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ENTRE

RAZÃO

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Atlas

do

Império

Romano

Conquistas

de Alexandre

 

Durante

um

longo

tempo,

a concepção

platônica

do conhecimento

como

compreensão

das essências

aristotélica

do

conhecimento

como

compreensão

das

causas

influenciaram

as investiga-

e a concepção ções de novos

filósofos

sobre

esse tema.

Afinal,

nos séculos

seguintes

à sua elaboração,

fatos históricos,

como o surgimento

outros,

favoreceram

do Império

Macedônico,

do Império Romano e, posteriormente,

;di~i~aç~;;d"o

pensamento

grego antigo

em novos territórios,

do cristianismo,

entre

e o seu intercâmbio

---I

com o pensamento

de outros

povos.

 

Dessa maneira,

o pensamento

produzido

na Idade

Média foi

marcado

pelo

encontro,

do cristianismo.

ocorrido

no final

Isso resultou

da Antiguidade,

entre a Filosofia

grega e os princípios

temas filosóficos,

numa nova visão sobre diversos

entre

encontro,

desenvolveram ao final da Antiguidade,

os quais,

o conhecimento.

considerar

No entanto,

para compreender

de algumas

denominado

melhor

esse

que se

é preciso

também

as ideias

no penodo

correntes

helenistico

ou

greco-romano

-

do final

do século

lI!

a.c.

ao século

VI d.C.

Entre

elas,

caremos o ceticismo

e o neoplatonismo.

 

Ceticismo

 

Entre

os séculos

lI!

e

IV

a.c.,

Pirro

iniciou

uma

nova

abordagem

desta-

conhecimento

dois

seguidores

cos. Receberam

examinar,

sucessores

foi

profundamente

de Platão,

desses filósofos

também

investigar.

investigada.

Durante

o século

II

a.c.,

o Império Macedônico, iniciado por Feüpe 11 e desenvolvido por Alexandre o Grande (responsável pelo helenismo), estendeu-se do século IV a.C. ao século I d.C. O Império

Romano teve início no século III a.C., entrou

fim no

século V. O cristianismo surgiu no século I, sofreu inúmeras perseguições até que, no século. IV, tornou-se a reügião oficial do Império Romano.

em crise

no século III d.C. e teve

filosófica

a Academia

em que

a possibilidade

do

platônica

foi

dirigida

por'

reflexões

semelhantes.

Os

(ou

pirrônicos)

e acadêmi-

Arcesilau

e, posteriormente,

Carnéades,

que realizaram

ficaram

conhecidos,

respectivamente,

como

pirronistas

a designação

de céticos, termo

que provém

do verbo

grego

sképtomai,

equivalente

a

 

ENSINO

MÉDIO

 

I

13

L-",,-~%"~.,

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E

NA

IDADE

MÉDIA

Embora houvesse

diferenças

entre as duas abordagens,

ambas negavam

o dogmatismo

das teorias

que, diferen-

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ciando realidade e aparência, aceitavam previamente a possibilidade

do conhecimento

da primeira

- debatendo-se

apenas em relação

ao melhor

caminho

para alcançá-lo.

Os céticos

problematizavam

justamente

essa possibilidade,

concluindo que a natureza absoluta das coisas era incompreensível

para os homens,

os quais só poderiam

afirmar

como as coisas lhes apareciam. Portanto, na impossibilidade de

provarem

ter

atingido

a verdade,

eles deveriam

a~Q~.r

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PJ9.!iç~,~poch~,

ou seja, reconhecer

que

não lhes

era possivel

compreender

e, portanto,

o termo

epoché

foi

utilizado

por Arcesilau para designar a atitude de não estabelecer julgamentos sobre as coisas. Antes disso, Pino utilizava o termo adóxia (literalmente, "sem opinião") para designar essa mesma atitude.

suspender qualquer juLgamento sobre a natureza absoLuta das coisas, não afirmando

serem elas verdadeiras

sobre elas, também não deveriam inquietar-se

ou falsas,

belas ou feias,

boas ou más.

no desejo

E, sem poder

nada afirmar

um

de possuí-las,

alcançando

estado

de tranquilidade

imperturbável,

denominado

ataraxia.

Quanto

à vida cotidiana,

poderiam agir de acordo

com os princípios

e crenças

relativos

adotados

em seu

meio,

sem,

no entanto,

assentirem

em considerá-los

como verdades

absolutas.

Até o século

II

d.C., essas ideias orientaram

as investigações

filosóficas

de diferentes

pensadores,

gregos

ou não. Além disso, correntes

modernas

e contemporâneas

retomaram

algumas

de suas

reflexões,

como veremos

em outro

momento.

CONCEITO

Além

FILOSÓFICO

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de designar uma corrente filosófica, a palavra ceticismo também possui outros usos, nem sempre ade-

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quados ao sentido original:

suspensão

do juízo sobre a verdade

ou falsidade

das coisas. O senso

comum

costuma

adotá-Ia, por exemplo, para designar uma postura de descrença,

principalmente

em relação às verdades

religiosas.

No sentido filosófico, porém, ela designa a atitude oposta ao dogmatismo, que consiste em dar assentimento

precipitado a uma verdade, sem investigá-Ia com profundidade e reunir provas suficientes.

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Neoplatonismo

Ainda na Antiguidade, algumas

correntes de pensamento" gregas aproximaram temas

filosóficos

em suas reflexões.

Entre elas, destacamos

o neoplatonismo,

que se

desenvolveu

e religiosos no século lI!

d.C., reinterpretando

conceitos

e reflexões da obra de Platão. Ela

teve início com Amônio Sacas, que fundou uma importante escola

foi seu discípuloe tornou-se também o principal representante do neoplatonismo.

em Alexandria. Plotino

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dônicocujonomehome-

Cidade

do Império

Mace-

nageava Alexandre. Ela

centro cultural, no qual o

constituía

importante

pensamentohelenistaal-

cançougrande esplendor.

Para além do dualismo platônico,

segundo o qual a realidade se dividia

em uma

esfera sensível e outra inteligível, Plotino afirmava a existência de uma realidade superior a ambas, chamada Uno. E, uma vez que essa realidade estaria muito acima da compreensão e da linguagem humanas, ele utilizava a imagem simbólica da luz para referir-se a ela. De acordo com esse filósofo, as demais realidades constituíam

emanações dessa luz primordial.

pelo Ser, pelo Naus (ou Inteligência) e pela Alma do Mundo. Dessas emanações, vieram

outras, mais distantes do Uno e, portanto, menos perfeitas, constituindo o mundo

sensível em sua multiplicidade. por ser dotado de intelecto,

senvolvendo

êxtase místico, no qual o homem retomaria à realidade suprema e original constituída por ele. Em busca dessa união com o Uno, os neoplatônicos adotavam uma atitude

contemplativa.

teses platônicas chegaram à maioria dos filósofos medievais.

As primeiras

geraram o mundo inteligível,

formado

Vivendo nele, mas participando

oderia ser alcan

que as

do mundo inteligível

o homem deveria purificar-se

ue

dos apelos do corpo, de-

ado numa es

écie de

a razão e buscando o Uno,

Foi por meio da sua reinterpretação

I

ENSINO

MÉDIO

O seu aspectomlstico

favoreceu

a fusão

posterior

de conceitos

platônicosepri nó pios. cristãos,

numanoyaformad~col11preen-

der e explicara

realidade.

Alguns tradutores

utí1izal11osterrnos

"Bem"

ou "Deus"

para

referir -se ao

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[Ej Bases para uma !il~sofia Cristã

Entre os acontecimentos

seminação

do cristianismo

marcantes

em diversos

da Antiguidade,

territórios,

encontramos

gregos,

o surgimento

e a dis-

as

inclusive

nos quais se formaram

primeiras igrejas. A partir da metade do século I, a nova doutrina passou a ser registrada em

escritos que precisaram ser reunidos, selecionados por exemplo, na organização atual do

perseguições,

~~I~~t~~"~!~,

e interpretados

- esse trabalho

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resultou,

fongêDj:~~j

nas

bíQliçQ:.J~.orém.!_devidQ

inautênticos)

à variedade

dos textos

(muitos

considerados

e às divergências

suas interpretações, a defesa do cristianismo em relação às críticas dos seus adversários ganhou

no século III,

argumentos filosóficos

cultos, adeptos à Filosofia. Nesse intento, os defensores do cristianismo também se dedicaram

ao estudo do pensamento

recebeu a designação

importância

cada vez maior. Além disso,

para defender

grego,

de Patristica,

manifestou-se e até para favorecer

com a revelação

a preocupação

a conversão

cristã.

de buscar

de homens

a nova religião

a fim de conciliá-lo

Esse movimento

uma vez que foi empreendido

pelos padres da Igreja.

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I

Ele teve seu auge entre

os séculos

IV

e V, após

o Edito

de Milão,

promulgado

pelo im-

perador

Constantino,

em 313,

concedendo

liberdade

de culto

aos cristãos.

Isso não apenas

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A Bíblia, livro sagrado dos 1

cristãos, constitui, na verda-

de, a junção de duas coletã-

neas de livros, denominadas

.

I

Antigo

e Novo Testamento.

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I

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i

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último é formado por evan-

gelhos (textos dos apóstolos

que tratam

presentada pelo nascimento

da boa nova, re-

do salvadorda humanidade I

e seus

(cartas voltadas

à orientação das primeiras

igrejas sobre os princípios

ensinamentos)

e

i

! epístolas

!

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! evangélicos).!

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~ favoreceu a atuação religiosa das Igrejas, como também a sistematização das ideias dessa instituição eclesiástica,

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fundamentando

o que alguns

estudiosos

viriam

a designar

Filosofia

Cristã.

Durante

esse processo,

os padres se reuni-

ram em Concílios,

debatendo

e analisando

cuidadosamente

alguns conceitos

fundamentais

para o cristianismo,

e que

eram estranhos à Filosofia grega, tais como: Trindade, criacionismo, graça e ressurreição, entre outros. Além disso,

buscaram

Epístolas de Paulo do Novo Testamento

relações

possíveis

entre

os novos ensinamentos,

-

e as teorias

- especialmente

com base no Evangelho

a platônica

de João

e nas

gregas - especialmente

(ou melhor,

neoplatônica).

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Vale lembrar que, paralelamente,

helenista,

Imperador

se desenvolviam

algumas

escolas

filosóficas

no século

VI,

de inspiração por ordem do

designadas

Justiniano

como escolas pagãs.

Elas só seriam fechadas

- em 529. Nesse mesmo período,

foram organizadas

escolas de orientação

~ cristã nas igrejas,

monastérios

A Patristica estendeu-se

e palácios

europeus.

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até o século VIII, orientando

a formação

da Filosofiae da Teolog!a!

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a

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I ao desenvolvimento

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oglca e ou ras,

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medievais.

escolas

século

filosófico

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Utilizou-se

o termo Escolástica para nomear a forma de ensino dess~sdoi~;b;;~~~a;-'

entre

o termo

na Europa

os séculos

VI

IIEscolástica"

e XIV,

bem

também

como

nas universidades

foi

utilizado

para designar

entre

os séculos

IX e XIV.

que surgiram

no

o pensamento

raz~o ' A TeO

lO~ia conS

iStia

I I na m erpre açao

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eses

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bíblicas e dos fundamentos

da doutrina cristã.

que se formaram

disso,

XIII.

Além

produzido

A Patrística

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"'LElrURÀtp,fLQsôr.Iê4

disseminada

desenvolveu-se em áreas de influência

da cultura grega - amplamente

pelo Império.

Macedõnico

em áreas de influência

da cultura

latina-amplamente

disseminada

pelo

Império

Romano.

Seguindo

- e também essas vertentes,

inúmeros

padres

deixaram

suas contribuições

ao pensamento

desse período.

O texto

a seguir,

que trata

do conhecimento,

foi escrito

por

um deles

noséculoVIII.

OautoréJoão

Damasceno,

um dos

últimos

representantes

da Patrística,

em SlJavertente

grega.

 

ENSINO

MÉDIO

I

15

Entre as novas tendências desse período, devemos registrar correntes filosóficas como:

o epicurismo, o estoicismo, o pirronismo e o cinismo. Epicurismo O epicurismo, fundado por Epicuro (324-271 a.c.), propunha que o ser humano deve buscar o prazer pois, segundo ele, o prazer é o princípio e o fim de uma vida feliz. No entanto, distinguia, dois grandes grupos de prazeres. No primeiro grupo estavam os prazeres mais du- radouros, que encantam o espírito como, por exemplo: aboa conversação, a contemplação das artes, a audição da música etc. No segundo gru- po estavam os prazeres mais imediatos, muitos dos quais movidos pela explosão das paixões e que, ao final, poderiam resultar em dor e sofri- mento. Mas para desfrutarmos os grandes pra- zeres do intelecto precisamos aprender a domi- nar os prazeres exagerados da paixão: os medos, os apegos, a cobiça, a inveja. Os epicuristas bus- cavam a ataraxia, termo grego usado para de- signar o estado de ausência da dor, quietude, serenidade e imperturbabilidade da alma. O epicurismo muitas vezes é confundido com um tipo de hedonismo marcado pela pro- cura desenfreada dos prazeres mundanos. No entanto, o que epicurismo defende é uma ad- ministração racional e equilibrada do prazer, evitando ceder aos desejos insaciáveis que, ine- vitavelmente, terminam no sofrimento. Epicuro identificou o medo da morte como uma das mais principais fontes de todos os medos. Para combater este medo, desenvolveu um argumento interessante:

"Acostuma-te à idéia de que a morte para nós não é nada, visto que todo bem e todo mal residem nas sensações, e a morte é justa- mente a privação das sensações. A consciência clara de que a morte não significa nada para nós proporcionaa fruição da vida efêmera, sem querer acrescentar-

lhe tempo infinitoe eliminandoo

desejo de imortalidade.

971 Capítulo

6 A filosofia

da Grécia clássica ao helenismo

Não existe nada de terrível

para quem está perfeitamente

convencido

de terrível

tolo portanto

da morte, não porque a chegada

na vida

há nada

É

de que

em deixar

quem

não

de viver.

diz ter medo

desta

lhe trará

sofrimento,

mas

porque

o aflige

a própria

espera:

aquilo que nos perturba quando

presente não deveria afligir-nos enquanto está sendo esperado.

Então, o mais terrível

nada

para nós, justamente

quando estamos vivos, é a morte que não está presente; ao con- trário, quando a morte está pre- sente, nós é que não estamos."

de todos

os

males, a morte, não significa

porque,

EPICURO. Carta sobre a felicidade

(a Meneceu), p. 27 e 28 (Citação completa:

Carta sobre a felicidade

(a Meneceu).

Tradução

e apresentação

de

Álvaro Lorencini e Enzo Dei Carratore.

UNESP, 2002.)

São Paulo, Editora

Estoicismo

O estoicismo é a corrente filosófica de

maior influência em seu tempo. Foi fundada por lenão de Cício (336-263 a.c.), localidade da ilha de Chipre. Este lenão não deve ser con- fundido com lenão de Eléia, ao qual nos referi- mos à página 76.

Os representantes

desta escola, conhecidos

como estóicos, defendiam que toda realidade existente é uma realidade racional. Todos os se- res, os homens e a natureza, fazem parte desta realidade. O que chamamos de Deus nada mais é do que a fonte dos princípios que regem a rea- lidade. Integrados à natureza, não existe para o ser humano nenhum outro lugar para ir ou fugir, além do próprio mundo em que vivemos. Somos deste mundo e, ao morrer, nos dissolve- mos neste mundo. Não dispomos de poderes para alterar, subs- tancialmente, a ordem universal do mundo. Mas

pela filosofia podemos compreender esta ordem universal e viver segundo ela. Assim, em vez do prazer dos epicuristas, lenão propõe o dever

Unidade

2 História

da filosofia

198

da compreensão como o melhor caminho para

a felicidade. Ser livre é viver segundo nossa pró-

pria natureza que, por sua vez, integra a natu-

reza do mundo. No plano ético, os estóicos defendiam uma atitude de austeridade física e moral, baseadas

em virtudes como a resistência ante o sofrimento,

a coragem ante o perigo, a indiferença ante as

riquezas materiais. O ideal perseguido era um

estado de plena serenidade para lidar com os sobressaltos da existência, fundado na aceitação

e compreensão dos "princípios universais" que regem toda a vida.

Pirronismo O pirronismo, de Pirro de Élida (365-275

a.c.) - segundo suas teorias, nenhum conheci- mento é seguro, tudo é incerto. O pirronismo defendia que se deve contentar com as aparên- cias das coisas, desfrutar o imediato captado pe- los sentidos e viver feliz e em paz, em vez de se lançar à busca de uma verdade plena, pois seria impossível ao homem saber se as coisas são efe- tivamente como aparecem. Assim, o pirronismo é considerado uma forma de ceticismo, pois professa a impossibilidade do conhecimento, da obtenção da verdade absoluta.

Cinismo

vem do grego kynos, que signifi-

ca "cão"; cínico, do grego kynicos, significa "como

cinismo

um cão". O termo

O cinismo

designa

a corrente

dos filósofos que se propuseram a viver como os cães da cidade, sem qualquer propriedade ou conforto. Levavam ao extremo a filosofia de Sócrates, segundo a qual o homem deve procurar conhecer a si mesmo e desprezar todos os

bens materiais. Por isso Diógenes, o pensador mais destacado dessa escola, é conhecido como o "Sócrates demente", ou o "Sócrates louco", pois questionava os valores e as convenções sociais e procurava viver estritamente conforme os princi- pias que considerava moralmente corretos. Vivendo numa época em que as conquistas

de Alexandre

do culturas e populações, Diógenes também não tem apreço pela diferença entre grego e estran- geiro. Quando lhe perguntaram qual era sua ci-

promovem o helenismo, mesclan-

991 Capítulo 6 A filosofia da Grécia clássica ao

helenismo

dadania, respondeu: sou cosmopolita, palavra grega que significa "cidadão do mundo".

Há muitas histórias de sabedoria

e humor

sobre Diógenes. Conta-se, por exemplo, que ele morava num barril e que, certa vez, Alexandre Magno decidiu visitá-Ia. De pé em frente de sua

"casa", Alexandre perguntou se havia algo que ele, como Imperador, poderia fazer em benefício

do filósofo. Diógenes respondeu prontamente:

sim, podes sair da frente do meu sol. Diz a lenda que Alexandre, impressionado com o desprezo do filósofo pelos bens materiais, comentou: se eu não fosse Alexandre, queria ser Diógenes.

O artigo do quadro desenvolve reflexões

atuais a partir de outra história de Diógenes.

PERíODO

GRECO-ROMANO

A filosofia a penetração cristianismo

o último período da filosofia antiga, conhe- cido como greco-romano, corresponde, em ter- mos históricos, à fase de expansão militar de Roma (desde as Guerras Púnicas, iniciadas em 264 a.c., até a decadência do Império Romano, em fins do século V da era cristã). Trata-se de um período longo em anos, mas pouco notável no que diz respeito à originalidade das idéias filosóficas. Os principais pensadores desse período, como Sêneca, Cícero, Plotino, Plutarco, dedi- caram-se muito mais à tarefa de assimilar e de- senvolver as contribuições culturais herdadas principalmente da Grécia clássita do que de criar novos caminhos para a filosofia.

pagã

do

e

penetração

no decadente Império Romano é uma das carac- terísticas fundamentais desse período. A difusão

e a consolidação do cristianismo, através da Igre-

a

força da filosofia grega clássica, que passou a

ser qualificada de pagã (própria dos povos não- cristãos) .

A progressiva

do cristianismo

ja Católica,

atuaram

no sentido

de dissolver