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Sumário

1 Conceitos e Fundamentos

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2 Educação Mediada por Tecnologia

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3 Afinal. EAD não é algo novo

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MANCHETE DO MÓDULO

EDUCAÇÃO A DISTÂNCIA

MANCHETE DO MÓDULO EDUCAÇÃO A DISTÂNCIA 5

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1.1 Conceitos e Fundamentos Nos últimos dez anos, a história da Educação a Distância apresentou

1.1 Conceitos e Fundamentos

Nos últimos dez anos, a história da Educação a Distância apresentou grandes mudanças conceituais; nunca se falou tanto nesta modalidade de ensino como nos dias atuais. A demanda da so- ciedade moderna e a flexibilidade característica da EAD impulsio- naram seu crescimento nos ambientes acadêmicos e corporativos. Para compreender a razão deste novo olhar para esta for- ma de ensinar tão conhecida, resgatamos algumas características da sociedade contemporânea.

algumas características da sociedade contemporânea. Mafalda, personagem revolucionária criada pelo artista

Mafalda, personagem revolucionária criada pelo artista Quino, escuta a sua amiga explanar sobre a geração em que estão inseridas: “a geração da tecnologia”.

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Vamos Refletir?

Quem é esta gera- ção? Quais carac- terísticas sociais a fazem ser diferente das demais?

Glossário

Blogs* : É uma página da Web, cuja estrutura per- mite a atualização rápida a partir de artigos conheci- dos como posts. Ciberespaço** : Espaço ou conjunto das comunidades de redes de comunicação entre computadores, sendo a internet a mais conhecida.

BIOGRAFIA

computadores, sendo a internet a mais conhecida. BIOGRAFIA Pierre Lévy é filósofo. Nasceu em 1956, na

Pierre Lévy é filósofo. Nasceu

em 1956, na cidade de Túnis (Tuní- sia). Realizou seus estudos na França, doutorou-se em So- ciologia e em Ciên- cias da Informação

e da Comunicação.

Lecionou em várias universidades de Paris e Montre- al. Atualmente é

professor da UQTR (Université du Québec à Trois- Rivières), na cidade de Quebec, Cana- dá. Presta serviço

a vários governos,

organismos inter- nacionais e grandes empresas sobre as implicações cul- turais das novas

tecnologias. É autor de uma dezena de obras filosóficas sobre a cultura do mundo virtual e as novas tecnologias.

sobre a cultura do mundo virtual e as novas tecnologias. Geração da Tecnologia A geração de

Geração da Tecnologia

A geração de crianças e jovens, definida por Prensky (2001) como “Geração Digital” e por Buckingham (2000), “Geração Net”, tem como característica principal a realização de várias atividades simultaneamente ao mesmo tempo, como a construção e compartilhamen- to de arquivos como vídeos, fotos, músicas e outros documentos; a criação de blogs*, a cons- trução e mediação de comunidades virtuais e outras formas de atuação no mundo Enfim, vivem imersos no Ciberespaço**.

atuação no mundo Enfim, vivem imersos no Ciberespaço** . Pesquisadores, alardeiam que a tecnologia está transforman-

Pesquisadores, alardeiam que a tecnologia está transforman- do profundamente a educação, desafiando as definições existentes de conhecimento, oferecendo novas maneiras de motivar aprendi- zes relutantes e proporcionando incessantes oportunidades de cria- tividade e inovação.

Há um conjunto de afirmações pretensiosas como estas que existem desde muito antes do advento dos computadores. Os primeiros defensores do uso de filmes e da televisão na educação, por exemplo, fizeram previsões igualmente fantásticas de que esses meios trariam mudanças profundas na natureza da aprendizagem e, sem dúvida, de que a própria escola, em breve, se tornaria redun- dante. Sancho e Hérnandez (2006) ponderam afirmando que se a Educação dependesse somente das tecnologias, já teríamos encon- trado as soluções para a melhoria da qualidade há muito tempo.

No entanto, o uso cotidiano das TICs (Tecnologias da In- formação e Comunicação) faz emergir um novo “saber-fazer”, um novo modo de se relacionar com as pessoas.com a informação e com as formas de construção do conhecimento. Pierre Lévy (1999) em seu livro “A Inteligência Coletiva”, disserta sobre a magia dos mun- dos virtuais ao alcance de todos:

“A fusão das telecomunicações, da informá- tica, da imprensa, da edição, da televisão, do cinema e dos jogos eletrônicos em uma indústria unificada da multimídia é o aspecto da revolução digital que os jornalistas mais enfatizam. Mas não é o único, nem talvez o mais importante. Além de certas reper- cussões comerciais, parece-nos urgente destacar os grandes aspectos civilizatórios ligados ao surgimento da multimídia: novas estruturas de comunicação, de regulação e de cooperação, linguagens e técnicas in- telectuais inéditas, modificação das relações de tem- po e espaço, etc.” (p.13)

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Educação Mediada por Tecnologias

Educação Mediada por Tecnologias (http://empreendedorismoms.files.wordpress.com/2009/06/www.jpg) 2.1 Educação a

(http://empreendedorismoms.files.wordpress.com/2009/06/www.jpg)

2.1 Educação a Distância

A EaD tem sido definida como instrução através de mídias impressas e meios de comunicação. Os termos amplos incluem aprendizagem a distância, aprendizagem aberta, aprendizagem em rede, aprendizagem flexível, aprendizagem distribuída e aprendizagem conectada. Tem como característica a apresentação de estratégias híbridas, podendo combinar atividades a distância e presenciais. A partir de Keegan (1986), González (2005, p. 33) costuma identificar a EaD a partir de três elementos:

1. professor e aluno estão separados no espaço e/ou tempo;

2. o controle do aprendizado é realizado mais intensamente pelo aluno do que pelo instrutor (professor/tutor) distan- te no espaço;

3. a comunicação entre alunos e professores é mediada por documentos impressos ou alguma forma de tecnologia.

Atualmente, a tecnologia é uma parte essencial para a EaD. No entanto, ao pensarmos nos programas visando à forma- ção do aluno indivíduo, devemos focalizar mais as necessidades instrucionais dos aprendizes do que a própria tecnologia.

Gunawardena e McIsaac (2004) apontam a EaD como um movimento global, sendo desenvolvido e disseminado em vários lugares do mundo, unindo pessoas e nações em prol da formação. Em uma perspectiva histórica do século XX, Peters (2000) iden- tifica o objetivo da EaD como sendo a formação para o trabalho, nomeando este período de a “Era industrial”. Recentemente, o foco tem sido o processo ensino-aprendizagem, para o qual se

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Glossário

Behaviorismo é o conjunto das teorias psicológicas (dentre elas a Análise do Comportamento, a Psicolo- gia Objetiva) que postulam o comportamento como o mais adequado objeto de estudo da Psicologia.

investigam conteúdos e formas de comunicação particulares e eficazes para esta modalidade.

Tal como ocorre na educação presencial, algumas teorias influenciaram e ainda influenciam o campo da EaD, são elas: o modelo industrial da Educação a Distância; Conversa Didática; Independência e Autonomia; Distância Transacional; Controle; Contexto Sociocultural e Presença Social.

a) O modelo industrial da Educação a Distância

Otto Peters (2000) e sua teoria sobre o modelo de produ- ção industrial da educação a distância foi uma grande influência no século XX, caracterizando-a como “uma forma de ensino e aprendizagem industrial”.

Este modelo de educação enfatiza módulos instrucionais como produtos, sendo massivamente reproduzidas e distribuídas “como carros e máquinas de lavar” (Gunawardena e McIsaac, 2004, p. 360). A visão e definição emergiram nos áureos tempos da disseminação das pesquisas Behavioristas* aliadas às práti- cas de instrução programada e criação de sistema instrucional.

Contudo, com o advento da Comunicação Mediada por Computador CMC, iniciou-se um novo desenho educacional, com novas abordagens e atividades pedagógicas específicas a esta modalidade de ensino, entrelaçadas aos vários recursos que as ferramentas tecnológicas propiciam. Para Peters (2000), esta abordagem é a mais promissora, devido ao desenvolvimento de atividades em colaboração com os pares e à melhoria nos modos de comunicação e representação do conhecimento, propiciando uma diferença fundamental para o processo de aprendizagem.

b) Conversa Didática

Segundo esta teoria, os desenvolvedores dos cursos de EaD são responsáveis pela criação de materiais instrucionais dia- lógicos, nos quais os textos impressos e digitais devem possuir uma linguagem simples, porém, não reducionistas do conteúdo levando em consideração os objetivos educacionais da formação. Holmberg (2001) utiliza como metáfora para a construção des- tes materiais pedagógicos a “simulação de uma conversa” com o aprendiz, visando facilitar a compreensão dos temas a serem apreendidos, incentivando o autoestudo.

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c) Independência e Autonomia

As teorias acerca da independência e autonomia enfati- zam o estudo ou a aprendizagem independente. Gunawardena e

McIsaac (2004) destacam os seguintes elementos essenciais para

a aprendizagem independente:

1) Responsabilidade do estudante pela própria aprendizagem Embora este item seja apontado como uma característica primordial para os alunos que desejam estudar pela modalida- de EAD, é necessário que a coordenação pedagógica ofereça, no início do curso ou no início de cada disciplina, informações que serão essenciais para que o aluno tenha responsabilidade e autonomia sobre sua aprendizagem, como o planejamento das atividades, os prazos para sua realização e os materiais de apoio que serão disponibilizados. ,

2) Disponibilidade para instrução Este item parece ser controverso, tendo em vista ser a prin- cipal característica da EAD a flexibilidade relacionada a tempo

e espaço. Entretanto, durante o desenvolvimento das disciplinas

do curso, será necessário estabelecer uma forma de comunicação entre o aluno e o professor que dará as orientações necessárias para o estudo. Geralmente, este tipo de relacionamento entre os agentes do processo ensino-aprendizagem é tratado como tuto-

ria, cujas vertentes serão apresentadas no decorrer do curso. Mas,

o importante aqui é enfatizar que o aluno que estuda no regime

de EAD deve ter disponibilidade para, em algum momento, par- ticipar das atividades propostas pela tutoria, como uma tarefa em grupo ou emitir réplica de uma postagem em um fórum.

3) Combinação de métodos e meios É importante oferecer nos cursos de EAD uma combina- ção de métodos de estudos e meios de interação e comunicação com o alunos. Existem cursos que precisam se adequar, até mes- mo, às questões de fuso horário dos alunos.

4) Adaptações às diferenças individuais Na EaD, é importante levar em consideração as diferen- tes realidades dos alunos, a fim de não prejudicar sua aprendi- zagem , como, por exemplo, evitar o uso de regionalismos que podem interferir no entendimento das mensagens enviadas e comunicação das atividades propostas.

5) Variadas opções para iniciar os estudos Embora este elemento seja desejável na EaD, é importan-

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SAIBA MAIS

SAIBA MAIS Paulo Freire (1996) desta- ca a autonomia como um saber necessário a uma prática

Paulo Freire (1996) desta- ca a autonomia como um saber necessário a uma

prática educativa reflexiva

e emancipadora. Todavia,

a apropriação e a com-

preensão deste conceito podem ser modi- ficadas a partir do olhar empregado por cada pesquisador. Leia um pouco mais sobre esta temática e construa sua própria síntese.

te frisar de sincronizar o início de um curso de acordo com a dispo- nibilidade do aluno exige que a estrutura de EAD oferecida tenha uma equipe pronta para viabilizar essa necessidade educacional.

6) Independência em relação ao tempo e à organização da aprendizagem

O aluno precisa organizar o seu tempo de estudo, mas,

para isso é, importante que saiba quanto tempo de dedicação é indicado para cada unidade da disciplina.

7) Todas as atividades focam na liberdade de escolha do aprendiz, oportunizando equidade e acesso Disponibilizar para os alunos todos os materiais e ativida- des do curso para aluno é um procedimento desejado por muitos projetos pedagógicos em EaD; mas, é importante frisar que nem sempre é possível agir dessa forma, por ser necessário respeitar o planejamento do curso.

d) Distância Transacional

Em 1986, Moore combinou a perspectiva de Otto Peters com a perspectiva do teórico Wedemeyer, que consistia na apren- dizagem centrada no aprendiz e na interação entre os agentes de ensino (professor-aluno), e formulou a teoria da distância transa- cional. A maior contribuição desta teoria é a definição de distân- cia, não como um fenômeno geográfico, mas como um fenômeno pedagógico que pode ocorrer em qualquer modalidade de ensino, seja presencial ou a distância, visto que pode existir em qualquer relação pedagógica. Para Moore, a distância ocorre quando o curso, processo de formação, está mais voltado para a estrutura do que para a relação dialógica entre o professor e o aluno.

e) Controle

O controle é definido como uma oportunidade e habi-

lidade em influenciar a mediação educacional, sua intenção é desenvolver visões de independência: o foco principal de uma

educação a distância. O ponto chave desta abordagem é proporcionar ao apren- diz independência em alcançar os objetivos de aprendizagem previamente estabelecidos.

f) Interação

Este tópico tem merecido atenção especial dos teóricos do campo da Educação e das relações sociais. Primeiramente,

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o conceito de interação surgiu na Física, foi incorporado pelos

estudos de Psicologia Social, e atualmente, pelo campo da Infor- mática e tecnologias.

Vygotsky (1989) enfatiza o conceito de interação social, evidenciando a dialética entre o indivíduo, sociedade, linguagem

e cultura sobre o processo ensino-aprendizagem. Desta forma, a

interação suporta as ações, visto que, através das trocas entre os sujeitos, originam-se as funções mentais superiores, que sãofunda- mentais para a interiorização do conhecimento e/ou transformação dos conceitos espontâneos em científicos. Primo (2007) conceitua “interação” como a “ação entre”, opondo à visão polarizada da co- municação (emissor/receptor).

g) Contexto Sociocultural

O papel do contexto sociocultural é de fundamental impor- tância para o desenvolvimento dos aprendizes, pois, ao variarmos o ambiente social, a apropriação do conhecimento também será mo- dificada. O desenvolvimento humano se dá a partir da construção ativa do conhecimento, ressaltando as infinitas possibilidades de sentidos e significados para uma determinada temática e enunciado.

De tal modo, o contexto sociocultural afeta a motivação, a atitude,

o ensino e a aprendizagem, principalmente quando o processo de

comunicação é mediado por tecnologias, determinando uma relação diversa da tradicionalmente conhecida pelos indivíduos.

• A
• A

A

e

Importante

Você sabia que as teorias abaixo funda- mentam o processo de ensino aprendizagem para a EaD?

Teoria Construtivista, de Jerome Bruner;

Teoria da Flexibilidade Cognitiva, de R.

A

Spiro;

A

D. Ausubel;

da Flexibilidade Cognitiva, de R. A Spiro; A D. Ausubel; Teoria da Aprendizagem Significativa, de •

Teoria da Aprendizagem Significativa, de

disseminada por seus seguidores Leon-

tiev, Engestrom, entre outros; • A Teoria do Conhecimento ou Aprendiza- gem Situada, de J. Lave.

Teoria da Atividade, iniciada por Vygotsky

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BIOGRAFIA

Teoria da Atividade, iniciada por Vygotsky 13 BIOGRAFIA Lev Semenovitch Vygotsky Pensador importante em sua

Lev Semenovitch Vygotsky

Pensador importante em sua área,foi pioneiro na noção de que o desen- volvimento intelectual das crianças ocorre em função das interações sociais e condições de vida. Veio a ser desco- berto pelos meios acadê- micos ocidentais muitos anos após a sua morte, em 1934.

Dicas:

Para conhecer as netique- tas visite os sites:

http://pt.wikipedia.org/

wiki/Netiqueta

http://www.abusar.org/rfc.

htm

h) Presença Social

A presença social é considerada um fator preponderante para a motivação e comunicação dos aprendizes e professores em um curso na modalidade a distância. Gunawardena e McIsaac (2004, p. 363) descrevem-na como “um constructo que compre- ende uma série de dimensões relacionadas ao contato interpes- sooal”, possibilitando o nível de intimidade associado ao envol- vimento presencial, como por exemplo: face a face, olho no olho, um sorriso, um abraço Tu & McIsaac (2002), entre outros pesquisadores, relacio- nam a presença social ao nível de satisfação e percepção da apren- dizagem pelo aluno, entrelaçando-a a outros fatores como: identi- dade coletiva, comunicação verbal e não-verbal e equidade social.

Você sabe o que é
Você sabe o que é

“Net“Netiquetas” é um conjunto de re- gras de etiqueta, comportamento que se re- comenda adotar na Internet. Pallof e Pratt (2004) recomendam as netiquetas como di- retrizes a serem compartilhadas para o bom desenvolvimento de um curso on-line, “ga- rantindo que a comunicação seja profissional e respeitosa” (p. 189). A netiqueta oferece informações necessárias sobre como escrever no ambiente on-line, para que:

• Seja compreendido claramente;

• Transmita seus pontos de vista com eficácia;

• Evite incomodar alguém;

• Evite parecer um iniciante na “rede”.

seus pontos de vista com eficácia; • Evite incomodar alguém; • Evite parecer um iniciante na

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3. Afinal, a EaD não é algo novo!

A história da EaD não é tão recente. Alguns compêndios ci-

tam as epístolas de São Paulo às comunidades cristãs da Ásia Menor, sobre como viver dentro das doutrinas cristãs em ambientes des- favoráveis, como um exemplo dessa modalidade. Segundo Peters (2005), a EaD teve como marco inicial o curso noticiado pela Gazeta de Boston, em sua edição de 20 de março de 1728, de Caleb Philips, professor de Short Hand, que oferecia material para ensino e tutoria por correspondência (Gouvêa e Oliveira, 2006, p. 34).

Há muitos anos são desenvolvidos cursos por correspon-

dência, televisão e rádio; por exemplo, em 1800, a Universidade de Chicago lançou o primeiro e maior programa de correspon- dência dos Estados Unidos, no qual professores e alunos estavam em espaços geograficamente diferenciados. Para Gunawardena e McIsaac (2004), a grande polêmica salientada pela EaD foi que

a forma mais efetiva para o aprendizado, encontrada até então,

era trazer os estudantes para o mesmo espaço, ao mesmo tempo, para a atividade com os mestres.

Struchiner e Gianella (2001) embasadas pelos teóricos Saba (1997) e Rogers (1996), delimitam três gerações no desen- volvimento da EaD:

1ª. Geração – Textual 2ª. Geração – Analógica 3ª. Geração – Digital

A primeira geração caracteriza-se pelo ensino por corres-

pondência; a segunda geração, pela incorporação das tecnologias audiovisuais, televisão e rádio; e a terceira geração integra o uso da informática com recursos de telecomunicações.

3.1 Primeira Geração - Textual

A educação por correspondência foi desenvolvida para pro-

ver oportunidades educacionais para aqueles que não pertenciam

à elite e que não dispunham de tempo e dinheiro para estudar.

Gunawardena e McIsaac (2004) ressaltam que a primeira afirmação levou muitos professores a acreditar que os cursos por correspondência eram simples operações e negócios. A educação por correspondência ofendeu a elitee era vista como uma forma- ção para as classes baixas. Entretanto, a necessidade em prover a igualdade de acesso à educação para toda a população, tem sido

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Curiosidade

Educação Delivery

Foi a forma que que foi “apelidada”a entrega de conhecimento educacional via televisão e rádio. Edu- cação Rápida.

uma parte das idéias democráticas e emancipadoras que surgem com esta modalidade de ensino.

A característica principal desta geração, que tem o texto

como cerne do processo ensino-aprendizagem, é ter o centro pro- dutor (a instituição educacional) direcionando as funções de pla- nejador e transmissor de informações, enviando material impresso via correio e fazendo sua tutoria, na maioria das vezes, também por correspondência, pelo envio da correção dos exercícios feitos pelo aluno. Desta forma, dada a natureza do papel do aluno no pro- cesso de aprendizagem, trabalha isoladamente e estabelece uma relação pouco dialógica com a tutoria. Este modelo de EaD pode ser compreendido como um modelo pedagógico eminentemente centrado na transmissão de conteúdos e na autoinstrução.

3.2 Segunda Geração - Analógica

A geração analógica é evidenciada pela difusão do rádio

e da televisão como ferramentas pedagógicas. Neste momento,

mantém-se o foco do modelo de ensino na produção, geração e transmissão de materiais instrucionais.

4. Rádio e Televisão

O rádio foi desenvolvido durante a Primeira Guerra Mun-

dial e a televisão, em 1950, como sistemas de delivery. Podem ser usados para a instrução atendendo a um vasto número de

alunos ao mesmo tempo, nos lugares mais distantes, onde até

a correspondência demora a chegar, proporcionando, também,

uma sensação de proximidade entre o aluno e a instituição disse- minadora do processo de formação.

Atualmente, com a divulgação da TV a cabo e as antenas parabólicas, estes meios têm sido os mais utilizados na difusão da informação. O rádio, ainda é usado por vários países como um meio suplementar aos materiais impressos e visuais.

Gunawardena e McIsaac (2004) destacam um dos desa- fios proporcionados pelo ensino difundido pelo rádio e televi-

são: o aprendiz pode ter dificuldade de refletir sobre a ideia ou proposta apresentada no decorrer dos programas transmitidos,

e a ausência de um facilitador da aprendizagem para dirimir as

dúvidas, também pode ocasionar conflitos. No entanto, quando

o programa é gravado em DVD ou VHS, o aluno já possui um

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controle maior sobre o meio, possibilitando a pausa, o retorno e outras ações, quando o conteúdo não estiver muito claro.

Mesmo assim, estes meios somente possibilitam a comu- nicação de um para muitos; a interatividade e a construção sobre aquele material não são permitidas ao sujeito. A preocupação fun- damental é a de reproduzir e transmitir aulas tradicionais, com professores apresentando seus materiais em formato audiovisual.

Curiosidade

Educação Online como é conhecida a terceira geração tem como jargão anytime, anyhere “em qualquer lugar, a qualquer tempo”.

Do ponto de vista das interações com os alunos, estes programas são, em geral, acompanhados por materiais impres- sos, contendo textos e exercícios pedagógicos. As correções dos exercícios são feitas ora por meio do correio, ora pelo anúncio das respostas corretas nos programas transmitidos, ou ainda pelo gabarito proporcionado no final do material.

Outras iniciativas criativas e motivadoras em termos de co- municação procuram explorar mais a linguagem destes meios, esta- belecendo formatos com discursos (visuais e/ou verbais) mais ricos

e que possibilitam maior identificação e envolvimento dos alunos.

De qualquer forma, são centrados diretamente na figura do profes- sor, na produção de uma linguagem mais elaborada de apresentação da informação e na transmissão de conteúdos. As participações dos alunos e dos instrutores (professores/tutores) pouco diferem do tra- dicional ensino por correspondência: autoinstrucional e com míni- ma interatividade e diálogo entre os participantes.

5. Terceira Geração - Digital

Esta geração caracteriza-se pela educação on-line, a qual integra os recursos da informática e as ferramentas da Internet, evidenciando os Ambientes Virtuais de Aprendizagem (AVA). A

Internet, que talvez seja a mais importante transformação tecno- lógica da história, redesenhou os negócios, as mídias, o entrete- nimento e a sociedade em caminhos surpreendentes. Assim, o ensino mediado por ambientes virtuais de aprendizagem acres- centam recursos da contemporaneidade às práticas tradicionais presenciais, modificando o conceito da própria EaD e de apren- dizagem. Outro diferencial desta geração é a possibilidade da comunicação síncrona, em tempo real, entre professor e aluno, pelo uso de tele e videoconferências, telefone, chat e fax para

a solução de dúvidas e estreitamento da comunicação entre os

agentes do fazer pedagógico e a instituição educacional. O jar- gão “a qualquer hora, a qualquer momento” permite que o aluno

e o gestor organizem os encontros e o processo de aprendizagem de acordo com a sua disponibilidade.

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Dicas

Acesse o site UAB (Univer- sidade Aberta do Brasil) www.uab.capes.gov.br

Para finalizar, é importante ressaltar que ainda há discus- sões sobre a organização das gerações da EaD. Ferrari (2002), entre outros pesquisadores, afirma a emergência da 4ª. Geração, que seria a “Universidade Virtual”:

da 4ª. Geração, que seria a “Universidade Virtual”: “As estratégias emergentes no processo de criação de

“As estratégias emergentes no processo de criação de redes de cooperação sinalizam uma quarta geração de EAD, onde o conceito de universidade virtual operacionaliza- se no ciberespaço. O maior desafio é de natureza comportamental. Hábi- tos de trabalho em rede estão sendo desenvolvidos. A integração às com- petências acadêmicas e tecnológi- cas de outras instituições processa- se com recursos de colaboração via rede, exigindo evolução e criação de sistemas baseados em plataformas abertas” (Universidade Virtual Bra- sileira, 2001).

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Sobre a Autora

Sobre a Autora Giselle Cazetta Analista de Sistemas, com especialização em Redes de Computadores, Mestre em

Giselle Cazetta

Analista de Sistemas, com especialização em Redes de Computadores, Mestre em Educação e doutoranda em Educa- ção. Atua na Assessoria de Tecnologia e Educação a Distância - ATED do Departamento de Educação e Cultura do Exército Brasileiro – DECEX. Avaliadora ADD HOC do MEC. Pesqui- sadora da Universidade Aberta do Brasil – UAB. Coordenado- ra de EAD do Núcleo de Ensino a Distância do COPPEAD- UFRJ. Atuou como coordenadora do Curso de Formação de Tutores - SECAD/MEC. Na Academia, é professora titular do Centro Universitário de Barra Mansa; Professora Convidada no Latu-Sensu à distância Criptografia e Segurança de Redes do NEAMI-UFF.

Suas pesquisas recentes são em: metodologia em forma- ção de tutores, design instrucional e Sloodle.

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