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Didática do Ensino Superior

Autora
Jane Rangel Alves Barbosa

2009
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© 2003-2006 – IESDE Brasil S.A. É proibida a reprodução, mesmo parcial, por qualquer processo, sem autorização por escrito dos autores e do
detentor dos direitos autorais.

B238 Barbosa, Jane Rangel Alves. / Didática do Ensino Superior. /


Jane Rangel Alves Barbosa. — Curitiba : IESDE Brasil S.A.,
2009.
124 p.

ISBN: 85-7638-248-2

1. Curso Normal. 2. Educação. I. Título.

CDD 378

Todos os direitos reservados.


IESDE Brasil S.A.
Al. Dr. Carlos de Carvalho, 1.482 • Batel
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Sumário
A docência no Ensino Superior...............................................................................................7
Profissionalização continuada e construção da identidade profissional...................................................10
Concluindo................................................................................................................................................12

Universidades e faculdades isoladas: diversos locais de trabalho dos professores..............17


Ensino Superior e docência......................................................................................................................17
A Lei de Diretrizes e Bases e o Ensino Superior......................................................................................17
A Lei de Diretrizes e Bases e a formação de docentes.............................................................................19
Finalidades da universidade no contexto atual.........................................................................................21
Instituições de Ensino Superior: os diversos locais de trabalho dos professores.....................................22
Seleção e carreira do magistério superior.................................................................................................22
Ensino Superior brasileiro: desafios a enfrentar.......................................................................................23

Elementos para a compreensão do cotidiano e o processo didático.....................................27


O conceito de educação como fundamento da ação educativa.................................................................28
Objetivos da educação brasileira..............................................................................................................30
Funções sociais da educação....................................................................................................................31
Perspectivas atuais....................................................................................................................................32
Crises e alternativas..................................................................................................................................32

Prática educativa, pedagogia e didática................................................................................37


Prática educativa na sociedade.................................................................................................................37
O papel da pedagogia na sociedade..........................................................................................................38
O que é pedagogia?...................................................................................................................................38
E, o que é didática?...................................................................................................................................40
Didática e metodologia.............................................................................................................................40
Tendências pedagógicas da prática escolar...............................................................................................41
Concluindo................................................................................................................................................44

Ensinar e aprender: a construção do conhecimento................................................................49


Analisando a realidade atual.....................................................................................................................49
O ensino e a aprendizagem na vida humana.............................................................................................49
O que é ensino?.........................................................................................................................................50
O que é aprendizagem?.............................................................................................................................51
Ensinar e aprender: significados e mediações..........................................................................................52
Refletindo sobre sua prática docente........................................................................................................53
Ensinar e aprender no Ensino Superior....................................................................................................53
Características da aprendizagem no Ensino Superior...............................................................................54
Aprender a aprender.................................................................................................................................55
Concluindo................................................................................................................................................56

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Planejamento da ação didática: uma prática em questão......................................................59
Planejamento: níveis e suas relações........................................................................................................59
Tipos de planejamento na área da educação.............................................................................................60
O planejamento no Ensino Superior.........................................................................................................65
Objetivos do programa de disciplina........................................................................................................67
Conteúdos programáticos.........................................................................................................................69
E a metodologia de ensino?......................................................................................................................69
Como o professor universitário avalia seus alunos?.................................................................................70
Bibliografia básica....................................................................................................................................70
Bibliografia complementar.......................................................................................................................70

Planejamento de ensino numa perspectiva crítica................................................................73


O processo de planejamento no Ensino Superior.....................................................................................74
Planejamento: ação pedagógica essencial................................................................................................75
Planejamento de ensino: processo integrador entre a universidade e o contexto social...........................76
Concluindo................................................................................................................................................77

Objetivos, conteúdos e metodologias...................................................................................81


Introdução.................................................................................................................................................81
A formulação de objetivos educacionais..................................................................................................82
O que são objetivos?.................................................................................................................................83
Os conteúdos de ensino............................................................................................................................87
Metodologias............................................................................................................................................89
Concluindo................................................................................................................................................91
O trabalho interdisciplinar no Ensino Superior........................................................................................93

Repensando a aula universitária no dia-a-dia.......................................................................97


Introdução.................................................................................................................................................97
O que é aula expositiva?...........................................................................................................................97
Como utilizar uma aula expositiva?.........................................................................................................98
Vantagens e limitações da aula expositiva................................................................................................98
Repensando a aula universitária...............................................................................................................100
Conceito de sala de aula universitária......................................................................................................101
Como substituir o paradigma de ênfase no ensino pela ênfase na aprendizagem?..................................102
Como colocar na prática o novo paradigma da aula universitária no dia-a-dia?......................................103
Concluindo................................................................................................................................................104

Avaliação da aprendizagem: avaliar não é o que muita gente pensa....................................107


Introdução.................................................................................................................................................107
Um momento de auto-avaliação...............................................................................................................109
O que faz um professor universitário em sua atividade profissional no dia-a-dia?..................................111
O conceito de avaliação de aprendizagem e as concepções pedagógicas................................................111
Ensino para competências.........................................................................................................................113
“Professor, eu sabia tudo, eu estudei tudo, mas na hora da prova, fiquei nervoso e deu um branco”......115
Avaliação da aprendizagem......................................................................................................................116
A prova: ressignificando a Taxionomia de Bloom....................................................................................117

Referências............................................................................................................................119

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Apresentação

A
Educação Superior, ontem, era uma mais exigência de aprimoramento intelectual. Porém,
hoje, é uma exigência de sobrevivência e desenvolvimento de um país.
A Educação Superior, até bem pouco, tinha caráter humanístico, era privilégio
de poucos, quase todos provenientes de famílias dominantes no cenário político e econômico do
país. Seus estudantes buscavam mais um “aprimoramento pessoal” do que uma profissão. Mas, a
importância que adquire, hoje, as questões da ciência, da tecnologia e da comunicação no mundo
globalizado, provoca sensíveis transformações nas sociedades contemporâneas em todos os sentidos,
sinalizando a construção de uma nova sociedade, uma nova realidade social, obrigando a educação
escolar vincular-se às práticas sociais e ao mundo do trabalho.
No que se refere à formação de professores para o Ensino Superior, as pesquisas recentes na
área de educação mostram que os professores são profissionais essenciais nos processos de mudança
das ­sociedades. Por isso, é preciso investir na formação e no desenvolvimento profissional dos
­professores.
Como a educação superior está inserida no contexto social global, é preciso situar a
instituição de Ensino Superior, analisá-la e criticá-la como instituição social que tem compromissos
­historicamente definidos.
No decorrer das últimas décadas, a instituição universitária vem experimentando muitas
alterações, colocando em discussão esses compromissos e a sua relação com a sociedade em que está
inserida.

Jane Rangel Alves Barbosa

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Planejamento de ensino
numa perspectiva crítica

R
efletindo sobre a prática pedagógica universitária, observa-se que trata da metodologia do ­Ensino
Superior, da prática pedagógica e das didáticas, da epistemologia da prática ­profissional, da
sala de aula universitária e de sua gestão pedagógica, e da inovação na educação, entre outros.
Trata-se de um campo de possibilidades infinitas, em que o diálogo com os professores é fundamental
(GUSDORF, 1967, p. 56).
Assim, é abandonada a exclusividade atribuída à técnica, e os professores universitários mos-
tram-se favoráveis a um professor acolhedor, confiante no universitário, dialógico, questionador e
provocador. Em relação à disciplina ministrada, surge uma proposta mais global, relacionada a con-
teúdos, sentimentos, cooperação, participação e incertezas.
Nessa direção, temos a compreensão de que:
...não se pode falar em uma pedagogia universitária, mas sim pedagogias universitárias, quanto em relação aos
diferentes campos profissionais. Vive-se, assim, uma tensão constante entre o específico e o geral, entre o indiví-
duo e o coletivo, que interagem em processos em decisões pedagógicas na instância de cada curso e que adentram
na formação do professor e nas suas práticas pedagógicas, sem que, na maioria das vezes, se tenha consciência
dessas tensões e arbitrariedades presentes na estrutura de poder de cada profissão. (FERNANDES, 1999, p. 3).

Isso implica a necessidade de se promover um permanente “diálogo epistêmico” entre o conteú-


do específico de cada campo do conhecimento e o conteúdo pedagógico. Busca-se assim a construção
de uma epistemologia que produza, dissemine e ressignifique, na formação de professores, a docência
como um campo profissional com conhecimentos próprios, interagindo com espaço-tempo que está
sendo vivido e por viver, o que constitui o cerne da pedagogia universitária.
Pensar a prática pedagógica e investigativa como um processo ativo e crítico conduz à apren-
dizagem de como fazê-la, favorecendo a formação de uma nova cultura organizacional (NÓVOA,
1992), que produz:
a vida do professor, na perspectiva de desenvolvimento pessoal;
a profissão docente, na perspectiva de desenvolvimento profissional;
a universidade, na perspectiva de desenvolvimento organizacional.
Nesse tipo de comunidade, concretiza-se a investigação-formação mobilizadora da experiência,
além da dimensão pedagógica, para a produção de saberes, por meio da criação de autoformação par-
ticipada, decisiva para o profissional docente, para a socialização profissional e para a afirmação da
própria profissão docente (NÓVOA, 1992).
A universidade, na perspectiva de desenvolvimento organizacional, por sua vez, consolida-se
como espaço de formação, na articulação pela investigação participativa.
Nessa perspectiva, a abordagem de situações-problema vivenciadas pelos professores, na práti-
ca cotidiana, em um contexto de partilha de experiências, possibilita ver o dia-a-dia como passível de
mudanças, exigindo repostas práticas.

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Didática do Ensino Superior

Entendendo a prática pedagógica como uma prática intencional de ensino e


aprendizagem, é fundamental compreender o processo de planejamento inovador
no Ensino Superior.

O processo de planejamento
no Ensino Superior
No contexto atual, o processo de planejamento de ensino tem sido obje-
tivo de constantes reflexões, indagações e críticas quanto à sua validade como
um instrumento de intervenção, mudança e de melhoria da qualidade do tra-
balho docente.
A vivência do cotidiano universitário evidência situações questionáveis nes-
se sentido:
a) os objetivos educacionais propostos nos currículos dos cursos de graduação apresen-
tam-se confusos e desvinculados da realidade social;

b) os conteúdos a serem trabalhados, por sua vez, são definidos de maneira autoritária, pois
os professores, via de regra, não participam dessa tarefa;

c) percebe-se, também, que os recursos disponíveis para o desenvolvimento do trabalho


didático tendem a ser simples instrumentos de ilustração das aulas, reduzindo-se a equi-
pamentos e objetos, muitas vezes, inadequados aos objetivos e conteúdos;

d) quanto à metodologia utilizada pelo professor, observa-se que esta se caracteriza pela
predominância de atividades transmissoras de conhecimentos, com pouco ou nenhum
espaço para discussão e análise crítica dos conteúdos;

e) o aluno se mostra mais passivo do que ativo e, por decorrência, seu pensamento criativo
é mais bloqueado do que estimulado;

f) a avaliação da aprendizagem é resumida ao ritual das provas periódicas, quais é verifi-


cada a quantidade de conteúdos assimilada pelo aluno. (LOPES, 1991, p. 41-42).

Diante dessa realidade, o professor universitário, assumindo a autoridade


institucional, direciona o processo ensino-aprendizagem de forma isolada dos
condicionantes históricos presentes na experiência de vida dos universitários.
Nesse contexto, o processo de planejamento de ensino se apresenta desvin-
culado da realidade socioeconômica e cultural caracterizando-se como uma ação
mecânica e burocrática do professor, pouco contribuindo para elevar a qualidade
da ação pedagógica nas instituições de Ensino Superior.
No meio universitário, quando se faz referência a planejamento da ação do-
cente, a idéia é aquela que identifica o processo pelo qual são definidos: os objeti-
vos, o conteúdo programático, os procedimentos de ensino, os recursos didáticos
e a sistemática de avaliação da aprendizagem.

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Planejamento de ensino numa perspectiva crítica

Este é o padrão de planejamento de ensino adotado pela maioria dos profes-


sores universitários e que, em nome da eficiência do ensino, passou a ser ­valorizado
apesar de sua dimensão técnica.
É claro que a definição dos componentes do plano de ensino de maneira
fragmentada e desarticulada do todo social é que tem gerado uma concepção de
planejamento ineficaz de dinamizar e facilitar o trabalho docente.
Numa concepção transformadora, o processo de planejamento de ensino visto
sob a perspectiva crítica da educação, passa a extrapolar a simples tarefa de se elabo-
rar um documento contendo todos os componentes tecnicamente recomendáveis.
Sentimos que o processo de planejamento de ensino precisa ser repensado. En-
tendemos que um planejamento dirigido para uma ação crítica e transformadora pos-
sibilitará ao professor um universitário com maior segurança para lidar com a relação
educativa que ocorre na sala de aula e na instituição de Ensino Superior como um todo.
Assim, o planejamento “adequado” bem como o seu resultado – um bom
plano de ensino – se traduzirá pela ação pedagógica direcionada de maneira a se
integrar dialeticamente ao concreto do universitário, buscando sua transformação.
Numa perspectiva crítica da educação, a instituição universitária tem o sig-
nificado de “local de acesso” ao saber sistematizado historicamente acumulado.
No pensamento de Saviani (1983, p. 9), a escola existe “para propiciar a aquisi-
ção dos instrumentos que possibilitam o acesso ao saber elaborado (ciência), bem
como o próprio acesso aos rudimentos desse saber”.
Assim, os conteúdos que constituem esse saber elaborado não poderão ser
considerados de forma estática e acabada, pois se tratam de conteúdos dinâmicos
e, por isso, articulados dialeticamente, com a realidade histórica. Logo, precisam
ser conduzidos de forma que, ao mesmo tempo em que transmitam a cultura acu-
mulada, contribuam para a produção de novos conhecimentos.
Isto significa dizer que produzir conhecimentos tem o significado de processo
de reflexão permanente sobre os conteúdos aprendidos, buscando analisá-los sob
diferentes pontos de vista. Significa, ainda, desenvolver a atitude de ­curiosidade
­científica, de investigação da realidade, não aceitando como conhecimentos pron-
tos e acabados os conteúdos transmitidos pela instituição universitária.

Planejamento: ação pedagógica essencial


Nessa perspectiva, o planejamento do ensino na instituição universitária
não poderá ser compreendido de maneira mecânica, desvinculado das relações
entre a instituição educativa e a realidade histórica.
Nessa ótica, os conteúdos a serem trabalhados por meio do currículo precisa-
rão estar estreitamente relacionados com a experiência de vida dos ­universitários.
Lembrando que essa relação é condição necessária para que, ao mesmo tempo em
que ocorra a transmissão de conhecimentos, proceda-se a sua relação com vistas
à produção de novos conhecimentos.

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Conseqüentemente, o resultado dessa relação dialética será aplicação dos


conhecimentos aprendidos sobre a realidade social no sentido de intervir para
­transformá-la.
Assim, podemos concluir que a tarefa de planejamento passa a existir como
uma ação pedagógica essencial ao processo de ensino e de aprendizagem, supe-
rando sua concepção mecânica e burocrática. Espero, então, ter provocado mu-
dança na sua concepção de planejamento em uma instituição universitária.

Planejamento de ensino: processo


integrador entre a universidade
e o contexto social
Superando a dimensão técnica, o planejamento de ensino seria a ação resul-
tante de um processo integrador entre a universidade e o contexto social, efetivada
de forma crítica, criativa e transformadora.
Isso significa que as atividades seriam planejadas tendo como referência a
problemática sociocultural, econômica e política do contexto no qual a instituição
universitária está inserida.
Nessa perspectiva, o planejamento de ensino estaria voltado eminentemente
para a transformação da sociedade no sentido de torná-la mais humana, igualitá-
ria e justa.
Então, como se efetiva essa forma de planejamento de ensino no cotidiano
universitário?
Essa proposta tem como fundamento os princípios do planejamento parti-
cipativo, forma de trabalho coletivo que se caracteriza pela integração de todos
os setores da atividade humana, numa ação globalizante, com vistas à solução de
problemas comuns. O que implica numa convivência de profissionais que discu-
tam e avaliem atividades propostas coletivamente.
A partir dessa convivência, o processo educativo passa a desenvolver mais
facilmente seu papel transformador, pois, à medida que discutem, as pessoas re-
fletem, questionam, conscientizam-se de problemas coletivos e decidem-se por se
enganjar na luta pela melhoria da qualidade da educação e do ensino.
No contexto universitário, o planejamento participativo caracteriza-se pela
busca da integração efetiva entre instituição universitária e a realidade social, pri-
mando pela articulação entre teoria e prática. Logo, a participação de professores,
alunos, especialistas e demais pessoas envolvidas no processo educativo, seria o
ponto de convergência das ações direcionadas para a produção do conhecimento,
tendo como base a realidade histórica.
Para Lopes (1991, p. 46-50), o processo de planejamento de ensino, na insti-
tuição universitária, caracteriza-se por diferentes momentos:

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diagnóstico da realidade sociocultural da clientela escolar – o que


possibilita a caracterização dos interesses e necessidades para os quais a
ação pedagógica será planejada;
organização do trabalho didático – que inclui a definição dos objetivos
a serem perseguidos, a sistematização do conteúdo programático e a se-
leção dos procedimentos de ensino a serem utilizados.
Na definição dos objetivos, será essencial a especificação dos diferentes
­níveis de aprendizagem a serem atingidos: aquisição, reelaboração dos conheci-
mentos e produção de novos conhecimentos. Para tanto, deverão expressar ações,
tais como a reflexão crítica, a curiosidade científica, a investigação e a criativida-
de.
Os conteúdos a serem estudados deverão passar por uma análise crítica com
vistas à identificação daquilo que representa o essencial.
Propostos os objetivos e os conteúdos a serem estudados em metodologia de
ensino, passamos à articulação de procedimentos que deverão ser concretizados,
respeitando os diferentes níveis de aprendizagem e a natureza da matéria de ensi-
no proposta. Assim, o critério básico para a seleção de procedimentos de ensino
deverá ser a criatividade. A tarefa do professor universitário é articular uma me-
todologia de ensino que se caracterize pela variedade de atividades estimuladoras
dos universitários.
A avaliação da aprendizagem não poderá ter o sentido classificatório dos
r­ esultados do ensino. Num processo educativo em que a metodologia de ensi-
no ­privilegia a criatividade dos universitários, a avaliação terá o caráter de
­acompanhamento desse ­processo, num julgamento conjunto de professores e uni-
versitários.
Dessa forma, não deverá existir preocupação com a verificação da quanti-
dade de conteúdos aprendidos, mas tão-somente com a qualidade da reelaboração
e produção de conhecimentos ­empreendida por cada universitário a partir da ma-
téria estudada.

Concluindo
O projeto político-pedagógico é um documento sempre provisório que afir-
ma publicamente aquilo que acredita numa determinada comunidade educativa e
que busca fundamentar uma prática pedagógica concreta.
Este projeto tem origem num processo participativo de construção de
­significados, no esforço de definir e configurar uma nova identidade à instituição,
t­raduzindo, ao mesmo tempo, a intenção do que se pretende realizar: projeções,
­inovações, mudanças e rupturas e, principalmente, a coragem e a ousadia para
­propô-las.
Desse modo, traz de forma implícita a utopia impulsionadora de uma coleti-
vidade que busca o novo e o desejado, constituindo uma prática vivida, num dado

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espaço e tempo histórico-cultural.


Logo, o projeto político-pedagógico institucional exige a construção de um
processo participativo com a busca de adesão voluntária daqueles (todos que ­fazem
parte da comunidade educativa) que contribuam com conhecimentos ­próprios e
como protagonistas capazes de discutir, refletir e propor decisões.
Faz-se necessário enfatizar que:
a caracterização de momentos ou etapas do planejamento não deverá ser
entendida como o desenvolvimento de partes distintas e estanques dentro
desse processo, porque não é possível compartimentar-se uma ação que
por sua natureza é contínua, dinâmica e globalizante;
o planejamento deverá ser integrador em toda a sua extensão, que pro-
porcionará um ensino voltado para a formação de pessoas críticas, ques-
tionadoras e atuantes;
uma educação integradora na qual professores e universitários produzam
conhecimentos a partir da participação da instituição universitária na so-
ciedade e vice-versa. Formaremos universitários com possibilidades de
contribuir concretamente para a transformação da sociedade;
o processo de planejamento de ensino exigirá do professor universitário
uma postura comprometida não só com o pedagógico, mas também com
o social.
Finalizando, o planejamento de ensino deverá ser assumido pelo professor
universitário como uma ação pedagógica consciente e comprometida com o proces-
so educativo inovador e transformador.

1. Leia o texto O planejamento educacional e a prática dos educadores de José Cerchi Fusari,
publicado na Revista Ande.

2. No início do texto, o autor descreve uma situação que de fato acontece nas instituições de Ensi-
no Superior: a resistência de alguns professores universitários de fazer um plano por escrito.
Analise a situação descrita pelo professor Fusari, tentando indicar suas causas e possíveis soluções.

3. Responda as questões em grupo.


a) Quais seriam as principais dificuldades para a elaboração de um planejamento de ensino nas
instituições universitárias?

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b) Qual é a opinião do grupo sobre a necessidade do planejamento no Ensino Superior?

4. Discuta e apresente as respostas, tirando conclusões.

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