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Fichamento de livro: Educar pela Pesquisa

Autor: Pedro Demo


Campinas: Editores Associados, 1997 – 2.ed.

Introdução
Objetivos – desenhar um roteiro teórico-prático- metodológico do desafio de educar pela
pesquisa, desde o Ensino Fundamental, podendo se estender ao Ensino Médio, até a
Universidade.
A condição para educar pela pesquisa é que o professor seja um pesquisador e tenha-a
como uso no cotidiano. O aluno deixa de ser objeto de ensino para ser companheiro de
trabalho.
I Parte
O desafio de Educar pela pesquisa na Educação Básica
I. Pressupostos
I. a convicção de que a educação pela pesquisa é a especificidade mais própria da
educação escolar e acadêmica
II. o questionamento com qualidade é o cerne da pesquisa
III. a necessidade de fazer da pesquisa uma atitude cotidiana no professor e no aluno.
IV. a educação é um processo de formação humana na competência.

1. A pesquisa é uma propriedade específica do ambiente escolar, a base da


educação escolar é a pesquisa e não a sala de aula.
2. A pesquisa forma o sujeito crítico e criativo, a aula apenas repassada e
copiada não constrói nada.
3. A distinção entre a pesquisa praticada pelo doutor e pela criança não está nos
óbvios resultados, mas na qualidade, no questionamento reconstrutivo, cada
um dentro do seu próprio horizonte.
4. A pesquisa deve ser atitude cotidiana no professor e no aluno, é fundamental
para desmistificá-la.
5. Educação é o processo de formação da competência humana histórica.
II. Pesquisa no aluno
1. A escola deve ser o ambiente criativo por excelência, onde o aluno tem
participação ativa e motivação constante, e não um ambiente repressor que
cultiva apena a disciplina. Favorecer o lúdico.
2. Valorizar o trabalho em equipe, buscando o equilíbrio entre individualidade
e solidariedade.
3. Habituar o aluno a ter iniciativa na busca de material para pesquisa e
combater a receita pronta.
4. Motivar para o aluno fazer as próprias interpretações, reelaborando-as.
Interpretar o material pesquisado. Passar de atitude passiva para atitude
crítica.
5. Reconstruir a partir co conhecimento prévio, acrescentando o conhecimento
disponível, elaborando textos próprios.
6. Material didático: motivações lúdicas, hábito de leitura, uso de computador,
TV, DVD, apoio dos pais, uso intensivo do tempo escolar.
7. Cuidados propedêuticos (iniciais, introdutórios relativos ao Ens. Fundamental)
• Saber pensar: estimular o aluno ao raciocínio
• Aprender a aprender: pela teoria e pela prática
• Saber avaliar-se a avaliar a realidade com consciência crítica
• Ética: não usar treinamento
• Estimular o discurso fundamentado
• Exigir que o processo seja bem feito
• Estimular o uso da lógica para formulação e argumentações
• Reconhecer a capacidade do outro
• Tomar atitude investigativa no dia a dia
8. Reorganização curricular
• Currículo extensivo = educação bancária
• Currículo intensivo = pesquisa
Num currículo intensivo: aprofunda-se o mesmo através de temas e constrói-se
uma visão geral e não compartimentalizada. Preferir aulas mais longas e
proporcionar ambiente próprio para pesquisa e leitura, análise discussões,
preparação do trabalho. Flexibilização do curriículo. Levar em consideração os
ritmos individuais e próprios, combater o fracasso.
9. Avaliação : utilizar formas alternativas e constantes, debates, argumentações
orais e escritas, participação.
III. Pesquisa no professor
1. Construir um projeto pedagógico próprio que deve estar em atualização
permanente e ter compromisso com o desempenho do aluno
2. Construir textos científicos e pedagógicos próprios, com fundamentação
teórica
3. Refazer o material didático, e testá-lo antes de levar aos alunos, seja teórico
ou prático.
4. Inovar na prática didática, lutando contra a aula reproduzida e copiada, e
contra a postura passiva dos alunos
5. Recuperar constantemente a competência através da pesquisa, de cursos de
atualização, de eventos, pós-graduação, etc.

2ª. PARTE
Currículo intensivo na Universidade

Nesta parte o autor praticamente repete o que foi dito anteriormente, com as devidas
adaptações para o ambiente universitário.
A universidade tem um pressuposto de desenvolver a competências, formar Cidadãos
críticos, politizados, pesquisadores.
Não é o que se observa nas particulares e principalmente nas noturnas, onde não se
evidencia a pesquisa, mas sim apenas a competência mercadológica.

Ensaios de currículo intensivo


• Definindo termos
a. Educação como processo de formação na competência humana: compromisso da
universidade
b. Questionamento reconstrutivo
c. Aproximação de pesquisa e educação – ímpeto emancipatório, já que alimentam a
consciência crítica
d. Pesquisa compreendida como atitude cotidiana
e. Pesquisa na universidade faz parte também da profissionalização
f. Compromisso com a ética e com a inovação
Bases Gerais para um currículo intensivo
a. Qualidade do professor : como pretender que o professor ensine através da
pesquisa se não é formado assim, se o professor de universidade assim não o faz?
Portanto, o professor universitário Tb. Deve formar pela pesquisa.
b. Delimitar seu próprio espaço, sua linha de pesquisa
c. Dedicar-se inicialmente ao estudo de assuntos iniciais como matemática, filosofia,
história de educação, metodologia científica.
d. Preparar suas aulas a partir da pesquisa, seja didática ou científica, manter-se
atualizado
e. Produção constante, orientação constante – competência humana crítica e política
O restante do capítulo destina-se a recomendações e delineamentos práticos propriamente
ditos.
Riscos e Desafios
a. Não deixar virar modismo, ou repulsa a priori.
b. Dedicação exclusiva, tempo integral.
c. Currículo intensivo é mais facilmente aceito em instituições publicas, mas não
impede de tentar implantação também nas particulares.
d. Avaliação constante do sistema e do professor. (hoje em dia a avaliação também
compreende a universidade e os institutos.)
e. O autor finaliza sugerindo modelos de cursos de pós-graduação (mestrado e
doutorados).