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TRADUÇÃO LIVRE DE:

MARCELO TEIXEIRA DA SILVEIRA

Relatório do Painel da Administração Nacional, Oceânica e


Atmosférica Sobre o Método de Valoração Contingente

Report of the NOAA panel on contingent valuation.


The National Archives, USA. Federal Register, vol. 58, no.
10, p. 4601-4614, 1993
Kenneth Arrow
Robert Solow
Paul R. Portney
Edward E. Leamer
Roy Radner
Howard Schuman

BRASÍLIA
JULHO DE 2007
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SUMÁRIO

I. INTRODUÇÃO ........................................... 3
II. CRÍTICAS DO MÉTODO DE VALORAÇÃO CONTINGENTE .......... 8
Inconsistência com Escolha Racional ................... 11
Improbabilidade de Respostas .......................... 13
Ausência de Limitação Significativa de Orçamento ...... 14
Provisão de Informação e Aceitação .................... 15
Extensão do Mercado ................................... 16
Efeitos “Empenho” ..................................... 17
III. ASSUNTOS-CHAVE PARA O PROJETO DE INSTRUMENTOS DE
VALORAÇÃO CONTINGENTE ................................... 18
O Formato Plebiscito .................................. 18
Tratando do Problema Instalado ........................ 25
Dimensão Temporal de Perdas de Uso Passivo ............ 27
IV. DIRETRIZ DE PESQUISA ............................... 28
Diretrizes Gerais ..................................... 29
Diretrizes para Pesquisas de Obtenção de Valor ........ 30
Metas para Pesquisas de Obtenção de Valor ............. 33
V. RECOMENDAÇÕES PARA PESQUISA FUTURA .................. 35
VI. CONCLUSÕES E RECOMENDAÇÕES ......................... 39
APÊNDICE ................................................ 43
Diretrizes Gerais ..................................... 43
Diretrizes de Pesquisas para Eliciação de Valores ..... 48
Objetivos de Pesquisas para Eliciação de Valores ...... 54
REFERÊNCIAS ............................................. 59
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Relatório do Painel ANOA na Valoração Contingente


Versão Eletrônica Data: 9 de Maio de 2001
Tradução Livre de: Marcelo Teixeira da Silveira

I. INTRODUÇÃO
Sob o Decreto de Poluição de Óleo de 1990, ao
Presidente - agindo por meio da Subsecretaria de Comércio
para os Oceanos e a Atmosfera - foi requisitado para emitir
normas de estabelecimento de procedimentos, para avaliar os
danos (ou a destruição) dos recursos naturais, resultantes
de uma descarga de óleo coberta pelo Decreto. Estes
procedimentos são para garantir a recuperação dos custos de
restauração, bem como a diminuição, em valor, dos recursos
afetados e quaisquer custos razoáveis de conduzir a
avaliação da perda.
Alguns dos valores, pelo menos, que poderiam ser
reduzidos por tal descarga, são relativamente simples de
medir por meio de informações reveladas em transações de
mercado. Por exemplo, se tal descarga mata peixes e, assim,
reduz as rendas dos pescadores comerciais, as perdas destes
podem razoavelmente ser calculadas pela pesca reduzida,
multiplicada pelo preço de mercado dos peixes (menos,
naturalmente, quaisquer custos que eles tivessem sofrido).
Similarmente, se a descarga de óleo desencoraja a viagem de
turistas para uma área, as rendas perdidas pelos donos de
motéis, de casas de campo, ou de outras instalações podem
ser razoavelmente representadas pela diferença em
rendimentos entre o período afetado e a estação “normal”.
Até mesmo os prejuízos para aqueles que pescam por
passatempo, como barqueiros, nadadores, excursionistas, e
outros que fazem o uso ativo de áreas afetadas pela
descarga, podem ser incluídos na estimativa de valores
diminuídos, embora tais perdas sejam geralmente pouco mais
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difíceis de avaliar que as perdas mais óbvias de pequenas


quantidades de dinheiro.
As perdas descritas, anteriormente, tiveram que vir
para serem conhecidas como “valores de uso perdido” por
elas vivenciadas por aqueles que, de modos variados, fazem
uso ativo dos balneários adversamente afetados pelo
derramamento. Mas, por no mínimo 25 anos, economistas têm
reconhecido a possibilidade de que indivíduos que não fazem
uso ativo de praia particular, rio, baía ou quaisquer
outros balneários naturais poderiam, contudo, usufruir
satisfatoriamente de sua mera existência, até mesmo se eles
nunca tivessem intenção de fazer uso ativo destes.
Este conceito veio para ser reconhecido como “valor de
existência” e é o maior elemento agora referido como
“absurdo” ou “valores de uso passivo” (o termo mais recente
é empregado no balanço deste relatório). Em regulamentos
promulgados pelo Departamento do Interior em 1986, sob o
Decreto de Resposta Ambiental Ampla, Compensação, e
Responsabilidade, - os regulamentos que também dizem
respeito a avaliações por dano ao recurso natural - valores
de uso-passivo foram incluídos entre as perdas que os
curadores pudessem recuperar. A inclusão de valores de uso-
passivo foi recentemente garantida pelo D. C. Corte de
Apelação [Estado de Ohio v. Departamento do Interior, 880
F. 2d 432 (D.C. Cir. 1989)], tão logo eles pudessem ser
confiavelmente medidos.
Contudo, isto requer um questionamento pequeno e
interessante. Se valores de uso-passivo estão para ser
incluídos entre as perdas compensáveis para os quais
curadores podem fazer recuperação sob o Decreto de Poluição
do Óleo, como eles poderão ser estimados? Diferentemente de
perdas para pescadores comerciais, ou donos de propriedades
recreativas, não existem transações de mercado direto que
possam ser observadas para fornecer informação sobre a qual
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estimativas podem ser baseadas. Distintamente de perdas a


barqueiros, nadadores, pescadores amadores e outros, não
existem métodos indiretos por meio dos quais os dados de
mercado possam fornecer, no mínimo, algumas pistas quanto
aos valores perdidos. Em outras palavras, parece não haver
nem vestígio comportamental sutil ou óbvio que possa
fornecer informação sobre valores de uso-passivo perdidos.
Alguns peritos acreditam que exista uma abordagem que
possa fornecer informação útil sobre a significação
econômica dos valores de uso-passivo perdidos que os
indivíduos possam sofrer quando descargas de óleo danificam
recursos naturais. Ao ser conhecido como técnica de
valoração contingente (ou VC), esta abordagem é baseada na
eliciação direta destes valores de indivíduos por meio do
uso de pesquisas de amostragem cuidadosamente delineadas e
administradas. Seu apelo consiste em seu potencial para
informar a avaliação de prejuízo em uma área (valores de
uso-passivo perdidos) onde não parece haver pistas
comportamentais a serem seguidas.
Tipicamente, os estudos de VC fornecem aos
entrevistados informações sobre um programa hipotético de
governo que reduziria a probabilidade de um futuro evento
ambiental adverso tais como um derramamento de óleo,
acidente químico ou coisa parecida. Normalmente, é
fornecida alguma informação especifica aos entrevistados
sobre a natureza exata dos danos que o programa em questão
poderia prevenir. E eles são também confrontados no estudo
com uma questão ou com questões que forneçam informação
sobre o sacrifício econômico que eles teriam de fazer para
apoiar o programa ambiental. Isto pode tomar a forma de uma
indagação aberta sobre qual a máxima quantia que eles
estariam dispostos a pagar pelo programa em questão; tal
fato envolve uma série de questões confrontando-as com
diferentes preços para o programa dependendo de suas
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respostas anteriores; ou isto pode tomar a forma de um


plebiscito hipotético (como uma emissão de bônus
escolares), no qual é dito aos entrevistados quanto cada um
teria de pagar se a medida passasse. Pede-se a eles que
dêem um simples voto “sim” ou “não” (a medida
conceitualmente correta de um valor de uso-passivo perdido
para dano ambiental que já tem ocorrido é a menor quantia
de compensação que cada indivíduo afetado estaria disposto
a aceitar. Contudo, por causa do interesse com que os
entrevistados dariam respostas altamente reais a tais
perguntas, virtualmente, todos os estudos de VC anteriores
têm descrito cenários nos quais se pede aos entrevistados
que paguem para prevenir ocorrências futuras de acidentes
semelhantes. Esta é a escolha conservadora pela qual a
disposição de aceitar compensação deveria exceder a
disposição de pagar pelo menos normalmente – será comentado
mais sobre outras tendências em seguida).
A técnica de VC tem sido usada por 20 anos ou mais
para estimar valores de uso-passivo. Nos últimos cinco
anos, contudo, tem havido dramático crescimento no numero
de artigos acadêmicos e de apresentações relacionadas com a
técnica VC. Isto é, em parte, em razão da disponibilidade
de textos de referência abrangente sobre o assunto
(MITCHELL e CARSON, 1989, por exemplo) e do crescente
interesse tanto nacional quanto internacional em políticas
e em problemas ambientais. Mas é também atribuível ao
crescente uso da técnica VC para estimar valores de usos-
passivos perdidos em litígio surgido de estatutos estaduais
e federais designados para proteger recursos naturais.
Desde que Ohio versus Departamento do Interior admitiu o
conceito de valores de usos-passivos a avaliações de danos,
o que pode apenas dar impulso maior ao uso de VC em tal
litígio.
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A técnica de VC é o assunto de maior controvérsia.


Seus difamadores argumentam que os entrevistados dão
respostas que são inconsistentes com as doutrinas da
escolha racional, pois eles não entendem o que está sendo
pedido para avaliarem (e, assim, isso indicou que valores
declarados refletem mais que aqueles que estão sendo
pedidos para avaliar), que os entrevistados fracassam em
levar questões de VC a sério porque os resultados das
pesquisas não são coerentes, assim como levantam outras
objeções igualmente. Os proponentes da técnica de VC
admitem que suas aplicações prematuras (e mesmo alguma
atual) sofreram de muitos dos problemas que os críticos têm
observado, mas acreditam que estudos amplos e mais recentes
já ou logo serão capazes de lidar com estas objeções.
Este (às vezes acirrado) debate tem colocado a
Administração Nacional Oceânica e Atmosférica (ANOA) em um
local muito difícil. A ANOA deve decidir-se em promulgar os
regulamentos sob o Decreto de Poluição do Óleo, se a
técnica de VC é capaz de fornecer informação confiável
sobre existência perdida ou outros valores de uso-passivo.
Nesta direção, a ANOA designou o Painel de Valoração
Contingente para examinar esta questão e fazer
recomendações sobre ela.
Este relatório é o produto das deliberações do Painel
e está organizado da seguinte maneira. Seguindo esta
introdução, os obstáculos à técnica VC são discutidos na
seção II. A Seção III, discute vários assuntos-chave
relativos ao projeto da pesquisa VC, incluindo o uso do
formato de plebiscito para extrair valores individuais,
modos de se dirigir ao assim chamado problema “embutido” e
a avaliação de danos que durem por algum período, mas não
para sempre. A seção IV, apresenta direcionamentos ao qual
o Painel acredita que qualquer estudo de VC deveria apoiar,
se o estudo tem por objetivo produzir informação útil em
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avaliação de dano ao recurso natural. (Estes são elaborados


no apêndice). Na seção V, em um programa de pesquisa é
descrito a crença do Painel de que futuras aplicações da
técnica VC possam consumir menos tempo e ser menos
controversa se a pesquisa descrita no programa for
executada. A seção VI, por último, apresenta as conclusões
do Painel.

II. CRÍTICAS DO MÉTODO DE VALORAÇÃO CONTINGENTE


O método de valoração contingente tem sido criticado
por muitas razões e o Painel acredita que um número destas
críticas são particularmente envolventes. Antes de
identificar e discutir estes problemas, contudo, é
importante ressaltar que todas elas adquirem uma
importância à luz das impossibilidades de validar
externamente os resultados dos estudos VC. Isto deveria ser
notado, entretanto, esta mesma desvantagem tem de (precisa)
pertencer a algum método de taxação de prejuízos de
privação de uso-passivo. Embora isto não seja especial para
a abordagem VC, como sugerido na seção I, não há atualmente
outros métodos capazes de prover informações destes
valores.
Uma forma de se livrar destas dificuldades, no mínimo
parcialmente, é construir experimentos por meio dos quais
uma oportunidade artificial é criada para pagar mercadorias
do meio ambiente. As mercadorias em questão podem
perfeitamente envolver o uso passivo. Em seguida, os
resultados de uma VC estimam a disposição a pagar, os quais
podem ser comparados com resultados “reais” quando a
oportunidade é feita disponível para a mesma amostra ou uma
amostra semelhante.
Poucos experimentos têm sido tentados. O mais recente,
atribuído a Seip e Strand (1992), usou VC para estimar a
disposição a pagar para membros de uma organização
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norueguesa dedicada a questões ambientais. Este experimento


comparou, também, esta estimativa com respostas reais
quando um número dos mesmos entrevistados foi apresentado
uma real oportunidade de contribuir. A disposição auto
declarada em pagar foi significativamente maior que a real
disposição a pagar. Um estudo recente de Duffield e
Patterson (1991) adotou como uma questão ambiental
prazerosa a manutenção do fluxo de correnteza em dois rios
em Montana. Os rios em questão forneciam ambientes para
desovas de duas espécies raras de peixe; acreditava-se que
o uso passivo era a principal motivação para os
entrevistados. A uma de duas amostras paralelas foi
perguntado sobre a disposição hipotética de contribuir para
a conservação da natureza de Montana que iria então manter
o fluxo de correnteza; ao outro foi oferecido uma real
oportunidade para contribuir para a mesma organização pelo
mesmo objetivo. Ficou constatado que o padrão de resposta e
a disposição expressa em contribuir eram significativamente
mais altos quando a contribuição era hipotética que quando
“a disposição expressa” significava-se uma contribuição
financeira imediata. Entretanto, o tamanho das
contribuições, hipotética em um caso e real em um outro,
não era muito diferente como entre aqueles que disseram que
contribuiriam e aqueles que realmente contribuíram.
Estes estudos sugerem que a técnica VC é passível de
exagerar a real disposição a pagar. Duffield e Patterson,
no entanto, refrearam a esperança de que as diferenças
sejam pequenas e previsíveis o bastante que as estimativas
VC pudessem ser reduzidas para possíveis exageros. Com
isso, seriam usadas como uma estimativa conservadora de
disposição a pagar. Claramente, mais de tais experimentos
seriam úteis.
Um teste menos direto da “realidade” de estimativas VC
de valores de uso-passivo perdido é usar a técnica para
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estimar a disposição de pagamento por mercadorias do


mercado comum e, em seguida, comparar os resultados com
compra reais. Isto tem sido experimentado por Dickie,
Fisher e Gerking (1987) usando a demanda por morangos.
Quando os dados foram re-analisados por Diamond, Hausman,
Leonard, e Denning (1992), foi constatado que a abordagem
VC tendia sistematicamente a superestimar a quantidade
demandada para cada preço, as vezes para até 50 %. Este
resultado tem que ser qualificado de dois modos. Primeiro,
o estudo do VC original parece ter sido razoavelmente
casual pelos padrões agora propostos por profissionais; o
pré-teste e o melhoramento do instrumento de pesquisa
poderiam talvez ter diminuído a diferença. Segundo, isto
parece ir longe demais para concluir que a superestimativa
sistemática do estudo do VC, mesmo assim, conduzido, não
fornece informação sobre a demanda por morangos. Muito do
mesmo poderia ser dito sobre um estudo submetido ao Painel
de Cummings e Harrinson (1992) comparando hipoteticamente e
demonstrando a disposição a pagar por pequenas mercadorias.
(veja também Bishop e Heberlein, 1979).
A validação externa do método VC destaca-se por ser um
assunto importante. Uma contribuição importante
criticamente poderia vir de experimentos, nos quais estudos
de VC de estado de arte são empregados em contextos em que
eles podem de fato ser comparados com disposição
comportamental real para pagar por mercadorias que possam
realmente ser compradas e vendidas.
Dos outros problemas que surgem nos estudos de VC, os
que seguem são os que mais interessam ao Painel: (i) o
método de valoração contingente pode produzir resultados
que parecem ser inconsistentes, com suposições de escolhas
racionais; (ii) respostas as sondagens de VC as vezes
parecem grandes, tendo em vista os muitos programas para os
quais poder-se-iam pedir aos indivíduos para contribuir e a
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existência de mercadorias ambas públicas e privadas que


pudessem ser substitutas para o(s) recurso(s) em questão;
(iii) relativamente poucas aplicações prévias do método VC
tem lembrado aos entrevistados sobre as limitações de
orçamento sob as quais todos têm de operar; (iv) em
pesquisa de VC é difícil fornecer informação adequada para
os entrevistados sobre a política ou o programa para os
quais valores estão sendo eliciados, assim como ter certeza
de que eles tenham absorvido e aceitado esta informação
como a base para suas respostas; (v) em gerar estimativas
agregadas usando a técnica VC, é as vezes difícil
determinar a “extensão do mercado;” e (vi) os entrevistados
em pesquisas de VC podem realmente estar expressando
sentimentos sobre o interesse público ou o “empenho” em dar
mais que efetiva disposição a pagar pelo programa em
questão. Será discutido cada um destes problemas
resumidamente.

Inconsistência com Escolha Racional


Alguns dos resultados empíricos produzidos pelos
estudos VC têm sido alegado ser inconsistentes com as
suposições de escolha racional. Isto levanta duas questões
a saber: Que requerimentos são impostos pela racionalidade?
Por que são importantes para a avaliação de confiabilidade
do método VC?
Racionalidade em sua forma mais fraca requer certos
tipos de consistência entre as escolhas feitas pelos
indivíduos. Por exemplo, se um indivíduo escolhe algumas
aquisições ao grupo preços e renda, então se preços caem e
não houver outras mudanças as mercadorias que o indivíduo
compraria agora o colocariam em melhor situação.
Semelhantemente, esperar-se-iam que as preferências do
individuo sobre bens públicos (ou seja, pontes, rodovias,
qualidade do ar) refletissem o mesmo tipo de consistência.
12

Noções comuns de racionalidade impõem outras


exigências que são relevantes em diferentes contextos.
Normalmente, embora nem sempre, é razoável supor que mais
de algo considerado como bom é melhor enquanto um indivíduo
não esteja saciado. Isto é em geral traduzido em uma
disposição a pagar um pouco além por mais uma mercadoria,
ao julgamento do indivíduo. Além do mais, se a disposição
marginal ou incremental a pagar por quantias adicionais
realmente cai com a quantidade já disponível, normalmente
não é razoável assumir que ela caía muito bruscamente.
Este ponto assume importância em razão de alguma
evidência empírica de estudos VC de que a disposição a
pagar não cresce com a mercadoria. Em um estudo, Kahneman
(1986) descobriu que a disposição a pagar pela limpeza
total de todos os lagos em Ontário era apenas um pouco
maior que a disposição a pagar pela limpeza dos lagos em
apenas em uma região. Evidência deste tipo tem multiplicado
[veja Kahneman e Knetch, (1992); Desvousges, et al.,
(1992); Diamond et al., (1992)]. O resultado de Desvousges
é muito contundente; a disposição média a pagar para tomar
medidas a fim de prevenir que 2 mil pássaros migratórios
(espécies fora de risco) morram em poços cheios de óleo foi
tão grande quanto à disposição de prevenir que 20 mil ou
200 mil pássaros morressem. Poder-se-ia esperar que a
disposição marginal reduzida a pagar por proteção adicional
resultasse em queda. Mas uma queda a zero, especialmente
quando a disposição a pagar pelos primeiros 2 mil pássaros
certamente não seja comum, é difícil de explicar como a
expressão de um conjunto racional e consistente de
escolhas.
Tem sido argumentado em um nível técnico que os
estudos encontrando tais inconsistências aparentes sejam
imperfeitos, e que as escolhas não sejam claramente
apresentadas aos entrevistados. No estudo antes referido,
13

por exemplo, foi dito aos entrevistados que 2 mil pássaros


eram “... muito menos de 1%” do total da população de
pássaros migratórios enquanto 200 mil pássaros era “...
cerca de 2%” do total. Isto pode ter levado os
entrevistados a avaliar os programas como sendo
essencialmente o mesmo. Mas, em face disto, a evidência
certamente levanta algumas sérias questões sobre a
racionalidade das respostas.
A questão seria: a racionalidade é de fato necessária,
por que não tomar os valores encontrados como dados? Há
duas respostas. A primeira é que não se sabe ainda como
raciocinar sobre valores sem alguma suposição de
racionalidade, se de fato seja possível como um todo.
Requisitos de racionalidade impõem uma limitação nos
possíveis valores sem a qual os julgamentos de danos seriam
arbitrários. Uma segunda resposta é que, como discutido
anteriormente, é difícil encontrar contrapartidas objetivas
para verificar os valores obtidos em resposta a
questionários. Portanto, alguma forma de consistência
interna é o mínimo que se precisa para sentir alguma
confiança de que as respostas verbais correspondam a alguma
realidade.

Improbabilidade de Respostas
O método VC é geralmente usado para extrair valores
para um programa especifico a fim de prevenir danos
ambientais, sejam animais mortos, depredação de uma área de
selva primitiva, seja perda de visibilidade em uma área não
comumente muito aberta. Embora, em cada caso, os indivíduos
freqüentemente expressem disposição zero a pagar, a
disposição média a pagar sobre a amostra total é no mínimo
de $20 a $50. Com 100 milhões de famílias nos Estados
Unidos, estas respostas resultam em totais muito grandes,
freqüentemente acima de $1 bilhão. Alguns têm argumentado
14

que estas grandes somas são em si mesmas incríveis e lançam


dúvida sobre o método VC. O Painel não está convencido por
este argumento, pois é difícil ter uma intuição sobre um
total razoável.
Mas existe um problema diferente com estas respostas.
Podemos prever muitos tipos possíveis de danos ambientais –
derramamento de óleo, ou contaminação de água no subsolo,
em muitos locais diferentes, prejuízo da visibilidade em
uma variedade de lugares e assim por diante. O indivíduo ou
a família estariam realmente dispostos a pagar $50 ou mesmo
$5 para prevenir cada um? Isto parece muito improvável,
pois a disposição total resultante a pagar por todos estes
programas poderia facilmente se tornar uma fração muito
grande de nossa renda ou talvez até mesmo excedê-la.
Em outras palavras, mesmo com a disposição a pagar,
respostas a infrações ambientais individuais são corretas
se apenas um programa for considerado, elas podem fornecer
superestimativas quando houver expectativa de um número
grande de problemas ambientais. Semelhantemente, se os
indivíduos falharem em considerar os bens públicos ou
privados que possam ser substitutos para os recursos em
questão, suas respostas a questões em uma pesquisa VC podem
ser irrealisticamente grandes.

Ausência de Limitação Significativa de Orçamento


Mesmo se os entrevistados em pesquisas VC levem a
sério as questões de plebiscito hipotético (ou de outro
tipo) que lhes forem perguntados, eles podem responder sem
pensar cuidadosamente sobre o quanto de renda extra eles
têm disponível para repartir com todas as causas públicas e
privadas (veja Kemp e Maxwell, 1992, por exemplo).
Especificamente, os entrevistados poderiam revelar uma
disposição a pagar, por exemplo, de $100 por um projeto que
reduzisse o risco de um derramamento de óleo; mas se
15

perguntados que despesas planejadas ou atuais eles


renunciariam para pagar pelo programa, eles poderiam
reavaliar suas respostas e as rejeitariam. Isto é
semelhante ao problema identificado acima, que os
indivíduos fracassam em pensar na possível multiplicidade
de projetos e políticas ambientais que lhes fossem pedido
para colaborar. Nos dias atuais, relativamente poucas
pesquisas de VC têm lembrado aos entrevistados de maneira
convincente das reais limitações econômicas, dentro das
quais decisões de gasto têm de ser feitas.

Provisão de Informação e Aceitação


Se as pesquisas VC têm de extrair informação útil
sobre disposição a pagar, os entrevistados devem entender
exatamente o que é que lhes está sendo pedido para
valorizar (ou votar) assim como de aceitar o cenário na
formulação de suas respostas. Freqüentemente, pesquisas VC
têm fornecido apenas detalhes incompletos sobre o(s)
projeto(s) sendo avaliado(s), considerando as estimativas
daí derivadas.
Considere o seguinte exemplo. Suponha que se deseja
informação sobre a disposição de indivíduos a pagar, para
prevenir um vazamento químico em um rio. Presumivelmente,
suas respostas dependeriam muito de quanto tempo levaria
para o químico se degradar naturalmente no rio (se ele
degradasse de fato), que dano à saúde humana e à ecológica
o químico faria até que ele tivesse se degradado e assim
por diante. Na falta de informação sobre tais assuntos, não
é razoável esperar que mesmo os entrevistados muito
brilhantes e bem informados coloquem valores significativos
em um programa para prevenir vazamentos.
Mesmo se a informação detalhada fosse fornecida, há
limites para habilidade dos entrevistados de internalizar
e, conseqüentemente, bem como de aceitar e dar opinião
16

sobre a informação dada. Uma coisa que tem de ser dita aos
entrevistados é que a recuperação completa ocorrerá em, por
exemplo, dois anos. Tal fato servil para eles aceitarem
essa informação completamente e então incorporá-la em suas
respostas a questões difíceis.
Ao voltar-se ao exemplo antes citado, os entrevistados
que têm visão pessimista das prováveis conseqüências de um
vazamento químico são suscetíveis de demonstrar disposição
relativamente alta a pagar para prevenir a contaminação -
alta demais, de fato, se na realidade, tal evento tivesse
efeitos menos sérios. Entretanto, dos entrevistados com o
senso exagerado de capacidade assimilativa do rio ou de
poder de regeneração era de se esperar demonstração de
disposição a pagar que atenuasse sua verdadeira valoração
se lhes fosse fornecida uma descrição mais completa de
prováveis conseqüências.
Para repetir, mesmo quando pesquisas VC fornecem
informação detalhada e precisa sobre os efeitos do programa
sendo valorizado, os entrevistados têm de aceitar essas
informações ao fazer suas escolhas (hipotéticas). Se ao
invés disso, os entrevistados confiarem em um conjunto de
heurística (estes acidentes ambientais são freqüentemente
tão ruins quanto somos levados a acreditar), ou (as
autoridades quase sempre colocam uma “maquiagem” nestas
coisas). Com efeito, eles estarão respondendo uma pergunta
diferente daquela que está sendo feita; assim, os valores
resultantes que são extraídos não medirão confiavelmente a
disposição a pagar.

Extensão do Mercado
Processos por danos ambientais são imputados por
procuradores em favor de um grupo legalmente definido. Este
grupo limita a população que seja apropriada para
determinar danos, mesmo se indivíduos fora deste grupo
17

possam sofrer perda de uso ativo e passivo. Amostragem


reduzida e amostragem zero de um subgrupo da população
relevante pode ser apropriada se o subgrupo tiver uma
valoração previsivelmente baixa do recurso. Por exemplo, os
autores do estudo VC conduzido em conexão com o
derramamento de óleo Nestuca limitaram sua amostra a
famílias em Washington e em Columbia Britânica,
possivelmente porque se presumiu que os indivíduos
residentes em outro lugar tivessem valores muito baixos
para justificar o exame (ou possivelmente porque os
patrocinadores do estudo eram agências do Estado de
Washington, da província da Columbia Britânica e, assim,
definiu a população legalmente apropriada) (Rowe, Shaw e
Schulze, 1992).

Efeitos “Empenho”
Alguns críticos da técnica VC (por exemplo, Diamond e
Hausman, 1992) têm observado que a distribuição de
respostas a questões abertas sobre disposição a pagar
freqüente é caracterizada por uma proporção significante de
“zero” - pessoas que não pagariam nada pelo programa - e
também um número de relatórios mensuráveis. Esta
distribuição bi-modal também caracteriza a doação
individual: a maioria de nós não dá nada para a maioria das
entidades de caridade, mas dá quantias não comuns para as
que realmente apoiamos (no mínimo $10 ou $20). Isto tem
levado estes críticos a concluir que as respostas dos
indivíduos a questões VC fazem a mesma função das
contribuições de caridade - não apenas para apoiar a
organização em questão, mas também para sentir o “empenho”,
que resulta da doação de causas merecidas (veja Andreoni
1989). Se assim for, as respostas ao VC não deveriam ser
tomadas como estimativas confiáveis de verdadeira
18

disposição a pagar, mas como indicativo de aprovação para o


programa ambiental em questão.

III. ASSUNTOS-CHAVE PARA O PROJETO DE INSTRUMENTOS DE


VALORAÇÃO CONTINGENTE
No curso de suas deliberações, o Painel discutiu
muitos assuntos envolvendo o projeto de pesquisas VC. Aqui,
fornecemos nossos pontos de vista sobre vários assuntos que
são especialmente importantes. Na Seção IV e no Apêndice
deste relatório, fornecemos um grande número de detalhes
sobre as características de uma aplicação válida do método
VC.

O Formato Plebiscito
O VC, ao ser considerado como uma pesquisa, é um
instrumento mais descritivo que explicativo. A descrição
pode ser tão simples quanto relatar médias de variação
única de um tipo ou de outro, tais como as porcentagens das
pessoas empregadas, as que estão procurando ou não trabalho
nos Estados Unidos, o número médio de cômodos ocupados por
famílias americanas, ou a proporção dos prováveis eleitores
em favor de outro candidato em uma eleição futura. Um
estudo de VC procura encontrar a disposição média a pagar
por um melhoramento ambiental específico. Contudo, como
será visto mais tarde, é freqüentemente desejável pedir a
entrevistados que especifiquem as razões para suas
escolhas.
Os resultados descritivos de variação única são
significativos, principalmente quando as respostas
alternativas a uma questão são simples, podem ser bem
especificadas e existe um alto consenso entre entrevistados
e investigadores sobre o significado exato das questões e
das respostas. Em alguns casos em que o consenso não seria
inicialmente adequado, definições simples podem ser
19

acrescentadas a um questionário para obter um acordo


satisfatório - por exemplo, ao perguntar as pessoas quantos
cômodos elas têm em suas casas, afirmamos se são banheiros,
porões, etc., que são inclusos na conta; a maioria dos
entrevistados se conforma com essa especificação.
Questões sobre fenômenos subjetivos, tais como
atitudes e valores, tratando respostas como simplesmente
descritivas é raramente significativo. Muito depende de
como as palavras são ordenadas nas questões e não há
consenso social suficiente sobre significado exato e nem
referência externa para facilitar tal consenso. Há muitos
exemplos na literatura de pesquisas de como as mudanças na
ordem das palavras ou no contexto afetarão os resultados
baseados em questões sobre fenômenos subjetivos (veja
Schuman e Presser, 1981). Por exemplo, em pesquisas
nacionais perto de um quarto da população escolherá a
resposta “não sei” para a maioria das questões de atitude,
se isto for oferecido explicitamente; contudo, estas mesmas
pessoas selecionarão uma alternativa substancial se a
resposta “não sei” não for especificamente fornecida, mesmo
se for aceita quando afirmada espontaneamente. Mais
enigmaticamente, uma questão sobre “proibir” uma ação
especial tende a requerer menos acordo que uma questão
sobre “não permitir” a mesma ação, embora as duas questões
sejam logicamente equivalentes. Além destes exemplos, a
maioria dos objetos de atitude são simplesmente muito
complexos para serem resumidos por uma simples pergunta de
pesquisa; por exemplo; atitudes em relação ao aborto são
tão dependentes das razões para o aborto assim como o tempo
de gravidez para ser questionado por uma simples pergunta.
Atitudes em relação “controle de arma” variam enormemente
dependendo do exato delinear do assunto (por exemplo, armas
de mão versus todas as armas, registro versus banimento, e
outras distinções de política completas).
20

Estudos de VC procuram informação descritiva, embora


requeiram uma resposta semelhante àquelas buscadas por
questões sobre fenômenos subjetivos. Assim, eles arriscam
muitos dos mesmos efeitos de resposta e outras dificuldades
em ordenação de palavras que apareçam regularmente em
pesquisas de atitude. Minimizar estes efeitos, apresenta um
desafio considerado a qualquer pessoa que deseje obter
estimativas de VC confiáveis. A maneira mais simples de
abordar o problema é considerar uma pesquisa VC tão
essencialmente auto contida no qual os entrevistados votam
em si para tributar a si mesmos ou a fim de se chegar a um
objetivo específico, desde que os plebiscitos reais são
expostos à maioria dos efeitos de resposta, que ocorrem com
pesquisas de atitude, como também, desde que tomemos o
resultado de plebiscito que nos diz algo sobre preferências
verdadeiras não é necessário exigir que eles possam ser
eliminados completamente em um estudo VC.
O Painel é de opinião que as questões VC abertas - por
exemplo, “qual é melhor soma que compensaria a você por
dano ambiental X?” ou “Qual é a maior quantidade que você
estaria disposto a pagar para evitar (ou reparar) um dano
ambiental X?” - são improváveis de fornecer as valorações
mais confiáveis. Há no mínimo duas razões para esta
conclusão. Em primeiro lugar, o cenário falta realismo,
pois aos entrevistados raramente se pede ou requer no curso
de suas vidas diárias para se colocar o valor de um dólar
em um bem público especial. As respostas deles a tais
questões são por tanto improváveis de ser indevidamente
sensíveis a características comuns do cenário apresentado.
Em segundo lugar, um pedido aberto de disposição a pagar ou
aceitar compensação com vida a exagero estratégico. Quanto
mais seriamente os entrevistados consideram a questão, o
mais provável é que eles verão que relatar uma resposta
grande é uma maneira gratuita de marcar um ponto. Tanto a
21

experiência quanto a lógica sugerem que respostas para


questões abertas serão estranhas e tendenciosas.
Contudo, o formato plebiscito, especialmente quando
lançado no módulo de disposição a pagar, - você estaria
disposto a contribuir (ou ser taxado) em dólares para
cobrir o custo de evitar ou reparar dano ambiental X? - tem
muitas vantagens. Isto é real: os plebiscitos sobre a
provisão de bens públicos não são incomuns na vida real e
não há razão estratégica para o entrevistado fazer outra
coisa a não ser responder verdadeiramente embora uma
tendência para superestimar freqüentemente aparece mesmo em
conexão com pesquisas relacionadas a bens de mercado de
rotina. O fato de que pesquisas de mercado continuam a ser
usadas rotineiramente sugerem que essa tendência não é um
obstáculo insuperável. Naturalmente, o entrevistado em uma
pesquisa VC entende que o plebiscito é hipotético; não há
implicação de que as taxas realmente sejam arrecadadas e o
dano realmente reparado ou evitado. Isto sugere que
esforços consideráveis deveriam ser feitos para induzir os
entrevistados a dar atenção a questão de forma séria e que
o instrumento de VC devesse conter outras questões
planejadas para detectar se o entrevistado fez isto. Embora
Carson, et al. (1992), incluísse uma questão útil para
determinar se os entrevistados acreditavam que a pesquisa
era tendenciosa em qualquer direção, eles não testaram
suficientemente se a completude e o período de tempo para
restauração afirmada na pesquisa fossem completamente
aceitas pelos entrevistados. Mas no que diz respeito às
razões estratégicas, um entrevistado que não estivesse
disposto a pagar em dólares não tem razão para responder
“Sim”, e um entrevistado que estivesse disposto a pagar em
dólares não tem razão para responder “Não”.
Existe, contudo, várias outras razões porque nossa
resposta a uma questão de plebiscito hipotético pudesse ser
22

o oposto do nosso voto real em uma urna real. No entanto,


um entrevistado não disposto a pagar em dólares em
realidade poderia sentir pressão para dar a resposta
“certa” ou “boa”, quando respondesse a um entrevistador por
telefone ou pessoalmente. Isso poderia acontecer se o
entrevistado acreditasse que o próprio entrevistador
favoreceria uma resposta “sim”. Entretanto, um entrevistado
realmente disposto a pagar a quantia afirmada, poderia
responder na negativa por várias razões, a saber: (i)
crença de que os cenários propostos distribuíram o encargo
de maneira desleal; (ii) dúvidas sobre tanto à
exeqüibilidade da ação proposta de modo que nenhuma
contribuição seria desperdiçada ou a habilidade da agência
relevante em executar a ação eficientemente; e (iii) recusa
em aceitar o problema da escolha hipotética, pois tanto a
aversão generalizada a impostos ou uma visão de que uma
outra pessoa - a “indústria do óleo”, por exemplo - deveria
pagar por reparo ou escape como a parte responsável. As
mesmas considerações sugerem que um instrumento VC deveria
incluir questões destinadas a detectar a presença destas
fontes de preconceito. Isto é de fato freqüentemente feito,
mas não sabemos se é bem-sucedido.
Há dois problemas que poderiam desviar da reabilitação
de respostas VC sem produzir algum preconceito determinado,
tais como: (i) um sentimento que o voto de alguém não terá
efeito significante no resultado de referência hipotética,
conduzindo para não resposta ou uma resposta
desconsiderada; e (ii) informação pobre sobre o dano que
está sendo avaliado. Naturalmente, qualquer um destes
poderia ocorrer em um plebiscito de fato.
Aqui, devemos decidir o padrão de conhecimento dos
entrevistados que nós queremos impor a um estudo VC. É
claro que deveria ser no mínimo tão alto quanto aquele no
qual o eleitor médio traz a um plebiscito real sobre a
23

provisão de um bem público específico; mas deveria ser mais


alto? Um estudo de VC conservador, isto é, um que evita
superestimar a verdadeira disposição a pagar, sem dúvida
não excede o padrão mínimo de informação bem como irão
retroceder a fim de evitar o fornecimento da informação de
maneira que pudesse influenciar a resposta para cima. Em
particular, um estudo conservador fornecerá ao entrevistado
com alguma perspectiva referente à freqüência total e à
magnitude dos derramamentos de óleo, o montante de dinheiro
circulante sendo gasto em prevenir e remediá-los, a escala
total de suas conseqüências, as características peculiares
do derramamento em questão e a informação relevante
semelhante. Localizar o problema-escolha em um contexto
mais amplo, ajuda o entrevistado a chegar em uma avaliação
conservadora e realista.
A maioria da provisão de bens públicos neste país é
mais decidida por representantes e burocratas que pelo voto
direto dos cidadãos. Presume-se, que estes agentes sejam
mais “peritos” ou no mínimo tenham mais conhecimento que os
próprios cidadãos. A perícia dos agentes, se realmente
existe, é sobre recursos e custo de fornecer bens públicos,
embora se presuma que funcionários públicos eleitos possam
às vezes “representar” julgamentos de valor imediato aos
cidadãos. Contudo, para aumentar nossa confiança de que um
estudo de VC é confiável, poderíamos comparar o resultado
fornecido por um quadro de peritos. Isto ajudará a checar
se os entrevistados e aqueles que conduzem o estudo ou os
estudos, sejam razoavelmente bem informados e bem
motivados. Esta comparação poderia ser feita em uma amostra
de estudos de VC para dar uma idéia da confiança deles em
geral.
As considerações antes apresentadas sugerem que um
estudo de VC baseado no cenário de plebiscito pode produzir
mais estimativas conservadoras confiáveis de disposição a
24

pagar e, conseqüentemente, da compensação necessária, para


o resultado de prejuízo ambiental, desde que um esforço em
conjunto seja feito para motivar os entrevistados a levar o
estudo a sério, a fim de informá-los sobre o contexto e as
circunstâncias especiais de derramamento ou outro acidente,
e para minimizar algum preconceito favorável a altas ou
baixas respostas originadas de pressão social dentro da
entrevista. Isto implica no fato de que o atual estado das
coisas, um estudo de VC confiavelmente conservador, deveria
ser conduzido com entrevistas pessoais de duração
significativa e, por essa razão, será relativamente caro.
Segue-se então, para que o custo do estudo não seja
desproporcionalmente grande comparado ao montante de
prejuízos, a abordagem VC provavelmente seria apenas usada
em derramamentos relativamente maiores, no mínimo até
promover melhoramentos na metodologia que possa ser
desenvolvida e aceita (uma sugestão para fazê-lo é
oferecida na seção V).
O formato plebiscito oferece uma vantagem adicional de
VC. Como nós temos argumentado, a validação externa de
valores eliciados de uso-passivo perdido é normalmente
impossível. Existem, no entanto, plebiscitos reais. Alguns
deles, no mínimo, são decisões para comprar bens públicos
específicos com mecanismos de pagamento definido – exemplo,
um aumento em impostos sobre a propriedade. A analogia com
a disposição a pagar para evitar ou reparar perdas
ambientais está longe da perfeição, porém, próximo o
suficiente de modo que a habilidade de estudos semelhantes
à VC em prever os resultados de plebiscito real seria
evidência útil para a validade do método de VC em geral.
O teste que prevemos não é uma eleição do tipo usual.
Em vez disso, usando o formato plebiscito e provendo a
informação usual para os entrevistados, um estudo deveria
perguntar se eles desejam pagar o valor médio sugerido pelo
25

plebiscito real. O resultado do estudo semelhante à VC


deveria ser comparado com o de plebiscito real. O Painel
acha que os estudos deste tipo deveriam ser seguidos como
um método de validação e talvez até calibrando as
aplicações do método VC (veja Magleby, 1984).

Tratando do Problema Instalado


Talvez o mais importante argumento interno contra a
confiabilidade da abordagem VC (como contra críticas gerais
sobre incertezas, falta de informação ou irrealidade de
cenário) é a observação do fenômeno “instalação” (veja a
discussão na seção II). Amostras similares de
entrevistados, são indagados sobre suas disposições a pagar
para prevenção de cenários de perdas ambientais que sejam
idênticas, exceto pela sua escala: diferentes números de
pássaros marinhos salvos, diferentes números de trechos
(área) de floresta preservada de desmatamento, etc. É
relatado que a média da disposição a pagar é freqüentemente
substancial para o menor cenário apresentado, mas é então,
substancialmente independente do tamanho do dano evitado,
crescendo levemente se acontecer grandes mudanças.
A interpretação usual proposta pelos críticos do
método VC é que as respostas não estão medindo o valor do
dólar equivalente à utilidade dos patrimônios ambientais
preservados, pois isto seria certamente maior para
programas de preservação substancialmente maiores. Ao invés
disso, a soma fixa ofertada é o valor de um sentimento de
ter feito algo de modo louvável; um “empenho” é a frase
freqüentemente usada.
Isto é potencialmente uma crítica muito prejudicial do
método. Os estudos de VC quase sempre procuram medir a
disposição a pagar para evitar um incidente em especial ao
invés da compensação que seria requerida por perdas que já
teriam ocorrido. Isto é porque os entrevistados estão
26

exagerando a compensação que iriam requerer a disposição a


pagar porque se espera que o último seja menos que o
anterior e, portanto, é conservador. Se a disposição
relatada a pagar precisamente refletisse a disposição real
a pagar, então, sob a interpretação do “empenho”, a
disposição a pagar poderia muito bem exceder a compensação
requerida, pois o primeiro contém um elemento de auto-
aprovação. Isto seria real, mas não propriamente
compensador.
Defensores da abordagem de VC rebatem esta crítica de
várias formas. Algumas vezes é discutido que a evidência
utilizada para dar “suporte à instalação” simplesmente
indica utilidade marginal decrescente do patrimônio em
questão. Em muitos casos, no entanto, a constância ou
quase-constância disposição a pagar não parece consistente
com as grandes relatadas para o primeiro pequeno aumento de
preservação ambiental.
Uma segunda defesa de VC contra o fenômeno instalação
é que questões de VC têm de ser colocadas cuidadosamente e
em contexto. É discutido que instrumentos de VC
descuidadamente formulados deixam os entrevistados com a
impressão que eles estão sendo questionados, “Você pagaria
$X para evitar um determinado pequeno dano ambiental?” Em
uma população de pássaros muito grande, a morte de 1 mil
não parece notoriamente diferente de 100 mil - e pode não
ser de fato muito diferente - de modo que os entrevistados
simplesmente respondam apenas a questão perguntada.
Esta segunda resposta conduz a uma questão obvia: como
deveria um instrumento de VC ser estruturado para trazer à
tona uma resposta que satisfaça ao cenário exato (ambiente)
e não para um efeito de “empenho” generalizado? Nós temos
que rejeitar uma abordagem possível, que pede para cada
entrevistado expressar sua disposição a pagar para evitar
incidentes de tamanhos variados. O perigo é que a
27

instalação será forçosamente evitada, ainda que sem


realismo. Este ensaio é mais bem considerado como parte da
questão ampliada: Quanto ao contexto sobre o incidente em
si, as escolhas e circunstâncias do entrevistado devem ser
incluídas no instrumento VC? Estamos recomendando um alto
padrão de riqueza no contexto para alcançar um fundo
realístico. Nossas diretrizes, propostas relacionadas a
este assunto estão incorporadas na seção IV.

Dimensão Temporal de Perdas de Uso Passivo


Tipicamente, os danos ambientais acerca dos
derramamentos de petróleo ou acidentes similares são
severos para alguns períodos de tempo - semanas, meses ou
algumas vezes alguns anos. Os danos ambientais gradualmente
são reduzidos pelas forças naturais e pelos esforços
humanos. Em algumas circunstâncias, perdas de uso passivo
derivam apenas ou quase dos estados condicionais
constantes; assim, se o valor de uso passivo deriva da
diversidade de espécies, mesmo uma perda considerável de
pássaros ou mamíferos que não ameaçam espécie alguma não
resultará em nenhuma perda. Se, ao contrário, considerável
valor de uso passivo é ligado ao estado provisório de
recurso natural, então os entrevistados têm de fazer um
cálculo muito difícil de valor presente adequadamente para
computar suas atuais disposições a pagar pela diferença
entre o estado de recurso completamente restaurado e o
estado real, visto que o nível da restauração varia ao
longo do tempo. Pesquisas de VC conseqüentemente têm de ser
cuidadosamente delineadas para permitir aos entrevistados
diferenciar estado provisório de perda, de uso passivo, de
estado constante, e, se existe perda de uso passivo
provisório; é preciso informar corretamente seu valor
atual.
28

É razoável assumir que valores de uso passivo


provisório são somados ao longo do tempo. Por isso, nós
precisamos de um cálculo de valores atuais de perdas
provisórias. O desconto e a estimativa de taxa de
recuperação do recurso deveriam ser feitos por
especialistas técnicos e não por entrevistados, que
improvavelmente não conduziriam adequadamente estas
tarefas. Os entrevistados deveriam ser questionados somente
sobre suas disposições a pagar para eliminar a diferença
entre certos níveis de recursos reparados parcialmente,
assim como o perfeito estado de um período de tempo
específico, digamos um ano, a suposição é de que depois
desse tempo é assegurada a restauração completa.
Especialistas técnicos estimariam como o estado da pesquisa
irá variar de ano a ano enquanto a restauração toma lugar.
A informação técnica sobre o estado do recurso, juntamente
com avaliações do entrevistado sobre o fluxo de valoração
de recurso, podem ser utilizadas para construir uma série
temporal de perdas de uso passivo que podem ser descontadas
para a presente e em uma taxa de juros apropriada a fim de
determinar o valor atual dos danos.

IV. DIRETRIZ DE PESQUISA


Nesta seção nós tentamos estabelecer um conjunto
bastante completo de diretrizes de acordo com a qual
definir-se-ia uma pesquisa de VC ideal. Uma pesquisa de VC
não tem de satisfazer cada uma dessas diretrizes
completamente a fim de qualificar como uma fonte de
informação confiável para um processo de avaliação de
danos. Muitas partidas das diretrizes ou mesmo um único
desvio sério iria, no entanto, sugerir desconfiança à
primeira vista. Para preservar a continuidade, fornecemos
aqui apenas uma lista simples de diretrizes. Elas são
29

repetidas juntamente com comentários explicativos


adicionais no Apêndice deste relatório.

Diretrizes Gerais
□ Tipo e Tamanho de Amostra: A amostragem de probabilidade
é essencial para uma pesquisa usada na avaliação de danos.1
A escolha do projeto e tamanho específico da amostragem é
uma questão técnica difícil que requer a orientação de um
estatístico de amostragem profissional.

□ Minimizar Não-Respostas: Altas taxas de não-respostas


tornariam os resultados da pesquisa não confiáveis.

□ Entrevista Pessoal: O Painel acredita que é improvável


que estimativas confiáveis de valores pudessem ser obtidas
com pesquisas via correspondências. Entrevistas face-a-face
são geralmente preferidas, embora entrevistas por telefone
têm algumas vantagens em termos de custo e supervisão
centralizada.

□ Diagnosticando as Influências do Entrevistador: Uma


importante consideração em que às pesquisas VC se diferem
do plebiscito real é a presença de um entrevistador (exceto
no caso de pesquisas por correspondência). É possível que
os entrevistadores contribuam para o preconceito “desejo
social”, pois preservar o meio ambiente é amplamente visto
como algo positivo. Com o objetivo de testar essa
possibilidade, estudos importantes de VC deveriam

1
Esta necessidade não previne o uso de amostras menos adequadas,
incluindo quota ou mesmo amostras convenientes, para teste preliminar
de variações experimentais específicas, tão logo que a ordem da
diferença de magnitude, ao invés de resultados invariáveis sejam os
focos. Mesmo assim, fontes óbvias de preconceito deveriam ser evitadas
(ex: estudantes graduados têm provavelmente grande diferença entre
suas idades e educação da população adulta heterogênea) para prevenir
uma base confiável de generalização mais ampla.
30

incorporar experimentos que avaliassem as influências do


entrevistador.

□ Relatando: Todo relatório de um estudo de VC deveria


deixar claro a definição da população amostrada - o quadro
de amostragem utilizado, o tamanho da amostragem, a taxa de
não-resposta da amostragem total, seus componentes (ex:
recusas) e item não-resposta em todas as questões
importantes. O relatório deveria também reproduzir a
redação exata e a seqüência de questionário e de outras
comunicações para os entrevistados (ex: cartas de
promoção). Todos os dados do estudo deveriam ser arquivados
e tornados disponíveis para as partes interessadas, (veja
Carson et al. (1992); para um exemplo de boa prática na
inclusão de questionário e de detalhes relatados - até esta
data o relatório não foi publicamente disponibilizado e os
dados não foram arquivados para uso livre por outros
estudiosos).

□ Diagnóstico Cuidadoso de um Questionário VC: Em uma


pesquisa VC apresenta-se aos entrevistados, normalmente uma
boa quantidade de informação nova e freqüentemente técnica
bem além do que é típico na maioria das pesquisas. Isto
requer um trabalho piloto muito cuidadoso, o pré-teste,
mais a evidência da pesquisa final de que os entrevistados
entenderam, aceitaram a descrição principal e o
questionário razoavelmente bem.

Diretrizes para Pesquisas de Obtenção de Valor


As diretrizes a seguir são confirmadas nas melhores
pesquisas VC e precisam ser apresentadas a fim de
assegurarem a confiabilidade e a utilidade da informação
que é obtida.
31

□ Projeto Conservador: Geralmente, quando aspectos do


projeto de pesquisa e as análises das respostas são
ambíguas, a opção que tende subestimar a disposição a pagar
é preferida. O projeto conservador aumenta a confiabilidade
de estimativa por meio da eliminação de respostas extremas
que possam ampliar os valores estimados de maneira
improvável.

□ Forma de Obtenção: A forma de disposição a pagar deveria


ser utilizada ao invés da compensação requerida, pois a
primeira é a escolha conservadora.

□ Formato Plebiscito: A questão de valoração deve ser


representada como um voto em um plebiscito.

□ Descrição Precisa do Programa ou Política: A informação


adequada deve ser fornecida para os entrevistados sobre o
programa ambiental que é oferecido. Isso deveria ser
definido de uma maneira que fosse relevante para a
avaliação de dano.

□ Pré-Teste de Fotografias: Os efeitos de fotografias em


matérias devem ser cuidadosamente explorados.

□ Lembrete de Mercadorias (Artigos) Não Danificadas


Substitutas: Entrevistados devem ser lembrados das
comodidades substitutas, tais como outros recursos naturais
comparáveis ou o estado futuro do mesmo recurso natural.
Este lembrete deveria ser introduzido direta e
convincentemente antes da questão principal de avaliação
para assegurar que os entrevistados tenham alternativas
claras em mente.
32

□ Lapso Temporal Adequado desde o Acidente: A pesquisa deve


ser realizada em um tempo suficientemente distante da data
do dano ambiental que os entrevistados considerem o cenário
de restauração completa como plausível. Questões deveriam
ser inclusas para determinar o estado das crenças dos
sujeitos com respeito às probabilidades de restauração.

□ Regularidade (ou Média) Temporal: O ruído da medida


dependente de tempo deveria ser reduzido pela medição de
amostras independentemente apanhadas, tomadas em diferentes
pontos no tempo. Uma clara e substancial tendência de tempo
na resposta iria lançar dúvida na “confiabilidade” da
descoberta.

□ Opção “Sem Resposta”: Uma opção “sem resposta” deveria


ser explicitamente permitida em adição às opções “sim” e
“não” de voto na questão de avaliação principal
(plebiscito). Entrevistados que escolhem a opção “sem
resposta” deveriam ser indiretamente questionados para
explicar sua escolha. As respostas deveriam ser
cuidadosamente codificadas para serem apresentadas, como
por exemplo: (i) indiferença imprecisa entre um voto sim e
não; (ii) inabilidade para tomar uma decisão sem precisar
de mais tempo ou informação; (iii) preferência por algum
outro mecanismo para tomar sua decisão; e (iv) entediado
pela pesquisa e ansioso para terminá-la o mais rápido
possível.

□ Seqüências Sim/Não: Respostas sim e não deveriam ser


seguidas por uma questão final: “Por que você votou
sim/não?”. As respostas deveriam ser cuidadosamente
codificadas para mostrar os tipos de respostas, como por
exemplo: (i) isso vale ou não a pena; (ii) não sabe; e
(iii) as companhias de petróleo deveriam pagar.
33

□ Tabulações Cruzadas: A pesquisa deveria incluir uma


variedade de outras questões que ajudem a interpretar as
respostas para a questão primária de avaliação. O relatório
final deveria incluir resumos da disposição a pagar
interrompido por essas categorias. Entre os itens que
seriam de grande ajuda na interpretação das respostas
estão:
Renda;
Conhecimento anterior do local;
Interesse anterior no local (Taxas de Visitação);
Atitudes Relacionadas ao Meio Ambiente;
Atitudes Relacionadas aos Grandes Negócios;
Distância do local;
Entendimento da tarefa;
Crença nos Cenários; e
Habilidade/Disposição em executar a tarefa.

□ Controle sobre o Entendimento e a Aceitação: As


diretrizes antes apresentadas devem ser satisfeitas sem
tornar o instrumento tão complexo que mostre tarefas que
estejam além da habilidade ou do nível de interesse de
muitos participantes.

Metas para Pesquisas de Obtenção de Valor


Os itens a seguir não são suficientemente discutidos
mesmo nas melhores pesquisas VC. Na opinião do Painel,
essas questões terão de ser lidadas convincentemente a fim
de assegurar a confiabilidade das estimativas.

□ Possibilidades de Despesas Alternativas: Os entrevistados


devem ser lembrados de que sua disposição a pagar pelo
programa ambiental em questão reduziria suas despesas com
bens privados ou com outros bens públicos. Esse lembrete
34

deveria ser mais que superficial, porém menos opressivo. O


objetivo é induzir os entrevistados a manter em mente
outras prováveis despesas, incluindo outros sobre bens
ambientais ao avaliar o cenário principal.

□ Desvio de Valor de Transação: A pesquisa deveria ser


delineada para desviar o “empenho” geral de doar
desinteresse sobre “grandes negócios” do programa ambiental
específico que está sendo avaliado. É possível que o
formato plebiscito limite o “efeito empenho”, até então é
claro que o delinear da pesquisa deveria tratar desse
problema explicitamente.

□ Estado Constante ou Perdas Temporárias: Deveria ser


tornado aparente que os entrevistados possam distinguir
perdas de estado constante de estado temporário.

□ Cálculos de Valores Atuais de Perdas Temporárias: Deveria


ser demonstrado que em valores revelados, entrevistados são
suficientemente sensíveis a temporização do processo de
restauração.

□ Aprovação Antecipada: Desde que o projeto da pesquisa VC


possa ter um efeito substancial nas respostas, é desejável
que - se possível - traços críticos sejam pré-aprovados por
ambos os lados em uma ação legal, com arbitragem e/ou
experimentos usados quando discórdias não podem ser
resolvidas pelas próprias partes.

□ Ônus de Prova: Até certo momento, em que houver um


cenário de pesquisas de referência confiável, o ônus da
prova de confiabilidade deve repousar nos planejadores da
pesquisa. Eles devem mostrar, por meio da sondagem ou de
outros experimentos, que sua pesquisa não sofra dos
35

problemas que essas diretrizes pretendem evitar.


Especificamente, se uma pesquisa VC sofresse de algumas das
seguintes epidemias, nós julgaríamos suas descobertas como
“não confiáveis”, a saber:

- Uma alta taxa de não-resposta para todo o


instrumento de pesquisa ou para a pergunta de avaliação.

- Inadequada resposta ao objetivo do dano


ambiental.

- Falta de entendimento da tarefa pelos


entrevistados.

- Carência de crença na restauração completa do


cenário.

- Votos “sim” e “não” no plebiscito hipotético


que não são seguidos ou explicados fazendo referência ao
custo e/ou ao valor do programa.

□ Pesquisas de Referência Confiável: A fim de aliviar este


pesado ônus de prova, nós insistimos fortemente para que o
governo assuma a tarefa de criar um conjunto de pesquisas
de referência confiável que possa ser usado para
interpretar as diretrizes como também para equilibrar
pesquisas que não satisfaçam as condições.

V. RECOMENDAÇÕES PARA PESQUISA FUTURA


A principal recomendação de pesquisa do Painel é sobre
a reforma drástica do procedimento de VC, estendendo além
da sugestão das diretrizes na seção IV.
O problema de estimar a demanda para a alta inovação
de produtos comerciais altamente inovadores, incluindo
36

alguns que não foram realmente produzidos, é muito parecido


com o problema enfrentado pela pesquisa de VC. É o problema
de estimar a disposição a pagar por um produto
necessariamente desconhecido. O campo de pesquisa de
mercado tem desenvolvido métodos - “análise conjunta” por
exemplo - que são muito parecidas com a abordagem de VC.
(Uma diferença importante é que um novo produto pode
finalmente alcançar o mercado, e projeções das vendas
esperadas podem ser checadas. Descobre-se que as respostas
de pesquisas são normalmente estimativas moderadas da real
disposição a pagar). Profissionais têm descoberto que os
métodos de pesquisa são melhores para estimar demanda
relativa que demanda absoluta. Há um problema de apoio, até
mesmo com bens privados - isto é, a absoluta disposição a
pagar é difícil de ser fixada. Isto leva à sugestão
seguinte.
O governo federal deveria produzir avaliações padrão
de danos para uns poucos derramamentos de petróleo de
referência específica, ambas, hipotéticas ou reais,
variando de pequena a grande escala. Estas avaliações
poderiam ser geradas por qualquer método. Uma possibilidade
seria por meio de um júri de especialistas. Este júri
poderia conduzir uma série de estudos VC, satisfazendo as
diretrizes colocadas anteriormente. Estes estudos de VC
seriam entradas para o processo de julgamento, combinadas
com outras informações e julgamento profissional. Uma vez
que essas marcas estivessem disponíveis, elas poderiam
servir como pontos de referência para estudos futuros de
VC. Quando uma avaliação de danos é solicitada, pesquisas
poderiam ser utilizadas para obter respostas para questões
como: Você pagaria (muito mais, mais, mais ou menos, menos,
muito menos) para impedir este derramamento? Você pagaria
para evitar derramamentos de padrão A?; Você pagaria uma
certa quantidade para evitar este derramamento que está
37

entre os montantes que você pagou para evitar derramamentos


de padrão B e C? Se pagasse, é este montante muito mais
próximo de B que de C, na metade entre B e C, mais próximo
de C que de B, muito mais próximo de C que de B? Estas
questões presumivelmente não seriam perguntadas tão
sistematicamente. As respostas para tal estudo poderiam
então servir como fonte confiável de informação na
avaliação de danos.
Reconhecemos que esta técnica exigiria que os
entrevistados estivessem familiarizados com os
derramamentos referidos tão bem quanto com o derramamento
em particular, cujo prejuízo causado ainda está sendo
avaliado. Esperamos que o esforço adicional fosse compensar
por maior simplicidade e confiabilidade em estimar a
relativa disposição a pagar.
Esta possibilidade sugere uma extensão ligeiramente
mais radical do método VC. Os entrevistados poderiam ser
solicitados a comparar sua disposição a pagar para evitar
um caso específico de dano ambiental e sua disposição a
pagar por uma variedade mais ou menos familiar de bens
materiais privados. Sem dúvida, seria melhor se os bens
materiais privados tivessem alguma similaridade com o bem
ambiental em questão, mas que não fosse necessário. O
objetivo apoiado seria alcançado se os entrevistados
pudessem medir sua disposição a pagar em unidades de
artigos de vestuário ou em pequenos aparelhos domésticos
abandonados.
Esta última é uma sugestão para pesquisa no método VC,
não necessariamente uma recomendação para uso prático
atual.
As diretrizes propostas na seção IV por si só sugerem
áreas para pesquisas adicionais, desta vez dentro da
comunidade de valoração contingente. Em especial,
enfatizamos a urgência em estudar a sensibilidade das
38

respostas de disposição a pagar para o número e extensão de


substitutos orçamentários mencionados em instrumentos de
pesquisa, isto é, lembretes de outras coisas com as quais
os entrevistados poderiam gastar seu dinheiro. Em tal
pesquisa, seria útil se estudos paralelos fossem conduzidos
sobre sensibilidades de intenções afirmadas para comprar
bens de mercado comum - tanto familiar como não familiar -
para lembretes de usos alternativos desses recursos. A
questão é descobrir até a avaliação de bens públicos
ambientais é intrinsecamente mais difícil que exercícios
parecidos a respeito dos bens de mercado.
Uma linha de pesquisa intimamente relacionada a isto é
a sensibilidade das respostas em pesquisas VC ao número e
ao alcance das mercadorias substitutas não danificadas e
mencionadas explicitamente no instrumento de pesquisa
(milhas de linha costeira próxima, milhas de linha costeira
em qualquer lugar, semelhança à vida animal ou a de um
pássaro, possibilidades de recreação alternativa e assim
por diante). Isto poderia ser estendido para variações na
forma pela qual a restrição de orçamento é apresentada aos
entrevistados. Comparações com bens de mercado, também
seriam úteis.
Por fim, tendo detectado que a disponibilidade da
opção de não voto é um componente importante da habilidade
da técnica de VC em imitar um plebiscito real, recomendamos
pesquisas adicionais em formas alternativas de apresentação
e de interpretação da opção de não votar. A este respeito,
também, os estudos comparativos com bens privados e
públicos familiares (parques locais, instalações escolares,
moradia para os desabrigados, distribuição de alimento)
seriam esclarecedores. Os plebiscitos reais sempre permitem
a opção de não votar, de maneira natural. Estudos de VC têm
de alcançar o mesmo resultado mais deliberadamente, assim,
39

existe a necessidade de saber se a formulação precisa é de


grande importância para o resultado.

VI. CONCLUSÕES E RECOMENDAÇÕES


O Painel começa a partir da premissa de que a perda de
uso passivo - provisória ou permanente - é um componente
significativo do dano total resultante de acidentes
ambientais. Um problema surge porque as perdas de uso
passivo têm pouca ou nenhuma conseqüência comportamental
declarada. A fraqueza do traço comportamental significa que
um instrumento de medida sensível e adequadamente bem
projetado é preciso para substituir observações
convencionais de comportamento. Em especial, pode o método
de VC suprir uma estimativa suficientemente confiável de
perda total - incluindo perda de uso passivo - para
desempenhar um papel útil na avaliação de danos?
Tem sido argumentado na literatura e em comentários
direcionados ao Painel que os resultados dos estudos de VC
são variáveis, sensível a detalhes do instrumento de
pesquisa utilizado, e vulnerável à parcialidade ascendente.
Estes argumentos são plausíveis. Contudo, alguns
antagonistas da abordagem de VC vão tão longe a ponto de
sugerirem que possa não haver conteúdo de informação útil
aos resultados de VC. O Painel não é persuadido por estes
argumentos extremos.
Na seção IV, anteriormente citada, identificamos um
número de rigorosas diretrizes para a condução de estudos
de VC. Isto requer que os entrevistados sejam
cuidadosamente informados sobre os danos ambientais
particulares a serem avaliados, e sobre o alcance completo
de substitutos e alternativas disponíveis não danificados.
Em ambientes de disposição a pagar, o meio de pagamento
deve ser apresentado completa e objetivamente, com a
relevante restrição de orçamento enfatizada. O cenário de
40

pagamento deveria ser convincentemente descrito, de


preferência em um contexto de plebiscito, pois a maioria
dos entrevistados terão tido experiência com votações de
plebiscito com informação prévia menos-que-perfeita. Onde
as escolhas em formular o instrumento de VC podem ser
feitas, estimulamos que eles se inclinem na direção
conservadora, como uma compensação total ou parcial de
provável tendência em exagerar a disposição a pagar.
O Painel conclui que sob essas condições (e outras
antes especificadas), os estudos de VC transmitam
informação útil. Achamos que é justo descrever tal
informação como confiável pelos padrões que parecem estar
implícitos em contextos similares, como a análise de
mercado para produtos novos e inovadores e a avaliação de
outros danos normalmente permitida em ações judiciais. Como
em todos os tais casos, quanto mais exato as diretrizes
forem seguidas, mais confiável será o resultado. Não é
necessário, no entanto, que cada determinação seja
completamente obedecida; inferência aceita em outros
contextos não são perfeitas também.
Assim, o Painel conclui que os estudos de VC podem
produzir estimativas confiáveis suficientes para serem o
ponto inicial de um processo judicial de avaliação de
danos, incluindo perda de valores de uso passivo perdidos.
Para serem aceitos para este propósito, tais estudos
deveriam seguir as diretrizes conforme consta na seção IV.
A frase “ser o ponto inicial” tenta enfatizar que o Painel
não sugere que as estimativas de VC possam ser tomadas
automaticamente definindo o alcance de danos compensáveis
dentro de estreitos limites. Nós temos em mente as
considerações seguintes:
O Painel é convencido de que mercados hipotéticos
tendem a exagerar a disposição a pagar por bens tanto
públicos quanto privados. O mesmo preconceito se espera em
41

estudos de VC. Até o ponto em que os projetos de


instrumentos de VC fazem escolhas conservadoras quando as
alternativas são disponíveis, como estimulado na seção IV,
este preconceito intrínseco pode ser compensado ou até
corrigido. Todas as pesquisas de atitudes ou intenções são
destinadas a exibir a sensibilidade da resposta à
formulação de questões e à ordem na qual elas são
perguntadas. Nenhum equilíbrio automático ou mecânico de
respostas parece ser possível.
O processo judicial deve, em cada caso, chegar a uma
conclusão sobre o grau que os entrevistados têm sido
induzidos a considerar os usos alternativos de fundos e a
levar a sério o meio de pagamento proposto. Os defensores
argumentarão que a maior atenção com mercadorias
substitutas teria produzido avaliações mais baixas. Os
administradores argumentarão que eles retrocederam no
intuito de assegurar respostas conservadoras. Juízes e
júris devem decidir como eles fazem em outros casos de
danos. A conclusão do Painel é que um estudo de VC bem
conduzido fornece um ponto confiável por onde se inicia
tais argumentos. Isto contém a informação que os juízes e
júris desejarão usar em combinação com outra evidência,
incluindo depoimentos das testemunhas profissionais.
A segunda conclusão do Painel é que as agências
federais apropriadas deveriam começar a acumular avaliações
padrão de danos para uma variedade de derramamentos de
petróleo, como descrito na seção V. Este processo deveria
aperfeiçoar mais a confiabilidade dos estudos de VC em
avaliação de danos. Isto deveria, assim, contribuir para o
aumento da exatidão bem como a redução do custo de casos de
avaliação de danos subseqüentes. Neste sentido, pode ser
considerado como um investimento.
As propostas para pesquisas adicionais delineadas na
seção V é uma parte integral de nossas recomendações. O
42

Painel acredita que as sugestões colocadas poderiam


conduzir a uma avaliação de danos mais confiável e menos
controversa a custo reduzido. No entanto, não é de se
esperar que a controvérsia desapareça. Sempre haverá
controvérsia em que perdas intangíveis tenham de ser
avaliadas em termos monetários.
43

APÊNDICE

Diretrizes Gerais
□ Tipo e Tamanho de Amostra: A amostragem de probabilidade
é essencial para uma pesquisa usada para avaliação de
danos.2 A escolha do projeto e tamanho específicos da
amostra é uma questão técnica difícil, a qual requer a
orientação de um estatístico profissional de amostragem.

Se uma única questão dicotômica do tipo sim/não é


usada para a obtenção de respostas de valoração, então um
tamanho de amostra total de 1000 entrevistados limitará o
erro de amostragem para cerca de 3% mais ou menos em uma
única questão dicotômica, supondo amostragem aleatória
simples. Contudo, este ou qualquer outro tamanho de amostra
necessita ser re-conceitualizada por três razões. Primeiro,
se é usada à entrevista face-a-face, como anteriormente
sugerimos; o agrupamento e a estratificação devem ser
levados em conta. Segundo, se questões de valoração
dicotômica são usadas (ex: plebiscito hipotético),
quantidades de valorações separadas devem ser perguntadas
sobre subamostras aleatórias e estas respostas devem ser
ordenadas econometricamente para estimar a população
subjacente média. Terceiro, a fim de incorporar
experimentos no entrevistador e nos efeitos de redação, a
subamostragem aleatória adicional é requerida. Por todas
essas razões, será importante consultar os estatísticos de
amostragem em um projeto de pesquisa VC direcionada a
objetivos legais ou de criação de políticas.

2
Esta necessidade não previne o uso de amostras menos adequadas,
incluindo quota ou mesmo amostras convenientes para teste preliminar
de variações experimentais específicas; tão logo que a ordem das
diferenças de magnitude ao invés de resultados invariáveis que são o
foco. Mesmo assim, fontes óbvias de preconceito deveriam ser evitadas
(exemplo: estudantes graduados têm provavelmente grandes diferenças de
idade; e educação da população adulta heterogênea para prevenir uma
base confiável de generalização mais ampla).
44

□ Minimizar Não-Respostas: Altas taxas de não-resposta


tornariam os resultados de pesquisa não confiáveis.

Para o alcance que se espera de que um estudo de VC


represente a população adulta dos Estados Unidos ou uma
parcela dela, minimizar, tanto a não-resposta da amostra
quanto a não-resposta do item é importante. O primeiro é
improvável de estar abaixo de 20% até em pesquisas de alta
qualidade; o último tem sido grande em algumas pesquisas de
VC em razão da dificuldade das tarefas que se pede aos
entrevistados executarem. Estas fontes de preconceito em
potencial podem ser parcialmente justificadas tendo como
base o fato de elas também ocorrerem com o plebiscito
oficial; em ambos os casos, com a perda especialmente de
parcelas menos educadas da população. A redução adicional
da amostra final por eliminação de “protestos nulos”,
“altos valores irreais”, e outras respostas problemáticas
podem levar a taxas de resposta total final efetiva tão
baixa que implicam dizer que a população de pesquisa
consiste de semiprofissionais especialmente instruídos e
interessados. Esta consideração reforça o desejo de
combinar uma taxa de resposta razoável com um alto, mas não
proibindo o padrão da informação, como discutido na seção
III acima.

□ Entrevista Pessoal: O Painel acredita que é improvável


que estimativas confiáveis de valores pudessem ser obtidas
com pesquisas por correspondência. Entrevistas face-a-face
são geralmente preferidas, embora entrevistas por telefone
tenham algumas vantagens em termos de custo e de supervisão
centralizada.

Supondo que uma pesquisa VC representa a população


natural, tais como todos os adultos nos Estados Unidos ou
45

aqueles em uma única área urbana ou estado, é aconselhável


que ela seja realizada usando qualquer um dos dois tipos:
entrevistas face-a-face ou por telefone. Pesquisa por
correspondência tipicamente empregam listas que cobrem uma
parte muito pequena da população (ex: amostras baseadas em
listas telefônicas omitem aproximadamente metade da
população dos Estados Unidos em razão dos números não
listados, números incorretos e domicílios sem telefone), e,
em seguida, perdem mais um quarto, ou mais, do restante,
por meio da não-resposta. Além disso, desde que o conteúdo
de um questionário via correio possa ser revisado por
entrevistados alvos antes de decidir devolvê-lo aqueles
mais interessados na questão dos recursos naturais ou em um
lado ou outro pode tomar suas decisões nessas bases. É
também impossível usar pesquisas por correspondência para
assegurar seleção aleatória dentro dos domicílios ou para
limitar as respostas a um único entrevistado, é difícil mas
não é impossível controlar os efeitos da ordem de pergunta.
Assim, pesquisas por correspondência deveriam ser
utilizadas apenas se outro método suplementar puder ser
empregado para validar os resultados em uma subamostragem
aleatória dos entrevistados.
A escolha entre administração face-a-face ou por
telefone é menos clara. Pesquisas face-a-face oferecem
vantagens práticas por manter a motivação do entrevistado e
permitir o uso de suplementos gráficos. Ambas taxas de
cobertura e de resposta são também normalmente um pouco
mais altas que com pesquisas por telefone. Contudo,
pesquisas por telefone podem cortar os custos de entrevista
entre um terço e a metade; para os objetivos de VC, pode
ser uma desvantagem que muitos investigadores de pesquisa
creiam que entrevistas por telefone precisam ser mantidas
em tempos menores que entrevistas face-a-face, pois a
atenção e a cooperação dos entrevistados é mais difícil de
46

ser mantida. Somando a isto, pesquisas por telefone com


discagem digital aleatória aproximam a amostragem aleatória
simples. Pesquisas face-a-face devem ser baseadas em lote
de amostragem e, por isso, os resultados proporcionam
estimativas menos precisas que fazer pesquisas por telefone
do mesmo tamanho.

□ Diagnóstico sobre as Influências do Entrevistador:


Importante consideração em que as pesquisas VC se diferem
do plebiscito real é a presença de um entrevistador, exceto
no caso de pesquisas por correspondência. É possível que os
entrevistadores contribuam para o preconceito de “desejo
social”, pois preservar o meio ambiente é amplamente visto
como algo positivo. A fim de testar essa possibilidade,
estudos importantes de VC deveriam incorporar experimentos
que avaliassem as influências do entrevistador.

Para testar os efeitos do entrevistador, duas


modificações poderiam ser feitas para uma pesquisa VC face-
a-face padrão. Em uma variante em prática atual, os
entrevistados parariam quando eles vissem à questão de
valoração, escreveriam o “voto” em uma cédula, dobrariam e
iriam depositá-la em uma caixa lacrada. No entanto, por
esta prática não imitar o completo anonimato da cabine de
voto, para uma subamostra de entrevistados, uma segunda
modificação deveria ser feita. Os entrevistados deveriam
ser autorizados a enviar suas “cédulas” em envelopes sem
identificação diretamente para a organização de pesquisa,
mesmo que isso excluísse as análises mais simples de
respostas. Testes do efeito de ambas modificações de
prática atual indicarão se elas são requeridas
rotineiramente ou se no mínimo algum equilíbrio deveria ser
introduzido para compensar os efeitos do entrevistador. A
mais modesta destas modificações propostas - uma urna de
47

simulação, ou até votação em um computador portátil - tem


poucas desvantagens ou nenhuma e poderiam ser padronizadas
se demonstrassem qualquer partida confiável das respostas
dadas oralmente ao entrevistador.

□ Relatando: Cada relatório de estudo de VC deveria deixar


clara a definição da população amostrada, o quadro de
amostragem utilizado, o tamanho da amostra, a taxa de não
resposta da amostragem total e seus componentes – por
exemplo recusas, e o item não-resposta em todas as questões
importantes. O relatório deveria também reproduzir a
redação exata, a seqüência de questionário, como também de
outras comunicações para os entrevistados - por exemplo,
cartas de adiantamento. Todos os dados do estudo deveriam
ser arquivados assim como disponíveis para as partes
interessadas (veja Carson et al., 1992; para um exemplo de
boa prática em inclusão de questionário e detalhes
relatados; até esta data, contudo, o relatório não foi
disponibilizado publicamente e os dados não foram
arquivados para uso livre por outros estudiosos).

□ Diagnóstico Cuidadoso de um Questionário VC: Apresenta-se


aos entrevistados em uma pesquisa VC, normalmente uma
quantidade de informação nova e freqüentemente técnica, bem
além do que é típico na maioria das pesquisas. Isto requer
um trabalho piloto muito cuidadoso e pré-teste, mais a
evidência da pesquisa final de que os entrevistados
entenderam e aceitaram a principal descrição do
questionário razoavelmente bem.

Reservadamente, o pedido às vezes feito por


proponentes de VC que métodos especiais de pilotagem, tais
como, grupos de foco, que são essenciais; deveriam ser
vistos com reservas; pois estes pedidos não são avalizados
48

por nenhuma evidência sistemática. Não está claro que as


assim chamadas pesquisas de VC de “estado-de-arte”
constituam algo inteiramente novo ou diferente de outros
tipos de sérias investigações de pesquisas. Assim, embora
haja evidência de que o desenvolvimento do questionário
tenha sido realizado cuidadosamente é com certeza
importante, não pode ser tomado como uma base de validade
auto-suficiente - mas assim porque sabemos que muitas
pessoas responderão perguntas de pesquisa sem dificuldade
aparente, mesmo quando elas não as entendem bem. Uma forma
de reduzir a pressão a dar respostas de sentido discutível
seria fornecer aos entrevistados um tipo de alternativa de
“não-opinião” explicita quando uma questão de valoração
chave é colocada.

Diretrizes de Pesquisas para Eliciação de Valores


As diretrizes que seguem são encontradas pelas
melhores pesquisas de VC e precisam ser apresentadas a fim
de assegurarem confiabilidade e utilidade da informação que
é obtida.

□ Projeto Conservador: Geralmente, quando os aspectos do


projeto de pesquisa e as análises de respostas são
ambíguas, a opção que tende a subestimar a disposição a
pagar é preferida. Um projeto conservador aumenta a
confiabilidade de estimativa para eliminar respostas
extremas que podem ampliar valores descontroladamente.

□ Formato Eliciação: O formato da disposição a pagar


deveria ser usado em vez da compensação requerida porque o
primeiro é a escolha conservadora.

Em locais experimentais, a diferença entre intenções


confirmadas para apoiar um plebiscito especial e um
49

comportamento real na cabine de votação pode ser muito


grande (veja Magleby, 1984). Esta diferença poderia ser
tratada por “calibragem” se houvessem dados históricos
sobre o relacionamento entre tais intenções e
comportamentos. Infelizmente, não sabemos de nenhum dado
que esteja próximo o bastante do contexto VC que pudessem
ser usado para equilibrar as respostas VC. Na ausência de
dados históricos que possam ser usados para calibrar os
relatórios de intenções relatadas nas pesquisas VC, o
instrumento de pesquisa tem de ser delineado com cuidado
extraordinário de tal modo que possa ser auto-suficiente.

□ Formato Plebiscito: A questão de valoração deveria ser


apresentada como um voto em um plebiscito.

Geralmente, como é agora, reconhecido pela maioria de


proponentes VC, pedir aos entrevistados para dar uma
valoração de um dólar em resposta a uma questão aberta,
apresenta-lhes como uma tarefa extremamente difícil. Ao
mesmo tempo, proponentes VC também reconhecem que
apresentar aos entrevistados um conjunto de valores em
dólar do qual eles têm de escolher, é provavelmente criar
apoio e outras formas de tendências. Assim, recomendamos
como a forma mais desejável de obtenção de VC o uso de
questão dicotômica que peça aos entrevistados que votem a
favor ou contra o nível particular de taxação, como ocorre
com a maioria dos plebiscitos reais. Como observado
anteriormente, tais formulários de perguntas também têm a
vantagem em termos de compatibilidade de incentivo. Se uma
escolha dicotômica duplamente limitada ou alguma outra
forma de questão for usada a fim de obter mais informação
por entrevistado, as experiências deveriam ser
desenvolvidas para investigar tendências que possam ser
introduzidas.
50

□ Descrição Precisa do Programa ou Política: Informação


adequada tem de ser fornecida aos entrevistados sobre o
programa ambiental que é oferecido. Este precisa ser
definido de maneira que seja relevante para a avaliação de
danos.

O Ideal é que uma pesquisa de VC eliciasse atitudes,


tendo em vista três cenários de recuperação alternativos
(futuro): (a) restauração “imediata”, (b) restauração
acelerada e (c) restauração natural. Os danos seriam a
diferença entre (a) e (b) na suposição de que a restauração
acelerada seja fornecida pela parte responsável.
Infelizmente, os entrevistados podem não encontrar
restauração “imediata” muito plausível assim como podem
resistir à noção de que fosse esperado que eles
contribuíssem para a restauração acelerada enquanto a culpa
é da companhia de petróleo. Se os entrevistados são
incapazes ou desmotivados para lidar hipoteticamente com os
cenários de “limpeza” mais relevantes, os cenários de
“prevenção” alternativa terão de ser usados como
instrumento de pesquisa; por exemplo, aos entrevistados
pode ser pedido que votem por um plebiscito que ofereça
risco reduzido de um outro derramamento por um período
especifico de tempo.3 O ponto mais fraco é a ligação entre
os cenários de “prevenção” e os cenários de “limpeza”,
quanto menos confiáveis sejam os resultados de pesquisas.
Retoricamente: uma década de prevenção é igual em valor à
diferença em valor entre a limpeza acelerada e a imediata?

□ Pré-Teste de Fotografias: Os efeitos de fotografias nos


alvos têm de ser cuidadosamente explorados.

3
Como na pesquisa de fato realizada pelo Estado do Alaska depois do
derramamento de Valdez (Veja Carson et al., 1992).
51

Um meio efetivo para levar informação e manter


interesse em uma entrevista de VC tem sido o uso de
fotografias grandes e apelativas. Contudo, esta técnica é
uma “faca de dois gumes”, pois a natureza dramática de uma
fotografia pode ter muito mais impacto emocional que o
resto do questionário. Assim, é importante que fotografias
sejam sujeitas a uma avaliação cada vez mais cuidadosa do
que material verbal, se o objetivo é evitar influência na
apresentação.4

□ Lembretes de Commodities Substitutas Não-Danificadas:


Deve-se lembrar, os entrevistados, das commodities
substitutas tais como, outros recursos naturais comparáveis
ou o estado futuro do mesmo recurso natural. Este lembrete
deveria ser introduzido forçosa e diretamente antes da
principal questão de valoração para assegurar que os
entrevistados tenham as alternativas bem claras em mente.

□ Espaço de Tempo Adequado Depois do Acidente: A pesquisa


deve ser conduzida em tempo suficientemente distante da
data da infração ambiental que os entrevistados consideram
o cenário de restauração completa como plausível. Questões
deveriam ser incluídas para determinar o estado de crenças
dos sujeitos de pesquisa com relação às probabilidades de
restauração.

Os entrevistados de pesquisa que não sofrerem perda de


uso passivo provisório podem não considerar a restauração
plena como muito plausível; portanto, eles podem relatar
perda de uso passivo substancial, mesmo se lhes for dito
que a restauração plena em alguma quantidade razoável de

4
O fracasso em testar os efeitos de fotografias em respostas é uma
falha de Carson et al. (1992).
52

tempo for certa. O equívoco sobre probabilidade de


restauração é mais agudo quando o acidente tiver ocorrido
recentemente antes que qualquer restauração significativa
aconteça. Seria ideal avaliar o estado imutável da perda de
uso passivo depois que a restauração humana ou natural
fosse completa ou quase completa, desde que os
entrevistados provavelmente acreditem na restauração. Se
isto não for uma possibilidade, as pesquisas podem ser
conduzidas no tempo até que a disposição a pagar se
concretize (presumindo que sim), no momento em que os
entrevistados venham a acreditar mais e mais no provável
sucesso do esforço de restauração. Alternadamente, poder-
se-ia pedir aos entrevistados que avaliassem uma lista de
cenários de possíveis alternativas sem que lhes seja dito
explicitamente qual é aplicável para a infração ambiental
sob estudo. A lista deveria ser criada para forçá-los a
considerar a diferença entre o valor de uso passivo de
estado imutável e de estado provisório.

□ Média Temporal: O ruído de medida dependente do tempo


deve ser reduzida calculando amostras tomadas
independentemente em diferentes pontos de tempo. Uma
tendência temporal clara e significativa nas respostas
lançaria dúvida na “confiabilidade” da descoberta.

□ Opção “Nenhuma Reposta”: uma opção “nenhuma resposta”


deveria ser explicitamente permitida em adição às opções de
voto “sim” e “não” na principal questão (plebiscito) de
valoração. Aos entrevistados que escolherem a opção
“nenhuma resposta” dever-se-ia pedir-lhes que explicassem
sua escolha. As respostas deveriam ser cuidadosamente
codificadas para mostrar os tipos de réplica, por exemplo:
(i) indiferença imprecisa entre um voto sim e um não; (ii)
inabilidade para tomar uma decisão sem mais tempo ou mais
53

informação; (iii) preferência por algum outro mecanismo


para tomar esta decisão; e (iv) chateado com esta pesquisa
e ansioso para terminá-la o mais rápido possível.

□ Seqüências Sim e Não: As respostas sim e não deveriam ser


seguidas pela questão aberta: “Por que você votou sim/não?
As respostas deveriam ser cuidadosamente codificadas para
mostrar os tipos de respostas, por exemplo: (i) É ou não
válido; (ii) não sei; ou (iii) as companhias de petróleo
deveriam pagar.

□ Tabulações Cruzadas: A pesquisa deveria incluir uma


variedade de outras questões que ajudassem a interpretar as
respostas à questão de valoração primária. O relatório
final deveria incluir resumos de disposição a pagar
interrompida por estas categorias. Entre os itens que
seriam úteis para interpretar as respostas estão:
Renda;
Conhecimento anterior do local;
Interesse anterior pelo local (Taxa de visita);
Atitudes em relação ao meio-ambiente;
Atitudes em relação a grandes negócios;
Distância do local;
Compreensão da tarefa;
Crença nos cenários; e
Habilidade/disposição para realizar a tarefa.

Acreditamos que estas tabulações cruzadas serão de


utilidade para interpretar e emprestar credibilidade às
respostas e, possivelmente, também na formação de ajustes
que possam incrementar a confiabilidade.

□ Checagem de Compreensão e Aceitação: As diretrizes antes


citadas devem ser satisfeitas sem tornar o instrumento tão
54

complexo que ele imponha tarefas que estejam além da


habilidade ou do nível de interesse de muitos
participantes.

Pelo fato de as entrevistas de VC freqüentemente


apresentarem informação nova aos entrevistados, o
questionário deveria tentar no fim determinar o grau no
qual os entrevistados aceitem como verdadeiras as
descrições dadas e as afirmações feitas anteriormente à
questão de valoração. Tal pesquisa deveria ser executada em
detalhes mas não diretamente, de modo que os entrevistados
sintam-se livres para rejeitar qualquer parte da informação
que lhes foi dada em estágios anteriores.

Objetivos de Pesquisas para Eliciação de Valores


Os seguintes itens não estão adequadamente endereçados
nem mesmo pelas melhores pesquisas de VC. Na opinião do
Painel, dever-se-ia lidar convincentemente com estes
assuntos a fim de assegurar a confiabilidade das
estimativas.

□ Possibilidades de Gastos Alternativos: Deve-se lembrar


aos entrevistados que sua disposição a pagar pelo programa
ambiental em questão reduziria seus gastos com bens
privados ou outros bens públicos. Este lembrete deveria ser
mais que superficial, porém, menos opressor. O objetivo é
induzir os entrevistados a ter em mente outros gastos
prováveis, incluindo aqueles sobre bens ambientais, ao
avaliar o cenário principal.

Espera-se que os consumidores tomem decisões de gastos


que sejam adequadamente sensatas a outras possibilidades de
gastos com as quais eles sejam familiares. Mas os
plebiscitos ambientais do tipo apresentado em pesquisas VC
55

não são familiares e os entrevistados podem não estar


conscientes do amplo conjunto de outras possibilidades de
gastos que podem ser oferecidas em pesquisas futuras de VC
ou plebiscito futuro. A menos que sejam informados de outra
maneira, os entrevistados podem supor que haja apenas um
cenário ambiental que será sempre oferecido e eles possam
gastar em excesso.
Não é claro, quão exaustivo deveria ser a lista de
bens públicos alternativos que são explicitamente
apresentados. Se a lista é longa demais, pode-se esperar um
gasto excessivo. Se a lista for longa demais, os
entrevistados serão encorajados a ampliar as despesas com
os bens públicos para a qual não há uma demanda total
adequada e, portanto, não pode realmente (de fato) ser
oferecida a eles. Também, se a lista aumentar o suficiente
para incluir uma fração significante de renda, a lacuna
entre a disposição a pagar e a disposição a aceitar pode se
ampliar.
Também não é claro, a forma que o lembrete deveria
tomar. Não parece suficiente listar apenas outros bens
ambientais desde que os entrevistados tivessem que supor o
nível de despesas que seria necessário para pagar pelas
alternativas. A pesquisa deveria provavelmente incluir
algum posicionamento sobre o preço das alternativas, por
exemplo, a despesa per capita que seria solicitada
(requerida/necessária) para fornecer os itens.

□ Deflação do Valor de Transação: A pesquisa deveria ser


delineada para desviar o “empenho” geral de dar ou manter a
aversão a “grandes negócios” distante do programa ambiental
específico que esta sendo avaliado. É possível que o
formato plebiscito limite o efeito “empenho”, mas até isto
ficar claro, o projeto de pesquisa deveria direcionar
explicitamente o problema.
56

Geralmente, modelos econômicos de comportamento do


consumidor são baseados na hipótese de que o valor deriva
de bens e serviços que são consumidos, não do processo que
estes bens são alocados. A felicidade que deriva de doações
voluntárias podem vir na maioria do ato de doar e não das
mudanças materiais que resultam do presente. Para dar um
outro exemplo, os consumidores podem obter satisfação no
ato de comprar tão bem como da posse de bens que eles
adquiram. As palavras que deveriam ser úteis para
distinguir entre estes eventos que produzem algo útil são
“valores de consumo” e “valores de transação/negociação”, o
último referindo-se ao processo ou à transação que
estabeleça a posse.
Não questionamos a validade do “valor de transação” ou
o diferenciamos de “valor de consumo”, desde que se discuta
à avaliação de danos. Entretanto, para ambas as formas de
valor, os entrevistados precisam estar pensando claramente
sobre os substitutos, pois quanto mais próximo estejam os
substitutos menores são os danos que são causados. No caso
de “transação de valor”, há muitos substitutos para limpar
os derramamentos de óleo, desde que haja muitas outras
atividades de caridade que possam gerar o mesmo “empenho” e
há muitas outras formas para expressar hostilidade
(resistência) em relação a grandes negócios e tecnologias
modernas.

□ Estado Constante ou Provisório de Perdas: Deveria ser


natural que os entrevistados pudessem distinguir o
provisório a partir do estado constante de perdas.

A qualidade de qualquer recurso natural varia diária e


sazonalmente entorno de um nível de “equilíbrio” ou “estado
constante”. O valor de uso ativo de um recurso depende de
seu estado real no tempo de uso (e em outros tempos), e não
57

de seu equilíbrio. Entretanto, o valor de uso passivo de um


recurso natural pode derivar apenas ou na maioria de seu
estado provisório e não de seu estado diário. Neste caso, a
restauração completa em uma data futura elimina ou reduz
enormemente a perda de uso-passivo. As pesquisas precisam
ser adequadas e cuidadosamente projetadas para permitirem
que os entrevistados se diferencie do estado provisório de
estado constante de perdas de uso-passivo.

□ Cálculos de Valor Presente de Perdas Provisórias: Deveria


ser demonstrado que, em valores esclarecedores, os
entrevistados são sensibilizados pelo tempo gasto no
processo de restauração.

Como o discutido antes na seção III, o tempo traçado


de restauração em um acidente potencialmente é um
importante determinante de perda de uso ativo e a perda
provisória de uso passivo, mas os entrevistados podem ter
menos habilidade para distinguir entre isto e avaliar
perfis diferentes.

□ Aprovação Antecipada: Desde de que o projeto de pesquisa


VC possa ter um efeito substancial nas respostas, é
desejável - se possível – que características críticas
sejam pré-aprovadas por ambos os lados em uma ação legal,
com arbitragem (decisão) e/ou experimentos usados, quando
discórdias (desentendimentos) não podem ser resolvidos pela
partes envolvidas (partes interessadas).

□ Ônus da Prova: Até o momento, como há um cenário de


pesquisas de referencia confiável, o ônus de prova de
confiabilidade tem de apoiar os projetistas de pesquisa.
Eles têm de mostrar por meio de diagnósticos ou outros
experimentos, que a pesquisa deles não sofre partir de
58

problemas que estas diretrizes tentam evitar.


Especialmente, se uma pesquisa de VC sofresse de alguma das
enfermidades que seguem, nós julgaríamos suas descobertas
“pouco confiáveis.”

- Uma taxa de não resposta alta para todo o


instrumento de pesquisa ou para a questão de valoração.

- Resposta inadequada ao objetivo da agressão


ambiental.

- Falta de compreensão da tarefa pelos


entrevistados.

- Falta de crença no cenário de restauração


completa.

- Votos de “sim” ou “não” no plebiscito


hipotético que não são seguidos ou explicados por fazerem
referência ao custo e/ou ao valor do programa.

□ Pesquisas de Referências Confiáveis: Com o objetivo de


aliviar esta pesada responsabilidade de prova, nós
persuadimos fortemente o governo para cuidar da tarefa de
criar um cenário de pesquisas de referências confiáveis,
que possam ser usado para interpretar as diretrizes como
também para calibrar as pesquisas que não alcançam as
condições ideais para serem desenvolvidas.
59

REFERÊNCIAS

Andreoni, James; "Giving With Impure Altruism: Applications


to Charity and Ricardian Equivalence;" Journal of Political
Economy 97 (1989); pp. 1447-1458.

Bishop, Richard C., and Thomas A. Heberlien; "Measuring


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Como Citar Este Artigo:

ARROW, Kenneth, SOLOW, Robert, PORTNEY, Paul R., LEAMER,


Edward E., RADNER, Roy, SCHUMAN, Howard. Relatório do
Painel da Administração Nacional, Oceânica e Atmosférica
Sobre o Método de Valoração Contingente. Tradução Livre de:
Marcelo Teixeira da Silveira, 2007. The National Archives,
USA. Federal Register, vol. 58, no. 10, p. 4601-4614, 1993.