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Marco Silva

EDUCAÇÃO NA CIBERCULTURA:
o desafio comunicacional do professor presencial e online

Marco Silva *

RESUMO
A aprendizagem digital e online é exigência da cibercultura, isto é, do novo
ambiente comunicacional que surge com a interconexão mundial de compu-
tadores em forte expansão no início do século 21; novo espaço de comunica-
ção, de sociabilidade, de organização, de informação, de conhecimento e de
educação. A aprendizagem digital e online é demanda do novo contexto só-
cio-econômico-tecnológico engendrado a partir do início da década de 1980,
cuja característica geral não está mais na centralidade da produção fabril ou
da mídia de massa, mas na informação digitalizada em rede como nova infra-
estrutura básica, como novo modo de produção. O professor acostumado ao
primado da transmissão na educação e na mídia de massa tem agora o desa-
fio de educar na cibercultura. Terá que desenvolver sua imaginação criadora
para atender as novas demandas sociais de aprendizagem interativa.
Palavras-chave: Cibercultura – Educação – Interatividade – Papel do pro-
fessor

ABSTRACT
EDUCATION IN THE CYBERCULTURE: the communicational
challenge of the presential and online teacher
Digital and online learning is a demand of the cyberculture, that is, of the
new communicational environment that emerges with the worldwide
interconnection of computers in full expansion in the beginning of the 21st
century; a new space of communication, sociability, organization, information,
knowledge and education. Digital and online learning is a demand of the
new socio-economical-technological context produced from the beginning
of the1980 decade, whose general characteristic is no longer in the centrality
of the industrial production or the mass media, but in the digital information
in network as new basic infrastructure, as a new way of production. The
teacher accustomed to the primate of the transmission in education and in
the mass media has now the challenge of educating in the cyberculture.
They will have to develop their creative imagination to fulfill the new social
demands of interactive learning.
Key words: Cyberculture – Education – Interactivity – Teacher role
*
Sociólogo, doutor em educação pela USP, professor do Programa de Pós-Graduação em Educação da
Universidade Estácio de Sá – UNESA, e da Licenciatura da UERJ – Universidade do Estado de Rio de
Janeiro. Autor do livro Sala de aula interativa. 3. ed. Rio de Janeiro: Quartet, 2003. Endereço para correspon-
dência: Av. Princesa Isabel, 334, bloco 3, apt. 086, Copacabana, Rio de Janeiro, RJ. E-mail: marco@msm.com.br
- site: www.saladeaulainterativa.pro.br

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Educação na cibercultura: o desafio comunicacional do professor presencial e online

Introdução urgente é uma pedagogia baseada na participa-


ção, na comunicação que não separa emissão
A educação presencial e a distância encon- e recepção e na construção do conhecimento a
tram-se ainda centradas no modelo da distri- partir da elaboração colaborativa.
buição da informação, quando a oferta de Trato dessa pedagogia a partir da interativi-
comunicação multimídia é cada vez maior e me- dade, entendida como transição da lógica da trans-
lhor no ambiente comunicacional redefinido missão própria da mídia de massa para a lógica
pelas tecnologias digitais interativas. da comunicação própria da “cibercultura”. Co-
Essa defasagem da escola, da universidade loco em destaque o significado mais preciso desse
e da educação a distância não será solucionada conceito, porque compreendê-lo é decisivo para
apenas com a inclusão do computador conecta- a percepção do que evidencio como desafio para
do à internet em sala de aula. O essencial e a educação presencial e a distância.

Cibercultura
“Conjunto de técnicas (materiais e intelectuais), de práticas, de atitudes,
de modos de pensamento e de valores, que se desenvolvem juntamente com o
crescimento do ciberespaço”; “novo ambiente de comunicação que surge com
a interconexão mundial de computadores”; é “o principal canal de comunica-
ção e suporte de memória da humanidade a partir do início do século 21”;
“novo espaço de comunicação, de sociabilidade, de organização e de tran-
sação, mas também o novo mercado da informação e do conhecimento [que]
tende a tornar-se a principal infra-estrutura de produção, transação e
gerenciamento econômicos” (LÉVY, 1999, p. 32, 92 e 167). Ciberespaço sig-
nifica rompimento com o reinado da mídia de massa baseada na transmissão.
Enquanto esta efetua a distribuição para o receptor massificado, o
ciberespaço, fundado na codificação digital online, permite ao indivíduo
teleintrainterante a imersão personalizada, operativa e colaborativa na men-
sagem – experiência incomum na mídia de massa.

A seguir, reúno aspectos que considero disponibilização consciente de um mais comuni-


essenciais no tratamento de uma pedagogia cacional de modo expressamente complexo pre-
baseada na comunicação que emerge com a sente na mensagem e previsto pelo emissor, que
cibercultura, igualmente valiosa para a sala de abre ao receptor possibilidades de responder ao
aula, presencial e a distância. Uma pedagogia sistema de expressão e de dialogar com ele.
interativa que rompe com a prática da trans- Grande salto qualitativo em relação ao modo
missão de A para B ou de A sobre B. Uma de comunicação de massa que prevaleceu até
pedagogia interativa que rompe com o velha o final do século XX. O modo de comunicação
pedagogia da transmissão, disponibilizando aos interativa ameaça a lógica unívoca da mídia de
alunos a participação na construção do conhe- massa, oxalá como superação do constrangi-
cimento e da própria comunicação entendida mento da recepção passiva.
como colaboração de A e B, e assim, sintoniza- Interatividade não é meramente um novo
da com o nosso tempo. modismo. O termo significa a comunicação que
se faz entre emissão e recepção entendida
como co-criação da mensagem. Há críticos que
A modalidade comunicacional que
vêem mera aplicação oportunista de um termo
emerge com a cibercultura
“da moda” para significar velhas coisas como
Interatividade é a modalidade comunicacio- diálogo e reciprocidade. Há outros acreditando
nal que caracteriza a cibercultura. Exprime a que interatividade tem a ver com ideologia pu-

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blicitária, estratégia de marketing, fabricação de senvolveu uma atitude comunicacional que


adesão, produção de opinião pública. E há tam- favoreça as interações e a aprendizagem. Falo
bém aqueles que dizem jamais se iludir com a de uma atitude comunicacional que não apenas
interatividade entre homem-computador, pois atente para as interações, mas que também as
acreditam que, por trás de uma aparente ino- promova de modo criativo. Essa atitude supõe
cência da tecnologia amigável, “soft”, progride técnicas específicas de promover interações e
a dominação das linguagens infotécnicas sobre aprendizagem, mas antes de tudo requer a per-
o homem. Sem dúvida, aqui estão críticas perti- cepção crítica de uma mudança paradigmática
nentes. No entanto, há muito mais a dizer sobre em curso: da transmissão passa-se à interati-
esse conceito emergente. Particularmente, vidade.
sobre sua importância em educação. Há certamente uma banalização do termo
Convido o professor a tomar o conceito com- interatividade. Cito a propaganda de uma marca
plexo de interatividade e com ele modificar seus de tênis na tv onde o produto é apresentado como
métodos de ensinar baseados na transmissão. “interactive”. Ou seja, há uma crescente utili-
Na sala de aula interativa a aprendizagem se zação do adjetivo “interativo” para qualificar
faz com a dialógica que associa emissão e re- qualquer coisa (computador e derivados, brin-
cepção como pólos antagônicos e complemen- quedos eletrônicos, vestuário, eletrodomésticos,
tares na co-criação da comunicação e da apren- sistema bancário on-line, shows, teatro, estra-
dizagem. tégias de propaganda e marketing, programas
Atualmente começam a ser discutidas mais de rádio e tv, etc.), cujo funcionamento permita
amplamente as relações de reciprocidade na ao usuário-consumidor-espectador-receptor al-
educação. O professor troca experiência com gum nível de participação, de troca de ações e
o aluno, não é mais um mero transmissor de de controle sobre acontecimentos. Podemos di-
informação. Discutem-se também formas de zer que há uma indústria da interatividade em
ensino que estimulem o aluno a pensar e a fa- franco progresso acenando para um futuro
zer criativa e colaborativamente. Há uma per- interativo. Caminhamos na direção da geladeira
cepção crescente de que o professor precisa e do microondas interativos. Isso pode significar
investir em relações de reciprocidade para cons- mais banalização do termo “interatividade” to-
truir conhecimento. O construtivismo ganhou mado como “excelente argumento de venda”,
enorme adesão destacando o papel central das como “promessa de diálogo enriquecedor que faz
interações como fundamento da aprendizagem. engolir a pílula”. (SFEZ, 1994, p. 267).
Suas diversas interpretações vêm mostrando A despeito dessa banalização, pode-se veri-
que a aprendizagem é um processo de constru- ficar a emergência histórica da interatividade
ção do discente que elabora os saberes graças como novo paradigma em comunicação. A
e através das interações. transmissão, emissão separada da recepção,
O professor construtivista é aquele que cui- perde sua força na era digital, na cibercultura,
da da aprendizagem suscitando a expressão e na sociedade da informação, quando está em
a confrontação dos estudantes a respeito de emergência a imbricação de pelo menos três
conteúdos de aprendizagem. De fato, o fatores:
construtivismo significa um salto qualitativo em • Tecnológico. Novas tecnologias informáticas
educação. No entanto, falta a ele um tratamen- conversacionais, isto é, a tela do computa-
to adequado da comunicação, de modo que se dor não é espaço de irradiação, mas de aden-
permita efetivar as interações na aprendizagem tramento e manipulação, com janelas mó-
em lugar da transmissão e da memorização. veis e abertas a múltiplas conexões. Os
Quero dizer que, mesmo adeptos do cons- informatas encontraram uma nova palavra
trutivismo, os professores podem permanecer para exprimir a novidade do computador que
apegados ao modelo da transmissão que faz substitui as herméticas linguagens alfanumé-
repetir e não pensar. O construtivismo não de- ricas pelos ícones e janelas tridimensionais

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Educação na cibercultura: o desafio comunicacional do professor presencial e online

que permitem interferências e modificações não chegou ao campo da educação. É preciso


na tela. despertar o interesse dos professores para uma
• Mercadológico. Estratégias dialógicas de nova comunicação com os alunos em sala de
oferta e consumo envolvendo cliente-produ- aula presencial e virtual. É preciso enfrentar o
to-produtor são valorizadas pelos especia- fato de que tanto a mídia de massa quanto a
listas em propaganda e marketing. sala de aula estão diante do esgotamento do
• Social. Há um novo espectador, menos pas- mesmo modelo comunicacional que separa
sivo diante da mensagem mais aberta à sua emissão e recepção.
intervenção, que aprendeu com o controle
remoto da tv, com o joystick do videogame
e agora aprende como o mouse. Mídia de massa e mídia digital: con-
Pode-se dizer que um novo cenário comuni- tribuições para a educação
cacional ganha centralidade. Ocorre a transi-
ção da lógica da distribuição (transmissão) A mídia clássica é inaugurada com a prensa
para a lógica da comunicação (interatividade). de Gutenberg e teve seu apogeu entre a segun-
Isso significa modificação radical no esquema da metade do século XIX e a primeira do sécu-
clássico da informação baseado na ligação uni- lo XX com o jornal, fotografia, cinema, rádio e
lateral emissor-mensagem-receptor: televisão. Ela contenta-se com fixar, reproduzir
• O emissor não emite mais no sentido que se e transmitir a mensagem buscando o maior al-
entende habitualmente, uma mensagem fe- cance e a melhor difusão. Na mídia clássica, a
chada, oferece um leque de elementos e pos- mensagem está fechada em sua estabilidade
sibilidades à manipulação do receptor. material. Sua desmontagem-remontagem pelo
• A mensagem não é mais “emitida”, não é leitor-receptor-espectador exigirá deste basica-
mais um mundo fechado, paralisado, imutá- mente a expressão imaginal, isto é, o movimen-
vel, intocável, sagrado, é um mundo aberto, to próprio da mente livre e conectiva que inter-
modificável na medida em que responde às preta mais ou menos livremente.
solicitações daquele que a consulta. A mídia digital (internet, cd-rom) faz melhor
• O receptor não está mais em posição de a difusão da mensagem e vai além disso: a men-
recepção clássica, é convidado à livre cria- sagem pode ser manipulada, modificada à von-
ção, e a mensagem ganha sentido sob sua tade “graças a um controle total de sua micro-
intervenção. (MARCHAND, 1986, p. 9) estrutura [bit por bit]”. Imagem, som e texto
Trata-se, portanto, de mudança paradigmáti- não têm materialidade fixa. Podem ser mani-
ca na teoria e pragmática comunicacionais. A pulados dependendo unicamente da opção crí-
mensagem só toma todo o seu significado sob a tica do usuário ao lidar com o mouse, tela tátil,
intervenção do receptor que se torna, de certa joystick, teclado, etc. (LÉVY, 1998, p. 51).
maneira, criador. Enfim, a mensagem que ago- Na mídia digital o interagente-usuário-ope-
ra pode ser recomposta, reorganizada, modifi- rador-participante experimenta uma grande evo-
cada em permanência sob o impacto das inter- lução. No lugar de receber a informação, ele
venções do receptor dos ditames do sistema, tem a experiência da participação na elabora-
perde seu estatuto de mensagem emitida. As- ção do conteúdo da comunicação e na criação
sim, parece claramente que o esquema clássi- de conhecimento. A diferença em relação à ati-
co da informação, que se baseava numa liga- tude imaginal de um sujeito é que no suporte
ção unilateral ou unidirecional emissor-mensa- digital “a pluralidade significante é dada como
gem-receptor, se acha mal colocado em situa- dispositivo material”: o sujeito não apenas in-
ção de interatividade. terpreta mais ou menos livremente, como tam-
Diante dessa mudança paradigmática, é vi- bém organiza e estrutura, ao nível mesmo da
sível a inquietação de empresários e progra- produção (MACHADO, 1993, p. 180). Essa
madores da mídia clássica, inquietação que ainda mídia tem muito mais a dizer ao professor. Ele

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pode aprender com o programador digital a nova mete-se às récitas da emissão, mas o que, não
concepção comunicacional.1 se identificando apenas como receptor, interfe-
Portanto, aprender com o movimento da mídia re, manipula, modifica e, assim, reinventa men-
digital supõe antes de tudo aprender com a mo- sagem.
dalidade comunicacional interativa. Ou seja, P. Lévy (1998, p.51-53) sustenta ainda que
aprender que comunicar não é simplesmente é preciso aprender com o movimento das
transmitir, mas disponibilizar múltiplas disposições tecnologias hipertextuais (ou digitais). E enfatiza
à intervenção do interlocutor. A comunicação só as distinções básicas que podem ser dispostas
se realiza mediante sua participação. em quadro sinóptico de modo a torná-las mais
A comunicação interativa é, portanto, o que explícitas. Em suma, são distinções entre mídia
enfatizo como desafio para a educação centrada de massa e mídia digital muito oportunas para a
no paradigma da transmissão. Trata-se de um o professor.
desafio que na verdade se desdobra em três.
Ao mesmo tempo o professor precisa se dar 1
De certo que o professor atento irá verificar que os sites
conta do hipertexto2; precisa fazê-lo potenciar ainda são em geral para ver e saquear e não para interagir.
sua ação pedagógica sem perder sua autoria; e Os especialistas em produção de websites estão subuti-
finalmente precisa perceber ainda que “não se lizando o digital. “A maioria das companhias no mundo
trata de invalidar o paradigma clássico”. Martín- todo está fazendo projetos estúpidos para seus websites”.
Barbero (1998, p.23) formula com precisão os Esta é a opinião de um dos maiores especialistas em internet,
Jacob Nielsen, que intitulou de “TV envy” (inveja da tv),
termos dessa tripla dimensão do desafio.
os sites que “querem ser como a televisão, como um espe-
• O professor terá que se dar conta do hiper- cial da National Geographic”, ironizando. Para Nielsen,
texto: “Uma escritura não seqüencial, uma não se pode dar às pessoas somente coisas para que vejam,
é preciso que interajam. “Se você produz, usa e controla,
montagem de conexões em rede que, ao per-
você ganha, já se você se tornar um usuário pacífico, que
mitir/exigir uma multiplicidade de recorrên- apenas fica sentado em frente à tela, você perde, torna-se
cias, transforma a leitura em escritura.” tudo entediante e fugimos do computador.”
• O professor terá que saber que “em lugar 2
O significado mais profundo do hipertexto tem estreita
de substituir, o hipertexto vem potenciar” sua relação com interatividade e cibercultura. A idéia de
figura e seu ofício: “De mero transmissor hipertexto foi enunciada pela primeira vez por Vannevar
Bush em 1945. Este matemático imaginava um sistema de
de saberes [o professor] deverá converter- organização de informações que funcionasse de modo se-
se em formulador de problemas, provoca- melhante ao sistema de raciocínio humano: associativo,
dor de interrogações, coordenador de equi- não-linear, intuitivo, muito imediato. Mas só nos anos 60
pes de trabalho, sistematizador de experiên- é que Theodore Nelson criou o termo “hipertexto” para
cias, e memória viva de uma educação que, exprimir o funcionamento da memória do computador.
Cito uma definição elucidativa e sintética: “O que é um
em lugar de aferrar-se ao passado [transmis-
hipertexto? Em termos bastante simplificados, podemos
são], valoriza e possibilita o diálogo entre explicá-lo da seguinte maneira: todo texto, desde a inven-
culturas e gerações.” ção da escrita foi pensado e praticado como um disposi-
Para o professor que se dispõe a aprender tivo linear, como sucessão retilínea de caracteres, apoiada
num suporte plano. A idéia básica do hipertexto é apro-
com o movimento contemporâneo da tecnologia veitar a arquitetura não-linear das memórias de computa-
hipertextual, pode-se mostrar a distinção entre dor para viabilizar textos tridimensionais como aqueles
mídia clássica e mídia digital ou hipertextual. do holopoema, porém dotados de uma estrutura dinâmica
Este professor poderá se dar conta de que tal que os torne manipuláveis interativamente. (...) A manei-
modificação significa a emergência de um novo ra mais usual de visualizar essa escritura múltipla na tela
plana do monitor de vídeo é através de ‘janelas’ (windows)
leitor. Não mais aquele que segue as páginas
paralelas, que se pode ir abrindo sempre que necessário, e
do livro de modo unitário e contínuo, mas aque- também através de ‘elos’ (links) que ligam determinadas
le que salta de um ponto a outro fazendo seu palavras-chave de um texto a outros disponíveis na me-
próprio roteiro de leitura. Não mais o que sub- mória.” (MACHADO, 1993, p. 286; 288.).

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MÍDIA DE MASSA MÍDIA DIGITAL

- Ao permitir a reprodução e a difusão em - O digital é o absoluto da montagem, incidindo


massa dos textos e imagens, a prensa esta sobre os mais ínfimos fragmentos da
inaugura a era da mídia mensagem, uma disponibilidade indefinida e
- A mídia tem seu apogeu entre a metade incessantemente reaberta à combinação, à
do século XIX e a metade do século XX, mixagem, ao reordenamento dos signos
graças à fotografia, gravação sonora, (...), - A informática é uma técnica molecular, pois
ao cinema, ao rádio e à televisão [tecnolo- não se contenta em reproduzir e difundir as
gias de registro e difusão] mensagens (o que, aliás, faz melhor do que a
- A mídia fixa e reproduz as mensagens a mídia clássica), ela permite sobretudo engen-
fim de assegurar-lhes maior alcance, me- dra-las, modificá-las à vontade, conferir-lhes
lhor difusão no tempo e no espaço; capacidade de reação de grande sutileza, gra-
- A mídia constitui uma tecnologia molar ças a um controle total de sua micro-
que só age sobre as mensagens a partir estrutura
de fora, por alto e em massa - O digital autoriza a fabricação de mensagens,
- A mídia clássica não é, numa primeira sua modificação, bit por bit [ex.: permite o
aproximação, uma técnica de engendra- aumento de um objeto 128%, conservando
mento de signos; contenta-se em fixar, re- sua forma; permite que se conserve o timbre
produzir, transportar uma mensagem; da voz ou de tal instrumento, mas, ao mesmo
- Na comunicação escrita tradicional, to- tempo, que se toque outra melodia];
dos os recursos de montagem são em- - O hipertexto digital autoriza, materializa as
pregados no momento da criação. Uma operações [da leitura clássica], e amplia con-
vez impresso, o texto material conserva sideravelmente seu alcance (...), ele propõe
certa estabilidade... aguardando desmon- um reservatório, uma matriz dinâmica, a par-
tagens e remontagens do sentido, às quais tir da qual um navegador, leitor ou usuário pode
se entregará o leitor. engendrar um texto específico.

O desafio está basicamente no fato de que estilo digital de aprendizagem ou em estilo


os professores precisam atentar para “o estilo interativo.
digital de apreensão dos conhecimentos” O professor pode perceber nesta distinção
(KENSKI, 1997, p. 4), isto é, para um novo com- que ter a experiência de intervenção na men-
portamento de aprendizagem oriundo também sagem difere da recepção passiva de informa-
da nova racionalidade técnica e dos estímulos ções. E ao se dar conta disto ele pode redimen-
perceptivos que ela engendra. Kenski atenta sionar sua sala de aula modificando a base co-
para isso e chama a atenção dos professores municacional inspirando-se no digital. Ele mo-
para “os desafios oriundos das novas tecnolo- difica o modelo centrado no seu falar-ditar e
gias”: “Favoráveis ou não, é chegado o momento passa a disponibilizar ao aluno autoria, parti-
em que nós, profissionais da educação, que te- cipação, manipulação, co-autoria e informações
mos o conhecimento e a informação como nos- o mais variadas possível, facilitando permutas,
sas matérias-primas, enfrentemos os desafios associações, formulações e modificações na
oriundos das novas tecnologias.” (p.4) mensagem.
O desafio aqui apontado aos professores é O termo disponibilizar, propriamente utili-
o de dar conta do estilo de conhecimento en- zado pelos designers de website, não se reduz
gendrado pelas novas tecnologias, de modo a ao permitir, pois nas tecnologias digitais não tem
fazê-lo redimensionar a sala de aula dotada de sentido apenas permitir sem dispor (arrumar de
novas tecnologias ou não. Pode-se falar em certo modo, promover, ensejar, predispor, urdir,

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arquitetar teias). Disponibilizar em sua sala de “conselheiro”, “parceiro” e “facilitador” são


aula significará basicamente três aspectos: óbvios e simplificam. Mais vale então a formu-
• Oferecer múltiplas informações (em ima- lação de Martín-Barbero: “sistematizador de
gens, sons, textos, etc.) utilizando ou não experiências”, que tem a ver com ensejar (ofe-
tecnologias digitais, mas sabendo que estas, recer ocasião de) e urdir (dispor os fios da teia,
utilizadas de modo interativo, potencializam tecer junto).
consideravelmente ações que resultam em A expressão “sistematizador de experiên-
conhecimento. cias”, no sentido do hipertexto, significaria então
disponibilizar possibilidades de múltiplas expe-
• Ensejar (oferecer ocasião de...) e urdir (dis-
rimentações e de múltiplas expressões. Isto é
por entrelaçados os fios da teia, enredar) múl-
precisamente o que faz o designer de software:
tiplos percursos para conexões e expressões
uma montagem de conexões em rede que per-
com o que os alunos possam contar no ato
mite múltiplas recorrências. Assim também o
de manipular as informações e percorrer
professor que modifica sua prática comunicacio-
percursos arquitetados.
nal no sentido do hipertexto. Ele é um “sistemati-
• Estimular os alunos a contribuir com novas zador de experiências”. De mero transmissor
informações e a criar e oferecer mais e me- de saberes, “parceiro” ou “conselheiro”, ele
lhores percursos, participando como co-au- torna-se um formulador de problemas, provo-
tores do processo. cador de situações, arquiteto de percursos, en-
O professor, neste caso, constrói uma rede fim, agenciador da construção do conhecimen-
e não uma rota. Ele define um conjunto de ter- to na experiência viva da sala de aula.
ritórios a explorar. E a aprendizagem se dá na O professor seria então aquele que oferece
exploração – ter a experiência – realizada possibilidades de aprendizagem disponibilizando
pelos alunos e não a partir da sua récita, do seu conexões para recorrências e experimentações
falar-ditar. Isto significa modificação em seu que ele tece com os alunos. Ele mobiliza articu-
clássico posicionamento na sala de aula. Signi-
fica antes de tudo que ele não mais se posiciona
como o detentor do monopólio do saber, mas 3
Cito deste autor as expressões simplificadoras como:
como o que disponibiliza a experiência do co-
“guia”, “facilitador”, “administrador da curiosidade da
nhecimento. Ele predispõe teias, cria possibili- criança ou do jovem”. Ele assim se justifica: “Diante da
dades de envolvimento, oferece ocasião de abundância de dados acessíveis via bancos eletrônicos, o
engendramentos, de agenciamentos. E estimu- bom professor é aquele que guia as curiosidades, trans-
la a intervenção dos alunos como co-autores formando-se num facilitador, auxiliando a reflexão para
de suas ações. que o aluno não se perca na floresta de informações. Ele
Assim, o professor modifica sua ação modi- deixa de ser o único provedor de informação, auxiliado
por alguns livros, para ser o administrador da curiosidade
ficando seu modo de comunicar em sala de da criança ou do jovem.”
aula. Na perspectiva da interatividade, deixa de
4
ser o locutor que imobiliza o conhecimento e o Este autor realizou uma pesquisa minuciosa para traçar
o perfil da “geração digital” (aquela que migra da tela da
transfere aos alunos em sua récita. Mas não TV para a tela do computador). Um dos aspectos aborda-
para se tornar apenas um “conselheiro, uma dos é a educação escolar adequada ao perfil dessa nova
ponte entre a informação e o conhecimento” geração. Seria necessária “a mudança do aprendizado trans-
(DIMENSTEIN, 1997)3. Tampouco para ser mitido para interativo” (p. 139ss). Aqui ele explicita dis-
apenas um “parceiro, um pedagogo no sentido tinções do tipo: o primeiro é “linear-sequencial”, o se-
clássico do termo, que encaminhe e oriente o gundo é “hipermídia”; no primeiro há “instrução” e “ab-
sorção de matéria”, no segundo há “construção/descober-
aluno diante das múltiplas possibilidades de al-
ta” e “aprender a aprender”. E quanto ao professor, no
cançar o conhecimento e se relacionar com ele” primeiro caso ele é um “transmissor”, no segundo é “um
(KENSKI, 1997, p. 15). E muito menos como facilitador do aprendizado social, atravez do qual os alu-
“facilitador” (TAPSCOTT, 1999)4. Os termos nos constroem seu próprio conhecimento”.

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Educação na cibercultura: o desafio comunicacional do professor presencial e online

lações entre os diversos campos de conhecimen- permitindo a participação direta do professor e


to tomados como rede5 inter/transdiciplinar e, ao dos alunos. Softwares que contêm aulas prontas
mesmo tempo, estimula a participação criativa (pacotes), sem possibilidade de personalização,
dos alunos, considerando suas disposições sen- de modificação de seus conteúdos porque são
soriais, motoras, afetivas, cognitivas, culturais, estáticos, fixos, com links arborescentes, limita-
intuitivas, etc. V. Kenski sugere tratar tais ele- dos – aliás, são os que mais existem no merca-
mentos como “nós que ligados entre si formam do. Pode-se concluir então que o que está em
uma teia, a rede onde os conhecimentos são per- evidência é a imbricação de uma nova modali-
manentemente reconstruídos, a partir das inter- dade de comunicação e uma nova modalidade
relações ocasionais que o sujeito é estimulado de aprendizagem na sala de aula presencial
(ou obrigado) a enfrentar no seu processo de infopobre e inforrica e na educação on-line. Algo
aprendizagem” (KENSKI, 1997, p. 12) que podemos chamar de sala de aula interativa.
Em sala de aula essa aprendizagem é intera-
tiva porque ocorre mediante participação, bidire-
cionalidade e multiplicidade de conexões, por- Sala de aula interativa presencial e
tanto, mediante simulações/experimentação. a distância
Mesmo que não haja tecnologias digitais na sala
de aula, é possível engendrar essa modalidade É preciso repetir: a escola não se encontra
de aprendizagem. Pode-se, por exemplo, investir em sintonia com a modalidade comunicacional
em multiplicidade de nós e conexões – no senti- emergente. Há cinco mil anos ela se baseia no
do mesmo do hipertexto –, utilizando textos, falar-ditar do mestre. Tradicionalmente funda-
fragmentos da programação da TV, filmes in- da na transmissão de “A” para “B” ou de
teiros ou em fragmentos, gravuras, jornais, mú- “A” sobre “B”, permanece alheia ao movimen-
sica, falas, performances, etc. Nesse ambiente to das novas tecnologias comunicacionais e ao
o professor disponibiliza roteiros em rede e ofe- perfil do novo espectador. Ela exige novas
rece ocasião de exploração, de permutas e estratégias de organização e funcionamento
potencializações (dos temas e dos suportes). Aí como na mídia clássica e redimensionamento
ele estimula a co-autoria e a fala livre e plural. E do papel de todos os agentes envolvidos com
se não há computador e internet, bastaria um os processos de informação e comunicação. Do
fragmento em vídeo para detonar uma intrincada mesmo modo, exige a modificação da base
rede de múltiplas conexões com alunos e pro- comunicacional que faz a sala de aula tão unidi-
fessor interagindo e construindo conhecimento. recional quanto a mídia de massa.
Ou seja: a sala de aula infopobre pode ser A educação a distância (on-line) também
rica em interatividade, uma vez que o que está não se encontra em sintonia com a interatividade.
em questão é o movimento contemporâneo das A esse respeito, o pesquisador de EAD do MIT,
tecnologias e não necessariamente a presença P. Blikstein diz:
da infotecnologia. Claro, repito, a multimídia
Em EAD, reproduz-se o mesmo paradigma do
interativa pode potencializar consideravelmente
ensino tradicional, em que se tem o professor
as operações realizadas na sua ausência. Em responsável pela produção e pela transmissão do
comparação, a sala de aula inforrica pode ter conhecimento. Mesmo os grupos de discussão,
computadores ligados à internet e oferecer a
cada aluno um endereço eletrônico pessoal, mas 5
Faço referência à concepção de currículo escolar ou de
não será interativa enquanto prevalecer o falar/ conteúdos programáticos como “rede”. Ou seja, não se
ditar ou mesmo o professor “parceiro”, o “con- trata de lidar com os conteúdos curriculares entendidos
selheiro”, o “facilitador”. Isso sem falar dos como unidades apresentadas em seqüência linear, hierár-
quica, encadeando pacotes de conhecimento, mas como
softwares “educativos” concebidos para poten- campos ou dimensões do saber que podem estabelecer
ciar a aprendizagem e o trabalho do professor, múltiplas conexões entre si. Sobre tal abordagem inspira-
mas que possuem metodologias fechadas, não da no hipertexto, ver Machado (1995, p. 117-176).

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Marco Silva

os e-mails, são, ainda, formas de interação muito Os fundamentos da interatividade podem ser
pobres. Os cursos pela internet acabam conside- encontrados em sua complexidade na informá-
rando que as pessoas são recipientes de informa- tica, no ciberespaço, enfim, no digital. São três
ção. A educação continua a ser, mesmo com es-
basicamente:
ses aparatos tecnológicos, o que ela sempre foi:
uma obrigação chata, burocrática. Se você não • Participação-intervenção: participar não é
muda o paradigma, as tecnologias acabam ser- apenas responder “sim” ou “não” ou esco-
vindo para reafirmar o que já se faz.” (2001). lher um opção dada, significa modificar a
mensagem.
Para enfrentar o desafio de mudar essa tra-
• Bidirecionalidade-hibridação: a comunicação
dição, o professor encontra no tratamento com-
é produção conjunta da emissão e da recep-
plexo da interatividade os fundamentos da co-
ção, é co-criação, os dois pólos codificam e
municação que potenciam um novo ambiente
decodificam.
de ensino e aprendizagem. Tais fundamentos
mostram que comunicar em sala de aula signi- • Permutabilidade-potencialidade: a comunica-
fica engendrar/disponibilizar a participação/ex- ção supõe múltiplas redes articulatórias de
ploração livre e plural dos alunos, de modo que conexões e liberdade de trocas, associações
a apropriação das informações, a utilização das e significações.
tecnologias comunicacionais (novas e velhas) Estes fundamentos revelam o sentido não
e a construção do conhecimento se efetuem banalizado da interatividade e inspiram o rom-
como co-criação e não simplesmente como pimento com o falar-ditar do mestre que pre-
transmissão. valece na sala de aula. Eles podem modificar o
Seja no espaço físico entre paredes, seja no modelo da transmissão abrindo espaço para o
ciberespaço, a sala de aula interativa socializa exercício da participação genuína, isto é, parti-
liberdade, diversidade, diálogo, cooperação e co- cipação sensório-corporal e semântica e não
criação quando tem sua materialidade da ação apenas mecânica. Em síntese, a interatividade
baseada nestes mesmos princípios. No ciberes- contribui para sustentar em nosso tempo, que
paço, o ambiente virtual de aprendizagem e so- educar significa preparar para a participação
cialização (fórum, chat e outras ferramentas cidadã, e que esta pode ser experimentada na
disponibilizadas no site de um curso que possi- sala de aula interativa (informatizada ou não, a
bilitam interatividade on-line) pode pautar-se distância ou presencial), não mais centrada na
em tais princípios. Assim, promove integração, separação de emissão e recepção. De resto, a
sentimento de pertença, trocas, crítica e auto- imaginação criadora do professor é como nun-
crítica, discussões temáticas e elaborações cola- ca solicitada.
borativas, como exploração, experimentação e Alguns cuidados podem potencializar a sua
descoberta. autoria criativa, seja no presencial, seja a dis-
O professor que busca interatividade com tância.
seus alunos propõe o conhecimento, não o 1. Os estudantes são convidados a resolver os
transmite. Em sala de aula é mais que instrutor, problemas apresentados de forma autôno-
treinador, parceiro, conselheiro, guia, facilitador, ma e cooperativa?
colaborador. É formulador de problemas, provo- 2. Através do diálogo entre professor e estu-
cador de situações, arquiteto de percursos, mobi- dantes as dúvidas são esclarecidas?
lizador das inteligências múltiplas e coletivas na 3. O professor e os estudantes apresentam e
experiência do conhecimento. Disponibiliza es- defendem seus pontos de vista?
tados potenciais do conhecimento de modo que 4. Os estudantes são convocados a apresen-
o aluno experimente a criação do conhecimento tar, defender e, se necessário, reformular
quando participe, interfira, modifique. Por sua vez, seus pontos de vista constantemente?
o aluno deixa o lugar da recepção passiva de 5. Há um clima de cooperação e confiança
onde ouve, olha, copia e presta contas para se entre estudantes e professor valorizando a
envolver com a proposição do professor. troca de experiências?

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Educação na cibercultura: o desafio comunicacional do professor presencial e online

6. O professor procura atender às solicitações 18.Os conteúdos são tratados de forma a se


expressas (verbalmente ou não) pelos estu- tornarem interessantes e envolventes?
dantes e considera suas opiniões? 19.As diferenças (estéticas, culturais e sociais)
7. Há incentivo permanente ao trabalho em são levadas em conta pelo professor?
grupo? 20.O professor lança mão de ferramentas de
8. Os critérios de composição dos grupos são interatividade virtual (chat, fórum, e-mail...)
negociadas? 21.Há oportunidade de encontros além dos pre-
9. Há um cuidado com a preparação do “ce- vistos para as aulas?
nário” de aprendizagem desde o planejamen- 22.Todos estão autorizados a participar de
to das atividades? debates, a questionar afirmações, a expor
10.O professor lança mão de recursos cênicos argumentos, a emitir opiniões segundo cri-
para estimular a atenção e o interesse dos térios estabelecidos em consenso?
estudantes? 23.O ambiente virtual é intuitivo, funcional e de
11. O professor orienta a aprendizagem alter- fácil navegação?
nando as falas, instigando o debate e a Sintonizado com a cibercultura e com a
depuração de idéias e conceitos com os es- interatividade, o professor percebe que o co-
tudantes? nhecimento não está mais centrado no seu fa-
12.O professor se vale da escuta sensível an- lar-ditar. Percebe que os atores da comunica-
tes de emitir opiniões e pareceres? ção têm a interatividade e não a separação da
13.Expressões e gestos positivos do professor emissão e recepção própria da mídia de massa
costumam encorajar os esforços dos estu- e da cultura da escrita, quando autor e leitor
dantes? não estão em interação direta. Ele propõe o
14.A autoridade do professor é exercida a par- conhecimento atento a certos cuidados essen-
tir da experiência e não do poder do cargo? ciais junto da interlocução, e assim, redimensiona
15.O percurso de aprendizagem pode sofrer a sua autoria. Substitui a prevalência do falar-
variações, de acordo com a proposta dos es- ditar, da distribuição, pela perspectiva da pro-
tudantes? posição complexa do conhecimento, da partici-
16.As aprendizagens podem ser concretizadas pação ativa dos aprendizes que já aprenderam
com uso de diferentes materiais em diferen- com o videogame e hoje aprendem com o
tes seqüências, garantindo um nível mínimo mouse. Enfim, não foge à responsabilidade de
comum? disseminar um outro modo de pensamento, de
17.O professor cuida do mapeamento dos per- inventar uma nova sala de aula, presencial e a
cursos de aprendizagem dos alunos para que distância (online), capaz de educar, de promo-
não se percam em suas explorações? ver cidadania na cibercultura.

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Recebido em 17.09.03
Aprovado em 16.12.03

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