Curso de Pós-Graduação Lato Sensu a Distância

Psicopedagogia: Pensamento Lógico Matemático – Recuperando o pensar ATIVIDADE AVALIATIVA – A2D08.

Aluna: Eleny Aparecida de Oliveira

onde a práxis docente era vangloriada. NEM COMPLICAÇÕES Se o aluno não parece ter uma relação amigável com a matemática. Desse modo o mito da matemática tornou-se um dos mais temidos pelos estudantes brasileiros por décadas. (Márcia Muller) Uma compreensão sobre a história da matemática é primordial em qualquer debate sobre a própria matemática e o seu ensino. muitos indivíduos consideram a matemática uma disciplina com resultados precisos e procedimentos infalíveis. por isso se faz necessário torná-la mais atrativa tanto para os alunos como para os professores. completamente fora do contexto moderno. Sobre o aspecto da motivação contextualizada. exaltada pelo maior número de reprovações que a disciplina acarretava. a matemática que se ensina nas escolas é morta. não vinculavam a aplicabilidade com o currículo escolar. sobre por que e quando se decidiu dar a importância. realizar equações. mesmo que impreciso e incompleto. Esta disciplina é muito mais do que apenas os conteúdos do currículo. cujos elementos fundamentais são as operações aritméticas. É uma disciplina fria. é preciso desmistificá-la aproximando-a o máximo dele. Formar um juízo. . Segundo Thompson (1992:127). Os professores não se preocupavam com o ensino usual da matemática na sociedade e sim visavam o conteúdo teórico. que se tem hoje. Com isso. procedimentos algébricos e definições e teoremas geométricos. inovação em educação matemática. que os professores manipulam em suas aulas conforme a necessidade dos alunos. Pensando na história vemos uma prática tradicional. operações e utilizar o raciocínio lógico em diferentes momentos sem saber como aplicar na vida prática. Pelo contrário. mostrando aos poucos e no dia-a-dia que ela faz parte de sua vida e está presente no mundo que o cerca. Grande parte da geração passada vivenciou nas escolas uma sensação de calafrio ao ter que solucionar problemas. sem espaço para a criatividade. Dessa forma o conteúdo é fixo e seu estado pronto e acabado. é fundamental para que se possa fazer qualquer promessa de reforma. não adianta enfrentá-la armada até os dentes. quiçá até os dias atuais. ao ensino da matemática. Isso é especialmente constatado no que se refere como ela é ensinada e o que é ensinado.MATEMÁTICA SEM SOFRIMENTOS.

ela se desenvolve no curso da história da humanidade desde os “sons” mais elementares. pois esta ciência é vista como vilã nos bancos escolares. rígida. Busca-se. p.. consequentemente. tirando-lhe o véu para encontrar a essência (THOMAZ. é o “espírito” da Matemática. É preciso combater a repulsa que os alunos têm por essa matéria. exata. Portanto. Porém este estigma incomoda aqueles que a percebe de outra maneira. Comparar a matemática com o falar é fundamental. 109). que nos possibilita movimentar suas estruturas. é como se aprendêssemos a falar. a grande vilã nos boletins escolares. é se apropriar da linguagem matemática. enxergar a beleza do conhecimento. é sua essência. já que a mesma sempre foi internalizada pela sociedade e nossos alunos em particular.35). matemática hindu. Um dos pontos primordiais para que o aluno compreenda os conceitos matemáticos. dando-lhe sentido e significado. unindo o cognitivo ao conhecimento formal aplicado nas unidades escolares. D’Ambrosio (1986). com espaço para a criatividade e muita emoção. matemática pré-colombiana (p. 1996. portanto intimamente ligada ao contexto sociocultural em que se desenvolve – por isso falamos em matemática grega. Nos últimos tempos tem-se pensado no processo de ensino e aprendizagem da matemática de uma forma mais inovadora. principalmente. a ler e a nos comunicar em outra língua.A matemática é estigmatizada como uma disciplina árida. lógico-dedutiva. A beleza da Matemática é o que está por detrás dos números. para então entender os seus mecanismos de funcionamento. Para tal é necessário elaborar formas diferenciadas de trabalhar os seus conceitos e isso significa elaborar novos modelos de ensinar e aprender. a partir desse questionamento.] o fato de a matemática ser uma linguagem (mais fina e precisa que a linguagem natural) que permite ao homem comunicar-se sobre fenômenos naturais. tornando-a mais atrativa. difícil. como o “bicho-papão” nas escolas. seus significados. não apenas matemático. é poder desvelar o aparente.. . um trabalho que viabilize uma melhor compreensão de como usar o ensino de matemática de uma forma mais eficaz e menos mecânica. destinada à compreensão de poucos. Esse problema parece ser cultural. e. coloca: [. dinâmica. o que está além da sua aparência árida. Compreender o significado matemático envolve entender que a Matemática tem linguagem própria.

os professores de matemática. situações da vida cotidiana e atividades do mundo do trabalho e no apoio à construção de conhecimentos em outras áreas curriculares. Assim.. Nas escolas a matemática é vista pelos alunos como uma disciplina sem nenhuma funcionalidade em seu contexto. Desse modo. devem ensinar matemática associando-a a vida do aluno.] é importante que a Matemática desempenhe. Segundo Toledo e Toledo: . elaborar conceitos.. desenvolver suas atividades. p. argumentar pontos de vista.Para se romper com esta cultura. (PCN. o aluno é visto como o principal sujeito no processo ensinoaprendizagem e a escola sendo o espaço onde se devem criar situações para que este sujeito da aprendizagem seja capaz de pensar logicamente. justificar suas escolhas. oferecendo ao professor instrumentos para que reveja sua prática pedagógica. O que fazer para que a matemática se torne uma disciplina escolar prazerosa de ser aprendida e descomplicada? Os educadores. 29). atribuindo de modo gradativo os conteúdos matemáticos conforme as necessidades e a compreensão dos alunos. podemos dizer que o papel do professor está em planejar boas atividades de aprendizagem. seu papel na formação de capacidades intelectuais. formular resultados. fazendo com que a aprendizagem matemática seja vista de forma tão natural quanto à da língua materna. é que “as ferramentas são apresentadas de maneira abstrata e divorciadas da vida e isto é chato” como afirma o psicanalista e educador Rubem Alves. Valorizar o cotidiano do aluno pode ser um caminho para ajudá-la a ter um bom relacionamento com a matemática. favorecendo o desenvolvimento das estruturas do pensamento. para chegar à construção de conhecimentos contextualizados e colocá-los de forma consciente dentro de sua realidade. O que por vezes ocorre nas escolas. na sua aplicação a problemas. ou seja. na agilização do raciocínio dedutivo do aluno. na estruturação do pensamento. equilibrada e indissociavelmente. 2001. “problematizar” os conteúdos buscando as situações reais do cotidiano dele. A matemática exerce um papel primordial na formação do indivíduo. é preciso que ocorram mudanças concretas. pois na maioria das vezes o professor reproduz os conceitos dos livros didáticos (seguir e aplicar regras) para trabalhar os conteúdos. principalmente. de acordo com o PCN: [.

pois os quadros lógicos de seu pensamento não estão desenvolvidos suficiente. empatia. possibilite situações envolventes. do diálogo. É casar interação com conversação. é indispensável à mudança da dinâmica da sala de aula. exigem das crianças um nível de abstração e formalização que está acima de sua capacidade. Dentro desta perspectiva. p. respeito mútuo. mesmo que prematura. positiva sobre essa disciplina considerada complicada. faz-se necessário que o professor crie um ambiente favorável para a aprendizagem. sendo a matemática uma ciência hipotético-dedutiva. 2003. troca. Para se chegar um ambiente de pesquisa matemática onde a curiosidade e o desafio são componentes essenciais para a motivação intrínseca dos alunos. o jogo da linguagem. (TOLEDO & TOLEDO. serão os .Alguns professores consideram que. 1997. A interação professor-aluno só é positiva quando a necessidade de ambos é atendida. deve ser apresentada dessa maneira desde as fases iniciais. Assim. A consequência dessa prática educativa pode levar à criança a desmotivação em aprender matemática. 10). Quando relação entre os sujeitos da aprendizagem for de confiança. alteridade. caracteriza-se por um ambiente em que os alunos propõem. amizade. Para proporcionar aos alunos um aprendizado significativo do conhecimento matemático. exploram e investigam situações matemáticas. p. Para tal. uma comunidade de pesquisa. Esses desafios derivam-se tanto de situações reais (modelagem) como de situações lúdicas (jogos e curiosidades matemáticas) e de investigações e contestações dentro da própria matemática. de investigação matemática. A não utilização de materiais concretos pode contribuir para uma dificuldade de compreensão sobre o conhecimento matemático. a matemática. grupos de trabalho ou trabalhos de grupo tornam-se necessários. interagindo nas investigações. pois muitas vezes. A saída encontrada pelos alunos é memorizar alguns procedimentos que lhes permitem chegar aos resultados exigidos pelo professor. quando os interlocutores são parceiros de um jogo. interessantes durante as aulas. as noções matemáticas ainda não se apresentam com clareza na realidade dessa criança. quando há uma cumplicidade. já que ela aprende mais facilmente através da interação com objetos concretos. (CHALITA. O professor deixa de ser a autoridade do saber e passa a ser um membro integrante dos grupos de trabalho.40). afetividade. pois se cria a partir desses grupos. o ensino da matemática não oferece nenhum atrativo para a criança. que é algo fundamental. O ambiente necessário para a construção de uma visão otimista.

Por isso. atenção. buscar alternativas para maximizar a motivação para a aprendizagem. levantar hipóteses. justificar seu raciocínio e validar suas próprias conclusões. Há de se ressaltar. a importância da ludicidade na prática pedagógica. o desenvolvimento da criança acontece através do lúdico. ONAGA. enquanto tentamos compreender a situação ou um fenômeno”. raciocínio lógico. a Matemática. de usar objetos que ao manuseá-los possam ser transformados em utilidades para as suas brincadeiras e aprendizagens. A fim de facilitar a compreensão da Matemática. precisa do jogo como forma de equilibração com o mundo. 1989). é permitido ao aluno fazer da aprendizagem um processo interessante e até divertido. tendo consciência das necessidades básicas de seus alunos enquanto sujeitos integrados a uma sociedade moderna devem possibilitar-lhes uma interação com materiais concretos que estimulem e desenvolvam seus conhecimentos matemáticos. a organização. Segundo PIAGET.aliados para se desmitificar algumas disciplinas como difíceis ou “chatas” de serem aprendidas. que o professor deve propor atividades num contexto real. “Aprender e construir conhecimentos são processos que envolvem invenções produções novas que criamos. Toda criança gosta de brincar. utilizando nossas estruturas cognitivas atuais. p. pois os jogos e as brincadeiras são elementos enriquecedores para impulsionar a aprendizagem. Os docentes. Segundo Brizuela (2006. desenvolver a autoconfiança. Para isso. explorar possibilidades. o professor deve dispor de recursos que a tragam para a realidade da vida prática. para assim tornar o ensino mais agradável. O uso dos jogos e desafios no ensino da matemática tem objetivo de fazer com que os alunos gostem de aprender essa disciplina. interessante e estimulante a ponto de despertar nos alunos o interesse pala disciplina desde as primeiras séries (MORI. Desse modo abrirá espaço em sua sala de aula a construção coletiva e significativa do conhecimento matemático. Ela precisa brincar para crescer. concentração. eles devem ser utilizados para sanar as lacunas que se produzem na atividade escolar diária. 51). mudando a rotina da classe e despertando o interesse dos envolvidos. lúdico ou matemático a partir do qual os problemas serão gerados e resolvidos dentro de um ambiente positivo que encoraje os alunos a encontrar soluções. . em nosso estudo. Através dos jogos. para a resolução de problemas do cotidiano.

Por isso o papel pedagógico do jogo nas práticas educativas não pode ser considerado apenas um simples divertimento. A matemática desde muito enreda-se num processo de angústia. complexa e inexplicável. Nesse sentido. 2001) A mistificação direcionada à ciência matemática tem levado muitos alunos ao fracasso escolar. vincular a linguagem formal matemática com seu significado referencial. inventa. tornando-se. descobre.Através do lúdico a criança experimenta. Faraco (2004) ensina que a matemática deve ser apresentada em literaturas ilustradas com desenhos. aprende. forma conceitos. por vezes. com a visão de que poucos conseguirão apropriar-se dele. a não apropriação dos conceitos matemáticos. proporciona-lhe o desenvolvimento cognitivo. Tal ideia é legitimada pela postura pedagógica do professor. integra percepções. em função disso caracteriza-se pelas dificuldades encontradas no processo de ensino/aprendizagem. É preciso contextualizar a aprendizagem da matemática em atividades concretas e significativas para os alunos. pois acredita que aprender é “saber na ponta da língua” o que foi ensinado. a autoestima e a autonomia. dando maior significado às tarefas escolares. orientar a aprendizagem dos alunos para a compreensão e a resolução de problemas. reapresentando os cálculos de forma prazerosa e relacionada com acontecimentos cotidianos porque para atingir a qualidade da aprendizagem. mas uma forma alegre de educar. Mas a Matemática pode e deve ser desvinculada desse pânico de aprender e ensinar a qual foi submetida durante tantos anos. inacessível. não lhes propiciando um fazer. seleciona ideias. estimula a curiosidade. sentindo-se incapaz. O conhecimento matemático ainda é considerado. não tem uma escuta às necessidades de seus alunos e faz questão de reforçar a heteronomia deles. O aluno. (GUELLI. tirando a matemática da rotina cansativa de cálculos mecânicos. receio e pânico por parte dos alunos. uma vez que esse medo pode ser gerado pela maneira mecânica e decorativa pela qual foi e continua sendo ensinada. como já foi dito anteriormente. difícil e complexo. ao chegar à escola. a não contribuindo . com histórias do cotidiano e que possam prender a atenção dos alunos. já apresenta certo temor a esse conhecimento. para muitas pessoas. é necessário um professor competente que ame a arte de ensinar. que se vê como dono do saber. e. que possam tornar o estudo da disciplina prazeroso. Alguns pontos são essenciais para que o aluno crie uma nova visão do aprender matemática. estabelece relações lógicas.

Essa dificuldade pode resultar em uma baixa autoestima da criança que por vezes se reflete nas outras disciplinas e até mesmo na sua relação com o ambiente escolar. rompendo o estigma de uma disciplina árida. seja em forma estratégica de tipo cognitivo e de consciência e controle metacognitivo. bem como para a construção de novos alunos. que vivenciarão a matemática sem medo. destinada à compreensão de poucos. de forma imbricada visualizando três ambitos básicos: memória. difícil. atenção e metacognitivo. a intervenção psicopedagogica nas dificuldades de aprendizagem em matemática deve enfatizar os enfoques de ensino. seja em situações de aula e/ou especializadas. Assim.para sua aplicabilidade na vida cotidiana. . Este estudo contribui para uma nova estruturação da realidade vivenciada em sala de aula. seja em forma de solução de problemas.

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