O ADEUS À IMPERATRIZ

Dom Pedro II: 120º Ano de falecimento

Dona Isabel: 90º Ano de falecimento
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Dom Luiz: 30 Anos na Chefia da Casa Imperial do Brasil

Em nossa 2ª segunda retrospectiva do ano monárquico, temos o prazer de trazer aos leitores as notícias que fizeram o ano de 2011, um dos mais importantes para a monarquia no Brasil. 2011 foi, sem dúvida, um ano repleto de emoções. Nascimentos, casame ntos e mortes, fizeram do ano passado, um ano inesquecível.
Com o sucesso da 1ª Edição do Anuário Monarquia Já, tivemos a certeza da importância de nosso trabalho de divulgação dos ideais monárquicos e da História do Brasil. Os retornos obtidos através do e-mail anuariomj@gmail.com, foram muitos e ajudaram sobremaneira na composição da 2ª Edição.

O Anuário Monarquia Já é uma publicação do Blog Monarquia Já – http://imperiobrasileiro-rs.blogspot.com.
Sugestões, reclamações, retificações devem ser feitas pelo e-mail: anuariomj@gmail.com. Os textos aqui transcritos são de responsabilidade de seus autores, os demais são de responsabilidade e exclusividade do Anuário Monarquia Já. A impressão deste informativo deve ser feita em papel A4 de mesma cor da edição, sendo preservadas as características e as imagens dispostas nesta obra.

Neste ano passado, tivemos perdas irreparáveis e ganhos indizíveis. Foi um ano de derrotas e vitórias. Perdemos dois grandes ícones do Gotha no mundo. Ficamos sem Dona Teresa, a Princesa que nos remetia ao Império, e Dona Maria, a Imperatriz do Brasil. Foram momentos difíceis, de reafirmação de nossos valores e de nossa História. Era o momento de buscarmos novos sustentos. Ganhamos a renovação da Família dos brasileiros, vieram Dom Eudes, Dona Valentina, Dona Leopoldina e Dom Taddeo Afonso. A renovação de nossos ideais, a esperança de se manter as chamas de tradição. Ainda no ano passado, tivemos eventos importantes. O Chefe da Casa Imperial do Brasil completou 30 anos de Ascenção à Casa Imperial do Brasil – um caminho trilhado com muitos sacrifícios e sucessos. 30 anos de evolução nos trabalhos monárquicos do país. Os 90 anos de falecimento da Princesa Dona Isabel também foram motivo de celebrações, culminando com o início, quase certo, da beatificação da Princesa. Os 120 anos do falecimento de Dom Pedro II foi lembrado por todos os veículos de notícia do país, os monarquistas prestaram justas homenagens ao maior dos brasileiros. Dom Carlos Tasso de Saxe-Coburgo e Bragança completou 80 anos e Dom Bertrand de Orleans e Bragança, 70. Foi um ano marcante.
Resta-nos esperar um ano novo cheio de realizações. Acompanhe o Blog Monarquia Já. A 2º Edição do Anuário Monarquia Já continua evidenciando a Família Imperial Brasileira, noticiando os eventos monárquicos e propagando a Monarquia Constitucional Parlamentar.

Os Chefes da Casa Imperial do Brasil e da Casa Real de Portugal fazem campanha de doações de alimentos para as vítimas das catástrofes na região serrana do Rio de Janeiro Pág. 04 As viagens de Dom Bertrand de Orleans e Bragança Pág. 06 O falecimento de Dona Teresa de Orleans e Bragança Pág. 09

Dom Rafael em entrevista ao SBT Pág. 11

Dona Maria: o Adeus à Imperatriz Pág. 13 Dom Luiz de Orleans e Bragança: 30 Anos de Ascenção à Chefia da Casa Imperial do Brasil Pág. 19

Dona Isabel completa 90 anos de falecimento, com abertura de processo de beatificação Pág. 36
Os 120 anos de falecimento do Maior dos Brasileiros Pág. 46

A Monarquia no mundo

E outras notícias

Acompanhe o comunicado de Dom Luiz de Orleans e Bragança, acerca das catástrofes ocorridas na região serrana carioca, em janeiro de 2011 Ainda estão gravadas na memória de todos nós as imagens de devastação e pavor causadas pelos deslizamentos, enxurradas e enchentes que flagelaram particularmente a região serrana do Rio de Janeiro. A dor e a desolação de nossos irmãos, que assim perderam seus entes mais queridos, suas residências e seus bens, suscitaram em nossas almas esse sentimento tão brasileiro de comiseração, de piedade e de ajuda. De todo o Brasil, começaram a afluir para a região sinistrada auxílios dos mais diversos. Nos primeiros momentos desta tragédia, o anseio veemente de meu coração pesaroso era poder de alguma forma levar a todos esses atingidos o consolo material e sobretudo espiritual de que mais necessitavam naqueles instantes, mitigando de alguma forma a dor que em diversos modos e graus os atingia. Motivo pelo qual, antes de mais, devotei

O Chefe da Casa Imperial do Brasil manifesta seu pesar pelas catástrofes na serra do Rio de Janeiro
minhas preces a Deus Nosso Senhor a rogar pelo eterno descanso dos falecidos e pelo conforto de todas as vítimas desta catástrofe natural, potencializada infelizmente por certo descaso humano. Seguindo o exemplo de meus maiores – e recordo aqui com afável emoção a figura determinada e bondosa de minha bisavó a Princesa Isabel – era também meu desejo poder fazer chegar a esses brasileiros uma ajuda material que de alguma forma lhes servisse de amparo e lhes proporcionasse ânimo para um reerguimento. Ao comunicar estes meus anseios aos que comigo convivem mais de perto, foi possível, graças à diligência e operosidade de devotados monarquistas, organizar a coleta de alimentos, roupas e bens de primeira necessidade. Desde já, um caminhão com três toneladas destes bens, fruto da generosidade desprendida de tantos, partirá do interior do Estado de São Paulo, no próximo dia 31 de janeiro, rumo à região atingida. Meu irmão, o Príncipe Dom Antonio – diante da impossibilidade de eu o fazer pessoalmente – se encarregará, em nome da Família Imperial, de liderar o grupo de voluntários que fará a entrega desses bens. Nesta hora, a Família Imperial sente-se especialmente unida no sofrimento, mas também no cristão sentimento de esperança, a todos aqueles física ou moralmente feridos por tão calamitosos eventos. Rogo, pois, a Nossa Senhora Aparecida, Rainha e Padroeira de nossa Nação, que vele por todos maternalmente e faça o Brasil reerguer-se do impacto destes flagelos naturais que o atingiram, bem como dos flagelos morais que vão dilacerando nossa sofrida sociedade.

Dom Luiz de Orleans e Bragança Chefe da Casa Imperial do Brasil.

Diocese de Petrópolis recebe doações da Casa Imperial do Brasil e da Casa Real de Portugal
No Brasil, assim como o prometido, Dom Luiz de Orleans e Bragança, através do Pró Monarquia, arrecadou donativos a serem distribuídos pelo Príncipe Dom Antonio e pela Diocese de Petrópolis, aos atingidos pelas chuvas na área serrana do Rio de Janeiro. As doações foram enviadas de São Paulo.

Em Portugal, Dom Duarte, Duque de Bragança, através da Fundação Dom Manuel II, abriu uma conta para angariar fundos destinados a ajudar as vítimas da tragédia no Rio de Janeiro. As doações, numerosas pela larga campanha feita, foram também destinadas a Diocese de Petrópolis, sendo repassadas à comunidade.

Documentos históricos de Dom Pedro II se tornarão patrimônio da humanidade
Em 2003 mais de 21 mil fotografias, a Coleção intitula Teresa Cristina Maria, que o Imperador Dom Pedro II doou a Biblioteca Nacional, recebeu o título de Patrimônio Mundial pela UNESCO, agora, em 2011/12, um acervo com cerca de 900 documentos referentes as impressões de viagens de Dom Pedro II, está prestes a receber a mesma titulação. Este acervo de 900 documentos faz parte de um montante de 50 mil itens, o Arquivo da Casa Imperial do Brasil, mantido em consignação pelo Museu Imperial de Petrópolis e pertencente à Família Imperial brasileira. Este Arquivo é composto por documentos, fotos, diários, cartas e outros itens que contam a História do Brasil, e foram amealhados durante os anos da Monarquia no Brasil, levados em 1889, no exílio da Família Imperial, para a França, e, trazidos para o cá após a revogação da Lei de Banimento, entre os anos de 1922 e 1945. Estima-se que no ano de 2012 o acervo receberá a titulação oficial de Patrimônio Mundial pela UNESCO.

P r íncipe D om An tonio p r estigia a t roca d e Comando do Batalhão Dom Pedro II, em Petrópolis
A cúpula do Diretório Monárquico do Brasil esteve reunida com o Príncipe Dom Antonio de Orleans e Bragança, em janeiro de 2011, na troca de Comando do Batalhão Dom Pedro II em Petrópolis.

As viagens de Dom Bertrand
No ano de 2011, o Príncipe Imperial Dom Bertrand empreendeu muitas viagens em nome da Causa monárquica. Confira alguns de seus destinos pelo Brasil e pela Europa:

Dom Bertrand em fevereiro de 2011, no Hotel York House, em Lisboa, com Dom Duarte de Bragança. Em setembro, Dom Bertrand esteve novamente na Europa Dom Bertrand em maio, em Curitiba

Dom Bertrand esteve em outubro em Santa Catarina

Em agosto Dom Bertrand esteve em visita a Minas Gerais, sendo recebido em Montes Claros pelo prefeito municipal. O Príncipe esteve em outras cidades de MG

Dom Bertrand esteve no Rio de Janeiro
Em novembro Dom Bertrand esteve em Campina Grande

Exposição Retratos do Império e do Exílio

Sob o nome Retratos do Império e do Exílio, o Instituto Moreira Salles - IMS trouxe uma mostra de fotos do acervo do Príncipe Dom João Henrique de Orleans e Bragança, sobre momentos da vida pessoal da Família Imperial do Brasil. O curador da mostra, Sergio Burgi, em parceria com o IMS, lançou um catálogo homônimo com 40 imagens. A exposição ficou em cartaz de 23 de fevereiro a 29 de maio no Rio de Janeiro, partindo para São Paulo em 20 de julho, onde ficou até 11 de setembro. Estima-se que a exposição percorra outros Estados do Brasil.

Os 70 anos do Príncipe Dom Bertrand
S.A.I.R. Dom Bertrand de Orleans e Bragança, Príncipe Imperial do Brasil, completou no dia 2 de fevereiro de 2011, 70 anos de vida. As entidades Paz no Campo, IPCO e Pró-Monarquia, juntamente com seleto grupo de convidados, homenagearam o Príncipe com um jantar no Nacional Club de São Paulo.

Rio de Janeiro: ruínas do subterrâneo do Porto Maravilha
Escavações no Ri o d e J anei ro revel am parte hi stóri a d o Brasi l
Fotos e textos: O Globo por Rogério Daflon

“Das escavações do Projeto Porto Maravilha na Avenida Barão de Tefé, na Região Portuária, surgiu um tesouro arqueológico. Trata-se do Cais da Imperatriz e do Cais do Valongo, ambos do século XIX. O Cais da Imperatriz data da década de 1840. Foi feito sobre o Cais do Valongo, numa grande reforma com o intuito de receber a futura imperatriz Teresa Cristina, que se casaria com Dom Pedro II. O projeto foi realizado à época pelo paisagista Grandjean de Montigny. O Cais do Valongo, também do século XIX, foi o lugar onde aportaram mais um milhão de escravos. O prefeito afirmou que, além da praça, haverá um centro de referência.

Com a empreiteira que toca a obra, arqueólogos do Museu Nacional acompanhavam cada escavação, a fim de encontrar os dois portos do s éculo XIX. Tanto o Cais da Imperatriz como o Cais do Valongo deram lugar ao aterro feito pelo prefeito Pereira Passos na primeira década do Século XX.”
O prefeito do Rio de Janeiro, Eduardo Paes, disse que pretende construir um museu para abrigar os achados.

Dom João VI: o papel de um legado
na época das comemorações dos 200 anos da chegada da família real portuguesa ao Rio de Janeiro. Além da exposição virtual, guiada por módulos explicativos divididos por critérios temáticos e cronológicos, o site disponibiliza ao internauta uma vasta seleção de documentos relativos ao período joanino. A estrutura do site, os textos e a seleção de documentos baseiam-se no guia de fontes D. João VI: um legado em papel, lançado pela coordenação Geral de Pesquisa e Editoração. Esta publicação, que também está disponível para download no site, tem como objetivo auxiliar o pesquisador na busca de documentos relativos aos temas pertencentes ao acervo da Fundação Biblioteca Nacional. Para a construção do site, foram digitalizados cerca de 120 documentos na íntegra, totalizando mais de 1500 páginas, destacando-se livros raros, manuscritos, gravuras, desenhos, jornais, mapas, documentos legislativos e administrativos, entre outros”. O sítio eletrônico inicial é http://bndigital.bn.br/expo/djoaovi/

A Coordenadoria de Pesquisa e a Coordenadoria de Informação Bibliográfica lançou o site D. João VI: o papel de um legado, que segundo a Fundação Biblioteca Nacional “irá possibilitar o acesso remoto dos visitantes à versão virtual da exposição homônima, que foi hospedada no Centro Cultural da Justiça Federal

Falece a Princesa Dona Teresa de Orleans e Bragança
Faleceu em 18 de abril a última neta viva da Princesa Dona Isabel, a Redentora
S.A.R. a Senhora Dona Teresa Teodora de Orleans e Bragança e Dobrzensky de Dobrzenicz , nasceu em Boulogne-sur-Seine, a 18 de junho de 1919, era a última filha de Dom Pedro de Alcântara de Orleans e Bragança e da Condessa Elisabeth Dobrzensky de Dobrzenicz. Sua avó paterna foi a Princesa Dona Isabel do Brasil. Era prima de Dom Luiz, Chefe da Casa Imperial do Brasil, tia materna de Dom Duarte de Bragança, e irmã de Dona Maria Francisca de Bragança, mãe Dom Duarte, sendo também irmã da falecida Condessa de Paris, de Dom Pedro Gastão e de Dom João de Orleans e Bragança. No dia 7 de Outubro de 1957, em Sintra, casou-se com o Senhor Ernesto António Maria Martorell y Calderó (1921-1985), deste casamento nasceram duas filhas, Dona Elisabeth (1959) e Dona Núria (1960). Ao seu velório, no palacete de sua propriedade no Estoril, compareceram os Duques de Bragança, os Infantes Dom Henrique e Dom Manuel de Bragança, as Infantas de Espanha - Dona Pilar e Dona Margarida – irmãs do Rei Juan Carlos I, também o Arquiduque Josef Arpad de Habsburgo, bem como o Príncipe Charles Philippe d’Orleans acompanhado das Duquesas Claudine e Diana do Cadaval. Comparecem também a Condessa de Albuquerque e a Marquesa do Lavradio, grandes amigas da Princesa, entre inúmeras pessoas que foram prestar sua última homenagem a S.A. Dona Teresa. A Princesa, muito patriota, amava o Brasil, desejou ser cremada e manifestou também a vontade de ter suas cinzas transladas para seu país. Missas foram celebradas no Brasil e em Portugal pela Alma de Dona Teresa, comparecendo amigos e Familiares da Princesa.

Duque Paul de Oldenburg: palestra em São Paulo
Sob os auspícios de S.A.I.R., o Príncipe Senhor Dom Luiz de Orleans e Bragança, Chefe da Casa Imperial do Brasil, o Instituto Pró Monarquia recebeu no dia 8 de abril, para palestra a convidados, o Duque Paul de Oldenburg.
O Duque falou sobre o tema “A União Européia agredida pela realidade”, tratando de assuntos como a falência dos modelos socializantes, a ofensiva dos ateus versus as raízes cristãs e valores inegociáveis na Europa, o papel da nobreza e das elites tradicionais no mundo de amanhã, entre outros tópicos de grande interesse.

Foto: Catolicismo

O Duque é trineto do Kaiser Guilherme II, da Alemanha, sendo descendente de grandes Famílias Reais da Europa. Formado em Agronomia, casado, pai de quatro filhos, é Diretor do Bureau de Bruxelas da Federação Pró Europa Cristiana – FPEC, uma respeitada entidade de orientação católica e conservadora com influência política na União Europeia.

Princesa Maria Cristina de Kent em visita ao Brasil
Princesa Michel de Kent vem ao Brasil lançar livro sobre Rainhas e Imperatrizes
Desembarcou em São Paulo no dia 7 de maio de 2011, a Princesa Maria Cristina de Kent, Princesa Michel de Kent - da Família Real Britânica, para o lançamento de seu livro “Coroadas em Terras Distantes”, que conta a vida de oito Princesas que deixaram os países de origem para reinar ou imperar no exterior, entre elas a Imperatriz Dona Leopoldina, primeira Imperatriz do Brasil e primeira mulher a governar o Brasil Independente. A Princesa Maria Cristina encontrou-se com monarquistas brasileiros e com Príncipes da Família Imperial, entre eles o Príncipe Dom Gabriel de Orleans e Bragança – sobrinho de S.A.I.R. Dom Luiz, Chefe da Casa Imperial do Brasil. A Princesa depositou flores no túmulo da Imperatriz Dona Leopoldina na cripta do Monumento à Independência, em São Paulo. A Princesa participou também de um jantar reservado em casa de Adolpho Lindenberg. O lançamento do livro ocorreu no Museu da Casa Brasileira. A Princesa participou também de uma noite de autógrafos no Iate Clube do Rio de Janeiro e de uma palestra no Museu Imperial, ocasião em que aproveitou para conhecer Petrópolis .

Princesa Maria Cristina de Kent: com sua simpatia e inteligência, por onde passa, deixa inúmeros amigos e admiradores

Dom Rafael em entrevista para o SBT
Príncipe brasileiro fala sobre sua vida pessoal e profissional em entrevista à televisão
Em março de 2011, o Príncipe Dom Rafael de Orleans e Bragança concedeu entrevista ao SBT. A emissora foi até ao Rio de Janeiro para saber sobre a vida pessoal e profissional do futuro Herdeiro do Trono Imperial do Brasil.

Na entrevista Dom Antonio declarou que todos os Príncipes dinastas estão preparados para servir a Pátria.
Sobre sua vida pessoal, Dom Rafael destaca: “estou bastante novo para pensar em casamento”. Dom Rafael é formado em Engenharia de Produção, trabalha como Supervisor de Vendas na multinacional AmBev.

Arnaldo Jabour: A monarquia é sonho sim! Um ritual de harmonia que fascina
Em comentário a jornal da Rede Globo, Arnaldo Jabour fala sobre a Monarquia
“Em meio ao casamento catastrófico entre a natureza feroz e brutais ações humanas entre maremotos, tornados e homens bomba, finalmente temos um maravilhoso momento de felicidade, alguns dizem: ‘a Inglaterra está em crise econômica e ainda fazem uma festa dessas para enganar o povo’. Mas não, a monarquia britânica não é um entrave à democracia, nem é uma instituição arcaica, existe há mais de mil anos, desde o século XIII, se submete suavemente as leis, ao parlamento, e dá à população um raro sentido de continuidade nacional, é um símbolo vivo de grandeza e de orgulho, é um símbolo de poesia sim, para além da prosa fragmentar de uma república comum! Pois como disse um comentarista inglês: ‘seria melhor ver, por exemplo, Tony Blair no Palácio de Buckinghan?’ O casamento de Lady Di com Charles foi exagerado. Um histérico conto de fadas que acabou no fundo de um túnel, ainda por cima, na França, mas Kate e Willian são bonitos, simples e claramente ligados ao mundo contemporâneo. Como foi bom ver a beleza da pompa dourada e vermelha, a elegância serena da aristocracia inglesa. A monarquia é sonho sim! Um ritual de harmonia que fascina mesmo... Tudo bem, como pode um país existir sem orgulho e sem poesia? Momentos como este, nos trazem a solidez de uma história contínua. Foi lindo e oportuno, porque mesmo que o ocidente esteja sem futuro, nossa maior desgraça seria esquecermos o passado.” Arnaldo Jabour

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Pela conservação do Patrimônio Histórico Nacional

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O ADEUS À IMPERATRIZ
Falece a Imperatriz Mãe de direito do Brasil
Nascida Maria Isabel Francisca Teresa Josefa Princesa Real da Baviera, no castelo de Nymphenburg, em Munique, a 9 de setembro de 1914, S.A.I.R., a Princesa Senhora Dona Maria era a segunda filha do Príncipe Francisco (Franz) da Baviera e da Princesa Isabelle, Princesa de Croy. S.A.I.R. Era neta do último monarca da Baviera, o Rei Luís III (1845-1921), (foi regente do reino a partir de 1912, devido à incapacidade do Rei Oto I, assumindo a coroa com sua morte no ano seguinte, até 1918, quando da proclamação da república na Alemanha no final de 1918) e de sua esposa, a Rainha Maria Teresa Henriqueta, nascida Arquiduquesa d´ Áustria-Este. Ao nascer, portanto, a Princesa pertencia a uma prestigiosa família real reinante. Efetivamente em 1914, ano de seu nascimento, o mundo experimentava os infortúnios do início da Primeira Guerra Mundial, a Família Real da Baviera não ficou imune aos acontecimentos e até mesmo o Príncipe Francisco envolveu-se na Guerra, sendo general do Exército bávaro. Em 1918, eclodiu na Alemanha a Revolução Espartaquista, com forte influência da terrível Revolução Russa de 1917, que acabou por assassinar o Czar Nicolau II e sua Família. Este movimento era de ideal comunista e conseguiu primeiramente controlar a região da Baviera. Em 7 de novembro daquele ano, o Rei Luís III e sua Família, entre eles a pequena Princesa Dona Maria, foram obrigados a partir de Munique. O Rei foi o primeiro a ser deposto e a Família passou a sofrer a hostilidade dos revoltosos. A Família Real da Baviera, contudo, conservou todo o seu prestígio, tendo-se inclusive falado em certa época na hipótese de uma restauração da monarquia na Baviera, integrando a República Alemã. A Rainha Maria Teresa, avó de Dona Maria, herdou de sua família um riquíssimo patrimônio, que incluía propriedades na Moravia e Sárvár, na Hungria. Neste último país, num castelo de mesmo nome da localidade, Dona Maria passou a infância. Seu avô, por ameaças, teve ainda de se transferir para o Liechtenstein e para a Suíça. Neste contexto a infância da Princesa Dona Maria foi bastante conturbada e até mesmo traumática. Na década de 30, a Família retornou à Baviera e parte de seus bens foram devolvidos pelo governo republicano. Seu avô, o Rei Luís III, faleceu em 1921 (mesmo ano da morte da nossa Princesa Dona Isabel, a Redentora), deixando como herdeiro o filho mais velho, tio de Dona Maria, o Príncipe Rupprecht. Este

se declarou contra o regime nazista, sendo sua esposa, a Princesa Antonieta, nascida Princesa do Luxemburgo – irmã da GrãDuquesa Carlota do Luxemburgo, e seus filhos, capturados em 1944 e levados para o campo de concentração de Sachsenhausen, em Oranienburg, Brandemburgo e anos mais tarde foram levados a Dachau e lá foram libertados pelo exército norte-americano. A Princesa não resistiu e faleceu anos depois. A Família teve de se exilar na Itália. O nazismo ensejava a Segunda Guerra Mundial. Em 19 de agosto de 1937, a Princesa Dona Maria foi desposada na capela do Castelo de Nymphenburg pelo Príncipe Dom Pedro Henrique Afonso Filipe Maria Gastão Miguel Gabriel Rafael Gonzaga de Orleans e Bragança, Herdeiro dos Imperadores do Brasil, Chefe da Casa Imperial, de jure, S.M.I., o Imperador Senhor Dom Pedro III do Brasil. A cerimônia foi assistida por dois Soberanos, a Grã-Duquesa Carlota do Luxemburgo e o Rei Alfonso XIII da Espanha, além do Chefe da Casa Real das Duas Sicilias (Ferdinando, Duque de Calábria, tio de Dom Pedro Henrique) e os Príncipes Herdeiros da França, Condes de Paris (ela Princesa Dona Isabel de Orleans e Bragança, prima irmã de Dom Pedro Henrique), além de outros da realeza e da nobreza. O tio de Dona Maria, o Príncipe Rupprecht, também presente, aproveitou a ocasião para mostrar sua indiferença aos comandantes nazistas, não os convidando para o enlace. O casamento de Dona Maria foi notícia também pelo fato do celebrante, o Cardeal

Faulhaber,Arcebispo de Munique, ter aproveitado a ocasião para, no sermão, tecer críticas ao nazismo.

Dom Pedro Henrique teve de se refugiar com a esposa e os filhos em La Bourbole, em Puy-deDôme, região central da França, aonde as violências da guerra provavelmente não chegariam. Lá nasceu Dona Isabel (1944). O ano de 1945 foi decisivo para a vida de Dona Maria, visto que precisaria deixar a Europa, onde era cercada por parentes próximos e queridos, para finalmente fixar residência no Brasil, realizando o sonho de seu marido. Em maio daquele ano o navio Serpa Pinto deixou Portugal e rumou para a América do Sul, num roteiro raro naqueles tempos de guerra. Em 17 de maio de 1945 a Família Imperial assistiu a Primeira Comunhão da Princesa Diana de França, filha da Condessa de Paris, em Pamplona, na Espanha, embarcando depois Dom Pedro Henrique e Dona Maria (grávida) e seus cinco filhos, para o Brasil. O embarque não agradou inicialmente a Princesa Dona Maria Pia, que achava errado Dona Maria fazer esta longa viagem estando grávida. Pelos acontecimentos da guerra e a dificuldade de se arranjar meio de transporte para o Brasil, Dona Maria Pia acabou consentindo e admitindo a necessidade da viagem. Em Petrópolis, Dona Maria deu a luz, no ano de 1945, ao Príncipe Dom Pedro de Alcântara. Na chegada ao Brasil ocorreu um doloroso episódio: o Príncipe Dom Pedro Henrique foi informado pelo primo, Dom Pedro Gastão, sobre sua condição de ex-sócio da Companhia Imobiliária de Petrópolis, a empresa constituída para admi-

Dona Maria com Dom Pedro Henrique

Pelos trágicos acontecimentos na Europa, impedidos de vir ao Brasil, e conseqüentemente afetados pelas sanções impostadas pelos nazistas aos parentes e as mortes derivadas das ações daquele grupo, o casal fixou-se primeiramente em Mandelieu, na França, onde habitava Dona Maria Pia, mãe de Dom Pedro Henrique. Ali nasceram o Príncipe Dom Luiz, atual Chefe da Casa Imperial do Brasil (1938), Dom Eudes (1939) e Dom Bertrand (1941), atual Príncipe Imperial do Brasil. Pelas precipitações da Segunda Grande Guerra,

nistrar a antiga Fazenda Imperial de Petrópolis. Dom Pedro Henrique residiu certo tempo em Petrópolis, numa casa no bairro do Retiro. Já no Rio de Janeiro, em 1948 nasceu Dom Fernando e, em 1950, Dom Antonio. Dom Pedro Henrique e Dona Maria passaram por um período de grande dificuldade, tendo que alugar uma casa no bairro de Santa Teresa. Apenas em 1951 conseguiu Dom Pedro Henrique comprar uma propriedade agrícola, que denominou Fazenda Santa Maria, na cidade de Jacarezinho, no Estado do Paraná. Lá nasceram Dona Eleonora (1953) e Dom Francisco (1955). E em Jundiaí do Sul, também no Paraná, nasceram Dom Alberto (1957) as Princesas gêmeas, Dona Maria Gabriela e Dona Maria Teresa (1959). Em 1965, necessitando estar mais próximo dos grandes centros, Dom Pedro Henrique vendeu a Fazenda Santa Maria e comprou, em Vassouras, o sítio Santa Maria, conservado na familia até os dias atuais. Em 5 de julho de 1981, faleceu o Príncipe Dom Pedro de Alcântara, deixando viúva a Princesa Dona Maria. Ascendeu a Chefia da Casa imperial o seu filho, Dom Luiz. A vida de Dona Maria, nas condições que a divina providencia lhe colocou, fez-na uma grande senhora. Ícone de uma geração de grandes Damas do Gotha, Dona Maria se junta a um seleto grupo que representam a antiga geração da realeza das grandes monarquias que governaram a Europa e o Brasil, como o Arquiduque Otto da Áustria (99 anos), a Princesa Lilian da Suécia (95 anos), o Ar-

quiduque Félix da Áustria (95 anos), sua irmã, Grã-duquesa de Toscana, o Grão-Duque João do Luxemburgo (90 anos), o Príncipe Phillip, Duque de Edimburgo (89 anos) e o Rei Miguel da Romênia (89 anos). Senhores e Senhoras de um passado majestoso e único, que levaram uma vida de grande dignidade.

Depois da morte do marido, a Princesa Dona Maria passou a morar num apartamento na rua Custódio Serrão, na Lagoa, na cidade do Rio de Janeiro, com sua filha, a Princesa Dona Isabel. Nos últimos anos foi enfraquecendo lentamente, sendo sempre sustentada por sua grande fé religiosa. Referência da Família, a Princesa sempre foi amada pelos 12 filhos, 25 netos e também pelos pequenos bisnetos e reverenciada pelos monarquistas brasileiros. O Clube de Engenharia, há anos atrás, a considerou a Mãe do Ano.

Prima do Herdeiro do Trono da Baviera, Franz, Duque da Baviera, 77 anos (neto do Príncipe Rupprecht), Dona Maria teve cinco irmãos: o Príncipe Ludwig, falecido em 2008 com 95 anos, casado com sua prima, a Princesa Irmgard da Baviera (são os pais do Príncipe Luitpold, 60 anos, cujo casamento com Beatrix Wiegand, filha de um famoso arquiteto alemão, foi considerado por muitos anos como inferior, mas no fim foi reconhecido, o que o torna o Herdeiro de Franz, Duque da Baviera, que é solteiro – ele esteve no Brasil em 2009 para o casamento da Princesa Dona Isabel com o Conde Alexander de Stolberg); a Princesa Aldegunda, falecida em 2004, com 87 anos, esposa de Zdenko, Barão von Hoenning-O´Carroll; a Princesa Eleonora, falecida em 2009, com 91 anos, esposa de Constantino, Conde von Waldburg zu Zeil und Trauchburg; a Princesa Dorotéia, 91 anos, que casou com Gottfried, Arquiduque d´Austria, Grãoduque de Toscana; o Príncipe Rasso, 85 anos, casado com a Arquiduquesa Teresa da Áustria (são os pais, entre outros filhos, da Princesa Gisela, esposa do Príncipe Herdeiro da Casa Real da Saxônia, Alexander, Príncipe de Saxe-Gessaphe). A Princesa Senhora Dona Maria faleceu no dia 13 de maio de 2011, foi velada na Igreja Matriz de Nossa Senhora da Conceição, no centro de Vassouras, a partir das 10h, com missa de Corpo Presente, o sepultamento se deu no jazigo da Família Imperial no cemitério daquela cidade. A Princesa deixa grandes saudades.

As celebrações em homenagem a Dona Maria
Foram celebradas missas, pelo sufrágio da alma de Dona Maria, em todo o Brasil
Em sufrágio à alma de Dona Maria, foram realizadas missas no Rio de Janeiro e São Paulo. No Rio de Janeiro, a Família Imperial, monarquistas e amigos lotaram a Igreja de Nossa Senhora do Carmo da Antiga Sé Catedral. Em São Paulo, a Igreja de Nossa Senhora da Paz também esteve lotada na homenagem à Dona Maria. No Rio de Janeiro, com presença de mais de 600 pessoas:
Fotos: Luis Mendes

Em São Paulo, com o templo lotado:
Fotos: Monarquia 21

No Ceará, monarquistas mandaram celebrar missa na Catedral Metropolitana de São José.

Dom Luiz de Orleans e Bragança completa 73 anos
Completou 73 anos dia 6 de junho de 2011, Sua Alteza Imperial e Real, o Príncipe Dom Luiz de Orleans e Bragança, Chefe da Casa Imperial do Brasil. O tradicional aniversário, com Santa Missa, precedido do Encontro Monárquico do Rio de Janeiro, foi cancelado em respeito ao falecimento da Princesa Dona Maria.

Dona Maria Gabriela: talento de Família
Princesa brasileira serve de inspiração para coleção de moda
Renomada pintora de telas, talentosa como o pai, a mãe e os irmãos, a Princesa Dona Maria Gabriela de Orleans e Bragança, conhecida no meio artístico como Lelli de Orleans e Bragança, após ter firmado parceria de sucesso com Francesca Romana Diana, na formulação de peças de arte em jóias, serviu de inspiração ao famoso estilista Pedro Lourenço, que depois de ver uma de suas telas retratando o Rio de Janeiro, criou uma coleção de roupas que foi apresentada na São Paulo Fashion Week, dia 18 de maio de 2011.

Foto: Sebastião Marinho/Hildegard Angel

Nascem os filhos gêmeos de Dom Eudes e de Dona Patrícia de Orleans e Bragança
Nasceram dia 8 de junho de 2011, na clínica São José, no Rio de Janeiro, Valentina e Eudes, filhos gêmeos de Dom Eudes de Orleans e Bragança e de sua esposa, Patrícia.

Dom Eudes é filho de pai homônimo, o Príncipe Dom Eudes, e de Dona Mercedes de Orleans e Bragança, neto, portanto, do Chefe da Casa Imperial do Brasil, de 1921 a 1981, o Príncipe Dom Pedro Henrique, e da Princesa Dona Maria, de jure Imperador e Imperatriz do Brasil. Dom Eudes é sobrinho do atual Chefe da Casa Imperial, o Príncipe Dom Luiz. Na Família Imperial, além dos recém-nascidos Valentina e Eudes, Dona Maria Teresa e Dona Maria Gabriela – irmãs do atual Chefe da Casa Imperial, Dona Maria Teresa e Dona Maria Eleonora – filhas de Dom Francisco – sobrinhas de Dom Luiz, além de Alexandre e Filipe da Iugoslávia – filhos de Dona Maria da Gloria de Orleans e Bragança, prima de Dom Luiz, s ão gêmeos.

Dom Antonio e Dona Christine comparecem as cerimônias da Ordem de Malta no Rio de Janeiro
Príncipes comparecem ao Mosteiro de São Bento para celebração
Os membros da Ordem de Malta no Brasil reuniram-se no dia 21 de junho para a tradicional celebração no Mosteiro de São Bento do Rio de Janeiro, oficiada pelo Abade Emérito, Dom Roberto Lopes, Capelão Conventual da Ordem.
Foto: Sebastião Marinho/Hildegard Angel

Este ano a Soberana Ordem de Malta investiu dois Cavalheiros (Cavalheiros da Graça Magistral), os Senhores Rômulo Mene e Arlindo Galdeano Filho.

Suas Altezas, o Príncipe Dom Antonio e a Princesa Dona Christine de Orleans e Bragança compareceram a bela cerimônia, estando em lugar de destaque. Dom Antonio ingressou na Ordem há um ano com Cavalheiro de Honra e Devoção, reservada a nobres católicos.
Após a cerimônia, todos foram para a Casa Julieta de Serpa, numa recepção que visa angariar fundos para as obras assistências da Ordem.

Dom Luiz de Orleans e Bragança

30 anos de Ascensão à Chefia da Casa Imperial do Brasil
O dia 5 de julho de 2011 marca os 30 anos de Ascensão de Sua Alteza Imperial e Real, o Senhor Dom Luiz de Orleans e Bragança, à Chefia da Casa Imperial do Brasil. Em 1981, herdando de seu pai, o Condestável das Saudades e da Esperança, o Príncipe Senhor Dom Pedro Henrique, a grande missão de representar e honrar as mais caras tradições brasileiras, Sua Alteza Imperial e Real luta incessantemente para manter as responsabilidades que lhe foram impostas. Nasceu a 6 de junho de 1938 em Mandelieu, na França, onde desde 1926, sua avó, a Princesa Imperial Viúva, a Princesa Senhora Dona Maria Pia, morava. Passados os anos difíceis de privações e dificuldades de toda ordem, ocasionados pela II Guerra Mundial, chega ao Brasil em 1945, com a idade de 7 anos acompanhado de seus pais e de três dos doze irmãos. Ainda no navio Serpa Pinto, seu pai lhe profetizou a missão que lhes trouxeram a terra onde seus antepassados haviam protagonizado grandiosas epopeias. O amor a terra, ao povo. Servir a Pátria, quando esta os chamarem para tanto. Dever histórico, de honra, da tradição, da Família. No Brasil as provações não seriam muito diferentes das passadas na Europa. Desabrigados por certo tempo, grandes amigos ajudaram a Família. Passaram, por um curto período, oscilando entre Petrópolis e a cidade do Rio de Janeiro, foram enfim viver no norte do Paraná, sustentando-se da agricultura na Fazenda Santa Maria. Em 1956, Sua Alteza Imperial e Real, o Príncipe Senhor Dom Luiz conclui o ensino secundário no Colégio Santo Inácio do Rio de Janeiro. No ano seguinte, o Príncipe viajou para a Europa, hospedando-se em Paris com sua tia, a Condessa de Nicolaÿ. Iniciou então seus estudos superiores. Estudou Química em Munique. Depois de 10 anos na Europa, em que freqüentou as Famílias Reais aparentadas, sendo convidado para eventos do Gotha daquele continente, Sua Alteza Imperial e Real, o Príncipe Senhor Dom Luiz retornou ao Brasil passando a viver entre Vassouras, RJ, e São Paulo, onde, com seu irmão, o Príncipe Senhor Dom Bertrand, e jovens da alta sociedade carioca e paulistana, integraram a primeira geração da Sociedade Brasileira de Defesa da Tradição, Família e Propriedade. A Sociedade recém fundada tinha suas bases no grupo de “Catolicismo”, a que os Príncipes freqüentavam em companhia do pai, tendo como líder o Doutor Plínio Correa de Oliveira, grande ícone católico, histo-

riador, escritor e pensador, tinha também vínculos históricos com a Família Imperial. Seu antepassado, João Alfredo Corrêa de Oliveira foi destacado monarquista e abolicionista, político do Império, grande amigo da Princesa Dona Isabel. Neste mesmo período, o Príncipe Senhor Dom Luiz assumiu a chefia do secretariado do pai. Em 5 de julho de 1981, o augusto Príncipe Senhor Dom Pedro Henrique, que havia herdado a Chefia da Casa Imperial da Redentora, a Princesa Dona Isabel, faleceu em Vassouras. O Príncipe Senhor Dom Luiz foi elevado a Chefe da Casa Imperial do Brasil, reconhecido pelos monarquistas brasileiros e por seus pares na Europa e no mundo inteiro. Há trinta anos o Príncipe Senhor Dom Luiz dedica-se a sua tarefa de Chefiar a Casa Imperial, inúmeros avanços foram feitos pela causa monárquica no país, como exemplo pode-se citar a criação dos Círculos Monárquicos, registrados como entidades e vinculados a Casa Imperial do Brasil, bem como a criação dos tradicionais encontros monárquicos que há 21 anos reúne monarquistas de todo o país. Há 21 anos, pois somente há 22 anos, devido à emblemática carta que Sua Alteza Imperial e Real enviou

aos deputados da Assembleia Nacional Constituinte, que em 1987/88, votavam a nova Constituição do Brasil, solicitando a eles que abolissem da Carta Magna a Cláusula Pétrea, que impediu, desde 1889, as divulgações monárquicas no Brasil. Depois de esforços conjuntos de monarquistas e do Príncipe, os deputados não conservaram a famigerada cláusula. Daí em diante os monarquistas puderam se expressar com liberdade e os Herdeiros do Trono passaram a ter livre direito de lutar pela restauração da monarquia no Brasil. Em 1993, depois de longo sacrifício de obstinados monarquistas, teve lugar a famosa consulta popular prometida pelos golpistas da república em 1889, sobre a forma de governo a ser adotada no Brasil. Sem tempo hábil para organização, com o agravante da falta de recursos financeiros e vítimas de conluios e vaidades pessoais de terceiros, Sua Alteza Imperial e Real e os monarquistas perderam, ainda que com grande dignidade, o plebiscito de 1993. Para a derrota contribuíram fraudulentas obras dos opositores que se utilizavam de propagandas enganosas, duplicidade de versões nas explicações quanto às formas de governo, numa concorrência onde os republicanos utilizam-se da máquina pública, dos recursos do Estado. Além do que,

a consulta prevista para ocorrer em 7 de setembro, foi antecipada para 21 de abril, diminuindo o tempo de debate e propaganda sobre a causa monárquica. Os Príncipes Dom Luiz, Dom Bertrand e Dom Antonio percorrem todo o território brasileiro, onde são recebidos prestigiosamente, seja pela população ou pelas autoridades. Sua Alteza Imperial e Real, o Príncipe Senhor Dom Luiz, assim como seus irmãos dinastas, concede entrevistas e participa, mesmo que discretamente, da vida nacional. O Príncipe Senhor Dom Luiz lança seguidos manifestos e cartas ao povo brasileiro, correspondendo-se com monarquistas e admiradores, recebendo-os também em sua residência no bairro do Pacaembu, em São Paulo, onde mora com o Príncipe Dom Bertrand, seu irmão. É reconhecido pela ampla ação ideológica e moral que empreende na defesa dos mais caros valores da sociedade: a tradição, a família, a moral, a ética e os direitos individuais. Valores pelos quais os monarquistas lutam na necessária restauração da dignidade nacional. Sua Alteza Imperial e Real, o Príncipe Senhor Dom Luiz, Chefe da Casa Imperial do Brasil, por este e outros motivos, é o orgulho dos que representa.

A Monarquia pela vida
Príncipe Dom Bertrand apoia a campanha “São Paulo pela vida”
Em julho de 2011, o Príncipe Imperial do Brasil, Dom Bertrand de Orleans e Bragança, recebeu em São Paulo, o líder católico pró-vida, Prof. Hermes Rodrigues Nery, coordenador da Campanha São Paulo pela Vida (que visa incluir o direito a vida, desde a fecundação, na constituição do Estado de São Paulo, através de emenda constitucional via iniciativa popular) e manifestou total apoio à campanha. No encontro, O Prof. Hermes Rodrigues Nery entregou uma carta ao príncipe, aderindo à causa da restauração monárquica no Brasil. Câmara Municipal: “A Família Imperial possui uma propriedade em Vassouras, a fazenda Santa Maria. Através de um contato com uma amiga pessoal da Família, a Câmara Municipal tomou conhecimento de que os príncipes tinham interesse em organizar a mostra. Para nós foi uma honra receber esse acervo tão rico, dando a possibilidade da população da cidade conhecer um pouco mais da vida dessa família que faz parte da história do nosso país” e continua: “Durante a realização do festival, muitas pessoas passam pela cidade, e a exposição foi mais uma opção cultural para moradores e visitantes. Foi uma oportunidade única, principalmente para os moradores da região, já que outras exposições como essa ficam disponíveis somente no Rio de Janeiro ou em Petrópolis”. A exposição contou com mais de 100 objetos, como telas, fotos, objetos pessoais, porcelanas, documentos históricos, recortes de jornais, entre outros elementos que ajudam a contar os acontecimentos marcantes da história da Família Imperial. Um dos destaques da mostra é a árvore genealógica com a apresentação da família até os dias de hoje.

Cultura Imperial
Vassouras abre Exposição sobre a Família Imperial do Brasil
Durante o “Festival do Vale do Café”, em julho de 2011, a cidade de Vassouras, dos tempos dos barões do café, abrigou uma exposição sobre a Família Imperial do Brasil, com objetos da época do Imperador Dom Pedro I até os dias atuais.

Quadros e pertences da Família Imperial. A exposição foi um sucesso e possibilitou o conhecimento de muitas pessoas
Alguns objetos que compuseram a exposição foram produzidos pelos próprios Príncipes, Dom Antônio e Dona Maria Gabriela. O Príncipe é responsável por quadros feitos em aquarela e fotografias. Já sua irmã, Dona Maria Gabriela, assume a autoria de diversos quadros e porcelanas pintadas à mão. A mostra foi inaugurada na presença dos Príncipes Dom Antonio e Dom Bertrand e da Princesa Dona Maria Gabriela. Fonte e fotos: “Diário do Vale”

Porcelanas e objetos pintados a mão
Sabidamente, a Família Imperial possui vínculos fortes com aquela cidade onde viveram por anos. A Câmara Municipal idealizou a exposição e contou com o apoio dos Príncipes, conforme conta Soraia Costa, assessora de imprensa da

Condessa de Paris: 100 anos
Madame, a Condessa de Paris, nascida Dona Isabel de
Orleans e Bragança, é homenageada em seu centenário
Completaria 100 anos de nascimento, no dia 13 de agosto de 2011, a falecida Condessa de Paris. Nascida Dona Isabel Maria Amélia Luísa Vitória Teresa Joana Miguela Gabriela Rafaela Gonzaga de Orleans e Bragança e Dobrzensky de Dobrzenicz, Princesa de Orleans e Bragança, em 13 de agosto de 2011, era filha de Dom Pedro de Alcântara e da Condessa Dona Maria Elisabeth Dobrzensky de Dobrzenicz. Condessa de Paris por casamento em 8 de abril de 1931, esposando Henri, Herdeiro do Trono francês, seria ela, se a Monarquia ainda fosse a forma de governo, a Rainha da França. Do seu casamento nasceram 12 filhos, 39 netos e 91 bisnetos. Dona Isabel nasceu no exílio da Família Imperial do Brasil, na França, partindo de lá, pelo casamento, também para o exílio, desta vez o da Família Real da França, revogado apenas em 1950. Ao lado do marido desenvolveu importantes trabalhos em favor do partido orleanista francês, mantendo vida social ativa e contato com monarquistas franceses e brasileiros. Autora de livros biográficos, a Condessa de Paris era conhecida por sua elegância e fineza. Reconhecida como uma das grandes matriarcas do Gotha, era na juventude, uma das mulheres mais bonitas da época. A forte presença de espírito, caráter, altivez e postura, fizeram da Condessa de Paris, mesmo na república francesa, uma Rainha. Seu falecido primo, S.A.I.R., o Príncipe Dom Pedro Henrique de Orleans e Bragança, Chefe da Casa Imperial do Brasil (de 1922 a 1981), com quem passou toda sua infância em alegres momentos e a quem a Princesa convidou para ser padrinho de casamento, completou 100 anos em 2009.

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As últimas notícias da onarquia no mundo
CASAMENTOS

Casamento do Príncipe
William de Gales e Catherine Middleton

Duque e Duquesa de Cambridge

Casaram-se me 29 de abril de 2011, o Príncipe Willian de Gales com Catherine Mi ddleton. O Príncipe Willian é o terceiro na linha de sucessão ao trono britânico, sendo aguardado como futuro Rei do Reino Unido da Grã-Bretanha. Na noite anterior ao casamento, a Rainha Elisabeth II ofereceu um jantar em homenagem aos noivos, para a Realeza e a Nobreza convidadas para o casamento. Mais de 1900 pessoas compareceram a Abadia de Westminster para celebrar a união. Nas ruas de Londres mais de 2,5 milhões de pessoas se acumularam para festejar juntamente com a Família Real. No Brasil, mais 45 publicações tiveram estampas em sua capa, o rosto dos noivos. Rede Globo, Bandeirantes, SBT e outras três emissoras brasileiras mostraram ao vivo o casamento. Atualmente, apenas 13% dos britânicos são a favor da troca de sistema de governo, sendo que 2,4% destes 13% são a favor da república presidencialista, forma de governo adotada pelo Brasil após a queda da Monarquia no país. Não é por acaso que a milenar Monarquia Inglesa os faz potência ininterruptamente há mais de dois séculos.

Casamento do Príncipe
Albert de Mônaco e Charlene Wittstock

Príncipe e Princesa de Mônaco

No dia 2 de julho de 2011, o Príncipe Albert de Mônaco casou-se com a exnadadora Charlene Wittstock.
O Principado europeu festejou a união juntamente com inúmeros membros do Gotha vindos do mundo inteiro.

Numerosos cidadãos do Lude, personalidades e autoridades locais participaram na manhã do dia 16 de julho de 2011, do casamento, na Igreja de São Vicente, de Marie-Adelaide de Nicolay, filha do Conselheiro Geral Louis-Jean de Nicolay e de Barbara Nicolay, Conde e Condessa de Nicolay, com o Conde Charles-Antoine de Liedekerke. A cerimônia religiosa foi celebrada pelo Padre Raoul Nègre. Na parte da tarde, nos jardins, os convidados descobriram as atrações do parque do castelo, bem como os salões, a biblioteca, suas dependências, seu parque e as belezas do Loire. A cerimônia contou com a presença de inúmeros membros da Família Imperial Brasileira. A noiva é neta da Princesa Dona Pia Maria, falecida em 2000, irmã de Dom Pedro Henrique de Orleans e Bragança, Chefe da Casa Imperial do Brasil de 1921 à 1981. A notícia do noivado e do casamento foi dada com exclusividade, no Brasil, pelo Blog Monarquia Já e reproduzida no Anuário Fotos e base textual: Ouestfrance.fr e Monarquia Já de 2010.

Conde e Condessa de Liedekerke

Marie-Adelaide e Charles- Antoine

Casamento de

Príncipe Jorge Frederico da Prússia com a Princesa Sofia de Isemburgo

Casamento do

Herdeiros do Trono da Prússia e Alemanha

Grandioso! Este é o termo correto para qualificar o casamento, ocorrido em 27 de agosto de 2011, do Herdeiro do Trono da Prússia e da Alemanha com a Princesa de Isenburgo. A Europa acostumada a estes grandes eventos de pompa, viu-se monárquica para o enlace matrimonial que teve lugar em Potsdam, com a presença de 700 convidados, entre eles os Chefes das Casas Reais de Portugal, Baviera, Duas-Sícilias; da Casa Imperial da Russia; das Casas Grã-Ducais de Hesse e Baden e os Príncipes Herdeiros de Saxe-CoburgoGotha e Romênia, entre outros.
No detalhe: o Conde Alexander e a Condessa Dona Isabel, nascida Princesa de Orleans e Bragança no casamento dos amigos, o Príncipe Jorge Frederico e a Princesa Sofia.

Fotos: divulgação

Foto: IDII

A Princesa Sofia no casamento de Dona Isabel com o Conde Alexander, em 2009, no Rio de Janeiro.

NASCIMENTOS

Duques de Vendôme
Foto: site Prince Jean de France

Duques d Anjou
Foto: site Duc d’ Anjou

O ano novo será especial para o Gotha no mundo. O Duque e a Duquesa de Vendôme, Príncipe Jean e Princesa Philomena da França, esperam pelo seu segundo filho, que nascerá em janeiro de 2012. Já o Duque d’ Anjou e a Duquesa do Cadaval, Príncipe Charles Philippe e Princesa Diana d’Orleans, esperam o primogênito ou primogênita para fevereiro de 2012.

e Cadaval

FALECIMENTOS
Faleceu em 4 de julho de 2011, o Arquiduque Otto de Habsburgo, grande líder carismático, um dos mais lúcidos defensores da monarquia no mundo.

O Arquiduque Otto nasceu em 20 de novembro de 1912. Filho do Beato Imperador Carlos da Áustria, ultimo Imperador da Áustria e Rei da Hungria, e de Zita de Bourbon-Parma, também em processo de beatificação pela Igreja Católica. Em 1918, seu pai foi deposto e forçado a partir para o exílio na Ilha da Madeira, onde faleceu. Aos dez anos de idade o arquiduque assumiu a pretensão ao Trono, condição que conservou até 2007, quando renunciou em f avor do filho mais velho, o Arquiduque Carlos. O Arquiduque Otto era formado em Ciências Políticas e Ciências Políticas, participou ativ amente da vida política europeia. Era casado com a falecida Arquiduquesa Regina, nascida Princesa de Saxe-Meiningen e Hildburghausen, deixou 7 filhos e 22 netos.

Faleceu no México, em setembro de 2011, aos 95 anos, o último filho vivo do Beato Imperador Carlos da Áustria e da Bem Aventurada Imperatriz Zita.
O Arquiduque Felix era viúvo da Princesa Eugênia Anna de Arenberg, falecida em 1997. Deixa 7 filhos, 26 netos e bisnetos.

Faleceu em 12 de setembro de 2011, o Príncipe Rasso da Baviera, o irmão mais moço da saudosa Princesa Dona Maria, de jure Imperatriz Mãe do Brasil.

Nascido Rasso Maximilian Rupprecht Prinz von Bayern em 24 de maio de 1926, casouse em 17 de outubro de 1955 com a Arquiduquesa Theresa da Áustria, tendo deste casamento sete filhos, 28 netos e bisnetos. Entre suas filhas está a Princesa Gisela, esposa do Príncipe Alexander de Saxe-Gessaphe - Herdeiro do Trono da Saxônia - que recentemente se encontrou com o Príncipe Dom Luiz de Orleans e Bragança. Com a morte do Príncipe Rasso, dos irmãos da Princesa Dona Maria, apenas a Princesa Dorothea, Arquiduquesa da Áustria por casamento, está viva.

Faleceu em 22 de novembro de 2011, a Duquesa Elisabeth de Hohenberg. Nascida Princesa de Luxemburgo, Nassau e Parma, era filha da Grã-Duquesa Charlotte do Luxemburgo e do Príncipe Félix de Bourbon-Parma. Casou-se em 9 de maio de 1956 com Franz, Duque de Hohenberg, falecido em 1977, com quem teve duas filhas.
A Duquesa de Hohenberg é madrinha da Princesa Dona Christine de Orleans e Bragança, filha de sua irmã, a Princesa Alix de Ligne.

Casamento de Dona Maria Elisabeth de Orleans e Bragança com Pablo Trindade
O casamento da neta de Dom Pedro Henrique de Orleans e Bragança reúne a Família Imperial e amigos no Rio de Janeiro
Celebrado às 17h de 6 de agosto de 2011, na Igreja de Nossa Senhora da Gloria do Outeiro, o casamento de Dona Maria Elisabeth com Pablo Trindade. Dona Maria Elisabeth é filha do Príncipe Dom Francisco e da Princesa Dona Claudia de Orleans e Bragança. A cerimônia celebrada pelo Padre Jorjão, foi assistida por cerca de 600 pessoas. Compareceram quase a totalidade dos membros da Família Imperial e também os membros de Famílias nobres aparentadas da Europa, como os Nicolay e os d’ Ursel, além, é claro, dos Ligne. Entre os padrinhos da noiva, os primos, Dom Pedro Alberto (filho de Dom Alberto) e Dona Maria da Gloria (filha de Dom Fernando) e Dom Rafael e a Princesa Alix de Ligne. Ao término do casamento, no adro do Outeiro, reuniram-se os convidados para as fotografias, seguindo logo para o Alto da Boa Vista, onde a família de Dona Claudia, os Godinho, possuem um palacete.

Os 80 anos do Cristo Redentor
Símbolo da fé dos brasileiros completa seus 80 anos com grande cerimônia assistida por representantes da Família Imperial do Brasil
O maior símbolo carioca, para não dizer do Brasil, o Cristo Redentor, completou 80 anos, em outubro de 2011. Com a pedra fundamental lançada pela Princesa Imperial Viúva, a Princesa Dona Maria Pia de Orleans e Bragança, o monumento completa 80 anos com a presença de Dona Christine e Dom Antonio de Orleans e Bragança, numa celebração presidida por Dom Orani João Tempesta, Arcebispo Metropolitano de São Sebastião do Rio de Janeiro e demais religiosos. O Príncipe Dom Antonio declarou a jornalistas e ao público presente: "Tenham fé, creiam em Deus, porque Ele fará maravilhas a esse povo abençoado".

Dona Maria Teresa de Orleans e Bragança apoia projeto social que preserva a cultura e as tradições brasileiras em outros países
A Princesa Dona Maria Teresa de Orleans e Bragança, irmã do Chefe da Casa Imperial do Brasil, o Príncipe Dom Luiz, participou do projeto Alecrim que busca incentivar a preservação da cultura e das tradições do Brasil para brasileiros que escolheram outro país para morar. O projeto é focado nas crianças, com apresentações lúdicas e pedagógicas. Neste interim a Princesa brasileira que mora na Bélgica, foi convidada a contar a História de Dom Pedro I, seu tetravô para os pequenos brasileiros que fazem parte do projeto Alecrim em Bruxelas.
Fonte: Projeto Alecrim/Bélgica

Fotos: Canção Nova

Lançamentos
Confira os últimos lançamentos literários do mundo monárquico.
Em seu segundo livro, lançado em maio de 2011, a Duquesa Diana de Cadaval aborda a vida da Princesa Maria Francisca de Sabóia.
A revista Caras Portugal destaca: “O novo romance histórico de Diana de Cadaval foi apresentado no Museu Nacional de Arte Antiga por André Gonçalves Pereira, que elogiou o trabalho da autora que se estreou com um livro sobre D. Maria Pia. ‘Este livro é muito mais interessante do que o primeiro, até porque Maria Francisca de Sabóia é mais importante do que D. Maria Pia. Há um grande progresso na escrita e este é um género particularmente exigente, pois não é exatamente um romance, nem puramente uma história.’”

Diz a sinopse a obra, por Esfera dos Livros: “Enquanto a Europa era devastada por uma guerra cruel e mortífera, Portugal, país neutral, torna-se num destino apetecível para milhares de refugiados que procuram fugir dos horrores da ameaça nazi. Entre estes estão príncipes, reis sem coroa e membros das grandes monarquias europeias que encontram em Portugal um refúgio real”. Assim o Príncipe Charles Philippe d’ Orleans, Duque d’ Anjou conta a história de membros da realeza do mundo inteiro que procuraram Portugal para fixar residência, depois de serem perseguidos em suas terras. Quando ouvia as histórias de sua avó, Madame a Condessa de Paris, Dona Isabel de Orleans e Bragança, o Duque d’ Anjou aproveitava para criar as bases de seu livro. Todas as minucias do Gotha exiliado, da vida de Reis e Rainhas vivendo no ambiente familiar, entre alegrias e tristezas, nascimentos e mortes, estão no livro Reis no Exílio – Portugal, Refúgio Real.

Conforme a sinopse da Ambiente e Costumes Editora, a obra é “uma biografia de oito princesas europeias que, por casamento, tiveram de viver longe de suas pátrias. Uma delas, a Imperatriz Leopoldina, do Brasil. A autora, Princesa Michael de Kent, casada com um primo-irmão da rainha da Inglaterra, pesquisou a vida de Catarina Grande da Rússia, Maria Antonieta de França, Maria Carolina de Nápoles, Maria Leopoldina do Brasil, Eugênia de Montijo da França, Vitória da Alemanha (filha da rainha Vitória), Alexandra, rainha da Inglaterra e Maria Feodorovna, czarina da Rússia para publicar este livro.” Triunfo, tragédia, paixão e poder na vida de oito Princesas estrangeiras. A Princesa Michel de Kent veio ao Brasil especialmente para o lançamento deste livro.

100 anos do casamento do Beato Carlos da Seva de Deus Zita da Áustria

O centenário da união abençoada
os auspícios da tradição monárquica e da fé católica, tendo contato fraterno com diversas ordens religiosas – sobretudo com a beneditina, a Imperatriz Zita era membro de uma família peculiar, tendo 23 irmãos, entre eles 6 excepcionais. Seu pai foi o último Duque Soberano de Parma. Em 1911, precisamente a 21 de outubro, as vidas do então Arquiduque Carlos e da Princesa Zita se entrelaçaram, formando o casal exemplo de vida e fé que hoje reúne milhares de devotos. O casamento de primos Carlos e Zita foi festejado e querido por todos (tendo inclusive a presença do Príncipe Dom Luiz e da Princesa Dona Maria Pia de Orleans e Bragança, Príncipe e Princesa Imperais do Brasil). Em 24 de junho de 1911, portanto antes do casamento, e até antes mesmo de Carlos se tornar o Herdeiro Presuntivo, Zita foi recebida por São Pio X, Papa da época, que lhe concedeu audiência particular onde revelou: “Vossa Alteza vai se casar com o Herdeiro do Trono. Desejo-lhe, então, a plenitude das bênçãos. E eu me alegro infinitamente com isso, pois Carlos é um presente do céu por tudo o que a Áustria fez pela Igreja”. A então Princesa, perturbada com as revelações, pensou em contrariar Sua Santidade e afirmar que o Arquiduque Carlos não era o Herdeiro, contudo respeitou a colocação do Santo Padre. Na verdade, as sábias

&

Um casal que muito tem a ver com a Família Imperial Brasileira, seja pelo parentesco ou pela recente notícia da sugestão do início do processo de beatificação de Dona Isabel, o Imperador Carlos da Áustria – Beato da Igreja – e a Imperatriz Zita – Serva de Deus, completou, no último dia 21 de outubro, 100 anos de união, data em que a Santa Sé determinou como sendo a festiva do Beato Carlos. Um casal unido no amor, nos valores familiares, na vida de Estado, mas principalmente na fé cristã. Ele, nascido em 1887, na Áustria, filho do Arquiduque Otto e da Arquiduquesa Maria Josefa, o Beato Carlos era sobrinho de Francisco José, Imperador da Áustria e Rei da Hungria. Nasceu afastado da linha de sucessão, pois o Imperador, seu tio, possuía descendência que lhe garantia continuidade, contudo o Império dos Habsburgo se viu transtornado pelas tragédias que culminaram na I Grande Guerra, fazendo com que mais tarde Carlos fosse Imperador. O Arquiduque Herdeiro Francisco Ferdinando foi assassinado e o Arquiduque Carlos passou a ser o Herdeiro Presuntivo do Trono. Fez carreira militar e desde criança já era conhecido pela boa educação e dedicação ao próximo. Ela, nascida em 1892 na Toscana, filha do Duque Roberto de Parma e da Duquesa Maria Antonia de Bragança, educada privativamente sob

palavras de São Pio X foram profecias sobre o futuro do casal e a confirmação do que Carlos representava através de sua bondade e fé, um presente para a Áustria. O casal teve oito filhos, os Arquiduques: Otto, Adelaide, Roberto, Felix, Carlos Luís, Rodolfo, Carlota e Elisabete. Em 21 de novembro de 1916, Carlos tornou-se, com o falecimento do tio, Imperador da Áustria e a 30 de novembro do mesmo ano, Rei da Hungria, seus títulos eram: Sua Majestade Imperial, Real e Apostólica Carlos I, pela Graça de Deus, Imperador da Áustria, Rei Apostólico da Hungria, quarto de seu nome, Rei da Boêmia, Dalmácia, Croácia, Eslovénia e Galícia, Lodomeria e Ilíria; Rei de Jerusalém, etc... Arquiduque da Áustria, Grão Duque de Toscana e Cracóvia, Duque de Lorena e Salzburgo, de Estiria, Caríntia, Carniola e Bucovina; Grão Príncipe da Transilvânia; Margrave da Morávia; Duque da Alta e da Baixa Silésia, de Módena, Parma, Piacenza e Guastalla, de Auschwitz e Zator, de Teschen, Friuli, Ragusa e Zara; conde de Habsburgo e Tirol, de Kyburg, Gorízia e Gradisca; Príncipe de Trento e Brixen; Margrave da Alta e da Baixa Lusacia e da Ístria; Conde de Hohenems, Feldkirch, Bregenz, Sonnenberg, etc...; Senhor de Trieste, de Cattaro, e de Marca Wendia; Grão Voivoda da Sérvia, etc. e, consequentemente, Zita se torna a Imperatriz e Rainha.

Foram dois anos de reinando, onde o Imperador pode provar das mais tristes realidades no governo. No auge da I Grande Guerra, o Imperador Carlos preocupou-se avidamente em solucionar a problemática, arquitetando secretos tratados de Paz com governos europeus, no entanto não obteve êxito. Enquanto seu marido se preocupava em acabar com a terrível guerra, a Imperatriz Zita cuidava em assistir os desvalidos. Criou, para tanto, obras de caridades subsidiadas por ela mesma e por amigos valorosos. Sob a voz do nacionalismo, pressionado por alguns, o Imperador Carlos teve de deixar seus sonhos de restauração da dignidade do Império Austro-húngaro e em 11 de novembro de 1818 renunciou sem abdicar do Trono. O Imperador e a Família se recolheram em uma propriedade em Viena e logo depois foram banidos, passando pela Suíça e depois indo viver na Ilha da Madeira. Neste período com sete dos oito filhos (a Imperatriz estava grávida do oitavo), passaram por toda a privação possível, desde a escassa comida até o frio intenso. Sem recursos necessários para se hospedarem em hotéis, foi lhes emprestada uma casa e pelo relato da camareira da Imperatriz, pode se ver o quão grande era sacrificante a vida que levavam: “Na verdade, não tivemos senão três dias com sol. Durante o resto do tempo, sempre chuva, nevoeiro e umidade. Faz frio nestas montanhas. Aqui, não temos luz elétrica; água corrente, apenas no primeiro andar e na cozinha, que fica na parte térrea da casa (...). Para aquecimento, temos apenas lenha verde que fumega constantemente. Só podemos lavar

a roupa com água fria e sabão. (...) A casa é tão úmida que cheira a mofo e pode-se ver o hálito da respiração de cada um. Os únicos meios de transporte são os carros ou os bois, mas não podemos pagar a nenhum deles. Além disso, existe também um funicular, que não funciona todos os dias. A pé não se pode descer do Monte, pois seria necessário quase que um dia inteiro para voltar. O pobre Imperador não pode ter carne à mesa para o jantar, mas somente legumes e alguma sobremesa. É o que nos causa maior pena. Para nós, isso não tem problema, não nos faz falta. Mas para eles... não têm sequer o suficiente para comer. (...) O pior de tudo é que Sua Majestade deve ter seu bebê no mês de maio e não há planos de chamar nem uma parteira, nem um médico para assistila. Por aqui, há apenas uma pajem de crianças, mas sem a necessária experiência. Então, não teremos sequer uma parteira preparada. Com relação a isso, estou desesperada. Escrevo sem que Sua Majestade o saiba, mas não posso suportar que se deixe aqui, por mais tempo, numa casa de todo precária, estas duas inocentes criaturas. É preciso protestar! Suas Majestades não o farão e, sem dizer uma só palavra, deixar-se-iam encerrar no buraco de uma adega, a pão e água, se isso lhes fosse exigido. Em nossa capela, crescem fungos nas paredes e seria impossível ficar nos quartos caso não se mantivesse o fogo aceso nas lareiras. É lógico que nos ajudamos reciprocamente o mais que podemos! Contudo, algumas vezes, temos vontade de desanimar, mas quando vemos com que paciência

Suas Majestades suportam tudo isso, também nos resignamos e vamos em frente”. Ainda na Ilha da Madeira, o Imperador contraiu um grave resfriado que acabou por vitimá-lo fatalmente. O Imperador contava então com a idade de 34 anos e a Imperatriz com a idade de 30, levando o luto por 67 anos. Da Madeira, a Imperatriz mudou-se para a Espanha e outros países da Europa, onde teria apoio familiar. Após a morte do Imperador Carlos, a Imperatriz viu-se obrigada a assumir a Regência em nome do filho, o Arquiduque Otto. Ainda por este motivo lutou incessantemente tanto no lado social quanto no lado político para o bem da Áustria e Hungria. Na Europa, a Imperatriz Zita recebeu parte dos diretos e rendimentos dos bens confiscados, podendo oferecer o necessário para toda a Família Habsburgo e para os que a acompanhavam, no entanto, a Imperatriz usava a maior parte destes recursos em doações para seu povo, pois a Grande Guerra fez muitos mortos, feridos e órfãos. Indo para o Canadá, vivendo lá por cerca de 10 anos, hospedada em casa das Irmãs de Santa Joana D’Arc, a Imperatriz percorreu os Estados Unidos em conferências religiosas, numa peregrinação resignada e admirável, com vistas a angariar doações para seu povo. Para tanto teve a ajuda das filhas e da mãe, que auxiliavam na separação, classificação e empacotamento das doações. Em 1948, a Imperatriz ganha uma residência de presente dos filhos

em Nova York, nesta mesma época os EUA estavam planejando cessar a ajuda enviada a Áustria, ocasião em que a Imperatriz reuniu cerca de 50 esposas de senadores americanos, numa tentativa de expor a realidade de seu povo. A iniciativa surtiu efeito e os EUA mantiveram a ajuda. Em 1953, Zita retorna a Europa, desta vez para assumir novo compromisso, como sempre de doação e compaixão. Retornou a Europa para cuidar de sua mãe, a Duquesa Maria Antonia que estava bastante idosa, neste período ficando hospedada no Castelo de Berg, residência de sua cunhada e irmão, a Grã-Duquesa Carlota do Luxemburgo e o Príncipe Consorte Felix (seu irmão). Em 1959, a Duquesa Maria Antonia faleceu e a Imperatriz Zita foi proibida de assistir seu sepultamento, ocorrido no Castelo de Puchheim, de propriedade dos Bourbon-Parma, na Alta Áustria. Após muitos anos em que a providência lhe encaminhou para vários destinos, sempre pela caridade e doação, a Imperatriz sentiu a necessidade de buscar um ponto fixo, uma residência sua, onde pudesse descansar. Escolheu Zizers, no Cantão dos Grisões, na Suíça, perto de todos os centros que lhe detinham especial atenção. Lá tinha uma rotina religiosa intensa: três missas por dia, recitação do terço e orações ao Santo do dia. Recebia visitas e empreendia viagens como à Terra Santa e ao Vaticano e, também, visitas aos filhos. Em 1982 o Supremo Tribunal de Justiça Administrativa da Áustria revogou o banimento da Imperatriz

Zita, concluindo que foram injustos os seus anos de exílio, pois tal banimento era específico para os Habsburgo, a Imperatriz o era apenas por casamento e não por nascimento. Teve então o banimento revogado e retornou a Áustria triunfalmente participando de uma missa com mais de 20.000 expectadores na Catedral de Santo Estevão. Faleceu a 14 de março de 1989, já sem visão e com reduzida mobilidade, quando ela mesma afirmava esperar serenamente sua morte para ir ao encontro do marido. Assim foi a vida deste casal já santo nos corações de seu povo e nos de muitos fieis por todo o mundo. É de se destacar toda a vida e obra de Carlos e Zita, que mesmo depois da morte foram inseparáveis. O processo de beatificação do Imperador Carlos iniciou-se em 1949, sendo beatificado, por S.S. o Papa João Paulo II em 2004, tendo o Brasil contribuído circunstancialmente para tanto, pois foi em solo brasileiro em que se deu o primeiro milagre comprovado do Beato Carlos. Atribui-se a ele a cura da Irmã Maria Zita Gradowska, vicentina polonesa, radicada no Brasil desde 1927. Vítima de grave enfermidade nas pernas, tendo desde muito jovem procurado a cura através de médicos e tratamentos, só a teve em 1960, por milagre do Beato Carlos.

Missas foram celebrados no Rio de Janeiro e em São Paulo, bem como na Áustria e demais países onde há significativa concentração de fiéis, pelos 100 anos do casamento. E como muito bem disse o Abade Emérito do Mosteiro de São Bento do Rio de Janeiro, Dom José Palmeiro Mendes, que celebrou Santa Missa por esta intenção, citando a antífona da comunhão: “bemaventurados os corações puros, porque verão a Deus. Bemaventurados os que constroem a paz, porque serão chamados filhos de Deus. Bem-aventurados os que são perseguidos por causa da justiça, porque deles é o reino do céu”. Palavras que muito bem traduzem a passagem do Imperador Carlos e da Imperatriz Zita pela terra. Para a divulgação em prol da canonização do Beato Carlos da Áustria foi composto o sítio eletrônico http://emperorcharles.org/Portugu ese/steps.shtml e pela beatificação da Serva de Deus Zita o sítio http://www.beatificationimperatricezita.org/pages/portugues/fotografias .php.

A Imperatriz Zita teve seu processo de beatificação aberto em 2009, podendo, desde então, ser chamada de Serva de Deus. Em imagem da LUCE, vê-se Dom Luiz, o Príncipe Perfeito no casamento. A Princesa Dona Maria Pia também compareceu ao casamento, acompanhando o marido.

Renovação na Família Imperial
No ano em que completou 80 anos, Dom Carlos Tasso de Saxe-Coburgo e Bragança ganha mais dois netos
A Família Imperial do Brasil foi renovada com a chegada de mais 2 netos de Dom Carlos Tasso de SaxeCoburgo e Bragança. Além dos pequenos Dom Eudes e Dona Valentina, netos do Príncipe Dom Eudes de Orleans e Bragança, nascidos em junho de 2011, Dom Antonio e Dom Afonso Carlos Tasso de SaxeCoburgo e Bragança tiveram 2 filhos, Dona Leopoldina e Dom Taddeo Augusto, respectivamente. Os pais dos pequenos Principezinhos moram na Europa, mas conservam grande apreço pelas coisas do Brasil. O avô, Dom Carlos é reconhecido pelo amor e dedicação à história e as tradições brasileiras. Descendente da segunda filha do Imperador Dom Pedro II, a Princesa Dona Leopoldina (casada com o Príncipe Luiz Augusto, Duque de Saxe), Dom Carlos é autor de vários livros e artigos sobre o passado e o futuro do Brasil. Com 80 anos recém completados, Dom Carlos é um expoente de grande valor na Família Imperial Brasileira. Único em seus conhecimentos e história de vida, tem em suas veias o sangue da Família Imperial do Brasil e infinito amor pela terra de seus antepassados.

Noivado da Princesa Paola de Sapieha-Rozanski
A Princesa Dona Cristina Maria de Bourbon e Orleans e Bragança (prima de Dom Luiz, Chefe da Casa Imperial do Brasil) e o Príncipe Jan Pavel de Sapieha-Rozanski anunciaram recentemente o noivado de sua filha, a Princesa Paola de Sapieha-Rozanski, com o Príncipe Constantin Czetwertynski, nascido na Bélgica, residente em São Paulo, descendente de uma nobre família da Europa Centro-Oriental conhecida desde 1113. O Casamento será em 2012, na Catedral de São Pedro de Alcântara, em Petrópolis.

Em 14 de novembro de 2011, completou-se o 90º ano de falecimento da Princesa Dona Isabel
Artigo do Professor Hermes Rodrigues Nery
“A liberdade verdadeira e desejável é a que, na ordem individual, não deixa o homem escravo nem dos erros, nem das paixões, que são os seus piores tiranos; e na ordem pública traça regras sábias aos cidadãos, facilita largamente o incremento do bem-estar e preserva do arbítrio de outrem a coisa pública. Essa liberdade honesta e digna do homem, a Igreja a aprova ao mais alto ponto, e, para garantir aos povos o firme e integral gozo dela, nunca cessou de lutar e de combater.” Papa Leão XIII, Encíclica “Immortale Dei – Sobre a Constituição Cristã dos Estados”, 1885. Há 90 anos, em 14 de novembro de 1921, morreu a princesa Isabel, distante do Brasil que tanto amava, no mais penoso e longo exílio impingido a um governante brasileiro, numa página de dor em nossa história que ainda hoje comove aos que estudam com seriedade os documentos há tanto tempo esquecidos e evitados por aqueles que a detrataram e procuraram diminuir a importância de sua vida, de inequívocas virtudes heróicas e cívicas, que honrou o primeiro posto desta Nação. D. Isabel Cristina de Orléans e Bragança foi uma das que melhor compreenderam a alma do povo brasileiro, por isso foi tão querida no tempo em que governou, e não fraquejou em tomar decisões acertadas e corajosas, de feliz memória, dentre elas a que culminou no 13 de maio de 1888, com a abolição da escravatura em nosso País. Destinada a dirigir os destinos da Nação (de personalidade forte e resoluta, mas humaníssima em sua compaixão pelos sofredores); preparou-se como nunca antes outra autoridade política havia cuidado com tanto zelo em corresponder aos desafios e as incumbências do governo. Ao contrário do avô e do pai, afetados por uma infância de tão grandes turbulências, a princesa Isabel teve ambiente propício para desenvolver seus talentos e assumir seu imperativo vocacional. Não apenas com dedicação aos estudos, mas ainda com percepção aguda dos problemas do seu tempo, desejando dar ao Brasil soluções sociais pautadas em princípios e valores humanos e cristãos. A sua fé – catolicíssima – deu-lhe força para fazer com alegria tudo o que empreendia (como mãe e esposa exemplar, como filha e amiga leal, como governante mulher) e a confortou nas horas de amargura, que não foram poucas. Sofreu as angústias de ver o Brasil em guerra externa, com o risco de tornar-se viúva, ainda recémcasada, ou ter de ser forçada ao arranjo nupcial urdido pelo ditador paraguaio Solano Lopez. Pesou-lhe tanto a pressão de grandes proprietários rurais, que resistiram e dificultaram a aprovação da libertação dos escravos, criando obstáculos no parlamento, ameaças e um temor infundado de desestabilização social. Foi preciso então agir com sabedoria, mas de modo perseverante, para ver bem sucedido o movimento abolicionista. Desde 1810 o Brasil comprometera-se em acabar com a escravidão, mas o processo político não foi fácil, porque era preciso preparar o País para tão significativa mudança. O movimento foi lento e gradual, exigiu mobilização e prudência, mas que poderia ser postergado ainda mais, não fosse a precisão decisória da princesa em seus períodos de regência, que tudo fez para que a vitória do abolicionismo fosse obtida pela via institucional, e sem derramamento de sangue. Com a Lei Áurea, a princesa Isabel visava não apenas assinar o fim da escravidão, mas preparar os meios concretos de indenização e suporte social para oferecer aos libertos, condições de dignidade para o exercício da liberdade, com acesso a educação e o trabalho com justa remuneração. Atestam os historiadores a visão de estadista da princesa Isabel, que não viu acontecer por completo seu projeto de promoção social do povo brasileiro, especialmente os libertados pela Lei Áurea, porque tal relevante iniciativa foi solapada pelos republicanos positivistas, que temiam o 3º Reinado tendo à frente uma mulher de tão profundas convicções cristãs. Pois justamente o catolicismo da princesa Isabel (e sua atuação pública e pessoal coerente com a doutrina social e moral da Igreja) levou os republicanos a forçarem a quartelada de Deodoro e ao cruel banimento (exigindo que ela e sua família deixassem o País em 24 horas), exílio este que se prolongou por 32 anos, até a sua morte. O fato é que, apesar do patrulhamento ideológico e a conspiração do silêncio por mais de um século, a princesa Isabel não está no inteiro esquecimento, pelo contrário, seu nome ressoa luminoso em nossa história. O nevoeiro ideológico que a vitimou ao pior dos ostracismos, parece agora começar a ser dissipado, especialmente quando a Arquidiocese do Rio de Janeiro recebeu oficialmente, no mês passado, o pedido para a abertura do seu processo de beatificação. Isso comprova que a Princesa Isabel haverá de perdurar como estrela fulgurante no coração dos brasileiros, ad eternum.

90 Anos de falecimento

Princesa Dona Isabel

Princesa Dona Isabel: os primeiros passos para a beatificação
Neste ano de 2011, uma singular notícia chega aos brasileiros: o pedido de beatificação da Princesa Dona Isabel. Após 90 anos de seu falecimento, tendo a Princesa uma vida cheia de virtudes, foi encaminhado a Arquidiocese de São Sebastião do Rio de Janeiro, sendo entregue ao Arcebispo Dom Orani João Tempesta, carta de sugestão de encaminhamento do pedido de beatificação da Princesa Dona Isabel. O pedido é uma iniciativa do professor Hermes Rodrigues Nery, Coordenador da Comissão Diocesana em Defesa da Vida – Movimento Legislação e Vida / Diocese de Taubaté. Disposto a grandes e longas empreitadas o professor Hermes compôs o documento que foi entregue em audiência com Dom Orani, na presença do Príncipe Dom Antonio de Orleans e Bragança.
Em vídeo divulgado na internet, o Arcebispo Dom Orani João Tempesta declarou: “Eu recebi com muita alegria o pedido para que nós começássemos a estudar a possibilidade de encaminhamento da beatificação da Princesa Isabel. No Rio de Janeiro nós temos um vig ário episcopal para essa área, é o Dom Roberto. A ele entreguei todo esse pedido. Ele está encarregado de levar a diante esse e outros pedidos também… Já consultei o nosso coordenador arquidiocesano, nossos bispos auxiliares para dar prosseguimento. Nós vamos precisar de algumas licenças: de onde ela faleceu, onde está sepultada, para depois pedi rmos em Roma e abrirmos um processo. É um primeiro início. Vai haver também um estudo de sua vida, virtudes, para ser levado a diante. Mas com muita alegria tentamos responder a esse pedido que, se quiser a vontade de Deus, será bem encaminhado”.

Em novembro de 2011, em São Paulo, ocorreu o painel sobre a Catolicidade da Princesa Dona Isabel, ocasião em que palestraram o professor Hermes, o Príncipe Dom Bertrand e o sr. José Carlos Sepúlveda da Fonseca.

Sob coordenação de Dom Roberto Lopes, OSB, uma equipe de pessoas está sendo composta para os trabalhos pró beatificação. A equipe deve investigar a biografia da Princesa.
Em dezembro de 2011, em seu escritório na sede da Cúria Metropolitana, Dom Roberto Lopes recebeu o professor Hermes, Dom Antonio e dois religiosos italianos para tratar de assuntos relativos ao processo de beatificação.

“A Princesa Isabel é mesmo uma mulher Santa”
Professor Hermes Rodrigues Nery, responsável pelo pedido de beatificação da Princesa Dona Isabel, concede entrevista exclusiva ao Blog Monarquia Já
Quando muito se fala no pedido do início do processo de beatificação da Princesa Dona Isabel, o Blog Monarquia Já foi em busca de mais detalhes sobre o assunto. Pensando nisso procuramos o responsável pelo pedido junto a Arquidiocese de São Sebastião do Rio de Janeiro, o Professor Hermes Rodrigues Nery. Coordenador da Comissão Diocesana em Defesa da Vida e do Movimento Legislação e Vida, da Diocese de Taubaté (SP); professor de bioética (pós-graduado pela PUC-RJ, em curso promovido pela CNBB e Pontifícia Academia para a Vida); político, escritor e jornalista, o Professor Hermes é também vereador de São Bento do Sapucaí e, com exclusividade, concedeu entrevista ao Blog Monarquia Já. Entrevista abaixo transcrita. BMJ - Como surgiu a iniciativa de solicitar a beatificação da Princesa Dona Isabel à Arquidiocese do Rio de Jane iro? Prof. Hermes - Moro numa pequena cidade do Estado de São Paulo e como Presidente da Câmara Municipal de São Bento do Sapucaí (biênio 2009-2010) recuperei todas as atas antigas da Câmara, desejando obter subsídios para escrever a história do Município. Meus assessores disseram que a mais remota era de 1957, e que as demais estavam dispersas, perdidas, muitas delas numa enchente de 1945. Conversando com um e com outro, ex prefeitos, pessoas idosas, professores, etc., conseguimos localizar todas as atas originais, desde a primeira, de 1858. Contratei paleógrafos de Pindamonhangaba para transcrever especialmente o primeiro livro (até 1868), e fiquei admirado de constatar informações preciosas sobre o Segundo Reinado e entendi então que os docume ntos, na fonte, falam muito, iluminam bastante, sem crostas ideológicas. Pelas atas tomei conhecimento de que escravos alforriados foram lutar na Guerra do Paraguai e que na cidade havia um quilombo, que mais tarde daria o nome a um bairro do Município. Ao contrário do que pensava, nem todos os quilombos eram de escravos revoltosos, mas aquele, de modo especial, era de alforriados católicos muito devotos. Eu conhecia no bairro do Quilombo a dona Luzia, uma senhora de quase 80 anos, líder do bairro, e que todo ano mantinha a tradição da festa do 13 de maio. Fui conversar com ela a respeito das origens do bairro e ela me contou que aquele Quilombo era abençoado, porque aquela festa existia para homenagear uma santa. Fiquei impa ctado com aquela colocação e indaguei. Mas que santa? E ela me respondeu, com muita simplicidade e profunda emoção: a Princesa Isabel. Havia em sua fala, uma forte devoção e um sentimento de gratidão, havendo, sim, mais que um respeito tão grande, mas uma veneração. Naquele momento algo me chamou a atenção e me fez começar uma pesquisa mais aprofundada para entender o que ainda hoje, decorridos mais de um século, uma descendente de escravos reconhecia na Princesa Isabel sinais de santidade. Senti-me no dever de buscar uma bibliografia sobre a vida da Princesa Isabel, e após a lei tura da biografia escrita

Prof. Hermes em seu gabinete como vereador em São Bento do Sapucaí

por Hermes Vieira, comecei a entender que o sentimento da dona Luzia tinha fundamento. A história de vida da Princesa Isabel, por tudo o que ela viveu e sofreu, pelo tanto que ela amou o Brasil, especialmente a dor de seu longo exílio e tantos outros fatos, me fez crer que se tratava mesmo da história de vida de uma santa, mas muito pouco conhecida e aprofundada e que diante disso, precisávamos ter acesso aos arquivos, aos documentos, às suas inúmeras cartas, aos depoimentos dos que a conheceram, em vida, etc. E cada vez mais que tomava contato com algum novo documento, foi amadurecendo em mim a convicção de que a Princesa Isabel é mesmo uma mulher santa. Daí a motivação pelo pedido da abertura do processo de sua beatificação. BMJ - Quais são suas virtudes heroicas, em que se baseia o pedido? Prof. Hermes - Por ter uma personalidade forte e resoluta, a Princesa Isabel soube tomar decisões acertadas e corajosas, num momento histórico que requereu sabedoria e precisão decisória. Com isso, conseguiu efetivar a abolição da escravatura em nosso País, sem derramamento de sangue, sem sublevação e sem desordem pública. O que não aconteceu, por exemplo, nos Estados Unidos, cuja guerra de Secessão vitimou tantos, pela mesma causa. Ela não titubeou em anuir ao imperativo da História, pautada nos princípios e valores humanos e cristãos, pagando por isso um preço muito alto: a perda do trono e o mais cruel banimento sofrido por uma autoridade política em nosso País. Ela era uma pessoa alegre e cativante, gostava de festas, era culta e elegante, tocava piano e falava vários idiomas. Mas era uma alma simples e terna, muito compassiva para com os sofredores, e muito animada pela alegria de viver. Perdeu tudo o que havia se preparado em tantos anos, pois sabia que como futura Imperatriz, queria dar o bom exemplo de governante cristã. Mas o golpe do 15 de novembro, exigiu 24 horas para deixar o País, que nunca mais veria, até sua morte, 32 anos depois. Suas melhores virtudes cristãs foram afirmadas em seu penoso exílio, confiante em Deus, zelosa da família e dos deveres éticos e cívicos, soube sofrer os padecimentos com a mesma generosidade e dar o bom testemunho. Outros tantos dissabores e sofrimentos vieram nos anos de proscrição. O incêndio no Ca stelo d’Eu, em 1902, o flagelo da Primeira Grande Guerra (a quem acudiu a muitos, socorreu a tantos), a morte dos filhos, etc., até a aceitação de saber que nunca mais veria o Brasil, e as manhãs luminosas do Rio de Janeiro, sua cidade natal. E aceitou tantas dores (muitas delas injustíssimas) na confiança de Deus sempre providente. Por isso, foi provada na fé. BMJ - A Princesa Dona Isabel é conhecida por todos pela singular bondade, religiosidade e, principalmente, pela

ampla contribuição nas questões sociais, podendo ser citada sua magnanimidade ao abolir a escravidão do Brasil, ato almejado por seu avô e por seu pai, mas efetivado por ela. Dado os fatos, seria a Princesa Dona Isabel um grande vulto da História do Brasil, mas não propriamente uma santa? Prof. Hermes - Depois de estudos aprofundados, constatamos muitos fatos que dá á Princesa Isabel uma dimensão muito mais ampla, do que apenas de ter sido “um grande vulto na história do Brasil”. Ela fez muito mais não apenas para o Brasil, mas também para a Igreja. A sua adesão ao Evangelho foi autêntica e suas atitudes e decisões confirmaram o entendimento profundo que ela teve dos princípios e valores humanos e cristãos, vividos em todos os aspectos, tanto na vida pessoal quanto pública. A sua vida foi inteiramente de coerência e fidelidade ao Evangelho. Os depoimentos de todos os que a conheceram testemunham o seu vigor moral e cívico, alimentado por uma espiritualidade católica exemplar. Foram muitas as suas iniciativas em defesa da fé, numa época em que se gestava especialmente no continente europeu as ideologias anticristãs mais contundentes. Francisco Leme Lopes, S.J., reconhece, em seu texto “Isabel, a Católica” que o “13 de maio é em verdade a maior data da nossa história”. E destaca a Rosa de Ouro que ela recebeu do Papa Leão XIII, “insígnia que o Brasil receberia de novo mais de meio século depois para a Basílica da Virgem de Aparecida”, as três vezes em que ela esteve “na direção suprema do País”, e “empunhou com mão serena e hábil o cetro imperial”, promulgando duas importantes leis de reforma social, a do Ventre Livre (1871) e a Lei Áurea (1888). É da princesa Isabel também a petição assuncionista, datada de 8 de setembro de 1900, solicitando ao papa a declaração do dogma da Assunção de Nossa Senhora. No ano seguinte, em 13 de maio reforçou este pedido ao episcopado brasileiro, para que chegasse à Santa Sé esta sua súplica.

No exílio, trabalhou muito para defender a fé, escrevendo ao papa: “Longe de minha pátria, sinto-me feliz ao menos por trabalhar pelo que nela pode fortificar a fé”. Ainda é da princesa Isabel outro pedido ao papa, unindo-se á voz do episcopado brasileiro, em 1877, pela canonização de Anchieta. “Queira, pois Vossa Santidade resolver que é lícito aos católicos brasileiros venerarem em seus altares a imagem de tão santo varão”. Sua devoção mariana está expressa em diversos documentos: “Meu amor e devoção à Santíssima Virgem torna -me grato escrever. Justamente em 1908, festejar-se-á o jubileu de Nossa Senhora de Lourdes cujo santuário inúmeras vezes visitei com a maior emoção”. Lourenço Luís Lacombe conta de sua compaixão pelos sofredores, em carta datada de 7 de novembro de 1864: “Hoje, foi dia de limpeza da Igreja e deixamo-la muito bem arranjadinha pela manhã (...) Acabamos, há pouco, com a festa da Igreja. Perdoei 6 réus e comutei duas penas de morte. É uma das únicas atribuições de que gosto no tal poder!!!”. E depois da glória do 13 de maio, destacou Francisco Lemes: veio “a traição, o abandono, o exílio, a morte dos pais, o esquecimento, a ingratidão”. De maneira que há muitos registros e documentos, como também testemunhos tanto de sua época, como das décadas posteriores, da sua força moral e espiritual, que faz dela uma presença de bondade e amor de dimensão universal, cuja santidade certamente um dia será confirmada pela Igreja, para que ela seja elevada às honras dos altares, do mundo inteiro. BMJ - A Princesa Dona Isabel era mulher significativamente dedicada à Família, às causas dos descriminados, sofreu, depois de seu casamento, uma grave campanha difamatória por parte de políticos e homens de poder da época. Exilada na França, sabe-se que se dedicou também a assuntos do Brasil, à Família e à caridade, no entanto, pouco se sabe dos detalhes. Os relatos das netas, a Condessa de Paris – De todo meu coração, e da Condessa de Nicolaÿ – Minha Mãe, a Princesa Imperial viúva (tiragem familiar, acessível a poucos), ajudam a vislumbrar um pouco sobre o fim da vida da Princesa Dona Isabel. Além de cinco ou seis biografias da Princesa, dentre as quais apenas duas ou três são relevantes, o que se sabe efetivamente sobre sua história, sua vida, não se deve fazer uma grande pesquisa? Prof. Hermes - Estamos trabalhando nesse sentido, analisando os documentos, as suas inúmeras cartas, vários textos produzidos, além de uma boa bibliografia já existente. Penso que a nossa geração está mais receptiva a conhecer a luminosa vida da Princesa Isabel, sem as sombras ideológicas que macularam a visão conjuntural de sua biografia. Ela tem uma grande história de vida, e um modelo a ser seguido pela geração de jovens (no campo

pessoal, como filha, mãe e esposa exemplar, e no campo público o modelo de governante cristã). Pretendemos no estudo que estamos preparando, fazer um panorama de seu tempo, para entender de modo amplo, os acontecimentos que marcaram a história do Brasil e da Igreja, na segunda metade do século XIX e início do século XX. Certamente muitos ficarão impactados com a força desta mulher, que não apenas em seu tempo, mas ainda hoje exerce grande admiração entre os brasileiros. O importante é que junto com a produção deste estudo, vamos subsidiar a Arquidiocese do Rio de Janeiro com todos os documentos e informações possíveis, para ajudar no processo que visa a beatificação. Com tudo isso, os brasileiros irão amar cada vez mais esta mulher que nasceu destinada a ser a Imperatriz e defensora perpétua do Brasil.

BMJ - Efetivamente, qual era a conduta religiosa da Princesa, isto é, o seu pensamento religioso, as bases de sua crença, em quais os aspectos pode-se atribuir santidade a seus atos? Prof. Hermes - A Princesa D. Isabel foi a mais preparada para exercer o governo, e a que mais convictamente viveu os princípios e valores da fé católica em nosso País. Foi através de uma sólida formação, um matrimônio estável e a consciência dos problemas nacionais, exerceu os três períodos de regência com exemplar dignidade e coerência, demonstrando o quanto promissor seria o 3º Reinado. A partir da doutrina moral e social da Igreja Católica, que ela tão bem conheceu e viveu, norteou sua conduta pessoal e pública, inspirada no melhor exemplo dos príncipes cristãos, como a de São Luís, capaz de renúncias e sacrifícios pelo bem comum. Como tão bem salientou Francisco Leme Lopes, diante dos sofrimentos, a Princesa d. Isabel, “austeramente fiel ao ensinamento paterno, ela continua a orar, a bem-fazer, a perdoar. No seu exílio, não permite recriminações nem queixumes. Certa da justiça que lhe há de fazer a história, contempla serena as misérias do presente... e quando se lembra das horas de infortúnio, só lamenta que da tremenda catá strofe não saísse uma pátria mais honrada, mais próspera, mais livre, mais digna, mais feliz...” O seu projeto de Brasil, solapado pelos republicanos positivistas, e desprezado pelos anárquicos que hoje ocupam os primeiros postos do governo, era um projeto de acordo com a identidade e a alma da Nação brasileira. Por isso ela foi tão

querida e ainda hoje é, por estar ancorada no coração do povo, e de ter se empenhado com tão sincera dedicação na promoção de um Brasil pujante, com base no humanismo cristão. BMJ - Como está sendo recebida está campanha pela Arquidiocese de São Sebastião do Rio de Janeiro? Prof. Hermes - Tanto Dom Orani Tempesta, quanto Dom Antonio Augusto foram muito receptivos ao pedido de abertura do processo de beatificação. Dom Orani explicou que terá primeiramente que obter uma licença da Arquidiocese de Paris, tendo em vista que à princesa Isabel faleceu lá. A partir de então instituirá uma Comissão Especial para fazer os estudos necessários e buscar informações no sentido de comprovar as virtudes heroicas da Princesa Isabel, a força de sua fé, com o relato de depoimentos e testemunhos, e a constatação de milagres. Estamos desde então aprofundando os estudos, e cada vez mais convictos de que a vida da princesa Isabel corresponde às exigências que podem efetivar a sua beatificação. Sobre sua fama de santidade e devoção do povo para com ela, podemos atestar já em sua vida. José do Patrocínio, assim que foi assinada a Lei Áurea, ajoelhou-se aos pés de D. Isabel e lhe chamou de santa, “Santa Isabel”. Os documentos comprovam, em várias localidades do Brasil, práticas de devoção à princesa Isabel, especialmente nas festas do 13 de maio feitas por descendentes de escravos, a exemplo do que acontece em São Bento do Sapucaí, com a tradicional festa da dona Luzia, no bairro do Quilombo. O título de A Redentora lhe veio justamente pela sua fama de mulher exemplar de fé cristã, que foi capaz do grande feito da libertação, com prudência, energia e coragem necessárias, num processo gradual, sem derramamento de sangue. Até hoje historiadores ficam admirados com a explosão de júbilo de toda a Nação após a assinatura da Lei Áurea. Foram dias festivos intensos, não se tratando apenas da comemoração de uma lei que há muito se esperava, mas do modo como tudo aconteceu e de quem protagonizou o feito, cujo sentimento de profunda gratidão ficou expresso por muito tempo, e até hoje alcança muitos corações bras ileiros. BMJ - Existe alguma base de possíveis fiéis já dispostos a trabalhar pela causa de beatificação? Prof. Hermes - O movimento Legislação e Vida, da Diocese de Taubaté, que já vem atuando desde 2005 na defesa da vida, tendo sido bem sucedido, junto com outros grupos pró-vida, na luta contra a legalização do aborto do Brasil (http://juliosevero.wordpress.com/2008/05/11/%E2%80%9Cfoi-uma-vitoria-e-tanto-nunca-vi-issoacontecer-no-congresso-nacional%E2%80%9D/), especialmente para a rejeição do PL 1135/91, que visava descriminalizar o aborto, até o 9º mês e foi rechaçado pelas Comissões de Seguridade Social e Família e Constituição e Justiça, do Congresso Nacional e, finalmente, arquivado este ano, também responsável pela aprovação da primeira lei orgânica do País a reconhecer o direito a vida desde a concepção, no texto constitucional local (http://diasimdiatambem.com/2010/04/22/promulgada-lei-organica-pro-vida-em-sao-paulo/). O Movimento Legislação e Vida, está trabalhando para incluir na Constituição do Estado de São Paulo o direito a vida como pri-

meiro e principal de todos os direitos humanos (http://noticias.cancaonova.com/noticia.php?id=283521). Depois de bem sucedidas ações (http://diasimdiatambem.com/2011/08/18/abortistas -sofrem-outra-derrota-historica/), junto aos bispos, religiosos e leigos, em trabalho de comunhão eclesial, coube ao Movimento Legislação e Vida apresentar a Dom Orani o pedido para a abertura do processo de beatificação da Princesa Isabel, com o apoio do nosso bispo da Diocese de Taubaté, Dom Carmo João Rhoden. Nesse sentido, acreditamos que esta nova causa em muito ajudará também a ampliar a sensibilização da defesa da vida no País, pois assim como o movimento abolicionista, o movimento em defesa da vida hoje reforça o pensamento da doutrina social cristã que a Princesa Isabel teve como base para as suas ações pessoais e públicas. Acreditamos que também teremos êxito, com a graça de Deus, nesta iniciativa. BMJ - Está prevista alguma diretriz para a campanha, isto é, algo que se assemelhe como os processos do Beato Imperador Carlos e da Serva de Deus Imperatriz Zita da Áustria ou da Rainha Geovana da Bulgária, que mobilize instituições católicas? Prof. Hermes - Exatamente é o que estamos fazendo, buscando sensibilizar e mobilizar pela ca usa da beatificação da Princesa Isabel, conversando com bispos, religiosos e leigos, buscando os documentos, os depoimentos, os testemunhos, recortes de jornais, pronunciamentos oficiais, cartas, enfim, tudo o que pode comprovar a santidade da Princesa Isabel. Trata-se de um novo movimento isabelista que agregue os católicos em nosso País, com força unitiva, para a promoção de uma maior unidade da fé em nosso País. A Internet irá nos auxiliar muito nesse sentido, pois desejamos viabilizar um site que reúna todas as informações sobre a Princesa Isabel - documentos escaneados, pdfs, textos, artigos, entrevistas, livros, iconografia, vídeos, enfim, tudo o que pudermos reunir para somar o máximo de informações que contribuam a um melhor conhecimento do quanto a Princesa Isabel fez pelo nosso País, e do quanto a história de sua vida é um exemplo universal. BMJ - Quais são suas perspectivas com relação ao processo de modo geral? Prof. Hermes - As perspectivas são promissoras, e esperamos que com a visita do papa Bento XVI ao Rio de Janeiro, em 2013, possamos avançar no processo e obter a documentação e o milagre necessário para que o mesmo propósito de Santa Teresinha se repita com a Princesa Isabel, quando a Santa de Lisieux expressou: "Vou passar meu céu fazendo o bem na terra”. Sentimos vivamente a intercessão da Princesa Isabel, no atual momento da história do Brasil, e penso que a sua influência nos destinos da Nação fará história, pois muito do que ela quis realizar como Imperatriz, ainda está por fazer: o seu projeto de Nação, a partir dos valores humanos e cristãos.

Dom Pedro II

Sempre o Brasil Nunca noite dormi tão sossegado, Quem nem mesmo sonhei com o meu Brasil, Porém, vendo infinito mar d'anil, Lembra-me a aurora dele nacarada. Cada dia que passa não é nada, E os que faltam parecem mais de mil. Se o tempo que lá vivo é um ceitil, Aqui é para mim grande massada. E a doença porém me consentir, Sempre pensando nele, cuidarei De tornar-me mais digno de o servir, E, quando possa, logo voltarei; Pois na terra só quero eu existir Quando é para bem dele que eu o sei.
Por S.M.I., o Imperador Dom Pedro II Por UMA HOMENAGEM AO S.M.I., o Imperador Senhor Dom MAIOR DOS BRASILEIROS NOS 120 ANOS DE SEU FALECIMENTO

Dom Pedro II: 120 anos de falecimento
O maior dos brasileiros completa 120 anos de falecimento deixando um legado inestimável
O ano de 2011, mesmo em seus últimos dias, continua sendo extremamente simbólico para todos os brasileiros, sobretudo para aqueles que compartilham dos ideais monárquicos. 2011 foi marcado por grandes ocorrências, como os 90 anos de falecimento da Princesa Redentora Dona Isabel, que também teve seu pedido de beatificação entregue a Arquidiocese do Rio de Janeiro, e os 120 anos de falecimento do maior estadista de todas as Américas, o grande Imperador Dom Pedro II, aquele que saudosamente deve ser lembrado no dia 5 de dezembro. Dom Pedro II, após ter servido o Brasil por 58 anos, dos quais 10 através de Regência e 48 de forma efetiva, o maior dos Brasileiros, faleceu modestamente, em 5 de dezembro de 1891, num hotel parisiense. Acometido de grave doença pulmonar, Dom Pedro II morreu ainda jovem para os padrões atuais. Contava com 66 anos e aparência de muito mais velho. Suas responsabilidades, as preocupações, a vida pública havia lhe imposto tal aparência. Carregava em sua face o Brasil. Na madrugada daquele dia 5 de dezembro, em seu quarto do Hotel Bedford, acompanhavam o grande Imperador, Dona Isabel e o Conde D’Eu, com os Príncipes Dom Pedro de Alcântara, Dom Luiz, Dom Antonio, Dom Pedro Augusto e Dom Augusto, além de inúmeros brasileiros que moravam em Paris ou que para lá foram seguindo-o no exílio, quando num suspiro final disse a todos: “Deus que me conceda esses últimos desejos – paz e prosperidade para o Brasil…” Falecendo em seguida. Em seu leito de morte, conforme desejo expresso, desejava repousar sua cabeça em terras brasileiras (vindas de todas as províncias de seu país). Foi posto em uniforme de Chefe das Formas Armadas do Brasil, com as medalhas e fitas das quais era dignitário, segurando o crucifixo em prata de lei, enviado pelo Papa Leão XIII. O foi corpo foi colocado finalmente em três caixões, o primeiro de chumbo forrado em cetim embranquecido, com tampa em cristal; o segundo, de nobre carvalho envernizado e, por último, o de carvalho forrado de veludo negro. Como última homenagem formal, o governo francês do Presidente Sadi Carnot, resolveu oferecer a Dom Pedro II um funeral de Chefe de Estado. Era, pois, admirado em todo o mundo, e somente no dia 5 de dezembro havia chegado ao Hotel Bedford mais de 2 mil telegramas prestando as condolências à Família Imperial. O governo brasileiro, dos republicanos golpistas, tentou, em vão, impedir que a França fizesse o funeral do Imperador como Chefe de Estado, rogando para que a bandeira Imperial não fosse hastada e que os símbolos antigos não fossem respeitados. De nada adiantou o governo francês prestou honras grandiosas a Dom Pedro II e a sua Família. Representantes de quase todos os países do mundo (inclusive China, Japão e Pérsia) foram enviados para os funerais em Paris. Recebeu mais de 200 coroas de flores e honras de mais de 80 mil militares franceses. Cerca de 300 mil pessoas acompanharam o cortejo nas ruas parisienses. O governo do Brasil não esteve representado. Dom Pedro II, em seu leito de morte, mantendo sua dignidade majestática, desejou ao Brasil, paz e prosperidade. Um exemplo de homem público, de Chefe de Estado e de governo, de caráter, de ética, de honradez, de lisura absoluta e, principalmente, de amor e de respeito por sua Pátria. Dom Pedro II não era um político, não representava um partido, não queria contar ganhos e façanhas. Dom Pedro II era sim o Brasil, seu povo, sua identidade, a Pátria amada. E mesmo depois da morte, como ele certa vez muito bem escreveu: “entre visões de paz, de luz, de glória, sereno aguardará no seu jazigo, a justiça de Deus na voz da História!”

Dona Núria e Dona Elisabeth são homenageadas no Brasil
Ohannes Kabderian Júnior, do Círculo Monárquico do Rio de Janeiro, promoveu um jantar no dia 5 de dezembro no seu apartamento da rua Nascimento Silva, Rio de Janeiro, em torno das grandes amigas, as irmãs Dona Elisabeth e Dona Núria de Orleans e Bragança Martorell y Calderó, que passam um temporada no Brasil, conforme noticiado neste blog. Elas são filhas da saudosa Princesa Dona Tereza de Orleans e Bragança, falecida este ano, e residem no Estoril, em Portugal. No jantar, foi servido "Bobó de camarão à baiana" na fina prataria do anfitrião, tudo preparado com esmero pela empregada Tereza de Jesus. Estiveram presentes para homenageá-las, a Princesa Dona Isabel de Orleans e Bragança, o Príncipe Dom Antonio de Orleans e Bragança com a Princesa Dona Christine. O jantar com lugares marcados, contou ainda com as presenças de João Paulo Pime ntel Brandão, o livreiro e monarquista de Juiz de Fora, Jean Menezes do Carmo, o prefeito da cidade de Pequeri, Raul Salles de Almeida, o casal Cristina e Johannes Dryer... O anfitrião Ohannes Kabderian é amigo devotado à Família Imperial e decorou o ambiente com hortênsias, em uma homenagem à memória da Princesa Dona Isabel, que apreciava as flores.

Petit comitê no Rio de Janeiro

Dom Fellipo Santoro deixa a Diocese de Petrópolis
A Catedral São Pedro de Alcântara ficou lotada na tarde de domingo (11/12), na missa de despedida de Dom Filippo Santoro da Diocese de Petrópolis e da cidade. Além dos padres, participaram da missa religiosos, amigos e autoridades, entre elas o prefeito Paulo Mustrangi, o deputado federal Hugo Leal, os ex -prefeitos Leandro Sampaio e Rubens Bomtempo, os representantes da Família Imperial, Dom Antonio de Orleans e Bragança, Dom Pedro Carlos de Orleans e Bragança e Dom Francisco de Orleans e Bragança. O reitor da Universidade Católica de Petrópolis (UCP), professor José Luiz Rangel Sampaio Fernandes, agradeceu todo o empenho de Dom Filippo Santoro na recuperação da Universidade. Na noite de domingo e durante todo o dia de ontem (16/12), mensagens eram postadas na página da Diocese de Petrópolis no facebook, com as pessoas manifestando tristeza pela saída do bispo, ao mesmo tempo que falavam da beleza da missa celebrada na tarde de domingo na Catedral. Em sua homilia, Dom Filippo Santoro comentou que nos sete anos de seu ministério epi scopal na Diocese de Petrópolis procurou uma única coisa: “abrir caminhos para o encontro com Cristo” e “ser voz” na Igreja e na sociedade. “Tenho plena consciência de ser apenas ‘voz’, v oz de um outro que me faz, que me está criando agora; sem o seu ser eu não seria nada. A minha voz é eco de uma vibração que a produz. Se interro mper a vibração, a voz não existe mais. A minha voz e o meu ser dependem totalmente de um Outro, do Senhor que me faz”. Ele afirmou que encontrou na Diocese, nas seis cidades que fazem parte da Diocese, um povo fervoroso e ainda teve a al egria de conviver com dois bispos eméritos da Diocese – Dom José Fernandes Veloso e Dom José Carlos de Lima Vaz. Ao comentar sua atividade no meio da sociedade, Dom Filippo afirmou que seu desejo foi “que a presença de Cristo fosse bem plantada no centro da sociedade. Para isso, pensamos o Plano Pastoral; procurei participar dos eventos mais importantes da vida da cidade; para isso quando a nossa cidade e toda a região serrana foi flagelada pela chuva, procurei com toda a nossa diocese estar perto do povo sofrido oferecendo socorro, solidariedade e, sobretudo, o abraço de Cristo”.

Mensagem de Dom Luiz de Orleans e Bragança

Princesa Isabel: redentora ou santa?
Por Dom Antonio Augusto Dias Duarte* em O testemunho de Fé
Comecei a escrever esse artigo no dia 14 de novembro de 2011, sabendo que há 90 anos falecia, em Paris, a primeira mulher que governou o Brasil, a princesa Isabel Cristina Leopoldina Micaela Gabriela Rafaela Gonzaga de Bragança. Era também uma segunda-feira, e no Castelo d’Eu, na Província da Normandia, em consequência de uma insuficiência cardíaca agravada por congestão pulmonar, a três vezes regente do Império brasileiro pronunciava o seu definitivo “sim” a Deus, aceitando a morte bem longe de sua amada pátria, o Brasil. No seu testamento feito em Paris, no dia 10 de janeiro de 1920, encontram-se os seus três grandes amores. Assim se lê nesse documento revelador: “Quero morrer na religião Católica Apostólica Romana, no amor de Deus e no dos meus e de minha pátria”. Inseparáveis no coração de mulher, de mãe e de regente, esses amores, vividos com fidelidade e heroísmo, constituíram o núcleo mais profundo de seu caráter feminino, sempre presente na pr esença régia dessa mulher – esposa, mãe, filha, irmã, cidadã – e, sobretudo, na sua função de uma governante incansável na consecução de uma causa que se arrastava lentamente no Império desde 1810: a libertação dos escravos pela via institucional, sem derramamento de sangue. Conhecendo com mais detalhes a vida dessa regente do Império brasileiro e conversando com várias pessoas sobre a sua possível beatificação e canonização num futuro próximo, fico admirado com suas qualidades humanas e sua atuação política sempre inspirada pelos princípios do catolicismo, e, paralelamente, chama-me atenção o desconhecimento que há no nosso meio cultural e universitário sobre a personalidade dessa princesa brasileira. Sabemos que sua atuação política, inspirada pelos ensinamentos evangélicos, não foi bem acolhida na corte e na sociedade da sua época, quando a economia brasileira dependia desse sistema escravagista tão indigno do ser humano. Sabemos que sua vida católica profunda e ao mesmo tempo muito prática incomodava, a tal ponto que comentários pejorativos – tal como acontece ainda hoje quando se é autenticamente católico – sobre sua “beatice” eram muito frequentes entre os políticos da sua época. Sabemos que as suas ações beneméritas e de caridade cristã não só a levaram a abraçar essa causa abolicionista, mas também a va rrer a Capela Imperial de Glória (a Igreja do Outeiro) com as mulheres escravas e a viver com constância duas das inúmeras preocupações cristãs: rezar pelo Brasil e pela conversão dos ateus. O que sobressai nesse saber histórico e nos permite falar e agir no sentido de abrir um processo canônico de beatificação dessa primeira mulher governante do Brasil é a sua fé firme, a sua fervorosa caridade e a sua inabalável esperança cristã, que a conduziram por um caminho muito característico das pessoas que respondem à chamada, presente no sacramento do Batismo, a santidade. O caminho da defesa da dignidade e dos autênticos direitos humanos, tão necessária para a construção de um país onde a justiça social e a paz entre os homens fortalecem as relações entre todas as classes sociais, não é apenas uma atitude política, mas é uma ação própria dos santos de todos os tempos e, princ ipalmente, da nossa época moderna e pós -moderna. A princesa Isabel, como católica, esposa, mãe e governante do Brasil, sabia muito bem que a fé, a esperança e a caridade cristãs não conduzem a um refúgio no interior das consciências ou não são para serem vividas somente entre as quatro paredes de uma igreja, mas comprometem os católicos na busca incansável de soluções para os grandes problemas sociais da época da história na qual vivem. Foi por isso que a princesa Isabel mereceu a mais suma distinção da Igreja Católica, a Rosa de Ouro, conferida pelo Papa Leão XIII, em 28 de setembro de 1888, um prêmio que é análogo ao atual Prêmio Nobel da Paz, e até hoje foi a única personalidade brasileira a receber essa comenda, guardada no Museu de Arte Sacra do Rio de Janeiro. Os passos que começaram a ser dados para a abertura do processo de beatificação da princesa Isabel na Arquidiocese de São Sebastião do Rio de Janeiro estão perfeitamente sincronizados com as reais necessidades do nosso país, governado hoje pela segunda mulher brasileira. Ontem como hoje a promoção da vida dos mais marginalizados no Brasil, a defesa do “ventre livre”, onde as cr ianças podem desenvolver-se sem a entrada de máquinas aspiradoras e assassinas das suas vidas, a atenção social e econômica mais urgente com os “escravos do álcool, do crack, dos antival ores” que acabam com boa parte da juventude brasileira, a tol erância e o respeito pela pluralidade religiosa e a abertura ao di álogo sincero entre as diversas camadas sociais são prioridades que devem ser atendidas num esforço comum entre católicos, evangélicos, muçulmanos, judeus, seguidores das religiões afric anas, enfim, por todos que têm amor pelos seus entes queridos e pelo Brasil à semelhança da princesa Isabel. Para que no Brasil se respire a verdadeira liberdade e haja realmente unidades pacificadoras no meio das cidades espalhadas, e não em comunidades cariocas dominadas pelo tráfico de drogas, urge ter homens e mulheres, como a princesa Isabel, o frei Ga lvão, a irmã Dulce, etc., que com suas vidas exemplares na fé, na esperança e na caridade, sejam testemunhas vivas da santidade, que não passou de moda, pois os santos continuam sendo os grandes conquistadores e construtores do mundo onde a humanidade pode habitar. Vale a pena considerar com pausa e reflexão essa chamada feita no início do Terceiro Milênio pelo saudoso Papa João Paulo II para a hora em que estamos vivendo na Igreja. “É hora de propor de novo a todos, com convicção, essa medida alta da vida cristã ordinária: toda a vida da comunidade eclesial e das famílias cristãs deve apontar nessa direção (...). Os caminhos da santidade são variados e apropriados à vocação de cada um” (cf. Carta Apostólica no início do Novo Milênio, beato João Paulo II, n. 31, 6.1.2001).

* Bispo Auxiliar da Arquidiocese de São Sebastião do Rio de Janeiro.

Anuário Monarquia Já
Uma publicação do Blog Monarquia Já
http://imperiobrasileiro-rs.blogspot.com/

2 aEdição

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