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Eletroquímica

Por Victor Costa


Índice
1. Conceitos importantes
 Redução
 Oxidação
 NOX
 Processo redox
 Método do íon-elétron
 Potencial de redução
2. Pilha
 Definição
 Cátodo
 Ânodo
 Ponte salina
 Potencial
 Relação com a termodinâmica
 Equação de Nernst
 Notação da pilha
 Série eletroquímica
3. Eletrólise
 Definição
 Cátodo
 Ânodo
 Tipos de eletrólise
 Potencial
 Lei de Faraday da eletrólise
4. Corrosão
 Definição
 O que ocorre na corrosão
 Como evitar a corrosão
5. Diagramas de Latimer
 O que é
 Como aplicar o diagrama para espécies não adjacentes
 Influência do meio
 Desproporcionamento
Conceitos importantes
Antes de estudarmos pilhas e eletrólise, precisamos ver alguns
conceitos de grande importância na eletroquímica.
Redução  É o ganho de elétrons por um átomo. Pode-se falar em
redução do átomo ou da molécula (nesse caso, quer dizer que algum dos
átomos da molécula ganhou um elétron).
Oxidação  É a perda de elétrons por um átomo. Pode-se falar em
oxidação do átomo ou da molécula (nesse caso, quer dizer que algum dos
átomos da molécula perdeu um elétron).
Número de oxidação (NOX)  É a carga, real (para íons) ou parcial
(para átomos em uma molécula) dos átomos. Para se determinar o número de
oxidação, desenhar a molécula e avaliar a diferença de eletronegatividade
entre o átomo de interesse e os seus ligantes, ou seja, ver qual dos elementos
tende a atrair mais os elétrons (o que atrair mais os elétrons de uma ligação
terá uma carga parcial negativa e o outro ligante, uma carga parcial positiva).
Há, contudo, algumas regras para agilizarem o processo de identificação dos
NOX:
1 – O NOX de um íon é a carga dele.
2 – O NOX de átomos na forma elementar (Cl2, O2, etc) é 0.
3 – Halogênios normalmente tem NOX -1
4 – Calcogênios normalmente tem NOX -2 (cuidado com o oxigênio, que
tem NOX -1 em peróxidos e -1/2 em superóxidos).
5 – Quando ligado a metais, o NOX do H é -1. Quando ligado a ametais,
o NOX do H é +1.
6 – A soma do NOX de todos os átomos de uma molécula é a carga
dessa molécula.
Processo redox  É o processo no qual ocorrem, sempre
simultaneamente, reações de oxidação e de redução, ou seja, um átomo perde
elétrons para outro. Essas reações são chamadas de reações de oxirredução.
Pode-se entender uma reação de oxirredução como duas semi-reações:
uma de redução e outra de oxidação.
M0 + e-  M- semi-reação de redução
N-  N0 + e- semi-reação de oxidação
M0+N- M-+N0 reação global
O exemplo dado agora foi um exemplo de balanceamento de reações
pelo método das semi-reações. Basta escrever as semi-reações, multiplicar os
coeficientes delas, se necessário, para que ambas tenham o mesmo número
de elétrons e, então, soma-las. Repare que espécies iguais presente em lados
opostos nas reações são canceladas, como ocorreu (e sempre tem que
ocorrer) com os elétrons.
Contudo, às vezes não é tão fácil realizar o balanceamento. Nesses
casos, usa-se o método do íon-elétron.
Método do íon-elétron  Estratégia usada para realizar balanceamentos
mais complicados. Existe uma técnica para reações em meio básico e outra
para reações em meio ácido. Veremos as duas.
- Em meio ácido
1 – Escrever as semi-reações de oxidação e de redução.
2 – Balancear os elementos que não sejam H ou O.
3 – Balancear os O com H2O.
4 – Balancear os H com H+.
5 – Igualar a carga de produtos e reagentes com elétrons.
6 – Multiplicar os coeficientes das semi-reações de modo a deixa-las
com o mesmo número de elétrons.
7 – Somar as semi-reações, cancelando substâncias semelhantes de
lados opostos nas reações.

Exemplo 1

Realize o balanceamento da reação MnO4 - + H2C2O4 → Mn2+ + CO2,


ocorrida em meio ácido.
1 – Escrever as semi-reações
MnO4-  Mn2+
H2C2O4 CO2
2 – Balancear os elementos que não sejam H ou O.
MnO4-  Mn2+
H2C2O4 2CO2
3 – Balancear os O com H2O.
MnO4-  Mn2+ + 4H2O
H2C2O4 2CO2
4 – Balancear os H com H+
MnO4- + 8H+  Mn2+ + 4H2O
H2C2O4 2CO2 + 2H+
5 – Igualar as cargas com elétrons
MnO4- + 8H+ + 5e-  Mn2+ + 4H2O
H2C2O4 2CO2 + 2H+ + 2e-
6 – Multiplicar os coeficientes das reações
2MnO4- + 16H+ + 10e-  2Mn2+ + 8H2O
5H2C2O4 10CO2 + 10H+ + 10e-
7 – Somar as semi-reações

2MnO4- + 5H2C2O4 + 6H+  2Mn2+ + 10CO2 + 8H2O

- Em meio básico
1 – Escrever as semi-reações de oxidação e de redução.
2 – Balancear os elementos que não sejam H ou O.
3 – Balancear O com OH-
4 – Balancear H colocando OH- de um lado e H2O do outro (de modo
que de uma diferença de um H para um lado).
5 – Igualar a carga de produtos e reagentes com elétrons.
6 – Multiplicar os coeficientes das semi-reações de modo a deixa-las
com o mesmo número de elétrons.
7 – Somar as semi-reações, cancelando substâncias semelhantes de
lados opostos nas reações.

Exemplo 2

Realize o balanceamento da reação MnO4- + I- → MnO2 + I2, ocorrida


em meio básico.
1 – Escrever as semi-reações.
MnO4-  MnO2
I-  I2
2 – Balancear os elementos que não sejam H ou O.
MnO4-  MnO2
2I-  I2
3 – Balancear O com OH-
MnO4-  MnO2 + 2OH-
2I-  I2
4 – Balancear H.

2H2O + MnO4-  MnO2 + 2OH- + 2OH-


2I-  I2
5 – Igualar as cargas com elétrons
2H2O + MnO4- + 3e- MnO2 + 4OH-
2I-  I2 + 2e-
6 – Multiplicar os coeficientes das reações
4H2O + 2MnO4- + 6e- 2MnO2 + 8OH-
6I-  3I2 + 6e-
7 – Somar as semi-reações.
4H2O + 2MnO4- + 6I-  2MnO2 + 8OH- + 3I2

Potencial de redução  É a capacidade de uma reação de atrair os


elétrons para si. Em outras palavras, o potencial de redução de um elemento é
a capacidade dele de sofrer redução: quanto maior o potencial de redução,
maior a capacidade do elemento de reduzir. É interessante perceber que,
quanto maior o potencial de redução, maior a capacidade oxidante (ou seja,
tem maior capacidade de oxidar outros compostos).
O potencial de redução é muito utilizado na previsão de qual espécie irá
sofrer redução e qual irá sofrer oxidação.

Entre o cálcio e o magnésio, por exemplo, o magnésio tem maior


potencial de redução, portanto em uma situação de reação redox, o magnésio
iria reduzir e, consequentemente, o cálcio iria oxidar.
Já entre o magnésio e o cobre, por exemplo, o cobre iria reduzir e o
magnésio iria oxidar, pois o cobre possui maior potencial de redução que o
magnésio.
Uma informação interessante sobre os potenciais de eletrodo é que eles
são sempre comparações: não se pode falar simplesmente que o potencial de
um eletrodo é X; o eletrodo tem um potencial X com relação a outro eletrodo.
Portanto, para facilitar os estudos, tomou-se como referência o eletrodo de H
(que, portanto, tem potencial igual a zero). Portanto, quando dizem que o
potencial do eletrodo Y é X, estão dizendo que o potencial do eletrodo Y é X
com relação ao H (essa informação foi mais curiosidade, não afetará muito os
exercícios).
IMPORTANTE: O potencial de redução não depende da quantidade de
matéria do elemento. Se multiplicarmos uma reação por dois, dobrando
seus coeficientes, não dobramos o ΔE também.

Pilha (célula galvânica)


Definição  Uma pilha é um sistema, formado por dois eletrodos e um
(ou dois) eletrólitos, onde ocorre transferência de elétrons de um eletrodo para
outro a fim de gerar trabalho elétrico.
IMPORTANTE: A pilha é um processo espontâneo

Cátodo  É o eletrodo positivo, que recebe os elétrons, ou seja, onde


ocorre a semi-reação de oxidação, de modo que sofra deposição de metal. O
material que o constitui possui o menor potencial de redução.
Ânodo  É o eletrodo negativo, que perde os elétrons, ou seja, onde
ocorre a semi-reação de redução, de modo que sofra corrosão. O material que
o constitui possui o maior potencial de redução.
Ponte salina  Tubo que liga os dois eletrólitos. Possui algum sal dentro
e é responsável por manter o desequilíbrio de cargas por mais tempo. Seu
funcionamento exato ainda é um pouco desconhecido.
Potencial  É a voltagem gerada pela pilha. Para calcula-lo, basta
subtrair o menor potencial de redução de um dos eletrodos do maior potencial
de redução, do outro eletrodo. Para entender o porque desse método, basta
pensar que o eletrodo com menor potencial de redução irá oxidar, ou seja,
ocorrerá a reação inversa, que possui potencial de redução com sinal contrário
(o potencial de oxidação é o negativo do potencial de redução); então, soma-se
os potenciais, mas com um deles negativo, de modo que seja mais fácil pensar
na subtração.

Exemplo 3

Calcule o potencial da pilha formada por eletrodos de alumínio e de


níquel. Verifique os dados da tabela da sessão de potencial de redução.
As reações de redução dos metais envolvidos são:
Al3+ + 3e-  Al ΔEred = -1,66 V
Ni2+ + 2e-  Ni ΔEred = -0,25 V
Como o potencial de redução do níquel é maior, ele irá reduzir.
Portanto, as reações que acontecem são:
Ni2+ + 2e-  Ni ΔEred = -0,25 V
Al  Al3+ + 3e- ΔEoxi = +1,66 V
Repare no sinal invertido do potencial da semi-reação do alumínio.
Como o sinal já foi invertido, basta somar os potenciais: ΔE = 1,66-0,25 =
1,41V

IMPORTANTE: O potencial de uma pilha é sempre positivo! Veremos


o motivo nas próximas sessões.
Relação com a termodinâmica  Como dito no resumo de soluções,
equilíbrio e solubilidade, a energia livre de Gibbs indica, além da
espontaneidade da reação, o máximo trabalho de não expansão. Nesse
sentido, a energia livre de Gibbs é bastante útil para estudos de combustíveis e
de alimentos, por exemplo. Ela é útil, também, para a eletroquímica, nos
fornecendo uma fórmula de grande importância:
ΔG = wmáx
Da física, o trabalho elétrico realizado por cargas em
ΔG = qU
movimento é a carga vezes a diferença de potencial.
ΔG = -nFU A carga é o número de mols de elétrons envolvidos na reação vezes a
constante de Faraday, que indica a carga de um mol de elétrons. O menos
ΔG = -nFΔE indica que estamos falando de elétrons, de carga negativa.

Simples mudança de nome da variável, para que a diferença de potencial


tenha a mesma nomenclatura que estávamos utilizando.
Chegamos, portanto, na fórmula:
ΔG = -nFΔE
Onde n = número de mols de elétrons envolvidos na reação
F = constante de Faraday (carga de um mol de elétrons)
ΔE = potencial da reação
Agora podemos entender porque o ΔE de uma pilha é sempre positivo:
como ela é um processo espontâneo, seu ΔG é menor que 0. Portanto,
segundo a equação acima, seu ΔE tem que ser sempre positivo.
IMPORTANTE: À medida que a reação redox ocorre na pilha, ela tende ao
equilíbrio, ou seja, ΔG tende a 0. Portanto, ΔE também tende a 0.
Conclusão: a voltagem gerada pela pilha diminui com o tempo até que ela
atinja o equilíbrio, situação na qual deixa de gerar potencial (é quando se
diz que a pilha acabou).

Equação de Nernst  Equação utilizada para se obter o potencial


padrão de redução fora das condições padrão. Em outras palavras, mostra
como o potencial de uma Ela é obtida substituindo o ΔG da expressão acima
na expressão para cálculo do ΔG fora das condições padrão, obtida na aula de
soluções, equilíbrios e solubilidade.

ΔE = ΔEo – RT lnQ
nF
Onde ΔE = potencial da reação fora das condições padrão
ΔEo = potencial da reação nas condições padrão
R = constante universal dos gases
T = temperatura (em kelvin)
n = número de mols de elétrons transferidos na reação
F = constante de Faraday
Q = quociente da reação na situação de interesse (ver resumo da
aula de soluções, equilíbrios e solubilidade).
IMPORTANTE: pode-se utilizar a fórmula acima fora das condições
padrão (25oC, 1bar, 1M); o ΔE obtido estará nas mesmas condições do
ΔG. A Equação de Nersnt é utilizada quando temos o ΔE nas condições
padrão e queremos calcula-lo em outras condições.
Exemplo 3

Calcule o potencial de célula, em 25oC, de uma célula de Daniell na


qual a concentração de íons Zn2+ é 0,1 mol/L e a de íons Cu2+ é 0,001 mol/L.
Basta aplicarmos a Equação de Nernst:
ΔE = 1,1 – (0,025693/2)xln(0,1/0,001)
ΔE = +1,04V
OBS: 0,025693 é o valor aproximado de RT/F a 25oC.
Outra aplicação importante da equação de Nernst é no cálculo da
concentração em células de concentração (células em que os dois eletrodos
sãos iguais, mas os eletrólitos possuem concentrações diferentes). Nesse
caso, basta lembrar que ΔEo = 0, pois nas condições padrão as células são
iguais.
Pode-se, ainda, usar a equação de Nernst para calculo do pH de
soluções, pela utilização de eletrodos seletivos para íons (no caso, seletivo
para o H+)
Notação da pilha  A pilha de Daniell, por exemplo, na qual o Zn oxida
a Zn2+ e o Cu2+ reduz a Cu, é representada pela seguinte expressão:

Zn/Zn2+//Cu2+/Cu
Série eletroquímica  É uma tabela na qual reações de redução são
organizadas de forma decrescente de potencial de redução. É útil para prever
qual eletrodo será o cátodo e qual será o ânodo da pilha: as espécies oxidadas
(a esquerda) são capazes de oxidar as substâncias abaixo delas na série,
enquanto as espécies reduzidas (a direita) tem a capacidade de reduzir as
substâncias acima delas na série (não é preciso decorar isso, pois basta
analisar os ΔE de cada reação para ver qual irá reduzir e qual irá oxidar).
Como o eletrodo de H é adotado como padrão, os pares redox com ΔE >
0 não podem reduzir o H, enquanto os pares cujo ΔE for menor que 0, podem.

Eletrólise
Definição  Uma eletrólise é um sistema formado por dois eletrodos
imersos em um líquido (o eletrólito) e ligados a um gerador, que fornecerá um
potencial para o sistema, permitindo que ocorra redução e oxidação de
substâncias do líquido nos eletrodos.
IMPORTANTE: A eletrólise não é um processo espontâneo

Cátodo  É o eletrodo negativo, que atrai os cátions do eletrólito para a


redução. É quem recebe os elétrons do gerador e do ânado.
Ânodo  É o eletrodo positivo, que atrai os ânions do eletrólito para a
oxidação. É quem manda elétrons para gerador e para o cátodo.
Tipos de eletrólise  Existem dois tipos de eletrólise. Veremos
brevemente sobre cada um deles:
1 – Eletrólise ígnea  É a eletrólise na qual o eletrólito é um sal fundido.
Nesse caso, não precisa ter preocupação com qual substância irá reduzir e
qual irá oxidar, pois as únicas opções são os cátions e ânions do sal.
2 – Eletrólise aquosa  É a eletrólise na qual o eletrólito é uma solução
aquosa. Nesse caso, é necessário preocupar-se com qual substância irá
reduzir e qual irá oxidar, pois há mais de um candidato para essas reações: os
íons provenientes dos sais dissolvidos na água e o OH- e o H+ provenientes da
água (alguns pensam na água como um composto só, que pode sofrer redução
ou oxidação. Contudo, eu acho que para estudos de eletrólise é mais fácil
pensar na água como OH- e H+ separados).
Para saber quais substâncias irão reagir nos eletrodos, é preciso
analisar os potenciais de redução e de oxidação de cada um. Se esses dados
não estiverem disponíveis, há duas regras que auxiliam na previsão de quem
reduzirá e quem oxidará (só utilize a regra se não tiver os potencias de redução
disponíveis, pois a previsão pelos potenciais é muito mais precisa):
- OH- oxida antes de ânions oxigenados e fluoretados.
- H+ reduz antes de cátions das famílias 1A, 2A e do alumínio.
OBS: Se a tabela de potenciais fornecidas apresentar a redução/oxidação da
água como um composto único, utilize o raciocínio de separá-la em OH- e H+
apenas para predizer se ela irá reagir em algum dos eletrodos e, então, utilize a
equação fornecida. Ou, se preferir, sempre considere a água como uma
espécie só. A decisão é sua.
Potencial  É a voltagem que precisa ser fornecida para que ocorra as
reações de redução e de oxidação. O cálculo é igual o que foi feito para a pilha.
IMPORTANTE: O potencial calculado para uma eletrólise é sempre
negativo! Isso porque ela não é um processo espontâneo, portanto ΔG deve
ser maior do que zero.
Portanto, para saber qual potencial deve ser fornecido ao sistema para
que ocorra as reduções e oxidações desejadas basta calcular o potencial do
mesmo modo que foi feito para a pilha e inverter o sinal. Por exemplo, se o
cálculo deu -2,3V teoricamente é preciso fornecer 2,3V para o sistema para
que ocorra a reação de interesse. Teoricamente.
Na prática, é preciso fornecer um pouco mais de potencial para o
sistema para que ocorra a reação. Isso se deve ao sobrepotencial, fenômeno
característico de cada eletrodo (cada eletrodo tem uma tensão de
sobrepotencial).

Exemplo 4

Calcule a tensão necessária para que ocorra eletrólise da água.


Dados: 2H2O(l) + 2e-  H2(g) + 2OH- (aq) Eo = -0,83V
2H2O(l)  O2(g) + 4H+ (aq) + 4e- E0 = -1,23 V
Esse exercício é bastante simples, pois as reações já foram
fornecidas no sentido certo: uma de redução e outra de oxidação. Portanto,
para acharmos o potencial da célula, basta fazermos ΔE=-0,83-1,23 = -
2,06V. Teoricamente precisa-se, então, fornecer 2,06V para o sistema.
Lei de Faraday da eletrólise  A quantidade de produto formado ou do
reagenteContudo
consumido por uma um
será necessário corrente elétricadevido
valor maior, é estequiometricamente
ao sobrepotencial.
equivalente à quantidade de elétrons fornecidos.
Se o eletrodo for de platina, por exemplo, o sobrepotencial é de 0,6V, de
modo que teria que ser fornecido 2,06+0,6 = 2,66V ao sistema.
Essa lei é base para um tipo clássico de exercício de eletrólise, portanto
vamos compreendê-la melhor com um exemplo.

Exemplo 5

O alumínio é produzido pela eletrólise de seu óxido dissolvido em


criolita fundida (Na3AlF6). Encontre a massa de alumínio que pode ser
produzida em um dia em uma célula eletrolítica que opera continuamente
com 1x105 A. A criolita não reage.
Dado: massa molar do Al = 26,982 g/mol
F = 96485 C/mol
Da física temos que a corrente é a quantidade de carga por unidade de
tempo:
i = Q/t
105 = Q/(3600x24)
Q = 86400x105 C foram utilizados para produzir Al
Utilizando a constante de Faraday, temos que:
1 mol de elétrons ------------- 96485C
n mols de elétrons ------------ 86400x105C
n = 0,895x105 mols de elétrons foram utilizados para produzir Al
A reação de redução do alumínio é:
Al3+ + 3e-  Alo
Portanto, temos:
3 mols de elétrons ------------------- 1 mol de Al
0,895x105 mols de elétrons ------- x mols de Al
x = 0,298x105 mols de Al
Por fim, como a massa molar do Al é 26,982 g/mol, temos:
1 mol de Al ------------------------- 26,982g
0,298x105 mols de Al ----------- m
m = 8,05x105 g de Al foram produzidas.
Corrosão
Definição  Corrosão é uma oxidação indesejada, que acaba destruindo
os materiais.
O que ocorre na corrosão  Para ocorrer corrosão, é preciso de
oxigênio e água. O potencial de redução do oxigênio é maior do que o potencial
de redução do ferro, de modo que o O2 dissolvido nas extremidades de uma
gota de água oxida o ferro nessa região, segundo as reações:
2Fe(s)  2Fe2+(aq) + 4e-
O2(g) + 4H+(aq) +4e-  2H2O(l)
2Fe(s) + O2(g) + 4H+(aq)  2Fe2+(aq) + 2H2O(l)
Para que o ferro na extremidade não sofra essa oxidação, ele puxa
elétrons do ferro no centro da gota (longe do O 2), oxidando-o a Fe2+. Dessa
forma, o ferro no centro da gota atua como ânodo, perdendo elétrons, e o ferro
da extremidade funciona como cátodo, recebendo elétrons.
O Fe2+ formado será oxidado novamente pelo oxigênio, formando Fe3+.
Esses íons precipitam como óxido hidratado, formando a ferrugem.
É interessante constatar que quanto mais sais presente na gota, mais
rápida é a corrosão, pois mais rápida é a condução de elétrons na gota.
Como evitar a corrosão  Tem vários jeitos de se evitar a corrosão,
como a passivação e a proteção catódica. Vamos analisar esses dois.
Galvanização  A galvanização consiste em cobrir o metal a ser
protegido com outro metal, a fim de que esse outro metal oxide no lugar do
metal a ser protegido. Essa técnica é bastante eficaz devido à formação de
óxidos do metal usado de cobertura, que formam uma camada protetora que
impede que a corrosão desse metal prossiga. A proteção por essa camada de
óxido é chamada de passivação.
Um ponto importante da galvanização é que deve-se priorizar a
utilização de camadas protetoras formadas por metais com potencial de
redução menor do que o do metal que se quer proteger. Isso porque se, por
acaso, formar uma falha na camada protetora, expondo o metal protegido à
atmosfera, ainda não ocorrerá corrosão dele, pois o metal de cobertura irá
fornecer elétrons para o metal a ser protegido na região em que ele está
exposto (o metal a ser protegido atua como cátodo e o metal de proteção,
como ânodo).
Isso não aconteceria se o metal de proteção tivesse maior potencial de
redução do que o metal a ser protegido, apesar de sua utilização ser válida em
termos de passivação.
Proteção catódica  Quando se quer proteger algo muito grande para
ser galvanizado (como navios, encanamentos, etc.), usa-se a proteção
catódica: conecta-se um bloco de um metal mais redutor do que o metal que se
quer proteger à estrutura a ser protegida. Assim, quando o metal a ser
protegido sofrer oxidação, o bloco cederá elétrons para a estrutura de
interesse, oxidando no lugar. O bloco é chamado de ânodo de sacrifício.

Diagramas de Latimer
O que é  É um diagrama no qual as espécies com diferentes números
de oxidação de um determinado elemento são organizadas uma ao lado da
outra, com o maior NOX à esquerda e o menor à direita. Ligando as espécies
adjacentes há linhas horizontais sobre as quais se coloca o potencial de
redução da reação que transforma uma espécie na outra. Diagrama do cloro
em meio ácido, por exemplo:

Como aplicar o diagrama a espécies não adjacentes  Para isso,


precisamos lembrar de duas coisas: primeiro, que a energia livre de Gibbs é
uma função de estado, ou seja, depende só da situação inicial e final, não do
caminho; segundo, a fórmula ΔG = -nFΔE. Para compreendermos, vamos
pensar no seguinte exemplo hipotético:

+2 +1 0
ΔG 1 ΔG 2
M M M
ΔG 3
Nesse exemplo, temos que:
ΔG3 = ΔG1 + ΔG2
-n3FΔE3 = -n1FΔE1 – n2FΔE2

ΔE3 = n1ΔE1 + n2ΔE2


n3
Onde n1 = número de mols de elétrons envolvidos na primeira redução
n2 = número de mols de elétrons envolvidos na segunda redução
n3 = número de mols de elétrons envolvidos nas duas reduções,
ou seja, n1 + n2.
Percebe-se, portanto, que para calcular o potencial de redução para
espécies não adjacentes basta realizarmos uma média ponderada pelo número
de mols de elétrons com os potenciais de redução para todas as ligações que
ligam as espécies de interesse.
Influência do meio  O meio influencia nos potenciais de redução. Se a
redução de um oxiânion envolver a perda de oxigênio, ela será favorecida em
meio ácido, pois o H+ ajudará a tirar o oxigênio para formar água. Assim, um
oxiânion pode ser mais oxidante em meio ácido do que em meio básico.
Desproporcionamento  É quando um átomo de um elemento doa
elétrons para outro átomo do mesmo elemento, ou seja, quando ocorre a
reação 2M+  M2+ + Mo.
Para saber se ocorrerá o desproporcionamento, basta analisar os
potenciais de redução adjacentes à espécie de interesse: se o potencial para
redução da espécie for maior do que o potencial da redução que à formou (ou
seja, se o potencial da direita for maior que o da esquerda), a espécie é
instável e ocorrerá desproporcionamento. Se o potencial da direita for menor
que o da esquerda, a espécie é estável e não ocorrerá desproporcionamento.