Anáfora Fala-se de anáfora quando a interpretação de uma expressão (habitualmente designada por termo anafórico) depende da interpretação de uma

outra expressão presente no contexto verbal (o termo antecedente). Mais concretamente, a expressão referencialmente não autónoma (o termo anafórico) retoma, total ou parcialmente, o valor referencial do antecedente. Há casos de anáfora em que o termo anafórico e o antecedente são co-referentes (isto é, designam a mesma entidade, como os exemplos 1 e 2 ilustram), mas há também casos de anáfora sem co-referência (ex.3).

Ex 1) O João está doente. Vi-o na semana passada. Aqui, o pronome pessoal o é o termo anafórico, referencialmente dependente, que retoma o valor referencial do grupo nominal o João. Ex 2) A Ana comprou um cão. O animal já conhece todos os cantos da casa. Aqui, o termo anafórico é o grupo nominal o animal, que retoma o valor referencial do antecedente o cão. É a relação de hiponímia/hiperonímia entre cão e animal que suporta a co-referência. Ex 3) A sala de aulas está degradada. As carteiras estão todas riscadas. Aqui, a interpretação referencial do grupo nominal as carteiras depende da sua relação anafórica com o grupo nominal a sala de aulas. Entre os lexemas em causa, há uma relação parte-todo (ver meronímia e holonímia) que sustenta a relação anafórica. Ex 4) O João faz 18 anos no dia 2 de Julho de 2001. No dia seguinte parte para uma grande viagem pela Europa. Aqui, exemplifica-se um caso de anáfora temporal. O valor referencial da locução adverbial no dia seguinte constrói-se a partir da interpretação do termo antecedente, a expressão temporal no dia 2 de Julho de 2001. Assim, o dia seguinte designa o dia 3 de Julho de 2001.

1.1.2.

Catáfora

Numa cadeia de referência, a expressão que estabelece o referente pode ocorrer no discurso subsequente àquele em que surgem as expressões referencialmente dependentes habitualmente designadas por termos anafóricos (anáfora). Quando a cadeia de referência exibe esta ordenação linear, o termo catáfora substitui o termo anáfora. No fragmento textual "A irmã olhou-o e disse: - João, estás com um ar cansado", o pronome pessoal o é uma expressão referencialmente não autónoma, cujo valor depende da

Veja esta outra sentença: “No fim da festa. Finalmente. de co-referência não anafórica. Ele não aparece na afirmação. nenhum sinal de vida” – elipse da expressão “não havia”. verifica-se a elipse do sujeito da segunda oração. ou seja. extraída da obra de Autran Dourado: “A praia deserta. Co-referência não anafórica Duas ou mais expressões linguísticas podem identificar o mesmo referente.1. por retoma do valor referencial do antecedente „O Rui‟. podemos afirmar que. 1. Elipse é a figura de linguagem que consiste em omitir um termo da frase que não foi enunciado anteriormente na frase. No texto "O Rui foi trabalhar para África. o nome próprio João. Portanto. o marido da Ana conseguiu concretizar o seu sonho". sobre as mesas. então. Observe que após o vocábulo “ninguém”. as expressões „O Rui‟ e „o marido da Ana‟ podem ser co -referentes. neste caso. só informação de carácter extralinguístico permite afirmar se há ou não co-referência entre as duas expressões nominais. podemos identificar facilmente a ausência do verbo haver (No fim da festa haviam. mas esse sujeito continua a ser interpretado anaforicamente.4. podem identificar a mesma entidade. “A tarde talvez fosse azul. Outros exemplos: “Na casa vazia. copos e garrafas vazias”. Catáfora designa este tipo particular de anáfora. antes de “não”. sem que nenhuma delas seja referencialmente dependente da outra.1. em que o termo anafórico precede o antecedente. Elipse Leia a seguinte afirmação. Fala-se. . sobre as mesas. mas podemos notar sua ausência pelo contexto. Por isso dizemos que aqui ocorreu elipse do verbo estava. também ocorreu elipse do verbo haver. ninguém àquela hora na rua”. Elipse Na frase "O Rui caiu e fracturou uma perna". sem que nenhuma delas funcione como termo anafórico. Nesta frase. copos e garrafas vazias).3.interpretação de uma expressão presente no contexto discursivo subsequente. 1. mas podemos facilmente identificá-lo pelo contexto. não houvesse tantos desejos” (Carlos Drummond de Andrade) – elipse da conjunção “se”. Naturalmente. está implícito o verbo estava.

ainda que seja óbvia a intenção do autor. João. pelo narrador. dando origem a vazios narrativos. quando alguém serve chá pode perguntar "com ou sem açúcar?" . apenas quatro ou cinco convidados" (Machado de Assis) Quanta maldade na Terra. Pompéia) João estava com pressa. mais ou menos extensos. de casaca. (Ele. a diretoria." (R. tanta tormenta e tanto dano. o próprio contexto serve para esclarecer o seu sentido.Elipse é a supressão de uma palavra facilmente subentendida. de determinados acontecimentos diegéticos." (em "Os Lusíadas" de Camões) onde se omite o verbo "haver". (Quanta maldade há na Terra) Na oralidade. Preferiu não entrar. preferiu não entrar) Elipse narrativa Em narrativa. A elipse é um processo fundamental da técnica narrativa. elipse é a exclusão. pois nenhum narrador pode relatar com estrita fidelidade todos os pormenores da diegese. "Na sala. Consiste da omissão de um termo facilmente identificável pelo contexto ou por elementos gramaticais presentes na frase com a intenção de tornar o texto mais conciso e elegante.ainda que a frase não explicite que se está a referir ao chá. .    Zeugma Zeugma é uma forma particular de elipse em que a expressão subentendida já foi mencionada anteriormente:   "O colégio compareceu fardado. Exemplos  "No mar.

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