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APOSTILA PREPARATÓRIA PARA CONCURSOS

E VESTIBULARES:

HISTÓRIA DO
1
PARANÁ

PROFESSOR: Thiago Veronezzi2

1
Ressaltando que a apostila NÃO é de cunho integralmente autoral; tal material foi
confeccionado com base em um aglomerado de partes e frases (de modo que os materiais
consultados foram se complementando a fim de aumentar a qualidade da apostila) das
referências e bibliografia citadas ao fim do conteúdo.
2
E-mail: tchveronezzi_@hotmail.com / thiago.veronezzi@grupointegrado.br
Facebook: Thiago Veronezzi (https://www.facebook.com/thiagoo.veronezzi).
Currículo Lattes: Thiago Chaves Veronezzi (http://lattes.cnpq.br/1976252968129472).

1
SUMÁRIO

AS POPULAÇÕES NATIVAS..................................................................................................03

A PRESENÇA EUROPEIA NO TERRITÓRIO PARANAENSE........................................07

OCUPAÇÃO E POVOAMENTO DO PARANÁ....................................................................17

COLÔNIAS MILITARES NO PARANÁ................................................................................31

UMA EXPERIÊNCIA ANARQUISTA NO PARANÁ: COLÔNIA CECÍLIA...................34

EMANCIPAÇÃO POLÍTICA PARANAENSE......................................................................36

ASPECTOS DA ECONOMIA DO PARANÁ.........................................................................42

ESCRAVIDÃO........................................................................................................................... 55

IMIGRAÇÃO............................................................................................................................. 59

MOVIMENTOS MILITARES E REVOLUCIONÁRIOS.....................................................63

A CONSTRUÇÃO DA INFRAESTRUTURA.........................................................................74

OS TRÊS PARANÁS.................................................................................................................78

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS.....................................................................................83

2
AS

POPULAÇÕES

NATIVAS

3
AS POPULAÇÕES NATIVAS PARANAENSES

Os territórios hoje denominados de Paraná3 vêm sendo continuamente habitados


por diferentes populações humanas há cerca de 8.000 anos atrás, de acordo com os
vestígios materiais mais antigos encontrados pelos arqueólogos. Todavia, se
considerarmos a cronologia dos territórios vizinhos que foram ocupados em épocas
anteriores, é provável que ainda possam ser obtidas datas que poderão atestar a presença
humana em períodos mais recuados, podendo alcançar até 11 ou 12.000 antes do
presente.
No Paraná duas grandes nações nativas habitavam essa região primitivamente:
os tapuias ou Jês (composto por Kaingángs e Botocudos ou Xokléngs) e os tupis-
guaranis (composto por Guaranis e Xetás).
Os grupos em que classificamos os nativos paranaenses são: os de floresta
tropical, que já utilizavam peças de cerâmica, redes, navegação fluvial e práticas de
agricultura como os tupis-guaranis; existem também tribos na classificação marginal,
que desconhecem a rede, tendo sua sobrevivência através da caça e da pesca com
apenas uma cerâmica e uma agricultura muito rudimentar, já nesse exemplo se encaixa
os tapuias ou Jês. Portanto, os únicos elementos em comum eram: o arco e a flecha, a
lança e a esteira.
Os principais vestígios arqueológicos deixados pelos índios são os sambaquis,
que são montes de ostras e conchas, misturados com ossos de animais, sobretudo
marinhos, formados artificialmente pela mão do homem ao longo de vários anos na
costa, em lagos ou em rios litorâneos. Os sambaquis são mais conhecidos como
ostreiras. São muito numerosos, só no litoral são mais de 200.
Com relação à distribuição geográfica, as populações nativas paranaenses
estiveram distribuídas da seguinte forma: os tupis-guaranis e suas tribos estiveram
no noroeste, oeste e no litoral do estado; já os tapuias ocupavam o norte e o centro
do estado.

DISTRIBUIÇÃO GEOGRÁFICA DAS POPULAÇÕES NATIVAS PARANAENS ES :

3
O nome do Estado vem do nome indígena do rio homônimo em tupi: pa’ra = “mar” mais “nã”
= “semelhante, parecido”. Paraná é, enfim, “semelhante ao mar, rio grande, parecido com o
mar”.

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EXERCÍCIOS

QUESTÃO 01:
(UEM-2009) Os índios que habitavam as terras hoje pertencentes ao estado do Paraná eram
divididos em dois grandes grupos: os tupis-guaranis, que predominavam no litoral, e os tapuias
ou jês. Sobre esses habitantes, assinale a(s) alternativa(s) correta(s).

01) Os tupis-guaranis praticavam a agricultura, plantando milho, mandioca, algodão e fumo.


02) A erva-mate, cujo consumo é bastante disseminado na região Sul do Brasil, já era utilizada
pelos índios.
04) A agricultura praticada pelos tapuias era bastante desenvolvida, com a utilização de um
arado de madeira que os tupis desconheciam.
08) Os tupis-guaranis produziam objetos em cerâmica, teciam redes a partir do algodão que
cultivavam e produziam farinha de mandioca.

16) Para estudar as populações indígenas que viveram no Paraná, os pesquisadores recorrem a
procedimentos e a técnicas próprias da Arqueologia.

QUESTÃO 02:
(UEM-2010) Quando os primeiros europeus chegaram à América, viviam, no território do atual
Estado do Paraná, vários povos indígenas. A respeito desses povos, assinale a(s) alternativa(s)
correta(s).

01) Entre os povos que habitavam a região, podem ser citados os Guarani e os Kaingang.
02) Os Guarani praticavam a agricultura, cultivando mandioca, milho, algodão, entre outros
produtos.
04) Os Kaingang praticavam uma agricultura mais complexa que as tribos do litoral, utilizando-
se do arado para cultivar as áreas que eram desmatadas pelas queimadas.
08) Os jesuítas espanhóis que se fixaram na atual região Norte do Estado do Paraná, no início
do século XVII, tinham como objetivo a catequese dos índios.
16) Os Xokleng, também chamados Botocudos, os Xetá, os Tupinambá e os Aymoré, povos
agricultores, eram os grupos mais numerosos na região onde atualmente se localiza o município
de Maringá.

QUESTÃO 03:
(UEM-2011) Sobre grupos indígenas e os contatos estabelecidos com o colonizador europeu na
região que veio a se constituir no atual Estado do Paraná, assinale a(s) alternativa(s) correta(s).

01) No litoral do atual Estado do Paraná, predominavam, assim como no restante do Brasil, os
caingangues.
02) As técnicas agrícolas utilizadas pelos índios que habitavam o litoral paranaense visavam à
preservação da natureza. Isso pode ser observado pela sedentarização e fixação dessa população
na região, já no século XV.

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04) No Paraná, um dos vestígios arqueológicos deixados pelos indígenas são os sambaquis,
encontrados no litoral.
08) A partir da segunda metade do século XVI, empenhados na conversão dos nativos ao
cristianismo, missionários jesuítas penetram no território que se constituiria no Estado do
Paraná.
16) Durante o período da União Ibérica, entre 1580 e 1640, ocorreram o desenvolvimento e os
ataques dos paulistas às reduções jesuíticas do Guairá.

6
A

PRESENÇA EUROPEIA

NO

TERRITÓRIO

PARANAENSE

7
O PARANÁ ESPANHOL

No final do século XV, quando Espanha e Portugal celebraram o Tratado de


Tordesilhas4 que dividia as terras descobertas entre as duas coroas cristãs, a maior
parte das terras brasileiras, inclusive o Paraná, ficou sob a jurisdição espanhola.

TERRITÓRIO SOB O DOMÍNIO ESPANHOL

TERRITÓRIO SOB O DOMÍNIO PORTUGUÊS

Os contatos dos europeus com os nativos habitantes da região ocorreram no


início do século XVI, com os primeiros navegantes que aportaram ou passaram pelo
litoral paranaense, e pelas primeiras expedições portuguesas e espanholas que
percorreram o interior do Paraná rumo ao Império Inca.
Quando os primeiros europeus começaram a desembarcar no litoral sul do Brasil
para abastecerem seus navios com água, lenha e alimentos, aqui deixavam desterrados
ou náufragos que tomaram conhecimento, por meio dos Guaranis, das enormes
riquezas existentes a oeste de seus territórios. Esses desterrados e/ou náufragos, em
conjunto com os índios, prepararam expedições para irem até as terras onde
existiam ouro e prata em abundância. Começou então o processo de desvendamento
e conquista dos territórios indígenas do interior, o que seria mais tarde o estado do
Paraná.
O reino de Portugal apenas começou a colonização de suas possessões
americanas por volta das três décadas após o achamento das terras por Cabral em 1500.
Já a coroa espanhola passou a organizar expedições por volta de 1515 à procura de
uma passagem interoceânica no estuário da Prata.
4
Assinado na povoação castelhana de Tordesilhas em 7 de Junho de 1494, foi um acordo
celebrado entre o Reino de Portugal e o recém-formado Reino da Espanha para dividir as terras
“descobertas e por descobrir” por ambas as Coroas fora da Europa.

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Numa dessas expedições foi encontrado o Caminho de Peabiru (este caminho
já era utilizado pelos indígenas, onde saia do oceano Atlântico, próximo a São Vicente,
e chegava até o Pacífico, no território do Peru.). Aleixo Garcia, um espanhol
naufragado, chegou ao litoral da capitania de Sant’ana e logo fez contato amistoso com
os índios da região. Logo, Aleixo ficou sabendo das terras mais a oeste que emanavam
ouro. O espanhol juntou cerca de dois mil índios e se lançou em direção ao Império Inca
pelo que seria conhecido como Caminho de Peabiru. Aleixo até conseguiu alguma prata,
mas, quando voltava ao Paraguai, sua expedição foi atacada por índios Payaguás,
provocando a morte de Aleixo Garcia e boa parte de seus homens.

CAMINHO DE PEABIRU:

Foram comuns expedições espanholas adentrando o território paranaense. Como


exemplo, o famoso Álvar Nuñes Cabeza de Vaca que fora enviado pela coroa
espanhola por volta de 1541, para reconhecimento da região. Percorreu por via
terrestre com sua expedição que contava com cerca de quatrocentos homens e quarenta
cavalos, sendo guiados por índios guaranis. Percorrendo basicamente o mesmo caminho
de Aleixo Garcia do planalto curitibano a região de foz do Iguaçu.
Em 1554 é fundado na foz do Rio Ivaí com o Rio Paraná, por Domingos
Martínez de Irala, então governador do Paraguai5 , o primeiro povoamento paranaense, a
Vila de Ontiveros.
Ademais, Ruy Dias Melgarejo, em 1553-1554, percorreu duas vezes o interior
do Paraná, desde Ontiveros até São Vicente, e regressou em 1555, partindo do litoral,
em Santa Catarina, seguindo o mesmo roteiro de Cabeza de Vaca. Melgarejo teve um
destacado papel entre os conquistadores espanhóis no interior do Paraná, porque

5
Os espanhóis começaram a conquista da região fundando Buenos Aires em 1536 e Assunção
em 1537. A atual capital do Paraguai foi o centro da colônia espanhola no sul da América.

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conduziu a fundação de Ciudad Real Del Guairá (1557) e de Villa Rica do Espiritu
Santu (1576) 6 .
Os colonos espanhóis, habitantes de Ciudad de Guairá e de Villa Rica
começaram a escravizar os milhares de índios existentes na região. O principal trabalho
dos escravos era a coleta e beneficiamento de erva-mate nos ervais nativos da região.

Administração espanhola em suas possessões: os adelantados e a encomienda

A coroa espanhola delegava autoridade a algumas pessoas providas de condições


e bens para ocuparem e colonizarem as terras nativas; esses conquistadores eram
conhecidos como adelantados. De acordo com as ordens da coroa de Castela, eles
deveriam ensinar os nativos a garantirem um ofício (era comum a situação de mestre e
aprendiz durante muito tempo na Europa). Além disso, ficava a cargo desses
conquistadores a responsabilidade de catequização da população nativa.
Contudo, os nativos não receberiam isso de bom grado, eles pagariam taxas ou
serviços a esses conquistadores. O trabalho em troca da “civilização” era conhecido
como encomienda. Na prática esse sistema colocava o nativo na condição de escravo.
Tal condição fez surgir núcleos de revolta de índios guerreiros na região Del Guairá e
diversas manifestações de negação à submissão das ordens espanholas.
Devido às dificuldades de submissão dos índios, foi sugerido ao rei que a
pacificação e a conversão fossem confiadas aos jesuítas espanhóis . A sugestão foi
aceita, criando-se pela Carta Régia de 1608 a Província Del Guairá7 , abrangendo
justamente as terras do ocidente do Paraná. Ali seriam estabelecidas as Reduções
Jesuíticas do Guairá, chegando, a leste, até o rio Tibagi; ao norte, ao rio
Paranapanema; ao sul, ao rio Iguaçu; a oeste, ao rio Paraná.
Em 1588, os padres Manuel Ortega, Juan Saloni e Thomas Fields percorreram a
região do Guairá visando conhecer o potencial humano para futuros trabalhos
missionários, a exemplo do que já ocorria na costa do Brasil desde 1549. Informaram
aos seus superiores a existência de milhares de índios Guarani na região, bem como
reconheceram uma série de peculiaridades culturais, sociais e políticas que seriam uteis
alguns anos depois. Era o início das atividades religiosas no Guairá, e os conquistadores
passaram a veicular os elementos básicos de sua cultura por intermédio dos padres
jesuítas.

Reduções Jesuíticas no Guairá

Os jesuítas aplicaram, no Guairá, um novo método de catequese, qual seja o das


reduções. No início do seu trabalho, os padres jesuítas tiveram o apoio da
administração colonial, que deu terras, construiu casas e igrejas. Estado e Igreja
estavam unidos. Isso, porém, durou pouco tempo. Com o objetivo de proteger o
indígena, os jesuítas entraram em choque com os espanhóis de Vila Rica e Ciudad Real,
cujos habitantes desejavam escravizar os nativos.
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O povoado de Ontiveros foi transferido em 1537 por Ruy Dias Melgarejo para a foz do rio
Piquiri, mudando o nome de Ontiveros para Ciudad Del Guayrá (hoje Cidade de Guaíra). Mais
tarde, em 1576, o mesmo Melgarejo fundaria na confluência dos rios Corumbataí e Ivaí, a Villa
Rica Del Espírito Santo (próximo da atual cidade de Fênix).
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Guairá do tupi-guarani significa: gua+i+rá = “água que cai” (catarata) ou guaí-ra =
“gente+abundância” (local populoso).

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Sabiamente, os jesuítas não quebrariam a hierarquia dos índios nas reduções.
Adaptaram os chefes indígenas aos cargos existentes numa vila espanhola. Porém,
nunca deixaram de ter a supremacia. Exerciam, portanto, uma ação paternal sobre o
indígena aldeado.
No limiar dos seiscentos, os portugueses chegaram à região em busca do seu
butim: escravos indígenas para o trabalho nas fazendas paulistas, metais preciosos e
outras riquezas8 . Ressalta-se que desde a fundação de São Vicente, em São Paulo, eles
já preavam os Guaranis do litoral e das encostas das serras paranaenses.
Os primeiros ataques às reduções Del Guairá foram realizados pelas bandeiras
chefiadas por Manoel Preto. Em 1623, ele e seu irmão, Sebastião Preto, prepararam uma
expedição que deixou São Paulo praticamente despovoada de homens. O ataque rendeu
cerca de três mil cativos, que foram levados para as fazendas do planalto e para outras
praças.

REDUÇÕES JESUÍTICAS E EXPEDIÇÕES DOS BANDEIRANTES :

As primeiras décadas do século XVII foram marcadas por uma


intensificação das ações dos europeus no Guairá. De um lado, existiam os choques
entre os índios Guarani e dos encomenderos espanhóis que os exploravam no trabalho
semiescravo da coleta da erva-mate. Os padres jesuítas, em sua pregação religiosa,
tentavam inculcar os valores da sociedade invasora junto às populações indígenas
existentes na região. Contrariando os interesses dos encomenderos espanhóis e dos
padres da Companhia de Jesus, vieram os paulistas com a intenção de buscar seu butim.
Os padres da Companhia de Jesus fundaram, junto com os índios, quatorze
Reduções nos vales dos rios Paraná, Iguaçu, Piquiri, Ivaí, Paranapanema, e Tibagi.

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As incursões para aprisionar índios se intensificaram durante o domínio espanhol, entre 1580 e
1640, (período em que o rei da Espanha foi também rei de Portugal) em virtude da Holanda, que
estava em guerra com a Espanha, ter dificultado a vinda de escravos africanos. Com isso a
procura de escravo índio aumentou. A grande quantidade de índios aldeados pelos jesuítas no
Paraná – mais de 100.000 – foi ímã que atraiu os bandeirantes.

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No ano de 1628, as reduções Del Guairá foram arrasadas e reduzidas às
cinzas.
Esperando escapar dos paulistas, os jesuítas transferiram-se para o Tape,
no atual Rio Grande do Sul, e Mato Grosso. Os bandeirantes igualmente arrasaram a
nova missão, aprisionaram 1500 Guaranis, levando-os como prisioneiros para São
Paulo.
As consequências desse contexto foram: fracasso das reduções; incorporação do
território paranaense às possessões portuguesas pelo Tratado de Madrid em 1750 (foi
um acordo entre Portugal e Espanha, que objetivava o estabelecimento das fronteiras
entre terras portuguesas e espanholas no sul do Brasil e abandono de demasiados
territórios paranaenses por muitos anos.

O PARANÁ PORTUGUÊS

Em 1534, Pero Lopes de Souza recebeu a Capitania de Santa Ana, e em 1543,


Martin Afonso de Souza recebeu a Capitania de São Vicente. Os irmãos Souza não
demonstraram interesse na ocupação do litoral paranaense e após a morte desses dois
donatários, surgiu uma disputa entre seus herdeiros.
A ocupação do Paraná pelos portugueses, centrada em Paranaguá e
Curitiba, teve inicialmente, como imã, o ouro, juntamente com a caça ao índio.

EXERCÍCIOS

QUESTÃO 01:
(UEM-2012) Sobre a colonização europeia da região compreendida entre os rios Paraná,
Paranapanema, Tibagi e Iguaçu, que em nossos dias fazem parte do Estado do Paraná, assinale
a(s) alternativa(s) correta(s).

01) No início da segunda metade do século XVI, os espanhóis iniciaram a colonização europeia
daquela região, com a fundação de vilas.

02) O estabelecimento dos portugueses na região ocorreu com a expulsão dos espanhóis no
início do século XVIII, quando, com o apoio dos bandeirantes paulistas, os jesuítas portugueses
fundaram as missões do Guairá.

04) As reduções que foram organizadas pelos jesuítas para a catequese dos índios entravam em
conflito com os interesses dos adelantados espanhóis, que utilizavam a mão de obra indígena
por meio das encomiendas.

08) Entre os principais povoados que foram fundados na região, Paranaguá atingiu um grande
desenvolvimento econômico, no século XVIII, em razão da extração do ouro.

16) Essa região era, no século XVI, povoada por indígenas, com o predomínio de grupos tupi-
guarani.

QUESTÃO 02:

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(UEM-2012) Sobre a criação dos aldeamentos indígenas no Paraná, ao longo do século XIX,
assinale a(s) alternativa(s) correta(s).

01) Quando do início da ocupação dos Campos de Guarapuava, na década de 1810, a Coroa
portuguesa criou a povoação de Atalaia, atraindo os índios Kaingang.

02) O surgimento da povoação de Palmas, na década de 1820, contou com a presença de índios
da etnia Xetá.

04) O aldeamento de São Jerônimo, organizado na década de 1850 para os Kaingang, serviu de
apoio estratégico na Guerra do Paraguai.

08) A Colônia Militar de Foz de Iguaçu, criada na década de 1860, contou desde seu início com
os índios da etnia Xokleng.

16) A Colônia Militar de Umuarama, criada na década de 1890, contou com a presença de
índios Guaranis.

QUESTÃO 03:
(UEM-2011) Ao longo dos séculos XVI e XVII, os europeus realizaram expedições e iniciaram
a ocupação de regiões do atual Estado do Paraná. A esse respeito, assinale a(s) alternativa(s)
correta(s).

01) As terras da região central do Estado do Paraná, os Campos Gerais, foram ocupadas no
século XVI pelos tropeiros que conduziam os animais para as regiões de mineração no Centro-
Oeste.

02) Na segunda metade do século XVI, jesuítas, subordinados ao padroado português, estiveram
no atual território paranaense com o objetivo de catequizar os índios carijós.

04) Na segunda metade do século XVI, o governador do Paraguai, subordinado ao rei da


Espanha, determinou que fossem fundadas vilas na região do Guairá.

08) As fronteiras da Província do Guairá, pertencente à Espanha naquele período, correspondem


à totalidade dos territórios que, em nossos dias, constituem o Estado do Paraná.

16) A fundação de Missões ou Reduções jesuíticas, na região compreendida entre os rios


Paraná, Paranapanema, Tigabi e Iguaçu, foi motivada pela tentativa.

QUESTÃO 04:
(UEM-2010) Sobre a ocupação europeia dos territórios que, atualmente, fazem parte do
território do Estado do Paraná, assinale a(s) alternativa(s) correta(s).

01) A presença de colonizadores espanhóis no território compreendido entre os rios Paraná,


Paranapanema, Tibagi e Iguaçu, no atual Estado do Paraná, teve início na segunda metade do
século XVI, com a fundação de vilas na região do Guairá.

02) No início do século XVI, os jesuítas fundaram reduções, na região do Guairá, com o
objetivo de catequizar os índios que habitavam a região.

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04) A presença europeia na Baía de Paranaguá remonta ao século XVI, com as primeiras
descobertas de ouro na região.

08) Os territórios que compreendiam as reduções jesuíticas do Guairá foram incorporados ao


Brasil por tratados de limites assinados entre Portugal e Espanha.

16) A região de Curitiba foi ocupada pelos europeus no século XVI, em razão da imigração
polonesa. Devido a esse fato, o Estado do Paraná é um dos poucos estados brasileiros em que
não ocorreu escravidão.

QUESTÃO 05:
(UEM-2010) A ocupação e conquista dos territórios do Estado do Paraná por populações de
origens europeias completou-se na década de sessenta do século passado. Contudo, tal ocupação
não foi uniforme e contínua. Sendo assim, em razão da história de sua ocupação, podemos
dividir o Estado em três áreas histórico-culturais distintas. A esse respeito, assinale a(s)
alternativa(s) correta(s).

01) A região de ocupação mais antiga é o chamado Norte Pioneiro, cuja ocupação remonta aos
finais do século XIX e originou uma população de cultura genuinamente europeia.

02) Antes da chegada dos europeus, predominava, nos territórios do Norte do Paraná, um “vazio
demográfico”, pois não havia habitantes naquela região.

04) A região do “Paraná tradicional” teve sua ocupação iniciada com a descoberta de ouro nos
primeiros séculos da colonização.

08) No final da década de cinquenta, ocorreu um deslocamento populacional oriundo do Rio


Grande do Sul, a chamada “frente sulista”, que ocupou parte do Sudoeste e do Oeste
paranaense. Tal migração se reflete na cultura regional.

16) Ao contrário do ocorrido em outras regiões do Estado, a ocupação europeia do Norte do


Paraná foi marcada pelo respeito às populações nativas, que foram integradas pacificamente à
sociedade.

QUESTÃO 06:
(UEM-2009) Sobre a ocupação europeia do território que hoje pertence ao estado do Paraná,
assinale a(s) alternativa(s) correta(s).

01) Paranaguá, primeira vila fundada do Paraná, tinha como principal atividade o escoamento
de produtos agrícolas para a metrópole.

02) A atividade econômica praticada pelo tropeirismo foi responsável pela criação de vilas que
mais tarde se tornariam importantes cidades paranaenses.

04) Com a expulsão dos jesuítas espanhóis, deu-se a imediata ocupação do interior do Estado e
o abandono das atividades da extração do ouro no litoral.

08) Diferentemente de outros Estados brasileiros, o território paranaense jamais sofreu a


interferência das Expedições Bandeirantes.

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16) Entre os séculos XVI e XVII, parte do atual estado do Paraná esteve sob domínio do
governo espanhol.

QUESTÃO 07:
(UEM-2009) Leia o trecho a seguir e assinale o que for correto.
“A partir da década de 1960, o Paraná pode ser considerado um Estado territorialmente
ocupado. Cessaram então de existir frentes pioneiras, não restando mais terras a serem ocupadas
e colonizadas. Completava-se historicamente o período de ocupação territorial”
(WACHOWICZ, Ruy Christovam. História do Paraná, 1995, 7ª. edição, p. 267).

01) A ocupação dos Campos Gerais, a partir do século XVIII, deveu-se à introdução da cultura
do café na região.

02) Diferentemente do que ocorreu no Rio Grande do Sul e em Santa Catarina, a imigração de
poloneses e de alemães não influenciaram a cultura paranaense.

04) A partir do final do século XIX, com a fixação de imigrantes japoneses, foram introduzidas
novas culturas agrícolas no Norte do Estado.

08) A partir da década de 1930, migrantes, sobretudo paulistas e mineiros, passaram a ocupar a
região Norte do Paraná.

16) A partir da década de 1950, os imigrantes vindos do Rio Grande do Sul e de Santa Catarina
foram responsáveis pela ocupação da maior parte do Sudoeste e de parte do Oeste do Estado.

QUESTÃO 08:
(UEM-2009) Sobre a colonização europeia da região do atual Estado do Paraná, compreendida
entre os rios Paranapanema, Paraná e Piquiri, assinale a(s) alternativa(s) correta(s).

01) Na segunda metade do século XVI, os colonizadores espanhóis fundaram na região as vilas
Ciudad Real de Guairá e Vila Rica do Espírito Santo.

02) Os jesuítas espanhóis organizaram na região as missões ou reduções, com o objetivo de


catequizar índios.

04) Os jesuítas foram expulsos da região pelos ataques dos bandeirantes paulistas.

08) No século XVIII, esse território foi incorporado ao Brasil pelos tratados de limites de
Madrid e de Santo Ildelfonso.

16) O Paraguai foi o ponto de partida dos colonizadores espanhóis que ocuparam a região
descrita no enunciado.

QUESTÃO 09:
(UEM-2013) Assinale o que for correto sobre a atuação e a expansão do movimento dos
bandeirantes sobre o território onde hoje se situa o estado do Paraná.

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01) Na região de Guairá, os bandeirantes almejavam explorar riquezas naturais, como o ouro, e
capturar índios.

02) O movimento das bandeiras também tinha como um dos seus objetivos criar e explorar
novas colônias de povoamento no território onde hoje se situa o estado do Paraná.

04) Em razão dos ataques dos bandeirantes, os sobreviventes das missões jesuíticas fugiram em
direção ao sul e fundaram novas missões.

08) Foi uma ação organizada e colocada em prática pelo exército colonial brasileiro e com a
colaboração de padres jesuítas com o objetivo de integrar essa região ao restante do país.

16) Tratava-se de um movimento pacífico, pois tinha como finalidade catequizar e converter
tribos indígenas paranaenses que ainda não haviam estabelecido contato com a civilização.

16
OCUPAÇÃO

POVOAMENTO

DO

PARANÁ

17
O Estado do Paraná é caracterizado, historicamente, por um povoamento
que teve orientação nas diversas fases econômicas pelas quais percorreu
(mineração, tropeirismo, madeira, erva-mate, café e soja). Essas fases resultaram num
processo de povoamento irregular, no qual parcelas do território foram sendo
ocupadas segundo as motivações de exploração econômica do momento.
Na sua primeira fase de ocupação, a penetração foi realizada por iniciativas
isoladas, individuais. Excetuando a ocupação ocidental pelos espanhóis, não houve,
nos primeiros momentos um planejamento efetivo, sendo escasso o povoamento.
É preciso enfatizar que o processo de ocupação econômica do território
paranaense seguiu direcionamentos distintos, no tempo e no espaço, por meio de
incursões e fluxos não muito definidos.

PARANAGUÁ

Segundo relatos do livro de Hans Staden, um náufrago alemão, a região do


litoral do Paraná já era conhecida e habitada pelo homem branco por volta de 1555. Foi
se efetivando uma povoação, segundo alguns relatos, já em 1578 havia uma pequena
capela denominada Nossa Senhora do Rosário.
Adiante, em 1614, temos a primeira sesmaria do território paranaense
adquirida por Diogo de Unhate. Na sequência, em 1617, Gabriel de Lara funda uma
povoação na Ilha de Cotinga. As primeiras povoações foram erguidas na Ilha de
Cotinga devido ao medo de um ataque dos índios carijós. Após a pacificação dos
carijós, foram construídas as primeiras habitações no continente, dando origem ao
primeiro povoado, Paranaguá.
Em 1641, Gabriel de Lara encontra minas de ouro na região de Serra Negra,
na região de Paranaguá. Neste momento, devido às buscas pelo ouro há uma maior
ocupação e povoamento do território paranaense. Em 1646, foi erigido o pelourinho
(símbolo de posse por El Rei).
Em 1648, a Vila de Nossa Senhora do Rosário de Paranaguá é fundada. As
possibilidades de gerar riquezas com o garimpo de ouro nos riachos da serra e do
planalto aumentaram a importância da região na época.
Ademais, em 1660, seria criada a Capitania de Paranaguá. A Capitania de
Paranaguá tinha jurisdição sobre os planaltos, a começar pelos Campos de Curitiba. Ela
existiu até 1709, mas a partir de 1711, com a diminuição das atividades do faiscamento
do ouro, ela perdeu o status de capitania e foi integrada à capitania de São Paulo como a
5ª Comarca de Paranaguá e Curitiba.
Antonina e Morretes também surgiram da cata ao ouro:

ANTONINA

Como as outras vilas do litoral, Antonina também surgiu em função da presença


de faiscadores de ouro na região. No entanto, a fundação da povoação só aconteceu no
século XVIII, em 1714, com a construção da capela de Nossa Senhora do Pilar da
Graciosa. Somente muito mais tarde, em 1797, ela foi elevada à vila, com a

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denominação Antonina em homenagem ao Príncipe D. Antonio, primeiro filho do Rei
Dom João VI e Dona Carlota Joaquina.

MORRETES

Situada às margens do rio Nhundiaquara, local de passagem dos faiscadores de


ouro que subiam a serra, Morretes foi fundada por determinações do Ouvidor Rafael
Pires Pardinho, em 1721. Anos depois, em 1769, a população teve permissão para
erguer a capela de Nossa Senhora do Porto e Menino Deus dos três Morretes, e apenas
no século seguinte, em 1841, ela foi desmembrada de Antonina e eleva a Município.

CURITIBA
(Primeiro planalto)

O povoamento de Curitiba está relacionado com dois fatores principais: um


deles era encontrar o Caminho do Peabiru e dominar o interior; outro fator é o
crescente número de pessoas que chegam à região devido às informações da
descoberta de ouro em Paranaguá. Chegam formando os “arraias de mineradores”,
como o Arraial Queimado, Borda do Campo e o Arraial Grande.
Foi fundado o povoado de Nossa Senhora da Luz dos Pinhais de Curitiba,
em 1654, ficando num local onde havia o encontro entre os mineradores e os criadores
de gado. Logo em seguida, em 1668, com a construção do pelourinho, a pequena vila
foi incorporada a Paranaguá. Em 1693, o povoado é elevado à vila. E em 1701, a vila
passa a se chamar Curitiba.
Durante o início do século XIX, o povoado já era então chamado de Nossa
Senhora dos Pinhais de Curitiba. Possuía pouco mais de 200 casas. Mas com o início da
exploração e do comércio da erva-mate com apoio da extração de madeiras nobres
temos um novo impulso de crescimento e já em meados do século XIX, em 1842,
Curitiba já possuía 5.819 habitantes, e era elevada a categoria de cidade. Já em 1853,
era criada a província do Paraná. No ano seguinte, já com o nome de Curitiba, foi
escolhida para sua capital.
Já como província, Curitiba promove uma colonização através dos
imigrantes europeus com foco em italianos e poloneses. Por volta de 1870 foram
fundados 35 núcleos coloniais de terras de mata em torno dos campos de Curitiba. A
cidade conhecia um novo crescimento e progresso desenvolvendo atividades agrícolas e
a industrialização.

CAMPOS GERAIS
(Segundo planalto)

Os Campos Gerais, situados no segundo planalto paranaense, começaram a


serem povoados por fazendeiros de São Paulo, Santos, Paranaguá e dos
estabelecidos nos campos de Curitiba no início do século XVIII, quando foi descoberto
ouro em Minas Gerais e se criou uma forte demanda por animais cavalares e muares
criados em abundancia nos campos do sul do Brasil e Uruguai. Essa demanda e essa
possibilidade de negócios fizeram com que as famílias abastadas de São Paulo
requeressem sesmarias na região e para ali enviassem parentes ou capatazes para
estabelecimentos de fazendas de criar gado. Com o início das atividades do

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tropeirismo, que consistia em comprar animais nos campos de Vacaria, no Rio Grande
do Sul, e vende-los em Sorocaba, em São Paulo, começaram a surgir povoações ao
longo dessa rota.
Essas povoações, que no início eram locais de pouso e repouso dos tropeiros,
passaram a aglutinar pequenos artesãos e comerciantes e logo se transformaram em
vilas e cidades, como Ponta Grossa, Castro, e muitas outras. Assim ocorreu a ocupação
dos vastos campos naturais do segundo planalto do Paraná: enormes sesmarias em torno
da rota Sorocaba – Vacaria.
A sociedade estabelecida nos Campos Gerais se caracterizou por ser uma
sociedade constituída de famílias patriarcais que ia além da família nuclear: ela
abrigava em seu seio agregados e homens pobres livres protegidos por grandes
proprietários; caracterizou-se também por ser uma sociedade sustentada pelo trabalho
escravo, mesmo que esse trabalho requeresse que eles andassem armados para
protegerem a si mesmos e o gado de seu senhor, dos índios e dos predadores; e ainda
caracterizou-se como uma sociedade assentada na grande propriedade, nas grandes
sesmarias de criação de gado bovino, muar e cavalar.

CAMPOS DE GUARAPUAVA E PALMAS

GUARAPUAVA

No século XIX, a corte reagia indignada aos desassossegos que imperava nos
territórios do sul do Brasil, no dizer das autoridades infestados de selvagens. A Carta
Régia de novembro de 1808 relata ataques generalizados por todo o sul do Império,
principalmente nos Campos Gerais de Curitiba, Guarapuava e nos campos das
cabeceiras do rio Uruguai. O príncipe-regente propunha então guerra contra os
índios, que matavam cruelmente todos os fazendeiros e proprietários estabelecidos
nesses campos.
Desde a expulsão de Afonso Botelho e suas tropas dos Koran-bang-rê, em 1772,
os Kaingang, encorajados, faziam incursões cada vez mais ao ocidente. No inicio do
século XIX, eram senhores dos territórios a oeste da estrada do Viamão, e atacavam
constantemente fazendas, vilas e viajantes nas suas imediações.
Com a chegada de Dom João VI ao Brasil, o Império tomou uma resolução: os
índios deveriam ser combatidos, catequizados, “civilizados” e seus territórios
deveriam ceder lugar a prósperas fazendas de gado. O governador da província de
São Paulo convocou Diogo Pinto de Azevedo para organizar a ocupação dos territórios
dos Kaingang e mantê-los afastados das fazendas de gado. Diogo Pinto era um militar
disciplinado, duro, experiente e conhecedor dos campos da Guarapuava, pois ali estivera
com o capitão Paulo Chaves em 1774. Foi criado um imposto só para cobrir as despesas
da expedição. Além disso, a população tinha que colaborar com gente, com gado e
outros instrumentos necessários.
Dessa forma, o ano de 1810 foi marcado pela chegada aos campos de
Guarapuava de uma enorme expedição com mais de trezentas pessoas, das quais cerca
de duzentas eram soldados. O objetivo da expedição era ocupar esses campos, abrindo
espaço para as fazendas de criação.
Chegam aos Campos de Guarapuava em 17/06/1810 e fundam o Forte Atalaia,
o qual seria destruído em 1825 devido aos embates entre brancos e indígenas.

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De acordo com instruções recebidas, o comandante deveria fundar a povoação
definitiva a ser a freguesia e futura cidade de Guarapuava.
Pela Lei nº 21, de 22/03/1849, foi criada a Vila de Guarapuava a qual foi elevada
a cidade pela Lei nº 217, de 22/04/1871.

PALMAS

Passados cinco anos da ocupação dos campos guarapuavanos entre os rios


Coutinho e Jordão, os brancos começaram a se movimentar em direção aos campos de
Palmas, ao sul de Guarapuava, aonde chegaram vinte anos depois. Em 1839, os
fazendeiros de Guarapuava tinham conquistado os Krei-bang-rê (Campos de Palmas) e
ali instalado trinta e sete fazendas com mais de trinta mil cabeças de gado, fundando a
vila de Palmas.
Em 28/02/1855, Palmas foi elevada à freguesia (divisão eclesiástica) e em
13/04/1877, pela Lei nº 484 foi elevada a Vila com o nome de “Vila do Senhor Bom
Jesus dos Campos de Palmas”.

NORTE DO PARANÁ

A região Norte do estado do Paraná constituiu-se historicamente na principal


região agrícola paranaense.
O Norte do Paraná, definido pelos rios Itararé, Paranapanema, Paraná, Ivaí e
Piquiri, abrangendo uma superfície de aproximadamente 100 mil quilômetros
quadrados, foi dividido em três áreas, segundo a época e a origem das respectivas
colonizações:
 Norte Velho: área que compreende a região do Rio Itararé até à margem
direita do Rio Tibagi;
 Norte Novo: a área desta região vai até as barrancas do Rio Ivaí e tem
como limite, a oeste a linha traçada entre as cidades de Terra Rica e
Terra Boa;
 Norte Novíssimo: região que se desdobra da linha traçada entre as
cidades de Terra Rica e Terra Boa, até o curso do Rio Paraná,
ultrapassando o Rio Ivaí e abarcando toda a margem direita do Rio
Piquiri.

Conhecido no mundo inteiro há aproximadamente 30 anos, o norte


paranaense permaneceu incógnito até a década de 1930.
No início, predominava uma colonização espontânea que acompanhou o
percurso futuro da ferrovia São Paulo-Paraná.

Colônia de Jataí

O Barão de Antonina, em meados do século XIX, visando à abertura de


uma estrada que comunicasse os Campos Gerais paranaenses com a Província de
Mato Grosso, fundou uma colônia militar. Foi então, em 1855, erigida a colônia,
localizada à margem direita do rio Tibagi, num de seus trechos navegáveis: o Porto de
Jataí. Essa colônia militar, apesar de seu grande isolamento continuou, devido a sua
localização estratégica, próxima da Província de Mato Grosso, sobre a qual pairava a

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ameaça de invasão por parte do Paraguai. Ainda sob a direção do Barão de Antonina,
fundaram-se dois aldeamentos indígenas: o de São Pedro de Alcântara e de São
Jerônimo.
Apesar da sua localização estratégica, porém isolada, a colônia militar de
Jataí não se desenvolveu satisfatoriamente. Foi, no entanto, o primeiro núcleo de
povoamento no norte do Estado, juntamente com os dois aldeamentos indígenas.

Famílias Colonizadoras

Em 1867, deslocava-se de Itajuba, Minas Gerais, a numerosa família patriarcal


do Major Tomás Pereira da Silva, composta de 200 indivíduos, aproximadamente.
Trouxe todos os instrumentos agrários necessários, alimentos e escravos. Estabeleceu-se
às margens do rio das Cinzas e iniciou o cultivo das terras, que achou ótimas. No local,
existe hoje o município de Tomazina.
Por volta de 1886, veio a família do fluminense Antonio Calixto. Em 1888, a
família mineira dos Alcântara, com grande comitiva, estabelecia-se na região, e deu
origem, juntamente com a família Calixto, já ali estabelecida, à atual cidade de
Jacarezinho.
A notícia da fertilidade das terras logo de espalhou e apesar das dificuldades
existentes inúmeras famílias, mineiras e paulistas, ali vieram estabelecer-se. Surgem, em
seguida, no nordeste do Estado, novas povoações como Ribeirão Claro, S. Antonio da
Platina, Carlópolis, Siqueira Campos etc. Grande número de seus povoadores
provinham da Província de Minas Gerais, como atesta o antigo nome de Siqueira
Campos: Colônia Mineira.
A porta de entrada para o povoamento do nordeste do Estado foi Ourinhos,
localizada no Estado de S. Paulo. Por ali entrou a maioria dos colonizadores.

NORTE PIONEIRO

A sociedade que surgiu no Norte Pioneiro a partir do século XIX apresentava, de


modo geral, as mesmas características da paulista e mineira dos tempos coloniais:
patriarcal, escravocrata e latifundiária. Embora a instituição da escravatura não se
apresentasse dominante, dava fortes sinais de desagregação, tanto na região como em
todo o país. Com estes sintomas, a sociedade do Norte Pioneiro nasceu com
características patriarcais e principalmente latifundiárias. Nem toda a população aí
estabelecida no século XIX estava ligada aos latifundiários. A cultura do café, do final
do século XIX, nunca se desenvolveu. Plantavam algodão, arroz, feijão e fumo.
Praticamente não havia comunicação com o restante do território paranaense .
Pequenos sitiantes e/ou posseiros também conseguiram estabelecer-se na
região. A maioria da população poderia ser considerada pobre. Mesmo os grandes
proprietários tinham dificuldades de conseguir numerários. Os produtores não
tinham condições de escoar sua produção. Os pequenos ofereciam seus produtos aos
grandes proprietários.
No começo do século os porcadeiros que atravessavam o Itararé tinham um
grande serviço. Neste sentido, a grande produção de suínos no Norte Pioneiro atraiu a
atenção dos grandes frigoríficos brasileiros. A firma paulista de Francisco Matarazo

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resolveu instalar-se na região com um grande frigorífico. Matarazo instalou o
frigorífico em Jaguariaiva.

NORTE NOVO

A derrubada das imensas matas primitivas a partir de 1935 a oeste do Rio Tibagi
com a expansão da cafeicultura ilustra o período em que um Estado em dificuldade faz
dessas terras públicas um alvo de um dos maiores investimentos imobiliários privados
que se tem notícia. Concessões de terras a empresas de colonização privada foram
responsáveis pelo “loteamento” da boa parte no norte paranaense, atraindo capital
estrangeiro para ocupar as terras.

Colonização Particular - Companhia de Terras do Norte do Paraná

Possuía uma companhia inglesa, a “Paraná – Plantation”, vastos cafezais na


região de Cambará. Para transportar sua produção, vai ser construída a estrada de ferro
“São Paulo – Paraná” ligando Ourinhos a Cambará. Com essa estrada de ferro,
estava definitivamente ligado o Norte do Paraná aos centros consumidores , como
São Paulo, e exportadores, como Santos. Mas ainda não estava colonizado, nem
conhecido.
A “Paraná Plantation” desdobrou-se em duas companhias: a “Companhia
de Terras Norte do Paraná” 9 e a “Companhia Ferroviária São Paulo – Paraná” 10 .
Foi escolhido o local que seria a sede das atividades da Companhia, bem como o
centro da colonização. Recebeu o nome de Londrina, em homenagem a Londres.
No dia 27 de março de 1930, o imigrante japonês Mitsugi Ohara adquiriu da
Companhia de Terras do Norte do Paraná, o primeiro lote de terras vendida pela
empresa na região do norte paranaense.
Depois de Mitsugi Ohara, milhares de colonos entraram na região. A expansão
das frentes cafeeiras, contidas nas áreas tradicionais pelo Acordo de Taubaté, além
de outros fatores como a capitalização dos colonos de São Paulo e que procuraram
novas áreas para ter produção própria, e ainda a alta fertilidade das terras da
região, foram os fatores que facilitaram à Companhia de Melhoramentos, a
rapidez da colonização da região.
Esse fracionamento das terras foi um dos maiores responsáveis pelo êxito da
implantação da cultura cafeeira. O baixo preço dos lotes e as facilidades de
pagamento permitiram que um número muito grande de colonos oriundos
principalmente de São Paulo e também Minas Gerais (e em menor número do Nordeste
brasileiro) viessem para a região entre as décadas de 1930 e 1950 com vistas à produção
de café.
Em 1931, já se registrava a venda de 3.000 alqueires. Os compradores acorreram
em grande número, atraídos pelos preços e pela propaganda da Companhia.
A estrada de ferro sempre acompanhou a penetração do loteamento da
Companhia. Atingiu Jataizinho em 1931, Londrina em 1935, Apucarana em 1937 e
finalmente Maringá.

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Tinha como finalidade lotear e revender em pequenas propriedades os 12.643 km², de terras
devolutas adquiridas do governo do Estado.
10
Teria a função de continuar os trilhos de Cambará, até o local do loteamento.

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Durante a segunda Guerra Mundial, foi a estrada de ferro incorporada à Rede
Viação Paraná Santa Catarina, e a Companhia de Terras Norte do Paraná vendida a
capitalistas paulistas.
A estrutura montada na colonização dirigida permitia que se formasse no norte
paranaense um impressionante arranjo territorial em que núcleos urbanos bem próximos
uns aos outros, estavam interligados por estradas e ferrovias que davam acesso à região.
Com pleno desenvolvimento da cafeicultura, uma série de armazéns e unidades de
beneficiamento consolida essa rede de escoamento da produção cafeeira construída.
Todas as cidades fundadas pela Companhia foram planejadas antecipadamente.
Possuem aspecto de cidades modernas, bem traçadas geometricamente, e de aparência
agradável. As cidades iam sendo traçadas para abastecerem as frentes cafeeiras, como
foi o caso do patrimônio de Três Bocas, que mais tarde se transformaria na cidade de
Londrina.
Era desejo da Companhia de Terras adquirir novas áreas devolutas para estender
ainda mais sua colonização, mas não foi possível um acordo com o governo do Estado.
Aplicou então a Companhia seu capital em investimentos industriais no Paraná e em
São Paulo. Como tais inversões estavam fora do único objetivo da Companhia, qual seja
a colonização, acarretaram a mudança de nome em 1951, e hoje é conhecida pelo nome
de “Companhia Melhoramentos Norte do Paraná”.

Colonização Oficial

Entusiasmado com o êxito da Companhia de Terras Norte do Paraná, o


governo do Estado resolveu lotear as terras que ainda lhe pertenciam.
Além da Companhia Melhoramentos Norte do Paraná, e da colonização oficial,
dezenas de imobiliárias particulares operaram e ainda estão operando com loteamentos
menores.

Migração para o norte paranaense

A grande maioria da população do Norte do Paraná provém de outros Estados,


tornando a região um grande centro de atração das migrações internas no Brasil. Sua
população, de maneira geral, estava assim constituída: 45% de paulistas; 20% de
mineiros; 10% de nordestinos; 10% de catarinenses; 10% de paranaenses; 5% de
estrangeiros e outros.
As principais “portas” de entrada desses migrantes no norte do Estado foram:

 Ourinhos, por onde entraram ¾ da população que ali chegou;


 As estradas paulistas que terminam do Paranapanema;
 O Porto de Paranaguá, subindo para o norte por rodovia;
 O sudoeste do Estado, para populações vindas do sul do país.

NORTE NOVÍSSIMO

A colonização oficial da região de Umuarama, no Noroeste do Estado, iniciou-se


por onde hoje se encontra o município de Cruzeiro do oeste, mas especificamente no
bairro Cafeeiros.

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Em 1946 um grupo de engenheiros e técnicos do governo estadual se dirigiu à
região com o objetivo de fazer um levantamento topográfico da área e de um famoso
picadão que por aqui existia, hoje conhecido com estrada Boiadeira, para evitar invasão
de terras. Ao chegarem, depararam-se com um emaranhado de picadas na mata,
plantações, criação de pequenos animais, alguns posseiros e grileiros, provando ser a
região já conhecida anteriormente a vinda desse grupo.
Devido ao grande interesse pela região, que oferecia terras boas e fartas, atraindo
aventureiros e colonizadores, o governo do Estado, por intermédio da 5ª Inspetoria,
órgão instalado em Cruzeiro do Oeste e ligado ao Departamento de Geografia, Terras e
Colonização, iniciou a entrega de lotes urbanos a quem tivesse interesse em estabelecer-
se no município. A titulação da terra era dada após a sua ocupação efetiva, ou seja, o
interessado deveria estabelecer-se no lote, construindo a sua moradia. Após a criação do
município, em 1954, as terras sob a administração da prefeitura, passaram a ser
vendidas e não mais doadas aos interessados.
A Companhia Sul Brasileira de Terras e Colonização foi encarregada de ampliar
a cidade de Cruzeiro do Oeste. Em suas propagandas para atrair compradores é possível
visualizar a expectativa de que Cruzeiro do Oeste se transformaria numa grande cidade.
Apesar de a propaganda ser direcionada à área urbana, é possível perceber que o
grande atrativo ainda era o café.
Os municípios de Umuarama e Perobal foram colonizados pela Companhia de
Melhoramentos Norte do Paraná que teve participação também na colonização de
Cruzeiro do Oeste e áreas rurais de outros municípios da região.

OESTE PARANAENSE

A parte ocidental do Estado do Paraná foi aquela que concluiu o processo


de ocupação mais recentemente. Partindo de núcleos mais antigos como Guarapuava e
Palmas, a frente pioneira avançava para oeste por iniciativas particulares ou
oficiais. Inicialmente, a colonização era esparsa e frequentemente nômade e de
exploração ao longo das bacias hidrográficas, nas matas de araucárias.
O processo de ocupação da Região Oeste do Paraná possui vários momentos
significativos para a História do Paraná.
Havia a preocupação e interesses em expandir o povoamento até o Rio Paraná,
que ocorreu de modo não muito organizado como no caso do Norte. O que se verificou
na ocupação da maior parte do oeste foi um vasto assalto às terras devolutas do estado
ou a grandes glebas particulares por caboclos luso-brasileiros ou por descendentes de
europeus, geralmente eslavos, que se deslocavam e ainda se deslocam das colônias do
leste.
Nativamente, a região era habitada por milhares de índios.
Entre 1881 a 1930 a Região foi explorada pelos obrageros e finalmente a partir
de 1946 aconteceu a ocupação efetiva com a colonização da Industrial Madeira
Colonizadora Rio Paraná S/A (MARIPA).
Enquanto o Governo do Paraná tomava medidas a respeito da exportação de
erva-mate pelos portos marítimos, os argentinos, com os seus “obrageros” e, utilizando
trabalho escravo, extraiam do Oeste do Paraná grande quantidade de erva-mate, sem
nenhum controle pelo Brasil.

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Em 1930, quando começou a decadência dos obrageros, atuavam no Oeste do
Paraná, extraindo mate e madeira, para os argentinos, cerca de 10.000 pessoas.
Felizmente, com a passagem da Coluna Prestes na região de Foz do Iguaçu, essa
terrível realidade foi denunciada e após a vitoriosa Revolução de 1930 os obrageros
foram eliminados do Oeste do Paraná.
Em 1928, a região estava quase isolada da Capital do Estado. Essa situação do
Oeste do Estado começou a mudar a parti de 1946, quando alguns empresários do Rio
Grande do Sul, compraram 250.000 hectares e organizaram a Industrial Madeireira
Colonizadora do Rio Paraná S/A (MARIPA), com sede em Porto Alegre e escritório em
Toledo. No período de 1946 a 1949 a MARIPA só extraia madeira principalmente o
cedro, com mão-de-obra paraguaia, que era exportada para o mercado platino.
Entre 1950 e 1970 foi o auge da colonização. Foram vendidos cerca de 10.000
lotes, com tamanhos entre 10 e 25 hectares. Portanto, na região predominava a pequena
propriedade. A ocupação foi rápida. Chegavam diariamente 50, 100 e até 200 pessoas,
principalmente do Rio Grande do Sul e de Santa Catarina.
A região Oeste do Paraná não possuía um atrativo empresariam tal qual ocorreu
com o café no norte paranaense, com o capital fluindo de São Paulo para o Paraná
facilmente, apesar da existência de solos férteis e abundância de madeira.
Há também a mescla da pequena propriedade com as grandes extensões de terras
voltadas para o mercado externo, principalmente com o plantio de soja.

SUDOESTE PARANAENSE

A ocupação do Sudoeste do Paraná teve algumas particularidades em relação ao


Oeste e ao Norte. O Sudoeste do Paraná, era uma região fértil e rica, que foi muito
disputada, causando conflitos jurídicos, políticos e sociais. A Argentina e o Brasil
disputaram a região. Os Estados do Paraná e Santa Catarina também entraram em
conflito na área. Essa desavença pela posse das terras envolveu também a Cia. De
Estradas de Ferro São Paulo – Rio Grande, a CITLA, o Governo Federal, o Governo do
Paraná e, principalmente, posseiros.
ARGENTINA X BRASIL: durante muitos anos a Argentina e o Brasil
disputaram a rica região do Sudoeste do Paraná. Para decidir a referida disputa, os dois
países escolheram, em 1889, o Presidente dos EUA para, como árbitro, decidir o
problema.
Finalmente, em 05 de fevereiro de 1895, o Presidente dos EUA deu ganho de
causa do Brasil.
PARANÁ X SANTA CATARINA: resolvido o problema com a Argentina,
continuou a pendência entre os Estados do Paraná e Santa Catarina, a respeito da região
em estudo. Somente em 1916, após um acordo entre os dois Estados, é que a menor
parte das terras em litigio passou a pertencer ao Paraná.

Pelo exposto, no que diz respeito à ocupação populacional, o que se pode


afirmar categoricamente é que toda a penetração populacional foi movida
fundamentalmente pela atividade economia. Assim deduz-se que essa fixação de
núcleos populacionais em determinadas áreas só foi possível sustentada por um
atividade econômica permanente. A ocupação, então, obedeceu a ritmos determinados

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pela motivação da própria atividade econômica em questão, nas várias regiões do
Paraná.
A segmentação da ocupação, como visto, concretizou-se nas chamadas “frentes
pioneiras”. Em suma, a ocupação avançou sob a forma “frentes” que definiram e
caracterizaram os espaços regionais de acordo com o momento histórico e a atividade
econômica predominante, bem como a área de origem desses movimentos.

EXERCÍCIOS

QUESTÃO 01:
(UEM-2013) Sobre a colonização da região litorânea do atual estado do Paraná, assinale a(s)
alternativa(s) correta(s).

01) Entre a segunda metade do século XVI e as primeiras décadas do século XVII, a região de
Paranaguá foi percorrida por bandeirantes e por aventureiros que buscavam metais preciosos, ao
mesmo tempo em que capturavam o indígena.
02) A progressiva atividade dos mineradores levou-os a fundar a cidade de Ponta Grossa, onde,
na década de 1620, explorava-se uma grande quantidade de metais preciosos.
04) Após a descoberta de ouro na região da Baia de Paranaguá, a administração portuguesa
instituiu o “Distrito Aurífero de Paranaguá”, controlando a entrada e a saída de pessoas na
região, como forma de inibir o contrabando.
08) O quinto e a capitação foram impostos instituídos pela Coroa portuguesa para tributar as
atividades mineradoras, inclusive no Paraná.
16) A região de Curitiba foi colonizada por imigrantes alemães, italianos, poloneses e eslavos, a
partir da segunda metade do século XVI. Esse fato, aliado à inexistência de escravidão no
Paraná, levou a capital paranaense a desenvolver características de uma metrópole europeia na
América.

QUESTÃO 02:
(UEM-2013) Sobre a história da Região Oeste paranaense, isto é, o território compreendido
entre os rios Iguaçu, Paraná e Piquiri, assinale a(s) alternativa(s) correta(s).

01) Os jesuítas espanhóis instalaram, nas cataratas do Iguaçu, as missões que foram destruídas
pelas tropas portuguesas no episódio conhecido como “Guerra Guaranítica”, nos anos de 1680.

02) Nos anos de 1920, o movimento tenentista, formado por militares que lutavam por
mudanças no país, formou uma coluna militar que travou combates com tropas leais ao governo
na região de Foz do Iguaçu.

04) O abandono da região pelo governo brasileiro persistiu até a República Velha. Tal fato
tornou possível que o Paraguai anexasse uma faixa de terras entre os rios Iguaçu e Paraná que
somente foi retomada pelo Brasil pelo Tratado de Itaipu, em 1989.
08) Em razão da importância estratégica da região, no final do século XIX, foi instalada, em Foz
do Iguaçu, uma colônia militar brasileira.

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16) Durante o século XIX, essa região não recebeu grande atenção do Estado brasileiro. Esse
fato possibilitou que os argentinos chegassem até o oeste paranaense atraídos pela erva-mate,
que era contrabandeada para a Argentina.

QUESTÃO 03:
(UEM-2013) “O Norte paranaense é uma região grande, com muitos municípios de clima
quente e terras férteis, onde se cultivam vários tipos de produtos agrícolas. No início da década
de 1920, o Norte paranaense atraiu migrantes de várias regiões do Brasil, principalmente de
Minas Gerais, São Paulo e do Nordeste. Também vieram para o Norte paranaense imigrantes de
países como Inglaterra, Alemanha, Itália e Japão.” (ROLLENBERG, Graziella. Norte. In:
História Paraná. São Paulo: Editora Ática, 2009, p. 107). Baseando-se no trecho citado, assinale
a(s) alternativa(s) correta(s).

01) Os imigrantes que chegaram à região antes da década de 1920 praticavam uma agricultura
de subsistência.
02) Devido ao clima quente, os imigrantes alemães não se fixaram no Norte paranaense e se
deslocaram para as regiões mais frias dos estados de Santa Catarina e Rio Grande do Sul.
04) A presença dos ingleses na colonização da região Norte paranaense se deu, sobretudo, pela
criação de companhias de colonização.
08) A partir da década de 1930, o cultivo da lavoura do café impulsionou o surgimento de
cidades na região Norte paranaense.
16) Diferentemente dos imigrantes, os migrantes cultivavam suas terras em pequenas
propriedades voltadas para o mercado local e o regional.

QUESTÃO 04:
(UEM-2011) Leia o texto e assinale a(s) alternativa(s) correta(s). “Ainda na época imperial, a
Província do Paraná interessava-se em ligar o litoral e a capital com esses novos núcleos
populacionais do Norte Pioneiro. Rodovias e ferrovias foram planejadas, mas por motivos
econômicos não passaram das intenções. Enquanto isso, no Estado de São Paulo, os trilhos da
Estrada de Ferro Sorocabana avançavam por etapas em direção a Ourinhos, localizada na
margem direita do Paranapanema”. (WACHOWICZ, Ruy C.. História do Paraná. Curitiba:
Editora Gráfica Vicentina, 1995, p.249.)

01) A margem direita do Rio Paranapanema, a que se refere o texto, faz parte do território
paranaense.

02) Os núcleos populacionais a que se refere o texto tornaram-se as cidades Foz do Iguaçu e
Maringá.

04) A ausência de estradas que ligassem a região norte do Estado do Paraná a Curitiba conduziu
a um isolamento da região.

08) A construção da Estrada de Ferro Sorocabana significou o coroamento dos esforços do


governo paulista para anexar ao Estado de São Paulo parte dos territórios norte-paranaenses.

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16) A situação descrita no texto permite-nos afirmar que a Estrada de Ferro Sorocabana
constituiu naquele momento, um dos principais meios de escoamento da produção agrícola
norte-paranaense.

QUESTÃO 05:
(UEM-2009) Maringá, situada em uma região do estado do Paraná conhecida como Norte
Novo, tem uma história profundamente ligada à cafeicultura. A esse respeito, assinale a(s)
alternativa(s) correta(s).

01) Empresas particulares, principalmente dos setores imobiliários, tiveram grande participação
na exploração e na colonização dessa região.

02) Além do trabalho assalariado, a mão de obra escrava também foi empregada em grande
escala pelos grandes plantadores de café do Norte do Paraná.

04) O desenvolvimento da cafeicultura não contribuiu para o desenvolvimento de indústrias


nessa região, que permanece como uma região exclusivamente agrícola até os dias de hoje.

08) A “corrida do café” é um termo usado para denominar o avanço da cafeicultura paulista
sobre o Norte paranaense na década de 1930.

16) A falta de investimento em ferrovias para o escoamento da produção cafeeira foi um fator
decisivo para o declínio do produto na região.

QUESTÃO 06:
(UEM-2013) Sobre a ocupação e o povoamento do território do atual estado do Paraná, assinale
o que for correto.

01) Até a chegada dos primeiros colonizadores de origem europeia, nos anos de 1950, a região
Norte do Estado do Paraná apresentada um ‘vazio demográfico”.

02) Na segunda metade do século XIX, as colônias de imigrantes criadas no território


paranaense fracassaram em razão, dentre outros aspectos, do distanciamento dos centros
urbanos e da falta de estradas, de escolas, de médicos e de apoio do governo para a produção
agrícola.

04) Ao conquistar sua autonomia política em relação à província de São Paulo, em 1853, o
Paraná integrou-se oficialmente ao programa do governo brasileiro de incentivo à imigração
europeia.

08) O Paranismo foi um movimento de deslocamento territorial, que praticava o mercantilismo


em diversas partes do território paranaense.

16) Excetuando a contribuição da colonização japonesa no Norte do Paraná, outros imigrantes


vindo da Europa não contribuíram para o desenvolvimento tecnológico da agricultura
paranaense.

QUESTÃO 07:
(UEM-2012) A colonização dos territórios paranaenses ocorreu em momentos diversos e a
partir de diferentes interesses e necessidades. Em razão disso, pode-se dividir a ocupação do

29
Estado do Paraná em três áreas histórico-culturais distintas. A esse respeito, assinale a(s)
alternativa(s) correta(s).

01) As três áreas histórico-culturais distintas são: a frente lusitana, no Paraná litorâneo; a frente
paulista, na região central, e a frente catarinense, na região noroeste.

02) A área histórico-cultural mais antiga abarca, desde o século XVI, a região das reduções
jesuíticas do Guairá, que se vinculava ao litoral pelo Caminho de Viamão.

04) A área histórico-cultural que corresponde ao Norte do Paraná teve a sua colonização
iniciada no século XIX, com a chegada à região de migrantes mineiros.

08) A colonização do sudoeste e de parte do oeste do Paraná é a mais recente; foi iniciada no
século XX por gaúchos e catarinenses.

16) O início da colonização da área histórico-cultural do sudeste do Paraná foi obra da expansão
da economia do café, vinda de São Paulo.

30
COLÔNIAS

MILITARES

NO

PARANÁ
31
COLÔNIAS MILITARES DO PARANÁ

Para garantir a conquista do novo continente e realizar comércios, Portugal


organizou, primeiramente, fortins e feitorias, mais tarde postos militares .
Durante o 1º Reinado, incentivou-se a construção de colônias estratégicas
em várias regiões, com o objetivo de defesa nacional e no 2º Reinado, várias
colônias militares são criadas.
Em todo o território brasileiro foram criadas estas colônias, principalmente no
Pará e Mato Grosso.
No Paraná foi criado no período colonial, em 1810, o Forte Atalaia em
Guarapuava, por Diogo Pinto de Azevedo. No período provincial (1853-1889) são três
as Colônias Militares criadas no Paraná: uma no norte, Jataí, no ano de 1855 e duas
entre os rios Iguaçu e Chapecó, no ano de 1882, denominadas de Colônia Militar de
Chapecó11 e Colônia Militar do Chopim.
No período republicano, no ano de 1889, foi fundada a Colônia Militar de Foz
do Iguaçu.

Colônia Militar de Jataí

A Colônia Militar de Jataí foi autorizada pelo Decreto Imperial nº 751 em 1851 e
instalada em 1855.
Foi instalada nas margens do Rio Tibagi, onde existiu no início do século XVII a
Redução Jesuítica de São José.
Ela tinha várias finalidades:

1. Facilitar as ligações das províncias do Paraná e Mato Grosso;


2. Garantir a segurança das colônias indígenas de São Jerônimo e São Pedro
de Alcântara, que existiam nas margens do Tibagi;
3. Servir de posto militar avançado, preventivo, de possível ataque, via
fluvial, do Paraguai;
4. Contribuir para a miscigenação étnica;
5. Torna-se pioneiro no desenvolvimento agropastoril no norte do Paraná;

Em 1890 o presidente do Estado, Dr. Ladislau Herculano de Freitas,


recomendava a extinção da colônia. Portanto, ela passou ao domínio civil em 1890 e
hoje é a cidade de Jataizinho.

Colônia Militar de Chopim

O Decreto nº 2.502 de 1859, autorizou as Colônias Militares de Chopim e


Chapecó, tendo como principal objetivo defender a fronteira e evitar a ocupação da
região litigiosa pelos argentinos, assim como “domesticar” os índios selvagens da
região.

11
Colônia Militar de Chapecó, em 1882, pertencia ao Paraná.

32
A Colônia Militar de Chopim só foi instalada em 1882, 23 anos depois da sua
autorização. A região era conhecida pelos nomes de Xango ou Campos de Xango. No
local havia um aldeamento indígena.
Ela foi um estabelecimento agrícola e militar.
Começaram a extrair erva-mate, criavam suínos, bovinos, cavalos, produziam
milho, feijão, arroz, cana-de-açúcar, mandioca, batata, além de verduras e frutas.
A população da colônia era eclética. Os militares eram a maioria do nordeste do
Brasil e os colonos eram do sul. Existiam também índios, imigrantes europeus
(poloneses, austríacos, alemães, franceses e italianos) e africanos.
Ela passou ao domínio civil em 1909. Em seguida houve decadência. Muitos
foram para a Colônia Militar de Foz do Iguaçu. Em 1950 a sede tinha apenas 458
habitantes.
Entre os principais problemas existentes na colônia, merece destaque: abuso do
consumo de bebida alcoólica, principalmente entre os solteiros, causando brigas,
desordens e indisciplina; o atraso no repasse de verba do governo; a falta de pessoal
qualificado; dificuldade no sistema de comunicação e transporte; constantes cheias dos
rios.

Colônia Militar de Foz do Iguaçu

A região de Foz do Iguaçu até o fim do século era ocupada, principalmente por
Paraguaios e Argentinos. Objetivando contribuir para povoar a região por brasileiros,
em 1888, o ministro da guerra, Tomás José Coelho de Almeida, do governo chefiado
por João Alfredo, nomeou uma comissão que tinha como principal atividade fundar uma
Colônia Militar em Foz do Iguaçu.
Possivelmente por ter sido instalada no processo de transição política, a Colônia
Militar não teve o sucesso esperado. Apesar de tudo ela contribuiu para garantir a região
para o Brasil e para o Paraná. Foi extinta em 1912.

A existência e o funcionamento das colônias militares no Brasil e no Paraná


revelam o peso dos militares na nossa história e foram postos avançados na
consolidação do atual território brasileiro.

33
UMA

EXPERIÊNCIA

ANARQUISTA

NO PARANÁ:

COLÔNIA CECÍLIA

34
COLÔNIA CECÍLIA

No início da República, o Estado do Paraná viveu uma significativa


experiência anarquista. Durou apenas quatro anos: de abril de 1890 até abril de 1894.
Trata-se da Colônia Cecília.
A colônia ocupou uma área de 200 hectares da Colônia Santa Bárbara, distrito
do Município de Palmeiras, a 40 km de Ponta Grossa.
Sobre o líder dessa experiência, Giovani Rossi era médico veterinário, e também
filósofo, sociólogo e político. Por pregar seus princípios anarquistas esteve preso na
Itália em 1878. Sobre o seu socialismo, pode-se resumir em: “Anarquia nas relações
sociais; amor e nada mais que amor na família; propriedade coletiva dos capitais;
distribuição gratuita dos produtos no ajuste econômico; negação de Deus nas
religiões”.
Durante os quatro anos de existência, a colônia passou por inúmeras crises .
Muitas chegaram à colônia, não se adaptaram aos princípios anarquistas e saíram do
local, indo morar e trabalhar em outras localidades.
Em outubro de 1891 a colônia possuía menos de 30 pessoas.
O ano de 1893 marca o início da grande debandada. O próprio Rossi deixa a
Colônia tentando estabelecer-se em Curitiba. Em abril de 1894 a colônia estava
dissolvida, quando os últimos moradores da colônia venderam os ativos para pagar os
débitos existentes e custear as despesas até Curitiba.
Do ponto de vista quantitativo, a Colônia Cecília teve pouca importância na
história do Paraná. Pela sua qualidade, porém, os poucos anarquistas que se espalharam
pelo Paraná, exerceram importante influência no movimento operário, tendo contribuído
para a deflagração da primeira greve de ferroviários. Alguns de tornaram empresários.
A experiência anarquista da Colônia Cecília serviu de roteiro para várias
atividades artísticas.

35
AUTONOMIA

POLÍTICA

DO

PARANÁ

36
PERÍODO PROVINCIAL – 1853 a 1889

Entre 1660 a 1770, a região paranaense foi elevada a status de capitania,


denominada Capitania de Paranaguá. Em 1770, com a restauração da Capitania de São
Paulo, ela foi extinta e incorporada por esta como comarca. Em 1812, a sede da
comarca, que era em Paranaguá, foi transferida para Curitiba, passando a se chamar 5ª
Comarca de Paranaguá e Curitiba.
Com a expansão da pecuária nos Campos Gerais, com os trabalhos dos tropeiros
curitibanos no comércio de gado, assim como o crescimento da produção e
comercialização da erva-mate, criou-se uma infraestrutura que permitia sonhar com a
autonomia política da 5ª Comarca de Paranaguá e Curitiba.

A emancipação da província do Paraná

A luta pela emancipação política do Paraná teve seus antecedentes em 1811 12 ,


quando Pedro Joaquim Correia de Sá, com pretensões de ser Capitão-Mor, tentou, junto
à corte no Rio de Janeiro, a emancipação da Comarca, mas fracassou.
A segunda tentativa ocorreu em 1821, quando os defensores da emancipação
retomaram o movimento, organizando a “Conjura Separatista”. Essa tentativa também
fracassou, pois o Juiz de Fora Antonio Azevedo Melo e Carvalho – que visitava o
Paraná – não atendeu ao pedido de Bento Viana – capitão da Guarda de Regimento de
Milícia de Paranaguá – para que nomeasse um governo independente de São Paulo.

Entre as razões que justificavam o movimento pela emancipação estavam:

1. A ignorância e o despotismo dos comandantes militares da Comarca;


2. A falta de justiça considerando ser difícil impetrar recursos para as
autoridades de São Paulo;
3. O fornecimento, forçado, de habitantes de Paranaguá e Curitiba, como
soldados para os desbravamentos dos sertões do Iguaçu, de Guarapuava,
do Tibagi, e também para as guerras do sul, ficando suas famílias na
miséria.
4. Pela falta de moeda na Comarca, pois os impostos iam para São Paulo e
não retornavam para atender as necessidades da população.
5. Confisco de Cereais, gado e cavalgadura para fins militares;
6. Punham a ferro os pais, quando seus filhos, recrutados a força,
desertavam;
7. Cobrança de impostos de guerra e de dotes para a Princesa.

Mesmo com um desfecho desfavorável, o desejo de autonomia permanecia.


Frequentemente, as Câmaras de Vereadores de Paranaguá, Morretes, Antonina, Lapa,
Curitiba e Castro solicitavam autonomia ao governo Imperial Brasileiro.
12
Em 1811 a Câmara de Paranaguá formulou uma representação ao Príncipe Regente D. João,
onde afirma: “Senhor, esta Comarca de Paranaguá, sendo dilatada a sua extensão (não menos
que o reino de Portugal), está pouco povoada e na maior indulgencia e miséria, que se pode
considerar, por não ter um governo que observe e veja tudo de mais perto...”.

37
Em 1835, contudo, houve um fator favorável e decisivo para a autonomia do
13
Paraná . Os liberais do Rio Grande do Sul entraram em luta contra o Império,
organizados na “Revolução Farroupilha”, e os liberais do Rio de Janeiro, São Paulo e
Minas Gerais, revoltados com a política “conservadora” do governo central, se uniram
com os farrapos e organizaram uma única frente revolucionária. Todavia, os liberais da
5ª Comarca em Curitiba, cooptados pelo Barão de Antonina, não aderiram ao
movimento. O Governo Imperial negociou com os liberais curitibanos, por intermédio
de João da Silva Machado e o Chefe das forças legalistas, Duque de Caxias, a
emancipação da Comarca. O governo do império conseguiu assim o apoio dos liberais
5ª Comarca para vencer os revolucionários.
Dessa forma, retomou-se, em 1843, o projeto de emancipação da 5ª Comarca na
Assembleia Geral Legislativa no Rio de Janeiro 14 . Entre idas e vindas, conseguiu
aprovação em 2 de Agosto de 1853, elevando a Quinta Comarca de São Paulo à
categoria de Província do Paraná. Pesou, também, para a criação da Província do
Paraná, entre outros fatores:

1. O apoio do Imperador;
2. O apoio da cúpula do Partido Conservador;
3. O apoio dos baianos, mineiros e fluminenses;
4. O apoio das classes dominantes da região.

A instalação oficial foi realizada em 19 de Dezembro de 1853, quando tomou


posse o primeiro presidente Zacarias de Goés e Vasconcelos, tendo Curitiba como
capital15 .
A opção por Curitiba se deveu aos seguintes fatores:

1. Sua posição central;


2. Por ter população superior às demais;
3. Para cuidar de forma velada o cumprimento da lei, e conter com sua
presença os desmandos de forma enérgica. Referia-se a sangrento caso
ocorrido em São José dos Pinhais, em 1852.
4. Estar no planalto. O município de Guarapuava nesta época possuía
limites internacionais pouco explorados;
5. O clima favorável, otimizando a saúde pública.

A vida política da província paranaense de 1853 a 1889

O artigo 1º da Lei nº 704 estabelece: “A Comarca de Curitiba na Província de


São Paulo fica elevada a categoria de Província com a denominação de Província do
Paraná. A sua extensão e seus limites serão os mesmos da referida comarca”.

13
A Revolução Farroupilha (1835-1845) e a Revolução Liberal em Sorocaba em 1842 foram
importantes na conquista da independência política do Paraná.
14
Em 29/04/1843, o Deputado Carneiro de Campos apresentou projeto para criação da
Província do Paraná. A luta parlamentar durou 10 anos. A bancada de São Paulo colocava
sempre obstáculo. Para aprovação foi decisivo o apoio da bancada da Bahia, que tinha inclusive,
interesse em enfraquecer São Paulo. Era uma luta pela hegemonia na vida política brasileira.
15
Apresentavam-se como candidatas, além de Curitiba, as cidades de Paranaguá, Castro e
Guarapuava.

38
A Província do Paraná teve ao longo de 1853 a 1889, cinquenta e três períodos
de governos; vinte e sete presidências16 ; quarenta e um presidentes em exercício e seis
períodos de vice-presidência e retorno presidencial.
Os presidentes eram escolhidos entre aqueles que pertenciam ao partido
político dominante, nomeados diretamente pelo imperador D. Pedro II 17 . De 1853 a
1870, os governantes vieram de outras províncias. No período subsequente (1870 a
1889), o imperador fez algumas nomeações de homens procedentes da Província para
ocupar o cargo de presidente e vice-presidente.
As justificativas para a nomeação dos presidentes e dos vice-presidentes
oriundos de outras províncias era que o Paraná tinha uma pequena projeção política e
econômica no Império. E não possuiria elementos com “boa formação político-
administrativa” para o cargo majoritário na Província. No entanto, sabemos que a
nomeação para a presidência das províncias do Brasil era utilizada pelo imperador
Pedro II para acomodar as forças políticas que o apoiavam.
A preocupação dos presidentes e vice-presidentes, de modo geral, foi a de
desenvolver e organizar a cidade de Curitiba como sua capital, construir e melhorar
estradas, instalar colônias de imigrantes europeus para aumentar a população e colônias
militares para promover a defesa da população dos ataques dos índios, organizar a
instrução pública, as finanças da Província e implantar a catequese e a civilização dos
índios.

Evolução política do Paraná Província (1853-1889)

Com a conquista da emancipação política do Paraná e a posse do primeiro


Presidente, Zacarias de Góes e Vasconcellos, no dia 19 de Dezembro de 1853, teve
início o trabalho mais importante: estruturar o novo poder político administrativo de
acordo com a legislação em vigor.
Com a criação da Província, o Paraná passou a ter um Presidente, nomeado pelo
Imperador e o povo adquiriu o direito de eleger um Senador, um Deputado para
Assembléia Geral e uma Assembleia Provincial com 20 membros.
Dos 36 anos tumultuados por falta de continuidade administrativa alguns
aspectos merecem destaque:

1. Zacarias de Góes e Vasconcellos conseguiu, cumprindo as instruções que


recebeu do Governo Imperial, executar os atos fundamentais e
necessários à organização e funcionamento da nova Província;
2. O Presidente Pádua Fleury, iniciou a exploração dos Rios Ivaí, Tibagi,
Paranapanema e Iguaçu, trabalho realizado pelos irmãos engenheiros
José Keller e Francisco Kelller.
3. O Presidente Adolfo Lamenha Lins incentivou a imigração criando
colônias ao redor de Curitiba.
4. Carlos de Carvalho incentivou a educação, criando o ensino noturno, a
escola normal, alargando a esfera do ensino público.
16
Somente três foram paranaenses: João José Pedrosa (1880); Joaquim de Almeida Farias
Sobrinho (1886) e Jesuíno Marcondes de Oliveira e Sá (1889).
17
A maioria dos Presidentes nomeados pelo Imperador era do Rio de Janeiro e Bahia, mas
outros vieram de São Paulo, Minas Gerais, Pernambuco, Mato Grosso, Piauí e, inclusive, um
nascido em Coimbra, Portugal.

39
5. Alfredo D’ Escragnolle Taunay, cuidou da urbanização de Curitiba.

O Poder Legislativo

Com a autonomia o povo paranaense adquiriu o poder de eleger um senador, um


deputado federal e uma Assembléia Provincial com vinte membros.
No momento da Emancipação Política, o Paraná possuía a seguinte estrutura:

1. Duas cidades: Paranaguá e Curitiba;


2. Sete Vilas: Antonina, Guaratuba, Morretes, São José dos Pinhais, Lapa,
Castro e Guarapuava;
3. Seis freguesias: Campo Largo, Palmeiras, Rio Negro, Ponta Grossa,
Jaguariaiva e Tibagi.

Para escolha dos seus representantes ao Poder Legislativo, de acordo com a Lei
em vigor, eram poucos os eleitores, apenas 135. Estavam excluídos do direito de votos
menores de 21 anos, as mulheres, os escravos, os religiosos 8e os detentores de renda
liquida anual inferior a 200 mil réis. Além disso, a eleição era indireta. Os cidadãos
ativos escolhem em assembleia paroquial os eleitores da Província os quais elegem os
parlamentares.
Considerando que os Juízes de Direito, do poder Judiciário, são também,
indicados pelo Imperador, só o Poder Legislativo era eleito, bem ou mal, pelo povo.

A organização da província

A Lei nº2, de 26 de Agosto de 1854, cria o embrião do Poder Judiciário, com


três Comarcas, uma no litoral e duas no Planalto.
A Lei nº4 que reestabeleceu o imposto denominado dos animais no registro de
Rio Negro, que representava, em termos de recursos orçamentários, cerca de 70% da
receita pública.
A Lei nº 9 tratou da construção da Estrada da Graciosa ligando Antonina a
Capital.
Entre 1854 a 1889 a Assembleia Legislativa Provincial teve 16 legislaturas.
Começou com 20 membros e terminou com 24, considerando que a população da
Província no mesmo período cresceu de 62.000 para 250.000 habitantes.

O último presidente da Província foi Jesuíno Marcondes, que entregou o cargo


ao General Francisco Cardoso Junior, comandante da Guarnição Militar do Exército e
representante do Marechal Deodoro da Fonseca.

EXERCÍCIOS

QUESTÃO 01:
(UEM-2013) No dia 15 de novembro de 1889, com a Proclamação da República brasileira, o
Paraná passou à categoria de Estado. Assinale a(s) alternativa(s) correta(s) sobre os diferentes
processos políticos que antecederam esse fato.

40
01) Um dos fatores que favoreceu a criação do Estado foi o apoio que o governo provincial deu
à Revolução Farroupilha, que lutava contra o governo monárquico.

02) A Província do Paraná foi criada a partir do desmembramento da Província de São Paulo.

04) Devido à sua localização estratégica, Paranaguá foi escolhida como a primeira capital da
Província do Paraná.

08) Tanto a Província como o Estado foram criados por estratégias políticas do governo central,
pois a autonomia do território não era preocupação da elite política local.

16) Pelo Tratado de Tordesilhas, parte do atual território do estado do Paraná fez parte da Coroa
Espanhola.

41
ASPECTOS

DA

ECONOMIA

DO

PARANÁ

42
MINERAÇÃO

O interesse português em colonizar o Brasil está em parte relacionado ao


interesse de encontrar reservas de ouro. Neste contexto, no Paraná, em 1641, Gabriel de
Lara encontrou minas de ouro na região de Serra Negra, na região de Paranaguá. Em
1668, os paulistas, Salvador Jorge Velho e João Araújo, descobriram e começaram a
explorar, próximo de Curitiba, no Rio Capivari e seus afluentes, ouro aluvial,
garimpado. Na região de São José dos Pinhais e Bocaiúva do Sul, também foi
encontrado ouro de aluvião. Em 1661, Pedroso Leme, encontrou ouro no Rio Tibagi.
Pela determinação da Coroa, a exploração do ouro não seguia a mesma
autoridade das capitanias e seus donatários, ou seja, de cunho particular. Era de
interesse do estado português. Tratava-se de um monopólio real.
Mais tarde, por volta de 1650, a administração portuguesa instalou uma Casa de
Fundição em Paranaguá. Segundo regimento real, o ouro legal era aceito somente em
barras com o selo da casa real de Bragança, devidamente enumerado.
Devido ao contrabando e a diminuição da extração de ouro na colônia, a
quantidade que chegava a metrópole do metal precioso estava diminuindo cada vez
mais. Neste cenário, a corte portuguesa instituiu o chamado “Imposto da capitação”
(ressaltando que também existia o imposto denominado de quinto) para os exploradores
das minas, como também para os agricultores e comerciantes paranaenses. Esse imposto
consistia em 4 ½ oitavas de ouro por trabalhador escravo nas minas. Essas oitavas
equivaliam a cerca de 17g de ouro por cabeça de escravo.
A presença do ouro foi importante para o desenvolvimento e povoação da
Região. Para a história, ela aparece como o 1º ciclo econômico do Estado.
Com a redução aurífera, os moradores de Paranaguá e do litoral passaram,
principalmente, à produção de mandioca. Paranaguá tornou-se o maior empório de
farinha do sul do país, abastecendo Santos, Rio de Janeiro, Colônia do Sacramento e até
a Bahia.
Por outro lado, a região dos Campos Gerais sofreu uma mudança positiva. A
mineração que não passava de débil acessório, virou apenas história. A criação de gado
constituía de fato a principal atividade da população. Com a grande migração interna
para Minas Gerais e Goiás em busca de ouro, surgiu uma grande demanda de
alimentação. Os fazendeiros dos Campos Gerais do Paraná passaram a abastecer a
região das Minas Gerais com a carne. Em 1703, os curitibanos já vendiam gado em São
Paulo. Os Campos gerais se encheram de fazendas de gado. Com o aumento da
produção do gado para abastecer a região mineira, o preço subiu, os moradores dos
Campos Gerais tiveram grande desenvolvimento e teve inicio uma nova atividade
econômica, o tropeirismo, principalmente a partir de 1731, com a abertura da estrada do
Viamão.

TROPEIRISMO

Com a crise da mineração no Paraná, boa parte dos habitantes que não foi para
as Minas Gerais passou a desenvolver atividades de pecuária nos Campos Gerais,
começando por Curitiba.
Aos poucos se formou uma cultura conhecida como cultura curitibana que se
assentava em quatro elementos: 1º - A fazenda de criação de gado; 2º - A família

43
patriarcal como elemento social; 3º - A região dos campos espaço geográfico; 4º - A
escravidão como elemento de trabalho.
As estâncias e fazendas de gado dos Campos Gerais do Paraná abasteceram os
mercados de São Paulo e Rio de Janeiro a partir do século XVII.
O caminho percorrido pelos tropeiros no transporte do gado e muares era
conhecido como a Estrada da Mata até meados do século XVIII, passando a ser
conhecido como Caminho da Viamão em 1731. O seu nome está associado à cidade de
Viamão no Rio Grande do Sul, onde o caminho tropeiro era iniciado. Posteriormente,
passava por Curitiba e seguia para a cidade de Sorocaba em São Paulo. Lá, os muares
eram comercializados e levados a Minas gerais, Goiás e Mato Grosso.
Com a ampliação do comércio de gado, as fazendas do Paraná sofreram
transformações e muitos fazendeiros passaram a priorizar a invernagem, que dava mais
lucro, em detrimento da criação. Aos poucos a cidade passou a predominar sobre o
campo, com isso aconteceu a ampliação da economia monetária e o fim da
autossuficiência das fazendas.
As tropas não eram só de bois, mas de cavalos, mulas e éguas. A mula foi
utilizada como principal meio de transporte durante muito tempo, principalmente no
transporte de ouro de Minas gerais para o litoral, da erva-mate no Paraná, do café para o
porto de Santos.
Aos poucos o comércio de mulas superou o de bois. A história do
tropeirismo está intimamente ligada ao papel desempenhado pelo muar.
Objetivando facilitar o comércio de muar, após a conquista dos Campos de
Guarapuava e Palmas, decidiu-se ligá-los à terra das missões. Essa estrada, conhecida,
também, como Estrada do Muar, ou Estrada de Palmas, por ser mais econômica,
substituiu a Estrada de Viamão na passagem das tropas, até o advento da ferrovia.
Existiram também, no Paraná, tropas de cargas, inicialmente no transporte de
mercadorias entre Paranaguá e Curitiba. Com o desenvolvimento da indústria ervateira,
novas tropas de carga foram necessárias para o transporte da erva-mate. Quando da
ocupação dos Campos de Guarapuava e Palmas, foram necessárias tropas para o
transporte de sal para o gado que lá se criava.

As características dos tropeiros

Fora comuns expedições espanholas adentrando o território paranaense durante o


século XVII e XVIII. Os tropeiros faziam parte das zonas rurais e das pequenas cidades
aqui na região sul, na maioria das vezes vestidos como gaúchos da época, utilizando
botas, chapéus e ponchos. Os tropeiros encaminhavam rebanhos de gado para o interior
de São Paulo, principalmente Sorocaba. Já na província de São Paulo, os animais,
juntamente com as mercadorias, iam para as províncias de Minas Gerais, Goiás e Mato
Grosso.

ERVA-MATE

Durante mais de cem anos – de 1820 a 1930 – a erva-mate foi absoluta na


economia e em toda a vida paranaense. Era a principal riqueza produzida. Toda a
vida econômica, social, política e cultural girava em torno da erva-mate.

44
Os ervais se estendiam pelo planalto paranaense até o Rio Paraná,
principalmente de Guaíra para baixo, penetrando no Mato Grosso, Santa Catarina e Rio
Grande do Sul.
Os índios já eram consumidores da bebida quando os europeus chegaram à
América. Entretanto, é notório que os jesuítas tenham dado sequência ao cultivo da
planta. As reduções jesuíticas, desde o século XVII, eram focos de produção de diversos
gêneros agrícolas e inclusive criação de gado. Dentre os gêneros agrícolas produzidos,
encontrava-se a erva-mate. Na verdade, a princípio os jesuítas até julgaram que a erva
teria poderes sobrenaturais malignos e chegaram, por um curto período de tempo, a
proibirem entre os índios, o seu uso. Chamavam-na, inclusive, de “erva do diabo”. Mas,
posteriormente, reconhecendo o incrível valor de negociação da erva, os espanhóis se
sujeitaram ao seu cultivo. Na colônia espanhola, muitas vezes a erva-mate foi utilizada
como moeda de troca, sendo que já era utilizada pelos índios antes mesmo da ocupação
europeia.
As primeiras incursões comerciais realizadas com a erva-mate foram
realizadas a partir de 1772, quando a população do sul do Brasil foi autorizada a
comercializarem livremente com regiões consumidoras. Considerando que na época
se vivia sob o auspício do mercantilismo, tal autorização era significativa.
A autorização de livre comércio foi uma tentativa da Coroa portuguesa em
terminar com o marasmo econômico da região sul.
Todavia, mesmo tendo recebido uma oportunidade excelente de ampliar os
horizontes econômicos, a população de Paranaguá e Curitiba não aproveitaram a
oportunidade. Tal fato deve-se as técnicas inadequadas empregadas na transformação da
erva em produto apto a à comercialização. Os problemas causados se davam devido a
maneira pouco adequada em se transportar à mercadoria (a região não dispunha de
estradas) e devido a concorrência do Paraguai, na época o maior produtor de mate,
responsável pelo abastecimento dos países vizinhos como Uruguai e Argentina.
Somente anos depois, a erva-mate ressurgiu como produto de exportação
paranaense, em 1813, quando o ditador paraguaio, Gaspar Francia, iniciando uma
política de isolamento do país na comunidade sul-americana, proibiu a exportação
de erva-mate para os mercados consumidores de Buenos Aires e Montevidéu. Tal
medida política paraguaia levou com que os países consumidores buscassem o mate em
outras regiões produtoras. Sendo assim, o Paraná adquire notável importância.
Neste período, se destaca a figura de Francisco Alzagaray, responsável pela
introdução de novas técnicas de produção e beneficiamento da erva-mate no
Paraná. Assim, a partir de 1820, o Paraná conquistou os mercados argentinos e
uruguaios. Neste contexto, por voltar de 1826, a 5ª Comarca transforma o mate em seu
principal produto de comércio.
A erva era, na maioria das vezes, transportada pela Estrada da Graciosa.
O auge da produção de mate foi alcançado durante o período da Guerra do
Paraguai, devido ao boicote promovido pela Argentina e Uruguai ao mate paraguaio.
Tal fato fez da erva-mate o principal produto de exportação até a Primeira Guerra
Mundial.

45
MADEIRA

Desde o início da colonização do Brasil pelos portugueses já se fazia o uso


da araucária, popularmente conhecida como Pinheiro do Paraná.
O pinheiro foi outro elemento natural que estruturou a cultura curitibana.
Infelizmente a grande maioria dessa riqueza e beleza foi destruída pelo fogo para dar
origem a outras plantações, principalmente o café no norte do Estado e para a produção
de madeira. Com o sapé, cascas e galhos faz-se fogo, com o nó produz-se carvão, com a
serragem são feitos aglomerados, cola e papel, com a sua madeira constroem-se casas.
Eram tantas as casas de madeira que muitas de nossas cidades eram apelidadas de
“cidades de pau”.
Além do mais, o pinheiro produz um fruto extraordinário: o pinhão. O próprio
calendário da vida do índio e do bandeirante estava em função do ciclo de frutificação
do pinhão, de maio a julho. As maiores excursões eram feitas nessa época, pois tinham
alimento garantido. Quando as pinhas se desfazem e os frutos maduros caem, não só o
homem, mas também a fauna silvestre têm no pinhão um bom alimento, sendo a época
em que os animais mais engordam. Na época de desfolhar das pinhas, os indígenas
intensificavam a caça, pois as aves e os animais estavam mais gordos por causa do
pinhão.
A própria safra dos porcos, nos seus primórdios, acontecia no tempo do fruto do
pinheiro.
A extração da madeira paranaense se deu na mesma época que o ciclo do
mate, por volta de 1850 já existia uma pequena exploração de madeira de lei no
litoral, entretanto, a utilização do pinheiro era pequena, sendo a preferência por
outras madeiras.
O extrativismo da madeira se desenvolveu após a abertura de estradas
como a da Graciosa (1873), a construção da ferrovia Curitiba-Paranaguá (1885), e
da São Paulo-Rio Grande, onde várias serrarias se instalaram ao longo das
ferrovias. Todavia, esse ciclo teve seu desenvolvimento retardado devido à
concorrência da madeira importada, o pinheiro de Riga.
O grande estímulo para a exportação do pinheiro paranaense surgiu com a
Primeira Guerra Mundial. A ampliação da economia da madeira se deu a partir
de 1934 com a ocupação do Norte, Oeste e Sudoeste do Estado. Os grandes
mercados eram a Argentina e a Inglaterra, e no Brasil, São Paulo. A exportação do
pinho, que era feita pelos portos de Paranaguá, Antonina e Foz do Iguaçu,
rapidamente ultrapassou a erva-mate como principal fonte de arrecadação do
Estado.
No final do século XIX, com Antonio Rebouças, começou verdadeiramente,
a industrialização do pinheiro. Passou-se do giro lento da roda d’água do velho
engenho para a rotação rápida da máquina a vapor. Em torno do pinheiro
organizaram-se em torno delas novos grupos de trabalhadores: os boiadeiros, o
carroceiro, os serradores, os maquinistas, os conservadores de estradas
empilhadores de madeira, etc.
Várias serrarias se multiplicavam no Estado. Porém, um ponto é desfavorável
em relação a tal atividade econômica: ela não se integrava a vida regional, pois estas
eram nômades, além de devastarem a região sem contribuir em demasiado para fixação
duradoura da população.

46
CAFÉ

Depois de dominar no Vale do Paraíba e penetrar em S. Paulo, onde forneceu o


capital suficiente para possibilitar a industrialização daquele Estado, o café passou ao
Paraná, encontrando aí as melhores terras do mundo para o seu plantio. Na famosa
terra roxa do norte do Paraná, o rendimento do cafezal atingiu o mais elevado
índice do mundo.
Os primeiros passos da cafeicultura no Paraná foram dados em meados do
século XIX, quando se começou a plantar café em algumas colônias fundadas, por
iniciativa ou com apoio do governo imperial, na orla da grande floresta desabitada que
ocupava a região norte, segundo um estudo do professor Francisco Magalhães Filho.
Em 1875 já se plantava café, de ótima qualidade, na Colônia Militar de Jataí. O tenente
Antônio Vasconcelos de Menezes, comandante da colônia, em seu relatório de 1886
afirmou que, no futuro as terras da região não teriam competidores na produção de café.
Essa produção não chegou a ter significado econômico, mas na segunda metade
do século XX a expansão cafeeira de São Paulo penetrou no Paraná, pelo Vale do
Itararé, levando ao surgimento de várias fazendas e de alguns núcleos urbanos como
Santo Antonio da Platina, ainda segundo aquele estudo.
Desde o início de sua colonização, a região norte esteve sob a influência da
economia paulista, mesmo porque sua população era formada principalmente por
paulistas e mineiros, provenientes de regiões cafeeiras.
A produção da região, no entanto, começou a expandir-se após o Convênio
de Taubaté, assinado em 25 de fevereiro de 1906, quando os gove rnos de São
Paulo, Minas Gerais e Rio de Janeiro, celebraram acordo coibindo aumento de
produção cafeeira. A transferência para o Paraná, onde não haviam restrições, foi
a saída encontrada por muitos fazendeiros paulistas e mineiros.
Se o café a partir de 1850 exerceu importante papel na vida brasileira, o mesmo
aconteceu no Paraná a partir de 1930. O café mudou o Paraná. Em 10 anos, de 1950 a
1960 a população dobrou, e o número de propriedades agrícolas aumentou de 90.000
para mais de 270.000. Só no ano de 1960 foram criados 57 municípios, sendo 40 só no
Norte do Paraná
A grande expansão ocorreu com o desbravamento da região, surgido a partir da
colonização feita pela antiga Companhia de Terras Norte do Paraná.
Considerando a sua itinerância como aconteceu nos Vales do Paraíba e Tiete, o
café do norte do Paraná perdeu aos poucos sua importância.
O problema da “superprodução”, e a saturação do mercado internacional
de café exigem dos poderes governamentais políticas visando reduzir as safras
pelos programas de erradicação dos pés de café. Tais iniciativas já vinham desde
1961 quando o governo brasileiro cria o Grupo Executivo de Racionalização da
Agricultura (GERCA), apoiado no Programa de Racionalização da Cafeicultura que
previa, como uma de suas metas, a diversificação de culturas nas áreas liberadas com a
erradicação do café.
Em face ao momento crítico, surgem várias cooperativas de cafeicultoras no
norte do Paraná como tentativa de amenizar os efeitos sobre os produtores, a grande
maioria formada por pequenos proprietários que adquiriram seus lotes junto às
companhias colonizadoras. Essas cooperativas atuaram como elementos de difusão da

47
modernização agropecuária, estimulando e “provocando” a introdução de lavouras
chamadas modernas, sobretudo a soja. A sua estrutura organizacional e relacionamento
direto com os produtores facilitaram o papel das mesmas, que encontraram no Estado
seu principal aliado.
A crise na cafeicultura instala-se reforçada real e simbolicamente pelas
constantes geadas que iam destruindo os cafezais (com destaque para o ano de 1975).
Foi esse período em que as lavouras “modernas” (principalmente soja e trigo)
desenvolvem-se decisivamente em substituição ao café. E foi essa a orientação das
políticas públicas do governo brasileiro: desestimular a continuidade da cafeicultura
(que encontra reforço nas geadas). Para tanto, colocou a disposição dos agricultores uma
série de subsídios oficiais, com finalidade de agilizar o processo. Ao contrário, para a
cafeicultura a política oficial foi de completo desestímulo.
A partir desse momento a soja passa a ser o produto de maior dinamismo
na década de 1970.

SOJA

Foi a partir de 1950, que teve início uma diversificação da agricultura


paranaense com o plantio em escala comercial de algodão, milho, feijão, arroz,
cana-de-açúcar, amendoim, rami, fumo, hortelã e soja. Além disso, intensificou em
algumas regiões (como noroeste, oeste e sudoeste) a criação de bovinos e suínos. Mas
no caso da soja, a expansão dessa cultura foi extraordinária a partir da introdução da
mecanização e adoção das novas tecnologias. No norte, essa expansão coincide com o
declínio e crise da lavoura cafeeira, que passou a ser substituída pelas “lavouras
modernas”. Até então, a cultura era uma quase curiosidade. Sua produção era irrisória e
as poucas e pequenas lavouras de soja existentes na região destinavam-se ao consumo
doméstico - alimentação de suínos, principalmente. O total da produção não passava de
60 toneladas.
No norte, noroeste, oeste e sudoeste do PR, ainda predominava a Mata Atlântica
em meados dos anos 50 e as culturas predominantes nas áreas conquistadas da floresta
eram o café, o milho e o feijão. A soja ainda não figurava como cultivo comercial para
essas regiões. O primeiro impulso para atingir tal objetivo veio com a primeira grande
geada de 1953, que destruiu os cafezais no norte e noroeste do Estado. Pelo
desconhecimento do potencial agronômico e comercial que a soja representava, os
agricultores foram estimulados a plantar cereais entre as fileiras de café queimado,
resultando numa superprodução desses produtos, que se perdeu por falta de transporte e
de mercado. Isso fez com que na segunda grande geada de 1955, os cafeicultores
buscassem na soja a alternativa que os frustrara dois anos antes com o plantio de outros
grãos. Em função disso, principalmente, o plantio da oleaginosa no PR passou de 43 ha,
em1954, para 1.922 ha, em 1955 e para, 5.253 ha, em 1956. Sabia-se, já então, que a
soja possuía mercado externo garantido e preços compensadores.
No sudoeste e oeste do Estado, a cultura desenvolveu-se com a migração de
colonos vindos do RS, onde a soja já era cultivada há mais tempo, principalmente
em pequenas explorações familiares para uso na alimentação de suínos e havia
bom conhecimento sobre as tecnologias de sua produção. O desenvolvimento
ocorreu paralelamente com as demais regiões do Estado, com início em meados dos
anos 50.

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Apesar de ser milenar, a soja ganhou destaque econômico apenas na segunda
metade do século XIX e, no Paraná o seu plantio disparou quando, no início da década
de 70, ocorreu a maior alta nos preços internacionais.
O crescimento da produção a partir desse período foi explosivo. A produção do
Estado passou de 8 mil toneladas na média dos anos 1960 e 1961, para 150 mil na
média dos anos 60, para 3,5 milhões na média dos anos 70, para 4,15 milhões na média
dos anos 80 e para 6,5 milhões de toneladas na média dos anos 90.
O sucesso da soja em substituição ao café no Norte do Paraná se deve à
condição de essa cultura possuir: inovações pré-adquiridas como: sementes
selecionadas; um processo de produção totalmente mecanizado desde o plantio até
a colheita; a capacidade de aliar interesses, que impulsionaram o seu cultivo: o das
indústrias processadoras e exportadoras do produto e do Estado que teve incluído
um produto de grande aceitação na pauta de suas exportações.

INDUSTRIALIZAÇÃO

O desenvolvimento econômico do Paraná, desde o início de sua ocupação pelos


europeus, alicerçou-se em alguns produtos básicos: ouro, gado, erva-mate, madeira e
café. As primeiras indústrias foram de erva-mate, madeira, fósforo, sabão, vela, massas
alimentícias e cerâmica.
Durante e após a Primeira Guerra Mundial, teve crescimento a utilização do
pinheiro, com serrarias e indústria de móveis, ocasionando a destruição das matas
nativas.
A partir de mais ou menos 1960 a economia paranaense começou a tomar novos
rumos, com investimentos em infraestrutura, com a criação do PLADEP (Plano de
Desenvolvimento do Estado do Paraná), a CODEPAR (Companhia de Desenvolvimento
Econômico) e a FDE (Fundo de Desenvolvimento do Paraná). A agricultura passou a
ser modernizada e surgiu a agroindústria do café, soja e carne, principalmente de frango.
A criação da Cidade Industrial de Curitiba e a Instalação da Refinaria de
Petróleo da Petrobrás em Araucária foram um marco rumo à industrialização. O Paraná
tornou-se, também, grande produtor e exportador de energia elétrica, merecendo
destaque a criação da COPEL.
A construção da rodovia e ferrovia ligando o norte do Paraná ao porto de
Paranaguá contribuiu, e muito, para carear a riqueza oriunda do café para o Paraná e não
mais para São Paulo. A construção de rodovias para Oeste e Sudoeste foi importante
para a integração estadual.
Alguns aspectos do desenvolvimento econômico do Paraná merecem
destaque:

1. Com o esgotamento da fronteira física rural em 1970 exaurindo-se a


possibilidade do crescimento extensivo da produção agrícola, ocorreu
uma revolução no crescimento tecnológico;
2. No processo de modernização na área rural e da agroindústria, as
cooperativas exerceram papel significativo;
3. As medidas tomadas na melhoria tecnológica permitiram um crescimento
na frente externa;

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4. Pela posição geográfica privilegiada em relação ao MERCOSUL e em
virtude de alterações positivas na infraestrutura, o Paraná tornou-se um
pólo automotivo, inclusive com o crescimento das empresas produtoras
de autopeças;
5. A indústria do turismo começa a prosperar no Paraná;
6. Pode-se concluir que três fatores influenciaram no processo de mudança
na economia paranaense: investimentos na infraestrutura; criação de
instrumentos institucionais e a constituição no Paraná Moderno – norte,
oeste e sudoeste – de uma agricultura dinâmica, fruto da pequena
propriedade e do cooperativismo.

É preciso deixar claro que essas fases da economia paranaense não se


sucederam uma suprimindo a outra. Na realidade, houve sempre a presença das
atividades de uma ou outra fase ao mesmo tempo, mas de modo em que a crise de
uma elevasse a participação da outra. O esgotamento de uma atividade, ainda que
nunca por completo, dar-se-ia, então, como um processo de declínio da produção.
Pode-se notar, atualmente, inclusive, a atividade ervateira e madeireira ainda
presentes em certas regiões do Paraná, porém num contexto diferente da época em
que possuíram um papel decisivo nos intuitos da constituição da autonomia
economia estadual.

O PARANÁ PRODUTIVO

A partir de 1995, o Paraná atraiu grandes investimentos. Em 1997, três


montadoras – Renault, Audi e Chrysler – firmaram um acordo para instalar fábricas no
Paraná.
Porém, é importante salientar que a produção industrial paranaense
continua fortemente voltada para o setor agrícola.

A Usina de Itaipu

A construção da Itaipu Binacional solucionou um impasse diplomático


envolvendo Brasil e Paraguai. Os dois países disputavam a posse de terras na
região do Salto de Sete Quedas, área hoje coberta pelo lago da usina.
Em 1750, Espanha e Portugal assinaram o Tratado da Permuta, primeira
descrição minuciosa da fronteira. O texto, porém, era impreciso ao determinar os limites
entre os territórios da margem direita ao Rio Paraná. Um rio, cuja foz não se sabia ao
certo se estava acima ou abaixo das Sete Quedas, deveria demarcar as terras. Tratados
subsequentes buscaram esclarecer a questão, sem obter êxito.
A Guerra do Paraguai (1865-1870) reabriu a polêmica em torno da fronteira na
região das Sete Quedas. Conforme o Tratado da Paz (1872), os territórios deveriam
dividir-se pelo Rio Paraná, até o Salto, e pelo cume da Serra de Maracaju.
A disputa das Sete Quedas recrudesceu nos anos 1960. A descoberta do
potencial hidrelétrico do Rio Paraná colocou Brasil e Paraguai novamente em rota de
colisão. Mas, em vez de medir forças, os dois governos fizeram uma sábia opção: unir
forças.

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O resultado das intensas negociações foi a Ata do Iguaçu, assinada em 22 de
junho de 1966 pelos ministros das Relações Exteriores do Brasil, Juracy Magalhães, e
do Paraguai, Sapena Pastor. A declaração conjunta manifestava a disposição de estudar
o aproveitamento dos recursos hidráulicos pertencentes em condomínio aos dois países,
no trecho do Rio Paraná “desde e inclusive o Salto de Sete Quedas até a foz do Rio
Iguaçu”.
Em 26 de abril de 1973, Brasil e Paraguai assinaram o Tratado de Itaipu,
instrumento legal para o aproveitamento hidrelétrico do Rio Paraná pelos dois países.
O ano da assinatura do Tratado de Itaipu, 1973, coincide com a eclosão da crise
mundial provocada pelo aumento do petróleo. Intensifica-se a exploração de fontes de
energia renováveis como forma de assegurar um vigoroso desenvolvimento para o
Brasil e Paraguai.
Em maio de 1974, é formada a entidade binacional Itaipu, para gerenciar a
construção da usina, estruturada como “empresa internacional”.
A Itaipu Binacional é um marco para o setor elétrico dos dois países. Antes, os
paraguaios dispunham de apenas uma hidrelétrica de pequeno porte, Icaray. Os
brasileiros consolidam a opção pela energia produzida por meio do aproveitamento da
força dos rios. A usina praticamente dobrou a capacidade do Brasil de gerar energia.
Para a construção da Usina, iniciada em 1974, era necessário construir uma
infraestrutura gigantesca que envolvesse escritórios, refeitórios, que pudessem ser
utilizados pelos milhares de trabalhadores durante os anos da obra.
A Itaipu Binacional foi a única grande obra a atravessar a fase mais aguda da
crise econômica brasileira no final dos anos 1970 mantendo o status de prioridade
absoluta.
O entendimento de Brasil e Paraguai para a construção da Itaipu Binacional
estremeceu as relação dos dois países com a Argentina. Os argentinos temiam que a
usina prejudicasse seus direitos e interesses sobre as águas do Rio Paraná. A questão
chegou a ser tema de uma Assembleia Geral das Nações Unidas, em 1972.
A solução veio com a assinatura do Acordo Tripartite, entre Brasil, Paraguai e
Argentina, em 19 de outubro de 1979. O documento determinou regras para o
aproveitamento dos recursos hidráulicos no trecho do Rio Paraná desde as Sete Quedas
até a foz do Rio da Prata. Este acordo estabeleceu os níveis do rio e as variações
permitidas para os diferentes empreendimentos hidrelétricos na bacia comum aos três
países. Antes da conclusão da usina, chegava ao fim de uma complexa e exigente obra
diplomática.

EXERCÍCIOS

QUESTÃO 01:
(UEM-2009) Com o esgotamento do ciclo cafeeiro, a partir da década de 1960, a economia
paranaense passou por importantes transformações. Sobre tais transformações, é correto afirmar:

01) A falta de incentivo do governo federal a uma alternativa para a cultura cafeeira reduziu e
empobreceu a agricultura paranaense, nos finais da década de 1960.

02) A cultura da soja teve um impacto direto sobre a urbanização e a industrialização de


diversas cidades paranaenses.

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04) Dentre as grandes transformações ocorridas na economia, a partir dos anos 60, a principal
foi a adoção de uma agricultura de subsistência.

08) Ainda que tenha progredido nos últimos anos, a falta de tecnologia no campo não permite
que a produção agrícola paranaense concorra no mercado internacional.

16) A metropolização das cidades do Norte paranaense contribuiu para aumentar os problemas
de meio ambiente, de educação e de segurança pública.

QUESTÃO 02:
(UEM-2009) Leia a citação a seguir e assinale o que for correto: “Durante o segundo decênio do
século XIX, a exportação do mate já era considerada como o principal elemento do comércio
exterior paranaense. O movimento do Porto Paranaguá assumiu maiores proporções, sendo que
até mesmo navios estrangeiros ali atracavam para fazer comércio e transportar o mate para os
mercados platinos. Ainda nessa época o mate alcançara 44% do total da exportação do Paraná"
(ANTUNES DOS SANTOS, Carlos Roberto. Vida Material e econômica. Curitiba, SEED,
2001, p. 42).

01) A adaptação e cultivo do mate em todo o território paranaense foi um dos fatores que
contribuíram para que o Estado fosse o maior exportador brasileiro desse produto naquela
época.

02) Naquele contexto, a metalurgia e a indústria madeireira desenvolveram-se como suporte à


indústria do mate.

04) Desde o início, a indústria do mate paranaense empregou unicamente a mão de obra do
imigrante, principalmente do italiano.

08) O termo platino, na citação, refere-se à moeda argentina (Plata), utilizada nas transações
comerciais do mate.

16) A decadência da economia do mate no Paraná, a partir do final da década de 1850, deve ser
atribuída, entre outros fatores, à concorrência do mate produzido no Paraguai e no Rio Grande
do Sul.

QUESTÃO 03:
(UEM-2010) No século XX, o Estado do Paraná sofreu importantes transformações econômicas
e sociais. A respeito dessas transformações, assinale a(s) alternativa(s) correta(s).

01) Na segunda década do século passado, a presença de capital norte-americano na economia


paranaense pode ser percebida por meio da empresa Brazil Railway Companny, que finalizou a
ligação da ferrovia entre Paraná, São Paulo, Santa Catarina e Rio Grande Sul.

02) Iniciada na década de 70, a Hidrelétrica de Itaipu foi construída exclusivamente com capital
nacional.

04) A industrialização em larga escala, a partir da década de cinquenta, provocou a decadência


do cultivo e da exportação da erva-mate, principal produto do Paraná.

08) Com a proclamação da República, tiveram início os movimentos sociais que pretendiam
desmembrar o Paraná do Estado de São Paulo.

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16) Na década de oitenta, houve intenso êxodo rural relacionado principalmente com a atividade
da agroindústria ligada à produção de soja e trigo.

QUESTÃO 04:
(UEM-2011) Sobre o processo de urbanização das diversas regiões que compõem o atual Estado
do Paraná, assinale a(s) alternativa(s) correta(s).

01) As primeiras vilas fundadas, no século XVI, encontravam-se no extremo oeste do atual
estado, e visaram a marcar a presença portuguesa nos limites do Tratado de Tordesilhas.

02) O início da efetiva ocupação das terras que pertenciam a Portugal deu-se a partir do
povoamento do litoral, no século XVII, ganhando importância a fundação de Paranaguá.

04) No século XVIII, articulou-se uma importante área econômica na região dos Campos
Gerais, a pecuária, caracterizada pelo tropeirismo. Ao longo do percurso dessa atividade,
originaram-se as cidades de Castro, Lapa e Ponta Grossa.

08) Desde o início da colonização, a erva-mate foi o mais importante produto de exportação
paranaense, sendo responsável por alavancar o processo de urbanização dos campos de
Guarapuava.

16) O avanço do cultivo do café, na primeira metade do século XX, foi responsável pelo
surgimento de várias cidades no chamado Norte Pioneiro.

QUESTÃO 04:
(UEM-2011) A ocupação urbana do que veio a ser o Estado do Paraná se deu em um longo
período de constituição de vilas que vieram a se transformar em cidades. A esse respeito,
assinale a(s) alternativa(s) correta(s).

01) A dinâmica da atividade madeireira, na transição do século XIX para o XX, deu origem a
novos núcleos urbanos.

02) A busca pelo ouro em todo Brasil Colônia motivou o surgimento, na atual região Norte do
Estado, de povoados, no século XVIII.

04) A dinâmica da pecuária no Brasil Colônia propiciou a origem de vários povoados na região
Oeste do atual Estado do Paraná, ainda no século XVI.

08) A erva-mate possibilitou o surgimento de novos núcleos urbanos, no século XIX.

16) Nas primeiras décadas do século XVI, desenvolveram-se núcleos urbanos no atual litoral
paranaense, que nasceram de aldeias indígenas fundadas pelos jesuítas.

QUESTÃO 05:
(UEM-2012) Assinale a(s) alternativa(s) correta(s) sobre os aspectos políticos, econômicos e
sociais da implantação da cafeicultura paranaense a partir do século XIX.

01) Desde sua implantação até sua decadência, a cafeicultura paranaense resultou da iniciativa
direta e exclusiva dos produtores, sem a intervenção dos governantes.

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02) O sucesso do cultivo do café explica-se, em parte, pela disponibilidade de terras férteis e
pela demanda do mercado mundial.

04) A prática da monocultura do café foi a principal responsável pela crise do produto a partir
dos anos 1950.

08) A cafeicultura viabilizou a intensa ocupação da Região Norte do Paraná e contribuiu para o
fortalecimento político dessa região.

16) Uma característica da produção do café paranaense, no início do século XIX, era seu cultivo
juntamente com as lavouras de soja e trigo.

QUESTÃO 06:
(UEM-2013) “Nos primeiros séculos da história brasileira, os meios de locomoção e as vias de
penetração eram completamente precários e insuficientes. As únicas vias existentes eram os
chamados caminhos por onde só podiam transitar tropas de muares, devido às precárias
condições” (WACHOWICZ, Ruy Cristovam. História do Paraná. Curitiba: Vicentina, 1995, p.
97). A partir do fragmento acima, assinale a(s) alternativa(s) correta(s) sobre os caminhos e o
tropeirismo.

01) Segundo o texto citado, os caminhos foram abertos pelos portugueses ao longo da
colonização para superar os obstáculos naturais, como a Serra do Mar e a Mata Atlântica, e
chegar até o interior do Brasil.

02) Várias cidades paranaenses, como Ponta Grossa, Castro e Lapa, têm suas origens ligadas ao
tropeirismo, pois surgiram em locais utilizados pelos tropeiros para descanso e alimentação.

04) Um dos mais importantes caminhos do Sul do Brasil, no século XVIII, era utilizado pelos
tropeiros principalmente para levar o gado criado no Sul do Brasil até as províncias de São
Paulo e de Minas Gerais e ligava Viamão, no atual estado do Rio Grande do Sul, até Sorocaba,
no interior do atual Estado de São Paulo.

08) A intensificação da utilização do caminho dos tropeiros (também chamado de estrada da


mata ou de caminho de Viamão), no século XVIII, relaciona-se à maior necessidade de
abastecimento da região das Minas Gerais, onde a descoberta de ouro atraiu um grande número
de imigrantes.

16) No território do atual estado do Paraná, os primeiros caminhos originaram-se com os índios
e posteriormente foram utilizados pelos bandeirantes e pelos tropeiros.

54
A

ESCRAVIDÃO

NO

PARANÁ

55
ESCRAVIDÃO NO PARANÁ

O sistema da escravidão existiu no Paraná tanto com os índios como com os


africanos.
No Paraná Espanhol os encomenderos vindos de Assunção para subjugar os
índios enfrentaram a resistência deles, comandados pelo cacique Guairacá, e também
dos padres jesuítas através das reduções. Isso durou até 1628, quando os bandeirantes
paulistas invadiram a região a caça de índios, levando mais de 60.000 como escravos
para vender no mercado.
Na ocupação do Paraná Português, partindo de Paranaguá e Curitiba, tanto nas
minas como na pecuária e na exploração da erva-mate utilizou-se a mão-de-obra
escrava, que não foi, porém, dominante. O ouro encontrado era de aluvião e durou
pouco. Na pecuária exigiu-se pouca mão-de-obra, por ser um trabalho nômade. Na
economia ervateira o escravo era utilizado principalmente no engenho de soque que foi
substituído pelo engenho hidráulico e a vapor em também, no transporte do produto
para o litoral, que era feito inicialmente no lombo do escravo.
A proibição pelo Governo Imperial do tráfico de escravos a partir de 1831
ocasionou reflexos no Paraná. Uma das consequências foi a exportação de escravos
deste Estado para fazendeiros de café em São Paulo. No ano 1867 o imposto sobre a
venda de escravos igualou o imposto sobre os animais. O porto de Paranaguá tornou-se,
também, o centro de contrabando de escravos para o Brasil.
Como consequência, ocorreu o fenômeno mais significativo da escravidão no
Paraná: o “Combate de Cormorant”. A lei “Bill Aberdeen” permitia que a marinha
inglesa perseguisse navios negreiros brasileiros, mesmo na nossa costa marítima. Em
junho de 1850 o navio inglês Cormorant entrou na baia de Paranaguá para aprisionar
navios brasileiros carregados de escravos. Diante disso alguns moradores de Paranaguá
revoltados com a violação de nossas águas dirigiram-se para o forte da Ilha do Mel e
convenceram o comandante e abrir fogo contra o navio inglês que retornava da baia.
Travou-se, assim, um combate entre a fortaleza e o navio, tendo repercussão
internacional o ocorrido.
Alguns dados da escravidão no Paraná revelam que nas cidades do planalto
predominava o escravo índio e no litoral o africano.
Algumas particularidades da escravidão no Paraná merecem destaque: a
convivência, tanto na pecuária como na produção de erva-mate, do trabalho escravo
com o trabalho livre; o escravo trabalha nas mais variadas atividades, na pecuária, na
agricultura, no artesanato e principalmente em serviços domésticos; o preço do escravo
teve aumento significativo: em 1740, o valor de um escravo equivalia a 15 bois, em
1790 já valia 60 bois; os religiosos também possuíam escravos: o Convento do Carmo,
de Itu (SP), possuía nos Campos Gerais 5 fazendas com 4.000 cabeças de gado e 40
escravos.
No Paraná, também foram criadas sociedades antiescravistas , como a
“Sociedade Redenção Paranaguense”, no litoral e “Ultimatum” em Curitiba, as quais
compravam a alforria e facilitavam a fuga de escravos.

EXERCÍCIOS

QUESTÃO 01:

56
(UEM-2009) Leia o texto a seguir: “Fugiu no dia 17 de novembro do anno pp., da cidade de
Ponta Grossa, o escravo de nome Marcelino, natural de Minas, idade de 14 annos mais ou
menos, côr fula, cara cheia, nariz chato, e tem um pé mais grosso do que o outro, como
destroncado; quem o levar à dita cidade acima e entregar a seu senhor [...] receberá a quantia
[...] de 100$000, de alvissaras.” (Anúncio no jornal “O Dezenove de Dezembro”, em 1866.
Citado por WACHOWICZ, Ruy Christovam. História do Paraná. Curitiba: Editora dos
Professores, 1968. p.108.) Assinale a(s) alternativa(s) correta(s).

01) Ao mostrar o grande número de escravos que fugia em Ponta Grossa, o texto explica o
porquê de não ter existido escravidão na região dos Campos Gerais.

02) O texto mostra que a mão de obra escrava predominou na colonização da região Norte do
Estado do Paraná.

04) O texto mostra que, na década de 1860, época do anúncio acima, o movimento abolicionista
tinha grande apoio popular no Paraná.

08) Embora na época do anúncio a escravidão ainda persistisse no Brasil, o desembarque de


escravos africanos nos portos brasileiros era considerado ilegal.

16) A palavra “alvíssaras” significa, no contexto do anúncio, recompensa.

QUESTÃO 02:
(UEM-2010) Sobre a escravidão no território que atualmente faz parte do Estado do Paraná,
assinale a(s) alternativa(s) correta(s).

01) A escravidão foi introduzida no Paraná, com a mineração na região do litoral.

02) Nos chamados Campos Gerais, os escravos constituíram a base da mão de obra utilizada na
pecuária.

04) Ao contrário do que ocorria no restante do Brasil, após a Guerra do Paraguai, ocorreu um
crescimento da escravidão no Paraná.

08) A partir de meados do século XIX, ocorreu, no Paraná, um estímulo à emigração européia,
como uma alternativa ao trabalho escravo.

16) Ao contrário de São Paulo, em razão da intensa ação dos jesuítas, a região que atualmente
faz parte do Estado do Paraná não teve escravidão indígena.

QUESTÃO 03:
(UEM-2012) Sobre a escravidão no atual território paranaense, assinale a(s) alternativa(s)
correta(s):

01) a presença de escravos africanos nos territórios do atual Estado do Paraná remonta à década
de quarenta do século XVI, com o início da produção de cana-de-açúcar.

02) A mineração de ouro nos Campos Gerais, no século XVII, caracterizou-se pelo emprego do
trabalho escravo tanto indígena quanto negro.

57
04) no século XVIII, após a decadência da mineração no litoral, os escravos negros foram
utilizados na pecuária nos Campos Gerais.

08) Quando da criação da Província do Paraná, em 1853, as autoridades determinaram a


libertação dos escravos em seu território.

16) Após a proibição do tráfico negreiro, o porto de Paranaguá, no século XIX, foi muito
utilizado para o contrabando de escravos no Brasil.

58
IMIGRAÇÃO

NO

PARANÁ

59
IMIGRAÇÃO NO PARANÁ

Foi somente a partir do século XIX que o governo brasileiro interessou-se


pela imigração não portuguesa para o Brasil.
Tendo em vista a diminuição da quantidade de negros escravos, a
necessidade de mão-de-obra e de ocupação do interior do estado do Paraná, a
perspectiva governamental de embranquecer o país e mesmo afastar a ameaça
indígena das cidades já consolidadas, entre 1829 e 1833 o Paraná recebeu suas
primeiras levas de imigrantes. Ao sul de Curitiba se estabeleceram imigrantes
alemães.
As primeiras tentativas neste sentido foram às colônias de Rio Negro, Teresa
Cristina, Guaraqueçaba e Assungui.
Por interferência de João da Silva Machado – futuro Barão de Antonina – vieram
as primeiras 46 famílias de imigrantes alemães para a capela da Mata em 1829,
formando o embrião da futura cidade de Rio Negro.
Em 1847, o mesmo barão atraiu para as margens do rio Ivaí, em pleno sertão
paranaense, João Maurício Faivre que fundou a Colônia Teresa, com imigrantes
franceses.
Aos poucos nacionais e estrangeiros se fundiram numa vida comum,
acontecendo a “caboclização” ou “acaboclamento”.
Em 1852, Carlos Perret Gentil, sem auxílio do governo, fundou na entrada da
baía de Paranaguá a colônia de Superagui composta por suíços e alemães.
Considerado o sucesso da imigração aliado aos subsídios agrícolas federais
concedidos à Província vizinha de Santa Catarina, o governo paranaense resolveu criar
uma colônia agrícola e trazer imigrantes. Foi criada então a colônia agrícola de
Assungui, que fracassou por falta de infraestrutura, pois o governo paranaense não
construiu sequer estradas para que a produção de grãos fosse escoada. Muitos
imigrantes voltaram aos seus países de origem ou migraram para Curitiba.
Em 1875, Adolfo Lamenha Lins assumiu o governo do Paraná. Observando os
erros cometidos na Colônia de Assungui, Lins implantou um novo processo de
ocupação imigrante da região dos Campos Gerais que foi de tremendo sucesso.
Tomando medidas como a construção de estradas, fornecimento de sementes,
construção de escolas e/ou capelas, proximidade com centros mais populosos, dentre
outras.
A produção agrícola no Paraná retomou sua normalidade. Nessa nova leva de
imigrantes, poloneses e italianos foram os grupos predominantes, sendo que os
poloneses eram de origem, enquanto os italianos eram reimigrantes. Essa política
eficiente de atração de imigrantes ficou conhecida como Linismo.
Após o curto período em que Lins esteve no poder no Paraná, a política de
imigração do Estado perdeu seu rumo e muitos imigrantes, especialmente russos e
alemães, foram direcionados para terras de péssima qualidade. Mais uma vez, sem
estrutura e percebendo que haviam sido enganados por falsas propagandas, dos 20 mil
imigrantes que eram esperados, apenas 1800 se fixaram no Estado. Estes imigrantes
abandonaram a produção agrícola e passaram a oferecer serviços, basicamente de
transporte de erva-mate do interior para o litoral com Carroções Eslavos, conhecidos
por sua resistência e tecnologia, sendo puxados por dois ou três cavalos.
Na década de 1880, o Paraná retomaria o Linismo com Alfredo Taunay,
presidente da província. Novas colônias surgiram, novos redutos populacionais e novos

60
municípios. Contudo, consideradas algumas rusgas territoriais com a Argentina, passou
a ser imperativo que o Paraná garantisse a ocupação dos territórios nas proximidades do
país vizinho. Para isso foram estabelecidas colônias militares de Chapecó e Chopim, em
1882. Desde meados do século XIX, gaúchos subiam ao sudoeste paranaense atraídos
pelas noticias da qualidade da terra para a criação de gado. O caminho que liga o Rio
Grande do Sul ao sudoeste do Paraná recebeu o nome de Caminho das Missões e
tornou-se uma rota alternativa para o caminho de Viamão.
Mais recentemente, após a Primeira Guerra Mundial, observou-se um
predomínio do imigrante japonês, especialmente na região norte do estado do
Paraná, ocupando os núcleos de Uraí, Assaí e Londrina, dentre outros. Muitos
japoneses passaram a trabalhar o cultivo do café.
Ao longo do século XX, os imigrantes japoneses enfrentaram, assim como
alemães e italianos, os desafios da guerra mesmo longe de seus países de origem.
Isso ocorreu porque quando o Brasil declarou guerra à potencias do Eixo, escolas
de língua japonesa foram fechadas, e o idioma pátrio foi proibido sob pena de
prisão.
Outros grupos étnicos menores, como holandeses, franceses, suíços, também
imigraram para o Paraná, sendo sua influencia de menos escala que os grupos citados
acima. Durante o século XX, a instalação do elemento estrangeiro foi feita de maneira
mais organizada do que em tempos anteriores. Podemos citar, como benefícios da
imigração para o Paraná:

 Aumento da diversidade de serviços como: artesãos, marceneiros,


ferreiros, etc;
 Melhoria do parque agrícola, com incremento de ferramentas e gêneros
alimentícios;
 Autonomia econômica para a região;
 Introdução de tecnologia industrial.

EXERCÍCIOS

QUESTÃO 01:
(UEM-2011) Sobre os movimentos populacionais no território que compõe o atual Estado do
Paraná, assinale a(s) alternativa(s) correta(s).

01) No Período Imperial, apenas um pequeno número de imigrantes europeus se estabeleceu nos
Campos Gerais, em razão da hostilidade dos índios que habitavam a região.

02) A exploração da erva-mate no extremo-oeste do Paraná, nas primeiras décadas do século


XX, atraiu para a região uma mão de obra indígena guarani vinda do Paraguai.

04) Os imigrantes estabelecidos no Estado do Paraná chegaram, tanto diretamente do exterior


como vindos de outros estados brasileiros.

08) A imigração japonesa não foi significativa no Estado do Paraná, quando comparada à
estabelecida em Santa Catarina e no Rio Grande do Sul.

61
16) A ocupação do norte do Paraná está em grande parte vinculada à expansão do cultivo do
café, sendo responsável por um processo migratório para a região, no qual se destacou a
presença de paulistas, mineiros e nordestinos.

QUESTÃO 02:
(UEM-2012) Sobre a contribuição da imigração nos séculos XIX e XX para a formação da
sociedade paranaense, assinale a(s) alternativa(s) corretas(s).

01) Desde o início, ela foi incentivada pelos plantadores de café, pois eles desejavam utilizá-la
como mão-de-obra barata em suas lavouras.

02) O estabelecimento dos primeiros imigrantes alemães na Região do Rio Negro, no início de
século XIX, foi favorecido por meio da iniciativa privada.

04) Uma das mais importantes contribuições trazidas pelos imigrantes foi a introdução de novas
tecnologias no campo, em substituição às técnicas ainda rudimentares.

08) Na década de 1960, os violentos conflitos entre imigrantes judeus e japoneses exigiram a
intervenção militar do exército brasileiro no Estado do Paraná.

16) A imposição do português como língua oficial contribuiu para o aniquilamento da


identidade dos estrangeiros que aqui chegavam.

62
MOVIMENTOS

MILITARES

REVOLUCIONÁRIOS

63
A REVOLUÇÃO FEDERALISTA

A centralização política exercida pela República encontrava forte resistência em


vários estados brasileiros, sendo o Rio Grande do Sul um destes estados.
Silveira Martins, um latifundiário gaúcho, pregava abertamente suas ideias
federalistas. Assim sendo, Floriano Peixoto aproximou-se de Júlio de Castilhos, então
governador do estado, para combater o movimento federalista.
O movimento federalista tinha força no estado gaúcho, por isso a expectativa
para as eleições ao governo do Estado era grande. Grande também foi a decepção dos
federalistas ao descobrirem que o Partido Republicano vencera as eleições. Silveira
Martins que, com seus correligionários estava acampado no Uruguai, resolveu invadir o
Rio Grande do Sul. Tomava lugar a Revolução Federalista.
Em 1893 teve início no Rio Grande do Sul a Revolução Federalista. Foi um
movimento político e militar repleto de contradições. Fazia parte da revolução
uma gama enorme de ideologias: anarquistas, federalistas, parlamentaristas,
monarquistas, separatistas. Era um grupo heterogêneo que tinha como meta afastar do
poder o Marechal Floriano Peixoto, devido ao seu governo demasiadamente
centralizador. Foi esse conglomerado de ideologias sem comando unificado,
desorganizado, que invadiu o estado do Paraná no início de 1894.

Revolução Federalista no estado do Paraná

Os federalistas tomaram Santa Catarina e reunidos em São Francisco, o


Almirante Custódio de Melo e os Generais Gumercindo Saraiva e Pirragibe, decidem a
invasão do Paraná, no ano de 1894, por três caminhos:

 a esquadra, comandada por Custódio de Melo, atacaria por Paranaguá;


 o Primeiro Corpo, comando por Gumercindo Saraiva, atacaria por São
José dos Pinhais;
 e o Segundo Corpo, entraria no Estado por Rio Negro.

Dia 14 de janeiro a esquadra toma Paranaguá sem resistência e dia 20 os


federalistas chegaram a Curitiba. Com a capitulação das forças governistas, em Tijuca,
no dia 19 de janeiro, as tropas de Gumercindo também seguem para Curitiba. A última
resistência foi na cidade da Lapa.
A entrada dos federalistas no Paraná causou temor, pois era espalhada a
informação de que eles “não passavam de legiões de bandidos que traziam o saque e a
depredação, a desonra e a morte”.

O cerco da Lapa

Os invasores esperavam toma-la em menos de 72 horas levaram 29 dias, de 14


de janeiro a 11 de fevereiro de 1894.
Na cidade da Lapa, o coronel Antonio Gomes Carneiro impôs forte resistência
aos maragatos. Tendo pedido auxilio a Curitiba, nunca obteve resposta.
A eficiente e pertinaz oferecida por Carneiro irritava o adversário, que apertou
ainda mais o cerco. A 7 de fevereiro recebeu um ferimento mortal, e dois dias depois

64
veio a falecer, rodeado por aqueles que comandavam, em meio á consternação total. A
fome e a falta de munição instalaram-se entre os sitiados. Não chegava nenhum auxílio.
A continuação da resistência seria completamente inútil.

A Ocupação de Curitiba

A ocupação de Curitiba pelas tropas federalistas durou de 20 de janeiro até 26 de


abril de 1894.
Vicente Machado, que estava na chefia do Governo do Paraná, no dia 18 de
janeiro abandona Curitiba sem oferecer resistência aos invasores. O governador
resolveu, temporariamente, transferir a sede do governo do Estado para Castro, com o
objetivo de afastar da cidade a agitação, invasão e exaltação dos ânimos.
As contradições no próprio comando dos federalistas refletem-se na nomeação
dos governantes do Paraná. Em apenas 100 dias tiveram 4 governadores.
Para evitar o saque de Curitiba e outras cidades do Paraná, os empresários,
chefiados pelo Barão de Serro Azul, criaram uma Comissão Especial de Empréstimos
de Guerra para arrecadar os 1.000 contos de reis que os invasores exigiam.
Os curitibanos pagam o imposto, porém, o que os federalistas não esperavam é
que Floriano Peixoto preparava um contra-ataque.
Com ajuda dos EUA, equipamentos e soldados foram enviados para o sul para
criar condições de resistência contra os maragatos. Com o moral abatido, muitos chefes
federalistas foram abandonando a frente de batalha e voltando para suas terras no Rio
Grande do Sul mas foram seguidos pelos legalistas. A morte de Gumercindo Saraiva
terminou por abalar de vez a estrutura dos revoltosos. A resistência exercida na Lapa
deu ao governo federal tempo suficiente para organizar uma contraofensiva efetiva e
eliminar a ameaça dos maragatos18 .

A COLUNA PRESTES NO PARANÁ

Durante mais de 7 meses, de 14 de setembro de 1924 a 30 de abril de 1925, o


território do Paraná, principalmente no Oeste e Sudoeste do Estado, viveu momentos
dramáticos e heroicos. Foi um período de combates seguidos entre as tropas do Governo
Federal e os revolucionários, comandados por Izidoro Dias Lopes e Luiz Carlos Prestes.
A Coluna Paulista atingiu o Paraná por Guaíra, a Coluna Gaúcha atingiu por
Barracão. As duas colunas se juntaram em Foz do Iguaçu, e cruzando o Rio Paraná no
dia 30 de abril de 1925, continuaram a epopeia da Coluna Prestes ou Coluna Invicta.

Coluna Paulista

Os revolucionários permaneceram no Paraná por mais de sete meses. O período


foi marcado por lutas ininterruptas, sendo considerado como um dos mais violentos de
que se conhece na história militar brasileira.

18
Com relação à Revolução Federalista, torna-se importante destacarmos que os maragatos
foram os revoltosos, os federalistas, e os pica-paus, foram as tropas do governo, as tropas
florianistas.

65
As forças paulistas conquistaram boa parte do Oeste do Paraná, nos territórios
que iam de Guaíra, pelo Rio Piquiri, passando por Belarmino, Serra dos Medeiros,
Catanduvas, Benjamim e Foz do Iguaçu.
Os governistas, para enfrentar os revolucionários, organizaram três frentes: uma
em Ponta grossa, local do comando geral, outra vinda do Rio Grande do Sul, e uma
terceira frente em Campo Mourão.
Em março de 1925 as tropas governistas atacam Catanduvas. Foram dias de
combates ininterruptos, mas a luta continuou.

Coluna Sulista

As tropas revolucionárias sulinas, sob o comando de Luiz Carlos Prestes,


entraram no Paraná por Barracão, em fevereiro de 1925.
Permaneceram no Sudoeste por quase 2 meses, travando batalhas sucessivas
com as tropas legalistas, chefiadas pelo Coronel Fermino Paim Filho e Claudino Nunes
Pereira.

Em abril de 1925 aconteceu em Foz do Iguaçu uma grande reunião dos paulistas
e sulistas, sob a liderança do General Izidoro Dias Lopes, para avaliarem a gravidade da
situação.
A retomada de Guaíra era problemática e as forças governistas avançavam
constantemente, objetivando encurralar os revolucionários no Rio Paraná. Diante disso,
Prestes, Juarez e Paulo Kruger abriram uma picada até Porto Mendes. Com isso todas as
tropas recuaram, sempre combatendo, rumo a Porto Mendes e Porto Artaza, a fim de
atravessar o Rio Paraná.
Sendo assim, no dia 30 de abril de 1924 todos estavam no Paraguai, rumo a
Mato Grosso e ao início de outra etapa da grande marcha da coluna Prestes. O objetivo
era o Rio de Janeiro.

GUERRA DO CONTESTADO

Podemos dividir, de modo didático, a Guerra do Contestado em dois


momentos: o primeiro, de cunho político, seria a disputa fronteiriça e jurídica sobre as
terras do Contestado19 entre Paraná e Santa Catarina; o segundo, de cunho social, fica
por conta do confronto armado entre os pelados e os peludos.

Disputa fronteiriça entre Paraná e Santa Catarina

Em 1853, após a autonomia política paranaense, inexistia um acordo de


fronteiras entre o Paraná e Santa Catarina.

19
Excluindo-se a parte já ocupada por Santa Catarina, compreendia o Contestado o território
limitado pelos rios: do Peixe, Uruguai, Peperi-Guaçu, Santo Antônio, Iguaçu, Negro e Preto, até
suas nascentes; seguia então pelo divisor de águas da Escarpa Geral até as nascentes do Rio
Canoinhas, afluente do Iguaçu e daí pelo divisor de águas da Escarpa do Espigão, até as
nascentes do rio do Peixe.

66
Deste modo, até 189120 , quando a legislação sobre as terras passou a ser mais
incrementada, a lei que vigorava sobre a posse era a mesma do século XVI – uti
possidetis. Portanto, o Paraná tratou de ocupar a região do Contestado.
A principal preocupação, sobretudo do governo federal, era a de garantir a
região do Contestado sob o domínio brasileiro21 .
Entrementes, no final do século XIX estava sendo construída no Brasil a ferrovia
que ligava São Paulo ao Rio Grande do Sul e o caminho desta passava exatamente na
região contestada entre os dois estados, o que valorizava ainda mais a terra e trouxe à
tona velhos atritos entre paranaenses e catarinenses. As disputas políticas acabaram
acirrando os ânimos entre os dois estados.
O problema fronteiriço entre os dois estados vizinhos continuou a ser debatido
por vezes nos parlamentos dos respectivos estados, até 1901. Neste ano, Santa Catarina
apresentou no Supremo Tribunal Federal uma ação judicial, reivindicando a fronteira
com o Paraná pelos rios Peperi-Guaçu, Negro e Iguaçu.
Os políticos catarinenses eram muito bem relacionados, possuindo grande apelo
na esfera federal. Tamanha influência acabou resultando em ganho de causa a favor dos
catarinenses. Todavia, a decisão não foi aceita pelos paranaenses, o que levou ao
acirramento da questão entre os dois estados.
É importante observar que na região contestada por Paraná e Santa Catarina
haviam núcleos urbanos já instalados há algum tempo, bem como havia um grande
grupo de caboclos, gente que vivia nas matas, em agrupamentos menores. As
populações dos núcleos urbanos identificavam-se mais com o Paraná, apesar de que a
vontade política do governo federal fosse tendenciosamente favorável aos catarinenses.
A população da região contestada resolveu criar um Estado separado, o chamado
Estado das Missões, e até uma bandeira foi confeccionada. A ideia era a de proclamar a
emancipação e, talvez futuramente, unirem-se ao Paraná. O governo do Estado assumiu
o compromisso de apoiar a luta pela criação do Estado das Missões.
O clima fiou tenso na região, levando a possibilidade de uma conflagração
armada na região. Foi então que o presidente da República Wenceslau Braz interveio na
disputa a fim de evitar um conflito bélico na região.
A partir daí, Santa Catarina decidiu negociar novamente a fim de se chegar a
uma solução que atendesse aos interesses de ambos os estados, devido ao fato de
estarem temerosos de ficarem com um território limitado ao litoral e Serra do Mar.
Dessa forma, se chegou a um acordo, na qual o Paraná cederia o contestado
norte tendo linha divisória os rios Iguaçu e Uruguai, era a chamada Linha Wenceslau
Braz.

Questão social do Contestado

A região do Contestado começou a sentir os efeitos da construção da estrada de


ferro São Paulo – Rio Grande do Sul que se iniciou em 1908. Para dar cabo de tal
projeto foi contratada uma empresa norte-americana, a Brazil Railway Company22 .
20
A Constituição de 1891 definiu que as fronteiras deveriam ser definidas politicamente e não
juridicamente, sendo então uma competência das Assembleias Legislativas.
21
Pertinente recordarmos da Questão de Palmas, isto é, a disputa por definições fronteiriças
entre Brasil e Argentina, sobretudo com relações às posses do sul do país e de Mato Grosso.
22
A Brazil Railway Company demarcou até 1914 só no Paraná, 6 bilhões de metros quadrados
de terra, principalmente próximo aos trilhos da estrada de ferro.

67
O Brasil não tinha condições de pagar a construção dessa ferrovia, e o contrato
de concessão estipulou que os serviços seriam pagos com terras da região. A companhia
receberia 15 quilômetros de cada margem da ferrovia, assim, a companhia recebeu
extensas glebas de terras que iam desde o vale do rio Ivaí até o rio Uruguai.
Para poder explorar as terras, se fez necessário desocupar a área, que era
ocupada por posseiros. Para conseguir tal objetivo, a companhia acabou por montar uma
guarda particular a fim de realizar a “limpeza” nas terras. Com a valorização que as
terras receberam, muitos grandes proprietários de terras também resolveram tomar
posse dias terras antes ocupadas pelos posseiros. Assim, os caboclos, ingênuos, não
tinham ninguém que pudesse ser por eles. Estavam sós.
Com relação ao cenário anterior à construção da ferrovia, dominava
economicamente a região a propriedade latifundiária, que agrupava em torno de si um
grande número de tropeiros, agregados, foreiros e desocupados, os quais viviam à
mingua.
Faltava a estas populações qualquer tipo de assistência governamental e
espiritual, vivendo seus habitantes na marginalidade. Sua densa população cabocla vivia
no mais completo abandono, ingênua que era dominada por crenças fetichistas, ligadas a
devoções católicas.
O sofrimento desses grupos marginalizados era tão grande que chegaram a
acreditar que fosse coisa da República. Alguns defendiam a volta do Império, visto que
nos dias de D. Pedro II não eram incomodados.
Dentro desse contexto, não foi difícil surgir a figura de um líder que passasse a
conduzir o povo oprimido23 a uma revolta. Nesse cenário, torna-se importante a figura
mítica do “monge”.

Os monges

Os estados sulinos eram percorridos desde os meados do século XIX até 1912,
por figuras exóticas que a população dos nossos sertões chamava de “monges”. Viviam
mais na floresta, dormiam em grutas, possuíam barba crescida e cerrada, sandálias feitas
de couro cru, na cabeça um barrete de pele de onça, um bordão na mão e um terço
pendurado no pescoço.
Os chamados “monges” foram, na realidade, três.
O primeiro foi João Maria d’Agostini. Os caboclos atribuíam-lhe milagres e
passaram a chama-lo de “São João Maria”. Morreu não se sabe como, nem quando. Para
eles, não era possível que um homem tão bom e santo pudesse desaparecer. Neste
ambiente de expectativa, surgiu o segundo “monge”, na pessoa de Anastás Marcaf.
Conheceu pessoalmente a João Maria d’Agostini e ouvia suas pregações. Intitulava-se
João Maria de Jesus. Dos três monges existentes, foi o que mais influencia deixou e o
que mais se perpetrou na lembrança da população sertaneja. Morreu, ao que parece, nos
sertões de Santa Catarina, em 1906.
A tensão política e social aumentava e o furor e os desmandos da polícia
catarinense e paranaense atemorizavam as populações sertanejas. Era necessário um
líder, um guia que chefiasse uma revolta. E ele apareceu na figura do terceiro “monge”

23
Revoltava e indignava ainda os sertanejos o fato de o governo federal vender extensas regiões
em lotes, a preços acessíveis, a imigrantes europeus que ali se fixavam, nada cabendo aos
primeiros.

68
que era, na realidade, Miguel Lucena, desertor da polícia paranaense. Aproveitou-se,
este elemento, da tensão político-social existente no Contestado, arvorando-se em
“monge”, nome de tão gratas recordações aos sertanejos.
Aliciou ao seu redor os descontentes, os injustiçados, os perseguidos, os
desajustados, os desempregados, os bandidos e os facínoras, e deu-lhes instrução
militar, armando-os com espadas, facões, pica-paus e garruchas. Este foi o “monge
guerreiro”. Surgiu nos sertões dos Campos Novos, chamando-se José Maria de
Agostinho e dizendo irmão do falecido monge. Tornou-se chefe e guia. Organizou na
região uma resistência contra as investidas policiais, defendendo os desprotegidos
matutos. Criou os chamados “quadros santos” que eram reduto de resistência.
Contudo, sua ordem era clara: “não atacar, mas resistir”. Sua reivindicação
básica era a solução do problema de terras. O número de adeptos aumentou
rapidamente.
O pretexto para a guerra surgiu a partir do momento que o monge negou-se a
atender a um doente da família do Coronel Albuquerque, grande proprietário dos sertões
catarinenses e presidente da Assembleia Legislativa. A política catarinense procurou
dispersar os sertanejos, não o conseguindo. Porém, com diplomacia, convenceu José
Maria a transpor o rio do Peixe, entrando desta forma em território paranaense. Para as
autoridades paranaenses, José Maria não passava de um invasor catarinense, de um
chefe de fanáticos24 .

Pelados x Peludos25

Os fanáticos instalaram-se nos campos de Irani (atualmente território


catarinense). A política paranaense tratou-os como usurpadores.
Após diversas investidas dos pelados, em uma dessas expedições o “monge”
José Maria é morto a tiros. Contudo, apesar da morte de seu “monge guerreiro”, a
vitória dos fanáticos em Irani armou-os com apreciável material bélico e apreendido. Os
combatentes do Contestado adotaram o sistema de guerrilha como estratégia de
combate.
Sem o seu líder, os fanáticos abandonaram o território de Irani e voltaram para a
região de Campos Novos.
Ao longo do conflito, mais de dez batalhas ocorreram. A cada vitória sertaneja
mais equipamento era conseguido. Porém, ao longo do tempo de guerra, os objetivos
foram se perdendo entre os caboclos e bandidos foram se juntando ao grupo. Deste
modo, a luta perdeu toda a sua característica religiosa e o fanatismo, aliado ao
banditismo, superou qualquer misticismo. As lideranças do movimento começaram a
dispersar-se, o que enfraqueceu os caboclos.

O desfecho

O governo federal resolveu intervir com mais força para resolver o problema.

24
Os seguidores do ‘monge” passaram a ser chamados pelas autoridades governistas de
“fanáticos”, pois seguiam “cegamente” as orientações de José Maria.
25
Na Guerra do Contestado, os revoltosos ficaram conhecidos como pelados e as tropas
governistas como peludos.

69
Sucederam-se rápidas vitórias das tropas legalistas, destacando-se a ação do
capital Potiguara. Com o estrangulamento lento do cerco, concentraram-se os jagunços
em Santa Maria.
Deste modo, os fanáticos, já enfraquecidos, foram cercados em Santa Maria e
bombardeados com intensidade. Assim, em agosto de 1916 os caboclos depuseram as
armas.

Ideias políticas do movimento

Quando pelados e peludos iniciaram a guerra em Irani, os fanáticos não tinham


ideia políticas claras, mesmo com relação ao Contestado. Se as autoridades, tanto de
Santa Catarina quanto do Paraná, tivessem aproveitado a força que esses caboclos
representavam, teriam garantido para seu lado a posse de todo o Contestado.
As ideias monárquicas de José Maria iriam encontrar nos sertanejos um campo
propício. A monarquia, abolida recentemente, parecia-lhes um regime de paz, durante o
qual não havia sido atacados, nem explorados. A república parecia-lhes um regime de
terror, que impedia suas rezas em comum, dispersava-os à bala e, não satisfeita, ainda
expulsava-os de suas terras.
Com o desenvolvimento da luta, firmou-se entre os sertanejos a ideia de uma
monarquia sul-brasileira, que compreenderia os Estados do Paraná, Santa Catarina, Rio
Grande do Sul e o Uruguai.
Contudo, todas estas ideias monárquicas e separatistas desmoronaram em 1915,
com a queda de seu último reduto: Santa Maria.

REVOLTA DE PORECATU

Outra importante e violenta luta aconteceu na Região de Porecatu entre os anos


de 1947 e 1952. Foi uma luta de posseiros contra grileiros, jagunços e a Polícia do
Paraná e aconteceu nos territórios entre os rios Pirapó, Tibagi e Paranapanema.

Ocupação da região

O processo de ocupação da terra na região é muito confuso, envolvendo muitas


pessoas e empresas. Neste sentido, em 1941, centenas de colonos, vindos de São Paulo,
considerando as terras devolutas, se localizaram na região como posseiros, passando,
inclusive, a cultivar café.
A região possuía mais de 1000 posseiros que desde 1942 tentavam legalizar as
terras junto às autoridades, porém as negociações não obtinham sucesso. Deste modo,
começaram a se organizar. Em 1944, se reúnem e organizam a Liga Camponesa.
Aos poucos a organização e a luta pela legalização da terra vai ganhando
intensidade.
Por outro lado, grileiros, com jagunços e com apoio da política, também se
articulam.

Os conflitos

70
O primeiro conflito aconteceu em 1947, em Guaraci, quando jagunços e polícia
tentam expulsar os posseiros. Eles incendiaram casas, abateram animais e até
cometeram estupros contra filhas e mulheres de posseiros.
Foi esse banditismo que serviu de estopim para a resistência armada dos
posseiros. Depois desse conflito, os posseiros passaram a atuar em três frentes de luta: a
luta armada, a luta legal e conseguir solidariedade nas cidades.
Com o agravamento da luta, os posseiros passaram a ter o apoio do Partido
Comunista Brasileiro.
A luta armada tinha a participação de poucas pessoas. Estavam dividas em três
grupos. Cada grupo era formado por cerca de 8 pessoas.
Em 1951 começou uma grande ofensiva do Governo para debelar a resistência
dos posseiros. Várias pessoas foram presas.
Para o grande e definitivo ataque contra os posseiros foram mobilizados dois
batalhões da Polícia Militar e 15 agentes do DOPS. Para qualquer emergência, estavam
em Londrina uma esquadrilha de aviões da FAB e existiam tropas da polícia paulista na
fronteira dos dois Estados.
Dia 21 de Junho de 1951 um comboio de 12 veículos e centenas de soldados
iniciam os ataques ocupando a Vila Progresso e aos poucos toda a região. Muitos
posseiros abandonaram a luta, alguns se entregaram e outros fugiram. Foram efetuadas
apenas 23 prisões.
A direção do PCB avaliou o movimento armado como um erro e um fracasso.
Porém, não é o que pensou a maioria dos posseiros que saíram vitoriosos, pois cerca de
2000 posseiros da região receberam títulos de propriedade de terra, entre 5 e 50
alqueires nos municípios de Centenário, Campo Mourão e Paranavaí.
Outro fato que merece reflexão: para ajudar a solucionar o problema da posse, o
Governo aplicou, pela primeira vez no Brasil, a desapropriação de terra com base no
interesse social. O Governo do Estado declarou de utilidade pública as terras litigiosas
de Porecatu, Jaguapitã e Arapongas, fundamentando-se no preceito constitucional do
interesse social.

A REVOLUÇÃO DE 30 NO PARANÁ

O movimento tenentista de 1922 (18 do Forte de Copacabana) e de 1924


(Coluna Prestes) foi um grito de alerta contra as oligarquias. Ele teve seu coroamento na
Revolução de 1930.
O Paraná, pela sua posição geográfica, entre o Rio Grande do Sul e São Paulo,
teve papel destacado nesses movimentos.
Os fatos revelam que a posição do Paraná foi decisiva na vitoriosa Revolução de
1930. No dia 05 de outubro de 1930, a Revolução rebentou em Curitiba, sob a chefia do
Major do Corpo de Engenharia Plínio Tourinho, com adesão do 15º BC, do 9º RAM e
do 6º Grupo de Artilharia Montada. A Força Pública Militar, o Corpo de Bombeiro e a
Guarda Cívica, retiraram-se para São Paulo, acompanhado de seus auxiliares.
Os revolucionários, vindos do sul, chegaram a Ponta Grossa no dia 25 de
outubro, onde instalaram o comando da Revolução e seu Estado Maior, aguardando a
grande batalha do Itararé, onde se entrincheiraram as forças governistas. Não houve a
referida batalha porque o presidente Washington Luiz foi deposto no RJ e com isso a
primeira sede do Governo de Getúlio Vargas foi Ponta Grossa.

71
O PARANÁ NO PERÍODO GETULISTA (1930-1945)

O primeiro interventor do Paraná foi o General Mário Tourinho.


No lugar de Tourinho, que ficou menos de um ano no poder, Getúlio Vargas
nomeou Manoel Ribas.
Apesar de enérgico, Ribas, não permitiu perseguições políticas e garantiu uma
estabilidade e continuidade administrativa. Sua relação, porém, com os tenentes e com a
oligarquia local nunca foi muito amistosa, ficando distante de seus conflitos. Isso
favoreceu o desenvolvimento do Estado.
No setor industrial o Governo se empenhou para a instalação da indústria de
papel em Monte Alegre, uma das maiores do Brasil.
Um dos grandes méritos do Governo de Manoel Ribas foi conduzir o Estado
com equilíbrio econômico-financeiro. Desenvolveu uma gestão austera e deixou o
Paraná em bom estado para o governo sucessor. Todavia, o governo de Ribas funcionou
sem nenhum planejamento para o futuro, era mais uma administração “feijão com
arroz”. Durante seu governo de 13 anos, a economia paranaense mudou de rumo.
Ocorreu o declínio da cultura do mate, o esplendor da indústria madeireira e o início da
cultura cafeeira.
Com a multiplicação das serrarias e a derrubada do pinheiro, os ervais perdiam a
proteção natural. Foi o começo do fim da exuberante e singular floresta de dois andares
(o pinheiro e a erva-mate) e o início da ocupação do norte do Estado, com a cultura
cafeeira.
O Governo Federal, porém, foi lesivo ao Paraná. Criou o Território do Iguaçu,
arrebatando boa parte do território paranaense. A fim de beneficiar o grupo gaúcho
ligado a sua pessoa, Vargas decide passar a iniciativa nacionalizadora para o âmbito
federal, para tanto pretendia criar o Território do Iguaçu26 . Porém, o real objetivo de
Vargas era subtrair vastas extensões de terras do Estado do Paraná e Santa Catarina. Tal
medida beneficiaria os gaúchos a fim de que voltassem a liderar a política brasileira,
perdida para São Paulo devido à Política do Café com Leite. Protegeu o Porto de Santos
em detrimento do Porto de Paranaguá, que precisava de aparelhamento para o
embarque, principalmente de erva-mate e madeira. Deixou, também, de atender as
necessidades da Universidade do Paraná.
No dia 05 de dezembro de 1945, Manoel Ribas foi afastado do Governo. Como
não existia vice-governador e nem Assembleia Legislativa27 , assumiu o governo,
Clotario Portugal, Presidente do Tribunal de Justiça.
Com a morte de Manoel Ribas, em 1946, Moisés Lupion se considera herdeiro e
continuador de sua obra e assume a liderança política do Paraná, sendo eleito
governador e começando, assim, nova fase na História do Paraná.

EXERCÍCIOS

QUESTÃO 01:
(UEM-2011) Sobre a revolução federalista no Paraná, assinale a(s) alternativa(s) correta(s).

26
A Constituinte de 1946 dissolveu o Território do Iguaçu, se destacando neste processo o
deputado paranaense Bento Munhoz da Rocha Neto.
27
A Assembleia Legislativa foi fechada por Getúlio Vargas em 16 de março de 1937, e só
voltou a funcionar após a abertura democrática de 1946.

72
01) A revolução federalista, depois de envolver o Paraná, estendeu-se para os estados de São
Paulo e de Minas Gerais.

02) Durante a revolução federalista, ocorreram grandes atrocidades por parte das tropas
envolvidas.

04) O Paraná se constituiu em uma região central da luta armada, ao impedir o avanço dos
maragatos em direção a Santa Catarina.

08) A resistência dos florianistas, na Lapa, sob o comando do Gomes Carneiro, freou o avanço
da Revolução Federalista no Estado.

16) No Paraná, com a vitória dos maragatos sobre os florianistas, foram travadas as últimas
batalhas da revolução federalista.

QUESTÃO 02:
(UEM-2011) Sobre a guerra do contestado, assinale a(s) alternativa(s) correta(s).

01) A guerra do contestado inspirou Euclides da Cunha na elaboração do livro Os sertões, em


que é narrada a dura vida dos sertanejos brasileiros.

02) Os conflitos do contestado relacionam-se à disputa pela posse de terras na região, entre
fazendeiros e posseiros, que tentavam manter-se nas terras devolutas, e aos interesses da Brazil
Railway Company.

04) O monge Antonio Conselheiro liderou as lutas dos camponeses da região contra as tropas do
Governo Federal e do Estado do Paraná.

08) A guerra do contestado relaciona-se às disputas de limites territoriais entre o Estado do


Paraná e Estado de Santa Catarina.

16) Como resultado da guerra do contestado, os territórios que formavam o Estado do Iguaçu
foram incorporados ao Estado de Santa Catarina.

QUESTÃO 03:
(UEM-2013) Sobre a Revolução Federalista, ocorrida entre 1893 e 1895, e a sua relação com a
história do Paraná, assinale a(s) alternativa(s) correta(s).

01) Entre os maragatos, isto é, os federalistas, havia um grupo que pretendia criar uma nova
nação, formada pelo Sul do Brasil e o Uruguai.

02) Em seu avanço em direção a São Paulo, as tropas federalistas chegaram a ocupar parte do
território paranaense, inclusive a capital, Curitiba.

04) A Revolução Federalista chegou ao fim com a vitória dos pica-paus, isto é, dos legalistas,
apoiados por forças militares fiéis ao governo federal.

08) Um dos motivadores da Revolução Federalista foi o abandono da região da fronteira entre
Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul pelo governo federal, fazendo que seus habitantes
vivessem na marginalidade.

16) Em razão de seu caráter regional, a Revolução Federalista se estendeu a territórios do


Paraguai e da Argentina.

73
A

CONSTRUÇÃO

DA

INFRA
ESTRUTURA

74
Todo o território do Paraná foi ocupado e hoje está interligado. Para que isso
ocorresse tornou-se necessário a criação de condições para a locomoção de pessoas e
cargas em todo o Estado, seja fluvial, rodoviário, ferroviário ou aéreo.

OS RIOS E O SETOR HIDROVIÁRIO

A conjunção de fatores físicos e naturais propicia ao Paraná uma significativa


rede hidrográfica.
As mais importantes bacias são as do Tibagi, Paranapanema, Ivaí, Piquiri e
Iguaçu. São predominantemente rio de planalto, o que dificulta a navegação, pois
apresentam cachoeiras, quedas e corredeiras. Possuem, por isso, considerável potencial
hidrográfico.
O transporte fluvial é quase nulo atualmente. Tivemos, porém, uma boa
experiência que durou 71 anos no Rio Iguaçu.
Com relação a uma análise histórica, o Rio Paraná, principalmente entre Guaíra
e Foz do Iguaçu, foi aproveitado pelos “obrageros” argentinos no transporte de erva-
mate e madeira, que eles extraiam ilegalmente no Oeste do Paraná. Essa exploração
durou de 1881 a 1930. Para a carga e descarga de seus navios eles possuíam 14 portos
no percurso do Rio Paraná.
Atualmente, para facilitar a exportação de seus produtos, o Paraná possui,
principalmente, três portos: Paranaguá, Antonina e Foz do Iguaçu. O porto de
Paranaguá é o segundo do Brasil em importância. O Porto de Antonina foi reativado
para exportar, principalmente, madeira, açúcar e produtos frigoríficos. O porto seco de
Foz do Iguaçu é ponto estratégico para quem pretende comércio com o MERCOSUL.

SISTEMA RODOVIÁRIO: CAMINHOS E ESTRADAS

Os índios já percorriam o atual território do Paraná há muito tempo, utilizando


vários caminhos, sendo o mais importante o Caminho de Peabiru. Ele serviu, inclusive,
de via de acesso às fabulosas minas de prata de Potosí, na Bolívia. O Caminho de
Peabiru possuía vários ramais que passavam pelos Campos Gerais do Paraná e foram
utilizados pelos primeiros portugueses e espanhóis que penetraram o território,
principalmente em busca de ouro e prata.
No início da ocupação do Paraná pelos portugueses, surgiu o problema da
ligação entre litoral e o primeiro planalto, transpondo a Serra do Mar. Três principais
caminhos foram utilizados: Graciosa, Itupava e Arraial.

Estrada da Graciosa: quando da Emancipação Política do Paraná em 1853, não existia


ainda uma estrada que permitisse um transito regular entre o litoral e o planalto.
Resolveu-se, então, abrir uma rodovia, sendo utilizado boa parte do Caminho da
Graciosa, a qual foi concluída em 1872. Na construção dessa estrada, teve papel
destacado o engenheiro Antônio Rebouças. A Estrada da Graciosa é hoje importante
ponto turístico do Estado.

75
A rodovia, porém, que exerceu papel decisivo na ligação planalto-litoral, e que
contribuiu para o desenvolvimento das praias, foi a BR 277, Rodovia Paranaguá-
Curitiba. Ela é parte da estrada que vai até Foz do Iguaçu, com 640 km, sendo um
importante corredor de exportação.
Atualmente, todo o Estado do Paraná está cortado por rodovias, existindo um
sistema que ultrapassa 140.000 km, dos quais cerca de 13.000 asfaltados e que estão
interligados a malha ferroviária federal, com 3.000 km em nosso Estado. Atualmente
esse sistema gira em torno do Anel de Integração, interligando as cidades polos do
Estado.

SISTEMA FERROVIÁRIO

ESTRADA DE FERRO PARANAGUÁ-CURITIBA: em 1875, D. Pedro II determinou


que em Paranaguá fosse o local de início da obra da Estrada de Ferro que ia transpor a
Serra do Mar até Curitiba.
Apenas quatro anos depois foi autorizada a transferência de todos os direitos
para uma empresa estrangeira, a Compagnia Generale de Chemins de Ferr Brasiliens.
Finalmente, em fevereiro de 1885 a primeira locomotiva saiu de Paranaguá rumo
a Curitiba. O tráfico regular começou a operar em 1885.
Em 1942, o Governo Federal escampou a estrada, instituindo a Rede de Viação
Paraná-Santa Catarina e em 1957, foi criada a Rede Ferroviária Federal, que passou a
administrar a referida estrada até 1997, quando foi privatizada.

ESTRADA DE FERRO SÃO PAULO-RIO GRANDE DO SUL: em 1889, o Governo


emitiu um decreto, concedendo ao engenheiro João Teixeira Soares, o direito para a
construção de uma estrada de ferro de Itararé a Santa Maria da Boca do Monte.
Teixeira Soares fundou a Compagnie Chemins de Fer Sud. Quest Bresiliens,
com capital belga e francês, para a qual transferiu a concessão.
Em 1890 a empresa inicia a construção, partindo de Santa Maria. Em 1894 a
concessão do trecho de Itararé ao Rio Uruguai foi transferida para a Companhia de
Estradas de Ferro São Paulo-Rio Grande do Sul, que começou a obra em duas frentes:
de Ponta Grossa a União da Vitória, que foi concluída em 1905 e de Ponta Grossa a
Itararé que só foi concluída em 1908. A concessão dava um prazo de 5 anos para a
construção de todo o trecho. Acontece, porém, que 15 anos depois, isto é, em 1905, só
estavam concluídos 599 km.
Tendo em vista o atraso, o Ministro de Viação e Obras Públicas, Lauro Muller,
promoveu a vinda ao Brasil do empreendedor norte-americano Percival Farquhar, que
fundou a Brazil Railway Company, empresa que adquiriu o controle acionário da
CEFSPRG.
Novo ritmo foi imposto nas diversas frentes. Em 1910, a estrada chega até o rio
Uruguai, cortando a região do Contestado e em 1910 o primeiro trem trafegou nos 1.403
km.

ESTRADA DO CAFÉ: em 1886 foi inaugurada a estrada de ferro de Jundiaí a Santos


para transportar o café até o Porto.
Essa ferrovia desviou a produção de café do norte do Paraná para Santos com
sérios prejuízos para a receita do Estado do Paraná.

76
ESTRADA DE FERRO GUAÍRA-PORTO MENDES: em 1907, a firma Ismarch, Alves
& Cia recebeu do Governo do Paraná a concessão para a construção da estrada de ferro
de Guarapuava ao Rio Paraná. Em 1913 a multinacional Mate Laranjeira se apoderou
dessa concessão.
Aproveitaram para construir uma estrada de ferro para atender seus interesses,
ligando o alto ao baixo do Rio Paraná.
Essa estrada foi inaugurada em 1917. Era uma estrada particular. Por incrível
que possa parecer, durante 11 anos ela não permitiu a passagem de outras pessoas,
inclusive brasileiros.
Atualmente ela não existe mais. No Lugar há um museu em Marechal Cândido
Rondon.

FERROVIA DA PRODUÇÃO: em 1980 o Brasil assinou com o Paraguai o Tratado de


Interconexão Ferroviária entre os dois países estabelecendo a construção da ferrovia da
soja ou da produção.
A Estrada de Ferro paraná Oeste (FERROESTE) foi constituída em 1988, com
capital inicial do Governo federal, do Governo Estadual e de 27 entidades da região,
sendo a mais importante a COTRIGUAÇU que possui cerca de 40.000 associados.

PRIVATIZAÇÃO DO SISTEMA FERROVIÁRIO: toda a malha ferroviária do sul do


Brasil foi privatizada em 1997.

77
OS

TRÊS

PARANÁS

78
A partir da década de 1960, o Paraná pode ser considerado um Estado
territorialmente ocupado. Em consequência das fases históricas que condicionaram a
colonização do território paranaense, podemos dividir a ocupação do Estado em três
áreas histórico-culturais.
A primeira área corresponde ao que chamamos de Paraná Tradicional. Este
Paraná iniciou sua história no século XVI, com a descoberta do primeiro ouro
encontrado pelos portugueses no Brasil. Todavia, o metal foi excessivamente escasso.
No século XVIII, com o surgimento do caminho das tropas Sorocaba-Viamão,
teve início a ocupação dos Campos Gerais. O criatório e o tropeirismo promoveram
uma recuperação econômica da região que seria futuramente o Paraná. Foi esta
sociedade, que tinha como suas bases em Paranaguá (litoral), Curitiba (primeiro
planalto) e Campos Gerais, que promoveu na primeira parte do século XIX a ocupação
dos Campos de Guarapuava e Palmas.
Com as anexações desses novos territórios à vida econômica, predominou no
território paranaense a economia das fazendas, isto é, do criatório.
No final do século XVIII e parte do XIX, os Campos Gerais detinham a
hegemonia na ainda pacata sociedade paranaense. Neste período, através do caminho
Sorocaba-Viamão, essas populações dos Campos Gerais recebiam forte influência
paulista e rio-grandense.
No século XIX, esta área recebeu influência de numerosas correntes
imigratórias: alemães, poloneses, italianos, ucranianos, sírio-libaneses, austríacos,
franceses, ingleses, holandeses, etc. estas levas de imigrantes reforçaram a pronúncia já
encontrada na região e promoveram uma substancial transformação na sociedade.
Do ponto de vista político, é do Paraná Tradicional que até pouco tempo
emanava, quase exclusivamente, o poder político. Foram os luso-paranaenses
proprietários de terras que, desde a emancipação política do Paraná em 1853, passaram
a controlar politicamente a região. No século XIX, o domínio público da província
emanava desses grandes fazendeiros dos Campos Gerais. Embora os presidentes de
província fossem nomeados pelo governo imperial do Rio de Janeiro, o controle
político-ideológico emanava dos latifúndios dos Campos Gerais e exercia-se através da
Assembleia Provincial e dos cargos administrativos da máquina burocrática.
Até o advento da república, o poder político no Paraná foi exercido de forma
oligárquica, tendo por base o latifúndio e a estrutura patriarcal das principais famílias
criadoras de gado dos Campos Gerais.
No início do período republicano, comprovou-se a decadência dessa tradicional
elite campeira. As fazendas de criatório perderam sua importância, ao mesmo tempo em
que cresceu a importância de Curitiba como centro administrativo e econômico. Mas, se
por um lado a oligarquia campeira perdia influencia real, por outro conseguia manter
seu poder elegendo a partir da República e os presidentes do Estado. Estes passaram a
ser eleitos e não mais nomeados pelo poder central.
No período republicano, a elite campeira foi obrigada a aceitar alianças com
famílias importantes de outras regiões do Estado, para manter-se no poder.
A segunda área cultural do Estado corresponde ao Norte do Paraná. Ao
contrário do que comumente se aceita, o início da colonização do norte não foi obra da
expansão da economia do café. O chamado norte velho ou norte pioneiro é mais antigo

79
do que se possa conceber à primeira vista. O início da sua colonização data da década
de 1840.
Fazendeiros mineiros, proprietários de latifúndios decadentes, donos de terras
ditas cansadas, lançaram-se também ao tropeirismo.
Após os mineiros, penetraram também os paulistas, os próprios paranaenses,
japoneses, italianos, sírio-libaneses, etc. A agricultura de subsistência e a exploração da
imensa floresta subtropical, foram seu primeiro incentivo econômico. O café tornou-se
economicamente viável apenas nos últimos anos do século XIX e início do XX.
Com a entrada de mais de um milhão de migrantes no Norte do Paraná, houve
uma séria ameaça à hegemonia política exercida no Estado pela elite do Paraná
Tradicional. Para alegria dessa elite, os nortistas não se manifestaram de início muita
intenção de exercer os direitos políticos advindos do peso demográfico que o norte
passou a representar no conjunto do Estado.
As populações no Paraná Tradicional passaram a considerar os nortistas como
adventícios que vieram a apoderar das riquezas do Estado, sem se interessarem por suas
tradições. Os nortistas, por seu turno, avaliavam as gentes do sul como possuidoras de
pouca iniciativa, atribuindo-lhes epítetos pejorativos. Era o conflito natural entre os
tradicionais do sul e os pés vermelhos do norte.
Os pés vermelhos teimavam em permanecer afastados dos problemas políticos e
administrativos do Estado e continuavam vibrando e se interessando mais pelos
problemas de suas respectivas regiões de origem.
Em consequência dessa atitude, a tradicional oligarquia paranaense continuava a
governar sozinha o Paraná e se mantinha no poder deforma incontestável.
A terceira área histórico-cultural originou-se após meados da década de 1950.
Uma nova frente pioneira penetrou em território paranaense. Chegava ao Paraná
estimulada pelos problemas com mão-de-obra agrícola no Rio Grande do Sul e Santa
Catarina. A este deslocamento populacional chamamos de frente sulista, ocupando a
maior parte do sudoeste e parte do oeste paranaense. Numericamente, a frente sulista foi
de menor intensidade do que a nortista. Os migrantes oriundos desta frente de
colonização fundaram e se estabeleceram em importantes núcleos no sudoeste e oeste
do Estado: Francisco Beltrão, Dois Vizinhos, Santo Antônio do Sudoeste, Medianeira,
Santa Helena, Toledo, Marechal Cândido Rondon, etc.
Tal qual ocorreu no norte do Estado, a oligarquia dirigente nunca de preocupou
em desenvolver com os componentes dessa frente uma política séria de assimilação e
integração ao todo paranaense.
As elites do Paraná Tradicional nunca de preocuparam a fundo com o Norte do
Paraná ou mesmo com o sudoeste e o oeste. As camadas hegemônicas que governavam
o Paraná, sobretudo no início do século, não viam com bons olhos a presença dessas
populações que alguns de seus expoentes chegavam a chamar de adventícias.
Entretanto, a partir de meados da década de 60, iniciou-se uma presença maior
do norte na política e administração paranaense.

EXERCÍCIOS

QUESTÃO 01
(UEM-2010) Leia o Texto abaixo e assinale a(s) alternativa(s) correta(s): “Com a entrada de
mais de um milhão de migrantes no Norte do Paraná, houve uma séria ameaça à hegemonia
política exercida no Estado pela elite, os nortistas não manifestaram de início muita intenção de
exercer os direitos políticos advindos do peso demográfico que o norte passou a representar no

80
conjunto do Estado. Ficavam como que de costas para a capital e de frente para os problemas
dos seus estados de origem, notadamente São Paulo e Minas Gerais. Inicialmente poucos se
interessavam pelos problemas político-administrativos do Paraná. Este comportamento de
distanciamento dos problemas paranaenses ocorria nos mais diversos assuntos: do futebol à
economia.” (WACHOWICZ, Ruy Christovam. História do Paraná, Curitiba: Vicentina, 1995,
p. 270.).

01) Segundo o texto, o desinteresse pelas questões regionais, por parte dos migrantes que
ocupara as terras do Norte do Paraná, permitiu que a “elite do Paraná tradicional” mantivesse
sua hegemonia política do Estado.

02) A ocupação da região Norte do Paraná foi, em grande medida, resultado da expansão das
áreas cultivadas com café.

04) Em razão do desinteresse explicitado no texto e do preconceito da “elite tradicional”, o


Paraná nunca elegeu políticos da região Norte do Estado para representa-lo.

08) O texto relaciona a grande separação entre a capital e o Norte do Estado, nos dias atuais, ao
movimento pela criação do Estado do Paraná do Norte, EPAN.

16) Apesar das recentes mudanças, a produção de café continua sendo o setor mais importante
da economia da região Norte do Estado do Paraná.

QUESTÃO 02:
(UEM-2012) Leia o texto e assinale a(s) alternativa(s) correta(s). “As elites do Paraná
tradicional nunca se preocuparam a fundo com o Norte do Paraná ou mesmo com o sudoeste e o
oeste. As camadas hegemônicas que governavam o Paraná, sobretudo no início do século XX,
não viam com bons olhos a presença dessas populações que alguns de seus expoentes chegavam
a chamar de adventícias. Perceberam que poderiam perder a liderança absoluta que exerciam no
Estado [...]. Entretanto, a partir de meados da década de 60, iniciou-se uma presença maior do
norte na política e administração paranaense.” (WACHOWICZ, R. C. História do Paraná, 7ª. ed.
Curitiba: Vicentina, 1995, p. 272).

01) Segundo o texto, em nossos dias, não há uma participação de representantes do interior do
Estado no cenário político estadual, com exceção do Norte paranaense.

02) A colonização do Norte do Paraná, referida no texto, teve como base econômica a
cafeicultura e ocorreu mais recentemente, quando comparada ao “Paraná tradicional”.

04) O termo “Paraná tradicional” refere-se à Região Oeste do Estado, ocupada por migrantes
catarinenses e gaúchos que mantiveram suas tradições a partir da fundação dos Centros de
Tradições Gaúchas (CTGs).

08) Segundo o texto, em razão de concentrar a maioria da população do Estado do Paraná, a


partir dos anos sessenta, a Região Norte assumiu e manteve a hegemonia política no Estado.

16) O texto mostra a existência de disputas políticas regionais que contrapõem políticos do
“Paraná Tradicional” ao “Norte do Paraná”.

GABARITO

81
AS POPULAÇÕES NATIVAS:

QUESTÃO 01: 01-02-08-16


QUESTÃO 02: 01-02-08
QUESTÃO 03: 04-08-16

A PRESENÇA EUROPEIA NO TERRITÓRIO PARANAENSE:

QUESTÃO 01: 01-16


QUESTÃO 02: 01-04
QUESTÃO 03: 02-04
QUESTÃO 04: 01-02-04-08
QUESTÃO 05: 04-08
QUESTÃO 06: 02-16
QUESTÃO 07: 08-16
QUESTÃO 08: 01-02-04-16
QUESTÃO 09: 01-04

OCUPAÇÃO E POVOAMENTO DO PARANÁ:

QUESTÃO 01: 01-08


QUESTÃO 02: 02-08-16
QUESTÃO 03: 04-08
QUESTÃO 04: 16
QUESTÃO 05: 01-08
QUESTÃO 06: 02-04
QUESTÃO 07: 04-08

EMANCIPAÇÃO POLÍTICA PARANAENSE:

QUESTÃO 01: 02-16

ASPECTOS DA ECONOMIA DO PARANÁ:

QUESTÃO 01: 02-16


QUESTÃO 02: 02
QUESTÃO 03: 01-16
QUESTÃO 04: 02-04-16
QUESTÃO 05: 02-08
QUESTÃO 06: 02-04-08-16

ESCRAVIDÃO:

QUESTÃO 01: 08-16


QUESTÃO 02: 01-02-08
QUESTÃO 03: 04-16

IMIGRAÇÃO:

QUESTÃO 01: 02-04-16


QUESTÃO 02: 02-04

82
MOVIMENTOS MILITARES E REVOLUCIONÁRIOS:

QUESTÃO 01: 02-08


QUESTÃO 02: 02-08
QUESTÃO 03: 01-02-04

OS TRÊS PARANÁS:

QUESTÃO 01: 01-02


QUESTÃO 02: 02-16

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

História do Paraná. Apostila do Integral Curso e Colégio.

História do Paraná. Apostila do Nobel Sistema de Ensino.

ANTONIO, José. História do Paraná.

LAZIER, Hermógenes. Paraná: terra de todas as gentes e de muita história.


Hermógenes Lazier: Francisco Beltrão, 2003.

MOTA, L. T.. História do Paraná: ocupação humana e relações interculturais.


Maringá: EDUEM, 2005.

ZEVIANI, R. U.. História do Paraná. Apostila do Curso e Colégio Imagem.

83