UNIVERSIDADE FEDERAL DO RIO GRANDE DO SUL

PROGRAMA INSTITUCIONAL DE BOLSA DE INICIAÇÃO A DOCENCIA
SUB-PRJETO GEOGRAFIA - 2016
ORIENTADOR: PROF DR ANTONIO CARLOS CASTROGIOVANNI
PROJETO DESENVOLVIDO COM OS BOLSISTAS – PIBID – GEOGRAFIA
PROPOSTA DE PLANO DE ATIVIDADE – Texto: o filme: “Quanto Vale ou é
por Quilo?”
ORIENTADOR: Prof. Dr. Antonio Carlos Castrogiovanni
BOLSISTAS: Bruno Mazzoni, Claudia Escouto, Fábio Rodrigues, Gabriel
Toja , Manoela Rodrigues, Marina V. Leonahrdt, Pablo Prandini, , Larissa
Oyarzabal, Talita Bortolini.
PIBID Geografia UFRGS – Aplicado na EEEM IRMÃO PEDRO – Porto
Alegre/RS – 2016 – Primeiro Semestre.

Introdução
A comunicação pode ser entendida como o símbolo do século XXI. É
fundamental o professor ter mais clareza sobre o que é comunicação e como
podemos nos comunicar em sala de aula (CASTROGIOVANNI, 2007). O avanço
tecnológico aplicado à comunicação, como filmes, por exemplo, possibilitou uma
verdadeira revolução nas possibilidades de ensinar e aprender. Por outro lado,
em qualquer proposta de práticas de fazer pedagógico, deve haver o
entendimento por parte do professor do que é do que deve ser a Geografia
enquanto espaço curricular. Um filme não foi feito para ser um texto geográfico,
portanto cabe ao professor geografizá-lo. Não podemos esquecer que, o mundo,
como conhecemos e o experienciamos, isto é, o mundo representado e não o
mundo em si mesmo, é constituído através de processos de comunicação, entre
eles está a produção de filmes. O emprego de diferentes linguagens, como o
cinema, visa aproximar o ensino da Geografia do cotidiano dos sujeitos,
auxiliando a refletir sobre a construção do espaço geográfico e a sua
historicidade. Como pontua Cousin (2012) somente conseguiremos
compreender o contexto local, enxergando-nos como sujeitos pertencentes ao
espaço e responsáveis pela a sua configuração é que, nós, seres humanos,
possuímos condições de nos tornarmos reflexivos e buscarmos a construção de
um processo de emancipação. A partir destas prerrogativas é que
apresentamos esta proposta, enquanto atividade ligada ao plano de trabalho do
grupo PIBIDGEA – UFRGS.
PROCESSO PEDAGÓGICO
Inicialmente assistimos ao filme brasileiro (lançado em 2005), do gênero drama
“Quanto vale ou é a quilo”? dirigido por Sérgio Bianchi. As histórias contidas no
filme são trechos de documentários e pequenos contos, baseados em crônicas
1

de Nireu Cavalcanti, todas documentadas e extraídas do Arquivo Nacional do
Rio de Janeiro – sendo possível confirmar as datas e os dados apresentados no
site do Ministério da Justiça (http://www.arquivonacional.gov.br/).
O filme, que é um texto, traça um paralelo entre a vida no período da escravidão
e a sociedade brasileira contemporânea, focalizando as semelhanças existentes
no contexto social e econômico das duas épocas. A ação se movimenta entre
esses dois períodos históricos ao mesmo tempo – a obra traz muitos atores afrobrasileiros – e apresenta cenas praticamente reias e que classificaríamos como
fortes. Aborda o aborto de uma escrava fugida ao ser presa, violência velada,
racismo, desvalorização dos negros no mercado de trabalho, crimes cometidos
por um estado paralelo. A proposta é questionar o que mudou (e se algo mudou)
no contexto social da época da escravidão aos dias atuais e como se organiza o
que chamamos de espaço geográfico invisível – relações que se constroem em
favor de interesses particulares.
Após assistirmos ao filme, foi realizado um debate e proposto aos bolsistas
elaborar um roteiro de atividades tendo como base a obra assistida. Chegando
à conclusão provisória que o filme seria demasiadamente denso para as séries
inicias, contudo, próprio para uma discussão com o Ensino Médio. Além disso,
houve a sugestão de que trechos do filme (que não contivessem cenas tão
intensas) poderiam ser utilizados para séries do sexto ao nono ano.

1- OBJETIVOS
(Re)construir os conceitos do campo da Geografia a partir do filme (texto):
“Quanto vale ou é por quilo”, traçando aproximações com outras áreas do
conhecimento e contextualizando com os fatos contemporâneos. Observar nas
cenas do filme os conflitos sociais trazidos e refletir sobre a existência e
possíveis soluções para os mesmos. Analisar os contrastes dos espaços
urbanos e a segregação social. Avaliar a (des)ordenação espacial que se
processa através de instituições legais e que acabam servindo para a
manutenção de forças que privilegiam alguns sujeitos. Através da reprodução do
filme, debates em sala de aula, construir uma cena marcante e produzir texto:
redação/desenho/música. Assim, entender provisoriamente que o espaço é
(re)construído constantemente por forças, muitas vezes antagônicas, onde a
relação dominado x dominante parece se manter. Aplica-se na contextualização
dos estudos de geografia da população, urbana, econômica e política. Pode ser
utilizado como um texto interdisciplinar.
Observamos que o filme facilita a compreensão do processo de ocupação
histórico-sociais da população negra/desfavorecidos economicamente no
espaço brasileiro.
2- CONTEÚDOS TRABALHADOS

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Geografia da população: Econômica, Urbana, Conflitos.
População do Brasil.
Escravidão no Brasil.
Distribuição de renda/injustiças sociais.
Atuação de Organizações Não Governamentais.
Relações de Trabalho.
Estados Paralelos.

3- DESENVOLVIMENTO DAS PROPOSTAS DE TRABALHO
Proposta 1

1° Momento: PERGUNTAS DESEQUILIBRANTES: Trazer perguntas para
iniciar uma reflexão sobre o que será apresentado no filme, sem diretamente
mencioná-lo.
No Brasil existe mais preconceito social ou racismo? Ou, você se considera
racista ou não? Por quê? – A partir das respostas trabalhamos os conceitos de
preconceito social e racismo.
2º Momento - ASSISTIR AO FILME: “Quanto vale ou é por aquilo”, e, com
a possibilidade de fazer intervenções durante a sua reprodução, chamando a
atenção para os movimentos temporais que o filme oferece.
3º Momento ANÁLISE DO FILME: Em duplas, deverão escolher uma cena do
filme que será recriada em sala de aula. Podendo ser encenada só pelo grupo
ou com o auxílio de toda turma,( re)textualizada através de outras formas de
comunicação Justificar a escolha da cena.
4° Momento: PRODUÇÃO: Os alunos devem escolher uma personalidade seja
um personagem histórico ou da vida particular, que seja negro e/ou represente
a luta contra o racismo e discriminação social. Produzir uma redação, música ou
desenho trazendo o porquê desse sujeito ser representativo e se há identificação
com o personagem.
5° Momento: APRESENTAÇÃO: Em roda, cada aluno apresentará sua produção
podendo haver contribuições do professor e de seus colegas. De modo que
todos passem a conhecer os diversos personagens escolhidos pelos colegas,
(com contribuições feitas pelo professor entre as produções dos alunos e os
temas trabalhados).
Proposta 2
1º Momento – DISCUTINDO O TEMA: Violência na periferia
Inicialmente, começamos mostrando algumas notícias ligadas às manchetes
sobre a violência urbana. Procuramos mostrar, provisoriamente, a realidade dos
grupos étnico/sociais que mais sofrem em nossa sociedade. Junto disso,
mostramos 3 tipos de anúncios de jornal de épocas distintas: anúncio de
escravo, da venda de um automóvel e de oferta de emprego. Qual é a relação
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entre eles? E quais são as semelhanças e diferenças tempo espaciais. A
intenção é de mostrar e refletir sobre a relação dominado e dominante, vigente
desde o período da escravatura, e que permanece na sociedade contemporânea
capitalista, com uma nova aparência.
2º Momento - CRIAR ROTEIRO: Construir um roteiro com cenas que sejam
pontos de observação do filme:
Cena 1 – apresentação dos instrumentos de tortura do período da escravatura.
Durante o filme anotar os nomes destes instrumentos e qual é a função de cada
um. Hoje há ou não instrumentos de tortura em nossa sociedade?
Cena 2 – escrava que é comprada pela amiga/branca/proprietária de escravos
para depois ser alforriada. Hoje como nós compramos, muitas veze4s, a nossa
liberdade?
Solicitar que os alunos durante o filme, descrevam como essa relação de
compra, venda e alforria foi estabelecida, destacando valores, período de
contrato e normas de contrato.
Cena 3 - A relação entre o pobre que vira matador de aluguel e o capitão do
mato
Durante o filme, descreva a semelhança, ao seu ver, dessas duas cenas, a partir
da explicação do locutor.

Propor a análise no filme a partir das semelhanças temporais referentes
à escravidão (Passado/Presente). Discutir a criação de instituições
democráticas que favorecem a instalação de “estados paralelos” e a
manutenção de grupos no exercício do poder.

Proposta 3
1º Momento – ASSISTIR AO FILME: Quanto Vale ou é por Quilo?
Nesse momento, o filme será reproduzido aos alunos para trabalharem a
questão da posição da população negra na sociedade atual, bem como os tipos
atuais de escravidão.
2º Momento – JORNAL ENQUANTO TEXTO CONTEMPORÂNEO
Analisar as manchetes dos jornais através de alguns questionamentos. Propor
uma discussão com os alunos para que possam ao final responderem através
de um pequeno texto, que contenha pelo menos cinco palavras escolhidas pelo
professor, se a relação dominado x dominante mudou ao longo da história da
formação sócio espacial brasileira, ou não. Como os alunos percebem a
mensagem do filme no seu cotidiano. Dar aos alunos algumas frases ditas ao
longo do filme para contextualizá-las.
3º Momento BUSCA DE SOLUÇÕES. Listar, pelo menos cinco situações de
injustiça social que o filme aponta e, em duplas, apontar uma solução para que
não ocorra mais tais injustiça na sociedade que auxiliamos a construir.
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4º Momento - COMPARAÇÃO DOS ANÚNCIOS de venda de escravos, e os
anúncios de hoje: venda de um carro, anúncio de oferta de emprego. Pedir para
que o s alunos reflitam sobre as suas semelhanças e diferenças, bem como se
o escravo era tratado como um simples objeto, como um eletrodoméstico
qualquer, destituído de qualquer direito humanitário, ou seja, como mercadoria.
Exemplos de anúncios:

http://www.almanaque.info/ProvinciaSP/PROVINCIASP.htm

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BIBLIOGRAFIA
CASTROGIOVANNI, Antonio Carlos. O estágio continuado e a (re)construção
do fazer pedagógico geográfico – o lugar da escola. IN Cadernos do Aplicação.
Porto Alegre, Colégio de Aplicação(UFRGS). V20, N 2, Jul/Dez, 2007. Pag. 461
a 478.
COUSIN, Marcelo. O Cinema como ponte entre lugares e imaginários. IN
PORTUGAL, Jussara Fraga e CHAIGAR, Vânia Alves Martins (orgs).
6

Cartografia, Cinema, Literatura e outras linguagens no ensino da
Geografia. Curitiba, CRV, 2012.

7

Perguntas:
1- Qual é a etnia que mais predomina nas manchetes?
2- Que relação se pode fazer entre o capitão do mato e o matador de
aluguel?
3- Há algum outro fator que possa ter contribuído para que essa realidade
violenta atinja majoritariamente a população negra? Qual ou quais?
4- Hoje em dia existem instrumentos que tentam regrar a produção do
trabalhador? Se existem, quais são elas?
5- Você reconhece contratos semelhantes na sociedade contemporânea?
Se sim, cite duas.
6- Fazer trabalhos em grupo, livres, para exposição (seminários) dos alunos
sobre o tema, com propostas que ajudem a atenuar o preconceito étnico
racial em todos os espaços vividos. Onde, no Brasil, existe concentração
maior de negros e porquê. Eles mesmo, no seminário, podem trazer
outras reportagens ou pesquisas de onde se sofre mais preconceito racial:
no seu bairro, na sua cidade, no Brasil.

4- TÉCNICAS E RECURSO PARA AS AULAS

Material escolar básico como uso do quadro verde, giz, régua, lápis, borracha e
papel.
Uso de mapas território brasileiro.
Notícias de jornais
Filme;
encenação;
produção de texto/música/quadrinho/desenho
5- AVALIAÇÃO
Participação nas discussões em sala de aula e sobre as análises do tema.
Texto escrito ao final da atividade.
Será feita durante a oficina observando a participação, produção e compreensão
do conteúdo proposto.
Seminários.

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REFERÊNCIAS

COUSIN, Marcelo. Janela para o mundo: o cinema como ponte entre lugares reais e imaginários – obra:
Cartografia, cinema literatura e outras linguagens no ensino de geografia/Jussara Fraga Portugal,
CHAINGAR,Vânia A. M. (org). 1A Ed. - Curitiba, PR: CRV,2012.
ANJOS. S. A. Rafael. Quilombos: Geografia Africana – Cartografia Étnica – Territórios Tradicionais. Mapas
& Consultoria Ltda. São Paulo, 2009.
CASTROGIOVANNI, Antonio C. et al. (Org.). Ensino de Geografia : Práticas e
textualizações no cotidiano. Porto Alegre: Mediação, 2009.

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