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SOCIOANTROPOLOGIA UNEC UNIDADE DE ENSINO: SOCIOANTROPOLOGIA APRESENTAÇÃO DA DISCIPLINA
SOCIOANTROPOLOGIA
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UNIDADE DE ENSINO:
SOCIOANTROPOLOGIA
APRESENTAÇÃO DA DISCIPLINA

Caros Discentes, Bem vindos à Unidade de Ensino SOCIOANTROPOLOGIA!

O conteúdo abordado pela disciplina Socioantropologia compreende uma fusão en-

tre a interpretação sociológica dos eventos e comportamentos sociais estabelecidos pelo homem enquanto ser social e a análise antropológica dos comportamentos e noções esta- belecidas pelo homem nas suas mais diversas dimensões: cultural, estrutural, filosófica e social. Existe, porém, uma diferença metodológica entre estas abordagens, que estabelece justamente as singularidades de cada uma dessas ciências.

A Sociologia busca compreender os fenômenos sociais a partir da relação dos indi-

víduos enquanto seres sociais, pertencentes a um grupo social, enquadrados socialmente em uma classe, gênero, raça, etc, que determina os acontecimentos sociais ao seu redor a partir da ação de seu grupo social e de suas relações. A Antropologia busca analisar os acontecimentos sociais, as transformações operadas no tempo e no espaço social a partir da percepção do homem enquanto ser cultural, que gera os eventos sociais através de seu comportamento e de seus preceitos culturais. Dessa forma a fusão entre essas ciências produz uma nova possibilidade de percep- ção e análise dos acontecimentos ao nosso redor e permite uma aprendizagem mais com- plexa das ações do homem em sociedade e de seus desdobramentos. Vivemos hoje um momento peculiar das relações político-culturais com o processo de globalização, a fusão de raças e o sincretismo religioso. Esse contexto mundial torna o nosso trabalho amplo e estimulante, podendo vir a compreender e elucidar questões extre- mamente complexas. Para tanto estaremos disponibilizando algumas fontes, indicações e textos que com- põem o conjunto do material da disciplina. Reserve tempo para seus estudos e o faça com dedicação. Espero que nosso aprendizado possa ser efetivamente compartilhado, como estabelece a mais nobre noção de educação. Tenham um bom estudo!

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Aula 01

CAPÍTULO 1: O ESTUDO DA SOCIOLOGIA E DA ANTROPOLOGIA

1. INTRODUÇÃO AO ESTUDO DA SOCIOLOGIA E DA ANTROPOLOGIA

Os conteúdos das aulas que se seguem apresentam argumentações que fa- zem uma distinção entre as metodologias de investigação sociocultural das ciências Sociologia e Antropologia, buscando realizar uma aproximação necessária à análise dos fenômenos sociais e a dinâmica das suas transformações. Poderemos perceber que as duas ciências, campos de investigação sociais, se completam. Portanto o termo Socioantropologia se apresenta como uma fusão dessas duas noções. É importante frisar que ambas as áreas de análise são muito atuais e possibi- litam a compreensão das dinâmicas sociais, permite o entendimento das concep- ções culturais e, como atribuição mais importante, contribui para que os indivíduos possam ter um papel mais efetivo nos seus ambientes sociais, atuando como cida- dão capaz de alterar a configuração social de seu espaço político-cultural. Fique atento às definições e formulações e procure observar a dinâmica das transformações conceituais dos universos investigados pelas duas ciências e inter- pretados pela socioantropologia.

duas ciências e inter- pretados pela socioantropologia. NÚCLEO DE ENSINO SEMIPRESENCIAL – NESP/UNEC Prof.

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1.1 BREVE DISTINÇÃO ENTRE SOCIOLOGIA E ANTROPOLOGIA

O conteúdo abordado pela disciplina Socioantropologia compreende uma espécie de fusão entre a interpretação sociológica dos eventos e comportamentos sociais e da análise antropológica dos comportamentos e noções estabelecidas pelo homem nas suas mais diversas dimensões: cultural, estrutural, filosófica e social. Existe, porém, uma diferença metodológica entre estas abordagens, que estabelece justamente as singularidades de cada uma dessas ciências. Uma das questões que mais perturbam os estudantes que travam seus pri- meiros contatos com as Ciências Soci- ais é a diferença entre Antropologia e Sociologia. Estes campos do conheci- mento muito embora sejam bastante pró- ximos entre si não são, no entanto, to- talmente iguais.

Naquilo que se refere à Antropolo- gia, pode-se dizer que tal ciência estuda o homem no que se refere a suas relações

com a cultura, especialmente no que se refere aos costumes, à religião e à organi- zação política. O eixo de conhecimento da Antropologia procura ir do conhecimento do indivíduo (ou de pequenos grupos) para conseguir tentar entender as realidades sociais maiores. E seu foco está predominantemente na cultura (ver outro artigo meu sobre o conceito de cultura), de modo que parte-se do princípio que entendendo a cultura dos grupos conseguimos entender a lógica da sociedade. Em relação à Sociologia, é correto afirmar que tal ciência procura compreen- der como se dão os processos de estruturação e relacionamento dos indivíduos com as sociedades. O eixo do conhecimento na Sociologia geralmente vai do conheci- mento das coletividades (ou realidades sociais maiores) com o objetivo de entender

o comportamento grupal e/ou individual. Seu foco está geralmente no entendimento

das estruturas da sociedade, procurando entender como estas estruturas influenci-

am os grupos ou indivíduos no que se refere a seu comportamento, seus costumes

e sua cultura.

se refere a seu comportamento, seus costumes e sua cultura. Figura 1 - As Ciências Sociais,

Figura 1 - As Ciências Sociais, dentre elas a Sociologia e a Antropologia investigam as rela- ções sociais e interpretam suas transformações históricas.

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Devido a estes fatores podemos concluir que Antropologia e Sociologia ape- sar de serem campos de conhecimento muito próximos possuem algumas diferen- ças, tanto no que diz respeito ao seu objeto quanto a seu enfoque. Desta maneira, ao serem estudos aspectos antropológicos e sociológicos de um dado campo (como os aspectos Antropológicos e Sociológicos da Educação) devemos ter em conta estas diferenças básicas de forma a obtermos maior clareza na compreensão do papel de cada uma destas ciências no referido campo.

do papel de cada uma destas ciências no referido campo. NÚCLEO DE ENSINO SEMIPRESENCIAL – NESP/UNEC

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SOCIOANTROPOLOGIA UNEC Figura 2 - A Socioantropologia busca compreender as relações culturais esta- belecendo

Figura 2 - A Socioantropologia busca compreender as relações culturais esta- belecendo relações estreitas entre as culturas e sua diversidade.

Dessa forma a fusão entre as ciên- cias produz uma nova possibilidade de per- cepção e análise dos acontecimentos ao nosso redor e permite uma aprendizagem mais complexa das ações do homem em sociedade e de seus desdobramentos. Vivemos hoje um momento peculiar das relações político-culturais com o pro- cesso de globalização, com as transforma- ções iminentes dos regimes políticos milenares,

com a fusão de raças e o sincretismo religioso. Esse contexto mundial torna o nosso trabalho amplo e, ao mesmo tempo, estimulan- te com a possibilidade de discutirmos e produzirmos formulações que possam vir elucidar questões extremamente complexas.

que possam vir elucidar questões extremamente complexas. NÚCLEO DE ENSINO SEMIPRESENCIAL – NESP/UNEC Prof.

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Aula 02

O texto que se segue é do historiador Matheus Blach do Centro Universitário UNA (MG), Mestre em Preservação do Patrimônio Cultural pelo IPHAN e autor do li- vro "Patrimônio Natural, Sentido Histórico e Valor Cultural". O texto está dispo- nível em www.sobrehistoria.org. Ao longo das exposições do autor iremos inserir alguns esclarecimentos acerca do conteúdo visando esclarecer algumas even- tuais dúvidas. Boa leitura!

1.2 O CONCEITO DE CULTURA E AS ESCOLAS DE PENSAMENTO ANTROPO- LÓGICO

O presente texto tem como tema principal a disciplina Antropologia Cultural,

o objetivo é discorrer sobre as escolas teóricas que fundamentaram o pensamento

de seus estudiosos e pesquisadores no decorrer do tempo como também apresentar

o conceito de cultura.

do tempo como também apresentar o conceito de cultura . A Antropologia surge em meados do
do tempo como também apresentar o conceito de cultura . A Antropologia surge em meados do

A Antropologia surge em meados do século XIX como uma matéria que estu- da o Homem, sua história natural e física, evolutiva e biológica. Recentemente, nas últimas décadas, é que se atribui a mesma o estatuto de ciência, cujo objeto de es- tudo é dado pelo conceito de cultura. No processo do seu desenvolvimento históri- co a Antropologia consolidou-se em duas principais correntes teóricas, estas, po- rém com suas próprias contradições internas, o universalismo 1 e o relativismo cul-

1 Universalismo 1- Universalidade. 2- Tendência para a universalização de uma ideia ou obra. 3- Doutrina que admite, como critério da verdade, o consenso universal.

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tural 2 , sendo o segundo predominante nos meios acadêmicos na atualidade. Contudo entre o primeiro momento e o desenvolvimento atual desta disciplina ocorreram diversos movimentos históricos, avanços e retrocessos que modificaram a forma de concebê-la e consequentemente os seus métodos. Faremos um breve passeio panorâmico sobre essas transformações e em suas implicações para a dis- ciplina e para a forma com qual percebemos a sociedade atual. O campo de estudos que abrange a Antropologia é muito vasto, pois uma vez que faz o estudo do Homem, suas relações, formas de organização social, rela- ções com o meio em que vive, seu desenvolvimento tecnológico, seus aspectos culturais, biológicos, entre diversos outros, torna-se quase ilimitado. Seus métodos abrangem técnicas e teorias da sociologia, biologia, geografia, história, geologia, psicologia e diversas mais.

Inicialmente a disciplina, embebida do espírito positivo 3 do século XIX, influenciada pelo Darwinismo Social, cientificismo e empirismo de seu tempo, era tomada por um rigor marcante. O empirismo, ou seja, a necessidade de que para que uma pesquisa tivesse relevância acadêmica, o seu método devia demandar formas de se provar o que afirmava, impulsionava a Antropologia a absorver, cada vez mais, ideias e con- ceitos de outras esferas, como das ditas ciências exa- tas, biológicas ou naturais. A ideia de uma evolução continua da sociedade tal qual a teoria da evolução das espécies era defendida, acarretando em uma visão

linear do tempo histórico da humanidade.

em uma visão linear do tempo histórico da humanidade. Figura 3 - O Positivismo, presente na

Figura 3 - O Positivismo, presente na obra de Auguste Comte exerce grande influên- cia no pensamento sobre a cultura no final do século XIX.

2 Relativismo 1- Caráter, estado ou qualidade de relativo. 2- Filos Doutrina segundo a qual todo conhecimento é relativo. 3- Filos Doutrina segundo a qual a ideia de bem e de mal é variável con- forme o tempo e a sociedade.

3 Positivismo 1- Sistema filosófico criado por Augusto Comte, presente nas concepções político- sociais do final do século XIX no Brasil, que se baseia nos fatos e na experiência, e que deriva do conjunto das ciências positivas, repelindo a metafísica e o sobrenatural. 2- Tendência para encarar a vida só pelo seu lado prático e útil.

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SOCIOANTROPOLOGIA UNEC Aqui iremos considerar um aspecto funda- mental: o cientificismo , ou seja, a grande

Aqui iremos considerar um aspecto funda- mental: o cientificismo, ou seja, a grande aceitação das argumentações científicas da- das principalmente pela popularidade da o- bra de Charles Darwin “A Origem das Es- pécies” e do empirismo como método de comprovação das proposições científicas. Em decorrência desse fato os preceitos reli- giosos começam a perder força de argumen- tação.

Diversas proposições que, de algum modo, ainda pairam sobre o imaginário

das sociedades atuais, surgem neste contexto inicial das ciências humanas, como

os determinismos e diversos outros “ismos”, assim como as comparações entre dife-

rentes sociedades consequentemente acarretando nos preconceitos e no tão falado

conceito de Civilização que, atualmente, se caracteriza como um projeto político, e

não algo “natural” como outrora fora.

Conforme demonstra LARAIA, anteriormente ao

período histórico em que começam a se desenvolver

novas perspectivas sobre o conceito de cultura, que

serão trabalhadas mais adiante, surgiram muitos “is-

mos” pautados nas características do contexto explica-

do acima. Entre estes, na disciplina da Antropologia, o

autor destaca alguns como o Determinismo Biológi-

o autor destaca alguns como o Determinismo Biológi- co , segundo ele, São velhas e persistentes

co, segundo ele,

São velhas e persistentes as teorias que atribuem capacidades especificas inata a “raças” ou a
São velhas e persistentes as teorias que atribuem capacidades
especificas inata a “raças” ou a outros grupos humanos. Muita
gente ainda acredita que os nórdicos são mais inteligentes do que
os negros; que os alemães têm mais habilidade para mecânica;
que os judeus são avarentos e negociantes; que os norte ameri-
canos são empreendedores e interesseiros… (LARAIA. p. 19).

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Limitamo-nos aqui a citar um pequeno trecho, contudo a lista que o autor le- vanta desses estereótipos segue por mais algumas linhas. Com o tempo este de- terminismo, em particular, passa a ser repensado e aos poucos superado, pelo me- nos em parte e pelo menos e com sorte, no meio acadêmico. A ideia de que elemen- tos de determinação biológica, como as diferenças genéticas mais gerais ou mar- cantes, entre povos e sociedades, influenciam na cultura destes, passa a ser negada pelos antropólogos levando os mesmos a reconsiderarem os conceitos de raça, cul- tura, civilização, sociedade, evolução.

Um menino e uma menina agem diferentemente não em função de seus hormônios, mas em
Um menino e uma menina agem diferentemente não em função
de seus hormônios, mas em decorrência de uma educação dife-
renciada. (LARAIA. p. 20).

A partir de então os mesmos termos ganham novas atribuições ou são substi- tuídos por outros, mais complexos, como o de Civilização presente em autores co- mo Nobert Ellias em O Processo Civilizador, Jaime Pinsk em O que é Civilização ou Francis Wolf em Quem é Bárbaro, mais contundentes com as demandas da so- ciedade diante dessas pesquisas. O autor também demonstra o problema do De- terminismo Geográfico para a Antropologia atual,

O determinismo geográfico considera que as diferenças do ambi- ente físico condicionam a diversidade cultural.
O determinismo geográfico considera que as diferenças do ambi-
ente físico condicionam a diversidade cultural. [
]
Exemplo signifi-
cativo deste tipo de pensamento pode ser encontrado em Hunting-
ton, em seu livro Civilization and Climate (1915), no qual formula
uma relação entre a latitude e os centros de civilização, conside-
rando o clima como um fator importante da dinâmica do progres-
so. (LARAIA. p. 21).

Este conceito, não coincidentemente, também se desenvolve no século XIX, pelos geógrafos daquele tempo. Posteriormente diversos outros autores começam a

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refutar (rejeitar) este tipo de análise e a demonstrar que existem limitações enormes para a influência dos aspectos físico-naturais na cultura.

Vimos nestas primeiras duas aulas o aspecto de investiga- ção metodológica das ciências Sociologia e
Vimos nestas primeiras duas aulas o aspecto de investiga-
ção metodológica das ciências Sociologia e Antropologia e uma
aproximação essencial destas para estabelecer análises comple-
xas das relações humanas em sociedade. O texto que buscou a-
profundar estas noções, de autoria do historiador Matheus Blach e
comentada pelo professor, demonstrou como a Antropologia in-
vestiga o campo social e como podemos estabelecer um conceito
de cultura que abranja a amplitude das concepções e linhas de
análises sociológicas.
A seguir analisaremos algumas questões para que
possamos juntos, elucidar dúvidas e aprofundar nosso estudo no
sentido de compreendermos o conteúdo exposto e cumprir nosso
objetivo estabelecido. Mãos à obra!
e cumprir nosso objetivo estabelecido. Mãos à obra! NÚCLEO DE ENSINO SEMIPRESENCIAL – NESP/UNEC Prof.

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SOCIOANTROPOLOGIA UNEC 1) [ definimos a cultura como o sistema integrado de padrões de comportamento aprendi-

1) [

definimos a cultura como o sistema integrado de padrões de comportamento aprendi-

dos, que são característicos dos membros de uma sociedade e que não são o resultado de herança biológica. Faz parte da essência do conceito de cultura excluir os instintos, os

reflexos inatos e quaisquer outras formas de comportamento biologicamente predetermi- nadas. A cultura é, portanto, um comportamento adquirido. Mas é uma parte do universo do mesmo modo que as estrelas do céu, porque é um produto natural das atividades hu- manas, e o ser humano é parte da natureza. (HOEBEL; FROST, 2008, p. 16).

]

A partir da análise do texto e dos conhecimentos sobre o conceito de cultu- ra, considera-se INCORRETA a alternativa:

a) Os componentes da cultura no que diz respeito a hábitos, valores e tradi- ções são transmitidos de geração a geração, através da herança genética.

b) A produção de elementos da cultura ocorre na sociedade a partir das relações que se estabelecem coletivamente, resultando na afirmativa de que “cultura” é um fenômeno coletivo.

c) As diversas experiências sociais produzem diferentes componentes culturais, diversidade essa que pode ser observada na pluralidade linguística existente na história das sociedades.

d) Os componentes culturais que identificam determinadas sociedades têm, nos sistemas educativos, dentre outros recursos, importantes instrumentos de transmissão às gerações futuras.

2) Considere a definição do conceito de cultura como sistema simbólico, presente na obra Cultura, um conceito antropológico de Roque Laraia (2005).

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Analise as proposições:

I - A cultura é um fenômeno humano, sendo impossível para outros animais de- senvolver a faculdade de simbolizar e transmitir os símbolos com a mesma complexidade e diversidade com que o fazem os seres humanos. II - A cultura é um fenômeno variado nas diversas sociedades humanas. Seu grau

maior de evolução em alguns lugares e sua diversidade depende da espécie particular de Homo Sapiens encontrada em cada sociedade.

III - A cultura é um fenômeno que varia conforme o maior ou menor favorecimento dos caracteres biológicos e geográficos encontrados nas diferentes socieda- des. Assim sendo, a diversidade cultural depende da maior capacidade de sim- bolizar o meio ambiente.

IV - A cultura de cada sociedade é formada por sistemas de símbolos que variam, mas estes se instalam em um ser dotado de unidade biológica, o homem. Por isso, ao nascer, todo ser humano está biologicamente apto para ser socializado em qualquer cultura.

a) I, II e III estão incorretas.

b) II, III e IV estão incorretas.

c) I, II e IV estão incorretas.

d) II e III estão incorretas.

3) “Cerca de 5.000 anos depois de alcançar a Europa o Homo sapiens [

] prota-

gonizou uma revolução criativa e desenvolveu conceitos de família, religião e convivência social. Mais uma vez a humanidade sofreu com os rigores do cli- ma e com a escassez de comida, mas a adaptação às dificuldades resultou

num salto à frente. O homem primitivo passou a enterrar seus mortos com ri- tuais e com objetos que usavam em vida. Pela primeira vez essas sociedades sentiram a necessidade de estabelecer regrasera preciso definir quem per- tencia à família e com quem se compartilhavam os alimentos, quais objetos eram de uso coletivo e quais eram privados”.

VIEIRA, Vanessa; LIMA, Roberta de Abreu. Como nossa espécie quase desapare- ceu. In: Veja, ed. 2059, São Paulo: Abril Cultural, ano 41, no18, 7 de maio, 2008, p.151.

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A partir dessa informação, podem-se definir instituições sociais como sen- do um. Assinale a alternativa CORRETA.

a) agrupamento de pessoas que seguem os mesmos estímulos; é espontâneo, amorfo e o contato social variado.

b) conjunto de regras e procedimentos reconhecido e sancionado pela sociedade.

c) conjunto ordenado de partes encadeadas que formam um todo; é o aspecto es-

tático da organização social.

d) conjunto de comportamentos típicos de um grupo social que reproduz um estilo de vida próprio de cada sociedade.

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