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ADMINISTRAÇÃO E CONTABILIDADE PARA PEQUENAS E MÉDIAS EMPRESAS
ADMINISTRAÇÃO E CONTABILIDADE PARA PEQUENAS E MÉDIAS EMPRESAS
ADMINISTRAÇÃO E CONTABILIDADE PARA PEQUENAS E MÉDIAS EMPRESAS

ADMINISTRAÇÃO E

ADMINISTRAÇÃO E CONTABILIDADE PARA PEQUENAS E MÉDIAS EMPRESAS
ADMINISTRAÇÃO E CONTABILIDADE PARA PEQUENAS E MÉDIAS EMPRESAS

CONTABILIDADE

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ADMINISTRAÇÃO E CONTABILIDADE PARA PEQUENAS E MÉDIAS EMPRESAS

PEQUENAS E MÉDIAS EMPRESAS

ADMINISTRAÇÃO E CONTABILIDADE PARA PEQUENAS E MÉDIAS EMPRESAS
ADMINISTRAÇÃO E CONTABILIDADE PARA PEQUENAS E MÉDIAS EMPRESAS
Administração e Contabilidade para Pequenas e Médias Empresas
Administração e Contabilidade para Pequenas e Médias Empresas

Administração e Contabilidade para Pequenas e Médias Empresas

Profº. Cristiano de Jesus Sousa de Abreu Administração e Contabilidade para Pequenas e Médias Empresas

Revisão Textual:

Aricinara Porto O’Farrell

e Contabilidade para Pequenas e Médias Empresas Revisão Textual: Aricinara Porto O’Farrell Soymar Barros Gomes

Soymar Barros Gomes

APRESENTAÇÃO

Olá Caro Aluno,

A disciplina de Administração e Contabilidade para Pequenas e Médias Empresas – PME’s é uma proposta educacional básica, que oferece aos alunos, futuros empreendedores, que desejarem atuar na área de comércio, indústria, serviços, a oportunidade para interagir com conceitos básicos sobre empreendedorismo, mercado, administração financeira e contábil.

A disciplina tem como propósito, que o aluno desenvolva atitudes, habilidades e conhecimentos básicos sobre como Administrar os pequenos negócios e como dar o acompanhamento necessário para garantir a eficiência nos resultados da empresa a fim de garantir a continuidade da mesma.

O Aluno estará apto a assessorar e acompanhar o desenvolvimento dos pequenos negócios, a partir da escolha de um negócio, da elaboração de um planejamento estratégico e tático de uma empresa até o controle dos resultados, a fim de melhor contribuir para uma Administração Financeira e Contábil mais atuante nas Microempresas, colaborando assim com a continuidade da mesma no mercado.

Esta apostila foi objeto de pesquisa e empenho, buscando sintetizar ao máximo o assunto, porém trazendo as principais definições e abrangência de conhecimentos indispensáveis para se fazer uma gestão eficiente e eficaz e está dividida em seis módulos.

No módulo I será apresentada a importância dos pequenos negócios na economia brasileira e as principais características de um empreendedor de sucesso.

No módulo II será abordada a definição de pequenas e médias empresas (PME’s) e sua classificação segundo alguns critérios.

No módulo III, o sistema de tributação aplicado à essa categoria de empresas será o objeto de estudo.

No módulo IV, será abordado o Planejamento Empresarial e sua importância para o desenvolvimento do negócio.

No

módulo

V,

aplicados às PME’s.

estará

voltado

exclusivamente

aos

aspectos

contábeis

No módulo VI, serão apresentados os principais instrumentos de controle e análise financeira que podem ser aplicadas as PME’s para uma eficiente gestão do empreendimento.

Desejo a você, estudante, bons estudos e sucesso na disciplina!

APRESENTAÇÃO

SUMÁRIO

MÓDULO I – ASPECTOS RELEVANTES SOBRE OS PEQUENOS NEGÓCIOS

5

1. INTRODUÇÃO

6

1.1.A IMPORTÂNCIA DOS PEQUENOS NEGÓCIOS

7

1.2.

O EMPREENDEDORISMO

9

1.2.1. O Empreendedorismo no Brasil

11

1.2.2. Características do Comportamento Empreendedor

16

1.2.3. O Processo Empreendedor

20

1.3.

A INFORMÁTICA E AS INOVAÇÕES TECNOLÓGICAS

22

EXERCÍCIOS DE FIXAÇÃO

25

MÓDULO II - CARACTERIZAÇÃO DAS MICROEMPRESAS

28

2.

DEFINIÇÕES DE MICRO, PEQUENAS E MÉDIAS

EMPRESAS

29

2.1. CLASSIFICAÇÃO SEGUNDO A LEI COMPLEMENTAR Nº

 

123/2006

29

2.2.

CLASSIFICAÇÃO SEGUNDO O COMITÊ DE

PRONUNCIAMENTOS CONTÁBEIS

30

2.3.

CLASSIFICAÇÃO DE ACORDO COM O NÚMERO DE

EMPREGADOS

30

2.4. CLASSIFICAÇÃO CONFORME O MERCOSUL

31

2.5. SOCIEDADES DE GRANDE PORTE

31

2.6. TIPOS DE EMPRESA

33

EXERCÍCIOS DE FIXAÇÃO

35

MÓDULO

III

-

TRIBUTAÇÃO

NAS

PEQUENAS

E

MÉDIAS EMPRESAS

37

3.

ENQUADRAMENTO FISCAL - FORMAS DE

TRIBUTAÇÃO

38

3.1. MICROEMPREENDEDOR INDIVIDUAL (MEI)

38

3.2. SIMPLES NACIONAL

39

3.3. TRIBUTAÇÃO COM BASE NO LUCRO PRESUMIDO

44

3.4. TRIBUTAÇÃO COM BASE NO LUCRO REAL

45

EXERCÍCIOS DE FIXAÇÃO

48

MÓDULO IV- PLANEJAMENTO EMPRESARIAL

52

4.

PLANEJAMENTO DO NEGÓCIO

53

4.1. O PLANO DE NEGÓCIOS

55

4.2. O CICLO DO PLANEJAMENTO

57

4.3. OPÇÕES DE NEGÓCIOS

60

4.4.

MONTANDO SEU NEGÓCIO

61

ESTUDO DE CASO

MÓDULO V – A CONTABILIDADE NA GESTÃO DOS PEQUENOS NEGÓCIOS

5. A IMPORTÂNCIA DA CONTABILIDADE PARA AS

65

66

PME’S

67

5.1. DA LEGISLAÇÃO APLICÁVEL

69

5.2. LIVROS DE ESCRITURAÇÃO

73

5.3. APLICAÇÃO DAS NORMAS INTERNACIONAIS À

CONTABILIDADE NAS PME’S

74

5.4. PRINCÍPIOS CONTÁBEIS

76

5.5. CARACTERÍSTICAS DAS DEMONSTRAÇÕES CONTÁBEIS

78

5.6. DEMONSTRAÇÕES CONTÁBEIS

81

5.6.1. Balanço Patrimonial

82

5.6.2. Demonstração do Resultado do Exercício (DRE)

84

5.6.3. Demonstração dos Lucros/Prejuízos Acumulados

86

5.6.4. Demonstração das Mutações do Patrimônio Líquido- DMLP

87

5.6.5. Demonstração dos Fluxos de Caixa

88

5.6.6. Notas Explicativas às Demonstrações Contábeis

91

EXERCÍCIOS DE FIXAÇÃO

95

MÓDULO VI – A GESTÃO FINANCEIRA

100

6.

GESTÃO FINANCEIRA

101

6.1. O PAPEL DO ADMINISTRADOR FINANCEIRO

101

6.2. CONCEITOS E ELEMENTOS BÁSICOS DE FINANÇAS

102

6.2.1. Projeção de Vendas e Receitas

102

6.2.2. Despesas e Custos

103

6.2.3. Margem de Contribuição (MC)

105

6.2.4. Como Apurar o Resultado = Lucro ou Prejuízo?

107

6.2.5. Ponto de Equilíbrio (PE)

110

6.3. FLUXO DE CAIXA

112

6.4. INDICADORES DE DESEMPENHO EMPRESARIAL

116

6.4.1. Análise de Liquidez

117

6.4.2. Análise de Atividade

118

6.4.3. Análise do Endividamento

120

6.4.4. Análise de Lucratividade

120

6.4.5. Análise de Eficiência de um Negócio

121

EXERCÍCIOS DE FIXAÇÃO

122

REFERÊNCIAS

130

MÓDULO I

ASPECTOS RELEVANTES SOBRE OS PEQUENOS NEGÓCIOS

OBJETIVOS ESPECÍFICOS DE APRENDIZAGEM

Caro aluno, ao finalizar esta Unidade, você deverá ser capaz de:

Conhecer o papel das microempresas na Economia Brasileira;

Identificar as características e habilidades necessárias para um empreendedor de sucesso;

Familiarizar-se com os objetivos e meios que norteiam a administração dos pequenos negócios;

Comprometer-se em potencializar as características essenciais para o empreendedor e investir nas que julgar mais necessárias;

1. INTRODUÇÃO

No Brasil, nove em cada dez empresas são classificadas como micro ou pequena empresa de acordo com o SEBRAE (Sistema Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas), as quais absorvem maior contingente de mão de obra em relação às grandes. O problema é que muitas dessas empresas não suportam as pressões normais do cotidiano e acabam encerando suas atividades com pouco tempo de vida. Cerca de 71% das micro e pequenas empresas abertas anualmente no Brasil fecham antes de completar cinco anos, de acordo com dados do SEBRAE.

Muitos empresários defendem que o principal motivo para o fechamento de suas empresas seria a instabilidade econômica; dificuldade para aquisição de financiamentos, juros altos, queda do poder aquisitivo, etc. Sem dúvidas este é um motivo de bastante relevância neste ciclo de encerramento das atividades das empresas, mas não é o principal. Em recentes pesquisas realizadas pelo SEBRAE, constatou-se que o principal motivo para o encerramento das atividades das micro e pequenas empresas no Brasil é a falta de planejamento, tanto financeiro como estratégico.

Também é imperativo levar em consideração o despreparo profissional dos minúsculos gestores. De certa maneira, a dificuldade apontada decorre, em parte, da culpa dos próprios empreendedores que pouco têm se esforçado para buscar conhecimentos mínimos sobre como administrar suas pequenas firmas, isto é, o despreparo do pequeno executivo é um dos fatores que contribui de modo decisivo para os maus resultados. Esta baixa capacitação é responsável também pelas dificuldades que PME’s têm em conquistar novos mercados.

Além disso, o tamanho reduzido das empresas faz com que seus proprietários/administradores tenham um horizonte de planejamento de curto prazo, ficando presos num círculo vicioso onde a resolução de problemas diários impede a definição de estratégias de longo prazo e de inovação.

Daquelas que sobrevivem a esses primeiros anos é generalizada as suas dificuldades ocasionadas principalmente pela crônica falta de capital de giro, pelo excesso de tributos, por exigências burocrátricas acima da conta, pela concorrência desleal e pelas mais altas taxas de juros do mundo capitalista.

Muitas pessoas juntam suas poupanças acumuladas a duras penas ou mesmo suas verbas indenizatórias quando da exoneração de seus empregos e partem para uma aventura. Com pouca ou nenhuma avaliação sobre a viabilidade do novo empreendimento, essas pessoas constituem um pequeno negócio que terá alta probabilidade de tombar frente às dificuldades do mercado, que são tantas.

Assim, as PME’s, para sobreviverem no mercado, precisam aplicar técnicas de administração e contabilidade em seu negócio que sejam adequadas a seu tamanho e complexidade, pois sem planejamento e controle acabam se tornando mais uma nas estatísticas negativas.

1.1. A IMPORTÂNCIA DOS PEQUENOS NEGÓCIOS

As PME’s têm papel fundamental para alavancar o crescimento do País. Os pequenos negócios são de fundamental importância para fomentar o desenvolvimento e contribuir com o avanço do País, funcionando como mola impulsionadora da redução das desigualdades sociais.

Com maior penetração nos principais focos recentes de crescimento brasileiro, nossas PME’s começaram a florescer. De acordo com pesquisas recentes do IBGE, quase 80% dos 2,5 milhões de empregos criados no Brasil vieram delas. São principalmente elas que atendem os 55 milhões de brasileiros que emergiram das classes D e E nos últimos cinco anos. As PME’s vêm ampliando também sua presença no interior, que, na carona do agronegócio, vem crescendo mais do que as capitais.

As PME’s fornecem, também, uma parcela, cada vez maior, de contribuição para o contexto sócio-econômico do Brasil. Novos pequenos negócios surgem preenchendo os espaços criados pela crescente necessidade do mercado consumidor, gerando oportunidades e inovações, além de proporcionarem a criação de postos de trabalho. Para Fowler (2001), no plano social, as PME’s têm papel relevante na geração

de empregos, na absorção de matérias-primas, no atendimento dos mercados locais,

na distribuição equânime da renda e na mobilidade social. Ainda segundo esse autor,

devido à flexibilidade, criatividade e dinamismo das PME’s, elas podem contribuir para

o processo de ajustamento da economia brasileira, favorecendo a estabilidade monetária, a abertura econômica e a transformação tecnológica.

Em sentido amplo, quando os empregos andam escassos, não é novidade o alto nível de postos de trabalho gerados pelas PME’s. Em sentido mais restrito, sabe-se

da

relevância dos pequenos negócios no âmbito dos municípios brasileiros, incapazes

de

produzir ou de atrair grandes empresas. Inquestionavelmente, as PME’s contribuem

sobremaneira para o crescimento do Produto Interno Bruto do Brasil, geram riqueza,

democratizam o acesso ao trabalho, além de incrementarem a democratização dos meios de produção para maior número de pessoas dispostas a investirem por sua própria conta e risco.

Para dimensionar a medida de grandeza e relevância do tema, basta a medição que contempla informações sobre o segmento empresarial formal da economia brasileira. Em 2005, o Cadastro Central de Empresas foi integrado por 5,7 milhões de empresas, correspondendo a 6,1 milhões de unidades locais, que ocuparam 39,6 milhões de pessoas, e pagaram aos assalariados R$ 444,3 bilhões em salários e outras remunerações.

Vejamos alguns dados que representam a importância dessa categoria de empresas para economia do país:

Representam 99% das empresas do setor de serviços;

Representam 99,1% das empresas do setor do comércio;

Geram 80,2% dos empregos no comércio;

Geram 60% do emprego formal do país;

Contribuem com 20% do Produto Interno Bruto brasileiro;

Constituem-se em relevante instrumento de inclusão econômica e social.

Com a sobrevivência dessas organizações, vislumbramos a possibilidade de melhorar o desempenho do setor privado e, por conseqüência, até do setor público. O sucesso microempresarial importa na redução de problemas sociais, na diminuição das

taxas de desemprego, no desenvolvimento de pequenas e médias comunidades, incapazes de atrair empresas de grande porte.

1.2. O EMPREENDEDORISMO

Sobre empreendedorismo, acrescento a este material um resumo dos principais tópicos apresentados por José Dornelas no livro Empreendedorismo - Transformando Ideias em Negócios (4ª edição, 2011), adicionando algumas concepções de autores citados.

A palavra empreendedor (entrepreneur) tem origem francesa e quer dizer aquele que assume riscos e começa algo novo, porém existem muitas definições, vejamos algumas mais interessantes:

Joseph Schumpeter (1949): “O empreendedor é aquele que destrói a ordem econômica existente pela introdução de novos produtos e serviços, pela criação de novas formas de organização ou pela exploração de novos recursos e materiais.”

Kirzner (1973): o empreendedor é aquele que cria um equilíbrio, encontrando uma posição clara e positiva em um ambiente de caos e turbulência, ou seja, identifica oportunidades na ordem presente.

Ambos, porém, são enfáticos em afirmar que o empreendedor é um exímio identificador de oportunidades, sendo um indivíduo curioso e atento às informações, pois sabe que suas chances melhoram quando seu conhecimento aumenta.

De acordo ainda com Schumpeter (1949), o empreendedor é mais conhecido como aquele que cria novos negócios, mas pode também inovar dentro de negócios já existentes; ou seja, é possível ser empreendedor dentro de empresas já constituídas. Neste caso o termo que se aplica é o empreendedorismo corporativo.

Trazendo mais para o contexto das PME´s o empreendedor é aquele que detecta uma oportunidade e cria um negócio para capitalizar sobre ela, assumindo riscos calculados, ou seja, aquele que apresenta determinadas habilidades e competência para criar, abrir e gerir um negócio, gerando resultados positivos.

Em qualquer definição de empreendedorismo encontram-se, pelo menos, os seguintes aspectos referentes ao empreendedor:

1. Tem iniciativa para criar um novo negócio e paixão pelo que faz.

2. Utiliza os recursos disponíveis de forma criativa, transformando o ambiente social e econômico onde vive.

3.

Aceita assumir os riscos calculados e a possibilidade de fracassar.

O

contexto político-econômico atual no mundo é propício para o surgimento

de um número cada vez maior de empreendedores, pois são estes que estão eliminando barreiras comerciais e culturais, encurtando distâncias, globalizando e renovando os conceitos econômicos, criando novas relações de trabalho e novos empregos, quebrando paradigmas e gerando riqueza para a sociedade. Por esse motivo, tanto a capacitação dos candidatos a empreendedor quanto o fomento do empreendedorismo através de políticas públicas tem sido prioridade em muitos países, inclusive no Brasil.

O crescimento do empreendedorismo no mundo se acelerou na década de

1990 e aumentou em proporção nos anos 2000, o que pode ser observado nas ações desenvolvidas relacionadas ao tema. Alguns exemplos são: desenvolvimento de currículos integrados que estimulem o empreendedorismo em todos os níveis, da educação fundamental à pós-secundária; programas e incentivos governamentais para promover a inovação e a transferência de tecnologia; subsídios governamentais para criação e desenvolvimento de novas empresas; criação de agências de suporte ao empreendedorismo e à geração de negócios; programas de desburocratização e acesso ao crédito para pequenas empresas; desenvolvimento de instrumentos para fortalecer o reconhecimento da propriedade intelectual, entre outros.

A explicação para a focalização de um número cada vez maior de países no

empreendedorismo pode ser obtida ao se analisar o que ocorre nos Estados Unidos. Trata-se do maior exemplo de compromisso nacional com o empreendedorismo e o progresso econômico. Mesmo com a recente crise econômica mundial, da qual os Estados Unidos têm sido protagonistas, o que tem acarretado corte orçamentário em várias áreas, no que se refere ao empreendedorismo ocorre o contrário, haja vista a

crença de que o empreendedorismo é e continuará a ser o grande propulsor do desenvolvimento econômico.

Além de centenas de iniciativas dos governos locais e de organizações privadas para encorajar e apoiar o empreendedorismo nos Estados Unidos, o governo americano gasta centenas de milhões de dólares anualmente em programas de apoio ao empreendedorismo. Por causa do sucesso relativo desses programas, eles são vistos como modelos por outros países que visam a aumentar o nível de sua atividade empresarial. Isto tem ocorrido com o Reino Unido, que criou em 1999 a Agência de Serviços para Pequenas Empresas, nos moldes do SBA – Small Business Administration

– americano, e também com outros países da Comunidade Européia.

1.2.1. O Empreendedorismo no Brasil

O movimento do empreendedorismo no Brasil começou a tomar forma na

década de 1990, quando entidades como SEBRAE (Serviço Brasileiro de Apoio às Micro

e Pequenas Empresas) e SOFTEX (Sociedade Brasileira para Exportação de Software)

foram criadas. Antes disso, praticamente não se falava em empreendedorismo e em criação de pequenas empresas. Os ambientes político e econômico do país não eram propícios, e o empreendedor praticamente não encontrava informações para auxiliá-lo na jornada empreendedora. O SEBRAE é um dos órgãos mais conhecidos do pequeno empresário brasileiro, que busca junto a essa entidade todo o suporte de que precisa para iniciar sua empresa, bem como consultorias para resolver pequenos problemas pontuais de seu negócio. O histórico da entidade SOFTEX pode ser confundido com o histórico do empreendedorismo no Brasil na década de 1990.

Passados 20 anos, pode-se dizer que o Brasil entra na segunda década deste novo milênio com todo o potencial para desenvolver um dos maiores programas de ensino de empreendedorismo de todo o mundo, comparável apenas aos Estados Unidos, onde mais de duas mil escolas ensinam empreendedorismo. Seria apenas ousadia se não fosse possível. Ações históricas e algumas mais recentes desenvolvidas começam a apontar para essa direção. Seguem alguns exemplos:

1.

Informação e Serviços), criados na década de 1990 e que até há pouco tempo

Software,

Os

programas

SOFTEX

e

Genesis

(Geração

de

Novas

Empresas de

apoiavam atividades de empreendedorismo em software, estimulando o ensino da disciplina em universidades, e a geração de novas empresas de software (start-ups). O programa SOFTEX foi reformulado e continua em atividade. Informações podem ser obtidas em www.softex.br.

2. O programa Brasil Empreendedor, do Governo Federal, que foi dirigido à

capacitação de mais de 6 milhões de empreendedores em todo o país, destinando recursos financeiros a esses empreendedores, totalizou um investimento de R$ 8 bilhões. Este programa vigorou de 1999 até 2002, e realizou mais de 5 milhões de operações de crédito.

3. Ações voltadas à capacitação do empreendedor, como os programas Empretec e

Jovem Empreendedor do SEBRAE, que são líderes em procura por parte dos empreendedores e têm ótima avaliação.

4. Houve ainda um evento pontual, que depois se dissipou, mas que também

contribuiu para a disseminação do empreendedorismo. Trata-se da explosão do movimento de criação de empresas pontocom no país nos anos de 1999 e 2000, motivando o surgimento de várias empresas start-up de internet, desenvolvidas por

jovens empreendedores.

5. Especial destaque deve ser dado ao enorme crescimento do movimento de

incubadoras de empresas no Brasil. Dados da Anprotec (Associação Nacional de Entidades Promotoras de Empreendimentos de Tecnologias Avançadas) mostram que, em 2010, mais de 400 incubadoras de empresas estavam em atividade no país.

6. Evolução da legislação em prol das PME’s: Lei da Inovação, instituição do Simples, a

Lei Geral da Micro e Pequena Empresa, o Programa Empreendedor Individual.

7. Repercussão na mídia nacional da semana anual do empreendedorismo mundial,

com eventos, workshops, seminários e discussões sobre os resultados anuais da pesquisa GEM (Global Entrepreneurship Monitor – projeto formado por um grupo de pesquisadores com o objetivo de medir a atividade empreendedora dos países e observar seu relacionamento com o crescimento econômico) e com debates sobre as estratégicas para o futuro do empreendedorismo brasileiro.

8. Os diversos cursos e programas desenvolvidos nas universidades brasileiras para o ensino do empreendedorismo e criação de negócios, o que levou a uma consolidação da primeira fase do empreendedorismo universitário do país (a fase da disseminação); e o desenvolvimento do ensino de empreendedorismo na educação fundamental, no ensino médio e em cursos técnicos.

9. Mais recentemente, várias escolas estão estruturando programas não só de criação de novos negócios, mas também focados em empreendedorismo social e empreendedorismo corporativo. Existem ainda programas específicos sendo criados por escolas de administração de empresas e de tecnologia para formação de empreendedores, incluindo cursos de MBA (Master of Business Administration), e também cursos de curta e média duração, bem como programas a distância (EAD).

10. Aumento do número de professores universitários com títulos de mestre e doutor

em temas relacionados ao empreendedorismo e ainda com dedicação ao ensino de empreendedorismo. Um exemplo é a crescente demanda pelos workshops regionais que têm sido realizados pela Empreende e Campus-Elsevier destinados à capacitação de professores de empreendedorismo em todo o país.

11. Aumento da quantidade de entidades de apoio ao desenvolvimento do empreendedorismo no Brasil: além das mais presentes e conhecidas (Sebrae, Anprotec, Endeavor), há várias ONGs, institutos e empresas em todo o país destinando recursos e apoio institucional a projetos e programas de desenvolvimento do empreendedorismo em várias regiões do país.

12. A ênfase do Governo Federal no apoio à micro e pequena empresa, considerando

inclusive a criação de um ministério ou secretaria com foco na pequena empresa.

13. A consolidação de programas de apoio à criação de novos negócios com recursos

de subvenção econômica, bolsas, investimentos para empresas iniciantes inovadoras, provenientes de entidades governamentais de apoio à inovação e ao

empreendedorismo, tais como Finep, fundações de amparo à pesquisa, CNPq, BNDES, entre outros.

14.

Aumento da quantidade de brasileiros adultos criando negócios, o que denota

melhoria do cenário econômico, possibilitando maior quantidade de oportunidades de negócios, principalmente para empreendedores das classes sociais C e D.

15. Aumento da quantidade de milionários e bilionários brasileiros, o que representa o

sucesso financeiro destes brasileiros, na maioria dos casos tendo a atividade empreendedora como base para esse resultado.

16. O interesse dos fundos de capital de risco e private equity mundiais em empresas

brasileiras. Em 2010 o Brasil ocupou uma posição inferior apenas em relação à China quanto a investimentos internacionais deste tipo no mundo.

17. O maior interesse dos brasileiros e também de investidores estrangeiros na

Bovespa, a bolsa de valores brasileira, com o aumento do número de ofertas públicas iniciais (IPO) e do número de investidores individuais.

18. A constatação de que a palavra “empreendedorismo” já não é mais um substantivo

difícil de pronunciar e é conhecida em todo o país.

19. A constatação de que o “planejamento” já faz parte da agenda do empreendedor

iniciante, que reconhece a importância de se planejar o negócio antes de colocar suas

ideias em prática (mas ainda há muito o que fazer neste quesito, pois, apesar de os empreendedores reconhecerem a necessidade, muitos nem sempre planejam)

20. O crescente movimento das franquias no Brasil também pode ser considerado um

exemplo de desenvolvimento do empreendedorismo nacional. Segundo a Associação Brasileira de Franchising, em 2010 havia 1.855 redes de franquias constituídas no país, com mais de 86 mil unidades franqueadas, o que correspondeu a praticamente R$ 76 bilhões de faturamento consolidado do setor.

Esse novo momento começou a ser moldado a partir da constatação da importância do país na visão de alguns atores envolvidos com o movimento do empreendedorismo no mundo e, principalmente, no Brasil, após a leitura do resultado do primeiro relatório executivo do Global Entrepreneurship Monitor (GEM, 2000). Naquela ocasião o Brasil apareceu como o país que possuía a melhor relação entre o número de habitantes adultos que começam um negócio e o total dessa população:

um em cada oito adultos. Como se sabe, este estudo tem sido realizado anualmente e

no gráfico apresentado anteriormente o Brasil aparece em 2010 na décima posição, com um índice de criação de empresas (TEA) de 17,5 no momento da pesquisa, ou seja, em cada cem pessoas, aproximadamente 18 pessoas desenvolviam alguma atividade empreendedora, correspondendo a mais de 21,1 milhões de pessoas envolvidas em novos negócios.

A criação de empresas por si só não leva ao desenvolvimento econômico, a não ser que esses negócios estejam focando oportunidades no mercado. Isso passou a ficar claro a partir do estudo anual do GEM, do qual originaram-se duas definições de empreendedorismo.

A primeira seria o empreendedorismo de oportunidade, em que o empreendedor visionário sabe onde quer chegar, cria uma empresa com planejamento prévio, tem em mente o crescimento que quer buscar para a empresa e visa à geração de lucros, empregos e riqueza. Está totalmente ligado ao desenvolvimento econômico, com forte correlação entre os dois fatores. A segunda definição seria o empreendedorismo de necessidade, em que o candidato a empreendedor se aventura na jornada empreendedora mais por falta de opção, por estar desempregado e não ter alternativas de trabalho. Nesse caso, esses negócios costumam ser criados informalmente, não são planejados de forma adequada e muitos fracassam bastante rápido, não gerando desenvolvimento econômico e agravando as estatísticas de criação e mortalidade dos negócios. Esse tipo de empreendedorismo é mais comum em países em desenvolvimento, como ocorre com o Brasil, e também influencia na atividade empreendedora total desses países.

Assim, não basta o país estar ranqueado nas primeiras posições do GEM. O que o país precisa buscar é a otimização do seu empreendedorismo de oportunidade. No Brasil, até 2002, o índice de empreendedorismo de oportunidade era inferior ao índice de empreendedorismo de necessidade, mas nos últimos anos tem-se percebido uma melhora e até reversão desta tendência. Como exemplo, em 2010, para cada empreendedor de necessidade havia 2,1 empreendedores de oportunidade no Brasil, ou seja, mais de 68% dos empreendedores no país empreendiam por oportunidade. Espera-se que para os próximos anos cada vez mais empreendedores focados em oportunidades surjam, promovendo o desenvolvimento do país.

1.2.2.

Características do Comportamento Empreendedor

Os empreendedores são pessoas diferenciadas, que possuem motivação singular, apaixonadas pelo que fazem, não se contentam em ser mais um na multidão, querem ser reconhecidas e admiradas, referenciadas e imitadas, querem deixar um legado. Uma vez que os empreendedores estão revolucionando o mundo, seu comportamento e o próprio processo empreendedor devem ser estudados e entendidos. As características de um comportamento empreendedor:

São visionários - Eles têm a visão de como será o futuro para seu negócio e sua vida, e o mais importante: eles têm a habilidade de implementar seus sonhos.

Sabem tomar Decisões - Eles não se sentem inseguros, sabem tomar as decisões corretas na hora certa, principalmente nos momentos de adversidade, sendo isso um fator-chave para o seu sucesso. E mais: além de tomar decisões, implementam suas ações rapidamente.

São indivíduos que fazem a diferença - Os empreendedores transformam algo de difícil definição, uma ideia abstrata, em algo concreto, que funciona, transformando o que é possível em realidade (Kao, 1989; Kets de Vries, 1997). Sabem agregar valor aos serviços e produtos que colocam no mercado.

Sabem explorar ao máximo as oportunidades - Para a maioria das pessoas, as boas ideias são daqueles que as vêem primeiro, por sorte ou acaso. Para os visionários (os empreendedores), as boas ideias são geradas daquilo que todos conseguem ver, mas não identificaram algo prático para transformá-las em oportunidade, por meio de dados e informação.

São determinados e dinâmicos - Eles implementam suas ações com total comprometimento. Atropelam as adversidades, ultrapassando os obstáculos, com uma vontade ímpar de “fazer acontecer”. Mantêm-se sempre dinâmicos e cultivam um certo inconformismo diante da rotina.

São dedicados - Eles se dedicam 24h por dia, 7 dias por semana, ao seu negócio. Comprometem o relacionamento com amigos, com a família, e até mesmo com a própria saúde. São trabalhadores exemplares, encontrando energia para continuar, mesmo quando encontram problemas pela frente. São incansáveis e loucos pelo trabalho.

São otimistas e apaixonados pelo que fazem - Eles adoram o trabalho que realizam. E é esse amor ao que fazem o principal combustível que os mantém cada vez mais animados e autodeterminados, tornando-os os melhores vendedores de seus produtos e serviços, pois sabem, como ninguém, como fazê-lo. O otimismo faz com que sempre enxerguem o sucesso, em vez de imaginar o fracasso.

São independentes e constroem o próprio destino - Eles querem estar à frente das mudanças e ser donos do próprio destino. Querem ser independentes, em vez de empregados; querem criar algo novo e determinar os próprios passos, abrir os próprios caminhos, ser o próprio patrão e gerar empregos.

Ficam ricos - Ficar rico não é o principal objetivo dos empreendedores. Eles acreditam que o dinheiro é consequência do sucesso dos negócios.

São líderes e formadores de equipes - Os empreendedores têm um senso de liderança incomum. E são respeitados e adorados por seus funcionários, pois sabem valorizá-los, estimulá-los e recompensá-los, formando um time em torno de si.

São bem relacionados (networking) - Sabem que, para obter êxito e sucesso, dependem de uma equipe de profissionais competentes. Sabem ainda recrutar as melhores cabeças para assessorá-los nos campos onde não detêm o melhor conhecimento.

São organizados - Os empreendedores sabem construir uma rede de contatos que os auxiliam no ambiente externo da empresa, junto a clientes, fornecedores e entidades de classe.

Planejam, Planejam, Planejam - Os empreendedores sabem obter e alocar os recursos materiais, humanos, tecnológicos e financeiros, de forma racional, procurando o melhor desempenho para o negócio.

Possuem Conhecimento - Os empreendedores de sucesso planejam cada passo de seu negócio, desde o primeiro rascunho do plano de negócios até a apresentação do plano a investidores, definição das estratégias de marketing do negócio etc., sempre tendo como base a forte visão de negócio que possuem. São sedentos pelo saber e aprendem continuamente, pois sabem que quanto maior o domínio sobre um ramo de negócio, maior é sua chance de êxito. Esse conhecimento pode vir da experiência prática, de informações obtidas em publicações especializadas, em cursos, ou mesmo de conselhos de pessoas que montaram empreendimentos semelhantes.

Assumem riscos Calculados - Talvez essa seja a característica mais conhecida dos empreendedores. Mas o verdadeiro empreendedor é aquele que assume riscos calculados e sabe gerenciar o risco, avaliando as reais chances de sucesso. Assumir riscos tem relação com desafios. E para o empreendedor, quanto maior o desafio, mais estimulante será a jornada empreendedora.

Criam valor para a Sociedade - Os empreendedores utilizam seu capital intelectual para criar valor para a sociedade, com a geração de empregos, dinamizando a economia e inovando, sempre usando sua criatividade em busca de soluções para melhorar a vida das pessoas.

Aqui cabe uma breve análise das diferenças e similaridades entre administradores e empreendedores, pois muito se discute a respeito desse assunto. Todo empreendedor necessariamente deve ser um bom administrador para obter o sucesso, no entanto, nem todo bom administrador é um empreendedor. O empreendedor tem algo mais, algumas características e atitudes que o diferenciam do administrador tradicional. Mas para entender quais são estas características adicionais é preciso entender o que faz o administrador. Ou seja, o empreendedor é um administrador, mas com diferenças consideráveis em relação aos gerentes ou

executivos de organizações tradicionais, pois os empreendedores são mais visionários que os gerentes.

Dutra (2001) acrescenta ainda que o empreendedor é o indivíduo visionário, que aproveita oportunidades, que possui comportamentos como: iniciativa, criatividade, persistência, comprometimento, mas, não necessariamente, está atuando ou criando o próprio negócio, podendo utilizar sua capacidade, habilidades e conhecimentos para um negócio que não é próprio.

É interessante notar que o empreendedor de sucesso tem ainda uma

característica singular, que é o fato de conhecer como poucos o negócio em que atua,

o que requer tempo e experiência. Talvez esse seja um dos motivos que levam à

falência empresas criadas por jovens entusiasmados, mas sem o devido preparo.

Outro fator que diferencia o empreendedor de sucesso do administrador comum é o constante planejamento a partir de uma visão de futuro. Esse talvez seja o grande paradoxo a ser analisado já que o ato de planejar é considerado uma das funções básicas do administrador desde os tempos de Fayol, como já foi abordado na visão processual das atividades do administrador.

Então, não seria o empreendedor aquele que assume as funções, os papéis e

as atividades do administrador de forma complementar a ponto de saber utilizá-los no

momento adequado para atingir seus objetivos? Nesse caso, o empreendedor estaria sendo um administrador completo, que incorpora as várias abordagens existentes sem se restringir a apenas uma delas e interage com seu ambiente para tomar as melhores decisões.

É interessante ainda destacar alguns mitos sobre os empreendedores:

Mito 1: Empreendedores são natos, nascem para o sucesso.

Realidade: Enquanto a maioria dos empreendedores nasce com certo nível de inteligência, empreendedores de sucesso acumulam habilidades relevantes, experiências e contatos com o passar dos anos. A capacidade de ter visão e perseguir oportunidades aprimora-se com o tempo.

Mito 2: Empreendedores são “jogadores” que assumem riscos altíssimos.

Realidade:

Tomam

riscos

calculados;

Evitam

riscos

desnecessários;

Compartilham o risco com outros; Dividem o risco em “partes menores”.

Mito 3: Os empreendedores são “lobos solitários” e não conseguem trabalhar em equipe

Realidade: São ótimos líderes; Criam times/equipes; Desenvolvem excelente relacionamento no trabalho com colegas, parceiros, clientes, fornecedores e muitos outros.

Outro

questionamento

empreendedorismo?

que

vem

à

tona

é:

É

possível

ensinar

Até alguns anos atrás, acreditava-se que o empreendedorismo era inato, que

o empreendedor nascia com um diferencial e era predestinado ao sucesso nos

negócios. Pessoas sem essas características eram desencorajadas a empreender. Como

já se viu, isto é um mito. Os empreendedores inatos continuam existindo, e continuam

sendo referências de sucesso, mas muitos outros podem ser capacitados para a criação

de empresas duradouras.

As habilidades requeridas de um empreendedor podem ser classificadas em três áreas: técnicas, gerenciais e características pessoais. As habilidades técnicas envolvem saber escrever, saber ouvir as pessoas e captar informações, ser um bom orador, ser organizado, saber liderar e trabalhar em equipe e possuir know-how técnico na sua área de atuação. As habilidades gerenciais incluem as áreas envolvidas na criação, desenvolvimento e gerenciamento de uma nova empresa: marketing, administração, finanças, operacional, produção, tomada de decisão, controle das ações da empresa e ser um bom negociador. Algumas características pessoais também: ser disciplinado, assumir riscos, ser inovador, ser orientado a mudanças, ser persistente e ser um líder visionário.

1.2.3. O Processo Empreendedor

O processo empreendedor pode ser dividido em fases: 1. Identificar e avaliar

a oportunidade; 2. Desenvolver o plano de negócios; 3. Determinar e captar os

recursos necessários; e 4. Gerenciar a empresa criada, conforme demonstrada na figura a seguir:

Fonte: DORNELAS(2011, pág 33) Embora as fases sejam apresentadas de forma sequencial, nenhuma delas precisa

Fonte: DORNELAS(2011, pág 33)

Embora as fases sejam apresentadas de forma sequencial, nenhuma delas precisa ser completamente concluída para que se inicie a seguinte. Por exemplo, ao se identificar e avaliar uma oportunidade (fase 1), o empreendedor deve ter em mente o tipo de negócio que deseja criar (fase 4).

Identificar e avaliar uma oportunidade é a parte mais difícil. Aí entra o talento, o conhecimento, a percepção e o feeling do empreendedor. A segunda fase do processo empreendedor — desenvolver o plano de negócios — talvez seja a que mais dê trabalho para os empreendedores de primeira viagem. Ela envolve vários conceitos que devem ser entendidos e expressos de forma escrita, em poucas páginas, dando forma a um documento que sintetiza toda a essência da empresa, sua estratégia de negócio, seu mercado e competidores, como vai gerar receitas e crescer etc.

Determinar os recursos necessários é consequência do que foi feito e planejado no plano de negócios. Já a captação dos recursos pode ser feita de várias formas e por meio de várias fontes distintas: bancos, economias pessoais, à família, amigos, etc.

Gerenciar a empresa parece ser a parte mais fácil, pois as outras já foram feitas. Mas não é bem assim. Cada fase do processo empreendedor tem seus desafios e aprendizados. Às vezes, o empreendedor identifica uma excelente oportunidade, elabora um bom plano de negócios e “vende” a sua ideia para investidores que acreditam nela e concordam em financiar o novo empreendimento. Quando é hora de

colocar as ações em prática, começam a surgir os problemas. Os clientes não aceitam tão bem o produto, surge um concorrente forte, um funcionário-chave pede demissão, uma máquina quebra e não existe outra para repor, enfim, problemas vão existir e precisarão ser solucionados. Aí é que entra o estilo de gestão do empreendedor na prática, que deve reconhecer suas limitações e saber, antes de qualquer coisa, recrutar uma excelente equipe de profissionais para ajudá-lo a gerenciar a empresa, implementando ações que visem a minimizar os problemas, e identificando o que é prioridade e o que é crítico para o sucesso do empreendimento.

Então, o processo empreendedor envolve todas as funções, atividades e ações associadas com a criação de novas empresas. Em primeiro lugar, o empreendedorismo envolve o processo de geração de algo novo, de valor. Em segundo, requer a devoção, o comprometimento de tempo e o esforço necessário para fazer a empresa crescer. E em terceiro, que riscos calculados sejam assumidos e decisões críticas tomadas; é preciso ousadia e ânimo apesar de falhas e erros.

1.3. A INFORMÁTICA E AS INOVAÇÕES TECNOLÓGICAS

A informática proporciona às PME’s inúmeras facilidades, que vão desde o

lançamento e processamento das informações até a geração dos relatórios que podem ser produzidos pelo sistema. Além dessas facilidades, podem-se associar outros fatores, como segurança, confiabilidade e rapidez nas informações prestadas. Alguns procedimentos são necessários para que os resultados da informática aplicada à administração sejam plenamente favoráveis à empresa e aos profissionais que atuam na área, visto que a este deve ser o objetivo principal de quem busca melhorar suas condições de trabalho, por meio da informatização.

As PME’s ainda estão em fase de descoberta da informática. Algumas já informatizaram determinadas áreas, a exemplo das áreas comercial e administrativa, com a utilização de sistemas simplificados, usando muito pouco os recursos potenciais de equipamentos e softwares.

A maior dificuldade dessas empresas tem sido enfrentar as mudanças de

procedimentos, ou seja, sair do sistema convencional, estruturado no uso de máquinas

de escrever e de calcular, e entrar no sistema informatizado operando o computador para desenvolver suas atividades.

A maioria das pequenas e médias empresas pouco investiu ou investe em sua organização administrativa, preferindo se preocupar mais com os aspectos comerciais do que organizacionais. Essa tem sido uma cultura antiga dos pequenos e médios empresários, fortalecida pela pouca ou nenhuma exigência do governo, para que eles adotem procedimentos organizados. Isso, de certa forma, favorece sua operacionalização prática, muito embora seja motivo de alguns insucessos em muitas delas. É recomendável que se valorize a organização como forma de manter um controle mínimo da situação da empresa.

As dificuldades ou restrições para a adoção e a implantação dos sistemas informatizados podem ocorrer em função dos seguintes fatores:

insegurança ou falta de informação dos empresários quanto aos benefícios resultantes da informatização da empresa;

dificuldades de reestruturação das áreas carentes de informatização com a alocação de pessoal e equipamentos necessários;

receio de investir no desconhecido, visto que não existe cultura disseminada entre os empresários sobre a utilidade do computador na empresa;

dificuldades financeiras, uma vez que, para algumas empresas, o custo com a informatização pode ser significativo;

receio de ficar dependente de pessoal qualificado para alimentar as informações e operar os diversos sistemas informatizados.

Algumas empresas chegaram a investir em equipamentos, mas não foram devidamente orientadas quanto à configuração adequada deles, resultando em futuras dificuldades quando da utilização de aplicativos mais atualizados.

As empresas muito pequenas (microempresas) podem optar por sistemas mais simples, com programas específicos para serem utilizados naquilo que realmente lhes seja útil e prioritário, e que possam atender à suas necessidades sem

complicações maiores. Existem sistemas simplificados que realizam tarefas importantes, como o controle das disponibilidades (caixa e bancos), controle das contas a pagar (obrigações da empresa), controle das contas a receber (créditos ou direitos da empresa), controle de estoque, controle do imobilizado, escrituração do livro caixa, escrituração fiscal, elaboração do fluxo de caixa etc.

Não

bastando

equipamentos.

apenas

necessidade

da

criação

que elas

disponham

de

de

núcleos

de

área

adequada

informática

para

a

nas

instalação

PME’s,

dos

Em relação à atualização tecnológica das PME’s, seus esforços estão condicionados pelas características da atividade inovadora destas empresas. A capacidade inovadora das PME’s depende de vários fatores, relacionados à organização do setor e ao sistema de inovações no qual elas se encontram. Normalmente as empresas menores têm atividades diversificadas e estruturas flexíveis que favorecem respostas rápidas a mudanças no mercado. Além disso, estas empresas podem operar em nichos que apresentam uma alta taxa de inovação. Finalmente, o ambiente das empresas pequenas induz a uma maior motivação dos empregados em desenvolver a produtividade e a competitividade através de inovações.

Entretanto, as pequenas empresas não têm necessariamente um potencial

inovador maior do que as grandes, pois têm menor acesso a informações tecnológicas,

e portanto podem ser menos propensas à inovação. Além disso, a atividade inovadora envolve um risco para as empresas que frequentemente as inibe.

Como as empresas menores têm maiores dificuldades de obtenção de crédito, para elas o risco da atividade inovadora pode ser relativamente mais elevado. Cabe observar também que as PME’s podem não ter consciência dos possíveis ganhos de competitividade trazidos pelas inovações. A maioria destas empresas gera ou adota inovações apenas quando elas percebem claramente as oportunidades de negócio ligadas à inovação ou então porque estão sob pressão de clientes, fornecedores ou do governo. Isto ocorre devido às especificidades do processo de aprendizado tecnológico das PME’s onde a busca e seleção de informações é afetada por limitações de tempo e de recursos humanos. Por causa disso, nem sempre estas empresas adotam inovações,

o que limita a obtenção de ganhos de competitividade.

EXERCÍCIOS DE FIXAÇÃO

1-Você aprendeu que os empreendedores de sucesso possuem características de comportamento que fazem a diferença no mundo dos negócios. Cite três delas e explique o significado de cada uma.

2- Você aprendeu a importância dos pequenos negócios para o país, destaque três pontos que você considera de maior relevância no papel das PME’S para a economia.

3 - O que é empreendedorismo? O que é ser empreendedor? Dê um exemplo de um

empreendedor que você conhece. Por que você considera essa pessoa empreendedora? Das características do empreendedor listadas no texto, quais essa pessoa possui?

4

- A principal motivação de um empreendedor para iniciar um negócio é:

a)

ganhar dinheiro;

b)

ser famoso (status);

c)

segurança;

d)

ser independente;

e)

ter poder.

5

- Para ser um empreendedor de sucesso, você precisa de:

a)

dinheiro;

b)

muito trabalho;

c)

sorte;

d)

uma boa ideia;

e)

todas as anteriores.

6

- Os empreendedores são melhores como:

a)

gerentes;

b)

capitalistas de risco;

c)

administradores;

d)

fazedores.

7

- Os empreendedores:

a)

assumem altos riscos;

b)

não assumem riscos;

c)

assumem riscos calculados;

d)

não se preocupam com riscos.

8

- Os empreendedores são apaixonados por:

a)

novas ideias;

b)

novos empregados;

c)

novos conceitos administrativos;

d)

novos produtos;

e)

todas as anteriores.

9

- Os empreendedores geralmente criam:

a)

novas empresas de serviços;

b)

novas empresas de manufatura;

c)

novas empresas de construção;

d)

novas empresas de tecnologia;

e)

mais de uma empresa.

10

- Assinale a alternativa falsa em relação ao aprendizado do empreendedor:

a)

Ele deve buscá-lo constantemente

b)

O empresário deve buscar o conhecimento apenas após a abertura da empresa

c)

Impacta diretamente no desenvolvimento de habilidades

d)

Pode auxiliar a inovação

e)

Está relacionado à melhoria dos processos

11

- Assinale a alternativa verdadeira:

a)

A missão da empresa não pode ser questionada, ela deve ser seguida e preservada

b)

Os subordinados não devem auxiliar no questionamento à missão da empresa, pois

compete apenas aos altos gestores

c) Um empreendedor de uma indústria necessita saber produzir uma peça

d) O empreendedor deve conhecer bem aspectos como: os fornecedores, o mercado,

os clientes, os concorrentes e a missão e o negócio da empresa

e) O empreendedor não deve tomar decisões.

12 - Assinale a alternativa verdadeira:

a) O contador não deve conhecer o Planejamento Tributário da empresa

b) As barreiras para vender em mercados distantes são cada vez maiores

c) Com os mercados globais aumentam as oportunidades em mercados distantes, mas,

também, aumenta a competitividade e complexidade do negócio

d)

Os empreendedores não podem estar abertos a novas ideias e novos produtos, pois

o

fundamental, sempre, é melhorar os produtos e serviços existentes

e)

É fácil mensurar os riscos de um negócio ou de um empreendimento, basta estudar

o

investimento e as suas variáveis

CARACTERIZAÇÃO DAS MICROEMPRESAS

OBJETIVOS ESPECÍFICOS DE APRENDIZAGEM

MÓDULO II

Caro aluno, ao finalizar esta Unidade, você deverá ser capaz de:

Conhecer sob vários aspectos as definições aplicadas para as Microempresas;

Compreender os tipos de Empresas;

Classificar as microempresas de acordo com o faturamento e o número de empregados;

2. DEFINIÇÕES DE MICRO, PEQUENAS E MÉDIAS EMPRESAS

Há várias definições para as PME’s que estão associadas às classificações das

empresas quanto ao porte. A seguir, serão apresentadas as mais relevantes.

2.1. CLASSIFICAÇÃO, SEGUNDO A LEI COMPLEMENTAR N º 123/2006

A Lei complementar n º 123/2006, de 14 de dezembro de 2006, que instituiu o

Estatuto Nacional da Microempresa e da Empresa de Pequeno Porte definiu-a assim:

“Art. 3° Para os efeitos desta Lei Complementar, consideram - se microempresas

ou empresas de pequeno porte, a sociedade empresária, a sociedade simples e o

empresário a que se refere o art. 966 da Lei n° 10.406, de 10 de janeiro de 2002,

devidamente registrados no Registro de Empresas Mercantis ou no Registro Civil de

Pessoas Jurídicas, conforme o caso, desde que:

I - no caso das microempresas, o empresário, a pessoa jurídica, ou a ela

equiparada, aufira, em cada ano-calendário, receita bruta igual ou inferior a R$

360.000,00 (trezentos e sessenta mil reais);

II - no caso das empresas de pequeno porte, o empresário, a pessoa jurí-

dica, ou a ela equiparada, aufira, em cada ano-calendário, receita bruta

superior a R$ 360.000,00 (trezentos e sessenta mil reais) e igual ou inferior

a R$ 3.600.000,00 (três milhões e seiscentos mil reais)."

Portanto, conforme a legislação, a classificação é da seguinte forma:

Tabela 1: Classificação das micro e pequenas empresas de acordo com o faturamento anual.

Simples Nacional

Faturamento Anual

Porte

Microempresas

Até R$ 360 mil

Empresas de Pequeno Porte

Acima de R$ 360 mil até R$ 3,6 milhões

Fonte: Simples Nacional, Lei Complementar Federal nº 123, de 14/12/2006 – atualizada pela LC 139/2011.

2.2.

CLASSIFICAÇÃO SEGUNDO O COMITÊ DE PRONUNCIAMENTOS CONTÁBEIS

 

O

Pronunciamento

Técnico

PME

-

Contabilidade

para

Pequenas

e

Médias

Empresas,

que

aprovou

a

NBC

T

19.41

-

norma

que

se

destina à utilização por pequenas e médias empresas afirmam que:

Esta norma afirma que:

Pequenas e médias empresas são empresas que:

(a)

Não têm obrigação pública de prestação de contas; e

(b)

Elaboram demonstrações contábeis para fins gerais para usuários ex-

ternos.

Uma empresa tem obrigação pública de prestação de contas se:

(a)

Seus instrumentos de dívida ou patrimoniais são negociados em mer-

cado de ações ou estiverem no processo de emissão de tais instrumentos

para negociação em mercado aberto (em bolsa de valores nacional ou estrangeira ou em mercado de balcão, incluindo mercados locais ou re- gionais); ou

(b) Possuir ativos em condição fiduciária perante um grupo amplo de

terceiros como um de seus principais negócios.

2.3. CLASSIFICAÇÃO DE ACORDO COM O NÚMERO DE EMPREGADOS

Conforme o número de empregados, as empresas podem se classificar da seguinte forma:

Tabela 2: Classificação das micro e pequenas empresas de acordo com o número de empregados

Porte/Setor

Indústria

Comércio e Serviços

Microempresas

Até 19

Até 9 empregados

Empresas de Pequeno Porte

De 20 a 99

De 10 a 49

Médias

De 100 a 499

De 50 a 99

Grandes

500 ou mais

100 ou mais

Fonte: Bedê (2006).

2.4.

CLASSIFICAÇÃO CONFORME O MERCOSUL

O Mercosul, conforme a Resolução nº 59/98, define que os parâmetros

podem ser quantitativos e qualitativos. Em relação aos aspectos quantitativos, destaca

que há dois critérios que podem ser empregados: pessoal empregado e o nível de

faturamento. Para os fins da classificação, prevalecerá o nível de faturamento; o

número de pessoas ocupadas será adotado como referência.

Portanto, as micro e pequenas empresas, segundo o pessoal empregado e

faturamento, classificam-se conforme demonstrado na Tabela 3:

Tabela 3: Classificação das micro e pequenas empresas segundo o faturamento bruto anual.

Porte

Atividade

Pessoal

Ocupado 1 a 5 pessoas

Exportações

Microempresas

Comércio e Serviços

Até US$ 200 mil

Indústria

1 a 10 pessoas

Até US$ 400 mil

Empresas de

Pequeno Porte

Comércio e Serviços

6 a 30 pessoas

Acima de US$ 200 mil até US$

1,5 milhão Acima de US$ 400 mil até US$

3,5 milhões

Indústria

11 a 40 pessoas

Fonte:MERCOSUL.Resoluçãon s 59/98.

A Resolução nº 59/98 afirma que, em relação ao aspecto qualitativo, as micro

e pequenas empresas não deverão estar controladas por outra empresa ou pertencer

a um grupo econômico que em seu conjunto supere os valores estabelecidos.

Portanto, se a empresa tiver um porte pequeno em relação aos aspectos

quantitativos, mas for controlada por outra ou pertencer a um grupo, ela não é

considerada micro ou pequena.

2.5. SOCIEDADES DE GRANDE PORTE

Pode - se sintetizar algumas características das pequenas empresas de forma

comparativa às das grandes empresas, como se demonstra na tabela abaixo:

Característica

Grandes Empresas

Pequenas Empresas

Adaptabilidade

Pequena

Grande

Administração

Profissional

Pessoal ou Familiar

Decisão

Centralizada

Descentralizada

Estrutura

Organizada

Informal

Flexibilidade

Pequena

Grande

Forma Jurídica

Sociedade Anônima

Limitada

Idade Média

Alta

Pequena

Níveis Hierárquicos

Muito

Poucos

N° de Funcionários

Muitos

Poucos

N° de Produtos

Grande

Pequeno

Recursos Financeiros

Abundante

Escassos

Sistema de Informação

Complexos, formalizados e informatizados

Simples, informais e manuais

Utilização de Tecnologia

Alta

Baixa (Artesanal)

Fonte: adaptado KASSAI (1997, p. 5)

A lei nº 11.638/07 que promoveu algumas alterações na Contabilidade

Tradicional no intuito de seguir a tendência de internacionalização das Normas

Brasileiras de Contabilidade. Por exemplo, estendeu, no que coube, às Sociedades de

Grande Porte a obrigação de elaborar os demonstrativos contábeis conforme as atuais

práticas adotadas no Brasil, bem como sujeitar-se à auditoria independente por

auditor registrado na Comissão de Valores Mobiliários.

Neste contexto, acabou definindo a terminologia - Sociedades de Grande

Porte - no parágrafo único do artigo 3º:

Considera-se de grande porte, para fins exclusivos desta Lei, a

sociedade ou conjunto de sociedades sob controle comum que

tiver, no exercício social anterior, ativo superior a R$

240.000.000,00 (duzentos e quarenta milhões de reais) ou receita

bruta anual superior a R$ 300.000.000,00 (trezentos milhões de

reais).

Note que para essa lei todas as demais empresas que não atendem a estes requisitos não são de grande porte, consequentemente, são de médio ou pequeno porte (PME’s). Mas afinal, diante dessas classificações apresentadas, qual o critério será utilizado para identificarmos as PME’s até o final deste material?

O critério a ser utilizado neste material é o da Lei nº123/2006, isto é, o do valor do faturamento. Assim toda vez que se mencionar a sigla PME’s (Pequenas e Médias Empresas), idealizem empresas com faturamento de até 3,6 milhões anuais, independente da atividade da empresa. O propósito é abranger as empresas com atividades administrativas e contábeis menos complexas, objetivo macro desta disciplina.

2.6. TIPOS DE EMPRESA

No plano jurídico, existe uma ampla gama de possíveis estruturas para as empresas menores. Nessa configuração, restringimos nossa atenção às formas mais usadas atualmente pelas pequenas empresas. Antes mesmo de estabelecer a lógica do negócio, uma etapa também relevante será conceber que tipo de formato jurídico que a nova firma assumirá. Os tipos de empresa mais comuns são:

a) Firma individual: neste caso, como o próprio nome diz, não terá sócio e a empresa levará o seu nome. Exemplo: Mario da Silva Neves abre uma padaria. Pode abrir com o nome: "M da S Neves Padaria" ou "Mario da Silva Neves Padaria". Os custos envolvidos na constituição de uma firma individual são muito baixos, sendo a forma mais simples e barata de começar uma microempresa. As características básicas apontadas para este formato jurídico referem: (1) um único dono; (2) a integralidade do patrimônio líquido a ele pertence; (3) o proprietário não precisa dividir os lucros; (4) o controle dos negócios é absoluto; (5) o proprietário se livra da interferência de sócios. Quanto as desvantagens, a responsabilidade pessoal implica que os proprietários não só podem perder todo o seu investimento, como também podem perder a maioria de seu patrimônio pessoal. Resumidamente, o proprietário individual recebe todos os lucros, porém, assume todas as perdas, arca com todos os riscos e paga todas as dívidas da empresa.

b) Sociedade por quotas de responsabilidade limitada: se optar por este tipo de empresa, todos os sócios respondem solidariamente pela totalidade do capital social e a responsabilidade de cada sócio é restrita ao valor de suas quotas. À denominação social, deve seguir-se a palavra limitada ou Ltda., pois, caso contrário, a responsabilidade é ilimitada. Exemplo: "Padaria Neves Ltda.".

c) Sociedade em nome coletivo: constituída "sob razão social" identificada pelos nomes dos sócios, como, por exemplo: "Santos e Cia.". A responsabilidade dos sócios é também solidária e ilimitada.

EXERCÍCIOS DE FIXAÇÃO

1 - Leia as afirmações a seguir e assinale a alternativa correspondente:

I. Segundo o Simples Nacional, ou seja, a Lei Complementar 123/2006, microempresas não podem faturar mais de R$ 360.000,00 ao ano. II. Conforme a NBC T 19.41, as pequenas e médias empresas são empresas que não têm obrigação pública de prestação de contas.

III. Para classificar as empresas quanto ao porte existe apenas a classificação do Simples Nacional.

a)

As duas primeiras afirmações são verdadeiras

b)

Apenas a primeira afirmação é verdadeira

c)

Todas as afirmações são verdadeiras

d)

Nenhuma afirmação é verdadeira

e)

Apenas a segunda afirmação é verdadeira

2

- Assinale a alternativa verdadeira:

a)

Uma empresa tem obrigação pública de prestar contas se for de pequeno porte;

b)

As empresas que têm instrumentos de dívida ou patrimoniais negociados em mercado

de ações (bolsa) têm obrigação pública de prestar contas;

c)

Nenhuma empresa tem obrigação pública de prestar contas;

d)

Apenas as empresas de médio porte devem prestar contas publicamente;

e)

Todas as empresas têm obrigação pública de prestar contas;

3

- Em relação à questão tributária no Brasil é possível afirmar que:

a)

Atualmente não há grandes desafios para os pequenos empresários;

b) Como as empresas cresceram, o governo não se preocupa mais com o controle das informações;

c) As mudanças são grandes, sendo que o governo melhora as suas informações para

acompanhamento e controle;

d)

O governo não busca cruzar dados, pois seus controles não permitem;

e)

As pequenas empresas não devem se preocupar com os tributos.

4

- Assinale a alternativa verdadeira:

a)

A competitividade não atinge as micro e pequenas empresas;

b) Pequenas empresas não devem se preocupar com a harmonização contábil internacional;

c) Um desafio para as microempresas é a baixa carga tributária do país;

d) Há muitos desafios para as empresas, entre eles, a competitividade;

e) Nenhuma das alternativas anteriores é verdadeira.

5 - Assinale a alternativa falsa:

a) As micro, pequenas e médias empresas são muito relevantes para a sociedade;

b) Muitas empresas encerram suas atividades por vários motivos, inclusive a falta de uma

gestão gerencial adequada;

c) As mudanças na área contábil e no mercado afetam as micro, pequenas e médias

empresas;

d) A competitividade e a harmonização internacional são desafios para todos os

empresários;

e) O Simples Nacional consiste em um sistema tributário diferenciado para as sociedades

anônimas.

MÓDULO III

TRIBUTAÇÃO NAS PEQUENAS E MÉDIAS EMPRESAS

OBJETIVOS ESPECÍFICOS DE APRENDIZAGEM

Caro aluno, ao finalizar esta Unidade, você deverá ser capaz de:

Conhecer as atividades e a alocação das mesmas no regime fiscal;

Compreender as formas e os tipos de enquadramento fiscal nos quais estão sujeitas as pequenas e médias empresas;

Identificar o regime tributário mais vantajoso para a gestão fiscal dos negócios;

e

Desenvolver o hábito de buscar informações e atualizar-se em relação ao seu

negócio;

3.

ENQUADRAMENTO FISCAL – FORMAS DE TRIBUTAÇÃO

Em relação à questão tributária, o que se observa é que o governo federal tem feito várias ações com o objetivo de controlar fraudes, evitando sonegações. Um dos exemplos é a aquisição e o desenvolvimento de diversos sistemas de informação e bancos de dados que estão sendo alimentados por diversas fontes e possibilitando cruzamentos e checagens. Estas formas de inibir a fraude fiscal têm ocasionado reduções dos tributos, como a criação do Simples Nacional, que consiste em um sistema tributário diferenciado para as PME’s. Pode-se afirmar que a criação deste sistema aumentou os controles e a arrecadação, possibilitando as isenções parciais dos tributos, mas ainda consiste em reduções tímidas, considerando as possibilidades do país.

A decisão sobre a forma de tributação das PME’s é algo que pode ser

realizada após a abertura da empresa, porém demanda reflexão sobre os aspectos tributários que envolvem o negócio, a fim de se planejar, levando em consideração a carga tributária a que a empresa estará submetida.

As formas de tributação são:

3.1. MICROEMPREENDEDOR INDIVIDUAL (MEI)

Essa modalidade fiscal é a mais recente criada pelo Governo Federal e tem como principal propósito tirar da informalidade milhares de trabalhadores autônomos que geram renda de seu pequeno negócio, mas que ficam à margem do recolhimento de tributos e também dos benefícios previdenciários. Observe que, para ser MEI, deve-se atender aos seguintes aspectos:

Ser um empreendedor individual, ou seja, um investidor e sem sócios;

Não exceder a receita bruta anual de R$ 36.000,00 por ano;

Não participar de outra empresa;

Ter no máximo um empregado remunerado com um salário-mínimo ou com o piso salarial da categoria profissional.

Observa-se, ainda, que não é para todas as atividades que o governo autoriza a

adesão,

pois

podem

participar

os

profissionais

de

categorias

que

não

são

regulamentadas.

Para

consulta,

acesse

ao

site:

http://www.portaldoempreendedor.gov.br/modulos/entenda/quem.php.

O empreendedor individual terá, entre outros, os benefícios:

o

Isenção dos seguintes tributos federais: Imposto sobre a Renda, PIS, Cofins, IPI e CSLL;

o

Salário-maternidade, auxílio-doença, aposentadoria por invalidez, auxílio- acidente;

o

Pensão por morte, auxílio-reclusão (pagos para a família);

o

Caso opte: aposentadoria por tempo de contribuição;

o

Baixo custo, pois o profissional deverá pagar apenas o valor fixo mensal de R$ 57,10 (comércio ou indústria) ou R$ 62,10 (prestação de serviços);

o

Poder registrar até um empregado, pagando 3% do salário para a Previdência e 8% para o FGTS do salário-mínimo, por mês. O empregado contribui, também, com 8% do seu salário para a Previdência. Observe que não poderá ter mais do que um profissional registrado e o salário deverá ser piso salarial da categoria. No caso de a categoria não estipular, deve ser considerado o mínimo.

3.2. SIMPLES NACIONAL

O Simples Nacional consiste em um regime tributário diferenciado, simplificado,

com benefícios, previsto na Lei Complementar n.º 123, de 14/12/2006, aplicável às

microempresas e às empresas de pequeno porte, desde 1/7/2007.

A empresa sob este regime passa a ser tributada por um percentual único

definido em Lei que varia de acordo com sua faixa de faturamento anual que corresponde aos seguintes tributos:

Imposto sobre a Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ);

Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI);

Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL);

Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (COFINS);

Contribuição para o PIS/Pasep;

Contribuição Patronal Previdenciária (CPP);

Imposto sobre Operações Relativas à Circulação de Mercadorias e Sobre Prestações de Serviços de Transporte Interestadual e Intermunicipal e de Comunicação (ICMS);

Imposto sobre Serviços de Qualquer Natureza (ISSQN).

Os anexos I a IV da referida Lei apresentam as tabelas com os respectivos percentuais de tributos, por atividade econômica (indústria, comércio e serviços), para enquadramento das empresas de acordo com seu faturamento. A seguir, como exemplo, apresenta-se o anexo I que trata das alíquotas do setor de comércio:

ANEXO I DA LEI COMPLEMENTAR Nº123, DE 14 DE DEZEMBRO DE 2006 (vigência: 01/01/2012) (Redação dada pela Lei Complementar nº 139, de 10 de novembro de 2011) Alíquotas e Partilha do Simples Nacional - Comércio

Receita Bruta em 12 meses (em R$)

Alíquota

IRPJ

CSLL

Cofins

PIS/Pasep

CPP

ICMS

Até 180.000,00

4,00%

0,00%

0,00%

0,00%

0,00%

2,75%

1,25%

De 180.000,01 a 360.000,00

5,47%

0,00%

0,00%

0,86%

0,00%

2,75%

1,86%

De 360.000,01 a 540.000,00

6,84%

0,27%

0,31%

0,95%

0,23%

2,75%

2,33%

De 540.000,01 a 720.000,00

7,54%

0,35%

0,35%

1,04%

0,25%

2,99%

2,56%

De 720.000,01 a 900.000,00

7,60%

0,35%

0,35%

1,05%

0,25%

3,02%

2,58%

De 900.000,01 a 1.080.000,00

8,28%

0,38%

0,38%

1,15%

0,27%

3,28%

2,82%

De 1.080.000,01 a 1.260.000,00

8,36%

0,39%

0,39%

1,16%

0,28%

3,30%

2,84%

De 1.260.000,01 a 1.440.000,00

8,45%

0,39%

0,39%

1,17%

0,28%

3,35%

2,87%

De 1.440.000,01 a 1.620.000,00

9,03%

0,42%

0,42%

1,25%

0,30%

3,57%

3,07%

De 1.620.000,01 a 1.800.000,00

9,12%

0,43%

0,43%

1,26%

0,30%

3,60%

3,10%

De 1.800.000,01 a 1.980.000,00

9,95%

0,46%

0,46%

1,38%

0,33%

3,94%

3,38%

De 1.980.000,01 a 2.160.000,00

10,04%

0,46%

0,46%

1,39%

0,33%

3,99%

3,41%

De 2.160.000,01 a 2.340.000,00

10,13%

0,47%

0,47%

1,40%

0,33%

4,01%

3,45%

De 2.340.000,01 a 2.520.000,00

10,23%

0,47%

0,47%

1,42%

0,34%

4,05%

3,48%

De 2.520.000,01 a 2.700.000,00

10,32%

0,48%

0,48%

1,43%

0,34%

4,08%

3,51%

De 2.700.000,01 a 2.880.000,00

11,23 %

0,52%

0,52%

1,56%

0,37%

4,44%

3,82%

De 2.880.000,01 a 3.060.000,00

11,32 %

0,52%

0,52%

1,57%

0,37%

4,49%

3,85%

De 3.060.000,01 a 3.240.000,00

11,42 %

0,53%

0,53%

1,58%

0,38%

4,52%

3,88%

De 3.240.000,01 a 3.420.000,00

11,51 %

0,53%

0,53%

1,60%

0,38%

4,56%

3,91%

De 3.420.000,01 a 3.600.000,00

11,61 %

0,54%

0,54%

1,60%

0,38%

4,60%

3,95%

Fonte:

http://www.receita.fazenda.gov.br/publico/Legislacao/LeisComplementares/2006/LeiComplementar1232006Anexo

1.doc

Portanto, como se pode observar, a empresa paga um imposto único que abrange todos os impostos que incidem sobre seu faturamento, lucro ou contribuições previdenciárias, ou seja, outros impostos como IPTU (Imposto Predial e Territorial Urbano) e IPVA (Imposto sobre a Propriedade de Veículos Automotores) não estão abrangidos nesta Lei, assim, a empresa deve recolher separadamente.

Entretanto, para se enquadrar no Simples, a empresa deve obrigatoriamente estar nessas faixas da receita bruta apresentadas na tabela acima (lembrando que é o anexo de empresa comercial). Como receita bruta, é considerado o faturamento bruto de venda de bens e serviços, menos as vendas canceladas e os descontos incondicionais concedidos.

Além da restrição em relação ao faturamento, não pode optar pelo simples

empresa:

De cujo capital participe outra pessoa jurídica; Que seja filial, sucursal, agência ou representação no país de pessoa jurídica com sede no exterior; De cujo capital participe pessoa física que seja inscrita como empresário ou seja sócia de outra empresa que receba tratamento jurídico diferenciado, se a receita bruta global ultrapassar o limite de R$ 3.600.000,00; Não beneficiada pela Lei Complementar n ° 123, de 14/12/2006, desde que a receita bruta global ultrapasse o limite de R$ 3.600.000,00; Cujo sócio ou titular seja administrador ou equiparado de outra pessoa jurídica com fins lucrativos, desde que a receita bruta global ultrapasse o limite de R$ 3.600.000,00; Constituída sob a forma de cooperativas, salvo as de consumo;

Que participe do capital de outra pessoa jurídica; Que explore atividade de prestação cumulativa e contínua de serviços de assessoria creditícia, gestão de crédito, seleção e riscos, administração de contas a pagar e a receber, gerenciamento de ativos (asset management), compras de direitos creditórios resultantes de vendas mercantis a prazo ou de prestação de serviços (factoring); Que tenha sócio domiciliado no exterior; De cujo capital participe entidade da administração pública, direta ou indireta, federal, estadual ou municipal; Para os fatos geradores até 31 de dezembro de 2008; Que preste serviço de comunicação; Que possua débito com o Instituto Nacional da Seguridade Social (INSS), ou com as Fazendas Públicas Federal, Estadual ou Municipal, cuja exigibilidade não esteja suspensa; Que preste serviço de transporte intermunicipal e interestadual de passageiros; Que seja geradora, transmissora, distribuidora ou comercializadora de energia elétrica; Que exerça atividade de importação ou fabricação de automóveis e motocicletas; Que exerça atividade de importação de combustíveis; Que realize atividade de locação de imóveis próprios, exceto quando se referir à prestação de serviços tributados pelo Imposto Sobre Serviços de Qualquer Natureza (ISSQN); Que exerça atividade de produção ou venda no atacado de:

- Cigarros, cigarrilhas, charutos, filtros para cigarros, armas de fogo,

munições e pólvoras, explosivos e detonantes;

- Bebidas, a seguir descritas: alcoólicas; refrigerantes, inclusive águas

saborizadas gaseificadas; preparações compostas, não alcoólicas (extratos concentrados ou sabores concentrados), para elaboração de bebida

refrigerante, com capacidade de diluição de até 10 partes da bebida para cada parte do concentrado; cervejas sem álcool;

Que realize cessão ou locação de mão de obra; Que tenha por finalidade a prestação de serviços decorrentes do exercício de atividade intelectual, de natureza técnica, científica, desportiva, artística ou cultural, que constitua profissão regulamentada ou não, bem como a que preste serviços de instrutor, de corretor, de despachante ou de qualquer tipo de intermediação de negócios; Que realize atividade de consultoria; e Que se dedique ao loteamento e à incorporação de imóveis.

O Simples possibilita fazer um recolhimento único mensal, o que facilita o procedi- mento para a empresa e corresponde a 4% a 18% da receita bruta dos últimos 12 meses, exclusive o mês do período de apuração (PA). Este percentual varia conforme as tabelas anexas à Lei Complementar n° 123, de 14 de dezembro de 2006. As tabelas e mais infor- mações podem ser consultadas no site da receita federal: https://www8.receita.fazenda. gov.br/SimplesNacional.

As vantagens do enquadramento das empresas no Simples Nacional são:

Menor tributação;

Maior facilidade no atendimento da legislação tributária, previdenciária e trabalhista;

Simplificação

de

sistema, mediante uma única guia;

no

pagamento

diversos

tributos

abrangidos

pelo

Possibilidade de tributar as receitas na medida do recebimento das vendas (regime de caixa);

Nas licitações será assegurada, como critério de desempate, preferência de contratação para as microempresas e empresas de pequeno porte;

É facultado ao empregador de microempresa ou de empresa de pequeno porte fazer-se substituir ou representar junto à Justiça do Trabalho por terceiros que conheçam os fatos, ainda que não possuam vínculo trabalhista ou societário;

Regras especiais para protesto de títulos, com redução de taxas e

possibilidade de pagamento com cheque;

As empresas enquadradas no Simples, assim como as pessoas físicas capazes, também são admitidas como proponentes de ação perante o Juizado Especial;

As microempresas e as empresas de pequeno porte que se encontrem sem movimento há mais de três anos poderão dar baixas nos registros dos órgãos públicos federais, estaduais e municipais, independentemente do pagamento de débitos tributários, taxas ou multas devidas pelo atraso na entrega das respectivas declarações nesses períodos;

Estão dispensadas da entrega da apresentação da Declaração de Débitos e Créditos de Tributos Federais (DCTF) e do Demonstrativo de Apuração das Contribuições Federais (DACON).

3.3. TRIBUTAÇÃO COM BASE NO LUCRO PRESUMIDO

Utilizado para dois tributos recolhidos trimestralmente:

Imposto sobre a Renda - Pessoa Jurídica (IRPJ);

Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL).

O Imposto sobre a Renda com base no lucro presumido é determinado por perío- dos de apuração trimestrais, encerrados em 31 de março, 30 de junho, 30 de setembro e 31 de dezembro de cada ano-calendário.

Podem optar as pessoas jurídicas:

Cuja receita bruta total tenha sido igual ou inferior a R$ 48.000.000,00 (quarenta e oito milhões de reais), no ano-calendário anterior, ou a R$ 4.000.000,00 (quatro milhões de reais) multiplicado pelo número de meses em atividade no ano-calendário anterior (Lei n a 10.637, de 2002, art. 46); e

Que não estejam obrigadas à tributação pelo lucro real em função da atividade exercida ou da sua constituição societária ou natureza jurídica.

Os percentuais a serem aplicados sobre a receita bruta são os discriminados a

seguir, conforme o RIR/1999, art. 223:

Tabela 4: Tabela de tributação com base no lucro presumido conforme a atividade da empresa.

Atividades

Percentuais (%)

Atividades em geral (RIR/1999, art. 518)

8,0

Administração, locação ou cessão de bens e direitos de qualquer natureza

32,0

(inclusive imóveis)

Intermediação de negócios

32,0

Revenda de combustíveis

1,6

Serviços hospitalares

8,0

Serviços em geral (exceto serviços hospitalares)

32,0

Serviços de transporte (exceto o de carga)

16,0

Serviços de transporte de cargas

8,0

Fonte:www.receita.fazenda.gov.br/pessoajuridica/dipj/2005/pergresp2005/pr517a555.htm

Além do Imposto sobre a Renda cuja alíquota é de 15% - sujeitando-se à incidência

do adicional à alíquota de 10% (dez por cento) sobre a parcela do lucro presumido que exceder

ao resultado da multiplicação de R$20.000,00 (vinte mil reais) pelo número dos meses do

respectivo período de apuração - há também 9% de CSLL.

Apesar de o lucro presumido abordar apenas o IR e a CSLL, eles estão diretamente

relacionados ao PIS e ao COFINS, pois ele altera a alíquota e não permite aproveitar o

crédito do tributo na compra.

3.4. TRIBUTAÇÃO COM BASE NO LUCRO REAL

O lucro real consiste no lucro líquido do período de apuração, com as seguintes:

• Adições:

- os custos, despesas, encargos, perdas, provisões, participações e quaisquer

outros valores deduzidos na apuração do lucro líquido que, de acordo com a

legislação tributária, não sejam dedutíveis na determinação do lucro real;

- os resultados, rendimentos, receitas e quaisquer outros valores não incluídos na

apuração do lucro líquido que, de acordo com a legislação tributária,devam ser

computados na determinação do lucro real.

• Exclusões:

- os valores cuja dedução seja autorizada pela legislação tributária e que não tenham sido computados na apuração do lucro líquido do período de apuração;

- os resultados, rendimentos, receitas e quaisquer outros valores incluídos na apuração do lucro líquido que, de acordo com a legislação tributária, não sejam computados no lucro real;

• Compensações:

- conforme opção do contribuinte, os prejuízos fiscais de períodos de apuração anteriores. Deve-se observar o limite máximo de 30% do lucro líquido.

Conforme este resultado é calculado o Imposto de Renda a recolher. Observe que toda pessoa jurídica pode recolher pelo lucro real, sendo que algumas o fazem por deter- minação legal, conforme a Lei n° 9.718, de 1998, art. 14; e RIR/1999, art. 246. São elas:

Pessoas jurídicas cujas atividades sejam bancos comerciais, bancos de investimento, bancos de desenvolvimento, caixas econômicas, sociedades de crédito, financiamento e investimento, sociedades de crédito imobiliário, sociedades cor- retoras de títulos e valores mobiliários, empresas de arrendamento mercantil, cooperativas de crédito, empresas de seguro privado e de capitalização e entidades de previdência privada aberta;

Pessoas jurídicas que tiverem lucros, rendimentos ou ganhos de capital oriundos do exterior. Esta obrigatoriedade não se aplica à pessoa jurídica que auferir receita de exportação de mercadorias e da prestação direta de serviços no exterior;

Pessoas jurídicas que, autorizadas pela legislação tributária, queiram usufruir de benefícios fiscais relativos à isenção ou redução do Imposto de Renda;

Pessoas jurídicas que, no decorrer do ano-calendário, tenham efetuado o reco- lhimento mensal com base em estimativa;

Pessoas jurídicas que explorem as atividades de prestação cumulativa e contínua de serviços de assessoria creditícia, mercadológica, gestão de crédito, seleção e riscos, administração de contas a pagar e a receber, compras de direitos creditórios resultantes de vendas mercantis a prazo ou de prestação de serviços (factoring).

Também são obrigadas ao lucro real pessoas jurídicas cuja receita bruta total tenha sido superior a R$ 48.000.000,00, no ano-calendário anterior, ou a R$ 4.000.000,00, multiplicados pelo número de meses em atividade no ano-calendário anterior (Lei n° 10.637, de 2002, art. 46).

Optando pelo Lucro Presumido a empresa pode estar pagando imposto mesmo que esteja sofrendo prejuízos. Isto não acontece com os empresários que optam pela tributação com base no Lucro Real. Estes pagam o imposto de renda e a CSLL - Contribuição Social sobre o Lucro Líquido apenas se tiverem resultados positivos. Para que tenha eficientes controles, é necessário que o empresário tenha uma contabilidade devidamente organizada, que possibilite o estabelecimento preciso das receitas, dos custos e despesas, das consequentes margens de lucro (ou de prejuízo) sobre os produtos vendidos, as mercadorias revendidas e os serviços prestados.

O grande problema que impede os empresários de menor porte de optarem pela tributação com base no Lucro Real é a enraizada mania de não ter controles internos e de não emitir notas fiscais sob a alegação de que assim fazendo pagarão menos impostos.

EXERCÍCIOS DE FIXAÇÃO

1 - Cite algumas situações em que a pessoa jurídica estará obrigada à tributação do IR e da CSLL pela modalidade de Lucro Real. Existe alguma PME’s obrigada a esta opção.

2 - Com relação ao que dispõe a Lei Complementar n.º 123/2006, que institui o

Estatuto Nacional da Microempresa e da Empresa de Pequeno Porte, assinale a

opção correta.

a) O recolhimento mensal, mediante documento único de arrecadação de impostos e

contribuições sociais, de empresa de pequeno porte incluída no Simples Nacional não

exclui a incidência do imposto sobre serviços nem a do ICMS, que deverão ser pagos

separadamente, sendo a possibilidade de unificação restrita a impostos da União.

b) O ato de desenquadramento de sociedade simples como empresa de pequeno

porte implica restrições a contratos que tenham sido anteriormente firmados pela

empresa.

c) A microempresa optante do SIMPLES Nacional poderá utilizar ou destinar qualquer

valor a título de incentivo fiscal.

d) A empresa de pequeno porte que pretenda participar de licitação pública deverá

comprovar a regularidade fiscal para efeito de recebimento de sua proposta.

e) Empresa de pequeno porte que requerer o arquivamento, nos órgãos de registro de

seus atos constitutivos estará dispensada da prova de quitação, de regularidade ou de

inexistência de débito referente a tributo de qualquer natureza para a realização do

referido arquivamento.

3 - A Constituição Federal permitiu o tratamento tributário diferenciado e favorecido

para as microempresas e para as empresas de pequeno porte. Assim, editou-se a Lei

Complementar n. 123, de 14 de dezembro de 2006. De acordo com esta lei, analise

os itens a seguir, para então assinalar a opção que corresponda às suas respostas.

I. Para a classificação como microempresa, a lei estabeleceu determinado valor

máximo auferido por ano-calendário a título de receita bruta.

II.

O conceito de receita bruta compreende o produto da venda de bens e serviços nas

operações de conta própria, não incluídas as vendas canceladas e quaisquer descontos

concedidos.

III. Também integram o conceito de receita bruta o preço dos serviços prestados e o

resultado nas operações em conta alheia.

IV. O enquadramento como microempresa ou empresa de pequeno porte, bem como

o seu desenquadramento, não implicarão alteração, denúncia ou qualquer restrição

em relação a contratos por elas anteriormente firmados.

V. No caso de início de atividade no próprio ano- calendário, o limite (valor máximo no

caso de microempresa; valores mínimo e máximo no caso de empresa de pequeno porte) será proporcional ao número de meses em que a microempresa ou a empresa de pequeno porte houver exercido atividade, inclusive as frações de meses.

Estão corretos apenas os itens:

a) I, II, III e IV.

b) I, III e IV.

c) I, III, IV e V.

d) II, III e IV

e) todos os itens estão corretos

4 - A lanchonete Comer Bem é uma empresa de pequeno porte enquadrada entre

aquelas às quais a CF oferece tratamento diferenciado, nos termos de legislação

complementar.

constitucional aplicável especificamente a esse grupo, que se refere a

a)

contribuições federais.

b) uniformidade geográfica.

c) regime único de arrecadação de impostos e contribuições federais.

d) recolhimento descentralizado de impostos e contribuições.

relativamente a impostos, mas não a respeito de

porte, a norma

Essa

empresa

está

sujeita,

em

razão

de

seu

tratamento

diferenciado

e) vedação ao compartilhamento da arrecadação.

5 - Assinale a alternativa correta.

a) Poderão recolher os impostos e contribuições na forma do Simples Nacional,

cumpridas as exigências legais, a microempresa ou a empresa de pequeno porte que preste serviço de transporte intermunicipal e interestadual de passageiros ou que exerça atividade de importação ou fabricação de automóveis e motocicletas. b) Consideram-se isentos do imposto de renda, na fonte e na declaração de ajuste do beneficiário, os valores efetivamente pagos ou distribuídos ao titular ou sócio da

microempresa ou empresa de pequeno porte optante pelo Simples Nacional, salvo os que corresponderem a pró-labore, aluguéis ou serviços prestados.

c) O Microempreendedor Individual (MEI) poderá optar pelo recolhimento dos

impostos e contribuições abrangidos pelo Simples Nacional em valores mensais, fixos ou variáveis, independentemente da receita bruta por ele auferida no mês, na forma prevista na Lei Complementar 123/2006.

d) Para os efeitos do regime do Simples Nacional, considera-se MEI o empresário

individual a que se refere o art. 966 do Código Civil, que tenha auferido receita bruta,

no ano-calendário anterior, de até R$ 48.000,00 (quarenta e oito mil reais), optante

pelo Simples Nacional e que não esteja impedido de optar pela sistemática prevista no artigo 18-A da Lei Complementar 123/2006.

e) Observado o disposto no art. 18-A, e seus parágrafos, da Lei Complementar

123/2006, poderá se enquadrar como MEI o empresário individual que possua até cinco empregados que recebam exclusivamente 1 (um) salário mínimo ou o piso salarial da categoria profissional, cada um.

6 - A Constituição Federal de 1988, no seu artigo 179 (Título VII - Da Ordem Econômica e Financeira) impõe, de forma expressa, que o legislador infraconstitucional conceda tratamento jurídico diferenciado às "micro e pequenas empresas".

A respeito do preceito constitucional citado é correto afirmar que:

a) a obrigação de dispensar tratamento jurídico diferenciado às "micro e pequenas empresas" recai exclusivamente sobre a União e, consequentemente, envolve apenas os tributos sob sua competência.

b) o tratamento jurídico diferenciado exigido pelo texto constitucional se manifestará

principalmente por meio da simplificação de obrigações administrativas, tributárias,

previdenciárias e creditícias, podendo ocorrer até mesmo efetiva eliminação de algumas destas obrigações

c) o artigo 179 confere imunidade tributária às "micro e pequenas empresas"

d) o Regime Especial Unificado de Arrecadação de Tributos e Contribuições devidos

pelas Microempresas e Empresas de Pequeno Porte, conhecido como Simples Nacional, não tem qualquer relação com o artigo 179 da Constituição Federal.

e) o artigo 179 estabelece um tratamento discriminatório ao impor tratamento mais

benéfico às "micro e pequenas empresas", violação já reconhecida pelo próprio

Supremo Tribunal Federal.

PLANEJAMENTO EMPRESARIAL

MÓDULO IV

OBJETIVOS ESPECÍFICOS DE APRENDIZAGEM

Caro aluno, ao finalizar esta Unidade, você deverá ser capaz de:

Destacar aspectos fundamentais para a escolha de um negócio;

Conhecer a estrutura de um plano de negócio com base a planejar seu empreendimento;

Conhecer o processo de criação de uma microempresa;

Desenvolver o hábito de formular metas e estratégias para seu negócio;

Predispor-se a correr riscos calculados;

Formular metas para os seus negócios e estratégias para alcançá-las;

Desenvolver e potencializar as suas características de comportamento empreendedor;

Desenvolver o hábito de planejar e fazer monitoramento sistemático de suas ações gerenciais;

4. PLANEJAMENTO DO NEGÓCIO

O ato de planejar exige do administrador uma visão interna da organização e

do ambiente. Como parte do planejamento, analisar o ambiente significa dimensionar o potencial de consumo dos clientes, avaliar a capacidade de suprimento e qualidade dos fornecedores, acompanhar a concorrência e as mudanças advindas da tecnologia.

Diante desse contexto, o administrador tem condições de definir os objetivos da empresa no mercado e, assim, projetar o futuro que deseja ver concretizado. As oportunidades identificadas no ambiente e as potencialidades da empresa apontarão o caminho para enfrentar o mercado. Diante das ameaças observadas e dos recursos existentes na empresa, o colaborador dimensionará os riscos que deseja assumir e com qual perfil assumirá seu trajeto.

As pessoas que planejam o futuro, preparam previamente as atividades, delegam tarefas aos seus colaboradores e antecipam eventuais surpresas. Por outro lado, os pragmáticos e mais imediatistas são pessoas que vivem "apagando incêndios", não porque as coisas ruins só aconteçam com eles, mas porque não previram anteriormente o que deveriam ter feito para evitar problemas futuros.

O empresário em potencial precisa perceber qual o movimento de mercado

melhor viabiliza a entrada; qual ambiente mais favorece os negócios recém-nascidos. Diante disso, surge a necessidade de uma escolha fundamental: na tentativa de aumentar solidamente as chances de vencer, será necessário analisar a apropriação das melhores possibilidades do mercado e, concomitantemente, as características, o tamanho, a agressividade e o acirramento da concorrência a enfrentar.

A primeira decisão que o executivo-empreendedor precisa tomar para constituir uma pequena firma diz respeito ao tipo de negócio que deseja operar, alinhado à grandeza do empreendimento pretendido e à capacidade de financiá-lo. Em outras palavras, esse passo reporta à injeção de certa quantia mínima de dinheiro necessária para o início da jornada.

O conhecimento de alguns aspectos da vida das empresas deve permitir a

avaliação do grau de atratividade do empreendimento, subsidiando a decisão do

futuro empresário na escolha do negócio que pretende desenvolver. Basicamente, os riscos do negócio referem-se aos aspectos descritos a seguir:

Sazonalidade – caracteriza-se pelo aumento ou redução significativos da demanda pelo produto, em determinada época do ano. Os negócios com maior sazonalidade são perigosos e oferecem riscos que obrigam os empreendedores a manobras precisas. Quando em alto grau, considera-se fator negativo na avaliação do negócio;

Efeitos da economia – a análise da situação econômica constitui questão importante para a avaliação da oportunidade de negócio, já que alguns são gravemente afetados, por exemplo, por economias em recessão;

Controles governamentais – setores submetidos a rigorosos controles do governo, nos quais as regras podem mudar com frequência, oferecem grande grau de risco e são pouco atraentes para pequenos investidores;

Existência de monopólios – alguns empreendimentos podem enfrentar problemas por atuar em áreas em que haja monopólios formados por operações que dominam o mercado, definindo as regras do jogo comercial. No Brasil, a comercialização de pneus, produtos químicos em geral e tintas constitui exemplo de segmentos monopolizados.

Setores em estagnação ou retração – nesses setores, há procura menor que a oferta de bens/serviços, o que torna a disputa mais acirrada. Nas épocas de expansão e prosperidade de negócios, ao contrário, novos consumidores entram no mercado, promovendo a abertura de novas empresas.

Barreiras à entrada de empresas – obstáculos relacionados com: exigência de muito capital para o investimento; alto e complexo conhecimento técnico; dificuldades para obtenção de matéria-prima; exigência de licenças especiais; existência de contratos, patentes e marcas que dificultam a legalização da empresa.

4.1. O PLANO DE NEGÓCIOS

O planejamento nas PME’s resulta no chamado “Plano de Negócios” que consiste em um planejamento estratégico que irá englobar aspectos contábeis, financeiros e administrativos que envolve: Conhecer o ramo de atividade, definir produtos e analisar o local de estabelecimento constitui algumas medidas que o empreendedor tem de levar em consideração na hora de montar o seu negócio. Assim, para planejar bem é preciso:

Conhecer o ramo de atividade – É preciso conhecer alguns dados elementares sobre o ramo em que se pretende atuar e as possibilidades de atuação no segmento (exemplo: confecção é o ramo; pode-se atuar com jeans, malha, linho, público infantil, adulto, feminino).

Conhecer o mercado consumidor - O estudo do mercado consumidor é importante para o empreendimento, pois abrange as informações necessárias para a identificação dos prováveis compradores. O que produzir, de que forma vender, qual o local adequado para a venda, qual a demanda potencial para o produto. Essas são algumas indagações que podem ter respostas mais adequadas quando se conhece o mercado consumidor. Conhecer o mercado fornecedor - Para iniciar e manter qualquer atividade empresarial, a empresa depende de seus fornecedores (mercado fornecedor). O conhecimento desse mercado se reflete nos resultados pretendidos pela empresa. Mercado fornecedor é aquele que fornece à empresa os equipamentos, máquinas, matéria-prima, mercadorias e outros materiais

necessários

ao Conhecer o mercado concorrente - O mercado concorrente compõe-se das pessoas ou empresas que oferecem mercadorias ou serviços iguais ou semelhantes aos que você pretende oferecer. Esse mercado deve ser analisado de maneira que sejam identificados: quem são os concorrentes; quais mercadorias ou serviços oferecem; quais são as vendas efetuadas pelo concorrente; quais os pontos fortes e fracos da concorrência; fidelidade da clientela em relação à concorrência.

seu

funcionamento.

Definir produtos a serem fabricados, mercadorias a serem vendidas ou serviços a serem prestados – É preciso conhecer detalhes do seu produto/serviço e oferecer produtos e serviços que atendam às necessidades de seu mercado. Também é importante definir qual a utilização do seu produto/serviço, qual a embalagem a ser usada, tamanhos oferecidos, cores, sabores etc.

Analisar a localização da empresa – Onde montar o negócio. Essa escolha pode significar a diferença entre o sucesso e o fracasso de um empreendimento.

Conhecer marketing – Marketing é um conjunto de atividades desenvolvidas pela empresa para que atenda desejos e necessidades de seus clientes. As atividades de marketing podem ser classificadas em áreas básicas, que são traduzidas nos 4 ‘pes’: Produto, Pontos de Venda, Promoção (Comunicação) e Preço.

Processo operacional – Este item trata do ‘como fazer’. Devem ser abordadas questões como: que trabalho será feito e quais as fases de fabricação/venda/prestação de serviços; quem fará; com que material; com que equipamento; quando fará. É preciso verificar quem possui conhecimento e experiência no ramo: o empreendedor, um futuro sócio, um profissional

contratado

Projeção do volume de produção, de vendas ou de serviços - É prudente que o empreendedor ou empresário considere a necessidade e a procura do mercado consumidor; os tipos de mercadorias ou serviços a serem colocados no mercado; a disponibilidade de pessoal; a capacidade dos recursos materiais -

máquinas, instalações; a disponibilidade de recursos financeiros; a disponibilidade de matéria-prima, mercadorias, embalagens e outros materiais necessários.

etc.

Projeção da necessidade de pessoal – Identifique o número de pessoas necessárias para o tipo de trabalho e que qualificação elas deverão ter.

Análise financeira – É necessário fazer uma estimativa do resultado da empresa, a partir de dados projetados, bem como uma projeção do capital

necessário para começar o negócio, pois há de fazer investimento em local, equipamentos, materiais e despesas diversas, para instalação e funcionamento inicial da empresa.

No projeto da Empresa, é importante definir aspectos como:

público-alvo;

perfil dos clientes e potencial;

os diferenciais que a empresa irá ter;

como irá atuar no mercado;

qual a localização;

quantas unidades ou pontos de venda;

quais as estratégias de venda, canais de distribuição e logística;

custos para treinamento;

concorrentes;

risco.

Quanto aos aspectos contábeis e financeiros, é relevante abordar:

investimento inicial;

custos

despesas;

projeções de fluxo de caixa;

receitas.

4.2. O CICLO DO PLANEJAMENTO

Pode-se distinguir o processo de planejamento em pelo menos quatro macro- etapas: avaliação do ambiente externo e interno, definição de objetivos, definição dos meios de execução e definição dos meios de controle. Entretanto, o ciclo do processo de planejamento não se encerra apenas com a elaboração do plano de negócios, isto é, após definidos os rumos para caminhar para o futuro, as atividades precisam ser implementadas e controladas.

A execução do plano inicia-se com a fase de organização. A organização envolve a designação das tarefas às pessoas, agrupamento das atividades nos

departamentos e alocação de recursos necessários para que os departamentos consigam desempenhar suas responsabilidades com êxito.

Durante o processo de organização, o administrador irá:

Relacionar as atividades que devem ser cumpridas;

Identificar os recursos necessários (pessoas, instalações, máquinas e dinheiro) à realização das tarefas;

Determinar o procedimento de cada atividade;

Determinar a hierarquia de funções;

Definir o grau de autonomia e responsabilidade.

Cada forma de organizar há de ser compatível com o tipo de problema enfrentado pela instituição. Nas organizações de pequeno porte, pode ser compatível que uma única pessoa, normalmente o empreendedor, cuide de uma série de funções. Isso acontece por escassez de recursos financeiros para remunerar outros gerentes ou pelo conhecimento extraordinário que essa única pessoa tem do resultado final. Esta última razão se justifica desde que o empreendedor, por exemplo, saiba orientar seus colaboradores no desempenho das funções e consiga delegar autoridade na tomada de decisões. Caso contrário, o desenvolvimento poderá ser interrompido por depender do proprietário. À medida que as organizações crescem ou acrescentam à sua missão novos produtos e serviços, haverá mais especialização, com mais pessoas cuidando de tarefas cada vez menores.

Outra fase do processo de execução do planejamento é a direção que está relacionada com o cumprimento das ações traçadas pelo planejamento. Sua implementação depende das pessoas. Sendo assim, está relacionada com a área de Gestão de Pessoas e com relacionamentos interpessoais. O administrador, para se relacionar com seus subordinados, precisa desenvolver algumas habilidades como comunicar, liderar, assistir na execução e motivar. O êxito no papel de direção exige do administrador perfil de liderança. Essa característica faz com que ele consiga realizar as metas propostas, dirigindo os colaboradores.

O controle e avaliação correspondem à fase na qual o colaborador verifica se a execução dos planos está proporcionando o alcance dos objetivos, desafios e metas

propostos. O destino é assegurar que o desempenho real possibilite o alcance dos resultados e padrões anteriormente estabelecidos (ALMEIDA, 2001). (livro do COC_adm)

De acordo com Oliveira (2005),(livro COC) existem três conceitos envolvidos na atividade de controle e avaliação:

• Eficiência na otimização dos recursos utilizados para obtenção dos resultados;

• Eficácia na contribuição dos resultados obtidos para o alcance dos objetivos gerais da empresa;

• Efetividade na relação entre os resultados alcançados e os objetivos propostos ao longo do tempo.

Comparando as situações alcançadas com as previstas, a função de controle acompanha o desempenho das atividades. Para isso, deve ser avaliado e mantido um sistema de informações que permita acompanhar o desempenho e o resultado das atividades realizadas. Esse processo deve considerar as pessoas envolvidas e a estrutura que suporta a atividade. Após a avaliação, importante é tomar as medidas corretivas se necessário, isto é, de acordo com o retorno do desempenho das atividades é possível corrigi-las durante o percurso e rever a necessidade de alterar o plano.

Muitas PME’s preferem não investir seu capital em sistemas que geram informações, por mais simples que sejam, com a perspectiva de economizar recursos. Entretanto, seus administradores não entendem que é fundamental está em constante avaliação do resultado do negócio, e sem informação isso não é possível. Assim, essa pequena economia pode gerar prejuízos maiores no futuro. Por exemplo, o proprietário de uma loja de sapatos que todo mês faz uma retirada de dinheiro aleatória e crescente desta loja para suas despesas pessoais e que não possui um sistema de controle. O resultado é que a loja pode passar por sérias dificuldades financeiras, pois a retirada pode ser maior que o lucro da empresa e para compensar deixa de pagar algumas despesas dentro do mês, surgem os encargos, o endividamento, etc. Outro exemplo para o mesmo caso é com relação à avaliação de

vendedores. Sem um mecanismo de controle, como saber quem vende mais ou menos? Como premiá-los?

Enfim, é fundamental para o sucesso dos negócios nas PME’s, mesmo de forma mais simples do que nas grandes corporações, o estabelecimento de um ciclo de planejamento que envolva o planejar (plano de negócio), a organização, a direção e o controle e avaliação permanentes e a retroalimentação do processo, tornando o planejamento sempre dinâmico.

4.3. OPÇÕES DE NEGÓCIOS

FRANQUIAS

A franquia é um modo de negócio no qual uma parte, o franqueador, desenvolve um plano para fornecimento de um produto ou serviço para o consumidor final. A outra parte, o franqueado, obtém os direitos de uso dos planos do franqueador mediante pagamento de direitos e concordando com a supervisão do franqueador."

São vantagens que as franquias oferecem: (1) treinamento formal; (2) assistência financeira; (3) benefícios de marketing; (4) a marca; (5) produtos e serviços amplamente conhecidos e aceitos. Além disso, os franqueados se beneficiam da experiência do franqueador que identificou um modelo de negócios lucrativo e eficaz; segundo, e em decorrência, o franqueador oferece uma linha de negócios de sucesso, um modelo testado e comprovado.

Na outra extremidade, os autores apontam para três desvantagens: (1) o custo da franquia; (2) as restrições no crescimento, uma vez que muitos contratos podem restringir o franqueado a um território de vendas definido; e (3) a perda de independência absoluta por parte do franqueado, uma vez que é obrigado a operar de acordo com os métodos e termos especificados pela outra parte.

ALIANÇAS

Avançando um pouco mais, valem a pena destacar a síntese sobre outra modalidade de parceria estratégica que é a possibilidade de se firmarem alianças envolvendo os pequenos negócios. As experiências de desenvolvimento de clusters, agrupamentos de empresas e distritos industriais salientam a importância de

programas que estimulem a cooperação entre as empresas. Em conjunto, as micro, pequenas e médias empresas conseguem operar como se fossem uma grande empresa (Puga 2000, pág. 4).

Estudos nos países em desenvolvimento mostram que as PME’s que se localizam em clusters têm mais chances de sobrevivência e de crescimento do que empresas similares isoladas. Isto porque no novo paradigma tecno-econômico há necessidade de intenso investimento em conhecimento, que por sua vez depende de processos de aprendizado interativos. Os clusters e as alianças estratégicas permitem o estabelecimento de laços de cooperação que possibilitam às empresas, principalmente as PME’s, um maior acesso a informações e conhecimento.

Atuando na órbita de grandes empresas e assumindo pedaços específicos de seu processo produtivo, a estratégia de conceber alianças com empresas estabelecidas está ancorada na habilidade, na competência e na dinâmica dos pequenos empreendedores e dos parceiros.

4.4. MONTANDO SEU NEGÓCIO

1º PASSO: Montar o Plano de Negócios:

Preliminarmente, estudar as possibilidades e fazer uma pesquisa prévia e selecionar algo que conheça e que tenha prazer e facilidade em estar acompanhando e desenvolvendo. O pequeno empreendedor, diferentemente do gestor de grandes corporações, tem que se envolver com o negócio, logo, selecionar algo que ele não tem afinidade ou não tem interesse pode ser muito oneroso ou até tornar o projeto inviável. Após identificar as possibilidades, é necessário fazer um estudo para verificar a viabilidade de implantação e a demanda. O ideal é fazer uma pesquisa de mercado, pois algo que parece rentável pode ter retorno demorado, requerer muito investimento ou situar-se em um ambiente muito competitivo e de difícil inserção. Finalizando o plano de negócio, com previsão de entradas, de saídas, análise de demanda e fontes de financiamento, isto é, este plano deve conter:

Público-alvo;

Perfil dos clientes e potencial;

Os diferenciais que a empresa irá ter;

Como irá atuar no mercado;

Qual a localização;

Quantas unidades ou pontos de venda;

Quais as estratégias de venda, canais de distribuição e logística;

Custos para treinamento;

Concorrentes;

Risco;

Investimento inicial;

Custos;

Despesas;

Projeções de fluxo de caixa;

Receitas.

2º PASSO: Selecionado o local, verificar a situação do imóvel:

Na Prefeitura, é importante verificar se está regularizado e se está em dia o Imposto sobre Propriedade Territorial Urbana (IPTU);

Se há inadimplência dos serviços de abastecimento de água ou energia elétrica;

Se, nos órgãos ambientais, há alguma restrição;

Bombeiros, solicitando o laudo.

3º PASSO: Definir o tipo de empresa

a) Firma individual;

b) Sociedade por quotas de responsabilidade limitada;

c) Sociedade em nome coletivo.

4º PASSO: Estudar as formas de tributação

realizada

posteriormente, a reflexão sobre este aspecto deve ser feita agora, pois está diretamente relacionada ao tipo de empresa selecionado.

Embora

a

decisão

pela

forma

de

tributação

possa

ser

Microempreendedor individual (MEI)

Simples Nacional

Tributação com base no lucro presumido

Tributação com base no lucro real

5º PASSO: Definir a atividade da empresa

Após estudo citado no passo anterior, a empresa decide qual a sua atividade e, conforme a opção, poderá definir a forma de tributação. Esta decisão está muito relacionada à etapa anterior, pois nem todas as atividades se enquadram no Simples Nacional ou podem optar pelo lucro presumido.

6º PASSO: Providenciar a documentação

Cópia autenticada do CPF e do RG de todos os sócios;

Cópia simples do comprovante de endereço da empresa e de todos os sócios;

Cópia autenticada da certidão de emancipação, se tiver sócio menor de 18 e maior de 16;

Cópia do IPTU do imóvel;

Contrato de locação registrado no Registro de Títulos e Documentos, no caso de imóvel alugado;

Vistoria da Vigilância Sanitária, se a empresa manipular produtos alimentícios;

Laudo técnico dos órgãos ambientais, dependendo da atividade da empresa;

Laudo do Corpo de Bombeiros;

Verificar as exigências e formalidades do Conselho Regional quanto à elaboração do contrato social, formação societária e responsabilidades técnicas, se a atividade envolver prestação de serviço especializada;

7º PASSO: Elaboração do Contrato Social

O contrato social deve ser elaborado por um advogado e deverá conter:

Tipo societário;

Qualificação completa dos sócios;

Nome empresarial (firma ou denominação social);

Objeto social;

Capital social;

A quota de cada sócio no capital social;

Responsabilidade dos sócios (sociedade limitada);

Se os sócios respondem ou não, subsidiariamente, pelas obrigações sociais (sociedades simples);

Nomeação do administrador e seus poderes (em contrato ou em ato separado);

A participação de cada sócio nos lucros e nas perdas;

Sede e foro;

Prazo de duração.

8º PASSO: Regularizar o empreendimento

Registro na Junta Comercial do Estado;

Registro em cartório, no caso sociedade simples;

Inscrição no Cadastro Nacional da Pessoa Jurídica (CNPJ), pelo site da Receita Federal: <http://www.receita.fazenda.gov.br.>;

Inscrição na Secretaria da Fazenda do Estado

Inscrição na Prefeitura Municipal.

ESTUDO DE CASO: Ajude o Sr. José com os conhecimentos que você adquiriu sobre como planejar seu negócio:

• Determinado empresário, conhecido por Sr. José, em uma pequena cidade, possui um armazém e atende os moradores locais. Ele sempre vendeu para quase todos os moradores da localidade, pois há concorrentes apenas em uma cidade que fica a 20 km de distância.

Ultimamente, ele está preocupado, pois muitos moradores estão comprando pela In- ternet e está prevista a chegada de uma grande empresa na região, que deverá propiciar crescimento e desenvolvimento regional.

O comerciante tem uma contabilidade muito simples, nunca se preocupou com isso, pois considera que a área contábil é responsabilidade do profissional contratado e que a gestão da empresa é competência da família de José.

Considerando este caso, pergunta-se:

1. O que se pode prever para a cidade e, consequentemente, para o futuro do negócio do Sr. José?

2. Como o Contador pode melhor assessorar o Sr. José?

3. Quais outros mercados o Sr. José pode buscar?

MÓDULO V

A CONTABILIDADE NA GESTÃO DOS PEQUENOS NEGÓCIOS

OBJETIVOS ESPECÍFICOS DE APRENDIZAGEM

Caro aluno, ao finalizar esta Unidade, você deverá ser capaz de:

Identificar a finalidade da Contabilidade na Gestão dos negócios;

Conhecer os princípios contábeis que norteiam a gestão administrativa financeira;

Familiarizar-se com as principais demonstrações contábeis e ser capaz de destacar a finalidade de cada uma no resultado da empresa;

Compreender a importância da Contabilidade no resultado financeiro da empresa;

Calcular e avaliar o resultado (lucro ou prejuízo) de um negócio para tomada de decisão.

5.

A IMPORTÂNCIA DA CONTABILIDADE PARA AS PME’S

Para poder enfrentar esse novo contexto econômico os gestores precisam de

um suporte informacional consistente, isto é, de informações que sejam geradas em tempo hábil, sejam relevantes e completas. Nesse sentido, a informação auxilia o processo decisório, reduzindo as incertezas. Padoveze (2002, p. 46) afirma que “uma informação passa a ser válida quando sua utilização aumenta a qualidade decisória, diminuindo a incerteza do gestor no ato da decisão”. Nas empresas de pequeno porte, os empreendedores desenvolvem o papel de gestores, e suas decisões empresariais acabam sendo tomadas com base na intuição. “Geralmente a estrutura administrativa é mínima, na convicção de que a papelada representa apenas uma despesa gerada por exigências legais e tributárias” (RODIL, 2002). Há dificuldade na geração e captação de informações que sustentem o processo de gestão. Neste contexto, a Contabilidade é vista como de fundamental importância para o processo de gestão, pois é ela que procura demonstrar a real situação patrimonial das empresas, orientando os planejamentos e estratégias.

A inclusão do uso da Contabilidade nas PME’s podem trazer muitos benefícios

que, em consequência, podem levar a diminuir acentuadamente os motivos que originam o encerramento das atividades das empresas, proporcionando a melhoria contínua dos negócios. Os gestores podem planejar o futuro de suas empresas utilizando-se de ferramentas comuns de serem aplicadas como o fluxo de caixa e o orçamento, fundamentados em informações geradas pela contabilidade da empresa.

É através da contabilidade que os empresários saberão a rentabilidade de seu

capital investido e a lucratividade de suas operações ou negócios. A Rentabilidade do

Capital investido se obtém mediante a comparação do capital empregado com o eventual lucro conseguido com o objeto social da empresa. No caso da existência de prejuízos não há rentabilidade para o capital investido. Se não há rentabilidade também não existe razão para continuação do empreendimento. A persistência em continuar com os negócios empresariais não lucrativos fatalmente levará o empresário de menor porte ou iniciante rapidamente à falência e à perda em breve espaço de

tempo de todo seu patrimônio conseguido durante anos de trabalho como empregado e não como empregador. Neste caso, a melhor opção para esse empresário sem sucesso nos negócios é voltar à condição de empregado. Entretanto, o Contador vem se portando como um simples calculador de impostos, contribuições, etc. Isso acaba desvalorizando a imagem do profissional contábil, pois, por se preocupar apenas com a parte burocrática da empresa, ele acaba por trabalhar indiretamente para o Governo, deixando os gestores dessas empresas carentes de dados e informações que ele conhece melhor do que qualquer um. Informações estas indispensáveis como ferramentas para o planejamento e para uma melhor gestão da empresa. Preocupados com isso, o Conselho Federal de Contabilidade (CFC) firmou uma parceria com o SEBRAE Nacional e criou um programa denominado de "Contabilizando Sucesso", que tem como objetivo formar contadores capazes de auxiliar micro e pequenas empresas não só com contas, mas com gestão em geral. Essa preocupação surgiu devido a uma pesquisa realizada pelo próprio SEBRAE, que mostra que 42% dos donos de micro e pequenos empresários , quando têm problemas, buscam ajuda com o contador. Ainda segundo a pesquisa, 25% dos empresários não buscam ajuda nenhuma. Assim, a Contabilidade pode ser definida como uma ciência que estuda o patrimônio de uma entidade, visando fornecer informações que são importantes para o desenvolvimento das atividades. Pizzolato (2000, p. 1) conceitua a Contabilidade da seguinte forma:

“A Contabilidade costuma ser chamada de linguagem da empresa. Trata-se de um sistema de coletar, sintetizar, interpretar e divulgar, em termos monetários, informações sobre uma organização. Como qualquer outro sistema de informação, a Contabilidade passa por contínua evolução na busca de aperfeiçoamento de seus métodos e processos.” A principal finalidade da Contabilidade é fornecer informações que sejam úteis ao processo de tomada de decisões empresarial e hoje essas informações são de caráter econômico, financeiro, gerencial, social.

5.1.

DA LEGISLAÇÃO APLICÁVEL

Assim como há gestores de PME’s que utilizam os serviços de contabilidade apenas para efeitos fiscais, valendo-se apenas das “Notas Fiscais” como únicos documentos para apurar as entradas (receitas) e saídas (despesas/custos) de recursos, há também aqueles que dispensam totalmente os serviços do profissional da contabilidade. Mas, afinal, é obrigatório o uso da contabilidade nas PME’s? Eles têm respaldo legal para isso? A Constituição Federal de 1988 estabelece:

Art. 170. A ordem econômica, fundada na valorização do trabalho humano e na livre iniciativa, tem por fim assegurar a todos existência digna, conforme os ditames da justiça social, observados

os

seguintes princípios:

IX

- tratamento favorecido para as empresas de pequeno porte

constituídas sob as leis brasileiras e que tenham sua sede e

administração no País. (Redação dada pela Emenda Constitucional 6,

de 1995)

Art. 179. A União, os Estados, o Distrito Federal e os Municípios dispensarão às microempresas e às empresas de pequeno porte, assim definidas em lei, tratamento jurídico diferenciado, visando a incentivá-las pela simplificação de suas obrigações administrativas, tributárias, previdenciárias e creditícias, ou pela eliminação ou redução destas por meio de lei.

Observe que a Constituição Federal menciona tratamento jurídico diferenciado visando a simplificação de obrigações administrativas, tributárias, previdenciárias e creditícias o que não implica exatamente na dispensa da escrituração contábil, que é essencial para o perfeito controle econômico financeiro. Ou seja, antes de tudo mais, o empresário precisa saber se está obtendo lucros ou sofrendo prejuízos. Com a dispensa da escrituração contábil o empresário fica sem ter essas imprescindíveis informações.

O novo Código Civil Brasileiro, instituído pela Lei 10.406/2002, que entrou em

vigor em 2003, em seus artigos 970 e 1.179 estabelece:

Art. 970. A lei assegurará tratamento favorecido, diferenciado e

simplificado ao empresário rural e ao pequeno empresário, quanto à

inscrição e aos efeitos daí decorrentes.

Art. 1.179. O empresário e a sociedade empresária são obrigados a

seguir um sistema de contabilidade, mecanizado ou não, com base

na escrituração uniforme de seus livros, em correspondência com a

documentação respectiva, e a levantar anualmente o balanço

patrimonial e o de resultado econômico.

§ 1º. O disposto no art. 1.180, o número e a espécie de livros ficam a

critério dos interessados.

§ 2º. É dispensado das exigências deste artigo o pequeno

empresário a que se refere o art. 970.

O artigo 68 da Lei Complementar nº123/2006 tratou de definir o pequeno

empresário para efeito destes dispositivos legais:

Art. 68. Considera-se pequeno empresário, para efeito de aplicação do disposto nos arts. 970 e 1.179 da Lei nº 10.406, de 10 de janeiro de 2002 (Código Civil), o empresário individual caracterizado como microempresa na forma desta Lei Complementar que aufira receita bruta anual até o limite previsto no § 1º do art. 18-A. Art. 18-A. O Microempreendedor Individual - MEI poderá optar pelo recolhimento dos impostos e contribuições abrangidos pelo Simples Nacional em valores fixos mensais, independentemente da receita bruta por ele auferida no mês, na forma prevista neste artigo. (produção de efeitos: 1º de julho de 2009) § 1º Para os efeitos desta Lei Complementar, considera-se MEI o empresário individual a que se refere o art. 966 da Lei nº 10.406, de 10 de janeiro de 2002 (Código Civil), que tenha auferido receita bruta, no ano-calendário anterior, de até R$ 60.000,00 (sessenta mil reais), optante pelo Simples Nacional e que não esteja impedido de optar pela sistemática prevista neste artigo. ( Redação dada pela Lei Complementar nº 139, de 10 de novembro de 2011 ) (Produção de efeitos – vide art. 7º da Lei Complementar nº 139, de 2011 )

Observe agora que o código civil abriu uma exceção da obrigação de

escrituração e elaboração das demonstrações contábeis, apenas para o “pequeno

empresário”. E esse pequeno empresário é definido na Lei do Simples Nacional como o

Microempreendedor Individual – MEI que fatura até 60.000,00(sessenta mil reais) por

ano. Desta forma, todas as demais empresas, inclusive as PME’s que não se

enquadrem nessa condição de MEI são obrigadas a realizar a escrituração contábil.

E com qual fundamentação algumas PME’s não utilizam a contabilidade para

registrar suas transações? Novamente por conta de alguns gestores estarem

preocupados somente em cumprir suas obrigações com o Fisco, optam por apenas

cumprir as obrigações acessórias exigidas na legislação tributária, já que a Lei nº

123/2006, em seus art. 26 e 27, deu a prerrogativa para as empresas que optarem pelo

Simples Nacional de manter uma contabilidade simplificada, conforme abaixo:

Art. 26. As microempresas e empresas de pequeno porte optantes pelo Simples Nacional ficam obrigadas a:

I - emitir documento fiscal de venda ou prestação de serviço, de acordo com instruções expedidas pelo Comitê Gestor; II - manter em boa ordem e guarda os documentos que fundamentaram a apuração dos impostos e contribuições devidos e

o cumprimento das obrigações acessórias a que se refere o art. 25

desta Lei Complementar enquanto não decorrido o prazo decadencial e não prescritas eventuais ações que lhes sejam pertinentes. 1º O MEI fará a comprovação da receita bruta mediante apresentação do registro de vendas ou de prestação de serviços na forma estabelecida pelo CGSN, ficando dispensado da emissão do

documento fiscal previsto no inciso I do caput, ressalvadas as hipóteses de emissão obrigatória previstas pelo referido Comitê. ( Redação dada pela Lei Complementar nº 139, de 10 de novembro de 2011 )

§ 2º As demais microempresas e as empresas de pequeno porte,

além do disposto nos incisos I e II do caput deste artigo, deverão,

ainda, manter o livro-caixa em que será escriturada sua movimentação financeira e bancária. Art. 27. As microempresas e empresas de pequeno porte optantes pelo Simples Nacional poderão, opcionalmente, adotar contabilidade simplificada para os registros e controles das operações realizadas, conforme regulamentação do Comitê Gestor.

Observe que em momento algum a legislação tributária dispensou a

contabilidade para as PME’s, apenas previu sua simplificação, o que tem

desestimulado estes gestores a utilizá-la. A própria opção pela tributação com base no Lucro Presumido é a principal característica das empresas de pequeno e médio porte que não possuem contabilidade organizada, pois simplifica o cálculo do imposto e desobriga o cálculo do lucro real para efeitos fiscais.

Por isso, em 2004 aconteceu a primeira manifestação do governo federal no sentido de estimular a escrituração contábil nas pequenas e médias empresas que optaram pela tributação com base no Lucro Presumido. O presidente da república remeteu ao Congresso Nacional a Medida Provisória 232/2004 que, entre outras finalidades, tinha a de aumentar a tributação das empresas prestadoras de serviços que não possuíssem escrituração contábil mediante a utilização de Livro Diário e Livro Razão. A MP 232, entre outras disposições, aumentava o percentual de Lucro Presumido de 32% para 40% da Receita Bruta desse tipo de empresa. As empresas prestadoras de serviços que tivessem escrituração contábil e fossem tributadas com base no Lucro Real não sofreriam as medidas da MP 232 e, por isso, não teriam acréscimo de tributação (posteriormente o presidente da república revogou essa medida provisória).

É importante enfatizar também que a contabilidade completa, ainda que de

forma simplificada, é um instrumento de proteção da sociedade porque fornece as informações sobre todas as operações e a situação financeira e patrimonial da empresa, preservando os direitos e interesses de terceiros, como os sócios e seus sucessores, empregados, fornecedores, entidades financeiras, credores em geral, inclusive o fisco. Além disso, o Balanço Patrimonial e a Demonstração de Resultado do Exercício, que somente podem ser lançados no Livro Diário, além de outras

funcionalidades gerenciais, são documentos indispensáveis para o acesso ao crédito em instituições bancárias, participação em licitações públicas, etc.

A contabilização ou a escrituração contábil é considerada como devidamente

organizada quando é escriturado o Livro Diário e o Livro Razão de conformidade com a legislação em vigor e obedecendo aos Princípios Fundamentais de Contabilidade e às Normas Brasileiras de Contabilidade. O livro Caixa constitui-se também como importante ferramenta de registro dos fatos contábeis.

Além dessas obrigações legais de utilização da contabilidade nas PME’s, existem as Normas Brasileiras de Contabilidade específicas para essa categoria de empresas que regulamentam a escrituração e as demonstrações contábeis aplicáveis. Existe atualmente no ramo da Contabilidade um processo de convergência das normas brasileiras com as internacionais no sentido de unificá-las, o que tem exigido mais dos contadores dessas empresas.

5.2. LIVROS DE ESCRITURAÇÃO

Quanto à utilidade:

1) Principais: utilizados para o registro de todos os eventos ocorridos na empresa, livros diários e livro-razão. 2) Auxiliares: utilizados para o registro de eventos específicos, como o livro- caixa, contas correntes, registro de duplicatas, além de todos os fiscais que podem servir de suporte para a escrituração do diário. Quanto à natureza

1)

Obrigatórios: exigidos pela legislação comercial, tributária e societária.

1.1) Exigidos pelas leis comerciais Livro diário – Código Comercial e Civil 1.2) Exigidos por leis tributárias Âmbito federal Livro de apuração do lucro real (LALUR) Decreto-Lei 1598/77 Livro-razão - Lei 8218/91 Livro-caixa - (somente para as pessoas jurídicas que optarem pela tributação com base no lucro presumido) - Lei 8541/92 Âmbito Estadual Cada estado, através de legislação própria, poderá determinar a obrigatoriedade da adoção e escrituração de vários livros, como Registro de entradas, registro de saídas, registro de inventário, registro de apuração do ICMS etc. Âmbito municipal

Cada município poderá determinar a adoção e escrituração de livros específicos, sendo o mais comum o livro de notas fiscais e faturas de serviços. 2) Facultativos: livros que as empresas utilizam sem que haja exigência legal:

Livro-caixa (exceto as que optarem pela tributação com base no lucro presumido), contas-correntes, controle de contas a receber, controle de contas a pagar etc.

a) Formalidades extrínsecas ou externas: o livro diário deve ser

encadernado com folhas numeradas em sequência, tipograficamente. Deve

conter os termos de abertura e de encerramento e ser submetido à autenticação do órgão competente do registro do comércio.

b) Formalidades intrínsecas ou internas: a escrituração do Diário deve ser

completa, em idioma e moeda nacionais, em forma mercantil, com individualização e clareza, por ordem cronológica de dia, mês e ano, sem intervalos em branco nem entrelinhas, borraduras, rasuras e transportes para as margens. Informações importantes O livro diário, por registrar todos os eventos que ocorrem no dia-a-dia das empresas, é o livro mais importante sob o ponto de vista legal; o livro-razão, por permitir o controle em separado de cada conta, é o livro mais importante sob o ponto de vista contábil. A partir dos anos 1940, com o uso de máquinas de datilografia, o livro-razão foi pouco a pouco sendo substituído por fichas de razão. Com o surgimento do processamento eletrônico de dados, os livros de escrituração foram substituídos por formulários contínuos. Para a escrituração, o contador deverá observar o método das partidas dobradas, caso contrário, não haverá o fechamento correto das contas e seus respectivos valores. Seu princípio fundamental é: não haja devedor sem que haja credor, correspondendo, a cada débito, um crédito de igual valor.

5.3. APLICAÇÃO DAS NORMAS INTERNACIONAIS À CONTABILIDADE NAS PME’S

Em regra geral, o International Accounting Standards Board –IASB – instituiu Normas Internacionais de Contabilidade (International Financial Reporting Standards –

IFRS) a serem aplicadas a todas as empresas sediadas em países que concordaram em convergir para estas Normas, uniformizando a aplicação da Contabilidade no Mundo.

Estas Normas chamadas de IFRS e foram recepcionadas no Brasil, com a publicação das Leis nºs 11.638/2007 e 11.941/2009 e a criação do CPC- Comitê de Procedimentos Contábeis, encarregado de regulamentar, através de Pronunciamentos, Interpretações e Orientações, as regras convergidas. Estas regras convergidas são regulamentadas pelos órgãos reguladores de atividade em especial o Conselho Federal de Contabilidade – CFC.

Nesta esteira de alterações, surgiu a Resolução CFC nº 1.255, de 10/12/2009, determinando regras específicas de convergência às Pequenas e Médias Empresas – PME’s.

Portanto, existem 02 (duas) regras distintas, que deverão ser aplicadas da seguinte forma:

a) para as PME’s Pequenas e Médias Empresas, aplica-se unicamente o que dispõe a Resolução CFC nº 1.255/2009;

b) para as demais empresas, não conceituadas de PME’S, aplicam-se todas as Normas (IFRS full), isto é, o conjunto completo das normas editadas pelo CFC e pelo Ibracon, e recepcionadas pelas Leis nº 11.638/2007 e 11.941/2009.

A Resolução CFC nº 1.255, de 10/12/2009, aprovou a NBC T 19.41 (nomenclatura alterada para a NBC TG 1000), que dispõe sobre a Contabilidade a ser aplicada às Pequenas e Médias Empresas- PME’s, assim como suas características e conceituação, no âmbito da Convergência às Regras Internacionais, que deverão ser compulsoriamente aplicada para os exercícios sociais (períodos contábeis) iniciados a partir de 1º de janeiro de 2010.

Portanto, a Norma editada pelo Conselho Federal de Contabilidade é de observância compulsória, sendo obrigatória para todos os profissionais de contabilidade do Brasil.

5.4. PRINCÍPIOS CONTÁBEIS

Para uma boa administração contábil financeira é mister que saibamos os Princípios de Contabilidade, pois estes representam a essência das doutrinas e teorias relativas à Ciência da Contabilidade, consoante o entendimento predominante nos universos científico e profissional.

Nota: a partir de 02.06.2010, Os "Princípios Fundamentais de Contabilidade (PFC)", citados na Resolução CFC nº 750/93, passam a denominar-se "Princípios de Contabilidade (PC)", por força da Resolução CFC 1.282/2010.

Os princípios são aplicáveis à contabilidade no seu sentido mais amplo de ciência social, cujo objeto é o Patrimônio das Entidades.

São Princípios de Contabilidade:

I) o da ENTIDADE;

II) o da CONTINUIDADE;

III) o da OPORTUNIDADE;

IV) o do REGISTRO PELO VALOR ORIGINAL;

V) o da ATUALIZAÇÃO MONETÁRIA; (Revogado pela Resolução CFC 1.282/2010)

VI) o da COMPETÊNCIA; e

VII) o da PRUDÊNCIA.

O PRINCÍPIO DA ENTIDADE

O Princípio da ENTIDADE reconhece o Patrimônio como objeto da Contabilidade e afirma a autonomia patrimonial, a necessidade da diferenciação de um Patrimônio particular no universo dos patrimônios existentes, independentemente de pertencer a uma pessoa, um conjunto de pessoas, uma sociedade ou instituição de qualquer natureza ou finalidade, com ou sem fins lucrativos.

Por consequência, nesta acepção, o Patrimônio da entidade não se confunde com aqueles dos seus sócios ou proprietários, no caso de sociedade ou instituição.

O PRINCÍPIO DA CONTINUIDADE

O Princípio da Continuidade pressupõe que a Entidade continuará em operação no futuro e, portanto, a mensuração e a apresentação dos componentes do patrimônio levam em conta esta circunstância.

O PRINCÍPIO DA OPORTUNIDADE

O Princípio da Oportunidade refere-se ao processo de mensuração e apresentação dos componentes patrimoniais para produzir informações íntegras e tempestivas.

O PRINCÍPIO DO REGISTRO PELO VALOR ORIGINAL

O Princípio do Registro pelo Valor Original determina que os componentes do patrimônio devem ser inicialmente registrados pelos valores originais das transações, expressos em moeda nacional.

Uma vez integrado ao patrimônio, os componentes patrimoniais, ativos e passivos, podem sofrer variações decorrentes dos seguintes fatores:

a) Custo corrente - Os ativos são reconhecidos pelos valores em caixa ou equivalentes

de caixa, os quais teriam de ser pagos se esses ativos ou ativos equivalentes fossem adquiridos na data ou no período das demonstrações contábeis. Os passivos são reconhecidos pelos valores em caixa ou equivalentes de caixa, não descontados, que seriam necessários para liquidar a obrigação na data ou no período das demonstrações contábeis;

b) Valor realizável - Os ativos são mantidos pelos valores em caixa ou equivalentes de

caixa, os quais poderiam ser obtidos pela venda em uma forma ordenada. Os passivos são mantidos pelos valores em caixa e equivalentes de caixa, não descontados, que se espera seriam pagos para liquidar as correspondentes obrigações no curso normal das operações da Entidade;

c) Valor presente - Os ativos são mantidos pelo valor presente, descontado do fluxo

futuro de entrada líquida de caixa que se espera seja gerado pelo item no curso normal das operações da Entidade. Os passivos são mantidos pelo valor presente, descontado

do fluxo futuro de saída líquida de caixa que se espera seja necessário para liquidar o passivo no curso normal das operações da Entidade;

d) Valor justo - É o valor pelo qual um ativo pode ser trocado, ou um passivo liquidado, entre partes conhecedoras, dispostas a isso, em uma transação sem favorecimentos;

O PRINCÍPIO DA COMPETÊNCIA

O Princípio da Competência determina que os efeitos das transações e outros eventos sejam reconhecidos nos períodos a que se referem, independentemente do recebimento ou pagamento.