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POUPANÇA

Cinceitos
basicos
COMPRAS
ENERGIA
LAR
CRIANÇAS
SAÚDE
LAZER
NATAL
IMPOSTOS
Índi C e
i ntr O duçã O

In t r O d u ç ã O

Persistem ainda alguns «tabus» à volta do tema das pou-


panças, e confesso que sou daquelas pessoas que com-
preende mal as razões. Poupar não é necessariamente
uma medida de SOS, ela pode constituir tão simplesmente uma
forma de viver. A frugalidade é uma forma de consciência ex-
pandida, de percebermos que, no fundo, o verbo «ser» é muito
diferente do verbo «ter», embora, na gramática, pertençam ao
mesmo grupo de verbos.
Antes de começar este livro, esvazie a mente das notícias
sobre a crise, sobre a subida do preço dos combus- tíveis,
sobre o aumento do IVA, etc. É importante que esteja
completamente focado em mudar ou melhorar a sua vida. No
geral, em construir riqueza! Tudo o que aqui é dito, não são só
teorias. São práticas diárias, hábitos que a criar e desenvolver
ao longo do tempo. É uma com- pilação de modos de poupar,
ordenados por temas, de forma simples, direta.
É muito mais fácil usufruir deste livro se acreditar que pra-
ticamente todos os resultados que obtém na sua vida — sejam
bons ou menos bons — são produzidos por si, ou seja, são da
sua responsabilidade. Então saiba que o resultado desejado —
a «felicidade financeira» — está nas suas mãos. Sabendo isto,
o que pretende fazer? É muito importante saber que há real-
mente coisas que está nas nossas mãos mudar, coisas que temos
o poder de melhorar! Economia, finanças, poupança, entre ou-
tros, são conceitos muito mais abrangentes do que aparentam e
estão, de tantas formas, diretamente ligados às nossas decisões
diárias.
Este livro é uma sala de estudo, a sua plataforma para a ação,
o seu guia para relembrar como semear e ter satisfação em fa-
zê-lo, olhando um pouco mais além do fim do mês. Este livro
é um manual de criação de novos hábitos, hábitos que, depois
de criados, o conduzirão à «paz financeira» com que sempre so-
nhou. Aqui encontrará muitas receitas para lhe rechear a car-
teira e, consequentemente, melhorar a vida e o humor.
Lembre-se que, depois de deitadas à terra, as sementes
desenvolvem-se e dão frutos. Mas é claro que, como para
tudo, é preciso dar-lhes tempo.
ORCAMENTO

De uma forma ou de outra, o assunto «poupança» inte-


ressa a todos. Seja por necessidade, seja por objetivos de curto
prazo, como, por exemplo, fazer uma viagem ou
umas férias especiais, ou por objetivos de médio ou longo prazo,
como, por exemplo, uma reforma melhor, mais rica e cheia de
possibilidades, liquidar o crédito à habitação antecipadamen-
te, etc. Seja qual for o objetivo que tenhamos em mente, afinal,
por onde devemos começar?
Construa a sua folha de orçamento. Use ou adapte a que lhe
facultamos, de acordo com a sua realidade, preenchendo-a com
valores realistas e adequados. Aproveite esta extraordinária ferra-
menta, que o vai ajudar a tomar as rédeas da sua vida financeira.
Orçamentar é sinónimo de poupar, e poupança está na or-
dem do dia, não só porque é cada vez mais uma necessidade,
mas também porque é uma nova consciência. Significa conhe-
cimento. Significa que nos importamos. Acredita mesmo que
todas as surpresas são boas e bem-vindas? Em termos finan-
ceiros, não se deixe surpreender! Orçamente!
Então, para iniciarmos esta nova etapa, nada melhor do que
começar pelo início. Vamos a isso?

1 . 1 DIAGNÓSTI C O
Temos sempre de começar por saber o que se passa, qual é
o problema, qual é o aspeto que desejamos melhorar, em que
ponto estamos e porquê. O primeiro passo a dar é «ir ao médi-
co». Saber, portanto, «onde lhe dói», ou seja, identificar quanto
gasta e em quê. Para isso há métodos e vou fornecer-lhe um
que considero dar excelentes resultados.

DICA S
Conheça a sua conta bancária até ao esqueleto, o
que, neste caso, significa saber o que verdadeiramente
tem. Para isso, faça uma consulta no multibanco ou, no
sossego do lar, através do computador, para saber o saldo
da conta, os valores a pagar e a que se referem. O ideal é
fazer isto quando recebe o ordenado.
saiba exatamente quanto ganha, ou seja, quanto recebe
efetivamente na sua conta bancária. Contabilize doações,
subsídios, rendas ou qualquer entrada de dinheiro. O total
dos valores re- cebidos é o dinheiro que tem disponível para
se governar du- rante o mês. Em suma, é o seu orçamento.
É este valor que vai ser distribuído pelas diferentes folhas
do orçamento (exemplos: água/luz/gás, poupança, renda da
casa, condomínio, etc.). Invista uma semana, 15 dias ou
um mês a anotar tudo, mas mesmo tudo, o que lhe sai da
carteira; ou então guarde todos os talões de compras.
Mesmo que seja o café ou a gratificação que deu ao
arrumador no estacionamento. Não interessa que tipo de
despesa, peça o talão ou anote num bloco (que deve an- dar
sempre consigo) o valor gasto, o dia em que gastou e no
que gastou. Melhor ainda: combine as duas medidas! (Se op-
tar por fazer durante uma semana ou 15 dias, depois
multipli- que por 4 ou por 2 para obter os gastos médios
mensais.) Este exercício, para além de lhe dar uma noção
exata dos seus gas- tos, vai trazer-lhe outros benefícios: uma
consciência diferente sobre o que gasta, uma visão clara, que
permite tomar decisões!
Agora é hora de reflexão: «Como vou distribuir pelas
várias ru- bricas o dinheiro disponível para me governar
(orçamento)?»
Divida as despesas por grandes rubricas, que façam
sentido para si, e anote os totais de cada uma. Exemplo:
mercearia, 250 €; com- bustíveis, 200 €; café e pastelaria,
140 €; cigarros, 120 €, etc.Tome decisões! Agora que
ganhou consciência do destino que dá ao seu dinheiro,
pergunte-se: Tenho hábitos que podem ser mudados?
Possuo despesas desnecessárias? Que aspetos posso
melhorar? Como poderei fazê-lo?
Poupança média imediata de 75 €
Estabeleça um orçamento (o valor mensal disponível do
agrega- do familiar). Na realidade, o que vai fazer é
«estabelecer limites para o valor a gastar em cada
rubrica». Naturalmente, estes va- lores deverão estar
adaptados às suas necessidades, mas, repare, eu disse «ne-
ces-si-da-des».Use a sua folha de orçamento
regularmente. Seja ela qual for: um caderno de
anotações, uma folha Excel, uma aplicação no telemóvel.
«Usar» é o truque para funcionar.
Poupa, pelo menos, 150 € a 200 €
ANO
JaNeIrO FeVereIrO MarÇO aBrIL MaIO

ENTRADAS
Ordenado 1
Ordenado 2
ajudas de custo
Outras (reembolso de IrS, prémios,
doações, subsídios, pensões, etc.)
Outras atividades
Valores declarados
Valores não declarados
total entradas

SAÍDAS
Crédito à habitação
Crédito automóvel
Crédito pessoal
Cartão de crédito
Conta ordenado
Poupanças
alimentação/supermercado
Manutenção do lar
eletricidade, gás, água, condomínio
Comunicações
(telefone, tV, net, telemóveis)
transportes
educação
Seguros
Orçamento de prazer
Vestuário e calçado
Outros
total Saídas

SALDO
JUNHO JULHO aGOStO SeteMBrO OUtUBrO NOVeMBrO DeZeMBrO

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2.1 ORCAMENTO SIMPLES

• Existem duas linhas de total: uma para os valores a receber


(Entradas) e outra para os valores a gastar (Saídas). Há ainda ou-
tra de Saldo, que será o apuramento entre as duas linhas do total
de Entradas e do total de Saídas.
• Existe, na parte das despesas, uma linha para Poupança e outra para
o que chamamos Orçamento de Prazer. Pondere sobre que valor
pode comportar o seu orçamento para canalizar para as «coisas
que gosta de fazer», para o seu lazer. Não descure a importância
de se sentir gratificado pelo trabalho que desenvolveu durante o
mês. É mesmo imprescindível que se presenteie! Se não o fizer,
é muito natural que se desmotive. É também muito importante
que o valor que estipular para o Orçamento de Prazer não seja
superior ao da Poupança. Se proceder desta forma, manter-se-á
fiel ao seu orçamento e atingirá os seus objetivos. Pondere tam-
bém sobre o valor do seu orçamento que poderá canalizar para as
suas poupanças, o seu conforto e a sua segurança.
• O ideal é poupar todos os meses um valor igual ou superior a
10% do seu rendimento. Porquê 10%? Porque a nossa mente tem
elasticidade para suportar esse valor e, por isso, ele torna-se um
bom ponto de partida. Para garantir que todos os meses «paga a
si próprio» esse valor, vá ao seu banco e preencha uma ordem de
transferência, do valor que estipulou, para uma conta especifica-
mente criada para esse efeito. Certifique-se de que se trata de uma
conta sem risco, mesmo que os juros sejam baixos. Lembre-se que
é a sua segurança que está a construir.

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ORÇAMENTO
DébiTOs CRéDiTOs

Depósito banco Poupança Ordenado 1


Depósito banco Renda da casa Ordenado 2
Depósito banco Condomínio Rendimento X
Depósito banco Luz, água e gás Rendimento Y
Depósito banco internet / Tv / telefones Abonos
Depósito banco Prestação carro 1
Depósito banco Prestação carro 2 Total

Manutenção dos carros (seguro,


Depósito banco inspeção, revisões, iUC)

Depósito banco via verde + despesas bancárias

Depósito banco Saúde

Outros (prendas, utilidades para a


Depósito banco
casa, etc.)

Depósito banco Vestuário


Depósito banco Infantário
Depósito banco Férias

Notas Combustível para carro 1


Notas Combustível para carro 2
Notas Alimentação
Notas Lazer
Notas Mesada filho 1
Notas Mesada filho 2

TOTAL

DiNhEiRO EM CAiXA
2.2 ORÇAMENTO AVANÇADO

• Todas as rubricas com a designação de «depósito banco» corres-


pondem a uma folha de orçamento. É aqui que, no início do seu
ano, vai definir os valores a dedicar a cada rubrica e que depois
deve colocar em cada uma das folhas correspondentes onde está
indicado Saldo.
• Esta secção de depósitos refere-se ao dinheiro depositado no seu
banco e disponível para o orçamento que estipulou e para nada
mais (nada de tentações!).
• Existe uma secção de notas, onde indica as coisas que vai pagar
com dinheiro vivo. Para isso, no início de cada mês, deve levantar
o dinheiro correspondente ao valor em causa e distribuí-lo por
envelopes, carteiras, etc. Da forma que achar melhor.
• A última linha da sua folha de orçamento reflete o valor acumu-
lado de todas as páginas e deve corresponder ao valor disponível
em conta bancária, exato e ao cêntimo. Se assim não for, é possí-
vel que se tenha desfalcado a si próprio.

P O U P a NÇ a

SaLDO INICIaL

DeSCrIÇÃO DÉBItO CrÉDItO SaLDO


2.3 FOLHA CONTA CORRENTE
• Nesta folha, são colocadas todas as receitas e todas as saídas, nas
colunas de Crédito e Débito, respetivamente, e com a data em que
foram efetuadas.
• No início de cada mês, deve indicar na folha de conta-corrente a
saída dos valores para cada rubrica.
• Cada rubrica tem uma folha específica.

COMO USAR AS DIFERENTES PAGINAS DO SEU


ORÇAMENTO
(l u z/ á g u a / g á s )

• No início de cada mês, coloca-se como crédito o valor que esti-


pulou ser o seu orçamento para esta rubrica (exemplo: 70 € de
crédito na primeira linha).
• Durante o mês, deve ir colocando todos os pagamentos destes
serviços na coluna de Débito.
notas: Em rubricas como Automóvel, deverá refletir sobre
os gastos com pneus, revisões, seguros, inspeção, imposto de
circulação e outros, e definir o seu orçamento somando todas
essas despesas multiplicadas pelo número de anos que pretende
ter esse automóvel. Depois, deverá dividir pelo número de me-
ses correspondente e chega ao valor a colocar todos os meses de
lado no seu orçamento de forma a que, quando estas despesas
chegarem, o dinheiro exista no banco para as pagar.
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