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Aula 00

Direito Internacional Público p/ ABIN (Oficial de Inteligência - Área 1) Com videoaulas -


Pós-Edital

Professores: Equipe Ricardo e Nádia, Ricardo Vale

00000000000 - DEMO
DIREITO INTERNACIONAL PÚBLICO P/ ABIN 2018
Profa Nádia / Prof. Ricardo Vale

!ULA !!

INTRODUÇÃO!AO!DIREITO!
INTERNACIONAL!

Introdu•‹o ao Direito Internacional ............................................................... 5


1 Ð Conceito de Direito Internacional .......................................................... 5
2 Ð Origens do Direito Internacional ........................................................... 7
3 Ð A cria•‹o das normas internacionais ..................................................... 9
4 Ð Caracter’sticas da Sociedade Internacional ......................................... 12
5 - Car‡ter Jur’dico do Direito Internacional ............................................. 16
6 Ð Fundamento do Direito Internacional .................................................. 21
7 Ð Tend•ncias Evolutivas do Direito Internacional ................................... 24
8 Ð Direito Internacional Ð Coexist•ncia, Coopera•‹o e Solidariedade ...... 27
Fontes do Direito Internacional.................................................................... 31
1 - Fontes Formais X Fontes Materiais: ...................................................... 31
2 - O art. 38 do Estatuto da Corte Internacional de Justi•a: ...................... 31
3 - Tratados internacionais: ...................................................................... 34
4 - Costumes: ............................................................................................ 35
5 - Princ’pios Gerais de Direito: ................................................................. 38
6- Jurisprud•ncia e Doutrina: .................................................................... 39
7- Outras fontes de DIP: ........................................................................... 40
Lista de Quest›es ......................................................................................... 58
Gabarito ....................................................................................................... 67

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Ol‡, pessoal! Tudo bem?

Depois de uma longa espera, foi publicado o edital da Ag•ncia Brasileira de


Intelig•ncia (ABIN)! Sem dœvidas, essa Ž uma das maiores oportunidades
dos œltimos tempos. Talvez, seja o maior concurso de 2018!

O edital veio bem diferente do que todos esperavam, tendo sido inclu’das
algumas novas disciplinas, bem como novos conteœdos program‡ticos.

Talvez a maior surpresa tenha sido a inclus‹o da nossa disciplina: o Direito


Internacional Pœblico. Muitos dos alunos nunca estudaram esses assuntos e,
agora, ter‹o que Òcorrer atr‡s do preju’zoÓ.

Para quem n‹o me conhece, meu nome Ž Ricardo Vale e, desde 2009, sou
professor de cursos online para concursos pœblicos, nas disciplinas de Direito
Internacional Pœblico, ComŽrcio Internacional e Direito Constitucional.

O edital de Direito Internacional Pœblico do concurso da ABIN Ž bastante


denso, mas nada que seja imposs’vel de voc•s estudarem nesse tempo atŽ a
prova. Tentarei disponibilizar todo o material o mais r‡pido poss’vel pra voc•s,
a fim de que adiantem os seus estudos.

A programa•‹o do nosso curso Ž a seguinte:

Assunto Data
Aula 00 1 Direito internacional pœblico: conceito, fontes e 04/01
princ’pios. 3.1 Atos unilaterais do Estado. 3.2 Normas
imperativas (jus cogens). 3.3 Obriga•›es erga omnes.
3.4 Soft Law
Aula 01 2 Atos internacionais. 2.1 Tratados: validade; efeitos; 06/01
ratifica•‹o; promulga•‹o; registro, publicidade; vig•ncia
contempor‰nea e diferida; incorpora•‹o ao direito
interno; viola•‹o; conflito entre tratado e norma de
direito interno; extin•‹o. 2.2 Conven•›es, acordos,
ajustes e protocolos. (Parte 1)
Aula 02 2 Atos internacionais. 2.1 Tratados: validade; efeitos; 08/01
ratifica•‹o; promulga•‹o; registro, publicidade; vig•ncia
contempor‰nea e diferida; incorpora•‹o ao direito
interno; viola•‹o; conflito entre tratado e norma de
direito interno; extin•‹o. 2.2 Conven•›es, acordos,
ajustes e protocolos. (Parte 2)
Aula 03 3.13 Organiza•›es internacionais: conceito; natureza 12/01
jur’dica; elementos caracterizadores; espŽcies.
Aula 04 2.3 Conven•‹o das Na•›es Unidas contra o crime 18/01
organizado transnacional (Conven•‹o de Palermo). 2.4
Decreto n¼ 5.015/2004 (Conven•‹o das Na•›es Unidas
contra o Crime Organizado Transnacional). 2.5 Decreto
n¼ 5.017/2004 (protocolo adicional ˆ conven•‹o das

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Na•›es Unidas contra o crime organizado transnacional


relativo ˆ preven•‹o, repress‹o e puni•‹o do tr‡fico de
pessoas, em especial mulheres e crian•as).
Aula 05 2.6 Decreto n¼ 5.687/2006 (Conven•‹o das Na•›es 22/01
Unidas contra a Corrup•‹o; Conven•‹o de MŽrida).
Aula 06 3.14 Popula•‹o; nacionalidade; tratados multilaterais; 26/01
estatuto da igualdade. 3.15 Estrangeiros: vistos;
deporta•‹o, expuls‹o e extradi•‹o: fundamentos
jur’dicos; reciprocidade e controle jurisdicional. 3.16 Asilo
pol’tico: conceito, natureza e disciplina. 4.4 Direito
Internacional dos Refugiados. 4.4.1 Os dispositivos
convencionais, legais e administrativos referentes ao
refœgio. 4.4.2 Tipos de persegui•‹o. 4.4.3 O papel dos
—rg‹os internos e o controle judicial.
Aula 07 3 Estado. 3.5 Responsabilidade internacional. 3.6 31/01
Soberania. 3.6.1 Conceito de Huber na decis‹o arbitral no
caso Holanda v. EUA de 1928. 3.7 Interven•‹o e n‹o
interven•‹o. 3.7.1 Decis‹o da Corte Internacional de
Justi•a no caso Nicar‡gua v. EUA de 1986. 3.7.2 Limites
para atua•‹o do Estado. 3.7.2.1 Caso Lotus, decidido
pelo Tribunal Permanente de Justi•a Internacional em
1927. 3.8 Imunidade ˆ jurisdi•‹o estatal. 3.9 Jurisdi•‹o
internacional e imunidade de jurisdi•‹o. 3.9.1 Opini›es
de Rezek e Guillaume separadas da decis‹o final no caso
Arrest Warrant (Congo x BŽlgica, 2000). 3.10 Abdu•‹o de
estrangeiros. 3.10.1 Casos relevantes na jurisprud•ncia
internacional: Eichmann, Verdugo-Urquidez sobre busca e
apreens‹o extraterritorial (EUA) e Alvarez-Machain
(EUA). 3.11 Consulados e embaixadas. 3.12 Diplomatas e
c™nsules: privilŽgios e imunidades.
Aula 08 5 Conflitos internacionais. 5.1 Meios de solu•‹o: 02/02
diplom‡ticos, pol’ticos e jurisdicionais. 5.1.1 Solu•›es
pac’ficas de controvŽrsias internacionais (Cap’tulo VI da
Carta da ONU). 5.1.2 A•‹o relativa a amea•as ˆ paz,
ruptura da paz e atos de agress‹o (Cap’tulo VII da Carta
da ONU). 5.3 Cortes internacionais. Assuntos adicionais
do t—pico 1 do edital (Comity, forum non conveniens.)
Aula 09 4 Prote•‹o internacional dos direitos humanos. 4.1 04/02
Declara•‹o Universal dos Direitos Humanos. 4.2 Direitos
civis, pol’ticos, econ™micos e culturais. 4.3 Mecanismos
de implementa•‹o.
Aula 10 6 Dom’nio pœblico internacional: mar; ‡guas interiores; 06/02
mar territorial; zona cont’gua; zona econ™mica;
plataforma continental; alto-mar; rios internacionais;
espa•o aŽreo; normas convencionais; nacionalidade das
aeronaves; espa•o extra-atmosfŽrico.
Aula 11 7 Conven•›es internacionais sobre terrorismo: 10/02
Conven•‹o Internacional sobre a Supress‹o de Atentados
Terroristas com Bombas; Conven•‹o Internacional para a
Supress‹o do Financiamento do Terrorismo; Conven•‹o

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Interamericana Contra o Terrorismo. 8 Resolu•‹o n¼


1.373/2001 do Conselho de Seguran•a das Na•›es
Unidas.

Nosso curso ter‡ centenas de quest›es, todas elas comentadas. ƒ


praticando que voc• conseguir‡ levar todo o conhecimento para sua mem—ria
de longo prazo e, assim, ter um excelente resultado no dia da prova.

Abra•os,

Ricardo Vale

ÒO segredo do sucesso Ž a const‰ncia no objetivoÓ.

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Introdu•‹o ao Direito Internacional

ÒN‹o podemos tomar uma posi•‹o perante o Direito


sem antes termos tomado uma posi•‹o perante
Deus, o Homem e o Universo.Ó (Fran•ois Geny)

1 Ð Conceito de Direito Internacional

Para Celso D. de Albuquerque Mello, a cada sociedade corresponde um


determinado sistema jur’dico.1 Ë sociedade internacional corresponde,
portanto, o Direito Internacional.

Por maiores que sejam as diferen•as entre a ordem jur’dica interna e a ordem
internacional, n‹o se pode negar a presen•a de um arcabou•o jur’dico que
rege a vida e as rela•›es internacionais. ƒ a esse conjunto de normas
jur’dicas (princ’pios e regras) que denominamos Direito Internacional.

O conceito de Direito Internacional n‹o Ž est‡tico; ao contr‡rio, ele evolui


com o passar dos tempos, na medida em que tambŽm evolui a sociedade
internacional. O Direito e a sociedade est‹o, afinal, em permanente intera•‹o,
condicionando-se reciprocamente.

Durante muito tempo, considerou-se que a sociedade internacional era


composta apenas por Estados. Nesse contexto, o Direito Internacional era
visto como o Òconjunto de regras que determina os respectivos direitos e
deveres dos Estados em suas rela•›es mœtuasÓ.2

A sociedade internacional, todavia, evoluiu consideravelmente, em especial ao


longo do sŽculo XX, tornando-se, inegavelmente, mais complexa. AlŽm dos
Estados, passaram a influenciar a din‰mica das rela•›es internacionais
v‡rios outros atores internacionais, como as organiza•›es internacionais,
as ONGs, as empresas transnacionais e atŽ mesmo os indiv’duos.3

O comŽrcio internacional, os investimentos internacionais, o desenvolvimento


dos transportes e das telecomunica•›es foram fen™menos que intensificaram
ainda mais as rela•›es internacionais e aprofundaram a globaliza•‹o
econ™mica, cultural, social e pol’tica.

Os Estados e os povos est‹o, em virtude da globaliza•‹o, muito mais


pr—ximos uns dos outros. Alguns temas tornaram-se, justamente em virtude

1
MELLO, Celso de Albuquerque. Curso de Direito Internacional Pœblico, 1¼ volume, 11a
edi•‹o. Ed. Renovar, 1997, pp. 41.
2
MELLO, Celso de Albuquerque. Curso de Direito Internacional Pœblico, 1¼ volume, 11a
edi•‹o. Ed. Renovar, 1997, pp. 63. Cita•‹o do autor franc•s Paul Fauchille.
3
Mais ˆ frente em nosso curso, estudaremos sobre a respeito da diferen•a entre atores
internacionais e sujeitos de direito internacional.

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dessa proximidade, o centro das preocupa•›es da humanidade, tais como meio


ambiente, prote•‹o aos direitos fundamentais e terrorismo.

Nesse novo contexto, o conceito de Direito Internacional se amplia. N‹o


mais abrange apenas regras, mas tambŽm princ’pios. N‹o mais se limita a
regular as rela•›es internacionais, mas passa a reger as rela•›es entre todos
os atores internacionais. Seu leque de preocupa•›es se torna abrangente:
longe de versar apenas sobre a guerra e paz (como em suas origens), passa a
tratar dos mais diversos temas do interesse comum da humanidade.

ƒ bastante atual a defini•‹o de Celso Mello, para quem o Direito Internacional


ÒŽ o conjunto de normas que regula as rela•›es externas dos atores
que comp›em a sociedade internacionalÓ.4
==0==

Mais completa, todavia, Ž a defini•‹o trazida pelo Prof. ValŽrio Mazzuoli5:

ÒO Direito Internacional pode ser conceituado como o conjunto de


princ’pios e regras jur’dicas (costumeiras e convencionais) que
disciplinam e regem a atua•‹o e a conduta da sociedade internacional
(formada pelos Estados, pelas organiza•›es internacionais e tambŽm
pelos indiv’duos), visando alcan•ar as metas comuns da humanidade e,
em œltima an‡lise, a paz, a seguran•a e a estabilidade das rela•›es
internacionaisÓ.

Em nossa opini‹o, o conceito apresentado por Mazzuoli Ž o melhor de todos,


pois busca abarcar as fontes normativas (princ’pios e regras jur’dicas), os
sujeitos de Direito Internacional (Estados, organiza•›es internacionais e
indiv’duos) e as matŽrias reguladas pela ordem jur’dica internacional
(Òmetas comuns da humanidadeÓ). Trata-se de vis‹o moderna, que ilustra
perfeitamente o atual papel do Direito Internacional na din‰mica das rela•›es
internacionais.

S‹o v‡rias as perspectivas sob as quais se pode analisar a sociedade


internacional: perspectivas pol’tica, cultural, militar, econ™mica e social. A
perspectiva jur’dica Ž uma delas, n‹o menos importante que as outras.

Conforme ensina Malcolm Shaw, o Direito Ž o elemento que une os membros


de uma sociedade em torno de um conjunto de valores em comum. Ele (o
Direito) ir‡ refletir, em certa medida, as ideias e as preocupa•›es da sociedade
dentro da qual opera.6

4
MELLO, Celso de Albuquerque. Curso de Direito Internacional Pœblico, 1¼ volume, 11a
edi•‹o. Ed. Renovar, 1997, pp. 63.
5
MAZZUOLI, ValŽrio de Oliveira. Curso de Direito Internacional Pœblico, 4» ed. S‹o Paulo:
Editora Revista dos Tribunais, 2010, pp. 55.
6
SHAW, Malcolm N. Direito Internacional. S‹o Paulo: Ed. Martins Fontes, 2010. pp.1-2.

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Com o Direito Internacional n‹o ser‡ diferente. Ao regular a sociedade


internacional, ele reflete as grandes preocupa•›es da humanidade:
prote•‹o ao meio ambiente, seguran•a clim‡tica, manuten•‹o da paz e
seguran•a internacionais, crimes transnacionais, rela•›es econ™micas
internacionais (comŽrcio internacional, coopera•‹o monet‡ria), dentre outras.

O Direito Internacional se ocupar‡ de todas essas quest›es, as quais,


em virtude de sua complexidade, n‹o podem ser enfrentadas por nenhum
Estado, isoladamente considerado. Desse modo, alŽm de buscar a conviv•ncia
harmoniosa entre os membros da sociedade internacional, o Direito
Internacional regular‡ os temas de interesse comum da humanidade.

ƒ f‡cil perceber como surge o direito internacional! Imaginemos um pequeno


agrupamento humano vivendo isoladamente do mundo em situa•‹o primitiva.
Seguindo a m‡xima Òubis societas, ibi jusÓ 7, surgem normas que regulam
as rela•›es sociais, econ™micas e pol’ticas entre esses indiv’duos. Entretanto,
nesse mesmo mundo imagin‡rio, h‡ outros agrupamentos humanos que vivem
isoladamente, os quais tambŽm s‹o regulados por ordenamentos jur’dicos
pr—prios.

A’ Ž que n—s nos perguntamos: o que ocorrer‡ quando for rompida a situa•‹o
de isolamento em que vive cada um desses agrupamentos humanos? O que
ocorrer‡ quando um tiver contato com o outro?

Quando for rompida a situa•‹o de isolamento, esses grupos precisar‹o


conviver em harmonia. Assim, haver‡ a necessidade de que seja criada uma
ordem jur’dica destinada a regular a rela•‹o entre eles, sem a qual estar’amos
diante de uma situa•‹o em que imperaria o desequil’brio e o caos.

Transpondo esse exemplo para a sociedade internacional, percebe-se que


cada Estado possui seu ordenamento jur’dico pr—prio, sem preju’zo de
um ordenamento jur’dico internacional, competente para regular a sociedade
internacional.

2 Ð Origens do Direito Internacional

2.1 Ð Surgimento do Direito Internacional

O Direito Internacional, enquanto regulador da sociedade internacional, n‹o Ž


uma cria•‹o recente.

7
ÒUbis societas ibi jusÓ Ž express‹o latina que significa que onde houver uma sociedade
(agrupamento humano) haver‡ uma ordem jur’dica, isto Ž, haver‡ o direito.

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Malcolm Shaw observa que certos elementos b‡sicos do Direito Internacional


j‡ podem ser observados na Antiguidade, dos quais s‹o exemplos o tratado
celebrado entre Lagash e Umma (por volta de 2100 A.C) e o tratado entre
RamsŽs II (fara— do Egito) e o rei dos hititas.8

Na Antiguidade, porŽm, a no•‹o de Òsociedade internacionalÓ era bastante


incipiente e limitada. As rela•›es internacionais eram limitadas, geogr‡fica e
culturalmente. Na GrŽcia, o embri‹o do que hoje pode ser chamado de Direito
Internacional regulava t‹o-somente as rela•›es entre cidades-Estado. N‹o
existiam, afinal, Estados modernos conforme concebemos hoje.

O desenvolvimento da no•‹o de Òsociedade internacionalÓ pode ser identificado


com maior precis‹o entre os romanos. Foi no ‰mbito do direito romano que se
cunhou a express‹o jus gentium (Òdireito das gentesÓ). Enquanto o jus civile
regia aplicava-se entre os cidad‹o romanos, o jus gentium se aplicava ˆs
rela•›es entre os cidad‹os romanos e os estrangeiros ou entre os estrangeiros.
Com o passar dos anos, o jus gentium acabou suplantando o jus civile,
tornando-se o direito comum a todo o ImpŽrio Romano.

Na Idade MŽdia, tambŽm se identificam elementos embrion‡rios do Direito


Internacional. Cita-se, nesse sentido, o car‡ter supranacional do direito
can™nico (que evidenciava a autoridade suprema da Igreja) e o
desenvolvimento de c—digos comerciais e mar’timos (que, embora
fossem express›es do direito interno, evidenciavam o incremento das rela•›es
internacionais).9

Pode-se afirmar, entretanto, que foi na Idade Moderna (1453-1789) que o


Direito Internacional se consolidou enquanto ci•ncia aut™noma. A Reforma
Protestante e as guerras religiosas que a seguiram (ÒGuerra dos Trinta AnosÓ)
minaram o poder da Igreja Cat—lica e fortaleceram os Estados nacionais.

Os Tratados de Westphalia (1648) colocaram um fim ˆ Guerra dos Trinta


Anos e consolidaram um sistema interestatal, lan•ando as bases do moderno
Direito Internacional. Consolidou-se uma ordem internacional baseada na
soberania dos Estados, em contraposi•‹o ˆquela que baseava-se na
supremacia religiosa. Os Estados se tornaram, assim, os grandes protagonistas
da vida internacional.

Nos seus prim—rdios, o Direito Internacional se preocupava, em ess•ncia, com


a guerra e a paz entre as na•›es. Era, assim, um Òdireito da guerraÓ. Hugo
Gr—cio, considerado por muitos o ÒpaiÓ do direito internacional, escreveu obra
denominada ÒDe iure belli ac pacisÓ (Òdireito da guerra e da paz).

8
SHAW, Malcolm N. Direito Internacional. S‹o Paulo: Ed. Martins Fontes, 2010. pp.12 Ð 16.
9
SHAW, Malcolm N. Direito Internacional. S‹o Paulo: Ed. Martins Fontes, 2010. pp. 16 Ð 19.

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2.2 Ð Terminologia:

A express‹o Òdireito das gentesÓ foi a primeira empregada para se referir ˆ


regula•‹o da sociedade internacional.

Jeremy Bentham (1780) foi quem cunhou a express‹o ÒDireito


InternacionalÓ, em sua obra ÒAn Introduction to the principles of moral and
legislationÓ. Usava ele a express‹o Òinternational lawÓ com o objetivo de
afirmar a exist•ncia de um direito Òentre as na•›esÓ, um direito Òentre
EstadosÓ. Ao longo do sŽculo XX, a express‹o ÒDireito InternacionalÓ foi
substituindo a antiga express‹o Òdireito das gentesÓ.

Hoje, a terminologia ÒDireito InternacionalÓ j‡ n‹o Ž mais adequada, uma


vez que este n‹o se trata apenas de um direito interestatal (direito Òentre
Estados). Com a evolu•‹o da sociedade internacional, outros sujeitos tambŽm
participam da cria•‹o e aplica•‹o das normas internacionais, como Ž o caso
das organiza•›es internacionais e dos indiv’duos.

Em raz‹o disso, parece-nos que, nos dias atuais, a express‹o Òdireito das
gentesÓ ganha for•a, sendo sua utiliza•‹o plenamente adequada.

3 Ð A cria•‹o das normas internacionais

A cria•‹o das normas internacionais, obrigat—rias para os Estados, Ž explicada


a partir de duas grandes teorias: o jusnaturalismo e o positivismo.

Os primeiros pensadores do Direito Internacional, Francisco de Vit—ria (1480-


1546) e Francisco Su‡rez (1548-1617) eram jusnaturalistas. Assim tambŽm
o era Hugo Gr—cio (1583-1645), considerado por muitos o ÒpaiÓ do Direito
Internacional, que escreveu obra sobre a guerra e a paz entre as na•›es.

No pensamento jusnaturalista, havia limites ˆ vontade do Estado


(Òsoberania limitadaÓ). Num primeiro momento, as limita•›es estavam na Òlei
divinaÓ; posteriormente, na raz‹o humana ou em considera•›es de justi•a.
Desse modo, para os jusnaturalistas, existia algo acima da vontade dos
Estados: o Òdireito naturalÓ.

O positivismo no Direito Internacional ganha for•a com Bynkershoek (1673-


1743)10, que abandonou a ideia de direito natural de Hugo Gr—cio. Do in’cio do

10
CornŽlio Von Bynkershoek (1673 Ð 1743), holand•s, foi o precursor da escola
positivista no direito internacional. ƒ muito conhecido por ter definido a extens‹o do
mar territorial como sendo a dist‰ncia de um Òtiro de canh‹oÓ.

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sŽculo XVIII atŽ o in’cio do sŽculo XX, o positivismo prevaleceu como


explica•‹o para a cria•‹o das normas internacionais.

Segundo os positivistas, apenas seriam relevantes aqueles fen™menos que


pudessem ser empiricamente comprovados em uma investiga•‹o cient’fica.
Tinha um viŽs pr‡tico: buscava verificar como os acontecimentos tal como
ocorriam e discutir os problemas que surgissem.11 Nesse sentido, para os
positivistas, apenas as normas criadas pelos Estados eram reais. N‹o
existiriam, para eles, normas alheias ˆ vontade dos Estados. O Direito
Internacional, na vis‹o positivista, seria o conjunto de normas criadas pelos
Estados para reger suas rela•›es.

O Caso L—tus, julgado pela Corte Permanente de Justi•a Internacional (CPJI)


em 1927 foi a express‹o m‡xima do positivismo no Direito Internacional.
Em um breve resumo, o que aconteceu foi o seguinte.

Embarca•‹o francesa (S.S L—tus) colidiu com um barco turco (Bouz Kourt) em
alto mar, o qual partiu-se em dois. Os franceses se esfor•aram para salvar os
marinheiros turcos. Morreram 8 marinheiros turcos; 10 marinheiros foram
salvos. A embarca•‹o francesa (S.S L—tus) seguiu sua viagem atŽ
Constantinopla. O comandante franc•s foi preso pelas autoridades turcas.

A Fran•a recorreu ˆ CPJI, alegando que n‹o haveria norma de direito


internacional que permitisse que o comandante da embarca•‹o francesa fosse
julgado pelas autoridades turcas. O acidente, afinal, teria ocorrido em alto
mar, fora da jurisdi•‹o da Turquia.

A CPJI, ao examinar a controvŽrsia, concluiu que as restri•›es impostas ˆ


independ•ncia dos Estados n‹o s‹o presumidas. Em outras palavras, n‹o
se poderia presumir que a Turquia n‹o poderia processar e julgar o franc•s
pelo il’cito ocorrido em alto mar. Assim, a legisla•‹o turca (que autorizava esse
julgamento) deveria ser obedecida, a n‹o ser que houvesse norma expressa de
direito internacional impedindo o julgamento. Segundo a CPJI, n‹o se pode
presumir que exista uma norma limitando a independ•ncia do Estado.

Na metade do sŽculo XX, o pensamento jusnaturalista voltou a influenciar a


cria•‹o das normas internacionais. O positivismo enfraqueceu-se, em especial
em virtude das cr’ticas sofridas. A maior delas Ž a de que n‹o havia limites ˆ
vontade dos Estados, o que evidenciava um conceito absoluto de soberania.

Modernamente, h‡ que se considerar um conceito de Òsoberania relativaÓ. A


vontade dos Estados Ž limitada por normas superiores, que se imp›em a toda
a sociedade internacional. Surge a no•‹o de normas Òjus cogensÓ, assim
denominadas as normas imperativas de direito internacional geral, da qual

11
SHAW, Malcolm N. Direito Internacional. S‹o Paulo: Ed. Martins Fontes, 2010. pp.21.

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nenhuma derroga•‹o Ž poss’vel. Trata-se de normas t‹o importantes que


vinculam todos os Estados, independentemente do seu consentimento.

Um exemplo de norma jus cogens Ž a proibi•‹o da escravid‹o. Dois Estados


jamais poderiam celebrar um tratado autorizando o tr‡fico de escravos; caso o
fizessem, esse tratado seria nulo de pleno direito. Observe que uma vis‹o
positivista do Direito Internacional Ž incompat’vel com o novo momento da
sociedade internacional. ƒ ineg‡vel que existem normas que s‹o dotadas de
uma carga axiol—gica t‹o elevada que ir‹o vincular toda os sujeitos de Direito
Internacional.

A vis‹o jusnaturalista tambŽm causa repercuss›es no direito interno dos


Estados. Exemplo disso Ž a vis‹o que se tem, hoje, acerca do Poder
Constituinte Origin‡rio (Òpoder de elaborar uma nova Constitui•‹oÓ). Durante
muito tempo, o Poder Constituinte Origin‡rio foi visto como sendo ilimitado.

Atualmente, essa vis‹o n‹o mais se sustenta. Autores como o Prof. Canotilho
reconhecem que o Poder Constituinte Origin‡rio dever‡ observar12:

a) Òpadr›es e modelos de conduta espirituais, culturais, Žticos e sociais


radicados na consci•ncia jur’dica geral da comunidade e, nesta medida,
considerados como vontade do povoÓ;

b) Òprinc’pios de justi•a que, independentemente de sua configura•‹o,


s‹o compreendidos como limites da liberdade e onipot•ncia do poder
constituinteÓ.

c) Òprinc’pios de direito internacional (princ’pio da independ•ncia,


princ’pio da autodetermina•‹o, princ’pio da observ‰ncia de direitos
humanos)Ó.

Atualmente, a produ•‹o das normas internacionais n‹o Ž mais apenas uma


exclusividade dos Estados. Ao contr‡rio, h‡ uma multiplica•‹o das fontes
normativas (Òdescentraliza•‹o normativaÓ). V‡rias organiza•›es internacionais
j‡ podem, por vontade pr—pria e independentemente dos Estados, produzir
normas internacionais. Como exemplo, cito as Recomenda•›es da OIT, que s‹o
adotadas diretamente por essa organiza•‹o internacional.

12
CANOTILHO, JJ. Gomes. Direito Constitucional e Teoria da Constitui•‹o. 7a edi•‹o. Ed.
Almedina: 2003, pp. 81.

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1. (Consultor Legislativo Ð C‰mara dos Deputados Ð 2014) O direito


internacional pœblico surgiu na Idade Moderna, como disciplina
jur’dica subsidi‡ria ao poder absolutista dos soberanos europeus e do
Estado nacional moderno, a partir de estudos sobre direitos referentes
ˆ guerra e ˆ paz entre as na•›es.

Coment‡rios:

O direito internacional se consolidou como ci•ncia moderna durante a Idade


Moderna. Um dos grandes marcos para o direito internacional foi a celebra•‹o
dos Tratados de Westphalia, que foram a base de uma ordem jur’dica
internacional fundada na soberania dos Estados. Hugo Gr—cio Ž considerado o
ÒpaiÓ do direito internacional, tendo desenvolvido estudos sobre a guerra e paz
entre as na•›es. Quest‹o correta.

2. (Consultor Legislativo Ð C‰mara dos Deputados Ð 2014) Entre os


holandeses precursores do direito internacional, destaca-se CornŽlio
Von Bienkershoek, que prop™s a cŽlebre teoria da bala de canh‹o como
critŽrio para definir a extens‹o do poder dos reis em rela•‹o ao mar
adjacente.

Coment‡rios:

CornŽlio Von Bynkershoek Ž conhecido por ter definido a extens‹o do mar


territorial como sendo a dist‰ncia de um tiro de canh‹o. Quest‹o correta.

4 Ð Caracter’sticas da Sociedade Internacional

4.1 Ð Comunidade Internacional X Sociedade Internacional

Conforme j‡ comentamos, o direito internacional Ž respons‡vel pela


regula•‹o da sociedade internacional. Ao ler o texto de alguns tratados,
todavia, percebe-se que Ž bastante comum a utiliza•‹o do termo comunidade
internacional.

Ser‡ que existe alguma diferen•a entre sociedade internacional e comunidade


internacional?

Sim. A doutrina aponta que h‡ diferen•as relevantes entre sociedade


internacional e comunidade internacional. Quando se diz Òcomunidade
internacionalÓ, a refer•ncia que se faz Ž ˆ exist•ncia de la•os espont‰neos
que ligam os Estados em torno de objetivos em comum. Em uma comunidade
internacional, o comprometimento entre os seus membros Ž profundo e sua

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origem Ž natural. Eles permanecem unidos apesar de tudo aquilo que os


separa.

J‡ a express‹o Òsociedade internacionalÓ se refere a uma liga•‹o entre os


Estados que encontra fundamento na vontade de cada um deles. N‹o h‡ um
v’nculo espont‰neo que os liga; Ž a necessidade de coopera•‹o que os une em
torno de objetivos comuns.

Na sociedade internacional, o comprometimento entre os seus membros Ž


superficial (existe uma Òrela•‹o de suportabilidadeÓ entre eles). Sua forma•‹o
Ž volunt‡ria e refletida, ou seja, Ž produ•‹o da vontade dos seus membros,
que se unem com uma finalidade espec’fica. Os membros de uma sociedade
internacional permanecem separados apesar de tudo o que os une.

Em raz‹o de tudo isso, a doutrina majorit‡ria afirma que ainda n‹o Ž


poss’vel falar-se na exist•ncia de uma comunidade internacional, em
que pese esta express‹o estar consagrada no texto de alguns tratados.
Segundo esse pensamento, o mais apropriado Ž dizer que existe, na
atualidade, uma sociedade internacional na qual convivem diversos atores
internacionais.

4.2 Ð Caracter’sticas da Sociedade Internacional

A sociedade internacional Ž o meio onde se desenvolve o Direito Internacional.


Por isso, Ž fundamental estud‡-la, entendendo quais s‹o as suas
caracter’sticas.

Premissa essencial nesse estudo Ž saber que a sociedade internacional, assim


como o Direito, n‹o Ž est‡tica. Seu surgimento remonta ˆ Antiguidade, Žpoca
em que nem mesmo existia um Òsistema de EstadosÓ. Desde ent‹o, a
sociedade internacional se modificou bastante, e junto com ela o Direito
Internacional.

A atual sociedade internacional tem como uma de suas principais


caracter’sticas a complexidade. A globaliza•‹o levou a um aprofundamento
das rela•›es internacionais e, com isso, aumentou a din‰mica da sociedade
internacional, tendo surgido diversos novos atores no plano global.

AtŽ o in’cio do sŽculo XX, a sociedade internacional era meramente


interestatal; hoje, h‡ ampla atua•‹o, no cen‡rio internacional, de Organiza•›es
Internacionais, Organiza•›es N‹o-Governamentais, empresas transnacionais e
atŽ mesmo indiv’duos.

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Nesse cen‡rio, percebe-se que n‹o h‡ existe um poder centralizado e


universal ao qual se subordinem os Estados. Ao contr‡rio, os Estados s‹o
dotados de soberania, isto Ž, n‹o encontram nenhum poder acima de si
mesmos. A soberania est‡ intimamente relacionada ao princ’pio da igualdade
formal entre os Estados. Por estarem todos os Estados em pŽ de igualdade
(ainda que apenas formal) no plano internacional, diz-se que a sociedade
internacional Ž descentralizada e horizontal, marcada pela coordena•‹o de
interesses.

Percebe-se nitidamente que essa realidade Ž diametralmente oposta ˆquela do


direito interno, em que predomina uma rela•‹o de verticalidade do Estado para
com seus ÒsœditosÓ, marcada pela subordina•‹o de interesses.

A sociedade internacional Ž tambŽm universal e heterog•nea. Ela abrange o


mundo todo, sendo composta por atores com caracter’sticas bem diversas uns
dos outros (aspectos econ™micos, pol’ticos, sociais). H‡ Estados com grande
poder econ™mico; outros, com graves problemas de pobreza. Assim, em que
pese a exist•ncia de uma igualdade formal entre os Estados soberanos,
percebe-se que impera uma desigualdade de fato entre eles.

Uma interessante reflex‹o feita pelo Prof. ValŽrio Mazzuoli ao estudar as


caracter’sticas da ordem jur’dica internacional foi se perguntar como Ž poss’vel
falar em ordem jur’dica em um sistema de normas incapaz de centralizar o
poder.13 Ser‡ que, mesmo a sociedade internacional sendo
descentralizada, existe um ordenamento jur’dico internacional?

A resposta Ž positiva. Uma sociedade internacional descentralizada e


horizontal, na qual predominam as rela•›es de coordena•‹o, n‹o impede a
exist•ncia de princ’pios e normas de conduta no relacionamento entre
os atores internacionais. Portanto, Ž poss’vel afirmar que existe sim uma
ordem jur’dica internacional, embora dotada de certas peculiaridades que a
diferenciam da ordem jur’dica interna dos Estados.

Mas quais seriam essas caracter’sticas peculiares da ordem jur’dica


internacional?

A primeira delas Ž que n‹o existe um Poder Legislativo universal. Ao


contr‡rio, s‹o os pr—prios Estados e Organiza•›es Internacionais que, por meio
do consentimento, elaboram as normas internacionais (tratados). Veja s—: no
ordenamento jur’dico internacional, os mesmos sujeitos que criam as normas
s‹o os destinat‡rios destas.

13
MAZZUOLI, ValŽrio de Oliveira. Curso de Direito Internacional Pœblico, 4» ed. S‹o
Paulo: Editora Revista dos Tribunais, 2010, pp. 43- 45.

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No atual contexto internacional, percebe-se, ainda, que h‡ uma multiplica•‹o


de fontes normativas, com diversas inst‰ncias internacionais com
capacidade para a elabora•‹o de normas jur’dicas. Tal fen™meno Ž decorr•ncia
da institucionaliza•‹o do direito internacional, que encontra nas
organiza•›es internacionais o ambiente ideal para o relacionamento
interestatal.

O resultado Ž o surgimento de diversos subsistemas jur’dicos (econ™mico,


ambiental, humanista, financeiro, militar), cada um destes como uma l—gica de
funcionamento distinta e muitas vezes antag™nica.14 Pode-se dizer que trata-se
de um processo de fragmenta•‹o do direito internacional.

A segunda caracter’stica Ž a inexist•ncia de um Poder Judici‡rio


universal, com jurisdi•‹o autom‡tica sobre os Estados. Nesse sentido, Ž
correto afirmar que um Estado somente ir‡ se submeter ˆ jurisdi•‹o de uma
Corte Internacional ou mesmo de um tribunal arbitral caso manifeste
favoravelmente seu consentimento.15 Nas palavras de Rezek, Òo Estado
soberano, no plano internacional, n‹o Ž originalmente jurisdicion‡vel
perante corte alguma.Ó 16

Em que pese a impossibilidade de um Estado se submeter compulsoriamente a


um tribunal internacional sem ter manifestado seu prŽvio consentimento,
verifica-se, na atualidade, que uma das tend•ncias do direito internacional
contempor‰neo Ž a multiplica•‹o das inst‰ncias de solu•‹o de conflitos.

Com efeito, existem hoje diversas cortes internacionais, seja em ‰mbito


global ou regional, dentre as quais citamos a Corte Internacional de Justi•a,
o Tribunal sobre o Direito do Mar, o îrg‹o de Apela•‹o da OMC, a Corte
Interamericana de Direitos Humanos. A multiplica•‹o de inst‰ncias de solu•‹o
de conflitos revela um grau crescente de jurisdicionaliza•‹o do direito
internacional.

Ainda quanto a tribunais internacionais, Ž importante assinalar que,


modernamente, existe a possibilidade de que indiv’duos possam peticionar
perante algumas cortes internacionais, assim como serem julgados. ƒ
poss’vel, por exemplo, que um indiv’duo possa apresentar uma peti•‹o
diretamente ˆ Corte Europeia de Direitos Humanos. Ou, ent‹o, o indiv’duo
pode ser julgado pelo Tribunal Penal Internacional (corte com car‡ter
permanente) em virtude de haver praticado crimes de guerra, crimes contra a
humanidade, crime de genoc’dio ou crime de agress‹o. Trata-se da

14
VARELLA, Marcelo Dias. Direito Internacional Pœblico. S‹o Paulo: Saraiva, 2009, pp. 7-
12.
15
Ao estudarmos em aula posterior sobre a compet•ncia contenciosa da CIJ, veremos em
detalhes como funciona a submiss‹o de um Estado ˆ jurisdi•‹o da CIJ.
16
REZEK, Francisco. Direito Internacional Pœblico: curso elementar, 11» Ed, rev. e atual.
S‹o Paulo: Saraiva, 2008, pp. 1 Ð 6.

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possibilidade de criminaliza•‹o supranacional de condutas que violam


gravemente valores essenciais ˆ sociedade internacional.

A terceira caracter’stica da ordem jur’dica internacional Ž que esta se reveste


de car‡ter obrigat—rio. Como veremos mais ˆ frente, h‡ quem argumente
que o direito internacional n‹o se reveste de car‡ter obrigat—rio, n‹o
possuindo meios efetivos de san•‹o.

Trata-se de um argumento usado por aqueles que negam o car‡ter


jur’dico do direito internacional, os quais tambŽm advogam que a
inexist•ncia de um Poder Legislativo universal e de um Poder Judici‡rio com
jurisdi•‹o compuls—ria impedem a exist•ncia de uma ordem jur’dica
internacional. De forma alguma podemos concordar com os que pensam dessa
maneira. O direito internacional possui, sim, meios de san•‹o.

5 - Car‡ter Jur’dico do Direito Internacional

5.1 Ð A nega•‹o do Direito Internacional

ƒ bastante difundida a ideia de que o Direito Internacional n‹o tem car‡ter


jur’dico. Ao se analisar as rela•›es internacionais, por exemplo, Ž comum que
autores estabele•am a distin•‹o entre a ordem jur’dica interna e uma suposta
anarquia internacional. Muito comum, nesse sentido, a descri•‹o das rela•›es
internacionais como sendo o Òestado de guerra de todos contra todosÓ (estado
de natureza de Hobbes). 17

Os negadores do Direito Internacional podem ser divididos em dois grandes


grupos: os negadores pr‡ticos e os negadores te—ricos18.

a) Negadores pr‡ticos: Esse grupo Ž representado por autores como


Espinosa, Adolf Lasson, Ludwig Gumplowicz e Lundstedt. Eles negam a
exist•ncia do Direito Internacional.

b) Negadores te—ricos: Reconhecem a exist•ncia de normas


internacionais, mas n‹o as consideram normas jur’dicas. Dentre os
principais representantes dessa corrente, est‹o John Austin e Jœlio
Binder.

17
JòNIOR, Alberto do Amaral. Curso de Direito Internacional Pœblico, 5a edi•‹o, S‹o
Paulo: Editora Atlas, 2015, pp. 1-8.
18
MELLO, Celso de Albuquerque. Curso de Direito Internacional Pœblico, 1¼ volume, 11a
edi•‹o. Ed. Renovar, 1997, pp. 97-101.

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Para John Austin, as normas internacionais n‹o teriam natureza


jur’dica; ao contr‡rio, suas normas seriam apenas uma moral
positivada. Apresentava Austin os seguintes argumentos:

- A sociedade internacional Ž desorganizada, uma vez que n‹o h‡


um Òsuperior pol’ticoÓ. Para ele, o Direito s— existe quando h‡
comandos acompanhados de san•›es. Como n‹o h‡ um Òsuperior
pol’ticoÓ na sociedade internacional an‡rquica, n‹o existiriam
san•›es e, portanto, as normas n‹o teriam natureza jur’dica.

- As normas internacionais emanam da opini‹o pœblica e, em


virtude disso, seriam Òleis moraisÓ ou de mera cortesia.

- Por serem aplicadas na pr‡tica, as normas internacionais s‹o


fruto da moral positiva.

Apresentadas as vis›es dos negadores pr‡ticos e te—ricos do Direito


Internacional, passaremos a contest‡-las a seguir.

Comecemos, ent‹o, mencionando uma hist—ria da mitologia grega: a hist—ria


do ÒTonel das DanaidesÓ.

As danaides eram filhas do rei D‡nao que, por terem matado os seus maridos
na noite do casamento, foram condenadas a passar a sua exist•ncia enchendo
com ‡gua um tonel sem fundo. Em raz‹o disso, a express‹o Òtonel das
danaidesÓ (Òdanaidum doliumÓ) Ž utilizada para se referir ˆquele trabalho
infinito que, por mais que seja feito, n‹o traz resultados. ƒ aquele trabalho que
nunca termina, por maior que seja o esfor•o.

Pois bem. Defender a exist•ncia e a juridicidade do Direito Internacional


parece ser o permanente Òdanaidum doliumÓ dos internacionalistas. E Ž isso o
que faremos a seguir, apresentando todos os argumentos para que voc•
consiga defender que o Direito Internacional existe e Ž dotado de for•a
jur’dica.

5.2 Ð Por que o Direito Internacional Ž dotado de juridicidade e,


portanto, Ž obrigat—rio?

ƒ verdade que o Direito Interno tem not—rias diferen•as em rela•‹o ao Direito


Internacional. Vejamos quais s‹o elas:

a) No Direito Interno, h‡ um —rg‹o espec’fico para a elabora•‹o das


normas jur’dicas (Poder Legislativo). No ‰mbito internacional, isso n‹o
existe. Conforme j‡ comentamos, n‹o existe um Poder Legislativo
universal.

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b) No Direito Interno, h‡ uma estrutura de tribunais,


hierarquicamente organizados, com jurisdi•‹o compuls—ria. N‹o
existe, porŽm, um Poder Judici‡rio universal. Existem, de fato, v‡rios
Tribunais internacionais, mas eles n‹o det•m jurisdi•‹o compuls—ria. Em
outras palavras, os Estados somente ir‹o se submeter ˆ jurisdi•‹o de
tribunais internacionais se manifestarem sua vontade nesse sentido.

c) No Direito Interno, h‡ um Poder Executivo (governo) com o


monop—lio do uso leg’timo da for•a. ƒ o que Austin chamava de Òsuperior
pol’ticoÓ. No Direito Internacional, por outro lado, n‹o h‡ uma entidade
dotada de poder de governo ou um sistema unificado de san•›es
semelhante ao do direito interno.19

Essas distin•›es, todavia, n‹o s‹o suficientes para que se sustente a ideia de
que o Direito Internacional n‹o existe ou que n‹o tem natureza jur’dica. Foi-se
o tempo em que se pensava na exist•ncia de uma sociedade internacional
an‡rquica.

A exist•ncia do Direito n‹o demanda, necessariamente, a exist•ncia de um


Òsuperior pol’ticoÓ. Para que o Direito exista, Ž necess‡rio apenas uma
sociedade politicamente organizada na qual os membros reconhe•am a
obrigatoriedade das normas.

Embora n‹o haja um Poder Legislativo universal, as normas internacionais


existem, s‹o v‡lidas e produzem efeitos jur’dicos, uma vez que s‹o
efetivamente respeitadas pelos sujeitos de direito internacional. Nesse
sentido, afirma Malcolm Shaw que, ao contr‡rio da cren•a popular, Òos Estados
efetivamente observam o direito internacional, e as viola•›es s‹o
relativamente rarasÓ.20

Cabe destacar que os Estados respeitam o direito internacional porque assim o


querem; Ž ineg‡vel, nesse sentido, que as normas internacionais conferem
estabilidade e previsibilidade ao sistema. Para Celso Mello, citando Louis
Henken21:

a) Os Estados somente violam o DIP quando a vantagem disto Ž maior


do que o custo dentro da Òcontexto de sua pol’tica exteriorÓ.

b) Os Estados precisam ter confian•a dos demais Estados para


realizarem a sua pr—pria pol’tica externa, da’ ser necess‡rio que
respeitem o DIP.

19
SHAW, Malcolm N. Direito Internacional. S‹o Paulo: Ed. Martins Fontes, 2010. pp.3-5.
20
SHAW, Malcolm N. Direito Internacional. S‹o Paulo: Ed. Martins Fontes, 2010. pp.6-10.
21
MELLO, Celso de Albuquerque. Curso de Direito Internacional Pœblico, 1¼ volume, 11a
edi•‹o. Ed. Renovar, 1997, pp. 71.

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c) H‡ interesse dos Estados em manterem as rela•›es internacionais


dentro de certa ordem.

d) Os Estados t•m medo de repres‡lias e, por isso, respeitam o DIP.

e) Os Estados obedecem ao DIP por Òh‡bito e imita•‹oÓ.

Por —bvio, h‡ viola•›es ao direito internacional, mas estas n‹o retiram o seu
car‡ter jur’dico. Trazendo a quest‹o para o ‰mbito do direito interno,
podemos refletir. Quantas vezes por dia s‹o descumpridas leis e atŽ mesmo a
Constitui•‹o no interior de um Estado? Quantas vezes alguŽm que comete um
crime fica impune? Tenho certeza de que voc• respondeu que s‹o inœmeras as
vezes. E nem por isso alguŽm se atreve a dizer que n‹o h‡ ordem jur’dica no
direito interno.
0
A maior cr’tica ao Direito Internacional Ž, sem dœvida, a de que suas viola•›es
n‹o s‹o pass’veis de san•‹o ou que suas san•›es n‹o s‹o efetivas. Esses
argumentos s‹o totalmente improcedentes.

O Direito Internacional possui, sim, san•›es, das mais variadas espŽcies. O


direito internacional tem vivido modifica•›es importantes e, nos œltimos
tempos, seu poder de san•‹o tem cada vez mais aumentado. As san•›es
existem, embora descentralizadas e implementadas pelos pr—prios Estados.
Reflex‹o interessante sobre o tema nos traz o Prof. Marcelo Dias Varella:

ÒO direito internacional humanit‡rio j‡ justificou a inger•ncia


militar em diversos Estados, acusados de viol‡-lo, com a pris‹o dos
governantes, a exemplo do Iraque, de Ruanda, do Congo, entre
muitos outros. No conflito da Ex-Iugusl‡via, por exemplo, houve a
dissolu•‹o do Estado, com a separa•‹o das regi›es em conflito,
criando-se Estados novos. AtŽ mesmo a Constitui•‹o da B—snia-
Herzegovina foi proposta pela sociedade internacional. No direito
internacional econ™mico, a Organiza•‹o Mundial do ComŽrcio tem
for•a pol’tica suficiente para ordenar a mudan•a das normas
internas de um Estado ou mesmo da pr—pria Constitui•‹o, sob pena
de autorizar retalia•›es econ™micas importantes. Que ramo do
direito interno tem como san•‹o a deposi•‹o de um Governo, a
dissolu•‹o de um Estado ou a mudan•a da Constitui•‹o? A cr’tica
da falta de efetividade do direito Ž, portanto, infundada.Ó [grifo
nosso]

Para aqueles que dizem que as san•›es n‹o s‹o efetivas, poder’amos ainda
dizer, conforme explica muito bem Celso Mello que Òo Direito Penal n‹o deixa

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de existir porque as suas san•›es deixam de ser aplicadasÓ. 22 Conforme j‡


comentamos, a exist•ncia do Direito independe das san•›es. A san•‹o Ž
um elemento externo ao Direito; o que caracteriza o Direito, nesse sentido, Ž a
possibilidade de san•‹o pelo descumprimento de suas normas.

3. (PGFN - 2003) No momento atual, o Direito Internacional Pœblico


ainda n‹o disp›e de meios efetivos de san•‹o.

Coment‡rios:

O direito internacional pœblico, no momento atual, j‡ disp›e sim de meios


efetivos de san•‹o. Exemplo disso s‹o as interven•›es armadas autorizadas
pelo Conselho da Seguran•a da ONU e as retalia•›es comerciais autorizadas
pela OMC. Quest‹o errada.

4. (PGFN - 2003) A aus•ncia de um Poder Legislativo universal, bem


assim de um Judici‡rio internacional com jurisdi•‹o compuls—ria, s‹o
alguns dos argumentos utilizados pelos negadores do direito
internacional para falar da aus•ncia de car‡ter jur’dico do direito das
gentes.

Coment‡rios:

Dizer que n‹o existe um Poder Legislativo e um Poder Judici‡rio com jurisdi•‹o
compuls—ria sobre os Estados Ž um argumento daqueles que dizem que o
direito internacional Ž desprovido de car‡ter jur’dico. Quest‹o correta.

5. (Consultor Legislativo Senado Federal / 2002) As rela•›es


jur’dicas entre os Estados, no contexto de uma sociedade jur’dica
internacional descentralizada desenvolvem-se de forma horizontal e
coordenada.

Coment‡rios:

A sociedade internacional Ž descentralizada, predominando a coordena•‹o e a


horizontalidade das rela•›es internacionais. Quest‹o correta.

22
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6. (AGU - 2009) No Direito Internacional, h‡ muito tempo, existem


as cortes que atuam para a solu•‹o de conflitos entre os Estados,
como Ž o caso da Corte Internacional de Justi•a. Entretanto, h‡ fato
inŽdito, no Direito Internacional, quanto ˆ criminaliza•‹o
supranacional de determinadas condutas, com a cria•‹o do TPI,
tribunal ad hoc destinado ˆ puni•‹o de pessoas que pratiquem, em
per’odo de paz ou de guerra, qualquer crime contra indiv’duos.

Coment‡rios:

A quest‹o traz v‡rias afirma•›es corretas. No entanto, seu erro est‡ em dizer
que o Tribunal Penal Internacional (TPI) Ž um tribunal Òad hocÓ. Na verdade,
trata-se de corte internacional de car‡ter permanente. Quest‹o errada.

7. (OAB Ð 2009.2) Em Direito Internacional Pœblico, h‡ um governo


central, que possui soberania sobre todas as na•›es.

Coment‡rios:

A sociedade internacional Ž descentralizada, n‹o existindo um poder superior


que se imponha sobre todos os Estados. Quest‹o errada.

6 Ð Fundamento do Direito Internacional

Quando se fala em fundamento do direito internacional pœblico, o que se busca


saber Ž por qual raz‹o a ordem jur’dica internacional Ž obrigat—ria. Ou, dito de
outra forma, em que se apoia a validade do ordenamento jur’dico
internacional.

A preocupa•‹o, aqui, n‹o est‡ em avaliar como as normas internacionais s‹o


criadas, mas sim em explicar o porqu• de sua obrigatoriedade. Busca-se
avaliar, desse modo, o valor intr’nseco das normas, isto Ž, aquilo que faz com
que elas sejam vinculantes para a sociedade internacional.

O fundamento do direito internacional pœblico Ž explicado por duas correntes


doutrin‡rias divergentes: a doutrina voluntarista (subjetivista) e a doutrina
objetivista.

A doutrina voluntarista, de ’ndole subjetivista, defende que o fundamento


do direito internacional Ž a vontade dos Estados e das organiza•›es
internacionais. Assim, a ordem jur’dica internacional Ž obrigat—ria porque os
Estados e as organiza•›es internacionais manifestaram livremente seu
consentimento em a ela se submeter. O voluntarismo se desdobra em

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diversas vertentes, tais como a Òteoria da vontade coletivaÓ e a Òteoria do


consentimentoÓ.

ƒ importante que se diga que a doutrina voluntarista n‹o Ž suficiente para


explicar o atual momento do Direito Internacional. Nenhuma delas consegue,
por exemplo, explicar a exist•ncia das normas Òjus cogensÓ, assim
denominadas as normas imperativas de direito internacional geral da qual
nenhuma derroga•‹o Ž poss’vel. As normas Òjus cogensÓ s‹o t‹o importantes
que vinculam todos os Estados, independentemente da sua vontade.

A doutrina objetivista defende que h‡ princ’pios e normas superiores ˆ


vontade dos Estados, de import‰ncia t‹o elevada que de seu cumprimento
depende o regular funcionamento da sociedade internacional. Assim, h‡
valores e normas que s‹o superiores ao ordenamento jur’dico estatal e que
se imp›em aos Estados independentemente da sua vontade.

H‡ ainda uma terceira corrente, que encontra o fundamento de validade do


direito internacional na conhecida regra Òpacta sunt servandaÓ. Essa teoria,
formulada por Dion’sio Anzilotti, se baseia na ideia de que n‹o Ž a vontade dos
Estados que faz nascer o direito internacional; o direito internacional decorre
de uma regra que existe independentemente do consentimento dos Estados: a
regra Òpacta sunt servandaÓ. 23

O princ’pio Òpacta sunt servandaÓ Ž uma regra resultante do consentimento


perceptivo. Com efeito, a no•‹o de que aquilo que foi livremente acordado
deve ser cumprido constitui-se em norma reconhecida atŽ mesmo nas
sociedades de organiza•‹o mais rudimentar. Regras fundadas no
consentimento perceptivo s‹o aquelas que decorrem inevitavelmente da raz‹o
humana. Regras fundadas no consentimento criativo, por sua vez, s‹o
aquelas das quais a sociedade internacional poderia prescindir. S‹o regras que
evolu’ram em uma determinada dire•‹o, mas poderiam ter evolu’do
perfeitamente em outra. 24 25

A Conven•‹o de Viena de 1969, sobre o Direito dos Tratados, consagrou a


regra Òpacta sunt servandaÓ, mas, ao mesmo tempo, reconheceu a exist•ncia
de normas imperativas de direito internacional geral da qual nenhuma

23
MAZZUOLI, ValŽrio de Oliveira. Curso de Direito Internacional Pœblico, 4» ed. S‹o Paulo:
Editora Revista dos Tribunais, 2010, pp. 92-95.
24
REZEK, Francisco. Direito Internacional Pœblico: curso elementar, 11» Ed, rev. e atual.
S‹o Paulo: Saraiva, 2008, pp. 3-4.
25
Interessante exemplo de norma fundada no consentimento criativo Ž dado por Rezek.
Segundo o autor, a extradi•‹o, quando surgiu, tinha como objetivo recuperar o dissidente
pol’tico exilado. Com o passar do tempo, ela passou a ser usada para recuperar os dissidentes
pol’ticos e os criminosos comuns. Hoje, a extradi•‹o n‹o alcan•a os criminosos pol’ticos. Como
se v•, trata-se de norma que evoluiu em uma dire•‹o, mas poderia ter evolu’do em outra
diametralmente oposta.

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derroga•‹o Ž poss’vel, a n‹o ser por normas de igual natureza. S‹o as


normas jus cogens, que n‹o podem ser violadas por nenhum tratado
internacional, sob pena de nulidade. Trata-se de normas que, pela sua
import‰ncia para o funcionamento da sociedade internacional, tem o cond‹o de
limitar a autonomia da vontade dos Estados.

Em virtude disso, h‡ que se concordar que o fundamento do direito


internacional possui elementos objetivistas e voluntaristas. O direito
internacional Ž obrigat—rio porque Ž baseado em normas em rela•‹o ˆs quais
os Estados manifestaram livremente o seu consentimento em obrigar-se. No
entanto, a vontade estatal n‹o poder‡ violar as normas jus cogens, que se
imp›em sobre toda a sociedade internacional. 26

8. (Juiz Federal TRF 5a Regi‹o Ð 2015) A corrente voluntarista


considera que a obrigatoriedade do direito internacional deve basear-
se no consentimento dos cidad‹os.

Coment‡rios:

A corrente voluntarista considera que a obrigatoriedade do direito internacional


baseia-se na vontade dos Estados (e n‹o dos cidad‹os!). Quest‹o errada.

9. (Juiz Federal TRF 5a Regi‹o Ð 2015) O consentimento perceptivo


da corrente objetivista significa que a normatividade jur’dica do direito
internacional nasce da pura vontade dos Estados.

Coment‡rios:

As regras fundadas no consentimento perceptivo s‹o aquelas que decorrem


da raz‹o humana. S‹o regras t‹o importantes que delas a sociedade n‹o
poderia prescindir. Quest‹o errada.

10. (AGU - 2006) O princ’pio pacta sunt servanda, segundo o qual o


que foi pactuado deve ser cumprido, externaliza um modelo de norma
fundada no consentimento criativo, ou seja, um conjunto de regras das
quais a comunidade internacional n‹o pode prescindir.

26
PORTELA, Paulo Henrique Gon•alves. Direito Internacional Pœblico e Privado. Salvador:
Editora Juspodium, 2009, pp. 42-43.

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Coment‡rios:

O princ’pio Òpacta sunt servandaÓ Ž, ao contr‡rio do que afirma a quest‹o, uma


norma fundada no consentimento perceptivo. Quest‹o errada.

11. (Consultor Legislativo / Senado-2002)- Duas doutrinas principais


fundamentam o direito internacional pœblico: a voluntarista e a
objetivista. A primeira sustenta que Ž na vontade dos Estados que est‡
o fundamento do direito das gentes; nela se inseriria a teoria dos
direitos fundamentais. A segunda, por sua vez, sustenta o fundamento
do direito internacional na pressuposta exist•ncia de uma norma ou
princ’pio acima dos Estados, como, por exemplo, a teoria do
consentimento.

Coment‡rios:

A quest‹o trouxe uma sŽrie de informa•›es corretas, pecando somente no


final. Vamos ao exame de cada uma:

1) Existem duas doutrinas principais que fundamentam o direito


internacional: a voluntarista e a objetivista. Correto.

2) O voluntarismo sustenta que o fundamento do direito das gentes Ž a


vontade dos Estados. Correto.

3) A doutrina objetivista sustenta o fundamento do direito internacional


na pressuposta exist•ncia de uma norma ou princ’pio acima dos Estado.
Correto.

4) Um exemplo da doutrina objetivista Ž a teoria do consentimento.


Errado. A teoria do consentimento Ž exemplo da doutrina voluntarista,
determinando que o fundamento de validade do direito internacional
pœblico Ž o consentimento mœtuo dos Estados.

Por tudo isso, a quest‹o est‡ errada.

7 Ð Tend•ncias Evolutivas do Direito Internacional

O Direito Internacional est‡ em permanente evolu•‹o. Suas caracter’sticas e


movimentos atuais s‹o completamente diferentes daqueles que se
evidenciavam em seus prim—rdios. A realidade se modifica e influencia o
Direito, sendo este tambŽm influenciado por aquela.

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Segundo Malcolm Shaw, Òas mudan•as ocorridas dentro da comunidade


internacional podem ter grande impacto e produzir reverbera•›es por todo o
sistemaÓ.27 Como exemplos de mudan•as ocorridas na sociedade internacional,
citamos a ascens‹o do terrorismo ap—s os ataques de 11 de setembro de 2001
(o que aumentou as preocupa•›es com a seguran•a internacional), o advento
das armas nucleares e a crise de refugiados na Europa.

Pode-se dizer que h‡ uma verdadeira tens‹o entre as normas internacionais


j‡ estabelecidas e as for•as econ™micas, pol’ticas, sociais e culturais que
buscam modificar o sistema.28

Mas quais s‹o as atuais tend•ncias evolutivas do direito internacional? Para


onde ele vai e onde quer chegar?

O Prof. Jorge Miranda, eminente constitucionalista portugu•s, apresenta-nos as


8 (oito) tend•ncias evolutivas do Direito Internacional29, sobre as quais
falaremos a seguir:

a) Universaliza•‹o: Durante algum tempo, o direito internacional foi


visto apenas como um direito americano-europeu. Hoje, ele alcan•a todo
o globo, o que Ž decorr•ncia do reconhecimento do direito de
autodetermina•‹o dos povos. A universaliza•‹o Ž tend•ncia que se
evidencia ap—s a desagrega•‹o dos impŽrios mar’timos europeus, do
impŽrio soviŽtico e, ainda, em raz‹o de movimentos de independ•ncia.

b) Regionaliza•‹o: Universaliza•‹o e regionaliza•‹o podem, a princ’pio,


parecer fen™menos contradit—rios. N‹o devemos assim consider‡-los.
Obviamente, a regionaliza•‹o atenua a universaliza•‹o; no entanto, a
melhor interpreta•‹o Ž a de que se trata de uma etapa preparat—ria
rumo ˆ forma•‹o de uma verdadeira comunidade internacional.

A regionaliza•‹o Ž fen™meno que se caracteriza pela forma•‹o de blocos


regionais, como Ž o caso da Uni‹o Europeia e do MERCOSUL. S‹o
motiva•›es pol’ticas, econ™micas, culturais e sociais que levam os pa’ses
a se unirem em blocos regionais. Nota-se, ainda, em decorr•ncia do
fen™meno da regionaliza•‹o, a forma•‹o do chamado Òdireito
comunit‡rioÓ, que n‹o se confunde com o direito interno, tampouco com
o direito internacional pœblico.

27
SHAW, Malcolm N. Direito Internacional. S‹o Paulo: Ed. Martins Fontes, 2010. pp.36
28
SHAW, Malcolm N. Direito Internacional. S‹o Paulo: Ed. Martins Fontes, 2010. pp.36.
29
MIRANDA, Jorge. A incorpora•‹o ao Direito interno de instrumentos jur’dicos de
Direito Internacional Humanit‡rio e Direito Internacional dos Direitos Humanos.
Confer•ncia promovida no Semin‡rio Internacional ÒO Tribunal Penal Internacional e a
Constitui•‹o Brasileira. 30/09/1999.

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c) Institucionaliza•‹o: Ao longo do sŽculo XX, o Direito Internacional


deixou de ser um mero Òdireito entre EstadosÓ. Emergiram como
protagonistas das rela•›es internacionais as organiza•›es internacionais.
O Direito Internacional passou a ser um direito presente no seio das
organiza•›es internacionais, sejam elas de car‡ter universal ou regional.
Dentre as organiza•›es internacionais, citamos como exemplo a ONU,
OMC e OIT.

d) Funcionaliza•‹o: Essa Ž uma caracter’stica diretamente ligada ˆ


institucionaliza•‹o. Hoje, o Direito Internacional se ocupa de um nœmero
cada vez maior de temas da vida internacional (meio ambiente, prote•‹o
ao trabalhador, comŽrcio internacional, tributa•‹o, terrorismo,
corrup•‹o, investimentos internacionais, paz e seguran•a internacionais).
Ë medida que aumenta o nœmero de temas, tambŽm aumenta o nœmero
de organiza•›es internacionais especializadas em cada um deles.

e) Humaniza•‹o: Ap—s as atrocidades cometidas na Segunda Guerra


Mundial, a dignidade da pessoa humana tornou-se uma preocupa•‹o
central do ordenamento jur’dico internacional. A tend•ncia de
humaniza•‹o Ž evidenciada por diferentes fatos internacionais, dentre os
quais apontamos:

- Aprova•‹o da Declara•‹o Universal dos Direitos Humanos (1948).

- Acesso direto de indiv’duos a tribunais internacionais ou


inst‰ncias internacionais de direitos humanos (Ex: acesso direito do
indiv’duo ˆ Corte Europeia de Direitos Humanos ou acesso do
indiv’duo ˆ Comiss‹o Interamericana de Direitos Humanos)

- Cria•‹o da Justi•a Penal Internacional

A humaniza•‹o do Direito Internacional fez com que a doutrina moderna


passasse a considerar o indiv’duo como sujeito de direito internacional
pœblico.

f) Objetiva•‹o: Evidencia-se pela Òcrise do voluntarismoÓ. O Direito


Internacional deixa de ser visto apenas como um produto da vontade dos
Estados. Passa-se a reconhecer que existem normas internacionais que,
pela alta carga axiol—gica que possuem, independem da vontade dos
Estados para serem reconhecidas como obrigat—rias.

g) Codifica•‹o: Quando se fala em ÒcodificarÓ ou ÒpositivarÓ, a


refer•ncia que se faz Ž ˆ consolida•‹o das normas internacionais em
textos escritos. Em outras palavras, a codifica•‹o do direito internacional
consiste em transformar os costumes internacionais em tratados.

h) Jurisdicionaliza•‹o: No direito internacional contempor‰neo, h‡


uma prolifera•‹o das inst‰ncias de solu•‹o de conflitos. O objetivo Ž dar

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cada vez mais efetividade ao Direito Internacional, garantindo-se a


implementa•‹o de suas normas. Hoje, existem v‡rias Cortes
Internacionais, seja de ‰mbito universal ou regional. Citamos como
exemplos a Corte Internacional de Justi•a, o Tribunal Penal
Internacional, o îrg‹o de Apela•‹o da OMC, o Tribunal Internacional do
Direito do Mar, a Corte Interamericana de Direitos Humanos e a Corte
Europeia de Direitos Humanos.

Vistos esses apontamentos feitos pelo Prof. Jorge Miranda, nota-se que,
inegavelmente, o Direito Internacional est‡ em franca evolu•‹o. Pode-se
apontar, nesse sentido, um outro movimento, de bastante destaque: a
integra•‹o sistem‡tica entre o Direito Internacional e o Direito
Interno.

Mais ˆ frente em nosso curso, explicaremos como se relacionam o Direito


Internacional e o Direito Interno.

8 Ð Direito Internacional Ð Coexist•ncia, Coopera•‹o e Solidariedade30

A Paz de Westphalia (1648) deu origem ao moderno sistema de Estados,


inaugurando uma nova ordem internacional, marcada pela necessidade de
coexist•ncia de entidades pol’ticas soberanas. O Direito Internacional
consolidou-se ˆ Žpoca como um direito de coexist•ncia, marcado por
normas de car‡ter negativo, que imp›em proibi•›es aos Estados, como Ž o
caso do dever de n‹o-interven•‹o.

No Direito Internacional de coexist•ncia, a preocupa•‹o est‡ em se evitar o


conflito (choque entre soberanias), estabelecendo normas que permitam a
conviv•ncia pac’fica e o respeito mœtuo entre os Estados, condi•›es essenciais
para a manuten•‹o da paz e estabilidade. Nesse sentido, podemos apontar as
seguintes caracter’sticas do direito internacional de coexist•ncia:

a) Visa delimitar a jurisdi•‹o estatal, a base geogr‡fica sobre a qual o


Estado ir‡ exercer a sua soberania. Como exemplo, um tratado que
reconhe•a os limites fronteiri•os entre dois Estados Ž t’pica norma de
coexist•ncia.

b) O direito de coexist•ncia deseja a estabilidade. Para isso, utiliza-se de


tŽcnicas de desencorajamento, buscando coibir comportamentos
indesejados. S‹o tŽcnicas de desencorajamento as san•›es aplicadas em
virtude de il’citos internacionais.

30
JòNIOR, Alberto do Amaral. Curso de Direito Internacional Pœblico, 5a edi•‹o, S‹o
Paulo: Editora Atlas, 2015, pp. 679-690

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c) O direito de coexist•ncia exerce as fun•›es de tutelar e proteger.


Busca-se conter o poder dos Estados soberanos.

Ao longo do sŽculo XX, consolida-se uma nova dimens‹o do Direito


Internacional: o direito de coopera•‹o.

Nesse novo contexto, o objetivo do Direito Internacional n‹o Ž apenas o de


evitar o conflito, mas sim o de promover interesses comuns a toda a
humanidade. Busca-se, assim, Òadministrar os desafios da interdepend•nciaÓ31,
resultantes da globaliza•‹o econ™mica, cultural, pol’tica e social.

No direito de coopera•‹o, proliferam as organiza•›es internacionais, que


se ocupam dos mais variados temas da vida internacional (e.g. meio ambiente,
prote•‹o ao trabalhador, comŽrcio internacional e seguran•a internacional). O
direito internacional, nesse novo momento, se desenvolve para abarcar cada
vez mais aspectos da vida internacional.

O Prof. Alberto do Amaral Jœnior prop›e, ainda, a exist•ncia de uma terceira


dimens‹o do Direito Internacional: o direito de solidariedade. Nessa nova
dimens‹o, o Direito Internacional se insere num ambiente em que h‡ o
fortalecimento do interesse comunit‡rio.

O direito de solidariedade evidencia uma preocupa•‹o com o bem-estar


coletivo. As Ònormas de solidariedadeÓ aparecem, em especial, no quadro de
prote•‹o aos direitos humanos e do meio ambiente. Elas s‹o tendentes a
formar uma comunidade internacional, na qual haveria consenso a respeito de
princ’pios e valores a reger as rela•›es internacionais.

H‡ que se fazer uma men•‹o especial ˆs normas jus cogens e ˆs


obriga•›es erga omnes, que s‹o normas axiologicamente t‹o importantes
que podemos afirmar que elas t•m como valor intr’nseco o Òesp’rito
comunit‡rioÓ. Vejamos o que elas significam:

a) Normas jus cogens: S‹o normas aceitas e reconhecidas pela


comunidade internacional dos Estados em seu conjunto, da qual
nenhuma derroga•‹o Ž permitida, a n‹o ser por outra norma de igual
natureza (art. 53, da Conven•‹o de Viena sobre o Direito dos Tratados).

Como exemplo de norma Òjus cogensÓ, est‹o a proibi•‹o da escravid‹o e


do genoc’dio. Qualquer tratado que verse sobre esses temas ser‡ nulo,
uma vez que ir‡ violar uma norma jus cogens.

As normas jus cogens s‹o t‹o importantes que elas vinculam todos os
Estados, independentemente do seu consentimento. S‹o normas
imperativas de direito internacional, inderrog‡veis pela vontade dos

31
JòNIOR, Alberto do Amaral. Curso de Direito Internacional Pœblico, 5a edi•‹o, S‹o
Paulo: Editora Atlas, 2015, pp. 679-690.

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Estados. Portanto, as normas jus cogens gozam de uma superioridade


hier‡rquica em rela•‹o ˆs outras.

(*) N‹o h‡ consenso doutrin‡rio a respeito de quais s‹o as normas jus


cogens. Trata-se de constru•‹o doutrin‡ria e jurisprudencial. De todo
modo, vale destacar que as normas jus cogens s‹o mut‡veis, ou seja,
elas podem se modificar com o tempo. Tanto isso Ž verdade que a
Conven•‹o de Viena de 1969 reconhece que as normas jus cogens s‹o
derrog‡veis por outras de igual natureza.

b) Obriga•›es erga omnes: A Corte Internacional de Justi•a (CIJ), no


caso Barcelona Traction, definiu as obriga•›es erga omnes como sendo
obriga•›es devidas ˆ comunidade internacional como um todo. N‹o s‹o
dotadas, porŽm, do car‡ter de superioridade material e da
inderrogabilidade pr—prias das normas jus cogens. Como exemplo de
obriga•‹o erga omnes, est‡ o direito ˆ autodetermina•‹o dos povos.

(*) Pode-se dizer que todas as normas jus cogens ser‹o,


necessariamente, obriga•›es erga omnes. O contr‡rio, todavia, n‹o Ž
verdade. Nem toda obriga•‹o erga omnes Ž uma norma jus cogens. Para
ser uma norma jus cogens, Ž necess‡rio que se tenha as caracter’sticas
da superioridade hier‡rquica e da inderrogabilidade.

(**) As obriga•›es erga omnes n‹o foram expressamente mencionadas


no Estatuto da Corte Internacional de Justi•a (CIJ). Entretanto, quando
h‡ viola•‹o de uma obriga•‹o erga omnes, surge a possibilidade de
responsabiliza•‹o internacional. Cabe destacar que o ÒEstado-violadorÓ
n‹o responder‡ somente perante o ÒEstado-v’timaÓ, mas perante toda a
comunidade internacional, justamente em virtude da peculiar natureza
das obriga•›es erga omnes.

O Direito Internacional como direito de solidariedade representa a tend•ncia ˆ


forma•‹o de uma verdadeira comunidade internacional. H‡ uma mudan•a
do foco da prote•‹o do Direito Internacional. Antes, as normas internacionais
eram destinadas ˆ prote•‹o dos interesses dos Estados; no direito de
solidariedade, as normas internacionais objetivam proteger o interesse da
pr—pria Humanidade, vista por muitos autores como j‡ sendo titular de
direitos.32

No direito de coopera•‹o e no direito de solidariedade, prevalecem as normas


positivas. Enquanto o direito de coexist•ncia, o objetivo era garantir a
estabilidade, no direito de coopera•‹o e no de solidariedade, o objetivo Ž a
mudan•a. Para isso, s‹o adotadas tŽcnicas de encorajamento, que buscam
alterar a realidade estabelecida.

32
JòNIOR, Alberto do Amaral. Curso de Direito Internacional Pœblico, 5a edi•‹o, S‹o
Paulo: Editora Atlas, 2015, pp. 685.

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Direito de coexist•ncia, de coopera•‹o e de solidariedade s‹o dimens›es que


convivem entre si. No direito internacional contempor‰neo, h‡ normas que se
encaixam dentro de cada uma dessas l—gicas. Tudo ir‡ depender da matŽria de
que se trata.

Por exemplo, as normas destinadas a garantir a paz e a seguran•a


internacionais refletem o direito de coexist•ncia. As normas relativas ao
comŽrcio internacional evidenciam o direito de coopera•‹o. J‡ as normas
internacionais relativas ˆ prote•‹o ao meio ambiente e aos direitos humanos
ilustram o direito de solidariedade.

12. (MPF - Procurador da Repœblica Ð 2016) As obriga•›es erga


omnes foram previstas expressamente no Estatuto da Corte
Internacional de Justi•a, porŽm n‹o autorizam o in’cio de processo
naquele tribunal contra determinado Estado que as tenha
descumprido.

Coment‡rios:

As obriga•›es Òerga omnesÓ n‹o est‹o expressas no Estatuto da CIJ. No


entanto, a viola•‹o de obriga•›es Òerga omnesÓ permite que se busque a
responsabilidade internacional do Estado que as tenha descumprido. Quest‹o
errada.

13. (MPF Ð Procurador da Repœblica Ð 2014) As normas de direito


internacional perempt—rio (jus cogens) n‹o guardam nenhuma rela•‹o
com o conceito de obriga•‹o erga omnes.

Coment‡rios:

H‡ uma forte rela•‹o entre normas jus cogens e obriga•›es erga omnes. Todas
as normas jus cogens, afinal, consistem em obriga•›es erga omnes. Quest‹o
errada.

14. (Instituto Rio Branco Ð 2015) A no•‹o de jus cogens, como a de


normas imperativas a priori, embora n‹o unanimemente reconhecida
em doutrina, Ž invocada com refer•ncia tanto em jurisprud•ncia
quanto em direito internacional positivo.

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Coment‡rios:

As normas Òjus cogensÓ s‹o normas imperativas de direito internacional geral.


Embora n‹o se possa falar em consenso doutrin‡rio, fato Ž que elas s‹o
amplamente reconhecidas pela jurisprud•ncia e pela doutrina. H‡, inclusive,
expressa previs‹o na Conven•‹o de Viena de 1969 sobre as normas jus
cogens. Quest‹o correta.

Fontes do Direito Internacional


1 - Fontes Formais X Fontes Materiais:

A pergunta que aqui fazemos Ž a seguinte: o que s‹o fontes do direito?

Fontes do direito s‹o as formas pelas quais o direito se exterioriza (se


manifesta) e as raz›es que imp›em a formula•‹o de regras jur’dicas.

Veja, caro amigo, que s‹o duas as acep•›es de fontes do direito. Quando
dizemos que fonte do direito Ž a forma pela qual este se manifesta,
estamos nos referindo, por exemplo, aos tratados e aos costumes. J‡ quando
nos referimos ˆs fontes do direito como as raz›es que imp›em a
formula•‹o de regras jur’dicas, estamos nos referindo a fatos sociais que
impelem a cria•‹o de normas. Por exemplo, a grave viola•‹o dos direitos das
mulheres faz com que seja celebrado um tratado que conceda prote•‹o
especial ˆs mulheres.

Com base nessas duas acep•›es, as fontes do direito s‹o classificadas em duas
espŽcies: fontes formais e fontes materiais. Fontes formais s‹o as formas
pelas quais o direito se exterioriza, isto Ž, Òadquire formaÓ. Fontes materiais
s‹o as situa•›es que imp›em a formula•‹o de regras jur’dicas. Ao nosso
estudo, interessa apenas as fontes formais do direito internacional pœblico.

2 - O art. 38 do Estatuto da Corte Internacional de Justi•a:

A Corte Internacional de Justi•a (CIJ) Ž o principal —rg‹o judici‡rio das


Na•›es Unidas, a ela competindo decidir segundo o direito internacional as
controvŽrsias que lhe forem submetidas. Trata-se de Tribunal Internacional
criado em 1945, sobre o qual estudaremos detalhadamente em momento
oportuno.

Por ora, precisamos saber que, quando da cria•‹o da CIJ, existia a dœvida
sobre com base em quais normas esse tribunal deveria decidir um lit’gio. Para
dirimir essa dœvida, foi redigido o art. 38 do Estatuto da CIJ, que assim disp›e:

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Artigo 38
A Corte, cuja fun•‹o Ž decidir de acordo com o direito
internacional as controvŽrsias que lhe forem submetidas,
aplicar‡:
a) as conven•›es internacionais, quer gerais, quer especiais,
que estabele•am regras expressamente reconhecidas pelos
Estados litigantes;
b) o costume internacional, como prova de uma pr‡tica geral
aceita como sendo o direito;
c) os princ’pios gerais de direito, reconhecidos pelas na•›es
civilizadas;
d) sob ressalva da disposi•‹o do Artigo 59, as decis›es
judici‡rias e a doutrina dos juristas mais qualificados das
diferentes na•›es, como meio auxiliar para a determina•‹o das
regras de direito.
A presente disposi•‹o n‹o prejudicar‡ a faculdade da Corte de
decidir uma quest‹o ex aequo et bono, se as partes com isto
concordarem.

Leia atentamente esse dispositivo! Voc• precisa memoriz‡-lo! Ele Ž


fundamental para sua prova!

O art. 38 do Estatuto da CIJ Ž considerado pela doutrina como sendo o rol de


fontes do direito internacional pœblico. Dessa forma, temos o seguinte:

1) S‹o fontes de DIP os tratados ou conven•›es internacionais, os


costumes e os princ’pios gerais de direito.

2) S‹o meios auxiliares para a determina•‹o das regras de direito a


doutrina e a jurisprud•ncia.

Em que pese n‹o haver consenso, Ž interessante levar para


a sua prova que a doutrina e a jurisprud•ncia s‹o fontes de
DIP. Portanto, fique atento! A posi•‹o mais segura para a
prova Ž marcar como corretas assertivas que digam:

a) A doutrina e a jurisprud•ncia s‹o meios auxiliares na


determina•‹o das regras de direito

b) A doutrina e a jurisprud•ncia s‹o fontes de DIP sobre as


quais expressamente disp›e o art. 38 do Estatuto da CIJ.

Ao examinar o art. 38 do Estatuto da CIJ, Ž natural que surjam alguns


questionamentos. Existe hierarquia entre as fontes do direito internacional

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pœblico? O art. 38 do Estatuto da CIJ Ž um rol de fontes taxativo (exaustivo)?


O que significa Òex aequo et bonoÓ?

Vamos por partes... Todas essas quest›es s‹o importantes!

a) As fontes do direito internacional pœblico enumeradas pelo art. 38 do


Estatuto da CIJ n‹o possuem hierarquia entre si. Em outras palavras,
os tratados est‹o no mesmo n’vel hier‡rquico dos costumes e dos
princ’pios gerais de direito. Assim, Ž poss’vel que um tratado revogue
um costume ou mesmo que um costume revogue um tratado.

Cabe destacar que Ž diferente falar-se em hierarquia de fontes e


hierarquia de normas. Com efeito, na sociedade internacional, existem
normas com grau superior de validade: s‹o as chamadas normas jus
cogens. Trata-se de normas imperativas de direito internacional geral,
das quais nenhuma derroga•‹o Ž poss’vel, salvo por norma de igual
natureza. As normas jus cogens s‹o, portanto, hierarquicamente
superiores a qualquer outra norma.

b) O rol de fontes do art. 38 do Estatuto da CIJ Ž n‹o-taxativo, ou seja,


a doutrina reconhece outras fontes do direito internacional pœblico n‹o
mencionadas expressamente no referido dispositivo. ƒ o caso, por
exemplo, dos atos unilaterais dos Estados e das decis›es das
organiza•›es internacionais. ƒ correto afirmar, portanto, que o rol de
fontes do art. 38 do Estatuto da CIJ Ž meramente exemplificativo
ou, ainda, em outras palavras, trata-se de um rol Ònumerus apertusÓ.

c) Dizer que a CIJ poder‡ decidir uma quest‹o Òex aequo et bonoÓ
significa que essa corte internacional poder‡ solucionar uma
controvŽrsia com base na equidade. Considera-se equidade a
aplica•‹o de considera•›es de justi•a a um caso concreto. Cabe ressaltar
que a CIJ somente poder‡ decidir com base na equidade caso ambas as
partes litigantes com isso concordarem.

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3 - Tratados internacionais:

Os tratados internacionais s‹o a fonte do direito internacional pœblico que,


atualmente, se reveste de maior import‰ncia na sociedade internacional. Em
aula posterior, estudaremos em detalhes sobre o Direito dos Tratados,
comentando sobre a Conven•‹o de Viena de 1969 e a Conven•‹o de Viena de
1986.

Por hora, podemos defini-los como acordos formais celebrados por escrito
entre Estados, entre Estados e organiza•›es internacionais ou entre
organiza•›es internacionais.33

O fundamento de validade dos tratados internacionais Ž a regra Òpacta sunt


servandaÓ, segundo a qual os compromissos livremente assumidos devem ser
cumpridos de boa fŽ. Tal regra faz com que os tratados sejam juridicamente
obrigat—rios para os Estados e organiza•›es internacionais que manifestaram
seu consentimento em a eles se obrigar. Com efeito, um tratado internacional
n‹o tem poder para obrigar a sociedade internacional como um todo, mas
apenas aqueles sujeitos de DIP que dele sejam Parte.

33
A Conven•‹o de Viena de 1969 regulamenta os tratados celebrados entre Estados. A
Conven•‹o de Viena de 1986, por sua vez, regulamenta os tratados celebrados entre Estados
e organiza•›es internacionais ou entre organiza•›es internacionais. Em aula posterior,
detalharemos os dispositivos da CV/69 e CV/86.

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4 - Costumes:

Nos termos do art. 38 do Estatuto da CIJ, costume Ž uma pr‡tica geral aceita
como sendo o direito. Nessa defini•‹o, percebe-se que o costume possui um
elemento objetivo (material) e um elemento subjetivo (psicol—gico).

O elemento objetivo ou material Ž a pr‡tica geral, uniforme e constante dos


sujeitos de direito internacional pœblico. Destaque-se que o costume pode ser
uma pr‡tica comissiva (a•‹o) ou omissiva (omiss‹o).

A partir dessa defini•‹o, algumas quest›es centrais v•m logo ˆ tona. Afinal de
contas, por quanto tempo deve um ato ser praticado ou deixar de ser
praticado para se tornar um costume? E ainda, quantos sujeitos de direito
internacional precisam pratic‡-lo para que a ele seja atribu’da a caracter’stica
da generalidade? Existem costumes regionais ou somente costumes globais?

Responder a essas quest›es n‹o Ž algo simples, de forma que n‹o podemos
afirmar com precis‹o por quanto tempo o ato deve ser repetido ou quantos
sujeitos de direito internacional precisam faz•-lo. No entanto, cabe-nos afirmar
que a repeti•‹o dever‡ ocorrer durante tempo h‡bil a torn‡-lo efetivo.
Da mesma forma, o ato dever‡ ser repetido por um nœmero consider‡vel de
sujeitos de direito internacional, de forma a permitir-nos consider‡-lo
como uma pr‡tica generalizada.

Embora os costumes sejam marcados pelo atributo da generalidade, isso


n‹o quer dizer que devam ser uma pr‡tica global. ƒ poss’vel a exist•ncia de
um costume simplesmente regional, ou seja, que se aplique a um grupo
restrito de Estados. ƒ o caso, por exemplo, do asilo diplom‡tico, que Ž um
costume regional plenamente reconhecido na AmŽrica Latina.34

Segundo Varella, Ž poss’vel, ainda, que, dentro de um contexto de


multiplica•‹o de subsistemas normativos, um costume seja
reconhecido por determinado ambiente jur’dico e n‹o o seja por outro.
Nesse sentido, pode ocorrer de a CIJ reconhecer um costume em determinada
situa•‹o, enquanto a OMC o nega em situa•‹o similar.35

O elemento subjetivo ou psicol—gico Ž a convic•‹o de que uma


determinada pr‡tica Ž generalizada e reiterada porque ela Ž juridicamente
obrigat—ria, ou seja, ela reflete o direito, sendo juridicamente exig’vel.

34
Para aqueles que se recordam, no final de 2009, o presidente deposto de Honduras pleiteou
asilo diplom‡tico na embaixada brasileira naquele pa’s. Na oportunidade, o governo brasileiro
acatou o pleito de Manuel Zelaya, acolhendo o ex-presidente hondurenho.
35
VARELLA, Marcelo Dias. Direito Internacional Pœblico. S‹o Paulo: Saraiva, 2009.

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Segundo Rezek, para que surja a norma costumeira, alŽm do elemento


material (objetivo), Ž necess‡rio que a pr‡tica seja determinada pela "opinio
juris", ou seja, pela convic•‹o de que assim se procede por necess‡rio,
correto, justo, e, pois, de bom direito. 36 A falta do elemento subjetivo impede
a forma•‹o de um costume, fazendo com que a pr‡tica reiterada, uniforme e
constante se configure t‹o-somente como um uso, desprovido, portanto, de
car‡ter jur’dico.

Atualmente, o costume internacional tem perdido um pouco da sua


import‰ncia se comparado aos tratados internacionais. A complexidade e a
din‰mica da sociedade internacional t•m feito dos tratados a fonte de DIP mais
importante no contexto internacional, pois permitem maior estabilidade e
seguran•a jur’dica ˆs rela•›es internacionais. Muitos tratados hoje
existentes derivam de costumes que outrora regiam o direito
internacional. Como exemplo, podemos citar a Conven•‹o de Viena sobre
Rela•›es Diplom‡ticas de 1961 ou mesmo a Conven•‹o de Viena sobre o
Direito dos Tratados de 1969. Trata-se de um processo de codifica•‹o do
direito consuetudin‡rio (direito costumeiro).

ƒ muito dif’cil provar a exist•ncia de costume, ao passo que a prova de


que um tratado est‡ em vigor e vincula as partes n‹o Ž tarefa das mais
complexas. Nesse sentido, vale destacar que, em um lit’gio internacional, a
parte que invoca um costume em seu favor dever‡ provar sua
exist•ncia e, ainda, que ele obriga a outra parte. Em outras palavras, a
parte que invoca o costume possui o ™nus da prova. A prova da
exist•ncia do costume pressup›e a demonstra•‹o de que ele est‡ de acordo
com a pr‡tica constante e uniforme seguida pelos sujeitos de direito
internacional. Os meios de prova que podem ser utilizados s‹o atos estatais,
jurisprud•ncia e atŽ mesmo textos legais.

Ao contr‡rio dos tratados internacionais, os costumes n‹o possuem regras


precisas para interpreta•‹o. Nada mais natural, tendo em vista que as
normas costumeiras s‹o relativamente fr‡geis e imprecisas. Dizemos isso
porque, diante de uma controvŽrsia, cada Estado, ao invocar a norma
costumeira, a enuncia ao seu pr—prio modo.

Os costumes podem extinguir-se de tr•s formas diferentes:

- pelo desuso: o decurso do tempo faz com que o costume deixe de ser
uma pr‡tica generalizada e reiterada dos sujeitos de direito internacional
pœblico.

36
REZEK, Francisco. Direito Internacional Pœblico: curso elementar, 11» Ed, rev. e atual.
S‹o Paulo: Saraiva, 2008.

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-pela ado•‹o de um novo costume: surge um novo costume contr‡rio


ˆquele anteriormente empregado. Aqui opera-se uma regra cl‡ssica do
direito, segundo a qual a norma posterior revoga a anterior.

- substitui•‹o por um tratado internacional: trata-se de um


processo muito comum atualmente. ƒ o processo de codifica•‹o do
direito consuetudin‡rio (direito costumeiro). Nessa forma de extin•‹o do
costume, fica claro que n‹o h‡ hierarquia entre tratados e costumes,
aplicando-se tambŽm a regra de que o posterior revoga o anterior.

Ainda acerca do costume internacional, Ž interessante o debate doutrin‡rio


que se desenvolve acerca da necessidade de sua aceita•‹o pelos Estados para
que a eles se vinculem.

Segundo a doutrina objetivista, um costume internacional vincula todos os


Estados, atŽ mesmo aqueles que com ele n‹o concordarem. A manifesta•‹o do
consentimento seria irrelevante para vincular um Estado a um costume
internacional. J‡ para a doutrina subjetivista, um Estado somente estar‡
vinculado ˆ norma costumeira se com ela concordar. A manifesta•‹o do
consentimento seria, ent‹o, essencial para a vincula•‹o de um Estado a um
costume internacional.

Os partid‡rios dessa segunda corrente (doutrina subjetivista) formularam a


Teoria do Objetor Persistente. Para essa teoria, de ’ndole voluntarista
(subjetivista), caso um Estado nunca tenha concordado com um costume, seja
de forma expressa ou t‡cita, a norma consuetudin‡ria n‹o o ir‡ vincular. Em
outras palavras, essa teoria explica quando um Estado n‹o est‡ obrigado a
um costume internacionalmente aceito como sendo o direito.

E quando isso ocorrer‡? Quando o Estado ficar permanentemente dizendo: ÒEu


n‹o concordo com esse costume e n‹o o aceito!Ó Nessa situa•‹o, ele ser‡ um
objetor persistente e o costume n‹o o vincular‡. Ressalte-se que os costumes
aos quais se aplica essa teoria s‹o somente aqueles que surgem
posteriormente aos Estados.

E caso hoje surja um novo Estado, qual ser‡ o efeito em rela•‹o aos
costumes? Ser‡ que ele se vincular‡ automaticamente aos costumes j‡
existentes?

A resposta novamente n‹o Ž simples! A doutrina objetivista afirma que o


Estado estar‡ obrigado aos costumes j‡ aceitos independentemente de sua
vontade; a doutrina subjetivista entende que a vincula•‹o somente existir‡
mediante a aquiesc•ncia expressa ou t‡cita por parte do Estado.

No Brasil, os costumes internacionais n‹o precisam passar por um


procedimento de internaliza•‹o para entrarem em vigor no plano interno.

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Eles se aplicam independentemente de qualquer manifesta•‹o do Congresso


Nacional e do Presidente da Repœblica. ƒ exatamente o contr‡rio do que ocorre
com os tratados internacionais, que s— entrar‹o em vigor em nosso
ordenamento jur’dico ap—s passarem por um procedimento de internaliza•‹o.
Esse processo envolve a aprova•‹o do Congresso Nacional (mediante decreto
legislativo) e a edi•‹o de um decreto executivo pelo Presidente da Repœblica.

5 - Princ’pios Gerais de Direito:

Princ’pios s‹o normas de alto grau de abstra•‹o e generalidade, que


representam os valores basilares de uma ci•ncia. No direito, n‹o Ž diferente!
Os princ’pios s‹o os valores sobre os quais surgem as normas jur’dicas.

Reconhecendo essa caracter’stica, o art. 38 do Estatuto da CIJ estabelece


como fontes de DIP Òos princ’pios gerais de direito, reconhecidos pelas
na•›es civilizadasÓ. Destaque-se a express‹o Òna•›es civilizadasÓ Ž
amplamente criticada pela doutrina, porque reflete um momento hist—rico em
que os pa’ses n‹o-europeus estavam exclu’dos das grandes discuss›es
internacionais.

Cabe observar que o art. 38 do Estatuto da CIJ faz men•‹o aos princ’pios
gerais de direito (e n‹o aos princ’pios gerais do direito!). Embora,
aparentemente, isso n‹o tenha qualquer significado, pode-se afirmar que a
express‹o usada Ž bem diferente da outra. Os princ’pios gerais de direito
s‹o aqueles reconhecidos pelos diversos sistemas jur’dicos nacionais;
princ’pios gerais do direito s‹o aqueles que decorrem da pr‡tica internacional.
Logo, s‹o fontes do DIP previstas no art. 38 do Estatuto da CIJ os princ’pios
gerais consagrados nos diversos sistemas jur’dicos nacionais (e n‹o os
princ’pios gerais do direito internacional!)37 Destaque-se, todavia, que os
princ’pios gerais do direito internacional tambŽm podem ser aplicados por um
juiz no exame de um lit’gio internacional. O que queremos dizer Ž, t‹o
somente, que estes œltimos n‹o s‹o aqueles previstos no Estatuto da CIJ.

Por fim, s‹o exemplos de princ’pios gerais de direito reconhecidos por


diversos sistemas jur’dicos nacionais os seguintes: ampla defesa e
contradit—rio, boa fŽ, respeito ˆ coisa julgada e direito adquirido.

37
MAZZUOLI, ValŽrio de Oliveira. Curso de Direito Internacional Pœblico, 4» ed. S‹o Paulo:
Editora Revista dos Tribunais, 2010, pp.112-116.

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6- Jurisprud•ncia e Doutrina:

A jurisprud•ncia e a doutrina s‹o, nos termos do art. 38 do Estatuto da CIJ,


meios auxiliares para a determina•‹o das regras do direito. Segundo essa
interpreta•‹o, elas n‹o criam normas jur’dicas, mas apenas auxiliam na
determina•‹o das regras jur’dicas. Isso leva parte da doutrina a considerar a
doutrina e a jurisprud•ncia fontes secund‡rias do direito internacional.

A doutrina deve ser entendida em sentido amplo. Assim, ela n‹o se limita
aos estudos dos grandes juristas, abrangendo tambŽm os estudos de algumas
entidades, tais como a Comiss‹o de Direito Internacional da ONU e o Institut
de Droit International.

ƒ natural que a doutrina seja bastante heterog•nea. Apesar da falta de


homogeneidade hoje existente no campo doutrin‡rio, Ž incontroverso que,
quando h‡ consenso em rela•‹o a uma tese jur’dica, esta servir‡ de
importante ponto de apoio na interpreta•‹o do texto de um tratado ou mesmo
de uma regra de direito consuetudin‡rio.

As principais fun•›es da doutrina s‹o o fornecimento da prova do conteœdo


do direito e a influ•ncia no seu desenvolvimento. ƒ a doutrina que busca
elaborar o significado e o alcance de regras imprecisas, constituindo-se, assim,
em elemento indispens‡vel para que os tribunais decidam controvŽrsias com
base no direito internacional. Embora tambŽm seja fonte do direito interno, a
doutrina tem mais peso no direito internacional, o que se explica pelo
maior conteœdo pol’tico de suas normas.

A jurisprud•ncia, por sua vez, pode ser entendida como o conjunto de


decis›es reiteradas no mesmo sentido. A’ cabe uma pergunta! A qual
jurisprud•ncia o art. 38 do Estatuto da CIJ faz refer•ncia: ˆ jurisprud•ncia
internacional ou ˆ jurisprud•ncia dos tribunais internos?

O art. 38 do Estatuto da CIJ se refere ˆs decis›es judici‡rias dos tribunais


internacionais, isto Ž, ˆ jurisprud•ncia internacional. Cabe ressaltar que a
jurisprud•ncia internacional n‹o tem efeito vinculante, ou seja, a exist•ncia
de inœmeras decis›es no mesmo sentido n‹o tem o cond‹o de vincular uma
decis‹o de uma corte internacional.

Nesse sentido, uma decis‹o de um tribunal internacional, em que pese servir


como fonte de consulta (meio auxiliar) para decis›es futuras, somente vincula
as partes em lit’gio e em rela•‹o ao caso concreto. Esse Ž o entendimento que
se pode depreender, inclusive, do art. 59 do Estatuto da CIJ, que disp›e que
Òa decis‹o da Corte s— ser‡ obrigat—ria para as partes litigantes e a

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respeito do caso em quest‹o.Ó Pode-se dizer, portanto, que as decis›es de


tribunais internacionais n‹o constituem Òstare decisisÓ. 38

7- Outras fontes de DIP:

7.1- Atos unilaterais:

Os atos unilaterais n‹o est‹o relacionados no art. 38 do Estatuto da CIJ, mas,


atualmente, s‹o amplamente considerados pela doutrina como fontes do
direito internacional pœblico. Podemos dizer que atos unilaterais s‹o aqueles
que dependem da manifesta•‹o exclusiva de um Estado. Diferem, nesse
aspecto, dos tratados, que s‹o fruto da vontade convergente de sujeitos de
direito internacional.

ValŽrio Mazzuoli, ao explicar os atos unilaterais, faz men•‹o a um caso


envolvendo Austr‡lia, Nova e Zel‰ndia e Fran•a, o qual foi apreciado pela Corte
Internacional de Justi•a (CIJ) em 1974. A Fran•a havia declarado
unilateralmente que n‹o realizaria testes nucleares no Pac’fico. Entretanto,
voltando atr‡s em suas declara•›es, come•ou a realizar testes nucleares
naquela regi‹o, causando dano ˆ Austr‡lia e Nova Zel‰ndia. A CIJ, ao julgar a
controvŽrsia, anotou que as declara•›es unilaterais emitidas pelas autoridades
francesas haviam criado obriga•›es jur’dicas para a Fran•a. Em outras
palavras, a Fran•a estava juridicamente vinculada em raz‹o de atos
unilaterais, os quais configuram fontes do direito internacional pœblico. 39

H‡ um princ’pio em direito internacional determinado Òprinc’pio do


estoppelÓ. Segundo a doutrina, o estoppel Ž um princ’pio geral de direito que
prev• a impossibilidade de que uma pessoa tome atitude contr‡ria a
comportamento assumido anteriormente. O princ’pio do estoppel d‡
fundamento ˆ obrigatoriedade dos atos unilaterais. Com efeito, se um Estado
assume unilateralmente um compromisso, este se torna obrigat—rio e deve ser
cumprido de boa fŽ.

Os atos unilaterais, pela sua import‰ncia como fonte de DIP, come•aram a


fazer parte da agenda de estudos da Comiss‹o de Direito Internacional da ONU
no ano de 1996. Todavia, ainda n‹o h‡ uma codifica•‹o sobre o tema.

38
ÒStare decisisÓ Ž um princ’pio segundo o qual os ju’zes devem seguir precedentes
anteriores.
39
MAZZUOLI, ValŽrio de Oliveira. Curso de Direito Internacional Pœblico, 4» ed. S‹o Paulo:
Editora Revista dos Tribunais, 2010, pp.125-128

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7.2- Decis›es das Organiza•›es Internacionais:

As decis›es das organiza•›es internacionais, tambŽm chamadas de atos


unilaterais das organiza•›es internacionais, s‹o hoje consideradas fontes do
direito internacional pœblico.

Todavia, nem todas as decis›es das organiza•›es internacionais s‹o


obrigat—rias. Existem tambŽm aquelas que t•m car‡ter facultativo, que
simplesmente enunciam princ’pios e planos de a•‹o. Apesar de dotadas de
for•a pol’tica, as decis›es facultativas n‹o tem for•a jur’dica e podem ser
descumpridas por um Estado-membro sem que isso acarrete responsabiliza•‹o
internacional. A Declara•‹o Universal dos Direitos do Homem, emanada
da Assembleia Geral da ONU, Ž exemplo de decis‹o de uma organiza•‹o
internacional.

O Conselho de Seguran•a da ONU tem compet•ncia para editar resolu•›es de


car‡ter vinculante, as quais s‹o internalizadas em nosso ordenamento jur’dico
por meio de decreto presidencial.

7.3 - Soft Law:

A evolu•‹o do direito internacional trouxe ˆ tona uma nova categoria de


normas jur’dicas, as quais receberam o nome de Òsoft lawÓ. Fazendo a
tradu•‹o dessa express‹o inglesa, Ž poss’vel entender, por intui•‹o, o seu
significado.

ÒSoft lawÓ quer se referir a um Òdireito suaveÓ, em contraposi•‹o ao Òhard lawÓ


(direito r’gido). Trata-se, portanto, de normas de efic‡cia jur’dica limitada,
que n‹o trazem compromissos vinculantes. S‹o de ampla utiliza•‹o no
‰mbito do direito internacional do meio ambiente.

7.4 - Analogia e Equidade:

A analogia e a equidade n‹o s‹o consideradas, pela doutrina majorit‡ria, como


fontes do direito internacional, mas sim formas de integra•‹o das regras
jur’dicas.

Mas o que isso significa?

Significa, meu amigo, que a analogia e a equidade s‹o meios que um juiz tem
ˆ sua disposi•‹o para suprir a inexist•ncia de norma jur’dica

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regulamentadora. Em outras palavras, a analogia e a equidade s‹o usadas


diante das Òlacunas jur’dicasÓ.

A analogia Ž a aplica•‹o, a um caso concreto, de uma norma jur’dica criada


para regular uma situa•‹o semelhante. A equidade, por sua vez, Ž a
aplica•‹o de considera•›es de justi•a a um caso concreto. Conforme j‡
comentamos, a CIJ somente poder‡ decidir com base na equidade (ex aequo
et bono) caso as partes litigantes com isso concordem. Por isso, Ž poss’vel
afirmar que a equidade Ž uma fonte condicionada do direito internacional
pœblico.

Vejamos como esses assuntos podem ser cobrados em prova!

15. (Instituto Rio Branco Ð 2017) O Estatuto da Corte Internacional


de Justi•a reconhece os princ’pios gerais de direito como fontes
auxiliares do direito internacional.

Coment‡rios:

Para o art. 38, do Estatuto da CIJ, s‹o meios auxiliares na determina•‹o do


direito internacional a doutrina e a jurisprud•ncia. Os princ’pios gerais de
direito s‹o considerados fontes de DIP. Quest‹o errada.

16. (Instituto Rio Branco Ð 2017) Em 2016, entrou em vigor a


conven•‹o das Na•›es Unidas sobre atos unilaterais dos Estados, fruto
de projeto elaborado pela Comiss‹o de Direito Internacional.

Coment‡rios:

Os atos unilaterais fazem parte da agenda de estudos da Comiss‹o de Direito


Internacional da ONU. Entretanto, ainda n‹o h‡ uma conven•‹o internacional
sobre o tema. Quest‹o errada.

17. (Advogado da Uni‹o Ð 2015) Diferentemente dos tratados, os


costumes internacionais reconhecidos pelo Estado brasileiro
dispensam, para serem aplicados no pa’s, qualquer mecanismo ou
rito de internaliza•‹o ao sistema jur’dico p‡trio.

Coment‡rios:

Os costumes n‹o est‹o sujeitos a um rito de internaliza•‹o similar ao dos

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tratados internacionais. Eles dispensam qualquer mecanismo de incorpora•‹o


ao ordenamento jur’dico interno. A aceita•‹o de um costume Ž t‡cita. Quest‹o
correta.

18. (Instituto Rio Branco Ð 2015) A denominada soft law, de


utiliza•‹o pol•mica pela ’ndole program‡tica que comporta, embora
desprovida de conteœdo imperativo, Ž utilizada de forma flagrante em
direito internacional do meio ambiente.

Coment‡rios:

A soft law Ž desprovida de conteœdo imperativo, ou seja, n‹o estabelece


compromissos vinculantes. ƒ amplamente utilizada no direito internacional do
meio ambiente. Quest‹o correta.

19. (Instituto Rio Branco Ð 2015) Aos ju’zes de Haia, autorizados


pelo estatuto da Corte Internacional de Justi•a, Ž conferido o poder
de aplicar, de forma autom‡tica, tanto normas escritas quanto
normas n‹o escritas, alŽm de costume, de equidade e de princ’pios
gerais do direito.

Coment‡rios:

A equidade n‹o pode ser aplicada de forma autom‡tica pela Corte


Internacional de Justi•a. Somente ser‡ poss’vel que a CIJ decida com base na
equidade por expressa concord‰ncia das partes. Quest‹o errada.

20. (Juiz Federal TRF 5a Regi‹o Ð 2015) Admite-se a escusa de


obrigatoriedade de um costume internacional se o Estado provar de
forma efetiva que se op™s ao seu conteœdo desde a sua forma•‹o.

Coment‡rios:

Pela Teoria do Objetor Persistente, o Estado pode se escusar da


obrigatoriedade de um costume se provar que, de forma persistente, se
op™s ao seu conteœdo desde a sua forma•‹o. Quest‹o errada.

21. (Juiz Federal TRF 5a Regi‹o Ð 2015) N‹o h‡ previs‹o expressa de


princ’pios gerais do direito internacional no Estatuto da CIJ.

Coment‡rios:

O Estatuto da CIJ prev• que s‹o fontes do direito internacional os princ’pios


gerais de direito (e n‹o os princ’pios gerais do direito internacional!).
Princ’pios gerais de direito s‹o aqueles reconhecidos pelos diversos sistemas
jur’dicos nacionais. Quest‹o correta.

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22. (Juiz Federal TRF 5a Regi‹o Ð 2015) O Estatuto da CIJ estabelece


que as decis›es proferidas pelas organiza•›es internacionais sejam
consideradas fontes do direito internacional pœblico.

Coment‡rios:

As decis›es das organiza•›es internacionais s‹o atualmente consideradas


fontes do direito internacional. No entanto, n‹o h‡ previs‹o expressa nesse
sentido no Estatuto da CIJ. Quest‹o errada.

23. (MPF Ð 2015) O costume internacional e as resolu•›es


vinculantes do Conselho de Seguran•a da Organiza•‹o das Na•›es
Unidas s‹o incorporados internamente no direito brasileiro por
intermŽdio de decreto presidencial.

Coment‡rios:

As resolu•›es vinculantes do Conselho de Seguran•a da ONU s‹o


internalizadas mediante decreto executivo. No entanto, os costumes
independem de qualquer procedimento de internaliza•‹o. Quest‹o errada.

24. (Defensor Pœblico da Uni‹o Ð 2014) Opinio juris Ž um dos


elementos constitutivos da norma costumeira internacional.

Coment‡rios:

A Òopinio jurisÓ Ž o elemento psicol—gico (subjetivo) da norma costumeira. ƒ a


convic•‹o de que uma determinada pr‡tica Ž generalizada e reiterada porque
ela Ž juridicamente obrigat—ria. Quest‹o correta.

25. (Consultor Legislativo / C‰mara dos Deputados Ð 2014) A pr‡tica


reiterada e uniforme adotada com convic•‹o jur’dica, denominada
direito costumeiro, possui no direito internacional hierarquia inferior
ˆs normas de direito escrito. Logo, no direito das gentes, tratados n‹o
podem ser revogados por direito consuetudin‡rio.

Coment‡rios:

O costume Ž uma pr‡tica geral, uniforme e constante aceita como sendo o


direito. Possui, portanto, dois elementos: o elemento objetivo (pr‡tica
reiterada e constante pelos sujeitos de DIP) e o elemento subjetivo (convic•‹o
jur’dica). AtŽ a’ tudo bem.

A quest‹o, todavia, afirma que os costumes t•m hierarquia inferior ˆs normas


de direito escrito (os tratados). Isso n‹o Ž verdade. N‹o h‡ hierarquia entre
as fontes de DIP. Portanto, Ž plenamente poss’vel que um costume revogue

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um tratado. Quest‹o errada.

26. (Consultor Legislativo / C‰mara dos Deputados Ð 2014) Na teoria


das fontes, a doutrina tem mais peso em direito internacional que em
direito interno, tendo em vista o maior conteœdo pol’tico das normas
de direito das gentes. Nesse sentido, a doutrina atua como
elaboradora do significado e do alcance de regras imprecisas, comuns
no direito internacional.

Coment‡rios:

A doutrina tem como fun•‹o elaborar o significado e o alcance de regras


imprecisas, comuns no direito internacional. Embora tambŽm seja fonte do
direito interno, ela tem maior peso no direito internacional, tendo em vista
o acentuado conteœdo pol’tico de suas normas. Quest‹o correta.

27. (Consultor Legislativo/ C‰mara dos Deputados Ð 2014) Atos


unilaterais de Estados s‹o modernamente admitidos como fontes
extraconvencionais de express‹o do direito internacional, embora n‹o
estejam previstos como tal no Estatuto da Corte Internacional de
Justi•a.

Coment‡rios:

Os atos unilaterais dos Estados, embora n‹o estejam relacionados no art. 38,
do Estatuto da CIJ, s‹o considerados fontes do DIP. Quest‹o correta.

28. (Consultor Legislativo / C‰mara dos Deputados Ð 2014) Os


tratados s‹o as fontes por excel•ncia do direito internacional pœblico e
imp›em-se hierarquicamente sobre todas as demais formas escritas e
n‹o escritas de express‹o do direito internacional.

Coment‡rios:

N‹o h‡ hierarquia entre as fontes do direito internacional. Logo, n‹o se pode


dizer que os tratados se imp›em hierarquicamente sobre as demais fontes do
DIP. Quest‹o errada.

29. (Consultor Legislativo / C‰mara dos Deputados Ð 2014) O


princ’pio da equidade, referido no Estatuto da Corte Internacional de
Justi•a, constitui fonte incondicionada de direito internacional pœblico.

A Corte Internacional de Justi•a (CIJ) poder‡, sim, decidir uma quest‹o com
base na equidade (Òex aequo et bonoÓ). No entanto, s— poder‡ faz•-lo se
houver concord‰ncia das partes litigantes, motivo pelo qual n‹o se pode
afirmar que trata-se de fonte incondicionada de DIP. Quest‹o errada.

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30. (Procurador BACEN Ð 2013) Essas normas n‹o t•m o mesmo grau
de atribui•‹o de capacidades nem s‹o t‹o importantes quanto as
normas restritivas, mas os Estados comprometem-se a cooperar e a
respeitar os acordos realizados, sem submeter-se, no entanto, a
obriga•›es jur’dicas.

O fragmento de texto citado acima refere-se a:

a) costumes.

b) soft norms.

c) princ’pios gerais de direito.

d) umbrella conventions.

e) tratados.

Coment‡rios:

O enunciado descreve a soft law (ou soft norms), que s‹o compromissos n‹o
vinculantes feitos pelos Estados. O gabarito Ž a letra B.

31. (Delegado Pol’cia Federal Ð 2012) ƒ fonte de direito internacional


reconhecida a doutrina dos juristas mais qualificados das diferentes
na•›es.

Coment‡rios:

A doutrina Ž considerada fonte do direito internacional. Quest‹o correta.

32. (ANAC Ð 2012) Conforme o Estatuto da Corte Internacional de


Justi•a, os princ’pios gerais do direito internacional s‹o fonte do
direito internacional pœblico.

Coment‡rios:

Pegadinha maldosa! Os princ’pios gerais de direito reconhecidos pelos


diversos sistemas jur’dicos nacionais Ž que s‹o fonte de DIP (e n‹o os
princ’pios gerais do direito internacional!) Quest‹o errada.

33. (Instituto Rio Branco Ð 2012) Considerando as fontes de direito


internacional pœblico previstas no Estatuto da Corte Internacional de
Justi•a (CIJ) e as que se revelaram a posteriori, bem como a doutrina
acerca das formas de express‹o da disciplina jur’dica, assinale a op•‹o
correta.

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a) De acordo com o Estatuto da Corte da Haia, a equidade constitui, apesar de


seu car‡ter impreciso, fonte recorrente e prevista como obrigat—ria na
resolu•‹o judicial de contenciosos internacionais.

b) A express‹o n‹o escrita do direito das gentes conforma o costume


internacional como pr‡tica reiterada e uniforme de conduta, que, incorporada
com convic•‹o jur’dica, distingue-se de meros usos ou mesmo de pr‡ticas de
cortesia internacional.

c) As conven•›es internacionais, que podem ser registradas ou n‹o pela


escrita, s‹o consideradas, independentemente de sua denomina•‹o, fontes por
excel•ncia, previstas originariamente no Estatuto da CIJ.

d) Em face do car‡ter difuso da sociedade internacional, bem como da


prolifera•‹o de tribunais internacionais, verifica-se no direito internacional
crescente invoca•‹o de decis›es judiciais antecedentes, arroladas como opinio
juris, ainda que n‹o previstas no Estatuto da CIJ.

e) Ainda que n‹o prevista em tratado ou no Estatuto da CIJ, a invoca•‹o


crescente de normas imperativas confere ao jus cogens manifesta qualidade de
fonte da disciplina, a par de atos de organiza•›es internacionais, como
resolu•›es da ONU.

Coment‡rios:

Letra A: errada. A equidade n‹o Ž fonte obrigat—ria para a solu•‹o de lit’gios


internacionais. A CIJ atŽ poder‡ decidir uma quest‹o levando-se em conta a
equidade, mas, para isso, dever‡ ter a concord‰ncia das partes litigantes.

Letra B: correta. Os costumes n‹o podem ser confundidos com meros usos ou
com pr‡ticas de cortesia internacionais. Isso porque, alŽm de serem uma
pr‡tica reiterada e uniforme de conduta, os costumes possuem um
elemento subjetivo: a convic•‹o jur’dica.

Letra C: errada. As conven•›es internacionais (tratados) s‹o fonte escrita do


direito internacional pœblico

Letra D: errada. As decis›es judiciais (jurisprud•ncia internacional) Ž uma


fonte de DIP arrolada no art. 38, do Estatuto da CIJ.

Letra E: errada. O Òjus cogensÓ n‹o pode ser considerado uma fonte do
direito internacional. Dizer que uma determinada norma Ž uma norma Òjus
cogensÓ significa, apenas, atribuir-lhe um qualificativo especial. Significa dizer
que trata-se de norma imperativa, que n‹o pode ser derrogada, a n‹o ser por
outra de mesmo n’vel.

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O gabarito Ž a letra B.

34. (Defensor Pœblico da Uni‹o / 2007) Os costumes internacionais e


os princ’pios gerais do direito reconhecidos pelas na•›es civilizadas
n‹o s‹o considerados como fontes extraconvencionais de express‹o do
direito internacional.

Coment‡rios:

O costume internacional e os princ’pios gerais do direito s‹o, sim, fontes do


direito internacional. S‹o fontes extraconvencionais todas aquelas que n‹o s‹o
tratados. Quest‹o errada.

35. (ACE-2002) N‹o constitui (em) fonte(s) de Direito Internacional


Pœblico, segundo o estatuto da Corte Internacional de Justi•a:

a) a jurisprud•ncia internacional

b) o costume internacional

c) os princ’pios gerais de direito

d) os usos e pr‡ticas do comŽrcio internacional

e) as conven•›es internacionais

Coment‡rios:

Essa quest‹o foi mel na chupeta! J

Se voc• decorou o art. 38 do Estatuto da CIJ, sabe que de todas as


alternativas da quest‹o, a œnica que n‹o est‡ relacionada naquele dispositivo Ž
a letra D: Òusos e pr‡ticas do comŽrcio internacionalÓ.

36. (Procurador BACEN- 2001) O estudo das fontes do Direito


Internacional Pœblico principia com a leitura do artigo 38 do Estatuto
da Corte Internacional de Justi•a. Ao citado dispositivo poder-se-ia
acrescentar, na hora atual, as seguintes fontes:

a) Contratos internacionais e decis›es de organiza•›es internacionais.

b) Algumas decis›es de organiza•›es internacionais e Constitui•‹o dos


Estados.

c) Constitui•‹o dos Estados e lex mercatoria.

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d) Lex mercatoria e determinados atos unilaterais dos Estados.

e) Determinados atos unilaterais dos Estados e algumas decis›es de


organiza•›es internacionais.

Coment‡rios:

A quest‹o tambŽm faz uma quest‹o bem simples: quais fontes podem ser
acrescidas, atualmente ao rol de fontes do art. 38 do Estatuto da CIJ? Ou,
reformulando a pergunta: quais fontes de DIP n‹o est‹o relacionadas no art.
38 do Estatuto da CIJ?

Letra A: contratos internacionais n‹o s‹o fontes de DIP; decis›es das


organiza•›es internacionais s‹o consideradas fontes de DIP pela doutrina e
poderiam ser inclu’das no rol do art. 38.

Letra B: as Constitui•›es dos Estados n‹o s‹o fontes de DIP.

Letra C: a lex mercatoria e as Constitui•›es dos Estados n‹o s‹o fontes de


DIP.

Letra D: os atos unilaterais dos Estados s‹o considerados pela fontes de DIP e
poderiam ser inclu’dos no rol do art.38. Entretanto, a lex mercatoria n‹o Ž
fonte de DIP.

Letra E: Ž a resposta. Tanto os atos unilaterais quanto as decis›es das


organiza•›es internacionais s‹o consideradas fontes de DIP que n‹o est‹o
relacionadas no art. 38 do Estatuto da CIJ. Logo, ambas poderiam ser inclu’das
naquele rol.

O gabarito Ž a letra E.

37. (Procurador BACEN- 2002) Ap—s considerar o seguinte trecho: "O


costume significa em sentido jur’dico alguma coisa mais do que um
simples h‡bito ou uso. Significa o uso que se segue com a convic•‹o de
que Ž obrigat—rio, de que a sua inobserv‰ncia acarretar‡
provavelmente, ou pelo menos deveria acarretar, qualquer forma de
san•‹o para o transgressor". [in BRIERLY, J. Direito internacional. 4»
ed. Lisboa: Calouste Gulbenkian, 1979, p. 59, •nfase acrescida],
assinale o item correto.

a) Demonstrada a uniformidade e generalidade da pr‡tica, verifica-se o


elemento temporal do costume, que deve ser imemorial.

b) Um Estado pode se subtrair ˆ obrigatoriedade de um costume durante seu


processo de forma•‹o.

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c) A parte que invoca um costume tem de provar (™nus da prova) que esse
costume est‡ estabelecido, sendo desimportante saber se ele vincula a outra
parte.

d) Para o direito internacional pœblico, o elemento material do costume deve


vincular, de modo necess‡rio, a totalidade dos Estados.

e) A "convic•‹o de que Ž obrigat—rio" Ž o elemento subjetivo ou psicol—gico do


costume, que n‹o est‡ previsto no Estatuto da Corte Internacional de Justi•a
j‡ que ele n‹o Ž de f‡cil demonstra•‹o.

Coment‡rios:

Letra A: errada. Demonstrada a uniformidade e generalidade da pr‡tica,


verifica-se o elemento material (objetivo) do costume.

Letra B: correta. Pela teoria do objetor persistente, um Estado pode se opor a


um costume.

Letra C: errada. De fato, o ™nus da prova do costume cabe ˆ parte que o


invoca. Destaque-se, todavia, que a parte que invoca o costume dever‡ provar
que ele existe e que Ž opon’vel ˆ outra parte.

Letra D: errada. N‹o Ž necess‡rio que o costume vincule a totalidade dos


Estados. Conforme j‡ decidiu a CIJ, existem tambŽm costumes regionais.

Letra E: errada. O elemento subjetivo do costume est‡ sim previsto no art. 38


do Estatuto da CIJ, quando o conceitua como sendo uma pr‡tica geral aceita
como sendo o direito. Ora, se a pr‡tica Ž aceita como sendo o direito Ž porque
h‡ uma convic•‹o generalizada de que aquela pr‡tica Ž o direito.

O gabarito Ž a letra B.

38. (AFC/CGU-2008) O desrespeito a um costume internacional n‹o Ž


suficiente para que haja uma viola•‹o ao Direito Internacional. Apenas
o desrespeito a um tratado internacional pode ser considerado uma
quebra do Direito Internacional.

Coment‡rios:

Tanto os costumes quanto os tratados s‹o normas jur’dicas obrigat—rias.


Portanto, o desrespeito a qualquer um deles Ž considerado uma viola•‹o do
direito internacional. Quest‹o errada.

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39. (Instituto Rio Branco- 2010)- O costume, fonte do direito


internacional pœblico, extingue-se pelo desuso, pela ado•‹o de um
novo costume ou por sua substitui•‹o por tratado internacional.

Coment‡rios:

A assertiva descreve corretamente as tr•s formas de extin•‹o de um costume:


desuso, ado•‹o de um novo costume e substitui•‹o por um tratado
internacional (codifica•‹o do direito consuetudin‡rio). Quest‹o correta.

40. (Instituto Rio Branco- 2010)- Os atos unilaterais dos Estados,


como as leis e os decretos em que se determinam, observados os
limites pr—prios, a extens‹o do mar territorial, da sua zona econ™mica
exclusiva ou o regime de portos, s‹o considerados fontes do direito
internacional pœblico, sobre as quais disp›e expressamente o Estatuto
da Corte Internacional de Justi•a.

Coment‡rios:

Os atos unilaterais dos Estados, embora sejam considerados fontes de DIP,


n‹o foram elencados como tal pelo art. 38 do Estatuto da CIJ. Quest‹o errada.

41. (Instituto Rio Branco Ð 2009) Como o artigo 38 do Estatuto da


CIJ lista as fontes em estrito n’vel hier‡rquico, os tratados devem
sempre ter preced•ncia sobre os costumes.

Coment‡rios:

O art. 38 do Estatuto da CIJ n‹o estabelece hierarquia entre as fontes do


direito internacional pœblico. Assim, n‹o h‡ que se falar que os tratados
sempre possuem preced•ncia sobre os costumes. Quest‹o errada.

42. (Procurador Federal-2010)- O princ’pio do objetor persistente


refere-se ˆ n‹o vincula•‹o de um Estado para com determinado
costume internacional.

Coment‡rios:

Segundo o princ’pio do objetor persistente, Ž poss’vel que um Estado n‹o


esteja vinculado a uma norma consuetudin‡ria caso nunca tenha com ela
concordado, seja de forma expressa ou t‡cita. Quest‹o correta.

43. (Procurador Federal-2010) Costumes podem revogar tratados e


tratados podem revogar costumes.

Coment‡rios:

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Considerando que n‹o hierarquia entre as fontes de DIP, Ž plenamente


poss’vel que costumes revoguem tratados, assim como tratados revoguem
costumes. Quest‹o correta.

44. (Advogado da Uni‹o-2009)- Os tratados internacionais


constituem importante fonte escrita do Direito Internacional, a qual
vale para toda a comunidade internacional, tenha havido ou n‹o a
participa•‹o de todos os pa’ses nesses tratados.

Coment‡rios:

Ao contr‡rio do que afirma a quest‹o, os tratados vinculam exclusivamente os


sujeitos de direito internacional que a eles manifestaram seu consentimento.
Quest‹o errada.

45. (Advogado da Uni‹o-2009) O elemento objetivo que caracteriza o


costume internacional Ž a pr‡tica reiterada, n‹o havendo necessidade
de que o respeito a ela seja uma pr‡tica necess‡ria (opinio juris
necessitatis).

Coment‡rios:

O costume internacional necessita, para constituir-se, de um elemento objetivo


(material) e de um elemento subjetivo (psicol—gico). O elemento subjetivo Ž
tambŽm conhecido como Òopinio jurisÓ ou Òopinio necessitatisÓ. Quest‹o
errada.

46. (Advogado da Uni‹o-2006) Para que um comportamento


comissivo ou omissivo seja considerado como um costume
internacional, Ž necess‡ria a presen•a de um elemento material, qual
seja: uma pr‡tica reiterada de comportamentos que, de in’cio, pode
ser um simples uso.

Coment‡rios:

A exist•ncia de um costume internacional pressup›e sim a exist•ncia de um


elemento material ou objetivo e, ainda, a exist•ncia de um elemento
psicol—gico ou subjetivo Ð a opinio juris. Destaque-se que a pr‡tica reiterada
pode ser um comportamento comissivo (a•‹o) ou um comportamento omissivo
(omiss‹o). De in’cio, a pr‡tica reiterada pode ser um simples uso, ou seja,
quando tal pr‡tica surge, ela ainda n‹o possui o elemento subjetivo. N‹o h‡,
no momento de seu nascimento, a convic•‹o de que ela seja juridicamente
exig’vel. Assim, o uso pode evoluir para tornar-se um costume. Quest‹o
correta.

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47. (Advogado da Uni‹o / 2002)- Os precedentes judiciais s‹o


vinculativos t‹o somente para as partes em lit’gio e em rela•‹o ao
caso concreto, n‹o tendo, assim, obrigatoriedade em DIP.

Coment‡rios:

A jurisprud•ncia internacional n‹o Ž vinculante. As decis›es dos tribunais


internacionais somente obrigam as partes em lit’gio e em rela•‹o ao caso
concreto. Quest‹o correta.

48. (Advogado da Uni‹o / 2008) N‹o existe hierarquia entre os


princ’pios gerais do direito e os costumes internacionais.

Coment‡rios:

N‹o h‡ hierarquia entre as fontes de DIP relacionadas no art. 38 do Estatuto


da CIJ. Assim, n‹o h‡ hierarquia entre os princ’pios gerais do direito e os
costumes internacionais. A quest‹o foi, todavia, anulada pela banca
examinadora com o fundamento de que h‡ diverg•ncia doutrin‡ria acerca do
tema.

49. (Consultor Legislativo/Senado-2002)- De acordo com a


jurisprud•ncia da Corte Internacional de Justi•a de Haia, o costume
internacional de ‰mbito regional e local n‹o pode ser considerado
como fonte de direito das gentes.

Coment‡rios:

A Corte Internacional de Justi•a (CIJ) reconhece a exist•ncia de costumes


regionais como fonte do direito internacional pœblico. Quest‹o errada.

50. (Consultor Legislativo / Senado-2002)- De acordo com a maioria


dos internacionalistas, a express‹o Òprinc’pios gerais de direitoÓ,
constante da al’nea c do art.38 do Estatuto da CIJ, refere-se apenas
aos princ’pios gerais do direito internacional.

Coment‡rios:

A express‹o Òprinc’pios gerais de direitoÓ n‹o se refere aos princ’pios do direito


internacional, mas sim aos princ’pios reconhecidos pelos diversos sistemas
jur’dicos nacionais. Quest‹o errada.

51. (Advogado da Uni‹o / 2006) Para se constatar a exist•ncia de um


costume, Ž necess‡rio verificar a presen•a de um elemento subjetivo,
qual seja: a certeza de que tais comportamentos s‹o obrigat—rios por
expressarem valores exig’veis e essenciais.

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Coment‡rios:

O elemento subjetivo do costume Ž a convic•‹o de que a pr‡tica geral Ž


obrigat—ria porque expressa valores exig’veis e essenciais. A exist•ncia do
elemento subjetivo Ž essencial para a forma•‹o de um costume. Quest‹o
correta.

52. (Advogado da Uni‹o / 2006)- Embora possua relevantes


qualidades de flexibilidade e uma grande proximidade com os
fen™menos e fatos que regula, o costume internacional apresenta
grandes dificuldades quanto ˆ sua prova, o que lhe diminui o valor na
hierarquia das fontes do direito internacional, mantendo, com isso, a
supremacia dos tratados e conven•›es.

Coment‡rios:

N‹o h‡ hierarquia entre as fontes do direito internacional. Assim, os tratados


est‹o no mesmo plano hier‡rquico dos costumes. Quest‹o errada.

53. (Advogado da Uni‹o / 2002) Constituem fun•›es da doutrina o


fornecimento da prova do conteœdo do direito e a influ•ncia no seu
desenvolvimento.

Coment‡rios:

A doutrina tem como fun•‹o o fornecimento da prova do conteœdo do direito,


alŽm de influenciar o seu desenvolvimento. Quest‹o correta.

54. (Advogado da Uni‹o / 2002) O Estatuto da Corte Internacional de


Justi•a, ao indicar as fontes do DIP que um tribunal ir‡ aplicar para
resolver um caso concreto, concede posi•‹o mais elevada para as
normas convencionais, que devem prevalecer sempre sobre todas as
outras.

Coment‡rios:

O Estatuto da Corte Internacional de Justi•a n‹o estabelece hierarquia entre as


fontes do direito internacional. Quest‹o errada.

55. (Advogado da Uni‹o-2002) Ainda hoje, o rol das fontes indicado


no Estatuto da Corte Internacional de Justi•a Ž taxativo.

Coment‡rios:

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O rol de fontes indicado no art. 38 do Estatuto da CIJ n‹o Ž taxativo, mas sim
meramente exemplificativo. Existem outras fontes do direito internacional n‹o
relacionadas nesse dispositivo. Quest‹o errada.

56. (Procurador do Banco Central-2009) Os atos unilaterais s‹o


aplicados pela Corte Internacional de Justi•a como fontes do direito
internacional, conforme disposto em seu estatuto.

Coment‡rios:

Os atos unilaterais n‹o est‹o relacionados no art.38 do Estatuto da CIJ como


fontes do direito internacional, o que torna a quest‹o errada. Destaque-se que,
apesar disso, os atos unilaterais j‡ foram considerados pela pr—pria CIJ como
fontes de DIP.

57. (Procurador do Banco Central-2009) Os atos unilaterais criam


apenas obriga•›es morais para os Estados.

Coment‡rios:

Os atos unilaterais criam obriga•›es jur’dicas (e n‹o apenas obriga•›es


morais!) para os Estados. Quest‹o errada.

58. (Procurador do Banco Central-2009) Os atos unilaterais s‹o


conhecidos tambŽm como estoppel.

Coment‡rios:

O estoppel Ž um princ’pio que d‡ fundamento ˆ validade jur’dica dos atos


unilaterais. N‹o h‡, portanto que confundir-se ato unilateral com o princ’pio do
estoppel. Quest‹o errada.

59. (Procurador do Banco Central-2009) A Comiss‹o de Direito


Internacional da ONU se dedicou a estudar os atos unilaterais.

Coment‡rios:

De fato, a Comiss‹o de Direito Internacional da ONU come•ou a estudar os


atos unilaterais em 1996. Quest‹o correta.

60. (Procurador do Banco Central-2009) O Estado brasileiro mantŽm-


se em oposi•‹o persistente ao costume que prescreve a exist•ncia dos
atos unilaterais.

Coment‡rios:

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O Brasil n‹o se op›e ˆ exist•ncia dos atos unilaterais enquanto fonte do direito
internacional pœblico. Quest‹o errada.

61. (Consultor Legislativo C‰mara / 2002) Nada obsta a que o


elemento material do costume seja constitu’do de uma omiss‹o frente
a determinado contexto.

Coment‡rios:

O elemento objetivo (material) de um costume pode ser uma a•‹o ou uma


omiss‹o. Quest‹o correta.

62. (Consultor Legislativo C‰mara / 2002) O elemento subjetivo Ð a


opinio juris Ð Ž absolutamente necess‡rio para dar ensejo ˆ norma
costumeira.

Coment‡rios:

A presen•a do elemento subjetivo (psicol—gico) Ž elemento essencial, embora


n‹o suficiente, para que surja uma norma costumeira. Quest‹o correta.

63. (Consultor Legislativo C‰mara / 2002) Devido ˆ inferioridade


hier‡rquica das normas costumeiras em rela•‹o ˆs normas
convencionais, n‹o pode o costume revogar norma expressa em
tratado internacional.

Coment‡rios:

N‹o h‡ hierarquia entre as fontes do direito internacional pœblico. Assim, Ž


plenamente poss’vel que um costume revogue um tratado e vice-versa.
Quest‹o errada.

64. (Consultor Legislativo C‰mara / 2002) Em lit’gio internacional, a


parte que invoca regra costumeira tem o ™nus de provar a sua
exist•ncia.

Coment‡rios:

De acordo com a Corte Internacional de Justi•a (CIJ), se um Estado invoca um


costume internacional em um controvŽrsia, ele dever‡ provar a exist•ncia e a
aceita•‹o deste por parte do outro Estado. Em outras palavras, o costume
internacional deve ser provado pela parte que o invoca. Quest‹o correta.

65. (Consultor Legislativo C‰mara / 2002)- Assim como ocorre em


rela•‹o aos tratados internacionais, h‡ mŽtodos precisos de
interpreta•‹o das normas costumeiras.

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Coment‡rios:

N‹o h‡ mŽtodos precisos para a interpreta•‹o das normas costumeiras.


Quest‹o errada.

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Lista de Quest›es

1. (Consultor Legislativo Ð C‰mara dos Deputados Ð 2014) O direito


internacional pœblico surgiu na Idade Moderna, como disciplina
jur’dica subsidi‡ria ao poder absolutista dos soberanos europeus e do
Estado nacional moderno, a partir de estudos sobre direitos referentes
ˆ guerra e ˆ paz entre as na•›es.

2. (Consultor Legislativo Ð C‰mara dos Deputados Ð 2014) Entre os


holandeses precursores do direito internacional, destaca-se CornŽlio
Von Bienkershoek, que prop™s a cŽlebre teoria da bala de canh‹o como
critŽrio para definir a extens‹o do poder dos reis em rela•‹o ao mar
adjacente.

3. (PGFN - 2003) No momento atual, o Direito Internacional Pœblico


ainda n‹o disp›e de meios efetivos de san•‹o.

4. (PGFN - 2003) A aus•ncia de um Poder Legislativo universal, bem


assim de um Judici‡rio internacional com jurisdi•‹o compuls—ria, s‹o
alguns dos argumentos utilizados pelos negadores do direito
internacional para falar da aus•ncia de car‡ter jur’dico do direito das
gentes.

5. (Consultor Legislativo Senado Federal / 2002) As rela•›es


jur’dicas entre os Estados, no contexto de uma sociedade jur’dica
internacional descentralizada desenvolvem-se de forma horizontal e
coordenada.

6. (AGU - 2009) No Direito Internacional, h‡ muito tempo, existem


as cortes que atuam para a solu•‹o de conflitos entre os Estados,
como Ž o caso da Corte Internacional de Justi•a. Entretanto, h‡ fato
inŽdito, no Direito Internacional, quanto ˆ criminaliza•‹o
supranacional de determinadas condutas, com a cria•‹o do TPI,
tribunal ad hoc destinado ˆ puni•‹o de pessoas que pratiquem, em
per’odo de paz ou de guerra, qualquer crime contra indiv’duos.

7. (OAB Ð 2009.2) Em Direito Internacional Pœblico, h‡ um governo


central, que possui soberania sobre todas as na•›es.

8. (Juiz Federal TRF 5a Regi‹o Ð 2015) A corrente voluntarista


considera que a obrigatoriedade do direito internacional deve basear-
se no consentimento dos cidad‹os.

9. (Juiz Federal TRF 5a Regi‹o Ð 2015) O consentimento perceptivo


da corrente objetivista significa que a normatividade jur’dica do direito
internacional nasce da pura vontade dos Estados.

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10. (AGU - 2006) O princ’pio pacta sunt servanda, segundo o qual o


que foi pactuado deve ser cumprido, externaliza um modelo de norma
fundada no consentimento criativo, ou seja, um conjunto de regras das
quais a comunidade internacional n‹o pode prescindir.

11. (Consultor Legislativo / Senado-2002) Duas doutrinas principais


fundamentam o direito internacional pœblico: a voluntarista e a
objetivista. A primeira sustenta que Ž na vontade dos Estados que est‡
o fundamento do direito das gentes; nela se inseriria a teoria dos
direitos fundamentais. A segunda, por sua vez, sustenta o fundamento
do direito internacional na pressuposta exist•ncia de uma norma ou
princ’pio acima dos Estados, como, por exemplo, a teoria do
consentimento.

12. (MPF - Procurador da Repœblica Ð 2016) As obriga•›es erga


omnes foram previstas expressamente no Estatuto da Corte
Internacional de Justi•a, porŽm n‹o autorizam o in’cio de processo
naquele tribunal contra determinado Estado que as tenha
descumprido.

13. (MPF Ð Procurador da Repœblica Ð 2014) As normas de direito


internacional perempt—rio (jus cogens) n‹o guardam nenhuma rela•‹o
com o conceito de obriga•‹o erga omnes.

14. (Instituto Rio Branco Ð 2015) A no•‹o de jus cogens, como a de


normas imperativas a priori, embora n‹o unanimemente reconhecida
em doutrina, Ž invocada com refer•ncia tanto em jurisprud•ncia
quanto em direito internacional positivo.

15. (Instituto Rio Branco Ð 2017) O Estatuto da Corte Internacional


de Justi•a reconhece os princ’pios gerais de direito como fontes
auxiliares do direito internacional.

16. (Instituto Rio Branco Ð 2017) Em 2016, entrou em vigor a


conven•‹o das Na•›es Unidas sobre atos unilaterais dos Estados, fruto
de projeto elaborado pela Comiss‹o de Direito Internacional.

17. (Advogado da Uni‹o Ð 2015) Diferentemente dos tratados, os


costumes internacionais reconhecidos pelo Estado brasileiro
dispensam, para serem aplicados no pa’s, qualquer mecanismo ou
rito de internaliza•‹o ao sistema jur’dico p‡trio.

18. (Instituto Rio Branco Ð 2015) A denominada soft law, de


utiliza•‹o pol•mica pela ’ndole program‡tica que comporta, embora
desprovida de conteœdo imperativo, Ž utilizada de forma flagrante em
direito internacional do meio ambiente.

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19. (Instituto Rio Branco Ð 2015) Aos ju’zes de Haia, autorizados


pelo estatuto da Corte Internacional de Justi•a, Ž conferido o poder
de aplicar, de forma autom‡tica, tanto normas escritas quanto
normas n‹o escritas, alŽm de costume, de equidade e de princ’pios
gerais do direito.

20. (Juiz Federal TRF 5a Regi‹o Ð 2015) Admite-se a escusa de


obrigatoriedade de um costume internacional se o Estado provar de
forma efetiva que se op™s ao seu conteœdo desde a sua forma•‹o.

21. (Juiz Federal TRF 5a Regi‹o Ð 2015) N‹o h‡ previs‹o expressa de


princ’pios gerais do direito internacional no Estatuto da CIJ.

22. (Juiz Federal TRF 5a Regi‹o Ð 2015) O Estatuto da CIJ estabelece


que as decis›es proferidas pelas organiza•›es internacionais sejam
consideradas fontes do direito internacional pœblico.

23. (MPF Ð 2015) O costume internacional e as resolu•›es


vinculantes do Conselho de Seguran•a da Organiza•‹o das Na•›es
Unidas s‹o incorporados internamente no direito brasileiro por
intermŽdio de decreto presidencial.

24. (Defensor Pœblico da Uni‹o Ð 2014) Opinio juris Ž um dos


elementos constitutivos da norma costumeira internacional.

25. (Consultor Legislativo / C‰mara dos Deputados Ð 2014) A pr‡tica


reiterada e uniforme adotada com convic•‹o jur’dica, denominada
direito costumeiro, possui no direito internacional hierarquia inferior
ˆs normas de direito escrito. Logo, no direito das gentes, tratados n‹o
podem ser revogados por direito consuetudin‡rio.

26. (Consultor Legislativo / C‰mara dos Deputados Ð 2014) Na teoria


das fontes, a doutrina tem mais peso em direito internacional que em
direito interno, tendo em vista o maior conteœdo pol’tico das normas
de direito das gentes. Nesse sentido, a doutrina atua como
elaboradora do significado e do alcance de regras imprecisas, comuns
no direito internacional.

27. (Consultor Legislativo/ C‰mara dos Deputados Ð 2014) Atos


unilaterais de Estados s‹o modernamente admitidos como fontes
extraconvencionais de express‹o do direito internacional, embora n‹o
estejam previstos como tal no Estatuto da Corte Internacional de
Justi•a.

28. (Consultor Legislativo / C‰mara dos Deputados Ð 2014) Os


tratados s‹o as fontes por excel•ncia do direito internacional pœblico e

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imp›em-se hierarquicamente sobre todas as demais formas escritas e


n‹o escritas de express‹o do direito internacional.

29. (Consultor Legislativo / C‰mara dos Deputados Ð 2014) O


princ’pio da equidade, referido no Estatuto da Corte Internacional de
Justi•a, constitui fonte incondicionada de direito internacional pœblico.

30. (Procurador BACEN Ð 2013) Essas normas n‹o t•m o mesmo grau
de atribui•‹o de capacidades nem s‹o t‹o importantes quanto as
normas restritivas, mas os Estados comprometem-se a cooperar e a
respeitar os acordos realizados, sem submeter-se, no entanto, a
obriga•›es jur’dicas.

O fragmento de texto citado acima refere-se a:

a) costumes.

b) soft norms.

c) princ’pios gerais de direito.

d) umbrella conventions.

e) tratados.

31. (Delegado Pol’cia Federal Ð 2012) ƒ fonte de direito internacional


reconhecida a doutrina dos juristas mais qualificados das diferentes
na•›es.

32. (ANAC Ð 2012) Conforme o Estatuto da Corte Internacional de


Justi•a, os princ’pios gerais do direito internacional s‹o fonte do
direito internacional pœblico.

33. (Instituto Rio Branco Ð 2012) Considerando as fontes de direito


internacional pœblico previstas no Estatuto da Corte Internacional de
Justi•a (CIJ) e as que se revelaram a posteriori, bem como a doutrina
acerca das formas de express‹o da disciplina jur’dica, assinale a op•‹o
correta.

a) De acordo com o Estatuto da Corte da Haia, a equidade constitui, apesar de


seu car‡ter impreciso, fonte recorrente e prevista como obrigat—ria na
resolu•‹o judicial de contenciosos internacionais.

b) A express‹o n‹o escrita do direito das gentes conforma o costume


internacional como pr‡tica reiterada e uniforme de conduta, que, incorporada
com convic•‹o jur’dica, distingue-se de meros usos ou mesmo de pr‡ticas de
cortesia internacional.

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c) As conven•›es internacionais, que podem ser registradas ou n‹o pela


escrita, s‹o consideradas, independentemente de sua denomina•‹o, fontes por
excel•ncia, previstas originariamente no Estatuto da CIJ.

d) Em face do car‡ter difuso da sociedade internacional, bem como da


prolifera•‹o de tribunais internacionais, verifica-se no direito internacional
crescente invoca•‹o de decis›es judiciais antecedentes, arroladas como opinio
juris, ainda que n‹o previstas no Estatuto da CIJ.

e) Ainda que n‹o prevista em tratado ou no Estatuto da CIJ, a invoca•‹o


crescente de normas imperativas confere ao jus cogens manifesta qualidade de
fonte da disciplina, a par de atos de organiza•›es internacionais, como
resolu•›es da ONU.

34. (Defensor Pœblico da Uni‹o / 2007) Os costumes internacionais e


os princ’pios gerais do direito reconhecidos pelas na•›es civilizadas
n‹o s‹o considerados como fontes extraconvencionais de express‹o do
direito internacional.

35. (ACE-2002) N‹o constitui (em) fonte(s) de Direito Internacional


Pœblico, segundo o estatuto da Corte Internacional de Justi•a:

a) a jurisprud•ncia internacional

b) o costume internacional

c) os princ’pios gerais de direito

d) os usos e pr‡ticas do comŽrcio internacional

e) as conven•›es internacionais

36. (Procurador BACEN- 2001) O estudo das fontes do Direito


Internacional Pœblico principia com a leitura do artigo 38 do Estatuto
da Corte Internacional de Justi•a. Ao citado dispositivo poder-se-ia
acrescentar, na hora atual, as seguintes fontes:

a) Contratos internacionais e decis›es de organiza•›es internacionais.

b) Algumas decis›es de organiza•›es internacionais e Constitui•‹o dos


Estados.

c) Constitui•‹o dos Estados e lex mercatoria.

d) Lex mercatoria e determinados atos unilaterais dos Estados.

e) Determinados atos unilaterais dos Estados e algumas decis›es de


organiza•›es internacionais.

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37. (Procurador BACEN- 2002) Ap—s considerar o seguinte trecho: "O


costume significa em sentido jur’dico alguma coisa mais do que um
simples h‡bito ou uso. Significa o uso que se segue com a convic•‹o de
que Ž obrigat—rio, de que a sua inobserv‰ncia acarretar‡
provavelmente, ou pelo menos deveria acarretar, qualquer forma de
san•‹o para o transgressor". [in BRIERLY, J. Direito internacional. 4»
ed. Lisboa: Calouste Gulbenkian, 1979, p. 59, •nfase acrescida],
assinale o item correto.

a) Demonstrada a uniformidade e generalidade da pr‡tica, verifica-se o


elemento temporal do costume, que deve ser imemorial.

b) Um Estado pode se subtrair ˆ obrigatoriedade de um costume durante seu


processo de forma•‹o.

c) A parte que invoca um costume tem de provar (™nus da prova) que esse
costume est‡ estabelecido, sendo desimportante saber se ele vincula a outra
parte.

d) Para o direito internacional pœblico, o elemento material do costume deve


vincular, de modo necess‡rio, a totalidade dos Estados.

e) A "convic•‹o de que Ž obrigat—rio" Ž o elemento subjetivo ou psicol—gico do


costume, que n‹o est‡ previsto no Estatuto da Corte Internacional de Justi•a
j‡ que ele n‹o Ž de f‡cil demonstra•‹o.

38. (AFC/CGU-2008) O desrespeito a um costume internacional n‹o Ž


suficiente para que haja uma viola•‹o ao Direito Internacional. Apenas
o desrespeito a um tratado internacional pode ser considerado uma
quebra do Direito Internacional.

39. (Instituto Rio Branco- 2010)- O costume, fonte do direito


internacional pœblico, extingue-se pelo desuso, pela ado•‹o de um
novo costume ou por sua substitui•‹o por tratado internacional.

40. (Instituto Rio Branco- 2010)- Os atos unilaterais dos Estados,


como as leis e os decretos em que se determinam, observados os
limites pr—prios, a extens‹o do mar territorial, da sua zona econ™mica
exclusiva ou o regime de portos, s‹o considerados fontes do direito
internacional pœblico, sobre as quais disp›e expressamente o Estatuto
da Corte Internacional de Justi•a.

41. (Instituto Rio Branco Ð 2009) Como o artigo 38 do Estatuto da


CIJ lista as fontes em estrito n’vel hier‡rquico, os tratados devem
sempre ter preced•ncia sobre os costumes.

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42. (Procurador Federal-2010)- O princ’pio do objetor persistente


refere-se ˆ n‹o vincula•‹o de um Estado para com determinado
costume internacional.

43. (Procurador Federal-2010) Costumes podem revogar tratados e


tratados podem revogar costumes.

44. (Advogado da Uni‹o-2009)- Os tratados internacionais


constituem importante fonte escrita do Direito Internacional, a qual
vale para toda a comunidade internacional, tenha havido ou n‹o a
participa•‹o de todos os pa’ses nesses tratados.

45. (Advogado da Uni‹o-2009) O elemento objetivo que caracteriza o


costume internacional Ž a pr‡tica reiterada, n‹o havendo necessidade
de que o respeito a ela seja uma pr‡tica necess‡ria (opinio juris
necessitatis).

46. (Advogado da Uni‹o-2006) Para que um comportamento


comissivo ou omissivo seja considerado como um costume
internacional, Ž necess‡ria a presen•a de um elemento material, qual
seja: uma pr‡tica reiterada de comportamentos que, de in’cio, pode
ser um simples uso.

47. (Advogado da Uni‹o / 2002)- Os precedentes judiciais s‹o


vinculativos t‹o somente para as partes em lit’gio e em rela•‹o ao
caso concreto, n‹o tendo, assim, obrigatoriedade em DIP.

48. (Advogado da Uni‹o / 2008) N‹o existe hierarquia entre os


princ’pios gerais do direito e os costumes internacionais.

49. (Consultor Legislativo/Senado-2002)- De acordo com a


jurisprud•ncia da Corte Internacional de Justi•a de Haia, o costume
internacional de ‰mbito regional e local n‹o pode ser considerado
como fonte de direito das gentes.

50. (Consultor Legislativo / Senado-2002)- De acordo com a maioria


dos internacionalistas, a express‹o Òprinc’pios gerais de direitoÓ,
constante da al’nea c do art.38 do Estatuto da CIJ, refere-se apenas
aos princ’pios gerais do direito internacional.

51. (Advogado da Uni‹o / 2006) Para se constatar a exist•ncia de um


costume, Ž necess‡rio verificar a presen•a de um elemento subjetivo,
qual seja: a certeza de que tais comportamentos s‹o obrigat—rios por
expressarem valores exig’veis e essenciais.

52. (Advogado da Uni‹o / 2006)- Embora possua relevantes


qualidades de flexibilidade e uma grande proximidade com os
fen™menos e fatos que regula, o costume internacional apresenta

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grandes dificuldades quanto ˆ sua prova, o que lhe diminui o valor na


hierarquia das fontes do direito internacional, mantendo, com isso, a
supremacia dos tratados e conven•›es.

53. (Advogado da Uni‹o / 2002) Constituem fun•›es da doutrina o


fornecimento da prova do conteœdo do direito e a influ•ncia no seu
desenvolvimento.

54. (Advogado da Uni‹o / 2002) O Estatuto da Corte Internacional de


Justi•a, ao indicar as fontes do DIP que um tribunal ir‡ aplicar para
resolver um caso concreto, concede posi•‹o mais elevada para as
normas convencionais, que devem prevalecer sempre sobre todas as
outras.

55. (Advogado da Uni‹o-2002) Ainda hoje, o rol das fontes indicado


no Estatuto da Corte Internacional de Justi•a Ž taxativo.

56. (Procurador do Banco Central-2009) Os atos unilaterais s‹o


aplicados pela Corte Internacional de Justi•a como fontes do direito
internacional, conforme disposto em seu estatuto.

57. (Procurador do Banco Central-2009) Os atos unilaterais criam


apenas obriga•›es morais para os Estados.

58. (Procurador do Banco Central-2009) Os atos unilaterais s‹o


conhecidos tambŽm como estoppel.

59. (Procurador do Banco Central-2009) A Comiss‹o de Direito


Internacional da ONU se dedicou a estudar os atos unilaterais.

60. (Procurador do Banco Central-2009) O Estado brasileiro mantŽm-


se em oposi•‹o persistente ao costume que prescreve a exist•ncia dos
atos unilaterais.

61. (Consultor Legislativo C‰mara / 2002) Nada obsta a que o


elemento material do costume seja constitu’do de uma omiss‹o frente
a determinado contexto.

62. (Consultor Legislativo C‰mara / 2002) O elemento subjetivo Ð a


opinio juris Ð Ž absolutamente necess‡rio para dar ensejo ˆ norma
costumeira.

63. (Consultor Legislativo C‰mara / 2002) Devido ˆ inferioridade


hier‡rquica das normas costumeiras em rela•‹o ˆs normas
convencionais, n‹o pode o costume revogar norma expressa em
tratado internacional.

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64. (Consultor Legislativo C‰mara / 2002) Em lit’gio internacional, a


parte que invoca regra costumeira tem o ™nus de provar a sua
exist•ncia.

65. (Consultor Legislativo C‰mara / 2002)- Assim como ocorre em


rela•‹o aos tratados internacionais, h‡ mŽtodos precisos de
interpreta•‹o das normas costumeiras.

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Gabarito

1. CERTA
2. CERTA
3. ERRADA
4. CERTA
5. CERTA
6. ERRADA
7. ERRADA
8. ERRADA
9. ERRADA
10. ERRADA
11. ERRADA
12. ERRADA
13. ERRADA
14. CERTA
15. ERRADA
16. ERRADA
17. CERTA
18. CERTA
19. ERRADA
20. ERRADA
21. CERTA
22. ERRADA
23. ERRADA
24. CERTA
25. ERRADA
26. CERTA
27. CERTA
28. ERRADA
29. ERRADA
30. Letra B
31. CERTA
32. ERRADA
33. Letra B
34. ERRADA
35. Letra D
36. Letra E
37. Letra B
38. ERRADA
39. CERTA
40. ERRADA
41. ERRADA

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42. CERTA
43. CERTA
44. ERRADA
45. ERRADA
46. CERTA
47. CERTA
48. Anulada
49. ERRADA
50. ERRADA
51. CERTA
52. ERRADA
53. CERTA
54. ERRADA
55. ERRADA
56. ERRADA
57. ERRADA
58. ERRADA
59. CERTA
60. ERRADA
61. CERTA
62. CERTA
63. ERRADA
64. CERTA
65. ERRADA

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