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Instituto Superior de Ciências Educativas

Instituto Superior de Ciências Educativas Comentário Relações Internacionais e Turismo Miguel Ângelo de Abreu Correia

Comentário

Relações Internacionais e Turismo

Miguel Ângelo de Abreu Correia

Licenciatura em Turismo 3.º Ano

Unidade Curricular: Teoria das Relações Internacionais

Docentes:

Dr.ª Inês Carneiro Dr. Emanuel Furtado

Março 2012

O turismo não é apenas uma questão de crescimento nacional, mas deve ser

encarado como parte das relações internacionais. Na verdade, o turismo tornou-se um componente integrado, não apenas das relações internacionais, mas também da política internacional que regula essas relações, particularmente na era da globalização. Não há como negar o facto de que o turismo é inseparável do campo das relações internacionais. Cada aspeto do turismo, sejam as viagens internacionais, o movimento transfronteiriço, o câmbio de moeda, as operações aéreas, as operações de empresas multinacionais, etc., é regido por decisões políticas. Não se deve esquecer que agitações políticas e instabilidade numa parte do mundo têm o seu impacto em outras partes do mundo que por sua vez afetam os fluxos turísticos para um determinado país. Da mesma forma, as políticas de turismo são estabelecidas pelos políticos em todos os níveis e a ideologia política de um partido político tem o seu impacto no turismo. Por exemplo, a ex-URSS tinha imposto restrições a viagens internacionais pelos seus cidadãos; a China, por um longo período de tempo, não abriu as suas portas aos turistas.

Sabe-se que as Relações Internacionais têm muita influência no Turismo. Em situações de guerra, por exemplo, os turistas são desencorajados a viajar para os países afetados. Isto, por sua vez, tem um impacto na economia. Em situações de desencorajamento de ideologias ou políticas, por parte de um país a outro, muitas vezes implementam-se embargos, restringindo as viagens dos cidadãos para esses países.

O

Turismo tem sido utilizado como uma ferramenta pelos governos, de várias

maneiras:

- Os fluxos de turismo podem ser os precursores de ajuda militar e económica. Podem também levar à formação de blocos económicos e de comércio e podem ser a base das ligações de política externa entre os países. Este aspeto é mais claramente representado nas políticas de vistos dos governos para com os turistas. Na verdade, a questão dos vistos de turista sempre esteve no topo da agenda das associações de operadores turísticos, que veem este como um dos obstáculos para o crescimento das chegadas de turistas nos países de terceiro mundo.

- Através da liberalização do sector do turismo alguns países têm tentado adquirir benefícios económicos e políticos. Países sob a lei marcial tentam usar o turismo para obter uma melhor cobertura internacional, como é o caso da China. Estes tentam mostrar o seu progresso e desenvolvimento, transmitindo, assim, uma sensação

de que os seus países estão numa situação de lei e ordem social. Uma vez que os turistas não se concentram na falta de liberdades civis e nas leis de censura, muitas vezes voltam para casa com a impressão de que as pessoas estão felizes e satisfeitas economicamente sob uma ditadura militar.

- O Turismo é usado para elevar a imigração e o moral nacional e também como

uma arma política. O Turismo aumenta a sensação de segurança interna e legitimidade

de uma nação. Toda a abordagem por detrás dos incentivos para atrair os gigantes do turismo para um determinado país indica a necessidade política dos governos de se tornarem jogadores importantes no mercado turístico internacional.

- O Turismo é também utilizado para promover a reconciliação entre as nações.

Ao nos tornarmos um país anfitrião começamos a entender a sociologia da nação visitante. Através destes intercâmbios, os pontos de vista dos viajantes tornam-se politicamente significativos e os turistas tornam-se uma classe politicamente significante que pode criar uma boa ou uma má imagem do país que visitam. É por esta razão que os turistas são frequentemente vítimas de terrorismo.

- Os impostos ligados ao Turismo também têm implicações políticas, uma vez

que encorajam ou desencorajam o fluxo do turismo internacional. Estes incluem os impostos de viagens, encargos com passaportes, os requisitos dos vistos, as restrições cambiais e restrições de entrada e de saída.

Percebemos, então, que a estabilidade política é essencial para o turismo. As guerras, o terrorismo e política podem afetar gravemente os fluxos turísticos, independentemente da sua localização. Daí o papel fundamental das Relações Internacionais para o Turismo, uma vez que visa garantir a boa relação entre estados e a segurança mundial, através de políticas e leis internacionais.