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DANO EM AERONAVE

X MATERIAS COMPOTOS

Lagoa Santa
2017
DANO EM AERONAVE

Trabalho apresentado a disciplina


de Técnicas Básicas de
Manutenção, do curso de
Tecnologia em Manutenção de
Aeronave, na Faculdade FELUMA.

Professor (a):

Lagoa Santa
2017
Introdução
 A utilização de compósitos na construção de aviões é datada da Segunda
Guerra Mundial, quando a fibra de vidro foi usada nas fuselagens do B-29.

 Compósito é um termo amplo e pode significar materiais como fibra de


vidro, fibra de carbono, tecido de Kevlar e misturas de todas as opções
anteriores. A construção com materiais compostos oferece duas vantagens:
revestimento de design extremamente suave e aerodinâmico e a capacidade de
facilmente criar soluções para complexas estruturas curvas ou aerodinâmicas.

 Os materiais compósitos são reforçados com fibra pelo sistema de matriz. A


matriz é a “cola” usada para manter as fibras unidas e, quando curada, dá a ela
a sua forma, mas são as fibras que suportam a maior parte da carga estrutural.
Propriedades
• Há muitos tipos diferentes de fibras e de sistemas matriciais. No avião, o mais
comum é a matriz de resina epóxi, que é um tipo de termofixo (Adesivo de resina
sintética, usada sob calor e pressão como uma interfolha na produção de
materiais laminados, particularmente colagem das duas faces em estruturas-
sanduíche). Em comparação com outras opções, tais como resina de poliéster, o
epóxi é mais forte e tem boas propriedades de alta temperatura.

• Há muitos tipos diferentes de epóxi disponíveis, com uma vasta gama de


propriedades estruturais, tempos de cura, temperaturas e custos. As fibras mais
comuns de reforço usado na construção de aeronaves são a fibra de vidro e a
fibra de carbono.
Propriedades
• A fibra de vidro tem boa resistência à tração e compressão, boa resistência de
impacto e é fácil de trabalhar. É relativamente barata e facilmente encontrada.
Sua principal desvantagem é que ela é relativamente pesada, e dificilmente se
consegue fazer uma estrutura de fibra de vidro mais leve do que uma estrutura
de alumínio num projeto equivalente.

• A fibra de carbono é, geralmente, mais forte e mais resistente à tração e


compressão do que a fibra de vidro, além de maior capacidade de flexão.

• Também é consideravelmente mais leve que a fibra de vidro. No entanto, ela é


relativamente pobre em resistência ao impacto. As fibras são frágeis e tendem a
quebrar-se sob forte impacto.
MATERIAIS UTILIZADOS NA FABRICAÇÃO DE AERONAVES

 Desde o advento das fibras de vidro, aramida e carbono, a indústria


aeronáutica tem se utilizado dessa tecnologia na fabricação de peças para
aeronaves.

 Com a evolução tecnológica, os materiais poliméricos, de alta resistência


estrutural, foram ganhando espaço neste segmento, podendo ser
observado um crescimento desses materiais na fabricação das aeronaves,
tendo-se hoje projetos de novas aeronaves com a previsão de uso de
50% em peso em materiais compósitos.
EXEMPLIFICAÇAO MATERIAIS COMPOSTOS-EMBRAER 170

MATERIAIS UTILIZADOS NA
FABRICAÇÃO DE AERONAVES
PRINCIPAIS CARGAS ENVOLVIDAS EM UMA AERONAVE EM OPERAÇAO

A indústria aeronáutica exige


um controle muito rigoroso na
seleção de materiais que são
utilizados no projeto e na
fabricação de componentes,
tendo como base os dados
conhecidos das diferentes
cargas envolvidas durante as
diversas fases de operação das
aeronaves.
PRINCIPAIS CARGAS ENVOLVIDAS EM UMA AERONAVE EM OPERAÇAO

 A fuselagem de uma aeronave pode ser dividida em três secções principais:

dianteira, central e traseira. As cargas predominantes durante um voo comum


são as cargas aerodinâmicas que causam flexões e torções na fuselagem,
asas e empenagens.

 As cargas resultantes podem causar regiões de tração, compressão, flambagens


e cisalhamentos. Durante o taxiamento ocorrem carregamentos dinâmicos
provenientes das irregulares do solo, transferidos para a fuselagem do avião
através dos trens de pouso e as cargas inerciais são as predominantes
neste caso.
PRINCIPAIS CARGAS ENVOLVIDAS EM UMA AERONAVE EM OPERAÇAO

 A figura abaixo apresenta as principais propriedades que devem ser adotadas


durante uma análise para a seleção de materiais a serem utilizados nas fases
de projeto e fabricação de uma aeronave, sendo que as principais
propriedades a serem consideradas durante a fase de projeto são a
resistência à t ração, módulo de elasticidade, resistência à fratura e ao
crescimento de trincas, resistência à corrosão sob tensão e fadiga.
MATERIAIS COMPÓSITOS
VANTAGEM - MATERIAIS COMPÓSITOS

 Elevada resistência ;
 Elevada rigidez ;
 Alta resistência a impactos;
 Alta resistência a fadiga ;
 Possibilidades de formas complexas;
 Pequeno desperdício de material.
MATERIAIS COMPÓSITOS

DESVANTAGEM - MATERIAIS COMPÓSITOS

 Apesar das vantagens que os materiais compósitos apresentam e que


motivam a sua utilização na indústria aeroespacial, essa classe de
materiais tem como desvantagem, em comparação aos metais, a
susceptibilidade aos danos, perdendo muito de sua integridade estrutural
quando isso ocorre.

 Os danos podem ocorrer durante o processamento da matéria-prima,


fabricação da peça, manuseio, transporte, armazenagem, manutenção ou
em serviço.

 Os danos nem sempre são visíveis, mas podem reduzir a resistência do


componente significativamente. E quando componentes que possuem danos
são expostos aos efeitos ambientais, como temperatura, umidade e/ou
radiação ultravioleta, pode haver um aumento significativo da degradação de
suas propriedades físicas e mecânicas.
EXEMPLIFICAÇAO - DANO EM UM COMPONENTE AERONÁUTICO

 A figura abaixo exemplifica um caso real de dano em um


componente aeronáutico, um estabilizador vertical, danificado em voo pelo
choque com uma ave, mostrando a gravidade do dano provocado
pelo impacto. Este é um caso típico de um componente primário que
necessita ser submetido ao processo de reparo estrutural.
EXEMPLIFICAÇAO - DANO EM UM COMPONENTE AERONÁUTICO

 Nestes casos, o procedimento de avaliação de rotina envolve a inspeção


visual da área e a inspeção por meio de técnicas não destrutivas, por
exemplo, ultrassom, que permite detectar delaminações, conforme
demarcado pelas regiões hachuradas.

 A região danificada é avaliada e caso seja possível a realização do


reparo, o material é removido por lixamento e o componente é reparado.

 Considerando a crescente utilização dos compósitos avançados em


peças ou componentes de grande responsabilidade estrutural, geralmente
de elevado custo, torna-se necessário um estudo analítico
detalhado de áreas danificadas ou de escombros resultantes de
acidentes, de modo a avaliar as possíveis causas do dano ou do
acidente, visando atender aos requisitos de segurança em voo, verificar a
possibilidade de reparo de componentes e/ou gerar orientações quanto à
otimização de projetos ou de processamento de componentes.
FRACTOGRAFIA
 A fractografia, ( vem da união dos termos “fractus” (fratura) e “grafos” (tratamento descritivo,
desenho) do latim sendo a técnica empregada para a descrição da topografia da superfície de fratura
com o objetivo de avaliar as causas e mecanismos da fratura ocorrida e esse registro pode ser feito:
1. A nível macroscópico, dimensões acima de 1 mm (olho nú);
2. A nível mesoscópio, dimensões de 1 mm a 100 µm (lupa);
3. A nível microscópio, abaixo de 100 µm (microscópío de varredua)

 A fractografia, é uma das principais ferramentas utilizadas no processo de análise após danos ou
falhas. Consiste em identificar aspectos fractográficos e estabelecer as relações entre a
presença, ou ausência desses aspectos com a sequência de eventos da fratura, podendo levar
à determinação do carregamento e condições dos esforços no momento da falha. A fractografia
confirma ou remove as suspeitas que possam recair sobre os modos de falha ocorridos.

 Esta ferramenta é a chave para se determinar a sequência dos eventos ocorridos durante o processo
de fratura e identificar o estado de tensões atuantes no momento da falha. Outros fatores
como condições ambientais, defeitos do material e outras anomalias que podem contribuir para o
início, crescimento e término da fratura também podem ser avaliados pelo uso da
fractografia.
FRACTOGRAFIA

FRACTOGRAFIA DE COMPOSITOS ESTRUTURAIS


 Projetos de estruturas em materiais compósitos requerem um conhecimento
detalhado do comportamento da fratura do material e dos modos de falha
do componente, conhecimento obtido com os exames post-mortem de
componentes que falharam.

 Na análise de falhas em compósitos não é somente importante relacionar a


fractografia com os mecanismos de fratura, mas também ter a habilidade de
descrever cada um dos aspectos característicos sem equívocos e entender
cada um dos significados, de modo a determinar de maneira precisa o
modo de fratura, a direção geral de propagação da trinca e a origem e
sequência de falhas estruturais.

 É importante notar que, os diferentes tipos de falhas estão relacionados com


o tipo de matriz e fibras e com a relação de adesão e interface existente entre
estes elementos.

 As falhas em compósitos podem ser descritas pelos mecanismos de danos que


ocorrem na fratura. Esses podem ser identificados por quebra das fibras, trinca
da matriz ou delaminação interlaminar.
FRACTOGRAFIA
 A observação deve atentar não somente para a
identificação e documentação da morfologia da falha,
mas também para informações que ajudem a determinar
as causas da falha.

 Assim, três operações básicas devem ser seguidas:

 (1) classificação do tipo de falha;

 (2) mapeamento da trinca;

 (3) análise química da superfície da fratura.


Vistas relativas à avaliação da interface em compósitos estruturais
Materiais Compósitos

Tecido de fibra de carbono


Materiais Compósitos

Hélice propulsora do avião cargueiro Airbus A400M, fabricada em compósito


Materiais Compósitos

Boeing 797, modernas técnicas de construção, por material composto.


HELICOPTERO KC-518
Primeiro helicóptero do mundo a ter a fuselagem feita por carbono/kevlar.
OUTRAS IMAGENS DE FALHAS E REPAROS

Chapa de alumínio totalmente contaminada pela corrosão. Reparo da deriva de um Cessna 172.

Debonded Superfície inferior da pá do rotor e área de reparo (lâmina descansando de cabeça para baixo).
REFERÊNCIAS
 http://www.redalyc.org/articulo.oa?id=47017302 acessado em 19/11/2017 às 13:00 hs.

 https://www.tc.gc.ca/eng/civilaviation/publications/tp185-4-07-printable-4036.htm acessado
em 20/11/2017 às 10:00 hs;

 http://aeromagazine.uol.com.br/artigo/aeronaves-reparadas-apos-acidente_1159.html
acessado em 20/112017 às 11:00 hs.

 http://www.inspebras.com.br/materiais/Analise_falhas2.pdf acessado em 24/11/2017 às


10:30 hs;
 http://ray-phiton.blogspot.com.br/2015/07/ acessado em 24/11/2017 às 11:15 hs.