que influam no preço dos terrenos por construir . estabelecido e modulado sobretudo para facilitar o desenvolvimento de habitação subsidiadas e de edifícios públicos através da reabilitação de construções antigas. Dever-se-ia estabelecer.e instituir sanções efetivas como a suspensão das obras. um mecanismo de recurso contra as decisões ilegais. . acompanhada de disposições preventivas contra as infrações à regulamentação de salvaguarda e contra qualquer alta especulativa dos valores imobiliários nas zonas protegidas.a designação do órgão encarregado de autorizar qualquer restauração. . Os efeitos legais das medidas de proteção a edificações e terrenos deveriam ser levadas ao conhecimento público e registradas em um órgão oficial competente. que possa comprometer uma proteção e uma restauração concebidas em função do interesse coletivo. a obrigação de reconstituir e/ou multa apropriada. modificação. As disposições referentes à construção de edifícios para órgãos públicos e privados e a obras públicas e privadas deveriam adaptar-se à regulamentação da salvaguarda dos conjuntos históricos e de sua ambiência. consequentemente. uma parte suficiente dos créditos previstos para a construção de habitações sociais deveria ser destinada à reabilitação de edificações antigas.as condições e restrições gerais aplicáveis às zonas protegidas por lei e a suas imediações. . todavia.. .as condições gerais de instalação das redes de suprimento e dos serviços necessários à vida urbana ou rural. assim como à construção de habitações sociais deveriam ser concebidas ou reformuladas de modo que não apenas se ajustem à política de salvaguarda. O regime de eventuais subvenções deveria ser.os campos a que se poderão aplicar as intervenções de urbanismo.a indicação dos programas e operações previstas em matéria de conservação e de infraestrutura de serviços. O respeito às medidas de salvaguarda deveria ser imposto tanto às coletividades públicas quanto às particulares. restauração e transformação. arbitrárias ou injustas. . .as condições e restrições específicas que lhes dizem respeito.as funções de manutenção e a designação dos encarregados de desempenhá-las. mas que para ela contribuam. .as condições que regerão a implantação de novas construções. em princípio. Só deveriam ser permitidas as demolições de edificações sem valor histórico ou arquitetônico e as subvenções ocasionalmente resultantes deveriam ser estritamente controladas. ou a intervenção compulsória em caso de incapacidade ou descumprimento por parte dos proprietários . de reestruturação e de ordenação do espaço rural.tais como o estabelecimento de planos de ordenação distritais ou de extensão mais reduzida. . a expropriação no interesse da salvaguarda. Os planos e documentos de salvaguarda deveriam definir especialmente: . nova construção ou demolição no perímetro protegido. Além disso. .as normas que regulam os trabalhos de manutenção. A legislação de salvaguarda deveria ser.as zonas e os elementos a serem protegidos.as modalidades de financiamento e de execução dos programas de salvaguarda.

Deveria ser feita uma análise de todo o conjunto. em circunstâncias absolutamente excepcionais e escrupulosamente documentadas. nos níveis nacional. Deveria ser produzido um documento analítico destinado a determinar os imóveis ou os grupos de imóveis a serem rigorosamente protegidos. que tiverem caráter urgente. sociais e culturais. culturais e técnicas. As medidas de proteção. conservados sob certas condições. que contivesse os dados arqueológicos. deveriam ser tomadas sem esperar que se estabeleçam planos e documentos de salvaguarda. são necessários estudos pormenorizados dos dados e das estruturas sociais. arquitetônicos. regionais e locais.e. regionais e locais ou grupos de particulares. de qualquer tipo. administrativos e financeiros adequados. . principalmente. públicos e privados.deveriam contar com pessoal necessário e com meios técnicos. Além disso. . incluídos os historiadores da arte. d) os planos de salvaguarda deveriam ser aprovados pelo órgão designado por lei. regional ou local. o estado do sistema viário.nacional. . de: . As . c) as autoridades deveriam tomar a iniciativa de organizar a consulta e a participação da população interessada. b) os planos e documentos de salvaguarda deveriam ser elaborados depois que todos os estudos científicos necessários houverem sido efetuados por equipes multidisciplinares compostas. destruídos.Respeitadas as condições próprias a cada país e a distribuição de poderes das diversas administrações nacionais. assim como de sua vegetação. o que permitiria às autoridades suspender qualquer obra incompatível com esta recomendação. e) os serviços públicos encarregados de aplicar as disposições de salvaguarda em qualquer nível . uma relação dos conjuntos históricos ou tradicionais e sua ambiência a serem salvaguardados. Essa relação deveria indicar prioridades para facilitar uma alocação racional dos limitados recursos disponíveis para fins de salvaguarda.especialistas em conservação e restauração. econômicas. Além dessa investigação arquitetônica.especialistas em saúde pública e assistência social. com a mesma finalidade. deveria ser realizado. Medidas Técnicas. inclusive de sua evolução espacial. assim como do contexto urbano ou regional mais amplo. os problemas fundiários. Esses estudos deveriam abranger. históricos.sociólogos e economistas. especialistas em todas as matérias relativas à proteção e revitalização dos conjuntos históricos e tradicionais. infraestrutura urbana. ou. as redes de comunicação e as inter-relações recíprocas da zona protegida com as zonas circundadas. a execução de obras de salvaguarda deveria se inspirar nos seguintes princípios: a) uma autoridade responsável deveria encarregar-se da coordenação permanente de todos os intervenientes: serviços públicos nacionais. técnicos e econômicos. em geral. dados demográficos e uma análise das atividades econômicas.arquitetos e urbanistas. . .ecólogos e arquitetos paisagistas. os modos de vida e as relações sociais. regional e local . um inventário dos espaços abertos. Econômicas e Sociais Dever-ser-ia estabelecer. se possível.

Uma vez que o contexto social.autoridades competentes deveriam atribuir suma importância a esses estudos e compreender que. Seria essencial. É necessária uma vigilância permanente para evitar que essas operações beneficiem apenas a especulação ou sejam utilizadas com finalidades contrárias aos objetivos do plano. em princípio. arquitetônicos. os estudos e investigações deveriam ser regularmente atualizados. Quando existirem planos de salvaguarda. Em qualquer operação de saneamento urbano ou de beneficiamento que afete um conjunto histórico deveriam ser observadas as normas gerais de segurança relativas a incêndios e catástrofes naturais. os planos de salvaguarda pertinentes. Os programas de saneamento urbano ou de beneficiamento aplicáveis a zonas que não estão incluídas nos planos de salvaguarda deveriam respeitar os edifícios e outros elementos que possuam um valor arquitetônico ou histórico e seus acessórios. econômicos e sociais. portanto. sem eles. seria conveniente que seus autores fossem encarregados de sua execução ou direção. os programas de saneamento urbano ou de beneficiamento que consistirem na demolição de imóveis desprovidos de interesse arquitetônico ou histórico ou arruinados demais para serem conservados. não seria possível estabelecer planos eficazes de salvaguarda. devem ser buscadas soluções particulares em colaboração com todos os serviços interessados. econômico e físico dos conjuntos históricos e de sua ambiência está em constante evolução. a ação de salvaguarda deveria levar em consideração as manifestações de todos esses períodos. A programação deveria visar à adaptação das densidades de ocupação e a prever o escalonamento das operações. Se tais elementos estivessem arriscados de sofrer danos com esses programas deveriam ser elaborados. sem ameaça alguma ao patrimônio cultural. desde que sejam compatíveis com os critérios de salvaguarda do patrimônio cultural. conviria. Em caso contrário. em vez de serem retardadas indefinidamente enquanto se aprimora o processo de planejamento. Uma vez estabelecidos e aprovados os planos e normas de salvaguarda pela autoridade pública competente. que a elaboração dos planos de salvaguarda e sua execução se baseassem nos estudos disponíveis. estabelecer uma programação que leva-se igualmente em consideração o respeito aos dados urbanísticos. Um cuidado especial deveria ser adotado na regulamentação e no controle das novas construções para assegurar que sua arquitetura se enquadre harmoniosamente nas estruturas . assim como a necessária acomodação temporária durante as obras e os locais para realojamento permanente dos habitantes que não puderem regressar a sua morada anterior. até mesmo. na demolição de edificações recentes que rompam a unidade do conjunto só poderão ser autorizados nos termos do plano de salvaguarda. Antes da formulação de planos e normas de salvaguarda e depois da análise acima descrita. a fim de garantir o máximo de segurança. Essa programação deveria ser elaborada com a maior participação possível das coletividades e populações interessadas. na supressão de acréscimos e construções superpostas sem valor e. e a capacidade de o tecido urbano e rural acolher funções compatíveis com seu caráter específico. necessária e previamente. Nos conjuntos históricos ou tradicionais que possuírem elementos de vários períodos diferentes.

Uma atenção especial deveria ser prestada à dimensão dos lotes. mas também do valor derivado da utilização que delas se possa fazer. cabos elétricos ou telefônicos. assim como suas proporções médias e a implantação dos edifícios. que seriam demasiadamente onerosas se fossem feitas separadamente. tais como quaisquer formas de poluição. os letreiros comerciais. Os Estados Membros e as instituições interessadas deveriam proteger os conjuntos históricos ou tradicionais e sua ambiência contra os danos cada vez mais graves causados por determinados avanços tecnológicos. para serem viáveis a longo prazo. o comércio e o artesanato e criar outras novas que. e estabelecer redes de transporte que facilitem ao mesmo tempo a circulação dos pedestres. Essas funções teriam que se adaptar às necessidades sociais. os Estados Membros deveriam estimular e ajudar as autoridades locais a encontrar soluções para esse problema. a publicidade luminosa ou não. Dado o conflito existente na maior parte dos conjuntos históricos ou tradicionais entre o trânsito automobilístico. antenas de televisão ou painéis publicitários de grande escala. portanto. para que se integrem harmoniosamente ao conjunto. por um lado e a densidade do tecido urbano e as características arquitetônicas por outro. urbano. poderiam ser. Não se deveria autorizar o isolamento de um monumento através da supressão de seu entorno. deverão ser adotadas medidas adequadas para suprimi-los. dos choques e das vibrações produzidas contra as deteriorações provenientes de uma excessiva exploração turística. relações dos volumes construídos e dos espaços. seu deslocamento só deveria ser decidido excepcionalmente e por razões de força maior. Para isso. então. O custo das operações de salvaguarda não deveria ser avaliado apenas em função do valor cultural das construções. sem contrariar o caráter específico do conjunto em questão. Os conjuntos históricos ou tradicionais e sua ambiência deveriam ser protegidos contra a desfiguração resultante da instalação de suportes. o mobiliário urbano e o revestimento do solo deveriam ser estudados e controlados com o maior cuidado. tais como. cores. uma análise do contexto urbano deveria preceder qualquer construção nova. coordenadas fácil e economicamente com o desenvolvimento da rede viária. essencial manter as funções apropriadas existentes e. a instalação subterrânea de redes elétricas e de outros cabos. Os cartazes. Numerosas operações de reabilitação. Para consegui-lo e para favorecer o trânsito de pedestres. o acesso aos serviços e o transporte público. a sinalização das ruas. elementos constitutivos do agenciamento das fachadas e dos telhados. Deveria ser feito um esforço especial para evitar qualquer forma de vandalismo. culturais e econômicos dos habitantes. prejudicial à harmonia do conjunto. pois qualquer modificação poderia resultar em um efeito de massa.espaciais e na ambiência dos conjuntos históricos. como para analisar suas dominantes: harmonia das alturas. Se já existirem. materiais e formas. regional ou nacional em que se inserem. Seria. deveriam ser compatíveis com o contexto econômico e social. não só para definir o caráter geral do conjunto. Os problemas sociais decorrentes da salvaguarda só podem ser colocados corretamente se houver referência a essas duas escalas de valor. do mesmo modo. em particular. através da proibição de se implantarem indústrias nocivas em sua proximidade e da adoção de medidas preventivas contra os efeitos destrutivos dos ruídos. A proteção e a restauração deveriam ser acompanhadas de atividades de revitalização. Uma política de revitalização cultural deveria converter os . entre outras. conviria estudar com extremo cuidado a localização e o acesso dos parques de estacionamento não só dos periféricos como dos centrais.

incentivos fiscais. a grupamentos de proprietários ou de usuários de habitações e estabelecimentos comerciais. Nas zonas rurais todos os trabalhos que implicarem uma degradação da paisagem. isoladamente ou em grupo. esses investimentos públicos deveriam servir. Uma cooperação constante em todos os níveis deveria. regionais e locais. portanto. assim como quaisquer mudanças nas estruturas econômicas e sociais deveriam ser cuidadosamente controlados para preservar a integridade das comunidades rurais históricas em seu ambiente natural. Dever-se-iam conceder doações. representação dos proprietários. de gestão e de revitalização das operações relacionadas com os planos de salvaguarda. onde for necessário e conveniente. subordinadas ao acatamento de determinadas condições impostas no interesse do público. a título consultivo. em qualquer das formas descritas nos parágrafos seguintes. pois as operações agrupadas se tornam economicamente mais vantajosas que as ações individuais. Esses incentivos fiscais. regional ou local todas as formas de ajuda financeira e de orientá-las a uma aplicação global. As vantagens financeiras a serem concedidas aos proprietários particulares e aos usuários deveriam estar. para conservar os edifícios existentes. em caráter prioritário. subsídios ou empréstimos em condições favoráveis ao proprietários particulares e usuários que houverem realizado as obras estabelecidas pelos planos de salvaguarda e de acordo com as normas fixadas por esses planos. O conjunto desses créditos deveria ser administrado de forma centralizada pelos órgãos de direito público. privado ou mistos encarregados de coordenar nos níveis nacional. ou seja. cujas iniciativas e participação ativa deveriam ser estimuladas. A ajuda pública. ou criação de órgãos de economia mista que participem da execução. subsídios e empréstimos poderiam ser concedidos. ser estabelecida entre as coletividades e os particulares. Deveriam ser estimuladas a fundação de grupos voluntários de salvaguarda e de associações de caráter não lucrativo e a instituição de recompensas honoríficas ou pecuniárias para que sejam reconhecidas as realizações exemplares em todos os campos da salvaguarda. eventualmente. doações. Em geral. criação de grupos consultivos nos órgãos de planejamento. e levar em consideração o custo adicional da restauração. tais como garantia . deveria pressupor as intervenções da coletividade.conjuntos históricos em pólos de atividades culturais e atribuir-lhes um papel essencial no desenvolvimento cultural das comunidades circundantes. particularmente as habitações de baixa renda e somente aplicar-se a novas construções na medida em que elas não constituírem uma ameaça à utilização e às funções dos edifícios existentes. nos órgãos de decisão. o custo suplementar imposto ao proprietário em relação ao novo valor venal ou locativo do edifício. Os investimentos públicos previstos pelos planos de salvaguarda dos conjuntos históricos e de sua ambiência deveriam ser avalizados pela consignação de créditos adequados nos orçamentos das autoridades centrais. dos habitantes e dos usuários. especialmente através dos seguintes meios: informações adaptadas aos tipos de pessoas atinentes. A ação de salvaguarda deveria associar a contribuição da autoridade pública à dos proprietários particulares ou coletivos e à dos habitantes e usuários. antes de mais nada. pesquisas preparadas com a participação das pessoas interrogadas.

Ensino e Informação Para aperfeiçoar a competência dos especialistas e dos artesãos necessários e para fomentar o interesse e a participação de toda a população no trabalho de salvaguarda. da venda dos imóveis mediante a utilização de fundos de operações especialmente destinados a manter nos conjuntos históricos ou tradicionais os proprietários que desejarem protegê-los e preservar suas características. através da criação de um órgão que se encarregasse da concessão de empréstimos aos proprietários. para que os ocupantes pudessem conservar suas habitações e seus pontos de comércio e produção assim como seus modos de vida e suas ocupações tradicionais. dotados de personalidade jurídica e que pudessem receber doações de particulares. se for o caso. As instituições públicas e os estabelecimentos de crédito privados poderiam facilitar o financiamento a obras de qualquer gênero destinadas a proteger os conjuntos históricos ou tradicionais e sua ambiência. ainda. É essencial evitar que as medidas de salvaguarda acarretem uma ruptura da trama social. As autoridades públicas deveriam prever igualmente dotações especiais para a reparação dos danos causados pelos desastres naturais. através do financiamento a obras que correspondam simultaneamente a seus próprios objetivos e aos dos planos de salvaguarda. jardins ou sítios. etc. Dotações especiais deveriam ser previstas nos orçamentos dos órgãos públicos ou privados para a proteção dos conjuntos históricos ou tradicionais ameaçados por grandes obras públicas ou privadas e pela poluição.Pesquisa. acesso aos parques. Essas indenizações. realização de fotografias. possibilidade de visitação aos edifícios. a agricultura em pequena escala. Os Estados Membros e as coletividades interessadas deveriam encorajar as pesquisas e os estudos sistemáticos sobre: . depois de restaurá-los. a pesca etc. com prejuízo dos menos favorecidos. Para evitar. agenciar seus programas e orçamentos de maneira a contribuir para a reabilitação dos conjuntos históricos ou tradicionais. V . de fundações e de empresas industriais e comerciais. com taxas reduzidas e longos prazos de reembolso. o traslado dos habitantes.da integridade dos imóveis. Todos os serviços e administrações que atuam na construção pública deveriam. nos imóveis ou nos conjuntos a serem restaurados . determinadas em função dos rendimentos. Os Estados Membros e as autoridades interessadas em todos os níveis poderiam facilitar a criação de associações sem fins lucrativos que se encarregassem da aquisição e. poderiam ser concedidas indenizações que compensassem a alta do aluguel. especialmente o artesanato rural. Para aumentar os recursos financeiros disponíveis os Estados Membros deveriam incrementar a criação de estabelecimentos financeiros públicos ou privados para a salvaguarda dos conjuntos históricos e tradicionais e de sua ambiência. de acordo com sua competência legislativa e constitucional. ajudariam os interessados a fazer frente ao aumento dos encargos provocados pelas obras realizadas. os Estados Membros deveriam adotar as medidas que se seguem. Os doadores poderiam desfrutar de isenções fiscais.

o Conselho Internacional de Monumentos e Sítios (ICOMOS) e o Conselho Internacional de Museus (ICOM). tais como o Centro de Estudos para a Conservação e a Restauração dos Bens Culturais. O desenvolvimento das técnicas artesanais. para que saiba porque e como seu padrão de vida pode ser melhorado. principalmente ao Centro de Documentação UNESCO . . . . .a aplicação das técnicas modernas aos trabalhos de conservação. mas também sociais e econômicas que pode oferecer uma política bem conduzida de salvaguarda dos conjuntos históricos ou tradicionais e sua ambiência deveriam ser objeto de uma informação clara e completa. no que se refere à salvaguarda dos conjuntos históricos ou tradicionais e de sua ambiência. Essa informação deveria ser amplamente difundida entre os organismos especializados.. à ajuda de organizações internacionais. Essa cooperação multilateral ou bilateral deveria ser judiciosamente coordenada e concretizar-se através de medidas com as seguintes: . Além disso é indispensável estimular a formação de técnicos e de artesãos especializados na salvaguarda dos conjuntos e de quaisquer espaços abertos que os circundam.as técnicas artesanais indispensáveis à salvaguarda. ser financiada e dirigida pelas autoridades competentes.aspectos urbanísticos dos conjuntos históricos ou tradicionais e de sua ambiência. As vantagens.as interconexões entre salvaguarda. Esse ensino deveria utilizar amplamente os meios audiovisuais e as visitas aos conjuntos históricos ou tradicionais. a televisão. Seria de desejar que as instituições interessadas cooperassem nessa esfera com os organismos internacionais especializados no assunto. Conviria facilitar o acesso a cursos de aperfeiçoamento e reciclagem para pessoal docente e para guias. tanto privados como públicos. Deveriam ser instaurados e desenvolvidos ensinamentos específicos sobre os temas acima e que compreendessem estágios de formação prática. ameaçadas pelo processo de industrialização. no de história. bem como a formação de instrutores para ajudar os grupos de jovens e de adultos desejosos de se iniciar no conhecimento dos conjuntos históricos ou tradicionais. nacionais. O estudo dos conjuntos históricos deveria ser incluído no ensino em todos os níveis e. de Roma. o rádio e o cinema e as exposições itinerantes.os métodos de conservação aplicáveis aos conjuntos históricos.ICOMOS.ICOM . . não apenas estéticas e culturais. a imprensa. de acordo com um programa a longo prazo.a alteração dos materiais. para inculcar no espírito dos jovens a compreensão e o respeito às obras do passado e para mostrar o papel desse patrimônio na vida contemporânea. também deveria ser estimulado. A tomada de consciência em relação à necessidade da salvaguarda deveria ser estimulada pela educação escolar. intergovernamentais e não governamentais. A formação do pessoal administrativo encarregado das operações locais e salvaguarda dos setores históricos deveria. regionais e locais e entre a população. onde for adequado e necessário . se for necessário.Cooperação Internacional Os Estados Membros deveriam colaborar. particularmente. urbanismo urbano e planejamento físico-territorial. pós-escolar e universitária e pelo recurso aos meios de informação tais como os livros. recorrendo. VI .

em primeiro lugar.a) intercâmbio de informações de todos os gêneros e de publicações científicas e técnicas. os Estados Membros deveriam coordenar suas políticas e ações para conseguir a melhor utilização e proteção desse patrimônio. envio de pessoal científico. a ser analisado interdisciplinarmente em uma discussão internacional que inclua intelectuais e profissionais. característicos do desenvolvimento histórico e cultural de região. . de 1933. Atenas. Os lugares são significativos. tanto em planejamento como em arquitetura. nenhum Estado Membro deveria tomar qualquer medida para demolir ou alterar as características dos bairros. Atenas se ergueu como o berço da civilização ocidental. 1977. e) execução de grandes projetos de salvaguarda de conjuntos históricos ou tradicionais e de sua ambiência e difusão da experiência adquirida. b) organização de seminários e de grupos de trabalho sobre temas específicos. institutos de pesquisas e universidades de todos os países. cidades e sítios históricos situados nos territórios ocupados por esse Estado. 1933. que a Carta de Atenas. como testemunho da vitalidade e da continuidade do movimento moderno. Muitos de seus noventa e cinco pontos são válidos. d) luta contra todas as formas de poluição. Machu Picchu representa tudo o que não envolve a mentalidade global iluminística e tudo o que não é classificável por sua lógica. técnico e administrativo e fornecimento de material. Nas regiões situadas de um lado e de outro de uma fronteira onde ocorrerem problemas comuns de planejamento e salvaguarda de conjuntos históricos ou tradicionais e sua ambiência. c) concessão de bolsas de estudos e de viagem. é ainda um documento fundamental para a nossa época. Que pode ser atualizado mas não negado. Machu Picchu simboliza a contribuição cultural independente de outro mundo. Atenas representou a racionalidade personificada por Aristóteles e Platão. Carta de Machu Picchu de dezembro de 1977 Encontro Internacional de Arquitetos Passaram-se quase 45 anos desde que ó CIAM elaborou um documento sobre teoria e metodologia de planejamento. Machu Picchu. Houve alguns esforços para atualizar a Carta de Atenas e o presente documento só pretende ser ponto de partida para tal empresa. De acordo com o espírito e com os princípios da presente recomendação. f) assistência mútua entre países vizinhos para a salvaguarda de conjuntos de interesse comum. que recebeu o nome de Carta de Atenas. Muitos fenômenos novos emergiram durante esse tempo e exigem uma revisão da carta que a complemente com um documento de enfoque e amplitude mundiais. ainda. devendo salientar.

consequência do uso de automóveis. sequência e características de desenvolvimento. assim como em estratégias de planejamento econômico a longo prazo. cidades. assim. podemos diferenciar duas categorias de movimentos: a primeira corresponde à dos países industrializados. E tais decisões. em nível nacional. A desarticulação entre o planejamento econômico em nível nacional e regional e o planejamento para o desenvolvimento urbano onerou e reduziu a eficiência de ambos. é uma obrigação fundamental dos governos. como um meio sistemático de analisar necessidades. os benefícios potenciais do planejamento e da arquitetura não chegam à grande maioria. regiões e nações . deve refletir a unidade dinâmica das cidades e suas regiões circundantes. o projeto e o planejamento urbano e a arquitetura. a interpretação das necessidades humanas e a realização em um contexto de oportunidades de formas e de serviços urbanos apropriados para a população. Por isso. áreas metropolitanas. onde se dá a migração das populações mais abastadas em direção aos subúrbios. que constitui a raiz do problema de nossas cidades. A elas temos que somar as crises de moradia e de serviços urbanos. no que concerte aos núcleos humanos. Planejar. A fraqueza da sociedade ao enfrentar as necessidades do crescimento urbano e as mudanças sócio-econômicas requer a reafirmação desse princípio em termos mais específicos e urgentes. O objetivo do planejamento geral. afinal. E isso requer um processo contínuo e sistemático de interação entre os profissionais do projeto. dando lugar à chamada crise tripla: ecológica. energética e alimentícia. agravadas pelo fato de o ritmo de crescimento populacional das cidades ser muito superior ao demográfico geral. estados.bairros.para orientar sua localização.Cidade e região A Carta de Atenas reconheceu a unidade essencial das cidades e suas regiões circundantes. Dentro do crescimento caótico das cidades. distritos e outras áreas urbanas. incluindo problemas e oportunidades e guiando o crescimento e desenvolvimento urbanos dentro dos limites dos recursos disponíveis. incluindo o planejamento econômico. não têm considerado diretamente as prioridades nem as soluções dos problemas das áreas urbanas. é. tanto como as relações funcionais essenciais entre bairros. O planejamento. As áreas urbanas muito frequentemente refletem os efeitos adversos e específicos de decisões econômicas baseadas em considerações amplas e relativamente abstratas. abandonando as áreas centrais das cidades que. os moradores das cidades e seus líderes comunitários e políticos. As soluções urbanísticas propugnadas pela Carta de Atenas não levaram em conta esse crescimento acelerado. Hoje. As técnicas e disciplinas do planejamento devem ser aplicadas a toda a escala de grupos humanos . O crescimento urbano Desde a Carta de Atenas até nossos dias a população do mundo duplicou. tornaram crítica a necessidade de uso mais efetivo dos recursos naturais e humanos. características do processo de urbanização. tendem a se deteriorar por deficiência . no contexto contemporâneo de urbanização. nem as conexões operacionais entre a estratégia econômica geral e o planejamento do desenvolvimento urbano. através do mundo.

programas de moradia. estejam a seu alcance. Atualmente. onde. Ela determinou cidades setorizadas em funções. sem impor distinções inaceitáveis para o decoro humano. Tais técnicas podem apenas tentar a incorporação das áreas marginais ao organismo urbano e. igualmente. O mesmo espírito de integração que faz da comunicação entre os moradores da cidade um elemento básico da vida urbana deve regular a localização e a estruturação de áreas residenciais para diversas comunidades e grupos. que a qualidade de vida e a integração com o meio ambiente natural devem ser objetivo básico na concepção dos espaços habitáveis. no nível do relacionamento humano. determinando que o processo urbano se nos apresente totalmente diferente. O resultado é a existência de cidades com uma vida urbana amena. economicamente. O projeto da casa deve ter a flexibilidade necessária para adaptar-se à dinâmica social. mas um poderoso instrumento de desenvolvimento social. devem reconhecer este fato. Essas transferências quantitativas produzem transformações qualitativas fundamentais. caracterizando-se pela maciça migração rural. A casa popular não será considerada um objeto de consumo subsidiário. portanto. onde um processo analítico de clarificação tem sido usado como um processo sintético de ordenação do espaço urbano. trabalhar. Esse fenômeno não pode ser resolvido nem sequer controlado pelos dispositivos e medidas que estão ao alcance do planejamento urbano. as medidas que se adotam para regularizar a marginalização (dotação de serviços públicos.) contribuem paradoxalmente para agravar o problema. afinal. divertir-se e circular e que os planos devem fixar sua estrutura e implantação. facilitando portanto a participação criadora do usuário. O planejamento da cidade e da moradia. muitas vezes. Devem ser projetados elementos construtivos que possam ser fabricados massificadamente para serem utilizados pelos usuários e que. . consideramos que a comunicação humana é um fator predominante na razão de ser da cidade. mas em criar definitivamente uma integração polifuncional e contextual. Conceito de setor A Carta de Atenas assinala que as chaves do urbanismo se encontram nestas quatro funções básicas: de habitar. saúde ambiental. A segunda categoria corresponde à das cidades dos países em desenvolvimento. Consideramos. que se instala em bairros marginais carentes de serviços e de infra-estrutura urbana. cada sítio arquitetônico resulta num objeto isolado e onde não se considera que a mobilidade humana determine um espaço influente. etc. adquiriu-se consciência de que o processo urbanístico não consiste em setorizar. Moradia Diferentemente da Carta de Atenas.de recursos. convertendo-se em incentivo que incrementa os movimentos migratórios para as cidades.

Transportes nas cidades As cidades deverão planejar e manter o transporte público de massa, considerando-o como um elemento básico no processo do planejamento urbano. 0. custo social do sistema de transporte deverá ser apropriadamente avaliado e devidamente considerado no planejamento do crescimento de nossas cidades. Na Carta de Atenas está explícito que a circulação é uma das funções urbanas básicas e implícito que ela depende principalmente do uso do automóvel como meio de transporte individual. Depois de quarenta e quatro anos, comprovou-se que não há solução ótima para diferenciar, multiplicar e solucionar cruzamentos de ruas. É necessário, portanto, enfatizar que a solução para a função de circulação deve ser pesquisada mediante a subordinação do transporte individual ao transporte coletivo de massa. Os urbanistas devem conscientizar-se de que a cidade é uma estrutura em desenvolvimento, cuja forma final não pode ser definida, razão pela qual devem considerar as noções de flexibilidade e expansão urbanas. O transporte e a comunicação formam uma série de redes interconectadas que servem como sistema articulador entre espaços interiores e exteriores e deverão ser projetados de forma que permitam experimentar indefinidamente mudanças de extensão e forma. Disponibilidade do solo urbano A Carta de Atenas mostrou a necessidade de uma legislação que permitisse dispor, sem impedimentos, do solo urbano para satisfazer as necessidades coletivas. Para tanto, estabeleceu que o interesse privado devia subordinar-se ao interesse coletivo. Apesar de diversos esforços realizados desde 1933, as dificuldades de disponibilidade de solo urbano se mantêm como um obstáculo básico para o planejamento urbano. Por isso, é desejável que se criem e se adotem soluções legais eficientes capazes de produzir uma melhora substantiva a curto prazo. Recursos naturais e contaminação ambiental Uma das formas mais atentatórias contra a natureza é, hoje, a contaminação ambiental, que tem se agravado em proporções sem precedentes e potencialmente catastróficas, como conseqüência direta da urbanização não planejada e da excessiva exploração de recursos. Nas áreas urbanizadas do mundo a população está cada vez mais sujeita a condições ambientais que são incompatíveis com normas e conceitos razoáveis de saúde e bem estar humanos. Entre as características não aceitáveis se incluem a prevalência de quantidades excessivas de perigosas substâncias tóxicas no ar, na água e nos alimentos da população urbana, além dos níveis danosos de ruídos. As políticas oficiais que regem o desenvolvimento urbano deverão incluir medidas imediatas para evitar que se acentue a degradação do meio ambiente urbano e conseguir a restauração da integridade básica do meio ambiente, de acordo com as normas de saúde e de bem estar social. Estas medidas devem ser consideradas no planejamento urbano e econômico, no projeto arquitetônico, nos critérios e normas de engenharia e nas políticas de desenvolvimento.

Preservação e defesa dos valores culturais e patrimônio histórico-monumental A identidade e o caráter de uma cidade são dados não só por sua estrutura física, mas, também, por suas características sociológicas. Por isso, é necessário que não só se preserve e conserve o patrimônio histórico monumental, como também que se assuma a defesa do patrimônio cultural, conservando os valores que são de fundamental importância para afirmar a personalidade comunal ou nacional e/ou aqueles que têm um autêntico significado para a cultura em geral. Por isso mesmo, é imprescindível que na tarefa de conservação, restauração e reciclagem das zonas monumentais e dos monumentos históricos e arquitetônicos, considere-se a sua integração ao processo vivo do desenvolvimento urbano como único meio que possibilite o financiamento da operação. No processo de reciclagem dessas zonas, deve ser considerada a possibilidade de se construírem edifícios de arquitetura contemporânea da melhor qualidade. Tecnologia A Carta de Atenas referiu-se tangencialmente ao processo tecnológico, ao discutir o impacto da atividade industrial na cidade. Nos últimos quarenta e cinco anos o mundo experimentou um desenvolvimento tecnológico sem precedentes, que tem afetado nossas cidades e também a prática da arquitetura e do urbanismo. A tecnologia se desenvolveu explosivamente em algumas regiões do mundo e sua difusão e aplicação eficaz é um dos problemas básicos de nossa época. Hoje, o desenvolvimento científico e tecnológico e a intercomunicação entre os povos permitem superar as condicionantes locais e oferecer os mais amplos recursos para resolver os problemas urbanísticos e arquitetônicos. O mau uso dessa possibilidade determina que, frequentemente, se adotem materiais, técnicas e características formais como resultado de pruridos de novidade e complexos de dependência cultural. Neste sentido, usualmente, o impacto do desenvolvimento tecnológico-mecânico tem determinado que a arquitetura seja um processo de criar ambientes artificialmente condicionados a um clima e a uma iluminação não naturais. Isso pode ser uma solução para determinados problemas, mas a arquitetura deve ser um processo de criar ambientes condicionados em função de elementos naturais. Deve-se entender que a tecnologia é meio e não fim e que ela deve ser aplicada em função de uma realidade e de suas possibilidades como resultado de um sério trabalho de investigação e experimentação, trabalho que os governos devem ter em conta. A dificuldade de utilizar processos altamente mecanizados ou materiais construtivos eminentemente industrializados não deve significar uma diminuição de rigor técnico ou de cabal resposta arquitetônica às exigências do problema a resolver, mas, pelo contrário, um maior rigor no planejamento das soluções possíveis para o meio.

A tecnologia construtiva deve considerar a possibilidade de reciclar os materiais fim de conseguir transformar elementos construtivos em recursos renováveis. Implementação O planejamento, os profissionais e as autoridades pertinentes devem ter presente que o processo não termina na formulação de um plano e em sua subsequente execução, mas que, sendo a cidade um organismo vivo, é necessário considerar e prover os processos de sua manutenção. Deve-se entender também que cada região e cada cidade, no processo de sua implementação, deve criar e importar suas normas legais, de acordo com seu meio ambiente, recursos e características formais próprias. Projeto Urbanístico e Arquitetônico A Carta de Atenas não cuidou do projeto arquitetônico. Aqueles que a formularam não o consideraram necessário, porque concordavam que a arquitetura era um jogo sábio de volumes puros sob a luz, la Ville Radieuse, composta de tais volumes, aplicou uma linguagem arquitetônica de origem cubista, perfeitamente coerente com o conceito que separou as cidades em partes funcionais. Durante as últimas décadas, para a arquitetura contemporânea o problema principal não é mais o jogo visual de volumes puros, mas a criação de espaços sociais para neles se viver. A ênfase não está no continente, mas no conteúdo, não na embalagem isolada, por mais bela e sofisticada que seja, mas na continuidade da textura urbana. Em 1933, o esforço foi para desintegrar o objeto arquitetônico e a cidade em seus componentes. Em 1977, o objetivo deve ser reintegrar esses componentes, que, fora de suas relações formais, perderam vitalidade e significado. Para precisar melhor, a reintegração, tanto na arquitetura como no planejamento, não significa a integração a priori do classicismo. Deve ficar claramente estabelecido, que as recentes tendências para o ressurgimento da tradição das Beaux-Arts são anti-históricas em um grau grotesco e não têm a importância que justifique sua discussão. Mas são sintomas de uma obsolescência da linguagem arquitetônica para a qual devemos ficar alertas, para não voltarmos a uma espécie de cínico ecletismo do século XIX, e sim avançar em direção a uma etapa mais madura do movimento moderno. As conquistas dos anos trinta, quando a Carta de Atenas foi promulgada, são ainda válidas. Elas dizem respeito a: a) a análise dos edifícios e de suas funções; b) o princípio de dissonância; c) a visão espaço-tempo antiperspectiva; d) a desarticulação do tradicional edifício-caixa; e) a reunificação da engenharia estrutural e da arquitetura; A estas "constantes" ou "invariáveis" da linguagem arquitetônica têm se somado. f) a temporalidade do espaço; g) a reintegração edifício-cidade-paisagem.

Ao contrário. tem demonstrado que os artistas já não produzem um objeto finito. . enfoque aplicado não só aos volumes. A reintegração edifício-cidade-paisagem é uma consequência da unidade entre cidade e campo. O princípio do não-finito não é novo. A participação dos usuários faz mais orgânico e verdadeiro o encontro entre a linguagem altamente cultural e a popular. assim. O enfoque do finito não diminui o prestígio do planejador ou do arquiteto. que eles se detêm no meio ou nas três quartas partes do processo. O fato de reconhecer que os edifícios vernaculares muito contribuem para a imaginação arquitetônica não significa que devam ser imitados. podendo. mas um fator ativo de mensagem polivalente. aquelas se levantaram por obra e para o sustento das comunidades. mas também aos valores sociais. incrementa-o. Algumas vezes se compararam. como um monumento à vida. As teorias da relatividade e da determinação não diminuíram o prestígio dos cientistas. O problema é totalmente diferente da imitação. de 1921. sejam horizontais ou verticais. o que implica que cada edifício não seja um objeto finito. de uma forma explosiva. exaltando a glória do monarca e. Elas expressam volumétrica e espiritualmente o rumo diferente de duas grandes civilizações que edificaram para a eternidade. as ordens vitruvianas e as Beaux Arts. Foi explorado pelos maneiristas e. de maneira que o espectador não seja um contemplador passivo da obra artística. os usuários integrar-se no trabalho do arquiteto. Quanto a isso. em nossa época não é apenas um princípio visual. como também aos espaços humanos. na música e nas artes visuais. Está provado que o enfoque cultural do projeto arquitetônico. sua imaginação será estimulada pelo imenso patrimônio da arquitetura popular. No momento em que os arquitetos se libertarem dos conceitos acadêmicos do finito. O novo conceito de urbanização pede a continuidade de edificação. feitas de volumes monumentais. Tal atitude. procede o paralelo. hoje. porque um cientista não dogmático é muito mais respeitado que o velho deux ex machina. se encontram e se fundem naturalmente com os idiomas populares. A experiência artística nas últimas décadas. não apenas ao visual. por sua monumentalidade. a relevância do arquiteto será enfatizada e a inventiva arquitetônica será maior e mais rica. tanto como os Cinco Princípios de Le Corbusier. mas fundamentalmente social. No campo construtivo. é tão absurda como foi a cópia do Partenon. a participação do usuário é ainda mais importante e concreta. pelo grandioso em ambas as concepções. por Michelangelo Não obstante. dessa arquitetura sem arquitetos. Fisicamente. que tanto se tem estudado nas últimas décadas. não obstante. É tempo de recomendar aos arquitetos que tomem consciência do desenvolvimento histórico do movimento moderno e cessem de multiplicar paisagens urbanas obsoletas. mas um elemento do continuum. que requer um diálogo com outros elementos para completar sua própria imagem. Mas estas foram construídas como um monumento à morte. deve-se ser cuidadoso. reflexivo ou transparentes. as construções do antigo Peru com as pirâmides do Egito. Se o povo for incluído no processo do projeto. opacos. Significa que o povo deve participar ativa e criativamente em cada fase do projeto.A temporalidade do espaço é a maior contribuição de Frank Lloyd Wright e corresponde à visão dinâmica do espaço-tempo-cubista.

A conservação se baseia no respeito à substância existente e não deve deturpar o testemunho nela presente. nem com a reconstituição hipotética. ela se distingue pela introdução na substância existente de materiais diferentes. científico ou social de um bem para as gerações passadas. a conservação implicará ou não a preservação ou a restauração. em determinadas circunstâncias. . .a substância será o conjunto de materiais que fisicamente constituem o bem. . histórico. nem com a recriação. igualmente. o conteúdo e o entorno a que pertence. . ela poderá. assim como disposições que prevejam sua futura destinação. modificações que sejam substancialmente reversíveis ou que requeiram um impacto mínimo.a preservação será a manutenção no estado da substância de um bem e a desaceleração do processo pelo qual ele se degrada.A conservação deve se valer do conjunto de disciplinas capazes de contribuir para o estudo e a salvaguarda de um bem. A reparação implica a restauração e a reconstrução. presentes ou futuras.a reconstrução será o restabelecimento. . uma zona. De acordo com as circunstâncias.Conselho Internacional de Monumentos e Sítios Definições Artigo 1° . mas pode-se.Carta de Burra Austrália.O objetivo da conservação é preservar a significação cultural de um bem. sejam novos ou antigos. .o termo bem designará um local.o uso compatível designará uma utilização que não implique mudança na significação cultural da substância. compreendidos.Para os fins das presentes orientações: .o termo significação cultural designará o valor estético. do conteúdo e do entorno de um bem e não deve ser confundido com o termo reparação. um edifício ou outra obra construída. Artigo 4° . em cada caso. e assim será considerada. . Artigo 3° .a restauração será o restabelecimento da substância de um bem em um estado anterior conhecido. utilizar técnicas modernas. ela deve implicar medidas de segurança e manutenção. 1980 ICOMOS . . Conservação Artigo 2° .a adaptação será o agenciamento de um bem a uma nova destinação sem a destruição de sua significação cultural. . compreender obras mínimas de reconstrução ou adaptação que atendam às necessidades e exigências práticas. ambas excluídas do domínio regulamentado pelas presentes orientações. As técnicas empregadas devem.o termo manutenção designará a proteção contínua da substância. em princípio. além da manutenção. com o máximo de exatidão. ou um conjunto de edificações ou outras obras que possuam uma significação cultural. A reconstrução não deve ser confundida. . de um estado anterior conhecido.o termo conservação designará os cuidados a serem dispensados a um bem para preservarlhe as características que apresentem uma significação cultural. ser de caráter tradicional.

assim como nos casos em que há insuficiência de dados que permitam realizar a conservação sob outra forma.desde que se assentem em bases científicas e que sua eficácia seja garantida por uma certa experiência acumulada. nem qualquer demolição ou modificação susceptíveis de causar prejuízo ao entorno. no estado em que se encontra. a menos que represente o único meio de assegurar a salvaguarda e a segurança desse conteúdo. A introdução de elementos estranhos ao meio circundante.A retirada de um conteúdo ao qual o bem deve uma parte de sua significação cultural não pode ser admitida.Na conservação de qualquer bem deve ser levado em consideração o conjunto de indicadores de sua significação cultural. Preservação Artigo 11° . dos materiais. à manutenção e à eventual estabilização da substância existente.A conservação de um bem exige a manutenção de um entorno visual apropriado. nenhum deles deve ser revestido de uma importância injustificada em detrimento dos demais. integralmente ou em parte. Artigo 5° . ainda. ele deverá ser restituído na medida em que novas circunstâncias o permitirem. da textura. Artigo 8° . da escala. etc.Todo edifício ou qualquer outra obra devem ser mantidos em sua localização histórica. no plano das formas. O deslocamento de uma edificação ou de qualquer outra obra. não pode ser admitido. Artigo 9° .As opções assim efetuadas determinarão as futuras destinações consideradas compatíveis para o bem. Artigo 7° .A preservação se limita à proteção. Nenhuma empreitada de restauração deve ser empreendida sem a certeza de existirem recursos necessários para isso. Não deverão ser permitidas qualquer nova construção.As opções a serem feitas na conservação total ou parcial de um bem deverão ser previamente definidas com base na compreensão de sua significação cultural e de sua condição material.A preservação se impõe nos casos em que a própria substância do bem. das cores. Artigo 10° . Não poderão ser admitidas técnicas de estabilização que destruam a significação cultural do bem. que prejudiquem a apreciação ou fruição do bem. Artigo 12° . modificações cujo impacto sobre as partes da substância que apresentam uma significação cultural seja o menor possível. Artigo 6° .A restauração só pode ser efetivada se existirem dados suficientes que testemunhem um estado anterior da substância do bem e se o restabelecimento desse estado conduzir a uma valorização da significação cultural do referido bem. a não ser que essa solução constitua o único meio de assegurar sua sobrevivência. As destinações compatíveis são as que implicam a ausência de qualquer modificação. . Nesse caso. Restauração Artigo 13° . deve ser proibida. modificações reversíveis em seu conjunto ou. oferece testemunho de uma significação cultural específica.

Artigo 24° . Artigo 19° . Quando a substância do bem pertencer a várias épocas diferentes. documentais ou outros.As obras de adaptação devem se limitar ao mínimo indispensável à destinação do bem a uma utilização definida de acordo com os termos dos artigos 6 e 7.Os estudos que implicam qualquer remoção de elementos existentes ou escavações arqueológicas só devem ser efetivados quando forem necessários para a obtenção de dados indispensáveis à tomada de decisões relativas à conservação. As partes reconstruídas devem poder ser distinguidas quando examinadas de perto. Artigo 15° . . o resgate de elementos datados de determinada época em detrimento dos de outra só se justifica se a significação cultural do que é retirado for de pouquíssima importância em relação ao elemento a ser valorizado.A restauração pode implicar a reposição de elementos desmembrados ou a retirada de acréscimos. sejam materiais. Qualquer transformação do aspecto de um bem deve ser precedida da elaboração. Artigo 16° .As contribuições de todas as épocas deverão ser respeitadas. Artigo 18° .A reconstrução deve ser efetivada quando constituir condição sine qua non de sobrevivência de um bem cuja integridade tenha sido comprometida por desgastes ou modificações.A adaptação só pode ser tolerada na medida em que represente o único meio de conservar o bem e não acarrete prejuízo sério a sua significação cultural. Artigo 22° .Os elementos dotados de uma significação cultural que não se possa evitar desmontar durante os trabalhos de adaptação deverão ser conservados em lugar seguro. Reconstrução Artigo 17° . sejam eles materiais.A reconstrução deve se limitar à colocação de elementos destinados a completar uma entidade desfalcada e não deve significar a construção da maior parte da substância de um bem. documentais ou outros. de documentos que perpetuem esse aspecto com exatidão.Artigo 14° . e deve parar onde começa a hipótese. ou quando possibilite restabelecer ao conjunto de um bem uma significação cultural perdida. Artigo 20° .A reconstrução deve se limitar à reprodução de substâncias cujas características são conhecidas graças aos testemunhos materiais e/ou documentais. na previsão de posterior restauração do bem. por profissionais. Ela se baseia no princípio do respeito ao conjunto de testemunhos disponíveis. nas condições previstas no artigo 16.Qualquer intervenção prevista em um bem deve ser precedida de um estudo dos dados disponíveis. do bem e/ou à obtenção de testemunhos materiais fadados a desaparecimento próximo ou a se tomarem inacessíveis por causa dos trabalhos obrigatórios de conservação ou de qualquer outra intervenção inevitável. Artigo 21° .A restauração deve servir para mostrar novos aspectos em relação à significação cultural do bem. Procedimentos Artigo 23° .

Os trabalhos contratados devem ter acompanhamento apropriado. 25. devendo a cada decisão corresponder uma responsabilidade específica. 26 e 27 acima serão guardados nos arquivos de um órgão público e mantidos à disposição do público. amostras. apresenta.Um jardim histórico é uma composição arquitetônica e vegetal que. vivo e. do desenvolvimento e do definhamento da natureza. bem como o de seus dirigentes responsáveis. exercido por profissionais. do ponto de vista da história ou da arte.Artigo 25° . Artigo 3º . que são objeto da presente carta.ICOMOS / IFLA Preâmbulo Reunidos em Florença.Os documentos consignados nos artigos 23. visando a complementar a Carta de Veneza neste domínio particular. de um perpétuo equilíbrio entre o movimento cíclico das estações. Artigo 4º . o comitê Internacional de Jardins Históricos e ICOMOS/IFLA decidiram elaborar uma carta relativa à proteção dos jardins históricos. Artigo 27° . assim.ICOMOS Comitê Internacional de Jardins e Sítios Históricos . Definição e objetivos Artigo 1º .Os objetos a que se refere o artigo 10 acima serão catalogados e protegidos de acordo com normas profissionais. Carta de Florença de maio de 1981 Conselho Internacional de Monumentos e Sítios . que levará o nome desta cidade. perceptível e renovável. com provas documentais de apoio (fotos. Artigo 28° . Todavia. como Monumemto Vivo.) Artigo 26° . desenhos.Destacam-se na composição arquitetura do jardim histórico: . portanto. conforme o disposto no artigo 25 acima. e da vontade de arte e de artifício que tende a perenizar o seu estado. conforme o espírito de Carta de Veneza. Seu aspecto resulta.Qualquer ação de conservação a ser considerada deve ser objeto de uma proposta escrita acompanhada de uma exposição de motivos que justifique as decisões tomadas. Artigo 2º . o jardim histórico deve ser salvaguardado.As decisões de orientação geral devem proceder de organismos cujos nomes serão devidamente comunicados. etc. Como tal é considerado monumento. em 21 de maio de 1981. sua salvaguarda requer regras específicas.O jardim histórico é uma composição de arquitetura cujo material é principalmente vegetal.Por ser monumento. Artigo 29° . bem como as decisões tomadas. e deve ser mantido um diário no qual serão consignadas as novidades surgidas. um interesse público. como tal. Essa carta foi redigida pelo comitê e registrada em 15 de dezembro de 1982 pelo ICOMOS.

e os resultados respectivos não podem ser considerados satisfatórios. que ocorreu em Estocolmo. lugar de deleite. Declaração de Nairobi de 10 a 18 de maio de 1982 (Quênia) Assembléia Mundial dos Estados UNEP – Organização das Nações para o Meio Ambiente A Assembléia Mundial dos Estados. Artigo 5º . eventualmente da originalidade de um criador. dispositivos relativos à proteção ambiental. o plano de ação inicial foi apenas parcialmente instrumental. Do mesmo modo. A conferência de Estocolmo constitui uma força poderosa que incrementou a consciência e a compreensão públicas quanto à fragilidade do meio ambiente. seus espaçamentos. de um estilo.seus elementos construídos ou decorativos. a fim de comemorar o décimo aniversário da Conferência das Nações Unidas sobre o Ambiente Humano. seu jogo de cor. mas que dá testemunho de uma cultura.Expressão de relações estreitas entre a civilização e a natureza. Algumas atividades humanas descontroladas e não-programadas determinaram . . de uma época. outras organizações governamentais e nãogovernamentais foram implantadas em todos os níveis e vários importantes convênios internacionais relativos à cooperação ambiental foram concluídos. suas alturas respectivas. foram insuficientes a compreensão e a previsão necessárias para entender o benefício a longo prazo de programas e ações coordenadas de proteção ambiental. Além do programa ambiental das Nações Unidas. Com efeito.seu plano e os diferentes perfis do seu terreno. os meios de informação e a capacitação profissional: em muitos países. apropriado à meditação e ao devaneio. reunida em Nairobi do dia 10 ao dia 18 de maio de 1982. nem os objetivos nem as ações asseguram a disponibilidade e a distribuição eqüitativa de recursos naturais. passou-se a adotar legislação ambiental e um número relevante de países incorporou ao contexto de suas constituições. em nível mundial. Os anos decorridos desde então registraram um progresso significativo das ciências ambientais: expandiram-se consideravelmente a educação. . embora expressando sua grave preocupação acerca do atual estado do ambiente. reflexo do céu. um paraíso no sentido etmológico do termo.. o jardim toma assim o sentido cósmico de uma imagem idealizada do mundo. No entanto. . Os princípios da Declaração de Estocolmo são tão válidos hoje como em 1972 e proporcionam um código básico de comportamento para os anos vindouros. e reconhece a necessidade urgente de intensificar esforços em níveis global.suas massas vegetais: suas essências. regional e nacional de modo a protegê-lo e melhorá-lo. roga solenemente a governos e povos para agirem construtivamente a partir do progresso alcançado até hoje. tendo recapitulado as medidas tomadas para implementar a declaração e o plano de ação adotados naquela conferência. seus volumes. Eis porque o plano de ação inicial não teve a repercussão requerida na totalidade da comunidade internacional.as águas moventes ou dormentes.

por conseguinte. incluindo convênios e convenções. As nações desenvolvidas (ou quaisquer outros países que se encontrem em condições de fazê-lo) deveriam prestar auxílio aos países em vias de desenvolvimento afetados pelo desequilíbrio ambiental. que permita ao homem viver livre da ameaça da guerra (especialmente de uma guerra nuclear). poderia compatibilizar o progresso econômico e social com a conservação de recursos naturais. pelo aumento da população. Requer-se uma soma maior de esforços para desenvolver a metodologia e o manejo adequados para a exploração e a utilização de recursos naturais e para modernizar os sistemas . de colonialismo. Seria extremamente benéfico. ser resolvidos. os Estados passariam a promover a promulgação progressiva da legislação ambiental. Para isso. o estabelecimento de uma atmosfera internacional de paz e de segurança. Livre. a população e os recursos naturais por um lado e. pode vir a contribuir para um desenvolvimento sócio-econômico fundamentado e permanente. As doenças associadas às condições ambientais adversas continuaram a contribuir para o sofrimento humano. assim como a extinção de espécies animais e vegetais constituem graves ameaças adicionais para o ambiente humano. dos instrumentos primordiais no sentido do esforço global para reverter o curso da agressão ambiental. As deficiências ambientais provenientes do subdesenvolvimento (incluindo fatores externos que ultrapassam a capacidade de controle dos países envolvidos) geram graves problemas que se podem combater graças a uma distribuição mais eqüitativa de recursos econômicos e técnicos. o impacto ocasionado. As ameaças ao meio ambiente são agravadas por estruturas coniventes com a miséria. o descuido a que tem sido votado o destino final e a reutilização de substâncias perigosas. a degradação do solo e a desertificação atingiram proporções alarmantes e puseram seriamente em risco as próprias condições de sobrevivência em vastas regiões do planeta. a poluição das águas marinhas e interiores. assim como com um consumismo e um desperdício abusivos: ambos podem levar à exploração predatória do meio. Mudanças havidas na atmosfera. que destaque essas relações. Mecanismos conjugados de mercado e de planejamento podem também contribuir para a racionalização do desenvolvimento e do manejo do ambiente e dos recursos naturais. como as ocorridas na camada de ozônio. por meio de consultas intergovernamentais e de ações internacionais pertinentes. da segregação racial e de todas as formas de discriminação. apesar dos seus esforços internos em confrontar seus problemas ambientais mais sérios. Muitos problemas ambientais transcendem as fronteiras e deveriam. de opressão e de domínio estrangeiro. A estratégia internacional de desenvolvimento para a terceira década de ação das Nações Unidas e o advento de uma nova ordem econômica internacional fazem parte. aumentando ao mesmo tempo a cooperação no campo da pesquisa científica e do manejo do ambiente. quando necessário. O desmatamento. dentro dos próprios países e entre Estados. também do apartheid. Esses fatores foram amplamente discutidos. particularmente da tecnologia elaborada por outros países em vias de desenvolvimento. por outro. para o bem de todos. Uma consciência específica e lúcida em nível regional. e do desperdício de recursos intelectuais e naturais absorvidos pelos programas armamentistas.a degradação crescente do ambiente. o desenvolvimento. para o ambiente humano. No decurso da última década surgiram novas diretrizes: a necessidade do levantamento e manejo das complexas e íntimas conexões entre o ambiente. particularmente em áreas urbanas. a concentração crescente de dióxido de carbono e de chuvas ácidas. A utilização de tecnologia apropriada.

visando aos meios de informação. inclusive as corporações multinacionais. pela qualidade dos trabalhos e pelos resultados obtidos nessa reunião. O rápido esgotamento das fontes tradicionais e convencionais de energia apresenta um novo e premente desafio quanto ao seu manejo e conservação e à preservação do meio ambiente. fazendo apelo para que seja aumentada a disponibilidade de recursos naturais. deveriam ser conscientizadas de sua responsabilidade ambiental. no sentido de promover a substituição. Declaração de Tlaxcala de outubro de 1982 3o Colóquio Interamericano sobre a Conservação do Patrimônio Monumental "Revitalização das Pequenas Aglomerações" . a sua responsabilidade histórica. Todas as empresas. a elaboração de novas fontes renováveis de energia terão um efeito benéfico no ambiente. Deve-se prestar uma atenção particular ao papel das inovações técnicas. Essa ação preventiva deveria incluir a programação de todas as atividades que possam causar impacto ambiental. Uma ação legislativa adequada e oportuna é importante nesse particular. Conclama todos os governos e povos do mundo a assumirem. igualmente. entre nações ou entre grupos de nações. no âmbito da proteção ambiental. Reafirma. como instrumento catalisador primordial para a cooperação ambiental global.Conselho Internacional de Monumentos e Sítios Os participantes do Terceiro Colóquio Interamericano sobre a Conservação do Patrimônio Monumental. solenemente. de forma a assegurar que o nosso pequeno planeta seja transmitido às futuras gerações em condições que garantam a vida e a dignidade humana para todos. de 25 a 28 de outubro de 1982. individual e coletivamente.tradicionais de pastoreio. incrementar a conscientização pública e política sobre a importância do meio ambiente. . Medidas possibilitando.MÉXICO ICOMOS . organizado pelo Comitê Nacional do ICOMOS mexicano e que se realizou em Trindade. ou de procederem à exportação para outros países. O comportamento e a participação responsáveis são essenciais para promover a causa do meio ambiente. A comunidade mundial de Estados reafirma. em particular. a reciclagem e a conservação de recursos naturais. antes de adotarem novos métodos e novas tecnologias de produção industrial. Tlaxcala. apresenta possibilidades promissoras. Importa. assim como ao fortalecimento e ampliação de esforços nacionais e de atos de cooperação internacional. A programação racional e conjunta dos recursos energéticos. assim. sobre o tema A Revitalização das Pequenas Aglomerações. o seu apoio no sentido de fortalecer o programa das Nações Unidas para o meio ambiente. As organizações nãogovernamentais têm um papel particularmente relevante e inspirador nesse campo. graças ao Fundo Ambiental. à educação e à capacitação profissional. A prevenção de agressões ambientais é preferível à recuperação pesada e onerosa dos danos que já tenham sido causados. por exemplo. a sua adesão à declaração e ao plano de ação adotados em Estocolmo. além disso. mostraram-se sensibilizados pelas atenções de que foram cercados e exprimem sua gratidão aos representantes mexicanos pela acolhida calorosa.

Por isso. De acordo com o estabelecido na Carta de Chapultepec e levando em consideração as inquietações manifestadas pelo Colóquio de Morelia e por outras reuniões de especialistas americanos. por um lado. favorecem a destruição do patrimônio cultural por facilitarem o desprezo a nossos próprios valores. de modo a conter o êxodo das pequenas aglomerações. fenômeno que ameaça a própria existência dessas localidades. quando isso não for possível. ao contrário. Reconhecem que as ações que tendem à obtenção do bem estar das comunidades dos pequenos lugares de habitat devem fundamentar-se em um respeito estrito às tradições e ao modo de vida locais. propõem a utilização de elementos de substituição que não ocasionem alterações notáveis na forma resultante e que correspondam às condições psicológicas locais e aos modos de vida dos habitantes da região. por outro. Lembram que a conservação e realização das pequenas aglomerações são.Agradecem. um direito de as comunidades participarem das decisões que dizem respeito à conservação de seu habitat. decidem adotar as seguintes conclusões: Reafirmam que as pequenas aglomerações se constituem em reservas de modos de vida que dão testemunho de nossas culturas. é necessário dispor não apenas dos materiais. as escolas de ensino superior e o órgãos públicos ou privados que se interessam pela salvaguarda do patrimônio a utilizarem os meios de comunicação a sua disposição para fazer frente aos efeitos dessa penetração. particularmente nas pequenas aglomerações. Reafirmam a importância dos planos de ordenação físico-territorial e de desenvolvimento para diminuir o processo de abandono dos pequenos lugares de habitat e a superpopulação das médias e pequenas cidades. Solicitam também aos governos e organismos competentes uma infra-estrutura e um equipamento integrados. uma obrigação moral e uma responsabilidade dos governos de cada Estado e das autoridades locais. também. necessariamente. uma identidade a seus habitantes. de modo especial ao Governo do Estado de Tlaxcala por sua hospitalidade e reconhecem os esforços empreendidos para a conservação do patrimônio arquitetônico e urbano que a história lhe confiou e que tem grande interesse para todos os povos da América. mas. intervindo diretamente no processo de realização. assim. Os delegados. da melhoria das condições sócioeconômicas dos habitantes e da qualidade da vida dos centros urbanos. Recomendam que qualquer ação que tenda a preservar o ambiente urbano e o valores arquitetônicos de um lugar deve participar. exortam os governos. Constatam que a introdução de esquemas consumistas e de modo de vida estranhos a nossas tradições. a ambiência e o patrimônio arquitetural das pequenas zonas de habitat são bens não renováveis cuja conservação deve exigir procedimentos cuidadosamente estabelecidos para evitar os riscos de alteração ou de falsificação causados por razões de oportunidade política. após examinarem a situação atual na América em relação aos perigos que ameaçam o patrimônio arquitetônico e a ambiência das pequenas localidades. como da técnica tradicional e. conservam uma escala própria e personalizam as relações comunitárias. para preservar a atmosfera tradicional nas localidades rurais e nas pequenas aglomerações e para permitir a continuidade de manifestações arquitetônicas vernaculares contemporâneas. Pensam que. conferindo. Reconhecem. para superar as circunstâncias difíceis há que se basear no passado cultural e nas expressões concretas de nossa memória. Recomendações . que advêm graças aos múltiplos meios de comunicação. que a situação de crise econômica que se abate sobre o continente não deve sobrestar os esforços para salvaguardar a identidade das pequenas localidade.

como meio prático de conservar o patrimônio monumental e os recursos para a habitação. manter em vigor e reforçar no espírito das comunidades o prestígio e o valor do uso de tais materiais e técnicas. justamente onde eles existem. concretizados em diversos documentos internacionais. Que a comunicação de experiências nos diversos domínios relativos à preservação das pequenas localidades é indispensável para a obtenção de melhores resultados no que diz respeito não só às políticas nacionais mas à legislação específica e ao progresso técnico. sociais e econômicos da região e as possibilidades de revitalizá-la.Os participantes do colóquio reiteram os princípios que animam o Conselho Internacional dos Monumentos e do Sítios. Que os governantes dos países latino-americanos considerem a alocação de créditos sociais para dar conta da aquisição. Que as escolas de arquitetura criem e favoreçam mestrados e doutorados em restauração e levem substancialmente em conta nos programas de base dos estudos os valores do patrimônio arquitetônico e urbano. aos institutos competentes na matéria. encorajar. Com esse objetivo devem ser revistas as normas de crédito para que considerem como objeto de crédito hipotecário as construções realizadas com técnicas e materiais vernaculares. por sua vez. Chapultepec e Morélia concernentes à conservação dos pequenos lugares de habitat e emitem. sem o que a referida ação será condenada à superficialidade e à ineficácia. às universidades. manutenção. às escolas profissionais. . que devem ser difundidas pelos comitês do ICOMOS na América e por todos os demais especialistas e apresentadas. às faculdades de arquitetura e a outros organismos. é urgente. Recomenda-se: Que qualquer ação que vise à conservação e a revitalização das pequenas localidades seja inserida em um programa que leve em conta os aspectos históricos. bem como as técnicas tradicionais de construção. de maneira que seus diplomados sejam capazes de se transformar em profissionais úteis às comunidades necessitadas. Que é útil que os estabelecimentos de ensino e sociedades de arquitetos organizem comissões de preservação do patrimônio arquitetônico capazes de promover maior consciência da responsabilidade que lhes cabe no que diz respeito à conservação das pequenas aglomerações. Reafirma-se a necessidade de publicações nesse sentido e propõe-se a criação de grupos de trabalho americanos para os diversos temas específicos. Recomenda-se encorajar a competência artesanal da construção através de premiações. as recomendações seguintes. A informação é importante tanto no nível internacional quanto no que é específico do meio americano. Que os órgãos do serviço público. saúde. eletrificação e outros. em cada país. Que a utilização de materiais regionais e a conservação de técnicas de construção tradicionais de cada região sejam indispensáveis para a conservação adequada das pequenas aglomerações e não estejam em contradição com a teoria geral que estabelece que se deixe em evidência nas intervenções a marca de nosso tempo. restauração e revitalização das pequenas localidades. Que seja encorajada a participação interdisciplinar. O esforço para identificar. antropológicos. às autoridades. educação. levem em consideração que suas ações e boas intenções podem causar danos às pequenas comunidades se forem ignorados ou minimizados os valores do patrimônio cultural e os benefícios que resultam da conservação desse patrimônio para toda a comunidade. condição indispensável a qualquer empenho em favor da conservação. tais como os de comunicação. assim como as recomendações feitas durante as precedentes reuniões americanas de Quito. conservação e restauração de moradias nas pequenas aglomerações e pequenas cidades. os problemas de conservação e de restauração e o conhecimento da arquitetura vernacular.

Ela engloba. Através dela discernimos os valores e efetuamos opções. não obstante o acréscimo das possibilidades de diálogo. materiais. como afirma a constituição da UNESCO. Assim. críticos. a Conferência Mundial sobre as Políticas Culturais.de compilar e difundir as informações relativas a esse problema e de prestar acompanhamento aos programas e estudos desse gênero. Que os representantes dos países da região empreendam os maiores esforços. Concorda também que a cultura dá ao homem a capacidade de refletir sobre si mesmo. racionais. os direitos fundamentais do ser humano. a cultura pode ser considerada atualmente como o conjunto dos traços distintivos espirituais. e eticamente comprometidos. Através dela o homem se expressa. são essenciais para um verdadeiro desenvolvimento do indivíduo e da sociedade. a comunidade das nações enfrenta também sérias dificuldades econômicas. Declaração do México México.Conselho Internacional de Monumentos e Sítios O mundo tem sofrido profundas transformações nos últimos anos. se reconhece como um projeto inacabado. cujo significado e alcance têm se ampliado consideravelmente. a comunidade internacional decidiu contribuir efetivamente para a aproximação entre os povos e a melhor compreensão entre os homens. Em nossos dias. a conferência concorda em que. Por tal razão. Ao reunir-se no México. os modos de vida. Mais do que nunca é urgente erigir na mente de cada indivíduo estes baluartes da paz que. garantir o respeito ao direito dos demais e assegurar o exercício das liberdades fundamentais do homem e dos povos. 1982 Conferência Mundial sobre as Políticas Culturais ICOMOS . e do seu direito à autodeterminação. A educação e a cultura. além das artes e das letras. ao expressar a sua esperança na convergência final dos objetivos culturais e espirituais da humanidade. no seu sentido mais amplo. da ciência e da cultura. e aprovem o protocolo da Convenção para o Patrimônio Mundial da UNESCO (16 de novembro de 1972) como um meio de receberem a assistência técnica e o apoio dos organismos internacionais. hoje é mais urgente que nunca estreitar a colaboração entre as nações. as tradições e as crenças. a desigualdade entre as nações é crescente. põe em questão as suas próprias realizações. intelectuais e afetivos que caracterizam uma sociedade e um grupo social. É ela que faz de nós seres especificamente humanos. já que seus governos não os têm feito. toma consciência de si mesmo. Os avanços da ciência e da técnica têm modificado o lugar do homem no mundo e a natureza de suas relações sociais. os sistemas de valores. procura incansavelmente novas significações e cria obras que o transcendem. podem constituir-se principalmente através da educação. . múltiplos conflitos e graves tensões ameaçam a paz e a segurança.

Todas as culturas fazem parte do patrimônio comum da humanidade. Dimensão Cultural do Desenvolvimento A cultura constitui uma dimensão fundamental do processo de desenvolvimento e contribui para fortalecer a independência. apreciação de outros valores e tradições. mas favorecem a comunhão dos valores universais que unem os povos. A identidade cultural de um povo se renova e enriquece em contato com as tradições e valores dos demais. portanto. Há que reconhecer a igualdade e dignidade de todas as culturas. Tudo isso reclama políticas culturais que protejam. no isolamento. além de estabelecerem o mais absoluto respeito e apreço pelas minorias culturais e pelas outras culturas do mundo. As peculiaridades culturais não dificultam. Por isso. intercâmbio de idéias e experiências. sem levar em conta a sua necessária dimensão qualitativa. esgota-se e morre. O desenvolvimento autêntico persegue o bem-estar e a satisfação constantes de cada um e de todos. ou seja. o processo de sua própria criação. constitui a essência mesma do pluralismo cultural o reconhecimento de múltiplas identidades culturais onde coexistirem diversas tradições. a conferência afirma solenemente os seguintes princípios que devem reger as políticas culturais: Identidade Cultural Cada cultura representa um conjunto de valores único e insubstituível já que as tradições e as formas de expressão de cada povo constituem sua maneira mais acabada de estar presente no mundo. assim. surge da experiência de todos os povos do mundo. para a liberação dos povos. Identidade cultural e diversidade cultural são indissociáveis. a satisfação das aspirações espirituais e culturais do homem.Por conseguinte. A cultura é um diálogo. a soberania e a identidade das nações. estimulem e enriqueçam a identidade e o patrimônio cultural de cada povo. A afirmação da identidade cultural contribui. assim como o direito de cada povo e de cada comunidade cultural a afirmar e preservar sua identidade cultural. cada um dos quais afirma a sua identidade. A identidade cultural é uma riqueza que dinamiza as possibilidades de realização da espécie humana ao mobilizar cada povo e cada grupo a nutrir-se de seu passado e a colher as contribuições externas compatíveis com a sua especificidade e continuar. O universal não pode ser postulado em abstrato por nenhuma cultura em particular. O crescimento tem sido concebido frequentemente em termos quantitativos. A humanidade empobrece quando se ignora ou se destrói a cultura de um grupo determinado. A comunidade internacional considera que é um dever velar pela preservação e defesa da identidade cultural de cada povo. . qualquer forma de dominação nega ou deteriora essa identidade. e a exigir respeito a ela. ao contrário.

que toda pessoa tem direito a tomar parte livremente na vida cultural comunidade. da saúde ou da pertinência a grupos étnicos minoritários ou marginais. o seu fim último é a pessoa 11. das convicções religiosas. por consequência. do sexo. nem quanto a seus benefícios. tais estratégias deverão levar sempre em conta a dimensão histórica. . seu bem-estar e sua possibilidade de convivência solidária com todos os povos.do progresso científico e dos benefícios que dele resultem. multiplicar as oportunidades de diálogo entre a população e o organismos culturais. em primeiro lugar. social e cultural de cada sociedade. Requerem-se novos modelos e é no âmbito da cultura e da educação que serão encontrados. Qualquer política cultural deve resgatar o sentido profundo e humano do desenvolvimento. da idade. descentralização dos lugares de recreio e fruição das belas-artes. no plano geográfico e no administrativo para assegurar que as instituições responsáveis conheçam melhor as preferências opções e necessidades da sociedade em matéria de cultura. no seu artigo 27. A cultura procede da comunidade inteira e a ela deve retornar. Os Estados devem tomar as medidas necessária para alcançar este objetivo. da origem e da posição social. é preciso eliminar as desigualdades provenientes. democracia cultural supõe a mais ampla participação do indivíduo e d sociedade no processo de criação de bens culturais. Uma política cultural democrática tornará possível o desfrute da excelência artística em toda as comunidades e entre toda a população. na tomada de decisões que concernem à vida cultural e na sua difusão e fruição. Um programa de democratização da cultura obriga. O homem é o princípio e o fim do desenvolvimento. entre outras. O desenvolvimento supõe a capacidade de cada indivíduo e de cada povo de informar-se e aprender a comunicar suas experiências. em consequência. Só se pode atingir um desenvolvimento equilibrado mediante a integração dos fatores culturais nas estratégias para alcançá-lo. a gozar das artes e a participai. Cultura e Democracia A Declaração Universal dos Direitos Humanos estabelece. mas a sua plena realização individual e coletiva e a preservação da natureza. É essencial. Proporcionar a todos os homens a oportunidade de realizar um melhor destino supõe ajustar permanentemente o ritmo do desenvolvimento. É preciso descentralizar a vida cultural. Seu objetivo não é a produção. sobretudo. o lucro ou o consumo per se. Não pode se privilégio da elite nem quanto a sua produção. da nacionalidade. da língua. Um número cada vez maior de mulheres e homens desejam um mundo melhor. da educação. mas o desenvolvimento do ser humano. Não só perseguem a satisfação de suas necessidades fundamentais. A fim de garantir a participação de todos os indivíduos na vida cultural.1 sua dignidade individual e na sua responsabilidade social. de abrir novos pontos de entrosamento com a democracia pela via da igualdade de oportunidades nos campos da educação e da cultura.É indispensável humanizar o desenvolvimento. Trata-se.

Relações entre Cultura. as obras de arte e os arquivos e bibliotecas. pelas ocupações estrangeiras e pela imposição de valores exógenos. porém. mas também o fomento de atividades que estimulem a consciência pública sobre a importância da arte e da criação intelectual. por conseguinte. Mais inaceitáveis ainda são. A preservação e o apreço do patrimônio cultural permitem. portanto. Educação. da educação. Ciência e Comunicação O desenvolvimento global da sociedade exige políticas complementares nos campos da cultura. as obras materiais e não materiais que expressam a criatividade desse povo: a língua. os lugares e monumentos históricos. sem discriminação de caráter político. afirmar e promover sua identidade cultural. Todas essas ações contribuem para romper o vínculo e a memória dos povos em relação a seu passado. A liberdade de pensamento e de expressão é indispensável à atividade criadora do artista e do intelectual. Qualquer povo tem o direito e o dever de defender e preservar o patrimônio cultural. escritores e sábios. acordos e relações internacionais existentes poderiam ser reforçados para aumentar sua eficácia a esse respeito. É imprescindível estabelecer as condições sociais e culturais que facilitem. já que as sociedades se reconhecem a si mesmas através dos valores em que encontram fontes de inspiração criadora. os ritos. da ciência e da comunicação. as crenças. Princípio fundamental das relações culturais entre os povos é a restituição a seus países de origem das obras que lhes foram subtraídas ilicitamente. O desenvolvimento e promoção da educação artística compreendem não só a elaboração de programas específicos que despertem a sensibilidade artística e apoiem grupos e instituições de criação e difusão. assim como as criações anônimas surgidas da alma popular e o conjunto de valores que dão sentido à vida. a cultura. Criação Artística e Intelectual e Educação Artística O desenvolvimento da cultura é inseparável tanto da independência dos povos quanto da liberdade da pessoa. músicos. aos povos defender a sua soberania e independência e. industrialização e penetração tecnológica. Ou seja. os atentados ao patrimônio cultural perpetrados pelo colonialismo. arquitetos. ideológico e social. a fim de estabelecer um equilíbrio harmonioso entre o progresso técnico e a elevação intelectual e moral da humanidade A educação é o meio por excelência para transmitir os valores culturais nacionais e universais. pelos conflitos armados. Os instrumentos. e deve procurar a assimilação dos conhecimentos científicos e técnicos sem detrimento das capacidades e valores dos povos.Patrimônio Cultural O patrimônio cultural de um povo compreende as obras de seus artistas. estimulem e garantam a criação artística e intelectual. . O patrimônio cultural tem sido frequentemente danificado ou destruído por negligência e pelos processos de urbanização.

Os meios modernos de comunicação devem facilitar a informação objetiva sobre as tendências culturais nos diversos países. . Uma circulação livre e uma difusão mais ampla e melhor equilibrada da informação. em função das necessidades de desenvolvimento tios povos. que inspire a renovação e estimule a criatividade. a sociedade há de se esforçar em utilizar as novas técnicas da produção e da comunicação para colocá-las a serviço de um autêntico desenvolvimento individual e coletivo e favorecer a independência das nações. É necessário revalorizar as línguas nacionais como veículos do saber. Nas suas atividades internacionais. administrar e financiar as atividades culturais. Por outra parte. desempenham um papel importante na difusão de bens culturais.Requer-se atualmente uma educação integral e inovadora que não só informe e transmita. que permita aos educandos tomar consciência da realidade do seu tempo e do seu meio. administração e financiamento das atividades culturais A cultura é o fundamento necessário para o desenvolvimento autêntico. supõem o direito de todas as nações não só de receber mas também de transmitir conteúdos culturais. científicos e tecnológicos. Em conseqüência. A sociedade deve realizar um esforço importante dirigido a planejar. Os meios modernos de comunicação têm uma importância fundamental na educação e na difusão da cultura. O ensino da ciência e da tecnologia deve ser concebido principalmente como um processo cultural de desenvolvimento do espírito crítico e integrado aos sistemas educativos. A alfabetização é condição indispensável para o desenvolvimento cultural dos povos. educativos. mas que forme e renove. qualquer que seja a sua organização. apoiar o estabelecimento de indústrias culturais. em conseqüência. das idéias e dos conhecimentos. É indispensável. que constituem alguns dos princípios de uma nova ordem mundial da informação e da comunicação. ( A fonte original não inclui texto para este numeral). sobretudo nos países em via de desenvolvimento. Planejamento. no respeito aos demais e na solidariedade social e internacional. no entanto. Tais indústrias. sem lesar a liberdade criadora e a identidade cultural das nações. a ausência de indústrias culturais nacionais. Os avanços tecnológicos dos últimos anos têm dado lugar à expansão das indústrias culturais. preservando sua soberania e fortalecendo a paz no mundo. para a produção de bens e serviços realmente necessários. uma educação que capacite para a organização e para a produtividade. nos países que delas carecem. que favoreça o florescimento da personalidade. cuidando sempre para que a produção e difusão de bens culturais responda às necessidades de desenvolvimento integral de cada sociedade. ignoram muitas vezes os valores tradicionais da sociedade e suscitam expectativas e aspirações que não respondem às necessidades efetivas do seu desenvolvimento. que forme na autodisciplina. mediante programas de ajuda bilateral ou multilateral. pode ser fonte de dependência cultural e origem de alienação.

de sorte que o conhecimento de outras culturas e de experiências de desenvolvimento enriqueçam-lhes a vida. A conferência reitera solenemente o valor e a vigência da Declaração dos Princípios da Cooperação Cultural. UNESCO Num mundo convulsionado por diferenças que põem em perigo os valores culturais das civilizações. às soberanias nacionais e à nãointervenção. Tal clima não poderá ser alcançado plenamente sem que sejam reduzidos e eliminados os conflitos e tensões atuais. detida a corrida armamentista e conseguido o desarmamento. em particular as de alguns países em vias de desenvolvimento. dominação e intervenção. confiança. diálogo e paz entre as nações. Da mesma forma. a cooperação cultural deve estimular um clima internacional favorável ao desarmamento. tais como programas de desenvolvimento cultural. à independência. em particular. de maneira que os recursos humanos e as enormes somas destinadas ao armamento possam se consagrar a fins produtivos. sejam mais amplamente difundidas em todos os países. Os intercâmbios culturais. do apartheid e de todo gênero de agressão. É necessário diversificar e fomentar a cooperação cultural internacional em um contexto interdisciplinar e com atenção especial à formação de pessoal qualificado em matéria de serviços culturais. Uma cooperação mais ampla e uma compreensão cultural sub-regional. respeitar os direitos do homem e contribuir para a eliminação do colonialismo. científicos e educativos devem fortalecer a paz. interregional e internacional são pressupostos importantes para obter um clima de respeito. . a Ciência e a Cultura. do neocolonialismo. Há que se estimular. científico e técnico. Uma paz duradoura deve ser estabelecida para assegurar a própria existência da cultura humana.Cooperação Cultural Internacional É essencial para a atividade criadora do homem e para o completo desenvolvimento da pessoa e da sociedade a mais ampla difusão das idéias e dos conhecimentos. à dignidade e ao valor de cada cultura. reequilibrar o intercâmbio e a cooperação cultural a fim de que as culturas menos conhecidas. os Estados Membros e a Secretaria da Organização das Nações Unidas para a Educação. É indispensável. pela Conferência Geral da Organização das Nações Unidas para a Educação. além disso. do racismo. A cooperação cultural internacional deve fundamentar-se no respeito à identidade cultural. regional. nas relações de cooperação entre as nações deve evitar-se qualquer forma de subordinação ou substituição de uma cultura por outra. a cooperação entre países em vias de desenvolvimento. Consequentemente. aprovada na sua décima quarta reunião. baseada em intercâmbio e em reuniões culturais. A conferência reafirma que o valor educativo e cultural é essencial nos esforços para instaurar uma nova ordem econômica internacional. a Ciência e a Cultura devem multiplicar os esforços destinados a preservar tais valores e a aprofundar sua ação em benefício do desenvolvimento da humanidade.

Frente a essa situação. o Conselho Internacional de Monumentos e de Sítios (ICOMOS) julgou necessário redigir uma Carta Internacional para Salvaguarda das Cidades Históricas.Conselho Internacional de Monumentos e Sítios Preâmbulo e definições: Resultantes de um desenvolvimento mais ou menos espontâneo ou de um projeto deliberado. A Conferência Mundial sobre Políticas Culturais faz um apelo à UNESCO para que prossiga e reforce sua ação de aproximação cultural entre os povos e as nações e continue desempenhando a nobre tarefa de contribuir para que os homens. tal como são definidos na sua constituição. adquirem uma importância capital. como entre as nações. 1964). que. além de sua condição de documento histórico. exprimem valores próprios das civilizações urbanas tradicionais. Carta de Washington Washington. . 1976) e. Como no texto da Recomendação da UNESCO relativa à Salvaguarda dos Conjuntos Históricos ou Tradicionais e a sua Função na Vida Contemporânea (Varsóvia . a favorecer a harmonia da vida individual e social e a perpetuar o conjunto de bens que. ultrapassando as suas diferenças. de deterioração e até mesmo de destruição sob o efeito de um tipo de urbanização nascido na era industrial e que hoje atinge universalmente todas as sociedades. históricas. social e mesmo econômico. a sua conservação e restauração. 1986 CARTA INTERNACIONAL PARA A SALVAGUARDA DAS CIDADES HISTÓRICAS ICOMOS . muitas delas estão ameaçadas de degradação. Atualmente. Ao complementar a Carta Internacional Sobre a Conservação e a Restauração de Monumentos e Sítios (Veneza. realizem o antigo sonho da fraternidade universal. A presente carta diz respeito mais precisamente às cidades grandes ou pequenas e aos centros ou bairros históricos com seu entorno natural ou construído. este novo texto define os princípios e os objetivos. os métodos e os instrumentos de ação apropriados a salvaguardar a qualidade das cidades históricas. por essa razão. como em outros instrumentos internacionais. Face a essa situação muitas vezes dramática. os objetivos da UNESCO.Nairobi. também. o respeito ao direito alheio é a paz". bem como a seu desenvolvimento coerente e a sua adaptação harmoniosa à vida contemporânea. A comunidade internacional reunida nesta conferência considera seu o lema de Benito Juarez: "Entre os indivíduos. entende-se aqui por salvaguarda das cidades históricas as medidas necessárias a sua proteção. constituem a memória da humanidade. todas as cidades do mundo são as expressões materiais da diversidade das sociedades através da história e são todas. que provoca perdas irreversíveis de caráter cultural. mesmo modestos.

Métodos e instrumentos O planejamento da salvaguarda das cidades e bairros históricos deve ser precedido de estudos multidisciplinares. técnicos. A participação e o comprometimento dos habitantes da cidade são indispensáveis ao êxito da salvaguarda e devem ser estimulados. sensibilidade. as condições existentes na área deverão ser rigorosamente documentadas. b) as relações entre os diversos espaços urbanos. As novas funções devem ser compatíveis com o caráter. Não se deve jamais esquecer que a salvaguarda das cidades e bairros históricos diz respeito primeiramente a seus habitantes. c) a forma e o aspecto das edificações (interior e exterior) tais como são definidos por sua estrutura. O plano deveria contar com a adesão dos habitantes. A adaptação da cidade histórica à vida contemporânea requer cuidadosas instalações das redes de infra-estrutura e equipamento dos serviços públicos. possam ser demolidos. Os valores a preservar são o caráter histórico da cidade e o conjunto de elementos materiais e espirituais que expressam sua imagem. e) as diversas vocações da cidade adquiridas ao longo de sua história. Antes da adoção de um plano de salvaguarda ou enquanto ele estiver sendo finalizado. método e rigor. As intervenções em um bairro ou em uma cidade histórica devem realizar-se com prudência. Antes de qualquer intervenção. e ser considerada no planejamento físico territorial e nos planos urbanos em todos os seus níveis. estilo. administrativo e financeiro. O plano de salvaguarda deve compreender uma análise dos dados. mas levar em consideração os problemas específicos de cada caso particular. a vocação e a estrutura das cidades históricas. as ações necessárias à conservação deverão ser adotadas em observância aos princípios e métodos da presente carta e da Carta de Veneza. . os que devam ser conservados em certas condições e os que. volume. A conservação das cidades e bairros históricos implica a manutenção permanente das áreas edificadas. materiais. espaços abertos e espaços verdes. em particular: a) a forma urbana definida pelo traçado e pelo parcelamento.Princípios e objetivos: Para ser eficaz. históricos. Qualquer ameaça a esses valores comprometeria a autenticidade da cidade histórica. a salvaguarda das cidades e bairros históricos deve ser parte essencial de uma política coerente de desenvolvimento econômico e social. Dever-se-ia evitar o dogmatismo. O plano de salvaguarda deve determinar as edificações ou grupos de edificações que devam ser particularmente protegidos. particularmente arqueológicos. cor e decoração. arquitetônicos. d) as relações da cidade com seu entorno natural ou criado pelo homem. escala. espaços construídos. sociológicos e econômicos e deve definir as principais orientações e modalidades de ações a serem empreendidas no plano jurídico. O plano de salvaguarda deverá empenhar-se para definir uma articulação harmoniosa entre os bairros históricos e o conjunto da cidade. em circunstâncias excepcionais.

as áreas de estacionamento deverão ser planejadas de maneira que não degradem seu aspecto nem o do seu entorno. Carta de Petrópolis Petrópolis. A introdução de elementos de caráter contemporâneo. pode contribuir para o seu enriquecimento. desde que não perturbe a harmonia do conjunto. Devem ser adotadas nas cidades históricas medidas preventivas contra as catástrofes naturais e contra todos os danos (notadamente. sem prejuízo da organização geral do tecido urbano. já que toda cidade é um organismo histórico. não só para assegurar a salvaguarda do seu patrimônio. especialmente seu parcelamento. Deverá ser favorecida a ação das associações de salvaguarda e deverão ser tomadas medidas de caráter financeiro para assegurar a conservação e a restauração das edificações existentes. A salvaguarda exige uma formação especializada de todos os profissionais envolvidos. as poluições e as vibrações). É importante contribuir para um melhor conhecimento do passado das cidades históricas. Os meios empregados para prevenir ou reparar os efeitos das calamidades devem adaptar-se ao caráter específico dos bens a salvaguardar.A melhoria do habitat deve ser um dos objetivos fundamentais da salvaguarda. A circulação de veículos deve ser estritamente regulamentada no interior das cidades e dos bairros históricos. volume e escala. como também para a segurança e o bem-estar de seus habitantes. e não por oposição a espaços não-históricos da cidade. através do favorecimento às pesquisas arqueológicas urbanas e da apresentação adequada das descobertas. nos termos em que o impõem a qualidade e o valor do conjunto de construções existentes. O sítio histórico urbano – SHU – é parte integrante de um contexto amplo que comporta as paisagens natural e construída. Esse sítio histórico urbano deve ser entendido em seu sentido operacional de área crítica. Para assegurar a participação e o envolvimento dos habitantes deverá ser efetuado um programa de informações gerais que comece desde a idade escolar. assim como a vivência de seus habitantes num espaço de . mas somente facilitar o tráfego nas cercanias para permitirlhes um fácil acesso. 1987 1º Seminário Brasileiro para Preservação e Revitalização de Centros Históricos Entende-se como sítio histórico urbano o espaço que concentra testemunhos do fazer cultural da cidade em suas diversas manifestações. Os grandes traçados rodoviários previstos no planejamento físico territorial não devem penetrar nas cidades históricas. No caso de ser necessário efetuar transformações dos imóveis ou construir novos. todo o acréscimo deverá respeitar a organização espacial existente.

Os critérios para avaliar a conveniência desta substituição devem levar em conta o custo sócio-cultural do novo. Guardando essa heterogeneidade. Nesse sentido. O objetivo último da preservação é a manutenção e potencialização de quadros e referenciais necessários para a expressão e consolidação da cidadania.valores produzidos no passado e no presente. devendo. Nesse sentido. A realização do inventário com a participação da comunidade proporciona não apenas a obtenção do conhecimento do valor por ela atribuído ao patrimônio.º 3 – "Cartas Patrimoniais"Ministério da Cultura Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional – IPHAN Brasília. como uma das formas de pleno exercício da cidadania. 1995 . mas também. tais como: tombamento. estaduais e municipais. A preservação do SHU deve ser pressuposto do planejamento urbano. Na diversificação dos instrumentos de proteção. onde se manifestam as verdadeiras expressões de uma sociedade heterogênea e plural. Na preservação do SHU é fundamental a ação integrada dos órgãos federais. isenções e incentivos. o fortalecimento dos seus vínculos em relação ao patrimônio. No processo de preservação do SHU. alicerçado no conhecimento dos mecanismos formadores e atuantes na estruturação do espaço. declaração de interesse cultural e desapropriação. bem como a participação da comunidade interessada nas decisões de planejamento. abrigar os universos de trabalho e do cotidiano. em processo dinâmico de transformação. socialmente fabricada. entendido como processo contínuo e permanente. não é eliminatória. só se justificando sua substituição após demonstrado o esgotamento de seu potencial sócio-cultural. Desta forma. Publicado no Caderno de Documentos n. normas urbanísticas. haja vista a flagrante carência habitacional brasileira. Sendo a polifuncionalidade uma característica do SHU. inventário. mas somatória. nem mesmo daqueles ditos culturais. deve a moradia construir-se na função primordial do espaço edificado. desde que compatíveis com a sua ambiência. todo espaço edificado é resultado de um processo de produção social. devendo os novos espaços urbanos ser entendidos na sua dimensão de testemunhos ambientais em formação. necessariamente. é imprescindível a viabilização e o estímulo aos mecanismos institucionais que asseguram uma gestão democrática da cidade. considera-se essencial a predominância do valor social da propriedade urbana sobre a sua condição de mercadoria. pelo fortalecimento da participação das lideranças civis. É nessa perspectiva de reapropriação política do espaço urbano pelo cidadão que a preservação incrementa a qualidade de vida. a sua preservação não deve dar-se à custa de exclusividade de usos. o inventário como parte dos procedimentos da análise e compreensão da realidade constituiu-se na ferramenta básica para o conhecimento do acervo cultural e natural. especial atenção deve ser dada à permanência no SHU das populações residentes e das atividades tradicionais. A cidade enquanto expressão cultural. A proteção legal do SHU far-se-á através de diferentes tipos de instrumentos.

por sua complexidade. arqueológicos. contribuirá para a valorização das identidades culturais. que terá o nome Carta de Cabo Frio. étnicos e culturais. originários de todas as partes do Brasil e de outras terras da América. O êxito de uma política preservacionista tem como fator fundamental o engajamento da comunidade. enfatizados através da educação pública. demanda um concurso interdisciplinar e uma ação interinstitucional. de modo a garantir a melhoria da qualidade de vida das populações envolvidas. com o sacrifício de muitos valores. faz-se necessária a apropriação de métodos específicos e de novas técnicas disponíveis. O processo de preservação. o homem atribui a esses testemunhos significação cultural. engenharia e outros saberes. que em 1503 aqui esteve. o Comitê Brasileiro do ICOMOS reuniu em Cabo Frio. navegação. para. arquitetura. com a utilização dos meios de comunicação. A história do planeta Terra. é fundamental assegurar-lhes a posse e o usufruto exclusivo de suas terras e a preservação de suas línguas – fatores centrais de sua identidade. é fundamental a preservação de todo tipo de testemunhos. O trabalho dos cientistas sociais e dos órgãos responsáveis deve assegurar a liberdade do desenvolvimento cultural dos povos indígenas. É preciso rever a história americana. O sentido de conquista que caracterizou o encontro de culturas na América resultou em um processo desigual de interação. A criação de unidades de conservação ambiental e a preservação de sítios deverá ser acompanhada de soluções alternativas. México.Carta de Cabo Frio de outubro de 1989 Vespuciana . como os sítios geológicos. . Nesse sentido. Bolívia. escrever esta carta. juntando-se às comemorações dos 500 anos da vinda de Colombo América e homenageando o navegador Américo Vespúcio. Para o conhecimento e a preservação do patrimônio cultural e natural. Costa Rica. como Argentina. botânica. Ao identificá-las e interpretar-lhes o valor. pode ser lida através das múltiplas manifestações da natureza. fossilíferos e naturais. que deve ter por origem um processo educativo em todos os níveis. Para garantia da autonomia das sociedades e culturas indígenas. reconhecendo o papel das populações do continente. mui formosa paragem e mui prodigioso sítio da costa sul do Brasil. Os novos encontros de culturas deverão ser direcionados no sentido do respeito aos contextos locais. A defesa da identidade cultural far-se-á através do resgate das formas de convívio harmônico com seu ambiente. O respeito aos valores naturais. conhecedores de arqueologia.Encontro de Civilizações nas Américas Conclusões e Recomendações do Seminário No dia 6 de outubro do ano de 1989. história. O quinto centenário da chegada de Colombo é a oportunidade para se rever a história americana. Paraguai e Peru. levando-se em conta que a ocupação do continente precede em muito a fixação do europeu.

os setores-chaves das sociedades e as pessoas. aprovada em Estocolmo em 16 junho de 1972. Princípio 2 De acordo com a Carta das Nações Unidas e os princípios do direito internacional. 1995 Carta do Rio de junho de 1992 Conferência Geral das Nações Unidas Sobre o Meio Ambiente e o Desenvolvimento. Proclama que: Princípio 1 Os seres humanos constituem o centro das preocupações relacionadas com o desenvolvimento sustentável. Para salvaguarda do patrimônio natural e cultural da América Latina em suas diversas manifestações.A ação de empresas privadas ou estatais em projetos industriais. ou sob seu controle. a fim de evitar o isolamento cultural e garantir a integração latino-americana. ambientais e de desenvolvimento. Cabe ao poder público intervir com medidas efetivas de preservação. Princípio 3 . Sendo a identidade cultural a razão maior e a base da existência das nações. nela se baseando. extrativos e infra-estruturais não pode resultar em danos à vida humana. nossa morada. é fundamental um esforço conjunto. A Conferência Geral das Nações Unidas sobre o Meio Ambiente e o Desenvolvimento Havendo se reunido no Rio de Janeiro.º 3 – "Cartas Patrimoniais". os Estados têm o direito soberano de aproveitar seus próprios recursos segundo suas peculiaridades políticas. Com o objetivo de estabelecer uma aliança mundial nova e eqüitativa mediante a criação de novos níveis de cooperação entre os Estados. de 13 a 14 de junho de 1992. Procurando alcançar acordos internacionais em que se respeitem os interesses de todos e se proteja a integridade do sistema ambiental e de desenvolvimento mundial. Reafirmando a Declaração da Conferência das Nações Unidas sobre o Ambiente Humano. é imprescindível a ação do Estado nas suas várias instâncias e a participação da comunidade na valorização e defesa de seus bens naturais e culturais. fiscalização e atuação. não causem danos ao meio ambiente de outros Estados ou de zonas que estejam fora dos limites da jurisdição nacional. à natureza. e a responsabilidade de zelar por que as atividades realizadas dentro de sua jurisdição. Têm direito a uma vida saudável e produtiva em harmonia com a natureza. Publicado no Caderno de Documentos n. Reconhecendo a natureza integral e interdependente da Terra. controle.Ministério da Cultura Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional – IPHAN Brasília.

Princípio 10 . a adaptação. a difusão e a transferência de tecnologias. tecnologias novas e inovadoras. Na medida em que tenham contribuído em graus variados para a degradação do meio ambiente mundial. Nas medidas internacionais a serem adotadas com relação ao meio ambiente e ao desenvolvimento dever-se-iam também levar em consideração os interesses e as necessidades de todos os países. Princípio 9 Os Estados deveriam cooperar para o fortalecimento de sua própria capacidade de chegar ao desenvolvimento sustentável. em vista das pressões que suas sociedades exercem no meio ambiente mundial. e dos mais vulneráveis do ponto de vista ambiental. entre as quais. mas diferenciadas. os Estados deveriam reduzir e eliminar as modalidades de produção e consumo insustentável e fomentar apropriadas políticas demográficas. a proteção do meio ambiente deverá constituir parte integrante do processo de desenvolvimento e não poderá ser considerada isoladamente. em particular dos países menos adiantados. proteger e restabelecer a saúde e a integridade do ecossistema da Terra. Os países desenvolvidos reconhecem a responsabilidade que lhes cabe na busca internacional do desenvolvimento sustentável. os Estados têm responsabilidades comuns. Princípio 5 Todos os Estados e todas as pessoas deverão cooperar na tarefa essencial de erradicar a pobreza como requisito indispensável do desenvolvimento sustentável.O direito ao desenvolvimento deve exercer-se de forma tal que responda eqüitativamente às necessidades de desenvolvimento e de proteção à integridade do sistema ambiental das gerações presentes e futuras. e intensificando o desenvolvimento. das tecnologias e dos recursos financeiros de que dispõem. aumentando o sabor científico mediante o intercâmbio de conhecimentos científicos e tecnológicos. a fim de reduzir as disparidades nos níveis de vida e responder melhor às necessidades dos povos do mundo. Princípio 7 Os Estados deverão cooperar em espírito de solidariedade mundial para conservar. Princípio 6 Dever-se-á atribuir especial prioridade à situação e às necessidades específicas dos países em desenvolvimento. Princípio 4 Com o objetivo de alcançar o desenvolvimento sustentável. Princípio 8 Para alcançar o desenvolvimento sustentável e uma melhor qualidade de vida para todas as pessoas.

ou sob seu controle.O melhor modo de tratar as questões ambientais da participação de todos os cidadãos interessados no nível correspondente. Princípio 14 . a fim de abordar da melhor forma os problemas da degradação ambiental. de maneira pronta e mais decidida na elaboração de novas leis internacionais sobre responsabilidade e indenização por efeitos adversos dos danos ambientais causados pelas atividades realizadas dentro de sua jurisdição. assim como a oportunidade de participar nos processos de adoção de decisões. colocando a informação à disposição de todos. As normas utilizadas por alguns países podem resultar inadequadas e representar um custo social e econômico injustificado para outros. de maneira pronta e mais decidida na elaboração de novas leis internacionais sobre a responsabilidade e indenização por efeitos adversos dos danos ambientais causados pelas atividades realizadas dentro de sua jurisdição. basear-se em um consenso internacional. Deverá ser proporcionado acesso efetivo aos procedimentos judiciais e administrativos. deveriam. inclusive a informação sobre os materiais e as atividades que ocasionem perigo a suas comunidades. na medida do possível. As normas. No plano nacional. As medidas destinadas a tratar os problemas ambientais transfronteiriços ou mundiais. além disso. As medidas de política comercial com fins ambientais não deveriam constituir um meio de discriminação arbitrária ou injustificável. qualquer pessoa deverá ter acesso adequado à informação sobre o meio ambiente de que disponham as autoridades públicas. ou em zonas situadas fora de sua jurisdição. ou em zonas situadas fora de sua jurisdição. Dever-se-ia evitar adoção de medidas unilaterais para solucionar os problemas ambientais que se produzem fora da jurisdição do país importador. Os Estados deverão cooperar. Os Estados deverão facilitar e incentivar a sensibilização e a participação da população. Princípio11 Os estados deverão promulgar leis eficazes sobre o meio ambiente. Princípio 12 Os Estados deveriam cooperar na promoção de um sistema econômico internacional favorável e aberto que conduzisse ao crescimento econômico e ao desenvolvimento sustentável de todos os países. Os Estados deverão cooperar. além disso. Princípio 13 Os Estados deverão desenvolver a legislação nacional relativa à responsabilidade e à respectiva indenização das vítimas da contaminação e de outros danos ambientais. Princípio 14 Os Estados deverão desenvolver a legislação nacional relativa à responsabilidade e à respectiva indenização das vítimas da contaminação e de outros danos ambientais. ou sob seu controle. nem uma restrição velada ao comércio internacional. particularmente para os países em desenvolvimento. os objetivos de planejamento e as prioridades ambientais deveriam refletir o contexto ambiental e de desenvolvimento a que se aplicam. entre os quais o ressarcimento de danos e os recursos pertinentes.

em função dos custos. a falta de certeza cientificamente absoluta não deverá ser utilizada como razão para postergar a adoção de medidas eficazes. para qualquer atividade proposta que possa provavelmente produzir um impacto negativo considerável no meio ambiente e que esteja sujeito à decisão de uma autoridade nacional competente. A comunidade internacional deverá fazer todo o possível para ajudar os Estados afetados. Princípio 17 Deverá empreender-se uma avaliação do impacto ambiental. Princípio 15 Com a finalidade de proteger o meio ambiente. imprescindível contar com sua plena participação para conseguir o desenvolvimento sustentável. tendo em consideração o critério de que o que contamina deve. É. Princípio 20 As mulheres desempenham um papel fundamental no planejamento do meio ambiente e no desenvolvimento. que sirva de instrumento nacional. portanto. aos Estados que possivelmente sejam afetados por atividades que possam ter consideráveis efeitos ambientais transfronteiriços adversos e deverão realizar consultas com esses Estados com a devida antecedência e em boa fé. de acordo com suas capacidades. Princípio 16 As autoridades nacionais deveriam procurar incentivar a internalização dos custos ambientais e o uso de instrumentos econômicos.Os Estados deveriam cooperar efetivamente para desestimular ou evitar a realocação e a transferência para outros Estados de quaisquer atividades e substâncias que causem degradação ambiental grave ou se considerem nocivas para a saúde humana. em princípio. levando devidamente em conta o interesse público e sem distorcer o comércio nem os investimentos internacionais. Princípio 18 Os Estados deverão notificar imediatamente aos outros Estados os desastres naturais e outras situações de emergência que possam produzir efeitos nocivos súbitos no meio ambiente desses Estados. Princípio 19 Os Estados deverão proporcionar a informação pertinente e notificar previamente e de forma oportuna. arcar com os custos da contaminação. os Estados deverão aplicar amplamente o critério de precaução. para impedir a degradação do meio ambiente. Quando houver perigo de dano grave ou irreversível. Princípio 21 .

os ideais e o valor dos jovens do mundo para forjar uma aliança mundial orientada a obter o desenvolvimento sustentável e a assegurar um futuro melhor para todos. Princípio 25 A paz. . Princípio 27 Os Estados e as pessoas deverão cooperar de boa fé e com espírito de solidariedade na aplicação dos princípios consagrados nesta declaração e no posterior desenvolvimento do Direito Internacional na esfera do desenvolvimento sustentável.Deveriam ser mobilizados a criatividade. por definição. graças aos seus conhecimentos e práticas tradicionais. Princípio 24 A guerra é. o desenvolvimento e a proteção do meio ambiente são interdependentes e inseparáveis. Publicado no Caderno de Documentos n. assim como outras comunidades locais. Em conseqüência. se necessário. inimiga do desenvolvimento sustentável.º 3 – "Cartas Patrimoniais"Ministério da Cultura Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional – IPHAN Brasília. cultura e interesses e tornar possível sua participação efetiva na obtenção do desenvolvimento sustentável. Princípio 26 Os Estados deverão resolver pacificamente todas as controvérsias sobre o meio ambiente em conformidade com a Carta das Nações Unidas. Princípio 22 As populações indígenas e suas comunidades. dominação e ocupação. Os Estados deveriam reconhecer e aprovar devidamente sua identidade. e cooperar para o seu posterior desenvolvimento. 1995. Princípio 23 Devem ser protegidos os meio ambiente e os recursos naturais dos povos submetidos a opressão. os Estados deveriam respeitar as disposições de Direito Internacional que protegem o meio ambiente em época de conflito armado. desempenham um papel fundamental no planejamento do meio ambiente e no desenvolvimento.

artística e tecnológicas". entendidas como iniciativas complementares indispensáveis à proteção legal propiciada pelo instituto do registro. de 10 a 14 de novembro de 1997. promova. Essas medidas serão formuladas tendo em vista as especificidades das diferentes . documentar. 4 .A crescente demanda pelo reconhecimento e preservação do amplo e diversificado patrimônio cultural brasileiro.Que os institutos de proteção legal em vigor no âmbito federal não se têm mostrado adequados à proteção do patrimônio cultural de natureza imaterial. com o objetivo de desenvolver os estudos necessários para propor a edição de instrumento legal. em nível nacional.Que o patrimônio cultural brasileiro é constituído por bens de natureza material e imaterial. juntamente com outras unidades vinculadas ao Ministério da Cultura. encaminhada pelos poderes públicos e pelos sociais organizados. 3 .Que o Ministério da Cultura viabilize a integração do referido inventário ao Sistema Nacional de Informações Culturais. cabe ao IPHAN identificar. da UNESCO e da sociedade. proteger. em parceria com instituições estaduais e municipais de cultura. com a participação de suas entidades vinculadas e de eventuais colaboradores externos. e 5 . Propõe e recomenda 1 . meios de comunicação e outros. com especial atenção àquelas referentes à cultura popular. voltado especificamente para a preservação dos bens culturais de natureza imaterial. "as formas de expressão. os modos de criar. conforme determina a Constituição Federal. preservar e promover o patrimônio cultural brasileiro. O plenário.Que. e estiveram presentes. fazer e viver. proteger. 4 . dispondo sobre a criação do instituto jurídico denominado registro. considerados em toda a sua complexidade. através de seu Departamento de Identificação e Documentação.Que o IPHAN.Que seja criado um grupo de trabalho no Ministério da Cultura. órgãos de pesquisa. com a colaboração de consultores do meio universitário e instituições de pesquisa.Que o IPHAN promova o aprofundamento da reflexão sobre o conceito de bem cultural de natureza imaterial. 2 . e 5 . a realização do inventário desses bens culturais em âmbito nacional.IPHAN promoveu em Fortaleza. promover e fomentar os processos e bens "portadores de referência à identidade.Que os bens de natureza imaterial devem ser objeto de proteção específica. particularmente. sob a coordenação do IPHAN. o Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional . à ação e à memória dos diferentes grupos formadores da sociedade brasileira" (Artigo 216 da Constituição).Que o grupo de trabalho estabeleça as necessárias interfaces para que sejam estudadas medidas voltadas para a promoção e o fomento dessas manifestações culturais. fiscalizar. representantes de diversas instituições públicas e privadas. diversidade e dinâmica. para o qual foram convidados. todos signatários deste documento. 2 .Carta de Fortaleza de 14 de novembro de 1997 Em comemoração aos seus 60 anos de criação. o Seminário "Patrimônio Imaterial: Estratégias e Formas de Proteção". considerando: 1 . O objetivo do Seminário foi recolher subsídios que permitissem a elaboração de diretrizes e a criação de instrumentos legais e administrativos visando a identificar. as criações científicas. 3 .

tornando a difusão e o intercâmbio das informações ágil e acessível. proteção. 2. 8 . que organiza a proteção do patrimônio histórico e artístico nacional. em vigor.Que seja desenvolvido um Programa Nacional de Educação Patrimonial. documentação. atualidade e excelência jurídica do Decreto-lei n.Que o Ministério da Cultura procure influir no processo de elaboração das políticas públicas. o IPHAN encaminhe ao Conselho Nacional do Meio Ambiente (CONAMA) proposta de regulamentação do item relativo ao patrimônio cultural.Moção de defesa da legislação de preservação Em defesa do reconhecimento. eficácia. já bastante defasada em relação às suas atribuições legais e administrativas. e 12 . considerando sua importância no processo de preservação do patrimônio cultural brasileiro. cujas disposições foram recepcionadas pela Constituição Federal de 1988. 7 . 3. comissionados e funções. O plenário ainda recomenda: 6 . Em defesa da criação de instrumentos legais complementares com o objetivo de regulamentar as outras formas de acautelamento e preservação mencionadas no parágrafo primeiro do Artigo 216 da Constituição Federal. Moção de apoio ao IPHAN Pelo repúdio a qualquer tipo de medida que venha a reduzir a capacidade operacional do IPHAN.Que seja estabelecida uma Política Nacional de Preservação do Patrimônio Cultural com objetivos e metas claramente definidos. Pela garantia de sobrevivência do IPHAN e de todas as suas conquistas nas áreas de identificação.Que a preservação do patrimônio cultural seja abordada de maneira global. 10 . inclusive no que concerne a extinção de cargos efetivos. relativamente aos Estudos de Impacto Ambiental (EIA) e Relatórios de Impacto Ambiental (RIMA). buscando valorizar as formas de produção simbólica e cognitiva. no sentido de que sejam levados em consideração os valores culturais na sua formulação e implementação. de modo a contemplá-lo em toda a sua amplitude.manifestações culturais. através da criação de uma carreira especial. e o conseqüente desligamento de servidores não estáveis. Pelo reconhecimento das atividades exercidas pelo IPHAN como função típica de Estado. preservação e promoção do patrimônio cultural brasileiro. a partir da experiência do IPHAN.Que sejam buscadas parcerias com entidades públicas e privadas com o objetivo de conhecer as manifestações culturais de natureza imaterial sobre as quais já existam informações disponíveis. e com a participação de outros agentes do poder público e da sociedade. 9 . 11 . 25/37.Que seja constituído um banco de dados acerca das manifestações culturais passíveis de proteção. Moção de apoio ao Ministério da Cultura . O plenário encaminhou as seguintes moções: 1 .Que.

a exemplo de outras etnias. 4. Moção de congratulações à 4ª Coordenação Regional do IPHAN Pelo reconhecimento da importância de realização do Seminário "Patrimônio Imaterial: estratégias e formas de proteção" e da excelência de sua organização. 6. ser objeto de atenção dos órgãos do Ministério da Cultura. 5. de modo a não comprometer suas atribuições institucionais. devendo. . Moção de defesa à Lei de Incentivo à Cultura Pela manutenção dos benefícios previstos na Lei de Incentivo à Cultura.Pelo repúdio a qualquer tipo de medida que venha a reduzir a capacidade operacional do Ministério da Cultura e demais entidades vinculadas. que estimulam a parceria entre Estado e sociedade na tarefa de preservar e promover o patrimônio cultural brasileiro. inclusive no que concerne á extinção de cargos efetivos e o conseqüente desligamento de servidores não estáveis. Moção de apoio às expressões culturais dos povos ameríndios Pelo reconhecimento da cultura indígena como integrante do patrimônio nacional brasileiro.

c e d do artigo anterior. das jazidas arqueológicas ou pré-históricas conhecidas como sambaquis.São proibidos em todo território nacional o aproveitamento econômico. nem a dos objetos nela incorporados na forma do art. sepulturas ou locais de pouso prolongado ou de aldeamento "estações" e "cerâmios". inscrições e objetos enumerados nas alíneas b. natural ou jurídica. a juízo da autoridade competente. deverá comunicar à Diretoria do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional. fiscalização e salvaguarda do interesse da ciência. que. de acordo com o art. nos quais se encontram vestígios humanos de interesse arqueológico ou paleoetnográfico. Artigo 6° . de acordo com o que estabelece o art. birbigueiras ou sernambis. como tal. manifestadas ao governo da União. sob pena de multa de Cr$ 10. lapas e abrigos sob rocha. por intermédio da Diretoria do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional.Qualquer ato que importe na destruição ou mutilação dos monumentos a que se refere o art. DISPÕE SOBRE OS MONUMENTOS ARQUEOLÓGICOS E PRÉ-HISTÓRICOS. jazigos.00 (dez mil a cinqüenta mil cruzeiros). para efeito de exame. estearias e quaisquer outras não especificadas aqui.A propriedade da superfície. c) os sítios identificados como cemitérios. aterrados. à exploração de jazidas arqueológicas ou préhistóricas. a destruição ou mutilação. para qualquer fim. Artigo 3° .000.Os monumentos arqueológicos ou pré-históricos de qualquer natureza existentes no território nacional e todos os elementos que neles se encontram ficam sob a guarda e proteção do Poder Público. 180 da Constituição Federal. que representem testemunhos da cultura dos paleoameríndios do Brasil.924 de 26 de julho de1961. origem ou finalidade. 2° desta Lei será considerado crime contra o Patrimônio Nacional e. poços sepulcrais. já estiver procedendo.Toda pessoa. Artigo 2° . e bem assim dos sítios. regida pelo direito comum. dentro de sessenta (60) dias. na data da publicação desta Lei. casqueiros. tais como sambaquis. antes de serem devidamente pesquisados. para fins econômicos ou outros.00 a Cr$ 50.Consideram-se monumentos arqueológicos ou pré-históricos: a) as jazidas de qualquer natureza.000. d) as inscrições rupestres ou locais como sulcos de polimentos de utensílios e outros vestígios de atividade de paleoameríndios. Artigo 4° . registro. O Presidente da República: Faço saber que o Congresso Nacional decreta e eu sanciono a seguinte lei: Artigo 1° . montes artificiais ou tesos. o exercício dessa atividade. tais como grutas. não inclui a das jazidas arqueológicas ou pré-históricas. Artigo 5° . respeitadas as concessões anteriores e não caducas. 4° .As jazidas conhecidas como sambaquis. punível de acordo com o disposto nas leis penais.Lei n° 3. mas de significado idêntico. Parágrafo único . b) os sítios nos quais se encontram vestígios positivos de ocupação pelos paleomeríndios. 161 da mesma Constituição. concheiros.

O permissionário fica obrigado a informar à Diretoria do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional.O direito de realizar escavações para fins arqueológicos.Estando em condomínio a área em que se localiza a jazida. sobre o andamento das escavações. que será transcrita em livro próprio da Diretoria do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional e na qual ficarão estabelecidas as condições a serem observadas ao desenvolvimento das escavações e estudos. acompanhado de indicação exata do local.O pedido de permissão deve ser dirigido à Diretoria do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional. trimestralmente. penal e administrativamente pelos prejuízos que causar ao Patrimônio Nacional ou a terceiros. b) sejam suspensos os trabalhos de campo por prazo superior a doze (12) meses.Desde que as escavações e estudos devam ser realizados em terreno que não pertença ao requerente.As escavações devem ser realizadas de acordo com as condições estipuladas no instrumento de permissão. que responderá civil. para todos os efeitos. impedir a inspeção dos trabalhos por delegado especialmente designado pela Diretoria do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional.O Ministério da Educação e Cultura poderá cassar a permissão concedida. do vulto e da duração aproximada dos trabalhos a serem executados. cuja notificação deverá ser feita imediatamente.As escavações devem ser necessariamente executadas sob orientação do permissionário. quando for julgado conveniente. CAPÍTULO II Das Escavações Arqueológicas realizadas por particulares Artigo 8° . Parágrafo 3° . em terras de domínio público ou particular.As jazidas arqueológicas ou pré-históricas de qualquer natureza.e registradas na forma do artigo 27 desta Lei. Artigo 10° . constitui-se mediante permissão do Governo da União. são consideradas. Artigo 7° . Artigo 11° . Parágrafo 2° . da prova de idoneidade técnico-científica e financeira do requerente e do nome do responsável pela realização dos trabalhos. Artigo 12° . através da Diretoria do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional. somente poderá requerer a permissão o administrador ou cabecel. salvo motivo . salvo a ocorrência de fato excepcional. ficando obrigado a respeitá-lo o proprietário ou possuidor do solo. para as providências cabíveis. deverá ser anexado ao seu pedido o consentimento escrito do proprietário do terreno ou de quem esteja em uso e gozo desse direito. bens patrimoniais da União. Artigo 9° . em conformidade com o Código de Minas. não podendo o responsável. não manifestadas e registradas na forma dos arts. Parágrafo 1° . Parágrafo único . eleito na forma do Código Civil.A permissão terá por título uma portaria do Ministro da Educação e Cultura. terão precedência para estudo e eventual aproveitamento. uma vez que: a) não sejam cumpridas as prescrições da presente Lei e do instrumento de concessão da licença. 4° e 6° desta Lei. sob nenhum pretexto.

de força maior. os indícios que determinaram a escolha do local e.Em caso de as escavações produzirem a destruição de um relevo qualquer.À falta de acordo amigável com o proprietário da área onde se situar a jazida. resultavam incontestáveis vantagens para o proprietário. antes do início dos estudos. na sua feição primitiva. essa obrigação só terá cabimento quando se comprovar que. dos Estados e dos Municípios Artigo 13° . Artigo 15° . c) no caso de não cumprimento do parágrafo 3° do artigo anterior.A posse e a salvaguarda dos bens de natureza arqueológica ou pré-histórica constituem.365. mesmo no caso do art. 36 do Decreto-lei n° 3. o permissionário não terá direito a indenização alguma pela despesas que tiver efetuado. poderão proceder a escavações e pesquisas. poderá realizar escavações arqueológicas ou pré-históricas. de 21 de junho de 1941. Artigo 16° .Nenhum órgão da administração federal. em princípio. . no interesse da Arqueologia e da Pré-história em terrenos de propriedade particular. nos termos do art. Parágrafo único . com exceção das áreas muradas que envolvam construções domiciliares. Parágrafo único .Em qualquer dos casos acima enumerados. CAPÍTULO III Das Escavações Arqueológicas realizadas por Instituições Científicas Especializadas da União. o local deverá ser restabelecido.Terminados os estudos. Parágrafo 1° . deverá ser lavrado um auto. para fins de registro no cadastro de jazidas arqueológicas. obrigatoriamente o local. posteriormente. será esta declarada de utilidade pública e autorizada a sua ocupação pelo período necessário à execução dos estudos. poderá ser promovida a desapropriação do imóvel. desse aspecto particular do terreno.A União.No caso de ocupação temporária do terreno. sem prévia comunicação à Diretoria do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional. Parágrafo único . o nome do especialista encarregado das escavações.Em casos especiais e em face do significado arqueológico excepcional das jazidas. devidamente comprovado.Dessa comunicação deve constar. 28 desta Lei. com fundamento no art. ou parte dele. para realização de escavações nas jazidas declaradas de utilidade pública. por utilidade pública. uma súmula dos resultados obtidos e do destino do material coletado. alíneas K e L do Decreto-lei n° 3. sempre que possível. 5°. o tipo ou a designação da jazida. no qual se descreva o aspecto exato do local. CAPÍTULO IV Das Descobertas Fortuitas Artigo 17° . Parágrafo 2° . Artigo 14° . bem como os Estados e Municípios mediante autorização federal. dos Estados ou dos Municípios.365. direito imanente ao Estado. de 21 de junho de 1941.

Parágrafo único . artístico ou numismático deverá ser imediatamente comunicada à Diretoria do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional. .Nenhuma autorização de pesquisa ou de lavra para jazidas de calcário de concha. mediante parecer favorável da Diretoria do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional ou do órgão oficial autorizado. Histórico. Artigo 20° . sem prejuízo das demais cominações legais a que estiver sujeito o responsável. uma vez concluída a sua exploração científica.De todas as jazidas será preservada.O proprietário ou ocupante do imóvel onde se tiver verificado o achado é responsável pela conservação provisória da coisa descoberta. a ser protegida pelos meios convenientes. numismático ou artístico poderá ser transferido para o exterior.Nenhum objeto que apresente interesse arqueológico ou pré-histórico. para o exterior. será entregue à Diretoria do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional.A infringência da obrigação imposta no artigo anterior implicará na apreensão sumária do achado. objeto desta Lei. pelo autor do achado ou pelo proprietário do local onde tiver ocorrido. em decorrência da omissão. que possua as características de monumentos arqueológicos ou pré-históricos.Artigo 18° . constante de uma "guia" de liberação na qual serão devidamente especificados os objetos a serem transferidos. poderá ser realizado na forma e nas condições prescritas pelo Código de Minas. Parágrafo único . como blocos testemunhos. Artigo 24° . uma parte significativa. Artigo 23° .O Conselho de Fiscalização das Expedições Artísticas e Científicas encaminhará Diretoria do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional qualquer pedido de cientista estrangeiro. de objetos de interesse Arqueológico ou Pré-histórico. ou aos órgãos oficiais autorizados. CAPÍTULO V Da remessa.A descoberta fortuita de quaisquer elementos de interesse arqueológico ou préhistórico. razão deste artigo.O objeto apreendido. para realizar escavações arqueológicas ou pré-históricas no país. sempre que possível ou conveniente. Artigo 19° . poderá ser concedida sem audiência prévia da Diretoria do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional. sem prejuízo da responsabilidade do inventor pelos danos que vier a causar ao Patrimônio Nacional.O aproveitamento econômico das jazidas. CAPÍTULO VI Disposições Gerais Artigo 22° . Artigo 21° .A inobservância da prescrição do artigo anterior implicará na apreensão sumária do objeto a ser transferido. sem licença expressa da Diretoria do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional. Parágrafo único . Numismático ou Artístico. até o pronunciamento e deliberação da Diretoria do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional.

140° da Independência e 73° da República. Artigo 28° . o produto das multas aplicadas e apreensões de material legalmente feitas reverterá em benefício do serviço estadual. organizado para a preservação e estudo desses monumentos. para o Patrimônio Nacional. Parágrafo único .Para melhor execução da presente Lei. de acordo com o disposto nesta Lei.O poder Executivo baixará.00 (cinco mil cruzeiros) a Cr$ 50.As atribuições conferidas ao Ministério da Educação e Cultura. Artigo 30° . em 26 de julho de 1961.No caso deste artigo.A realização de escavações arqueológicas ou pré-históricas. Jânio Quadros Brigido Tinoco Oscar Pedroso Horta Clemente Mariani João Agripino . bem como de instituições que tenham entre seus objetivos específicos o estudo e a defesa dos monumentos arqueológicos e pré-históricos. a partir da vigência desta Lei. a Diretoria do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional poderá solicitar a colaboração de órgãos federais. a regulamentação que for julgada necessária à sua fiel execução. sem prejuízo de sumária apreensão e conseqüente perda. para o cumprimento desta Lei.000. de todo o material e equipamento existente no local. estaduais.Artigo 25° . Artigo 29° . conforme o caso. Brasília. no prazo de 120 dias. Artigo 31° . no qual serão registrados todas as jazidas manifestadas. revogadas as disposições em contrário. dará lugar à multa de Cr$ 5. bem como das que se tornarem conhecidas por qualquer via. sem prejuízo de outras penalidades cabíveis. preservação e estudo das jazidas arqueológicas e pré-históricas. que disponha de serviços técnico-administrativos especialmente organizados para a guarda. bem como de recursos suficientes para o custeio e bom andamento dos trabalhos. poderão ser delegadas a qualquer unidade da Federação. Artigo 26° .Esta lei entrará em vigor na data de sua publicação. com infringência de qualquer dos dispositivos desta Lei.000.Aos infratores desta Lei serão aplicadas as sanções dos artigos 163 a 167 do Código Penal. Artigo 27° .A Diretoria do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional manterá um Cadastro dos monumentos arqueológicos do Brasil.00 (cinqüenta mil cruzeiros). municipais.

4º) que pertençam a casas de comércio de objetos históricos ou artísticos. Parágrafo único: As obras mencionadas nas alíneas 4 e 5 terão guia de licença para livre trânsito.Excluem-se do patrimônio histórico e artístico nacional as obras de origem estrangeira: 1º) que pertençam às representações diplomáticas ou consulares acreditadas no País. e que continuam sujeitas à lei pessoal do proprietário. bibliográfico ou artístico. 4º desta lei. a saber: . quer por sua vinculação a fatos memoráveis da história do Brasil. § 2º .A presente lei se aplica às coisas pertencentes às pessoas naturais. nos quais serão inscritas as obras a que se refere o art. usando da atribuição que lhe confere o art. 10 da Introdução ao Código Civil. educativas ou comerciais. bem como às pessoas jurídicas de direito privado e de direito público interno. 180 da Constituição. § 1º .Equiparam-se aos bens a que se refere o presente artigo e são também sujeitos a tombamento os monumentos naturais. Artigo 3º .Os bens a que se refere o presente artigo só serão considerados parte integrante do patrimônio histórico e artístico nacional depois de inscritos separada ou agrupadamente num dos quatro Livros do Tombo. quer por seu excepcional valor arqueológico ou etnográfico. de que trata o Art.O Serviço do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional possuirá quatro Livros do Tombo. bem como os sítios e paisagens que importe conservar e proteger pela feição notável com que tenham sido dotados pela Natureza ou agenciados pela indústria humana. O Presidente da República dos Estados Unidos do Brasil. 3º) que se incluam entre os bens referidos no art. 5º) que sejam trazidas para exposições comemorativas. CAPÍTULO II Do Tombamento Artigo 4º . fornecida pelo Serviço do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional. 1º desta lei. decreta: CAPÍTULO I Do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional Artigo 1º .Decreto-lei n° 25 de 30 de novembro de 1937 ORGANIZA A PROTEÇÃO DO PATRIMÔNIO HISTÓRICO E ARTÍSTICO NACIONAL. 6º) que sejam importadas por empresas estrangeiras expressamente para adorno dos respectivos estabelecimentos.Constitui o patrimônio histórico e artístico nacional o conjunto dos bens móveis e imóveis existentes no País e cuja conservação seja de interesse público. que façam carreira no País. 2º) que adornem quaisquer veículos pertencentes a empresas estrangeiras. Artigo 2º .

far-se-á vista da mesma. 3º) se a impugnação for oferecida dentro do prazo assinado. mas deverá ser notificado à entidade a quem pertencer.O tombamento de coisa pertencente à pessoa natural ou à pessoa jurídica de direito privado se fará voluntária ou compulsoriamente. a contar do recebimento da notificação. se o quiser impugnar. as coisas pertencentes às categorias de arte arqueológica.O tombamento dos bens. será o processo remetido ao Conselho Consultivo do Serviço do Patrimônio Histórico Nacional. a fim de produzir os necessários efeitos. ou sempre que o mesmo proprietário anuir. nacionais ou estrangeiras. que se incluem nas categorias enumeradas nas alíneas 1. 6º desta lei. que é fatal. que se lhe fizer. independentemente de custas. ou para. as coisas de interesse histórico e as obras de arte histórica. para inscrição da coisa em qualquer dos Livros do Tombo. Artigo 7º . 3 e 4 do presente artigo. Artigo 6º . ou sob cuja guarda estiver a coisa tombada. dentro do prazo de sessenta dias. 4º) no Livro do Tombo das Artes Aplicadas. as obras que se incluírem na categoria das artes aplicadas. § 2º .O tombamento compulsório se fará de acordo com o seguinte processo: 1º) O Serviço do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional. Artigo 8º . será considerado provisório ou definitivo. 2º) no caso de não haver impugnação dentro do prazo assinado. serão definidos e especificados no regulamento que for expedido para execução da presente lei. . que proferirá decisão a respeito.Proceder-se-á ao tombamento compulsório quando o proprietário se recusar a anuir à inscrição da coisa. e bem assim as mencionadas no § 2º do citado art. ao órgão de que houver emanado a iniciativa do tombamento.O tombamento dos bens pertencentes à União. Artigo 9º . 2º) no Livro do Tombo Histórico. 3º) no Livro do Tombo das Belas-Artes. aos Estados e aos Municípios se fará de ofício por ordem do Diretor do Serviço do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional.Os bens. a fim de sustentá-la. conforme esteja o respectivo processo iniciado pela notificação ou concluído pela inscrição dos referidos bens no competente Livro do Tombo. Em seguida. ameríndia e popular.Proceder-se-á ao tombamento voluntário sempre que o proprietário o pedir e a coisa se revestir dos requisitos necessários para constituir parte integrante do patrimônio histórico e artístico nacional a juízo do Conselho Consultivo do Serviço do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional. Dessa decisão não caberá recurso. por seu órgão competente. Artigo 10º .Cada um dos Livros do Tombo poderá ter vários volumes. oferecer dentro do mesmo prazo as razões de sua impugnação. 2. as coisas de arte erudita nacional ou estrangeira. a que se refere o art. Etnográfico e Paisagístico. dentro de outros quinze dias fatais. à notificação. Artigo 5º .1º) no Livro do Tombo Arqueológico. 1º. por escrito. dentro do prazo de quinze dias. o diretor do Serviço do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional mandará por simples despacho que proceda à inscrição da coisa no competente Livro do Tombo. notificará o proprietário para anuir ao tombamento. § 1º . a contar do seu recebimento. etnográfica.

a juízo do Conselho Consultivo do Serviço do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional. inscrevê-los no registro do lugar para que tiveram sido deslocados.O tombamento definitivo dos bens de propriedade particular será.Na hipótese de deslocação de tais bens. inalienáveis por natureza. 13 desta lei. fazê-la constar do registro. Artigo 16 . o respectivo proprietário deverá dar conhecimento do fato ao Serviço do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional.A transferência deve ser comunicada pelo adquirente. § 2º .No caso de transferência de propriedade dos bens de que trata este artigo. dentro do mesmo prazo e sob a mesma pena. CAPÍTULO III Dos efeitos do tombamento Artigo 11 . dentro do prazo de cinco dias. deverá o proprietário. transcrito para os devidos efeitos em livro a cargo dos oficiais do registro de imóveis e averbado ao lado da transcrição do domínio. sob pena de multa de dez por centro sobre o respectivo valor. a exportação para fora do País. de propriedade de pessoas naturais ou jurídicas de direito privado. só poderão ser transferidas de uma à outra das referidas entidades. além de incidir na multa a que se referem os parágrafos anteriores. ainda que se trate de transmissão judicial ou causa mortis. Artigo 13 . § 3º . sofrerá as restrições constantes da presente lei. Parágrafo único. o tombamento provisório se equipará ao definitivo. por iniciativa do órgão competente do Serviço do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional. e a deslocação pelo proprietário.No caso de reincidência. Artigo 14 . a não ser no caso previsto no artigo anterior. ao Serviço do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional. § 2º . que permanecerá seqüestrada em garantia do pagamento. será esta seqüestrada pela União ou pelo Estado em que se encontrar. senão por curto prazo. § 3º .Apurada a responsabilidade do proprietário.No caso de extravio ou furto de qualquer objeto tombado. a multa será elevada ao dobro. sob pena de multa de dez por cento sobre o valor da coisa. da coisa tombada. salvo a disposição do art. Artigo 12 . § 1º . . Feita a transferência. Artigo 15 . incorrerá nas penas cominadas no Código Penal para o crime de contrabando.A coisa tombada não poderá sair do País. § 1º . sem transferência de domínio e para fim de intercâmbio cultural. dentro do prazo de trinta dias. aos Estados ou aos Municípios.Parágrafo único .Para todos os efeitos.A alienabilidade das obras históricas ou artísticas tombadas.A pessoa que tentar a exportação de coisa tombada.Tentada.As coisas tombadas. que pertençam à União. dentro do mesmo prazo e sob pena da mesma multa. deverá o adquirente. ser-lhe-á imposta a multa de cinqüenta por cento do valor da coisa. dela deve o adquirente dar imediato conhecimento ao Serviço do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional. e até que este se faça.

Artigo 17 - As coisas tombadas não poderão, em caso nenhum, ser destruídas, demolidas ou mutiladas, nem, sem prévia autorização especial do Serviço do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional, ser reparadas, pintadas ou restauradas, sob pena de multa de cinqüenta por cento do dano causado. Parágrafo único: Tratando-se de bens pertencentes à União, aos Estados ou aos Municípios, a autoridade responsável pela infração do presente artigo incorrerá pessoalmente na multa. Artigo 18 - Sem prévia autorização do Serviço do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional, não se poderá, na vizinhança da coisa tombada, fazer construção que lhe impeça ou reduza a visibilidade, nem nela colocar anúncios ou cartazes, sob pena de ser mandada destruir a obra ou retirar o objeto, impondo-se neste caso multa de cinqüenta por cento do valor do mesmo objeto. Artigo 19 - O proprietário de coisa tombada, que não dispuser de recursos para proceder às obras de conservação e reparação que a mesma requerer, levará ao conhecimento do Serviço do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional e necessidade das mencionadas obras, sob pena de multa correspondente ao dobro da importância em que for avaliado o dano sofrido pela mesma coisa. § 1º - Recebida a comunicação, e consideradas necessárias as obras, o diretor do Serviço do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional mandará executá-las, a expensas da União, devendo as mesmas ser iniciadas dentro do prazo de seis meses, ou providenciará para que seja feita a desapropriação da coisa. § 2º - À falta de qualquer das providências previstas no parágrafo anterior, poderá o proprietário requerer que seja cancelado o tombamento da coisa. § 3º - Uma vez que verifique haver urgência na realização de obras e conservação ou reparação em qualquer coisa tombada, poderá o Serviço do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional tomar a iniciativa de projetá-las e executá-las, a expensas da União, independentemente da comunicação a que alude este artigo, por parte do proprietário. Artigo 20 - As coisas tombadas ficam sujeitas à vigilância permanente do Serviço do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional, que poderá inspecioná-las sempre que for julgado conveniente, não podendo os respectivos proprietários ou responsáveis criar obstáculos à inspeção, sob pena de multa de cem mil réis, elevada ao dobro em caso de reincidência. Artigo 21 - Os atentados cometidos contra os bens de que trata o art. 1º desta lei são equiparados aos cometidos contra o patrimônio nacional. CAPÍTULO IV Do direito de preferência Artigo 22 - Em face da alienação, onerosa de bens tombados, pertencentes a pessoas naturais ou a pessoas jurídicas de direito privado, a União, os Estados e os Municípios terão, nesta ordem, o direito de preferência. § 1º - Tal alienação não será permitida sem que previamente sejam os bens oferecidos, pelo mesmo preço, à União, bem como ao Estado e ao Município em que se encontrarem. O proprietário deverá notificar os titulares do direito de preferência a usá-lo, dentro de trinta dias, sob pena de perdê-lo.

§ 2º - É nula a alienação realizada com violação do disposto no parágrafo anterior, ficando qualquer dos titulares do direito de preferência habilitado a seqüestrar a coisa e a impor a multa de vinte por cento do seu valor ao transmitente e ao adquirente, que serão por ela solidariamente responsáveis. A nulidade será pronunciada, na forma da lei, pelo juiz que conceder o sequestro, o qual só será levantado depois de paga a multa e se qualquer dos titulares do direito de preferência não tiver adquirido a coisa no prazo de trinta dias. § 3º - O direito de preferência não inibe o proprietário de gravar livremente a coisa tombada, de penhor, anticrese ou hipoteca. § 4º - Nenhuma venda judicial de bens tombados se poderá realizar sem que, previamente, os titulares do direito de preferência sejam disso notificados judicialmente, não podendo os editais de praça ser expedidos, sob pena de nulidade, antes de feita a notificação. § 5º - Aos titulares do direito de preferência assistirá o direito de remissão, se dela não lançarem mão, até a assinatura do auto de arrematação ou até a sentença de adjudicação, as pessoas que, na forma da lei, tiverem a faculdade de remir. § 6º - O direito de remissão por parte da União, bem como do Estado e do Município em que os bens se encontrarem, poderá ser exercido, dentro de cinco dias a partir da assinatura do auto de arrematação ou da sentença de adjudicação, não se podendo extrair a carta enquanto não se esgotar este prazo, salvo se o arrematante ou o adjudicante for qualquer dos titulares do direito de preferência. CAPÍTULO V Disposições gerais Artigo 23 - O Poder Executivo providenciará a realização de acordos entre a União e os Estados, para melhor coordenação e desenvolvimento das atividades relativas à proteção do patrimônio histórico e artístico nacional e para a uniformização da legislação estadual complementar sobre o mesmo assunto. Artigo 24 - A União manterá, para conservação e exposição de obras históricas e artísticas de sua propriedade, além do Museu Histórico Nacional e do Museu Nacional de Belas Artes, tantos outros museus nacionais quantos se tornarem necessários, devendo outrossim providenciar no sentido a favorecer a instituição de museus estaduais e municipais, com finalidades similares. Artigo 25 - O Serviço do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional procurará entendimentos com as autoridades eclesiásticas, instituições científicas, históricas ou artísticas e pessoas naturais e jurídicas, com o objetivo de obter a cooperação das mesmas em benefício do patrimônio histórico e artístico nacional. Artigo 26 - Os negociantes de antigüidade, de obras de arte de qualquer natureza, de manuscritos e livros antigos ou raros são obrigados a um registro especial no Serviço do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional, cumprindo-lhes outrossim apresentar semestralmente ao mesmo relações completas das coisas históricas e artísticas que possuírem. Artigo 27 - Sempre que os agentes de leilões tiverem de vender objetos de natureza idêntica à dos mencionados no artigo anterior, deverão apresentar a respectiva relação ao órgão competente do Serviço do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional, sob pena de incidirem na multa de cinqüenta por cento sobre o valor dos objetos vendidos.

Artigo 28 - Nenhum objeto de natureza idêntica à dos referidos no art. 26 desta lei poderá ser posto à venda pelos comerciantes ou agentes de leilões, sem que tenha sido previamente autenticado pelo Serviço do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional, ou por perito em que o mesmo se louvar, sob pena de multa de cinqüenta por cento sobre o valor atribuído ao objeto. Parágrafo único: A autenticação do mencionado objeto será feita mediante o pagamento de uma taxa de peritagem de cinco por cento sobre o valor da coisa, se este for inferior ou equivalente a um conto de réis, e de mais cinco mil-réis por conto de réis ou fração que exceder. Artigo 29 - O titular do direito de preferência goza de privilégio especial sobre o valor produzido em praça por bens tombados, quanto ao pagamento de multas impostas em virtude de infrações da presente lei. Parágrafo único - Só terão prioridade sobre o privilégio a que se refere este artigo os créditos inscritos no registro competente antes do tombamento da coisa pelo Serviço Nacional do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional. Artigo 30 - Revogam-se as disposições em contrário. Rio de Janeiro, em 30 de novembro de 1937; 116º da Independência e 49º da República. Getúlio Vargas Gustavo Capanema

na Lei no 3. pela Lei 3. Dispõe sobre a acessibilidade aos bens culturais imóveis acautelados em nível federal.098. de orientação e de comunicação. no caso dos monumentos arqueológicos ou pré-históricos. de forma a assegurar a acessibilidade plena sempre que possível. critérios e recomendações para a promoção das devidas condições de acessibilidade aos bens culturais imóveis especificados nesta Instrução Normativa. Tendo como referências básicas a LF 10. avaliando-se as possibilidades de adoção de soluções em acessibilidade frente às limitações inerentes à preservação do bem cultural imóvel em questão.1. a NBR9050 da ABNT e esta Instrução Normativa.924. de 30 de novembro de 1937. tendo em vista o disposto no Decreto-lei no 25. no Decreto no 3.999. que cria o instituto do tombamento ou. em cada caso específico.405. assegurar condições de acesso. do Anexo I ao Decreto nº 4. regida por norma legal específica . conforme especifica. e outras categorias.000.961. 1.924.INSTITUTO DO PATRIMÔNIO HISTÓRICO E ARTÍSTICO NACIONAL INSTRUÇÃO NORMATIVA Nº 1. de 12 de novembro de 1. de 08 de novembro de 2. de 30 de novembro de 1937. bem como pela utilização de ajudas técnicas e sinalizações específicas. Estabelecer diretrizes. . de 19 de dezembro de 2. na Lei no 7. A PRESIDENTE DO INSTITUTO DO PATRIMÔNIO HISTÓRICO E ARTÍSTICO NACIONAL. de trânsito. no uso das atribuições que lhe são conferidas pelo art. pela incorporação de dispositivos.000 e na Lei no 10.2. observadas as seguintes premissas: a) As intervenções poderão ser promovidas através de modificações espaciais e estruturais. redução ou superação de barreiras na promoção da acessibilidade aos bens culturais imóveis devem compatibilizar-se com a sua preservação e. c) O limite para a adoção de soluções em acessibilidade decorrerá da avaliação sobre a possibilidade de comprometimento do valor testemunhal e da integridade estrutural resultantes. 20.985. resolve: 1.807. facilitando a utilização desses bens e a compreensão de seus acervos para todo o público. Para efeito desta Instrução Normativa são adotadas as seguintes definições: a) Acautelamento: forma de proteção que incide sobre o bem cultural. na Lei no 10. de 24 de outubro de 1989.853.048. o Decreto nº 2. as soluções adotadas para a eliminação. de 21 de outubro de 1998. DE 25 DE NOVEMBRO DE 2003. de 20 de dezembro de 1. devendo ser legíveis como adições do tempo presente.003. de 26 de julho de 1961. de 19 de agosto de 2.098/2000. sistemas e redes de informática.811. b) Cada intervenção deve ser considerada como um caso específico. 1. inciso V. a fim de equiparar as oportunidades de fruição destes bens pelo conjunto da sociedade. na Lei no 7. em harmonia com o conjunto. em especial pelas pessoas portadoras de deficiência ou com mobilidade reduzida.298.Decreto-lei no 25. de 26 de julho de 1.

arqueológico. se for o caso. de forma autônoma.b) Bem cultural: elemento que por sua existência e característica possua significação cultural para a sociedade . visa recuperar a plenitude de expressão e a perenidade do bem cultural. cuja proteção se dê em caráter individual ou coletivo. l) Desenho universal: solução que visa atender simultaneamente maior variedade de pessoas com diferentes características antropométricas e sensoriais. III) barreiras nas comunicações: qualquer entrave ou obstáculo que dificulte ou impossibilite a expressão ou o recebimento de mensagens por intermédio dos meios ou sistemas de comunicação. . dos transportes e dos sistemas e meios de comunicação. f) Manutenção: operação contínua de promoção das medidas necessárias ao funcionamento e permanência dos efeitos da conservação. a liberdade de movimento e a circulação com segurança das pessoas.valor artístico. paisagístico. legalmente protegidos pelo Iphan. histórico. com o intuito de conter a sua deterioração. por pessoa portadora de deficiência ou com mobilidade reduzida. etnográfico . mobiliários e equipamentos urbanos. etnográfico. arqueológico.seja individualmente ou em conjunto. h) Acessibilidade: possibilidade e condição de alcance para utilização. d) Preservação: conjunto de ações que visam garantir a permanência dos bens culturais. com o objetivo de assegurar a visibilidade e a ambiência do bem ou do conjunto. das edificações. paisagístico. i) Pessoa portadora de deficiência ou com mobilidade reduzida: a que temporária ou permanentemente tem limitada sua capacidade de relacionar-se com o meio e de utilizá-lo. c) Bens culturais imóveis acautelados em nível federal: bens imóveis caracterizados por edificações e/ou sítios dotados de valor artístico. respeitadas as marcas de sua passagem através do tempo. localizados em áreas urbanas ou rurais. podendo compreender também o seu entorno ou vizinhança. sejam ou não de massa. com base em metodologia e técnica específicas. classificadas em: I) barreiras arquitetônicas urbanísticas: as existentes nas vias públicas e nos espaços de uso público. g) Restauração: conjunto de intervenções de caráter intensivo que. dos espaços. histórico. j) Barreiras: qualquer entrave ou obstáculo que limite ou impeça o acesso. segura e confortável. e) Conservação: intervenção voltada para a manutenção das condições físicas de um bem. com segurança e autonomia. II) barreiras arquitetônicas na edificação: as existentes no interior dos edifícios públicos e privados.

os serviços e fluxos da rede urbana. sem prejuízo das obrigações quanto à preservação. Aplicar-se-á a presente Instrução Normativa do Iphan. p) Mobiliário Urbano: o conjunto de objetos existentes nas vias e espaços públicos. iluminação pública. sempre que couber. tais como semáforos.m) Rota acessível: interligação ou percurso contínuo e sistêmico entre os elementos que compõem a acessibilidade. respeitando-se a disponibilidade orçamentária. tais como os referentes a pavimentação.3. verificada a disponibilidade imediata de recursos técnicos e financeiros. no cumprimento de suas obrigações quanto à acessibilidade e. cabines telefônicas. n) Ajuda técnica: qualquer elemento que facilite a autonomia pessoal ou possibilite o acesso e o uso de meio físico. quiosques e quaisquer outros de natureza análoga. distribuição de energia elétrica.3.2. encanamento para esgotos. de forma que sua modificação ou traslado não provoque alterações substanciais nestes elementos. entende-se como: (1) de uso público. b) Os bens culturais imóveis acautelados em nível federal serão adaptados gradualmente. 1. a ordem de relevância cultural e de afluxo de visitantes. contexto no qual se inserem as terminologias quanto aos usos das edificações. tendo em vista proporcionar à comunidade o efeito demonstrativo da ação do Iphan. com base no exercício do poder de polícia do Instituto. aos responsáveis pelos bens culturais imóveis acautelados em nível federal. aquelas apropriadas ou administradas por entidades da Administração Pública e empregadas diretamente para atender ao interesse público. aquelas com destinação residencial. marquises. com base nesta Instrução Normativa. (2) de uso coletivo. observando-se as seguintes orientações: a) Soluções em acessibilidade deverão ser implementadas em curto prazo. salvo a realização de obras de conservação ou . bem como a densidade populacional da área no caso de sítios históricos urbanos. fontes públicas.098/2000. abastecimento e distribuição de água. Os bens culturais imóveis acautelados em nível federal de propriedade de terceiros. quando da intervenção para preservação. superpostos ou adicionados aos elementos da urbanização ou da edificação. Os imóveis próprios ou sob a administração do Iphan deverão atender as exigências da LF 10. inerente à sua condição autárquica. (3) de uso privado. os níveis de intervenção estabelecidos pelos responsáveis para cada imóvel. por seus respectivos Departamentos. especialmente o estabelecido no art. uso coletivo e uso privado: a partir da compreensão da LF 10. compreendendo os espaços internos e externos às edificações. aquelas cuja utilização está voltada para fins comerciais ou de prestação de serviços (incluindo atividades de lazer e cultura) e abertas ao público em geral e. o) Elemento da urbanização: qualquer componente das obras de urbanização. 1.3. 1. Superintendências e Unidades. conforme as categorias de imóveis e condições a seguir relacionadas. 23 da referida lei. paisagismo e os que materializam as indicações do planejamento urbanístico.1. lixeiras. em ações propostas pelo Iphan. q) Uso público. saneamento.098/2000. seja unifamiliar ou multifamiliar. toldos. postes de sinalização e similares.

apontando para a necessidade de reconhecer a diversidade dos usuários nas diversas ações de preservação. Tendo em vista a implementação do disposto nesta Instrução Normativa. para análise e aprovação do Iphan. Nos casos previstos para aplicação desta Instrução Normativa. tendo em vista a avaliação das condições de acessibilidade real e potencial dos bens culturais imóveis acautelados em nível federal. Identificar. 1. Promover a capacitação dos quadros técnico e administrativo. pela substituição do uso privado por outro uso ou atividade que implique no cumprimento de determinações legais referentes às condições de acessibilidade. O imóvel não acautelado em nível federal.098/2000. porém destinado ao uso público ou coletivo. guarda e utilização dos bens culturais imóveis acautelados em nível federal. inclusive através de intercâmbio internacional.2. a fim de orientar a elaboração de diagnósticos e manutenção de registro dos resultados em inventários. estadual ou municipal.3. reforma ou ampliação.4. acesso e atendimento adequados. b) Imóveis de uso público ou de uso coletivo . quando destinadas ao uso público ou coletivo e ainda que desprovidas de características relevantes para o patrimônio cultural. que servirão de fundamentação ao Plano Plurianual de Ação em Acessibilidade do Instituto: 2.nos casos previstos nas alíneas (a) e (b). na construção em terrenos não edificados e na reforma ou ampliação de edificações. por iniciativa espontânea do proprietário na promoção de soluções em acessibilidade. legislação.098/2000. Elaborar e aperfeiçoar métodos. utilizando fontes diversas.1. 1. 2. reunir e difundir informações destinadas a reduzir ou eliminar barreiras para promoção da acessibilidade aos bens culturais imóveis acautelados em nível federal. parâmetros.manutenção. deverá pautar-se nas diretrizes seguintes. quando da realização de obras de construção. na implantação de rotas acessíveis e remoção de barreiras presentes no espaço urbano ou natural.3. conforme o art.3. no qual estiver integrado bem escultórico ou pictórico tombado pelo Iphan sujeita-se. estão sujeitos à promoção de soluções em acessibilidade. conforme a LF 10. que implique em obras de reforma. investigações sobre materiais. 11 da LF 10. em atendimento às iniciativas do Iphan ou dos demais gestores culturais competentes. normas e regulamentos. . no que couber. 2. instrumentos de análise e de acompanhamento.por força da legislação federal. critérios.nos casos de intervenção. a esta Instrução Normativa. paisagísticos ou arqueológicos acautelados em nível federal . técnicas e equipamentos. a adoção de soluções em acessibilidade dependerá de apresentação prévia de projeto pelo interessado. tais como pesquisas ergonômicas. incluída a restauração. de modo a assegurar ao portador de deficiência e à pessoa com mobilidade reduzida. bem como a apreciação. manuais e ajudas técnicas. a atuação do corpo funcional do Iphan e demais gestores de bens culturais imóveis acautelados em nível federal. a serem previamente submetidas ao Iphan. reconstrução ou ampliação. c) Imóveis inseridos em sítios históricos. nas seguintes situações: a) Imóveis de uso privado . 2.

2.6.8. 2. observada em cada caso a compatibilidade com as características do bem e seu entorno. que estejam diretamente afetos ao tema da preservação do patrimônio histórico e cultural ou que nele venham a interferir. entre outros. de revitalização e de promoção de bens culturais imóveis acautelados em nível federal sob a responsabilidade ou com a participação do Iphan.4. tais como instituições universitárias. no âmbito de sua competência. b) A elaboração e implementação de programas específicos para acessibilidade aos bens culturais imóveis acautelados em nível federal. instrumentos e práticas da Instituição. visando: a) O engajamento do Iphan no planejamento das políticas. tendo em vista: a) O desenvolvimento de ações dirigidas para a associação do tema da acessibilidade com a preservação de bens culturais imóveis acautelados em nível federal e respectivos acervos. e demais categorias quando couber. c) A inserção de critérios para promoção da acessibilidade nos programas de preservação.5. 2. entre outras práticas. e propiciar a atualização permanente dos procedimentos. Articular-se com as organizações representativas de pessoas portadoras de deficiência ou com mobilidade reduzida. a fim de garantir a correta aplicação de soluções em acessibilidade. órgãos públicos e concessionários. e) A captação e direcionamento de recursos para o financiamento de ações para promoção da acessibilidade aos bens culturais imóveis acautelados em nível federal. . Sistematizar experiências e compilar padrões e critérios. b) Assegurar a sua participação nos processos de intervenção. sobre a ação do Iphan na adoção de soluções para acessibilidade aos bens culturais imóveis acautelados em nível federal. Dar ampla divulgação à presente Instrução Normativa. avaliados e aprovados pelas unidades do Iphan. a fim de estimular iniciativas adequadas de intervenção nos bens culturais imóveis acautelados em nível federal. sob a aprovação ou orientação do Iphan.7. Atuar em conjunto com os agentes públicos e realizar parcerias com os agentes privados e a sociedade organizada. para que. a fim de instruir Manual Técnico destinado a estabelecer parâmetros básicos para acessibilidade aos bens culturais imóveis acautelados em nível federal. Informar aos agentes de interesse. programas e ações em acessibilidade da União. 2. através da discussão conjunta de alternativas e do acompanhamento e avaliação.aprovação e implementação de projetos de intervenção e a formulação de programas. 2. organizações de profissionais. especialmente no tocante à acessibilidade aos bens culturais imóveis acautelados em nível federal. incorporem soluções em acessibilidade segundo os preceitos do desenho universal e rota acessível. d) A compatibilidade de procedimentos entre os diferentes níveis de governo.

nos casos previstos nesta Instrução Normativa. por meio dos diversos dispositivos e linguagens de comunicação. interagir com o espaço e o acervo. Em qualquer hipótese.3. simbólica. Viabilizar recursos financeiros para o cumprimento do estabelecido nesta Instrução Normativa. d) Informar-se sobre os bens culturais e seus acervos. balcões e guichês. total ou parcialmente. pela entrada principal ou uma outra integrada a esta.1. lugares específicos em auditórios e locais de reunião. incluindo dispositivos de segurança e saídas de emergência. Estabelecimento de prioridades e níveis de intervenção. 2. salas de repouso e de informações. de acordo com as demandas dos usuários. ainda que de maneira virtual. banheiros. Realização de levantamentos . de forma autônoma. 3. 3. em garantia de sua integridade estrutural e impedimento da descaracterização do ambiente natural e construído. devidamente identificados através de sinalização visual. especialmente para a execução de projetos que envolvam os imóveis de propriedade ou administrados diretamente pelo Iphan. tais como: bilheterias. Os elementos e as ajudas técnicas para promover a acessibilidade devem ser incorporados ao espaço de forma a estimular a integração entre as pessoas portadoras de deficiência ou com mobilidade reduzida e os demais usuários.405/1985. através de . além da adoção do Símbolo Internacional de Acesso nos casos previstos na LF 7. proporcionando aos usuários: a) Alcançar o imóvel desde o passeio ou exterior limítrofes.10. assim como dos demais bens culturais imóveis. físico. sonora e multimídia. As propostas de intervenção para adoção de soluções em acessibilidade. c) Usufruir comodidades e serviços.9. segundo os preceitos de desenho universal e rota acessível. braile. iconográfico e documental -. a fim de assegurar a compatibilidade das soluções e adaptações em acessibilidade com as possibilidades do imóvel. Informar ao público em geral sobre as condições de acessibilidade dos bens culturais imóveis acautelados em nível federal. alcançar e controlar equipamentos. dispositivos e ajudas técnicas. favorecendo a capacidade das pessoas portadoras de deficiência ou com mobilidade reduzida em manobrar e vencer desníveis. 3. 3.histórico. tátil ou sonora. entre outros. de propriedade ou sob a responsabilidade do Iphan.2. observadas as características e a destinação do imóvel. atenderão aos seguintes critérios: 3.4. em suas diferentes necessidades. e) Nos casos em que os estudos indicarem áreas ou elementos em que seja inviável ou restrita a adaptação. telefones e bebedouros. tais como: escrita. colocadas à disposição em salas de recepção acessíveis ou em casa de visitantes adaptadas. através de percurso livre de barreiras e acessar o seu interior. b) Percorrer os espaços e acessar as atividades abertas ao público. os estudos devem resultar em abordagem global da edificação e prever intervenções ou adaptações que atendam às pessoas portadoras de deficiência ou com mobilidade reduzida. oferecendo comodidade para todos.2. vagas em estacionamentos. sempre que possível e preferencialmente.

devendo-se considerar os seguintes procedimentos básicos: a adoção de pisos sinalizadores específicos. c) A instituição de um sistema integrado de elementos em acessibilidade. um itinerário adaptado. tais como a utilização de veículos adaptados e mirantes. 3. através de rota acessível. a reserva e distribuição de vagas para estacionamento. de alternativas como mapas. privilegiando-se os recursos passíveis de reversibilidade. tecnologias ou acréscimos. 3. pelo menos. d) A adoção de soluções complementares associadas à rota ou percurso acessíveis. sons e símbolos. sejam compatíveis com a melhor visão e entendimento das obras expostas. o tipo de tecnologia e de material utilizados. A articulação das Unidades do Iphan com instituições governamentais dos Estados e Municípios. maquetes. de uso público ou coletivo. deverão ser mantidas à disposição das pessoas portadoras de deficiência ou com mobilidade reduzida. em ambientes apropriados. entre outras que permitam ao portador de deficiência utilizar suas habilidades de modo a vivenciar a experiência da forma mais integral possível. b) A adaptação de percursos e implantação de rotas acessíveis deve considerar a declividade e largura de vias e passeios. deve ser prevista em áreas de difícil acesso ou inacessíveis. indicativa ou de trânsito. como parte do conjunto de soluções em acessibilidade. a concepção.7. em locais de visitação a bens integrados.1.informação visual. e demais categorias quando couber. a adequação da sinalização. com o objetivo de compatibilizar procedimentos e dirimir dúvidas ou conflitos. prevendo-se rota acessível devidamente sinalizada e ambiente onde mobiliário. quando couber.8. arqueológicos e paisagísticos devem permitir o contato da pessoa portadora de deficiência ou com mobilidade reduzida com o maior número de experiências possível. as edificações à via pública e aos diversos espaços com características diferenciadas. observando-se ainda: a) A implantação de condições de circulação que permitam a melhor e mais completa utilização do sítio. As soluções para acessibilidade em sítios históricos. adequação ou substituição dos elementos da urbanização e do mobiliário urbano. ajudas técnicas. Em bens culturais imóveis acautelados em nível federal. Para fins de maior alcance desta Instrução Normativa. os centros de interesse e de maior afluência de pessoas. Em exposições temporárias e. e demais aspectos implicados na sua implementação. bem como pela oferta. 3.6. a fim de possibilitar a sua identificação. como cadeiras de rodas. valendo-se de percursos livres de barreiras e sinalizados que unam. . os serviços e fluxos. de modo a permitir a inclusão de novos métodos. recomenda-se: 4. além de pessoal treinado para a sua recepção. texturas. auditiva ou tátil. A intervenção arquitetônica ou urbanística contará com o registro e a indicação da época de implantação. 4. deve-se assegurar o acesso às pessoas portadoras de deficiência ou com mobilidade reduzida. peças de acervo originais ou cópias. referenciado nos parâmetros técnicos definidos pela ABNT. com especificações de cores. através de. rampas e rebaixamento de calçadas. 3.5. cores e iluminação.

PRONAC. nas situações em que a análise e aprovação de projetos sejam de responsabilidade do Iphan como entidade vinculada. 5. Seção 1 . 4. a fiscalização e a avaliação dos trabalhos. MARIA ELISA COSTA Diário Oficial de 26.3. Esta Instrução Normativa entra em vigor na data de sua publicação. observadas as distinções relacionadas ao mecanismo de apoio ao projeto cultural e à natureza do proponente.3.11. e submetidas ao Programa Nacional de Apoio à Cultura .2003. o Iphan indicará um responsável técnico para o acompanhamento. as soluções e especificações em acessibilidade serão fundamentadas em estudos ergonômicos.2. b) As edificações destinadas à atividade cultural. a partir da definição dos procedimentos necessários em cada situação. 4. Nos casos omissos. 8. A cada projeto aprovado. Promover os trâmites necessários para a adoção desta Instrução Normativa como parte integrante dos programas instituídos no âmbito do Ministério da Cultura. 6. A incorporação das condições estabelecidas nesta Instrução Normativa aos programas e projetos apoiados financeiramente.decorrentes de imposições legais cumulativas em acessibilidade e incidentes sobre os bens imóveis acautelados em nível federal. o qual permanecerá com o encargo até seis meses após a execução das intervenções. 7. independente da condição de acautelamento. por intermédio ou diretamente pelo Iphan. notadamente em relação às seguintes categorias de imóveis: a) Aquelas relacionadas no item 1. integrarão automaticamente o conjunto de referências básicas desta Instrução Normativa. Novos padrões ou critérios definidos pela legislação federal ou norma específica da ABNT.2.

"A arquitetura consiste em estabelecer relações comoventes com materiais brutos. espera uma nova planta. A planta traz em si a essência da sensação.. sob o ponto de visa social. transforma. o que ficou da arquitetura foram as obras monumentais. Bruno Cajueiro .. representa.. Oscar Niemeyer A Planta.. Mario Botta Monumentalidade.. "A planta é geradora.Citações O Arquiteto. as que marcam o tempo e a evolução da técnica. refaz. A vida moderna pede. "A arquitetura é a disciplina que organiza o espaço de vida do homem . para a casa e para a cidade". ainda nos comovem. A arquitetura é coisa de plástica. altera.. a arquitetura gera quantidades. arbitrário.. A paixão faz das pedras inertes um drama". ditados por necessidades coletivas colocam de novo a questão da planta. As que justas ou não. modifica.. Diversidade Psicomotricidade Heterogeneidade Horizontalidade Sensorialidade Velocidade Densidade Espacialidade Centralidade Universidade Arquitetura. Afinal. e com os quais: cria. Sem planta há desordem. Os grandes problemas de amanhã... Le Corbusier Materiais. constrói . A arquitetura está além das coisas utilitárias. Bruno Cajueiro O arquiteto com o ponto desenha a reta.o mundo. unidade de intenção. e com ela desenha planos.. Le Corbusier Cidade. É a beleza a se impor na sensibilidade do homem". espírito de ordem. "A monumentalidade nunca me atemorizou quando um tema mais forte a justifica... o sentido das relações..

.. mas um instrumento para construir esse lugar. Mario Botta Três Níveis. A grande poluição não é a dos carros. A Relação com a cidade. construindo um prédio com uma identidade forte". mas a da arquitetura da má qualidade... a imagem física da história. a habitação primordial do homem". onde o homem encontre sua intimidade e sua memória". "Nas minhas casas. que a cidade é um lugar extraordinário. a arquitetura precisa falar do grande passado. A relação com a cidade é muito mais forte que o prédio em si". "O fato triste é que a arquitetura está se tornando cada vez mais pobre. Mario Botta "A finalidade de cada ato de criação é encontrar a riqueza do passado. procuro inserir uma série de valores e uma organização do espaço que contenha elementos arquetípicos como a caverna. Das Necessidades Primordiais do homem. de caverna primitiva.Verticalidade Cidade Arquitetura e a Cidade... mais homogeneizada.... A cidade é nossa mãe". por exemplo.. É necessário agir contra a banalização moderna. resultante da especulação imobiliária. no entanto. fazendo com que os grandes centros urbanos percam sua identidade e assim morram um pouco.. "Quando eu faço um prédio. que falem das necessidades primordiais do homem". Mario Botta Arquétipo.. Penso que a arquitetura moderna deva assumir a responsabilidade: construir um lugar único e irrepetível. Mario Botta Refúgio.. Mario Botta "A arquitetura não é um instrumento para se construir em um lugar.. eu também construo um pedaço da cidade. Mario Botta O Edifício. Penso. "Quando faço uma casa. . Espero que haja uma arcaicidade do futuro e que as obras de arquitetura sejam como um tótem. o que me interessa é transmitir uma sensação de refúgio.

. sua tensão." ".. e do segundo andar para a interação com o céu." Cidade. Quando projetamos um edifício devemos Ter em mente que nosso cliente é a história". Todo projeto de arquitetura transforma o lugar de uma condição de natureza em uma condição de cultura"... obra de arquitetura ou escultura destinada a transmitir à posteridade a recordação de um grande homem ou feito. do primeiro andar para permitir a visão da paisagem.. sua acumulação histórica".." Mario Botta O Monumento..Mario Botta "As minhas casas. mais contradições. O lote não é apenas uma porção cadastral: é também a gênese e fundamento do edificado. à banalização do moderno.. "... Lawrence Halprin O Lote.. é representada pela paisagem dos seus espaços abertos. mais do que a construção. a identificação com a cultura do lugar. Mario Botta O Lugar. Mario Botta A Cidade. de crescimento A Cidade e seus espaços.. . José Garcia Lamas A Rua. construção.... quase todas são em três níveis porque preciso da terra como espaço de transição entre o externo e o interno. irrepetível.. "O lugar é um dos parâmetros fundamentais do projeto: cada solução tem o seu lugar. José Garcia Lamas "O edifício não pode ser desligado do lote ou da superfície de solo que ocupa. ou obra de arquitetura considerável pela sua dimensão ou magnificência. " A cidade é o território mais importante porque há mais presença humana. comunicar com o cosmos".. para que eu possa dormir com a luz.. Mario Botta Continuidade. memória. o lugar de confronto.. "Não se pode nem é justo inventar em uma noite toda a arquitetura. Ela é para o arquiteto o mesmo que o museu para o artista.. único. proponho um modelo alternativo à crise do moderno. a riqueza da cidade é a sua estratificação. história. A Crise do Moderno... porque ela é um fato de continuidade.

"A Arquitetura preside os destinos da cidade". os valores de ordem psicológica e fisiológica próprios ao ser humano introduzem no debate preocupações de ordem individual e de ordem coletiva.. A vida só se desenvolve na medida em que são conciliados os dois princípios contraditórios que regem a "Introduzir o Sol (nas habitações) é o novo e mais imperioso dever do arquiteto... ao social e ao político. cujas normalizações são particularizadas. Deriva dos velhos bulevares no início do século e para o qual se voltaram os barões do café e da elite do império. utiliza-se do projeto cuidadoso dos edifícios e espaços livres... Para isso. é formalista e direcionista na busca de um padrão de assentamento dos novos volumes construídos. um tecido urbano. Silvio Soares Macedo Arquitetura e Cidade.. Carta de Atenas Carta de Atenas O Individual e o Coletivo. ao prédio e a rua. espacialmente discutível e que pouco a pouco se mostra carente de novas disposições. Carta de Atenas As quatro funções. ". São vias largas. "O desenho mostra a limitação da norma." Monotonia. circular".. "Justapostos ao econômico.. é a rua-jardim. trabalhar.. com um resultado morfológico simplório. ... Carta de Atenas O Sol.. a vegetação e o espaço são as três matérias primas do Urbanismo". Carta de Atenas ". O resultado é este.. através do desenho de uma paisagem rica e diversificada. que aberta no tocante à variedade de usos... O sol." As três matérias primas do Urbanismo.Silvio Soares Macedo "A rua modelo da cidade brasileira. que busca maior identidade em cada espaço projetado. recrear-se (nas horas livres).. As chaves do Urbanismo estão nas quatro funções: habitar.... com calçadas ajardinadas e arborizadas. normas e formas de arranjo mais flexíveis em relação as conformações espaciais possíveis e de abertura em relação a questão do meio urbano preexistente. Marcia Menneh O desenho.." "A monotonia é característica combatida em todas as fases do projeto.

.. Alexander D'arcy Thompson Função.. A forma é a combinação de espaço e função e quando a função e o espaço mudam." "Um número mínimo de horas de insolação deve ser fixado para cada moradia". "É extremamente difícil falar do significado e dizer qualquer coisa de sensato".. . Significado.. Fred e Barbro Thompson "A polêmica ocidental sobre se a forma segue a função ou a função segue a forma é impossível. "A Arquitetura começa onde termina a função"..... Frederick S... Carta de Atenas "Densidades razoáveis devem ser impostas. No Oriente. Sir Edwin Lutyens Forma e Função.. muda também a forma que portanto. Insolação. ocupado aqui com as tarefas do Urbanismo. Carta de Atenas Densidade." "O significado não existe: é um processo criativo. Carta de Atenas Forma. de acordo com as formas de habitação postas pela própria natureza do terreno. "A história está escrita no traçado e na arquitetura das cidades". mas temporal.. "A forma é um diagrama de forças". o instrumento de medida será a escala humana". Carta de Atenas Escala Humana. "As construções elevadas erguidas a grande distância uma das outras devem liberar o solo para amplas superfícies verdes". nunca é fixa. "Para o arquiteto.." A História.. um desempenho no aqui e agora"... Pearls Significado... Carta de Atenas O Verde... Julien Greimas A casa.personalidade humana: o individual e o coletivo. função e forma são uma e mesma coisa..

" .Paul Éluard "Quando as cumeeiras de nosso céu se juntarem Minha casa terá um telhado.

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