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FITOSSANIDADE

Entomologia Agrícola

1. Organismos praga
São organismos que competem direta ou indiretamente com o homem por
alimento, matéria prima ou prejudicam a saúde e o bem-estar do homem e animais.

2. Exemplos de organismos praga


 Pássaros (marrecos, goderos, assanhaços, etc.).
 Mamíferos (ratos, morcegos, capivaras, coelhos, etc.).
 Patógenos (vírus, bactérias, fungos, etc.): os patógenos que atacam as plantas
são estudados pela Fitopatologia.
 Plantas invasoras: são estudados nos cursos de plantas invasoras.
 Nematóides (são estudados pela Nematologia).
 Artrópodes (ácaros, sinfilos, diplopodas, aranhas, insetos, etc.) são estudados
geralmente nos cursos de Entomologia.
 Moluscos (lesmas e caracóis).

3. Conceitos de pragas
3.1. Convencional
Um organismo é considerado praga, quando é constatada sua presença no
agroecossistema.
3.2. Do ponto de vista do manejo integrado de pragas (MIP)
Um organismo só é considerado praga quando causa danos econômicos.

4. Nível de dano econômico (ND)


 Corresponde a densidade populacional do organismo praga na qual ele causa
prejuízos de igual valor ao custo de seu controle.
 O nível de dano econômico, embora tomado muitas vezes como um valor fixo, é
variável em função dos seguintes fatores:
 Preço do produto agrícola (quanto maior o preço do produto menor será o
nível de dano econômico).
 Custo de controle (quanto maior o custo de controle, maior será o nível de
dano econômico).
 Capacidade da praga em danificar a cultura.
 Susceptibilidade da cultura à praga.

5. Nível de ação ou controle (NA ou NC)


É a densidade populacional da praga em que devemos adotar medidas de
controle, para que esta não cause danos econômicos. Sendo que a diferença entre os
valores do ND e do NC, deve-se a velocidade de ação dos métodos de controle.

6. Nível de não-ação (NNA)


Corresponde a densidade populacional do inimigo natural capaz de controlar a
população da praga.

7. Tipos de pragas
7.1. De acordo com a parte da planta que é atacada
7.1.1. Praga direta
- Ataca diretamente a parte comercializada.
. Exemplo: broca pequena do tomateiro (Neoleucinodes elegantalis Guenée, 1854) que
ataca os frutos do tomateiro.

7.1.2. Praga indireta


- Ataca uma parte da planta que afeta indiretamente a parte
comercializada.
. Exemplo: lagarta da soja (Anticarsia gemmatalis Hueb.) que causa desfolha nas
plantas da soja.

7.2. De acordo com sua importância

7.2.1. Organismos não-praga


- São aqueles que sua densidade populacional nunca atinge o nível de controle.
Correspondem a maioria das espécies fitófagas encontradas nos agroecossistemas.
(Ponto de equiíbrio (PE): densidade populacional média do organismo ao longo do
tempo).

7.2.2 Pragas secundárias


- São aqueles que raramente atingem o nível de controle
- Exemplo: ácaros na cultura do café.

(Corresponde ao momento de aplicação do método de controle de pragas).

7.2.3. Pragas chaves


- São aqueles organismos que frequentemente ou sempre atigem o nível de
controle. Esta praga constitui o ponto chave no estabelecimento de sistema de manejo
das pragas, as quais são geralmente controladas quando se combate a praga chave. São
poucas as espécies nesta categoria nos agroecossistemas, em muitas culturas só ocorre
uma praga chave.

7.2.3.1. Pragas frequentes


- São organismos que frequentemente atigem o nível de controle.
. Exemplo: cigarrinha verde (Empoasca kraemeri Ross & Moore, 1957) em feijoeiro.

7.2.3.2. Pragas severas


- São organismos cuja parte de equilíbrio é maior que o nível de controle.
. Exemplo: formigas saúvas (Atta spp.) em pastagens.

8. Consequências do ataque de pragas às plantas


8.1. Injúrias
- Lesões ou alterações deletérias causadas nos órgãos ou tecidos das plantas.
. As pragas de aparelho bucal mastigador provocam as seguintes injúrias:
- lesões em órgãos subterrâneos;
- roletamento de plantas;
- broqueamento (confecção de galerias no interior de órgãos subterrâneos, caule, frutos
e grãos);
- surgimento de galhas;
- vetores de doenças;
- desfolha;
- confecção de minas (galerias surgidas nas folhas devido a destruição do mesófilo
foliar).
. As pragas fitossucívoras provocam as seguintes injúrias:
- sucção de seiva;
- introdução de toxinas;
- vetores de doenças (principalmente viroses).
. Sendo que ataque de pragas fitossucívoras pode ocasionar:
- retorcimento ("engruvinhamento");
- amarelecimento;
- anormalidade no crescimento e desenvolvimento;
- secamento;
- mortalidade;
- queda na produção das plantas.
8.2. Prejuízos das pragas
Queda na produção agrícola causada por pragas.

8.3. Dano das pragas agrícolas


Prejuízos causado por organismos fitófagos com densidade populacional acima
de nível de dano econômico.

9. Fatores favoráveis à ocorrência de pragas


- Descaso pelas medidas de controle
Plantio de variedades suscetíveis ao ataque das pragas
- Diminuição da diversidade de plantas nos agroecossistemas (o plantio de
monoculturas favorecem as populações das espécies fitófagas "especialistas" e diminui
as populações dos inimigos naturais das pragas)
- Falta de rotação de culturas nos agroecossistemas.
- Plantio em regiões ou estações favoráveis ao ataque de pragas.
- Adoção de plantio direto (geralmente há um aumento de insetos que atacam o sistema
radicular das plantas).
- Adubação desiquilibrada (as plantas mal nutridas são mais susceptíveis ao ataque de
pragas)
- Uso inadequado de praguicidas (uso de dosagem, produto, época de aplicação e
metodologia inadequados).

l0. Problemas advindos do uso inadequado de praguicidas


l0.l. Redução das populações de inimigos naturais em níveis superiores ao das
populações de pragas devido:
- possuirem maior mobilidade do que as pragas, ficando assim mais
expostas aos praguicidas.
- ocorrência de maior consumo de pragas contaminadas por praguicidas
devido a maior facilidade de "captura" destas;
- maior concentração de substâncias tóxicas (o praguicida) em níveis
tróficos mais elevados (no caso dos inimigos naturais).

A redução nas populações dos inimigos naturais traz como consequências:


- Ressurgência de pragas (a praga reaparece em safras subsequentes, oriunda de
lugares de refúgio e dos indivíduos sobreviventes na lavoura, em níveis populacionais
superiores aos da sanfra anterior).
- Erupção de pragas (mudança de "status", com praga secundária tornando-se
chave).
Exemplo disto pode ocorrer com o uso de inseticidas do grupo dos piretróides no
controle do bicho mineiro (Perileucoptera coffeella (Guérin - Menéville, 1842)) do
cafeeiro. Esse uso pode reduzir a população de ácaros predadores do ácaro vermelho
(Oligonychus ilicis (McGregor, 1919)), que passa para o "status" de praga chave.

l0.2. Quebra da cadeia alimentar


- Consiste na redução da população de espécies fitófagas, que servem como
fonte inicial de alimentação de predadores, os quais posteriormente serão essenciais no
controle de pragas chaves. Exemplo disto é o que ocorre na cultura algodoeira quando
se usa semente preta (semente tratada com inseticida sistêmico) diminuindo assim, a
população de pulgões e tripes.
Estes insetos são fonte inicial de alimento dos predadores de pragas chaves que
surgirão posteriormente como o curuquerê do algodoeiro (A. argillacea Hueb., 1818) e
lagarta das maçãs (Heliothis virescens (Fabr., 1781).

l0.3. Resistência das pragas aos praguicidas.


- Consiste no aumento da tolerância das populações de pragas a doses de um
praguicida anteriormente considerado eficiente no seu controle.
- Isto ocorre devido a eliminação de indivíduos susceptíveis, fato este que fará
com que haja seleção de indivíduos que possuam carga genética para resistência à ação
do praguicida.
- Os mecanismos de resistência podem ser:
. alterações no alvo de ação do praguicida;
. aumento da taxa de desintoxicação (por degradação ou excreção) do
praguicida pela praga;
. redução da taxa de penetração do praguicida no corpo da praga, e
. resistência por comportamento (modificações no comportamento como
repelência ao
praguicida que permitam esse tolerar o praguicida).
- Além da resistência induzida a um agrotóxico pode também ocorrer:
. resistência cruzada (quando a resistência induzida por um praguicida se estende
também a outro produto de mesmo modo de ação);
. resistência múltipla (quando a resistência se estende a praguicidas de modo de
ação diferentes).

l0.4. Modificações na fisiologia das plantas, aumentando a susceptibilidade das culturas


à pragas.
l0.5. Bioacumulação (acúmulo do praguicida no corpo de um organismo).
l0.6. Biomagnificação (acúmulo do praguicida ao longo da cadeia alimentar).
l0.7. Presença de resíduos de praguicidas no solo, ar, água e alimentos.
l0.8. Intoxicações agudas no homem, componentes da fauna, flora e microorganismos.

11. Manejo integrado de pragas (MIP)


É uma filosofia de controle de pragas que procura preservar e incrementar os
fatores de mortalidade natural, através do uso integrado dos métodos de controle
selecionados com base em parâmetros econômicos, ecológicos e sociológicos.

l2. Componentes do MIP


l2.l. Avaliação do agroecossistema
- avaliação da população da praga (amostragem para verificação da
densidade populacional da praga).
- avaliação das populações dos inimigos naturais das pragas (amostragem
para verificação de suas densidades populacionais).
- estádio fenológico das plantas (verificação do grau de susceptibilidade da
cultura em cada estádio).
- avaliação das condiões climáticas (as quais podem determinar aumento
ou decréscimo da população das pragas, inimigos naturais e eficiência dos
métodos de controle).
l2.2. Tomada de decisão
Nesta fase, tomaremos a decisão de controlar ou não as pragas com base nos seguintes
componentes:
l2.2.1. População de praga
- Tomamos decisão de controlar a praga se a densidade populacional da praga for igual
ou maior que o nível de controle.

12.2.2. População dos inimigos naturais


- Só tomaremos decisão de controlar as pragas se as densidades populacionais de
inimigos naturais estiverem menores que o nível de não-ação.

12.2.3. Estádio fenológico da cultura


- Na tomada de decisão, devemos considerar o grau de susceptibilidade da cultura em
cada estádio.

12.2.4. Condições climáticas


- Na tomadas de decisão, deve-se verificar as condições climáticas, visto que estas têm
efeito sobre as populações das pragas, inimigos naturais e eficiência dos métodos de
controle.

12.2.5. Escolha dos métodos de controle


- Deve-se levar em consideração os fatores técnicos, econômicos, ecológicos e
sociológicos.

13. Amostragem das populações de pragas e inimigos naturais


Para avaliação correta, das populações de pragas e inimigos naturais é necessário
se realizar amostragens. Para tanto, é necessário o desenvolvimento de pesquisas que
permitam o desenvolvimento de metodologia de avaliação populacional, plano de
amostragem e tipo de caminhamento a ser adotado na amostragem.

13.1. Métodos de avaliação de populações de pragas e inimigos naturais


13.1.2. Métodos absolutos
- Consistem na avaliação da população total existente em determinada área.
- Praticamente não usado em Entomologia Agrícola devido ao tempo, pessoal e dinheiro
gasto na sua realização.

13.1.3. Métodos relativos


- Estima-se a população existente em determinada amostra.
- Esta contagem pode ser feita através de:
. contagem direta das pragas existentes numa amostra, como é feito na cultura de citros
para o ácaro da leprose (Brevipalpus phoenicis Geijskes, 1939), onde conta-se o número
de ácaros existentes nos frutos;
. uso de armadilhas, como é feito para a cultura da soja quando conta-se o número de
percevejos (Heteroptera: Pentatomidae) presentes em pano colocado entre as fileiras das
plantas.

13.1.4. Índices populacionais


São realizadas avaliações de produtos metabólicos (fezes e exúvias,
principalmente) e efeitos das pragas e inimigos naturais. Como exemplo deste método,
conta-se o número de minas feitas pelo bicho mineiro (Perileucoptera coffeella) em
café.

14. Planos de amostragem de populações de pragas e inimigos naturais


14.1. Comum
- Se baseia em número fixo de amostras a serem realizadas por unidade de área.
- Neste plano, para a amostragem ser representativa da realidade, tem que ocorrer uma
distribuição espacial dos organismos semelhante à distribuição destes em pesquisa na
qual este plano foi estabelecido.
- Como exemplo deste plano, temos o número de amostras a serem feitas na avalação da
população de pragas da soja.

14.2. Sequencial
- O número de amostragem a ser realizado é variável de tal forma a garantir uma boa
precisão da amostragem.
- Para tanto, são confeccionados tabelas que possuem três colunas: a primeira contém o
número de amostras, a segunda o limite inferior e a terceira o limite superior.
- Se a população da praga for menor ou igual ao valor do limite inferior, a decisão é de
não controlar a praga.
- Se for maior ou igual ao limite superior, a decisão será a de controlar a praga.
- Se o valor for intermediário entre os limites inferior e superior, deve-se fazer mais
amostragens até que esta caia em uma das duas situações anteriores.
- Além de trazer maior precisão que o plano anterior este também possibilita uma
economia de tempo e esforço (em geral 50%).

15. Métodos de controle de pragas


Os principais métodos usados no controle de pragas são:

15.1. Métodos culturais


Emprego de práticas agrícolas normalmente utilizadas no cultivo das plantas
objetivando o controle de pragas.

15.2. Controle biológico


Ação de inimigos naturais na manutenção da densidade das pragas em nível
inferior àquele que ocorreria na ausência desses inimigos naturais.

15.3. Controle químico


Aplicação de substâncias químicas no controle de pragas.

15.4. Controle por comportamento


Consiste no uso de processos (hormônios, feromônios, atraentes, repelentes e
macho estéril) que modifiquem o comportamento da praga de tal forma a reduzir sua
população e danos.

15.5. Resistência de plantas


Uso de plantas que devido suas características genéticas sofrem menor dano por
pragas.

15.6. Métodos legislativos


Conjunto de leis e portarias relacionados a adoção de medidas de controle de
pragas.

15.7. Controle mecânico


Uso de técnicas que possibilitem a eliminação direta das pragas.

15.8. Controle físico


Consiste no uso de métodos como fogo, drenagem, inundação, temperatura e
radiação eletromagnética no controle de pragas.

15.9. Método genético


Consiste no controle de pragas através do uso de esterilização híbrida.

MIP
1.1. Introdução
O Manejo Integrado de Pragas (MIP) é uma filosofia de controle de pragas que
procura preservar e incrementar os fatores de mortalidade natural, através do uso
integrado de todas as técnicas de combate possíveis, selecionadas com base nos
parâmetros econômicos, ecológicos e sociológicos. Visa manter o nível populacional
dos insetos numa condição abaixo do nível de dano econômico, através da utilização
simultânea de diferentes técnicas ou táticas de controle, de forma econômica e
harmoniosa com o ambiente.
Para cada tática de controle tem-se pelo menos uma estratégia de manejo, como
a seguir:
a) uso de variedades resistentes – tem como estratégia cultivar plantas que
desfavoreçam o crescimento, reprodução e sobrevivência dos insetos, devido às suas
características morfológicas, físicas e químicas;
b) rotação de cultura – plantar alternadamente variedades que não sejam hospedeiras das
mesmas pragas, para quebrar ou interromper o ciclo de desenvolvimento das mesmas;
c) destruição de restos culturais – arrancar os restos de cultura para impedir que o
inseto-praga complete o seu ciclo de desenvolvimento, ou mesmo evitar que esses
resíduos vegetais sirvam de hospedeiros para outras pragas;
d) aração do solo – expor larvas, pupas e mesmo adultos de insetos-praga de solo aos
raios solares ou eliminar os insetos através da ação mecânica dos implementos
agrícolas,
e) adubação – provocar uma pseudoresistência, ou seja, o fornecimento de certos
nutrientes à planta pode provocar mudanças fisiológicas na mesma, tornando-a
desfavorável ao desenvolvimento do inseto. Além disso, uma cultura que contém a
maioria dos nutrientes necessários ao seu desenvolvimento, mostra-se mais resistente ao
ataque de pragas;
f) alteração da época de plantio e/ou colheita – fazer com que o período de maior
suscetibilidade da planta não coincida com picos populacionais da praga, reduzindo os
danos causados pela mesma;
g) poda ou desbaste – cortar e destruir, principalmente, os ramos de plantas perenes
atacados por brocas, para evitar que as mesmas alcancem o tronco e cause a morte da
planta;
h) irrigação ou drenagem – existem insetos que preferem ambientes secos, e assim, uma
boa irrigação pode desfavorecê-los e, outros se adaptam melhor em locais úmidos,
podendo ser controlados através de uma drenagem. No caso de insetos bastante
diminutos e de tegumento mole (pulgões, tripes, etc.), a irrigação através do sistema de
aspersão pode causar redução de suas populações;
i) cultura armadilha – plantar variedades susceptíveis ao redor ou mesmo no interior da
área de cultivo, para atrair os insetos-praga para as mesmas e, sobre elas realizar o
controle;
j) destruição de hospedeiros alternativos – eliminar plantas que estejam ao redor ou no
interior da área de cultivo, que possam ser utilizadas pelas pragas como fontes
alternativas de alimento e/ou abrigo;
k) destruição manual – catar ou esmagar ovos e lagartas encontrados nas plantas
cultivadas, evitando o seu desenvolvimento;
l) uso de barreiras – formar barreiras com vegetais e/ou mesmo sulcos no solo para
impedir que a praga alcance uma determinada cultura para se alimentar ou utilizála
como abrigo;
m) uso de armadilhas – realizar o monitoramento do crescimento populacional da praga,
auxiliando na tomada de decisão do seu controle;
n) manipulação do ambiente - reduzir ou aumentar a temperatura do ambiente,
tornando-o desfavorável ao desenvolvimento do inseto;
o) liberação, proteção e fomento dos inimigos naturais – utilizar parasitóides,
predadores e entomopatógenos no controle de pragas e procurar mantê-los no
agroecossistema;
p) feromônios – coletar o máximo possível de indivíduos do sexo masculino ou
feminino, evitando o seu acasalamento; impedir que o macho ou a fêmea encontre o seu
parceiro para cópula, devido ao saturamento do ambiente com feromônios sintéticos;
monitorar o crescimento populacional da praga para determinar o momento mais
adequado de seu controle;
q) esterilização de insetos – liberar populações de insetos estéreis para diminuir os
acasalamentos férteis, reduzindo a sua população a cada geração;
r) quarentena – prevenir a entrada de pragas exóticas e impedir a sua disseminação;
s) medidas obrigatórias de controle – destruir os restos de cultura para prevenção contra
o ataque de insetos-praga;
t) fiscalização do comércio de produtos fitossanitários – auxiliar na escolha e na
utilização mais racional de produtos químicos; evitar fraudes em formulações e
estabelecer o limite de tolerância de resíduos tóxicos nos alimentos, bem como períodos
de carência;
u) produtos químicos – a estratégia mais racional é utilizar produtos químicos no
combate de pragas, somente em casos emergências, quando todas as outras alternativas
de controle foram utilizadas.
Pode-se observar que existe um grande número de táticas de controle que podem
ser utilizadas para redução do crescimento populacional de insetos-praga em diferentes
culturas. No entanto, somente algumas delas deverão ser utilizadas em casos
específicos, dependendo da praga, cultura e outros fatores ambientais, que serão
abordados dentro do manejo das culturas.

Estratégias e táticas integradas de manejo das culturas

A seguir estão relacionadas algumas táticas de manejo de insetos-praga para a


cultura do algodoeiro. É importante ressaltar que o MIP, na prática, adquire CARÁTER
REGIONAL E, PORTANTO, UM INSETO-PRAGA PODE SER PRAGA-CHAVE
NUMA REGIÃO E PRAGA SECUNDÁRIA EM OUTRA. Outros aspectos a salientar são:
1) As estratégias básicas utilizadas no MIP são: a) prevenir; b) conter e c) nada
fazer.
2) No MIP as táticas de manejo são selecionadas em função da praga-chave (ou das
pragas-chave) da cultura. Indiretamente, as pragas secundárias serão mantidas abaixo do
nível de controle e só causarão danos econômicos em ocasiões especiais, quando deverão
ser controladas pela utilização de estratégias e táticas específicas para cada caso.

Algodoeiro
1. Praga-chave: Bicudo do algodoeiro, Anthonomus grandis (Coleoptera:
Curculionidae)
Características do inseto/Injúrias: Pequeno besouro marrom-amarelado, de cerca de
10mm de comprimento; rostro longo; dois espinhos no fêmur anterior. Ocorrem até sete
gerações/ano. Ativos das 9 às 17 h. Queda anormal de botões florais, flores e maçãs; pode
causar redução de até 70%.
Período crítico: 50 dias até o final do ciclo da cultura.
Amostragem: 50 ou 100 amostras/ha, em caminhamento “ziguezague” ou demarcando
cinco pontos de amostragem, onde são retirados 10 ou 20 amostras. Frequência das
amostragens: a) Até o florescimento: uma vez/semana; b) Florescimento até o 1 º capulho:
duas vezes/semana; c) 1o capulho até colheita: uma vez/semana.
Nível de controle: 10% das plantas com botões florais danificados (orifício de oviposição
e/ou alimentação) ou um adulto/armadilha de feromônio.
Táticas:
a) Controle cultural: Catação de botões florais e maçãs caídas no solo; arranquio e
destruição dos restos de cultura; cultura armadilha ou plantio isca (20 dias antes do plantio);
plantio de variedades precoces; plantio de soqueira isca para bicudo que irá entrar em
hibernação.
b) Controle biológico: Beauveria bassiana (pesquisa).
c) Controle por comportamento: Feromônio sexual Grandlure (uma armadilha/ha),
utilizado para o monitoramento.
d) Controle químico (principio ativo dos inseticidas registrados): alfacipermetrina,
betaciflutrina, carbaril, ciflutrina, cipermetrina, deltametrina, endosulfan, esfenvalerate,
etofenprox, fenitrotion, fenpropatrina, fenvalerate, fipronil, fosmet, lambdacialotrina,
metidation, metomil, monocrotofós, paration metil, tiametoxam, , zetacipermetrina,
profenofós + cipermetrina.
2. Praga-chave: Lagarta rosada, Pectinophora gossypiella (Lepidoptera: Gelechiidae
Características do inseto/Injúrias: Mariposas com 18-20 mm de envergadura, asas
anteriores de coloração pardacenta com manchas escuras, formando desenhos variados e
asas posteriores franjadas; lagartas de 12mm de coloração rosada. Flor em “roseta” (não
forma maçã); destruição de maçãs (fibras e sementes); maçãs defeituosas, que não se abrem
normalmente.
Período crítico: 80 a 100 dias.
Amostragem: 50 ou 100 amostras/ha, em caminhamento “ziguezague” ou demarcados
cinco pontos de amostragem, onde são retirados 10 ou 20 amostras. Frequência das
amostragens: a) Até o florescimento: uma vez/semana; b) Florescimento até o 1 ° capulho:
duas vezes/semana; c) 1o capulho até colheita: uma vez/semana.
Nível de controle: 5% das plantas com maçãs atacadas ou 10 adultos/armadilha de
feromônio.
Táticas:
a) Controle cultural: Arranquio e destruição dos restos de cultura; iscas para as mariposas.
b) Controle biológico: Controle biológico natural por predadores: Nabis sp. (Nabidae),
Geocoris sp. (Lygaeidae) e Podisus sp. (Pentatomidae). Parasitóide: liberações inundativas
de Trichogramma spp. (100.000 ovos parasitados/ha), uma vez por semana.
c) Controle por comportamento: Feromônio sexual Gossyplure (uma armadilha/ha),
utilizado para confundimento dos machos, evitando o acasalamento da espécie.
d) Controle químico (principio ativo dos inseticidas registrados): alfacipermetrina,
betaciflutrina, carbaril, ciflutrina, cipermetrina, deltametrina, endosulfan, esfenvalerate,
fenpropatrina, fenvalerate, lambdacialotrina, paration metil, permetrina, zetacipermetrina,
profenofós + cipermetrina.
3. Praga-chave: Curuquerê-do-algodoeiro, Alabama argilácea (Lepidoptera: Noctuidae)
Características do inseto/Injúrias: Mariposas com cerca de 30-40mm de envergadura,
coloração marrom-avermelhado, com duas manchas reniformes nas asas anteriores; lagartas
de coloração verde (quando em baixa densidade populacional) a preta (alta densidade
populacional) com listras longitudinais no dorso e pontuações na cabeça.
Causam desfolhamento das plantas.
Período crítico: 90 a 140 dias.
Amostragem: 50 ou 100 amostras/ha, em caminhamento “ziguezague” ou demarcados
cinco pontos de amostragem, onde são retirados 10 ou 20 amostras. Frequência das
amostragens: a) Até o florescimento: uma vez/semana; b) Florescimento até o 1 ° capulho:
duas vezes/semana; c) 1o capulho até colheita: uma vez/semana.
Nível de controle: 22 ou 53% das plantas atacadas por lagartas (maiores ou menores do que
15mm, respectivamente) ou duas lagartas/planta.
Nível de não-ação: 0,5-1,0 predador/lagarta/planta.
Táticas:
a) Controle cultural: Arranquio e destruição dos restos de cultura; iscas para as mariposas.
b) Controle biológico: Controle biológico natural pela ação de predadores: Nabis sp.
(Nabidae), Geocoris sp. (Lygaeidae) e Podisus sp. (Pentatomidae) (pesquisa). Parasitóide:
Trichogramma spp., uma vez por semana, liberações inundativas de 100.000 ovos
parasitados/ha; Inseticida microbiano: Bacillus thuringiensis (bactéria).
c) Controle químico (principio ativo dos inseticidas registrados): abamectina,
alfacimetrina, betaciflutrina, bifentrina, carbaril, cartap, ciflutrina, cipermetrina,
clorfluazuron, clorpirifós, deltametrina, dimetoato, diafentiuron, diflubenzuron, endosulfan,
esfenvalerate, fenitrotion, fenpropatrina, fenvalerate, fipronil, fosmet, lambdacialotrina,
lufenuron, malation, metamidofós, metidation, metomil, monocrotofós, metoxifenozide,
paration metil, permetrina, profenofós, protiofós, spinosad, tebufenozide, teflubenzuron,
tiametoxam, triazofós, triclorfon, triflumuron, zetacipermetrina, profenofós + cipermetrina.

4. Praga-chave: Lagarta-das-maçãs, Heliothis virescens (Lepidoptera: Noctuidae)


Características do inseto/Injúrias: Mariposas com 25-35mm de envergadura, de
coloração verde-pálido, com três listras castanhas e oblíquas na asa anterior; lagartas
grandes com cerca de 40mm de comprimento. Atacam as maçãs e botões, favorecendo a
entrada de patógenos.
Período crítico: 70 a 120 dias.
Amostragem: 50 ou 100 amostras/ha, em caminhamento “ziguezague” ou demarcados
cinco pontos de amostragem, onde são retirados 10 ou 20 amostras. Freqüência das
amostragens: a) Até o florescimento: uma vez/semana; b) Florescimento até o 1º capulho:
duas vezes/semana; c) 1o capulho até colheita: uma vez/semana.
Nível de controle: 20% de ponteiros com ovos e/ou 15% de ponteiros atacados por
lagartas.
Nível de não-ação: 1,0 predador chave/planta.
Táticas:
a) Controle cultural: Arranquio e destruição dos restos de cultura; iscas para mariposas.
b) Controle biológico: Controle biológico natural pela ação de predadores: Nabis sp.
(Nabidae), Geocoris sp. (Lygaeidae) e Podisus sp. (Pentatomidae) (pesquisa). Parasitóide:
Trichogramma spp., uma vez por semana, liberações inundativas de 100.000 ovos
parasitados/ha; Inseticida microbiano: Bacillus thuringiensis (bactéria).
c) Controle químico (principio ativo dos inseticidas registrados): alfacipermetrina,
betaciflutrina, carbaril, ciflutrina, cipermetrina, clorfenapir, clorpirifós, deltametrina,
endosulfan, esfenvalerate, etofenprox, fenpropatrina, fenvalerate, lambdacialotrina,
lufenuron, metamidofós, metomil, metoxifenozide, monocrotofós, naled, paration metil,
permetrina, profenofós, spinosad, triclorfon, triazofós, zetacipermetrina, profenofós +
cipermetrina.

5. Pragas secundárias: pulgões, tripes, ácaros, percevejos, lagarta-docartucho, etc são


consideradas pragas secundárias do algodoeiro, porém quando ocorrem em densidades
populacionais que causem dano econômico, devem ser controladas pela aplicação de
produtos específicos para cada inseto-praga.

BIBLIOGRAFIA RECOMENDADA
CROCOMO, W.B. 1990. Manejo Integrado de Pragas. Botucatu, Ed. UNESP. 358 p.