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PRÉ-DIMENSIONAMENTO DE PERFIS METÁLICOS

LAMINADOS DE ABAS PARALELAS PARA GALPÕES SIMPLES

Daniel Ferraz de Souza – daniel.project@hotmail.com


Prof. Dr. Henrique Furia Silva (orientador) – henrique.furia@gmail.com

RESUMO

Esta pesquisa apresenta uma verificação dos métodos de pré-dimensionamento de perfis


de aço laminado utilizados em galpões simples. Dois estudos de casos de galpões de
diferentes geometrias e carregamentos foram dimensionados e posteriormente ocorreu
uma comparação dos perfis finais com os pré-dimensionados em cada método. A
necessidade desta comparação se deve ao fato de que o profissional precisa dispor de
um perfil próximo à realidade de projeto sem que faça todo o longo processo iterativo
de dimensionamento. Entre outras conclusões importantes a pesquisa concluiu que o
melhor método para pré-dimensionamento de vigas é o critério de determinação pelo
módulo plástico da seção e que o método mais prático para pré-dimensionamento de
pilares é o método que considera uma esbeltez limite. Esta pesquisa visa colaborar na
difusão dos métodos de pré-dimensionamento adotados por diversos autores e também
na comparação real de suas eficiências.
Palavras chave: Pré-dimensionamento; Perfis Laminados; Galpões Simples,

1 INTRODUÇÃO

A opção de se utilizar estruturas metálicas para galpões apresenta várias vantagens


em relação ao concreto armado, protendido ou pré-moldado, por gerar estruturas
esbeltas e leves com possibilidade de vencimento de grandes vãos para diversos fins
(Fotografia 1).
Uma vez adotada a concepção estrutural em aço, na fase de projeto preliminar se
torna necessário um pré-dimensionamento dos perfis, etapa que precede a análise de
dimensionamento estrutural. “Embora seja um pré-dimensionamento, as dimensões dos

1
perfis ficam muito perto das dimensões necessárias após as verificações da
estrutura” (CHAMBERLAIN; FICANHA; FABEANE, 2013, p.14).

Fotografia 1 – Galpão típico em estrutura de aço.

Fonte: Batiments Moinschers1

A NBR 8800 (ABNT; 2008) serve como esteio para a pesquisa. O pré-
dimensionamento, etapa que precede o dimensionamento clássico normatizado, possui
escassez de conteúdo técnico difundido onde cada projetista adota seus critérios e
fórmulas conhecidas em meio científico. O objetivo geral desta pesquisa é a análise dos
critérios de pré-dimensionamento que constam na literatura por meio de verificação do
comportamento estrutural de pórticos metálicos de duas águas com perfis laminados
para galpões simples.

2 METODOLOGIA DA PESQUISA

Para analisar eficiência de pré-dimensionamento é necessário, para o


dimensionamento do pórtico estrutural, adotar todos critérios de acordo com a NBR
8800 (ABNT; 2008). Após a finalização desta etapa, são determinados os perfis que

1
Disponível em: http://www.batimentsmoinschers.com/hangar-metallique-tarif; acesso em abril

de 2017.

2
melhor se adequam para o respectivo sistema estrutural escolhido para cada geometria
de pórtico (Figura 1).

Figura 1 – Fluxograma da pesquisa

Fonte: Elaborado pelo autor

3 O AÇO ESTRUTURAL PARA GALPÕES INDUSTRIAIS

A estrutura metálica entrou de vez no setor de estruturas como solução de grande


viabilidade técnica no desde meados do século XVIII. Com seu processo fabril
aperfeiçoado e com métodos de dimensionamento mais precisos ela se tornou uma boa
opção junto com o concreto armado para diversos tipos de obras. Segundo Pfeil e Pfeil
(2015, p. 5), “com o desenvolvimento da ciência das construções e da metalurgia, as
estruturas metálicas adquiriram formas funcionais e arrojadas”.

3.1 AÇO ESTRUTURAL LAMINADO

Os aços estruturais laminados a quente são muito utilizados para a estrutura de


galpões. Os laminadores das usinas “produzem perfis de grande eficiência estrutural em
forma de H, I, C, e L, os quais são denominados correntemente de perfis laminados”
(PFEIL e PFEIL, 2015, p.20).
Os perfis C são correntemente denominados de perfis U. Composto por uma alma
e duas abas paralelas. Os perfis L são correntemente denominados de cantoneiras e são
compostos apenas por duas abas iguais ou de tamanhos diferentes perpendiculares entre
si. Os perfis I são perfis compostos por uma alma e duas mesas de faces internas
inclinadas. Os perfis H são perfis compostos por uma alma e duas mesas de faces
paralelas.

3
Perfis I e H são considerados como perfis W (“wide flange” pelo padrão
americano) compostos por uma alma e duas mesas (Desenho 1).

Desenho 1 – Perfis Laminados

Fonte: Elaborado pelo autor

3.2 GALPÕES SIMPLES DE PERFIS LAMINADOS DE ABAS PARALELAS

Segundo Bellei (1998, p.110) “edifícios industriais são construções, geralmente de


um pavimento, que tem por finalidade cobrir grandes áreas destinadas a diversos fins”.
A concepções estrutural para galpões que será objeto de nosso estudo é a composta de
duas colunas e tesoura de duas águas de perfis laminados de abas paralelas, que formam
o pórtico da estrutura (Desenho 2).

Desenho 2 – Componentes de um galpão industrial simples

Fonte: Pfeil e Pfeil, 2015, p. 33.


4
3.3 PRÉ-DIMENSIONAMENTO DE ELEMENTOS DO PÓRTICOS SIMPLES

O pré-dimensionamento é importante para profissionais quando na concepção das


formas estruturais precisam fazer estimativas preliminares de pesos e custos antes do
dimensionamento em si. Ou seja, o pré-dimensionamento serve para que o profissional
avalie as dimensões necessárias dos perfis antes de calculá-la (REBELLO, 2007).

3.3.1 PRÉ-DIMENSIONAMENTO DE PILARES DOS PÓRTICOS

A maior preocupação com pilares esbeltos de aço é o fenômeno de flambagem. Os


perfis laminados mais comuns usados em pilares são o perfil H.

3.3.1.1 Método de Chamberlain

Para Chamberlain, Ficanha e Fabeane (2013) o pré-dimensionamento de pilares


pode ser feito por meio da relação altura da seção transversal em torno do eixo de maior
inércia (L) e a altura do pilar (L) (Tabela 1).

Tabela 1 – Pré-dimensionamento de pilares por relações empíricas

Fonte: Chamberlain; Ficanha; Fabeane, 2013, p.15.

3.3.1.2 Método de Silva e Pannoni

Silva e Pannoni (2010) propõem uma verificação de altura de flambagem em pré-


dimensionamento. Seus ábacos correlacionam capacidade de força normal “N”, largura

5
da mesa “b, espessura da mesa “tf”, e o comprimento de flambagem  f (Gráfico 1). A
tensão de escoamento “ f y ” dos ábacos é de 25 kN/cm².

Gráfico 1 – Força normal N em função do comprimento de flambagem para diversas espessuras


de mesas com 20 cm de largura (b=20cm)

.
Fonte: Silva; Pannoni, 2010, p. 193.

3.3.1.3 Método Rebello para pilares e vigas

Rebello (2007) adota para pré-dimensionamento fórmulas empíricas para pórticos


de vigas e colunas de perfis laminados (Desenho 3).

Desenho 3 – Dimensões dos pilares

Fonte: Rebello, 2007, p. 92.

6
3.3.1.4 Método pela determinação da esbeltez

A norma NBR 8800 (ABNT; 2008) item 5.3.4.1 determina que barras
comprimidas possuem seu índice de esbeltez determinado pela relação:

K: coeficiente de flambagem determinado pelo seu tipo de vinculação de acordo


com tabela E.1 do Anexo E da NBR8800 (ABNT;2008)
L: comprimento de flambagem
r: raio de giração correspondente ao eixo de menor inércia.
Adotando um índice arbitrário de esbeltez de valor 100, sabendo o comprimento
de flambagem L e o coeficiente de flambagem K pode-se chegar a um valor de raio de
giração r e por este encontrar um perfil pré-dimensionado.

3.3.2 PRÉ-DIMENSIONAMENTO DE VIGAS DOS PÓRTICOS

A principal preocupação com vigas de aço é o fenômeno de flambagens locais de


mesa superior comprimida e alma que são resultados da flexão da viga. Os perfis
laminados mais comuns usados em vigas são o perfil I.

3.3.2.1 Método de Margarido

“Para o aço, pode-se adotar a altura da viga como 1/15 a 1/25 da distância entre
pontos de momento nulo” (MARGARIDO, 2007, p.257). Este método considera vigas
isostáticas. Na hipótese de vigas hiperestáticas Margarido (2007) diz que a distância
entre os momentos nulos no vão está aproximadamente é a de 80% do comprimento
total, ou seja, o momento nulo está afastado 10% do comprimento total em cada apoio
(Desenho 4).

7
Desenho 4 – Deformada de um pórtico rígido

Fonte: Margarido, 2007, p. 255.

3.3.2.2 Método de Silva e Pannoni

A falta de travamento lateral na mesa permite que ocorra flambagem lateral do


perfil. “Se os travamentos forem discretos ou não existirem, o dimensionamento deve
ser tal que evite a flambagem lateral” (SILVA; PANNONI, 2010, p. 207). Silva e
Pannoni (2010) propõem um gráfico (Gráfico 2) para viga sem travamento lateral desde
que largura da mesa e raio de giração da seção transversal que são dados geométricos
obedeça a relação: .

bf: largura da mesa


rt: raio de giração da seção transversal
lb: distância entre travamentos laterais
bf: largura da mesa
M: Momento fletor majorado com coeficiente global de segurança 1,55
Wx: Módulo resistente em torno do eixo x-x de maior inércia
d: altura da seção transversal
tf: espessura da mesa do perfil

8
Gráfico 2 – Gráfico de pré-dimensionamento para vigas sujeitas a flambagem lateral

Fonte: Silva; Pannoni, 2010, p. 207.

3.3.2.3 Método pelo Módulo Plástico Z

O módulo resistente plástico, Z, é uma função geométrica análoga ao módulo de


resistência elástico W que é a razão entre a inércia do perfil em torno do eixo analisado
e a distância entre a extremidade da secão transversal e a superfície neutra.
Adotando o momento plástico como o momento solicitante majorado em 55%
pode-se chegar a um valor de módulo resistente plástico Zx dividindo pela tensão de
escoamento:

Uma vez que se tem o modulo plástico Z pode-se adotar um perfil.

4 DIMENSIONAMENTO DOS PÓRTICOS

Foram avaliados dois pórticos de galpões industriais construídos com perfis


laminados de abas paralelas, parametrizados conforme a geometria e os tipos de
carregamentos a fim de permitir avaliar diferentes situações de projeto.

9
O Galpão 1 possui vão de 10 metros de vão com altura de 5,5 metros e
espaçamento entre pórticos de 5 metros (Desenho 5). A inclinação da cobertura adotada
foi de 10% (5,71°). A velocidade básica do vento adotada é de 40 m/s.
O Galpão 2 possui vão de 15 metros de vão com altura de 7,5 metros e
espaçamento entre pórticos de 5 metros (Desenho 5). Inclinação da cobertura adotada
foi de 10% (5,71°). A velocidade básica do vento adotada é de 35 m/s.

Desenho 5 – Geometria dos pórticos dos Galpões 1 e 2.

Fonte: Elaborado pelo autor

O aço utilizado nos dimensionamentos possui as seguintes características:

 módulo de elasticidade E=200000 MPa.


 coeficiente de Poisson v=0,3.
6
 coeficiente de dilatação térmica β = 12 x 10 °C 1 .
 Massa específica =7850 kg/m³.
 Aço ASTM A36 com fy=25 kN/cm²
Os valores de peso próprio foram definidos de acordo com a NBR 6120 (ABNT;
1980).
Para determinar carregamento de vento foi usado programa para cálculo de
esforço devido ao vento de edificações, segundo NBR 6123/1988, Visual Ventos, da
Universidade Federal de Passo Fundo (Desenho 6).
Hipóteses simplificadoras adotadas:
 Construção fechada, sem aberturas com faces permeáveis.
 Fator topográfico S1=1,0, Fator estatístico S3=1,0
 Fator de Rugosidade S2 para categoria III e classe A;

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Desenho 6 – Resultados de carregamento de vento pelo software Visual Ventos

Fonte: Visual Ventos

Para determinação dos esforços solicitantes foi utilizado o software de modelagem


estrutural SAP2000 (Desenho 7). Todas as ligações dos modelos dos pórticos foram
consideradas como rígidas.

Desenho 7 – Efeitos de flexão dos modelos SAP2000 para vento 90°

Fonte: SAP2000

4.1 RESULTADOS DOS DIMENSIONAMENTOS

Para o dimensionamento foram verificados todos os critérios da norma NBR 8800


(ABNT; 2008) pelo Método dos Estados Limites Últimos (ELU):
11
 Resistência à compressão axial (NcRd), resistência à flexão em torno do
eixo de maior inércia (MxRd) e verificação de efeitos de flexo-
compressão para pilares
 Resistência à flexão simples em torno do eixo de maior inércia (MxRd) e
resistência à cisalhamento para vigas (VRd)

4.1.1 PILARES DIMENSIONADOS

Os cálculos foram feitos com auxílio de tabelas de cálculos para que os processos
iterativos fossem realizados com maior precisão.

4.1.1.1 Pilares Galpão 1

Os perfis laminados mais eficientes para os pilares do Galpão 1 estão na Tabela 2


de acordo com o critério de menor peso. A compressão axial solicitante de cálculo
(NcSd) foi de 21,23 kN e a flexão solicitante de cálculo (MxSd) foi de 4780 kN.cm.

Tabela 2 – Perfis que melhor atendem como pilares Galpão 1

Fonte: Autor

4.1.1.2 Pilares Galpão 2

Na Tabela 3 estão os perfis mais eficientes para pilar do Galpão 2. A compressão


axial solicitante de cálculo (NcSd) foi de 35,61 kN e a flexão solicitante de cálculo
(MxSd) foi de 7179 kN.cm.

12
Tabela 3 – Perfis que melhor atendem como pilares Galpão 2

Fonte: Autor

4.1.2 VIGAS DIMENSIONADAS

Os cálculos foram feitos com auxílio de tabelas de cálculos para que os processos
iterativos fossem realizados com maior precisão.

4.1.2.1 Vigas Galpão 1

Os perfis laminados mais eficientes para as vigas do Galpão 1 estão na Tabela 4


de acordo com o critério de menor peso. O esforço cortante solicitante de cálculo (VSd)
foi de 22,02 kN e a flexão solicitante de cálculo (MxSd) foi de 3324 kN.cm.

Tabela 4 – Perfis que melhor atendem como vigas para Galpão 1

Fonte: Autor

13
4.1.2.2 Vigas Galpão 2

Os perfis laminados mais eficientes para as vigas do Galpão 2 estão na Tabela 5


de acordo com o critério de menor peso. O esforço cortante solicitante de cálculo (VSd)
foi de 28,45 kN e a flexão solicitante de cálculo (MxSd) foi de 5746 kN.cm.

Tabela 5 – Perfis que melhor atendem como vigas para Galpão 2

Fonte: Autor

5 COMPARAÇÃO DOS MÉTODOS DE PRÉ-DIMENSIONAMENTO COM


PERFIS FINAIS DIMENSIONADOS DOS GALPÕES

Uma vez que foram feitos todos dimensionamentos e agora de posse dos perfis
mais econômicos (Desenho 8) fez-se uma comparação com os perfis que cada critério
de pré-dimensionamento prevê. A ordem de eficiência dos perfis é determinada pelo seu
peso, quanto mais leve mais eficiente.

14
Desenho 8 – Perfis dimensionados mais eficientes para os pórticos dos galpões

Fonte: Autor

5.1 VIGAS DIMENSIONADAS X VIGAS PRÉ-DIMENSIONADAS

O perfil pré-dimensionado pelo Método Margarido (2010) para viga do Galpão 1


é o 17º mais econômico (Tabela 6).

Tabela 6 – Comparação de eficiência da viga mais econômica para pré-dimensionada do Galpão


1 segundo Método Margarido

Fonte: Autor

O perfil pré-dimensionado pelo Método Margarido (2010) para viga do Galpão 2


é o 7º mais econômico (Tabela 7).

Tabela 7 – Comparação de eficiência da viga mais econômica para pré-dimensionada do Galpão


2 segundo Método Margarido

Fonte: Autor

15
O perfil pré-dimensionado pelo Método Silva e Pannoni (2010) para viga do
Galpão 1 é o 3º mais econômico (Tabela 8).

Tabela 8 - Comparação de eficiência da viga mais econômica para pré-dimensionada do Galpão


1 segundo Método Silva e Pannoni

Fonte: Autor

O perfil pré-dimensionado pelo Método Silva e Pannoni (2010) para viga do


Galpão 2 é o 14º mais econômico (Tabela 9).

Tabela 9 - Comparação de eficiência da viga mais econômica para pré-dimensionada do Galpão


2 segundo Método Silva e Pannoni

RESISTÊNCIA À USO DE RESISTÊNCIA À USO DE


ORDEM DE
PERFIS FLEXÃO MxRd CAPACIDADE DE CISALHAMENTO CAPACIDADE PESO/m
EFICIÊNCIA
(kN) COMPRESSÃO VRd (kN.cm) DE FLEXÃO
1º W 310 x 38,7 5896 97% 245 11,6% 38,7
14º W 200 x 59,0 (H) 12142 47,3% 261 10,9% 59,0
Fonte: Autor

O perfil pré-dimensionado pelo Método do Módulo Plástico para viga do Galpão


1 é o 3º mais econômico (Tabela 10).

Tabela 10 - Comparação de eficiência da viga mais econômica para pré-dimensionada do


Galpão 1 segundo Método do Módulo Plástico

Fonte: Autor

O perfil pré-dimensionado pelo Método do Módulo Plástico para viga do Galpão


2 é o 2º mais econômico (Tabela 11).

16
Tabela 11 - Comparação de eficiência da viga mais econômica para pré-dimensionada do
Galpão 2 segundo Método do Módulo Plástico

Fonte: Autor

O pré-dimensionamento pelo Método REBELLO (2007) para vigas estipulou


perfil que não passou à resistência de flexão. A pesquisa adota como análise qualitativa
que o pré-dimensionamento deva estimar um perfil que passe na verificação final
mesmo que de forma conservadora.

5.2 PILARES DIMENSIONADOS X PILARES PRÉ-DIMENSIONADOS

O perfil pré-dimensionado pelo Método Silva e Pannoni (2010) para pilar do


Galpão 1 é o 11º mais econômico (Tabela 12).

Tabela 12 – Comparação de eficiência do pilar mais econômico para pré-dimensionado do


Galpão 1 segundo Método Silva e Pannoni

Fonte: Autor

O comprimento de flambagem do Galpão 2 em torno do eixo que está sendo


calculado é de 750 cm. Os gráficos de Silva e Pannoni (2010) atendem até o limite de
comprimento de flambagem de 600 tornando o Método impróprio para situação.
O perfil pré-dimensionado pelo Método da determinação da esbeltez para pilar do
Galpão 1 é o 23º mais econômico (Tabela 13).

Tabela 13 – Comparação de eficiência do pilar mais econômico para pré-dimensionado do


Galpão 1 segundo Método determinação da esbeltez

Fonte: Autor
17
O perfil pré-dimensionado pelo Método da determinação da esbeltez para pilar do
Galpão 2 é o 32º mais econômico (Tabela 14).

Tabela 14 – Comparação de eficiência do pilar mais econômico para pré-dimensionado do


Galpão 2 segundo Método determinação da esbeltez

Fonte: Autor

O critério de pré-dimensionamento de Chamberlain, Ficanha e Fabeane (2013) é


para pilares de 10 a 15 metros. Como os pilares dos Galpões 1 e 2 são de 5 e 7,5 metros
respectivamente este Método se torna inadequado para situação.
O Método Rebello (2007) é bastante simplista e pré-dimensionou um pilar
bastante pesado para o Galpão 1 sendo apenas o 43º mais eficiente. Para o Galpão 2 o
pilar pré-dimensionado não passou à resistência de compressão tampouco de flexão. A
pesquisa adota como análise qualitativa que o pré-dimensionamento deva estimar um
perfil que passe na verificação final mesmo que de forma conservadora.

5.3 ANÁLISE DE EFICIÊNCIA DOS PRÉ-DIMENSIONAMENTOS

As tabelas de análise de pré-dimensionamentos (Tabela 15 e Tabela 16)


descrevem os resultados de cada Método abordado nesta pesquisa. A tabela aborda a
aplicabilidade de cada Método e também os coloca em uma ordem de eficiência pelo
critério de menor peso e consequentemente economia.

Tabela 15 – Análise de eficiência dos pré-dimensionamentos do Galpão 1.

TABELA DE ANÁLISE DE PRÉ-DIMENSIONAMENTOS GALPÃO 1


ORDEM DE
MÉTODO DE PRÉ- FUNÇÃO EFICIÊNCIA POR
ESTRUTURAL APLICABILIDADE DO MÉTODO PESO DO PERFIL
DIMENSIONAMENTO
DO PERFIL PRÉ-
DIMENSIONADO
Critério simplificado de altura d do perfil
MARGARIDO (2007) VIGA em função do vão. Adequado quando 17º
usado seu índice mais conservador de
d=1/15 do vão.

18
Extremamente eficiente. O gráfico abrange
VIGA muitos parâmetros possibilitando um 3º
resultado bem próximo da realidade.
SILVA E PANNONI
Inadequado para galpões simples mais
(2010)
PILAR leves. Ábaco não atende perfeitamente a
11º
cargas mais leves. Seu uso para este tipo de
estrutura leve não é recomendado.
Pré-dimensionamento feito por meio da
relação altura da seção transversal em
CHAMBERLAIN,
PILAR torno do eixo de maior inércia (H) e a altura Incapacidade de
FICANHA E FABEANE
do pilar (L) onde H/L pode ser adotado determinação
(2013)
como 1/15. Este critério é para pilares de
10 a 15 metros.
A viga pré-dimensionada não passou à
resistência de flexão. A pesquisa adota
VIGA como análise qualitativa que o pré- Incapacidade de
dimensionamento deva estimar um perfil determinação
REBELLO (2007) que passe na verificação final mesmo com
folga.
Método funcional porém conservador.
PILAR Estima a altura d da seção transversal do
43º
pilar como sendo a altura da seção da viga
do pórtico ou 1/25 da altura do pilar.
Método eficiente e direto por fórmula
empírica. Adotando a razão do momento
MÉTODO
plástico Mpl (momento solicitante)
PELO MÓDULO VIGA 3º
majorado e a tensão de escoamento fy
PLÁSTICO
pode-se chegar a um valor de módulo
resistente plástico Zx. Zx≥(1,55×Mpl)/fy.
Método funcional porém conservador.
Adotando um índice de esbeltez arbitrário
MÉTODO PELA igual a 100 e o coeficiente de flambagem
PILAR 23º
ESBELTEZ igual a 1 chega-se a um valor de raio de
giração que pode ser usado para
determinar o perfil.
Fonte: Autor

Tabela 16– Análise de eficiência dos pré-dimensionamentos do Galpão 2.

TABELA DE ANÁLISE DE PRÉ-DIMENSIONAMENTOS GALPÃO 2


ORDEM DE
FUNÇÃO EFICIÊNCIA POR
MÉTODO DE PRÉ-
ESTRUTURAL APLICABILIDADE DO MÉTODO PESO DO PERFIL
DIMENSIONAMENTO
DO PERFIL PRÉ-
DIMENSIONADO
Critério simplificado de altura d do perfil
em função do vão. Adequado quando
MARGARIDO (2007) VIGA 7º
usado seu índice mais conservador de
d=1/15 do vão.
Adequado para o caso. O gráfico abrange
SILVA E PANNONI
VIGA muitos parâmetros possibilitando um 14º
(2010)
resultado próximo da realidade.
19
Os gráficos atendem até o limite de
SILVA E PANNONI comprimento de flambagem de 600 cm. Incapacidade de
PILAR
(2010) Por isto este método é inadequado para determinação
situação.
CHAMBERLAIN, Este critério é para pilares de 10 a 15
Incapacidade de
FICANHA E FABEANE PILAR metros. Como o caso estudado é de 7,5 determinação
(2013) metros este método se torna inadequado.
A viga pré-dimensionada não passou à
resistência de flexão. A pesquisa adota
Incapacidade de
VIGA como análise qualitativa que o pré-
determinação
REBELLO (2007) dimensionamento deva estimar um perfil
que passe na verificação final,
O pilar pré-dimensionado não passou à
Incapacidade de
PILAR resistência de compressão tampouco de
determinação
flexão.
Método eficiente e direto por fórmula
empírica. Adotando a razão do momento
MÉTODO PELO plástico Mpl (momento solicitante)
VIGA 2º
MÓDULO PLÁSTICO majorado e a tensão de escoamento fy
pode-se chegar a um valor de módulo
resistente plástico Zx. Zx≥(1,55×Mpl)/fy.
Método funcional porém conservador.
Adotando um índice de esbeltez arbitrário
MÉTODO PELA igual a 100 e o coeficiente de flambagem
PILAR 32º
ESBELTEZ igual a 1 chega-se a um valor de raio de
giração que pode ser usado para
determinar o perfil.
Fonte: Autor

6 CONSIDERAÇÕES FINAIS

Esta pesquisa adota como critério de avaliação do método o fato do perfil pré-
dimensionado, ainda que de modo conservador, deva atender todos os requisitos e
verificações para Estados Limites Últimos da NBR 8800 (ABNT;2008) calculados nos
estudos de caso para Galpão 1 e Galpão 2. Considera também como forma de
comparação entre métodos o critério econômico de peso do perfil. Após todos os
cálculos de verificações chegou-se aos perfis mais eficientes em critério de peso. Tendo
o resultado dos pré-dimensionamentos pôde-se então constatar esta proximidade ou não.
Alguns métodos resultaram em perfis próximos a realidade tanto para pilares
quanto para vigas. Outros não tiveram mesmo desempenho. Alguns são especificamente
para vigas e outros para pilares. Alguns métodos não possibilitaram a verificação por
limitar dimensões dos perfis ou se demonstraram bastante ineficientes e imprecisos.

20
6.1 CONCLUSÕES DO TRABALHO

Após os cálculos foi possível chegar às principais conclusões:


1. O método mais eficiente para pré-dimensionamento de vigas é de determinação
pelo módulo plástico da seção. Os gráficos para vigas de SILVA E PANNONI
(2010) obtiveram bons resultados. O Método MARGARIDO (2007) para pré-
dimensionamento de vigas obteve resultados satisfatórios.
2. O método mais eficiente para pré-dimensionamento de pilares que resulta em
perfil mais próximo ao final dimensionado é o critério de SILVA E PANNONI
(2010). O Método pela esbeltez limite também obteve resultados menos
precisos mas ganha na praticidade de uso por ser mais direto.
3. Alguns pré-dimensionamentos possuem incapacidade de determinação por
limitação de geometria ou por pré-dimensionar um perfil com capacidades
resistentes baixa para o caso.

6.2 SUGESTÕES PARA TRABALHOS FUTUROS

Como possíveis trabalhos futuros pode-se apontar:


 Estudos para Determinação de ábacos de pré-dimensionamento para perfis
laminados submetidos à esforços de flexo-compressão.
 Verificação de comportamento de perfis pré-dimensionados em relação
aos deslocamentos e deformações e demais Estados Limites de Serviço.

PRE-DESIGN OF STEEL I-SHAPED SECTIONS FOR SIMPLE SHEDS

ABSTRACT

This research presents a verification of the pre-design methods of steel I-shaped sections
used in simple sheds. Two case studies of sheds of different geometries and loads were
designed and later a comparison of the final I-shaped sections with the pre-design ones
in each method. The need for this comparison is due to the fact that the professional
often for preliminary non-executive purposes needs to have a I-shaped sections close to
the reality of the project without doing all the iterative process that is slow and can only
be done by a qualified engineer. Among other important conclusions the research
21
concludes that the best method for pre-design of beams is the criterion of determination
by the plastic section modulus and that the most practical method for pre-design of
beams-columns is the method that considers a slenderness limit. This research aims to
collaborate not only in the diffusion of the pre-design methods adopted by several
authors but also in the actual comparison of their efficiencies.
Keywords: Pre-design; I-shaped sections; Simple Sheds.

7 REFERÊNCIAS

AMERICAN INSTITUTE OF STEEL CONSTRUCTION. ANSI/AISC 360-10:


Specification for Structural Steel Buildings. Chicago, Illinois: AISC, 2010. 609 p.

ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS. ABNT NBR 8800:2008:


Projeto de Estruturas de Aço e de Estruturas Mistas de Aço e Concreto de Edifícios. 2ª
ed. Rio de Janeiro: ABNT, 2008. 609 p.

ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS. NBR 6123: Forças Devido


Vento nas Edificações.1 ed. Rio de Janeiro: ABNT, 1988. 66 p.

ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS. NBR 6120:1980: Cargas


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