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Roxos de Inveja -CahACC

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Roxos de Inveja – CahACC

- Olha, o garoto que não sabe andar! – ouviu gritarem ao longe. Ignorou e continuou empurrando sua cadeira desajeitadamente rumando até o ginásio. Segurava o choro. Era a quarta vez naquele dia que falavam a mesma coisa. Todos os que se diziam amigos dele haviam o deixado depois do acidente. Ninguém mais se importava com ele. - Hey, Josh... – falou uma voz tímida. Virou-se, já esperando ser derrubado da cadeira, mas não era Melanie. - Ah, oi Mel – falou envergonhado. - Será que, ahn... Você se importa se eu te acompanhar até a sala? Ele sorriu. Ficou feliz em saber que alguém ainda se importava com ele. - Bem, estou indo para o ginásio, se você quiser, fique a vontade. A garota se aproximou e começou a empurrar a cadeira do menino na direção desejada. Passando pelo corredor, era chamado de coisas como alien, verdinho... Aquilo machucava-o, mas tentava ignorar, tentava se mostrar forte. - Obrigado, Mel – falou baixinho ao chegarem no fim do corredor. - De nada, Josh – disse a garota sorrindo. – Qualquer coisa, é só me chamar! A garota deu um beijinho na bochecha do garoto e voltou pelo corredor rapidamente. O garoto sorriu, ainda havia alguém que era legal com ele, que se importava. Passou pela porta e encaminhou-se até o banco onde outros garotos esperavam pelo professor. - Eu não acredito que ele vai fazer aula! Ele nem sabe andar! – ouviu alguém falar ao longe. Aquilo o magoou. Reconheceu aquela voz. Ela pertencia ao garoto que, um mês antes, se dizia seu melhor amigo. Ficou apenas cabisbaixo e esperou o professor chegar. - Bem, garotos, hoje é dia de queimada para vocês. Dylan, Mark, venham escolher os times. Os dois meninos se levantaram rapidamente e foram ficar ao lado do professor. Um mês antes, eles estariam lutando para ver quem conseguiria ter Josh em seu time. - Pronto, professor! Podemos jogar agora? – perguntou um dos garotos. O treinador olhou para o banco e viu que Josh continuava ao lado dele, silencioso. - Quem foi o último a escolher? Mark levantou a mão rapidamente. - Ótimo – disse o professor. – Josh, você está no time de Dylan. O menino sorriu e foi empurrando sua cadeira lentamente em direção ao local onde os outros garotos estavam reunidos. - Mas, professor – protestou Dylan. – Ele não pode jogar, pode? Afinal, ele não consegue andar!

Aquela foi a gota d’água para o garoto. As lágrimas começaram a sair de seus olhos e ele foi empurrando sua cadeira sem rumo pela escola. Não queria mais aquilo. Doía demais ser excluído daquela maneira. Mas, infelizmente, foi assim pelos próximos 91 anos... x.x.x Então façam suas piadas Tentem me derrubar Soprem sua fumaça Você não está sozinho Mas quem está rindo agora? Mas quem está rindo agora? Aumente sua força Bata em mim com força Jogue suas cartas Seja uma estrela Mas quem está rindo agora? Mas quem está rindo agora? x.x.x - Atenção! No ar em dois minutos! Olhou-se no espelho pela última vez ao ouvir aquelas palavras. Voltaria para a televisão pela primeira vez depois de seu acidente. Quer dizer, já haviam se passado quase dez anos, mas não se sentia confortável em voltar a atuar depois de tudo que passara. Esse tipo de entrevista, para a tristeza dele, não era possível de se escapar. O filme já estreara, e estava sendo um grande sucesso. Mas, fazer um programa ao vivo, não se sentia muito confortável em relação... - Muito bem, muito bem... – ouviu ao longe. – Agora, uma atração muito especial para vocês, nesse 31 de dezembro. O último 31 de dezembro dos nossos queridos anos 60. Vocês conhecem ele há tempos, e sabem como a vida dele foi difícil. Nessa virada de ano, preparamos algo inspirador, para vocês começarem essa década com o pé direito. Ele respirou fundo. Cada palavra do apresentador fazia-o lembrar dos terríveis anos que passara na escola, do terrível acidente que tivera, de todos aqueles que sempre caçoaram dele e agora tentavam se tornar seus amigos... - Então, vocês acham que me conhecem agora... Mas, quem está rindo 2 agora? – sussurrou para si mesmo. - E agora, senhoras e senhores, de volta dos mortos, e charmoso como sempre... – falou o apresentador, fazendo a plateia rir. Ele apontou para a coxia e um foco de luz pairou sobre o local. – Josh Materson!

O Ensino Médio americano tem duração de 4 anos, ou seja, o aluno sai da escola, em média, com 18 anos. 2 A autora se refere à música “Who’s Laughing Now”, de Jessie J
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A plateia levantou-se e começou a vibrar. O rapaz sorriu e empurrou sua cadeira lentamente pela pequena rampa que dava acesso ao placo. - Boa noite – falou timidamente. O sorriso em seu rosto foi crescendo mais e mais. Estava impressionado com a maneira que as pessoas continuavam a gostar dele, mesmo tantos anos depois. Ele estacionou a cadeira no local no qual geralmente ficava uma gigante poltrona vermelha. Sua cadeira enroscou-se no tapete e começou a arrastá-lo enquanto ele tentava “estacionar” a cadeira. A plateia ria. - Sinto muito – falou, ainda sorrindo. – Isso acontece às vezes... A carisma dele era contagiante. Todos passaram a sorrir. O apresentador do programa, ainda rindo, virou-se para o rapaz. - Mas então, Josh... Conte-nos! Por que resolveu voltar a ativa depois de mais de dez anos? - Passei muitos anos tentando me aceitar e me adaptar às minhas dificuldades. É muito difícil ficar paraplégico aos dez anos de idade. Você passa o resto da sua vida preso e limitado – falou suavemente. – Mas é claro que tem suas vantagens! Tenho vaga especial, perto das portas dos shoppings e posso furar filas quando quiser! As pessoas no local riram. Ele ficava feliz com isso, era bom ver que alguma coisa ele ainda conseguia fazer direito. - Mas, respondendo a pergunta de Matt, resolvi voltar porque precisava contar para o mundo tudo o que eu sofri. Essa coisa toda de preconceito é muito forte. As pessoas passaram a me ignorar e me julgar só porque eu estava numa cadeira de rodas... As risadas sumiram. Todos se voltaram sérios para o rapaz, que, mesmo com seus 22 anos, tratava de assuntos assim tão sérios. - Certo. Mas, e essas pessoas? Que influência elas tiveram em sua vida? - Para falar a verdade, muita. Elas riam de mim, colocavam apelidos, me ignoravam. E eu simplesmente fingia que não ouvia, que não ligava. - Você ainda tem contato com essas pessoas? - Isso é engraçado – falou rindo. – Quando estava esperando para chegar, recebi uma notificação do Facebook dizendo que tenho 18 novos pedidos de amizade, fui marcado em 147 fotos e 39 pessoas me mandaram mensagens privativas... Antes do filme estrear, não tinha nada disso. Antes de eu voltar para esse mundo da mídia, ninguém ligava para mim. Agora que voltei a ativa, a coisa toda está se repetindo... Todos querem ser meus amigos. A plateia aplaudiu ao discurso do garoto. Era a mais pura verdade o que falava naquele palco. Estava apenas, sendo ele mesmo. - E, conte para nós, Josh. Sobre o que se trata o seu filme? Ele deu um suspiro profundo e começou a falar. - O filme é basicamente um diário de tudo o que eu passei na minha vida, por enquanto. Não é uma autobiografia, há um pouco de ficção. Existem momentos mais engraçados, e outros mais sérios. Ele retrata várias dessas coisas que mencionei aqui. As pessoas me xingando, me deixando de lado... É muito difícil passar por isso com nove, dez anos... Mas eu estou aqui, e esse filme é

como o meu bebê. Dediquei grande parte dos últimos anos a ele, e, pelo que percebi, valeu a pena. - Certo, certo. E, já que falou em bebê, vou fazer a pergunta que todas as garotas aqui querem saber. Solteiro ou comprometido? Ele olhou para baixo, encarando o chão. A plateia foi a loucura. - Bem... Tem uma garota, mas ela nem sabe que eu existo. Quer dizer, ela é minha amiga, mas acho que não tem os mesmos sentimentos que eu tenho por ela... As meninas na plateia suspiraram, fazendo o garoto rir. Sempre fora do tipo romântico, mas não esperava que as garotas gostassem disso... E a entrevista foi se desenrolando. Lentamente, ele voltava a se sentir confiante frente às câmeras. Ele voltava a se sentir... Normal. O relógio badalou 23h00, e o programa acabou. Todos voltaram rapidamente para suas casas. Josh, por sua vez, foi até a casa de seus pais. Ao abrir a porta, uma grande surpresa. - Melanie? É você? Havia uma garota morena, com belos olhos verdes, parada à sua porta. - Oi, Josh... Eu, ahn... Vi sua entrevista hoje e... Bem... Ela sentou-se no colo do rapaz e selou os seus lábios. Ouviu a contagem regressiva para a virada do ano, mas pouco se importou. A cadeira começou a escorregar pelo chão, que agora estava cheio de neve, e parou apenas quando virou, derrubando os dois. Começaram a rir, mas sem se soltarem. O garoto não sentia o peso dela, da cintura para baixo, mas não se importava. Aquela era a melhor sensação do mundo. - Posso te dizer uma coisa? – perguntou a menina se afastando. - Claro – sorriu timidamente. Ela levantou-se, trouxe a cadeira até ele e ajudou-o a subir. - O que não te mata, te faz mais forte... Você sabia? - E, por que você está dizendo isso? - Porque você me fez mais forte...

Who You Are Jessie J I stare at my reflection in the mirror Why am I doing this to myself Losing my mind on a tiny error I nearly left the real me on the shelf No, no, no, no Don't lose who you are, in the blur of the stars Seeing is deceiving, dreaming is believing It's okay not to be okay Sometimes it's hard to follow your heart But tears don't mean you're losing everybody's bruising Just be true with who you are (Who you are, who you are, who you are x4) Brushing my hair, do I look perfect? I forgot what to do to fit the mold The more I try, the less it's working Cause everything inside me screams: no, no, no, no, no, no, no Don't lose who you are in the blur of the stars Seeing is deceiving, dreaming is believing It's okay not to be okay Sometimes it's hard to follow your heart But tears don't mean you're losing everybody's bruising There's nothing wrong with who you are Yes, Nos, egos fake shows like WOO Just go, and leave me alone Real talk, real life, good luck, good night

With a smile... That's my home, yeah That is my home... (Bridge) No, no, no, no, no... Don't lose who you are, in the blur of the stars Seeing is deceiving, dreaming is believing It's okay not to be okay Sometimes it's hard to follow your heart But tears don't mean you're losing everybody's bruising Just be true to who you are Yeah, Yeah.... Quem você é Jessie J Eu fico olhando para meu reflexo no espelho Porque estou fazendo isso comigo mesma? Perdendo minha cabeça em um pequeno erro Eu estava perto de deixar meu verdadeiro eu na prateleira Não, não, não, não Não perca quem você é no borrão das estrelas Ver é enganar, sonhar é acreditar Tudo bem não estar tudo bem Às vezes é difícil Seguir seu coração Mas as lágrimas não significam que você está se perdendo Todo mundo se machuca Basta ser verdadeiro com quem você é (Quem você é, quem você é, quem você é.) 4x

Escovando meu cabelo, pareço perfeita? Esqueci o que fazer para se encaixar no molde Quanto mais eu tento, menos isso funciona Porque tudo dentro de mim grita: não, não, não, não, não, não, não Não perca quem você é no borrão das estrelas Ver é enganar, sonhar é acreditar Tudo bem não estar tudo bem Às vezes é difícil seguir seu coração Mas as lágrimas não significam que você está perdendo Todo mundo se machuca Não há nada errado com quem você é Sim, não, egos Falsos se mostram como uma explosão Apenas vá e me deixe sozinha Discussão real, vida real, boa sorte, boa noite Com um sorriso ... Essa é a minha casa, yeah Essa é a minha casa ...

Não, não, não, não, não... Não perca quem você é no borrão das estrelas Ver é enganar, sonhar é acreditar Tudo bem não estar tudo bem Às vezes é difícil seguir seu coração Mas as lágrimas não significam que você está se perdendo Todo mundo se machuca Basta ser verdadeiro com quem você é Sim, sim...

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