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DIMAS, Antonio. Espaço e romance. 2. ed. São Paulo: Ática, 1987.

Antônio Dimas, professor na área de Letras, com ênfase em Literatura Brasileira, autor
de vários livros, dentre eles Espaço e Romance, publicado pela Editora Ática, na Série
Princípios. Este livro tem por objetivo auxiliar estudantes da área de literatura a identificarem
melhor o espaço das narrativas, fazendo assim uma análise um pouco mais aprofundada,
considerando que como o autor mesmo cita em seu livro, há muito pouco conteúdo teórico
nesse sentido, pois os estudiosos costumam centrar-se mais em outros elementos da narrativa.
O livro é dividido em cinco capítulos para melhor explicar as análises do espaço na narrativa.
Em um texto há espécies de armadilhas virtuais, pois o espaço pode alcançar um
estatuto tão importante quanto qualquer outro elemento da narrativa como o foco narrativo,
personagem, tempo, etc. O autor cita uma obra de Campos Matos, “Imagens de Portugal
Queirosiano”, cujo principal objetivo é “fixar fotograficamente as paisagens naturais e urbanas
e os edifícios descritos no novelístico de Eça de Queiroz...”, mas diz que isso não tem muito a
ver com a especificidade de estudos da literatura.
Mesmo como uma forte aprovação do romance brasileiro ao espaço, seja ele urbano,
rural ou selvático, há pouquíssima atenção para o assunto e acabam detendo-se assim aos
elementos narrativos ou seus temas, fazendo com que haja escasso material teórico sobre o
mesmo. Aos poucos, no meio acadêmico, já começa a surgir investigações direcionadas para
esse problema.
O livro de Osman Lins, “Lima Barrento e o espaço Romanesco”, foi importante para
tratar sobre a preocupação com o espaço na narrativa. Nesse livro há duas passagens em nível
mais teórico; a primeira seria a distinção entre o espaço e ambientação, em que a ambientação
é definida como conjunto de processos conhecidos ou possíveis para provocar na narrativa a
noção de certo ambiente e o espaço é a definição que se tem do mundo; a segunda é a tentativa
de sistematizar três tipos diferentes de ambientação, sendo estas a franca, a reflexiva e a
dissimulada; a franca se compõe por uma ambientação composta, por um narrador
independente, pois não participa da ação e se caracteriza pelo descritivismo; a ambientação
reflexiva é focada no personagem, sem colaboração do narrador; e ,por último, a ambientação
dissimulada ou oblíqua que é a mais difícil de se perceber, haja vista que exige uma personagem
ativa, fazendo com que se crie uma harmonização entre o espaço e a ação. O autor afirma que
em um mesmo romance podem ser encontradas várias modalidades de apresentação espacial,
cabendo ao leitor detectá-las e avaliá-las quanto a sua funcionalidade.
O que mais se questiona sobre o espaço narrativo é a relação quanto à utilidade ou a
inutilidade desse recurso decorativo que o autor emprega para situar a ação do romance. O autor
cita o teórico Tomachevski que apresenta várias terminologias, mas a que ele cita dentre elas é
motivo livre e motivo associado. Os motivos associados são aqueles que não podem ser
excluídos da narrativa, pois arruinariam a sequência causal, comprometendo assim a ligação de
causa e efeito. Os motivos livres, ao contrário dos associados, não comprometem aquilo que
se está contando, mas pode danificar a ordem dos acontecimentos. Após classificar os motivos,
estes se subdividem em funcionalidades; motivo composicional é quando revela sua utilidade
na narrativa; motivação caracterizadora é aquela que confirma um estado de coisas que se
opõem e motivação falsa ou despistamento é quando o autor permite supor um falso desfecho.
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Bourneuf e Ouellet dizem que a descrição pode atuar como um desvio, suspense,
abertura ou alargamento. A descrição como um desvio se dá quando, após uma passagem
ativa e agitada, a descrição do próximo ambiente traz uma proposta de repouso; já a
descrição de suspense é aquela em cujo determinado momento de tensão a descrição
aumenta com o principal objetivo de aguçar a curiosidade do leitor; a abertura é quando
ocorre um antecipamento de um romance e, por último, o alargamento é “verticalizar a
informação, complementando dados anteriores, num espaço microscópico”.
Nos dois últimos capítulos Antonio Dimas utiliza-se de um romance de Aluísio
de Azevedo, “Casa de Pensão”, e uma novela de Anibal Machado, “ Viagem aos seios de
Duília”, para exemplificar todo o conteúdo apresentado nos capítulos anteriores.
Conclui-se que, após a leitura deste livro, “Espaço e Romance”, de Antonio
Dimas, alguns aspectos do espaço devem ser observados com mais detalhes, como por
exemplo os aspectos como a utilidade ou não de toda a descrição do espaço descrito pelo
autor; qual a diferença entre a ambientação e o espaço, e como isso influencia na
construção da história. Ainda, como é empregada a descrição do espaço narrativo e como
ele é utilizado para situar a ação romanesca.
UNIR – FUNDAÇÃO UNIVERSIDADE FEDERAL DE RONDÔNIA
DEPARTAMENTO ACADÊMICO DE ESTUDOS LINGUÍSTICOS E LITERÁRIOS
CAMPUS VILHENA
Teoria da Literatura I – Letras XXIV

Espaço e romance,
de Antonio Dimas

Acadêmica: Katryne Victória Ribas do Nascimento

Vilhena
Maio/2016