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Resumo Do Filme Desmundo A

Resumo Do Filme Desmundo A

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Published by: Jorge Serva on May 30, 2012
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Resenha do filme Desmundo

O filme Desmundo (2003), de Alain Fresnot, homônimo da obra de Ana Miranda, retrata a realidade do Brasil de 1570, conta a história de uma jovem portuguesa, órfã, juntamente com outras, mandada para a América portuguesa colonial do século XVI, com o objetivo de desposarem os colonos. Nessa época, desbravadores portugueses tinham a missão de explorar a recente descoberta. O filme explora várias questões acerca do contexto da época como (linguagem, religiosidade, sexualidade, obediência, fidelidade), que serão focalizadas, principalmente, na narrativa da personagem Oribela, uma das órfãs que são trazidas de Portugal numa caravela. Em 1552, o padre Manoel da Nóbrega solicita ao rei de Portugal que enviasse a América colonial portuguesa órfãs de boa cepa ou, na falta destas, quaisquer outras mulheres brancas, para que os homens casem e vivam em serviço de Nosso Senhor. Oribela e as demais órfãs são levadas para um lugar onde são oferecidas a seus pretendentes por uma intermediaria. A personagem principal, que se mostra muito religiosa, apresenta-se muito contrariada com a situação em que se encontra e, chegada a sua vez, quando em contato com aquele que a desposaria, dá-lhe uma cusparada no rosto, conseguindo a desistência do pretendente. Através dessa personagem nos deparamos com o universo da existência feminina, da religiosidade, do amor, da sexualidade. Todos esses sentimentos estão arraigados na personalidade dela e nos permite conhecer as estruturas mentais construídas culturalmente à época, uma vez que a sua voz ressoa outras tantas vozes, que por sua vez reproduzem os discursos normativos e impositivos da época, seja da igreja, seja da sociedade patriarcal. A mulher deveria ser obediente a seus esposos sem apresentar qualquer tipo de comportamento inadmissível, do contrário era justificado o uso de “corretivos” ,que envolviam certos rituais com o corpo como: nunca mais deixar o cabelo solto, mas sempre atado, seja com turbante, seja trançado, não morder o beiço, afora ou-tras atitudes que submetiam a mulher a uma verdadeira humilhação e abdicação de suas vontades e opiniões. Oribela, no entanto, desejosa que era de retornar a sua pátria, não consegue furtar-se ao matrimônio. Aparece-lhe um pretendente que a desposa e, quando seu marido, Francisco de Albuquerque, vai consumar o casamento através da união sexual esta lhe pede tolerância a fim de que se acostumasse com a presença do marido e, consequentemente, desenvolvesse uma relação de afeto. O filme mostra a propriedade de Francisco de Albuquerque onde mora com a mãe e uma criança com problemas mentais. A mão de obra utilizada na fazenda consistia em índios capturados nas florestas. Estamos respirando o Antigo Regime nesse momento, e com aquele esquema de ordenação da sociedade, o trabalho braçal era mal visto, uma ocupação inferior. Outro traço bastante marcante no filme diz respeito à questão da linguagem e as representações figurativas que nele são estabelecidas. Em Desmundo a linguagem tem papel representativo nos discursos que aparecem na história. Ela revela as posturas impositivas, audaciosas, resignadas, reveladoras que acontece à época. Para isso recorre-se ao léxico, com o uso de palavras dicionarizadas ou não, como no caso de Oribela, para revelar a situação “sem norte” em que a personagem se encontra.

já que estava prestes a ser estuprada pelos homens. Oribela fica acorrentada recebendo cuidados de uma índia que busca. eis que topa com o mar. Sai pelo mato e orientando-se sabe lá como. Convém falar sobre a mescla de tantas variedades linguísticas em terras brasileiras no período e que revela a existência de várias culturas no país e estabelece. Esta metáfora nos posiciona em dois aspectos relativos à mulher que deveriam ser domesticados: a alma e o corpo. realizando os preparativos de uma mudança. com o desaparecimento de inúmeras línguas indígenas. aos poucos. que são desiguais. Oribela procura fazer com que Ximeno lhe consiga colocar num navio de volta à Portugal. por conta da barreira linguística. também. conflitos sociais como a tentativa de aproximação entre esses mundos. Apesar de aparecerem alguns termos indígenas no filme. após isso. cuja tolerância com a espera que esta lhe solicitara foi perdida. mas são alcançados pelo marido na praia. consegue reaver a confiança de seu marido.Outro aspecto interessante em relação à linguagem diz respeito ao uso de metáforas e de antíteses no romance. Ela foge da propriedade de Francisco e mantém-se escondida no estabelecimento do cristão-novo por algum tempo. Os jesuítas participaram. retornando com sua esposa. Diante da aproximação do cristão-novo Ximeno Dias à propriedade de Francisco de Albuquerque. Começa a perceber e se relacionar com seus parentes. protagonizando uma cena de desafio em armas. estes não se dobram e não se permitem ser domesticados ou desvendados”. Oribela começa a demonstrar interesse por ele. inutilmente. O filme insinua uma relação incestuosa entre mãe e filho em alguns diálogos. numa visita realizada à propriedade de Francisco de Albuquerque polemiza com este por conta da sua vontade manifesta de levar consigo alguns filhos de índios ainda crianças. como se pode constatar hoje. eles se restringem à tentativa de comunicação entre Te-mericô e Oribela e nos revela o choque entre as culturas. Oribela está dando a luz a uma criança e. onde o dominador prevalece e expurga o dominado. no que se mostra correspondida. que são mortos por Francisco de Albuquerque. Seu marido nota a sua ausência e sai para procura-la e a encontra em situação de perigo. pedindo-lhes que a levem de volta para Portugal. 2 . Oribela. Diante da suspeita que o marido manifesta da participação de Ximeno na acolhida de sua esposa vai ao encontro deles que fogem. Levada de volta à propriedade de seu esposo. Oribela faz uma tentativa de fuga após ser estuprada pelo seu marido. juntamente com os colonos. num determinado momento. no qual o marido de Oribela leva a melhor. mas não sobre a alma e o coração. comunicar-se com ela. e a presença da menina excepcional somada a falta de referências a respeito de seu pai são indicativos de que ela fosse filha de Francisco de Albuquerque. dos debates em torno da escravidão indígena. um prodígio para uma jovem que não conhecia direito a região! Lá aborda alguns homens que estavam na praia. Um dos personagens do filme é um padre jesuíta que. Na passagem de tempo do filme. O simbolismo que tem algumas passagens como “O dobrar ou não os joelhos (membro do corpo) pode revelar a autoridade sobre o corpo.

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