A coleção dos principais documentos, recomendações e cartas conclusivas das reuniões relativas à proteção do patrimônio cultural, ocorridas em diversas

épocas e partes do mundo, sempre foi uma aspiração dos que trabalham com o tema. Seu conteúdo interessa a todos os que lidam na área patrimonial: proprietários e moradores de bens tombados, advogados, professores, estudantes, detentores do poder local nos sítios históricos, organizações governamentais ou não, afins ao Iphan e até mesmo meros curiosos. Clique para ter acesso a alguns desses documentos:
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Carta de Atenas - Sociedade das Nações- outubro de 1931; Carta de Atenas - CIAM - novembro 1933; Recomendação de Nova Delhi - Arqueologia - dezembro de 1956; Recomendação de Paris - Paisagens e Sítios - dezembro de 1962; Carta de Veneza - Monumentos e Sítios - maio 1964; Recomendação de Paris - Propriedade Ilícita de Bens Culturais - novembro 1964; Normas de Quito - novembro/dezembro 1967; Recomendação de Paris - Obras Públicas ou Privadas - novembro 1968; Compromisso de Brasília - abril 1970; Compromisso de Salvador - II Encontro de Governadores - outubro de 1971; Convenção de Paris - Patrimônio Mundial - novembro de 1972; Carta do Restauro - Governo da Itália - abril 1972; Declaração de Estocolmo - Ambiente Humano - junho 1972; Resolução de São Domingos - O.E.A. - dezembro 1974; Declaração de Amsterdã - Conselho da Europa - outubro 1975; Manifesto de Amsterdã - Carta Européia - outubro 1975; Recomendação de Nairóbi - Unesco - novembro 1976; Carta de Machu Picchu - Encontro Internacional de Arquitetos - dezembro 1977; Carta de Burra - Icomos - Austrália 1980; Carta de Florença - Icomos - maio 1981; Declaração de Nairóbi - Assembléia Mundial dos Estados - maio 1982; Declaração de Tlaxcala/México - Icomos - outubro 1982; Declaração do México - Icomos - Políticas culturais - 1985; Carta de Washington - Icomos - Cidades históricas - 1986; Carta de Petrópolis - Centros históricos - 1987; Carta de Cabo Frio - Encontro de Civilizações nas Américas - outubro de 1989; Carta do Rio - Conferência Geral das Nações Unidas - junho 1992; Carta de Fortaleza - 1997 - elaboração de diretrizes e a criação de instrumentos legais e administrativos visando a identificar, proteger, promover e fomentar os processos e bens, considerados em toda a sua complexidade, diversidade e dinâmica, particularmente, "as formas de expressão; os modos de criar, fazer e viver; as criações científicas, artística e tecnológicas", com especial atenção àquelas referentes à cultura popular.

Carta de Atenas
de outubro de 1931 Escritório Internacional dos Museus Sociedade das Nações A - Conclusões Gerais I - Doutrinas. Princípios Gerais. A conferência assistiu à exposição dos princípios gerais e das doutrinas concernentes à proteção dos monumentos. Qualquer que seja a diversidade dos casos específicos - e cada caso pode comportar uma solução própria - , a conferência constatou que nos diversos Estados representados predomina uma tendência geral a abandonar as reconstituições integrais, evitando assim seus riscos, pela adoção de uma manutenção regular e permanente, apropriada para assegurar a conservação dos edifícios. Nos casos em que uma restauração pareça indispensável devido a deterioração ou destruição, a conferência recomenda que se respeite a obra histórica e artística do passado, sem prejudicar o estilo de nenhuma época. A conferência recomenda que se mantenha uma utilização dos monumentos, que assegure a continuidade de sua vida, destinando-os sempre a finalidades que o seu caráter histórico ou artístico. II - Administração e legislação dos monumentos históricos. A conferência assistiu à exposição das legislações cujo objetivo é proteger os monumentos de interesse histórico, artístico ou científico, pertencentes às diferentes nações. A conferência aprovou unanimemente a tendência geral que consagrou nessa matéria um certo direito da coletividade em relação à propriedade privada. A conferência constatou que as diferenças entre essas legislações provinham das dificuldades de conciliar o direito público com o particular. Em conseqüência, aprovada a tendência geral dessas legislações, a conferência espera que elas sejam adaptadas às circunstâncias locais e à opinião pública, de modo que se encontre a menor oposição possível, tendo em conta os sacrifícios a que estão sujeitos os proprietários, em beneficio do interesse geral. Votou-se que em cada Estado a autoridade pública seja investida do poder do tomar, em caso de urgência, medidas de conservação. A conferência evidenciou o desejo de que o Escritório Internacional dos Museus publique uma resenha e um quadro comparativo das legislações em vigor nos diferentes Estados e os mantenha atualizados. III - A valorização dos monumentos. A conferência recomenda respeitar, na construção dos edifícios, o caráter e a fisionomia das cidades, sobretudo na vizinhança dos monumentos antigos, cuja proximidade deve ser objeto de cuidados especiais. Em certos conjuntos, algumas perspectivas particularmente pitorescas devem ser preservadas. Deve-se também estudar as plantações e ornamentações vegetais convenientes a determinados conjuntos de monumentos para lhes conservar a caráter antigo. Recomenda-se, sobretudo, a supressão de toda publicidade, de toda presença abusiva de

postes ou fios telegráficos, de toda indústria ruidosa, mesmo de altas chaminés, na vizinhança ou na proximidade dos monumentos, de arte ou de história. IV - Os materiais de restauração. Os técnicos receberam diversas comunicações relativas ao emprego de materiais modernos para a consolidação de edifícios antigos. Eles aprovaram o emprego adequado de todos os recursos da técnica moderna e especialmente, do cimento armado. Especificam, porém, que esses meios de reforço devem ser dissimulados, salvo impossibilidade, a fim de não alterar o aspecto e o caráter do edifício a ser restaurado. Recomendam os técnicos esses procedimentos especialmente nos casos em que permitam evitar os riscos de desagregação dos elementos a serem conservados. V - A deterioração dos monumentos. A conferência constata que, nas condições da vida moderna, os monumentos do mundo inteiro se acham cada vez mais ameaçados pelos agentes atmosféricos. Afora as preocupações habituais e as soluções felizes obtidas na conservação da estatuária monumental pelos métodos correntes, não se saberia, dada a complexidade dos casos no estado atual dos conhecimentos, formular regras gerais. A conferência recomenda: 1o - A colaboração em cada país dos conservadores de monumentos e dos arquitetos com os representantes das ciências físicas, químicas e naturais para a obtenção de métodos aplicáveis em casos diferentes. 2o - Que o Escritório Internacional de Museus se mantenha a par dos trabalhos empreendidos em cada país sobre essas matérias e lhes conceda espaço em suas publicações. A conferência, no que concerne à conservação da escultura monumental, considera que retirar a obra do lugar para o qual ela havia sido criada é, em princípio, lamentável. Recomenda, a título de precaução, conservar, quando existem, os modelos originais e, na falta deles, a execução de moldes. VI - Técnica da conservação A conferência constata com satisfação que os princípios e as técnicas expostas nas diversas comunicações se inspiram numa tendência comum, a saber: Quando se trata de ruínas, uma conservação escrupulosa se impõe, com a recolocação em seus lugares dos elementos originais encontrados (anastilose), cada vez que o caso o permita; os materiais novos necessários a esse trabalho deverão ser sempre reconhecíveis. Quando for impossível a conservação de ruínas descobertas durante uma escavação, é aconselhável sepultá-las de novo depois de haver sido feito um estudo minucioso. Não é preciso dizer que a técnica e a conservação de uma escavação impõem a colaboração estreita do arqueólogo e do arquiteto. Quanto aos outros monumentos, os técnicos unanimemente aconselharam, antes de toda consolidação ou restauração parcial, análise escrupulosa das moléstias que os afetam, reconhecendo, de fato, que cada caso contribui um caso especial.

a) Cooperação técnica e moral A conferência. cuja necessidade foi aparecendo no curso dos trabalhos. quaisquer que eles sejam. e lhes façam aumentar o interesse. ou as instituições criadas ou reconhecidamente competentes para esse trabalho.A conservação dos monumentos e a colaboração internacional. guardiã da civilização. após sindicância do Escritório Internacional Museus e depois de haverem sido recolhidas todas as informações úteis.Cada Estado deposite no Escritório Nacional de Museus suas publicações. pronunciar-se sobre a oportunidade das providências a serem empreendidas e sobre o procedimento a ser seguido em cada caso particular. aceitou a colaboração de arqueólogos e especialistas de todos os países. muitos dos principais campos de escavações e dos monumentos antigos da Grécia. A conferência. pela proteção dos testemunhos de toda a civilização. após haverem visitado. cada vez mais concretamente para favorecer a conservação dos monumentos de arte e de história. quando submetidas à organização. há muitos anos.VII . profundamente convencida de que a melhor garantia de conservação de monumentos e obras de arte vem do respeito e do interesse dos próprios povos. manifestar seu interesse pela salvaguarda das obras-primas nas quais a civilização se tenha expressado em seu nível mais alto e que se apresentem ameaçadas. Os membros da conferência. de uma maneira geral. foram unânimes em prestar homenagem ao governo grego que. deseja que os Estados. notadamente junto à Comissão Nacional de Cooperação Intelectual interessada. . 2 o . colaborem entre si. publique um inventário dos monumentos históricos nacionais. ao mesmo tempo em que executava ele mesmo trabalhos consideráveis. Considera altamente desejável que instituições e grupos qualificados possam. b) O papel da educação e o respeito aos monumentos.O escritório consagre em suas publicações artigos relativos aos procedimentos e ao métodos gerais de conservação dos monumentos históricos. possam ser recomendadas à favorável atenção dos Estados. acompanhado de fotografia e de informações. Emite o voto de que as proposições a esse respeito. 3 o . convencida de que a conservação do patrimônio artístico e arqueológico da humanidade interessa à comunidade dos Estados. 5 o . sem causar o menor prejuízo ao Direito Internacional Público.Cada Estado. emite o voto de que os educadores habituem a infância e a juventude a se absterem de danificar os monumentos. agindo no espírito do Pacto da Sociedade das Nações. Caberia à Comissão Internacional de Cooperação Intelectual. Nessa ocasião viram um exemplo que contribuiu para a realização das metas de cooperação intelectual. no curso de seus trabalhos e no correr dos estudos desenvolvidos nessa ocasião.Cada Estado constitua arquivos onde serão reunidos todos os documentos relativos a seus monumentos históricos. considerando que esses sentimentos podem ser grandemente favorecidos por uma ação apropriada dos poderes públicos.O escritório estude a melhor utilização das informações assim centralizadas. 4o . c) Utilidade de uma documentação internacional A conferência emite o voto de que: 1o . de cooperação intelectual da Sociedade das Nações.

Balanos. diretor dos trabalhos dos monumentos da Acrópole. e) Proteção do friso contra as intempéries. segundo o projeto de M. A escolha do metal a ser empregado para os grampos prendeu a atenção dos técnicos. 25 de outubro. assim como a recuperação parcial do peristilo sul. os membros da conferência aprovaram unanimemente os trabalhos de recuperação da colunata norte do Partenon. Karo. especialmente sobre os seguintes pontos: a) Recuperação da colunata norte do Partenon e recuperação do peristilo sul. Sobre o primeiro ponto. sua opinião sobre esse programa. alguns técnicos. Balanos. Balanos nesse caso especial. individualmente. os técnicos sublinharam o caráter particular dos trabalhos do Partenon e. sob a presidência de M. relativo ao emprego de moldes como complemento da anastilose. considerando as precauções tomadas e as condições climáticas peculiares no país. que consiste em proteger esse friso com uma cobertura apropriada. mesmo reconhecendo que as razões invocadas por M. tanto nos Propileus como no Partenon. . e os membros da conferência usufruíssem das facilidades que lhes haviam sido oferecidos por M. Balanos assinalou que o emprego do ferro não apresentava inconveniente no caso da Acrópole. Balanos forneceu detalhes sobre o programa ulterior dos trabalhos. M. Balanos justificam o emprego do ferro no que diz respeito aos trabalhos da Acrópole. d) Oportunidade do emprego de moldes como complemento da anastilose. Sob a orientação de M. os membros da conferência procederam a uma longa troca de opiniões. Balanos. c) Escala dos metais a serem empregados para os grampos. Na segunda parte de sua exposição M. Sobre a proteção do friso contra as intempéries. exprimiu o desejo de ouvir dos membros da conferência. que não prevê qualquer restauração além da simples anastilose. Por outro lado. b) Emprego de cimento como revestimento dos tambores de substituição. que se pôs à disposição para prestar quaisquer explicações sobre os trabalhos em curso. A propósito do emprego do cimento como revestimento dos tambores de substituição.B – Deliberação da conferência sobre a anastilose dos monumentos da Acrópole Havia sido previsto que uma das sessões da Conferência do EIM se detivesse na acrópole. Balanos. constatando os resultados satisfatórios dos primeiros ensaios feitos por M. que aproveitaram essa ocasião para expor suas experiências sobre o assunto. Ao terminar. se realizou na manhã de domingo. lembraram conseqüências às vezes desagradáveis desse emprego para a conservação das pedras e manifestaram sua preferência por metais menos susceptíveis de deterioração. se abstiveram de opinar de um modo geral sobre essa questão. Essa sessão. Durante a primeira parte da sessão os membros da conferência ouviram a exposição de M. Balanos sobre os trabalhos de anastilose já executados. permitindo-lhes pedir detalhes e emitir opiniões. certos técnicos recomendaram muita prudência e sublinharam a utilidade de testes preliminares. Karo. os membros da conferência acolheram o projeto preconizado por M. No que concerne ao quarto problema colocado por M.

Carta de Atenas
de novembro de 1933 Assembléia do CIAM CIAM – Congresso Internacional de Arquitetura Moderna – 1933 Primeira Parte Genera1idades A Cidade e sua Região 1 - A Cidade é só uma parte de um conjunto econômico, social e político que constitui a região. Raramente a unidade administrativa coincide com a unidade geográfica, ou seja, com a região. O recorte territorial administrativo das cidades pode ter sido arbitrário desde o início ou pode ter vindo a sê-lo posteriormente, quando, em decorrência de seu crescimento, a aglomeração principal uniu-se a outras comunidades e depois as englobou. Esse recorte artificial se opõe a uma boa gestão do novo conjunto. De fato, certas comunidades suburbanas puderam adquirir inopinadamente um valor imprevisível, positivo ou negativo, seja tornandose sede de residências luxuosas, seja acolhendo centros industriais dinâmicos, seja reunindo miseráveis populações operárias. Os limites administrativos aço que compartimentam o complexo urbano tornam-se então paralisantes. Uma aglomeração constitui o núcleo vital de uma extensão geográfica cujo limite é constituído pela zona de influência de uma outra aglomeração. Suas condições vitais são determinadas pelas vias de comunicação que asseguram suas trocas e ligam-se intimamente à sua zona particular. Só se pode enfrentar um problema de urbanismo referenciando-se constantemente aos elementos constitutivos da região e, principalmente, a sua geografia, chamada a desempenhar um papel determinante nessa questão: linhas de divisão de águas, morros vizinhos desenhando um contorno natural confirmado pelas vias de circulação, naturalmente inscritas no solo. Nenhuma atuação, pode ser considerada se não se liga ao destino harmonioso da região. O plano da cidade é só um dos elementos do todo constituído pelo plano regional. 2 - Justapostos ao econômico, ao social e ao político, os valores de ordem psicológica e fisiológica próprios ao ser humano introduzem no debate preocupações de ordem individual e de ordem coletiva. A vida só se desenvolve na medida em que são conciliados os dois princípios contraditórios que regem a personalidade humana: o individual e o coletivo. Isolado, o homem sente-se desarmado; por isso liga-se espontaneamente a um grupo. Entregue somente a suas forças, ele nada construiria além de sua choça e levaria, na insegurança, uma vida submetida a perigos e a fadigas agravados por todas as angústias da solidão. Incorporado ao grupo, ele sente pesar sobre si o constrangimento de disciplinas inevitáveis, mas, em troca, fica protegido em certa medida contra a violência, a doença, a fome: pode aspirar a melhorar sua moradia e satisfazer também sua profunda necessidade de vida social. Transformado em elemento constitutivo de uma sociedade que o mantém, ele colabora direta ou indiretamente nas mil atividades que asseguram sua vida fisica e desenvolvem sua vida espiritual. Suas iniciativas tornam-se mais frutíferas, e sua liberdade, melhor defendida, só se detém onde ameace a de outrem. Se os empreendimentos do grupo são sábios, a vida do indivíduo é ampliada e enobrecida. Se a preguiça, a estupidez e o egoísmo o assolam, o grupo, enfraquecido e entregue à desordem, só traz a cada um de seus

membros rivalidades, rancor e desencanto. Um plano é sábio quando permite uma colaboração frutífera, propiciando ao máximo a liberdade individual. Irradiação da pessoa no quadro do civismo. 3 - Essas constantes psicológicas e biológicas sofrerão a influência do meio: situação geográfica e topográfica, situação econômica e política. Primeiramente, da situação geográfica e topográfica, o caráter dos elementos água e terra, da natureza. do solo, do clima. A geografia e a topografia desempenham um papel considerável no destino dos homens. Não se pode esquecer jamais que o sol comanda, impondo sua lei a todo empreendimento cujo objetivo seja a salvaguarda do ser humano. Planícies, colinas e montanhas contribuem também para modelar uma sensibilidade e colinas e determinar uma mentalidade. Se o montanhês desce voluntariamente para a planície, o homem da planície raramente sobe os vales e dificilmente transpõe os desfiladeiros. Foram os cumes dos montes que delimitaram as áreas de aglomeração onde, pouco a pouco, reunidos por costumes e usos comuns, os homens se constituíram em povoações. A proporção dos elementos água e terra, quer atue na superfície, opondo as regiões lacustres ou fluviais às extensões de estepes, quer se expresse em densidade, produzindo aqui gordos pastos e, ali, pântanos ou desertos, conforma, ela também, atitudes mentais que se inscreverão nos empreendimentos e encontrarão sua expressão na casa, na aldeia ou na cidade. Conforme a incidência do sol na curva meridiana, as estações se contrapõem brutalmente ou se sucedem em passagens imperceptíveis e, ainda que em sua esfericidade contínua, de parcela em parcela, a Terra não experimente ruptura, surgem inúmeras combinações, cada uma das quais com seus caracteres particulares. Enfim as raças, com suas religiões ou suas filosofias variadas, multiplicam a diversidade dos empreendimentos e cada uma propõe seu modo de ver e sua razão de viver pessoais. 4 - Em segundo lugar, da situação econômica. Os recursos da região, contatos naturais ou artificiais com o exterior... A situação econômica, riqueza ou pobreza, é uma das grandes forças da vida, determinandolhe o movimento na direção do progresso ou da regressão. Ela desempenha o papel de um motor que, de acordo com a força de sua pulsações, introduz a, prodigalidade, aconselha a prudência ou impõe a sobriedade; ela condiciona as variações que traçam a história da aldeia, da cidade ou do país. A cidade cercada por uma região coberta de cultivos tem seu abastecimento assegurado. Aquela que dispõe de um subsolo precioso se enriquece com matérias que lhe servirão como moeda de troca, sobretudo se ela é dotada de uma rede de circulação suficientemente abundante para permitir-lhe entrar em contato útil com seus vizinhos próximos ou distantes. A tensão da engrenagem econômica, embora dependa em parte de circunstâncias invariáveis, pode ser modificada a cada momento pelo aparecimento de forças imprevistas, que o acaso ou a iniciativa humana podem tornar produtivas ou deixar inoperantes. Nem as riquezas latentes, que é preciso querer explorar, nem a energia individual têm caráter absoluto. Tudo é movimento, e o econômico, afinal, é sempre um valor momentâneo. 5 - Em terceiro lugar, da situação política, sistema administrativo. Fenômeno mais variável do que qualquer outro, sinal da vitalidade do país, expressão de uma sabedoria que atinge seu apogeu ou já toca seu declínio. Se a política é de natureza essencialmente variável, seu, fruto, o sistema administrativo, possui uma estabilidade natural que lhe permite, ao longo do tempo, uma permanência maior e não autoriza modificações

muito freqüentes. Expressão da dinâmica política, sua duração é assegurada por sua própria natureza e pela própria força das coisas. É um sistema que, dentro de limites bastante rígidos, rege uniformemente o território e a sociedade, impõe-lhes seus regulamentos e, atuando regularmente sobre todos os meios de comando, determina modalidades uniformes de ação em todo o país. Esse quadro econômico e político, cujo valor embora tenha sido confirmado pelo uso durante um certo período, pode ser alterado a qualquer instante em uma de suas partes, ou em seu conjunto. Algumas vezes, basta uma descoberta científica para provocar uma ruptura de equilíbrio, para fazer surgir a incompatibilidade entre o sistema administrativo de ontem e as imperiosas realidades de hoje. Pode ocorrer que algumas comunidades, que souberam renovar seu quadro particular, sejam afixidas pelo quadro geral do país. Este último pode, por sua vez, sofrer diretamente a investida das grandes correntes mundiais. Não há quadro administrativo que possa pretender a imutabilidade. 6 - No decorrer da História, circunstâncias particulares determinaram as características da cidade: defesa militar, descobertas científicas, administrações sucessivas, desenvolvimento progressivo das comunicações e dos meios de transporte (rotas terrestres, fluviais e marítimas, ferroviárias e aéreas). A história está inscrita no traçado e na arquitetura das cidades. Aquilo que deles subsiste forma o fio condutor que, juntamente com os textos e os documentos gráficos, permite a representação de imagens sucessivas do passado. Os motivos que deram origem às cidades foram de natureza diversa. Por vezes era o valor defensivo. E o alto de um rochedo ou a curva de um rio viam nascer um pequeno burgo fortificado. Ás vezes, era o cruzamento de duas rotas, unia cabeça de ponte ou uma baía do litoral que determinava a localização do primeiro estabelecimento. A cidade era de formato incerto, mais freqüentemente em círculo ou semicírculo. Quando era uma cidade de colonização, organizavam-na como um acampamento, com eixos de ângulos retos e cercada de palíçadas retilíneas. Tudo nela era ordenado segundo a proporção, a hierarquia e a conveniência. Os caminhos partiam dos portões da muralha e estendiam-se obliquamente na direção de alvos distantes. Podemos encontrar ainda no desenho das cidades o primeiro núcleo compacto do burgo, as muralhas sucessivas e o traçado dos caminhos divergentes. As pessoas aí se aglomeravam e encontravam, conforme o grau de civilização, uma dose variável de bem-estar. Aqui, regras profundamente humanas ditavam a escolha dos dispositivos; ali, constrangimentos arbitrários davam origem a injustiças flagrantes. Sobreveio a era do maquinismo. A uma medida milenar, que se poderia crer imutável, a velocidade do passo humano, somou-se uma medida em plena evolução, a velocidade dos veículos mecânicos. 7 - As razões que presidem o desenvolvimento das cidades estão, portanto, submetidas a mudanças contínuas. Aumento ou redução de uma população, prosperidade ou decadência da cidade, demolição de muralhas que se tornaram asfixiantes, novos meios de transporte ampliando a zona de trocas, benefícios ou malefícios de uma política escolhida ou suportada, aparecimento do maquinismo, tudo é movimento. À medida que o tempo passa, os valores indubitavelmente se inscrevem no patrimônio de um grupo, seja ele cidade, país ou humanidade; a vetustez, não obstante, atinge um dia todo conjunto de construções ou de caminhos. A morte atinge tanto as obras como os seres. Quem fará a discriminação entre aquilo que deve subsistir e aquilo que deve desaparecer? O espírito da cidade formou-se no decorrer dos anos; simples construções adquiriram um valor eterno na medida em que simbolizam a alma coletiva; constituem o

Ausência de sol (orientação para o norte ou conseqüência da sombra projetada na rua ou no pátio). tem-se o cortiço. os espaços verdes eram imediatamente acessíveis. Segunda Parte Estado Atual Crítico das Cidades Habitação Observações 9 . 4 .Ausência ou insuficiência de instalações sanitárias. a cidade comporta um valor moral que pesa e que lhe está indissoluvelmente ligado. cerceado pelas muralhas militares. O emprego da máquina subverteu condições de trabalho. corrompem sua vida íntima. da presença de vizinhanças desagradáveis. O caos entrou nas cidades. a população é muito densa (chega a mil e até mil e quinhentos habitantes por hectare). Rompeu um equilíbrio milenar. 8 . ultrapassada a porta da muralha. foram sendo acrescentados anéis urbanos. O mal é universal. A densidade admissível para as construções dessa natureza é de 250 a 300 habitantes por hectare. ao desprezar harmonias seculares. Até então. por um congestionamento que as encurrala na desordem e. a raça. traz seus frutos envenenados: doença. e a superfície que ela ocupa. a região. 5 . a técnica de construção tinha limitado a altura das casas a aproximadamente seis pavimentos. O núcleo das cidades antigas. em sua distribuição sobre a terra. opondo-se ao ajuste das necessidades fundamentais. era em geral cheio de construções comprimidas e privadas de espaço. substituindo a . movimento desenfreado de concentração nas cidades a favor das velocidades mecânicas. em. revolta.No interior do núcleo histórico das cidades. o costume.O advento da era da máquina provocou imensas perturbações no comportamento dos homens. caracterizado pelos seguintes sinais: 1 . Um ritmo furioso associado a uma precariedade desencorajante desorganiza as condições de vida. assim como em determinadas zonas de expansão industrial do século XIX.Mediocridade das aberturas para o exterior. 800 e até 1000 habitantes. e o desconhecimento das necessidades vitais. tanto físicas quanto morais.arcabouço de uma tradição que. expresso. Quando essa densidade atinge. 2 . dando às proximidades um ar de qualidade.Vetustez e presença permanente de germes mórbidos (tuberculose). 600. nas cidades. Mas. pode ser totalmente modificada pela altura dos edifícios. da má orientação do imóvel. perturbando as relações naturais que existiam entre a casa e o locais de trabalho. decadência. Ao longo dos séculos. pelo abandono de numerosas terras. como em vários bairros. relação entre as cifras da população. 3 . Por ser uma pequena pátria.Promiscuidade proveniente das disposições internas da moradia. 6 . aplicando um golpe fatal no artesanato. em compensação. no campo.Insuficiência de superfície habitável por pessoa. esvaziando o campo. As moradias abrigam mal as famílias. porém. sem querer limitar a amplitude dos progressos futuros. seus empreendimentos. A densidade. entupindo as cidades e. condiciona a formação do indivíduo. assim como o clima. evolução brutal e universal sem precedentes na História.

sob forma de moradia. e essa não é a causa menor da penúria pela qual o mundo se encontra presentemente oprimido. de sua submissão às "condições naturais". Por "condições naturais" entende-se a presença. mas a legislação permite impor habitações podres às populações pobres. de conservação das construções (exploração baseada na especulação). A despesa comprometida numa construção erguida há seculos foi amortizada há muito tempo. O 4o Congresso CIAM. Quanto mais a cidade cresce. ela continua a fornecer.As construções destinadas à habitação são distribuídas pela superfície da cidade em contradição com os requisitos da higiene. uma mercadoria negociável. por si mesma. pulmões da cidade. o espaço são as três matérias-primas do urbanismo. livre da poeira em suspensão e dos gases nocivos. incapaz de adotar. Estado de coisas ainda agravado pela presença de uma população com padrão de vida muito baixo. . as condições de habitação são nefastas pela falta de espaço suficiente destinado à moradia. deveria ser distribuído com liberalidade. cuja miséria. em grande parte.Nos setores urbanos congestionados. pela falta. corrompida pelas alegrias ilusórias da cidade. uma ruptura que enfraquece seu corpo e arruína sua sensibilidade. a vegetação. Ainda que seu valor de habitabilidade seja nulo.vegetação pela pedra e destruindo as superficies verdes. de certos elementos indispensáveis aos seres vivos: sol. Não nos esqueçamos de que a sensação de espaço é de ordem psicofisiológica e que a estreiteza das ruas e o estrangulamento dos pátios criam uma atmosfera tão insalubre para o corpo quanto deprimente para o espírito. a medida foi ultrapassada no decorrer dos últimos cem anos. Para o enriquecimento de alguns egoístas. uma renda importante. em proporção suficiente. O ar. O primeiro dever do urbanismo é pôr-se de acordo com as necessidades fundamentais dos homens. as altas densidades significam o mal-estar e a doença em estado permanente. cuja qualidade é assegurada pela presença da vegetação. Uma expansão sem controle privou as cidades desses alimentos fundamentais. tolera-se que uma mortalidade assustadora e todo tipo de doenças façam pesar sobre a coletividade uma carga esmagadora. de ordem tanto psicológica quanto fisiológica. 10 .O crescimento da cidade devora progressivamente as superfícies verdes limítrofes. com a doença e a decadência. A saúde de cada um depende. criadores de oxigênio e que seriam tão propícios aos folguedos das crianças. Esse afastamento cada vez maior dos elementos naturais aumenta proporcionalmente a desordem higiênica. tolera-se. realizado em Atenas. enfim. O espaço. vegetação. sobre as quais se debruçavam as sucessivas muralhas. O indivíduo que perde contato com a natureza é diminuído e paga caro. entretanto. O sol. 12 . sem os quais a vida se estiola. todavia que aquele que a explora possa considerá-la ainda. A adesão a esse postulado permite julgar as coisas existentes e apreciar as novas propostas de um ponto de vista verdadeiramente humano. Condenar-se-ia um açougueiro que vendesse carne podre. medidas defensivas (a mortalidade atinge até vinte por cento). deveria ser puro. 11 . Nessas condições. que comanda todo crescimento. enfim. pela falta de superfícies verdes disponíveis. Nessa ordem de idéias. impunemente e às expensas da espécie. espaço. chegou ao seguinte postulado: o sol. para espalhar seus raios. deveria penetrar no interior de cada moradia. é prolongada no exterior pela estreiteza das ruas sombrias e total falta de espaços verdes. menos as "condições naturais" são nela respeitadas. É o estado interior da moradia que constitui o cortiço.

o solo urbano. pela fumaça de carvão. nunca atraiu ninguém. Ele tem por base a discriminação necessária entre as diversas atividades humanas. As zonas favorecidas são geralmente ocupadas pelas habitações de luxo. os bairros residenciais as moradias são distribuídos segundo a circunstância. ao sabor dos interesses mais inesperados e.As construções arejadas (habitações ricas) ocupam as zonas favorecidas. Nenhuma legislação interveio ainda para fixar as condições habitação moderna. 14 . ao abrigo dos ventos hostis. independente de qualquer questão de dinheiro. para sempre. porque a umidade é excessiva ou porque os mosquitos nela pululam. salas ou terrenos destinados ao lazer. a procurar condições de vida e uma qualidade de bem estar cujas raízes se encontram na própria natureza. deletérios de alguma indústria. sempre que seus recursos lhe permitem. cada uma das quais reclama seu espaço particular: locais de habitação. Certos edis. onde gozará de sol. infelizmente. a que chamamos de mão-de-obra comum. reservando só para alguns favorecidos da sorte o benefício das condições necessárias para uma vida sadia e ordenada. doravante. setores invadidos por nevoeiros. mais baixos. e de vias de percurso rápido para o uso de veículos. atribuir-se-á. pelos gases. poeiras e gases nocivos. zonas independentes à habitação e à circulação. Um geômetra municipal não hesitará em traçar uma rua que privará de sol milhares de casas. por gases industriais passíveis de inundações etc). 16 . O zoneamento é a operação feita sobre um plano de cidade com o objetivo de atribuir a cada função e a cada indivíduo seu justo lugar. por uma rigorosa regulamentação urbana. não se tem o direito de transgredir regras que deveriam ser sagradas. .Os bairros mais densos se localizam nas zonas menos favorecidas (encontas mal orientadas. A habitação se erguerá em seu meio próprio. A casa. É urgente e necessário modificar certos usos. uma certa qualidade de bem-estar. Mas se a força das coisas diferencia a habitação rica da habitação modesta. 15 . de ar puro e de silêncio.Essa distribuição parcial da habitação é sancionada pelo uso e por disposições edílicas que se consideram justificadas: o zoneamento. então não estará mais unida à rua por sua calçada. centros industriais ou comerciais. de ar e de espaço. A circulação se desdobrará por meio de vias de percurso lento para o uso de pedestres. às vezes. Assim.. que. e com uma insolação abundante. só se aproximando ocasionalmente da habitação. será sempre bom o bastante para acomodar as populações desenraizadas e sem vínculos sólidos. com vista e espaços graciosos dando para perspectivas paisagísticas. Ele considerará que uma encosta voltada para o norte. provase assim que as aspirações instintivas do homem o induzem. acharão natural destinar à instalação de um bairro operário uma zona até então negligenciada porque as névoas a invadem.. montes. Cada uma dessas vias desempenhará sua função. que devem não somente assegurar a proteção da pessoa humana mas também dar-lhe meios para um aperfeiçoamento crescente. É preciso tornar acessível para todos. em decorrência de sua orientação. que um terreno envenenado pela fuligem. Se se quiser levar em consideração esta interdição.13 . mar. É preciso impedir. lagos. etc. às vezes ruidosa. por meio de uma legislação implacável.As construções edificadas ao longo das vias de ao redor dos cruzamentos são prejudiciais à habitação: barulhos. que famílias inteiras sejam privadas de luz.

infelizmente. está orientada para o norte e não conhece o sol. As regulamentações edilícias deixam. capaz de lhes assegurar. As escolas.Os subúrbios estão organizados sem plano e sem ligação normal com a cidade. O alinhamento tradicional dos imóveis ao longo das ruas acarreta urna disposição obrigatória do volume construído. jardins de infância. colocadas nas únicas condições que permitem uma formação séria. sejam seus verdadeiros prolongamentos. A necessidade de iluminar o centro desses blocos engendra pátios internos de dimensões variadas. era o escoadouro da população excedente que. por vezes. Ao serem cortadas. devia acomodar-se em sua insegurança. Sua realização está apenas esboçada. serviços médicos. 19 . os "equipamentos de saúde". em geral. seja ela voltada para a rua ou para o pátio. ao lado da instrução. são regularmente privados de organizações pré ou pós-escolares que responderiam às necessidades mais imperiosas de sua idade.É arbitrária a distribuição das construções de uso coletivo dependente da habitação. feliz – está hoje entregue. creches. 18 . O estado atual e a distribuição do domínio edificado prestam-se mal às inovações por meio das quais a infância e a juventude seriam não somente protegidas de inúmeros perigos. bom ou mau grado.As escolas. àqueles que buscam o lucro. ao acaso. escolas. Muito longe da moradia. depois dos treze. a liberdade de restringir esses pátios a dimensões verdadeiramente escandalosas. as áreas próprias à cultura fisica e ao esporte cotidiano de cada um. construído ao longo de uma via de acesso desprovido de proteção. Além disso. limitando-se o julgamento a seu programa e a sua disposição arquitetônica. elas colocam a criança em contato com os perigos da rua. é freqüente que nelas só se dispense a instrução propriamente dita. enquanto as outras três. estão em geral mal situadas no interior do complexo urbano.17 – O alinhamento tradicional das habitações à beira das ruas só garante insolação a uma parcela mínima das moradias. essa proporção é ainda mais desastrosa. em consequência da estreiteza das ruas. da maneira mais fragmentária e desvinculada das necessidades gerais das habitações. 20 . antes dos seis anos. um pleno desenvolvimento. função que constitui por si só todo um programa e coloca um problema cuja solução – que outrora já foi. constituem os "blocos". muito particularmente. O falso burgo contíguo a ele pelo lado de fora. Os subúrbios são descendentes degenerados dos arrabaldes. mas. ruas paralelas ou oblíquas desenham superfícies quadradas ou retangulares. são também parcialmente privadas de sol. O burgo era outrora uma unidade organizada no interior de uma muralha militar. A análise revela que nas cidades. às quais se somarão organizações intelectuais e esportivas destinadas a proparcionar aos adolescentes a possibilidade de trabalhos ou de jogos adequados à satisfação das aspirações próprias dessa idade e. ou o adolescente. a proporção de fachadas não ensolaradas varia entre a metade e três quarto total. tanto físico quanto moral. Em certos casos. São elas: centros de abastecimento. e a criança. ainda. mas sua necessidade é ainda mal compreendida pela massa. Chega-se então a este triste resultado: uma fachada em quatro. Mas a família reclama ainda a presença de instituições que. para completar. . uma vez edificadas. O benefício dessas instituições coletivas é evidentes. não raro estão situadas nas vias de circulação e muito afastadas das habitações. A moradia abriga a família. dos pátios e da sombra projetada disso resultante. fora da moradia e em suas proximidades. de capacidades diversas que. trapezoidais ou triangulares.

onde se arriscam todas as tentativas. meios transporte rápidos. Sua miséria. Casinhas mal construídas. É uma espécie de onda batendo nos muros da cidade. ocorria uma primeira alteração na regra normal dos traçados. A era do maquinismo é caracterizado pelo subúrbio. direitos de propriedade por ela declarados imprescritíveis. e depois inundação. O subúrbio é um erro urbanístico. barracos de madeira. iluminação e limpeza pública serviços hospitalares ou escolares. a cidade é obrigada a prover a área dos subúrbios dos serviços necessários: vias públicas. Ela comprometeu seriamente o destino da cidade e suas possibilidades de crescer conforme uma regra. cortados por ferrovias. ao mesmo tempo. em toda sua extensão.Freqüentemente os subúrbios nada mais são do que uma aglomeração de barracos onde a infra-estrutura indispensável dificilmente é rentável. No decorrer dos séculos XIX e XX. expõe aos olhos menos avisados a desordem e a incoerência de sua distribuição. . etc. galpões onde se misturam bem ou mal os materiais mais imprevistos. destinada a suportar inúmeras misérias. vistos de avião. cerca a cidade para assegurar-lhe os meios para um desenvolvimento harmonioso. uma penosa desilusão! É preciso exigir 23 . conhecerão um crescimento gigantesco. disseminado por todo o universo e levado a suas conseqüências extremas na América. aproveitando-se a topografia. área sem traçado definido.Quando a criação de uma nova muralha encerrava um dia o falso burgo. Quando a administração intervém para corrigir a situação. A legislação imprevidente deixou que se estabelecessem. Sede de uma população incerta. 21 . a circulação aí se torna perigosa. porém. essa onda tornou-se maré.Doravante os bairros habitacionais devem ocupar no espaço urbano as melhores localizações. é uma carga sufocante para a coletividade. Ele se constitui em um dos grandes males do século. onde são jogados todos os resíduos. galpão ou oficina não pode ser desapropriado sem inúmeras dificuldades. O subúrbio é o símbolo. domínio dos pobres diabos que oscilam nos turbilhões de uma vida sem disciplina. É antes do nascimento dos subúrbios que a administração deve apro riar-se da gestão do solo que. Sua densidade populacional é muito baixa e o solo dificilmente explorado. Muito tarde! O subúrbio foi incorporado tardiamente ao domínio administrativo. solução irracional. o subúrbio é com freqüência. para o viajante atraído pela reputação da cidade. alguns procuram fazer cidades-jardins. mais extenso do que a cidade. Desse subúrbio doente. do fracasso e da tentativa. no seio da cidade. enganchados às grandes vias de acesso por suas ruelas. que obriga a malbaratar o dinheiro público sem a contraparte de recursos fiscais suficientes. dispondo-se da insolação mais favorável e de superfícies verdes adequadas. com as indústrias julgadas de antemão provisórias. polícia. É chocante a desproporção entre as despesas ruinosas causadas por tantas obrigações e a pequena contribuição que pode dar uma população dispersa. eles são. O proprietário de um terreno vago onde tenha surgido algum barraco. canalização. 22 . dez vezes. onde a função distância-tempo suscita uma difícil questão que continua sem solução. caldo de cultura de revoltas. choca-se com obstáculos insuperáveis e se arruína em vão. com seu trecho de via.Procurou-se incorporar os subúrbios ao domínio administrativivo. observando-se o clima. algumas das quais. entretanto. cem vezes. onde se instalam em geral os artesanatos mais modestos. Os subúrbios são a sórdida antecâmara das cidades. Paraísos ilusórios. eis o subúrbio! Sua feiúra e sua tristeza são a vergonha da cidade que ele circunda.

tudo deve ser feito para recuperá-los. ainda. estudando as radiações solares. A era da máquina. as áreas que lhes serão reservadas. . a "densidade" é determinada. prever qual "tempo-distância" será seu quinhão cotidiano. porém. utilizar as superficies verdes existentes. em função das memórias históricas ou dos elementos de valor artístico que contêm. A história mostra que sua criação e seu desenvolvimento obedeceram a razões profundas. numa cidade ou muito extensa ou concentrada sobre si mesma. mas é preciso. os declives melhor expostos. levando em consideração os ventos e a neblina. prevalece sobre todos. destruindo implacavelmente aquilo que constitui um perigo. tanto quanto possível. Poder-se-á pressupor uma certa cifra de população. antecipadamente. que é uma das causas de seus males. Os melhores locais da cidade devem-lhe ser reservados. Fixar as densidades urbanas é realizar um ato de gestão pleno de conseqüências. o ar mais saudável. Quando surgiu a era da máquina. Alguns. formular um diagnóstico e nem sequer encontrar uma solução. locais de educação física e espaços diversos para esporte. as cidades se desenvolveram sem controle e sem freio.Densidades razoáveis devem ser impostas. Não basta. e sobre o mesmo solo. Será necessário alojá-la. A medicina demonstrou que a tuberculose se instala onde o sol não penetra. O sol é o senhor da vida. no plano geral. as cidades têm razões particulares. e. 25 . Nossa tarefa atual é arrancá-las de sua desordem por meio de planos nos quais será previsto o escalonamento dos empreendimentos ao longo do tempo. Não basta sanear a moradia. Bairros inteiros deveriam ser condenados em nome da saúde pública. A ciência. da habitação. ainda. se não existem. inserindo. detectou aquelas que são indispensáveis á saúde humana e também aquelas que. O problema da moradia. se foram destruídas. 26 . e se eles foram devastados pela indiferença ou pela concupiscência. há modos de preservar o que merece ser preservado. É preciso buscar ao mesmo tempo as mais belas paisagens. tal como existem hoje. outros. As leis de higiene universalmente reconhecidas fazem uma grave acusação contra as condições sanitárias das cidades. por exemplo. Muitos fatores concorrem para a quantidade da moradia. é preciso.As cidades. poderiam ser-lhe nocivas. ao modificar brutalmente determinadas condições centenárias. Tanto para nascer como para crescer. em certos casos. As densidades populacionais de uma cidade devem ser ditadas pelas autoridades. estão construídas em condições contrárias ao bem público e privado. Elas poderão variar segundo a destinação do solo urbano e resultar.Um número mínimo de horas de insolação deve ser fixado para cada moradia. nas "condições naturais". mesmo durante a estação menos favorecida. de acordo com seu índice. ela exige que o indivíduo seja recolocado. ou recuperá-las. só merecem a picareta. superpostas ao longo do tempo. de acordo com as formas de habitação postas pela própria natureza do terreno. fruto de uma especulação prematura. levou-as ao caos. A displicência é a única explicação válida para esse crescimento desmesurado e absolutamente irracional. O sol deve penetrar em toda moradia algumas horas por dia. criá-las. deverão ser parcialmente respeitados. 24 . criar e administrar seus prolongamentos exteriores. e que elas não apenas cresceram. sabendo-se em que área útil. fixar a superfície e a capacidade necessárias à realização desse programa de cinqüenta anos.A determinação dos setores habitacionais deve ser ditada por razões de higiene. que devem ser estudadas e que levarão a previsões que abarquem um certo espaço de tempo: cinqüenta anos. enfim. que ela seja imposta pelas autoridades responsáveis. mas freqüentemente se renovaram no decorrer dos séculos. Quando a cifra da população e as dimensões do terreno são fixadas.

as ruas do nossas cidades. são um remédio irrisório desde que as velocidades mecânicas introduziram nas ruas uma verdadeira ameaça de morte. enfim. de veículos rápidos de transporte coletivo. É preciso. resultantes de uma intensa circulação mecânica. centros de assistência. mecânicas. enquanto o pedestre disporá de caminhos diretos ou de caminhos de passeio para ele reservados. interrompido por paradas intermitentes. Apenas construções de uma certa altura poderão satisfazer a contento essas legítimas exigências. ônibus ou bondes. só agravaria o mal existente. têm finalidades díspares. é o grave erro cometido nas cidades das duas Américas. a busca do ar mais puro e da insolação mais completa. que serão os . à iniciativa privada.As construções elevadas erguidas a grande distância umas das outras devem liberar o solo para amplas superfícies verdes. isto é. os construtores não podiam erguer um imóvel que ultrapassasse seis pavimentos. A construção de uma cidade não pode ser abandonada. todas em aço ou cimento armado. depois vieram. tijolos ou tabiques de madeira e tetos constituídos por vigas de madeira. a altura que mais convém a cada caso particular. criadas no tempo dos cavalos e só após a introdução dos coches. No que concerne à habitação. Cada época utilizou em suas construções a técnica que lhe era imposta por seus recursos particulares. sem programa. Até o século XIX.Os modernos recursos técnicos devem ser levados em conta para erguer construções elevadas. Antes dessa inovação absolutamente revolucionária na história da construção de casas. a serem canalizadas para um leito particular. que serão seus prolongamentos. Todo projeto de casa no qual um único alojamento seja orientado exclusivamente para o norte. por um exame criterioso dos problemas urbanos. terrenos para jogos. um período intermediário fez uso dos ferros perfilados. 29 . As habitações serão afastadas das velocidades mecânicas. devem ser separadas. ou para aquele ainda mais rápido. assim. Introduzir o sol é o novo e o mais imperioso dever do arquiteto. será rigorosamente condenado. as construções homogêneas. as razões que postulam a favor de uma determinada decisão são: a escolha da vista mais agradável. as poeiras e os gases nocivos. Na falta disso será negada a autorização para construir. caso contrário sua altura. ainda. No século XIX. As calçadas. As construções atingem sessenta e cinco pavimentos ou mais. a arte de construir casas só conhecia paredes constituídas de pedras. A cidade atual abre as inumeráveis portas de suas casas para essa ameaça e suas inumeráveis janelas para os ruídos. O presente não é mais tão limitado. ou privado de sol devido às sombras projetadas. áreas escolares. As vias de comunicação. Elas recebem as mais variadas cargas e devem servir tanto para a caminhada dos pedestres. enfim. quanto para o trânsito. dos caminhões ou dos automóveis particulares. Esse estado de coisas exige uma modificação radical: as velocidades do pedestre. É preciso exigir dos construtores uma planta demonstrado que no solstício de inverno o sol penetrará em cada moradia. no século XX. A densidade de sua população deve ser elevada o bastante para validar a organização das instalações coletivas. para evitar os atropelamentos. 27 . a possibilidade de criar nas proximidades imediatas da moradia instalações coletivas. no mínimo 2 horas por dia. e as velocidades.0 alinhamento das habitações ao longo das vias de comunicação deve ser proibido. 28 . Resta determinar. condenadas ao definhamento. 4km horários. 50 a 100km horários.A sociedade não tolerará mais que famílias inteiras sejam privadas de sol e. longe de construir um melhoramento. que elas estejam situadas as distâncias bem grandes umas das outras.

jardins adjacentes a casas burguesas. passeios sombreados ocupando a área de uma muralha militar derrubada. ainda. uma necessidade e constituem uma questão de saúde pública para . que permita calcular a superfície reservada à cidade. No primeiro caso. dividir o terreno necessário tanto para as moradias particulares quanto para seus diversos prolongamentos. indiretos. insuficientes. da qual a autoridade está incumbida: a promulgação do "estatuto do solo". o grave problema da higiene popular permanecem ainda sem melhoria. sem que desempenhem seu papel de prolongamentos úteis da moradia. tais áreas estão situadas ou na periferia ou no coração de uma zona residencial particularmente luxuosa. a cada dia. Assim se construirá a cidade daqui para diante com toda segurança e. sua saúde moral e a alegria de viver delas decorrente. portanto. estatuto. Decidir sobre a maneira como o solo será ocupado. Não interviera ainda o ponto de vista social. em geral muscular e nervosamente extenuantes. proibidas às multidões. será admitida uma cifra de população presumível. O urbanismo é chamado para conceber as regras necessárias a assegurar aos citadinos as condições de vida que salvaguardem não somente sua saúde física mas. dentro dos limites das regras estabelecidas por esse.As superfícies livres são. devem ser seguidas. são pouco utilizáveis pela massa dos habitantes. autênticos pulmões da cidade. 32 . elas só servirão aos citadinos no domingo e não terão influência alguma sobre a vida cotidiana. por um número suficiente de horas livres. se estão concentrados em algumas grandes superfícies. 31 . cobrindo-os de imóveis. distantes dos locais de habitação popular. fixar uma superfície para a cidade que não poderá ser ultrapassada durante um período determinado. miraculosa em nossa época. Outrora os espaços livres não tinham outra razão de ser que o deleite de alguns privilegiados. Em ambos os casos. Seja como for. em geral. Os dois últimos séculos consumiram com voracidade essas reservas. estabelecer a relação entre a superfície construída e aquela deixada livre ou plantada. que continuará a se desenrolar em condições deploráveis. sendo sua função reduzida ao embelezamento. Quando as cidades modernas possuem algumas superfícies livres e de uma extensão suficiente.A situação excêntrica das superficies livres não se presta à melhoria das condições de habitação nas zonas congestionadas da cidade. propiciar um espaço favorável às distrações. de reservas constituídas no passado: parques rodeando residências principescas. As horas dê trabalho. No segundo. Existem. sua destinação será a mesma: acolher as atividades coletivas da juventude. não tão próximas. Lazer Observações 30 . que o maquinismo infalivelmente ampliará. constituir essa grave operação. se cercam a própria habitação. Eles podem ser os prolongamentos diretos ou indiretos da moradia. por isso.Quando as superfícies livres têm uma extensão suficiente. aos passeios ou aos jogos das horas de lazer. Uma vez fixada essa densidade. será dada toda a liberdade à iniciativa privada e à imaginação do artista. Elas são a sobrevivência. serão consagradas a uma reconfortante permanência no seio de elementos naturais. que dá hoje um sentido novo a sua destinação. também. colocando alvenaria no lugar da relva e das árvores. não raro estão mal destinadas e.prolongamentos da moradia. superfícies livres no interior de algumas cidades. elas serão. diretos. de fato. A manutenção ou a criação de espaços livres são. Essas horas livres.

na região 3 . Justa proporção entre volumes edifícados e espaços livres.Os terrenos que poderiam ser destinados ao lazer semanal estão frequentemente mal articulados à cidade. os locais ou os climas. o principal argumento a favor das cidades jardins. De qualquer modo. mas certos empreendimentos coletivos. ele implica o estudo de diversos meios de transporte possíveis: estradas. de fato. Esta decisão só terá resultado se estiver sustentada por uma verdadeira legislação: o "estatuto do solo". cuja utilidade constitui. O cultivo de hortas. em geral. semanais ou anuais. poderá muito bem ser levado em consideração aqui. Esse estatuto terá a diversidade correspondente às necessidades a satisfazer.no país. O problema assim exposto implica a criação de reservas verdes: 1. dos adolescentes e dos adultos. isto é. colocar-se-á o problema dos transportes de massa. . como a aragem eventual e a irrigação ou a rega. eram em geral instaladas provisioriamente: em terrenos destinados a receber futuros bairros residências ou industriais. a densidade da população ou a porcentagem de superficie livre e de superfície edificada poderão variar segundo as funções. as superficies verdes não serão compartimentadas em pequenos elementos de uso privado. Uma vez escolhidos os locais situados nos arredores imediatos da cidade e próprios para se tomarem centros úteis de lazer semanal. 34 . desejosas de utilizar seu lazer semanal.Doravante todo bairro residencial deve compreender a superfície verde necessária à organizacão racional dos jogos e esportes das crianças. não oficialmente reconhecidas é. As horas de liberdade anual. ferrovias ou rios. para serem colocadas nas proximidades dos usuários. Assim. das mais precárias.ao redor das moradias. uma porcentagem do solo disponível lhe será destinada. As horas de liberdade semanal permitem a saída da cidade e os deslocamentos regionais. fora da cidade e da região. encontraram na periferia das cidades um abrigo provisório. Precariedade e transtornos incessantes. permitem verdadeiras viagens. Os volumes edificados serão intimamente amalgamados às superfícies verdes que os cercam. a textura do tecido urbano deverá mudar. dividida em múltiplas parcelas individuais. poderão aliviar os encargos e aumentar o rendimento. mas consagradas ao desenvolvimento das diversas atividades comuns que formam o prolongamento da moradia.As raras instalações esportivas. as aglomerações tenderão a tornar-se cidades verdes. 2 . as férias. Algumas associações esportivas. eis a única fórmula que resolve o problema da habitação. mas sua existência. É preciso exigir 35 . Esse é um tema que constitui parte integrante dos postulados do urbanismo e ao qual os edis deveriam ser obrigados a dedicar toda a sua atenção. As zonas edificadas e as zonas plantadas serão distribuídas levando-se em consideração um tempo razoável para ir de umas às outras. 33 . Esse problema deve ser considerado desde o instante em que se esboça o plano da região. As horas de liberdade cotidiana devem ser passadas nas proximidades da moradia. Pode-se classificar as horas livres ou de lazer em três categorias: cotidianas. Contrariamente ao que ocorre nas cidades-jardins.a espécie.

Deve ser estabelecido um programa de entretenimento abrangendo atividades de todo tipo: o passeio. montanhas. Nesse caso.36 . os espetáculos. centros juvenis ou todas as construções de uso comunitário ligadas intimamente à habitação. Elas deverão.. As superfícies verdes.. locais para alojamento. pistas de corrida ou piscina ao ar livre. são previstos equipamentos precisos: meios de transporte que demandem uma organização racional. etc. natação. 38 . amplos espaços deverão ser reservados e organizados. todavia. Estes quarteirões deverão ser demolidos. áreas de esporte. atletismo. e o acesso a eles deverá ser assegurado por meios de transporte suficientemente numerosos e cômodos.As novas superfícies verdes devem servir a objetivos claramente definidos: acolher jardins de infância. . lago. Não se trata mais de simples gramado cercando a casa. florestas.Parques. não menos importante. teatros ao ar livre. Nada ou quase nada foi ainda previsto para o lazer semanal. 37 . concertos. enfim. escolas. etc. em meio à beleza dos lugares. estádios. antes de mais nada. vales. e as instalações de caráter coletivo ocuparão seus gramados: creches. solitário ou coletivo. Um conhecimento elementar das principais noções de higiene basta para discernir os cortiços e discriminar os quarteirões notoriamente insalubres. círculos juvenis. mas de verdadeiros prados. praias.Os quarteirões insalubres devem ser demolidos e substituídos por superfícies verdes: os bairros limítrofes serão saneados. jogos de quadra e torneios diversos. oferecendo mil oportunidades de atividades saudáveis ou de entretenimento útil ao habitante da cidade. o primeiro passo no caminho do saneamento. morros. saberá dar-lhes a destinação que o plano geral da região e o da cidade tenham antecipadamente considerado a mais útil. que alguns desses quarteirões ocupem um local particularmente conveniente à construção de certos edifícios indispensáveis à vida da cidade. Elas serão o prolongamento da habitação e. futebol. um urbanismo inteligente.As horas livres semanais devem transcorrer em locais adequadamente preparados: parques. albergues ou acampamentos e. salas de leitura ou de jogos. que deverá ser cuidadosamente assegurado em toda parte. Pode acontecer. os esportes de toda natureza: tênis. ter um papel útil. florestas. etc. com uma ou outra árvore plantada. não por função única o de embelezamento da cidade. praias. Toda cidade possui em sua periferia locais capazes de corresponder a esse programa e que através de uma organização bem estudada dos meios de transporte. 39 . deverão estar o subordinadas ao estatuto do solo. de praias naturais ou artificiais constituindo uma imensa reserva cuidadosamente protegida. basquete. um abastecimento de água potável e víveres. pelo menos nos bairros limítrofes. áreas de esporte.. tornar-se-ão facilmente acessíveis. Dever-se-á aproveitar essa ocasião para substituí-los por parques que serão. mar. hotéis. organizações pré ou pós-escolares. de bosques. Enfim. como tal. que se terá intimamente amalgamado aos volumes construídos e inserido nos setores habitacionais. 40 . estádios.. centros de entretenimento intelectual ou de cultura física. Na região que cerca a cidade.Os elementos existentes devem ser considerados: rios.

as fábricas aí espalham suas poeiras e seus ruídos. a moradia e a oficina. à tarde e à noite. a despeito do mal que disso poderia resultar. a questão da distância não desempenha mais. quebrou as tradições seculares do artesanato e deu origem a uma nova mão-de-obra anônima e instável. A expansão inesperada do maquinismo rompeu essas condições de harmonia. fez-se surgir apressadamente cidades suburbanas. os fundadores das indústrias instalaram suas empresas na cidade ou em seus arredores. unidas por vínculos estreitos e permanentes. suporta de manhã. até o presente. Mas. ao longo das vias férreas introduzidas pelo século XIX.Graças ao aperfeiçoamento dos meios mecânicos de transporte. Trabalho Observações 41 . que a indústria do homem crie. Uma destinação fecunda das horas livres forjará uma saúde e um coração para os habitantes das cidades.Os locais de trabalho não estão mais dispostos racionalmente no complexo urbano: indústria. Instaladas na periferia e longe desses bairros. que continua seu desenvolvimento sem limites. aproveitando as disponibilidades imediatas de habitações e de abastecimento das cidades existentes. elas condenam os trabalhadores a percorrer diariamente longas distâncias em condições cansativas de pressa e de agitação. sítios e paisagens que correspondam ao programa. em parte. não mais abandonar a população às múltiplas desgraças da rua. em menos de um século. . a que as indústrias verdadeiramente se precipitaram. só foram dadas soluções paliativas. artesanato. Foi. Derivou disso o grande mal dá época atual: nomadismo das populações operárias. Desde então foram rompidas as relações normais entre essas duas funções essenciais da vida: habitar. a perpétua movimentação e a deprimente confusão dos transportes coletivos. mas também de reparar as agressões que algumas delas tenham sofrido. Trata-se não só de preservar as belezas naturais ainda intactas. Mais vale escolher bem. cujo tráfego a navegação a vapor multiplicava. Saturada a cidade. O desenvolvimento industrial depende essencialmente dos meios de abastecimento de matériasprimas e das facilidades de escoamento dos produtos manufaturados. Os arrabaldes se enchem de oficinas e manufaturas e a grande indústria. sem poder acolher novos habitantes. estavam situadas uma perto da outra. Outrora. e às margens das vias fluviais. ela transformou a fisionomia das cidades. A ruptura com a antiga organização do trabalho criou uma desordem indizível e colocou um problema para o qual. trabalhar. Horas inteiras se dissolvem nesses deslocamentos desordenados. no verão e no inverno. portanto. enfim. que absolutamente não está ligada por um vínculo estável à indústria. Implantadas no coração dos bairros habitacionais.A ligação entre a habitação e os locais de trabalho não é mais normal: ela impõe percursos desmesurados. vastos e compactos blocos de caixotes para alugar ou loteamentos intermináveis. cuja responsabilidade está nas mãos dos edis: encontrar uma contrapartida para o trabalho estafante da semana. comércio. um papel preponderante. 42 . A mão-de-obra intercambiável. tornar o dia de repouso verdadeiramente revitalizante para a saúde fisica e moral. é empurrada para fora. ainda que se tenha que procurar um pouco mais longe. Esse é um outro problema social muito importante. fazendo-os perder inutilmente uma parte de suas horas de lazer. no caso.As horas de pico dos transportes acusam um estado crítico. 43 . negócios. administração. para os subúrbios.

para certas empresas. mas é preciso denuciar as deploráveis condições de vida que disso resultaram para a massa. falta organização propícia para seu desenvolvimento natural. tudo foi deixado à improvisação que. a agitação é frenética. Como são negócios privados. É preciso comprar e vender. Nada. . administração privada e comércio. O solo das cidades e o das regiões vizinhas pertencem quase inteiramente a particulares. uma organização que lhes proporciona. sempre oprime a coletividade. ausência de previsões. trens de subúrbio. conforme um plano cuidadosamente elaborado. horas de sacolejo somadas às fadigas do trabalho. iluminação. isoladamente. o fornecedor e o cliente. etc – a indústria se instala ao acaso. de todos os lugares destinados ao trabalho.Pela falta de qualquer programa . e os usuários pagam caro. terrestres ou férreas. Essa disposição arbitrária criou uma promiscuidade insuportável. Para remediar semelhante estado de coisas foram sustentadas teses contraditórias: fazer viver os transportes ou fazer viver bem os usuários dos transportes? É preciso escolher! Umas supõem a redução e as outras o aumento do diâmetro das cidades. sensível. de seu próprio bolso. ônibus e metrôs só funcionam verdadeiramente em quatro momentos do dia. sujeitas a todo tipo de crises e cuja situação é ás vezes instável. comunicações fáceis com o exterior. foi seriamente medido e previsto. boa qualidade do ar. Tudo aconselha um agrupamento. não obedecendo a regra alguma. instalações de aquecimento e de refrigeração. As cidades industriais. diariamente. são logo presa da especulação.crescimento descontrolado das cidades. sendo a cota dos passageiros insuficiente para cobrir sua despesa. ao longo das grandes vias fluviais. centros postal e telefônico.Nas cidades. que asseguraria a cada um deles as melhores condições de funcionamento: circulação desembaraçada. A exploração desses transportes é ao mesmo tempo minuciosa e cara. portanto.Os transportes coletivos. são caros. ao contrário. Um lugar de passagem é um elemento linear. instalado nos locais privilegiados da cidade. tornar-se-ão. Isto supõe uma nova distribuição. Estas transações precisam de escritórios. A concentração das indústrias em anéis em tomo das grandes cidades pode ter sido. Nas horas de pico.As distâncias entre os locais de trabalho e os locais de habitação devem ser reduzidas ao mínimo. ao invés de serem concêntricas. os escritórios se concentraram em centros de negócios. silêncio. A própria indústria está nas mãos de sociedades privadas. 45 . dotados da mais completa circulação. Nada foi feito para submeter o surto industrial a regras lógicas. A duração das idas e vindas não tem relação com a trajetória cotidiana do sol. 44 . Os centros de negócio. Tais equipamentos. lineares. eles se tomam um pesado encargo público. indispensável ao andamento dos negócios. estabelecer contatos entre a fábrica ou a oficina. rádio etc. É preciso exigir 46 . uma fonte de prosperidade. especulação com os terrenos. O desenvolvimento industrial tem por corolário o aumento dos negócios. nesse domínio. As indústrias devem ser transferidas para locais de passagem das matérias-primas. Esses escritórios são locais que requerem uma instalação particularizada. se às vezes favorece o indivíduo.

A rede atual das vias urbanas é um conjunto de ramificações desenvolvidas em torno das grandes vias de comunicação.47 . difere da indústria e requer disposições apropriadas. exige a criação de novas vias ou a transformação das já existentes. ou às vezes até mesmo à antiguidade. seu próprio setor habitacional. São atividades essencialmente urbanas e. de um plano deliberado. nessa muralha . as administrações públicas. deve poder ocupar locais claramente designados no interior da cidade. Tornando-se linear e não mais anelar. desde o seu nascimento. o rio ou o canal. Na Europa. deve ser garantida boa comunicação. por sua natureza. portanto.As zonas industriais devem ser contíguas à estrada de ferro. 48 . os locais de trabalho. A velocidade inteiramente nova dos transportes mecânicos. o imóvel coletivo provido de todos os serviços necessários ao bemestar de seus ocupantes. ao canal e à rodovia. As "condições naturais" assim reencontradas contribuirão para fazer cessar o nomadismo das populações operárias. É um programa de coordenação que deve levar em conta a nova distribuição dos estabelecimentos industriais e das moradias operárias que os acompanham. O centro de negócios deve encontrar-se na confluência das vias de circulação que servem ao mesmo tempo os setores de habitação. da qual procede diretamente. Circulação Observações 51 . ela voltará a ser um organismo familiar normal. O artesanato. 50 . tanto com os bairros habitacionais quanto com as indústrias ou artesanato instalados na cidade ou em suas proximidades. Uma zona verde separará este último das construções industriais. Os negócios assumiram uma importância tão grande que a escolha da localização que lhes será reservada exige um estudo muito particular. Ele emana diretamente do potencial acumulado nos centros urbanos. Certas cidades militares ou de colonização beneficiaram-se. Primeiro foi traçada uma muralha de forma regular. 49 . Três tipos de habitação estarão disponíveis para escolha dos habitantes: a casa individual da cidade-jardim. que utilizam a rodovia. melhor ainda. consagrado à administração privada ou pública. A moradia inserida desde então em pleno campo. intimamente ligado à vida urbana. enfim. ela poderá alinhar.Ao centro de negócios. costura ou moda encontra na concentração intelectual da cidade a excitação criadora que lhe é necessária. mantendo-se a uma proximidade que suprimirá os longos trajetos diários. marítima. estrada ou via férrea ou. à medida em que se desenvolve. estará completamente protegida dos ruídos e das poeiras. dessas três vias conjugadas. rodoviária. essas últimas remontam a um tempo bem anterior à idade média.O artesanato. joalheria. a casa individual acoplada a uma pequena exploração rural e. poderão ficar situados nos pontos mais intensos da cidade. aérea).Os setores industriais devem ser independentes dos setores habitacionais e separados uns dos outros por uma zona de vegetação. a ferrovia. A cidade industrial se estenderá ao longo do canal. O artesanato de livros. os setores de indústria e de artesanato. alguns hotéis e diversas (estações ferroviária. que lhe será paralelo.

Os cruzamentos das ruas atuais. É sempre o bloco edificado. 55 . essa rede não pôde adaptarse às novas velocidades dos veículos mecânicos. por pátios internos. estender-se proporcionalmente ao crescimento de sua população. É isso que explica sua disposição em ruas e ruelas estreitas que permitiam servir ao maior número possível de portas de habitação. além disso. As vias principais sempre foram filhas da geografia. Além disso. hoje elas não correspondem aos meios de transporte mecânicos. A rede circulatória que o contém tem dimensões e intersecções múltiplas. nasceram na intersecção de duas grandes rotas que atravessavam a região ou no ponto de cruzamento de vários caminhos radiais que partiam de um centro comum. Procurar alargá-las é quase sempre uma operação onerosa e. que conservava sua estrutura primitiva. mas sempre conservarão sua determinação fundamental. 50. inoperante. essa organização das cidades teve como conseqüência o sistema de blocos edificados a prumo sobre a rua. cercadas por muralhas. As cidades antigas eram. com a mesma finalidade. ruas e ruelas foram prolongadas em avenidas e alamedas além do primeiro núcleo. A freada não pode intervir brutalmente sem causar um desgaste rápido de suas principais órgãos.As grandes vias de comunicação foram. artérias secundárias cada vez mais numerosas. As primeiras casas se instalaram à beira delas. Suas fachadas dão para ruas ou para pátios internos mais ou menos estreitos. os veículos mecânicos precisam do arranque e da aceleração gradual. ficam paralisados. não convêm à boa progressão dos veículos mecânicos.As distâncias entre os cruzamentos das ruas são muito pequenas. 53 . a nenhuma necessidade.O dimensionamento das ruas. no decorrer do crescimento da cidade. tem ainda hoje força de lei. mais numerosas. assim tiveram origem as ruas principais a partir das quais vieram ramificar-se. desde então inadequado. O problema é criado pela impossibilidade de conciliar as velocidades naturais. Mas tarde. A disposição interna tinha uma útil regularidade. e perfurados. Para atingir sua marcha normal. que não corresponde mais. obrigados a frear com freqüência. Essas vias de comunicação estão intimamente ligadas à topografia da região. há muito tempo. Dever-se-ia. que freqüentemente lhes impõe um traçado sinuoso. subproduto direto da rede viária. O pedestre circula em uma insegurança perpétua. com as velocidades mecânicas dos automóveis. Espaços de 200 a 400 metros deveriam separá-los. Não podiam. 20. se opõe à utilização das novas velocidades mecânicas e à expansão regular da cidade. 54 . Esse sistema de construção. quando as muralhas fortificadas foram sendo afastadas. o que não os impede de serem um perigo permanente de morte. situados a 100. Era preciso agir com economia para fazer o terreno render o máximo de superfície habitável. 52 . ou mesmo 10 metros de distância uns dos outros. portanto. Outras cidades. do pedestre ou do cavalo. Sua mistura é fonte de mil conflitos.A largura das ruas é insuficiente. enquanto os veículos mecânicos. concebidas para receber pedestres ou coches. por razões de segurança. caminhões ou ônibus. bondes. Prevista para outros tempos.terminavam as grandes vias de comunicação. portanto. . muitas delas puderam ser corrigidas ou retificadas. de onde eles recebiam luz. prever uma unidade de extensão razoável entre o local do arranque e aquele em que a freada torna-se necessária.

preciso dedicar-se a um estudo profundo da questão. Tudo depende de seu tráfego. aos pedestres. uma causa de engarrafamento.Em inúmeros casos. no presente. Ela pede um programa cuidadosamente estudado. As antigas vias principais.Não há uma largura-tipo uniforme para as ruas. de modo a fazê-las inserir-se na harmonia de um plano geral. a situação é grave para a economia geral e o urbanismo é chamado para considerar o remanejamento e o deslocamento de certas redes. Também aqui o tempo andou muito depressa. ir de um extremo a outro. aos caminhões. Essas composições de ordem arquitetônica deveriam ser preservadas da invasão de veículos mecânicos. de atraso. um grave obstáculo à urbanização. a malha das ruas apresenta-se irracional. diversidade e adequação. A circulação tornou-se hoje uma função primordial da vida urbana. impostas desde o início da cidade pela topografia e pela geografia. privando-os de contatos úteis com os elementos vitais da cidade. a suprimir os engarrafamentos e o malestar constante de que são a causa. puderam ou podem constituir pesados entraves à circulação. A circulação moderna é uma operação das mais complexas. às vezes. Aquilo que era admissível e até mesmo admirável no tempo dos pedestres e dos coches pode ter-se tomado. conservaram quase sempre um tráfego intenso. Cada uma dessas atividades exigiria uma pista particular. atualmente. a determinados veículos. elas seccionam arbitrariamente zonas inteiras. Ao penetrarem nas cidades. mas seu alargamento não é sempre uma solução fácil e nem sequer eficaz. Elas são geralmente muito estreitas. 58 . Ela isola os bairros habitacionais. faltando precisão. buscando objetivos representativos. Certas avenidas concebidas para assegurar uma perspectiva monumental coroada por um monumento ou um edificio. 57 . As estradas de ferro foram construídas antes da prodigiosa expansão industrial que elas mesmas provocaram. atravessar a cidade em simples trânsito. condicionada para satisfazer necessidades claramente e caracterizadas.Traçados de natureza suntuária. aos ônibus e bondes. assim. criar os escoadouros indispensáveis e chegar. em número e natureza dos veículos. portanto. Em certas cidades. que saiba prever tudo o que é preciso para regularizar os fluxos. A estrada de ferro é uma via que não se atravessa. É preciso que o problema seja retomado bem mais de cima. percorrer itinerários prescritos. tendo-se coberto pouco a pouco de habitações. ela isola uns dos outros setores que. ir dos centros de abastecimento a locais de distribuição infinitamente variados. a rede das vias férreas tornou-se. viram-se privados de contatos para eles indispensáveis. É preciso exigir . É. por ocasião da extensão da cidade. considerar seu estado atual e procurar soluções que respondam de fato a necessidades estritamente definidas. As vias destinadas a múltiplos usos devem permitir. ir de um extremo a outro. para os quais não foram feitas e à cuja velocidade nunca poderão ser adaptadas. 56 . uma fonte de problemas constantes. e.Diante das velocidades mecânicas. flexibilidade. ao mesmo tempo: aos automóveis. são. de perigo. e que formam o tronco da inumerável ramificação de ruas.

e construídas em função dos veículos e de suas velocidades. Somente uma visão clara da situação permitirá realizar dois progressos indispensáveis: dar a cada uma das vias de circulação uma destinação precisa. A rua única. Os veículos em trânsito não deveriam ser submetidos ao regime de paradas obrigatórias a cada cruzamento. vias de trânsito independentes das vias usuais. O crescimento fulminante de algumas cidades como Nova York por exemplo. A primeira medida útil seria separar radicalmente. Essa exigência concernente à circulação pode ser considerada tão rigorosa quanto aquela que. ter regimes diferentes. 62 . Nas grandes vias de circulação e a distâncias calculadas para obter o melhor rendimento. ruas de passeio. de acordo com a função para a qual forem destinadas. No século XX.Os cruzamentos de tráfego interno serão organizados em circulação contínua por meio de mudanças de níveis. serão estabelecidas interligações unindo-as às vias destinadas à circulação miúda.com suas velocidades inesperadas. dimensões e características especiais: natureza do leito. que será receber seja os pedestres. dar às cargas pesadas um leito de circulação particular. abateu-se como um cataclisma a massa de veículos mecânicos . seja os automóveis. As causas determinantes e os efeitos de suas diferentes intensidades aparecerão então claramente e será mais fácil discernir os pontos críticos. em cada via transversal. provocou um fluxo inimaginável de veículos em certos pontos determinados.As vias de circulação devem ser classificadas conforme sua natureza.As ruas devem ser diferenciadas de acordo com suas destinações: ruas de residências. Já é tempo de remediar. recebia outrora pedestres e cavaleiros indistintamente e só no final do século XVIII o emprego generalizado de coches provocou a criação das calçadas. caminhões. legada pelos séculos.Devem ser feitas análises úteis. uma situação que caminha para ao desastre. locais e natureza dos cruzamentos ou das interligações. para a grande circulação. Não haveria nada mais sensato nem que abrisse uma era de urbanismo mais nova e mais fértil. 61 . dar depois a essas vias.bicicletas. vias principais. As ruas residenciais e as áreas destinadas aos usos coletivos exigem uma atmosfera particular. 63 . conforme sua categoria. ruas de trânsito. Para permitir às moradias e a seus "prolongamentos" usufruir da calma e . A circulação é uma função vital cujo estado atual deve ser expresso em gráficos. no domínio da habitação. são o melhor meio de assegurar-lhes uma marcha contínua. por meio de medidas apropriadas. largura da calçada. o caminho dos pedestres e o dos veículos mecânicos.O pedestre deve poder seguir caminhos diferentes do automóvel Isso constituiria uma reforma fundamental da circulação nas cidades. considerar. Mudanças de nível. bondes . que torna inutilmente lento seu percurso. com base em estatísticas rigorosas do conjunto da circulação na cidade e sua região. As ruas. 60 . motocicletas. ao invés de serem liberadas a tudo e a todos. destinadas somente à pequena circulação. trabalho que revelará os leitos de circulação e a qualidade de seus tráficos.59 . A segunda. seja as cargas pesadas ou os veículos em trânsito. nas artérias congestionadas. automóveis. condena toda orientação da moradia para o norte. A terceira. deverão.

Serão salvaguardados se constituem a expressão de uma cultura anterior e se correspondem a um interesse geral. os leitos de grande circulação. Se os interesses da cidade são lesados pela persistência de determinadas presenças insignes. majestosas. 67 . o resto será modificado de maneira útil. atinge também as obras dos homens. e aqueles que os detêm ou são encarregados de sua proteção. convém escolher com sabedoria o que deve ser respeitado.As zonas de vegetação devem isolar. os veículos mecânicos serão canalizados para circuitos especiais.. sua mistura com os pedestres não oferecerá mais inconvenientes.. nas quais. por definição. será procurada a solução capaz de conciliar dois pontos de vista opostos: nos casos em que se esteja diante de construções repetidas em numerosos exemplares.da paz que lhes são necessárias. Sendo as vias de trânsito ou de grande circulação bem diferenciadas das vias de circulação miúda. não terão nenhuma razão para se aproximarem das construções públicas ou privadas. poderá ser aventada a transplantação de elementos incômodos por sua situação. O problema deve ser estudado e pode às . em outros casos poderá ser isolada a única parte que constitua uma lembrança ou um valor real. mas que merecem ser conservados por seu alto significado estético ou histórico. salvo nos pontos de interligação.Se sua conservação não acarreta o sacrifício de populações mantidas em condições insalubres. Patrimônio Histórico das Cidades 65 . algumas serão conservadas a título de documentário. Espíritos mais ciosos do estetismo do que da solidariedade militam a favor da conservação de certos velhos bairros pitorescos. As avenidas de trânsito não terão nenhum contato com as ruas de circulação miúda. É necessário saber reconhecer e discriminar nos testemunhos do passado aquelas que ainda estão bem vivas. As grandes vias principais que estão relacionadas a todo o conjunto da região afirmarão. Eles fazem parte do patrimônio humano. a promiscuidade e a doença que eles abrigam. Enfim. a princípio por seu valor histórico ou sentimental. têm a responsabilidade e a obrigação de fazer tudo o que é lícito para transmitir intacta para os séculos futuros essa nobre herança. Mas serão também levadas em consideração as ruas de passeio. sem se preocupar com a miséria. direito à perenidade. em princípio. sua prioridade.. A vida de uma cidade é um acontecimento contínuo. Um culto estrito do passado não pode levar a desconhecer as regras da justiça social. É assumir uma grave responsabilidade. traçados ou contruções que lhe conferem sua personalidade própria e dos quais emana pouco a pouco a sua alma. de uma era já encerrada. que se manifesta ao longo dos séculos por obras materiais. porque alguns trazem uma virtude plástica na qual se incorporou o mais alto grau de intensidade do gênio humano. Nem tudo que é passado tem. as outras demolidas. naturalmente.Os valores arquitetônicos devem ser salvaguardados (edifícios isolados ou conjuntos urbanos). em certos excepcionais. depois. 64 . 66 .. A morte. Será bom que elas sejam ladeadas por espessas cortinas de vegetação. que não poupa nenhum ser vivo. sendo rigorosamente imposta uma velocidade reduzida a todos os tipos de veículos. São testemunhos preciosos do passado que serão respeitados.

se as condições o permitirem impor-se-lhe-á uma passagem sob um túnel. nunca o homem voltou sobre seus passos. têm conseqüências nefastas. As obras-primas do passado nos mostram que cada geração teve sua maneira de pensar. A manutenção de tais usos ou a introdução de tais iniciativas não serão toleradas de forma alguma. Aproveitar-se-á a situação para introduzir superfícies verdes. sem dúvida. a invenção e os recursos técnicos devem combinar-se para chegar a desfazer os nós que parecem mais inextrincáveis. longe de se alcançar uma impressão de conjunto e dar a sensação de pureza de estilo. quando esta medida acarreta a destruição de verdadeiros valores arquitetônicos.A destruição de cortiços ao redor dos monumentos históricos dará a ocasião para criar superfícies verdes. em todo caso. suas concepções. Copiar servilmente o passado é condenar-se à mentira. mas. Nunca foi constatado um retrocesso. em certos casos. Mas. transplantando-o para outra parte. Tais métodos são contrários à grande lição da história. pois as antigas condições de trabalho não poderiam ser reconstituídas e a aplicação da técnica moderna a um ideal ultrapassado sempre leva a um simulacro desprovido de qualquer vida. como trampolim para sua imaginação. O crescimento excepcional de uma cidade pode criar uma situação perigosa. e da qual. Os vestígios do passado mergulharão em uma ambiência nova. em nenhum caso.Se é possível remediar sua presença prejudicial com medidas radicais: por exemplo. à totalidade de recursos técnicos de sua época.vezes ser resolvido por uma solução engenhosa. o culto do pitoresco e da história deve ter primazia sobre a salubridade da moradia da qual dependem tão estreitamente o bem-estar e à saúde moral do indivíduo.O emprego de estilos do passado. históricos ou espirituais. chega-se somente a uma reconstituição fictícia. pode-se também deslocar um centro de atividade intensa e. inesperada talvez. recorrendo. 68 . que mais se tinha empenho em preservar. mudar inteiramente o regime circulatório da zona congestionada. A imaginação. a demolição de casas insalubres e de cortiços ao redor de algum monumento de valor histórico destrua uma ambiência secular. sua estética. Misturando o "falso" ao "verdadeiro". procurar uma outra solução. capaz apenas de desacreditar os testemunhos autênticos. sob pretextos estéticos. Terceira Parte Conclusões Pontos de doutrina . É possível que. É uma coisa lamentável mas inevitável. os bairros vizinhos se beneficiarão amplamente. mas certamente tolerável. nas construções novas erigidas nas zonas históricas. o destino de elementos vitais de circulação ou mesmo o deslocamento de centros considerados até então imutáveis. levando a um impasse do qual só se sairá mediante alguns sacrifícios. é erigir o "falso" como princípio. 69 . Enfim. O obstáculo só poderá ser suprimido pela demolição. mais vale. Ao invés de suprimir o obstáculo à circulação desviar-se-á a própria circulação ou. 70 .

Embora as cidades esteja em estado de permanente transformação. Utrecht. Barcelona. às vezes. hidrovias ou ferrovias. a fraqueza do controle administrativo e a impotente solidariedade social. Bruxelas. Nessa luta. Uma crise-de humanidade assola as grandes cidades e repercute em toda a extensão dos territórios. Nada do que é necessário a sua saúde física e moral foi salvaguardado ou organizado. 73 . Dalat. Bandoeng. Los Angeles. Litoria. Hoje. e também a ausência de qualquer esforço sério de adaptação. Estocolmo. e abrigá-los bem. apoiado em uma forte responsabilidade administatriva. . Oslo. Budapeste. Colônia. Trinta e três cidades foram analisadas. Tudo que o cerca sufoca-o e esmaga-o. seu desenvolvimento é conduzido sem precisão nem controle e sem que sejam levados em consideração os princípios do urbanismo contemporâneo atualizados aos meios técnicos qualificados. que seria satisfazer as necessidades. o crescimento incessante dos interesses privados. Praga. 72 . Essas diversas fontes de energia estão em perpétua contradição. Mas. por diligência dos grupos nacionais dos Congressos Internacionais de Arquitetura Moderna: Amsterdã. biológicas e psicológicas de sua população. entregues ao acaso. As cidades são desumanas. Baltimore. infelizmente desigual. do próprio excesso do mal surge. o mal está feito. Elas ilustram a história da raça branca sob os mais diversos climas e latitudes. de outro. Paris. e. e. Dessau.A violência dos interesses privados provoca um desastroso desequilíbrio entre o ímpeto das forças econômicas. A base desse lamentável estado de coisas está na preeminência das iniciativas privadas inspiradas pelo interesse pessoals pelo atrativo do ganho. Roma. para evitar os danos pelos quais ninguém pode ser efetivamente responsabilizado. Roterdã. o bem. 74 . tudo se multiplicou numa pressa e numa violência individual.A maioria das cidades estudadas oferece hoje a imagem do caos.71 . quando uma ataca. A cidade não corresponde mais a sua função. o interesse privado triunfa o mais das vezes. primordiais. e da ferocidade de alguns interesses privados nasceu a infelicidade de inúmeras pessoas. de um lado.Varsóvia. durante cem anos. de modo algum a sua destinação. Haia. Verona. Todas testemunham o mesmo fenômeno: a desordem instituída pelo maquinismo em uma situação que comportava até então uma relativa harmonia. Berlim. a organização das rodovias. Charieroi. Atenas. até o presente. a outra se defende. Essa cidades não correspondem. Em todas essas cidades o homem é molestado. As empresas estiveram. Frankfurt.Esta situação revela. e a imensa desordem material e moral da cidade moderna terá talvez como resultado fazer surgir enfim o estatuto da cidade. da qual estavam excluídos qualquer plano preconcebido e qualquer reflexão prévia. por ocasião do Congresso de Atenas. que é a de abrigar os homens. desde o começo da era do maquinismo. Genebra. O sentimento de responsabilidade administrativa e o da solidariedade social são derrotados diariamente pela força viva e incessantemente renovada do interesse privado. Madri. Londres. instaurará as regras indispensáveis à proteção da saúde e da dignidade humana. Detroit. assegurando o sucesso dos mais fortes em detrimento dos fracos. Nenhuma autoridade consciente da natureza e da importância do movimento do maquinismo interveio. Como. Zagreb e Zurique. que. A construção de habitações ou de fábricas. Gênova.

nos planos espiritual e material. que a autoridade seja esclarecida e. A medida natural do homem deve servir de base a todas as escalas que estarão relacionadas à vida e às diversas funções do ser. Até agora. ele só atacou um único problema. em quarto lugar. Essas quatro funções. isto é. técnicos de saúde. Todo empreendimento cujo objetivo é a melhoria do destino humano deve levar em consideração esses dois fatores. Se ele não chega a satisfazer suas exigências. Escala das medidas. não raro. Liberdade individual e ação coletiva são os dois polos entre os quais se desenrola o jogo da vida. o ar puro e o sol. técnicos da organização social. estabelecer o contato entre essas diversas organizações mediante uma rede circulatória que assegure as trocas. de tal modo que. Eles foram objeto de artigos.Os planos determinarão a estrutura de cada um dos setores atribuídos às quatro funçõeschave. congressos. Clarividência e energia podem vir a restaurar a situação comprometida. É necessário. eles retomem seu caráter de atividade humana natural. frequentemente contraditórias. o da circulação. lhe sejam largamente asseguradas. coordená-los de maneira harmoniosa se não se elabora. cobrem um domínio imenso. escala das distâncias. e eles fixarão suas respectivas localizações no conjunto. as quatro funções-chave do urbanismo reivindicam. depois. para manifestar-se em toda a sua plenitude e trazer ordem e classificação às . em segundo lugar. locais onde o espaço. debates públicos ou privados. Mas é preciso fazer com que sejam admitidos pelos órgãos administrativos encarregados de velar pelo destino das cidades e que.Os princípios do urbanismo moderno foram produzidos pelo trabalho de inúmeros técnicos: técnicos da arte de construir. que se aplicarão às superfícies ou às distâncias. recrear-se (nas horas livres). É impossível. trabalhar. Ele se contentou em abrir avenidas ou traçar ruas. que ela aja. que serão consideradas em sua relação com o ritmo natural do homem. que são as quatro chaves do urbanismo. sendo o urbanismo a conseqüência de uma maneira de pensar levada à vida pública por uma técnica de ação.A cidade deve assegurar. em todo caso. que devem ser determinados considerando-se o trajeto cotidiano do sol.O dimensionamento de todas as coisas no dispositivo urbano só pode ser regido pela escala humana. essas três. respeitando as prerrogativas de cada uma. de antemão. constituindo assim quarteirões edificados cuja destinação é abandonada à aventura das iniciativas privadas. circular. que são: primeiramente. escala dos horários.As chaves do urbanismo estão nas quatro funções: habitar. um programa cuidadosamente estudado e que nada deixe ao acaso. Essa é uma visão estreita e insuficiente da missão que lhe está destinada. livros. assegurar aos homens moradias saudáveis. condições essenciais da natureza. são hostis às grandes transformações propostas por esses dados novos. organizar os locais de trabalho. O urbanismo tem quatro funções principais. O urbanismo exprime a maneira de ser de uma época. antes de mais nada. ao invés de serem uma sujeição penosa. em terceiro lugar. 76 . 78 . Desde o congresso dos CIAM. 75 . a liberdade individual e o benefício da açao coletiva. em Atenas. 77 . tornando-as benéficas e fecundas. prever as instalações necessárias à boa utilização das horas livres. condena-se a um inevitável fracasso.

por sua velocidade. cujo inconveniente é impor distâncias que não têm relação com o tempo disponível. eles introduziram na vida citadina inúmeros fatores prejudiciais à saúde. só deve ter um objetivo. ao mesmo tempo. sendo a habitação considerada o próprio centro das preocupações urbanísticas e o ponto de articulação de todas as medidas. difundem o gosto por uma mobilidade sem freio nem medida e favorecem modos de vida que deslocando a família.será regulamentado pelo urbanismo dentro da mais rigorosa economia de tempo. doravante utilizáveis. Seus gases de combustão difundidos no ar são nocivos aos pulmões e seu barulho determina no homem um estado de nervosismo permanente. despertam a tentação de evasão cotidiana. estabelecer uma comumcação proveitosa entre as outras três. trazer um ganho apreciável de tempo. É a habitação que está no centro das preocupações do urbanista e o jogo das distâncias será regulamentado de acordo com a sua posição no planejamento. levando em consideração as funções-chave .O ciclo das funções cotidianas . Cada uma das funções-chave terá sua autonomia. Elas condenam os homens a passar horas cansativas em todo tipo de veículos e a perder. mas a necessidade de regulamentar as diversas atividades segundo a duração do trajeto solar se opõe a essa concepção. à primeira vista. que ritma a atividades dos homens e dá a justa medida a todos os seus empreendimentos. harmonizando as funções-chave da cidade. comprometendo a higiene. O zoneamento. a um só tempo. 80 . São inevitáveis grandes . apoiada nos dados fornecidos pelo clima. na natureza. 81 . Os veículos mecânicos deveriam ser agentes liberadores e. elas serão consideradas entidades às quais serão atribuídos territórios e locais para cujo equipamento e instalação serão acionados todos os prodigiosos recursos das técnicas modernas. pela topografia. Além disso. transformará o aspecto das cidades. em conformidade com a jornada solar de vinte e quatro horas. disposições particulares que ofereçam a cada uma delas as condições mais favoráveis ao desenvolvimento de sua atividade própria.O princípio da circulação urbana e suburbana deve ser revisto. A circulação. O desejo de reintroduzir na vida cotidiana as condições naturais parece. uma dificuldade para a circulação e a ocasião de perigos permanentes. Essas velocidades. trabalhar. O urbanismo deve assegurar a liberdade individual e. favorecer e se aproveitar dos benefícios da ação coletiva.habitar. criará entre elas vínculos naturais para cujo fortalecimento será prevista uma rede racional de grandes artérias.habitar. pelos costumes. esta quarta função. aconselhar uma maior extensão horizontal das cidades. 79 . trabalho e cultura. recrear-se (recuperação) . a prática da mais saudável e natural de todas as funções: a caminhada. O urbanismo. pouco a pouco. serão consideradas as necessidades vitais do indivíduo e não o interesse ou o lucro de um grupo particular. Nessa distribuição. A reforma do zoneamento. provocando o engarrafamento e a paralisia dos transportes.As novas velocidades mecânicas convulsionaram o meio urbano. instaurando o perigo permanente. perturbam profundamente a estabilidade da sociedade. romperá a opressão esmagadora de usos que perderam sua razao de ser e abrirá aos criadores um campo de ação inesgotável. Deve ser feita uma classificação das velocidades disponíveis. trabalhar. recrear-se ordenará o território urbano. levando em consideração essa necessidade. para longe.condições habituais de vida. Mas sua acumulação e concentração em certos pontos tomaramse.

É levando em o consideração a altura que o urbanismo recuperará os terrenos livres necessários às comunicações e os espaços úteis ao lazer. cada uma tomará seu lugar e sua classificação na economia geral do país. 83 . Resultará disso uma delimitação clara dos limites da região. sol e aeração. E o crescimento das cifras de sua população não conduzirá mais a essa confusão desumana que é um dos fiagelos das grandes cidades. no caso. O mesmo trabalho aplicado às aglomerações que fixarão para cada cidade envolvida por sua região um caráter e um destino próprios. promulgando leis que permitam sua realização. assim como para os lazeres. 85 .A cidade deve ser estudada no conjunto de sua região de influência. Subordinada às necessidades da região. A cidade adquirirá o caráter de uma empresa estudada de antemão e submetida ao rigor de um planejamento geral. Seu desenvolvimento. seu excesso. as quais. mas em toda a região da qual ela é o centro. 84 . O limite da aglomeração será função do raio de sua ação econômica. deverá crescer harmoniosamente em cada uma de suas partes. por exemplo. que se desenvolvem no interior de volumes . de mudanças de nível destinadas a regularizar certos fluxos intensos de veículos. estão ligadas ao solo. . as etapas de um desenvolvimento plausível. É preciso distinguir as funções sedentárias.onde a terceira dimensão desempenha o papel mais importante . e que constituirá a técnica moderna da circulação. É fazendo intervir o elemento altura que será dada uma solução para as circulações modernas. previamente.das funções de circulação. a cidade não será mais o resultado desordenado de iniciativas acidentais. mas sobretudo de uma terceira.A cidade. A circulação assim regulamentada torna-se uma função regular e que não impõe nenhum incômodo à estrutura da habitação ou a dos locais de trabalho. mediante a exploração dos espaços livres assim criados. será um coroarnento. ao invés de produzir uma catástrofe. Este é o urbanismo total. As funções-chave habitar. descrito seu caráter. previsto a amplitude de seus desenvolvimentos e limitado. A cidade e sua região devem ser munidas de uma rede exatamente proporcional aos usos e aos fins. destinada a enquadrar as quatro funções-chave. Assim. dispondo de espaços e ligações onde poderão se inscrever equlilibradamente as etapas de seu desenvolvimento.O urbanismo é uma ciência de três dimensões e não apenas de duas. 82 . Será preciso classificar e diferenciar os meios de transporte e estabelecer para cada um deles um leito adequado à própria natureza dos veículos utilizados. a altura. utilizando apenasduas dimensões.É da mais urgente necessidade que cada cidade estabeleça seu programa. A razão de ser da cidade dever ser procurada e expressada em cifras que permitirão prever. definida desde então como uma unidade funcional. Um plano de região substituirá o simples pla no municipal.transformações. Sábias previsões terão esboçado seu futuro. trabalhar e recrear-se desenvolvem-se no interior de volumes edificados submetidos a três imperiosas necessidades: espaço suficiente. para o futuro. para as quais a altura só intervém excepcionalmente e em pequena escala. Esses volumes não dependem apenas do solo e de suas duas dimensões. capaz de levar o equilíbrio à região e ao país. Os dados de um problema de urbanismo são fornecidos pelo conjunto das atividades que se desenvolvem não somente na cidade.

O acaso cederá diante da previsão. desses últimos cem anos. e que. deve torna-se uma empresa humana. ocupado aqui com as tarefas do urbanismo. . A lei fixará o "estatuto do solo". tornando mais fáceis todos os gestos de sua vida. Regras invioláveis assegurarão aos habitantes o bem-estar da moradia. a ambiência geral. será preciso reuni-las em "unidades habitacionais" de proproções adequadas. pela justa adaptação dos meios aos fins propostos. A obra não será mais limitada ao plano precário do geômetra que projeta. Para que seja mais fácil dotar as moradias dos serviços comuns destinados a realizar comodamente o abastecimento. Quem poderá tomar as medidas necessárias para levar a bom termo essa tarefa. Se ela deve conhecer interiormente o sol e o ar puro. prolongar-se no exterior em diversas instalações comunitárias. o abrigo de uma família. a topografia do conjunto.ou de proibir -. compreendendo órgãos claramente definidos. A casa é o núcleo inicial do urbanismo. há mais de um século submetida aos jogos brutais da especulação. que abandonou os grafismos ilusórios. e favorecerá todas as inicatívas adequadamente planejadas. a facilidade do trabalho.O programa deve ser elaborado com base em análises rigorosas. o feliz emprego das horas livres. feitas por especialistas. à revelia dos subúrbios. Ela terá o direito de autorizar .O número inicial do urbanismo é uma célula habitacional (uma moradia) e sua inserção num grupo formando uma unidade habitacional de proporções adequadas. Os grandes leitos de circulação serão confirmados e instalados no lugar adequado. Se a célula é o elemento biológico primordial. estudada e os valores naturais. capazes de desempenhar com perfeição suas funções essenciais. abriga as alegrias e as dores de sua vida cotidiana. Ela será uma verdadeira criação biológica. os valores espirituais. Ela protege o crescimento do homem. reconhecidas. deve. que possui o perfeito conhecimento do homem. o instrumento de medida será a escala humana. a assistência médica ou a utilização dos lazeres. os blocos de imóveis na poeira dos loteamentos. mas velará para que elas se insiram no planejamento geral e sejam sempre subordinadas aos interesses coletivos. 86 . a educação. A alma das cidades será animada pela clareza do plananejamento. hierarquizados. A arquitetura. dotando cada função-chave dos meios de melhor se exprimir.Para o arquiteto. Uma curva de crescimento exprimirá o futuro econômico previsto para cidade. após a derrota. Cada caso será inscrito no planejamento regional. além disso. por etapas sucessivas. as necessidades sociológicas. 87 . quer dizer. os dados econômicos. que constituem o bem público. Ele deve prever as etapas no tempo e no espaço. debruçar-se sobre o indivíduo e criar-lhe. de se instalar nos terrenos mais favoráveis e a distâncias mais proveitosas. deve ser recolocada a serviço do homem. o programa sucederá a improvisação. as organizações que estarão à volta. e a natureza de seu equipamento fixada segundo o uso para o qual serão destinados. Deve reunir em um acordo fecundo os recursos naturais do sítio. constitui a célula social. criará uma ordem que tem em si sua própria poesia? 88 . A construção dessa casa. Os recursos do solo serão analisados e as limitações à quais ele se obriga. os terrenos serão aferidos e atribuídos a diversas atividades: clara ordenação no empreendimento que será iniciado a partir de amanhã e continuado. pouco a pouco. para sua felicidade. Ela deve deixar as pompas estéreis. a casa. Ela deve prever também a proteção e a guarda das extensões que serão ocupadas um dia. senão o arquiteto.

92 .E não é aqui que a arquitetura intervirá em última instância. Esta com a ajuda de seus especialistas. as fábricas devem ser dotados de instalações capazes de assegurar o bem-estar necessário ao desempenho desta segunda função. uma situação econômica que permita empreender e prosseguir os trabalhos. cultivar o corpo e o espírito. alegria. alguns dos quais serão consideráveis. célula essencial do tecido urbano. respaldará a arte de construir com todas as garantias da ciência e a enriquecerá com as invenções e os recursos da época. A arquitetura é chave de tudo. harmonia são subordinadas às suas decisões. mas. Ela organiza os prolongamentos da moradia. A era do maquinismo introduziu técnicas novas.É a dessa unidade-moradia que se estabelecerão no espaço urbano as relações entre a habitação. cuja feliz proporção constituirá uma obra harmoniosa e duradoura. todavia.89 . 90 . que são uma das causas da desordem e da confusão das cidades. . ainda. Os escritórios. Ela reúne as moradias em unidades habitacionais. É a ela. no entanto. sociais e econômicas são as mais desfavoráveis... em porporções harmoniosas. que é preciso pedir a solução do problema. os locais de trabalho. os locais de trabalho e as instalações consagradas às horas livres. as áreas consagradas ao entretenimento. cuja salubridade. de uma complexidade desconhecidas até aqui.A marcha dos acontecimentos será profundamente influenciada pelos fatores políticos. Não basta que a necessidade do estatuto do solo e de certos princípios de construção seja admitida. não se pode negligenciar a terceira. e que ela venha dar ao político. É ela que se encarrega de sua criação ou de sua melhoria. Enfim. As novas construções serão não somente de uma amplitude. decidido a realizar as melhores condições de vida. que mesmo em uma época em que tudo caiu ao nível mais baixo. A primeira das funções que deve atrair a atenção do urbanismo é habitar e.Para realizar essa grande tarefa é indispensável utilizar os recursos da técnica moderna. É preciso. políticas. os espaços livres em meio aos quais se erguerão os volumes edificados. que é recrear-se. Pode ser. Ela ordena a estrutura da moradia. A arquitetura é responsável pelo bem-estar e pela beleza da cidade. E o urbanista deverá prever os sítios e os locais propícios. em que as condições. ao social e ao econômico o objetivo e o programa coerentes que justamente lhes faltavam. elaboradas e expressas nos planos. habitar bem.. A arquitetura preside aos destinos da cidade. de antemão. Ela reserva. Para realizar a tarefa múltipla que lhe é imposta. clarividente. cujo êxito dependerá da justeza de seus cálculos. e fazê-lo em condições que requerem uma séria revisão dos usos atualmente em vigor. permitiram novas dimensões. Ela estabelece a rede de circulação que colocará em contato as diversas zonas. É preciso também trabalhar. para passar da teoria aos atos. sociais e econômicos. o concurso dos seguintes fatores: um poder político tal como se o deseja. uma população esclarecida para compreender. As modernas técnicas de construção instituíram novos métodos. trouxeram novas facilidades. Elas abrem verdadeiramente um novo ciclo na história da arquitetura. convicto. e é ela que está incumbida da escolha e da distribuição dos diferentes elementos. reivindicar aquilo que os especialistas planejaram para ela. desejar.. o arquiteto deverá associar-se a numerosos especialistas em todas as etapas do empreendimento. a necessidade de construir abrigos decentes apareça de repente como uma imperiosa obrigação. 91 . as oficinas. ainda.

se está submetido a muitas obrigações coletivas. subordinado ao interesse coletivo. o campo se esvaziou. de outro lado. as cidades se encheram muito além do razoável. as concentrações industriais se fizeram ao acaso. forçosamente. graças à generosa hospitalidade de Madame Hélène de Mandrot.deve tornar-se disponível a qualquer momento. O direito individual não tem relação com o vulgar interesse privado. Por se ignorarem as regras. Nada foi previsto para a salvaguarda do homem. as moradias operárias tornaram-se cortiços. tais como eles terão sido previstos por um amplo estudo e um grande plano de conjunto. que satisfaz a uma minoria condenando o resto da massa social a uma vida medíocre. Entregue a si mesmo. Inúmeros inconvenientes se abateram sobre os povos que não souberam medir com exatidão a amplitude das transformações técnicas e suas formidáveis repercussões sobre a vida pública e privada. trabalhos de importância capital. sua personalidade resulta sufocada.A escala dos trabalhos a empreender com urgência para a organização das cidades. reforçar-se mutuamente e reunir tudo aquilo que comportam de infinitamente construtivo. Pelo contrário. será preciso temer o jogo sórdido da especulação. portanto. O solo .Fundação dos Ciam Em 1928 um grupo de arquitetos modernos se reunia na Suíça. cuja execução deverá ser remetida para datas indeterminadas. o estado infinitamente parcelado da propriedade fundiária são duas realidades antagônicas. Inúmeras parcelas fundiárias deverão ser expropriadas e serão objeto de transações. Então. uma vez que todas as cidades do mundo.O interesse privado será subordinado ao interesse coletivo.território do país . em sua periferia. conterá partes cuja realização poderá ser imediata e outras. É o fruto amargo de cem anos de maquinismo sem direção. e se estende até a zona. avaliado antes do estudo dos projetos. Esse plano. antigas ou modernas. Devem ser empreendidos. batem contra o estatuto petrificado da propriedade privada. O problema da propriedade do solo e de sua possível requisição se coloca nas cidades. Ele deve ser. 94 . revelam os mesmos vícios advindos das mesmas causas. . merece severas restrições. Mas nenhuma obra fragmentária deve ser empreendida se ela não se insere no contexto da cidade e no da região. no castelo de La Sarraz Vaud. por um meio legal. Este. que tão frequentemente esmaga no berço os grandes empreendimentos animados pela preocupação com o bem público.A perigosa contradição aqui constatada sustica uma das questões mais perigosas da época: a urgência de regulamentar. o homem é rapidamente esmagado pelas dificuldades de todo o tipo. A ausência do urbanismo é a causa da anarquia que reina na organização das cidades. no equipamento das indústrias. a disposição de todo o solo útil para equilibrar as necessidades vitais dos indivíduos em plena harmonia com as necessidades coletivas. a beleza da cidade.93 . em todas as partes. em todos os pontos do mundo. e por seu justo valor. sustentar-se. sem demora. que deve superar. 95 . Notas Sobre os Congressos Internacionais de Arquitetura Moderna 1928 . O direito individual e o direito coletivo devem. O resultado é catasúófico e é quase uniforme todos os países. O solo deve ser mobilizável quando se trata do interesse geral. mais ou menos ampla que constitui sua região. tendo cada indivíduo acesso às alegrias fundamentais: o bem-estar do lar. Há anos que as empresas de equipamento.

Eles afirmam hoje a necessidade de uma concepção nova da arquitetura que satisfaça as exigências materiais. Urge que a arquitetura. a partir de um programa elaborado em Paris. Insistem particularmente no fato de que construir é uma atividade elementar do homem. Assim foram fundados os Congressos Internacionais de Arquitetura Moderna. As três funções fundamentais acima indicadas não são favorecidas pelo estado atual das aglomerações. As relações entre os diversos locais que lhes são destinados devem ser recalculadas de maneira a determinar uma justa proporção entre volumes edificados e espaços . sentimental e espiritual em todas as suas manifestações. sirva-se também dos imensos recursos que lhe oferece a técnica industrial. Ele envolve tanto as aglomerações urbanas quanto os agrupamentos rurais. sentimentais e espirituais da vida presente. 2° trabalhar. O verdadeiro rendimento será o fruto de uma racionalização e de uma normatização (aplicada com flexibilidade tanto nos projetos arquitetônicos como nos métodos industriais de execução). Seus objetivos são: a) a ocupação do solo.Depois de ter examinado. introduzida como axioma da vida moderna. ele é de ordem funcional. Firmes nesta convicção. não implica absolutamente o lucro comercia1 máximo. 3° recrear-se. individuais ou coletivas. mesmo quando uma tal decisão conduza a realizações muito diferentes daquelas que fizeram a glória das épocas passadas. mas uma produção suficiente para satisfazer plenamente as necessidades humanas. Eles estão reunidos com a intenção de pesquisar a harmonização dos elementos presentes no mundo moderno e de recolocar a arquitetura em seu verdadeiro plano. Por sua essência. representantes dos grupos nacionais de arquitetos modernos. c) a legislação. Declaração de La Sarraz Os arquitetos abaixo assinados. que é de ordem econômica e sociológica e inteiramente a serviço da pessoa humana. O urbanismo não poderia mais estar exclusivamente subordinado às regras de um estetismo gratuito. É assim que a arquitetura escapará da dominação esterilizante das academias. ao invés de recorrer quase que exclusivamente a um artesanato anêmico. afirmam sua unidade de pontos de vista sobre as concepções fundamentais da arquitetura e sobre suas obrigações profissionais. reconheceram que a transformação da estrutura social e da ordem econômica acarreta fatalmente uma transformação correspondente do fenômeno arquitetônico. os CIAM. Economia Geral O equipamento de um país reclama a íntima vincularão da arquitetura com a economia geral. o problema colocado pela arte de edificar. O destino da arquitetura é o de exprimir o espírito de uma época. eles declaram associar-se para realizar suas aspirações. Urbanismo O urbanismo é a administração dos lugares e dos locais diversos que devem abrigar o desenvolvimento da vida material. As três funções fundamentais pela realização das quais o urbanismo deve velar são: 1º habitar. A noção de "rendimentos". firmaram um ponto de vista sólido e decidiram reunir-se para colocar a arquitetura diante de suas verdadeiras tarefas. Conscientes das perturbações profundas causadas pelo maquinismo. ligada intimamente à evolução da vida. b) a organização da circulação.

1951 . Estudo do centro. Estudo do problema moradia e lazer. negligenciando o problema da moradia em benefício de uma arquitetura puramente suntuária. Atenas.livres. só sabem formular muito mal seus desejos em matéria de moradia. o único que poderia vivificar e renovar a arte de edificar.1° Congresso. base de todo urbanismo capaz de responder às necessidades presentes. Reafirmação dos objetivos dos CIAM. Fundação dos CIAM.8° Congresso. . 1933 . consideram que as academias. zelar pela solução do problema da arquitetura. publicações. Objetivos do CIAM Os objetivos dos CIAM são: formular o problema arquitetônico contemporâneo. O ensino acadêmico perverteu o gosto público. 1947 . uma animação. do coração das cidades. apresentar a idéia arquitetônica moderna. Este reagrupamento. Os Congressos do CIAM Desde o momento de sua fundação. Execução da Carta de Atenas. nascimento da grille CIAM de urbanismo. Estudo da moradia mínima. fazer essa idéia penetrar nos círculos técnicos. pela quase exclusividade que têm dos cargos do Estado. por tanto tempo negligenciado. futura clientela do arquiteto. econômicos e sociais. A Arquitetura e a opinião pública É indispensável que os arquitetos exerçam uma influência sobre a opinião pública e a façam conhecer os meios e os recursos da nova arquitetura. Essas gerações. em geral.3° Congresso. Além disso. O parcelamento desordenado do solo. Elaboração da Carta do Urbanismo. Um punhado de verdades elementares. Paris. A cada vez. os CIAM avançaram pelo caminho das realizações práticas: trabalhos coletivos. assegurará aos proprietários e à comunidade a justa distribuição das mais-valias resultantes dos trabalhos de interesse comum. Estudo do loteamento racional. e não raro os problemas autênticos da habitação sequer são levantados. Por sua apropriação do ensino.2° Congresso.7° Congresso. 1928 . ensinadas na escola primária. uma agitação fecunda. Esse ensino resultaria na formação de gerações possuidoras de uma concepção saudável da moradia.5° Congresso. um despertar. Análise de 33 cidades. que sempre foram assembléias de trabalho. entravam o progresso social. de vendas e da especulação. deve ser substituído por uma economia territorial de reagrupamento. A Arquitetura e o Estado Os arquitetos. Bridgwater. Frankfurt (Alemanha). tendo a firme vontade de trabalhar no interesse verdadeiro da sociedade moderna.6° Congresso. 1937 . O problema da circulação e o da densidade devem ser reconsiderados. seriam capazes de lhe impor a solução do problema da habitação. essa moradia tem estado há muito tempo excluída das preocupações maiores do arquiteto. elas viciam desde a origem a vocação do arquiteto e. eles provocaram. A opinião pública está mal informada e os usuários. 1949 . fruto de partilhas. 1929 . conservadoras do passado. resoluções. 1930 . discussões. La Sarraz. Os congressos CIAM.4° Congresso. Bérgamo. elas se opõem à penetração do novo espírito. Hoddesdon. escolheram sucessivamente diferentes países para se reunir. poderia constituir o fundamento de uma educação doméstica. Bruxelas. nos centros profissionais e na opinião pública.

medidas que visem a tornar eficazes nos territórios sob sua jurisdição as normas e princípios formulados na presente recomendação. nas datas e na . Nova Delhi de dezembro de 1956 Conferência Geral da Organização das Nações Unidas para a Educação. Convencida de que os sentimentos que dão origem à contemplação e ao conhecimento das obras do passado podem facilitar grandemente a compreensão mútua entre os povos e que.1953 .3. Aix-en-Provence. Após haver decidido. que essas propostas seriam objeto de uma regulamentação internacional. A Conferência Geral recomenda aos Estados Membros que lhe apresentem. toda a comunidade internacional participa. sob forma de lei nacional ou de qualquer outro modo. entretanto. entretanto. antes de tudo. da ordem do dia da sessão. em sua nona sessão. se o regime das pesquisas diz respeito. preservados e coletados.10° Congresso. Estudo do habitat humano.Nova Delhi A Conferência Geral da Organização das Nações Unidas para a Educação. reunida em Nova Delhi de 5 de novembro de 1956. é preciso beneficiá-los com uma cooperação internacional e favorecer por todos os meios a execução da missão social que lhes cabe. desse enriquecimento. se cada Estado é mais diretamente interessado nas descobertas arqueológicas feitas em seu território. Adota. a Ciência e a Cultura. A Conferência Geral recomenda aos Estados Membros que levem a presente recomendação ao conhecimento das autoridades e órgãos que se dedicam às pesquisas arqueológicas e aos museus. em nome do interesse comum. 1956 . Sendo-lhe apresentadas propostas referentes aos princípios internacionais a serem aplicados em matéria de pesquisas arqueológicas. é preciso.9ª Sessão de 5 de dezembro de 1956 UNESCO . através de uma recomendação aos Estados Membros. a Ciência e a Cultura . Dubrovnik. conciliar este princípio com o de uma colaboração internacional amplamente concebida e livremente aceita.9° Congresso. Estudo do habitat humano. Estimando que. que é preciso. durante a sua oitava sessão.4. Considerando que. neste quinto dia de dezembro de 1956. que todos os vestígios arqueológicos sejam estudados e. à competência interna dos Estados. portanto. inspirada na vontade dos Estados Membros de desenvolver as ciências e as relações internacionais. Convencida de que é preciso que as autoridades nacionais encarregadas da proteção do patrimônio arqueológico se inspirem em determinados princípios comuns aferidos na experiência e na prática dos serviços arqueológicos nacionais. eventualmente. questão que constitui o ponto 9. a seguinte recomendação: A Conferência Geral recomenda aos Estados Membros que apliquem as disposições seguintes e que adotem. Considerando que a história do homem implica no conhecimento das diferentes civilizações. Estimando que a garantia mais eficaz de conservação dos monumentos e obras do passado reside no respeito e dedicação que lhes consagram os próprios povos e certa de que tais sentimentos podem ser enormemente favorecidos por uma ação apropriada. para isso.

c) aplicar sanções aos infratores dessas regras. quer tais investigações impliquem numa escavação do solo ou numa exploração sistemática de sua superfície ou sejam realizadas sobre o leito ou no subsolo das águas interiores ou territoriais de um Estado Membro. f) dedicar-se ao estabelecimento de critérios de proteção legal dos elementos essenciais de seu patrimônio arqueológico entre os monumentos históricos. a) No primeiro caso. relatórios sobre a continuidade que derem à presente recomendação.Definições Pesquisas arqueológicas Para efeito da presente recomendação entende-se por pesquisas arqueológicas todas as investigações destinadas à descoberta de objetos de caráter arqueológico. especialmente: a) submeter as explorações e as pesquisas arqueológicas ao controle e à prévia autorização da autoridade competente. Cada Estado Membro deveria.forma que ela determinar. que apresentem interesse do ponto de vista da arqueologia no sentido mais amplo. ou da obrigação de declaração das descobertas impostas ao escavador ou ao descobridor. . principalmente. podendo cada Estado Membro adotar o critério mais apropriado para determinar o interesse público dos vestígios que encontre em seu território. os problemas advindos das pesquisas arqueológicas e em concordância com as disposições da presente recomendação. indicá-lo expressamente na legislação. cada Estado Membro deveria adotar critérios bem mais amplos que imponham ao escavador e ao descobridor a obrigação de declarar todos os bens de caráter arqueológico. o mais rapidamente possível. móveis ou imóveis. O critério utilizado para determinar o interesse público dos vestígios arqueológicos poderia variar segundo se trate ou de sua conservação. móveis ou imóveis. I . b) No segundo caso. às autoridades competentes. Deveriam estar. quando esse subsolo for propriedade do Estado. levando em conta. submetidos ao regime previsto pela presente recomendação os monumentos.Princípios Gerais Proteção do patrimônio arqueológico Cada Estado Membro deveria garantir a proteção de seu patrimônio arqueológico. o critério que consiste em proteger todos os objetos anteriores a uma determinada data deveria ser abandonado e a atribuição a uma determinada época ou uma ancianidade de um número mínimo de anos fixado por lei deveria ser adotada como critério de proteção. especialmente. II . Bens protegidos As disposições da presente recomendação se aplicam a qualquer vestígio arqueológico cuja conservação apresente um interesse público do ponto de vista da história ou da arte. por ele encontrados. d) determinar o confisco dos objetos não declarados. e) precisar o regime jurídico do subsolo arqueológico e. b) obrigar quem quer que tenha descoberto vestígios arqueológicos a declará-los.

um pequeno estabelecimento de caráter educativo .a fiscalização das descobertas fortuitas. poderiam ser constituídas. alguns princípios. ou seja. total ou parcialmente. Cada Estado Membro deveria considerar a conveniência de manter intactos. b) A continuidade dos recursos financeiros deveria ser garantida principalmente com: I . uma organização que disponha por força de lei. assim como uma documentação junto a cada museu importante. deveriam ser comuns a todos os serviços nacionais: a) O serviço de pesquisas arqueológicas deveria ser. uma administração central do Estado. porções de terreno poderiam também ser reservados em vários locais para permitir um controle da estatigrafia. locais. dever-se-ia levar em conta. junto aos sítios arqueológicos importantes. Deveria ser criado. Cada Estado Membro deveria exercer um controle rigoroso sobre as restaurações dos vestígios e objetos arqueológicos descobertos. Para isso. permanentemente. etc. entretanto. Esse serviço deveria também criar uma documentação central. III . nele incluídas as publicações científicas. IV . Educação do público .eventualmente um museu que permita aos visitantes compreender melhor o interesse dos vestígios que lhes são mostrados. em caso de necessidades. representativas dos sítios arqueológicos particularmente importantes. Deveria ser solicitado às autoridades competentes uma autorização prévia para o deslocamento de monumentos cuja localização in situ é essencial. testemunhos. de uma organização administrativa e de um corpo técnico suficientes para que fique assegurada a boa conservação dos objetos. determinado número de sítios arqueológicos de diversas épocas. Esses estabelecimentos deveriam dispor. em colaboração com os institutos de pesquisa e as universidades. o trabalho de comparação. de acervos cerâmicos. para que sua exploração possa beneficiar-se dos progressos da técnica e do avanço dos conhecimentos arqueológicos. ou mesmo. bem como da composição do meio arqueológico. na medida em que o terreno o permita. o ensino de técnicas das escavações arqueológicas. Em cada um dos sítios arqueológicos importantes em processo de pesquisa. na criação e organização dos museus e das coleções procedentes de pesquisas. de meios que lhe permitam adotar.Órgão de proteção às pesquisas arqueológicas Se a diversidade das tradições e as desigualdades de recursos se opõem à adoção por todos os Estados Membros de um sistema de organização uniforme de serviços administrativos relativos às pesquisas.a manutenção das escavações e monumentos. iconográficos. excepcionalmente. Constituição de coleções centrais e regionais Sendo a arqueologia uma ciência comparativa.a execução de um plano de trabalho proporcional à riqueza arqueológica do país. coleções centrais e regionais. as medidas de urgência indispensáveis. a necessidade de facilitar. sempre que possível.o bom funcionamento dos serviços. o que seria melhor do que pequenas coleções dispersas e com acesso restrito. encarregado da administração geral das atividades arqueológicas deveria prover. o mais possível. com mapas que se refiram a seus monumentos móveis ou imóveis. ou. pelo menos. II . Esse serviço.

especialmente através do ensino de história. Um Estado que não disponha de meios. Quando uma pesquisa for concedida a uma missão estrangeira. morais e financeiras. a duração da concessão. técnicos ou de qualquer outra natureza. a suspensão dos trabalhos ou a substituição pela administração nacional do concessionário de sua execução. Os Estados Membros que não dispõem de meios necessários para a organização de escavações arqueológicas no estrangeiro deveriam receber todas as facilidades para enviar arqueólogos para pesquisas abertas por outros Estados Membros. os Estados Membros deveriam estimular as pesquisas através de um regime liberal. Os Estados Membros deveriam estimular as pesquisas executadas. as obrigações impostas ao concessionário principalmente quanto ao controle da administração nacional. deveria ser também um arqueólogo capaz de ajudar a missão e de colaborar com ela. da organização de circuitos turísticos. As condições impostas ao pesquisador estrangeiro deveriam ser as mesmas que se aplicam aos competentes nacionais e. sendo as últimas suficientes para garantir que as pesquisas empreendidas serão levadas a seu termo de acordo com as cláusulas do contrato de concessão e no prazo previsto. Garantias recíprocas A autorização para pesquisas só deve ser concedida a instituições representadas por arqueólogos qualificados ou a pessoas que ofereçam sérias garantias científicas.O regime das pesquisas e a colaboração internacional Autorização de pesquisas concedida a um estrangeiro Cada Estado Membro em cujo território as pesquisas necessitam ser executadas deveria regulamentar as condições gerais às quais está subordinada a respectiva concessão. Colaboração internacional Para responder aos interesses superiores da ciência arqueológica e aos da colaboração internacional. portanto. suficientes para administrar cientificamente uma pesquisa deveria chamar técnicos estrangeiros para dela participar ou uma missão estrangeira para conduzi-la. o representante do Estado concedente. se for designado. da edição a preços módicos de monografias e guias em uma redação simples. III . sem distinção de nacionalidade. com a concordância do diretor da pesquisa. Os Estados Membros deveriam adotar todas as medidas necessárias para facilitar o acesso do público a esses sítios. as causas que possam justificar a rescisão. da apresentação clara dos sítios arqueológicos explorados e dos monumentos descobertos. exposições e conferências que tenham por objeto os métodos aplicáveis em matéria de pesquisas arqueológicas assim como os resultados obtidos. assegurando às instituições científicas e às pessoas devidamente qualificadas. seja por missões internacionais. sem necessidade. a possibilidade de concorrerem em igualdade. seja por missões mistas compostas por equipes científicas de seu próprio país e por arqueólogos que representem instituições estrangeiras. o contrato de concessão deveria evitar formular. da difusão pela imprensa de informações arqueológicas que provenham de especialistas reconhecidos. A autorização para pesquisas concedida a arqueólogos estrangeiros deveria assegurar reciprocamente garantias de duração e de estabilidade necessárias a incentivar seu . à concessão das pesquisas. exigências específicas. da participação de estudantes em determinadas pesquisas.A autoridade competente deveria empreender uma ação educativa para despertar e desenvolver o respeito e a estima ao passado.

dos objetos e monumentos descobertos. de um modo geral. d) A exportação temporária dos objetos descobertos. b) O produto das pesquisas deveria se destinar. Esse privilégio não deveria. Deveria ser por ela prevista. A cessão ao pesquisador de objetos provenientes de pesquisas deveria estar sempre condicionada a que eles sejam destinados. ou que consistam de objetos repetidos ou.empreendimento e a preservá-las de revogações injustificadas. a cessão ao pesquisador habilitado de um determinado número de objetos provenientes de suas escavações. a centros científicos abertos ao público. Propriedade científica: direitos e obrigações do pesquisador . Acesso à pesquisa Aos especialistas qualificados de qualquer nacionalidade deveria ser permitida a visita a um canteiro de pesquisa antes de haverem sido publicados seus resultados e. em um prazo determinado. em seu território. depois da publicação científica. durante a execução dos trabalhos. ou por tornar-se difícil pelas condições de acesso. antes de mais nada. de coleções completas. durante os trabalhos e ao término das escavações. ou vier a ser desrespeitada. especialmente. deveria ser autorizada. plenamente representativas da civilização. a guarda. se essa condição não for cumprida. a autoridade concedente poderia ter em vista. Conservação dos vestígios A autorização deveria definir as obrigações do pesquisador no período em que durar a concessão e a seu término. ficando estabelecido que. redundar em prejuízo ao direito de propriedade científica do pesquisador sobre sua descoberta. nos museus do país em que são realizadas. os objetos cedidos voltarão à autoridade concedente. mediante solicitação justificada de instituição científica. regulam a destinação do produto das pesquisas. desde que seu estudo seja impraticável no território do Estado concedente devido à insuficiência de meios para a pesquisa bibliográfica e científica. c) Com a preocupação básica de favorecer os estudos arqueológicos através da divulgação de objetos originais. excluídos os objetos particularmente frágeis ou de importância nacional. Por outro lado. assim como a conservação. no caso de elas se revelarem excessivamente pesadas. em qualquer caso. obtida a concordância do diretor da pesquisa. em objetos ou grupos de objetos aos quais essa autoridade possa renunciar. e) Cada Estado Membro deveria considerar a possibilidade de ceder. até mesmo. especialmente nos casos em que razões reconhecidamente fundadas viessem a impor a suspensão de seus trabalhos por um determinado período. trocar ou enviar para depósito em museus estrangeiros. à constituição. a autorização deveria precisar a possível ajuda com que o pesquisador poderia contar da parte do Estado concedente para fazer face a suas obrigações. objetos que não apresentem interesse para as coleções nacionais. da história e da arte desse país. a manutenção e o restabelecimento das feições do sítio. pública ou privada. em razão de sua similitude com outros objetos produzidos pela mesma pesquisa. Destinação do produto das pesquisas a) Cada Estado Membro deveria determinar claramente os princípios que.

em um prazo razoável. Durante um período de cinco anos após a descoberta. Esse prazo não deveria ser superior a dois anos. Por outro lado. Para permitir. a consulta a sua documentação e o acesso a seus depósitos arqueológicos aos pesquisadores e especialistas qualificados. periodicamente. todos os Estados Membros deveriam considerar a possibilidade da regulamentação do comércio das antigüidades. no que diz respeito aos relatórios preliminares. Reuniões regionais e sessões de discussões científicas Com vistas a facilitar o estudo dos problemas de interesse comum. o pesquisador deveria. Documentação sobre as pesquisas Observadas as disposições do artigo 24. reuniões regionais com grupos de representantes dos serviços arqueológicos dos Estados interessados. se for o caso. os serviços arqueológicos nacionais deveriam facilitar. sobretudo aos que obtiveram uma concessão para um determinado sítio ou desejam obtê-la. no prazo previsto pelo contrato de concessão. c) As publicações científicas sobre as pesquisas arqueológicas editadas em um idioma de difusão restrita deveriam ser acompanhadas de um sumário e. os resultados de seus trabalhos. para evitar que esse comércio venha a favorecer a evasão do material arqueológico ou prejudique a proteção das pesquisas e a formação das coleções públicas. V . Essas autoridades deveriam impedir nas mesmas condições a fotografia ou a reprodução do material arqueológico ainda inédito. colocar a sua disposição cópia do texto desse relatório. b) O Estado concedente deveria impor ao pesquisador a obrigação de publicar. Os museus estrangeiros deveriam poder adquirir objetos liberados de qualquer restrição legal prevista pela autoridade competente do país de origem. na medida do possível. os Estados Membros poderiam organizar. para responderem a sua missão científica e educativa. a não ser com autorização por escrito do pesquisador.a) O Estado concedente deveria garantir ao pesquisador a propriedade científica de suas descobertas durante um prazo razoável. da tradução do quadro das matérias e das legendas das ilustrações em uma língua mais difundida. assim como a exportação dos objetos daí provenientes. IV . cada Estado Membro poderia suscitar reuniões de discussões científicas entre os pesquisadores que operam em seu solo. se possível. as autoridades arqueológicas competentes deveriam se empenhar em não liberar para estudo detalhado o conjunto de objetos provenientes das pesquisas nem a documentação científica a ela referente.A repressão às pesquisas clandestinas e à exportação ilícita dos objetos provenientes das pesquisas arqueológicas Proteção dos sítios arqueológicos contra as pesquisas clandestinas e as degradações Cada Estado Membro deveria adotar as medidas necessárias para impedir as pesquisas clandestinas e a degradação dos monumento definidos nos artigos 2 e 3 acima e a dos sítios arqueológicos. ou na falta dele. uma dupla publicação simultânea de seu relatório preliminar. Colaboração internacional para a repressão . a pedido de tais autoridades.Comércio das Antigüidades No interesse superior do patrimônio arqueológico comum.

concluir acordos bilaterais para regulamentar as questões de interesse comum que possam vir a ser colocadas pela aplicação das disposições da presente recomendação. a potência ocupante deveria adotar todas as medidas possíveis para protegê-los e deveria enviá-los. É desejável que cada Estado Membro adote todas as medidas necessárias para garantir esse repatriamento. assim que possível. de 9 de novembro a 12 de dezembro de 1962. Recomendação da Conferência Geral da Organização das Nações Unidas para a Educação. sempre que necessário ou desejável. VII . no caso de não restituição dos objetos dentro do prazo fixado. em sua décima segunda sessão.Pesquisas em território ocupado Em caso de conflito armado. sobretudo os que se derem durante atividades militares. Esses princípios deveriam ser aplicados à hipótese da exportação temporária estabelecida no artigo 23. reunida em Paris. os museus possam se assegurar de que nada autoriza a considerar que tais objetos provenham de pesquisas clandestinas. VI . ao término das hostilidades. ou de outras operações consideradas ilícitas pela autoridade competente do país de origem. qualquer Estado Membro que venha a ocupar o território de um outro Estado deveria se abster de realizar pesquisas arqueológicas no território ocupado. deveriam ser publicadas.Acordos Bilaterais Os Estados Membros deveriam. e e acima. Repatriamento dos objetos ao país de origem Os serviços de pesquisas arqueológicas e os museus deveriam prestar entre si uma colaboração mútua para assegurar ou facilitar o repatriamento ao país de origem dos objetos que provém de pesquisas clandestinas ou de roubos. Considerando que em todas as épocas o homem algumas vezes submeteu a beleza e o caráter das paisagens e dos sítios que fazem parte do quadro natural de sua vida a atentados que . No caso de objetos arqueológicos haverem sido adquiridos por museus. de roubos. às autoridades competentes do território anteriormente ocupado. quando ocorrer a oferta de cessão de objetos arqueológicos. No caso de achados fortuitos. a Ciência e a Cultura de 12 de dezembro de 1962 RELATIVA A PROTEÇÃO DA BELEZA E DO CARÁTER DAS PAISAGENS E SÍTIOS A Conferência Geral da Organização das Nações Unidas para a Educação. c.Todas as medidas necessárias deveriam ser adotadas para que. e de objetos cuja exportação tenha sido feita com transgressão à legislação do país de origem. Ciência e Cultura. d. Qualquer oferta suspeita e toda a informação a ela referente deveriam ser levadas ao conhecimento dos serviços interessados. acompanhados de toda a documentação relativa que detiver. as indicações que permitam identificá-los e que precisem seu modo de aquisição.

executar grandes obras e realizar vastos planejamentos físicos territoriais e instalações de equipamento industrial e comercial. em conseqüência. que é altamente desejável e urgente estudar e adotar as medidas necessárias para salvaguardar a beleza e o caráter das paisagens e dos sítios em toda parte e sempre que possível. Considerando que. a salvaguarda das paisagens e dos sítios definidos pela presente recomendação é necessária à vida do homem. como o demonstram inúmeros exemplos universalmente conhecidos. ainda mais. As disposições da presente recomendação visam também a complementar as medidas de salvaguarda da natureza.4. hoje. em sua décima primeira sessão. Adota. que propostas relativas a esse ponto seriam objeto de uma regulamentação internacional através de uma recomendação aos Estados Membros. ao cultivar novas terras. devidos à natureza ou obra do homem. as civilizações modernas aceleraram esse fenômeno que. A Conferência Geral recomenda aos Estados Membros que levem a presente recomendação ao conhecimento das autoridades e organismos envolvidos com a proteção das paisagens e dos sítios e com o planejamento territorial. do fomento ao turismo e às organizações da juventude. naturais. ou que constituem meios naturais característicos. que as paisagens e sítios constituem um fator importante da vida econômica e social de um grande número de países. I . questão que constitui o ponto 17. Considerando. moral e espiritual e por contribuírem para a vida artística e cultural dos povos. Considerando. por sua beleza e caráter. medidas que ponham em efeito. sob a forma de lei nacional ou de alguma outra maneira. assim como um elemento importante das condições de higiene de seus habitantes. A Conferência Geral recomenda aos Estados Membros que lhe apresentem. onze de dezembro de 1962. a presente recomendação. II – Princípios Gerais . mas também no interesse cultural e científico oferecido pela vida selvagem. que é preciso levar em conta as necessidades da vida coletiva. as normas e princípios formulados na presente recomendação. nos territórios sob sua jurisdição. sua evolução e o rápido desenvolvimento do progresso técnico. entende-se por salvaguarda da beleza e do caráter das paisagens e sítios a preservação e. A Conferência Geral recomenda aos Estados Membros que apliquem as disposições seguintes e adotem. Considerando que. a restituição do aspecto das paisagens e sítios. em todas as partes do mundo. nas datas e sob a forma que ela determinará. aos organismos encarregados da proteção da natureza. Depois de haver decidido. Havendo-se-lhe apresentadas propostas relativas à salvaguarda da beleza e do caráter das paisagens e dos sítios. rurais ou urbanos. para quem são um poderoso regenerador físico. desenvolver por vezes desordenadamente os centros urbanos.empobreceram o patrimônio cultural. relatórios concernentes à implementação desta recomendação. quando possível. que apresentam um interesse cultural ou estético. Reconhecendo. estético e até mesmo vital de regiões inteiras. entretanto.Definição Para os efeitos da presente recomendação. havia sido relativamente lento. Considerando que esse fenômeno tem repercussão não apenas no valor estético das paisagens e dos sítios naturais ou criados pelo homem. até o século passado.2 da ordem do dia da sessão.

Medidas corretivas deveriam ser destinadas a suprimir o “dano” causados às paisagens e aos sítios e. e) Cartazes publicitários e anúncios luminosos. aquedutos. etc. Essas medidas deveriam consistir essencialmente no controle dos trabalhos e atividades susceptíveis de causar dano às paisagens e aos sítios e. Essas medidas poderiam variar. comerciais ou industriais. As atividades que possam levar a uma deterioração das paisagens e dos sítios em zonas protegidas por lei. especialmente segundo o caráter e as dimensões das paisagens e sítios. mas estender-se também às paisagens e sítios cuja formação se deve. sua localização. ou de alguma forma protegidas. Uma proteção especial deveria ser assegurada às proximidades dos monumentos. inclusive destruição de árvores que contribuem para a estética da paisagem. deveriam estar em harmonia com a ambiência que se deseja salvaguardar. geralmente. a reabilitá-los. g) Poluição do ar e da água.Os estudos e as medidas a serem adotadas para a salvaguarda das paisagens e dos sítios deverse-iam se estender a todo o território do Estado e não se limitar a algumas paisagens ou sítios determinados. barragens. Seus projetos deveriam ser concebidos de modo a respeitar determinadas exigências estéticas relativas ao próprio edifício e. j) Campismo. f) Desmatamento. regularização dos cursos de água. d) Construção de auto-serviços para distribuição dos combustíveis. b) Construção de estradas. ou de determinadas formas de vida da sociedade contemporânea. à obra do homem. na escolha das medidas aplicáveis. e a natureza dos perigos de que estejam ameaçados. i) Captação de nascentes. no todo ou em parte. As medidas preventivas para a salvaguarda das paisagens e dos sítios deveriam visar a protegê-los dos perigos que os ameaçam. A salvaguarda não deveria limitar-se às paisagens e aos sítios naturais. c) Linhas de eletricidade de alta ou baixa tensão. instalações de produção e de transporte de energia. disposições especiais deveriam ser tomadas para assegurar a salvaguarda de algumas paisagens e de determinados sítios. na medida do possível. Para facilitar o trabalho dos diversos serviços públicos encarregados da salvaguarda da paisagem e dos sítios em cada país. Assim. trabalhos de irrigação. os mais ameaçados. aeródromos. etc. o interesse relativo das paisagens e dos sítios em consideração. por causa do barulho que provocam. de: a) Construção de edifícios públicos e privados de qualquer natureza. especialmente. h) Exploração de minas e pedreiras e evacuação de seus resíduos. especialmente pelas obras de construção e pela especulação imobiliária. As medidas a serem adotadas para a salvaguarda das paisagens e dos sítios deveriam ter caráter preventivo e corretivo. tais como as paisagens e sítios urbanos. Convém levar em conta. A salvaguarda da beleza e do caráter das paisagens e dos sítios deveria também levar em conta os perigos decorrentes de certas atividades de trabalho. só poderiam ser admitidas no caso de exigência imperiosa de um interesse público ou social. deveriam ser criados institutos de pesquisa científica para colaborar com as autoridades competentes a fim de assegurar a harmonização e a codificação . que são. assim como detritos e dejetos domésticos. de televisão. estações de rádio. k) Depósitos de material e de matérias usadas. particularmente as que margeiam as vias de comunicação ou as avenidas. canais. evitando cair na imitação gratuita de certas formas tradicionais e pinturescas.

das paisagens extensas. o caráter estético é de interesse primordial. O planejamento urbano ou o planejamento territorial das áreas rurais deveriam ser estabelecidos em função de sua ordem de urgência. especialmente para as cidades ou regiões em vias de desenvolvimento rápido. atualizada. Proteção Legal “por zonas” das paisagens extensas As paisagens extensas deveriam ser objeto de proteção legal “por zonas”. ou da exploração de pedreiras. b) Inserção de restrições nos planos de urbanização e no planejamento em todos os níveis: regionais. Proteção legal de sítios isolados . Quando. A proteção legal "por zonas" deveria ser divulgada publicamente e as regras gerais a serem observadas para a salvaguarda das paisagens integrantes de tal proteção deveriam ser editadas e difundidas. nas quais a salvaguarda do caráter estético ou pinturesco dos lugares justifique o estabelecimento de tais planos. III – Medidas de Salvaguarda A salvaguarda da paisagem e dos sítios deveria ser assegurada com o auxílio dos seguintes métodos: a) Controle geral por parte das autoridades competentes. Controle Geral Um controle geral deveria ser exercido sobre os trabalhos e as atividades susceptíveis de causar danos às paisagens e aos sítios. possibilitar direito a indenização. numa zona protegida por lei. às precauções a serem tomadas para dissimular as escavações resultantes da construção de barragens. etc. às normas relativas à altura. e) Criação a manutenção de reservas naturais e parques nacionais. à regulamentação de derrubada das árvores. Planejamento Urbano e Planejamento territorial das áreas Rurais O planejamento urbano ou o planejamento territorial das áreas rurais deveriam conter disposições relativas às restrições a serem impostas para a salvaguarda das paisagens e dos sítios – inclusive os que não possuem proteção legal – que se encontrem no território abrangido por esses planos. em toda a extensão do território do país. c) Proteção legal por zonas.das disposições legislativas e regulamentares aplicáveis à matéria. f) Aquisição de sítios pelas coletividades públicas. rurais ou urbanos. em regra geral. a proteção legal “por zonas” deveria abranger o controle dos loteamentos e a observação de algumas prescrições gerais de caráter estético referentes à utilização dos materiais e sua cor. d) Proteção legal dos sítios isolados. Essas disposições e os resultados dos trabalhos dos institutos de pesquisa deveriam ser reunidos em uma só publicação administrativa periódica. A proteção legal "por zonas" não deveria.

naturais ou urbanos.Os sítios isolados e de pequenas dimensões. devidamente notificada ao proprietário. a salvaguarda das paisagens e dos sítios deveriam ter força de lei e as medidas necessárias a sua aplicação. parciais ou integrais. por prescrição. . A permissão de acampar em um sítio protegido por lei deveria. dentro das atribuições que lhes são conferidas pela lei. em um sítio protegido por lei. Não será necessário. A proteção legal deveria implicar na proibição de contaminar os terrenos. direitos que permitam modificar o caráter ou o aspecto do sítio. requisitar qualquer autorização para os trabalhos de exploração usual das terras rurais. em cada Estado Membro. A expropriação pelos poderes públicos. Aquisição dos sítios pelas coletividades públicas Os Estados Membros deveriam encorajar as coletividades públicas a adquirirem terrenos que façam parte de uma paisagem ou de um sítio que convenha salvaguardar. entretanto. Reservas Naturais e Parques Nacionais Quando for possível. IV . Esses parques nacionais e reservas naturais deveriam formar um conjunto de zonas experimentais destinadas também às pesquisas sobre a formação e a restauração da paisagem e à proteção da natureza. ou limitada a determinada localização fixada pelas autoridades encarregadas da salvaguarda. assim como a execução de quaisquer obras públicas em sítio protegido por lei deveriam estar subordinadas ao prévio consentimento das autoridades encarregadas da salvaguarda. ou reservas naturais. apenas. Ninguém deveria poder adquirir. Qualquer publicidade deveria ser proibida nos sítios protegidos por lei e em suas imediações.Aplicação das Medidas de Salvaguarda As normas e princípios fundamentais que regulam. A proteção legal de um sítio deveria poder proporcionar ao proprietário o direito à indenização. os Estados Membros deveriam incorporar às zonas e sítios cuja salvaguarda convém assegurar. deveriam ser confiadas às autoridades responsáveis. devido à proteção por lei. o ar e as águas seja de que maneira for. Essa proteção legal deveria acarretar para o proprietário a proibição de destruir o sítio ou alterar seu estado ou aspecto sem a autorização das autoridades encarregadas da salvaguarda. em terrenos delimitados pelas autoridades encarregadas da salvaguarda e submetidos a sua inspeção. ao passo que a extração de minerais estaria sujeita a uma autorização especial. nem para os trabalhos regulares de manutenção das construções. Nenhuma servidão convencional deveria ser consentida pelo proprietário sem a concordância das autoridades encarregadas da salvaguarda. ser proibida e concedida. Cada sítio. terreno ou imóvel assim protegido deveria ser objeto de uma decisão administrativa especial. parques nacionais destinados à educação e ao lazer do público. essa aquisição deveria poder se realizar através de expropriação. Deveriam ser igualmente protegidos por lei os terrenos de onde se aprecie uma vista excepcional e os terrenos e imóveis que envolvam um monumento notável. deveriam ser protegidos por lei. assim como porções de paisagem que ofereçam um interesse excepcional. A autorização eventualmente concedida deveria ser acompanhada de todas as condições necessárias à salvaguarda do sítio. Quando necessário. em princípio. no caso de ocorrer prejuízo certo e direto.

de caráter executivo ou consultivo. encarregadas de estudar as questões relativas à salvaguarda e de manifestar seu parecer sobre essas questões às autoridades centrais ou regionais. Sanções administrativas ou penais deveriam ser previstas no caso de danos causados voluntariamente às paisagens e aos sítios protegidos. ordenação espacial de instalações hidrotécnicas. propor as medidas destinadas a reduzir os perigos que possa apresentar a execução de determinados trabalhos. efetuar pesquisas de campo. entre outras. Os órgãos de caráter consultivo deveriam ser comissões de caráter nacional. Os Estados Membros deveriam facilitar a criação e o funcionamento de órgãos não governamentais . V – Educação do Público Uma ação educativa deveria ser empreendida dentro e fora das escolas para despertar e desenvolver o respeito público pelas paisagens e sítios e para tornar mais conhecidas as normas editadas para garantir sua salvaguarda. das associações privadas de proteção das paisagens e dos sítios ou de proteção da natureza. tais como filmes. O parecer dessas comissões deveria ser solicitado em todos os casos e em tempo útil. e de órgãos dedicados a essa tarefa.cujas tarefas consistiram. ou às coletividades locais interessadas. Os Estados Membros deveriam facilitar a educação do público e estimular a ação das associações. nos casos de obras de interesse geral e de grande envergadura. como a construção de rodovias. Os professores encarregados dessa tarefa educativa na escola deveriam receber uma preparação especial. em colaborar com os órgãos mencionados nos parágrafos 31. 32 e 33. na forma de estágios especializados de estudos em estabelecimentos de ensino secundário e superior. esses serviços deveriam ter a possibilidade de estudar os problemas relativos à salvaguarda e à proteção legal. dos órgãos encarregados do turismo e das organizações de juventude e de educação popular.nacionais ou locais . A educação do público fora da escola deveria ser tarefa da imprensa. A violação das normas de salvaguarda das paisagens e dos sítios devria redundar em perdas e danos e ou na obrigação de repor os sítios em seu estado primitivo. para o estudo e a apresentação dos aspectos naturais e culturais característicos de determinadas regiões. ou a reparar os danos por eles causados. especialmente informando a opinião pública e alertando os serviços responsáveis pelos perigos que ameacem as paisagens e os sítios. material para exposições . emissões radiofônicas ou de televisão. Caberlhes-ia. criação de novas instalações industriais. Para isso. regional e local. também. com o objetivo de intensificar a ação educativa já empreendida nesse sentido e considerar a possibilidade de criar museus especiais. na medida do possível. encarregados de aplicar as medidas de salvaguarda. particularmente na fase dos anteprojetos. etc. Os órgãos de caráter executivo deveriam ser serviços especializados. preparar as decisões a serem tomadas e controlar sua execução. ou seções especializadas nos museus existentes. Os Estados Membros deveriam também facilitar a tarefa dos museus existentes. centrais e regionais. prestando-lhes uma ajuda material e colocando a sua disposição e à dos educadores em geral os meios apropriados de publicidade.Os Estados Membros deveriam criar órgãos especializados.

ainda que caiba a cada nação aplicá-los no contexto de sua própria cultura e de suas tradições. Jornadas nacionais e internacionais. portanto. a Carta de Atenas de 1931 contribui para a propagação de um amplo movimento internacional que se traduziu principalmente em documentos nacionais. o Segundo Congresso Internacional de Arquitetos e Técnicos dos Monumentos Históricos.Conselho Internacional de Monumentos e Sítios CARTA INTERNACIONAL SOBRE CONSERVAÇÃO E RESTAURAÇÃO DE MONUMENTOS E SÍTIOS Portadoras de mensagem espiritual do passado. aprovou o texto seguinte: Definições Artigo 1º . as obras monumentais de cada povo perduram no presente como o testemunho vivo de suas tradições seculares. A sensibilidade e o espírito crítico se dirigem para problemas cada vez mais complexos e diversificados. na atividade de ICOM e da UNESCO e na criação. bem como o sítio urbano ou rural que dá testemunho de uma civilização particular. uma significação cultural. por esta última.A noção de monumento histórico compreende a criação arquitetônica isolada. problema primordial para a coletividade. Carta de Veneza de maio de 1964 II Congresso Internacional de Arquitetos e Técnicos dos Monumentos Históricos ICOMOS . as considera um patrimônio comum e. essencial que os princípios que devem presidir à conservação e à restauração dos monumentos sejam elaborados em comum e formulados num plano internacional. se reconhece solidariamente responsável por preservá-las. de uma evolução significativa ou de um acontecimento histórico. Agora é chegado o momento de reexaminar os princípios da Carta para aprofundá-las e dotá-las de um alcance maior em um novo documento. cada vez mais consciente da unidade dos valores humanos. das revistas e das publicações periódicas regionais. perante as gerações futuras. reunido em Veneza de 25 a 31 de maio de 1964. folhetos e livros capazes de obter uma grande difusão e idealizados com um espírito didático. para chamar a atenção do grande público sobre a importância da salvaguarda da sua beleza e de seu caráter. temporárias ou itinerantes. Uma ampla publicidade poderia ser obtida através dos jornais. que tenham adquirido. . Ao dar uma primeira forma a esses princípios fundamentais. É. Estende-se não só às grandes criações mas também às obras modestas.permanentes. concursos e outras manifestações similares deveriam ser consagrados e ressaltar o valor das paisagens e dos sítios naturais ou criados pelo homem. com o tempo. impondo a si mesma o dever de transmiti-las na plenitude de sua autenticidade. do Centro Internacional de Estudos para a Conservação e Restauração dos Bens Culturais. A humanidade. Consequentemente.

Artigo 8º . mas não pode nem deve alterar à disposição ou a decoração dos edifícios. antes de tudo. e toda construção nova.A conservação de um monumento implica a preservação de um esquema em sua escala. pintura ou decoração que são parte integrante do monumento não lhes podem ser retirados a não ser que essa medida seja a única capaz de assegurar sua conservação. no plano das reconstituições conjeturais. manutenção permanente. Artigo 6º .O monumento é inseparável da história de que é testemunho e do meio em que se situa. exceto quando a salvaguarda do monumento o exigir ou quando o justificarem razões de grande interesse nacional ou internacional. É somente dentro destes limites que se deve conceber e se pode autorizar as modificações exigidas pela evolução dos usos e costumes. Conservação Artigo 4º . o deslocamento de todo o monumento ou de parte dele não pode ser tolerado. a consolidação do monumento pode ser assegurada com o emprego de todas as técnicas modernas de conservação e construção cuja eficácia tenha sido demonstrada por dados científicos e comprovada pela experiência. Finalidade Artigo 3º . toda destruição e toda modificação que poderiam alterar as relações de volumes e de cores serão proibidas. Artigo 10º .Quando as técnicas tradicionais se revelarem inadequadas.As contribuições válidas de todas as épocas para a edificação do monumento devem ser respeitadas. A restauração será sempre precedida e acompanhada de um estudo arqueológico e histórico do monumento.Os elementos de escultura.A conservação e a restauração dos monumentos visam a salvaguardar tanto a obra de arte quanto o testemunho histórico. Artigo 7º. Artigo 5º .A conservação dos monumentos exige. Restauração Artigo 9º . visto que a unidade de estilo não é a finalidade a alcançar no curso de . tal destinação é portanto. Por isso.A restauração é uma operação que deve ter caráter excepcional. Tem por objetivo conservar e revelar os valores estéticos e históricos do monumento e fundamenta-se no respeito ao material original e aos documentos autênticos. Termina onde começa a hipótese. Enquanto subsistir. o esquema tradicional será conservado.A conservação e a restauração dos monumentos constituem uma disciplina que reclama a colaboração de todas as ciências e técnicas que possam contribuir para o estudo e a salvaguarda do patrimônio monumental.A conservação dos monumentos é sempre favorecida por sua destinação a uma função útil à sociedade. desejável. Artigo11º .Artigo 2º . todo trabalho complementar reconhecido como indispensável por razões estéticas ou técnicas destacar-se-á da composição arquitetônica e deverá ostentar a marca do nosso tempo.

Além disso. O julgamento do valor dos elementos em causa e a decisão quanto ao que pode ser eliminado não podem depender somente do autor do projeto. deve ser excluído a priori. e seu estado de conservação é considerado satisfatório.Os sítios monumentais devem ser objeto de cuidados especiais que visem a salvaguardar sua integridade e assegurar seu saneamento. . Artigo 12º . Essa documentação será depositada nos arquivos de um órgão público e posta à disposição dos pesquisadores. Todas as fases dos trabalhos de desobstrução. Os trabalhos de conservação e restauração que neles se efetuarem devem inspirar-se nos princípios enunciados nos artigos precedentes. todavia. arqueológico.Os trabalhos de conservação. recomenda-se sua publicação. Todo trabalho de reconstrução deverá.Os acréscimos só poderão ser tolerados na medida em que respeitarem todas as partes interessantes do edifício.Os elementos destinados a substituir as partes faltantes devem integrar-se harmoniosamente ao conjunto. portanto.uma restauração. seu esquema tradicional. consolidação recomposição e integração. a recomposição de partes existentes. bem como os elementos técnicos e formais identificados ao longo dos trabalhos serão ali consignados. de restauração e de escavação serão sempre acompanhadas pela elaboração de uma documentação precisa sob a forma de relatórios analíticos e críticos. Os elementos de integração deverão ser sempre reconhecíveis e reduzir-se ao mínimo necessário para assegurar as condições de conservação do monumento e restabelecer a continuidade de suas formas. ilustrados com desenhos e fotografias. o equilíbrio de sua composição e suas relações com o meio ambiente. mas desmembradas. ou estético. Documentação e Publicações Artigo 16º . Devem ser asseguradas as manutenções das ruínas e as medidas necessárias à conservação e proteção permanente dos elementos arquitetônicos e dos objetos descobertos. Sítios Monumentais Artigo14º . Artigo 13º . distinguindo-se. devem ser tomadas todas as iniciativas para facilitar a compreensão do monumento trazido à luz sem jamais deturpar seu significado. das partes originais a fim de que a restauração não falsifique o documento de arte e de história. admitindo-se apenas a anastilose.Os trabalhos de escavação devem ser executados em conformidade com padrões científicos e com a "Recomendação Definidora dos Princípios Internacionais a serem aplicados em Matéria de Escavações Arqueológicas". a exibição de uma etapa subjacente só se justifica em circunstâncias excepcionais e quando o que se elimina é de pouco interesse e o material que é revelado é de grande valor histórico. ou seja. adotada pela UNESCO em 1956. Escavações Artigo 15º . sua manutenção e valorização.

e expressando. A Conferência Geral recomenda que os Estados Membros apliquem as disposições seguintes. a importação e a transferência de propriedade ilícitas de bens culturais. A Conferência Geral da Organização das Nações Unidas para a Educação. Considerando que os objetivos visados não podem ser alcançados sem uma estreita colaboração entre os Estados-Membros. . esperança de que uma convenção internacional possa ser adotada o mais cedo possível. assunto que constitui o item 15. sob forma de lei nacional ou de outra forma. para evitar esses perigos. é indispensável que cada Estado Membro adquira uma consciência mais clara das obrigações morais relativas ao respeito a seu patrimônio cultural e ao de todas as nações. em sua décima-terceira sessão. contudo. incluídos os arquivos musicais. as coleções científicas e as coleções importantes de livros e arquivos. adotando. tais como as obras de arte e de arquitetura. os manuscritos. neste dia dezenove de novembro de 1964.Definição Para efeito desta recomendação. nas datas e da forma por ela determinada. Tendo decidido. os documentos etnológicos. no território sob sua jurisdição. Considerando que cada Estado tem o dever de proteger o patrimônio constituído pelos bens culturais existentes em seu território contra os perigos decorrentes da exportação. A Conferência Geral recomenda que os Estados-Membros lhe apresentem. reunida em Paris de 20 de outubro a 20 de novembro de 1964. que tais propostas seriam objeto de regulamentação internacional mediante uma recomendação aos Estados Membros. A Conferência Geral recomenda que os Estados Membros levem esta recomendação ao conhecimento das autoridades e organizações relacionadas à proteção de bens culturais. I . Estimando que os bens culturais se constituem em elementos fundamentais da civilização e da cultura dos povos. a Ciência e a Cultura 13a Sessão de 19 de novembro de 1964 RECOMENDAÇÃO SOBRE MEDIDAS DESTINADAS A PROIBIR E IMPEDIR A EXPORTAÇÃO. Convicta de que se deve tomar providências no sentido de estimular a adoção de medidas adequadas e de aperfeiçoar o ambiente de solidariedade internacional. sem o que os objetivos propostos não seriam alcançados. Adota. são considerados bens culturais os bens móveis e imóveis de grande importância para o patrimônio cultural de cada país. histórico ou arqueológico.3.3 da pauta da sessão. os livros e outros bens de interesse artístico. Considerando que. esta recomendação. Tendo examinado propostas de uma regulamentação internacional destinada a proibir e impedir a exportação. e que a familiaridade com esses bens favorece a compreensão e a apreciação mútuas entre as nações. medidas necessárias a fazer vigorar. A IMPORTAÇÃO E A TRANSFERÊNCIA DE PROPRIEDADE ILÍCITAS DE BENS CULTURAIS. os espécimens-tipo da flora e da fauna. em sua décima-segunda reunião. as normas e princípios formulados na presente recomendação. relatórios a respeito das providências que hajam tomado no sentido de colocar em prática esta recomendação. da importação e da transferência de propriedade ilícitas.Conferência Geral da Organização das Nações Unidas para a Educação. Ciência e Cultura.

deveriam abster-se de adquirir qualquer bem cultural procedente de exportação. II . na medida do possível. os Estados-Membros deveriam empreender os esforços necessários para pôr à disposição das coleções públicas dos demais Estados Membros. os bens culturais que haverão de se beneficiar da proteção estabelecida nesta recomendação em virtude da grande importância que apresentam. importação ou transferência de propriedade ilícitas. no âmbito de seu território. caso se julgue necessária a criação de um serviço nacional de proteção dos bens culturais: . um objeto cultural de propriedade privada deveria permanecer como tal mesmo após sua inclusão no inventário nacional. através de cessão ou intercâmbio. Instituições de Proteção dos Bens Culturais Cada Estado-Membro deveria providenciar para que a proteção dos bens culturais estivesse sob a responsabilidade de órgãos oficiais adequados e. é conveniente levar em consideração os seguintes princípios comuns. ou. Ainda que a diversidade de disposições constitucionais e de tradições e a desigualdade de recursos impossibilitem a adoção por todos os Estados-Membros de uma organização uniforme. nos parágrafos 1 e 2. importação ou transferência de propriedade efetuada em oposição às normas adotadas por cada Estado Membro em conformidade com o parágrafo 6 deveria ser considerada ilícita. alguns desses mesmos objetos. Qualquer exportação. deveria instituir um serviço nacional para a proteção dos bens culturais. objetos do mesmo tipo daqueles cuja exportação ou transferência de propriedade não possam ser autorizadas. cada Estado Membro deveria adotar as medidas adequadas para exercer um controle eficaz sobre a exportação de bens culturais. Os museus. III . Casa Estado Membro deveria tomar as providências apropriadas para impedir a transferência ilícita de propriedade dos bens culturais. cada Estado Membro deveria. A inclusão de um objeto cultural nesse inventário não deveria alterar de maneira alguma sua propriedade legal. se necessário. Para estimular e facilitar os intercâmbios legítimos de bens culturais. por meio de empréstimo ou depósito. A importação de bens culturais só deveria ser autorizada após haverem sido declarados livres de qualquer restrição por parte do Estado exportador.Medidas Recomendadas Identificação e Inventário Nacional dos Bens Culturais Para garantir a aplicação mais eficaz dos princípios gerais enunciados acima. e em geral todos os serviços e instituições relacionados à conservação de bens culturais.Cada Estado Membro deveria adotar os critérios que julgar mais adequados para definir.Princípios Gerais Para garantir a proteção de seu patrimônio cultural contra todos os perigos de empobrecimento. Particularmente. Este inventário não teria caráter restritivo. estabelecer e aplicar procedimentos para a identificação dos bens culturais definidos nos parágrafos 1 e 2 que existam em seu território e estabelecer um inventário nacional desses bens. Cada Estado Membro deveria estabelecer normas que regulamentassem a aplicação dos princípios supracitados.

Em caso de dúvida a instituição incumbida da proteção dos bens culturais deveria comunicar-se com a instituição competente para confirmar a legalidade da exportação. os acordos bilaterais ou multilaterais deveriam conter cláusulas que garantissem que. e mais especificamente. e. (ii) Cooperação com outros organismos competentes no controle da exportação. tais como os acordos culturais.a) O serviço nacional de proteção dos bens culturais deveria ser. como. em conformidade com as disposições da seção 11. o controle de exportações seria consideravelmente facilitado se os bens culturais fossem acompanhados. de um certificado apropriado. Colaboração Internacional para a Detecção de Operações Ilícitas Sempre que necessário ou conveniente. ser incluídos em acordos de maior abrangência. de modo a garantir a restituição de bens culturais ilicitamente exportados do território de uma das partes desses acordos e localizada no território de outra. dentro da estrutura de organizações intergovernamentais regionais. acima. acima. como por exemplo. . mediante o qual o Estado exportador certificaria haver autorizado a exportação do bem em questão. por ocasião de sua exportação. sempre que fosse proposta a transferência de propriedade de um bem cultural. se necessário. c) O serviço nacional de proteção dos bens culturais deveria estar autorizado a apresentar às autoridades nacionais competentes propostas de outras medidas legislativas ou administrativas adequadas à proteção dos bens culturais. o estabelecimento e a manutenção de um inventário nacional desses bens. b) As funções do serviço nacional de proteção dos bens culturais deveriam incluir: (i) A identificação dos bens culturais existentes no território do Estado. da importação e da transferência de propriedade de bens culturais. ao exigir a apresentação do certificado a que se refere o parágrafo 11. técnicos e financeiros que permitissem o desempenho eficaz de suas funções. se for o caso. Cada Estado-Membro deveria. atuando em conformidade com a legislação nacional. d) O serviço nacional de proteção dos bens culturais deveria poder recorrer a especialistas para assessorá-lo em relação a problemas técnicos e na solução de casos litigiosos. os Estados Membros deveriam firmar acordos bilaterais ou multilaterais. para resolver problemas decorrentes da exportação. se necessário. a importação e a transferência de propriedade ilícitas. por exemplo. em conformidade com o estabelecido no parágrafo 10. deveriam ser levados ao conhecimento dos serviços interessados. Tais acordos poderiam. dispusesse dos meios administrativos. inclusive sanções que impedissem a exportação. Toda oferta suspeita e todos os detalhes a ela relacionados. da importação ou da transferência de propriedade de bens culturais. um serviço administrativo do Estado ou um órgão que. constituir um fundo ou adotar outras medidas financeiras apropriadas para dispor dos recursos necessários a adquirir bens culturais de importância excepcional. de uma exportação ou de uma transferência de propriedade ilícitas ou de qualquer outra operação considerada ilegal pela legislação do Estado exportador. Acordos Bilaterais e Multilaterais Sempre que necessário ou conveniente. os serviços competentes de cada Estado pudessem certificar-se da inexistência de motivos para considerar o objeto como proveniente de um roubo. na medida do possível.

ser levado ao conhecimento do público. através de uma publicidade adequada. realizada em Paris e declarada concluída no vigésimo dia de novembro de 1964. por solicitação de Estado que o reclamasse. com organizações de juventude e de educação popular e com grupos e indivíduos ligados a atividades culturais. em sua décima-terceira reunião. tomar as providências adequadas para estabelecer que sua legislação interna ou as convenções quais possa vir a participar garantissem ao adquirente de boa fé de um bem cultural a ser restituído ou repatriado ao território do Estado do qual havia sido ilegalmente exportado a possibilidade de obter a indenização por perdas e danos ou outra compensação equivalente. Tal ação deveria ser empreendida pelos serviços competentes em cooperação com os serviços educativos. O precedente é o texto autêntico da Recomendação devidamente aprovada pela Conferência Geral da Organização das Nações Unidas para a Educação. Restituição ou Repatriação de Bens Culturais Exportados Ilicitamente Os Estados-Membros. Ação Educativa No sentido de uma colaboração internacional que levasse em consideração tanto a natureza universal da cultura quanto a necessidade de intercâmbios para possibilitar a todos beneficiarse do patrimônio cultural da humanidade. com a imprensa e com outros meios de informação e difusão. Ciência e a Cultura.Os Estados-Membros deveriam empenhar-se na assistência mútua através do intercâmbio dos resultados de suas experiências no âmbito dos assuntos a que se refere esta recomendação. se necessário. Direitos dos Adquirentes de Boa Fé Cada Estado-Membro deveria. cada Estado-Membro deveria agir de modo a estimular e desenvolver entre seus cidadãos o interesse e o respeito pelo patrimônio cultural de todas as nações. Publicidade em caso de Desaparecimento de um Bem Cultural O desaparecimento de qualquer bem cultural deveria. legislação vigente no Estado em cujo território se encontram os bens. neste vigésimo-primeiro dia de novembro de 1964. O Presidente da Conferência Geral Noraír M. Essa restituição ou repatriação deveria ser efetuada em conformidade com a. os serviços de proteção dos bens culturais. os museus e todas as instituições competentes em geral deveriam colaborar uns com os outros no sentido de garantir ou facilitar a restituição ou a repatriação de bens culturais ilicitamente exportados. Em fé do qual apensamos nossas assinaturas. Sissakian O Diretor-Geral René Mahen .

mas sua eficácia prática dependerá. As recomendações do presente informe são dirigidas nesse sentido e se limitam. a tutela do Estado pode e deve se estender ao contexto urbano. letra d). ao ambiente natural que o emoldura e aos bens culturais que encerra. O.Considerações Gerais A idéia do espaço é inseparável do conceito do monumento e. histórico e artístico..Normas de Quito de novembro/dezembro de 1967 REUNIÃO SOBRE CONSERVAÇÃO E UTILIZAÇÃO DE MONUMENTOS E LUGARES DE INTERESSE HISTÓRICO E ARTÍSTICO. Mas pode existir uma zona. em último caso. dada a íntima relação entre o continente arquitetônico e o conteúdo artístico.A. que. a existência de uma situação de urgência que reclama a cooperação interamericana. está se aceitando implicitamente que esses bens do patrimônio cultural representam um valor econômico e são suscetíveis de constituir-se em instrumentos do progresso. Esforços Multinacionais.E. torna-se imprescindível estender a devida proteção a outros bens móveis e a objetos valiosos do patrimônio cultural para evitar sua contínua deterioração e subtração impune e para conseguir que contribuam à obtenção dos fins pretendidos mediante sua adequada exibição. de maneira expressa. de conformidade com o que dispõe o Capítulo V. de acordo com a moderna técnica museográfica. entretanto. objeto de defesa e proteção por parte do Estado. isoladamente considerados. e em segundo. porque com isso os chefes de Estado deixam reconhecida. recinto ou sítio de caráter monumental. porque. O acelerado processo de empobrecimento que vem sofrendo a maioria dos países americanos como conseqüência do estado de abandono e da falta de defesa em que se encontra sua riqueza monumental e artística demanda a adoção de medidas de emergência. não são propriamente monumentos nacionais. Os lugares pitorescos e outras belezas naturais. portanto. de sua adequada formulação dentro de um plano sistemático de revalorização dos bens patrimoniais em função do desenvolvimento econômico-social. da Declaração dos Presidentes da América.Introdução A inclusão do problema representado pela necessária conservação e utilização do patrimônio monumental na relação de esforços multinacionais que se comprometem a realizar os governos da América resulta alentador num duplo sentido. É preciso reconhecer. especificamente. à adequada conservação e utilização dos monumentos e sítios de interesse arqueológico. A marca histórica ou artística do . Primeiramente. mereça essa designação. sem que nenhum dos elementos que o constitui. sendo a razão fundamental da Reunião de Punta del Leste o propósito comum de dar um novo impulso ao desenvolvimento do continente. tanto em nível nacional quanto internacional.Organização dos Estados Americanos Informe Final I . II .

numa exuberante variedade de formas. praças. Nos momentos críticos em que a América se encontra comprometida em um grande empenho progressista. arquitetônicas. ele não se constituirá em um monumento a não ser que haja uma expressa declaração do Estado nesse sentido. Aos grandiosos testemunhos das culturas pré-colombianas se agregam as expressões monumentais. têm sofrido tais . É certo também que grande parte desse patrimônio se arruinou irremediavelmente no curso das últimas décadas ou se acha hoje em perigo iminente de perder-se. e em especial a América Ibérica. artísticas e históricas do extenso período colonial. os problemas que se relacionam com a defesa. num passado ainda próximo. Cabe ao Estado fazer com que ela prevaleça e determinar. nem sempre acessíveis ou de todo exploradas. em conjunto. Um acento próprio. produto do fenômeno da aculturação. que implica a exploração exaustiva de seus recursos naturais e a transformação progressiva das suas estruturas econômico-sociais. Qualquer que seja o valor intrínseco de um bem ou as circunstâncias que concorram para constituir a sua importância e significação histórica ou artística. nos diferentes casos. testemunhos de uma tradição histórica de inestimável valor.templos. acentuavam sua personalidade e atração -. III . Ruínas arqueológicas de capital importância. mas é necessário reconhecer que a razão fundamental da destruição progressivamente acelerada desse potencial de riqueza reside na falta de uma política oficial capaz de imprimir eficácia prática às medidas protecionistas vigentes e de promover a revalorização do patrimônio monumental em função do interesse público e para beneficio econômico da nação. A partir desse momento o bem em questão estará submetido ao regime de exceção assinalado pela lei. A declaração de monumento nacional implica a sua identificação e registro oficiais. contribui para imprimir aos estilos importados um sentido genuinamente americano de múltiplas manifestações locais que os caracteriza e distingue. sítios e conjuntos monumentais adquirem excepcional importância e atualidade. complexos urbanos e povoados inteiros são suscetíveis de se tomar centros de maior interesse e atração. Múltiplos fatores têm contribuído e continuam contribuindo para diminuir as reservas de bens culturais da maioria dos países da América Ibérica. Grande número de cidades ibero-americanas que entesouravam. apagando as marcas e expressões do passado. mas deformam por completo a paisagem. que. Todo processo de acelerado desenvolvimento traz consigo a multiplicação de obras de infraestrutura e a ocupação de extensas áreas por instalações industriais e construções imobiliárias que não apenas alteram. Todo monumento nacional está implicitamente destinado a cumprir uma função social. a medida em que a referida função social é compatível com a propriedade privada e com o interesse dos particulares. conservação e utilização dos monumentos. fontes e vielas. um rico patrimônio monumental.O Patrimônio Monumental e o Momento Americano É uma realidade evidente que a América. evidência de sua grandeza passada .homem é essencial para imprimir a uma paisagem ou a um recinto determinado essa categoria específica. constitui uma região extraordinariamente rica em recursos monumentais. se alternam com surpreendentes sobrevivências do passado.

A solução conciliatória A necessidade de conciliar as exigências do progresso urbano com a salvaguarda dos valores ambientais já é hoje em dia uma norma inviolável na formulação dos planos reguladores. que trazem a esse tema de tanto interesse americano um ponto de vista eminentemente prático. mas fazem ou devem fazer parte deles. . Está à disposição da América a experiência acumulada. É preciso admitir que os organismos internacionais especializados têm reconhecido a dimensão do problema e vêm trabalhando com afinco. o Congresso da Federação Internacional da Habitação e Urbanismo (Santiago de Compostela. A partir da Carta de Atenas. IV . de 1932. gravemente comprometido pela entronização de um processo anárquico de modernização. A elevação do nível de vida não deve se limitar à realização de um bem-estar material progressivo. 1958). Em confirmação a este critério se transcreve o seguinte parágrafo do Informe Weiss. muitos foram os congressos internacionais que se sucederam até consolidar-se o atual critério dominante. Não é exagerado afirmar que o potencial de riqueza destruída com esses atos irresponsáveis de vandalismo urbanístico em numerosas cidades do continente excede em muito os benefícios advindos para a economia nacional através das instalações e melhorias de infraestrutura com que se pretendem justificar. Consequentemente. que teve como tema o problema dos conjuntos históricos. histórico e artístico constituem também recursos econômicos da mesma forma que as riquezas naturais do país. contribuindo com recomendações concretas. deve constituir o seu complemento. nos últimos anos. apresentado à Comissão Cultural e Científica do Conselho da Europa (1 963): "É possível equipar um país sem desfigurá-lo. Nesse sentido. deve ser associado à criação de um quadro de vida digno do homem". A defesa e valorização do patrimônio monumental e artístico não se contradiz. em Cáceres (1967). figuram o da União Internacional de Arquitetos (Moscou. com uma política de ordenação urbanística cientificamente desenvolvida. para conseguir soluções satisfatórias. em nível tanto local como nacional. V . o Congresso de Veneza (1964) e o mais recente. o do ICOMOS. as medidas que levam a sua preservação e adequada utilização não só guardam relação com os planos de desenvolvimento. preparar e servir ao futuro sem destruir o passado. exige a adoção de medidas de defesa. todo plano de ordenação deverá realizar-se de forma que permita integrar ao conjunto urbanístico os centros ou complexos históricos de interesse ambiental. Longe disso.mutilação e degradações no seu perfil arquitetônico que se tomam irreconhecíveis. 1961). Tudo isso em nome de um mal entendido e pior administrado progresso urbano.Valorização Econômica dos Monumentos Partimos do pressuposto de que os monumentos de interesse arqueológico. recuperação e revalorização do patrimônio monumental da região e a formulação de planos nacionais e multinacionais a curto e a longo prazo. A continuidade do horizonte histórico e cultural da América. Entre os que mais se aprofundaram no problema. teórica nem praticamente.

que tende a tomar-se cada dia mais freqüente entre os especialistas. Encomendar aos organismos competentes da OEA que:.." Mais concretamente.Na mais ampla esfera das relações interamericanas. VI . na maioria dos casos. dentro da área de competência do conselho. capítulo V. trata-se de mobilizar os esforços nacionais no sentido de procurar o melhor aproveitamento dos recursos monumentais de que se disponha. históricos e artísticos. ou seja. A extensão da cooperação interamericana para esse aspecto do desenvolvimento implica o reconhecimento de que o esforço nacional não é por si só suficiente para empreender uma ação que. excede suas atuais possibilidades. da Declaração dos Presidentes: "Esforços Multinacionais. que figura no ponto 2. como meio indireto de favorecer o desenvolvimento econômico do país. a urgente necessidade de utilizar ao máximo o cabedal de seus recursos e é evidente que entre eles figura o patrimônio monumental das nações. Valorizar um bem histórico ou artístico equivale a habilitá-lo com as condições objetivas e ambientais que. sem desvirtuar sua natureza ressaltem suas características e permitam seu . d) Estendam a cooperação interamericana à conservação e utilização dos monumentos arqueológicos. adquire no momento americano uma especial aplicação." 2. A.. na resolução 2 da Segunda Reunião Extraordinária do Conselho Interamericano Cultural.. diz-se: ". Isso explica o emprego do termo "utilização". a ajuda necessária ao desenvolvimento econômico dos países membros da OEA. convocada com a finalidade única de dar cumprimento ao disposto na Declaração dos Presidentes. através da cooperação continental." Em suma. precisamente... A extensão da assistência técnica e a ajuda financeira ao patrimônio cultural dos Estados Membros será cumprida em função de seu desenvolvimento econômico e turístico.. Se algo caracteriza este momento é.A valorização do Patrimônio do Cultural O termo "valorização". É evidente que a inclusão do problema relativo à adequada preservação e utilização do patrimônio monumental na citada reunião corresponde às mesmas razões fundamentais que levaram os presidentes da América a convocá-la: a necessidade de dar à Aliança para o Progresso um novo e mais vigoroso impulso e de oferecer. É unicamente através da ação multinacional que muitos Estados-Membros em processo de desenvolvimento podem prover-se dos serviços técnicos e dos recursos financeiros indispensáveis. a avaliação dos recursos disponíveis e a formulação de projetos específicos dentro de um plano de ordenação geral. Isso implica uma tarefa prévia de planejamento em nível nacional. 1967). reiteradas recomendações e resoluções de diferentes organismos do sistema levaram progressivamente o problema ao mais alto nível de consideração: a Reunião dos Chefes de Estado (Punta del Este.

Os monumentos em função do turismo Os valores propriamente culturais não se desnaturalizam nem se comprometem ao vincular-se com os interesses turísticos e. mesmo que a intenção original nada tenha a ver com a cultura. trata-se de incorporar a um potencial econômico um valor atual. eminentemente técnica. há de derivar em seu beneficio. A Europa deve ao turismo. passará a ser parte dele quando for valorizado. de certa maneira. De outra parte. e a . As normas protecionistas e os planos de revalorização têm que estender-se. a todo o âmbito do monumento. destacando e exaltando suas características e méritos até colocá-los em condições de cumprir plenamente a nova função a que estão destinados. É evidente que. direta ou indiretamente. esses testemunhos do passado estimulam os sentimentos de compreensão. a valorização de um monumento exerce uma benéfica ação reflexa sobre o perímetro urbano em que se encontra implantado e ainda transborda dessa área imediata. impeçam a desnaturalização do lugar e a perda das finalidades primordiais que se perseguem. que. mediante um processo de revalorização que. No mais amplo marco das relações internacionais. um conjunto urbano valorizado. Deve-se entender que a valorização se realiza em função de um fim transcendente. que ficaria revalorizada em conjunto como conseqüência de um plano de valorização e de saneamento de suas principais construções. portanto. É preciso destacar que. a área de implantação de uma construção de especial interesse toma-se comprometida por causa da vizinhança imediata ao monumento. em alguma medida. a valorização do patrimônio monumental e artístico implica uma ação sistemática. a salvaguarda de uma grande parte de seu patrimônio cultural. longe de diminuir sua significação puramente histórica ou artística. VII . a maior atração exercida pelos monumentos e a fluência crescente de visitantes contribuem para afirmar a consciência de sua importância e significação nacionais. Essa é outra conseqüência previsível da valorização e implica a prévia adoção de medidas reguladoras que. harmonia e comunhão espiritual mesmo entre povos que mantêm rivalidade política.ótimo aproveitamento. longe disso. na medida em que um monumento atrai a atenção do visitante. aumentará a demanda de comerciantes interessados em instalar estabelecimentos apropriadas a sua sombra protetora. Em síntese. Esse incremento de valor real de um bem por ação reflexa constitui uma forma de mais valia que há de se levar em consideração. constituem não só uma lição viva de história como uma legítima razão de dignidade nacional. a enriquece. de pôr em produtividade uma riqueza inexplorada. no caso da América Ibérica. ao mesmo tempo em que facilitem e estimulem a iniciativa privada. Do exposto se depreende que a diversidade de monumentos e edificações de marcado interesse histórico e artístico situadas dentro do núcleo de valor ambiental se relacionam entre si e exercem um efeito multiplicador sobre o resto da área. seria o de contribuir para o desenvolvimento econômico da região. Tudo quanto contribuir para exaltar os valores do espírito. estendendo seus efeitos a zonas mais distantes. Em outras palavras. Um monumento restaurado adequadamente. dirigida a utilizar todos e cada um desses bens conforme a sua natureza. o que equivale a dizer que. passando-a do domínio exclusivo de minorias eruditas ao conhecimento e fruição de maiorias populares. condenado à completa e irremediável destruição.

ao problema do abandono em que se encontra boa parte do patrimônio cultural dos países do continente. tanto em nível nacional como regional. entre as quais figuram as seguintes: "Que os monumentos e outros bens de natureza arqueológica. A Comissão Técnica de Fomento do Turismo. "do ponto de vista turístico. a Conferência sobre Comércio e Desenvolvimento das Nações Unidas (1964) recomendou às agências e organismos de financiamento. na forma mais apropriada. que vem sendo objeto de especial atenção por parte da Secretaria Geral da UNESCO. determinaria sua extinção. restauração e utilização vantajosa de sítios arqueológicos. tanto governamentais como privados. depois de analisar as razões culturais. traz consigo uma profunda transformação econômica da região em que esse monumento se acha inserido. Esse estudo confirma os critérios expostos e. . recentes reuniões especializadas têm abordado o tema específico da função que os monumentos de interesse artístico e histórico representam no desenvolvimento da indústria turística. abandonada. o Conselho Econômico e Social do citado organismo mundial. histórico e natural das nações. 1963) não somente recomendou que se desse uma alta prioridade aos investimentos em turismo dentro dos planos nacionais. a fim de acelerar a melhoria dos seus recursos turísticos" (Resolução 1109 XL). resgatados tecnicamente graças ao poderoso estímulo turístico. a União Internacional de Organizações Oficiais de Turismo. seria urgente "a adoção de medidas adequadas dirigidas a assegurar a conservação e proteção desse patrimônio" (Informe Final.24). na sua quarta reunião (julho-agosto de 1967). para obras de conservação. Se os bens do patrimônio cultural desempenham papel tão importante na promoção do turismo. como principais incentivos à afluência turística". empreendeu-se um exaustivo estudo. histórica e artística podem e devem ser devidamente preservados e utilizados em função do desenvolvimento. A Conferência das Nações Unidas sobre Viagens Internacionais e Turismo (Roma. como fez ressaltar que. integrar-se num só plano econômico de desenvolvimento regional. é lógico que os investimentos que se requerem para sua devida restauração e habilitação específica devem se fazer simultaneamente aos que reclama o equipamento turístico e. b) a atividade turística que se origina da adequada apresentação de um monumento e que. "oferecer assistência. Dois pontos de particular interesse merecem ser destacados: a) a afluência turística determinada pela revalorização adequada de um monumento assegura a rápida recuperação do capital investido nesse fim. IV. em conseqüência. Por sua vez. mais visual que literária. Dentro do sistema interamericano. resolveu solidarizar-se com as conclusões adotadas pela correspondente Comissão de Equipamento Turístico. históricos e de beleza natural" (Resolução.sensibilidade contemporânea. Doc. Em relação a esse tema. além das numerosas recomendações e acordos que enfatizam a importância a ser concedida. 4). educativas e sociais que justificam o uso da riqueza monumental em função do turismo. com a colaboração de um organismo não-governamental de grande prestígio. constitui um valor substancialmente importante" e que. resolveu solicitar aos organismos das Nações Unidas e às agencias especializadas que dessem "parecer favorável às solicitações de assistência técnica e financeira dos países em desenvolvimento. tem oportunidade de se enriquecer com a contemplação de novos exemplos da civilização ocidental. mais propriamente. Ultimamente. o patrimônio cultural. insiste nos benefícios econômicos que derivam dessa política para as áreas territoriais correspondentes. depois de recomendar à Assembléia Geral designar o ano de 1967 como "Ano do Turismo Internacional". Anexo A.

qualquer que seja sua denominação e composição. pelo que se faz aconselhável que os organismos e unidades técnicas de uma e outra área da atividade interamericana trabalhem nesse sentido de forma coordenada. Carentes da suficiente formação cívica para julgar o interesse social como uma expressão decantada do próprio interesse individual. histórico ou artístico. que devem sua presente prosperidade ao turismo internacional e que contam. esse patrimônio constitui um fator decisivo em seu equipamento turístico e. tem dado excelentes resultados." Do ponto de vista exclusivamente turístico. com a reserva de bens culturais. . deve ser levado em conta na formalização dos planos correspondentes. especialmente nas dos países europeus. Anos de incúria oficial e um impulsivo afã de renovação que caracteriza as nações em processo de desenvolvimento contribuem para difundir o menosprezo por todas as manifestações do passado que não se ajustam ao molde ideal de um moderno estilo de vida. Daí que as obras de restauração nem sempre sejam suficientes. mas também das circunstâncias adjetivas que concorram para ele e facilitem sua adequada utilização. especialmente em localidades que não dispõem ainda de diretrizes urbanísticas e onde a ação protetora em nível nacional é débil ou nem sempre eficaz." "Que os interesses propriamente culturais e os de índole turística se conjugam no que diz respeito à devida preservação e utilização do patrimônio monumental e artístico dos povos da América.O interesse social e a ação cívica É presumível que os primeiros esforços dirigidos a revalorizar o patrimônio monumental encontrem uma ampla zona de resistência na órbita dos interesses privados. Podem ser necessárias outras obras de infra-estrutura. O estímulo a agrupamentos cívicos de defesa do patrimônio. tais como um caminho que facilite o acesso ao monumento ou um albergue que aloje os visitantes ao término de uma jornada de viagem. os habitantes de uma população contagiada pela febre do progresso não podem medir as conseqüências dos atos de vandalismo urbanístico que realizam alegremente. da sua significação ou interesse arqueológico. Nada pode contribuir melhor para a tomada de consciência desejada do que a contemplação do próprio exemplo. para que um monumento possa ser explorado e passe a fazer parte do equipamento turístico de uma região. costuma ocorrer uma reação favorável de cidadania que paralisa a ação destrutiva e permite a consecução de objetivos mais ambiciosos. os monumentos são parte do equipamento de que se dispõe para operar essa indústria numa região determinada. com a indiferença ou a cumplicidade das autoridades locais. por si só. quer dizer. As vantagens econômicas e sociais do turismo monumental figuram nas mais modernas estatísticas."Que nos países de grande riqueza patrimonial de bens de interesse arqueológico. Uma vez que se apreciam os resultados de certas obras de restauração e de revitalização de edifícios. praças e lugares. entre suas principais fontes de riqueza. mantido o caráter ambiental da região. mas à medida em que o monumento possa servir ao uso a que se lhe destina já não dependerá apenas de seu valor intrínseco. em conseqüência. incapazes de apreciar o que mais convém à comunidade a partir do remoto ponto de vista do bem público. VIII . Tudo isso. histórico e artístico. Do seio de cada comunidade pode e deve surgir a voz de alarme e a ação vigilante e preventiva.

As medidas e procedimentos que se seguem destinam-se a essa finalidade.Os instrumentos da valorização A adequada utilização dos monumentos de principal interesse histórico e artístico implica primeiramente a coordenação de iniciativas e esforços de caráter cultural e econômicoturísticos. os resultados perseguidos serão mais satisfatórios. em sua falta. Recomendações (em nível nacional) Os projetos de valorização do patrimônio monumental fazem parte dos planos de desenvolvimento nacional e. Na medida em que esses interesses coincidentes se unam e identifiquem. muito especialmente nas pequenas comunidades. dentro do Plano Nacional para o Desenvolvimento. desenvolvido sistemática e simultaneamente à execução do projeto. o interesse público. IX . Daí que.Em qualquer caso. é o complemento do esforço nacional. b) Legislação adequada ou. c) Direção coordenada do projeto através de um instituto idôneo. devem a eles se integrar. tanto em termos técnicos como financeiros. os seguintes: a) Reconhecimento de uma excepcional prioridades dos projetos de valorização da riqueza monumental. organização técnica e planejamento nacional. aos países corresponde a tarefa prévia de formular seus projetos e integrá-los com os planos gerais para o desenvolvimento. Compete ao governo dotar o país das condições que tomem possível a formulação e execução de projetos específicos de valorização. Aos governos dos diferentes Estados Membros cabe a iniciativa. A integração dos projetos culturais e econômicos deve produzir-se em nível nacional como medida prévia a toda gestão de assistência ou cooperação exterior. Os investimentos que se requerem para a execução dos referidos projetos devem ser feitos simultaneamente com os que são necessários para o equipamento turístico da zona ou região objeto de revalorização. . capaz de centralizar sua execução em todas as etapas. em todas as circunstâncias. d) Designação de uma equipe técnica que possa contar com assistência exterior durante a elaboração dos projetos específicos ou durante sua execução. outras disposições governamentais que facilitem o projeto de valorização fazendo prevalecer. Não pode haver essa necessária coordenação se não existem no país em questão as condições legais e os instrumentos técnicos que a tomem possível. na preparação desses planos. Do ponto de vista cultural. consequentemente. Essa integração. a colaboração espontânea e múltipla dos particulares nos planos de valorização do patrimônio histórico e artístico é absolutamente imprescindível. são requisitos prévios a qualquer propósito oficial dirigido a revalorizar seu patrimônio monumental: legislação eficaz. São requisitos indispensáveis aos efeitos citados. deve se levar em conta a conveniência de um programa anexo de educação cívica.

toma-se imprescindível a integração dos projetos que se venham a promover com os planos reguladores existentes na cidade ou na região de que se trate. Recomendar à Organização dos Estados Americanos que estenda a cooperação que se propôs prestar à revalorização dos monumentos de interesse arqueológico. em Sevilha. fortalezas e grande número de edifícios. absolutamente necessário em todo trabalho dessa natureza um estudo prévio de investigação histórica. Uma vez que a Espanha conserva em seus arquivos farto material de plantas sobre as cidades da América. de maneira muito especial. sem prejuízo de adotarem outros compromissos e acordos que se tomem recomendáveis dentro do sistema interamericano.A valorização da riqueza monumental só pode ser levada a efeito dentro de um quadro de ação planificada. constituídos do acervo de museus e arquivos. especialmente. na conformidade com um plano regulador de alcance nacional ou regional. à Espanha e a Portugal. . capaz de proteger de maneira mais ampla e efetiva essa parte importantíssima do patrimônio cultural do continente dos múltiplos riscos que a ameaçam. histórico e artístico a outros bens do patrimônio cultural. bem como do acervo sociológico do folclore nacional. Recomendar que seja redigido um novo documento hemisférico que substitua o Tratado Interamericano sobre a Proteção de Móveis de Valor Histórico (1935). quer dizer. por isso. Estender o conceito generalizado de monumento às manifestações próprias da cultura dos séculos XIX e XX. e os de caráter turístico deverá produzir-se no âmago da direção coordenada do projeto a que se refere a letra c) do inciso 3. A necessária coordenação dos interesses propriamente culturais relativos aos monumentos ou conjuntos ambientais. e dado que a catalogação desses documentos imprescindíveis foi interrompida em data anterior à da maioria das construções coloniais. Vincular a necessária revalorização do patrimônio monumental e artístico das nações da América a outros países extra-continentais e. deve-se ter presente. dada a participação histórica de ambos na formação desse patrimônio e a comunhão dos valores culturais que os mantêm unidos aos povos deste continente. Recomendações(em nível interamericano) Reiterar a conveniência de que os países da América adotem a Carta de Veneza como norma mundial em matéria de preservação de sítios e monumentos históricos e artísticos. procederse-á no sentido de estabelecê-los de forma adequada. À falta desses planos. nos das índias. A cooperação dos interesses privados e o respaldo da opinião pública são indispensáveis para a realização de qualquer projeto de valorização. Consequentemente. A restauração termina onde começa a hipótese. durante a sua formulação. juntamente com copiosíssima documentação oficial. o desenvolvimento de uma campanha cívica que possibilite a formação de uma consciência pública favorável. como medida prévia de toda a gestão relativa à assistência técnica ou à ajuda financeira externa. torna-se altamente necessário que a OEA coopere com a Espanha no trabalho de atualizar e facilitar as investigações nos arquivos espanhóis e. Nesse sentido. tornando-se. o que dificulta extremamente sua utilização.

a fim de procurar integrá-la com a natureza circundante. bem assim. a fim de tomar eficaz sua aplicação aos efeitos pretendidos. amparado pelo acordo de cooperação técnica da OEA. Da mesma forma deve-se tomar em consideração a possibilidade de estimular a iniciativa privada. celebrar com o Instituto de Cultura Hispânica. Para os efeitos de legislação de proteção. com maior tolerância.Espanha e com o Centro Regional Latinoamericano de Estudos para a Conservação e Restauração de Bens Culturais do México. uma vez provada sua exportação clandestina ou aquisição ilegal. e proporcionar sua instalação definitiva num dos Estados Membros. Da mesma forma. os países deverão ter em conta o maior valor que adquirem os bens imóveis incluídos na zona de valorização. recomenda-se que o Conselho Interamericano Cultural providencie. Medidas Legais É necessário atualizar a legislação de proteção vigente nos Estados americanos. na sua próxima reunião. mediante a implantação de um regime de isenção fiscal nos edifícios que se restaurem com capital particular e dentro dos regulamentos estabelecidos pelos órgãos . É necessário revisar as disposições regulamentares locais que se aplicam à matéria de publicidade. c) zona de proteção da paisagem urbana.Enquanto não se ultima o estabelecido no item anterior. o espaço urbano que ocupam os núcleos ou conjuntos monumentais e de interesse ambiental deve limitar-se da seguinte forma: a) zona de proteção rigorosa. até certo ponto. Sem prejuízo do estabelecido anteriormente e a fim de satisfazer imediatamente tão imperiosas necessidades. Madrid. as limítrofes. Toda vez que se tome necessário o intercâmbio de experiências sobre os problemas próprios da América e convém manter-se uma adequada unidade de critérios relativos à matéria. mediante o fortalecimento dos órgãos existentes e a criação de outros novos. com o objetivo de controlar toda forma publicitária que tenda a alterar as características ambientais das zonas urbanas de interesse histórico. com sede provisória no Instituto de Cultura Hispânica. toma-se recomendável tomar as providências adequadas para a criação de um centro ou instituto especializado em matéria de restauração. Tendo em vista que a escassez de recursos humanos constitui um grave inconveniente para a realização de planos de valorização. recomenda-se reconhecer a Sociedade de Arquitetos Especializados em Restauração de Monumentos. assim como. b) zona de proteção ou respeito. de caráter interamericano. Ao atualizar a legislação vigente. torna-se recomendável satisfazer as necessidades em matéria de restauração de bens móveis. recomenda-se à Secretaria Geral da OEA utilizar as facilidades que oferecem seus atuais programas de Bolsas e Habilitação Extracontinental e. obter dos Estados-membros a adoção de medidas de emergência capazes de eliminar os riscos do comércio ilícito de peças do patrimônio cultural e que se ative a sua devolução ao país de origem. que corresponderá à de maior densidade monumental ou de ambiente. amplos acordos de colaboração.

competentes. Outros desencargos fiscais podem também ser estabelecidos como compensação às limitações impostas à propriedade particular por motivo de utilidade pública. Medidas Técnicas A valorização de um monumento ou conjunto urbano de interesse ambiental é o resultado de um processo eminentemente técnico e, consequentemente, sua execução oficial deve ser confiada diretamente a um órgão de caráter especializado, que centralize todas as atividades. Cada projeto de valorização constitui um problema específico e requer uma solução também específica. A colaboração técnica dos peritos nas diversas disciplinas que deverão intervir na execução de um projeto é absolutamente essencial. Da acertada coordenação dos especialistas irá depender, em boa parte, o resultado final. A prioridade dos projetos fica subordinada à estimativa dos benefícios econômicos, que derivariam de sua execução para uma determinada região. Entretanto, em tudo que for possível, deve-se ter em conta a importância intrínseca dos bens objeto de restauração ou revalorização e a situação de emergência em que eles se encontram. Em geral, todo projeto de valorização envolve problemas de caráter econômico, histórico, técnico e administrativo. Os problemas técnicos de conservação, restauração e reconstrução variam segundo a natureza do bem cultural. Os monumentos arqueológicos, por exemplo, exigem a colaboração de especialistas na matéria. A natureza e o alcance dos trabalhos que é preciso realizar em um monumento exigem decisões prévias, produto do exaustivo exame das condições e circunstâncias que nele concorrem. Decidida a forma de intervenção a que deverá ser submetido o monumento, os trabalhos subseqüentes deverão prosseguir com absoluto respeito ao que evidencia sua substância ou ao que apontam, indubitavelmente, os documentos autênticos em que se baseia a restauração. Nos trabalhos de revalorização de zonas ambientais, toma-se necessária a prévia definição de seus limites e valores. A valorização de uma zona histórica ambiental, já definida e avaliada, implica: a) estudo e determinação de seu uso eventual e das atividades que nela deverão desenvolverse; b) estudo da magnitude dos investimentos e das etapas necessárias até o término dos trabalhos de restauração e conservação, incluídas as obras de infra-estrutura e adaptações exigidas pelo equipamento turístico para sua valorização; c) estudo analítico do regime especial a que a zona ficará submetida, a fim de que as construções existentes e as futuras possam ser efetivamente controladas; d) a regulamentação das zonas adjacentes ao núcleo histórico deve estabelecer, além do uso da terra e densidade da respectiva ocupação, a relação volumétrica como fator determinante da paisagem urbana e natural; e) estudo do montante das inversões necessárias para o adequado saneamento da zona a ser valorizada;

f) estudo das medidas preventivas necessárias para a manutenção permanente de zona a valorizar. A limitação dos recursos disponíveis e o necessário adestramento das equipes técnicas requeridas pelos planos de valorização tornam aconselhável a prévia formulação de um projeto piloto no local em que melhor se conjuguem os interesses econômicos e as facilidades técnicas. A valorização de um núcleo de interesse histórico-ambiental de extensão que exceda as possibilidades econômicas imediatas pode e deve ser projetado em duas ou mais etapas, que seriam executadas progressivamente, de acordo com as conveniências do equipamento turístico. Não obstante, o projeto deve ser concebido em sua totalidade, sem que se interrompam ou diminuam os trabalhos de classificação, investigação e inventário.

Conferência Geral da Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura 15a Sessão
19 de novembro de 1968 RECOMENDAÇÃO SOBRE A CONSERVAÇÃO DOS BENS CULTURAIS AMEAÇADOS PELA EXECUÇÃO DE OBRAS PÚBLICAS OU PRIVADAS A Conferência Geral da Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura, em sua 15a sessão, realizada em Paris, de 15 de outubro a 20 de novembro de 1968: Considerando que a civilização contemporânea e sua evolução futura repousam nas tradições culturais dos povos e nas forças criadoras da humanidade, assim como em seu desenvolvimento social e econômico. Considerando que os bens culturais são o produto e o testemunho das diferentes tradições e realizações intelectuais do passado e constituem, portanto, um elemento essencial da personalidade dos povos. Considerando que é indispensável preservá-los, na medida do possível e, de acordo com sua importância histórica e artística, valorizá-los de modo que os povos se compenetrem de sua significação e de sua mensagem e, assim, fortaleçam a consciência de sua própria dignidade. Considerando que essa preservação e valorização dos bens culturais, de acordo com o espírito da Declaração de Princípios da Cooperação Cultural Internacional, adotada em 4 de novembro de 1966, durante a 14 a sessão, favorecem uma melhor compreensão entre os povos e, consequentemente, servem à causa da paz. Considerando também que o bem-estar de todos os povos depende, entre outras coisas, de que sua vida se desenvolva em um meio favorável e estimulante, e que a preservação dos bens culturais de todos os períodos de sua história contribui diretamente para isso. Reconhecendo, por outro lado, o papel desempenhado pela industrialização e urbanização a que tende a civilização mundial no desenvolvimento dos povos e em sua completa realização espiritual e nacional. Considerando, entretanto, que os monumentos, testemunhos e vestígios do passado préhistórico, proto-histórico e histórico, assim como inúmeras construções recentes que têm uma importância artística, histórica ou científica, estão cada vez mais ameaçados pelos trabalhos

públicos ou privados resultantes do desenvolvimento da indústria e da urbanização. Considerando que é dever dos governos assegurar a proteção e a preservação da herança cultural da humanidade tanto quanto promover o desenvolvimento social e econômico. Considerando, portanto, que é necessário harmonizar a preservação do patrimônio cultural com as transformações exigidas pelo desenvolvimento social e econômico, e que urge desenvolver os maiores esforços para responder a essas duas exigências em um espírito de ampla compreensão e com referência a um planejamento apropriado. Considerando, igualmente, que a adequada preservação e exposição dos bens culturais contribuem poderosamente para o desenvolvimento social e econômico dos países e das regiões que possuem esse gênero de tesouros da humanidade, através do estímulo ao turismo nacional e internacional. Considerando, enfim, que, em matéria de preservação de bens culturais, a garantia mais segura é constituída pelo respeito e pela vinculação que a própria população experimenta em relação a esses bens e que os Estados Membros poderiam contribuir para fortalecer tais sentimentos através de medidas adequadas, Sendo-lhe apresentadas propostas relativas à preservação dos bens culturais ameaçados por obras públicas ou privadas, questão que constitui o item 16 da ordem do dia da sessão. Após haver decidido, em sua décima terceira sessão, que as propostas sobre esse assunto seriam objeto de uma regulamentação internacional através de uma recomendação aos Estados Membros, Adota, neste décimo nono dia de novembro de 1968, a presente recomendação: A Conferência Geral recomenda aos Estados Membros que apliquem as disposições seguintes, adotando as medidas legislativas ou de outra natureza, necessárias para levar a efeito nos respectivos territórios as normas e princípios formulados na presente recomendação. A Conferência Geral recomenda aos Estados Membros que levem a presente recomendação ao conhecimento das autoridades e órgãos encarregados das obras públicas ou privadas, assim como ao dos órgãos responsáveis pela conservação e pela proteção dos monumentos históricos, artísticos, arqueológicos e científicos. Recomenda que as autoridades e órgãos encarregados do planejamento dos programas de educação e de desenvolvimento do turismo sejam igualmente informados. A Conferência Geral recomenda aos Estados Membros que lhe apresentem, nas datas e na forma a ser por ela determinada, relatórios que digam respeito às medidas adotadas para levar a efeito a presente recomendação. I - Definição Para os efeitos da presente recomendação, a expressão bens culturais se aplicará a: a) Bens imóveis, como os sítios arqueológicos, históricos ou científicos, edificações ou outros elementos de valor histórico, científico, artístico ou arquitetônico, religiosos ou seculares, incluídos os conjuntos tradicionais, os bairros históricos das zonas urbanas e rurais e os vestígios de civilizações anteriores que possuam valor etnológico. Aplicar-se-á tanto aos imóveis do mesmo caráter que constituam ruínas ao nível do solo como aos vestígios arqueológicos ou históricos descobertos sob a superfície da terra. A expressão bens culturais se estende também ao entorno desses bens. b) Bens móveis de importância cultural, incluídos os que existem ou tenham sido encontrados dentro dos bens imóveis e os que estão enterrados e possam vir a ser descobertos em sítios arqueológicos ou históricos ou em quaisquer outros lugares.

e que deverão ser preservados e trasladados. II . Deveriam ser mantidos inventários atualizados de bens culturais importantes. assim como do caráter dos perigos a que estão expostos. Dever-se-ia ter na devida conta a importância relativa dos bens culturais em causa ao se determinarem medidas necessárias para assegurar: a) A preservação do conjunto de um sítio arqueológico. como a construção de aeródromos. assim. f) A construção de oleodutos e de linhas de transmissão de energia elétrica. cabendo a prioridade a um levantamento minucioso e completo dos bens culturais situados em locais em que obras públicas ou privadas os ameacem. etc. Quando uma imperiosa necessidade . das dimensões e da situação dos bens culturais. tais como: a) Os projetos de expansão ou de renovação urbana. arqueológicos e históricos reconhecidos e protegidos por lei. As medidas a serem adotadas deveriam variar em função da natureza. b) O salvamento ou o resgate dos bens culturais situados em local que deva ser transformado pela execução de obras públicas ou privadas.A expressão bens culturais engloba não só os sítios e monumentos arquitetônicos. As medidas destinadas a preservar ou a salvar os bens culturais deveriam ter caráter preventivo e corretivo. h) Os trabalhos exigidos pelo desenvolvimento da indústria e pelos progressos técnicos das sociedades industrializadas. o que constitui um perigo especialmente grave para os sítios. Os Estados Membros deveriam dar a devida prioridade às medidas necessárias para garantir a conservação in situ dos bens culturais ameaçados por obras públicas ou privadas e manterlhes. seria preciso criá-los. g) Os trabalhos agrícolas. mas também os vestígios do passado não reconhecidos nem protegidos. c) Modificações ou reparos inoportunos de edificações históricas isoladas. desmatamento e nivelamento de terras e reflorestamento. a exploração de minas e de pedreiras e a dragagem e recuperação de canais e de portos. destruir as vinculações e o quadro que envolve os monumentos nos bairros históricos. como a aradura profunda da terra. produção de energia hidroelétrica. b) Obras similares em locais onde conjuntos tradicionais de valor cultural possam correr perigo de destruição por não se constituírem em monumentos protegidos por lei. ainda que respeitem monumentos protegidos por lei mas possam vir a modificar estruturas de menor importância e. e) A construção de barragens para irrigação. As medidas preventivas e corretivas deveriam ter por finalidade assegurar a proteção ou o salvamento dos bens culturais ameaçados por obras públicas ou privadas. protegidos por lei ou não. de um monumento ou de outros tipos de bens culturais imóveis contra os efeitos das obras públicas e privadas. assim. as operações de ressecação e de irrigação. assim como os sítios e monumentos recentes de importância artística ou histórica. No caso de não existirem esses inventários. ou controle de inundações. d) A construção ou alteração de vias de grande circulação. no todo ou em parte. a continuidade e significação histórica. monumentos ou conjuntos de monumentos de importância histórica.Princípios gerais As medidas de preservação dos bens culturais deveriam se estender à totalidade do território do Estado e não se limitar a determinados monumentos e sítios.

de acordo com as normas e princípios definidos nesta recomendação. o abandono ou a destruição de bens culturais. d) Métodos de preservação e salvamento dos bens culturais. os trabalhos de salvamento deveriam sempre compreender um estudo minucioso desses bens e o registro completo dos dados de interesse. assim como a desigualdade dos recursos. ou . III . tanto em escala nacional quanto regional. c) Medidas administrativas. tenham sido abandonados ou destruídos. em grande parte ou na totalidade. inclusive os museus dos sítios ou das universidades. g) Recompensas. cabendo à legislação e à organização de cada Estado precisar as medidas: a) Legislação.econômica ou social impuser o traslado. uma legislação que assegure a preservação ou o salvamento dos bens culturais ameaçados pela realização de obras públicas ou privadas. postos à disposição dos futuros pesquisadores os resultados dos estudos de interesse científico e histórico empreendidos em relação aos trabalhos de salvamento de bens culturais. Os bens culturais móveis de grande interesse. deveriam ser preservados para estudos ou expostos em museus. e) Sanções. e especialmente os espécimes representativos de objetos procedentes de escavações arqueológicas ou encontrados durante trabalhos de salvamentos. Ainda que a diversidade dos sistemas jurídicos e das tradições. deveriam ser levadas em consideração as seguintes possibilidades: a) As autoridades nacionais ou regionais encarregadas da salvaguarda dos bens culturais deveriam dispor de um orçamento suficiente para poderem assegurar a preservação ou o salvamento dos bens culturais ameaçados por obras públicas ou privadas. h) Assessoramento. Deveriam ser publicados ou. b) Financiamento. não permitam a adoção de medidas uniformes. históricas ou artísticas. f) Reparações. Financiamento Os Estados membros deveriam prever o estabelecimento de créditos necessários para as operações de preservação de salvamento dos bens culturais ameaçados pela realização de obras públicas ou privadas. de algum outro modo. i) Programas educacionais. As edificações e outros monumentos culturais importantes que tenham sido trasladados para evitar sua destruição por obras públicas ou privadas deveriam ser reinstalados em um sítio ou ambiente semelhante ao de sua implantação primitiva e ao de suas vinculações naturais. Legislação Os Estados membros deveriam promulgar ou manter em vigor.Medidas de preservação e salvamento A preservação ou o salvamento dos bens culturais ameaçados por obras públicas ou privadas deveria ser assegurada pelos meios abaixo relacionados. especialmente quando os bens culturais imóveis.

empréstimos ou outras medidas. Medidas Administrativas A responsabilidade pela preservação e pelo salvamento dos bens culturais ameaçados por obras públicas ou privadas deveria competir a organismos oficiais apropriados. ou c) Deveria ser possível combinar os dois métodos mencionados nas alíneas a e b acima. órgãos ou serviços especiais deveriam ser encarregados da preservação dos bens culturais ameaçados por obras públicas ou privadas. das empresas de obras públicas ou privadas. as autoridades locais. a garantirem a manutenção ou a adequada adaptação dessas edificações ou conjuntos a funções que respondam às necessidades da sociedade contemporânea. Onde já funcionem órgãos ou serviços oficiais de proteção dos bens culturais deveria competir-lhes a proteção dos bens culturais ameaçados por obras públicas ou privadas. cada vez que entrarem em conflito as necessidades da execução . ou c) Deveria ser possível combinar os dois métodos mencionados nas alíneas a e b acima. mediante subvenções. a preservarem o caráter e a beleza dos bens culturais de que dispõem e que possam vir a sofrer danos em consequência de obras públicas ou privadas. as instituições e os proprietários privados de edificações que tenham um interesse artístico. de um orçamento destinado a ajudar. arquitetônico. ou por qualquer outro meio apropriado. de áreas urbanas ou rurais. em especial.b) As despesas referentes à preservação ou ao salvamento dos bens culturais ameaçados pela realização de obras públicas ou privadas. Os Estados membros deveriam encorajar os proprietários de edificações que tenham importância artística ou histórica. deveriam levar em conta. embora a diversidade dos dispositivos constitucionais e da tradição dos Estados Membros impeça a adoção de um sistema uniforme. o proprietário deveria ter a oportunidade de requisitar a ajuda necessária das autoridades competentes. mediante a concessão de subvenções especiais ou a criação de um fundo nacional para a salvaguarda dos monumentos. assim como os proprietários privados. para fixar o montante dos fundos destinados à conservação dos bens culturais ameaçados por obras públicas ou privadas. Se a magnitude ou a complexidade dos trabalhos necessários tornarem o montante das despesas excepcionalmente elevado. científico ou histórico. assim como os habitantes de bairros históricos. inclusive os conjuntos tradicionais. do planejamento urbano e das instituições de pesquisa e educação deveria estar habilitado a prestar assessoria em matéria de preservação dos bens culturais ameaçados por obras públicas ou privadas. e. alguns princípios comuns deveriam ser adotados: a) Um órgão consultivo ou de coordenação composto de representantes das autoridades encarregadas da salvaguarda dos bens culturais. As autoridades nacionais ou locais. através das medidas que se seguem: a) Diminuição de impostos. ou b) Estabelecimento. inclusive as que façam parte de um conjunto tradicional. deveriam constar do orçamento dessas obras. inclusive as investigações arqueológicas preliminares. Se não houver tais serviços. Se os bens culturais não são protegidos por lei ou de outro modo. deveria ser possível obter créditos suplementares através de legislação competente. o valor intrínseco de tais bens e a contribuição que podem proporcionar à economia como pólos de atração turística. através de uma legislação adequada. Os serviços responsáveis pela salvaguarda dos bens culturais deveriam estar habilitados a administrar ou utilizar os créditos extra-orçamentários necessários para a preservação ou para o salvamento dos bens culturais ameaçados pela realização de obras públicas ou privadas.

em escala regional ou local. historiadores. Nas regiões importantes do ponto de vista arqueológico ou cultural. sítios e monumentos de interesse. ou no qual seja provável encontrar objetos de valor arqueológico ou histórico. sem isso. b) As autoridades locais (estaduais. Deveria ser assegurada a salvaguarda dos sítios arqueológicos importantes. os trabalhos de construção deveriam ser retardados para permitir a adoção de medidas indispensáveis a assegurar a preservação ou o salvamento dos bens culturais. inspetores e outros especialistas e técnicos. sobretudo os sítios pré-históricos que estão particularmente ameaçados por serem difíceis de reconhecer. dos vestígios etnológicos de civilizações anteriores e de outros bens culturais imóveis que. dos bairros históricos dos centros urbanos ou rurais. Se necessário. d) Deveriam ser tomados medidas administrativas para coordenar as atividades dos diversos serviços responsáveis pela salvaguarda dos bens culturais e as de outros serviços encarregados de obras públicas ou privadas e as dos demais serviços cujas funções tenham relação com o problema de preservar ou salvar os bens culturais ameaçados por obras públicas ou privadas. Esses serviços deveriam dispor da possibilidade de obter ajuda dos serviços nacionais. dos conjuntos tradicionais. tanto do ponto de vista econômico quanto no que diz respeito à preservação e ao salvamento dos bens culturais. deveriam ser realizados aprofundados estudos para determinar: a) As medidas a serem tomadas para assegurar a proteção in situ dos bens culturais importantes. de acordo com suas atribuições e necessidades. A escolha entre essas variantes deveria basear-se em uma análise comparativa de todos os elementos com o objetivo de adotar a solução mais vantajosa. c) Os serviços de salvaguarda dos bens culturais deveriam contar com pessoal qualificado. tais como a escolha dos sítios arqueológicos a serem escavados. antes que uma decisão fosse tomada. conviria. os edifícios a serem trasladados e os bens culturais móveis cujo salvamento seja necessário garantir. Métodos de preservação e salvamento dos bens culturais Com a devida antecedência à realização de obras públicas ou privadas que ameacem os bens culturais. Por ocasião dos estudos preliminares sobre projetos de construção em um local de reconhecido interesse cultural. e) Deveriam ser adotadas medidas administrativas para designar uma autoridade ou uma comissão encarregada dos programas de desenvolvimento urbano em todas as comunidades que possuam bairros históricos.de obras públicas ou privadas e os trabalhos de preservação e salvamento dos bens culturais. especialistas competentes em matéria de preservação dos bens culturais ameaçados por obras públicas ou privadas: arquitetos. b) A extensão dos trabalhos de salvamento necessários. que se elaborassem diversas variantes desses projetos. que seja preciso proteger contra a ameaça de obras públicas ou privadas. seriam . municipais ou outras) deveriam também dispor de serviços encarregados da preservação e do salvamento dos bens culturais ameaçados por obras públicas ou privadas. arqueólogos. protegidos ou não pela lei. sítios e bairros históricos. urbanistas. qualquer nova construção deveria ser obrigatoriamente precedida de escavações arqueológicas de caráter preliminar. tais como cidades. As medidas destinadas a preservar ou a salvar os bens culturais deveriam ser tomadas com suficiente antecipação ao início de obras públicas ou privadas. aldeias. que deveriam estar protegidos pela legislação de cada país. ou de outros órgãos apropriados.

b) Os bairros históricos dos centros urbanos ou rurais e os conjuntos tradicionais deveriam estar registrados como zonas protegidas e uma regulamentação adequada para preservar o entorno e seu caráter deveria ser adotada. através de medidas que estabeleçam a proteção legal ou a criação de zonas protegidas: a) As reservas arqueológicas deveriam ser objeto de medidas de zoneamento ou de proteção legal e. b) Em caso de achado arqueológico fortuito. Deveriam ser permitidas modificações na regulamentação ordinária relativa às novas construções. Reparações . determinar e decidir em que medida poderiam ser reformados os edifícios de importância histórica ou artística e a natureza e o estilo das novas construções. Os Estados Membros deveriam impor a qualquer pessoa que encontre vestígios arqueológicos durante a realização de obras públicas ou privadas a obrigação de comunicar seu achado o mais rápido possível ao serviço competente. para que seja possível efetuar escavações profundas ou preservar os vestígios descobertos. de bens móveis. Poder-se-iam adotar. que deveriam prever penas de multa ou de prisão. confisco sem indenização. A preservação dos monumentos deveria ser uma condição essencial em qualquer plano de urbanização. Sanções Os Estados Membros deveriam adotar as medidas necessárias para que as infrações cometidas intencionalmente ou por negligência em relação à preservação ou ao salvamento de bens culturais ameaçados por obras públicas ou privadas sejam severamente punidas por seus códigos penais. previstas indenizações ou compensações adequadas pelo atraso ocasionado. deveriam ser suspensas as obras de construção para permitir as escavações completas. que tenham sido ocultados.ameaçados por obras públicas ou privadas. pagamento de indenização por perdas e danos ao Estado quando hajam sido deteriorados. se o sítio se revelasse importante. por exemplo. Caso necessário. além disso. que permitisse. mas as empresas comerciais poderiam ser autorizadas a indicar sua presença por meio de uma sinalização corretamente apresentada. essas aquisições poderiam ser feitas através de expropriação. eventualmente. ou ambas. especialmente quando se tratar de cidades ou bairros históricos. Esse serviço submeteria a descoberta a um detido exame e. de aquisição imobiliária. mal conservados ou abandonados bens culturais imóveis. restauração do sítio ou do monumento às expensas dos responsáveis pelos danos causados. destruídos. que poderia ser suspensa quando se tratar de edificações a serem erigidas em uma zona de interesse histórico. as seguintes medidas: a) Quando for possível. Os arredores e o entorno de um monumento ou de um sítio protegido por lei deveriam também ser objeto de disposições análogas para que seja preservado o conjunto de que fazem parte e seu caráter. Os Estados Membros deveriam adotar disposições que permitam às autoridades nacionais ou locais ou aos órgãos competentes adquirir os bens culturais importantes que corram perigo em conseqüência de obras públicas ou privadas. Deveria ser proibida a publicidade comercial através de cartazes ou anúncios luminosos.

Recompensas Os Estados Membros deveriam encorajar os particulares. as medidas necessárias para assegurar a reparação. . artigos na imprensa e programas de rádio e de televisão deveriam divulgar a natureza dos perigos que obras públicas ou privadas mal concebidas podem ocasionar aos bens culturais. Estabelecimentos de ensino. b) Outorgar certificados. associações históricas e culturais. a restauração ou a reconstrução dos bens culturais deteriorados por obras públicas ou privadas. órgãos públicos que se ocupam do desenvolvimento do turismo e associações de educação popular deveriam desenvolver programas destinador a tornar conhecidos os perigos que as obras públicas ou privadas realizadas sem a devida preparação podem ocasionar aos bens culturais e a enfatizar que as atividades destinadas a preservar os bens culturais contribuem para a compreensão internacional. Para isso. as associações e as municipalidades a participar dos programas de preservação ou de salvamento dos bens culturais ameaçados por obras públicas ou privadas. quando a natureza do bem o permitir. em associações.inclusive as que desempenhem funções nos órgãos de governo. Assessoramento Os Estados Membros deveriam proporcionar aos particulares. instituições educativas ou outras organizações interessadas deveriam preparar exposições especiais para ilustrar os perigos que as obras públicas ou privadas não controladas representam para os bens culturais e as medidas que tenham sido adotadas para garantir a preservação ou o salvamento dos bens culturais ameaçados por essas obras. assessoramento técnico ou supervisão que lhes permitam assegurar a manutenção de normas adequadas em relação à preservação ou ao salvamento de bens culturais ameaçados por obras públicas ou privadas. Publicações especializadas. com o objetivo de assegurar a preservação ou o salvamento dos bens culturais ameaçados por obras públicas ou privadas. a associações ou a prefeituras que não dispõem de experiência ou de pessoal necessário. em instituições ou nas municipalidades . a título de gratificação. Programas Educativos Em espírito de colaboração internacional. às pessoas que notificarem achados arqueológicos ou entregarem os objetos descobertos. medalhas ou outras formas de reconhecimento às pessoas . sendo-lhes concedida assistência técnica ou financeira. entre outras. assim como exemplos de casos em que bens culturais hajam sido eficazmente preservados ou salvos. os Estados Membros deveriam empenhar-se em estimular e fomentar entre seus nacionais o interesse e o respeito pelo seu próprio patrimônio cultural e pelo de outros povos. se necessário.Os Estados membros deveriam adotar. Museus. poder-se-iam adotar as seguintes medidas: a) Efetuar pagamentos. Deveriam prever também a possibilidade de obrigar as autoridades locais e os proprietários particulares de bem culturais importantes a procederem às reparações ou às restaurações.que tenham prestado eminente colaboração aos programas de preservação e salvamento de bens culturais ameaçados por obras públicas ou privadas.

na exposição por sua excelência feita ao abrir-se a reunião. órgãos estaduais e municipais adequados. os Secretários de Estado e demais representantes dos governadores que. No plano da proteção da natureza. 23 do Decreto-Lei 25. resumida no relatório apresentado pelo diretor do órgão superior. bem assim. que os Estados e Municípios secundem o esforço pelo mesmo instituto empreendido para a implantação territorial definida dos parques nacionais. Prefeitos de Municípios Interessados. a quem incumbe executá-la. colaborará a DPHAN com os Estados e Municípios que ainda não tiverem legislação específica. atendido o que dispõe o art. serão criados onde ainda não houver. nos níveis superiores. articulados devidamente com os Conselhos Estaduais de Cultura e com a DPHAN. Impõe-se complementar os recursos orçamentários normais com o apelo a novas fontes de receita de valor real. para o estudo da complementação das medidas necessárias à defesa do patrimônio histórico e artístico nacional. Secretários Estaduais da Área Cultural. solidários integralmente com a orientação traçada pelo Ministro Jarbas Passarinho. os prefeitos de municípios interessados. Presidentes e Representantes de Instituições Culturais Os Governadores de Estado presentes ao encontro promovido pelo Ministério da Educação e Cultura. Reconhecem a inadiável necessidade de ação supletiva dos Estados e dos Municípios à atuação federal no que se refere à proteção dos bens culturais de valor nacional. à cultura tradicional e à natureza. em união de propósito. de 1937. De acordo com a disposição legal acima citada. conservadores de pintura. em articulação com o Instituto Brasileiro de Desenvolvimento Florestal e. e manifestando todo o apoio à política de proteção aos monumentos. Para remediar a carência de mão-de-obra especializada. para fins de uniformidade da legislação em vista. Para a obtenção dos resultados em vista. com a orientação técnica da DPHAN. a Diretoria do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (DPHAN). médio e artesanal. orientados pelo DPHAN e pelo Arquivo Nacional os cursos de nível superior.Compromisso de Brasília de abril de 1970 1º Encontro dos Governadores de Estado. os presidente e representantes de instituições culturais igualmente convocadas. escultura e documentos. arquivologistas e museólogos de diferentes especialidades. para o mesmo efeito. através de unânime aprovação. do Conselho Federal de Cultura. Aos Estados e Municípios também compete. fornecendo-lhes as diretrizes tendentes à desejada uniformidade. é indispensável criar cursos visando à formação de arquitetos restauradores. recomenda-se a criação de serviços estaduais. decidiram consolidar. a proteção dos bens culturais de valor regional. e nas recomendações que nele se contêm. as resoluções adotadas no documento ora por todos subscrito e que se chamará Compromisso de Brasília. . os credenciaram.

Sendo o culto ao passado elemento básico da formação da consciência nacional. de nível primário. outrossim. matérias que versem o conhecimento e a preservação do acervo histórico e artístico. mas também os Estados e municípios se dispõem a manter os demais cursos. das jazidas arqueológicas e préhistóricas. Recomenda-se a defesa do acervo arquivístico. a introdução. atendidas as peculiaridades regionais. a de Estudos Brasileiros. municipais. em cursos especiais para professores do ensino fundamental e médio. tais como a imprensa escrita e falada. necessidade premente do entrosamento com a hierarquia eclesiástica e superiores de ordens religiosas e confrarias. sejam precedidas . Há. através da disciplina de Educação Moral e Cívica. noções que estimulem a atenção para os monumentos representativos da tradição nacional. se lhes propicie a conveniente informação sobre tais problemas. o cinema.Não só a União. a televisão. instrumentação e valorização desse patrimônio. devidamente estruturados. ou tendo por fim preservá-los convenientemente. de modo a ser evitada a destruição de documentos. de disciplina de História da Arte no Brasil. parte destes consagrados aos bens culturais ligados à tradição nacional. tendo em vista a educação cívica e o respeito da tradição. estaduais. utilizando-se. no currículo das escolas de Arte. das riquezas naturais. que documentem a formação histórica. para que todas as obras que se venham a efetuar em imóveis de valor histórico ou artístico de sua posse. no nível médio. e nos cursos não especializados. e também que. Com o mesmo objetivo. os vários meios de comunicação de massas. sugerindo-se oportuna legislação que subordine as concessões nessas áreas à audiência prévia dos órgãos incumbidos da defesa dos bens históricos e artísticos. adotado o seguinte critério: no nível elementar. Caberá às universidades o entrosamente com bibliotecas e arquivos públicos nacionais. para este fim. Recomenda-se a preservação do patrimônio paisagístico e arqueológico dos terrenos de Marinha. no nível superior (a exemplo do que já existe no curos de Arquitetura com a disciplina de Arquitetura no Brasil. para cujo efeito será apreciável a colaboração do Arquivo Nacional com as congêneres repartições estaduais e municipais. de maneira a habilitá-los a transmitir às novas gerações a consciência e interesse do ambiente histórico-cultural. segundo a orientação geral da DPHAN. bem assim os arquivos eclesiásticos e de instituições de alta cultura. Recomenda-se a conservação do acervo bibliográfico. médio e superior. Caberá às secretarias competentes dos Estados a promoção e divulgação do acervo dos bens culturais da respectiva área. Recomenda-se a instituição de museus regionais. guarda ou serventia. observadas as normas técnicas oferecidas pelos órgãos federais especializados na defesa. é de desejar que nos Estados seja confiada a especialistas a elaboração de monografias acerca dos aspectos sócio-econômicos regionais e valores compreendidos no respectivo patrimônio histórico e artístico. e da cultura popular. deverão ser incluídas nos currículos escolares. no sentido de incentivar a pesquisa quanto à melhor elucidação do passado e à avaliação de inventários dos bens regionais cuja defesa se propugna.

Recomenda-se utilização preferencial para casas de cultura ou repartições de atividades culturais. do Patrimônio Histórico Nacional. Que a mesma cautela prevista no item anterior seja tomada junto às autoridades militares. Artur Cesar Ferreira Reis. assinam este compromisso. para o efeito de as encaminhar oportunamente à autoridade competente. sensível à conveniência da criação do Ministério da Cultura. Presidente do Instituto Histórico Brasileiro. prof. no Rio Grande do Sul. convocada. Anexo: O problema da recuperação e restauração de monumentos. ou das ruínas desta igreja de São Miguel. tendo em vista a crescente complexidade e o vulto das atividades culturais no país. e consideram chegada esta oportunidade. é extremamente complexo. trate-se de uma casa seiscentista como estas de São Paulo. considerando os superiores interesses da cultura nacional. Urge legislação defensiva dos antigos cemitérios e especialmente dos túmulos históricos e artísticos e monumentos funerários. representante da Universidade Federal de Santa Catarina e da comissão especial que estuda a organização do Conselho de Defesa do Patrimônio Histórico do Estado nomeada pelo Governador Ivo Silveira. no sentido de efetivar-se o controle do comércio de obras de arte antiga. para a sua conveniente preservação. Pelo Estado de Santa Catarina assinaram o documento os professores Jaldir Bhering Faustino da Silva. Governadores de Estado presentes à reunião por s. Diretores dos Conselhos Estaduais de Defesa do Patrimônio Histórico. Pedro Calmon. Recomenda-se aos poderes públicos estaduais e municipais colaboração com a DPHAN. . exa. Carlos Humberto Pederneiras Corrªe. da Educação e Cultura. Os participantes do Encontro ouviram com muito agrado a manifestação do Ministro de Estado. Diretores dos Departamentos de Cultura. pelos Presidentes do Conselho Federal de Cultura.da audiência dos órgãos responsáveis pela proteção dos monumentos. Secretários de Estado. e Oswaldo Rodrigues Cabral. 3 de abril de 1970 O Compromisso foi assinado pelo Ministro Jarbas Passarinho. Renato Soeiro. prof. e delegados de outras entidades culturais do país representadas no conclave. prof. em relação aos antigos fortes. E por terem assim deliberado. conforme o seu caráter. dos imóveis de valor histórico e artístico cuja proteção incumbe ao poder público. O Conselho Federal de Cultura e os Conselhos Estaduais de Cultura opinarão sobre as demais propostas apresentadas à conferência. Secretário de Estado da Educação e Cultura. Brasília. nas diversas regiões do país. Diretor do Departamento de Cultura. instalações e equipamentos castrenses.

o estudo da documentação recolhida. Os Prefeitos de municípios interessados. além do tirocínio de obras e de familiaridade com os processos construtivos antigos. iniciativa e comando e. às municipalidades e à D. a manutenção e o destino do bem recuperado. porque depende de técnicos qualificados cuja formação é demorada e difícil. ainda. os credenciaram. a apropriação de verbas para esse fim.tem procedido ao restauro de monumentos .em todo o país. e manifestando apoio à política de proteção aos bens naturais e de valor cultural. a Diretoria do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional obra da vida de Rodrigo M. Arqueológico e Natural do Brasil Ministério da Educação e Cultura IPHAN . artístico. parques.e seremos. pois. naturais. em abril de 1970. acuidade investigadora. de Andrade . arquitetura . praias.H. para que assim participe diretamente da obra penosa e benemérita de preservar os últimos testemunhos desse passado que é a raiz do que somos . capacidade de organização. Os presidentes e representantes de instituições culturais igualmente convocadas. por fim. sensibilidade artística. mas no acervo de cada região há obras significativas e valiosas cuja preservação escapa à alçada federal. documentos e livros. conhecimentos históricos. o estudo preliminar na base de investigação histórica e das pesquisas in loco. Lucio Costa. a escolha de técnicos. é.Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional Os Governadores de Estado presentes ao encontro promovido pelo Ministério da Educação e Cultura. Artístico. pois requer.. desprendimento.A.N. bens móveis. como o inventário histórico-artístico do que exista na região. solidários integralmente com a orientação que vem sendo traçada pelo Ministro Jarbas Passarinho desde o I Encontro de Brasília.1970 Compromisso de Salvador de outubro de 1971 II Encontro de Governadores para Preservação do Patrimônio Histórico. política definida no Relatório apresentado . para o estudo da complementação das medidas necessárias à defesa do patrimônio histórico. para o mesmo efeito. pintura. principalmente paisagens. conjuntos urbanos. Os Secretários de Estado e demais representantes dos Governadores que. porque implica em providências igualmente demoradas. arqueológico e natural do país.Primeiro.F. o tombamento daquilo que deve ser preservado.talha.P. chegado o momento de cada Estado criar o seu próprio serviço de proteção vinculado à universidade local. a documentação e o registro das fases da obra e. finalmente. a eleição do que mereça restauro prioritário. Apesar da deficiência dos meios. Segundo. Em união de propósitos. acervos arqueológicos. monumentos arquitetônicos.

Recomenda-se a convocação do Banco Nacional de Habitação e dos demais órgãos financiadores de habitação. na reorganização do IPHAN. para fins de atendimento à proteção dos bens naturais e de valor cultural especialmente protegidos por lei. na proteção dos bens naturais e de valor cultural. Recomenda-se a criação de legislação complementar. o "Compromisso de Brasília". com acervos de importância comprovada. em todos os seus itens. a criação de fundos provenientes de dotações orçamentárias e doações. Recomenda-se a convocação dos órgãos responsáveis pelo planejamento do turismo. a partir de estudos inciais de qualquer natureza. e de Secretarias ou Fundações de Cultura no âmbito estadual. Recomenda-se que os órgãos responsáveis pela política de turismo estudem medidas que facilitem a implantação de pousadas. as percentagens do Fundo de Participação dos Estados e Municípios definidas pelo Tribunal de Contas da União. para atendimento do conceito de ambiência. ou outros incentivos fiscais. para o desenvolvimento da indústria do turismo. cujo alto significado reconhecem.pelo Diretor do IPHAN. do IBDF e dos órgãos estaduais e municipais da mesma área. Recomenda-se que também sejam considerados prioritários. as percentagens a que alude a recomendação anterior. aplaudem e apoiam. capazes de permitir o pleno atendimento de seus objetivos. Recomenda-se. Recomenda-se a convocação da FINEP e de órgãos congêneres. Recomenda-se que. com utilização preferencial de imóveis tombados. para colaborarem no custeio de todas as operações necessárias à realização de obras em edifícios tombados. Recomenda-se a criação de legislação complementar no sentido de proteção mais eficiente dos conjuntos paisagísticos. no sentido de que voltem suas atenções para os problemas. por meio de acordos e convênios. Recomenda-se que os planos diretores e urbanos. com especial atenção para planos que visem à preservação e valorização dos monumentos naturais e de valor cultural especialmente protegidos por lei. reconhecendo o imenso proveito para a cultura brasileira alcançado como conseqüência do referido Encontro de Brasília. arquitetônicos e urbanos de valor cultural e de suas ambiências. sejam lhe dadas condições especiais em recursos financeiros e humanos. no sentido de ampliar o conceito de visibilidade de bem tombado. os planos urbanos e regionais de áreas ricas em bens naturais e de valor cultural especialmente protegidos por lei. bibliotecas e arquivos. bem assim de certificado de autenticidade e propriedade obrigatórios para . uma ação conjunta entre a administração pública e as autoridades eclesiásticas. Recomenda-se a instituição de normas para inscrição compulsória dos bens móveis de valor cultural. Ratificam. nos âmbitos nacional e estadual. bem como os projetos de obras públicas e particulares que afetam áreas de interesse referentes aos bens naturais e aos de valor cultural especialmente protegidos por lei. para fins de restauração e valorização dos bens de valor cultural. utilização e divulgação dos bens naturais e de valor cultural especialmente protegidos por lei. que se chamará "Compromisso de Salvador": Recomenda-se a criação do Ministério da Cultura. Recomenda-se que os Estados e Municípios utilizem. contem com a orientação do IPHAN. Recomenda-se. Recomenda-se que se pleiteie do Tribunal de Contas da União sejam extensivas aos museus. para obtenção de financiamento. Na presente oportunidade encaminham à consideração dos responsáveis as seguintes proposições adotadas no documento ora assinado.

através do órgão específico federal. com o objetivo de proceder ao inventário sistemático dos bens móveis de valor cultural. no âmbito das universidades brasileiras. que permita aos diplomados a prestação de serviços nos museus do interior. inclusive dos arquivos notariais. exibições ou apresentações que visem a difundir e preservar as tradições folclóricas de seus respectivos Estados.a publicação pelas administrações estaduais e municipais de livros e documentos referentes à história da Independência brasileira. dando igualmente inteiro apoio à realização de festivais. . nas suas respectivas áreas. . em Pirajá. no Município de Campo Largo. para a formação do corpo de fiscais na área de comércio de bens móveis de valor cultural. por ocasião do transcurso do sesquicentenário da Independência do Brasil. onde não haja profissional de nível superior. sejam previstas maiores possibilidades de apoio e estímulo às manifestações de caráter popular e folclórico. Recomenda-se que os governos estaduais promovam. do acervo urbano de Lençóis . Recomenda-se aproveitamento remunerado de estudantes de arquitetura. Sugerem. . e elaboração do calendário das diferentes festas tradicionais e folclóricas.transferência ou fins comerciais. Bahia.Bahia. outrossim: .a criação do Parque Histórico da Independência da Bahia. Recomenda-se que. através dos seus órgãos específicos. para fins de atendimento da legislação específica. Paraná. Recomenda-se que seja complementada a legislação vigente. em sentido nacional. com a planificação.a inscrição como monumento de valor cultural. Recomenda-se que se pleiteie dos poderes competentes a necessidade de diploma legal que confira aos governos estaduais a responsabilidade da administração das cidades consideradas monumento nacional. do Departamento de Assuntos Culturais do MEC. . através de órgão competente. museologia e arte. Recomenda-se a adoção de convênios entre o IPHAN e as universidades. Recomenda-se que sejam criados. centros de estudo dedicados à investigação do acervo natural e de valor cultural em suas respectivas áreas de influência. Recomenda-se a convocação do Conselho Nacional de Pesquisas da CAPES para o financiamento de projetos de pesquisas e de formação de pessoal especializado. na organização do DAC. com vistas a disciplinar as pesquisas e trabalhos arqueológicos. com vistas ao estudo e à proteção dos acervos naturais e de valor cultural.a criação do Museu do Mate. Recomenda-se aos governos estaduais que incluam no ensino de 2º grau curso complementar de estudos brasileiros e museologia.

a presente Convenção. . Considerando que é indispensável. qualquer que seja o povo a que pertençam. velando pela preservação e proteção do patrimônio universal e recomendando aos povos interessados convenções internacionais para esse fim. Tendo em mente que a constituição da organização dispõe que esta última ajudará a conservação. devido à magnitude dos meios de que necessita e à insuficiência dos recursos econômicos. mediante a prestação de uma assistência coletiva que. de escultura ou de pintura monumentais. I . científicos e técnicos do país em cujo território se acha o bem a ser protegido. reunida em Paris de 17 de outubro a 21 de novembro de 1972. a Ciência e a Cultura. a salvaguarda desses bens incomparáveis e insubstituíveis. em sua décima-sétima sessão. Considerando que as convenções. que se agrava com fenômenos de alteração ou de destruição ainda mais temíveis.os monumentos: obras arquitetônicas. portanto.Para os fins da presente convenção serão considerados como patrimônio cultural: . cavernas e grupos de elementos que tenham um valor universal excepcional do ponto de vista da história. em virtude de sua arquitetura. para esse fim. inscrições. Considerando que a degradação ou o desaparecimento de um bem do patrimônio cultural e natural constitui um empobrecimento nefasto do patrimônio de todos os povos do mundo. neste dia dezesseis de novembro de mil novecentos e setenta e dois. da arte ou da ciência. organizado de modo permanente e segundo métodos científicos e modernos. a complete eficazmente. ante a amplitude e a gravidade dos perigos novos que os ameaçam.Convenção sobre a Proteção do Patrimônio Mundial. elementos ou estruturas de natureza arqueológica. adotar novas disposições convencionais que estabeleçam um sistema eficaz de proteção coletiva do patrimônio cultural e natural de valor universal excepcional. cabe a toda a coletividade internacional tomar parte na proteção do patrimônio cultural e natural de valor universal excepcional.Definições do Patrimônio Cultural e Natural Artigo 1o . e Após haver decidido. recomendações e resoluções internacionais existentes relativas aos bens culturais e naturais demonstram a importância que representa. não somente pelas causas tradicionais de degradação. . para todos os povos do mundo. o progresso e a difusão do saber. Considerando que. que esta questão seria objeto de uma convenção internacional. 16 de novembro de 1972.os conjuntos: grupos de construções isoladas ou reunidas que. Cutural e Natural Aprovada pela Conferência Geral da UNESCO em sua décima sétima reunião Paris. sem substituir a ação do Estado interessado. Considerando que a proteção desse patrimônio em escala nacional é freqüentemente incompleta. mas também pela evolução da vida social e econômica. Verificando que o patrimônio cultural e o patrimônio natural são cada vez mais ameaçados de destruição. Considerando que os bens do patrimônio cultural e natural apresentam um interesse excepcional e. Adota. devem ser preservados como elementos do patrimônio mundial da humanidade inteira. A Conferência Geral da Organização das Nações Unidas para a Educação. quando de sua sexta sessão.

valorizar e transmitir às futuras gerações o patrimônio cultural e natural mencionado nos artigos 1 e 2.os lugares notáveis naturais ou as zonas naturais estritamente delimitadas. que tenham valor universal excepcional do ponto de vista histórico. quando for o caso. utilizando ao máximo seus recursos disponíveis.Programas Educativos Artigo 27o 1 . Artigo 2o . mediante a assistência e cooperação internacional de que possa beneficiar-se. 2 . notadamente nos planos financeiro. Procurará tudo fazer para esse fim. e nas condições apropriadas a cada país: a) adotar uma política geral que vise a dar ao patrimônio cultural e natural uma função na vida da coletividade e a integrar a proteção desse patrimônio nos programas de planejamento geral.Os Estados partes na presente convenção procurarão por todos os meios apropriados. que tenham valor universal excepcional do ponto de vista estético ou científico.A fim de garantir a adoção de medidas eficazes para a proteção.as formações geológicas e fisiográficas e as áreas nitidamente delimitadas que constituam o habitat de espécies animais e vegetais ameaçadas e que tenham valor universal excepcional do ponto de vista estético ou científico. proteger. da arte ou da ciência. artístico.os lugares notáveis: obras do homem ou obras conjugadas do homem e da natureza. II . bem como as zonas.Proteção Nacional e Proteção Internacional do Patrimônio Cultural e Natural Artigo 4o . VI . conservar. que tenham valor universal excepcional do ponto de vista da ciência. etnológico ou antropológico.unidade ou integração na paisagem.Caberá a cada Estado parte na presente convenção identificar e delimitar os diferentes bens mencionados nos artigos 1 e 2 situados em seu território. tenham um valor universal excepcional do ponto de vista da história. . e.Para os fins da presente convenção serão considerados como patrimônio natural: . conservação e valorização do patrimônio cultural e natural situado em seu território. situado em seu território. Artigo 28o . especialmente por programas de educação e de informação.os monumentos naturais constituídos por formações físicas e biológicas ou por grupos de tais formações. os Estados partes na presente convenção procurarão. lhe incumbe primordialmente. na medida do possível. científico e técnico. da conservação ou da beleza natural. fortalecer a apreciação e o respeito de seu povos pelo patrimônio cultural e natural definido nos artigos 1 e 2 da convenção. Artigo 3o . .Cada um dos Estados partes na presente convenção reconhece que a obrigação de identificar.Os Estados partes na presente convenção que receberem assistência internacional em aplicação da convenção tomarão as medidas necessárias para tornar conhecidos a .Obrigar-se-ão a informar amplamente o público sobre as ameaças que pesem sobre esse patrimônio e sobre as atividades empreendidas em aplicação da presente convenção. inclusive lugares arqueológicos. estético. . Artigo 5o .

Cada uma das superintendências de instituições responsáveis pela conservação do patrimônio histórico. o Ministério da Instrução Pública da Itália divulgou o Documento sobre Restauração de 1972 (Carta do Restauro. aqui publicadas na íntegra. Artigo 2º . de 6 de abril de 1972. assim como das prospeções subterrâneas e subaquáticas a serem empreendidas. para que se atenham.importância dos bens que tenham sido objeto dessa assistência e o papel que ela houver desempenhado. Carta do Restauro de 6 de abril de 1972 Ministério de Instrução Pública Governo da Itália Circular n. as operações destinadas a assegurar a salvaguarda e a restauração dos vestígios antigos relacionados com as pesquisas subterrâneas e subaquáticas. histórico ou ambiental. Artigo 3º .Entende-se por salvaguarda qualquer medida de conservação que não implique a intervenção direta sobre a obra. entende-se por restauração qualquer intervenção destinada a manter em funcionamento.Ficam submetidas à disciplina das presentes instruções. que será aprovado pelo Ministério da Instrução Pública. Artigo 4º . pertencentes a qualquer pessoa ou instituição. para assegurar sua salvaguarda e restauração. inclusive fragmentados. em todas as intervenções de restauração em qualquer obra de arte. e desde o período paleolítico até as expressões figurativas das culturas populares e da arte contemporânea. Artigo 1º . 1972) entre os diretores e chefes de institutos autônomos. artístico e cultural elaborará um programa anual e especificado dos trabalhos de salvaguarda e restauração. seja por conta do Estado ou de outras instituições ou pessoas. às normas por ela estabelecidas e às instruções anexas. na acepção mais ampla. que compreende desde os monumentos arquitetônicos até as de pintura e escultura. os jardins e parques considerados de especial importância. particularmente os centros históricos.º 117 Através da circular número 117. os conjuntos de edifícios de interesse monumental. a facilitar a leitura e a transmitir integralmente ao futuro as obras e os objetos definidos nos artigos precedentes. além das obras incluídas nos artigos 1 e 2. que adotam o nome de Carta do Restauro 1972. para efeito de sua salvaguarda e restauração.Além das obras mencionadas no artigo precedente. .Todas as obras de arte de qualquer época. as coleções artísticas e as decorações conservadas em sua disposição tradicional. são objeto das presentes instruções. escrupulosa e obrigatoriamente. ficam assimiladas a essas. mediante parecer favorável do Conselho Geral de Antigüidades e Belas Artes. Artigo 5º .

ainda quando existirem documentos gráficos ou plásticos que possam indicar como tenha sido ou deva resultar o aspecto da obra acabada. desde que. facilmente distinguível ao olhar. assentamento de obras parcialmente perdidas reconstruindo as lacunas de pouca identidade com técnica claramente distinguível ao olhar ou com zonas neutras aplicadas em nível diferente do das partes originais. nos casos de emergência ou dúvida previstos na lei. ou de aditamentos de estilo que a falsifiquem. particularmente nos pontos de enlace com as partes antigas e. respeitados a pátina e eventuais vernizes antigos. 4 . etc. 3 . ou depois de sua apresentação.nova ambientação ou instalação da obra. para todas as outras categorias de obras.aditamentos de estilo ou analógicos. Esse informe será igualmente aprovado pelo Ministério de Instrução Pública com parecer prévio do Conselho Superior de Antigüidades e Belas Artes. executadas. se for o caso.De acordo com as finalidades a que. devem corresponder as operações de salvaguarda e restauração. 3 . o conjunto monumental ou ambiental.Em relação às mesmas finalidades a que se refere o artigo 6º e indistintamente para todas as obras a que se referem os artigos 1º.remoção.anastilose documentada com segurança. ou deixando à vista o suporte original e. o jardim. a menos que isso seja determinado por razões superiores de conservação. além disso. inclusive em forma simplificada. 2º e 3º. a menos que se trate de alterações limitadas que debilitem ou alterem os valores históricos da obra. . 4 . nunca deverá chegar à superfície nua da matéria de que são constituídas as obras. que jamais deverá alcançar o estrato da cor. seu estado atual.alteração das condições de acesso ou ambientais em que chegou até os nossos dias a obra de arte.modificações ou inserções de caráter sustentante e de conservação da estrutura interna ou no substrato ou suporte. além do detalhamento sobre a conservação da obra. admitem-se as seguintes operações ou reintegrações: 1 .No âmbito do programa. 2º e 3º: 1 . Artigo 7º . uma vez realizada a operação. segundo o artigo 4º.aditamentos de partes acessórias de função sustentante e reintegrações de pequenas partes verificadas historicamente. 5 . o conjunto decorativo. o parque. especialmente.. ou quando as condições de conservação exigirem sua transferência. com marcas e datas onde for possível. reconstrução ou traslado para locais diferentes dos originais. 2 .alteração ou eliminação das pátinas. ou com adoção de material diferenciado. com clara determinação do contorno das reintegrações. embora harmônico.remoções ou demolições que apaguem a trajetória da obra através do tempo. proíbem-se indistintamente para todas as obras de arte a que se referem os artigos 1º. 2 . recomposição de obras que se tiverem fragmentado. na aparência da obra vista da superfície não resulte alteração nem cromática nem de matéria. Artigo 6º . 5 . a natureza das intervenções consideradas necessárias e as despesas necessárias para lhes fazer frente. jamais reintegrando ex novo zonas figurativas ou inserindo elementos determinantes da figuração da obra.limpeza de pinturas e esculturas. qualquer intervenção nas obras referidas no artigo 1º deverá ser ilustrada e justificada por um parecer técnico em que constarão. quando já não existirem ou houverem sido destruídas a ambientação ou instalação tradicionais.

a definir as investigações que se devam prover com equipamentos e com especialistas alheios ao equipamento e à planilha de que dispõe. Anexo A Instruções para a salvaguarda e a restauração dos objetos arqueológicos Além das regras gerais contidas nos artigos da Carta do Restauro. 2º e 3º não deverão alterar sensivelmente o aspecto da matéria e a cor das superfícies. ou em que surgirem conflitos a respeito do assunto. a partir dos pareceres dos superintendentes ou chefes de instituições interessados. decidirá o ministro. deve ser realizada de tal modo e com tais técnicas e materiais que fique assegurado que. Artigo 11º . da microbiologia e de outras ciências. não ficará inviabilizada outra eventual intervenção para salvaguarda ou restauração. sempre que possível. contudo. para os efeitos do disposto no artigo 4º. ouvido o Conselho Superior de Antigüidades e Belas Artes. as partes eliminadas deverão. esculturais. No caso das limpezas. c e d das presentes instruções. Artigo 10º . estão especificados nos anexos a. Artigo 12º . a sugerir novos métodos e ao uso de novos materiais. térmicas ou higrométricas as obras a que se referem os artigos 1º. até mesmo. deverá ser autorizada pelo Ministro da Instrução Pública. ainda. todas as eventuais investigações e análises realizadas com o auxílio da física. da química. deverá ser deixado um testemunho do estado anterior à operação.Nos casos em que houver dúvida sobre a atribuição das competências técnicas.Artigo 8º . ter presentes exigências particulares relativas à salvaguarda do subsolo . Além disso. a quem também competirá atuar ante o mesmo ministério no que disser respeito a desaconselhar materiais ou métodos antiquados. enquanto que no caso das adições.Os métodos específicos utilizados como procedimento de restauração especialmente para monumentos arquitetônicos. pictóricos. Se. é necessário. para a realização de escavações. de acordo com parecer justificado do Instituto Central de Restauração. qualquer intervenção deve ser previamente estudada e justificada por escrito (último parágrafo do artigo 5º) e deverá ser organizado um diário de seu desenvolvimento. a que se anexará a documentação fotográfica de antes. nocivos ou não comprovados.As medidas destinadas a preservar dos agentes contaminadores ou das variações atmosféricas. forem indispensáveis modificações de tal gênero com vistas ao fim superior de sua conservação. durante e depois da intervenção. nem exigir modificações substanciais e permanentes do ambiente em que as obras tiverem sido transmitidas historicamente.Qualquer intervenção na obra ou em seu entorno.A utilização de novos procedimentos de restauração e de novos materiais em relação aos procedimentos e matérias de uso vigente ou de algum modo aceitos. ser conservadas ou documentadas em um arquivodepósito especial das superintendências competentes. Artigo 9º . Serão documentadas. no campo da arqueologia. no futuro. De toda essa documentação haverá cópia no arquivo da superintendência competente e outra cópia será enviada ao Instituto Central de Restauração. b. para os conjuntos históricos e. se possível em lugar próximo à zona interventora. essas modificações deverão ser realizadas de modo que evitem qualquer dúvida sobre a época em que foram empreendidas e da maneira mais discreta possível.

todos os tratamentos específicos requeridos. ou de pintura. com conhecimento preciso da atmosfera e da temperatura. à criação de reservas e parques arqueológicos. será sempre necessário efetuar um cuidadoso reconhecimento do terreno para recopilar todos os possíveis dados localizáveis na superfície. antes e durante o seu traslado. especialmente no corpo do utensílio. ou mosaico ou de opus sectile. Para a salvaguarda do patrimônio arqueológico submarino. Durante as explorações arqueológicas terrestres.arqueológico e à conservação e restauração dos achados durante as prospeções terrestres e subaquáticas relacionadas no artigo 3º. com o objetivo de chegar à consecução de uma forma maris com indicação de todos os restos e monumentos submersos. No caso de serem encontrados elementos desprendidos de uma decoração de estuque. de ruínas submersas e de esculturas fundidas. vinculadas às leis e disposições que afetam as escavações subaquáticas e que se destinam a impedir a violação indiscriminada e irresponsável dos restos de navios antigos e de seu carregamento. sobretudo nos últimos decênios. à aplicação de vínculos especiais. com ataduras e adesivos adequados. O problema de maior importância da salvaguarda do subsolo arqueológico está necessariamente ligado à série de disposições e leis referentes à expropriação. eletromagnéticas. os materiais cerâmicos esparsos.deverão ser consideradas as especiais exigências de conservação e de restauração dos objetos de acordo com sua categoria e sua matéria. Na recuperação de vidros. dever-se-á dedicar especial atenção ao exame e fixação de possíveis inscrições pintadas. da natureza e dos limites das relações. tomar-se-ão todas as precauções que permitam a identificação de eventuais vestígios ou restos de seu conteúdo. que constituem dados preciosos para a história do comércio e da vida na antigüidade. seja para efeito de sua tutela ou para o da programação das pesquisas científicas subaquáticas. Os sistemas de extração e recuperação de embarcações submersas deverão ser estudados caso a caso. Concomitantemente às diferentes medidas a serem tomadas nos diversos casos. A recuperação dos restos de uma embarcação antiga não deverá ser iniciada antes que hajam sido dispostos os sítios e o necessário acondicionamento especial. levando-se também em conta as experiências adquiridas internacionalmente nesse campo. Entre essas condições concretas do resgate . impõem-se medidas muito precisas. em função do estado concreto dos restos. especialmente se são susceptíveis de uma deterioração mais fácil. de modo que o conhecimento o mais completo possível da natureza arqueológica do terreno permita diretrizes mais precisas para a aplicação das normas de salvaguarda. é aconselhável não proceder a limpeza alguma . banhos em peculiares substâncias consolidantes. do terreno. com recorrência também à ajuda da fotografia e das prospeções elétricas. de modo que seja facilitado sua recomposição e restauração no laboratório. a documentação de elementos que houverem eventualmente aflorado. que permita o resguardo dos materiais recuperados do fundo do mar. principalmente pelas partes lenhosas com grandes e prolongadas lavações.assim como nas habituais prospeções arqueológicas terrestres . que começam pela exploração sistemática das costas italianas por pessoal especializado. por exemplo. é necessário. no que concerne à restauração devem se observar as precauções que durante as operações de escavação garantirem a conservação imediata dos descobrimentos. para o estabelecimento de planos reguladores e para a vigilância. mantê-los unidos com encolados de gesso. já que as normas de recuperação e documentação abordam mais especificamente o esquema das normas relativas à metodologia das escavações. e a ulterior possibilidade de salvaguarda e de restauração definitivas. com os materiais cerâmicos e com os utensílios. além disso. etc. no caso de execução de trabalhos agrícolas ou de urbanização.

Para os efeitos da aplicação destas instruções é preciso que. principalmente se estão oxidados. nesses casos. tumbas. que permitem a recolocação das pinturas nos espaços convenientemente cobertos de um edifício antigo. depois de sua retirada que. em tal caso. com ampla e brilhante experiência. particularmente as pinturas e mosaicos. vernizes e inscrições. em troca. pois sempre são susceptíveis de alteração. Para a restauração dos monumentos arqueológicos. Requerem especiais exigências de proteção diante dos perigos advindos da alteração climática. é necessário manter constantes dois fatores essenciais para a melhor conservação das pinturas: o grau de umidade ambiental e a temperatura ambiente. a iluminação excessiva. mas também a eventuais suportes adequados ao caso. No que respeita às cerâmicas e Terracota é indispensável não prejudicar com lavações ou limpezas apressadas a eventual presença de pinturas. atmosféricas e higrométricas. já é amplamente utilizado o suporte em sanduíche de materiais ligeiros. é preferível. evitando o contato direto com a parede e proporcionando. quando para a restauração completa de um monumento . no sistema mais idôneo e resistente aos agentes atmosféricos. as fortes mudanças atmosféricas do exterior. destinam-se a serem expostos em museu.o sistema de cimentação com recheio metálico inoxidável resulta. adotar cuidados especiais. Esses fatores se alteram facilmente por causas externas e estranhas a tais ambientes.que comporta necessariamente seu . assim como há que evitar o uso de vernizes ou ceras para reavivar as cores. Quanto aos mosaicos. No esquema da arqueologia pompeiana se utiliza principalmente. dando às lacunas uma entonação similar à do reboco grosso. os interiores com pinturas parietais in situ (grutas pré-históricas. até agora. dever-se-iam ter presentes algumas exigências em relação às peculiares técnicas antigas. ao contrário. inclusive na admissão de visitantes. Para os mosaicos que. com os métodos modernos pode ser feita inclusive em grandes superfícies sem realizar cortes . sempre que possível. de entelado e encolados em função das condições climáticas. durante o desenvolvimento das escavações. Particular delicadeza se requer na extração de objetos ou fragmentos de metal. portanto. Deverá ser considerado com especial atenção o problema de restauração das obras destinadas a permanecerem ou a serem reinstaladas em seu lugar original. Especial atenção deve ser prestada a respeito de possíveis vestígios ou reproduções de pedaços de tecidos. Tais precauções têm sido tomadas no acesso a monumentos préhistóricos pintados na França e na Espanha e seria de desejar que o fossem em muitos de nossos monumentos (tumbas de Tarquínia).durante a escavação. resistente e manejável. sua reinstalação no edifício de que provêm e de cuja decoração constituem parte integrante e. além das normas gerais contidas na "Carta do Restauro" e nas Instruções para os critérios das Restaurações Arquitetônicas. especialmente a aglomeração de visitantes. devendo-se recorrer não apenas aos sistemas de consolidação. devem-se evitar as integrações. uma montagem fácil e uma conservação segura. Ainda assim. seja garantida a presença de restauradores preparados para uma primeira intervenção de recuperação e fixação. a obtenção de decalques dos negativos das plantas e de materiais orgânicos susceptíveis de deterioração através de pastas adesivas de gesso aplicadas nas cavidades que tenham permanecido no terreno. através de aparelhos de climatização interpostos entre o ambiente antigo a ser protegido e o exterior. Em primeiro lugar. Têm sido experimentados com êxito vários tipos de suportes. quando for necessário. É necessário. por causa da facilidade com que podem quebrar-se. pequenos recintos). sendo suficiente uma limpeza cuidadosa das superfícies originais.

Nos monumentos antigos e particularmente nos da época arcaica ou clássica. enquanto que para os muros de ladrilho será oportuno marcar com incisões ou raias a superfície dos ladrilhos modernos. sobretudo nos em que é preciso manter a linha irregular do perfil da ruína. no Arco de Tito). utilizando lascas do mesmo material cimentado com argamassa misturada na superfície com pó do mesmo material para obter uma entonação cromática. ou de caliça. quasi reticulatum. Para a restauração de estruturas do aparelho de silharia tem sido experimentado favoravelmente o sistema de reproduzir os silhares nas medidas antigas. foi experimentada a aplicação de uma capa de argamassa de alvenaria que parece dar os melhores resultados. reticulatum et vittatum. Finalmente. tanto do ponto de vista estético. visando à obtenção de um aspecto mais ou menos rústico em relação ao tipo de monumento. de calcário. Anexo B Instruções para os critérios das restaurações arquitetônicas . Constitui um problema peculiar dos monumentos arqueológicos a forma de cobrir os muros em ruínas. ou gravar siglas ou marcas especiais. Para a restauração de muros de opus incertum. Finalmente. O uso do cimento com sua superfície revestida do pó do mesmo material do monumento a ser restaurado pode se mostrar útil para a reintegração de tambores de colunas antigas de mármore. que resulta ostensiva e agressiva.estudo histórico . como de sua resistência aos agentes atmosféricos. diferenciado pela lavradura de incisões nas superfícies modernas. devem-se evitar experimentações com métodos não suficientemente comprovados. o mármore branco pode ser reintegrado com travertino ou calcário em combinações já experimentadas com êxito (restauração de Valadier. na arte romana. inclusive do ponto de vista cromático. particularmente diversificados na Itália. Quanto ao problema geral da consolidação dos materiais arquitetônicos e das esculturas ao ar livre. pode-se fazer uma fresta que siga o seu contorno e delimite a parte restaurada ou inserir uma franja sutil de materiais distintos. Da mesma forma pode ser recomendável em muitos casos um tratamento superficial de novos materiais. as partes restauradas deverão se manter em um plano ligeiramente retrancado. as medidas para a restauração e a conservação dos monumentos arqueológicos também devem ser estudadas em função das variadas exigências climáticas dos diferentes locais. se utiliza a mesma qualidade de pedra e os mesmos tipos de peças. as operações terão que se realizar com o método estatigráfico que pode oferecer dados preciosos sobre a vida e as fases do próprio edifício. será adequado colocar em todas as zonas restauradas placas com as datas.seja necessário efetuar prospeções de escavação para o descobrimento das fundações. ao mesmo tempo em que se podem utilizar diversos sistemas para diferenciar o uso do mesmo material com que foi construído o monumento e que é preferível manter nas restaurações. que possam produzir danos irreparáveis. Como alternativa à retrancagem da superfície das reintegrações de restaurações modernas. deve ser evitar a combinação de materiais diferentes e anacrônicos nas partes restauradas.

por exemplo. vem-se considerando detidamente a possibilidade de novas utilizações para os edifícios monumentais antigos. Lembra-se. etc. ainda. quando possível. quando não resultarem incompatíveis com os interesses histórico-artísticos. Em particular. dificuldades ou desequilíbrios nas paredes. O projeto se baseará em uma completa observação gráfica e fotográfica. antes de raspar uma camada de pintura. Do mesmo modo. elaborado de diversos pontos de vista (que estabeleçam a análise de sua posição no contexto territorial ou no tecido urbano. e também. a necessidade de considerar todas as obras de restauração sob um substancial perfil de conservação. há que se examinar primeiro a possibilidade de corrigi-los sem substituir a construção original. que quase sempre consiste em operações delicadíssimas e sempre de grande responsabilidade. A execução dos trabalhos pertinentes à restauração dos monumentos. inclusive para evitar intervenções de maior amplitude. mas. assim como aos eventuais acréscimos ou modificações. dos sistemas e caracteres construtivos. deverá ser confiada a empresas especializadas e. As obras de adaptação deverão ser limitadas ao mínimo.No pressuposto de que as obras de manutenção realizadas no devido tempo asseguram longa vida aos monumentos. dos aspectos tipológicos. Uma exigência fundamental da restauração é respeitar e salvaguardar a autenticidade dos elementos construtivos. mesmo quando sugiram a necessidade peremptória de demolição e reconstrução. As restaurações devem ser continuamente vigiadas e supervisionadas para que se tenha segurança sobre sua boa execução e para que se possa intervir imediatamente no caso em que se apresentarem fatos novos. conservando escrupulosamente as formas externas e evitando alterações sensíveis das características tipológicas. respeitando os elementos acrescidos e evitando até mesmo intervenções de renovação ou reconstituição. tais como os grumos e coloridos originais das paredes e abóbadas.. iconográficas e arquivísticas. das elevações e qualidades formais. dos traçados reguladores e dos sistemas proporcionais e compreenderá um cuidadoso estudo específico para a verificação das condições de estabilidade. relativos à obra original. etc). bastante úteis para o conhecimento do edifício e do sentido da restauração. especialmente quando intervêm o piquete e o maço. Parte integrante desse estudo serão pesquisas bibliográficas. encarece-se o maior cuidado possível na vigilância contínua dos imóveis para a adoção de medidas de caráter preventivo. para obter todos os dados históricos possíveis. ou eliminar um eventual reboco. para evitar que desapareçam elementos antes ignorados ou eventualmente desapercebidos nas investigações prévias. Sempre com o objetivo de assegurar a sobrevivência dos monumentos. o diretor dos trabalhos deve constatar a existência ou não de qualquer marca de decoração. interpretada também sob o aspecto metrológico. executada sob orçamento e não sob empreitada. da organização estrutural e da seqüência dos espaços internos. Este princípio deve sempre guiar e condicionar a escolha das operações. No caso de paredes em desaprumo. A realização do projeto para a restauração de uma obra arquitetônica deverá ser precedida de um exaustivo estudo sobre o monumento. a substituição de pedras corroídas só deverá ocorrer para satisfazer às exigências de gravidade. . certamente.

É sempre aconselhável tirar . mas. Para isso. devendo essas fotografias serem obtidas. ainda.. etc. por aço inoxidável. intervindo-se sempre que seja possível adotar. Em continuação. resulta preferível realizar em toda a extensão do contorno da reintegração uma sinalização clara e persistente. Isso poderá ser conseguido com uma lâmina de metal adequado.A eventual substituição de paramentos murais. em geral. é um reconhecimento cuidadoso de seu estado de conservação. igualmente. Podem-se eliminar as matérias acumuladas sobre as pedras . antes da intervenção em qualquer obra de arte pictórica ou escultórica. ou nas praças. estéticas e também técnicas. Para a boa conservação das fontes de pedra ou de bronze. de água e de vapor com forte pressão. com raios ultravioletas simples ou filtrados e com raios infravermelhos. sempre que se tornar estritamente necessárias e nos limites mais restritos. as escovas metálicas e raspadores. A consolidação da pedra e de outros materiais deverá ser experimentada quando os métodos amplamente comprovados pelo Instituto Central da Restauração oferecerem garantias efetivas. todas as intervenções necessárias para eliminar as causas dos danos. Dever-se-ão evitar. usando apenas escovas vegetais ou jatos de ar com pressão moderada. Enquanto. diferenciando os materiais ou as superfícies de construção recente. A pátina da pedra deve ser conservada por evidentes razões históricas. fuligem. mais ou menos largas e profundas. que mostre os limites da intervenção. os jatos de areia. deverão ser postas em prática. convirá transferir a escultura para um local fechado. Deverão ser tomadas todas as precauções para evitar o agravamento da situação. Em tal reconhecimento se inclui a comprovação dos diferentes estratos materiais de que venha a estar composta a obra e se são originais ou acréscimos e. pó. a partir da prática anteriormente descrita. além de sob luz natural. é necessário descalcificar a água. ainda. sendo. devem ser vigiadas. desaconselháveis as lavações de qualquer natureza. inclusive temporal. fezes de pombo. Anexo C Instruções para a execução de restaurações pictóricas e escultóricas Operações preliminares A primeira operação a realizar. por exemplo. portanto. sob luz monocromática. segundo o caso. convém desmontar a parte deteriorada e substituir o ferro por bronze ou cobre. já que ela desempenha uma função protetora como ficou demonstrado pelas corrosões que se iniciam a partir das lacunas da pátina. a determinação aproximada das diferentes épocas em que se produziram as estratificações. em geral. ou com frestas visíveis. conforme o caso. com uma série contínua de pequenos fragmentos de ladrilho. modificações e acréscimos. As esculturas em pedra colocadas no exterior dos edifícios. um método comprovado de consolidação ou de proteção. que apresenta a vantagem de não manchar a pedra. redigir-se-á uma inventário que constituirá parte integrante do programa e o começo do diário da restauração. se observarem silhares rasgados por grampos ou varas de ferro que se incham com a umidade. eliminando as concreções calcárias e as inadequadas limpezas periódicas.detritos. Quando isso for impossível. ou. deverá ser sempre distinguível dos elementos originais. ao mesmo tempo em que se devem excluir. melhor ainda. deverão ser feitas as indispensáveis fotografias da obra para documentar seu estado precedente à intervenção restauradora.

de um traslado ou de uma reconstrução de fragmento. Os meios mecânicos (bisturi) deverão sempre ser utilizados com o controle do pinacoscópio. eventualmente. também se deve fotografar o reverso da obra. efetuar provas da argamassa e do conjunto dos materiais da parede e medir seu grau de umidade.determinação da técnica empregada -. principalmente. dever-se-ão retirar amostras mínimas. obter radiografias. condensação ou de capilaridade. deverão ser realizadas experimentações para assegurar que não possam atacar o verniz original da pintura. Se. será preciso ter conhecimento preciso das condições do suporte em relação à umidade. a partir dos documentos fotográficos . a cautela e a experimentação com os materiais a serem utilizados na restauração não deverão ser consideradas questões supérfluas. não se percebam superposições.que serão detalhados no diário da restauração . O dado que seria o mais importante no que diz respeito à pintura. nos casos em que das seções estratigráficas haja resultado um estrato ao menos presumível como tal. de um reconhecimento genérico. definir se trata de umidade de infiltração. Deverá ser assinalado na fotografia de luz natural o ponto exato das provas e. como a câmera Pethen Koppler e similares. sempre que existirem estratificações ou houver que constatar o estado da preparação. Depois de haver tirado as fotografias. além disso. inclusive nos casos em que. entretanto . mesmo que nem sempre se trabalhe sob sua lente. Os meios químicos (dissolventes) deverão ser de tal natureza que possam ser imediatamente neutralizados e também que não se fixem de forma duradoura sobre os estratos da pintura e sejam voláteis. Providências a serem efetuadas na execução da intervenção restauradora As análises preliminares deverão ter proporcionado os meios para orientar a intervenção na direção adequada. poderá ser realizada. também se realizarão análises microbiológicas. será certificar-se do estado de conservação da matéria de que se realizaram e.radiografias. à simples visão. ficará explicada sua problemática. Terracota ou outro suporte (imóvel). de dois modos: por meios mecânicos ou por meios químicos. nem sempre poderá ter uma resposta científica e. ou sobre pedra. para efetuar as seções estratigráficas. em lugares não capitais da obra. Há de se excluir qualquer sistema que oculte a visualização ou a possibilidade de intervenção ou controle direto sobre a pintura. portanto. quer se trate de uma simples limpeza. que abarquem todos os estratos até o suporte. de eliminação de repintagens. realizado sobre base empírica e não científica da técnica utilizada na pintura em questão. No que se refere às pinturas murais. de um assentamento de estratos. registrar-se no diário da restauração uma nota de referência à fotografia. O problema mais peculiar das esculturas. . Antes de usá-los. quando não se trata de esculturas envernizadas ou policromadas.se observarem elementos problemáticos. Sempre que se percebam ou se suponham formações de fungos. No que concerne à limpeza. No caso de pinturas móveis.

será necessário que a imprimação antiga seja levantada integralmente a mão com o bisturi. a pintura deverá ser submetida à ação de gazes inseticidas adequados.. é imprescindível que tal proteção se realize depois da consolidação das partes levantadas ou desprendidas. e com uma cola de dissolução muito fácil e diferente da empregada no assentamento da cor. deve-se ter presente que. Sempre que o estado do suporte ou o da imprimação. identificar a espécie botânica e averiguar seu índice de dilatação. . sempre que se tenha realizado um assentamento. não será possível o traslado. a eventualidade de um traslado deve ser efetuada com a destruição gradual e controlada da tela deteriorada. Se o suporte é de madeira e está infestado por carunchos. Para isso. Deve-se evitar a impregnação com líquidos. que respeitem o movimento das fibras da madeira. Mas. etc. térmitas. Qualquer adição deverá ser realizada com madeira já estabilizada e em pequenos fragmentos. o adesivo do suporte para a tela da pintura trasladada deverá ser facilmente solúvel. enquanto que para a possível imprimação (ou preparação) deverão ser seguidos os mesmos critérios utilizados para as pranchas. controlar minuciosamente a estabilidade da capa pictórica sobre seu suporte e proceder ao assentamento das partes desprendidas ou em perigo de desprendimento. cuja penetração seja assegurada com uma fonte de calor constante e que não apresente perigo para a conservação da pintura. é regra estrita a eliminação de qualquer resto do fixador da superfície pictórica. é aconselhável conservar a imprimação para manter a superfície pictórica em sua conformação original. atrás do assentado.Antes de proceder à limpeza. qualquer que seja o material de que for feito. O reboco. deve assegurar principalmente os movimentos naturais da madeira a que estiver fixado. nas quais se tenha aplicado uma cor muito diluída diretamente sobre o suporte (como nos esboços de Rubens). como não é indispensável para a própria fruição estética da pintura. de forma localizada ou com aplicação de um adesivo estendido uniformemente. é necessário. para que resulte o mais inerte possível em relação ao suporte antigo em que se inserir. sem danificar a capa pictórica nem o adesivo que une os estratos superficiais à tela do traslado. exijam a destruição ou o arranque do suporte e a substituição da imprimação. conforme o caso. Se intervier. quando for indispensável. deverá ser feito um exame minucioso com a ajuda do pinacoscópio. Quando se tratar de pinturas sem preparação. é sempre melhor não intervir em uma madeira antiga e já estabilizada. ou ambos . deve se evitar substituí-lo por um novo suporte composto de peças de madeira e só é aconselhável efetuar o traslado para um suporte rígido quando se tiver absoluta certeza de que ele não terá um índice de dilatação diferente do suporte eliminado.em pinturas de suporte móvel -. a menos que seja apenas o suporte a parte debilitada e a imprimação se mantenha em bom estado. qualquer que seja o meio empregado. mas seja necessário retificá-lo ou colocar reforços ou rebocos. já que adelgaçá-la não seria suficiente. Dever-se-á retirar uma amostra. Ainda assim. Quando for necessário proceder à proteção geral do anverso da pintura por causa de necessidade de realizar operações no suporte. Esse assentamento poderá ser realizado. Sempre que possível. que não possam danificar a pintura. Quando o suporte lenhoso original estiver em bom estado. Na substituição do suporte lenhoso. é preciso fazê-lo com regras tecnológicas muito precisas. ainda. No caso de pinturas sobre tela.

a ser eliminado. Ocasionalmente. inércia e neutralidade (ausência de ph). No que diz respeito especialmente ao arranque. inclusive em relação às categorias genéricas de pintura a têmpera. que altere o mínimo possível as cores originais e que não se torne irreversível com o tempo. facilmente. a óleo. ou mesmo diretamente sobre mármore. de um modo geral. de arranque do estrato de cor (strappo). Quando se puderem conhecer essas causas e se encontrar um fungicida adequado. a possibilidade de restabelecê-la automaticamente quando a tensão vier a ceder por causa das variações termo-higrométricas. das partes em têmpera de um afresco. além disso. etc. deve-se procurar um fixador que não seja de natureza orgânica. Além disso. nas pinturas murais. é necessário assegurar-se de que o diluente não dissolverá ou atacará o aglutinante da pintura a ser restaurada. se for realizada. que. entre os métodos a serem escolhidos com probabilidades equivalentes de bom êxito é recomendável o strappo. será também necessário um tratamento especial para conseguir que a cor pulverizada se perca ao mínimo. Excluem-se sempre e taxativamente operações de aplicação de uma pintura sobre tela em um suporte rígido(maruflagem). viriam à superfície da película pictórica com o passar do tempo.A operação de reentelar. será necessário que ele possa ser construído nas mesmas dimensões da pintura. será imprescindível um assentamento preventivo. mas. a encáustica. O suporte em que se instalará a película pictórica tem que oferecer garantias máximas de estabilidade. às vezes. inevitavelmente. mas. sem junções intermediárias. em que certas cores não podiam ser aplicadas a fresco. a aquarela ou a pastel. pedra. Os teares deverão ser concebidos de modo a assegurar não apenas a justa tensão. A cor pulverulenta será analisada para ver se contém formações de fungos e a que causas se pode atribuir o seu desenvolvimento. ainda mais indispensável para proceder a qualquer operação de limpeza. deve evitar compressões excessivas e temperaturas altas demais para a película pictórica. a definição do aglutinante utilizado não será às vezes menos problemática (como no que se refere às pinturas murais da época clássica). atualmente. também. quando as cores da pintura mural se apresentarem em um estado mais ou menos avançado de pulverulência. gerar uma investigação sem conclusão definitiva e. Quando houver necessidade de se proceder ao arranque da pintura de seu suporte original. realizadas sobre preparação. se tratar de uma têmpera e. ou de arranque em que também se desprendam os rebocos de preparação (distacco). antes da aplicação das telas protetoras por meio de um adesivo solúvel. Quanto ao assentamento da cor. será preciso certificar-se de que não danificará a pintura e de que possa vir. irresolúvel. ao mesmo tempo. O adesivo . de assentamento. Providências que se devem ter presentes na execução de restaurações em pinturas murais Nas pinturas móveis a determinação da técnica pode. pela possibilidade de recuperação da sinopia preparatória no caso dos afrescos e também porque libera a película pictórica de restos do estuque degradado ou em mau estado.

eventualmente. Deverá ser dedicado cuidado especial à conservação das características tectônicas da superfície. em vez de pinturas. climática ou não. mas sempre que possível. argila crua. se com dissolventes. etc. mesmo na ausência de policromia. louça vidrada. Advertências gerais para a instalação de obras de arte restauradas Como linha de conduta geral. por qualquer razão. No caso de esculturas fragmentadas. em pedra. cartão-pedra. possa mudar. se a restauração tiver sido ocasionada pela situação térmica e higrométrica do lugar como um todo ou da parede em particular. Quando. Terracota. sejam fixadas e possam ser dispostas em sua colocação original. da técnica com que se realizaram as esculturas (se em mármore. ligaduras. Para os objetos de bronze. climatizados. etc. consolidá-las.e com materiais tais . deverá ficar assegurado que onde as tesselas não constituem uma superfície completamente plana. cupins. eventualmente. Quando se preferir manter a pintura trasladada sobre tela. apesar de deixarem intacta a matéria. trate-se de arrancar mosaicos.com que se irá fixar a tela grudada à película pictórica sobre o novo suporte terá que poder dissolver-se com a maior facilidade com um dissolvente que não traga danos à pintura. etc. deve ser excluída a execução de aguadas que.) sempre que por debaixo dela não existirem sinais de corrosão ativa. no caso de esculturas encontradas em escavações ou na água (mar. deverá ser escolhido metal inoxidável. argila crua e pintada. naturalmente reforçada. há de se evitar a impregnação com líquidos que. de natureza tal que não ataquem o material da escultura e tampouco se fixem sobre ele.). o bastidor deverá ser construído de tal modo . Antes da aplicação do engaste e da armadura de sustentação é preciso certificar-se do estado de conservação das tesselas e. Por isso. etc. ataquem a pátina. Quando se tratar de esculturas de madeira degradada. malaquitas. etc. Providências a serem observadas na execução de restaurações de obras escultóricas Depois de assegurar-se do material e. estuque. Anexo D .) em que não haja partes pintadas e seja necessária uma limpeza. ou se o lugar ou a parede não vierem a ser tratados imediatamente (saneados. para uso de eventuais dobradiças. recomenda-se um cuidado particular quanto à conservação da pátina dupla (atacamitas. será preciso submetê-la à ação de gases adequados. uma obra de arte restaurada não deve ser posta novamente em seu lugar original. poderiam alterar o aspecto da madeira. elasticidade e automatismo para restabelecer a tensão que. deverão ser separadas preferivelmente através de meios mecânicos. se houver incrustações. a utilização de consolidantes deverá ser subordinada à conservação do aspecto original da matéria lenhosa.que tenha a máxima estabilidade. ou.) de forma a garantirem a conservação e a salvaguarda da obra de arte. Se a madeira estiver infectada por caruncho. etc. rios.

poder-se-á configurar um novo organismo urbano. portanto. tanto em relação a sua continuidade no tempo como ao desenvolvimento de uma vida de cidadania e modernidade em seu interior. é necessário principalmente que os centros históricos sejam reorganizados em seu mais amplo contexto urbano e territorial e em sua relações e conexões com futuros desenvolvimentos. jardins. singularidade geomórficas. A restauração não se limita.). A coordenação se posicionará também em relação à exigência de salvaguarda do contexto ambiental mais geral do território. etc. que determinam sua a expressão arquitetônica ou ambiental. Por meio de tais intervenções (a serem efetuadas com os instrumentos urbanísticos).através de meios e procedimentos ordinários e extraordinários . mas também a estrutura urbanística. através de um planejamento físico territorial adequado. têm por si mesmas um significado e um valor. etc. a cercadura de colinas em torno de Florença. entre muitos.) e interiores (pátios. como também. etc. de um modo geral. assim tradicionalmente entendidos. No que respeita aos elementos individuais através dos quais se efetua a salvaguarda do conjunto. unitárias ou fragmentárias. inclusive independentemente de seu intrínseco valor artístico ou formal. em que se subtraiam do centro histórico as funções que não serão compatíveis com sua recuperação em termos de saneamento e de conservação.Instruções para a tutela dos centros históricos Para efeito de identificar os centros históricos. etc. cursos fluviais. tudo isso. a laguna veneziana. as centúrias romanas de Valpadana. ainda que se tenham transformado ao longo do tempo. As intervenções de restauração nos centros históricos têm a finalidade de garantir . etc. Para que o conjunto urbanístico em questão possa ser adequadamente salvaguardado. os que eventualmente tenham adquirido um valor especial como testemunho histórico ou características urbanísticas ou arquitetônicas particulares.) e outras estruturas significativas (muralhas. principalmente quando lhe houver assumido valores de especial significado. com o fim de coordenar as ações urbanísticas de maneira a obter a salvaguarda e a recuperação do centro histórico a partir do exterior da cidade. Sua natureza histórica se refere ao interesse que tais assentamentos apresentarem como testemunhos de civilizações do passado e como documentos de cultura urbana. .a permanência no tempo dos valores que caracterizam esses conjuntos. levam-se em consideração não apenas os antigos centros urbanos. fortalezas. mas se estende também à conservação substancial das características conjunturais do organismo urbanístico completo e de todos os elementos que concorrem para definir tais características. praças. Os elementos edílicos que formam parte do conjunto devem ser conservados não apenas quanto aos aspectos formais. a zona trulli de Apulia. estreitamente unidos às estruturas históricas tal como têm chegado até nós ( como por exemplo. que podem enriquecer e ressaltar posteriormente seu valor. há que serem considerados tanto os elementos edílicos como os demais elementos que constituem os espaços exteriores (ruas. todos os assentamentos humanos cujas estruturas. hajam se constituído no passado ou. caracterizando-o de forma mais ou menos acentuada (entornos naturais. ou de seu aspecto peculiar enquanto ambiente.). a operações destinadas a conservar unicamente os caracteres formais de arquiteturas ou de ambientes isolados. já que não só a arquitetura. espaços livres. além do mais.) assim como eventuais elementos naturais que acompanharem o conjunto. portas.

eventualmente. tipológicos. construtivos. a manutenção dos caracteres gerais do ambiente. Com o objetivo de certificar-se de todos os valores urbanísticos. etc. etc. e apenas na medida em que sejam compatíveis com a conservação do caráter geral das estruturas do centro histórico.. qualquer intervenção de restauração terá que ser precedida de uma atenta leitura histórico-crítica. É preciso considerar a possibilidade de integração do mobiliário moderno e dos serviços públicos estreitamente ligados às exigências vitais do centro. arquitetônicos. por outro lado. ainda que parciais. ou de uso que. b) Reordenamento viário . principalmente. A intervenção de reestruturação urbanística deverá tender a liberar os centros históricos de finalidades funcionais.como ainda quanto a seus caracteres tipológicos enquanto expressão de funções que também têm caracterizado. em geral. tecnológicas. com referência às compatibilidades de funções diretoras.quanto.Refere-se à análise e à revisão das comunicações viárias e dos fluxos de tráfego a que a estrutura estiver submetida. com a estrutura territorial ou urbana com as quais forma unidade.).posto que em todo o conjunto definido como centro histórico deverse-á operar com critérios homogêneos . é necessário precisar que por saneamento de conservação deve-se entender. Os principais tipos de intervenção a nível urbanístico são: a) Reestruturação urbanística . principalmente a partir do ponto de vista funcional e. à individualização dos diferentes graus de intervenção a nível urbanístico e a nível edílico. c) Revisão dos equipamentos urbanos . vier a provocar-lhes um efeito caótico e degradante. ambientais. construtivas e funcionais do edifício. que comportam a conservação integral dos perfis monumentais e ambientais mais significativos e a adaptação dos demais elementos ou complexos edílicos individuais às exigências da vida moderna. sobretudo. particularmente. espaços interiores. conservação da rede viária. jardins. para determinar o tratamento necessário de saneamento de conservação. ao longo do tempo. e. consideradas apenas excepcionalmente as substituições. das modalidades e das advertências a que se referem as instruções procedentes para a realização de restaurações arquitetônicas. evitando-se . dos elementos. Nesse sentido é preciso dedicar especial atenção à análise e à reestruturação das relações existentes entre centro histórico e desenvolvimentos urbanístico e edílico contemporâneos. a corrigi-las onde houver necessidade. A esse propósito. com o fim primordial de reduzir seus aspectos patológicos e de reconduzir o uso do centro histórico a funções compatíveis com as estruturas de outros tempos. Nesse tipo de intervenção é de particular importância o respeito às peculiaridades tipológicas.Tende a consolidar as relações do centro histórico e. Os principais tipos de intervenção a nível edílico são: 1) Saneamento estático e higiênico dos edifícios. etc. essa intervenção se realizará em função das técnicas. a utilização dos elementos favoráveis.) com o objetivo de obter uma conexão homogênea entre edifícios e espaços exteriores. É de particular importância a análise do papel territorial e funcional que tenha sido desempenhado pelo centro histórico ao longo do tempo e no presente. as praças e todos os espaços livres existentes (pátios.Isso afeta as ruas. cujos resultados não se dirigirão tanto a determinar uma diferenciação operativa . que tende à manutenção de suas estruturas e a uma utilização equilibrada. de perímetro das edificações. a manutenção das estruturas viárias e edílicas em geral (manutenção do traçado.

especialmente: . parcelas representativas dos ecossistemas naturais. referentes a uma edificação ou a um conjunto de elementos reagrupáveis de forma orgânica. sempre que possível. de 5 a 16 de junho de 1972. proibidas quaisquer intervenções que alterem suas características. a água. Em conseqüência . deve ser mantida e. expressa a convicção comum de que: O homem tem o direito fundamental à liberdade. especialmente.planos de desenvolvimento geral. que reestruturem as relações entre o centro histórico e o território e entre o centro histórico e a cidade em seu conjunto. as políticas que promovem ou perpetuam o apartheid. . 2) Renovação funcional dos elementos internos. Nesse tipo de intervenção é de fundamental importância o respeito às peculiaridade tipológicas e construtivas dos edifícios.Organização das Nações Unidas para o Meio Ambiente A Assembléia Geral das Nações Unidas reunida em Estocolmo. atendendo à necessidade de estabelecer uma visão global e princípios comuns. à igualdade e ao desfrute de condições de vida adequadas.qualquer transformação que altere suas características. gozar de bem-estar. Declaração de Estocolmo de junho de 1972 Declaração sobre o ambiente humano UNEP . a discriminação.planos parciais relativos à restruturação do centro histórico em seus elementos mas significativos. incluídos o ar. como o vazado da estrutura ou a introdução de funções que deformarem excessivamente o equilíbrio tipológico-estrutural do edifício. bem assim o seu habitat. A capacidade da Terra de produzir recursos renováveis vitais. A esse respeito. . que se encontram atualmente em grave perigo por combinação de fatores adversos. o solo. que se há de permitir somente nos casos em que resultar indispensável para efeitos de manutenção em uso do edifício. para as gerações presentes e futuras. devem ser preservados em benefício das gerações atuais e futuras. e é portador da solene obrigação de proteger e melhorar esse meio ambiente. que sirvam de inspiração e orientação à humanidade. a segregação racial. em um meio ambiente de qualidade tal que lhe permita levar uma vida digna. restaurada ou melhorada. para a preservação e melhoria do ambiente humano através dos vinte e três princípios enunciados a seguir. mediante um cuidadoso planejamento ou administração adequados. a opressão colonial e outras formas de coerção e de dominação estrangeira permanecem condenadas e devem ser eliminadas. a flora e a fauna e. O homem tem a responsabilidade especial de preservar e administrar judiciosamente o patrimônio representado pela flora e pela fauna silvestres. Os recursos naturais da Terra.planos de execução setorial. São instrumentos operativos dos tipos de intervenção enumerados.

cabendo aos Estados e organizações internacionais a adoção de providências adequadas. a fim de fazer frente às possíveis consequências econômicas nacionais e internacionais resultantes da aplicação de medidas ambientais. . Deve-se pôr fim à descarga de substâncias tóxicas e de outras matérias e à liberação de calor. que visem a chegar a um acordo. deve ser dada a devida importância à conservação da natureza. assim como a necessidade de lhes ser prestada. levando-se em conta as circunstâncias e as necessidades especiais dos países em desenvolvimento e quaisquer outros custos que lhes possam resultar da inclusão de medidas de conservação do meio ambiente em seus planos de desenvolvimento. Deveriam ser destinados recursos à preservação e melhoria do meio ambiente. bem como para criar na terra as condições necessárias à melhoria da qualidade de vida. Os recursos não renováveis da Terra devem ser utilizados de forma a evitar o perigo do seu esgotamento futuro e a assegurar que toda a humanidade participe dos benefícios de tal uso. em quantidades ou concentrações tais que não possam ser neutralizadas pelo meio ambiente. quando solicitada para esse fim. melhorar as condições ambientais. além da ajuda oportuna. assim. a estabilidade dos preços e o pagamento adequado para produtos primários e matérias-primas são essenciais à administração do meio ambiente. quando necessária. nem obstar o atendimento de melhores condições de vida para todos. incluídas a flora e a fauna silvestres. As políticas ambientais de todos os países devem melhorar e não afetar negativamente o potencial desenvolvimentista atual e o futuro dos países em crescimento. sendo a melhor maneira de atenuar suas consequências a promoção do desenvolvimento acelerado. os Estados deveriam adotar um enfoque integrado e coordenado de planejamento de seu desenvolvimento. causar danos às possibilidades recreativas ou interferir em outros usos legítimos do mar. As deficiências do meio ambiente em decorrência das condições de subdesenvolvimento e de desastres naturais ocasionam graves problemas. Assim deverá ser apoiada a justa luta de todos os povos contra a poluição. O desenvolvimento econômico e social é indispensável para assegurar ao homem um ambiente de vida e trabalho favoráveis. Os países deverão tomar todas as medidas possíveis para impedir a poluição dos mares por substâncias que possam pôr em perigo a saúde do homem. Para os países em desenvolvimento. maior assistência técnica e financeira internacional. a fim de se evitar danos graves e irreparáveis aos ecossistemas. mediante a transferência maciça de recursos consideráveis de assistência financeira e tecnológica que complementem os esforços internos dos países em desenvolvimento. A fim de se obter um ordenamento mais racional dos recursos e. uma vez que se deve levar em conta tanto os fatores econômicos como os processos ecológicos. de modo que fique assegurada a compatibilidade desse crescimento com a necessidade de proteger e melhorar o meio ambiente humano em benefício de sua população. prejudicar os recursos vivos e da marinha.ao planejar o desenvolvimento econômico.

. nas condições que favoreçam sua ampla difusão. As nações devem cooperar no aperfeiçoamento e melhoria do Direito Internacional. objetivando evitar efeitos prejudiciais ao meio ambiente e visando à obtenção do máximo de benefícios sociais. visando tanto às gerações jovens como aos adultos. o livre intercâmbio de informações e de experiências científicas atualizadas deve constituir objeto de apoio e assistência a fim de facilitar a solução dos problemas ambientais. Como parte de sua contribuição ao desenvolvimento econômico e social. dando atenção especial às populações menos privilegiadas. não prejudiquem o meio ambiente de outros países ou de zonas situadas fora da jurisdição nacional. a fim de criar as bases de uma opinião pública bem informada e de uma conduta responsável dos indivíduos. Tendo em vista a Carta das Nações Unidas e os princípios do Direito Internacional. evitar e combater os riscos que ameaçam o meio ambiente. visando às soluções dos problemas ambientais e ao bem comum do homem. desde que as atividades levadas a efeito dentro de sua jurisdição ou sob seu controle. a fim de melhorar a qualidade do meio ambiente. causem danos a zonas situadas fora de seu espaço territorial ou de sua jurisdição. em todos os países. administrar e controlar a utilização dos recursos ambientais dos países. de acordo com a sua política ambiental. devem ser utilizadas a ciência e a tecnologia para descobrir. realizadas dentro de sua jurisdição. os projetos destinados à dominação colonialista e racista. deveriam ser aplicadas políticas demográficas que respeitassem os direitos humanos fundamentais e contassem com a aprovação dos governos interessados. Deve-se usar o planejamento nos agrupamentos humanos e na urbanização. das empresas e das comunidades. ou sob seu controle. quanto à responsabilidade e à indenização das vítimas da poluição e de outros danos ambientais provocados por atividades que. sem que constituam carga econômica excessiva para eles. assim como as tecnologias ambientais devem ser colocadas à disposição dos países em desenvolvimento. especialmente naqueles em desenvolvimento. Devem ser fomentadas. tanto nacionais como multinacionais. inspiradas no sentido de sua responsabilidade em relação à proteção e melhoria do meio ambiente em toda a sua dimensão humana.O planejamento racional constitui um instrumento indispensável para conciliar as diferenças que possam surgir entre as exigências do desenvolvimento e a necessidade de proteger e melhorar o meio ambiente. ou em que a baixa densidade populacional possa impedir o melhoramento do meio ambiente humano e obstar o desenvolvimento. devendo ser abandonados a esse respeito. Nas regiões em que exista o risco de que a taxa de crescimento demográfico ou as concentrações excessivas de população prejudiquem o meio ambiente ou o desenvolvimento. a investigação científica e medidas desenvolvimentistas em relação aos problemas ambientais. É indispensável um trabalho de educação em questões ambientais. econômicos e ambientais para todos. Deve ser confiada às instituições nacionais competentes a tarefa de planejar. as nações têm o direito soberano de explorar seus próprios recursos. A esse respeito.

Sem prejuízo dos princípios gerais que possam ser estabelecidos pela comunidade internacional e dos critérios e níveis mínimos a serem definidos em âmbito nacional. tais estudos deverão ser estendidos à proteção dos valores e costumes tradicionais e naturais da área em questão. as seguintes recomendações: a . trazer consigo soluções de saneamento integral que permitam a permanência e melhoramento da estrutura social existente. Recomenda-se a todos os governos estimular essa contribuição mediante disposições legais. o Seminário Interamericano sobre Experiências na Conservação e Restauração do Patrimônio Monumental dos Períodos Colonial e Republicano considera que se faz altamente conveniente para esse fim a elaboração de um documento onde fiquem registrados estes serviços operativos. c .E. Todos os programas de intervenção e resgate dos centros históricos devem. devendo levar-se a cabo estudos integrais para resgatar a maior quantidade de dados relacionados com a história do sítio.Organização dos Estados Americanos e Governo Dominicano Consciente da importância que.A . .No plano da preservação monumental: Os problemas da preservação monumental obrigam a um trabalho prévio de investigação documental e arqueológico. Respaldados na noção de centro monumental. portanto. representam tanto a Carta de Veneza como as Normas de Quito e ante a necessidade atual de roteiros que contemplem prioritariamente os aspectos operativos que materializem e tomem possível a defesa destes bens insubstituíveis da cultura. portanto. propõe. b . mas que possam ser inadequados e de alto custo social para os países em desenvolvimento.No plano econômico: A iniciativa privada e o seu apoio financeiro constituem uma contribuição fundamental para a conservação e valorização dos centros históricos. para que nela se levem em conta os recursos potenciais que tais centros possam oferecer. para a defesa do patrimônio monumental latinoamericano. Resolução de São Domingos de dezembro de 1974 I Seminário Interamericano sobre Experiências na Conservação e Restauração do Patrimônio Monumental dos períodos Colonial e Republicano (República Dominicana) O.No plano social: A salvação dos centros históricos é um compromisso social além de cultural e deve fazer parte da política de habitação. incentivos e facilidades de caráter econômico. será indispensável sempre considerar os sistemas de valores predominantes em cada país e o limite de aplicabilidade de padrões válidos para os países mais avançados.

solicitamos que na próxima Assembléia Geral da O. em um dos seus Estados Membros. que defina não apenas a sua função monumental. o Centro Interamenricano de Inventário do Patrimônio Histórico e Artístico. Tendo-se iniciado em São Domingos. Essa associação se formou em São Domingos e serão seus membros fundadores os delegados ao Seminário Interamericano sobre Experiências na Conservação do Patrimônio Monumental dos Períodos Colonial e Republicano. Os projetos de preservação monumental devem fazer parte de um programa integral de valorização.E. devendo realizar-se seminários como este a cada dois anos. Também serão membros os especialistas participantes que formalizarem sua inscrição de acordo com os regulamentos estabelecidos.E. antiga Espanhola. deve resgatar. os planos de desenvolvimento turístico devem constituir uma via mediante a qual. que atualmente funciona no México. Reconhecendo o trabalho positivo realizado pela Unidade Técnica de Patrimônio Cultural do Departamento de Assuntos Culturais a cargo do Projeto de Proteção do Patrimônio Cultural Histórico e Artístico instituído pela O. cabe-lhe.A. um inventário dos monumentos que. Criar uma Associação Interamericana de Arquitetos e Especialistas na Proteção do Patrimônio Monumental. como também o seu destino e manutenção. e leve prioritariamente em conta a melhoria sócio-econômica de seus habitantes. que se .A. no ano de 1976. Para tal efeito é necessário que a Organização dos Estados Americanos (O.E. o segundo dos quais se realizará na Colômbia. como atividade prioritária. respaldando-se e ampliando-se em nível interamericano a atual escola-oficina de obras de pedra que funciona no Museu das Casas Reais. Na educação escolar dever-se-ão incluir programas de estudo sobre a importância do patrimônio monumental. criem um fundo de emergência que permita a rápida disponibilidade de recursos para a salvação de bens monumentais americanos nos países de menor desenvolvimento relativo.A. Que se criem oficinas de ensino em nível artesanal para formação de operários que sejam eficazes auxiliares na tarefa da restauração monumental. que permitam ao mencionado projeto cumprir cabalmente os objetivos para os quais foi criado.Propostas operativas: Em apoio ao estabelecido nas Normas de Quito.A. Sendo o turismo um meio de preservação dos monumentos. com a utilização de alto nível técnico. torna-se indispensável o intercâmbio pessoal de experiências. tenham um significado transcendental para o patrimônio da humanidade. a Organização das Nações Unidas para a Educação. se destinem maiores fundos. existem necessidades que não puderam ser satisfeitas pelo mencionado projeto devido à falta de recursos adequados. que constituem monumentos inavaliáveis para ao patrimônio da humanidade e estão em iminente perigo de desaparecimento. o processo cultural ibero-americano e contando a República Dominicana com um centro como o Museu das Casas Reais.E. realizar. e constatando que. atue como o organismo que recopile e difunda as atividades empreendidas pelos países que integram o sistema interamericano no campo da preservação monumental. em território americano.E. com o patrocínio da O. recentemente criado em Bogotá. Que o Centro Interamericano de Restauração de Bens Culturais. no campo da preservação do patrimônio monumental da América. de acordo com os governos de Espanha e Portugal. a Ciência e a Cultura (LTNESCO) e demais organizações internacionais preparem material didático para esses programas. Que os Estados Membros da O.d . na República Dominicana. Independentemente da fonte anterior de informação. se logrem objetivos importante na proteção e preservação do patrimônio cultural americano. a documentação de interesse monumental existente em seus arquivos.. ainda.). que divulgue o trabalho dos seus membros mediante uma publicação a cargo de um centro ou instituto especializado.A.

cujo proveito se fará sentir no âmbito de todo o hemisfério. b) Esse patrimônio compreende não somente as construções isoladas de um valor excepcional . recomenda-se a ampliação de suas atividades em nível internacional. orientem-se os seus trabalhos em todo o continente para a mais cabal compreensão da integração cultural americana. coroamento do Ano Europeu do Patrimônio Arquitetônico 1975. Sua conservação é. revestida de uma importância vital. tanto nos trabalhos de investigação como na formação acadêmica. Da mesma maneira. procurando que. que acolheram calorosamente a Carta Européia do Patrimônio Arquitetônico promulgada pelo Comitê de Ministros do Conselho da Europa. O Congresso chamou a atenção para as seguintes considerações essenciais: a) Além de seu inestimável valor cultural. reunindo delegados vindos de toda parte da Europa. portanto. para a realização deste Primeiro Seminário Interamericano.E.Reconhecimento: O primeiro Seminário Interamericano sobre Experiência na Conservação e Restauração do Patrimônio Monumental dos Períodos Colonial e Republicano quer fazer constar o seu reconhecimento pelo patrocínio assumido pelo Governo da República Dominicana e pela Secretaria Geral da Organização dos Estados Americanos (O. São Domingos é um ponto de partida para o fortalecimento e a integração profissional dos especialistas em conservação do patrimônio monumental da América. em julho deste ano. reconhece que a arquitetura singular da Europa é patrimônio comum de todos os seus povos e afirma a intenção dos Estados-membros de cooperar entre si e com os outros países europeus para protegê-lo.A.dedica ao estudo científico desse processo histórico. Declaração de Amsterdã de outubro de 1975 Congresso do Patrimônio Arquitetônico Europeu Conselho da Europa Ano Europeu do Patrimônio Arquitetônico O Congresso de Amsterdã.). o Congresso afirma que o patrimônio arquitetônico da Europa é parte integrante do patrimônio cultural do mundo inteiro e nota com satisfação o engajamento mútuo para favorecer a cooperação e as trocas no domínio da cultura contido na ata final da Conferência sobre a Segurança e a Cooperação na Europa adotada em Helsinque. O Primeiro Seminário Interamericano sobre Experiências na Conservação do Patrimônio Monumental dos Períodos Colonial e Republicano quer igualmente fazer constar o trabalho exemplar que o Governo Dominicano empreende para a preservação e a valorização do patrimônio monumental da República Dominicana. o patrimônio arquitetônico da Europa leva todos os europeus a tomarem consciência de uma história e destino comuns. e .

O que hoje necessita de proteção são as cidades históricas. bairros de cidades e aldeias. no presente e no futuro. Tendo o Comitê dos Ministros reconhecido na Carta Européia do Patrimônio Arquitetônico que cabe ao Conselho da Europa assegurar a coerência da política de seus Estados Membros e promover sua solidariedade. demolição deliberada. institutos profissionais. além disso. mas como objetivo maior do planejamento das áreas urbanas e do planejamento físico territorial. brevemente. incentivos fiscais deverão ser previstos.internacionais. portanto. empresas comerciais e industriais. instituições espirituais e culturais. planejamento e conservação das construções e sítios de interesse arquitetônico ou histórico. para estes últimos. que apresentam um interesse histórico ou cultural. c) Essas riquezas são um bem comum a todos os povos da Europa. associações privadas e a todos os cidadãos. tanto quanto possível.e seu entorno. ser privada do patrimônio arquitetônico e dos sítios que formam seu quadro tradicional de vida. é essencial que sejam produzidos relatórios periódicos sobre o estado do desenvolvimento dos trabalhos de conservação arquitetônica nos países europeus. sem modificações importantes da composição social dos habitantes e de uma maneira tal que todas as camadas da sociedade se beneficiem de uma operação financiada por fundos públicos. para que dêem total apoio aos objetivos desta declaração e façam todo o possível para assegurar a sua aplicação. novas construções em desarmonia e circulação excessiva. f) A reabilitação dos bairros antigos deve ser concebida e realizada.que contribuam para despertar o interesse do público. caso uma nova política de proteção e conservação integradas desse patrimônio não seja posta em ação imediatamente. se preocupar mais intensamente com essa matéria. O congresso faz um apelo aos governos. A proteção desses conjuntos arquitetônicos só pode . aos quais compete a maioria das decisões importantes em matéria de planejamento. nacionais e locais . j) Devem ser encorajadas as organizações privadas . uma ajuda financeira adequada deve ser colocada à disposição dos poderes locais e de proprietários particulares. mas também os conjuntos. e) Os poderes locais. Os programas de educação em todos os níveis devem. tudo deve ser feito para assegurar uma arquitetura contemporânea de alta qualidade. h) Para fazer face aos custos de restauração. parlamentos. d) A conservação do patrimônio arquitetônico deve ser considerada não apenas como um problema marginal. os bairros urbanos antigos e aldeias tradicionais. Ao final de seus debates. aí incluídos os parques e jardins históricos.Nossa sociedade poderá. Somente desta maneira se conservará o patrimônio arquitetônico insubstituível da Europa para o enriquecimento da vida de todos os seus povos. que têm o dever comum de protegê-las dos perigos crescentes que as ameaçam: negligência e deterioração. são todos particularmente responsáveis pela proteção do patrimônio arquitetônico e devem ajudar-se mutuamente através da troca de idéias e de informações. de forma a permitir a troca de experiências. o congresso apresenta as seguintes conclusões e recomendações: . i) O patrimônio arquitetônico não sobreviverá a não ser que seja apreciado pelo público e especialmente pelas novas gerações. k) Uma vez que a arquitetura de hoje é o patrimônio de amanhã. g) As medidas legislativas e administrativas necessárias devem ser reforçadas e tornadas mais eficazes em todos os países.

ser concebida dentro de uma perspectiva global. Os urbanistas devem reconhecer que os espaços não são equivalentes e que convém tratá-los conforme as especificidades que lhes são próprias. Não basta sobrepor as regras básicas de planejamento às regras especiais de proteção aos edifícios históricos. o que compreende a delimitação das zonas periféricas de proteção. Sabe-se que a preservação da continuidade histórica do ambiente é essencial para . dos mais importantes aos mais modestos. uma das grandes preocupações da sociedade contemporânea. O reconhecimento dos valores estéticos e culturais do patrimônio arquitetônico deve conduzir à fixação dos objetivos e das regras particulares de organização dos conjuntos antigos. a reabilitação do habitar existente contribui para a redução das invasões de terras agrícolas e permite evitar ou atenuar sensivelmente os deslocamentos da população. A isso se acrescenta que a conservação atrai artistas e artesãos bem qualificados. sem esquecer os da época moderna. Ficou demonstrado que as construções antigas podem receber novos usos que correspondam às necessidades da vida contemporânea. O planejamento das áreas urbanas e o planejamento físico territorial devem acolher as exigências da conservação do patrimônio arquitetônico e não considerá-las de uma maneira parcial ou como um elemento secundário. como foi o caso num passado recente. assim como entre os responsáveis pela ordenação do espaço e pelo plano urbano como um todo. o que constitui um beneficio social muito importante na política de conservação. Finalmente. sem uma coordenação. notadamente entre autoridades regionais e locais. portanto. A significação do patrimônio arquitetônico e a legitimidade de sua conservação são atualmente melhor compreendidas. Mas descobre-se também que a conservação das construções existentes contribui para a economia de recursos e para a luta contra o desperdício. a fim de chamar sua atenção para as construções e zonas dignas de serem protegidas. . é necessário fundamentá-la sólida e definitivamente. a escala humana. a legitimidade da conservação do patrimônio arquitetônico apareça hoje com uma força nova. no que diz respeito ao elemento qualitativo fundamental para a administração dos espaços. a interpenetração das funções e a diversidade sócio-cultural que caracterizam os tecidos urbanos antigos. Ainda que. A fim de tomar possível essa integração. cujo talento e conhecimento devem ser mantidos e transmitidos. abrir espaço às pesquisas de caráter fundamental e ser incluída em todos os programas de educação e desenvolvimento cultural. indispensável. Um diálogo permanente entre os conservadores e os planejadores tomou-se. Essa proteção global completará a proteção pontual dos monumentos e sítios isolados. dos conjuntos arquitetônicos e dos sítios. manutenção ou a criação de um modo de vi a que permita ao homem encontrar sua identidade e experimentar um sentimento de segurança face às mutações brutais da sociedade: um novo urbanismo procura reencontrar os espaços fechados. por todas essas razões. desde então. Tal inventário fornecerá uma base realista para a conservação. Seria desejável que esses inventários fossem largamente difundidos. tendo em conta todos os edifícios com valor cultural. é conveniente organizar o inventário das construções. assim como o ambiente em que se integram. A conservação do patrimônio arquitetônico um dos objetivos maiores do planejamento das áreas urbanas e do planejamento físico territorial. ela deve.

por uma visão estreita da técnica e.estar atentos ao fato de que os estudos prospectivos sobre a evolução dos serviços públicos (educativos.designar delegados responsáveis por todas as transações referentes ao patrimônio arquitetônico. A plena implementação de uma política contínua de conservação exige uma grande descentralização e o reconhecimento das culturas locais. A população deve. incitar novas atividades a serem implantadas nas zonas em declínio econômico a fim de sustar seu despovoamento e contribuir para impedir a degradação das construções antigas. e que deve permitir inverter. por uma concepção superada. criando um elo de ligação direta entre os utilizadores potenciais das edificações antigas e seus proprietários. respeitando seu caráter. Por outro lado. regionais e locais) onde são tomadas as decisões em matéria de planejamento.atribuir às construções funções que. particularmente. em todos os níveis (centrais. a ordem das escolhas e dos objetivos. Com essa finalidade. administrativos. Enfim. a conservação do patrimônio se insere numa nova perspectiva geral. baseada em informações objetivas e completas. aos empregos e a uma melhor repartição dos pólos de atividade urbana podem incidir mais profundamente sobre a conservação do patrimônio arquitetônico. de hoje em diante. . O apoio da opinião pública é essencial. Ela pode. assim.instaurar órgãos de atividade pública. Nesse contexto. . os poderes locais devem: . .A política de planejamento regional deve integrar as exigências de conservação do patrimônio arquitetônico e para elas contribuir. assim como às características arquitetônicas e volumétricas de seus espaços construídos e abertos. finalmente. . respondam às condições atuais de vida e garantam. respeitando com inteligência. eles devem levar em conta a continuidade das realidades sociais e físicas existentes nas comunidades urbanas e rurais. frequentemente determinada pelo curto prazo. . sensibilidade e organização o ambiente construído pelo homem. As subvenções e empréstimos concedidos a particulares e grupos diversos pelos poderes locais deveriam estimular o compromisso moral e financeiro dos favorecidos. O futuro não pode nem deve ser construído às custas do passado. a sua sobrevivência.basear-se numa análise da textura das construções urbanas e rurais. A conservação integrada conclama à responsabilidade os poderes locais e apela para a participação dos cidadãos Os poderes locais devem ter competências precisas e extensas em relação à proteção do patrimônio arquitetônico. as políticas relativas aos transportes. Aplicando os princípios de uma conservação integrada. médicos) demonstram que o gigantismo é desfavorável a sua qualidade e a sua eficácia. eles deveriam solicitar dos governos a criação de fundos específicos. Isso pressupõe que existam responsáveis pela conservação. suas complexas funções. Mas a conservação do patrimônio arquitetônico não deve ser tarefa dos especialistas. Para pôr em ação tal política. atenta aos novos critérios de qualidade e de medida.dedicar uma parte apropriada de seu orçamento a essa política. participar realmente. . desde a elaboração dos inventários até a tomada das decisões. notadamente no que diz respeito às suas estruturas. as decisões tomadas para o desenvolvimento das zonas periféricas das aglomerações devem ser orientadas de tal maneira que sejam atenuadas as pressões que são exercidas sobre os bairros antigos.

é necessária uma intervenção dos poderes públicos no sentido de moderar os mecanismos econômicos. deveria se tomar uma prática coerente. quando se comparam os custos equivalentes desses três procedimentos. Nesse sentido. Isto interessa não somente aos proprietários e aos locatários. utilizando uma linguagem clara e acessível. As proposições complementares ou alternativas apresentadas por associações ou por particulares deveriam ser consideradas como uma contribuição apreciável ao planejamento. discutir e apreciar os motivos das decisões.. Uma política de conservação implica também a integração do patrimônio na vida social. eles deveriam instaurar uma troca constante de informações e de idéias por todas as vias possíveis. para diminuir ou mesmo completar a diferença existente entre os antigos e os novos aluguéis. portanto. a fim de que a população possa conhecer. .facilitar a formação e o funcionamento eficaz de associações mantenedoras de restauração e de reabilitação. como sempre é feito quando se trata de estabelecimentos sociais. ou a construção de um conjunto sobre um sítio não urbanizado. Locais de encontro para reunião pública deveriam ser previstos. Para evitar que as leis do mercado sejam aplicadas com todo o rigor nos bairros restaurados o que teria por conseqüência a evasão dos habitantes. aos comerciantes e aos empresários estabelecidos no local. cujas conseqüências sociais são diferentes. Em relação à política de informação ao público. mas também pelo seu valor de utilização. mas também aos artesãos. A reabilitação de um conjunto que faça parte do patrimônio arquitetônico não é uma operação necessariamente mais onerosa que a de uma construção nova. os poderes locais terão todo o interesse em comunicar suas experiências respectivas. às sondagens de opiniões. às exposições. O esforço de conservação deve ser calculado não somente sobre o valor cultural das construções. aos canais da mídia e a todos os outros meios apropriados. o recurso às reuniões públicas. Os problemas sociais da conservação integrada só podem . As intervenções financeiras podem se equilibrar entre os incentivos à restauração concedidos aos proprietários através da fixação de tetos para os aluguéis e da alocação de indenizações de moradia aos locatários. realizada sobre uma infraestrutura existente.ser resolvidos através de uma referência combinada a essas duas escalas de valores. incapazes de pagar aluguéis majorados. É conveniente. não omitir o custo social. Finalmente. Os poderes locais devem aperfeiçoar suas técnicas de pesquisa para conhecer a opinião dos grupos envolvidos nos planos de conservação e levá-la em conta desde \a elaboração dos seus projetos. Em conseqüência. Consideração dos fatores sociais condiciona o resultado de toda política de conservação integrada. que asseguram a vida e a conservação do bairro em bom estado. A educação dos jovens em relação ao domínio do meio ambiente e sua associação a todas as tarefas da salvaguarda é um dos imperativos maiores da ação comunitária. eles devem tomar suas decisões à vista de todos.

à aprovação dos projetos e à autorização para executar os trabalhos: Por outro lado. Essa última deve fornecer uma nova definição do patrimônio arquitetônico e dos objetivos da conservação integrada. Com o objetivo de aumentar a capacidade operacional dos poderes públicos. Tendo sido a noção de patrimônio arquitetônico progressivamente ampliada do monumento histórico isolado aos conjuntos arquitetônicos urbanos e rurais. . aos cidadãos que decidam reabilitar uma construção antiga vantagens financeiras. acompanhada de um fortalecimento dos meios administrativos. no que concerte: . e por outra. Além do mais. técnicos e financeiros indispensáveis.conceder. deve prever medidas especiais. . o legislador deveria tomar as medidas necessárias a fim de: .à delimitação das zonas periféricas de proteção e dos locais de utilidade pública serem previstos.à designação e à delimitação dos conjuntos arquitetônicos. . . a legislação relativa à proteção do patrimônio arquitetônico. no mínimo.rever. o regime de incentivos financeiros do Estado e de outros poderes públicos. Essa sensibilização prática à cultura seria um beneficio social considerável. e também às contribuições de épocas mais recentes. constitui condição prévia para uma ação eficaz uma reforma profunda da legislação. a legislação relativa ao planejamento fisico-territorial.Para permitir à população participar da elaboração dos programas. A conservação integrada exige uma adaptação das medidas legislativas e administrativas. faz-se necessário rever a estrutura administrativa de maneira tal que os setores responsáveis pelo patrimônio arquitetônico sejam organizados em níveis apropriados e dotados suficientemente de pessoal qualificado. fornecendo-lhe todas as indicações sobre os regulamentos definitivos e temporários. . explicando-lhe o valor histórico e arquitetônico das edificações a serem conservadas e. Essa reforma deve ser dirigida pela necessidade de coordenar. convém fornecer-lhe os elementos para apreciação da situação.à elaboração dos programas de conservação integrada e à inserção das disposições desses programas no planejamento. . de uma parte. assim como de meios científicos. equivalentes às que aufeririam por uma construção nova. mas da reabilitação de bairros inteiros. por uma parte. Na medida do possível. em função da nova política de conservação integrada. de outra parte. Essa participação toma-se ainda mais importante na medida em que não se trate apenas da restauração de algumas construções privilegiadas. de maneira a satisfazer às exigências da conservação integrada.redistribuir de uma maneira equilibrada os créditos orçamentários reservados para o planejamento urbano e destinados à reabilitação e à construção respectivamente. seria necessário tornar flexível a aplicação de regulamentos e disposições particulares à construção.

coeficiente de ocupação do solo) e que favoreça uma inserção harmoniosa. É necessário criar métodos que permitam avaliar os custos adicionais impostos pelas dificuldades apresentadas nos programas de conservação. após demolição. a cada estado pôr em prática seus próprios métodos e instrumentos de financiamento. a suportar estritamente as taxas adicionais que lhes serão impostas. Os poderes públicos deveriam criar ou encorajar o lançamento de fundos de circulação que forneçam os meios necessários às coletividades locais e às associações sem fins lucrativos. por outro lado. as vantagens financeiras e fiscais oferecidas pelas novas construções de veriam ser concedidas nas mesmas proporções para a manutenção e conservação das construções antigas. em razão de suas repercussões recíprocas. pois.Esses serviços deveriam ajudar as autoridades locais. cooperar no planejamento fisicoterritorial e manter relações estreitas com os órgãos públicos e organizações privadas. Além do mais. que efetuam trabalhos de restauração. Compete.e este é um fator determinante . As diretrizes do planejamento deveriam desencorajar a densificação e promover antes a reabilitação do que uma renovação. pode-se estabelecer com certeza que não existe país na Europa cujos recursos financeiros utilizados para a conservação sejam suficientes. o que permitiria restabelecer o equilíbrio social. Se tal ajuda para fazer face aos custos adicionais for aceita. Esse processo está. Isso vale particularmente para as zonas onde o financiamento de tais programas poderá ser . submetido a fatores externos resultantes da estrutura atual da sociedade. deduzidos os eventuais custos adicionais. parece que nenhum país europeu jamais elaborou um mecanismo administrativo perfeitamente adequado a corresponder às exigências econômicas de uma política de conservação integrada. Na medida do possível seria necessário dispor de meios financeiros suficientes para ajudar os proprietários. Todavia. Por ora. É difícil definir uma política financeira aplicável a todos os países e avaliar as conseqüências das diferentes medidas que intervêm nos processos de planejamento. será necessário naturalmente cuidar para que essa vantagem não seja amenizada pelo imposto. Também é preciso aplicar este mesmo principio em proveito da reabilitação dos conjuntos degradados de interesse histórico ou arquitetônico. Para conseguir resolver os problemas econômicos da conservação integrada é necessário .que seja elaborada uma legislação que submeta as novas construções a certas restrições no que diz respeito a seus volumes (altura. A conservação integrada requer medidas financeiras apropriadas.

o que favoreceria a reforma das práticas de restauração e de reabilitação. As possibilidades de qualificação. É absolutamente necessário dispor de melhores programas de formação de pessoal qualificado. reunir uma documentação completa sobre os materiais e as técnicas e proceder a uma análise dos custos. Todo programa de reabilitação deveria ser estudado meticulosamente antes de sua execução. arquitetos. criar instituições científicas que deveriam cooperar estreitamente entre si. notadamente os de origem industrial. Os métodos e técnicas de restauração e reabilitação de edifícios e conjuntos históricos deveriam ser mais explorados e seu espectro alargado. evitar onerosas operações de reabilitação. tanto em nível nacional quanto local. As técnicas especializadas impregnados por ocasião da restauração de conjuntos históricos importantes deveriam ser. e convém. Deveria haver mais facilidade em dispor de urbanistas. Seria necessário arrecadar dados para confecção de um catálogo de métodos e de técnicas utilizados e.assegurado de forma autônoma. a curto ou a longo prazo. É importante atentar para que os materiais de construção tradicional continuem a ser aplicados A conservação permanente do patrimônio arquitetônico permitirá. em razão da maior valorização resultante da forte demanda que se aplica aos proprietários que dispõem de um tal incentivo. Os materiais e técnicas novas não devem ser aplicados sem antes se obter a concordância de instituições científicas neutras. ao mesmo tempo. de hoje em diante utilizadas na vasta gama de monumentos e conjuntos que apresentam um menor interesse artístico. multidisciplinares e compreender um aprendizado que permita adquirir uma experiência prática sobre a matéria. para isso. Estes programas deveriam ser flexíveis. a segurança do emprego e o status social deveriam ser suficientemente atraentes para incentivar os jovens a . É. Inúmeras iniciativas de caráter privado têm demonstrado o excepcional resultado alcançado em associam com os poderes públicos. A conservação integrada conclama à promoção de métodos. as remunerações. A permuta internacional de conhecimentos. de experiências e de estagiários é um elemento essencial na formação de todo o pessoal interessado. técnicos e artesãos necessários à preparação de programas de conservação e para assegurar a promoção de profissões artesanais que intervêm no trabalho de restauração e que estão ameaçadas de desaparecer. as condições de trabalho. Esse catálogo deveria ser posto à disposição de todos os interessados. todavia. Essa documentação deveria ser reunida em centros apropriados. a longo prazo. técnicas e aptidões profissionais ligadas à restauração e à reabilitação. de vital importância estimular todos os recursos de financiamento privados.

urbanistas. Considerando que o objetivo do Conselho da Europa é efetivar uma união mais estreita entre seus membros. por consequência. eleitos locais. acham-se empenhados. principalmente para salvaguardar e promover os ideais e os princípios que lhes são patrimônio comum. Reconhecendo que o patrimônio arquitetônico. Considerando que os Estados Membros do Conselho da Europa. O Comitê de Ministros. em virtude do artigo primeiro dessa convenção. Manifesto de Amsterdã de outubro de 1975 Carta Européia do Partimônio Arquitetônico Ano do Patrimônio Europeu Mil delegados de 25 Países Europeus (ministros. Finalmente. realizado em Amsterdã. expressão insubstituível da riqueza e da diversidade da cultura européia. a Carta Européia do Patrimônio Arquitetônico foi solenemente promulgada no Congresso sobre o Patrimônio Arquitetônico Europeu. participantes da Convenção Cultural Européia de 19 de dezembro de 1954. . realizada em Bruxelas. Tendo em vista a recomendação da Conferência de Ministros Europeus Responsáveis pelo Patrimônio Arquitetônico. em 26 de setembro de 1975. relativa a uma carta do patrimônio arquitetônico. e a recomendação número 589 (de 1970) da Assembléia Consultiva do Conselho da Europa. as autoridades responsáveis pelos programas de aprendizado em todos os níveis deveriam se esforçar para gerar interesse na juventude em relação às atividades especializadas da conservação. de sua integração no quadro da vida dos cidadãos e de sua valorização nos planejamentos físicoterritorial e nos planos urbanos. Considerando que a conservação do patrimônio arquitetônico depende. em grande parte. em 1969. Recomenda que os governos dos Estados Membros adotem as medidas de ordem legislativa. é herança comum de todos os povos e que sua conservação compromete. a solidariedade efetiva dos Estados europeus. de 21 a 25 de outubro de 1975.se voltarem para as disciplinas relacionadas com a restauração e a permanecerem nesse campo de atividade. a adotar as medidas necessárias a salvaguardar sua contribuição ao patrimônio cultural comum da Europa e a encorajar-lhe o desenvolvimento. funcionários. representantes de associações) Adotada pelo Comitê dos Ministros do Conselho da Europa. arquitetos. Reafirma sua disposição de promover uma política européia comum e uma ação adequada de proteção do patrimônio arquitetônico apoiadas nos princípios de sua conservação integrada.

Durante muito tempo só se protegeram e restauraram os monumentos mais importantes. abaixo redigidos: O patrimônio arquitetônico europeu é constituído não somente por nossos monumentos mais importantes. sob os auspícios do Conselho da Europa. organizado em 1975. Os homens do nosso tempo. mesmo por criações de alta qualidade. uma boa repartição das funções e uma integração maior das populações. É preciso conservar tanto esses conjuntos quanto aqueles. Adota e promulga os princípios da presente carta. . mais um empobrecimento cuja perda em valores acumulados não pode ser compensada. No passado. sem levar em conta o ambiente em que se inserem. eles geralmente evitaram a segregação das classes sociais. financeira e educativa necessárias à implementação de uma política de conservação integrada do patrimônio arquitetônico e a desenvolver o interesse do público por essa política. levando em conta os resultados da campanha do Ano Europeu do Patrimônio Arquitetônico. econômico e social cujos valores são insubstituíveis. em presença de uma civilização que muda de feição e cujos perigos são tão manifestos quanto os bons resultados. A encarnação do passado no patrimônio arquitetônico constitui um ambiente indispensável ao equilíbrio e ao desenvolvimento do homem. mais também pelos conjuntos que constituem nossas antigas cidades e povoações tradicionais em seu ambiente natural ou construído. Por outro lado. Cada geração dá uma interpretação diferente ao passado e dele extrai novas idéias. Podem facilitar. eles podem perder uma grande parte de seu caráter se esse ambiente é alterado. preparada pelo Comitê dos Monumentos e Sítios do Conselho da Europa. cultural. a necessidade de poupar recursos impõe-se a nossa sociedade. O patrimônio arquitetônico dá testemunho da presença da história e de sua importância em nossa vida. mesmo que não disponham de edificações excepcionais. a utilização desse patrimônio é uma fonte de economias. O patrimônio arquitetônico tem um valor educativo determinante. Por outro lado. portanto. a humanidade seria amputada de uma parte da consciência de sua própria continuidade. O patrimônio arquitetônico é um capital espiritual. A estrutura dos conjuntos históricos favorece o equilíbrio harmoniosos das sociedades. Esses conjuntos se constituem efetivamente em meios próprios ao desenvolvimento de um amplo leque de atividades. os conjuntos. Qualquer diminuição desse capital é. se apercebem instintivamente do valor desse patrimônio.administrativa. podem oferecer uma qualidade de atmosfera produzida por obras de arte diversas e articuladas. Longe de ser um luxo para a coletividade. de novo. Ora. É uma parte essencial da memória dos homens de hoje em dia e se não for possível transmitila às gerações futuras na sua riqueza autêntica e em sua diversidade.

A conservação integrada é o resultado da ação conjugada das técnicas da restauração e da pesquisa de funções apropriadas. Recursos Administrativos A aplicação de uma tal política exige a utilização de estruturas administrativas adequadas e suficientemente valorizadas. a forma e a disposição dos volumes. portanto. Quando essas disposições não permitirem a obtenção do objetivo buscado. A tecnologia contemporânea. conservar vivos os testemunhos de todas as épocas e de todas as experimentações. e que ela deverá ter na maior conta o entorno existente. A evolução histórica levou os centros degradados das cidades e. A conservação integrada afasta as ameaças. financeiros e técnicos. mal aplicada. Esse patrimônio está em perigo. Importa. a especulação financeira e imobiliária tiram partido de tudo e aniquilam os melhores projetos. Convém notar que essa conservação integrada não exclui completamente a arquitetura contemporânea nos conjuntos antigos. pelo abandono. Ora. eventualmente. as pequenas cidades abandonadas a se tornarem reservas de alojamento barato. Afinal e principalmente. A conservação integrada deve ser. Determinado tipo de urbanismo é destruidor quando as autoridades são exageradamente sensíveis às pressões econômicas e as exigências da circulação. Ele está ameaçado pela ignorância. especialmente pelas gerações jovens. a imagem e o contato direto adquirem novamente uma importância decisiva na formação dos homens. Recursos Jurídicos A conservação integrada deve utilizar todas as leis e regulamentos existentes que possam concorrer para a salvaguarda e para a proteção do patrimônio. respeitar as proporções. é preciso complementá-las e criar os instrumentos jurídicos indispensáveis a níveis apropriados: nacional. destrói as antigas estruturas. pela antiguidade. um dos pressupostos do planejamento urbano e regional. por isso. Recursos Financeiros . administrativos. que por eles serão responsáveis no futuro. assim como os materiais tradicionais. pela degradação sob todas as formas. regional e local. As restaurações abusivas são nefastas. A conservação integrada requer a utilização de recursos jurídicos. A sobrevivência desses testemunhos só estará assegurada se a necessidade de sua proteção for compreendida pela maior parte e. Sua restauração deve ser conduzida por um espírito de justiça social e não deve ser acompanhada pelo êxodo de todos os habitantes de condição modesta. qualquer que seja a sua origem.Ele oferece um conteúdo privilegiado de explicações e comparações sobre o sentido das formas e um manancial de exemplos de suas utilizações.

Considerando que os conjuntos históricos ou tradicionais fazem parte do ambiente cotidiano dos seres humanos em todos os países. A informação do público deve ser mais desenvolvida na medida em que os cidadãos têm o direito de participar das decisões que dizem respeito a suas condições de vida. os artesãos qualificados. em sua décima nona sessão.Organização das Nações Unidas para a Educação. capazes de levar a bom termo as restaurações. iguais aos que se destinam a novas construções. É preciso desenvolver a formação e o emprego dos quadros e da mão de obra. as empresas especializadas. reunida em Nairobi. cada uma das suas partes está à mercê de cada um. são insuficientes em número. a Ciência e a Cultura. Recursos Técnicos Os arquitetos. Cabe-lhe a responsabilidade de o transmitir às gerações futuras. Todos os problemas de conservação são comuns a toda a Europa e devem ser tratados de maneira coordenada. É indispensável o concurso de todos para o êxito da conservação integrada. O patrimônio arquitetônico é o bem comum de nosso continente. a Ciência e a Cultura de 26 de novembro de 1976 RECOMENDAÇÃO RELATIVA À SALVAGUARDA DOS CONJUNTOS HISTÓRICOS E SUA FUNÇÃO NA VIDA CONTEMPORÂNEA. A Conferência Geral da Organização das Nações Unidas para a Educação. convocar as indústrias da construção a se adaptarem a essas necessidades e favorecer o desenvolvimento de um artesanato ameaçado de desaparecimento. Cada geração. aí compreendidos os recursos fiscais. 19ª Sessão UNESCO . pelo menos. de todas as ajudas e incentivos financeiros necessários. aliás. É essencial que os recursos financeiros consagrados pelos poderes públicos à restauração de conjuntos antigos sejam.A manutenção e restauração dos elementos do patrimônio arquitetônico devem poder se beneficiar. de 26 de outubro a 30 de novembro de 1976. Cabe ao Conselho da Europa assegurar a coerência da política de seus Estados Membros e promover sua solidariedade. em se apresentando ocasião. só dispõe do patrimônio a título passageiro. Ainda que o patrimônio arquitetônico seja propriedade de todos. constituem a presença viva do passado que lhes deu . os técnicos de todas as categorias.

religiosas e sociais da humanidade e que sua salvaguarda e integração na vida contemporânea são elementos fundamentais na planificação das áreas urbanas e do planejamento físico-territorial. todos os Estados devem agir para salvar esses valores insubstituíveis. Considerando que os conjuntos históricos ou tradicionais constituem através das idades os testemunhos mais tangíveis da riqueza e da diversidade das criações culturais. Tendo decidido. Considerando que os conjuntos históricos ou tradicionais constituem um patrimônio imobiliário cuja destruição provoca muitas vezes perturbações sociais. adquirem um valor e uma dimensão humana suplementares. questão que constitui o ponto 27 da ordem do dia da sessão. destinadas a efetivar. assim como às instituições. esses testemunhos vivos de épocas anteriores adquirem uma importância vital para cada ser humano e para as nações que neles encontram a expressão de sua cultura e.forma. nos territórios sob sua jurisdição. Considerando que. no mundo inteiro. nas datas e na . sob pretexto de expansão ou de modernização. do Patrimônio Cultural e Natural (1972). por isso. a presente recomendação. Constatando que em muitos países falta uma legislação suficientemente eficaz e flexível que diga respeito ao patrimônio arquitetônico e a suas relações com o planejamento físicoterritorial. diante dos perigos da uniformização e da despersonalização que se manifestam constantemente em nossa época. adotando medidas sob a forma de lei nacional ou de outra forma. em sua décima oitava sessão. A Conferência Geral recomenda aos Estados Membros que lhe apresentem. Considerando que. Considerando que essa situação implica a responsabilidade de cada cidadão e impõe aos poderes públicos obrigações que só eles podem assumir. A Conferência Geral recomenda aos Estados Membros que levem esta recomendação ao conhecimento das autoridades nacionais. a Recomendação Relativa à Salvaguarda da Beleza e do Caráter dos Sítios e Paisagens (1962). regional ou local. no Plano Nacional. em 26 de novembro de 1976. os princípios e as normas formuladas nesta recomendação. regionais e locais. asseguram ao quadro da vida a variedade necessária para responder à diversidade da sociedade e. Observando que a Conferência Geral já adotou instrumentos internacionais para a proteção do patrimônio cultural e natural. ao mesmo tempo. Considerando que. mesmo quando não resulte em perdas econômicas. destruições que ignoram o que destroem e reconstruções irracionais e inadequadas ocasionam grave prejuízo a esse patrimônio histórico. Adota. que esse assunto seria objeto de uma recomendação aos Estados Membros. tais como a Recomendação que Define os Princípios Internacionais a serem Aplicados em Relação às Escavações Arqueológicas (1956). A Conferência Geral recomenda aos Estados Membros que apliquem as disposições seguintes. Desejando complementar e ampliar o alcance das normas e dos princípios formulados nesses instrumentos internacionais. Tendo-lhe sido apresentadas propostas relativas à salvaguarda dos conjuntos históricos ou tradicionais e sua função na vida contemporânea. diante de tais perigos de deterioração e até de desaparecimento total. um dos fundamentos de sua identidade. serviços ou órgãos e associações interessados na salvaguarda dos conjuntos históricos ou tradicionais e seu entorno. adotando urgentemente uma política global e ativa de proteção e de revitalização dos conjuntos históricos ou tradicionais e de sua ambiência. como parte do planejamento nacional. a Recomendação sobre a Preservação dos Bens Culturais Ameaçados pela Realização de Obras Públicas ou Privadas (1968) e a Recomendação sobre a Proteção.

a reabilitação. a estrutura espacial e as zonas circundantes. Nas condições da urbanização moderna. Todos os trabalhos de restauração a serem empreendidos deveriam basear-se em princípios científicos. em regra.Princípios Gerais: Dever-se-ia considerar que os conjuntos históricos ou tradicionais e sua ambiência constituem um patrimônio universal insubstituível. uma grande atenção deveria ser dispensada à harmonia e à emoção estética que resultam da conexão ou do contraste dos diferentes elementos que compõem os conjuntos e que dão a cada um deles seu caráter particular. assim como os conjuntos monumentais homogêneos. Dessa maneira. as autoridades nacionais. no interesse de todos os cidadãos e da comunidade internacional. ou por laços sociais. regionais ou locais. Entre esses "conjuntos". que constituam um assentamento humano. incluídas as atividades humanas. têm. as aldeias e lugarejos. estético ou sócio-cultural. pré-histórico. Os conjuntos históricos ou tradicionais e sua ambiência deveriam ser protegidos ativamente contra quaisquer deteriorações. como um todo coerente cujo equilíbrio e caráter específico dependem da síntese dos elementos que o compõem e que compreendem tanto as atividades humanas como as construções. ao perigo da destruição direta dos conjuntos históricos ou . a proteção. segundo as condições próprias de cada Estado Membro em matéria de distribuição de poderes. a manutenção e a revitalização dos conjuntos históricos ou tradicionais e de seu entorno. assim como as provocadas por qualquer forma de poluição. podem-se distinguir especialmente os sítios pré-históricos. particularmente as que resultam de uma utilização imprópria. todos os elementos válidos. Sua salvaguarda e integração na vida coletiva de nossa época deveriam ser uma obrigação para os governos e para os cidadão dos Estados em cujo território se encontram. ficando entendido que estes últimos deverão. a restauração. histórico. arquitetônico. os bairros urbanos antigos. que produz um aumento considerável na escala e na densidade das construções.Definições Para os efeitos da presente recomendação: a) Considera-se conjunto histórico ou tradicional todo agrupamento de construções e de espaços. em relação ao conjunto. c) Entende-se por "salvaguarda" a identificação. as cidades históricas. de acréscimos supérfluos e de transformações abusivas ou desprovidas de sensibilidade que atentam contra sua autenticidade. Deveriam ser responsáveis por isso. Do mesmo modo. b) Entende-se por "ambiência" dos conjuntos históricos ou tradicionais. ou a eles se vincula de maneira imediata no espaço. que são muito variados. a conservação. ser conservados em sua integridade. desde as mais modestas. II . o quadro natural ou construído que influi na percepção estática ou dinâmica desses conjuntos. tanto no meio urbano quanto no rural e cuja coesão e valor são reconhecidos do ponto-de-vista arqueológico.forma que ela determinar. relatórios sobre a maneira como aplicaram a presente recomendação. I . Cada conjunto histórico ou tradicional e sua ambiência deveria ser considerado em sua globalidade. inclusive os sítios arqueológicos e palenteológicos. econômicos ou culturais. uma significação que é preciso respeitar.

Regional e Local Em cada Estado Membro deveria se formular. regional ou local. regionais e locais para salvaguardar os conjuntos históricos ou tradicionais e sua ambiência e adaptá-los às exigências da vida contemporânea. técnicas. nas condições peculiares a cada um em matéria de distribuição de poderes. As ações resultantes desse planejamento deveriam se integrar à formulação dos objetivos e programas. levando em conta as disposições contidas neste capítulo e nos seguintes. Dever-se-ia buscar a colaboração dos indivíduos e das associações privadas para a aplicação da política de salvaguarda. econômicas e sociais pelas autoridades nacionais. à distribuição das funções e à execução das operações. regional e local e orientar a ordenação urbana urbano e rural e o planejamento físico-territorial em todos os níveis. não se deteriore e para que esses conjuntos se integrem harmoniosamente na vida contemporânea. a salvaguarda dos conjuntos históricos ou tradicionais pode contribuir extraordinariamente para a manutenção e o desenvolvimento dos valores culturais e sociais peculiares de cada nação e para o enriquecimento arquitetônico do patrimônio cultural mundial. uma política nacional.Medidas de Salvaguarda A salvaguarda dos conjuntos históricos ou tradicionais e de sua ambiência deveria se ajustar aos princípios anteriormente enunciados e aos métodos expostos a seguir. particularmente: . IV .tradicionais se agrega o perigo real de que os novos conjuntos destruam indiretamente a ambiência e o caráter dos conjuntos históricos adjacentes. Essas legislações deveriam encorajar a adaptação ou a adoção de disposições. regional e local a fim de que sejam adotadas medidas jurídicas. As disposições que estabeleçam um sistema de salvaguarda dos conjuntos históricos ou tradicionais deveriam enunciar os princípios gerais relativos ao estabelecimento e à adoção dos planos e documentos necessários e. para assegurar tal salvaguarda. se necessário. Os Estados Membros deveriam adaptar as disposições existentes ou. nos planos urbanos. promulgar novos textos legislativos e regulamentares para assegurar a salvaguarda dos conjuntos históricos e tradicionais e de sua ambiência. determinando-se as medidas concretas de acordo com as competências legislativas e constitucionais e com a organização social e econômica de cada Estado. ou a visão que a partir deles se obtém.Política Nacional. Essa política deveria influenciar o planejamento nacional. Os arquitetos e urbanistas deveriam empenhar-se para que a visão dos monumentos e conjuntos históricos. Conviria revisar as leis relativas ao planejamento físico territorial. Medidas Jurídicas e administrativas A aplicação de uma política global de salvaguarda dos conjuntos históricos e tradicionais e de sua ambiência deveria basear-se em princípios válidos para cada país em sua totalidade. III . ao urbanismo e à política habitacional de modo a coordenar e harmonizar suas disposições com as das leis relativas à salvaguarda do patrimônio arquitetônico. Numa época em que a crescente universalidade das técnicas construtivas e das formas arquitetônicas apresentam o risco de provocar uma uniformização dos assentamentos humanos no mundo inteiro.

que possa comprometer uma proteção e uma restauração concebidas em função do interesse coletivo. uma parte suficiente dos créditos previstos para a construção de habitações sociais deveria ser destinada à reabilitação de edificações antigas. arbitrárias ou injustas. Em particular. .as funções de manutenção e a designação dos encarregados de desempenhá-las. . em princípio. restauração e transformação. . .as condições que regerão a implantação de novas construções. acompanhada de disposições preventivas contra as infrações à regulamentação de salvaguarda e contra qualquer alta especulativa dos valores imobiliários nas zonas protegidas.as condições e restrições gerais aplicáveis às zonas protegidas por lei e a suas imediações. um mecanismo de recurso contra as decisões ilegais. . O respeito às medidas de salvaguarda deveria ser imposto tanto às coletividades públicas quanto às particulares. todavia.as condições gerais de instalação das redes de suprimento e dos serviços necessários à vida urbana ou rural. modificação. Além disso. de reestruturação e de ordenação do espaço rural. as disposições relativas aos imóveis e quarteirões insalubres.e instituir sanções efetivas como a suspensão das obras. .as modalidades de financiamento e de execução dos programas de salvaguarda.a indicação dos programas e operações previstas em matéria de conservação e de infraestrutura de serviços. consequentemente. Essas disposições poderiam envolver medidas de planejamento urbano que influam no preço dos terrenos por construir . Só deveriam ser permitidas as demolições de edificações sem valor histórico ou arquitetônico e as subvenções ocasionalmente resultantes deveriam ser estritamente controladas. .as zonas e os elementos a serem protegidos.as normas que regulam os trabalhos de manutenção.os campos a que se poderão aplicar as intervenções de urbanismo. As disposições referentes à construção de edifícios para órgãos públicos e privados e a obras públicas e privadas deveriam adaptar-se à regulamentação da salvaguarda dos conjuntos históricos e de sua ambiência. Os efeitos legais das medidas de proteção a edificações e terrenos deveriam ser levadas ao conhecimento público e registradas em um órgão oficial competente.. .a designação do órgão encarregado de autorizar qualquer restauração. A legislação de salvaguarda deveria ser. a concessão do direito de preempção e a um órgão público.as condições e restrições específicas que lhes dizem respeito. .tais como o estabelecimento de planos de ordenação distritais ou de extensão mais reduzida. ou a intervenção compulsória em caso de incapacidade ou descumprimento por parte dos proprietários . Os planos e documentos de salvaguarda deveriam definir especialmente: . a expropriação no interesse da salvaguarda. . assim como à construção de habitações sociais deveriam ser concebidas ou reformuladas de modo que não apenas se ajustem à política de salvaguarda. estabelecido e modulado sobretudo para facilitar o desenvolvimento de habitação subsidiadas e de edifícios públicos através da reabilitação de construções antigas. nova construção ou demolição no perímetro protegido. Dever-se-ia estabelecer. a obrigação de reconstituir e/ou multa apropriada. O regime de eventuais subvenções deveria ser. mas que para ela contribuam.

especialistas em saúde pública e assistência social. Medidas Técnicas. .deveriam contar com pessoal necessário e com meios técnicos. um inventário dos espaços abertos.ecólogos e arquitetos paisagistas. com a mesma finalidade. e) os serviços públicos encarregados de aplicar as disposições de salvaguarda em qualquer nível .nacional. em geral. Econômicas e Sociais Dever-ser-ia estabelecer. As medidas de proteção. assim como de sua vegetação. de: . c) as autoridades deveriam tomar a iniciativa de organizar a consulta e a participação da população interessada. assim como do contexto urbano ou regional mais amplo. administrativos e financeiros adequados. Além dessa investigação arquitetônica. regional ou local. em circunstâncias absolutamente excepcionais e escrupulosamente documentadas. os problemas fundiários. Esses estudos deveriam abranger. os modos de vida e as relações sociais. d) os planos de salvaguarda deveriam ser aprovados pelo órgão designado por lei. . deveriam ser tomadas sem esperar que se estabeleçam planos e documentos de salvaguarda. ou. infraestrutura urbana. regional e local . se possível. sociais e culturais. culturais e técnicas. econômicas. Além disso. que tiverem caráter urgente. b) os planos e documentos de salvaguarda deveriam ser elaborados depois que todos os estudos científicos necessários houverem sido efetuados por equipes multidisciplinares compostas. regionais e locais. públicos e privados. Essa relação deveria indicar prioridades para facilitar uma alocação racional dos limitados recursos disponíveis para fins de salvaguarda. . As . nos níveis nacional. o que permitiria às autoridades suspender qualquer obra incompatível com esta recomendação. incluídos os historiadores da arte. . . são necessários estudos pormenorizados dos dados e das estruturas sociais.Respeitadas as condições próprias a cada país e a distribuição de poderes das diversas administrações nacionais. o estado do sistema viário.arquitetos e urbanistas.sociólogos e economistas.e.especialistas em conservação e restauração. as redes de comunicação e as inter-relações recíprocas da zona protegida com as zonas circundadas. Deveria ser produzido um documento analítico destinado a determinar os imóveis ou os grupos de imóveis a serem rigorosamente protegidos. históricos. especialistas em todas as matérias relativas à proteção e revitalização dos conjuntos históricos e tradicionais. Deveria ser feita uma análise de todo o conjunto. destruídos. deveria ser realizado. a execução de obras de salvaguarda deveria se inspirar nos seguintes princípios: a) uma autoridade responsável deveria encarregar-se da coordenação permanente de todos os intervenientes: serviços públicos nacionais. de qualquer tipo. conservados sob certas condições. arquitetônicos. que contivesse os dados arqueológicos. técnicos e econômicos. principalmente. regionais e locais ou grupos de particulares. uma relação dos conjuntos históricos ou tradicionais e sua ambiência a serem salvaguardados. dados demográficos e uma análise das atividades econômicas. inclusive de sua evolução espacial.

até mesmo. Seria essencial. desde que sejam compatíveis com os critérios de salvaguarda do patrimônio cultural. estabelecer uma programação que leva-se igualmente em consideração o respeito aos dados urbanísticos. Os programas de saneamento urbano ou de beneficiamento aplicáveis a zonas que não estão incluídas nos planos de salvaguarda deveriam respeitar os edifícios e outros elementos que possuam um valor arquitetônico ou histórico e seus acessórios. devem ser buscadas soluções particulares em colaboração com todos os serviços interessados. econômicos e sociais. necessária e previamente. os planos de salvaguarda pertinentes. os programas de saneamento urbano ou de beneficiamento que consistirem na demolição de imóveis desprovidos de interesse arquitetônico ou histórico ou arruinados demais para serem conservados. sem ameaça alguma ao patrimônio cultural. Uma vez que o contexto social. em vez de serem retardadas indefinidamente enquanto se aprimora o processo de planejamento. assim como a necessária acomodação temporária durante as obras e os locais para realojamento permanente dos habitantes que não puderem regressar a sua morada anterior.autoridades competentes deveriam atribuir suma importância a esses estudos e compreender que. Em qualquer operação de saneamento urbano ou de beneficiamento que afete um conjunto histórico deveriam ser observadas as normas gerais de segurança relativas a incêndios e catástrofes naturais. Quando existirem planos de salvaguarda. Em caso contrário. sem eles. que a elaboração dos planos de salvaguarda e sua execução se baseassem nos estudos disponíveis. A programação deveria visar à adaptação das densidades de ocupação e a prever o escalonamento das operações. na supressão de acréscimos e construções superpostas sem valor e. os estudos e investigações deveriam ser regularmente atualizados. portanto. É necessária uma vigilância permanente para evitar que essas operações beneficiem apenas a especulação ou sejam utilizadas com finalidades contrárias aos objetivos do plano. arquitetônicos. a ação de salvaguarda deveria levar em consideração as manifestações de todos esses períodos. Se tais elementos estivessem arriscados de sofrer danos com esses programas deveriam ser elaborados. e a capacidade de o tecido urbano e rural acolher funções compatíveis com seu caráter específico. Nos conjuntos históricos ou tradicionais que possuírem elementos de vários períodos diferentes. a fim de garantir o máximo de segurança. não seria possível estabelecer planos eficazes de salvaguarda. em princípio. na demolição de edificações recentes que rompam a unidade do conjunto só poderão ser autorizados nos termos do plano de salvaguarda. seria conveniente que seus autores fossem encarregados de sua execução ou direção. Antes da formulação de planos e normas de salvaguarda e depois da análise acima descrita. Uma vez estabelecidos e aprovados os planos e normas de salvaguarda pela autoridade pública competente. Essa programação deveria ser elaborada com a maior participação possível das coletividades e populações interessadas. Um cuidado especial deveria ser adotado na regulamentação e no controle das novas construções para assegurar que sua arquitetura se enquadre harmoniosamente nas estruturas . econômico e físico dos conjuntos históricos e de sua ambiência está em constante evolução. conviria.

Os conjuntos históricos ou tradicionais e sua ambiência deveriam ser protegidos contra a desfiguração resultante da instalação de suportes. culturais e econômicos dos habitantes. Os cartazes. conviria estudar com extremo cuidado a localização e o acesso dos parques de estacionamento não só dos periféricos como dos centrais. elementos constitutivos do agenciamento das fachadas e dos telhados. regional ou nacional em que se inserem. o acesso aos serviços e o transporte público. relações dos volumes construídos e dos espaços. então. dos choques e das vibrações produzidas contra as deteriorações provenientes de uma excessiva exploração turística. a instalação subterrânea de redes elétricas e de outros cabos. cores. Para consegui-lo e para favorecer o trânsito de pedestres. antenas de televisão ou painéis publicitários de grande escala. Seria. Uma atenção especial deveria ser prestada à dimensão dos lotes. a publicidade luminosa ou não. Se já existirem. assim como suas proporções médias e a implantação dos edifícios. em particular. A proteção e a restauração deveriam ser acompanhadas de atividades de revitalização. Não se deveria autorizar o isolamento de um monumento através da supressão de seu entorno. essencial manter as funções apropriadas existentes e. através da proibição de se implantarem indústrias nocivas em sua proximidade e da adoção de medidas preventivas contra os efeitos destrutivos dos ruídos. cabos elétricos ou telefônicos. como para analisar suas dominantes: harmonia das alturas. tais como quaisquer formas de poluição. os letreiros comerciais. coordenadas fácil e economicamente com o desenvolvimento da rede viária. para serem viáveis a longo prazo. o comércio e o artesanato e criar outras novas que. seu deslocamento só deveria ser decidido excepcionalmente e por razões de força maior. Dado o conflito existente na maior parte dos conjuntos históricos ou tradicionais entre o trânsito automobilístico. que seriam demasiadamente onerosas se fossem feitas separadamente. por um lado e a densidade do tecido urbano e as características arquitetônicas por outro. Essas funções teriam que se adaptar às necessidades sociais. Numerosas operações de reabilitação. pois qualquer modificação poderia resultar em um efeito de massa. Os Estados Membros e as instituições interessadas deveriam proteger os conjuntos históricos ou tradicionais e sua ambiência contra os danos cada vez mais graves causados por determinados avanços tecnológicos. mas também do valor derivado da utilização que delas se possa fazer. o mobiliário urbano e o revestimento do solo deveriam ser estudados e controlados com o maior cuidado. e estabelecer redes de transporte que facilitem ao mesmo tempo a circulação dos pedestres. O custo das operações de salvaguarda não deveria ser avaliado apenas em função do valor cultural das construções. poderiam ser. sem contrariar o caráter específico do conjunto em questão. não só para definir o caráter geral do conjunto.espaciais e na ambiência dos conjuntos históricos. deveriam ser compatíveis com o contexto econômico e social. do mesmo modo. tais como. Os problemas sociais decorrentes da salvaguarda só podem ser colocados corretamente se houver referência a essas duas escalas de valor. Uma política de revitalização cultural deveria converter os . urbano. prejudicial à harmonia do conjunto. Para isso. entre outras. Deveria ser feito um esforço especial para evitar qualquer forma de vandalismo. uma análise do contexto urbano deveria preceder qualquer construção nova. para que se integrem harmoniosamente ao conjunto. materiais e formas. os Estados Membros deveriam estimular e ajudar as autoridades locais a encontrar soluções para esse problema. a sinalização das ruas. portanto. deverão ser adotadas medidas adequadas para suprimi-los.

cujas iniciativas e participação ativa deveriam ser estimuladas. Nas zonas rurais todos os trabalhos que implicarem uma degradação da paisagem. deveria pressupor as intervenções da coletividade. pois as operações agrupadas se tornam economicamente mais vantajosas que as ações individuais. ou criação de órgãos de economia mista que participem da execução. Deveriam ser estimuladas a fundação de grupos voluntários de salvaguarda e de associações de caráter não lucrativo e a instituição de recompensas honoríficas ou pecuniárias para que sejam reconhecidas as realizações exemplares em todos os campos da salvaguarda. representação dos proprietários. Esses incentivos fiscais. dos habitantes e dos usuários. isoladamente ou em grupo. incentivos fiscais. privado ou mistos encarregados de coordenar nos níveis nacional. doações. antes de mais nada. criação de grupos consultivos nos órgãos de planejamento. ser estabelecida entre as coletividades e os particulares. As vantagens financeiras a serem concedidas aos proprietários particulares e aos usuários deveriam estar. subsídios ou empréstimos em condições favoráveis ao proprietários particulares e usuários que houverem realizado as obras estabelecidas pelos planos de salvaguarda e de acordo com as normas fixadas por esses planos. o custo suplementar imposto ao proprietário em relação ao novo valor venal ou locativo do edifício. particularmente as habitações de baixa renda e somente aplicar-se a novas construções na medida em que elas não constituírem uma ameaça à utilização e às funções dos edifícios existentes. assim como quaisquer mudanças nas estruturas econômicas e sociais deveriam ser cuidadosamente controlados para preservar a integridade das comunidades rurais históricas em seu ambiente natural. regional ou local todas as formas de ajuda financeira e de orientá-las a uma aplicação global. esses investimentos públicos deveriam servir. especialmente através dos seguintes meios: informações adaptadas aos tipos de pessoas atinentes. para conservar os edifícios existentes. a título consultivo. Dever-se-iam conceder doações. ou seja. de gestão e de revitalização das operações relacionadas com os planos de salvaguarda. O conjunto desses créditos deveria ser administrado de forma centralizada pelos órgãos de direito público. eventualmente. a grupamentos de proprietários ou de usuários de habitações e estabelecimentos comerciais. portanto. e levar em consideração o custo adicional da restauração. nos órgãos de decisão.conjuntos históricos em pólos de atividades culturais e atribuir-lhes um papel essencial no desenvolvimento cultural das comunidades circundantes. em qualquer das formas descritas nos parágrafos seguintes. Em geral. A ação de salvaguarda deveria associar a contribuição da autoridade pública à dos proprietários particulares ou coletivos e à dos habitantes e usuários. onde for necessário e conveniente. em caráter prioritário. Os investimentos públicos previstos pelos planos de salvaguarda dos conjuntos históricos e de sua ambiência deveriam ser avalizados pela consignação de créditos adequados nos orçamentos das autoridades centrais. tais como garantia . regionais e locais. subordinadas ao acatamento de determinadas condições impostas no interesse do público. A ajuda pública. Uma cooperação constante em todos os níveis deveria. subsídios e empréstimos poderiam ser concedidos. pesquisas preparadas com a participação das pessoas interrogadas.

V . Essas indenizações. a agricultura em pequena escala. Os doadores poderiam desfrutar de isenções fiscais. etc. Para evitar. depois de restaurá-los. As instituições públicas e os estabelecimentos de crédito privados poderiam facilitar o financiamento a obras de qualquer gênero destinadas a proteger os conjuntos históricos ou tradicionais e sua ambiência. os Estados Membros deveriam adotar as medidas que se seguem.da integridade dos imóveis. acesso aos parques. dotados de personalidade jurídica e que pudessem receber doações de particulares. poderiam ser concedidas indenizações que compensassem a alta do aluguel. Os Estados Membros e as coletividades interessadas deveriam encorajar as pesquisas e os estudos sistemáticos sobre: . ainda. Ensino e Informação Para aperfeiçoar a competência dos especialistas e dos artesãos necessários e para fomentar o interesse e a participação de toda a população no trabalho de salvaguarda. se for o caso. especialmente o artesanato rural. com prejuízo dos menos favorecidos. de acordo com sua competência legislativa e constitucional. de fundações e de empresas industriais e comerciais. nos imóveis ou nos conjuntos a serem restaurados . É essencial evitar que as medidas de salvaguarda acarretem uma ruptura da trama social. jardins ou sítios. realização de fotografias. Os Estados Membros e as autoridades interessadas em todos os níveis poderiam facilitar a criação de associações sem fins lucrativos que se encarregassem da aquisição e. para que os ocupantes pudessem conservar suas habitações e seus pontos de comércio e produção assim como seus modos de vida e suas ocupações tradicionais. Dotações especiais deveriam ser previstas nos orçamentos dos órgãos públicos ou privados para a proteção dos conjuntos históricos ou tradicionais ameaçados por grandes obras públicas ou privadas e pela poluição. determinadas em função dos rendimentos. a pesca etc. através do financiamento a obras que correspondam simultaneamente a seus próprios objetivos e aos dos planos de salvaguarda.Pesquisa. Todos os serviços e administrações que atuam na construção pública deveriam. através da criação de um órgão que se encarregasse da concessão de empréstimos aos proprietários. Para aumentar os recursos financeiros disponíveis os Estados Membros deveriam incrementar a criação de estabelecimentos financeiros públicos ou privados para a salvaguarda dos conjuntos históricos e tradicionais e de sua ambiência. As autoridades públicas deveriam prever igualmente dotações especiais para a reparação dos danos causados pelos desastres naturais. agenciar seus programas e orçamentos de maneira a contribuir para a reabilitação dos conjuntos históricos ou tradicionais. da venda dos imóveis mediante a utilização de fundos de operações especialmente destinados a manter nos conjuntos históricos ou tradicionais os proprietários que desejarem protegê-los e preservar suas características. ajudariam os interessados a fazer frente ao aumento dos encargos provocados pelas obras realizadas. o traslado dos habitantes. possibilidade de visitação aos edifícios. com taxas reduzidas e longos prazos de reembolso.

Além disso é indispensável estimular a formação de técnicos e de artesãos especializados na salvaguarda dos conjuntos e de quaisquer espaços abertos que os circundam.a alteração dos materiais. a televisão. se for necessário. . para inculcar no espírito dos jovens a compreensão e o respeito às obras do passado e para mostrar o papel desse patrimônio na vida contemporânea. Essa cooperação multilateral ou bilateral deveria ser judiciosamente coordenada e concretizar-se através de medidas com as seguintes: . no de história. pós-escolar e universitária e pelo recurso aos meios de informação tais como os livros. ameaçadas pelo processo de industrialização. intergovernamentais e não governamentais. particularmente. a imprensa.aspectos urbanísticos dos conjuntos históricos ou tradicionais e de sua ambiência.ICOM . . também deveria ser estimulado. onde for adequado e necessário . tanto privados como públicos. Deveriam ser instaurados e desenvolvidos ensinamentos específicos sobre os temas acima e que compreendessem estágios de formação prática.as técnicas artesanais indispensáveis à salvaguarda. A tomada de consciência em relação à necessidade da salvaguarda deveria ser estimulada pela educação escolar. Seria de desejar que as instituições interessadas cooperassem nessa esfera com os organismos internacionais especializados no assunto. recorrendo. O desenvolvimento das técnicas artesanais. mas também sociais e econômicas que pode oferecer uma política bem conduzida de salvaguarda dos conjuntos históricos ou tradicionais e sua ambiência deveriam ser objeto de uma informação clara e completa.os métodos de conservação aplicáveis aos conjuntos históricos. o Conselho Internacional de Monumentos e Sítios (ICOMOS) e o Conselho Internacional de Museus (ICOM).ICOMOS. para que saiba porque e como seu padrão de vida pode ser melhorado. VI . o rádio e o cinema e as exposições itinerantes.. não apenas estéticas e culturais.a aplicação das técnicas modernas aos trabalhos de conservação. de Roma. no que se refere à salvaguarda dos conjuntos históricos ou tradicionais e de sua ambiência. .as interconexões entre salvaguarda.Cooperação Internacional Os Estados Membros deveriam colaborar. Essa informação deveria ser amplamente difundida entre os organismos especializados. A formação do pessoal administrativo encarregado das operações locais e salvaguarda dos setores históricos deveria. ser financiada e dirigida pelas autoridades competentes. principalmente ao Centro de Documentação UNESCO . urbanismo urbano e planejamento físico-territorial. As vantagens. Conviria facilitar o acesso a cursos de aperfeiçoamento e reciclagem para pessoal docente e para guias. à ajuda de organizações internacionais. . de acordo com um programa a longo prazo. regionais e locais e entre a população. Esse ensino deveria utilizar amplamente os meios audiovisuais e as visitas aos conjuntos históricos ou tradicionais. nacionais. . tais como o Centro de Estudos para a Conservação e a Restauração dos Bens Culturais. O estudo dos conjuntos históricos deveria ser incluído no ensino em todos os níveis e. bem como a formação de instrutores para ajudar os grupos de jovens e de adultos desejosos de se iniciar no conhecimento dos conjuntos históricos ou tradicionais.

b) organização de seminários e de grupos de trabalho sobre temas específicos. Atenas representou a racionalidade personificada por Aristóteles e Platão. Machu Picchu. cidades e sítios históricos situados nos territórios ocupados por esse Estado. envio de pessoal científico. e) execução de grandes projetos de salvaguarda de conjuntos históricos ou tradicionais e de sua ambiência e difusão da experiência adquirida. Nas regiões situadas de um lado e de outro de uma fronteira onde ocorrerem problemas comuns de planejamento e salvaguarda de conjuntos históricos ou tradicionais e sua ambiência. d) luta contra todas as formas de poluição. devendo salientar. Que pode ser atualizado mas não negado. Muitos de seus noventa e cinco pontos são válidos. em primeiro lugar. 1977. 1933. ainda. De acordo com o espírito e com os princípios da presente recomendação. Machu Picchu simboliza a contribuição cultural independente de outro mundo. que recebeu o nome de Carta de Atenas.a) intercâmbio de informações de todos os gêneros e de publicações científicas e técnicas. como testemunho da vitalidade e da continuidade do movimento moderno. é ainda um documento fundamental para a nossa época. Atenas se ergueu como o berço da civilização ocidental. técnico e administrativo e fornecimento de material. tanto em planejamento como em arquitetura. de 1933. nenhum Estado Membro deveria tomar qualquer medida para demolir ou alterar as características dos bairros. Muitos fenômenos novos emergiram durante esse tempo e exigem uma revisão da carta que a complemente com um documento de enfoque e amplitude mundiais. Carta de Machu Picchu de dezembro de 1977 Encontro Internacional de Arquitetos Passaram-se quase 45 anos desde que ó CIAM elaborou um documento sobre teoria e metodologia de planejamento. Houve alguns esforços para atualizar a Carta de Atenas e o presente documento só pretende ser ponto de partida para tal empresa. Os lugares são significativos. os Estados Membros deveriam coordenar suas políticas e ações para conseguir a melhor utilização e proteção desse patrimônio. característicos do desenvolvimento histórico e cultural de região. institutos de pesquisas e universidades de todos os países. Machu Picchu representa tudo o que não envolve a mentalidade global iluminística e tudo o que não é classificável por sua lógica. f) assistência mútua entre países vizinhos para a salvaguarda de conjuntos de interesse comum. c) concessão de bolsas de estudos e de viagem. que a Carta de Atenas. a ser analisado interdisciplinarmente em uma discussão internacional que inclua intelectuais e profissionais. Atenas. .

em nível nacional. nem as conexões operacionais entre a estratégia econômica geral e o planejamento do desenvolvimento urbano. incluindo problemas e oportunidades e guiando o crescimento e desenvolvimento urbanos dentro dos limites dos recursos disponíveis. é. no que concerte aos núcleos humanos. não têm considerado diretamente as prioridades nem as soluções dos problemas das áreas urbanas. podemos diferenciar duas categorias de movimentos: a primeira corresponde à dos países industrializados. cidades. O crescimento urbano Desde a Carta de Atenas até nossos dias a população do mundo duplicou. tanto como as relações funcionais essenciais entre bairros. sequência e características de desenvolvimento. tornaram crítica a necessidade de uso mais efetivo dos recursos naturais e humanos. Dentro do crescimento caótico das cidades. deve refletir a unidade dinâmica das cidades e suas regiões circundantes. Por isso. abandonando as áreas centrais das cidades que. assim. O planejamento. E tais decisões. através do mundo. assim como em estratégias de planejamento econômico a longo prazo. A elas temos que somar as crises de moradia e de serviços urbanos. regiões e nações . os benefícios potenciais do planejamento e da arquitetura não chegam à grande maioria. onde se dá a migração das populações mais abastadas em direção aos subúrbios. como um meio sistemático de analisar necessidades. Planejar. estados. As soluções urbanísticas propugnadas pela Carta de Atenas não levaram em conta esse crescimento acelerado. As técnicas e disciplinas do planejamento devem ser aplicadas a toda a escala de grupos humanos . afinal. energética e alimentícia. distritos e outras áreas urbanas. áreas metropolitanas. características do processo de urbanização.Cidade e região A Carta de Atenas reconheceu a unidade essencial das cidades e suas regiões circundantes.bairros. agravadas pelo fato de o ritmo de crescimento populacional das cidades ser muito superior ao demográfico geral. que constitui a raiz do problema de nossas cidades. é uma obrigação fundamental dos governos. tendem a se deteriorar por deficiência . As áreas urbanas muito frequentemente refletem os efeitos adversos e específicos de decisões econômicas baseadas em considerações amplas e relativamente abstratas. a interpretação das necessidades humanas e a realização em um contexto de oportunidades de formas e de serviços urbanos apropriados para a população. dando lugar à chamada crise tripla: ecológica. o projeto e o planejamento urbano e a arquitetura. no contexto contemporâneo de urbanização. A fraqueza da sociedade ao enfrentar as necessidades do crescimento urbano e as mudanças sócio-econômicas requer a reafirmação desse princípio em termos mais específicos e urgentes. O objetivo do planejamento geral. incluindo o planejamento econômico. Hoje. E isso requer um processo contínuo e sistemático de interação entre os profissionais do projeto. consequência do uso de automóveis. A desarticulação entre o planejamento econômico em nível nacional e regional e o planejamento para o desenvolvimento urbano onerou e reduziu a eficiência de ambos. os moradores das cidades e seus líderes comunitários e políticos.para orientar sua localização.

A segunda categoria corresponde à das cidades dos países em desenvolvimento. divertir-se e circular e que os planos devem fixar sua estrutura e implantação. mas em criar definitivamente uma integração polifuncional e contextual. convertendo-se em incentivo que incrementa os movimentos migratórios para as cidades. determinando que o processo urbano se nos apresente totalmente diferente. Essas transferências quantitativas produzem transformações qualitativas fundamentais. Conceito de setor A Carta de Atenas assinala que as chaves do urbanismo se encontram nestas quatro funções básicas: de habitar. etc. afinal. igualmente. O planejamento da cidade e da moradia. que se instala em bairros marginais carentes de serviços e de infra-estrutura urbana. Esse fenômeno não pode ser resolvido nem sequer controlado pelos dispositivos e medidas que estão ao alcance do planejamento urbano. saúde ambiental. mas um poderoso instrumento de desenvolvimento social. Moradia Diferentemente da Carta de Atenas. caracterizando-se pela maciça migração rural. Tais técnicas podem apenas tentar a incorporação das áreas marginais ao organismo urbano e. portanto. . muitas vezes. economicamente. O mesmo espírito de integração que faz da comunicação entre os moradores da cidade um elemento básico da vida urbana deve regular a localização e a estruturação de áreas residenciais para diversas comunidades e grupos. no nível do relacionamento humano. cada sítio arquitetônico resulta num objeto isolado e onde não se considera que a mobilidade humana determine um espaço influente. O projeto da casa deve ter a flexibilidade necessária para adaptar-se à dinâmica social. adquiriu-se consciência de que o processo urbanístico não consiste em setorizar. as medidas que se adotam para regularizar a marginalização (dotação de serviços públicos. programas de moradia. Consideramos. A casa popular não será considerada um objeto de consumo subsidiário.de recursos. devem reconhecer este fato. Devem ser projetados elementos construtivos que possam ser fabricados massificadamente para serem utilizados pelos usuários e que. O resultado é a existência de cidades com uma vida urbana amena. trabalhar. Atualmente. onde. que a qualidade de vida e a integração com o meio ambiente natural devem ser objetivo básico na concepção dos espaços habitáveis.) contribuem paradoxalmente para agravar o problema. estejam a seu alcance. sem impor distinções inaceitáveis para o decoro humano. consideramos que a comunicação humana é um fator predominante na razão de ser da cidade. onde um processo analítico de clarificação tem sido usado como um processo sintético de ordenação do espaço urbano. facilitando portanto a participação criadora do usuário. Ela determinou cidades setorizadas em funções.

Transportes nas cidades As cidades deverão planejar e manter o transporte público de massa, considerando-o como um elemento básico no processo do planejamento urbano. 0. custo social do sistema de transporte deverá ser apropriadamente avaliado e devidamente considerado no planejamento do crescimento de nossas cidades. Na Carta de Atenas está explícito que a circulação é uma das funções urbanas básicas e implícito que ela depende principalmente do uso do automóvel como meio de transporte individual. Depois de quarenta e quatro anos, comprovou-se que não há solução ótima para diferenciar, multiplicar e solucionar cruzamentos de ruas. É necessário, portanto, enfatizar que a solução para a função de circulação deve ser pesquisada mediante a subordinação do transporte individual ao transporte coletivo de massa. Os urbanistas devem conscientizar-se de que a cidade é uma estrutura em desenvolvimento, cuja forma final não pode ser definida, razão pela qual devem considerar as noções de flexibilidade e expansão urbanas. O transporte e a comunicação formam uma série de redes interconectadas que servem como sistema articulador entre espaços interiores e exteriores e deverão ser projetados de forma que permitam experimentar indefinidamente mudanças de extensão e forma. Disponibilidade do solo urbano A Carta de Atenas mostrou a necessidade de uma legislação que permitisse dispor, sem impedimentos, do solo urbano para satisfazer as necessidades coletivas. Para tanto, estabeleceu que o interesse privado devia subordinar-se ao interesse coletivo. Apesar de diversos esforços realizados desde 1933, as dificuldades de disponibilidade de solo urbano se mantêm como um obstáculo básico para o planejamento urbano. Por isso, é desejável que se criem e se adotem soluções legais eficientes capazes de produzir uma melhora substantiva a curto prazo. Recursos naturais e contaminação ambiental Uma das formas mais atentatórias contra a natureza é, hoje, a contaminação ambiental, que tem se agravado em proporções sem precedentes e potencialmente catastróficas, como conseqüência direta da urbanização não planejada e da excessiva exploração de recursos. Nas áreas urbanizadas do mundo a população está cada vez mais sujeita a condições ambientais que são incompatíveis com normas e conceitos razoáveis de saúde e bem estar humanos. Entre as características não aceitáveis se incluem a prevalência de quantidades excessivas de perigosas substâncias tóxicas no ar, na água e nos alimentos da população urbana, além dos níveis danosos de ruídos. As políticas oficiais que regem o desenvolvimento urbano deverão incluir medidas imediatas para evitar que se acentue a degradação do meio ambiente urbano e conseguir a restauração da integridade básica do meio ambiente, de acordo com as normas de saúde e de bem estar social. Estas medidas devem ser consideradas no planejamento urbano e econômico, no projeto arquitetônico, nos critérios e normas de engenharia e nas políticas de desenvolvimento.

Preservação e defesa dos valores culturais e patrimônio histórico-monumental A identidade e o caráter de uma cidade são dados não só por sua estrutura física, mas, também, por suas características sociológicas. Por isso, é necessário que não só se preserve e conserve o patrimônio histórico monumental, como também que se assuma a defesa do patrimônio cultural, conservando os valores que são de fundamental importância para afirmar a personalidade comunal ou nacional e/ou aqueles que têm um autêntico significado para a cultura em geral. Por isso mesmo, é imprescindível que na tarefa de conservação, restauração e reciclagem das zonas monumentais e dos monumentos históricos e arquitetônicos, considere-se a sua integração ao processo vivo do desenvolvimento urbano como único meio que possibilite o financiamento da operação. No processo de reciclagem dessas zonas, deve ser considerada a possibilidade de se construírem edifícios de arquitetura contemporânea da melhor qualidade. Tecnologia A Carta de Atenas referiu-se tangencialmente ao processo tecnológico, ao discutir o impacto da atividade industrial na cidade. Nos últimos quarenta e cinco anos o mundo experimentou um desenvolvimento tecnológico sem precedentes, que tem afetado nossas cidades e também a prática da arquitetura e do urbanismo. A tecnologia se desenvolveu explosivamente em algumas regiões do mundo e sua difusão e aplicação eficaz é um dos problemas básicos de nossa época. Hoje, o desenvolvimento científico e tecnológico e a intercomunicação entre os povos permitem superar as condicionantes locais e oferecer os mais amplos recursos para resolver os problemas urbanísticos e arquitetônicos. O mau uso dessa possibilidade determina que, frequentemente, se adotem materiais, técnicas e características formais como resultado de pruridos de novidade e complexos de dependência cultural. Neste sentido, usualmente, o impacto do desenvolvimento tecnológico-mecânico tem determinado que a arquitetura seja um processo de criar ambientes artificialmente condicionados a um clima e a uma iluminação não naturais. Isso pode ser uma solução para determinados problemas, mas a arquitetura deve ser um processo de criar ambientes condicionados em função de elementos naturais. Deve-se entender que a tecnologia é meio e não fim e que ela deve ser aplicada em função de uma realidade e de suas possibilidades como resultado de um sério trabalho de investigação e experimentação, trabalho que os governos devem ter em conta. A dificuldade de utilizar processos altamente mecanizados ou materiais construtivos eminentemente industrializados não deve significar uma diminuição de rigor técnico ou de cabal resposta arquitetônica às exigências do problema a resolver, mas, pelo contrário, um maior rigor no planejamento das soluções possíveis para o meio.

A tecnologia construtiva deve considerar a possibilidade de reciclar os materiais fim de conseguir transformar elementos construtivos em recursos renováveis. Implementação O planejamento, os profissionais e as autoridades pertinentes devem ter presente que o processo não termina na formulação de um plano e em sua subsequente execução, mas que, sendo a cidade um organismo vivo, é necessário considerar e prover os processos de sua manutenção. Deve-se entender também que cada região e cada cidade, no processo de sua implementação, deve criar e importar suas normas legais, de acordo com seu meio ambiente, recursos e características formais próprias. Projeto Urbanístico e Arquitetônico A Carta de Atenas não cuidou do projeto arquitetônico. Aqueles que a formularam não o consideraram necessário, porque concordavam que a arquitetura era um jogo sábio de volumes puros sob a luz, la Ville Radieuse, composta de tais volumes, aplicou uma linguagem arquitetônica de origem cubista, perfeitamente coerente com o conceito que separou as cidades em partes funcionais. Durante as últimas décadas, para a arquitetura contemporânea o problema principal não é mais o jogo visual de volumes puros, mas a criação de espaços sociais para neles se viver. A ênfase não está no continente, mas no conteúdo, não na embalagem isolada, por mais bela e sofisticada que seja, mas na continuidade da textura urbana. Em 1933, o esforço foi para desintegrar o objeto arquitetônico e a cidade em seus componentes. Em 1977, o objetivo deve ser reintegrar esses componentes, que, fora de suas relações formais, perderam vitalidade e significado. Para precisar melhor, a reintegração, tanto na arquitetura como no planejamento, não significa a integração a priori do classicismo. Deve ficar claramente estabelecido, que as recentes tendências para o ressurgimento da tradição das Beaux-Arts são anti-históricas em um grau grotesco e não têm a importância que justifique sua discussão. Mas são sintomas de uma obsolescência da linguagem arquitetônica para a qual devemos ficar alertas, para não voltarmos a uma espécie de cínico ecletismo do século XIX, e sim avançar em direção a uma etapa mais madura do movimento moderno. As conquistas dos anos trinta, quando a Carta de Atenas foi promulgada, são ainda válidas. Elas dizem respeito a: a) a análise dos edifícios e de suas funções; b) o princípio de dissonância; c) a visão espaço-tempo antiperspectiva; d) a desarticulação do tradicional edifício-caixa; e) a reunificação da engenharia estrutural e da arquitetura; A estas "constantes" ou "invariáveis" da linguagem arquitetônica têm se somado. f) a temporalidade do espaço; g) a reintegração edifício-cidade-paisagem.

aquelas se levantaram por obra e para o sustento das comunidades. procede o paralelo. incrementa-o. se encontram e se fundem naturalmente com os idiomas populares. por sua monumentalidade. Está provado que o enfoque cultural do projeto arquitetônico. É tempo de recomendar aos arquitetos que tomem consciência do desenvolvimento histórico do movimento moderno e cessem de multiplicar paisagens urbanas obsoletas. Fisicamente. mas um fator ativo de mensagem polivalente. No momento em que os arquitetos se libertarem dos conceitos acadêmicos do finito. Significa que o povo deve participar ativa e criativamente em cada fase do projeto. em nossa época não é apenas um princípio visual. Quanto a isso. O problema é totalmente diferente da imitação. as construções do antigo Peru com as pirâmides do Egito. mas também aos valores sociais. na música e nas artes visuais. que requer um diálogo com outros elementos para completar sua própria imagem. mas um elemento do continuum. A experiência artística nas últimas décadas. tem demonstrado que os artistas já não produzem um objeto finito. a relevância do arquiteto será enfatizada e a inventiva arquitetônica será maior e mais rica. assim. exaltando a glória do monarca e. . enfoque aplicado não só aos volumes. a participação do usuário é ainda mais importante e concreta. não apenas ao visual. sua imaginação será estimulada pelo imenso patrimônio da arquitetura popular. de 1921. O novo conceito de urbanização pede a continuidade de edificação. Tal atitude. como um monumento à vida. Ao contrário. não obstante. A reintegração edifício-cidade-paisagem é uma consequência da unidade entre cidade e campo. Foi explorado pelos maneiristas e. As teorias da relatividade e da determinação não diminuíram o prestígio dos cientistas. sejam horizontais ou verticais. reflexivo ou transparentes. de maneira que o espectador não seja um contemplador passivo da obra artística. pelo grandioso em ambas as concepções. dessa arquitetura sem arquitetos. de uma forma explosiva. o que implica que cada edifício não seja um objeto finito. Se o povo for incluído no processo do projeto. O fato de reconhecer que os edifícios vernaculares muito contribuem para a imaginação arquitetônica não significa que devam ser imitados. mas fundamentalmente social. No campo construtivo. O princípio do não-finito não é novo. como também aos espaços humanos. Elas expressam volumétrica e espiritualmente o rumo diferente de duas grandes civilizações que edificaram para a eternidade. os usuários integrar-se no trabalho do arquiteto. deve-se ser cuidadoso. feitas de volumes monumentais. é tão absurda como foi a cópia do Partenon. hoje. tanto como os Cinco Princípios de Le Corbusier. Mas estas foram construídas como um monumento à morte. O enfoque do finito não diminui o prestígio do planejador ou do arquiteto. A participação dos usuários faz mais orgânico e verdadeiro o encontro entre a linguagem altamente cultural e a popular. as ordens vitruvianas e as Beaux Arts. que eles se detêm no meio ou nas três quartas partes do processo. porque um cientista não dogmático é muito mais respeitado que o velho deux ex machina. que tanto se tem estudado nas últimas décadas.A temporalidade do espaço é a maior contribuição de Frank Lloyd Wright e corresponde à visão dinâmica do espaço-tempo-cubista. podendo. por Michelangelo Não obstante. opacos. Algumas vezes se compararam.

. além da manutenção. histórico. um edifício ou outra obra construída. e assim será considerada. .Conselho Internacional de Monumentos e Sítios Definições Artigo 1° . .Carta de Burra Austrália. De acordo com as circunstâncias.o termo bem designará um local. Artigo 4° . assim como disposições que prevejam sua futura destinação. utilizar técnicas modernas. igualmente. ela deve implicar medidas de segurança e manutenção.A conservação se baseia no respeito à substância existente e não deve deturpar o testemunho nela presente. Artigo 3° . em princípio. uma zona. . do conteúdo e do entorno de um bem e não deve ser confundido com o termo reparação. o conteúdo e o entorno a que pertence. ou um conjunto de edificações ou outras obras que possuam uma significação cultural.a restauração será o restabelecimento da substância de um bem em um estado anterior conhecido. compreendidos. . científico ou social de um bem para as gerações passadas. a conservação implicará ou não a preservação ou a restauração. nem com a reconstituição hipotética.a substância será o conjunto de materiais que fisicamente constituem o bem.Para os fins das presentes orientações: .o uso compatível designará uma utilização que não implique mudança na significação cultural da substância. presentes ou futuras. ser de caráter tradicional.a preservação será a manutenção no estado da substância de um bem e a desaceleração do processo pelo qual ele se degrada. ambas excluídas do domínio regulamentado pelas presentes orientações.o termo significação cultural designará o valor estético. .a adaptação será o agenciamento de um bem a uma nova destinação sem a destruição de sua significação cultural.o termo conservação designará os cuidados a serem dispensados a um bem para preservarlhe as características que apresentem uma significação cultural. . de um estado anterior conhecido. . As técnicas empregadas devem. com o máximo de exatidão. ela poderá.O objetivo da conservação é preservar a significação cultural de um bem. . em cada caso. A reconstrução não deve ser confundida.a reconstrução será o restabelecimento. Conservação Artigo 2° . em determinadas circunstâncias. 1980 ICOMOS .o termo manutenção designará a proteção contínua da substância. sejam novos ou antigos.A conservação deve se valer do conjunto de disciplinas capazes de contribuir para o estudo e a salvaguarda de um bem. nem com a recriação. ela se distingue pela introdução na substância existente de materiais diferentes. A reparação implica a restauração e a reconstrução. compreender obras mínimas de reconstrução ou adaptação que atendam às necessidades e exigências práticas. mas pode-se. . modificações que sejam substancialmente reversíveis ou que requeiram um impacto mínimo.

Artigo 12° . deve ser proibida. a menos que represente o único meio de assegurar a salvaguarda e a segurança desse conteúdo. A introdução de elementos estranhos ao meio circundante. da escala.Na conservação de qualquer bem deve ser levado em consideração o conjunto de indicadores de sua significação cultural. que prejudiquem a apreciação ou fruição do bem. Artigo 7° . Nenhuma empreitada de restauração deve ser empreendida sem a certeza de existirem recursos necessários para isso. As destinações compatíveis são as que implicam a ausência de qualquer modificação. no plano das formas. Preservação Artigo 11° . dos materiais. não pode ser admitido. das cores. assim como nos casos em que há insuficiência de dados que permitam realizar a conservação sob outra forma. Não deverão ser permitidas qualquer nova construção. . da textura. à manutenção e à eventual estabilização da substância existente. Artigo 5° .A preservação se limita à proteção.desde que se assentem em bases científicas e que sua eficácia seja garantida por uma certa experiência acumulada.A retirada de um conteúdo ao qual o bem deve uma parte de sua significação cultural não pode ser admitida.A restauração só pode ser efetivada se existirem dados suficientes que testemunhem um estado anterior da substância do bem e se o restabelecimento desse estado conduzir a uma valorização da significação cultural do referido bem.A preservação se impõe nos casos em que a própria substância do bem. Restauração Artigo 13° . Artigo 10° . ele deverá ser restituído na medida em que novas circunstâncias o permitirem. oferece testemunho de uma significação cultural específica. integralmente ou em parte. Artigo 8° . O deslocamento de uma edificação ou de qualquer outra obra. modificações reversíveis em seu conjunto ou.As opções a serem feitas na conservação total ou parcial de um bem deverão ser previamente definidas com base na compreensão de sua significação cultural e de sua condição material.Todo edifício ou qualquer outra obra devem ser mantidos em sua localização histórica. Não poderão ser admitidas técnicas de estabilização que destruam a significação cultural do bem. modificações cujo impacto sobre as partes da substância que apresentam uma significação cultural seja o menor possível. Artigo 9° . nem qualquer demolição ou modificação susceptíveis de causar prejuízo ao entorno. Artigo 6° . a não ser que essa solução constitua o único meio de assegurar sua sobrevivência. nenhum deles deve ser revestido de uma importância injustificada em detrimento dos demais. ainda.As opções assim efetuadas determinarão as futuras destinações consideradas compatíveis para o bem. Nesse caso. etc.A conservação de um bem exige a manutenção de um entorno visual apropriado. no estado em que se encontra.

Reconstrução Artigo 17° . Artigo 20° . . Ela se baseia no princípio do respeito ao conjunto de testemunhos disponíveis.A reconstrução deve se limitar à colocação de elementos destinados a completar uma entidade desfalcada e não deve significar a construção da maior parte da substância de um bem. ou quando possibilite restabelecer ao conjunto de um bem uma significação cultural perdida.Qualquer intervenção prevista em um bem deve ser precedida de um estudo dos dados disponíveis.A restauração deve servir para mostrar novos aspectos em relação à significação cultural do bem. por profissionais. Artigo 21° . Artigo 18° . documentais ou outros. documentais ou outros.A restauração pode implicar a reposição de elementos desmembrados ou a retirada de acréscimos. As partes reconstruídas devem poder ser distinguidas quando examinadas de perto. Artigo 24° . Procedimentos Artigo 23° . Artigo 19° . Artigo 22° .A reconstrução deve ser efetivada quando constituir condição sine qua non de sobrevivência de um bem cuja integridade tenha sido comprometida por desgastes ou modificações. e deve parar onde começa a hipótese.As contribuições de todas as épocas deverão ser respeitadas. o resgate de elementos datados de determinada época em detrimento dos de outra só se justifica se a significação cultural do que é retirado for de pouquíssima importância em relação ao elemento a ser valorizado.A adaptação só pode ser tolerada na medida em que represente o único meio de conservar o bem e não acarrete prejuízo sério a sua significação cultural. do bem e/ou à obtenção de testemunhos materiais fadados a desaparecimento próximo ou a se tomarem inacessíveis por causa dos trabalhos obrigatórios de conservação ou de qualquer outra intervenção inevitável. sejam materiais.Artigo 14° .Os estudos que implicam qualquer remoção de elementos existentes ou escavações arqueológicas só devem ser efetivados quando forem necessários para a obtenção de dados indispensáveis à tomada de decisões relativas à conservação. nas condições previstas no artigo 16. de documentos que perpetuem esse aspecto com exatidão. Artigo 16° .A reconstrução deve se limitar à reprodução de substâncias cujas características são conhecidas graças aos testemunhos materiais e/ou documentais. Quando a substância do bem pertencer a várias épocas diferentes. Qualquer transformação do aspecto de um bem deve ser precedida da elaboração.As obras de adaptação devem se limitar ao mínimo indispensável à destinação do bem a uma utilização definida de acordo com os termos dos artigos 6 e 7.Os elementos dotados de uma significação cultural que não se possa evitar desmontar durante os trabalhos de adaptação deverão ser conservados em lugar seguro. sejam eles materiais. Artigo 15° . na previsão de posterior restauração do bem.

assim. desenhos. 26 e 27 acima serão guardados nos arquivos de um órgão público e mantidos à disposição do público. vivo e.As decisões de orientação geral devem proceder de organismos cujos nomes serão devidamente comunicados.Qualquer ação de conservação a ser considerada deve ser objeto de uma proposta escrita acompanhada de uma exposição de motivos que justifique as decisões tomadas. de um perpétuo equilíbrio entre o movimento cíclico das estações. Artigo 2º . sua salvaguarda requer regras específicas. Seu aspecto resulta.ICOMOS Comitê Internacional de Jardins e Sítios Históricos . como Monumemto Vivo. etc. 25. bem como o de seus dirigentes responsáveis. em 21 de maio de 1981. conforme o espírito de Carta de Veneza. Artigo 3º .ICOMOS / IFLA Preâmbulo Reunidos em Florença. Artigo 27° .Os trabalhos contratados devem ter acompanhamento apropriado.Os documentos consignados nos artigos 23.Por ser monumento. Essa carta foi redigida pelo comitê e registrada em 15 de dezembro de 1982 pelo ICOMOS. do desenvolvimento e do definhamento da natureza.Os objetos a que se refere o artigo 10 acima serão catalogados e protegidos de acordo com normas profissionais. amostras.Um jardim histórico é uma composição arquitetônica e vegetal que. perceptível e renovável. exercido por profissionais. apresenta. Como tal é considerado monumento. que levará o nome desta cidade. Carta de Florença de maio de 1981 Conselho Internacional de Monumentos e Sítios . o jardim histórico deve ser salvaguardado.O jardim histórico é uma composição de arquitetura cujo material é principalmente vegetal. um interesse público. e da vontade de arte e de artifício que tende a perenizar o seu estado. conforme o disposto no artigo 25 acima. devendo a cada decisão corresponder uma responsabilidade específica. Artigo 29° . o comitê Internacional de Jardins Históricos e ICOMOS/IFLA decidiram elaborar uma carta relativa à proteção dos jardins históricos.Artigo 25° . como tal. e deve ser mantido um diário no qual serão consignadas as novidades surgidas.Destacam-se na composição arquitetura do jardim histórico: . portanto. Todavia. bem como as decisões tomadas. com provas documentais de apoio (fotos.) Artigo 26° . Definição e objetivos Artigo 1º . do ponto de vista da história ou da arte. visando a complementar a Carta de Veneza neste domínio particular. Artigo 4º . Artigo 28° . que são objeto da presente carta.

reunida em Nairobi do dia 10 ao dia 18 de maio de 1982.seus elementos construídos ou decorativos. dispositivos relativos à proteção ambiental. outras organizações governamentais e nãogovernamentais foram implantadas em todos os níveis e vários importantes convênios internacionais relativos à cooperação ambiental foram concluídos. . . Artigo 5º . suas alturas respectivas. foram insuficientes a compreensão e a previsão necessárias para entender o benefício a longo prazo de programas e ações coordenadas de proteção ambiental. passou-se a adotar legislação ambiental e um número relevante de países incorporou ao contexto de suas constituições. apropriado à meditação e ao devaneio.suas massas vegetais: suas essências. roga solenemente a governos e povos para agirem construtivamente a partir do progresso alcançado até hoje. reflexo do céu. nem os objetivos nem as ações asseguram a disponibilidade e a distribuição eqüitativa de recursos naturais. regional e nacional de modo a protegê-lo e melhorá-lo. Eis porque o plano de ação inicial não teve a repercussão requerida na totalidade da comunidade internacional. seus espaçamentos. um paraíso no sentido etmológico do termo. Declaração de Nairobi de 10 a 18 de maio de 1982 (Quênia) Assembléia Mundial dos Estados UNEP – Organização das Nações para o Meio Ambiente A Assembléia Mundial dos Estados. seu jogo de cor. e reconhece a necessidade urgente de intensificar esforços em níveis global. seus volumes.. mas que dá testemunho de uma cultura.as águas moventes ou dormentes. Além do programa ambiental das Nações Unidas. eventualmente da originalidade de um criador. o jardim toma assim o sentido cósmico de uma imagem idealizada do mundo. e os resultados respectivos não podem ser considerados satisfatórios. Do mesmo modo. o plano de ação inicial foi apenas parcialmente instrumental.seu plano e os diferentes perfis do seu terreno. os meios de informação e a capacitação profissional: em muitos países. de um estilo. A conferência de Estocolmo constitui uma força poderosa que incrementou a consciência e a compreensão públicas quanto à fragilidade do meio ambiente. de uma época. Com efeito. tendo recapitulado as medidas tomadas para implementar a declaração e o plano de ação adotados naquela conferência. a fim de comemorar o décimo aniversário da Conferência das Nações Unidas sobre o Ambiente Humano. No entanto. Os princípios da Declaração de Estocolmo são tão válidos hoje como em 1972 e proporcionam um código básico de comportamento para os anos vindouros. que ocorreu em Estocolmo. Os anos decorridos desde então registraram um progresso significativo das ciências ambientais: expandiram-se consideravelmente a educação. embora expressando sua grave preocupação acerca do atual estado do ambiente. em nível mundial. .Expressão de relações estreitas entre a civilização e a natureza. lugar de deleite. Algumas atividades humanas descontroladas e não-programadas determinaram .

que permita ao homem viver livre da ameaça da guerra (especialmente de uma guerra nuclear). de colonialismo. particularmente em áreas urbanas. Mudanças havidas na atmosfera. As doenças associadas às condições ambientais adversas continuaram a contribuir para o sofrimento humano. particularmente da tecnologia elaborada por outros países em vias de desenvolvimento. Muitos problemas ambientais transcendem as fronteiras e deveriam. As ameaças ao meio ambiente são agravadas por estruturas coniventes com a miséria. assim como a extinção de espécies animais e vegetais constituem graves ameaças adicionais para o ambiente humano. para o bem de todos. pelo aumento da população. que destaque essas relações. As nações desenvolvidas (ou quaisquer outros países que se encontrem em condições de fazê-lo) deveriam prestar auxílio aos países em vias de desenvolvimento afetados pelo desequilíbrio ambiental. Seria extremamente benéfico. pode vir a contribuir para um desenvolvimento sócio-econômico fundamentado e permanente. Mecanismos conjugados de mercado e de planejamento podem também contribuir para a racionalização do desenvolvimento e do manejo do ambiente e dos recursos naturais. Livre. da segregação racial e de todas as formas de discriminação. o desenvolvimento. No decurso da última década surgiram novas diretrizes: a necessidade do levantamento e manejo das complexas e íntimas conexões entre o ambiente. o estabelecimento de uma atmosfera internacional de paz e de segurança. o impacto ocasionado. Esses fatores foram amplamente discutidos. dentro dos próprios países e entre Estados. assim como com um consumismo e um desperdício abusivos: ambos podem levar à exploração predatória do meio. poderia compatibilizar o progresso econômico e social com a conservação de recursos naturais. a poluição das águas marinhas e interiores. por outro. O desmatamento. para o ambiente humano. A utilização de tecnologia apropriada. quando necessário. apesar dos seus esforços internos em confrontar seus problemas ambientais mais sérios. a degradação do solo e a desertificação atingiram proporções alarmantes e puseram seriamente em risco as próprias condições de sobrevivência em vastas regiões do planeta. ser resolvidos. também do apartheid. o descuido a que tem sido votado o destino final e a reutilização de substâncias perigosas. Uma consciência específica e lúcida em nível regional.a degradação crescente do ambiente. dos instrumentos primordiais no sentido do esforço global para reverter o curso da agressão ambiental. incluindo convênios e convenções. aumentando ao mesmo tempo a cooperação no campo da pesquisa científica e do manejo do ambiente. a população e os recursos naturais por um lado e. Requer-se uma soma maior de esforços para desenvolver a metodologia e o manejo adequados para a exploração e a utilização de recursos naturais e para modernizar os sistemas . Para isso. como as ocorridas na camada de ozônio. de opressão e de domínio estrangeiro. A estratégia internacional de desenvolvimento para a terceira década de ação das Nações Unidas e o advento de uma nova ordem econômica internacional fazem parte. por meio de consultas intergovernamentais e de ações internacionais pertinentes. As deficiências ambientais provenientes do subdesenvolvimento (incluindo fatores externos que ultrapassam a capacidade de controle dos países envolvidos) geram graves problemas que se podem combater graças a uma distribuição mais eqüitativa de recursos econômicos e técnicos. e do desperdício de recursos intelectuais e naturais absorvidos pelos programas armamentistas. os Estados passariam a promover a promulgação progressiva da legislação ambiental. a concentração crescente de dióxido de carbono e de chuvas ácidas. por conseguinte.

. no âmbito da proteção ambiental. Importa. Conclama todos os governos e povos do mundo a assumirem. inclusive as corporações multinacionais. a elaboração de novas fontes renováveis de energia terão um efeito benéfico no ambiente. Tlaxcala.tradicionais de pastoreio. a reciclagem e a conservação de recursos naturais. sobre o tema A Revitalização das Pequenas Aglomerações. Todas as empresas. além disso. pela qualidade dos trabalhos e pelos resultados obtidos nessa reunião. entre nações ou entre grupos de nações. organizado pelo Comitê Nacional do ICOMOS mexicano e que se realizou em Trindade. assim como ao fortalecimento e ampliação de esforços nacionais e de atos de cooperação internacional. igualmente. apresenta possibilidades promissoras. As organizações nãogovernamentais têm um papel particularmente relevante e inspirador nesse campo. O rápido esgotamento das fontes tradicionais e convencionais de energia apresenta um novo e premente desafio quanto ao seu manejo e conservação e à preservação do meio ambiente. incrementar a conscientização pública e política sobre a importância do meio ambiente. a sua responsabilidade histórica. por exemplo. Uma ação legislativa adequada e oportuna é importante nesse particular. Essa ação preventiva deveria incluir a programação de todas as atividades que possam causar impacto ambiental. individual e coletivamente. deveriam ser conscientizadas de sua responsabilidade ambiental.MÉXICO ICOMOS . solenemente. assim. o seu apoio no sentido de fortalecer o programa das Nações Unidas para o meio ambiente. graças ao Fundo Ambiental. Declaração de Tlaxcala de outubro de 1982 3o Colóquio Interamericano sobre a Conservação do Patrimônio Monumental "Revitalização das Pequenas Aglomerações" . antes de adotarem novos métodos e novas tecnologias de produção industrial. como instrumento catalisador primordial para a cooperação ambiental global. O comportamento e a participação responsáveis são essenciais para promover a causa do meio ambiente. ou de procederem à exportação para outros países. Reafirma. no sentido de promover a substituição. Medidas possibilitando. à educação e à capacitação profissional. de forma a assegurar que o nosso pequeno planeta seja transmitido às futuras gerações em condições que garantam a vida e a dignidade humana para todos. a sua adesão à declaração e ao plano de ação adotados em Estocolmo.Conselho Internacional de Monumentos e Sítios Os participantes do Terceiro Colóquio Interamericano sobre a Conservação do Patrimônio Monumental. A prevenção de agressões ambientais é preferível à recuperação pesada e onerosa dos danos que já tenham sido causados. A comunidade mundial de Estados reafirma. de 25 a 28 de outubro de 1982. visando aos meios de informação. Deve-se prestar uma atenção particular ao papel das inovações técnicas. em particular. mostraram-se sensibilizados pelas atenções de que foram cercados e exprimem sua gratidão aos representantes mexicanos pela acolhida calorosa. A programação racional e conjunta dos recursos energéticos. fazendo apelo para que seja aumentada a disponibilidade de recursos naturais.

Agradecem. da melhoria das condições sócioeconômicas dos habitantes e da qualidade da vida dos centros urbanos. para superar as circunstâncias difíceis há que se basear no passado cultural e nas expressões concretas de nossa memória. favorecem a destruição do patrimônio cultural por facilitarem o desprezo a nossos próprios valores. Recomendam que qualquer ação que tenda a preservar o ambiente urbano e o valores arquitetônicos de um lugar deve participar. de modo especial ao Governo do Estado de Tlaxcala por sua hospitalidade e reconhecem os esforços empreendidos para a conservação do patrimônio arquitetônico e urbano que a história lhe confiou e que tem grande interesse para todos os povos da América. após examinarem a situação atual na América em relação aos perigos que ameaçam o patrimônio arquitetônico e a ambiência das pequenas localidades. um direito de as comunidades participarem das decisões que dizem respeito à conservação de seu habitat. as escolas de ensino superior e o órgãos públicos ou privados que se interessam pela salvaguarda do patrimônio a utilizarem os meios de comunicação a sua disposição para fazer frente aos efeitos dessa penetração. mas. de modo a conter o êxodo das pequenas aglomerações. por outro. decidem adotar as seguintes conclusões: Reafirmam que as pequenas aglomerações se constituem em reservas de modos de vida que dão testemunho de nossas culturas. a ambiência e o patrimônio arquitetural das pequenas zonas de habitat são bens não renováveis cuja conservação deve exigir procedimentos cuidadosamente estabelecidos para evitar os riscos de alteração ou de falsificação causados por razões de oportunidade política. Lembram que a conservação e realização das pequenas aglomerações são. Por isso. intervindo diretamente no processo de realização. conferindo. Constatam que a introdução de esquemas consumistas e de modo de vida estranhos a nossas tradições. uma identidade a seus habitantes. Pensam que. Recomendações . é necessário dispor não apenas dos materiais. assim. fenômeno que ameaça a própria existência dessas localidades. Solicitam também aos governos e organismos competentes uma infra-estrutura e um equipamento integrados. Reafirmam a importância dos planos de ordenação físico-territorial e de desenvolvimento para diminuir o processo de abandono dos pequenos lugares de habitat e a superpopulação das médias e pequenas cidades. por um lado. que a situação de crise econômica que se abate sobre o continente não deve sobrestar os esforços para salvaguardar a identidade das pequenas localidade. para preservar a atmosfera tradicional nas localidades rurais e nas pequenas aglomerações e para permitir a continuidade de manifestações arquitetônicas vernaculares contemporâneas. como da técnica tradicional e. uma obrigação moral e uma responsabilidade dos governos de cada Estado e das autoridades locais. De acordo com o estabelecido na Carta de Chapultepec e levando em consideração as inquietações manifestadas pelo Colóquio de Morelia e por outras reuniões de especialistas americanos. também. Reconhecem. conservam uma escala própria e personalizam as relações comunitárias. propõem a utilização de elementos de substituição que não ocasionem alterações notáveis na forma resultante e que correspondam às condições psicológicas locais e aos modos de vida dos habitantes da região. necessariamente. que advêm graças aos múltiplos meios de comunicação. Os delegados. quando isso não for possível. exortam os governos. ao contrário. Reconhecem que as ações que tendem à obtenção do bem estar das comunidades dos pequenos lugares de habitat devem fundamentar-se em um respeito estrito às tradições e ao modo de vida locais. particularmente nas pequenas aglomerações.

aos institutos competentes na matéria. concretizados em diversos documentos internacionais. às autoridades. antropológicos. manutenção. Que a comunicação de experiências nos diversos domínios relativos à preservação das pequenas localidades é indispensável para a obtenção de melhores resultados no que diz respeito não só às políticas nacionais mas à legislação específica e ao progresso técnico. bem como as técnicas tradicionais de construção. como meio prático de conservar o patrimônio monumental e os recursos para a habitação. saúde. que devem ser difundidas pelos comitês do ICOMOS na América e por todos os demais especialistas e apresentadas. A informação é importante tanto no nível internacional quanto no que é específico do meio americano. é urgente. O esforço para identificar. Recomenda-se encorajar a competência artesanal da construção através de premiações. Que as escolas de arquitetura criem e favoreçam mestrados e doutorados em restauração e levem substancialmente em conta nos programas de base dos estudos os valores do patrimônio arquitetônico e urbano. condição indispensável a qualquer empenho em favor da conservação. conservação e restauração de moradias nas pequenas aglomerações e pequenas cidades. por sua vez. às universidades. de maneira que seus diplomados sejam capazes de se transformar em profissionais úteis às comunidades necessitadas. Que os governantes dos países latino-americanos considerem a alocação de créditos sociais para dar conta da aquisição. Reafirma-se a necessidade de publicações nesse sentido e propõe-se a criação de grupos de trabalho americanos para os diversos temas específicos.Os participantes do colóquio reiteram os princípios que animam o Conselho Internacional dos Monumentos e do Sítios. Com esse objetivo devem ser revistas as normas de crédito para que considerem como objeto de crédito hipotecário as construções realizadas com técnicas e materiais vernaculares. às escolas profissionais. os problemas de conservação e de restauração e o conhecimento da arquitetura vernacular. tais como os de comunicação. Que os órgãos do serviço público. restauração e revitalização das pequenas localidades. Que é útil que os estabelecimentos de ensino e sociedades de arquitetos organizem comissões de preservação do patrimônio arquitetônico capazes de promover maior consciência da responsabilidade que lhes cabe no que diz respeito à conservação das pequenas aglomerações. Chapultepec e Morélia concernentes à conservação dos pequenos lugares de habitat e emitem. Que seja encorajada a participação interdisciplinar. encorajar. levem em consideração que suas ações e boas intenções podem causar danos às pequenas comunidades se forem ignorados ou minimizados os valores do patrimônio cultural e os benefícios que resultam da conservação desse patrimônio para toda a comunidade. eletrificação e outros. sociais e econômicos da região e as possibilidades de revitalizá-la. Que a utilização de materiais regionais e a conservação de técnicas de construção tradicionais de cada região sejam indispensáveis para a conservação adequada das pequenas aglomerações e não estejam em contradição com a teoria geral que estabelece que se deixe em evidência nas intervenções a marca de nosso tempo. sem o que a referida ação será condenada à superficialidade e à ineficácia. assim como as recomendações feitas durante as precedentes reuniões americanas de Quito. as recomendações seguintes. Recomenda-se: Que qualquer ação que vise à conservação e a revitalização das pequenas localidades seja inserida em um programa que leve em conta os aspectos históricos. . justamente onde eles existem. em cada país. manter em vigor e reforçar no espírito das comunidades o prestígio e o valor do uso de tais materiais e técnicas. às faculdades de arquitetura e a outros organismos. educação.

Por tal razão. toma consciência de si mesmo. e aprovem o protocolo da Convenção para o Patrimônio Mundial da UNESCO (16 de novembro de 1972) como um meio de receberem a assistência técnica e o apoio dos organismos internacionais. os sistemas de valores. múltiplos conflitos e graves tensões ameaçam a paz e a segurança. os direitos fundamentais do ser humano. a desigualdade entre as nações é crescente. Declaração do México México. cujo significado e alcance têm se ampliado consideravelmente. Em nossos dias. são essenciais para um verdadeiro desenvolvimento do indivíduo e da sociedade.Conselho Internacional de Monumentos e Sítios O mundo tem sofrido profundas transformações nos últimos anos. . garantir o respeito ao direito dos demais e assegurar o exercício das liberdades fundamentais do homem e dos povos. É ela que faz de nós seres especificamente humanos.de compilar e difundir as informações relativas a esse problema e de prestar acompanhamento aos programas e estudos desse gênero. e eticamente comprometidos. Concorda também que a cultura dá ao homem a capacidade de refletir sobre si mesmo. A educação e a cultura. a comunidade das nações enfrenta também sérias dificuldades econômicas. além das artes e das letras. racionais. procura incansavelmente novas significações e cria obras que o transcendem. não obstante o acréscimo das possibilidades de diálogo. a cultura pode ser considerada atualmente como o conjunto dos traços distintivos espirituais. Que os representantes dos países da região empreendam os maiores esforços. Através dela discernimos os valores e efetuamos opções. ao expressar a sua esperança na convergência final dos objetivos culturais e espirituais da humanidade. hoje é mais urgente que nunca estreitar a colaboração entre as nações. a conferência concorda em que. Assim. 1982 Conferência Mundial sobre as Políticas Culturais ICOMOS . as tradições e as crenças. põe em questão as suas próprias realizações. Ao reunir-se no México. como afirma a constituição da UNESCO. a Conferência Mundial sobre as Políticas Culturais. no seu sentido mais amplo. Mais do que nunca é urgente erigir na mente de cada indivíduo estes baluartes da paz que. a comunidade internacional decidiu contribuir efetivamente para a aproximação entre os povos e a melhor compreensão entre os homens. Ela engloba. críticos. já que seus governos não os têm feito. se reconhece como um projeto inacabado. intelectuais e afetivos que caracterizam uma sociedade e um grupo social. e do seu direito à autodeterminação. Os avanços da ciência e da técnica têm modificado o lugar do homem no mundo e a natureza de suas relações sociais. da ciência e da cultura. podem constituir-se principalmente através da educação. os modos de vida. Através dela o homem se expressa. materiais.

Todas as culturas fazem parte do patrimônio comum da humanidade. e a exigir respeito a ela. A humanidade empobrece quando se ignora ou se destrói a cultura de um grupo determinado. surge da experiência de todos os povos do mundo. esgota-se e morre. para a liberação dos povos. a soberania e a identidade das nações. Tudo isso reclama políticas culturais que protejam. A identidade cultural é uma riqueza que dinamiza as possibilidades de realização da espécie humana ao mobilizar cada povo e cada grupo a nutrir-se de seu passado e a colher as contribuições externas compatíveis com a sua especificidade e continuar. ou seja. no isolamento.Por conseguinte. A comunidade internacional considera que é um dever velar pela preservação e defesa da identidade cultural de cada povo. apreciação de outros valores e tradições. O universal não pode ser postulado em abstrato por nenhuma cultura em particular. A cultura é um diálogo. A identidade cultural de um povo se renova e enriquece em contato com as tradições e valores dos demais. A afirmação da identidade cultural contribui. Identidade cultural e diversidade cultural são indissociáveis. Dimensão Cultural do Desenvolvimento A cultura constitui uma dimensão fundamental do processo de desenvolvimento e contribui para fortalecer a independência. a satisfação das aspirações espirituais e culturais do homem. intercâmbio de idéias e experiências. constitui a essência mesma do pluralismo cultural o reconhecimento de múltiplas identidades culturais onde coexistirem diversas tradições. além de estabelecerem o mais absoluto respeito e apreço pelas minorias culturais e pelas outras culturas do mundo. O crescimento tem sido concebido frequentemente em termos quantitativos. qualquer forma de dominação nega ou deteriora essa identidade. assim. Há que reconhecer a igualdade e dignidade de todas as culturas. estimulem e enriqueçam a identidade e o patrimônio cultural de cada povo. ao contrário. Por isso. As peculiaridades culturais não dificultam. portanto. o processo de sua própria criação. O desenvolvimento autêntico persegue o bem-estar e a satisfação constantes de cada um e de todos. assim como o direito de cada povo e de cada comunidade cultural a afirmar e preservar sua identidade cultural. a conferência afirma solenemente os seguintes princípios que devem reger as políticas culturais: Identidade Cultural Cada cultura representa um conjunto de valores único e insubstituível já que as tradições e as formas de expressão de cada povo constituem sua maneira mais acabada de estar presente no mundo. sem levar em conta a sua necessária dimensão qualitativa. . mas favorecem a comunhão dos valores universais que unem os povos. cada um dos quais afirma a sua identidade.

democracia cultural supõe a mais ampla participação do indivíduo e d sociedade no processo de criação de bens culturais. É preciso descentralizar a vida cultural. mas a sua plena realização individual e coletiva e a preservação da natureza. mas o desenvolvimento do ser humano. Seu objetivo não é a produção. descentralização dos lugares de recreio e fruição das belas-artes. nem quanto a seus benefícios. Trata-se. tais estratégias deverão levar sempre em conta a dimensão histórica. Proporcionar a todos os homens a oportunidade de realizar um melhor destino supõe ajustar permanentemente o ritmo do desenvolvimento. a gozar das artes e a participai. da nacionalidade. Só se pode atingir um desenvolvimento equilibrado mediante a integração dos fatores culturais nas estratégias para alcançá-lo.do progresso científico e dos benefícios que dele resultem. o seu fim último é a pessoa 11. da origem e da posição social. Um programa de democratização da cultura obriga. na tomada de decisões que concernem à vida cultural e na sua difusão e fruição. da idade. em primeiro lugar. social e cultural de cada sociedade. sobretudo. A fim de garantir a participação de todos os indivíduos na vida cultural. Uma política cultural democrática tornará possível o desfrute da excelência artística em toda as comunidades e entre toda a população. Qualquer política cultural deve resgatar o sentido profundo e humano do desenvolvimento. da educação. o lucro ou o consumo per se. Cultura e Democracia A Declaração Universal dos Direitos Humanos estabelece. da língua. O desenvolvimento supõe a capacidade de cada indivíduo e de cada povo de informar-se e aprender a comunicar suas experiências. Não só perseguem a satisfação de suas necessidades fundamentais. é preciso eliminar as desigualdades provenientes. de abrir novos pontos de entrosamento com a democracia pela via da igualdade de oportunidades nos campos da educação e da cultura. Um número cada vez maior de mulheres e homens desejam um mundo melhor.É indispensável humanizar o desenvolvimento. por consequência. da saúde ou da pertinência a grupos étnicos minoritários ou marginais. . Os Estados devem tomar as medidas necessária para alcançar este objetivo. em consequência. Requerem-se novos modelos e é no âmbito da cultura e da educação que serão encontrados. no plano geográfico e no administrativo para assegurar que as instituições responsáveis conheçam melhor as preferências opções e necessidades da sociedade em matéria de cultura. É essencial. do sexo. das convicções religiosas.1 sua dignidade individual e na sua responsabilidade social. entre outras. A cultura procede da comunidade inteira e a ela deve retornar. multiplicar as oportunidades de diálogo entre a população e o organismos culturais. O homem é o princípio e o fim do desenvolvimento. Não pode se privilégio da elite nem quanto a sua produção. no seu artigo 27. que toda pessoa tem direito a tomar parte livremente na vida cultural comunidade. seu bem-estar e sua possibilidade de convivência solidária com todos os povos.

. Educação. ideológico e social. os ritos. Os instrumentos. A liberdade de pensamento e de expressão é indispensável à atividade criadora do artista e do intelectual. É imprescindível estabelecer as condições sociais e culturais que facilitem. portanto. os atentados ao patrimônio cultural perpetrados pelo colonialismo. pelas ocupações estrangeiras e pela imposição de valores exógenos.Patrimônio Cultural O patrimônio cultural de um povo compreende as obras de seus artistas. a fim de estabelecer um equilíbrio harmonioso entre o progresso técnico e a elevação intelectual e moral da humanidade A educação é o meio por excelência para transmitir os valores culturais nacionais e universais. Todas essas ações contribuem para romper o vínculo e a memória dos povos em relação a seu passado. músicos. por conseguinte. A preservação e o apreço do patrimônio cultural permitem. Mais inaceitáveis ainda são. da ciência e da comunicação. Princípio fundamental das relações culturais entre os povos é a restituição a seus países de origem das obras que lhes foram subtraídas ilicitamente. aos povos defender a sua soberania e independência e. porém. sem discriminação de caráter político. as crenças. Ou seja. Relações entre Cultura. Qualquer povo tem o direito e o dever de defender e preservar o patrimônio cultural. as obras materiais e não materiais que expressam a criatividade desse povo: a língua. as obras de arte e os arquivos e bibliotecas. pelos conflitos armados. escritores e sábios. Criação Artística e Intelectual e Educação Artística O desenvolvimento da cultura é inseparável tanto da independência dos povos quanto da liberdade da pessoa. arquitetos. mas também o fomento de atividades que estimulem a consciência pública sobre a importância da arte e da criação intelectual. Ciência e Comunicação O desenvolvimento global da sociedade exige políticas complementares nos campos da cultura. da educação. industrialização e penetração tecnológica. e deve procurar a assimilação dos conhecimentos científicos e técnicos sem detrimento das capacidades e valores dos povos. acordos e relações internacionais existentes poderiam ser reforçados para aumentar sua eficácia a esse respeito. os lugares e monumentos históricos. estimulem e garantam a criação artística e intelectual. assim como as criações anônimas surgidas da alma popular e o conjunto de valores que dão sentido à vida. a cultura. O patrimônio cultural tem sido frequentemente danificado ou destruído por negligência e pelos processos de urbanização. já que as sociedades se reconhecem a si mesmas através dos valores em que encontram fontes de inspiração criadora. O desenvolvimento e promoção da educação artística compreendem não só a elaboração de programas específicos que despertem a sensibilidade artística e apoiem grupos e instituições de criação e difusão. afirmar e promover sua identidade cultural.

que favoreça o florescimento da personalidade. Os meios modernos de comunicação têm uma importância fundamental na educação e na difusão da cultura. Os meios modernos de comunicação devem facilitar a informação objetiva sobre as tendências culturais nos diversos países. no entanto. Planejamento. que inspire a renovação e estimule a criatividade. a sociedade há de se esforçar em utilizar as novas técnicas da produção e da comunicação para colocá-las a serviço de um autêntico desenvolvimento individual e coletivo e favorecer a independência das nações. que forme na autodisciplina. nos países que delas carecem. supõem o direito de todas as nações não só de receber mas também de transmitir conteúdos culturais. Por outra parte.Requer-se atualmente uma educação integral e inovadora que não só informe e transmita. É necessário revalorizar as línguas nacionais como veículos do saber. qualquer que seja a sua organização. no respeito aos demais e na solidariedade social e internacional. uma educação que capacite para a organização e para a produtividade. A alfabetização é condição indispensável para o desenvolvimento cultural dos povos. em função das necessidades de desenvolvimento tios povos. educativos. Tais indústrias. desempenham um papel importante na difusão de bens culturais. ( A fonte original não inclui texto para este numeral). Os avanços tecnológicos dos últimos anos têm dado lugar à expansão das indústrias culturais. mediante programas de ajuda bilateral ou multilateral. preservando sua soberania e fortalecendo a paz no mundo. sobretudo nos países em via de desenvolvimento. que permita aos educandos tomar consciência da realidade do seu tempo e do seu meio. Em conseqüência. para a produção de bens e serviços realmente necessários. O ensino da ciência e da tecnologia deve ser concebido principalmente como um processo cultural de desenvolvimento do espírito crítico e integrado aos sistemas educativos. administração e financiamento das atividades culturais A cultura é o fundamento necessário para o desenvolvimento autêntico. A sociedade deve realizar um esforço importante dirigido a planejar. mas que forme e renove. das idéias e dos conhecimentos. É indispensável. . Nas suas atividades internacionais. apoiar o estabelecimento de indústrias culturais. cuidando sempre para que a produção e difusão de bens culturais responda às necessidades de desenvolvimento integral de cada sociedade. pode ser fonte de dependência cultural e origem de alienação. em conseqüência. que constituem alguns dos princípios de uma nova ordem mundial da informação e da comunicação. administrar e financiar as atividades culturais. científicos e tecnológicos. a ausência de indústrias culturais nacionais. ignoram muitas vezes os valores tradicionais da sociedade e suscitam expectativas e aspirações que não respondem às necessidades efetivas do seu desenvolvimento. sem lesar a liberdade criadora e a identidade cultural das nações. Uma circulação livre e uma difusão mais ampla e melhor equilibrada da informação.

sejam mais amplamente difundidas em todos os países. Os intercâmbios culturais. do apartheid e de todo gênero de agressão. confiança. tais como programas de desenvolvimento cultural. É indispensável. a cooperação cultural deve estimular um clima internacional favorável ao desarmamento. aprovada na sua décima quarta reunião. científicos e educativos devem fortalecer a paz. Consequentemente. UNESCO Num mundo convulsionado por diferenças que põem em perigo os valores culturais das civilizações. Uma paz duradoura deve ser estabelecida para assegurar a própria existência da cultura humana. A conferência reafirma que o valor educativo e cultural é essencial nos esforços para instaurar uma nova ordem econômica internacional. . dominação e intervenção. além disso. pela Conferência Geral da Organização das Nações Unidas para a Educação. respeitar os direitos do homem e contribuir para a eliminação do colonialismo. do racismo.Cooperação Cultural Internacional É essencial para a atividade criadora do homem e para o completo desenvolvimento da pessoa e da sociedade a mais ampla difusão das idéias e dos conhecimentos. A cooperação cultural internacional deve fundamentar-se no respeito à identidade cultural. do neocolonialismo. reequilibrar o intercâmbio e a cooperação cultural a fim de que as culturas menos conhecidas. à dignidade e ao valor de cada cultura. Uma cooperação mais ampla e uma compreensão cultural sub-regional. Tal clima não poderá ser alcançado plenamente sem que sejam reduzidos e eliminados os conflitos e tensões atuais. a Ciência e a Cultura devem multiplicar os esforços destinados a preservar tais valores e a aprofundar sua ação em benefício do desenvolvimento da humanidade. a cooperação entre países em vias de desenvolvimento. baseada em intercâmbio e em reuniões culturais. os Estados Membros e a Secretaria da Organização das Nações Unidas para a Educação. Da mesma forma. à independência. Há que se estimular. interregional e internacional são pressupostos importantes para obter um clima de respeito. É necessário diversificar e fomentar a cooperação cultural internacional em um contexto interdisciplinar e com atenção especial à formação de pessoal qualificado em matéria de serviços culturais. científico e técnico. às soberanias nacionais e à nãointervenção. em particular as de alguns países em vias de desenvolvimento. a Ciência e a Cultura. regional. A conferência reitera solenemente o valor e a vigência da Declaração dos Princípios da Cooperação Cultural. em particular. de maneira que os recursos humanos e as enormes somas destinadas ao armamento possam se consagrar a fins produtivos. detida a corrida armamentista e conseguido o desarmamento. diálogo e paz entre as nações. de sorte que o conhecimento de outras culturas e de experiências de desenvolvimento enriqueçam-lhes a vida. nas relações de cooperação entre as nações deve evitar-se qualquer forma de subordinação ou substituição de uma cultura por outra.

bem como a seu desenvolvimento coerente e a sua adaptação harmoniosa à vida contemporânea. como entre as nações. históricas. Carta de Washington Washington. social e mesmo econômico. os objetivos da UNESCO. Atualmente. adquirem uma importância capital. constituem a memória da humanidade. os métodos e os instrumentos de ação apropriados a salvaguardar a qualidade das cidades históricas. como em outros instrumentos internacionais. realizem o antigo sonho da fraternidade universal. A presente carta diz respeito mais precisamente às cidades grandes ou pequenas e aos centros ou bairros históricos com seu entorno natural ou construído. que. de deterioração e até mesmo de destruição sob o efeito de um tipo de urbanização nascido na era industrial e que hoje atinge universalmente todas as sociedades. Como no texto da Recomendação da UNESCO relativa à Salvaguarda dos Conjuntos Históricos ou Tradicionais e a sua Função na Vida Contemporânea (Varsóvia . 1976) e.Frente a essa situação. a favorecer a harmonia da vida individual e social e a perpetuar o conjunto de bens que. ultrapassando as suas diferenças. todas as cidades do mundo são as expressões materiais da diversidade das sociedades através da história e são todas. 1964).Conselho Internacional de Monumentos e Sítios Preâmbulo e definições: Resultantes de um desenvolvimento mais ou menos espontâneo ou de um projeto deliberado. exprimem valores próprios das civilizações urbanas tradicionais. tal como são definidos na sua constituição.Nairobi. Ao complementar a Carta Internacional Sobre a Conservação e a Restauração de Monumentos e Sítios (Veneza. também. além de sua condição de documento histórico. 1986 CARTA INTERNACIONAL PARA A SALVAGUARDA DAS CIDADES HISTÓRICAS ICOMOS . A comunidade internacional reunida nesta conferência considera seu o lema de Benito Juarez: "Entre os indivíduos. o Conselho Internacional de Monumentos e de Sítios (ICOMOS) julgou necessário redigir uma Carta Internacional para Salvaguarda das Cidades Históricas. o respeito ao direito alheio é a paz". entende-se aqui por salvaguarda das cidades históricas as medidas necessárias a sua proteção. . mesmo modestos. Face a essa situação muitas vezes dramática. A Conferência Mundial sobre Políticas Culturais faz um apelo à UNESCO para que prossiga e reforce sua ação de aproximação cultural entre os povos e as nações e continue desempenhando a nobre tarefa de contribuir para que os homens. este novo texto define os princípios e os objetivos. que provoca perdas irreversíveis de caráter cultural. a sua conservação e restauração. muitas delas estão ameaçadas de degradação. por essa razão.

técnicos. históricos. espaços construídos. sociológicos e econômicos e deve definir as principais orientações e modalidades de ações a serem empreendidas no plano jurídico. A adaptação da cidade histórica à vida contemporânea requer cuidadosas instalações das redes de infra-estrutura e equipamento dos serviços públicos. e ser considerada no planejamento físico territorial e nos planos urbanos em todos os seus níveis. O plano de salvaguarda deverá empenhar-se para definir uma articulação harmoniosa entre os bairros históricos e o conjunto da cidade. espaços abertos e espaços verdes. a vocação e a estrutura das cidades históricas. e) as diversas vocações da cidade adquiridas ao longo de sua história. Antes da adoção de um plano de salvaguarda ou enquanto ele estiver sendo finalizado. as condições existentes na área deverão ser rigorosamente documentadas. . c) a forma e o aspecto das edificações (interior e exterior) tais como são definidos por sua estrutura. A participação e o comprometimento dos habitantes da cidade são indispensáveis ao êxito da salvaguarda e devem ser estimulados. os que devam ser conservados em certas condições e os que. mas levar em consideração os problemas específicos de cada caso particular. estilo. Antes de qualquer intervenção. a salvaguarda das cidades e bairros históricos deve ser parte essencial de uma política coerente de desenvolvimento econômico e social. administrativo e financeiro. em particular: a) a forma urbana definida pelo traçado e pelo parcelamento. particularmente arqueológicos. O plano de salvaguarda deve compreender uma análise dos dados. A conservação das cidades e bairros históricos implica a manutenção permanente das áreas edificadas. as ações necessárias à conservação deverão ser adotadas em observância aos princípios e métodos da presente carta e da Carta de Veneza. Dever-se-ia evitar o dogmatismo. sensibilidade. materiais. Qualquer ameaça a esses valores comprometeria a autenticidade da cidade histórica. volume. escala. O plano de salvaguarda deve determinar as edificações ou grupos de edificações que devam ser particularmente protegidos. cor e decoração.Princípios e objetivos: Para ser eficaz. As intervenções em um bairro ou em uma cidade histórica devem realizar-se com prudência. d) as relações da cidade com seu entorno natural ou criado pelo homem. arquitetônicos. b) as relações entre os diversos espaços urbanos. As novas funções devem ser compatíveis com o caráter. Métodos e instrumentos O planejamento da salvaguarda das cidades e bairros históricos deve ser precedido de estudos multidisciplinares. possam ser demolidos. Não se deve jamais esquecer que a salvaguarda das cidades e bairros históricos diz respeito primeiramente a seus habitantes. em circunstâncias excepcionais. O plano deveria contar com a adesão dos habitantes. método e rigor. Os valores a preservar são o caráter histórico da cidade e o conjunto de elementos materiais e espirituais que expressam sua imagem.

especialmente seu parcelamento. assim como a vivência de seus habitantes num espaço de . Esse sítio histórico urbano deve ser entendido em seu sentido operacional de área crítica. Para assegurar a participação e o envolvimento dos habitantes deverá ser efetuado um programa de informações gerais que comece desde a idade escolar.A melhoria do habitat deve ser um dos objetivos fundamentais da salvaguarda. nos termos em que o impõem a qualidade e o valor do conjunto de construções existentes. 1987 1º Seminário Brasileiro para Preservação e Revitalização de Centros Históricos Entende-se como sítio histórico urbano o espaço que concentra testemunhos do fazer cultural da cidade em suas diversas manifestações. todo o acréscimo deverá respeitar a organização espacial existente. O sítio histórico urbano – SHU – é parte integrante de um contexto amplo que comporta as paisagens natural e construída. não só para assegurar a salvaguarda do seu patrimônio. No caso de ser necessário efetuar transformações dos imóveis ou construir novos. as poluições e as vibrações). desde que não perturbe a harmonia do conjunto. É importante contribuir para um melhor conhecimento do passado das cidades históricas. como também para a segurança e o bem-estar de seus habitantes. A circulação de veículos deve ser estritamente regulamentada no interior das cidades e dos bairros históricos. Carta de Petrópolis Petrópolis. as áreas de estacionamento deverão ser planejadas de maneira que não degradem seu aspecto nem o do seu entorno. pode contribuir para o seu enriquecimento. A introdução de elementos de caráter contemporâneo. A salvaguarda exige uma formação especializada de todos os profissionais envolvidos. Devem ser adotadas nas cidades históricas medidas preventivas contra as catástrofes naturais e contra todos os danos (notadamente. Os meios empregados para prevenir ou reparar os efeitos das calamidades devem adaptar-se ao caráter específico dos bens a salvaguardar. Os grandes traçados rodoviários previstos no planejamento físico territorial não devem penetrar nas cidades históricas. e não por oposição a espaços não-históricos da cidade. mas somente facilitar o tráfego nas cercanias para permitirlhes um fácil acesso. através do favorecimento às pesquisas arqueológicas urbanas e da apresentação adequada das descobertas. sem prejuízo da organização geral do tecido urbano. já que toda cidade é um organismo histórico. volume e escala. Deverá ser favorecida a ação das associações de salvaguarda e deverão ser tomadas medidas de caráter financeiro para assegurar a conservação e a restauração das edificações existentes.

deve a moradia construir-se na função primordial do espaço edificado. estaduais e municipais. declaração de interesse cultural e desapropriação. em processo dinâmico de transformação. haja vista a flagrante carência habitacional brasileira. desde que compatíveis com a sua ambiência. necessariamente. Guardando essa heterogeneidade. mas também. normas urbanísticas. a sua preservação não deve dar-se à custa de exclusividade de usos. isenções e incentivos. Nesse sentido. A realização do inventário com a participação da comunidade proporciona não apenas a obtenção do conhecimento do valor por ela atribuído ao patrimônio. Nesse sentido. A cidade enquanto expressão cultural. alicerçado no conhecimento dos mecanismos formadores e atuantes na estruturação do espaço. abrigar os universos de trabalho e do cotidiano. pelo fortalecimento da participação das lideranças civis. No processo de preservação do SHU. todo espaço edificado é resultado de um processo de produção social. entendido como processo contínuo e permanente. Na preservação do SHU é fundamental a ação integrada dos órgãos federais.º 3 – "Cartas Patrimoniais"Ministério da Cultura Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional – IPHAN Brasília. A preservação do SHU deve ser pressuposto do planejamento urbano. o fortalecimento dos seus vínculos em relação ao patrimônio. considera-se essencial a predominância do valor social da propriedade urbana sobre a sua condição de mercadoria. mas somatória. Sendo a polifuncionalidade uma característica do SHU.valores produzidos no passado e no presente. devendo os novos espaços urbanos ser entendidos na sua dimensão de testemunhos ambientais em formação. como uma das formas de pleno exercício da cidadania. É nessa perspectiva de reapropriação política do espaço urbano pelo cidadão que a preservação incrementa a qualidade de vida. A proteção legal do SHU far-se-á através de diferentes tipos de instrumentos. especial atenção deve ser dada à permanência no SHU das populações residentes e das atividades tradicionais. Desta forma. Os critérios para avaliar a conveniência desta substituição devem levar em conta o custo sócio-cultural do novo. onde se manifestam as verdadeiras expressões de uma sociedade heterogênea e plural. 1995 . inventário. Na diversificação dos instrumentos de proteção. não é eliminatória. devendo. tais como: tombamento. Publicado no Caderno de Documentos n. socialmente fabricada. nem mesmo daqueles ditos culturais. só se justificando sua substituição após demonstrado o esgotamento de seu potencial sócio-cultural. o inventário como parte dos procedimentos da análise e compreensão da realidade constituiu-se na ferramenta básica para o conhecimento do acervo cultural e natural. O objetivo último da preservação é a manutenção e potencialização de quadros e referenciais necessários para a expressão e consolidação da cidadania. é imprescindível a viabilização e o estímulo aos mecanismos institucionais que asseguram uma gestão democrática da cidade. bem como a participação da comunidade interessada nas decisões de planejamento.

que deve ter por origem um processo educativo em todos os níveis. escrever esta carta. demanda um concurso interdisciplinar e uma ação interinstitucional. . O trabalho dos cientistas sociais e dos órgãos responsáveis deve assegurar a liberdade do desenvolvimento cultural dos povos indígenas. como Argentina. com a utilização dos meios de comunicação. conhecedores de arqueologia. É preciso rever a história americana. como os sítios geológicos. Para o conhecimento e a preservação do patrimônio cultural e natural. é fundamental assegurar-lhes a posse e o usufruto exclusivo de suas terras e a preservação de suas línguas – fatores centrais de sua identidade. para. história. é fundamental a preservação de todo tipo de testemunhos. O êxito de uma política preservacionista tem como fator fundamental o engajamento da comunidade. fossilíferos e naturais. México. O respeito aos valores naturais. navegação. A criação de unidades de conservação ambiental e a preservação de sítios deverá ser acompanhada de soluções alternativas. levando-se em conta que a ocupação do continente precede em muito a fixação do europeu. Paraguai e Peru. que terá o nome Carta de Cabo Frio. Bolívia. o Comitê Brasileiro do ICOMOS reuniu em Cabo Frio. reconhecendo o papel das populações do continente. A defesa da identidade cultural far-se-á através do resgate das formas de convívio harmônico com seu ambiente. originários de todas as partes do Brasil e de outras terras da América. étnicos e culturais. botânica. Os novos encontros de culturas deverão ser direcionados no sentido do respeito aos contextos locais. O processo de preservação. o homem atribui a esses testemunhos significação cultural. juntando-se às comemorações dos 500 anos da vinda de Colombo América e homenageando o navegador Américo Vespúcio. O sentido de conquista que caracterizou o encontro de culturas na América resultou em um processo desigual de interação. Costa Rica. enfatizados através da educação pública. com o sacrifício de muitos valores. Para garantia da autonomia das sociedades e culturas indígenas. Nesse sentido. mui formosa paragem e mui prodigioso sítio da costa sul do Brasil. O quinto centenário da chegada de Colombo é a oportunidade para se rever a história americana. por sua complexidade. Ao identificá-las e interpretar-lhes o valor. de modo a garantir a melhoria da qualidade de vida das populações envolvidas. engenharia e outros saberes. arqueológicos. que em 1503 aqui esteve. faz-se necessária a apropriação de métodos específicos e de novas técnicas disponíveis.Encontro de Civilizações nas Américas Conclusões e Recomendações do Seminário No dia 6 de outubro do ano de 1989. arquitetura. pode ser lida através das múltiplas manifestações da natureza.Carta de Cabo Frio de outubro de 1989 Vespuciana . contribuirá para a valorização das identidades culturais. A história do planeta Terra.

Princípio 2 De acordo com a Carta das Nações Unidas e os princípios do direito internacional. de 13 a 14 de junho de 1992. Procurando alcançar acordos internacionais em que se respeitem os interesses de todos e se proteja a integridade do sistema ambiental e de desenvolvimento mundial. ambientais e de desenvolvimento. à natureza. os Estados têm o direito soberano de aproveitar seus próprios recursos segundo suas peculiaridades políticas. Reconhecendo a natureza integral e interdependente da Terra. Sendo a identidade cultural a razão maior e a base da existência das nações. 1995 Carta do Rio de junho de 1992 Conferência Geral das Nações Unidas Sobre o Meio Ambiente e o Desenvolvimento. aprovada em Estocolmo em 16 junho de 1972. Com o objetivo de estabelecer uma aliança mundial nova e eqüitativa mediante a criação de novos níveis de cooperação entre os Estados. nossa morada. extrativos e infra-estruturais não pode resultar em danos à vida humana. Cabe ao poder público intervir com medidas efetivas de preservação. ou sob seu controle. Proclama que: Princípio 1 Os seres humanos constituem o centro das preocupações relacionadas com o desenvolvimento sustentável. é imprescindível a ação do Estado nas suas várias instâncias e a participação da comunidade na valorização e defesa de seus bens naturais e culturais. Publicado no Caderno de Documentos n. é fundamental um esforço conjunto. Para salvaguarda do patrimônio natural e cultural da América Latina em suas diversas manifestações. nela se baseando. os setores-chaves das sociedades e as pessoas.º 3 – "Cartas Patrimoniais". Princípio 3 .A ação de empresas privadas ou estatais em projetos industriais. A Conferência Geral das Nações Unidas sobre o Meio Ambiente e o Desenvolvimento Havendo se reunido no Rio de Janeiro. Têm direito a uma vida saudável e produtiva em harmonia com a natureza. Reafirmando a Declaração da Conferência das Nações Unidas sobre o Ambiente Humano. não causem danos ao meio ambiente de outros Estados ou de zonas que estejam fora dos limites da jurisdição nacional. e a responsabilidade de zelar por que as atividades realizadas dentro de sua jurisdição. controle.Ministério da Cultura Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional – IPHAN Brasília. a fim de evitar o isolamento cultural e garantir a integração latino-americana. fiscalização e atuação.

a fim de reduzir as disparidades nos níveis de vida e responder melhor às necessidades dos povos do mundo. Princípio 9 Os Estados deveriam cooperar para o fortalecimento de sua própria capacidade de chegar ao desenvolvimento sustentável. os Estados deveriam reduzir e eliminar as modalidades de produção e consumo insustentável e fomentar apropriadas políticas demográficas. Na medida em que tenham contribuído em graus variados para a degradação do meio ambiente mundial. mas diferenciadas. aumentando o sabor científico mediante o intercâmbio de conhecimentos científicos e tecnológicos. Princípio 8 Para alcançar o desenvolvimento sustentável e uma melhor qualidade de vida para todas as pessoas. Princípio 10 . a difusão e a transferência de tecnologias. a proteção do meio ambiente deverá constituir parte integrante do processo de desenvolvimento e não poderá ser considerada isoladamente. em particular dos países menos adiantados. Princípio 4 Com o objetivo de alcançar o desenvolvimento sustentável. em vista das pressões que suas sociedades exercem no meio ambiente mundial. das tecnologias e dos recursos financeiros de que dispõem. os Estados têm responsabilidades comuns. proteger e restabelecer a saúde e a integridade do ecossistema da Terra. a adaptação. tecnologias novas e inovadoras. e intensificando o desenvolvimento. Princípio 6 Dever-se-á atribuir especial prioridade à situação e às necessidades específicas dos países em desenvolvimento. entre as quais.O direito ao desenvolvimento deve exercer-se de forma tal que responda eqüitativamente às necessidades de desenvolvimento e de proteção à integridade do sistema ambiental das gerações presentes e futuras. Princípio 7 Os Estados deverão cooperar em espírito de solidariedade mundial para conservar. Os países desenvolvidos reconhecem a responsabilidade que lhes cabe na busca internacional do desenvolvimento sustentável. e dos mais vulneráveis do ponto de vista ambiental. Nas medidas internacionais a serem adotadas com relação ao meio ambiente e ao desenvolvimento dever-se-iam também levar em consideração os interesses e as necessidades de todos os países. Princípio 5 Todos os Estados e todas as pessoas deverão cooperar na tarefa essencial de erradicar a pobreza como requisito indispensável do desenvolvimento sustentável.

Princípio 14 . Deverá ser proporcionado acesso efetivo aos procedimentos judiciais e administrativos. Os Estados deverão facilitar e incentivar a sensibilização e a participação da população. a fim de abordar da melhor forma os problemas da degradação ambiental. deveriam. os objetivos de planejamento e as prioridades ambientais deveriam refletir o contexto ambiental e de desenvolvimento a que se aplicam. ou em zonas situadas fora de sua jurisdição. além disso. nem uma restrição velada ao comércio internacional. Princípio 12 Os Estados deveriam cooperar na promoção de um sistema econômico internacional favorável e aberto que conduzisse ao crescimento econômico e ao desenvolvimento sustentável de todos os países. As medidas destinadas a tratar os problemas ambientais transfronteiriços ou mundiais. Princípio 13 Os Estados deverão desenvolver a legislação nacional relativa à responsabilidade e à respectiva indenização das vítimas da contaminação e de outros danos ambientais. na medida do possível. Princípio 14 Os Estados deverão desenvolver a legislação nacional relativa à responsabilidade e à respectiva indenização das vítimas da contaminação e de outros danos ambientais. entre os quais o ressarcimento de danos e os recursos pertinentes. As normas utilizadas por alguns países podem resultar inadequadas e representar um custo social e econômico injustificado para outros. ou sob seu controle. de maneira pronta e mais decidida na elaboração de novas leis internacionais sobre a responsabilidade e indenização por efeitos adversos dos danos ambientais causados pelas atividades realizadas dentro de sua jurisdição.O melhor modo de tratar as questões ambientais da participação de todos os cidadãos interessados no nível correspondente. Os Estados deverão cooperar. ou em zonas situadas fora de sua jurisdição. assim como a oportunidade de participar nos processos de adoção de decisões. As normas. Princípio11 Os estados deverão promulgar leis eficazes sobre o meio ambiente. No plano nacional. ou sob seu controle. colocando a informação à disposição de todos. inclusive a informação sobre os materiais e as atividades que ocasionem perigo a suas comunidades. de maneira pronta e mais decidida na elaboração de novas leis internacionais sobre responsabilidade e indenização por efeitos adversos dos danos ambientais causados pelas atividades realizadas dentro de sua jurisdição. particularmente para os países em desenvolvimento. Dever-se-ia evitar adoção de medidas unilaterais para solucionar os problemas ambientais que se produzem fora da jurisdição do país importador. Os Estados deverão cooperar. basear-se em um consenso internacional. qualquer pessoa deverá ter acesso adequado à informação sobre o meio ambiente de que disponham as autoridades públicas. além disso. As medidas de política comercial com fins ambientais não deveriam constituir um meio de discriminação arbitrária ou injustificável.

Os Estados deveriam cooperar efetivamente para desestimular ou evitar a realocação e a transferência para outros Estados de quaisquer atividades e substâncias que causem degradação ambiental grave ou se considerem nocivas para a saúde humana. Princípio 16 As autoridades nacionais deveriam procurar incentivar a internalização dos custos ambientais e o uso de instrumentos econômicos. portanto. de acordo com suas capacidades. A comunidade internacional deverá fazer todo o possível para ajudar os Estados afetados. para impedir a degradação do meio ambiente. que sirva de instrumento nacional. em princípio. Princípio 17 Deverá empreender-se uma avaliação do impacto ambiental. aos Estados que possivelmente sejam afetados por atividades que possam ter consideráveis efeitos ambientais transfronteiriços adversos e deverão realizar consultas com esses Estados com a devida antecedência e em boa fé. para qualquer atividade proposta que possa provavelmente produzir um impacto negativo considerável no meio ambiente e que esteja sujeito à decisão de uma autoridade nacional competente. arcar com os custos da contaminação. Princípio 15 Com a finalidade de proteger o meio ambiente. Princípio 21 . os Estados deverão aplicar amplamente o critério de precaução. levando devidamente em conta o interesse público e sem distorcer o comércio nem os investimentos internacionais. a falta de certeza cientificamente absoluta não deverá ser utilizada como razão para postergar a adoção de medidas eficazes. Quando houver perigo de dano grave ou irreversível. em função dos custos. Princípio 20 As mulheres desempenham um papel fundamental no planejamento do meio ambiente e no desenvolvimento. Princípio 19 Os Estados deverão proporcionar a informação pertinente e notificar previamente e de forma oportuna. Princípio 18 Os Estados deverão notificar imediatamente aos outros Estados os desastres naturais e outras situações de emergência que possam produzir efeitos nocivos súbitos no meio ambiente desses Estados. tendo em consideração o critério de que o que contamina deve. imprescindível contar com sua plena participação para conseguir o desenvolvimento sustentável. É.

Os Estados deveriam reconhecer e aprovar devidamente sua identidade. se necessário. Princípio 22 As populações indígenas e suas comunidades. inimiga do desenvolvimento sustentável. e cooperar para o seu posterior desenvolvimento. o desenvolvimento e a proteção do meio ambiente são interdependentes e inseparáveis. desempenham um papel fundamental no planejamento do meio ambiente e no desenvolvimento. Princípio 26 Os Estados deverão resolver pacificamente todas as controvérsias sobre o meio ambiente em conformidade com a Carta das Nações Unidas. graças aos seus conhecimentos e práticas tradicionais. assim como outras comunidades locais. por definição.Deveriam ser mobilizados a criatividade. Princípio 24 A guerra é. Princípio 27 Os Estados e as pessoas deverão cooperar de boa fé e com espírito de solidariedade na aplicação dos princípios consagrados nesta declaração e no posterior desenvolvimento do Direito Internacional na esfera do desenvolvimento sustentável. Publicado no Caderno de Documentos n. Princípio 25 A paz. os Estados deveriam respeitar as disposições de Direito Internacional que protegem o meio ambiente em época de conflito armado. os ideais e o valor dos jovens do mundo para forjar uma aliança mundial orientada a obter o desenvolvimento sustentável e a assegurar um futuro melhor para todos. cultura e interesses e tornar possível sua participação efetiva na obtenção do desenvolvimento sustentável. dominação e ocupação. 1995.º 3 – "Cartas Patrimoniais"Ministério da Cultura Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional – IPHAN Brasília. . Princípio 23 Devem ser protegidos os meio ambiente e os recursos naturais dos povos submetidos a opressão. Em conseqüência.

Que o patrimônio cultural brasileiro é constituído por bens de natureza material e imaterial.A crescente demanda pelo reconhecimento e preservação do amplo e diversificado patrimônio cultural brasileiro. através de seu Departamento de Identificação e Documentação. diversidade e dinâmica. promover e fomentar os processos e bens "portadores de referência à identidade. cabe ao IPHAN identificar. juntamente com outras unidades vinculadas ao Ministério da Cultura. de 10 a 14 de novembro de 1997.Que seja criado um grupo de trabalho no Ministério da Cultura. 4 . a realização do inventário desses bens culturais em âmbito nacional. 3 . o Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional . O plenário.Que o grupo de trabalho estabeleça as necessárias interfaces para que sejam estudadas medidas voltadas para a promoção e o fomento dessas manifestações culturais. 3 .Que o IPHAN promova o aprofundamento da reflexão sobre o conceito de bem cultural de natureza imaterial. artística e tecnológicas".Que. proteger. em nível nacional. voltado especificamente para a preservação dos bens culturais de natureza imaterial.Que o Ministério da Cultura viabilize a integração do referido inventário ao Sistema Nacional de Informações Culturais. fazer e viver. fiscalizar. e estiveram presentes.Carta de Fortaleza de 14 de novembro de 1997 Em comemoração aos seus 60 anos de criação. órgãos de pesquisa. da UNESCO e da sociedade. considerando: 1 . à ação e à memória dos diferentes grupos formadores da sociedade brasileira" (Artigo 216 da Constituição). em parceria com instituições estaduais e municipais de cultura.Que o IPHAN. as criações científicas. proteger. com o objetivo de desenvolver os estudos necessários para propor a edição de instrumento legal.IPHAN promoveu em Fortaleza. conforme determina a Constituição Federal. preservar e promover o patrimônio cultural brasileiro. o Seminário "Patrimônio Imaterial: Estratégias e Formas de Proteção". os modos de criar. para o qual foram convidados. "as formas de expressão. meios de comunicação e outros. com especial atenção àquelas referentes à cultura popular. e 5 . todos signatários deste documento. sob a coordenação do IPHAN. e 5 . O objetivo do Seminário foi recolher subsídios que permitissem a elaboração de diretrizes e a criação de instrumentos legais e administrativos visando a identificar. 2 . 4 . encaminhada pelos poderes públicos e pelos sociais organizados. dispondo sobre a criação do instituto jurídico denominado registro. promova. com a colaboração de consultores do meio universitário e instituições de pesquisa.Que os institutos de proteção legal em vigor no âmbito federal não se têm mostrado adequados à proteção do patrimônio cultural de natureza imaterial.Que os bens de natureza imaterial devem ser objeto de proteção específica. com a participação de suas entidades vinculadas e de eventuais colaboradores externos. Propõe e recomenda 1 . entendidas como iniciativas complementares indispensáveis à proteção legal propiciada pelo instituto do registro. representantes de diversas instituições públicas e privadas. Essas medidas serão formuladas tendo em vista as especificidades das diferentes . 2 . documentar. considerados em toda a sua complexidade. particularmente.

tornando a difusão e o intercâmbio das informações ágil e acessível. O plenário encaminhou as seguintes moções: 1 . 7 . 10 .manifestações culturais.Que sejam buscadas parcerias com entidades públicas e privadas com o objetivo de conhecer as manifestações culturais de natureza imaterial sobre as quais já existam informações disponíveis. proteção. e o conseqüente desligamento de servidores não estáveis. em vigor. preservação e promoção do patrimônio cultural brasileiro. Moção de apoio ao Ministério da Cultura . Em defesa da criação de instrumentos legais complementares com o objetivo de regulamentar as outras formas de acautelamento e preservação mencionadas no parágrafo primeiro do Artigo 216 da Constituição Federal.Que o Ministério da Cultura procure influir no processo de elaboração das políticas públicas. que organiza a proteção do patrimônio histórico e artístico nacional. no sentido de que sejam levados em consideração os valores culturais na sua formulação e implementação. e com a participação de outros agentes do poder público e da sociedade.Que seja desenvolvido um Programa Nacional de Educação Patrimonial. 2. através da criação de uma carreira especial.Que. a partir da experiência do IPHAN. 8 . Pelo reconhecimento das atividades exercidas pelo IPHAN como função típica de Estado. inclusive no que concerne a extinção de cargos efetivos.Que seja estabelecida uma Política Nacional de Preservação do Patrimônio Cultural com objetivos e metas claramente definidos. já bastante defasada em relação às suas atribuições legais e administrativas. o IPHAN encaminhe ao Conselho Nacional do Meio Ambiente (CONAMA) proposta de regulamentação do item relativo ao patrimônio cultural.Moção de defesa da legislação de preservação Em defesa do reconhecimento. 9 . Pela garantia de sobrevivência do IPHAN e de todas as suas conquistas nas áreas de identificação. relativamente aos Estudos de Impacto Ambiental (EIA) e Relatórios de Impacto Ambiental (RIMA).Que a preservação do patrimônio cultural seja abordada de maneira global.Que seja constituído um banco de dados acerca das manifestações culturais passíveis de proteção. O plenário ainda recomenda: 6 . buscando valorizar as formas de produção simbólica e cognitiva. cujas disposições foram recepcionadas pela Constituição Federal de 1988. 3. considerando sua importância no processo de preservação do patrimônio cultural brasileiro. Moção de apoio ao IPHAN Pelo repúdio a qualquer tipo de medida que venha a reduzir a capacidade operacional do IPHAN. e 12 . de modo a contemplá-lo em toda a sua amplitude. comissionados e funções. eficácia. 25/37. documentação. atualidade e excelência jurídica do Decreto-lei n. 11 .

Moção de defesa à Lei de Incentivo à Cultura Pela manutenção dos benefícios previstos na Lei de Incentivo à Cultura. ser objeto de atenção dos órgãos do Ministério da Cultura. 4. que estimulam a parceria entre Estado e sociedade na tarefa de preservar e promover o patrimônio cultural brasileiro. inclusive no que concerne á extinção de cargos efetivos e o conseqüente desligamento de servidores não estáveis.Pelo repúdio a qualquer tipo de medida que venha a reduzir a capacidade operacional do Ministério da Cultura e demais entidades vinculadas. devendo. de modo a não comprometer suas atribuições institucionais. . Moção de congratulações à 4ª Coordenação Regional do IPHAN Pelo reconhecimento da importância de realização do Seminário "Patrimônio Imaterial: estratégias e formas de proteção" e da excelência de sua organização. 6. 5. Moção de apoio às expressões culturais dos povos ameríndios Pelo reconhecimento da cultura indígena como integrante do patrimônio nacional brasileiro. a exemplo de outras etnias.

000. de acordo com o art. origem ou finalidade. Artigo 4° . natural ou jurídica. dentro de sessenta (60) dias. fiscalização e salvaguarda do interesse da ciência. deverá comunicar à Diretoria do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional.000.Os monumentos arqueológicos ou pré-históricos de qualquer natureza existentes no território nacional e todos os elementos que neles se encontram ficam sob a guarda e proteção do Poder Público. estearias e quaisquer outras não especificadas aqui.00 (dez mil a cinqüenta mil cruzeiros). O Presidente da República: Faço saber que o Congresso Nacional decreta e eu sanciono a seguinte lei: Artigo 1° .São proibidos em todo território nacional o aproveitamento econômico. que representem testemunhos da cultura dos paleoameríndios do Brasil. aterrados. lapas e abrigos sob rocha. b) os sítios nos quais se encontram vestígios positivos de ocupação pelos paleomeríndios.A propriedade da superfície. concheiros. antes de serem devidamente pesquisados. a juízo da autoridade competente. c) os sítios identificados como cemitérios.Qualquer ato que importe na destruição ou mutilação dos monumentos a que se refere o art. poços sepulcrais.924 de 26 de julho de1961. birbigueiras ou sernambis. Artigo 2° . Artigo 3° . já estiver procedendo. tais como grutas. para fins econômicos ou outros.As jazidas conhecidas como sambaquis. jazigos. manifestadas ao governo da União. DISPÕE SOBRE OS MONUMENTOS ARQUEOLÓGICOS E PRÉ-HISTÓRICOS. Artigo 6° . das jazidas arqueológicas ou pré-históricas conhecidas como sambaquis. nos quais se encontram vestígios humanos de interesse arqueológico ou paleoetnográfico. punível de acordo com o disposto nas leis penais.Toda pessoa. nem a dos objetos nela incorporados na forma do art. d) as inscrições rupestres ou locais como sulcos de polimentos de utensílios e outros vestígios de atividade de paleoameríndios. e bem assim dos sítios.Consideram-se monumentos arqueológicos ou pré-históricos: a) as jazidas de qualquer natureza.00 a Cr$ 50. para efeito de exame. montes artificiais ou tesos. Artigo 5° . o exercício dessa atividade. 161 da mesma Constituição. à exploração de jazidas arqueológicas ou préhistóricas. como tal. mas de significado idêntico. casqueiros. respeitadas as concessões anteriores e não caducas. tais como sambaquis. c e d do artigo anterior. sepulturas ou locais de pouso prolongado ou de aldeamento "estações" e "cerâmios". sob pena de multa de Cr$ 10. Parágrafo único . 4° . para qualquer fim. que. a destruição ou mutilação. por intermédio da Diretoria do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional. 180 da Constituição Federal. 2° desta Lei será considerado crime contra o Patrimônio Nacional e. registro. não inclui a das jazidas arqueológicas ou pré-históricas. inscrições e objetos enumerados nas alíneas b.Lei n° 3. regida pelo direito comum. de acordo com o que estabelece o art. na data da publicação desta Lei.

através da Diretoria do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional. Parágrafo 3° . salvo a ocorrência de fato excepcional. penal e administrativamente pelos prejuízos que causar ao Patrimônio Nacional ou a terceiros. não manifestadas e registradas na forma dos arts.e registradas na forma do artigo 27 desta Lei. trimestralmente. para todos os efeitos. Parágrafo 1° .Estando em condomínio a área em que se localiza a jazida. que será transcrita em livro próprio da Diretoria do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional e na qual ficarão estabelecidas as condições a serem observadas ao desenvolvimento das escavações e estudos.O direito de realizar escavações para fins arqueológicos. 4° e 6° desta Lei.As jazidas arqueológicas ou pré-históricas de qualquer natureza. salvo motivo . sobre o andamento das escavações. do vulto e da duração aproximada dos trabalhos a serem executados. eleito na forma do Código Civil.O permissionário fica obrigado a informar à Diretoria do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional. para as providências cabíveis. cuja notificação deverá ser feita imediatamente. em conformidade com o Código de Minas. Artigo 7° .As escavações devem ser realizadas de acordo com as condições estipuladas no instrumento de permissão. ficando obrigado a respeitá-lo o proprietário ou possuidor do solo. bens patrimoniais da União.As escavações devem ser necessariamente executadas sob orientação do permissionário. sob nenhum pretexto. b) sejam suspensos os trabalhos de campo por prazo superior a doze (12) meses. são consideradas. Artigo 9° . quando for julgado conveniente. Parágrafo único . CAPÍTULO II Das Escavações Arqueológicas realizadas por particulares Artigo 8° .O pedido de permissão deve ser dirigido à Diretoria do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional. que responderá civil. Artigo 12° . acompanhado de indicação exata do local. deverá ser anexado ao seu pedido o consentimento escrito do proprietário do terreno ou de quem esteja em uso e gozo desse direito.Desde que as escavações e estudos devam ser realizados em terreno que não pertença ao requerente.A permissão terá por título uma portaria do Ministro da Educação e Cultura. terão precedência para estudo e eventual aproveitamento. Artigo 11° . impedir a inspeção dos trabalhos por delegado especialmente designado pela Diretoria do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional. uma vez que: a) não sejam cumpridas as prescrições da presente Lei e do instrumento de concessão da licença. Parágrafo 2° . constitui-se mediante permissão do Governo da União. Artigo 10° . não podendo o responsável.O Ministério da Educação e Cultura poderá cassar a permissão concedida. somente poderá requerer a permissão o administrador ou cabecel. em terras de domínio público ou particular. da prova de idoneidade técnico-científica e financeira do requerente e do nome do responsável pela realização dos trabalhos.

Artigo 15° . desse aspecto particular do terreno. Artigo 16° . dos Estados e dos Municípios Artigo 13° . no interesse da Arqueologia e da Pré-história em terrenos de propriedade particular.Terminados os estudos.Em caso de as escavações produzirem a destruição de um relevo qualquer. uma súmula dos resultados obtidos e do destino do material coletado. nos termos do art.A posse e a salvaguarda dos bens de natureza arqueológica ou pré-histórica constituem. ou parte dele. o tipo ou a designação da jazida. por utilidade pública.À falta de acordo amigável com o proprietário da área onde se situar a jazida.Em casos especiais e em face do significado arqueológico excepcional das jazidas. 28 desta Lei. na sua feição primitiva.365.No caso de ocupação temporária do terreno. dos Estados ou dos Municípios. poderá realizar escavações arqueológicas ou pré-históricas. . os indícios que determinaram a escolha do local e. deverá ser lavrado um auto. Parágrafo único .Dessa comunicação deve constar. resultavam incontestáveis vantagens para o proprietário. sem prévia comunicação à Diretoria do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional. posteriormente. Parágrafo único . CAPÍTULO III Das Escavações Arqueológicas realizadas por Instituições Científicas Especializadas da União. essa obrigação só terá cabimento quando se comprovar que. poderá ser promovida a desapropriação do imóvel. com exceção das áreas muradas que envolvam construções domiciliares. Parágrafo 1° . com fundamento no art. 5°. Artigo 14° .365. Parágrafo único .A União.Nenhum órgão da administração federal. c) no caso de não cumprimento do parágrafo 3° do artigo anterior.de força maior. sempre que possível. de 21 de junho de 1941. poderão proceder a escavações e pesquisas. direito imanente ao Estado. para fins de registro no cadastro de jazidas arqueológicas. de 21 de junho de 1941. o permissionário não terá direito a indenização alguma pela despesas que tiver efetuado. bem como os Estados e Municípios mediante autorização federal. obrigatoriamente o local.Em qualquer dos casos acima enumerados. CAPÍTULO IV Das Descobertas Fortuitas Artigo 17° . em princípio. antes do início dos estudos. o local deverá ser restabelecido. será esta declarada de utilidade pública e autorizada a sua ocupação pelo período necessário à execução dos estudos. alíneas K e L do Decreto-lei n° 3. o nome do especialista encarregado das escavações. no qual se descreva o aspecto exato do local. Parágrafo 2° . mesmo no caso do art. para realização de escavações nas jazidas declaradas de utilidade pública. devidamente comprovado. 36 do Decreto-lei n° 3.

O proprietário ou ocupante do imóvel onde se tiver verificado o achado é responsável pela conservação provisória da coisa descoberta. objeto desta Lei.Nenhum objeto que apresente interesse arqueológico ou pré-histórico. CAPÍTULO V Da remessa. uma vez concluída a sua exploração científica. para realizar escavações arqueológicas ou pré-históricas no país. numismático ou artístico poderá ser transferido para o exterior. Artigo 23° . razão deste artigo. sempre que possível ou conveniente. de objetos de interesse Arqueológico ou Pré-histórico.A inobservância da prescrição do artigo anterior implicará na apreensão sumária do objeto a ser transferido. sem prejuízo das demais cominações legais a que estiver sujeito o responsável. sem prejuízo da responsabilidade do inventor pelos danos que vier a causar ao Patrimônio Nacional. pelo autor do achado ou pelo proprietário do local onde tiver ocorrido.Artigo 18° . ou aos órgãos oficiais autorizados. Artigo 21° .A descoberta fortuita de quaisquer elementos de interesse arqueológico ou préhistórico. poderá ser concedida sem audiência prévia da Diretoria do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional. Histórico. até o pronunciamento e deliberação da Diretoria do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional. Artigo 19° . poderá ser realizado na forma e nas condições prescritas pelo Código de Minas. como blocos testemunhos. sem licença expressa da Diretoria do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional. . a ser protegida pelos meios convenientes. Parágrafo único . será entregue à Diretoria do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional.O Conselho de Fiscalização das Expedições Artísticas e Científicas encaminhará Diretoria do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional qualquer pedido de cientista estrangeiro. CAPÍTULO VI Disposições Gerais Artigo 22° .O aproveitamento econômico das jazidas. artístico ou numismático deverá ser imediatamente comunicada à Diretoria do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional. para o exterior.A infringência da obrigação imposta no artigo anterior implicará na apreensão sumária do achado. Parágrafo único . uma parte significativa. Artigo 20° . em decorrência da omissão.De todas as jazidas será preservada. Numismático ou Artístico. que possua as características de monumentos arqueológicos ou pré-históricos.O objeto apreendido.Nenhuma autorização de pesquisa ou de lavra para jazidas de calcário de concha. Parágrafo único . constante de uma "guia" de liberação na qual serão devidamente especificados os objetos a serem transferidos. mediante parecer favorável da Diretoria do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional ou do órgão oficial autorizado. Artigo 24° .

Parágrafo único . que disponha de serviços técnico-administrativos especialmente organizados para a guarda. o produto das multas aplicadas e apreensões de material legalmente feitas reverterá em benefício do serviço estadual.No caso deste artigo.00 (cinco mil cruzeiros) a Cr$ 50.As atribuições conferidas ao Ministério da Educação e Cultura. Artigo 30° . estaduais. sem prejuízo de outras penalidades cabíveis. Artigo 29° . bem como de recursos suficientes para o custeio e bom andamento dos trabalhos. revogadas as disposições em contrário. Brasília. a regulamentação que for julgada necessária à sua fiel execução. no prazo de 120 dias. poderão ser delegadas a qualquer unidade da Federação. sem prejuízo de sumária apreensão e conseqüente perda. com infringência de qualquer dos dispositivos desta Lei.Artigo 25° .00 (cinqüenta mil cruzeiros). Artigo 27° . em 26 de julho de 1961. de todo o material e equipamento existente no local. Artigo 26° . para o Patrimônio Nacional. a partir da vigência desta Lei.Aos infratores desta Lei serão aplicadas as sanções dos artigos 163 a 167 do Código Penal. conforme o caso. no qual serão registrados todas as jazidas manifestadas. Jânio Quadros Brigido Tinoco Oscar Pedroso Horta Clemente Mariani João Agripino .Esta lei entrará em vigor na data de sua publicação. de acordo com o disposto nesta Lei.A realização de escavações arqueológicas ou pré-históricas. preservação e estudo das jazidas arqueológicas e pré-históricas. Artigo 28° .A Diretoria do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional manterá um Cadastro dos monumentos arqueológicos do Brasil.O poder Executivo baixará. bem como de instituições que tenham entre seus objetivos específicos o estudo e a defesa dos monumentos arqueológicos e pré-históricos. 140° da Independência e 73° da República.000. Artigo 31° .Para melhor execução da presente Lei. para o cumprimento desta Lei.000. dará lugar à multa de Cr$ 5. organizado para a preservação e estudo desses monumentos. municipais. bem como das que se tornarem conhecidas por qualquer via. a Diretoria do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional poderá solicitar a colaboração de órgãos federais.

1º desta lei. 10 da Introdução ao Código Civil. Artigo 2º .Constitui o patrimônio histórico e artístico nacional o conjunto dos bens móveis e imóveis existentes no País e cuja conservação seja de interesse público. de que trata o Art. 3º) que se incluam entre os bens referidos no art. 6º) que sejam importadas por empresas estrangeiras expressamente para adorno dos respectivos estabelecimentos. quer por sua vinculação a fatos memoráveis da história do Brasil. nos quais serão inscritas as obras a que se refere o art. usando da atribuição que lhe confere o art. quer por seu excepcional valor arqueológico ou etnográfico. 5º) que sejam trazidas para exposições comemorativas. 4º) que pertençam a casas de comércio de objetos históricos ou artísticos. bem como às pessoas jurídicas de direito privado e de direito público interno. CAPÍTULO II Do Tombamento Artigo 4º .O Serviço do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional possuirá quatro Livros do Tombo. bem como os sítios e paisagens que importe conservar e proteger pela feição notável com que tenham sido dotados pela Natureza ou agenciados pela indústria humana. a saber: .Equiparam-se aos bens a que se refere o presente artigo e são também sujeitos a tombamento os monumentos naturais. educativas ou comerciais. § 1º . 180 da Constituição. bibliográfico ou artístico. § 2º . O Presidente da República dos Estados Unidos do Brasil. e que continuam sujeitas à lei pessoal do proprietário. Parágrafo único: As obras mencionadas nas alíneas 4 e 5 terão guia de licença para livre trânsito.Excluem-se do patrimônio histórico e artístico nacional as obras de origem estrangeira: 1º) que pertençam às representações diplomáticas ou consulares acreditadas no País.A presente lei se aplica às coisas pertencentes às pessoas naturais. 2º) que adornem quaisquer veículos pertencentes a empresas estrangeiras. decreta: CAPÍTULO I Do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional Artigo 1º . fornecida pelo Serviço do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional.Decreto-lei n° 25 de 30 de novembro de 1937 ORGANIZA A PROTEÇÃO DO PATRIMÔNIO HISTÓRICO E ARTÍSTICO NACIONAL. 4º desta lei.Os bens a que se refere o presente artigo só serão considerados parte integrante do patrimônio histórico e artístico nacional depois de inscritos separada ou agrupadamente num dos quatro Livros do Tombo. que façam carreira no País. Artigo 3º .

e bem assim as mencionadas no § 2º do citado art. 2º) no caso de não haver impugnação dentro do prazo assinado. Artigo 9º . dentro de outros quinze dias fatais.Proceder-se-á ao tombamento compulsório quando o proprietário se recusar a anuir à inscrição da coisa. ou sempre que o mesmo proprietário anuir.O tombamento compulsório se fará de acordo com o seguinte processo: 1º) O Serviço do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional.O tombamento dos bens pertencentes à União. 6º desta lei. § 2º . que proferirá decisão a respeito. oferecer dentro do mesmo prazo as razões de sua impugnação. as coisas pertencentes às categorias de arte arqueológica. notificará o proprietário para anuir ao tombamento. que é fatal. dentro do prazo de quinze dias. Artigo 8º . etnográfica. .O tombamento de coisa pertencente à pessoa natural ou à pessoa jurídica de direito privado se fará voluntária ou compulsoriamente. 1º. dentro do prazo de sessenta dias.O tombamento dos bens. Etnográfico e Paisagístico. 2. Dessa decisão não caberá recurso. à notificação. ou sob cuja guarda estiver a coisa tombada. Em seguida. a contar do recebimento da notificação. a fim de produzir os necessários efeitos.Cada um dos Livros do Tombo poderá ter vários volumes. 2º) no Livro do Tombo Histórico.Os bens. serão definidos e especificados no regulamento que for expedido para execução da presente lei. será o processo remetido ao Conselho Consultivo do Serviço do Patrimônio Histórico Nacional. as obras que se incluírem na categoria das artes aplicadas.1º) no Livro do Tombo Arqueológico. nacionais ou estrangeiras. será considerado provisório ou definitivo. 3º) no Livro do Tombo das Belas-Artes. Artigo 7º . o diretor do Serviço do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional mandará por simples despacho que proceda à inscrição da coisa no competente Livro do Tombo. a que se refere o art. para inscrição da coisa em qualquer dos Livros do Tombo. por seu órgão competente. por escrito. aos Estados e aos Municípios se fará de ofício por ordem do Diretor do Serviço do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional. § 1º . far-se-á vista da mesma. ao órgão de que houver emanado a iniciativa do tombamento. conforme esteja o respectivo processo iniciado pela notificação ou concluído pela inscrição dos referidos bens no competente Livro do Tombo. 3º) se a impugnação for oferecida dentro do prazo assinado. Artigo 10º . que se incluem nas categorias enumeradas nas alíneas 1. ou para. ameríndia e popular. Artigo 5º . se o quiser impugnar. a fim de sustentá-la. que se lhe fizer. a contar do seu recebimento. Artigo 6º . as coisas de arte erudita nacional ou estrangeira. 4º) no Livro do Tombo das Artes Aplicadas. as coisas de interesse histórico e as obras de arte histórica. mas deverá ser notificado à entidade a quem pertencer.Proceder-se-á ao tombamento voluntário sempre que o proprietário o pedir e a coisa se revestir dos requisitos necessários para constituir parte integrante do patrimônio histórico e artístico nacional a juízo do Conselho Consultivo do Serviço do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional. independentemente de custas. 3 e 4 do presente artigo.

sofrerá as restrições constantes da presente lei. a juízo do Conselho Consultivo do Serviço do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional. . inscrevê-los no registro do lugar para que tiveram sido deslocados. só poderão ser transferidas de uma à outra das referidas entidades. o respectivo proprietário deverá dar conhecimento do fato ao Serviço do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional. deverá o adquirente. inalienáveis por natureza. incorrerá nas penas cominadas no Código Penal para o crime de contrabando. Parágrafo único. § 2º . será esta seqüestrada pela União ou pelo Estado em que se encontrar.No caso de transferência de propriedade dos bens de que trata este artigo. a multa será elevada ao dobro. § 1º . o tombamento provisório se equipará ao definitivo. transcrito para os devidos efeitos em livro a cargo dos oficiais do registro de imóveis e averbado ao lado da transcrição do domínio.No caso de reincidência. da coisa tombada. § 3º . sob pena de multa de dez por centro sobre o respectivo valor. dela deve o adquirente dar imediato conhecimento ao Serviço do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional.O tombamento definitivo dos bens de propriedade particular será. e a deslocação pelo proprietário. dentro do prazo de trinta dias. dentro do mesmo prazo e sob pena da mesma multa.Apurada a responsabilidade do proprietário.A alienabilidade das obras históricas ou artísticas tombadas. dentro do prazo de cinco dias. e até que este se faça. por iniciativa do órgão competente do Serviço do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional. § 3º .A transferência deve ser comunicada pelo adquirente. 13 desta lei. Artigo 16 . senão por curto prazo.Parágrafo único . de propriedade de pessoas naturais ou jurídicas de direito privado.Para todos os efeitos. sem transferência de domínio e para fim de intercâmbio cultural.No caso de extravio ou furto de qualquer objeto tombado. ser-lhe-á imposta a multa de cinqüenta por cento do valor da coisa. Artigo 14 . Feita a transferência.A coisa tombada não poderá sair do País. aos Estados ou aos Municípios. dentro do mesmo prazo e sob a mesma pena. além de incidir na multa a que se referem os parágrafos anteriores. a exportação para fora do País. ao Serviço do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional. § 1º . ainda que se trate de transmissão judicial ou causa mortis. salvo a disposição do art. Artigo 13 . que pertençam à União. deverá o proprietário.As coisas tombadas. fazê-la constar do registro. a não ser no caso previsto no artigo anterior.Tentada. que permanecerá seqüestrada em garantia do pagamento. CAPÍTULO III Dos efeitos do tombamento Artigo 11 .Na hipótese de deslocação de tais bens. § 2º . Artigo 12 . Artigo 15 .A pessoa que tentar a exportação de coisa tombada. sob pena de multa de dez por cento sobre o valor da coisa.

Artigo 17 - As coisas tombadas não poderão, em caso nenhum, ser destruídas, demolidas ou mutiladas, nem, sem prévia autorização especial do Serviço do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional, ser reparadas, pintadas ou restauradas, sob pena de multa de cinqüenta por cento do dano causado. Parágrafo único: Tratando-se de bens pertencentes à União, aos Estados ou aos Municípios, a autoridade responsável pela infração do presente artigo incorrerá pessoalmente na multa. Artigo 18 - Sem prévia autorização do Serviço do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional, não se poderá, na vizinhança da coisa tombada, fazer construção que lhe impeça ou reduza a visibilidade, nem nela colocar anúncios ou cartazes, sob pena de ser mandada destruir a obra ou retirar o objeto, impondo-se neste caso multa de cinqüenta por cento do valor do mesmo objeto. Artigo 19 - O proprietário de coisa tombada, que não dispuser de recursos para proceder às obras de conservação e reparação que a mesma requerer, levará ao conhecimento do Serviço do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional e necessidade das mencionadas obras, sob pena de multa correspondente ao dobro da importância em que for avaliado o dano sofrido pela mesma coisa. § 1º - Recebida a comunicação, e consideradas necessárias as obras, o diretor do Serviço do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional mandará executá-las, a expensas da União, devendo as mesmas ser iniciadas dentro do prazo de seis meses, ou providenciará para que seja feita a desapropriação da coisa. § 2º - À falta de qualquer das providências previstas no parágrafo anterior, poderá o proprietário requerer que seja cancelado o tombamento da coisa. § 3º - Uma vez que verifique haver urgência na realização de obras e conservação ou reparação em qualquer coisa tombada, poderá o Serviço do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional tomar a iniciativa de projetá-las e executá-las, a expensas da União, independentemente da comunicação a que alude este artigo, por parte do proprietário. Artigo 20 - As coisas tombadas ficam sujeitas à vigilância permanente do Serviço do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional, que poderá inspecioná-las sempre que for julgado conveniente, não podendo os respectivos proprietários ou responsáveis criar obstáculos à inspeção, sob pena de multa de cem mil réis, elevada ao dobro em caso de reincidência. Artigo 21 - Os atentados cometidos contra os bens de que trata o art. 1º desta lei são equiparados aos cometidos contra o patrimônio nacional. CAPÍTULO IV Do direito de preferência Artigo 22 - Em face da alienação, onerosa de bens tombados, pertencentes a pessoas naturais ou a pessoas jurídicas de direito privado, a União, os Estados e os Municípios terão, nesta ordem, o direito de preferência. § 1º - Tal alienação não será permitida sem que previamente sejam os bens oferecidos, pelo mesmo preço, à União, bem como ao Estado e ao Município em que se encontrarem. O proprietário deverá notificar os titulares do direito de preferência a usá-lo, dentro de trinta dias, sob pena de perdê-lo.

§ 2º - É nula a alienação realizada com violação do disposto no parágrafo anterior, ficando qualquer dos titulares do direito de preferência habilitado a seqüestrar a coisa e a impor a multa de vinte por cento do seu valor ao transmitente e ao adquirente, que serão por ela solidariamente responsáveis. A nulidade será pronunciada, na forma da lei, pelo juiz que conceder o sequestro, o qual só será levantado depois de paga a multa e se qualquer dos titulares do direito de preferência não tiver adquirido a coisa no prazo de trinta dias. § 3º - O direito de preferência não inibe o proprietário de gravar livremente a coisa tombada, de penhor, anticrese ou hipoteca. § 4º - Nenhuma venda judicial de bens tombados se poderá realizar sem que, previamente, os titulares do direito de preferência sejam disso notificados judicialmente, não podendo os editais de praça ser expedidos, sob pena de nulidade, antes de feita a notificação. § 5º - Aos titulares do direito de preferência assistirá o direito de remissão, se dela não lançarem mão, até a assinatura do auto de arrematação ou até a sentença de adjudicação, as pessoas que, na forma da lei, tiverem a faculdade de remir. § 6º - O direito de remissão por parte da União, bem como do Estado e do Município em que os bens se encontrarem, poderá ser exercido, dentro de cinco dias a partir da assinatura do auto de arrematação ou da sentença de adjudicação, não se podendo extrair a carta enquanto não se esgotar este prazo, salvo se o arrematante ou o adjudicante for qualquer dos titulares do direito de preferência. CAPÍTULO V Disposições gerais Artigo 23 - O Poder Executivo providenciará a realização de acordos entre a União e os Estados, para melhor coordenação e desenvolvimento das atividades relativas à proteção do patrimônio histórico e artístico nacional e para a uniformização da legislação estadual complementar sobre o mesmo assunto. Artigo 24 - A União manterá, para conservação e exposição de obras históricas e artísticas de sua propriedade, além do Museu Histórico Nacional e do Museu Nacional de Belas Artes, tantos outros museus nacionais quantos se tornarem necessários, devendo outrossim providenciar no sentido a favorecer a instituição de museus estaduais e municipais, com finalidades similares. Artigo 25 - O Serviço do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional procurará entendimentos com as autoridades eclesiásticas, instituições científicas, históricas ou artísticas e pessoas naturais e jurídicas, com o objetivo de obter a cooperação das mesmas em benefício do patrimônio histórico e artístico nacional. Artigo 26 - Os negociantes de antigüidade, de obras de arte de qualquer natureza, de manuscritos e livros antigos ou raros são obrigados a um registro especial no Serviço do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional, cumprindo-lhes outrossim apresentar semestralmente ao mesmo relações completas das coisas históricas e artísticas que possuírem. Artigo 27 - Sempre que os agentes de leilões tiverem de vender objetos de natureza idêntica à dos mencionados no artigo anterior, deverão apresentar a respectiva relação ao órgão competente do Serviço do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional, sob pena de incidirem na multa de cinqüenta por cento sobre o valor dos objetos vendidos.

Artigo 28 - Nenhum objeto de natureza idêntica à dos referidos no art. 26 desta lei poderá ser posto à venda pelos comerciantes ou agentes de leilões, sem que tenha sido previamente autenticado pelo Serviço do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional, ou por perito em que o mesmo se louvar, sob pena de multa de cinqüenta por cento sobre o valor atribuído ao objeto. Parágrafo único: A autenticação do mencionado objeto será feita mediante o pagamento de uma taxa de peritagem de cinco por cento sobre o valor da coisa, se este for inferior ou equivalente a um conto de réis, e de mais cinco mil-réis por conto de réis ou fração que exceder. Artigo 29 - O titular do direito de preferência goza de privilégio especial sobre o valor produzido em praça por bens tombados, quanto ao pagamento de multas impostas em virtude de infrações da presente lei. Parágrafo único - Só terão prioridade sobre o privilégio a que se refere este artigo os créditos inscritos no registro competente antes do tombamento da coisa pelo Serviço Nacional do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional. Artigo 30 - Revogam-se as disposições em contrário. Rio de Janeiro, em 30 de novembro de 1937; 116º da Independência e 49º da República. Getúlio Vargas Gustavo Capanema

tendo em vista o disposto no Decreto-lei no 25.985. c) O limite para a adoção de soluções em acessibilidade decorrerá da avaliação sobre a possibilidade de comprometimento do valor testemunhal e da integridade estrutural resultantes. o Decreto nº 2. assegurar condições de acesso. no Decreto no 3. devendo ser legíveis como adições do tempo presente.000 e na Lei no 10. que cria o instituto do tombamento ou. na Lei no 7.999. de 30 de novembro de 1937. de 26 de julho de 1. de 24 de outubro de 1989. Tendo como referências básicas a LF 10. . de trânsito. no caso dos monumentos arqueológicos ou pré-históricos. de 20 de dezembro de 1.807. de 26 de julho de 1961. redução ou superação de barreiras na promoção da acessibilidade aos bens culturais imóveis devem compatibilizar-se com a sua preservação e. A PRESIDENTE DO INSTITUTO DO PATRIMÔNIO HISTÓRICO E ARTÍSTICO NACIONAL. as soluções adotadas para a eliminação. e outras categorias. na Lei no 7. sistemas e redes de informática. observadas as seguintes premissas: a) As intervenções poderão ser promovidas através de modificações espaciais e estruturais. de 21 de outubro de 1998.2. de 12 de novembro de 1. critérios e recomendações para a promoção das devidas condições de acessibilidade aos bens culturais imóveis especificados nesta Instrução Normativa. b) Cada intervenção deve ser considerada como um caso específico. 1.098/2000. de orientação e de comunicação. Para efeito desta Instrução Normativa são adotadas as seguintes definições: a) Acautelamento: forma de proteção que incide sobre o bem cultural. pela incorporação de dispositivos. na Lei no 10.098.853. de forma a assegurar a acessibilidade plena sempre que possível. a NBR9050 da ABNT e esta Instrução Normativa.924. de 19 de dezembro de 2.924. de 19 de agosto de 2. Estabelecer diretrizes. no uso das atribuições que lhe são conferidas pelo art. de 08 de novembro de 2. conforme especifica. bem como pela utilização de ajudas técnicas e sinalizações específicas. avaliando-se as possibilidades de adoção de soluções em acessibilidade frente às limitações inerentes à preservação do bem cultural imóvel em questão. em harmonia com o conjunto. DE 25 DE NOVEMBRO DE 2003. em cada caso específico.003.1. 20.Decreto-lei no 25.048. 1.405. do Anexo I ao Decreto nº 4. pela Lei 3.811. em especial pelas pessoas portadoras de deficiência ou com mobilidade reduzida.298. resolve: 1. inciso V. regida por norma legal específica . de 30 de novembro de 1937. na Lei no 3. facilitando a utilização desses bens e a compreensão de seus acervos para todo o público. Dispõe sobre a acessibilidade aos bens culturais imóveis acautelados em nível federal. a fim de equiparar as oportunidades de fruição destes bens pelo conjunto da sociedade.000.961.INSTITUTO DO PATRIMÔNIO HISTÓRICO E ARTÍSTICO NACIONAL INSTRUÇÃO NORMATIVA Nº 1.

arqueológico. l) Desenho universal: solução que visa atender simultaneamente maior variedade de pessoas com diferentes características antropométricas e sensoriais. se for o caso. paisagístico. com base em metodologia e técnica específicas. respeitadas as marcas de sua passagem através do tempo.seja individualmente ou em conjunto. podendo compreender também o seu entorno ou vizinhança. cuja proteção se dê em caráter individual ou coletivo. dos espaços. d) Preservação: conjunto de ações que visam garantir a permanência dos bens culturais. dos transportes e dos sistemas e meios de comunicação. com o intuito de conter a sua deterioração. e) Conservação: intervenção voltada para a manutenção das condições físicas de um bem. . g) Restauração: conjunto de intervenções de caráter intensivo que. segura e confortável. arqueológico. III) barreiras nas comunicações: qualquer entrave ou obstáculo que dificulte ou impossibilite a expressão ou o recebimento de mensagens por intermédio dos meios ou sistemas de comunicação. histórico. paisagístico. h) Acessibilidade: possibilidade e condição de alcance para utilização. classificadas em: I) barreiras arquitetônicas urbanísticas: as existentes nas vias públicas e nos espaços de uso público. mobiliários e equipamentos urbanos. II) barreiras arquitetônicas na edificação: as existentes no interior dos edifícios públicos e privados. visa recuperar a plenitude de expressão e a perenidade do bem cultural. com o objetivo de assegurar a visibilidade e a ambiência do bem ou do conjunto. c) Bens culturais imóveis acautelados em nível federal: bens imóveis caracterizados por edificações e/ou sítios dotados de valor artístico. a liberdade de movimento e a circulação com segurança das pessoas. etnográfico . histórico.b) Bem cultural: elemento que por sua existência e característica possua significação cultural para a sociedade . i) Pessoa portadora de deficiência ou com mobilidade reduzida: a que temporária ou permanentemente tem limitada sua capacidade de relacionar-se com o meio e de utilizá-lo. com segurança e autonomia. por pessoa portadora de deficiência ou com mobilidade reduzida. sejam ou não de massa. etnográfico.valor artístico. das edificações. legalmente protegidos pelo Iphan. localizados em áreas urbanas ou rurais. j) Barreiras: qualquer entrave ou obstáculo que limite ou impeça o acesso. f) Manutenção: operação contínua de promoção das medidas necessárias ao funcionamento e permanência dos efeitos da conservação. de forma autônoma.

observando-se as seguintes orientações: a) Soluções em acessibilidade deverão ser implementadas em curto prazo. compreendendo os espaços internos e externos às edificações. bem como a densidade populacional da área no caso de sítios históricos urbanos. b) Os bens culturais imóveis acautelados em nível federal serão adaptados gradualmente. toldos. os serviços e fluxos da rede urbana. (3) de uso privado. a ordem de relevância cultural e de afluxo de visitantes. marquises.m) Rota acessível: interligação ou percurso contínuo e sistêmico entre os elementos que compõem a acessibilidade. iluminação pública. verificada a disponibilidade imediata de recursos técnicos e financeiros. 1. Aplicar-se-á a presente Instrução Normativa do Iphan. superpostos ou adicionados aos elementos da urbanização ou da edificação. os níveis de intervenção estabelecidos pelos responsáveis para cada imóvel. em ações propostas pelo Iphan. encanamento para esgotos.098/2000. seja unifamiliar ou multifamiliar. cabines telefônicas. de forma que sua modificação ou traslado não provoque alterações substanciais nestes elementos.2. p) Mobiliário Urbano: o conjunto de objetos existentes nas vias e espaços públicos. 1. postes de sinalização e similares. abastecimento e distribuição de água. tais como os referentes a pavimentação.3. paisagismo e os que materializam as indicações do planejamento urbanístico. saneamento. conforme as categorias de imóveis e condições a seguir relacionadas. tendo em vista proporcionar à comunidade o efeito demonstrativo da ação do Iphan. 23 da referida lei.098/2000.3. salvo a realização de obras de conservação ou . tais como semáforos. especialmente o estabelecido no art. entende-se como: (1) de uso público.1. contexto no qual se inserem as terminologias quanto aos usos das edificações. Os bens culturais imóveis acautelados em nível federal de propriedade de terceiros. lixeiras. q) Uso público. fontes públicas. aquelas com destinação residencial. uso coletivo e uso privado: a partir da compreensão da LF 10.3. 1. aquelas cuja utilização está voltada para fins comerciais ou de prestação de serviços (incluindo atividades de lazer e cultura) e abertas ao público em geral e. por seus respectivos Departamentos. Superintendências e Unidades. Os imóveis próprios ou sob a administração do Iphan deverão atender as exigências da LF 10. distribuição de energia elétrica. sem prejuízo das obrigações quanto à preservação. respeitando-se a disponibilidade orçamentária. (2) de uso coletivo. com base no exercício do poder de polícia do Instituto. quiosques e quaisquer outros de natureza análoga. sempre que couber. inerente à sua condição autárquica. no cumprimento de suas obrigações quanto à acessibilidade e. aos responsáveis pelos bens culturais imóveis acautelados em nível federal. quando da intervenção para preservação. o) Elemento da urbanização: qualquer componente das obras de urbanização. com base nesta Instrução Normativa. aquelas apropriadas ou administradas por entidades da Administração Pública e empregadas diretamente para atender ao interesse público. n) Ajuda técnica: qualquer elemento que facilite a autonomia pessoal ou possibilite o acesso e o uso de meio físico.

investigações sobre materiais. a atuação do corpo funcional do Iphan e demais gestores de bens culturais imóveis acautelados em nível federal.nos casos previstos nas alíneas (a) e (b).nos casos de intervenção. instrumentos de análise e de acompanhamento. reforma ou ampliação. Nos casos previstos para aplicação desta Instrução Normativa. quando da realização de obras de construção. parâmetros. b) Imóveis de uso público ou de uso coletivo . técnicas e equipamentos. tais como pesquisas ergonômicas.3.3. legislação. no qual estiver integrado bem escultórico ou pictórico tombado pelo Iphan sujeita-se. O imóvel não acautelado em nível federal. 11 da LF 10. nas seguintes situações: a) Imóveis de uso privado . 2. . apontando para a necessidade de reconhecer a diversidade dos usuários nas diversas ações de preservação. 1. utilizando fontes diversas. na construção em terrenos não edificados e na reforma ou ampliação de edificações. que servirão de fundamentação ao Plano Plurianual de Ação em Acessibilidade do Instituto: 2. na implantação de rotas acessíveis e remoção de barreiras presentes no espaço urbano ou natural. Elaborar e aperfeiçoar métodos. estão sujeitos à promoção de soluções em acessibilidade. paisagísticos ou arqueológicos acautelados em nível federal .4. reconstrução ou ampliação. a serem previamente submetidas ao Iphan. tendo em vista a avaliação das condições de acessibilidade real e potencial dos bens culturais imóveis acautelados em nível federal. em atendimento às iniciativas do Iphan ou dos demais gestores culturais competentes.098/2000. Tendo em vista a implementação do disposto nesta Instrução Normativa. reunir e difundir informações destinadas a reduzir ou eliminar barreiras para promoção da acessibilidade aos bens culturais imóveis acautelados em nível federal. incluída a restauração. conforme a LF 10. deverá pautar-se nas diretrizes seguintes. critérios. manuais e ajudas técnicas. de modo a assegurar ao portador de deficiência e à pessoa com mobilidade reduzida. c) Imóveis inseridos em sítios históricos. a adoção de soluções em acessibilidade dependerá de apresentação prévia de projeto pelo interessado. no que couber. a esta Instrução Normativa. inclusive através de intercâmbio internacional. a fim de orientar a elaboração de diagnósticos e manutenção de registro dos resultados em inventários. pela substituição do uso privado por outro uso ou atividade que implique no cumprimento de determinações legais referentes às condições de acessibilidade.2. 1. para análise e aprovação do Iphan.por força da legislação federal. guarda e utilização dos bens culturais imóveis acautelados em nível federal.manutenção.098/2000. 2. conforme o art. Identificar.1. quando destinadas ao uso público ou coletivo e ainda que desprovidas de características relevantes para o patrimônio cultural. 2. bem como a apreciação. acesso e atendimento adequados. porém destinado ao uso público ou coletivo. por iniciativa espontânea do proprietário na promoção de soluções em acessibilidade. estadual ou municipal. normas e regulamentos. Promover a capacitação dos quadros técnico e administrativo. que implique em obras de reforma.3.

entre outros. organizações de profissionais. avaliados e aprovados pelas unidades do Iphan. para que.7. programas e ações em acessibilidade da União. incorporem soluções em acessibilidade segundo os preceitos do desenho universal e rota acessível. especialmente no tocante à acessibilidade aos bens culturais imóveis acautelados em nível federal. c) A inserção de critérios para promoção da acessibilidade nos programas de preservação. tais como instituições universitárias. a fim de instruir Manual Técnico destinado a estabelecer parâmetros básicos para acessibilidade aos bens culturais imóveis acautelados em nível federal. 2. a fim de estimular iniciativas adequadas de intervenção nos bens culturais imóveis acautelados em nível federal. Articular-se com as organizações representativas de pessoas portadoras de deficiência ou com mobilidade reduzida.5. órgãos públicos e concessionários. Atuar em conjunto com os agentes públicos e realizar parcerias com os agentes privados e a sociedade organizada. 2. de revitalização e de promoção de bens culturais imóveis acautelados em nível federal sob a responsabilidade ou com a participação do Iphan. Sistematizar experiências e compilar padrões e critérios. instrumentos e práticas da Instituição. Informar aos agentes de interesse.4. 2. que estejam diretamente afetos ao tema da preservação do patrimônio histórico e cultural ou que nele venham a interferir. no âmbito de sua competência. entre outras práticas. observada em cada caso a compatibilidade com as características do bem e seu entorno. sobre a ação do Iphan na adoção de soluções para acessibilidade aos bens culturais imóveis acautelados em nível federal. .8. b) Assegurar a sua participação nos processos de intervenção. e propiciar a atualização permanente dos procedimentos. através da discussão conjunta de alternativas e do acompanhamento e avaliação. b) A elaboração e implementação de programas específicos para acessibilidade aos bens culturais imóveis acautelados em nível federal. d) A compatibilidade de procedimentos entre os diferentes níveis de governo. tendo em vista: a) O desenvolvimento de ações dirigidas para a associação do tema da acessibilidade com a preservação de bens culturais imóveis acautelados em nível federal e respectivos acervos. 2. e) A captação e direcionamento de recursos para o financiamento de ações para promoção da acessibilidade aos bens culturais imóveis acautelados em nível federal. a fim de garantir a correta aplicação de soluções em acessibilidade.aprovação e implementação de projetos de intervenção e a formulação de programas. sob a aprovação ou orientação do Iphan. e demais categorias quando couber. visando: a) O engajamento do Iphan no planejamento das políticas. Dar ampla divulgação à presente Instrução Normativa. 2.6.

pela entrada principal ou uma outra integrada a esta. As propostas de intervenção para adoção de soluções em acessibilidade. 3. especialmente para a execução de projetos que envolvam os imóveis de propriedade ou administrados diretamente pelo Iphan.9. tais como: bilheterias. d) Informar-se sobre os bens culturais e seus acervos. banheiros. total ou parcialmente. nos casos previstos nesta Instrução Normativa. braile. 2. c) Usufruir comodidades e serviços. 3. lugares específicos em auditórios e locais de reunião. sonora e multimídia. de forma autônoma. sempre que possível e preferencialmente. colocadas à disposição em salas de recepção acessíveis ou em casa de visitantes adaptadas. oferecendo comodidade para todos. tais como: escrita. em suas diferentes necessidades. dispositivos e ajudas técnicas. físico. ainda que de maneira virtual. incluindo dispositivos de segurança e saídas de emergência. Viabilizar recursos financeiros para o cumprimento do estabelecido nesta Instrução Normativa.2. 3.2. proporcionando aos usuários: a) Alcançar o imóvel desde o passeio ou exterior limítrofes. Os elementos e as ajudas técnicas para promover a acessibilidade devem ser incorporados ao espaço de forma a estimular a integração entre as pessoas portadoras de deficiência ou com mobilidade reduzida e os demais usuários. Estabelecimento de prioridades e níveis de intervenção. interagir com o espaço e o acervo. devidamente identificados através de sinalização visual. salas de repouso e de informações.4.10. alcançar e controlar equipamentos. observadas as características e a destinação do imóvel. e) Nos casos em que os estudos indicarem áreas ou elementos em que seja inviável ou restrita a adaptação. 3. assim como dos demais bens culturais imóveis.405/1985. b) Percorrer os espaços e acessar as atividades abertas ao público. de propriedade ou sob a responsabilidade do Iphan. atenderão aos seguintes critérios: 3. favorecendo a capacidade das pessoas portadoras de deficiência ou com mobilidade reduzida em manobrar e vencer desníveis. além da adoção do Símbolo Internacional de Acesso nos casos previstos na LF 7. Em qualquer hipótese. através de . tátil ou sonora. iconográfico e documental -. por meio dos diversos dispositivos e linguagens de comunicação. os estudos devem resultar em abordagem global da edificação e prever intervenções ou adaptações que atendam às pessoas portadoras de deficiência ou com mobilidade reduzida. a fim de assegurar a compatibilidade das soluções e adaptações em acessibilidade com as possibilidades do imóvel. vagas em estacionamentos. Informar ao público em geral sobre as condições de acessibilidade dos bens culturais imóveis acautelados em nível federal.3.histórico. através de percurso livre de barreiras e acessar o seu interior.1. balcões e guichês. simbólica. segundo os preceitos de desenho universal e rota acessível. de acordo com as demandas dos usuários. telefones e bebedouros. em garantia de sua integridade estrutural e impedimento da descaracterização do ambiente natural e construído. Realização de levantamentos . entre outros.

referenciado nos parâmetros técnicos definidos pela ABNT. c) A instituição de um sistema integrado de elementos em acessibilidade. prevendo-se rota acessível devidamente sinalizada e ambiente onde mobiliário. através de. o tipo de tecnologia e de material utilizados. . de alternativas como mapas.1. auditiva ou tátil. deve ser prevista em áreas de difícil acesso ou inacessíveis. deve-se assegurar o acesso às pessoas portadoras de deficiência ou com mobilidade reduzida. e demais categorias quando couber. a adequação da sinalização. de modo a permitir a inclusão de novos métodos. sons e símbolos. de uso público ou coletivo. com especificações de cores. bem como pela oferta. pelo menos. como cadeiras de rodas. com o objetivo de compatibilizar procedimentos e dirimir dúvidas ou conflitos. observando-se ainda: a) A implantação de condições de circulação que permitam a melhor e mais completa utilização do sítio. ajudas técnicas. um itinerário adaptado. a reserva e distribuição de vagas para estacionamento.informação visual. como parte do conjunto de soluções em acessibilidade. através de rota acessível. privilegiando-se os recursos passíveis de reversibilidade.7. 3.5. e demais aspectos implicados na sua implementação. recomenda-se: 4. arqueológicos e paisagísticos devem permitir o contato da pessoa portadora de deficiência ou com mobilidade reduzida com o maior número de experiências possível. d) A adoção de soluções complementares associadas à rota ou percurso acessíveis. A intervenção arquitetônica ou urbanística contará com o registro e a indicação da época de implantação. a fim de possibilitar a sua identificação. indicativa ou de trânsito. 4. Em bens culturais imóveis acautelados em nível federal. As soluções para acessibilidade em sítios históricos. maquetes. quando couber.6. a concepção. valendo-se de percursos livres de barreiras e sinalizados que unam. entre outras que permitam ao portador de deficiência utilizar suas habilidades de modo a vivenciar a experiência da forma mais integral possível. Em exposições temporárias e. tais como a utilização de veículos adaptados e mirantes.8. adequação ou substituição dos elementos da urbanização e do mobiliário urbano. os serviços e fluxos. texturas. deverão ser mantidas à disposição das pessoas portadoras de deficiência ou com mobilidade reduzida. 3. 3. em ambientes apropriados. sejam compatíveis com a melhor visão e entendimento das obras expostas. devendo-se considerar os seguintes procedimentos básicos: a adoção de pisos sinalizadores específicos. além de pessoal treinado para a sua recepção. Para fins de maior alcance desta Instrução Normativa. rampas e rebaixamento de calçadas. peças de acervo originais ou cópias. cores e iluminação. 3. as edificações à via pública e aos diversos espaços com características diferenciadas. em locais de visitação a bens integrados. os centros de interesse e de maior afluência de pessoas. tecnologias ou acréscimos. b) A adaptação de percursos e implantação de rotas acessíveis deve considerar a declividade e largura de vias e passeios. A articulação das Unidades do Iphan com instituições governamentais dos Estados e Municípios.

integrarão automaticamente o conjunto de referências básicas desta Instrução Normativa. 7. observadas as distinções relacionadas ao mecanismo de apoio ao projeto cultural e à natureza do proponente. Seção 1 . Esta Instrução Normativa entra em vigor na data de sua publicação.3. o qual permanecerá com o encargo até seis meses após a execução das intervenções.2. MARIA ELISA COSTA Diário Oficial de 26. Promover os trâmites necessários para a adoção desta Instrução Normativa como parte integrante dos programas instituídos no âmbito do Ministério da Cultura. A incorporação das condições estabelecidas nesta Instrução Normativa aos programas e projetos apoiados financeiramente. a partir da definição dos procedimentos necessários em cada situação. o Iphan indicará um responsável técnico para o acompanhamento. Novos padrões ou critérios definidos pela legislação federal ou norma específica da ABNT.11. independente da condição de acautelamento. 4. 4. as soluções e especificações em acessibilidade serão fundamentadas em estudos ergonômicos. nas situações em que a análise e aprovação de projetos sejam de responsabilidade do Iphan como entidade vinculada.3.2. por intermédio ou diretamente pelo Iphan. a fiscalização e a avaliação dos trabalhos. 5. Nos casos omissos. notadamente em relação às seguintes categorias de imóveis: a) Aquelas relacionadas no item 1.2003. b) As edificações destinadas à atividade cultural. A cada projeto aprovado. e submetidas ao Programa Nacional de Apoio à Cultura . 6.PRONAC. 8.decorrentes de imposições legais cumulativas em acessibilidade e incidentes sobre os bens imóveis acautelados em nível federal.

. A vida moderna pede.. refaz. a arquitetura gera quantidades. Bruno Cajueiro .. "A planta é geradora. "A arquitetura consiste em estabelecer relações comoventes com materiais brutos... Diversidade Psicomotricidade Heterogeneidade Horizontalidade Sensorialidade Velocidade Densidade Espacialidade Centralidade Universidade Arquitetura. A planta traz em si a essência da sensação. As que justas ou não. ditados por necessidades coletivas colocam de novo a questão da planta. Sem planta há desordem. Oscar Niemeyer A Planta... Mario Botta Monumentalidade. Bruno Cajueiro O arquiteto com o ponto desenha a reta. transforma. Os grandes problemas de amanhã. Le Corbusier Cidade. as que marcam o tempo e a evolução da técnica.. "A monumentalidade nunca me atemorizou quando um tema mais forte a justifica. constrói .. espera uma nova planta. Le Corbusier Materiais. unidade de intenção. espírito de ordem. modifica. altera. o sentido das relações.Citações O Arquiteto. e com ela desenha planos. A paixão faz das pedras inertes um drama".o mundo. para a casa e para a cidade". representa. É a beleza a se impor na sensibilidade do homem".. sob o ponto de visa social. e com os quais: cria. "A arquitetura é a disciplina que organiza o espaço de vida do homem .. o que ficou da arquitetura foram as obras monumentais. arbitrário. ainda nos comovem. A arquitetura é coisa de plástica... Afinal. A arquitetura está além das coisas utilitárias..

no entanto. . mais homogeneizada. mas um instrumento para construir esse lugar.. "Quando eu faço um prédio. o que me interessa é transmitir uma sensação de refúgio.Verticalidade Cidade Arquitetura e a Cidade... Penso que a arquitetura moderna deva assumir a responsabilidade: construir um lugar único e irrepetível. Mario Botta "A arquitetura não é um instrumento para se construir em um lugar. Mario Botta O Edifício. A grande poluição não é a dos carros. Mario Botta Arquétipo. "Quando faço uma casa.. Das Necessidades Primordiais do homem. A relação com a cidade é muito mais forte que o prédio em si". que falem das necessidades primordiais do homem".. eu também construo um pedaço da cidade.. A Relação com a cidade. resultante da especulação imobiliária. "O fato triste é que a arquitetura está se tornando cada vez mais pobre.. onde o homem encontre sua intimidade e sua memória". por exemplo.. A cidade é nossa mãe". mas a da arquitetura da má qualidade. que a cidade é um lugar extraordinário.... É necessário agir contra a banalização moderna. a arquitetura precisa falar do grande passado. Mario Botta "A finalidade de cada ato de criação é encontrar a riqueza do passado.. construindo um prédio com uma identidade forte". Mario Botta Refúgio. Penso. a imagem física da história. "Nas minhas casas. de caverna primitiva. procuro inserir uma série de valores e uma organização do espaço que contenha elementos arquetípicos como a caverna. a habitação primordial do homem". Mario Botta Três Níveis.. Espero que haja uma arcaicidade do futuro e que as obras de arquitetura sejam como um tótem.. fazendo com que os grandes centros urbanos percam sua identidade e assim morram um pouco.

" Mario Botta O Monumento. proponho um modelo alternativo à crise do moderno. sua tensão.. comunicar com o cosmos".. à banalização do moderno.. memória. a identificação com a cultura do lugar. de crescimento A Cidade e seus espaços. mais contradições. Ela é para o arquiteto o mesmo que o museu para o artista.. A Crise do Moderno. . irrepetível." ". para que eu possa dormir com a luz. Quando projetamos um edifício devemos Ter em mente que nosso cliente é a história".. porque ela é um fato de continuidade. José Garcia Lamas A Rua. construção.... "O lugar é um dos parâmetros fundamentais do projeto: cada solução tem o seu lugar. Mario Botta Continuidade.... José Garcia Lamas "O edifício não pode ser desligado do lote ou da superfície de solo que ocupa. quase todas são em três níveis porque preciso da terra como espaço de transição entre o externo e o interno. ".." Cidade. história.. ou obra de arquitetura considerável pela sua dimensão ou magnificência... único. Mario Botta A Cidade. do primeiro andar para permitir a visão da paisagem.Mario Botta "As minhas casas.. sua acumulação histórica".. Mario Botta O Lugar. e do segundo andar para a interação com o céu. Lawrence Halprin O Lote. Todo projeto de arquitetura transforma o lugar de uma condição de natureza em uma condição de cultura".. " A cidade é o território mais importante porque há mais presença humana. a riqueza da cidade é a sua estratificação. O lote não é apenas uma porção cadastral: é também a gênese e fundamento do edificado. é representada pela paisagem dos seus espaços abertos.. "Não se pode nem é justo inventar em uma noite toda a arquitetura. mais do que a construção... o lugar de confronto.. obra de arquitetura ou escultura destinada a transmitir à posteridade a recordação de um grande homem ou feito.

utiliza-se do projeto cuidadoso dos edifícios e espaços livres.Silvio Soares Macedo "A rua modelo da cidade brasileira.." Monotonia. . Carta de Atenas ". cujas normalizações são particularizadas.. Carta de Atenas O Sol. um tecido urbano.. "... que busca maior identidade em cada espaço projetado.. é a rua-jardim. Para isso.. espacialmente discutível e que pouco a pouco se mostra carente de novas disposições. trabalhar. Carta de Atenas As quatro funções. Deriva dos velhos bulevares no início do século e para o qual se voltaram os barões do café e da elite do império. A vida só se desenvolve na medida em que são conciliados os dois princípios contraditórios que regem a "Introduzir o Sol (nas habitações) é o novo e mais imperioso dever do arquiteto. "A Arquitetura preside os destinos da cidade"... "O desenho mostra a limitação da norma. que aberta no tocante à variedade de usos... Silvio Soares Macedo Arquitetura e Cidade." As três matérias primas do Urbanismo. a vegetação e o espaço são as três matérias primas do Urbanismo". com um resultado morfológico simplório.. os valores de ordem psicológica e fisiológica próprios ao ser humano introduzem no debate preocupações de ordem individual e de ordem coletiva. recrear-se (nas horas livres).. O resultado é este. através do desenho de uma paisagem rica e diversificada. Carta de Atenas Carta de Atenas O Individual e o Coletivo. circular"... ao social e ao político..... As chaves do Urbanismo estão nas quatro funções: habitar. ao prédio e a rua.. "Justapostos ao econômico." "A monotonia é característica combatida em todas as fases do projeto. Marcia Menneh O desenho. é formalista e direcionista na busca de um padrão de assentamento dos novos volumes construídos. São vias largas. normas e formas de arranjo mais flexíveis em relação as conformações espaciais possíveis e de abertura em relação a questão do meio urbano preexistente. O sol. com calçadas ajardinadas e arborizadas.

No Oriente. Carta de Atenas Forma." A História. nunca é fixa.. mas temporal.. Sir Edwin Lutyens Forma e Função.. um desempenho no aqui e agora". Fred e Barbro Thompson "A polêmica ocidental sobre se a forma segue a função ou a função segue a forma é impossível.. o instrumento de medida será a escala humana".. Pearls Significado. de acordo com as formas de habitação postas pela própria natureza do terreno. "As construções elevadas erguidas a grande distância uma das outras devem liberar o solo para amplas superfícies verdes"... muda também a forma que portanto." "O significado não existe: é um processo criativo. "A forma é um diagrama de forças". .. Alexander D'arcy Thompson Função.. "A história está escrita no traçado e na arquitetura das cidades"." "Um número mínimo de horas de insolação deve ser fixado para cada moradia".. Insolação... Significado... "Para o arquiteto... A forma é a combinação de espaço e função e quando a função e o espaço mudam. Carta de Atenas "Densidades razoáveis devem ser impostas... ocupado aqui com as tarefas do Urbanismo. Carta de Atenas Densidade... Carta de Atenas O Verde.personalidade humana: o individual e o coletivo. "É extremamente difícil falar do significado e dizer qualquer coisa de sensato".. "A Arquitetura começa onde termina a função".. função e forma são uma e mesma coisa. Frederick S. Carta de Atenas Escala Humana. Julien Greimas A casa.

" .Paul Éluard "Quando as cumeeiras de nosso céu se juntarem Minha casa terá um telhado.