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GEOLOGIA GERAL DEPARTAMENTO DE GEOLOGIA 2004 / 2005

GEOLOGIA GERAL

DEPARTAMENTO DE GEOLOGIA

2004 / 2005

2004 / 2005

Estrutura das Aulas

1 - A Geologia como ciência

2.1 - Dinamismo da Terra

2.1.1 - Formação da terra

2.2 - Os arquivos geológicos da história da Terra

2.2.1 - As rochas como registo dos processos geológicos – texto

2.2.2 - Rochas e minerais; Rochas ígneas – Aula

2.2.3 - Rochas sedimentares – Aula

2.2.4 - Rochas metamórficas – Aula

2.2.5 - Inter-relações entre o ciclo litológico, o sistema climático e o

sistema tectónico

2.2.6 - O tempo geológico

2.3 - Tectónica de placas – teoria global

2.3.1 - Aceitação da teoria global

2.3.2 - Margens e mobilidade das placas

2.3.3 - Deformação crustal – Cadeias orogénicas

2.3.4 - Evolução tectónica – ciclo de Wilson

2.3.5 - Deformação da crosta terrestre – dobras e falhas

2.4 - Características geofísica da Terra

2.4.2 - A estrutura interna da Terra

2.4.3 - Gravimetria e isostasia

2.4.4 - O campo magnético terrestre.

Paleomagnetismo e a expansão dos fundos oceânicos

2.4.5 - O campo magnético terrestre – texto

3 - Aspectos geológicos de Portugal

3.1 - Aspectos geológicos de Portugal

Programa Teórico

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A Geologia como Ciência

O que é a Geologia: objecto e métodos de estudo

Especificidade e interdisciplinaridade da Geologia

História da Geologia

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Terra – um planeta especial

2.1 Origem e evolução da Terra

2.1.1 – Formação do Sistema Solar;

2.1.2 - Composição e evolução da Terra e comparação com os outros planetas

do Sistema Solar; Diferenciação dos vários componentes da geosfera; O

desenvolvimento da vida como epílogo.

2.1.3 – Dinamismo da Terra

– Interacção da energia interna e da energia solar;

– Origem do calor interno; mecanismos de fluxo térmico: condução e convecção;

– A morfologia da superfície sólida da Terra: os continentes e os oceanos e respectivos relevos;

– Os componentes dos sistemas da Terra: (i) sistema climático: atmosfera; hidrosfera;

biosfera e litosfera; (ii) sistema tectónico: litosfera, astenosfera e manto profundo.

2.2 – Os arquivos geológicos da história da Terra

2.2.1 – As rochas como registo dos processos geológicos: os diferentes tipos e

rochas e os diferentes contextos de génese.

– Rochas ígneas ou magmáticas.

– Rochas sedimentares. Meteorização química e as rochas residuais.

– Rochas metamórficas

2.2.2 O ciclo litológico – um dos sub-ciclos do dinamismo terrestre

2.2.3 – O registo litológico e a escala de tempo geológico

– Datação relativa: registo estratigráfico (litoestratigrafia; cronoestratigrafia e

bioestratigrafia)

– Escala de tempo geológico

– Datação absoluta ou radiométrica: princípios gerais e principais métodos de datação

2.3 – O sistema tectónico; Tectónica de placas – Teoria global

2.3.1 Desde uma hipótese controversa até à aceitação de uma teoria global

2.3.2 – O mosaico de placas tectónicas

– Caracterização das placas e tipos de limites

– Mobilidade das placas

– Margens passivas e margens activas: zonas de subducção

– Inter-relações entre geomorfologia, magmatismo (vulcanismo e plutonismo), sismicidade e os limites das placas

2.3.3 – Deformações da crosta terrestre

– Deformação à escala do maciço rochoso e do afloramento

– Falhas e dobras

– Cavalgamentos e carreamentos

– Noção de nível estrutural

– Orogenia – Formação de cadeias montanhosas

– Evolução das cadeias montanhosas: “uplift”; isostasia; erosão e cratonização.

2.4 – Características geofísicas da Terra; a estrutura e composição do interior da Terra 2.4.1 – Sismologia

– Sismos: parâmetros de caracterização; sismologia e sismicidade

– Propagação das ondas sísmicas; diferentes tipos de ondas; reflexão e refracção das

ondas sísmicas no interior da Terra. – A interpretação da estrutura interna da Terra com base no comportamento das ondas sísmicas; descontinuidades no interior da Terra e o seu significado

2.4.2. – Gravimetria

– Variações gravimétricas e geóide. Anomalias gravimétricas

– Isostasia: hipóteses de Pratt e de Airy. Anomalias isostáticas

– Isostasia e subsidência

2.4.3 - O campo magnético terrestre

– Parâmetros caracterizadores

– Origem do campo magnético: teoria do “geodínamo”

– Variações do campo magnético

– Paleomagnetismo; a magnetização das rochas

3 – Aspectos geológicos de Portugal

3.1 – As grandes unidades geotectónicas e geomorfológicas de Portugal

3.2 – Carta Neotectónica de Portugal; falhas activas e falhas passivas;

significado da sismicidade

1 – Geologia Como Ciência

1 - A Geologia como Ciência Geologia Geral 1- A Geologia como Ciência O que

1 - A Geologia como Ciência

Geologia Geral 1- A Geologia como Ciência

O que é a Geologia: objecto e métodos de estudo

A GEOLOGIA (geo = terra; logos = tratado, ciência) é a ciência que estuda a TERRA;

a sua formação, a sua composição, a sua dinâmica e a sua evolução passada e futura.

A Geologia permite ao Homem ter o conceito de antiguidade da Terra, mas também lhe transmite a responsabilidade de minimizar os impactos negativos que a sua actividade pode ter na evolução futura do geossistema global.

O homo sapiens é o último ilustre convidado da Geosfera, sendo o nosso habitat uma fina interface entre a Terra e o céu – a Biosfera ocupa a interface entre a litosfera, a hidrosfera e atmosfera, sub-sistemas globais que interagem reciprocamente.

O conhecimento geológico consciencializa para a necessidade de preservação de alguns

produtos e processos de que depende o nosso dia-a-dia, ou dos quais pode depender a qualidade da vida humana num futuro mais ou menos próximo. As preocupações com os problemas ambientais fazem, cada vez mais, parte da consciência colectiva das sociedades actuais. O mundo está preocupado com as condições futuras da humanidade

e deverá consciencializar-se de que a maior parte dos recursos que a civilização

moderna utiliza, geram-se ou concentram-se através de processos geológicos, ou dependem indirectamente de factores geológicos; e muitos desses recursos não são renováveis.

Esta noção tem um grande valor ético para que o Homem, porque sendo o último a chegar ao planeta, não parece ter direito a gastar de modo não sustentável os recursos acumulados ao longo de 4.56 mil milhões de anos.

A escala temporal de Geologia é extraordinariamente grande, envolvendo uma componente “histórica” que vai muito para além da História. O conhecimento geológico perspectiva de modo diferente a posição que ocupamos no nosso planeta. Por outro lado, alguns dos mais temíveis riscos naturais condicionantes da nossa vida, como sismos, erupções vulcânicas, avalanches de terras, ou o aquecimento global indutor de

M. A. Ribeiro

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Geologia Geral 1- A Geologia como Ciência mudanças climáticas causadoras de efeito s catastróficos, são

Geologia Geral 1- A Geologia como Ciência

mudanças climáticas causadoras de efeitos catastróficos, são ou estão intimamente relacionados com processos geológicos.

A Geologia reconstrói a história da Terra desde a sua formação há cerca de 4,56 mil milhões de anos e essa reconstrução projecta-se na previsão da evolução futura, sendo fundamental na avaliação de recursos, na avaliação de riscos potenciais naturais ou dependentes da intervenção humana e na preservação no nosso ambiente.

A EVOLUÇÃO GLOBAL DA TERRA TEVE E TERÁ LUGAR, INDEPENDENTEMENTE DA HUMANIDADE, AINDA QUE A VIDA, E POR MAIORIA DE RAZÃO O HOMEM, TENHA MARCADO ETAPAS FUNDAMENTAIS DESSA EVOLUÇÃO. O conhecimento geológico permite rentabilizar recursos e minimizar impactos, mas não dará ao Homem a possibilidade de controlo da evolução global da Terra.

O conhecimento geológico sobre o nosso planeta pressupõe necessariamente uma abordagem interdisciplinar de diferentes disciplinas da Geologia, abrangendo um vasto conjunto de assuntos. Este conjunto de disciplinas que constituem a Geologia também é designado por Geociências (quadro I-1), e os vários geocientistas não se deverão ignorar mutuamente. O conhecimento geológico deverá sim assentar na cooperação entre: geofísicos; geoquímicos; climatólogos; paleontólogos; geomorfólogos; mineralogistas; petrólogos; sedimentólogos; estratigrafos; tectonistas; estruturalistas; hidrogeólogos; geólogos de engenharia; etc.

Mas os geólogos ou geocientistas deverão adoptar uma postura de colaboração e de interdisciplinaridade com outras áreas científicas. Uma formação científica integrada terá necessariamente que envolver outras áreas científicas, nomeadamente: biologia; física, química, astronomia, matemática, meteorologia, geografia física, oceanografia.

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Geologia Geral 1- A Geologia como Ciência Quadro I -1 – Principais disciplinas das Geologia

Geologia Geral 1- A Geologia como Ciência

Quadro I -1 – Principais disciplinas das Geologia ou das Geociências

Disciplina

 

Assunto

ESTRATIGRAFIA

Estuda a sucessão e geometria das rochas, sobretudo das rochas sedimentares, com uma vertente cronológica.

MINERALOGIA

Estuda as propriedades físicas e químicas

os

minerais.

 

PETROLOGIA

Estuda a composição mineralógica e a textura das rochas e a sua formação.

PALEONTOLOGIA

Estuda as formas de vida do passado e a sua evolução, através dos fósseis preservados nas rochas.

GEOLOGIA ESTRUTURAL

Estuda da deformação das rochas, em resposta à aplicação de forças.

GEOQUÍMICA.

Estuda

a

composição química dos

materiais da Terra (sobretudo minerais e

rochas) e as reacções químicas que ocorrem.

HIDROGEOLOGIA

Estuda a água do subsolo, a sua circulação

as suas reacções com as rochas e os solos.

e

GEOLOGIA APLICADA

Estudos de prospecção da estabilidade dos materiais à superfície da Terra, para estudos relacionados com a Engª Civil.

GEOLOGIA DO AMBIENTE

Estuda as interacções entre o ambiente e os materiais geológicos, bem como as contaminações desses materiais.

GEOFÍSICA

Estuda as características físicas da Terra, (o seu campo magnético e o seu campo gravítico) e as forças actuantes na Terra

GEOMORFOLOGIA

Formação e evolução da paisagem

SEDIMENTOLOGIA

Estuda os sedimentos e a sua formação

TECTÓNICA

Estuda aspectos de Geologia Regional, (por exemplo cadeias montanhosas), os movimentos das placas e as suas consequências.

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Geologia Geral 1- A Geologia como Ciência Actualmente a Terra, em termos geológicos, já não

Geologia Geral 1- A Geologia como Ciência

Actualmente a Terra, em termos geológicos, já não é considerada como um simples somatório de camadas sólidas concêntricas e independentes dos invólucros fluidos que a rodeiam. Efectivamente as interacções entre a atmosfera, a hidrosfera, a litosfera, o manto e o núcleo estão por demais demonstradas. A biosfera, cronologicamente a última componente do nosso planeta, é singular e determinante na evolução da geosfera.

A Geologia é uma das especialidades científicas que nos servem para compreender a Terra. A Climatologia, a Meteorologia e a Oceanografia, também designadas Ciências

da Terra Fluída, são indispensáveis para compreender o funcionamento de muitos processos geológicos. As Ciências da Terra integram a Geologia com estas disciplinas, afim de permitir uma mais aprofundada compreensão da Terra. Este conceito ampliado

é imprescindível para compreender o contexto dos problemas actuais relacionados com

a Geosfera, nomeadamente os problemas do meio ambiente.

Fazendo um pouco de retrospectiva histórica, no período de 1950-1975 o ensino e aprendizagem das Geociências foi marcado pela influência da indústria extractiva de recursos geológicos. A partir do final da década de 70, a ênfase deslocou-se da exploração para a conservação dos recursos e do meio.

Até há pouco tempo e no auge da prospecção geológica, a profissão de geólogo pressupunha que a ciência demonstrasse a sua utilidade económica a curto prazo. Actualmente, com a maior parte dos jazigos minerais e de hidrocarbonetos já descobertos, e quando a sociedade começa a reparar nos aspectos mais desagradáveis do crescimento económico, o geólogo descobre que a sua profissão não é incompatível com o meio ambiente. A melhoria das inter-relações homem-meio requer a sua contribuição, como sucede no caso dos riscos geológicos.

No século XXI, todos os cidadãos, e não apenas os profissionais das Geociências, necessitarão de um conhecimento básico dos fenómenos geológicos, que serão

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Geologia Geral 1- A Geologia como Ciência fundamentais na sua consciencialização s obre o mundo

Geologia Geral 1- A Geologia como Ciência

fundamentais na sua consciencialização sobre o mundo e os ajudarão em decisões ou

posições sobre aspectos relacionados com a nossa Terra.

Presentemente, nas Geociências há duas linhas:

- uma em ciência pura ou fundamental, que nos dá uma perspectiva

dos processos geológicos de presente e do passado; da longa

existência da Terra e de como ela mudou e evoluiu desde a sua

formação, perspectivando também a sua evolução futura;

- e outra em ciência aplicada que inclui os domínios da Geotecnia,

das Ciências Ambientais, da Prospecção Geológica, da

Hidrogeologia. Estas vertentes aplicadas baseiam-se nos conceitos:

recursos-riscos-impactos.

Geologia

baseiam-se nos conceitos: recursos-riscos-impactos. Geologia Ciência pura ou fundamental Ciência aplicada Estudo dos

Ciência pura ou fundamental

Geologia Ciência pura ou fundamental Ciência aplicada Estudo dos processo geológicos do passado
Geologia Ciência pura ou fundamental Ciência aplicada Estudo dos processo geológicos do passado

Ciência aplicada

Estudo dos processo geológicos do passado e do presente; formação e evolução da Terra e perspectivas da sua evolução futura.

Prospecção geológica Riscos geológicos Impactos ambientais

O método científico em Geologia

Um dos objectivos essenciais da Geologia é interpretar, com base na disposição espacial

e nas características das rochas da crosta terrestre a sequência de episódios da história

da Terra. Neste sentido a Geologia é uma ciência com carácter histórico.

Quando a Geologia aborda a descrição das propriedades das rochas e minerais

(entidades químicas), e dos processos e transformações que decorrem actualmente na

crosta terrestre (regidos por princípios da física e da química), assume-se como ciência

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Geologia Geral 1- A Geologia como Ciência não histórica, aproximando-se na sua metodologia da Física,

Geologia Geral 1- A Geologia como Ciência

não histórica, aproximando-se na sua metodologia da Física, da Química ou da Biologia aplicadas ao estudo da Terra. Como não é possível observar os fenómenos geológicos

do passado mas apenas alguns aspectos deles resultantes, estes interpretam-se à luz das

actuais leis dos diversos ramos da ciência. Por isso, o estudo dos fenómenos geológicos

actuais e a interpretação das rochas formadas no decurso dos tempos geológicos constitui o único meio de decifrar os acontecimentos que ocorreram na Terra em épocas passadas. AS ROCHAS SÃO OS ARQUIVOS DE INFORMAÇÃO GEOLÓGICA.

O campo de estudo da geologia tem grande dimensão espacial e temporal. Os

fenómenos geológicos podem ser considerados a escalas muito diferentes desde uma dimensão da ordem de 10 6 m (estruturação do globo terrestre), até uma dimensão da ordem de 10 -9 m (estrutura cristalina) (fig 1.1). Esta variação nas dimensões e a grande dimensão necessária á análise de alguns aspectos geológicos condiciona a aplicação de métodos experimentais.

Outro factor que condiciona os métodos de estudo em geologia é a inacessibilidade à observação directa da grande maioria dos corpos geológicos, uma vez que só a parte superficial da crusta é acessível à observação.

parte superficial da crusta é acessível à observação. Fig 1-1 - Representação gráfica em escala logarítm

Fig 1-1 - Representação gráfica em escala logarítmica da dimensão de alguns objectos geológicos.

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Geologia Geral 1- A Geologia como Ciência De entre os fenómenos geológicos que se observam

Geologia Geral 1- A Geologia como Ciência

De entre os fenómenos geológicos que se observam directamente, apenas alguns se podem reproduzir laboratorialmente. Para a maioria dos processos é impossível aplicar a experimentação.

A idade da Terra é da ordem de milhares de milhões de anos e a maioria dos fenómenos

geológicos realiza-se tão lentamente que a sua velocidade é imperceptível à escala humana (serve de exemplo a deriva continental). Apenas alguns processos se realizam com uma velocidade correspondente à ordem de grandeza das nossas habituais medidas de tempo, como as erupções vulcânicas, sendo outros praticamente instantâneos como os sismos (fig. 1.2).

praticamente instantâneos como os sismos (fig. 1.2). Fig 1-2 - Representação gráfica em escala logar ítmica

Fig 1-2 - Representação gráfica em escala logarítmica da duração de alguns processos geológicos

A ordem de grandeza no espaço e no tempo dos objectos de estudo dificulta a aplicação

de métodos experimentais em Geologia. Os métodos experimentais reproduzem a Natureza de maneira imperfeita. No laboratório os processos realizam-se em sistemas fechados enquanto na Natureza os sistemas são abertos.

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Geologia Geral 1- A Geologia como Ciência As Ciências Naturais, nas quais se inclui a

Geologia Geral 1- A Geologia como Ciência

As Ciências Naturais, nas quais se inclui a Geologia, têm como objectivo a descrição dos objectos e fenómenos naturais, que obedecem e se regem por leis científicas. A descrição assenta fundamentalmente na observação, enquanto que as hipóteses explicativas ou interpretações se apoiam na generalização de observações e/ou na experimentação, quando quanto é possível. Uma hipótese que prevalece após diversos desafios, acumula evidências, suportadas num maior número de observações e interpretações favoráveis, ou em experiências, e eleva-se ao estatuto de teoria. As teorias, embora suportadas num grande número de evidências demonstradas, não são necessariamente correctas, porque não podem ser confirmadas ou provadas. A essência da ciência é que nenhuma explicação ou assunto está definitivamente comprovado e arrumado.

As etapas do método científico são esquematicamente as seguintes:

1- Observações e experiências fornecem dados para elaborara a hipótese (tentativa de explicação dos dados); 2- O surgimento ocasional de dados pode ajudar a favorecer a hipótese; 3- Repetidos debates da hipótese por outros cientistas; 4- Construção do suporte ou rejeição da hipótese (revisão ou anulação);

5 – A hipótese pode ser revista e testada de novo;

6 – Uma hipótese ou um conjunto de hipóteses podem ter suficiente suporte para se converterem em teoria – conjunto de hipóteses com elevado suporte de dados de observação e experimentais;

7 – As teorias também são debatidas, suportadas, revistas e rejeitadas;

8 – Um conjunto de hipóteses e teorias quando favoravelmente suportadas transformam- se num modelo científico;

9 – Os modelos científicos também são debatidos;

10 – O processo científico avança por grandes e pequenas descobertas ou evidências que suportam, contrariam ou apontam para a revisão, da hipótese, da teoria ou do

modelo.

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Geologia Geral 1- A Geologia como Ciência Há contudo ideias científicas que devem ser consideradas

Geologia Geral 1- A Geologia como Ciência

Há contudo ideias científicas que devem ser consideradas como absolutamente

correctas, uma vez que se tal não se verificasse o Universo tal como o conhecemos seria

posto em causa. Estas ideias designam-se por leis científicas, e são delas exemplos: a

lei da gravitação universal; as leis do movimento e as leis da termodinâmica.

Evolução histórica de conceitos e métodos geológicos Desde cedo o Homem utilizou pedras e minerais para fazer utensílios necessários à sua

sobrevivência, de que é exemplo o sílex utilizado nas pontas das setas. Cedo começou a

aproveitar minerais para fazer tintas, que hoje podemos observar nas pinturas rupestres.

A descoberta dos metais revolucionou a tecnologia e a evolução do Homem. A

descoberta do cobre, do bronze e do ferro são etapas fundamentais dessa evolução

Na Grécia antiga surgiram tentativas de interpretação de factos geológicos. Xenófanes

(570-480 A.C.), interpretou as conchas fósseis como tendo sido produzidas quando

todas as coisas ainda se encontravam na vasa. Pitágoras (580-565 A.C.) teve a

percepção da realidade das transgressões e regressões marinhas.

A «Enciclopédia» islâmica (concluída antes de 980) relatava que a erosão destruía as

montanhas, e os materiais soltos iam acumular-se em lagos e mares sob a forma de

camadas sobrepostas, daí resultando novas montanhas; ciclicamente todos os 36 000

anos, as planícies transformam-se em mares e os mares em planícies e montanhas.

Avicena, médico muçulmano (980-1036/7) dizia que as montanhas eram originadas

pelos sismos que faziam subir o solo.

No Renascimento, Leonardo da Vinci (1452-1519) admitia que os fósseis se

depositaram em fundos marinhos. Dos seus estudos no vale do rio Pó, concluiu que o

tempo necessário para a génese dos aluviões teria excedido largamente os valores até

então supostos com base na Bíblia, para a idade da Terra. Estes seus estudos não

tiveram impacto, e no séc. XVI relacionavam-se fósseis e rochas com o Dilúvio bíblico

- Diluvianismo.

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Geologia Geral 1- A Geologia como Ciência Em meados do séc. XVII, com base na

Geologia Geral 1- A Geologia como Ciência

Em meados do séc. XVII, com base na Bíblia, o arcebispo anglicano Ussher (1581- 1656) calculou que a Terra tinha sido criada às 9h da manhã do dia 23 de Outubro no ano 4004 A.C. Este cálculo foi feito sobre as descrições apresentadas na Biblia, no livro Génesis, utilizando a cronologia e duração dos reinados descritos até ao nascimento de Cristo. Este método revela a aplicação de um método científico para a datação da Terra, suportada num postulado de base admitido por todos à época - a criação bíblica do mundo. É importante realçar que a pesquisa científica actual se desenvolve por métodos idênticos, suportada em postulados que são a base de todas as interpretações, até que se demonstre serem obsoletos.

De grande importância foram os estudos de Niels Stenson (1638-1686) ao distinguir rochas que se teriam formado nos rios e no mar com base nos fósseis que aí encontrou. Enunciou o Princípio da Sobreposição - camadas sucessivas são cada vez mais modernas à medida que se sobe na série, um dos princípios básicos da Estratigrafia. Abordou a tectónica quando considerou que as camadas inclinadas foram horizontais noutra época.

O Plutonismo, doutrina que se divulgou no séc.XVIII, defendia que as rochas tinham

origem em material em fusão. Avanços importantes são devidos a Georges Louis Leclerc, conde de Buffon (1707-1788), que atribuía origem ígnea às montanhas mais antigas; o globo teria passado por um estado de fusão, que por arrefecimento teria originado as montanhas; advogava portanto o Plutonismo. Admitia que a duração total da História da Terra seria da ordem dos 75 mil anos, o que excedia largamente as estimativas de seis a oito mil anos admitidas com base na Bíblia.

Contribuição essencial é devida a James Hutton (1726-1797), autor de «A Teoria da Terra». Foi de tal maneira importante o seu contributo para o desenvolvimento da Geologia, que é considerado como o grande mestre do Uniformitarismo, doutrina que no séc. XVIII se opôs ao Neptunismo.

O Neptunismo, cujo grande impulsionador foi Werner (1749-1817), considerava a

geologia como uma prova da veracidade das Escrituras, interpretando os depósitos marinhos e os fósseis como vestígios do episódio bíblico do Dilúvio. Werner defendia

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Geologia Geral 1- A Geologia como Ciência que minerais e rochas eram produtos da água.

Geologia Geral 1- A Geologia como Ciência

que minerais e rochas eram produtos da água. Estes materiais ter-se-iam formado no grande oceano que teria coberto toda a superfície do globo. Werner distinguiu cinco episódios distintos, com base nas sequências de rochas observadas e muito bem descritas em diversos pontos da Europa:

1- Deposição num mar quente dos granitos, gnaisses e pórfiros;

2- Deposição de xistos e grauvaques, que cobrem os granitos e os gnaisses primitivos;

3- O mar começa a retirar-se dos continentes. Neste período depositam-se os calcários, os grés e os basaltos. Os basaltos foram considerados como rochas sedimentares, porque Werner os observou em sequências intercalados com rochas sedimentares. Durante este período, teriam aparecido os mamíferos na Terra;

4- Aparecimento de continentes de dimensão ainda restrita, nos quais os rios e o vento tinham já uma acção importante, como agentes de erosão e de transporte, que permitiam que fossem depositados no mar os produtos dessa erosão: argilas, areias e saibros;

5- Após a retirada da água dos continentes, inicia-se uma intensa actividade vulcânica, cuja fonte de calor

pode ser detectada na combustão das formações carboníferas enterradas a grande profundidade.

Estas etapas sucedem-se num período de algumas dezenas de milhares de anos, num tempo bíblico.

O

Neptunismo advogava uma história geológica da Terra com uma evolução rápida e

finalizada, com etapas respeitando uma ordem estabelecida, correspondendo a cada

uma delas rochas bem características.

Contrariando esta corrente de pensamento, o uniformitarismo exposto por James Hutton defendia uma evolução cíclica, na qual seria difícil indicar com precisão um princípio e um fim na história da Terra. Esta teoria uniformitarista, defendia uma origem dupla para as rochas da crosta; algumas como os calcários, os xistos e os arenitos, chamadas rochas secundárias, resultariam da erosão de rochas preexistentes, chamadas rochas primárias, que por sua vez teriam resultado do arrefecimento do material em fusão do interior da Terra. Por defender esta origem a partir de matéria em fusão, para alguns tipos de rochas, Hutton é considerado também um defensor do Plutonismo. As rochas primárias típicas são o granito e o basalto, que para Hutton resultariam do arrefecimento de um magma quente vindo do interior do globo.

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Geologia Geral 1- A Geologia como Ciência Contribuição portuguesa importante para o desenvolvimento da geologia

Geologia Geral 1- A Geologia como Ciência

Contribuição portuguesa importante para o desenvolvimento da geologia mineira e da

mineralogia foi dada por José Bonifácio de Andrade e Silva (1763-1838), cujo nome

ficou homenageado na nomenclatura de um mineral do grupo das granadas - a

andradite.

Cuvier (1769-1832), detectou na sucessão de estratos ou camadas, uma série de faunas

que pareciam surgir lentamente e desaparecer alguns estratos mais acima. Interpretou

estas observações, admitindo que o globo tem uma actividade cíclica, sendo cada ciclo

separado do seguinte por uma grande catástrofe que destruía os seres vivos existentes

nos continentes - Catastrofismo. Deus voltava então a criar novas espécies para

substituir as desaparecidas e, desta forma, as faunas e as floras iam-se sucedendo e

renovando com características diferentes.

A Geologia progrediu com a influente obra de Charles Lyell (1797-1875) «Principles of

Geology», que refutou todas as ideias catastrofistas de Cuvier. Segundo Lyell todos os

fenómenos geológicos que ocorreram no passado, e cujos vestígios podemos observar

hoje, foram provocados por fenómenos idênticos, em natureza e em intensidade, àqueles

que observamos nos nossos dias: erosão, sedimentação, vulcanismo, sismos, etc. Se

tivermos em conta e correctamente a acção do tempo, não precisamos de evocar

catástrofes: basta adicionar até ao infinito os fenómenos que observamos todos os dias.

Charles Lyell foi o grande impulsionador no desenvolvimento do Uniformitarismo,

aplicando-o como um método de trabalho no estudo do passado da Terra. O

uniformitarismo como método de trabalho recebe a designação de Actualismo, porque

se rege pelo Princípio da Causas Actuais - "O presente é a chave do passado". O

actualismo é pois uma aplicação prática do uniformitarismo.

Segundo as teorias uniformitaristas:

- A Terra seria o produto de um tempo ilimitado;

- Há permanente formação e destruição de rochas;

- A história da Terra pode ser explicada em termos de forças naturais, como as que se observam hoje em dia;

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Geologia Geral 1- A Geologia como Ciência - A história da Terra decorre de um

Geologia Geral 1- A Geologia como Ciência

- A história da Terra decorre de um desenvolvimento longo e progressivo, não ocorrendo catástrofes universais.

Em 24 de Novembro de 1859 foi publicada a 1ª edição da obra de Charles Darwin – “A

Origem das Espécies”. Este livro corresponde a uma transformação profunda da visão

da terra e da duração da sua história. As teorias evolucionistas que esta obra advoga

estão associadas ao aparecimento da Geologia como ciência.

Com

ACTUALISMO.

o

desenvolvimento

da

teoria

EVOLUCIONISTA

surgiram

limitações

ao

O actualismo, aplicação metodológica do uniformitarismo, continua a ser aplicado,

embora a geologia moderna deva ter em linha de conta que a evolução da Terra,

manifestando-se por processos cíclicos, não é no seu todo reversível.

A conjugação das diferentes teorias defendidas nos sécs. XVIII e XIX, mas sobretudo as

teorias evolucionistas, suportaram as ideias actuais sobre o tempo geológico e a história

da Terra:

- A evolução faz-se lentamente e os tempos geológicos são longos;

- A evolução é irreversível e dá um sentido ao tempo;

- A evolução não tem um fim nem é dirigida; é sim uma resposta a alterações ligadas à história da terra.

Embora admitindo que os acontecimentos ao longo da história da Terra não se deram

sempre da mesma maneira e com a mesma intensidade, a reconstituição do passado da

Terra ainda é construída com base nos princípios do Actualismo.

Alguns exemplos das limitações desta aplicação prática:

Muitas rochas abundantes nas sequências geológicas mais antigas não se formam actualmente ou ocorrem em proporções muito diferente

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São exemplos:

- Os ferros oolíticos e os fosfatos ou ainda rochas vulcânicas mais antigas, que não têm equivalentes actuais

- A abundância de níveis de sílex (sílica de precipitação química) nas séries marinhas do passado, enquanto actualmente se verifica que os meios marinhos são impróprios para a concentração de sílica.

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O “presente” não é representativo dos tempos antigos Geologia Geral 1- A Geologia como Ciência

O “presente” não é representativo dos tempos antigos

Geologia Geral 1- A Geologia como Ciência

- A superfície actual da Terra não é semelhante à dos tempos carboníferos

- Os fenómenos pós e inter-glaciáricos actuais são anormais, porque os períodos

glaciáricos correspondem a menos de 2% da história da Terra desde o Paleozóico.

No passado só é possível reconhecer o que conhecemos nos ambientes actuais ou mecanismos físico-quimicos idênticos

- Só é possível a um geólogo reconhecer, numa sequência geológica antiga, um ambiente glaciárico, se esse ambiente for observável actualmente;

- A descoberta recente de fontes hidrotermais nos rifts permitiu caracterizar um novo ambiente de deposição, tornando possível a sua identificação em sequências antigas.

A comparação entre o actual e o passado só pode ser feita com base no que é conservado no “passado” As modificações irreversíveis caracterizam a história da Terra

- Formação progressiva dos continentes;

- Mudanças na composição da atmosfera.

Extinções massivas de espécies (fim do Paleozóico e limite Cretácico-Terciário)

No início do Séc. XX, argumentos geológicos, geofísicos, paleontológicos, paleogeográficos e zoológicos levaram Wegener (1880-1930) a admitir que os continentes fizeram parte de um único continente - a Pangeia, e que no decurso dos tempos se separaram – teoria da deriva continental. Esta teoria não explicava contudo qual o motor para estas translações continentais. Foi Arthur Holmes (1890-1965) que sugeriu que eram devidas a correntes de convecção numa massa fluída sob a crosta rígida e fragmentável. A partir dos anos 60 foram descobertas as dorsais oceânicas, com a parte mediana a corresponder a vales do tipo rift. O Paleomagnetismo contribuiu com provas irrefutáveis para a aceitação da teoria da expansão dos fundos oceânicos, encontrando-se dessa forma o motor da deriva continental.

M. A. Ribeiro

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UM POUCO DE HISTÓRIA DA GEOLOGIA

A descoberta do cobre, do bronze e do ferro marcaram etapas fundamentais na evolução do Homem. Na Grécia antiga surgiram tentativas de interpretação de factos geológicos. Xenófanes (570-480 A.C.), interpretou as conchas fósseis como tendo sido produzidas quando todas as coisas ainda se encontravam na vasa. Pitágoras (580-565 A.C.) teve a percepção da realidade das transgressões e regressões marinhas.

A «Enciclopédia» islâmica (concluída antes de 980) relatava que a erosão destruía as montanhas, e os materiais soltos iam acumular-se em lagos e mares soba forma de camadas sobrepostas, daí resultando novas montanhas, renovadas ciclicamente todos os 36000anos. Avicena, médico muçulmano (980-1036) dizia que as montanhas eram originadas pelos sismos que faziam subir o solo.

No Renascimento, Leonardo da Vinci (1452-1519) admitia que os fósseis se depositaram em fundos marinhos, concluindo que o tempo necessário para a génese dos aluviões teria excedido largamente os valores até então supostos para a idade da Terra. No séc. XVI ainda se relacionavam os fósseis e rochas com o Dilúvio bíblico – Diluvianismo. Em meados do séc. XVII, com base na Bíblia, o arcebispo anglicano Ussher (1581-1656) calculou que a Terra tinha sido criada às 9h da manhã do dia 23 de Outubro no ano 4004 A.C.

Niels Stenson (1638-1686) ao distinguir rochas que se teriam formado nos rios e no mar com base nos fósseis que aí encontrou, enunciou o Princípio da Sobreposição No séc. XVIII despontava o Plutonismo, doutrina que defendia que todas as rochas tinham origem em material em fusão; Avanços importantes são devidos a Georges Louis Leclerc, conde de Buffon (1707-1788), que atribuía origem ígnea às montanhas mais antigas;

o globo teria passado por um estado de fusão, que por arrefecimento teria originado as montanhas; advogava portanto o Plutonismo. A História da Terra seria da ordem dos 75mil anos.

James Hutton (1726-1797), autor de «A Teoria da Terra», deu importante contributo para o desenvolvimento da Geologia, como o grande mentor do Uniformitarismo, doutrina que no séc. XVIII se opôs ao Neptunismo. O grande impulsionador do Neptunismo foi Werner (1749-1817). Esta teoria foi muito suportada nas Escrituras, interpretando os depósitos marinhos e os fósseis como vestígios do episódio bíblico do Dilúvio. Werner defendia que minerais e rochas ter-se-iam formado no grande oceano que teria coberto toda a superfície do globo, em cinco episódios distintos.

O Uniformitarismo (James Hutton) defendia uma evolução cíclica, sem vislumbre de um princípio e um fim na história da Terra. Defende uma origem dupla para as rochas da crosta: rochas primárias teriam resultado do arrefecimento do material em fusão do interior da Terra e as rochas secundárias seriam resultantes da erosão de rochas preexistentes. Por defender a origem primária a partir de matéria em fusão, para alguns tipos de rochas, Hutton é considerado também um defensor do Plutonismo. As rochas primárias típicas são o granito e o basalto. José Bonifácio de Andrade e Silva (1763-1838) deu importante contributo para o desenvolvimento da geologia mineira. Um mineral do grupo da granada recebeu um nome que lhe foi dedicado – andradite. Cuvier (1769-1832), detectou na sucessão de estratos ou camadas, uma série de faunas que pareciam surgir lentamente e desaparecer alguns estratos mais acima. Interpretou a actividade cíclica, sendo cada ciclo separado do seguinte por uma grande catástrofe que destruía os seres vivos existentes nos continentes – Catastrofismo.

A obra de Charles Lyell (1797-1875) «Principles o Geology» refutou as ideias catastrofistas de Cuvier, interpretando os fenómenos geológicos que ocorreram no passado de modo idêntico, em natureza e em intensidade, aos que observamos nos nossos dias. Charles Lyell foi o grande impulsionador no desenvolvimento do

Uniformitarismo, aplicando-o como um método de trabalho no estudo do passado da Terra.

O Uniformitarismo como método de trabalho recebe a designação

de Actualismo, porque se rege pelo Princípio da Causas Actuais – "O

presente é a chave do passado". O actualismo é pois uma aplicação prática do Uniformitarismo. Segundo as teorias uniformitaristas:

A Terra seria o produto de um tempo ilimitado; Há permanente formação e destruição de rochas; A história da Terra pode ser explicada em termos de forças naturais, como as que se observam hoje em dia; A história da Terra decorre de um desenvolvimento longo e progressivo.

A 1ª edição da obra de Charles Darwin – “A Origem das Espécies”

(24 de Novembro de 1859) marca uma transformação profunda da visão da terra e da duração da sua história. As teorias evolucionistas que esta obra advoga estão associadas ao aparecimento da Geologia como ciência.

Com o desenvolvimento da teoria EVOLUCIONISTA surgiram limitações ao ACTUALISMO. O actualismo, aplicação metodológica do Uniformitarismo, continua a ser aplicado, embora a Geologia moderna deva ter em linha de conta que a evolução da Terra, manifestando-se por processos cíclicos, não é reversível

Da conjugação das diferentes teorias defendidas nos secs. XVIII e XIX, mas sobretudo com o suporte das teorias evolucionistas, desenvolveu-se a ideia actual sobre o tempo geológico e a história da Terra:

A evolução faz-se lentamente e os tempos geológicos são longos;

A evolução é irreversível e dá um sentido ao tempo;

A evolução não tem nem é dirigida; é sim uma resposta a alterações ligadas á história da terra

No início do Sec. XX, argumentos geológicos, paleontológicos, paleogeográficos e zoológicos levaram Wegener (1880-1930) a admitir que os continentes fizeram parte de um único continente -a Pangeia, e que no decurso dos tempos se separaram – teoria da deriva continental.

Arthur Holmes (1890-1965) defendeu que a deriva continental era devida às correntes de convecção soba crosta rígida e portanto fragmentável. A partir dos anos 60 foram descobertas as dorsais oceânicas, coma parte mediana a corresponder a vales do tipo rift. O Paleomagnetismo contribuiu com provas irrefutáveis para a aceitação da teoria da expansão dos fundos oceânicos, encontrando-se dessa forma o motor da deriva continental.

Embora admitindo que os acontecimentos ao longo da história da Terra não se deram sempre da mesma maneira e com a mesma intensidade, a reconstituição do passado da Terra ainda é construída com base nos princípios do Actualismo.

Alguns exemplos das limitações ao actualismo Muitas rochas abundantes nas sequências mais antigas são raras ou inexistentes nos ambientes actuais: p.e. ferros oolíticos e

fosfatos sem equivalentes actuais; níveis de sílex (sílica de precipitação química) nas séries marinhas do passado, enquanto os meios marinhos actuais não são favoráveis para a concentração de sílica

O “presente” não é representativo dos tempos antigos: p.e a superfície actual da Terra não é semelhante à dos tempos carboníferos.

2 – Formação e Evolução da terra

2 – Terra – um planeta especial 2.1 – Formação e evolução da Terra Geologia

2 – Terra – um planeta especial

2.1 – Formação e evolução da Terra

Geologia Geral 2.1 – Formação e evolução da Terra

“BIG BANG” – Teoria explicativa da origem do nosso universo há cerca de 12 a 15 mil milhões (biliões) de anos, a partir de uma explosão cósmica. Antes desse momento toda a matéria e energia estariam concentradas num único ponto, incomensuravelmente denso.

A

partir do “Big Bang” o universo expandiu-se continuamente, originando as galáxias e

as

estrelas.

A

evolução do Universo (e do Sistema Solar) pode ser explicada pelos processos de

nucleossintese, desencadeados a partir do “big bang” e evoluindo posteriormente por etapas (fig.2.1).

NUCLEOSSINTESE: fusão de núcleos e/ou captura neutrónica Exemplos:

2 H + 2 H = 4 He + calor 4 He + 4 He + 4 He = 12 C + calor 4 He + 4 He + 4 He + 4 He = 16 O + calor 12 C + 4 He = 16 O + calor 24 Mg + 4 He = 28 Si + calor

Os fenómenos de nucleossintese desenvolveram-se a partir do “big bang” em etapas sucessivas, originando todos os elementos químicos que constituem a matéria do universo. Sobre a abundância dos diferentes elementos químicos do universo, importa referir que (fig. 2.1):

- 90% dos átomos do universo são de H, e 10% são de He;

- há um decréscimo progressivo da abundância dos elementos em função dos respectivos números atómicos crescentes. Só três elementos escapam a esta correlação: o Li, o B e o Be (são entre os elementos leves os menos abundantes no universo);

- os elementos mais pesados (elementos metálicos) são apenas elementos traço (elementos presentes em pequenas quantidades).

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Geologia Geral 2.1 – Formação e evolução da Terra Os diferentes corpos do universo têm

Geologia Geral 2.1 – Formação e evolução da Terra

Os diferentes corpos do universo têm composições muito semelhantes, embora as estrelas apresentem espectros de radiação diferentes, estas diferenças são resultantes da diferente atmosfera que as envolve; em algumas existe uma atmosfera essencialmente compostas por He, noutras por H.

atmosfera essencialmente compostas por He, noutras por H. Fig.2.1 – Abundância dos diferentes elementos químicos

Fig.2.1 – Abundância dos diferentes elementos químicos no universo e fases de nucleossintese.

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VIA LÁCTEA – uma galáxia entre muitas Geologia Geral 2.1 – Formação e evolução da

VIA LÁCTEA – uma galáxia entre muitas

Geologia Geral 2.1 – Formação e evolução da Terra

Galileu mostrou em 1610 que a Via Láctea era formada por milhares de estrelas, sendo

o sol uma delas (fig. 2.2).

milhares de estrelas, sendo o sol uma delas (fig. 2.2). Fig. 2.2 – Representação esquemática, em

Fig. 2.2 – Representação esquemática, em corte com vista tridimensional, da nossa galáxia Via Lactea; al – anos luz.

Os braços ou ramos galácticos correspondem a ondas de densidade mais fortes do

centro para a periferia do disco. Cada estrela está animada de um movimento de

translação por efeito da gravitação. As estrelas percorrem o disco galáctico em ciclos de

+/- 250Ma. Esta ciclicidade galáctica parece ter alguma influência sobre o nosso

planeta, porque tem correspondência com a ciclicidade dos grandes acontecimentos

geológicos dos últimos 600 Ma da Terra.

TERÃO OS PLANETAS DO SISTEMA SOLAR UMA ORIGEM COMUM?

QUAL A SUA RELAÇÃO COM A ORIGEM DO UNIVERSO?

COMUM? QUAL A SUA RELAÇÃO COM A ORIGEM DO UNIVERSO? Idade do sistema solar (+/- a
COMUM? QUAL A SUA RELAÇÃO COM A ORIGEM DO UNIVERSO? Idade do sistema solar (+/- a
COMUM? QUAL A SUA RELAÇÃO COM A ORIGEM DO UNIVERSO? Idade do sistema solar (+/- a
COMUM? QUAL A SUA RELAÇÃO COM A ORIGEM DO UNIVERSO? Idade do sistema solar (+/- a
COMUM? QUAL A SUA RELAÇÃO COM A ORIGEM DO UNIVERSO? Idade do sistema solar (+/- a
COMUM? QUAL A SUA RELAÇÃO COM A ORIGEM DO UNIVERSO? Idade do sistema solar (+/- a
COMUM? QUAL A SUA RELAÇÃO COM A ORIGEM DO UNIVERSO? Idade do sistema solar (+/- a

Idade do sistema solar (+/- a idade da Terra ) – 4,57 – 4,56 mil milhões de anos; Idade das rochas da Lua – 4,47 mil milhões de anos; idade da Lua Idade dos meteoritos – 4,56 mil milhões de anos Idade das rochas mais antigas da Terra – 3 a 3,5 mil milhões de anos

(recentemente foram encontrados zircões na Austrália com 4,3 a 4,4 mil milhões de anos)

Idades baseadas nos estudos isotópicos de:

- rochas lunares;

- meteoritos;

- rochas terrestres

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Geologia Geral 2.1 – Formação e evolução da Terra HIPÓTESE DA NEBULOSA : Em 1755,

Geologia Geral 2.1 – Formação e evolução da Terra

HIPÓTESE DA NEBULOSA: Em 1755, o filósofo alemão Kant sugeriu que o sistema solar teria sido originado a partir da rotação de uma nuvem de gás e poeiras (fig.2.3). Os telescópios actuais permitem confirmar a existência deste tipo de nuvens fora do sistema solar. Os gases mais abundantes nestas nuvens são o hidrogénio e o hélio, e as poeiras são quimicamente semelhantes aos materiais da terra.

são quimicamente semelhantes aos materiais da terra. Fig. 2.3 – Formação do Sistema Solar: a) Contracção

Fig. 2.3 – Formação do Sistema Solar: a) Contracção de uma nebulosa (gás e poeiras) inicial; b) Por contracção e rotação forma-se um disco cuja matéria fica concentrada sobretudo no centro (Proto-Sol); c) No disco de gás e poeiras envolventes formam-se grãos que colidem e se agrupam formando os planetesimais (corpos de dimensão quilométrica); d) Os planetas formam-se por múltiplas colisões e acreções de planetesimais em resposta à atracção gravítica.

Sob efeito gravítico a matéria da nebulosa concentra-se no centro originando o precursor do Sol (Proto-Sol) (fig. 2.3). Esta compressão origina um aumento de densidade e de temperatura, atingindo-se condições de fusão nuclear, que se mantêm no Sol. Entretanto a nuvem residual de gás e poeiras que envolviam o proto-Sol, por rotação formaram um disco, cuja densidade e temperatura aumentavam da periferia para o interior. Este disco começou a arrefecer e originou condensação e por atracção gravítica a matéria condensada e as poeiras foram aglomeradas em corpos pequenos (quilométricos) – os planetesimais. Por colisões múltiplas estes planetesimais foram-se aglomerando e acreccionando formando corpos planetários. Numa fase final de colisões os corpos planetários de maior massa (com maior campo gravítico) atrairam e aglomeraram os outros, originam-se assim os nove planetas.

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Geologia Geral 2.1 – Formação e evolução da Terra Contudo os planetas interiores (ou telú

Geologia Geral 2.1 – Formação e evolução da Terra

Contudo os planetas interiores (ou telúricos): Mercúrio, Venus, Terra e Marte apresentam características diferentes dos exteriores (Júpiter, Saturno, Urano, Neptuno e Plutão (fig. 2.4).

Todos os planetas do Sistema Solar apresentam orbitais de baixa excentricidade e todas no mesmo plano (+/- no plano equatorial do sol), verificando-se que 99% da massa do sistema solar está no sol. Os restantes 1% distribuem-se pelos planetas próximos do sol (pequenos e densidade elevada) e pelos mais afastados (maiores e de menor densidade). Mercúrio, Vénus, Terra e Marte são planetas pequenos e densos com poucos satélites (excepto a Lua), e constituem os planetas telúricos. Júpiter; Saturno; Urano; Neptuno (planetas gigantes) e plutão são maiores, menos densos, têm muitos satélites e são ricos em gases, nomeadamente amoníaco, metano hidrogénio e hélio.

gases, nomeadamente amoníaco, metano hidrogénio e hélio. Fig. 2.4 - O sistema solar: representação orbital e

Fig. 2.4 - O sistema solar: representação orbital e dimensão relativa dos planetas.

Apresentam-se algumas características dos planetas nossos vizinhos no sistema solar:

MERCÚRIO:

- Estrutura interna semelhante à da Terra, com núcleo de ferro e manto de silicatos, mas em proporções diferentes.

- A superfície externa é semelhante à Lua, com escoadas de lavas e crateras de dimensões muito

variáveis. Mercúrio é um planeta morto, mas que teve, no passado importante actividade vulcânica.

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Geologia Geral 2.1 – Formação e evolução da Terra - Ausência de atmosfera: Campo magnético

Geologia Geral 2.1 – Formação e evolução da Terra

- Ausência de atmosfera: Campo magnético dipolar, semelhante ao da Terra, embora mais fraco, cuja origem deve estar associada ao núcleo.

VÉNUS:

- É um pouco mais pequeno e menos denso que a Terra.

- Tem o período de rotação mais longo que o período de translação.

- Atmosfera muito densa (95 vezes superior à da Terra): 97% de CO2; 3% de azoto, compostos

sulfurosos, enxofre, etc.

- A atmosfera tem um efeito de estufa que explica a temperatura de 460ºC no solo de Vénus.

- Ausência de campo magnético.

- Rochas parecem semelhantes às da Terra (granidos e basaltos ??).

- Crateras de impacto foram destruídas pelo vulcanismo.

- Vénus parece ser ainda geologicamente activo: Existem estruturas que se assemelham a dorsais e a zonas de subducção.

MARTE:

- Atmosfera composta por 95% de CO2; 2 a 3 % de azoto; presença de oxigénio e de vapor de água e outros gases raros., mas de muito baixa pressão

- Pensa-se que na superfície de Marte terá existido uma camada de 10m a 100m de água (líquida ou gasosa). A morfologia da sua superfície, para além de crateras de meteoritos e de escoadas de lavas apresenta vestígios de cursos de água que causaram ravinamentos e erosão.

- Marte, à semelhança da Terra e das suas rochas sedimentares, tem rochas superficiais formadas a partir de rochas ultrabásicas.

JUPITER E SATURNO:

- Contrariamente ao que se supunha não se trata de planetas gelados, mas ao contrário planetas ardentes, com vulcanismo intenso e permanente. A sua temperatura interna atinge 20 00ºC;

- A atmosfera de ambos é essencialmente composta por H e He.

- O núcleo deste planetas, antes considerados como gasosos, deverá ter uma composição muito próxima da dos planetas telúricos.

A TERRA E A LUA

A Lua tem uma crosta de composição anortosítica, de idade entre 4,5 e 4,4 mil milhões

de anos, com uma espessura de cerca de 60km; A espessura da sua litosfera é da ordem de 1000Km (ao contrário da da Terra que tem cerca de 70 a 150km) o que torna impossível todos os movimentos de placas ou ascensão de magmas a partir da astenosfera. A LUA È UM ASTRO MORTO, apenas com uma sismicidade ligeira.

A evolução da Lua terminou no momento a partir do qual a partir da qual há registo

litológico (nas rochas) da evolução da Terra. As rochas mais antigas da terra têm cerca

de 3,5 mil milhões de anos, mas 97% das rochas do nosso planeta têm menos de 2 mil milhões de anos.

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Geologia Geral 2.1 – Formação e evolução da Terra QUAIS TERÃO SIDO AS RELAÇÕES ENTRE

Geologia Geral 2.1 – Formação e evolução da Terra

QUAIS TERÃO SIDO AS RELAÇÕES ENTRE A GÉNESE DA TERRA E A DA LUA? DESDE QUANDO ESTÃO JUNTAS?

No decurso da acreção da Terra, a colisão de planetesimais e de outros corpos de maiores dimensões gerou uma importante energia de impacto, suficiente para projectar no espaço alguns dos fragmentos dos corpos que colidiam, e por outro lado, suficiente para aquecer até ao ponto de fusão a Terra acrecionada. Outra das fontes de calor desde o inicio da formação da Terra terá sido o decaimento radioactivo de alguns dos seus constituintes (urânio, por exemplo).

Uma das hipótese mais aceites para a formação da Lua é a de que esta tenha resultado da agregação dos detritos resultantes do impacto sobre a Terra de um corpo do tamanho de Marte ( fig. 2.5), que se teria verificado há cerca de 4.5 mil milhões de anos. Este impacto teria causado uma fusão extensiva da Terra e teria projectado uma quantidade enorme de detritos que posteriormente aglomeraram formando a Lua. Globalmente a Lua é constituída por material menos denso do que a Terra, o que também favorece a hipótese antes exposta; o material projectado no decurso da colisão e fusão subsequente foi o menos denso. O facto de A Lua não ter atmosfera também favorece esta hipótese; terá perdido os voláteis no aquecimento provocado pelo impacto.

perdido os voláteis no aquecimento provocado pelo impacto. M. A. Ribeiro Ano lectivo: 2004/2005 Fig. 2.5

M. A. Ribeiro

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Fig. 2.5 - Representação esquemática da colisão de um corpo da dimensão de Marte, que terá ocorrido na superfície da Terra, há cerca de 4,5 mil milhões de anos, na fase final do seu processo de acreção. Esta colisão terá originado uma fusão extensiva da Terra e a projecção de detritos que por aglomeração originaram a Lua.

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Geologia Geral 2.1 – Formação e evolução da Terra COMO EVOLUIU A TERRA PARA UM

Geologia Geral 2.1 – Formação e evolução da Terra

COMO EVOLUIU A TERRA PARA UM PLANETA COM CONTINENTES, OCEANOS E ATMOSFERA?

A Terra, em consequência do impacto, terá sofrido uma inclinação de 23º no seu eixo de

rotação e uma fusão de 30 a 65%. A partir do momento em que houve material em estado de fusão começou o processo de diferenciação.

A estruturação geoquímica da Terra foi consequência de um processo de diferenciação

que se seguiu à acreção (fig. 2.6).

de diferenciação que se seguiu à acreção (fig. 2.6). Fig. 2.6 – Representação esquemática da acreção

Fig. 2.6 – Representação esquemática da acreção e direrenciação da Terra.

Neste processo de diferenciação os elementos mais densos, nomeadamente o ferro concentram-se no interior no núcleo e os menos densos migram para a superfície concentrando-se na crosta e os voláteis na atmosfera.(fig. 2.7).

na crosta e os voláteis na atmosfera.(fig. 2.7). Fig. 2.7 – a) A Terra após o

Fig. 2.7 – a) A Terra após o processo de acreção seria uma massa homogénea; b) No processo de diferenciação o ferro concentrou-se no núcleo e o material menos denso formou a crosta superficial; c) Zonalidade concêntrica da Terra: núcleo denso, crosta pouco densa e manto residual entre ambos englobando a maioria da sua massa.

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Geologia Geral 2.1 – Formação e evolução da Terra O núcleo terrestre situa-se no centro

Geologia Geral 2.1 – Formação e evolução da Terra

O núcleo terrestre situa-se no centro da nosso globo a partir da profundidade de 2900

km e é constituído essencialmente por ferro e algum níquel.

A crosta, parte mais superficial da Terra, é constituída pelos materiais menos densos

que flutuam no oceano do magma inicial e tem uma profundidade média de cerca de 40km. Entre ambos existe o manto que compreende a grande maioria da massa terrestre e em uma composição de densidade intermédia.

Existem muitos elementos químicos, mas apenas 4 deles constituem 90%da massa da Terra (fig. 2.8).

apenas 4 deles constituem 90%da massa da Terra (fig. 2.8). Fig. 2.8 – Abundância relativa dos

Fig. 2.8 – Abundância relativa dos elemento químicos na globalidade da Terra e na crosta terrestre.

As rochas da crosta sobre as quais vivemos são constituídas em mais de 80% por oxigénio, silício e alumínio.

O processo de diferenciação levou à formação da crosta, estando esta diferenciada em

crosta continental de composição média granítica a granodiorítica, e em crosta oceânica

de composição média basáltica. A diferenciação da crosta continental terá começado

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Geologia Geral 2.1 – Formação e evolução da Terra com a diferenciação global, mas continuou

Geologia Geral 2.1 – Formação e evolução da Terra

com a diferenciação global, mas continuou ao longo do tempo geológico, terminando a fase maior da sua formação há cerca de 2500 a 2000 milhões de anos (fig. 2.9). Actualmente as massa continentais representam 29% da superfície da Terra, e esta relação parece manter-se estável nos últimos 500 milhões de anos. Após um crescimento rápido dos continentes entre 3000 e 2000 milhões de anos, a diferenciação e crescimento dos continentes à custa do manto tornou-se bastante mais lenta nos últimos 500 milhões de anos, mas a sua reciclagem continua a processar-se, por troca de massa entre o manto e a crusta e por interacção com a atmosfera e a hidrosfera, numa sucessão de ciclos.

A hidrosfera e a atmosfera formaram também da dependência do processo de

diferenciação, por concentração nas zonas superficiais de água e gases libertados durante o aquecimento e diferenciação. Na estrutura química dos minerais existia oxigénio e hidrogénio, assim como azoto e carbono. Com o aquecimento da Terra e fusão parcial dos seus materiais o vapor de água e outros gases foram libertados e transportados para a superfície pelos magmas e libertados pela actividade vulcânica (fig.2.10). Esta atmosfera primitiva teria essencialmente hidrogénio, vapor de água, dióxido de carbono e azoto. Na sua evolução posterior verificou-se perda do hidrogénio que se escapou para o espaço, devido à sua leveza, e ganho de oxigénio livre a partir do momento em que, pelo desenvolvimento da biosfera, houve seres vivos com a capacidade de realizarem fotossíntese.

O aparecimento e evolução da vida na Terra dependeu e depende de complexas

interacções entre atmosfera, hidrosfera, litosfera e biosfera. Há cerca de 4 a 3,5 mil milhões de anos já existiam a atmosfera primitiva e a hidrosfera. Esta atmosfera

primitiva deixava que todos os componentes da luz solar atingissem a superfície sólida

da

Terra, mesmo os raios ultravioleta (UV), que são prejudiciais à vida. A abundância

de

dióxido de carbono e de vapor de água na atmosfera primitiva fizeram um efeito de

estufa atmosférico, permitindo que a luz solar entrasse, e que o calor e o vapor de água ficassem retidos na superfície da Terra. Foi este o ambiente propício ao desenvolvimento dos percursores da vida - existem vestígios de formas bacterianas em rochas com 3.5 mil milhões de anos. O primeiro passo nesta evolução teria sido a formação de grandes moléculas orgânicas de metano e amónia, que ainda não eram seres vivos. O passo seguinte foi o desenvolvimento das moléculas ARN e ADN. Outro

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Geologia Geral 2.1 – Formação e evolução da Terra passo importante foi o desenvolvimento de

Geologia Geral 2.1 – Formação e evolução da Terra

passo importante foi o desenvolvimento de formas de vida com a capacidade de fotossíntese, permitindo uma importante evolução da composição atmosférica.

EVENTOSEVENTOS MAIORESMAIORES NANA EVOLUÇÃOEVOLUÇÃO DADA TERRATERRA

EVENTOSEVENTOS MAIORESMAIORES NANA EVOLUÇÃOEVOLUÇÃO DADA TERRATERRA

EVENTOSEVENTOS MAIORESMAIORES NANA EVOLUÇÃOEVOLUÇÃO DADA TERRATERRA

Formação do Sol: 4570 Ma

Formação do Sol: 4570 Ma

Formação do Sol: 4570 Ma

Formação da Lua: 4510Ma Formação da Lua: 4510Ma Formação da Lua: 4510Ma Água líquida: 3800Ma
Formação da Lua: 4510Ma
Formação da Lua: 4510Ma
Formação da Lua: 4510Ma
Água líquida: 3800Ma
Água líquida: 3800Ma
Água líquida: 3800Ma
Diferenciação completa: 4470 Ma
Diferenciação completa: 4470 Ma
Diferenciação completa: 4470 Ma
4
4 4
000 milhões de anos
000 milhões de anos
000 milhões de anos
Fragmento mineral mais antigo: 4400Ma
Fragmento mineral mais antigo: 4400Ma
Fragmento mineral mais antigo: 4400Ma
Evidência de vida: 3500Ma
Evidência de vida: 3500Ma
Evidência de vida: 3500Ma
3
3 3
000 milhões de anos
000 milhões de anos
000 milhões de anos
Fase maior do crescimento
Fase maior do crescimento
Fase maior do crescimento
continental
continental
continental
2 2
2
000
000
000
milhões de anos
milhões de anos
milhões de anos
Células com núcleo: 2200Ma
Células com núcleo: 2200Ma
Células com núcleo: 2200Ma
Glaciação? 700Ma
Glaciação? 700Ma
Glaciação? 700Ma
1
1 1
000
000
000
milhões de anos
milhões de anos
milhões de anos
“Big Bang” evolucionário: 545-530Ma
“Big Bang” evolucionário: 545-530Ma
“Big Bang” evolucionário: 545-530Ma
Actualidade
Actualidade
Actualidade
Plantas com flor: 125Ma
Plantas com flor: 125Ma
Plantas com flor: 125Ma

Acreção dos planetas: 4560 Ma

Acreção dos planetas: 4560 Ma

Acreção dos planetas: 4560 Ma

Oxigénio atmosférico:2450-2200Ma

Oxigénio atmosférico:2450-2200Ma

Oxigénio atmosférico:2450-2200Ma

Organismos multicelulares:565Ma

Organismos multicelulares:565Ma

Organismos multicelulares:565Ma

Extinções em massa:439Ma

Extinções em massa:439Ma

Extinções em massa:439Ma

Homo sapiens 120.000anos

Homo sapiens 120.000anos

Homo sapiens 120.000anos

Fig. 2.9 – Cronologia dos eventos maiores da formação da Terra.

N a atmosfera actual as moléculas de oxigénio são difundidas para as zonas superiores da atmosfera - a estratosfera, e são transformadas pela radiação solar em ozono (O 3 ), criando uma camada protectora, que impede os raios UV, prejudiciais à vida, de

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25

Geologia Geral 2.1 – Formação e evolução da Terra atingirem a superfície terrestre. Sem este

Geologia Geral 2.1 – Formação e evolução da Terra

atingirem a superfície terrestre. Sem este escudo protector que é a camada de ozono, a vida tal como existe hoje na superfície da Terra seria impossível.

como existe hoje na supe rfície da Terra seria impossível. Fig. 2.10 – Representação esquemática da

Fig. 2.10 – Representação esquemática da formação e evolução dos invólucros fluidos da Terra:

hidrosfera e atmosfera.

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2.1 – O Dinamismo da Terra

2.1 3 – Dinamismo da Terra Geologia Geral 2.1 – Formação e evolução da Terra

2.1 3 – Dinamismo da Terra

Geologia Geral 2.1 – Formação e evolução da Terra

Interacção da energia interna e da energia solar

A Terra é um sistema complexo em se que interagem todos os seus componentes, organizados em dois grandes geosistemas (fig.2.11):

- O sistema tectónico - envolve interacções entre os componentes sólidos da Terra (crosta, manto e núcleo), na dependência da energia interna da Terra;

- O sistema climático – envolve interacções entre os componentes fluidos (atmosfera e hidrosfera) e a biosfera, na dependência da energia solar. Obviamente estes dois subsistemas interagem reciprocamente, sendo a Terra, no seu todo, um sistema aberto, porque troca energia e também matéria com o resto do cosmos

(fig.2.12).

a e também matéria com o resto do cosmos (fig.2.12). Fig. 2.11 - A superfície sólida
a e também matéria com o resto do cosmos (fig.2.12). Fig. 2.11 - A superfície sólida

Fig. 2.11 - A superfície sólida da Terra e a sua imagem por satélite evidenciado aspectos dos seus invólucros fluidos.

satélite evidenciado aspectos dos seus invólucros fluidos. Fig. 2.12 – A Terra como parte de um

Fig. 2.12 – A Terra como parte de um sistema planetário - sistema solar, no qual se verificam trocas de matéria e energia. A Terra é um sistema aberto.

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Geologia Geral 2.1 – Formação e evolução da Terra A Terra é um sistema de

Geologia Geral 2.1 – Formação e evolução da Terra

A Terra é um sistema de vários componentes que interagem uns com os outros. Accionados pela energia solar e pelo calor interno da Terra, existem ciclos de matéria e energia através destes diferentes sistemas, que determinam as condições climáticas e meteorológicas, influenciam a formação e as modificações das rochas, e afectam todos os organismos vivos. A litosfera, a atmosfera, a hidrosfera e a biosfera estão interligadas pelo dinamismo da Terra, que depende de duas fonte energéticas (Fig. 2.13):

(i)

A energia interna da terra;

(ii)

A energia solar.

A energia interna da terra; (ii) A energia solar. Fig. 2.13 – Interligações entre a litosf

Fig. 2.13 – Interligações entre a litosfera, a atmosfera, a hidrosfera e a biosfera; fontes energéticas e ciclos de matéria e energia, determinantes na formação e modificação das rochas, nas condições meteorológicas e climáticas e afectando todos os organismos vivos.

A energia interna da terra depende de duas fontes de calor:

(i) o calor primordial acumulado durante os processos de formação da Terra:

- resultante do impacto dos planetesimais;

- libertado pela energia gravitacional na acreção, permitindo a

fusão e descida do ferro fundido para o núcleo; (se fosse esta a única fonte de

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(ii) Geologia Geral 2.1 – Formação e evolução da Terra energia interna a Terra teria

(ii)

Geologia Geral 2.1 – Formação e evolução da Terra

energia interna a Terra teria arrefecido muito mais rapidamente atingindo uma situação de tectonicamente morta com uma superfície imutável como a da Lua);

o calor resultante da radioactividade de alguns elementos, nomeadamente: urânio, tório e potássio (1/3 desta energia será produzida nas

rochas da crosta, onde a concentração de elementos radioactivos é mais elevada. os outros 2/3 serão produzidos no manto, muito mais extenso).

Fluxo energético- fluxo térmico

A principal fonte de energia interna da Terra é a desintegração de elementos radioactivos de longo período presentes nas rochas.

A energia libertada à superfície do globo é continua e por vezes brutal:

- No sismo registado no Chile em 1960, o mais forte sismo jamais registado, houve uma libertação de energia de 10 19 J;

- Na erupção do Monte de Stª Helena em 1980 (Washington) foram dissipados 1,9*10 15 J;

- Contudo estas libertações de energia, embora espectaculares representam apenas uma fraca percentagem da dissipação global de energia por fluxo térmico

Tabela das potências médias globais para os principais processos de dissipação de energia interna.

PROCESSOS

POTÊNCIA GLOBAL (W)

Edificação de montanhas

7*10 9

Vulcanismo (dorsais e pontos quentes)

8*10 11

Sismos

1*10 12

Fluxo de calor na superfície

4,2*10 13

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Geologia Geral 2.1 – Formação e evolução da Terra A transferência de calor do interior

Geologia Geral 2.1 – Formação e evolução da Terra

A transferência de calor do interior para a superfície processa-se por dois mecanismos:

por condução ou por convecção.

Convecção ocorre quando um fluido quente (líquido ou gás) se dilata, reduz a densidade e ascende por ser menos denso que a sua envolvente.

Um exemplo familiar de convecção (fig. 2.14):

envolvente. Um exemplo familiar de convecção (fig. 2.14): O material aquecido e dilatado, ao ascender transporta

O material aquecido e dilatado, ao ascender transporta calor. O material mais frio irá ocupar o seu lugar. Este é o processo que acontece quando é aquecida água num pote.

o processo que acontece quando é aquecida água num pote. Fig 2.14 – Representação esquemática da

Fig 2.14 – Representação esquemática da convecção num fluido.

Este processo ocorre quer no manto quer no núcleo e dele resulta uma transferência efectiva de calor do interior para a superfície da Terra (fig. 2-15).

Fig. 2.15 – Convecção no manto.

A condução é o mecanismo pelo qual o calor é transferido na litosfera - o envelope

sólido mais exterior e mais rígido da Terra. O calor é transmitido átomo a átomo, de zonas de mais alta temperatura para zonas de mais baixa temperatura. O total de fluxo de calor depende da diferença de temperatura, da distância e da condutividade térmica das rochas atravessadas

O mecanismo de condução litosférica é bastante menos eficiente que ao convecção,

porque as rochas são maus condutores térmicos.

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Gradiente geotérmico Geologia Geral 2.1 – Formação e evolução da Terra O gradiente geotérmico terrestre,

Gradiente geotérmico

Geologia Geral 2.1 – Formação e evolução da Terra

O gradiente geotérmico terrestre, ou seja a variação de temperatura com a profundidades tem um valor médio de 30ºC/Km.

O fluxo de calor ou fluxo geotérmico é igual ao gradiente geotérmico multiplicado pela condutividade térmica e exprime-se em W/m 2 ou em HFU (Heat Flux Unit), sendo 1UFU = 1 µcal/cm 2 /s (= 4.18*10 -2 W/m 2 ).

- O cálculo do fluxo de calor global dá um valor de 4,2*10 13 W (tabela abaixo), mas que é bastante inferior à potência recebido do Sol (7,1*10 17 W);

- . O fluxo médio dos oceanos é da mesma ordem de grandeza do fluxo médio dos continentes (tabela abaixo), mas verificam-se grandes variações;

- O fluxo térmico é mais forte nas regiões vulcânicas activas, nos pontos quentes e no eixo das dorsais, onde a perda de calor é da ordem de 0.6 W/m 2 , enquanto o valor médio global é de 0.05 W/m2 .

Tabela dos fluxos geotérmicos médios dissipados na superfície pelas grandes unidades crustais

 

FLUXO MÉDIO

SUPERFÍCIE

POTÊNCIA

(W/m 2 )

(Km 2 )

(w)

Continentes emersos

58,6

149,3*10 6

8,8*10 12

Plataformas

54,4

52,2*10 6

2,8*10 12

continentais

Oceanos

67,0

308,6*10 6

20,7*10 12

 

Circulações hidrotermais

 

9,8*10 12

   

TOTAL

4,2*10 13

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Geologia Geral 2.1 – Formação e evolução da Terra Calor externo e sistema climático A

Geologia Geral 2.1 – Formação e evolução da Terra

Calor externo e sistema climático A energia externa tem origem solar e é cerca de 3 000 vezes superior à energia interna

da Terra. Cerca de 70% desta energia solar atinge a superfície da Terra e é absorvida

pelo solo, plantas, oceanos ou atmosfera, enquanto os restantes 30% são reflectidos para o espaço.

A Terra apresenta uma estabilidade térmica global extraordinária desde o

desenvolvimento da vida; sem variação significativa da sua temperatura ambiental. Isto

não implica que não tenha havido variações das condições climáticas: as glaciações do

Quaternário são exemplo dessa variação das condições climáticas.

A

nomeadamente pelo aquecimento global. Ou seja o homem é um dos principais agentes causadores de mudanças no sistema climático. A sua actividade implica:

responsável por algumas variações globais,

actividade

humana

é

fortemente

- mudanças na composição e circulação atmosféricas;

- mudanças na massa de gelo presente nas calotes geladas e nos icebergues;

- mudanças no ciclo da água;

- mudanças paisagísticas, na vegetação e nos ecossistemas;

- mudanças no nível e na circulação das massas oceânicas e ainda na sua composição geoquímica.

Mas não é só o homem o causador das variações climáticas, existem também causas naturais. Ao longo da história da Terra as extinções em massa encontradas no registo fossilífero indicam que as mudanças climáticas globais poderão ser uma das explicações mais favorecidas.

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Geologia Geral 2.1 – Formação e evolução da Terra As características gerais da Terra como

Geologia Geral 2.1 – Formação e evolução da Terra

As características gerais da Terra como reflexo do seu dinamismo

TAMANHO FORMA E DENSIDADE DA TERRA

DIÂMETRO POLAR: 12713.824 Km

DIÂMETRO EQUATORIAL: 12756.776 Km

POLAR: 12713.824 Km DIÂMETRO EQUATORIAL: 12756.776 Km Q UASE ESFÉRICA A CHATADA NOS PÓLOS O raio

QUASE ESFÉRICA ACHATADA NOS PÓLOS

O raio da Terra é medido desde o nível médio das águas do mar até ao centro da Terra.

MAIOR ALTITUDE: 9 000 METROS (PICO EVEREST- HIMALAIS)

MAIOR PROFUNDIDADE: 11 0000 METROS (FOSSA DAS MARIANAS - FILIPINAS

: 11 0000 METROS (F OSSA DAS MARIANAS - FILIPINAS DESNÍVEL DE 20 KM D ENSIDADE
: 11 0000 METROS (F OSSA DAS MARIANAS - FILIPINAS DESNÍVEL DE 20 KM D ENSIDADE
: 11 0000 METROS (F OSSA DAS MARIANAS - FILIPINAS DESNÍVEL DE 20 KM D ENSIDADE

DESNÍVEL DE 20 KM

DENSIDADE MÉDIA DA CROSTA: 2.76

DENSIDADE MÉDIA GLOBAL: 5.527

DISTRIBUIÇÃO DOS CONTINENTES E OCEANOS

Hemisfério norte – 39% de terra emersa

Hemisfério sul – 19% de terra emersa

No total os oceanos ocupam 71% e os continentes 29% da superfície da Terra

Hemisfério continental – centrado em Espanha - 47% da sua superfície é

continental;

Hemisfério oceânico – centrado na Nova Zelândia – 89% da sua superfície é oceânica

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Profundidade média dos oceânos: 3,7Km Altitude média dos continentes: 0,88Km Geologia Geral 2.1 – Formação

Profundidade média dos oceânos: 3,7Km

Altitude média dos continentes: 0,88Km

Geologia Geral 2.1 – Formação e evolução da Terra

Geologia Geral 2.1 – Formação e evolução da Terra Diferença de cota entre os dois valores

Diferença de cota entre os dois valores médios: 4,6 Km

Se os continentes não estivessem tão altos em relação aos fundos oceânicos não

haveria terra emersa.

DISTRIBUIÇÃO DOS RELEVOS NOS CONTINENTES E NOS OCEANOS

A actual linha de costa não tem significado geológico. As massas continentais incluem a

plataforma e o talude continental. Existem cadeias montanhosas quer nos continentes

quer nos oceanos, mas é nos oceanos que elas são mais vastas e mais vigorosas.

Relevo dos oceanos (fig. 2.16)

 

-

Cristas oceânicas;

 

-

Fossas oceânicas:

-

Arcos insulares vulcânicos;

-

Vulcões submarinos

 

-

Zonas

de

fracturas

originando

vales

profundos

de

vertentes

abruptas

falhas

transformantes

 

--

Planícies abissais

transformantes   - - Planícies abissais Fig. 2.16 – O relevo do Atlântico Norte. Relevo das

Fig. 2.16 – O relevo do Atlântico Norte.

Relevo das zonas de transição entre os continentes e os oceanos:

Plataforma continental –Orla imersa do continente (10% da superfície do globo), com

pouco declive (fig. 2.16).

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Geologia Geral 2.1 – Formação e evolução da Terra Talude continetal – Domínio de transição

Geologia Geral 2.1 – Formação e evolução da Terra

Talude continetal – Domínio de transição entre continente e oceano, com declive abrupto ou suave; abundantes “canhões”, ou seja vales submersos.

Base do talude continetal – Área de derrame de material na base do talude; cones de dejecção em frente aos “canhões”.

Geomorfologicamente, nos continentes existem (fig. 2.17):

- Escudos ou cratões;

- Plataformas estáveis;

- Cadeias montanhosas

cratões ; - Plataformas estáveis ; - Cadeias montanhosas R e l e v o d

Relevo dos continentes:Fig. 2.17 – Unidades geomorfológicas globais

Escudos ou cratões – Vastas extensões de rochas muito antigas (precâmbricas, com mais de 600 milhões de anos), dobradas, metamorfizadas, granitizadas e relativamente aplanadas e estáveis

Plataformas

sedimentares mais recentes (câmbricas e pós-câmbricas).

estáveis

Zonas

em

que

os

escudos

foram

cobertos

por

rochas

Cadeias montanhosas Montanhas formadas por enrugamento, metamorfização e granitização de rochas pós-câmbricas, originando cadeias lineares.

São exemplo: Cadeia caledónica; Cadeia hercínica ou varisca; Cadeia alpina

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Geologia Geral 2.1 – Formação e evolução da Terra Escudos são vastas regiões aplanadas, en

Geologia Geral 2.1 – Formação e evolução da Terra

Escudos são vastas regiões aplanadas, englobando sobretudo regiões onde afloram rochas metamórficas. São exemplos: Escudo Canadiano; Escudo Báltico; Escudo Africano; Escudo Brasileiro e Escudo Australiano (fig. 2.18).

Fig. 2.18 – Escudos ou cratões

Australiano (fig. 2.18). Fig. 2.18 – Escudos ou cratões As plataformas continentais consistem de espessas

As plataformas continentais consistem de espessas sequências de rochas sedimentares que se sobrepõem a zonas estáveis da crosta continental. Comparando os mapas das figs. 2.16 e 2 17 com o mapa das placas tectónicas (fig 2.19) é fácil verificar que as cadeias montanhosas (quer as continentais, quer as oceânicas) correspondem a fronteiras de placas, significando que são regiões geologicamente activas (fig. 2.20).

que são regiões geologicamente activas (fig. 2.20). Fig. 2.19 – Placas tectónicas actuais cujos limites são

Fig. 2.19 – Placas tectónicas actuais cujos limites são marcados por aspectos topográficos importantes, quer nos continentes quer nos oceanos.

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Geologia Geral 2.1 – Formação e evolução da Terra Fig. 2.20- Diferentes contextos tectónicos evidenciando

Geologia Geral 2.1 – Formação e evolução da Terra

Geologia Geral 2.1 – Formação e evolução da Terra Fig. 2.20- Diferentes contextos tectónicos evidenciando a
Geologia Geral 2.1 – Formação e evolução da Terra Fig. 2.20- Diferentes contextos tectónicos evidenciando a

Fig. 2.20- Diferentes contextos tectónicos evidenciando a correspondência entre os limites de placas e os relevos continentais e oceânicos.

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2.2 – Os arquivos Geológicos da História da Terra

Geologia Geral 2.2.1 - As rochas como registo dos processos geológicos 2.2.1 – As rochas

Geologia Geral 2.2.1 - As rochas como registo dos processos geológicos

2.2.1 – As rochas como registo dos processos geológicos Rochas e minerais

Se as rochas são os documentos que registam a história da Terra, os minerais são os caracteres utilizados na escrita desses documentos.

Uma rocha é um agregado natural de minerais. Algumas delas são constituídas por um agregado de um único mineral, tal como acontece no mármore, que é constituído por calcite - rochas monominerálicas. Outras são constituídas em parte ou totalmente por matéria não mineral. São exemplo os vidros vulcânicos constituídos por matéria não cristalina (obsidiana), e o carvão constituído por matéria orgânica de origem vegetal. Numa rocha os minerais constituintes mantêm a sua identidade própria, e condicionam a identidade do corpo rochoso. A mineralogia e a textura são os parâmetros determinantes do aspecto das rochas, e por outro lado são condicionados pelo seu tipo de génese (como e onde se formaram as rochas) Fig.2.21).

de génese (como e onde se formaram as rochas) Fig.2.21). Granito Granito Quartzito – rocha monominerálica

Granito

Granito

e onde se formaram as rochas) Fig.2.21). Granito Granito Quartzito – rocha monominerálica Q u a

Quartzito – rocha monominerálica

Quartzito rocha monominerálica

r o c h a m o n o m i n e r á l

Conglomerado

Conglomerado

o m i n e r á l i c a Conglomerado Conglomerado Xisto granatífero Xisto

Xisto granatífero

Xisto granatífero

Conglomerado Xisto granatífero Xisto granatífero Rochas Rochas constituídas constituídas por por matéria

Rochas

Rochas

constituídas

constituídas

por

por

matéria

matéria

não

não

cristalina:

cristalina:

obsidiana; pedra-pomes; cinzas

obsidiana; pedra-pomes; cinzas

Fig.2.21 - Exemplos de diferentes tipos de rochas, constituídas por diferentes minerais e apresentando

diferentes aspectos de textura.

Mineralogia ou composição mineralógica de uma rocha - proporção relativa dos minerais constituintes de uma rocha.

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Geologia Geral 2.2.1 - As rochas como registo dos processos geológicos Textura de uma rocha

Geologia Geral 2.2.1 - As rochas como registo dos processos geológicos

Textura de uma rocha – tamanho, forma e arranjo entre os minerais constituintes de uma rocha (fig. 2.22).

O que é um mineral?

Os minerais são os constituintes das rochas da crosta terrestre (fig.2.22).

Mica Mica Granito Granito
Mica
Mica
Granito
Granito

Quartzo: em cristal bipiramidado e em grão.

Quartzo: em cristal bipiramidado e em grão.

Feldspato

Feldspato

Fig.2.22 - Exemplo de uma rocha e dos seus minerais constituintes - granito constituído por quartzo, feldspato e mica.

D EFINIÇÃO DE MINERAL: Substância sólida cristalina homogénea, de ocorrência natural, geralmente inorgânica e com uma composição química específica. A ocorrênci a natural exclui as substâncias químicas sintetizadas laboratorialmente; os diamantes da África do Sul são minerais, mas os diamantes sintéticos não são considerados minerais. Sólido cristalino homo géneo exclui os líquidos e os gases, implicando um sólido com arranjo ordenado dos seus átomos constituintes, num arranjo que se repete tridimensionalmente, constituindo um corpo com uma só fase sólida não separável em componentes por processos físicos. Os materiais geológicos sólidos sem arranjo

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Geologia Geral 2.2.1 - As rochas como registo dos processos geológicos ordenado dos componentes são

Geologia Geral 2.2.1 - As rochas como registo dos processos geológicos

ordenado dos componentes são designados por vidros ou amorfos e não são considerados minerais. A noção de mineral e de cristal estão intimamente associadas, em virtude de todos os minerais terem uma estrutura atómica ordenada, ou seja uma estrutura cristalina. Por esta razão a designação de cristal foi inicialmente atribuída às substâncias minerais naturais com forma poliédrica, apresentando faces planas. Mas na realidade, independentemente da forma exterior, todos os minerais são cristais, por terem estrutura cristalina. Na fig.2.22 os dois cristais de quartzo têm exactamente a mesma estrutura cristalina. Origem inorgânica exclui o s sólidos produzidos por animais e plantas. O carvão, sendo constituído por carbono orgânico, apesar da sua ocorrência natural não é considerado um mineral. Já a calcite segregada por alguns organismos vivos para formar as suas conchas, por ter nos seus componentes carbono inorgânico e uma estrutura cristalina, é considerado um mineral. Composição química e specífica – o que tipifica cada espécie mineral é a sua composição química e o modo como os seus átomos constituintes estão ordenados, definindo uma dada estrutura cristalina. A composição química de um mineral ou é fixa

ou

varia entre limites definidos.

O

quartzo por exemplo tem um a composição química fixa SiO 2; dois átomos de

oxigénio para um átomo de silício e uma estrutura definida por tetraedros em que o Si 4+

ocupa o centro e vértices são ocupados por quatro oxigénios O 2- (fig. ). Como todos os oxigénios são partilhados com os tetraedros vizinhos, resulta uma repetição tridimensional e electricamente neutra. (fig. 2.23).

tridimensional e electrica mente neutra. (fig. 2.23). F ig. 2.23 – Representação esquemática dos tetraedros
tridimensional e electrica mente neutra. (fig. 2.23). F ig. 2.23 – Representação esquemática dos tetraedros

F ig. 2.23 – Representação esquemática dos tetraedros de silício e da estrutura cristalina do quartzo definida pelo arranjo tridimensional destes tetraedros.

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Geologia Geral 2.2.1 - As rochas como registo dos processos geológicos C lassificação mineralógica Os

Geologia Geral 2.2.1 - As rochas como registo dos processos geológicos

C lassificação mineralógica

Os minerais foram agrupados em cla sses de acordo com a sua composição química. As

classes são definidas pelo anião ou pelo grupo aniónico dominante. Ex.: Carbonatos – (CO 3 2- ). Embora existem alguns milhares de espécies minerais, os minerais foram agrupados em classes de acordo com a sua composição química. As classes são definidas pelo anião ou pelo grupo aniónico dominante. Ex.: Carbonatos – (CO 3 2- ). Embora existem alguns milhares de espécies minerais, só cerc a de 30 são normalmente

descritos pelo geólogo como minerais constituintes das rochas e 99% da crosta terrestre é constituída por oito elementos. Nos minerais da mesma classe ve rifica-se:

- Semelhanças mais fortes do que

mesmo catião; - Ocorrem norm almente associados no mesmo ambiente geológico.

as que se observam entre minerais com o

A chave para compreender os materiais e a composição da Terra reside no

conhecimento da organização dos elementos químicos nos minerais. Os minerais são entidades químicas, ou mais rigorosamente cristaloquímicas. Cerca de 30 são normalmente descritos como minerais constituintes das rochas (99% da crosta terrestre é constituída por oito elementos).

C lasses mineralógicas

na crosta e têm como componente

estrutural fundamental o tetraedro de silício e oxigénio, os elementos mais abundantes na crosta. Os diferentes silicatos apresentam combinação deste tetraedro com catiões de outros elementos. Exemplo: quartzo - SiO 2 ; olivina – Mg 2 SiO 4 .

SILICATOS – São os minerais mais abundante

C ARBONATOS - Minerais que têm como componente estrutural fundamental o anião carbonato (CO 3 2- ) em combinação com catiões. Exemplo: calcite – CaCO 3 .

Ó XIDOS e HIDRÓXIDOS – Minerais com combinações do ião oxigénio (O 2- )e do ião hidroxilo (OH) com catiões metálicos. Exemplo: hematite – Fe 2 O 3 ; ilmenite – FeTiO 3 ; brucite – Mg(OH) 2 .

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Geologia Geral 2.2.1 - As rochas como registo dos processos geológicos SULFURETOS – Minerais com

Geologia Geral 2.2.1 - As rochas como registo dos processos geológicos

SULFURETOS – Minerais com combinações do anião enxofre S 2- com catiões metálicos. Exemplo: pirite - Fe S 2 .

SULFATOS – Minerais com combinações do anião sulfato (SO 4 2- ) com catiões. Exemplo: barite – Ca 2 SO 4 . E lementos Nativos – Minerais constituídos por elementos na forma não combinada. Exemplo: Ouro- Au; Prata – Ag; Diamante – C; grafite – C, Enxofre- S. Os silicatos, os óxidos, os c arbonatos e os hidróxidos representam 99% da massa da crosta terrestre.

O Ciclo litológico ou ciclo da rocha O s processos de génese dos diferentes tipos de rocha que ocorrem na crosta permitem a re ciclagem constante dos materiais crustais, formados a partir das partes mais

superior e da crosta inferior, e transformados

sucessivamente em processos cíclicos. Este processo cíclico inicia-se pela evolução do magma, originando diferentes rochas ígneas cujas transformações posteriores compreendem a metamorfização, a sedimentogénese e diagénese (fig. 2.24) .

profundas, nomeadamente do manto

e diagénese (fig. 2.24) . profundas, nomeadamente do manto Fig . 2.24 – Representação esquemática do

Fig . 2.24 – Representação esquemática do ciclo litológico.

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42

Geologia Geral 2.2.1 - As rochas como registo dos processos geológicos gico ou ciclo das

Geologia Geral 2.2.1 - As rochas como registo dos processos geológicos

gico ou ciclo das

rochas, para descrever as inter-relações existentes entre os diferentes tipos de rochas que constituem crosta: rochas ígneas, rochas sedimentares e rochas metamórficas.

James Hutton (17

27-1797) foi o autor do conceito de ciclo litoló

A parte mais superficial da Terra (manto, crusta e superfície) pode ser considerada

como uma gigantesca máquina de reciclagem; a matéria constituinte das rochas não é criada nem destruída, mas é redistribuída nos processos de transformação de um tipo de rocha noutra.

A s rochas ígneas e metamórfias têm génese mais dependente dos processos internos, sendo por isso designadas por rochas endógenas, enquanto as rochas sedimentares resultam essencialmente de processos superficiais, com estreita dependência do ciclo hidrológico, sendo designadas por rochas exógenas.

O s principais motores da reciclagem permanente no ciclo litológico são:

- a energia interna da Terra, com influência directa no ciclo tectó nico

- a energia solar, influenciando mais directamente o ciclo hidrológico.

R ochas ígneas e metamórfias (génese dependente dos processos internos) - rochas endógenas; Rochas sedim entares (resultam essencialmente de processos superficiais) - rochas exógenas (fig. 2.25).

R OCHAS ÍGNEAS – Formam-se por arrefecimento e cristalização mais ou menos rápida de uma mistura em fusão com composição silicatada – magma, contendo fase gasosa e algumas fases sólidas (minerais).

R OCHAS SEDIMENTARES – Formam-se a partir de partículas ou componentes de rochas preexistentes, ígneas, sedimentares ou metamórficas. Estas rochas, quando expostas à superfície sofrem meteorização química (alteração) ou física, e as partículas ou componentes resultantes são transportados (pela água, gelo ou vento) e posteriormente depositados ou precipitados, em resultado de uma diminuição energética

M. A. Ribeiro

Ano lectivo: 2004/2005

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Geologia Geral 2.2.1 - As rochas como registo dos processos geológicos do meio de transporte,

Geologia Geral 2.2.1 - As rochas como registo dos processos geológicos

do meio de transporte, ou na dependência de actividade bioquímica ou mudanças químicas do meio.

R OCHAS METAMÓRFIAS – Formam-se quando uma rocha (ígnea, sedimentar ou já metamórfica) sofre transformações mineralógicas, texturais e por vezes químicas, sempre no estado sólido e em consequência de uma adaptação a condições físico- químicas diferentes das da sua génese. A composição (química e mineralógica) e a textura de uma rocha metamórfica dependem da natureza da rocha inicial ou protólito e das condições de pressão e temperatura (e por vezes do quimismo) que presidiram às suas transformações e deformações.

que presidiram às suas transformações e deformações. PROCESSOS EXÓGENOS PROCESSOS ENDÓGENOS Fig. 2.25 – O

PROCESSOS

EXÓGENOS

PROCESSOS

ENDÓGENOS

Fig. 2.25 – O ciclo litológicos e os processos exógenos e endógenos envolvidos na génese dos diferentes

tipos de rochas.

M. A. Ribeiro

Ano lectivo: 2004/2005

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2.2.2. – Rochas e Minerais: Rochas Ígneas

Geologia Geral –2004/2005 Sequência de rochas piroclásticas – S. Miguel (Açores)
Geologia Geral –2004/2005 Sequência de rochas piroclásticas – S. Miguel (Açores)
Geologia Geral –2004/2005 Sequência de rochas piroclásticas – S. Miguel (Açores)
Geologia Geral –2004/2005 Sequência de rochas piroclásticas – S. Miguel (Açores)
Geologia Geral –2004/2005 Sequência de rochas piroclásticas – S. Miguel (Açores)
Geologia Geral –2004/2005 Sequência de rochas piroclásticas – S. Miguel (Açores)
Geologia Geral –2004/2005 Sequência de rochas piroclásticas – S. Miguel (Açores)
Geologia Geral –2004/2005 Sequência de rochas piroclásticas – S. Miguel (Açores)

Geologia Geral –2004/2005

Sequência de rochas piroclásticas – S. Miguel (Açores)

Rochas e minerais

Os geólogos para decifrarem e compreenderem a história da Terra têm que “ler” os documentos dessa história - as rochas.

Tal como o historiador investiga analisando documentos de arquivo, também o geólogo para compreender e reconstituir da história da Terra tem que saber “ler” as rochas – avaliar a sua composição e interpretar o modo como os seus componentes estão estruturados ou organizados.

Serra da Boa Viagem
Serra da Boa Viagem
Trás-os-Montes
Trás-os-Montes

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Rochas e minerais

Uma rocha é uma agregado natural de minerais.

Rochas poliminerálicas - constituídas por um agregado de vários minerais.

Ex. – Granito constituído quartzo, feldspatos e micas;

Rochas monominerálicas - constituídas por um agregado de um único mineral.

Ex. - Mármore constituído quase só ou totalmente por calcite; quartzito constituído quase exclusivamente por quartzo;

Rochas constituídas em parte ou totalmente por matéria não mineral.

Ex. - Vidros vulcânicos constituídos por matéria não cristalina: obsidiana; pedra pomes; cinzas;

Carvão constituído por matéria orgânica de origem vegetal.

constituído por matéria orgânica de origem vegetal. Granito Quartzito – rocha monominerálica Rochas

Granito

por matéria orgânica de origem vegetal. Granito Quartzito – rocha monominerálica Rochas constituídas por

Quartzito – rocha monominerálica

origem vegetal. Granito Quartzito – rocha monominerálica Rochas constituídas por matéria não cristalina:

Rochas constituídas por matéria não cristalina: obsidiana; pedra-pomes; cinzas

Geologia Geral –2004/2005

Rochas e minerais

As rochas são constituídas por minerais, que não se juntam ao acaso e por acaso.

Os minerais são os “caracteres”, que formam as “frases” - as rochas, que formam corpos líticos que são os “livros” da história da Terra.

líticos que são os “livros” da história da Terra. Fragas de xisto – micaxisto (Trás-os-Montes) Estes
Fragas de xisto – micaxisto (Trás-os-Montes)
Fragas de xisto – micaxisto (Trás-os-Montes)

Estes dois tipos de rocha: o micaxisto e o granito, têm como minerais essenciais quartzo e mica, embora em proporções diferentes e sobretudo com uma organização diferente - textura diferente.

Parâmetros caracterizadores de uma rocha:

Mineralogia ou composição mineralógica - proporção relativa dos minerais constituintes de uma rocha.

Textura - tamanho, forma e arranjo entre os minerais constituintes de uma rocha.

Bloco granítico (Paria de Lavadores)
Bloco granítico (Paria de Lavadores)

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Rochas e minerais

Rochas e minerais Os minerais são os constituintes das rochas da crosta terrestre. E o que
Rochas e minerais Os minerais são os constituintes das rochas da crosta terrestre. E o que

Os minerais são os constituintes das rochas da crosta terrestre. E o que é um mineral?

das rochas da crosta terrestre. E o que é um mineral? Granito Mica Quartzo: em cristal

Granito

rochas da crosta terrestre. E o que é um mineral? Granito Mica Quartzo: em cristal bipiramidado
rochas da crosta terrestre. E o que é um mineral? Granito Mica Quartzo: em cristal bipiramidado
rochas da crosta terrestre. E o que é um mineral? Granito Mica Quartzo: em cristal bipiramidado

Mica

da crosta terrestre. E o que é um mineral? Granito Mica Quartzo: em cristal bipiramidado e

Quartzo: em cristal bipiramidado e em grão.

Feldspato

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Rochas e minerais

E o que é um mineral?

Substância sólida cristalina homogénea, de ocorrência natural, geralmente inorgânica e com uma composição química específica.

Ocorrência natural - os diamantes da África do Sul são minerais, mas os diamantes sintéticos não são considerados minerais.

Sólido cristalino homogéneo - arranjo ordenado dos seus átomos constituintes, num arranjo que se repete tridimensionalmente, constituindo um corpo com uma só fase sólida não separável em componentes por processos físicos. Os materiais geológicos sólidos sem arranjo ordenado dos componentes são designados por vidros ou amorfos e não são considerados minerais. Independentemente da forma exterior, todos os minerais são cristais, por terem estrutura cristalina.

Origem inorgânica - o carvão, sendo constituído por carbono orgânico, não é considerado um mineral. A calcite segregada para formar as conchas de alguns organismos, tem carbono inorgânico e uma estrutura cristalina, é considerada um mineral.

Composição química específica – a identidade de cada espécie mineral é a sua composição química e

o modo como os seus átomos constituintes estão ordenados, definindo uma dada estrutura cristalina. A

composição química de um mineral ou é fixa ou varia entre limites definidos.

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Rochas e minerais

Os minerais são entidades químicas, ou cristaloquímicas

Quartzo - composição química fixa:

SiO 2 - dois átomos de oxigénio para um átomo de silício.

2 - dois átomos de oxigénio para um átomo de silício. Componente estrutural – ião silicato,

Componente estrutural – ião silicato, definindo um tetraedro onde o ião

silício Si 4+ ocupa o centro e os vértices são ocupados por quatro iões oxigénio

O 2- .

são ocupados por quatro iões oxigénio O 2- . Estrutura do quartzo - arranjo tridimensional dos

Estrutura do quartzo - arranjo tridimensional dos tetraedros. Como todos os átomos de oxigénio são partilhados com os tetraedros vizinhos, resulta uma repetição tridimensional e electricamente neutra, com uma composição SiO 2 .

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Classificação mineralógica

Os minerais foram agrupados em classes de acordo com a sua composição química. As classes são definidas pelo anião ou pelo grupo aniónico dominante. Ex.: Carbonatos – (CO 3 2- ).

30 são

normalmente descritos como minerais constituintes das rochas ( 99% da

crosta terrestre é constituída por oito elementos).

Embora existem alguns milhares de espécies minerais,

só cerca

de

Nos minerais da mesma classe verifica-se:

- semelhanças mais fortes do que as que se observam entre minerais com o mesmo catião;

- ocorrem normalmente associados no mesmo ambiente geológico.

Classes mineralógicas

SILICATOS – São os minerais mais abundante na crosta e têm como componente estrutural fundamental o tetraedro de silício e oxigénio, os elementos mais abundantes na crosta. Os diferentes silicatos apresentam combinação deste tetraedro com catiões de outros elementos.Exemplo: quartzo - SiO 2 ; olivina – Mg 2 SiO 4 .

CARBONATOS - Minerais que têm como componente estrutural fundamental o anião carbonato (CO 3 2- ) em combinação com catiões. Exemplo: calcite – CaCO 3 .

ÓXIDOS e HIDRÓXIDOS – Minerais com combinações do ião oxigénio (O 2- )e do ião hidroxilo (OH) com catiões metálicos. Exemplo: hematite – Fe 2 O 3 ; ilmenite – FeTiO 3 ; brucite – Mg(OH) 2 .

SULFURETOS – Minerais com combinações do anião enxofre S 2- com catiões metálicos. Exemplo:

pirite - FeS 2 .

SULFATOS – Minerais com combinações do anião sulfato (SO 4 2- ) com catiões. Exemplo: barite – Ca 2 SO 4 .

Elementos Nativos – Minerais constituídos por elementos na forma não combinada. Exemplo: Ouro- Au; Prata – Ag; Diamante – C; grafite – C, Enxofre- S.

Os silicatos, os óxidos, os carbonatos e os hidróxidos representam 99% da massa da crosta terrestre.

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Os diferentes tipos de rochas

Nos agregados de minerais que são as rochas cada espécie mineral mantém a sua identidade, mas o mesmo mineral pode fazer parte da constituição de rochas com propriedades distintas.

A aparência de uma rocha é condicionada pela sua mineralogia e pela sua textura que por sua vez são o reflexo do contexto geológico em que a rocha foi formada.

reflexo do contexto geológico em que a rocha foi formada. Tipo de rocha e fonte ou

Tipo de rocha e fonte ou origem do material

Processo de génese

Ígneas

Fusão de rochas na crusta profunda ou manto superior

Cristalização

Sedimentares

Meteorização e erosão de rochas exposta à superfície

Deposição, compactação e cimentação

Metamórficas

Rochas a altas temperaturas e/ou pressões na crusta ou no manto

Recristalização no estado sólido

Exemplos

Granito
Granito
Arenito
Arenito
Gnaisse
Gnaisse

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Os diferentes tipos de rochas

Minerais mais comuns nas rochas:

Rochas Ígneas

Rochas Sedimentares

Rochas Metamórficas

Quartzo*

Quartzo*

Quartzo*

Feldspato*

Minerais de argila*

Feldspato*

Mica*

Feldspato*

Mica*

Piroxena*

Calcite

Granada*

Anfibola*

Dolomite

Piroxena*

Olivina*

Gesso

Estaurolite*

Halite

Distena*

Todos os minerais com * são silicatos.

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RochasRochas íígneasgneas ouou magmmagmááticasticas

í í gneas gneas ou ou magm magm á á ticas ticas Bola de granito -

Bola de granito - Serra da Cabreira

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Rochas ígneas ou magmáticas As rochas ígneas ou magmáticas formam-se por solidificação e cristaliz ação

Rochas ígneas ou magmáticas

Rochas ígneas ou magmáticas As rochas ígneas ou magmáticas formam-se por solidificação e cristaliz ação a
Rochas ígneas ou magmáticas As rochas ígneas ou magmáticas formam-se por solidificação e cristaliz ação a

As rochas ígneas ou magmáticas formam-se por solidificação e cristalização a partir de um magma.

O

magma resulta da fusão parcial das rochas do manto superior ou da crosta inferior.

O

local onde o magma arrefece e cristaliza condiciona a textura da rocha.

magma arrefece e cristal iza condiciona a textura da rocha. Rochas extrusivas ou vulcânicas – arrefecimento

Rochas extrusivas ou vulcânicas arrefecimento à superfície;

exemplo – BASALTO

Rochas intrusivas ou plutónicas – arrefecimento no interior da crusta;

exemplo - GRANITO

Magma - Mistura em fusão de composição essencialmente silicatada (SiO 2 > 40%), contendo

fase gasosa e algumas fases sólidas (miner