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Plantas Raras do Brasil
Plantas Raras do Brasil

Plantas Raras do Brasil

Plantas Raras do Brasil
Plantas Raras do Brasil
Plantas Raras do Brasil
Plantas Raras do Brasil
Plantas Raras do Brasil
Plantas Raras do Brasil
Plantas Raras do Brasil
Plantas Raras do Brasil
Plantas Raras do Brasil
Plantas Raras do Brasil

Plantas Raras do Brasil

Plantas Raras do Brasil
Plantas Raras do Brasil
Plantas Raras do Brasil

Conservação Internacional (CI-Brasil)

Presidente

Roberto Brandão Cavalcanti

Vice-Presidente de Operações

Carlos Alberto Bouchardet

Diretores

Guilherme Fraga Dutra Isabela Santos Luiz Paulo Pinto Patrícia Baião Paulo Gustavo Prado Ricardo Bomfim Machado

Universidade Estadual de Feira de Santana

Reitor

José Carlos Barreto de Santana

Diretor do Departamento de Ciências Biológicas

Carlos Costa Bichara Filho

Coordenador do Programa de Pós-Graduação em Botânica

Luciano Paganucci de Queiroz

Conservação Internacional

Universidade Estadual de Feira de Santana

Plantas Raras do Brasil

Organizadores

Ana Maria Giulietti Alessandro Rapini Maria José Gomes de Andrade Luciano Paganucci de Queiroz José Maria Cardoso da Silva

Belo Horizonte, MG – 2009

Coordenação Editorial

Isabela de Lima Santos

Projeto Gráfico

Lúcia Nemer

Designer Assistente

Fábio de Assis

Fotografias da Capa

M.Trovó

A. Rapini

A. Chautems

Ficha catalográfica elaborada pela bibliotecária Nina C. Mendonça CRB6/1288

P713

Plantas raras do Brasil / organizadores, Ana Maria Giulietti Belo Horizonte, MG : Conservação Internacional, 2009. 496 p. : il., fots. color., mapas; 26 cm. Co-editora: Universidade Estadual de Feira de Santana.

[et al.]. –

Inclui referências.

ISBN: 978-85-98830-12-4.

1. Plantas raras – Brasil. 2. Diversidade biológica – Conservação. I. Conservação Internacional. II. Giulietti, Ana Maria.

CDU : 582

Sumário

Sumário

Prefácio

11

Agradecimentos

13

Colaboradores e Instituições

15

Introdução

23

Catálogo de Plantas Raras do Brasil

37

ACANTHACEAE

39

ACHARIACEAE

44

ALISMATACEAE

45

ALLIACEAE

46

ALSTROEMERIACEAE

47

AMARANTHACEAE

48

AMARYLLIDACEAE

51

ANNONACEAE

52

APOCYNACEAE

54

APODANTHACEAE

65

AQUIFOLIACEAE

66

ARACEAE

67

ARALIACEAE

71

ARECACEAE

74

ASTERACEAE

76

BALANOPHORACEAE

90

BEGONIACEAE

91

BERBERIDACEAE

95

BIGNONIACEAE

96

BORAGINACEAE

101

BRASSICACEAE

102

BROMELIACEAE

103

BURMANNIACEAE

115

BURSERACEAE

116

CACTACEAE

118

CALYCERACEAE

127

CAMPANULACEAE

128

CANELLACEAE

130

CARYOPHYLLACEAE

131

CELASTRACEAE

132

CHRYSOBALANACEAE

134

CLUSIACEAE

139

COMBRETACEAE

142

COMMELINACEAE

143

CONNARACEAE

145

Sumário

CONVOLVULACEAE

147

LENTIBULARIACEAE

238

CUCURBITACEAE

150

LOGANIACEAE

239

CUNONIACEAE

153

LORANTHACEAE

240

CYPERACEAE

154

LYTHRACEAE

243

DILLENIACEAE

159

MALPIGHIACEAE

252

DROSERACEAE

161

MALVACEAE

262

EBENACEAE

162

MELASTOMATACEAE

263

ERICACEAE

165

MELIACEAE

280

ERIOCAULACEAE

166

MOLLUGINACEAE

281

ERYTHROXYLACEAE

181

MONIMIACEAE

282

EUPHORBIACEAE

183

MORACEAE

284

GENTIANACEAE

185

MYRISTICACEAE

287

GESNERIACEAE

187

MYRSINACEAE

288

HYPERICACEAE

191

MYRTACEAE

289

LAMIACEAE

192

OCHNACEAE

293

LAURACEAE

201

OLACACEAE

297

LECYTHIDACEAE

208

OLEACEAE

298

LEGUMINOSAE

212

ORCHIDACEAE

299

SUBFAMÍLIA CAESALPINIOIDEAE

212

OROBANCHACEAE

310

SUBFAMÍLIA MIMOSOIDEAE

221

OXALIDACEAE

312

SUBFAMÍLIA PAPILIONOIDEAE

228

PASSIFLORACEAE

314

Sumário

PICRAMNIACEAE

316

PIPERACEAE

317

PLANTAGINACEAE

324

POACEAE

326

PODOCARPACEAE

341

POLYGALACEAE

342

POLYGONACEAE

346

PORTULACACEAE

347

PROTEACEAE

348

QUIINACEAE

349

RHABDODENDRACEAE

350

RUBIACEAE

351

RUTACEAE

358

SABIACEAE

362

SALICACEAE

363

SANTALACEAE

364

SAPOTACEAE

366

SCHOEPFIACEAE

371

SCROPHULARIACEAE

372

SIMAROUBACEAE

374

SOLANACEAE

375

SYMPLOCACEAE

380

THISMIACEAE

382

THYMELAEACEAE

383

TRIURIDACEAE

384

TURNERACEAE

385

URTICACEAE

391

VELLOZIACEAE

392

VERBENACEAE

399

VIOLACEAE

406

VITACEAE

407

VOCHYSIACEAE

408

XYRIDACEAE

411

ZINGIBERACEAE

416

Acervo Fotográfico

Acervo Fotográfico 417

417

Áreas-Chave para Espécies Raras de Fanerógamas

433

10
10

10

10

Prefácio

Prefácio

11

Um dos maiores desafios deste século é desenvolver modelos de desenvolvimento social

e econômico que tenham como sua base a conservação da biodiversidade. Esses modelos são especialmente importantes em países como o Brasil, detentores de grande parte das espécies existentes no planeta.

O desenvolvimento sustentável de um país requer planejamento sistemático de conservação, com objetivos bem defini-

dos e métodos consistentes de análise. Para isso, informações precisas sobre a distribuição das espécies são fundamentais. Nesse processo, nem todas as espécies são iguais. As espécies com distribuição restrita têm muito mais possibilidades de serem extintas por um evento catastrófico qualquer ou simplesmente pela ocupação humana desordenada do que espécies amplamente distribuídas. Por isso, elas recebem maior atenção por parte dos conservacionistas. O argumento é simples:

se protegermos as áreas onde estas espécies ocorrem, estaremos protegendo também populações de outras espécies que possuem distribuições mais extensas e, assim, maximizando os esforços de conservação.

Este livro é uma contribuição fantástica para a conservação da biodiversidade no Brasil e no mundo. Produto de uma par-

ceria entre a Universidade Estadual de Feira de Santana e a Conservação Internacional, da qual orgulhosamente faço parte

do seu Conselho Global, ele sintetiza o trabalho intenso de mais de 170 cientistas de 55 instituições e nos revela o mundo

das plantas raras do Brasil. Plantas raras foram definidas como aquelas espécies que possuem distribuição menor do que 10.000 km 2 . O número final deste esforço impressiona. Foram reconhecidas 2.291 espécies de plantas raras brasileiras, cerca de 4 a 6% de todas as espécies de plantas do país, muitas das quais se encontram à beira da extinção.As distribuições das espécies de plantas raras ajudam também a delimitar 752 áreas que são chaves para garantir a conservação da diversi- dade de plantas brasileiras. Essas áreas deveriam ser rapidamente reconhecidas por todos como prioridade imediata para um trabalho intenso de preservação.

Conservar o capital natural brasileiro e promover o uso sustentável dos recursos é um dever de todos os setores da socie-

dade nacional. Sem o esforço conjunto dos cientistas e sem livros de síntese como este, às vezes torna-se difícil imaginar

a magnitude do desafio que ainda temos pela frente. Espero que esta obra sirva de inspiração para um pacto nacional mais amplo que tenha como objetivo desenvolver ações concretas para evitar a extinção das espécies no Brasil.

André Esteves

Membro do Conselho Diretor Conservação Internacional

Agradecimentos

Agradecimentos

13

Agradecemos a todas as instituições cujos pesquisadores colaboraram no estudo das

famílias relacionadas no livro. Em especial, à Universidade Estadual de Feira de Santana por ter fornecido toda a infra- estrutura necessária ao projeto.Agradecemos ao Programa de Pesquisa em Biodiversidade (PPBio) e ao Instituto do Milê- nio do Semi-Árido (IMSEAR), ambos do Ministério da Ciência eTecnologia, pelos recursos para o trabalho de campo que serviu de base para a avaliação de várias espécies raras. A.M. Giulietti, A. Rapini, L.P. Queiroz e J.M.C. Silva agradecem ao Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) pela bolsa de produtividade em pesquisa. M.J.G.Andrade agradece à Conservação Internacional (CI-Brasil) pela bolsa recebida por meio da Fundação Instituto para o Desenvolvimento da Amazônia (FIDESA) para se dedicar à organização do livro. Este projeto foi desenvolvido graças ao apoio da Gordon and Betty Moore Foundation, baseada em Palo Alto (EUA), e de André Esteves, membro do Conselho da Conservação Internacional. Por fim, um agradecimento especial a todos os autores, que demonstraram envolvimento e muita paciência ao longo deste projeto que, como qualquer grande trabalho de síntese, mostrou-se muito mais complexo do que tínhamos inicialmente imaginado.

Comissão Organizadora

Colaboradores e Instituições

15

Colaboradores e Instituições

A lista a seguir inclui as pessoas que colaboraram para a produção deste livro: autores

dos capítulos, pesquisadores que contribuíram com a revisão do conteúdo e também aqueles que analisaram determinadas famí- lias e não encontraram espécies raras segundo os critérios adotados neste trabalho.

Abel Augusto Conceição - Universidade Estadual de Feira de Santana, BA, Brasil

Adilva de Souza Conceição - Universidade do Estado da Bahia, BA, Brasil

Alain Chautems - Jardin Botanique de laVille de Genève, Genebra, Suíça

Alessandro Rapini - Universidade Estadual de Feira de Santana, BA, Brasil

Alessandro Silva do Rosário - Museu Paraense Emílio Goeldi, PA, Brasil

Alexa Araújo de Oliveira Paes Coelho - Universidade Estadual de Feira de Santana, BA, Brasil

Alexandre Quinet - Instituto de Pesquisa Jardim Botânico do Rio de Janeiro, RJ, Brasil

Aline Costa da Mota - Universidade Estadual de Feira de Santana, BA, Brasil

Ana Cláudia Araújo - Universidade Federal do Rio Grande do Sul, RS, Brasil

Ana du Bocage - Empresa Pernambucana de Pesquisa Agropecuária, PE, Brasil

Ana Luiza Andrade Côrtes - Universidade Estadual de Feira de Santana, BA, Brasil

Ana Maria Giulietti - Universidade Estadual de Feira de Santana, BA, Brasil

Ana Maria Goulart Azevedo Tozzi - Universidade Estadual de Campinas, SP, Brasil

Ana Paula Fortuna Pérez - Universidade Estadual de Campinas, SP, Brasil

Ana Paula M. Santos - Universidade Federal de Uberlândia, MG, Brasil

Anderson Alves-Araújo - Universidade Federal de Pernambuco, PE, Brasil

Anderson F. P. Machado - Universidade Federal do Rio de Janeiro, Museu Nacional, RJ, Brasil

Andrea Karla A. Santos - Universidade Estadual de Feira de Santana e Universidade Federal da Bahia, BA, Brasil

Andrea O. de Araujo - Universidade Estadual Paulista, SP, Brasil

Angela Borges Martins - Universidade Estadual de Campinas, SP, Brasil

Antônio Elielson S. Rocha - Museu Paraense Emílio Goeldi, PA, Brasil

16

ColaboradoreS e inStituiçõeS

Ariane Luna Peixoto - Instituto de Pesquisa Jardim Botânico do Rio de Janeiro, RJ, Brasil

Aristônio M. Teles - Universidade Federal de Goiás, GO, Brasil

Armando Carlos Cervi - Universidade Federal do Paraná, PR, Brasil

Carlos Henrique Reif de Paula - Universidade Santa Úrsula, RJ, Brasil

Carmen Sílvia Zickel - Universidade Federal Rural de Pernambuco, PE, Brasil

Carolyn E. B. Proença - Universidade de Brasília, DF, Brasil

Cássio van den Berg - Universidade Estadual de Feira de Santana, BA, Brasil

Cecília O. Azevedo - Universidade Estadual de Feira de Santana, BA, Brasil

Cíntia Kameyama - Instituto de Botânica de São Paulo, SP, Brasil

Claudenir Simões Caires - Universidade de Brasília, DF, Brasil

Cláudia Elena Carneiro - Universidade Estadual de Feira de Santana, BA, Brasil

Claudio Augusto Mondin - Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul, RS, Brasil

Claudio Nicoletti de Fraga - Instituto de Pesquisa Jardim Botânico do Rio de Janeiro, RJ, Brasil

Cristiana Koschnitzke - Universidade Federal do Rio de Janeiro, RJ, Brasil

Denise Monte Braz - Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro, RJ, Brasil

Domingos Benício Oliveira Silva Cardoso - Universidade Estadual de Feira de Santana, BA, Brasil

Douglas C. Daly - The NewYork Botanical Garden, NY, EUA

Eduardo Bezerra de Almeida Jr. - Universidade Federal Rural de Pernambuco, PE, Brasil

Efigênia de Melo - Universidade Estadual de Feira de Santana, BA, Brasil

Eliane de Lima Jacques - Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro, RJ, Brasil

Elnatan B. Souza - Universidade EstadualVale do Acaraú, CE, Brasil

Elsa L. Cabral - Universidad Nacional del Nordeste, Córdoba,Argentina

Elsie Franklin Guimarães – Instituto de Pesquisa Jardim Botânico do Rio de Janeiro, RJ, Brasil

Élvia Rodrigues de Souza - Universidade Estadual de Feira de Santana, BA, Brasil

Eric de Camargo Smidt - Universidade Federal do Paraná, PR, Brasil

ColaboradoreS e inStituiçõeS

17

Fábio de Barros - Instituto de Botânica de São Paulo, SP, Brasil

Fábio Vitta - Universidade Federal dosVales do Jequitinhonha e Mucuri, MG, Brasil

Fabrício Moreira Ferreira - Universidade Estadual de Feira de Santana, BA, Brasil

Fátima Regina Gonçalves Salimena - Universidade Federal de Juiz de Fora, MG, Brasil

Fernando Regis Di Maio - Universidade Estácio de Sá, RJ, Brasil

Fiorella F. Mazine - Universidade de São Paulo, SP, Brasil

Flávio França - Universidade Estadual de Feira de Santana, BA, Brasil

Frank Almeda - California Academy of Sciences, San Francisco, CA, EUA

Gardene Maria de Sousa - Universidade Federal do Piauí, PI, Brasil

Geórgia R. G. Figueirêdo - Universidade Federal da Paraíba, PB, Brasil

Gleidineia Leite Campos - Colégio Estadual Luiz Pinto de Carvalho, BA, Brasil

Gustavo Heiden - Instituto de Pesquisa Jardim Botânico do Rio de Janeiro, RJ, Brasil

Guy R. Chiron - Université Claude Bernard, Lyon, França

Hilda Maria Longhi-Wagner - Universidade Federal do Rio Grande do Sul, RS, Brasil

Heleno dias Ferreira - Universidade Federal de Goiás, GO, Brasil

Inês da Silva Santos - Instituto de Pesquisa Jardim Botânico do Rio de Janeiro, RJ, Brasil

Jarênio Rafael Ozeas de Santana - Universidade Federal de Goiás, GO, Brasil

Jimi Naoki Nakajima - Universidade Federal de Uberlândia, MG, Brasil

João B. A. Bringel Jr. - Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária, DF, Brasil

João Batista Baitello - Instituto Florestal do Estado de São Paulo, SP, Brasil

João Luiz M. Aranha Filho - Universidade Estadual de Campinas, SP, Brasil

João Renato Stehmann - Universidade Federal de Minas Gerais, MG, Brasil

John D. Mitchell - The NewYork Botanical Garden, NY, EUA

Jorge Antônio Silva Costa - Universidade Federal da Bahia, BA, Brasil

Jorge P. P. Carauta - Universidade Federal do Rio de Janeiro, Museu Nacional, RJ, Brasil

18

ColaboradoreS e inStituiçõeS

Josafá Carlos de Siqueira - Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro, RJ, Brasil

José Floriano B. Pastore - Universidade Estadual de Feira de Santana, BA, Brasil

José Iranildo Miranda de Melo - Universidade Estadual da Paraíba, PB, Brasil

José Maria Cardoso da Silva - Conservação Internacional, PA, Brasil

José Rubens Pirani - Universidade de São Paulo, SP, Brasil

Juan Tun-Garrido - Facultad de MedicinaVeterinaria y Zootecnia,Yucatán, México

Juliana de Paula-Souza - Universidade de São Paulo, SP, Brasil

Júlio Antonio Lombardi - Universidade Estadual Paulista, SP, Brasil

Karina Fidanza Rodrigues Bernado - Universidade Estadual de Campinas, SP, Brasil

Laura Cristina Pires Lima - Universidade Estadual de Feira de Santana, BA, Brasil

Leandro Jorge Telles Cardoso - Instituto de Pesquisa Jardim Botânico do Rio de Janeiro, RJ, Brasil

Leila Macias - Universidade Federal de Pelotas, RS, Brasil

Leilane Naiara Pedreira Sampaio - Universidade Estadual de Feira de Santana, BA, Brasil

Leonardo de Melo Versieux - Instituto de Botânica de São Paulo, SP, Brasil

Leonardo Pessoa Felix - Universidade Federal da Paraíba, PB, Brasil

Leslie R. Landrum - School of Life Sciences,AZ, EUA

Ligia S. Funch - Universidade Estadual de Feira de Santana, BA, Brasil

Lívia G. Temponi - Universidade Estadual do Oeste do Paraná, PR, Brasil

Lúcia G. Lohmann - Universidade de São Paulo, SP, Brasil

Luciano Paganucci de Queiroz - Universidade Estadual de Feira de Santana, BA, Brasil

Luisa Ramos Senna - Universidade Estadual de Feira de Santana, BA, Brasil

Mara Ritter - Universidade Federal do Rio Grande do Sul, RG, Brasil

Marccus V. S. Alves - Universidade Federal de Pernambuco, PE, Brasil

Marcelo D. M. Vianna Filho - Universidade Federal do Rio de Janeiro, Museu Nacional, RJ, Brasil

Marcelo Fragomeni Simon - Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária, DF, Brasil

Marcelo Reginato - Universidade Federal do Paraná, PR, Brasil

ColaboradoreS e inStituiçõeS

19

Marcelo Trovó - Universidade de São Paulo, SP, Brasil

Marcos da Costa Dórea - Universidade Estadual de Feira de Santana, BA, Brasil

Marcos Gonzalez - Instituto de Pesquisa Jardim Botânico do Rio de Janeiro, RJ, Brasil

Marcos Sobral - Universidade Federal de Minas Gerais, MG, Brasil

Marcos José da Silva - Universidade Estadual de Campinas, SP, Brasil

Marcus A. N. Coelho - Instituto de Pesquisa Jardim Botânico do Rio de Janeiro, RJ, Brasil

Maria Bernadete Costa-e-Silva - Empresa Pernambucana de Pesquisa Agropecuária, PE, Brasil

Maria das Graças Lapa Wanderley - Instituto de Botânica de São Paulo, SP, Brasil

Maria de Fátima Agra - Universidade Federal da Paraíba, PB, Brasil

Maria de Fátima Freitas - Instituto de Pesquisa Jardim Botânico do Rio de Janeiro, RJ, Brasil

Maria do Carmo Amaral - Universidade Estadual de Campinas, SP, Brasil

Maria do Socorro Pereira - Universidade Federal de Campina Grande, PB, Brasil

Maria Fernanda Calió - Universidade de São Paulo, SP, Brasil

Maria Iracema Bezerra Loiola - Universidade Federal do Rio Grande do Norte, RN, Brasil

Maria José Gomes de Andrade - Universidade Estadual de Feira de Santana, BA, Brasil

Maria Mercedes Arbo - Universidad Nacional del Nordeste, Córdoba,Argentina

Maria Natividad Sanchez de Stapf - Instituto Smithsonian de Investigaciones Tropicales, Panamá

Maria Regina de Vasconcelos Barbosa - Universidade Federal da Paraíba, PB, Brasil

Maria Rita Cabral Sales de Melo - Universidade Federal Rural de Pernambuco, PE, Brasil

Mariana Saavedra - Instituto de Pesquisa Jardim Botânico do Rio de Janeiro, RJ, Brasil

Mário Barroso Ramos-Neto - Conservação Internacional, DF, Brasil

Marla Ibrahim Uehbe de Oliveira - Universidade Estadual de Feira de Santana, BA, Brasil

Marlon C. Machado - Universidade Estadual de Feira de Santana, BA, Brasil

Marta Camargo de Assis - Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária, SP, Brasil

Massimilliano Dematteis - Instituto de Botánica del Nordeste, Corrientes,Argentina

Matheus Fortes Santos - Universidade de São Paulo, SP, Brasil

20

ColaboradoreS e inStituiçõeS

Milena Ferreira Costa - Universidade Estadual de Feira de Santana, BA, Brasil

Milene M. Silva-Castro - Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia e Universidade Estadual de Feira de Santana,BA,Brasil

Milton Groppo - Universidade de São Paulo, SP, Brasil

Nathan Smith - The NewYork Botanical Garden, NY, EUA

Patrícia Luz Ribeiro - Universidade Estadual de Feira de Santana, BA, Brasil

Paula Dib de Carvalho - Universidade Estadual de Feira de Santana, BA, Brasil

Paulo Takeo Sano - Universidade de São Paulo, SP, Brasil

Pedro Fiaschi - Virginia Commonwealth University, VA, EUA

Pedro Germano Filho - Instituto de Pesquisa Jardim Botânico do Rio de Janeiro, RJ, Brasil

Pedro Lage Viana - Universidade Federal de Minas Gerais, MG, Brasil

Pedro Luís Rodrigues de Moraes - Universidade Estadual de Feira de Santana, BA, Brasil

Peter W. Fritsch - California Academy of Sciences, CA, EUA

Rafael A. Xavier Borges - Instituto de Pesquisa Jardim Botânico do Rio de Janeiro, RJ, Brasil

Rafael Batista Louzada - Instituto de Botânica de São Paulo, SP, Brasil

Raymond Mervyn Harley - Royal Botanic Gardens, Kew, Reino Unido

Regina Andreata - Universidade Santa Úrsula, RJ, Brasil

Renato de Mello-Silva - Universidade de São Paulo, SP, Brasil

Renato Goldenberg - Universidade Federal do Paraná, PR, Brasil

Reyjane Patrícia de Oliveira - Universidade Federal da Bahia, BA, Brasil

Ricardo de Souza Secco - Museu Paraense Emílio Goeldi, PA, Brasil

Rita Cristina Seco Lee - Universidade Estadual de Campinas, SP, Brasil

Rita de Cássia Araújo Pereira - Empresa Pernambucana de Pesquisa Agropecuária, PE, Brasil

Rita Fabiana de Souza Silva - Universidade Estadual de Feira de Santana, BA, Brasil

Roberto Salas - Universidad Nacional del Nordeste, Córdoba,Argentina

Rodrigo B. Singer - Universidade Federal do Rio Grande do Sul, RS, Brasil

Rosana Romero - Universidade Federal de Uberlândia, MG, Brasil

ColaboradoreS e inStituiçõeS

21

Rosangela Simão Bianchini - Instituto de Botânica de São Paulo, SP, Brasil

Roseli Torres - Instituto Agronômico de Campinas, SP, Brasil

Roxana Cardoso Barreto - Universidade Federal de Pernambuco, PE, Brasil

Scott Mori - The NewYork Botanical Garden, NY, EUA

Sebastião José da Silva Neto - Instituto de Pesquisa Jardim Botânico do Rio de Janeiro, RJ, Brasil

Sergio Eustáquio Noronha - Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária, DF, Brasil

Sergio Romaniuc Neto - Instituto de Botânica de São Paulo, SP, Brasil

Sheila R. Profice - Instituto de Pesquisa Jardim Botânico do Rio de Janeiro, RJ, Brasil

Silvana Aparecida Pires de Godoy - Universidade de São Paulo, SP, Brasil

Silvana H. N. Monteiro - Universidade Estadual de Feira de Santana, BA, Brasil

Simon J. Mayo - Royal Botanic Gardens, Kew, Reino Unido

Simone Fiuza Conceição - Universidade Federal do Recôncavo da Bahia, BA, Brasil

Taciana Barbosa Cavalcanti - Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária, DF, Brasil

Tânia Regina Santos Silva - Universidade Estadual de Feira de Santana, BA, Brasil

Tarciso de Souza Filgueiras - União Pioneira de Integração Social Faculdades Integradas, DF, Brasil

Tatiana Tavares Carrijo - Instituto de Pesquisa Jardim Botânico do Rio de Janeiro, RJ, Brasil

Teonildes Sacramento Nunes - Universidade Estadual de Feira de Santana, BA, Brasil

Thais Pacheco Kasecker - Conservação Internacional, PA, Brasil

Thais Trindade de Lima - Instituto de Botânica de São Paulo, SP, Brasil

Vanessa L. Rivera - Universidade de Brasília, DF, Brasil

Vera Lúcia Gomes Klein - Universidade Federal de Goiás, GO, Brasil

Vidal de Freitas Mansano - Instituto de Pesquisa Jardim Botânico do Rio de Janeiro, RJ, Brasil

Vinicius Castro Souza - Universidade de São Paulo, SP, Brasil

Volker Bittrich - Universidade Estadual de Campinas, SP, Brasil

Wellington Forster - Universidade Estadual de Campinas, SP, Brasil

William Antonio Rodrigues - Universidade Federal do Paraná, PR, Brasil

Introdução

Introdução

23

alessandro rapini, maria José Gomes de andrade, ana maria Giulietti, luciano Paganucci de Queiroz & José maria Cardoso da Silva

Uma flora pouco conhecida e bastante ameaçada

Acredita-se que mais de 90% das espécies de angios- permas já estejam descritas, mas a grande maioria delas continua praticamente desconhecida (Heywood, 2001) e

boa parte da flora tropical permanece subamostrada (e.g. Prance et al., 2000). Assim, diferente do que acontece com grupos relativamente bem conhecidos, como aves e mamíferos, cujo número de espécies pode ser considera- do estável (Diamond, 1985; May, 1986), as estimativas para o número de espécies de fanerógamas ainda podem variar consideravelmente. Baseados em extrapolações

a partir da taxa média de sinônimos em determinados

grupos, Govaerts (2001) e Scotland & Wortley (2003) chegaram a números discrepantes: 422.127 e 223.300 espécies, respectivamente.Wilson (1988) havia sugerido cerca de 290.000 espécies vegetais, sendo 248.500 só de angiospermas. Entre 130.000 e 155.000 dessas espécies são tropicais e quase metade delas estará ameaçada nas próximas décadas, uma proporção bem maior do que os 10% estimados para a flora temperada (Prance, 1977; Ra- ven, 1987). Os Neotrópicos, com 15,8 milhões de km 2 , incluem seis dos 17 países considerados megadiversos (Mittermeier et al., 1997) e cerca de 90.000 espécies de angiospermas (Prance & Campbell, 1988), 85.000 só na América do Sul (Groombridge, 1992).

O

Brasil é o país que abriga a flora mais rica do planeta,

o

que certamente está relacionado à sua extensão terri-

torial, mais de 8.500.000 km², associada à enorme di- versidade edáfica, climática e geomorfológica, levando a uma ampla gama de tipos vegetacionais. Como em outras partes do mundo, no Brasil as angiospermas também do- minam praticamente todos os ambientes terrestres. Es- timativas para o número de espécies de fanerógamas no país, no entanto, ainda são deficientes. Isso se deve em

parte à falta de estudos taxonômicos e florísticos em esca-

exigem atenção especial ao longo do ano todo. Para se ter uma idéia, cerca de 40% da área de Caatinga nunca foi coletada e 80% dela é subamostrada (Tabarelli &Vicente, 2004). Floristicamente, a Amazônia brasileira é especial- mente subamostrada, possuindo uma intensidade de cole- tas menor do que nos países vizinhos. Suas coletas estão concentradas basicamente nas proximidades de grandes cidades, como Manaus e São Gabriel da Cachoeira, esten- dendo-se pelas principais rotas de acesso ao longo dos rios mais importantes, de modo que uma porção considerável de sua área nunca foi coletada (Schulman et al., 2007).

Ainda assim, vale ilustrar a diversidade da flora brasileira

a partir de um conhecimento que, apesar de incipiente,

tem avançado consideravelmente desde a Flora Brasilien- sis. Dada a fase exploratória que ainda domina os estudos

taxonômicos no Brasil, qualquer estimativa para o nú- mero de espécies brasileiras de angiospermas será ine- vitavelmente imprecisa e os números têm girado entre

35.000 e 55.000 (Groombridge, 1992; Govaerts, 2001;

Shepherd, 2003; Lewinsohn & Prado, 2005; Giulietti et al., 2005), o que deve corresponder a um índice em tor- no de 15% de toda a flora mundial. O Brasil é o quinto maior país em extensão territorial, mas esses números superam o de qualquer outro país: a China (o terceiro país em extensão territorial) possui em torno de 30.000 espécies de angiospermas, duas vezes mais do que as

floras dos Estados Unidos (quarto país em extensão ter- ritorial) e do Canadá (segundo) juntas (http://www. foc.org/china/mss/intro.htm); a Austrália (sexto país em extensão territorial) e a Rússia (primeiro) possuem em torno de 20.000 espécies cada, destacando-se a alta proporção (cerca de 90%) de endemismos na Austrália

(Chapman, 2006); e a Índia, um país essencialmente tro- pical e o sétimo em extensão territorial, possui cerca de

15.000 espécies de angiospermas (Molnar et al., 1995).

la

nacional, em vez de regional, e em parte à necessidade

A

falta de conhecimento da flora brasileira é especialmen-

de

mais coletas intensivas, especialmente em áreas de difí-

te preocupante frente à atual crise ambiental e estima-se

cil

acesso, como regiões montanhosas, pontos remotos da

que cerca de metade das espécies de plantas pode estar

Amazônia e ambientes com sazonalidade marcada, como

ameaçada de extinção (Pitman & Jorgensen, 2002). Extin-

as

caatingas, as florestas semideciduais e o pantanal, que

ções são processos naturais, mas a superexploração dos re-

24

introdução

cursos, eliminação e fragmentação dos ambientes naturais, introdução de espécies exóticas e liberação de poluentes têm aumentado em mais de 1.000 vezes a taxa natural de extinção (Pimm et al., 1995; Gallagher & Carpenter, 1997). Em 2008, a lista vermelha da IUCN (http:// www.iucnredlist.org) apontou 87 espécies de plantas ex- tintas (incluindo cinco espécies brasileiras) e 28 extintas na natureza (uma delas do Brasil), além de indicar 8.457 espécies de plantas ameaçadas (mais de 90% são angios- permas), sendo 32 brasileiras. Esses números mostram-se alarmantes se considerarmos que apenas 3% das plantas descritas foram avaliadas e que dessas, 70% foram consi- deradas ameaçadas. A lista oficial das espécies brasileiras ameaçadas de extinção, publicada em setembro de 2008 pelo Ministério do Meio Ambiente (MMA), no entanto, considerou 472 espécies ameaçadas, um número quase 15 vezes maior do que aquele apresentado pela IUCN. Ele é bem maior do que aqueles indicados pelo MMA em maio de 1968 (13 espécies) e em janeiro de 1993 (108 espé- cies), mas ainda ficou muito abaixo do resultado do le- vantamento feito pelo consórcio de 300 especialistas, que apontou 1.472 espécies para a lista atual (2008), muitas das quais não foram reconhecidas pelo MMA.

Buscando evitar que espécies nativas sejam ameaçadas pelo comércio internacional, aproximadamente 29.000 espécies de plantas já estão sob a proteção da Convenção sobre o Comércio Internacional de Espécies Selvagens da Fauna e da Flora, a CITES (http://www.cites.org/ eng/disc/species.shtml). Cerca de 450 espécies brasilei- ras foram incluídas em um dos três apêndices da CITES, porém essa lista se restringe basicamente a Orchidaceae, Cactaceae e espécies de samambaias arbóreas (Cyathea spp. e Dicksonia sellowiana, o xaxim).Além desses grupos, apenas quatro espécies brasileiras de Euphorbia (Euphor- biaceae), três de Tillandsia (Bromeliaceae), três de Zamia (Zamiaceae), duas de Leguminosae e duas de Meliaceae foram incluídas nessa lista.

A redução da biodiversidade está em grande parte rela-

cionada à eliminação dos habitats naturais. Unidades de

conservação são reconhecidas internacionalmente como

o instrumento mais poderoso de proteção da biodiversi-

dade (UNEP-WCMC, 2008). Atualmente, existem mais de 102.000 áreas protegidas. Elas ocupam 18.764.958 km 2 (3,4% da superfície da Terra), abrangendo 11,57% da porção terrestre (pouco mais de 1.500.000 km 2 no Brasil) e 0,45% dos oceanos.Todavia, existe uma grande desproporcionalidade de área protegida entre os biomas, desde 4,6% a 26,3% (Hoekstra et al, 2005), de modo

que elas ainda são insuficientes para proteger a maior par- te das espécies ameaçadas. Algumas dessas áreas não saí- ram do papel ou não foram planejadas cuidadosamente, e uma grande parcela delas está localizada em porções re- motas e pouco diversas, como regiões polares, tundras e desertos (Mulongoy & Chape, 2004). A seleção de novas áreas para a conservação, portanto, continua sendo foco de atenção especial. Mas, como eleger áreas relevantes biologicamente a partir de um conhecimento tão incom- pleto? E quais critérios devem ser considerados durante uma tomada de decisão desse tipo? As respostas a estas questões ainda são controversas (e.g. Vane-Wright et al., 1991; Freitag & Jaarsveld, 1997; Prendergast et al. 1999; Szumik et al., 2002; Hortal & Lobo, 2006).

A seleção de áreas com base exclusivamente no número de

espécies não necessariamente atingirá de maneira eficien- te seus objetivos, já que a riqueza observada em algumas regiões pode denotar apenas a sobreposição de espécies comuns e não ameaçadas (Reid, 1998). Biodiversidade também não deve ser encarada apenas como número de espécies; a discrepância entre elas, seu patrimônio evolu-

tivo, é um fator que precisa ser considerado (Vane-Wright et al., 1991; Forest et al., 2007; Mooers, 2007). Quaisquer que sejam os critérios para o planejamento de unidades de conservação é imprescindível que se tenha um bom co- nhecimento sobre a distribuição das espécies e que se pos-

sa apontar aquelas com distribuição restrita a sítios pon-

tuais (Prance, 1994). É necessário que sejam realizadas, então, avaliações quantitativas sobre biodiversidade e que essas medidas possam ser mapeadas de modo a apontar áreas que mereçam atenção especial e mais investimentos para sua conservação (Margules & Pressey, 2000).

Uma das alternativas mais difundidas para a seleção de re-

giões prioritárias biologicamente são os hotspots, áreas in- substituíveis pela alta concentração de espécies exclusivas

e sob forte ameaça de desaparecerem por já terem perdi-

do uma grande proporção de sua área original. Myers et al. (2000) apontaram 25 hostpots espalhados pelo mundo, áreas que abrigam pelo menos 0,5% de espécies de plantas

endêmicas (cerca de 1.500 espécies de plantas exclusivas)

e com mais de 70% de sua área original devastada. Dois

deles foram considerados para o Brasil: a Mata Atlântica, com cerca de 20.000 espécies de plantas e 92,5% de sua área original perdida, e o Cerrado, com 10.000 espécies de plantas e 80% de sua área original modificada. Quase 3% das espécies de plantas do mundo todo estão restritas

à Mata Atlântica e 1,5% ao Cerrado. Proteger todos os

remanescentes desses dois biomas talvez ainda seja utópi-

introdução

25

co e focar esforços exclusivamente neles deixaria desam- paradas formações também relevantes biologicamente, como áreas da Amazônia, da Caatinga ou do Pantanal. Por esta razão, foi sugerido também a adoção do conceito de Regiões Naturais de Alta Biodiversidade (High Biodiversity Wilderness Regions, em inglês) que são áreas grandes (mais de 750.000 km 2 ), com alta concentração de espécies en- dêmicas (pelo menos 1.500 espécies endêmicas) e com mais de 70% de sua área original ainda intacta. No Brasil, apenas a Amazônia, com 30.000 espécies endêmicas de plantas e 80% de sua área intacta, foi classificada nesta categoria (Mittermeier et al., 2002).

Espécies raras como base para detecção de Áreas- Chave para Biodiversidade (ACBs)

Um dos objetivos da Convenção sobre Diversidade Bio- lógica (Convention on Biological Diversity, CBD) é estabe- lecer e fortalecer sistemas regionais de áreas de proteção dentro de um âmbito global, tendo como metas para 2010 a proteção de pelo menos 10% de cada uma das ecorregiões do mundo, que segundo Olson et al. (2001) totalizam 867 unidades distribuídas em 14 biomas ter- restres, e proteger as áreas de relevância biológica. Nesse sentido, a detecção de Áreas-Chave para Biodiversidade (ACBs, mas Key Biodiversity Areas, KBAs, em inglês; Eken et al., 2004; Langhammer et al., 2007) tem surgido como uma estratégia prática em escalas menores do que aque- las delineadas pelos hotspots e compatível com implanta- ção de unidades de conservação. Essas ACBs são sítios de interesse global que devem ser identificados e protegidos em âmbito regional ou nacional através de uma rede de áreas de proteção. Em se tratando de plantas, destacam-

se entre esses sítios aqueles que abrangem as populações

de uma proporção relativamente alta de espécies amea- çadas e/ou com distribuição restrita e que por isso são insubstituíveis e estão vulneráveis à extinção, precisando de proteção imediata.

A maioria das espécies de plantas pode ser considerada

rara e são poucas as espécies cosmopolitas; um quarto

da Terra, no entanto, é ocupado por cerca de 200 espé-

cies apenas (Kruckeberg & Rabinowitz, 1985).A maioria dos estudos indica que a preservação de algumas poucas espécies comuns pode ser suficiente para manter os prin- cipais processos biológicos de um ecossistema; porém, pouco se sabe sobre a funcionalidade das espécies raras neste contexto (Lyons et al., 2005). Por outro lado, são

as espécies raras, especialmente aquelas com distribuição

bastante restrita, as mais suscetíveis a distúrbios antró- picos ou eventos estocásticos naturais. Por isso, devem ser tratadas como vulneráveis. O mapeamento dessas espécies raras, portanto, revelará sítios que são biologi- camente insubstituíveis e, na maioria dos casos, com vá- rias espécies ameaçadas (Callamander et al., 2005). Com isso em mente, surgiu a idéia de se preparar um catálogo das espécies raras de fanerógamas do Brasil que pudesse servir de base para a identificação de ACBs (Catálogo de Plantas, neste volume).

Certamente, existem regiões que podem apresentar um conjunto maior de espécies exclusivas de plantas em decorrência da especialização em resposta a fatores edá- ficos ou topográficos particulares ou devido a restrições à dispersão ou ainda associadas a processos recentes de diversificação responsáveis pela ampliação do número de espécies neoendêmicas que ainda não ocuparam toda sua distribuição potencial (Lesica et al., 2006). Essas áreas apresentam relevância biológica particular e devem ter sí- tios de tamanho suficiente à manutenção das espécies con- sideradas durante o planejamento de uma rede de áreas de proteção nacional. No entanto, a percepção dessas áreas com composição florística singular, como os refúgios na Amazônia, vem sendo questionada (Nelson et al., 1990). Elas freqüentemente denotam áreas mais exploradas pelos botânicos, estando geralmente associadas a centros urba- nos (Moerman & Estabrook, 2006), mas não necessaria- mente são diferenciadas biologicamente. Mapear as espé- cies raras em países megadiversos, amplos e heterogêneos como o Brasil, portanto, não é uma tarefa simples e seus resultados devem ser constantemente reavaliados.

Uma espécie geralmente é considerada rara quando seus representantes estão confinados a uma pequena área (área de ocorrência restrita), quando ocorrem sob condições específicas (área de ocupação restrita) e/ou quando são escassos ao longo de sua distribuição (baixa densidade) (Rabinowitz, 1981; Kruckeberg & Rabinowitz, 1985). Cerca de 20% da flora mundial, no entanto, é caracteri- zada por dados deficientes, e os estudos em conservação dependem da complementação e da atualização constante dos dados taxonômicos (Callamander et al., 2005). Diante da atual lacuna no conhecimento da flora brasileira, a área de ocorrência é o critério mais objetivo para se classificar uma espécie como rara com base em materiais de herbá- rio, na literatura e na experiência dos especialistas. Dessa maneira, foram estabelecidos limites de distribuição geo- gráfica restritivos para o enquadramento das espécies nes- te levantamento e consultados mais de 170 especialistas

26

introdução

de 55 instituições de pesquisa nacionais e internacionais. Com essa vultosa colaboração foi possível, então, aces- sar obras raras ou pouco conhecidas, teses e trabalhos no prelo, bancos de dados pessoais, além de observações de campo de vários pesquisadores.

Neste catálogo, foram incluídas apenas espécies exclu- sivamente brasileiras e com distribuição pontual. A lista se restringe às espécies com registros até 150 km distan- tes entre si, o equivalente a cerca de 1º de latitude e 1º

de longitude de diferença entre eles. Isso corresponde a uma área de ocorrência de até 10.000 km 2 . Espécies com distribuição linear, ao longo da costa brasileira ou de ca- deias montanhosas, por exemplo, estarão restritas a áreas bem menores que essa, no entanto. Esse limite foi estabe- lecido de maneira arbitrária, visando uma detecção práti- ca e objetiva das espécies raras. Ele é bem menor do que os 50.000 km 2 sugerido com base na congruência global de centros de endemismos de aves, anfíbios e mamíferos (Eken et al., 2004), mas coincide com aquele utilizado em outros levantamentos de espécies de plantas com dis- tribuição restrita, próximo a 100 milhas (e.g. Sivinki & Knight, 1996). Na realidade, a definição dos limites para endemismos pontuais em plantas e invertebrados ainda exige análises mais detalhadas, já que eles possuem, em sua maioria, áreas de distribuição relativamente menores

e mais específicas (Langhammer et al., 2007).

Como o catálogo refere-se exclusivamente às espécies endêmicas restritas de fanerógamas, extrapolações des- ses resultados para outros grupos taxonômicos ou para

o número total de espécies devem ser vistas com reserva

(Prendergast et al., 1993; Reid, 1998). Também não se pode assumir que essas espécies estejam necessariamente ameaçadas. No entanto, com exceção de 2% das espé- cies com dados deficientes (não contam com localidade

de coleta), as demais possuem limites restritos de ocor- rência (<10.000 km 2 ), se enquadrando no critério B1 da IUCN (2001; IUCN Standards and PetitionsWorking Group, 2008), e poderão ser classificadas como ameaçadas de- pendendo do número de localidades ou fragmentação (a)

e se apresentarem declínio (b) e/ou flutuações extremas

(c) dos: limites de ocorrência (i), área de ocupação (ii),

condições ambientais (iii), número de localidades ou subpopulações (iv) e/ou número de indivíduos madu- ros (v). A grande maioria das espécies é composta por até cinco subpopulações (e possivelmente apresentam área de ocupação reduzida) e muitas poderão estar cri- ticamente ameaçadas ou mesmo extintas em um futuro

próximo, o que as enquadraria também na categoriaVul- nerável (VU) de acordo com o critério D2. Muitas das espécies mais ameaçadas, no entanto, não foram incluídas no catálogo. São aquelas que ainda não foram descritas ou cujo conhecimento parco impede que sua identidade seja estabelecida com segurança. Desamparadas, várias delas serão extintas antes mesmo de serem descobertas.

Os sítios de relevância biológica detectados a partir dessa flora de espécies raras não devem ser automati- camente igualados às IPAs (Important Plant Areas, IPAs; Anderson, 2002), conforme definido para os países da Europa a partir de fungos, algas, liquens e embriófitas. Diferente daquela proposta, eles não abordam número de espécies, nem espécies ameaçadas ou biomas únicos de maneira direta; além disso, para as IPAs, os endemis- mos foram definidos com base em limites políticos. A presença de espécies endêmicas com distribuição restri- ta é um dos vários critérios utilizados para a identifica- ção de ACBs (Langhammer et al., 2007). Desse modo, os 752 sítios detectados neste estudo como importan- tes para as plantas raras brasileiras (Kasecker et al., este volume) representam um subconjunto das informações necessárias para a definição de todas as ACBs do país. Estes sítios têm um valor imenso por dois motivos. Pri- meiro, eles devem servir de base tanto para análises de lacunas e complementaridade utilizadas na seleção de novas áreas para conservação e, como muitos deles são definidos por espécies com áreas de ocorrência menores de 1.000 km 2 , eles devem ser protegidos em sua inte- gridade (Rodrigues et al., 2004). Segundo, esses sítios devem ser percebidos pelos órgãos ambientais como os setores mais frágeis do território brasileiro e que por isso exigem uma atenção maior no que diz respeito ao licenciamento ambiental, dado que um planejamento inadequado poderá levar à perda de espécies únicas do patrimônio biológico brasileiro.

As espécies raras estão organizadas segundo a classifica- ção proposta pela APG II (2003; Souza & Lorenzi, 2008)

e

os registros estão sustentados em revisões taxonômicas

e

floras recentes, mas dados de herbários e a experiência

dos especialistas também foram considerados. Nem to- das as famílias foram avaliadas de maneira homogênea. Entretanto, a detecção de ACBs está baseada em valores individuais e não no seu significado comparativo (Lan- ghammer et al., 2007) e portanto essas lacunas não de- verão prejudicar os resultados. Espécies novas continuam sendo descritas a partir de coletas recentes, mesmo em

introdução

27

Estados brasileiros relativamente bem amostrados como São Paulo, Minas Gerais e Rio de Janeiro. Em muitos casos, essas espécies apresentam distribuição pontual e representarão acréscimos importantes ao catálogo. Estu- dos mais abrangentes e levantamentos em áreas pouco exploradas botanicamente, por outro lado, poderão re- velar representantes de espécies atualmente consideradas raras, mas que então serão desenquadradas em relação aos critérios utilizados aqui. Estes resultados, portanto, não são absolutos; eles refletem um momento do conhe- cimento dessa combinação particular de especialistas que gentilmente se comprometeram com o projeto.

Espécies raras de fanerógamas do Brasil

A

partir dos comentários de cada família, a estimativa para

o

número de fanerógamas estaria próxima daquela suge-

rida por Scotland & Wortley (2003), cerca de 225.000, enquanto o total de espécies de angiospermas brasileiras

seria em torno de 30.000, mais próximo das 35.000 es- pécies sugeridas por Govaerts (2001). De acordo com es-

sas estimativas, portanto, o Brasil abriga cerca de 13,5%

de toda a flora mundial. Esses dados, no entanto, estão

baseados apenas nas famílias com espécies raras indicadas, não incluindo dezenas de famílias de angiospermas que, apesar de pouco significativas individualmente, podem alterar consideravelmente essa perspectiva quando inclu- ídas coletivamente nesse cálculo. Nove famílias apresen- tam pelo menos 1.000 espécies brasileiras e podem ser consideradas hiperdiversas no país: Leguminosae (3.200 espécies), Orchidaceae (2.650), Bromeliaceae (2.150), Asteraceae (2.000), Rubiaceae (2.000), Poaceae (1.368), Euphorbiaceae (1.000), Melastomataceae (1.000) e Myr- taceae (1.000). Apenas Bromeliaceae, com distribuição essencialmente neotropical, não desponta entre as 11 maiores famílias de angiospermas, com pelo menos 5.000 espécies, ao passo que Lamiaceae é a única dentre elas que não alcança 500 espécies brasileiras (Tabela 1).

O Catálogo de Plantas Raras do Brasil inclui 2.291 espé-

cies de fanerógamas. Elas representam 108 das 177 fa- mílias avaliadas e correspondem entre 4 e 6,5% da flora

brasileira. Cinco famílias apresentaram mais de 100 espé- cies raras: Leguminosae (190), Melastomataceae (120), Asteraceae (109), Eriocaulaceae (109) e Bromeliaceae (107). Por outro lado, 21 famílias apresentaram apenas uma espécie rara e 61 até 10 espécies raras.Turneraceae

se destaca pela alta proporção de espécies raras: 60% das

espécies brasileiras dessa família foram indicadas como raras, o que corresponde a praticamente um quarto das espécies de Turneraceae. Além de 11 famílias com pou- ca representatividade na flora brasileira (menos de 100 espécies), Lythraceae, Velloziaceae, Malpighiaceae, Cac- taceae e Verbenaceae se destacam por possuírem pelo menos um quinto de suas espécies brasileiras apontadas como raras. No caso de Lythraceae, tal montante repre- senta quase metade das espécies brasileiras e 11,5% da família como um todo e, no de Velloziaceae, um pouco mais 21% da família. Por outro lado, sem ter sido avaliada por um especialista, Malvaceae se destaca negativamente, com apenas uma das 400 espécies brasileiras (0,025%) indicada como rara (Tabela 1). Entre as famílias avaliadas, 69 não apresentaram espécies raras (Tabela 2).

Existe, em média, uma espécie rara de angiosperma para

cada 3.730 km 2 do território brasileiro (1:3.730). Ob- viamente, elas não estão homogeneamente distribuídas

– muito pelo contrário. Com mais de 1.000 espécies ra-

ras, a Região Sudeste apresenta a maior média (1:876), destacando-se os Estados do Rio de Janeiro (1:175) e do Espírito Santo (1:342), com uma quantidade relati- vamente alta de espécies raras em relação às respectivas extensões territoriais.A Região Norte, ocupando 45,3% do território nacional, por outro lado, apresenta a menor

relação espécie rara: extensão territorial (1:16.466). No Nordeste, estão os menores Estados brasileiros e tam- bém aqueles com a menor quantidade de espécies raras;

o Rio Grande do Norte foi o único Estado sem espécies

raras indicadas, enquanto a Paraíba e o Sergipe apresen- taram apenas uma espécie rara cada. A Região Sul pos- sui o menor número de espécies raras, o que pode estar associado ao clima subtropical e a sua menor extensão territorial (Tabelas 3 e 4).

Os Estados com maior quantidade de espécies raras fo- ram Minas Gerais (550) e Bahia (484), seguidos por Rio

de Janeiro (250), Goiás (incluindo Distrito Federal, 202), Amazonas (164), Espírito Santo (135) e São Paulo (123) (Tabela 4). Essa ordem de representatividade reflete a grande quantidade de endemismos pontuais nos campos rupestres da Cadeia do Espinhaço, em Minas Gerais e Bahia, e na Chapada dos Veadeiros, em Goiás. Uma gran- de concentração de endemismos pontuais pode ser nota- da também nas florestas úmidas da Mata Atlântica, desde

o Sul da Bahia até o Paraná – passando pela reserva da

Companhia Vale do Rio Doce, no Espírito Santo, a Serra dos Órgãos, no Rio de Janeiro, e a Serra do Mar, em São

28

introdução

Paulo –, e da Amazônia Central. Apesar de apresentarem fitofisionomias distintas, tanto os campos rupestres quan- to as florestas úmidas da costa brasileira e da Amazônia Central, especialmente na região próxima a Manaus, compartilham condições que podem favorecer uma alta biodiversidade com elevadas taxas de endemismos pontu-

ais. Elas são áreas tropicais com alta incidência luminosa

e sem restrições hídricas severas, geralmente associadas

a condições edáficas heterogêneas e barreiras geográficas

de diferentes ordens, associadas à topografia acidentada ou a uma rede hidrográfica profusa. Além disso, são áreas próximas a importantes centros urbanos, percorridas por naturalistas e botânicos desde o século XIX e algumas de- las sujeitas a levantamentos sistemáticos durante décadas.

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tabela 1. Relação do número de espécies raras brasileiras e total de espécies por família.

FamÍlia

nº de espécies raras

nº de espécies no brasil

nº total de espécies

Leguminosae

190

3.200

20.000

Melastomataceae

120

1.000

5.000

Asteraceae

109

2.000

23.000

Eriocaulaceae

109

800

1.200

Bromeliaceae

107

2.150

3.100

Poaceae

94

1.368

10.000

Apocynaceae

85

750

5.000

Orchidaceae

72

2.650

25.000

Malpighiaceae

71

300

1.300

Lamiaceae

69

475

7.180

Lythraceae

69

150

600

Piperaceae

63

500

2.500

Rubiaceae

53

2.000

13.000

Cactaceae

52

240

1.400

Verbenaceae

50

250

1.150

Turneraceae

48

80

190

Velloziaceae

48

200

221

Chrysobalanaceae

41

250

500

Acanthaceae

40

500

3.200

Lauraceae

40

400

2.750

Cyperaceae

35

664

5.000

Bignoniaceae

33

350

800

Sapotaceae

33

207

1.250

Xyridaceae

31

170

430

Solanaceae

30

500

3.000

Rutaceae

28

160

1.900

Araceae

27

350

3.750

Begoniaceae

27

200

1.400

introdução

31

Myrtaceae

26

1.000

5.000

Gesneriaceae

23

230

3.500

Polygalaceae

22

250

975

Vochysiaceae

22

150

200

Lecythidaceae

20

109

300

Cucurbitaceae

19

200

900

Ochnaceae

19

120

500

Amaranthaceae

17

100

2.300

Moraceae

17

230

1.100

Ebenaceae

16

67

550

Loranthaceae

16

100

800

Araliaceae

15

85

1.900

Convolvulaceae

15

300

1.650

Clusiaceae

14

150

1.000

Connaraceae

13

70

200

Gentianaceae

13

90

1.650

Passifloraceae

12

120

700

Celastraceae

11

100

1.000

Euphorbiaceae

10

1.000

6.000

Orobanchaceae

10

100

1.700

Oxalidaceae

10

114

950

Plantaginaceae

10

120

2.500

Annonaceae

9

250

2.500

Symplocaceae

9

40

325

Monimiaceae

8

77

200

Commelinaceae

7

60

650

Erythroxylaceae

7

114

240

Santalaceae

7

80

100

Loganiaceae

6

100

400

Alstroemeriaceae

5

42

180

Arecaceae

5

200

2.500

Burseraceae

5

60

650

Scrophulariaceae

5

23

1.500

Aquifoliaceae

4

50

400

Dilleniaceae

4

69

310

Myrsinaceae

4

100

1.500

Salicaceae

4

80

1.000

Thismiaceae

4

7

45

Triuridaceae

4

10

80

Alismataceae

3

40

80

Amaryllidaceae

3

150

850

32

introdução

Campanulaceae

3

53

2.319

Lentibulariaceae

3

60

280

Meliaceae

3

100

550

Myristicaceae

3

65

400

Oleaceae

3

42

400

Quiinaceae

3

26

52

Violaceae

3

70

900

Zingiberaceae

3

17

1.300

Apodanthaceae

2

10

25

Boraginaceae

2

150

2.740

Canellaceae

2

6

20

Caryophyllaceae

2

42

2.000

Cunoniaceae

2

20

300

Olacaceae

2

60

150

Picramniaceae

2

20

44

Urticaceae

2

80

1.200

Vitaceae

2

45

800

Achariaceae

1

15

150

Alliaceae

1

10

600

Balanophoraceae

1

11

44

Berberidaceae

1

5

670

Brassicaceae

1

50

4.000

Burmanniaceae

1

30

100

Calyceraceae

1

5

650

Combretaceae

1

60

600

Droseraceae

1

12

100

Ericaceae

1

100

3.000

Hypericaceae

1

30

600

Malvaceae

1

400

4.200

Molluginaceae

1

90

100

Podocarpaceae

1

8

105

Polygonaceae

1

100

1.100

Portulacaceae

1

15

450

Proteaceae

1

40

1.600

Rhabdodendraceae

1

3

3

Sabiaceae

1

10

80

Schoepfiaceae

1

3

150

Simaroubaceae

1

30

180

Thymelaeaceae

1

30

750

total

2.291

30.017

223.848

introdução

33

tabela 2. Famílias analisadas que não apresentaram espécies raras no Brasil e os respectivos autores das análises.

FamÍliaS

autor(a) da análise

Achatocarpaceae

Patricia Luz Ribeiro

Adoxaceae

Patricia Luz Ribeiro

Agavaceae

Patricia Luz Ribeiro

Aizoaceae

Alexa Araújo O. Paes Coelho

Anacardiaceae

John D. Mitchell

Anisophylleaceae

Patricia Luz Ribeiro

Basellaceae

Patricia Luz Ribeiro

Bataceae

Patricia Luz Ribeiro

Bixaceae

Patricia Luz Ribeiro

Bonnetiaceae

Maria José Gomes de Andrade

Cabombaceae

Patricia Luz Ribeiro

Calceolariaceae

Patricia Luz Ribeiro

Cannabaceae

Patricia Luz Ribeiro

Cannaceae

Maria José Gomes de Andrade

Cardiopteridaceae

Patricia Luz Ribeiro

Ceratophyllaceae

Maria José Gomes de Andrade

Chloranthaceae

Maria José Gomes de Andrade

Cistaceae

Maria José Gomes de Andrade

Clethraceae

Maria José Gomes de Andrade

Costaceae

Ana Maria Giulietti

Crassulaceae

Maria José Gomes de Andrade

Cyclanthaceae

Maria José Gomes de Andrade

Cymodoceaceae

Maria José Gomes de Andrade

Cyrillaceae

Maria José Gomes de Andrade

Elatinaceae

Maria José Gomes de Andrade

Euphroniaceae

Maria José Gomes de Andrade

Gelsemiaceae

Maria José Gomes de Andrade

Goodeniaceae

Maria José Gomes de Andrade

Goupiaceae

Maria José Gomes de Andrade

Griseliniaceae

Maria José Gomes de Andrade

Haloragaceae

Maria José Gomes de Andrade

Heliconiaceae

Maria José Gomes de Andrade

Hydrocharitaceae

Maria do Carmo Amaral

Hydroleaceae

Maria José Gomes de Andrade

Hypoxidaceae

Maria José Gomes de Andrade

Juncaceae

Patricia Luz Ribeiro

Juncaginaceae

Patricia Luz Ribeiro

Krameriaceae

Ana Maria Giulietti

Laxmanniaceae

Maria José Gomes de Andrade

34

introdução

Limnocharitaceae

Maria José Gomes de Andrade

Linaceae

Maria José Gomes de Andrade

Linderniaceae

Maria José Gomes de Andrade

Magnoliaceae

Maria José Gomes de Andrade

Marcgraviaceae

Maria José Gomes de Andrade

Martyniaceae

Ana Maria Giulietti

Mayacaceae

Maria José Gomes de Andrade

Menyanthaceae

Maria José Gomes de Andrade

Nyctaginaceae

Alessandro Silva do Rosário

Peridiscaceae

Maria José Gomes de Andrade

Plumbaginaceae

Ana Maria Giulietti

Pontederiaceae

MarccusV. S. Alves

Quillajaceae

Maria José Gomes de Andrade

Ranunculaceae

Maria José Gomes de Andrade

Rhizophoraceae

Maria José Gomes de Andrade

Rosaceae

Maria José Gomes de Andrade

Ruppiaceae

Ana Maria Giulietti

Sarraceniaceae

Maria José Gomes de Andrade

Siparunaceae

Ariane Luna Peixoto

Smilacaceae

Regina Andreata

Sphenocleaceae

Maria José Gomes de Andrade

Staphyleaceae

Maria José Gomes de Andrade

Stemonuraceae

Maria José Gomes de Andrade

Strelitziaceae

Maria José Gomes de Andrade

Surianaceae

Maria José Gomes de Andrade

Theaceae

William Antonio Rodrigues

Thurniaceae

Ana Maria Giulietti

Tropaeolaceae

Juliana de Paula-Souza

Winteraceae

Ana Maria Giulietti

Zygophyllaceae

Ana Maria Giulietti

tabela 3. mero de espécies raras, extensão territorial e número de espécies raras por km 2 em cada Região.

reGião

nº de espécies raras

extensão territorial (km 2 )

espécie rara: área (km 2 )

Sudeste

1058

927.286

1:876,5

Nordeste

565

1.558.200

1:2.758

Centro-Oeste

273

1.612.088

1:5.905

Norte

235

3.869.638

1:16.466

Sul

125

577.214

1:4.618

introdução

35

tabela 4. Número de espécies raras e extensão territorial dos Estados brasileiros.

eStado

nº de espécies raras

extensão territorial (km 2 )

Acre

14

153.150

Alagoas

3

27.933

Amapá

15

143.454

Amazonas

164

1.577.820

Bahia

484

567.295

Ceará

13

146.348

Goiás & Distrito Federal

202

341.300

Espírito Santo

135

46.184

Maranhão

13

333.366

Mato Grosso

53

363.981

Mato Grosso do Sul

18

906.807

Minas Gerais

550

588.384

Pará

68

1.253.164

Paraíba

1

56.585

Paraná

39

199.709

Pernambuco

34

98.938

Piauí

17

252.378

Rio de Janeiro

250

43.910

Rio Grande do Norte

0

53.307

Rio Grande do Sul

31

282.062

Rondônia

13

238.513

Roraima

7

225.116

Santa Catarina

55

95.443

São Paulo

123

248.809

Sergipe

1

22.050