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MACROECONOMIA APLICADA À ANÁLISE DO AGRONEGÓCIO

Carlos José Caetano Bacha

Professor Titular da ESALQ/USP

E-mail: carlosbacha@usp.br

Conceito de macroeconomia

A macroeconomia é ramo das Ciências Econômicas que estuda:

1)

os

agregados

econômicos

(definindo-os

e

discutindo

como

2)

mensurá-los); seus comportamentos; e,

 

3)

as relações que guardam entre si.

 

Exemplos de agregados econômicos são: PIB, consumo privado, investimento privado, gastos do governo, exportações,

importações, tributos, taxa de juros e taxa de câmbio.

Neste módulo, dar-se-á atenção ao estudo dos seguintes agregados econômicos: PIB, gastos do governo, tributos, exportações, importações, taxa de juros e taxa de câmbio, definindo-os,

analisando o comportamento de alguns deles e suas relações.

Após a exposição desta parte, o estudante terá uma visão inicial do funcionamento atual da economia brasileira e da importância da agropecuária e do agronegócio dentro da economia brasileira.

Conteúdo

1) Conceito de PIB e sua maneira de ser

mensurado

2) Evolução

da

economia

brasileira

de

1968 a 2014: os ciclos econômicos

 

3) Importância

da

agropecuária

e

do

agronegócio na economia brasileira

4) Instrumentos

de

macroeconômica

5) Inflação no Brasil

política

Bibliografia

BACHA, C.J.C. Entendendo a Economia

Brasileira. Campinas: Editora Alínea, 2015,

3 a edição.

1 - Conceito de PIB e sua maneira

de ser mensurado

Produto Interno Bruto (PIB) é o

valor monetário de todos os bens e

serviços finais produzidos, em um

determinado período de tempo, com os

serviços de fatores de produção

situados dentro dos limites geográficos

de um País.

Maneiras de mensurar o PIB

É

possível

mensurar

todos

os

bens

e

serviços finais na economia?

Que alternativas existem para mensurar o

PIB?

O PIB pode ser mensurado pelos valores adicionados na economia.

Valor adicionado

Valor adicionado é o montante de valor agregado a um bem ou serviço intermediário para se gerar outro bem ou

serviço intermediário ou final.

Valor adicionado = valor bruto da produção

consumo intermediário

Suponha uma economia simples que extraía madeiras de

florestas nativas, as quais são posteriormente serradas e

depois transformadas em móveis para o consumo final ou para exportação. Em cada etapa dessa produção se

utiliza trabalho (para o qual se paga salário), capital

(para o qual se pagam lucros ou juros) e terra ou instalações (para os quais se paga aluguel).

Exemplo de cadeia e valor

adicionado

Árvores

nativas

R$ 20

de cadeia e valor adicionado Árvores nativas R$ 20 VA = R$ 20 Madeiras serradas R$

VA = R$ 20

Madeiras

serradas

R$ 80

nativas R$ 20 VA = R$ 20 Madeiras serradas R$ 80 VA = R$ 60 Móveis

VA = R$ 60

Móveis para consumidor ou exportação

R$ 100

VA = R$ 20

O valor adicionado corresponde aos pagamentos de

salário, lucros, juros e aluguéis em cada etapa produtiva.

O PIB é igual à soma de valores adicionados em todas as etapas produtivas e se iguala ao valor monetário dos bens e serviços finais.

Ou seja, PIB = VA = R$ 20 + R$ 60 + R$ 20 = R$ 100. Pode-se,

portanto, dizer que o PIB é a soma da renda paga sob a forma de

salários, lucros, juros e aluguéis na economia.

PIB CF versus PIB PM

O PIB de uma nação é calculado através da soma dos valores adicionados em cada atividade. Isto dá o conceito de PIB a custo de fatores (PIB CF ). Acrescentando os tributos indiretos (ICMS,

IPI, ISS, PIS e COFINS), tem-se o PIB a preços de mercados, que equivale à soma

dos valores monetários dos bens e serviços

finais negociados no mercado (PIB PM ).

Portanto, PIB PM = PIB CF + II

sendo que II são os tributos indiretos.

A soma de valores adicionados nos dá o

PIB CF .

O conceito de PIB PM é usado para dar o valor do produto de toda a economia e o

conceito de PIB CF é usado para determinar as participações dos setores no PIB.

Há, também, o conceito de PIB per capita = PIB/população residente.

PIB nominal versus PIB deflacionado

O PIB PM da economia brasileira em 2014 foi de R$

5,521 trilhões e de R$ 5,158 trilhões em 2013. Houve

crescimento nominal (em reais correntes) de 7,0% do PIB PM . No entanto, estima-se que o PIB PM real (descontada a inflação) aumentou 0,1% em 2014 em

relação a 2013.

Apesar do crescimento real, em dólar corrente o PIB brasileiro passou de US$ 2,388 trilhões em 2013 para

US$ 2,345 trilhões em 2014 (queda de 1,8%).

Em 2014, a agropecuária (entendida como sendo as atividades desenvolvidas nos estabelecimentos

agropecuários, isto é, "da porteira para dentro") foi

responsável por 5,6% do PIB CF (que não inclui impostos e contribuições indiretos), a indústria por 23,4% e o setor serviços por 71,0% do PIB

Posição do Brasil no PIB mundial

De 11 a maior economia mundial em 2005, o Brasil passou à 8 a maior economia em 2009 e 2010 e foi a 6 a maior economia em 2011, caindo para a 7 a posição em 2012 a 2014.

A melhoria de posição em 2009 foi porque o Brasil sofreu menos com

a crise financeira de 2008 e 2009 do que outros países e teve forte crescimento econômico em 2010. E novamente, em 2011, o Brasil

cresceu mais do que importantes países. Apesar de ter relativo baixo

crescimento do PIB real em 2012 e moderado crescimento em 2013.

O PIB mundial passou de US$ 62,98 trilhões em 2008 para US$ 59,7 trilhões em 2009 (em valores correntes). Tratou-se de uma queda

quase igual ao PIB da Alemanha em 2009 (que tem o 4 O maior PIB do mundo).

No entanto, o PIB do Brasil representava apenas 3,0% do PIB do Mundo em 2014. Os EUA, por exemplo, deteve 22,4% do PIB do Mundo em 2014 e a China, 13,3%.

Fenomenal é o crescimento do PIB chinês, que desde 2010 passou a

ser a segunda maior economia do Mundo. Em 2005, o PIB chinês correspondeu a 4,8% do PIB mundial. Essa importância multiplicou por 2,7 em 2014.

PIB em bilhões de dólares das maiores economias do mundo

País

2005

2006

2007

2008

2009

2010

2011

2012

2013

2014

EUA

13.093,70

13.855,90

14.477,60

14.718,60

14.418,70

14.964,37

15.517,93

16.163,16

16.768,05

17.419,00

China

2.268,59

2.729,78

3.523,09

4.558,43

5.059,42

6.039,66

7.492,43

8.461,62

9.490,60

10.360,11

Japão

4.571,87

4.356,75

4.356,35

4.849,18

5.035,14

5.495,39

5.905,63

5.954,48

4.919,56

4.601,46

Alemanha

2.857,63

2.998,62

3.435,68

3.746,92

3.412,98

3.412,21

3.751,88

3.533,24

3.730,26

3.852,56

Reino Unido

2.412,11

2.582,75

2.963,10

2.791,68

2.308,10

2.407,86

2.592,02

2.614,95

2.678,17

2.941,89

França

2.203,68

2.325,01

2.663,11

2.923,47

2.693,83

2.646,99

2.862,50

2.681,42

2.810,25

2.829,19

Brasil

892,51

1.107,29

1.395,65

1.691,91

1.670,18

2.210,31

2.613,52

2.411,53

2.387,87

2.345,00

Itália

1.853,51

1.943,53

2.204,09

2.391,88

2.186,24

2.126,75

2.278,09

2.075,22

2.136,95

2.144,34

Índia

834,22

946,12

1.238,70

1.224,10

1.365,37

1.708,46

1.835,81

1.831,78

1.861,80

2.066,90

Rússia

764,02

989,93

1.299,71

1.660,85

1.222,64

1.524,92

1.904,79

2.016,11

2.079,02

1.860,60

Canadá

1.164,14

1.310,75

1.457,87

1.542,62

1.370,84

1.614,01

1.788,80

1.832,72

1.838,96

1.786,66

Austrália

693,34

747,21

853,44

1.055,03

926,28

1.141,27

1.388,07

1.534,43

1.560,37

1.453,77

Coréia do

Sul

898,14

1.011,80

1.122,68

1.002,22

901,93

1.094,50

1.202,46

1.222,81

1.305,60

1.410,38

Espanha

1.157,28

1.264,55

1.479,34

1.634,99

1.499,07

1.431,67

1.494,51

1.355,73

1.393,04

1.404,31

México

866,35

966,87

1.043,47

1.101,28

894,95

1.051,13

1.171,19

1.186,66

1.262,25

1.282,72

1.051,13 1.171,19 1.186,66 1.262,25 1.282,72 Fonte: Banco Central do Brasil para Brasil e Banco Mundial

Fonte: Banco Central do Brasil para Brasil e Banco Mundial para demais países.

Nota: em 2005, o Brasil era a 10 a economia mundial e em 2013, a sétima economia mundial.

Exercício 1: a) O PIB brasileiro representou quantos porcentos do

PIB dos EUA em 2014?

b) O PIB brasileiro representou quantos porcentos do PIB

chinês em 2014?

Exercício 1

a) O PIB brasileiro representou quantos porcentos do

PIB dos EUA em 2014?

b) O PIB brasileiro representou quantos porcentos do

PIB chinês em 2014?

Sabe-se que PIB EUA = US$ 17.419,0 bilhões, PIB China = US$ 10.360,11 bilhões e PIB Brasil = US$ 2.345,0 bilhões

Conteúdo

1) Conceito de PIB e sua maneira de ser

mensurado

2) Evolução

da

economia

brasileira

de

1968 a 2014: os ciclos econômicos

 

3) Importância

da

agropecuária

e

do

agronegócio na economia brasileira

4) Instrumentos

de

macroeconômica

5) Inflação no Brasil

política

Determinantes do PIB

Há várias óticas de considerar os determinantes do

PIB, entre as quais se destaca a ótica do dispêndio. Ela mensura o produto pelos componentes que o absorve (pelos bens e serviços demandados).

PIB PM +

M

(pelos bens e serviços demandados). PIB P M + M Oferta Global = C + Ir

Oferta Global

= C + Ir + G + X
=
C
+
Ir
+
G
+
X

Absorção

PIB PM = C + Ir + G + X  M
PIB PM = C
+
Ir
+
G
+
X
M

DAR = Demanda Agregada Realizada

Observe que Ir, G , Xe/ou M  PIB

Definições

PIB PM = PIB a preços de mercado

C = consumo do setor privado

Ir = investimento do setor privado

G = gastos do governo

X = exportações de bens e serviços

M = importações de bens e serviços

T = arrecadação tributária.

Políticas macroeconômicas e PIB

Lembre-se que: PIB PM = C + Ir + G + X M

Podem ocorrer conflitos entre políticas macroeconômicas

e o desejo de crescimento do PIB.

Políticas monetária e cambial visando o controle da inflação implicam aumento da taxa de juros e queda da

taxa de câmbio. Com isso: Ir, Xe/ou M   PIB

Política fiscal de controle do déficit público implica: G

e

Além do conceito de PIB PM há o PIB per capita (= PIB PM dividido pela população residente).

É possível que o PIB PM cresça e o PIB per capita pode

crescer, ficar constante ou diminuir.

T(C ) PIB

EVOLUÇÃO DA ECONOMIA

BRASILEIRA de 1968 a 2014: os ciclos

Classificando:

Crescimento Econômico é a situação na qual PIB (total) e PIB per capita estão crescendo.

Desaceleração Econômica é a situação na qual PIB (total) e PIB per capita crescem a taxas decrescentes.

Estagnação Econômica é quando o PIB per capita

está constante.

Recessão Econômica é a situação na qual o PIB

(total) e o PIB per capita diminuem.

PIB total em milhões

PIB per capita em

reais de 2014

1.3) EVOLUÇÃO DA ECONOMIA BRASILEIRA de 1968 a 2014: os ciclos

Evolução do PIB

6000 5000 4000 3000 2000 1000 0 de Reais de 2014 1968 1970 1972 1974
6000
5000
4000
3000
2000
1000
0
de Reais de 2014
1968
1970
1972
1974
1976
1978
1980
1982
1984
1986
1988
1990
1992
1994
1996
1998
2000
2002
2004
2006
2008
2010
2012
2014

Fonte: IBGE

Ano

PIBpm (R$ milhões de 2014) PIB per capita (R$ de 2014)

PIBpm (R$ milhões de 2014)

PIBpm (R$ milhões de 2014) PIB per capita (R$ de 2014)

PIB per capita (R$ de 2014)

30.000

25.000

20.000

15.000

10.000

5.000

0

PIB total em milhões

PIB per capita em

de Reais de 2014

reais de 2014

1982
1984

1972
1974

1992
1994

2002
2004

2012
2014

1988
1990

1978
1980

1968
1970

1986

1976

2008
2010

2006

1998
2000

1996

1.3) EVOLUÇÃO DA ECONOMIA BRASILEIRA

de 1968 a 2014: os ciclos

6000

5000

4000

3000

2000

1000

0

Evolução do PIB

c

d

 

r

e

r

e

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a

c

c

c

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s

m

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Ano

30.000

25.000

20.000

15.000

10.000

5.000

0

PIBpm (R$ milhões de 2014) PIB per capita (R$ de 2014)

PIBpm (R$ milhões de 2014)

PIBpm (R$ milhões de 2014) PIB per capita (R$ de 2014)

PIB per capita (R$ de 2014)

Fonte: IBGE

Após a recessão de 2009, houve forte crescimento econômico em 2010, seguido de desaceleração de 2011 a 2014. E 2015?

O PIB do Brasil em 2015

As estimativas do FMI (divulgadas em começo de

outubro deste ano) indicam que o PIB do Brasil

reduzirá de 3,0% em 2015 e caíra 1% em 2016.

As estimativas do FMI para o crescimento do PIB

dos demais BRICS para 2015 são:

Rússia (-3,8%), China (6,8%), Índia (7,3%) e África do Sul (1,4%).

Veja

notícia

no

site:

http://www.valor.com.br/brasil/4257942/pib-do-

brasil-deve-recuar-3-em-2015-e-1-em-2016-preve-

fmi

Conteúdo

1) Conceito de PIB e sua maneira de ser

mensurado

2) Evolução

da

economia

brasileira

de

1968 a 2014: os ciclos econômicos

 

3) Importância

da

agropecuária

e

do

agronegócio na economia brasileira

4) Instrumentos

de

macroeconômica

5) Inflação no Brasil

política

Definição de agropecuária

Agropecuária é o grupo de atividades que usam a

terra como fator de produção seja para o plantio de culturas, para a criação de animais, o plantio de florestas, a aquicultura, por exemplo.

Agricultura

passa

a

ser

um

sub-setor

da

agropecuária, e a Pecuária é outro sub-setor da

agropecuária.

Por que é importante distinguir agricultura de

pecuária?

Ambas podem ter desempenhos diferentes e

sofrerem impactos distintos das políticas

econômicas.

Definição de agronegócio

O termo agronegócio é a tradução do termo

agribusiness e se refere ao conjunto de atividades

realizadas pela agropecuária e pelas atividades que lhe fornecem insumos ou industrializam ou

distribuem os produtos agropecuários e

agroindustriais.

O agronegócio é uma agregação de atividades,

divididas em, no mínimo, quatro segmentos.

Esquema do Agronegócio

Seg-

Seg-

mento I

mento II

 

Ofer-

Agro-

tantes

pecuária

de insu-

mos

para a

agrope-

cuária

Seg-

mento

III

Agro-

indústri

as

Seg-

mento

IV

Distri-

buição

Há autores que chamam o segmento I de “indústria para a agricultura” (ou atividades antes da porteira) e o segmento III de “indústria da agricultura”. Mas observe que o Segmento I pode englobar atividades de serviços, e agricultura é distinta de agropecuária. Outra distinção importante é entre CAI (complexo agroindustrial, colocado acima) e SAG (sistema agroindustrial).

3.1 - Análise da Participação da

agropecuária e do agronegócio na

Constituição do PIB CF

O Sistema de Contas Nacionais do

Brasil nos fornece o produto a custo de

fatores de cada setor da economia brasileira, os quais são: agropecuária, indústria e serviços.

3.1.1 - Tendência de participação da

agropecuária no PIB

A tendência histórica da participação da

agropecuária no PIB em qualquer país é de

diminuir, pois a demanda de alimentos é inelástica a variação na renda.

Isto ocorreu no Brasil de 1948 a 1997.

No entanto, de 1997 a 2003, essa participação aumentou devido a quatro fatores: melhora nos

preços recebidos versus preços pagos pela

agropecuária, melhora na relação preços agrícolas versus preços industriais, aumento da produtividade e aumento das exportações.

Gráfico 2 - participação dos setores na composição do PIB brasileiro - 1947 a 2014
Gráfico 2 - participação dos setores na composição do PIB brasileiro - 1947 a 2014
80,0
70,0
60,0
50,0
AGROPECUÁRIA
INDÚSTRIA
40,0
SERVIÇOS
30,0
20,0
10,0
0,0
anos
Fonte: IBGE
percentagem
1947
1949
1951
1953
1955
1957
1959
1961
1963
1965
1967
1969
1971
1973
1975
1977
1979
1981
1983
1985
1987
1989
1991
1993
1996
1998
2000
2002
2004
2006
2008
2010
2012
2014

Há uma tendência histórica de queda da participação da agropecuária no PIB pois a

demanda de alimentos é inelástica a variações na renda. Mas essa queda não é

homogênea. Veja a recuperação de 1997 a 2003 e a crise dos anos 2005 e 2006.

A indústria perde importância a partir de 1987 devido à tercerização (que transfere renda da indústria para os serviços) e a partir de 2011 com a desindustrialização causada pelas importações.

As participações da agropecuária e do setor

serviços no PIB diminuíram no período de 1947 a

1986, enquanto a participação da indústria

aumentava.

De 1986 a 1997, as participações da indústria e da

agropecuária caíram, enquanto aumentou a

participação do setor serviços no PIB. De 1998 a 2003, a situação inversa ocorreu, ou

seja, as participações da agropecuária e da indústria

na composição do PIB aumentaram, enquanto caíram as participações do setor serviços. Nos anos de 2005 e 2006 houve forte queda da importância da agropecuária no PIB, com relativa estabilização desta participação entre 5,2% e 5,7% do PIB PM entre 2007 e 2014.

Exercício 2

Em 1997, as participações da agropecuária e

da indústria no PIB foram, respectivamente,

5,3% e 25,4%. Em 2003, essas participações foram, respectivamente, 7,2% e 27,0%. Quais foram as taxas de crescimento das participações da

no

agropecuária

da

indústria

PIB

e

no

período de 1998 a 2003?

A crise de 2005 e 2006 e os anos seguintes

Os anos de 2005 e 2006 presenciaram significativa redução do PIB da agropecuária em relação a 2004, devido à grande queda de preços de produtos agropecuários, atribuída em parte à

valorização cambial.

A tabela a seguir apresenta as participações dos setores no PIB.

 

2004

2005

2006

2007

2008

2009

2010

2011

2012

2013

2014

Agropecuária

6,7

5,5

5,1

5,2

5,4

5,3

4,9

5,1

5,3

5,6

5,6

Indústria

28,7

28,6

27,8

27,1

27,4

25,7

27,4

27,2

25,4

24,4

23,4

Serviços

64,6

65,9

67,1

67,7

67,2

69,1

67,8

67,7

69,4

70,0

71,0

Em 2004, o PIB PM a preços de 2014 da agropecuária foi de R$ 264,36 bilhões, passando a R$ 223,40 bilhões em 2005 (queda de 15,5%), R$

218,21 bilhões em 2006 (nova queda de 2,3%), recuperando para R$ 233,55 bilhões em 2007, R$ 255,36 bilhões em 2008, R$ 247,81 bilhões em 2009,

R$ 246,24 bilhões em 2010, R$ 270,21 bilhões em 2011, R$ 282,67 bilhões

em 2012, R$ 310,35 bilhões em 2013 e R$ 306,95 bilhões em 2014.

PIB da agropecuária e de seus componentes

PIB da agropecuária e de seus componentes A produção vegetal (agricultura, silvicultura e exploração florestal)

A produção vegetal (agricultura, silvicultura e exploração florestal) representou

67,7% do PIB da agropecuária em 2009 e a produção animal (pecuária e pesca) os

outros 32,3%. Observe que a grande queda de renda da agropecuária em 2005 foi advinda da agricultura, a qual melhora em 2006, com a pecuária tendo piora.

Os setores econômicos são sujeitos, também, a ciclos específicos. Destacam-se a crise da agropecuária em

Os setores econômicos são sujeitos, também, a ciclos

específicos. Destacam-se a crise da agropecuária em 2005 e

2006 e o baixo crescimento industrial a partir de 2005, com queda nos três últimos anos.

O setor serviços é o mais importante na composição do PIB

brasileiro, mas seus componentes têm crescimentos distintos.

As mudanças na composição do

setor serviços

É importante observar as mudanças que têm

ocorrido na composição do setor serviços.

Em períodos de inflação alta, o setor financeiro

teve grande participação na composição do

PIB brasileiro. Diminuindo essa participação

quando a inflação diminuiu.

Outro segmento importante na composição do PIB do setor serviços é o de administrações

públicas.

Gráfico 3 - participação do setor serviços e de seus componenntes no PIB - 1947 a 2014

80,0 70,0 60,0 50,0 40,0 30,0 20,0 10,0 0,0 PERCENTAGEM 1947 1950 1953 1956 1959
80,0
70,0
60,0
50,0
40,0
30,0
20,0
10,0
0,0
PERCENTAGEM
1947
1950
1953
1956
1959
1962
1965
1968
1971
1974
1977
1980
1983
1986
1989
1992
1996
1999
2002
2005
2008
2011
2014

ANO

SERVIÇOS

INST. FINAN.

ADM. PUBLICAS

OUTROS SERV

Participações das instituições financeiras no PIB: 7,8% em 1986,

25% em 1993, 6,8% em 2000 e 6,7% em 2014.

Participações das administrações públicas no PIB: 8,0% em 1986, 11,1% em 1993, 15,5% em 2000 e 16,8% em 2014.

1.5.2 - Participação do agribusiness no PIB brasileiro

Denomina-se de agribusiness ou complexo

agroindustrial (CAI) - termos normalmente

usados como sinônimos - o conjunto de atividades realizadas pela agropecuária e

pelos setores diretamente a ela vinculados.

agroindustrial é o

conjunto formado pela sucessão de

atividades vinculadas à produção e à

transformação de produtos agropecuários.

Portanto,

complexo

o

Visão sistémica da economia

O complexo agroindustrial (CAI) apresenta

uma visão sistêmica da economia,

evidenciando como certos segmentos fornecem insumos à agropecuária e outros

segmentos procedem à transformação

industrial e à distribuição dos produtos in

natura ou transformados.

Esquema do Agronegócio Seg- Seg- Seg- Seg- mento I mento II mento mento   
Esquema do Agronegócio Seg- Seg- Seg- Seg- mento I mento II mento mento   
Esquema do Agronegócio Seg- Seg- Seg- Seg- mento I mento II mento mento   
Esquema do Agronegócio Seg- Seg- Seg- Seg- mento I mento II mento mento   
Esquema do Agronegócio Seg- Seg- Seg- Seg- mento I mento II mento mento   
Esquema do Agronegócio Seg- Seg- Seg- Seg- mento I mento II mento mento   
Esquema do Agronegócio Seg- Seg- Seg- Seg- mento I mento II mento mento   
Esquema do Agronegócio Seg- Seg- Seg- Seg- mento I mento II mento mento   
Esquema do Agronegócio Seg- Seg- Seg- Seg- mento I mento II mento mento   
Esquema do Agronegócio Seg- Seg- Seg- Seg- mento I mento II mento mento   
Esquema do Agronegócio Seg- Seg- Seg- Seg- mento I mento II mento mento   
Esquema do Agronegócio Seg- Seg- Seg- Seg- mento I mento II mento mento   
Esquema do Agronegócio Seg- Seg- Seg- Seg- mento I mento II mento mento   
Esquema do Agronegócio Seg- Seg- Seg- Seg- mento I mento II mento mento   
Esquema do Agronegócio Seg- Seg- Seg- Seg- mento I mento II mento mento   
Esquema do Agronegócio Seg- Seg- Seg- Seg- mento I mento II mento mento   
Esquema do Agronegócio Seg- Seg- Seg- Seg- mento I mento II mento mento   
Esquema do Agronegócio Seg- Seg- Seg- Seg- mento I mento II mento mento   
Esquema do Agronegócio Seg- Seg- Seg- Seg- mento I mento II mento mento   
Esquema do Agronegócio Seg- Seg- Seg- Seg- mento I mento II mento mento   

Esquema do Agronegócio

Esquema do Agronegócio Seg- Seg- Seg- Seg- mento I mento II mento mento    
Esquema do Agronegócio Seg- Seg- Seg- Seg- mento I mento II mento mento    
Esquema do Agronegócio Seg- Seg- Seg- Seg- mento I mento II mento mento    
Esquema do Agronegócio Seg- Seg- Seg- Seg- mento I mento II mento mento    
Esquema do Agronegócio Seg- Seg- Seg- Seg- mento I mento II mento mento    
Esquema do Agronegócio Seg- Seg- Seg- Seg- mento I mento II mento mento    
Esquema do Agronegócio Seg- Seg- Seg- Seg- mento I mento II mento mento    
Esquema do Agronegócio Seg- Seg- Seg- Seg- mento I mento II mento mento    
Esquema do Agronegócio Seg- Seg- Seg- Seg- mento I mento II mento mento    
Esquema do Agronegócio Seg- Seg- Seg- Seg- mento I mento II mento mento    
Esquema do Agronegócio Seg- Seg- Seg- Seg- mento I mento II mento mento    
Esquema do Agronegócio Seg- Seg- Seg- Seg- mento I mento II mento mento    
Esquema do Agronegócio Seg- Seg- Seg- Seg- mento I mento II mento mento    
Esquema do Agronegócio Seg- Seg- Seg- Seg- mento I mento II mento mento    
Esquema do Agronegócio Seg- Seg- Seg- Seg- mento I mento II mento mento    
Esquema do Agronegócio Seg- Seg- Seg- Seg- mento I mento II mento mento    
Esquema do Agronegócio Seg- Seg- Seg- Seg- mento I mento II mento mento    
Esquema do Agronegócio Seg- Seg- Seg- Seg- mento I mento II mento mento    

Seg-

Seg-

Seg-

Seg-

mento I

mento II

mento

mento

 

III

IV

Ofer-

Agro-

tantes

pecuária

Agro-

Distri-

de insu-

indústri

buição

mos

as

para a

agrope-

cuária

pecuária Agro- Distri- de insu- indústri buição mos as para a agrope- cuária
pecuária Agro- Distri- de insu- indústri buição mos as para a agrope- cuária
pecuária Agro- Distri- de insu- indústri buição mos as para a agrope- cuária
pecuária Agro- Distri- de insu- indústri buição mos as para a agrope- cuária
pecuária Agro- Distri- de insu- indústri buição mos as para a agrope- cuária
pecuária Agro- Distri- de insu- indústri buição mos as para a agrope- cuária
pecuária Agro- Distri- de insu- indústri buição mos as para a agrope- cuária
pecuária Agro- Distri- de insu- indústri buição mos as para a agrope- cuária
pecuária Agro- Distri- de insu- indústri buição mos as para a agrope- cuária
pecuária Agro- Distri- de insu- indústri buição mos as para a agrope- cuária
pecuária Agro- Distri- de insu- indústri buição mos as para a agrope- cuária
pecuária Agro- Distri- de insu- indústri buição mos as para a agrope- cuária
pecuária Agro- Distri- de insu- indústri buição mos as para a agrope- cuária
pecuária Agro- Distri- de insu- indústri buição mos as para a agrope- cuária
pecuária Agro- Distri- de insu- indústri buição mos as para a agrope- cuária
pecuária Agro- Distri- de insu- indústri buição mos as para a agrope- cuária
pecuária Agro- Distri- de insu- indústri buição mos as para a agrope- cuária
pecuária Agro- Distri- de insu- indústri buição mos as para a agrope- cuária
pecuária Agro- Distri- de insu- indústri buição mos as para a agrope- cuária
pecuária Agro- Distri- de insu- indústri buição mos as para a agrope- cuária
pecuária Agro- Distri- de insu- indústri buição mos as para a agrope- cuária
pecuária Agro- Distri- de insu- indústri buição mos as para a agrope- cuária
pecuária Agro- Distri- de insu- indústri buição mos as para a agrope- cuária
pecuária Agro- Distri- de insu- indústri buição mos as para a agrope- cuária
pecuária Agro- Distri- de insu- indústri buição mos as para a agrope- cuária

Dimensão do agronegócio

Os dados das Contas Nacionais sobre a participação da agropecuária no PIB brasileiro só computam as atividades realizadas da “porteira

para dentro”. Se for adotado o conceito de complexo agroindustrial,

tem-se uma participação maior do agronegócio no PIB.

Tabela: Participação da agropecuária e do agronegócio no PIB

brasileiro

 

1959

2002

2003

2004

2005

2006

2007

2008

2009

2010

2011

2012

2013

2014

Agropecuária

17,2

6,4

7,2

6,7

5,5

5,1

5,2

5,4

5,3

4,9

5,1

5,3

5,6

5,6

Agronegócio

52,8

25,0

26,3

25,5

23,6

22,8

23,2

23,8

22,5

22,5

23,1

22,2

22,5

22,4

Fonte: IBGE e CEPEA

A queda de importância do agronegócio no PIB em 2005 (em 1,9 p.p.) em relação a 2004 deveu-se, principalmente, à crise da agropecuária em 2005 (-1,2 p.p.).

Exercício 3

3.a) Calcule a relação (participação do PIB

do agronegócio/participação do PIB da

agropecuária) em 1959 e em 2014.

3.b) O que essa relação indica?

60,00 50,00 40,00 30,00 20,00 10,00 0,00 Ano Fonte: Montoya e Guilhoto (1999), Furtuoso e
60,00
50,00
40,00
30,00
20,00
10,00
0,00
Ano
Fonte: Montoya e Guilhoto (1999), Furtuoso e Guilhoto (2001) e CEPEA.
Percentagem
1959
1970
1975
1980
1985
1990
1994
1995
1996
1997
1998
1999
2000
2001
2002
2003
2004
2005
2006
2007
2008
2009
2010
2011
2012
2013
2014

A tendência geral é do agronegócio perder importância no PIB da economia brasileira, mas com flutuações de um ano a outro. O agronegócio passou de 52,8% do PIB brasileiro em 1959 para 22,4% em

2014. Por que o agronegócio aumentou de importância no PIB brasileiro

de 2000 a 2003?

Dimensão do agronegócio na economia

Por que há uma tendência à redução do

agronegócio na economia brasileira até a

década de 1990?

 

A

demanda

de

alimentos

é

inelástica

a

variações da renda.

 

Como se mensura o agronegócio?

 

Qual

é

a

dimensão

do

agronegócio

em

outros países?

Importância do agronegócio no PIB

de alguns países 1997

País

%

Argentina

32,20

Brasil

28,07

Chile

32,10

Colômbia

32,10

Costa Rica

32,50

México

24,50

Holanda

8,70

EUA

8,10

Fonte: dados apresentados por Guilhoto (1999)

Dimensão do agribusiness nas regiões do

Brasil

O agronegócio pode ter:

Importância Brasil,

A importância do agronegócio em uma mesma

região ao longo do tempo pode aumentar, diminuir

do

diferente

distintas

regiões

nas

ou ficar estável,

Os componentes do agronegócio podem ter diferentes composições entre as regiões,

A participação do agronegócio entre os estados de

uma mesma região em um mesmo ano pode ser muito diferente.

Participação do agronegócio no PIB das regiões

e do Brasil 1995 e 2004 (valores em %)

 

1995

2004

Norte

26,2

33

Nordeste

28,3

29

Centro-Oeste

38,1

45

Sudeste

23,2

21

Sul

52,5

49

Brasil

30,4

30

Fonte: Parré (2000, p. 99) e Guilhoto et al. (2007, p. 40)

Observação: os dados deste slide e dos próximos sobre o agronegócio consideram a série anterior de PIB do IBGE e, portanto, superdimensionam a importância do agronegócio no PIB em relação à série atual. Por exemplo, pela

série atual a importância do agronegócio no PIB do Brasil foi de 25,7% em 2004.

Importância dos segmentos do agronegócio por região

Tabela 3 - Participação do agronegócio no PIB regional e sua distribuição segundo os

segmentos Brasil 1995

Região

Norte

Nordeste

Centro-Oeste

Sudeste

Sul

Brasil

Participações dos segmentos no PIB do agribusiness

Participação

Segmento I

Segmento II

Segmento III

Segmento IV

do

 

agribusiness

no PIB

14,3

40,1

19,0

26,5

26,2

12,1

37,5

14,5

35,8

28,3

28,3

39,4

7,2

25,0

38,1

15,3

23,3

19,7

41,7

23,2

20,1

29,6

19,9

30,4

52,5

17,6

29,5

17,7

35,1

30,4

15,3 23,3 19,7 41,7 23,2 20,1 29,6 19,9 30,4 52,5 17,6 29,5 17,7 35,1 30,4
15,3 23,3 19,7 41,7 23,2 20,1 29,6 19,9 30,4 52,5 17,6 29,5 17,7 35,1 30,4
15,3 23,3 19,7 41,7 23,2 20,1 29,6 19,9 30,4 52,5 17,6 29,5 17,7 35,1 30,4
15,3 23,3 19,7 41,7 23,2 20,1 29,6 19,9 30,4 52,5 17,6 29,5 17,7 35,1 30,4
15,3 23,3 19,7 41,7 23,2 20,1 29,6 19,9 30,4 52,5 17,6 29,5 17,7 35,1 30,4
15,3 23,3 19,7 41,7 23,2 20,1 29,6 19,9 30,4 52,5 17,6 29,5 17,7 35,1 30,4
15,3 23,3 19,7 41,7 23,2 20,1 29,6 19,9 30,4 52,5 17,6 29,5 17,7 35,1 30,4
15,3 23,3 19,7 41,7 23,2 20,1 29,6 19,9 30,4 52,5 17,6 29,5 17,7 35,1 30,4

Fonte: Parré (2000, p. 99).

Observação: a última coluna não é a soma da linha. A última coluna é a importância do agronegócio no PIB de cada região e os dados das colunas 2 a 5 são a importância de cada segmento no valor da última coluna.

Importância do agronegócio em nível de Estado

ano de 2004 (é a percentagem do agronegócio no

PIB do Estado)

Região Norte (33%): AC (25,15%), AP (15,37%), AM (22,35%), PA (44,93%), RO (43,43%), RR (19,50%) e TO

(36,25%).

Região Nordeste (29%): AL (34,37%), BA (31,87%), CE (25,45%), MA (32,42%), PB (40,04%), PE (23,55%), PI

(29,14%), RN (29,26%) e SE (20,42%).

Região Sudeste (21%): ES (29,06%), MG (24,59%), RJ (7,35%) e SP (25,59%).

Região Sul (49%): PR (44,82%), SC

(54,46%)

RS

e

(49,22%).

Região Centro - Oeste (45%): DF (3,83%), MT (67,13%), MS (78,56%) e GO (58,04%)

Fonte: Guilhoto et al. (2007, p. 88 a 171)

Exercício 4

Considerando as informações para a

importância do agronegócio nos PIB dos

estados brasileiros em 2004, qual era o estado que apresentava a maior importância

do agronegócio na economia estadual? Em que estado o agronegócio era menos

importante na economia estadual em 2004?

Importância das regiões no PIB total e no PIB do agronegócio brasileiro (valores em %)

região

Importância da região no PIB do agronegócio do Brasil

Importância da região no PIB total do Brasil

Norte

5,9

5,3

Nordeste

13,7

14,1

Centro-Oeste

11,4

7,5

Sudeste

39,2

54,9

Sul

29,8

18,2

Brasil

100

100

Outros indicadores de importância do agronegócio ou da agropecuária na economia brasileira

Até agora foi dada atenção apenas ao PIB como indicador da importância de um setor

(agropecuária ou agronegócio) na economia.

No entanto, outros indicadores também

podem ser considerados, como por exemplo:

número de empregados, importância na geração das exportações ou do saldo

comercial, número de empresas.

Esses outros indicadores dão à agropecuária ou ao agronegócio uma importância muitas vezes maior

do que se apenas considerar a parcela do PIB que

esses setores geram.

Por exemplo, os trabalhadores da agropecuária representaram 28,3% das pessoas ocupadas no

Brasil em 1992, 24,2% em 1999, 20,6% em 2001,

19% em 2003, 16,8% em 2008 e 13,6% em 2013.

Apesar de estar ocupando menos pessoas (devido a sua modernização), a agropecuária tem maior importância na geração de emprego (13,6% em 2013) do que de PIB (5,6% em 2013).

Importância da agropecuária: 18,4 milhões de ocupadas pessoas em 1992 ( 28 ,3% do total)

Importância da agropecuária:

18,4 milhões

de ocupadas

pessoas

em

1992

(28,3%

do total) e 12,8

milhões empregadas em 2013 (13,6%).

Os segmentos II e III do agronegócio têm mantido, desde

2008, uma importância entre 30% e 40% no total exportado

pelo Brasil, tendo balança comercial positiva e crescente.

Participação dos produtos agropecuários e agroindústriais nas exportações brasileiras 100,0 90,0 80,0 % 70,0
Participação dos produtos agropecuários e
agroindústriais nas exportações brasileiras
100,0
90,0
80,0
%
70,0
60,0
50,0
40,0
30,0
20,0
10,0
0,0
Ano
1961
1964
1967
1970
1973
1976
1979
1982
1985
1988
1991
1994
1997
2000
2003
2006
2009
2012

Apesar da queda de importância dos produtos agropecuários e agroindústriais

no total exportado pelo Brasil de 1961 (quando foi de 87% do total exportado

pelo Brasil) até 1986 (quando esse percentual foi de 38,4%), nos últimos dez anos essa percentagem varia entre 30% e 40%. Chegou a ser 38,4% em 2009, mesmo percentual de 1986. Em 2012, ele foi de 36,1%.

Gráfico 7.2 Evolução das exportações e importações de produtos da agropecuária e da agroindústria- 1961
Gráfico 7.2
Evolução das exportações e importações de produtos da
agropecuária e da agroindústria- 1961 a 2012
95.000
90.000
85.000
80.000
75.000
70.000
65.000
60.000
55.000
50.000
45.000
40.000
35.000
30.000
25.000
20.000
15.000
10.000
5.000
0
exportação
Ano
importação
Fonte: FAO e IPEA.
de US$Milhões
1961
1963
1965
1967
1969
1971
1973
1975
1977
1979
1981
1983
1985
1987
1989
1991
1993
1995
1997
1999
2001
2003
2005
2007
2009
2011

As exportações dos produtos agropecuários e agroindustriais (dos segmentos II e III do agronegócio brasileiro) sempre ultrapassam as importações. Em 2000, essas exportações totalizaram US$ 16 bilhões e as importações, US$ 5,2 bilhões. Em 2012, essas exportações foram de US$ 87,6 bilhões e as

importações de US$ 12,2 bilhões.

Milhões de US$

Gráfico 7.3 Evolução da balança comercial brasileira - 1961 a 2012

100000

80000

60000

40000

20000

0

-20000

-40000

-60000

1961 1964 1967 1970 1973 1976 1979 1982 1985 1988 1991 1994 1997 2000 2003
1961
1964
1967
1970
1973
1976
1979
1982
1985
1988
1991
1994
1997
2000
2003
2006
2009

Fontes: FAO e Ipea.

Ano

agropecuária+agroindústria

não-agrícola

total

Balança comercial = exportações importações

A balança comercial dos segmentos II e III do agronegócio brasileiro é sempre superavitária. Em 2012, o saldo dessa balança foi de US$ 76,5 bilhões, contra o déficit de US$ 46,7 bilhões dos produtos não agropecuários e não agroindustriais.

Conteúdo

1) Conceito de PIB e sua maneira de ser

mensurado

2) Evolução da economia brasileira de 1968

a 2014: os ciclos econômicos

3) Importância

da

agropecuária

e

do

agronegócio na economia brasileira

4) Instrumentos

de

macroeconômica

5) Inflação no Brasil

política

4 Políticas macroeconômicas

principais

As

políticas

macroeconômicas

são:

Política fiscal

Política monetária

Política cambial

Política de rendas

Política comercial

4.1 - A Política Fiscal

A política fiscal se refere às

decisões sobre tributação e gastos

por cada uma das esferas de poder

público (o Governo Federal, os

Governos Estaduais e os Governos

Municipais).

Há três tipos de tributos: taxa,

contribuição e impostos.

Taxa

• “Taxa é a denominação que se dá ao tributo

que tem como fato gerador o exercício, pelo

governo, do poder de polícia e de fiscalização, ou o custeio de determinado serviço público

posto à disposição da comunidade de modo

geral”.

Exemplos: taxa de coleta

licenciamento de veículos.

de lixo, taxa

de

Contribuição

• “Contribuição é uma denominação aplicada aos

tributos destinados a custear serviços públicos

recebidos diretamente pelo contribuinte”, seja no

passado ou no futuro.

Há dois tipos de contribuições: as contribuições sociais

e as contribuições de melhorias.

Contribuições sociais: pagamentos ao INSS.

Contribuições de melhoria: ressarcimento ao setor

público por melhorias de infraestrutura econômica.

Impostos

• “Imposto é a denominação que se dá ao

tributo que tem como fato gerador um

fenômeno econômico independente de qualquer atividade estatal”. Há dois tipos de impostos:

os impostos diretos

os impostos indiretos

Os impostos diretos são aqueles que incidem sobre a renda ou sobre o

patrimônio dos indivíduos ou firmas.

São exemplos de impostos diretos:

o Imposto de Renda Sobre Pessoa Física

(IRPF) e Sobre Pessoa Jurídica (IRPJ),

o Imposto sobre a Propriedade Territorial

Rural (ITR),

o Imposto Predial e Territorial Urbano (IPTU), e

o

de

Imposto

sobre

Propriedade

a

Veículos Automotores (IPVA).

Os impostos indiretos são aqueles

cobrados nas transações econômicas e

que são repassados aos preços dos bens e serviços.

Exemplos de impostos indiretos são:

Imposto

sobre

a

Circulação

de

Mercadorias

e

sobre

Serviços

de

Transportes e Comunicações (ICMS), e

Imposto

sobre

Industrializados (IPI).

Produtos

Carga Tributária Bruta

Produto

Interno

Bruto

(PIB)

é

a

renda

gerada na

economia sob as formas de salários, lucros, juros e aluguéis ao longo de um período, por exemplo, um ano.

Carga Tributária Bruta é a relação tributos/PIB.

 

CTB é crescente no Brasil. Na tabela a seguir os valores estão em percentagens.

2000

2001

2002

2003

2004

2005

2006

2007

2008

2009

2010

2011

2012

2013

2014

29,46

30,67

32,36

32,16

33,19

33,75

33,94

33,97

34,00

32,93

33,19

34,11

33,88

35,04

35,42

Fonte: IBPT para dados de 2000 a 2014 (exceto o dado de 2011 que é

oriundo do MF). Nota: as percentagens desta tabela não incluem os royalties. Esses valores de CTB consideram a nova série do PIB.

Exercício 5

Quantos pontos percentuais aumentou a carga

tributária bruta no Brasil entre 2000 e 2014?

Qual foi a taxa de crescimento percentual da

carga tributária bruta?

4.2 - A Política Monetária

A política monetária diz respeito ao

controle do governo sobre a oferta de

moeda. Através disso, o Governo Federal influencia a determinação da taxa de juros.

A política monetária é de uso exclusivo

do governo federal e é executada pelo

Banco Central do Brasil.

A taxa de juros

A taxa de juros é o valor (preço) do

aluguel do dinheiro.

Esse preço é fixado como uma

percentagem do valor emprestado.

A taxa de juros é fixada no mercado através do cruzamento das curvas de

oferta e demanda de moeda.

Influência do Banco Central

O BACEN não fixa a taxa de juros.

Quem fixa a taxa de juros é o mercado.

O BACEN tem a capacidade de alterar

a curva de oferta de moeda. Assim

atuando, o BACEN conduz o mercado a aumentar ou diminuir a taxa de juros.

Os intermediários financeiros

Os bancos comerciais são intermediários no repasse de recursos entre os agentes

econômicos.

Eles tomam recursos dos agentes com

orçamentos superavitários e os repassa aos

agentes com orçamentos deficitários.

Os bancos cobram um spread entre a taxa

de juros de captação e a taxa de juros de

empréstimo.

Taxas de empréstimo e de captação

Taxa de juros de empréstimo = [(1 + taxa de

juros de captação)(1 + spread)] 1

Com taxas em valores decimais.

Exemplo.

A taxa de juros apresentada dois slides atrás

é a média vigente para toda a economia (média entre taxas de empréstimos e

captação).

Existem várias taxas de empréstimos e de captação, diferentes para pessoas físicas e

jurídicas.

Taxa de juros nominal e real

A equivalência entre taxas de juros real

e nominal e a taxa de inflação obtém-se

através da seguinte equação:

(1+r*)(1+) = (1+r)

onde: r* é a taxa de juros real em

valores decimais, é a taxa de inflação

taxa de

juros nominal em valores decimais.

em valores

decimais

é

e

r

a

Taxa de juros nominal e real

Taxa de juros nominal e real

Taxa de juros nominal e real

Considere o seguinte exemplo: r = 45%

= 0,45

a taxa de juros real é:

= 100% = 1. Nesse caso,

e

nominal e real • Considere o seguinte exemplo: r = 45% = 0,45 a taxa de

negativa

significa um subsídio ao tomador de

empréstimo, sendo que ocorre uma

transferência de renda do agente que

concede o

crédito.

tomador de

Uma

taxa

de

juros

real

crédito

ao

No exemplo acima, observe que o

tomador de empréstimo deveria

devolver, no mínimo, R$ 2,00 para cada

R$ 1,00 tomado de empréstimo

(considerando correção monetária de 100% devido a inflação).

Porém, o tomador de empréstimo

devolveu apenas R$ 1,45. Assim, dos R$ 2,00, apenas R$ 1,45 foi devolvido, havendo a transferência de R$ 0,55.

Portanto, dos R$ 2,00, R$ 0,55 foi

transferido do emprestador para o

tomador de crédito. Isto dá subsídio de

0,55/2 igual a 27,5%.

Evolução das taxas de juros

no Brasil

Desde 1995, com a queda das taxas de

inflação, a tendência tem sido de

redução das taxas de juros nominais (gráfico a seguir).

No entanto, as taxas de juros reais

ainda se mantêm positivas.

O valor da taxa de juros real depende

muito do índice de inflação considerado no cálculo.

Evolução das taxas de juros nominal e real efetiva taxa Selic janeiro de 1995 a dezembro de 2014

1o. Gov. FHC 2o. Gov. FHC 1o. Gov. Lula 2o. Gov. Lula 1o. Gov. Dilma
1o. Gov. FHC
2o. Gov. FHC
1o. Gov. Lula
2o. Gov. Lula
1o. Gov. Dilma
5
4
3
2
1
0
-1
-2
-3
-4
-5
Mês
taxa de juros real-IGP
taxa de juros real-FIPE
taxa de juros nominal
Percentagem
1995
01
1995
07
1996
01
1996
07
1997
01
1997
07
1998
01
1998
07
1999
01
1999
07
2000
01
2000
07
2001
01
2001
07
2002
01
2002
07
2003
1
2003
7
2004
01
2004
07
2005
01
2005
07
2006
01
2006
07
2007
1
2007
07
2008.01
2008.07
2009.1
2009.7
2010.1
2010.7
2011.01
2011.07
2012.01
2012.07
2013.01
2013.07
2014.01
2014.07
2012.01 2012.07 2013.01 2013.07 2014.01 2014.07 Taxas de juros deflacionadas pelo IGP-DI: 1 o mandato
2012.01 2012.07 2013.01 2013.07 2014.01 2014.07 Taxas de juros deflacionadas pelo IGP-DI: 1 o mandato
2012.01 2012.07 2013.01 2013.07 2014.01 2014.07 Taxas de juros deflacionadas pelo IGP-DI: 1 o mandato
2012.01 2012.07 2013.01 2013.07 2014.01 2014.07 Taxas de juros deflacionadas pelo IGP-DI: 1 o mandato
2012.01 2012.07 2013.01 2013.07 2014.01 2014.07 Taxas de juros deflacionadas pelo IGP-DI: 1 o mandato
2012.01 2012.07 2013.01 2013.07 2014.01 2014.07 Taxas de juros deflacionadas pelo IGP-DI: 1 o mandato
2012.01 2012.07 2013.01 2013.07 2014.01 2014.07 Taxas de juros deflacionadas pelo IGP-DI: 1 o mandato
2012.01 2012.07 2013.01 2013.07 2014.01 2014.07 Taxas de juros deflacionadas pelo IGP-DI: 1 o mandato
2012.01 2012.07 2013.01 2013.07 2014.01 2014.07 Taxas de juros deflacionadas pelo IGP-DI: 1 o mandato
2012.01 2012.07 2013.01 2013.07 2014.01 2014.07 Taxas de juros deflacionadas pelo IGP-DI: 1 o mandato
2012.01 2012.07 2013.01 2013.07 2014.01 2014.07 Taxas de juros deflacionadas pelo IGP-DI: 1 o mandato
2012.01 2012.07 2013.01 2013.07 2014.01 2014.07 Taxas de juros deflacionadas pelo IGP-DI: 1 o mandato

Taxas de juros deflacionadas pelo IGP-DI: 1 o mandato FHC: 1,01% a.m; 2 o mandato FHC: 0,25% a.m.; 1 o mandato Lula: 0,92% a.m.; 2 o mandato Lula: 0,34% a.m; 1 o mandato de Dilma: 0,33% a.m. Usando IPC-FIPE as taxas, foram, respectivamente,

1,32%, 0,91%, 0,97%, 0,45% e 0,37% a.m

Claramente, as taxas de juros reais

foram menores no 2 o governo Lula e no 1 o governo Dilma, mas ainda positiva e altas em relação a outros países.

Taxa de juros real básica projetada (% a.a.)

País

Taxa ao ano em

20/04/05

Brasil

12,9

Turquia

7,3

África do Sul

5,2

Hungria

5,1

México

4,6

Austrália

3,7

Israel

3,1

Inglaterra

3,0

Polônia

2,8

China

2,4

País

Taxa ao ano em

País

Taxa ao ano em

29/04/09

22/01/15

China

6,6

Rússia

6,4

Hungria

6,4

Brasil

5,4

Brasil

5,8

Índia

3,4

Argentina

4,3

China

3,2

Turquia

1,7

Hungria

1,8

Portugal

1,7

Colômbia

1,6

Tailândia

1,5

Indonésia

1,2

Taiwan

1,4

Taiwan

1,1

Espanha

1,4

Polônia

1,0

França

0,9

Turquia

0,6

4 Políticas macroeconômicas

principais

As

políticas

macroeconômicas

são:

Política fiscal

Política monetária

Política cambial

Política de rendas

Política comercial

4.3 - A Política Cambial

A política cambial refere-se à

determinação da taxa de câmbio.

A política cambial, de modo

semelhante à política monetária, é

de uso exclusivo do governo

federal e é executada pelo Banco

Central do Brasil.

Conceito de taxa de câmbio

O conceito de taxa de câmbio utilizado na economia brasileira é o conceito britânico de taxa de câmbio () e se refere à quantidade de unidades monetárias brasileiras (isto é, a

quantidade de reais) trocadas por cada

unidade de moeda estrangeira.

Assim, dizia-se que no Brasil se trocavam

R$ 1,69 por cada unidade de dólar em

dezembro de 2010.

Desvalorização e

Valorização do real:

Situação inicial (maio de 2015):

R$ 3,06 = US$ 1.00

Desvalorização do real:

 

R$ 3,37 = US$ 1.00

()

Valorização do real:

R$ 2,75 = US$ 1.00

()

Exercício 6

Em fevereiro de 2003, a taxa de câmbio era R$ 3,50 por US$ 1.00. Em dezembro de 2010 a taxa de câmbio

foi de R$ 1,69 por US$ 1.00. Qual foi a taxa de

valorização cambial nesse período?

Quem perdeu e quem ganhou com essa valorização

cambial?

Efeitos esperados da variação cambial

Efeitos esperados:

Desvalorização cambial: 

Valorização cambial: 

Q X

Q M   m

x

Q X x Q M  m

Seja:

PE R$ = o preço bruto em reais recebido pelo exportador brasileiro.

PE US$ = o preço bruto em dólar recebido pelo exportador brasileiro.

PM R$ = o preço em reais pago pelo importador brasileiro.

PM US$ = o preço em dólar pago pelo importador brasileiro.

= taxa de câmbio (quantidade de reais trocados por cada unidade de dólar).