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CLAUDINEI DA SILVA FERREIRA CAMPOS DIMAS XAVIER DOS SANTOS FÁBIO JOSÉ DIAS NEGRELLI JAMES ALEXANDRE GIANOTTI LUIZ ANTONIO DE OLIVEIRA

Uso da biomassa proveniente das usinas sucroenergéticas como alternativa à oferta de eletricidade às indústrias paulistas

Jahu

2014

CLAUDINEI DA SILVA FERREIRA CAMPOS DIMAS XAVIER DOS SANTOS FÁBIO JOSÉ DIAS NEGRELLI JAMES ALEXANDRE BIANOTTI LUIZ ANTONIO DE OLIVEIRA

Uso da biomassa proveniente das usinas sucroenergéticas como alternativa à oferta de eletricidade às indústrias paulistas

Projeto Integrador apresentado à UNIVESP, como exigência do curso de graduação em engenharia.

Jahu

2014

RESUMO

O projeto aborda a temática da matriz energética do estado de São Paulo e seu estado da arte. Nele são traçadas as características da composição de tal matriz, bem como se identifica as características inerentes ao consumo final dela. Neste estudo, foi abordado o comportamento da energia elétrica necessária para abastecer as indústrias paulistas e como esse abastecimento poderia ser complementado até o ano de 2022. As solução encontrada baseia-se na implementação de termoelétricas movidas a biomassa, as quais deveriam ser instaladas em todas as usinas sucroenergéticas do estado. No decorrer desse estudo, foi realizado a prospecção do comportamento da matriz energética e definido o percentual de participação da eletricidade de biomassa que poderia ser utilizada pelas indústrias paulistas até o referido ano.

Palavras-chave: eletricidade, estado da arte, matriz energética

ABSTRACT

The project addresses the issue of the energy matrix of the state of São Paulo and its state of art. In it are drawn the composition characteristics of such matrix, and it identifies the characteristics inherent to her final consumption. This study addressed the behavior of electricity needed to supply the São Paulo industries and how this supply could be supplemented by the year 2022. The solution found is based on the implementation of biomass thermoelectric, which should be installed in all sugar industries plants in the state. During this study, it was conducted the prospectus of the behavior of the energy matrix and set the percentage share of electricity from biomass that could be used by the São Paulo industries until that year

Keywords: eletricity, state of art, energy matrix

SUMÁRIO

1 INTRODUÇÃO E JUSTIFICATIVA

6

 

1.1

Fontes de energia

7

1.1.1 Fontes primárias

7

1.1.2 Fontes secundárias

8

1.2

Estado da arte da matriz energética do estado de São Paulo

8

2 PROBLEMAS E OBJETIVOS DE PESQUISA

17

METODOLOGIA EMPREGADA E DESCRIÇÃO DETALHADA DO PROCESSO DE CONSTRUÇÃO DOS PROTÓTIPOS

3

19

4 ANÁLISE DE DADOS

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5 CONSIDERAÇÕES FINAIS

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BIBLIOGRAFIA

 

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1 INTRODUÇÃO E JUSTIFICATIVA

Na sociedade em que vivemos, é completamente impossível nos dissociarmos do frequente uso de energia. Ela está ao nosso redor em vários momentos de nossa vida. Quando ligamos um carro, usamos combustível para gerar energia mecânica. Há também a bateria do carro que, por exemplo, alimenta o motor de partida a fim de que possamos nos locomover com o tão precioso automóvel. Não só aí se encerra o uso da energia. Em casa usamos a energia elétrica para alimentar as lâmpadas, computadores, eletrodomésticos, aparelhos eletroeletrônicos, aquecedores, ventiladores e ares condicionados. Isso sem levar em consideração o uso da energia para a indústria, setores públicos, hospitais, escolas e uma infinita gama de possibilidades para

o uso da energia. Tudo consome energia de alguma forma, de tal modo que a falta dela implica cessão ou em dificuldades de fornecimento de serviços básicos, como transporte, educação, lazer, saúde e cultura. Por ser tão importante, ela denota-se como se fosse parte integrante do nosso ser social. Nesse contexto, estudar o estado da arte da matriz energética do estado de São Paulo configura-se como estudar a força motriz que mantém

a sociedade viva e em constante evolução. O dicionário Aurélio define estado da arte como: “Estado da arte. [De estado + da + arte; ingl. State of art.] S. m. Nível de desenvolvimento atingido (por uma ciência, uma técnica) na atualidade. [Pl.: estados da arte.]” (FERREIRA, 2009, p.820) Cabe enfatizar que o interesse em pesquisar o estado da arte insere-se na abrangência que tal estudo denota a fim de apontar o norte tomado quanto à fonte de energia explorada no estado de São Paulo, relatando e sistematizando sua real situação. Isso contribui para a organização de dados referentes ao assunto, além de fornecer possíveis oportunidades de melhora no campo de atuação quanto aos esforços realizados no tocante energético.

Antes de ser iniciado o estudo, é importante entender por matriz energética a consolidação das projeções energéticas de uma dada região, no caso do estudo ora apresentado, o estado de São Paulo. Tal matriz surge da modelagem técnica e econômica, na qual são adotados, quantificados e parametrizados dados para a configuração de cenários futuros necessários para a projeção de oferta e demanda energética, encerradas em um período pré-estabelecido de tempo. Além do conhecimento sobre esses termos, há de se ter em mente as fontes energéticas produzidas e utilizadas no estado de São Paulo. Esse é o assunto do subtítulo que segue.

1.1 Fontes de energia

1.1.1 Fontes primárias

As fontes primárias de energia se caracterizam como sendo aquelas provenientes diretamente da natureza, podendo ser classificadas como renováveis e não renováveis. Abaixo segue a lista de fontes primárias de energia empregadas no estado de São Paulo:

- Renovável:

Energia solar, proveniente da captação da radiação solar, a qual é transformada em calor ou eletricidade. Essa fonte de energia é limpa, porém, possui elevado custo de implantação. Ela pode ser encontra, por exemplo, nas casas populares produzidas por programas sociais nacionais e são utilizadas para o aquecimento de água doméstica;

Energia hidráulica, a mais utilizada no estado de São Paulo e no Brasil devido à riqueza hídrica presente no país. A força da queda d’água faz girar os geradores elétricos e assim é produzida energia elétrica que alimenta casas, indústrias e demais meios de modo limpo;

- Não renovável:

Energia fóssil, a qual é formada há milhões de anos, sendo proveniente do acúmulo de material orgânico depositado no subsolo. Esse tipo de energia é empregada em larga escala no mundo por gerar grande fonte

de combustíveis para veículos. O petróleo e carvão mineral são exemplos desse tipo de energia. O uso dessa energia apresenta-se nas termoelétricas, as quais são eventualmente acionadas para complementar a produção de energia elétrica e garantir o suprimento da demanda energética;

1.1.2 Fontes secundárias

As fontes de energia secundárias são aquelas provenientes do processamento de fontes de energias primárias e seguem a mesma classificação de renováveis ou não renováveis. No estado de São Paulo, as fontes de energia secundárias utilizadas são as que seguem na lista abaixo:

Energia Térmica: essa modalidade de energia é produzida a partir da queima de óleo diesel, de biomassa, de gás, carvão mineral ou carvão lenha, a fim de que se possa produzir calor que será usado para a geração de outra fonte de energia ou mesmo para a produção de vapor;

Combustíveis: gasolina, querosene, óleo diesel são exemplos de fontes de energia secundárias que são derivadas de energia fóssil, uma fonte energética não renovável. Há também o álcool e o biodiesel, ambos derivados da biomassa, a qual é considerada fonte de energia renovável.

Elétrica: essa fonte de energia pode ser derivada de fontes hidráulicas, térmicas, de combustíveis fósseis e de combustíveis renováveis.

1.2 Estado da arte da matriz energética do estado de São Paulo Para verificar o estado da arte da matriz energética do estado de São Paulo não basta apenas saber quais fontes primárias e secundárias são exploradas. É preciso verificar a estratificar essa matriz para que a partir disso seja traçado o perfil energético do estado e nele possa ser percebido o papel que cabe a cada um dos tipos de energia mencionados anteriormente.

A secretaria de energia do estado de São Paulo, por meio do documento intitulado a “Matriz Energética do Estado de São Paulo – 2035”, juntamente com o Conselho de Orientação de Energia, lançado em 28 de abril de 2001 fornece dados relevantes quanto à matriz energética do estado. O gráfico a seguir foi extraído desse documento e exemplifica o balanço energético para o ano base de 2008, dado mais recente encontrado atualmente acerca do assunto. Nele é possível verificar a oferta interna do estado de São Paulo em comparação com o Brasil e o mundo. Quando analisado, é notável o grau de utilização da energia renovável no estado, em contraste ao país e ao mundo. Mais da metade da energia ofertada no estado de São Paulo, 54,7% provem de fontes renováveis, as quais são provenientes da cana-de-açúcar, com participação de 32,7%; da energia hidráulica e eletricidade, com porcentagem de 17,9%; lenha e carvão, com 1,7%; e demais fontes renováveis que configuram 2,5% da energia ofertada. O restante da oferta interna de energia, 45,3% caracteriza aquela proveniente de fontes não renováveis, como o carvão mineral, gás natural, petróleo e seus derivados.

Figura 01 Comparação da oferta energética do estado de São Paulo com o Brasil e o mundo

da oferta energética do estado de São Paulo com o Brasil e o mundo Fonte: Balanço
da oferta energética do estado de São Paulo com o Brasil e o mundo Fonte: Balanço

Fonte: Balanço energético Ano Base 2008

Sofrendo uma pequena atualização, mas ainda contribuindo para ilustrar a fonte energética do estado de São Paulo, o gráfico abaixo também representa valores comparativos de energia entre o estado mencionado, o Brasil e o mundo. Por meio da análise e consequente comparação com o gráfico anteriormente mostrado, é possível perceber a manutenção da matriz energética do estado de São Paulo e o crescente caminho para a utilização de energia limpa, ou seja, renovável. Enquanto o Brasil e o mundo obtiveram decréscimos em suas porcentagens de energia renovável, São Paulo aumentou a participação da fatia pertencente à energia limpa, mesmo havendo leve aumento nos energéticos derivados de petróleo.

Figura 02 - Comparativo entre balanços energéticos mundial, brasileiro e paulista

entre balanços energéticos mundial, brasileiro e paulista Fonte: Balanço energético 2011 – ano Base 2010 Ainda

Fonte: Balanço energético 2011 ano Base 2010

Ainda seguindo a linha de representação da matriz energética do estado de São Paulo indicada no gráfico acima apresentado, a figura 3 apresenta

dados que possibilitam verificar a representação do consumo final por energético. É possível verificar o papel de cada fonte de energia e sua respectiva evolução desde 1980 até 2009. Nesse período, houve decréscimo da porcentagem de energia não renovável empregada no estado e aumento da produção energética renovável. Esse fato demonstra a utilização de tecnologia empregada para o ramo energético sustentável. Abaixo segue o gráfico que contém tais informações:

Figura 03- Consumo final por energético em São paulo

Figura 03- Consumo final por energético em São paulo Fonte: Matriz energética do estado de São

Fonte: Matriz energética do estado de São Paulo 2035

Uma vez que o gráfico acima mostrado denota o consumo final, por meio dele é possível verificar a origem da energia produzida no Estado de São Paulo, favorecendo a composição da matriz energética do estado.

Observando o gráfico, extrai-se dele a informação de que as principais fontes energéticas centram-se em derivados de petróleo e derivados da cana, os quais correspondem respectivamente a 38,8% e 31,8%. Em terceiro lugar encontra-se a eletricidade, com 18,6%, gás natural com 6% e carvão vapor, lenha, gás de coqueira, coque de carvão, carvão vegetal e demais fontes primárias atingem, juntas, a marca de 4,8% Outra fonte para observação, extraída de dados da secretaria de energia do estado de São Paulo é o gráfico representativo do consumo Assim os dois últimos gráficos mostrados

Figura 04 Consumo final energético em 2010

mostrados Figura 04 – Consumo final energético em 2010 Fonte: Balanço energético 2011 – ano Base

Fonte: Balanço energético 2011 ano Base 2010

Os dados apresentados, apesar de datarem de 2008, 2009 e 2010, denotam a imagem real a matriz energética de modo atual, parametrizando o consumo em faixas percentuais, indicando qual a origem e consequente formação da matriz energética do estado de São Paulo. Mesmo com a oscilação inerente aos anos apresentados em cada gráfico, ainda se mantém a mesma matriz energética, composta basicamente

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por derivados de petróleo, derivados da cana, eletricidade, gás natural, entre outras fontes. Indo de encontro com as informações advindas dos gráficos anteriores, segue abaixo a tabela evolutiva indicando o consumo de energéticos por década, iniciando-se na década de 1980 e demonstrando dados até a década de 2010. Os referidos dados demonstram como a diminuição do consumo de energéticos provenientes do petróleo tende a reduzir com o tempo, contrastando com o aumento do emprego da biomassa para a produção energética. Isso denota a crescente inserção de novas tecnologias propagadoras da sustentabilidade, o que pode ser o alvo da fonte energética para o futuro. Analisando os dados referentes à eletricidade, é possível perceber um aumento de consumo da década de 1980 para a década de 1990. Percebe-se também como o consumo de tal energético tente a ter leve oscilação entre as décadas seguintes. Outra fonte de energia que acompanha o crescimento da biomassa é o etanol. Esse energético quadriplicou seu consumo desde a década de 1980 até a década de 2010. De modo semelhante ao etanol, o consumo de gás natural saltou de zero em 1980 para 6% na década de 2010. Assim com as energias tidas como limpas, ou seja, as renováveis aumentaram seu percentual de consumo, o carvão mineral e seus derivados tiveram seu consumo diminuído, acompanhando os dados referentes aos derivados de petróleo. O consumo final do carvão mineral e seus derivados despencaram, na década de 2010, para índices levemente abaixo da metade apresentada na década de 1980. Abaixo segue a tabela mencionada, com os dados referentes à evolução do consumo final energético por fonte, desde a década de 1980 até 2010.

Tabela 01 Evolução do consumo final energético por fonte (%)

– Evolução do consumo final energético por fonte (%) FONTE: Balanço energético do estado de São

FONTE: Balanço energético do estado de São Paulo 2011 Ano base 2010

Além de ilustrar o consumo de energéticos, os dados apresentados na tabela 01 ratificam aqueles apresentados na figura 01, 02 e 03. Servem, também, para ilustrarem a origem dos energéticos presentes no estado de São Paulo, traçando o perfil de sua matriz energética. Ainda no tocante do consumo de energéticos no estado de São Paulo, cabe observar e analisar o gráfico abaixo, extraído do Balanço Energético do Estado de São Paulo 2011, com o ano base de 2010.

Figura 05 Evolução do perfil energético São Paulo 2001/2010

Evolução do perfil energético – São Paulo 2001/2010 FONTE: Balanço energético do estado de São Paulo

FONTE: Balanço energético do estado de São Paulo 2011 Ano base 2010

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Observando os dados presentes nele, nota-se o crescimento na produção de energia na ordem de 95% durante o período que compreende a década de 2001 até 2010. Isso indica que o estado passou de uma produção em torno de 20.000x 10 3 toe para cerca de 35.000 x 10 3 toe. Agregando a essa informação os dados apresentados nos gráficos e tabelas anteriormente empregadas nesse trabalho, é possível relacionar o aumento da produção energética com a inserção da biomassa, principalmente da cana de açúcar, para a produção não apenas de etanol, como também para a produção de energia elétrica por meio de termoelétricas. Quanto à oferta interna de energia para o estado de São Paulo, de acordo com a tabela apresentada abaixo, percebe-se o decaimento da oferta dos derivados de petróleo, na década que corresponde a 2001 e 2010. Houve uma diminuição da porcentagem que estava em 49,7% no início da década, para o registro de 36% no ano de 2010. Essa afirmação pode ser conferida na tabela que segue abaixo:

Tabela 02 Evolução da oferta interna de energia (%)

Tabela 02 – Evolução da oferta interna de energia (%) FONTE: Balanço energético do estado de

FONTE: Balanço energético do estado de São Paulo 2011 Ano base 2010

Ainda na análise dos dados presentes na tabela anterior, é possível relatar que a medida que a oferta de derivados de petróleo diminui, a oferta de etanol e bagaço de cana aumenta de 21,3% em 2001 para o patamar de 33,5% em 2010.

Já a oferta de eletricidade proveniente de energia hidráulica tende a manter a taxa de 17%, com oscilações para 18% e 19%. Isso representa a estagnação do setor hidráulico, uma vez que a exploração dos recursos hídricos tendem a alcançar o limite, não havendo o surgimento de novos rios ou espaços propícios para a construção de hidrelétricas. Sendo assim, é possível afirmar, baseado dos elementos apresentados até o momento que a matriz energética do estado de São Paulo é composta pelos itens listados a seguir e que a participação de cada um deles pode ser observado na tabela e gráficos anteriormente mostrados:

Petróleo e seus derivados;

Produtos da cana, representados por etanol e bagaço;

Hidráulica, com a produção de eletricidade;

Carvão mineral;

Gás natural;

Lenha e carvão;

Posta a matriz energética do estado, cabe ressaltar que estudar sua composição e evolução até a 2022, limite proposto para estudo, ano em que o Brasil completará 200 anos de independência, tona-se viável para que seja visualizado o comportamento dos itens que compõem a energia paulista, podendo gerar índices de baixas ou altas de uma ou outra fonte energética. Conhecendo essa prospecção, é possível viabilizar possíveis alternativas como saídas às crises energéticas que podem se instaurar com o crescimento do estado. Nos capítulos seguintes serão abordados os problemas e objetivos de pesquisa, a metodologia empregada para estudo, a prospecção das fontes energéticas paulistas até o limite do ano 2022, a análise desses dados e as considerações finais quanto ao projeto ora apresentado.

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PROBLEMAS E OBJETIVOS DE PESQUISA

Dentre os dados apresentados anteriormente a respeito da constituição da matriz energética do estado de São Paulo, o foco de estudo centra-se na produção de energia elétrica, uma vez que ela é a principal força motriz para manutenção da sociedade moderna, para alimentar as indústrias e domicílios do estado. É preciso, então pensar em como essa demanda de energia irá se comportar até o ano de 2022, quando o Brasil completará duzentos anos de independência. Durante análise dos gráficos apresentados nas páginas anteriores, foi possível perceber a crescente demanda para o consumo de energia elétrica, tanto para fins domésticos quanto para fins industriais. Apesar do conhecimento de causa da abundância hídrica do estado de São Paulo e também do Brasil, tal fonte de energia apresenta problemas futuros de demanda e por si só não será capaz de manter o suprimento elétrico necessário para o estado, uma vez que de acordo com os dados mostrados anteriormente, seu índice de oferta tente a ficar no patamar de 18% do total de energia. Um fator agravante a isso se concretiza pela estaque quantidade de rios e disponíveis para a construção e criação de energia hidráulica. Uma vez que todo potencial hídrico for explorado, não haverá como expandir. Torna-se necessário buscar outras fontes para a produção de energia elétrica Nesse cenário apresentado, o problema a ser estudado denota-se no questionamento que segue: como complementar o fornecimento de energia elétrica para as indústrias paulistas, utilizando uma fonte energética renovável? Em outras palavras, como garantir o fornecimento de energia elétrica para as indústrias principalmente, levando em consideração a produção energética renovável, visando o mínino de agressão ao meio ambiente. É sabido que durante os períodos de crise energética, termoelétricas movidas a carvão e gás são acionadas e que seu custo final é elevado. Com o aumento visível do consumo de energia elétrica pela sociedade, por meio de análise dos gráficos mostrados no capítulo anterior, torna-se necessário atentar para a complementação do fornecimento de eletricidade,

visando sua manutenção e até mesmo o possível aumento do fornecimento desse tipo de energia para que sua geração e oferta não sejam comprometidas. A proposta nesse problema apresentado é encontrar fontes que possam ser acionadas a fim de que se produza energia elétrica de forma limpa.

A hipótese centra-se na utilização de biomassa de bagaço de cana, proveniente da cogeração energética das usinas sucroenergéticas. Espera-se que a prospecção de implantação de unidades termoelétricas em todas as usinas do ramo possa suprir as necessidades do estado, principalmente quanto ao abastecimento às indústrias paulistas. Para o desenvolvimento da solução de tal problema serão necessárias ações norteadas pelos objetivos listados abaixo:

Esquematizar o estado da arte da matriz energética do estado de São Paulo 1º protótipo;

Analisar dados referentes à produção e consumo de energia elétrica no estado de São Paulo;

Pesquisar dados referentes à produção de energia elétrica proveniente de biomassa;

Confrontar dados da produção de energia elétrica hidráulica com a energia elétrica de biomassa;

Esquematizar o suprimento de energia elétrica até a prospecção de 2022 2º protótipo;

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METODOLOGIA EMPREGADA E DESCRIÇÃO DETALHADA DO PROCESSO DE CONSTRUÇÃO DOS PROTÓTIPOS

Durante o desenvolvimento deste projeto, foi abordada a pesquisa qualitativa desdobrada pela análise bibliográfica e documental a respeito de conceitos, manuais e relatórios específicos energéticos. Além disso, a abordagem quantitativa de pesquisa teve seu uso empregado na análise de valores retirados dos gráficos e tabelas pertencentes aos documentos estudados. Ela também foi abordada no estudo prospectivo sobre a matriz energética paulista e a atuação da eletricidade nesse todo, por meio de desenvolvimento de tabelas e gráficos em softwares específicos. Primeiramente foram estudados documentos provenientes de órgãos públicos estaduais como os fornecidos pela secretaria de energia do estado paulista, os quais encontram-se na bibliografia deste projeto. Tal órgão fornece informativos que demonstram a produção e consumo dos energéticos inerentes ao estado de São Paulo. Os dados, em formato de gráficos e tabelas foram inseridos no corpo do texto desse projeto para que servissem de justificativa e ilustração da realidade encontrada no universo paulista, para denotar o estado da arte da matriz energética do estado. Para confecção do primeiro protótipo, os dados utilizados, extraídos dos documentos acima mencionados, contendo porcentagens de consumo e de produção dos energéticos, fora relacionados entre si. Com isso, foi possível verificar qual das fontes energéticas seria analisada para estudo prospectivo até 2022, ano em que o Brasil completará 200 anos de independência, por meio de escolha entre os autores deste projeto Com a análise do primeiro protótipo, a escolha da fonte de energia a ser estudada recaiu sobre a produção de energia elétrica, demanda que apresentou crescimento gradativo, de acordo com os gráficos, e isso configurou-se no problema a ser estudado, conforme mencionado no capítulo anterior. A escolha da produção elétrica proveniente de fontes de usinas sucroenergéticas surgiu como hipótese de solução. Os dados utilizados na

confecção do primeiro protótipo foram aplicados à fórmula previsão do aplicativo Excel, para que se pudesse verificar o comportamento das fontes energéticas paulistas com o passar dos anos. Verificou-se, então, o aumento da demanda pelo uso de biomassa como fonte energética, cuja viabilidade foi verificada por meio de consulta à especialistas da área. Esse material compõe o segundo protótipo e se encontra na análise de dados. Terminada a análise dos dados estudados, foram abordados aspectos relevantes quanto à implantação, produção e transmissão da eletricidade produzida nas usinas sucroenergéticas. Esses tópicos estão apresentados na conclusão e servem como parametrização e garantia da viabilidade do negócio proposto pelo projeto ora apresentado.

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ANÁLISE DE DADOS

O estado de São Paulo produziu 3.495 GWH de energia elétrica no mês de junho de 2014. Somando os valores de produção desde julho de 2013 até junho de 2014, configurando o período de um ano, a geração total de energia corresponde a 64.820. Os dados podem ser conferidos na tabela que segue:

Tabela 03 Geração de energia elétrica São Paulo

03 – Geração de energia elétrica – São Paulo Fonte: Resumo Executivo – Energia 3º trimestre/2014

Fonte: Resumo Executivo Energia 3º trimestre/2014

Do total produzido no mês de junho de 2014 foram consumidos 10.729.166 MWh, o que gera uma diferença de 7.234.166 MWh, os quais precisam ser importados para que o estado consiga se manter energeticamente. Se for pensado no consumo por setor e abordado o consumo industrial, percebe-se que tal área denota a representatividade de 39,8% de toda energia consumida no estado de São Paulo. Tais dados podem ser confirmados na tabela que segue:

Tabela 04 Consumo de energia paulista por setor em junho de 2014

– Consumo de energia paulista por setor em junho de 2014 Fonte: Resumo Executivo – Energia

Fonte: Resumo Executivo Energia 3º trimestre/2014

Levando em consideração os dados analisados sobre o consumido de energia elétrica no estado de São Paulo e ainda pensando no problema proposto anteriormente, cabe analisar uma fonte de energia que possa suprir a necessidade de consumo, focando o consumidor industrial. Assim, a demanda pela importação diminuiria e a autonomia energética do estado tenderia a aumentar. Uma saída para solucionar esse problema, encontra-se na utilização de usinas termoelétricas de bioeletricidade movidas a bagaço de cana. De acordo com a ÚNICA (2014) União da indústria de cana-de-açúcar no estado de São Paulo existem 106 usinas sucroenergéticas instaladas. Nem todas as usinas instaladas no estado também produzem energia elétrica. Tomando como referências as 106 usinas operantes e considerando as informações apresentadas nas tabelas que seguem, as quais foram elaboradas por Paulo Lucas Dantas Filho, apresentadas em sua tese de mestrado é possível traçar um plano de utilização das termoelétricas movidas a biomassa para a produção de energia elétrica e constante abastecimento das industrias paulistas como um todo, algo que iria desafogar a demanda por energia a qual o estado possui.

De acordo com Filho (2009), o custo de megawatt por hora tem seu maior valor em R$ 260,42 MW/h e seu menor valor em R$ 149,66 MW/h. Se somados, os quatro valores apresentados equivalem a R$ 856,18 MW/h. Abaixo segue a tabela de custos de implantação das usinas por MW/h:

Tabela 05 Custo de implantação das usinas por MWh

Tabela 05 – Custo de implantação das usinas por MWh Fonte: Análise de custos na geração

Análise de custos na geração de energia com bagaço de cana-de-açucar: um estudo de caso em quatro usinas de São Paulo.

A média da somatória dos valores de MW/h produzidos pelas empresas representa o valor de R$ 214,04 MW/h, valor que será usado como referência para a prospecção proposta. Toda usina sucroenergécia é autossuficiente quanto ao abastecimento de eletricidade para o funcionamento dos espaços da usina e o excedente de energia produzida é repassada para as companhias distribuidoras. Ainda seguindo os estudos de Filho (2009), segue tabela indicativa do excedente elétrico produzido pelas usinas por ele estudadas.

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Tabela 06 Cálculo da receita auferida com a venda de excedente

– Cálculo da receita auferida com a venda de excedente Fonte: Análise de custos na geração

Análise de custos na geração de energia com bagaço de cana-de-açucar: um estudo de caso em quatro usinas de São Paulo.

O menor valor de excedente foi registrado a 57.600 MW/h e o maior valor representa 181.400 MW/h. A somatória dos excedentes das quatro empresas representa 452.120 MW/h, o que dividido pelo número de empresas estudadas pelo pesquisado gera uma média de 113.030MW/h. Se fosse multiplicada a média do excedente de energia elétrica produzido pelas usinas sucroenergéticas pela quantidade de 106 usinas encontradas no estado de São Paulo, o valor em excedente giraria em torno de 11.981.180 MW/h. Por não ser uma conta exata e reforçando a idéia de que a maior produção de energia elétrica por biomassa de bagaço de cana é 21,66% maior que a média calculada e que a menor produção pela mesma fonte de energia é de 30,07% menor que a média, será admitida a margem de 25% como variável para mais ou para menos no total de produção de energia elétrica por usina sucroenergéticas. Com esse valor em mãos, o excedente elétrico produzido pelas usinas pode variar 2.995.295 MW/h para mais ou para menos, gerando um valor de 8.985.885 MW/h até 14.976.475 MW/h. Abordando o valor de 4.270.645 MW/h, apresentado na tabela 04 como referência do total consumido pelo setor industrial, é possível encontrar nas usinas sucroenergéticas a solução para desafogar o setor energético do

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estado. Isto procede já que o valor consumido de eletricidade pelo setor é maior que os excedentes apresentados no estudo proposto. Para a implantação da produção de energia elétrica pelas termoelétricas instaladas nas usinas, é necessário um investimento, o qual apresenta-se na tabela que segue. Pelas empresas estudadas por Filho (2009), a moda representa a quantidade de cinco anos. Com esse estudo, o retorno do investimento empregado para a produção de energia elétrica no setor usineiro retorna a partir do quinto ano de implantação. Segue a tabela com dados mencionados acima:

Tabela 07 Cálculo do Payback por usina

acima: Tabela 07 – Cálculo do Payback por usina Fonte: Análise de custos na geração de

Análise de custos na geração de energia com bagaço de cana-de-açucar: um estudo de caso em quatro usinas de São Paulo.

Além do fator do payback relativamente baixo, uma vez que em cinco anos, pela moda, os investimentos na termoelétrica sucroenergética se pagam, outro fator importante a se destacar é o preço médio por KWh em comparação com outras fontes de produção de eletricidade. Observando a tabela que segue, a cogeração de energia, ou seja a geração de etanol e eletricidade a partir da cana, apresenta investimento de 900 US$/KW, enquanto as usinas hidrelétricas possuem investimento em média de 1330 US$/KW.Em outras palavras, o investimento para a produção de 1 KW de eletricidade com bagaço de cana representa 67,66% do custo necessário para se produzir 1KW de eletricidade a partir de uma central hidrelétrica.

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A tabela abaixo apresenta tais dados:

Tabela 08 Referências dos custos de investimento na geração de energia elétrica

dos custos de investimento na geração de energia elétrica Fonte: Empresa de pesquisa energética A tabela
dos custos de investimento na geração de energia elétrica Fonte: Empresa de pesquisa energética A tabela

Fonte: Empresa de pesquisa energética

A tabela 02 apresenta os dados da oferta interna por energético no estado de São Paulo no período que corresponde de 2001 até 2010. Usando a função previsão do aplicativo Excel, foram calculadas as porcentagens de oferta do bagaço de cana junto ao etanol, usando-se como base os dados presentes na referida tabela.

Com isso, observa-se a crescente previsão do consumo dos energéticos provenientes da cana, os quais representarão 57,24% da oferta de energéticos de todo o estado. A tabela abaixo apresenta os dados calculados:

Tabela 09 Prospecção da oferta de bagaço de cana + etanol até 2022

Ano

Oferta em %

2001

21,3

2002

22

2003

22,2

2004

24,2

2005

25

2006

26,5

2007

28,9

2008

32,9

2009

36,1

2010

33,5

2011

36,4

2012

38,6

2013

40,8

2014

42,8

2015

44,9

2016

46,6

2017

48,2

2018

49,7

2019

51,7

2020

54,1

2021

55,8

2022

57

Fonte: autores

José Goldenberg, professor emérito da Universidade de São Paulo e foi membro do Conselho Superior de Política Energética da Presidência da República, é favorável a exploração de energia elétrica por meio das usinas sucroenergéticas. Segundo ele, em uma reportagem do jornal O Estado de São Paulo,

Apesar dos esforços do governo paulista, menos de 20% do potencial do bagaço de cana-de-açúcar - que é comparável à potência da Usina de Itaipu - está sendo utilizado, por causa da falta de interesse do governo federal. O que torna a situação ainda mais paradoxal é que a ideologia da "modicidade tarifária" levou o governo a usar

térmicas a gás, cujo custo da eletricidade é cerca de três vezes superior à média nacional. (O Estado de São Paulo, disponível em:

htt://opinião.estadao.com.br. Acesso em 10/10/2014)

Se ainda são utilizados menos de 20% do potencial do bagaço de cana, isso significa que a projeção proposta pelo grupo pode a vir concretizar-se, caso haja investimentos no setor. Se isso acontecer, não só haverá mais energia elétrica disponível para abastecer a rede do estado, como isso irá favorecer a diminuição de importação desse tipo de energia. Para Walter Milan Tatoni, diretor de investimento da Odebrecht e Ricardo Ratner Rochman, coordenador do mestrado profissionalizante em economia da Fundação Getúlio Vargas,

Estrategicamente, a biomassa mostra-se como uma fonte de energia que pode complementar a geração hidrelétrica do Brasil, uma vez que esta bioenergia é gerada durante a colheita na estação seca, quando os reservatórios estão em seu nível mais baixo. Apesar de sua representatividade ser baixa em relação ao aproveitamento hídrico, a biomassa vem ganhando espaço como matriz energética e também como uma potencial oportunidade de investimento para os proprietários e acionistas de biorrefinarias. Além disso, devido à concentração dessas usinas no Sudeste, a energia proveniente de biomassa é gerada próximo aos grandes centros consumidores de energia. ( disponível em:http://www.agroanalysis.com.br9 BIOMASSA DA CANA Viabilidade da cogeração)

Elizabeth Farina, presidente da Unica, em entrevista, afirma que as fontes de energia são complementares e o país não pode se der ao luxo de subutilizar o potencial da bioeletricidade. De acordo com ela:

Precisamos de política de longo prazo para a bioeletricidade, mais do que o que está previsto no Plano Decenal. Para alavancar a bioeletricidade no país, além dos leilões por fontes e por regiões, precisamos ter preços remuneradores. (disponível em http://www.jornalcana.com.br. Acesso em 10/10/2014.)

Quanto ao comportamento de todas as fontes energéticas paulistas, a tabela abaixo aponta o estudo prospectivo até 2022, com a porcentagem de participação de cada uma delas. Tal estudo foi realizado com o auxílio da função previsão, pertencente ao aplicativo Excel, do Microsoft Office. Segue a tabela com o estudo energético prospectivo:

Tabela 10 Estudo prospectivo da oferta energética paulista até 2022

Ano Oferta de energia em %

Petróleo e derivados

Gás natural

Carvão mineral e derivados

Hidráulica e eletricidade

Lenha e carvão vegetal

Etanol + Bagaço

Outras fontes renováveis

TOTAL %

2001 49,7

 

3,7

3,4

17,3

2,2

21,3

2,4

100

2002 46,9

 

4,9

3,3

18,2

2,2

22

2,5

100

2003 44,7

 

5,6

3,8

19

2,1

22,2

2,6

100

2004 43,7

 

6

3,6

18,1

1,9

24,2

2,5

100

2005 42,6

 

6,7

3

18,2

1,9

25

2,6

100

2006 39,7

 

7,4

3

18,9

1,9

26,5

2,6

100

2007 38,2

 

7,3

2,7

18,6

1,8

28,9

2,5

100

2008 35,1

 

7,3

2,4

18,1

1,7

32,9

2,5

100

2009 5,8

35

1,9

17,4

1,5

36,1

2,3

100

2010 6,6

36

2,2

17,9

1,4

33,5

2,4

100

2011 32

 

7,65

1,92

18,1

1,38

36,5

2,43

100

2012 30,7

 

7,61

1,641

17,8

1,28

38,6

2,38

100

2013 29,2

 

7,6

1,323

17,6

1,19

40,8

2,33

100

2014 27,6

 

7,61

1,122

17,6

1,1

42,7

2,31

100

2015 26,1

 

7,59

0,951

17,4

0,99

44,7

2,26

100

2016 24,8

 

7,64

0,718

17,3

0,88

46,4

2,23

100

2017 23,4

 

7,84

0,528

17,2

0,79

48

2,22

100

2018 21,9

 

8,08

0,335

17,2

0,71

49,5

2,2

100

2019 20,1

 

8,37

0,128

17,2

0,63

51,4

2,19

100

2020 18,2

 

8,33

0

17

0,53

53,8

2,14

100

2021 17,1

 

8,32

0

16,7

0,42

55,4

2,11

100

2022 15,5

 

8,46

0

16,8

0,33

57

2

100

Fonte: autores

Como proposto pela hipótese de pesquisa, a produção de eletricidade via hidráulica ficará em um patamar estagnado por volta de 16% de representatividade em toda matriz energética paulista. Já a fonte de energia proveniente da cogeração energética promovida pela cana de açúcar atingirá o patamar de 57% de toda energia gerada pela matriz energética do estado. Transformando os dados sobre a prospecção do desenvolvimento energético ligado ao etanol + bagaço de cana em gráfico, consegue-se o seguinte:

Figura 06 Evolução da participação de etanol + bagaço até 2022

Etanol + Bagaço

60 50 40 30 20 10 0 1 2 3 4 5 6 7 8
60
50
40
30
20
10
0
1 2
3
4
5
6
7
8
9
10
11 12
13 14
15 16
17 18
19 20
21
22
% de participação na matriz energética

Etanol + Bagaço

Fonte: autores

Tanto para o gráfico anteriormente mostrado, como para o que segue, os números que vão de 1 a 22 representam de 2001 até 2022. Comparando os dois gráficos, fica nítida a percepção de que quanto maior for a oferta de energia proveniente de biomassa, mais próximo o estado ficará da autossuficiência energética, uma vez que a energia hidráulica tende a sofrer picos que não ultrapassam o a freqüência de 19% no total ofertado.

30

Figura 06 Evolução da participação de etanol + bagaço até 2022

Hidráulica e eletricidade 19,5 19 18,5 18 Hidráulica e eletricidade 17,5 17 16,5 16 15,5
Hidráulica e eletricidade
19,5
19
18,5
18
Hidráulica e
eletricidade
17,5
17
16,5
16
15,5
1 2
3
4
5
6
7
8
9
10 11 12 13 14 15 16 17 18 19 20 21 22

Fonte: autores

O estudo da prospecção da oferta de energia da matriz energética do estado de São Paulo vem de encontro com aquilo que foi proposto, a utilização de biomassa como oferta de produção de energia elétrica para as indústrias paulistas. A fim de separar os dados apresentados no estudo prospectivo, uma vez que ele apresenta dados de etanol juntamente com a produção de eletricidade, vale comparar a tabela 11, que segue na página seguinte, na qual se encontra a indicação de que a destinação de biomassa estará na ordem 17,7 milhões de toneladas para a produção de etanol, correspondendo a 13,4% e 114,6 milhões para a produção de eletricidade, o que corresponde a 86,6%. Tais dados são relacionados à prospecção para o ano de 2020. Relacionando tal informação com os 57% de participação do etanol + bagaço na oferta de energia, apresentada na tabela 10 e no gráfico 06, é possível traçar a representatividade de cada item.

31

Assim, dos referidos 57% da oferta de biomassa, 49,3% serão destinados à produção de eletricidade e os outros 7,7% serão destinados à produção de álcool. O gráfico a seguir indica a representatividade da estimativa de oferta da biomassa de cana em milhões de toneladas. Dele foram extraídos os dados que se referem à produção de etanol e de eletricidade, tendo biomassa como fonte.

Tabela 11 Estimativa da oferta da bioamassa de cana de cana até o ano de 2030 (em milhões de toneladas)

da bioamassa de cana de cana até o ano de 2030 (em milhões de toneladas) Fonte:

Fonte: Ministério de minas e energia

5 - CONSIDERAÇÕES FINAIS

A elaboração deste projeto esquematizou o estado da arte da matriz energética do estado de São Paulo, definindo sua constituição e abordando, por meio de análise, os dados referentes à produção e consumo de energia elétrica do estado. Além disso, foram pesquisados e apresentados dados referentes à energia elétrica proveniente de biomassa, com caracterização os recursos

necessários para sua implantação e valor médio de produção. Foram confrontados os dados que dizem respeito à produção de energia elétrica hidráulica com a energia elétrica de biomassa e asse estudo agregou- se a esquematização do suprimento de energia elétrica até a prospecção de

2022.

Durante todo o processo de confecção dos protótipos, sendo o primeiro relacionado ao estado da arte da matriz energética paulista e o segundo dizendo respeito ao estudo prospectivo do fornecimento de energia elétrica por meio da utilização de biomassa, pode-se perceber que a real alternativa para a prospecção realizada denota-se no emprego do bagaço de cana como fonte produtora de energia elétrica. Os estudos prospectivos comprovaram que a participação do bagaço atingirá a taxa de 49,3% da oferta energética em 2022, o representa quase 50% do todo ofertado. Isso pode gerar problemas como o gerenciamento dessa produção, o fornecimento por meio de redes de transmissão que ligam a fonte produtora às indústrias compradoras da energia e implantação de unidades termoelétricas em todas as 106 usinas sucroenergéticas pertencentes ao estado de São Paulo.

Para solucionar esses problemas, uma saída poderia ser encontrada no emprego de PPPs Parcerias Público Privadas , as quais poderiam dar conta do processo de implementação, geração e fornecimento de toda energia advinda da produção por meio de bagaço de cana. Este tipo de parceria, de acordo com o site PPPbrasil.com.br, as PPPs são instrumentos viabilizadores de investimentos públicos e privados em infraestrutura econômica, como por exemplo energia elétrica, gás, rodovias,

ferrovias, portos, aeroportos, entre outros. Esse entendimento proposto pelo site transforma a PPP como auxílio viabilizador da operação de geração e fornecimento de energia desde as centrais termoelétricas de biomassa até o destino em redes de distribuição. Desse modo, o gerenciamento da energia aqui proposta se dá pela parceria entre governo e empresas privadas, com o envolvimento de ambos para o investimento e gestão do negócio energético. Cabe ressaltar, qualquer que fosse a fonte energética estuda prospectivamente, haveria a necessidade de se pensar e repensar as formas de transmissão energética. Então, isso não pode ser considerado como um entrave para a viabilidade do projeto aqui proposto, uma vez que essa é uma questão que permeia toda e qualquer transmissão energética de eletricidade. Toda expansão energética denota problemas de distribuição, não sendo isso uma questão exclusiva da biomassa. Independente da fonte de energia que for expandida, há a necessidade de uma atenção do governo para auxiliar na distribuição daquilo que foi gerado energeticamente. Cabe ao governo verificar meios para poder facilitar esse mecanismo de distribuição energética., por meio de investimento próprio ou por aquilo conseguido pelas mencionadas PPPs.

BIBLIOGRAFIA

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Secretaria de energia. Balanço energético ano base de 2008. São Paulo:

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Secretaria de energia. Resumo executivo Energia 3º bimestre/2014. São Paulo: 2014.

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TATONI, W. M.; ROCHMAN, R. R. Viabilidade da cogeração. Disponível em http://www.agroanalysis.com.br. Acesso em 10/10/2014.